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TCC - 2016 - Adoção por casais Homoafetivos - Correto -
Formatado - Finalizado
Direito (Anhanguera Educational)
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A Studocu não é patrocinada ou endossada por nenhuma faculdade ou universidade
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ANHANGUERA EDUCACIONAL
CENTRO UNIVERSITÁRIO ANHANGUERA LEME
DIREITO
PRISCILA CRISTINA RIBEIRO DE OLIVEIRA
A POSSIBILIDADE DA ADOÇÃO POR CASAIS
HOMOAFETIVOS
LEME 2016
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PRISCILA CRISTINA RIBEIRO DE OLIVEIRA
A POSSIBILIDADE DA ADOÇÃO POR CASAIS
HOMOAFETIVOS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao curso de Direito do Centro Universitário
Anhanguera Leme requisito parcial à
obtenção do título de Bacharel em Direito.
Orientadora: Professora Especialista Cecília
Rodrigues Frutuoso Hildebrand. 
LEME 2016
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PRISCILA CRISTINA RIBEIRO DE OLIVEIRA
A POSSIBILIDADE DA ADOÇÃO POR CASAIS
HOMOAFETIVOS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao curso de Direito do Centro Universitário
Anhanguera Leme como requisito parcial à
obtenção do título de Bacharel em Direito.
Leme, ____ de ______________de 2016.
_________________________________
Professora Especialista Cecília Rodrigues Frutuoso Hildebrand
Centro Universitário Anhanguera Leme
_________________________________
Examinador:
Centro Universitário Anhanguera Leme
_________________________________
Examinador:
Centro Universitário Anhanguera Leme
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Dedico esta monografia aos meus pais,
que sempre estiveram ao meu lado me
apoiando durante toda essa trajetória,
fazendo com que eu nunca desistisse do
início de um sonho que tem muito para se
realizar.
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AGRADECIMENTOS
Agradeço a esta Universidade de Ensino que através de seu corpo docente,
direção e administração, oportunizaram a mim, a janela que hoje vislumbro um
horizonte novo e superior, pela pura confiança no mérito e ética aqui presentes.
Agradeço imensamente a minha mãe Néia, heroína que me deu apoio,
incentivo nas horas difíceis, de desânimo e cansaço.
Ao meu pai que apesar de todas as dificuldades me fortaleceu e que para
mim foi também muito importante.
Obrigada aos meus familiares, que nos momentos de minha ausência
dedicados ao estudo, sempre fizeram entender que o futuro é feito a partir da
constante dedicação no presente.
Meus agradecimentos aos amigos que na amizade fizeram parte da minha
vida e da minha formação, me ajudando quando necessário e acreditando em mim,
quando nem eu mesma acreditava, e com a certeza de que sempre permanecerão
comigo.
Por fim, agradeço a todos os professores que me ajudaram durante todo esse
período de graduação, mas em particular, agradeço à professora e minha
orientadora Especialista Cecília Rodrigues Frutuoso Hildebrand, por me proporcionar
o conhecimento não apenas racional, mas a manifestação do caráter e afetividade
da educação no processo de formação profissional, por tanto que se dedicou a mim,
não somente por ter me ensinado, mas por ter me feito aprender e principalmente a
acreditar no meu potencial, assim como ela acreditou.
A todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação, o meu
muito obrigada.
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“A injustiça que se faz a um, é uma
ameaça que se faz a todos.”
(Montesquieu)
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RESUMO
A noção de família variou ao longo dos tempos, passou por um processo de
transformações e ainda evolui ininterruptamente, interatuando com a sociedade e
mesmo assim ainda se fala muito em tempos atuais que existe preconceito
relacionado aos Homoafetivos e isso pode afetar um processo de adoção. Deste
modo o objetivo principal deste trabalho é identificar a possibilidade de adoção numa
relação homoafetiva. O presente estudo caracteriza-se como exploratório, que se
apresenta com procedimento bibliográfico com abordagem qualitativa por meio de
artigos, livros e revistas, acrescidos de informações colhidas em trabalhos já
produzidos sobre o tema. Tratando-se a dignidade um elemento que caracteriza e
qualifica a pessoa humana, não há distinção para qual pessoa se refere, englobando
toda a família, visando tal princípio, inclusive, proteger o ser humano, não podem os
homoafetivos serem discriminados por escolherem ser “diferentes” e devendo sua
família ser protegida perante as relações familiares, pelo Estado. Verificou-se que o
preconceito é tão grande quando o assunto é adoção que os argumentos que as
pessoas utilizam para que se opõem à adoção de crianças por homossexuais é de
que existiria o perigo da identificação das crianças com o modelo dos pais. Conclui-
se que o projeto do Estatuto da Família, nos moldes que foi desenvolvido e vem
sendo defendido por muitos, acaba traduzindo que existe uma grande homofobia
parlamentar.
Palavras-Chave: Adoção. Homoafetiva. Família. 
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ABSTRACT
TheEm relação à natureza jurídica desse instituto, inúmeras são as posições. No
entanto, Paulo Lôbo afirma que “a adoção é ato jurídico em sentido estrito, de
natureza complexa, pois depende de decisão judicial para produzir seus efeitos. Não
é negócio jurídico unilateral.” (2009, p. 251).
Para a professora Maria Helena Diniz:
Adoção vem a ser o ato jurídico solene pelo qual, observados os requisitos
legais, alguém estabelece, independentemente de qualquer relação de
parentesco consanguíneo ou afim, um vínculo fictício de filiação, trazendo
para sua família, na condição de filho, pessoa que, geralmente, lhe é
estranha. (2009, p. 1146).
Ao ser instituído o vínculo de filiação por adoção, a partir do trânsito em
julgado e o registro de nascimento os efeitos jurídicos desse ato passam a vigorar.
Nessa seara, Gonçalves enfatiza que:
Os principais efeitos da adoção podem ser divididos em de ordem pessoal e
patrimonial. Os de ordem pessoal dizem respeito ao parentesco, ao poder
familiar e ao nome; os de ordem patrimonial, concernentes aos alimentos e
ao direto sucessório. (GONÇALVES, 2008, p. 124).
Assim, a adoção gera um parentesco civil entre o adotante e o adotado. O
filho adotivo é equiparado ao filho biológico com os mesmos direitos e deveres,
inclusive os sucessórios. O adotado, no entanto, tem o direito de conhecer a sua
origem biológica, pois segundo leciona Lôbo, “tal direito tem natureza no direito da
personalidade, que é inato, personalíssimo, individual” (2009, p. 266), segundo
estabelece a redação do art. 48 do ECA, assegurando, assim, o direito ao adotado
de conhecer sua origem biológica, bem como de obter acesso irrestrito ao processo
no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes, após completar 18 anos.
Uma vez estabelecido o vínculo de adoção, essa se torna irrevogável e,
mesmo com a morte dos adotantes, não será restabelecido o poder familiar dos pais
biológicos. Dessa forma, torna-se impossível a alteração do referido instituto pelas
partes, como demonstra Lôbo:
A condição de filho jamais poderá ser impugnada pelo pai ou mãe que o
adotaram, nem o filho poderá impugnar a nova paternidade ou maternidade,
inclusive quando atingir a maioridade, por consequência, o filho que foi
adotado não poderá promover investigação de paternidade ou maternidade
biológico. (2009, p. 250).
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No âmbito patrimonial são de duas ordens os efeitos: no tocante ao direito
sucessório, já que o adotando passar a ser herdeiro legítimo, concorrendo na ordem
de vocação hereditária de igual forma com os demais descendentes e cônjuge,
conforme artigo 1.829, do Código Civil (VENOSA, 2005p.326) por força do artigo
226, §6º, da Carta Política Federal; e no que concerne ao direito de alimentos
inerente aos deveres do poder familiar, visto que este, com a adoção é transferido
aos adotantes, extinguindo-se a obrigação alimentar dos pais de sangue.
(RIZZARDO, 2004 p.547).
4.6 Problemas da Adoção no Brasil
Torna-se importante destacar que de acordo com a Lei Nacional da Adoção,
considera-se que o tempo máximo de permanência da criança ou do adolescente
em um abrigo é de até dois anos. O problema já começa daí, pois destaca-se que na
prática, a demora da Justiça para avaliar e resolver a situação de cada criança ou
adolescente faz com que esse prazo seja ultrapassado na maioria dos casos.
De acordo com a análise dos dados do Cadastro Nacional da Adoção e do
Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes, existem hoje quase 33 mil famílias
na lista de espera no Cadastro Nacional da Adoção, e aproximadamente 44 mil
crianças e adolescentes em situação de acolhimento, sendo que somente 5.500
crianças estão no cadastro nacional de adoção em condições de serem adotadas,
ou seja, para cada criança pronta para adoção existem seis pessoas dispostas em
acolhê-la, mas a discrepância entre o perfil desejado e os que se encontram para
adoção impede que os dados mudem (SENADO FEDERAL, 2013).
A realidade demonstra que o tempo que leva para que se efetive a adoção
pode ser bem variável, há casos em que a adoção ocorre de forma rápida, bastando
apenas alguns meses para que seja concluída. Entretanto, na maioria das vezes, ela
se arrasta e leva anos, para se concretizar. Nesse sentido, destaca-se a afirmação
de Welter citado por Dias a respeito do processo de adoção:
Sustenta Belmiro Pedro Welter, não sem razão, a inconstitucionalidade do
tortuoso, moroso e desacreditado processo de adoção judicial. O autor
preconiza a dispensabilidade do cumprimento de todos os requisitos legais
(1618 a 1629 e ECA 39 a 52), sob fundamento de que o reconhecimento do
filho afetivo é consensual e voluntário. Argumenta ainda, ser inútil a via
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judicial, ou quando é dispensável o consentimento dos pais, por se tratar de
infante em estado de vulnerabilidade social (1621§ 1º e 1624). (2010).
Por sua vez Freitas em seus escritos também critica o processo da adoção
destacando que:
A adoção no Brasil é extremamente problemática, tanto pela falta de
estrutura – processos de habilitação (para que o adotante se torne apto para
a adotar) chegam a levar um a dois anos, em algumas comarcas –, como
também, pela própria cultura de adoção no Brasil (ainda muito recente),
onde o perfil exigido pelos adotantes geralmente são de crianças brancas,
sem irmãos e recém nascidas, ao contrário de outros países (onde a adoção
é praticada em grande volume desde a primeira Grande Guerra) que
adotam crianças mais velhas, geralmente com irmãos e independentemente
da cor. (2014).
Outro problema a ser mencionado é a adoção por solteiros, tanto homem
como mulher, também conhecida como adoção monoparental segue o mesmo
caminho dos demais pretendentes. Mas enfrenta preconceito pelo fato de faltar uma
figura materna ou paterna em tal processo. Hoje no Brasil, o percentual das famílias
monoparentais vêm crescendo sistematicamente, as pessoas estão mudando a
visão quanto a isso e adequando um lar estável para criar um filho sozinho. Weber
(2011) embasando-se nas pesquisas científicas de todo o mundo, nos mostra que a
adoção realizada somente por uma pessoa não traz maiores dificuldades de
comportamentos dos filhos, ou seja, a adaptação de um filho adotivo por uma
pessoa solteira é comparável às outras formas de família adotiva.
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5 ADOÇÃO HOMOAFETIVA
5.1 Homoafetividade
A homossexualidade desde a primitividade sempre foi presente nas mais
diferentes civilizações e culturas. Como bem proclamou Cunha, in Pinheiro (2005) "a
homossexualidade tem desde que o mundo é mundo", precede qualquer modelo de
conduta que, por acaso, o legislador tenha imaginado colocar em moldes
normativos. A prática de atos homossexuais está inserta no conjunto da história da
própria humanidade, tendo em vista sua aceitação, ainda que com algumas
restrições, na Antiguidade Clássica.
No entendimento de Dias (2010) para afiançar aos relacionamentos
homoafetivos (que não acham previsão no ordenamento jurídico) os mesmos
direitos e tratamentos protegidos pela Constituição às relações heteroafetivas,
imprescindível se faz preencher a lacuna deixada pelo legislador pátrio. Para a
autora, o persistir com esta condição de desídia da legislação brasileira no que
tange as relações entre pessoas do mesmo sexo, não seriam cobertos a essesindivíduos direitos e deveres previstos aos demais seres humanos, sem poder, até
mesmo, de buscar a tutela do Poder Judiciário, por falta de previsão legal.
Segundo Luís Barroso:
Nas últimas décadas, culminando um processo de superação do
preconceito e da discriminação, inúmeras pessoas passaram a viver a
plenitude de sua orientação sexual e, como desdobramento, assumiram
publicamente suas relações homoafetivas. No Brasil e no mundo, milhões
de pessoas do mesmo sexo convivem em parcerias contínuas e
duradouras, caracterizadas pelo afeto e pelo projeto de vida em comum. A
aceitação social e o reconhecimento jurídico desse fato são relativamente
recentes e, consequentemente, existem incertezas acerca do modo de
como o Direito deve lidar com o tema. (2007, p. 16)
Por sua vez Maria Berenice Dias destaca que:
Ainda que não haja expressado referência às uniões homoafetivas, não há
como deixá-las de fora do atual conceito de família. Passando duas pessoas
ligadas por um vínculo afetivo a manter relação duradoura, pública e
continua, como se casadas fossem, formam um núcleo familiar à
semelhança do casamento, independentemente do sexo a que pertencem.
A única diferença que essa convivência guarda com a união estável entre
um homem e uma mulher é a inexistência da possibilidade de gerar filhos.
Tal circunstância, por obvio, não serve de fundamento para a diferenciação
de tal feito. (2015, p.273)
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O direito à homoafetividade, além de estar amparado pelo princípio
fundamental da isonomia, cujo corolário é o impedimento de discriminações erradas,
ainda se alberga sob o teto da liberdade de expressão. Como garantia do exercício
da liberdade individual, cabe ser compreendida entre os direitos de personalidade,
precipuamente no que diz com a identidade pessoal e a integridade física e psíquica.
Adiciona ainda notar que a segurança da inviolabilidade da intimidade e da vida
privada é a base jurídica para a construção do direito à orientação sexual, como
direito personalíssimo atributo inerente e inegável da pessoa humana.
(FACHIN,1999 p.95).
Conforme leciona Dias o direito à homoafetividade do mesmo modo está
colocado no princípio da dignidade da pessoa humana:
A sexualidade agrega a própria espécie humana. É direito humano essencial
que segue a pessoa desde o seu surgimento, pois provém de sua própria
natureza. Como direito do indivíduo, é um direito natural, inalienável e
imprescritível. Nenhuma pessoa pode se satisfizer como ser humano se não
trouxer garantido o respeito ao exercício da sexualidade, conceito que
envolve tanto a liberdade sexual como a liberdade à livre orientação sexual.
O direito a tratamento igualitário independe da tendência afetuosa. Todo ser
humano tem o direito de estabelecer respeito ao livre exercício da
sexualidade, pois é um componente integrante da própria natureza humana
e envolve sua dignidade. (2010, p. 200)
Sendo assim Lôbo assevera que, uma vez que não há lei própria que aborde
as uniões homoafetivas, aplicando-se a analogia, nos termos do artigo 4º da Lei de
Introdução ao Código Civil, o instituto que melhor guarda similitude e igualdade às
uniões entre pessoas do mesmo sexo é o da união estável, limitado pela
Constituição Federal e pelo Código Civil às uniões entre homem e mulher. Nesse
sentido, assim registra o autor:
As uniões homossexuais são constitucionalmente protegidas enquanto tais,
com sua natureza própria. Como a legislação ainda não disciplinou seus
efeitos jurídicos, como fez com a união estável, as regras desta podem ser
aplicáveis àquelas, por analogia (art. 4º da Lei de Introdução ao Código
Civil), em virtude de ser a entidade familiar com maior aproximação de
estrutura, nomeadamente quanto às relações pessoais, de lealdade,
respeito e assistência, alimentos, filhos, adoção, regime de bens e
impedimentos. (2009 p.68).
Deste modo Dias (2011) assevera que, em face de muitos embasamentos,
muitos juízes vêm possibilitando a conversão da união em casamento, mediante a
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prova da existência da união estável homoafetiva, por meio de um instrumento
particular ou escritura pública. Portanto, para casar, primeiro era imprescindível a
preparação de um documento comprobatório do relacionamento para depois ser
procurada sua conversão em casamento.
5.2 Preconceito contra Homoafetivos
Este tema ainda hoje é tratado com obscuridade pela sociedade, pelo fato de
haver grande divergência de conceitos, em grande parte por haver aversão aos
homossexuais, gerando obstáculos aos mesmos, mais obstáculos que hoje já estão
sendo vencidos, embora com grande dificuldade.
Para Fernandes, “o preconceito em muitos casos contra o relacionamento
homoafetivo começa pela própria família, passando pelos amigos e colegas de
trabalho até esbarrar em determinados segmentos da sociedade.” (2007, p.10).
Muitos inclusive são alvos de assédio moral dentro das empresas e tem como alvo
excluir a vítima, atormentando sua autoconfiança. Muitas são as consequências
desse assédio, segundo se pode perceber:
O estresse emocional crônico gerado pela humilhação comprometerá a
saúde física e a estrutura de personalidade do vitimado desencadeando
baixo autocontrole emocional, baixa autoestima e atitudes autodestrutivas
que podem evoluir para a incapacidade produtiva, desemprego, morte,
enfarte, problemas psiquiátricos, derrame cerebral, isolamento social,
suicídio, uso de drogas, marginalidade, incapacidade de estabelecer
ligações afetivas, incompetência nas relações interpessoais, timidez,
dificuldade de se comunicar, vingança podendo planejar o assassinato do
algoz, promoção de atos de sabotagem na empresa e o aparecimento de
uma disfunção sexual associada. Constitui o chamado risco invisível, nas
relações cotidianas de trabalho. (PEDROSA, 2009, p.01).
Concordando com a mesma ideia de que apesar das garantias a sociedade,
ainda, tem preconceitos e falta de consciência enfatiza-se que:
Apesar das garantias constitucionais, a sociedade ainda mantém costumes
seculares, desrespeitando o cidadão com suas características particulares,
seja pela cor, sexo, idade ou outra qualquer. Isso porque nem sempre o que
a Carta Constitucional prescreve, a sociedade aceita e cumpre, porque o
preconceito social ainda está enraizado na cultura e nos costumes da
população que ainda oprimem a consciência do cidadão. (OLIVEIRA, 2003,
p. 02).
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Adotar como juridicamente impraticáveis ações que apresentem por
embasamento uniões homoafetivas é relegar circunstâncias existentes à
invisibilidade e ensejar a sagração de injustiças e o enriquecimento sem causa.
Nada explica, por exemplo, deferir uma herança a parentes distantes em prejuízo de
quem muitas vezes ofertou uma vida a outrem, participando no desenvolvimento do
cúmulo patrimonial. Descabe ao juiz avaliar as alternativas de vida das partes, pois
precisa se cingir a olhar as ações que lhe são postas, centrando-se unicamente na
apuração dos acontecimentos para achar uma solução que não se afugente de um
efeito justo:
As uniões homoafetivas são uma realidade que se impõe e não podem ser
negadas, estando a reclamartutela jurídica, cabendo ao Judiciário solver os
conflitos trazidos. Incabível que as convicções subjetivas impeçam seu
enfrentamento e vedem a atribuição de efeitos, relegando à marginalidade
determinadas relações sociais, pois a mais cruel consequência do agir
omissivo é a perpetração de grandes injustiças. (DIAS, 2000 p.17)
A Constituição Federal de 1988 consagra o princípio da igualdade e condena
de forma expressa todas as formas de preconceito e discriminação. A menção a tais
valores vem desde o preâmbulo da Carta, que enuncia o propósito de se constituir
uma “sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos”. O art. 3º renova a intenção
e lhe confere inquestionável normatividade, enunciando serem objetivos
fundamentais da República “construir uma sociedade livre, justa e solidária” e
“promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação”. O caput do art. 5º reafirma que “todos
são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. O constituinte incluiu,
ainda, menções expressas de rejeição ao racismo e à discriminação contra as
mulheres. (Sarmento, 2004, p.241).
No entendimento de Talavera (2004) entre as uniões heterossexuais e as
homossexuais a única diferença existente é a diferença de sexo, e Moraes (2000,
p.89) destaca que o vínculo entre as uniões homossexuais não precisa ser ignorado,
como ainda o princípio da não discriminação e o objetivo de nossa sociedade de
liberdade, justiça e solidariedade.
É devido à ignorância e o preconceito existente na sociedade que as
orientações afetivas homossexuais ainda detêm-se em condenações dos mais
variados tipos. Nesta acepção Lopes afirma que “[...] ainda falta uma consciência
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mais firme do Estado e da sociedade de que a discriminação é uma patologia social
que infecta a democracia e precisa ser combatida com todo o rigor.” (2009, p. 6).
João Baptista Villela (1994, p.639) também considera inaceitável a restrição
ao direito da união homoafetiva, alegando, inclusive, que o próprio casamento não é
mais atualmente um instituto preordenado à reprodução, mas voltado ao
companheirismo e à camaradagem, que é natural também nas uniões
homossexuais.
5.3 Possibilidade da Adoção Homoafetiva
No que diz respeito a possibilidade da adoção homoafetiva, não há qualquer
proibição constitucional para o deferimento da adoção aos casais homoafetivos, e,
mesmo não existindo legislação específica que ampare ou proíba a adoção por
esses casais, nada indica que eles não tenham direito à adoção, o que não pode é
que os juristas continuem fechando os olhos para a realidade social em que vivem,
devendo a lei ser interpretada extensivamente, de acordo com o artigo 4º da Lei de
Introdução ao Código Civil, in verbis: “Art. 4º. Quando a lei for omissa, o juiz decidirá
o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.”
É necessário observar que a adoção visa à proteção da criança e do
adolescente de todo e qualquer tipo de violência e discriminação. Para que ocorra tal
objetivo, é necessário observar se a inclusão de uma criança e adolescente no seio
de uma família homoafetiva não irá prejudicar o desenvolvimento do menor, de
acordo com princípio do melhor interesse da criança e do adolescente (SALAZAR,
2006, p. 115), sendo que tal análise será posteriormente aprofundada.
A adoção por pares homoafetivos é defendida por um pequeno número de
doutrinadores, dentre os quais merece posição de destaque Maria Berenice Dias.
Ela fundamenta essa possibilidade no princípio da isonomia e na existência de
vedação pela ordem jurídica infraconstitucional:
O outro fundamento que faculta o deferimento da adoção por um casal é da
esfera constitucional. Não é possível excluir o direito à paternidade e à
maternidade em face da preferência sexual de alguém, sob pena de
infringir-se não é possível excluir o direito à paternidade e à maternidade a
“gays”, lésbicas, transexuais e travestis, sob pena de infringir-se o mais
sagrado cânone do respeito à dignidade da pessoa humana, que se
sintetiza no princípio da igualdade e na vedação de tratamento
discriminatório de qualquer ordem. Assim não há como excluir o direito de
guarda, tutela e adoção que é garantido a todo cidadão. (2009, 213).
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Viviane Girardi (2005, p. 130) afirma que a possibilidade de adoção por casais
homossexuais é possível mediante a utilização de mecanismos jurídicos de
interpretação somados ao contexto legal que estabelece a pluralidade das formas de
organização familiar. Afirma que para que isso ocorra é necessário que o operador
jurídico estabeleça os valores jurídicos que pretende assegurar juridicamente, pois a
adoção por casais do mesmo sexo envolve empecilhos morais e culturais, tornando
evidente a presença do elemento subjetivo para decisão.
O grande percalço encontrado diz respeito ao artigo 42, que dispõe: “Para
adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou
mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família”. Nesse ínterim, os
argumentos são de que a união homoafetiva não seria uma união estável e,
consequentemente, não ensejaria a possibilidade de adoção. Todavia, esse
argumento já está superado pela doutrina e pela jurisprudência, que têm tratado as
uniões entre duas pessoas do mesmo sexo como uma situação jurídica que pode
lançar mão das regras disciplinadoras da união estável de forma analógica.
(SPENGLER, 2011, p. 355-356).
Dias (2009 p.214) afirma que por não haver proibição acerca da adoção por
casais do mesmo sexo, a faculdade de adotar é tanto do homem quanto da mulher e
ambos em conjunto ou isoladamente, independentemente do estado civil. Não
importando a orientação sexual do mesmo, devendo ter em vista sempre o bem-
estar da criança e do adolescente. Não se deve justificar a adoção de uma criança e
adolescente tendo em vista a orientação sexual dos adotantes, pois o princípio da
igualdade veda a discriminação por orientação sexual, e sim observar sempre o bem
estar e melhor interesse da criança.
 
5.4 Direito a Formação de uma Família
As inúmeras mudanças e transformações dos séculos XX e XXI produziram
reflexos nas relações familiares, intensificando novos e variados arranjos familiares,
bem como as concepções de conjugalidade e parentalidade. Na
contemporaneidade, o que vai identificar a família já não é mais a celebração do
casamento ou do envolvimento de caráter sexual, e sim o afeto que permeia o
relacionamento. A afetividade será o principal sentimento a sustentar a formação dos
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relacionamentos conjugais. A esse respeito, Dias argumenta que "o elemento
distintivo da família é a identificação de um vínculo afetivo, a unir as pessoas,
gerando comprometimento mútuo, solidariedade, identidade de projetos de vida e
propósitos comuns."(2007, p. 68).
Amparadas pelos princípios constitucionais, as uniões homoafetivas
ganharam relevo a partir do momento em que o obsoleto modelo patriarcal e
hierarquizado de família cedeu lugar a um novo modelo fundado no afeto. A
propósito, as uniões entre pessoas do mesmo sexo pautadas pelo amor, respeito e
comunhão de vida preenchem os requisitos previstos na Constituição Federal em
vigor, quantoao reconhecimento da entidade familiar, na medida em que consagrou
a afetividade como valor jurídico. (FONTANELLA,2006 p.82).
5.5 Decisões Jurisprudenciais
No entendimento de Dias (2011) torna-se importante destacar que para
garantir aos relacionamentos homoafetivos (que não encontram previsão no
ordenamento jurídico) os mesmos direitos e tratamentos resguardados pela
Constituição às relações heteroafetivas, imprescindível se faz preencher a lacuna
que foi infelizmente deixada pelo legislador pátrio. Na visão da autora, o perdurar
esta situação de desídia da legislação brasileira no que tange as relações entre
pessoas do mesmo sexo, não seriam garantidos a esses indivíduos direitos e
deveres previstos aos demais seres humanos, sem poder, inclusive, buscar a tutela
do Poder Judiciário, por ausência de previsão legal.
Vale considerar que em dias atuais quando se fala na legalização das uniões
homoafetivas, logo, o que significa a realização da constituição de família
homoafetiva que é visualizada na Lei 11.340/06-Lei Maria da Penha. Conforme
entendimento de Dias, (2011, p.440) ainda que a lei ter sido desenvolvida com
finalidade maior na proteção das mulheres, acabou por reconhecer que união entre
pessoas do mesmo sexo podem ser avaliadas como sendo entidades familiares.
Portanto pode-se dizer que a lei acabou por reconhecer as uniões homoafetivas com
a ampliação do conceito de família. Ainda na visão de Dias (2011) torna-se
importante destacar que as jurisprudências com o passar dos tempos deram grande
avanço nesse sentido reconhecendo a existência das uniões homossexuais, mas
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por outro lado é ainda em dias atuais um reconhecimento que ainda está
“engatinhando”.
Mesmo assim torna-se importante ressaltar que de certo modo mesmo à
jurisprudência se mostrar um tanto dividida começa a caminhar para um sentido
mais solidário ao reconhecimento das uniões homoafetivas como entes familiares do
mesmo modo como já ocorre com união estável entre homem e mulher. Portanto
neste contexto torna-se importante destacar uma recente decisão do E. Tribunal de
Justiça de São Paulo abaixo transcrita para melhor ilustrar o posicionamento:
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA Ação de reconhecimento e
dissolução de união homoafetiva c.c. pedido de alimentos. Equiparação
analógica ao regime da união estável para fins de fixação de competência
Pronunciamento histórico do E. Supremo Tribunal Federal a propósito da
questão. Ante o recente pronunciamento unânime do E. Supremo Tribunal
Federal a propósito da possibilidade de equiparação de tratamento da união
homoafetiva à união estável, não se concebe subtrair das Varas da Família
e das Sucessões os litígios a tanto concernentes, porquanto fundados em
relações afetivas, não passíveis de redução a mero enfoque obrigacional.
Competência do Juízo Suscitado. (9ª Câmara de Direito Privado Agravo de
Instrumento nº 0504568-56.2010.8.26.0000 -São Paulo - p. 5 Voto nº 6.947
Câmara Especial, Conflito de Competência nº 0087090-
66.2011.8.26.0000, Relator Desembargador Luis Antonio Ganzerla, j
23.05.2011).
Outro caso de reconhecimento vem do tribunal de Justiça gaúcho que se
considera como sendo o pioneiro no reconhecimento das uniões estáveis
homoafetivas ("Neologismo cunhado com brilhantismo pela Desembargadora Maria
Berenice Dias do TJRS", nos termos do Ministro Humberto Gomes de Barros, no
REsp 238.715/RS). A propósito de o tema por sua vez Pereira (2007, p. 165)
destaca que:
A jurisprudência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul parecia trilhar
por caminho coerente: reconheceu a competência das varas de família para
julgar questões referentes a uniões de pessoas do mesmo sexo (o que já
pressupunha o reconhecimento da natureza familiar dessas uniões) e
também reconheceu às uniões homossexuais os mesmos efeitos
patrimoniais inerentes às demais relações familiares de maneira geral. As
decisões do Tribunal gaúcho reconheceram a possibilidade de se estender
indistintamente a homens a mulheres, independentemente de sua
orientação sexual, o direito de constituir família, garantindo nas relações
familiares entre pessoas do mesmo sexo eficácia (indireta) aos direitos
fundamentais à igualdade e à liberdade, a partir da vinculação dos
julgadores a esses direitos fundamentais na interpretação e aplicação do
direito privado. 
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Quando se fala no reconhecimento de união estável entre homoafetivos vale
destacar que em se tratando do assunto adoção por pares homoafetivos, vem de
certo modo acontecendo algumas reiteradas decisões que foram favoráveis,
levando-se em consideração a idoneidade dos adotantes, as reais vantagens para o
adotando e apoiando-se ainda em pareceres psicológicos.
Portanto vale considerar que o desembargador Siro Darlan vem sendo
avaliado como um dos vanguardistas na concessão de adoções em favor de casais
homoafetivos. Consequentemente destaca-se decisão que concedeu a adoção de
M.S.P., que se encontrava abandonado em uma instituição de abrigo há 12 anos, a
J.L.P.M., homossexual, por julgar ser esta a melhor solução para o adolescente:
ADOÇÃO DE ADOLESCENTE COM DESTITUIÇÃO DO PÁTRIO PODER –
O pedido inicial deve ser acolhido porque o Suplicante demonstrou reunir
condições para o pleno exercício do encargo pleiteado, atestado esse fato,
pela emissão de Declaração de Idoneidade para a Adoção com parecer
favorável do Ministério Público contra o qual não se insurgiu no prazo legal
devido, fundando-se em motivos legítimos, de acordo com o Estudo Social e
parecer psicológico, e apresenta reais vantagens para o Adotando, que vivia
há 12 anos em estado de abandono familiar em instituição coletiva e hoje
tem a possibilidade de conviver em ambiente familiar, estuda em
conceituado colégio de ensino religioso e frequenta um psicanalista para
que possa se adequar à nova realidade e poder exercitar o direito do
convívio familiar que a CF assegura no art. 227. JULGADO PROCEDENTE
O PEDIDO NA INICIAL.” (1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio de
Janeiro – Processo Nº 97/1/03710-8/ Juiz Siro Darlan de Oliveira. Julgado
em 20 de agosto de 1998.)
Ainda sobre o caso acima mencionado torna-se relevante destacar que por
sua vez o Ministério Público apelou da decisão (Apelação Cível n.º 14.332/98) e, em
23/03/1999, a 9ª Câmara Cível (Relator- Desembargador Jorge de Miranda
Magalhães), mas por outro lado não teve efeito a apelação, pois se manteve a
decisão de primeiro grau, entendendo ser a melhor solução para o adolescente que
estava bem acomodado ao pai adotivo, e com isso foi considerado como sendo a
apelação fundada em puro preconceito, o que é vedado por lei. (TJRJ - AC
14.332/98 - Rel. Des. Jorge de Miranda Magalhães.).
Deste modo pode-se dizer que mesmo que timidamente existem casos que se
mostram possíveis no tocante a possibilitar a adoção por pares homoafetivos, e isso
a Justiça Brasileira do mesmo modo tem evoluído. Existem diversos
posicionamentos que reconhecem a união homoafetiva como união estável, sendo
admissível ser geradora de um núcleo familiar e, como resultado deste
reconhecimento isso acaba de certo modo possibilitando a adoção. Geralmente
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da igualdade, além de determinar a competência das Varas de Família para o
julgamento dos litígios.
Destaca-se que o Estado que vem sendo avaliado como o pioneiro no
reconhecimento da adoção por pares homossexuais é o Rio Grande do Sul. Portanto
torna-se importante destacar uma decisão a favor de um casal de lésbicas, uma
delas havia adotado duas crianças, vindo posteriormente a outra a pleitear a adoção
de ambas. A seguir o teor da ementa:
APELAÇÃO CÍVEL. ADOÇÃO. CASAL FORMADO POR DUAS PESSOAS
DE MESMO SEXO. POSSIBILIDADE. Reconhecida como entidade familiar,
merecedora da proteção estatal, a união formada por pessoas do mesmo
sexo, com características de duração, publicidade, continuidade e intenção
de constituir família, decorrência inafastável é a possibilidade de que seus
componentes possam adotar. Os estudos especializados não apontam
qualquer inconveniente em que crianças sejam adotadas por casais
homossexuais, mais importando a qualidade do vínculo e do afeto que
permeia o meio familiar em que serão inseridas e que as liga aos seus
cuidadores. É hora de abandonar de vez preconceitos e atitudes hipócritas
desprovidas de base científica, adotando-se uma postura de firme defesa da
absoluta prioridade que constitucionalmente é assegurada aos direitos das
crianças e dos adolescentes (art. 227 da Constituição Federal). Caso em
que o laudo especializado comprova o saudável vínculo existente entre as
crianças e as adotantes." (TJRS, AC 70013801592, 7ª Câm. Cív., j.
05.04.2006, rel. Des. Luiz Felipe Brasil Santos).
Outro caso favorável foi realizado em Catanduva, que fica no interior de São
Paulo, onde exclusivamente um dos parceiros tinha se candidatado à adoção, mas,
felizmente por determinação judicial, o processo de habilitação foi levado a efeito
envolvendo do mesmo modo o parceiro, tendo sido deferida a adoção dos dois:
O requerente postula a adoção da menor T., filha adotiva de V.P.G.F., com
quem mantém um relacionamento aos moldes de entidade familiar, união
estável, há mais de quatorze anos. [...] E sob esse aspecto é necessário
que se verifique, neste caso concreto, sobre a conveniência do deferimento
ou não da adoção, observando-se o disposto no art. 43 do Estatuto da
Criança e do Adolescente. Em primeiro lugar, é preciso anotar que não
existe nenhum estudo especializado que indique qualquer inconveniente em
que crianças sejam adotadas por casais homossexuais, ao contrário, os
estudos demonstram que o que efetivamente importa é a qualidade o
vínculo e do afeto que permeia o meio familiar, os vínculos afetivos que
ligam as crianças aos pais adotivos ou mães adotivas. [...] Tudo o que o
requerente pretende é criar também um vínculo jurídico, assumir também a
responsabilidade decorrente da paternidade, já que a menor vem sendo
criada por ambos e reconhece-os como pais. De todo o exposto, visando
atender ao comando constitucional de assegurar proteção integral a
crianças e adolescentes, defiro o pedido. Posto isso julgo procedente o
pedido de adoção e, em conseqüência, defiro a Dorival P.C.J. a adoção de
Theodora R.G. e determino que conste no Registro de Nascimento da
criança que é filha de Vasco P.G.F. e Dorival P.C.J., sem declinar condição
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de pai ou mãe e, da mesma forma, a relação dos avós sem explicitar a
condição materna ou paterna. A menor passará a se chamar Theodora
R.C.G.. Com o trânsito em julgado, expeça mandado de averbação ao
Cartório de Registro Civil com a recomendação de que seja mantida a
observação feita quando da primeira adoção. Sem custas, nos termos do
art. 141, parágrafo segundo do Estatuto da Criança e do Adolescente.
(Comarca de Catanduva-SP, 2ª V. Infância e Juventude, Proc. n. 234/2006,
Rel. Drª. Sueli Juarez Alonso, j. 30.10.2006).
Mesmo tendo algumas decisões favoráveis vale ressaltar que quando se fala
na adoção por duas pessoas do mesmo sexo isso ainda é um tema avaliado como
sendo muito polêmico no Brasil, e isso acontece tendo em vista que uma análise
científica é muito insuficiente e a presença do Judiciário pouco se faz o que permite
a ausência dos preconceitos e discriminações em relação ao adotante homossexual
e ao adotado. Entretanto, pesquisas expõem que aqueles que foram adotados, logo,
criados, por homossexuais tiveram vida digna e feliz da mesma forma que os filhos
adotados por pessoas heterossexuais. Sendo assim isso é possível e fica
comprovado pela decisão favorável que o tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul,
por decisão unânime reconheceu à adoção a um casal desenvolvido de pessoas do
mesmo sexo adotarem conjuntamente, para que isso fosse possível no julgamento
foi dado o valor que se deve para que acontece efetividade aos princípios da
igualdade, liberdade e dignidade da pessoa humana. (DIAS, 2011 p.440).
Vale destacar ainda, o caso do casal Toni Reis e David Harrad, que
precisaram ir até o Rio de Janeiro, para conseguirem adotar, tendo em vista que não
estavam logrando êxito na luta para adoção homoafetiva no Estado onde moram,
qual seja, Paraná.
Depois de muita batalha e de já terem conseguido adotar seus três filhos,
ingressaram com recurso para que o Supremo Tribunal Federal revisse suas
decisões e não colocasse restrições como estava ocorrendo, por exemplo, casal
homoafetivos homens só poderiam adotar meninas com uma certa idade, o que é
um absurdo.
Em 2015, no mês de março através de uma decisão da ministra Carmen
Lúcia, com a ressalva de que “a Constituição Federal não faz a menor diferenciação"
entre casais heterossexuais e homoafetivos, assinou um documento, reconhecendo
sem qualquer tipo de restrição o direito dos casais homoafetivos adotarem, o que é
claro fez com que o casal paranaense comemorasse, tornando-se essa decisão uma
jurisprudência vinculante, que deverá ser considerada nos próximos processos
referentes ao mesmo assunto.
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Segue parte da jurisprudência da decisão de Carmen Lúcia:
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECONHECIMENTO
DE UNIÃO ESTÁVEL HOMOAFETIVA E RESPECTIVAS
CONSEQUÊNCIAS JURÍDICAS. ADOÇÃO. AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE N. 4.277. ACÓRDÃO RECORRIDO
HARMÔNICO COM A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA
SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base na
al. a do inc. III do art. 102 da Constituição da República contra o seguinte
julgado do Tribunal de Justiça do Paraná: “APELAÇÃO CÍVEL. ADOÇÃO
POR CASAL HOMOAFETIVO. SENTENÇA TERMINATIVA. QUESTÃO DE
MÉRITO E NÃO DE CONDIÇÃO DA AÇÃO. HABILITAÇÃO DEFERIDA.
LIMITAÇÃO QUANTO AO SEXO E À IDADE DOS ADOTANDOS EM
RAZÃO DA ORIENTAÇÃO SEXUAL DOS ADOTANTES. INADMISSÍVEL.
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. APELO CONHECIDO E PROVIDO. 1.
Se as uniões homoafetivas já são reconhecidas como entidade
familiar, com origem em um vínculo afetivo, a merecer tutela legal, não
há razão para limitar a adoção, criando obstáculos onde a lei não
prevê. 2. Delimitar o sexo e a idade da criança a ser adotada por casal
homoafetivo é transformar a sublime relação de filiação, sem vínculos
biológicos, em ato de caridade provido de obrigações sociais e totalmente
desprovido de amor e comprometimento” (doc. 6). Os embargos de
declaração opostos foram rejeitados. 2. O Recorrente alega contrariado o
art. 226, § 3º, da Constituição da República,afirmando haver “duas
questões jurídicas que emergem do contexto apresentado, para que se
possa oferecer solução ao presente recurso: i) se há possibilidade de
interpretação extensiva do preceito constitucional para incluir as uniões
entre pessoas do mesmo sexo na concepção de união estável como
entidade familiar; ii) se a interpretação restritiva do preceito constitucional
incorreria em discriminação quanto à opção sexual. (…) Logicamente, nem
dois homens e uma mulher; nem duas mulheres e um homem (fatos estes
que não chegam a ser tão raros em certas regiões do Brasil); nem dois
homens ou duas mulheres; foram previstos pelo constituinte como
configuradores de uma união estável, ainda que os integrantes dessas
relações, hipoteticamente consideradas, coabitem em caráter análogo ao de
uma união estável, ou seja, de forma pública e duradoura, e estabelecida
com o objetivo de constituição de família. (…) Com isso, a nível
constitucional, pelo que foi dito, infere-se, em primeiro lugar, que não há
lacuna, mas sim, uma intencional omissão do constituinte em não eleger (o
que perdura até a atualidade) a união de pessoas do mesmo sexo como
caracterizadores de entidade familiar. (…) E vamos além, a generalização,
no lugar da individualização do tratamento jurídico a ser dado a situações
materialmente diversas, poderá, sim, se não respeitadas e previstas as
idiossincrasias e particularidades dos relacionamentos homoafetivos, vir em
maior prejuízo que benefício aos seus integrantes, ferindo axialmente o
princípio da igualdade, por tratar igualmente situações desiguais” (doc. 7).
Apreciada a matéria trazida na espécie, DECIDO. 3. Razão jurídica não
assiste ao Recorrente. 4. No julgamento da Ação Direta de
Inconstitucionalidade n. 4.277 e da Arguição de Descumprimento de
Preceito Fundamental n. 132, Relator o Ministro Ayres Britto, por votação
unânime, este Supremo Tribunal Federal deu interpretação conforme ao art.
1.723 do Código Civil, “para dele excluir qualquer significado que impeça o
reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do
mesmo sexo como entidade familiar, entendida esta como sinônimo perfeito
de família. Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e
com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva” (DJe
14.10.2011). No voto, o Ministro Relator ressaltou que “a Constituição
Federal não faz a menor diferenciação entre a família formalmente
constituída e aquela existente ao rés dos fatos. Como também não
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distingue entre a família que se forma por sujeitos heteroafetivos e a que se
constitui por pessoas de inclinação homoafetiva. Por isso que, sem
nenhuma ginástica mental ou alquimia interpretativa, dá para compreender
que a nossa Magna Carta não emprestou ao substantivo “família” nenhum
significado ortodoxo ou da própria técnica jurídica. [...] Também eles,
crianças, adolescentes e idosos, tanto mais protegidos quanto
partícipes dessa vida em comunhão que é, por natureza, a família.
Sabido que lugar de crianças e adolescentes não é propriamente o
orfanato, menos ainda a rua, a sarjeta, ou os guetos da prostituição
infantil e do consumo de entorpecentes e drogas afins. Tanto quanto o
espaço de vida ideal para os idosos não são os albergues ou asilos
públicos, muito menos o relento ou os bancos de jardim em que levas
e levas de seres humanos abandonados despejam suas últimas sobras
de gente. Mas o comunitário ambiente da própria família. Tudo conforme
os expressos dizeres dos artigos 227 e 229 da Constituição, este último
alusivo às pessoas idosas, e, aquele, pertinente às crianças e aos
adolescentes. Assim interpretando por forma não-reducionista o conceito de
família, penso que este STF fará o que lhe compete: manter a Constituição
na posse do seu fundamental atributo da coerência, pois o conceito
contrário implicaria forçar o nosso Magno Texto a incorrer, ele mesmo, em
discurso indisfarçavelmente preconceituoso ou homofóbico [...]. 5. Pelo
exposto, nego seguimento a este recurso extraordinário (art. 557, caput, do
Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo
Tribunal Federal). (STF, RE 846.102 722, AC 529976101, TJPR, D.J.
05.03.2015, rel. Ministra Carmen Lúcia, grifei).
Com efeito, depois do grande passo dado pelo Supremo Tribunal Federal ao
julgar a legalidade da união homoafetiva como entidade familiar, o Tribunal de
Justiça Gaúcho, no ano de 2006 admitiu a adoção homoafetiva, mas com a restrição
que acreditavam ser pertinentes.
O casal paranaense vem lutando para conseguir adotar desde 2005, sendo
que no judiciário do Paraná, tiveram concedido o direito de adotar, contudo deveriam
adotar uma menina com mais de 12 anos, ainda prevalecendo a restrição, que trata-
se de mero preconceito, mas reconhecendo o direito que tinham continuaram
lutando até que o processo chegou no Supremo Tribunal Federal, oportunidade que
a Ministra Carmen Lúcia reconheceu o direito da adoção por casais homoafetiva
sem qualquer restrição, ficaram felizes com a decisão, mesmo não sendo mais
necessário, pois nessa luta conseguiram adotar três filhos no Poder Judiciário do Rio
de Janeiro, através de decisões da magistrada Mônica Labuto.
Diante de tudo, podemos ver que as decisões que até o presente momento
foram dadas em desfavor aos homoafetivos, é somente preconceito de parte da
população, tendo em vista que se não fosse melhor para criança ou para o
adolescente nunca teria sido deferido a adoção.
5.6 Argumentos contrários à adoção homoafetiva
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Muitos são os argumentos contrários à adoção homoafetiva, e por isso será
abordado alguns que serão rebatidos em seguida.
Primeiramente há o argumento de que “filhos adotados por pessoas do
mesmo sexo estariam em ambiente que pudesse induzi-los a mesma prática”
(ALMEIDA, 2009), o que é mentira, pois se assim fosse não existiria qualquer
homossexual, pois todos nascemos de casais heteroafetivos e se o ambiente
valesse tanto assim, todos seguiriam o exemplo dos pais e não se sentiriam atraídos
por pessoas do mesmo sexo.
Segundo argumento existente, diz respeito a influência da igreja, que afirma
que a “família só é aquela formada por duas pessoas a fim de procriar, e portanto, a
união homoafetiva não se encaixa em tal contexto, pois não pode ter filhos”
(ALMEIDA, 2009), o que podemos dizer também daquela união onde a mulher ou o
homem é estéril também não deveremos tê-los como uma entidade familiar, pois
será impossível procriar, somente ocorrendo através da adoção, o que é o mesmo
caso do casal homoafetivos.
Terceiro argumento é de que “o adotado sofreria preconceitos por ter dois pais
ou duas mães” (SAPATÔMICA, 2013), o que é verdade sim, mas por mero
preconceito da sociedade e daqueles que não conseguem ensinar o respeito para
seus filhos, pois tudo aquilo que foge da normalidade é motivo de piada, exemplo
disso, é quando a criança é gordinha ou vesga. 
Quarto argumento é de que “o homoafetivo que adota uma criança ou um
adolescente está pensando unicamente em si próprio, se esquecendo de que o
adotado terá que passar por situações vexatórias”. (SAPATÔMICA, 2013). Pode-se
rebater essa alegação através do princípio do melhor interesse da criança e do
adolescente o que é a base para que a adoção seja deferida, portanto, se a adoção
homoafetiva não fosse benéficapara o adotado em momento algum seria possível
que tal fato viesse acontecer, o que não é verdade, pois a própria Ministra Carmen
Lúcia em uma decisão inédita já vista no item anterior reconheceu a possibilidade da
adoção por casal homoafetivos.
Quinto argumento é de que “o casal homoafetivo não pode substituir o
verdadeiro papel de um pai e de uma mãe” (SAPATÔMICA, 2013), o que também
não é verdade, pois o que as crianças e os adolescentes que se encontram no
abrigo mais quer é um lar, onde possam ter amor, carinho, atenção, educação e etc.
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Agora se os casais heterossexuais que estão na fila da adoção, realmente
estivessem querendo adotar por amor, não colocariam restrições para que a adoção
acontecesse, o que não é o caso, pois os casais que são habilitados para adotar,
pensam somente em cor de olhos, idade, cor da pele e etc e esquecem de priorizar
o melhor interesse da criança e do adolescente em simplesmente querer um lar e
amor. 
Sexto argumento é de que “uma menina adotada por um casal homoafetiva
de homens não se sentiria nenhum pouco à vontade para falar certas coisas”
(SAPATÔMICA, 2013), o que também pode ser rebatido através do argumento de
que a família da adotada não se resumiria somente em seus pais, mas também teria
ela tios, tias, avós, primos e primas, com quem poderia conversar sobre esse
determinado assunto e até mesmo psicóloga que acompanhará a menor durante
todo o processo de adoção, o que é de praxe.
Sétimo argumento é de que “a criança não iria crescer em um lar saudável,
tão pouco em um lar sem desvios comportamentais, tendo como referência um casal
que não se encaixa na normalidade e bons costumes da sociedade”.
(SAPATÔMICA, 2013).
Um lar saudável seria então a residência inicial da criança ou do adolescente
que foi abrigado, tendo em vista que por algum motivo seus pais não foram capazes
de cria-los? Muito vale uma criança ou adolescente morar em um lar sendo criado
por um casal homoafetivo, do que viver em um ambiente onde o pai maltrata a mãe,
ou onde a mãe é usuária e até mesmo maltrata o menor.
Esses são argumentos apresentados por parte da sociedade brasileira,
através da publicação feita por Natália Droichi Almeida e também em um site
conhecido como “Sapatômica”, de autor desconhecido, ou seja, por aqueles que
ainda são ignorantes e deixam de lado o melhor para a criança e o adolescente,
pensando somente no que acha certo, no que é certo no seu ponto de vista, pois
essas pessoas possuem lar, amor, carinho etc e não ligam para as crianças que não
têm nada disso.
Muitos doutrinadores e juristas acabam seguindo tais posicionamentos
quando se opõem à possibilidade da adoção homoafetiva, apenas por preconceito.
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6 CRÍTICAS AO PROJETO DO ESTATUTO DA FAMÍLIA
Primeiramente torna-se importante destacar que mesmo que ao longo dos
tempos o judiciário cada dia mais tenha se posicionado de forma a assegurar
direitos igualitários para casais homoafetivos, reconhecendo-os enquanto entidade
familiar, por outro lado o poder legislativo persiste em adotar a contramão do
assunto. Pois cada vez mais parlamentares apresentam, com frequência, projetos
que, de forma intencional ou não, acabam tentando excluir homoafetivos.
Deste modo vale ressaltar que isso fica bem evidenciado no projeto de lei nº
6583/13, que foi apresentado em outubro de 2013, que visa estabelecer o que seria
o Estatuto da Família. Destaca-se que a finalidade maior do projeto em questão, nos
moldes propostos, é conseguir que fique estabelecido sobre os direitos da família,
além de estabelecer as diretrizes das políticas públicas voltadas para valorização da
entidade familiar. De autoria o deputado federal Anderson Freire, integrante do
Partido da República, Estado do Paraná e reeleito pela segunda vez pelo estado de
Pernambuco, o projeto conta com amplo apoio da Frente Parlamentar Evangélica, a
qual o deputado integra. (JORNAL DA CÂMARA, 2014).
Um ponto importante a ser mencionado é que este Projeto de Lei em questão
cada dia mais tem sido alvo de contestações especialmente por deixar explícito que
vem se referindo apenas para famílias heterossexuais. Já no artigo segundo, o
Estatuto pretende definir entidade familiar, destoando do entendimento pacificado
pelos tribunais. Segundo o artigo acima mencionado, dispõe que:
Art. 2º Para os fins desta Lei define-se entidade familiar como o núcleo
social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio
de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por
qualquer dos pais e seus descendentes (BRASIL. Projeto de Lei nº 6593 de
2013). (grifo nosso).
Consequentemente não se pode esquecer que por um lado de acordo com o
entendimento de Borrillo (2010) é qualificada como homofobia qualquer
manifestação arbitrária que indique o outro como inferior ou anormal, sobretudo
quando isso acontece fundamentado em sua orientação sexual, colocando-o fora do
universo dos humanos. Deste modo pode-se dizer que no caso do Projeto Lei
6583/13, o resultado de sua aprovação traria o desenvolvimento da rejeição no que
se refere às famílias homoafetivas, não as reconhecendo para nenhum efeito, em
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outro termo, o que querem por puro preconceito seria estar excluindo do universo
comum da sociedade.
Uma questão importante declarada pelo relator do projeto é que ele está livre
de preconceitos. Porém, o que consta em seu projeto e que ele deixa bem claro,
parte do pressuposto de que todas as famílias homoafetivas são consideradas como
sendo “um furacão”, que o comportamento é anormal e que, consequentemente,
casais homoafetivos seriam potenciais riscos na condição de pais e, portanto não
deveriam conseguir uma adoção. Tal posicionamento evidencia o preconceito que a
religião desvela a homossexuais, que na visão de Natividade (2013), é assinalado
por um conjunto de diferentes práticas fundamentado em valores religiosos as quais
se propagam sempre por meio de discursos de desqualificação da
homossexualidade, que ao contrário de outras manifestações homofóbicas
(agressões físicas e verbais), se manifesta através de um reforço da norma
heterossexual, de modo a rechaçar homossexuais.
Além disso, a mesma bancada evangélica, por iniciativa da Deputada Julia
Marinho do Estado do Pará, apresentou um Projeto de Lei, com o objetivo de alterar
o Estatuto da Criança e do Adolescente, para proibição da adoção de crianças e
adolescentes por pares homoafetivos.
O mencionado Projeto de Lei foi apresentado no dia 06 de março de 2015,
junto à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, pretendendo incluir
no artigo 42 daquele mesmo Diploma Legal, um parágrafo vedando a adoção
conjunta por casal homoafetivos, o que é um absurdo, demonstrando somente o
preconceito existente atualmente, contando ainda a Deputada com o Projeto de Lei,
que determina o conceito de família.
Nos dizeres da Deputada, está afirma que “o reconhecimento jurídico de
união homoafetiva não implica automaticamente a possibilidade de adoção por estes
casais, matéria que, a toda evidência, dependeria de lei” ((BRASIL. Projeto de Lei nº
620 de 2015, p. 02), uma vez que a união homoafetiva é excluída e rejeitada
socialmente, além de poder gerar grande transtorno emocional e psicológico da
criança ou adolescente que estarásendo adotado.
Outrossim, são argumentos que defendem fervorosamente a Deputada os
seguintes:
Assim, até que estudos científicos melhor avaliem os possíveis impactos
sobre o desenvolvimento de crianças em tal ambiente e que a questão seja
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devidamente amadurecida, por meio de discussão no âmbito
constitucionalmente previsto para tanto – o Parlamento, deve ser vedada a
adoção homoparental. (BRASIL. Projeto de Lei nº 620 de 2015, p. 03).
Com efeito, podemos observar que através de pesquisas realizadas por
psicólogos não há qualquer vedação para a adoção por pares homoafetivos, tendo
em vista que só querem o melhor para criança e o adolescente, o que deve ser
observado por Parlamentares e também pela sociedade.
E ainda, a Deputada afirma que:
O regramento legal da adoção não se sujeita ao das uniões civis ou ao do
casamento. Cuida-se de instituto especial, que visa ao atendimento dos
interesses do adotando, não se podendo alegar que sua vedação a casais
homossexuais seja discriminação no acesso a um direito. (BRASIL. Projeto
de Lei nº 620 de 2015, p. 02).
Não se pode olvidar, outrossim, que realmente não há qualquer regramento
jurídico possibilitando a adoção homoafetiva, contudo também não há nenhum
vedando, como pretende a Deputada Julia Marinho com a sua luta pela alteração do
artigo 42 do Estatuto da Criança e do Adolescente que dispõe: “Art. 42. Podem
adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil.
(BRASIL, Lei 8.069/1990, Redação dada pela Lei nº 12.010/2009). (grifo nosso),
querendo a Deputada incluir o parágrafo sétimo para vedar a adoção por casal
homoafetivo.
Ocorre, portanto, que mesmo afirmando a Deputada que não existe qualquer
discriminação no acesso a um direito, não é o que observamos, uma vez que o
princípio da igualdade está sendo ferido e não só ele, mas também o da dignidade
da pessoa humana e do melhor interesse da criança e do adolescente, pois se não
houvesse qualquer benefício para o adotado, não teria uma única jurisprudência
autorizando a adoção homoafetiva, o que não quer enxergar a senhora Deputada
em questão. 
Julia Marinho ainda argumenta o seguinte:
É na família que as primeiras interações são estabelecidas, trazendo
implicações significativas na forma pela qual a criança se relacionará em
sociedade. O convívio familiar é o espaço de socialização infantil por
excelência, constituindo a família verdadeira mediadora entre a criança e a
sociedade. O novo modelo de família, contrário ao tradicional, consagrado
na referida decisão judicial, encontra ainda resistência da população
brasileira. (BRASIL. Projeto de Lei nº 620 de 2015, p. 02-03).
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Como afirmado pela Deputada, esta vem dizer que é na família que a criança
aprenderá a se relacionar em sociedade e que há resistência da população brasileira
em aceitar o casal homoafetivo como família. Ressalta-se, nesse ponto de vista, que
há resistência da população brasileira, ou seja, não há qualquer resistência do
adotado, pois este quer somente um lar onde possa ter carinho e pais para passar à
ele todo amor que não recebeu da sua família biológica. 
Não há que se falar ainda que a convivência do adotado em um ambiente
onde vive o casal homoafetiva, pudesse induzi-lo a mesma prática, pois todos nós
nascemos de casais heteroafetivos e se assim fosse não existiria qualquer pessoa
homoafetiva.
Outrossim, a heterossexualidade dos pais não é um fator relevante na
garantia da saúde emocional dos filhos, pois crianças, filhas de casais
heterossexuais adoecem emocionalmente e portanto esse não é um argumento para
vedar a adoção homoafetiva, nem mesmo os preconceitos que a criança viesse a
sofrer, pois tudo o que foge da normalidade atual é motivo de gozação, por exemplo,
a criança ser gorda já é motivo de ser alvo de piadas onde quer que passa.
Em relação a possível distúrbio ou desvio de conduta que o adotado poderia
sofrer por ter dois pais ou duas mães é excluído como alega a doutrinadora Maria
Berenice Dias ao dizer que:
As evidências trazidas pelas pesquisas não permitem vislumbrar a
possibilidade de ocorrência de distúrbios ou desvios de conduta pelo fato de
alguém ter dois pais ou duas mães. Não foram constatados quaisquer
efeitos danosos ao normal desenvolvimento ou à estabilidade emocional
decorrentes do convívio de crianças com pais do mesmo sexo. (2010, p. 01)
Por fim, no que diz respeito ao desenvolvimento saudável do menor, não há
qualquer empecilho para a adoção homoafetiva, pois o referido desenvolvimento é
assegurado pela convivência e tratamento entre o infante e o pai ou pais de acordo
com uma pesquisa realizada no dia 04 de julho de 2013, pela Ordem dos
Psicólogos, que aprovou a adoção sob o argumento que “um desenvolvimento
saudável não depende da orientação sexual dos pais, mas sim da qualidade da
relação entre pais e filhos.” (2013, p.01).
Logo, tanto o Projeto do Estatuto da Família quanto o Projeto para Alteração
do artigo 42 do Estatuto da Criança e do Adolescente, trata-se somente de mero
preconceito dos iniciantes, não observando eles o melhor interesse da criança e do
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adolescente, mas sim deixando que a religião fique mais uma vez acima de qualquer
coisa.
Vale muito mais uma criança ou adolescente em uma residência com um
casal homoafetivo que lhe dará amor, carinho, educação e etc, do que estar
“enfiado” em um abrigo, onde não sabe o que é família, educação, carinho, atenção,
amor.
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7 CONCLUSÃO
No decorrer da pesquisa notou-se que falar sobre a família brasileira, notou-
se que houve uma ampliação em seu conceito: no passado era reconhecida
somente pela existência de vínculos consanguíneos entre seus membros,
presentemente, são considerados do mesmo modo os laços de afinidade e
convivência, ou seja, passou-se a visualizar os vínculos familiares pela ótica da
afetividade.
Observou-se que a família constituída por casais do mesmo sexo necessita
possuir a mesma legitimidade de qualquer outra configuração familiar, pois se
encontra amparado na relação de afeto e cuidado mútuo como em qualquer outro
tipo de relação. Consequentemente, não tem que se pensar na família nuclear
heteronormativa como modelo universal a ser seguido.
Fica claro nesta pesquisa que no Brasil, a adoção apareceu com a intenção
de atender excepcionalmente os interesses do adotante, pois sua fundamental
intenção é que seja possível proporcionar a filiação a quem não a tivesse de seu
próprio sangue, tanto que estabelecia como pressuposto a ausência de filhos
legítimos ou legitimados.
Conforme demonstrado no decorrer do trabalho a legislação brasileira é
avaliada como sendo omissa, mas mesmo assim ainda que timidamente em alguns
casos não veda a adoção por pares homoafetivos. Além disso, se adoção for
realizada de acordo com os critérios estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do
Adolescente, a opção sexual do adotante não pode ser requisito impeditivo.
Constatou-se também que torna-se imprescindível acabarcom o preconceito,
eis que, como se sabe, o direito é analisado como sendo um instrumento
regulamentador dos fatos sociais, e sustentar que a união homoafetiva não possui o
status de entidade familiar, negando aos seus membros a possibilidade de exercitar
os sentimentos de maternidade/paternidade, bem como negar aos infantes o direito
de constituir uma família.
Tratando-se a dignidade um elemento que caracteriza e qualifica a pessoa
humana, não há distinção para qual pessoa se refere, englobando toda a família,
visando tal princípio, inclusive, proteger o ser humano, não podem os homoafetivos
serem discriminados por escolherem ser “diferentes” e devendo sua família ser
protegida perante as relações familiares, pelo Estado.
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Verificou-se que o preconceito é tão grande quando o assunto é adoção que
os argumentos que as pessoas utilizam para que se opõem à adoção de crianças
por homossexuais é de que existiria o perigo da identificação das crianças com o
modelo dos pais, o que as induziria, por consequência, a se tornarem do mesmo
modo homossexuais.
Destaca-se desta forma que por um lado sustentar que existe a
impossibilidade jurídica do pedido de adoção estabelecido por um casal
homoafetivo, na perspectiva constitucional do primado da pessoa humana e da
proibição de tratamento diferenciado, com base na opção afetivo-sexual das
pessoas, é por outro lado desconsiderar o poder jurisdicional de o magistrado
realizar uma interpretação eficaz, em sintonia com a realidade fática, de acordo com
os fins sociais aos qual a lei se dirige, por meio do recurso analógico.
Constatou-se que o projeto do Estatuto da Família, nos moldes que foi
desenvolvido e vem sendo defendido por muitos, acaba traduzindo que existe uma
grande homofobia parlamentar. Neste projeto fica bem claro o fato de que o autor do
projeto procurou não exclusivamente enfatizar a família nuclear heterossexual, mas
também tentar uma forma de negar a casais homoafetivos o reconhecimento
enquanto família e consequentemente não poderia ter a chance de uma adoção.
Conclui-se que quando se é possível autoriza a adoção por casais
heteroafetivos, consequentemente não deveria apresentar motivo para se indeferir a
adoção do mesmo modo para casais homoafetivos que apresentam como objetivo
tão somente constituir uma família.
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ORGANIZAÇÃOnotion of family varied over time, underwent a process of transformations and
still evolves uninterruptedly, interacting with society and even so much is still spoken
in current times that there is prejudice related to homoafetivos and this can affect a
process of adoption. In this way the main objective of this work is to identify the
possibility of adoption in a homoaffective relationship. The present study is
characterized as exploratory, which presents itself with a bibliographical procedure
with a qualitative approach through articles, books and journals, plus information
collected in works already produced on the subject. Since dignity is an element that
characterizes and qualifies the human person, there is no distinction to which person
he refers, encompassing the whole family, with a view to such a principle, including
protecting the human being, homofecialists can not be discriminated against because
they choose to be " Different "and their family should be protected from family
relations, by the State. It has been found that prejudice is so great when it comes to
adoption that the arguments people use to oppose the adoption of children by
homosexuals is that there is a danger of the identification of children with the model
of parents. It is concluded that the project of the Family Statute, as developed and
has been defended by many, ends up translating that there is great parliamentary
homophobia.
Keywords: Adoption. Homoaffective. Family.
 
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................12
2 EVOLUÇÃO FAMILIAR......................................................................................14
2.1 História da Evolução Familiar.......................................................................14
2.2 Conceito de Família......................................................................................16
2.3 Espécies de Família.....................................................................................18
3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS......................................................................22
3.1 Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.................................................22
3.2 Princípio da Liberdade e Igualdade..............................................................24
3.3 Princípio da Afetividade................................................................................25
3.4 Princípio do Planejamento Familiar..............................................................26
3.5 Princípio do Melhor Interesse da Criança e do Adolescente.......................27
3.6 Princípio da Solidariedade............................................................................28
3.7 Princípio do Pluralismo das Entidades Familiares.......................................29
4 ADOÇÃO..............................................................................................................31
4.1 Evolução Histórica da Adoção no Brasil.......................................................31
4.2 Conceito de Adoção......................................................................................31
4.3 Requisitos da Adoção...................................................................................32
4.4 Procedimentos para Adoção.........................................................................34
4.5 Efeitos Jurídicos da Adoção.........................................................................35
4.6 Problemas da Adoção no Brasil...................................................................37
5 ADOÇÃO HOMOAFETIVA..................................................................................39
5.1 Homoafetividade...........................................................................................39
5.2 Preconceito contra Homoafetivos.................................................................41
5.3 Possibilidade da Adoção Homoafetiva.........................................................43
5.4 Direito a Formação de uma Família.............................................................44
5.5 Decisões Jurisprudenciais............................................................................45
5.6 Argumentos Contrários à Adoção Homoafetiva...........................................51
6 CRÍTICAS AO PROJETO DO ESTATUTO DA FAMÍLIA....................................54
7 CONCLUSÃO......................................................................................................59
REFERÊNCIAS.......................................................................................................61
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1 INTRODUÇÃO
Considera-se que o conceito de família foi evoluindo muito nos últimos anos.
Pois destaca-se que antes o poder familiar era exclusivo do pai, ao contrário do que
ocorre atualmente, onde esse poder é isonômico entre os cônjuges. A família era
constituída exclusivamente pelo casamento, porém essa realidade não corresponde
ao que se observa na sociedade contemporânea, havendo hoje, a união estável, as
relações monoparentais etc. 
No Brasil, provavelmente após a publicação da Lei que trata da União
Estável, os relacionamentos homoafetivos, passam a constituir um dos mais novos
temas que batem às portas do Poder Judiciário e requerem soluções para vários
problemas em vista ao Direito de Família. Embora já reconhecimento pelo Supremo
Tribunal Federal como entidade familiar, a maioria dos magistrados negava direitos
às uniões estáveis homoafetivas, por mero preconceito da sociedade e também por
grande influência religiosa. 
Quando se fala que ainda em tempos atuais existem preconceito relacionado
aos Homoafetivos, tem-se como problema se isso não poderia atrapalhar, por
exemplo, numa adoção por este casal, sendo que a única intenção desses casais e
formar uma família, trazendo ao lar uma criança que terá carinho e amor, o que não
encontrou na família biológica.
Não é de hoje que a homoafetividade é conhecida da sociedade, desde muito
tempo existem relações desse tipo. O que se está a referir é que o relacionamento
homoafetivo não é um efeito do mundo moderno, mas sim, reflexo da evolução da
sociedade no que diz respeito à liberdade individual.
Deste modo o objetivo principal deste trabalho é identificar a possibilidade de
adoção numa relação homoafetiva, assegurando tão somente o melhor interesse da
criança e do adolescente, bem como fazendo com que os pares homoafetivos
tenham direitos iguais como qualquer outro casal, no sentido de constituir família,
através da adoção daquelas crianças que foram deixadas em um abrigo pelos pais
biológicos, ou seja, pelos casais heteroafetivos aceitos pela sociedade. 
O tema possui importância ímpar, considerando-se que a união familiar funda-
se precipuamente, em sentimentos nobres, como o amor, a fidelidade, o respeito e a
proteção recíproca a seus membros. Atualmente, a tarefa de conceituar família
tornou-se árdua, em função das mudanças institucionais familiares, na sociedade.
12
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O presente estudo utiliza-se do método lógico sistemático e dedutivo, na
medida em que se terá como base de pesquisa procedimento bibliográfico com
abordagem qualitativa por meio de artigos, livros e revistas, acrescidos de
informações colhidas em trabalhos já produzidos sobre o tema, bem como o
ordenamento jurídico e decisões jurisprudenciais.DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos
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	ANHANGUERA EDUCACIONAL
	A POSSIBILIDADE DA ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS
	A POSSIBILIDADE DA ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS
	A POSSIBILIDADE DA ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS
	RESUMO
	ABSTRACT
	SUMÁRIO13
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2 EVOLUÇÃO FAMILIAR
2.1 História da Evolução da Família
As atribulações por que atravessou a família, no mundo ocidental, refletiram
no teor do poder familiar. Quanto maiores foram a desigualdade, a hierarquização e
a supressão de direitos, em meio aos membros da família, tanto maior foi o pátrio
poder e o poder marital. À medida que se deu a emancipação da mulher casada,
deixando de ser alieni juris, à medida que os filhos foram emergindo em dignidade e
conseguindo tratamento legal isonômico, independentemente de sua origem, houve
redução do quantum despótico, reduzindo esses poderes domésticos. No Brasil,
foram necessários 462 anos, desde o início da colonização portuguesa, para a
mulher casada deixar de ser considerada relativamente impossibilitada (Estatuto da
Mulher Casada, Lei n. 4.121, de 27 de agosto de 1962); foram necessários mais 26
anos para consumar a equidade de direitos e deveres na família (Constituição de
1988), pondo fim, em definitivo, ao velho pátrio poder e ao poder marital. (GOMES,
2000 p.389).
Destarte que, o século XX foi panorama de grandes transformações na
composição da família. Embora hoje, porém, se nota alguns sinais deixados pelas
suas origens. Logo da família romana, por exemplo, temos a autoridade do chefe da
família, onde a dependência da esposa e dos filhos ao pai atribui ao homem o papel
de chefe. Já da família medieval perpetua-se o modo sacramental do casamento
trazido no século XVI. Assim, da cultura portuguesa, temos a solidariedade, o
sentimento de sensível união afetiva, abnegação e desinteresse. Em todo o mundo,
o conceito de família nuclear e a instituição casamento profundamente ligada à
família, passaram por modificações. Prontamente a fórmula mais acentuada dessas
mudanças sucedeu no final da década de 60: cresceu o número de separações e
divórcios, a religião foi perdendo sua energia, não mais conseguindo segurar
casamentos com relações insatisfatórias. Depressa a igualdade passou a ser um
pressuposto em muitas afinidades matrimoniais. (DIAS, 2010).
Pode-se proferir que a história da família se confunde com história da
humanidade, sendo que a primeira instituição à qual o homem pertenceu e até hoje
ainda pertence, é a família. (AFLEN, 2006, p.82).
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Relevante realçar que a noção de família variou ao longo dos tempos, passou
por um longo processo de transformações e ainda evolui ininterruptamente,
interatuando com a sociedade, para asseverar sua adaptação às alterações
advindas e, por consequência, a sua própria existência. Logo por essa razão, o
significado de família não tem o mesmo sentido atualmente que tinha há algumas
décadas atrás. (FACHIN, 2003, p.3).
Têm-se conhecimento e assim vale lembrar que a partir da Carta Magna de
1988 a família auferiu novos contornos, vislumbrando princípios e direitos
conquistados pela sociedade. Sendo assim, diante o novo ponto de vista da família,
o modelo de família clássico passou a ser mais uma forma de constituir um núcleo
familiar, que em conformidade com o artigo 226 passa a ser uma comunidade
constituída na igualdade e no afeto:
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. 
§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração. 
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei. 
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre
o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua
conversão em casamento.
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada
por qualquer dos pais e seus descendentes. 
§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos
igualmente pelo homem e pela mulher
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia
separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei, ou
comprovada separação de fato por mais de dois anos.
 § 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da
paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal,
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o
exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de
instituições oficiais ou privadas. 
§ 8º - “O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um
dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito
de suas relações." (RUSSO, 2005 p.43).
Até bem pouco tempo, era o complexo das normas que regulavam a
celebração do casamento, sua validade e os efeitos dele resultantes; as relações
pessoais e econômicas da sociedade conjugal, assim como a dissolução desta; as
relações entre pais e filhos; o vínculo do parentesco; e os institutos complementares
da tutela e da curatela. Entretanto, com o advento da promulgação da Constituição
Federal de 1988, houve uma profunda alteração nos conceitos de família e na
própria realidade social. A regulamentação do § 3º do art. 226 - que adota a união
estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, determinando que seja
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promovido o seu convertimento em casamento - feito por intermédio da Lei nº 8.971,
de 29/12/94 e, em seguida, da Lei nº 9.278, de 10/05/96, ainda que com suas
deficiências, abre o conceito de família à união estável, protegendo-a sob o manto
judicial. (MORAES, 1998).
É preciso considerar que por outro lado o poder familiar, que antes era
denominado pátrio poder, é instituto de natureza de modo eminente familiar,
decorrente do liame de filiação, e, dentre as figuras familiares, aquele que mais
exterioriza facetas obrigacionais. Tanto isso é correto que o atual Código Civil
deslocou geograficamente parcela considerável das obrigações dos genitores em
relação aos bens dos filhos, que no anterior código achavam-se disciplinadas nos
artigos 385 a 391, na Seção III, do Capítulo VI que tratava designadamente do pátrio
poder, inserindo-o, presentemente, nos artigos 1689 a 1693, no Subtítulo II, do Título
II, que trata das relações patrimoniais no direito de família. (BITTAR, 1994).
Considera-se que a família é avaliada como sendo uma realidade sociológica
e compõe a base do Estado, o núcleo essencial em que repousa toda a organização
social; sem sombra de dúvidas trata-se de instituição imprescindível e sagrada para
desenvolvimento da sociedade como um todo, instituição está digna de vasta
proteção do Estado. (GONÇALVES, 2011).
Denota-se que com o decurso do tempo, o instituto familiar primitivo,
igualmente como as relações advindas no seio familiar, passou a ser regulado pelo
Direito que dela adveio, passando a existir assim o Direito de Família, cujo intento é
ajudar a manter a família para que o indivíduo possa até mesmo existir como
cidadão. (NOGUEIRA, 2012).
Sendo assim a família atual passa o núcleo essencial para o desenvolvimento
da personalidade e da dignidade humana, é a base necessária para a busca da
felicidade de seus integrantes. Logo em outras palavras, a família passou a ser
muito mais o “espaço para o desenvolvimento do companheirismo, do amor e, acima
de tudo, ainda que sempre tenha sido assim, e será,o núcleo formador da pessoa e
fundante do sujeito”. (PEREIRA, 2003 p.236).
2.2 Conceito de Família
Tem-se conhecimento que o conceito de família evolucionou muito nos
últimos anos. Antes o domínio familiar era particular do pai, ao oposto do que
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acontece ultimamente, onde esse poder é isonômico entre os consortes. A família
era formada unicamente pelo casamento, entretanto essa realidade não obedece ao
que se analisam na sociedade moderna, havendo atualmente, a união estável, as
relações monoparentais etc. (BARBOSA, 2002, p.17).
Da perspectiva do Direito de Família contemporâneo, o conceito de família
fundamenta-se nas relações de consanguinidade e aliança, observando-se, além
disso, que para a formação da família seja necessária a ocorrência de dois
requisitos basilares: a afetividade e a estabilidade. Ultimamente observa-se que o
elemento afeto vem adquirindo maior importância. Prontamente nessa seara, nota-
se que há um afastamento dos laços formais e uma valorização das relações de
recíproca ajuda e afeto, com índices cada vez maiores de uniões não
matrimonializadas, nas quais o indivíduo se introduz e busca a realização pessoal.
De tal modo consoante ensinam Fachin e Lôbo:
Reinventando-se socialmente, a família reencontrou sua unidade no afeto,
antiga função desvirtuada por outras destinações nela vertidas ao longo se
sua história. A afetividade, assim, desponta como elemento nuclear e
definidor familiar, aproximando a instituição jurídica da instituição social.
(2003 e 2009).
Prontamente, cabe lembrar que a família é a conjunção de indivíduos, ligados
entre si por laços, sejam eles sanguíneos ou afetivos, ou até mesmo, “uma unidade
social composta de pessoas unidas por laços que podem ser afetivos ou
sanguíneos”. Logo dessa análise, contudo, demonstra-se imperativo advertir que
esse conceito está em constante evolução e muito varia em um mesmo período.
(NOBRE, 2014).
Pode-se dizer que o princípio da afetividade vem sendo destacado como uma
das mais importantes conquistas que vieram com a família contemporânea, pois é
através deste princípio que se pode ser representada a reciprocidade de
sentimentos e responsabilidades. Deste modo vale ressaltar que de certa forma com
o advento desse princípio conseguisse proporcionar um desejo social na formação
de laços afetuosos em preferência a laços meramente patrimoniais. Com isso
considera-se que as famílias, dessa forma, aos poucos foram deixando a
característica coercitiva na composição familiar, no qual o afeto no passado era
destacado como sendo um fator secundário frente a outros interesses, como os
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materiais, para ser uma entidade plural fundamentada na solidariedade e na
afetividade (PEREIRA, 2014 p. 66).
Pode-se dizer que a família é o coração da sociedade e o lugar no qual se
introduz o indivíduo mais intensamente, estando nela implantado pelo nascimento ou
por laços afetivos, sendo adequado proferir que é através dela que adquire sua
personalidade e seu caráter; não apenas isso é uma instituição anterior ao Direito e
ao Estado, bem como fundamental e básica para formação do indivíduo. (LOCKS,
2012).
Vale frisar que a instituição familiar é a célula fundamental da sociedade.
Sabe-se que é “o núcleo ideal do pleno desenvolvimento da pessoa. Por imediato, é
o instrumento para a realização integral do ser humana”. Prontamente sem a
existência da família o ser humano seria ainda mais frágil e sua sobrevivência, ainda
mais complicada. (DINIZ, 2008 p.13).
2.3 Espécies de Família
As constituições contemporâneas, quando discutiram sobre família, partiram
sempre do modelo preferencial da entidade matrimonializada. Não é comum a tutela
explícita das demais entidades familiares. Sem embargo, a legislação
infraconstitucional de diversos países ocidentais tem se adiantado, desde as duas
últimas décadas do século XX, no sentido de conferir resultados jurídicos próprios de
direito de família às demais entidades socioafetivas, incluindo as uniões
homossexuais. A Constituição brasileira inovou, reconhecendo não somente a
entidade matrimonializada, mas outras duas explicitamente, além de consentir a
interpretação extensiva, de modo a compreender as demais entidades implícitas.
(LÔBO, 2002, p. 40-55).
Houve uma intensa modificação nos padrões. E, com a vigência da
Constituição, o direito de família passou a ser auxiliado por novos princípios que
formaram uma nova ordem familiar e esboçaram novos caminhos a serem
construídos pelos seus membros. Sob tal expectativa, “afirma-se a ideia de
funcionalização da família, onde o que importa não são os vínculos biológicos ou
jurídicos, mas sim a efetivação psicológica e afetiva de cada um de seus membros”
o que se entende como o fenômeno da repersonalização das relações civis. Pode-se
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afirmar que hoje, a família é uma estruturação psíquica em que cada membro ocupa
um lugar, uma função. (BARROS, 2004, p.1121).
A família transforma-se na medida em que se acentuam as relações de
sentimentos em meio a seus membros: valorizam-se as funções afetivas da família.
Por consecutivo, a família e o casamento contraíram um novo perfil, voltados muito
mais a alcançar os interesses afetivos e existenciais de seus integrantes. (VENOSA,
2008).
Não se pode esquecer que por um lado de tal modo como as famílias se
transformaram os cernes familiares também passou por alterações em sua
construção e composição. A família composta por vários membros começou a perder
força ao longo dos anos, bem como aquela desenvolvida somente por filhos
legítimos, seja por determinação legal, seja porque os centros familiares passaram a
dar valor à um fator necessário para sua formação: o amor, o afeto! Não há como
negar que a nova disposição da família atual é a sua composição fundamentada na
afetividade. Sabe-se que o legislador não tem como criar ou estabelecer a
afetividade como regra erga omnes, pois esta nasce pelo convívio entre pessoas e
reciprocidade de sentimentos. (NOGUEIRA, 2001).
Com o passar dos anos inúmeras disposições familiares alternativas foram
surgindo: casamentos consecutivos com parceiros distintos e filhos de diferentes
uniões; casais homossexuais adotando filhos legitimamente; casais com filhos ou
parceiros isolados ou mesmo cada um vivendo com uma das famílias de
procedência; as chamadas “produções livres” tornam-se mais comuns; e mais
recentemente, duplas de mães solteiras ou já separadas repartem a criação de seus
filhos. Chega-se deste modo ao século XXI com a família pós-moderna ou pluralista,
como tem sido chamada, pelos tipos alternados para a convivência que se
apresenta. (STREY, 2001).
As autoras brasileiras Berthoud e Bergami (2000, p. 47), também destacam a
complicação do processo de recasamentos, e salientam a importância do método de
demarcação de papéis na nova família. Casais maduros, no procedimento de
reconstituir família, quem sabe não tenham que se incomodar com bens materiais ou
com ascensão profissional, mas com certeza lidarão com o processo de aquisição e
edificação de ligames com os sistemas familiares de origem de ambos, com os
sistemas familiares de seus ex-parceiros, filhos biológicos e filhos por afinidade. O
estabelecimento de relações familiaresdepende de negócios amplos e de
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redefinições de papéis e desempenhos e, desta forma, o desenvolvimento de cada
nova família é um método singular. 
Salva realçar que a família atual é democrática, não existe mais qualquer
hierarquia entre seus membros, sendo direito e dever tanto do homem como da
mulher a direção da vida familiar. Consequentemente, o modelo familiar
contemporâneo é plural e descentralizado, prevalecendo à democracia, a igualdade
e a solidariedade entre seus membros. Sabe-se que ficou ultrapassada a noção de
que unicamente existia um tipo de família: a decorrente do matrimônio e regida pelo
homem. (CHAVES, 2008, p.6).
A doutrina, por sua vez, amplia as espécies de família, trazendo novas
formações, dentre as quais, destacam-se: matrimonial, união estável, monoparental,
anaparental, eudemonista e homoafetiva. (GONÇALVES, 2013, p. 35).
A família matrimonial é o modelo mais comum e tem amparo na Constituição
Federal de 1988, sendo que era o único aceito até então, tanto pela legislação
quanto pela sociedade. Esse modelo é formado pelos cônjuges e seus filhos, tendo
ambos os cônjuges direitos e deveres, conforme estabelece o artigo 1.566 do
Código Civil Brasileiro:
Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:
I – fidelidade recíproca;
II – vida em comum, no domicílio conjugal;
III – mútua assistência;
IV – sustento, guarda e educação dos filhos;
V – respeito e consideração mútuos. (BRASIL, Lei 10.406/2002).
Esse tipo de família ainda sofre muita influência religiosa e baseia-se também,
no princípio da monogamia.
A família forma pela União Estável é aquela que surge quando os
companheiros têm a intenção de ir morar juntos e construir família, sem contudo se
submeter aos requisitos do casamento. Essa união passou a ser reconhecida como
entidade familiar através do artigo 226, §3º, da Constituição Federal de 1988 que
dispõe: 
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre
o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua
conversão em casamento. (BRASIL, 1988).
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E ainda através do Código Civil Brasileiro em seu artigo 1.723 que também
reconheceu a união estável como entidade familiar entre o homem e a mulher,
configurada na convivência pública, contínua e duradoura com o objetivo de
constituir família.
Outro modelo a ser tratado é a família monoparental que também tem
regulamentação na Constituição Federal de 1988 no artigo 226, §4º, sendo
caracterizada pela formação composta pelo pai ou mãe e seus filhos biológicos ou
adotivos, o que ocorre no caso de viuvez ou divórcio, por exemplo.
Aquela família que é composta somente por irmãos ou parentes colaterais e
até mesmo pessoas sem vínculos consanguíneo, sendo que o que os unem nesse
caso é o afeto e o desejo de se ter um elo familiar, esse modelo é a família
anaparental, também reconhecido doutrinariamente.
Tem-se ainda, a família eudemonista, aquela pautada unicamente nos laços
afetivos de seus membros.
Por fim, tem o mais moderno e polêmico tipo de família que é a homoafetiva,
ou seja, aquela união formada por pessoas do mesmo sexo.
Não há qualquer regulamentação no ordenamento jurídico da formação da
união homoafetiva, contudo houve grande avanço quando o Supremo Tribunal
Federal reconheceu através da votação da Ação Declaratória de
Inconstitucionalidade 4.277 e Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental 132 a união homoafetiva como uma entidade familiar.
Outrossim, a própria Lei 12.010/2009 – Lei da Adoção, em seu artigo 25,
apresenta uma formação familiar diferente, qual seja:
Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou
qualquer deles e seus descendentes.
Parágrafo único. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se
estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada
por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e
mantém vínculos de afinidade e afetividade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de
2009)
Portanto, também se considera como família aquela formada por parentes, os
quais a criança tem vínculo de afinidade ou afetividade.
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3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
Registre-se, de proêmio, que antes mesmo de adentrarmos ao estudo de
cada princípio constitucional, faz-se necessário a abordagem do conceito de
princípio no direito, observando o posicionamento de alguns doutrinadores e
abordando ainda a importância de tais institutos para o ordenamento jurídico
brasileiro.
De acordo com o entendimento do jurista Bonavides (2006, p. 294), o
princípio é “[...] a viga-mestra do sistema, o esteio da legitimidade constitucional, o
penhor da constitucionalidade das regras de uma Constituição”.
Por outro lado, se pararmos e pesquisarmos o conceito de princípio no
dicionário, podemos observar que será feito referência, a algo que serve como
alicerce, início, algo principal para se basear e é assim que se deve enxergar os
princípios constitucionais dentro do ordenamento jurídico, bem como para se decidir
lides que nos aparecerá a frente.
Já para o doutrinador Plácido e Silva:
Princípios, no plural, significam as normas elementares ou os requisitos
primordiais instituídos como base, como alicerce de alguma coisa [...]
revelam o conjunto de regras ou preceitos, que se fixam para servir de
norma a toda espécie e ação jurídica, traçando, assim, a conduta a ser tida
em qualquer operação jurídica [...] exprimem sentido mais relevante que o
da própria norma ou regra jurídica [...] mostram-se a própria razão
fundamental de ser das coisas jurídicas, convertendo-as em perfeitos
axiomas [...] significam os pontos básicos, que servem de ponto de partida
ou de elementos vitais do próprio Direito (2001, p. 639).
Logo, depreende-se dos conceitos acima citados que os princípios tornam-se
alicerce de todo o ordenamento jurídico, consagrados através da Constituição
Federal Brasileira de 1988, a qual adotou o modelo de supremacia da norma
constitucional provocando mudança de suma importância, quanto à interpretação
das leis, sendo que alguns destes princípios serão abordados abaixo, destacando a
relevância para o estudo em tela.
3.1 Princípio da Dignidade da Pessoa Humana
O princípio da Dignidade da Pessoa Humana é aquele onde se baseiam todos
os outros, estando ele disposto no artigo 1º da Constituição Federal Brasileira de
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1988, ou seja, se não houvesse qualquer dispositivo sobre o referido princípio, não
haveria qualquer tipo de elevação do ser humano, tampouco respeito mútuo.
Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos:
[...]
III – a dignidade da pessoa humana. (BRASIL, 1988) (grifo nosso)
Esse também é o pensamento de Maria Berenice Dias, ao discorrer que:
A Constituição Federal atua como uma “ponte”, queliga e torna eficaz todas
as normas e garantias fundamentais no Direito. Sendo os princípios
constitucionais um alicerce onde sobre este se constrói todas as normas
jurídicas. Assim, os princípios constitucionais passaram a informar todo o
sistema legal de modo a viabilizar o alcance da dignidade humana em todas
as relações jurídicas (2010, p. 58).
Outrossim, através da Declaração Universal dos Direitos Humanos
proclamada pela resolução 217 A (III), da Assembleia Geral das Nações Unidas, em
10 de dezembro de 1948, podemos observar em seus artigos direitos dos seres
humanos, sem qualquer distinção, devendo sempre prevalecer o princípio da
dignidade: 
Art. 1º. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e
direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns
aos outros com espírito de fraternidade.
Art. 2º. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as
liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer
espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra
natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra
condição.
Art. 7º. Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção,
a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer
discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer
incitamento a tal discriminação (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS HUMANOS, 1948).
E, ainda, o princípio em questão não diz respeito à qual tipo de pessoa está
se dirigindo, logo, podemos concluir que engloba todas as pessoas sem qualquer
restrição, e quando se desrespeita a opção sexual dos homoafetivos, acaba por ferir
frontalmente a Constituição Federal que dispõe sobre o princípio da dignidade da
pessoa humana.
Assim entende Flávia Bahia Martins: 
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O importante princípio significa a elevação do ser humano ao patamar mais
alto das considerações, com a finalidade de impedir a sua degradação e a
sua redução a um mero objeto de manipulação. Compreende a proteção e a
promoção das condições fundamentais para uma vida adequada, o respeito
à igualdade entre os indivíduos, a garantia da independência e de sua
autonomia e a coibição de qualquer obstáculo que impeça o
desenvolvimento do potencial de sua personalidade (2011, p. 80).
 
Por fim, tratando-se a dignidade um elemento que caracteriza e qualifica a
pessoa humana, não há distinção para qual pessoa se refere, englobando toda a
família, visando tal princípio, inclusive, proteger o ser humano, não podem os
homoafetivos serem discriminados por escolherem ser “diferentes” e devendo sua
família ser protegida perante as relações familiares, pelo Estado.
3.2 Princípio da Liberdade e Igualdade
Os princípios da liberdade e igualdade são de total relevância para o trabalho
em questão, uma vez que trata-se da liberdade do indivíduo em querer se relacionar
ou não com pessoas do sexo oposto e também se caso se sentir atraído por
pessoas do mesmo sexo, deve ser tratado de forma igualitária à outras pessoas,
conforme dispõe o artigo 5º da Constituição Federal Brasileira de 1988: “Todos são
iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, [...]”. (BRASIL, 1988) (grifo nosso).
Não se pode, olvidar, a propósito, que fazer diferenciações entre pessoas
heteroafetivas e homoafetivas é a mesma coisa que forçá-las a ser “normais” aos
olhos da sociedade, contudo impedindo-as de livremente escolherem a opção sexual
que desejarem, ou seja, se relacionar com quem lhe fizer bem ferindo tanto o
princípio da liberdade de escolha, quanto o princípio da igualdade sem distinções de
opção sexual. Esse raciocínio é também de Alexandre Moraes, o qual pontua:
O que se veda são as diferenciações arbitrárias, as discriminações
absurdas, pois, o tratamento desigual dos casos desiguais, na medida em
que se desigualam, é exigência tradicional do próprio conceito de Justiça,
pois o que realmente protege são certas finalidades, somente se tendo por
lesado o princípio constitucional quanto o elemento discriminador não se
encontra a serviço de uma finalidade acolhida pelo direito (2005, p. 31).
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E ainda, no que diz respeito ao princípio da igualdade, Maria Berenice Dias
afirma que:
Implica igualdade na própria lei, ou seja, não basta que a lei seja aplicada
igualmente para todos, mas é também imprescindível que a lei em si
considere todos igualmente, ressalvadas as desigualdades que devem ser
sopesadas para o prevalecimento da igualdade material em detrimento da
obtusa igualdade formal. (2000, p. 72)
Bem por isso, não adianta existir somente o princípio para se seguir, quando a
lei não é aplicada de forma igual a todos, uma vez que o exemplo deve começar na
prática, por parte das autoridades que praticam a justiça, aplicando às leis.
Quando se autoriza, portanto, a adoção por casais heteroafetivos, não tem
motivo para se indeferir a adoção também para casais homoafetivos que objetivam
tão somente a constituir uma família.
 Acresça-se, por oportuno, que o jurista Roger Raupp Rios alega que “o
princípio da igualdade proíbe a discriminação fundada na homossexualidade,
calcada numa realidade preconceituosa” (2001, p. 383), não há portanto, qualquer
fomento jurídico para se ver discriminado os casais homoafetivos.
3.3 Princípio da Afetividade
Nos séculos passados, como já visto no segundo capítulo deste trabalho, o
casal se unia por crenças de antepassados, contudo com o passar do tempo o
casamento foi ocorrendo pelo amor e carinho que um sentia pelo outro,
prevalecendo desde então o afeto.
Com efeito, buscando aproximar as pessoas, o que é fundamento para a
estruturação familiar de hoje em dia, surge o princípio da afetividade, com suma
importância jurídica, com a finalidade de constituição de família, o que esclarece e
afirma Rodrigo da Cunha Pereira:
A família passou a se vincular e a se manter preponderantemente por elos
afetivos, em detrimento de motivações econômicas, que adquiriram uma
importância secundária. A mulher deixou de ficar “presa” ao marido por
questões econômicas e de sobrevivência, e seu vínculo passou a ser
preponderantemente por motivações afetivas, vez que adquiriu possibilidade
de se manter por seu próprio trabalho. De fato, uma família não deve estar
sustentada em razões de dependência econômica mútua, mas
exclusivamente, por se constituir um núcleo afetivo, que se justifica,
principalmente, pela solidariedade mútua (2004, p. 128).
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Outrossim, com o avanço e inovações do Código Civil Brasileiro de 2002,
passa a ter os mesmos direitos os filhos biológicos e os não biológicos, sendo certo
que anteriormente somente os de sangue tinham direitos de filiação no ordenamento
jurídico.
Portanto, deixando prevalecer o princípio da afetividade e trazendo à tona o
estudo deste trabalho, que é a adoção homoafetiva, clara fica a importância do
princípio em questão para a permissão do casal homoafetivo em adotar, pois não se
trata somente de direitos, mas acimade tudo do afeto que demonstrarão para os
adotados, pois a adoção é mais que uma doação, é um ato de muito amor.
3.4 Princípio do Planejamento Familiar
O princípio do Planejamento Familiar tem estipulação tanto no Código Civil
Brasileiro, no artigo 1.565, §2°, quanto na Constituição Federal de 1988 em seu
artigo 226, §7°, onde dispõe que:
Art. 1.565. [...]
§2º. O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao
Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse
direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas
ou públicas (BRASIL, Lei 10.406/2002).
Art. 226. [...]
§7º. Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da
paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal,
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o
exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de
instituições oficiais ou privadas (BRASIL, 1988).
Além do mais, como disposto no próprio artigo do Código Civil, o
planejamento familiar é de livre decisão do casal, não podendo qualquer pessoa ou
o próprio Estado intervir nessa relação.
Com efeito, quando do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal, da
União Estável Homoafetiva, por meio de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade
n° 4.277, surge daí uma nova espécie de família, assim como é formada pelos
heteroafetivos, possibilitando aos mesmos a constituição de família com filhos, o que
foi regulamentado através de decisão do Supremo Tribunal Federal em Março de
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2015, ao conceder o direito para os casais homoafetivos à adoção de crianças sem
qualquer restrição.
Logo, o princípio em questão encontra-se amparado também pela Lei nº
9.263/1996, onde é assegurado, como já mencionado acima, a todo cidadão, o
planejamento familiar de maneira livre, não podendo estabelecer limites ou
condições para o seu exercício dentro do âmbito da autonomia privada de cada
indivíduo, e não havendo decisão em favor da adoção homoafetiva acaba por ferir a
Carta Magna no que diz respeito ao referido princípio, uma vez que o torna limitado.
3.5 Princípio do Melhor Interesse da Criança e do Adolescente
Não tem como falar de adoção, sem se quer citar o princípio do melhor
interesse da criança e do adolescente, pois eles são as “peças” mais importantes
desse “jogo”, ou seja, deve-se sempre levar em consideração aquilo que é melhor
para o adotado.
Segundo o doutrinador Luciano Alves Rossato, “seu mandamento é no
sentido de que se deve conferir atendimento prioritário aos interesses das pessoas
em desenvolvimento” (2009, p. 23), portanto sempre haverá prioridade para o bem
estar do infante, para que ao ser retirado de sua família biológica, seja levado à um
lar melhor, que dê à ele uma vida digna com todos os direitos, como dispõe o artigo
3º da Lei 8.069/1990 do Estatuto da Criança e do Adolescente:
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais
inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata
esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico,
mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade
(BRASIL, Lei 8.069/1990).
Além disso, ao se tratar do assunto filiação, sempre tem que se levar em
conta o melhor interesse do menor, observando o que realmente o faz bem, o que
vai fazer com que ele cresça com valores e preceitos dignos de um ser humano, e
muitas vezes estar ligados pelo sangue, não quer dizer estar ligados pelo amor, pois
muito vale o amor em uma relação de pais para com os filhos, do que um simples
documento atestando ter o mesmo sangue correndo pelas veias.
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Ademais, assevera-se que o princípio da proteção integral à criança e ao
adolescente, de maior abrangência, além de ter confirmado a existência do
princípio do melhor interesse da criança e do adolescente como critério
interpretativo, evidenciou sua natureza eminentemente constitucional,
considerando-o como uma cláusula universal que se revela por meio dos
direitos fundamentais da criança e do adolescente contidos na Constituição
Federal de 1988 (BARBOZA, 2000, p. 206).
Por fim, se levarmos em conta o pensamento de algumas pessoas
preconceituosas, deixaremos as crianças com os pais biológicos que muitas vezes
as agridem não só fisicamente, mas também psicologicamente e emocionalmente,
ao invés de colocá-las em um lar que só encontrarão respeito, amor e carinho um
para com os outros.
E ainda, estaremos indo contra o próprio princípio do melhor interesse da
criança e do adolescente ao negar a adoção por casais homoafetivos, somente pelo
preconceito existente na sociedade.
Se uma única vez, atentarmos ao repúdio a violência e passar a valorizar o
amor ao invés de procurar motivos para cercear direitos comuns a todos, aí sim
deixaremos de lado o que menos importa, para construir não só uma família feliz,
mas para evoluir o pensamento da sociedade, buscando sempre o melhor para
todos.
3.6 Princípio da Solidariedade
O princípio da solidariedade tem amparo constitucional o artigo 3º, onde
dispõe que “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I
– construir uma sociedade livre, justa e solidária” (BRASIL, 1948, grifo nosso), ou
seja, uma pessoa deve ser solidária com a outra, não importante a opção sexual de
cada ser humano.
Outrossim, Maria Berenice Dias afirma que:
Esse princípio, que tem origem nos vínculos afetivos, dispõe de acentuado
conteúdo ético, pois contém em suas entranhas o próprio significado da
expressão solidariedade, que compreende a fraternidade e a reciprocidade.
A pessoa só existe enquanto coexiste. O princípio da solidariedade tem
assento constitucional, tanto que seu preâmbulo assegura uma sociedade
fraterna. Também ao ser importo aos pais o dever de assistência aos filhos
(Constituição Federal, artigo 229), consagra o princípio da solidariedade. O
dever de amparo às pessoas idosas (Constituição Federal, artigo 230)
dispõe do mesmo conteúdo solidário (2010, p. 67).
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Com efeito, o referido princípio vem de encontro com o tema do presente
trabalho, com o intuito de se reafirmar a possibilidade da adoção por casais
homoafetivos, bem como na forma livre que cada indivíduo pode viver, sem qualquer
distinção de olhares ou de forma de tratamento, por ser a pessoa apenas diferente
no que diz respeito a opção sexual, devendo apenas haver compreensão.
3.7 Princípio do Pluralismo das Entidades Familiares
O princípio em questão serve para demonstrar que não existe somente um
tipo de família atualmente, mas que através da Constituição Federal foram
reconhecidas e regulamentadas mais de um tipo, objetivando um tratamento
igualitário a cada entidade familiar moderna.
Sobre o assunto, confira-se o ensinamento da professora Heloísa Helena
Barboza:
A Constituição Federal, alterando o conceito de família, impôs novos
modelos. Embora a família continue a ser a base da sociedade e a desfrutar
da especial proteção do Estado, não mais se origina apenas do casamento,
uma vez que, a seu lado, duas novas entidades familiares passaram a ser
reconhecidas: a constituída pela união estável e a formada por qualquer dos
pais e seus descendentes (1977, p. 104).
E, ainda, segue nessesentido o apontamento da jurista Maria Helena Diniz,
quando diz que:
A Constituição Federal de 1988 trouxe três formas de entidades familiares
como sendo a família matrimonial, monoparental e a união estável. Todavia,
o novo Código Civil, apesar de poucos artigos contemplar a união estável,
outorgando-lhe alguns efeitos jurídicos, não contém qualquer norma
disciplinadora da família monoparental, composta por um dos genitores e a
prole, olvidando que 26% de brasileiros, aproximadamente, vivem nessa
modalidade de entidade familiar (2007, p. 21).
Não se pode olvidar, outrossim, que antigamente como visto no segundo
capítulo que descreve toda a história da evolução familiar, bem como as espécies de
família, somente tinha-se como tal a família matrimonial, ou seja, aquela constituída
pelo casamento, contudo com o passar do tempo, a sociedade foi se modernizando,
até que foi reconhecida também como família a união estável, e nesse sentido
aconselha Carlos Roberto Gonçalves a formalizar tal união:
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[...] por meio de um contrato de convivência entre as partes, que servirá
como marco de sua existência, além de propiciar regulamentação do regime
de bens que venham a ser adquiridos no seu curso. Os mais preocupados
ainda poderão, ao seu alvitre, solenizar o ato de união mediante reunião de
familiares e amigos para comemorar o evento, até mesmo com a troca de
alianças e as bênçãos de um celebrante religioso, em festas semelhantes
às bodas oficiais (2011, p. 611).
Bem por isso, ainda que não esteja clara as formas de família existente
atualmente na legislação, toda a espécie não só aquela formada pelo casamento,
deve ser tutelada juridicamente, uma vez que se tem como família aquelas pessoas
que se unem por afetividade, respeito e principalmente pela vontade mútua de
permanecerem juntas, como se fossem um, independendo da opção sexual.
Em idêntico sentido a lição da socióloga e psicanalista Marlise Matos:
Seres humanos são uma espécie de matéria ou energia que produz ligação
e desligamento, vínculos e rupturas e é das vicissitudes entre esse caldeirão
de forças que construímos a nossa própria história individual. Ser
heteroerótico ou homoeroticamente orientado no percurso de construção de
nossa história pessoa é um resultado que, para mim não precisa vir
acompanhado de um julgamento valorativo (2000, p. 140).
Assim, não pode o legislador deixar lacunas na lei, causando uma grande
omissão a tutela jurídica para todos os tipos de família, sendo certo que passa a
existir um núcleo familiar quando vivendo-se juntos, passam a compartilhar das
alegrias, doenças, dificuldades, tristezas e entre outras coisas, tentando superar
juntos tudo o que passam e também comemorando a cada vitória alcançada.
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4 ADOÇÃO
4.1 Evolução Histórica da Adoção no Brasil
No Brasil, enquanto vigoraram as Ordenações Filipinas, praticamente nada foi
disciplinado a respeito da adoção. Todavia, é a partir do Código Civil de 1916 que o
referido instituto passa a ser instituído no ordenamento jurídico pátrio de forma
sistematizada. No entanto, somente com a promulgação da Constituição Federal de
1988 a discriminação entre os filhos adotivos e biológicos desapareceu por completo
(MONTEIRO, 1997).
Desde 1988, filhos adotivos ou de sangue têm os mesmos direitos, sendo a
primeira vez que a legislação nacional prevaleceu o interesse do menor no
processo. Com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8.069/1990)
entrando em vigor veio reforçar ainda mais a proteção e o interesse do menor. Em
agosto de 2009, é vigorada a Nova Lei da Adoção, a Lei nº 12.010, a qual vem para
subsidiar o ECA criando novas exigências, inclusive o cadastro nacional de crianças
possíveis de adoção (SENADO FEDERAL, 2013).
A filiação adotiva é submetida, hoje, ao regime jurídico estabelecido pela Lei
12.010/09, que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente- ECA (Lei 8.069/90) e
revogou dispositivos concernentes a adoção do Código Civil pátrio, assim a adoção
não é mais submetida a um regime dicotômico como anteriormente, pois há somente
a adoção segundo estabelecido no ECA. Com efeito, a partir da promulgação dessa
Lei, denominada Nova Lei da Adoção (Lei 12.010/09), o referido instituto jurídico
transformou-se em medida excepcional, à qual se deve recorrer apenas quando
esgotados os recursos de manutenção da criança e do adolescente na família
natural ou extensa. (CORNÉLIO, 2010).
4.2 Conceito da Adoção
Quando se fala em adoção torna-se importante destacar que são vários os
conceitos abordados. Por sua vez Dias (2010, p. 434) a define como a “modalidade
de filiação constituída no amor, gerando vínculo de parentesco por opção”. Já no
entendimento de Pontes de Miranda (2001 apud PENA JR., 2008), “a adoção é ato
solene pelo qual se cria, entre o adotante e o adotado, relação de paternidade e
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filiação”. Assim, adoção é um procedimento legal que transfere todos os direitos e
deveres de pais biológicos para uma família substituta e concede às crianças e aos
adolescentes todos os direitos e deveres inerentes a condição de filho, desde que
esgotados todos os recursos para a manutenção da convivência com a família de
origem.
Conforme entendimento de Picolin:
O instituto da adoção é uma modalidade artificial de filiação pela qual se
aceita como filho, de forma voluntária e legal, um estranho no seio familiar.
O vínculo criado pela adoção visa imitar a filiação natural, ou seja, aquele
oriundo de sangue, genético ou biológico, razão pela qual, também é
conhecida como filiação civil. No que tange sua conveniência, muito se
discute: em relação à criança ou ao adolescente carente ou abandonado, é
inafastável, todavia, quanto àquele que não se encontra numa das situações
acima elencadas, há quem diga que possibilita a fraude fiscal, tráfico de
menores, etc. (2007 p.66)
Arnoldo Wald (2004) traz o conceito da adoção, dizendo que nada mais é que
“a adoção é uma ficção jurídica que cria parentesco civil. É um ato jurídico bilateral
que gera laços de paternidade e filiação entre pessoas para as quais tal relação
inexiste naturalmente”. Afirma também que há autores que definem a adoção como
um instituto que oferece ao filho adotivo status igual ao do filho biológico.
Ao falar de adoção não se pode esquecer que a sua maior característica é o
pleno ato de amor, ato incondicional, como são a maternidade e a paternidade. De
acordo com Diniz é “dar filhos àqueles a quem a natureza negou para melhorar a
condição moral e material do adotado.” (2007 p.484). Nesse sentido, a referida
autora apresenta o conceito de adoção como o ato jurídico solene pelo qual alguém
estabelece irrevogável e independentemente de qualquer relação de parentesco
consanguíneo ou afim, um vínculo fictício de filiação, trazendo para sua família, na
condição de filho, pessoa que geralmente lhe é estranha.
4.3 Requisitos da Adoção
Um dado importante a ser destacado é que em regra os casais ou
pretendentes solteiros, que pretendem adotar uma criança ou adolescente precisam
se conduzir ao Fórum Cível da comarca onde residirem e lá iniciarem o processo de
habilitação para adoção. A habilitaçãopara adotar é o resultado de um processo
pelo qual os pretendentes são exaustivamente avaliados, psicológica e socialmente.
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Essas avaliações acontecem por meio de entrevistas psicossociais, das quais
resultam laudos de ordem psicológica e econômico-social, e também da exibição de
documentos (atestados de antecedentes cíveis, criminais e de saúde, comprovantes
de renda e de residência etc - cada comarca possui um rol próprio dos documentos
exigidos para a instrução da habilitação), a fim de que sejam considerados capazes
(ou não) de adotar e criar, de forma satisfatória, uma criança ou um adolescente,
bem como para que o casal ou pretendente realizar a tarefa de exercer a
paternidade ou maternidade possa determinar as características ("perfil" - sexo,
idade, cor dos cabelos, cor dos olhos, antecedentes patológicos etc) da criança e/ou
adolescente que pretende adotar (ATISANO, 2007).
Pode-se dizer que a adoção somente terá lugar quando constatado o efetivo
proveito para o adotando. Será indeferida, portanto, se o pretendente não dispõe de
meios materiais para a proteção integral da criança e do adolescente. (TAVARES,
2005 p.55)
Nas palavras de Santini “o fundamental é que a adoção é uma medida de
proteção aos direitos da criança e do adolescente, e não um mecanismo de
satisfação de interesses dos adultos.” (1996 p.75). 
Para Becker, apud Santini “trata-se, sempre, de encontrar uma família
adequada a uma determinada criança, e não de buscar uma criança para aqueles
que querem adotar.” (1996 p.73).
Como requisito formal, existe à necessidade do consentimento dos pais ou do
representante legal do adotando, tutor ou curador, de acordo com a redação do
artigo 45, caput, do Estatuto da Criança e do Adolescente. Nos termos do artigo
estatutário, 166, parágrafo único, o consentimento deverá ser manifestado em
audiência, perante o juiz, e na presença do Ministério Público, e só poderá ser dado
por pessoa capaz ou por incapaz assistido ou representado. (ALVES, 2005). Na
prática forense, ao pleitear a adoção, um dos documentos indispensáveis a instruir a
inicial é o termo de anuência dos pais do adotando obtido extrajudicialmente;
contudo, referida concordância deve ser ratificada em Juízo. (SANTINI, 1996).
Venosa (2010, p.432) ensina que a adoção não é conferida a qualquer pessoa
simplesmente interessada. Há requisitos e medidas de prevenção a serem seguidos
em favor da criança e do adolescente. A adoção procura imitar, a família biológica.
Nesse caso, conhecida como filiação civil, pois não resulta de uma filiação biológica,
mas de manifestação de vontade, conforme o sistema do Código Civil de 1916 ou de
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sentença judicial, no atual sistema. A Lei nº 12.010/2009, Lei da Adoção, introduziu
modificações na sistemática da adoção, adaptando o Estatuto da Criança e do
Adolescente e derrogando o Código Civil na parte referente ao tema.
Lôbo ao exemplificar a flexibilidade da aplicação do requisito da diferença
mínima de idade utiliza-se do ensinamento de Filho, para Gisard determinada norma
deve ser flexibilizada, pois:
Uma mulher que com trinta anos de idade tem um filho, não reconhecido por
seu pai biológico, com dez anos e se une a um homem de vinte e três anos.
Esse cônjuge ou concubino que pretende adotar este menor na forma do
§1° do art. 41 do ECA terá indeferida a pretensão por não preencher o
requisito da diferença mínima de idade exigida. (2001 apud LÔBO, 2009)
Ainda como salienta o autor, embora se reconheça apresentar reais
vantagens para o adotando.
Na prática há uma certa flexibilização, pois no processo da adoção é sempre
levado em conta o melhor interesse da criança e do adolescente, e por antes do
pedido de adoção já haver um período de convívio, constituindo uma filiação afetiva,
conhecida como família extensa, não há que ser indeferida a adoção por conta de
um único requisito, qual seja, a idade mínima, não estar superada.
4.4 Procedimento para Adoção
Importa destacar que, o processo de adoção pode ser dar através de
procedimento de jurisdição voluntária ou contenciosa. Não havendo litígio, situação
em que há o consentimento dos pais, ou, sendo os progenitores falecidos, ou, ainda,
quando já houverem sido destituídos do pátrio poder, previamente, a jurisdição é
voluntária. Nestes casos, a instrução judiciária inicia-se com a petição inicial
apresentada por advogado. Todavia, por exceção à regra, nos termos do artigo 166
do Estatuto, o pedido poderá ser formulado diretamente em cartório, em petição
assinada pelos próprios requerentes, no caso de pais falecidos ou que tiverem sido
destituídos do pátrio poder ou ainda, houverem aderido expressamente ao pedido de
colocação em família substituta. Nessa hipótese não haverá necessidade da
presença de advogado e o impulso oficial será dado pelo magistrado, com a
anuência do Ministério Público. (MONTEIRO, 1997).
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Todavia, na hipótese de pais conhecidos, mas ausentes, situação na qual não
é conhecido o paradeiro dos genitores, ainda se dará a adoção por procedimento de
jurisdição voluntária, sendo os pais do adotando, citados por Edital, obedecidas,
neste caso, as regras do Código de Processo Civil. Após o transcurso do prazo
editalício, iniciar-se-á a contagem do prazo legal, de dez dias, para impugnação do
pedido. Por último, tratando-se ainda de jurisdição voluntária, quando os pais do
adotando forem falecidos, a inicial deverá ser instruída com a certidão de óbito,
sendo analisados pelo magistrado os pressupostos processuais e requisitos
específicos. Ao final será decretada a extinção do pátrio poder, nos termos do artigo
1.635, inciso I, do Código Civil em vigência, concedendo-se a adoção postulada.
(BANDEIRA, 2001 p.19).
Além disso, o procedimento da adoção é composto pelo estudo social,
também denominado de laudo pericial. A investigação psicossocial compreende o
inquérito social e exames médicos–psicológicos relativos à personalidade do
adotante, do adotando e respectivo mundo circundante, como a situação do menor
no lar adotante e na família de origem. (ALBERGARIA, 1996) Tal investigação é
realizada pela Equipe Interprofissional que atua como serviço auxiliar junto às Varas
de Infância e Juventude, consoante previsão constitucional – artigo 96, I, alínea “b”,
que dispõe:
Art. 96. [...]
I – [...]
b - Compete privativamente aos Tribunais organizar suas Secretarias e
serviços auxiliares e os dos juízos que lhes forem vinculados, velando pelo
exercício da atividade correicional respectiva.
Ainda quanto ao procedimento adotivo, há que se falar acerca do estágio de
convivência. Consoante previsão do artigo 46, da regra estatutária: “a adoção será
precedida de estágio de convivência, com a criança ou adolescente, pelo prazo que
a autoridade judiciária fixar, observadas as peculiaridades do caso.” O estágio de
convivência tem por finalidade seja constatada a adaptação do adotando na futura
família, mediante estudo social do contexto em que se insere o menor, abrangendo
sua personalidade e a sua vida pregressa, bem como a dos adotantes, com vistas a
garantia de seu sucesso. (ALBERGARIA, 1996).
4.5 Efeitos Jurídicos da Adoção
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