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N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 361 Controle e Avaliação ExecuçãoPlanejamento z Planejamento: A etapa do planejamento é a etapa em que se fixa da despesa orçamentária, se des- centraliza/movimenta os créditos, se realiza a pro- gramação orçamentária e financeira e o processo de licitação. z Fixação da despesa: refere-se ao processo de pla- nejamento orçamentário adequado e compatível com a LDO e o PPA. O processo da fixação da des- pesa orçamentária é concluído com a autorização dada pelo Poder Legislativo por meio da Lei Orça- mentária Anual. z Descentralizações de créditos orçamentários: ocorrem quando for efetuada movimentação de parte do orçamento, mantidas as classificações ins- titucional, funcional, programática e econômica, para que outras unidades administrativas possam executar a despesa orçamentária. Na descentralização, as dotações serão emprega- das obrigatória e integralmente na consecução do objetivo previsto pelo programa de trabalho perti- nente, respeitada fielmente a classificação funcio- nal e a estrutura programática. Portanto, a única diferença é que a execução da despesa orçamentá- ria será realizada por outro órgão ou entidade. z Programação orçamentária e financeira: consis- te na compatibilização do fluxo dos pagamentos com o fluxo dos recebimentos, visando o ajuste da despesa fixada às novas projeções de resultados e da arrecadação. Se houver frustração da receita estimada no orça- mento, deverá ser estabelecida limitação de empe- nho e movimentação financeira, com objetivo de atingir os resultados previstos na LDO e impedir a assunção de compromissos sem respaldo finan- ceiro, o que acarretaria uma busca de socorro no mercado financeiro, situação que implica em encargos elevados. z Processo de licitação: compreende um conjunto de procedimentos administrativos que objetivam adqui- rir materiais, contratar obras e serviços, alienar ou ceder bens a terceiros, bem como fazer concessões de serviços públicos com as melhores condições para o Estado, observando os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vincu- lação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e de outros que lhe são correlatos. z Execução: Durante esta etapa, a despesa é execu- tada conforme os seguintes estágios: empenho, liquidação e pagamento. Importante! A execução da despesa é separada em estágios, enquanto, no processo orçamentário, a despesa passa por etapas. z Empenho: segundo o art. 58 da Lei nº 4.320/1964, trata-se do ato de autoridade competente que cria para o ente a obrigação de pagamento, que consiste na reserva de dotação orçamentária para um fim específico. O empenho é formalizado mediante a emissão de um documento denominado “Nota de Empenho”, no qual deve constar o nome do credor (contrata- da), a especificação do credor e o valor da despesa, bem como os demais dados necessários ao contro- le da execução orçamentária. Segundo o art. 60 da Lei nº 4.320/1964, é proibida a realização da despesa sem prévio empenho. Quando o valor empenhado for insuficiente para atender à despesa a ser realizada, o empenho poderá ser reforçado. Caso o valor do empenho exceda o montante da despesa realizada, o empe- nho deverá ser anulado parcialmente. Será anu- lado totalmente quando o objeto do contrato não tiver sido cumprido, ou ainda, no caso de ter sido emitido incorretamente. Os empenhos podem ser classificados em: � Ordinário: é o tipo de empenho utilizado para as despesas de valor fixo e previamente determina- do, cujo pagamento deve ocorrer de uma só vez; � Estimativo: é o tipo de empenho utilizado para as despesas cujo montante não se pode deter- minar previamente, tais como serviços de for- necimento de água e energia elétrica, aquisição de combustíveis e lubrificantes e outros; e � Global: é o tipo de empenho utilizado para des- pesas contratuais ou outras de valor determina- do, sujeitas a parcelamento, como, por exemplo, os compromissos decorrentes de aluguéis. z Liquidação: conforme dispõe o art. 63 da Lei nº 4.320/1964, a liquidação consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respecti- vo crédito e tem por objetivo apurar: � A origem e o objeto do que se deve pagar; � A importância exata a pagar; e � A quem se deve pagar a importância para extinguir a obrigação. z Pagamento: consiste na entrega de numerário ao credor por meio de cheque nominativo, ordens de pagamentos ou crédito em conta, e só pode ser efetuado após a liquidação da despesa. Segundo o art. 64 da Lei nº 4.320/1964, a ordem de pagamento é o despacho emitido por autoridade competente, determinando que a despesa liquidada seja paga. Controle e Avaliação Esta etapa refere-se à fiscalização realizada pelos órgãos de controle e pela sociedade, para avaliação da ação governamental, da gestão dos administradores públicos e da aplicação de recursos públicos, por inter- médio da fiscalização contábil, financeira, orçamentá- ria, operacional e patrimonial, com finalidade de: z Avaliar o cumprimento das metas previstas no Plano Plurianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos; e z Comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e à eficiência da gestão orça- mentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da Administração Pública, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado. 362 Por controle social entende-se a participação da sociedade no planejamento, na implementação, no acompanhamento e verificação das políticas públicas, avaliando objetivos, processos e resultados. EXERCÍCIOS COMENTADOS 1. (FUNDATEC – 2019) A despesa pública consiste na realização de gastos que possibilitam a manutenção, o funcionamento e a expansão dos serviços públicos. Dessa forma, a despesa pública é realizada através de estágios. A fase em que se verifica o direito adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito, é conhecida por: a) Pagamento. b) Empenho. c) Liquidação. d) Conferência. e) Recolhimento. Conforme dispõe o art. 63 da Lei nº 4.320/1964, a liquidação consiste na verificação do direito adquiri- do pelo credor, tendo por base os títulos e documen- tos comprobatórios do respectivo crédito. Resposta: Letra C. 2. (VUNESP – 2019) Um dos estágios da execução da despesa orçamentária consiste na verificação do direi- to adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. Trata-se do estágio a) da liquidação. b) do empenho. c) do pagamento. d) da anulação. e) do parcelamento. Conforme vimos acima, o art. 63 da Lei nº 4.320/1964 dispõe que a liquidação é a verificação do direito adquirido pelo credor, com base nos títulos e docu- mentos comprobatórios do crédito respectivo. Res- posta: Letra A. RESTOS A PAGAR Restos a Pagar estão intimamente ligados ao prin- cípio da anualidade orçamentária. Relembrando, a Lei Orçamentária Anual (LOA) tem vigência de um ano. Na LOA estão previstas as receitas e fixadas as despesas. Considerando que a LOA tem vigência de apenas um ano, o que acontece com aquela despesa, por exemplo, uma compra de computadores para um órgão, que foi empenhada e a contratada entregou devidamente os equipamentos, em 30 de dezembro daquele mesmo ano? Pelo prazo, ficaria complica- do ao órgão verificar a documentação para fazer a liquidação ainda no mesmo exercício. E mesmo que liquidasse no exercício, será que conseguiria realizar o pagamento? A contratada ficaria sem recebimento? Prevendo essa situação, a legislação orçamentária traz a figura dos “restos a pagar”. A Lei nº 4.320/1964 define Restos a Pagar como aquelas despesas regularmente empenhadas que não puderam ser pagas ou foram canceladasaté 31 de dezembro do exercício financeiro vigente, mas cuja execução ocorrerá no próximo exercício. Podem ser de dois tipos: os restos a pagar processados (despe- sas já liquidadas); e os restos a pagar não processa- dos (despesas a liquidar ou em liquidação). Segundo o disposto no seu art. 36: Art. 36 Consideram-se Restos a Pagar as despe- sas empenhadas, mas não pagas até o dia 31 de dezembro distinguindo-se as processadas das não processadas. Tendo em vista que a continuidade dos estágios de execução dessas despesas ocorrerá no próximo exer- cício, devem ser controlados em contas de natureza de informação orçamentária específicas. Inscrição dos Restos a Pagar No fim do exercício, as despesas orçamentárias empenhadas e não pagas podem ser inscritas em res- tos a pagar. A inscrição de restos a pagar deve obser- var as disponibilidades financeiras e condições da legislação pertinente, de modo a prevenir riscos e cor- rigir desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, conforme estabelecido na Lei de Responsa- bilidade Fiscal (LRF). Embora a LRF não defina o que pode ou não ser inscrito em restos a pagar, há vedação expressa ao ente público de contrair obrigações no último ano do mandato do governante sem que exista a respectiva cobertura financeira, evitando que um governante contrate, por exemplo, obras vultosas em seu último ano de mandato e deixe a conta para ser paga por seu sucessor, como era comum no passado. Conforme disposto no seu art. 42: Art. 42 É vedado ao titular de Poder ou órgão refe- rido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. Parágrafo único. Na determinação da disponibi- lidade de caixa serão considerados os encargos e despesas compromissadas a pagar até o final do exercício. Portanto, a norma estabelece que, no encerramen- to do exercício, a parcela da despesa orçamentária que se encontrar empenhada, mas ainda não paga, poderá ser inscrita em restos a pagar. O raciocínio é de que, de forma geral, a receita orçamentária a ser utilizada para pagamento da despesa orçamentária já deve ter sido arrecadada no exercício, anteriormente à realização dessa despesa. Assim, considera-se que a despesa que for empenhada com base nesse crédito orçamentário também deverá pertencer ao mesmo exercício. Portanto, o critério de definição do exer- cício financeiro para alocar a despesa orçamentária não é seu pagamento, mas o empenho. Um ponto importante a se atentar é o parágrafo único do art. 103 da Lei nº 4.320/1964: Art. 103 [...] Parágrafo único. Os Restos a Pagar do exercí- cio serão computados na receita extraorçamen- tária para compensar sua inclusão na despesa orçamentária. N O Ç Õ ES D E A D M IN IS TR A Ç Ã O F IN A N C EI R A E O R Ç A M EN TÁ R IA 363 Assim, Restos a Pagar devem ser considerados despesas orçamentárias quando inscritos, uma vez que se trata de despesa empenhada no mesmo exer- cício em que estava fixada no orçamento. Em contra- partida, no Balanço Financeiro do exercício em que a despesa for inscrita em restos a pagar, deve haver um lançamento de receita extraorçamentária para que não se verifique uma diminuição do patrimônio do ente público. Adicionalmente, é preciso atentar para o seguinte ponto: conforme explicado no parágrafo anterior, no momento da inscrição do empenho, Restos a Pagar se torna despesa orçamentária, porém, no momento do efetivo pagamento da despesa inscrita, trata-se de despesa extraorçamentária, pois se trata de despesa de exercício anterior. Restos a Pagar Não Processados (RPNP) Restos a Pagar Não Processados são aquelas des- pesas empenhadas, mas não liquidadas até o final do exercício. Podem ocorrer nas seguintes condições: z O serviço ou material contratado tenha sido pres- tado ou entregue e que se encontre, em 31 de dezembro de cada exercício financeiro em fase de liquidação; ou z O prazo para cumprimento da obrigação assumida pelo credor estiver vigente (despesa a liquidar). A inscrição de despesa em restos a pagar não pro- cessados é realizada após verificar quais despesas devem ser inscritas em restos a pagar, e anulando-se as demais. Em seguida, inscreve-se os restos a pagar não processados do exercício. As despesas empenhadas a liquidar são aquelas cujo prazo para cumprimento da obrigação, assumida pelo cre- dor (contratado), encontra-se vigente, ou seja, a entrega do material ou do serviço adquirido ainda estão pendentes. As despesas empenhadas em liquidação são aque- las em que o contratado realizou a entrega do mate- rial ou do serviço, mas a verificação do seu direito ao pagamento ainda não foi finalizada, ou seja, ainda não se deu a devida liquidação. O cancelamento das despesas empenhadas em liquidação deve ser criterioso, tendo em vista que o fornecedor de bens/serviços cumpriu com sua parte da obrigação e a Administração está em fase de ava- liação da prestação do serviço ou entrega do material. Esse cancelamento pode gerar a devolução do mate- rial recebido, indenização, ou não, dos serviços já rea- lizados, observada a legislação pertinente. Restos a Pagar Processados São chamados de Restos a Pagar Processados aquelas despesas liquidadas e não pagas no exer- cício financeiro, ou seja, aquelas em que o serviço, a obra ou o material contratado tenha sido prestado ou entregue e aceito pelo contratante. No caso das despesas orçamentárias inscritas em restos a pagar processados, percebe-se que houve o cumprimento dos estágios de empenho e liquidação, restando pendente apenas o pagamento. Os Restos a Pagar Processados, em geral, não podem ser cance- lados, tendo em vista que o fornecedor de bens ou serviços cumpriu sua obrigação contratual. Assim, a Administração não pode se furtar ao pagamento, exceto em casos previstos na legislação, sob pena de estar deixando de cumprir o Princípio da Moralidade, previsto no art. 37 da CF, que rege a Administração Pública. O cancelamento caracteriza, inclusive, for- ma de enriquecimento ilícito, conforme Parecer nº 401/2000 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES São chamadas Despesas de Exercícios Anteriores (DEA) aquelas despesas fixadas no orçamento vigente decorrentes de compromissos assumidos em exercí- cios anteriores ao exercício em que ocorre o pagamen- to. Não se confundem com restos a pagar, tendo em vista que sequer foram empenhadas ou, se foram, tiveram seus empenhos anulados ou cancelados. O art. 37 da Lei nº 4.320/1964 dispõe que: Art. 37 As despesas de exercícios encerrados, para as quais o orçamento respectivo consignava crédito próprio, com saldo suficiente para atendê-las, que não se tenham processado na época própria, bem como os Restos a Pagar com prescrição interrom- pida e os compromissos reconhecidos após o encer- ramento do exercício correspondente poderão ser pagos à conta de dotação específica consignada no orçamento, discriminada por elementos, obedeci- da, sempre que possível, a ordem cronológica. Para fins de identificação como despesas de exercí- cios anteriores, considera-se: z Despesas que não tenham sido processadas na época própria, como aquelas cujo empenho tenha sido considerado insubsistente e anulado no encerramento do exercício correspondente, mas que, dentro do prazo estabelecido, o credor tenha cumprido sua obrigação; z Restos a pagar com prescrição interrompida, a des- pesa cuja inscrição como restos a pagar tenha sido cancelada, mas ainda vigente o direito do credor; z Compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício, a obrigação de pagamento criada em virtude de lei, mas somente reconhecido o direito do reclaman- te após o encerramento do exercício correspondente. O reconhecimento da obrigação de pagamento dasdespesas com exercícios anteriores, pela autoridade competente, deverá ocorrer em procedimento admi- nistrativo específico, sendo necessário, no mínimo, os seguintes elementos: z Identificação do credor/favorecido; z Descrição do bem, material ou serviço adquirido/ contratado; z Data de vencimento do compromisso; z Importância exata a pagar; z Documentos fiscais comprobatórios; z Certificação do cumprimento da obrigação pelo credor/favorecido; z Motivação pelo qual a despesa não foi empenhada ou paga na época própria. O reconhecimento da obrigação de pagamento das despesas com exercícios anteriores cabe à autoridade competente para empenhar a despesa. 364 EXERCÍCIOS COMENTADS 1. (VUNESP – 2019) Caso ocorra uma inscrição em res- tos a pagar que fique inferior ao valor real a ser pago, a diferença deve ser a) empenhada e liquidada em dívida ativa. b) empenhada e liquidada em serviços de terceiros. c) liquidada no elemento de despesa próprio. d) empenhada e liquidada em despesas de exercícios anteriores. e) liquidada no mesmo ano da inscrição em custeio. Caso uma despesa for inscrita em restos a pagar, sig- nifica que houve, pelo menos, seu empenho. Ou seja, trata-se de uma obrigação reconhecida pela Adminis- tração decorrente de um direito da contratada. Caso o valor inscrito em restos a pagar for insuficiente para cobrir o valor a ser pago, a diferença deverá correr por conta de despesas de exercícios anterio- res. Resposta: Letra D. 2. (FAFIPA – 2019) A ocorrência de despesas de exer- cícios anteriores caracteriza-se, entre outros fatores, como uma exceção ao princípio da competência para a contabilidade. No entanto, ante o caráter excepcional da mesma, o reconhecimento da despesa a ser paga a este título depende de alguns pressupostos. Neste sentido, acerca do instituto das despesas de exercí- cios anteriores e sua previsão na Lei nº 4.320/64, assi- nale a alternativa correta: a) É desembolsada em exercícios anteriores, mas gerada no exercício corrente. b) Não possuíam crédito em dotação própria com saldo suficiente para atendê-las no exercício em que deve- riam ser geradas. c) Consiste na entrega de numerário a servidor, sempre precedida de empenho na dotação própria para o fim de realizar despesas, que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação. d) São notadamente despesas orçamentárias, apesar de não ter sido empenhadas em época própria. Segundo o art. 37 da Lei nº 4.320/1964, as Despesas de Exercícios Anteriores (DEA) são pagas à conta de dotação específica consignada no orçamento, ou seja, são despesas orçamentárias, apesar de não terem sido empenhadas em época própria. Resposta: Letra D. DÍVIDA PÚBLICA A autorização legislativa para a realização da des- pesa constitui crédito orçamentário, que poderá ser inicial ou adicional. Por crédito orçamentário inicial, entende-se aque- le aprovado pela lei orçamentária anual, constan- te dos orçamentos fiscais, da seguridade social e de investimentos das empresas estatais. O orçamento anual consignará importância para atender determinada despesa a fim de executar ações que lhe caiba realizar. Tal importância é denominada de dotação. Na lei orçamentária anual, a discriminação da des- pesa, quanto à sua natureza, far-se-á, no mínimo, por categoria econômica, grupo de natureza de despesa e modalidade de aplicação. O orçamento anual pode ser alterado por meio de créditos adicionais. Por crédito adicional, entendem- -se as autorizações de despesas não computadas ou insuficientemente dotadas na lei orçamentária. Segundo o artigo 41 da Lei nº 4.320/1964, os crédi- tos adicionais podem ser classificados em: z Suplementares: destinado ao reforço de dotação orçamentária. A LOA poderá conter autorização ao Poder Executivo para abertura de créditos suplementares até determinada importância; z Especial: destinado a atender despesas para as quais não haja crédito orçamentário específico, devendo ser autorizados por lei; e z Extraordinários: destinado a atender despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. O crédito suplementar incorpora-se ao orçamento, adicionando-se à dotação orçamentária que deva refor- çar, enquanto que os créditos especiais e extraordinários conservam sua especificidade, demonstrando-se as des- pesas realizadas à conta dos mesmos, separadamente. Ressalta-se que os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamen- tária anual, ficarem sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e específica autorização legislativa. A Lei 4.320/1964 determina, em seus artigos 42 e 43, que os créditos suplementares e especiais serão aber- tos por decreto do poder executivo, dependendo de prévia autorização legislativa, necessitando da existên- cia de recursos disponíveis e precedida de exposição justificada. Na União, para os casos onde haja necessi- dade de autorização legislativa para os créditos adicio- nais, estes são considerados autorizados e abertos com a sanção e publicação da respectiva lei. Consideram-se recursos disponíveis para fins de abertura de créditos suplementares e especiais, con- forme disposto no § 1º do artigo 43 da Lei nº 4.320/1964: Superávit financeiro apurado em balanço patrimo- nial do ano anterior, resultante da diferença positiva entre o ativo e o passivo financeiro, conjugando-se, ain- da, os saldos dos créditos adicionais reabertos e as ope- rações de crédito a eles vinculadas. Esse superávit deve ser apurado por fonte de recursos e quando vinculado deve ser aplicado na finalidade específica; z Os provenientes de excesso de arrecadação, ou seja, o saldo positivo das diferenças acumula- das mês a mês, entre a arrecadação prevista e a realizada, considerando-se, ainda, a tendência do exercício, deduzindo os valores dos créditos extraordinários abertos; z Os resultantes da anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais autorizados em lei, nas quais se inclui a reserva de contingência; e z O produto de operações de créditos autorizadas de forma que, juridicamente, possibilite o poder exe- cutivo realizá-las. A Constituição Federal de 1988, no § 8º do artigo 166, estabelece que os recursos objeto de veto, emen- da ou rejeição do projeto de lei orçamentária que fica- rem sem destinação podem ser utilizados como fonte hábil para abertura de créditos especiais e suplemen- tares, mediante autorização legislativa.