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4° PERÍODO Integração Ensino Serviço Comunidade POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA CRIANÇA PORTARIA N° 1.130 DE 05 DE AGOSTO DE 2015 Institui a Política Nacional de Atenção Integral Saúde da criança no âmbito do SUS. OBJETIVO Promover e proteger a saúde da criança e o aleitamento materno, mediante a atenção e cuidados integrais e integrados da gestação aos 9 (nove) anos de vida, com especial atenção à primeira infância e às populações de maior vulnerabilidade, visando à redução da morbimortalidade e um ambiente facilitador à vida com condições dignas de existência e pleno desenvolvimento. Para fins do PNAISC considera-se: 1. Criança de 0 a 9 anos (120 Meses) 2. Primeira Infância: De 0 a 5 anos (72 Meses) - Observação: Para fins de atendimento em serviços de pediatria no SUS, a PNAISC contemplará crianças e adolescentes até a idade de 15 (quinze) anos, ou seja, 192 (cento e noventa e dois) meses sendo este limite etário passível de alteração de acordo com as normas e rotinas do estabelecimento de saúde responsável pelo atendimento. PRINCÍPIOS Art. 4° A PNAISC é orientada pelos seguintes princípios: 1. Direito à vida e à saúde; 2. Prioridade absoluta da criança; 3. Acesso universal à saúde; 4. Integralidade do cuidado; 5. Equidade em saúde; 6. Ambiente facilitador à vida; 7. Humanização da atenção; 8. Gestão participativa e controle social. EIXOS ESTRATÉGICOS Estrutura em 7 (sete) eixos estratégicos, com a finalidade de orientar e qualificar as ações e serviços de saúde da criança no território nacional, considerando os determinantes sociais e condicionantes para garantir o direito à vida e à saúde, visando à efetivação de medidas que permitam o nascimento e o pleno desenvolvimento na infância, de forma saudável e harmoniosa, bem como a redução das vulnerabil idades e r iscos para o adoecimento e outros agravos, a prevenção das doenças crônicas na vida adulta e da morte prematura de crianças. Art. 6°: A PNAISC se estrutura em 7 (sete) eixos estratégicos 1. Atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e ao recém-nascido: Consiste na melhoria do acesso, cobertura, qualidade e humanização da atenção obstétrica e neonatal, integrando as ações do pré- natal e acompanhamento da criança na atenção básica com aquelas desenvolvidas nas maternidades, conformando-se uma rede articulada de atenção; 2. Aleitamento materno e alimentação complementar saudável: Estratégia ancorada na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, iniciando na gestação, considerando- se as vantagens da amamentação para a criança, a mãe, a família e a sociedade, bem como a importância de estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis; 3. Promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral: Consiste na vigilância e estímulo do pleno crescimento e desenvolvimento da criança, em especial do "Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI)", pela atenção básica à saúde, conforme as orientações da "Caderneta de Saúde da Criança", incluindo ações de apoio às famílias para o fortalecimento de vínculos familiares; 4. Atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com doenças crônicas: Consiste em estratégia para o diagnóstico precoce e a qualificação do manejo de doenças prevalentes na infância e ações de prevenção de doenças crônicas e de cuidado dos casos diagnosticados, com o fomento da atenção e internação domiciliar sempre que possível; 5. Atenção integral à criança em situação de violências, prevenção de acidentes e promoção da cultura de paz: Consiste em articular um conjunto de ações e estratégias da rede de saúde para a prevenção de violências, acidentes e promoção da cultura de paz, além de organizar metodologias de apoio aos Maria Vitória de Sousa Santos serviços especializados e processos formativos para a qualificação da atenção à criança em situação de violência de natureza sexual, física e psicológica, negligência e/ou abandono, visando à implementação de linhas de cuidado na Rede de Atenção à Saúde e na rede de proteção social no território; 6. Atenção à saúde de crianças com d e fi c i ê n c i a o u e m s i t u a ç õ e s específicas e de vulnerabilidade: Consiste na articulação de um conjunto de estratégias intrassetoriais e intersetoriais, para inclusão dessas crianças nas redes temáticas de atenção à saúde, mediante a i d e n t i fi c a ç ã o d e s i t u a ç ã o d e vulnerabilidade e risco de agravos e a d o e c i m e n t o , r e c o n h e c e n d o a s especificidades deste público para uma atenção resolutiva; 7. Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno: Consiste na contribuição para o monitoramento e investigação da mortalidade infantil e fetal e possibilita a avaliação das medidas necessárias para a prevenção de óbitos evitáveis. AÇÕES ESTRATÉGICAS Art 7°: São ações estratégicas do eixo de atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e ao recém-nascido: I. A prevenção da transmissão vertical do HIV e da sífilis; II. A atenção humanizada e qualificada ao parto e ao recémnascido no momento do nasc imento, com capaci tação dos profissionais de enfermagem e médicos para prevenção da asfixia neonatal e das parteiras tradicionais; III. A atenção humanizada ao recém-nascido prematuro e de baixo peso, com a utilização do "Método Canguru"; IV. A qualificação da atenção neonatal na rede de saúde materna, neonatal e infantil, com especial atenção aos recém-nascidos graves ou potencialmente graves, internados em Unidade Neonata l , com cu idado progressivo entre a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), a Unidade de Cu idado In te r med iá r io Neonata l Convencional (UCINCo) e a Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa); V. A alta qualificada do recém-nascido da maternidade, com vinculação da dupla mãe-bebê à Atenção Básica; VI. O seguimento do recém-nascido de risco, após a alta da maternidade, de forma c o m p a r t i l h a d a e n t r e a A t e n ç ã o Especializada e a Atenção Básica; e VII.As triagens neonatais universais (teste do pezinho, teste do coraçãozinho, teste do olhinho etc). Art. 8°: São ações estratégicas do eixo de a l e i t amen to mate r no e a l imen tação complementar saudável: I. A Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC); II. A Estratégia Nacional para Promoção do Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável no SUS; III. A Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA); IV. A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano; V. A implementação da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes, para Crianças de Primeira Infância, Bicos Chupetas e Mamadeiras (NBCAL); e VI. A mobilização social em aleitamento materno Art. 9°: São ações estratégicas do eixo de promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral: I. A disponibilização da "Caderneta de Saúde da Criança", com atualização periódica de seu conteúdo; II. A qualificação do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da primeira infância pela Atenção Básica à Saúde; III. O Comi tê de Espec ia l i s t a s e de M o b i l i z a ç ã o S o c i a l p a r a o Desenvolvimento Integral da Primeira Infância, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS); e IV. O apoio à implementação do Plano Nacional pela Primeira Infância. Art. 10°: São ações estratégicas do eixo de atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com doenças crônicas I. A Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI); Maria Vitória de Sousa Santos II. A construção de diretrizes de atenção e linhas de cuidado; e(medicamentos utilizados na gestação, peso prévio e altura, sinais e sintomas da gestação, etc); 7. Uso de tabaco, álcool ou outras drogas lícitas. EXAME FÍSICO Exame físico geral: 1. Inspeção da pele e das mucosas; 2. Sinais vitais: aferição do pulso, frequência card íaca , f requênc ia resp i ratór ia , temperatura axilar; 3. Palpação da tireoide , região cervical, supraclavicular e axilar (pesquisa de nódulos ou outras anormalidades); 4. Ausculta cardiopulmonar; 5. Exame do abdome; 6. Exame dos membros inferiores; 7. Determinação do peso; 8. Determinação da altura; 9. Cálculo do IMC; 10. Avaliação do estado nutricional e do ganho de peso gestacional; - Medida da pressão arterial; 11. Pesquisa de edema (membros, face, região sacra, tronco). Exame físico específico (gineco- obstétrico): 1. Palpação obstétrica; 2. Medida e avaliação da altura uterina; 3. Ausculta dos batimentos cardiofetais; 4. Registro dos movimentos fetais; 5. Teste de estímulo sonoro simplificado (Tess); 6. Exame clínico das mamas; 7. Exame ginecológico (inspeção dos genitais externos, exame especular, coleta de material para exame colpocitopatológico, toque vaginal). Altura uterina • Visa ao acompanhamento do crescimento fetal e à detecção precoce de alterações. • Use como indicador a medida da altura uterina e sua relação com o número de semanas de gestação. Maria Vitória de Sousa Santos • Delimite-se a borda superior da sínfise púbica e o fundo uterino. • O útero aumenta seu tamanho com a idade gestacional. Batimentos cardíacos fetais • Constatar a cada consulta a presença, o ritmo, a frequência e a normalidade dos batimentos cardíacos fetais (BCF). 1. Sonar: Após 12 semanas de gestação, ou com 2. Pinard: Após 20 semanas. • É considerada normal a frequência cardíaca fetal entre 120 a 160 batimentos por minuto. MANOBRAS DE LEOPOLD PALPAÇÃO DO FUNDO UTERINO • O primeiro tempo da manobra tem como objetivo identificar o polo fetal presente no fundo uterino e assim determinar qual a situação do feto. • Para isso, o examinador deve utilizar ambas as mãos encurvadas de forma a comprimir a parede abdominal com as bordas cubitais para delimitar o fundo uterino. • Após delimitar o fundo uterino, deve-se determinar qual a parte do feto que está localizada no fundo uterino. Geralmente a parte fetal a ser palpada é o polo pélvico, identificado por ser mais volumoso, esferoide, de superfície irregular e amolecido. • Agora, se for palpado o polo cefálico, a sensação é de um corpo de superfície regular, resistente e endurecido. • A partir dessa manobra, já dá para prever qual é a apresentação fetal, uma vez que essa é a situação. • Assim, se for palpado o polo pélvico, a apresentação é cefálica, assim como, se for palpado o polo cefálico, a apresentação será pélvica. • Quanto à situação, o feto pode estar em situação longitudinal (vertical), transversal ou córmica, ou oblíqua, em relação ao eixo materno. PALPAÇÃO DA LATERALIDADE • Após o primeiro tempo, o examinador desliza as mãos para o polo inferior do órgão, regiões laterais no abdome, para tentar identificar o dorso fetal de um lado e as pequenas partes ou membros do outro lado. • O dorso fetal é sentido como uma superfície resistente, lisa, regular e contínua. • Quando o dorso está localizado para trás, os membros fetais são mais perceptíveis, pois estarão em contato mais direto com a parede anterior. • Assim, fica perceptível que, se o dorso estiver orientado para a direita, os membros estarão posicionados à esquerda, e vice-versa. • Essa manobra tem como objetivo determinar a posição fetal e pode até ajudar a identificar o melhor foco de ausculta dos batimentos cardíacos do feto (dorso). PALPAÇÃO DO PÓLO INFERIOR • Possui como objetivo avaliar a mobilidade do polo fetal inferior em relação ao estreito Maria Vitória de Sousa Santos superior da bacia materna, determinando assim a apresentação fetal. • Para isso o examinador precisa apreender o polo entre o polegar e o dedo médio da mão d i re i ta , rea l i zando mov imentos de lateralidade para indicar o grau de penetração da apresentação na bacia. • Quando o polo fetal está alto e móvel durante o exame, o polo balança facilmente de um lado para outro. Agora, se o polo estiver mais insinuado, se encontrará fixo. • A apresentação fetal pode ser classificada quanto ao polo inferior em cefálica, quando o polo inferior é o polo cefálico, pélvica, quando o polo inferior é o polo pélvico, e córmica, quando o feto encontra-se em situação transversal. ENCAIXE PÉLVICO • Responsável por determinar a insinuação fetal, é a única manobra realizada com as costas do examinador voltada para a cabeça da paciente. • Nesse tempo, o examinador precisa posicionar suas mãos sobre as fossas ilíacas, aprofundando-as na pelve como se estivesse “escavando”, indo em direção ao hipogástrio, à procura do polo fetal inferior. • Assim como no primeiro tempo, ao achar o polo inferior, é necessário determinar através das características qual é a parte fetal localizada. • O polo cefálico é menor, com uma superfície regular, lisa e endurecida (apresentação cefálica). • Já o polo pélvico é maior, com uma superfície irregular e amolecida (apresentação pélvica). • Na apresentação córmica, no qual o feto está em situação transversa e, durante o quarto tempo, o polo inferior encontrará vazio. CÁLCULO DA DATA PROVÁVEL DO PARTO • Calcula-se a data provável do parto levando- se em consideração a duração média da gestação normal (280 dias ou 40 semanas, a partir da DUM), mediante a utilização de calendário. • Regra de Nägele para data provável do parto = DUM + 9 meses e 7 dias. Exemplo: DUM: 20/01/22 - DPP: 27/10/22 Maria Vitória de Sousa Santos EXAMES OBRIGATÓRIOS 1° CONSULTA ULTRASSONOGRAFIA • Não é considerado um exame obrigatório pelo Ministério da Saúde, mas possui maior acurácia para determinação da idade gestacional quando feita no l° trimestre, especialmente entre 6 e 13 semanas. • Exceto quando houver impossibilidade de determinação da idade gestacional correta e na presença de intercorrências clínicas ou obstétricas, assim como detecção precoce de gestações múltiplas e retardo de crescimento intrauterino. Idade gestacional x estrutura visualizadas na USG-TV: 1. 4 semanas: Saco gestacional (SG); 2. 5-6 semanas: Vesícula Vitelinica; 3. 6-7 semanas: Batimentos cardíacos fetais; 4. 12 semanas: Placenta. EXAMES COMPLEMENTARES VACINAÇÃO PRÉ NATAL 1. Tétano dT: Complementar esquema / Dose adicional de reforço após 5 anos 2. Coqueluche dTpa: A partir da 20ª semana ou até 45 dias após o parto. 3. Influenza: Campanha anual 4. Hepatite B: Para gestantes não vacinadas Observação: Não fazer aplicação de vacinas contra Rubeola, sarampo, caxumba, varicela, sabin, BCG (vacinas atenuadas). Observação: Febre amarela só fazer em caso de risco de exposição. Maria Vitória de Sousa Santos DOENÇAS CRÔNICAS NO PRÉ-NATAL HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO • A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é a doença que mais frequentemente complica a gravidez, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. • A definição de hipertensão na gravidez considera os valores absolutos de PA sistólica > 140 mmHg e/ou diastólica de > 90mmHg. • O diagnóstico é feito pela medida seriada dos n í v e i s p r e s s ó r i c o s d u r a n t e o acompanhamento pré-natal. Os objetivos do manejo da hipertensãoarterial na gravidez são: 1. Proteger a mãe dos efeitos deletérios da hipertensão, especialmente da hemorragia cerebral; 2. Minimizar a prematuridade; 3. Manter uma perfusão útero-placentária adequada, reduzindo a hipóxia, o crescimento intrauterino restrito e o óbito perinatal. Observação: A gravidez pode induzir hipertensão arterial em mulher previamente normotensa ou agravar uma hipertensão preexistente. CLASSIFICAÇÃO Segundo as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, a HAS na gestação é classificada nas seguintes categorias principais: 1. H i p e r t e n s ã o c r ô n i c a : E s t a d o hipertensivo registrado antes do início da gestação no período que precede a 20ª semana de gravidez ou além de doze semanas após o parto. Esta condição não está associada a edema e proteinúria (salvo se houver dano renal antes da gravidez) e persiste depois de 12 semanas após o parto; 2. Hipertensão gestacional: Aumento da pressão arterial que ocorre após a 20ª semana de gestação, mais frequentemente perto do parto ou no puerpério imediato, sem proteinúria. Normalmente, a PA se normaliza nas primeiras 12 semanas de puerpério, podendo, por isso, ser definida como “transitória”, embora a condição geralmente recorra em 80% das gestações subsequentes. Acredita-se que tais mulheres são propensas a desenvolver hipertensão arterial essencial no futuro. Quando a hipertensão persiste, ela é denominada como “crônica”. É um diagnóstico basicamente retrospectivo, pois as complicações das pacientes que no momento da avaliação se apresentam sem proteinúria podem evoluir com pré- eclâmpsia; 3. Pré-eclâmpsia : Aparecimento de hipertensão e proteinúria (300mg ou mais de proteína em urina de 24h), após 20 semanas de gestação, em gestante previamente normotensa. É uma desordem multissistêmica, idiopática, específica da gravidez humana e do puerpério, relacionada a um distúrbio placentário que cursa com vasoconstricção aumentada e redução da perfusão. O edema atualmente não faz mais par te dos cr i tér ios diagnósticos da síndrome, embora frequentemente acompanhe o quadro clínico; 4. Eclâmpsia: Corresponde à pré-eclâmpsia complicada por convulsões que não podem ser atribuídas a outras causas; 5. Pré-eclâmpsia superposta à HAS crônica: É definida pela elevação aguda da PA, à qual se agregam proteinúria, trombocitopenia ou anormalidades da função hepática em gestantes portadoras de HAS crônica, com idade gestacional superior a 20 semanas. Em resumo: 1. Hipertensão gestacional: Hipertensão após a 20asemana e se resolve até o puerpério (máximo 12 semanas pós parto). 2. P r é - E c l â m p s i a : H i p e r t e n s ã o + Proteinúria 300 mg/dia após 20a semana. 3. P r é - e c l â m p s i a s o b r e p o s t a : Hipertensão preexistente + Proteinúria. 4. Síndrome HELLP: Hemólise + lesão hepática+ plaquetopenia. 5. Eclâmpsia: Pré-eclampsia + convulsões. FATORES DE RISCO P/ A HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO Existem vários fatores que aumentam a chance de uma gestante ter hipertensão arterial: 1. Primiparidade; 2. Diabetes mellitus; 3. Gestação gemelar; 4. História familiar de pré-eclâmpsia e eclâmpsia; 5. Hipertensão arterial crônica; 6. Pré-eclâmpsia sobreposta em gestação prévia; Maria Vitória de Sousa Santos 7. Hidropsia fetal (não imune); 8. Gestação molar. Outros fatores com evidência mais fraca: IMC > 25,8; idade materna maior do que 35 anos, uso de método anticoncepcional de barreira, aborto prévio, ganho excessivo de peso. PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE • Hipertensão arterial persistente igual ou superior a 160/110mmHg ou proteinúria de 24h superior a 3g ou presença de qualquer um dos critérios de risco listados na tabela abaixo são suficientes para se considerar uma gestante como paciente de pré-eclâmpsia grave. Observação : Independentemente da gravidade do quadro clínico, toda paciente com diagnóstico de pré-eclâmpsia deve ser hospitalizada para acompanhamento em unidade de gestação de alto risco. Observação: O tratamento definitivo da pré- eclâmpsia é a interrupção da gestação e a retirada da placenta, medida que é sempre benéfica para a mãe. Entretanto, a interrupção da gestação pode não ser benéfica para o feto, dev ido à s compl i caçõe s ineren te s à prematuridade. Por isso, devem ser avaliadas a idade gestacional, a gravidade da doença, as condições maternas e fetais e a maturidade fetal, para se indicar o momento mais adequado para a interrupção da gestação. Embora o feto esteja também em risco, muitas vezes é instituído tratamento conservador para assegurar maior grau de maturidade fetal. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE PE E HAS CRÔNICA TRATAMENTO 1. Diminuir consumo de sódio; 2. Metildopa; 3. Nifedipina; 4. Hidralazina; 5. Repouso; 6. Controle pressórico; 7. Reposição de cálcio. DIABETES GESTACIONAL A hiperglicemia associa-se à gestação em duas situações: 1. Diabetes pré-gestacional: Quando a mulher com diabetes engravida; 2. Diabetes gestacional: Quando a mulher apresenta alterações da tolerância à glicose diagnosticadas durante a gravidez. • A diabetes mellitus gestacional (DMG) é d e fi n i d a c o m o u m a a l t e r a ç ã o n o metabolismo dos carboidratos, resultando em hiperglicemia de intensidade variável, que é diagnosticada pela primeira vez ou se inicia durante a gestação, podendo ou não persistir após o parto. Observação: Na mãe, a hiperglicemia pode aumentar a incidência de pré-eclâmpsia na gravidez atual, além de aumentar a chance de desenvolver diabetes e tolerância diminuída a carboidratos no futuro. No feto, a DMG está associada às possíveis morbidades decorrentes da macrossomia (como a ocorrência de distócia durante o parto) e, no bebê, está associada à hipoglicemia, à icterícia, ao sofrimento respiratório, à policitemia e à hipocalcemia. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os sintomas clássicos de diabetes são “os 4 ps”: 1. Poliúria; 2. Polidipsia; 3. Polifagia; 4. Perda involuntária de peso. Outros sintomas que levantam a suspeita clínica são: 1. Fadiga; 2. Fraqueza; 3. Letargia; 4. Prurido cutâneo e vulvar; Maria Vitória de Sousa Santos 5. Infecções de repetição. Observação: Algumas vezes, o diagnóstico é feito a partir de complicações crônicas, como n e u r o p a t i a , r e t i n o p a t i a o u d o e n ç a cardiovascular aterosclerótica. FATORES DE RISCO RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO TRATAMENTO 1. Diminuição do açúcar; 2. Atividade física: 3. Insulina açúcar. ANEMIAS • A anemia é definida durante a gestação com os valores de hemoglobina (Hb) abaixo de 11g/ dl. • O rastreamento deve ser oferecido a toda gestante o mais precocemente na vinculação d o p r é - n a t a l e n o v a m e n t e c o m aproximadamente 28 semanas. A anemia durante a gestação pode estar associada a: 1. Risco aumentado de baixo peso ao nascer; 2. Mortalidade perinatal; 3. Trabalho de parto prematuro. Os fatores de risco para anemia na gestação são: 1. Dieta com pouco ferro, vitaminas ou minerais; 2. Perda de sangue decorrente de cirurgia ou lesão; 3. Doença grave ou de longo prazo (como câncer, diabetes, doença nos rins, artrite reumatoide, AIDS, doença inflamatória do intestino, doença no fígado, insuficiência cardíaca e doença na tireoide); 4. Infecções de longo prazo; 5. Histórico familiar de anemia herdada, como talassemia e anemia falciforme. O tratamento das anemias deve seguir o fluxo sugerido a seguir. Maria Vitória de Sousa Santos PUERPÉRIO FISIOLÓGICO • Opuerpério é o período que vai da dequitação (expulsão da placenta) até a volta do organismo materno às condições pré- gravídicas. • Promover cuidados humanizados à mulher, recém-nascido e sua família abordando os aspectos físicos, emocionais e socioculturais relativos à fase puerperal. FASES DO PUERPÉRIO Período de 6 a 8 semanas após o parto. 1. Imediato: até o 10° dia após o parto. 2. Tardio: 10° ao 45° dias após o parto. 3. Remoto: após 45° dia após o parto. INVOLUÇÃO E RECUPERAÇÃO DA GENITÁLIA • Logo após o parto, o útero se encontra um pouco acima da cicatriz umbilical, a partir do qual inicia um processo de involução. • O útero se contrai, comprimindo os vasos sanguíneos e causando uma aparência isquêmica. • A contração também contrai os vasos intramiometriais, reduzindo o fluxo sanguíneo e prevenindo a hemorragia pós- parto. • Além disso, os vasos calibrosos são obliterados (trombose), constituindo outro mecanismo hemostático para prevenir perda sanguínea. • Após 24h, o fundo uterino atinge a cicatriz umbilical. • Após uma semana, atinge a região entre a cicatriz umbilical e a sínfise púbica. • Na segunda semana, deixa de ser palpável no abdome e, por fim, atinge as dimensões pré-gravídicas dentro de 6-8 semanas após o parto. • O colo uterino, ao fim da dequitação, se encontra amolecido, com lacerações no orifício externo, que continua dilatado. • A dilatação do colo regride de forma lenta, ficando entre 2-3 cm nos primeiros dias após o parto, e menos de 1 cm com uma semana de puerpério. • É comum haver cólicas abdominais nos primeiros 3 dias, e estas são mais fortes em multíparas e em lactantes, pois a estimulação do mamilo estimula a liberação de ocitocina pelo eixo neuro-hipofisário. • Em relação as tubas uterinas, seu epitélio durante a gestação é predominantemente composto de células não ciliadas, em decorrência do desequilíbrio entre os níveis de progesterona e estrogênio. • Com a diminuição destes hormônios após o parto, há extrusão nuclear das células não ciliadas e diminuição do tamanho das células ciliadas e não-ciliadas. • Além disso, após a dequitação, persiste a porção basal da decídua. Esta se divide em duas novas camadas: a superficial, que sofre descamação; e a profunda, que regenera o novo endométrio a partir das glândulas e do estroma da decídua basal, recobrindo a cavidade endometrial dentro de 16 dias após o parto. VAGINA E VULVA • A vagina está alargada e lisa logo após o parto. • Gradualmente, suas dimensões se reduzem, mas não voltam ao estado pré-gravídico. • A rugosidade vaginal reaparece na terceira semana, por redução do edema e da vascularização. • Nódulos de mucosa fibrosados formam as carúnculas himenais devido ao rompimento do hímen no momento do parto. • Por fim, a distensão fascial e possíveis lacerações causam afrouxamento da musculatura pélvica, que pode não regredir ao estado original. • Em decorrência disso, o parto predispõe a ocorrência de incontinência urinária e fecal. • Histologicamente, há progressiva atrofia do epitélio escamoso vaginal nos primeiros dez dias. • No 15º dia, a descamação alcança seu pico e a regeneração se inicia. PAREDE ABDOMINAL • No puerpério, a musculatura da parede abdominal está afrouxada. • Em consequência da ruptura das fibras elásticas da pele e da distensão prolongada causada pelo útero gravídico, a parede abdominal continua mole e flácida. • Várias semanas depois, seu tônus normal é readquirido na maioria dos casos. Em algumas mulheres, no entanto, persiste a diástese do musculo reto abdominal. • A pele pode ainda continuar frouxa, se houver ruptura extensa de fibras elásticas. SISTEMA ENDÓCRINO • Ao fim da gravidez os níveis de estrogênio e progesterona estão muito elevados, assim como os de prolactina (PRL). • Com a saída da placenta, ocorre queda imediata dos esteroides placentários a níveis muito baixos e leve diminuição dos valores dos valores de PRL, que ainda permanecem elevados. • Na ausência da lactação, nas primeiras semanas pós-parto, tanto a LH como o FSH mantêm-se com valores muito baixos, para logo começarem a se elevar lentamente. • No puerpério inicial os níveis de estrogênio mantêm-se baixos e a progesterona não é detectável. • A recuperação das gonadotrofinas até os níveis prévios à gravidez depende da presença ou não da amamentação. • A amamentação pode impedir a fertilidade pela ação direta do estímulo do mamilo sobre o hipotálamo por via neuroendócrina, inibindo o fator inibidor da prolactina (PIF) e o hormônio liberador da gonadotrofina (GnRH), acarretando, respectivamente, elevação da prolactina e inibição do FSH e do LH hipofisários. PERDA PONDERAL • Após a gravidez, a mulher perde quase a totalidade do peso adquirido durante a gestação. • Cerca de metade do peso ponderal adquirido é perdido durante as primeiras 6 semanas após o parto. • O restante ocorre entre as 6 semanas e os 6 meses depois, sendo maior nos 3 primeiros meses. • Habitualmente há perda acentuada nos primeiros 10 dias, atribuída à maior diurese, à secreção láctea e à eliminação loquial. SISTEMA CARDIOVASCULAR • O débito cardíaco está aumentado na primeira hora do pós-parto (10%), assim permanecendo durante 1 semana. • A pressão venosa dos membros inferiores, elevada durante a gravidez, normaliza-se imediatamente. • As varizes, acaso presentes, emurchecem, e os edemas desaparecem. SISTEMA SANGUÍNEO • Não há mudanças da série vermelha próprias do puerpério. • Nota-se, na série branca, imediatamente após o parto, leucocitose de até 30 mil glóbulos, à custa principalmente dos granulócitos neutrófilos. • Em condições normais, a hiperleucocitose fica reduzida à metade nas primeiras 48 horas, e ao cabo do 5.° ou 6.° dia o quadro retorna às taxas habituais. • A velocidade de eritrossedimentação, ace lerada na g rav idez , so f re novo incremento no puerpério, regularizando-se somente entre a 5° e a 7° semana. • A concentração de hemoglobina volta a níveis não gravídicos em 6 semanas do parto. • Está aumentada a tendência à coagulação no puerpério. • Após a dequitação, há geralmente queda das plaquetas, com elevação secundária nos primeiros dias do pós-parto juntamente com a adesividade plaquetária. • O fibrinogênio plasmático diminui em concentração no momento do parto, atingindo o seu menor nível no primeiro dia do puerpério e voltando a se elevar em seguida, igualando-se aos níveis pré- gravídicos entre o 3º e o 5º dia. ALTERAÇÕES ÓSSEAS • Há diminuição generalizada da densidade óssea em gestantes, voltando ao estado pré- gravidez dentro de 12 a 18 meses após o parto. • Não é recomendada qualquer intervenção, sendo essas alterações auto-limitadas e reversíveis. SISTEMA URINÁRIO • No puerpério imediato, a mucosa vesical está edemaciada, devido ao parto e ao trabalho de parto. • Há também uma distensão vesical, o que p r e d i s p õ e a r e t e n ç ã o u r i n á r i a e esvaziamento incompleto ao urinar, causando urina residual. • É a diurese inicialmente escassa, em razão da desidratação no trabalho de parto. Do 2.° ao 6.° dia estabelece-se abundante excreção urinária, que elimina a água acumulada durante a gestação. • Até a sexta semana, na maioria das puérperas, o exame ultrassonográfico evidencia dilatação do sistema pielocalicial. • Todos esses fatores citados são fator de risco para infecção do trato urinário. • A retenção urinária pode ser definida como ausênciade micção por 6h após o parto ou após a retirada da sonda vesical após cesariana. PELE • As estriações do abdome e das mamas, quando presentes, perdem a cor vermelho- arroxeada e ficam pálidas, transformando-se, em algumas semanas, nas estrias branco- nacaradas. • Regridem as modificações do tipo de implantação dos pelos pubianos, as hiperpigmentações da pele do rosto, do abdome e das mamas. • Algumas ficam indeléveis. • Há também uma queda de cabelo comum entre 1 e 5 meses após o parto, o que leva a crença equivocada de que amamentar causa queda de cabelo, por coincidir com o momento da amamentação, porém essa queda de cabelo é autolimitada e o cabelo retorna aos padrões normais de crescimento de 6 a 15 meses após o parto. SISTEMA DIGESTIVO • Com o esvaziamento uterino retornam as vís-ceras abdominais, vagarosamente, às disposições anatômicas. • Há redução da motilidade intestinal. • A constipação da puérpera, indefectível nas pacientes que se mantinham no leito de uma a duas semanas, é hoje menos frequente com o levantar precoce, e observada unicamente nas que têm obstipação crônica. • O funcionamento fisiológico dos intestinos é habitualmente restaurado no 3° ou 4° dia. ALTERAÇÃO DO ENDOMÉTRIO • Endométrio é o tecido que reveste o interior do útero onde o embrião implanta e se desenvolve durante a gravidez. • A camada superficial da decídua basal (parte que fica abaixo do concepto, formando o componente materno da placenta) sofre necrose e é eliminada sob a forma de lóquios. Lóquios: Secreções exteriorizadas pela vagina no puerpério: - Até 3° dia: lóquios rubros (lochia rubra). - 5° dia: lóquios róseos (lochia fusca). - 10° dia: lóquios alvos (lochia alba). MAMA • Ocorre o aumento da mama por conta da h ipe r t rofia do s va so s , da s c é lu l a s mioepiteliais, depósito de gordura e retenção de água e de eletrólitos. • O colostro já está presente no momento do parto. • Apojadura acontece até o terceiro dia pós parto. Outras: 1. Temperatura: Aumento discreto da temperatura 2. Órgãos internos: Retorno dos órgãos abdominais Involução uterina 3. Alterações Hematológicas: Leucocitos, Au m e n t o d o vo l u m e c i rc u l a n t e , Loquiação. ASSISTÊNCIA PÓS NATAL Anamnese: Verifique o Cartão da Gestante e pergunte à mulher questões sobre: 1. As condições da gestação; 2. As condições do atendimento ao parto e ao recém-nascido; 3. Os dados do parto (data; tipo de parto; se parto cesárea, qual indicação deste tipo de parto); 4. Se houve alguma intercorrência na gestação, no parto ou no pós-parto (febre, hemorragia, hipertensão, diabetes, convulsões, sensibilização de Rh); 5. Se recebeu aconselhamento e realizou testagem para sífilis e HIV durante a gestação e/ou o parto; 6. O uso de medicamentos (ferro, ácido fólico, vitamina A, outros). Pergunte a ela como se sente e indague questões sobre: 1. Aleitamento (frequência das mamadas, dia e noite, dificuldades na amamentação, satisfação do RN com as mamadas, condições das mamas); 2. Alimentação, sono, atividades; 3. Dor, fluxo vaginal, sangramento, queixas urinárias, febre; 4. Planejamento familiar (desejo de ter mais fi l h o s , d e s e j o d e u s a r m é t o d o contraceptivo, métodos já utilizados, método de preferência); 5. Sua condição psicoemocional (estado de humor, preocupações, desânimo, fadiga, outros); 6. Sua condição social (pessoas de apoio, enxoval do bebê, condições para o atendimento de necessidades básicas). Avaliação clínico-ginecológica: 1. Verifique os dados vitais; 2. Avalie o estado psíquico da mulher; 3. Observe seu estado geral: a pele, as mucosas, a presença de edema, a cicatriz (parto normal com episiotomia ou laceração/cesárea) e os membros inferiores; 4. Examine as mamas, verificando a presença de ingurgitamento, sinais inflamatórios, infecciosos ou cicatrizes que dificultem a amamentação; 5. Examine o abdômen, verificando a condição do útero e se há dor à palpação; 6. Examine o períneo e os genitais externos (verifique sinais de infecção, a presença e as características de lóquios); Verifique possíveis intercorrências: 1. alterações emocionais, hipertensão, febre, dor no baixo- ventre ou nas mamas, presença de corrimento com odor fétido, sangramentos intensos. No caso de detecção de alguma dessas alterações, solicite avaliação médica imediata, caso o atendimento esteja sendo feito por outro profissional da equipe; 2. Observe a formação do vínculo entre a mãe e o filho; 3. Observe e avalie a mamada para a garantia do adequado posicionamento e da pega da aréola. 4. O posicionamento errado do bebê, além de dificultar a sucção, comprometendo a quantidade de leite ingerido, é uma das causas mais frequentes de problemas nos mamilos. 5. Em caso de ingurgitamento mamário, mais comum entre o terceiro e o quinto dia pós- parto, oriente a mulher quanto à ordenha manual, ao armazenamento e à doação do leite excedente a um Banco de Leite Humano (caso haja na região); 6. Identifique os problemas e as necessidades da mulher e do recém-nascido com base na avaliação realizada. Condutas: Oriente a puérpera sobre: 1. Higiene, alimentação, atividades físicas; 2. Atividade sexual, informando-a a respeito de prevenção de DST/Aids; 3. Cuidados com as mamas, reforçando a o r i e n t a ç ã o s o b r e o a l e i t a m e n t o (considerando a situação das mulheres que não puderem amamentar); 4. Cuidados com o recém-nascido; 5. Direitos da mulher (direitos reprodutivos, sociais e trabalhistas). Oriente a puérpera sobre o planejamento f a m i l i a r e a u t i l i z a ç ã o d e m é t o d o contraceptivo, se for o caso: - Dê a ela uma informacão geral sobre os métodos que podem ser utilizados no pós- parto; - Explique a ela como funciona o método da LAM (amenorreia da lactação); - Se a mulher não deseja ou não pode usar a LAM, ajude-a na escolha de outro método; - Disponibilize o método escolhido pela mulher com instruções para o seu uso, dizendo-lhe o que deve ser feito se o método apresentar efeitos adversos e dando-lhe instruções para o seguimento; - Aplique vacinas (a dupla tipo adulto e a tríplice viral), se necessário; - Ofereça teste anti-HIV e VDRL, com aconselhamento pré e pós-teste, para as puérperas não aconselhadas e testadas durante a gravidez e o parto; - Prescreva suplementação de ferro: 40mg/ dia de ferro elementar, até três meses após o parto, para mulheres sem anemia diagnosticada; CÂNCER DE COLO DE ÚTERO NA APS COLO DO ÚTERO 1. Parte Interna: Canal cervical ou endocérvice, revestido por um epitélio colunar simples com células produtoras de muco. 2. Parte Externa: Contato com a vagina, denominada de ectocérvice, constituída por dois tecidos (epitélio escamoso e o epitélio estratificado). Existe entre os dois epitélios a JEC (junção Escamo- colunar). Observação: A junção escamo-colunar (JEC) é a r e g i ã o d o c o l o o n d e i n c i d e m preferencialmente as doenças de natureza pré- maligna e maligna. CÂNCER DE COLO DO ÚTERO Replicação desordenada do epitélio de revestimento do órgão, comprometendo o tecido subjacente (estroma) e podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou a distância. FATORES DE RISCO 1. Infecção pelo vírus HPV (tipo 16 e 18, principalmente); 2. Fatores ligados à imunidade; 3. Genética; 4. Comportamento Sexual; 5. Marco de idade: HPV em mulheres abaixo de 30 anos regridem espontaneamente, acima dessa idade a persistência é mais frequente; 6. Tabagismo.MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 1. Sangramento vaginal anormal; 2. Sangramento menstrual mais prolongado que o habitual; 3. Secreção vaginal incomum, com um pouco de sangue; 4. Sangramento após a menopausa; 5. Sangramento após as relações sexuais (sinusorragia); 6. Dor durante a relação sexual; 7. Dor na região pélvica. COMO PREVENIR Prevenção Primária: A prevenção primária está relacionada à diminuição do risco de contágio pelo HPV. 1. Incentivar o uso de preservativo; 2. Vacinação bivalente que protege contra os 2 tipos oncogênicos (16 e 18), e a quadrivalente que protege também contra os tipos não oncogênicos (6 e 11); - Vacina para meninos 9 a 14 anos e meninas de 9 a 14 anos. (02 doses) - Imunossuprimidos Mulheres e Homens 9 a 45 anos (3 doses) Observação: Vacinação mais efetiva quando aplicada antes do início da vida sexual. Prevenção Secundária : Diagnóstico precoce. 1. Detecção Precoce do CA de Colo de Útero (abordagem dos indivíduos com sinais/ sintomas da doença); 2. Rastreamento (aplicação de exame na população assintomática, aparentemente saudável, com o objetivo de identificar as lesões precursoras ou sugestivas de CA) CITOLOGIA O principal objetivo é identificar alterações na morfologia celular, observando-se o citoplasma e o núcleo das células pela técnica de coloração de Papanicolau. Recomendação MS para realização do Citopatológico: 1. > 25 anos, com vida sexual ativa até 64 anos. Interromper após 64 anos, com dois ou mais resultados negativos consecutivos nos últimos 5 anos; Observação: Após dois exames negativos, com intervalo anual o tempo para a realização de outro exame é de 3 anos; 2. > 64 anos, que nunca realizaram o exame Realizar 2 exames com intervalo de 1 e 3 anos. Se ambos negativos, são dispensadas. PREPARAÇÃO PARA A COLETA 1. Não ter tido relação sexual nas 72 horas que antecedem o exame; 2. Não utilizar duchas de higiene íntima; 3. Não utilizar cremes ou lubrificantes vaginais; 4. Não estar menstruada 5. Entre outros. Observação: Gravidez não é contra- indicação para a realização do exame (exceto uma gravidez mais avançada). MATERIAIS NECESSÁRIOS Maria Vitória de Sousa Santos Introdução do espéculo: 1. Devem-se afastar os grandes e pequenos lábios com o polegar e 3° dedo da mão esquerda para que o espéculo seja introduzido suavemente na vagina. 2. A mão direita que introduzirá o espéculo deve segurá-lo pelo cabo. 3. O especulo é introduzido fechado com o pino para baixo. 4. Apoia-se o espéculo sobre a fúrcula, ligeiramente oblíquo – para evitar trauma uretral – e faz-se sua introdução lentamente. 5. Antes de ser completamente colocado na vagina, deve ser rodado, ficando as valvas paralelas às paredes anterior e posterior da vagina. Posição que ocupará no exame e o pino para baixo. 6. Segurar com a mão esquerda o cabo e roda o pino com a mão direita. 7. A b r i r o e s p é c u l o e n c a i x a n d o cuidadosamente no colo do útero. O exame especular deve ser realizado: 1. Descrevendo as paredes vaginas: - Rugosidade ou lisas; - Presença de secreções; - Comprimento e elasticidade. 2. Características do colo: - Volume; - Coloração; - Forma (cilíndrico ou plano); - Epitelizado ou com mácula rubra (ectopia). 3. Forma do orifício externo (OE): - Puntiforme; - Circular; - Transverso. 4. Aspecto do muco cervical: - Translúcido; - Esbranquiçado; - Purulento; - Sanguinolento. No momento da realização do Papanicolau (exame citopatológico): 1. Usar a espatula de Ayre para fazer a c o l e t a d a ectocérvice, girar 180° ao redor do c o l o d o ú t e r o colocando a parte mais longa no canal, retirar e segurar com a outra mão (passar na lâmina somente após a coleta da endocérvice para evitar que resseque o material). 2. Usar a escovinha endocervical para fazer a coleta da endocérvice, dar uma volta de 180°, retirar a escovinha e então passar na lâmina de vidro identificada com o nome da paciente (do lado da borda fosca). 3. Passar a espátula de ayre e da escovinha endocervical na lâmina de vidro (no lado da borda fosca) na região onde não tem nenhum material e fixar o material na lâmina de vidro identificada com álcool 9 6 0 e m u m f r a s c o o u s p r ay d e polietiletonglicol. Observação: Aplicar o material na lâmina de vidro passando apenas uma vez de forma homogênea (não espessada) e um material ao lado do outro. Teste do iodo (Schiller) O teste de Schiller é realizado após a coleta do Papanicolau, para não interferir no resultado do exame. A mulher ainda estará na posição de litotomia e com o espéculo de Collins. Técnica: Maria Vitória de Sousa Santos 1. Aplicar a solução de soro fisiológico diretamento no colo uterino. 2. Utilizar a pinça de Cherron com algodão para espalhar o material. 3. Retirar e descartar algodão. 4. Aplicar a solução de Lugol (iodo iodetada) na região do colo uterino e vagina. 5. Espalhar novamente com algodão na pinça de Cherron. 6. Analisar o colo e vagina. A s o l u ç ã o r e a g e c o m o g l i c o g ê n i o (polissacarídeos ricamente presente no c i toplasma das cé lu las superficia i s e intermediárias) dando a coloração marrom escura. A coloração é proporcional a quantidade de glicogênio, corando fortemente a s c é l u l a s d a c a m a d a s u p e r fi c i a l e intermediárias e de maneira mais clara as células basais (epitélio atrófico) e colunares (glandulares). Logo, é fisiológico o colo do útero corar com o iodo e ficar com a coloração marrom. Interpretação: 7. Teste iodo positivo (Schiller Negativo): Situação normal, cor acastanhado escuro. 8. Teste iodo negativo (Schiller Positivo): Coloração amarelado-mostarda e com bordas bem de l imi tadas, rea l i zar colposcopia e biópsia da área. São casos de lesões atípicas (Mosaico, epitélio branco, leucoplasia) ou representar infiltração de células carcinomatosas. Retirada do espéculo: Ao final, depois de realizar inspeção, coleta da colpocitologia e teste do Iodo, o espéculo vaginal deverá ser retirado: 1. Para retirar o espéculo: tracionar cuidadosamente o espéculo para liberar o colo uterino. 2. Na retirada observar as paredes da vagina. 3. Fechar lentamente o espéculo voltado a posição de entrada e fechando as valvas. INTERPRETAÇÃO QUANDO FAZER A COLPOSCOPIA 1. Re s u l t a d o d a c i t o l o g i a o n c ó t i c a (Papanicolau) alterado; 2. Sangramento a esclarecer; 3. Parceiro ou parceira com câncer genital ou ISTs; 4. Mulheres com ISTs; 5. Lesões vulvares e vaginais associadas ao HPV; 6. HPV persistente. Maria Vitória de Sousa Santos CÂNCER DE MAMA NA APS O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. FATORES DE RISCO 1. Sexo feminino; 2. Menarca Precoce (antes de 11 anos); 3. Menopausa tardia (após 55 anos); 4. Nuliparidade; 5. Primeira Gestação a termo após 30 anos; 6. Mãe ou irmã com histórico de Câncer de Mama na Pré Menopausa; 7. Dieta rica em gordura animal; 8. Dieta pobre em fibras; 9. Obesidade; 10. Exposição a radiação ionizante; MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 1. Aparecimento de nódulo fixo, geralmente indolor, duro e irregular. 2. Sa ída de s e c reção pe lo mami lo , especialmente quando é unilateral e espontânea; 3. Coloração avermelhada da pele da mama; 4. Edema cutâneo semelhante à casca de laranja; 5. Retração cutânea; 6. Dor ou inversão do mamilo; 7. Descamação ou ulceração do mamilo. RASTREAMENTOPara todas as mulheres: - Exame clínico semestral ou anual; - Exame radiológico (mamografia) deve ser feito de 2 em 2 anos, a partir dos 50 anos de idade, independente do exame clínico ou auto-exame normais. Observação: Se história familiar positiva é indicado a realização da mamografia a partir dos 35 anos de idade anual. AUTO-EXAME DA MAMA CLASSIFICAÇÃO DE BI-RARDS Observação: Recomenda-se fazer a biópsia da mama sempre que os exames de imagem apresentarem BIRADS 4 e 5. Nos casos de BIRADS 3, os médicos geralmente indicam controle com exames de imagem em 6 meses, e, em casos de BIRADS 1 e 2, o controle em 2 anos. DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS Seu diagnóst ico diferencial é amplo, envolvendo os: 1. Cistos mamários; 2. Fibroadenomas; 3. Tumores filóides; 4. Papilomas; 5. Lipomas; 6. Hamartomas; 7. Adenomas, entre outros. NA APS 1. Promover ações públicas para o controle do Câncer de Mama; 2. Realizar o diagnóstico precoce do Câncer de Mama; 3. Orientar a mulher sobre os sinais de alerta no surgimento de CA de Mama.III. O fomento da atenção e internação domiciliar. Maria Vitória de Sousa Santos PUERICULTURA DEFINIÇÃO Puericultura é a consulta periódica de uma criança feita com o propósito de avaliar seu crescimento e desenvolvimento de maneira próxima. Durante essas consultas deve-se realizar orientações educativas, ações de promoção da saúde, ações relacionadas à prevenção de doenças e observação dos riscos e vulnerabilidades sob a qual está submetida a respectiva criança. Além disso, é papel da puericultura observar fatores de risco e vulnerabilidades que cercam as diferentes fases do processo de crescimento e desenvolvimento da criança. FREQUÊNCIA DE CONSULTAS Nos primeiros 2 anos de vida as consultas são mais frequentes devido ao processo de crescimento e desenvolvimento ser mais intenso, por isso: 1. No 1° ano de vida: É recomendado um mínimo de 7 consultas de rotina, uma na primeira semana e no 1°/2°/4°/6°/9° e 12° mês. 2. No 2° ano de vida: Deve se ter um mínimo de 2 consultas de rotina: no 18°e 24° mês. Observação: A partir dos 2 anos de idade as consultas podem se tornar anuais. Além da oportunidade de avaliar o desenvolvimento da criança, tal organização da frequência de consultas adotada pelo Ministério da Saúde toma como base o calendário de vacinação, permitindo a verificação do cartão vacinal em meses oportunos: ao nascimento, com 1, 2, 3, 4, 5, 6, 12 e 15 meses. OBJETIVOS DA PRIMEIRA CONSULTA 1. Observar as relações familiares; 2. Facilitar o acesso ao serviço de saúde; 3. Possibilitar ou fortalecer o vínculo das famílias com as equipes de saúde; 4. Escutar e oferecer suporte emocional nessa etapa de crise vital da família; 5. Estimular o desenvolvimento da parentalidade; 6. Orientar a família sobre os cuidados com o bebê; 7. Identificar sinais de depressão puerperal; 8. Promover o aleitamento materno exclusivo até o 6° mês de vida; 9. Prevenir lesões não intencionais; 10. Identificar sinais de perigo à saúde da criança. SINAIS DE ALARME Em todas as visitas domiciliares, é fundamental que o profissional de saúde saiba identificar sinais de perigo à saúde da criança. São sinais que indicam a necessidade de encaminhamento da criança ao serviço de referência com urgência: 1. Recusa alimentar (a criança não consegue beber ou mamar); 2. Vômitos importantes (ela vomita tudo o que ingere); 3. Convulsões ou apneia (a criança fica em torno de 20 segundos sem respirar); 4. Frequência cardíaca abaixo de 100bpm; 5. Letargia ou inconsciência; 6. Respiração rápida (acima de 60 irpm); 7. Atividade reduzida (a criança movimenta-se menos do que o habitual); 8. Febre (37,5°C ou mais); 9. Hipotermia (menos do que 35,5°C); 10. Tiragem subcostal; 11. Batimentos de asas do nariz; 12. Cianose generalizada ou palidez importante; 13. Icterícia visível abaixo do umbigo ou nas primeiras 24 horas de vida; 14. Gemidos; 15. Fontanela (moleira) abaulada; 16. Secreção purulenta do ouvido; 17. Umbigo hiperemiado (hiperemia estendida à pele da parede abdominal) e/ou com secreção purulenta (indicando onfalite); 18. Pústulas na pele (muitas e extensas); 19. Irritabilidade ou dor à manipulação. FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA 1ª CONSULTA - FATORES DE RISCO: - Antecedentes mater nos: Diabe te s , Hipertensão, Obesidade, Doenças infecciosas e Drogas. - Contexto Socioeconômico: Residência, escolaridade, renda familiar. - Antecedentes Obstétricos: Paridade, Malformações, Prematuridade, Doenças na gestação. - Sintomas Atuais: Irritabilidade, Vômitos, diarreia, recusa alimentar. - Parto e Nascimento: Tipo, local, peso ao nascer, APGAR, Intercorrências - Outros: Amamentação, Vacinas, Sono, Eliminação Vesical e intestinal. APGAR É um dos métodos mais utilizados para a avaliação imediata do recém-nascido (RN), principalmente, no primeiro e no quinto minutos de vida. SINAIS Maria Vitória de Sousa Santos Os sinais avaliados são: 1. Coloração da pele 2. Pulso 3. Irritabilidade reflexa 4. Esforço respiratório 5. Tônus muscular. Observação: O somatório da pontuação (no mínimo 0 e no máximo 10) resultará no Escore de Apgar. INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS 1. De 0 a 3 – Asfixia grave 2. De 4 a 6 – Asfixia moderada 3. De 7 a 10 – Boa vitalidade, boa adaptação Observação: O resultado do primeiro minuto geralmente está relacionado com o pH do cordão umbilical e traduz asfixia intraparto. Já o Apgar do quinto minuto se relaciona com eventuais sequelas neurológicas. Observação: Além disso, escore menor que 7 é indicativo de asfixia perinatal. ANAMNESE • A partir da anamnese, procura-se avaliar principalmente as condições do nascimento da criança (tipo de parto, local do parto, peso ao nascer, idade gestacional, índice de Apgar, intercorrências clínicas na gestação, no parto, no período neonatal e nos tratamentos realizados) e os antecedentes familiares (as condições de saúde dos pais e dos irmãos, o número de gestações anteriores, o número de irmãos). • O índice de Apgar – também reconhecido popularmente pelos pais como a “nota” que o bebê recebe logo após nascer – no quinto minuto entre 7 e 10 é considerado normal. Apgar 4, 5 ou 6 é considerado intermediário e relaciona-se, por exemplo, com prematuridade, medicamentos usados pela mãe, malformação congênita, o que não significa maior risco para disfunção neurológica. • Índices de 0 a 3 no quinto minuto relacionam-se a maior risco de mortalidade e leve aumento de risco para paralisia cerebral. No entanto, um baixo índice de Apgar, isoladamente, não prediz disfunção neurológica tardia. EXAME FÍSICO Um exame físico completo deve ser realizado na primeira consulta de puericultura. Maria Vitória de Sousa Santos ANTROPOMETRIA-ESTATURA GANHO ESTATURAL MÉDIO DE 0 A 2 ANOS 1. 0 a 3 meses: 3cm/mês; 2. 3 a 6 meses: 2cm/mês; 3. 6 meses a l ano:1-1,5cm/mês; 4. 1 ano a 2 anos: 1cm/mês. ANTROPOMETRIA-PERÍMETRO CEFÁLICO 1. Ao nascimento: aprox. 35 cm; 2. 1° trimestre: aprox. 2 cm / mês; 3. 2° trimestre: aprox. 1 cm / mês; 4. 3° trimestre : aprox. 0,5 cm / mês. FECHAMENTO FONTANELAS 1. Fontanela lambdóide: 6ª e 8ª semana de vida; 2. Fontanela bregmática: 12-18 meses. ANTROPOMETRIA-PESO GA NH O PONDERAL MÉD IO D IÁR IO / MENSAL: 1. 1° trimestre: 25 a 30 g/dia - 700 g/mês 2. 2° trimestre: 20 g/dia - 500 g/mês 3. 3° trimestre: 15 g/dia - 400 g/mês 4. 4° trimestre: 10 g/dia - 350 g/mês Observação: Perda fisiológica: 10% do peso do nascimento (até 5° dia); Recuperação: até o 10° dia de vida. TESTES ORTOPÉDICOS Realizada no recém nascido para avaliar a displasia no desenvolvimento do quadril. São manobras provocativas que leva a luxação em um quadril displásico. ORIENTAÇÕES Maria Vitória de Sousa Santos ALEITAMENTO MATERNO • Promova e apoie o aleitamento materno exclusivo; • A criança que é alimentada somente com leite materno até os 6 meses de vida; • Apresenta menor morbidade; • Orientar a livre demanda (frequência e duração); • Não prescrever suplementação desnecessária com outros leites; • Formação ou o fortalecimento do vínculo entre os pais e o bebê. CUIDADOS COM O RECÉM-NASCIDO 1. Orientar lavagem de mãos por todas as pessoas que tem contato com o bebê; 2. Oriente a famíliade modo a não permitir que pessoas fumem dentro de casa; 3. Banho, troca de fraldas, assaduras e cuidados com o coto umbilical.; 4. Importância da posição supina (proteção contra a morte súbita do lactente); 5. Uso Chupetas; 6. Prevenção de acidentes; 7. Verificar Calendário. DESENVOLVIMENTO Refere-se às mudanças qualitativas, tais como aquisição e o aperfeiçoamento de capacidades e funções, que permitem à criança realizar coisas novas, progressivamente mais complexas, com uma habilidade cada vez maior. 1. Crescimento: O crescimento termina em determinada idade, quando esta alcança a sua maturidade biológica. 2. Desenvolvimento: O desenvolvimento é um processo que acompanha o homem através de toda a sua existência. DESENVOLVIMENTO MOTOR O desenvolvimento motor é a capacidade de realizar movimentos por própria vontade e é dividido em duas áreas: motor grosso e motor fino. 1. Motor grosso: compreende a maturação da postura, o equilíbrio da cabeça, sentar, engatinhar, ficar de pé e o andar. 2. Motor fino: incluem o emprego das mãos e dedos na preensão de objetos, tais como apanhar, alongar, empilhar objetos. MARCOS DO DESENVOLVIMENTO 1. Desenvolvimento Motor 2. Linguagem e comunicação 3. Desenvolvimento Social MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO Maria Vitória de Sousa Santos CONDUTAS RECOMENDADAS A seguir, serão apresentadas algumas considerações sobre o manejo de situações de desvio no crescimento da criança com até 5 anos de idade. SOBREPESO OU OBESIDADE 1. Verifique a existência de erros alimentares, identifique a dieta da família e oriente a mãe ou o cuidador a administrar à criança uma alimentação mais adequada, de acordo com as recomendações para uma alimentação saudável para a criança. 2. Verifique as atividades de lazer das crianças, como o tempo em frente à televisão e ao videogame, estimulando-as a realizar passeios, caminhadas, andar de bicicleta, praticar jogos com bola e outras brincadeiras que aumentem a atividade física. 3. Encaminhe a criança para o Nasf, se tal possibilidade estiver disponível. 4. Realize a avaliação clínica da criança. MAGREZA OU PESO BAIXO PARA A IDADE Para crianças menores de 2 anos: 1. Investigue possíveis causas, com atenção especial para o desmame. 2. Oriente a mãe sobre a alimentação complementar adequada para a idade. 3. Se a criança não ganhar peso, solicite seu acompanhamento no Nasf, se ta l possibilidade estiver disponível. 4. Oriente o retorno da criança no intervalo máximo de 15 dias. Para crianças maiores de 2 anos: 1. Investigue possíveis causas, com atenção especial para a alimentação, para as intercorrências infecciosas, os cuidados com a criança, o afeto e a higiene. 2. Trate as intercorrências clínicas, se houver. 3. Solicite o acompanhamento da criança no Nasf, se tal possibilidade estiver disponível. 4. Encaminhe a criança para o serviço social, se isso for necessário. 5. Oriente a família para que a criança realize nova consulta com intervalo máximo de 15 dias. MAGREZA ACENTUADA OU PESO MUITO BAIXO PARA A IDADE 1. Investigue possíveis causas, com atenção especial para o desmame (especialmente para os menores de 2 anos), a alimentação, as intercorrências infecciosas, os cuidados com a criança, o afeto e a higiene. 2. Trate as intercorrências clínicas, se houver. 3. Encaminhe a criança para atendimento no Nasf. 4. Encaminhe a criança para o serviço social, se este estiver disponível. 5. Oriente a família para que a criança realize nova consulta com intervalo máximo de 15 dias. Maria Vitória de Sousa Santos PREMATURIDADE INTRODUÇÃO • A prematuridade é um dos fatores determinantes mais importantes da mortalidade infantil. No Brasil corresponde a 11,5% do total de nascimentos. • O baixo peso ao nascer (‹ 2.500 g) é o fator de risco isolado mais importante para a mortalidade infantil. • A maior parte das mortes infantis ocorre nos primeiros dias de vida da criança, por causas consideradas evitáveis, como infecção, asfixia ao nascer complicações da prematuridade. • O bebê prematuro é um bebê que nasceu depois da 20° semana e antes de completar 37 semanas de gestação, e por isso, ele apresenta alguns sistemas do corpo ainda imaturos, que precisam de cuidados especiais para que ele possa crescer e se desenvolver da melhor maneira possível. • A prematuridade tem repercussões a curto e a longo prazo. GRAUS DE PREMATURIDADE 1. Prematuro Limítrofe: Nascido entre 34 e 36 semanas. - Podem apresentar apneia; dificuldades na sucção e deglutição; dificuldades para respirar; icterícia; distúrbios metabólicos como hipoglicemia. 2. Prematuro Moderado: Nascido entre 29 e 33 semanas. - O bebê pode ter sinais importantes de prematuridade (problemas respiratórios, neurológicos, cardíacos) podendo necessitar de mais suporte ou cuidados intensivos na UTI Neonatal. Pulmão mais imaturo, podendo ser necessário suporte respiratório ou entubação. 3. Prematuro Extremo: Até 28 semanas de gestação. - Seus órgãos principais (coração, pulmão, rins) não estão desenvolvidos e, por isso, necessitará permanecer um período mais prolongado na UTI Neonatal. Utiliza a incubadora até estabilização de seu quadro clinico e ganho de peso; acesso venoso periférico ou central: nutrição parenteral ou por sonda (enteral); suporte respiratório. FATORES DE RISCO 1. Parto prematuro anterior; 2. Hipertensão; 3. Diabetes gestacional; 4. Estresse; 5. Sobredistenção uterina; 6. Rotura prematura de membranas ovulares; 7. Infecções; 8. Miomas; 9. Malformações uterinas; 10. Gestação indesejada; 11. Descolamento de placenta; 12. Assistência pré-natal inadequada. SINAIS DE ALERTA PARA UM PARTO PREMATURO 1. Pressão alta; 2. Febre; 3. Perda de líquido amniótico: 4. Dores lombares; 5. Inchaço das mãos e rosto; 6. Pressão em região pélvica. PECULIARIDADES DO PREMATURO - Fica internado na UTIN por alguns dias; - Utiliza o oxigênio para respirar melhor; - Utiliza sonda para sua alimentação; - Fica na incubadora ou berço aquecido para manter a temperatura; - Utiliza de algumas medidas de prevenção para evitar infecções (Ex: uso de antibiótico); - As vezes faz-se necessário a reanimação neonatal; - Doenças pulmonares (Doença da membrana hialina, hipertensão pulmonar, pneumotórax); - D o e n ç a s m e t a b ó l i c a s ( H i p o g l i c e m i a , hiperglicemia, hipercalcemia, hipocalcemia); - Icterícia da prematuridade; - Doenças genéticas; - Malformações congênitas. OS CUIDADOS COMEÇAM NA SALA DE PARTO • Deve ser recepcionado em campos aquecidos; • Equipe completa com material de reanimação neonatal; • Vaga de UTI. CRITÉRIOS DE ALTA DA MATERNIDADE 1. Estabilidade fisiológica: Alimentar-se exclusivamente VO, sem engasgo, cianose ou dispneia, com ganho de peso adequado (20g/ Maria Vitória de Sousa Santos dia). Manter temperatura corporal normal, em berço comum. Função cardiorrespiratória estável, sem apneia ou bradicardia. 2. No método Canguru: A mãe segura e família consciente dos cuidados (incluindo a posição canguru) peso mínimo de 1.600 g primeira consulta em até 48h, uma vez por semana até atingir 2500 g. MÉTODO CANGURÚ • Contato pele a pele entre os pais e o bebê que, além de estabelecer o afeto e segurança, favorece o desenvolvimento neuropsicomotor, ganho de peso e contribui para a defesa imunológica CUIDADOS PÓS ALTA 1. No banho usar sabonete neutro,evitar talco e perfumes; 2. Roupa adequada ao clima local; 3. Evitar aglomerações; 4. Vacinas atualizadas; 5. Incentivo ao aleitamento materno. ACOMPANHAMENTO AMBULATORIAL Cálculo da idade Gestacional Corrigida (IGC): T (tempo em semanas e dias) = 40 semanas - idade Gestacional IGC = Idade Cronológica -T Exemplo: Bebê nascido de 32 semanas, que no dia da consulta está com 6 meses. T = 40 sem - 32 sem => T = 8 semanas IGC = Idade cronológica atual - T IGC= 6 meses - 8 semanas (2 meses) = 4 meses. VACINAÇÃO • Orientação vacinal para os bebês Prematuros é conforme a Idade Cronológica. • Imunizações do calendário normal PNI (Programa Nacional de Imunizações); • Alguns bebês Imunoproteção específica; • Normativas vigentes no Centro de referência em imunobiológicos especiais - CRIE. PARTICULARIDADES NA VACINAÇÃO 1. BCG: Só pode ser aplicada em RN com peso maior ou igual a 2.000 g. Assim, o bebê que nascer com ‹ 2 kg deve ter a BCG adiada ate atingir o peso adequado. 2. Hepatite B: As crianças com peso de nascimento ≤ 2.000 g ou idade gestacional (IG) 32 semana, que necessitaram Oxigenioterapia. • Avaliações iniciam entre a 4ª e a 6ª semana de vida pós-natal. • S e g u i m e n t o c o n f o r m e o r i e n t a ç ã o d o Oftalmologista. • Retinopatia: identificação precoce e tratamento (Laser). ACOMPANHAMENTO DA SAÚDE AUDITIVA • Emissões otoscústicas (EOA) teste da orelhinha. • TANU: Triagem Auditiva Neonatal Universal. • Prematuros e outros bebês de Alto Risco para perda auditiva. • Encaminhamento ao Programa de Saúde Auditiva (SASA). • EOA repetida após a alta. • Outros exames: Potencial Evocado Auditivo (PEATE OU BERA) • Identificação precoce - Implante coclear - Protetização • P e d i a t r a s - O t o r r i n o l a r i n g o l o g i s t a -Fenoaudólogos • Comportamento auditivo e desenvolvimento da fala/linguagem. DEFICIÊNCIAS DE MICRO-NUTRIENTES • Prematuros precisam de suplementação de vitaminas e minerais: Ferro, Zinco, Vitaminas A, D e C, em doses profiláticas e por períodos adequados, de acordo com o peso de nascimento e IG. ANEMIA DA PREMATURIDADE • Além de transfusão de sangue na UTI neonatal, pode precisar de suplementação de ferro em doses terapêuticas. Maria Vitória de Sousa Santos • A suplementação profilática de Ferro se inicia mais precoce e em doses maiores quanto menor o for peso de nascimento: 1. Baixo Peso ( 37,5 C ° . U s o d a h e m o d e r i v a d o s o u Imunoderivados. Usa de imunossupressores ou corticoidas em dose imunossupressora. 3. Não: Resfriado leves, Desnutrição, Prematuridade, corticoides tópicos ou em dose baixa,Reação local à vacina, História familiar de reações graves à vacina. BCG • A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é uma vacina que garante proteção contra tuberculose, em especial as formas mais graves da doença, como a meningite tuberculosa e tuberculose miliar. • Deverá ser aplicada o mais precocemente p a s s í ve l , d e p re f e r ê n c i a a i n d a n a maternidade, em recém-nascidos com peso > 2kg, • Via intradérmica braço direito (Inserção do deltoide) Maria Vitória de Sousa Santos • Na ausência de cicatriz não é necessário revacinar. A vacina deve ser adiada nos seguintes casos: 1. Recém-nascidos com menos de 2.000 g, até que atinjam esse peso. 2. Pacientes em uso de outras terapias i mu n o d e p re s s o r a s ( q u i m i o t e r a p i a antineoplásica, radioterapia, entre outros). 3. Até três meses após o tratamento com imunodepressores, imunomoduladores ou corticosteroides em dose elevada. Contraindicações 1. Portadores de imunodeficiência primária ou adquirida. 2. Pacientes acometidos por neoplasias malignas. 3. P a c i e n t e s e m t r a t a m e n t o c o m cor t i cos tero ides em dose e levada (equivalente à dose de prednisona de 2 mg/kg/dia para crianças até 10 kg ou de 20 mg/dia ou mais, para indivíduos acima de 10 kg) por período superior a duas semanas. 4. Recém-nascidos de mães que utilizaram durante os dois últimos trimestres da gestação drogas imunomoduladoras que atravessam a barreira placentária. 5. Gestantes. Evolução da lesão Reações locais e/ou regionais - Granuloma; - Úlcera; - Abscesso; - Linfadenopatias regionais. HEPATITE B • Aplicar a l° dose nas primeiras 12 ou 24 horas de vida. • Esquema de quatro doses: uma dose em formulação isolada ao nascimento e doses aos 2, 4 e 6 meses de vida, incluídas na vacina pentavalente de células inteiras. • Via Intramuscular (IM)-Vasto lateral da coxa • Individuo vacinado -› anti-HBs (marcador de vacinação) Contraindicações • R e a ç ã o a n a fi l á t i c a e p ú r p u r a trombocitopênica (Prévia). PENTAVALENTE • A vacina pentavalente é a combinação de cinco vacinas individuais em uma. • A vacina pentavalente garante a proteção contra a difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria haemophilus influenza tipo b, responsável por infecções no nariz, meninge e na garganta. • Público alvo: A vacina pentavalente é aplicada nas crianças aos dois, quatro e seis meses de idade. • Os reforços e/ou complementações em crianças a partir de 1 ano são realizados com a vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis (DTP). DTP • A vacina combinada de DTP e Hib é também chamada tetravalente, já que protege, ao mesmo tempo, contra difteria, tétano e coqueluche. • Recomenda-se três doses: com dois, quatro e seis meses de vida. • Via IM- Vasto lateral da coxa. • Caso o esquema não possa ser cumprido, recomenda-se completá-lo até os 12 meses. Contraindicações: - Maiores de 7 anos. - Crianças que apresentaram encefalopatia nos sete dias que se seguiram à aplicação de dose anter ior de vac ina contendo componente pertussis. - A n a fi l a x i a c a u s a d a p o r q u a l q u e r componente da vacina. VORH • Tem como objetivo reduzir incidência de formas graves (hospitalizações por diarreia por rotavírus). • Administração via oral. 1. 1° dose: Só pode ser feita até 3 meses e 15 dias. 2. 2° dose: Só pode ser feita até 7 meses e 29 dias. Contraindicação: Maria Vitória de Sousa Santos • Crianças fora da faixa etária citada acima; com deficiências imunológicas por doença ou uso de med icamentos que causam imunossupressão; com alergia grave (urticária disseminada, dificuldade respiratória e choque anafilático) provocada por algum dos componentes da vacina ou por dose anterior da mesma; e com doença do aparelho gastrintestinal ou história prévia de invaginação intestinal. Esquema de doses: 1. VRH1 – Para crianças a partir de 6 semanas de idade: em duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas. Esquema padrão: 2 e 4 meses de idade. 2. VRH5 – Para crianças a partir de 6 semanas de idade: três doses, com intervalo mínimo de quatro semanas. Esquema padrão: 2, 4 e 6 meses de idade. Observação: Nunca reaplicar (mesmo que a criança cuspa, vomite ou regurgite). VOP - SABIN / VIP • Vacina contra poliomelite. • Poliovírus atenuado (bivalente). • Administração por via oral. 1. Vacina Oral Poliomielite (VOP) – É uma vacina oral atenuada bivalente, ou seja, composta pelos vírus da pólio tipos 1 e 3, vivos, mas “enfraquecidos”. 2. Vacina Inativada Poliomielite (VIP) – Por ser inativada, não tem como causar a doença. É uma vacina trivalente e injetável, composta por partículas dos vírus da pólio tipos 1, 2 e 3. Contraindicação: 1. VOP - Gestantes; - Pessoas que sofreram anafilaxia após o uso de componentes da fórmula da vacina (em especial os antibióticos neomicina, polimixina e estreptomicina); - Pessoas que desenvolveram a pólio vacinal após dose anterior; - Pessoas com deficiência do sistema imunológico causada por doença ou medicamentos, pessoas que vivem com o vírus HIV, e todos os que convivem com esses grupos. 2. VIP – A história de reação alérgica grave (anafilaxia) à dose anterior da vacina, ou a algum de seus componentes, contraindica doses futuras. Esquemas de doses: • A imunização contra a poliomielite deve ser iniciada a partir dos 2 meses de vida, com mais duas doses aos 4 e 6 meses, além dos reforços entre 15 e 18 meses e aos 5 anos de idade. • VIP – Na rotina de vacinação infantil: aos 2, 4 e 6 meses, com reforços entre 15 e 18 meses e entre 4 e 5 anos de idade. Na rede pública as doses, a partir de um ano de idade, são feitas com VOP. • VOP – Na rotina de vacinação infantil nas Unidades Básicas de Saúde, é aplicada nas doses de reforço dos 15 meses e nos 4 anos de idade e em campanhas de vacinação para crianças de 1 a 4 anos. Via de aplicação: 1. VOP – Oral. 2. VIP – Intramuscular. Observação: Revacinar caso a criança, cuspa, vomite ou regurgite (apenas 1x). FEBRE AMARELA Indicação: Pessoas a partir de 9 meses de idade. 4 anos dose de reforço. Contraindicações: • Crianças abaixo de 6 meses de idade. • Indivíduos infectados pelo HIV, sintomáticos e com imunossupressão grave comprovada por exame de laboratório. • Pessoas com imunodepressão grave por doença ou uso de medicação. • Pacientes que tenham apresentado doença neurológica desmielinizante no período de seis semanas após a aplicação de dose anterior da vacina. • Gestantes, salvo em situações de alto risco de infecção, o que deve ser avaliado pelo médico; • Mulheres amamentando bebês com até 6 meses. Se a vacinação não puder ser evitada, suspender o aleitamento materno por 10 dias. Procure o pediatra para mais orientações. • Pacientes submetidos a transplante de órgãos. • Pacientes com câncer. Maria Vitória de Sousa Santos • Pessoas com his tór ia de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina bovina ou outras). • Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica). • Em princípio há contraindicação para gestantes, mas a administração deve ser analisada de acordo com o grau de risco, p o r e x e m p l o , n a v i g ê n c i a d e surtosrianças abaixo de 6 mesesde idade. Via de aplicação - Subcutânea. TRÍPLICE VIRAL • Trata-se de vacina atenuada, contendo vírus vivos “enfraquecidos” do sarampo, da rubéola e da caxumba; aminoácidos; albumina humana; sulfato de neomicina; sorbitol e gelatina. Contém também traços de proteína do ovo de galinha usado no processo de fabricação da vacina. Indicação: Crianças, adolescentes e adultos. Contraindicação: - Gestantes, pessoas com comprometimento da imunidade por doença ou medicação, história de anafilaxia após aplicação de dose anterior da vacina ou a algum componente. - A maioria das crianças com história de reação anafilática a ovo não tem reações adversas à vacina e, mesmo quando a reação é grave, não há contraindicação ao uso da vacina tríplice viral. Foi demonstrado, em muitos estudos, que pessoas com alergia ao ovo, mesmo aquelas com alergia grave, têm risco insignificante de reações anafiláticas. Teste cutâneo não é recomendado, pois não consegue prever se a reação acontecerá. No entanto, é recomendado que estas crianças, por precaução, sejam vacinadas em ambiente hospitalar ou outro que ofereça condições de atendimento de anafilaxia. Esquemas de doses: • A SBIm considera protegido todo indivíduo que tomou duas doses na vida, com intervalo mínimo de um mês, aplicadas a partir dos 12 meses de idade. • Em situação de risco para o sarampo – surtos ou exposição domiciliar, por exemplo – a primeira dose pode ser aplicada a partir dos 6 meses de idade. Essa dose, porém, não conta para o esquema de rotina: continuam a ser necessárias duas doses a partir dos 12 meses, com intervalo mínimo de 1 mês. • Como rotina para crianças, as sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) recomendam duas doses: uma aos 12 meses e a outra aos 15 meses, podendo ser usadas a vacina SCR ou a combinada SCR-V (tetraviral). • Para crianças mais velhas, adolescentes e a d u l t o s n ã o va c i n a d o s o u s e m comprovação de doses aplicadas, a SBIm recomenda duas doses, com intervalo de um a dois meses. • Em casos de surto de caxumba ou sarampo, pode ser considerada a aplicação de uma terceira dose em pessoas com esquema completo. Não há, no entanto, evidências que justifiquem a medida na rotina. • Na rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para a vacinação infantil, a primeira dose desta vacina é aplicada aos 12 meses de idade; e aos 15 meses (quando é utilizada a vacina combinada à vacina varicela [tetraviral: SCR-V]). Também podem se vacinar gratuitamente indivíduos até 29 anos (duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias) e indivíduos entre 30 e 59 anos (uma dose). Via de aplicação: - Subcutânea. HPV • São duas doses, com intervalo de 6 meses. • Tipos de HPV: 6 e 11 (verruga): 16 e 18 (câncer). • 2 doses dessa vacina para meninas e meninos entre 9 e 14 anos. • Para indivíduos entre 9 e 26 anos, que convivem com o HIV/AIDS, e pacientes em t r a t a m e n t o d e q u i m i o t e r a p i a e transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea são recomendadas 3 doses. • Via de aplicação: IM na região deltoide ou anterolateral superior da coxa. Maria Vitória de Sousa Santos 45 PROGRAMA SAÚDE NA ESCOLA • O Programa Saúde na Escola (PSE) faz parte da politica intersetorial da saúde e da educação e foi instituído em 2007, pelo DECRETO N°6.285 de 5 de dezembro de 2007. • A articulação entre Escola e Rede Básica de Saúde é a base do Programa Saúde na Escola e é uma estratégia de integração da saúde e educação para o desenvolvimento da cidadania e da qualificação das políticas públicas brasileiras. OBJETIVOS GERAIS 1. Promover a saúde e a cultura da paz, reforçando a prevenção de agravos à bem como fortalecer a relação entre as redes públicas de saúde e de educação. 2. Articular as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) às ações das redes de educação básica pública, de forma a ampliar o alcance e o impacto de suas acões relativas aos estudantes e a suas famílias, otimizando a utilização dos espaços, equipamentos e recursos disponíveis; 3. Contribuir para a constituição de condições para para a formação integral e educandos; 4. Contribuir para a construção de sistema de atenção social, com foco na promoção da cidadania e nos direitos humanos; 5. Fo r t a l e c e r o e n f r e n t a m e n t o d a s vulnerabilidades, no campo da saúde, que p o s s a m c o m p r o m e t e r o p l e n o desenvolvimento escolar; 6. Promover a comunicação entre escolas e unidades de saúde, assegurando a troca de informações sobre as condições de saúde dos estudantes; e 7. Fortalecer a participação comunitária nas políticas de educação básica e saúde, nos três esferas de governo. AÇÕES A SEREM DESENVOLVIDAS -PSE 1. Ações de combate ao mosquito Aedes aegypti; 2. Promoção das práticas Corporais, da Atividade Física e do lazer nas escolas 3. Prevenção ao uso de álcool, tabaco, crack e outras drogas; 4. Promoção da cultura de paz, cidadania e direitos humanos; 5. Prevenção das violências e dos acidentes; 6. Identificação de educandos com possíveis s inais de agravos de doenças em eliminação (hanseniase); 7. Promoção e Avaliação de Saúde bucal e aplicação tópica de flúor; 8. Verificação da situação vacinal; 9. Promoção da segurança alimentar e nutricional e da alimentação saudável e prevenção da obesidade infantil; 10. Promoção da saúde auditiva e identificação de educandos com possiveis sinais de alteração; 11. Direito sexual e reprodutivo e prevenção de DST/AIDS; 12. Promoção da saúde ocular e identificação de educandos com possíveis sinais de alteração; 13. Ação de prevenção a COVID-19- passa a fazer parte das ações do PSE, a partir da declaração de emergência em saúde pública de importância nacional na portaria N° 188, de 3 de fevereiro de 2020. ESCOLAS PRIORITÁRIAS Algumas escolas são consideradas prioritárias na adesão: 1. Todas as creches públicas e conveniadas do município; 2. Todas as escolas localizadas em área rural; 3. As escolas com alunos em medida socioeducativas; 4. Escolas que tenham, pelo menos, 50% dos alunos matriculados pertencentes a famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família. PROGRAMA CRESCER SAUDÁVEL • Criado em 2017, estabelece, no âmbito do Programa Salde na Escola, um conjunto de ações a serem implementadas com o objetivo de contribuir para enfrentamento da obesidade infantil no pais por meio de ações a serem matriculadas âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), para as crianças na Educação Infantil (creches e pré-escolas) e Ensino Fundamental 1. • As ações que compõem o programa abrangem a vigilância nutricional, a promoção da alimentação adequada e saudável, o incentivo às práticas corporais e de atividade física e ações voltadas para oferta de cuidados para as crianças que apresentam obesidade. Maria Vitória de Sousa Santos SIBILÂNCIA NA INFÂNCIA • As principais causas de sibilância na infância podem e devem ser tratadas no âmbito da Atenção Primaria de Saúde. • Os casos graves, que complicam ou que não apresentam resposta terapêutica adequada devem ser encaminhados para níveis de atenção superiores através de protocolos do Ministério da Saúde. DEFINIÇÃO DE SIBILÂNCIA A sibilância é um som agudo ou chiado produzido durante a respiração, que indica que o fluxo de ar nas vias respiratórias esta obstruído ou restrito. CARACTERÍSTICAS DO SIBILO 1. Tom: O sibilo tem um som agudo e estridente, semelhante a um apito ou assovio. 2. Intensidade: A intensidade do sibilo pode variar de leve a forte, dependendo da gravidadeda condição pulmonar do paciente. 3. Localização: O sibilo pode ser ouvido em diferentes partes dos pulmões, dependendo da causa da condição pulmonar. 4. Duração: O sibilo pode ser continuo ou intermitente. É importante avaliar: 1. M o d i fi c a ç ã o c o m m a n o b r a s respiratórias: O profissional de saúde pode pedir ao paciente para realizar algumas manobras respiratórias, como respirações profundas ou tosse, para avalia se o sibilo se modifica ou desaparece. 2. P r e s e n ç a d e o u t r o s s o n s respiratórios: Além do sibilo, outros sons respiratórios, como crepitações, estertores ou roncos, podem estar presentes e são importantes para avaliar a condição pulmonar geral do paciente. ETIOLOGIAS 1. Asma; 2. Bronqueolite; 3. Alergias respiratorias; 4. Infecções Respiratórias: Pneumonia e bronquite; 5. Doença do Refluxo Gastroesofagico; 6. Causas anômalas estruturais. ASMA A asma na infância é u m a d o e n ç a crônica das vias aéreas que causa i n fl a m a ç ã o e estreitamento dos brônquios, levando a s i n t o m a s c o m o chiado no peito, tosse, falta de ar e aperto no peito. FATORES DE RISCO DESENCADEANTE DA ASMA 1. Alergenos: Ácaros, pólens, fungos e pelos de animais. Antígenos alimentares raramente desencadeiam. 2. Agentes irritantes: Fumaça (cigarro, vegetal, industrial), poluição ambiental e alterações climáticas súbitas. 3. Agentes infecciosos: Infecções viróticas e por Mycoplasma. Agentes bacterianos raramente desencadeiam crises crises. 4. Esforço físico: Pode desencadear Broncoespasmos. BRONQUEOLITE • É uma infecção respiratória aguda que afeta principalmente os bronquíolos, que são as pequenas estruturas das vias aéreas. • É geralmente causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e é mais comum em bebês e crianças pequenas, especialmente durante o inverno. • Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, coriza, febre e, em casos mais graves, falta de ar e sibilos. ALERGIAS • A exposição a alérgenos como asaras, pólen, mofo, pelos de animais e produtos químicos pode desencadear uma resposta inflamatória Maria Vitória de Sousa Santos para avaliar ácaros, nas vias aéreas, que resulta em estreitamento das mesmas e aumento da produção de muco, levando ao chiado no peito e à dificuldade para respirar. INFECÇÕES • As infecções respiratórias são geralmente causadas por vírus ou bactérias e podem afetar vias aéreas inferiores, incluindo os brônquios e os bronquíolos. • Isso pode levar a uma resposta inflamatória nas vias aéreas, estreitamento dos brônquios e produção excessiva de muco, resultando em sibilos e dificuldade para respirar. PNEUMONIA • Pneumonia é uma infecção que se instala nos pulmões, órgãos duplos localizados um de cada lado da caixa torácica. • Pode acometer a região dos alvéolos p u l m o n a r e s o n d e d e s e m b o c a m a s ramificações terminais dos brônquios e, às vezes, os interstícios (espaço entre um alvéolo e outro). • Basicamente, pneumonias são provocadas pela penetração de um agente infeccioso ou irritante (bactérias, vírus, fungos e por reações alérgicas) no espaço alveolar, onde ocorre a troca gasosa. • Esse local deve estar sempre muito limpo, livre de substâncias que possam impedir o contato do ar com o sangue. ESTRUTURAIS • Condição em que há uma alteração na estrutura das Vias aéreas, que pode levar à obstrução ou estreitamento das mesmas, causando sibilos durante a respiração. • Essas anomalias podem ser congênitas ou adquiridas, e incluem condições como estenose traqueal, fistula traqueoesofágica, broncomalacia, entre outras. REFLUXO GASTROESOFÁGICO • O refluxo gastroesofágico causando sibilo é uma condição na qual o conteúdo do estômago retorna para o esôfago e chega às vias respiratórias, causando irritação e inflamação, o que pode levar ao sibilo durante a respiração. CORPO ESTRANHO • O sibilo por corpo estranho na criança é uma condição na qual um objeto estranho, como uma peça de brinquedo, alimento ou outro objeto, fica preso nas vias aéreas da criança, causando sibilos durante a respiração. • Isso pode ser potencialmente grave e exigir atenção médica imediata. INVESTIGAÇÃO DE SIBILO NA APS Anamnese • Perguntar sobre a presença de sintomas respiratórios, como: tosse, coriza, febre, dificuldade para respirar, entre outros. • Histórico familiar de asma ou outras doenças r e s p i r a t ó r i a s , ex p o s i ç ã o a f a t o re s desencadeantes, como fumaça de cigarro, poluição, poeira, pelos de animais, entre outros. Exame físico • Avaliar o estado geral da criança, a presença de sinais de desconforto respiratório, como uso de músculos acessórios para respirar, aumento da frequência respiratória, retrações intercostais, entre outros. • Também é importante avaliar os sons respiratórios, incluindo a presença de sibilos e outros ruídos. Teste respiratório • Espirometria: Auxilia no diagnóstico de asma. Avalia a função respiratória. Exames complementares Cada caso é único e o médico avaliara cuidadosamente seus sintomas e histórico médico antes de solicitar qualquer exame complementar: - Radiografia de Tórax; - Hemograma; - Prick Test; - Outros (guiados pelo sintoma). TRATAMENTO 1. Asma: O tratamento geralmente envolve o uso de medicamentos broncodilatadores e anti-inflamatórios, como o salbutamol e o budesonida. É baseado no GINA 2023 e é variável de acordo com a faixa etária do paciente. Maria Vitória de Sousa Santos 2. Bronquiolite: O tratamento geralmente envolve repouso, hidratação adequada e, em alguns casos, o uso de medicamentas broncodilatadores. 3. Pneumonia: O tratamento geralmente e nvo l ve o u s o d e a n t i b i ó t i c o s e medicamentos broncodilatadores. ORIENTAÇÕES Importante identificar e evitar os gatilhos que podem desencadear o sibilo em crianças. - Fumaça de cigarro; - Poeira; - Ácaros; - Poluição. ORIENTAÇÕES GERAIS - Manter vacinação atualizada; - Manter a criança hidratada; - Manter a casa limpa e livre de alergenos; - Orientar quanto aos sinais e sintomas de gravidade; - Manter acompanhamento médico regular. SINAIS DE ALERTA 1. Tiragem intercostal; 2. Batimentos de asas de nariz; 3. Gemência; 4. Balanço toracoabdominal; 5. Retração xifoidea; 6. Toxemia; 7. Cianose; 8. Hipoxemia; 9. Irregularidade respiratória; 10. Apneia; 11. Dificuldade de alimentar; 12. Vômitos; 13. Desidratação; 14. Sonolência; 15. Confusão mental; 16. Irritabilidade; 17. Pulsos finos; 18. Perfusão lenta; 19. Taquicardia. Observação: Quanto menor criança, mais alto o risco de desenvolver insuficiência respiratória e apneia. Maria Vitória de Sousa Santos ATENÇÃO À SAÚDE DO ADOLESCENTE NA APS DEFINIÇÃO DE ADOLESCÊNCIA Período da vida humana onde ocorrem i n t e n s a s t r a n s f o r m a ç õ e s b i o l ó g i c a s principalmente intenso crescimento e desenvolvimento, maturação sexual e consequente transformações emocionais para se adaptar a essas mudanças. Torna-se capaz deprocriar; busca sua identidade adulta com novas relações com a família e grupos, procurando autonomia e independência rumo a vida adulta. 1. 10 a 19 anos (OMS/MS); 2. 12 a 18 anos (Estatuto da criança e do adolescente); 3. 10 a 20 anos (Tratado de Pediatria - Nelson). TAREFAS DA ADOLESCÊNCIA • Assumir o novo corpo; • Assumir valores e estilos de vida; • Escolha profissional; • Independência econômica. ÉTICA E SIGILO MÉDICO • R e c o n h e c e r c o m o i n d i v i d u o progressivamente capaz; • Respeitar individualidade e pudor; • Capaz de avaliar seu problema e solucionar; • Direito de ser atendido sem os pais; • Participação da família é desejável; • Quebra de sigilo deve ser informada e justificada. QUEBRA DE SIGILO/LIMITE DE CONFIABILIDADE “É vedado ao médico: revelar segredo profissional referente a paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou responsáveis legais, desde que o menor tenha a capacidade de avaliar seu problema e de conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-los, salvo quando a não revelação possa acarretar danos ao paciente". • Risco de morte para o paciente ou terceiros: • Suicídio, doenças, fuga de casa; • Procedimentos, notificação obrigatória - maus tratos; • Intenção de abortar; • Gravidez; • Uso de drogas; • Anorexia e bulimia nervosa; • Ferimentos de cunho criminoso, atos violentos; • Ameaça de homicídio. MOTIVOS DA CONSULTA DO ADOLESCENTE • Queixas físicas, reais ou imaginárias; • Dificuldades de ajustamento social na escola, no trabalho, com companheiros, • Transtornos de conduta; • Mau rendimento escolar; • Dificuldades na área da sexualidade, • Queixas psicológicas- preocupações, a n g ú s t i a s , d i s t ú r b i o s d o s o n o, d a alimentação, do humor. ANAMNESE • Família: Estrutura e dinâmica familiar; • Educação: Escolaridade, problemas; • Trabalho: Profissão, horas, problemas; • Alimentação: Tipo, alergias, peso; • Sexualidade: Puberdade, atividade sexual, dúvidas, tabus, preconceitos; • Afeto: Relacionamentos, filhos; • Ambições: Projetos futuros - vida e profissão; • Uso/abuso de drogas lícitas/ilícitas; • Pensamento ou tentativa suicídio. EXAME FISICO • Roupões (p/não se sentir desconfortável); • Privacidade-porta fechada; • Presença dos pais ou enfermagem; • Maca de tamanho adequado. É necessário avaliar: - Estágio de desenvolvimento puberal critérios de Tanner; - Avaliação do estado nutricional (IMC, Peso, altura); - Inspeção o mais completa possível (saúde bucal, pele e mucosas); - Coluna vertebral; - Mamas; - Tireóide; - PA; - Genitais. Puberdade normal - Em meninas: Entre 8 e 12 anos - Telarca (aparecimento do broto mamário); - Em meninos: Entre 9 e 14 anos - Aumento do volume testicular (4mL). ESTADIAMENTO PUBERAL • Estadiamento de Tanner criado em 1962, por um médico inglês: James Tanner. • Método visual. Maria Vitória de Sousa Santos • Ferramenta utilizada diariamente durante a descrição do exame físico de crianças e adolescentes. • Descreve a maturação sexual em meninos e meninas. • Pode permitir diagnósticos de patologias como: puberdade precoce, rapidamente progressiva ou retardada. Observação: No gênero masculino, após o i n í c i o d a p u b e rd a d e, p o d e o c o r re r ginecomastia puberal uni/bilateral, que tem caráter transitório e regride espontaneamente em cerca de 2 a 3 anos. VACINAÇÃO Idade de 10-19 anos: - Hepatite B (3 doses); - Meningocócica ACWY (Dose única 11-12 anos); - Febre amarela (dose única); - Tríplice viral (2 doses - até 29 anos); - HPV (meninos e meninas 9-14 anos); - Dupla adulto (3 doses e reforço alçada 10 anos). Maria Vitória de Sousa Santos EDUCAÇÃO SEXUAL ABORDANDO A DIVERSIDADE DE GÊNERO E A SEXUALIDADE NA APS. EDUCAÇÃO SEXUAL • De acordo com a OMS, UNESCO e MS, a Educação Sexua l é o proces so de aprendizagem e desenvolvimento de habilidades e conhecimentos relacionados à sexualidade humana. OBJETIVO DA EDUCAÇÃO SEXUAL 1. Informar, orientar e capacitar os indivíduos a respeito de aspectos físicos, sociais, emocionais e culturais envolvendo a sexualidade; 2. Consentimento na relação sexual; 3. Direitos sexuais; 4. Direitos reprodutivos e acesso ao planejamento familiar; 5. Bem-estar da saude humana e sexual. O QUE A EDUCAÇÃO SEXUAL INCLUI 1. Educação sobre anatomia e fisiologia sexual; 2. Métodos contraceptivos e seus critérios de elegibilidade; 3. Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis; TERMOS EM EDUCAÇÃO SEXUAL E SEXUALIDADE 1. Gênero: Gênero é um conjunto de características, papéis, comportamentos e valores socia lmente construídos e associados a homens e mulheres em uma determinada cultura ou sociedade. O gênero é uma construção social e pode variar em diferentes culturas e contextos. 2. Orientação afetiva: Orientação afetiva, ou orientação sexual, é a atração emocional e sexual de uma pessoa por outras pessoas. Ela pode ser: - Heterossexual (atração por pessoas do sexo oposto); - Homossexual (atração por pessoas do mesmo sexo); - Bissexual (atração por pessoas de ambos os sexos), entre outras possibilidades. 3. Identidade de gênero: Identidade de gênero é a forma como uma pessoa se identifica em relação ao gênero, podendo ser masculina, feminina, não-binária ou de outra forma. Essa identidade pode não corresponder ao sexo biológico ou às expectativas sociais associadas ao gênero. É uma experiência pessoal e subjetiva de cada indivíduo. TEMAS NEGLIGENCIADOS Alguns temas negligenciados em educação sexual e sexualidade: 1. Sexualidade na terceira idade; 2. Sexualidade na pessoa com deficiência; 3. Saude sexual de pessoas LGBTQIA+; 4. Educação sexual nos escolas; 5. Educação sexual para pessoas de baixa escolaridade; 6. Saude sexual no contexto de refúgio e migração; 7. Sexualidade na população vivendo em situação de rua; 8. Sexualidade em pessoas privativas de liberdade. FASES DA VIDA E SEXUALIDADE 1. Infância: É importante que os pais e cuidadores estejam cientes de como as crianças se desenvolvem sexualmente e como lidar com as perguntas e curiosidade que surgem. 2. Adolescência: A adolescência é uma fase de descobertas e experimentações, e é importante que os jovens recebam informações precisas e adequadas sobre saúde sexual e reprodutiva, incluindo a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e contracepção. 3. Idade adulta: Na idade adulta, a sexualidade pode ser afetada por fatores c o m o a s a ú d e f í s i c a e m e n t a l , Maria Vitória de Sousa Santos relacionamentos e mudangas na vida, como a maternidade e a paternidade. 4. Terceira idade: A sexualidade na terceira idade muitas vezes é negligenciado, mas é uma parte importante da vida e pode trazer benefícios para a saude físico e emocional. No entanto, a saude e o bem- estar sexual podem ser afetados por problemas de saúde, mudanças hormonais e medicações. ABORDANDO SEXUALIDADE NA APS • É importante que os profissionais de saude na APS estejam capacitados para lidar com a sexualidade de forma sensível e respeitosa, respeitando a privacidade e autonomia dos pacientes. • Identificar e respeitar as necessidades e preferências dos pacientes em relação à sua s e x u a l i d a d e , s e m j u l g a m e n t o s o u estereótipos. • Oferecer informações claras, precisas e acessíveis sobre saude sexual e reprodutiva, inclu indo a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e a contracepção. • Promover a educação sexual e reprodutiva desde a infância, por meio de palestras, materiais informativos e orientações para pais e cuidadores. • Identificar e tratar problemas de saúde sexual, como disfunção eréti, infecções sexualmente transmissíveis e câncer de colo de útero, por meio de exames preventivos e tratamento adequado. • Promover a saude sexual de forma inclusiva e abrangente, abordando questões relacionadas à diversidade sexual, gênero e identidade de gênero. • Fornecer orientações sobre sexualidade na terceira idade, incluindo a importância de manter a atividade sexual e prevenir problemas de saúde relacionados. • Realizar encaminhamentos para serviços especializados, quando necessário, como serviços de psicologia e aconselhamento em casos de violência sexual. Observação: No Brasil a notificação de casos de violência sexual é obrigatória por lei e deve ser feita pelos profissionais de saúde que prestam atendimento à vitima, incluindo serviços de saude púbica e privada. A notificação é feita por meio de um formulário especifico, que deve ser preenchido com informações sobre o caso, como a identificação da vítima a forma de violência sofrida, o tipo de agressor e o encaminhamento para serviços especializados. ESTRATÉGIAS DE ABORDAGEM 1. Conhecer e respeitar as especificidades de cada grupo; 2. Garantir uma abordagem inclusiva e livre de preconceitos; 3. Utilizar estratégias adequadas à faixa etária e nível de escolaridade dos grupos vulneráveis: ISTD; 4. Promover a participação ativa e o diálogo; 5. Oferecer suporte e encaminhamento para serviços especializados. mudanças Maria Vitória de Sousa Santos ABORDAGEM DA MULHER NA CONSULTA PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO NA APS OBJETIVO DO PRÉ NATAL O objetivo do acompanhamento pré-natal é assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna, inclusive abordando aspectos psicossociais e as atividades educativas e preventivas. 1. Diagnosticar/confirmar gravidez (teste rápido); 2. Diagnosticar doenças preexistentes; 3. Proporcionar higidez ao organismo materno e fetal; 4. Amparar social e psicologicamente; 5. Preparar para o parto e a maternidade. ACOLHIMENTO • A Política Nacional de Humanização toma o acolhimento como postura prática nas ações de atenção e gestão das unidades de saúde, o que favorece a construção de uma relação de confiança e compromisso dos usuários com as equipes e os serviços, contribuindo para a promoção da cultura de solidariedade e para a legitimação do sistema público de saúde. • O acolhimento da gestante na atenção básica i m p l i c a a r e s p o n s a b i l i z a ç ã o p e l a integralidade do cuidado a partir da recepção da usuária com escuta qualificada e a partir do favorecimento do vínculo e da avaliação de vulnerabilidades de acordo com o seu contexto social, entre outros cuidados. • A história de vida e o contexto de gestação trazidos pela mulher durante a gravidez devem ser acolhidos integralmente a partir do seu relato e da fala de seu parceiro. • O profissional deve permitir que a gestante expresse suas preocupações e suas angústias, garantindo a atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência e, quando necessário, possibilitando a criação de vínculo da gestante com a equipe de salde. • Uma escuta aberta, sem julgamentos nem preconceitos, de forma que permita à mulher falar de sua intimidade com segurança, fortalece a gestante no seu caminho até o parto e ajuda a construir o seu conhecimento sobre si mesma, contribuindo para que tanto o parto quanto o nascimento sejam tranquilos e saudáveis. Classificação de risco gestacional 1. Baixo risco: 90% das pacientes. O seguimento na atenção básica. 2. Alto risco: 10% das pacientes. Está relacionado a doenças preexistentes, história reprodutiva, alterações fetais e maternas na gestação atual. Fatores de risco que encaminhamento ao pré- natal de alto risco 1. Fatores relacionados às condições prévias: 2. Cardiopatias; 3. Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica); 4. Nefropatias graves (como insuficiência r e n a l c r ô n i c a e e m c a s o s d e transplantados); 5. Endocrinopatias (especialmente diabetes m e l l i t u s , h i p o t i r e o i d i s m o e hipertireoidismo); 6. Doenças hematológicas (inclusive doença falciforme e talassemia); 7. Hipertensão arterial crônica e/ou caso de paciente que faça uso de anti-hipertensivo (PA>140/90mmHg antes de 20 semanas de idade gestacional – IG); 8. Doenças neurológicas (como epilepsia); 9. Doenças psiquiátricas que necessitam de acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.); 10. Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, outras colagenoses); 11. Entre outros. Fatores relacionados à história reprodutiva anterior: 1. Morte intrauterina ou perinatal em gestação anterior, principalmente se for de causa desconhecida; 2. História prévia de doença hipertensiva da gestação, com mau resultado obstétrico e/ ou perinatal (interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome Hellp, eclâmpsia, internação da mãe em UTI); 3. Abortamento habitual; 4. Esterilidade/infertilidade. Fatores relacionados à gravidez atual: 1. Restrição do crescimento intrauterino; 2. Polidrâmnio ou oligoidrâmnio; 3. Gemelaridade; 4. Malformações fetais ou arritmia fetal; Maria Vitória de Sousa Santos saúde. de 5. Distúrbios hipertensivos da gestação (h ipertensão crônica preexis tente, hipertensão gestacional ou transitória). CONSULTAS • As consultas de pré-natal poderão ser realizadas na unidade de saúde ou durante visitas domiciliares. O total de consultas deverá ser de, no mínimo, 6 (seis), com acompanhamento intercalado entre médico e enfermeiro. 1. 1° Trimestre: Uma consulta; 2. 2° Trimestre: Duas consultas; 3. 3° Trimestre: Três consultas. Sempre que possível, as consultas devem ser realizadas conforme o seguinte cronograma: 1. Até 28ª semana – mensalmente; 2. D a 2 8 ª a t é a 3 6 ª s e m a n a – quinzenalmente; 3. Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente. • A maior frequência de visitas no final da gestação visa à avaliação do risco perinatal e das intercorrências clínico-obstétricas mais comuns nesse trimestre, como trabalho de parto prematuro, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, amniorrexe prematura e óbito fetal. • Não existe “alta” do pré-natal antes do parto. • Quando o parto não ocorre até a 41ª semana, é necessário encaminhar a gestante para avaliação do bem-estar fetal, incluindo avaliação do índice do líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal. 1° CONSULTA ANAMNESE Identificação: 1. Nome; 2. Idade da paciente 35 anos; 3. Etnia; 4. Estado civil; 5. Profissão - física ou intelectual; 6. Procedência. Deve-se pesquisar os: 1. Aspectos socioepidemiológicos; 2. Antecedentes familiares (DM, HAS, CA, gemelaridade, etc); 3. Antecedentes pessoais gerais (doenças neurops iquiá tr icas, t i reo idopat ias, cardiopatias, doenças renais, asma, cirurgias prévias, DM, HAS, alergias, anemia, hemotransfusões, etc); 4. Antecedentes g ineco lóg icos ( c ic lo menstrual, uso de anticoncepcional, citologia, cirurgias, ISTs, infertilidade e esterilidade - tratamento, malformações uterinas, etc); 5. Antecedentes obstétricos (n° de partos, nascidos vivos, abortamento, idade da primeira gravidez, neomorto, natimorto, aleitamento, peso do recém nascido, etc); 6. Situação da gravidez atual