Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

4° PERÍODO
Integração Ensino Serviço Comunidade
POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO 
INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA 
 PORTARIA N° 1.130 DE 05 DE AGOSTO DE 
2015 
Institui a Política Nacional de Atenção Integral 
Saúde da criança no âmbito do SUS. 
 OBJETIVO 
Promover e proteger a saúde da criança e o 
aleitamento materno, mediante a atenção e 
cuidados integrais e integrados da gestação aos 
9 (nove) anos de vida, com especial atenção à 
primeira infância e às populações de maior 
vulnerabilidade, visando à redução da 
morbimortalidade e um ambiente facilitador à 
vida com condições dignas de existência e 
pleno desenvolvimento. 
Para fins do PNAISC considera-se: 
1. Criança de 0 a 9 anos (120 Meses) 
2. Primeira Infância: De 0 a 5 anos (72 
Meses) 
- Observação: Para fins de atendimento em 
serviços de pediatria no SUS, a PNAISC 
contemplará crianças e adolescentes até a 
idade de 15 (quinze) anos, ou seja, 192 
(cento e noventa e dois) meses sendo este 
limite etário passível de alteração de acordo 
com as normas e rotinas do estabelecimento 
de saúde responsável pelo atendimento. 
 PRINCÍPIOS 
Art. 4° A PNAISC é orientada pelos seguintes 
princípios: 
1. Direito à vida e à saúde; 
2. Prioridade absoluta da criança; 
3. Acesso universal à saúde; 
4. Integralidade do cuidado; 
5. Equidade em saúde; 
6. Ambiente facilitador à vida; 
7. Humanização da atenção; 
8. Gestão participativa e controle social. 
 EIXOS ESTRATÉGICOS 
Estrutura em 7 (sete) eixos estratégicos, com a 
finalidade de orientar e qualificar as ações e 
serviços de saúde da criança no território 
nacional, considerando os determinantes 
sociais e condicionantes para garantir o direito 
à vida e à saúde, visando à efetivação de 
medidas que permitam o nascimento e o pleno 
desenvolvimento na infância, de forma 
saudável e harmoniosa, bem como a redução 
das vulnerabil idades e r iscos para o 
adoecimento e outros agravos, a prevenção das 
doenças crônicas na vida adulta e da morte 
prematura de crianças. 
Art. 6°: A PNAISC se estrutura em 7 (sete) 
eixos estratégicos 
1. Atenção humanizada e qualificada à 
gestação, ao parto, ao nascimento e 
ao recém-nascido: Consiste na melhoria 
do acesso, cobertura, qualidade e 
humanização da atenção obstétrica e 
neonatal, integrando as ações do pré- natal 
e acompanhamento da criança na atenção 
básica com aquelas desenvolvidas nas 
maternidades, conformando-se uma rede 
articulada de atenção; 
2. Aleitamento materno e alimentação 
complementar saudável: Estratégia 
ancorada na promoção, proteção e apoio 
ao aleitamento materno, iniciando na 
gestação, considerando- se as vantagens da 
amamentação para a criança, a mãe, a 
família e a sociedade, bem como a 
importância de estabelecimento de hábitos 
alimentares saudáveis; 
3. Promoção e acompanhamento do 
crescimento e do desenvolvimento 
integral: Consiste na vigilância e estímulo 
do pleno crescimento e desenvolvimento da 
criança, em especial do "Desenvolvimento 
na Primeira Infância (DPI)", pela atenção 
básica à saúde, conforme as orientações da 
"Caderneta de Saúde da Criança", 
incluindo ações de apoio às famílias para o 
fortalecimento de vínculos familiares; 
4. Atenção integral a crianças com 
agravos prevalentes na infância e 
com doenças crônicas: Consiste em 
estratégia para o diagnóstico precoce e a 
qualificação do manejo de doenças 
prevalentes na infância e ações de 
prevenção de doenças crônicas e de 
cuidado dos casos diagnosticados, com o 
fomento da atenção e internação 
domiciliar sempre que possível; 
5. Atenção integral à criança em 
situação de violências, prevenção de 
acidentes e promoção da cultura de 
paz: Consiste em articular um conjunto de 
ações e estratégias da rede de saúde para a 
prevenção de violências, acidentes e 
promoção da cultura de paz, além de 
organizar metodologias de apoio aos 
Maria Vitória de Sousa Santos 
serviços especializados e processos 
formativos para a qualificação da atenção à 
criança em situação de violência de 
natureza sexual, física e psicológica, 
negligência e/ou abandono, visando à 
implementação de linhas de cuidado na 
Rede de Atenção à Saúde e na rede de 
proteção social no território; 
6. Atenção à saúde de crianças com 
d e fi c i ê n c i a o u e m s i t u a ç õ e s 
específicas e de vulnerabilidade: 
Consiste na articulação de um conjunto de 
estratégias intrassetoriais e intersetoriais, 
para inclusão dessas crianças nas redes 
temáticas de atenção à saúde, mediante a 
i d e n t i fi c a ç ã o d e s i t u a ç ã o d e 
vulnerabilidade e risco de agravos e 
a d o e c i m e n t o , r e c o n h e c e n d o a s 
especificidades deste público para uma 
atenção resolutiva; 
7. Vigilância e prevenção do óbito 
infantil, fetal e materno: Consiste na 
contribuição para o monitoramento e 
investigação da mortalidade infantil e fetal 
e possibilita a avaliação das medidas 
necessárias para a prevenção de óbitos 
evitáveis. 
 AÇÕES ESTRATÉGICAS 
Art 7°: São ações estratégicas do eixo de 
atenção humanizada e qualificada à gestação, 
ao parto, ao nascimento e ao recém-nascido: 
I. A prevenção da transmissão vertical do 
HIV e da sífilis; 
II. A atenção humanizada e qualificada ao 
parto e ao recémnascido no momento do 
nasc imento, com capaci tação dos 
profissionais de enfermagem e médicos 
para prevenção da asfixia neonatal e das 
parteiras tradicionais; 
III. A atenção humanizada ao recém-nascido 
prematuro e de baixo peso, com a 
utilização do "Método Canguru"; 
IV. A qualificação da atenção neonatal na rede 
de saúde materna, neonatal e infantil, com 
especial atenção aos recém-nascidos graves 
ou potencialmente graves, internados em 
Unidade Neonata l , com cu idado 
progressivo entre a Unidade de Terapia 
Intensiva Neonatal (UTIN), a Unidade de 
Cu idado In te r med iá r io Neonata l 
Convencional (UCINCo) e a Unidade de 
Cuidado Intermediário Neonatal Canguru 
(UCINCa); 
V. A alta qualificada do recém-nascido da 
maternidade, com vinculação da dupla 
mãe-bebê à Atenção Básica; 
VI. O seguimento do recém-nascido de risco, 
após a alta da maternidade, de forma 
c o m p a r t i l h a d a e n t r e a A t e n ç ã o 
Especializada e a Atenção Básica; e 
VII.As triagens neonatais universais (teste do 
pezinho, teste do coraçãozinho, teste do 
olhinho etc). 
Art. 8°: São ações estratégicas do eixo de 
a l e i t amen to mate r no e a l imen tação 
complementar saudável: 
I. A Iniciativa Hospital Amigo da Criança 
(IHAC); 
II. A Estratégia Nacional para Promoção do 
Aleitamento Materno e Alimentação 
Complementar Saudável no SUS; 
III. A Mulher Trabalhadora que Amamenta 
(MTA); 
IV. A Rede Brasileira de Bancos de Leite 
Humano; 
V. A implementação da Norma Brasileira de 
Comercialização de Alimentos para 
Lactentes, para Crianças de Primeira 
Infância, Bicos Chupetas e Mamadeiras 
(NBCAL); e 
VI. A mobilização social em aleitamento 
materno 
Art. 9°: São ações estratégicas do eixo de 
promoção e acompanhamento do crescimento 
e do desenvolvimento integral: 
I. A disponibilização da "Caderneta de 
Saúde da Criança", com atualização 
periódica de seu conteúdo; 
II. A qualificação do acompanhamento do 
crescimento e desenvolvimento da primeira 
infância pela Atenção Básica à Saúde; 
III. O Comi tê de Espec ia l i s t a s e de 
M o b i l i z a ç ã o S o c i a l p a r a o 
Desenvolvimento Integral da Primeira 
Infância, no âmbito do Sistema Único de 
Saúde (SUS); e 
IV. O apoio à implementação do Plano 
Nacional pela Primeira Infância. 
Art. 10°: São ações estratégicas do eixo de 
atenção integral a crianças com agravos 
prevalentes na infância e com doenças crônicas 
I. A Atenção Integrada às Doenças 
Prevalentes na Infância (AIDPI); 
Maria Vitória de Sousa Santos 
II. A construção de diretrizes de atenção e 
linhas de cuidado; e(medicamentos 
utilizados na gestação, peso prévio e altura, 
sinais e sintomas da gestação, etc); 
7. Uso de tabaco, álcool ou outras drogas 
lícitas. 
 EXAME FÍSICO 
Exame físico geral: 
1. Inspeção da pele e das mucosas; 
2. Sinais vitais: aferição do pulso, frequência 
card íaca , f requênc ia resp i ratór ia , 
temperatura axilar; 
3. Palpação da tireoide , região cervical, 
supraclavicular e axilar (pesquisa de 
nódulos ou outras anormalidades); 
4. Ausculta cardiopulmonar; 
5. Exame do abdome; 
6. Exame dos membros inferiores; 
7. Determinação do peso; 
8. Determinação da altura; 
9. Cálculo do IMC; 
10. Avaliação do estado nutricional e do ganho 
de peso gestacional; - Medida da pressão 
arterial; 
11. Pesquisa de edema (membros, face, região 
sacra, tronco). 
Exame físico específico (gineco-
obstétrico): 
1. Palpação obstétrica; 
2. Medida e avaliação da altura uterina; 
3. Ausculta dos batimentos cardiofetais; 
4. Registro dos movimentos fetais; 
5. Teste de estímulo sonoro simplificado 
(Tess); 
6. Exame clínico das mamas; 
7. Exame ginecológico (inspeção dos genitais 
externos, exame especular, coleta de 
material para exame colpocitopatológico, 
toque vaginal). 
Altura uterina 
• Visa ao acompanhamento do crescimento 
fetal e à detecção precoce de alterações. 
• Use como indicador a medida da altura 
uterina e sua relação com o número de 
semanas de gestação. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Delimite-se a borda superior da sínfise 
púbica e o fundo uterino. 
• O útero aumenta seu tamanho com a idade 
gestacional. 
Batimentos cardíacos fetais 
• Constatar a cada consulta a presença, o 
ritmo, a frequência e a normalidade dos 
batimentos cardíacos fetais (BCF). 
1. Sonar: Após 12 semanas de gestação, ou 
com 
2. Pinard: Após 20 semanas. 
• É considerada normal a frequência cardíaca 
fetal entre 120 a 160 batimentos por minuto. 
 MANOBRAS DE LEOPOLD 
 PALPAÇÃO DO FUNDO UTERINO 
• O primeiro tempo da manobra tem como 
objetivo identificar o polo fetal presente no 
fundo uterino e assim determinar qual a 
situação do feto. 
• Para isso, o examinador deve utilizar ambas 
as mãos encurvadas de forma a comprimir a 
parede abdominal com as bordas cubitais 
para delimitar o fundo uterino. 
• Após delimitar o fundo uterino, deve-se 
determinar qual a parte do feto que está 
localizada no fundo uterino. Geralmente a 
parte fetal a ser palpada é o polo pélvico, 
identificado por ser mais volumoso, esferoide, 
de superfície irregular e amolecido. 
• Agora, se for palpado o polo cefálico, a 
sensação é de um corpo de superfície regular, 
resistente e endurecido. 
• A partir dessa manobra, já dá para prever 
qual é a apresentação fetal, uma vez que essa 
é a situação. 
• Assim, se for palpado o polo pélvico, a 
apresentação é cefálica, assim como, se for 
palpado o polo cefálico, a apresentação será 
pélvica. 
• Quanto à situação, o feto pode estar em 
situação longitudinal (vertical), transversal ou 
córmica, ou oblíqua, em relação ao eixo 
materno. 
 PALPAÇÃO DA LATERALIDADE 
• Após o primeiro tempo, o examinador 
desliza as mãos para o polo inferior do órgão, 
regiões laterais no abdome, para tentar 
identificar o dorso fetal de um lado e as 
pequenas partes ou membros do outro lado. 
• O dorso fetal é sentido como uma superfície 
resistente, lisa, regular e contínua. 
• Quando o dorso está localizado para trás, os 
membros fetais são mais perceptíveis, pois 
estarão em contato mais direto com a parede 
anterior. 
• Assim, fica perceptível que, se o dorso estiver 
orientado para a direita, os membros estarão 
posicionados à esquerda, e vice-versa. 
• Essa manobra tem como objetivo determinar 
a posição fetal e pode até ajudar a identificar 
o melhor foco de ausculta dos batimentos 
cardíacos do feto (dorso). 
 PALPAÇÃO DO PÓLO INFERIOR 
• Possui como objetivo avaliar a mobilidade do 
polo fetal inferior em relação ao estreito 
Maria Vitória de Sousa Santos 
superior da bacia materna, determinando 
assim a apresentação fetal. 
• Para isso o examinador precisa apreender o 
polo entre o polegar e o dedo médio da mão 
d i re i ta , rea l i zando mov imentos de 
lateralidade para indicar o grau de 
penetração da apresentação na bacia. 
• Quando o polo fetal está alto e móvel 
durante o exame, o polo balança facilmente 
de um lado para outro. Agora, se o polo 
estiver mais insinuado, se encontrará fixo. 
• A apresentação fetal pode ser classificada 
quanto ao polo inferior em cefálica, quando o 
polo inferior é o polo cefálico, pélvica, quando 
o polo inferior é o polo pélvico, e córmica, 
quando o feto encontra-se em situação 
transversal. 
 ENCAIXE PÉLVICO 
• Responsável por determinar a insinuação 
fetal, é a única manobra realizada com as 
costas do examinador voltada para a cabeça 
da paciente. 
• Nesse tempo, o examinador precisa 
posicionar suas mãos sobre as fossas ilíacas, 
aprofundando-as na pelve como se estivesse 
“escavando”, indo em direção ao hipogástrio, 
à procura do polo fetal inferior. 
• Assim como no primeiro tempo, ao achar o 
polo inferior, é necessário determinar através 
das características qual é a parte fetal 
localizada. 
• O polo cefálico é menor, com uma superfície 
regular, lisa e endurecida (apresentação 
cefálica). 
• Já o polo pélvico é maior, com uma superfície 
irregular e amolecida (apresentação pélvica). 
• Na apresentação córmica, no qual o feto está 
em situação transversa e, durante o quarto 
tempo, o polo inferior encontrará vazio.     
 CÁLCULO DA DATA PROVÁVEL DO PARTO 
• Calcula-se a data provável do parto levando-
se em consideração a duração média da 
gestação normal (280 dias ou 40 semanas, a 
partir da DUM), mediante a utilização de 
calendário. 
• Regra de Nägele para data provável do parto 
= DUM + 9 meses e 7 dias. 
Exemplo: DUM: 20/01/22 - DPP: 27/10/22 
Maria Vitória de Sousa Santos 
 EXAMES OBRIGATÓRIOS 1° CONSULTA 
 ULTRASSONOGRAFIA 
• Não é considerado um exame obrigatório 
pelo Ministério da Saúde, mas possui maior 
acurácia para determinação da idade 
gestacional quando feita no l° trimestre, 
especialmente entre 6 e 13 semanas. 
• Exceto quando houver impossibilidade de 
determinação da idade gestacional correta e 
na presença de intercorrências clínicas ou 
obstétricas, assim como detecção precoce de 
gestações múltiplas e retardo de crescimento 
intrauterino. 
Idade gestacional x estrutura visualizadas na 
USG-TV: 
1. 4 semanas: Saco gestacional (SG); 
2. 5-6 semanas: Vesícula Vitelinica; 
3. 6-7 semanas: Batimentos cardíacos fetais; 
4. 12 semanas: Placenta. 
 EXAMES COMPLEMENTARES 
 VACINAÇÃO PRÉ NATAL 
1. Tétano dT: Complementar esquema / 
Dose adicional de reforço após 5 anos 
2. Coqueluche dTpa: A partir da 20ª 
semana ou até 45 dias após o parto. 
3. Influenza: Campanha anual 
4. Hepatite B: Para gestantes não vacinadas 
Observação: Não fazer aplicação de vacinas 
contra Rubeola, sarampo, caxumba, varicela, 
sabin, BCG (vacinas atenuadas). 
Observação: Febre amarela só fazer em caso 
de risco de exposição.
Maria Vitória de Sousa Santos 
DOENÇAS CRÔNICAS NO PRÉ-NATAL 
 HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO 
• A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é a 
doença que mais frequentemente complica a 
gravidez, sendo uma das principais causas de 
morbimortalidade materna e perinatal. 
• A definição de hipertensão na gravidez 
considera os valores absolutos de PA sistólica 
> 140 mmHg e/ou diastólica de > 90mmHg. 
• O diagnóstico é feito pela medida seriada dos 
n í v e i s p r e s s ó r i c o s d u r a n t e o 
acompanhamento pré-natal. 
Os objetivos do manejo da hipertensãoarterial 
na gravidez são: 
1. Proteger a mãe dos efeitos deletérios da 
hipertensão, especialmente da hemorragia 
cerebral; 
2. Minimizar a prematuridade; 
3. Manter uma perfusão útero-placentária 
adequada, reduzindo a hipóxia, o 
crescimento intrauterino restrito e o óbito 
perinatal. 
Observação: A gravidez pode induzir 
hipertensão arterial em mulher previamente 
normotensa ou agravar uma hipertensão 
preexistente. 
 CLASSIFICAÇÃO 
Segundo as VI Diretrizes Brasileiras de 
Hipertensão, a HAS na gestação é classificada 
nas seguintes categorias principais: 
1. H i p e r t e n s ã o c r ô n i c a : E s t a d o 
hipertensivo registrado antes do início da 
gestação no período que precede a 20ª 
semana de gravidez ou além de doze 
semanas após o parto. Esta condição não 
está associada a edema e proteinúria (salvo 
se houver dano renal antes da gravidez) e 
persiste depois de 12 semanas após o parto; 
2. Hipertensão gestacional: Aumento da 
pressão arterial que ocorre após a 20ª 
semana de gestação, mais frequentemente 
perto do parto ou no puerpério imediato, 
sem proteinúria. Normalmente, a PA se 
normaliza nas primeiras 12 semanas de 
puerpério, podendo, por isso, ser definida 
como “transitória”, embora a condição 
geralmente recorra em 80% das gestações 
subsequentes. Acredita-se que tais mulheres 
são propensas a desenvolver hipertensão 
arterial essencial no futuro. Quando a 
hipertensão persiste, ela é denominada 
como “crônica”. É um diagnóstico 
basicamente retrospectivo, pois as 
complicações das pacientes que no 
momento da avaliação se apresentam sem 
proteinúria podem evoluir com pré-
eclâmpsia; 
3. Pré-eclâmpsia : Aparecimento de 
hipertensão e proteinúria (300mg ou mais 
de proteína em urina de 24h), após 20 
semanas de gestação, em gestante 
previamente normotensa. É uma desordem 
multissistêmica, idiopática, específica da 
gravidez humana e do puerpério, 
relacionada a um distúrbio placentário que 
cursa com vasoconstricção aumentada e 
redução da perfusão. O edema atualmente 
não faz mais par te dos cr i tér ios 
diagnósticos da síndrome, embora 
frequentemente acompanhe o quadro 
clínico; 
4. Eclâmpsia: Corresponde à pré-eclâmpsia 
complicada por convulsões que não podem 
ser atribuídas a outras causas; 
5. Pré-eclâmpsia superposta à HAS 
crônica: É definida pela elevação aguda 
da PA, à qual se agregam proteinúria, 
trombocitopenia ou anormalidades da 
função hepática em gestantes portadoras 
de HAS crônica, com idade gestacional 
superior a 20 semanas. 
Em resumo: 
1. Hipertensão gestacional: Hipertensão 
após a 20asemana e se resolve até o 
puerpério (máximo 12 semanas pós parto). 
2. P r é - E c l â m p s i a : H i p e r t e n s ã o + 
Proteinúria 300 mg/dia após 20a semana. 
3. P r é - e c l â m p s i a s o b r e p o s t a : 
Hipertensão preexistente + Proteinúria. 
4. Síndrome HELLP: Hemólise + lesão 
hepática+ plaquetopenia. 
5. Eclâmpsia: Pré-eclampsia + convulsões. 
FATORES DE RISCO P/ A HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO 
Existem vários fatores que aumentam a chance 
de uma gestante ter hipertensão arterial: 
1. Primiparidade; 
2. Diabetes mellitus; 
3. Gestação gemelar; 
4. História familiar de pré-eclâmpsia e 
eclâmpsia; 
5. Hipertensão arterial crônica; 
6. Pré-eclâmpsia sobreposta em gestação 
prévia; 
Maria Vitória de Sousa Santos 
7. Hidropsia fetal (não imune); 
8. Gestação molar. 
Outros fatores com evidência mais fraca: IMC 
> 25,8; idade materna maior do que 35 anos, 
uso de método anticoncepcional de barreira, 
aborto prévio, ganho excessivo de peso. 
 PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE 
• Hipertensão arterial persistente igual ou 
superior a 160/110mmHg ou proteinúria de 
24h superior a 3g ou presença de qualquer 
um dos critérios de risco listados na tabela 
abaixo são suficientes para se considerar uma 
gestante como paciente de pré-eclâmpsia 
grave. 
Observação : Independentemente da 
gravidade do quadro clínico, toda paciente 
com diagnóstico de pré-eclâmpsia deve ser 
hospitalizada para acompanhamento em 
unidade de gestação de alto risco. 
Observação: O tratamento definitivo da pré-
eclâmpsia é a interrupção da gestação e a 
retirada da placenta, medida que é sempre 
benéfica para a mãe. Entretanto, a interrupção 
da gestação pode não ser benéfica para o feto, 
dev ido à s compl i caçõe s ineren te s à 
prematuridade. Por isso, devem ser avaliadas a 
idade gestacional, a gravidade da doença, as 
condições maternas e fetais e a maturidade 
fetal, para se indicar o momento mais 
adequado para a interrupção da gestação. 
Embora o feto esteja também em risco, muitas 
vezes é instituído tratamento conservador para 
assegurar maior grau de maturidade fetal. 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE PE E HAS 
CRÔNICA 
 TRATAMENTO 
1. Diminuir consumo de sódio; 
2. Metildopa; 
3. Nifedipina; 
4. Hidralazina; 
5. Repouso; 
6. Controle pressórico; 
7. Reposição de cálcio. 
 DIABETES GESTACIONAL 
A hiperglicemia associa-se à gestação em duas 
situações: 
1. Diabetes pré-gestacional: Quando a 
mulher com diabetes engravida; 
2. Diabetes gestacional: Quando a 
mulher apresenta alterações da tolerância à 
glicose diagnosticadas durante a gravidez. 
• A diabetes mellitus gestacional (DMG) é 
d e fi n i d a c o m o u m a a l t e r a ç ã o n o 
metabolismo dos carboidratos, resultando em 
hiperglicemia de intensidade variável, que é 
diagnosticada pela primeira vez ou se inicia 
durante a gestação, podendo ou não persistir 
após o parto. 
Observação: Na mãe, a hiperglicemia pode 
aumentar a incidência de pré-eclâmpsia na 
gravidez atual, além de aumentar a chance de 
desenvolver diabetes e tolerância diminuída a 
carboidratos no futuro. No feto, a DMG está 
associada às possíveis morbidades decorrentes 
da macrossomia (como a ocorrência de distócia 
durante o parto) e, no bebê, está associada à 
hipoglicemia, à icterícia, ao sofrimento 
respiratório, à policitemia e à hipocalcemia. 
 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
Os sintomas clássicos de diabetes são “os 4 ps”: 
1. Poliúria; 
2. Polidipsia; 
3. Polifagia; 
4. Perda involuntária de peso. 
Outros sintomas que levantam a suspeita 
clínica são: 
1. Fadiga; 
2. Fraqueza; 
3. Letargia; 
4. Prurido cutâneo e vulvar; 
Maria Vitória de Sousa Santos 
5. Infecções de repetição. 
Observação: Algumas vezes, o diagnóstico é 
feito a partir de complicações crônicas, como 
n e u r o p a t i a , r e t i n o p a t i a o u d o e n ç a 
cardiovascular aterosclerótica. 
 FATORES DE RISCO 
 RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO 
 TRATAMENTO 
1. Diminuição do açúcar; 
2. Atividade física: 
3. Insulina açúcar. 
 ANEMIAS 
• A anemia é definida durante a gestação com 
os valores de hemoglobina (Hb) abaixo de 
11g/ dl. 
• O rastreamento deve ser oferecido a toda 
gestante o mais precocemente na vinculação 
d o p r é - n a t a l e n o v a m e n t e c o m 
aproximadamente 28 semanas. 
A anemia durante a gestação pode estar 
associada a: 
1. Risco aumentado de baixo peso ao nascer; 
2. Mortalidade perinatal; 
3. Trabalho de parto prematuro. 
Os fatores de risco para anemia na gestação 
são: 
1. Dieta com pouco ferro, vitaminas ou 
minerais; 
2. Perda de sangue decorrente de cirurgia ou 
lesão; 
3. Doença grave ou de longo prazo (como 
câncer, diabetes, doença nos rins, artrite 
reumatoide, AIDS, doença inflamatória do 
intestino, doença no fígado, insuficiência 
cardíaca e doença na tireoide); 
4. Infecções de longo prazo; 
5. Histórico familiar de anemia herdada, 
como talassemia e anemia falciforme. 
O tratamento das anemias deve seguir o fluxo 
sugerido a seguir.
Maria Vitória de Sousa Santos 
PUERPÉRIO FISIOLÓGICO 
• Opuerpério é o período que vai da 
dequitação (expulsão da placenta) até a volta 
do organismo materno às condições pré-
gravídicas. 
• Promover cuidados humanizados à mulher, 
recém-nascido e sua família abordando os 
aspectos físicos, emocionais e socioculturais 
relativos à fase puerperal. 
 FASES DO PUERPÉRIO 
Período de 6 a 8 semanas após o parto. 
1. Imediato: até o 10° dia após o parto. 
2. Tardio: 10° ao 45° dias após o parto. 
3. Remoto: após 45° dia após o parto. 
INVOLUÇÃO E RECUPERAÇÃO DA GENITÁLIA 
• Logo após o parto, o útero se encontra um 
pouco acima da cicatriz umbilical, a partir 
do qual inicia um processo de involução. 
• O útero se contrai, comprimindo os vasos 
sanguíneos e causando uma aparência 
isquêmica. 
• A contração também contrai os vasos 
intramiometriais, reduzindo o fluxo 
sanguíneo e prevenindo a hemorragia pós-
parto. 
• Além disso, os vasos calibrosos são 
obliterados (trombose), constituindo outro 
mecanismo hemostático para prevenir perda 
sanguínea. 
• Após 24h, o fundo uterino atinge a cicatriz 
umbilical. 
• Após uma semana, atinge a região entre a 
cicatriz umbilical e a sínfise púbica. 
• Na segunda semana, deixa de ser palpável 
no abdome e, por fim, atinge as dimensões 
pré-gravídicas dentro de 6-8 semanas após o 
parto. 
• O colo uterino, ao fim da dequitação, se 
encontra amolecido, com lacerações no 
orifício externo, que continua dilatado. 
• A dilatação do colo regride de forma lenta, 
ficando entre 2-3 cm nos primeiros dias após 
o parto, e menos de 1 cm com uma semana 
de puerpério. 
• É comum haver cólicas abdominais nos 
primeiros 3 dias, e estas são mais fortes em 
multíparas e em lactantes, pois a estimulação 
do mamilo estimula a liberação de ocitocina 
pelo eixo neuro-hipofisário. 
• Em relação as tubas uterinas, seu epitélio 
durante a gestação é predominantemente 
composto de células não ciliadas, em 
decorrência do desequilíbrio entre os níveis 
de progesterona e estrogênio. 
• Com a diminuição destes hormônios após o 
parto, há extrusão nuclear das células não 
ciliadas e diminuição do tamanho das células 
ciliadas e não-ciliadas. 
• Além disso, após a dequitação, persiste a 
porção basal da decídua. Esta se divide em 
duas novas camadas: a superficial, que sofre 
descamação; e a profunda, que regenera o 
novo endométrio a partir das glândulas e do 
estroma da decídua basal, recobrindo a 
cavidade endometrial dentro de 16 dias após 
o parto. 
 VAGINA E VULVA 
• A vagina está alargada e lisa logo após o 
parto. 
• Gradualmente, suas dimensões se reduzem, 
mas não voltam ao estado pré-gravídico. 
• A rugosidade vaginal reaparece na terceira 
semana, por redução do edema e da 
vascularização. 
• Nódulos de mucosa fibrosados formam as 
carúnculas himenais devido ao rompimento 
do hímen no momento do parto. 
• Por fim, a distensão fascial e possíveis 
lacerações causam afrouxamento da 
musculatura pélvica, que pode não regredir 
ao estado original. 
• Em decorrência disso, o parto predispõe a 
ocorrência de incontinência urinária e fecal. 
• Histologicamente, há progressiva atrofia do 
epitélio escamoso vaginal nos primeiros dez 
dias. 
• No 15º dia, a descamação alcança seu pico e 
a regeneração se inicia. 
 PAREDE ABDOMINAL 
• No puerpério, a musculatura da parede 
abdominal está afrouxada. 
• Em consequência da ruptura das fibras 
elásticas da pele e da distensão prolongada 
causada pelo útero gravídico, a parede 
abdominal continua mole e flácida. 
• Várias semanas depois, seu tônus normal é 
readquirido na maioria dos casos. Em 
algumas mulheres, no entanto, persiste a 
diástese do musculo reto abdominal. 
• A pele pode ainda continuar frouxa, se 
houver ruptura extensa de fibras elásticas. 
 SISTEMA ENDÓCRINO 
• Ao fim da gravidez os níveis de estrogênio e 
progesterona estão muito elevados, assim 
como os de prolactina (PRL). 
• Com a saída da placenta, ocorre queda 
imediata dos esteroides placentários a níveis 
muito baixos e leve diminuição dos valores 
dos valores de PRL, que ainda permanecem 
elevados. 
• Na ausência da lactação, nas primeiras 
semanas pós-parto, tanto a LH como o FSH 
mantêm-se com valores muito baixos, para 
logo começarem a se elevar lentamente. 
• No puerpério inicial os níveis de estrogênio 
mantêm-se baixos e a progesterona não é 
detectável. 
• A recuperação das gonadotrofinas até os 
níveis prévios à gravidez depende da 
presença ou não da amamentação. 
• A amamentação pode impedir a fertilidade 
pela ação direta do estímulo do mamilo 
sobre o hipotálamo por via neuroendócrina, 
inibindo o fator inibidor da prolactina (PIF) 
e o hormônio liberador da gonadotrofina 
(GnRH), acarretando, respectivamente, 
elevação da prolactina e inibição do FSH e 
do LH hipofisários. 
 PERDA PONDERAL 
• Após a gravidez, a mulher perde quase a 
totalidade do peso adquirido durante a 
gestação. 
• Cerca de metade do peso ponderal 
adquirido é perdido durante as primeiras 6 
semanas após o parto. 
• O restante ocorre entre as 6 semanas e os 6 
meses depois, sendo maior nos 3 primeiros 
meses. 
• Habitualmente há perda acentuada nos 
primeiros 10 dias, atribuída à maior diurese, 
à secreção láctea e à eliminação loquial. 
 SISTEMA CARDIOVASCULAR 
• O débito cardíaco está aumentado na 
primeira hora do pós-parto (10%), assim 
permanecendo durante 1 semana. 
• A pressão venosa dos membros inferiores, 
elevada durante a gravidez, normaliza-se 
imediatamente. 
• As varizes, acaso presentes, emurchecem, e 
os edemas desaparecem. 
 SISTEMA SANGUÍNEO 
• Não há mudanças da série vermelha 
próprias do puerpério. 
• Nota-se, na série branca, imediatamente 
após o parto, leucocitose de até 30 mil 
glóbulos, à custa principalmente dos 
granulócitos neutrófilos. 
• Em condições normais, a hiperleucocitose 
fica reduzida à metade nas primeiras 48 
horas, e ao cabo do 5.° ou 6.° dia o quadro 
retorna às taxas habituais. 
• A velocidade de eritrossedimentação, 
ace lerada na g rav idez , so f re novo 
incremento no puerpério, regularizando-se 
somente entre a 5° e a 7° semana. 
• A concentração de hemoglobina volta a 
níveis não gravídicos em 6 semanas do parto. 
• Está aumentada a tendência à coagulação 
no puerpério. 
• Após a dequitação, há geralmente queda das 
plaquetas, com elevação secundária nos 
primeiros dias do pós-parto juntamente com 
a adesividade plaquetária. 
• O fibrinogênio plasmático diminui em 
concentração no momento do parto, 
atingindo o seu menor nível no primeiro dia 
do puerpério e voltando a se elevar em 
seguida, igualando-se aos níveis pré-
gravídicos entre o 3º e o 5º dia. 
 ALTERAÇÕES ÓSSEAS 
• Há diminuição generalizada da densidade 
óssea em gestantes, voltando ao estado pré-
gravidez dentro de 12 a 18 meses após o 
parto. 
• Não é recomendada qualquer intervenção, 
sendo essas alterações auto-limitadas e 
reversíveis. 
 SISTEMA URINÁRIO 
• No puerpério imediato, a mucosa vesical está 
edemaciada, devido ao parto e ao trabalho 
de parto. 
• Há também uma distensão vesical, o que 
p r e d i s p õ e a r e t e n ç ã o u r i n á r i a e 
esvaziamento incompleto ao urinar, 
causando urina residual. 
• É a diurese inicialmente escassa, em razão 
da desidratação no trabalho de parto. Do 2.° 
ao 6.° dia estabelece-se abundante excreção 
urinária, que elimina a água acumulada 
durante a gestação. 
• Até a sexta semana, na maioria das 
puérperas, o exame ultrassonográfico 
evidencia dilatação do sistema pielocalicial. 
• Todos esses fatores citados são fator de risco 
para infecção do trato urinário. 
• A retenção urinária pode ser definida como 
ausênciade micção por 6h após o parto ou 
após a retirada da sonda vesical após 
cesariana. 
 PELE 
• As estriações do abdome e das mamas, 
quando presentes, perdem a cor vermelho-
arroxeada e ficam pálidas, transformando-se, 
em algumas semanas, nas estrias branco-
nacaradas. 
• Regridem as modificações do tipo de 
implantação dos pelos pubianos, as 
hiperpigmentações da pele do rosto, do 
abdome e das mamas. 
• Algumas ficam indeléveis. 
• Há também uma queda de cabelo comum 
entre 1 e 5 meses após o parto, o que leva a 
crença equivocada de que amamentar causa 
queda de cabelo, por coincidir com o 
momento da amamentação, porém essa 
queda de cabelo é autolimitada e o cabelo 
retorna aos padrões normais de crescimento 
de 6 a 15 meses após o parto. 
 SISTEMA DIGESTIVO 
• Com o esvaziamento uterino retornam as 
vís-ceras abdominais, vagarosamente, às 
disposições anatômicas. 
• Há redução da motilidade intestinal. 
• A constipação da puérpera, indefectível nas 
pacientes que se mantinham no leito de uma 
a duas semanas, é hoje menos frequente com 
o levantar precoce, e observada unicamente 
nas que têm obstipação crônica. 
• O funcionamento fisiológico dos intestinos é 
habitualmente restaurado no 3° ou 4° dia. 
 ALTERAÇÃO DO ENDOMÉTRIO 
• Endométrio é o tecido que reveste o interior 
do útero onde o embrião implanta e se 
desenvolve durante a gravidez. 
• A camada superficial da decídua basal (parte 
que fica abaixo do concepto, formando o 
componente materno da placenta) sofre 
necrose e é eliminada sob a forma de 
lóquios. 
Lóquios: 
Secreções exteriorizadas pela vagina no 
puerpério: 
- Até 3° dia: lóquios rubros (lochia rubra). 
- 5° dia: lóquios róseos (lochia fusca). 
- 10° dia: lóquios alvos (lochia alba). 
 MAMA 
• Ocorre o aumento da mama por conta da 
h ipe r t rofia do s va so s , da s c é lu l a s 
mioepiteliais, depósito de gordura e retenção 
de água e de eletrólitos. 
• O colostro já está presente no momento do 
parto. 
• Apojadura acontece até o terceiro dia pós 
parto. 
Outras: 
1. Temperatura: Aumento discreto da 
temperatura 
2. Órgãos internos: Retorno dos órgãos 
abdominais Involução uterina 
3. Alterações Hematológicas: Leucocitos, 
Au m e n t o d o vo l u m e c i rc u l a n t e , 
Loquiação. 
 ASSISTÊNCIA PÓS NATAL 
Anamnese: 
Verifique o Cartão da Gestante e pergunte à 
mulher questões sobre: 
1. As condições da gestação; 
2. As condições do atendimento ao parto e 
ao recém-nascido; 
3. Os dados do parto (data; tipo de parto; se 
parto cesárea, qual indicação deste tipo de 
parto); 
4. Se houve alguma intercorrência na 
gestação, no parto ou no pós-parto (febre, 
hemorragia, hipertensão, diabetes, 
convulsões, sensibilização de Rh); 
5. Se recebeu aconselhamento e realizou 
testagem para sífilis e HIV durante a 
gestação e/ou o parto; 
6. O uso de medicamentos (ferro, ácido 
fólico, vitamina A, outros). 
Pergunte a ela como se sente e indague 
questões sobre: 
1. Aleitamento (frequência das mamadas, dia 
e noite, dificuldades na amamentação, 
satisfação do RN com as mamadas, 
condições das mamas); 
2. Alimentação, sono, atividades; 
3. Dor, fluxo vaginal, sangramento, queixas 
urinárias, febre; 
4. Planejamento familiar (desejo de ter mais 
fi l h o s , d e s e j o d e u s a r m é t o d o 
contraceptivo, métodos já utilizados, 
método de preferência); 
5. Sua condição psicoemocional (estado de 
humor, preocupações, desânimo, fadiga, 
outros); 
6. Sua condição social (pessoas de apoio, 
enxoval do bebê, condições para o 
atendimento de necessidades básicas). 
Avaliação clínico-ginecológica: 
1. Verifique os dados vitais; 
2. Avalie o estado psíquico da mulher; 
3. Observe seu estado geral: a pele, as 
mucosas, a presença de edema, a cicatriz 
(parto normal com episiotomia ou 
laceração/cesárea) e os membros 
inferiores; 
4. Examine as mamas, verificando a presença 
de ingurgitamento, sinais inflamatórios, 
infecciosos ou cicatrizes que dificultem a 
amamentação; 
5. Examine o abdômen, verificando a 
condição do útero e se há dor à palpação; 
6. Examine o períneo e os genitais externos 
(verifique sinais de infecção, a presença e 
as características de lóquios); 
Verifique possíveis intercorrências: 
1. alterações emocionais, hipertensão, febre, 
dor no baixo- ventre ou nas mamas, 
presença de corrimento com odor fétido, 
sangramentos intensos. No caso de 
detecção de alguma dessas alterações, 
solicite avaliação médica imediata, caso o 
atendimento esteja sendo feito por outro 
profissional da equipe; 
2. Observe a formação do vínculo entre a 
mãe e o filho; 
3. Observe e avalie a mamada para a 
garantia do adequado posicionamento e 
da pega da aréola. 
4. O posicionamento errado do bebê, além 
de dificultar a sucção, comprometendo a 
quantidade de leite ingerido, é uma das 
causas mais frequentes de problemas nos 
mamilos. 
5. Em caso de ingurgitamento mamário, 
mais comum entre o terceiro e o quinto 
dia pós- parto, oriente a mulher quanto à 
ordenha manual, ao armazenamento e à 
doação do leite excedente a um Banco de 
Leite Humano (caso haja na região); 
6. Identifique os problemas e as necessidades 
da mulher e do recém-nascido com base 
na avaliação realizada. 
Condutas: 
Oriente a puérpera sobre: 
1. Higiene, alimentação, atividades físicas; 
2. Atividade sexual, informando-a a respeito 
de prevenção de DST/Aids; 
3. Cuidados com as mamas, reforçando a 
o r i e n t a ç ã o s o b r e o a l e i t a m e n t o 
(considerando a situação das mulheres que 
não puderem amamentar); 
4. Cuidados com o recém-nascido; 
5. Direitos da mulher (direitos reprodutivos, 
sociais e trabalhistas). 
Oriente a puérpera sobre o planejamento 
f a m i l i a r e a u t i l i z a ç ã o d e m é t o d o 
contraceptivo, se for o caso: 
- Dê a ela uma informacão geral sobre os 
métodos que podem ser utilizados no pós-
parto; 
- Explique a ela como funciona o método da 
LAM (amenorreia da lactação); 
- Se a mulher não deseja ou não pode usar a 
LAM, ajude-a na escolha de outro método; 
- Disponibilize o método escolhido pela 
mulher com instruções para o seu uso, 
dizendo-lhe o que deve ser feito se o método 
apresentar efeitos adversos e dando-lhe 
instruções para o seguimento; 
- Aplique vacinas (a dupla tipo adulto e a 
tríplice viral), se necessário; 
- Ofereça teste anti-HIV e VDRL, com 
aconselhamento pré e pós-teste, para as 
puérperas não aconselhadas e testadas 
durante a gravidez e o parto; 
- Prescreva suplementação de ferro: 40mg/
dia de ferro elementar, até três meses após o 
parto, para mulheres sem anemia 
diagnosticada;
CÂNCER DE COLO DE ÚTERO NA APS 
 COLO DO ÚTERO 
1. Parte Interna: Canal cervical ou 
endocérvice, revestido por um epitélio 
colunar simples com células produtoras de 
muco. 
2. Parte Externa: Contato com a vagina, 
denominada de ectocérvice, constituída 
por dois tecidos (epitélio escamoso e o 
epitélio estratificado). Existe entre os dois 
epitélios a JEC (junção Escamo- colunar). 
Observação: A junção escamo-colunar (JEC) 
é a r e g i ã o d o c o l o o n d e i n c i d e m 
preferencialmente as doenças de natureza pré-
maligna e maligna. 
 CÂNCER DE COLO DO ÚTERO 
Replicação desordenada do epitélio de 
revestimento do órgão, comprometendo o 
tecido subjacente (estroma) e podendo invadir 
estruturas e órgãos contíguos ou a distância. 
 FATORES DE RISCO 
1. Infecção pelo vírus HPV (tipo 16 e 18, 
principalmente); 
2. Fatores ligados à imunidade; 
3. Genética; 
4. Comportamento Sexual; 
5. Marco de idade: HPV em mulheres abaixo 
de 30 anos regridem espontaneamente, 
acima dessa idade a persistência é mais 
frequente; 
6. Tabagismo.MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
1. Sangramento vaginal anormal; 
2. Sangramento menstrual mais prolongado 
que o habitual; 
3. Secreção vaginal incomum, com um pouco 
de sangue; 
4. Sangramento após a menopausa; 
5. Sangramento após as relações sexuais 
(sinusorragia); 
6. Dor durante a relação sexual; 
7. Dor na região pélvica. 
 COMO PREVENIR 
Prevenção Primária: A prevenção primária 
está relacionada à diminuição do risco de 
contágio pelo HPV. 
1. Incentivar o uso de preservativo; 
2. Vacinação bivalente que protege contra os 
2 tipos oncogênicos (16 e 18), e a 
quadrivalente que protege também contra 
os tipos não oncogênicos (6 e 11); 
- Vacina para meninos 9 a 14 anos e meninas 
de 9 a 14 anos. (02 doses) 
- Imunossuprimidos Mulheres e Homens 9 a 
45 anos (3 doses) 
Observação: Vacinação mais efetiva quando 
aplicada antes do início da vida sexual. 
Prevenção Secundária : Diagnóstico 
precoce. 
1. Detecção Precoce do CA de Colo de Útero 
(abordagem dos indivíduos com sinais/
sintomas da doença); 
2. Rastreamento (aplicação de exame na 
população assintomática, aparentemente 
saudável, com o objetivo de identificar as 
lesões precursoras ou sugestivas de CA) 
 CITOLOGIA 
O principal objetivo é identificar alterações na 
morfologia celular, observando-se o citoplasma 
e o núcleo das células pela técnica de coloração 
de Papanicolau. 
Recomendação MS para realização do 
Citopatológico: 
1. > 25 anos, com vida sexual ativa até 64 
anos. Interromper após 64 anos, com dois 
ou mais resultados negativos consecutivos 
nos últimos 5 anos; 
Observação: Após dois exames negativos, 
com intervalo anual o tempo para a realização 
de outro exame é de 3 anos; 
2. > 64 anos, que nunca realizaram o exame 
Realizar 2 exames com intervalo de 1 e 3 
anos. Se ambos negativos, são dispensadas. 
 PREPARAÇÃO PARA A COLETA 
1. Não ter tido relação sexual nas 72 horas 
que antecedem o exame; 
2. Não utilizar duchas de higiene íntima; 
3. Não utilizar cremes ou lubrificantes 
vaginais; 
4. Não estar menstruada 
5. Entre outros. 
Observação: Gravidez não é contra-
indicação para a realização do exame (exceto 
uma gravidez mais avançada). 
 MATERIAIS NECESSÁRIOS 
Maria Vitória de Sousa Santos
Introdução do espéculo: 
1. Devem-se afastar os grandes e pequenos 
lábios com o polegar e 3° dedo da mão 
esquerda para que o espéculo seja 
introduzido suavemente na vagina. 
2. A mão direita que introduzirá o espéculo 
deve segurá-lo pelo cabo. 
3. O especulo é introduzido fechado com o 
pino para baixo. 
4. Apoia-se o espéculo sobre a fúrcula, 
ligeiramente oblíquo – para evitar trauma 
uretral – e faz-se sua introdução 
lentamente. 
5. Antes de ser completamente colocado na 
vagina, deve ser rodado, ficando as valvas 
paralelas às paredes anterior e posterior da 
vagina. Posição que ocupará no exame e o 
pino para baixo. 
6. Segurar com a mão esquerda o cabo e roda 
o pino com a mão direita. 
7. A b r i r o e s p é c u l o e n c a i x a n d o 
cuidadosamente no colo do útero. 
O exame especular deve ser realizado: 
1. Descrevendo as paredes vaginas: 
- Rugosidade ou lisas; 
- Presença de secreções; 
- Comprimento e elasticidade. 
2. Características do colo: 
- Volume; 
- Coloração; 
- Forma (cilíndrico ou plano); 
- Epitelizado ou com mácula rubra 
(ectopia). 
3. Forma do orifício externo (OE): 
- Puntiforme; 
- Circular; 
- Transverso. 
4. Aspecto do muco cervical: 
- Translúcido; 
- Esbranquiçado; 
- Purulento; 
- Sanguinolento. 
No momento da realização do Papanicolau 
(exame citopatológico): 
1. Usar a espatula de 
Ayre para fazer a 
c o l e t a d a 
ectocérvice, girar 
180° ao redor do 
c o l o d o ú t e r o 
colocando a parte 
mais longa no canal, retirar e segurar com 
a outra mão (passar na lâmina somente 
após a coleta da endocérvice para evitar 
que resseque o material). 
2. Usar a escovinha 
endocervical para 
fazer a coleta da 
endocérvice, dar 
uma volta de 180°, 
retirar a escovinha 
e então passar na 
lâmina de vidro 
identificada com o 
nome da paciente (do lado da borda fosca). 
3. Passar a espátula de ayre e da escovinha 
endocervical na lâmina de vidro (no lado 
da borda fosca) na região onde não tem 
nenhum material e fixar o material na 
lâmina de vidro identificada com álcool 
9 6 0 e m u m f r a s c o o u s p r ay d e 
polietiletonglicol. 
Observação: Aplicar o material na lâmina de 
vidro passando apenas uma vez de forma 
homogênea (não espessada) e um material ao 
lado do outro. 
Teste do iodo (Schiller) 
O teste de Schiller é realizado após a coleta do 
Papanicolau, para não interferir no resultado 
do exame. A mulher ainda estará na posição de 
litotomia e com o espéculo de Collins. 
Técnica: 
Maria Vitória de Sousa Santos
1. Aplicar a solução de soro fisiológico 
diretamento no colo uterino. 
2. Utilizar a pinça de Cherron com algodão 
para espalhar o material. 
3. Retirar e descartar algodão. 
4. Aplicar a solução de Lugol (iodo iodetada) 
na região do colo uterino e vagina. 
5. Espalhar novamente com algodão na pinça 
de Cherron. 
6. Analisar o colo e vagina. 
A s o l u ç ã o r e a g e c o m o g l i c o g ê n i o 
(polissacarídeos ricamente presente no 
c i toplasma das cé lu las superficia i s e 
intermediárias) dando a coloração marrom 
escura. A coloração é proporcional a 
quantidade de glicogênio, corando fortemente 
a s c é l u l a s d a c a m a d a s u p e r fi c i a l e 
intermediárias e de maneira mais clara as 
células basais (epitélio atrófico) e colunares 
(glandulares). Logo, é fisiológico o colo do 
útero corar com o iodo e ficar com a coloração 
marrom. 
Interpretação: 
7. Teste iodo positivo (Schiller Negativo): 
Situação normal, cor acastanhado escuro. 
8. Teste iodo negativo (Schiller Positivo): 
Coloração amarelado-mostarda e com 
bordas bem de l imi tadas, rea l i zar 
colposcopia e biópsia da área. São casos de 
lesões atípicas (Mosaico, epitélio branco, 
leucoplasia) ou representar infiltração de 
células carcinomatosas. 
Retirada do espéculo: 
Ao final, depois de realizar inspeção, coleta da 
colpocitologia e teste do Iodo, o espéculo 
vaginal deverá ser retirado: 
1. Para retirar o espéculo: tracionar 
cuidadosamente o espéculo para liberar o 
colo uterino. 
2. Na retirada observar as paredes da vagina. 
3. Fechar lentamente o espéculo voltado a 
posição de entrada e fechando as valvas. 
 INTERPRETAÇÃO 
 QUANDO FAZER A COLPOSCOPIA 
1. Re s u l t a d o d a c i t o l o g i a o n c ó t i c a 
(Papanicolau) alterado; 
2. Sangramento a esclarecer; 
3. Parceiro ou parceira com câncer genital ou 
ISTs; 
4. Mulheres com ISTs; 
5. Lesões vulvares e vaginais associadas ao 
HPV; 
6. HPV persistente.
Maria Vitória de Sousa Santos
CÂNCER DE MAMA NA APS 
O câncer de mama é uma doença causada pela 
multiplicação desordenada de células anormais 
da mama, que forma um tumor com potencial 
de invadir outros órgãos. 
 FATORES DE RISCO 
1. Sexo feminino; 
2. Menarca Precoce (antes de 11 anos); 
3. Menopausa tardia (após 55 anos); 
4. Nuliparidade; 
5. Primeira Gestação a termo após 30 anos; 
6. Mãe ou irmã com histórico de Câncer de 
Mama na Pré Menopausa; 
7. Dieta rica em gordura animal; 
8. Dieta pobre em fibras; 
9. Obesidade; 
10. Exposição a radiação ionizante; 
 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
1. Aparecimento de nódulo fixo, geralmente 
indolor, duro e irregular. 
2. Sa ída de s e c reção pe lo mami lo , 
especialmente quando é unilateral e 
espontânea; 
3. Coloração avermelhada da pele da mama; 
4. Edema cutâneo semelhante à casca de 
laranja; 
5. Retração cutânea; 
6. Dor ou inversão do mamilo; 
7. Descamação ou ulceração do mamilo. 
 RASTREAMENTOPara todas as mulheres: 
- Exame clínico semestral ou anual; 
- Exame radiológico (mamografia) deve ser 
feito de 2 em 2 anos, a partir dos 50 anos de 
idade, independente do exame clínico ou 
auto-exame normais. 
Observação: Se história familiar positiva é 
indicado a realização da mamografia a partir 
dos 35 anos de idade anual. 
 AUTO-EXAME DA MAMA 
 CLASSIFICAÇÃO DE BI-RARDS 
Observação: Recomenda-se fazer a biópsia 
da mama sempre que os exames de imagem 
apresentarem BIRADS 4 e 5. Nos casos de 
BIRADS 3, os médicos geralmente indicam 
controle com exames de imagem em 6 meses, 
e, em casos de BIRADS 1 e 2, o controle em 2 
anos. 
 DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS 
Seu diagnóst ico diferencial é amplo, 
envolvendo os: 
1. Cistos mamários; 
2. Fibroadenomas; 
3. Tumores filóides; 
4. Papilomas; 
5. Lipomas; 
6. Hamartomas; 
7. Adenomas, entre outros. 
 NA APS 
1. Promover ações públicas para o controle 
do Câncer de Mama; 
2. Realizar o diagnóstico precoce do Câncer 
de Mama; 
3. Orientar a mulher sobre os sinais de alerta 
no surgimento de CA de Mama.III. O fomento da atenção e internação 
domiciliar.
Maria Vitória de Sousa Santos 
PUERICULTURA 
 DEFINIÇÃO 
Puericultura é a consulta periódica de uma criança 
feita com o propósito de avaliar seu crescimento e 
desenvolvimento de maneira próxima. Durante 
essas consultas deve-se realizar orientações 
educativas, ações de promoção da saúde, ações 
relacionadas à prevenção de doenças e observação 
dos riscos e vulnerabilidades sob a qual está 
submetida a respectiva criança.  Além disso, é papel 
da puericultura observar fatores de risco e 
vulnerabilidades que cercam as diferentes fases do 
processo de crescimento e desenvolvimento da 
criança. 
 FREQUÊNCIA DE CONSULTAS    
Nos primeiros 2 anos de vida as consultas são mais 
frequentes devido ao processo  de crescimento e 
desenvolvimento ser mais intenso, por isso: 
1. No 1° ano de vida: É recomendado um 
mínimo de 7 consultas de rotina, uma na 
primeira semana e no 1°/2°/4°/6°/9° e 12° 
mês.  
2. No 2° ano de vida: Deve se ter um mínimo 
de 2 consultas de rotina: no 18°e 24° mês. 
Observação: A partir dos 2 anos de idade as 
consultas podem se tornar anuais. Além da 
oportunidade de avaliar o desenvolvimento da 
criança, tal organização da frequência de consultas 
adotada pelo Ministério da Saúde toma como base 
o calendário de vacinação, permitindo a verificação 
do cartão vacinal em meses oportunos: ao 
nascimento, com 1, 2, 3, 4, 5, 6, 12 e 15 meses. 
 OBJETIVOS DA PRIMEIRA CONSULTA 
1. Observar as relações familiares; 
2. Facilitar o acesso ao serviço de saúde; 
3. Possibilitar ou fortalecer o vínculo das famílias 
com as equipes de saúde; 
4. Escutar e oferecer suporte emocional nessa 
etapa de crise vital da família; 
5. Estimular o desenvolvimento da parentalidade; 
6. Orientar a família sobre os cuidados com o 
bebê; 
7. Identificar sinais de depressão puerperal; 
8. Promover o aleitamento materno exclusivo até 
o 6° mês de vida; 
9. Prevenir lesões não intencionais; 
10. Identificar sinais de perigo à saúde da criança. 
 SINAIS DE ALARME 
Em todas as visitas domiciliares, é fundamental que 
o profissional de saúde saiba identificar sinais de 
perigo à saúde da criança. São sinais que indicam a 
necessidade de encaminhamento da criança ao 
serviço de referência com urgência: 
1. Recusa alimentar (a criança não consegue 
beber ou mamar); 
2. Vômitos importantes (ela vomita tudo o que 
ingere); 
3. Convulsões ou apneia (a criança fica em torno 
de 20 segundos sem respirar); 
4. Frequência cardíaca abaixo de 100bpm; 
5. Letargia ou inconsciência; 
6. Respiração rápida (acima de 60 irpm); 
7. Atividade reduzida (a criança movimenta-se 
menos do que o habitual); 
8. Febre (37,5°C ou mais); 
9. Hipotermia (menos do que 35,5°C); 
10. Tiragem subcostal; 
11. Batimentos de asas do nariz; 
12. Cianose generalizada ou palidez importante; 
13. Icterícia visível abaixo do umbigo ou nas 
primeiras 24 horas de vida; 
14. Gemidos; 
15. Fontanela (moleira) abaulada; 
16. Secreção purulenta do ouvido; 
17. Umbigo hiperemiado (hiperemia estendida à 
pele da parede abdominal) e/ou com secreção 
purulenta (indicando onfalite); 
18. Pústulas na pele (muitas e extensas); 
19. Irritabilidade ou dor à manipulação. 
 FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA 
 1ª CONSULTA - FATORES DE RISCO: 
- Antecedentes mater nos: Diabe te s , 
Hipertensão, Obesidade, Doenças infecciosas e 
Drogas. 
- Contexto Socioeconômico: Residência, 
escolaridade, renda familiar. 
- Antecedentes Obstétricos: Paridade, 
Malformações, Prematuridade, Doenças na 
gestação. 
- Sintomas Atuais: Irritabilidade, Vômitos, 
diarreia, recusa alimentar. 
- Parto e Nascimento: Tipo, local, peso ao 
nascer, APGAR, Intercorrências 
- Outros: Amamentação, Vacinas, Sono, 
Eliminação Vesical e intestinal. 
 APGAR 
É um dos métodos mais utilizados para a avaliação 
imediata do recém-nascido (RN), principalmente, 
no primeiro e no quinto minutos de vida. 
 SINAIS 
Maria Vitória de Sousa Santos 
Os sinais avaliados são: 
1. Coloração da pele 
2. Pulso 
3. Irritabilidade reflexa 
4. Esforço respiratório 
5. Tônus muscular. 
Observação: O somatório da pontuação (no 
mínimo 0 e no máximo 10) resultará no Escore de 
Apgar. 
 INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS 
1. De 0 a 3 – Asfixia grave 
2. De 4 a 6 – Asfixia moderada 
3. De 7 a 10 – Boa vitalidade, boa adaptação 
Observação: O resultado do primeiro minuto 
geralmente está relacionado com o pH do cordão 
umbilical e traduz asfixia intraparto. Já o Apgar do 
quinto minuto se relaciona com eventuais sequelas 
neurológicas. 
Observação: Além disso, escore menor que 7 é 
indicativo de asfixia perinatal. 
 ANAMNESE 
• A partir da anamnese, procura-se avaliar 
principalmente as condições do nascimento da 
criança (tipo de parto, local do parto, peso ao 
nascer, idade gestacional, índice de Apgar, 
intercorrências clínicas na gestação, no parto, no 
período neonatal e nos tratamentos realizados) e 
os antecedentes familiares (as condições de saúde 
dos pais e dos irmãos, o número de gestações 
anteriores, o número de irmãos). 
• O índice de Apgar – também reconhecido 
popularmente pelos pais como a “nota” que o 
bebê recebe logo após nascer – no quinto minuto 
entre 7 e 10 é considerado normal. Apgar 4, 5 ou 
6 é considerado intermediário e relaciona-se, por 
exemplo, com prematuridade, medicamentos 
usados pela mãe, malformação congênita, o que 
não significa maior risco para disfunção 
neurológica. 
• Índices de 0 a 3 no quinto minuto relacionam-se 
a maior risco de mortalidade e leve aumento de 
risco para paralisia cerebral. No entanto, um 
baixo índice de Apgar, isoladamente, não prediz 
disfunção neurológica tardia. 
 EXAME FÍSICO 
Um exame físico completo deve ser realizado na 
primeira consulta de puericultura. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
 ANTROPOMETRIA-ESTATURA 
GANHO ESTATURAL MÉDIO DE 0 A 
2 ANOS 
1. 0 a 3 meses: 3cm/mês; 
2. 3 a 6 meses: 2cm/mês; 
3. 6 meses a l ano:1-1,5cm/mês; 
4. 1 ano a 2 anos: 1cm/mês. 
 ANTROPOMETRIA-PERÍMETRO CEFÁLICO 
1. Ao nascimento: aprox. 35 cm; 
2. 1° trimestre: aprox. 2 cm / 
mês; 
3. 2° trimestre: aprox. 1 cm / 
mês; 
4. 3° trimestre : aprox. 0,5 cm / 
mês. 
FECHAMENTO FONTANELAS 
1. Fontanela lambdóide: 6ª e 8ª semana de 
vida; 
2. Fontanela bregmática: 12-18 meses. 
 ANTROPOMETRIA-PESO 
GA NH O PONDERAL MÉD IO D IÁR IO / 
MENSAL: 
1. 1° trimestre: 25 a 30 g/dia - 700 g/mês 
2. 2° trimestre: 20 g/dia - 500 g/mês 
3. 3° trimestre: 15 g/dia - 400 g/mês 
4. 4° trimestre: 10 g/dia - 350 g/mês 
Observação: Perda fisiológica: 10% do peso 
do nascimento (até 5° dia); Recuperação: até o 
10° dia de vida. 
 TESTES ORTOPÉDICOS 
Realizada no recém nascido para avaliar a 
displasia no desenvolvimento do quadril. São 
manobras provocativas que leva a luxação em 
um quadril displásico. 
 ORIENTAÇÕES 
Maria Vitória de Sousa Santos 
 ALEITAMENTO MATERNO 
• Promova e apoie o aleitamento materno 
exclusivo; 
• A criança que é alimentada somente com 
leite materno até os 6 meses de vida; 
• Apresenta menor morbidade; 
• Orientar a livre demanda (frequência e 
duração); 
• Não prescrever suplementação desnecessária 
com outros leites; 
• Formação ou o fortalecimento do vínculo 
entre os pais e o bebê. 
 CUIDADOS COM O RECÉM-NASCIDO 
1. Orientar lavagem de mãos por todas as 
pessoas que tem contato com o bebê; 
2. Oriente a famíliade modo a não permitir 
que pessoas fumem dentro de casa; 
3. Banho, troca de fraldas, assaduras e 
cuidados com o coto umbilical.; 
4. Importância da posição supina (proteção 
contra a morte súbita do lactente); 
5. Uso Chupetas; 
6. Prevenção de acidentes; 
7. Verificar Calendário. 
 DESENVOLVIMENTO 
Refere-se às mudanças qualitativas, tais como 
aquisição e o aperfeiçoamento de capacidades 
e funções, que permitem à criança realizar 
coisas novas, progressivamente mais complexas, 
com uma habilidade cada vez maior. 
1. Crescimento: O crescimento termina em 
determinada idade, quando esta alcança a 
sua maturidade biológica. 
2. Desenvolvimento: O desenvolvimento é 
um processo que acompanha o homem 
através de toda a sua existência. 
 DESENVOLVIMENTO MOTOR 
O desenvolvimento motor é a capacidade de 
realizar movimentos por própria vontade e é 
dividido em duas áreas: motor grosso e motor 
fino. 
1. Motor grosso: compreende a maturação 
da postura, o equilíbrio da cabeça, sentar, 
engatinhar, ficar de pé e o andar. 
2. Motor fino: incluem o emprego das mãos 
e dedos na preensão de objetos, tais como 
apanhar, alongar, empilhar objetos. 
 MARCOS DO DESENVOLVIMENTO 
1. Desenvolvimento Motor 
2. Linguagem e comunicação 
3. Desenvolvimento Social 
MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO 
CRESCIMENTO 
Maria Vitória de Sousa Santos 
 CONDUTAS RECOMENDADAS 
A seguir, serão apresentadas algumas 
considerações sobre o manejo de situações de 
desvio no crescimento da criança com até 5 
anos de idade. 
 SOBREPESO OU OBESIDADE 
1. Verifique a existência de erros alimentares, 
identifique a dieta da família e oriente a 
mãe ou o cuidador a administrar à criança 
uma alimentação mais adequada, de 
acordo com as recomendações para uma 
alimentação saudável para a criança. 
2. Verifique as atividades de lazer das 
crianças, como o tempo em frente à 
televisão e ao videogame, estimulando-as a 
realizar passeios, caminhadas, andar de 
bicicleta, praticar jogos com bola e outras 
brincadeiras que aumentem a atividade 
física. 
3. Encaminhe a criança para o Nasf, se tal 
possibilidade estiver disponível. 
4. Realize a avaliação clínica da criança. 
 MAGREZA OU PESO BAIXO PARA A IDADE 
 Para crianças menores de 2 anos: 
1. Investigue possíveis causas, com atenção 
especial para o desmame. 
2. Oriente a mãe sobre a alimentação 
complementar adequada para a idade. 
3. Se a criança não ganhar peso, solicite seu 
acompanhamento no Nasf, se ta l 
possibilidade estiver disponível. 
4. Oriente o retorno da criança no intervalo 
máximo de 15 dias. 
Para crianças maiores de 2 anos: 
1. Investigue possíveis causas, com atenção 
especial para a alimentação, para as 
intercorrências infecciosas, os cuidados 
com a criança, o afeto e a higiene. 
2. Trate as intercorrências clínicas, se houver. 
3. Solicite o acompanhamento da criança no 
Nasf, se tal possibilidade estiver disponível. 
4. Encaminhe a criança para o serviço social, 
se isso for necessário. 
5. Oriente a família para que a criança realize 
nova consulta com intervalo máximo de 15 
dias. 
MAGREZA ACENTUADA OU PESO MUITO 
BAIXO PARA A IDADE 
1. Investigue possíveis causas, com atenção 
especial para o desmame (especialmente 
para os menores de 2 anos), a alimentação, 
as intercorrências infecciosas, os cuidados 
com a criança, o afeto e a higiene. 
2. Trate as intercorrências clínicas, se houver. 
3. Encaminhe a criança para atendimento no 
Nasf. 
4. Encaminhe a criança para o serviço social, 
se este estiver disponível. 
5. Oriente a família para que a criança realize 
nova consulta com intervalo máximo de 15 
dias.
Maria Vitória de Sousa Santos 
PREMATURIDADE 
 INTRODUÇÃO 
• A prematuridade é um dos fatores determinantes 
mais importantes da mortalidade infantil. No 
Brasil corresponde a 11,5% do total de 
nascimentos. 
• O baixo peso ao nascer (‹ 2.500 g) é o fator de 
risco isolado mais importante para a mortalidade 
infantil. 
• A maior parte das mortes infantis ocorre nos 
primeiros dias de vida da criança, por causas 
consideradas evitáveis, como infecção, asfixia ao 
nascer complicações da prematuridade. 
• O bebê prematuro é um bebê que nasceu depois da 
20° semana e antes de completar 37 semanas de 
gestação, e por isso, ele apresenta alguns sistemas 
do corpo ainda imaturos, que precisam de 
cuidados especiais para que ele possa crescer e se 
desenvolver da melhor maneira possível. 
• A prematuridade tem repercussões a curto e a 
longo prazo. 
 GRAUS DE PREMATURIDADE 
1. Prematuro Limítrofe: Nascido entre 34 e 
36 semanas. 
- Podem apresentar apneia; dificuldades na 
sucção e deglutição; dificuldades para 
respirar; icterícia; distúrbios metabólicos 
como hipoglicemia. 
2. Prematuro Moderado: Nascido entre 29 e 
33 semanas. 
- O bebê pode ter sinais importantes de 
prematuridade (problemas respiratórios, 
neurológicos, cardíacos) podendo necessitar 
de mais suporte ou cuidados intensivos na 
UTI Neonatal. Pulmão mais imaturo, 
podendo ser necessário suporte respiratório ou 
entubação. 
3. Prematuro Extremo: Até 28 semanas de 
gestação. 
- Seus órgãos principais (coração, pulmão, rins) 
não estão desenvolvidos e, por isso, necessitará 
permanecer um período mais prolongado na 
UTI Neonatal. Utiliza a incubadora até 
estabilização de seu quadro clinico e ganho de 
peso; acesso venoso periférico ou central: 
nutrição parenteral ou por sonda (enteral); 
suporte respiratório. 
 FATORES DE RISCO 
1. Parto prematuro anterior; 
2. Hipertensão; 
3. Diabetes gestacional; 
4. Estresse; 
5. Sobredistenção uterina; 
6. Rotura prematura de membranas ovulares; 
7. Infecções; 
8. Miomas; 
9. Malformações uterinas; 
10. Gestação indesejada; 
11. Descolamento de placenta; 
12. Assistência pré-natal inadequada. 
 SINAIS DE ALERTA PARA UM PARTO 
PREMATURO 
1. Pressão alta; 
2. Febre; 
3. Perda de líquido amniótico: 
4. Dores lombares; 
5. Inchaço das mãos e rosto; 
6. Pressão em região pélvica. 
 PECULIARIDADES DO PREMATURO 
- Fica internado na UTIN por alguns dias; 
- Utiliza o oxigênio para respirar melhor; 
- Utiliza sonda para sua alimentação; 
- Fica na incubadora ou berço aquecido para 
manter a temperatura; 
- Utiliza de algumas medidas de prevenção para 
evitar infecções (Ex: uso de antibiótico); 
- As vezes faz-se necessário a reanimação 
neonatal; 
- Doenças pulmonares (Doença da membrana 
hialina, hipertensão pulmonar, pneumotórax); 
- D o e n ç a s m e t a b ó l i c a s ( H i p o g l i c e m i a , 
hiperglicemia, hipercalcemia, hipocalcemia); 
- Icterícia da prematuridade; 
- Doenças genéticas; 
- Malformações congênitas. 
 OS CUIDADOS COMEÇAM NA SALA DE 
PARTO 
• Deve ser recepcionado em campos aquecidos; 
• Equipe completa com material de reanimação 
neonatal; 
• Vaga de UTI. 
 CRITÉRIOS DE ALTA DA MATERNIDADE 
1. Estabilidade fisiológica: Alimentar-se 
exclusivamente VO, sem engasgo, cianose ou 
dispneia, com ganho de peso adequado (20g/
Maria Vitória de Sousa Santos 
dia). Manter temperatura corporal normal, em 
berço comum. Função cardiorrespiratória 
estável, sem apneia ou bradicardia. 
2. No método Canguru: A mãe segura e 
família consciente dos cuidados (incluindo a 
posição canguru) peso mínimo de 1.600 g 
primeira consulta em até 48h, uma vez por 
semana até atingir 2500 g. 
 MÉTODO CANGURÚ 
• Contato pele a pele entre os pais e o bebê que, 
além de estabelecer o afeto e segurança, favorece 
o desenvolvimento neuropsicomotor, ganho de 
peso e contribui para a defesa imunológica 
 CUIDADOS PÓS ALTA 
1. No banho usar sabonete neutro,evitar talco e 
perfumes; 
2. Roupa adequada ao clima local; 
3. Evitar aglomerações; 
4. Vacinas atualizadas; 
5. Incentivo ao aleitamento materno. 
 ACOMPANHAMENTO AMBULATORIAL 
Cálculo da idade Gestacional Corrigida 
(IGC): 
T (tempo em semanas e dias) = 40 semanas - idade 
Gestacional 
IGC = Idade Cronológica -T 
Exemplo: 
Bebê nascido de 32 semanas, que no dia da 
consulta está com 6 meses. 
T = 40 sem - 32 sem => T = 8 semanas 
IGC = Idade cronológica atual - T 
IGC= 6 meses - 8 semanas (2 meses) = 4 meses. 
 VACINAÇÃO 
• Orientação vacinal para os bebês Prematuros é 
conforme a Idade Cronológica. 
• Imunizações do calendário normal PNI 
(Programa Nacional de Imunizações); 
• Alguns bebês Imunoproteção específica; 
• Normativas vigentes no Centro de referência em 
imunobiológicos especiais - CRIE. 
 PARTICULARIDADES NA VACINAÇÃO 
1. BCG: Só pode ser aplicada em RN com peso 
maior ou igual a 2.000 g. Assim, o bebê que 
nascer com ‹ 2 kg deve ter a BCG adiada ate 
atingir o peso adequado. 
2. Hepatite B: As crianças com peso de 
nascimento ≤ 2.000 g ou idade gestacional (IG) 
 32 semana, que necessitaram 
Oxigenioterapia. 
• Avaliações iniciam entre a 4ª e a 6ª semana de 
vida pós-natal. 
• S e g u i m e n t o c o n f o r m e o r i e n t a ç ã o d o 
Oftalmologista. 
• Retinopatia: identificação precoce e tratamento 
(Laser). 
 ACOMPANHAMENTO DA SAÚDE AUDITIVA 
• Emissões otoscústicas (EOA) teste da orelhinha. 
• TANU: Triagem Auditiva Neonatal Universal. 
• Prematuros e outros bebês de Alto Risco para 
perda auditiva. 
• Encaminhamento ao Programa de Saúde 
Auditiva (SASA). 
• EOA repetida após a alta. 
• Outros exames: Potencial Evocado Auditivo 
(PEATE OU BERA) 
• Identificação precoce - Implante coclear - 
Protetização 
• P e d i a t r a s - O t o r r i n o l a r i n g o l o g i s t a 
-Fenoaudólogos 
• Comportamento auditivo e desenvolvimento da 
fala/linguagem. 
 DEFICIÊNCIAS DE MICRO-NUTRIENTES 
• Prematuros precisam de suplementação de 
vitaminas e minerais: Ferro, Zinco, Vitaminas A, 
D e C, em doses profiláticas e por períodos 
adequados, de acordo com o peso de nascimento 
e IG. 
 ANEMIA DA PREMATURIDADE 
• Além de transfusão de sangue na UTI neonatal, 
pode precisar de suplementação de ferro em 
doses terapêuticas. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• A suplementação profilática de Ferro se inicia 
mais precoce e em doses maiores quanto menor o 
for peso de nascimento: 
1. Baixo Peso ( 37,5 
C ° . U s o d a h e m o d e r i v a d o s o u 
Imunoderivados. Usa de imunossupressores 
ou corticoidas em dose imunossupressora. 
3. Não: Resfriado leves, Desnutrição, 
Prematuridade, corticoides tópicos ou em 
dose baixa,Reação local à vacina, História 
familiar de reações graves à vacina. 
 BCG 
• A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é 
uma vacina que garante proteção contra 
tuberculose, em especial as formas mais 
graves da doença, como a meningite 
tuberculosa e tuberculose miliar. 
• Deverá ser aplicada o mais precocemente 
p a s s í ve l , d e p re f e r ê n c i a a i n d a n a 
maternidade, em recém-nascidos com peso > 
2kg, 
• Via intradérmica braço direito (Inserção do 
deltoide) 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Na ausência de cicatriz não é necessário 
revacinar. 
A vacina deve ser adiada nos seguintes casos: 
1. Recém-nascidos com menos de 2.000 g, até 
que atinjam esse peso. 
2. Pacientes em uso de outras terapias 
i mu n o d e p re s s o r a s ( q u i m i o t e r a p i a 
antineoplásica, radioterapia, entre outros). 
3. Até três meses após o tratamento com 
imunodepressores, imunomoduladores ou 
corticosteroides em dose elevada. 
Contraindicações 
1. Portadores de imunodeficiência primária 
ou adquirida. 
2. Pacientes acometidos por neoplasias 
malignas. 
3. P a c i e n t e s e m t r a t a m e n t o c o m 
cor t i cos tero ides em dose e levada 
(equivalente à dose de prednisona de 2 
mg/kg/dia para crianças até 10 kg ou de 
20 mg/dia ou mais, para indivíduos acima 
de 10 kg) por período superior a duas 
semanas. 
4. Recém-nascidos de mães que utilizaram 
durante os dois últimos trimestres da 
gestação drogas imunomoduladoras que 
atravessam a barreira placentária. 
5. Gestantes. 
Evolução da lesão 
Reações locais e/ou regionais 
- Granuloma; 
- Úlcera; 
- Abscesso; 
- Linfadenopatias regionais. 
 HEPATITE B 
• Aplicar a l° dose nas primeiras 12 ou 24 
horas de vida. 
• Esquema de quatro doses: uma dose em 
formulação isolada ao nascimento e doses 
aos 2, 4 e 6 meses de vida, incluídas na 
vacina pentavalente de células inteiras. 
• Via Intramuscular (IM)-Vasto lateral da coxa 
• Individuo vacinado -› anti-HBs (marcador de 
vacinação) 
Contraindicações 
• R e a ç ã o a n a fi l á t i c a e p ú r p u r a 
trombocitopênica (Prévia). 
 PENTAVALENTE 
• A  vacina pentavalente  é a combinação de 
cinco vacinas individuais em uma. 
• A vacina pentavalente garante a proteção 
contra a difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e 
contra a bactéria haemophilus influenza tipo b, 
responsável por infecções no nariz, meninge 
e na garganta.  
• Público alvo: A vacina pentavalente é 
aplicada nas  crianças aos dois, quatro e seis 
meses de idade. 
• Os reforços e/ou complementações em 
crianças a partir de 1 ano são realizados com 
a vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis 
(DTP). 
 DTP 
• A vacina combinada de DTP e Hib é 
também chamada tetravalente, já que 
protege, ao mesmo tempo, contra difteria, 
tétano e coqueluche. 
• Recomenda-se três doses: com dois, quatro e 
seis meses de vida. 
• Via IM- Vasto lateral da coxa. 
• Caso o esquema não possa ser cumprido, 
recomenda-se completá-lo até os 12 meses. 
Contraindicações: 
- Maiores de 7 anos. 
- Crianças que apresentaram encefalopatia 
nos sete dias que se seguiram à aplicação de 
dose anter ior de vac ina contendo 
componente pertussis. 
- A n a fi l a x i a c a u s a d a p o r q u a l q u e r 
componente da vacina. 
 VORH 
• Tem como objetivo reduzir incidência de 
formas graves (hospitalizações por diarreia 
por rotavírus). 
• Administração via oral. 
1. 1° dose: Só pode ser feita até 3 meses e 15 
dias. 
2. 2° dose: Só pode ser feita até 7 meses e 29 
dias. 
Contraindicação: 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Crianças fora da faixa etária citada acima; 
com deficiências imunológicas por doença ou 
uso de med icamentos que causam 
imunossupressão; com alergia grave (urticária 
disseminada, dificuldade respiratória e 
choque anafilático) provocada por algum dos 
componentes da vacina ou por dose anterior 
da mesma; e com doença do aparelho 
gastrintestinal ou história prévia de 
invaginação intestinal. 
Esquema de doses: 
1. VRH1 – Para crianças a partir de 6 
semanas de idade: em duas doses, com 
intervalo mínimo de quatro semanas. 
Esquema padrão: 2 e 4 meses de idade. 
2. VRH5 – Para crianças a partir de 6 
semanas de idade: três doses, com intervalo 
mínimo de quatro semanas. Esquema 
padrão: 2, 4 e 6 meses de idade. 
Observação: Nunca reaplicar (mesmo que a 
criança cuspa, vomite ou regurgite). 
 VOP - SABIN / VIP 
• Vacina contra poliomelite. 
• Poliovírus atenuado (bivalente). 
• Administração por via oral. 
1. Vacina Oral Poliomielite (VOP) – É 
uma vacina oral atenuada bivalente, ou 
seja, composta pelos vírus da pólio tipos 1 e 
3, vivos, mas “enfraquecidos”. 
2. Vacina Inativada Poliomielite (VIP) – 
Por ser inativada, não tem como causar a 
doença.  É uma vacina trivalente e 
injetável, composta por partículas dos vírus 
da pólio tipos 1, 2 e 3. 
Contraindicação: 
1. VOP 
- Gestantes; 
- Pessoas que sofreram anafilaxia após o 
uso de componentes da fórmula da vacina 
(em especial os antibióticos neomicina, 
polimixina e estreptomicina); 
- Pessoas que desenvolveram a pólio vacinal 
após dose anterior; 
- Pessoas com deficiência do sistema 
imunológico causada por doença ou 
medicamentos, pessoas que vivem com o 
vírus HIV, e todos os que convivem com 
esses grupos. 
2. VIP – A história de reação alérgica grave 
(anafilaxia) à dose anterior da vacina, ou a 
algum de seus componentes, contraindica 
doses futuras. 
Esquemas de doses: 
• A imunização contra a poliomielite deve ser 
iniciada a partir dos 2 meses de vida, com 
mais duas doses aos 4 e 6 meses, além dos 
reforços entre 15 e 18 meses e aos 5 anos de 
idade. 
• VIP – Na rotina de vacinação infantil: aos 2, 
4 e 6 meses, com reforços entre 15 e 18 meses 
e entre 4 e 5 anos de idade. Na rede pública 
as doses, a partir de um ano de idade, são 
feitas com VOP. 
• VOP – Na rotina de vacinação infantil nas 
Unidades Básicas de Saúde, é aplicada nas 
doses de reforço dos 15 meses e nos 4 anos de 
idade e em campanhas de vacinação para 
crianças de 1 a 4 anos. 
Via de aplicação: 
1. VOP – Oral. 
2. VIP – Intramuscular. 
Observação: Revacinar caso a criança, 
cuspa, vomite ou regurgite (apenas 1x). 
 FEBRE AMARELA 
Indicação: 
Pessoas a partir de 9 meses de idade. 4 anos 
dose de reforço. 
Contraindicações: 
• Crianças abaixo de 6 meses de idade. 
• Indivíduos infectados pelo HIV, 
sintomáticos e com imunossupressão 
grave comprovada por exame de 
laboratório. 
• Pessoas com imunodepressão grave por 
doença ou uso de medicação. 
• Pacientes que tenham apresentado 
doença neurológica desmielinizante no 
período de seis semanas após a aplicação 
de dose anterior da vacina. 
• Gestantes, salvo em situações de alto 
risco de infecção, o que deve ser avaliado 
pelo médico; 
• Mulheres amamentando bebês com até 6 
meses. Se a vacinação não puder ser 
evitada, suspender o aleitamento 
materno por 10 dias. Procure o pediatra 
para mais orientações. 
• Pacientes submetidos a transplante de 
órgãos. 
• Pacientes com câncer. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Pessoas com his tór ia de reação 
anafilática relacionada a substâncias 
presentes na vacina (ovo de galinha e 
seus derivados, gelatina bovina ou 
outras). 
• Pacientes com história pregressa de 
doenças do timo (miastenia gravis, 
timoma, casos de ausência de timo ou 
remoção cirúrgica). 
• Em princípio há contraindicação para 
gestantes, mas a administração deve ser 
analisada de acordo com o grau de risco, 
p o r e x e m p l o , n a v i g ê n c i a d e 
surtosrianças abaixo de 6 mesesde idade. 
Via de aplicação 
- Subcutânea. 
 TRÍPLICE VIRAL 
• Trata-se de vacina atenuada, contendo vírus 
vivos “enfraquecidos” do sarampo, da 
rubéola e da caxumba; aminoácidos; 
albumina humana; sulfato de neomicina; 
sorbitol e gelatina. Contém também traços 
de proteína do ovo de galinha usado no 
processo de fabricação da vacina. 
Indicação: 
Crianças, adolescentes e adultos. 
Contraindicação: 
- Gestantes, pessoas com comprometimento 
da imunidade por doença ou medicação, 
história de anafilaxia após aplicação de dose 
anterior da vacina ou a algum componente. 
- A maioria das crianças com história de 
reação anafilática a ovo não tem reações 
adversas à vacina e, mesmo quando a reação 
é grave, não há contraindicação ao uso da 
vacina tríplice viral. Foi demonstrado, em 
muitos estudos, que pessoas com alergia ao 
ovo, mesmo aquelas com alergia grave, têm 
risco insignificante de reações anafiláticas. 
Teste cutâneo não é recomendado, pois não 
consegue prever se a reação acontecerá. No 
entanto, é recomendado que estas crianças, 
por precaução, sejam vacinadas em 
ambiente hospitalar ou outro que ofereça 
condições de atendimento de anafilaxia. 
Esquemas de doses: 
• A SBIm considera protegido todo 
indivíduo que tomou duas doses na vida, 
com intervalo mínimo de um mês, 
aplicadas a partir dos 12 meses de idade. 
• Em situação de risco para o sarampo – 
surtos ou exposição domiciliar, por 
exemplo – a primeira dose pode ser 
aplicada a partir dos 6 meses de idade. 
Essa dose, porém, não conta para o 
esquema de rotina: continuam a ser 
necessárias duas doses a partir dos 12 
meses, com intervalo mínimo de 1 mês. 
• Como rotina para crianças, as sociedades 
brasileiras de Pediatria (SBP) e de 
Imunizações (SBIm) recomendam duas 
doses: uma aos 12 meses e a outra aos 15 
meses, podendo ser usadas a vacina SCR 
ou a combinada SCR-V (tetraviral). 
• Para crianças mais velhas, adolescentes e 
a d u l t o s n ã o va c i n a d o s o u s e m 
comprovação de doses aplicadas, a SBIm 
recomenda duas doses, com intervalo de 
um a dois meses. 
• Em casos de surto de caxumba ou 
sarampo, pode ser considerada a 
aplicação de uma terceira dose em 
pessoas com esquema completo. Não há, 
no entanto, evidências que justifiquem a 
medida na rotina. 
• Na rotina do Programa Nacional de 
Imunizações (PNI) para a vacinação 
infantil, a primeira dose desta vacina é 
aplicada aos 12 meses de idade; e aos 15 
meses (quando é utilizada a vacina 
combinada à vacina varicela [tetraviral: 
SCR-V]). Também podem se vacinar 
gratuitamente indivíduos até 29 anos 
(duas doses, com intervalo mínimo de 30 
dias) e indivíduos entre 30 e 59 anos 
(uma dose). 
Via de aplicação: 
- Subcutânea. 
 HPV 
• São duas doses, com intervalo de 6 meses. 
• Tipos de HPV: 6 e 11 (verruga): 16 e 18 
(câncer). 
• 2 doses dessa vacina para meninas e meninos 
entre 9 e 14 anos. 
• Para indivíduos entre 9 e 26 anos, que 
convivem com o HIV/AIDS, e pacientes em 
t r a t a m e n t o d e q u i m i o t e r a p i a e 
transplantados de órgãos sólidos ou medula 
óssea são recomendadas 3 doses. 
• Via de aplicação: IM na região deltoide ou 
anterolateral superior da coxa.
Maria Vitória de Sousa Santos 
45
PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA 
• O Programa Saúde na Escola (PSE) faz parte 
da politica intersetorial da saúde e da 
educação e foi instituído em 2007, pelo 
DECRETO N°6.285 de 5 de dezembro de 
2007. 
• A articulação entre Escola e Rede Básica de 
Saúde é a base do Programa Saúde na 
Escola e é uma estratégia de integração da 
saúde e educação para o desenvolvimento da 
cidadania e da qualificação das políticas 
públicas brasileiras. 
 OBJETIVOS GERAIS 
1. Promover a saúde e a cultura da paz, 
reforçando a prevenção de agravos à bem 
como fortalecer a relação entre as redes 
públicas de saúde e de educação. 
2. Articular as ações do Sistema Único de 
Saúde (SUS) às ações das redes de 
educação básica pública, de forma a 
ampliar o alcance e o impacto de suas 
acões relativas aos estudantes e a suas 
famílias, otimizando a utilização dos 
espaços, equipamentos e recursos 
disponíveis; 
3. Contribuir para a constituição de 
condições para para a formação integral e 
educandos; 
4. Contribuir para a construção de sistema de 
atenção social, com foco na promoção da 
cidadania e nos direitos humanos; 
5. Fo r t a l e c e r o e n f r e n t a m e n t o d a s 
vulnerabilidades, no campo da saúde, que 
p o s s a m c o m p r o m e t e r o p l e n o 
desenvolvimento escolar; 
6. Promover a comunicação entre escolas e 
unidades de saúde, assegurando a troca de 
informações sobre as condições de saúde 
dos estudantes; e 
7. Fortalecer a participação comunitária nas 
políticas de educação básica e saúde, nos 
três esferas de governo. 
 AÇÕES A SEREM DESENVOLVIDAS -PSE 
1. Ações de combate ao mosquito Aedes 
aegypti; 
2. Promoção das práticas Corporais, da 
Atividade Física e do lazer nas escolas 
3. Prevenção ao uso de álcool, tabaco, crack e 
outras drogas; 
4. Promoção da cultura de paz, cidadania e 
direitos humanos; 
5. Prevenção das violências e dos acidentes; 
6. Identificação de educandos com possíveis 
s inais de agravos de doenças em 
eliminação (hanseniase); 
7. Promoção e Avaliação de Saúde bucal e 
aplicação tópica de flúor; 
8. Verificação da situação vacinal; 
9. Promoção da segurança alimentar e 
nutricional e da alimentação saudável e 
prevenção da obesidade infantil; 
10. Promoção da saúde auditiva e identificação 
de educandos com possiveis sinais de 
alteração; 
11. Direito sexual e reprodutivo e prevenção 
de DST/AIDS; 
12. Promoção da saúde ocular e identificação 
de educandos com possíveis sinais de 
alteração; 
13. Ação de prevenção a COVID-19- passa a 
fazer parte das ações do PSE, a partir da 
declaração de emergência em saúde 
pública de importância nacional na 
portaria N° 188, de 3 de fevereiro de 2020. 
 ESCOLAS PRIORITÁRIAS 
Algumas escolas são consideradas prioritárias 
na adesão: 
1. Todas as creches públicas e conveniadas do 
município; 
2. Todas as escolas localizadas em área rural; 
3. As escolas com alunos em medida 
socioeducativas; 
4. Escolas que tenham, pelo menos, 50% dos 
alunos matriculados pertencentes a famílias 
beneficiárias do Programa Bolsa Família. 
 PROGRAMA CRESCER SAUDÁVEL 
• Criado em 2017, estabelece, no âmbito do 
Programa Salde na Escola, um conjunto de 
ações a serem implementadas com o objetivo 
de contribuir para enfrentamento da 
obesidade infantil no pais por meio de ações 
a serem matriculadas âmbito do Programa 
Saúde na Escola (PSE), para as crianças na 
Educação Infantil (creches e pré-escolas) e 
Ensino Fundamental 1. 
• As ações que compõem o programa 
abrangem a vigilância nutricional, a 
promoção da alimentação adequada e 
saudável, o incentivo às práticas corporais e 
de atividade física e ações voltadas para 
oferta de cuidados para as crianças que 
apresentam obesidade.
Maria Vitória de Sousa Santos 
SIBILÂNCIA NA INFÂNCIA 
• As principais causas de sibilância na infância 
podem e devem ser tratadas no âmbito da 
Atenção Primaria de Saúde. 
• Os casos graves, que complicam ou que não 
apresentam resposta terapêutica adequada 
devem ser encaminhados para níveis de 
atenção superiores através de protocolos do 
Ministério da Saúde. 
 DEFINIÇÃO DE SIBILÂNCIA 
A sibilância é um som agudo ou chiado 
produzido durante a respiração, que indica que 
o fluxo de ar nas vias respiratórias esta 
obstruído ou restrito. 
 CARACTERÍSTICAS DO SIBILO 
1. Tom: O sibilo tem um som agudo e 
estridente, semelhante a um apito ou 
assovio. 
2. Intensidade: A intensidade do sibilo 
pode variar de leve a forte, dependendo da 
gravidadeda condição pulmonar do 
paciente. 
3. Localização: O sibilo pode ser ouvido em 
diferentes partes dos pulmões, dependendo 
da causa da condição pulmonar. 
4. Duração: O sibilo pode ser continuo ou 
intermitente. 
É importante avaliar: 
1. M o d i fi c a ç ã o c o m m a n o b r a s 
respiratórias: O profissional de saúde 
pode pedir ao paciente para realizar 
algumas manobras respiratórias, como 
respirações profundas ou tosse, para avalia 
se o sibilo se modifica ou desaparece. 
2. P r e s e n ç a d e o u t r o s s o n s 
respiratórios: Além do sibilo, outros sons 
respiratórios, como crepitações, estertores 
ou roncos, podem estar presentes e são 
importantes para avaliar a condição 
pulmonar geral do paciente. 
 ETIOLOGIAS 
1. Asma; 
2. Bronqueolite; 
3. Alergias respiratorias; 
4. Infecções Respiratórias: Pneumonia e 
bronquite; 
5. Doença do Refluxo Gastroesofagico; 
6. Causas anômalas estruturais. 
 ASMA 
A asma na infância 
é u m a d o e n ç a 
crônica das vias 
aéreas que causa 
i n fl a m a ç ã o e 
estreitamento dos 
brônquios, levando a 
s i n t o m a s c o m o 
chiado no peito, tosse, 
falta de ar e aperto no peito. 
FATORES DE RISCO DESENCADEANTE DA 
ASMA 
1. Alergenos: Ácaros, pólens, fungos e pelos 
de animais. Antígenos alimentares 
raramente desencadeiam. 
2. Agentes irritantes: Fumaça (cigarro, 
vegetal, industrial), poluição ambiental e 
alterações climáticas súbitas. 
3. Agentes infecciosos: Infecções viróticas 
e por Mycoplasma. Agentes bacterianos 
raramente desencadeiam crises crises. 
4. Esforço físico: Pode desencadear 
Broncoespasmos. 
 BRONQUEOLITE 
• É uma infecção respiratória aguda que afeta 
principalmente os bronquíolos, que são as 
pequenas estruturas das vias aéreas. 
• É geralmente causada pelo vírus sincicial 
respiratório (VSR) e é mais comum em bebês 
e crianças pequenas, especialmente durante o 
inverno. 
• Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, 
coriza, febre e, em casos mais graves, falta de 
ar e sibilos. 
 ALERGIAS 
• A exposição a alérgenos como asaras, pólen, 
mofo, pelos de animais e produtos químicos 
pode desencadear uma resposta inflamatória 
Maria Vitória de Sousa Santos 
para avaliar 
ácaros, 
nas vias aéreas, que resulta em estreitamento 
das mesmas e aumento da produção de 
muco, levando ao chiado no peito e à 
dificuldade para respirar. 
 INFECÇÕES 
• As infecções respiratórias são geralmente 
causadas por vírus ou bactérias e podem 
afetar vias aéreas inferiores, incluindo os 
brônquios e os bronquíolos. 
• Isso pode levar a uma resposta inflamatória 
nas vias aéreas, estreitamento dos brônquios 
e produção excessiva de muco, resultando em 
sibilos e dificuldade para respirar. 
 PNEUMONIA 
• Pneumonia é uma infecção que se instala nos 
pulmões, órgãos duplos localizados um de 
cada lado da caixa torácica. 
• Pode acometer a região dos alvéolos 
p u l m o n a r e s o n d e d e s e m b o c a m a s 
ramificações terminais dos brônquios e, às 
vezes, os interstícios (espaço entre um alvéolo 
e outro). 
• Basicamente, pneumonias são provocadas 
pela penetração de um agente infeccioso ou 
irritante (bactérias, vírus, fungos e por 
reações alérgicas) no espaço alveolar, onde 
ocorre a troca gasosa. 
• Esse local deve estar sempre muito limpo, 
livre de substâncias que possam impedir o 
contato do ar com o sangue. 
 ESTRUTURAIS 
• Condição em que há uma alteração na 
estrutura das Vias aéreas, que pode levar à 
obstrução ou estreitamento das mesmas, 
causando sibilos durante a respiração. 
• Essas anomalias podem ser congênitas ou 
adquiridas, e incluem condições como 
estenose traqueal, fistula traqueoesofágica, 
broncomalacia, entre outras. 
 REFLUXO GASTROESOFÁGICO 
• O refluxo gastroesofágico causando sibilo é 
uma condição na qual o conteúdo do 
estômago retorna para o esôfago e chega às 
vias respiratórias, causando irritação e 
inflamação, o que pode levar ao sibilo 
durante a respiração. 
 CORPO ESTRANHO 
• O sibilo por corpo estranho na criança é 
uma condição na qual um objeto estranho, 
como uma peça de brinquedo, alimento ou 
outro objeto, fica preso nas vias aéreas da 
criança, causando sibilos durante a 
respiração. 
• Isso pode ser potencialmente grave e exigir 
atenção médica imediata. 
 INVESTIGAÇÃO DE SIBILO NA APS 
Anamnese 
• Perguntar sobre a presença de sintomas 
respiratórios, como: tosse, coriza, febre, 
dificuldade para respirar, entre outros. 
• Histórico familiar de asma ou outras doenças 
r e s p i r a t ó r i a s , ex p o s i ç ã o a f a t o re s 
desencadeantes, como fumaça de cigarro, 
poluição, poeira, pelos de animais, entre 
outros. 
Exame físico 
• Avaliar o estado geral da criança, a presença 
de sinais de desconforto respiratório, como 
uso de músculos acessórios para respirar, 
aumento da frequência respiratória, retrações 
intercostais, entre outros. 
• Também é importante avaliar os sons 
respiratórios, incluindo a presença de sibilos 
e outros ruídos. 
Teste respiratório 
• Espirometria: Auxilia no diagnóstico de 
asma. Avalia a função respiratória. 
Exames complementares 
Cada caso é único e o médico avaliara 
cuidadosamente seus sintomas e histórico 
médico antes de solicitar qualquer exame 
complementar: 
- Radiografia de Tórax; 
- Hemograma; 
- Prick Test; 
- Outros (guiados pelo sintoma). 
 TRATAMENTO 
1. Asma: O tratamento geralmente envolve o 
uso de medicamentos broncodilatadores e 
anti-inflamatórios, como o salbutamol e o 
budesonida. É baseado no GINA 2023 e é 
variável de acordo com a faixa etária do 
paciente. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
2. Bronquiolite: O tratamento geralmente 
envolve repouso, hidratação adequada e, 
em alguns casos, o uso de medicamentas 
broncodilatadores. 
3. Pneumonia: O tratamento geralmente 
e nvo l ve o u s o d e a n t i b i ó t i c o s e 
medicamentos broncodilatadores. 
 ORIENTAÇÕES 
Importante identificar e evitar os gatilhos que 
podem desencadear o sibilo em crianças. 
- Fumaça de cigarro; 
- Poeira; 
- Ácaros; 
- Poluição. 
 ORIENTAÇÕES GERAIS 
- Manter vacinação atualizada; 
- Manter a criança hidratada; 
- Manter a casa limpa e livre de alergenos; 
- Orientar quanto aos sinais e sintomas de 
gravidade; 
- Manter acompanhamento médico regular. 
 SINAIS DE ALERTA 
1. Tiragem intercostal; 
2. Batimentos de asas de nariz; 
3. Gemência; 
4. Balanço toracoabdominal; 
5. Retração xifoidea; 
6. Toxemia; 
7. Cianose; 
8. Hipoxemia; 
9. Irregularidade respiratória; 
10. Apneia; 
11. Dificuldade de alimentar; 
12. Vômitos; 
13. Desidratação; 
14. Sonolência; 
15. Confusão mental; 
16. Irritabilidade; 
17. Pulsos finos; 
18. Perfusão lenta; 
19. Taquicardia. 
Observação: Quanto menor criança, mais 
alto o risco de desenvolver insuficiência 
respiratória e apneia.
Maria Vitória de Sousa Santos 
ATENÇÃO À SAÚDE DO 
ADOLESCENTE NA APS 
 DEFINIÇÃO DE ADOLESCÊNCIA 
Período da vida humana onde ocorrem 
i n t e n s a s t r a n s f o r m a ç õ e s b i o l ó g i c a s 
principalmente intenso crescimento e 
desenvolvimento, maturação sexual e 
consequente transformações emocionais para 
se adaptar a essas mudanças. Torna-se capaz 
deprocriar; busca sua identidade adulta com 
novas relações com a família e grupos, 
procurando autonomia e independência rumo 
a vida adulta. 
1. 10 a 19 anos (OMS/MS); 
2. 12 a 18 anos (Estatuto da criança e do 
adolescente); 
3. 10 a 20 anos (Tratado de Pediatria - 
Nelson). 
 TAREFAS DA ADOLESCÊNCIA 
• Assumir o novo corpo; 
• Assumir valores e estilos de vida; 
• Escolha profissional; 
• Independência econômica. 
 ÉTICA E SIGILO MÉDICO 
• R e c o n h e c e r c o m o i n d i v i d u o 
progressivamente capaz; 
• Respeitar individualidade e pudor; 
• Capaz de avaliar seu problema e solucionar; 
• Direito de ser atendido sem os pais; 
• Participação da família é desejável; 
• Quebra de sigilo deve ser informada e 
justificada. 
 QUEBRA DE SIGILO/LIMITE DE 
CONFIABILIDADE 
“É vedado ao médico: revelar segredo 
profissional referente a paciente menor de 
idade, inclusive a seus pais ou responsáveis 
legais, desde que o menor tenha a capacidade 
de avaliar seu problema e de conduzir-se por 
seus próprios meios para solucioná-los, salvo 
quando a não revelação possa acarretar danos 
ao paciente". 
• Risco de morte para o paciente ou terceiros: 
• Suicídio, doenças, fuga de casa; 
• Procedimentos, notificação obrigatória - 
maus tratos; 
• Intenção de abortar; 
• Gravidez; 
• Uso de drogas; 
• Anorexia e bulimia nervosa; 
• Ferimentos de cunho criminoso, atos 
violentos; 
• Ameaça de homicídio. 
 MOTIVOS DA CONSULTA DO ADOLESCENTE 
• Queixas físicas, reais ou imaginárias; 
• Dificuldades de ajustamento social na escola, 
no trabalho, com companheiros, 
• Transtornos de conduta; 
• Mau rendimento escolar; 
• Dificuldades na área da sexualidade, 
• Queixas psicológicas- preocupações, 
a n g ú s t i a s , d i s t ú r b i o s d o s o n o, d a 
alimentação, do humor. 
 ANAMNESE 
• Família: Estrutura e dinâmica familiar; 
• Educação: Escolaridade, problemas; 
• Trabalho: Profissão, horas, problemas; 
• Alimentação: Tipo, alergias, peso; 
• Sexualidade: Puberdade, atividade sexual, 
dúvidas, tabus, preconceitos; 
• Afeto: Relacionamentos, filhos; 
• Ambições: Projetos futuros - vida e 
profissão; 
• Uso/abuso de drogas lícitas/ilícitas; 
• Pensamento ou tentativa suicídio. 
 EXAME FISICO 
• Roupões (p/não se sentir desconfortável); 
• Privacidade-porta fechada; 
• Presença dos pais ou enfermagem; 
• Maca de tamanho adequado. 
É necessário avaliar: 
- Estágio de desenvolvimento puberal critérios 
de Tanner; 
- Avaliação do estado nutricional (IMC, Peso, 
altura); 
- Inspeção o mais completa possível (saúde 
bucal, pele e mucosas); 
- Coluna vertebral; 
- Mamas; 
- Tireóide; 
- PA; 
- Genitais. 
Puberdade normal 
- Em meninas: Entre 8 e 12 anos - Telarca 
(aparecimento do broto mamário); 
- Em meninos: Entre 9 e 14 anos - 
Aumento do volume testicular (4mL). 
 ESTADIAMENTO PUBERAL 
• Estadiamento de Tanner criado em 1962, por 
um médico inglês: James Tanner. 
• Método visual. 
Maria Vitória de Sousa Santos 
• Ferramenta utilizada diariamente durante a 
descrição do exame físico de crianças e 
adolescentes. 
• Descreve a maturação sexual em meninos e 
meninas. 
• Pode permitir diagnósticos de patologias 
como: puberdade precoce, rapidamente 
progressiva ou retardada. 
Observação: No gênero masculino, após o 
i n í c i o d a p u b e rd a d e, p o d e o c o r re r 
ginecomastia puberal uni/bilateral, que tem 
caráter transitório e regride espontaneamente 
em cerca de 2 a 3 anos. 
 VACINAÇÃO 
Idade de 10-19 anos: 
- Hepatite B (3 doses); 
- Meningocócica ACWY (Dose única 11-12 
anos); 
- Febre amarela (dose única); 
- Tríplice viral (2 doses - até 29 anos); 
- HPV (meninos e meninas 9-14 anos); 
- Dupla adulto (3 doses e reforço alçada 10 
anos).
Maria Vitória de Sousa Santos 
EDUCAÇÃO SEXUAL ABORDANDO A 
DIVERSIDADE DE GÊNERO E A 
SEXUALIDADE NA APS. 
 EDUCAÇÃO SEXUAL 
• De acordo com a OMS, UNESCO e MS, a 
Educação Sexua l é o proces so de 
aprendizagem e desenvolvimento de 
habilidades e conhecimentos relacionados à 
sexualidade humana. 
 OBJETIVO DA EDUCAÇÃO SEXUAL 
1. Informar, orientar e capacitar os indivíduos 
a respeito de aspectos físicos, sociais, 
emocionais e culturais envolvendo a 
sexualidade; 
2. Consentimento na relação sexual; 
3. Direitos sexuais; 
4. Direitos reprodutivos e acesso ao 
planejamento familiar; 
5. Bem-estar da saude humana e sexual. 
 O QUE A EDUCAÇÃO SEXUAL INCLUI 
1. Educação sobre anatomia e fisiologia 
sexual; 
2. Métodos contraceptivos e seus critérios de 
elegibilidade; 
3. Prevenção de infecções sexualmente 
transmissíveis; 
TERMOS EM EDUCAÇÃO SEXUAL E 
SEXUALIDADE 
1. Gênero: Gênero é um conjunto de 
características, papéis, comportamentos e 
valores socia lmente construídos e 
associados a homens e mulheres em uma 
determinada cultura ou sociedade. O 
gênero é uma construção social e pode 
variar em diferentes culturas e contextos. 
2. Orientação afetiva: Orientação afetiva, 
ou orientação sexual, é a atração 
emocional e sexual de uma pessoa por 
outras pessoas. Ela pode ser: 
- Heterossexual (atração por pessoas do 
sexo oposto); 
- Homossexual (atração por pessoas do 
mesmo sexo); 
- Bissexual (atração por pessoas de ambos 
os sexos), entre outras possibilidades. 
3. Identidade de gênero: Identidade de 
gênero é a forma como uma pessoa se 
identifica em relação ao gênero, podendo 
ser masculina, feminina, não-binária ou de 
outra forma. Essa identidade pode não 
corresponder ao sexo biológico ou às 
expectativas sociais associadas ao gênero. É 
uma experiência pessoal e subjetiva de 
cada indivíduo. 
 TEMAS NEGLIGENCIADOS 
Alguns temas negligenciados em educação 
sexual e sexualidade: 
1. Sexualidade na terceira idade; 
2. Sexualidade na pessoa com deficiência; 
3. Saude sexual de pessoas LGBTQIA+; 
4. Educação sexual nos escolas; 
5. Educação sexual para pessoas de baixa 
escolaridade; 
6. Saude sexual no contexto de refúgio e 
migração; 
7. Sexualidade na população vivendo em 
situação de rua; 
8. Sexualidade em pessoas privativas de 
liberdade. 
 FASES DA VIDA E SEXUALIDADE 
1. Infância: É importante que os pais e 
cuidadores estejam cientes de como as 
crianças se desenvolvem sexualmente e 
como lidar com as perguntas e curiosidade 
que surgem. 
2. Adolescência: A adolescência é uma fase 
de descobertas e experimentações, e é 
importante que os jovens recebam 
informações precisas e adequadas sobre 
saúde sexual e reprodutiva, incluindo a 
prevenção de doenças sexualmente 
transmissíveis e contracepção. 
3. Idade adulta: Na idade adulta, a 
sexualidade pode ser afetada por fatores 
c o m o a s a ú d e f í s i c a e m e n t a l , 
Maria Vitória de Sousa Santos 
relacionamentos e mudangas na vida, 
como a maternidade e a paternidade. 
4. Terceira idade: A sexualidade na 
terceira idade muitas vezes é negligenciado, 
mas é uma parte importante da vida e 
pode trazer benefícios para a saude físico e 
emocional. No entanto, a saude e o bem-
estar sexual podem ser afetados por 
problemas de saúde, mudanças hormonais 
e medicações. 
 ABORDANDO SEXUALIDADE NA APS 
• É importante que os profissionais de saude 
na APS estejam capacitados para lidar com a 
sexualidade de forma sensível e respeitosa, 
respeitando a privacidade e autonomia dos 
pacientes. 
• Identificar e respeitar as necessidades e 
preferências dos pacientes em relação à sua 
s e x u a l i d a d e , s e m j u l g a m e n t o s o u 
estereótipos. 
• Oferecer informações claras, precisas e 
acessíveis sobre saude sexual e reprodutiva, 
inclu indo a prevenção de doenças 
sexualmente transmissíveis e a contracepção. 
• Promover a educação sexual e reprodutiva 
desde a infância, por meio de palestras, 
materiais informativos e orientações para 
pais e cuidadores. 
• Identificar e tratar problemas de saúde 
sexual, como disfunção eréti, infecções 
sexualmente transmissíveis e câncer de colo 
de útero, por meio de exames preventivos e 
tratamento adequado. 
• Promover a saude sexual de forma inclusiva e 
abrangente, abordando questões relacionadas 
à diversidade sexual, gênero e identidade de 
gênero. 
• Fornecer orientações sobre sexualidade na 
terceira idade, incluindo a importância de 
manter a atividade sexual e prevenir 
problemas de saúde relacionados. 
• Realizar encaminhamentos para serviços 
especializados, quando necessário, como 
serviços de psicologia e aconselhamento em 
casos de violência sexual. 
Observação: No Brasil a notificação de casos 
de violência sexual é obrigatória por lei e deve 
ser feita pelos profissionais de saúde que 
prestam atendimento à vitima, incluindo 
serviços de saude púbica e privada. A 
notificação é feita por meio de um formulário 
especifico, que deve ser preenchido com 
informações sobre o caso, como a identificação 
da vítima a forma de violência sofrida, o tipo 
de agressor e o encaminhamento para serviços 
especializados. 
 ESTRATÉGIAS DE ABORDAGEM 
1. Conhecer e respeitar as especificidades de 
cada grupo; 
2. Garantir uma abordagem inclusiva e livre 
de preconceitos; 
3. Utilizar estratégias adequadas à faixa etária 
e nível de escolaridade dos grupos 
vulneráveis: ISTD; 
4. Promover a participação ativa e o diálogo; 
5. Oferecer suporte e encaminhamento para 
serviços especializados.
mudanças 
Maria Vitória de Sousa Santos 
ABORDAGEM DA MULHER NA CONSULTA 
PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO NA APS 
 OBJETIVO DO PRÉ NATAL 
O objetivo do acompanhamento pré-natal é 
assegurar o desenvolvimento da gestação, 
permitindo o parto de um recém-nascido 
saudável, sem impacto para a saúde materna, 
inclusive abordando aspectos psicossociais e as 
atividades educativas e preventivas. 
1. Diagnosticar/confirmar gravidez (teste 
rápido); 
2. Diagnosticar doenças preexistentes; 
3. Proporcionar higidez ao organismo 
materno e fetal; 
4. Amparar social e psicologicamente; 
5. Preparar para o parto e a maternidade. 
 ACOLHIMENTO 
• A Política Nacional de Humanização toma o 
acolhimento como postura prática nas ações 
de atenção e gestão das unidades de saúde, o 
que favorece a construção de uma relação de 
confiança e compromisso dos usuários com 
as equipes e os serviços, contribuindo para a 
promoção da cultura de solidariedade e para 
a legitimação do sistema público de saúde. 
• O acolhimento da gestante na atenção básica 
i m p l i c a a r e s p o n s a b i l i z a ç ã o p e l a 
integralidade do cuidado a partir da 
recepção da usuária com escuta qualificada e 
a partir do favorecimento do vínculo e da 
avaliação de vulnerabilidades de acordo com 
o seu contexto social, entre outros cuidados. 
• A história de vida e o contexto de gestação 
trazidos pela mulher durante a gravidez 
devem ser acolhidos integralmente a partir 
do seu relato e da fala de seu parceiro. 
• O profissional deve permitir que a gestante 
expresse suas preocupações e suas angústias, 
garantindo a atenção resolutiva e a 
articulação com os outros serviços de saúde 
para a continuidade da assistência e, quando 
necessário, possibilitando a criação de 
vínculo da gestante com a equipe de salde. 
• Uma escuta aberta, sem julgamentos nem 
preconceitos, de forma que permita à mulher 
falar de sua intimidade com segurança, 
fortalece a gestante no seu caminho até o 
parto e ajuda a construir o seu conhecimento 
sobre si mesma, contribuindo para que tanto 
o parto quanto o nascimento sejam 
tranquilos e saudáveis. 
Classificação de risco gestacional 
1. Baixo risco: 90% das pacientes. O 
seguimento na atenção básica. 
2. Alto risco: 10% das pacientes. Está 
relacionado a doenças preexistentes, 
história reprodutiva, alterações fetais e 
maternas na gestação atual. 
Fatores de risco que encaminhamento ao pré- 
natal de alto risco 
1. Fatores relacionados às condições prévias: 
2. Cardiopatias; 
3. Pneumopatias graves (incluindo asma 
brônquica); 
4. Nefropatias graves (como insuficiência 
r e n a l c r ô n i c a e e m c a s o s d e 
transplantados); 
5. Endocrinopatias (especialmente diabetes 
m e l l i t u s , h i p o t i r e o i d i s m o e 
hipertireoidismo); 
6. Doenças hematológicas (inclusive doença 
falciforme e talassemia); 
7. Hipertensão arterial crônica e/ou caso de 
paciente que faça uso de anti-hipertensivo 
(PA>140/90mmHg antes de 20 semanas 
de idade gestacional – IG); 
8. Doenças neurológicas (como epilepsia); 
9. Doenças psiquiátricas que necessitam de 
acompanhamento (psicoses, depressão 
grave etc.); 
10. Doenças autoimunes (lúpus eritematoso 
sistêmico, outras colagenoses); 
11. Entre outros. 
Fatores relacionados à história reprodutiva 
anterior: 
1. Morte intrauterina ou perinatal em 
gestação anterior, principalmente se for de 
causa desconhecida; 
2. História prévia de doença hipertensiva da 
gestação, com mau resultado obstétrico e/
ou perinatal (interrupção prematura da 
gestação, morte fetal intrauterina, 
síndrome Hellp, eclâmpsia, internação da 
mãe em UTI); 
3. Abortamento habitual; 
4. Esterilidade/infertilidade. 
Fatores relacionados à gravidez atual: 
1. Restrição do crescimento intrauterino; 
2. Polidrâmnio ou oligoidrâmnio; 
3. Gemelaridade; 
4. Malformações fetais ou arritmia fetal; 
Maria Vitória de Sousa Santos 
saúde.
de
5. Distúrbios hipertensivos da gestação 
(h ipertensão crônica preexis tente, 
hipertensão gestacional ou transitória). 
 CONSULTAS 
• As consultas de pré-natal poderão ser 
realizadas na unidade de saúde ou durante 
visitas domiciliares. 
O total de consultas deverá ser de, no mínimo, 
6 (seis), com acompanhamento intercalado entre 
médico e enfermeiro. 
1. 1° Trimestre: Uma consulta; 
2. 2° Trimestre: Duas consultas; 
3. 3° Trimestre: Três consultas. 
Sempre que possível, as consultas devem ser 
realizadas conforme o seguinte cronograma: 
1. Até 28ª semana – mensalmente; 
2. D a 2 8 ª a t é a 3 6 ª s e m a n a – 
quinzenalmente; 
3. Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente. 
• A maior frequência de visitas no final da 
gestação visa à avaliação do risco perinatal e 
das intercorrências clínico-obstétricas mais 
comuns nesse trimestre, como trabalho de 
parto prematuro, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, 
amniorrexe prematura e óbito fetal. 
• Não existe “alta” do pré-natal antes do parto. 
• Quando o parto não ocorre até a 41ª 
semana, é necessário encaminhar a gestante 
para avaliação do bem-estar fetal, incluindo 
avaliação do índice do líquido amniótico e 
monitoramento cardíaco fetal. 
 1° CONSULTA 
 ANAMNESE 
Identificação: 
1. Nome; 
2. Idade da paciente 35 anos; 
3. Etnia; 
4. Estado civil; 
5. Profissão - física ou intelectual; 
6. Procedência. 
Deve-se pesquisar os: 
1. Aspectos socioepidemiológicos; 
2. Antecedentes familiares (DM, HAS, CA, 
gemelaridade, etc); 
3. Antecedentes pessoais gerais (doenças 
neurops iquiá tr icas, t i reo idopat ias, 
cardiopatias, doenças renais, asma, 
cirurgias prévias, DM, HAS, alergias, 
anemia, hemotransfusões, etc); 
4. Antecedentes g ineco lóg icos ( c ic lo 
menstrual, uso de anticoncepcional, 
citologia, cirurgias, ISTs, infertilidade e 
esterilidade - tratamento, malformações 
uterinas, etc); 
5. Antecedentes obstétricos (n° de partos, 
nascidos vivos, abortamento, idade da 
primeira gravidez, neomorto, natimorto, 
aleitamento, peso do recém nascido, etc); 
6. Situação da gravidez atual

Mais conteúdos dessa disciplina