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AULA- 05 MOD - 8 - A CIVILIZAÇÃO DO AÇUCAR PROFESSOR: ME. WESLEY DARTAGNAN SALLE SUMÁRIO 1. Introdução 2. A Importância da Produção de Açúcar para a Colonização do Brasil: Engenhos e Fazendas, Preços e Produção Figura 6 - Frans Post - Engenho de açúcar, c. 1664. Óleo sobre madeira, 39,4 x 64,1 cm. Coleção particular Fonte: Wikipédia Olá a todos, Nesta aula iremos estudar a produção de açúcar no Brasil colonial: a organização do trabalho, o seu mercado e a estrutura dos engenhos. Fiquem atentos! A Importância da Produção de Açúcar para a Colonização do Brasil: Engenhos e Fazendas, Preços e Produção A posição social do senhor de engenho carregava consigo aspectos que iam muito além de sua condição econômica, de modo que não era apenas no poder financeiro que residia a magnificência do senhor. O título o dotava de características de nobreza, riqueza, privilégios sociais, políticos e econômicos, dando-lhe muita influência na organização da sociedade. O poder do senhor de engenho esteve intrinsecamente ligado à posse da terra FERLINI, 1988, p. 208). Desde os primórdios da colonização, a divisão de terras tendeu a valorizar uma pequena camada social, branca e detentora de cabedais suficientes para fazer desenvolver um engenho de açúcar. Além disso, havia a necessidade de enfrentar todas as adversidades que haviam, como por exemplo, a questão indígena (COELHO FILHO, 2000, p. 29). Sendo assim, não foram pessoas consideradas comuns as primeiras a ter acesso à terra no Brasil, foram pessoas de alta capacidade financeira e social que iniciaram o processo de colonização. Aliado à posse da terra, o principal elemento para o desenvolvimento da produção de açúcar foi, haud dubie, a instituição da escravidão. Essa foi a base da produção açucareira colonial. Não obstante, como alertou Ferlini: a polarização da sociedade colonial em duas categorias fundamentais senhores e escravos – escondia extensa gama de grupos intermediários que compunham o universo social do Nordeste açucareiro: mercadores, roceiros, artesãos, oficiais do açúcar, lavradores de roça e mesmo desocupados (FERLINI, 1988, p. 209). Tanto a sociedade quanto a organização produtiva nos engenhos açucareiros eram extremamente complexos, com um conjunto de camadas sociais bastante variável. Observemos o organograma produzido por Vera Ferlini: Figura 7 - Organograma de um EngenhoFonte: FERLINI, 1984, p. 53 Pela sua complexidade, a produção de açúcar demandava um considerável número de pessoas envolvidas no trabalho do engenho: trabalhadores, em pequeno número, assalariados; especializados; escravos. Para o pleno funcionamento de um engenho, havia a necessidade de que alguns trabalhadores residissem ou executassem suas tarefas na cidade, recebendo uma quantia anual para isso, como é o caso do Caixeiro da cidade, que recebia entre 28 e 90 mil réis anuais, com média de 40 mil réis. Também havia aqueles personagens que eram necessários em momentos específicos, como os Letrados que, em épocas de querelas judiciais, recebiam 30 mil réis (FERLINI, 1984, p. 53). Os senhores de engenho, de maneira patriarcal, organizavam todas essas camadas sociais. Todos esses setores estavam sob o seu domínio. A existência desses setores remunerados configura uma economia local pouco ou quase nunca tratada pela historiografia como elementos importantes na sociedade. Essas pessoas movimentavam um mercado local e também foram atingidas diretamente pela crise, não sendo apenas o comércio de longa distância a sofrer com a crise no império. É a elas que se refere Gregório de Matos, ao narrar as dificuldades do povo em relação aos comerciantes. Este setor da sociedade, intocável pela documentação que ajudava a movimentar a economia local, as vendas, tabernas, açougues, etc. No Brasil, especificamente no Nordeste, e diferentemente de todo o Atlântico produtor de açúcar, os lavradores de cana tinham uma posição social muito importante. Por isso, a produção do açúcar e o funcionamento do engenho dependia em demasia dos lavradores de cana: Desde os primórdios, a economia açucareira no Brasil, distinguiu-se das de suas congêneres no Novo Mundo porque grande parte da matéria-prima essencial, a cana-de-açúcar, e da força de trabalho escrava foi controlada não pelos engenhos, mas por lavradores de cana (SCHWARTZ, p. 2011, 247). A Crise na Produção Açucareira da Segunda Metade do Século XVII O açúcar era um produto de luxo vendido na Europa desde a Idade Média. O seu preço era muito elevado. O preço elevado e a demanda no mercado europeu foi um dos motivos pelos quais a cana de açúcar foi a planta escolhida para fomentar a colonização no Brasil nas primeiras décadas. O sucesso foi enorme e em poucas décadas o produto já sustentava a colonização no Brasil. No início do século XVII percebemos o seu apogeu e logo depois o seu declínio na crise que se abateu sobre o império Português. O gráfico acima demonstra que houve desde o século XVI um crescimento contínuo no número de engenhos de açúcar no Brasil. Entretanto, o número de engenhos não acompanhava proporcionalmente a produção. Isso porque no período final do século XVII os grandes engenhos eram cada vez mais raros e os pequenos tomaram lugar. Essa situação ocorreu porque lavradores de cana passaram a moer a própria cana em engenhocas. Enquanto um engenho real produzia muito açúcar, as engenhocas tinham pouca capacidade produtiva. Caro aluno, leia um trecho do livro de Antonil sobre os engenhos do século XVII. O trecho pode ser utilizado em sala de aula como uma forma dos alunos vislumbrarem um documento da época: “Dos engenhos, uns se chamam reais, outros inferiores, vulgarmente engenhocas. Os reais ganham este apelido por terem todas as partes de que se compõem todas as oficinas, perfeitas, cheias de grande número de escravos, com muitos canaviais próprios e outros obrigados à moenda; e principalmente por terem a realeza de moerem com água, à diferença de outros, que moem com cavalos e bois e são menos providos e aparelhados; ou, pelo menos, com menor perfeição e largueza, das oficinas necessárias e com pouco número de escravos, para fazerem, como dizem, o engenho moente e corrente” (ANTONIL, 1710, p. 69). A crise açucareira da segunda metade do século XVII foi um momento de forte declínio para a colônia depois de décadas de expansão. As causas da crise são: 1) o surgimento de concorrentes nas Antilhas. Até então Portugal monopolizava o mercado de açúcar na Europa e a ascensão dessa região desequilibrou fortemente a relação entre os comerciantes europeus e produtores coloniais. 2) As doenças (bexiga e febre amarela) que, por meio do tráfico negreiro, depois de 1666 assolaram o Brasil colonial. 3) o aumento da demanda por escravos nas Antilhas causou desequilíbrio em seu valor com aumento depois de 1670. 4) a crise geral do século XVII que abaixou os preços dos produtos na Europa. Como o açúcar era um produto de luxo teve demanda diminuída. A partir dessa condição, a estrutura produtiva do Brasil colonial no nordeste mudou. Com o império em crise, a Coroa promoveu ações no sentido de sair da crise e, por isso, incentivou a procura por metais preciosos e a entrada no sertão brasileiro. Em 1695 na Região atual do Estado de Minas Gerais algumas pedras preciosas e ouro foram encontrados. Com a forte injeção de metais preciosos a Coroa e a colônia saíram da crise. No caso da colônia, o projeto de construir uma casa da moeda como resposta à crise acabou por sanar o problema temporariamente. As doenças diminuíram e, com a recuperação do mercado europeu, a demanda pelo açúcar se equilibrou. A produção de açúcar se manteve como principal produto agrícola brasileiro até o século XIX quando o café assumiu esse posto. Com o processo de expansão para o sertão brasileiro, realizado sobretudo, por paulistas denominados de Bandeirantes, existiram fortes conflitos entre eles e indígenas. A segunda metade do século XVII foi marcada essa relação conflituosa. Os indígenas, na região nordestina, reagiram bravamente às investidas bandeirantes, mas forambrutalmente massacrados. Esse episódio da história ficou conhecido como “guerra dos bárbaros”. Nesta aula estudamos: · A Importância da Produção de Açúcar para a Colonização do Brasil: Engenhos e Fazendas, Preços e Produção 2 image4.PNG image1.png image2.jpeg image3.PNG