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APG 21 – GUSTAVO MENDES SARMENTO - MECANISMOS DO PARTO: - O feto é o móvel ou objeto que percorre o trajeto (bacia), impulsionado por um motor (contração uterina). Vai analisar os movimentos da cabeça, sob ação das contrações uterinas, a transitar pelo desfiladeiro pelvigenital (útero à fenda vulvar, sendo constituído por partes moles e pela parte óssea ou chamada também de parte rígida ou dura). - Composto por dois segmentos semidependentes: o - Ovoide cefálico (cabeça- mais importante no parto); - Córmico (tronco e membros). - Os mecanismos do parto, são movimentos passivos e procuram adaptar o feto às exiguidades e às diferenças de forma do canal. - Embora os movimentos desse mecanismo sejam contínuos e entrelaçados, por isso dividimos o processo em apenas 4 etapas: insinuação, descida e desprendimento e restituição ou rotação externa: INSINUAÇÃO - É a passagem da maior circunferência da apresentação através do anel do estreito superior. o ponto mais baixo da apresentação à altura das espinhas ciáticas (plano “O” de De Lee). - Haverá a redução dos diâmetros da cabeça, o que será obtido pela orientação de diâmetros e por flexão: - Apresentações cefálicas: é conseguido por flexão (apresentação de vértice) ou deflexão (apresentação de face). - Apresentação pélvica: será a redução dos diâmetros sendo obtida pelo aconchego dos membros inferiores sobre o tronco ou desdobrando-se os mesmos para baixo ou para cima. - Apresentação córmicas (tronco e membros): ou seja, o nascimento transversal a insinuação não ocorre com feto de tamanho normal, em decorrência da grande dimensão dos diâmetros. Por isso, o parto pela via vaginal é impossível ou em fetos mortos, ou de pequenas dimensões. - No início dessa fase teremos: - Cabeça fetal acima do estreito superior com flexão moderada; - Sutura Sagital orientada no sentido do diâmetro oblíquo esquerdo ou do transverso; - Pequena fontanela (fontanela lambdoide) voltada para esquerda. * as posições mais frequentes são a: occipitoesquerda anterior (OEA), occipitodireita posterior (ODP), occipitoesquerda posterior (OEP) e occipitodireita anterior (ODA). * o encaixe vai depender da morfologia pélvica: ginecoide (transverso), androides (transverso), antropoides (posterior) e platipeloides (transverso): - No início, a cabeça do bebê está em uma posição de moderada flexão (posição neutra, sem inclinação) assim, o diâmetro occipitofrontal da cabeça ( atrás da cabeça até a testa) é maior do que o diâmetro suboccipitobregmático (o baixo da cabeça até o topo), sendo ele o mais favorável para a passagem pelo estreito superior da bacia. - Para passagem mais eficiente ocorre uma flexão inicial (cabeça se inclina para frente) e permite que o diâmetro suboccipitobregmático, fique alinhado com o canal de parto, o que vai facilitar a descida da cabeça através da pelve materna durante o trabalho de parto. - A insinuação ocorre por dois processos diferentes: - Insinuação estática (melhor prognóstico): ocorre em 50% das primigestas, onde o útero se contrai e empurra o bebê para baixo através do canal de parto e ao mesmo tempo, os ligamentos que sustentam o útero são tracionados e as paredes abdominais exercem pressão sobre o útero, ajudando no processo de descida. - Insinuação dinâmica, onde a cabeça do bebê se inclina para baixo e se movimenta para baixo com a ajuda das contrações que empurram o bebê para fora. É como se o bebê "mergulhasse" na bacia da mãe para começar a sair. DESCIDA - Após a insinuação, a cabeça migra até as proximidades do assoalho pélvico, onde começa o cotovelo do canal. - Nesse ponto, a cabeça do bebê continua em uma posição flexionada, mantendo a mesma orientação. Ela desce até chegar ao assoalho pélvico, e a parte mais larga da cabeça está alinhada com o estreito médio da bacia. Isso significa que a cabeça está na posição mais favorável para passar pelo canal de parto. - A descida, na realidade, ocorre desde o início do trabalho de parto e só termina com a expulsão total do feto. Durante esse mecanismo do parto, o movimento da cabeça é turbinal: ela gira enquanto avança para baixo, em um movimento chamado de penetração rotativa. Isso ajuda a facilitar a passagem pelo canal de parto. ▶ Rotação interna da cabeça: Uma vez que a extremidade cefálica distenda e dilate, o conjunto musculoaponeurótico que compõe o diafragma pélvico sofre movimento de rotação, que levará a sutura sagital a se orientar no sentido anteroposterior da saída do canal. *Para melhor compreensão, quando o bebê está prestes a nascer, o assoalho pélvico, que é a base da pélvis, está inclinado para cima e para frente, formando uma espécie de goteira. Isso cria espaços inclinados nas laterais por onde o bebê pode deslizar enquanto nasce. A abertura vaginal, conhecida como fenda vulvar, tem uma forma oval, com o eixo maior no sentido de frente para trás (AP), quando está totalmente aberta durante o parto. Essas características ajudam a facilitar a passagem do bebê pelo canal de parto e ao forçar a distensão do assoalho pélvico, a cabeça fetal desliza nas paredes laterais (planos inclinados) e roda para acomodar seus maiores diâmetros aos mais amplos da fenda vulvar. ▶ Insinuação das espáduas: Durante o processo de parto, enquanto a cabeça do bebê roda e avança pelo canal de parto, as espáduas também começam a passar pelo estreito superior da bacia. Apesar de o diâmetro das espáduas, que mede cerca de 12 cm, ser maior que os diâmetros do estreito superior, durante o momento de expulsão, as espáduas se ajustam para passar pelo canal, seguindo a direção dos diâmetros oblíquos ou transversos. À medida que a cabeça continua avançando, as espáduas descem até alcançar o assoalho pélvico. DESPRENDIMENTO - Após a rotação da cabeça do bebê, o ponto mais baixo do ovoide cefálico, chamado suboccipital, se posiciona sob a arcada púbica da mãe, enquanto a linha de sutura da cabeça se alinha no sentido da frente para trás. - Devido à curvatura do canal de parto, a cabeça se desprende por meio de um movimento de deflexão. Nesse processo, a nuca do bebê fica apoiada na arcada púbica, e a cabeça oscila como uma dobradiça em torno desse ponto. - O maior diâmetro da cabeça continua alinhado com o eixo do canal de parto, facilitando a passagem pelos diâmetros anteroposteriores menores na área abaixo da sínfise púbica. - Esse movimento permite que a cabeça se encaixe ao redor da sínfise púbica para o desprendimento completo. Conforme a deflexão acontece, os diferentes diâmetros da cabeça, como o suboccipitobregmático e o suboccipitofrontal, são liberados sucessivamente até que a cabeça seja completamente expelida. ▶ Rotação externa da cabeça: Imediatamente após desvencilhar-se, livre agora no exterior, a cabeça sofre novo e ligeiro movimento de flexão pelo seu próprio peso e executa rotação de 1/4 a 1/8 de circunferência, voltando o occipital para o lado onde se encontrava na bacia. É um movimento simultâneo à rotação interna das espáduas, por ela causado, e conhecido como restituição (faz restituir o occipital à orientação primitiva). ▶ Rotação interna das espáduas: À medida que as espáduas passam pelo estreito superior da bacia, o biacromial está orientado no sentido oblíquo direito ou transverso da bacia. Ao chegarem ao assoalho pélvico, ocorre um movimento de rotação, semelhante ao da cabeça, até que o biacromial esteja alinhado na direção anteroposterior da saída do canal. O ombro anterior se posiciona sobre a arcada púbica, enquanto o posterior, em contato com o assoalho pélvico, empurra o cóccix materno para trás. ▶ Desprendimento das espáduas: Nessa altura, tendo o feto os braços cruzados para diante do tórax, a espádua anterior transpõe a arcada púbica e aparece através do orifício vulvar, onde ainda se encontra parcialmente recoberta pelas partes moles. - Para libertar o ombro posterior, e tendo de acompanhar acurvatura do canal, o tronco sofre movimento de flexão lateral, pois o facilimum de flexão desse segmento é no sentido lateral do corpo. Continuando a progredir em direção à saída, com o tronco fletido lateralmente, desprende-se a espádua posterior. O restante do feto não oferece resistência para o nascimento, embora possa obedecer ao mesmo mecanismo dos primeiros segmentos fetais. * Pode também haver o caso de descida transversa, onde esse movimento é facilitado por uma flexão lateral da cabeça para o lado oposto, enquanto a descida começa. Posteriormente, o parietal posterior é substituído pelo parietal anterior na região mais estreita da pelve. À medida que a cabeça continua a descer, ela permanece em posição transversa até atingir as espinhas ciáticas, momento em que ocorre uma flexão lateral seguida de rotação interna. Durante esse processo, a cabeça do bebê mantém uma forte flexão, com o occipital movendo-se para frente ao longo do ramo isquiopubiano. A descida continua durante a rotação, e a extensão da cabeça começa sob as espinhas ciáticas, seguida pelo movimento de expulsão. Essas posições transversas persistentes podem não causar problemas ao passar pela bacia. No entanto, quando a cabeça fica presa na pelve durante a fase de descida, apesar das contrações adequadas, pode ocorrer uma complicação chamada distocia de rotação, que requer intervenção médica. RESTITUIÇÃO (ROTAÇÃO EXTERNA) - Na fase de restituição, também conhecida como rotação externa, após o nascimento da cabeça, ocorre uma leve rotação no sentido oposto ao que ocorreu durante a rotação interna. Essa rotação externa permite que os ombros do bebê se alinhem com a posição da cabeça, facilitando a saída completa do corpo do feto pelo canal de parto. É um movimento natural que ocorre para adaptar o corpo do bebê à anatomia materna durante o processo de nascimento. - PARTO: - Analisa três fases principais (dilatação, expulsão e secundamento), precedidas de estágio preliminar, o período premunitório (pré-parto). - Há tendência a se considerar um 4º período, que compreenderia a hora imediata à saída da placenta; por ser uma fase de riscos inerentes, geralmente é ignorada pelo obstetra. - O conjunto desses episódios constitui os fenômenos passivos do parto, que se completam com a análise dos movimentos executados pelo feto, na sua penetração rotativa pelo canal parturitivo, impulsionado pelas contrações uterinas (mecanismo do parto). PRÉ PARTO OU PREMONITÓRIO - Não será um período clínico propriamente dito, pois não tem a capacidade necessária de dilatação. - Será a percepção das contrações, aonde a paciente chegará com dores provavelmente achando que já está em trabalho de parto, porém as vezes não se enquadra no caso. Por isso fica evidente a importância do pré-natal para que haja menos momentos como esses que por si acabam desgastando a gestante, podendo gerar infecções, angústia, procedimentos desnecessários e pode haver uma cesariana por causa dessa internação errada. - Haverá contrações irregulares ou espaçadas ( 1 a cada 10 a 15 min), não terá uma dilatação progressiva e rápida do colo, o que irá diferenciar. - Terá também a perca do tampão mucoso. TRABALHO DE PARTO EM SI ( DILATAÇÃO, EXPULSÃO, DEQUITAÇÃO) DILATAÇÃO - Basicamente será a dilatação, sendo definida como 2 a 3 contrações em 10 min durando em média de 40 s em cada contração. Deve ser rítmica, regular, dolorosa e que promova dilatação cervical progressiva sendo de 4 a 5 cm dessa dilatação (isso ocorre, pois, a dilatação inicial é mais lenta e depois fica mais acelerada). - Tem uma duração de 10 – 12 h em nulíparas (nunca pariu) e 6 – 8 h em multíparas (já pariram). * são conceitos não estáticos e que podem variar. - As rupturas âmnicas são consideradas prematuras quando não há trabalho de parto; precoces, no início do parto; oportunas, quando ocorrem ao final da dilatação; e tardias, quando sobrevêm concomitantes à expulsão do feto, que, ao nascer envolto pelas membranas, é chamado feto empelicado. - É possível classificá-las como: - Espontâneas, quando ocorrem sem envolvimento médico; provocadas ou artificiais, quando decorrem da ação direta do parteiro (utilizando dedo ou instrumentos); - Intempestivas, quando acarretam prolapsos, procidências ou escape quase total do líquido amniótico. A ruptura das membranas que ocorre no parto pode ser atribuída ao enfraquecimento generalizado, atuando as contrações uterinas e o repetido estiramento. EXPULSÃO - Dilatação total (10cm) até a expulsão total do feto. - Contrações uterinas máximas (5/10 min) * ficar de olho na vitalidade fetal e possível sofrimento fetal * auscultar bebê mais vezes nesse período como forma de precaução e atenção maior. - Tem a contração sincrônica do diafragma e dos músculos da parede abdominal, que formam uma cinta muscular forte ao redor do útero. Essa cinta muscular se contrai, comprimindo o útero de cima para baixo e de frente para trás, auxiliando nas contrações uterinas e na progressão do parto. - Quanto a duração: - Primíparas com até 3h (4h com analgésicos). - Multíparas com até 2h (3h com analgésicos). DEQUITAÇÃO OU SECUNDAMENTO - Será o processo de descolamento e expulsão placentária. * Caso a duração for maior que 30 min é considerado como prolongado. - Baudelocque-Schultze: é o método guarda-chuva, onde a placenta sai expondo a parte fetal onde o cordão está inserido e posteriormente sai um fluxo maior de sangue. - Baudelocque-Ducan: que expõe a parte cruenta ou dos cotilédones e junto a saída da placenta já tem o sangramento mais intenso. PERÍODO DE GREENBERG - Final do secundamento até 1h após o parto - Hemostasia do sítio de inserção placentário - É composta por 4 momentos: - Miotamponagem (ligaduras vivas): útero contrai e junto a isso fecha os vasos expostos quando havia ainda a placenta. - Trombotamponagem: que será trombos para fecharem os vasos expostos. - Indiferença miouterina: o útero fica parcialmente solto. - Contração uterina fixa: fica contraído sem tantas chances de relaxamento, dando maior segurança. Útero endurecido. FISIOLOGIA, DURAÇÃO, ASSISTÊNCIA, PARTOGRAMA E ADEMAIS DURAÇÃO Na primíparas, a fase latente dura, em média, 20 h; nas multíparas, 14 h. O parto propriamente dito (fase ativa) tem o período de dilatação completo em torno de 12 h, nas primíparas, e de 7 h nas multíparas; a expulsão leva, respectivamente, 50 e 20 min. ASSISTÊNCIA PRIMEIRO PERÍODO O que fazer? - Deambulação, a paciente deve ficar numa posição confortável para si própria, não deve ficar restrita ao leito, até porque esse processo ajuda na verticalização do feto. - Presença de acompanhante, é muito importante principalmente por causa das questões afetivas. - Ingestão de líquidos ou algo leve. - Ausculta fetal podendo ser intermitente (baixo risco) ou contínua (alto risco). O que não fazer? - Cuidados iniciais, sendo dispensados cuidados imediatos à parturiente, incluindo higiene corporal e fornecimento de vestuário apropriado. - Enteróclise, para deixar fezes amolecidas e evitar contaminação do ambiente cirúrgico. - Tricotomia, remoção de pelos da área cirúrgica com o objetivo de facilitar a cirurgia e evitar infecções. - Toques vaginais desnecessários, para visualização de descida. - Amniotomia de rotina, romper a bolsa. * Riscos de infecção! SEGUNDO PERÍODO O que fazer? - Manobra de Ritgen Modificada, segura o períneo para evitar uma saída brusca da cabeça e corpo do bebê, isso para que o mesmo tenha tempo de se adaptar a essa saída. - Clampeamento tardio do cordão (deixa pelo menos 60 s). - Episotomia Seletiva, que seria uma incisão medio lateral no períneo para facilitar a saída do bebê. (quando necessário) O que não fazer? - Episotomia de Rotina - Manobra de Kristeller, antebraço no fundo do útero para forçar o bebe a sair. TERCEIRO PERÍODO (condutas ativas)O que fazer? - Ocitocina profilática 10 U Intramusculares, auxilia hemostasia. - Tração controlada do cordão, contínua. - Massagem uterina após secundamento (saída de placenta). - Revisão do canal do parto. - Episorrafia / sutura de lacerações. O que não fazer? - Tração intempestiva do cordão (puxar com força/ clampear rapidamente). QUARTO PERÍODO O que pode fazer? - Observar sangramentos. PARTOGRAMA - Partograma é a representação gráfica do trabalho de parto que possibilita acompanhar a sua evolução, documentar, diagnosticar alterações e indicar a tomada de condutas apropriadas para a correção dos desvios, evitando intervenções desnecessárias. - Triangulo é dilatação. - Bola é a apresentação e a sua altura, quando tem a variedade, ela é representada também. - Colore o quadrado inteiro para demonstrar a dinâmica ( todo é bom, metade é mais ou menos e x ou contorno se for ruim a contração). - Local de marcação de batimentos. - Local de marcação de medicação/ analgesia. - Linhas de alerta e ação (a primeira é alerta e 4h depois é a de ação sendo a segunda linha, que tem intervenção). * Serve de registro e visualização dinâmica para que qualquer pessoa que pegue possa entender rapidamente. - Fase Ativa Prolongada: dilatação cervical menor que 1 cm/hora (problema motor). - Parada Secundária a Dilatação: dilatação mantida em 2h (desproporção céfalo pélvica). Período Pélvico Prolongado: descida lenta no período expulsivo (primípora ou problema motor). ASSISTÊNCIA AO RECÉM-NASCIDO NA SALA DE PARTO - Aspira mucosidades. - Índice de APGAR. - Ligadura de cordão. - Profilaxias. - Identificação. - PUERPÉRIO: - O puerpério, também denominado pós-parto, é o período que sucede o parto e, sob o ponto de vista fisiológico, compreende os processos involutivos e de recuperação do organismo materno após a gestação. Embora o caráter gradual e progressivo assumido por essas manifestações torne o puerpério um período de demarcação temporal imprecisa, é aceitável dividi-lo em: - Pós-parto imediato, do 1° ao 10º dia; - Pós-parto tardio, do 10º ao 45º dia; - Pós-parto remoto, além do 45º dia. * Muitos estudos assumem como pós-parto os 12 meses que sucedem o parto. RECUPERAÇÃO GENITAL E CORPORAL FISIOLÓGICA FISIOLOGIA DO PUERPÉRIO SISTEMA REPRODUTOR - Os complexos fenômenos regenerativos vivenciados pelo sistema reprodutor feminino após o parto desenrolam-se especialmente ao longo do pós-parto imediato e do pós-parto tardio. Enquanto, no pós- parto imediato, prevalece a crise genital, caracterizada por eventos catabólicos e involutivos das estruturas hiperplasiadas e/ou hipertrofiadas pela gravidez, no pós-parto tardio evidenciam-se mais claramente a transição e a recuperação genital, com progressiva influência da lactação. Útero - Diminui consideravelmente de volume imediatamente após o nascimento do bebê, sofrendo redução de 1.000 g no pós-parto imediato e 500 mg ao final da primeira semana. Encontra-se globoso, de consistência lenhosa, entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical. Após dois dias, diminui de consistência, e o fundo uterino é palpado na cicatriz umbilical. Após 3 ou 4 dias, a redução acentua-se e, em duas semanas, o fundo uterino é palpado na cavidade pélvica. Com duas semanas, pesa em torno de 200 g e, com 30 dias, cerca de 100 g. - O colo uterino, que estava totalmente dilatado e pregueado no momento do parto, em 12 horas perde esse aspecto; dois dias após, esse colo permite a passagem de um dedo ao toque e, em uma semana, já está fechado. O orifício externo com forma inicialmente circular aparece como fenda transversal no pós-parto. * O pós-parto remoto (após 45 dias) é caracterizado pelo retorno da ovulação e da menstruação, eventos marcadamente influenciados pela lactação. Entre as mulheres que não amamentam, a menstruação retorna, em média, por volta do 45o dia pós-natal e, ao contrário do que se pensava, é precedida pela ovulação. Nas lactantes, todavia, esses prazos dependem da duração e da frequência do aleitamento. Lóquios - É a eliminação do conteúdo uterino que ocorre apóso parto. Os lóquios são constituídos pela decídua externa remanescente que sofre necrose e é eliminada. A decídua interna permanece intacta para mais tarde promover a regeneração do endométrio. • Lóquios vermelhos (lochia rubra): Sangue vivo que é eliminado nos primeiros dias após o parto; • Lóquios serosos (lochia fusca): Depois de 3 a 4 dias de pós-parto, a eliminação fica descorada; • Lóquios claros (lochia alba): Em torno do 10º dia após o parto, a eliminação fica esbranquiçada. - É importante a correta avaliação dos lóquios, pois podem sinalizar, quando abundantes ou fétidos e principalmente associados à subinvolução, um quadro de retenção placentária ou infecção pélvica. Vagina e vulva - Essas estruturas involuem no puerpério imediato e ocorre uma rápida cicatrização. Se existirem pequenas lacerações no momento do nascimento, as mesmas cicatrizarão em 4 ou 5 dias. A mucosa vulvovaginal perde as camadas externas e permanece atrofiada, permitindo a visualização dos vasos das camadas profundas, os quais determinam uma coloração avermelhada. Essa situação perdura até que ocorra a proliferação tecidual com o retorno dos níveis estrogênicos. Na prega himenal remanescente, aparecem as carúnculas mirtiformes, que são pequenas saliências. SISTEMA ENDÓCRINO - No fim da gestação, os níveis de estrogênio e progesterona estão muito elevados, assim como os de prolactina (PRL). Com a saída da placenta, ocorre queda imediata dos esteroides placentários a níveis muito baixos e leve diminuição dos valores de PRL, que permanecem ainda bastante elevados. - As gonadotrofinas e os esteroides sexuais atingem seus menores valores nas primeiras 2 a 3 semanas pós- parto. Já os níveis de gonadotrofina coriônica humana (hCG) retornam ao normal 2 a 4 semanas após o parto. - Na ausência da lactação, nas primeiras semanas pós-parto, tanto o hormônio luteinizante (LH) como o hormônio foliculestimulante (FSH) mantêm-se com valores muito baixos, para logo começarem a se elevar lentamente. No início do puerpério, os níveis de estrogênio mantêm-se baixos, e a progesterona não é detectável. - A recuperação das gonadotrofinas até os níveis prévios da gravidez depende da presença ou não da amamentação. A amamentação pode inibir a fertilidade pela ação direta do estímulo do mamilo sobre o hipotálamo por via neuroendócrina, elevando a PRL e inibindo o FSH e o LH. SISTEMA URINÁRIO - Algum grau de trauma vesical é comum em partos vaginais, especialmente entre mulheres cujos trabalhos de parto foram mais demorados. Embora comumente não cursem com repercussão clínica, esses traumas (especialmente do nervo pudendo), associados à capacidade aumentada e à relativa insensibilidade da bexiga no período pós-parto, podem atuar conjuntamente e favorecer a sobredistensão, o esvaziamento incompleto e a excessiva quantidade de urina residual. - Os fatores de risco para a disfunção vesical pós-parto parecem incluir a nuliparidade, o parto assistido, o parto com primeiro e segundo estágios prolongados, a cesariana e a anestesia de condução. - No que tange aos ureteres e pelves renais, os quais se encontram dilatados na gestação, comumente retornam ao estado pré-gravídico entre 2 e 8 semanas após o parto. SISTEMA SANGUÍNEO - Ao longo do parto e no puerpério imediato, é comum a leucocitose acentuada, a qual pode alcançar 30.000/mm3 e caracteriza-se por predomínio de granulócitos, relativa linfopenia e eosinofilia absoluta. Em geral, esses parâmetros normalizam por volta de 5 a 6 dias pós-parto. - Em relação à série vermelha, durante os primeiros dias após o parto, os níveis de hemoglobina (Hb de 10 g/dl) costumam flutuar moderadamente. Uma queda acentuada de seus valores costuma estar relacionada a perdas sanguíneas excessivas, e, por volta de 6 semanas pós-parto,a hemoglobina encontra-se em níveis pré- gravídicos. - As alterações induzidas pela gravidez nos fatores de coagulação sanguíneos persistem por períodos variados do puerpério, mantendo, então, o estado de relativa hipercoagulabilidade. Por exemplo, os elevados níveis de fibrinogênio plasmático persistem ao menos na 1a semana pós-parto, enquanto a velocidade de hemossedimentação pode vir a se regularizar apenas entre a 5º e a 7ºsemana puerperal. SISTEMA CARDIOVASCULAR - A gestação, normalmente, evolui com acentuado aumento do conteúdo do líquido extracelular, e a diurese pós-parto responde pela reversão fisiológica desse processo. Porém, nas primeiras horas após o parto, é comum nos depararmos com uma diurese escassa, resultante da desidratação relacionada ao trabalho de parto. A partir do 2º dia, inicia-se o processo de eliminação dessa hipervolemia característica da gestação, fenômeno geralmente completo por volta do 6º dia pós-parto. - As alterações na função cardíaca e vascular observadas após o parto acompanham o padrão detectado em relação à redistribuição hídrica. A frequência e o débito cardíacos mantêm-se elevados por 24 a 48 h após o parto e retornam aos valores pré-gravídicos por volta do 10o dia puerperal. Já a resistência vascular permanece reduzida ao longo das primeiras 48 h pós-natais e, então, progressivamente retorna aos níveis prévios à gestação. PESO - A média de perda ponderal decorrente do parto é de 6 kg. No puerpério, ocorre perda adicional de 2 a 7 kg, habitualmente mais pronunciada nos primeiros 10 dias de pós-parto, atribuída a maior diurese, secreção láctea e eliminação loquial. ASSISTÊNCIA PÓS-NATAL - O período de internação hospitalar após o parto é muito importante para a saúde da mãe e do recém- nascido. Além dos cuidados médicos, a equipe de saúde é também responsável por instruir a mulher sobre alterações evolutivas e fisiológicas esperadas ao longo do puerpério imediato e tardio, especialmente a característica dos lóquios, a perda de peso, a diurese e a apojadura. - Este também é o momento ideal para promover o aleitamento materno e dar suporte para que ele ocorra de forma exclusiva pelos 6 meses seguintes. - A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a puérpera e seu bebê devam permanecer internados por ao menos 24 horas. De qualquer maneira, esses prazos se mostram razoáveis e servem de orientação para a maioria dos casos, ainda que a alta após a cesárea, em geral, não exceda 72 h de pós-parto em nosso meio. Períodos maiores ou menores de internação podem ser adotados em situações específicas.