Prévia do material em texto
PREVENÇÃO E CONTROLE DE RISCOS Sumário NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................. 6 Método De Análise De Risco.............................................................................. 7 A CONTRIBUIÇÃO DA HIGIENE DO TRABALHO PARA O CONCEITO DE RISCO ................................................................................................................ 8 Classificação Dos Riscos Ambientais ........................................................... 11 Riscos físicos: São agentes de risco físico: ruído, calor, frio, pressão, umidade, radiações ionizantes e não-ionizantes, vibração e quaisquer outras formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores. Para cada tipo de risco é indicada uma limitação permitida. No caso de ruídos, o máximo de decibéis por exemplo. Os limites para a exposição a esses fatores estão descritos, em sua maioria, na NR 15. ................................................................................. 11 Riscos químicos: São substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória como gases, poeiras, fumos ou vapores, além de outros que possam ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão. É o nível de toxicidade do agente químico que determina o período máximo que o colaborador pode ter exposição. ..................................................................................................... 11 Riscos biológicos: São bactérias, vírus, fungos, protozoários e as medidas de prevenção variam de acordo com a patogenicidade ao qual o trabalhador está exposto em sua atividade. ............................................................................ 11 Riscos ergonômicos: Postura inadequada de trabalho, levantamento e transporte de peso, jornadas prolongadas de turno e quaisquer outras situações que exijam esforço físico demasiado ou que haja estresse físico. A avaliação desses riscos é feita por meio de um laudo ergonômico. ............. 12 Tempo De Exposição .................................................................................... 12 Concentração Ou Intensidade Do Agente ..................................................... 12 Sinergismo Nos Locais De Trabalho ............................................................. 12 Uma Breve Contextualização Histórica acerca das NRs .................................. 13 NR 15 – Atividades e Operações Insalubres .................................................... 14 CALOR 15 Medidas de controle ........................................................................... 18 Danos à Saúde ...................................................................................... 21 UMIDADE ..................................................................................................... 22 Medidas de controle .................................................................................. 23 Danos à Saúde .......................................................................................... 23 1. Irritação na pele. ........................................................................................ 23 2. Irritação/inflamação no sistema respiratório. ............................................. 23 3. Possibilidade de aumento de fungos no ambiente de trabalho. ................. 23 4. Roupas no estado molhado podem levar a baixas temperaturas nos trabalhadores. .................................................................................................. 24 5. Aumenta possibilidade de escorregões e acidentes típicos. ...................... 24 FRIO 24 Medidas de controle .................................................................................. 24 Danos à Saúde .......................................................................................... 26 RUÍDO 26 Ruído de impacto ....................................................................................... 27 Ruído Continuou ou intermitente ............................................................... 27 Medidas de controle .................................................................................. 29 Danos à Saúde .......................................................................................... 29 RADIAÇÃO ................................................................................................... 30 Ionizante .................................................................................................... 30 Não Ionizante ............................................................................................. 30 Medidas de controle .................................................................................. 31 Danos à Saúde .......................................................................................... 31 Vibração 31 Caracterização e Classificação Da Insalubridade ...................................... 32 Medidas de Controle .................................................................................. 33 Danos à saúde ........................................................................................... 33 TRABALHO SOB CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS ........................................ 34 Exigências para Operações nas Campânulas ou Eclusas ......................... 36 Medidas de Controle .................................................................................. 37 Danos à saúde ........................................................................................... 38 AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É CARACTERIZADA POR LIMITE DE TOLERÂNCIA E INSPEÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO ......... 38 Medidas de Controle .................................................................................. 39 Danos à saúde ........................................................................................... 40 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS ............................ 40 ASBESTO ..................................................................................................... 40 MANGANÊS E SEUS COMPOSTOS ........................................................ 41 SÍLICA LIVRE CRISTALIZADA ................................................................. 41 Medidas de controle .................................................................................. 43 Danos à saúde ........................................................................................... 44 AGENTES QUÍMICOS .................................................................................. 44 ARSÊNICO ................................................................................................ 44 CARVÃO .................................................................................................... 45 CHUMBO ................................................................................................... 45 CROMO ..................................................................................................... 46 FÓSFORO ................................................................................................. 46 HIDROCARBONETOS E OUTROS COMPOSTOS DE CARBONO ......... 47 MERCÚRIO ............................................................................................... 48 SILICATOS ................................................................................................ 48 SUBSTÂNCIAS CANCERÍGENAS ............................................................ 48 OPERAÇÕES DIVERSAS ............................................................................ 48 Medidas de Controle .................................................................................. 49 Danos à saúde ........................................................................................... 50 AGENTES BIOLÓGICOS .............................................................................O limite de tolerância para poeira total (respirável e não - respirável), expresso em mg/m3, é dado pela seguinte fórmula: Sempre será entendido que "Quartzo" significa sílica livre cristalizada. Os limites de tolerância fixados no item 5 são válidos para jornadas de trabalho de até 48 (quarenta e oito) horas por semana, inclusive. Para jornadas de trabalho que excedem a 48 (quarenta e oito) horas semanais, os limites deverão ser deduzidos, sendo estes valores fixados pela autoridade competente. Fica proibido o processo de trabalho de jateamento que utilize areia seca ou úmida como abrasivo. As máquinas e ferramentas utilizadas nos processos de corte e acabamento de rochas ornamentais devem ser dotadas de sistema de umidificação capaz de minimizar ou eliminar a geração de poeira decorrente de seu funcionamento. Medidas de controle O anexo 12 da NR 15 estabelece como medidas de controle: 1. Ventilação adequada, durante os trabalhos, em áreas confinadas 2. Uso de equipamentos de proteção respiratória com filtros mecânicos para áreas contaminadas 3. Uso de equipamentos de proteção respiratórios com linha de ar mandado, para trabalhos, por pequenos períodos, em áreas altamente contaminadas 4. Uso de máscaras autônomas para casos especiais e treinamentos específicos 5. Rotatividade das atividades e turnos de trabalho para os perfuradores e outras atividades penosas 6. Controle da poeira em níveis abaixo dos permitidos. 7. Exames médicos pré-admissionais e periódicos 8. Exames adicionais para as causas de absenteísmo prolongado, doença, acidentes ou outros casos 9. Não-admissão de empregado portador de lesões respiratórias orgânicas, de sistema nervoso central e disfunções sangüíneas para trabalhos em exposição ao manganês 10. Exames periódicos de acordo com os tipos de atividades de cada trabalhador, variando de períodos de 3 (três) a 6 (seis) meses para os trabalhos do subsolo e de 6 (seis) meses a anualmente para os trabalhadores de superfície; - Análises biológicas de sangue 11. Afastamento imediato de pessoas com sintomas de intoxicação ou alterações neurológicas ou psicológicas 12. Banho após a jornada de trabalho 13. Troca de roupas de passeio/serviço/passeio 14. Proibição de se tomarem refeições nos locais de trabalho. Danos à saúde 1. Irritação do sistema respiratório 2. Irritação do sistema gastrointestinal 3. Irritação nos olhos 4. Irritação na pele 5. Alergias 6. Intoxicações em geral AGENTES QUÍMICOS São considerados agentes químicos as substâncias, compostos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão Relação das atividades e operações envolvendo agentes químicos, consideradas, insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. Excluam-se esta relação as atividades ou operações com os agentes químicos constantes dos Anexos 11 da NR 15. ARSÊNICO Insalubridade de grau máximo: Extração e manipulação de arsênico e preparação de seus compostos. Fabricação e preparação de tintas à base de arsênico. Fabricação de produtos parasiticidas, inseticidas e raticidas contendo compostos de arsênico. Pintura a pistola com pigmentos de compostos de arsênico, em recintos limitados ou fechados. Preparação do Secret. Produção de trióxido de arsênico. Insalubridade de grau médio: Bronzeamento em negro e verde com compostos de arsênico. Conservação e peles e plumas; depilação de peles à base de compostos de arsênico. Descoloração de vidros e cristais à base de compostos de arsênico. Emprego de produtos parasiticidas, inseticidas e raticidas à base de compostos de arsênico. Fabricação de cartas de jogar, papéis pintados e flores artificiais à base de compostos de arsênico. Metalurgia de minérios arsenicais (ouro, prata, chumbo, zinco, níquel, antimônio, cobalto e ferro). Operações de galvanotécnica à base de compostos de arsênico. Pintura manual (pincel, rolo e escova) com pigmentos de compostos de arsênico em recintos limitados ou fechados, exceto com pincel capilar. Insalubridade de grau mínimo: Empalhamento de animais à base de compostos de arsênico. Fabricação de tafetá “sire”. Pintura a pistola ou manual com pigmentos de compostos de arsênico ao ar livre. CARVÃO Insalubridade de grau máximo: Trabalho permanente no subsolo em operações de corte, furação e desmonte, de carregamento no local de desmonte, em atividades de manobra, nos pontos de transferência de carga e de viradores. Insalubridade de grau médio: Demais atividades permanentes do subsolo compreendendo serviços, tais como: operações de locomotiva, condutores, engatadores, bombeiros, madeireiros, trilheiros e eletricistas. Insalubridade de grau mínimo: Atividades permanentes de superfícies nas operações a seco, com britadores, peneiras, classificadores, carga e descarga de silos, de transportadores de correia e de teleférreos. CHUMBO Insalubridade de grau máximo: Fabricação de compostos de chumbo, carbonato, arseniato, cromato mínio, litargírio e outros. Fabricação de esmaltes, vernizes, cores, pigmentos, tintas, ungüentos, óleos, pastas, líquidos e pós à base de compostos de chumbo. Fabricação e restauração de acumuladores, pilhas e baterias elétricas contendo compostos de chumbo. Fabricação e emprego de chumbo tetraetila e chumbo tetrametila. Fundição e laminação de chumbo, de zinco velho cobre e latão. Limpeza, raspagem e reparação de tanques de mistura, armazenamento e demais trabalhos com gasolina contendo chumbo tetraetila. Pintura a pistola com pigmentos de compostos de chumbo em recintos limitados ou fechados. Vulcanização de borracha pelo litargírio ou outros compostos de chumbo. Insalubridade de grau médio: Aplicação e emprego de esmaltes, vernizes, cores, pigmentos, tintas, unguentos, óleos, pastas, líquidos e pós à base de compostos de chumbo. Fabricação de porcelana com esmaltes de compostos de chumbo. Pintura e decoração manual (pincel, rolo e escova) com pigmentos de compostos de chumbo (exceto pincel capilar), em recintos limitados ou fechados. Tinturaria e estamparia com pigmentos à base de compostos de chumbo. Insalubridade de grau mínimo: Pintura a pistola ou manual com pigmentos de compostos de chumbo ao ar livre. CROMO Insalubridade de grau máximo: Fabricação de cromatos e bicromatos. Pintura a pistola com pigmentos de compostos de cromo, em recintos limitados ou fechados. Insalubridade de grau médio: Cromagem eletrolítica dos metais. Fabricação de palitos fosfóricos à base de compostos de cromo (preparação da pasta e trabalho nos secadores). Manipulação de cromatos e bicromatos. Pintura manual com pigmentos de compostos de cromo em recintos limitados ou fechados (exceto pincel capilar). Preparação por processos fotomecânicos de clichês para impressão à base de compostos de cromo. Tanagem a cromo. FÓSFORO Insalubridade de grau máximo: Extração e preparação de fósforo branco e seus compostos. Fabricação de defensivos fosforados e organofosforados. Fabricação de projéteis incendiários, explosivos e gases asfixiantes à base de fósforo branco. Insalubridade de grau médio: Emprego de defensivos organofosforados. Fabricação de bronze fosforado. Fabricação de mechas fosforadas para lâmpadas de mineiros. HIDROCARBONETOS E OUTROS COMPOSTOS DE CARBONO Insalubridade de grau máximo: Destilação do alcatrão da hulha. Destilação do petróleo. Manipulação de alcatrão, breu, betume, antraceno, óleos minerais, óleo queimado, parafina ou outras substâncias cancerígenas afins. Manipulação do negro de fumo. (Excluído pela Portaria DNSST n.º 9, de 09 de outubro de 1992) Fabricação de fenóis, cresóis,naftóis, nitroderivados, aminoderivados, derivados halogenados e outras substâncias tóxicas derivadas de hidrocarbonetos cíclicos. Pintura a pistola com esmaltes, tintas, vernizes e solventes contendo hidrocarbonetos aromáticos. Insalubridade de grau médio: Emprego de defensivos organoclorados: DDT (diclorodifeniltricloretano) DDD (diclorodifenildicloretano), metoxicloro (dimetoxidifeniltricloretano), BHC (hexacloreto de benzeno) e seus compostos e isômeros. Emprego de defensivos derivados do ácido carbônico. Emprego de aminoderivados de hidrocarbonetos aromáticos (homólogos da anilina). Emprego de cresol, naftaleno e derivados tóxicos. Emprego de isocianatos na formação de poliuretanas (lacas de desmoldagem, lacas de dupla composição, lacas protetoras de madeira e metais, adesivos especiais e outros produtos à base de poliisocianetos e poliuretanas). Emprego de produtos contendo hidrocarbonetos aromáticos como solventes ou em limpeza de peças. Fabricação de artigos de borracha, de produtos para impermeabilização e de tecidos impermeáveis à base de hidrocarbonetos. Fabricação de linóleos, celulóides, lacas, tintas, esmaltes, vernizes, solventes, colas, artefatos de ebonite, gutapercha, chapéus de palha e outros à base de hidrocarbonetos. Limpeza de peças ou motores com óleo diesel aplicado sob pressão (nebulização). Pintura a pincel com esmaltes, tintas e vernizes em solvente contendo hidrocarbonetos aromáticos. MERCÚRIO Insalubridade de grau máximo: Fabricação e manipulação de compostos orgânicos de mercúrio. SILICATOS Insalubridade de grau máximo: Operações que desprendam poeira de silicatos em trabalhos permanentes no subsolo, em minas e túneis (operações de corte, furação, desmonte, carregamentos e outras atividades exercidas no local do desmonte e britagem no subsolo). Operações de extração, trituração e moagem de talco. Fabricação de material refratário, como refratários para fôrmas, chaminés e cadinhos; recuperação de resíduos. SUBSTÂNCIAS CANCERÍGENAS Para as substâncias ou processos as seguir relacionados, não deve ser permitida nenhuma exposição ou contato, por qualquer via: - 4 - amino difenil (p- xenilamina); - Produção de Benzidina; - Betanaftilamina; - 4 - nitrodifenil, Entende-se por nenhuma exposição ou contato significa hermetizar o processo ou operação, através dos melhores métodos praticáveis de engenharia, sendo que o trabalhador deve ser protegido adequadamente de modo a não permitir nenhum contato com o carcinogênico. Sempre que os processos ou operações não forem hermetizados, será considerada como situação de risco grave e iminente para o trabalhador. Para o Benzeno, deve ser observado o disposto no anexo 13. OPERAÇÕES DIVERSAS Insalubridade de grau máximo: Operações com cádmio e seus compostos, extração, tratamento, preparação de ligas, fabricação e emprego de seus compostos, solda com cádmio, utilização em fotografia com luz ultravioleta, em fabricação de vidros, como antioxidante, em revestimentos metálicos, e outros produtos. Operações com manganês e seus compostos: extração, tratamento, trituração, transporte de minério; fabricação de compostos de manganês, fabricação de pilhas secas, fabricação de vidros especiais, indústria de cerâmica e ainda outras operações com exposição prolongada à poeira de pirolusita ou de outros compostos de manganês. Operações com as seguintes substâncias: - Éter bis (cloro-metílico) - Benzopireno - Berílio - Cloreto de dimetil-carbamila - 3,3' – dicloro-benzidina - Dióxido de vinil ciclohexano - Epicloridrina - Hexametilfosforamida - 4,4' - metileno bis (2-cloro anilina) - 4,4' - metileno dianilina - Nitrosaminas - Propano sultone - Betapropiolactona - Tálio - Produção de trióxido de amônio ustulação de sulfeto de níquel. Insalubridade de grau médio: Aplicação a pistola de tintas de alumínio. Fabricação de pós de alumínio (trituração e moagem). Fabricação de emetina e pulverização de ipeca. Fabricação e manipulação de ácido oxálico, nítrico sulfúrico, bromídrico, fosfórico, pícrico. Metalização a pistola. Operações com o timbó. Operações com bagaço de cana nas fases de grande exposição à poeira. Operações de galvanoplastia: douração, prateação, niquelagem, cromagem, zincagem, cobreagem, anodização de alumínio. Telegrafia e radiotelegrafia, manipulação em aparelhos do tipo Morse e recepção de sinais em fones. Trabalhos com escórias de Thomás: remoção, trituração, moagem e acondicionamento. Trabalho de retirada, raspagem a seco e queima de pinturas. Trabalhos na extração de sal (salinas). Fabricação e manuseio de álcalis cáusticos. Trabalho em convés de navios. (Revogado pela Portaria SSMT n.º 12, de 06 de junho de 1983) Insalubridade de grau mínimo: Fabricação e transporte de cal e cimento nas fases de grande exposição a poeiras. Trabalhos de carregamento, descarregamento ou remoção de enxofre ou sulfitos em geral, em sacos ou a granel. Medidas de Controle 1. Exames médicos para identificação de contaminantes nos trabalhadores 2. Inspeções constantes nos locais de trabalho para verificar a concentração dos contaminantes 3. Treinamento e capacitação constantes 4. Seguir os procedimentos do anexo 9 da NR 15 5. Utilização de EPIs e EPCs 6. Restringir o acesso aos locais contaminados ao mínimo possível 7. Substituir o material contaminante (se possível) Danos à saúde 1. Irritação do sistema respiratório 2. Irritação do sistema gastrointestinal 3. Irritação nos olhos 4. Irritação na pele 5. Alergias 6. Intoxicações em geral conforme a natureza do contaminante. AGENTES BIOLÓGICOS São considerados riscos biológicos: vírus, bactérias, parasitas, protozoários, fungos e bacilos. Os riscos biológicos ocorrem por meio de microrganismos que, em contato com o homem, podem provocar inúmeras doenças. Muitas atividades profissionais favorecem o contato com tais riscos. É o caso das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios, etc. Há uma classificação dos agentes patogênicos selvagens que leva em consideração os riscos para o manipulador, para a comunidade e para o meio ambiente. Esses riscos são avaliados em função do poder patogênico do agente infeccioso, da sua resistência no meio ambiente, do modo de contaminação, da importância da contaminação (dose), do estado de imunidade do manipulador e da possibilidade de tratamento preventivo e curativo eficazes. As classificações existentes (OMS, CEE, CDC-NIH) são bastante similares, dividindo os agentes em quatro classes: Classe 1 - onde se classificam os agentes que não apresentam riscos para o manipulador, nem para a comunidade (ex.: E. coli, B. subtilis); Classes 2 - apresentam risco moderado para o manipulador e fraco para a comunidade e há sempre um tratamento preventivo (ex.: bactérias - Clostridium tetani, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus; vírus - EBV, herpes; fungos - Candida albicans; parasitas - Plasmodium, Schistosoma); Classe 3 - são os agentes que apresentam risco grave para o manipulador e moderado para a comunidade, sendo que as lesões ou sinais clínicos são graves e nem sempre há tratamento (ex.: bactérias - Bacillus anthracis, Brucella, Chlamydia psittaci, Mycobacterium tuberculosis; vírus - hepatites B e C, HTLV 1 e 2, HIV, febre amarela, dengue; fungos - Blastomyces dermatiolis, Histoplasma; parasitos - Echinococcus, Leishmania, Toxoplasma gondii, Trypanosoma cruzi); Classe 4 - os agentes desta classe apresentam risco grave para o manipulador e para a comunidade, não existe tratamento e os riscos em caso de propagação são bastante graves (ex.: vírus de febres hemorrágicas). Relação das atividades que envolvem agentes biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa. Insalubridade de grau máximo: Trabalho ou operações, em contatopermanente com: - pacientes em isolamento por doenças infecto-contagiosas, bem como objetos de seu uso, não previamente esterilizados; - carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros, pêlos e dejeções de animais portadores de doenças infectocontagiosas (carbunculose, brucelose, tuberculose); - esgotos (galerias e tanques); e - lixo urbano (coleta e industrialização). Insalubridade de grau médio: Trabalhos e operações em contato permanente com pacientes, animais ou com material infecto-contagiante, em: - hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana (aplica-se unicamente ao pessoal que tenha contato com os pacientes, bem como aos que manuseiam objetos de uso desses pacientes, não previamente esterilizados); - hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados ao atendimento e tratamento de animais (aplica-se apenas ao pessoal que tenha contato com tais animais); - contato em laboratórios, com animais destinados ao preparo de soro, vacinas e outros produtos; - laboratórios de análise clínica e histopatologia (aplica-se tão-só ao pessoal técnico); - gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia (aplica-se somente ao pessoal técnico); - cemitérios (exumação de corpos); - estábulos e cavalariças; e - resíduos de animais deteriorados. Medidas de Controle 1. Conhecimento da Legislação Brasileira de Biossegurança, especialmente das Normas de Biossegurança emitidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança; 2. O conhecimento dos riscos pelo manipulador; 3. A formação e informação das pessoas envolvidas, principalmente no que se refere à maneira como essa contaminação pode ocorrer, o que implica no conhecimento amplo do microrganismo ou vetor com o qual se trabalha; 4. O respeito das Regras Gerais de Segurança e ainda a realização das medidas de proteção individual; 5. Uso do avental, luvas descartáveis (e/ou lavagem das mãos antes e após a manipulação), máscara e óculos de proteção (para evitar aerossóis ou projeções nos olhos) e demais Equipamentos de Proteção Individual necessários, 6. Utilização da capela de fluxo laminar corretamente, mantendo-a limpa após o uso; 7. Autoclavagem de material biológico patogênico, antes de eliminá-lo no lixo comum; 8. Utilização de desinfetante apropriado para inativação de um agente específico. Danos à saúde Diversas doenças causadas pelos diversos agentes biológicos presentes no ambiente de trabalho. BENZENO Benzeno é um hidrocarboneto classificado como hidrocarboneto aromático, e é a base para esta classe de hidrocarbonetos: todos os aromáticos possuem um anel benzênico (benzeno), que, por isso, é também chamado de anel aromático, possui a fórmula C6H6. Figura 3: Anel de benzeno O Anexo 8 da NR 15 tem como objetivo regulamentar ações, atribuições e procedimentos de prevenção da exposição ocupacional ao benzeno, visando à proteção da saúde do trabalhador, visto tratar-se de um produto comprovadamente cancerígeno. O Anexo se aplica a todas as empresas que produzem, transportam, armazenam, utilizam ou manipulam benzeno e suas misturas líquidas contendo 1% (um por cento) ou mais de volume e aquelas por elas contratadas, no que couber. O Anexo não se aplica às atividades de armazenamento, transporte, distribuição, venda e uso de combustíveis derivados de petróleo. Fica proibida a utilização do benzeno, a partir de 01 de janeiro de 1997, para qualquer emprego, exceto nas indústrias e laboratórios que: a) o produzem; b) o utilizem em processos de síntese química; https://pt.wikipedia.org/wiki/Hidrocarboneto_arom%C3%A1tico c) o empreguem em combustíveis derivados de petróleo; d) o empreguem em trabalhos de análise ou investigação realizados em laboratório, quando não for possível sua substituição. As empresas que utilizam benzeno em atividades que não as identificadas nas alíneas do item 3 do anexo 8 e que apresentem inviabilidade técnica ou econômica de sua substituição deverão comprová-la quando da elaboração do Programa de Prevenção da Exposição Ocupacional ao Benzeno - PPEOB. As empresas que produzem, transportam, armazenam, utilizam ou manipulam benzeno e suas misturas líquidas contendo 1% (um por cento) ou mais de volume devem cadastrar seus estabelecimentos no DSST. Medidas de Controle 1. Exames médicos para identificação de contaminantes nos trabalhadores 2. Inspeções constantes nos locais de trabalho para verificar a concentração dos contaminantes 3. Treinamento e capacitação constantes 4. Seguir os procedimentos do anexo 8 da NR 15 5. Utilização de EPIs e EPCs 6. Restringir o acesso aos locais contaminados ao menor número de pessoas possível Danos à saúde 1. sonolência 2. tonturas 3. dores de cabeça 4. bem como olhos 5. pele e irritação das vias respiratórias 6. em níveis elevados, perda de consciência 7. transtornos no sangue 8. anemia aplástica 9. câncer NR 16 – Atividades e Operações Perigosas O exercício de trabalho em condições de periculosidade assegura ao trabalhador a percepção de adicional de 30% (trinta por cento), incidente sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participação nos lucros da empresa. O empregado poderá optar pelo adicional de Insalubridade que porventura lhe seja devido. É responsabilidade do empregador a caracterização ou a descaracterização da periculosidade, mediante laudo técnico elaborado por Médico do Trabalho ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, nos termos do artigo 195 da CLT. A norma estabelece que: São consideradas atividades e operações perigosas as constantes dos Anexos desta Norma Regulamentadora – NR O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja devido. É responsabilidade do empregador a caracterização ou a descaracterização da periculosidade, mediante laudo técnico elaborado por Médico do Trabalho ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, nos termos do artigo 195 da CLT. Para os fins desta Norma Regulamentadora - NR são consideradas atividades ou operações perigosas as executadas com explosivos sujeitos a: a) degradação química ou autocatalítica; b) ação de agentes exteriores, tais como, calor, umidade, faíscas, fogo, fenômenos sísmicos, choque e atritos http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/periculosidade.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/insalubridade.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/periculosidade.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/clt.htm OPERAÇÕES PERIGOSAS COM EXPLOSIVOS As operações de transporte de inflamáveis líquidos ou gasosos liquefeitos, em quaisquer vasilhames e a granel, são consideradas em condições de periculosidade, exclusão para o transporte em pequenas quantidades, até o limite de 200 (duzentos) litros para os inflamáveis líquidos e 135 (cento e trinta e cinco) quilos para os inflamáveis gasosos liquefeitos. São consideradas atividades ou operações perigosas as enumeradas no Quadro n.° 1, seguinte: OPERAÇÕES PERIGOSAS COM INFLAMÁVEIS São consideradas áreas de risco: a) nos locais de armazenagem de pólvoras químicas, artifícios pirotécnicos e produtos químicos usados na fabricação de misturas explosivas ou de fogos de artifício, a área compreendida no Quadro n.º 2 b) nos locais de armazenagem de explosivos iniciadores, a área compreendida no Quadro n.º 3: ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM EXPOSIÇÃO A ROUBOS OU OUTRAS ESPÉCIES DE VIOLÊNCIA FÍSICA NAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PESSOAL OU PATRIMONIAL As atividades ou operações que impliquem em exposição dos profissionais de segurança pessoal ou patrimonial a roubos ou outras espécies de violência física sãoconsideradas perigosas. São considerados profissionais de segurança pessoal ou patrimonial os trabalhadores que atendam a uma das seguintes condições: a) empregados das empresas prestadoras de serviço nas atividades de segurança privada ou que integrem serviço orgânico de segurança privada, devidamente registradas e autorizadas pelo Ministério da Justiça, conforme lei 7102/1983 e suas alterações posteriores. b) empregados que exercem a atividade de segurança patrimonial ou pessoal em instalações metroviárias, ferroviárias, portuárias, rodoviárias, aeroportuárias e de bens públicos, contratados diretamente pela administração pública direta ou indireta. As atividades ou operações que expõem os empregados a roubos ou outras espécies de violência física, desde que atendida uma das condições do item 2, são as constantes do quadro abaixo: ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM ENERGIA ELÉTRICA Têm direito ao adicional de periculosidade os trabalhadores: a) que executam atividades ou operações em instalações ou equipamentos elétricos energizados em alta tensão; b) que realizam atividades ou operações com trabalho em proximidade, conforme estabelece a NR-10; c) que realizam atividades ou operações em instalações ou equipamentos elétricos energizados em baixa tensão no sistema elétrico de consumo - SEC, no caso de descumprimento do item 10.2.8 e seus subitens da NR10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade; d) das empresas que operam em instalações ou equipamentos integrantes do sistema elétrico de potência - SEP, bem como suas contratadas, em conformidade com as atividades e respectivas áreas de risco descritas no quadro I deste anexo. Não é devido o pagamento do adicional nas seguintes situações: a) nas atividades ou operações no sistema elétrico de consumo em instalações ou equipamentos elétricos desenergizados e liberados para o trabalho, sem possibilidade de energização acidental, conforme estabelece a NR-10; b) nas atividades ou operações em instalações ou equipamentos elétricos alimentados por extra-baixa tensão; c) nas atividades ou operações elementares realizadas em baixa tensão, tais como o uso de equipamentos elétricos energizados e os procedimentos de ligar e desligar circuitos elétricos, desde que os materiais e equipamentos elétricos estejam em conformidade com as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais cabíveis. ATIVIDADES PERIGOSAS EM MOTOCICLETA As atividades laborais com utilização de motocicleta ou motoneta no deslocamento de trabalhador em vias públicas são consideradas perigosas. Não são consideradas perigosas, para efeito deste anexo: a) a utilização de motocicleta ou motoneta exclusivamente no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela; b) as atividades em veículos que não necessitem de emplacamento ou que não exijam carteira nacional de habilitação para conduzi-los; c) as atividades em motocicleta ou motoneta em locais privados. d) as atividades com uso de motocicleta ou motoneta de forma eventual, assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo extremamente reduzido. OS ENIGMÁTICOS ASPECTOS PSICOSSOCIAIS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O CONCEITO DE RISCO O termo psicossocial tem sido utilizado para referir uma grande variedade de fatores psicológicos e sociais que se relacionam com a saúde e a doença mental (Binik, 1985). Na literatura psicológica, sobretudo na área do stress, verifica-se que têm sido realizadas algumas investigações sobre a influência dos fatores psicossociais na saúde e na doença mental e sobre os mecanismos que podem levar essas variáveis a contribuir para o desenvolvimento e manutenção de comportamentos inadequados. Alguns autores referem que os fatores psicológicos, conferem riscos para a manutenção da saúde mental. O termo psicossocial tem sido utilizado para referir uma grande variedade de fatores psicológicos e sociais que se relacionam com a saúde e a doença mental (Binik, 1985). Recentemente alguns documentos nacionais e internacionais têm mencionado a importância da inclusão dos aspectos ou fatores psicossociais nas análises de riscos, que tradicionalmente contemplam apenas aspectos objetivos (químicos, físicos e biológicos. A Organização Internacional do Trabalho – OIT, desde 1984, refere-se aos fatores psicossociais no trabalho como a interação entre o trabalho (ambiente, satisfação e condições de sua organização) e as capacidades do trabalhador (necessidades, cultura, sua situação externa ao trabalho). De um lado, portanto, está a inter-relação entre conteúdo, organização e gerenciamento do trabalho, entre outras condições ambientais e organizacionais, e, do outro, as competências e necessidades dos empregados Psicopatologia do Trabalho Movimento surgido nos anos 50 – período pós-guerra Intenso processo de industrialização que buscava equilibrar o trabalho máximo de produtividade e evitar o adoecimento. Modelos advindo da medicina do trabalho Causa / efeito. A psicopatologia do trabalho objetivava diagnosticar adoecimentos mentais causados pelo trabalho em um indivíduo. A partir da análise do sofrimento psíquico resultante da confrontação do homem frente à organização do trabalho podemos citar fatores que podem acometer a saúde mental dos trabalhadores: 1. Fadiga mental causada por uma alta carga psíquica 2. Excesso de informações e necessidade de tomada de decisões rápidas 3. Falta de controle sobre o tempo 4. Trabalho monótono 5. Possibilidade de erro e consequências graves 6. Subutilização da capacidade mental 7. Divisão do trabalho 8. Esvaziamento da função e da iniciativa 9. Distanciamento entre o planejamento e a execução 10. Acumulo de tarefas 11. Trabalho despersonalizante 12. Fragmentação do trabalho 13. Alienação do trabalho realizado e do produto 14. Horários e turnos 15. Ausência ou insuficiência de pausas 16. Hierarquia rígida 17. Falta de autonomia 18. Impossibilidade de colaborar com sua experiência na realização do trabalho 19. Aumento da responsabilidade sem treinamento 20. Desqualificação do trabalho realizado 21. Sofrimento e defesas contra ele 22. Mecanismos de defesa frente ao sofrimento A Psicopatologia do Trabalho tem na obra de Dejours uma de suas principais fontes atuais de referência; sua visão de sofrimento no trabalho tem trazido novas luzes sobre essa especialidade e contribuído com inúmeras obras para o seu desenvolvimento. O sofrimento no trabalho constitui-se uma das consequências da insistência do trabalhador em viver em um ambiente que lhe é adverso. A relação do homem com o trabalho nunca foi fácil, até mesmo a etimologia da palavra denota algo penoso e, até mesmo, indesejado (“tripalium”, instrumento de tortura feito com três paus). Na literatura psicológica, sobretudo na área do stress, verifica-se que têm sido realizadas algumas investigações sobre a influência dos fatores psicossociais na saúde e na doença mental e sobre os mecanismos que podem levar essas variáveis a contribuir para o desenvolvimento e manutenção de comportamentos inadequados. Alguns autores referem que os fatores psicológicos, conferem riscos para a manutenção da saúde mental. O Stress no Trabalho e a Saúde Mental O trabalho é uma atividade humana, individual e coletiva, que requer uma série de contribuições (esforço, tempo, aptidões, habilidades, etc.), que os indivíduos desenvolvem esperando em troca compensações, não só económicas e materiais, mas também psicológicas e sociais, que contribuam para satisfazer as suas necessidades. Porém, a realidade do trabalho é muito diversificada. Existem condições de trabalho que não proporcionam ao indivíduooportunidades para desenvolver a sua autoestima. Outras, não garantem sequer a segurança ou não satisfazem, adequadamente, as necessidades sociais das pessoas. Na sociedade atual, caracterizada como organização formal, ocorre a maior parte das experiências profissionais das pessoas. As organizações oferecem maior ou menor qualidade de vida no trabalho e adoptam as mais variadas políticas na gestão dos recursos humanos, influindo de forma importante na satisfação do trabalho. O termo “qualidade de vida no trabalho” representa o grau em que os membros duma organização são capazes de satisfazer as necessidades pessoais, através das suas experiências no contexto organizacional. Para Chiavenato (1995), a qualidade de vida no trabalho assimila duas posições distintas: por um lado, as aspirações da pessoa em relação ao seu bem-estar e satisfação do trabalho, e por outro o interesse da organização quanto aos seus efeitos nos objetivos organizacionais. Nesta perspectiva, a qualidade de vida no trabalho não é determinada apenas pelas características individuais (necessidades, valores, crenças e expectativas) ou situacionais (estrutura organizacional, tecnologia, sistemas de recompensas), mas sim pela interação sistémica das características individuais e organizacionais. O autor anteriormente citado, considera que a qualidade de vida interfere com aspectos importantes para o desenvolvimento psicológico e socioprofissional do indivíduo, nomeadamente: motivação para o trabalho; capacidade de adaptação a mudanças no ambiente de trabalho; criatividade e vontade de inovar ou de aceitar qualquer mudança na organização. Se a qualidade de vida no trabalho for pobre pode originar insatisfação do trabalho e comportamentos desajustados (erros de desempenho, absentismo e outros). Pelo contrário, uma elevada qualidade de vida no trabalho conduz a um clima de confiança e de respeito mútuo, no qual o indivíduo pode ativar o seu desenvolvimento psicológico e a própria organização pode reduzir os mecanismos rígidos de controlo social. Também as pessoas, em função da sua maneira de ser, podem influenciar as condições de trabalho. As diferenças individuais são uma componente importante no mundo do trabalho e, por isso, é necessário contemplar esta problemática através de uma perspectiva interacionista que considere um ajuste dinâmico entre a pessoa, o posto de trabalho e a própria organização. Quando este ajuste é inadequado e a pessoa 258 educação, ciência e tecnologia percebe que não dispõe de recursos suficientes para o enfrentar ou neutralizar surgem as experiências de stress (Peiró, 1993). Tais experiências, diz-nos o autor, são, com frequência, negativas e podem ter consequências graves e por vezes irreparáveis, para a saúde e o bem-estar físico, psicológico e social. O stress no trabalho é um dos fenómenos mais difundidos na nossa sociedade porque, na sociedade atual, o trabalho adquiriu uma grande relevância social e porque o interesse pela produtividade e pela eficiência nem sempre é acompanhado de condições de trabalho dignas e adequadas, recursos suficientes para o desenvolver e tarefas e postos de trabalho que tenham em conta as características das pessoas, as suas necessidades, aptidões e interesses. Em síntese, é necessário conseguir que a experiência de trabalho, uma das formas culturais mais importantes para o desenvolvimento pessoal e social, não se converta numa fonte de alienação e despersonalização, e uma das principais causas de doença mental (Peiró, 1993; Chiavenato, 1995). MCgrath (1970), apontado por Peiró (1993) diz-nos que não é difícil constatar a imprecisão e ambiguidade do termo stress e as diferentes, e às vezes contraditórias, formas de defini-lo. Alguns autores consideram até que a sua definição só é útil para uma ampla área de estudos que abordam problemas com ele relacionados. Assim, o stress tem sido definido de várias formas: Como esforço para manter as funções essenciais ao nível requerido; Como informação que o sujeito interpreta como ameaça de perigo; Como frustração e ameaça que não pode reduzir-se ou como 260 educação, ciência e tecnologia impossibilidade de predizer o futuro (Ruff E Korchin, 1967; Lipowsky, 1975; Bonner, 1967; Groen e Bastians, 1975). No âmbito da psicologia, diversos autores têm definido o stress como um conjunto de forças externas que produzem efeitos transitórios ou permanentes sobre a pessoa. Para os autores que consideram o stress como “resposta”, conceptualizam-no como o conjunto de respostas fisiológicas e psicológicas de uma pessoa, quando confrontada com um determinado estímulo ambiental ou estressor, termo que se refere às condições que produzem tensão e outros resultados negativos para a saúde/bem-estar (Wallace e al, 1988). Nesta perspectiva , podem incluir-se: a definição clássica de Seley (1979), “resposta geral do organismo perante qualquer estímulo estressor ou situação estressante “; ou a de Matteson e Ivancevich (1987), “ resposta adaptativa mediada por características individuais, consequência de uma ação externa, situação ou acontecimento que impõe à pessoa exigências físicas ou psicológicas especiais “. Outros autores, que definem o stress como percepção, defendem que o stress surge de processos perceptivos e cognitivos, que produzem sequelas físicas e psicológicas. Assim, Lazarus (1966) interpreta a interação entre agentes estressores e o ser humano em termos de apreciação e avaliação. Deste ponto de vista, a condição de stress só existe quando o indivíduo a percebe como tal. Cabe ainda referir que as definições de stress como transação entre a pessoa e o ambiente supõem que o stress só se caracteriza adequadamente, se se tiver em conta o contexto social e a posição em que a pessoa se encontra, nesse mesmo contexto, ao longo do tempo (Peiró,1993). Dentro destas, encontram-se as seguintes definições de stress: “Falta de disponibilidade de respostas adequadas perante uma situação que produz consequências importantes e graves”; “Relação entre a pessoa e o ambiente que é percebido pela pessoa como ameaçador, com exigências superiores aos seus recursos e, prejudicar o seu bem – estar”; “Discordância negativa entre um estado percebido pelo indivíduo e o estado desejado, supondo que essa diferença é importante para o indivíduo” (Sells, 1970; Lazarus e Folkman, 1984; Edwards , 1988). Ainda segundo Edwards (1988), as definições que comparam exigências e capacidades incluem, implicitamente, uma divergência entre percepções e desejos. o modelo de Harrison (1978), o que produz as experiências de stress é a falta de adaptação entre as solicitações do contexto e os recursos da pessoa para as enfrentar. Assim sendo, o stress é concebido como a falta de ajustamento entre as habilidades e capacidades disponíveis, e as exigências e solicitações do trabalho a desempenhar, e também entre as necessidades do indivíduo e os recursos disponíveis para as satisfazer. Síndrome de Burnout Burnout é um tipo de estresse ocupacional que acomete profissionais envolvidos com qualquer tipo de cuidado em uma relação de atenção direta, contínua e altamente emocional (Maslach & Jackson, 1981; 1986; Leiter & Maslach, 1988, Maslach, 1993; Vanderberghe & Huberman, 1999; Maslach & Leiter, 1999). As profissões mais vulneráveis são geralmente as que envolvem serviços, tratamento ou educação (Maslach & Leiter, 1999). Atualmente, a definição mais aceita do burnout é a fundamentada na perspectiva social-psicológica de Maslach e colaboradores, sendo esta constituída de três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal no trabalho. Maslach, Schaufeli e Leiter (2001) assim definem as três dimensões da síndrome: Exaustão emocional, caracterizada por uma falta ou carência de energia, entusiasmo e um sentimento de esgotamentode recursos; despersonalização, que se caracteriza por tratar os clientes, colegas e a organização como objetos; e diminuição da realização pessoal no trabalho, tendência do trabalhador a se autoavaliar de forma negativa. As pessoas sentem-se infelizes consigo próprias e insatisfeitas com seu desenvolvimento profissional. O processo do burnout é individual (Rudow, 1999). Sua evolução pode levar anos e até mesmo décadas (Rudow, 1999). Seu surgimento é paulatino, cumulativo, com incremento progressivo em severidade (França, 1987), não sendo percebido pelo indivíduo, que geralmente se recusa a acreditar estar acontecendo algo de errado com ele (França, 1987; Dolan, 1987; Rudow, 1999). Maslach, Schaufeli e Leiter (2001) pontuam que, nas várias definições do burnout, embora com algumas questões divergentes, todas encontram no mínimo cinco elementos comuns: 1) existe a predominância de sintomas relacionados à exaustão mental e emocional, fadiga e depressão; 2) a ênfase nos sintomas comportamentais e mentais e não nos sintomas físicos; 3) os sintomas do burnout são relacionados ao trabalho; 4) os sintomas manifestam-se em pessoas “normais” que não sofriam de distúrbios psicopatológicos antes do surgimento da síndrome; 5) a diminuição da efetividade e desempenho no trabalho ocorre por causa de atitudes e comportamentos negativos. Identificando o Burnout Farber (1991) divide as manifestações do burnout em professores em sintomas individuais e profissionais, destacando, entretanto, que estas questões são de difíceis generalizações e descrições universais. Em geral, segundo o autor, os professores sentem-se emocional e fisicamente exaustos, estão frequentemente irritados, ansiosos, com raiva ou tristes. As frustrações emocionais peculiares a este fenômeno podem levar a sintomas psicossomáticos como insônia, úlceras, dores de cabeça e hipertensão, além de abuso no uso de álcool e medicamentos, incrementando problemas familiares e conflitos sociais. Nos aspectos profissionais, o professor pode apresentar prejuízos em seu planejamento de aula, tornando-se este menos frequente e cuidadoso. Apresenta perda de entusiasmo e criatividade, sentindo menos simpatia pelos alunos e menos otimismo quanto à avaliação de seu futuro. Pode também sentir- se facilmente frustrado pelos problemas ocorridos em sala de aula ou pela falta de progresso de seus alunos, desenvolvendo um grande distanciamento com relação a estes. Sentimentos de hostilidade em relação a administradores e familiares de alunos também são frequentes, bem como o desenvolvimento de visão depreciativa com relação à profissão. O professor mostra-se autodepreciativo e arrependido de ingressar na profissão, fantasiando ou planejando seriamente abandoná-la. Segundo Edelwich e Brodsky (1980), os professores apresentam burnout quando gastam muito tempo de seu intervalo denegrindo alunos, reclamando da administração, arrependendo-se de sua escolha profissional e planejando novas opções de trabalho. Principais Causas Muitos estudos têm se preocupado em identificar as causas do burnout especificamente na população de professores. Farber (1991) parte do pressuposto de que suas causas são uma combinação de fatores individuais, organizacionais e sociais, sendo que esta interação produziria uma percepção de baixa valorização profissional, tendo como resultado o burnout. O autor, ao se referir aos fatores de personalidade, diz que a literatura considera professores idealistas e entusiasmados com sua profissão mais vulneráveis, pois sentem que têm alguma coisa a perder. Estes professores são comprometidos com o trabalho e envolvem-se intensamente com suas atividades, sentindo-se desapontados quando não recompensados por seus esforços. Idealizações em relação ao trabalho e à organização propiciam o surgimento do burnout (Maslach & Jackson,1984b). Professores possuem expectativas de atingir metas um tanto ou quanto irrealistas, pois pretendem não somente ensinar seus alunos, mas também ajudá-los a resolverem seus problemas pessoais (Maslach & Goldberg,1998).Maslach e Jackson (1984a) afirmam que a educação pode ser associada ao burnout, devido ao alto nível de expectativa destes profissionais, o qual não pode ser totalmente preenchido. Quanto às variáveis sociodemográficas, Farber (1991) refere que estudos têm mostrado serem os professores do sexo masculino mais vulneráveis que os do sexo feminino, o que levou à suposição de que mulheres são mais flexíveis e mais abertas para lidar com as várias pressões presentes na profissão de ensino. Etzion (1987) associa as diferenças encontradas nos níveis do burnout às questões tradicionais do processo de socialização e organização social, as quais se colocam diferenciadamente para homens e mulheres. Professores com menos de 40 anos apresentam maior risco de incidência, provavelmente devido às expectativas irrealistas em relação à profissão. Jovens precisam aprender a lidar com as demandas do trabalho (Maslach,1982) e, por esta razão, podem apresentar maiores níveis da síndrome. Professores com mais idade, segundo a autora, parecem já ter desenvolvido a decisão de permanecer na carreira, demonstrando menos preocupação com os estressores ou com os sintomas pessoais relacionados ao estresse. No que tange às variáveis profissionais, estudo realizado por Friedman (1991) identificou que, quanto maior a experiência profissional do professor, menores eram os níveis do burnout. Já para Schwab e Iwanicki (1982) e Woods (1999), mais significativo que os anos de prática de ensino é o nível de ensino em que o professor atua. Professores de ensino fundamental e médio apresentavam mais atitudes negativas em relação aos alunos e menor frequência de sentimentos de desenvolvimento profissional do que os professores do ensino infantil. Inerente ao conteúdo do seu cargo, a relação com o aluno tem sido apontada como uma das maiores causas do burnout. Estudo realizado com professores suíços identifica que sua maior causa é o mau relacionamento professor-alunos. Estudo de Burke e colaboradores (1996) confirma este resultado, acrescentando ainda a relação entre burnout e a sobrecarga e o conflito de papel. O professor assume muitas funções, possui papéis muitas vezes contraditórios, isto é, a instrução acadêmica e a disciplina da classe. Também tem que lidar com aspectos sociais e emocionais de alunos, e ainda conflitos ocasionados pelas expectativas dos pais, estudantes, administradores e da comunidade. O excesso de tarefas burocráticas tem feito com que professores se sinta desrespeitados, principalmente quando devem executar tarefas desnecessárias e não relacionadas à essência de sua profissão. Ao desempenhar trabalhos de secretaria, diminui sua carga horária para o atendimento ao aluno e para desenvolver-se na profissão. A falta de autonomia e participação nas definições das políticas de ensino tem mostrado ser um significativo antecedente do burnout. Estas questões, somadas à inadequação salarial e à falta de oportunidades de promoções, têm preocupado pesquisadores. Outra questão relevante abordada pelos autores é o isolamento social e a falta de senso de comunidade que, geralmente, estão presentes no trabalho docente, tornando os professores mais vulneráveis ao burnout. Segundo os autores, o ensino é uma profissão solitária, uma vez que há uma tendência do professor a vincular suas atividades ao atendimento de alunos, ficando à parte de atividades de afiliação, grupos e engajamento social. Esse fato foi comprovado por Burke e Greenglass (1989), ao identificarem ser a falta de suporte social uma das causas significativas do burnout em professores. A inadequação da formação recebida para lidar com as atividades de ensino, escola e cultura institucional também tem sido apontada pelos professores como um importantecausa da síndrome (Farber, 1991; Wisniewski & Gargiulo, 1997). A formação do professor, explicam os autores, enfatiza conteúdos e tecnologia, sendo deficiente a abordagem nas questões de relacionamento interpessoal, relacionamento com alunos, administradores, pais e outras situações. A falta de condições físicas e materiais para implementar suas ações junto aos alunos também foi identificada como importante fonte de desgaste profissional. A relação com familiares dos alunos, de acordo com Abel e Sewell (1999), também se mostra muitas vezes problemática e estressante, seja pela falta de envolvimento deles no processo educacional – acreditando serem a escola e o professor os únicos responsáveis pela educação dos filhos – seja pelo excesso – acreditando ser o professor incompetente e inexperiente e, muitas vezes, o causador dos problemas apresentados pelo aluno. Para Cherniss (1995), muitos pais acreditam que os profissionais do ensino estão mais preocupados com seu contracheque e com suas férias do que com a educação. Farber (1991) afirma que, do ponto de vista público, a categoria sofre muitas críticas, é extremamente cobrada em seus fracassos e raramente reconhecida por seu sucesso. Para o autor, mesmo que esta seja uma tendência de todas as profissões, nenhuma categoria tem sido tão severamente avaliada e cobrada pela população em geral nas últimas duas décadas como a dos professores. CONTRIBUIÇÃO DA ERGONOMIA PARA GERENCIAMENTO DE RISCOS Distribuição do trabalho A organização do trabalho se relaciona à maneira como o trabalho é distribuído no tempo envolvendo as pessoas, o ambiente, os recursos tecnológicos e a organização. Ela define quem faz o quê, quando, quanto, aonde, em que condições físicas, organizacionais e gerenciais, abrangendo a divisão do trabalho, o conteúdo da tarefa, o sistema hierárquico, os modelos de gestão, as relações de poder, as formas de comunicação, as questões de responsabilidade e autonomia. O outro aspecto se refere à particularidade das pessoas ao executarem suas tarefas no posto de trabalho e a relação destas pessoas para com as outras, para com elas mesmas e para com a empresa. É a organização do trabalho que faz as regulações do trabalho, tornando-o ou não, mais adequado às características psicofisiológicas dos indivíduos. A ergonomia objetiva sempre adaptar o trabalho ao homem, mas para isto é preciso ter o máximo de conhecimento possível sobre as necessidades e características do operador do posto de trabalho. Os tipos de adaptações que devem ser feitas no trabalho para que o ato de trabalhar não leve ao desgaste desnecessário, ou seja, as adaptações devem respeitar os limites adequados, ou corresponder à possibilidade de recuperação do operador. Muitas foram às tentativas de definição das necessidades humanas. Para Rio (1999) elas podem apresentar quatro dimensões básicas: espiritual, social, psíquica e biológica Uma das sistematizações de necessidades que encontrou maior repercussão no universo organizacional foi estabelecida por Abraham Maslow que, propôs a Teoria de Hierarquia das Necessidades. Esta teoria presumia que as pessoas estão em permanente estado de motivação, mas a natureza da motivação pode ser diferente de grupo para grupo ou de pessoa para pessoa, conforme a situação em específico. A “hierarquia das necessidades” de Maslow é composta por cinco necessidades fundamentais (GIL, 2001): 1. Fisiológica: comer, dormir, beber, sexo. 2. Segurança: ter um abrigo onde morar 3. Integração no grupo: ser aceito por outros 4. Autoestima: reconhecimento do próprio valor 5. Autorrealização: realização dos objetivos pessoais e profissionais O autor admite que dentro desta hierarquia uma vez satisfeita uma necessidade, surge outra não sendo obrigatório que uma necessidade esteja 100% satisfeita para que outra apareça. A ergonomia tem tido dificuldades em propor abordagens consistentes para a questão das necessidades humanas. Bases mais sólidas para os estudos ergonômicos são encontradas no que se refere às características humanas: à fisiologia da atividade, ao sistema músculo-esquelético e ao sistema óptico. Cada indivíduo apresenta características bem pessoais em relação aos seus sistemas circulatório, respiratório e muscular, como também, à produção hormonal. Todos estes sistemas estão relacionados com posturas, movimentos, pausas, sono, alimentação, ou seja, a forma pela qual o metabolismo reage e se adapta, física e mentalmente, às tarefas a serem executadas. Do ponto de vista fisiológico, trabalho está associado com a transformação de energia (térmica, química, elétrica) pelo ser humano. A “máquina humana” é movida pela alimentação e pela respiração, transformando estes recursos em energia expressos através do trabalho braçal e/ou intelectual. Todos os indivíduos precisam de adaptações fisiológicas para a realização das tarefas. No início de uma atividade qualquer (digitar, varrer, correr, etc.) os músculos trabalham em condições desfavoráveis de oxigenação e eliminação de calor, sendo necessários, entre 5 a 10 minutos para que o metabolismo passe a atuar de forma fisiologicamente compatível com o ritmo de trabalho. Entretanto, o trabalho mental (ler, resolver exercícios de matemática, etc.) requer um “aquecimento” entre 30 a 60 minutos para que o organismo possa atingir seu rendimento ideal. O trabalho muscular estático (postural) é extremamente prejudicial quando realizado sem as devidas pausas, pois, acarreta no organismo do trabalhador um estado de contração prolongada da musculatura ocasionando uma menor irrigação sanguínea, maior número de batimentos cardíacos e, portanto, maior consumo de energia. Com isso, se quer dizer que, permanecer muito tempo sentado (digitando, escrevendo, lendo, calculando) faz com que nosso organismo sofra uma diminuição da coordenação motora, de forma mais rápida, levando à fadiga muscular e suas inevitáveis consequências, o aumento do risco de falhas e acidentes (RIO, 1999). Grande parte das atividades é realizada na posição sentada. Do ponto de vista ergonômico, os assentos ressaltam os aspectos biomecânicos como postura ideal, flexibilidade postural, espaço de alcance para membros superiores, inferiores e campo visual e, postura semi-sentada. Todos estes aspectos guardam uma relação direta com a antropometria, que é definida por Rio e Pires (1999, p. 132) como “o estudo das medidas físicas do corpo humano, que constituem a base para bons desenhos de postos de trabalho. A antropometria procura estipular medidas que sejam representativas de parcelas estatisticamente significativas de comunidades humanas”. Já o trabalho muscular dinâmico se caracteriza por sequências alternadas de contração (tensão) e descontração (relaxamento) muscular. O aporte sanguíneo é bastante favorável para a musculatura, não apenas pela facilidade de fluxo durante a descontração, como pela ação rítmica de bombeamento sanguíneo exercida pelos músculos em atividade. Este fluxo facilitado possibilita também a retirada adequada dos metabólitos (resíduos) resultantes da atividade muscular. É, portanto, um trabalho tido como mais saudável, porque busca um equilíbrio entre produção e consumo de energia. Trabalhadores mais jovens se recuperam do cansaço de forma mais rápida do que trabalhadores com mais idade. Os indivíduos com até 28 anos, conseguem fazer suas reposições metabólicas mesmo permanecen do acordados. Após esta faixa etária, para recuperar o cansaço, a fadiga e/ou o estresse decorrente da atividade profissional é necessário dormir para repor as energias (IIDA, 2005). A quantidade de sono interfere nas atividades do dia a dia e no trabalho. O sono de dia é mais curto e de menor qualidade que o sono noturno. A duração média do sono diurno é de 6 horas, ocorrendo o aumento da fase do sonosuperficial e a maior movimentação corporal. Durante o dia, todos os órgãos e funções estão preparados para a produção, ao passo que, durante a noite, as atividades e a prontidão funcional da maioria dos órgãos estão amortecidas, ou seja, o organismo está preparado para o descanso e a reconstituição das reservas de energia. Para Sounis (1991) alguns sinais são característicos de comprometimentos no tocante aos aspectos físico, fisiológico, mental, psíquico e emocional nos trabalhadores que exercem suas atividades laborativas em turnos: • Perturbação do apetite e do sono (excesso ou falta). • Problemas estomacais e intestinais levando às lesões. • Irritabilidade psíquica. • Sensação de cansaço, mesmo após o sono. • Tendência à depressão, muito em decorrência da vida familiar alterada e do isolamento social. • Pouca motivação e disposição para o trabalho ou lazer. • Problemas cardíacos. • Redução da capacidade das funções cognitivas (atenção, memória, pensamento). Para os indivíduos que precisam trabalhar em sistema de rodízio, turnos diversificados ou mesmo plantões, é importante observar que todo o organismo precisa cerca de quatro a cinco dias para que seu ritmo biológico se adapte em função dos turnos, plantões e/ou rodízios. Isto significa que qualquer alteração de horário que siga com padrão semanal é inoportuna, pois, mal o organismo terminou de adaptar-se, há uma inversão de turno exigindo nova adaptação. O ideal é programar turnos de duas a três semanas para que o organismo no trabalhador não venha a desenvolver doenças ocupacionais (Kroemer; Grandjean, 2005). Pode-se dizer que em torno de dois terços dos trabalhadores em turnos apresentam prejuízos na saúde no sentido de alguma perturbação do seu bem-estar e que cerca de um quarto deles irá desistir do trabalho em turnos, mais cedo ou mais tarde, por motivos de saúde. Portanto, algumas recomendações são indicadas para se evitar o adoecimento do trabalhador: • Estabelecer turnos noturnos esparsos do que contínuos. • A duração do turno deve ser adaptada ao trabalhador, e não o contrário. • O início do turno da madrugada ser após as 5 horas. • Entre o fim de um turno e início de outro: 12 horas livres. • Ter idade superior a 25 anos e inferior a 50 anos. • Oferecer alimentação quente e balanceada. • Não são indicadas pessoas com problemas de insônia, gastrintestinais, desequilíbrio emocional e distúrbios psicossomáticos. Para Iida (2005), França e Rodrigues (1999) o metabolismo humano quando exposto a um longo ou intenso período de exaustão, desencadeia no indivíduo alterações físicas. Exemplos dessas alterações são a elevação da frequência da pressão sanguínea, aumento da pressão cardíaca, do fluxo do hormônio adrenalina, do nível de glicose liberada pelo fígado e do fluxo de percepções sensoriais. Em relação ao nível mental, o baixo número de pausas executadas pode acarretar sonolência, cansaço, diminuição do raciocínio e da atenção, como também, dificuldade em pensar. Em nível psíquico, podem ocorrer irritabilidade, depressão, falta de motivação em geral como indisposições para o trabalho e o convívio social em geral. Estes sintomas são característicos das doenças psicossomáticas e seus efeitos colaterais mais comuns são as dores de cabeça, tonturas, insônia, disritmia cardíaca, surtos de suor sem motivo aparente e perturbações da digestão. Esta subjetividade do operador ou do trabalhador em relação à forma como ele encara sua atividade laborativa, constitui um fator de análise das características individuais de adaptações ao trabalho, contemplada na organização do trabalho. Alguns dos conceitos mais utilizados em organização do trabalho que são: ciclo, ritmo, duração, autonomia, pausa e estresse. Vejamos de forma mais detalhada como Rio (1999) apresenta cada um deles: • Ciclo: ciclo de trabalho consiste em uma sequência de passos, de ações para execução de uma atividade. Existem ciclos claramente repetitivos, nos quais as mesmas ações se repetem a cada ciclo como, por exemplo, num trabalho de linha de montagem, no qual a mesma sequência de posturas e movimentos é adotada. De acordo com a duração e a diversidade de ações nas atividades de ciclo claramente repetitivas, elas podem ser consideradas: de alta repetitividade - ciclos de duração maior do que 30 segundos ou ciclos nos quais menos do que 50% do tempo é ocupado com o mesmo tipo de movimentos; de baixa repetitividade – ciclos de duração menor do que 30 segundos, ou ciclos nos quais mais do que 50% do tempo é ocupado com o mesmo tipo de movimentos. A ergonomia vem concentrando seus esforços, principalmente, no sentido de evitar atividades altamente repetitivas como forma preventiva de LER/ DORT. O balanceamento das atividades, visando a tornar seus ciclos adequados às características físicas e psíquicas dos indivíduos são de grande importância para a saúde e a produtividade humanas. • Ritmo: ritmo de trabalho tem a ver com a velocidade com que as ações são realizadas durante o trabalho. Ritmos muito lentos tendem a produzir monotonia e ritmos muito rápidos tendem a gerar sobrecarga. A ergonomia busca encontrar ritmos adequados para que a saúde e a produtividade possam ser otimizadas durante a execução das tarefas. • Carga: representa a quanto de exigência é imposto sobre o indivíduo, a partir da realização de suas atribuições. Essa carga é constituída por um conjunto de exigências que atua como um todo, mas didaticamente, podemos subdividi-la em alguns tipos específicos de cargas: sensorial (estímulos auditivos, visuais, táteis, gustativos); cognitiva (memória, atenção, concentração, pensamentos lógico, matemático, dedutivo, indutivo, abstrato), afetiva (ou de contato humano – exigências de interação afetiva próprias do trabalho, isto é, atividades de atendimento ao público, atividades na área de saúde); músculo-esquelética (posturas da cabeça, pescoço, tronco e membros). Segundo Kroemer; Grandjean, 2005, p. 118: Subcarga atrofia. Sobrecarga desgasta. Mas, a carga bem dimensionada, desenvolve. • Duração: se relaciona ao tempo objetivamente consumido com as atividades e pode ser avaliado como um todo, mediante a duração total da jornada de trabalho, ou em partes, duração de certas tarefas em específico durante a jornada Autonomia: consiste na possibilidade que o funcionário tem de intervir no seu trabalho, quer seja na utilização de componentes, na regulação do ambiente, ou mesmo, na própria organização do trabalho. Em outras palavras, significa que a pessoa pode exercer controle sobre suas atividades e tarefas durante sua jornada de trabalho. • Pausas: trata-se da necessidade de alternância entre esforço e repouso, entre estresse e relaxamento. São aqueles momentos de interrupção das atividades físicas e mentais das tarefas que estão sendo executadas. São utilizadas para que o funcionário possa fazer sua higiene pessoal, entrar em contato com familiares ou mesmo se alimentar. O organismo humano necessita de períodos de recuperação de energia, para que possa manter sua capacidade funcional. Quanto mais intenso e/ou duradouro o esforço, maior a necessidade de pausas. A ergonomia apresenta alguns tipos de pausa: a) micropausa: pausas com duração mínima que ocorrem em função do próprio processo produtivo, como por exemplo, o setup de uma máquina como um computador. b) pausa formal: horários de café, almoço, jantar. c) pausa prescrita: 50/10 para cada 50 minutos de digitação são necessários 10 minutos de pausa obrigatória. d) pausa para rodízio: interrupção ou redução da atividade para troca de pessoal, de ferramentas, de posto de trabalho. A relação da ergonomia com a organização do trabalho também contempla aspectos dos sistemas administrativos abrangendo produtividade, modelos de gestão, formas de comunicação, relacionamentointerpessoal do trabalhador com seus colegas e com sua chefia, autonomia, liderança e poder, clima e cultura organizacional. Chanlat (1997) aponta que o modelo de gestão é responsável direto por numerosos problemas de saúde física (fadiga crônica, úlceras, doenças cardiovasculares, doenças musculares e ósseas, insônias) e de saúde mental (neuroses, depressão, fadiga nervosa etc.). O autor reitera o aspecto repetitivo das tarefas, seu caráter monótono, a pressão do tempo, a carga física e mental penosa, a ausência de autonomia, o trabalho extra, podem ser considerados como principais responsáveis pelas enfermidades e pelo envelhecimento acelerado dos trabalhadores. Para Bridi (1997) a cultura organizacional e os valores contribuem, de maneira importante e complexa, para a resposta dos trabalhadores ao meio ambiente. A autora afirma, que meio ambiente em uma ampla concepção, determina se as pessoas podem trabalhar sem distração, se podem controlar a privacidade quando desejam, ou, se permanecem à vista o tempo todo. O meio ambiente também determina as oportunidades para mudanças sociais positivas e processos de comunicação, incluindo o grau de conversão íntima e exposição social. A habilidade dos trabalhadores para regular as interações sociais é altamente influenciada pelo grau de acesso e exposição visual, a proximidade dos colegas, a disponibilidade e a localização dos ambientes de interação, pretendidos ou não. A autora conclui em sua pesquisa, que o bem-estar coletivo, a coesão social em um sentido de comunidade, e até mesmo, em uma concepção de “enraizamento”, faz com que se desenvolvam ligações duradouras com o local, e assim, diminuam os níveis de estresse. Isto só é possível, mediante uma cultura que contemple a produtividade organizacional com o bem- -estar dos trabalhadores. Dentro do processo produtivo, a subjetividade ou as particularidades das pessoas é expressa de forma não consciente, acompanhando o trabalhador na execução de suas tarefas. Qualquer alteração no processo previamente definido ocasionará adaptações biopsicossociais específicas para cada indivíduo. Leite (2001) aponta que uma das principais queixas encontradas entre os trabalhadores de processos automatizados, de base microeletrônica, é o cansaço mental decorrente da própria execução das tarefas, e que este cansaço implica em um tempo de recuperação maior e diferenciado do que o desgaste físico. Glina e Rocha (2000) apontam como principais fatores que potencializam somatizações nos indivíduos, além da a sobrecarga e subcarga de trabalho (tanto qualitativa quanto quantitativa): as pressões advindas das responsabilidades pela tarefa a ser desenvolvida; os conflitos interpessoais, decorrentes dos relacionamentos com colegas e chefias; o conflito e a ambiguidade de papéis, diretamente relacionados com a satisfação e motivação para com o trabalho; a segurança profissional, em relação às perspectivas de reconhecimento e ascensão da carreira profissional; e, a baixa autonomia na função, ou seja, a falta de controle, a submissão ao ritmo imposto pela demanda, a rigidez da cultura organizacional e as restrições de comportamentos mediante a obrigatoriedade do script. As pesquisas de Martinez e Paraguay (2001) evidenciam a satisfação no trabalho como um fator de promoção de saúde e de prevenção de doenças, e apontam os fatores psicossociais do ambiente de trabalho como determinantes importantes no nível de satisfação. Ainda conforme Glina e Rocha (2000), a situação saudável de trabalho, seria a que permitisse o desenvolvimento do indivíduo, alternando exigências e períodos de repouso, numa interação dinâmica homem e ambiente. As características de personalidade mediariam os fatores de estresse do ambiente e os sintomas. As tarefas que envolvessem alto grau de tensão poderiam ser encaradas como desafios ou oportunidades dentro da empresa, e assim, tenderiam a ser menos estressantes. As autoras ainda destacam a importância do suporte social, envolvendo a sociabilidade dentro do local de trabalho e, também, as ações da família e dos grupos sociais fora do trabalho atuando como um fator protetor. A idade tem uma grande influência na curva de produtividade do indivíduo ao longo de sua vida. Pessoas com 40 ou 50 anos têm características diferentes em relação a jovens até 28 anos. A idade traz consigo uma redução dos alcances e da flexibilidade declina a força muscular, os movimentos se tornam mais lentos, a acuidade visual e auditiva vai perdendo sua eficiência. Porém, em contrapartida, pessoas mais velhas acumularam experiências e podem apresentar um bom desempenho no trabalho, desde que estes não façam exigências acima de suas capacidades. Pessoas mais velhas são mais cautelosas, adotam procedimentos seguros, reduzem as incertezas e são mais seletivas no aprendizado de novas habilidades. Portanto, em uma situação de trabalho, é necessário verificar se a tarefa executada está sendo realizada pelo indivíduo dentro de suas capacidades física, mental e cognitiva de modo que, não proporcione o surgimento da fadiga a qual trará prejuízos à saúde e encurtará a expectativa de vida do trabalhador. Os fatores sociais e fisiológicos, bem como a organização do trabalho, nem sempre são contemplados junto às organizações, pois sua atenção está mais focada para a tecnologia, para os fatores ambientais e os aspectos biomecânicos. É importante, pois ressaltar as contribuições da psicologia do trabalho para uma ação preventiva concreta junto aos trabalhadores e as empresas em relação à saúde ocupacional. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10004: Resíduos sólidos – Classificação. Rio de Janeiro, 2004. ALBERTON, A. Uma metodologia para auxiliar no gerenciamento de riscos e na seleção de alternativas de investimentos em segurança. Programa de pós- graduação em engenharia de produção. Florianópolis: UFSC, 1996. CASTRO, R. P. Apostila de gerenciamento de risco. Curso de pós-graduação em engenharia de segurança do trabalho. UNIP – Universidade Paulista, 2011. CLÁUDIO, A. O método 5 “porquês”. Blog Espaço da Qualidade. 2012. COUTO, H. A. Comportamento seguro: 70 lições para o supervisor de primeira linha. Belo Horizonte: Ergo, 2009. DE CICCO, F.; FANTAZZINI, M. L. Tecnologias consagradas de gestão de riscos: riscos e probabilidades. São Paulo: Séries Risk Management, 2003. NETO. M. W. Como investigar acidentes de trabalho. Blog Segurança do Trabalho, 2012. SILVEIRA, C. C., GOMES, M. C. Ação corretiva: análise de causa raiz dos defeitos e proposta de um plano de ação. 2011.50 Medidas de Controle .................................................................................. 52 Danos à saúde ........................................................................................... 52 BENZENO ..................................................................................................... 53 Medidas de Controle .................................................................................. 54 Danos à saúde ........................................................................................... 54 1. sonolência ..................................................................................... 54 2. tonturas ......................................................................................... 54 3. dores de cabeça ............................................................................ 54 4. bem como olhos ............................................................................ 54 5. pele e irritação das vias respiratórias ............................................ 54 6. em níveis elevados, perda de consciência .................................... 54 7. transtornos no sangue ................................................................... 54 8. anemia aplástica ........................................................................... 54 9. câncer ........................................................................................... 54 NR 16 – Atividades e Operações Perigosas .................................................... 55 OPERAÇÕES PERIGOSAS COM EXPLOSIVOS ........................................ 56 OPERAÇÕES PERIGOSAS COM INFLAMÁVEIS ....................................... 57 ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM EXPOSIÇÃO A ROUBOS OU OUTRAS ESPÉCIES DE VIOLÊNCIA FÍSICA NAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PESSOAL OU PATRIMONIAL ........... 57 ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM ENERGIA ELÉTRICA ... 59 ATIVIDADES PERIGOSAS EM MOTOCICLETA.......................................... 60 OS ENIGMÁTICOS ASPECTOS PSICOSSOCIAIS E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O CONCEITO DE RISCO ...................................................................... 61 Psicopatologia do Trabalho .............................................................................. 62 O Stress no Trabalho e a Saúde Mental .......................................................... 63 Síndrome de Burnout ....................................................................................... 66 Identificando o Burnout ................................................................................. 67 Principais Causas ......................................................................................... 68 CONTRIBUIÇÃO DA ERGONOMIA PARA GERENCIAMENTO DE RISCOS . 71 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 81 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. Método De Análise De Risco Análise de riscos O propósito da análise de riscos é compreender a natureza do risco e suas características, incluindo o nível de risco, onde apropriado. A análise de riscos envolve a consideração detalhada de incertezas, fontes de risco, consequências, probabilidade, eventos, cenários, controles e sua eficácia. Um evento pode ter múltiplas causas e consequências e pode afetar múltiplos objetivos. A análise de riscos pode ser realizada com vários graus de detalhamento e complexidade, dependendo do propósito da análise, da disponibilidade e confiabilidade da informação, e dos recursos disponíveis. As técnicas de análise podem ser qualitativas, quantitativas ou uma combinação destas, dependendo das circunstâncias e do uso pretendido. Convém que a análise de riscos considere fatores como: — a probabilidade de eventos e consequências; — a natureza e magnitude das consequências; — complexidade e conectividade; — fatores temporais e volatilidade; — a eficácia dos controles existentes; — sensibilidade e níveis de confiança. A análise de riscos pode ser influenciada por qualquer divergência de opiniões, vieses, percepções do risco e julgamentos. Influências adicionais são a qualidade da informação utilizada, as hipóteses e as exclusões feitas, quaisquer limitações das técnicas e como elas são executadas. Convém que estas influências sejam consideradas, documentadas e comunicadas aos tomadores de decisão. Eventos altamente incertos podem ser difíceis de quantificar. Isso pode ser um problema ao analisar eventos com consequências severas. Nestes casos, usar uma combinação de técnicas geralmente fornece maior discernimento. A análise de riscos fornece uma entrada para a avaliação de riscos, para decisões sobre se o risco necessita ser tratado e como, e sobre a estratégia e os métodos mais apropriados para o tratamento de riscos. Os resultados propiciam discernimento para decisões, em que escolhas estão sendo feitas e as opções envolvem diferentes tipos e níveis de risco. Dentre da Higiene Ocupacional já foi mencionado como se dá a análise de riscos, que contem quatro passos a antecipação, reconhecimento, avaliação e controle. Para aumentar a eficiência desse processo podemos adicionar o monitoramento, que se trata do acompanhamento e vigia para saber se os diversos ambientes de trabalho estão compatíveis com a saúde humana. A CONTRIBUIÇÃO DA HIGIENE DO TRABALHO PARA O CONCEITO DE RISCO Conceituamos higiene do trabalho como a ciência que dedica a antecipação reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais presentes nos locais de trabalho. A antecipação consiste em ações realizadas antes da concepção e instalação de qualquer novo local de trabalho. Envolve a análise de projetos de novas instalações (impacto ambiental, saúde ocupacional), equipamentos, ferramentas, métodos ou processos de trabalho, matérias-primas, ou ainda, de modificações. Visa identificar riscos potenciais, procurando alternativas de eliminação e/ou neutralização, ainda na fase de planejamento e projeto (seleção de tecnologias mais seguras, menos poluentes, envolvendo, inclusive, o descarte dos efluentes e resíduos resultantes). A antecipação constitui-se de normas, instruções e procedimentos para correto funcionamento dos processos, visando reduzir ou eliminar riscos que possam surgir, ou seja, assegurar que sejam tomadas medidas eficazes para evitá-los. Isso pode requerer a criação de normas ou procedimentos para compradores, projetistas e para a contratação de prestadores de serviço, de modo a reduzir- se, ao máximo, a probabilidade de que surjam novos riscos aos processos. O reconhecimento dos riscos trata se da identificação dos agentes físicos, químicos e biológicos presentes no ambiente de trabalho quepossam causar danos à saúde e integridade dos trabalhadores. Um estudo deve ser realizado sobre as matérias primas, produtos e serviços, métodos e procedimentos de rotina, processos, instalações e equipamentos. Desta forma, para que esta etapa seja bem sucedida, devemos ter conhecimento profundo do processo produtivo, ou seja, dos produtos envolvidos no processo, dos métodos de trabalho, do fluxo do processo, do arranjo físico das instalações, do número de trabalhadores expostos, dentre outros fatores relevantes. A avaliação é uma análise quantitativa e/ou qualitativa dos agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos postos de trabalho. É nesta fase que devemos fazer a coleta das amostras (quando cabível), realizar medições e análises das intensidades e das concentrações dos agentes, realizar cálculos e interpretações dos dados levantados no campo, comparando os resultados com os limites de exposição estabelecidos pelas normas vigentes. Desta forma criará critérios para avaliar se o ambiente está ou não compatível com a saúde humana. Controle dos riscos é a fase que está ligada à eliminação ou mitigação dos riscos ocupacionais que foram antecipados, reconhecidos e avaliados no ambiente. Adoção de medidas de controle de riscos devem ser tomadas seguindo a seguinte ordem FONTE As medidas que podem ser aplicadas na fonte da contaminação incluem: 1. Eliminar a fonte; 2. Substituir, utilizando processos e/ou materiais menos perigosos; 3. Isolar / conter / enclausurar – cercando as fontes ou os trabalhadores, ou a fonte e alguns funcionários juntos em vez de todos os trabalhadores; 4. Modificar o processo de produção; 5. Incluir métodos automatizados - uso de robótica, produtos auxiliados com controle remoto ou computador; 6. Separação - colocar a fonte em um local diferente dos trabalhadores; 7. Ventilação local - uso de ventilação para capturar o contaminante na fonte, para evitar a dispersão; TRAJETÓRIA Controle ao longo do percurso, quando o contaminante é de dispersão, é mais difícil e menos opções estão disponíveis. Incluem: 1. Ventilação geral - o que dilui a concentração de contaminantes; 2. O aumento da distância entre a fonte e os trabalhadores, ou seja, o aumento do comprimento do percurso de modo que haja mais dispersão e diluição; 3. Uso de telas e barreiras parciais. INDIVIDUO Controles baseados no trabalhador incluem: 1. Controles administrativos – rotatividade de trabalhadores, limitando o tempo que eles trabalham em um local insalubre e/ou perigoso; sinalização do ambiente; 2. Equipamento de proteção individual (EPI) - utilizando algo que impeça o contaminante de afetar a segurança/saúde do trabalhador, mesmo que ele já tenha sido atingido pelo agente de risco. Observe que essas categorias não são definitivas. Existe um grau de subjetividade no momento de decidir qual categoria um determinado controle pertence e, de fato, alguns controles poderiam ser considerados para se encaixar em mais de uma categoria. Por exemplo, alguns textos consideram ventilação exaustora e local para serem controles de via, no entanto, é importante reconhecer que a ventilação exaustora e local, sendo aplicado perto da fonte, geralmente são muito mais eficazes para controlar a exposição que outros controles localizados ao longo do caminho ou controles baseados nos trabalhadores. Classificação Dos Riscos Ambientais Na maioria das atividades industriais existem processos capazes de gerar, no ambiente de trabalho, substâncias e fenômenos físicos que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade, ao entrarem em contato com o organismo dos trabalhadores, podem produzir danos à sua saúde. Na higiene ocupacional, dividimos os riscos presentes no ambiente de trabalho em: • Riscos físicos. • Riscos químicos. • Riscos biológicos. • Riscos ergonômicos. Cada um destes grupos subdivide-se de acordo com as consequências fisiológicas que podem provocar, quer em função das características físico-químicas, concentração ou intensidade dos agentes, quer segundo sua ação sobre o organismo. O conhecimento das características específicas de cada agente é fundamental na definição de seu potencial de agressividade e, inclusive, na proposição de medidas técnicas para a sua neutralização. Cada agente ambiental tem características e efeitos específicos de acordo com sua natureza. Riscos físicos: São agentes de risco físico: ruído, calor, frio, pressão, umidade, radiações ionizantes e não-ionizantes, vibração e quaisquer outras formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores. Para cada tipo de risco é indicada uma limitação permitida. No caso de ruídos, o máximo de decibéis por exemplo. Os limites para a exposição a esses fatores estão descritos, em sua maioria, na NR 15. Riscos químicos: São substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória como gases, poeiras, fumos ou vapores, além de outros que possam ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão. É o nível de toxicidade do agente químico que determina o período máximo que o colaborador pode ter exposição. Riscos biológicos: São bactérias, vírus, fungos, protozoários e as medidas de prevenção variam de acordo com a patogenicidade ao qual o trabalhador está exposto em sua atividade. https://riskex.bitrix24.com.br/pub/form/16_como_envolver_a_gest_o_e_os_empregados_com_a_seguran_a_no_trabalho/zzznzq/ https://riskex.bitrix24.com.br/pub/form/16_como_envolver_a_gest_o_e_os_empregados_com_a_seguran_a_no_trabalho/zzznzq/ Riscos ergonômicos: Postura inadequada de trabalho, levantamento e transporte de peso, jornadas prolongadas de turno e quaisquer outras situações que exijam esforço físico demasiado ou que haja estresse físico. A avaliação desses riscos é feita por meio de um laudo ergonômico. Tempo De Exposição Quanto maior o tempo de exposição, maiores serão as possibilidades de se produzir uma doença ocupacional. O tempo real de exposição será determinado considerando-se a análise da tarefa desenvolvida pelo trabalhador. Essa análise deve incluir estudos tais como: tipo de atividade e suas particularidades, movimento do trabalhador ao efetuar o seu serviço, jornada de trabalho e descanso. Devem ser consideradas todas as suas possíveis variações durante a jornada de trabalho, de forma a subsidiar o dimensionamento da avaliação quantitativa da exposição. Concentração Ou Intensidade Do Agente Quanto maior a concentração ou intensidade dos agentes agressivos presentes no ambiente de trabalho, maior será a possibilidade de efeitos nocivos à saúde dos trabalhadores. A concentração dos agentes químicos ou a intensidade dos agentes físicos devem ser avaliadas, mediante amostragem nos locais de trabalho, de maneira tal que elas sejam as mais representativas possíveis da exposição real do trabalhador a esses agentes agressivos. Esse cuidado na avaliação, faz-se necessário, pois, muitas variáveis estão envolvidas e influem diretamente na representatividade. Como exemplo, podemos citar a temperatura em uma exposição a um determinado agente químico. Sinergismo Nos Locais De Trabalho Pode haver a exposição simultânea a mais de um agente, originando exposições combinadas e interações entre eles, modificando as características primarias dos agentes. Se duas ou mais substâncias perigosas com efeitos toxicológicos estão presentes no local de trabalho deve ser analisado seus efeitos combinados. Uma Breve Contextualização Histórica acerca das NRs Os direitos trabalhistas possuem a função de assegurar um equilíbrio nas relações de trabalho, como a história nos ensina, sem uma legislação eficiente que coordene as engrenagens do trabalho grandes desarmonias perturbariam tais relações. Ao voltarmos para umaInglaterra do século XIX podemos perceber que as condições de trabalho eram degradantes, os operários eram expostos a doenças, jornadas exaustivas de trabalho e condições extremamente insalubres. Com salários extremamente baixos, toda a família se via na necessidade de estar empregada, e o trabalho infantil era bastante comum naquela época. O notável desequilíbrio entre os operadores e os donos das indústrias não demorou para gerar conflitos. Movimentos trabalhistas iam ganhando cada vem mais adeptos, sindicatos se fortaleciam e aos poucos as reinvindicações foram sendo atendidas. Em 1919 temos a criação da Organização Internacional do Trabalho, que emite normas internacionais para assegurar o trabalho descente e produtivo, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade. Enquanto a Europa vivia o fim da Segunda Revolução Industrial (1850, 1870) o Brasil ainda usava mão de obra escravista, e apenas a partir de 1888 com a abolição da escravidão que inicia a ideia de direito trabalhista no Brasil. As buscas pelo equilíbrio entre as partes que compõem as relações de trabalho ganharam destaque no governo Vargas, com a constituição de 1934. Nela estavam assegurados direitos como salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas, repouso semanal, férias remuneradas a assistência médica e sanitária. E finalmente em 1943 foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O ambiente de laboral tem forte impacto no processo de saúde-doença dos trabalhadores, portanto é necessário tomar medidas de controle para que os colaboradores sejam expostos ao menor números de riscos possíveis, sejam ele de origem organizacional, física, química, biológica ou ergonômico NR 15 – Atividades e Operações Insalubres Com base na NR 15, o termo insalubridade é usado para definir o trabalho em um ambiente hostil à saúde. Tem direito ao adicional de insalubridade o trabalhador que exerce suas atividades em condições insalubres nos termos da NR 15. São consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e o tempo de exposição aos seus efeitos. Os agentes causadores de insalubridade estão contidos nos anexos da NR 15, alguns exemplos de agentes insalubres são ruídos contínuo ou permanente; ruído de Impacto; tolerância para exposição ao calor; radiações ionizantes; agentes químicos e poeiras minerais. 1. Anexo I - Limites de Tolerância para Ruído Contínuo ou Intermitente 2. Anexo II - Limites de Tolerância para Ruídos de Impacto 3. Anexo III - Limites de Tolerância para Exposição ao Calor 4. Anexo IV - (Revogado) 5. Anexo V - Radiações Ionizantes 6. Anexo VI - Trabalho sob Condições Hiperbáricas 7. Anexo VII - Radiações Não-Ionizantes 8. Anexo VIII - Vibrações 9. Anexo IX - Frio 10. Anexo X - Umidade 11. Anexo XI- Agentes Químicos Cuja Insalubridade é Caracterizada por Limite de Tolerância Inspeção no Local de Trabalho 12. Anexo XII - Limites de Tolerância para Poeiras Minerais http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoI.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoII.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoIII.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoIV_V.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoIV_V.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoVI.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoVII.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoVIII.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoIX.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoX.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXI.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXI.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXII.htm 13. Anexo XIII - Agentes Químicos 14. Anexo XIII A - Benzeno 15. Anexo XIV Agentes Biológicos CALOR Empresas como siderúrgicas, forjarias e as que exercem atividades ao ar livre — em que o profissional precisa atuar sob sol forte — são algumas das atividade em que o trabalhador está exposto ao calor intenso. É preciso avaliar os índices de calor correlacionados em cada empresa, de modo a evitar que o calor excessivo cause danos à saúde do profissional. No anexo 3 da NR 15 está disposto as regulamentações acerca dos limites de tolerância para o calor. A exposição ao calor deve ser avaliada através do "Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo" - IBUTG definido pelas equações que se seguem: Ambientes internos ou externos sem carga solar: IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg Ambientes externos com carga solar: IBUTG = 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg onde: tbn = temperatura de bulbo úmido natural tg = temperatura de globo tbs = temperatura de bulbo seco. Os aparelhos que devem ser usados nesta avaliação são: termômetro de bulbo úmido natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum. As medições devem ser efetuadas no local onde permanece o trabalhador, à altura da região do corpo mais atingida. http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXIII.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXIII_A.htm http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXIV.htm Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço. Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido no Quadro N.º 1. QUADRO N.º 1 TIPO DE ATIVIDADE REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE COM DESCANSO NO PRÓPRIO LOCAL DE TRABALHO (por hora) LEVE MODERADA PESADA Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0 45 minutos trabalho 15 minutos descanso 30,1 a 30,5 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9 30 minutos trabalho 30 minutos descanso 30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9 15 minutos trabalho 45 minutos descanso 31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0 Não é permitido o trabalho, sem a adoção de medidas adequadas de controle acima de 32,2 acima de 31,1 acima de 30,0 Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos legais. A determinação do tipo de atividade (Leve, Moderada ou Pesada) é feita consultando-se o Quadro n.º 3. Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho intermitente com período de descanso em outro local (local de descanso). Para os fins deste item, considera-se como local de descanso ambiente termicamente mais ameno, com o trabalhador em repouso ou exercendo atividade leve. Os limites de tolerância são dados segundo o Quadro n.º 2. QUADRO N.° 2 M (Kcal/h) MÁXIMO IBUTG 175 200 250 300 350 400 450 500 30,5 30,0 28,5 27,5 26,5 26,0 25,5 25,0 Onde: M é a taxa de metabolismo média ponderada para uma hora, determinada pela seguinte fórmula: M = Mt x Tt + Md x Td 60 Sendo: Mt - taxa de metabolismo no local de trabalho. Tt - soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de trabalho. Md - taxa de metabolismo no local de descanso. Td - soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de descanso. IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado para uma hora, determinado pela seguinte fórmula: IBUTG = IBUTGt x Tt + IBUTGd xTd 60 Sendo: IBUTGt = valor do IBUTG no local de trabalho. IBUTGd = valor do IBUTG no local de descanso. Tt e Td = como anteriormente definidos. Os tempos Tt e Td devem ser tomados no período mais desfavorável do ciclo de trabalho, sendo Tt + Td = 60 minutos corridos. 3. As taxas de metabolismo Mt e Md serão obtidas consultando-se o Quadron.º 3. 4. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos legais. QUADRO N.º 3 TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE TIPO DE ATIVIDADE Kcal/h SENTADO EM REPOUSO 100 TRABALHO LEVE Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: datilografia). Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir). De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os braços. 125 150 150 TRABALHO MODERADO Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas. De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação. De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação. Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar. 180 175 220 300 TRABALHO PESADO Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá). Trabalho fatigante 440 550 Medidas de controle As medidas coletivas são aquelas que reduzem a taxa de metabolismo do trabalhador, que movimentem o ar no ambiente e que utilizem barreiras que protejam das fontes de calor radiante, como o sol, forno de siderurgia ou solda, por exemplo. a) Redução da taxa de metabolismo Reduzir a taxa de metabolismo gerada pelo trabalhador, adotando formas de minimizar o esforço físico realizado por ele. A adoção de equipamentos de auxílio como pontes rolantes para movimentar cargas, esteiras, ou até mesmo a completa automatização do processo, pode evitar o aumento da temperatura corporal do executante. b) Movimentação do ar no ambiente Adoção de aparelhos de ar condicionado para resfriar o ar do ambiente, além de climatizadores e ventiladores para reduzir a temperatura do local. Mesmo abertura de janelas, fazendo uso da ventilação natural. Estes métodos funcionam, pois reduzem as trocas de calor entre o corpo humano e o ambiente. Falamos sobre aqui. c) Utilização de barreiras que protejam das fontes de calor radiante A utilização de barreiras para refletir (alumínio polido, aço inoxidável) ou absorver (ferro ou aço oxidável) os raios infravermelhos. Colocação de películas em portas e/ou janelas de vidro, como nos carros, minimizam a incidência de calor radiante. As medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho são aquelas aplicadas na forma como a atividade é realizada, ou seja, na gestão dos colaboradores ou dos métodos de trabalho. É importante observar se o funcionário está aclimatado, se há uma limitação do seu tempo de exposição ao agente, se este tem se hidratado com a frequência correta e mesmo se o colaborador recebeu treinamento prévio antes de efetuar suas funções. a) Aclimatização A aclimatização basicamente é uma adaptação fisiológica do organismo a um ambiente quente. Isto é fundamental na prevenção dos riscos decorrentes da exposição ao calor excessivo. Quando o funcionário se expõe a alto calor pela primeira vez, ocorre um aumento significativo da temperatura corporal, dos batimentos cardíacos e há baixa sudorese. Após o período de 3 a 5 dias, o corpo começa a aclimatar, e há uma redução no desconforto do trabalhador, assim como uma queda da temperatura corporal e do ritmo cardíaco, e a sudorese aumenta. A aclimatização será completa, em média, com duas semanas. A perda de sal devido à sudorese também é menor em trabalhadores aclimatados. O processo de aclimatização completo leva em torno de 2 a 3 semanas. https://descomplicasms.com.br/index.php/2017/11/15/troca-termica-do-corpo-humano/ Caso o trabalhador se ausente do seu local de atividade, por aproximadamente 3 semanas, a aclimatização será totalmente perdida, e o processo deverá ser reiniciado de forma gradual. Alguns pontos importantes a serem observados é que fatores como: sexo (feminino), obesidade, desnutrição e outros fatores de risco dificultam o processo de aclimatização. b) Limitação do tempo de exposição Esta medida consiste em adotar períodos de descanso intercalados com períodos de trabalho. Conforme discutimos no texto anterior - Quando a exposição ao calor é insalubre - , uma das maneiras de descaracterizar o calor como insalubre é adotar os períodos de descanso e trabalho conforme descrito no Quadro Nº1. c) Hidratação Embora não muito efetiva se aplicada de forma individual, a correta hidratação é indispensável como medida paliativa. Um profissional exposto a calor excessivo deve ingerir uma maior quantidade de água e sal, de forma a compensar a perda de água e cloreto de sódio devido à sudorese intensa. É importante salientar que a ingestão de água e sal pelos funcionários deve ser feita com orientação médica. O treinamento dos trabalhadores tem como objetivo primário evitar que eles se esforcem mais que o necessário e que permaneçam próximo à fonte de calor por um período demasiadamente grande. O funcionário deve ser treinado e orientado quanto à correta utilização dos equipamentos de segurança e mesmo sobre os efeitos causados pela exposição contínua ao calor intenso. Em se tratando do calor, a utilização de equipamentos de proteção ambiental não afasta o risco de sobrecarga térmica, no entanto, é necessário a sua utilização principalmente quando as atividades são realizadas em locais com possibilidade de haver respingos e mesmo fagulhas ou outros “resíduos” provenientes de fontes de calor extremo. Uma das principais finalidades do EPI neste caso é proteger o trabalhador contra o risco de queimaduras. Óculos de segurança com lentes especiais são necessários sempre que houver fontes de calor radiante. O objetivo é proteger o colaborador contra o calor https://descomplicasms.com.br/index.php/2018/01/08/quando-a-exposicao-ao-calor-e-insalubre/ https://descomplicasms.com.br/index.php/2018/01/08/quando-a-exposicao-ao-calor-e-insalubre/ radiante. As lentes especiais devem reter mais que 90% da radiação infravermelho para ser considerada eficiente. O restante do corpo deve ser protegido através do uso de equipamentos, tais como luvas, mangotes, aventais e capuzes. Danos à Saúde Quando o calor produzido (esforço físico) ou recebido (através de fonte de calor no trabalho) pelo organismo é maior que aquele dissipado pelo corpo, tem-se um cenário onde o organismo aumenta sua temperatura, levando a um quadro que pode se tornar uma hipertermia (aumento da temperatura interna do corpo). Para que isto seja evitado, o corpo humano sofre diversas reações com o propósito de se adaptar a esta situação. Uma dessas reações é chamada de vasodilatação periférica, onde os vasos sanguíneos se expandem e proporcionam uma melhor troca térmica entre o corpo e o meio, e que é realizada através da circulação sanguínea. Outra reação é através da ativação das glândulas sudoríparas, responsáveis pelo suor. O suor é transformado de seu estado líquido para vapor, resfriando, assim, a temperatura do corpo. Calor produzido por fonte externa. Caso essas duas reações não sejam suficientes para manter a temperatura do corpo na casa de 37 ºC, graves consequências no organismo poderão ocorrer, entre elas as que iremos mencionar abaixo: Exaustão do corpo: com a dilatação dos vasos sanguíneos, há uma menor pressão arterial no trabalhador. (A quantidade de sangue não aumenta para compensar um vaso de maior diâmetro). Logo, pode haver insuficiência de sangue no córtex cerebral, levando a um quadro de queda de pressão arterial. Desidratação: devido à perda de líquidos através do suor, o organismo pode se desidratar. Logo, poderá haver redução no volume de sangue que, entre outras coisas, ocasiona a exaustão do corpo. Em casos mais extremos, pode se desenvolver distúrbios celulares, insuficiência muscular, perda de apetite, entre outros. Câimbra de calor: a sudorese leva a perda de água no organismo, o que consequentemente leva a perda de minerais, incluindo o cloretode cálcio (mais conhecido como sal). Com isso, há a possibilidade de haver câimbras, que causam dores agudas nas extremidades do corpo e fadiga muscular severa. Edema de calor: podem existir pessoas não aclimatadas a determinados locais, onde há altas temperaturas. A permanência destas pessoas nestes locais pode causar a geração de edemas, ou seja, inchaço de membros, como mãos e pés. Exaustão por calor: desidratação grave devido a perda de suor. Causado pela deficiência da circulação sanguínea e falta de água e sal no organismo. UMIDADE As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcados, com umidade excessiva, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. Alguns segmentos onde a umidade está presente. Lavanderias: Nas lavanderias a umidade sempre está presente de forma bem evidente. Lembro que quando trabalhei em lavanderia hospitalar não era raro ficar bem molhado e ter que trocar de roupa. Em lavanderias hospitalares a umidade está presente tanto na área suja quanto na limpa. Lava á Jato: E nesse segmento ainda temos o agravante dos produtos químicos que são usados na lavagem e muitos entram em contato direto com a pele. Frigoríficos: Juntamente com o frio a umidade é um dos grandes riscos dos frigoríficos. Cozinhas: Na parte de lavagem de panelas e outros a umidade que é uma solução para a limpeza se torna um risco a mais para a segurança. Pesca: No segmento de pesca a umidade é bem presente quanto no ato da pesca quanto no processo de limpeza do pescado. Areais: No processo de dragagem de areia em areais em que se usa jato de água e draga o operador da draga e do jato estão sempre em contato com a água. Medidas de controle EPC – Equipamento de Proteção Coletiva: Barreiras de contenção ou proteção podem ser criadas para evitar que o trabalhador tenha contato com a umidade. Administrativas: Em alguns locais o excesso de umidade é fruto da falta de luz solar e arejamento do ambiente. Em ambientes assim, a simples ação de prover formas de proporcionar a entrada de luz solar e circulação de ar no ambiente pode ser a solução. Em ambientes onde não for possível prover iluminação solar e circulação de ar natural, a colocação de exaustores e ar condicionado pode resolver o problema. É preciso estar atento às tubulações para perceber possíveis vazamentos e infiltrações nas edificações. Infiltrações além de doenças podem causar danos severos à estrutura da edificação. EPI – Equipamento de Proteção Individual: O uso de EPI para evitar contato direto com a umidade é muito pode ser muito eficiente se os EPI forem escolhidos com critério. Luvas de PVC, botas, aventais de PVC, roupas de PVC são ótimos exemplos de EPI usados para limitar o contato com umidade. No caso de motociclista deve ser acrescentado capacete, esse além de proteção contra impactos protegerá contra a umidade proveniente da chuva. Quando falamos sobre EPI é sempre importante lembrar que não basta fornecê- lo, é necessário orientar e treinar sobre como usar, guardar e higienizar (NR 6 item 6.6.1). Danos à Saúde 1. Irritação na pele. 2. Irritação/inflamação no sistema respiratório. 3. Possibilidade de aumento de fungos no ambiente de trabalho. 4. Roupas no estado molhado podem levar a baixas temperaturas nos trabalhadores. 5. Aumenta possibilidade de escorregões e acidentes típicos. FRIO As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao frio, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. Medidas de controle As lesões causadas pelo frio podem ser evitadas adotando-se práticas adequadas para este tipo de trabalho. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) específicos, como roupas de frio, luvas e botas isolantes (Fig. 06), devem ser usados pelos trabalhadores expostos ao frio, evitando assim a perda de calor do corpo. Figura 1: Botas isolantes Os trabalhadores devem utilizar roupa protetora adequada para o nível de frio e atividade exercida (Fig. 02). Se as roupas disponíveis não forem suficientes para a proteção contra a hipotermia ou congelamento, o trabalho deve ser modificado ou interrompido até que sejam providenciados os equipamentos necessários. http://4.bp.blogspot.com/-8IfEcOdd-hE/TZ-f8GKaV5I/AAAAAAAAAMA/yzbxlNRZKlc/s1600/jjjjjjjjjjjjjjjj.png Figura 2:Roupa de proteção para trabalho em ambientes muito frios As vestimentas devem ser feitas de várias camadas, proporcionando maior proteção devido à presença de uma camada de ar isolante entre as camadas de tecido. Quando a atividade é realizada em ambientes úmidos, a camada externa da roupa deve ser repelente à água. Se o local de trabalho não puder ser protegido contra o vento, deve-se usar uma roupa de couro ou de lã grossa. E em condições extremamente frias devem ser fornecidas vestimentas de proteção aquecidas. As roupas devem sempre ser conservadas secas e limpas. Quais são as medidas de proteção coletiva que devem ser adotadas durante o trabalho em ambientes frios? Existem diversas medidas de proteção coletiva que podem ser implantadas nas indústrias, com o objetivo de prevenir acidentes e lesões ocupacionais devido à exposição do trabalhador ao frio. Entre elas pode-se citar: • O local de trabalho deve ser planejado para que o trabalhador não passe longos períodos parado; • Deve-se proporcionar aos empregados locais de repouso aquecidos; • Os locais de repouso devem possuir salas especiais para secagem das roupas http://2.bp.blogspot.com/-302SiKxgPXo/TZ-hXtfej_I/AAAAAAAAAMI/m-upcW1O4TU/s1600/bbbbbbbbbbb.png do trabalhador, sempre que a atividade provocar o seu umedecimento, e troca por vestimenta seca quando necessário; • As portas de câmaras frias ou outros ambientes refrigerados devem possuir sistema que possibilite a abertura das portas internamente, para evitar que as pessoas fiquem presas involuntariamente; • Os túneis de congelamento só devem ter o sistema de ventilação ligado quando não houver trabalhadores no local. Danos à Saúde O trabalho em ambientes frios representa um risco importante à saúde dos trabalhadores, que pode causar desconforto, doenças ocupacionais, acidentes do trabalho, e, algumas vezes, até a morte. As lesões mais graves causadas pelo frio são decorrentes da perda excessiva de calor do corpo, que é chamada hipotermia. A situação de trabalho que mais contribui para o surgimento da hipotermia e outras lesões ocupacionais causadas pelo frio é a exposição ao vento e à umidade. Baixas temperaturas podem provocar: - feridas; - rachaduras e necrose na pele; - enregelamento: ficar congelado; - agravamento de doenças reumáticas; - predisposição para acidentes; - predisposição para doenças das vias respiratórias RUÍDO Ruído de impacto Entende-se por ruído de impacto aquele que apresenta picos de energia acústica de duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo. Os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibéis (dB), com medidor de nível de pressão sonora operando no circuito linear e circuito de resposta para impacto. As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O limite de tolerância para ruído de impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre os picos, o ruído existente deverá ser avaliado como ruído contínuo. Em caso de não se dispor de medidor do nível de pressão sonora com circuito de resposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito de resposta rápida (FAST) e circuito de compensação "C". Neste caso, o limite de tolerância será de 120 dB(C).As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem proteção adequada, a níveis de ruído de impacto superiores a 140 dB(LINEAR), medidos no circuito de resposta para impacto, ou superiores a 130 dB(C), medidos no circuito de resposta rápida (FAST), oferecerão risco grave e iminente. Ruído Continuou ou intermitente LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE NÍVEL DE RUÍDO DB (A) MÁXIMA EXPOSIÇÃO DIÁRIA PERMISSÍVEL 85 8 horas 86 7 horas 87 6 horas 88 5 horas 89 4 horas e 30 minutos 90 4 horas 91 3 horas e 30 minutos 92 3 horas 93 2 horas e 40 minutos 94 2 horas e 15 minutos 95 2 horas 96 1 hora e 45 minutos 98 1 hora e 15 minutos 100 1 hora 102 45 minutos 104 35 minutos 105 30 minutos 106 25 minutos 108 20 minutos 110 15 minutos 112 10 minutos 114 8 minutos 115 7 minutos Entende-se por Ruído Contínuo ou Intermitente, para os fins de aplicação de Limites de Tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto. Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB) com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação "A" e circuito de resposta lenta (SLOW). As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância fixados no Quadro deste anexo. (115.003-0/ I4) Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário será considerada a máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado. Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos. Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, de forma que, se a soma das seguintes frações: C1 + C2 + C3 ____________________ + Cn T1 T2 T3 Tn exceder a unidade, a exposição estará acima do limite de tolerância. Na equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a este nível, segundo o Quadro deste Anexo. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e iminente. Medidas de controle Medidas de proteção coletiva: enclausuramento da máquina produtora de ruído; isolamento de ruído. Medida de proteção individual: fornecimento de equipamento de proteção individual (EPI) (no caso, protetor auricular). O EPI deve ser fornecido na impossibilidade de eliminar o ruído ou como medida complementar. Medidas médicas: exames audiométricos periódicos, afastamento do local de trabalho, revezamento. Medidas educacionais: orientação para o uso correto do EPI, campanha de conscientização. Medidas administrativas: tornar obrigatório o uso do EPI: controlar seu uso. Danos à Saúde O ruído age diretamente sobre o sistema nervoso, ocasionando: 1. fadiga nervosa; 2. alterações mentais: perda de memória, irritabilidade, dificuldade em coordenar ideias; 3. hipertensão; 4. modificação do ritmo cardíaco; 5. modificação do calibre dos vasos sanguíneos; 6. modificação do ritmo respiratório; 7. perturbações gastrointestinais; 8. diminuição da visão noturna; 9. dificuldade na percepção de cores. 10. Além destas consequências, o ruído atinge também o aparelho auditivo causando a perda temporária ou definitiva da audição. RADIAÇÃO São formas de energia que se transmite por ondas eletromagnéticas. A absorção das radiações pelo organismo é responsável pelo aparecimento de diversas lesões. Podem ser classificadas em dois grupos: Radiações ionizantes – Tem a capacidade de formar íons. Os operadores de raios-X e radioterapia estão frequentemente expostos a esse tipo de radiação, que pode afetar o organismo ou se manifestar nos descendentes das pessoas expostas. Radiações não ionizantes -Não possou capaciade de formar íons. São radiações não ionizantes a radiação infravermelha, proveniente de operação em fornos, ou de solda oxiacetilênica, radiação ultravioleta como a gerada por operações em solda elétrica, ou ainda raios laser, microondas, etc. Ionizante Nas atividades ou operações onde trabalhadores possam ser expostos a radiações ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e controles básicos para a proteção do homem e do seu meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NN-3.01. Não Ionizante Para os efeitos desta norma, são radiações não ionizantes as micro-ondas, ultravioletas e laser. As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não ionizantes, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres, em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz negra (ultravioleta na faixa - 400- 320 nanômetros) não serão consideradas insalubres. Medidas de controle Medidas de proteção coletiva: isolamento da fonte de radiação (ex: biombo protetor para operação em solda), enclausuramento da fonte de radiação (ex: pisos e paredes revestidas de chumbo em salas de raio-x). Medidas de proteção individual: fornecimento de EPI adequado ao risco (ex: avental, luva, perneira e mangote de raspa para soldador , óculos para operadores de forno). Medida administrativa: (ex: dosímetro de bolso para técnicos de raio-x). Medida médica: exames periódicos. Danos à Saúde Seus efeitos são perturbações visuais (conjuntivites, cataratas), queimaduras, lesões na pele, e câncer. Vibração A vibração consiste em qualquer movimento que o corpo executa em torno de um ponto fixo, podendo ser regular ou irregular, transmitida por intermédio das partes do corpo que entram em contato direto com a fonte, geralmente as nádegas, as mãos, os braços e os pés. É definida por três variáveis: frequência, medida em hertz (Hz); intensidade do deslocamento, medida em cm ou mm ou aceleração máxima sofrida pelo corpo, medida em g (1g = 9,81 m x s-2); e direção, composta por três eixos ortogonais: x (das costas para frente), y (da direita para esquerda) e z (dos pés para a cabeça). A vibração pode ser transmitida ao corpo inteiro ou a partes dele. A vibração de corpo inteiro (corpo total) é aquela transmitida inteiramente ao corpo do trabalhador, ocorrendo a partir dos pés (posição em pé) ou do assento (posição sentada), muito comum no trabalho realizado em plataformas, máquinas, tratores e veículos, com frequência variando de 0,5 a 80 Hz. Já a vibração de partes do corpo (manubraquiais) é aquela transmitida diretamente às mãos e braços do trabalhador por máquinas manuais vibrantes, como britadeiras, furadeiras de impacto etc., com frequência variando de 5 a 1.000 Hz. O anexo 8 da NR 15 estabelece critérios para caracterização da condição de trabalho insalubre decorrente da exposição às Vibrações de Mãos e Braços (VMB) e Vibrações de Corpo Inteiro (VCI).Os procedimentos técnicos para a avaliação quantitativa das VCI e VMB são os estabelecidos nas Normas de Higiene Ocupacional da fundacentro. Caracterização e Classificação Da Insalubridade Caracteriza-se a condição insalubre caso seja superado o limite de exposição ocupacional diária a VMB correspondente a um valor de aceleração resultante de exposição normalizada (aren) de 5 m/s. Caracteriza-se a condição insalubre caso sejam superados quaisquer dos limites de exposição ocupacional diária a VCI: a) valor da aceleração resultante de exposição normalizada (aren)de 1,1 m/s2; b) valor da dose de vibração resultante (VDVR) de 21,0 m/s1,75. Para fins de caracterização da condição insalubre, o empregador deve comprovar a avaliação dos dois parâmetros acima descritos. As situações de exposição a VMB e VCI superiores aos limites de exposição ocupacional são caracterizadas como insalubres em grau médio. A avaliação quantitativa deve ser representativa da exposição, abrangendo aspectos organizacionais e ambientais que envolvam o trabalhador no exercício de suas funções. A caracterização da exposição deve ser objeto de laudo técnico que contemple, no mínimo, os seguintes itens: a) Objetivo e datas em que foram desenvolvidos os procedimentos; b) Descrição e resultado da avaliação preliminar da exposição, realizada de acordo com o item 3 do Anexo 1 da NR-9 do MTE; c) Metodologia e critérios empregados, inclusas a caracterização da exposição e representatividade da amostragem; d) Instrumentais utilizados, bem como o registro dos certificados de calibração; e) Dados obtidos e respectiva interpretação; f) Circunstâncias específicas que envolveram a avaliação; g) Descrição das medidas preventivas e corretivas eventualmente existentes e indicação das necessárias, bem como a comprovação de sua eficácia; h) Conclusão. Medidas de Controle 1. Utilização de EPI 2. Diminuição do tempo de exposição 3. Manutenção dos equipamentos 4. Escolha de equipamentos que tenham menor índice de vibração 5. Utilização de amortecedores de vibração nos equipamentos 6. Treinamento sob a utilização correta dos dispositivos técnicos Danos à saúde 1. Síndrome do dedo branco 2. Problemas circulatórios 3. Dores de cabeça 4. Dores no corpo 5. Sensação de dormência 6. Perda de concentração 7. Confusão mental TRABALHO SOB CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS Trabalhos sob ar comprimido são os efetuados em ambientes onde o trabalhador é obrigado a suportar pressões maiores que a atmosférica e onde se exige cuidadosa descompressão, de acordo com as tabelas anexas ao anexo 6 da NR 15. O trabalhador não poderá sofrer mais que uma compressão num período de 24 (vinte e quatro) horas. Durante o transcorrer dos trabalhos sob ar comprimido, nenhuma pessoa poderá ser exposta à pressão superior a 3,4 kgf/cm2, exceto em caso de emergência ou durante tratamento em câmara de recompressão, sob supervisão direta do médico responsável. A duração do período de trabalho sob ar comprimido não poderá ser superior a 8 (oito) horas, em pressões de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm2; a 6 (seis) horas em pressões de trabalho de 1,1 a 2,5 kgf/cm2; e a 4 (quatro) horas, em pressão de trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm2. 1.3.5 Após a descompressão, os trabalhadores serão obrigados a permanecer, no mínimo, por 2 (duas) horas, no canteiro de obra, cumprindo um período de observação médica. O local adequado para o cumprimento do período de observação deverá ser designado pelo médico responsável. Para trabalhos sob ar comprimido, os empregados deverão satisfazer os seguintes requisitos: a) ter mais de 18 (dezoito) e menos de 45 (quarenta e cinco) anos de idade; b) ser submetido a exame médico obrigatório, pré-admissional e periódico, exigido pelas características e peculiaridades próprias do trabalho; c) ser portador de placa de identificação, de acordo com o modelo anexo (Quadro I), fornecida no ato da admissão, após a realização do exame médico. Antes da jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser inspecionados pelo médico, não sendo permitida a entrada em serviço daqueles que apresentem sinais de afecções das vias respiratórias ou outras moléstias. É vedado o trabalho àqueles que se apresentem alcoolizados ou com sinais de ingestão de bebidas alcoólicas. É proibido ingerir bebidas gasosas e fumar dentro dos tubulões e túneis. Junto ao local de trabalho, deverão existir instalações apropriadas à Assistência Médica, à recuperação, à alimentação e à higiene individual dos trabalhadores sob ar comprimido. Todo empregado que vá exercer trabalho sob ar comprimido deverá ser orientado quanto aos riscos decorrentes da atividade e às precauções que deverão ser tomadas, mediante educação audiovisual. Todo empregado sem prévia experiência em trabalhos sob ar comprimido deverá ficar sob supervisão de pessoa competente, e sua compressão não poderá ser feita se não for acompanhado, na campânula, por pessoa hábil para instruílo quanto ao comportamento adequado durante a compressão. As turmas de trabalho deverão estar sob a responsabilidade de um encarregado de ar comprimido, cuja principal tarefa será a de supervisionar e dirigir as operações. Para efeito de remuneração, deverão ser computados na jornada de trabalho o período de trabalho, o tempo de compressão, descompressão e o período de observação médica. Em relação à supervisão médica para o trabalho sob ar comprimido, deverão ser observadas as seguintes condições: a) sempre que houver trabalho sob ar comprimido, deverá ser providenciada a assistência por médico qualificado, bem como local apropriado para atendimento médico; b) todo empregado que trabalhe sob ar comprimido deverá ter uma ficha médica, onde deverão ser registrados os dados relativos aos exames realizados; c) nenhum empregado poderá trabalhar sob ar comprimido, antes de ser examinado por médico qualificado, que atestará, na ficha individual, estar essa pessoa apta para o trabalho; d) o candidato considerado inapto não poderá exercer a função, enquanto permanecer sua inaptidão para esse trabalho; e) o atestado de aptidão terá validade por 6 (seis) meses; f) em caso de ausência ao trabalho por mais de 10 (dez) dias ou afastamento por doença, o empregado, ao retornar, deverá ser submetido a novo exame médico. Exigências para Operações nas Campânulas ou Eclusas Deverá estar presente no local, pelo menos, uma pessoa treinada nesse tipo de trabalho e com autoridade para exigir o cumprimento, por parte dos empregados, de todas as medidas de segurança preconizadas neste item. As manobras de compressão e descompressão deverão ser executadas através de dispositivos localizados no exterior da campânula ou eclusa, pelo operador das mesmas. Tais dispositivos deverão existir também internamente, porém serão utilizados somente em emergências. No início de cada jornada de trabalho, os dispositivos de controle deverão ser aferidos. O operador da campânula ou eclusa anotará, em registro adequado (Quadro II) do anexo 6 da NR 15 e para cada pessoa o seguinte: a) hora exata da entrada e saída da campânula ou eclusa; b) pressão do trabalho; c) hora exata do início e do término de descompressão. A compressão dos trabalhadores deverá obedecer às seguintes regras: a) no primeiro minuto, após o início da compressão, a pressão não poderá ter incremento maior que 0,3 kgf/cm2; b) atingido o valor 0,3 kgf/cm2, a pressão somente poderá ser aumentada após decorrido intervalo de tempo que permita ao encarregado da turma observar se todas as pessoas na campânula estão em boas condições; c) decorrido o período de observação, recomendado na alínea "b", o aumento da pressão deverá ser feito a uma velocidade não-superior a 0,7 kgf/cm2, por minuto, para que nenhum trabalhador seja acometido de mal-estar; d) se algum dos trabalhadores se queixar de mal-estar, dores no ouvido ou na cabeça, a compressão deverá ser imediatamente interrompida e o encarregado reduzirá gradualmente a pressão da campânula até que o trabalhador se recupere e, não ocorrendo a recuperação, a descompressão continuará até a pressão atmosférica, retirando-se, então, a pessoa e encaminhado-a ao serviço médico. Na descompressão de trabalhadores expostos à pressão de 0,0 a 3,4 kgf/cm2, serão obedecidas as tabelas anexas (Quadro III) do anexo 6 da NR 15 de acordo com as seguintesregras: a) sempre que duas ou mais pessoas estiverem sendo descomprimidas na mesma campânula ou eclusa e seus períodos de trabalho ou pressão de trabalho não forem coincidentes, a descompressão processar-se-á de acordo com o maior período ou maior pressão de trabalho experimentada pelos trabalhadores envolvidos; b) a pressão será reduzida a uma velocidade não superior a 0,4 kgf/cm2 , por minuto, até o primeiro estágio de descompressão, de acordo com as tabelas anexas; a campânula ou eclusa deve ser mantida naquela pressão, pelo tempo indicado em minutos, e depois diminuída a pressão à mesma velocidade anterior, até o próximo estágio e assim por diante; para cada 5 (cinco) minutos de parada, a campânula deverá ser ventilada à razão de 1 (um) minuto. Medidas de Controle 1. Treinamento e capacitação constantes 2. Seguir os procedimentos do anexo 6 da NR 15 3. Utilização dos equipamentos de segurança Danos à saúde 1. Como o corpo é constituído de muitas cavidades pneumáticas e o sangue é uma solução que se presta para o transporte de gases, sofre muito com as variações de pressão, que alteram o volume dos gases, bem como a solubilidade dos gases no sangue. Essas alterações são regidas pelas leis dos gases. 2. Traumas decorrentes da incapacidade de se equilibrar a pressão no interior das cavidades pneumáticas do organismo com a pressão ambiente em variação. 3. Rompimentos dos alvéolos 4. irritação dos pulmões 5. narcose pelo nitrogênio 6. embriaguez das profundidades AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É CARACTERIZADA POR LIMITE DE TOLERÂNCIA E INSPEÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO Nas atividades ou operações nas quais os trabalhadores ficam expostos a agentes químicos, a caracterização de insalubridade ocorrerá quando forem ultrapassados os limites de tolerância constantes do Quadro 1 do Anexo. 2 da NR 15. Todos os valores fixados no Quadro 1 - Tabela de Limites de Tolerância são válidos para absorção apenas por via respiratória. Todos os valores fixados no Quadro 1 como "Asfixiantes Simples" determinam que nos ambientes de trabalho, em presença destas substâncias, a concentração mínima de oxigênio deverá ser 18 (dezoito) por cento em volume. As situações nas quais a concentração de oxigênio estiver abaixo deste valor serão consideradas de risco grave e iminente. Na coluna "VALOR TETO" estão assinalados os agentes químicos cujos limites de tolerância não podem ser ultrapassados em momento algum da jornada de trabalho. Na coluna "ABSORÇÃO TAMBÉM PELA PELE" estão assinalados os agentes químicos que podem ser absorvidos, por via cutânea, e portanto exigindo na sua manipulação o uso da luvas adequadas, além do EPI necessário à proteção de outras partes do corpo. A avaliação das concentrações dos agentes químicos através de métodos de amostragem instantânea, de leitura direta ou não, deverá ser feita pelo menos em 10 (dez) amostragens, para cada ponto - ao nível respiratório do trabalhador. Entre cada uma das amostragens deverá haver um intervalo de, no mínimo, 20 (vinte) minutos. 7. Cada uma das concentrações obtidas nas referidas amostragens não deverá ultrapassar os valores obtidos na equação que segue, sob pena de ser considerada situação de risco grave e iminente. Valor máximo = L.T. x F. D. Onde: L.T. = limite de tolerância para o agente químico, segundo o Quadro n.° 1. F.D. = fator de desvio, segundo definido no Quadro n.° 2 do anexo 2 da NR 15. O limite de tolerância será considerado excedido quando a média aritmética das concentrações ultrapassar os valores fixados no Quadro n.° 1. 9. Para os agentes químicos que tenham "VALOR TETO" assinalado no Quadro n.° 1 (Tabela de Limites de Tolerância) considerar-se-á excedido o limite de tolerância, quando qualquer uma das concentrações obtidas nas amostragens ultrapassar os valores fixados no mesmo quadro. Os limites de tolerância fixados no Quadro n.° 1 são válidos para jornadas de trabalho de até 48 (quarenta e oito) horas por semana, inclusive. 10.1 Para jornadas de trabalho que excedam as 48 (quarenta e oito) horas semanais dever-se-á cumprir o disposto no art. 60 da CLT. Medidas de Controle 1. Exames médicos para identificação de contaminantes nos trabalhadores 2. Inspeções constantes nos locais de trabalho para verificar a concentração dos contaminantes 3. Treinamento e capacitação constantes 4. Seguir os procedimentos do anexo 2 da NR 15 5. Utilização de EPIs e EPCs 6. Restringir o acesso aos locais contaminados ao mínimo possível 7. Substituir o material contaminante (se possível) Danos à saúde 1. Irritação do sistema respiratório 2. Irritação do sistema gastrointestinal 3. Irritação nos olhos 4. Irritação na pele 5. Alergias 6. Intoxicações em geral LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS ASBESTO Entende-se por "asbesto", também denominado amianto, a forma fibrosa dos silicatos minerais pertencentes aos grupos de rochas metamórficas das serpentinas, isto é, a crisotila (asbesto branco), e dos anfibólios, isto é, a actinolita, a amosita (asbesto marrom), a antofilita, a crocidolita (asbesto azul), a tremolita ou qualquer mistura que contenha um ou vários destes minerais; Cabe ao empregador elaborar normas de procedimento a serem adotadas em situações de emergência, informando os trabalhadores convenientemente, inclusive com treinamento específico. Fica proibido o trabalho de menores de dezoito anos em setores onde possa haver exposição à poeira de asbesto. Será de responsabilidade dos fornecedores de asbesto, assim como dos fabricantes e fornecedores de produtos contendo asbesto, a rotulagem adequada e suficiente, de maneira facilmente compreensível pelos trabalhadores e usuários interessados. A rotulagem deverá conter, conforme modelo Anexo: - a letra minúscula "a" ocupando 40% (quarenta por cento) da área total da etiqueta; - caracteres: "Atenção: contém amianto", "Respirar poeira de amianto é prejudicial à saúde" e "Evite risco: siga as instruções de uso". O empregador deverá realizar a avaliação ambiental de poeira de asbesto nos locais de trabalho, em intervalos não superiores a 6 (seis) meses. MANGANÊS E SEUS COMPOSTOS O limite de tolerância para as operações com manganês e seus compostos referente à extração, tratamento, moagem, transporte do minério, ou ainda a outras operações com exposição a poeiras do manganês ou de seus compostos é de até 5mg/m3 no ar, para jornada de até 8 (oito) horas por dia.. O limite de tolerância para as operações com manganês e seus compostos referente à metalurgia de minerais de manganês, fabricação de compostos de manganês, fabricação de baterias e pilhas secas, fabricação de vidros especiais e cerâmicas, fabricação e uso de eletrodos de solda, fabricação de produtos químicos, tintas e fertilizantes, ou ainda outras operações com exposição a fumos de manganês ou de seus compostos é de até 1mg/m3 no ar, para jornada de até 8 (oito) horas por dia. Sempre que os limites de tolerância forem ultrapassados, as atividades e operações com o manganês e seus compostos serão consideradas como insalubres no grau máximo. SÍLICA LIVRE CRISTALIZADA O limite de tolerância, expresso em milhões de partículas por decímetro cúbico, é dado pela seguinte fórmula: Esta fórmula é válida para amostras tomadas com impactador (impinger) no nível da zona respiratória e contadas pela técnica de campo claro. A percentagem de quartzo é a quantidade determinada através de amostras em suspensão aérea. O limite de tolerância para poeira respirável, expresso em mg/m3 , é dado pela seguinte fórmula: Tanto a concentração como a percentagem do quartzo, para a aplicação deste limite, devem ser determinadas a partir da porção que passa por um seletor com as características do Quadro n.° 1. QUADRO N.º 1 do anexo 12 de NR 15.