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APG 21 – GUSTAVO MENDES SARMENTO 
- MECANISMOS DO PARTO: 
- O feto é o móvel ou objeto que percorre o trajeto (bacia), impulsionado por um motor (contração 
uterina). Vai analisar os movimentos da cabeça, sob ação das contrações uterinas, a transitar pelo 
desfiladeiro pelvigenital (útero à fenda vulvar, sendo constituído por partes moles e pela parte óssea ou 
chamada também de parte rígida ou dura). 
- Composto por dois segmentos semidependentes: o 
 - Ovoide cefálico (cabeça- mais importante no parto); 
 - Córmico (tronco e membros). 
- Os mecanismos do parto, são movimentos passivos e procuram adaptar o feto às exiguidades e às 
diferenças de forma do canal. 
- Embora os movimentos desse mecanismo sejam contínuos e entrelaçados, por isso dividimos o 
processo em apenas 4 etapas: insinuação, descida e desprendimento e restituição ou rotação externa: 
 INSINUAÇÃO 
- É a passagem da maior circunferência da apresentação através do anel do estreito superior. o ponto 
mais baixo da apresentação à altura das espinhas ciáticas (plano “O” de De Lee). 
 
- Haverá a redução dos diâmetros da cabeça, o que será obtido pela orientação de diâmetros e por 
flexão: 
 - Apresentações cefálicas: é conseguido por flexão (apresentação de vértice) ou deflexão 
(apresentação de face). 
 - Apresentação pélvica: será a redução dos diâmetros sendo obtida pelo aconchego dos 
membros inferiores sobre o tronco ou desdobrando-se os mesmos para baixo ou para cima. 
 - Apresentação córmicas (tronco e membros): ou seja, o nascimento transversal a insinuação 
não ocorre com feto de tamanho normal, em decorrência da grande dimensão dos diâmetros. Por isso, 
o parto pela via vaginal é impossível ou em fetos mortos, ou de pequenas dimensões. 
 
- No início dessa fase teremos: 
 - Cabeça fetal acima do estreito superior com flexão moderada; 
 - Sutura Sagital orientada no sentido do diâmetro oblíquo esquerdo ou do transverso; 
 - Pequena fontanela (fontanela lambdoide) voltada para esquerda. 
 * as posições mais frequentes são a: occipitoesquerda anterior (OEA), occipitodireita posterior 
(ODP), occipitoesquerda posterior (OEP) e occipitodireita anterior (ODA). 
 * o encaixe vai depender da morfologia pélvica: ginecoide (transverso), androides (transverso), 
antropoides (posterior) e platipeloides (transverso): 
 
 
- No início, a cabeça do bebê está em uma posição de moderada flexão (posição neutra, sem inclinação) 
assim, o diâmetro occipitofrontal da cabeça ( atrás da cabeça até a testa) é maior do que o diâmetro 
suboccipitobregmático (o baixo da cabeça até o topo), sendo ele o mais favorável para a passagem pelo 
estreito superior da bacia. 
- Para passagem mais eficiente ocorre uma flexão inicial (cabeça se inclina para frente) e permite que o 
diâmetro suboccipitobregmático, fique alinhado com o canal de parto, o que vai facilitar a descida da 
cabeça através da pelve materna durante o trabalho de parto. 
- A insinuação ocorre por dois processos diferentes: 
 - Insinuação estática (melhor prognóstico): ocorre em 50% das primigestas, onde o útero se 
contrai e empurra o bebê para baixo através do canal de parto e ao mesmo tempo, os ligamentos que 
sustentam o útero são tracionados e as paredes abdominais exercem pressão sobre o útero, ajudando 
no processo de descida. 
 - Insinuação dinâmica, onde a cabeça do bebê se inclina para baixo e se movimenta para baixo 
com a ajuda das contrações que empurram o bebê para fora. É como se o bebê "mergulhasse" na bacia 
da mãe para começar a sair. 
DESCIDA 
- Após a insinuação, a cabeça migra até as proximidades do assoalho pélvico, onde começa o cotovelo 
do canal. 
 
- Nesse ponto, a cabeça do bebê continua em uma posição flexionada, mantendo a mesma orientação. 
Ela desce até chegar ao assoalho pélvico, e a parte mais larga da cabeça está alinhada com o estreito 
médio da bacia. Isso significa que a cabeça está na posição mais favorável para passar pelo canal de 
parto. 
- A descida, na realidade, ocorre desde o início do trabalho de parto e só termina com a expulsão total 
do feto. Durante esse mecanismo do parto, o movimento da cabeça é turbinal: ela gira enquanto avança 
para baixo, em um movimento chamado de penetração rotativa. Isso ajuda a facilitar a passagem pelo 
canal de parto. 
▶ Rotação interna da cabeça: Uma vez que a extremidade cefálica distenda e dilate, o conjunto 
musculoaponeurótico que compõe o diafragma pélvico sofre movimento de rotação, que levará a sutura 
sagital a se orientar no sentido anteroposterior da saída do canal. 
 *Para melhor compreensão, quando o bebê está prestes a nascer, o assoalho pélvico, que é a 
base da pélvis, está inclinado para cima e para frente, formando uma espécie de goteira. Isso cria 
espaços inclinados nas laterais por onde o bebê pode deslizar enquanto nasce. A abertura vaginal, 
conhecida como fenda vulvar, tem uma forma oval, com o eixo maior no sentido de frente para trás (AP), 
quando está totalmente aberta durante o parto. Essas características ajudam a facilitar a passagem do 
bebê pelo canal de parto e ao forçar a distensão do assoalho pélvico, a cabeça fetal desliza nas paredes 
laterais (planos inclinados) e roda para acomodar seus maiores diâmetros aos mais amplos da fenda 
vulvar. 
▶ Insinuação das espáduas: Durante o processo de parto, enquanto a cabeça do bebê roda e avança 
pelo canal de parto, as espáduas também começam a passar pelo estreito superior da bacia. Apesar de 
o diâmetro das espáduas, que mede cerca de 12 cm, ser maior que os diâmetros do estreito superior, 
durante o momento de expulsão, as espáduas se ajustam para passar pelo canal, seguindo a direção 
dos diâmetros oblíquos ou transversos. À medida que a cabeça continua avançando, as espáduas 
descem até alcançar o assoalho pélvico. 
DESPRENDIMENTO 
- Após a rotação da cabeça do bebê, o ponto mais baixo do ovoide cefálico, chamado suboccipital, se 
posiciona sob a arcada púbica da mãe, enquanto a linha de sutura da cabeça se alinha no sentido da 
frente para trás. 
- Devido à curvatura do canal de parto, a cabeça se desprende por meio de um movimento de deflexão. 
Nesse processo, a nuca do bebê fica apoiada na arcada púbica, e a cabeça oscila como uma dobradiça 
em torno desse ponto. 
- O maior diâmetro da cabeça continua alinhado com o eixo do canal de parto, facilitando a passagem 
pelos diâmetros anteroposteriores menores na área abaixo da sínfise púbica. 
- Esse movimento permite que a cabeça se encaixe ao redor da sínfise púbica para o desprendimento 
completo. Conforme a deflexão acontece, os diferentes diâmetros da cabeça, como o 
suboccipitobregmático e o suboccipitofrontal, são liberados sucessivamente até que a cabeça seja 
completamente expelida. 
▶ Rotação externa da cabeça: Imediatamente após desvencilhar-se, livre agora no exterior, a cabeça 
sofre novo e ligeiro movimento de flexão pelo seu próprio peso e executa rotação de 1/4 a 1/8 de 
circunferência, voltando o occipital para o lado onde se encontrava na bacia. É um movimento 
simultâneo à rotação interna das espáduas, por ela causado, e conhecido como restituição (faz restituir 
o occipital à orientação primitiva). 
 
▶ Rotação interna das espáduas: À medida que as espáduas passam pelo estreito superior da bacia, o 
biacromial está orientado no sentido oblíquo direito ou transverso da bacia. Ao chegarem ao assoalho 
pélvico, ocorre um movimento de rotação, semelhante ao da cabeça, até que o biacromial esteja 
alinhado na direção anteroposterior da saída do canal. O ombro anterior se posiciona sobre a arcada 
púbica, enquanto o posterior, em contato com o assoalho pélvico, empurra o cóccix materno para trás. 
▶ Desprendimento das espáduas: Nessa altura, tendo o feto os braços cruzados para diante do tórax, a 
espádua anterior transpõe a arcada púbica e aparece através do orifício vulvar, onde ainda se encontra 
parcialmente recoberta pelas partes moles. 
 
- Para libertar o ombro posterior, e tendo de acompanhar acurvatura do canal, o tronco sofre movimento 
de flexão lateral, pois o facilimum de flexão desse segmento é no sentido lateral do corpo. Continuando 
a progredir em direção à saída, com o tronco fletido lateralmente, desprende-se a espádua posterior. O 
restante do feto não oferece resistência para o nascimento, embora possa obedecer ao mesmo 
mecanismo dos primeiros segmentos fetais. 
* Pode também haver o caso de descida transversa, onde esse movimento é facilitado por uma flexão 
lateral da cabeça para o lado oposto, enquanto a descida começa. Posteriormente, o parietal posterior 
é substituído pelo parietal anterior na região mais estreita da pelve. À medida que a cabeça continua a 
descer, ela permanece em posição transversa até atingir as espinhas ciáticas, momento em que ocorre 
uma flexão lateral seguida de rotação interna. Durante esse processo, a cabeça do bebê mantém uma 
forte flexão, com o occipital movendo-se para frente ao longo do ramo isquiopubiano. A descida 
continua durante a rotação, e a extensão da cabeça começa sob as espinhas ciáticas, seguida pelo 
movimento de expulsão. Essas posições transversas persistentes podem não causar problemas ao 
passar pela bacia. No entanto, quando a cabeça fica presa na pelve durante a fase de descida, apesar 
das contrações adequadas, pode ocorrer uma complicação chamada distocia de rotação, que requer 
intervenção médica. 
 
RESTITUIÇÃO (ROTAÇÃO EXTERNA) 
- Na fase de restituição, também conhecida como rotação externa, após o nascimento da cabeça, 
ocorre uma leve rotação no sentido oposto ao que ocorreu durante a rotação interna. Essa rotação 
externa permite que os ombros do bebê se alinhem com a posição da cabeça, facilitando a saída 
completa do corpo do feto pelo canal de parto. É um movimento natural que ocorre para adaptar o corpo 
do bebê à anatomia materna durante o processo de nascimento. 
- PARTO: 
- Analisa três fases principais (dilatação, expulsão e secundamento), precedidas de estágio preliminar, 
o período premunitório (pré-parto). 
- Há tendência a se considerar um 4º período, que compreenderia a hora imediata à saída da placenta; 
por ser uma fase de riscos inerentes, geralmente é ignorada pelo obstetra. 
- O conjunto desses episódios constitui os fenômenos passivos do parto, que se completam com a 
análise dos movimentos executados pelo feto, na sua penetração rotativa pelo canal parturitivo, 
impulsionado pelas contrações uterinas (mecanismo do parto). 
PRÉ PARTO OU PREMONITÓRIO 
- Não será um período clínico propriamente dito, pois não tem a capacidade necessária de dilatação. 
- Será a percepção das contrações, aonde a paciente chegará com dores provavelmente achando que 
já está em trabalho de parto, porém as vezes não se enquadra no caso. Por isso fica evidente a 
importância do pré-natal para que haja menos momentos como esses que por si acabam desgastando 
a gestante, podendo gerar infecções, angústia, procedimentos desnecessários e pode haver uma 
cesariana por causa dessa internação errada. 
- Haverá contrações irregulares ou espaçadas ( 1 a cada 10 a 15 min), não terá uma dilatação progressiva 
e rápida do colo, o que irá diferenciar. 
- Terá também a perca do tampão mucoso. 
TRABALHO DE PARTO EM SI ( DILATAÇÃO, EXPULSÃO, DEQUITAÇÃO) 
DILATAÇÃO 
- Basicamente será a dilatação, sendo definida como 2 a 3 contrações em 10 min durando em média de 
40 s em cada contração. Deve ser rítmica, regular, dolorosa e que promova dilatação cervical progressiva 
sendo de 4 a 5 cm dessa dilatação (isso ocorre, pois, a dilatação inicial é mais lenta e depois fica mais 
acelerada). 
- Tem uma duração de 10 – 12 h em nulíparas (nunca pariu) e 6 – 8 h em multíparas (já pariram). 
* são conceitos não estáticos e que podem variar. 
 
- As rupturas âmnicas são consideradas prematuras quando não há trabalho de parto; precoces, no 
início do parto; oportunas, quando ocorrem ao final da dilatação; e tardias, quando sobrevêm 
concomitantes à expulsão do feto, que, ao nascer envolto pelas membranas, é chamado feto 
empelicado. 
- É possível classificá-las como: 
 - Espontâneas, quando ocorrem sem envolvimento médico; provocadas ou artificiais, quando 
decorrem da ação direta do parteiro (utilizando dedo ou instrumentos); 
 - Intempestivas, quando acarretam prolapsos, procidências ou escape quase total do líquido 
amniótico. 
A ruptura das membranas que ocorre no parto pode ser atribuída ao enfraquecimento generalizado, 
atuando as contrações uterinas e o repetido estiramento. 
EXPULSÃO 
- Dilatação total (10cm) até a expulsão total do feto. 
- Contrações uterinas máximas (5/10 min) 
* ficar de olho na vitalidade fetal e possível sofrimento fetal 
* auscultar bebê mais vezes nesse período como forma de precaução e atenção maior. 
- Tem a contração sincrônica do diafragma e dos músculos da parede abdominal, que formam uma cinta 
muscular forte ao redor do útero. Essa cinta muscular se contrai, comprimindo o útero de cima para 
baixo e de frente para trás, auxiliando nas contrações uterinas e na progressão do parto. 
- Quanto a duração: 
 - Primíparas com até 3h (4h com analgésicos). 
 - Multíparas com até 2h (3h com analgésicos). 
 
DEQUITAÇÃO OU SECUNDAMENTO 
- Será o processo de descolamento e expulsão placentária. 
* Caso a duração for maior que 30 min é considerado como prolongado. 
 
- Baudelocque-Schultze: é o método guarda-chuva, onde a placenta sai expondo a parte fetal onde o 
cordão está inserido e posteriormente sai um fluxo maior de sangue. 
- Baudelocque-Ducan: que expõe a parte cruenta ou dos cotilédones e junto a saída da placenta já tem 
o sangramento mais intenso. 
PERÍODO DE GREENBERG 
- Final do secundamento até 1h após o parto 
- Hemostasia do sítio de inserção placentário 
- É composta por 4 momentos: 
 - Miotamponagem (ligaduras vivas): útero contrai e junto a isso fecha os vasos expostos quando 
havia ainda a placenta. 
 - Trombotamponagem: que será trombos para fecharem os vasos expostos. 
 - Indiferença miouterina: o útero fica parcialmente solto. 
 - Contração uterina fixa: fica contraído sem tantas chances de relaxamento, dando maior 
segurança. Útero endurecido. 
FISIOLOGIA, DURAÇÃO, ASSISTÊNCIA, PARTOGRAMA E ADEMAIS 
DURAÇÃO 
Na primíparas, a fase latente dura, em média, 20 h; nas multíparas, 14 h. O parto propriamente dito (fase 
ativa) tem o período de dilatação completo em torno de 12 h, nas primíparas, e de 7 h nas multíparas; a 
expulsão leva, respectivamente, 50 e 20 min. 
ASSISTÊNCIA 
PRIMEIRO PERÍODO 
O que fazer? 
- Deambulação, a paciente deve ficar numa posição confortável para si própria, não deve ficar restrita 
ao leito, até porque esse processo ajuda na verticalização do feto. 
- Presença de acompanhante, é muito importante principalmente por causa das questões afetivas. 
- Ingestão de líquidos ou algo leve. 
- Ausculta fetal podendo ser intermitente (baixo risco) ou contínua (alto risco). 
O que não fazer? 
- Cuidados iniciais, sendo dispensados cuidados imediatos à parturiente, incluindo higiene corporal e 
fornecimento de vestuário apropriado. 
- Enteróclise, para deixar fezes amolecidas e evitar contaminação do ambiente cirúrgico. 
- Tricotomia, remoção de pelos da área cirúrgica com o objetivo de facilitar a cirurgia e evitar infecções. 
- Toques vaginais desnecessários, para visualização de descida. 
- Amniotomia de rotina, romper a bolsa. 
* Riscos de infecção! 
SEGUNDO PERÍODO 
O que fazer? 
- Manobra de Ritgen Modificada, segura o períneo para evitar uma saída brusca da cabeça e corpo do 
bebê, isso para que o mesmo tenha tempo de se adaptar a essa saída. 
 
- Clampeamento tardio do cordão (deixa pelo menos 60 s). 
- Episotomia Seletiva, que seria uma incisão medio lateral no períneo para facilitar a saída do bebê. 
(quando necessário) 
 
O que não fazer? 
- Episotomia de Rotina 
- Manobra de Kristeller, antebraço no fundo do útero para forçar o bebe a sair. 
TERCEIRO PERÍODO (condutas ativas)O que fazer? 
- Ocitocina profilática 10 U Intramusculares, auxilia hemostasia. 
- Tração controlada do cordão, contínua. 
- Massagem uterina após secundamento (saída de placenta). 
- Revisão do canal do parto. 
- Episorrafia / sutura de lacerações. 
O que não fazer? 
- Tração intempestiva do cordão (puxar com força/ clampear rapidamente). 
QUARTO PERÍODO 
O que pode fazer? 
- Observar sangramentos. 
PARTOGRAMA 
- Partograma é a representação gráfica do trabalho de parto que possibilita acompanhar a sua 
evolução, documentar, diagnosticar alterações e indicar a tomada de condutas apropriadas para a 
correção dos desvios, evitando intervenções desnecessárias. 
 
 
 
- Triangulo é dilatação. 
- Bola é a apresentação e a sua altura, quando tem a variedade, ela é representada também. 
- Colore o quadrado inteiro para demonstrar a dinâmica ( todo é bom, metade é mais ou menos e x ou 
contorno se for ruim a contração). 
- Local de marcação de batimentos. 
- Local de marcação de medicação/ analgesia. 
- Linhas de alerta e ação (a primeira é alerta e 4h depois é a de ação sendo a segunda linha, que tem 
intervenção). 
* Serve de registro e visualização dinâmica para que qualquer pessoa que pegue possa entender 
rapidamente. 
- Fase Ativa Prolongada: dilatação cervical menor que 1 cm/hora (problema motor). 
 
- Parada Secundária a Dilatação: dilatação mantida em 2h (desproporção céfalo pélvica). 
 
Período Pélvico Prolongado: descida lenta no período expulsivo (primípora ou problema motor). 
 
ASSISTÊNCIA AO RECÉM-NASCIDO NA SALA DE PARTO 
- Aspira mucosidades. 
- Índice de APGAR. 
- Ligadura de cordão. 
- Profilaxias. 
- Identificação. 
 
- PUERPÉRIO: 
- O puerpério, também denominado pós-parto, é o período que sucede o parto e, sob o ponto de vista 
fisiológico, compreende os processos involutivos e de recuperação do organismo materno após a 
gestação. Embora o caráter gradual e progressivo assumido por essas manifestações torne o puerpério 
um período de demarcação temporal imprecisa, é aceitável dividi-lo em: 
 - Pós-parto imediato, do 1° ao 10º dia; 
 - Pós-parto tardio, do 10º ao 45º dia; 
 - Pós-parto remoto, além do 45º dia. 
 * Muitos estudos assumem como pós-parto os 12 meses que sucedem o parto. 
 RECUPERAÇÃO GENITAL E CORPORAL FISIOLÓGICA 
FISIOLOGIA DO PUERPÉRIO 
SISTEMA REPRODUTOR 
- Os complexos fenômenos regenerativos vivenciados pelo sistema reprodutor feminino após o parto 
desenrolam-se especialmente ao longo do pós-parto imediato e do pós-parto tardio. Enquanto, no pós-
parto imediato, prevalece a crise genital, caracterizada por eventos catabólicos e involutivos das 
estruturas hiperplasiadas e/ou hipertrofiadas pela gravidez, no pós-parto tardio evidenciam-se mais 
claramente a transição e a recuperação genital, com progressiva influência da lactação. 
Útero 
- Diminui consideravelmente de volume imediatamente após o nascimento do bebê, sofrendo redução 
de 1.000 g no pós-parto imediato e 500 mg ao final da primeira semana. Encontra-se globoso, de 
consistência lenhosa, entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical. Após dois dias, diminui de 
consistência, e o fundo uterino é palpado na cicatriz umbilical. Após 3 ou 4 dias, a redução acentua-se 
e, em duas semanas, o fundo uterino é palpado na cavidade pélvica. Com duas semanas, pesa em torno 
de 200 g e, com 30 dias, cerca de 100 g. 
 
- O colo uterino, que estava totalmente dilatado e pregueado no momento do parto, em 12 horas perde 
esse aspecto; dois dias após, esse colo permite a passagem de um dedo ao toque e, em uma semana, 
já está fechado. O orifício externo com forma inicialmente circular aparece como fenda transversal no 
pós-parto. 
 
* O pós-parto remoto (após 45 dias) é caracterizado pelo retorno da ovulação e da menstruação, eventos 
marcadamente influenciados pela lactação. Entre as mulheres que não amamentam, a menstruação 
retorna, em média, por volta do 45o dia pós-natal e, ao contrário do que se pensava, é precedida pela 
ovulação. Nas lactantes, todavia, esses prazos dependem da duração e da frequência do aleitamento. 
Lóquios 
- É a eliminação do conteúdo uterino que ocorre apóso parto. Os lóquios são constituídos pela decídua 
externa remanescente que sofre necrose e é eliminada. A decídua interna permanece intacta para mais 
tarde promover a regeneração do endométrio. 
• Lóquios vermelhos (lochia rubra): Sangue vivo que é eliminado nos primeiros dias após o parto; 
• Lóquios serosos (lochia fusca): Depois de 3 a 4 dias de pós-parto, a eliminação fica descorada; 
• Lóquios claros (lochia alba): Em torno do 10º dia após o parto, a eliminação fica esbranquiçada. 
- É importante a correta avaliação dos lóquios, pois podem sinalizar, quando abundantes ou fétidos e 
principalmente associados à subinvolução, um quadro de retenção placentária ou infecção pélvica. 
Vagina e vulva 
- Essas estruturas involuem no puerpério imediato e ocorre uma rápida cicatrização. Se existirem 
pequenas lacerações no momento do nascimento, as mesmas cicatrizarão em 4 ou 5 dias. A mucosa 
vulvovaginal perde as camadas externas e permanece atrofiada, permitindo a visualização dos vasos 
das camadas profundas, os quais determinam uma coloração avermelhada. Essa situação perdura até 
que ocorra a proliferação tecidual com o retorno dos níveis estrogênicos. Na prega himenal 
remanescente, aparecem as carúnculas mirtiformes, que são pequenas saliências. 
SISTEMA ENDÓCRINO 
- No fim da gestação, os níveis de estrogênio e progesterona estão muito elevados, assim como os de 
prolactina (PRL). Com a saída da placenta, ocorre queda imediata dos esteroides placentários a níveis 
muito baixos e leve diminuição dos valores de PRL, que permanecem ainda bastante elevados. 
- As gonadotrofinas e os esteroides sexuais atingem seus menores valores nas primeiras 2 a 3 semanas 
pós- parto. Já os níveis de gonadotrofina coriônica humana (hCG) retornam ao normal 2 a 4 semanas 
após o parto. 
- Na ausência da lactação, nas primeiras semanas pós-parto, tanto o hormônio luteinizante (LH) como 
o hormônio foliculestimulante (FSH) mantêm-se com valores muito baixos, para logo começarem a se 
elevar lentamente. No início do puerpério, os níveis de estrogênio mantêm-se baixos, e a progesterona 
não é detectável. 
- A recuperação das gonadotrofinas até os níveis prévios da gravidez depende da presença ou não da 
amamentação. A amamentação pode inibir a fertilidade pela ação direta do estímulo do mamilo sobre 
o hipotálamo por via neuroendócrina, elevando a PRL e inibindo o FSH e o LH. 
SISTEMA URINÁRIO 
- Algum grau de trauma vesical é comum em partos vaginais, especialmente entre mulheres cujos 
trabalhos de parto foram mais demorados. Embora comumente não cursem com repercussão clínica, 
esses traumas (especialmente do nervo pudendo), associados à capacidade aumentada e à relativa 
insensibilidade da bexiga no período pós-parto, podem atuar conjuntamente e favorecer a 
sobredistensão, o esvaziamento incompleto e a excessiva quantidade de urina residual. 
- Os fatores de risco para a disfunção vesical pós-parto parecem incluir a nuliparidade, o parto 
assistido, o parto com primeiro e segundo estágios prolongados, a cesariana e a anestesia de 
condução. 
- No que tange aos ureteres e pelves renais, os quais se encontram dilatados na gestação, comumente 
retornam ao estado pré-gravídico entre 2 e 8 semanas após o parto. 
 
SISTEMA SANGUÍNEO 
- Ao longo do parto e no puerpério imediato, é comum a leucocitose acentuada, a qual pode alcançar 
30.000/mm3 e caracteriza-se por predomínio de granulócitos, relativa linfopenia e eosinofilia absoluta. 
Em geral, esses parâmetros normalizam por volta de 5 a 6 dias pós-parto. 
- Em relação à série vermelha, durante os primeiros dias após o parto, os níveis de hemoglobina (Hb de 
10 g/dl) costumam flutuar moderadamente. Uma queda acentuada de seus valores costuma estar 
relacionada a perdas sanguíneas excessivas, e, por volta de 6 semanas pós-parto,a hemoglobina 
encontra-se em níveis pré- gravídicos. 
- As alterações induzidas pela gravidez nos fatores de coagulação sanguíneos persistem por períodos 
variados do puerpério, mantendo, então, o estado de relativa hipercoagulabilidade. Por exemplo, os 
elevados níveis de fibrinogênio plasmático persistem ao menos na 1a semana pós-parto, enquanto a 
velocidade de hemossedimentação pode vir a se regularizar apenas entre a 5º e a 7ºsemana puerperal. 
SISTEMA CARDIOVASCULAR 
- A gestação, normalmente, evolui com acentuado aumento do conteúdo do líquido extracelular, e a 
diurese pós-parto responde pela reversão fisiológica desse processo. Porém, nas primeiras horas após 
o parto, é comum nos depararmos com uma diurese escassa, resultante da desidratação relacionada 
ao trabalho de parto. A partir do 2º dia, inicia-se o processo de eliminação dessa hipervolemia 
característica da gestação, fenômeno geralmente completo por volta do 6º dia pós-parto. 
- As alterações na função cardíaca e vascular observadas após o parto acompanham o padrão 
detectado em relação à redistribuição hídrica. A frequência e o débito cardíacos mantêm-se elevados 
por 24 a 48 h após o parto e retornam aos valores pré-gravídicos por volta do 10o dia puerperal. Já a 
resistência vascular permanece reduzida ao longo das primeiras 48 h pós-natais e, então, 
progressivamente retorna aos níveis prévios à gestação. 
PESO 
- A média de perda ponderal decorrente do parto é de 6 kg. No puerpério, ocorre perda adicional de 2 a 
7 kg, habitualmente mais pronunciada nos primeiros 10 dias de pós-parto, atribuída a maior diurese, 
secreção láctea e eliminação loquial. 
ASSISTÊNCIA PÓS-NATAL 
- O período de internação hospitalar após o parto é muito importante para a saúde da mãe e do recém-
nascido. Além dos cuidados médicos, a equipe de saúde é também responsável por instruir a mulher 
sobre alterações evolutivas e fisiológicas esperadas ao longo do puerpério imediato e tardio, 
especialmente a característica dos lóquios, a perda de peso, a diurese e a apojadura. 
- Este também é o momento ideal para promover o aleitamento materno e dar suporte para que ele 
ocorra de forma exclusiva pelos 6 meses seguintes. 
- A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a puérpera e seu bebê devam permanecer 
internados por ao menos 24 horas. De qualquer maneira, esses prazos se mostram razoáveis e servem 
de orientação para a maioria dos casos, ainda que a alta após a cesárea, em geral, não exceda 72 h de 
pós-parto em nosso meio. Períodos maiores ou menores de internação podem ser adotados em 
situações específicas.

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