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Agressividade, violência e conflito
Centro Universitário Metodista - IPA
Profª Luciane Raupp
Agressividade e violência: reflexões acerca do comportamento anti-social e sua inscrição na cultura contemporânea.
	O presente trabalho busca entender as diferenças entre o ato agressivo, violento, delinquente e anti-social, em uma perspectiva sócio-psicanalítica. Em um primeiro momento, as autoras, recorrendo a Freud, traçarão as diferenças entre agressividade e violência, conceito de certa forma difuso na obra freudiana. Winnicott será o autor privilegiado para entender a delinquência e o ato anti-social, enquanto pedidos de ajuda por parte de crianças e adolescentes. Buscando uma articulação entre o ato violento e as práticas culturais existente, as autoras, na parte final do trabalho, fazem uma leitura da violência enquanto inscrita na cultura, tomando como eixo das discussões a família contemporânea.
	A violência é um distúrbio da agressividade - função estruturante da vida, da maior importância. Ela é ativada pela frustração!
	Enquanto a afetividade diz sim, a agressividade diz não! Sem a capacidade de dizer não, é impossível sobreviver - ambas regulam o posicionamento ético.
	A agressividade pode ser expressa de maneira criativa ou destrutiva - depende de cada pessoa e da situação em que ela se encontra. A cultura/meio, nesse caso, tem grande importância, pois ela pode oferecer meios para adotarmos soluções criativas diante de nossas frustrações.
 
 Se ela não puder ser canalizada criativamente, ela terá sempre o mesmo resultado destrutivo. 
 Voltada contra o sujeito, ela gera depressão.
 Voltada contra os outros, ela os ataca.
 Em ambos os casos, a frustração gera a agressividade, que se não encontrar uma válvula criativa, desembocará na violência e destrutividade.
 Se adotarmos a tese que a frustração gera a agressividade e que a agressividade sem ter uma saída construtiva tende a gerar destrutividade e violência, compreendemos o aumento intenso da violência entre nós.
 Exs: As frustrações de um operário na cidade de São Paulo.
Modelos Explicativos
Teoria da Aprendizagem Social
 BANDURA: a família tem uma importante influência na aquisição de modelos agressivos pelas crianças, por estas aprenderem modelos cognitivos e comportamentais a partir de reproduções de eventos diários. 
Inibição da agressividade
SUPErEGO
	A sociedade gera, mas também restringe, a expressão da agressividade individual, mesmo que jamais a extinga. 
 	O superego seria a instância que conformaria o homem a se submeter à lei social por esta ter-se tornado uma lei Internalizada através dos mecanismos de identificação e introjeção.
Modelos Explicativos 
Psicanálise
Da agressividade à violência
Freud, Mal estar na civilização - situação paradoxal:
“(...) que outros tenham demonstrado, e ainda demonstram a
mesma atitude de rejeição, surpreende-me menos,
porque “as criancinhas não gostam ” quando se fala na
inata inclinação humana para a “ruindade”, a
agressividade e a destrutividade, e também para a
crueldade. (p.124)
Modelos Explicativos 
Psicanálise
Freud: a ideia de agressividade situa-se no interior do aparelho psíquico, a partir da teoria das pulsões. Seria uma parte da pulsão de morte orientada para o exterior, enquanto um modo de relação com o outro, e como violência exercida sobre o outro.
Pulsão de agressão: pulsão de morte que 
 visa à destruição do objeto da pulsão!
A conflitualidade inerente ao aparelho psíquico, entre pulsão de vida e de morte, seria modificada na medida em que tal pulsão interna é dirigida para fora. 
Eros e tanatos
	Um não aparece sem o outro, porém a destrutividade, consequência direta da pulsão de morte, vista como força disjuntiva, atuaria de forma silenciosa. 
	Eros: força que congrega a humanidade em algo único, tentando conjugar e configurar o ser humano em seus comportamentos e sentimentos. 
	Delimitação do conceito de um instinto agressivo, que pode coexistir com a possibilidade de o homem desejar a paz e/ou poder empregar a violência.
“São estes (os instintos agressivos) acima de tudo, que
tornam difícil a vida do homem em comunidade e
ameaçam sua sobrevivência. A restrição à agressividade
do indivíduo é o primeiro e talvez o mais severo sacrifício
que dele exige a sociedade. A instituição do superego,
que toma conta dos impulsos agressivos perigosos
introduz um destacamento armado, por assim dizer, nas
regiões inclinadas à rebelião. Mas por outro lado (..)
devemos reconhecer que o ego não se sente feliz ao ser
assim sacrificado às necessidades da sociedade, ao ter
que se submeter às tendências destrutivas da
agressividade, que ele teria satisfação de empregar
contra os outros (...). Felizmente os instintos
agressivos nunca estão sozinhos, mas sempre
amalgamados aos eróticos. (p.112)
A agressão consistiria na forma que toma a pulsão de morte quando, ao não se introjetar como culpabilidade, ou não se sublimar como obra cultural, passa a se dirigir ao exterior, adquirindo visibilidade. 
Agressividade
Ligada à luta do eu por conservação/
afirmação
Um dos componentes da pulsão sexual
Ex: sadismo
Naturalização da violência
	Temos todo um trabalho de civilização que nos “educa” a tolhermos e ocultarmos essa vertente de nossa fisiologia e, para Freud (1930), é este o preço alto que pagamos em nome da civilização, até porque não há como eximar a agressividade do ser humano. 
	
	Quando ela não parece de uma forma explícita, aparece de forma implícita, e se volta para o próprio homem que a negou.
	A ambição egoísta!
Naturalização da violência
	
		Influências do Evolucionismo: 
	O homem seria intrinsecamente mau e destrutivo, tendo de ser contido em seus desejos por forças civilizatórias, sem o que estaria condenado ao modo de viver impulsivo próprio dos povos primitivos. 
	Freud (1933) POR QUE A GUERRA?
	“(...) é pois um princípio geral que os conflitos de interesses
 entre os homens são resolvidos pelo uso da violência. É isto que se passa em todo o reino animal, do qual o homem não tem motivo por que se excluir “(p.198).
Sociedade x agressividaDE
 Ideia geral da Psicanálise: 
 a agressividade é inata, mas a sociedade pode educar os homens a não expressá-la de forma tão destrutiva!
Agressividade =
 instintoS agressivos
	
	
 Para Costa (1984), pode-se verificar que Freud admite, que a mera existência da agressividade instintiva não pode ser considerada responsável pela violência na	história e na cultura.
	 Para o autor, não há algo semelhante ao “instinto de violência” e o que aparece, nas presumíveis incoerências no texto é a delimitação do conceito de um instinto agressivo, que pode coexistir com a possibilidade de o homem desejar a paz, e também com a possibilidade de o homem empregar a violência.
Modelos Explicativos
D. Winnicott
	Desnaturalização do fenômeno da violência e despatologização de muitas manifestações de agressividade.
	Sentido negativo da violência e o papel fundamental da agressividade.
	A violência é algo a ser tratado!
 	A agressividade é algo a ser experimentado, é uma das fontes permanentes da vida psíquica.
Privação e delinqUência, Winnicott (1987)
“de todas as tendências humanas, a agressividade em especial, é
escondida, disfarçada, desviada, atribuída a agentes externos e
quando se manifesta é sempre tarefa difícil identificar suas origens”
AGRESSIVIDADE: fonte de energia inerente ao ser e é fundamental para a discriminação eu/não-eu. 
Os termos não são sinônimos e a violência não é uma expressão da agressividade. Ao contrário, ela é o indício de problemas no exercício, vitalmente necessário, da agressividade. 
 O bebê naturalmente explora o ambiente ao seu redor - para que o bebê possa ampliar seu mundo subjetivo e compartilhar um mundo objetivamente percebido, ele deve poder tentar destruir o objeto, que tem que sobreviver a essa destruição, mantendo sua atitude. Essa é a base da percepção deum eu que se relaciona a um não-eu que resiste (portanto, o eu não é onipotente), mas não retalia (logo, o eu pode agir, usar sua agressividade). 
 Na medida em que permite a separação entre o que é eu e o que é não-eu, a experiência desse impulso destrutivo é integradora e condição de possibilidade de uma construção posterior.
 Se o objeto transmitir a segurança de quem tem sua existência independente da proteção da criança, o sujeito não avaliará o mundo como algo a que deve se submeter, mas como um lugar criado para se viver.
Aspectos da delinqüência juvenil, Winnicott (1987) - Importância do lar
	“Uma criança normal, se tem confiança no pai e na mãe, provoca constantes sobressaltos. No decorrer do tempo, procura exercer o seu poder desunião, de destruição, tenta amedrontar, cansar, desperdiçar, seduzir e apropriar-se das coisas. Tudo o que leva as pessoas aos tribunais (ou aos hospícios, tanto importa para o caso) tem o seu equivalente normal na infância, na relação entre a criança e o seu próprio lar. Se o lar pode suportar com êxito tudo o que a criança fizer para desuni-lo, ela acaba por acalmar-se através de brincadeiras”.(p.256/257)
Visão de Winnicott: continência familiar
		
			A família deve ser capaz de suportar o indivíduo e sua agressividade e talvez, por isso, seja a família o lugar de referência e suporte ao adolescente que transgride o código social e também seja a referência ao bebê que aprende a lidar com sua agressividade. 
 “É a oportunidade de reparar oferecida pelos pais que faz possível para a criança a confiança em sua atitude amorosa, favorecendo a aquisição da capacidade de preocupar-se com o outro, enquanto se faz responsável pelos próprios impulsos destrutivos”(Winnicott 1987)
tendência anti-social
	 Ato distinto da delinquência!
	Traz em si a busca de um limite e de um acolhimento, demonstrado neste endereçamento.
	Pode ser a expressão da esperança que algumas crianças ainda mantêm dentro de si, uma crença ou crédito da criança no meio.
 Tudo indica que nos casos que hoje assistimos acontecer na nossa sociedade, esteja havendo uma falha básica da família em seu papel contenedor dos impulsos agressivos. A tendência anti-social, que seria normal até nos bons lares, está se transformando rapidamente em destrutividade, violência e delinquência (Maia, 2002)
As origens da agressividade
	A agressividade, para Winnicott, traz em si mesma um movi mento natural, e que, em seus primórdios ou início, é somente um movimento. Ë o agitar de braços de um feto na barriga.
	Será a mãe, sendo suficientemente que significará este gesto espontâneo do bebê, lendo-o como algo criativo ou não, limitando-o.
	A falha advém do meio e não do bebê. Este bebê tem de agora lidar, ele mesmo, com o meio, substituindo esta mãe que falhou, dando conta dessa tarefa a partir dos mecanismos que puder dispor em sua insuficiência ou imaturidade, mas também demonstra a esperança que este possui no meio por perceber que a falha foi dele, meio, e não dela, criança.
 	
De-privação
P. 39 (último par.)- 40 (1 e 2)
Qual a relação entre agressividade não acolhida pelo
 meio e o ato violento?
 Somente haveria violência “quando o sujeito que sofre a ação agressiva sente no agente da ação um desejo de destruição”. 
	Importância da significação ambiental dada ao ato: 
	“É a mãe quem devolverá ao bebê o sentido de “maldade” ou “inocuidade”de sua agressividade puramente instintiva.
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