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diferentes pontos, podendo-se encontrar diferentes NOME CARACTERÍSTICAS granulometrias, colorações, composição mineralógica, Solo transportados pela água, pesos específicos, resistências, etc. Apresentam grãos Solos cuja textura dependerá da velo- angulosos, diferentemente dos sedimentares cujo aluvionares cidade. Divididos em pluviais, flu- viais e transporte torna-os arredondados. Fazendo-se um corte no solo, pode-se visualizar todas as camadas do o agente de transporte é perfil, de acordo com o grau de intemperismo: Ocorre com os solos mais finos, já Solos eólicos que os grãos maiores são mais pe- possuem uma granulo- metria aproximadamente uniforme. SOLO RESIDUAL MADURO Transportados pela ação da gra- Solos vidade, costumam ser heterogê- coluvionares neos, já que esta age em particu- las de diversos RESIDUAL JOVEM Comuns em regiões temperadas, Solos glaciais são formados pelos deslocamentos das gelerias pela ação da gravidade. Devem ser ainda considerados os solos orgâni- ROCHA ALTERADA cos e os de evolução Os solos orgânicos (também chamados de orga- nossolos), pelo seu nome, são compostos por mate- IV ROCHA SA rial orgânicos, ou seja, restos de animais e plantas. Possuem coloração escura, textura fibrosa e cheiro característico. Um exemplo visto no Brasil são as tur- fas, encontradas em florestas em alto estado de de- Camadas de um solo residual (adaptado de composição, e que, por apresentarem um comporta- 2008) mento próprio, necessitam de estudos específicos. Os solos de evolução pedogênica são os que pas- CAMADA CARACTERÍSTICAS sam por transformações seja em seu Solos mais homogêneos e que já local de formação ou deposição. Nesta categoria, en- Solo residual não guardam as características da globam-se os solos lateríticos, presentes em regiões maduro rocha-mãe. Material mais intem- tropicais. Apresentam alta concentração de óxidos de perizado. ferro e alumínio, responsável por sua con avermelhada. Matriz de solo com alguns blocos ainda inúmeros tipo de solo na ter- Solo residual de rocha alterada (matações). Ain- que são reunidos em grupos para facilitar a jovem (ou da guarda as características da ro- previsão do seu comportamento. deve ser ob- saprolito) Solo mais heterogêneo. servado que alguns tipos terão um comportamento específico, devendo ser estudados Camada pouco intemperizada, Rocha com alguns pontos de Rocha alterada CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS fraturada. Rocha formadora (ou Rocha Diferentemente dos outros materiais vistos na não intemperizada. engenharia (concreto, aço, etc.), solo é um material "fabricado" pela natureza, cujas propriedades podem variar em função de diversos Assim, é neces- sário separar os vários tipos existentes em grupos os solos sedimentares, são divididos de acordo de solos similares, estabelecendo uma com o agente de transporte: para que seja possível permitindo estimar seus com- portamentos para uso da engenharia geotécnica. Carolina Manhães 373Há diversos sistemas de classificação dos solos, que levam em conta diferentes a origem dos solos, clas- sificação pedológica, textura, identificação e parâmetros dos solos. Textura A textura dos solos é dada pelo tamanho e distribuição das suas particulas, e determinada do ensaio de granulometria. Os solos com de diâmetro menor que 0,074 mm são chamados de finos, e os com particulas maiores são os solos grossos. Entende-se como solos finos as argilas e siltes, sendo os gros- as areias e pedregulhos. É importante saber que o comportamento do solo vai depender também da sua granulometria, que nos solos grossos é coordenado por forças de gravitacionais e nos finos pelas de Os solos grossos possuem a maioria das suas à olho nu e, por conta das forças gravita cionais, sua estrutura é mais simples que a dos finos. Para os solos finos, sua estrutura é influenciada, além das forças de pela presença de água e seus grãos apresentam estrutura lamelar (quando duas dimensões são consideravelmente maiores que a outra). A NBR 6502:1995 apresenta faixas de valores de dos grãos para cada tipo de solo: Pedregulho Areia Matação Pedra de mão Grosso Médio Fino Grossa Média Silte Argila 1000 200 60 20 6 2 0,6 0,2 0,06 0,002 (mm) Escala granulométrica conforme NBR 6502:1995 A análise da distribuição dos diâmetros das é realizada através da curva granulométrica, que plota os dados do ensaio de granulometria, dividido nas etapas de peneiramento e sedimentação, especifi- cados a seguir: Realizada na parcela grossa do solo. Passa-se o solo nas peneiras com aberturas padro- Peneiramento nizadas em norma, pesando a parcela retida em cada uma. Por conta da dificuldade de se fabricar peneiras com abertura menor que mm, reali- za-se este procedimento na parcela fina do solo. Mede-se a densidade de uma suspensão de solo em água, calculando, no decorrer do tempo, a porcentagem de particulas que ain- Sedimentação da não sedimentou e sua velocidade de queda. Para melhor identificação das adiciona-se defloculante na preparação do ensaio. Através da Lei se Stokes, determina-se o diâmetro das em suspensão. 100 90 80 70 que 60 50 40 30 20 10 0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100 Tamanho das (mm) Exemplo de curva granulométrica de um solo 374 Mecânica dos SolosObserva-se na curva granulométrica a porcenta- Podem ser feitas de tato, gem de cada tipo de solo, sendo a classificação feita cor, cheiro (para caso de solos orgânicos), resistência a partir da fração predominante, com observações seca, dilatância, impregnação e dispersão em água. de frações significantes na sua composição. A uniformidade e grau de curvatura da curva gra- Sistemas de classificação nulométrica de um solo pode ser analisada através dos seus respectivos coeficientes, onde é o diâme- Para a previsão dos comportamentos de grupos tro correspondente à 10% das que passam de solos similares, foram desenvolvidos sistemas (chamado de diâmetro efetivo do solo), e, analoga- de classificação. Serão apresentados aqui os mais mente, D60 correspondente à 60% e à aplicados na geotecnia. Os principais sistemas uti- lizados, foram desenvolvidos para solos de zonas Coeficiente de não uniformidade temperadas, tendo assim surgido a necessidade de se criar um sistema que aplicasse aos solos brasilei- CNU ros, conforme será apresentado. CNU >5 Muito uniforme Sistema unificado de classificação (SUCS) 5 15 Não uniforme orgânicos. Tal divisão é dada pela diferença de granu- lometria e comportamento apresentada por estes dife- Coeficiente de curvatura rentes tipos de A classificação é realizada através de duas letras, a primeira de acordo com a fração do- minante e a segunda está relacionada à suas principais propriedades (composição granulométrica, para os so- los grossos, e plasticidade, para os solos finos). solo bem graduado Solos grossos: São divididos entre pedregulho solo mal graduado (50% das particulas grossas são retidas na pe- neira 4, com mm de abertura) representado Estes coeficientes representam numericamente pela letra G, representado e areia (50% da sua a variação entre os tamanhos dos grãos (CNU) e o fração grossa passa na peneira 4), letra S. A par- formato da curva o melhor com- tir da curva granulométrica e da classe da fração portamento costuma ser do solo menos uniforme fina, estes estão subdivididos em 4 grupos: Solos e bem graduado, uma vez que as partículas menores com pequena proporção de finos, bem graduado preenchem o espaço entre as maiores, garantindo (GW e SW) ou mal graduado (GP e SP); solos com uma melhor estrutura, com menor permeabilidade e proporção considerável de finos de baixa plastici- compressibilidade e maior dade (GM e SM) ou de alta plasticidade (GC e SC). Somente a curva granulométrica não é suficiente Solos finos: Entram nessa categoria os solos em para a classificação do solo e previsão do seu compor- que 50% das suas passam na penei- tamento, sendo necessária a consideração de outras ra 200 (0,074 mm). São classificados como argila do solo para uma classificação e silte de acordo com seus limites de Atterberg (maiores detalhes no tópico sobre índices fisi- Análise tátil-visual cos), através da sua carta de plasticidade, que os divide em subgrupos. Os siltes são represen- Este tipo de classificação costuma ser feita no tados pela letra M, as argilas pela letra e as campo, quando não há um laboratório disponível argilas e siltes orgânicos pela letra A segun- para análises mais profundas. Temos como exemplo a da letra está relacionada à plasticidade do solo, coleta de amostras obtidas através de sondagens de usando-se a letra L para pouco plástico e H para simples reconhecimento, quando o sondador registra muito plástico. Acima da linha estão localiza- no boletim as observadas em campo. das as argilas e abaixo os siltes. a linha LL (ou Carolina Manhães 375linha B), divide os solos entre baixa (à esquerda da linha) e alta (à direita). NA área hachurada da carta de plasticidade de Casagrande, o solo terá nomenclatura dupla (CL-ML), assim como aqueles que se situam próximos à linha LL=50% (MH-ML ou CH-CL). Solos orgânicos: Nomeados como PT, estes solos são classificados como turfas. 70 PARA CLASSIFICAR VERTICAL PARA SOLOS FINOS E A LL 60 FRAÇÃO FINA DOS SOLOS GROSSOS CH 50 OH LINHA "A" 40 HORIZONTAL PARA IP 4 30 DE MH ou 20 10 CL ML ML ou OL 0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 LIMITE DE LIQUIDEZ LL % Carta de plasticidade de Casagrande usada na classificação SUCS de solos finos (Soares et al, 2006) CRITÉRIOS DO SISTEMA UNIFICADO DE CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS 1983) CRITÉRIOS PARA DETERMINAÇÃO DOS SUBGRUPOS E CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS NOMES DOS GRUPOS SÍMBOLO NOME DO GRUPO USANDO DE LABORATÓRIO GRUPO Pedregulhos e GW Pedregulho bem graduado Pedregulhos limpos 3 mais que 50% Cu 12% como GC Pedregulho argiloso CH Grossos Areias SW Areia bem graduada 8 Areias limpas > 50% mais que 5% 4 Cu SP 50% da Areia graduada 8 fração grossa ML Areias com Finos SM Areia siltosa passa na MH finos classificados peneira CL > como SC CH Areia argilosa 4,8mm (#4) 4 376 Mecânica dos Solos