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ESTRATÉGIA OAB 
Direito Civil – Paulo Sousa 
 
 
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ESTRATÉGIA OAB 
Direito Civil – Paulo Sousa 
 
 
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Sumário 
Considerações iniciais ........................................................................................................................................ 1 
CONTEÚDO COMPLETO RESUMIDO .................................................................................................................. 3 
1. Linha do Tempo Processual ....................................................................................................................... 3 
2. Procedimento Comum – Petição Inicial ..................................................................................................... 4 
3. Procedimento Comum - Análise formal e Material ................................................................................... 8 
4. Procedimento Comum – Audiência de Conciliação e Mediação ............................................................. 10 
5. Procedimento Comum – Contestação ..................................................................................................... 13 
6. Procedimento Comum – Contestação com Reconvenção ...................................................................... 16 
7. Procedimento Comum – Revelia ............................................................................................................. 17 
8. Procedimento comum - Saneamento ...................................................................................................... 17 
9. Procedimento Comum - Elementos probatórios e Audiência de Instrução e Julgamento ..................... 21 
10. Procedimento Comum - Produção antecipada da prova ...................................................................... 26 
11. Procedimento Comum - Produção de provas ........................................................................................ 27 
12. Procedimento Comum - Sentença ......................................................................................................... 29 
13. Procedimento Comum - Elementos da Sentença .................................................................................. 32 
14. Procedimento Comum - Ação Rescisória ............................................................................................... 34 
15. Procedimento Comum - Cumprimento de Sentença ............................................................................ 37 
16. Procedimento Comum - Espécies de cumprimento de sentença ......................................................... 40 
17. Procedimento Comum - Noções gerais sobre a estrutura recursal ...................................................... 41 
18. Procedimento Comum - Noções específicas acerca dos recursos ........................................................ 43 
19. Procedimento Comum - Noções gerais sobre os Recursos Ordinários ................................................. 46 
20. Procedimento Comum - Execução ......................................................................................................... 47 
21. Procedimento Comum - Tutela provisória ............................................................................................ 50 
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Considerações Finais .................................................................................................................................... 55 
 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
E aí, galera? Vamos começar a “meter a mão na massa” no Direito Processual Civil de forma mais 
aprofundada, por meio da análise do procedimento comum, que é cobrado na 2ª Fase do Exame da OAB. 
Os conteúdos desta aula focam nos aspectos relevantes para a prova de 2ª Fase, porém, você não 
aprenderá aqui a estruturar uma peça. Essa parte do seu aprendizado ocorrerá nas aulas do Como fazer e 
no Banco de Peças. 
Nessa etapa foco na parte procedimental, ou seja, vamos analisar o caminho do processo, que passa 
pela petição inicial, pelo cumprimento de sentença e pelos recursos. 
 
Vamos lá! 
CONTEÚDO COMPLETO RESUMIDO 
1. Linha do Tempo Processual 
Como se entende a estrutura do desenvolvimento do processo? Com uma linha do tempo. 
Toda vez que você for estruturar uma peça, estabeleça uma linha do tempo básica a partir 
da análise do enunciado. Esse é o primeiro passo para uma peça bem-feita. 
Nesta aula, sintetizaremos cada elemento dessa linha do tempo processual, analisando um 
por um. Você pode estar se perguntando como faremos isso. Respondo: pela base, ou seja, 
pelo procedimento comum. Isso porque ele é completo vai de “A a Z”, de maneira a materializar o 
direito. Para melhor traduzir a materialização do direito, temos uma expressão perfeita: bem da vida. 
Assim, o processo nada mais é do que a busca pelo bem da vida. 
Como tudo começa? Pelo pedido. Então do pedido, uma ponta da linha do tempo, até a outra ponta, o 
êxito ou não em conseguir o bem da vida, nós teremos o processo. No meio desse caminho, há um 
elemento muito importante: o pronunciamento do juiz, dizendo que tenho direito ou não ao bem da vida. 
Esse pronunciamento é a sentença. 
Existe um grande divisor de águas no procedimento: uma parte é aquilo que vem antes de o juiz dizer que 
de fato posso pegar o bem da vida e outra é aquilo que vem após o juiz dizer que o bem da vida é de fato 
meu e finalmente me entregar. Então, quando pensamos no bem da vida, devemos pensar em uma 
divisão em três grandes momentos: o pedido, a decisão e a entrega. 
O procedimento comum é o que estabelece essa passagem tradicional que vai desde o pedido até a 
entrega ou não do bem da vida. Não à toa, o Código de Processo Civil começa com o procedimento 
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comum. 
Nessa linha do tempo, ou seja, nessa caminhada até a entrega ou não do bem da vida, pode haver várias 
peculiaridades e possibilidades. Pode ser que seja possível pular etapas, pode ser que seja necessário um 
procedimento especial ou exista a necessidade de pedir o bem da vida com urgência. Então você precisará 
entender a linha do tempo como uma espécie de caminhar, que pode ser o tradicional — o procedimento 
comum — mas pode ser que seja necessário dar um salto, acelerar o procedimento, ou 
pará-lo, o que sairá da rota do comum. Entenda o processo como uma espécie de viagem em 
que se terá o caminho tradicional ou o caminho em que há situações especiais e peculiares, 
com atalhos ou desvios. 
Pode ser ainda que no início da caminhada exista uma hipótese que gerará impactos mais à 
frente; por isso, é importante analisar a conexão dos fatos que vão ocorrendo no percurso. 
Vamos começar a nossa jornada! 
2. Procedimento Comum – Petição Inicial 
 
Tudo começa com o bem da vida, que é, basicamente, o pedido. Assim, o primeiro ponto a ser 
estabelecido na linha do tempo é a petição inicial. 
O que é preciso para realizar o pedido? 
Em primeiro lugar, é fundamental que o pedido seja bem estruturado. Para isso, importa a análise do 
artigo 319 do Código de Processo Civil. Segundo esse dispositivo, são sete os elementos necessários para a 
elaboração petição inicial: 
➢ 1º. Juízo competente. 
A petição deve necessariamente ser dirigida ao juízo competente (lembro a você que as regras de 
competência estão na parte geral do CPC). Além disso, importa checar se a ação proposta cabe ao Juizado 
Especial ou à Justiça Comum. Esse é o primeiro cuidado que você deve ter, especialmente se o enunciado 
mencionar o Juizado. Assim sendo, não deixe de analisar a Lei n. 9.099/1995. 
O segundo cuidado que você deve ter é com relação à vara para a qual encaminhará a sua petição (se à 
vara comum, se à da infânciaOAB 
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➢ Hipóteses em que se tenha presunção legal da existência ou de veracidade, ou as presunções 
serão iuris et de iure, ou seja, serão absolutas, não admitindo prova em contrário; ou podem ser 
presunções relativas que não admitem prova em contrário. 
Há pouquíssimas presunções absolutas no Direito Civil. Um dos exemplos é o pagamento, que gera 
presunção absoluta do fato. O resto é presunção relativa, ou de existência, ou seja, presume-se que o 
fato existe. A exemplo, podemos citar a presunção de paternidade, gerada pela recusa em fazer o exame 
de DNA. Se o suposto pai se recusa, emtão há presunção de veracidade por força de lei. Essas presunções 
estão espalhadas pela legislação, então é sempre possível pensar em presunções legais, o que é 
extremamente importante porque usamos muito a presunção no Direito Civil. 
Você lembra que comentei que a linha do tempo é uma teia? Isso fica mais evidente ainda quando falamos 
da prova, porque, em geral, a produção probatória se dá na fase depois do saneamento e antes da 
sentença. 
10. Procedimento Comum - Produção antecipada da prova 
Em algumas situações específicas, há um problema com a produção da prova, porque sua 
produção pode exigir rapidez, por alguma razão. Assim, podemos falar em uma produção 
antecipada, ou seja, não será possível esperar pelo momento do saneamento. 
Há ocasiões em que a produção de provas pode ser jogada para antes da petição inicial. Nesse 
caso, nem se vai atrás do bem da vida ainda, mas a análise da prova faz com que o pedido 
desse bem seja possível. Então, é razoável pedir ao juiz que a prova seja antecipada. 
São três os motivos que permitem a antecipação da produção da prova: 
➢ Quando há fundado receio de que essa prova vai se impossibilitar ou se tornar muito difícil se 
não for feita naquele momento. Por exemplo, quando há a necessidade da análise de um bem 
que fica exposto ao tempo. Pode ser que na data da análise já tenha se deteriorado. 
 
➢ Quando a prova viabilizar a autocomposição. Por vezes o elemento probatório, quando 
antecipado, esclarece a possibilidade de que uma das partes, especialmente o réu, possa sair 
perdedor no processo, criando o estímulo à autocomposição. Lembra quando eu disse que o 
processo é uma espécie de Teoria dos Jogos? Pois bem, nessas situações essa ideia muito bem 
se aplica. 
 
➢ Quando o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento da ação. Por 
exemplo, a parte que teve seu direito violado pode promover ação judicial, porém, quando não 
há certeza de quem foi que violou o direito, o autor pode ingressar com ação contra qualquer 
um. Para fins de celeridade, caso haja um registro ou uma prova que evite o ingresso do 
processo em face de mais de uma pessoa, a parte pode pedir a produção de provas antecipada, 
desde que justificadas as razões para tal. Assim, evita-se atulhar o Poder Judiciário de dúvida. 
Então nessas três hipóteses é possível produzir antecipadamente a prova. É possível pedir para qualquer 
juiz? Não. Deve ser requisitado para o juiz com competência para o pedido da ação principal, onde a prova 
será produzida ou no domicílio do réu. 
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Caso seja manejado o pedido de prova no lugar onde ela é produzida, porém, a ação principal seja 
proposta no domicílio do réu, o juiz que produziu a prova está prevento? Não, ele não está prevento. 
Não há prevenção de competência nesses casos. 
Como se faz a produção antecipada de prova? Sem grandes dificuldades, basta fazer uma petição 
explicando o que é a prova, porque é preciso produzir a prova antecipadamente e o que se espera 
provar por meio dessa prova. 
Por exemplo, imagine uma situação em que a pessoa falsificava dinheiro e, ao ingressar com a ação, esse 
dinheiro esteja em sacas que durante apreensão acabaram se molhando. Para manejar a ação, é 
interessante que se peça ao juiz que permita o acesso e a produção de provas antecipadamente, para que 
esse dinheiro não se deteriore, porque pode ser que até a fase de saneamento esse dinheiro já tenha 
virado suco. 
Nessa situação, o intuito é se antecipar para não arriscar perder a prova, por meio de uma petição inicial. 
O juiz analisará se há conteúdo contencioso, que gerará a necessidade de citar o interessado. Caso não 
haja conteúdo contencioso, não há necessidade de intimação. 
A citação quando há um elemento contencioso ocorre, por exemplo, quando um 
testemunho é a prova antecipada, ou seja, será preciso citar a testemunha. Nessa ocasião, 
não se exige apresentação de defesa nem cabe recurso. A única razão em que faz sentido 
um recurso se dá caso o juiz indefira a produção de prova antecipada. Nesse caso a 
parte pode recorrer. 
Caso o juiz defira a petição para produção de prova antecipadacabe ao autor produzi-la. Na sequência, o 
cartório entregará os autos ao promovente da ação. Claro, essa regra é feita para autos físicos, mas hoje 
por meio eletrônico é só baixar. Essa é uma das poucas situações em que o processo fica um mês no 
cartório e depois é dado ao proponente. 
Sendo bem sincero com você, a produção antecipada de prova nunca cairá numa peça, mas pode cair 
numa questão. É muito difícil que essa ação caia isoladamente. 
11. Procedimento Comum - Produção de provas 
Passemos agora para nossas provas, pois caso não tenha havido produção antecipada, o 
próximo passo é a produção convencional, pois, se autor, quer provar a razão, ou, se réu, 
quer provar a ausência de razão por parte do proponente. 
A prova pode ser possível por meio de ata notarial, o documento expedido pelo Tabelião de 
Notas. O registro da ata notarial nada mais é do que a amostra de um fato para o Tabelião 
para que ele o ponha no papel. Isso é muito comum com conversas de WhatsApp e outras situações 
ocorridas on-line para fins de validá-las como fatos. Por isso a ata notarial serve para preservar fatos 
ocorridos e "eternizar" imagens, sons e palavras que seriam normalmente perdidas. 
Outra categoria de prova é o depoimento pessoal, que pode ser do autor ou do réu. É na oitiva feita pelo 
juiz através do qual a parte dá seu depoimento pessoal. Além disso, nesse momento a parte também é 
inquirida pelo advogado do outro polo da lide, conforme o caso. Isso é importante devido à possibilidade 
de confissão. Vale ressaltar que o art. 388 do CPC elenca quatro situações nas quais a parte não é 
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obrigada a depor, são elas: 
➢ Depoimento sobre fato criminoso que lhe é imputado. Isso por razão da presunção de 
inocência e a não obrigatoriedade de produção de provas contra si mesmo, o que é conhecido 
como princípio da não autoincriminação. 
 
➢ Sobre situação que em razão da profissão ou estado é obrigado a manter sigilo. Esse é o caso do 
advogado, por exemplo, que em razão de sua profissão é obrigado a manter sigilo das coisas 
que seu cliente lhe contou. Veja que o sigilo é post factum finitum, ou seja, há responsabilidade 
pós-contratual, e mesmo após encerrado o contrato o dever de sigilo permanece. 
 
➢ Sobre fatos para os quais a parte não pode dar resposta sem causar desonra própria, do 
cônjuge ou companheiro e de parente em grau sucessível. Parentes sucessíveis hoje são 
aqueles até o quarto grau. 
 
➢ Fatos que podem colocar em risco de vida o depoente ou seus familiares. 
 
Essas razões existem para que não sejam gerados mais danos à vida da pessoa. 
A próxima prova é a confissão, sobre a qual nós já tratamos enquanto falávamos do desenvolvimento da 
linha do tempo processual (item 9) e por isso não ficaremos aqui reexplorando esse elemento. 
Sobre a representação, por exemplo, o representante pode confessar algo pelo representado? Sim, mas no 
limite de sua representação. Há, contudo, situações que não admitem confissão, é o caso do ato 
indisponível.É importante tratarmos também sobre o documento que pode passar por exibição, ou seja, ser anexado 
aos autos. Cuidado, pois essa exibição teve uma alteração importante no ano de 2021, que se deu pela Lei 
n. 14.195/2021, que modificou o artigo 397 do CPC. Basicamente, mudou-se a disposição que diz respeito 
sobre o que deve estar contido no pedido de exibição de documento ou de coisa. A rigor, a mudança na 
lei foi substancial? Não, mas houve uma modificação. Por isso é importante que você tenha sempre um 
Vade Mecum atualizado. 
Ainda dentro da análise da prova documental há regulamentação do CPC a respeito da força probante dos 
documentos, ou seja, quais documentos têm força probatória e quais não. 
Há disposição a respeito da diferença entre o documento particular e a escritura pública e qual a força 
probante em relação a cada um deles. Por exemplo, o documento particular quando assinado pela outra 
parte faz relação com aquilo que ela assinou, mas não faz com relação a terceiros. A escritura pública tem 
uma estrutura probatória mais ampla, de eficácia erga omnes. Isso tudo é elemento material regulado pelo 
CPC. 
Chamo sua atenção para um aspecto que é cada vez mais relevante em se tratando de prova documental: 
os documentos eletrônicos. O CPC de 2015 regulamenta a prova do documento eletrônico no artigo 439. 
Segundo esse dispositivo, a análise do documento eletrônico depende da conversão à forma impressa e 
a verificação de sua veracidade na forma da lei. Ou seja, ainda se faz a análise do documento eletrônico 
pela perspectiva do processo físico. Ocorre, porém, que hoje em dia os documentos estão todos na nuvem, 
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já há muito não se utiliza papeis. Contudo, segundo o CPC, ainda depende da conversão em meio físico. 
Outro artigo muito importante é o 440 do CPC, segundo o qual caso a conversão que mencionamos acima 
não ocorra, nesse caso o juiz apreciará o valor probante daquele documento eletrônico. Isso é 
importante porque modificar documento físico é possível, mas muito mais difícil, porém modificar 
documentos eletrônicos é muito mais fácil. Hoje se criam vários elementos falsos; por isso, é preciso 
analisar a veracidade e a força probante do documento. 
Isso tudo é analisado com prudência pelo juiz e daí é que surge o termo jurisprudência, o juiz de maneira 
prudente analisa a estrutura e o funcionamento do instrumento. 
Superada a fase documental, devemos analisar as testemunhas, as quais também devem passar por uma 
análise de admissibilidade, a rigor, a partir das regras do CC, ou seja, como vai se produzir, quem é que 
pode testemunhar, quem não pode, quando admitir, quando deferir, qual a ordem, etc. enfim, é feita a 
análise a partir da legislação material e processual. Você precisa decorar isso tudo? Claro que não. 
Lembre-se que você estará com o seu Vade Mecum em mãos. 
Outra hipótese é a produção de prova pericial. Como é feita a perícia, quem é nomeado 
perito, prova, prazo, quesito, como deve ser feito o laudo, isso é uma sequência também 
prevista no Código. Normalmente, não há questionamentos isolados a respeito disso, 
mas eventualmente poderá haver questões dissertativas em que haja um 
questionamento específico sobre esse assunto. Por exemplo, a questão pode dizer que a 
primeira perícia foi inconclusiva, então o que se pode fazer? Requisitar nova perícia. Ou 
seja, pode ser que haja questões desse tipo. 
Uma última espécie de prova, mas que nunca é utilizada, é a inspeção judicial. É quando o próprio juiz se 
encarrega de obter a prova. Um exemplo seria o juiz ir até à casa de uma das partes no processo e verificar 
a situação alegada, como é o caso de responsabilidade por familiar idoso ou deficiente, em que uma das 
partes alega más condições sanitárias. O juiz pode ir até o local e fazer a inspeção. Esse é um dos meios 
mais eficientes que existem para resolver um elemento probatório, porém é o menos utilizado. 
Então, podemos fixar esse rol probatório. Não faz sentido ficar detalhando mais para você em termos de 
produção de prova. 
Após todo esse curso, a próxima etapa é a sentença, momento em que o juiz profere decisão com cunho 
terminativo e acaba com a fase de cognição. Ele o juiz, não vai mais conhecer o pedido, ele dará ou não o 
bem da vida, isso a partir da sentença, mas, claro, se o pedido for procedente. 
12. Procedimento Comum - Sentença 
O CPC indica que o juiz proferirá a sentença a partir de uma análise ou não do conteúdo do bem da vida, da 
forma processual, dos elementos formais e dos elementos processuais, ou seja, ele analisa ou não o 
mérito do pedido. É aí que entram os artigos 485 e 487. 
O artigo 485 do CPC dirá que o juiz não irá resolver o mérito e analisar o pedido quando indeferir a 
inicial. Para essa análise, nós voltamos para a linha do tempo no que diz respeito aos aspectos formais da 
petição inicial. Porém, caso eventualmente ele não faça essa análise, poderá indeferir sem resolução do 
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mérito, na sentença. 
Outra hipótese, ainda dentro do artigo 485, é quanto à estagnação do processo por 
mais de um ano, por motivo de negligência das partes, ou quando as partes não fazem 
as diligências que deveriam ter sido feitas durante o processo e as abandonam por um 
prazo superior a 30 dias, ou ainda quando se verifica que não estão cumpridos os 
pressupostos de constituição e desenvolvimento regular válido do processo. Outra 
situação é ocorrência de perempção, litispendência ou coisa julgada e quando a parte 
é ilegítima ou não tem interesse processual. Também quando há convenção de 
arbitragem, desistência da parte autora (que se dá por meio da homologação da desistência da ação), ou 
quando a parte ré morre e o o processo versa sobre direito intransmissível. 
Fora as situações descritas, nas demais hipóteses previstas no Código de Processo Civil. ATENÇÃO! 
Estamos apenas passando rapidinho por essa parte, porque lá atrás nós já fizemos a análise desses tópicos. 
Você deve estar atento, porém, com relação a dois itens que citamos acima, no caso de o processo estar 
parado por mais de um ano por negligência das partes, ou quando elas não fazem as diligências que 
deveriam ter sido feitas durante o processo e o abandonam. Ou seja, a parte é desidiosa. Contudo, veja 
que quem largou mão do processo, na verdade, foi o advogado, o representante das partes. Será que a 
pessoa que ele representa sabe que o processo está parado há mais de um ano, ou que ele deixou de 
cumprir a diligência? 
Será a culpa da parte ou do causídico? Seria justo punir a parte quando a desídia foi do advogado? Não 
parece certo. Nesse caso, deve-se fazer a intimação pessoal da parte, para cobrir a falta em cinco dias, 
para garantir que não foi ela mesma a responsável pela desídia. Caso ocorra a extinção do processo, a 
parte deve arcar com as custas. 
Outra situação com que devemos ter um pouco mais de cuidado é com relação aos casos que envolvam a 
ausência ou violação de um pressuposto que se dá por perempção, litispendência ou coisa julgada, nos 
casos de ilegitimidade ou desinteresse das partes ou nos casos de morte quando o direito for 
intransmissível. Isso tudo o juiz pode conhecer de ofício, em qualquer grau de jurisdição. Até quando é 
possível tal conhecimento? Até que não se possa mais discutir, ou seja, até o trânsito em julgado. Se 
estiver ainda concluso para sentença e o juiz perceber haver uma dessas hipóteses, ele pode deixar de 
analisar o mérito de ofício. 
Um terceiro cuidado que você deve ter é com relação à desistência. A desistência tem dois momentos: o 
momento anterior e o posterior à contestação. Antes da contestação, basta desistir sem consequências 
sérias. Depois da contestação, a desistência da ação pela parte autora depende da anuência da parte ré. 
Isso porque pode ser do interesse do réu que o autor perca e seja condenadoem custas e honorários, ou 
que a parte queira o trânsito em julgado para pôr fim à discussão, pois o intuito pode ser prevenir-se de 
uma possível segunda propositura em razão do mesmo assunto. 
Segunda hipótese é a desistência antes da sentença e depois da sentença. Antes da sentença é possível a 
desistência sem maiores implicações. Depois da sentença não é possível haver desistência. 
Outro ponto para o qual chamo sua atenção é para a hipótese de desídia da parte autora que implica 
abandono de causa. Muitas das vezes, a parte abandona a causa porque percebe que a petição estava 
errada ou que as hipóteses de perder após a contestação são boas. Após a sentença extinguindo a ação 
sem resolução de mérito por motivo de desídia, a parte até pode formular uma nova petição inicial, desde 
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que não haja má-fé. Essa manobra, quando constatada má-fé, no universo jurídico é chamada chicana, ou 
seja, é essa malandragem de que a parte tenta se valer nos meandros do processo e da linha do tempo 
processual para obter a procedência, mas fora do princípio da paridade de armas. 
Isso configura litigância de má-fé, que deve ser comprovada, porque pode acontecer de ter sido culpa do 
mau advogado, por exemplo. Caso contrário, se ficar clara a litigância de má-fé, haverá consequências 
legais. 
O juiz vai extinguir o feito sem julgamento de mérito nas hipóteses do 485 do CPC. O ponto importante 
em todas essas situações é o fato de que essa extinção não obsta a propositura de nova ação, nos 
termos do artigo 486 do CPC. Claro que, em se tratando da morte do autor, em uma ação de direito 
intransmissível, não haverá como ser proposta uma nova ação. 
Caso o juiz dê uma canetada e haja discordância quanto à sentença terminativa, qual o recurso cabível? 
Bom, nesse caso, pela primeira vez, é possível sair da linha do tempo usual do bem da vida, pois pode ser 
que antes do cumprimento de sentença seja interposta uma Apelação. Então, passa-se para a linha do 
tempo dos recursos até o trânsito em julgado. Após isso, é possível retornar ao cumprimento de sentença 
na linha do tempo do bem da vida. Lembre-se de que se trata de uma teia processual. 
Pode ser, porém, que o juiz, analisando o processo, não veja como sendo o caso de extinção sem resolução 
do mérito. Nesse caso, aplica-se a regra do artigo 487 do CPC, ou seja, agora será resolvida a pendência 
por meio da análise do bem da vida mesmo, ou seja, quando o magistrado acolhe ou rejeita o pedido 
formulado na petição inicial ou na reconvenção, pode este ser procedente, improcedente ou 
parcialmente procedente. 
Basicamente, se o juiz julgar procedente, ele acolheu o pedido. Se julgar improcedente, rejeitou, se julgou 
parcialmente procedente, acolheu em parte. 
Além disso, o juiz analisa o mérito quando fala sobre a prescrição ou a decadência. Sou particularmente 
cioso com esse negócio aqui. Está lá no CPC, é mérito. Pode propor uma nova ação? Não pode. 
Ademais, quando o juiz fizer uma homologação do reconhecimento do pedido formulado na 
ação na reconvenção e o réu concorda com tal medida, na sequência ele homologa o mérito 
ou a transação ou o acordo. Como se faz a transação? Nesse caso, você deve analisar o CC 
porque a transação é um contrato entre as partes. Esse é um ponto que você deve entender, 
pois não existe direito civil e direito processual civil, existe direito civil material e processual 
ou, direito civil processualizado. Ambos devem ser analisados em conjunto. Por fim, o juiz 
pode homologar a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. As três situações 
homologadas pelo juízo geram a resolução de mérito. 
Contudo, lembre-se de que com relação à prescrição existe a possibilidade de renúncia. Porém, nós vimos 
que o juiz pode, por conta de prescrição e decadência, declarar de ofício a extinção sem resolução do 
mérito. Ele poderia dar essa canetada de qualquer jeito? Não, justamente em razão da possibilidade de 
renúncia à prescrição. O CPC ainda fala da decadência, mas o CC diz que não pode haver renúncia à 
decadência. No entanto, ATENÇÃO! Essa regra não pode se aplicar apenas à decadência legal, porque à 
convencional é possível, pois ela é estipulada entre as partes. 
Essa renúncia somente não será possível caso o juiz extinga de ofício o mérito da ação. Por isso é que o 
juiz deve ofertar à parte oportunidade de se manifestar. O juiz pode decretar de ofício a prescrição e a 
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decadência logo no início, após a petição inicial, durante a análise dos elementos materiais. Tecnicamente, 
ele nem cita o réu para contestar, porém deve haver a oportunidade para manifestação, especificamente 
quanto à prescrição e à decadência convencional, sempre que possível. 
O último aspecto, diga-se de passagem, um aspecto muito peculiar, é a regra do artigo 488 do CPC. O que 
ele diz? Que se o juiz, ao invés de perceber a litispendência durante a análise formal e material, perceber 
apenas na sentença, lhe restarão duas possibilidades: a de sentenciar com julgamento de mérito ou de 
sentenciar sem julgamento de mérito; porém, deve-se preferir pela sentença com julgamento de mérito 
porque a prescrição em se tratando dos elementos instintivos, quando forem aqueles que geram ou 
permitem uma nova ação, se o juiz pode julgar com análise de mérito, melhor que o faça, para dirimir o 
problema e fazer coisa julgada, fazendo com que o proponente não perturbe mais o Judiciário. 
Pensando do ponto de vista da prática, isso é ótimo para a contestação, visto que é benéfico que a outra 
parte não possa mais recorrer ao Judiciário pelo mesmo motivo, de maneira que a parte ré não será mais 
incomodada. Entretanto, não se pode deixar de alegar os elementos extintivos. Por essa razão, na 
contestação, pode-se deixar claro para o juiz que ele pode extinguir sem resolução do mérito ou julgar 
improcedente o mérito. 
13. Procedimento Comum - Elementos da Sentença 
O elemento principal da sentença é com certeza a coisa julgada, mas vamos devagar com o 
andor que o santo é de barro. Precisamos pensar nessa sentença em termos de segunda fase, 
como? Por meio da análise da estrutura da sentença, por quê? Porque eventualmente é isso 
que vai nos dizer qual o próximo encaminhamento. 
Você deve estar se perguntando: "por que devo saber os elementos da sentença, sendo que 
quem vai proferi-la é o juiz?". Pois bem, justamente porque devemos saber se a sentença 
está tecnicamente correta ou não, do ponto de vista processual. 
O primeiro elemento da nossa sentença é o relatório. O que é o relatório? Basicamente são os fatos do 
juiz. Entretanto, esses fatos do juiz não são os fatos do mundo real, porque ele não o conhece, ele só 
conhece o que está no processo. Então ele olha o processo, analisa os fatos e compõe o relatório. 
Ou seja, ele relatará a proposição da parte autora, a contestação da parte ré, as provas que pediu para 
produzir, o saneamento e a sentença. Assim, o primeiro elemento é o relatório. O segundo, os 
fundamentos. Assim como na petição inicial há os fatos e os fundamentos, na contestação há os fatos e 
fundamentos, na sentença também há os fatos e fundamentos, relatório e fundamento. O terceiro, o juiz 
tem que fundamentar a sentença, pois ela não pode ser arbitrária e conforme seu pensamento 
particular. Então no relatório deve haver fato, fundamento e pedido. O juiz não pede, claro, mas o 
dispositivo é como se fosse o pedido do juiz. Então, basicamente, o dispositivo é o momento em que ele 
sintetiza a decisão, que pode ser longa ou bem curtinha. 
Para nós aqui na OAB, quando pensamos na decisão judicial, qual é o elemento que deve nos saltar aos 
olhos? 
O fundamento! Ele é, com perdão da repetição, fundamental. Por quê? Porque por meio dele é possível 
analisar a decisão do juiz para saber se ela está, tecnicamente, correta e se ela no mérito,no conteúdo 
(com relação ao bem da vida), está correta e permitirá um eventual recurso, ou o cumprimento de 
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sentença. 
O que precisa estar nesse fundamento da decisão judicial? 
O CPC não trata sobre o que deve estar no fundamento, mas ele trata em seu artigo 489, §1º, o que não 
pode haver no fundamento do juiz. O fundamento da decisão não pode se limitar a transcrever um ato 
normativo ou apenas o indicar. Aqui fica a dica para você também: no exame da OAB não pode 
simplesmente transcrever artigo de lei. 
Outra coisa que não pode conter são conceitos jurídicos indeterminados, sem explicitar o motivo. Por 
exemplo, o juiz não pode fundamentar a sentença dizendo “eu considero que o autor está correto por 
força do princípio da dignidade da pessoa humana”. ATENÇÃO! A mesma coisa vale para sua petição ou 
para sua contestação. Você não pode simplesmente afirmar: “meu cliente está certo por força da 
segurança jurídica”. 
Outro elemento que não pode integrar a fundamentação são os fundamentos capazes de invocar 
qualquer decisão. Esse requisito é muito parecido com os princípios em geral que citamos mais acima. Um 
exemplo: o juiz não pode fundamentar a sentença apenas no princípio da segurança jurídica. A decisão do 
juiz deve ser especificamente fundamentada. 
O juiz também não pode deixar de enfrentar todos os argumentos aludidos pelas partes, assim como o 
réu na contestação. Veja que no fim das contas o que vale para você é a regra que vale para o juiz também, 
então se liga! 
Além disso, o juiz também não pode apenas mencionar a análise de precedentes de maneira descuidada, 
ou seja, somente citar o número da Súmula e a transcrever. De igual forma, também não pode deixar de 
seguir orientação jurisprudencial sem demonstrar a existência de distinção ou superação. Isso é muito 
importante na teoria processual, ou seja, estamos diante dos institutos do distinguishing e do overruling 
(cá entre nós, fica mais bonito em língua inglesa, não? Melhor do que “distinção” e “superação”). 
O que são esses institutos? Basicamente, na distinção,. Apesar de haver o julgado, ele não se aplica ao 
caso em razão de uma distinção entre os casos concretos. Já a superação se trata justamente da 
superação do julgado, ou seja, existe um entendimento, porém ele está extremante ultrapassado, não 
devendo, portanto, aplicar-se ao caso concreto. 
Para fins de Exame da OAB, importa para você apenas a distinção, pois se o enunciado tratar do conteúdo 
de uma sentença que traga uma Súmula específica, pode ser que o examinador queira saber se ela se 
aplica ou não ao caso concreto descrito. 
Outro ponto ao qual temos que nos ater nos elementos de sentença são os limites fixados pelo artigo 492 
do CPC, ou seja, a decisão citra petita ou ultra petita. Para o Exame da OAB, esse ponto não é muito 
importante, pois o examinador não costuma avaliar esse aspecto. Então, não se prenda a isso. O fato é que 
o juiz não pode conceder nada diferente do que fora pedido pela parte. 
O juiz não pode conceder mais do que fora requerido, nem menos, sem que haja fundamentação, 
evidente. Além disso, não pode proferir sentença concedendo direito diferente do pedido, ou seja, não 
pode determinar Direito Penal quando foi requerido Direito Civil, por exemplo. 
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Superados os limites, o próximo passo é tratar do elemento principal da decisão judicial da sentença, que é 
a publicação. 
Após proferida, o juiz deve publicar a sentença, não podendo alterá-la, porém com duas exceções: 
➢ Ele poderá alterá-la para corrigir erros de cálculo, erro de digitação, ou erro material, podendo 
fazê-lo de ofício ou a requerimento. 
 
➢ Quando interpostos Embargos de Declaração, que servem basicamente para requerer ajuste de 
decisão de difícil compreensão, quando constatada obscuridade, omissão ou contradição. Os 
Embargos podem ser interpostos pelo autor ou pelo réu. 
Você deve estar se perguntando agora “qual o nível de preocupação devo ter com relação aos Embargos 
de Declaração?”. Sendo beeeem sincero com você, não se preocupe. É uma peça consideravelmente fácil 
de ser feita e no dia que a OAB resolver cobrar é porque quer que todo mundo passe sem grandes 
dificuldades. 
“Mas, professor, e se aparecer na minha prova?” Simples, você pega o seu Código, vai para a parte dos 
recursos, encontra os Embargos e os faz. Não tem segredo, pode confiar em mim, os Embargos são 
bastante tranquilos. 
O que é importante lembrar aqui? Que os Embargos têm o condão de congelar o tempo, de modo que se 
havia prazo para um recurso, o prazo volta a correr do zero. Assim, haverá a interrupção do prazo 
recursal. 
Quando começa a correr o prazo para a interposição da Apelação? A partir da publicação da sentença que 
decide os Embargos. Esse aspecto talvez seja o único que precisamos rememorar com um pouco mais de 
cautela, além do fato de os Embargos de Declaração não seguirem o prazo geral de 15 dias úteis, mas sim 
de 5 dias úteis. 
O que mais, professor? Mais nada. Como eu disse, é um recurso que tem um grau de inutilidade muito 
grande para fins de prova. Não há muito o que estabelecer a partir daí. Embargou a declaração, publicou a 
sentença, fechou. 
14. Procedimento Comum - Ação Rescisória 
Caso tenha sido proferida a sentença ou caso o juiz tenha suprido a omissão, esclarecido a 
obscuridade ou resolvido a contradição, sem nenhuma outra movimentação das partes, 
adecisão se torna imutável. Diante disso, podemos falar então da coisa julgada, ou seja, 
não há mais o que fazer, conforme dita o artigo 502 do CPC. A decisão se torna imutável e 
indiscutível. 
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A coisa julgada gera uma série de consequências, inclusive quando tratamos da linha do tempo, que é 
finalmente encerrar a discussão a respeito do bem da vida, que vinha se estendendo da petição inicial até 
a sentença. 
Tecnicamente falando, quando ocorre o trânsito em julgado, encerra-se, na verdade, a etapa da cognição. 
Então, à parte vencedora não interessa mais o que foi pedido, interessa o cumprimento e a execução do 
bem da vida. É a partir desse momento que começa a execução do julgado. 
Atenção, pois a mesma regra vale para a decisão referente ao julgamento parcial antecipado do mérito, 
que ocorre lá na fase de saneamento, ou seja, o bem que fora discutido antecipadamente, após o trânsito 
em julgado, torna-se matéria indiscutível. No entanto, pode ser que no curso normal do processo, durante 
a etapa do saneamento, haja uma pedra no caminho, a qual podemos chamar de elemento prejudicial do 
mérito. 
Caso esse elemento prejudicial tenha sido sanado sem que houvesse recurso de qualquer uma das partes, 
considera-se a coisa julgada. Perceba que a solução deve se dar durante a etapa do saneamento, pois a 
coisa julgada torna a matéria indiscutível. 
Então eu pergunto: e se apesar de não haver um julgamento parcial houver na fase de saneamento um 
elemento prejudicial do mérito? Esse elemento poderá ser resolvido após o trânsito em julgado? Não. 
Nesse caso, não há mais o que ser feito. 
Essas questões prejudiciais de mérito sempre ficarão cobertas pelo manto da coisa julgada? Depende. São 
três situações em que elas não serão cobertas pelo manto da coisa julgada: 
➢ Quando a decisão da questão prejudicial depender do julgamento de mérito. 
Essa decisão depende do julgamento de mérito, ou seja, não haverá como chegar ao mérito sem antes 
haver essa solução. Por exemplo, imagine uma situação em que há discussão a respeito de 
reconhecimento de paternidade cumulado com pedido de alimentos. É inevitável que para receber 
alimentos deva haver o reconhecimento de paternidade. Então, para a concessão de alimentos é 
importante que o juiz resolva o elemento prejudicial, que é a ausência de reconhecimentode paternidade. 
➢ Quando houver contraditório efetivo, salvo em casos de revelia. 
Lembre-se, a revelia implica a presunção de veracidade e a parte integrará o processo na forma em que se 
encontra. Porém, há casos em que, apesar da revelia, não é possível induzir veracidade, então o juiz terá 
que passar pela produção probatória. No meio da produção probatória, antes de produzir prova, ele 
pode fixar em sede de saneamento um elemento prejudicial de mérito. A questão que fica é, se não 
houve contraditório em razão da revelia, mesmo assim, há coisa julgada? Não, pois réu revel pode tomar o 
processo no estado em que se encontra. Então ele tem que ter oportunidade de discutir aquilo no 
momento adequado, ainda que já tenha se passado o saneamento, dado que, em se tratando de elemento 
prejudicial, pode ser discutido a qualquer momento. 
➢ Quando se tratar de incompetência do juiz para resolução do mérito como matéria principal. 
Por exemplo, o caso da pessoa que requer o pagamento da pensão por morte do ex-companheiro, cuja 
união ainda não tenha sido reconhecida. Ora, o pedido de pensão é feito na Justiça Federal, porém ela é 
incompetente para reconhecer união estável, mas o juiz federal precisa desse reconhecimento. Então, 
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nessse caso, fica a decisão a cargo do Juiz Federal, que irá decidir prejudicialmente, de maneira 
incidental, para fins de concessão ou não da pensão. Após essa decisão é possível que o mérito seja 
rediscutido na Justiça Comum, na Vara de Família, pois o Juiz Federal era incompetente. 
Bastante atenção a esses aspectos, ok? Eles são muito importantes. Além disso, a coisa julgada do ponto 
de vista da eficácia é interpartes. Ou seja, fará coisa julgada para todas as partes. Com relação a terceiros, 
a coisa julgada pode atingi-los? Não. 
Importa mencionar também que apesar de o trânsito em julgado obstar a propositura de uma nova ação 
sobre o mesmo tema, não impede, uma ação rescisória, mas essa ação NÃO tem 
caráter de recurso. Ela é feita através de uma petição inicial, ou seja, não será 
anexada ao processo. Trata-se de uma ação que se dá em razão de outra ação. 
Inicialmente, vamos entender quando é que pode se dar uma ação rescisória. As 
razões estão previstas no art. 966 do CPC: 
➢ Quando houver prevaricação, concussão ou corrupção do juiz (quando o juiz exigir vantagem 
indevida, receber, deixar de tomar medida própria do cargo ou função etc). 
 
➢ Quando o juiz for absolutamente incompetente para julgar o caso (atenção, no caso de 
incompetência relativa não se aplica a regra desse artigo). 
 
➢ Quando a decisão derivar de dolo ou coação da parte, ou ainda de colusão, de conluio das 
partes. 
 
➢ Quando ofender a coisa julgada, ou seja, quando já houver ocorrido coisa julgada, mas mesmo 
assim após propositura de uma nova ação o juiz julgar e sentenciar novamente. Em casos como 
esse, a ação rescisória será contra a sentença que julgou a coisa julgada; 
 
➢ Quando violar manifestamente norma jurídica. Um exemplo seria o juiz deixar de conceder 
alimentos ao descendente por julgar que os ascendentes não têm obrigação para com os filhos. 
Ora, a lei é clara ao dizer que os ascendentes devem alimentos aos descendentes. Assim, 
manifestamente o juiz violou a norma. 
 
➢ Quando a decisão for baseada em prova falsa. Essa verificação pode ser dar tanto no juízo cível 
quanto no criminal. 
 
➢ Quando a decisão for fundada em prova nova a qual ou a parte ignorava a existência ou cujo 
uso não poderia ser feito naquele momento. Cuidado! A prova nova não se trata daquela que 
foi descoberta depois, mas daquela que apenas surgiu depois. Por exemplo, um documento 
guardado por sigilo oficial. 
 
➢ Quando a decisão for fundada em erro de fato, verificável do exame dos fatos dos autos. É 
necessário lembrar que esse erro se trata do erro escusável e pode se dar em relação ao sujeito, 
ao objeto, e em termos de processo, em relação a um dado procedimento. 
E quando se tratar de coisa julgada inconstitucional? Você nem vai pensar nisso, deixa isso para o pessoal 
de constitucional. Para sua sorte, você escolheu Direito Civil na segunda fase. 
Importante frisar que há regras de legitimidade para ação rescisória que você encontrará lá no artigo 967 
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do CPC. Basicamente, quem foi parte ou sucessor de parte cuja decisão foi tomada pelo juiz em 
prevaricação, por exemplo, pode manejar ação rescisória. Ou seja, há transmissão do direito de rescindir 
no caso do terceiro prejudicado, ainda que não tenha participado da lide, o interessado e o Ministério 
Público. 
Então, você deve ter bastante atenção quanto às peculiaridades da ação rescisória. Primeiro, não se 
esqueça de que ela é uma petição inicial com requisitos próprios, ou seja, você deve se valer da previsão 
do art. 319, atentando para as peculiaridades próprias dela, que são, basicamente duas, porém vou te 
apontar três: 
➢ O pedido de um novo julgamento (claro, se for o caso). 
 
➢ Fazer o depósito da quantia relativa a 5% do valor da causa se a ação foi julgada inadmissível 
ou improcedente pela unanimidade dos julgadores (aqui chamo sua atenção para a 
competência, que deve ser do tribunal e não do juízo singular). 
 
➢ Interposição da petição no tribunal (sim, a competência originária da ação rescisória é do 
Tribunal de Justiça enquanto o recurso dela é cabível, portanto, à instância superior). 
Agora, cá entre nós, existe um problema grave com ação rescisória porque ela tem um poder de rediscutir 
uma ação que é indiscutível. Em razão disso, é imprescindível que exista um prazo para a propositura, que 
é de dois anos. 
15. Procedimento Comum - Cumprimento de Sentença 
Pensando no percurso convencional do processo, após proferida a sentença, à parte 
vencedora resta o cumprimento da sentença ou execução. Ou seja, uma vez que se 
encerrou a fase de cognição, não há mais mérito a ser discutido, logo, há trânsito 
em julgado. Em razão disso, é justo que a parte perdedora cumpra a decisão. 
E aí vem a questão que muitos alunos costumam fazer: cumprimento de sentença e 
execução são a mesma coisa? Na essência, sim, porém, na prática, não. No 
cumprimento de sentença, a execução do réu se dará em razão de um título executivo judicial (a 
sentença), enquanto na ação de execução, com o perdão da repetição, se dará por meio de título 
executivo extrajudicial. 
Mas, sinceramente, em termos de segunda fase, os pormenores do cumprimento de sentença e da 
execução de título executivo extrajudicial são irrelevantes. 
Para que seja possível o cumprimento de sentença, antes ela deve ser executável, ou seja, a sentença deve 
ser líquida. Caso ela seja ilíquida, antes de chegar no cumprimento de sentença é importante liquidá-la. 
O que é a liquidação de sentença? É a situação na qual a sentença não pode ser executada de pronto. 
Nesse caso, o juiz poderá determinar que a liquidação de sentença se dê de duas formas: 
➢ Por arbitramento, ou seja, quando na sentença ficou convencionado pelas partes ou exigido 
pelo objeto da decisão. 
 
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➢ Por liquidação decorrente do procedimento comum quando na sentença houver a necessidade 
de alegar e provar fato novo. 
Então, é possível que antes da fase de cumprimento de sentença nós tenhamos a liquidação, para depois 
chegar ao cumprimento de sentença. Essa liquidação é o que vai determinar o valor, de maneira que a 
sentença passe a ser líquida. Uma vez líquida, passa a ser possível o cumprimento, elemento final para 
obtenção do bem da vida. 
Vale ressaltar que a forma como deve se dar o cumprimento da sentença está previsto na própria 
sentença, ou seja, o juiz é quem vai ditar como ela deverá ser cumprida. 
Por isso, o primeiro aspecto que devemos analisar é se essa sentença atrai a coisajulgada, ou se sobre ela 
ainda pende recurso. Se pender recurso, a linha do tempo basicamente vai se dividir em duas grandes 
linhas: a linha anterior à sentença e a linha recursal. A fase recursal começa com Recurso de Apelação. 
Então há basicamente um desdobramento da linha do tempo. 
Essa sentença, portanto, se já sujeita ao manto da coisa julgada, segue para o cumprimento. Se ainda 
não, pode ainda assim seguir o rito do cumprimento de sentença. Por quê? Porque deve-se analisar se já 
nessa pendência de recurso há algum que suspenda a execução do julgado ou não. Se essa sentença não 
suspende a execução do julgado, é possível executá-lo, mas ainda não há coisa julgada, e por isso o 
cumprimento de sentença será provisório. 
Se a decisão suspende a execução do julgado, é óbvio que não se pode executá-la, não sendo possível 
fazer o cumprimento provisório dessa sentença. Para saber se é suspensiva ou não devem ser analisados 
os efeitos da sentença, ou seja, se devolutivo e suspensivo ou só efeito devolutivo. 
O efeito devolutivo vai devolver para o tribunal o conhecimento da causa. Então, é como se fosse levado 
ao tribunal tudo o que aconteceu até a sentença, de maneira que se seguirá outra linha do tempo. O 
Tribunal fará análise do caso e na sequência devolverá (por isso efeito devolutivo) ao juiz de primeiro 
grau para que se dê cumprimento à decisão que fora modificada em instância superior. Já o efeito 
suspensivo tem esse nome porque o recurso subirá ao tribunal suspendendo o cumprimento de 
sentença. 
Então, é basicamente essa grande distinção que há no âmbito do cumprimento de sentença, o 
cumprimento definitivo (quando há coisa julgada) ou provisório (quando pendente de recurso). 
Dentro dessa distinção haverá variadas espécies de cumprimento a depender do provimento judicial, do 
qual poderão, por exemplo, decorrer obrigações de dar, fazer ou não fazer a coisa certa ou incerta. Tudo 
isso dependerá das circunstâncias. 
Pois bem, se estamos tratando do cumprimento sentença, pouco importa se essa sentença já traz coisa 
julgada ou pende de recurso, porém a primeira providência a ser tomada é atentar quanto à figura do 
executado. 
O artigo 513 do CPC determinará, portanto, a notificação do executado. Atenção! Citação é 
diferente de intimação. A citação ocorre quando é trazida a parte para a lide para fins de 
adquirir um contraditório. A intimação, porém, ocorre quando a parte já participa da lide. 
Então, nesse caso, para a execução a parte deverá ser intimada. 
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A intimação será feita por meio do advogado, pelo Diário Eletrônico de Justiça ou o Diário de Justiça. 
Caso o executado não tenha um advogado, ele deverá ser intimado por correspondência com Aviso de 
Recebimento, o AR. Caso ele tenha sido revel, será feita a intimação na forma como se dá a citação do 
artigo 256 do CPC. Agora, se houve mudança de endereço, deverá ser observada a regra do 274, parágrafo 
único, do CPC, porém, somente nos casos em que a mudança de endereço não foi previamente 
comunicada ao juízo. 
Superada a etapa da intimação, o próximo passo é o cumprimento de sentença, que pode ser definitivo ou 
provisório. Mas o que é a sentença? Segundo artigo 515 do CPC, trata-se de um título executivo judicial. O 
inciso I desse artigo dirá que a sentença é a decisão proferida em processo civil que reconheça a 
exigibilidade de obrigação de dar, fazer ou não fazer. 
Nesse ponto, chamo sua atenção para um detalhe: o Código Civil distingue as três obrigações pelo verbo 
central, dar, fazer e não fazer. O Código de Processo Civil vai dizer: “pagar quantia”, que se traduz por 
“dar, fazer e não fazer”. 
Você deve estar se perguntando: mas como é que vou saber qual é a obrigação de que trata a sentença? 
Seria de dar, fazer ou não fazer?”. Você não precisa se preocupar com isso, por quê? Porque o enunciado 
ou a sentença vão escancarar qual é o elemento central. 
Além da sentença, é título executivo judicial: 
➢ A decisão homologatória de autocomposição judicial. 
 
➢ A autocomposição extrajudicial de qualquer natureza homologada pelo juiz. 
 
➢ O formal e a certidão de partilha quando se tratar de inventariante, herança e sucessores. 
 
➢ Os créditos nos auxiliares da Justiça quando aprovados pelo juiz. 
 
➢ A sentença penal condenatória de ação transitada em julgado (aqui chamo sua atenção, porque 
caso a sentença penal condenatória tenha como objeto a execução patrimonial ou de cunho 
civil, esta será executada pelo juiz da vara cível). 
 
➢ A sentença arbitral (a execução desta sentença somente é possível se feita pelo Poder 
Judiciário, pois o juiz arbitral pode dizer o direito, mas não pode mandar cumpri-lo; o único 
que pode levar a cabo a decisão é o Poder Judiciário). 
 
➢ A sentença estrangeira homologada pelo STJ (muito cuidado aqui, porque a LINDB fala que 
quem homologa decisão estrangeira é o STF, ou seja, ela está desatualizada. A Constituição 
Federal determina que isso seja feito pelo STJ). 
 
➢ A a decisão estrangeira que concede o exequatur à carta rogatória (também executada pelo STJ. 
Será pelo STF quando a decisão for interlocutória). 
É importante analisarmos também alguns detalhes aos quais devemos nos atentar, por exemplo, a 
sentença, que se trata da decisão judicial proferida em processo civil que determina a exigibilidade, mas 
não é a única decisão que determina uma exigibilidade. A decisão interlocutória também tem esse 
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poder. 
O que que você vai fazer no dia da sua prova? Você vai checar o artigo 515 do CPC Se bater com o que ele 
chama de título executivo judicial, estamos diante do cumprimento de sentença. 
Mas quem é que determina o cumprimento de sentença? Em outras palavras, quem tem competência para 
fazer o cumprimento de sentença? Quem sentenciou, ou seja, quem julgou em primeiro grau, 
basicamente, é o juízo de primeiro grau. Exceto nos casos em que a competência é originária. Um 
exemplo disso é a decisão do Tribunal em ação de rescisão judicial. Outra situação que se difere da regra é 
o caso das sentenças estrangeiras. Então se liga! A decisão proferida pelo Tribunal em caso de Apelação 
terá a execução feita pelo juiz de primeiro grau porque nesse caso o Tribunal não tem competência 
originária. 
Outra coisa, lembre-se da regra: o cumprimento de sentença ocorre em primeiro grau, 
independentemente da existência de recursos. Porém, se for competência originária do 
tribunal, a quem compete o cumprimento de sentença quando a competência é 
originária? Nesse caso é do próprio tribunal. Cautela quanto a esse aspecto, por favor, 
muito, muito, muito cuidado. 
16. Procedimento Comum - Espécies de cumprimento de 
sentença 
O Código de Processo Civil é que determina as espécies de cumprimento de sentença. São elas: 
➢ O cumprimento provisório da sentença que reconhece a exigibilidade de pagar quantia certa. 
Por que pagar quantia certa? Porque se for incerta, não tem como determinar o cumprimento. 
 
➢ O cumprimento definitivo da sentença que determina o pagamento de quantia certa. Nesse 
ponto, faço um adendo, pois há um tipo de quantia certa que é peculiar em razão de sua 
natureza, como por exemplo o cumprimento de sentença que determina o pagamento à 
Fazenda Pública. Mas para nós do cível pouco importa. 
 
➢ O cumprimento de sentença que determina uma obrigação de fazer, por exemplo, a remoção do 
nome da parte da SERASA. 
 
➢ O cumprimento de sentença que determina uma obrigação de não fazer, por exemplo, não 
colocar o nome do devedor na SERASA novamente. 
Quanto ao cumprimento de sentença, importa uma observação: como é que serão cumpridas as 
determinações judiciais? Pois bem, por meio da coação, que em regra tem caráter patrimonial, ou seja, a 
parte será condenada ao pagamento de multa se não cumprida a determinação do juiz. Porém, é 
possívelque seja necessário o uso da força policial, caso constatada necessidade. 
Então, basicamente, quando se tem o direito ao bem da vida, todas as medidas necessárias e razoáveis 
podem ser empregadas para que ele seja concedido à parte vencedora. Claro, é vedado todo tipo de 
abuso. 
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Quanto ao cumprimento que reconheça a exigibilidade de fazer ou não fazer, este vai, 
segundo o CPC, funcionar do mesmo jeito para ambos os casos. Contudo, se for o caso de 
entregar coisa certa, o CPC determinará diferentes hipóteses de cumprimento, a depender da 
natureza da obrigação, ou seja, irá depender se trata-se de dinheiro, alimentos, ou seja, 
dependerá do que o cidadão quer ou não. 
Basicamente, você tem que saber os tipos de obrigações previstas pelo Código Civil. Outra coisa de que 
você precisará se lembrar é dos tipos de procedimentos, mas não se desespere, basta pegar o seu código 
e conferir os dispositivos que tratem do tema. 
O que ocorre nas situações em que o credor do cumprimento de sentença cobra mais do que lhe é devido? 
Nesse caso, deve-se impedir, segurar, lutar contra, ou seja, impugnar o cumprimento de sentença. Abre-
se assim, uma nova etapa, determinada impugnação ao cumprimento de sentença. Por meio dela, 
interrompe-se o cumprimento de sentença, o qual se dará de forma específica, de acordo com a espécie 
de cumprimento. 
Após o cumprimento de sentença, finalmente o processo acaba, porém, entre o início do cumprimento de 
sentença, a impugnação da sentença e a satisfação do bem da vida, muita coisa acontece. 
17. Procedimento Comum - Noções gerais sobre a estrutura 
recursal 
Há situações, por exemplo, em que o executado não paga e então é preciso requerer a penhora dos bens, 
o que pode ocasionar a discordância da parte cujos bens foram penhorados. Na prática, esse pedacinho 
processual entre a sentença e o cumprimento é muito trabalhoso. É o famoso “ganha, mas não leva”. 
Além disso, nem sempre a passagem da cognição para o cumprimento de sentença é simples. Por vezes, na 
teia processual, entre o obter o bem da vida pretendido e a sentença ocorre um algo mais, que pode ser 
um recurso. Ou seja, pode ser que entre a sentença e a liquidação da sentença uma das partes queira 
rediscutir o pleito antes do trânsito em julgado. Essa possibilidade se dá por conta de um artigo da 
CF/1988, que determina o duplo grau de jurisdição. Em razão disso, a sentença é sujeita à reexame. 
Inclusive o CPC determina hipóteses de reexame obrigatório, ou seja, em que obrigatoriamente haverá um 
reexame pelo Tribunal. 
Quando há um recurso, a linha do tempo convencional se bifurca, estabelecendo-se uma nova linha do 
tempo, que é a linha do tempo recursal. Então, puxaremos essa linha para cumprir requisito condicional 
do duplo grau de jurisdição. Se não existisse o duplo grau de jurisdição, a partir desse momento, a 
sentença seguiria irrecorrível. 
Aqui faço um adendo. Há duas coisas com as quais você não precisa se preocupar, em se tratando do 
Exame de 2ª fase: sentenças irrecorríveis e as que se restringem ao âmbito administrativo e TRFs, pois 
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nossas demandas são afeitas à Justiça Estadual, a rigor. 
Em se tratando dos tribunais e, em se tratando do duplo grau de jurisdição, basicamente a análise recairá 
sobre o Tribunal de Justiça, que é o responsável. Ele faz isso por meio de um recurso, que em regra é o 
Recurso de Apelação. Só que o tribunal ainda tem a possibilidade de analisar em duplo grau, de maneira 
indireta, uma decisão que não é decisão terminativa, ou seja, a decisão de Agravo de Instrumento. 
Basicamente, a Apelação é cabível apenas para a análise de sentença, enquanto o Agravo é cabível para 
reanálise dos fatos anteriores à sentença e posteriores à sentença. É muito comum que as pessoas 
esqueçam que é possível haver Agravo na fase de cumprimento de sentença ou na fase de execução. 
Se há, por exemplo, uma decisão interlocutória, em que o juiz decide no meio da fase de saneamento, é 
possível recorrer da decisão, por meio de um Agravo. Mas quando a discordância for com relação à 
sentença, cabe a interposição de Apelação. 
Após a decisão do Tribunal, o juiz irá cumprir a sentença conforme reforma ou não da instância superior. 
Tecnicamente a lide se encerra nessa etapa, porém o Brasil é um país de dimensões continentais, por isso 
há um TJ para cada região, o que pode gerar entendimentos muito distintos a respeito de uma lide. Para 
que isso não aconteça, ocasionando uma tremenda baderna de decisões, um tribunal superior irá pacificar 
as decisões e estabelecer uma correta. No caso, essa competência é do Superior Tribunal de Justiça. 
Assim, o STJ tem uma função pacificadora, por assim dizer, ou seja, de fazer com que a análise da lei 
federal e a análise da jurisprudência seja uníssona em todos os tribunais, por meio do Recurso Especial. 
O Recurso Especial cumpre a finalidade do duplo grau de jurisdição? Não, a finalidade dele é outra, é a de 
pacificação, ou seja, ele não significa uma terceira instância. A jurisdição (iurisdictio), ou seja, o dizer o 
direito, acaba na decisão do Tribunal de Justiça. É por isso que existe a famigerada súmula 7 do STJ, pois 
ele não analisa fato e prova. Assim, a função do ministro é apenas pacificar os tribunais em termos de 
aplicação da lei e divergência jurisprudencial. 
É exatamente por essa razão que do recurso de Apelação cabe Recurso Especial quando houver, segundo a 
Constituição Federal, afronta a lei federal e afronta ou divergência jurisprudencial. 
Quando se tratar de afronta à norma constitucional, todavia, quem exercerá o papel de pacificador será 
o Supremo Tribunal Federal. Ele fará isso por meio do Recurso Extraordinário, raríssimo em termos 
processuais. Claro que tudo isso, é a teoria. Na prática, há momentos em que o STJ analisa fato e prova e o 
STF analisa fatos que não são extraordinários. 
Você deve se preocupar com isso para fins de exame? Claro que não, não tem sentido. O que você precisa 
saber? Que existem dois tipos de recurso: o ordinário ou comum e o extraordinário ou incomum. 
Então disso tudo, o que de fato importa saber? Se já há a sentença, cabe Apelação. Em caso de decisão 
interlocutória, cabe Agravo. Discussão a respeito de fatos e provas se encerra no Tribunal. Porém, da 
decisão de Apelação ou da decisão de Agravo é possível ir para o STJ, para fins de pacificação ou para o STF 
para fins de afronta a norma constitucional. 
Mas, professor, e se no meu recurso apelação houver tanto uma violação à lei federal quanto uma à 
Constituição? Nesse caso cabem os dois recursos ao mesmo tempo, pois há duas relações distintas e são 
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dois tribunais em grau extraordinário. 
No exame da OAB vai acontecer isso? Não, porque não é possível que você faça duas peças em um exame. 
Por essa razão, o examinador vai falar que houve violação às normas infraconstitucionais ou divergência 
jurisprudencial, ou violação constitucional. 
Caso o STJ mencione uma violação à norma infraconstitucional, pode ser que a decisão enseje apenas 
Recurso Especial e, da decisão do STJ em sede de Recurso Especial caiba Recurso Extraordinário. Isso vai 
depender da análise da ordem dos processos dos tribunais. 
Em termos de OAB nós apostamos nossas fichas no quinteto mágico, que chega ao fim com o Recurso 
Especial. 
Mas, Professor, você falou que o caso mais comum é o da violação da lei federal, confere? Mas o que é lei 
federal? Bem-vindos ao melhor ramo do direito. O Direito Civil, por forças das normas constitucionais, é 
considerado lei federal, logo, a legislação a respeito fica a cargo da União. 
18. Procedimento Comum - Noções específicas acerca dos 
recursos 
A rigor a nossa linha do tempo no âmbito do procedimento comum acabou.Passamos pela inicial, pela 
contestação, pela sentença e pelo cumprimento de sentença. Analisamos também noções gerais sobre a 
estrutura recursal, o que nos permite, então, falar sobre os recursos de maneira um pouco mais detalhada. 
Quando falamos dos recursos nós abrimos uma nova linha do tempo que não impede o 
cumprimento de sentença, a depender da existência de efeito suspensivo ou não dos 
recursos. 
O Código de Processo Civil em seu artigo 994 elenca o rol de oito recursos possíveis no 
processo civil: 
➢ O primeiro é a Apelação que, segundo o artigo 1.009 do CPC, serve para fins de rebater a 
sentença proferida pelo juiz. 
 
➢ O segundo é o recurso de Agravo de Instrumento, que entra em nossa linha do tempo 
processual da sentença para trás. Isso quer dizer que desde a petição inicial, a rigor, existe a 
possibilidade de Agravo de Instrumento, porque no bojo da petição inicial há a possibilidade do 
pedido de tutela antecipada. Caso seja negativa a concessão da tutela, isso pode ensejar recurso 
de Agravo de Instrumento. Assim será ao longo do percurso do procedimento comum até a 
sentença. 
 
➢ O terceiro recurso é um que não aparece em prova; no caso, os Embargos de Declaração. Eles 
não aparecem em razão da extrema facilidade. Em regra, qualquer decisão judicial é 
embargável de declaração quando contiver omissão, obscuridade ou contradição. 
 
➢ O quarto é o Recurso Ordinário, que não é, no âmbito do processo civil, para segunda fase do 
exame da OAB, um elemento importante. 
 
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➢ O quinto é o Recurso Especial. Esse sim é um dos queridinhos do examinador na segunda fase, 
e ele compõe um dos elementos do quinteto mágico. A sua importância se dá em razão da 
existência de matéria infraconstitucional no Direito Civil e pela incidência de Legislação 
Federal, que é a mais importante para nós. 
 
➢ O sexto é o Recurso Extraordinário. Esse é aquele endereçado ao Supremo Tribunal Federal, 
basicamente, quando houver violação à Constituição. Como dito, não é um recurso muito 
significativo para o Direito Civil, haja vista que não costumamos discutir muitas questões 
constitucionais, ainda que o direito civil esteja condicionado a elas. 
 
➢ O sétimo é o recurso de Agravo em Recurso Especial e em Recurso Extraordinário, que é 
basicamente o recurso usado para destravar o Recurso Especial ou Recurso Extraordinário. 
Ordinariamente são enviadas ao Presidente ou ao Vice-Presidente do Tribunal. 
 
➢ E para encerrar, como oitavo recurso, temos os Embargos de Divergência. Como o nome diz, os 
Embargos de Divergência acontecem porque há uma divergência. Por isso, esse tipo de recurso 
é aplicável quando há decisões colegiadas. Por exemplo, se na decisão colegiada houver pelo 
menos uma divergência em relação ao voto vencedor, é possível, com base nela, interpor 
Embargos de Divergência. 
Para fins de exame da OAB o seu foco precisa recair no recurso de Apelação, no recurso de Agravo de 
Instrumento e no Recurso Especial. Quanto aos outros, não me parecem relevantes para fins de prova. 
Geralmente, os recursos não impedem a eficácia da decisão recorrida, ou seja, o recurso não suspende a 
eficácia da decisão recorrida. Então se manejada uma Apelação da sentença, ainda assim ela continua a 
produzir efeitos, por isso nós temos o cumprimento provisório de sentença. 
No caso do manejo de um Agravo de Instrumento, a decisão interlocutória proferida anteriormente 
continua produzindo seus efeitos; se manejados Embargos de Declaração, a decisão em si continua 
rolando, e assim vai. Quando a decisão não vai produzir sua eficácia desde já? Quando houver disposição 
legal ou quando houver decisão judicial em contrário. 
Assim sendo, de acordo com o artigo 995 do CPC, em regra, não há suspensão da eficácia da sentença, 
salvo disposição legal e decisão judicial em contrário. Um belíssimo exemplo é o recurso de Apelação, 
porque ele inverte a regra e a exceção. 
A Apelação, apesar de estar no rol do artigo 994 do CPC e, apesar de estar inserida lá na regra do 995, ela é 
recebido tradicionalmente nos efeitos devolutivo e suspensivo. Mas por que esse recurso funciona 
assim? Em razão de disposição legal. 
Então, cautela, sempre olhe o recurso através da situação em específico. Às vezes, lei 
especial tem previsão específica a respeito dele, do recurso, enquanto a norma geral 
traz a previsão tradicional. Faz sentido a gente ficar falando em detalhe? Não. Você 
deve analisar a situação concreta para visualizar quando é que suspende ou quando 
não suspende. 
Em regra, a interposição do recurso será feita pela parte vencida no processo, ou seja, a parte que foi 
"lesada” pela decisão judicial, exceto no caso da decisão parcialmente procedente. Nesse caso, ambas as 
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partes podem recorrer. A mesma regra vale quando o Ministério Publico for parte na ação processual. 
Caso uma das partes vencidas não tenha interesse em recorrer, mas a outra recorra, ainda que tenha se 
passado o prazo do recurso, não há preclusão, em razão do que dita o art. 997 do CPC. Esse dispositivo 
trata sobre o Recurso Adesivo. 
O Recurso Adesivo é permitido justamente na hipótese em que a parte NÃO recorreu, mas a outra parte 
que também teve o pedido parcialmente procedente recorreu. Em que momento será interposto esse 
recurso? Quando houver a intimação para responder ao recurso interposto pela parte contrária. Mas, 
atenção, você deve manejar as CONTRARRAZÕES E O RECURSO ADESIVO. 
Ao recorrer, é importante requerer intimação da outra parte para apresentar contrarrazões ao Recurso 
Adesivo. Ambos, contrarrazões e Recurso Adesivo, devem ser endereçados ao Tribunal. 
O grande ponto do Recurso Adesivo é que ele fica subordinado, ou seja, vinculado ao recurso principal. 
Assim, tudo o que acontecer com esse recurso principal ocorrerá com o Recurso Adesivo, inclusive no 
caso de inadmissão do recurso principal, de desistência da parte etc. Então, caso o recurso principal se 
mostre muito arriscado, é possível a desistência do Recurso Adesivo. Pois o mais importante é não permitir 
que seu cliente saia da ação prejudicado. 
Agora, vamos pensar juntos: qual é o ponto importante do Recurso Adesivo? Quando há um recurso 
principal o que é preciso apresentar? Pois bem, nós vimos que é preciso apresentar a petição de 
contrarrazões e o Recurso Adesivo. Vamos imaginar o caso mais comum que o recurso de Apelação. 
Pensando em termos práticos para o dia da OAB, qual das peças você deverá fazer? Pode haver duas peças 
na prova? Não pode.Assim sendo, o enunciado trará uma sentença de procedência ou improcedência 
totais. A probabilidade de cair um recurso desse? Mínima. 
Voltando ao assunto, pode ser que, ao contrário, a parte nem queira recorrer. Nessa hipótese ela pode 
renunciar ao direito de recorrer. 
Chamo sua atenção a um ponto muito importante com relação aos prazos. Em regra, a intimação é 
endereçada ao advogado das partes e, nesses casos, aplicam-se as mesmas regras do procedimento visto 
durante todas as aulas passadas. Caso haja alguma exceção à regra, você deverá buscar pelo artigo 1.003 
do CPC, mas a rigor o prazo para interposição de recurso é de 15 dias (sempre úteis). 
O artigo 1.003 é um artigo super, hiper, mega importante! Especialmente seu parágrafo 5º, pois em se 
tratando de recursos ele será a sua base para tratar da tempestividade, com exceção do recurso de 
Embargos de Declaração, que deverá ser interposto no prazo de cinco dias úteis. 
Nos casos em que houver litisconsórcio e o recurso houver sido interposto por apenas um dos 
litisconsortes, aplica-se a mesma regra vista durante a análise da linha do tempo, ou seja, essas regras 
aproveitam aos demais litisconsortes, exceto, claro, se houver um choque, uma oposição entre os 
direitos dessas pessoas. 
Outros cuidados fundamentais em termos de recurso sãoaqueles relacionados às custas processuais. Você 
não pode deixar de comprovar o pagamento do recurso, conforme a legislação determina. Para fins de 
Exame da Ordem, você precisa se preocupar com os detalhes do preparo? Não. Mas na prática COM 
CERTEZA! 
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Caso o valor do preparo esteja incorreto, o juiz concederá ao advogado o prazo de 
cinco dias para que complemente o valor (artigo 1007, parágrafo 2º do CPC). De 
outra banda, caso não haja a complementação, o recurso será considerado 
deserto, aplicando-se a regra do parágrafo 4º do artigo 1007. O parágrafo 5º trará 
a regra sobre os casos excepcionais, ou seja, em que há justo motivo para a não 
complementação do preparo (caso fortuito e força maior). Esse recurso precisa ter 
o preparo, porte de remessa e o porte de retorno. 
Porte de remessa porque os recursos nunca são analisados pelo órgão que prolatou a decisão, eles 
deverão ser despachados até o órgão competente, então o porte de remessa é o valor correspondente ao 
despacho. O porte de retorno, por sua vez, é o valor referente às custas do despacho quando da baixa dos 
autos ao órgão julgador de origem, após o julgamento do tribunal superior. 
É por essa razão que há porte de remessa e porte de retorno nos recursos em geral. Então essa é uma 
visão geral. Professor, mas como é que funciona o recurso de Apelação? Para isso, vá ao banco de peças e 
veja a aula sobre recurso de Apelação. A mesma regra vale para todas as outras peças. 
19. Procedimento Comum - Noções gerais sobre os Recursos 
Ordinários 
Você já teve a sensação de nunca ter visto o Recurso Ordinário em sua vida? Esse é o relato de muitos 
alunos. Se esse é o seu caso, eu vou te tranquilizar. Primeira coisa: o Recurso Ordinário é ordinário demais 
para nós aqui, do Olimpo do Direito. Em matéria Cível Stricto Sensu, não usamos o Recurso Ordinário. 
Quando falamos de Recurso Ordinário, automaticamente, estamos a tratar do artigo 1.027 do Código de 
Processo Civil. Esse recurso tem cabimento basicamente em duas hipóteses: perante o Supremo Tribunal 
Federal e perante o Superior Tribunal de Justiça. Na realidade ele não é exatamente ordinário porque 
ordinário nos dá noção de comum, só é chamado assim em razão da existência do Extraordinário. 
Então o Recurso Extraordinário, como já vimos, serve para quando já houverem sido esgotadas as duas 
instâncias e o cunho da discussão é uma Lei Federal, ou a Constituição, ou quando há divergência e assim 
vai. 
O Recurso Ordinário caberá quando houver uma decisão do TJ a qual se deseja rebater, ou seja, a origem 
dele será o Tribunal de Justiça; logo, exercerá o papel de segundo grau o STJ. Para fins de exemplo, é 
como se a sentença fosse proferida pelo TJ e a apelação para o STJ. É possível um RO endereçado 
diretamente para o STF? Sim. Quando o processo tiver origem no STJ. 
Sendo muito sincero com você, quanto à relevância desse recurso em instâncias superiores, para nós da 
2ª fase do Direito Civil (friso, estou falando apenas para fins de Exame), é irrelevante porque se fala em 
Recurso Ordinário para o Supremo quando se tratar de mandado de segurança, habeas data, mandado de 
injunção etc. 
O que você precisa saber de fato? Você precisa entender as hipóteses de cabimento de um Recurso 
Ordinário previstas no art. 1.027 do CPC. 
Mas, professor, como é que vou fazer um Recurso Ordinário? Pois bem, lembra que eu disse que o Recurso 
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Ordinário era como se fosse uma Apelação ao tribunal? Então você vai usar como base um recurso de 
Apelação. 
Do outro lado, contrário ao Recurso Ordinário, há o recurso Extraordinário. Pode haver esse tipo de 
recurso no cível? Pode, porém somente quando houver violação à Lei Federal, divergência 
jurisprudencial, ou quando houver violação à Constituição. 
E como é que se faz um Recurso Especial, ou como é que se faz um Recurso Extraordinário? Do mesmo 
jeito que se faz um Recurso Especial, só que em vez de mandar do Tribunal para o STJ, manda Tribunal 
para o STF, mesma coisa. Probabilidade de cair na segunda fase Direito Civil? Muito pequena. 
Na sua prova tem como cair uma decisão do TJ que enseje tanto o REsp quanto RE? Não, porque não tem 
como você fazer duas peças. Então, no máximo, cairá uma decisão do Tribunal em sede recursal do 
primeiro grau. Quais são os dois recursos que vêm do juízo de primeiro grau? O recurso do Agravo e o 
recurso de Apelação. O recurso de Agravo após proferida decisão interlocutória recorrível na forma do art. 
1.015, e a Apelação diante de uma sentença na forma do 1.009, ambos do CPC/2015. 
Outra coisa da qual você precisa lembrar é que as decisões do juízo de primeiro grau não 
terminam na fase de cognição, elas podem ocorrer também na fase de cumprimento de 
sentença ou quando dispensada a cognição na execução de título extrajudicial. 
Caso haja uma decisão interlocutória em fase de cumprimento de sentença, caberá Agravo. 
Então diante de uma decisão interlocutória em cumprimento de sentença, você deverá 
interpor Agravo em Recurso Especial. 
Você se lembra do que eu sempre falo sobre a linha do tempo processual ser uma teia? Pois bem, dessa 
teia nós podemos ir puxando fio para tudo quanto é lado, e assim podemos pensar em milhares de 
hipóteses recursais e segmentos. Claro que não seria razoável, mas com o quinteto mágico você 
consegue fazer qualquer coisa: Inicial, Contestação, Agravo, Apelação e Recurso Especial. 
Então, Professor, como faço um Recurso Extraordinário? Basta você saber fazer um Recurso Especial. 
Professor, como é que faz um Recurso Ordinário? Basta você saber fazer uma Apelação. Assim, se você 
entende bem do quinteto, é possível estruturar as demais peças. 
Temos que o grande ponto quando estamos a tratar da jurisdição ordinária e da jurisdição extraordinária 
é que existe uma barreira entre elas, pois quando o recurso vai para um Tribunal Superior, o processo 
fica mais lento, mais trabalhoso e mais complexo. 
E quem fará esse papel de barreira? O Tribunal de Justiça, mais especificamente o Presidente ou o Vice-
Presidente do TJ. Nesse caso, se o meu interesse está em ultrapassar essa barreira, para passar um REsp, é 
preciso interpor um Agravo em Recurso Especial, para então chegar ao STJ. Em último caso sobra, em 
sede recursal, um Recurso Extraordinário, porém lembre-se de isso ocorre somente se houver violação de 
preceito constitucional. Depois disso, não há mais a quem recorrer. 
20. Procedimento Comum - Execução 
Há no âmbito do processo em geral uma espécie de fura-fila processual. Ou seja, ao invés de 
seguir todo aquele calvário da fase de cognição, é possível já entrar direto no cumprimento de 
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sentença. Você deve estar se perguntando: “como seria possível cumprimento de sentença, sendo que 
nem houve sentença ainda?". 
Por meio da execução, que nada mais é do que o "cumprimento de sentença sem sentença". Porque na 
execução não se executa a sentença, mas sim um título executivo não judicial ou extrajudicial. É algo fora 
do juízo que me permite executar. 
Lembro a você, novamente, que a diferença entre cumprimento de sentença e execução é que na 
primeira teremos a execução de um título judicial, e, na segunda, a execução de um título extrajudicial. 
Isso é muito importante, justamente para que você não nomeie de forma incorreta a sua peça. Bastante 
atenção! A ação será de cumprimento de sentença ou título judicial e execução de título extrajudicial, não 
inverta! 
O artigo 784 do Código de Processo Civil lista quais são os títulos executivos extrajudiciais. Assim, é 
passível de execução: 
➢ A letra de câmbio; 
 
➢ A nota promissória; 
 
➢ A duplicata; 
 
➢ A debênture; 
 
➢ O cheque. 
Apesar de esses títulos de crédito pertencerem ao Direito Empresarial, é válidolembrar que o CPC serve de 
base processual para todos os outros ramos do Direito e por isso esses títulos importam para nós. 
Além dos mencionados acima, são considerados títulos executivos extrajudiciais: 
➢ A escritura pública ou outro documento assinado pelo devedor. 
 
➢ O documento particular que seja assinado pelo devedor e mais duas testemunhas. 
 
➢ A transação referendada pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pela 
Advocacia Pública em geral, pelos advogados dos transatores, ou por conciliador ou 
mediador desde que seja homologada (este último detalhe é importantíssimo, já foi inclusive 
matéria de questão da prova de 2ª fase, se liga!). 
 
➢ Contratos que estejam garantidos por hipoteca, penhor, anticrese (esses três são os três 
direitos reais de garantia por excelência, não se esqueça! Se não lembra, volte lá nas aulas de 
direito material e estude!). 
 
➢ A caução (não se trata de uma garantia real, mas sim de garantia fidejussória. Aqui aproveito 
para fazer um alerta: algumas dessas hipóteses ensejam análise de Legislação Civil Especial. 
Para isso você também deve estar esperto). 
 
➢ Qualquer garantia real. 
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Via de regra, quando se tratar de título presente em Legislação Civil Especial, a própria lei dirá que se 
trata de título executivo. Assim, concluiremos que no fim desse rol, será também título executivo 
extrajudicial aquilo que a lei determinar. 
São exemplos: 
➢ Contrato de seguro e de seguro de vida no caso de morte; 
 
➢ Crédito decorrente de foro ou laudêmio; 
 
➢ O crédito decorrente de aluguel; 
 
➢ Os créditos decorrentes de dívida ativa em relação à Fazenda da União, Estados, Municípios; 
 
➢ O crédito em relação as contribuições de condomínio (aqui faço um alerta, quando se tratar de 
condomínio, vale lembrar que as contribuições são obrigação propter rem, que é aquela que 
vincula o titular à coisa em si; porém, se por contrato, fixou-se que o responsável por pagar o 
condomínio seria o locatário, trata-se de uma obrigação cuja eficácia é interpartes, por força do 
contrato de locação); 
 
➢ Dívida ativa; 
 
➢ O contrato de seguro; 
 
➢ As certidões vinculadas às serventias notariais e registrais, ou seja, os valores a serem pagos, 
emolumentos, e que são devidos para o cartório. 
Em todos esses casos é possível falar em execução de título extrajudicial. Importante frisar que qualquer 
uma dessas hipóteses não impede a proposição da ação de cobrança correspondente. 
Pode ser que junto dessa obrigação que caracteriza título executivo, visualize-se a possibilidade de 
cobrança de dano moral. Pergunto: é possível executar o dano moral? Não, pois quem fixa o dano moral é 
o juiz. Nesse caso deve haver uma "ação de cobrança", ou seja, uma ação indenizatória. Voltando aos 
títulos extrajudiciais, ficará a cargo da parte decidir se proporá ação de cobrança ou execução. Na 
prática, as possibilidades são muitas, porém, para fins de OAB, vamos focar apenas na execução. No dia 
da prova, faça assim, apenas o “feijãozinho com arroz”. 
Outro ponto muito relevante é o que diz respeito à aplicação do procedimento do cumprimento de 
sentença à execução. Segundo o artigo 771 do CPC, ao que couber, é possível a aplicação do 
procedimento de cumprimento de sentença. 
Além disso, dentre todos esses casos que citei mais acima, parece-me que os dois mais 
importantes em termos de prova são a transação e o documento particular, o qual pode 
ser uma escritura pública, um contrato de hipoteca, um seguro, um condomínio etc. Para 
este último, é importante ficar esperto, pois há boas chances de vinculação com a Lei n. 
8.245/1991, a Lei de Locações. Agora, quanto à dívida ativa, fique em paz, nunca vai cair, 
especialmente porque estamos na segunda fase de Direito Civil e não de direito tributário. 
Pois bem, voltando à chegada da hora da proposição da execução, segundo o art. 778, é legitimado para 
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propor a execução o exequente cuja identificação está no título. Em caso de morte do sucessor, serão 
legitimados os herdeiros. Caso ainda não haja fixação deles é legitimado o espólio. 
Em caso de transferência de crédito, será parte legítima o sub-rogado, no caso de sub-rogação, por 
exemplo. Se você não se recorda o que é sub-rogação, volte às aulas de direito material e reveja o conceito 
e as hipóteses legais. 
Quanto ao executado, o artigo 779 do CPC dirá que é o devedor. Para além do devedor, podem figurar 
como polo passivo da ação os sucessores, em caso de assunção da dívida aquele que a assumiu, o fiador, 
o responsável titular do bem vinculado por garantia real e o responsável tributário. 
Perceba que em se tratando da competência para figurar no polo passivo da ação, mais uma vez, é 
imprescindível que você tenha o direito material, especialmente o que diz respeito aos Direitos das 
Obrigações, na ponta da língua. Não obstante, isso será importante também para a compreensão da da 
competência do juízo onde será proposta a ação de execução. 
Por exemplo, se a obrigação trata de imóvel, a competência é do juízo de situação do imóvel. Ressalvadas 
as exceções, a regra geral diz que será competente o juízo da comarca do domicílio do réu. Apesar de na 
ação de execução não haver réu, há executado, portanto, aplica-se a mesma regra. 
Qual a grande regra geral em se tratando de execução em título extrajudicial? O domicílio do executado, 
conforme dita o artigo 781, inciso I, do Código de Processo Civil. 
Você ainda pode perguntar “Professor, como se executa a obrigação de não fazer?”. Eu te respondo: é 
preciso detalhar toda estrutura de todas as obrigações? Não, porque você olha lá no seu Vade Mecum e 
ele resolve esse problema para você. 
21. Procedimento Comum - Tutela provisória 
Como todo mundo bem sabe, o processo judicial costuma ser um procedimento moroso e lento. Em razão 
disso é que existe a tutela provisória. 
O que é a tutela provisória? É o procedimento por meio do qual é possível obter antecipadamente o bem 
da vida. A obtenção antecipada é boa, porém pode ser ruim, uma vez que o juiz ainda não olhou a prova; 
por vezes, o réu nem sequer se manifestou.Pode ser também que a parte que teve a concessão do bem da 
vida, não ganhe o processo ao final da fase de cognição. 
Ainda assim, a tutela existe para que seja concedido o bem da vida, nem que não seja de maneira 
definitiva. Mas por que essa tutela é necessária de imediato? Depende, pois a tutela provisória pode se 
fundar num duplo elemento. Pode ser um elemento de urgência, pois não é possível a espera, ou pode 
ser uma tutela de evidência, porque é evidente a necessidade momentânea. 
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Em termos de importância, cá entre nós, a tutela de urgência será mais abrangente. Quero dizer com isso 
que nos casos em que aparentar ser o caso de tutela de urgência e evidência, opte pela urgência. Ou 
seja, a tutela de urgência é mais “importante”, digamos assim. 
Na prática e no exame, predomina massivamente a tutela de urgência. A tutela de evidência tem uso 
restrito até mesmo na prática. 
A tutela pode ser vista de uma perspectiva cautelar ou incidental. O que é tutela incidental? Ora, ela 
incide, ou seja, ela será requerida incidentalmente na petição inicial, uma vez que somente seria 
concedida ao final da lide. Claro que esse pedido também deve ser fundamentado. 
Já para a tutela cautelar, o pedido será feito antes da petição inicial, pois o intuito é preservar o direito. 
Dificilmente, contudo, ela irá cair em forma de peça, porque teria no máximo umas 10 linhas eclaro que o 
examinador não iria cobrar uma peça dessas de você. 
Temos assim que para antecipar a urgência é preciso que isso seja feito dentro da petição inicial, ou seja, 
de maneira incidental. Se o intuito é antecipar antese juventude, se à vara de família, etc.) 
➢ 2º. Qualificação das partes 
Atenção, pois a qualificação das partes está predeterminada no Código de Processo Civil. Caso você 
precise adicionar alguma outra coisa para além dela, sua análise deve recair sobre o artigo 309, inciso II, do 
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CPC. (Caso você tenha dúvidas de como elaborar a qualificação, sugiro que você assista às aulas “Como 
fazer uma petição inicial”). 
Quando o autor não dispuser dos dados necessários para a qualificação da outra parte, será necessário 
requerer o auxílio do juiz, ou seja, deverão ser requeridas ao juiz as diligências necessárias para conseguir 
esses dados. 
➢ 3º. Fatos e fundamentos. 
Esse elemento é o que costumo chamar de “recheio da peça” e ele é importantíssimo, pois é preciso dizer 
ao juiz as razões de pedir e que tais razões se encontram fundamentadas em lei e é justamente daqui que 
se obtém o nome da peça. 
Diante disso, é fundamental expor e justificar ao juiz os fundamentos pelos quais deve obter aquilo que 
você está pedindo. Os fundamentos estarão, tradicionalmente, na parte de direito material. Atenção com 
relação a isso! 
➢ 4º. Pedidos e suas especificações. 
Esse é o momento em que você deve deixar claro ao juiz o que você quer que ele efetue diante da 
proposição da ação. 
Assim, seguindo a lógica, você deve, com base nos fundamentos, formular seus pedidos, ou seja, VOCÊ 
NÃO PRECISA DECORAR, basta que você analise o que quer e as consequências do que quer. 
➢ 5º. Valor da Causa 
Na prática, é obrigatório que a petição venha munida do valor da causa. No entanto, quando estamos a 
tratar da prova do Exame da Ordem, você somente colocará um valor específico para a causa se o 
enunciado deixar bem claro que você deve colocá-lo. Caso contrário coloque apenas o bom e velho “Valor 
da causa R$...”. 
➢ 6º. Provas 
Por meio das provas é que se mostra a verdade sobre os fatos alegados. Aqui, você deve analisar o ônus 
da prova e se será do réu ou do autor e então trazer elementos capazes de comprovar que aqueles fatos 
ocorreram da forma que você mencionou nos fundamentos. 
➢ 7º. Opção pela realização ou não da audiência de mediação ou de conciliação. 
Esse é um ponto que ainda não foi muito explorado pela banca, mas ainda assim não deixe de colocar em 
sua peça porque é um requisito da petição inicial que passou a ser obrigatório a partir do CPC/2015. 
➢ 8º. Todos os outros elementos que podem ajudar seu cliente a ganhar. 
Esse requisito é um bônus. Assim, é importante que sejam anexados à petição todos os documentos 
imprescindíveis à propositura da demanda. 
Pensando na prática, se por alguma razão você não estabelecer a opção pela audiência de conciliação, o 
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juiz intimará a parte para apresentar emenda no prazo tradicional do CPC/2015. Caso não haja a emenda, a 
petição inicial será indeferida. Por isso muito cuidado com esse detalhe. 
Assim, após a análise dos elementos da petição inicial, podemos constatar que o principal elemento e a 
principal função é estabelecer o pedido do bem da vida, ou seja, o fundamento da petição inicial são os 
PEDIDOS. 
Em se tratando dos pedidos, você deve se atentar, pois eles são aquilo que costumo 
chamar de pontos fáceis das petições em geral porque basicamente são uma revisão das 
razões de pedir. Você ainda pode me perguntar: professor, existem petições com um 
pedido só? Pode até ter, mas a OAB nunca cobrará uma situação dessa. Diante disso, você 
não pode entender o pedido principal como sendo um único pedido, pois o direito 
material do qual você tratou durante a sua fundamentação é o que define a quantidade 
de pedidos que você fará. 
No exame da OAB, o ENUNCIADO é o definidor dos seus pedidos e por essa razão você tem que fazer a 
leitura da mesma forma que a galinha pega o milho, coletando cada um dos pontinhos que vão estabelecer 
os fatos que determinam o direito e o pedido. 
Por causa disso o pedido não deve e não pode ser qualquer um, e, em se tratando da OAB, ele deve ser 
determinado, ou seja, não pode ser genérico. Contudo, cuidado! No Exame da Ordem, apesar de 
determinado, ele deve ser “aberto”, caso contrário, pode caracterizar identificação. 
Quando seu pedido será fechado? Quando o examinador fornecer as informações, deixando claro que é 
isso que ele quer, caso contrário, deixe o seu pedido aberto. Essa é uma cautela que você deve ter, 
especialmente se já possui experiência em peticionar e colocar já de cara o valor da causa. 
Há, porém, três situações em que excepcionalmente o pedido pode ser genérico: 
➢ 1. Em situações universais, como, por exemplo, nos casos em que é impossível a 
identificação dos bens pelo autor, como na petição de herança, em que se pedem todos os 
bens que tocam ao herdeiro, ou seja, é uma ação universal, pois não há como identificar o bem. 
 
➢ 2. Quando não for possível estabelecer de antemão quais são as consequências do ato ou 
fato que, por mais que gere consequências ao pedido, não há como saber exatamente 
quais são as consequências futuras. Um exemplo foi o encalhamento do navio Ever Given, 
situação em que havia a possibilidade de ingresso de ação de reparação pelo atraso da entrega, 
porém eram incertas as consequências do encalhamento. Não se sabia se a carga seria perdida 
ou apenas deteriorada. Logo, seria impossível quantificar o valor da causa. 
 
 
➢ 3. Quando o pedido depende de um ato praticado pelo réu ou de um valor que tem que 
ser apurado pelo réu. Nesse caso, é ele quem diz no final das contas qual é o pedido. Um 
exemplo é o pedido de concessão do que o réu guarda em um depósito. O que pode haver 
dentro desse depósito não há como saber, por isso é que se deve pedir que ele abra e dê o que 
há lá dentro. 
Nesses três casos, o pedido pode ser genérico, e lembre-se, na reconvenção, os pedidos devem ser iguais 
aos da petição inicial, ou seja, também deve ser determinado e excepcionalmente genérico, nos casos 
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listados acima. 
Outro ponto que deve ser analisado quanto ao pedido genérico é o fato de ele não impedir o 
reconhecimento de um pedido alternativo. Ou seja, o fato de o pedido ser determinado não afasta a 
possibilidade de ele ser alternativo. No entanto, como identificar um pedido alternativo? Pela natureza da 
obrigação, ou seja, a partir da análise do direito material é que será possível identificar o tipo de obrigação 
e determinar o pedido. 
Nesses casos, como a escolha do pedido compete ao autor, é possível que ele sinalize ao juiz, por exemplo, 
que quer “X”, porém, caso o juiz não entenda por “X”, aceita-se um pouco menor do que “X”. Trata-se, por 
exemplo, de um pedido subsidiário ou sucessivo. Ou seja, pede-se primeiro o pedido maior ou mais 
importante, mas caso o juiz entenda que este não deve ser concedido já fora feito um pedido menor, 
requerido de forma subsidiária. 
Um exemplo é o pedido de indenização por dano material. A parte irá requerer 100% da indenização, mas, 
dadas as circunstâncias, é possível na petição sinalizar ao juiz que, caso ele entenda que houve culpa da 
vítima, a indenização poderá ser em valor reduzido. Para isso, o CPC costuma empregar o termo 
subsidiário, mas você pode empregar o termo sucessivo também. 
Como saber quando há possibilidade de pedido subsidiário? Por meio do direito material, dos fatos e do 
enunciado. Por isso, você deve prestar muita atenção ao enunciado, pois é ele quem determina se cabe ou 
não um pedido subsidiário. Somente não caberá o pedido subsidiário ou sucessivo quando ele for 
contraditório em relação ao pedido principal. 
O mais importante é saber identificar no enunciado a possibilidade de subsidiariedade. É ele quem diz se 
cabe pedido alternativo, se cabe pedido genérico. Atenção! O enunciado deixará claro,de qualquer coisa, será antecedente, não se esqueça. 
A proposição da tutela de urgência pode ser cautelar ou antecipada; a tutela de evidência é um pouco 
mais limitada. 
Quanto ao pedido, é possível requerer tudo o que for preciso, segundo o que dita o art. 297, do CPC. 
Assim o juiz pode determinar as medidas que sejam adequadas para essa antecipação. 
Para exemplificar, imagine uma situação em que duas partes são credora e devedora uma da outra. O 
pagamento da dívida somente deverá ocorrer dentro de três meses, porém está claro que o devedor está 
liquidando seu patrimônio. Diante disso, é possível que esse credor que no futuro irá ingressar com uma 
ação de execução queira acautelar o seu direito ao pagamento. Assim, é possível que ele acautele seu 
direito. 
Nessa cautela, o juiz pode fazer bloqueio de conta bancária, proibir vender automóvel, pode mandar 
registrar na matrícula do imóvel que o proprietário é devedor, ou seja, ele pode fazer o que ele quiser. A 
ação cautelar, portanto, é um exercício de antecipação. 
Pois bem, essa foi uma análise geral. Vamos agora, começar a pensar nas tutelas especificamente. Qual é a 
mais importante de todas? Claro que a tutela de urgência. Essa você tem que dominar porque com 
certeza vai, em algum momento, aparecer na tua prova. 
Por isso, é importantíssima a análise dos requisitos do artigo 300 do CPC. Esse dispositivo exige a 
probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 
Vamos começar pelo final, vamos tratar do resultado útil do processo. O que seria o resultado do 
processo? A sentença, claro. Se a parte vencedora tem a sentença favorável a ela, mas não há como ser 
dado a ela o bem da vida. Ora, ficou prejudicado o resultado útil do processo. 
Então a tutela de urgência pretende evitar que exista um risco ao resultado que torne impossível 
conceder o bem da vida à parte vencedora. Por exemplo, imagine a situação na qual o réu pegou o bem e 
guardou em sua casa, mas é sabido que ele vai pôr a perder esse bem. Nessa circunstância, então, o juiz irá 
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determinar que o bem fique sob sua guarda, para fins de preservação. 
Quanto ao perigo de dano, estamos a tratar de um risco para a outra parte. Por exemplo, imagine uma 
ação de alimentos. Até que a sentença ocorra, o alimentando já morreu de fome, ou seja, um dano 
gravíssimo. Por isso, requer-se o bem da vida antecipadamente. 
Basta o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo? Não, tem que ter que haver também 
probabilidade do direito. Portanto, deve ficar muito claro que aquele direito é possível ou provável. 
Em sua peça, você deverá tomar como base o artigo 300 e abrir um tópico em sua peça, especificamente 
para tratar dessa tutela. 
Quando se trata de tutela, o juiz tem certeza a respeito de dano? Não, mas ele vai analisar a probabilidade 
desse direito. Mas veja que ao antecipar tutela o juiz pode causar um dano para o réu. Para que isso não 
ocorra pode exigir caução para conceder a tutela, quepode ser dispensada em caso de hipossuficiência. 
Caso o juiz fique em dúvida sobre a probabilidade do direito, ele pode determinar a audiência prévia para 
ouvir o requerente, para que ele justifique previamente. Se no entendimento do juiz houver grande 
probabilidade, ele pode conceder a liminar de tutela de urgência. 
A decisão liminar de tutela de urgência é um caso sensacional para interposição de Agravo de 
Instrumento, na forma do 1.015, inciso I, do CPC. No dia da sua prova, atenção ao enunciado, pois ele é 
que vai dizer para você se há probabilidade, risco ao resultado útil do processo ou risco de dano. 
É possível que a tutela de urgência seja de natureza antecipada, ou seja, antecipa-se a tutela provisória, e o 
juiz dará o provimento definitivo para a pessoa, em razão da urgência. O caso mais comum é a negativa 
do plano de saúde em conceder cobertura para tratamento de uma pessoa que sem o tratamento pode 
morrer. Então, veja, é urgentíssimo! 
É preciso, todavia, cuidado no momento de requerer a tutela de urgência, pois pode haver 
irreversibilidade dos efeitos da decisão. Tecnicamente, se há perigo de irreversibilidade, não seria muito 
acertado conceder a tutela e a decisão de caráter definitivo, porém, existem casos extremos, como é o 
caso da pessoa que pode morrer se não houver concessão. 
E se a situação for tão grave que não haverá tempo para qualquer espera? Ou seja, os riscos de dano são 
imensos. Há quem diga até que se trata de tutela urgentíssima. Nesse caso, aplica-se a regra do art. 303 
do CPC, ou seja, deverá ser proposta a tutela de urgência em caráter antecedente. Nesse caso, a petição 
inicial se limita ao requerimento da tutela e vai indicar apenas o pedido, que no momento da petição será 
requerido novamente. 
Concedida a liminar à parte cuja necessidade era urgentíssima, o advogado deverá aditar a petição inicial 
no prazo de 15 dias, exceto se o juiz conceder prazo diferente. Após, o processo seguirá o curso normal. 
Caso o juiz não conceda a tutela, ou seja, caso haja uma decisão interlocutória sobre tutela provisória, 
nesse caso deve ser interposto Agravo de Instrumento. 
Após a concessão da tutela, será feita a citação para a outra parte apresentar contestação, juntamente 
com a ordem para que seja cumprida a determinação judicial. 
Da decisão judicial que determinou o cumprimento é cabível, como já vimos, o Agravo de Instrumento. 
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Caso a parte ré perceba que o direito requerido em tutela era devido, não haverá mais o que se discutir, 
de maneira que a tutela se torna estável. Após tornar-se estável, ela é extinta, porém, não se torna coisa 
julgada. 
Isso porque pode ser que a parte ré posteriormente discorde da concessão dessa tutela e 
perceba que era indevida. Apesar de não haver o que ser feito quanto à tutela, pois ela já 
se estabilizou, é possível a proposição de uma ação por meio da qual ficará demonstrado 
ao juiz que não deveria ter havido a concessão. 
Pode ser proposta, por exemplo, uma ação de cobrança, para reaver os valores do que foi 
concedido à outra parte. É possível então demandar com o intuito de rever a decisão do juiz? Sim. É 
possível requerer a reforma ou a invalidação da decisão. 
Se a parte contestar ou recorrer, porém, não há o que se falar em estabilização. Em se tratando do 
Exame da OAB, o enunciado irá deixar muito claro se será o caso de uma Contestação ou de um Agravo, 
pois não é possível que você faça duas peças em um exame só. 
Vamos agora pensar na tutela cautelar. É possível requerê-la em caráter antecedente também? Sim, nas 
hipóteses do artigo 305 do CPC. Basicamente, será indicado o elemento cautelar desejado a ser proposto 
na próxima ação. Em suma, é a mesma regra que vimos anteriormente. Ou seja, de maneira simplificada é 
feita a requisição antes de ser feita a petição inicial, que em momento posterior deverá ser aditada. 
A diferença, porém, entre a tutela provisória de urgência de caráter antecedente e a tutela provisória 
cautelar de caráter antecedente é que, na primeira, o objeto é o provimento final da ação que será 
proposta no futuro. Pensando no exemplo do plano e saúde, será requerido o tratamento médico e este 
será concedido, ou seja, ele era o objeto do pedido. Já na segunda, na tutela provisória cautelar de caráter 
antecedente, o que se quer não é o objeto principal, mas algo que deve ser concedido cautelarmente. 
Um exemplo é o pedido de penhora, arresto, sequestro etc., do patrimônio que o devedor está liquidando 
mesmo que tenha uma dívida. A discussão não se prenderá na existência do direito ou não, a medida é 
uma forma de se acautelar e preservar um possível direito. 
Concedida a cautelar, a estrutura e o andamento será o mesmo visto na tutela provisória de urgência de 
caráter antecedente. Ou seja, será feita a citaçãodo réu para a contestação e o processo segue o caminho 
do procedimento comum, com algumas outras regrinhas. Mas o fundamental é a compreensão da tutela 
provisória cautelar de caráter antecedente. 
Há também a possibilidade de não haver a concessão da tutela cautelar. Nesse caso, o artigo 310 do CPC 
autoriza a propositura da ação principal. Pensando no exemplo anterior, pode ser uma ação de cobrança 
ou uma execução. 
Caso o juiz conceda a tutela provisória cautelar, é preciso fazer cumprir a decisão dele. Na sequência é 
necessário que a parte deduza o pedido principal, ou se perde o efeito da medida. 
Então temos o seguinte: se não for deduzido o pedido principal no prazo de 30 dias, nem se efetivar a 
medida também dentro de 30 dias, o juiz fará cessar a tutela. Com isso se perde a eficácia da tutela. 
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Nesse caso, a tutela não terá o efeito pretendido: quando o juiz não conceder a tutela, quando por alguma 
razão ele rever a tutela, quando a parte não faz o pedido principal e quando a parte não efetiva a medida 
judicial. 
 
Pode ser, como dito pouco acima, que a tutela provisória não seja baseada em um elemento de urgência, 
mas sim de evidência. Nesse caso, aplica-se a regra do art. 311 do CPC. São quatro hipóteses em que pode 
ser concedida a tutela de evidência: 
➢ Quando ficar caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto objetivo protelatório da 
parte. Basicamente, fica evidente durante o processo que a parte está apenas “enrolando” 
através do abuso do direito de defesa, por exemplo. 
 
➢ Quando a prova puder ser feita de maneira documental e quando houver tese fixada em 
julgamento de Recurso Repetitivo ou Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. 
 
➢ Quando se tratar de pedido reipersecutório que seja fundado em prova documental, desde que 
ela seja adequada no âmbito de um contrato de depósito e, nesse caso, já haverá a entrega da 
coisa custodiada. Essa hipótese é específica para depósito. 
 
➢ Quando a petição inicial tiver sido instruída com prova documental suficiente para demonstrar 
a alegação do direito do autor e o réu não opõe prova capaz de gerar dúvida razoável. 
Este último item é o mais importante para fins de prova. Por exemplo, o pai ingressa com ação revisional 
da pensão alimentícia. Para requerer a diminuição dos valores pagos por ele, são anexados aos autos 
documentos suficientes que comprovam que a mãe recebe valores exorbitantes, mas paga valores 
irrisórios de pensão alimentícia para o menor, especialmente se comparados aos pagos por ele. 
A outra parte é chamada a contestar, mas não consegue levantar provas suficientes capazes de gerar 
dúvida razoável no juiz. Nesse caso, há várias outras possibilidades a se pensar, mas esse aqui é o que você 
precisa levar para prova. 
É basicamente uma combinação de uma petição inicial bem-feita, somada a um bom 
contingente probatório documental e uma contestação ruim, que não traz elemento a 
gerar dúvida razoável no julgador. Essa é a tutela de evidência. 
Importante para sua prova? A tutela de urgência! 
 
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Considerações Finais 
Chegamos ao final desta aula! Nela eu me foquei nos aspectos processuais civis gerais, para auxiliar você 
não só na elaboração da peça, como também na resolução das questões em sua prova de 2ª Fase. 
Contudo, fica o alerta: quanto à estrutura e elaboração das peças em si, você deverá estudar pelas aulas do 
banco de peças e praticar muuuuito! 
Quaisquer dúvidas, sugestões, críticas ou mesmo elogios, não hesite em entrar em contato comigo. Estou 
disponível preferencialmente no Fórum de Dúvidas do Curso, mas também nas redes sociais, claro. Estou 
aguardando você na próxima aula. Até lá! 
Paulo H M Sousamas não falará 
expressamente sobre essa possibilidade, por isso, importante atentar para a interpretação. 
Além do pedido subsidiário ou sucessivo temos o pedido cumulativo. 
Conforme já vimos, a petição inicial é um pedido. Suponha, então, que você proporá uma 
petição inicial. O nome dela será sua ação, ou seja, seu pedido principal, por exemplo, uma 
ação de despejo. Nesse caso, pode ser que tenha algo mais além do despejo, como, por 
exemplo, pode-se requerer que sejam pagos os aluguéis atrasados. Será necessária uma 
petição para cada pedido? Não. Basta que sejam feitos de maneira cumulativa na mesma ação. 
Para ser possível a cumulação, três requisitos devem ser atendidos: 
➢ Os pedidos devem ser compatíveis entre si. 
 
➢ Os pedidos devem ser de competência do mesmo juízo. Não se pode enviar pedidos que 
juízes diferentes devem julgar. 
 
➢ O procedimento deve ser compatível. Ou seja, o procedimento para os diferentes pedidos 
deve ser o mesmo, caso contrário não haverá meios de os cumular. Por exemplo, em um pedido 
cujo procedimento exigido é especial e o outro é comum, não há possibilidade de cumulação. 
Quanto a esse requisito, você deve ter muita cautela, pois existem hipóteses para as quais não 
há necessidade de compatibilidade de competência. É o caso, por exemplo, das situações em 
que o autor renuncia ao procedimento especial. Nessas hipóteses, considerando que falei em 
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renúncia, o autor deve renunciar ao procedimento, de maneira que aquele pedido que 
tramitaria pelo procedimento especial tramite pelo comum. 
Outra cautela que se deve ter é com relação às regras dos procedimentos especiais, que permitem a 
cumulação do pedido especial com o pedido geral, porém mantêm o pedido no procedimento especial. 
Como exemplo, é possível citar o pedido de reintegração de posse cumulado com o ressarcimento pelos 
danos causados ao imóvel. Nesse caso, o CPC permite que sejam cumulados os pedidos no procedimento 
especial. 
Por fim, vale falarmos do pedido incidental. Essa é a categoria de pedido que exige o atendimento de um 
pedido prévio , para só então se ter o pedido principal. Por exemplo, requer-se a inclusão na partilha da 
herança, porém, não há registro de filiação. Dada essa situação, primeiro será necessário requerer o 
reconhecimento de filiação e na sequência a inclusão na partilha. 
Então, como vimos, os pedidos são muito importantes quando tratamos da petição inicial, mas vale 
lembrar que eles também são importantíssimos quando falamos da contestação e dos recursos. 
3. Procedimento Comum - Análise formal e Material 
Continuando nosso percurso pela linha do tempo processual, elaborada a petição, ela será 
remetida ao juiz e analisada por ele. Primeiro, ele irá analisar se ela cumpre os requisitos 
mínimos para ser processada. 
Quando é que o juiz receberá uma petição inicial, porém deverá indeferi-la? Em quatro 
hipóteses, previstas no art. 330 do CPC: 
➢ 1ª. Quando a petição é inepta, ou seja, quando ela não tem aptidão para ser levada adiante. 
Isso ocorre normalmente em quatro hipóteses: 
➢ 1. Quando na inicial não houver pedido ou causa de pedir, ou ainda, quando a causa 
de pedir não tiver nenhuma relação com os pedidos; 
➢ 2. Quando o pedido é indeterminado, salvo nas hipóteses em que se permite o pedido 
genérico ou indeterminado; 
➢ 3. Quando da narrativa não decorrer uma conclusão lógica dos fatos, por exemplo, a 
narrativa da parte não tem relação com os pedidos; 
➢ 4. Quando os pedidos são incompatíveis entre si. Aqui, o cuidado tem que ser com os 
pedidos subsidiários ou alternativos. Isso não significa que eles são incompatíveis entre si, 
isso quer dizer que a incompatibilidade será vista à luz da cumulação, ou seja, sempre que 
houver cumulação de pedidos deve ser analisado se eles são compatíveis entre si. 
 
➢ 2ª. Quando a parte for manifestamente legítima. 
 
 
➢ 3ª. Quando o autor carecer de interesse processual, ou seja, quando houver desinteresse 
processual, relacionado com o interesse de agir; pode haver interesse material, mas não 
processual. Assim, somente é interessado para agir, aquele que, por exemplo, sofreu o dano. 
 
➢ 4ª. Quando não cumpridos os requisitos dos artigos 106 e 321 do CPC. Em síntese, o 106 
trata do advogado que postula em causa própria. Nesse caso, deve ficar demonstrado ao juiz 
que o postulante é advogado devidamente inscrito na OAB. Isso porque as pessoas não podem 
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postular em juízo sem serem representadas, com exceção da previsão da Lei 9.099/1995 em 
que não é obrigatória a representação. Já o art. 321 do CPC trata das informações que devem 
constar na petição inicial, ou seja, trata das informações que estabelecem condições mínimas 
para que a ação seja postulada. 
Vale destacar que a inépcia não será decretada de pronto, o juiz pode analisar a possibilidade de uma 
emenda. Caso o requerimento do juiz seja atendido e a emenda seja válida a petição volta para o curso 
normal do processo. Se a parte discordar ou não emendar, haverá indeferimento. 
Existem, porém, situações em que é possível a parte discordar do indeferimento de cunho terminativo 
do juiz. Nesses casos, deve ser interposto o recurso de Apelação, que será encaminhado ao Tribunal, que 
dará ao juiz a possibilidade de retratação em cinco dias. Caso o juiz não se retrate, volta para o Tribunal. 
Se após emendada a petição ainda assim o juiz a indeferir, em não havendo Apelação da decisão de 
cunho terminativo, extingue-se o processo, ocorrendo o trânsito em julgado. 
Vale mencionar que o réu tem direito de responder à Apelação, então antes de o recurso ir para o 
Tribunal é feita a citação do réu, que deve apresentar contrarrazões, podendo alegar, inclusive, 
ilegitimidade ou outras razões que possam tornar inepta a petição. Remetido o recurso, o Tribunal irá 
julgar se o juiz de primeiro grau estava certo ou errado. 
Caso o tribunal perceba que o juiz de primeiro grau estava errado, é determinado que o juiz receba o 
processo e o julgue. Nesse caso, não há necessidade de citar o réu novamente e o prazo é aberto para a 
contestação, de maneira que o prazo conta da data de intimação do Tribunal de Justiça, após 
determinação de baixa dos autos. 
O contrário ocorre quando o juiz recebe a petição e faz um juízo positivo de seu recebimento, analisando 
o pedido de maneira superficial para então definir se esse pedido exige ou não instrução. 
Caso exija instrução, ele irá remeter à fase instrutória, para serem produzidas as provas de veracidade 
dos fatos alegados. Caso não exija instrução ele dispensará a fase instrutória. A partir disso, o juiz tomará 
diferentes caminhos. 
A primeira coisa a ser analisada é a compatibilidade do pedido com o que vem sendo decidido, pois 
quando do recebimento da petição, trata-se de uma análise formal, ou seja, o juiz analisa se ela cumpre os 
requisitos exigidos. Quando ele analisa o pedido, ele analisa o bem da vida, ou seja, o 
direito material. 
Deve-se analisar, por exemplo, se o pedido não esbarra em alguma Súmula ou Acórdão 
em sede de Recurso Repetitivo, ou em Entendimento em Incidente de Resolução de 
Demandas Repetitivas, ou em caso de Assunção de competência na classificação dos 
Tribunais de Justiça e, por fim, em Súmula do Tribunal de Justiça sobre direito local 
(pouco importante para nós, pois o Direito Civil é decidido em âmbito Federal e não 
Estadual). 
Essa análise gera economia processual, pois o juiz sabe que nesses casos a discussão será inútil e sem 
resultado porque há impedimentos quanto ao bem tutelado pela parte. 
Fica o alerta: para fins de prova somente são importantes as Súmulas do STJ e do STF!Para a OAB você não 
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precisa se preocupar com Recursos Repetitivos, nem com Incidente de Resoluçãode Demandas, nem 
Assunção de Competência. 
Nos casos em que o pedido do autor esbarre em uma Súmula ou em um dos casos citados acima, será 
declarado liminarmente improcedente, ou seja, o juiz irá expedir uma liminar de improcedência. Assim, o 
pedido feito pelo autor, no mérito, será julgado improcedente, exceto quando no caso em específico não 
se aplicar a Súmula. Nessa hipótese, o processo irá para a nae de instrução. 
O mérito que carece de instrução é aquele qna envolve elemento de fato, de maneira que a 
improcedência se dará nos casos em que o ménato envolver apenas elementos de Direito. 
Outra coisa para a qual você deve atentar: a análise do juiz quanto à prescrição ou à decadência. O juiz, 
ao observar a petição, conclui que de fato há razão da parte em cobrar, porém, se caducou, não há mérito 
quanto ao elemento de direito. Então é preciso citar o réu? Em tese, não, pois o pedido é liminarmente 
improcedente. 
Com relação à decadência, esse entendimento é totalmente válido, porém, em se tratando da prescrição, 
importa rememorar que o Código Civil permite a renúncia, pois quem se beneficia da prescrição pode a 
ela renunciar. Por exemplo, em uma ação de alimentos prescrita, é mais adequado que o juiz cite o réu, 
dando-lhe a oportunidade de renunciar à prescrição. Diante disso, lembre: no caso de prescrição, o juiz 
não pode julgar liminarmente improcedente sem a manifestação do réu. 
Nos casos mencionados, é permitido ao juiz julgar improcedente o pedido, porém, a parte autora que não 
se contentar com a decisão de caráter terminativo pode apelar ao Tribunal. O juiz do Tribunal de Justiça 
poderá, então, citar o réu, para que ele se manifeste em contrarrazões e oportunizar ao juiz de primeiro 
grau a retratação em cinco dias. 
Caso o juiz se retrate, o processo volta para o fluxo processual normal. Caso ele não se retrate e o 
Tribunal de Justiça entenda improcedente o pedido e, em não havendo manifestação da parte, ocorre o 
trânsito em julgado da ação. 
Você perguntará "qual a diferença entre a improcedência da petição inicial e a liminar de improcedência?". 
O cunho, pois, respectivamente, o cunho da análise da inicial é meramente formal, enquanto o cunho da 
análise da inicial é material, ou seja, analisa-se o pedido propriamente dito. Contudo, o funcionamento é 
igual. 
Ei!Caso o juiz se retrate antes da citação do réu na apelação, volta-se à marcha processual 
normal. 
Feita toda essa análise, terminamos esse elemento. O que vem agora? O curso natural do 
processo, mas antes de ver o pau quebrar devemos tentar evitar isso. 
4. Procedimento Comum – Audiência de Conciliação e 
Mediação 
Caso o juiz perceba não haver vício, ou seja, feita a análise dos aspectos formais e materiais, não havendo 
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nada que obste o andamento do processo, passa-se direto à próxima etapa. 
Nela, o juiz passa a analisar o julgamento e a necessidade ou não de fase instrutória. 
Contudo, antes do julgamento de fato, ele deve buscar as possibilidades de resolução de 
maneira amigável, como o caso de se tentar conciliar as partes. Será marcada, para 
isso,uma audiência de conciliação e mediação para que as partes possam dialogar e chegar 
sozinhas a um consenso.. 
Considerando que o sistema judiciário é lento, o juiz deve marcar uma audiência de conciliação, conforme 
a redação do art. 334 do CPC, mas deverá marcá-la com no mínimo 30 dias de antecedência e intimar o 
réu com no mínimo 20 dias de antecedência. 
Essa audiência, a rigor, não é levada a cabo pelo magistrado, mas por conciliador ou mediador, o qual tem 
o dever de acompanhar o procedimento, que pode ser uno ou contar com mais de uma sessão. Por vezes 
há a percepção de que as partes estão quase entrando num acordo, porém ainda falta um cálculo ou a 
análise de algum outro requisito, que fará necessária a suspensão da audiência, que ensejará outras 
audiências. 
Contudo, apesar de admitir mais de uma audiência, o prazo máximo de duração desse procedimento é de 
dois meses, contados da data da primeira audiência até a última, para que a situação não se prolongue no 
tempo. 
Essa audiência sempre irá ocorrer? Não, no caso das seguintes hipóteses: 
➢ Quando ambas as partes demonstrarem desinteresse na composição consensual. A 
manifestação do desinteresse, no caso do autor, se dá na petição inicial e no caso do réu, na 
contestação. Se as partes nada manifestam, presume-se o interesse. Se o autor manifesta 
desinteresse e o réu manifesta interesse ou vice-versa, será marcada a dita audiência. 
 
➢ Quando a autocomposição é inadmissível, ou seja, há interesses que não podem ser 
acordados, por exemplo, no caso das ações de estado, ou que envolvam direito de 
personalidade, porém, desde que não haja consequência material. Caso tenha consequência 
patrimonial, pode haver autocomposição. 
Lembrando: o desinteresse do autor é feito em petição inicial, enquanto o do réu é feito em petição 
avulsa, no prazo de dez dias, contados da data da expedição da intimação feita pelo juiz. Caso a audiência 
já esteja marcada, basta realizar o cancelamento. 
Vale destacar que o conceito de parte difere do conceito de pessoa, então muita atenção! A concordância 
tem que ser do autor e do réu, não importando se um ou se muitos, todos devem demonstrar desinteresse 
na audiência de conciliação. 
Além disso, essa audiência de conciliação pode ser efetuada por meio eletrônico, conforme a redação do 
CPC de 2015 original. 
Após marcada a audiência, caso uma das partes não compareça, isso será considerado ato atentatório 
contra a dignidade da justiça, que enseja multa de 2% do valor da causa, revertida em favor do Estado. 
Em situações normais, em que as partes participam da audiência, devidamente representadas por seus 
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advogados, se há resultado positivo, ou seja, em havendo conciliação, é reduzida a termo, e o juiz a 
homologa por sentença, dando fim ao processo. 
Caso exista resultado negativo, ou seja, não houve conciliação, passa-se para a contestação, havendo a 
integração do contraditório no sentido mais estrito do termo. 
Do momento do pedido até o cumprimento de sentença (quando o juiz concede ou não o bem da vida ao 
requerente), existe uma pedra no caminho. Essa pedra é o réu, que por óbvio não está muito feliz em 
entregar o bem da vida. Isso porque ele entende que o autor não tem esse direito. Então o réu resistirá à 
pretensão processual do autor. 
Esse papel é desempenhado pela contestação, que consolida o elemento do contraditório. Quando 
falamos em contestação, aplicamos a mesma regra para os prazos em geral, que é o prazo de quinze dias, 
contados conforme a disposição do art. 335 do CPC. 
A primeira e mais importante das regras é que o prazo começa a contar a partir da audiência de 
conciliação ou mediação, ainda que uma das partes não compareça, pois é automática. Se as partes 
comparecem, mas não chegam a acordo, conta-se o prazo de 15 dias também a partir da data da 
audiência de conciliação. Essa é a regra geral. 
Pode ser ainda que o autor tenha apresentado na petição inicial o desinteresse na audiência de 
conciliação. Caso o réu, após ser citado, manifeste desinteresse também, o prazo conta a 
partir do protocolo de pedido de cancelamento da audiência de conciliação. Assim, vai direito 
para a instrução. 
Há também o caso da regra prevista no art. 231 do CPC, que traz uma importante exceção à 
contagem de prazo e elencar uma pilha de possibilidade de contagem de prazos, veja: 
Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo: 
I - a data de juntada aos autos do aviso de recebimento, quando a citação ou a intimação 
for pelo correio; 
II - a data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação 
for por oficial de justiça; 
III - a data de ocorrência da citaçãoou da intimação, quando ela se der por ato do 
escrivão ou do chefe de secretaria; 
IV - o dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz, quando a citação ou a 
intimação for por edital; 
V - o dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do 
prazo para que a consulta se dê, quando a citação ou a intimação for eletrônica; 
VI - a data de juntada do comunicado de que trata o art. 232 ou, não havendo esse, a 
data de juntada da carta aos autos de origem devidamente cumprida, quando a citação 
ou a intimação se realizar em cumprimento de carta; 
VII - a data de publicação, quando a intimação se der pelo Diário da Justiça impresso ou 
eletrônico; 
VIII - o dia da carga, quando a intimação se der por meio da retirada dos autos, em carga, 
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do cartório ou da secretaria. 
IX - o quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, 
do recebimento da citação realizada por meio eletrônico. 
Essa regra do art. 231 será utilizada de maneira subsidiária. 
Na hipótese de litisconsórcio passivo, ou seja, de uma pluralidade de réus, sem que as citações ocorram ao 
mesmo tempo, o prazo começará a correr a partir da data em que cada um requereu o pedido de 
cancelamento da audiência de conciliação e mediação. 
5. Procedimento Comum – Contestação 
Existindo prazo, é possível passarà contestação. O que será contestado? Basicamente, o 
réu deve alegar tudo o que de fato e de direito lhe incumbe na contestação. 
Será apresentada toda a matéria de defesa, com indicação das provas que pretende que 
sejam produzidas, tal como na petição inicial. No entanto, a análise fática e jurídica é 
precedida de um terceiro elemento que deve ser discutido: as preliminares de mérito. Ou 
seja, antes de discutir o causo, há alguns prolegômenos que devem ser resolvidos. 
Isso quer dizer, como dito, que antes do mérito o réu deve apontar um rol enorme de situações: 
➢ Inexistência ou nulidade de citação, nos casos em não tenha sido citado. 
 
➢ Incompetência absoluta ou relativa do juízo. 
 
➢ Incorreção de valor de causa, o que exige muita atenção, pois os honorários de sucumbência 
são dados a partir desse valor. Para o Exame da OAB, mais atenção ainda! Se o enunciado não 
estiver falando expressamente de um valor, NÃO CRIE UM VALOR DA CAUSA EM SUA PEÇA! 
 
➢ Inépcia da petição inicial. 
 
➢ Perempção, ou seja, nos casos em que o autor já abandonou a causa três vezes (nunca vi cair no 
exame da OAB, mas vai que cai, você precisa estar preparado). 
 
➢ Litispendência, ou seja, quando já houver discussão sobre o caso e um juiz prevento estiver 
fazendo a análise do caso. 
 
➢ Coisa julgada, ou seja, se já ocorreu um processo sobre o mesmo tema e a decisão já transitou 
em jugado, não se deve mais discutir sobre isso. 
 
➢ Conexão, ou seja, quando já se discute uma parte conexa à lide, ela deve ser levada para o juiz 
prevento, pois do contrário pode haver risco de duas decisões diferentes. 
 
➢ Incapacidade da parte, por defeito de representação ou falta de autorização (como é o caso do 
menor que figura como parte autora na lide). 
 
➢ Convenção de arbitragem (a depender da situação, não se trata de situação que deveria estar 
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sendo discutida no judiciário, mas sim na Câmara de Arbitragem). 
 
➢ Ausência de legitimidade ou de interesse processual (que pode ser processual ou material). 
 
➢ A presença ou não de caução quando a lei exige a caução como elemento preliminar. 
 
➢ Indevida concessão do benefício da gratuidade de justiça. 
Atenção para um aspecto importante: de todas essas situações, caso se trate de incompetência relativa e 
convenção de arbitragem, o juiz não poderá as reconhecer de ofício, mas quanto ao resto sim. Dessa 
forma, ele pode pedir emenda relacionada ao valor da causa, decretar perempção, coisa julgada, etc., 
porém, não poderá realizar o mesmo nos casos de incompetência relativa e convenção de arbitragem, 
certo? 
Tal fato ocorre porque não há como o juiz conhecer de ofício algo de que ele não tem conhecimento. Por 
exemplo, o juiz, normalmente, não tem como saber que a parte celebrou convenção de arbitragem ou 
estabeleceu cláusula contratual de fixação de foro. 
Como o juiz não pode conhecer de ofício, em caso de incompetência relativa, o réu deve contestar se 
houver prorrogação da competência, ou seja, se a parte propõe ação em um foro diferente do estipulado 
e o juiz aceita a causa, ficará a cargo do réu contestar. 
Quanto à convenção de arbitragem, o juiz não pode conhecer de ofício, porque pode ser que a parte não 
a conteste e, nesse caso, caracteriza-se a renúncia ao juízo arbitral, ou seja, é invalidado o que as partes 
convencionaram ou poderiam convencionar. 
Por vezes, na prática, isso faz parte da estratégia do advogado, a depender das circunstâncias, 
mas ATENÇÃO, isso é mais relevante, na prática, dificilmente você verá em sua prova da 
OAB. 
Continuando a análise da contestação, quero chamar sua atenção para outro detalhezinho: 
quando a parte contesta a legitimidade, alegando ilegitimidade passiva, ou seja, o réu em sua 
contestação alegar ser parte ilegítima. Nesse caso, deve, então, indicar quem seria a parte legítima. Na 
contestação, pois, deve-se inserir quem é a parte legítima ou quem se presume legítimo. 
Com isso, o juiz determina que o autor se manifeste no prazo de 15 dias. Caso o autor reconheça que 
errou na indicação da parte ré, deve aceitar e, nesse caso, arcar com as custas sucumbenciais pelos 
acréscimos que causou nessa etapa da demanda, ainda que a vença ao fim. 
Isso vale também para as custas dos honorários advocatícios, que serão fixados entre 3 e 5% do valor da 
causa, a menos que o valor dos honorários seja irrisório. Nessa situação, o juiz irá fixar um valor por 
equidade. 
Caso a parte seja ilegítima, mas reconheça uma preliminar de mérito, como, um erro no valor da causa, 
por exemplo, deverá alegá-la, pois isso será importante o cálculo de quitação de honorários advocatícios, 
além de fazer devidamente a alegação de ilegitimidade e a substituição, se possível. 
Caso o réu indique ser parte ilegítima, mas não indique a parte legítima, mesmo sabendo quem é, ele é 
quem arcará com as custas processuais e ainda indenizará o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de 
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informação. 
Contudo, ainda é possível que o autor entenda incorreto excluir a parte que alega ilegitimidade e concorde 
com a indicação, ou seja, há um litisconsórcio. Nesse caso, a parte autora deverá requerer autorização 
judicial para aditar a petição inicial e incluir como litisconsorte passivo o outro réu. Agora, caso no 
julgamento fique entendido que houve ilegitimidade, sobe o valor do pagamento das custas e honorários 
de 10 a 20%. 
Em se tratando da incompetência relativa, deve-se fazer o protocolo da ação no domicílio do réu. Caso a 
intimação tenha chegado por carta precatória, deve-se juntar a constatação a ela. Caso tenha sido enviada 
com Aviso de Recebimento, AR, deve-se distribuir a contestação livremente pelos juízos da comarca do 
domicílio do réu, como se fosse uma petição inicial. 
Uma vez protocolado, ao juízo de origem do processo o juízo da contestação deve informar que recebeu 
a contestação, de maneira que deverá ser suspensa a audiência de conciliação e mediação, devendo os 
juízos decidirem qual deles é competente. Caso o juízo da contestação seja o correto, a petição deve ser 
remetida a ele, marcando então a audiência de conciliação e mediação, e vice-versa. 
Quanto às custas relativas à análise de competência, será responsável pelo pagamento quem deu causa 
ao equívoco. Vale lembrar que essas custas não se relacionam com as custas do restante do processo, 
somente se referem à análisede competência. Definida a competência, o juiz competente decide a 
audiência de conciliação e o processo segue o seu curso normal. 
Como foi possível perceber, no momento da contestação deve-se alegar TUDO! Caso contrário, presumem-
se verdadeiras as alegações do autor que não forma contestadas. Vale lembrar que essa presunção de 
veracidade não é absoluta, dado que não se aplica quando: 
➢ O fato não admitir a confissão, por exemplo, nos casos em que a ação é movida contra um 
menor de 12 anos. Como ele não pode confessar, exige-se a prova dos fatos. 
 
➢ A petição inicial não estiver instruída com o instrumento que a lei considerar substancial do 
ato, ou seja, o instrumento é imprescindível para a comprovação dos fatos, por exemplo, a 
escritura pública. 
 
➢ Quando houver uma contradição com a defesa, considerada em seu conjunto, por exemplo, 
quando o réu, apesar de não haver contestado, o fato não bate com os demais fatos alegados. 
A regra é de que se deve contestar tudo, porém há exceções quanto à presunção de 
veracidade, como, por exemplo, no caso do defensor público, do advogado dativo e do 
curador especial. Caso essas figuras não contestem alegando todos os elementos 
necessários, não há presunção de veracidade. 
Professor, eu tenho que falar tudo sempre? Não, há coisas que nem sempre são 
necessárias de serem ditas, sendo: 
➢ Situações em que há fato superveniente. Nesse caso, obviamente não há como contestar ou 
alegar fatos futuros. 
 
➢ Quando competir ao juiz conhecer de ofício, ou seja, quando há matéria cognoscível de ofício 
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pelo juízo. Essa situação permite que a parte se manifeste em momento posterior, porém, essa 
alegação não pode se dar no fim do processo ou em momento muito posterior, de maneira a 
prejudicá-lo ou causar prejuízo à parte autora. Para fins de Exame da Ordem, não se utilize 
dessa regra e alegue TUDO em sede de contestação, senão você perderá pontos. 
 
➢ Quando houver por expressa autorização legal a formulação a qualquer tempo ou grau de 
jurisdição, como é caso da prescrição, que pode ser alegada em qualquer momento no 
processo. É justo com o autor a alegação posterior? Não, mas é possível e o réu deverá arcar 
com as custas decorrentes dessa demora. 
6. Procedimento Comum – Contestação com Reconvenção 
 
Falaremos agora da contestação com reconvenção, que nada mais é do que uma ação reversa, feita sem 
que a parte tenha que apresentar uma nova inicial, ou seja, no meio da contestação será posta a 
reconvenção. 
Isso quer dizer, visualmente falando, que a reconvenção é uma contestação a que em algum momento 
será acrescido um item nomeado reconvenção, nos moldes de uma petição inicial. 
Basicamente, a reconvenção se trata da proposição de uma lide pelo réu na lide do autor. 
Nesse caso, durante a contestação é preciso colocar valor da causa? Não. Esse é um elemento restrito à 
petição inicial, art. 319, do CPC. Na parte da reconvenção, é preciso? Sim, pois é uma inicial dentro da 
contestação, que requer todos os elementos da petição inicial. 
Contudo, ATENÇÃO, os itens que se repetem na contestação e na reconvenção você não deve repetir, 
basta colocar uma vez só. Quanto à citação do réu, que na verdade é o autor, faz sentido pedir para citá-
lo? Não. Nesse caso cabe a intimação da parte autora para apresentar resposta, no prazo de contestação 
à reconvenção, ou seja, 15 dias da data da intimação. Nesse caso, também não há razão para a intimação 
do autor pessoalmente, porque ele já figura representado por um advogado na ação, por isso, intima-se na 
pessoa do advogado. 
Nessa contestação com reconvenção, caso haja causa extintiva da petição inicial do autor, a reconvenção 
da parte ré continua valendo, ou seja, a desistência da ação principal ou a existência de causa extintiva da 
inicial não geram a extinção da reconvenção. 
Vale ressaltar que em uma reconvenção também é possível incluir o réu mais um terceiro, que deve 
contestar a reconvenção e não a petição inicial. 
É possível propor apenas a reconvenção? Sim! Inclusive quando caiu na prova da OAB a banca pontuou a 
peça de quem nomeou a ação apenas como contestação, mas que ao longo do desenvolvimento colocou o 
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pleito reconvencional. Quem apenas colocou reconvenção e contestou ao longo da peça também pontuou. 
O que você jamais poderá fazer: a contestação separada da reconvenção, fazer só a reconvenção, ou fazer 
só a contestação. Então MUITA ATENÇÃO, é a contestação com reconvenção, combinado? 
7. Procedimento Comum – Revelia 
Seguindo a nossa linha do tempo, imagine uma situação em que o réu não se manifeste, ou 
seja, suprimida sua manifestação. Nesse caso estaremos diante da revelia, nos termos do 
art. 344 do CPC. 
A partir de então, há uma presunção de veracidade a respeito dos fatos alegados na petição 
inicial. Então se o autor falou e o réu não “desfalou”, presume-se verdadeiro. Essa 
presunção se aplicará sempre? Não. Há quatro situações em que a presunção de 
veracidade não vai se aplicar: 
➢ Quando houve pluralidade de réus e algum desses réus contestar a ação. 
 
➢ Quando se tratar de direito indisponível, ou seja, se não se pode dispor do direito, não pode 
haver presunção de veracidade. 
 
➢ Quando a petição inicial não vier carreada de um documento considerado indispensável para o 
fato (mesma regra da contestação). 
 
➢ Quando as alegações da parte forem inverossímeis ou estiverem em contradição com a prova 
constante nos autos (para esse ponto quero chamar a sua atenção, pois tanto em termos de 
prova quanto em termos práticos é importantíssima uma narrativa fática bem-feita). 
ATENÇÃO! Nesses casos o réu é REVEL, porém NÃO há presunção de veracidade! É incorreto dizer que a 
ausência de presunção de veracidade deixa de tornar o réu revel. Se liga! 
Além disso, a revelia não significa que o réu não poderá mais se manifestar, pelo contrário, ela permite 
que o réu participe do processo, mesmo que revel, porém, irá receber os autos no estado em que se 
encontrarem no momento da manifestação. Ou seja, a marcha processual continua ainda que haja revelia. 
Assim, caso já tenha se passado a fase de instrução e o réu se manifeste, ele não poderá impugnar provas 
já produzidas, nem apresentar um quesito complementar porque haverá ocorrido a 
preclusão. 
Agora, caso o réu se manifeste no momento da fase de instrução, ele poderá participar 
normalmente da produção de provas, visto que ele pega o processo no estado em que se 
encontra. Não é possível empurrar o processo de volta nem impedir que o réu intervenha. 
Os prazos para o réu fluirão da data de publicação do ato decisório. 
8. Procedimento comum - Saneamento 
Encerrada a etapa de manifestação do réu, começa o momento de movimentação do juiz, que volta atuar 
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a partir de tomadas de decisões preliminares e saneamento, ou seja, ele pegará o processo e analisará os 
atos ocorridos até o momento. 
O juiz passa então a tomar providências preliminares e a sanear. Para isso, o CPC determina uma ordem 
específica cuja análise será a seguinte: 
➢ Houve revelia? Sim. Há presunção de veracidade? Sim. Logo, dispensa produção de provas. 
Caso não tenha havido presunção, ele determinará a produção de provas. Houve revelia, mas o 
réu se manifesta posteriormente, antes da produção de provas, abre-se prazo para o réu 
também produzir provas. Não houve revelia ou ocorreu a revelia, deve-se produzir provas e 
seguir o curso do processo. 
 
➢ Quando o réu apresentar contestação, demonstrando que o autor não menciona a existência de 
fator impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse caso, o juiz fará a oitiva 
do autor no prazo de 15 dias, que se manifestará através de uma réplica ou uma impugnaçãoà 
contestação. 
 
➢ Quando houver uma irregularidade formal ou material relativamente ao pedido, haverá o 
pedido de emenda ou a extinção do processo. No entanto, quando se tratar de uma 
irregularidade sanável, determina-se a correção no prazo máximo de 30 dias. 
Caso não haja nenhuma irregularidade no processo, o juiz fará após o saneamento o 
julgamento imediato do processo, passando posteriormente para a etapa do julgamento. 
Isso pode? Pode. A depender das circunstâncias o juiz faz o julgamento conforme o 
estado do processo. 
Quando o juiz pode julgar nessas circunstâncias? Nas hipóteses do art. 485 ou 487, incisos 
II e III do CPC. 
Hipóteses do art. 485 (julgamento sem resolução de mérito): 
➢ Por meio do indeferimento da petição inicial; 
 
➢ Por desídia da parte autora; 
 
➢ Por abandono da causa por mais de 30 dias; 
 
➢ Por falta dos pressupostos de constituição e desenvolvimento válido regular do processo; 
 
➢ Por perempção ou litispendência; coisa julgada; 
 
➢ Ilegitimidade, ausência de interesse de agir; 
 
➢ Por apresentação da convenção de arbitragem; 
 
➢ Por desistência; 
 
➢ Por morte de uma das partes no caso da ação intransmissível; 
 
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➢ Nos demais casos previstos no CPC. 
Hipóteses do art. 487: 
➢ Em caso de prescrição ou decadência; 
 
➢ Em caso de homologação do reconhecimento da procedência, transação ou renúncia. 
Nesses casos, o juiz irá pegar a marcha processual parada nesse momento e julgará conforme o estado do 
processo, extinguindo a ação com julgamento de mérito ou sem resolução de mérito. 
No entanto, caso não haja nenhuma das hipóteses do art. 485 ou 487, não será possível o julgamento do 
processo no estado em que se encontra, mas é possível o julgamento do mérito de uma vez. Nos casos em 
que a causa estiver madura, sem haver mais a necessidade de fazer diligências, será possível julgar 
antecipadamente o mérito da demanda quando todos os elementos de prova já estiverem nos autos ou 
quando for apenas uma discussão de direito. 
Quando o réu for revel, correrá contra ele a presunção de veracidade. Nessa hipótese o juiz também 
poderá julgar antecipadamente o mérito. 
Além disso, também existem os casos em que o juiz pode realizar o julgamento antecipado parcial de 
mérito. Isso ocorre nas hipóteses em que o mérito é seccionado em partes, ou seja, quando na inicial 
houver mais de um pedido. Por exemplo, uma ação de divórcio cumulado com partilha de bens. Nesse caso 
é possível o julgamento antecipado do divórcio, porém, o da partilha de bens não. Assim, haverá o 
julgamento antecipado parcial de mérito. No entanto, muita atenção, isso somente é possível quando o 
pedido for incontroverso. 
O artigo 355 do CPC dirá que ainda que não seja incontroverso, caberá julgamento 
antecipado parcial de mérito, quando não houver necessidade de produção de provas e 
quando o réu for revel, porém a parte indisponível dele, não poderá ser julgada. 
Após o julgamento haverá uma decisão que exigirá o cumprimento da decisão, a parte 
julgada irá para o cumprimento de sentença, enquanto a outra parte, que não foi 
possível julgar, segue o curso normal do processo. 
Sendo uma parte do pedido incontroverso, não há porque não julgar antecipadamente, passando-se para a 
fase de cumprimento de sentença. No entanto, quanto a essa decisão, caso a parte contrária não aceite o 
julgamento antecipado, ela poderá interpor um Agravo de Instrumento para que seja enviada ao tribunal 
uma parte desse processo, que é a parte julgada, enquanto o resto do mérito fica sob os cuidados do juiz 
de primeiro grau. 
Por isso, a decisão é agravável, nos termos do art. 356, §5º, do CPC, pois se trata de decisão 
interlocutória, que não é terminativa da fase de cognição, mas que põe fim à parte do mérito. Ou seja, a 
decisão interlocutória não tem caráter de sentença. Veja que se trata de procedimento, logo, basta que 
você siga a lógica. 
Dessa decisão de julgamento parcial do mérito cabe o recurso de Agravo, que seguirá seu rumo processual 
no tribunal. Caso contrário, transita em julgado relativamente à parte julgada parcialmente 
improcedente. Para atacar esse trânsito em julgado, caso a parte queira, ela poderá ingressar com ação 
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rescisória, que terá seu prazo contado da data da do trânsito em julgado. 
Continuando a linha do tempo do procedimento comum, depois de tudo o que já analisamos até agora, o 
juiz sonda o processo de saneamento, para basicamente, conferir se a “casa” está em ordem, e é aqui que 
podemos falar do saneamento propriamente dito. 
O juiz verifica se não há elemento de extinção, hipótese de julgamento antecipado total ou parcial do 
mérito para então sanear de fato o feito. Na sequência promoverá a decisão do saneamento, que é 
extremamente importante em termos práticos. 
O juiz irá analisar se não há nenhuma questão processual pendente. Se sim, determina que seja resolvida. 
Tecnicamente se não houve nada relativo ao julgamento parcial, antecipado ou extinção, o juiz não terá 
muito o que fazer, mas o saneamento é o “freio de arrumação” para conferir se não há nada errado no 
processo. É nesse momento que ele faz, por exemplo, a análise relativa aos elementos do recebimento da 
inicial. É o melhor dos dois mundos? Não, mas acontece na prática. 
Ocorre também no saneamento a análise das questões de fato nas quais vão recair os elementos de prova. 
Nessa etapa, o juiz analisa tudo o que foi alegado no processo e determinará a exata discussão e qual 
será o meio necessário para provar os fatos alegados. Por exemplo, em uma ação de reconhecimento de 
paternidade a prova a ser produzida é um exame de DNA. Então ele fixa e delimita o elemento de prova. 
Caso essas provas não resolvam a lide, ele deve fixar a distribuição do ônus da prova. Isso será feito na 
forma do artigo 373 do CPC. Contudo, não focaremos na análise sobre ônus da prova agora. 
Então, nessa fase do processo, basicamente o juiz dita o que cada uma das partes deverá produzir de 
prova. 
Contudo, você deve se atentar para um elemento especialíssimo, como, por exemplo, no caso 
em que o CDC determina a inversão do ônus da prova em favor do autor. ATENÇÃO, essa 
inversão não será automaticamente feita, ela se dará a partir do que código determina, ou seja, 
que isso seja feito a critério do juiz, se ele verificar verossimilhança nas alegações ou a 
hipossuficiência da parte. 
O juiz é quem determinará ou não se nas alegações da parte autora há verossimilhança para caracterizar a 
inversão. 
Uma vez fixados os elementos de prova, ele delimita também as questões de direito importantes para o 
mérito. Por exemplo, em uma ação de reconhecimento de paternidade não se discute estrutura de família, 
visto que os tribunais superiores já decidiram sobre o fato. 
Cabe ao juiz designar a audiência de instrução, se necessário. Pode ser que o elemento de prova, por 
exemplo, seja a apresentação de um documento situação que dispensa uma audiência, já que não há 
ninguém para ouvir, basta que a parte anexe aos autos. 
Após fixar isso tudo, o juiz toma a decisão de saneamento, dando às partes cinco dias para pedirem 
esclarecimentos ou ajustes dessa decisão. Passado o prazo de cinco dias, sem manifestação e/ou 
sanados os esclarecimentos e ajustes, a decisão se torna estável. 
Então eu pergunto para você: se a decisão se torna estável, qual o recurso cabível contra a decisão de 
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saneamento? Nenhum. Pois, se ela se estabilizou, não tem mais recurso. Por isso, lembra que te falei que 
essa decisão é extremamente importante? Pois é, a decisão se estabilizou, portanto não cabe mais 
qualquer ajuste. 
Caso o saneamento seja muito complexo, o juiz pode fixar audiência para a aplicação dos elementos de 
fato ou de direito,mas ressalto que isso ocorre somente se for complexa a audiência de saneamento. 
Fica o adendo: são raríssimos os casos em que o juiz não consiga fixar uma decisão saneadora. 
Outro cuidado que você deve ter é com relação à delimitação de fato e exigência de prova. No caso de 
prova testemunhal, deve-se apresentar um rol de testemunhas num prazo não superior a 15 dias. O juiz 
inclusive pode delimitar o número de testemunhas, para melhor realização da audiência. 
Nesse momento é que se tem uma decisão de saneamento e, a partir disso, pensando na linha do tempo, 
nós teremos um momento anterior à decisão e um momento posterior à decisão. Isso porque após feita 
acaba a parte de providência preliminares. 
Então, atenção, pois o momento de ajustar a marcha processual é o momento anterior à decisão do 
saneamento, por quê? Porque depois dela não há muito o que se fazer, exceto quando for o caso, por 
exemplo, das nulidades e das matérias cognoscíveis de ofício, a situação do réu revel etc. 
Ou seja, nós estamos cá a falar de uma linha do tempo, mas lembre-se de que o processo é uma teia, ou 
seja, ele vem para cá, vai para lá, e no final, termina no mesmo lugar, que é a sentença, lembrando que 
tudo acaba na sentença. 
Então, fazendo uma analogia para você entender melhor, imagine que o processo é uma linha 
férrea organizada em vários raminhos que saem de um ponto específico, pois bem, esse é 
processo depois da sentença. Antes dela, ele está todo bagunçado, cheio de nós que se 
entrelaçam e o saneamento é justamente para desatar esses nós e reorganizá-los. 
Dessa decisão de saneamento, eventualmente é possível discutir elementos maiores. Caso 
incida uma das hipóteses do art. 1.015 do CPC, deve-se interpor Agravo de Instrumento. Caso não incida 
nenhuma dessas hipóteses, haverá, eventualmente, preliminar de Apelação. 
9. Procedimento Comum - Elementos probatórios e Audiência 
de Instrução e Julgamento 
Resolvida a questão no saneamento, podemos avançar para o elemento probatório e 
para o elemento principal, que é onde tudo deságua, a audiência de instrução e 
julgamento (o terror de dez a cada dez possuidores da carteirinha da OAB que nunca 
tiverem feito uma). 
Isso porque a audiência de instrução e julgamento é onde deságua o desenvolvimento de 
todo o processo. Assim, essa audiência consolidará o processo. 
Pois bem, quando tratamos dessa audiência, é importante analisar alguns quesitos processuais 
importantes, com a data e a hora aprazadas, por exemplo. 
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O juiz ao abrir a audiência tenta novamente uma conciliação entre as partes. Isso porque ele quer dar 
celeridade ao fim do processo e pode ser que em algum momento no processo a parte contrária não 
soubesse que a outra tinha um arsenal probatório tão importante. Talvez o autor não esperasse uma 
contestação tão bem-feita pelo réu, ou o réu não tenha imaginado que na réplica o autor o rebateria tão 
bem, ou seja, o processo é uma espécie de Teoria dos Jogos, pois por vezes as partes têm que se encorajar 
e ir para cima da outra e por vezes as partes têm que fingir que nada estava acontecendo. 
Então a conciliação talvez seja uma escapatória nessas situações. Caso não aconteça, segue-se a audiência. 
Vale lembrar que o juiz tem poder de polícia durante a audiência, porque ele é o responsável por manter 
a ordem e o decoro nesse momento. Se for o caso, ele pode determinar a retirada de pessoas da sala de 
audiência. Pode ainda requisitar força policial. Apesar disso, ele deve tratar quaisquer das partes e 
testemunhas com urbanidade e sempre registrar em ata o que ocorrer durante a audiência. 
Esse poder de polícia do juiz é fundamental, especialmente em se tratando do ponto central da audiência 
feita para se ouvir as partes, por isso, para haver a oitiva deve se manter a ordem. Então o principal 
aspecto da audiência é ouvir. Especialmente quando tratamos de produção de prova testemunhal em 
audiência. 
Como o juiz questiona a produção dessa prova? Existe uma ordem de preferência, a qual o juiz não é 
obrigado a seguir, mas sempre que não quiser seguir terá que justificar as razões pelas quais não está 
seguindo. 
Preferencialmente, primeiro se ouve o perito e o assistente técnico, se for o caso de prova pericial. Uma 
vez ouvido o perito, é possível ouvir o autor. Após ouvir o autor, ouve-se o réu. Ambos em depoimento 
pessoal. Na sequência, ouvem-se as testemunhas; primeiro as arroladas pelo autor, depois as arroladas 
pelo réu. 
Essa é a sequência a ser seguida; quando não tem uma, segue para a outra. Há situações em que o autor 
dispensa o depoimento pessoal da parte e, nesse caso, não se ouve o réu, passa-se para as testemunhas. 
Fica a dica, inclusive, para sua prática advocatícia. Se perceber que o réu está muito ansioso para botar a 
boca no trombone, dispense o depoimento dele. Isso é uma tática que pode colaborar muito com a sua 
prática advocatícia. Pode ser que ouvir o réu prejudique seu cliente. É preciso ter esse feeling. 
Pode acontecer que o advogado dispense um depoimento, mas o juiz não. Por exemplo, se o advogado 
dispensa a testemunha, o juiz pode pedir que ela fale como testemunha do juízo. Ele tem essa liberdade, 
pois ele é o destinatário da prova. Por isso, inclusive, que ele pode inverter a ordem da produção de 
provas orais, desde que de maneira justificada. 
Suponha, porém, que a audiência não pode ocorrer no dia marcado. Ela pode ser, então, adiada por 
convenção das partes; em razão de uma das partes não poder comparecer à audiência (somente quando 
houver motivo justificado) e quando houver atraso injustificado para o início da audiência por tempo 
superior a trinta minutos. Um exemplo desse último caso é a hipótese de a audiência anterior perdurar 
por mais tempo do que o planejado e acabar atrasando a subsequente em tempo superior a trinta 
minutos. Isso gera a possibilidade de a parte ir embora e a audiência ter que ser adiada. 
Com relação às custas, a parte que deu causa ao adiamento é quem deve arcar com eles. ATENÇÃO! Aqui 
não interessa o elemento “culpa”, então mesmo que a pessoa que deu causa ao adiamento tenha sido 
sequestrada, ora, o adiamento se deu por causa dela, portanto, é responsável patrimonial e terá que pagar 
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as custas. Agora, se o adiamento se deu por convenção, as próprias partes estabelecem a forma de 
pagamento entre si. Em caso de atraso da audiência, o Poder Judiciário não cobra pelos valores 
necessários, ficando ele no prejuízo mesmo. 
Então, na remarcação da audiência já é possível intimar as partes. Agora imagine que não tenha sido a 
audiência adiada, ou que tenha sido remarcada e resolvida. Aí teremos o fim da audiência de instrução e 
julgamento. 
Após, o juiz irá passar a palavra para o advogado do autor e na sequência, passa a palavra para o 
advogado do réu e, se for necessário ouvir o Ministério Público, a ele também será concedida a palavra. 
Passada a palavra, as partes farão suas alegações finais no prazo máximo de 20 minutos. Essas alegações 
devem ser orais (e aqui faço mais um adendo, esse também é o terror do jovem advogado). 
ATENÇÃO! Não é a parte que determina como fará as alegações finais, é o CPC, em seu 
artigo 364, que determina que elas sejam orais. Por que os juízes permitem alegações finais 
por escrito? Muitas das vezes para não ter que ficar ouvindo. Contudo, a regra é que seja 
oral. 
O juiz pode substituir as alegações finais orais por alegações finais escritas? Pode, mas a 
rigor somente pode fazer quando estiver diante de questões complexas. Por exemplo, uma ação que 
envolva um caso de interceptação de uma postagem que viola direitos da personalidade, ou que envolva 
elementos de proteção de dados e que exija análise de anonimato, veja, há elementos muito complexos. 
Essas situações são extremante raras. 
Terminadas as alegaçõesfinais, chega ao fim a audiência. Agora suponha que não será possível fazer as 
alegações finais naquele dia, por exemplo, se o perito falta, ou se a hora já está muito adiantada. Lembre-
se de que a audiência é uma e é contínua, porém, se o juiz fizer as devidas justificações, é possível ouvir a 
parte em outro momento. 
Suponha que foram feitas as alegações finais devidamente. A próxima etapa é então a sentença, que pode 
ser dada na própria audiência ou pode ser dada posteriormente. Tecnicamente, em trinta dias. É muito 
raro que atrase, mas pode ser que aconteça, porém isso é problema do juiz, que não nos interessa aqui 
para a OAB. 
Lembrando que essa audiência é tradicionalmente pública, inclusive, é direito do advogado, previsto no 
CPC, que grave a audiência. Pode haver, ainda a captura em áudio e vídeo, facilitando para as partes. A 
exceção fica a cargo das audiências de família que a depender das circunstâncias podem ser públicas ou 
não. Assim, não serão públicas as audiências previstas na forma da lei ou quando o juiz achar necessário 
para preservar a ordem pública, preservação da intimidade da parte, preservação de sigilo e, por vezes, 
pode ocorrer que ao longo dos autos seja necessário tornar sigiloso o processo. 
Com o término da audiência, é possível ir para a última fase, que é a sentença. Quando o grande bloco que 
estamos analisando se fecha, do momento em que digo para o juiz o qual é o bem da vida que quero até 
o momento da procedência ou improcedência. 
Na iminência da sentença, ou seja, quando ela está para sair, pode ser que falte algo, e esse algo seriam as 
provas. Há no Código Civil uma quantidade espetacular de provas, de maneira que o Código de Processo 
Civil vai apenas regulamentar a estrutura probatória, a forma das provas e a estrutura de inserção 
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dessas provas no processo. 
Porém, provas são coisa de direito material, e o Código Civil regulará a estrutura probatória. Ele é que dirá 
o que pode, o que não pode e o que cada prova faz. O Código de processo Civil instrumentaliza os 
elementos probatórios e é desse aspecto que trataremos aqui. 
A boa notícia é que no exame da OAB temos uma incidência bem pequena de sistemas, porque eles 
exigem muitos elementos fáticos. 
Pois bem, quando pensamos nas provas, um elemento central é o pedido de provas, que deve ser feito lá 
na petição inicial e/ou na contestação. Uma vez feito o pedido, passamos para a análise. Lembre, quem é o 
destinatário da prova? O juiz. Ele é quem determinará quais provas serão analisadas, quais podem ser 
feitas em pedido e/ou requisitadas de ofício. 
Caso o juiz fique em dúvida num ponto sobre o qual nenhuma das partes pediu informação, ele pode 
pedir, da mesma forma como pode requerer a arguição de uma das partes. Porém, a decisão do juiz deve 
sempre ser fundamentada. Normalmente, o juiz pode dispensar a prova cujo intuito é procrastinatório 
ou quando a prova for inútil. 
Essas provas vão servir para que o juiz se convença, ou seja, o convencimento do juiz depende do 
elemento probatório. É o princípio do livre convencimento. Porém, que deve ser motivado, pois, se 
eventualmente houver um recurso, deve-se mostrar que o elemento de convencimento é contrário a um 
elemento fático ou probatório. 
Além disso, o juiz ainda pode aproveitar a prova que já foi produzida em outros autos, é a chamada prova 
emprestada e a partir dela dar a valoração que achar adequada, sempre observado o contraditório. 
Nesses elementos probatórios talvez o elemento central seja o ônus. Quem é que tem o ônus da prova? 
Segundo o artigo 373 do CPC, o ônus da prova é constitutivo ao autor e elemento impeditivo, 
modificativo ou extintivo do direito do autor, para o réu. 
Professor, como assim? O que é um elemento impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor? 
Bom suponha que o autor requeira um dinheiro que fora emprestado. Então o direito alegado é o direito 
de crédito. No entanto, o que constitui o direito de crédito? Um contrato de mútuo. Como provo que 
tenho esse dinheiro para receber? Pelo contrato. Agora, se não tenho o contrato escrito, mas apenas o 
contrato verbal? Ora, prova-se pelos meios de prova em direito admitidos. Por exemplo, uma testemunha 
diz que viu o empréstimo acontecer, então, veja, é uma prova de elemento constitutivo. Ou seja, como se 
constitui o direito, por meio da prova. 
Agora, imagine que o autor tenha feito o pedido de pagamento, obrigação estipulada em contrato, mas o 
réu demonstre o recibo que extingue a dívida, assim estamos diante de um elemento extintivo do direito 
do autor. Imagine ainda que existe um adendo no contrato, assinado pela parte autora, e que há um 
impedimento de cobrança imediata. Nesse caso, estamos diante de um elemento impeditivo. Se ao 
contrário, há um aditivo contratual, mudando a situação, estamos diante de um elemento modificativo. 
Se o juiz, ao analisar as peculiaridades do caso concreto, percebe haver a impossibilidade de produção de 
prova ou a excessiva dificuldade de produção de prova, pode distribuir o ônus da prova de maneira 
diversa. O juiz analisa e percebe que o autor terá muita dificuldade de comprovar, então determina que o 
réu prove. 
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É nessa situação que podemos vislumbrar as situações do CDC, por exemplo, em que o réu é que terá que 
provar o elemento constitutivo do consumidor. Imagine o caso de um iPhone, comprado diretamente na 
Apple. A parte chega para o juiz alegando que não funciona, mas tem como provar que não foi queda ou 
algum outro desleixo, visto que aparentemente o celular está em perfeitas condições? Não. Então o juiz 
manda a Apple provar. Ela então contrata um perito e mostra haver uma pecinha oxidada, o que indica 
que o aparelho foi molhado, por isso ele não funciona. Isso é a inversão do ônus da prova. 
Abrindo uma nota de rodapé mental, só há uma situação em que o fabricante se exime de pagar a 
indenização: quando ele prova que aquele produto não foi ele quem colocou no mercado. 
Note que tudo dependerá das circunstâncias para que o juiz decida diversamente a distribuição do ônus 
da prova e, além disso, de maneira específica, é possível que haja a distribuição do ônus da prova de 
maneira diversa por convenção entre as partes. Isso não ocorre em ações cotidianas comuns; ocorre, na 
verdade, quando há causas envolvendo um banco e uma construtora. Nesse caso, a parte autora é quem 
deve fornecer um laudo, por exemplo. Porém, é mais fácil que a construtora em vez do banco elabore o 
laudo, então as partes assim convencionam. As próprias pessoas por convenção distribuem o ônus da 
prova. 
A convenção, porém, não pode ocorrer quando se tratar de direito indisponível da parte ou quando se 
tornar excessivamente custosa, onerosa ou difícil a produção das provas. Todavia, nem sempre é 
necessário provar um fato. Essas são as situações que não exigem a prova, cuja dispensa o CPC permite. 
São quatro essas situações: 
➢ Fatos notórios. 
Notório é de notoriedade social, ou seja, todo mundo sabe, por isso não há razões para serem 
produzidas provas. ATENÇÃO! Pode não ser notório o que julgamos que é, por exemplo, dizer que é 
notório que os fabricantes de celular criam a obsolescência programada. Isso não é notório, é uma 
desconfiança generalizada, apenas. 
➢ Fatos afirmados por uma das partes e confessados pela parte contrária. 
Essa é considerada a rainha das provas, a confissão. Aqui há um equívoco técnico do CPC, pois não é o caso 
de dispensa da prova, mas trata-se de um elemento probatório. 
 
➢ Fatos admitidos no processo como incontroversos. 
Esses fatos são aqueles necessários para ser possível o julgamento antecipado ou parcial antecipado de 
mérito, por exemplo. Na presença de um fato incontroverso, não há necessidade de prova, justamente por 
ele ser incontroverso. 
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