Prévia do material em texto
Objetivos Específicos Temas • Compreender a NBC TA 402 e considerações de auditoria para a entidade que utiliza organização prestadora de serviços. Andréia Davanço Augusto Normas e Práticas de Auditoria Aula 12 Professora Autora Considerações de auditoria para a entidade que utiliza organização prestadora de serviços (NBC TA 402) Introdução 1 Entendimento dos serviços prestados por organização terceira 2 Natureza dos serviços prestados 3 Respostas aos riscos avaliados de distorção relevante 4 Testes de controles 5 Fraudes, casos de inconformidade e distorções não corrigidas 6 Emissão de relatório pelo auditor Considerações finais Referências Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 2 Introdução Nesta aula abordaremos, segundo as Normas de Auditoria vigentes em nosso país, a responsabilidade do auditor independente da entidade tomadora de serviço de uma ou mais organizações, ou ainda denominada como usuária contratante do serviço prestado por outra (ou outras) empresa(s) em obter evidência de auditoria apropriada e em extensão suficiente. Vale dizer que, de acordo com a NBC TA 402, muitas entidades terceirizam diversas atividades relacionadas ao seu negócio com organizações prestadoras de serviços, desde a execução de determinada atividade específica, sob a gerência de profissional da entidade contratante, até a substituição de unidades inteiras de seu negócio cuja responsabilidade primária passa a ser da entidade contratada. Muitos dos serviços prestados por essas organizações fazem parte das operações de negócios da entidade; entretanto, nem todos esses serviços são relevantes para a auditoria. Nesta aula abordaremos apenas aqueles que constituem assunto relevante para a emissão de opinião pelo auditor da empresa tomadora do serviço. Quando os serviços prestados por uma organização terceira contratada forem parte do sistema de informação e incluírem os respectivos processos de negócio, relevantes para a elaboração das demonstrações financeiras, é preciso que o auditor planeje seu trabalho de forma a avaliar se esses serviços afetam algum dos elementos descritos a seguir, segundo a NBC TA 402 – Considerações de Auditoria para a Entidade que Utiliza Organização Prestadora de Serviços: • As classes de transações nas operações da entidade tomadora de serviços que são significativas para as suas demonstrações financeiras; • Os procedimentos, envolvendo os sistemas de tecnologia da informação e sistemas manuais, pelos quais as transações da entidade usuária são iniciadas, registradas, processadas, corrigidas conforme necessário e divulgadas nas demonstrações contábeis; • Os respectivos registros contábeis sejam na forma eletrônica ou manual, que suportam as informações e contas específicas nas demonstrações contábeis da entidade usuária, que são usadas para iniciar, registrar, processar e comunicar as transações dessa entidade, incluindo a correção de informações incorretas e como as informações são transferidas para o razão geral; • Como o sistema de informações da entidade usuária captura os eventos e as condições, além de transações, que são significativas para as demonstrações financeiras; • O processo de relatórios financeiros usado para elaborar as demonstrações financeiras da entidade contratante de serviços executados por outra organização, incluindo estimativas contábeis e divulgações significativas; e, Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 3 • Controles sobre os lançamentos no livro diário, incluindo lançamentos fora do padrão usados para registrar transações ou ajustes não usuais ou não recorrentes. (CFC, 2009, p. 5-6). 1 Entendimento dos serviços prestados por organização terceira É importante, antes de entrarmos especificamente no assunto tratado por esta norma técnica de auditoria, esclarecer que, quando uma empresa contrata outra organização para executar um serviço, independentemente dos aspectos legais do contrato, do ponto de vista da auditoria, a contratante, entidade auditada, não pode delegar a responsabilidade sobre o resultado deste trabalho. O que é delegado, ou terceirizado podemos assim dizer, são apenas as atividades, lembrando que a auditoria independente deve ser considerada uma ferramenta de gestão indispensável para o desenvolvimento do capitalismo. Assim, neste contexto, vale ressaltarmos o que Pereira (2011) menciona em sua obra quanto à importância de auditoria independente das demonstrações financeiras, reafirmando que este instrumento pode ser considerado como uma importante ferramenta para o desenvolvimento do mercado, visto que concede aos usuários maior credibilidade e segurança às informações financeiras prestadas pelas empresas. Embora a maioria dos controles da organização prestadora de serviços esteja provavelmente relacionada às demonstrações financeiras, de forma direta ou indireta, é preciso salientar a possibilidade de o auditor se deparar com outros controles que não merecem atenção por parte da auditoria, por exemplo: controle de qualidade da matéria-prima utilizada no processo de fabricação de uma indústria alimentícia. Os objetivos do auditor externo da entidade que contrata ou contratou, ao longo do período auditado, serviços de uma organização terceira prestadora de serviços, são, de acordo com a NBC TA 402, obter entendimento da natureza e da importância destes serviços prestados, além dos seus efeitos sobre o controle interno da entidade auditada no que tange a aspectos relevantes para o trabalho de auditoria externa. Para isso, o nível de entendimento do objeto desta contratação deve ser feito em amplitude suficiente, que garanta identificar e avaliar os riscos de distorção relevante, assim como planejar e executar procedimentos adicionais de auditoria contábil que respondam a esses riscos. Cabe ao auditor independente, na condução do levantamento dos controles internos, identificar as atividades-chave executadas por empresas terceirizadas (organizações prestadoras de serviços) e levantar os controles também destas atividades. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 4 Visando conhecer a entidade auditada, de acordo com NBC TA 315 – Identificação e Avaliação dos Riscos de Distorção, o auditor externo deve obter entendimento de como esta se utiliza dos serviços prestados pela organização prestadora de serviços nas suas operações, incluindo aspectos como: • a natureza dos serviços prestados e a importância desses serviços para a entidade auditada, incluindo os efeitos destes serviços prestados por terceiros sobre o seu controle interno; • materialidade para elaboração das demonstrações financeiras afetadas pela organização prestadora de serviços; • o grau de interação entre as atividades da organização prestadora de serviços e aquelas da entidade contratante (entidade auditada); e, • a natureza da relação entre a entidade auditada e a organização prestadora de serviços, incluindo os termos contratuais relevantes para as atividades assumidas pela organização prestadora de serviços. Ainda segundo a NBC TA 315, o auditor independente, ao buscar entendimento dos controles internos relevantes referentes aos serviços prestados pela organização terceirizada, incluindo os que são aplicados às transações processadas por essa organização, deve avaliar não somente o desenho destes controles internos relevantes como também a sua devida implementação. No caso de uma entidade que está sendo auditada e que tenha contratado uma prestadora de serviços para processamento e cálculo da folha de pagamento, é importante que o seu auditor externo avalie o desenho e a implementação dos controles-chave destas atividades na empresa terceirizada com o objetivo de verificar a existência, ou não, de riscos para fins de auditoria. 1.1 Relatórios tipo 1 e 2 Segundo a NBC TA 402, caso o auditor independente não consiga obterentendimento suficiente da entidade usuária, ele deve obter esse entendimento por meio do Relatório Tipo 1 ou do Relatório Tipo 2, caso esteja disponível. Para melhor entendimento desta informação da norma, é importante conceituarmos e apresentarmos as principais características de cada um dos tipos de relatórios. Vejamos a seguir: Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 5 • RELATÓRIO TIPO 1: Relatório sobre a descrição e desenho de controles em uma organização prestadora de serviços que contém: (i) uma descrição, elaborada pela administração da organização prestadora de serviços, do seu sistema, dos objetivos de controle e dos respectivos controles que foram planejados ou desenhados e implementados em uma data específica; e (ii) a opinião do auditor dessa organização prestadora de serviços com o objetivo de transmitir segurança razoável sobre: a descrição do sistema da organização, os objetivos de controle, assim como os respectivos controles e a adequação do desenho ou planejamento dos controles para alcançar os objetivos de controle especificados. (CFC, 2009, p. 6). • RELATÓRIO TIPO 2: Relatório sobre a descrição, desenho e efetividade operacional de controles em uma organização prestadora de serviços que contém: (i) uma descrição, elaborada pela administração da organização prestadora de serviços, do sistema da organização, dos objetivos do controle, assim como os respectivos controles, de seu desenho e implementação em uma data específica ou durante um período especificado e, em alguns casos, de sua efetividade operacional durante um período especificado; e (ii) um relatório adicional emitido pelo auditor da organização prestadora de serviços com o objetivo de transmitir segurança razoável, que inclui além da opinião do auditor da organização prestadora de serviços sobre a descrição do sistema dessa organização, os objetivos de controle, assim como dos respectivos controles, a adequação do desenho dos controles para alcançar os objetivos do controle especificados e sobre sua efetividade operacional, a descrição dos testes de controles aplicados pelo auditor da organização prestadora de serviços e os respectivos resultados. (CFC, 2009, p. 6). 1.2 Outros procedimentos para busca de entendimento Ainda segundo a NBC TA 402, quanto à busca de entendimento sobre a entidade auditada por parte do auditor independente, é valido que a firma de auditoria execute os seguintes procedimentos: • Contatar a organização prestadora de serviços visando obtenção das informações específicas; • Visitar a organização prestadora de serviços e executar procedimentos que fornecerão as informações necessárias sobre os controles relevantes daquela organização; ou, • Utilizar outro auditor para executar procedimentos que fornecerão as informações necessárias sobre aqueles controles relevantes da organização prestadora de serviços. (CFC, 2009, p. 8). Há uma variedade de fontes que podem ser usadas pelo auditor para obtenção de informações sobre a natureza dos serviços prestados por uma organização prestadora, tais como: Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 6 • manuais do usuário; • visões gerais dos sistemas; • manuais técnicos; • contrato ou acordo entre a entidade usuária e a organização prestadora de serviços; • relatórios das organizações prestadoras de serviços, auditores internos ou autoridades regulatórias sobre os controles dessas organizações; • relatórios do auditor da organização prestadora de serviços, incluindo cartas da administração, se disponíveis. (CFC, 2009, p. 11-12). 2 Natureza dos serviços prestados É essencial que o auditor externo contratado para opinar sobre as demonstrações financeiras de determinada entidade, que contrata serviços de uma organização terceirizada, entenda a natureza destes serviços. Dependendo do plano de auditoria que se pretende executar, o auditor deve, além de levantar os processos de controles internos, identificar possíveis deficiências e, se necessário, testá-las para se certificar de que ocorrem conforme foram desenhadas. Mas vale dizer que quando a atividade terceirizada não se relaciona de forma direta ou indireta com a contabilidade, ou seja, com as demonstrações financeiras, não são requeridas quaisquer análises. São exemplos de atividades que, se executadas por empresas terceirizadas, devem ser alvo de análise dos controles internos pelos auditores independentes: • processamento da folha de pagamento; • inventário físico de estoques; • cálculos de impostos. Agora, são exemplos de atividades que, independentemente de quem execute, seu processo não deve ser mapeado pela auditoria: • serviços de copa e cozinha; • serviços de expedição; • serviços de limpeza. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 7 De acordo com a NBC TA 402, a entidade auditada pode ter contratado uma organização prestadora de serviços para que esta processe transações, mantenha sob sua responsabilidade o processamento, bem como o registro dos dados. Vejamos, a seguir, exemplos de serviços prestados por organizações prestadoras de serviços, os quais são relevantes para a auditoria: • manutenção dos registros contábeis da entidade usuária. • gestão de ativos. • início, registro ou processamento de transações como agente da entidade usuária. (CFC, 2009, p. 12). Os serviços prestados pela empresa terceira que merecem atenção do auditor independente são aqueles que referem-se diretamente às demonstrações financeiras, ou seja, aqueles cujo resultado é registrado nos livros contábeis, por exemplo: • Gestão de ativos: entidade auditada contrata uma organização prestadora de serviços para realizar os inventários físicos dos estoques, sendo que o resultado deste trabalho resultará em um registro na contabilidade; • Cálculos e processamentos de transações: entidade auditada contrata uma organização prestadora de serviços para cálculo e processamento (recolhimento) de seus impostos, sendo que o resultado deste trabalho resultará em um registro na contabilidade. 2.1 Utilização do Relatório Tipo 1 ou do Relatório Tipo 2 para entendimento da organização prestadora de serviços Segundo a norma NBC TA 402 o auditor externo, ao determinar a suficiência e a adequação da evidência de auditoria fornecida pelo relatório, seja este do modelo Tipo 1 ou Tipo 2, deve estar satisfeito quanto aos seguintes aspectos: • competência profissional do auditor da organização prestadora de serviço e sua independência junto àquela organização; e • adequação das normas segundo as quais foi emitido o Relatório Tipo 1 ou Tipo 2. (CFC, 2009, p. 9). Se o auditor externo planeja utilizar o Relatório Tipo 1 ou Tipo 2 como evidência de sua auditoria contábil para permitir o seu entendimento sobre o desenho e implementação dos controles na organização prestadora de serviços, este profissional deve: • avaliar a descrição e o desenho dos controles da organização prestadora de serviços para uma data específica ou, ainda, para um período apropriado aos objetivos; Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 8 • avaliar a suficiência e adequação da evidência fornecida pelo relatório para o entendimento do controle interno da entidade auditada; e • determinar se os controles complementares da entidade auditada, identificados pela organização prestadora de serviços, são relevantes para a entidade contratante desta empresa terceirizada, a qual está sendo alvo de auditoria e, em caso positivo, obter entendimento se esta entidade elaborou e implementou esses controles. (CFC, 2009, p. 9). 3 Respostas aos riscos avaliados de distorção relevante Lembrando que os riscos avaliados de distorção relevante devem ser sempre respondidos, independentemente de as atividades relacionadas a estes serem executadas pela administração ou por empresa prestadora de serviçoterceirizado. De acordo com a NBC TA 330 – Resposta do Auditor aos Riscos Avaliados, ao responder sobre os riscos avaliados, o auditor da entidade auditada que contratou a empresa terceirizada para prestação de algum serviço relevante no contexto de auditoria independente deve: • Determinar se há evidência de auditoria apropriada e suficiente disponível sobre as demonstrações financeiras nos registros mantidos na entidade auditada; e, • Em caso negativo, executar procedimentos adicionais de auditoria para obter evidência apropriada e suficiente de auditoria apropriada, ou ainda, utilizar outro auditor para realizar esses procedimentos na organização prestadora de serviços em seu nome (e sob sua administração/responsabilidade). (CFC, 2009, p. 9). A seguir, veremos quais são os testes possíveis de serem executados pelos auditores independentes para obtenção de respostas aos riscos identificados durante o planejamento. Lembrando que o planejamento não é uma atividade isolada que ocorre na fase inicial dos trabalhos, mas sim, estende-se até a entrega do relatório com a opinião de auditoria. 4 Testes de controles Os testes de controles visam garantir que a atividade de controle interno desenhada pela entidade auditada esteja adequadamente implementada, pois de nada adianta que o desenho esteja adequado se ele não funciona em todas as vezes em que é acionado. Assim, cabe ao auditor, por meio de uma seleção de itens, testar uma amostra que represente a população como um todo para se satisfazer ou não quanto à efetividade da implementação deste controle. Lins (2014) menciona em sua obra a seguinte afirmação referente aos controles internos, quanto à sua importância para uma organização: Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 9 Caso os controles internos e o sistema de informação não atendam aos requisitos mínimos de eficiência e eficácia, notadamente o primeiro, o auditor responsável pela auditoria pode considerar a possibilidade de não prosseguir com o trabalho em razão dos riscos inerentes à auditoria, uma vez que todo trabalho de campo é determinado com base na confiança nos controles internos e sistemas de informação. Ressalte-se que falhas e erros nesta avaliação repercutem diretamente nos resultados do trabalho do auditor. (LINS, 2014, p. 216). Conforme determina a NBC TA 402, quando a avaliação de riscos do auditor independente da empresa tomadora de serviços incluir uma expectativa de que os controles da organização prestadora de serviços estão operando de maneira efetiva, ele deve obter evidência de auditoria sobre a efetividade operacional desses controles por meio de um ou mais dos seguintes procedimentos: obter o Relatório Tipo 2, se possível; executar testes de controles internos na organização prestadora de serviços; ou utilizar outro auditor independente para executar testes de controles na organização prestadora de serviços em seu nome (e seguindo suas orientações, ou seja, este trabalho é de responsabilidade do auditor principal – aquele que contratou o segundo para auxílio no cumprimento das Normas Técnicas). 4.1 Relatório Tipo 2 como evidência de auditoria Segundo a NBC TA 402, caso o auditor da entidade auditada planeje utilizar o Relatório Tipo 2 como evidência de sua auditoria, assegurando em seus papéis de trabalho que os controles da organização prestadora de serviços estão operando de maneira efetiva, este profissional deve determinar se o relatório do auditor da organização prestadora de serviços fornece evidência de auditoria apropriada e suficiente sobre a eficácia dos controles internos para suportar sua avaliação de riscos, mediante: • avaliar a descrição, o desenho e a efetividade operacional dos relevantes controles internos da organização prestadora de serviços para uma data ou para um período que seja apropriado aos objetivos do auditor da empresa tomadora do serviço prestado pela empresa terceirizada; • determinar se os controles complementares da entidade usuária identificados pela organização prestadora de serviços são relevantes para a entidade auditada e, em caso positivo, obtenção de entendimento de se a entidade desenhou e implementou esses controles e, em caso positivo, teste sua efetividade operacional; • avaliar a adequação do período coberto pelos testes de controles e o do tempo decorrido desde a realização destes testes; e • avaliar se os testes de controles executados pelo auditor da organização prestadora de serviços e os respectivos resultados, conforme descrito no seu relatório, são relevantes para as afirmações nas demonstrações contábeis da entidade usuária e fornecem evidência de auditoria apropriada e suficiente para suportar a avaliação de riscos do auditor da empresa que contratou o serviço prestado pela organização terceirizada. (CFC, 2009, p. 10). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 10 5 Fraudes, casos de inconformidade e distorções não corrigidas Em geral, os usuários de demonstrações financeiras sempre almejam que o auditor independente detecte fraudes. Contudo, de acordo com as normas de auditoria, a responsabilidade do auditor externo pela detecção de desvios, sejam estes intencionais, denominados como fraudes, ou sem intenção, os comumente chamados de erros, pode ser resumida em elaborar um planejamento de trabalho adequado e realizar procedimentos de auditoria, obtendo segurança razoável de que as demonstrações financeiras estejam livres de distorções relevantes. Leia-se distorções relevantes aquelas que, independentemente de fraude ou erro, podem levar o usuário das demonstrações financeiras a tomar decisões equivocadas baseado nas informações divulgadas. Mesmo assim é explícito, nas normas que regulamentam a profissão, antes e depois dos grandes escândalos do início dos anos 2000, que o propósito da auditoria não é a identificação de fraudes. Porém, após a revisão das normas, ocorrida na última década, ficou preestabelecido que, no planejamento do trabalho de auditoria, o auditor deve, obrigatoriamente, avaliar o risco de fraude e direcionar seu planejamento de modo a detectá-la, se esta realmente existir, não por ser responsável pela detecção de fraude, mas, como visto anteriormente, por garantir que as demonstrações emitidas estejam livres de distorções relevantes. Caso não direcione seu planejamento de modo a avaliar a existência destes desvios, o auditor estará agindo com negligência profissional, sendo o responsável técnico pelo trabalho (sócio de auditoria que assina o relatório) e a firma de auditoria prestadora do serviço passíveis de severas punições pelos órgãos que regulamentam a profissão, devido ao desrespeito às normas estabelecidas. De acordo com a NBC TA 402, o auditor independente da entidade contratante de empresa prestadora de serviços deve indagar à administração de sua entidade (contratante) se a organização prestadora de serviços comunicou à empresa auditada sobre algum fato, ocorrência ou suspeita sobre qualquer fraude, não conformidade com leis e regulamentos ou distorções não corrigidas que afetam suas demonstrações contábeis. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 11 Em certas circunstâncias, o auditor pode requerer informações adicionais para fazer essa avaliação e solicitar que a entidade usuária entre em contato com a organização prestadora de serviços para obter as informações necessárias. Ele deve avaliar como esses assuntos afetam principalmente a natureza, a época e a extensão dos seus procedimentos adicionais de auditoria, incluindo o efeito sobre as suas conclusões e o seu relatório. A organização prestadora de serviços pode ter que, segundo os termos do contrato com a entidade usuária, divulgar para as entidades usuárias afetadas qualquer fraude, não conformidade com leis e regulamentos ou distorções não corrigidas atribuíveis à administração ou aos empregadosda organização prestadora de serviços. Para tanto, é preciso que o auditor realize procedimentos de exame documental neste contrato, se este for o caso. Vale dizer que a responsabilidade pelos controles internos não é do auditor independente, e sim da administração. Em relação a isso, Lins (2014) afirma o seguinte: Cabe ressaltar que os Controles Internos e Sistemas de Informação são de responsabilidade da administração da entidade; porém, o auditor, sempre que cabível, deve efetuar sugestões objetivas para seu aprimoramento, decorrentes de constatações feitas no decorrer do seu trabalho. (LINS, 2014, p. 217). 6 Emissão de relatório pelo auditor Segundo a NBC TA 705, o auditor independente deve modificar sua opinião no relatório de auditoria caso não consiga obter nível de evidência apropriada e suficiente para a auditoria das demonstrações financeiras usuárias em relação aos serviços prestados pela organização prestadora de serviços. Na hipótese de o auditor independente não conseguir tal evidência, isso constitui uma limitação no alcance da auditoria, que decorre da existência de um ou mais dos seguintes aspectos a seguir: • O auditor externo não consegue obter suficiente entendimento dos serviços prestados pela organização prestadora de serviços e não possui uma base para a identificação e a avaliação dos riscos de distorção relevante decorrente destes serviços prestados; • A avaliação de riscos do auditor da entidade auditada inclui uma expectativa de que os controles na organização prestadora de serviços estão operando de maneira efetiva, mas o auditor não consegue obter evidência de auditoria apropriada e suficiente sobre a efetividade operacional desses controles; ou • Somente os registros mantidos na organização prestadora de serviços podem fornecer evidência de auditoria apropriada e suficiente, e o auditor da entidade auditada não consegue obter acesso adequado a esses registros. (CFC, 2009, p. 26). Para a norma, o fato de o auditor da entidade contratante do serviço expressar uma opinião com ressalva ou abstenção de opinião depende da sua conclusão sobre se os Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 12 possíveis efeitos das demonstrações financeiras são relevantes ou disseminados de forma generalizada. O fato é que não é mais permitida, nos dias de hoje, a “divisão de opinião” entre empresas de auditoria. Assim, o auditor da empresa contratante da prestadora de serviços não deve fazer referência ao trabalho do auditor da organização prestadora de serviços no seu relatório que contenha uma opinião não modificada, a menos que seja requerido por lei ou regulamento. De acordo com a NBC TA 402: O fato de a entidade auditada utilizar uma organização prestadora de serviços não altera a responsabilidade do seu auditor, de acordo com as normas de auditoria, de obter evidência apropriada e suficiente de auditoria para conseguir uma base razoável para suportar sua opinião. Desta forma, o auditor não pode e não deve fazer qualquer referência ao relatório do auditor independente da organização prestadora de serviços como base para sua opinião sobre as demonstrações contábeis da entidade usuária. Contudo, quando o auditor independente expressa uma opinião modificada, decorrente de opinião também modificada em relatório do auditor da organização prestadora de serviços, o auditor da usuária não está impedido de fazer referência ao relatório do auditor da organização prestadora de serviços, se essa referência ajudar a explicar a razão da sua opinião modificada. Nessas circunstâncias, o auditor da empresa contratante da terceirizada pode precisar da permissão do auditor da organização prestadora de serviços antes de fazer essa referência. (CFC, 2009). Considerações finais Nesta aula aprendemos sobre a importância, para o serviço de auditoria, da obtenção de entendimento dos serviços prestados por organização terceira, estudando a fundo a natureza destes serviços. Desta forma, a natureza e a extensão do trabalho a serem executadas pelo auditor da usuária em relação aos serviços prestados por uma organização prestadora de serviços contratada dependem da natureza e da importância desses serviços para a entidade usuária e da relevância desses serviços para que os auditores independentes possam emitir opinião sobre as demonstrações financeiras. Portanto, as normas de auditoria proíbem a divisão de opinião entre empresas de auditoria, sendo que é vetado ao auditor fazer menção em sua opinião de auditoria sobre a conclusão do trabalho executado por outro. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados Normas e Práticas de Auditoria 13 Referências CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC nº 1.211/09. Aprova a NBC TA 315 – Identificação e avaliação dos riscos de distorção relevante por meio do entendimento da entidade e de seu ambiente. Disponível em: . Acesso em: 26 jul. 2015. ______. Resolução CFC nº 1.214/09. Aprova a NBC TA 330 – Resposta do auditor aos riscos avaliados. Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2015. ______. Resolução CFC nº 1.215/09. Aprova a NBC TA 402 – Considerações de auditoria para a entidade que utiliza organização prestadora de serviços. Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2015. ______. Resolução CFC nº 1.232/09. Aprova a NBC TA 705 – Modificações na opinião do auditor independente. Disponível em: . Acesso em: 7 jul. 2015. LINS, Luiz dos Santos. Auditoria: uma abordagem prática com ênfase na auditoria externa: atualizada e revisada - Contém Exercícios. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014. PEREIRA, Alexandre Demetrius. Auditoria das demonstrações contábeis: uma abordagem jurídica e contábil. São Paulo: Atlas, 2011. _GoBack Introdução 1 Entendimento dos serviços prestados por organização terceira 2 Natureza dos serviços prestados 3 Respostas aos riscos avaliados de distorção relevante 4 Testes de controles 5 Fraudes, casos de inconformidade e distorções não corrigidas 6 Emissão de relatório pelo auditor Considerações finais Referências