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PREVENÇÃO E CONTROLE DE RISCOS 
 
 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................. 6 
Método De Análise De Risco.............................................................................. 7 
A CONTRIBUIÇÃO DA HIGIENE DO TRABALHO PARA O CONCEITO DE 
RISCO ................................................................................................................ 8 
Classificação Dos Riscos Ambientais ........................................................... 11 
Riscos físicos: São agentes de risco físico: ruído, calor, frio, pressão, umidade, 
radiações ionizantes e não-ionizantes, vibração e quaisquer outras formas de 
energia a que possam estar expostos os trabalhadores. Para cada tipo de risco 
é indicada uma limitação permitida. No caso de ruídos, o máximo de decibéis 
por exemplo. Os limites para a exposição a esses fatores estão descritos, em 
sua maioria, na NR 15. ................................................................................. 11 
Riscos químicos: São substâncias, compostos ou produtos que possam 
penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória como gases, 
poeiras, fumos ou vapores, além de outros que possam ser absorvidos pelo 
organismo através da pele ou por ingestão. É o nível de toxicidade do agente 
químico que determina o período máximo que o colaborador pode ter 
exposição. ..................................................................................................... 11 
Riscos biológicos: São bactérias, vírus, fungos, protozoários e as medidas de 
prevenção variam de acordo com a patogenicidade ao qual o trabalhador está 
exposto em sua atividade. ............................................................................ 11 
Riscos ergonômicos: Postura inadequada de trabalho, levantamento e 
transporte de peso, jornadas prolongadas de turno e quaisquer outras 
situações que exijam esforço físico demasiado ou que haja estresse físico. A 
avaliação desses riscos é feita por meio de um laudo ergonômico. ............. 12 
Tempo De Exposição .................................................................................... 12 
Concentração Ou Intensidade Do Agente ..................................................... 12 
Sinergismo Nos Locais De Trabalho ............................................................. 12 
 
 
Uma Breve Contextualização Histórica acerca das NRs .................................. 13 
NR 15 – Atividades e Operações Insalubres .................................................... 14 
CALOR 15 
Medidas de controle ........................................................................... 18 
Danos à Saúde ...................................................................................... 21 
UMIDADE ..................................................................................................... 22 
Medidas de controle .................................................................................. 23 
Danos à Saúde .......................................................................................... 23 
1. Irritação na pele. ........................................................................................ 23 
2. Irritação/inflamação no sistema respiratório. ............................................. 23 
3. Possibilidade de aumento de fungos no ambiente de trabalho. ................. 23 
4. Roupas no estado molhado podem levar a baixas temperaturas nos 
trabalhadores. .................................................................................................. 24 
5. Aumenta possibilidade de escorregões e acidentes típicos. ...................... 24 
FRIO 24 
Medidas de controle .................................................................................. 24 
Danos à Saúde .......................................................................................... 26 
RUÍDO 26 
Ruído de impacto ....................................................................................... 27 
Ruído Continuou ou intermitente ............................................................... 27 
Medidas de controle .................................................................................. 29 
Danos à Saúde .......................................................................................... 29 
RADIAÇÃO ................................................................................................... 30 
Ionizante .................................................................................................... 30 
Não Ionizante ............................................................................................. 30 
Medidas de controle .................................................................................. 31 
Danos à Saúde .......................................................................................... 31 
 
 
Vibração 31 
Caracterização e Classificação Da Insalubridade ...................................... 32 
Medidas de Controle .................................................................................. 33 
Danos à saúde ........................................................................................... 33 
TRABALHO SOB CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS ........................................ 34 
Exigências para Operações nas Campânulas ou Eclusas ......................... 36 
Medidas de Controle .................................................................................. 37 
Danos à saúde ........................................................................................... 38 
AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É CARACTERIZADA POR 
LIMITE DE TOLERÂNCIA E INSPEÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO ......... 38 
Medidas de Controle .................................................................................. 39 
Danos à saúde ........................................................................................... 40 
LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS ............................ 40 
ASBESTO ..................................................................................................... 40 
MANGANÊS E SEUS COMPOSTOS ........................................................ 41 
SÍLICA LIVRE CRISTALIZADA ................................................................. 41 
Medidas de controle .................................................................................. 43 
Danos à saúde ........................................................................................... 44 
AGENTES QUÍMICOS .................................................................................. 44 
ARSÊNICO ................................................................................................ 44 
CARVÃO .................................................................................................... 45 
CHUMBO ................................................................................................... 45 
CROMO ..................................................................................................... 46 
FÓSFORO ................................................................................................. 46 
HIDROCARBONETOS E OUTROS COMPOSTOS DE CARBONO ......... 47 
MERCÚRIO ............................................................................................... 48 
SILICATOS ................................................................................................ 48 
 
 
SUBSTÂNCIAS CANCERÍGENAS ............................................................ 48 
OPERAÇÕES DIVERSAS ............................................................................ 48 
Medidas de Controle .................................................................................. 49 
Danos à saúde ........................................................................................... 50 
AGENTES BIOLÓGICOS .............................................................................O limite de tolerância para poeira total (respirável e não - respirável), expresso 
em mg/m3, é dado pela seguinte fórmula: 
 
Sempre será entendido que "Quartzo" significa sílica livre cristalizada. Os limites 
de tolerância fixados no item 5 são válidos para jornadas de trabalho de até 48 
(quarenta e oito) horas por semana, inclusive. Para jornadas de trabalho que 
excedem a 48 (quarenta e oito) horas semanais, os limites deverão ser 
deduzidos, sendo estes valores fixados pela autoridade competente. Fica 
proibido o processo de trabalho de jateamento que utilize areia seca ou úmida 
como abrasivo. As máquinas e ferramentas utilizadas nos processos de corte e 
acabamento de rochas ornamentais devem ser dotadas de sistema de 
 
 
umidificação capaz de minimizar ou eliminar a geração de poeira decorrente de 
seu funcionamento. 
Medidas de controle 
O anexo 12 da NR 15 estabelece como medidas de controle: 
1. Ventilação adequada, durante os trabalhos, em áreas confinadas 
2. Uso de equipamentos de proteção respiratória com filtros mecânicos para 
áreas contaminadas 
3. Uso de equipamentos de proteção respiratórios com linha de ar mandado, 
para trabalhos, por pequenos períodos, em áreas altamente 
contaminadas 
4. Uso de máscaras autônomas para casos especiais e treinamentos 
específicos 
5. Rotatividade das atividades e turnos de trabalho para os perfuradores e 
outras atividades penosas 
6. Controle da poeira em níveis abaixo dos permitidos. 
7. Exames médicos pré-admissionais e periódicos 
8. Exames adicionais para as causas de absenteísmo prolongado, doença, 
acidentes ou outros casos 
9. Não-admissão de empregado portador de lesões respiratórias orgânicas, 
de sistema nervoso central e disfunções sangüíneas para trabalhos em 
exposição ao manganês 
10. Exames periódicos de acordo com os tipos de atividades de cada 
trabalhador, variando de períodos de 3 (três) a 6 (seis) meses para os 
trabalhos do subsolo e de 6 (seis) meses a anualmente para os 
trabalhadores de superfície; - Análises biológicas de sangue 
11. Afastamento imediato de pessoas com sintomas de intoxicação ou 
alterações neurológicas ou psicológicas 
12. Banho após a jornada de trabalho 
13. Troca de roupas de passeio/serviço/passeio 
14. Proibição de se tomarem refeições nos locais de trabalho. 
 
 
Danos à saúde 
1. Irritação do sistema respiratório 
2. Irritação do sistema gastrointestinal 
3. Irritação nos olhos 
4. Irritação na pele 
5. Alergias 
6. Intoxicações em geral 
 
AGENTES QUÍMICOS 
São considerados agentes químicos as substâncias, compostos que possam 
penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, 
névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de 
exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele 
ou por ingestão 
Relação das atividades e operações envolvendo agentes químicos, 
consideradas, insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de 
trabalho. Excluam-se esta relação as atividades ou operações com os agentes 
químicos constantes dos Anexos 11 da NR 15. 
ARSÊNICO 
Insalubridade de grau máximo: Extração e manipulação de arsênico e 
preparação de seus compostos. Fabricação e preparação de tintas à base de 
arsênico. Fabricação de produtos parasiticidas, inseticidas e raticidas contendo 
compostos de arsênico. Pintura a pistola com pigmentos de compostos de 
arsênico, em recintos limitados ou fechados. Preparação do Secret. Produção 
de trióxido de arsênico. 
Insalubridade de grau médio: Bronzeamento em negro e verde com compostos 
de arsênico. Conservação e peles e plumas; depilação de peles à base de 
compostos de arsênico. Descoloração de vidros e cristais à base de compostos 
 
 
de arsênico. Emprego de produtos parasiticidas, inseticidas e raticidas à base de 
compostos de arsênico. Fabricação de cartas de jogar, papéis pintados e flores 
artificiais à base de compostos de arsênico. Metalurgia de minérios arsenicais 
(ouro, prata, chumbo, zinco, níquel, antimônio, cobalto e ferro). Operações de 
galvanotécnica à base de compostos de arsênico. Pintura manual (pincel, rolo e 
escova) com pigmentos de compostos de arsênico em recintos limitados ou 
fechados, exceto com pincel capilar. Insalubridade de grau mínimo: 
Empalhamento de animais à base de compostos de arsênico. Fabricação de 
tafetá “sire”. Pintura a pistola ou manual com pigmentos de compostos de 
arsênico ao ar livre. 
CARVÃO 
Insalubridade de grau máximo: Trabalho permanente no subsolo em 
operações de corte, furação e desmonte, de carregamento no local de desmonte, 
em atividades de manobra, nos pontos de transferência de carga e de viradores. 
Insalubridade de grau médio: Demais atividades permanentes do subsolo 
compreendendo serviços, tais como: operações de locomotiva, condutores, 
engatadores, bombeiros, madeireiros, trilheiros e eletricistas. 
Insalubridade de grau mínimo: Atividades permanentes de superfícies nas 
operações a seco, com britadores, peneiras, classificadores, carga e descarga 
de silos, de transportadores de correia e de teleférreos. 
CHUMBO 
Insalubridade de grau máximo: Fabricação de compostos de chumbo, 
carbonato, arseniato, cromato mínio, litargírio e outros. Fabricação de esmaltes, 
vernizes, cores, pigmentos, tintas, ungüentos, óleos, pastas, líquidos e pós à 
base de compostos de chumbo. Fabricação e restauração de acumuladores, 
pilhas e baterias elétricas contendo compostos de chumbo. Fabricação e 
emprego de chumbo tetraetila e chumbo tetrametila. Fundição e laminação de 
chumbo, de zinco velho cobre e latão. Limpeza, raspagem e reparação de 
tanques de mistura, armazenamento e demais trabalhos com gasolina contendo 
 
 
chumbo tetraetila. Pintura a pistola com pigmentos de compostos de chumbo em 
recintos limitados ou fechados. Vulcanização de borracha pelo litargírio ou outros 
compostos de chumbo. 
Insalubridade de grau médio: Aplicação e emprego de esmaltes, vernizes, 
cores, pigmentos, tintas, unguentos, óleos, pastas, líquidos e pós à base de 
compostos de chumbo. Fabricação de porcelana com esmaltes de compostos 
de chumbo. Pintura e decoração manual (pincel, rolo e escova) com pigmentos 
de compostos de chumbo (exceto pincel capilar), em recintos limitados ou 
fechados. Tinturaria e estamparia com pigmentos à base de compostos de 
chumbo. 
Insalubridade de grau mínimo: Pintura a pistola ou manual com pigmentos de 
compostos de chumbo ao ar livre. 
CROMO 
Insalubridade de grau máximo: Fabricação de cromatos e bicromatos. Pintura 
a pistola com pigmentos de compostos de cromo, em recintos limitados ou 
fechados. 
Insalubridade de grau médio: Cromagem eletrolítica dos metais. Fabricação 
de palitos fosfóricos à base de compostos de cromo (preparação da pasta e 
trabalho nos secadores). Manipulação de cromatos e bicromatos. Pintura manual 
com pigmentos de compostos de cromo em recintos limitados ou fechados 
(exceto pincel capilar). Preparação por processos fotomecânicos de clichês para 
impressão à base de compostos de cromo. Tanagem a cromo. 
FÓSFORO 
Insalubridade de grau máximo: Extração e preparação de fósforo branco e 
seus compostos. Fabricação de defensivos fosforados e organofosforados. 
Fabricação de projéteis incendiários, explosivos e gases asfixiantes à base de 
fósforo branco. 
 
 
Insalubridade de grau médio: Emprego de defensivos organofosforados. 
Fabricação de bronze fosforado. Fabricação de mechas fosforadas para 
lâmpadas de mineiros. 
HIDROCARBONETOS E OUTROS COMPOSTOS DE CARBONO 
Insalubridade de grau máximo: Destilação do alcatrão da hulha. Destilação do 
petróleo. Manipulação de alcatrão, breu, betume, antraceno, óleos minerais, óleo 
queimado, parafina ou outras substâncias cancerígenas afins. Manipulação do 
negro de fumo. (Excluído pela Portaria DNSST n.º 9, de 09 de outubro de 1992) 
Fabricação de fenóis, cresóis,naftóis, nitroderivados, aminoderivados, derivados 
halogenados e outras substâncias tóxicas derivadas de hidrocarbonetos cíclicos. 
Pintura a pistola com esmaltes, tintas, vernizes e solventes contendo 
hidrocarbonetos aromáticos. 
Insalubridade de grau médio: Emprego de defensivos organoclorados: DDT 
(diclorodifeniltricloretano) DDD (diclorodifenildicloretano), metoxicloro 
(dimetoxidifeniltricloretano), BHC (hexacloreto de benzeno) e seus compostos e 
isômeros. Emprego de defensivos derivados do ácido carbônico. Emprego de 
aminoderivados de hidrocarbonetos aromáticos (homólogos da anilina). 
Emprego de cresol, naftaleno e derivados tóxicos. Emprego de isocianatos na 
formação de poliuretanas (lacas de desmoldagem, lacas de dupla composição, 
lacas protetoras de madeira e metais, adesivos especiais e outros produtos à 
base de poliisocianetos e poliuretanas). Emprego de produtos contendo 
hidrocarbonetos aromáticos como solventes ou em limpeza de peças. 
Fabricação de artigos de borracha, de produtos para impermeabilização e de 
tecidos impermeáveis à base de hidrocarbonetos. Fabricação de linóleos, 
celulóides, lacas, tintas, esmaltes, vernizes, solventes, colas, artefatos de 
ebonite, gutapercha, chapéus de palha e outros à base de hidrocarbonetos. 
Limpeza de peças ou motores com óleo diesel aplicado sob pressão 
(nebulização). Pintura a pincel com esmaltes, tintas e vernizes em solvente 
contendo hidrocarbonetos aromáticos. 
 
 
MERCÚRIO 
Insalubridade de grau máximo: Fabricação e manipulação de compostos orgânicos de 
mercúrio. 
SILICATOS 
Insalubridade de grau máximo: Operações que desprendam poeira de silicatos 
em trabalhos permanentes no subsolo, em minas e túneis (operações de corte, 
furação, desmonte, carregamentos e outras atividades exercidas no local do 
desmonte e britagem no subsolo). Operações de extração, trituração e moagem 
de talco. Fabricação de material refratário, como refratários para fôrmas, 
chaminés e cadinhos; recuperação de resíduos. 
SUBSTÂNCIAS CANCERÍGENAS 
Para as substâncias ou processos as seguir relacionados, não deve ser 
permitida nenhuma exposição ou contato, por qualquer via: - 4 - amino difenil (p-
xenilamina); - Produção de Benzidina; - Betanaftilamina; - 4 - nitrodifenil, 
Entende-se por nenhuma exposição ou contato significa hermetizar o processo 
ou operação, através dos melhores métodos praticáveis de engenharia, sendo 
que o trabalhador deve ser protegido adequadamente de modo a não permitir 
nenhum contato com o carcinogênico. Sempre que os processos ou operações 
não forem hermetizados, será considerada como situação de risco grave e 
iminente para o trabalhador. Para o Benzeno, deve ser observado o disposto no 
anexo 13. 
OPERAÇÕES DIVERSAS 
Insalubridade de grau máximo: Operações com cádmio e seus compostos, 
extração, tratamento, preparação de ligas, fabricação e emprego de seus 
compostos, solda com cádmio, utilização em fotografia com luz ultravioleta, em 
fabricação de vidros, como antioxidante, em revestimentos metálicos, e outros 
produtos. Operações com manganês e seus compostos: extração, tratamento, 
trituração, transporte de minério; fabricação de compostos de manganês, 
 
 
fabricação de pilhas secas, fabricação de vidros especiais, indústria de cerâmica 
e ainda outras operações com exposição prolongada à poeira de pirolusita ou de 
outros compostos de manganês. Operações com as seguintes substâncias: - 
Éter bis (cloro-metílico) - Benzopireno - Berílio - Cloreto de dimetil-carbamila - 
3,3' – dicloro-benzidina - Dióxido de vinil ciclohexano - Epicloridrina - 
Hexametilfosforamida - 4,4' - metileno bis (2-cloro anilina) - 4,4' - metileno 
dianilina - Nitrosaminas - Propano sultone - Betapropiolactona - Tálio - Produção 
de trióxido de amônio ustulação de sulfeto de níquel. 
Insalubridade de grau médio: Aplicação a pistola de tintas de alumínio. 
Fabricação de pós de alumínio (trituração e moagem). Fabricação de emetina e 
pulverização de ipeca. Fabricação e manipulação de ácido oxálico, nítrico 
sulfúrico, bromídrico, fosfórico, pícrico. Metalização a pistola. Operações com o 
timbó. Operações com bagaço de cana nas fases de grande exposição à poeira. 
Operações de galvanoplastia: douração, prateação, niquelagem, cromagem, 
zincagem, cobreagem, anodização de alumínio. Telegrafia e radiotelegrafia, 
manipulação em aparelhos do tipo Morse e recepção de sinais em fones. 
Trabalhos com escórias de Thomás: remoção, trituração, moagem e 
acondicionamento. Trabalho de retirada, raspagem a seco e queima de pinturas. 
Trabalhos na extração de sal (salinas). Fabricação e manuseio de álcalis 
cáusticos. Trabalho em convés de navios. (Revogado pela Portaria SSMT n.º 12, 
de 06 de junho de 1983) 
Insalubridade de grau mínimo: Fabricação e transporte de cal e cimento nas 
fases de grande exposição a poeiras. Trabalhos de carregamento, 
descarregamento ou remoção de enxofre ou sulfitos em geral, em sacos ou a 
granel. 
Medidas de Controle 
1. Exames médicos para identificação de contaminantes nos trabalhadores 
2. Inspeções constantes nos locais de trabalho para verificar a concentração 
dos contaminantes 
3. Treinamento e capacitação constantes 
4. Seguir os procedimentos do anexo 9 da NR 15 
 
 
5. Utilização de EPIs e EPCs 
6. Restringir o acesso aos locais contaminados ao mínimo possível 
7. Substituir o material contaminante (se possível) 
Danos à saúde 
1. Irritação do sistema respiratório 
2. Irritação do sistema gastrointestinal 
3. Irritação nos olhos 
4. Irritação na pele 
5. Alergias 
6. Intoxicações em geral conforme a natureza do contaminante. 
AGENTES BIOLÓGICOS 
São considerados riscos biológicos: vírus, bactérias, parasitas, protozoários, 
fungos e bacilos. 
Os riscos biológicos ocorrem por meio de microrganismos que, em contato com 
o homem, podem provocar inúmeras doenças. Muitas atividades profissionais 
favorecem o contato com tais riscos. É o caso das indústrias de alimentação, 
hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios, etc. 
Há uma classificação dos agentes patogênicos selvagens que leva em 
consideração os riscos para o manipulador, para a comunidade e para o meio 
ambiente. Esses riscos são avaliados em função do poder patogênico do agente 
infeccioso, da sua resistência no meio ambiente, do modo de contaminação, da 
importância da contaminação (dose), do estado de imunidade do manipulador e 
da possibilidade de tratamento preventivo e curativo eficazes. 
As classificações existentes (OMS, CEE, CDC-NIH) são bastante similares, 
dividindo os agentes em quatro classes: 
Classe 1 - onde se classificam os agentes que não apresentam riscos para o 
manipulador, nem para a comunidade (ex.: E. coli, B. subtilis); 
 
 
Classes 2 - apresentam risco moderado para o manipulador e fraco para a 
comunidade e há sempre um tratamento preventivo (ex.: bactérias - Clostridium 
tetani, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus; vírus - EBV, herpes; 
fungos - Candida albicans; parasitas - Plasmodium, Schistosoma); 
Classe 3 - são os agentes que apresentam risco grave para o manipulador e 
moderado para a comunidade, sendo que as lesões ou sinais clínicos são graves 
e nem sempre há tratamento (ex.: bactérias - Bacillus anthracis, Brucella, 
Chlamydia psittaci, Mycobacterium tuberculosis; vírus - hepatites B e C, HTLV 1 
e 2, HIV, febre amarela, dengue; fungos - Blastomyces dermatiolis, Histoplasma; 
parasitos - Echinococcus, Leishmania, Toxoplasma gondii, Trypanosoma cruzi); 
Classe 4 - os agentes desta classe apresentam risco grave para o manipulador 
e para a comunidade, não existe tratamento e os riscos em caso de propagação 
são bastante graves (ex.: vírus de febres hemorrágicas). 
 
Relação das atividades que envolvem agentes biológicos, cuja insalubridade é 
caracterizada pela avaliação qualitativa. 
Insalubridade de grau máximo: Trabalho ou operações, em contatopermanente com: - pacientes em isolamento por doenças infecto-contagiosas, 
bem como objetos de seu uso, não previamente esterilizados; - carnes, 
glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros, pêlos e dejeções de animais 
portadores de doenças infectocontagiosas (carbunculose, brucelose, 
tuberculose); - esgotos (galerias e tanques); e - lixo urbano (coleta e 
industrialização). 
Insalubridade de grau médio: Trabalhos e operações em contato permanente 
com pacientes, animais ou com material infecto-contagiante, em: - hospitais, 
serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de vacinação e 
outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana (aplica-se 
unicamente ao pessoal que tenha contato com os pacientes, bem como aos que 
manuseiam objetos de uso desses pacientes, não previamente esterilizados); - 
hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos 
 
 
destinados ao atendimento e tratamento de animais (aplica-se apenas ao 
pessoal que tenha contato com tais animais); - contato em laboratórios, com 
animais destinados ao preparo de soro, vacinas e outros produtos; - laboratórios 
de análise clínica e histopatologia (aplica-se tão-só ao pessoal técnico); - 
gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia (aplica-se 
somente ao pessoal técnico); - cemitérios (exumação de corpos); - estábulos e 
cavalariças; e - resíduos de animais deteriorados. 
Medidas de Controle 
1. Conhecimento da Legislação Brasileira de Biossegurança, especialmente 
das Normas de Biossegurança emitidas pela Comissão Técnica Nacional 
de Biossegurança; 
2. O conhecimento dos riscos pelo manipulador; 
3. A formação e informação das pessoas envolvidas, principalmente no que 
se refere à maneira como essa contaminação pode ocorrer, o que implica 
no conhecimento amplo do microrganismo ou vetor com o qual se 
trabalha; 
4. O respeito das Regras Gerais de Segurança e ainda a realização das 
medidas de proteção individual; 
5. Uso do avental, luvas descartáveis (e/ou lavagem das mãos antes e após 
a manipulação), máscara e óculos de proteção (para evitar aerossóis ou 
projeções nos olhos) e demais Equipamentos de Proteção Individual 
necessários, 
6. Utilização da capela de fluxo laminar corretamente, mantendo-a limpa 
após o uso; 
7. Autoclavagem de material biológico patogênico, antes de eliminá-lo no 
lixo comum; 
8. Utilização de desinfetante apropriado para inativação de um agente 
específico. 
Danos à saúde 
Diversas doenças causadas pelos diversos agentes biológicos presentes no 
ambiente de trabalho. 
 
 
BENZENO 
 
Benzeno é um hidrocarboneto classificado como hidrocarboneto aromático, e é 
a base para esta classe de hidrocarbonetos: todos os aromáticos possuem 
um anel benzênico (benzeno), que, por isso, é também chamado de anel 
aromático, possui a fórmula C6H6. 
 
Figura 3: Anel de benzeno 
O Anexo 8 da NR 15 tem como objetivo regulamentar ações, atribuições e 
procedimentos de prevenção da exposição ocupacional ao benzeno, visando à 
proteção da saúde do trabalhador, visto tratar-se de um produto 
comprovadamente cancerígeno. 
O Anexo se aplica a todas as empresas que produzem, transportam, 
armazenam, utilizam ou manipulam benzeno e suas misturas líquidas contendo 
1% (um por cento) ou mais de volume e aquelas por elas contratadas, no que 
couber. O Anexo não se aplica às atividades de armazenamento, transporte, 
distribuição, venda e uso de combustíveis derivados de petróleo. 
Fica proibida a utilização do benzeno, a partir de 01 de janeiro de 1997, para 
qualquer emprego, exceto nas indústrias e laboratórios que: 
a) o produzem; 
b) o utilizem em processos de síntese química; 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hidrocarboneto_arom%C3%A1tico
 
 
c) o empreguem em combustíveis derivados de petróleo; 
d) o empreguem em trabalhos de análise ou investigação realizados em 
laboratório, quando não for possível sua substituição. 
As empresas que utilizam benzeno em atividades que não as identificadas nas 
alíneas do item 3 do anexo 8 e que apresentem inviabilidade técnica ou 
econômica de sua substituição deverão comprová-la quando da elaboração do 
Programa de Prevenção da Exposição Ocupacional ao Benzeno - PPEOB. 
As empresas que produzem, transportam, armazenam, utilizam ou manipulam 
benzeno e suas misturas líquidas contendo 1% (um por cento) ou mais de 
volume devem cadastrar seus estabelecimentos no DSST. 
Medidas de Controle 
1. Exames médicos para identificação de contaminantes nos trabalhadores 
2. Inspeções constantes nos locais de trabalho para verificar a concentração 
dos contaminantes 
3. Treinamento e capacitação constantes 
4. Seguir os procedimentos do anexo 8 da NR 15 
5. Utilização de EPIs e EPCs 
6. Restringir o acesso aos locais contaminados ao menor número de 
pessoas possível 
Danos à saúde 
1. sonolência 
2. tonturas 
3. dores de cabeça 
4. bem como olhos 
5. pele e irritação das vias respiratórias 
6. em níveis elevados, perda de consciência 
7. transtornos no sangue 
8. anemia aplástica 
9. câncer 
 
 
 
NR 16 – Atividades e Operações Perigosas 
O exercício de trabalho em condições de periculosidade assegura ao 
trabalhador a percepção de adicional de 30% (trinta por cento), incidente sobre 
o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou 
participação nos lucros da empresa. O empregado poderá optar pelo adicional 
de Insalubridade que porventura lhe seja devido. É responsabilidade do 
empregador a caracterização ou a descaracterização da periculosidade, 
mediante laudo técnico elaborado por Médico do Trabalho ou Engenheiro de 
Segurança do Trabalho, nos termos do artigo 195 da CLT. 
A norma estabelece que: 
São consideradas atividades e operações perigosas as constantes dos Anexos 
desta Norma Regulamentadora – NR 
O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe 
seja devido. 
É responsabilidade do empregador a caracterização ou a descaracterização da 
periculosidade, mediante laudo técnico elaborado por Médico do Trabalho ou 
Engenheiro de Segurança do Trabalho, nos termos do artigo 195 da CLT. 
Para os fins desta Norma Regulamentadora - NR são consideradas atividades 
ou operações perigosas as executadas com explosivos sujeitos a: 
a) degradação química ou autocatalítica; 
b) ação de agentes exteriores, tais como, calor, umidade, faíscas, fogo, 
fenômenos sísmicos, choque e atritos 
 
 
http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/periculosidade.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/insalubridade.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/guia/periculosidade.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/clt.htm
 
 
OPERAÇÕES PERIGOSAS COM EXPLOSIVOS 
As operações de transporte de inflamáveis líquidos ou gasosos liquefeitos, em 
quaisquer vasilhames e a granel, são consideradas em condições de 
periculosidade, exclusão para o transporte em pequenas quantidades, até o 
limite de 200 (duzentos) litros para os inflamáveis líquidos e 135 (cento e trinta e 
cinco) quilos para os inflamáveis gasosos liquefeitos. 
São consideradas atividades ou operações perigosas as enumeradas no Quadro 
n.° 1, seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OPERAÇÕES PERIGOSAS COM INFLAMÁVEIS 
São consideradas áreas de risco: a) nos locais de armazenagem de pólvoras 
químicas, artifícios pirotécnicos e produtos químicos usados na fabricação de 
misturas explosivas ou de fogos de artifício, a área compreendida no Quadro n.º 
2 
 
b) nos locais de armazenagem de explosivos iniciadores, a área compreendida 
no Quadro n.º 3: 
 
 
ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM 
EXPOSIÇÃO A ROUBOS OU OUTRAS ESPÉCIES DE 
VIOLÊNCIA FÍSICA NAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS 
DE SEGURANÇA PESSOAL OU PATRIMONIAL 
As atividades ou operações que impliquem em exposição dos profissionais de 
segurança pessoal ou patrimonial a roubos ou outras espécies de violência física 
sãoconsideradas perigosas. 
 
 
São considerados profissionais de segurança pessoal ou patrimonial os 
trabalhadores que atendam a uma das seguintes condições: 
a) empregados das empresas prestadoras de serviço nas atividades de 
segurança privada ou que integrem serviço orgânico de segurança privada, 
devidamente registradas e autorizadas pelo Ministério da Justiça, conforme lei 
7102/1983 e suas alterações posteriores. 
b) empregados que exercem a atividade de segurança patrimonial ou pessoal 
em instalações metroviárias, ferroviárias, portuárias, rodoviárias, aeroportuárias 
e de bens públicos, contratados diretamente pela administração pública direta 
ou indireta. 
As atividades ou operações que expõem os empregados a roubos ou outras 
espécies de violência física, desde que atendida uma das condições do item 2, 
são as constantes do quadro abaixo: 
 
 
 
 
ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM ENERGIA 
ELÉTRICA 
Têm direito ao adicional de periculosidade os trabalhadores: 
a) que executam atividades ou operações em instalações ou equipamentos 
elétricos energizados em alta tensão; 
 b) que realizam atividades ou operações com trabalho em proximidade, 
conforme estabelece a NR-10; 
c) que realizam atividades ou operações em instalações ou equipamentos 
elétricos energizados em baixa tensão no sistema elétrico de consumo - SEC, 
no caso de descumprimento do item 10.2.8 e seus subitens da NR10 - 
Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade; 
 
 
d) das empresas que operam em instalações ou equipamentos integrantes do 
sistema elétrico de potência - SEP, bem como suas contratadas, em 
conformidade com as atividades e respectivas áreas de risco descritas no quadro 
I deste anexo. 
Não é devido o pagamento do adicional nas seguintes situações: 
a) nas atividades ou operações no sistema elétrico de consumo em instalações 
ou equipamentos elétricos desenergizados e liberados para o trabalho, sem 
possibilidade de energização acidental, conforme estabelece a NR-10; 
b) nas atividades ou operações em instalações ou equipamentos elétricos 
alimentados por extra-baixa tensão; 
c) nas atividades ou operações elementares realizadas em baixa tensão, tais 
como o uso de equipamentos elétricos energizados e os procedimentos de ligar 
e desligar circuitos elétricos, desde que os materiais e equipamentos elétricos 
estejam em conformidade com as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos 
órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas 
internacionais cabíveis. 
ATIVIDADES PERIGOSAS EM MOTOCICLETA 
As atividades laborais com utilização de motocicleta ou motoneta no 
deslocamento de trabalhador em vias públicas são consideradas perigosas. Não 
são consideradas perigosas, para efeito deste anexo: 
a) a utilização de motocicleta ou motoneta exclusivamente no percurso da 
residência para o local de trabalho ou deste para aquela; 
b) as atividades em veículos que não necessitem de emplacamento ou que não 
exijam carteira nacional de habilitação para conduzi-los; 
c) as atividades em motocicleta ou motoneta em locais privados. 
d) as atividades com uso de motocicleta ou motoneta de forma eventual, assim 
considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo extremamente 
reduzido. 
 
 
OS ENIGMÁTICOS ASPECTOS PSICOSSOCIAIS E 
SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA O CONCEITO DE 
RISCO 
 
O termo psicossocial tem sido utilizado para referir uma grande variedade de 
fatores psicológicos e sociais que se relacionam com a saúde e a doença mental 
(Binik, 1985). Na literatura psicológica, sobretudo na área do stress, verifica-se 
que têm sido realizadas algumas investigações sobre a influência dos fatores 
psicossociais na saúde e na doença mental e sobre os mecanismos que podem 
levar essas variáveis a contribuir para o desenvolvimento e manutenção de 
comportamentos inadequados. Alguns autores referem que os fatores 
psicológicos, conferem riscos para a manutenção da saúde mental. O termo 
psicossocial tem sido utilizado para referir uma grande variedade de fatores 
psicológicos e sociais que se relacionam com a saúde e a doença mental (Binik, 
1985). 
Recentemente alguns documentos nacionais e internacionais têm mencionado 
a importância da inclusão dos aspectos ou fatores psicossociais nas análises de 
riscos, que tradicionalmente contemplam apenas aspectos objetivos (químicos, 
físicos e biológicos. 
A Organização Internacional do Trabalho – OIT, desde 1984, refere-se aos 
fatores psicossociais no trabalho como a interação entre o trabalho (ambiente, 
satisfação e condições de sua organização) e as capacidades do trabalhador 
(necessidades, cultura, sua situação externa ao trabalho). De um lado, portanto, 
está a inter-relação entre conteúdo, organização e gerenciamento do trabalho, 
entre outras condições ambientais e organizacionais, e, do outro, as 
competências e necessidades dos empregados 
 
 
Psicopatologia do Trabalho 
Movimento surgido nos anos 50 – período pós-guerra Intenso processo de 
industrialização que buscava equilibrar o trabalho máximo de produtividade e 
evitar o adoecimento. Modelos advindo da medicina do trabalho Causa / efeito. 
A psicopatologia do trabalho objetivava diagnosticar adoecimentos mentais 
causados pelo trabalho em um indivíduo. A partir da análise do sofrimento 
psíquico resultante da confrontação do homem frente à organização do trabalho 
podemos citar fatores que podem acometer a saúde mental dos trabalhadores: 
1. Fadiga mental causada por uma alta carga psíquica 
2. Excesso de informações e necessidade de tomada de decisões rápidas 
3. Falta de controle sobre o tempo 
4. Trabalho monótono 
5. Possibilidade de erro e consequências graves 
6. Subutilização da capacidade mental 
7. Divisão do trabalho 
8. Esvaziamento da função e da iniciativa 
9. Distanciamento entre o planejamento e a execução 
10. Acumulo de tarefas 
11. Trabalho despersonalizante 
12. Fragmentação do trabalho 
13. Alienação do trabalho realizado e do produto 
14. Horários e turnos 
15. Ausência ou insuficiência de pausas 
16. Hierarquia rígida 
17. Falta de autonomia 
18. Impossibilidade de colaborar com sua experiência na realização do 
trabalho 
19. Aumento da responsabilidade sem treinamento 
20. Desqualificação do trabalho realizado 
21. Sofrimento e defesas contra ele 
22. Mecanismos de defesa frente ao sofrimento 
 
 
A Psicopatologia do Trabalho tem na obra de Dejours uma de suas principais 
fontes atuais de referência; sua visão de sofrimento no trabalho tem trazido 
novas luzes sobre essa especialidade e contribuído com inúmeras obras para o 
seu desenvolvimento. 
O sofrimento no trabalho constitui-se uma das consequências da insistência do 
trabalhador em viver em um ambiente que lhe é adverso. A relação do homem 
com o trabalho nunca foi fácil, até mesmo a etimologia da palavra denota algo 
penoso e, até mesmo, indesejado (“tripalium”, instrumento de tortura feito com 
três paus). 
Na literatura psicológica, sobretudo na área do stress, verifica-se que têm sido 
realizadas algumas investigações sobre a influência dos fatores psicossociais na 
saúde e na doença mental e sobre os mecanismos que podem levar essas 
variáveis a contribuir para o desenvolvimento e manutenção de comportamentos 
inadequados. Alguns autores referem que os fatores psicológicos, conferem 
riscos para a manutenção da saúde mental. 
 
O Stress no Trabalho e a Saúde Mental 
 
O trabalho é uma atividade humana, individual e coletiva, que requer uma série 
de contribuições (esforço, tempo, aptidões, habilidades, etc.), que os indivíduos 
desenvolvem esperando em troca compensações, não só económicas e 
materiais, mas também psicológicas e sociais, que contribuam para satisfazer as 
suas necessidades. Porém, a realidade do trabalho é muito diversificada. 
Existem condições de trabalho que não proporcionam ao indivíduooportunidades para desenvolver a sua autoestima. Outras, não garantem sequer 
a segurança ou não satisfazem, adequadamente, as necessidades sociais das 
pessoas. Na sociedade atual, caracterizada como organização formal, ocorre a 
maior parte das experiências profissionais das pessoas. As organizações 
oferecem maior ou menor qualidade de vida no trabalho e adoptam as mais 
variadas políticas na gestão dos recursos humanos, influindo de forma 
 
 
importante na satisfação do trabalho. O termo “qualidade de vida no trabalho” 
representa o grau em que os membros duma organização são capazes de 
satisfazer as necessidades pessoais, através das suas experiências no contexto 
organizacional. Para Chiavenato (1995), a qualidade de vida no trabalho assimila 
duas posições distintas: por um lado, as aspirações da pessoa em relação ao 
seu bem-estar e satisfação do trabalho, e por outro o interesse da organização 
quanto aos seus efeitos nos objetivos organizacionais. Nesta perspectiva, a 
qualidade de vida no trabalho não é determinada apenas pelas características 
individuais (necessidades, valores, crenças e expectativas) ou situacionais 
(estrutura organizacional, tecnologia, sistemas de recompensas), mas sim pela 
interação sistémica das características individuais e organizacionais. O autor 
anteriormente citado, considera que a qualidade de vida interfere com aspectos 
importantes para o desenvolvimento psicológico e socioprofissional do indivíduo, 
nomeadamente: motivação para o trabalho; capacidade de adaptação a 
mudanças no ambiente de trabalho; criatividade e vontade de inovar ou de 
aceitar qualquer mudança na organização. Se a qualidade de vida no trabalho 
for pobre pode originar insatisfação do trabalho e comportamentos desajustados 
(erros de desempenho, absentismo e outros). Pelo contrário, uma elevada 
qualidade de vida no trabalho conduz a um clima de confiança e de respeito 
mútuo, no qual o indivíduo pode ativar o seu desenvolvimento psicológico e a 
própria organização pode reduzir os mecanismos rígidos de controlo social. 
Também as pessoas, em função da sua maneira de ser, podem influenciar as 
condições de trabalho. As diferenças individuais são uma componente 
importante no mundo do trabalho e, por isso, é necessário contemplar esta 
problemática através de uma perspectiva interacionista que considere um ajuste 
dinâmico entre a pessoa, o posto de trabalho e a própria organização. Quando 
este ajuste é inadequado e a pessoa 258 educação, ciência e tecnologia percebe 
que não dispõe de recursos suficientes para o enfrentar ou neutralizar surgem 
as experiências de stress (Peiró, 1993). Tais experiências, diz-nos o autor, são, 
com frequência, negativas e podem ter consequências graves e por vezes 
irreparáveis, para a saúde e o bem-estar físico, psicológico e social. O stress no 
trabalho é um dos fenómenos mais difundidos na nossa sociedade porque, na 
sociedade atual, o trabalho adquiriu uma grande relevância social e porque o 
interesse pela produtividade e pela eficiência nem sempre é acompanhado de 
 
 
condições de trabalho dignas e adequadas, recursos suficientes para o 
desenvolver e tarefas e postos de trabalho que tenham em conta as 
características das pessoas, as suas necessidades, aptidões e interesses. Em 
síntese, é necessário conseguir que a experiência de trabalho, uma das formas 
culturais mais importantes para o desenvolvimento pessoal e social, não se 
converta numa fonte de alienação e despersonalização, e uma das principais 
causas de doença mental (Peiró, 1993; Chiavenato, 1995). 
MCgrath (1970), apontado por Peiró (1993) diz-nos que não é difícil constatar a 
imprecisão e ambiguidade do termo stress e as diferentes, e às vezes 
contraditórias, formas de defini-lo. Alguns autores consideram até que a sua 
definição só é útil para uma ampla área de estudos que abordam problemas com 
ele relacionados. Assim, o stress tem sido definido de várias formas: Como 
esforço para manter as funções essenciais ao nível requerido; Como informação 
que o sujeito interpreta como ameaça de perigo; Como frustração e ameaça que 
não pode reduzir-se ou como 260 educação, ciência e tecnologia impossibilidade 
de predizer o futuro (Ruff E Korchin, 1967; Lipowsky, 1975; Bonner, 1967; Groen 
e Bastians, 1975). No âmbito da psicologia, diversos autores têm definido o 
stress como um conjunto de forças externas que produzem efeitos transitórios 
ou permanentes sobre a pessoa. Para os autores que consideram o stress como 
“resposta”, conceptualizam-no como o conjunto de respostas fisiológicas e 
psicológicas de uma pessoa, quando confrontada com um determinado estímulo 
ambiental ou estressor, termo que se refere às condições que produzem tensão 
e outros resultados negativos para a saúde/bem-estar (Wallace e al, 1988). 
Nesta perspectiva , podem incluir-se: a definição clássica de Seley (1979), 
“resposta geral do organismo perante qualquer estímulo estressor ou situação 
estressante “; ou a de Matteson e Ivancevich (1987), “ resposta adaptativa 
mediada por características individuais, consequência de uma ação externa, 
situação ou acontecimento que impõe à pessoa exigências físicas ou 
psicológicas especiais “. Outros autores, que definem o stress como percepção, 
defendem que o stress surge de processos perceptivos e cognitivos, que 
produzem sequelas físicas e psicológicas. Assim, Lazarus (1966) interpreta a 
interação entre agentes estressores e o ser humano em termos de apreciação e 
avaliação. Deste ponto de vista, a condição de stress só existe quando o 
 
 
indivíduo a percebe como tal. Cabe ainda referir que as definições de stress 
como transação entre a pessoa e o ambiente supõem que o stress só se 
caracteriza adequadamente, se se tiver em conta o contexto social e a posição 
em que a pessoa se encontra, nesse mesmo contexto, ao longo do tempo 
(Peiró,1993). Dentro destas, encontram-se as seguintes definições de stress: 
“Falta de disponibilidade de respostas adequadas perante uma situação que 
produz consequências importantes e graves”; “Relação entre a pessoa e o 
ambiente que é percebido pela pessoa como ameaçador, com exigências 
superiores aos seus recursos e, prejudicar o seu bem – estar”; “Discordância 
negativa entre um estado percebido pelo indivíduo e o estado desejado, supondo 
que essa diferença é importante para o indivíduo” (Sells, 1970; Lazarus e 
Folkman, 1984; Edwards , 1988). Ainda segundo Edwards (1988), as definições 
que comparam exigências e capacidades incluem, implicitamente, uma 
divergência entre percepções e desejos. 
o modelo de Harrison (1978), o que produz as experiências de stress é a falta de 
adaptação entre as solicitações do contexto e os recursos da pessoa para as 
enfrentar. Assim sendo, o stress é concebido como a falta de ajustamento entre 
as habilidades e capacidades disponíveis, e as exigências e solicitações do 
trabalho a desempenhar, e também entre as necessidades do indivíduo e os 
recursos disponíveis para as satisfazer. 
Síndrome de Burnout 
Burnout é um tipo de estresse ocupacional que acomete profissionais envolvidos 
com qualquer tipo de cuidado em uma relação de atenção direta, contínua e 
altamente emocional (Maslach & Jackson, 1981; 1986; Leiter & Maslach, 1988, 
Maslach, 1993; Vanderberghe & Huberman, 1999; Maslach & Leiter, 1999). As 
profissões mais vulneráveis são geralmente as que envolvem serviços, 
tratamento ou educação (Maslach & Leiter, 1999). 
Atualmente, a definição mais aceita do burnout é a fundamentada na perspectiva 
social-psicológica de Maslach e colaboradores, sendo esta constituída de três 
dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal 
no trabalho. 
 
 
Maslach, Schaufeli e Leiter (2001) assim definem as três dimensões da 
síndrome: Exaustão emocional, caracterizada por uma falta ou carência de 
energia, entusiasmo e um sentimento de esgotamentode recursos; 
despersonalização, que se caracteriza por tratar os clientes, colegas e a 
organização como objetos; e diminuição da realização pessoal no trabalho, 
tendência do trabalhador a se autoavaliar de forma negativa. As pessoas 
sentem-se infelizes consigo próprias e insatisfeitas com seu desenvolvimento 
profissional. 
O processo do burnout é individual (Rudow, 1999). Sua evolução pode levar 
anos e até mesmo décadas (Rudow, 1999). Seu surgimento é paulatino, 
cumulativo, com incremento progressivo em severidade (França, 1987), não 
sendo percebido pelo indivíduo, que geralmente se recusa a acreditar estar 
acontecendo algo de errado com ele (França, 1987; Dolan, 1987; Rudow, 1999). 
Maslach, Schaufeli e Leiter (2001) pontuam que, nas várias definições 
do burnout, embora com algumas questões divergentes, todas encontram no 
mínimo cinco elementos comuns: 
1) existe a predominância de sintomas relacionados à exaustão mental e 
emocional, fadiga e depressão; 
2) a ênfase nos sintomas comportamentais e mentais e não nos sintomas físicos; 
3) os sintomas do burnout são relacionados ao trabalho; 
4) os sintomas manifestam-se em pessoas “normais” que não sofriam de 
distúrbios psicopatológicos antes do surgimento da síndrome; 
5) a diminuição da efetividade e desempenho no trabalho ocorre por causa de 
atitudes e comportamentos negativos. 
Identificando o Burnout 
Farber (1991) divide as manifestações do burnout em professores em sintomas 
individuais e profissionais, destacando, entretanto, que estas questões são de 
difíceis generalizações e descrições universais. Em geral, segundo o autor, os 
 
 
professores sentem-se emocional e fisicamente exaustos, estão frequentemente 
irritados, ansiosos, com raiva ou tristes. As frustrações emocionais peculiares a 
este fenômeno podem levar a sintomas psicossomáticos como insônia, úlceras, 
dores de cabeça e hipertensão, além de abuso no uso de álcool e medicamentos, 
incrementando problemas familiares e conflitos sociais. 
Nos aspectos profissionais, o professor pode apresentar prejuízos em seu 
planejamento de aula, tornando-se este menos frequente e cuidadoso. 
Apresenta perda de entusiasmo e criatividade, sentindo menos simpatia pelos 
alunos e menos otimismo quanto à avaliação de seu futuro. Pode também sentir-
se facilmente frustrado pelos problemas ocorridos em sala de aula ou pela falta 
de progresso de seus alunos, desenvolvendo um grande distanciamento com 
relação a estes. Sentimentos de hostilidade em relação a administradores e 
familiares de alunos também são frequentes, bem como o desenvolvimento de 
visão depreciativa com relação à profissão. O professor mostra-se 
autodepreciativo e arrependido de ingressar na profissão, fantasiando ou 
planejando seriamente abandoná-la. 
Segundo Edelwich e Brodsky (1980), os professores 
apresentam burnout quando gastam muito tempo de seu intervalo denegrindo 
alunos, reclamando da administração, arrependendo-se de sua escolha 
profissional e planejando novas opções de trabalho. 
Principais Causas 
Muitos estudos têm se preocupado em identificar as causas 
do burnout especificamente na população de professores. Farber (1991) parte 
do pressuposto de que suas causas são uma combinação de fatores individuais, 
organizacionais e sociais, sendo que esta interação produziria uma percepção 
de baixa valorização profissional, tendo como resultado o burnout. O autor, ao 
se referir aos fatores de personalidade, diz que a literatura considera professores 
idealistas e entusiasmados com sua profissão mais vulneráveis, pois sentem que 
têm alguma coisa a perder. Estes professores são comprometidos com o 
trabalho e envolvem-se intensamente com suas atividades, sentindo-se 
desapontados quando não recompensados por seus esforços. Idealizações em 
 
 
relação ao trabalho e à organização propiciam o surgimento do burnout (Maslach 
& Jackson,1984b). 
Professores possuem expectativas de atingir metas um tanto ou quanto 
irrealistas, pois pretendem não somente ensinar seus alunos, mas também 
ajudá-los a resolverem seus problemas pessoais (Maslach & 
Goldberg,1998).Maslach e Jackson (1984a) afirmam que a educação pode ser 
associada ao burnout, devido ao alto nível de expectativa destes profissionais, o 
qual não pode ser totalmente preenchido. 
Quanto às variáveis sociodemográficas, Farber (1991) refere que estudos têm 
mostrado serem os professores do sexo masculino mais vulneráveis que os do 
sexo feminino, o que levou à suposição de que mulheres são mais flexíveis e 
mais abertas para lidar com as várias pressões presentes na profissão de ensino. 
Etzion (1987) associa as diferenças encontradas nos níveis do burnout às 
questões tradicionais do processo de socialização e organização social, as quais 
se colocam diferenciadamente para homens e mulheres. Professores com 
menos de 40 anos apresentam maior risco de incidência, provavelmente devido 
às expectativas irrealistas em relação à profissão. Jovens precisam aprender a 
lidar com as demandas do trabalho (Maslach,1982) e, por esta razão, podem 
apresentar maiores níveis da síndrome. Professores com mais idade, segundo 
a autora, parecem já ter desenvolvido a decisão de permanecer na carreira, 
demonstrando menos preocupação com os estressores ou com os sintomas 
pessoais relacionados ao estresse. 
No que tange às variáveis profissionais, estudo realizado por Friedman (1991) 
identificou que, quanto maior a experiência profissional do professor, menores 
eram os níveis do burnout. Já para Schwab e Iwanicki (1982) e Woods (1999), 
mais significativo que os anos de prática de ensino é o nível de ensino em que o 
professor atua. Professores de ensino fundamental e médio apresentavam mais 
atitudes negativas em relação aos alunos e menor frequência de sentimentos de 
desenvolvimento profissional do que os professores do ensino infantil. 
Inerente ao conteúdo do seu cargo, a relação com o aluno tem sido apontada 
como uma das maiores causas do burnout. Estudo realizado com professores 
 
 
suíços identifica que sua maior causa é o mau relacionamento professor-alunos. 
Estudo de Burke e colaboradores (1996) confirma este resultado, acrescentando 
ainda a relação entre burnout e a sobrecarga e o conflito de papel. O professor 
assume muitas funções, possui papéis muitas vezes contraditórios, isto é, a 
instrução acadêmica e a disciplina da classe. Também tem que lidar com 
aspectos sociais e emocionais de alunos, e ainda conflitos ocasionados pelas 
expectativas dos pais, estudantes, administradores e da comunidade. O excesso 
de tarefas burocráticas tem feito com que professores se sinta desrespeitados, 
principalmente quando devem executar tarefas desnecessárias e não 
relacionadas à essência de sua profissão. Ao desempenhar trabalhos de 
secretaria, diminui sua carga horária para o atendimento ao aluno e para 
desenvolver-se na profissão. A falta de autonomia e participação nas definições 
das políticas de ensino tem mostrado ser um significativo antecedente 
do burnout. Estas questões, somadas à inadequação salarial e à falta de 
oportunidades de promoções, têm preocupado pesquisadores. 
Outra questão relevante abordada pelos autores é o isolamento social e a falta 
de senso de comunidade que, geralmente, estão presentes no trabalho docente, 
tornando os professores mais vulneráveis ao burnout. Segundo os autores, o 
ensino é uma profissão solitária, uma vez que há uma tendência do professor a 
vincular suas atividades ao atendimento de alunos, ficando à parte de atividades 
de afiliação, grupos e engajamento social. Esse fato foi comprovado por Burke e 
Greenglass (1989), ao identificarem ser a falta de suporte social uma das causas 
significativas do burnout em professores. A inadequação da formação recebida 
para lidar com as atividades de ensino, escola e cultura institucional também tem 
sido apontada pelos professores como um importantecausa da síndrome 
(Farber, 1991; Wisniewski & Gargiulo, 1997). A formação do professor, explicam 
os autores, enfatiza conteúdos e tecnologia, sendo deficiente a abordagem nas 
questões de relacionamento interpessoal, relacionamento com alunos, 
administradores, pais e outras situações. A falta de condições físicas e materiais 
para implementar suas ações junto aos alunos também foi identificada como 
importante fonte de desgaste profissional. 
 
 
A relação com familiares dos alunos, de acordo com Abel e Sewell (1999), 
também se mostra muitas vezes problemática e estressante, seja pela falta de 
envolvimento deles no processo educacional – acreditando serem a escola e o 
professor os únicos responsáveis pela educação dos filhos – seja pelo excesso 
– acreditando ser o professor incompetente e inexperiente e, muitas vezes, o 
causador dos problemas apresentados pelo aluno. Para Cherniss (1995), muitos 
pais acreditam que os profissionais do ensino estão mais preocupados com seu 
contracheque e com suas férias do que com a educação. Farber (1991) afirma 
que, do ponto de vista público, a categoria sofre muitas críticas, é extremamente 
cobrada em seus fracassos e raramente reconhecida por seu sucesso. Para o 
autor, mesmo que esta seja uma tendência de todas as profissões, nenhuma 
categoria tem sido tão severamente avaliada e cobrada pela população em geral 
nas últimas duas décadas como a dos professores. 
CONTRIBUIÇÃO DA ERGONOMIA PARA 
GERENCIAMENTO DE RISCOS 
Distribuição do trabalho A organização do trabalho se relaciona à maneira como 
o trabalho é distribuído no tempo envolvendo as pessoas, o ambiente, os 
recursos tecnológicos e a organização. Ela define quem faz o quê, quando, 
quanto, aonde, em que condições físicas, organizacionais e gerenciais, 
abrangendo a divisão do trabalho, o conteúdo da tarefa, o sistema hierárquico, 
os modelos de gestão, as relações de poder, as formas de comunicação, as 
questões de responsabilidade e autonomia. O outro aspecto se refere à 
particularidade das pessoas ao executarem suas tarefas no posto de trabalho e 
a relação destas pessoas para com as outras, para com elas mesmas e para 
com a empresa. É a organização do trabalho que faz as regulações do trabalho, 
tornando-o ou não, mais adequado às características psicofisiológicas dos 
indivíduos. A ergonomia objetiva sempre adaptar o trabalho ao homem, mas para 
isto é preciso ter o máximo de conhecimento possível sobre as necessidades e 
características do operador do posto de trabalho. 
Os tipos de adaptações que devem ser feitas no trabalho para que o ato de 
trabalhar não leve ao desgaste desnecessário, ou seja, as adaptações devem 
 
 
respeitar os limites adequados, ou corresponder à possibilidade de recuperação 
do operador. Muitas foram às tentativas de definição das necessidades 
humanas. Para Rio (1999) elas podem apresentar quatro dimensões básicas: 
espiritual, social, psíquica e biológica Uma das sistematizações de necessidades 
que encontrou maior repercussão no universo organizacional foi estabelecida 
por Abraham Maslow que, propôs a Teoria de Hierarquia das Necessidades. 
Esta teoria presumia que as pessoas estão em permanente estado de 
motivação, mas a natureza da motivação pode ser diferente de grupo para grupo 
ou de pessoa para pessoa, conforme a situação em específico. 
A “hierarquia das necessidades” de Maslow é composta por cinco necessidades 
fundamentais (GIL, 2001): 1. Fisiológica: comer, dormir, beber, sexo. 2. 
Segurança: ter um abrigo onde morar 3. Integração no grupo: ser aceito por 
outros 4. Autoestima: reconhecimento do próprio valor 5. Autorrealização: 
realização dos objetivos pessoais e profissionais O autor admite que dentro 
desta hierarquia uma vez satisfeita uma necessidade, surge outra não sendo 
obrigatório que uma necessidade esteja 100% satisfeita para que outra apareça. 
A ergonomia tem tido dificuldades em propor abordagens consistentes para a 
questão das necessidades humanas. Bases mais sólidas para os estudos 
ergonômicos são encontradas no que se refere às características humanas: à 
fisiologia da atividade, ao sistema músculo-esquelético e ao sistema óptico. 
Cada indivíduo apresenta características bem pessoais em relação aos seus 
sistemas circulatório, respiratório e muscular, como também, à produção 
hormonal. Todos estes sistemas estão relacionados com posturas, movimentos, 
pausas, sono, alimentação, ou seja, a forma pela qual o metabolismo reage e se 
adapta, física e mentalmente, às tarefas a serem executadas. Do ponto de vista 
fisiológico, trabalho está associado com a transformação de energia (térmica, 
química, elétrica) pelo ser humano. A “máquina humana” é movida pela 
alimentação e pela respiração, transformando estes recursos em energia 
expressos através do trabalho braçal e/ou intelectual. Todos os indivíduos 
precisam de adaptações fisiológicas para a realização das tarefas. No início de 
uma atividade qualquer (digitar, varrer, correr, etc.) 
os músculos trabalham em condições desfavoráveis de oxigenação e eliminação 
de calor, sendo necessários, entre 5 a 10 minutos para que o metabolismo passe 
 
 
a atuar de forma fisiologicamente compatível com o ritmo de trabalho. Entretanto, 
o trabalho mental (ler, resolver exercícios de matemática, etc.) requer um 
“aquecimento” entre 30 a 60 minutos para que o organismo possa atingir seu 
rendimento ideal. 
O trabalho muscular estático (postural) é extremamente prejudicial quando 
realizado sem as devidas pausas, pois, acarreta no organismo do trabalhador 
um estado de contração prolongada da musculatura ocasionando uma menor 
irrigação sanguínea, maior número de batimentos cardíacos e, portanto, maior 
consumo de energia. Com isso, se quer dizer que, permanecer muito tempo 
sentado (digitando, escrevendo, lendo, calculando) faz com que nosso 
organismo sofra uma diminuição da coordenação motora, de forma mais rápida, 
levando à fadiga muscular e suas inevitáveis consequências, o aumento do risco 
de falhas e acidentes (RIO, 1999). Grande parte das atividades é realizada na 
posição sentada. 
Do ponto de vista ergonômico, os assentos ressaltam os aspectos biomecânicos 
como postura ideal, flexibilidade postural, espaço de alcance para membros 
superiores, inferiores e campo visual e, postura semi-sentada. Todos estes 
aspectos guardam uma relação direta com a antropometria, que é definida por 
Rio e Pires (1999, p. 132) como “o estudo das medidas físicas do corpo humano, 
que constituem a base para bons desenhos de postos de trabalho. 
A antropometria procura estipular medidas que sejam representativas de 
parcelas estatisticamente significativas de comunidades humanas”. Já o trabalho 
muscular dinâmico se caracteriza por sequências alternadas de contração 
(tensão) e descontração (relaxamento) muscular. O aporte sanguíneo é bastante 
favorável para a musculatura, não apenas pela facilidade de fluxo durante a 
descontração, como pela ação rítmica de bombeamento sanguíneo exercida 
pelos músculos em atividade. Este fluxo facilitado possibilita também a retirada 
adequada dos metabólitos (resíduos) resultantes da atividade muscular. É, 
portanto, um trabalho tido como mais saudável, porque busca um equilíbrio entre 
produção e consumo de energia. 
Trabalhadores mais jovens se recuperam do cansaço de forma mais rápida do 
que trabalhadores com mais idade. Os indivíduos com até 28 anos, conseguem 
 
 
fazer suas reposições metabólicas mesmo permanecen do acordados. Após 
esta faixa etária, para recuperar o cansaço, a fadiga e/ou o estresse decorrente 
da atividade profissional é necessário dormir para repor as energias (IIDA, 2005). 
A quantidade de sono interfere nas atividades do dia a dia e no trabalho. O sono 
de dia é mais curto e de menor qualidade que o sono noturno. A duração média 
do sono diurno é de 6 horas, ocorrendo o aumento da fase do sonosuperficial e 
a maior movimentação corporal. Durante o dia, todos os órgãos e funções estão 
preparados para a produção, ao passo que, durante a noite, as atividades e a 
prontidão funcional da maioria dos órgãos estão amortecidas, ou seja, o 
organismo está preparado para o descanso e a reconstituição das reservas de 
energia. Para Sounis (1991) alguns sinais são característicos de 
comprometimentos no tocante aos aspectos físico, fisiológico, mental, psíquico 
e emocional nos trabalhadores que exercem suas atividades laborativas em 
turnos: • Perturbação do apetite e do sono (excesso ou falta). 
• Problemas estomacais e intestinais levando às lesões. 
• Irritabilidade psíquica. 
• Sensação de cansaço, mesmo após o sono. 
• Tendência à depressão, muito em decorrência da vida familiar alterada e do 
isolamento social. 
• Pouca motivação e disposição para o trabalho ou lazer. 
• Problemas cardíacos. 
• Redução da capacidade das funções cognitivas (atenção, memória, 
pensamento). 
Para os indivíduos que precisam trabalhar em sistema de rodízio, turnos 
diversificados ou mesmo plantões, é importante observar que todo o organismo 
precisa cerca de quatro a cinco dias para que seu ritmo biológico se adapte em 
função dos turnos, plantões e/ou rodízios. Isto significa que qualquer alteração 
de horário que siga com padrão semanal é inoportuna, pois, mal o organismo 
terminou de adaptar-se, há uma inversão de turno exigindo nova adaptação. 
 
 
O ideal é programar turnos de duas a três semanas para que o organismo no 
trabalhador não venha a desenvolver doenças ocupacionais (Kroemer; 
Grandjean, 2005). Pode-se dizer que em torno de dois terços dos trabalhadores 
em turnos apresentam prejuízos na saúde no sentido de alguma perturbação do 
seu bem-estar e que cerca de um quarto deles irá desistir do trabalho em turnos, 
mais cedo ou mais tarde, por motivos de saúde. Portanto, algumas 
recomendações são indicadas para se evitar o adoecimento do trabalhador: 
• Estabelecer turnos noturnos esparsos do que contínuos. 
• A duração do turno deve ser adaptada ao trabalhador, e não o contrário. 
• O início do turno da madrugada ser após as 5 horas. 
• Entre o fim de um turno e início de outro: 12 horas livres. 
• Ter idade superior a 25 anos e inferior a 50 anos. 
• Oferecer alimentação quente e balanceada. 
• Não são indicadas pessoas com problemas de insônia, gastrintestinais, 
desequilíbrio emocional e distúrbios psicossomáticos. 
Para Iida (2005), França e Rodrigues (1999) o metabolismo humano quando 
exposto a um longo ou intenso período de exaustão, desencadeia no indivíduo 
alterações físicas. Exemplos dessas alterações são a elevação da frequência da 
pressão sanguínea, aumento da pressão cardíaca, do fluxo do hormônio 
adrenalina, do nível de glicose liberada pelo fígado e do fluxo de percepções 
sensoriais. Em relação ao nível mental, o baixo número de pausas executadas 
pode acarretar sonolência, cansaço, diminuição do raciocínio e da atenção, 
como também, dificuldade em pensar. Em nível psíquico, podem ocorrer 
irritabilidade, depressão, falta de motivação em geral como indisposições para o 
trabalho e o convívio social em geral. 
Estes sintomas são característicos das doenças psicossomáticas e seus efeitos 
colaterais mais comuns são as dores de cabeça, tonturas, insônia, disritmia 
cardíaca, surtos de suor sem motivo aparente e perturbações da digestão. Esta 
subjetividade do operador ou do trabalhador em relação à forma como ele encara 
sua atividade laborativa, constitui um fator de análise das características 
 
 
individuais de adaptações ao trabalho, contemplada na organização do trabalho. 
Alguns dos conceitos mais utilizados em organização do trabalho que são: ciclo, 
ritmo, duração, autonomia, pausa e estresse. Vejamos de forma mais detalhada 
como Rio (1999) apresenta cada um deles: 
• Ciclo: ciclo de trabalho consiste em uma sequência de passos, de ações para 
execução de uma atividade. Existem ciclos claramente repetitivos, nos quais as 
mesmas ações se repetem a cada ciclo como, por exemplo, num trabalho de 
linha de montagem, no qual a mesma sequência de posturas e movimentos é 
adotada. De acordo com a duração e a diversidade de ações nas atividades de 
ciclo claramente repetitivas, elas podem ser consideradas: de alta repetitividade 
- ciclos de duração maior do que 30 segundos ou ciclos nos quais menos do que 
50% do tempo é ocupado com o mesmo tipo de movimentos; de baixa 
repetitividade – ciclos de duração menor do que 30 segundos, ou ciclos nos quais 
mais do que 50% do tempo é ocupado com o mesmo tipo de movimentos. A 
ergonomia vem concentrando seus esforços, principalmente, no sentido de evitar 
atividades altamente repetitivas como forma preventiva de LER/ DORT. O 
balanceamento das atividades, visando a tornar seus ciclos adequados às 
características físicas e psíquicas dos indivíduos são de grande importância para 
a saúde e a produtividade humanas. 
• Ritmo: ritmo de trabalho tem a ver com a velocidade com que as ações são 
realizadas durante o trabalho. Ritmos muito lentos tendem a produzir monotonia 
e ritmos muito rápidos tendem a gerar sobrecarga. A ergonomia busca encontrar 
ritmos adequados para que a saúde e a produtividade possam ser otimizadas 
durante a execução das tarefas. 
• Carga: representa a quanto de exigência é imposto sobre o indivíduo, a partir 
da realização de suas atribuições. Essa carga é constituída por um conjunto de 
exigências que atua como um todo, mas didaticamente, podemos subdividi-la 
em alguns tipos específicos de cargas: sensorial (estímulos auditivos, visuais, 
táteis, gustativos); cognitiva (memória, atenção, concentração, pensamentos 
lógico, matemático, dedutivo, indutivo, abstrato), afetiva (ou de contato humano 
– exigências de interação afetiva próprias do trabalho, isto é, atividades de 
atendimento ao público, atividades na área de saúde); músculo-esquelética 
(posturas da cabeça, pescoço, tronco e membros). Segundo Kroemer; 
 
 
Grandjean, 2005, p. 118: Subcarga atrofia. Sobrecarga desgasta. Mas, a carga 
bem dimensionada, desenvolve. • Duração: se relaciona ao tempo objetivamente 
consumido com as atividades e pode ser avaliado como um todo, mediante a 
duração total da jornada de trabalho, ou em partes, duração de certas tarefas 
em específico durante a jornada Autonomia: consiste na possibilidade que o 
funcionário tem de intervir no seu trabalho, quer seja na utilização de 
componentes, na regulação do ambiente, ou mesmo, na própria organização do 
trabalho. Em outras palavras, significa que a pessoa pode exercer controle sobre 
suas atividades e tarefas durante sua jornada de trabalho. 
• Pausas: trata-se da necessidade de alternância entre esforço e repouso, entre 
estresse e relaxamento. São aqueles momentos de interrupção das atividades 
físicas e mentais das tarefas que estão sendo executadas. São utilizadas para 
que o funcionário possa fazer sua higiene pessoal, entrar em contato com 
familiares ou mesmo se alimentar. O organismo humano necessita de períodos 
de recuperação de energia, para que possa manter sua capacidade funcional. 
Quanto mais intenso e/ou duradouro o esforço, maior a necessidade de pausas. 
A ergonomia apresenta alguns tipos de pausa: a) micropausa: pausas com 
duração mínima que ocorrem em função do próprio processo produtivo, como 
por exemplo, o setup de uma máquina como um computador. b) pausa formal: 
horários de café, almoço, jantar. c) pausa prescrita: 50/10 para cada 50 minutos 
de digitação são necessários 10 minutos de pausa obrigatória. d) pausa para 
rodízio: interrupção ou redução da atividade para troca de pessoal, de 
ferramentas, de posto de trabalho. A relação da ergonomia com a organização 
do trabalho também contempla aspectos dos sistemas administrativos 
abrangendo produtividade, modelos de gestão, formas de comunicação, 
relacionamentointerpessoal do trabalhador com seus colegas e com sua chefia, 
autonomia, liderança e poder, clima e cultura organizacional. Chanlat (1997) 
aponta que o modelo de gestão é responsável direto por numerosos problemas 
de saúde física (fadiga crônica, úlceras, doenças cardiovasculares, doenças 
musculares e ósseas, insônias) e de saúde mental (neuroses, depressão, fadiga 
nervosa etc.). O autor reitera o aspecto repetitivo das tarefas, seu caráter 
monótono, a pressão do tempo, a carga física e mental penosa, a ausência de 
autonomia, o trabalho extra, podem ser considerados como principais 
 
 
responsáveis pelas enfermidades e pelo envelhecimento acelerado dos 
trabalhadores. 
Para Bridi (1997) a cultura organizacional e os valores contribuem, de maneira 
importante e complexa, para a resposta dos trabalhadores ao meio ambiente. A 
autora afirma, que meio ambiente em uma ampla concepção, determina se as 
pessoas podem trabalhar sem distração, se podem controlar a privacidade 
quando desejam, ou, se permanecem à vista o tempo todo. O meio ambiente 
também determina as oportunidades para mudanças sociais positivas e 
processos de comunicação, incluindo o grau de conversão íntima e exposição 
social. A habilidade dos trabalhadores para regular as interações sociais é 
altamente influenciada pelo grau de acesso e exposição visual, a proximidade 
dos colegas, a disponibilidade e a localização dos ambientes de interação, 
pretendidos ou não. A autora conclui em sua pesquisa, que o bem-estar coletivo, 
a coesão social em um sentido de comunidade, e até mesmo, em uma 
concepção de “enraizamento”, faz com que se desenvolvam ligações duradouras 
com o local, e assim, diminuam os níveis de estresse. Isto só é possível, 
mediante uma cultura que contemple a produtividade organizacional com o bem- 
-estar dos trabalhadores. Dentro do processo produtivo, a subjetividade ou as 
particularidades das pessoas é expressa de forma não consciente, 
acompanhando o trabalhador na execução de suas tarefas. Qualquer alteração 
no processo previamente definido ocasionará adaptações biopsicossociais 
específicas para cada indivíduo. Leite (2001) aponta que uma das principais 
queixas encontradas entre os trabalhadores de processos automatizados, de 
base microeletrônica, é o cansaço mental decorrente da própria execução das 
tarefas, e que este cansaço implica em um tempo de recuperação maior e 
diferenciado do que o desgaste físico. Glina e Rocha (2000) apontam como 
principais fatores que potencializam somatizações nos indivíduos, além da a 
sobrecarga e subcarga de trabalho (tanto qualitativa quanto quantitativa): as 
pressões advindas das responsabilidades pela tarefa a ser desenvolvida; os 
conflitos interpessoais, decorrentes dos relacionamentos com colegas e chefias; 
o conflito e a ambiguidade de papéis, diretamente relacionados com a satisfação 
e motivação para com o trabalho; a segurança profissional, em relação às 
perspectivas de reconhecimento e ascensão da carreira profissional; e, a baixa 
 
 
autonomia na função, ou seja, a falta de controle, a submissão ao ritmo imposto 
pela demanda, a rigidez da cultura organizacional e as restrições de 
comportamentos mediante a obrigatoriedade do script. 
As pesquisas de Martinez e Paraguay (2001) evidenciam a satisfação no 
trabalho como um fator de promoção de saúde e de prevenção de doenças, e 
apontam os fatores psicossociais do ambiente de trabalho como determinantes 
importantes no nível de satisfação. Ainda conforme Glina e Rocha (2000), a 
situação saudável de trabalho, seria a que permitisse o desenvolvimento do 
indivíduo, alternando exigências e períodos de repouso, numa interação 
dinâmica homem e ambiente. 
As características de personalidade mediariam os fatores de estresse do 
ambiente e os sintomas. As tarefas que envolvessem alto grau de tensão 
poderiam ser encaradas como desafios ou oportunidades dentro da empresa, e 
assim, tenderiam a ser menos estressantes. As autoras ainda destacam a 
importância do suporte social, envolvendo a sociabilidade dentro do local de 
trabalho e, também, as ações da família e dos grupos sociais fora do trabalho 
atuando como um fator protetor. 
A idade tem uma grande influência na curva de produtividade do indivíduo ao 
longo de sua vida. Pessoas com 40 ou 50 anos têm características diferentes 
em relação a jovens até 28 anos. A idade traz consigo uma redução dos alcances 
e da flexibilidade declina a força muscular, os movimentos se tornam mais lentos, 
a acuidade visual e auditiva vai perdendo sua eficiência. Porém, em 
contrapartida, pessoas mais velhas acumularam experiências e podem 
apresentar um bom desempenho no trabalho, desde que estes não façam 
exigências acima de suas capacidades. Pessoas mais velhas são mais 
cautelosas, adotam procedimentos seguros, reduzem as incertezas e são mais 
seletivas no aprendizado de novas habilidades. 
Portanto, em uma situação de trabalho, é necessário verificar se a tarefa 
executada está sendo realizada pelo indivíduo dentro de suas capacidades 
física, mental e cognitiva de modo que, não proporcione o surgimento da fadiga 
a qual trará prejuízos à saúde e encurtará a expectativa de vida do trabalhador. 
Os fatores sociais e fisiológicos, bem como a organização do trabalho, nem 
 
 
sempre são contemplados junto às organizações, pois sua atenção está mais 
focada para a tecnologia, para os fatores ambientais e os aspectos 
biomecânicos. É importante, pois ressaltar as contribuições da psicologia do 
trabalho para uma ação preventiva concreta junto aos trabalhadores e as 
empresas em relação à saúde ocupacional. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10004: 
Resíduos sólidos – Classificação. Rio de Janeiro, 2004. 
ALBERTON, A. Uma metodologia para auxiliar no gerenciamento de riscos e na 
seleção de alternativas de investimentos em segurança. Programa de pós-
graduação em engenharia de produção. Florianópolis: UFSC, 1996. 
CASTRO, R. P. Apostila de gerenciamento de risco. Curso de pós-graduação 
em engenharia de segurança do trabalho. UNIP – Universidade Paulista, 2011. 
 CLÁUDIO, A. O método 5 “porquês”. Blog Espaço da Qualidade. 2012. 
COUTO, H. A. Comportamento seguro: 70 lições para o supervisor de primeira 
linha. Belo Horizonte: Ergo, 2009. 
DE CICCO, F.; FANTAZZINI, M. L. Tecnologias consagradas de gestão de 
riscos: riscos e probabilidades. São Paulo: Séries Risk Management, 2003. 
NETO. M. W. Como investigar acidentes de trabalho. Blog Segurança do 
Trabalho, 2012. 
SILVEIRA, C. C., GOMES, M. C. Ação corretiva: análise de causa raiz dos 
defeitos e proposta de um plano de ação. 2011.50 
Medidas de Controle .................................................................................. 52 
Danos à saúde ........................................................................................... 52 
BENZENO ..................................................................................................... 53 
Medidas de Controle .................................................................................. 54 
Danos à saúde ........................................................................................... 54 
1. sonolência ..................................................................................... 54 
2. tonturas ......................................................................................... 54 
3. dores de cabeça ............................................................................ 54 
4. bem como olhos ............................................................................ 54 
5. pele e irritação das vias respiratórias ............................................ 54 
6. em níveis elevados, perda de consciência .................................... 54 
7. transtornos no sangue ................................................................... 54 
8. anemia aplástica ........................................................................... 54 
9. câncer ........................................................................................... 54 
NR 16 – Atividades e Operações Perigosas .................................................... 55 
OPERAÇÕES PERIGOSAS COM EXPLOSIVOS ........................................ 56 
OPERAÇÕES PERIGOSAS COM INFLAMÁVEIS ....................................... 57 
ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM EXPOSIÇÃO A ROUBOS 
OU OUTRAS ESPÉCIES DE VIOLÊNCIA FÍSICA NAS ATIVIDADES 
PROFISSIONAIS DE SEGURANÇA PESSOAL OU PATRIMONIAL ........... 57 
ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM ENERGIA ELÉTRICA ... 59 
ATIVIDADES PERIGOSAS EM MOTOCICLETA.......................................... 60 
 
 
OS ENIGMÁTICOS ASPECTOS PSICOSSOCIAIS E SUAS CONTRIBUIÇÕES 
PARA O CONCEITO DE RISCO ...................................................................... 61 
Psicopatologia do Trabalho .............................................................................. 62 
O Stress no Trabalho e a Saúde Mental .......................................................... 63 
Síndrome de Burnout ....................................................................................... 66 
Identificando o Burnout ................................................................................. 67 
Principais Causas ......................................................................................... 68 
CONTRIBUIÇÃO DA ERGONOMIA PARA GERENCIAMENTO DE RISCOS . 71 
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 81 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Método De Análise De Risco 
Análise de riscos O propósito da análise de riscos é compreender a natureza do 
risco e suas características, incluindo o nível de risco, onde apropriado. A análise 
de riscos envolve a consideração detalhada de incertezas, fontes de risco, 
consequências, probabilidade, eventos, cenários, controles e sua eficácia. Um 
evento pode ter múltiplas causas e consequências e pode afetar múltiplos 
objetivos. A análise de riscos pode ser realizada com vários graus de 
detalhamento e complexidade, dependendo do propósito da análise, da 
disponibilidade e confiabilidade da informação, e dos recursos disponíveis. As 
técnicas de análise podem ser qualitativas, quantitativas ou uma combinação 
destas, dependendo das circunstâncias e do uso pretendido. Convém que a 
análise de riscos considere fatores como: 
— a probabilidade de eventos e consequências; 
 — a natureza e magnitude das consequências; 
— complexidade e conectividade; 
— fatores temporais e volatilidade; 
— a eficácia dos controles existentes; 
— sensibilidade e níveis de confiança. 
A análise de riscos pode ser influenciada por qualquer divergência de opiniões, 
vieses, percepções do risco e julgamentos. Influências adicionais são a 
qualidade da informação utilizada, as hipóteses e as exclusões feitas, quaisquer 
limitações das técnicas e como elas são executadas. Convém que estas 
influências sejam consideradas, documentadas e comunicadas aos tomadores 
de decisão. Eventos altamente incertos podem ser difíceis de quantificar. Isso 
pode ser um problema ao analisar eventos com consequências severas. Nestes 
casos, usar uma combinação de técnicas geralmente fornece maior 
discernimento. A análise de riscos fornece uma entrada para a avaliação de 
riscos, para decisões sobre se o risco necessita ser tratado e como, e sobre a 
 
 
estratégia e os métodos mais apropriados para o tratamento de riscos. Os 
resultados propiciam discernimento para decisões, em que escolhas estão 
sendo feitas e as opções envolvem diferentes tipos e níveis de risco. Dentre da 
Higiene Ocupacional já foi mencionado como se dá a análise de riscos, que 
contem quatro passos a antecipação, reconhecimento, avaliação e controle. 
Para aumentar a eficiência desse processo podemos adicionar o monitoramento, 
que se trata do acompanhamento e vigia para saber se os diversos ambientes 
de trabalho estão compatíveis com a saúde humana. 
A CONTRIBUIÇÃO DA HIGIENE DO TRABALHO 
PARA O CONCEITO DE RISCO 
Conceituamos higiene do trabalho como a ciência que dedica a antecipação 
reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais presentes nos locais 
de trabalho. A antecipação consiste em ações realizadas antes da concepção e 
instalação de qualquer novo local de trabalho. Envolve a análise de projetos de 
novas instalações (impacto ambiental, saúde ocupacional), equipamentos, 
ferramentas, métodos ou processos de trabalho, matérias-primas, ou ainda, de 
modificações. Visa identificar riscos potenciais, procurando alternativas de 
eliminação e/ou neutralização, ainda na fase de planejamento e projeto (seleção 
de tecnologias mais seguras, menos poluentes, envolvendo, inclusive, o 
descarte dos efluentes e resíduos resultantes). 
A antecipação constitui-se de normas, instruções e procedimentos para correto 
funcionamento dos processos, visando reduzir ou eliminar riscos que possam 
surgir, ou seja, assegurar que sejam tomadas medidas eficazes para evitá-los. 
Isso pode requerer a criação de normas ou procedimentos para compradores, 
projetistas e para a contratação de prestadores de serviço, de modo a reduzir-
se, ao máximo, a probabilidade de que surjam novos riscos aos processos. 
O reconhecimento dos riscos trata se da identificação dos agentes físicos, 
químicos e biológicos presentes no ambiente de trabalho quepossam causar 
danos à saúde e integridade dos trabalhadores. Um estudo deve ser realizado 
sobre as matérias primas, produtos e serviços, métodos e procedimentos de 
 
 
rotina, processos, instalações e equipamentos. Desta forma, para que esta etapa 
seja bem sucedida, devemos ter conhecimento profundo do processo produtivo, 
ou seja, dos produtos envolvidos no processo, dos métodos de trabalho, do fluxo 
do processo, do arranjo físico das instalações, do número de trabalhadores 
expostos, dentre outros fatores relevantes. 
A avaliação é uma análise quantitativa e/ou qualitativa dos agentes físicos, 
químicos e biológicos existentes nos postos de trabalho. É nesta fase que 
devemos fazer a coleta das amostras (quando cabível), realizar medições e 
análises das intensidades e das concentrações dos agentes, realizar cálculos e 
interpretações dos dados levantados no campo, comparando os resultados com 
os limites de exposição estabelecidos pelas normas vigentes. Desta forma criará 
critérios para avaliar se o ambiente está ou não compatível com a saúde 
humana. 
Controle dos riscos é a fase que está ligada à eliminação ou mitigação dos 
riscos ocupacionais que foram antecipados, reconhecidos e avaliados no 
ambiente. Adoção de medidas de controle de riscos devem ser tomadas 
seguindo a seguinte ordem 
FONTE 
As medidas que podem ser aplicadas na fonte da contaminação incluem: 
1. Eliminar a fonte; 
2. Substituir, utilizando processos e/ou materiais menos perigosos; 
3. Isolar / conter / enclausurar – cercando as fontes ou os trabalhadores, ou 
a fonte e alguns funcionários juntos em vez de todos os trabalhadores; 
4. Modificar o processo de produção; 
5. Incluir métodos automatizados - uso de robótica, produtos auxiliados com 
controle remoto ou computador; 
6. Separação - colocar a fonte em um local diferente dos trabalhadores; 
7. Ventilação local - uso de ventilação para capturar o contaminante na fonte, 
para evitar a dispersão; 
 
 
 
TRAJETÓRIA 
Controle ao longo do percurso, quando o contaminante é de dispersão, é mais 
difícil e menos opções estão disponíveis. Incluem: 
1. Ventilação geral - o que dilui a concentração de contaminantes; 
2. O aumento da distância entre a fonte e os trabalhadores, ou seja, o 
aumento do comprimento do percurso de modo que haja mais dispersão 
e diluição; 
3. Uso de telas e barreiras parciais. 
INDIVIDUO 
Controles baseados no trabalhador incluem: 
1. Controles administrativos – rotatividade de trabalhadores, limitando o 
tempo que eles trabalham em um local insalubre e/ou perigoso; 
sinalização do ambiente; 
2. Equipamento de proteção individual (EPI) - utilizando algo que impeça o 
contaminante de afetar a segurança/saúde do trabalhador, mesmo que 
ele já tenha sido atingido pelo agente de risco. 
Observe que essas categorias não são definitivas. Existe um grau de 
subjetividade no momento de decidir qual categoria um determinado controle 
pertence e, de fato, alguns controles poderiam ser considerados para se encaixar 
em mais de uma categoria. Por exemplo, alguns textos consideram ventilação 
exaustora e local para serem controles de via, no entanto, é importante 
reconhecer que a ventilação exaustora e local, sendo aplicado perto da fonte, 
geralmente são muito mais eficazes para controlar a exposição que outros 
controles localizados ao longo do caminho ou controles baseados nos 
trabalhadores. 
 
 
 
 
 
Classificação Dos Riscos Ambientais 
Na maioria das atividades industriais existem processos capazes de gerar, no 
ambiente de trabalho, substâncias e fenômenos físicos que, em função de sua 
natureza, concentração ou intensidade, ao entrarem em contato com o 
organismo dos trabalhadores, podem produzir danos à sua saúde. Na higiene 
ocupacional, dividimos os riscos presentes no ambiente de trabalho em: • Riscos 
físicos. • Riscos químicos. • Riscos biológicos. • Riscos ergonômicos. Cada um 
destes grupos subdivide-se de acordo com as consequências fisiológicas que 
podem provocar, quer em função das características físico-químicas, 
concentração ou intensidade dos agentes, quer segundo sua ação sobre o 
organismo. 
O conhecimento das características específicas de cada agente é fundamental 
na definição de seu potencial de agressividade e, inclusive, na proposição de 
medidas técnicas para a sua neutralização. Cada agente ambiental tem 
características e efeitos específicos de acordo com sua natureza. 
Riscos físicos: São agentes de risco físico: ruído, calor, frio, pressão, umidade, 
radiações ionizantes e não-ionizantes, vibração e quaisquer outras formas de 
energia a que possam estar expostos os trabalhadores. Para cada tipo de risco 
é indicada uma limitação permitida. No caso de ruídos, o máximo de decibéis por 
exemplo. Os limites para a exposição a esses fatores estão descritos, em sua 
maioria, na NR 15. 
Riscos químicos: São substâncias, compostos ou produtos que possam 
penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória como gases, poeiras, 
fumos ou vapores, além de outros que possam ser absorvidos pelo organismo 
através da pele ou por ingestão. É o nível de toxicidade do agente químico que 
determina o período máximo que o colaborador pode ter exposição. 
Riscos biológicos: São bactérias, vírus, fungos, protozoários e as medidas de 
prevenção variam de acordo com a patogenicidade ao qual o trabalhador está 
exposto em sua atividade. 
https://riskex.bitrix24.com.br/pub/form/16_como_envolver_a_gest_o_e_os_empregados_com_a_seguran_a_no_trabalho/zzznzq/
https://riskex.bitrix24.com.br/pub/form/16_como_envolver_a_gest_o_e_os_empregados_com_a_seguran_a_no_trabalho/zzznzq/
 
 
 
Riscos ergonômicos: Postura inadequada de trabalho, levantamento e 
transporte de peso, jornadas prolongadas de turno e quaisquer outras situações 
que exijam esforço físico demasiado ou que haja estresse físico. A avaliação 
desses riscos é feita por meio de um laudo ergonômico. 
Tempo De Exposição 
Quanto maior o tempo de exposição, maiores serão as possibilidades de se 
produzir uma doença ocupacional. O tempo real de exposição será determinado 
considerando-se a análise da tarefa desenvolvida pelo trabalhador. Essa análise 
deve incluir estudos tais como: tipo de atividade e suas particularidades, 
movimento do trabalhador ao efetuar o seu serviço, jornada de trabalho e 
descanso. Devem ser consideradas todas as suas possíveis variações durante 
a jornada de trabalho, de forma a subsidiar o dimensionamento da avaliação 
quantitativa da exposição. 
Concentração Ou Intensidade Do Agente 
Quanto maior a concentração ou intensidade dos agentes agressivos presentes 
no ambiente de trabalho, maior será a possibilidade de efeitos nocivos à saúde 
dos trabalhadores. A concentração dos agentes químicos ou a intensidade dos 
agentes físicos devem ser avaliadas, mediante amostragem nos locais de 
trabalho, de maneira tal que elas sejam as mais representativas possíveis da 
exposição real do trabalhador a esses agentes agressivos. Esse cuidado na 
avaliação, faz-se necessário, pois, muitas variáveis estão envolvidas e influem 
diretamente na representatividade. Como exemplo, podemos citar a temperatura 
em uma exposição a um determinado agente químico. 
Sinergismo Nos Locais De Trabalho 
Pode haver a exposição simultânea a mais de um agente, originando exposições 
combinadas e interações entre eles, modificando as características primarias 
dos agentes. Se duas ou mais substâncias perigosas com efeitos toxicológicos 
 
 
estão presentes no local de trabalho deve ser analisado seus efeitos 
combinados. 
Uma Breve Contextualização Histórica acerca 
das NRs 
Os direitos trabalhistas possuem a função de assegurar um equilíbrio nas 
relações de trabalho, como a história nos ensina, sem uma legislação eficiente 
que coordene as engrenagens do trabalho grandes desarmonias perturbariam 
tais relações. Ao voltarmos para umaInglaterra do século XIX podemos perceber 
que as condições de trabalho eram degradantes, os operários eram expostos a 
doenças, jornadas exaustivas de trabalho e condições extremamente insalubres. 
Com salários extremamente baixos, toda a família se via na necessidade de 
estar empregada, e o trabalho infantil era bastante comum naquela época. 
 
O notável desequilíbrio entre os operadores e os donos das indústrias não 
demorou para gerar conflitos. Movimentos trabalhistas iam ganhando cada vem 
mais adeptos, sindicatos se fortaleciam e aos poucos as reinvindicações foram 
sendo atendidas. Em 1919 temos a criação da Organização Internacional do 
Trabalho, que emite normas internacionais para assegurar o trabalho descente 
e produtivo, em condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade. 
Enquanto a Europa vivia o fim da Segunda Revolução Industrial (1850, 1870) o 
Brasil ainda usava mão de obra escravista, e apenas a partir de 1888 com a 
abolição da escravidão que inicia a ideia de direito trabalhista no Brasil. As 
buscas pelo equilíbrio entre as partes que compõem as relações de trabalho 
ganharam destaque no governo Vargas, com a constituição de 1934. Nela 
estavam assegurados direitos como salário mínimo, jornada de trabalho de 8 
horas, repouso semanal, férias remuneradas a assistência médica e sanitária. E 
finalmente em 1943 foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 
 
 
O ambiente de laboral tem forte impacto no processo de saúde-doença dos 
trabalhadores, portanto é necessário tomar medidas de controle para que os 
colaboradores sejam expostos ao menor números de riscos possíveis, sejam ele 
de origem organizacional, física, química, biológica ou ergonômico 
 
NR 15 – Atividades e Operações Insalubres 
Com base na NR 15, o termo insalubridade é usado para definir o trabalho em 
um ambiente hostil à saúde. Tem direito ao adicional de insalubridade o 
trabalhador que exerce suas atividades em condições insalubres nos termos da 
NR 15. São consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por 
sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a 
agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da 
natureza e da intensidade do agente e o tempo de exposição aos seus efeitos. 
Os agentes causadores de insalubridade estão contidos nos anexos da NR 15, 
alguns exemplos de agentes insalubres são ruídos contínuo ou permanente; 
ruído de Impacto; tolerância para exposição ao calor; radiações ionizantes; 
agentes químicos e poeiras minerais. 
1. Anexo I - Limites de Tolerância para Ruído Contínuo ou Intermitente 
2. Anexo II - Limites de Tolerância para Ruídos de Impacto 
3. Anexo III - Limites de Tolerância para Exposição ao Calor 
4. Anexo IV - (Revogado) 
5. Anexo V - Radiações Ionizantes 
6. Anexo VI - Trabalho sob Condições Hiperbáricas 
7. Anexo VII - Radiações Não-Ionizantes 
8. Anexo VIII - Vibrações 
9. Anexo IX - Frio 
10. Anexo X - Umidade 
11. Anexo XI- Agentes Químicos Cuja Insalubridade é Caracterizada por 
Limite de Tolerância Inspeção no Local de Trabalho 
12. Anexo XII - Limites de Tolerância para Poeiras Minerais 
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoI.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoII.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoIII.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoIV_V.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoIV_V.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoVI.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoVII.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoVIII.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoIX.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoX.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXI.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXI.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXII.htm
 
 
13. Anexo XIII - Agentes Químicos 
14. Anexo XIII A - Benzeno 
15. Anexo XIV Agentes Biológicos 
 
CALOR 
Empresas como siderúrgicas, forjarias e as que exercem atividades ao ar livre 
— em que o profissional precisa atuar sob sol forte — são algumas das atividade 
em que o trabalhador está exposto ao calor intenso. É preciso avaliar os índices 
de calor correlacionados em cada empresa, de modo a evitar que o calor 
excessivo cause danos à saúde do profissional. No anexo 3 da NR 15 está 
disposto as regulamentações acerca dos limites de tolerância para o calor. 
A exposição ao calor deve ser avaliada através do "Índice de Bulbo Úmido 
Termômetro de Globo" - IBUTG definido pelas equações que se seguem: 
Ambientes internos ou externos sem carga solar: 
IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg 
Ambientes externos com carga solar: 
IBUTG = 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg 
onde: 
tbn = temperatura de bulbo úmido natural 
tg = temperatura de globo 
tbs = temperatura de bulbo seco. 
Os aparelhos que devem ser usados nesta avaliação são: termômetro de bulbo 
úmido natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum. 
As medições devem ser efetuadas no local onde permanece o trabalhador, à 
altura da região do corpo mais atingida. 
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXIII.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXIII_A.htm
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXIV.htm
 
 
Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho 
intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de 
serviço. 
Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido no 
Quadro N.º 1. 
QUADRO N.º 1 
TIPO DE ATIVIDADE 
REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE 
COM DESCANSO NO PRÓPRIO 
LOCAL DE TRABALHO (por hora) 
LEVE MODERADA PESADA 
Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0 
45 minutos trabalho 
15 minutos descanso 
30,1 a 30,5 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9 
30 minutos trabalho 
30 minutos descanso 
 30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9 
15 minutos trabalho 
45 minutos descanso 
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0 
Não é permitido o trabalho, sem a adoção de 
medidas adequadas de controle 
acima de 32,2 acima de 31,1 acima de 30,0 
Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os 
efeitos legais. 
A determinação do tipo de atividade (Leve, Moderada ou Pesada) é feita 
consultando-se o Quadro n.º 3. 
Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho 
intermitente com período de descanso em outro local (local de descanso). 
Para os fins deste item, considera-se como local de descanso ambiente 
termicamente mais ameno, com o trabalhador em repouso ou exercendo 
atividade leve. 
Os limites de tolerância são dados segundo o Quadro n.º 2. 
QUADRO N.° 2 
M (Kcal/h) MÁXIMO IBUTG 
 
 
175 
200 
250 
300 
350 
400 
450 
500 
 
30,5 
30,0 
28,5 
27,5 
26,5 
26,0 
25,5 
25,0 
 
Onde: M é a taxa de metabolismo média ponderada para uma hora, determinada 
pela seguinte fórmula: 
M = Mt x Tt + Md x Td 
 60 
Sendo: 
Mt - taxa de metabolismo no local de trabalho. 
Tt - soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de trabalho. 
Md - taxa de metabolismo no local de descanso. 
Td - soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de descanso. 
IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado para uma hora, determinado pela 
seguinte fórmula: 
 
IBUTG = IBUTGt x Tt + IBUTGd xTd 
 60 
Sendo: 
IBUTGt = valor do IBUTG no local de trabalho. 
IBUTGd = valor do IBUTG no local de descanso. 
Tt e Td = como anteriormente definidos. 
 
 
Os tempos Tt e Td devem ser tomados no período mais desfavorável do ciclo de 
trabalho, sendo Tt + Td = 60 minutos corridos. 
3. As taxas de metabolismo Mt e Md serão obtidas consultando-se o Quadron.º 
3. 
4. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os 
efeitos legais. 
QUADRO N.º 3 
TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE 
TIPO DE ATIVIDADE Kcal/h 
SENTADO EM REPOUSO 100 
TRABALHO LEVE 
Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: 
datilografia). 
Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: 
dirigir). 
De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente 
com os braços. 
 
125 
150 
150 
TRABALHO MODERADO 
Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas. 
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma 
movimentação. 
De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma 
movimentação. 
Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar. 
 
 
180 
175 
220 
300 
TRABALHO PESADO 
Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos 
(ex.: remoção com pá). 
Trabalho fatigante 
 
440 
550 
 
Medidas de controle 
As medidas coletivas são aquelas que reduzem a taxa de metabolismo do 
trabalhador, que movimentem o ar no ambiente e que utilizem barreiras que 
protejam das fontes de calor radiante, como o sol, forno de siderurgia ou solda, 
por exemplo. 
 a) Redução da taxa de metabolismo 
Reduzir a taxa de metabolismo gerada pelo trabalhador, adotando formas de 
minimizar o esforço físico realizado por ele. A adoção de equipamentos de auxílio 
 
 
como pontes rolantes para movimentar cargas, esteiras, ou até mesmo 
a completa automatização do processo, pode evitar o aumento da temperatura 
corporal do executante. 
 b) Movimentação do ar no ambiente 
Adoção de aparelhos de ar condicionado para resfriar o ar do ambiente, além 
de climatizadores e ventiladores para reduzir a temperatura do local. 
Mesmo abertura de janelas, fazendo uso da ventilação natural. 
Estes métodos funcionam, pois reduzem as trocas de calor entre o corpo 
humano e o ambiente. Falamos sobre aqui. 
c) Utilização de barreiras que protejam das fontes de calor radiante 
A utilização de barreiras para refletir (alumínio polido, aço inoxidável) 
ou absorver (ferro ou aço oxidável) os raios infravermelhos. Colocação 
de películas em portas e/ou janelas de vidro, como nos carros, minimizam a 
incidência de calor radiante. 
As medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho são 
aquelas aplicadas na forma como a atividade é realizada, ou seja, na gestão dos 
colaboradores ou dos métodos de trabalho. É importante observar se o 
funcionário está aclimatado, se há uma limitação do seu tempo de exposição ao 
agente, se este tem se hidratado com a frequência correta e mesmo se o 
colaborador recebeu treinamento prévio antes de efetuar suas funções. 
 a) Aclimatização 
A aclimatização basicamente é uma adaptação fisiológica do organismo a um 
ambiente quente. Isto é fundamental na prevenção dos riscos decorrentes da 
exposição ao calor excessivo. 
Quando o funcionário se expõe a alto calor pela primeira vez, ocorre um aumento 
significativo da temperatura corporal, dos batimentos cardíacos e há baixa 
sudorese. 
Após o período de 3 a 5 dias, o corpo começa a aclimatar, e há uma redução no 
desconforto do trabalhador, assim como uma queda da temperatura corporal e 
do ritmo cardíaco, e a sudorese aumenta. A aclimatização será completa, em 
média, com duas semanas. A perda de sal devido à sudorese também é menor 
em trabalhadores aclimatados. O processo de aclimatização completo leva em 
torno de 2 a 3 semanas. 
https://descomplicasms.com.br/index.php/2017/11/15/troca-termica-do-corpo-humano/
 
 
Caso o trabalhador se ausente do seu local de atividade, por aproximadamente 3 
semanas, a aclimatização será totalmente perdida, e o processo deverá 
ser reiniciado de forma gradual. 
Alguns pontos importantes a serem observados é que fatores como: sexo 
(feminino), obesidade, desnutrição e outros fatores de risco dificultam o processo 
de aclimatização. 
 b) Limitação do tempo de exposição 
Esta medida consiste em adotar períodos de descanso intercalados com 
períodos de trabalho. Conforme discutimos no texto anterior - Quando a 
exposição ao calor é insalubre - , uma das maneiras de descaracterizar o calor 
como insalubre é adotar os períodos de descanso e trabalho conforme descrito 
no Quadro Nº1. 
 c) Hidratação 
Embora não muito efetiva se aplicada de forma individual, a correta 
hidratação é indispensável como medida paliativa. Um profissional exposto a 
calor excessivo deve ingerir uma maior quantidade de água e sal, de forma 
a compensar a perda de água e cloreto de sódio devido à sudorese intensa. 
É importante salientar que a ingestão de água e sal pelos funcionários deve 
ser feita com orientação médica. 
O treinamento dos trabalhadores tem como objetivo primário evitar que eles 
se esforcem mais que o necessário e que permaneçam próximo à fonte de calor 
por um período demasiadamente grande. 
O funcionário deve ser treinado e orientado quanto à correta utilização dos 
equipamentos de segurança e mesmo sobre os efeitos causados pela exposição 
contínua ao calor intenso. 
Em se tratando do calor, a utilização de equipamentos de proteção 
ambiental não afasta o risco de sobrecarga térmica, no entanto, é necessário a 
sua utilização principalmente quando as atividades são realizadas em locais 
com possibilidade de haver respingos e mesmo fagulhas ou outros “resíduos” 
provenientes de fontes de calor extremo. Uma das principais finalidades do EPI 
neste caso é proteger o trabalhador contra o risco de queimaduras. 
Óculos de segurança com lentes especiais são necessários sempre que houver 
fontes de calor radiante. O objetivo é proteger o colaborador contra o calor 
https://descomplicasms.com.br/index.php/2018/01/08/quando-a-exposicao-ao-calor-e-insalubre/
https://descomplicasms.com.br/index.php/2018/01/08/quando-a-exposicao-ao-calor-e-insalubre/
 
 
radiante. As lentes especiais devem reter mais que 90% da radiação 
infravermelho para ser considerada eficiente. 
O restante do corpo deve ser protegido através do uso de equipamentos, tais 
como luvas, mangotes, aventais e capuzes. 
Danos à Saúde 
Quando o calor produzido (esforço físico) ou recebido (através de fonte de calor 
no trabalho) pelo organismo é maior que aquele dissipado pelo corpo, tem-se um 
cenário onde o organismo aumenta sua temperatura, levando a um quadro que 
pode se tornar uma hipertermia (aumento da temperatura interna do corpo). Para 
que isto seja evitado, o corpo humano sofre diversas reações com o propósito 
de se adaptar a esta situação. Uma dessas reações é chamada de vasodilatação 
periférica, onde os vasos sanguíneos se expandem e proporcionam uma melhor 
troca térmica entre o corpo e o meio, e que é realizada através da circulação 
sanguínea. 
Outra reação é através da ativação das glândulas sudoríparas, responsáveis 
pelo suor. O suor é transformado de seu estado líquido para vapor, resfriando, 
assim, a temperatura do corpo. 
Calor produzido por fonte externa. 
Caso essas duas reações não sejam suficientes para manter a temperatura do 
corpo na casa de 37 ºC, graves consequências no organismo poderão ocorrer, 
entre elas as que iremos mencionar abaixo: 
Exaustão do corpo: com a dilatação dos vasos sanguíneos, há uma menor 
pressão arterial no trabalhador. (A quantidade de sangue não aumenta para 
compensar um vaso de maior diâmetro). Logo, pode haver insuficiência de 
sangue no córtex cerebral, levando a um quadro de queda de pressão arterial. 
Desidratação: devido à perda de líquidos através do suor, o organismo pode se 
desidratar. Logo, poderá haver redução no volume de sangue que, entre outras 
coisas, ocasiona a exaustão do corpo. Em casos mais extremos, pode se 
desenvolver distúrbios celulares, insuficiência muscular, perda de apetite, entre 
outros. 
Câimbra de calor: a sudorese leva a perda de água no organismo, o que 
consequentemente leva a perda de minerais, incluindo o cloretode cálcio (mais 
 
 
conhecido como sal). Com isso, há a possibilidade de haver câimbras, que 
causam dores agudas nas extremidades do corpo e fadiga muscular severa. 
Edema de calor: podem existir pessoas não aclimatadas a determinados locais, 
onde há altas temperaturas. A permanência destas pessoas nestes locais pode 
causar a geração de edemas, ou seja, inchaço de membros, como mãos e pés. 
Exaustão por calor: desidratação grave devido a perda de suor. Causado pela 
deficiência da circulação sanguínea e falta de água e sal no organismo. 
 
UMIDADE 
As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcados, 
com umidade excessiva, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, 
serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada 
no local de trabalho. 
Alguns segmentos onde a umidade está presente. 
Lavanderias: Nas lavanderias a umidade sempre está presente de forma bem 
evidente. Lembro que quando trabalhei em lavanderia hospitalar não era raro 
ficar bem molhado e ter que trocar de roupa. 
Em lavanderias hospitalares a umidade está presente tanto na área suja quanto 
na limpa. 
Lava á Jato: E nesse segmento ainda temos o agravante dos produtos químicos 
que são usados na lavagem e muitos entram em contato direto com a pele. 
Frigoríficos: Juntamente com o frio a umidade é um dos grandes riscos dos 
frigoríficos. 
Cozinhas: Na parte de lavagem de panelas e outros a umidade que é uma 
solução para a limpeza se torna um risco a mais para a segurança. 
Pesca: No segmento de pesca a umidade é bem presente quanto no ato da 
pesca quanto no processo de limpeza do pescado. 
 
 
Areais: No processo de dragagem de areia em areais em que se usa jato de 
água e draga o operador da draga e do jato estão sempre em contato com a 
água. 
Medidas de controle 
EPC – Equipamento de Proteção Coletiva: Barreiras de contenção ou proteção 
podem ser criadas para evitar que o trabalhador tenha contato com a umidade. 
Administrativas: Em alguns locais o excesso de umidade é fruto da falta de luz 
solar e arejamento do ambiente. Em ambientes assim, a simples ação de prover 
formas de proporcionar a entrada de luz solar e circulação de ar no ambiente 
pode ser a solução. Em ambientes onde não for possível prover iluminação solar 
e circulação de ar natural, a colocação de exaustores e ar condicionado pode 
resolver o problema. 
É preciso estar atento às tubulações para perceber possíveis vazamentos e 
infiltrações nas edificações. Infiltrações além de doenças podem causar danos 
severos à estrutura da edificação. 
EPI – Equipamento de Proteção Individual: O uso de EPI para evitar contato 
direto com a umidade é muito pode ser muito eficiente se os EPI forem 
escolhidos com critério. Luvas de PVC, botas, aventais de PVC, roupas de PVC 
são ótimos exemplos de EPI usados para limitar o contato com umidade. No 
caso de motociclista deve ser acrescentado capacete, esse além de proteção 
contra impactos protegerá contra a umidade proveniente da chuva. 
Quando falamos sobre EPI é sempre importante lembrar que não basta fornecê-
lo, é necessário orientar e treinar sobre como usar, guardar e higienizar (NR 6 
item 6.6.1). 
Danos à Saúde 
1. Irritação na pele. 
2. Irritação/inflamação no sistema respiratório. 
3. Possibilidade de aumento de fungos no ambiente de trabalho. 
 
 
4. Roupas no estado molhado podem levar a baixas temperaturas nos 
trabalhadores. 
5. Aumenta possibilidade de escorregões e acidentes típicos. 
 
FRIO 
As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou 
em locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores 
ao frio, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres em 
decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. 
Medidas de controle 
As lesões causadas pelo frio podem ser evitadas adotando-se práticas 
adequadas para este tipo de trabalho. Equipamentos de Proteção Individual 
(EPIs) específicos, como roupas de frio, luvas e botas isolantes (Fig. 06), devem 
ser usados pelos trabalhadores expostos ao frio, evitando assim a perda de calor 
do corpo. 
 
Figura 1: Botas isolantes 
 
 
Os trabalhadores devem utilizar roupa protetora adequada para o nível de frio e 
atividade exercida (Fig. 02). Se as roupas disponíveis não forem suficientes para 
a proteção contra a hipotermia ou congelamento, o trabalho deve ser modificado 
ou interrompido até que sejam providenciados os equipamentos necessários. 
 
http://4.bp.blogspot.com/-8IfEcOdd-hE/TZ-f8GKaV5I/AAAAAAAAAMA/yzbxlNRZKlc/s1600/jjjjjjjjjjjjjjjj.png
 
 
 
Figura 2:Roupa de proteção para trabalho em ambientes muito frios 
As vestimentas devem ser feitas de várias camadas, proporcionando maior 
proteção devido à presença de uma camada de ar isolante entre as camadas de 
tecido. Quando a atividade é realizada em ambientes úmidos, a camada externa 
da roupa deve ser repelente à água. Se o local de trabalho não puder ser 
protegido contra o vento, deve-se usar uma roupa de couro ou de lã grossa. E 
em condições extremamente frias devem ser fornecidas vestimentas de proteção 
aquecidas. As roupas devem sempre ser conservadas secas e limpas. 
 
Quais são as medidas de proteção coletiva que devem ser adotadas durante o 
trabalho em ambientes frios? 
Existem diversas medidas de proteção coletiva que podem ser implantadas nas 
indústrias, com o objetivo de prevenir acidentes e lesões ocupacionais devido à 
exposição do trabalhador ao frio. Entre elas pode-se citar: 
• O local de trabalho deve ser planejado para que o trabalhador não passe longos 
períodos parado; 
• Deve-se proporcionar aos empregados locais de repouso aquecidos; 
 
• Os locais de repouso devem possuir salas especiais para secagem das roupas 
http://2.bp.blogspot.com/-302SiKxgPXo/TZ-hXtfej_I/AAAAAAAAAMI/m-upcW1O4TU/s1600/bbbbbbbbbbb.png
 
 
do trabalhador, sempre que a atividade provocar o seu umedecimento, e troca 
por vestimenta seca quando necessário; 
• As portas de câmaras frias ou outros ambientes refrigerados devem possuir 
sistema que possibilite a abertura das portas internamente, para evitar que as 
pessoas fiquem presas involuntariamente; 
• Os túneis de congelamento só devem ter o sistema de ventilação ligado quando 
não houver trabalhadores no local. 
Danos à Saúde 
O trabalho em ambientes frios representa um risco importante à saúde dos 
trabalhadores, que pode causar desconforto, doenças ocupacionais, acidentes 
do trabalho, e, algumas vezes, até a morte. As lesões mais graves causadas 
pelo frio são decorrentes da perda excessiva de calor do corpo, que é chamada 
hipotermia. 
A situação de trabalho que mais contribui para o surgimento da hipotermia e 
outras lesões ocupacionais causadas pelo frio é a exposição ao vento e à 
umidade. 
Baixas temperaturas podem provocar: 
- feridas; 
- rachaduras e necrose na pele; 
- enregelamento: ficar congelado; 
- agravamento de doenças reumáticas; 
- predisposição para acidentes; 
- predisposição para doenças das vias respiratórias 
RUÍDO 
 
 
Ruído de impacto 
 
Entende-se por ruído de impacto aquele que apresenta picos de energia acústica 
de duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo. 
Os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibéis (dB), com medidor de 
nível de pressão sonora operando no circuito linear e circuito de resposta para 
impacto. As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O limite 
de tolerância para ruído de impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre 
os picos, o ruído existente deverá ser avaliado como ruído contínuo. 
Em caso de não se dispor de medidor do nível de pressão sonora com circuito 
de resposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito de resposta rápida 
(FAST) e circuito de compensação "C". Neste caso, o limite de tolerância será 
de 120 dB(C).As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem proteção 
adequada, a níveis de ruído de impacto superiores a 140 dB(LINEAR), medidos 
no circuito de resposta para impacto, ou superiores a 130 dB(C), medidos no 
circuito de resposta rápida (FAST), oferecerão risco grave e iminente. 
Ruído Continuou ou intermitente 
LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE 
NÍVEL DE RUÍDO 
DB (A) 
MÁXIMA EXPOSIÇÃO DIÁRIA 
PERMISSÍVEL 
85 8 horas 
86 7 horas 
87 6 horas 
88 5 horas 
89 4 horas e 30 minutos 
90 4 horas 
91 3 horas e 30 minutos 
92 3 horas 
93 2 horas e 40 minutos 
94 2 horas e 15 minutos 
95 2 horas 
96 1 hora e 45 minutos 
 
 
98 1 hora e 15 minutos 
100 1 hora 
102 45 minutos 
104 35 minutos 
105 30 minutos 
106 25 minutos 
108 20 minutos 
110 15 minutos 
112 10 minutos 
114 8 minutos 
115 7 minutos 
Entende-se por Ruído Contínuo ou Intermitente, para os fins de aplicação de 
Limites de Tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto. 
Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB) 
com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de 
compensação "A" e circuito de resposta lenta (SLOW). As leituras devem ser 
feitas próximas ao ouvido do trabalhador. 
Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de 
tolerância fixados no Quadro deste anexo. (115.003-0/ I4) 
Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário será considerada a 
máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais 
elevado. 
Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos 
que não estejam adequadamente protegidos. 
Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição 
a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos 
combinados, de forma que, se a soma das seguintes frações: 
 C1 + C2 + C3 ____________________ + Cn 
 T1 T2 T3 Tn 
exceder a unidade, a exposição estará acima do limite de tolerância. 
 
 
Na equação acima, Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um 
nível de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível a 
este nível, segundo o Quadro deste Anexo. 
As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, 
contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, 
oferecerão risco grave e iminente. 
Medidas de controle 
Medidas de proteção coletiva: enclausuramento da máquina produtora de ruído; 
isolamento de ruído. 
Medida de proteção individual: fornecimento de equipamento de proteção 
individual (EPI) (no caso, protetor auricular). O EPI deve ser fornecido na 
impossibilidade de eliminar o ruído ou como medida complementar. 
Medidas médicas: exames audiométricos periódicos, afastamento do local de 
trabalho, revezamento. 
Medidas educacionais: orientação para o uso correto do EPI, campanha de 
conscientização. 
Medidas administrativas: tornar obrigatório o uso do EPI: controlar seu uso. 
Danos à Saúde 
O ruído age diretamente sobre o sistema nervoso, ocasionando: 
1. fadiga nervosa; 
2. alterações mentais: perda de memória, irritabilidade, dificuldade em 
coordenar ideias; 
3. hipertensão; 
4. modificação do ritmo cardíaco; 
5. modificação do calibre dos vasos sanguíneos; 
6. modificação do ritmo respiratório; 
7. perturbações gastrointestinais; 
 
 
8. diminuição da visão noturna; 
9. dificuldade na percepção de cores. 
10. Além destas consequências, o ruído atinge também o aparelho auditivo 
causando a perda temporária ou definitiva da audição. 
RADIAÇÃO 
São formas de energia que se transmite por ondas eletromagnéticas. A absorção 
das radiações pelo organismo é responsável pelo aparecimento de diversas 
lesões. Podem ser classificadas em dois grupos: 
Radiações ionizantes – Tem a capacidade de formar íons. Os operadores de 
raios-X e radioterapia estão frequentemente expostos a esse tipo de radiação, 
que pode afetar o organismo ou se manifestar nos descendentes das pessoas 
expostas. 
Radiações não ionizantes -Não possou capaciade de formar íons. São radiações 
não ionizantes a radiação infravermelha, proveniente de operação em fornos, ou 
de solda oxiacetilênica, radiação ultravioleta como a gerada por operações em 
solda elétrica, ou ainda raios laser, microondas, etc. 
Ionizante 
Nas atividades ou operações onde trabalhadores possam ser expostos a 
radiações ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e 
controles básicos para a proteção do homem e do seu meio ambiente contra 
possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes 
da Norma CNEN-NN-3.01. 
Não Ionizante 
Para os efeitos desta norma, são radiações não ionizantes as micro-ondas, 
ultravioletas e laser. 
As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não 
ionizantes, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres, em 
decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. 
 
 
As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz 
negra (ultravioleta na faixa - 400- 320 nanômetros) não serão consideradas 
insalubres. 
Medidas de controle 
Medidas de proteção coletiva: isolamento da fonte de radiação (ex: biombo 
protetor para operação em solda), enclausuramento da fonte de radiação (ex: 
pisos e paredes revestidas de chumbo em salas de raio-x). 
Medidas de proteção individual: fornecimento de EPI adequado ao risco (ex: 
avental, luva, perneira e mangote de raspa para soldador , óculos para 
operadores de forno). 
Medida administrativa: (ex: dosímetro de bolso para técnicos de raio-x). 
Medida médica: exames periódicos. 
Danos à Saúde 
Seus efeitos são perturbações visuais (conjuntivites, cataratas), queimaduras, 
lesões na pele, e câncer. 
Vibração 
 
A vibração consiste em qualquer movimento que o corpo executa em torno de 
um ponto fixo, podendo ser regular ou irregular, transmitida por intermédio das 
partes do corpo que entram em contato direto com a fonte, geralmente as 
nádegas, as mãos, os braços e os pés. É definida por três variáveis: frequência, 
medida em hertz (Hz); intensidade do deslocamento, medida em cm ou mm ou 
aceleração máxima sofrida pelo corpo, medida em g (1g = 9,81 m x s-2); e 
direção, composta por três eixos ortogonais: x (das costas para frente), y (da 
direita para esquerda) e z (dos pés para a cabeça). 
 
 
 
A vibração pode ser transmitida ao corpo inteiro ou a partes dele. A vibração de 
corpo inteiro (corpo total) é aquela transmitida inteiramente ao corpo do 
trabalhador, ocorrendo a partir dos pés (posição em pé) ou do assento (posição 
sentada), muito comum no trabalho realizado em plataformas, máquinas, 
tratores e veículos, com frequência variando de 0,5 a 80 Hz. Já a vibração de 
partes do corpo (manubraquiais) é aquela transmitida diretamente às mãos e 
braços do trabalhador por máquinas manuais vibrantes, como britadeiras, 
furadeiras de impacto etc., com frequência variando de 5 a 1.000 Hz. 
 
O anexo 8 da NR 15 estabelece critérios para caracterização da condição de 
trabalho insalubre decorrente da exposição às Vibrações de Mãos e Braços 
(VMB) e Vibrações de Corpo Inteiro (VCI).Os procedimentos técnicos para a 
avaliação quantitativa das VCI e VMB são os estabelecidos nas Normas de 
Higiene Ocupacional da fundacentro. 
Caracterização e Classificação Da Insalubridade 
Caracteriza-se a condição insalubre caso seja superado o limite de exposição 
ocupacional diária a VMB correspondente a um valor de aceleração resultante 
de exposição normalizada (aren) de 5 m/s. 
Caracteriza-se a condição insalubre caso sejam superados quaisquer dos limites 
de exposição ocupacional diária a VCI: a) valor da aceleração resultante de 
exposição normalizada (aren)de 1,1 m/s2; b) valor da dose de vibração 
resultante (VDVR) de 21,0 m/s1,75. 
Para fins de caracterização da condição insalubre, o empregador deve 
comprovar a avaliação dos dois parâmetros acima descritos. As situações de 
exposição a VMB e VCI superiores aos limites de exposição ocupacional são 
caracterizadas como insalubres em grau médio. A avaliação quantitativa deve 
ser representativa da exposição, abrangendo aspectos organizacionais e 
ambientais que envolvam o trabalhador no exercício de suas funções. A 
caracterização da exposição deve ser objeto de laudo técnico que contemple, no 
mínimo, os seguintes itens: 
 
 
a) Objetivo e datas em que foram desenvolvidos os procedimentos; 
b) Descrição e resultado da avaliação preliminar da exposição, realizada de 
acordo com o item 3 do Anexo 1 da NR-9 do MTE; 
c) Metodologia e critérios empregados, inclusas a caracterização da exposição 
e representatividade da amostragem; 
d) Instrumentais utilizados, bem como o registro dos certificados de calibração; 
e) Dados obtidos e respectiva interpretação; 
f) Circunstâncias específicas que envolveram a avaliação; 
g) Descrição das medidas preventivas e corretivas eventualmente existentes e 
indicação das necessárias, bem como a comprovação de sua eficácia; 
h) Conclusão. 
 
Medidas de Controle 
1. Utilização de EPI 
2. Diminuição do tempo de exposição 
3. Manutenção dos equipamentos 
4. Escolha de equipamentos que tenham menor índice de vibração 
5. Utilização de amortecedores de vibração nos equipamentos 
6. Treinamento sob a utilização correta dos dispositivos técnicos 
Danos à saúde 
1. Síndrome do dedo branco 
2. Problemas circulatórios 
3. Dores de cabeça 
4. Dores no corpo 
5. Sensação de dormência 
6. Perda de concentração 
7. Confusão mental 
 
 
 
TRABALHO SOB CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS 
Trabalhos sob ar comprimido são os efetuados em ambientes onde o trabalhador 
é obrigado a suportar pressões maiores que a atmosférica e onde se exige 
cuidadosa descompressão, de acordo com as tabelas anexas ao anexo 6 da NR 
15. 
O trabalhador não poderá sofrer mais que uma compressão num período de 24 
(vinte e quatro) horas. Durante o transcorrer dos trabalhos sob ar comprimido, 
nenhuma pessoa poderá ser exposta à pressão superior a 3,4 kgf/cm2, exceto 
em caso de emergência ou durante tratamento em câmara de recompressão, 
sob supervisão direta do médico responsável. A duração do período de trabalho 
sob ar comprimido não poderá ser superior a 8 (oito) horas, em pressões de 
trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm2; a 6 (seis) horas em pressões de trabalho de 1,1 a 
2,5 kgf/cm2; e a 4 (quatro) horas, em pressão de trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm2. 
1.3.5 Após a descompressão, os trabalhadores serão obrigados a permanecer, 
no mínimo, por 2 (duas) horas, no canteiro de obra, cumprindo um período de 
observação médica. 
O local adequado para o cumprimento do período de observação deverá ser 
designado pelo médico responsável. Para trabalhos sob ar comprimido, os 
empregados deverão satisfazer os seguintes requisitos: 
a) ter mais de 18 (dezoito) e menos de 45 (quarenta e cinco) anos de idade; 
b) ser submetido a exame médico obrigatório, pré-admissional e periódico, 
exigido pelas características e peculiaridades próprias do trabalho; 
c) ser portador de placa de identificação, de acordo com o modelo anexo (Quadro 
I), fornecida no ato da admissão, após a realização do exame médico. 
Antes da jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser inspecionados pelo 
médico, não sendo permitida a entrada em serviço daqueles que apresentem 
sinais de afecções das vias respiratórias ou outras moléstias. 
 
 
É vedado o trabalho àqueles que se apresentem alcoolizados ou com sinais de 
ingestão de bebidas alcoólicas. É proibido ingerir bebidas gasosas e fumar 
dentro dos tubulões e túneis. 
Junto ao local de trabalho, deverão existir instalações apropriadas à Assistência 
Médica, à recuperação, à alimentação e à higiene individual dos trabalhadores 
sob ar comprimido. 
 Todo empregado que vá exercer trabalho sob ar comprimido deverá ser 
orientado quanto aos riscos decorrentes da atividade e às precauções que 
deverão ser tomadas, mediante educação audiovisual. Todo empregado sem 
prévia experiência em trabalhos sob ar comprimido deverá ficar sob supervisão 
de pessoa competente, e sua compressão não poderá ser feita se não for 
acompanhado, na campânula, por pessoa hábil para instruílo quanto ao 
comportamento adequado durante a compressão. 
As turmas de trabalho deverão estar sob a responsabilidade de um encarregado 
de ar comprimido, cuja principal tarefa será a de supervisionar e dirigir as 
operações. Para efeito de remuneração, deverão ser computados na jornada de 
trabalho o período de trabalho, o tempo de compressão, descompressão e o 
período de observação médica. 
Em relação à supervisão médica para o trabalho sob ar comprimido, deverão ser 
observadas as seguintes condições: 
a) sempre que houver trabalho sob ar comprimido, deverá ser providenciada a 
assistência por médico qualificado, bem como local apropriado para atendimento 
médico; 
b) todo empregado que trabalhe sob ar comprimido deverá ter uma ficha médica, 
onde deverão ser registrados os dados relativos aos exames realizados; 
c) nenhum empregado poderá trabalhar sob ar comprimido, antes de ser 
examinado por médico qualificado, que atestará, na ficha individual, estar essa 
pessoa apta para o trabalho; 
 
 
d) o candidato considerado inapto não poderá exercer a função, enquanto 
permanecer sua inaptidão para esse trabalho; 
e) o atestado de aptidão terá validade por 6 (seis) meses; 
f) em caso de ausência ao trabalho por mais de 10 (dez) dias ou afastamento 
por doença, o empregado, ao retornar, deverá ser submetido a novo exame 
médico. 
Exigências para Operações nas Campânulas ou Eclusas 
 Deverá estar presente no local, pelo menos, uma pessoa treinada nesse tipo de 
trabalho e com autoridade para exigir o cumprimento, por parte dos empregados, 
de todas as medidas de segurança preconizadas neste item. 
As manobras de compressão e descompressão deverão ser executadas através 
de dispositivos localizados no exterior da campânula ou eclusa, pelo operador 
das mesmas. Tais dispositivos deverão existir também internamente, porém 
serão utilizados somente em emergências. No início de cada jornada de trabalho, 
os dispositivos de controle deverão ser aferidos. 
O operador da campânula ou eclusa anotará, em registro adequado (Quadro II) 
do anexo 6 da NR 15 e para cada pessoa o seguinte: 
a) hora exata da entrada e saída da campânula ou eclusa; 
b) pressão do trabalho; 
c) hora exata do início e do término de descompressão. 
A compressão dos trabalhadores deverá obedecer às seguintes regras: 
a) no primeiro minuto, após o início da compressão, a pressão não poderá ter 
incremento maior que 0,3 kgf/cm2; 
 
 
b) atingido o valor 0,3 kgf/cm2, a pressão somente poderá ser aumentada após 
decorrido intervalo de tempo que permita ao encarregado da turma observar se 
todas as pessoas na campânula estão em boas condições; 
c) decorrido o período de observação, recomendado na alínea "b", o aumento da 
pressão deverá ser feito a uma velocidade não-superior a 0,7 kgf/cm2, por 
minuto, para que nenhum trabalhador seja acometido de mal-estar; 
d) se algum dos trabalhadores se queixar de mal-estar, dores no ouvido ou na 
cabeça, a compressão deverá ser imediatamente interrompida e o encarregado 
reduzirá gradualmente a pressão da campânula até que o trabalhador se 
recupere e, não ocorrendo a recuperação, a descompressão continuará até a 
pressão atmosférica, retirando-se, então, a pessoa e encaminhado-a ao serviço 
médico. 
Na descompressão de trabalhadores expostos à pressão de 0,0 a 3,4 kgf/cm2, 
serão obedecidas as tabelas anexas (Quadro III) do anexo 6 da NR 15 de acordo 
com as seguintesregras: 
a) sempre que duas ou mais pessoas estiverem sendo descomprimidas na 
mesma campânula ou eclusa e seus períodos de trabalho ou pressão de trabalho 
não forem coincidentes, a descompressão processar-se-á de acordo com o 
maior período ou maior pressão de trabalho experimentada pelos trabalhadores 
envolvidos; 
b) a pressão será reduzida a uma velocidade não superior a 0,4 kgf/cm2 , por 
minuto, até o primeiro estágio de descompressão, de acordo com as tabelas 
anexas; a campânula ou eclusa deve ser mantida naquela pressão, pelo tempo 
indicado em minutos, e depois diminuída a pressão à mesma velocidade anterior, 
até o próximo estágio e assim por diante; para cada 5 (cinco) minutos de parada, 
a campânula deverá ser ventilada à razão de 1 (um) minuto. 
Medidas de Controle 
1. Treinamento e capacitação constantes 
2. Seguir os procedimentos do anexo 6 da NR 15 
 
 
3. Utilização dos equipamentos de segurança 
Danos à saúde 
1. Como o corpo é constituído de muitas cavidades pneumáticas e o sangue 
é uma solução que se presta para o transporte de gases, sofre muito com 
as variações de pressão, que alteram o volume dos gases, bem como a 
solubilidade dos gases no sangue. Essas alterações são regidas pelas 
leis dos gases. 
2. Traumas decorrentes da incapacidade de se equilibrar a pressão no 
interior das cavidades pneumáticas do organismo com a pressão 
ambiente em variação. 
3. Rompimentos dos alvéolos 
4. irritação dos pulmões 
5. narcose pelo nitrogênio 
6. embriaguez das profundidades 
AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É 
CARACTERIZADA POR LIMITE DE TOLERÂNCIA E 
INSPEÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO 
Nas atividades ou operações nas quais os trabalhadores ficam expostos a 
agentes químicos, a caracterização de insalubridade ocorrerá quando forem 
ultrapassados os limites de tolerância constantes do Quadro 1 do Anexo. 2 da 
NR 15. 
Todos os valores fixados no Quadro 1 - Tabela de Limites de Tolerância são 
válidos para absorção apenas por via respiratória. Todos os valores fixados no 
Quadro 1 como "Asfixiantes Simples" determinam que nos ambientes de 
trabalho, em presença destas substâncias, a concentração mínima de oxigênio 
deverá ser 18 (dezoito) por cento em volume. As situações nas quais a 
concentração de oxigênio estiver abaixo deste valor serão consideradas de risco 
grave e iminente. 
Na coluna "VALOR TETO" estão assinalados os agentes químicos cujos limites 
de tolerância não podem ser ultrapassados em momento algum da jornada de 
 
 
trabalho. Na coluna "ABSORÇÃO TAMBÉM PELA PELE" estão assinalados os 
agentes químicos que podem ser absorvidos, por via cutânea, e portanto 
exigindo na sua manipulação o uso da luvas adequadas, além do EPI necessário 
à proteção de outras partes do corpo. A avaliação das concentrações dos 
agentes químicos através de métodos de amostragem instantânea, de leitura 
direta ou não, deverá ser feita pelo menos em 10 (dez) amostragens, para cada 
ponto - ao nível respiratório do trabalhador. Entre cada uma das amostragens 
deverá haver um intervalo de, no mínimo, 20 (vinte) minutos. 7. Cada uma das 
concentrações obtidas nas referidas amostragens não deverá ultrapassar os 
valores obtidos na equação que segue, sob pena de ser considerada situação 
de risco grave e iminente. 
 Valor máximo = L.T. x F. D. Onde: L.T. = limite de tolerância para o agente 
químico, segundo o Quadro n.° 1. F.D. = fator de desvio, segundo definido no 
Quadro n.° 2 do anexo 2 da NR 15. 
O limite de tolerância será considerado excedido quando a média aritmética das 
concentrações ultrapassar os valores fixados no Quadro n.° 1. 9. Para os 
agentes químicos que tenham "VALOR TETO" assinalado no Quadro n.° 1 
(Tabela de Limites de Tolerância) considerar-se-á excedido o limite de 
tolerância, quando qualquer uma das concentrações obtidas nas amostragens 
ultrapassar os valores fixados no mesmo quadro. Os limites de tolerância fixados 
no Quadro n.° 1 são válidos para jornadas de trabalho de até 48 (quarenta e oito) 
horas por semana, inclusive. 10.1 Para jornadas de trabalho que excedam as 48 
(quarenta e oito) horas semanais dever-se-á cumprir o disposto no art. 60 da 
CLT. 
 
Medidas de Controle 
1. Exames médicos para identificação de contaminantes nos trabalhadores 
2. Inspeções constantes nos locais de trabalho para verificar a concentração 
dos contaminantes 
3. Treinamento e capacitação constantes 
4. Seguir os procedimentos do anexo 2 da NR 15 
 
 
5. Utilização de EPIs e EPCs 
6. Restringir o acesso aos locais contaminados ao mínimo possível 
7. Substituir o material contaminante (se possível) 
Danos à saúde 
1. Irritação do sistema respiratório 
2. Irritação do sistema gastrointestinal 
3. Irritação nos olhos 
4. Irritação na pele 
5. Alergias 
6. Intoxicações em geral 
LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS 
ASBESTO 
Entende-se por "asbesto", também denominado amianto, a forma fibrosa dos 
silicatos minerais pertencentes aos grupos de rochas metamórficas das 
serpentinas, isto é, a crisotila (asbesto branco), e dos anfibólios, isto é, a 
actinolita, a amosita (asbesto marrom), a antofilita, a crocidolita (asbesto azul), a 
tremolita ou qualquer mistura que contenha um ou vários destes minerais; 
Cabe ao empregador elaborar normas de procedimento a serem adotadas em 
situações de emergência, informando os trabalhadores convenientemente, 
inclusive com treinamento específico. 
Fica proibido o trabalho de menores de dezoito anos em setores onde possa 
haver exposição à poeira de asbesto. 
Será de responsabilidade dos fornecedores de asbesto, assim como dos 
fabricantes e fornecedores de produtos contendo asbesto, a rotulagem 
adequada e suficiente, de maneira facilmente compreensível pelos 
trabalhadores e usuários interessados. 
A rotulagem deverá conter, conforme modelo Anexo: - a letra minúscula "a" 
ocupando 40% (quarenta por cento) da área total da etiqueta; - caracteres: 
 
 
"Atenção: contém amianto", "Respirar poeira de amianto é prejudicial à saúde" e 
"Evite risco: siga as instruções de uso". 
O empregador deverá realizar a avaliação ambiental de poeira de asbesto nos 
locais de trabalho, em intervalos não superiores a 6 (seis) meses. 
MANGANÊS E SEUS COMPOSTOS 
O limite de tolerância para as operações com manganês e seus compostos 
referente à extração, tratamento, moagem, transporte do minério, ou ainda a 
outras operações com exposição a poeiras do manganês ou de seus compostos 
é de até 5mg/m3 no ar, para jornada de até 8 (oito) horas por dia.. O limite de 
tolerância para as operações com manganês e seus compostos referente à 
metalurgia de minerais de manganês, fabricação de compostos de manganês, 
fabricação de baterias e pilhas secas, fabricação de vidros especiais e 
cerâmicas, fabricação e uso de eletrodos de solda, fabricação de produtos 
químicos, tintas e fertilizantes, ou ainda outras operações com exposição a 
fumos de manganês ou de seus compostos é de até 1mg/m3 no ar, para jornada 
de até 8 (oito) horas por dia. Sempre que os limites de tolerância forem 
ultrapassados, as atividades e operações com o manganês e seus compostos 
serão consideradas como insalubres no grau máximo. 
 
SÍLICA LIVRE CRISTALIZADA 
O limite de tolerância, expresso em milhões de partículas por decímetro cúbico, 
é dado pela seguinte fórmula: 
 
Esta fórmula é válida para amostras tomadas com impactador (impinger) no nível 
da zona respiratória e contadas pela técnica de campo claro. A percentagem de 
quartzo é a quantidade determinada através de amostras em suspensão aérea. 
 
 
O limite de tolerância para poeira respirável, expresso em mg/m3 , é dado pela 
seguinte fórmula: 
 
Tanto a concentração como a percentagem do quartzo, para a aplicação deste 
limite, devem ser determinadas a partir da porção que passa por um seletor com 
as características do Quadro n.° 1. QUADRO N.º 1 do anexo 12 de NR 15.

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