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EXPEDIÇÃO África: o meio natural A África e o imperialismo europeu África: população, regionalização e economia A África no início do século XXI 25 26 27 28 PERCURSOS Prepare-se para aprender sobre a África. Após estudar o meio natural, você verá como se deu a apropriação de territórios africanos por países europeus no século XIX e a implantação de colônias, fato que deixou profundas marcas nas sociedades africanas atuais. Conhecerá ainda duas regionalizações da África e entrará em contato com alguns problemas que a atingem neste início do século XXI. África: heranças, conflitos e diversidades7 4% 27% ACIMA DE 20 DÓLARES DE 2 A 20 DÓLARES ATÉ 2 DÓLARES 69% 1996 2010 1990 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 5% 34% 61% 0,00 US$ 200,00 US$ 400,00 US$ 600,00 US$ 800,00 US$ 1.000,00 US$ 1.200,00 US$ 1.400,00 US$ 1.600,00 58,3% 1995 68,8% 2012 1990 2014 2030 MAIS DE 5 MILHÕES DE 1 A 5 MILHÕES ANOS CIDADES M A PA , G RÁ FI CO S E IL U ST RA ÇÕ ES : C Á SS IO B IT TE N CO U RT A nova classe média africana Embora a África apresente alguns dos piores indicadores socio- econômicos mundiais, seu recente crescimento econômico tem sido acompanhado pelo aumento da renda média per capita e pela redução da pobreza. Alargamento da classe média A classifi cação da sociedade em classes de acordo com níveis de consumo varia em diferentes contextos econômicos. Na África, pode ser considerado integrante da classe média quem gasta entre 2 e 20 dólares por dia, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento. Renda média O aumento da renda e a sua distribuição contribuem para que parte da população africana ingresse na classe média. 4% 27% ACIMA DE 20 DÓLARES DE 2 A 20 DÓLARES ATÉ 2 DÓLARES 69% 1996 2010 1990 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 5% 34% 61% 0,00 US$ 200,00 US$ 400,00 US$ 600,00 US$ 800,00 US$ 1.000,00 US$ 1.200,00 US$ 1.400,00 US$ 1.600,00 58,3% 1995 68,8% 2012 1990 2014 2030 MAIS DE 5 MILHÕES DE 1 A 5 MILHÕES ANOS CIDADES África: distribuição da população por níveis de consumo diário per capita Após um período de estagnação, a renda média anual per capita na África cresceu continuamente a partir de 2002 e mais que dobrou em dez anos. 230 PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 230 01/06/16 01:38 Verifique sua bagagem 1. A diminuição da pobreza na África pode ser explicada apenas pelo aumento da renda média per capita? Por quê? 2. Relacione o aumento da classe média na África ao processo de urbanização no continente. 4% 27% ACIMA DE 20 DÓLARES DE 2 A 20 DÓLARES ATÉ 2 DÓLARES 69% 1996 2010 1990 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 5% 34% 61% 0,00 US$ 200,00 US$ 400,00 US$ 600,00 US$ 800,00 US$ 1.000,00 US$ 1.200,00 US$ 1.400,00 US$ 1.600,00 58,3% 1995 68,8% 2012 1990 2014 2030 MAIS DE 5 MILHÕES DE 1 A 5 MILHÕES ANOS CIDADES 4% 27% ACIMA DE 20 DÓLARES DE 2 A 20 DÓLARES ATÉ 2 DÓLARES 69% 1996 2010 1990 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 5% 34% 61% 0,00 US$ 200,00 US$ 400,00 US$ 600,00 US$ 800,00 US$ 1.000,00 US$ 1.200,00 US$ 1.400,00 US$ 1.600,00 58,3% 1995 68,8% 2012 1990 2014 2030 MAIS DE 5 MILHÕES DE 1 A 5 MILHÕES ANOS CIDADES 4% 27% ACIMA DE 20 DÓLARES DE 2 A 20 DÓLARES ATÉ 2 DÓLARES 69% 1996 2010 1990 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 5% 34% 61% 0,00 US$ 200,00 US$ 400,00 US$ 600,00 US$ 800,00 US$ 1.000,00 US$ 1.200,00 US$ 1.400,00 US$ 1.600,00 58,3% 1995 68,8% 2012 1990 2014 2030 MAIS DE 5 MILHÕES DE 1 A 5 MILHÕES ANOS CIDADES NE LO SE S N NO SO 910 km Fontes: ITU. Statistics. Disponível em: ; ONU. World Urbanization Prospects. The 2014 Revision. Disponível em: ; African Development Bank. The middle of the pyramid: dynamics of the middle class in Africa. Disponível em: ; African Development Bank. African Economic Outlook 2014. Disponível em: . Acessos em: 14 maio 2015. Urbanização acelerada Em 2014, a taxa de urbanização da África era de 40%, ou seja, a cada 100 habitantes 40 viviam em cidades, ainda a menor entre os continentes. Mas, segundo a ONU, a África será o continente de mais rápida urbanização a partir de 2020, ultrapassando a Ásia. Novos hábitos de vida A urbanização e o aumento da renda mudam a maneira como as pessoas vivem e proporcionam novos hábitos de consumo. Nas cidades africanas, o consumo de bens e serviços vem aumentando. África: assinaturas de telefonia celular – 2006-2014 Nesse período, o número de assinaturas para cada 100 habitantes subiu de 17,8 para 71,2. De 2006 a 2014, a parcela da população africana com acesso à internet passou de 3,3% para 18,9%. Abastecimento de água O maior acesso à água potável nos últimos anos é outro indicador da melhoria das condições de vida na África. Em 1995, 58,3% dos africanos tinham água potável. Em 2012, o percentual havia passado para 68,8% – nas áreas urbanas a média era de 87%. Em 1990, a única cidade com mais de 5 milhões de habitantes era Cairo, no Egito. Em 2014, havia outras 4, e até 2030 haverá ao todo 18, sendo 6 delas megacidades, com mais de 10 milhões de habitantes. Celulares A África tem menos assinantes de telefonia celular que outros continentes, mas apresentou grande crescimento desse serviço nos últimos anos. Evolução das maiores cidades africanas – 1990-2030* Na representação ao lado, o tamanho dos círculos mostra o número de habitantes e as cores indicam o ano em que a população de cada cidade chegou ou chegará à quantidade indicada. * Estimativa da ONU. 4% 27% ACIMA DE 20 DÓLARES DE 2 A 20 DÓLARES ATÉ 2 DÓLARES 69% 1996 2010 1990 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 5% 34% 61% 0,00 US$ 200,00 US$ 400,00 US$ 600,00 US$ 800,00 US$ 1.000,00 US$ 1.200,00 US$ 1.400,00 US$ 1.600,00 58,3% 1995 68,8% 2012 1990 2014 2030 MAIS DE 5 MILHÕES DE 1 A 5 MILHÕES ANOS CIDADES Serviços Parte da classe média africana vem empreendendo cada vez mais novos negócios, principalmente relacionados ao setor de serviços, como o comércio on-line. África: número de usuários de internet – 2006 e 2014 Em 2013, a África apresentava cerca de 1,1 bilhão de habitantes. 172 MILHÕES 2014 24 MILHÕES 2006 129 MILHÕES 246 MILHÕES 366 MILHÕES 507 MILHÕES 646 MILHÕES 2008 2010 2012 2014 2006 231 1. Não, pois esse indicador consiste na divisão da renda nacional pelo número de habitantes e não mostra como a renda está distribuída entre a população. 2. O aumento do percentual de população urbana indica o surgimento e o crescimento de cidades, onde a diversi ficação de atividades econômicas e a oferta de bens e serviços geram novos padrões de consumo. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 231 01/06/16 01:38 PERCURSO 25 África: o meio natural Extensão e localização Com 30.216.362 km2 — cerca de 20% das terras emersas do globo terrestre (150.377.393 km2) —, a África é o terceiro maior continente em extensão territorial, superado pela América (42.192.781 km2) e pela Ásia (45.074.481 km2). A maior parte do continente africano se localiza na zona tropical: entre o Trópico de Câncer, ao norte, e o Trópico de Capricórnio, ao sul. Ao norte, o trópico atravessa os territórios de Egito, Líbia, Argélia, Mali, Mauritânia e Saara Ocidental, enquanto ao sul do continente abrange a Ilha de Mada- gascar, Moçambique, África do Sul, Botsuana e Namíbia. Ao norte, o continente africano é delimitado pelo Mar Mediterrâneo; a leste, pelo Mar Vermelho e pelo Oceano Índico; ao sul, pelo encontro das águas oceânicas índicas e atlânticas; e, a oeste, pelo Oceano Atlântico (figura 1). Até o século XIX, a África esteve unida à Ásia por uma estreita faixa de terra localizada entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho, denomi- nada istmo de Suez. A necessidade de articular o comércio entre o Mediterrâneo e o Índico resultou na construção doelaborado com base em IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 45; BOST, François et al. Images économiques du monde: géopolitique-géoéconomie 2014. Paris: Armand Colin, 2013. p. 262-271 e 294-344. M A R VERM ELH O 20°L 0° EQUADOR TRÓPICO DE CÂNCER TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO EUROPA ÁSIA OCEANO ÍNDICO MAR MEDITERRÂNEO CAMARÕES MOÇAMBIQUE MARROCOS TO G O SEYCHELLES MALAUÍ ZIMBÁBUE SUAZILÂNDIA LESOTO TUNÍSIA ARGÉLIA LÍBIA EGITO MAURITÂNIA NÍGERMALI CHADE NIGÉRIA ETIÓPIA SOMÁLIA QUÊNIA TANZÂNIA ANGOLA MADAGASCAR NAMÍBIA ERITREIA CABO VERDE BURKINA FASSO GÂMBIA DJIBUTI GUINÉ BENIN GUINÉ BISSAU LIBÉRIA COSTA DO MARFIM GANA REP. CENTRO -AFRICANA UGANDA CONGO GUINÉ EQUATORIAL SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE GABÃO RUANDA BURUNDI COMORES MAURÍCIO ZÂMBIA BOTSUANA REP. DEMOCRÁTICA DO CONGO SENEGAL SERRA LEOA SAARA OCIDENTAL ÁFRICA DO SUL Rabat Argel Túnis Trípoli Cairo Nuakchott Bamaco Niamei Ndjamena Cartum Dacar Banjul Bissau Conacri Freetown Monróvia Abidjan Uagadugu Acra Lom é Porto N ov o Abuja Malabo Iaundê Bangui Asmara Djibuti Adis-Abeba Mogadíscio Libreville Brazzaville Kinshasa Campala Nairóbi Kigali Bujumbura Dodoma Luanda Lusaca Lilongue Harare Windhoek Gaborone Pretória Maputo Mbabane Maseru Antananarivo Moroni Port Louis Vitória OCEANO ATLÂNTICO SUDÃO SUDÃO DO SUL Minerais Agropecuários Conjunto de países cujas economias têm por base produtos primários País com desenvolvimento industrial Bloemfontein Cidade do Cabo A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 740 km NE LO SE S N NO SO Quem lê viaja mais ARAUJO, Kelly Cristina. Áfricas no Brasil. São Paulo: Scipione, 2004. Nesse livro, você vai encontrar um panorama sobre a influência dos povos africanos na formação da identidade nacional brasileira. Pausa para o cinema Amor sem fronteiras. Direção: Martin Campbell. Estados Unidos: Mandalay Pictures, 2003. Duração: 125 min. Após conhecer um médico que se dedica às causas humanitárias na África, uma socialite se dispõe a ajudá-lo arrecadando medicamentos e comida para refugiados na Etiópia. Essa experiência vai mudar sua vida e sua maneira de encarar o mundo para sempre. 252 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 252 01/06/16 01:39 Figura 28. África do Sul: indústria e transporte – 2015 Muitos problemas, como a pobreza que atinge principalmente a população negra, persistem. Em 2015 a população total estimada era de 54,5 milhões de habitantes: 79% dela era constituída por negros de diversas etnias, 9% era de origem europeia (destacando-se os ingleses e holandeses), cerca de 9% de eurafricanos e 2,5% de asiáticos (principal- mente descendentes de indianos) e outros (0,5%). A população branca, embora minoritária, detém cerca de 60% da renda nacional e usufrui das melhores condições de vida no país. O grande desafio da África do Sul é enfrentar as heranças do apar- theid e construir uma sociedade democrática de base multiétnica, menos desigual e sem preconceitos, além de erradicar a pobreza que atinge par- te significativa dos sul-africanos (figuras 29 e 30). Figura 30. Bairro residencial com boa infraestrutura na Cidade do Cabo, África do Sul (2013). Quais são as principais atividades econômicas da cidade de Port Elizabeth? Figura 29. Bairro pobre na periferia da Cidade do Cabo, África do Sul (2014). FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A A RT U R W ID A K/ N U RP H O TO /A FP CHARLES O. CECIL/ALAMY/EASYPIX Fonte: elaborado com base em Le Grand Atlas du XXIe Siécle. Paris: Gallimard, 2013. p. 82. ÁFRICA DO SUL NAMÍBIA BOTSUANA LESOTO SUAZILÂNDIA ZIMBÁBUE MOÇAMBIQUE Port ElizabethCidade do Cabo Durban Johanesburgo Pretoria OCEANO ÍNDICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO OCEANO ATLÂNTICO 30° L U Principais indústrias e infraestrutura Aeroporto internacional Zona industrial Estrada principal Têxtil Cobre UrânioU Agroalimentar Carvão Ouro Diamante Indústria automobilística Reserva natural 300 km NE LO SE S N NO SO Navegar é preciso Casa das Áfricas Centro de pesquisa e de promoção de atividades culturais relacionadas ao continente africano que disponibiliza em seu site informações, fotos, vídeos e textos a respeito de diversos temas. Pausa para o cinema Um grito de liberdade. Direção: Richard Attenborough. Reino Unido: Universal Pictures, 1987. Duração: 119 min. Nos anos 1970, durante o apartheid, Daniel Woods, um jornalista branco, e Stephen Biko, importante ativista contrário ao regime político da África do Sul, tornam-se grandes amigos. Após a morte de Biko, Woods decide contar a sua história, desagradando o regime vigente. 253 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Indústrias automobilística e agroalimentar. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 253 01/06/16 01:39 Figura 31. Egito: principais indústrias – 2012 Rio Nilo 30º L 30º N EGITO SUDÃO LÍBIA Alexandria Suez El Giza Assuã Cairo M A R VERM ELH O MAR MEDITERRÂNEO Mecânica Agroalimentar Siderúrgica Petróleo Fosfato Têxtil Turismo Aeroporto internacional Estradas principais Zona industrial Principais indústrias e infraestrutura Egito Chamado de “País do Nilo”, o Egito, em 2015, tinha 91,5 milhões de habitantes. É o segundo país mais populo- so da África, superado apenas pela Nigéria (182,2 milhões). Depois da África do Sul, o Egito é o país mais industriali- zado do continente. As indústrias localizam -se ao longo do Vale do Nilo, desde a cidade de Assuã, ao sul, até Alexan- dria, ao norte (figura 31). Essa cidade, localizada no delta do Nilo, abriga o principal porto do país. Em Assuã, encon- tra-se a maior usina hidrelétrica do Egito, cuja construção impulsionou a industrialização do país ao garantir o for- necimento de energia necessário ao setor. Duas concentrações industriais se destacam: uma locali- zada na capital, Cairo, que, com as cidades vizinhas, forma uma grande aglomeração urbana com mais de 15,6 milhões de habitantes, e outra em Alexandria, que conta com mais de 4,7 milhões de habitantes (2015). O principal setor industrial egípcio é o têxtil, no qual so- bressaem as unidades de tratamento de algodão, cujos produtos são largamente exportados. São importantes também as indústrias química, moveleira, alimentícia, do vidro e da ce- râmica, do papel, siderúrgicas de pequeno porte e refinarias de petróleo. As principais jazidas de petróleo estão distribuí das ao longo da Penín- sula do Sinai, no Mar Vermelho. Além de abastecer o mercado interno, o petróleo daí extraído destina-se à exportação, constituindo uma impor- tante fonte de divisas para o país. Em relação à agricultura, várias barragens foram construídas no Nilo no século XX, com a finalidade de represar as águas e controlar a vazão no decorrer do ano. Dessas barragens saem redes de canais que permitem a irrigação permanente das terras, possibilitando que sejam feitas várias se- meaduras e colheitas no decorrer do ano (figura 32). Plantam-se milho, algodão, gergelim, cana-de-açúcar, trigo e arroz, este úl- timo cultivado principalmente no delta do Rio Nilo. Contudo, a produção da agricultura de produtos alimentares não é suficiente para atender às necessida- des da população, fato que torna o Egito um importador de alimentos. A pecuária é limitada pela falta de pastagens. Assim, a atividade res- tringe-se a pequenos rebanhos de bovinos, ovinos, caprinos, bufalinos, asininos e cerca de 200 mil camelos. Figura 32. Vista aérea de agricultura irrigada por meio de canais, com águas retiradasdo Rio Nilo, no Deserto do Saara, no Egito (2013). Fonte: Le Grand Atlas du XXIe Siécle. Paris: Gallimard, 2013. p. 75. Mecânica Agroalimentar Siderúrgica Petróleo Fosfato Têxtil Turismo Aeroporto internacional Estradas principais Zona industrial Principais indústrias e infraestrutura A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 200 km NE LO SE S N NO SO TI PS /Z U M A P RE SS /G LO W IM A G ES 254 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 254 01/06/16 01:39 • Países cuja base da economia são os produtos primários Esse conjunto de países africanos pode ser dividido em dois sub- conjuntos: países de economia de base agrária e países de economia de base mineral. Países de economia de base agrária A produção agrícola na África se organiza em formas de produção di- ferentes. De maneira geral, encontra-se a agricultura de subsistência e a agricultura comercial (plantation). A agricultura de subsistência consiste em obter da terra uma pro- dução de alimentos com o objetivo de suprir as necessidades alimen- tares dos próprios produtores e suas famílias. Realiza-se geralmente em pequenas propriedades, com técnicas e instrumentos rudimentares. Porém, essa produção agrícola pode gerar excedentes, que são comercia- lizados pelos camponeses. Os principais produtos cultivados, em ambos os casos, são mandioca, milhete ou sorgo, arroz, inhame e batata. Como a alimentação de grande parte dos africanos baseia-se em carboidratos (amido ou farinha), a de- ficiência de proteínas e vitaminas gera problemas de saúde em parte da população. A maior fonte de proteína animal, a carne, não é suficientemente disponível na África Subsaariana. Seu consumo é maior no norte da África. Como já vimos, a agricultura comer- cial foi introduzida na África pelo co- lonizador, sob a forma de plantation, destinada a abastecer de matérias- -primas a indústria europeia (têxtil, alimentícia, de óleos vegetais, de cigar- ros etc.). Assim, grandes plantations foram formadas para produzir: cacau, na Costa do Marfim, em Gana, Cama- rões e Nigéria; café, na Costa do Mar- fim, em Camarões, República do Congo, Etiópia, Quênia, Tanzânia etc.; algodão, no Egito, Chade, Togo, República Cen- tro-Africana etc.; amendoim, na Gui- né Bissau, Senegal, Sudão, Gâmbia etc.; chá, no Quênia, Ruanda etc.; tabaco, no Malauí, Egito etc.; cana-de-açúcar, na África do Sul, Angola e Moçambique. Nas áreas de clima mediterrâneo da África do Norte e da África do Sul, são cultivados trigo, oliveiras, cevada, centeio e frutas (figura 33). Onde se localiza a principal área irrigada na África destinada à prática da agricultura? Figura 33. África: economia Fonte: elaborado com base em CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas du 21e siècle 2013. Paris: Nathan, 2011. p. 165. M ER ID IA N O D E G R EE N W IC H EQUADOR 0º 0º Ph O O O O O O C D D D D D D D D D D D D D D Ph TUNÍSIA ÁFRICA DO SUL SUDÃO DO SUL ERITREIA ETIÓPIA SUDÃO EGITO LÍBIAARGÉLIA SAARA OCIDENTAL BURKINA FASSO NÍGER MALI GANA COSTA DO MARFIM LIBÉRIA GUINÉ EQUATORIAL GUINÉ SERRA LEOA GÂMBIA GUINÉ-BISSAU CABO VERDE SENEGAL MAURITÂNIA SEYCHELLES COMORES MADAGASCAR SUAZILÂNDIA MARROCOS R. C. AFRICANA CHADE ÁSIA EUROPA CAMARÕES BENIN TOGO NIGÉRIA REP. DEM. DO CONGO CONGOGABÃO UGANDA RUANDA BURUNDI QUÊNIA MALAUÍ TANZÂNIA MOÇAMBIQUE ZÂMBIA ZIMBÁBUE BOTSUANA LESOTO ANGOLA NAMÍBIA SOMÁLIA DJIBUTI OCEANO ATLÂNTICO MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O OCEANO ÍNDICO 0º 30º L Agricultura mediterrânea Zona irrigada Florestas ou savanas modificadas por culturas de subsistência ou comerciais Estepes modificadas por culturas de subsistências ou comerciais para pecuária extensiva Pecuária nômade, terras não cultivadas Arroz Cana-de-açúcar Café Cacau Chá Cítricos Azeitona Tamareira (Oásis) Óleo de palma, amendoim Vegetação e agropecuária Algodão Petróleo Gás natural Oleoduto Gasoduto Ferro Ouro Diamante Região industrial Alta tecnologia Urânio O D Indústria e infraestrutura Tabaco A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 780 km NE LO SE S N NO SO Quem lê viaja mais FERREIRA, Olavo Leonel. Egito: terra dos faraós. São Paulo: Moderna, 2005. Breve relato sobre a história do Egito que apresenta as principais conquistas culturais, científicas, arquitetônicas, econômicas e políticas desse país. 255PERCURSO 27 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Ao longo do vale do Rio Nilo (Sudão, Sudão do Sul e Egito). PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 255 01/06/16 01:39 Países de economia de base mineral A África é um continente rico em recursos minerais (reveja a figura 33). Desde os primeiros anos do neocolonialismo e do imperialismo europeu na África, muitas “expedições científicas” foram organizadas para explorar o continente ou fazer o levantamento de seus recursos minerais. Nessas expedições, inúmeras jazidas de minérios foram descobertas, e sua ex- ploração contribuiu para o desenvolvimento industrial dos países euro- peus colonialistas (França, Bélgica, Inglaterra, entre outros). Assim como os produtos da agricultura comercial, a atual produção de minérios tam- bém destina-se à exportação. Em sua maioria, ela é processada ou benefi- ciada no exterior, fato que impossibilita aos países africanos agregar maior valor às suas exportações de minérios e obter mais divisas. Dos produtos minerais, um dos maiores destaques continua sendo o petróleo. Além de ser explorado no Egito, nas margens do Mar Ver- melho e na Península do Sinai, é extraído na Líbia e na Argélia. Na Áfri- ca Sub saariana, empresas petrolíferas atuam principalmente em Angola, no Congo, no Gabão, em Camarões e na Nigéria (figura 34). A Nigéria, além de ser o maior produtor de petróleo do continente, situa-se entre os doze maiores do mundo. Diferentemente da estrutura empresarial da extração petrolífera, o garimpo é praticado em condições dramáticas em determinadas áreas da África (figura 35). Parte da mão de obra é constituída por crianças, muitas vezes submetidas à es- cravidão e a condições de traba- lho precárias. Há casos em que os próprios pais vendem os fi- lhos a agenciadores de mão de obra infantil, com a crença na falsa promessa de que vão fre- quentar escolas. Figura 35. Trabalhadores em mina de ouro próximo a cidade de Bambari, no centro-sul da República Centro-Africana (2014). Figura 34. Indústria de processamento de gás natural no delta do Rio Níger, na Nigéria (2013). PI U S U TO M I E KP EI /A FP TH IE RR Y BR ES IL IO N /A N A D O LU A G EN CY /A FP No seu contexto Existe trabalho infantil no Brasil? Você conhece algum caso? 256 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Espera-se que o aluno reconheça que ainda existe trabalho infantil no Brasil e, ao observar seu cotidiano, perceba que há crianças trabalhando no meio urbano no mercado informal como camelôs, vendedores ambulantes. No meio rural, o trabalho infantil é empregado na agricultura e em carvoarias, por exemplo. Para complementar, acrescente que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, o número de crianças de 5 a 13 anos que estavam em situação de trabalho infantil era de 486 mil em 2013. A maior parte dessas crianças (96,4%) está na escola e trabalha na atividade agrícola (63,8%). Cumpre destacar, também, que muitas crianças são levadas por traficantes a trabalhar em atividades ilegais, como o tráfico de drogas. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 256 01/06/16 01:39 Como interpretaruma anamorfose Na Geografia, anamorfose é uma técnica utilizada para representar um fenômeno em que a superfície dos espaços será proporcional a ele — como a quantidade de habitantes de um país — e não à sua área real. O continen- te africano, por exemplo, possuirá maior popu- lação que o americano, embora tenha menor área territorial. Uma anamorfose, nesse caso, representaria o continente africano maior que o americano. Ainda que nas anamorfoses a localização relativa das localidades seja respeitada, esse tipo de representação não pode ser conside- rado como mapa, pois, ao distorcer a superfí- cie de uma região, essa técnica não permite o uso da escala. O objetivo de uma anamorfose é transmitir a informação de maneira clara, de modo que sua visualização permita a compreensão do fenômeno representado. A leitura da anamorfose, porém, deve ser feita com atenção. Leia as instruções a seguir e, com base na anamorfose desta página, res- ponda às questões. Como fazer 1 Observe o título e o tema representado. 2 Fique atento à deformação das áreas representadas. Alguns países necessariamente estarão representados de forma mais estreita, enquanto outros terão dimensões maiores; a dimensão revela a intensidade do fenômeno tratado. 3 Repare na localização das regiões. Isso vai ajudá-lo a interpretar a anamorfose e distingui-las. Se necessário, recorra a um mapa político. Mochila de ferramentas Distribuição da população mundial – projeção para 2050 Fonte: Worldmapper. Disponível em: . Acesso em: 5 dez. 2015. FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 1. Que continente apresentará a maior parcela da população mundial na projeção para 2050? Como você chegou a essa conclusão? 2. Entre os países da América do Sul, qual apresentará maior participação na população mundial segundo essa projeção? Explique como você descobriu essa informação. 3. Por que a anamorfose se assemelha a um mapa, mas não pode ser considerada como tal? 257PERCURSO 27 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 257 01/06/16 01:39 PERCURSO 28 A África no início do século XXI Um continente fragilizado A África iniciou o século XXI com graves problemas políticos, econômi- cos e sociais. Após quase cinco séculos de exploração colonial e cerca de um pouco mais de cinquenta anos da descolonização ou da formação dos Estados nacionais, o continente vive uma difícil situação, tendo como causa vários fatores. A seguir, vamos analisar esses aspectos, abordando suas principais características. • Aspectos políticos O recente processo de formação dos Estados nacionais africanos ainda não foi capaz de superar os efeitos negativos da arbitrária delimitação de territórios por parte do colonizador europeu. Dessa herança, o principal re- flexo político são as guerras. Além disso, a corrupção administrativa e os governos ditatoriais são também complicadores da situação de muitos Es- tados africanos. As guerras civis e o Sudão do Sul O fim das guerras de independência não representou o fim dos confli- tos armados na África. Ao contrário, no período entre 1985 e 2010 ocor- reram muitas guerras. As causas são diversas: rivalidades interétnicas (caso de Burundi e Ruanda, de Darfur, no Sudão etc.), luta por libertação de territórios subjugados a um poder central (a guerra entre a Eritreia e a Etiópia, por exemplo), luta pelo domínio político-econômico do Estado (guerra de Angola, Costa do Marfim etc.), disputas por recursos minerais, entre eles o petróleo, rivalidades religiosas etc. Além de causarem milhares de mortes, os conflitos ar- mados desorganizam a produção, aprofundam os pro- blemas econômicos, consomem recursos financeiros que poderiam ser aplicados no desenvolvimento nacional e agravam os quadros de pobreza e miséria em muitos paí- ses (figuras 36 e 37). No Sudão, após cerca de 50 anos de guerra civil entre o norte, predominantemente seguidor do islamismo, e o sul, cristão e de crenças locais, em 9 de julho de 2011 o sul ob- teve a independência. Nessa data, nasceu um novo país: o Sudão do Sul. Desmembrado do Sudão, tornou-se o 193o país-membro da ONU e o 54o do continente africano. 1 Figura 36. Somalis, fugidos de conflitos armados na Somália, em campo de refugiados na cidade de Dadaab, no Quênia (2013). IM A G O /Z U M A P RE SS /G LO W IM A G ES Quem lê viaja mais PENNAFORTE, Charles. África: horizontes e desafios no século XXI. São Paulo: Atual, 2006. O autor fornece uma visão ampla da África abordando desde o processo de colonização e suas implicações territoriais e culturais, passando pelas guerras civis, pelos seus recursos naturais, chegando a mostrar a África como um espaço de periferia do capitalismo. 258 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 258 01/06/16 01:39 A corrupção e os governos ditatoriais A falta de democracia, as fraudes nas eleições governamentais e as práticas de corrupção ocorrem em muitos Estados africanos. Apoia- dos por oligarquias nacionais e por setores das forças armadas, gover- nantes permanecem no poder por longo tempo, exercendo poderes ditatoriais. Os regimes ditatoriais são obstáculos ao desenvolvimento econômico e social, pois impedem que haja transparência nas decisões políticas, impõem leis restritivas à liberdade de expressão e permitem que os recur- sos nacionais sejam manipulados conforme os interesses dos ditadores e dos grupos que os apoiam. Figura 37. Os conflitos na África – 1960-2013 Fonte: TÉTART, Frank (Org.). Grand Atlas 2014: comprendre le monde em 200 cartes. Paris: Éditions Autrement, 2013. p. 35. Cite um país do Magreb tradicional que recentemente esteve envolvido em importante conflito. M ER ID IA N O D E G R EE N W IC H EQUADOR TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 0º 30º L 0º TRÓPICO DE CÂNCER TUNÍSIA (2010) ÁFRICA DO SUL SUDÃO DO SUL ERITREIA (1998-2000) ETIÓPIA (1977-1991) (1998-2000) SUDÃO (1971-1972) (1983-2005) ÁSIA EUROPA EGITO (1976) LÍBIA (1976) (2011) ARGÉLIA (1963) (1992-2002)SAARA OCIDENTAL (1975-1991) BURKINA FASSO NÍGER (1991-1995) (2007) MALI (2012-2013) GANA COSTA DO MARFIM (2002-2007) LIBÉRIA (1989-2003) SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE GUINÉ EQUATORIAL GUINÉ SERRA LEOA (1991-2002) GÂMBIA GUINÉ BISSAU CABO VERDE SENEGAL MAURITÂNIA COMORES MADAGASCAR SUAZILÂNDIA MARROCOS (1963) REP. CENTRO- -AFRICANA CHADE CAMARÕES (1960-1972) BENIN TOGO NIGÉRIA (1967-1974) REP. DEM. DO CONGO (1996-1997) (1998-2003) CONGO (1993) (1997) (1998-1999) GABÃO UGANDA (1979) RUANDA (1990-2003) BURUNDI (1993-2001) QUÊNIA MALAUÍ TANZÂNIA (1979) (1998-2006) MOÇAMBIQUE (1975-1992) ZÂMBIA ZIMBÁBUE BOTSUANA LESOTO ANGOLA (1975-2002) NAMÍBIA SOMÁLIA (1991-2006) DJIBUTI OCEANO ATLÂNTICO MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O OCEANO ÍNDICO A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 600 km NE LO SE S N NO SO De 862.2% a 568.8% Principais zonas de fome aguda após 1960 País envolvido em um conflito armado importante após 1960 Em curso Terminada Data na qual o país esteve envolvido em um conflito armado importante Operação de manutenção da paz da ONU (1960-2013) (1976) De 862.2% a 568.8% Principais zonas de fome aguda após 1960 País envolvido em um conflito armado importante após 1960 Em curso Terminada Data na qual o país esteve envolvido em um conflito armado importante Operação de manutenção da paz da ONU (1960-2013) (1976) Pausa para o cinema Hotel Ruanda. Direção: Terry George. Reino Unido/Estados Unidos/Itália/África do Sul: United Artists, 2004. Duração: 128 min. Em meio ao conflito entre hutus e tutsis, ocorrido em Ruanda na década de1990, Paul Rusesabigina abriga no hotel em que trabalha o maior número possível de pes soas, mesmo diante de muitas dificuldades. O filme se baseia em fatos reais. 259PERCURSO 28 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Tunísia, em 2010. Remeta os alunos à figura 22, na página 250, para que recordem o que é o Magreb tradicional. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 259 01/06/16 01:39 stação Cidadania Primavera Árabe? “No segundo semestre de 2010, enquan- to ocorriam rebeliões populares na Tunísia e no Egito, o mundo celebrou a ‘Primavera Ára- be’ — a democracia que chegava ao centro do Islã. De repente, todos, não importavam quais fossem seus interesses de classe e de nação, estavam de acordo. O Ocidente parecia haver esquecido que fora o Império, que desde me- ados do século XIX havia imposto sua vonta- de ao Oriente Médio e, assim, limitado suas possibilidades de desenvolvimento econômi- co e político; os intelectuais democráticos e progressistas se enchiam de esperança; e os islâmicos permaneciam calados. Todos espe- ravam a democracia. Hoje […] vários gover- nos foram derrubados — uns, pelo povo; o da Líbia, pelo Ocidente —, mas a democracia ainda não chegou em parte alguma, e, diante das vitórias eleitorais dos partidos islâmicos na Tunísia e no Egito, o Ocidente começou a se perguntar se a primavera não foi realmen- te um inverno, porque os partidos islâmicos são nacionalistas. […] […] Mas, como é impossível escapar da história, o pressuposto é que esta se divide em duas fases: uma ‘atrasada’ ou tradicio- nal, na qual domina o autoritarismo, e outra ‘moderna’, liberal e democrática. A passagem de uma fase para a outra se faz através da de- cisão da sociedade civil de estabelecer o esta- do de direito e o direito de votar e ser votado, ou, em outras palavras, os direitos civis e os direitos políticos, implantando, assim, a de- mocracia. O obstáculo a ser enfrentado são os governantes ditatoriais e geralmente corrup- tos que governam os países atrasados. Foi essa visão das transições e consolida- ções democráticas que levou o Ocidente a receber de forma favorável as rebeliões dos países árabes. Mas não compreendeu que os revoltosos não queriam apenas a democra- cia; queriam também o desenvolvimento, ou, em uma linguagem que eles compreendem melhor, queriam emprego e bem-estar eco- nômico. [...] Não foi, portanto, surpreenden- te quando nas duas primeiras eleições que se seguiram, na Tunísia e no Egito, partidos nacionalistas islâmicos venceram por ampla margem, e a esperança ingênua do Ocidente se transformou em desconcerto. Afinal, pare- ce que não é tão simples assim a democrati- zação de uma sociedade. […]” BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Democracia, revolução capitalista e Primavera Árabe. Política Externa, Artigos, v. 21, n. 4, abr.-maio-jun. 2013. p. 135-141. Disponível em: . Acesso em: 5 dez. 2015. M A RC O L O N G A RI /A FP Interprete 1. De que forma a sociedade civil pode contribuir para a instauração da democracia? Argumente 2. Explique por que o autor do texto a� rma que o que foi denominado de “primavera” tornou-se “inverno”. O dia 11 de fevereiro de 2011 foi histórico para o Egito. Milhares de pessoas se reuniram na Praça Tahrir, no centro do Cairo, e reivindicaram a saída do então presidente do país, Hosni Mubarak. No mesmo dia, ele renunciou, depois de 30 anos no poder. 260 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Com o professor de História, sugerimos desenvolver o tema da “Primavera Árabe”, fazendo um retrospecto da formação dos países citados no texto, principalmente quanto à questão do poder político e econômico e o peso que o Islamismo exerce sobre esses países. Esclareça que, no segundo semestre de 2010, alguns países do mundo árabe, no norte da África e no Oriente Médio, vivenciaram a eclosão de movimentos populares contrários aos governos opressores e à estagnação econômica, que ficaram conhecidos como Ética “Primavera Árabe”. Entretanto, nem tudo se consolidou, como mostra o texto desta Estação Cidadania. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 260 01/06/16 01:39 • Aspectos sociais As condições desfavoráveis em que se encontram muitas sociedades africanas refletem, em parte, o legado de exclusão e desigualdade socioeco- nômica gerado durante a colonização e mantido por governos posterior- mente instalados. Epidemias As epidemias e doenças são o resultado da pobreza em que vive gran- de parcela da população africana. Em 2014, a África concentrou mais de 92% dos casos de malária registrados no mundo e mais de 23% dos ca- sos de tuberculose. Nesse mesmo ano, a epidemia do vírus ebola matou mais de 6 mil africanos. A epidemia de aids é também alarmante na África. De cada 100 pes- soas infectadas no mundo com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, em inglês), 70 estão no continente africano. A precariedade do ensino, a falta de educação sexual, a pobreza da população, os serviços públicos de saúde inadequados e precários, o ele- vado custo dos medicamentos e a pouca determinação por parte de al- guns governos em combater a aids são fatores que contribuem para a disseminação dessa enfermidade em algumas regiões da África. Nos últimos anos, alguns países africanos fizeram progressos im- portantes no combate à aids, implantando, por exemplo, programas de tratamento à base de medicamentos — como feito no Brasil —, o que reduziu o contágio e as mortes. Em Botsuana e na África do Sul, por exemplo, os programas de combate à aids têm sido bastante eficazes (figura 38). Figura 38. Mulheres portadoras de HIV trabalham na prevenção da aids em subúrbio da cidade de Johanesburgo, na África do Sul (2013). PH O TO SH O T/ PI CT U RE A LL IA N CE /G LO W IM A G ES Navegar é preciso Unaids – Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids Conheça o Programa das Nações Unidas que mobiliza e apoia os países para alcançar o acesso universal à prevenção, ao tratamento e aos cuidados no que se refere ao HIV. Pausa para o cinema O jardineiro fiel. Direção: Fernando Meirelles. Reino Unido: UK Film Council, 2005. Duração: 105 min. No Quênia, uma ativista é encontrada morta. Seu marido decide investigar e acaba descobrindo uma série de crueldades e crimes praticados por indústrias farmacêuticas europeias contra a população africana. 261PERCURSO 28 Com o professor de Ciências, sugerimos desenvolver projeto sobre os vírus e as doenças ou infecções por eles causadas, com destaque para a aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) e a febre hemorrágica ebola. Poderão ser abordadas noções relacionadas a virologia, fisiopatologia, epidemiologia, diagnóstico, prevenção e tratamento, entre outras. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 261 01/06/16 01:39 Desnutrição A África é o continente com maior ocorrência de desnutrição. Tanto a fome crônica, decorrente da ingestão diária insuficiente de calorias e nutrientes para a manutenção da saúde, como a fome aguda, caracteri- zada pela falta quase absoluta de alimentos, resultam de causas sociais, econômicas e políticas (guerras entre Estados, guerras civis etc.), agrava- das por adversidades naturais (secas, inundações e pragas nas lavouras). Observe a figura 39. Como exemplo, há o caso da Somália. Nos anos 1990, esse país este- ve envolvido em guerras étnicas internas. Além disso, grandes secas di- zimaram plantações e criações de gado, impondo à população grandes dificuldades de acesso aos alimentos. Como a ajuda humanitária coor- denada pela ONU não pôde chegar com eficiência aos necessitados, em virtude do conflito armado, milhares de pes soas morreram de inanição.• Aspectos econômicos De modo geral, os países africanos não conseguiram se inserir no processo de globalização que marcou o mundo nos últimos vinte anos. A África integra o comércio mundial predominantemente como exportadora de produtos primários e importadora de bens industrializados. Uma das causas dessa posição dos países africanos na economia global é a carência de energia elétrica e de infraestrutura de transporte e comu- nicação — fatores fundamentais para o desenvolvimento industrial —, que limita os investimentos na produção. As redes de transportes mais modernas restringem-se a ligar zonas produtoras agrícolas e minerais aos portos de exportação. Com exceção da África do Sul e do Egito, os países africanos apresen- tam baixo nível de industrialização e de investimento em pesquisa cien- tífica e formam pouca mão de obra especializada. A seguir, veremos alguns indicadores que demonstram a inserção periférica da África na globalização. Figura 39. Por causa da guerra civil iniciada em 1991 na Somália, milhares de pessoas necessitam de ajuda humanitária. Na foto, mulheres recebem alimentos em Mogadíscio, Somália (2015). FE IS A L O M A R/ RE U TE RS /L A TI N ST O CK Quem lê viaja mais VISENTINI, Paulo G. Fagundes; RIBEIRO, Luiz Dario Teixeira; PEREIRA, Analúcia Danilevicz. Breve história da África. Porto Alegre: Leitura XXI, 2007. O livro mostra que, apesar das marcas profundas da exploração europeia da África, o continente está em desenvolvimento. Navegar é preciso Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Acesse e veja a iniciativa conjunta para promover segurança alimentar e nutricional entre o Brasil e a África. 262 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 262 01/06/16 01:39 O comércio exterior As exportações da África representaram em 2014, aproximadamen- te, 3,0% do total mundial, contra 1,7% em 1996, 3,1% em 1970 e 6% em 1960, o que demonstra sua posição secundária na globalização em curso. As importações representaram apenas 3,4% do total mundial. Desse modo, a África é o continente com o menor valor de operações no comércio exterior. O PIB africano Em 2014, a soma do PIB de todos os países africanos correspondeu a 2,4 trilhões de dólares. No mesmo ano, o PIB brasileiro foi de 2,3 trilhões de dólares. Nesse ano, a África respondeu por aproximadamente 3% do PIB mun- dial. Dentro do continente, destacam-se África do Sul, Egito e Nigéria, com cerca de 50% do PIB africano. Os investimentos diretos estrangeiros (IDE) As empresas transnacionais realizam operações financei- ras para adquirir empresas ou implantar filiais em diversos países do mundo. Essas operações são chamadas de inves- timentos diretos estrangeiros (IDE). A análise do IDE indica quanto um país está inserido no processo de globalização. Na África, esses investimentos, dirigidos prioritariamen- te para o setor extrativo mineral, são modestos se compa- rados aos de outras grandes zonas do mundo (figura 40). Os países mais contemplados são: África do Sul, que apresen- ta economia diversificada, e, graças à exploração do petróleo, Egito, Sudão, Líbia, Guiné Equatorial e Angola. O sistema de comunicação O baixo número de usuários com acesso à internet (figura 41) e os números reduzidos de linhas telefônicas e de assinan- tes de telefonia móvel também indicam a limitada inserção dos países africanos na globalização. Fonte: elaborado com base em FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 55. Figura 41. Mundo: acesso à internet – 2011 Em relação ao Brasil, como se apresentaram os países africanos quanto ao número de usuários com acesso à internet em 2011? 59-m-EG9-U07-G Mundo: acesso à internet - 2012 0º 0º EQUADOR Menos de 3,0 De 3,1 a 10,0 De 10,1 a 30,0 De 30,1 a 50,0 De 50,1 a 92,0 Sem dados Usuários com acesso à internet a cada 100 habitantes TRÓPICO DE CÂNCER CÍRCULO POLAR ÁRTICO CÍRCULO POLAR ÁRTICO M ER ID IA N O D E G R EE N W IC HTRÓPICO DE CAPRICÓRNIO OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 3.040 km NE LO SE S N NO SO A D IL SO N S EC CO Fonte: elaborado com base em UNCTAD. World Investment Report 2015: Reforming International Investment Governance. Estados Unidos: United Nations Publication, 2015. p. 2 e 4. Figura 40. IDE por grandes zonas e países do mundo – 2014 0 1.000 500 1.500 B ilh õ es d e d ó la re s 117 Eu ro pa 289 M undo 1.230 Ásia 465 Es ta dos U nid os e C an ad á 146 Am ér ica La tin a e C ar ib e 159 Áfri ca 54 Rússi a e o utro s 263PERCURSO 28 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . No Brasil, o acesso à internet situava-se entre 30,1 e 50 usuários a cada 100 habitantes. Na África, esses números caem drasticamente. Em um terço do continente, o número de usuários com acesso à internet era inferior a 3 a cada 100 habitantes. No continente africano, apenas Marrocos e Tunísia apresentavam entre 50,1 e 92,0 usuários com acesso à internet. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 263 01/06/16 01:39 Atividades dos percursosAtividades dos percursos 27 e 28 264264 Revendo conteúdos 1 Em relação à regionalização do continen- te africano em África do Norte e África Subsaariana, responda às questões. a) Explique as diferenças étnicas e cultu- rais existentes entre as duas regiões. b) O Magreb é uma sub-região de qual dessas grandes regiões? Que países o compõem e por que recebe essa deno- minação? c) Que paisagem natural “separa” a África do Norte da África Subsaariana? 2 Explique por que, apesar de a maior parte da população da África Subsaa- riana se dedicar à agricultura, a região sofre de déficit de alimentos. 3 O fato de ser o país mais industrializado do continente faz com que a África do Sul esteja isenta dos problemas econômi- cos e sociais comuns aos demais países africanos? Explique. 4 Aponte as principais causas dos atuais conflitos no continente africano. 5 Diferencie fome crônica de fome aguda. 6 Quais fatores estão relacionados dire- tamente à dificuldade de inserção dos paí- ses africanos no processo de globalização? 7 Explique com suas palavras: a) o que são investimentos diretos estran- geiros (IDEs). b) a situação da África em relação aos investimentos diretos estrangeiros e o que isso significa para a economia do continente. 8 Aponte as participações do continente africano no comércio e no PIB, em 2014, em relação ao mundo. Que conclusão podemos tirar desses dados? Leituras cartográficas 9 Observe o mapa — se necessário consulte o mapa político da África na página 232 —, analise as proposições, assinale a correta e justifique sua resposta. a) O título do mapa corresponde a uma região do continente africano que se inicia na altura da linha equatorial e se prolonga até o extremo sul. b) Uma das características da África Sub- saariana é a implantação de uma rede ferroviária não integradora de todo seu espaço geográfico. c) Entre os espaços onde se concentram investimentos na produção de petróleo destacam-se, principalmente, o Chade e o Senegal. d) Entre os espaços onde se concentram investimentos na produção de minérios destacam-se, principalmente, o Quênia e a Etiópia. África Subsaariana: alguns investimentos importantes Fonte: elaborado com base em FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 82. 0º EQUADOR TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER 20º L M A R VERM ELH O MAR MEDITERRÂNEO OCEANO ÍNDICO OCEANO ATLÂNTICO Produção de petróleo Oleoduto Ferrovia Produção de minérios Espaçosonde se concentram investimentos na A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 1.050 km NE LO SE S N NO SO 264 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 264 01/06/16 01:39 265265 10 Com base na figura 31, na página 254, responda. a) Por que a atividade econômica egípcia não se desenvolveu nas porções central, leste e sul do país? b) Onde está a principal reserva petrolí- fera do Egito? Explore 11 Observe as pirâmides etárias abaixo. 12 Leia o texto a seguir e, depois, responda às questões. “Doenças infecciosas, em sua maior parte, vitimam principalmente crianças e idosos. A epidemia de Aids na África tem efeitos similares aos da guerra, vitimando principalmente os adultos. Mas, diferen- temente da guerra, a Aids atinge homens e mulheres em proporção semelhante. Do ponto de vista demográfico, ela ten- de a produzir sociedades de adolescentes órfãos. Essas massas de jovens formam a base de recrutamento das milícias arma- das que assolam o continente.” MAGNOLI, Demétrio. Árvores da Aids. Folha de S.Paulo, Opinião, São Paulo, 25 nov. 2004. p. A3. Disponível em: . Acesso em: 6 dez. 2015. a) Qual é a principal diferença entre os efeitos da aids e da guerra na África? b) Quais são as implicações dessa diferença? c) Em sua opinião, se essa situação for man- tida sem alteração, quais serão as conse- quências para o continente africano? Pratique 13 Trabalhe com o mapa da figura 27, na página 252. Desenhe uma rosa dos ven- tos em um papel transparente e proceda como indicado: a) Coloque o centro da rosa dos ventos sobre a capital Bangui, da República Centro- -Africana, de modo que o norte dela coin- cida com o norte do mapa. Indique dois países africanos que se localizam a leste da República Centro-Africana, um a oeste, um a sudoeste e dois a noroeste. b) Se deslocarmos o centro da rosa dos ventos para Dodoma, capital da Tanzâ- nia, haverá alteração dos rumos ou dire- ções? Explique. c) Os países indicados no item a se encon- tram em quais direções tendo por base a alteração do centro da rosa dos ventos realizada em b? Fonte: U.S. Census Bureau. Disponível em: . Acesso em: 7 abr. 2016. Zimbábue: pirâmide etária – 2017 Marrocos: pirâmide etária – 2017 A D IL SO N S EC CO A D IL SO N S EC CO População (em milhões) Idade 1,2 1,21,00,80,8 0,61,0 0,60,4 0,2 0,40,20 0 100 + 95-99 90-94 85-89 80-84 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 Homem Mulher População (em milhões) Idade 1,6 1,61,2 1,20,8 0,80,4 0,40 0 100 + 95-99 90-94 85-89 80-84 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 Homem Mulher a) Compare as duas pirâmides e interpre- te-as. b) Essas pirâmides caracterizam que re- giões da África? Explique. 265PERCURSO 28 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 265 01/06/16 01:39 266 Desembarque em outras linguagens DesembarqueDesembarqueDesembarque em outras linguagens Captando a condição humana Fotografar não é apenas apertar o botão da câmera. Para registrar um momento único e singular é preciso sensibilida- de artística. A fotografia nos permite uma leitura própria do mundo. Cabe ao observador, com base em seus conhecimen- tos e sentimentos, interpretá-la. Sebastião Salgado tem se dedicado a registrar a condição humana em diferentes regiões do mundo, em imagens não só Em muitas escolas somalis localizadas em territórios controlados por radicais islâmicos, os meninos e as meninas não estão autorizados a estudar juntos. As aulas acabam 10 minutos antes do meio-dia para que os alunos possam orar. Na foto, alunas de uma escola para meninas em Jamame, Somália (2001). Nasce em Aimorés, Minas Gerais. 1944 1968 Conclui o mestrado em Economia na cidade de São Paulo. Termina o doutorado em Paris. Como economista, na África, trabalha na Organização Mundial do Café. 1971 Abandona a carreira de economista e adota a fotografia como profissão, com o lançamento de Outras Américas. Para ele, a fotografia revela melhor a realidade que os dados estatísticos. 1973 SE BA ST Ià O S A LG A D O /A M A ZO N A S IM A G ES RE PR O D U Çà O SEBASTIÃO SALGADO: GEOGRAFIA E FOTOGRAFIA Sebastião Salgado nasceu na ci- dade de Aimorés (MG), em 1944, e começou sua carreira como fotó- grafo em 1973, com o livro Outras Américas, em que retratou a po- breza na América Latina. Em 2001, recebeu o título de Embaixador da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) por sua dedicação em demonstrar a realidade de povos excluídos em todo o mundo. FR ED ER IC R EG LA IN /G A M M A -R A PH O /G ET TY IM A G ES 266 EXPEDIÇÃO 7 Pluralidade Cultural PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 266 01/06/16 01:39 267267 Nesta seção, por uma questão de espaço, optamos por uma linha do tempo que não mantém a proporcionalidade da escala. Refugiados ruandeses na região entre Kisangani e Ubundu, nordeste do Zaire, atual República Democrática do Congo (1997). da cruel realidade dos povos, mas também de sua su- peração. As cenas, em preto e branco, são resultado de meses de estudo, pesquisa e viagens. Na série intitulada África, além das belíssimas paisagens naturais e práticas culturais, Sebastião Salgado registrou guerras, fome e epidemias lamen- tavelmente presentes nesse continente. Veja à es- querda e abaixo duas imagens dessa série. Publica Sahel: l’homme en détresse [Sahel: o homem em agonia], resultado de um trabalho de quinze meses na região com o apoio da organização de ajuda humanitária Médicos sem Fronteiras. 1986 Viaja pelo mundo para retratar a realidade dos povos migrantes. Esse trabalho resultou no aclamado livro Retratos de crianças do êxodo, lançado em 2000. De 1993 a 1999 Publica África, que revela tanto a dignidade dos povos africanos como as injustiças, as guerras e a pobreza que assolam o continente. 2007 SE BA ST Ià O S A LG A D O / A M A ZO N A S IM A G ES RE PR O D U Çà O RE PR O D U Çà O RE PR O D U Çà O Caixa de informações 1. Segundo o texto, que qualidade os fotógrafos devem ter para conseguir registrar imagens únicas e singulares? 2. Que características da obra de Sebastião Salgado podem ser identi� cadas nas fotogra� as apresentadas nesta seção? Interprete 3. Em sua opinião, de que maneira a fotogra� a é, ao mesmo tempo, retrato da realidade e da visão de mundo do fotógrafo? Mãos à obra 4. Com seus colegas, pense em particularidades do lugar em que você mora e busque retratá-las. Assim como Sebastião Salgado, fotografe tanto as di� culdades sociais como a sua superação, deixando a� orar sua sensibilidade. Com o grupo, escolha as fotos mais representativas, monte um painel e exponha-o na sala de aula. 267PERCURSO 28 Com base na obra de Sebastião Salgado, sugerimos desenvolver projeto interdisciplinar com o professor de Arte, abordando, por exemplo, técnicas do registro fotográfico e a fotografia como linguagem. O professor de História poderá aprofundar a fotografia como fonte documental e registro histórico. Com base em entrevistas, obras e documentários de autoria do fotógrafo ou sobre sua obra, o professor de Língua Portuguesa poderá trabalhar diferentes gêneros de linguagem, como a elaboração de artigos jornalísticos e de opinião, legendas de fotos e relato autobiográfico. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 267 01/06/16 01:39Canal de Suez, que, concluído em 1869, seccionou o istmo, permitindo a navegação através do Mar Vermelho. Outro ponto estratégico do continente africano é o Estreito de Gibraltar. Com 51 km de com- primento e 12 km de largura, é o ponto em que mais se aproxi- mam territorialmente a África e a Europa. Ao norte do estreito, lo- caliza-se o Território Britânico de Gibraltar, encravado no sudoes- te da Espanha, e ao sul as cida- des de Tânger (Marrocos) e Ceuta, enclave espanhol no território marroquino. 1 Figura 1. África: político – 2015 A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L Fonte: elaborado com base em IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 45. SAARA OCIDENTAL SENEGAL GÂMBIA GUINÉ SERRA LEOA COSTA DO MARFIM GANA GUINÉ EQUATORIAL NÍGER ARGÉLIA TUNÍSIA MARROCOS EGITO ERITREIACHADE LÍBIA CONGO GABÃO REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA SUDÃO SUDÃO DO SUL ETIÓPIA SOMÁLIA DJIBUTI QUÊNIA UGANDA BURUNDI RUANDAREPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO ANGOLA TANZÂNIA ZIMBÁBUE BOTSUANA NAMÍBIA NIGÉRIA M O Ç A M B I Q U E M A LA U Í Z  M B I A ÁFRICA DO SUL MAURITÂNIA BURKINA FASSO CAMARÕES MALICABO VERDE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE COMORES MAURÍCIO SUAZILÂNDIA LESOTO SEYCHELLES MADAGASCAR LIBÉRIA BENIN TOGO GUINÉ BISSAU MAR MEDITERRÂNEO EQUADOR TRÓPICO DE CÂNCER 0º EUROPA ÁSIA M A R V ERM ELH O Estr. de Gibraltar OCEANO ATLÂNTICO 0º 30º L M ER ID IA N O D E G R EE N W IC H OCEANO ÍNDICO Golfo de Áden TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO EGITO (PARTE ASIÁTICA) Malabo São Tomé Iaundê Juba Bangui Libreville Brazzaville Kinshasa Adis-Abeba Djibuti Mogadíscio Vitória Nairóbi Campala Kigali Bujumbura Luanda Dodoma Moroni Port Louis Antananarivo Lusaka Lilongue Harare MaputoPretória Mbabane Gaborone Windhoek MaseruBloemfontein Cidade do Cabo Praia Monróvia Acra Abidjan Uagadugu Niamei Cairo Asmara Cartum Ndjamena Abuja El Aaiún Nuakchott Dacar Banjul Bissau Conacri Freetown Bamaco Argel Rabat Túnis Trípoli Lo m é Po rt o N o vo NE LO SE S N NO SO770 km 232 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 232 01/06/16 01:38 Relevo e hidrografia No relevo da África destacam-se exten- sos planaltos, cortados por rios caudalosos que formam planícies fluviais. A paisagem do continente é marcada também pela presença de regiões áridas, como os desertos do Saa- ra, ao norte, e de Kalahari, ao sul (figura 2). • Os planaltos e o Rio Nilo Nos planaltos africanos localizam-se as principais formações montanhosas do conti- nente, entre elas a Cadeia do Atlas, cujo pon- to culminante é o Tubkal, com 4.167 m de altitude, a Cadeia do Cabo ou Drakensberg, que chega à altitude de 3.650 m, o mon- te Quilimanjaro, na Tanzânia, com 5.895 m de altitude — ponto culminante do território africano —, e os montes Quênia (5.199 m) e Ruwenzori (5.109 m). O Nilo, principal rio africano, é resultado da confluência de cursos de água que nas- cem em planaltos. No planalto vulcânico da Etiópia, nasce o Rio Nilo Azul, que se deslo- ca em direção noroeste, desaguando no Rio Nilo Branco, cuja nascen- te está no Lago Vitória (Planalto dos Grandes Lagos), entre Quênia, Uganda e Tanzânia. Em Cartum, capital do Sudão, os dois rios se en- contram e seguem em um só curso em direção ao norte, com o nome de Rio Nilo. Depois de atravessar o Deserto do Saara, o Nilo despe- ja suas águas no Mar Mediterrâneo por meio de um grande delta. Desde o Egito Antigo, a fertilidade do Vale do Nilo — resultante da deposição de sedimentos de rochas vulcânicas provenientes do Pla- nalto da Etiópia e transportados pelo Rio Nilo Azul — possibilita a produção agrícola (figura 3). 2 Figura 3. Vista do Rio Nilo no Egito (2014), com agricultura em suas margens e retirada de água de seu leito para irrigação. Quais são as altitudes do vale e do delta do Rio Nilo? Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 80. Figura 2. África: físico 0° 10° 30° 40° 50° 60° 10° 20° 30° 20° 10° 10° 20° 30° 40° M ER ID IA N O D E G R EE N W IC H OCEANO ATLÂNTICO 20°L 0° TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO EQUADOR TRÓPICO DE CÂNCER M E D I T E R R  N E O OCEANO ÍNDICO M A R VERM ELH O Canal de Suez R . N ilo Lago Chade R. Senegal R. Gâm bia R. Níger Nil o Br an co N ilo A zul R. V ol ta R. Con go Lago Vitória R. Zambeze Lago Tanganica Lago Niassa R. Limpopo R. Orange QUÊNIA 5.199 m QUILIMANJARO 5.895 m MADAGASCAR Ca na l de M oç am bi qu e PLANALTO DA ETIÓPIA PLANALTO DOS GRANDES LAGOS PENÍNSULA DA SOMÁLIA DESERTO DE KALAHARI DESERTO DA LÍBIA CADEIA DO ATLAS BACIA DO CONGO DRAKENSBERG Golfo da G uiné S A A R A E U R O PAE U R O PAE U R O PAE U R O PA Á S I A CA D EIA A RÁ BICA M A R TUBKAL 4.167 m RAS DASCIAN 4.620 m CAMERUN 4.100 m RUWENZORI 5.109 m Lago Rodolfo Lago Albert 3.000 1.500 500 200 0 Altitudes (metros) Pico NE LO SE S N NO SO 930 km FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A PH O TO SH O T/ A G B PH O TO 233PERCURSO 25 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Situam-se entre 0 e 200 metros. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 233 01/06/16 01:38 • As planícies Localizadas na costa litorânea do Oceano Atlântico, do Oceano Índico e do Mar Mediterrâneo, as planícies avançam para o interior do continente acompanhando os vales dos rios, em especial aqueles mais caudalosos: Nilo, Níger, Congo, Zambeze e Limpopo (reveja a figura 2). Por causa da fertilidade dessas terras, a maior parte da população africana se concentra no baixo curso desses rios, principalmente do Nilo e do Níger. • Os desertos Dois desertos sobressaem na paisagem africana: o Saara e o Kalahari. Com cerca de 9.000.000 km2, o Deserto do Saara (figura 4) se estende por uma vasta área na porção setentrional do continente; é quase do ta- manho da Europa (10.360.261 km2) e maior que o território brasileiro (8.514.876 km2). Na maior parte do Saara, a precipitação é de apenas 25 mm anuais; na porção leste, chega a ser quase nula, apenas 5 mm anuais. A concen- tração populacional também está no entorno semiárido do deserto, onde o pastoreio nômade de cabras se destaca como atividade econômica. O Deserto de Kalahari, com cerca de 600.000 km2 — área semelhan- te à do estado de Minas Gerais (586.552 km2) —, localiza-se no sul do continente, estendendo-se pelos territórios de Botsuana e Namíbia, al- cançando também Angola, Zâmbia e África do Sul. Em boa parte desse deserto, em que predomina a vegetação arbustiva, a precipitação média anual é 250 mm; em outras porções, a pluviosidade fica abaixo dos 170 mm anuais, sendo, assim, menos seco que o Saara. É habitado por povos nômades que vivem da coleta e da caça (figura 5). Figura 5. Bosquímanos, povo nômade que vive da caça, do pastoreio e da agricultura, no Deserto de Kalahari, Namíbia (2014). Figura 4. Caravana de camelos conduzida por tuaregues, povo nômade do Deserto do Saara, Líbia (2014). ER IC L A FF O RG U E/ W H IT EH O TP IX / ZU M A P RE SS /G LO W IM A G ES Pausa para o cinema Cinco semanas num balão. Direção: Irwin Allen. Estados Unidos: Irwin Allen Productions, 1962. Duração: 101 min. O filme, inspirado no livro de ficção de Júlio Verne, retrata a viagem de um explorador do século XIX em um território desconhecido na África a bordo de um balão. O objetivo dessa viagem é anexar a região ao império britânico. PI CT U RE A LL IA N CE /A G B PH O TO 234 EXPEDIÇÃO 7 R ep rodu çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 234 01/06/16 01:38 Figura 8. Pretória (África do Sul): climograma Figura 7. Assuã (Egito): climograma A D IL SO N S EC CO Precipitação mm Temperatura °C 400 300 200 100 0 40 30 20 10 0 J JF M A A O DM J S N Latitude 23° 57’ N Longitude 32° 49’ L Clima Com a maior parte do território localizada na zona de baixa latitude ou intertropical, a África se caracteriza, de modo geral, pelo clima quente. Entretanto, em virtude das maiores altitudes do relevo em determinadas porções (as montanhas) e por apresentar terras nas regiões extratro- picais, o continente também possui clima temperado em algumas áreas (figuras 6, 7 e 8). 3 O clima desértico apresenta as maiores amplitudes térmicas diárias no continente. Durante o dia, o calor é intenso, pois a temperatura pode chegar a 50 °C. À noite, em virtude da rápida perda de calor pela irradia- ção, as temperaturas caem para 15 °C ou menos. Figura 6. África: clima ÁSIA EUROPA M AR MEDITERRÂNEO 20°L 0° TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO EQUADOR TRÓPICO DE CÂNCER Canal de Suez OCEANO ÍNDICO OCEANO ATLÂNTICO M A R VERM ELH O Equatorial Tropical Desértico Semiárido Mediterrâneo Temperado Qual é o tipo de clima dominante na região de menor latitude do continente africano? Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 22. Que tipo de clima predomina em Assuã? Fonte: Centro de Investigaciones Fitosociológicas. Sistema de clasificación bioclimática mundial. Disponível em: . Acesso em: 6 dez. 2015. Indique as características térmicas de Pretória no inverno e da precipitação no verão. Fonte: Atlas National Geographic: África II. São Paulo: Abril, 2008. p. 90. Nota: O clima mediterrâneo é um clima temperado típico das regiões continentais de latitude 30° N-40° N e 30° S-40° S. Identificado inicialmente em trechos dos países banhados pelo Mar Mediterrâneo e posteriormente nos Estados Unidos (Califórnia), esse clima também recebeu essa denominação no Chile e na África do Sul. Apresenta, de modo geral, verões secos e quentes e invernos amenos e úmidos. NE LO SE S N NO SO A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 1.020 km A D IL SO N S EC CO Precipitação mm Temperatura °C 250 200 150 100 50 0 25 20 15 10 5 0 J JF M A A O DM J S N Latitude 25° 45’ S Longitude 28° 11’ L Latitude: 23° 57‘ N Longitude: 32° 49‘ L Latitude: 25° 45‘ S Longitude: 28° 11‘ L 235PERCURSO 25 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Pretória, na África do Sul, tem médias térmicas baixas no inverno (junho, julho, agosto) em torno de 12 ºC. As maiores médias de precipitação ocorrem no final da primavera (novembro) e no verão (dezembro, janeiro, fevereiro e março), em torno de 140 mm mensais. Clima equatorial. A ausência de precipitação e a alta variação de temperatura (entre 35 ºC e 17 ºC) permitem concluir que se trata de clima desértico. Remeta os alunos ao mapa da figura 31, na página 254, para que localizem Assuã. Pode ser oportuno comentar com os alunos que a água é um regulador térmico fundamental. Sua ausência compromete a retenção de calor na atmosfera, resultando na grande amplitude térmica em regiões desérticas. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 235 01/06/16 01:38 A vegetação natural e a ação antrópica Pelo menos seis formações vegetais naturais podem ser encontradas na África. Observe o mapa da figura 9. 4 Floresta equatorial: presente nas áreas de clima equatorial, onde o índice pluviométrico é mais elevado, como na Bacia do Rio Congo e em alguns trechos do litoral do Golfo da Guiné, Nigéria, Gana e Costa do Marfim. Apresenta grande variedade de espécies ve- getais, e a exploração madeireira é intensa. Savana: ocupa principalmente as áreas de ocorrência de clima tropical úmido. É encon- trada ao norte e ao sul da floresta equatorial, a oeste da Ilha de Madagascar, Moçambique e em trechos da África do Sul. Apresenta o predomínio de vegetação herbácea, com árvores isoladas, e é hábitat de animais de grande porte, como elefantes, girafas, leões e rinocerontes (figura 10). Compreende cerca de 40% do território africano. Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Moderno atlas geográfico. São Paulo: Moderna, 1992. p. 6. Figura 10. Girafas em meio à savana no Parque Nacional Kruger, na África do Sul (2014). Figura 9. África: vegetação natural OCEANO ATLÂNTICO 20°L 0° TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO EQUADOR M A R VERM ELH O M AR MEDITERRÂNEO TRÓPICO DE CÂNCER OCEANO ÍNDICO ÁSIAÁSIAÁSIA EUROPAEUROPAEUROPAEUROPA Canal de Suez Floresta equatorial Vegetação de altitude Vegetação mediterrânea Vegetação desértica Estepe Savana 850 km FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A NE LO SE S N NO SO IM A G O /K EY ST O N E BR A SI L No seu contexto No Brasil, que formação vegetal corresponde à Floresta Equatorial africana? E à savana? 236 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Respectivamente, a Floresta Amazônica, também conhecida como Hileia Amazônica ou ainda Floresta Pluvial, e o Cerrado. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 236 01/06/16 01:38 Estepe: ocorre entre as savanas e os desertos, em trechos de menor índi- ce pluviométrico e clima tropical seco. A vegetação de gramíneas, predomi- nante nessa formação vegetal, é usada como pasto para a criação de gado. Vegetação desértica: aparece nos desertos africanos em forma de pe- quenos tufos de vegetação. Nos oásis, em virtude da maior umidade, há con- centração e maior desenvolvimento de espécies, destacando-se a tamareira. Vegetação mediterrânea: ocorre nas porções extratropicais da África, coincidindo com o clima mediterrâneo da África do Sul, Marrocos, Argélia e Tunísia. É formada, em alguns trechos, por florestas de pinheiros e carvalhos. Predominam as culturas de oliveiras, videiras e as árvores frutíferas. Vegetação de altitude: ocorre principalmente nas altas montanhas da Cadeia do Atlas, no planalto da Etiópia e no Planalto dos Grandes Lagos. Assim como na Ásia e na América, as florestas tropicais e equatoriais da África sofreram grande devastação no decorrer dos anos pela ação antrópica (figura 11). O desmatamento se deve à transformação dessas áreas em terras cultiváveis, à exploração madeireira e ao corte de árvo- res e arbustos para a coleta de lenha etc. De modo geral, a devastação das florestas tropicais africanas avan- ça em ritmo muito mais rápido do que o reflorestamento e a reprodu- ção natural, ameaçando as possibilidades de regeneração e manutenção dessa cobertura. O uso inadequado do solo é evidenciado na evolução dos processos de erosão, assoreamento de rios e destruição de ecossistemas, o que intensifica a ameaça de desertificação de grandes áreas do continente (figura 12). Figura 11. África: alteração antrópica da vegetação natural OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O 20°L 0° EUROPA ÁSIA TRÓPICO DE CÂNCER EQUADOR TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO KALAHARI CONGO SAARA Alteração fraca ou pontual, meios pouco ou não transformados Graus de alteração do meio Alteração forte e contínua, meios totalmente transformados Alteração moderada ou descontínua, meios parcialmente transformados Fonte: elaborado com base em KNAFOU, Rémy. Les hommes et la Terre. Paris: Belin, 1996. p. 144-145. Figura 12. África: desertificação OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELHO 20°L0° EUROPA ÁSIA Trípoli Rabat TRÓPICO DE CÂNCER EQUADOR TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO S A H E L Cairo Dacar Niamei Ndjamena Cartum Windhoek Pretória Cidade do Cabo Bloemfonteim Deserto natural Média Alta Muito alta Ameaça de desertificação Fonte: elaborado com base em FISCHER, Peter et al. Mensch und Raum. Berlim: CVK und Schroedel, 1998. v. 7-8. p. 92. (Coleção Homem e Espaço). OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O 20°L 0° EUROPA ÁSIA TRÓPICO DE CÂNCER EQUADOR TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO KALAHARI CONGO SAARA Alteração fraca ou pontual, meios pouco ou não transformados Graus de alteração do meio Alteração forte e contínua, meios totalmente transformados Alteração moderada ou descontínua, meios parcialmente transformados A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 1.050 km1.080 km FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A NE LO SE S N NO SO NE LO SE S N NO SO Quem lê viaja mais ORTIZ, Airton. Aventura no topo da África. Rio de Janeiro: Record, 1999. O livro narra a jornada do autor em uma viagem ao cume do Quilimanjaro, na Tanzânia, apresentando características naturais, além de costumes e culturas dos povos que encontrou pelo caminho. 237PERCURSO 25 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sugerimos que relacione o mapa da figura 11 com o da figura 20, na página 249, para observar que as áreas de maior alteração antrópica da vegetação ou do meio natural coincidem com as de maior densidade demográfica. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 237 01/06/16 01:38 PERCURSO 26 A África e o imperialismo europeu O início da apropriação de territórios pelos europeus Como resultado das grandes navegações marítimas, dos séculos XV e XVI, a América, a Ásia e a África foram incorporadas ao horizonte geográfico e comercial europeu. Em consequência, o colonialismo foi implantado e o comércio se mundializou (com exceção da Oceania, cuja incor- poração ao mundo europeu somente ocorreu no século XVIII). Para assegurar o desenvolvimento comercial ou o capitalismo comer- cial, os europeus — particularmente portugueses, espanhóis, ingleses, franceses, holandeses e belgas — fundaram feitorias ou entrepostos co- merciais na África (figura 13) e na Ásia e colônias na América. 1 Figura 13. África: século XVI Que país contava com o maior número de feitorias na África no século XVI? TRÓPICO DE CÂNCER TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO EQUADOR EUROPA ÁSIA MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O OCEANO ÍNDICOOCEANO ATLÂNTICO 20°L 0° EGITO TUNÍSIA ARGÉLIA Cairo SEGU YATENGA SÃO TOMÉ CONGO LUANDA SENEGÂMBIA ASHANTI YORUBA UADA ESTADOS HAUSSA BORNU DARFUR KORDOFAN ABISSÍNIA ÁFRICA MADAGASCAR LUNDA HUMBE XHOSA ZANZIBAR YUKUN RUANDA BURUNDI KUBA LUBA BENA DESERTO DO SAARA Cidade do Cabo Mogadíscio FLORESTA EQUATORIAL DESERTO DE KALAHARI DESERTO D A N A M ÍB IA Feitorias árabes francesas holandesas inglesas portuguesas Área de influência Império Otomano árabe Estados africanosFonte: elaborado com base em KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. Madri: Istmo, 1970. p. 232. A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 710 km NE LO SE S N NO SO 238 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sugerimos desenvolver projeto com o apoio do professor de História, abordando conteúdos que relacionem a história e a cultura da África e dos afro-brasileiros. Para esse objetivo, consultar os materiais disponíveis em: . É importante, pois, no Brasil, a partir da promulgação da Lei no 10.639/2003 e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, foi estabelecido um marco legal, político e pedagógico de reconhecimento e valorização das influências africanas na formação da sociedade brasileira e do protagonismo da população afro-brasileira na formação social, política e econômica do país. De modo complementar, o professor de História poderá contribuir na abordagem sobre o tema descolonização africana. Portugal, com 21 feitorias concentradas no litoral africano do Atlântico e do Índico. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 238 01/06/16 01:38 • O comércio de escravos O comércio de escravos africanos já era praticado por árabes. Porém, com a chegada dos europeus, nos séculos XV e XVI, essa atividade se in- tensificou, pois a mão de obra escravizada foi utilizada na agricultura (cana-de-açúcar, tabaco, algodão etc.) e na exploração mineral (ouro, pra- ta etc.) implantadas pelo colonizador europeu nas colônias americanas. Durante quase quatro séculos, a África exerceu o papel de principal fornecedora de mão de obra escravizada na América. Segundo alguns autores, cerca de 10 milhões de escravos desembarcaram em nosso con- tinente, já descontados desse total os que morreram durante a viagem pelo Atlântico — número que provavelmente excedeu a 1 milhão — e aqueles que, ao resistirem ao aprisionamento, morreram em combate. A apropriação do território No século XIX, com o desenvolvimento do capitalismo industrial e da crescente necessidade de matérias-primas para sustentar o processo de industrialização, alguns Estados europeus transformaram a maior par- te do continente africano e das feitorias existentes em colônias europeias. • A Conferência de Berlim (1884) e a partilha da África Em meados do século XVIII, percebeu-se que a grande fonte de rique- za não era mais exclusivamente o comércio ou a acumulação de ouro, como pregavam os defensores do capitalismo comercial, mas, sim, a produção de mercadorias. Desse modo, o domínio de técnicas de produção em escala (gran- de quantidade) tornou-se a meta de alguns países europeus, levando- -os a realizar as Revoluções Industriais (séculos XVIII a XX) e a implantar o capitalismo industrial. Iniciada na Inglaterra, em meados do século XVIII, a Revolução Indus- trial propagou-se por França, Bélgica, Alemanha, Rússia, Itália, Estados Unidos e Japão. À medida que a Inglaterra deixava de ser a única “oficina do mundo”, acirrava-se a competição entre as potências pelo controle de fontes de abastecimento de matérias-primas (especialmente minérios) para a indústria, mercados compradores e áreas para o investimento de capitais excedentes. Dessa maneira, as feitorias implantadas na África, como também na Ásia, já não atendiam plenamente aos interesses da burguesia industrial e dos Estados colonialistas europeus. Assim, eles se apropriaram de ter- ritórios africanos e implantaram colônias (isso também ocorreu na Ásia). Para dar caráter legal à partilha da África e regulamentá-la, os países co- lonialistas europeus convocaram a Conferência de Berlim, em 1884. Nessa conferência, ficou decidido que o direito de posse do país europeu sobre o território conquistado na África seria respeitado e reconhecido pelos demais e cada território ocupado teria uma autoridade representando o país con- quistador. Assim, a Conferência estabeleceu princípios ou regras para evitar conflitos entre as potências colonialistas europeias na partilha do continente. 2 Pausa para o cinema Amistad. Direção: Steven Spielberg. Estados Unidos: DreamWorks SKG, 1997. Duração: 154 min. O filme conta a história de africanos escravizados embarcados no navio La Amistad em direção à América. Revoltados, dominam o navio, mas este acaba chegando aos Estados Unidos, onde, presos, enfrentam um julgamento dramático. Capital excedente Quantia de bens ou de valoresque extrapola o necessário à manutenção da produção e pode ser investida em outras áreas ou mesmo na melhoria do sistema produtivo. 239PERCURSO 26 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 239 01/06/16 01:38 MAR MEDITERRÂNEO I. Madeira (POR) Is. Canárias (ESP) EUROPA ÁSIA ARGÉLIA EGITO SENEGAL GÂMBIA GUINÉ PORTUGUESA SERRA LEOA (FRA) COSTA DO OURO (FRA) (ESP) GABÃO (FRA) ANGOLA REPÚBLICA SUL-AFRICANA ESTADO LIVRE DE ORANGE BECHUANALÂNDIA MADAGASCAR (FRA) (FRA) (FRA) S U LT A N AT O D E Z ANZIB AR MOÇAMBIQUE Colônia do Cabo Trípoli Ceuta (ESP) Melila (ESP) Ifni (ESP) Túnis Kita (FRA) Bamaco (FRA) Lagos OCEANO ATLÂNTICO M A R V ERM ELH O EQUADOR TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER 20°L 0° OCEANO ÍNDICO • A apropriação formal Após a Conferência de Berlim, as potências europeias lançaram-se avi- damente na conquista neocolonial. Os progressos técnicos advindos da Revolução Industrial deram aos europeus um poderio bélico esmagador diante dos africanos (isso também ocorreu na conquista colonial da Ásia). As guerras coloniais tornaram-se um incentivo à produção indus- trial, estimulando a fabricação de ferro, aço, navios, locomotivas, vagões, pólvora, armas etc. Servindo-se de poderosos exércitos, as potências colonialistas europeias invadiram territórios africanos (e também asiáticos), transformando-os em colônias. Assim, do controle informal ou indireto que exerciam com as feitorias, passaram para o controle formal, direto (figuras 14 e 15). No entanto, essa apropriação não foi marcada pela submissão africa- na. Vários povos resistiram. No Império Mandingo, por exemplo, que se estendia por uma vasta região da África Ocidental, destacou-se Samori Touré, um dos chefes que se opunham à dominação francesa e que, du- rante dezessete anos, resistiu com seu povo à invasão europeia. Touré morreu em 1900, depois de ter sido aprisionado pelas forças colonialis- tas e desterrado para o Gabão. Figura 14. África – 1880 Fonte: O Correio da Unesco. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, ano 12, n. 7, jul. 1984. p. 15. Figura 15. África – 1914 Fonte: O Correio da Unesco. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, ano 12, n. 7, jul. 1984. p. 14. TRÓPICO DE CÂNCER OCEANO ATLÂNTICO ITÁLIA ESPANHAPORTUGAL Açores (POR) FRANÇA GRÃ-BRETANHA ALEMANHA BÉLGICA Gibraltar (GB) Canárias (ESP) Djibuti (FRA) ÁSIAÁ MARROCOS TUNÍSIA ARGÉLIA SAARA OCIDENTAL ÁFRICA OCIDENTAL FRANCESA GÂMBIA SUDÃO ANGLO-EGÍPCIO ERITREIA GUINÉ PORTUGUESA NIGÉRIA SERRA LEOA COSTA DO OURO TOGO CAMARÕES ÁFRICA ORIENTAL BRITÂNICACONGO BELGA ÁFRICA ORIENTAL ALEMà ANGOLA RODÉSIA DO SUL ÁFRICA DO SUDOESTE ALEMà BECHUANALÂNDIA SUAZILÂNDIA UNIÃO DA ÁFRICA DO SUL BASUTOLÂNDIA EGITO Is. de Cabo Verde (POR) ÁF RI CA E Q . F RA N CE SA LÍBIA GUINÉ EQUATORIAL NYASALÂNDIA RODÉSIA DO NORTE MADAGASCAR FERNANDO PÓ (Bioko) (GB) MAR MEDITERRÂNEO M O ÇA M BIQUE U G A N D A OCEANO ÍNDICO TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 20°L EQUADOR 0° França (FRA) Potências dominadoras Itália (ITA) Portugal (POR) Bélgica (BEL) Espanha (ESP) Condomínio anglo-egípcio Alemanha (ALE) Grã-Bretanha (GB) França (FRA) Potências dominadoras Itália (ITA) Portugal (POR) Bélgica (BEL) Espanha (ESP) Condomínio anglo-egípcio Alemanha (ALE) Grã-Bretanha (GB) FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 1.300 km NE LO SE S N NO SO 920 km NE LO SE S N NO SO Possessões britânicas (RUN) Possessões francesas (FRA) Possessões espanholas (ESP) Possessões portuguesas (POR) Possessões turcas Repúblicas bôeres independentes Reinos e grupos tradicionais africanos 240 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 240 01/06/16 01:38 O impacto do neocolonialismo na África O impacto do neocolonialismo dos séculos XIX e XX na África não foi exclusivamente negativo. Contudo, vale destacar que os aspectos po- sitivos decorreram no geral de providências destinadas a proteger os interesses dos colonizadores. É o caso da implantação de ferrovias e ro- dovias, cujos traçados ligavam zonas de exploração mineral e de produ- tos agrícolas com os portos. Essa infraestrutura era voltada à exportação da produção para a Europa e não à integração territorial. O mesmo se aplica à experiência administrativa e aos serviços de saúde implantados pelos europeus no continente. Os impactos negativos são numerosos: vão do enfrentamento militar, com o saldo de muitas mortes de africanos, ao aparato policial e repres- sor implantado pelo europeu. Merece destaque ainda o impacto no sistema produtivo artesanal, destruído em grande parte pela entrada dos produtos industrializados europeus. A manufatura africana foi desencorajada pelas metrópoles, às quais interessava vender seus produtos industrializados. Artigos como velas, fósforos, louças e óleo de cozinha, que poderiam ser fabricados lo- calmente, vinham das metrópoles. O sistema produtivo agrícola africano, que estava organizado para atender às necessidades alimentares de seu povo, foi desmontado pelo co- lonizador, que se apropriava das melhores terras, e substituído pela plantation, ou seja, pela grande propriedade agrícola monocultora de produtos destinados à exportação (algodão, café, amendoim, cacau etc.). Quando os colonizadores não se apropriavam das melhores ter- ras, as elites políticas e econômicas locais, em estreita aliança com os eu- ropeus, o faziam e nelas também desenvolviam a agricultura comercial de exportação. Quando as colônias se transformaram em países inde- pendentes, a agricultura comercial de exportação continuou sendo pri- vilegiada em detrimento da agricultura de produtos alimentares (figura 16), o que explica em parte a desnutrição, a fome e a desigualdade que de- vastam o continente. A criação de fronteiras políticas ar- tificiais pelo colonizador na África foi outro impacto desfavorável. Ao fixa- rem as fronteiras das colônias segundo seus interesses, os europeus ignoraram o fato de que povos com línguas, tradi- ções e costumes diferentes, até mesmo historicamente rivais, seriam confina- dos em um mesmo território. Após a independência das colônias, as frontei- ras foram mantidas, e conflitos étnicos e disputas pelo poder passaram a assolar a África, explicando as inúmeras guer- ras civis que ainda ocorrem hoje no con- tinente africano. 3 Figura 16. Carregamento de sacos de grãos de cacau, destinados à exportação, no porto de Abidjan, maior cidade e sede do governo da Costa do Marfim (2015). Quem lê viaja mais OLIC, Nelson Bacic; CANEPA, Beatriz. África: terra, sociedades e conflitos. São Paulo: Moderna, 2004. Nessa obra, você vai descobrir a multiplicidade de idiomas, etnias e tradições do continente africano, além de entender de que maneira o potencial econômico dos países que compõem a região é ainda subaproveitado. BERND, Zilá. O que é negritude. São Paulo: Brasiliense, 1998. (Coleção Primeiros Passos). O livro discorre sobre a tomada de consciência da população negra e sobre a valorização da cultura africana. PH IL IP PE R O Y/ A U RI M A G ES /A FP 241PERCURSO 26 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 241 01/06/16 01:38 O racismo: outro legado do colonialismo Entre as mazelas deixadas pelo colonialismo, o racismo é uma das mais brutais. Para justificar a dominação ou a legitimidade da conquista, o colo- nizador apoiou-se em um conjunto de ideias ou ideologias preconceituosas e ligadasà intolerância, que ainda não foram completamente superadas. Pregou a superioridade do homem branco e, ao mesmo tempo, a in- ferioridade do colonizado, destacando a “missão civilizatória” que o pri- meiro tinha a realizar. Assim, no processo de colonização africana, os brancos criaram comunidades próprias, separadas da população negra (segregação). • A política do apartheid Um exemplo cruel e violento de racismo ocorreu na África do Sul. O país esteve sob regime oficial de segregação racial até as elei- ções multirraciais realizadas em abril de 1994, nas quais Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro do país (figura 17). Antes das eleições, a minoria branca (14% de uma população total de 41 milhões, em 1994) detinha o poder político e econômico e, amparada em leis por ela criadas — conhecidas pelo nome de apartheid (separa- ção) —, dominava a maioria negra (75% da população total) e os 11% restantes formados por outras etnias ou povos. Entre as leis que sustentavam o apartheid, estavam: a proibição do casamento inter-racial, a obrigatoriedade do registro da raça na certidão de nascimento, a proibição ao negro de comprar terras, a proibição de greve para a população negra e a divisão dos serviços públicos (escola, hospi- tal, praça pública, estádio esportivo etc.) em locais para brancos e locais para negros, a necessidade de o negro portar um “passe”, ou seja, um documento de identificação que o autorizava a ir e vir, e a proibição ao negro de votar. Essas leis foram abolidas entre 1984 e 1993, mas, ao longo de vários anos, a política do apartheid reprimiu os movimentos que lutavam por igualdade de direitos entre brancos e negros e provocou milhares de mor- tes, marcando profundamente a sociedade sul-africana até os dias atuais. 4 Figura 17. Preso entre os anos de 1964 e 1990, acusado de se envolver em ações contra o apartheid, Nelson Mandela (1918-2013) tornou-se o símbolo da igualdade racial da África do Sul. Por seu papel de liderança na luta pela igualdade, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Na foto, Nelson Mandela cumprimenta seus partidários na cidade de Mmabatho, África do Sul (1994). PE TE R TU RN LE Y/ CO RB IS /L A TI N ST O CK Navegar é preciso Embaixada da África do Sul no Brasil Conheça mais sobre a África do Sul depois do fim da política do apartheid lendo a nova Constituição do país. É possível obter informações turísticas e econômicas e conhecer algumas de suas paisagens na galeria de fotos. Pausa para o cinema Mandela: luta pela liberdade. Direção: Bille August. Bélgica: Banana Films, 2007. Duração: 140 min. Sob o pano de fundo da África do Sul durante o regime do apartheid, narra a história de um carcereiro branco que considera os negros seres inferiores. O que ele não espera é conhecer Nelson Mandela, fato que mudará sua vida. 242 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 242 01/06/16 01:38 stação História África do Sul “De 1948 a 1991 a África do Sul viveu sob o regime do apartheid, ou ‘desenvolvimento separado’. Tratava-se, na verdade, de um sis- tema de segregação racial no qual a maioria negra não dispunha de direito algum e era dominada pela minoria branca. As rela- ções entre brancos e negros eram proibi- das. As independências africanas e o fim da segregação racial nos Estados Unidos, no final dos anos 1960, fizeram desse regime uma anomalia histórica inaceitável; a África do Sul foi isolada e acabou tornando-se um ‘Estado pária’. [...] O endureci mento das sanções norte- -americanas, o isolamento sob a influência da opinião pública, e notadamente dos negros, as- sim como o fim da guerra fria privaram a Áfri- ca do Sul de qualquer perspectiva futura, caso se manti vesse o apartheid. [...]. O desmantela- mento do apartheid efetivou-se, assim, em ju- nho de 1991. O caráter negociado e tranquilo da transição e a chegada ao poder de Nelson Mandela, eleito presidente em 1994, mais dese- joso de reconciliação do que de vingança, da- riam uma legitimidade moral à África do Sul em escala mundial. Nelson Man dela era prova- velmente o político mais respeitado do mundo. A África do Sul estava enfim em condi ções de usar seus recursos, notadamente suas imensas riquezas minerais e sua base industrial. A eco- nomia sul-africana repre senta 50% do PIB da África Subsaariana, e 90% dos internautas des- sa região são sul -africanos. Candidata (assim como a Nigéria) a um assento de membro per- manente do Conselho de Segurança da ONU, a África do Sul se vê como líder regional africano e potência mundial emergente. Envolve-se em diferentes operações de mediação e manuten- ção da paz na África, onde prefe riria não assistir à interferência estratégica de potências exterio- res, ainda que possa se beneficiar com a pre- sença delas para a estabilidade do con tinente, em caso de extrema necessidade. A África do Sul pretende ser um exemplo democrático para o continente, bem como uma locomotiva eco- nômica. Deseja ser uma das principais potências do Sul, defendendo o multilateralismo, o direito dos povos de dispor de si mesmos e a afirmação econômica e estratégica dos países do Sul.” BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 127. Estado pária País excluído pela comunidade internacional. Manifestação na África do Sul contra o regime do apartheid. Na faixa, em primeiro plano, está escrito: “Abaixo o apartheid” (1952). PO PP ER FO TO /G ET TY IM A G ES Interprete 1. Quais posturas adotadas por Nelson Mandela tornaram-no um dos políticos mais respeitados em todo o mundo e deram prestígio à África do Sul após o � m do apartheid? Argumente 2. Em sua opinião, quais são as consequências sociais de um regime como o apartheid? Viaje sem preconceitos 3. Diante de um regime de segregação racial, ou de qualquer outro tipo de opressão, qual seria sua postura? 243PERCURSO 26 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Com o apoio do professor de História, o tema do apartheid na África do Sul poderá ser aprofundado mostrando como esse sistema atingiu e ainda atinge a sociedade sul-africana nos dias atuais. Pluralidade Cultural PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 243 01/06/16 01:38 A descolonização africana A África é predominantemente formada por países que romperam com a condição de colônias europeias há cerca de cinquenta anos. Do ponto de vista histórico, trata-se de um fato recente. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, em 1945, existiam apenas quatro países independentes no continente africano: Libéria, Etiópia, Egi- to e União Sul-Africana, posteriormente denominada África do Sul (figu- ra 18). A independência desses países, no entanto, era apenas formal. Etiópia, Egito e África do Sul estavam sob influência política, econômica e militar da Grã-Bretanha, e a Libéria, dos Estados Unidos. A independência de Gana, antiga Costa do Ouro, em 1957, desen- cadeou uma onda de independências no continente africano. Kuame Nkrumah, líder político de Gana, pregou durante muito tempo o fim do colonialismo e lutou por uma África unida e socialista. Nkrumah era de- fensor da ideia de que “é melhor ser livre para governar bem ou mal a si próprio do que ser governado por outro”. Segundo ele, a independên- cia de Gana não estaria completa até que toda a África estivesse livre. Pregava também o pan-africanismo, um projeto de unidade política das nações africanas. O exemplo de Gana influenciou outros povos do conti- nente a lutar pela independência. Dessa maneira, entre 1960 e 1970, a maioria das colônias africanas livrou-se do domínio europeu. No decorrer da década de 1970, ocorreu ainda a independênciade Guiné Bissau, Angola, Moçambique, Somália Francesa e do território de Afar e Issa, que, saindo da domina- ção francesa, tornou-se a Repú- blica do Djibuti. E, em 1990, após 105 anos de ocupação estrangei- ra, a Namíbia também conquistou a independência. A descolonização dos países africanos, de modo geral, não acon- teceu de forma pacífica. Houve ca- sos, como o da Argélia, em que a independência foi obtida por meio de longa luta armada contra a do- minação francesa. Reveja o mapa “África: político – 2015”, figura 1, página 232, que mostra a configu- ração atual do continente. 5 Fonte: DUBY, Georges. Atlas historique. Paris: Larousse, 1987. p. 257. Figura 18. África: político – 1947 EQUADOR 20°L 0° OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O MARROCOS ESPANHOLTÂNGER (Zona Internacional) TUNÍSIA MARROCOS ARGÉLIA IFNI LÍBIA EGITO ÁFRICA OCIDENTAL FRANCESA GÂMBIA SUDÃO ANGLO-EGÍPCIO ERITREIA COSTA DO OURO PORTO GUINÉ NIGÉRIA SOMALILÂNDIA BRITÂNICA SOMALILÂNDIA FRANCESA SOMÁLIA SERRA LEOA ETIÓPIA LIBÉRIA UGANDA CAMARÕES QUÊNIA CONGO BELGA RUANDA- BURUNDI Á FR IC A E Q U A TO R IA L FR A N C ES A TANGANICA ANGOLA NIASALÂNDIARODÉSIA DO NORTE MADAGASCAR RODÉSIA DO SUL BECHUANALÂNDIA TOGO ZANZIBAR Ilhas Comores (FRANÇA) Maiote (FRANÇA) SUAZILÂNDIA BASUTOLÂNDIA RIO MUNI CABINDA (PORTUGAL) FERNANDO PO SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE (PORTUGAL) RIO DE ORO ÁFRICA DO SUDOESTE BAÍA DE WALVIS (UNIÃO DA ÁFRICA DO SUL) UNIÃO ÁFRICA DO SUL M O ÇA M BIQ UE Português Britânico Francês Espanhol Belga Território sob responsabilidade da ONU Independente Domínio A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 800 km NE LO SE S N NO SO Quem lê viaja mais YAZBEK, Mustafa. Argélia: a guerra e a independência. São Paulo: Brasiliense, 1983. (Coleção Primeiros Passos). A obra aborda a luta dos argelinos pela independência do país em relação à França. 244 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 244 01/06/16 01:38 Outras rotas Nova Biblioteca de Alexandria “A primeira biblioteca A mais célebre biblioteca de todos os tem- pos, a Biblioteca Real de Alexandria, foi es- tabelecida por volta do século terceiro a.C., durante o reinado de Ptolomeu II. Deme- trius Phalereus de Atenas, discípulo de Aristóteles, foi o primeiro curador da biblio- teca, que nessa ocasião já abrigava cerca de 700 mil manuscritos e pergaminhos. Duran- te séculos, a biblioteca manteve-se erguida, mas a sua destruição, que muitos acreditam ter ocorrido por volta do século III d.C., sem- pre gerou controvérsias. Outros acreditam que ela tenha sido destruída durante o rei- nado do imperador romano Aureliano, e há ainda aqueles que defendem a tese de ela ter sido destruída acidentalmente na invasão de Júlio César, entre os anos 47 e 48 a.C. A nova biblioteca Essa foi a primeira biblioteca do mundo, cuja construção foi patrocinada globalmente, que tem o objetivo de guardar e manter todo o conhecimento escrito da humanidade. Um grande e talvez inatingível sonho, mas sem dúvida uma missão honrosa. Portanto, nada seria mais apropriado que construir a Nova Biblioteca de Alexandria em um local próxi- mo àquele em que foi erguida a mais célebre biblioteca da Antiguidade clássica. A ideia inicial de reavivar a biblioteca surgiu na Uni- versidade de Alexandria, em 1974. […] Na oca- sião da abertura do complexo, em outubro de 2002, o projeto havia custado US$ 220 milhões, sendo que US$ 100 milhões vieram de doações estrangeiras e os outros US$ 120 milhões do governo do Egito. Obra-prima A apenas 40 metros do Mar do Mediterrâ- neo, próximo da Universidade, a biblioteca de 11 andares consiste em um círculo inclinado para o mar; com 160 metros de diâmetro, par- cialmente submerso em uma piscina, a fim de contra-atacar a alta umidade da parte norte do Egito. O telhado truncado permite mini- mizar os danos dos ventos marítimos e deixa a luz natural entrar. […] Como a biblioteca contém um acervo valioso e as consequên- cias de um incêndio seriam devastadoras, o edifício conta com os mais atuais equipa- mentos de prevenção contra o fogo. A sala principal de leitura tem capacidade para acomodar até 1.700 pessoas distribuídas nos oito terraços. O telhado abobadado per- mite a entrada indireta de luz solar no edi- fício e oferece belas vistas do porto e do mar.” AHEARN, Alison et al. 100 maravilhas do mundo moderno. São Paulo: Ciranda Cultural, 2008. p. 147. Vista externa da Nova Biblioteca de Alexandria, no Egito (2013). FO TO : J EN N IF ER B RO A D U S/ PH O TO LI BR A RY /G ET TY IM A G ES ; M A PA : F ER N A N D O JO SÉ F ER RE IR A Curador Encarregado de administrar. Pergaminho Escrito ou documento feito de pele de ovino ou caprino. Abobadado Que tem o formato de abóbada; abaulado. Interprete 1. Quantos séculos separam a existência da primeira Biblioteca de Alexandria da nova construção? Argumente 2. Você acha importante a existência de bibliotecas? Por quê? Contextualize 3. Na cidade ou no bairro onde você mora existe(m) biblioteca(s)? Você a(s) frequenta? Caso sua resposta seja positiva, que gênero de livros você costuma ler? Caso sua resposta seja negativa, aponte a razão de não viver essa experiência. 245PERCURSO 26 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 245 01/06/16 01:38 Atividades dos percursosAtividades dos percursos 25 e 26 246246 África: línguas e etnias Revendo conteúdos 1 Uma agência de viagem especializada em pacotes para a África disponibiliza em seu catálogo as seguintes opções de passeio: c) Que clima predomina na região do paco- te B? Que paisagem o turista verá princi- palmente ao final do passeio? Explique. 2 Explique a relação entre a fome ou a sub- nutrição que assola milhões de habitantes na África e o colonialismo europeu. 3 Em relação à Conferência de Berlim, responda às questões. a) Quando ocorreu e quais eram seus objetivos? b) Quais foram os impactos dessa confe- rência no continente africano? Leituras cartográficas 4 Observe o mapa abaixo e responda às questões. a) Cite uma etnia principal para cada grupo linguístico. b) A delimitação das fronteiras dos Esta- dos africanos realizada pelos europeus respeitou a distribuição das etnias ou dos grupos linguísticos africanos? Dê exemplos. Se necessário, recorra ao mapa da figura 1, na página 232. • Com base em seus conhecimentos, res- ponda às questões. a) Em qual pacote o turista terá a oportu- nidade de conhecer a savana africana? b) Quais montes o turista que optar pelo pacote A vai avistar? Onde eles se localizam? Tanzânia e Quênia Nos safáris, veja de perto elefantes, rinocerontes, girafas e leões. Em um passeio de balão, aviste os dois montes de maior altitude do continente africano e o Lago Vitória. PACOTE DE 15 DIAS ST EV E CA SI M IR O /T H E IM A G E BA N K/ G ET TY IM A G ES CRUZEIRO PELO RIO NILO Partindo da fronteira do Egito com o Sudão e navegando pelo Rio Nilo em direção ao seu delta, você vai conhecer os principais templos egípcios, como o Templo de Ísis, o Templo de Karnak e o Templo de Luxor. PACOTE DE 7 DIAS M A RT IN C H IL D /T H E IM A G E BA N K/ G ET TY IM A G ES OCEANO ÍNDICO EUROPA 0° OCEANO ATLÂNTICO EQUADOR 20ºL Berbere Mouro Bambara Tuaregue Bedja Tibu Hauças Fulbe FulbeFulbe Mossi Hauças Hauças Krou Fon Ioruba Ibo Ewe GallaAchanti Banda Bedja Fang Kikongo Tutsi Hutu Suaíli Kikuyu So m ali Pigmeu Pigmeu TongaKhoisan Bosquímano Herero Ovambo Hotentote Zulu Africâner M al ga xe M alinque Am hara Ár a b e TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO TRÓPICO DE CÂNCER M A R M E D I T E R R  N E O Nuere ÁSIA europeias (africâner, inglês, francês, português etc.) semita camita sudanês banto malaio-polinésia Etnia principalZulu Línguas Fonte: elaborado com base em FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 83. B A 1.130 km NE LO SE S N NO SO A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 246 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 246 01/06/16 01:38 247247 c) Quais foram os resultados dessa política colonialista europeia? d) Você sabe quais são os países africanos que, com o Brasil, formam a Comuni- dade dos Países de Língua Portuguesa? Explore 5 Ali A. Mazrui, historiador africano, assim descreveu os africanos: “Os africanos [...] não são forçosamente o povo mais maltratado, mas são com certeza o mais humilhado da história moderna”. BOAHEN, Albert Adu. O legado do colonialismo. O Correio da Unesco. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, ano 12, n. 7, jul. 1984, p. 37. • Explique em quais fatos da história africana o historiador pode ter se inspi- rado para escrever esse texto. 6 O texto abaixo foi proferido pelo rei Ma- chemba, chefe do yaos de Tanganica (atual Tanzânia), ao oficial alemão Hermann von Wissmann, que comandava uma investida militar na região em 1890. “Escutei tuas palavras, mas não vi qual- quer motivo para obedecer-te — antes pre- feriria morrer. [...] Se o que queres é amizade, estou pronto a oferecer-te, hoje e sempre; mas, quanto a ser teu súdito [...], isso nunca! […] Se o que queres é a guerra, estou pron- to para ela, mas ser teu súdito, jamais! Não cairei a teus pés, porque és uma criatura de Deus, assim como eu sou [...]. Sou sultão aqui na minha terra. Tu és sultão lá na tua. Então, vê bem, não digo que tens de obedecer-me, porque sei que és um homem livre. Quanto a mim, não irei ao teu encontro; se és bastante forte, vem tu ao meu.” BOAHEN, Albert Adu. A África sob dominação colonial: 1880-1935. O Correio da Unesco. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, ano 12, n. 7, jul. 1984, p. 14-15. a) Qual é a postura do rei Machemba pe- rante o oficial alemão? b) Qual terá sido a atitude do conquistador europeu para motivar essa fala do rei Machemba? 7 Observe as fotos e faça o que se pede. a) Identifique e descreva o tipo de clima e vegetação associado a cada uma das paisagens. b) Redija um parágrafo explicando a diver- sidade de paisagens existente no conti- nente africano. G U YO T- A N A /O N LY W O RL D /O N LY F RA N CE /A FP Foto B. Habitações às margens do Rio Congo, República Democrática do Congo (2013). Foto A. Búfalos no Parque Nacional do Vale Kidepo, Uganda, no leste da África (2015). JA KE L YE LL /A LA M Y/ LA TI N ST O CK 247PERCURSO 26 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 247 01/06/16 01:38 PERCURSO 27 Figura 19. Continentes: população – 2015 África: população, regionalização e economia África: o segundo continente mais populoso A África é considerada o berço da humanidade. As mais antigas evi- dências da presença do gênero Homo foram encontradas na região dos Grandes Lagos, na África Oriental, em terras hoje pertencentes ao Quê- nia e à Tanzânia. Depois da Ásia, a África é o continente mais populoso. Em 2015, tinha 1,186 bilhão de habitantes, o equivalente a 16,1% da população mun- dial, estimada, nesse ano, em 7,349 bilhões (figura 19). 1 A distribuição da população A exemplo dos demais continentes, a África apresenta regiões de maior e de menor concentração populacional. A distribuição da população é condi- cionada por vários fatores, entre eles o clima, o relevo, o solo, a infraestrutura de transportes e comunicações instalada e a disponibilidade de recursos téc- nicos e de capitais para superar as adversidades do meio natural. Os desertos do Saara e de Kalahari, em decorrência da aridez, dificul- tam a fixação humana. Nessas áreas, as densidades demográficas são in- feriores a 1 hab./km2 (figura 20). Já em trechos do Vale do Rio Nilo e do baixo curso do Rio Níger, em razão da presença de terras férteis, as den- sidades demográficas são superiores a 100 hab./km2. Em muitos trechos das fachadas litorâneas tanto do Mar Mediterrâneo como dos oceanos Atlântico e Índico, locais de contato histórico entre o mundo europeu e o asiático, e onde se localizam muitas capitais africanas, as densidades de- mográficas são mais elevadas. 2 Fonte: elaborado com base em ONU. World Population Prospects: The 2015 Revision, key findings and advance Tables. New York: ONU, 2015. p. 1. Disponível em: . Acesso em: 5 dez. 2015. A D IL SO N S EC CO Quem lê viaja mais SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2013. Mostra a diversidade de culturas africanas e sua inserção nas economias colonial e neocolonial, como também o desenvolvimento da cultura afro-brasileira em decorrência da escravidão. 13,5% 10,1% 0,5% 59,8% 16,1% Ásia África América Europa Oceania África: diferentes culturas, diferentes paisagens Multimídia interativa 248 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 248 01/06/16 01:38 A África apresenta duas aglomerações urbanas com mais de 10 mi- lhões de habitantes: Cairo, capital do Egito (figura 21), e Lagos, capital da Nigéria. Fonte: Atlante Geografico Metodico De Agostini. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2014. p. 118. Figura 20. África: densidade demográfica – 2013 Onde se situa o maior vazio demográ� co da África? Figura 21. O Cairo forma a maior aglomeração urbana do continente. Na foto, vista da cidade às margens do Rio Nilo, Egito (2013). 0º Rabat Casablanca Fes DESERTO DO SAARA ÁSIA EUROPA DESERTO DE KALAHARI Dacar Lago Chade Lago Tanganica Lago Vitória Lago Niassa Abidjan Acra Iaundê Brazzaville Lusaka Harare Antananarivo Adis-Abeba Cartum Maputo Pretória Johanesburgo Durban Port ElizabethCidade do Cabo Lagos Argel Túnis Trípoli Cairo Rio Nilo Rio Zam bese Rio Orange Rio Congo Rio Senegal Rio Níger M ER ID IA N O D E G R EE N W IC H EQUADOR TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 0º 30ºL OCEANO ATLÂNTICO MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O OCEANO ÍNDICO TRÓPICO DE CÂNCER De 862.2% a 568.8% De 0.189 a 0.150 De 50 a 100 De 25 a 50 De 100 a 200 De 10 a 25 0.0 De 1 a 10 Até 1 Mais de 200 Densidade da população (número de habitantes por km2) Área não habitada De 1.000.000 a 2.500.000 Mais de 10.000.000 De 2.500.000 a 5.000.000 Residentes em áreas urbanas ou metropolitanas FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 660 km NE LO SE S N NO SO Pausa para o cinema Os deuses devem estar loucos. Direção: Jamie Uys. Botsuana/África do Sul: CAT Films, 1980. Duração: 108 min. Nessa comédia, você vai se divertir e conhecer diferentes aspectos culturais dos bosquímanos, grupo étnico que vive em comunidades nômades no Deserto de Kalahari. A LE XE Y ZA RU BI N /A LA M Y/ G LO W IM A G ES 249PERCURSO 27 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Em um trecho leste do deserto do Saara, que abrange áreas do sudeste do território da Líbia, do sudoeste do Egito, do nordeste do Chade e do noroeste do Sudão. É oportuno recordar a noção de “aglomeração urbana ou área metropolitana”, que é diferente de municípioou cidade. Chame a atenção dos alunos para o mapa da figura 20. PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 249 01/06/16 01:38 A regionalização com base no critério étnico ou cultural Com base no critério étnico ou cultural, o continente africano pode ser regionalizado em dois conjuntos: África do Norte e África Subsaariana (figura 22). • África do Norte A África do Norte compreende sete unidades políticas. São seis Estados independentes e um território que busca a independência — o Saara Ocidental, ex- -Saara Espanhol, ocupado pelo Marrocos desde 1975. Com a invasão dos árabes nos séculos VII e VIII, ocorreu a arabização da África do Norte. Esse fato explica, portanto, a predo- minância regional da população árabe, da língua árabe e da prática do islamismo. Destaca-se na África do Norte a sub- -região denominada Magreb. Em árabe, “Marhribou Maghrib” significa “o Poente”, ou seja, “onde o sol se põe”, em relação ao centro do islamismo, situado na Península Arábica (atual Arábia Saudita). O Magreb tradicional compreende o Marrocos, a Ar- gélia e a Tunísia, que pertenceram ao im- pério colonial francês. A Cadeia do Atlas favorece o povoamento na África do Norte, espe- cialmente no Magreb. Entre o Atlas e o Mar Mediterrâneo, estendem-se planícies férteis de clima mediterrâneo, densamente povoadas, onde se cultivam vários produtos, como cereais, uva, oliveiras (figura 23), e ocorre a exploração mineral de fosfato. Ao sul da Cadeia do Atlas surge o Deserto do Saara, cujo principal recurso mineral é o petróleo. 3 Figura 22. África: regionalização étnica e cultural – 2015 TRÓPICO DE CÂNCER TTTRTRT ÓPICCCOO DE CACAC PRPRP ICÓRNIO EQUADOR 20° L EUROEUROEUROEUROPPPAAAAAAAAAPAPPAPPAP ÁSIA MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O OCEANO ÍNDICOOCEANO ATLÂNTICO EGITO ARGÉLIA TUNÍSIAMARROCOS SAARA OCIDENTAL LÍBIA SENEGAL MAURITÂNIA GÂMBIA GUINÉ BISSAU GUINÉ LIBÉRIA SERRA LEOA MALI COSTA DO MARFIM BURKINA FASSO NÍGER G A N A TO G O B EN IN CHADE NIGÉRIA CAMARÕES REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA GUINÉ EQUATORIAL SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE GABÃO SUDÃO SUDÃO DO SUL DJIBUTI ERITREIA ETIÓPIA SOMÁLIA QUÊNIA UGANDA CONGO ANGOLA NAMÍBIA SUAZILÂNDIA MOÇAMBIQUE TANZÂNIA BOTSUANA ÁFRICA DO SUL LESOTO RUANDA MALAUÍ MADAGASCAR BURUNDI ZIMBÁBUE ZÂMBIA REP. DEM. DO CONGO COMORES África do Norte África Subsaariana Magreb Sahel* Fontes: elaborado com base em ROSA, Jussara Vaz; GIRARDI, Gisele. Novo atlas geográfico do estudante. São Paulo: FTD, 2005. p. 101; L’atlas Gallimard Jeunesse. Paris: Gallimard Jeunesse, 2002. p. 122-123. O Magreb tradicional abrange os países indicados no mapa. Essa denominação, no entanto, foi estendida ao Saara Ocidental, à Líbia e à Mauritânia, cujo conjunto formou a União do Magreb Árabe (UMA) em 1989. A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 900 km NE LO SE S N NO SO Figura 23. Ao fundo, Cadeia do Atlas no Marrocos e, em primeiro plano, oásis com plantações (2013). * Palavra árabe que significa “costa do deserto”, ou margem; corresponde a uma faixa de terras de extensão variável, entre o Deserto do Saara ao norte e a zona de estepes e savanas ao sul, que se estende de leste a oeste, desde a Etiópia até o Senegal. IN CA M ER A ST O CK /A LA M Y/ G LO W IM A G ES 250 EXPEDIÇÃO 7 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 250 01/06/16 01:38 • África Subsaariana Essa região, que abrange os países da África situados ao sul do Deserto do Saara, apresenta população predominantemente negra (figura 24) e minorias brancas des- cendentes dos colonizadores europeus e asi- áticos (indianos, chineses, indonésios etc.). Destaca-se aí a multiplicidade de crenças e religiões — islamismo, cristianismo, judaís- mo, crenças tradicionais africanas etc. Além dos aspectos culturais e étnicos apresentados, a África Subsaariana se ca- racteriza por ser uma região do continente africano onde a pobreza atinge grande par- cela da população. É aí que se localizam os países com os menores IDH do mundo em 2014, como Níger (0,348), República Cen- tro-Africana (0,350), Eritreia (0,391) e Cha- de (0,392). Embora cerca de 60% da população eco- nomicamente ativa da África Subsaariana se dedique à agricultura, o déficit de alimentos gera subnutrição e fome. Essa situação é agravada pelas secas na região do Sahel e pelas guerras civis, que arrasam plantações e dificultam a en- trega de alimentos pela ajuda humanitária. A agricultura na África Subsaariana apresenta uma distorção: en- quanto as plantations (cacau, café, algodão, amendoim, chá, bana- na etc.), controladas principalmente por empresas europeias, ocupam cerca de 40% da superfície agrícola, abrangendo as melhores terras cultiváveis, a agricultura de subsistência ocupa as terras menos férteis e convive com a falta de crédito e de assistência técnica, apresentando baixa produtividade. A oposição entre a agricultura de exportação e a agricultura de subsistência é uma herança do colonialismo que perdura nos dias atuais (figuras 25 e 26). Fonte: elaborado com base em CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas du 21e siècle 2013. Paris: Nathan, 2011. p. 164. Figura 25. Máquinas em um campo de trigo, na Argélia (2013). Figura 26. Trabalhadores em agricultura de subsistência, na Tanzânia (2014). Figura 24. África: participação da população negra na população total TRÓPICO DE CÂNCER TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO EQUADOR0º 20°L EUROPA ÁSIA MAR MEDITERRÂNEO M A R VERM ELH O OCEANO ÍNDICOOCEANO ATLÂNTICO EGITO ARGÉLIA TUNÍSIA MARROCOS SAARA OCIDENTAL LÍBIA SENEGAL MAURITÂNIA GÂMBIA GUINÉ BISSAU GUINÉ LIBÉRIA SERRA LEOA MALI COSTA DO MARFIM BURKINA FASSO NÍGER G A N A TO G O B EN IN CHADE NIGÉRIA CAMARÕES REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA GUINÉ EQUATORIAL SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE GABÃO SUDÃO SUDÃO DO SUL DJIBUTI ERITREIA ETIÓPIA SOMÁLIA QUÊNIA UGANDA CONGO ANGOLA NAMÍBIA SUAZILÂNDIA MOÇAMBIQUE TANZÂNIA BOTSUANA ÁFRICA DO SUL LESOTO RUANDA MALAUÍ MADAGASCAR BURUNDI ZIMBÁBUE ZÂMBIA REP. DEM. DO CONGO COMORES Até 20 Parte da população negra na população total (%) De 21 a 40 De 41 a 60 De 61 a 80 Mais de 81 FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 910 km NE LO SE S N NO SO RA M ZI B O U D IN A /R EU TE RS /L A TI N ST O CK PH O TO SH O T/ A G B PH O TO 251PERCURSO 27 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-230-267-EG8-U07-M.indd 251 01/06/16 01:39 Figura 27. África: regionalização com base na economia – 2015 A regionalização com base na economia É possível regionalizar a África tendo por base a economia dos paí- ses que a compõem. Assim, podem-se distinguir dois conjuntos: países com desenvolvimento industrial e países cuja base da economia são os produtos primários (figura 27). 4 • Países com desenvolvimento industrial África do Sul e Egito são os dois países mais industrializados da África. Conheça a seguir as principais características de cada um deles. África do Sul A África do Sul é o país de economia mais desenvolvida da África. Fa- vorecido pela abundância de recursos minerais em seu território e por in- vestimentos estrangeiros, esse país desenvolveu uma atividade industrial diversificada, com indústrias de bens de consumo (têxtil, alimentícia, de ves- tuário etc.) e indústrias de bens de produção (máquinas, equipamentos, me- talúrgica, siderúrgica, química etc.), além de indústria naval, de armamentos, automobilística e outras. Destaca-se ainda como primeiro produtor mundial de cromo e de platina e o quinto de ouro (2013). As principais cidades do país concentram os maiores centros industriais (figura 28). Fontes: