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A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA
A função social da empresa encontra-se prevista em diversas fontes do direito, fontes doutrinárias, legislativas e jurisprudenciais, o que será amplamente demonstrado no decorrer deste trabalho. 
O direito é norteado por princípios que aparecem por todo ordenamento jurídico brasileiro, de forma implica e explicita. A constituição Federal de 88, prevê em seu artigo 170 que a ordem econômica está fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, e tem por finalidade assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social: A soberania nacional, a propriedade privada, a função social da propriedade, a livre concorrência, a defesa do consumidor, a defesa do meio ambiene, a redução da desigualdade sociais, a bisca do pleno emprego, o tratamento favorecido para as empresas de brasileiras de pequeno porte, são princípios previstos na CF, que compõe a ordem econômica constitucional. 
A função social da empresa possui relação com tosos os princípios previstos no art. 170 da CF, e possui por objetivo, destacar a função da empresa e proporcionar para todos os envolvidos, benefícios, ligados à atividade empresarial. 
Fábio Konder Comparato (1986), mostra como princípio constitucional “a função social da propriedade o qual fora consagrado pelo art. 5º, XXIII e 170 da CF, extraindo-se destes a função social da empresa. A propriedade dos bens de produção devem cumprir a função social, no sentido de não se concentrarem, apenas na titularidade dos empresários, todos os interesses juridicamente protegidos que os circundam a constituição federal reconhece, por meio deste princípio implícito, que são igualmente dignos de proteção jurídica os interesses metaindividuais, de toda a sociedade ou de parcela desta, potencialmente afetados pelo modo com que se empregam os bens da produção”. 
Importante também trazer a baila, a explicação da Jurista, Schella Regina, a qual versa sobre a função social da propriedade dos bens de produção da empresa. 
“A função da empresa (ou seja, a função social dos bens de produção) implica na mudança de concepção do próprio direito de propriedade: o princípio da função social incide no conteúdo do direito de propriedade, impondo-lhe novo conceito. Isso implica que as normas de direito privado sobre a propriedade estão conformadas pela disciplina que a Constituição lhes impõe” 
(https://jus.com.br/artigos/1152/a-funcao-social-da-empresa).	
Pois bem, entendido o que é função social da empresa, deve ser frisado que tal princípio não se aplica apenas em ações humanitárias, mas também no exercício pleno da sua atividade econômica e empresarial, com o intuito de gerar capital, renda e trabalho, gerando rendimentos, bens e serviços, tal princípio encontra-se muito mias ligado à função da empresa, no sentido de gerar renda, trabalho, impostos, e sua manutenção do que a garantia em si de outros princípios. 
No caso concreto trazido ao conhecimento, embora a verba ali discutida seja verba alimentar, é imprescindível levar em consideração que o único bem encontrado para ser penhorado, possui caráter impenhorável, uma vez que para o exercício da atividade empresária, o imóvel é indispensável, pois trata-se da sede da empresa, onde comportam inúmeros alunos, gerando dezenas de empregos. Inevitável que a penhora do imóvel com a designação do leilão acarretaria não só a extinção da empresa, mas como também o desemprego de dezenas de funcionários, e o prejuízo a centena de alunos, que necessitariam trocar de escola no meio do ano letivo. Ou seja, tal constrição ultrapassaria a personalidade da empresa, causando prejuízos a outras centenas de pessoas. O artigo 855 do CPC prevê que juiz mandará que se faça a execução pelo modo menos gravoso ao executado. Em matéria tributária, o STJ editou a sumula de nº 451, a qual prevê que a penhora sobre o estabelecimento comercial do executado só pode recair, excepcionalmente, e deve ser determinada pelo modo menos gravoso para o devedor. 
Vejamos jurisprudência dos Tribunais regionais do Trabalho, sobre o tema: 
FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA. PONDERAÇÃO DE VALORES. Cabe ao Julgador definir a melhor forma de ponderar as situações fáticas a ele apresentadas, com todas as consequências sociais e econômicas decorrentes de sua decisão, tais como a preservação de empregos, mormente no contexto de crise em que vive o País. O Magistrado deve sopesar de maneira razoável e equilibrada a situação fática, sem descurar da importância social de que se reveste a atividade empresarial, ainda mais quando no polo passivo figura o maior empregador no âmbito da municipalidade.
(TRT-3 - RO: XXXXX20185030056 MG XXXXX-80.2018.5.03.0056, Relator: Flavio Vilson da Silva Barbosa, Data de Julgamento: 10/12/2020, Quarta Turma, Data de Publicação: 10/12/2020. DEJT/TRT3/Cad.Jud. Página 681. Boletim: Não.)
Diante ao todo exposto, levando em consideração a função social da empresa, o fato de que a manutenção da penhora, com a designação da hasta pública acarretará prejuízo não só a empresa mas a seus alunos e funcionários, deverá ser observada a função social da empresa com a extinção da penhora realizada e prosseguimento da execução por outros meios menos gravosos, tais como, penhora sobre o faturamento da empresa. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art1045
jus brasil 
https://www.jusbrasil.com.br/artigos/principios-da-funcao-social-e-da-preservacao-da-empresa/1137344439
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/222/edicao-1/funcao-social-da-empresa
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/busca?q=penhora+de+bem+pertencente+%C3%A0+pessoa+diversa+dos+executados

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