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16/02/2025, 17:21 = Imprimir ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL 146 minutos Aula 1 - Noções iniciais de Direito Penal Aula 2 - Princípios fundamentais do Direito Penal Aula 3 - Princípios fundamentais do Direito Penal Aula 4 - Princípios fundamentais do Direito Penal Referências16/02/2025, 17:21 Aula 1 NOÇÕES INICIAIS DE DIREITO PENAL = Nessa aula, vamos estudar o tema "Introdução ao Direito Penal". 36 minutos = INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL o que é a Introdução ao Direito Penal? Introdução ao Direito Penal, como o próprio nome diz são os primeiros passos para o estudo do Direito = Penal, o qual analisa os comportamentos humanos mais perniciosos à sociedade, capazes de gerar uma sanção, que tem por fim corrigir o erro cometido. Direito Penal tem a função de proteger os valores humanos, como a vida, a integridade física, a saúde, a liberdade etc, bem como de alertar sobre as condutas que são reprováveis à coletividade, e que se o indivíduo ao menos tentar praticá-las, será ele punido com sanções variáveis sendo a mais grave a restrição de liberdade em regime fechado. Além disso, o direito penal também apresenta um conjunto de valorações e princípios que orientam a própria aplicação e interpretação dessas normas, tendo em vista, que deve ser uma ciência jurídica equilibrada para que haja harmonia na aplicação dessas leis. Onde encontrar a "Introdução ao Direito Penal" no Código Penal? Decreto-Lei n° 2.848/1940 Mas onde podemos encontrar a "Introdução ao Direito Penal" no Código Penal? Confira a tabela a seguir! Dec-Lei n° 2.848/1940 (CÓDIGO PENAL) PARTE LIVRO TÍTULO CAPÍTULO ARTIGO Título Da Parte geral aplicação da lei penal E qual importância desse para16/02/2025. 17:21 pedons 231 u1 dir pen par_ger Para que você consiga completar seus estudos, sobre a Introdução ao Direito Penal é necessário que se atente para as regras do Código Penal, da Constituição Federal e leis federais. É um tema importante, pois é o pontapé inicial para o estudo do Direito Penal e as suas implicações na sociedade brasileira. 6d Onde estudar a "Introdução ao Direito Penal"? = Para te ajudar em seus estudos sobre esse tema, sugerimos que você leia as seguintes obras: CAPEZ, F. Curso de direito penal. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2020 BITENCOURT, C.R. Tratado de direito penal - parte geral. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2020 Vamos começar? Agora que já entendemos o tema em linhas gerais, que tal começarmos nossos estudos e compreendê-lo em mais detalhes? = Bons estudos! MAPA MENTAL INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL Olá! A seguir, apresentamos um mapa mental animado que resume o conceito de "Introdução ao Direito Penal" e será essencial nos seus estudos. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Agora que você já viu a versão animada do mapa mental, que tal fazer download da versão estática do mapa? Essa versão resume para você, em uma imagem construída em formato de organograma, os principais conceitos do tema e como eles estão relacionados. Basta clicar aqui para fazer download do arquivo. CONCEITO DE DIREITO PENAL Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 - Definir o Direito Penal; 2 Explicar o que compreende o estudo do Direito Penal; 3 Interpretar o sentido do Direito Penal no contexto do Estado Democrático de Direito. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura!16/02/2025. 17:21 pedons 231 u1 dir pen_par_ger Vamos aprender um pouco sobre o conceito de Direito Penal? O Direito Penal é um ramo do Direito Público que dispõe sobre o poder punitivo do Estado, selecionando as condutas humanas indesejáveis, graves e reprováveis, capazes colocar em risco a vida em sociedade. Para essas condutas, ele prevê sanções específicas e proporcionais aos danos ocasionados. De acordo com = Fernando Capez (2020, = " O Direito Penal é o segmento do ordenamento jurídico que detém a função de selecionar os comportamentos humanos mais graves e perniciosos à coletividade, capazes de colocar em risco valores fundamentais para a convivência social, e descrevê-los como infrações = penais, cominando-lhes, em consequência, as respectivas sanções, além de estabelecer todas as regras complementares e gerais complementares e gerais necessárias à sua correta e justa aplicação. Representação de um crime de homicídio Fonte: "The Public Domain Review". Disponível em: https://the-public-domain-review.imgix.net/collections/the-newgate-calendar- 1795/newgate-thumb.jpg?w=640. Acesso em: out. 2020. o QUE É o DIREITO PENAL? Vamos conhecer o Direito Penal no ordenamento jurídico brasileiro?16/02/2025. 17:21 231 u1 dir pen par_ger O Direito Penal se apresenta em nosso ordenamento jurídico de duas maneiras distintas: 1) Conjunto de normas jurídicas: Determinam infrações de natureza penal e as sanções correspondentes (penas restritivas de liberdade, restritiva de direito, multa e medidas de segurança). O Código Penal é a norma geral, mas não o único diploma legal que tipifica crimes e estabelece penas, existindo uma vasta legislação = penal especial, como, por exemplo, a Lei 11.340/06, a Lei 11.343/06 e a Lei 10.826/03. 2) Conjunto de valorações e princípios: Orientam a aplicação e interpretação das normas penais. Nesse sentido, vale destacar a importância de princípios penais e constitucionais como o da anterioridade, da = legalidade e da intranscendência da pena. A criação das normas penais incriminadoras acontece a partir da escolha dos bens jurídicos mais relevantes, que não são suficientemente tutelados por outros ramos do direito (civil, administrativo, econômico, tributário, etc.). Tais normas buscam fixar limites às punições estatais, equilibrando os direitos e as liberdades individuais com as restrições necessárias à convivência humana. O legislador, responsável por eleger os bens jurídicos a serem protegidos pelo Direito Penal, deve acompanhar a constante evolução social ao longo do tempo e, a partir daí, excluir ou incluir alguns bens da tutela penal. O crime previsto no artigo 154-A, do Decreto-Lei 2.848 (invasão de dispositivo informático), por = exemplo, foi criado para tutelar uma situação inimaginável antes da difusão da tecnologia e consolidação da sociedade da informação. Saiba mais Quer saber mais sobre conceito de Direito Penal? Então assista ao vídeo "O que é o direito penal?" do canal "Prof. Thiago Aramizo". Acesso em: out. 2020. Você sabe quais são as funções do Direito Penal? De acordo com Fernando Capez (2020, n. p.): "a missão do Direito Penal é proteger os valores fundamentais para a subsistência do corpo social, tais como a vida, a saúde, a liberdade, a propriedade etc., denominados bens jurídicos". Para atingir a sua finalidade, o Direito Penal age de duas formas: 1. Função preventiva: Antes de punir qualquer indivíduo por lesar a ordem jurídico-penal, o legislador busca motivá-lo para que não se afaste dela, estabelecendo normas proibitivas e impondo as sanções respectivas a serem aplicadas diante de sua violação, para evitar a prática do crime. 2. Função repressiva: Quando um ou mais indivíduos violam determinada norma jurídica, a sanção genericamente prevista se transforma em sanção efetiva. A ação preventiva, destinada a todos, torna-se uma realidade concreta e repressiva. Acerca do assunto, destaca o referido autor:16/02/2025, 17:21 Desse modo, em um primeiro momento, sabe-se que o ordenamento jurídico tutela o direito à vida, proibindo qualquer lesão a esse direito, consubstanciado no dever ético- social "não matar". Quando esse mandamento é infringido, o Estado tem o dever de acionar prontamente os seus mecanismos legais para a efetiva imposição da sanção penal à transgressão no caso concreto, revelando à coletividade o valor que dedica ao interesse violado. (CAPEZ, 2020, n. p., grifos nossos) Assim, as funções preventiva e repressiva do Estado se complementam e devem caminhar juntas para que sejam efetivas. De nada adianta estabelecer normas proibitivas e impor sanções se elas não forem aplicadas diante de eventuais violações, tornando-se uma realidade concreta e repressiva. Quais são as principais classificações do Direito Penal? A doutrina pátria divide o Direito Penal em objetivo e subjetivo, definindo-os da seguinte forma: 1. Direito Penal objetivo: conjunto de normas penais positivadas e as respectivas sanções penais cominadas. Limita a subjetividade da atuação estatal, estabelecendo os limites a serem observados para a prevenção e repreensão dos delitos. 2. Direito Penal subjetivo: direito de punir os cidadãos que cometem crimes. Trata-se, em verdade, de um poder-dever de titularidade exclusiva do Estado, que manifesta seu poder de império, observando as limitações impostas pelo direito penal objetivo. Outra distinção comumente abordada pelos estudiosos está relacionada ao Direito Penal comum e especial. A distinção entre eles é simples: se o órgão responsável por aplicar a norma penal objetiva for a justiça comum, trata-se do Direito Penal comum. Se, no entanto, a responsabilidade pela aplicação da norma objetiva for da justiça especial, como a justiça militar e a justiça eleitoral, trata-se do Direito Penal especial (Bitencourt, 2020, n.p.). É importante ter em mente que a classificação acima explanada não deve ser confundida com aquela que diz respeito à legislação penal comum e especial, que estão, respectivamente, no Decreto-Lei 2.848, isto é, o Código Penal e nos demais diplomas legais que não sejam o referido Código. Por fim, vale mencionar uma divisão relevante, porém ultrapassada, entre o Direito Penal substantivo e adjetivo, que se referiam ao direito material e processual. Essa divisão não é mais utilizada porque a autonomia do Direito Processual Penal foi reconhecida, sendo equivocado considerá-lo como integrante do Direito Penal. Vamos contextualizar o Direito Penal no Estado Democrático de Direito? Você já deve ter notado que o Direito Penal é um instrumento fundamental para a construção de um Estado Democrático de Direito, já que, além de proteger bens jurídicos indispensáveis ao convívio em sociedade, ainda estabelece limites ao poder punitivo estatal, com o propósito de proteger a dignidade Federal (CRFB/88) e em tratados internacionais firmados pelo Brasil.16/02/2025, 17:21 pedons 231 u1 dir pen par As ações preventiva e repressiva desse ramo do Direito buscam, conjuntamente, manter o equilíbrio do corpo social, tutelando os bens jurídicos eleitos pelo legislador como de maior importância, tendo em vista a vontade do povo e o contexto histórico em que está inserido. Sobre o tema, expõe Cezar Roberto Bitencourt (2020, n. p.): " Tomando como referente o sistema político instituído pela Constituição Federal de 1988, podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que o Direito Penal no Brasil deve ser concebido e estruturado a partir de uma concepção democrática do Estado de Direito, respeitando os princípios e garantias reconhecidos na nossa Carta Magna. Significa, em poucas palavras, submeter o exercício do jus puniendi ao império da lei ditada de acordo com as regras do consenso democrático, colocando o Direito Penal a serviço dos interesses da sociedade, particularmente da proteção de bens jurídicos fundamentais, para o alcance de uma justiça equitativa. - (grifos nossos) CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível concluir que o Direito Penal exerce a função de proteger bens jurídicos fundamentais para a subsistência do corpo social por meio da prevenção e repressão de crimes. O que se busca é o respeito às normas e aos princípios vigentes a partir da intimidação coletiva, bem como da consciência de sua necessidade e justiça. Ademais, além da proteção dos principais valores do corpo social, este ramo do direito resguarda o próprio infrator quando limita o poder de punição Estatal de acordo com as regras que regem um regime realmente democrático. NA PRÁTICA Jurisprudência o sistema carcerário brasileiro e o Estado de coisas inconstitucionais Na decisão da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 347, o STF reconheceu que o sistema penitenciário brasileiro viola direitos fundamentais expressos na Constituição da República (CRFB/88). Nesse sentido, o plenário da Corte reconhece a necessidade de adoção de medidas sistemáticas por todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) para solucionar o grave problema, que resulta em sanções penais desproporcionais e desumanas.17:21 6d Saiba mais Filme Milagre na cela 7 Separado de sua filha, um homem com deficiência intelectual precisa provar sua inocência ao ser preso pela morte da filha de um comandante. A possibilidade de se aplicar uma pena de morte a alguém que não cometeu um crime nos remete à importância de limitar o puniendi do Estado. VIDEOAULA: CONCEITO DE DIREITO PENAL Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Conceito de Direito Penal". Bons estudos! = Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. ESCOLAS DE DIREITO PENAL Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 - Apontar as escolas do Direito Penal; 2 - Diferenciar as escolas do Direito Penal. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! Vamos aprender um pouco sobre as Escolas do Direito Penal? Conhecemos como Escolas Penais as diversas correntes de ideias e teorias filosófico-jurídicas em matéria penal, desenvolvidas no decorrer dos séculos VIII a XX, as quais expressaram o pensamento dos juristas de certos períodos sobre as questões criminais fundamentais, bem como os objetos do sistema penal. Representação artística dos objetos de estudo das Escolas Penais16/02/2025 17:21 = = = = = & R BURKE MURDERING MARGERY CAMPBELL Fonte: "The Public Domain Review". Disponível resurrectionist-times-1884. Acesso em: nov. 2020. AS PRINCIPAIS ESCOLAS PENAIS Você conhece as principais Escolas Penais? As Escolas Penais surgiram ao longo da história, defendendo diferentes correntes de pensamento e buscando respostas para questões relacionadas à legitimidade do direito de punir, à natureza do delito e ao fim das sanções penais, a partir do contexto em que estavam inseridas. Segundo Cezar Roberto Bittencourt (2020, Essas diferentes correntes, que se convencionou denominar Escolas Penais, abarcaram concepções das mais variadas para a explicação do delito e justificação da pena e, por isso, foram definidas como "o corpo orgânico de concepções contrapostas sobre a legitimidade do direito de punir, sobre a natureza do delito e sobre o fim das sanções. É importante destacar que não há uma Escola Penal melhor do que a outra, mas apenas pensamentos que refletiam a mentalidade de determinada época. Ademais, todos esses pensamentos são relevantes, pois influenciaram significativamente na consolidação do Direito Penal nos moldes atuais. Abordaremos, aqui, as quatro principais Escolas Penais, que foram a Clássica, a Positivista, a Técnico-Jurídica e a Funcionalista. Vamos falar sobre a Escola Penal Clássica?16/02/2025, 17:21 231 dir pen par A Escola Penal Clássica ou Idealista, que surgiu no decorrer do século XVIII, teve como principais expoentes Cesare Beccaria e Francesco Carrara. O Marquês de Beccaria escreveu o clássico "Dos Delitos e das Penas (1764)", grande referencial teórico da época contra os abusos do regime absolutista e dos excessos punitivos, estudado ainda na atualidade. Sobre o tema, adverte Bitencourt (2020, Não houve uma Escola Clássica propriamente, entendida como um corpo de doutrina comum, relativamente ao direito de punir e aos problemas fundamentais apresentados pelo crime e pela sanção penal. Com efeito, é praticamente impossível reunir os diversos juristas, representantes dessa corrente, que pudessem apresentar um conteúdo homogêneo. Na verdade, a denominação Escola Clássica não surgiu, como era de esperar, da identificação de uma linha de pensamento comum entre os adeptos do positivismo jurídico, mas foi dada, com conotação pejorativa, por aqueles positivistas que negaram o caráter científico das valorações jurídicas do delito. Orientada pelos ideais iluministas, esta escola foi construída com base em princípios de cunho humanitários e liberais, como a defesa dos direitos individuais e o princípio da reserva legal, na contramão da tradição absolutista, do processo inquisitório e da tortura. Seus principais fundamentos eram os seguintes: 1. Livre-arbítrio: capacidade do agente decidir entre a prática de um comportamento lícito ou ilícito; 2. Dissuasão: o mal da pena deve superar o benefício a ser alcançado pela prática da infração penal; 3. Prevenção: impedir que o réu cause novos danos à sociedade; 4. Retribuição: atribuir ao indivíduo uma pena proporcional ao mal por ele cometido. Foram os clássicos que começaram a construir o ideal de exame analítico do crime, distinguindo os seus vários componentes, e a entender a pena como uma medida repressiva e pessoal, a ser aplicada ao autor de um fato delituoso, cujo ato se deu com consciência e vontade. Tal escola compreendia o crime como um ente jurídico, que consistia na violação de um direito e o delinquente como um ser livre, que pratica o crime por uma escolha moral, alheia aos fatores externos. Ademais, entendiam pena como uma forma de prevenção de novos crimes, de defesa da sociedade e também uma necessidade ética para reequilibrar o sistema, como apregoava Immanuel Kant. Além disso, buscou-se limitar os poderes do juiz, a fim de transformá-lo em um mero executor legislativo. Vamos falar, também, sobre a Escola Penal Positivista? A Escola Positivista, que surgiu no século XIX, examinava o crime sob o ângulo sociológico, estudando, de forma prioritária, o indivíduo criminoso. Diferentemente da Escola Clássica, os positivistas negavam o ideal de livre-arbítrio e afirmavam que o crime seria resultado de um fenômeno social e natural, oriundo de causas biológicas, físicas e sociais. Nesse sentido, expõe Bitencourt (2020,16/02/2025. 17:21 A corrente positivista pretendeu aplicar ao Direito os mesmos métodos de observação e investigação que se utilizavam em outras disciplinas (Biologia, Antropologia etc.). No entanto, logo se constatou que essa metodologia era inaplicável em algo tão circunstancial como a norma jurídica. Essa constatação levou os positivistas a concluírem que a atividade jurídica não era científica e, em consequência, proporem que a consideração jurídica do delito fosse substituída por uma sociologia ou antropologia do delinquente, chegando, assim, ao verdadeiro nascimento da Criminologia, independente da dogmática jurídica. Os principais nomes da Escola Positivista são Cesare Lombroso, Rafael Garofalo e Enrico Ferri. primeiro era um médico que defendia a ideia do criminoso nato, o qual já nasceria com uma predisposição orgânica para o crime, consubstanciada em deformações e anomalias anatômicas, físicas e psicológicas. O segundo, ao seu turno, acreditava que o crime era determinado por fatores antropológicos, físicos e sociais, e os criminosos podiam ser classificados como natos, loucos, habituais, ocasionais e passionais (sob o efeito da = paixão). Análise das características físicas de possíveis delinquentes Rides Corpulence frontales intersourcilieres diverses AB du DD do AL E GaG H HG 00 do GO Fonte: "The Public Domain Review". Disponível em: :https://publicdomainreview.org/collection/alphonse-bertillon-s-synoptic-table-of- physiognomic-traits-ca-1909 Acesso em: nov. 2020. Vamos falar sobre a Escola Penal Técnico-Jurídica? A Escola Técnico-Jurídica, seguindo as ideias de Arturo Rocco, Karl Binding, Vincenzo Manzini e Giacomo Delitala, teve início em 1905, com objetivo de desenvolver a ciência penal como uma ciência autônoma, com objeto e métodos próprios, não devendo ser estudada e analisada juntamente com outras ciências, como a antropologia, a sociologia e a filosofia, na medida em que o estudo do Direito Criminal deveria se restringir apenas ao Direito Positivo vigente. Para os integrantes dessa Escola, o delito seria puramente uma relação jurídica, de conteúdo individual e social. A pena constituiria uma reação e uma consequência do crime (tutela jurídica), com função16/02/2025, 17:21 231 u1 dir pen preventiva geral e especial, aplicável aos imputáveis, e a responsabilidade do agente seria moral, uma vez que esse é dotado de livre-arbítrio. Mais do que uma escola, o tecnicismo jurídico seria uma orientação, uma metodologia de estudo, levando-se a efeito o estudo sistemático do Direito Penal. Vamos falar sobre a Escola Penal Funcionalista? o funcionalismo penal, que surgiu no decorrer do século XX, teve Claus Roxin e Gunther Jakobs como = seus principais expoentes. Ambos concordavam que a construção do sistema jurídico-penal deve orientar-se exclusivamente pelos fins do Direito Penal. = Roxin, defensor da vertente teleológico-funcional, entendia que o fim do Direito Penal, apto a orientar a construção do sistema jurídico-penal, era a proteção de bens jurídicos. Jakobs, por sua vez, representante do funcionalismo radical, acreditava que a função do Direito Penal era a proteção das normas jurídicas. = O funcionalismo, com destaque para o teleológico-funcional, teve grande influência na construção do Direito Penal brasileiro, que busca satisfazer as necessidades sociais, através de um sistema aberto a novas políticas = criminais de proteção aos bens jurídicos mais importantes. É justamente por isso que o seu estudo é tão relevante. CONCLUSÃO Tendo em vista o conteúdo apresentado, preparamos para você a seguinte tabela, contendo as principais características de cada uma das Escolas do Direito Penal: Fundamentos Expoentes Essa Escola foi construída com base em princípios de cunho humanitário e liberal, na contramão da tradição absolutista, Escola Penal Clássica Beccaria e Carrara do processo inquisitório e da tortura. Seus principais fundamentos eram o livre- arbítrio, a dissuasão, a prevenção e a retribuição. Diferentemente da Escola Clássica, os positivistas negavam o ideal de livre-arbítrio e afirmavam que Cesare Lombroso, Rafael Garofalo Escola Penal Positivista o crime seria resultado de um e Enrico Ferri fenômeno social e natural, oriundo de causas biológicas, e16/02/2025, 17:21 pedons 231 u1 dir Essa Escola defendia que a ciência penal deveria ser tratada como uma ciência autônoma, com objeto e métodos próprios, não devendo = ser estudada e analisada Arturo Rocco, Karl Binding, Escola Penal Técnico-Jurídica juntamente com outras ciências, Vincenzo Manzini e Giacomo como a antropologia, a Delitala = sociologia e a filosofia, na medida em que o estudo do Direito Criminal deveria se restringir = apenas ao Direito Positivo vigente. Essa Escola defendia que a = construção do sistema jurídico- penal deveria orientar-se = exclusivamente pelos fins do Escola Penal Funcionalista Claus Roxin e Gunther Jakobs Direito Penal. Para Roxin, fim do Direito Penal era a proteção de bens jurídicos e para Jakobs era a proteção da própria norma. Saiba mais Quer saber mais sobre as Escolas Penais? Então assista ao vídeo "15.1. Escolas Penais" do canal "Minuto Penal". Acesso em: out. 2020. NA PRÁTICA Artigo Escolas Penais Esse artigo científico apresenta, em linhas gerais, as principais características das mais importantes escolas penais, abordando desde os antecedentes históricos até as diferenças precípuas das escolas. Além disso, analisa as contribuições principais e a influência dessas escolas no Direito Penal Brasileiro. 6d Saiba mais Livro "Crime e Castigo" de Fyodor Dostoevsky É um romance clássico do século XIX, que conta a história de um assassino em busca de redenção e16/02/2025, 17:21 ressurreição espiritual. São exploradas as mais diversas facetas da psicologia humana, sujeita a abalos e distorções, que influenciam fortemente nas escolhas realizadas. "Dos Delitos e das penas" de Cesare Beccaria É uma obra clássica, que se propõe a criticar e examinar os abusos cometidos durante o absolutismo, = destacando valores indispensáveis para evitar que isso ocorra novamente. Aponta a lei, a convenção social e a distribuição equitativa das vantagens entre os membros da sociedade como formas de proteção do cidadão contra eventuais violências do Estado. = VIDEOAULA: ESCOLAS DO DIREITO PENAL = Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Escolas do Direito Penal". = Bons estudos! = Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. VÍDEO ENTREVISTA - INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL Olá! A seguir, apresentamos a vídeo entrevista que trata sobre o tema "Introdução ao Direito Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL I Nessa aula, vamos estudar o tema "Princípios Penais Fundamentais". 40 minutos INTRODUÇÃO - PRINCÍPIOS PENAIS FUNDAMENTAIS Quais são os Princípios Penais Fundamentais?16/02/2025, 17:21 pedons 231 u1 dir pen par Os Princípios Penais Fundamentais são: o princípio da legalidade, da intervenção mínima, da adequação social, da ofensividade, da responsabilidade penal subjetiva, da responsabilidade penal individual e da proporcionalidade, que são de suma importância para o direito penal enquanto ciência jurídica. Para alguns doutrinadores, existem princípios fundamentais mais "fortes" e princípios mais "fracos". Existem doutrinadores que "vêem" com maus olhos o grau de abstração e generalidade dos princípios que, consequentemente, podem demandar uma subjetividade por parte do aplicador da lei, apresentando riscos à segurança jurídica. Conforme o professor André Estefam (2020) "Nem todo princípio, ademais, possui elevado grau de abstração e generalidade, bastando citar como exemplo o princípio da retroatividade benéfica da lei penal, previsto no art. 5°, XL, da CF, veiculando em texto cuja precisão linguística não permite elevada margem criativa da parte do intérprete." (2020, 1.1) Diante do exposto, existe um embate entre os princípios e regras em todos os ramos do direito, e no direito penal não é diferente, mas de todo modo, os princípios penais fundamentais tem o seu lugar no dia a dia da área penal. Onde encontrar os "Princípios Penais Fundamentais" no Código Penal? DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940 Mas onde podemos encontrar os "Princípios Penais Fundamentais" no Código Penal? Confira a tabela a seguir! Dec-Lei n° 2.848/1940 (CÓDIGO PENAL) PARTE LIVRO TÍTULO CAPÍTULO ARTIGO Título Da Parte geral aplicação da lei penal E qual importância desse tema para o Direito Penal? Para que você consiga completar seus estudos sobre os Princípios Penais Fundamentais é necessária a leitura da doutrina mais recente. É um dos temas mais importantes do Direito Penal, pois é necessário para o entendimento do restante da matéria. 6d Onde estudar os "Princípios Penais Fundamentais"? Para te ajudar em seus estudos sobre esse tema, sugerimos que você leia a seguinte obra: ESTEFAM, André, Direito penal 1 parte geral artigos 1 ao 120. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 202016/02/2025, 17:21 Vamos começar? Agora que já entendemos o tema em linhas gerais, que tal começarmos nossos estudos e compreendê-lo em mais detalhes? Bons estudos! = PRINCÍPIOS PENAIS FUNDAMENTAIS = Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 Explicar os fundamentos dos princípios penais fundamentais; = 2 - Constatar os princípios penais fundamentais; 3 - Justificar os princípios limitadores do poder punitivo do Estado. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! Vamos aprender um pouco sobre os princípios penais fundamentais? A intervenção do Estado na esfera individual deve ser limitada por conta da fragilidade do indivíduo em comparação ao ente estatal. Os princípios penais fundamentais são responsáveis por estabelecer limites ao jus puniendi, e essa função é muito importante para evitar possíveis arbitrariedades e abusos no momento da aplicação da lei penal. VAMOS FALAR SOBRE os PRINCIPAIS PRINCÍPIOS PENAIS FUNDAMENTAIS? Você conhece os princípios penais fundamentais? Para iniciar esse estudo, vamos enumerar os principais princípios penais fundamentais e seus respectivos fundamentos, de acordo com o autor Cezar Roberto Bitencourt, para que você tenha uma visão do conjunto antes de adentrar no estudo de cada um deles. Princípio Fundamento Artigo do Decreto-Lei 2.848; Artigo 5°, inciso Princípios da legalidade XXXIX, da Constituição Federal (CRFB/88). Princípio da intervenção mínima Doutrina Artigo do Decreto-Lei 2.848 Artigo 5°, incisos Princípio da irretroatividade da lei penal XXXIX e XL, da Constituição Federal (CRFB/88). Princípio da adequação social Doutrina16/02/2025, 17:21 Princípio da insignificância Doutrina Princípio da ofensividade Doutrina Princípio da culpabilidade Artigo 18, do Decreto-Lei 2.848 = Princípio da proporcionalidade Doutrina = Artigo 5°, inciso LVII, da Constituição Federal Princípio da presunção de inocência (CRFB/88). Artigo 5°, incisos XLVII e XLIX, da Constituição Princípio de humanidade Federal (CRFB/88). Vamos estudar os princípios penais fundamentais abordados na obra de Bitencourt? Princípio da legalidade: O princípio da legalidade é uma das principais garantias fundamentais asseguradas ao indivíduo dentro de um Estado Democrático de Direito e tem sua aplicação em todas as áreas das ciências jurídicas. No Direito Penal, está expressamente previsto no artigo 5°, inciso XXXIX, da Constituição Federal (CRFB/88), que diz que "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal", redação que pouco difere daquela contida no artigo 1° do Decreto-Lei As principais funções desse princípio são: 1. Proibir a retroatividade da lei penal; 2. Proibir a criação de crimes e penas pelos costumes; 3. Proibir o emprego de analogia para criar crimes, fundamentar ou agravar penas; 4. Proibir incriminações vagas e indeterminadas. A partir do princípio da legalidade, podemos dizer que a lei é a única fonte do Direito Penal quando se quer proibir ou impor condutas sob a ameaça de sanção, configurando-se como uma peça fundamental na limitação da atividade punitiva do Estado. Princípio da intervenção mínima: princípio da intervenção mínima consiste na ideia de que a criminalização de uma conduta deve ocorrer apenas se ela colocar em risco os bens jurídicos mais preciosos para a sociedade, tais como a vida, a liberdade e o patrimônio. Princípio da irretroatividade da lei penal: O princípio constitucional da irretroatividade da lei penal, descrito no artigo 5°, inciso XL, da Constituição Federal (CRFB/88) dispõe que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. Assim, a lei nova não atingirá fatos anteriores à sua vigência, exceto se for mais benéfica ao acusado.16/02/2025. 17:21 Princípio da adequação social: o princípio da adequação social prevê que uma conduta não será considerada típica, ainda que se enquadre em um dispositivo legal incriminador, se for socialmente adequada ou aceita, de acordo com os valores predominantes na sociedade. Tal princípio possui dupla função. A primeira é a de limitar a abrangência do tipo penal, dele excluindo as condutas consideradas socialmente adequadas. A segunda função é direcionada ao legislador, para orientá-lo na escolha de condutas a serem proibidas ou impostas e na revogação de tipos penais. Princípio da insignificância: Também conhecido como princípio da bagatela, o princípio da insignificância dispõe que é possível que uma conduta formalmente típica seja excluída da proteção do direito penal se ausente a sua tipicidade material, isto é, a relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado pela norma penal. É o caso, por exemplo, do furto de uma escova de dente dentro do supermercado. Para o STF, são necessários os seguintes requisitos para a aplicação do princípio da insignificância: 1. Mínima ofensividade; 2. Nenhuma periculosidade social da ação; 3. Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; 4. Inexpressividade de lesão jurídica provocada. Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da insignificância? Então assista ao vídeo "Exemplo de aplicação do princípio da insignificância em um caso real" do canal "Evinis Talon". Acesso em: out. 2020. Princípio da ofensividade: o princípio da ofensividade prevê que o Estado só pode punir as condutas que lesionam ou colocam em perigo os bens jurídicos penalmente tutelados. Assim, de acordo com Bitencourt (2020, "Para que se tipifique algum crime, em sentido material, é indispensável que haja, pelo menos, um perigo concreto, real e efetivo de dano a um bem jurídico penalmente protegido". Princípio da culpabilidade: O princípio da culpabilidade é fundamental para que seja possível a responsabilização da pessoa humana por um fato típico e ilícito. Tal princípio veda a responsabilidade objetiva no direito penal e apregoa que ninguém responderá por um resultado se não houver causado com dolo (vontade ou assentimento de cometer o crime) ou culpa (violação de um dever objetivo de cuidado). Princípio da proporcionalidade:16/02/2025, 17:21 princípio da proporcionalidade consiste em exigência inerente ao Estado Democrático de Direito, que determina a proteção do indivíduo contra intervenções estatais desnecessárias ou excessivas, que causem aos cidadãos danos mais graves do que os necessários para a proteção dos interesses públicos. Sobre o tema, conclui Bitencourt (2020, Para concluir, com base no princípio da proporcionalidade é que se pode afirmar que um sistema penal somente estará justificado quando a soma das violências - crimes, vinganças e punições arbitrárias - que ele pode prevenir for superior à das violências constituídas pelas penas que cominar.. Princípio da presunção de inocência: O princípio da presunção de inocência está previsto no artigo 5°, inciso LVII, da Constituição Federal (CRFB/88), que determina que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Apesar de ser um princípio com maior repercussão no processo penal, exerce relevante influência no direito penal, estando intimamente relacionado à dignidade da pessoa humana. Princípio de humanidade: O princípio da humanidade sustenta que a dignidade da pessoa humana deve ser sempre resguardada durante o cumprimento da pena. Exemplo de cela que viola o princípio de humanidade Fonte: "Getty Search Gateway". Disponível em:http://media.getty.edu/museum/images/web/thumbnail/31398201.jpg. Acesso em: nov. 2020.16/02/2025, 17:21 CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível concluir que os princípios penais fundamentais se complementam, tornando o direito penal compatível com o Estado Democrático de Direito. Tais garantias são essenciais, considerando seu papel de proteção dos cidadãos em face do poder punitivo estatal, evitando, assim, que injustiças e abusos sejam cometidos em face destes. Além disso, sempre vale ressaltar que cabe ao Estado priorizar a dignidade da pessoa humana, reconhecendo-a como um valor central e indispensável. Ademais, todo indivíduo precisa ser visto como sujeito autônomo, responsável por seus próprios atos e passível de punição por eles, desde que haja respeito à lei, aos limites impostos e ao jus puniendi estatal. NA PRÁTICA Jurisprudências Proibição da execução provisória da pena Nessa decisão, o STF decidiu que o cumprimento da pena somente pode ter início com o esgotamento de todos os recursos, proibindo a sua execução provisória da pena devido ao princípio constitucional da presunção de inocência. Aplicação do princípio da insignificância a um furto de caixas de bombons STF deferiu pedido em habeas corpus e determinou a extinção definitiva do procedimento penal instaurado contra acusado de furto de caixas de bombons por ausência de tipicidade material da conduta que lhe foi imputada, considerado, para esse efeito, o princípio da insignificância. 6d Saiba mais Filmes Laranja Mecânica O violento líder de uma gangue de delinquentes é preso e recebe a opção de participar de um programa que pode reduzir o seu tempo na cadeia. Ele vira cobaia de experimentos destinados a refrear os impulsos destrutivos do ser humano, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca. MAPA MENTAL PRINCÍPIOS PENAIS FUNDAMENTAIS Olá! A seguir, apresentamos um mapa mental animado que resume o conceito de "Princípios Penais Fundamentais" e será essencial nos seus estudos.16/02/2025, 17:21 Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Agora que você já viu a versão animada do mapa mental, que tal fazer download da versão estática do mapa? Essa versão resume para você, em uma imagem construída em formato de organograma, os principais conceitos do tema e como eles estão relacionados. Basta clicar aqui para fazer download do arquivo. = VÍDEO ENTREVISTA - PRINCÍPIOS PENAIS FUNDAMENTAIS Olá! A seguir, apresentamos a vídeo entrevista que trata sobre o tema "Princípios penais fundamentais". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. INTERVENÇÃO MÍNIMA Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 - Interpretar o princípio da intervenção mínima; 2 Explicar o alcance do princípio da intervenção mínima; 3 - Julgar a relação entre Direito Penal e sociedade. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! Vamos aprender um pouco sobre a intervenção mínima? princípio da intervenção mínima, também conhecido como ultima ratio, é um princípio que orienta e limita o poder punitivo do Estado, dispondo que a criminalização de uma conduta só é legítima se tal conduta colocar em risco os bens jurídicos mais relevantes para a sociedade. o PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA Vamos conceituar o princípio da intervenção mínima? o princípio da intervenção mínima se baseia na ideia de que o Estado apenas deve utilizar-se do Direito Penal para prevenir possíveis lesões aos bens jurídicos considerados de maior importância para a sociedade. Assim, caso outras formas de sanção ou meios de controle social se mostrem suficientes para a tutela de um determinado bem, a sua criminalização é inadequada. Por ser o mais agressivo dentre os instrumentos normativos de regulação social e coação de condutas17:21 231 u1 dir pen par_ger lesivas, na medida em que atinge os principais direitos e garantias fundamentais do indivíduo, o Direito Penal deve ser utilizado como última hipótese, quando já não houver mais alternativas disponíveis. Nesse sentido, leciona Bitencourt (2020, = [...] se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas, são estas as que devem ser empregadas, e não as penais. Por isso, o = Direito Penal deve ser a ultima ratio do sistema normativo, isto é, deve atuar somente quando os demais ramos do Direito revelarem-se incapazes de dar a tutela devida a bens relevantes na vida do indivíduo e da própria sociedade. Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da intervenção mínima? Então assista ao vídeo "Princípio da Intervenção Mínima, Fragmentariedade e Subsidiariedade Penal Curso de Direito Penal" do canal "Tulio Vianna TV". Acesso em: out. 2020. Você sabe quais são os desdobramentos do princípio da intervenção mínima? o princípio da intervenção mínima tem como principal desdobramento a necessidade de identificar os bens jurídicos mais relevantes para a sociedade para que sejam tutelados pelo Direito Penal. Além disso, ele impõe a descriminalização de condutas que atentam contra certos bens que, com a evolução da sociedade, deixaram de ser considerados fundamentais, fazendo retirar do nosso ordenamento jurídico-penal alguns tipos incriminadores. Um grande exemplo disso foi a descriminalização da prática de capoeira em 1937. Decreto 847, mais conhecido como Código Penal de 1890, punia com prisão de dois a seis meses aquele que fizesse "nas ruas e praças públicas exercício de agilidade e destreza corporal conhecida pela denominação Capoeiragem". Uma conduta anteriormente considerada atentatória a bens jurídicos importantes, de acordo com os valores sociais da época, se tornou, hoje, uma manifestação artística e cultural que simboliza a resistência das vítimas da escravidão. A capoeira, atualmente, além de não configurar crime, é considerado um esporte tipicamente brasileiro, que mistura arte marcial, cultura popular, dança e música, sendo motivo de muito orgulho e muita admiração. Saiba mais Quer saber mais sobre a história da capoeira? Então assista ao vídeo "História da Capoeira História em 3 Minutos" do canal "Gingado Capoeira" Acesso em: out. 2020.16/02/2025, 17:21 Outro exemplo da descriminalização de condutas com base no princípio da intervenção mínima é a retirada do crime de adultério do nosso ordenamento jurídico. Até 2005, o ato de se relacionar com terceiro na constância do casamento era considerado crime por consistir em uma grave violação dos deveres conjugais, passível de tutela penal. Com a evolução social, entendeu-se por bem utilizar outros ramos do direito para coibir o adultério, visto que o bem jurídico protegido não está mais entre os eleitos como de maior relevância pela sociedade. = Representação artística do adultério Fonte: "Getty Search Gateway". Disponível em: em: out. 2020. Vamos falar sobre os princípios da subsidiariedade e da fragmentariedade? Os princípios da subsidiariedade e da fragmentariedade são subprincípios da intervenção mínima. O primeiro aduz que a atuação do Direito Penal somente é legítima quando os outros ramos do Direito, mais brandos, mostrarem-se insuficientes para o controle social. Ele está mais relacionado ao plano abstrato, isto é, ao aspecto legislativo, impondo limites à atuação do legislador, que deverá criar norma penal apenas quando não houver soluções menos invasivas para solucionar o problema. princípio da fragmentariedade, por sua vez, determina que o Direito Penal somente deve intervir quando ficar demonstrada a existência de relevante lesão a bem jurídico fundamental da sociedade. Tal intervenção se dá no caso concreto, quando houver lesão significativa ao bem tutelado. Assim, caso a lesividade da conduta seja ínfima, a incidência da norma punitiva deve ser afastada naquela situação. princípio da insignificância é, então, desdobramento lógico do princípio da fragmentariedade. CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível concluir que o estudo da intervenção mínima é extremamente importante para a compreensão das bases de um Direito Penal realmente democrático, capaz de limitar ingerências indevidas do Estado na vida do principalmente quando a sua liberdade está em16/02/2025, 17:21 NA PRÁTICA Jurisprudência = Aplicação do princípio da insignificância a um furto no valor de R$ 99,00 (noventa e nove reais) = O STF, no julgamento do HC 144.551/RS, aplicou o princípio da insignificância para afastar a tipicidade material do furto de um par de sapatos femininos avaliado em R$ 99,00 (noventa e nove reais), tendo em vista que tal conduta não causou lesividade relevante à ordem social, havendo que incidir, por conseguinte, o = postulado da bagatela. VIDEOAULA - PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA Olá! = A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Princípio da intervenção mínima". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. VIDEOAULA - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Princípio da legalidade". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. OFENSIVIDADE Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 - Interpretar o princípio da ofensividade; 2 - Explicar a função político-criminal e a função interpretativa ou dogmática do princípio Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! Vamos aprender um pouco sobre a ofensividade?16/02/2025, 17:21 pedons 231 u1 dir pen princípio da ofensividade, implícito no ordenamento jurídico brasileiro, prevê que o Estado só pode punir as condutas que lesionam ou colocam em perigo os bens jurídicos penalmente tutelados. A seguir, abordaremos o conceito deste princípio, bem como as suas funções e aplicação prática. = o PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE = Vamos conceituar o princípio da ofensividade? o princípio da ofensividade se baseia na ideia de que o legislador penal só pode criminalizar os fatos que lesem ou ofereçam concreto perigo de lesão aos bens jurídicos mais importantes. A intervenção = penal estatal se legitima apenas quando a conduta representa efetiva e concreta lesão ou ameaça de lesão a um interesse socialmente relevante. De acordo com Cezar Roberto Bitencourt (2020, "Para que se tipifique algum crime, em sentido = material, é indispensável que haja, pelo menos, um perigo concreto, real e efetivo de dano a um bem jurídico penalmente protegido". (grifo nosso) = Fernando Capez (2020, por sua vez, expõe: "O princípio da ofensividade considera inconstitucionais todos os chamados 'delitos de perigo abstrato", pois, segundo ele, "não há crime sem comprovada lesão ou perigo de lesão a um bem jurídico". Instrumento ofensivo ao bem jurídico: vida Fonte: "Getty Search Gateway". Disponível em: http://media.getty.edu/museum/images/web/thumbnail/265646B1V1.jpg.Acesso em: nov. 2020.16/02/2025, 17:21 Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da ofensividade? Então assista ao vídeo "Direito Penal Princípio da Ofensividade ou Lesividade Prof. Daniel Buchmüller" do canal "Prof. Daniel Buchmüller". Acesso em: out. 2020. Você sabe quais são as funções do princípio da ofensividade? o princípio da ofensividade se baseia na ideia o princípio da ofensividade apresenta duas importantes funções. A primeira delas consiste em uma orientação fornecida ao legislador quando da elaboração de tipos penais, a fim de que se atenha à exigência de que a conduta proibida deve representar perigo concreto a bens jurídicos socialmente relevantes. A segunda função diz respeito à interpretação e aplicação da norma ao caso concreto, determinando que o intérprete legal exponha diretamente qual bem jurídico protegido pelo tipo penal foi efetivamente colocado em perigo. A atuação desse princípio como limitador do poder punitivo do Estado tem início no momento de elaboração da norma penal, a fim de impedir a criminalização de condutas inofensivas ou que não tragam perigo aos bens jurídicos de maior relevância, muito embora possam ser vistas como imorais ou em desacordo com os preceitos sociais. Apesar de tratar-se de princípio de suma importância, a ofensividade ainda não encontra previsão expressa no ordenamento jurídico pátrio, tratando-se uma construção doutrinária e jurisprudencial, a partir de uma interpretação da Constituição Federal (CRFB/88) e dos princípios nela previstos, especialmente por rechaçar a incriminação de condutas por mera inadequação aos preceitos sociais, sem que se constate um resultado juridicamente relevante. Vamos ver como o princípio da ofensividade é aplicado na prática? O princípio da ofensividade vem sendo cada vez mais utilizado pelos tribunais superiores para afastar a incidência dos tipos penais em algumas situações concretas. Há um importante debate acerca da aplicabilidade do referido princípio em relação ao crime previsto no artigo 183, da Lei 9.472/97, que comina pena de detenção de dois a quatro anos para a conduta de desenvolver clandestinamente atividades de telecomunicação. Em determinados casos, como se verá de forma mais detalhada, a Segunda Turma do STF se manifestou no sentido da atipicidade de tal conduta, visto que não resulta em dano ou perigo concreto relevante para a sociedade, de modo a lesionar ou colocar em perigo o bem jurídico tutelado pela norma (segurança dos meios de telecomunicações) na intensidade reclamada pelo princípio da ofensividade. CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível concluir que o princípio da ofensividade possui grande importância para a consolidação de um Direito Penal democrático. Tal princípio, voltado para o legislador e para os aplicadores da lei, se presta a limitar o poder punitivo do Estado, impedindo a criminalização de condutas inofensivas ou16/02/2025 17:21 que não tragam perigo aos bens jurídicos de maior relevância, ainda que possam ser vistas como imorais ou em desacordo com os preceitos sociais. NA PRÁTICA = Jurisprudências = Aplicabilidade do princípio da ofensividade para afastar a tipicidade material da conduta de operar clandestinamente rádio comunitária = Nessa decisão, a Turma do STF entendeu que a conduta de operar clandestinamente a rádio comunitária 106,5 FM, formalmente prevista no artigo 183, da Lei 9.472/97, não resultou em dano ou perigo concreto relevante para a sociedade, de modo a lesionar ou colocar em perigo qualquer bem jurídico na intensidade reclamada pelo princípio da ofensividade, sendo irrelevantes as consequências do fato. = VIDEOAULA PRINCÍPIO DA OFENSIVIDADE Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Princípio da ofensividade". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 3 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL Nessa aula, vamos dar sequencia ao tema "Princípios Penais Fundamentais". 28 minutos MATERIALIZAÇÃO DO FATO Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 Definir o princípio da materialização do fato; 2 Relacionar o princípio da materialização do fato à hipótese de crime tentado. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura!16/02/2025, 17:21 pedons 231 dir Vamos aprender um pouco sobre materialização do fato? princípio da materialização ou exteriorização do fato indica que ideias ou estilo de vida não podem ser criminalizados, devendo o direito penal se ocupar apenas com ações lesivas aos bens jurídicos de terceiros. A seguir, abordaremos o conceito e os principais desdobramentos desse princípio. Representação dos pensamentos humanos, que não podem ser punidos pelo Direito Penal = = Fonte: "Getty Search Gateway". Disponível em:http://media.getty.edu/museum/images/web/thumbnail/24805101.jpg.Acesso em: nov. 2020. o PRINCÍPIO DA MATERIALIZAÇÃO DO FATO Vamos conceituar o princípio da materialização do fato? Segundo o princípio da materialização do fato (nullum crimen sine actio), o Estado só pode definir como crimes as condutas humanas externas e voluntárias, ou seja, aquelas que se apresentam como fatos, por meio de uma ação ou omissão concreta. Assim, é vedado ao Estado incriminar condutas humanas involuntárias, situadas exclusivamente na mente do agente. Ninguém pode ser punido por seus pensamentos, desejos ou meras cogitações. Além disso, o estilo de vida do indivíduo, suas convicções pessoais, ideologias ou a sua própria personalidade não podem ser utilizados como fundamento para eventual responsabilização criminal ou agravação da pena. Adota-se, portanto, o direito penal do fato e não o direito penal do autor.16/02/2025, 17:21 Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da materialização do fato? Então assista ao vídeo "Princípio da Materialidade (Direito Penal de Autor X Ato) Curso de Direito Penal Túlio Vianna" do canal "Tulio Vianna TV". Acesso em: out. 2020. = = Você sabe as diferenças entre o direito penal do fato e o direito penal do autor o princípio da materialização ou exteriorização do fato foi responsável por inaugurar o direito penal do = fato, em contraposição ao direito penal do autor. O direito penal do fato dispõe que apenas ações ou omissões concretas podem ser punidas pelo direito penal. De acordo com Fernando Capez (2020, O direito penal não se presta a punir pensamentos, ideias, ideologias, nem o modo de ser das pessoas, mas, ao contrário, fatos devidamente exteriorizados no mundo concreto e objetivamente descritos e identificados em tipos legais. A função do Estado consiste em proteger bens jurídicos contra comportamentos externos, efetivas agressões previamente descritas em lei como delitos, bem como estabelecer um compromisso ético com o cidadão para o melhor desenvolvimento das relações intersociais. o direito penal do autor, por sua vez, se baseia na ideia de que o direito penal não deve castigar o ato, que em si mesmo não expressa muito valor, mas sim a atitude interna corrompida do agente. Nesse sentido, expõe Capez (2020, Na Alemanha nazista, por exemplo, não havia propriamente crimes, mas criminosos. Incriminavam-se os "traidores" da nação ariana e não os fatos eventualmente cometidos. Eram tipos de pessoas, não de condutas. Castigavam-se a deslealdade com o Estado, as manifestações ideológicas contrárias à doutrina nacional-socialista, os subversivos e assim por diante. Assim, resta claro que é inadmissível, em um Estado Democrático de Direito, a existência do direito penal do autor, devendo ser adotado o direito penal do fato. Por essa razão, o ordenamento jurídico brasileiro, em consonância com os valores contidos na Constituição Federal (CRFB/88), aderiu ao direito penal do fato, apesar de infelizmente ainda apresentar alguns resquícios do direito penal do Parte da doutrina aponta como exemplo de resquício do direito penal do autor a utilização das circunstâncias judiciais "conduta social" e "personalidade" do agente, previstas no artigo 59, do Decreto-Lei 2.848, para agravar a pena do réu, defendendo que tais circunstâncias deveriam ser16/02/2025, 17:21 utilizadas apenas em favor deste, sob pena de se formar julgamentos com base em pensamentos e ideias, mas não em fatos. Ademais, pelas mesmas razões, o plenário do STF declarou como não recepcionado o artigo 25, do Decreto-Lei 3.688, popularmente conhecida como a Lei de Contravenções Penais, que comina pena de = prisão simples de dois meses a um ano e multa para aquele que for encontrado em poder de gazuas, chaves falsas ou alteradas ou instrumentos empregados usualmente na prática de crime de furto, depois de condenado, por crime de furto ou roubo, ou enquanto sujeito à liberdade vigiada, ou quando conhecido como = vadio ou mendigo, desde que não prove destinação legítima. = Vamos relacionar o princípio da materialização do fato e a hipótese de crime tentado? A aplicação do princípio da materialização do fato se faz clara na hipótese de crime tentado, prevista pelo artigo 14, inciso II, do Decreto-Lei 2.848, que diz que o crime será tentado quando, iniciada a execução, não se consumar por circunstâncias alheias à vontade do agente. Nesse caso, só há crime a partir do momento em que são iniciados os atos executórios, ou seja, quando a conduta humana e voluntária é exteriorizada através de ação ou Assim, em regra, as etapas do iter criminis anteriores à execução, quais sejam, a cogitação e a preparação, não são passíveis de punição. Isso porque o agente ainda não praticou nenhum fato exterior que resulte em qualquer lesão a um bem jurídico, e as suas condutas internas não podem ser objeto de punição pelo Estado. Há, no entanto, algumas exceções nas quais a preparação é punida como delito autônomo. Os exemplos citados pela doutrina são os artigos 288 e 291, do Decreto-Lei 2.848 e o artigo 16, § único, inciso III, da Lei 10.826/0 CONCLUSÃO Tendo em vista o conteúdo apresentado, preparamos para você a seguinte tabela, diferenciando o direito penal do fato do direito penal do autor: Direito penal do fato Expoentes Objeto do direito penal Ações ou omissões concretas Ações ou omissões concretas Artigo 25, do Decreto-Lei 3.688 Artigo 121, do Decreto-Lei Pune-se o indivíduo pelo simples Exemplo Pune-se a conduta de matar fato de já ter sido condenado alguém. anteriormente ou de ser conhecido como vadio16/02/2025, 17:21 ou mendigo e trazer consigo instrumentos empregados usualmente na prática de crime de furto, ainda que não os utilize. NA PRÁTICA Jurisprudência Não recepção do artigo 25, do Decreto-Lei 3.688 pela Constituição (CRFB/88) O STF, julgando o RE 583523/RS, entendeu que o artigo 25, do Decreto-Lei 3.688, é anacrônico e não foi recepcionado pela CRFB/88, pois não se pode admitir a punição do sujeito apenas pelo que ele é, mas sim pelo que ele faz, pois concluir de forma diversa seria aceitar, num Estado Democrático de Direito, o indesejado e combatido direito penal do autor. Artigo Traços do direito penal do autor no ordenamento jurídico brasileiro Esse artigo científico analisa os institutos da conduta social e da personalidade do agente quando usados no critério de fixação da pena, demonstrando que configuram, na prática, o uso do direito penal do autor ao invés do direito penal do fato, adotado pela CRFB/88 e pelo Decreto-Lei 6d Saiba mais Filme A lista de Schindler Um comerciante no mercado negro, membro do próprio Partido Nazista que, apesar de seus defeitos, amava o ser humano, fez o impossível para conseguir salvar mais de mil judeus dos campos de concentração nazistas, que eram punidos e mortos pelo simples fato de serem considerados inimigos do Estado. o zoológico de Varsóvia Um casal responsável pelo zoológico de Varsóvia trabalhou com a resistência e planejou salvar centenas de judeus ameaçados pela invasão nazista no país. Eles buscaram reduzir os estragos causados pelo nazismo, que perseguia as pessoas consideradas ameaças ao regime.16/02/2025, 17:21 VIDEOAULA - MATERIALIZAÇÃO DO FATO Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Materialização do fato". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. RESPONSABILIDADE PENAL INDIVIDUAL Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 - Interpretar o princípio da pessoalidade; 2 Explicar a função político-criminal e a função interpretativa ou dogmática do princípio. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! Vamos aprender um pouco sobre responsabilidade penal individual? princípio da responsabilidade penal individual, também conhecido como princípio da responsabilidade pessoal, estabelece que somente o condenado poderá ser submetido à pretensão punitiva estatal. A seguir, realizaremos uma abordagem histórica e conceitual e prática acerca desse princípio. o QUE É o PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PENAL INDIVIDUAL? Vamos fazer uma breve abordagem histórica sobre o princípio da responsabilidade penal individual? No passado, não apenas o autor do fato respondia pelo delito cometido, como também as pessoas ligadas ao seu grupo familiar ou social. Assim, quando o condenado falecia antes do integral cumprimento da pena, seus parentes e amigos poderiam ser obrigados a substituí-lo na execução da sanção a ele imposta. As Ordenações Filipinas, por exemplo, que vigoraram no Brasil de 1603 até o início século XIX, continham vários dispositivos em que a pena era cominada diretamente aos familiares do ofensor. O Decreto de 17 de junho de 1759, por sua vez, estabelecia penas que passavam do condenado para os seus filhos e descendentes. o primeiro diploma legal brasileiro que assegurou o princípio da responsabilidade penal individual foi a Constituição de 1824, sendo ele reproduzido em todas as constituições seguintes, com a única exceção da Constituição de 1937, também conhecida como "Polaca", em razão do contexto autoritário em que foi elaborada. Vamos conceituar o princípio da responsabilidade penal individual?16/02/2025, 17:21 pedons 231 u1 dir pen par o princípio da responsabilidade penal individual está previsto no artigo 5°, inciso XLV, da Constituição Federal (CRFB/88), que estabelece que "nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens serem, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido". Neste sentido, é importante ressaltar que o princípio em questão é dotado de uma função interpretativa para nortear o aplicador da lei, bem como de função político-criminal, tendo em vista representar uma clara limitação ao poder punitivo do Estado, que fica impedido de aplicar qualquer tipo de sanção penal àqueles que não praticaram crimes, ainda que tenham relações familiares ou de amizade com eventuais criminosos. Nas palavras de Fernando Capez (2020, n.p.): "Ninguém pode ser responsabilizado por fato cometido por outra pessoa. A pena não pode passar da pessoa do condenado (CRFB/88, artigo 5°, XLV)". Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da responsabilidade penal individual? Então assista ao vídeo "Princípio da Pessoalidade/Intranscendência da Pena Artigo 5°, XLV, da CF/88" do canal "Prof. Diego Pureza". Acesso em: out. 2020. Vamos ver como o princípio da responsabilidade penal individual é aplicado na prática? Um debate extremamente importante acerca da aplicação do princípio da responsabilidade penal individual diz respeito ao confinamento de mulheres grávidas ou mães de crianças sob sua responsabilidade em estabelecimentos prisionais precários, subtraindo-lhes o acesso a programas de saúde pré-natal, assistência regular na gestação e no pós-parto, e, ainda, privando as crianças de condições adequadas ao seu desenvolvimento. Não há dúvidas que os filhos das presidiárias são fortemente prejudicados pelo encarceramento de suas mães nessas situações. Tal prática viola o princípio da intranscendência, segundo o qual a pena não pode passar da pessoa do condenado. Assim entendendo, os tribunais superiores têm frequentemente concedido habeas corpus, determinando a substituição da prisão preventiva pela domiciliar (sem prejuízo da aplicação concomitante de medidas alternativas) de mulheres presas, gestantes, puérperas ou mães de crianças e deficientes, enquanto não forem criadas condições mínimas de dignidade para a permanência delas com os seus filhos. Carinho e presença materna, que deveriam ser garantidos a todas as crianças16/02/2025, 17:21 = = = Fonte: "Getty Search Disponível em: nov. 2020. CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível concluir que o estudo do princípio da responsabilidade penal individual é de extrema relevância para a consolidação de um Direito Penal realmente democrático, capaz de limitar ingerências indevidas do Estado na vida do cidadão, principalmente daqueles que sequer praticaram atos delituosos, como é o caso das crianças atingidas pela prisão de suas mães em estabelecimentos penais inadequados para que permaneçam com elas em condições dignas. NA PRÁTICA Jurisprudência Aplicabilidade do princípio da responsabilidade penal individual para a concessão de HC coletivo impetrado em favor de presidiárias gestantes ou mães de crianças sob sua responsabilidade Considerando que o Estado brasileiro tem sido incapaz de garantir cuidados mínimos relativos à maternidade de mulheres em situação prisional e constatando que esses cuidados se direcionam não só a elas, mas também aos seus filhos, o STF determinou, no HC 143641/SP, a substituição da prisão preventiva pela domiciliar das mesmas.16/02/2025, 17:21 VIDEOAULA - RESPONSABILIDADE PENAL INDIVIDUAL Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Responsabilidade penal individual". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. = RESPONSABILIDADE PENAL SUBJETIVA = Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 - Explicar a responsabilidade penal subjetiva; 2 - Diferenciar a responsabilidade penal subjetiva das ideias de crime doloso e culposo; 3 - Ponderar sobre o alcance das ideias de vontade e consciência. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! o PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PENAL SUBJETIVA Vamos aprender um pouco sobre responsabilidade penal subjetiva? o princípio da responsabilidade penal subjetiva, também chamado de princípio da culpabilidade, veda a responsabilidade objetiva no direito penal e apregoa que ninguém responderá por um resultado se não houver causado com dolo ou culpa. A seguir, abordaremos os principais pontos relacionados a esse princípio. Vamos conceituar o princípio da responsabilidade penal subjetiva? o princípio da responsabilidade penal subjetiva dispõe que a responsabilização penal só é possível quando o agente pratica um ato por livre e espontânea vontade, com o intuito de obter o resultado ocorrido ou, no mínimo, causa o resultado por inobservância de um dever objetivo de cuidado. Assim, um indivíduo será punido apenas por fatos subjetivamente próprios, sendo vedada a responsabilização por fatos de terceiros, casuais, fortuitos ou imprevisíveis. Sobre o tema, ensina Capez (2020, n.p.):17:21 Nenhum resultado objetivamente típico pode ser atribuído a quem não o tenha produzido por dolo ou culpa, afastando-se a responsabilidade objetiva. Do mesmo modo, ninguém pode ser responsabilizado sem que reúna todos os requisitos da culpabilidade. Por exemplo, nos crimes qualificados pelo resultado, o resultado agravador não pode ser atribuído a quem não o tenha causado ao menos culposamente. = Nota-se, portanto, que não basta que determinada conduta se enquadre em um tipo penal para que seja considerada crime, sendo imprescindível que exista dolo ou culpa do indivíduo quanto ao ato que está = praticando. Busca-se, pois, excluir do direito penal a possibilidade de atribuir-se eventual responsabilidade objetiva. Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da responsabilidade penal subjetiva? Então assista ao vídeo "Princípio da responsabilidade penal subjetiva" do canal "Professor Bruno Freitas". Acesso em: out. 2020. o artigo 18, parágrafo único, do Decreto-Lei 2.848 determina que, salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. Mas qual é o conceito de dolo? E de culpa? mesmo dispositivo legal define, em seu inciso I, o crime doloso como um crime cujo resultado foi desejado (teoria da vontade) ou produzido pela assunção de um risco (teoria do assentimento). Capez (2020, n.p.) descreve o dolo da seguinte forma: É a vontade e a consciência de realizar os elementos constantes no tipo legal. Mais amplamente, é a vontade manifestada pela pessoa humana de realizar a conduta. Dolo é o elemento psicológico da conduta. Conduta é um dos elementos do fato típico. Logo, dolo é um dos elementos do fato típico. inciso II, por sua vez, diz que o crime culposo é aquele que decorre da imprudência, negligência ou imperícia do agente delituoso. Nesse sentido, expõe Capez (2020, n. p.): Em suma, para saber se houve culpa ou não, será sempre necessário proceder-se a um juízo de valor, comparando a conduta do agente no caso concreto com aquela que uma pessoa medianamente prudente teria na mesma situação. Isso faz com que a culpa seja qualificada como um elemento normativo da conduta. Por fim, é importante ressaltar que a punição a título de culpa é excepcional, só sendo possível se houver expressa previsão legal.17:21 Saiba mais Quer saber mais sobre as diferenças entre o dolo e a culpa? Então assista ao vídeo "Dolo e culpa: Explicação super fácil" do canal "Me Julga Cintia Brunelli". Acesso em: out. 2020. = Você sabe diferenciar a responsabilidade penal subjetiva da responsabilidade penal objetiva? = Para facilitar estudo deste assunto, preparamos para você a seguinte tabela, contendo as principais diferenças entre a responsabilidade penal subjetiva e a responsabilidade penal objetiva: = Responsabilidade penal Responsabilidade penal objetiva subjetiva = Para que haja responsabilidade Para que haja responsabilidade penal subjetiva, é necessário penal objetiva, é necessário Requisitos comprovar a conduta, o resultado, comprovar apenas a conduta, o nexo causal e o dolo ou a culpa resultado e o nexo causal. do agente delituoso. A responsabilidade objetiva é inaplicável ao direito penal, sendo, A responsabilidade subjetiva é a Requisitos porém, admitida única aplicável ao direito penal. excepcionalmente na seara civil e administrativa. Não há previsão legal desse tipo Previsão legal Artigo 18, do Decreto-Lei de responsabilidade no Decreto- Lei CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível concluir que o estudo do princípio da responsabilidade penal subjetiva é extremamente importante para a compreensão das bases de um Direito Penal realmente democrático, capaz de limitar ingerências indevidas do Estado na vida do cidadão, principalmente quando a sua liberdade está em jogo. NA PRÁTICA Jurisprudência16/02/2025, 17:21 231 u1 dir Aplicabilidade do princípio da responsabilidade penal subjetiva para afastar o crime de homicídio culposo imputado ao presidente e administrador do parque de diversão Hopi Hari Nessa decisão, o STF entendeu que não é possível responsabilizar o presidente de um parque de diversão pela morte de visitante se não houver comprovação de dolo ou culpa de sua parte. Para julgar procedente = o habeas corpus impetrado e extinguir o processo versando sobre esse tema, argumentou-se que não há, no ordenamento positivo brasileiro, a possibilidade constitucional de reconhecer a responsabilidade penal objetiva, prevalecendo, sempre, em sede criminal, como princípio dominante do sistema normativo, o dogma = da responsabilidade com culpa. = VIDEOAULA - RESPONSABILIDADE PENAL SUBJETIVA Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Responsabilidade penal subjetiva". Bons estudos! = Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 4 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL Nessa aula, vamos dar sequencia ao tema "Princípios Penais Fundamentais". 35 minutos Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1. Compreender o significado da insignificância; 2. Compreender como os Tribunais têm aplicado o princípio; 3. Justificar a relevância do princípio. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! Vamos aprender um pouco sobre insignificância?16/02/2025. 17:21 231 u1 dir pen par_ger princípio da insignificância ou da bagatela é mais um princípio do Direito Penal que restringe a abrangência das normas que preveem crimes e cominam penas, limitando, assim, a ingerência indevida do Estado na vida do cidadão. A seguir, abordaremos o conceito e os pontos mais relevantes relacionados a esse princípio. o PRINCÍPIO DA Vamos conceituar o princípio da insignificância? Também conhecido como princípio da bagatela, o princípio da insignificância é decorrência dos princípios da intervenção mínima, da fragmentariedade e da subsidiariedade, desenvolvidos pelas ideias do movimento funcionalista de Claus Roxin. Tal princípio dispõe que é possível que uma conduta formalmente típica seja excluída da proteção do direito penal, se ausente a sua tipicidade material, isto é, a relevante lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado pela norma penal. É o caso, por exemplo, do furto de uma escova de dente dentro do supermercado. Tal conduta se encaixa, em tese, ao tipo penal previsto no artigo 155, Decreto-Lei 2.848 (furto). Todavia, há que se considerar a ausência, nesse caso, de efetiva lesão ao bem jurídico protegido pelo tipo penal (patrimônio) ou de causa para justificar a aplicação de sanção penal, sendo consequência a atipicidade dos fatos. De acordo com Bitencourt (2020, A insignificância reside na desproporcional lesão ou ofensa produzida a determinado bem jurídico penalmente tutelado, com a gravidade da sanção cominada. A insignificância situa- se no abismo que separa o grau da ofensa produzida (mínima) ao bem jurídico tutelado e a gravidade da sanção que lhe é cominada. Assim, é imprescindível que exista uma efetiva proporcionalidade entre a gravidade da conduta que se pretende punir e a gravidade da intervenção estatal (sanção). princípio da insignificância preconiza que, para uma conduta ser considerada criminosa, é preciso que seja feita não apenas uma análise quanto à adequação do fato à conduta típica descrita em lei (tipicidade formal), mas também quanto à gravidade da lesão e à relevância do bem jurídico atingido (tipicidade material). Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da insignificância? Então assista ao vídeo "Princípio da Insignificância Simplificando Direito Penal" do canal "Simplificando Direito Penal". Acesso em: nov. 2020. Você sabe quais são os requisitos para a aplicação do princípio da insignificância?16/02/2025, 17:21 pedons 231 u1 dir pen par Para o STF, são necessários os seguintes requisitos para a aplicação do princípio da insignificância: 1. Mínima ofensividade: o delito cometido deve ser inofensivo, não podendo ofender (moralmente ou fisicamente) a sociedade nem a pessoa prejudicada; 2. Nenhuma periculosidade social da ação: o delito cometido não pode causar perigo ou potencial de perigo para a sociedade, as pessoas e o patrimônio; 3. Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento: o crime cometido não pode ser reprovado socialmente para que seja insignificante. Embora o furto de uma escova de dente dentro do supermercado seja um furto, não é socialmente reprovável, visto que não causa dano considerável e decorre de uma necessidade; 4. Inexpressividade de lesão jurídica provocada: o crime cometido não pode causar uma lesão jurídica expressiva para que seja insignificante, isto é, o ato de lesividade insignificante pode ser caracterizado na tipicidade formal, mas não na tipicidade material, pois não há lesão para justificar uma sanção penal. Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da insignificância? Então assista ao vídeo "Exemplo de aplicação do princípio da insignificância em um caso real" do canal "Evinis Talon". Acesso em: nov. 2020. Você sabe qual substrato do crime é excluído quando o princípio da insignificância é reconhecido? A corrente tripartite, adotada pela maioria da doutrina, afirma que o crime é dividido em três substratos: fato típico, ilicitude e culpabilidade. O fato típico, por sua vez, é composto pela conduta, pelo resultado, pelo nexo causal e pela tipicidade, sendo esta última afastada quando reconhecido o princípio da insignificância. A tipicidade constitui-se pela tipicidade formal e material. A primeira está relacionada à adequação do fato à descrição normativa da conduta proibida pelo Direito Penal. A segunda diz respeito à lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. É justamente na tipicidade material que se revela o verdadeiro sentido do princípio da insignificância, fazendo-se necessário, para a aplicação da sanção penal, que o ato praticado tenha exposto a risco ou provocado lesões significantes ao bem jurídico tutelado. CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível concluir que o estudo do princípio da insignificância é extremamente importante para a compreensão das bases de um Direito Penal realmente democrático, capaz de limitar ingerências indevidas do Estado na vida do cidadão, principalmente quando a sua liberdade está em jogo. NA PRÁTICA16/02/2025, 17:21 pedons 231 u1 dir pen par A reincidência, por si só, não impede a aplicação do princípio da insignificância A Turma do STF, no julgamento do HC 138.697/MG entendeu que a reincidência, por si só, não impede a aplicação do princípio da insignificância. Além disso, para a Corte, diante da inexpressiva ofensa ao bem jurídico protegido, a ausência de prejuízo ao ofendido e a desproporcionalidade da aplicação da lei penal, deve ser reconhecida a atipicidade da conduta. = Aplicação do princípio da insignificância a um furto de caixas de bombons = STF deferiu pedido em habeas corpus e determinou a extinção definitiva do procedimento penal instaurado contra acusado de furto de caixas de bombons por ausência de tipicidade material da conduta que lhe foi imputada, considerado, para esse efeito, o princípio da insignificância. = VIDEOAULA PRINCÍPIO DA Olá! = A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Princípio da insignificância". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. PROPORCIONALIDADE Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1. Compreender o significado da proporcionalidade; 2. Compreender como os Tribunais têm aplicado o princípio; 3. Justificar a relevância do princípio. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! Vamos aprender um pouco sobre proporcionalidade? princípio da proporcionalidade consiste em exigência inerente ao Estado Democrático de Direito, que determina a proteção do indivíduo contra intervenções estatais desnecessárias ou excessivas. A seguir, abordaremos o conceito e os pontos mais relevantes relacionados a esse princípio. o PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE Vamos conceituar o princípio da proporcionalidade?16/02/2025, 17:21 o princípio da proporcionalidade funciona como limite da atuação discricionária do poder público e se baseia na ideia de que o Estado não pode, por meio do Direito Penal, causar, aos cidadãos, danos mais graves do que os necessários para a proteção dos interesses públicos. Segundo Bitencourt (2020, = Para concluir, com base no princípio da proporcionalidade é que se pode afirmar que um sistema penal somente estará justificado quando a soma das violências crimes, vinganças e punições arbitrárias que ele pode prevenir for superior à das violências constituídas pelas penas que cominar. Enfim, é indispensável que os direitos fundamentais do cidadão sejam considerados indisponíveis (e intocáveis), afastados da livre disposição do Estado, que, além de respeitá-los, deve garanti-los. Assim, é atribuída ao legislador e ao julgador a responsabilidade de realizar um juízo de ponderação sobre a relação existente entre o bem que é lesionado ou posto em perigo (gravidade do fato) e o bem de que pode alguém vir a ser privado como decorrência daquela conduta delituosa (gravidade da pena). Trata- se de uma vedação à imposição de penas que não possuam uma relação valorativa com o delito cometido, de forma que a gravidade da pena deve ser diretamente correspondente à gravidade do fato, considerado como delito, a que se destina. Vamos falar sobre os fundamentos e as dimensões do princípio da proporcionalidade? Embora o princípio da proporcionalidade não conste, de forma expressa, no texto constitucional, encontra-se insculpido em diversos outros princípios constitucionais, tais quais: a exigência da individualização da pena (artigo 5°, inciso XLVI, da CRFB/88); a proibição de determinadas modalidades de sanções penais (artigo 5°, inciso XLVII, da CRFB/88); e a admissão de maior rigor para infrações mais graves (artigo 5°, XLII, XLIII e XLIV, da CRFB/88). A análise do referido princípio deve ser feita em três dimensões: Adequação da pena: a cominação de uma sanção penal deve ser o meio adequado para se alcançar a proteção do bem jurídico pretendida; Necessidade da pena: a medida não deve exceder os limites indispensáveis à manutenção da finalidade que se almeja, sendo esta finalidade legítima; Proporcionalidade em sentido estrito: a pena aplicada deverá ser proporcional à natureza e extensão da lesão abstrata ou concreta do bem jurídico tutelado. Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da proporcionalidade? Então assista ao vídeo "Aula 7 Penal Tema: Princípio da Proporcionalidade" do canal "Fazer Direito". Acesso em: nov. 2020.16/02/2025, 17:21 231 u1 dir Você conhece os principais desdobramentos do princípio da proporcionalidade? Tendo em vista a definição do princípio da proporcionalidade, é possível notar que ele possui dois importantes desdobramentos: Proibição do excesso: visa proteger o direito fundamental à liberdade, garantido a todo cidadão pela Constituição da República de 1988, na medida em que coíbe punições desnecessárias por comportamentos que não se enquadram dentro dos critérios de relevância exigidos pelo Direito Penal, bem como a cominação de penas desproporcionais à gravidade da lesão ao bem jurídico tutelado. Na fixação da pena-base, por exemplo, não existe uma quantidade de aumento preestabelecida para cada circunstância desfavorável do artigo 59 do Código Penal, porém o juiz não pode incorrer em excessos. O princípio da proporcionalidade baliza a discricionariedade do magistrado. Proibição da proteção deficiente: tem por finalidade evitar que um direito fundamental seja deficientemente protegido, seja por meio da eliminação de fatos típicos relevantes, pela cominação de penas que não fazem jus à importância do bem jurídico lesado ou, ainda, pela aplicação de institutos que beneficiam indevidamente o réu. Os mandados constitucionais, contidos nos artigos 5°, incisos XLIV (racismo) e XLIII = (tortura, tráfico ilícito de drogas, terrorismo e crimes hediondos), e 227, §4, da Constituição Federal, são exemplos dessa proibição da proteção deficiente. Representação artística de proporcionalidade16/02/2025. 17:21 pedons_231_u1_dir_pen_par_ger = = = = Fonte: "Getty Search Gateway". Disponível em: http://media.getty.edu/museum/images/web/enlarge/00022701.jpg. Acesso em: nov. 2020 CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível afirmar que o princípio da proporcionalidade se trata de uma decorrência obrigatória da condição de Estado Democrático de Direito, posto que impõe um juízo de ponderação entre interesses individuais e coletivos, partindo-se de uma hierarquia de valores que deve ser, necessariamente, respeitada pelo legislador e pelo julgador. NA PRÁTICA Jurisprudência16/02/2025, 17:21 pedons 231 u1 dir pen_par_ger Aplicabilidade do princípio da proporcionalidade para afastar a prisão processual se esta for mais gravosa ao acusado do que a pena da suposta infração cometida No julgamento do HC 182.750/SP, a Quinta Turma do STJ entendeu ser ilegal a manutenção da prisão provisória na hipótese em que seja plausível antever que o início do cumprimento da reprimenda, em caso de eventual condenação, seria em regime menos rigoroso que o fechado, em consonância com o princípio da = homogeneidade, indicado como corolário do princípio da proporcionalidade). = 6d Saiba mais Filme = Laranja Mecânica violento líder de uma gangue de delinquentes é preso e recebe a opção de participar de um programa que pode reduzir o seu tempo na cadeia. Ele vira cobaia de experimentos destinados a refrear os = impulsos destrutivos do ser humano, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca. = VIDEOAULA PROPORCIONALIDADE Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Proporcionalidade". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. ADEQUAÇÃO SOCIAL Olá! Ao final dessa leitura, esperamos que você seja capaz de: 1 Interpretar o princípio da adequação social; 2 Explicar o alcance do princípio da adequação social; 3 Verificar a relação entre os delitos e as condutas socialmente adequadas. Quer baixar a versão em PDF desse texto? Basta clicar aqui nesse link. Boa leitura! Vamos aprender um pouco sobre a adequação social? princípio da adequação social, implícito no nosso ordenamento jurídico, prevê que uma conduta não deve ser considerada típica se for socialmente aceita, mesmo que se enquadre em um dispositivo legal incriminador. Abordaremos, a seguir, o conceito deste princípio, bem como as suas funções e aplicação16/02/2025. 17:21 o PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL Vamos conceituar o princípio da adequação social? O princípio da adequação social dispõe que condutas socialmente aceitas não devem ser consideradas = crimes, ainda que representem um risco para a convivência social. Trata-se, portanto, de um princípio limitador do poder punitivo estatal, que reduz a abrangência do tipo = penal, bem como orienta o legislador na escolha das condutas a serem proibidas ou impostas e na revogação de tipos penais. Segundo Capez (2020, [...] o Direito Penal somente tipifica condutas que tenham certa relevância social. O tipo penal pressupõe uma atividade seletiva do comportamento, escolhendo somente aqueles que sejam contrários e nocivos ao interesse público, para serem erigidos à categoria de infrações penais; por conseguinte, as condutas aceitas socialmente e consideradas normais não podem sofrer esse tipo de valoração negativa, sob pena de a lei incriminadora padecer do vício de inconstitucionalidade Saiba mais Quer saber mais sobre o princípio da adequação social? Então assista ao vídeo "Aula 10 Penal Princípio da adequação social" do canal "Fazer Direito". Acesso em: out. 2020. Você sabe quais são as funções do princípio da adequação social? O princípio da adequação social possui duas importantes funções. A primeira delas está relacionada à restrição da abrangência dos tipos penais, limitando o seu alcance interpretativo. Direciona-se ao aplicador da norma, evitando que condutas socialmente aceitas sejam punidas criminalmente. A segunda função desse princípio consiste em orientar o legislador na escolha das condutas que deverão ser protegidas ou punidas, a fim de se tutelar apenas os bens jurídicos considerados de suma importância. Assim, cabe a ele realizar uma constante revisão do ordenamento jurídico penal, para que acompanhe a evolução social e, em consonância com os demais princípios norteadores do Direito Penal, exclui a proteção vigente sobre aqueles bens cujas condutas, então tipificadas, já se adaptaram perfeitamente ao contexto em que se encontram. Por fim, é válido ressaltar que o princípio da adequação social, por si só, não é suficiente para revogar normas penais incriminadoras. Trata-se apenas de uma orientação ao legislador e ao intérprete das normas penais. Embora o costume seja uma fonte do Direito Penal sempre que beneficie o réu, para o nascimento do direito positivo, é necessário o reconhecimento geral e a vontade geral de que a norma costumeira atue como direito16/02/2025, 17:21 vigente, além da inserção formal desta norma no ordenamento jurídico. Nesse sentido, ainda que certas condutas incriminadas não mais sejam consideradas como de natureza grave pela sociedade, elas somente poderão ser revogadas por meio de lei nesse sentido. Vamos ver como o princípio da adequação social é aplicado na prática? Há uma grande discussão acerca da aplicação do princípio da adequação social, que diz respeito à venda de produtos piratas (conduta punida pelo artigo 184, do Decreto-Lei 2.848), tendo em vista tratar-se de conduta corriqueira da sociedade brasileira. Entretanto, tanto o STF quanto o STJ já manifestaram entendimento no sentido da inaplicabilidade do referido princípio ao delito, afirmando que, havendo prova da materialidade delitiva, deverá ser considerada típica a conduta. Outro debate sobre o assunto está relacionado à possibilidade de utilizar o princípio da adequação social para excluir a tipicidade material da conduta de manter casa de prostituição, delito que, mesmo após as recentes alterações legislativas, continuou a ser tipificada no artigo 229, do Decreto-Lei 2.848. o STF entendeu que isso não é possível, visto que a manutenção de estabelecimento em que ocorra a exploração sexual de outrem vai de encontro ao princípio da dignidade da pessoa humana. Cabaré Fonte: "Getty Search Disponível em:http://media.getty.edu/museum/images/web/thumbnail/071239B1V1.jpg.Acesso em: nov. 202016/02/2025. 17:21 CONCLUSÃO Diante do exposto, é possível concluir que o princípio da adequação social é extremamente importante para a consolidação de um Direito Penal democrático. Tal princípio, voltado para o legislador e para os aplicadores da lei, não é capaz de revogar tipos penais, pois apenas a lei pode fazer isso. Por essa e por outras razões, os = tribunais superiores não têm reconhecido a sua aplicação para afastar a criminalização dos crimes previstos nos artigos 184, §2° e 229, do Decreto-Lei = NA PRÁTICA = Jurisprudências Inaplicabilidade do princípio da adequação social em relação à conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas = STJ editou a Súmula 502, estabelecendo que presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime previsto no artigo 184, § 2°, Decreto-Lei a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas. Inaplicabilidade do princípio da adequação social em relação à conduta de manter casa de prostituição A primeira turma do STF rejeitou habeas corpus a comerciantes que exploravam casa de prostituição por entender que o princípio da adequação social não é apto a afastar a criminalização dessa conduta. 6d Saiba mais Filme L'Apollonide Esse filme retrata as experiências e o cotidiano desgastante de sete prostitutas, expostas a doenças, gravidez dramática e humilhação sexual em uma casa de tolerância bordel. VIDEOAULA - PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL Olá! A seguir, apresentamos a videoaula que trata sobre o tema "Princípio da adequação social". Bons estudos! Para visualizar o objeto, acesse seu material digital.16/02/2025, 17:21 REFERÊNCIAS 7 minutos Aula 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte geral vol. 1. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Cap. "Conceito de Direito Penal", itens 5, 6 e 7. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: Acesso em: nov. 2020. BRASIL. Decreto-Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Legislação Federal. Disponível em: Acesso em: nov. 2020. BRASIL. Lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003. Legislação Federal. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil Acesso em: nov. 2020 BRASIL. Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006. Legislação Federal. Disponível em: em: nov. 2020 BRASIL. Lei 11.343, de 23 de agosto de 2006. Legislação Federal. Disponível em: Acesso em: nov. 2020 CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Cap. 1 "Introdução", itens 1.1, 1.2 e 1.3. Aula 2 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte geral. Vol. 1. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Cap. "Princípios limitadores do poder punitivo estatal" (inteiro). BRASIL. Decreto 847, de 11 de outubro de 1890. Código Penal. Legislação Federal. Disponível em: Acesso em: nov. 2020. BRASIL. Decreto-Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Legislação Federal. Disponível Acesso em: out. 2020. BRASIL. Lei 9.472, de 16 de julho de 1997. Legislação Federal. Disponível em: em: out. 2020. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: Acesso em: nov. 2020. CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Cap. 1 "Introdução", item 1.4.3.9.16/02/2025, 17:21 Aula 3 BRASIL. Constituição (1824). Constituição Política do Império do Brazil. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil 03/constituicao/constituicao24.htm. Acesso em: nov. 2020. BRASIL. Constituição (1937). Constituição dos Estados Unidos do Brasil. Disponível em: nov. 2020. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: nov. 2020. BRASIL. Decreto-Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Legislação Federal. Disponível em: out. 2020. BRASIL. Decreto-Lei 3.688, de 3 de outubro de 1941. Lei das Contravenções Penais. Legislação Federal. Disponível Acesso em: out. 2020. BRASIL. Lei 10.286, de 22 de dezembro de 2003.. Legislação Federal. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil 03/leis/2003/110.826.htm. Acesso em: out. 2020. CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Cap. 1 "Introdução", item 1.4.3.11. Aula 4 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte geral. Vol. 1. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Cap. II "Princípios limitadores do poder punitivo estatal", item 6. BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal: parte geral. Vol. 1. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Cap. II "Princípios limitadores do poder punitivo estatal", item 9. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: em: out. 2020. BRASIL. Decreto-Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Legislação Federal. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm.Acesso em: nov. 2020. CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte geral. Vol. 1. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Cap. 1 "Introdução", item 1.4.3.4.