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15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 1/44 Unidade 04 Caracterização do Solo Vídeo Vídeo de introdução - Unidade 4 ASSISTA https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/EADG616/nova_novo/# https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/EADG616/nova_novo/# https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/EADG616/nova_novo/# https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/EADG616/nova_novo/# 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 2/44 Unidade 04 Aula 01 Introdução à Mecânica dos Solos O crescimento da população mundial e a complexidade das atividades humanas, associados ao desenvolvimento de técnicas construtivas, fomentaram a construção de obras de grandes dimensões que desa�am a natureza, como barragens gigantescas, grandes obras subterrâneas, entre outras. Quais seriam os limites para os feitos humanos? Com a construção de grandes, obras há o consequente impacto socioambiental. Em virtude da instalação de grandes empreendimentos, como as barragens, diversos são os impactos, principalmente os relacionados à área alagada formada pelo reservatório, como o deslocamento da fauna e das famílias que habitam a área. Os impactos socioambientais estão realmente sendo considerados nas grandes construções, ou pensa-se apenas nos benefícios econômicos da atividade? Apesar dos avanços da engenharia, algumas áreas são ocupadas sem a devida instalação de estruturas ou tratamento adequado, o que gera a ocorrência de fatos danosos para a população, como os movimentos de massa. Nosso país vem sofrendo há décadas com a ocorrência de desastres ambientais relacionados aos movimentos de massa, decorrentes da ocupação desordenada e ine�cácia das ações por parte do poder público. Seria possível acabar, ou minimizar os danos causados à comunidade relacionados à movimentação de terra? CENÁRIO PRÁTICO 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 3/44 Olá, estudante, bem-vindo (a) à primeira unidade. Nesta aula, vamos compreender qual o objeto de estudo da mecânica dos solos e a necessidade desta disciplina dentro da engenharia civil. De inicio vamos fazer uma revisão histórica da origem, evolução e a importância dessa área. Boa aula! Marco Histórico A maioria das obras de engenharia civil se apoia sobre o terreno natural e usam a terra como elemento de construção de algumas dessas estruturas (a exemplo de uma barragem ou de um aterro de estrada), e precisam do conhecimento da capacidade de suporte e o comportamento do terreno onde vai ser apoiada esta estrutura, assim como as forças externas que vão atuar nela para que a obra trabalhe com sucesso. Todas as obras civis feitas pelo homem foram e continuam sendo submetidas aos fenômenos naturais de grandeza tal que ultrapassam o controle do homem, a exemplo dos terremotos, das chuvas e secas prolongadas, dos furações, das mudanças extremas na temperatura devido à mudança climático, entre outros. Mas também existem outras variáveis as quais o homem pode controlar, a exemplo da escolha dos locais apropriados para construção das edi�cações, a quantidade, o tipo e a qualidade dos materiais que serão empregados, bem como a supervisão dos trabalhos durante a construção, entre outras. Com base na capacidade inata de construir além da experiência adquirida durante a construção dessas edi�cações e posterior observação do comportamento delas, o homem observou a existência de uma interação entre o terreno de apoio (terreno de fundação) e a estrutura civil (superestrutura). Esse vinculo ou interação solo–estrutura, apareceu desde que o humano virou sedentário e começou a construir grandes edi�cações, várias delas bem conhecidas até hoje, a exemplo das pirâmides do Egito. Ver �gura 1. Com o desenvolvimento humano surgem maiores necessidades de construir melhores estruturas, mais altas e e�cientes em espaços menores, e portanto é necessário um melhor entendimento dos princípios da engenharia para aquisição, interpretação e uso dos conhecimentos dos materiais terrestres para poder construir essas edi�cações. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 4/44 A historia da humanidade também tem mostrado desde a antiguidade até os tempos atuais, a grande necessidade de aprofundar os estudos de cálculo e projeto. Aspeto observado mediante um conjunto de insucessos em diferentes obras de engenharia. Podemos exempli�car com as estruturas tortas famosas e de grande valor histórico, o rompimento de grandes barragens que tem causado grandes catástrofes, ou grandes deslizamentos de terra que deixaram cidades incomunicáveis, além de perdas humanas , entre outros. Isso nos impulsionou e inda impulsionando na busca pelo aprimoramento no que tange os conhecimentos dos materiais que constituem o terreno de fundação e a superestrutura, bem como o comportamento em conjunto destes elementos quando interagem sob solicitações externas ou super�ciais. Ver Figura 2. Figura 1 - Grandes construções da antiguidade que precisaram de alta engenharia. Pirâmides de Gizé, nos arredores do Cairo, Egito. (2500 ac). Fonte:http://tinyurl.com/h73j7jf 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 5/44 Baseado no que foi descrito nos parágrafos anteriores, em séculos passados foram desenvolvidas grandes pesquisas cienti�cas que têm contribuído de forma introdutória e relevante no comportamento do solo. A seguir são citados alguns exemplos de engenheiros de destaque com seus trabalhos que iniciaram nesta interessante rama da engenharia civil: Charles Augustin de Coulomb, engenheiro civil, matemático e cientista francês (1736-1806). Deu enorme contribuição à engenharia e à física, principalmente na área de resistência dos materiais. Como engenheiro civil, envolveu-se em diversas áreas, como projeto de estruturas, mecânica dos solos, forti�cações, entre outras. Henry Philibert Gaspard Darcy (1803 – 1858), engenheiro civil francês, que lançou as bases da hidráulica, publicando a Lei de Darcy, sobre a perda de carga de �uidos através de condutos. Como engenheiro, participou de um grande número de obras hidráulicas. William John Macquorn Rankine, engenheiro civil escocês (1820-1872) que deu enorme contribuição a diversos ramos da engenharia, incluindo a área de mecânica dos solos com a teoria sobre empuxos em maciços terrosos, denominada de método de Rankine, bem como nas áreas de termodinâmica, hidráulica, ferrovias, portos e mecânica. Existem na literatura muitos outros autores (cientistas, matemáticos, �lósofos e engenheiros) com trabalhos de grande relevância que infelizmente não é possível numerar nesta aula. Mas foi até o século passado que as contribuições do conhecimento do comportamento do solo feito por Karl Von Terzaghi (considerado o fundador da mecânica dos solos), mudou a visão sobre a forma de estudar e abordar os problemas causados pelo solo, que apresenta comportamentos complexos devido à sua heterogeneidade na formação natural, e por conseguinte requerem estudos teóricos exclusivos para sua avaliação numérica. Em 1925 o professor Terzaghi publicou seu primeiro livro de Mecânica dos Solos, baseado em estudos realizados em diversos países abordando as consequências de grandes falhas e acidentes dentro da área da engenharia. A mecânica de solos nasceu em 1925 e foi batizada em 1936 durante a realização do Primeiro Congresso Internacional de Mecânica dos Solos. No Brasil pode-se dizer que em 1938 foi instalado o primeiro Laboratório de Mecânica dos Solos na cidade de São Paulo.IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 43/44 TOMINAGA, L. K. Análise e mapeamento de risco. In: TOMINAGA, L. K.; SANTORO, J.; AMARAL, R. (Orgs). Desastres naturais: conhecer para prevenir. São Paulo: Instituto Geológico, 2009a. p. 149- 160. TOMINAGA, L. K. Escorregamentos. In: TOMINAGA, L. K.; SANTORO, J.; AMARAL, R. (Orgs.). Desastres Naturais: conhecer para prevenir. São Paulo: Instituto Geológico, 2009b. p. 27-38. VASCONCELOS, A. Transporte de contaminantes em meios porosos saturados e não saturados. Estudo de caso: vazamento de gasolina. 2008.189 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Geotécnica) - Programa de Oós-Graduação em Engenharia Geotécnica, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2008. Unidade 04 BUDHU, M. Soil Mechanics Fundamentals. 2015. CAPUTO, H. P.; CAPUTO, A. N.; RODRIGUES, J. M. A. Mecânica dos solos e suas aplicações - fundamentos. 2015. CEDERGREN, H. Seepage, Drainage and Flow Nets. 3. ed. New York; London: John Wiley & Sons, 1989. DAS, B. M. Fundamentos de Engenharia Geotécnica. 2007. DAS, B. M.; SOBHAN, K. Principles of Geotechnical Engineering. 2013. DAS, Braja M. Principles of Geotechnical Engineering. 8. ed. Stamford: Cengage Learning, 2007. GERSCOVICH, D. Estabilidade de Taludes. 2012. HVORSLEV, M. J. Time Lag and Soil Permeability in Ground-Water Observations. The Waterways Experiment Station. Mississippi, n. 36, p. 1-50, 1951. LAMBE, T. W.; WHITMAN, R. V. Mecánica de suelos. 1998. MADUREIRA, J.; ATENCIO, D.; McREATH, I.; Decifrando a Terra. Capitulo 2. 2009. MATA LIMA, H. Fluxo Bidimensional. Redes de �uxo. 2014. Disponível em Acesso em: 22 maio 2017. ORTIGÃO, J. A. R. Introdução à mecanica dos solos dos estados críticos. 2007. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 44/44 PINTO, C. DE S. Curso Básico de Mecânica dos solos. 2006. POULOS, H. G.; DAVIS, E. H. Elastic Solutions for Soil and Rock Mechanics. 1974. SANTOS, J. Compactação. Elementos Teóricos. 2008.Para um maior conhecimento nas contribuições que fez K. Von Terzaghi, sugerimos a leitura dos trabalhos mais importantes realizados por este grande personagem na história da mecânica dos solos. Figura 2 - Grandes deslizamentos. Escorregamento do talude. Estrada Tijuana – Ensenada Km 92+400, México. (Fonte do Autor 2013). https://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_von_Terzaghi 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 6/44 De�nição e importância da Mecânica dos Solos A ciência aplicada na previsão do comportamento do planeta Terra, desde o ponto de vista geológico, geofísico, hidrológico, entre outros aspectos, bem como o conhecimento de seus diversos materiais que o compõem, na perspectiva de torna-lo mais habitável para o assentamento e por conseguinte o desenvolvimento humano, se chama Geotecnia. Esse ramo da engenharia civil se divide em duas disciplinas: mecânica dos solos e a mecânica das rochas. O ensino dessas duas disciplinas difere na abordagem teórica, mas são disciplinas complementares que di�cilmente vão ser estudar separadamente em se tratando de problemas reais no cotidiano da engenharia civil. A disciplina de mecânica de solos procura entender e prever o comportamento dos maciços terrosos sob diferentes solicitações sejam por obras civis feitas pelo humano, ou por fenômenos naturais a exemplo dos terremotos, dos furacões, dos grandes deslizamentos de terra pela presença de chuvas, entre outros. Pode-se a�rmar que a mecânica dos solos estuda as características físicas dos solos e as suas propriedades mecânicas e hidráulicas (tensões, deformações e permeabilidade), quando submetido a acréscimos ou alívio de tensões provocadas por forças externas ou simplesmente, a variação do lençol freático ou uma combinação de ambos, entre outros muitos fatores. Deve-se estar ciente que do ponto de vista da engenharia civil, denomina-se solo a todo material da crosta terrestre escavável por meio de pá, picareta ou escavadeira, sem necessidade de explosivos. É importante destacar que esta de�nição não tem sustentação do ponto de vista cientí�co. Os principais tipos de problemas principais que vão surgir no âmbito da mecânica dos solos serão elencados abaixo (e serão aprofundados ao longo do desenvolvimento do curso): A complexidade da natureza própria do solo. O solo di�cilmente apresenta homogeneidade. O comportamento não esta ligado apenas à sua origem e formação, também depende de sua história geológica, ou seja, do que aconteceu com ele desde o inicios até o mento atual no qual esta sendo analisado. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 7/44 O estudo de equilíbrio do solo será de importância vital. A relação tensão–deformação é provavelmente o tópico mais importante dentro desta disciplina. Os ensaios de campo e de laboratório são muito importantes, devido ao fato de que a maioria dos projetos está baseado nos resultados desses estudos. O objetivo desta disciplina é substituir os métodos empíricos aprendidos no passado pelos métodos cientí�cos do presente, mediante pesquisas mais profundas apoiadas na tecnologia recente, ou seja, o uso de computadores e softwares poderosos, bem como o melhoramento dos ensaios de campo e de laboratório tradicionais. Além de fornecer ao pro�ssional da engenharia civil, conceitos teóricos práticos para o conhecimento do comportamento do solo, oferecer ainda algumas ferramentas básicas de uso diário, a exemplo dos diferentes softwares para avaliação dos projetos e equipamentos com nova tecnologia para empregar nos estudos de campo principalmente. Com base no fato de que a maioria das grandes edi�cações se assentam sobre o terreno natural (solo ou rocha), inevitavelmente vai ser necessário compreender o comportamento do terreno de fundação, também conhecido como de assentamento ou de apoio, levando em consideração na construção. Portanto é responsabilidade de todo engenheiro garantir a estabilidade e o comportamento funcional e estético de qualquer obra civil. Pelas razões já apresentadas, o sucesso do funcionamento das construções é determinado, em grande parte, pelo desempenho e optimização dos materiais usados, baseado no conhecimento que se têm ao seu respeito, e na qualidade dos processos construtivos. Agora vamos ver a origem e formação dos solos (pedogênese). Também estudaremos a classi�cação e a importância dessas atividades e �nalmente revisaremos a compactação dos solos como uma maneira de melhoria mecânica deste material. Continuaremos a seguir! 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 8/44 Ciclo das rochas O centro do planeta é liquido e devido ao fenômeno de tectonismo (movimentação das placas ou crosta terrestre) se produz atividade vulcânica constante no planeta. O magma saliente produto desta atividade dá origem às rocas ígneas do tipo intrusivo e extrusivo. As rochas ígneas do tipo extrusivo mediante fenômenos de erosão e intemperismo (a exemplo da chuva e do vento) deram origem às rochas sedimentareis. As rochas do tipo sedimentares por sua vez se transformam em rochas metamór�cas, mediante a sedimentação dos materiais que vão colocando-se em camadas horizontais, que sob altas pressões e temperaturas no interior da crosta terrestre provocam uma metamorfose da rocha. Com o tempo estas rochas metamór�cas acabam virando magma, começando o ciclo novamente. A ocorrência do ciclo é de milhões de anos, constituindo-se um processo continuo e constante. Figura 3 - O Ciclo das Rochas simpli�cado. http://tinyurl.com/zgjzvhw ATENÇÃO O conjunto de processos naturais que leva um tipo de rocha a se transformar em outra é conhecido dentro da geologia como ciclo das rochas. Com o entendimento da teoria das placas tectônicas, o ciclo das rochas se tornou um processo de evolução gradual. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 9/44 Intemperismo O intemperismo (ou meteorização) é caracterizado pelo processo natural de desintegração das rochas, pela ação de diversos fatores físicos, químicos e biológicos. A intervenção humana também pode ser considerada um tipo de intemperismo. É importante explicitar e diferenciar os processos de intemperismo e erosão, mesmo que ambos os fenómenos tenham uma relação estreita. Pode-se de�nir o primeiro como a desintegração do material no próprio local ação estática), enquanto o segundo processo está vinculado a uma ação dinâmica, ocorrendo primeiramente o desgaste, posteriormente o transporte e �nalmente a deposição de sedimentos e partículas de rochas sobre materiais mais velhos como rochas e solos, inclusive na água. Para exempli�car esses processos, pode-se citar a situação na qual uma rocha se dissolve o quebra naturalmente pela ação da água (intemperismo), e quando as rochas atingidas pelas ondas do mar transformem-se gradualmente nas areias das praias (erosão). O intemperismo pode se desenvolver de varias formas a depender da natureza dos fatores que incidem sobre o material, conforme apresentado a seguir: O intemperismo físico consiste na quebra mecânica das rochas, resultando em fragmentos menores até pequenos grãos, que chamamos de sedimentos. Este processo mecânico conhecido como “desagregação”, decorrente principalmente a alterações climáticas, presença de água das chuvas, ventos e até mesmo pela ação do gelo (glaciares). O intemperismo químico se apresenta pela alteração química dos minerais que fazem parte das rochas e solos, provocando sua dissolução. Essa alteração é causada principalmente pela ação da água, que se mistura com materiais orgânicos e reage com outros componentes (oxigênio e bióxido de carbono por exemplo) para �nalmente formar uma substânciaácida que dissolve as rochas e solos. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 10/44 O intemperismo biológico consiste na quebra ou dissolução das rochas causadas por organismos e micro-organismos (a exemplo de pequenos insetos). Tipos de Solo A formação dos solos advém de processos físicos, químicos e biológicos que transformam os materiais que lhes dão origem, este processo recebe o nome de “pedogênese”, do pre�xo e su�xo gregos:“pedon” que signi�ca solos e “gênesis” que signi�ca criação, respectivamente. Convém ressaltar que a pedogênese ocorre quando as modi�cações químicas e mineralógicas do intemperismo dão lugar a modi�cações estruturais, arranjando os minerais formadores do solo, principalmente os argilominerais e óxi-hidróxidos de ferro (Fe) e alumínio (Al), tal como explica TEIXEIRA et al (2009). Considerando tudo o que foi estudado até então, é possível a�rmar, que os solos têm sua origem na decomposição das rochas que formavam inicialmente a crosta terrestre, bem como essa decomposição se deve ao erosão e ao intemperismo. Dessa forma se dá origem a dois grupos de solos: os transportados e os residuais. Os solos transportados experimentam primeiramente o processo de intemperismo em um local e posteriormente são transportados e depositados em forma de sedimentos em distâncias variadas. A diferencia dos solos residuais eles se decompõem e permanecem no mesmo local, guardando de certa forma, a estrutura da rocha matriz da qual foi originado. Solos Transportados Figura 4 - Montanha erosionada pela ação do vento. Sedona, Az. USA Fonte: http://tinyurl.com/hjg9uza 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 11/44 Os solos são nomeados a depender do agente de transporte, de modo que cada um apresenta uma série de características particulares como se pode ser a seguir: Solos eólicos formados pela ação do vento. Os grãos do solo possuem forma arredondada; Solos glaciais formados pela presença de grandes massas de gelo; Solos marinhos formados pela ação dos mares; solos coluvionares ou depósito de tálus, formados pela ação da gravidade ao pé de elevações e encostas provenientes de antigos escorregamentos; Solos aluvionares formados pela ação dos rios. Sua composição depende da velocidade das aguas no momento da deposição; Solos orgânicos ou turfas formados pela decomposição sobre o solo de grande quantidade de folhas, caules e troncos de plantas. Solos Residuais São originados pelo processo de intemperização de rochas pré-existente. Estão posicionados sobre a rocha que lhes deu origem. Para que eles surjam é necessário que a velocidade de remoção pelos agentes externos a exemplo da temperatura, do regime de chuvas, da vegetação, entre outros fatores. A composição deste tipo de solo depende por sua vez da composição mineralógica da rocha matriz, também chamadas de rocha mãe ou sã. A Figura 2.3 mostra o per�l de intemperismo desse tipo de solo. A seguir serão descritas cada uma das camadas que os caracterizam; Solo residual maduro, é mais homogêneo e não apresenta nenhuma relação com a rocha mãe. Solo residual jovem, apresenta boa quantidade de material grosso. São bastante irregulares quanto à resistência, coloração, permeabilidade e compressibilidade. A intensidade do processo de alteração não é igual em todos os pontos. Solo saprolítico, guarda características da rocha sã̃, e tem basicamente os mesmos minerais, porém sua resistência já́ se encontra bastante reduzida. Pode ser caracterizado como uma matriz de solo envolvendo grandes pedaços de rocha altamente alterada. Apresenta pequena resistência ao manuseio. Alteração de rocha, preserva parte da estrutura e de seus minerais, com dureza inferior à da rocha matriz, em geral muito fraturada permitindo grande �uxo de água através das descontinuidades. Rocha sã, se origina em profundidade, e mantém as características originais, ou seja, inalterada. Destaca-se que As espessuras das faixas são variáveis e dependem das condições climáticas e do tipo de rocha. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 12/44 Solos Tropicais De maneira breve vamos fazer menção dos solos tropicais, dada a ocorrência em cerca de 80% do território brasileiro, faz-se necessário citar os solos tropicais. Esse tipo de solo ocorre entre os trópicos e surge devido às condições favoráveis de formação e desenvolvimento, a exemplo do clima quente, da alta pluviosidade e das boas condições de drenagem. As regiões tropicais favorecem a degradação da rocha mais rapidamente, favorecendo pra que o solo tenha propriedades bastante especi�cas, e que resultam importantes na engenharia civil. Estes solos di�cilmente são encontrados na Europa e na América do Norte, o que torna seu estudo uma responsabilidade dos países de clima tropical. Quase a totalidade das normas, sistemas de classi�cação e teorias existentes sobre tratamento e avaliação foram propostos para solos de clima temperado, tendo em vista que esses solos apresentam um comportamento padrão característico. A maioria das teorias, conceitos técnicos e ensaios de laboratório desenvolvidos para os solos presentes em regiões sob esse clima, podem ser aplicáveis a solos tropicais. As características principais dos solos tropicais são in�uenciadas por seu grau de alteração, gênese, propriedades químicas e mineralógicas assim como por suas características estruturais. Figura 5 - Per�l resultante do Intemperismo no solos residuais. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 13/44 Unidade 04 Aula 02 Granulometria Figura 6 - Típico per�l de um solo tropical. A cor vermelha do material é característica principal nos solos tropicais devido a composição mineralógica. Fonte: http://tinyurl.com/jtaqbuq 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 14/44 Tamanho das Partículas A �m de avaliar o potencial do uso do solo e permitir uma análise adequada do seu comportamento, é necessário classi�ca-lo e caracteriza-lo. Conforme apresentado em aulas anteriores, o solo serve de apoio �rme na maioria das obras de engenharia, bem como é muito comum emprega-lo como material de construção, ou para outras muitas funções, à exemplo de �ltros dentro das barragens, bases estabilizadas como parte das estruturas dos pavimentos, camadas permeáveis, camadas para o rompimento de capilaridade, entre outros. Todos os solos, em sua fase sólida, contêm partículas de diferentes tamanhos e formas. A determinação das dimensões dos grãos de um solo e suas respectivas porcentagens de ocorrência, permitem obter uma função de distribuição dos grãos conhecida como distribuição granulométrica ou simplesmente curva granulométrica. A partir dessa separação pelo tamanho e concentração das partículas é possível nomear o solo de acordo com normas padrões já estabelecidas nacional ou internacionalmente. Para obter essa distribuição representada pela curva granulométrica, é necessário realizar trabalhos no laboratório sobre amostras coletadas na área de estudo. Geralmente são empregados dois métodos de análises para encontrar esta distribuição: trabalhos de peneiramento, e; hidrômetro. O peneiramento consiste em realizar previamente uma separação dos diferentes tamanhos de grãos de uma amostra seca em estufa, mediante uma vibração mecânica usando um set de peneiras cuja abertura deve diminuir progressivamente. A ideia é que possam dividir o solo granular (frações grossas de tamanho maior a 0,075 mm) do solo �no (fração �na de tamanho menor a 0,075 mm). Ver a �gura 1. O uso do hidrômetro está baseado no principiode sedimentação dos grãos da fração �na do solo na água. Quando um espécimen do solo é disperso dentro da água, as partículas vão se assentar com diferentes velocidades, dependendo de seu formato, tamanho, peso e a viscosidade da água. As partículas de um solo, grosso ou �no, não são esféricas. Entretanto ao se ao tratar de seu tamanha o diâmetro será utilizado como referencia. Para os materiais granulares ou fração grossa do solo, o diâmetro equivalente será igual ao diâmetro da menor esfera que circunscreve a partícula, enquanto que para a fração �na esse diâmetro é o calculado através da lei de Stokes. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 15/44 A colocação de pontos representativos dos pares de valores diâmetro dos grãos vs porcentagem que passa, permite traçar a curva de distribuição granulométrica, como mostra-se na �gura 2, na qual o eixo das abscissas (em escala logarítmica) representa os diâmetros equivalentes, e o eixo das ordenadas (em escala natural) as porcentagens retidas (do lado direito) e as porcentagens que passam (do lado esquerdo). Figura 1. Set de peneiras granulométricas montado em aparelho vibratório. http://tinyurl.com/zlxhkud 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 16/44 Em se tratando da curva granulométrica, são utilizados três parâmetros para se obter informações: · Diâmetro efetivo (D10): é o ponto característico da curva granulométrica para medir a �nura do solo, que corresponde ao ponto de 10%, tal que 10% das partículas do solo possuem diâmetro inferior a ele. Coe�ciente de uniformidade (Cu): dá uma ideia da distribuição do tamanho das partículas do solo. Valores próximos de 1,0 indicam curva granulométrica quase vertical, com os diâmetros variando em um intervalo pequeno. Por sua vez para valores maiores, a curva granulométrica irá se abatendo e aumentando o intervalo de variação dos diâmetros. Da mesma foram que foi de�nido D10 , de�ne-se D30 e D60 . Os solos que apresentam o Cu 15 desuniformes. Para valores de Cu entre 5 e 15 são denominados de medianamente uniformes. Coe�ciente de curvatura (Cc): Dá uma medida da forma e da simetria da curva granulométrica e é igual a: Para um solo bem graduado, o valor do coe�ciente de curvatura deverá estar entre 1 e 3. Portanto, a distribuição do tamanho de partículas é proporcional, de forma que os espaços deixados pelas partículas maiores sejam ocupados pelas menores. Para solos granulares existe um maior interesse no conhecimento do tamanho das partículas, dado que algumas de suas propriedades estão relacionadas com o tamanho, o que não ocorre com os solos �nos. Logo, segundo a forma da curva podemos distinguir diferentes denominações granulométricas conforme pode ser observado na �gura 3. Figura 2. Curva de distribuição granulométrica. Fonte:http://tinyurl.com/jsssh9m Cu = D60 D10 (3.1) Cc = D2 30 D60 × D10 (3.2) 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 17/44 Classi�cação dos solos baseados em critérios granulométricos Os solos recebem designações segundo as dimensões das partículas compreendidas entre determinados limites convencionais. São classi�cados pelos diferentes organismos e associações internacionais e locais à exemplo: A.S.T.M (American Society for Testing Materials), A.A.S.H.T.O. (American Association for State Highway and Transportation Of�cials), M.I.T (Massachusetts Institute of Technology). e ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), entre outras. A Tabela 1 apresenta um set padrão de uso mundial para classi�car o solo. PENEIRA NO. ABERTURA (mm) PENEIRA NO. ABERTURA (mm) 4 4,75 35 0,500 5 4,00 40 0,425 6 3,35 50 0,355 7 2,80 60 0,250 8 2,36 70 0,212 10 2,00 80 0,180 12 1,70 100 0,150 14 1,40 120 0,125 16 1,18 140 0,106 18 1,00 170 0,090 20 0,850 200 0,075 25 0,710 270 0,053 Figura 3. Denominações granulométricas em solos. http://tinyurl.com/junp5kt 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 18/44 30 0,600 Tabela 1 Segundo o Sistema Uni�cado de Classi�cação de Solos (SUCS), a fração do solo que �ca retido na peneira no 4 chama-se pedregulho, a fração que �ca retida entre as peneiras no 4 e no 200 chama- se areia, e as frações de solo que passa pela peneira no 200 chama-se siltes e argilas. No Brasil a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT/NBR 6502/95) classi�ca o solo da seguinte maneira: Bloco de rocha – fragmentos de rocha transportados ou não, com diâmetro superior a 1,0 m. Matacão; fragmento de rocha transportado ou não, comumente arredondado por intemperismo ou abrasão, com uma dimensão compreendida entre 200 mm e 1,0 m. Pedregulho; solo formado por minerais ou partículas de rocha, com diâmetro compreendido entre 2,0 e 60,0 mm. Quando arredondado ou semi-arredondado, é denominado cascalho ou seixo. Divide-se quanto ao diâmetro em: pedregulho �no de 2 a 6 mm; pedregulho médio de 6 a 20 mm; e pedregulho grosso de 20 a 60 mm). Areia – solo não coesivo, não plástico e formado por minerais ou partículas de rochas com diâmetros compreendidos entre 0,06 mm e 2,0 mm. Com base em seu diâmetro, pode ser classi�cada em: areia �na com 0,06 mm a 0,2 mm, areia média com 0,2 mm a 0,6 mm; e areia grossa com 0,6 mm a 2,0 mm. Silte – parte do solo formado por partículas com diâmetros compreendidos entre 0,002 mm e 0,06 mm. Argila – solo de graduação �na constituída por partículas com dimensões menores que 0,002 mm. VÍDEO Olá, estudante! Para assistir a esse vídeo, acesse a versão web do seu material didático. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 19/44 Unidade 04 Aula 03 Classi�cação dos solos Sistemas de Classi�cação do Solo O sistema internacional padrão de classi�cação de solos é denominado SUCS (do inglês System Uni�ed of Classi�cation of Soils) que signi�ca Sistema Uni�cado de Classi�cação de Solos. As primeiras contribuições de classi�cação dos solos se devem ao PhD. A. Casagrande no inicio da década de 1940. A classi�cação de um solo é feita mediante um símbolo e de um nome sendo que os solos estão distribuídos em seis grupos: pedregulhos (G); areias (S); siltes inorgânicos e areias �nas (M); argilas inorgânicas (C); bem como siltes e argilas orgânicos (O). Cada grupo por sua vez é dividido em subgrupos de acordo com suas propriedades índices mais signi�cativas. Fração Grossa 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 20/44 Os pedregulhos e areias com pouco ou nenhum material �no são subdivididos de acordo com suas propriedades de distribuição granulométrica como bem graduado (GW e SW) ou uniforme (GP e SP). Se o solo (grosso) contém mais que 12% de �nos, suas propriedades devem ser levadas em conta na classi�cação. Como a fração �na nos solos pode ter in�uência substancial no comportamento do solo, os pedregulhos e areias têm outras duas subdivisões. Se o solo grosso contém 5% a 12% de �nos, deverá ser representado por símbolo duplo: primeiro o do solo grosso (GW, GP, SW, SP), seguido pelo que descreve o seguinte: Fração Fina Aqueles com fração �na silte são GM ou SM. Se os �nos contém argilas plásticas, os solos são GC ou SC. Se os �nos são orgânicos, acrescentar "com �nos orgânicos". Se em pedregulho a areia >15%, acrescentar "com areia". Se em areia o pedregulho ultrapassa 15%, acrescentar "com pedregulho". Para solos �nos, se o retido na peneira 200 for maior que 30%, devemos acrescentar, conforme o caso os termos: "arenoso" ou "pedregulhoso".Se for retido o material entre 15% e 30%, então se acrescenta "com areia" ou "com pedregulho". Para solos �nos as propriedades índices mais importantes são os limites de consistência, usados para subdividir as argilas dos siltes. No item seguinte vai estudar-se com mais detalhe a fração �na. Também é possível com a parte �na, fazer alguns testes físicos no campo, ensaios bem simples que proporcionam informações rápidas ao engenheiro. Esses tipos de exame se chamam dilatância, resistência ao estado seco e rigidez. No exame de rigidez, no campo, proceder de forma semelhante ao ensaio de plasticidade. Umedecida a amostra, formar um cilindro como o do exame mencionado, até que este comece a se romper. Neste momento, redobra-se a atenção, veri�cando sua rigidez e aspereza. A aspereza indica presença de areia. Quanto mais rija a massa, maior a presença e atividade da fração argilosa. Completa-se a classi�cação visual do solo com a observação de seu estado indeformado, ao natural. Aos solos grossos acrescenta-se o julgamento de sua COMPACIDADE (densa ou fofa). Para os solos �nos, interessa a CONSISTÊNCIA. Se uma amostra indeformada de solo �no pode ser amassada com os dedos, tem consistência mole. Se não então é rija ou dura. Os estados de compacidade e consistência podem ser avaliados por correlação com o índice de resistência à penetração, obtido com o Standar Penetration Test (SPT) por exemplo. Areias e siltes arenosos são classi�cados por sua compacidade e argilas e siltes argilosos pela consistência, conforme a tabela que será apresentada mais adiante. A sensibilidade de um solo argiloso pode ser avaliada depois de ser amolgada a amostra. Argilas sensíveis são rijas ao natural, e �cam moles e pegajosas após serem amassadas com os dedos. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 21/44 A cor do solo (avaliada logo após a coleta) deve ser descrita por códigos numéricos quando se dispõe de tabela de cores (por exemplo, tabela de Munsell). Apesar do caráter subjetivo, podem ser usadas as designações: branco, cinza, preto, marrom, amarelo, vermelho, rosa, azul e verde, complementadas por claro e escuro. Podem ser usadas até duas designações de cores. Havendo mais de duas cores, deve ser utilizado o termo "variegado" no lugar do relacionamento de cores. SISTEMA UNIFICADO (SUCS) SOLOS DE GRADUAÇÃO GROSSA. Mais de 50% retido na peneira nº 200. PEDREGULHOS 50% ou mais da fração graúda retida ma peneira nº 4 Pedregulho sem �nos GW Pedregulhos bem graduados ou misturas de areia e pedregulho com nenhum �no. GP Pedregulhos mau graduados ou misturas de areia e pedregulho com pouco ou nenhum �no. Pedregulho com �nos GM Pedregulhos siltosos ou misturas de pedregulho, areia e silte. GC Pedregulhos argilosos ou misturas de pedregulho, areia e argila. AREIAS Mais de 50% da fração graúda passando na peneira nº 4 Areias sem �nos SW Areias bem graduadas ou areias pedregulhosas, com pouco ou nenhum �nos. SP Areias mal graduadas ou areias com pedregulhosas com pouco ou nenhum �nos. Areias com �nos SM Areias siltosas – misturas de areia e silte. SC Areias argilosas – misturas de areia e argila. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 22/44 SOLOS DE GRADUAÇÃO FINA. 50% ou mais passando na peneira nº 200. Siltes e Argilas ML Siltes inorgânicos – areias muito �nas – areias �nas siltosas e argilosas. CL Argilas inorgânicas de baixa e média plasticidade – baixa plasticidade. OL Siltes orgânicos – argilas siltosas orgânicas de baixa plasticidade. Siltes e Argilas MH Siltes – Areias �nas ou siltes mecânicos – Siltes plásticos. CH Argilas inorgânicas de alta plasticidade. OH Argilas orgânica e média plasticidade. Solos altamente orgânicos PT Turfas e outros solos altamente orgânicos. TABELA 1. Sistema Uni�cado de Classi�cação do Solo Plasticidade e consistência dos solos �nos O comportamento dos solos �nos irá depender de fatores tais como a composição química e mineralógica, a umidade, estrutura e grau de saturação. Quanto menor a partícula de um solo, maior será sua superfície especí�ca e portanto, maior será sua plasticidade. Em função da quantidade de água presente em um solo, podemos ter os seguintes estados de consistência: liquido, plástico, semi-sólido e sólido. O estado líquido é caracterizado pela ausência de resistência ao cisalhamento e o solo assume a aparência de um líquido. Quando solo começa a perder umidade, ele começa apresentar comportamento plástico, deformando-se com pouca variação volumétrica sem �ssurar-se quando é trabalhado. Conforme o solo vai secando (perda de água), o material torna-se quebradiço, então o solo se encontra em estado semi-sólido. Finalmente, no estado sólido não ocorrem mais mudanças de alteração volume do solo. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 23/44 Os teores de umidade correspondentes às mudanças de estado denominam-se limite líquido (LL), limite plástico (LP) e limite de contração (LC). O “LL” é o teor de umidade que diferencia o estado líquido e o plástico. O “LP” delimita o estado plástico do semi-sólido e, �nalmente o “LC” é a fronteira entre os estados semi-sólido do sólido. Estes limites entre os estados de consistência dos solos são chamados na literatura de limites de Atterberg. Os limites de Atterberg deram origem à carta de plasticidade a qual é apresentada na Figura 1. Esta representa uma relação do índice de plasticidade e o limite de liquidez e experimentalmente corresponde ao teor de umidade com que o solo fecha certa ranhura sob o impacto de 25 golpes do aparelho de Casagrande (Ver Figura 2). O índice de plasticidade é dado pela diferença aritmética entre o limite de liquidez e o limite de plasticidade. Em laboratório o limite plástico é obtido determinando-se o teor de umidade no qual um cilindro de um solo com 3mm de diâmetro apresenta �ssuras. Ver Figura 3. Analisando a carta de plasticidade temos a linha inclinada “A”, que separa as argilas CL e CH (parte superior à linha) dos siltes “ML e MH” (parte inferior à linha), e a linha vertical “B” separa os solos de alta compressibilidade “H” (parte direita da linha) e de baixa compressibilidade “L” (parte esquerda da linha). Portanto para a classi�cação deles basta a localização do ponto correspondente ao par de valores IP e LL na carta de plasticidade. Os solos orgânicos “O” se distinguem dos siltes pelo seu aspecto visual, pois eles se apresentam com uma coloração escura típica (marrom escuro, cinza ou preto). O sistema considera a classi�cação de turfa (Pt), que são solos muito orgânicos no qual a presença de �bras vegetais em decomposição parcial é predominante. IP = LL − LP (Figura 1) Figura 1 - Carta de plasticidade dos solos. http://tinyurl.com/zfepqvm 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 24/44 Como podemos observar na carta de plasticidade, os solos são mais compressíveis à medida que aumenta o LL. Quando se trata de obter características secundárias de areias e pedregulhos esse aspecto de compressibilidade é desconsiderado. Figura 2 - Determinação do limite de liquidez usando a aparelho de Casagrande. Fonte:http://tinyurl.com/jn3hmu5 Figura 3 - Determinação do limite plástico do solo. Fonte:http://tinyurl.com/jlv9oc3 VÍDEO Olá, estudante! Para assistir a esse vídeo, acesse a versão web do seu material didático. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 25/44 Estrutura do Solo A estrutura do solo se de�ne como o arranjo geométrico das partículas umas em relação às outras. A estrutura dos solosdepende de diversas características como o tamanho, forma e composição mineralógica das partículas do solo, assim como a presença da água no interior dele. Dessa perspectiva os solos se classi�cam em solos cohesivos e os solos não cohesivos. Solos não Cohesivos São solos que estão compostos por pedras, pedregulhos e areias, ou principalmente por partículas grossas. Em estado seco é fácil o reconhecimento dos tamanhos e as formas das partículas ou grãos pela simples observação, além de não se observa aderência entre elas, apenas o contato entre si. Além disso esse tipo de solo, apresenta uma alta permeabilidade, assim como espaços vazios relativamente grandes e intercomunicados entre si. Solos Cohesivos A característica principal desse tipo de solo é que seus grãos ou partículas são muito �nas e tem aderência �rme entre elas, portanto suas formas geométricas e tamanhos não poder ser reconhecidos a simples vista. Os espaços vazios entre as partículas são diminutos e portanto apresentam di�culdade à livre circulação da água. Este tipo de solo quando seco se comporta com maior estabilidade em relação ao mesmo tipo de solo quando umedecido, e dependendo das forças eletrostáticas que agem entre as partículas quando suspensos em água, se originam duas estruturas básicas nos solos cohesivos: dispersos e �oculados. Os solos dispersos se formam pela decantação das partículas que se repelem entre si, e se orientam mais menos paralelas umas às outras apresentando poucos espaços vazios. Os solos �oculados se formam pela decantação das partículas que se atraem entre si, não têm uma orientação de�nida e portanto apresentam elevados espaços vazios. Ver a Figura 4 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 26/44 Unidade 04 Aula 04 Propriedades Índice dos solos Índices Físicos O solo é um produto heterogêneo da natureza, e considera-se como um meio poroso, não rígido, trifásico, formado de partículas que possuem complexidade de forma, tamanho e estrutura mineralógica. Geralmente os solos são constituídos de três fases: sólida (minerais e matéria orgânica), líquida (água que preenche os poros) e gasosa (ar que ocupa os poros não ocupados pela água); a esta estrutura de solo trifásica se conhece como condição não saturada do solo ou parcialmente saturado. Quando a fase gasosa não esta presente na estrutura do solo (ar igual a cero), então se chama de solo saturado, que seria um caso particular da condição não saturada. Figura 4. Estrutura dos solos cohesivos quando suspensos em agua. Dispersa (a) e �oculada (b). (Braja Das. 2007) 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 27/44 As Relações físico químicas entre essas três fases e que estão representadas pela Figura 1, dependem da temperatura, pressão, concentração iónica, etc. e vão ser estudadas no item a seguir. Índices Físicos O comportamento de um solo depende principalmente da quantidade e presença de cada uma das três fases mencionadas e apresentadas no item anterior desta aula. A Figura 2 apresenta a estrutura que normalmente ocorrem nos solos de uma maneira simpli�cada, e vai nos ajudar a compreender as relações que existem entre as fases dele e assim tentar nos explicar o comportamento do mesmo. Figura 1. Elemento do solo em estado natural e sua representação trifásica. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 28/44 Para identi�car o estado natural do solo é costume usar correlaciones entre os pesos e volumes das três fases que representam ele. Em princípio é logico imaginar que só o ar e a água são as únicas quantidades que podem variar dentro da estrutura devido a fenômenos de temperatura ou cargas externas entre outras diversas razões. A seguir se denominam as seguintes relações entre o peso e volume do solo como: Índice de vazios.- relação entre o volume de vazios e o volume de sólidos Porosidade.- relação entre o volume de vazios e o volume total da amostra Grau de saturação.- relação entre o volume da água e o volume de vazios Umidade.- relação entre o peso da água e o peso dos sólidos. Resulta comum expressar esta relação como quantidade porcentual. Figura 2. Elemento de solo em estado natural com peso “W” e volume “V”. e = V v V S (equação 1)) n = V v V (equação 2)) S = Vw V v (equação 3)) 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 29/44 Peso especí�co natural.- relação entre o peso total e volume total da amostra. No caso da condição saturada não tem-se fase do ar. Peso especí�co aparente seco.- relação entre o peso dos sólidos e o volume total da amostra. Peso especí�co dos sólidos.- relação entre o peso dos sólidos e o volume dos sólidos. Peso especí�co aparente submerso.- É o peso especí�co efetivo do solo quando submerso. Se calcula como a diferencia entre o peso especi�co natural da amostra menos o peso especí�co da água. Adota-se o valor do peso especí�co da sustância água ( ), igual a 1.000 kg/m , ou no sistema internacional de medidas “SI” igual a 10 kN/m . Densidade dos grãos.- também conhecida como densidade relativa dos grãos, que é a relação entre o peso especi�co dos sólidos e o peso especí�co da água; a relação resulta adimensional. Dos índices anteriormente descritos só três de eles são determinados diretamente no laboratório que são a umidade, o peso especí�co natural e o peso especi�co dos grãos. A partir destes três ensaios é possível determinar todas a relações entre peso e volume do elemento solo mediante as equações apresentadas. A seguir se apresentam algumas relações uteis entre os índices físicos que ajudam ao engenheiro a entender de maneira mais rápida o comportamento do solo, sem necessidade de executar muito ensaios de laboratório. Mediante álgebra simples podem-se obter as seguintes correlações: w = Ww Ws (equação 4)) γnat = W V (equação 5)) γd = Ws V (equação 6)) γs = Ws V s (equação 7)) γsub = γnat − γw (equação 8)) γw 3 3 Gs = γs γw (equação 9)) n = e 1 + e (equação 10)) e = n 1 − n (equação 11)) 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 30/44 Fazendo mais um pouco de cálculos algébricos, mas sobre todo entendendo os conceitos básicos de essas relações básicas (equações 1 a 9), é possível conseguir a seguintes correlações: Características Físicas A partir do conjunto de informações como a granulometria, classi�cação (qualquer uma), e alguns índices �scos, é possível ter noções preliminares do comportamento desse solo. Além do anterior é possível obter informações de maior acurácia para saber mais do comportamento deste material; então apoiados nos conhecimentos ate agora estudados do solo, pode-se fazer a seguinte distinção entre as areias e argilas, que são os dois materiais de maior interesse dentro da área da mecânica de solos. Areias O tamanho de seus grãos tem importância nas características dos materiais que a utilizam como componente. Portanto vai ser de grande interesse analisar o índice de vazios natural e comparar-lhe com as condições de vazios máxima e mínima que este material pode-se apresentar, e assim ter alguma noção dos graus fofos ou de compactos da areia no estado natural. O estado de uma areia ou sua “compacidade relativa (CR)”, pode-se expressar pela correlação entre os índices de vazios no estado natural “ ”, o máximo possível “ ” e o mínimo possível “ ” dela, mediante a equação seguinte : γd = γnat 1 + w (equação 12)) Gs × w = S × e (equação 13)) enat emax emin VÍDEO Olá, estudante!Para assistir a esse vídeo, acesse a versão web do seu material didático. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 31/44 Em geral, na pratica da engenharia observa-se que as areias compactas apresentam maior resistência e menor deformabilidade. Estas características dependem, entre outros fatores, do formato de grãos e a própria granulometria. Os estados com os índices de vazios extremos possíveis da areia se obtém mediante ensaios de laboratório; vertendo a areia cuidadosamente e divagar para o estado mais fofo possível, e usando vibração para o estado mais compacto possível, fazendo uso de um recipiente do mesmo volume. O que muda durante o ensaio, é a quantidade do material, entre mais compacto o recipiente vai caber maior quantidade comparado com o estado mais fofo possível. Argilas A resistência das argilas (capacidade que apresenta ao rompimento do material) depende do arranjo da estrutura interna delas, o seja, o arranjo entre os grãos e do índice de vazios. Na pratica dos solos, observou-se de maneira geral, que quando se submetem este tipo de solos ao manuseio, sua resistência diminui, ainda que o índice de vazios seja mantido constante. Quando se manuseia uma argila, percebe-se uma certa resistência, ao contrario das areias que se desmancham facilmente. Sua resistência depois do manuseio (resistência amolgada) pode ser menor do que no estado natural (resistência indeformada ou in situ). A relação entre o estado natural e o estado amolgado, de�ne-se como sensitividade (s), e se expressa pela seguinte equação: Então entende-se como sensibilidade à perda de resistência do solo devido à destruição de sua estrutura original. Uma argila amolgada, quando deixada em repouso, pode-se recuperar, devido a uma inter-relação química dos grãos sem que possa atingir totalmente sua resistência original ou in situ. A este fenômeno se conhece como tixotropia. Outro parâmetro de interesse para o engenheiro, é o índice que dá a proporção de umidade natural na amostra de solo, conhecido como índice de consistência (IL), e se avalia como a equação seguinte: CR = emax − emin emax − enat (equação 14)) s = Resistência no estado indeformado Resistência no estado amolgado (equação 15)) IL = LL − w IP (equação 16)) 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 32/44 as variáveis na equação já formam estudados no item 2 da aula 3, que são o limite liquido, umidade e índice plástico respectivamente. Unidade 04 Aula 05 Compactação dos Solos Generalidades O material de solo (argila ou areia) quando transportado e aterrado, apresenta um estado relativamente fofo e heterogêneo, portanto pouco resistente e muito deformável sob carregamento externo. A compactação é um processo mecânico para melhorar as propriedades do solo reduzindo os vazios deste pela expulsão principalmente do ar, mediante a aplicação na superfície do solo de cargas rápidas e repetidas, que podem ser pressão, impacto ou vibração transmitidas por equipamento pesado de construção. Qualquer um desses procedimentos visam fornecer ao solo melhorias em quanto a homogeneidade, resistência e deformação se refere, assim como a diminuição do volume do solo. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 33/44 Em outras palavras mais técnicas e que vão ser de uso comum a partir deste capitulo, o processo de compactação vai melhorar os parâmetros geotécnicos do solo, diminuindo seu volume, as deformações e as propriedades hidráulicas (passagem de água), assim como também o incremento da resistência intrínseca para resistir quebra o rompimento da estrutura interna dele, dado que à área de contato entre as partículas aumenta. Todo o anterior conduz no aumento do peso especí�co seco do solo ( ). A �gura 2 apresenta de maneira geral a melhoria do solo quando compactado. Os estudos geotécnicos de compactação tiveram início na década dos 30’s do século passado, e foi inicialmente R. Proctor o responsável do desenvolvimento desta teoria. A experiência tem mostrado que o resultado da compactação do solo depende de dois fatores determinantes: a energia aplicada e o teor de umidade usados durante o processo de compactação. Imagine-se então um procedimento de compactação com uma determinada energia em que o solo é compactado, adicionando-lhe diferentes quantidades de água (variação de teores de umidade), e medindo-se o resultado da compactação através da avaliação do peso volumétrico seco. A compactação dos solos é geralmente representada em um grá�co que mostra a variação do peso especí�co aparente seco ( ) versus o teor de umidade ( ) correspondente durante o processo de compactação. Na Figura 3 se mostra uma curva típica de compactação. Figura 1 - Trabalhos de compactação em solos. Fonte: http://tinyurl.com/h7vqgqs γd Figura 2 - Diminuição de vazios pelo processo de compactação. γd ω 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 34/44 O ramo ascendente da curva de compactação é denominado ramo seco e o ramo descendente de ramo úmido. No ramo ascendente, a água lubri�ca as partículas e facilita o arranjo destas, além da expulsão do ar, ocorrendo por esta razão, o acréscimo do peso especí�co seco. Já no ramo descendente, a água amortiza a compactação e a amostra passa a ter mais água que sólidos (aumento dos vazios), levando o decréscimo do peso especí�co seco. Em geral pode-se dizer que durante o processo de compactação, as quantidades de sólidos e de água permanecem constantes, que a quantidade do ar é a variável principal neste processo; quando a umidade é baixa facilita-se a saída do ar pelos canalículos intercomunicados ao interior do solo; acontece o contrario quando a umidade é elevada (grau de saturação maior), se di�culta a saída dado que o ar esta envolto pela água (ocluso). Há portanto, um certo teor de umidade que conduz a um peso especi�co aparente seco máximo para uma energia determinada. Se chama de umidade ótima ( ) o valor para o qual se obtém o peso especi�co aparente máximo ( ); este par de valores estão indicados na Figura 3 com linha descontinua. Na realidade, a explicação do fenômeno es bem mais complexa e as opiniões não são consensuais. Figura 3 - Curva típica de compactação. wot γdmx 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 35/44 Energia de compactação Os valores do peso volumétrico seco máximo e umidade ótima, não são somente índices físicos do solo, esse par de valores são função da energia empregada durante o processo de compactação, como se mencionou no item anterior. De�ne-se a energia de compactação na expressão seguinte: onde: M – Massa do soquete em kg; H – altura de queda do soquete em cm; – número de golpes por camada; – número de camadas dentro do molde; V – volume de solo compactado A Figura 3 apresentada no item anterior, corresponde a uma certa curva de compactação sob uma determinada energia de compactação. Se se aplicar a um mesmo solo com determinado teor de água energias de compactação diferentes, o estado �nal seria diferente (o peso volumétrico seco seria diferente). O anterior signi�ca que cada energia de compactação corresponde uma determinada curva de compactação. Na Figura 3 se apresentam das curvas de compactação com diferentes energias de compactação e respectivamente, o que explica o efeito da energia de compactação. Baseados na mesma �gura antes mencionada constata-se que a maior energia de compactação corresponde um peso volumétrico maior que é obtido para um teor em água ótimo menor, resultando portanto, numa curva deslocadapara acima e para a esquerda da curva correspondente à menor energia de compactação. Convém, contudo, ter presente, que o aumento da energia de compactação não conduz a um aumento contínuo do peso volumétrico seco, pois veri�ca-se que existe uma assíntota na curva de variação do peso volumétrico seco com a energia de compactação. EC = M×H×Ng×Nc V (Equação 1) Ng Nc cm3 E1 E2 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 36/44 A escolha da compactação realizada no lado seco ou úmido da curva, resulta de grande importância, dado que vai condicionar o comportamento do solo compactado; por exemplo uma estrutura de pavimento e uma barragem, são aterros projetados com funcionamento totalmente diferente, e consequentemente seus comportamentos serão também diferentes quando submetidos aos carregamentos de projeto. Em geral é comum realizar a compactação próxima do teor de água ótimo, de�nindo um intervalo de teores de água imediatamente antes e imediatamente depois desse teor de umidade, sob uma determinada energia de compactação. Ensaios de Laboratório O ensaio “Proctor Normal” de compactação, é um dos mais importantes procedimentos de estudo e controle de qualidade de aterros de solo compactado. Além deste ensaio padrão internacional, existem mais outros, inclusive Brasil tem seus próprios ensaios de compactação, desenvolvidos pelas nas necessidades de suas estradas e rodovias principalmente. As Normas Brasileiras NBR-7182 e ABNT-6457 de 1986 descrevam o procedimento deste ensaio. Proctor Normal O ensaio Proctor Normal utiliza o molde cilíndrico de 10,0 cm de diâmetro, altura de 12,73 cm e volume de 1.000 ; a amostra é submetida a 26 golpes usando um soquete com massa de 2,5 Kg e altura de queda de 30,5 cm. Estas características do ensaio, correspondem ao efeito de compactação com os equipamentos convencionais de campo. Proctor Modi�cado O ensaio modi�cado utiliza o molde cilíndrico de 15,24 cm de diâmetro, 11,43 cm de altura, 2.085 de volume; o peso do soquete corresponde a 4,536 kg e uma altura de queda de 45,7 cm, aplicando-se 55 golpes por camada. Este ensaio é utilizado para melhorar os parâmetros mecânicos das camadas mais importantes da estrutura dos pavimentos, portanto justi�ca-se o emprego de uma maior energia de compactação. Figura 4. Efeito da energia de compactação. (Santos 2008) cm3 cm3 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 37/44 Ensaio Intermediário O ensaio denominado Intermediário difere do modi�cado só pelo número de golpes por camada que corresponde a 26 golpes em cada uma delas; este ensaio comumente aplica-se nas camadas intermediárias dos pavimentos. O peso especí�co aparente seco é dado pela fórmula: onde: ( ) - peso especí�co seco, em g/ ; - peso úmido do solo compactado em g; V - volume útil do molde cilíndrico (interno), em ; w - teor de umidade do solo compactado em %. Figura 5. Equipamento para ensaios de compactação. Moldes, soquete e rasoira. γd = Wsolo×100 V×(100+w) (Equação 2) γd cm3 Wsolo cm3 VÍDEO Olá, estudante! Para assistir a esse vídeo, acesse a versão web do seu material didático. 15/11/2024, 11:17 IESB https://iesb.blackboard.com/bbcswebdav/institution/Ead/_disciplinas/template/new_template/#/EADG616/impressao/4 38/44 Unidade 04 Amplie seu conhecimento Referências Unidade 01 ABGE. Geologia de Engenharia. São Paulo: Santos & Brito, 1998. CHIOSSI, N. J. Geologia aplicada à Engenharia. São Paulo: EDUSP, 1975. CHIOSSI, N. J. Destruindo o planeta Terra. São Paulo: USP, 2001. CPRM – Serviço geológico do Brasil. Carta geológica de Rio Novo (MT). Rio de Janeiro, 2011. Mapa, escala:1:100.000. Programa Geologia do Brasil. Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2019. FOSSEN, H. Geologia estrutural. São Paulo: O�cina de textos, 2 ed, 2017. IAEG – International Association of Engineering Geology. Statutes. 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