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Esse caderno foi elaborado pelos alunos do 
4° período do Noturno, no semestre de 
2016.2, e a partir de transcrições sobre as au-
las de Direito Processual Civil I ministradas 
pelo professor Haroldo Lourenço. 
SUMÁRIO 
 
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS ................................................................................................... 6 
Relação jurídica processual .............................................................................................. 6 
Autonomia do processo ..................................................................................................... 7 
Julgamento de mérito e extinção do processo ............................................................ 8 
Distinção entre processo e procedimento .................................................................... 9 
Classificação do processo ................................................................................................ 9 
Procedimentos: comum, especiais e dos Juizados Especiais Cíveis ................. 11 
Transição do CPC de 73 para o NCPC .......................................................................... 12 
Desenvolvimento do procedimento comum ............................................................... 13 
Partes do processo ............................................................................................................ 19 
LITISCONSÓRCIO .................................................................................................................. 21 
Classificação do litisconsórcio ...................................................................................... 22 
Primeira classificação: quanto à posição das partes ............................................... 22 
Segunda classificação: quanto ao momento da formação do litisconsórcio .... 23 
Terceira classificação: quanto à obrigatoriedade da formação ............................ 23 
Litisconsórcio necessário ativo ................................................................................. 25 
Outorga uxória ................................................................................................................ 25 
Litisconsórcio ativo posterior ..................................................................................... 26 
Litisconsórcio multitudinário ...................................................................................... 27 
Dilatação de prazos processuais ............................................................................... 29 
Agravo de instrumento à recusa de pedido de limitação .................................... 30 
Quarta classificação: quanto ao regime de tratamento ........................................... 31 
Dinâmica do litisconsórcio .............................................................................................. 34 
Prazo em dobro, sucumbência, contrarrazões ...................................................... 34 
Litisconsortes passivos solidários ........................................................................... 35 
Desvantagens do litisconsórcio passivo ................................................................. 36 
Revelia ............................................................................................................................... 36 
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS ......................................................................................... 37 
Nomeação à autoria ........................................................................................................... 38 
Assistência........................................................................................................................... 39 
Denunciação da lide .......................................................................................................... 42 
Denunciação da lide pelo autor e litisconsórcio eventual .................................. 43 
Execução direta ao denunciado pelo réu ................................................................ 44 
Chamamento ao processo ............................................................................................... 45 
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica ....................................... 48 
A desconsideração da personalidade jurídica e os Juizados Especiais Cíveis
 ............................................................................................................................................. 49 
Amicus curiae ..................................................................................................................... 50 
Amicus curiae e a possibilidade de interposição de recursos .......................... 51 
CITAÇÃO................................................................................................................................... 52 
Características gerais ....................................................................................................... 52 
Espécies de citação ........................................................................................................... 54 
Efeitos da citação ............................................................................................................... 54 
Modalidades de citação .................................................................................................... 57 
Citação postal ..................................................................................................................... 57 
Citação pelo oficial de Justiça ........................................................................................ 59 
A citação nos processos de execução ..................................................................... 61 
Tempo da prática da citação ....................................................................................... 63 
Horário da citação .......................................................................................................... 63 
Dias úteis para o Judiciário ......................................................................................... 64 
Local da citação .............................................................................................................. 65 
Citação por edital ............................................................................................................... 67 
Citação eletrônica e processo eletrônico .................................................................... 69 
Prazo da citação eletrônica ......................................................................................... 70 
E-mails informativos...................................................................................................... 72 
Diário de Justiça Eletrônico (DJE) ............................................................................. 73 
A ausência de citação válida e a teoria das nulidades ............................................ 73 
Preclusão, prescrição e decadência ......................................................................... 74 
Atuação da Defensoria Pública em casos de revelia ............................................... 75 
Contestação por negativa geral como violação ao princípio da isonomia..... 77 
TUTELA PROVISÓRIA (CPC, arts. 294 a 311) ................................................................. 77 
Tutelas provisórias e coisa julgada .............................................................................. 80 
Petição inicial incompleta ................................................................................................ 81 
Estabilização do processo ............................................................................................... 85 
INVALIDADES PROCESSUAIS ............................................................................................86 
Princípio da instrumentalidade ...................................................................................... 87 
Princípio da causalidade .................................................................................................. 87 
Princípio do prejuízo ......................................................................................................... 88 
Quanto à análise de vício processual no primeiro grau .......................................... 89 
Princípio da primazia da solução de mérito ................................................................ 89 
Princípio do confinamento das nulidades ................................................................... 89 
A teoria clássica sobre invalidade de atos processuais e sua inconsistência . 90 
QUESTÕES ANTERIORES ................................................................................................... 92 
Gabarito das questões ...................................................................................................... 95 
 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL I 
Prof° Haroldo Lourenço 
 
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 
Relação jurídica processual 
O processo é um dos elementos componentes da Tríade do Direito Processual, junto 
com ação e a jurisdição. Quando se falamos em Direito Processual, nos referimos ao estudo da 
natureza jurídica do processo. O processo é uma relação jurídica processual. 
A relação jurídica processual é formada quando o autor entra com uma ação pedindo 
uma prestação jurisdicional ao Estado-juiz, que por sua vez manda citar o réu. Ao citar o réu, é 
formada a angularização da relação processual. 
 
 
 
 
 
Então, a natureza jurídica do processo consiste em uma relação processual que se de-
senvolve entre autor e réu, que estão submetidos, nessa relação jurídica, ao Estado-juiz. Porém, 
de acordo com princípio da isonomia, essas duas partes estarão no mesmo patamar, e acima 
delas, de forma imparcial e mantendo uma equidistância das partes, está o Estado-juiz. Enquanto 
as partes são os sujeitos parciais, o Estado-juiz é um sujeito imparcial. 
Essa relação jurídica desenvolvida no processo tem um primeiro detalhe, importante a 
ser observado: o fato de que ela não pode ser tratada como um contrato. A participação do 
Estado, que detém o atributo de exercer a jurisdição, é dotada de imperatividade. Isso já desca-
racteriza a relação processual como um contrato, por que o contrato se trata de um acordo feito 
entre as partes. Na relação processual não há essa possibilidade, porque o Estado não se equi-
para às partes. Sua decisão é imperativa. Essa é uma primeira vertente de análise funcional. 
Um segundo detalhe é a impossibilidade da recusa em ser réu em um processo. É pos-
sível que a pessoa citada como réu não conteste sua citação, mas não pode se recusar a estar 
nessa condição. Quando o réu não realiza sua contestação, ocorre aquilo que no Direito Proces-
sual é caracterizado como revelia, no qual a pessoa deixa de ser ré e passa a ser revel. A revelia 
é caracterizada pela permanência de um indivíduo no polo passivo do processo, contudo sem 
Estado-juiz
RéuAutor
direito a contestar. Ocorre quando a pessoa citada simplesmente não apresenta sua contestação 
devidamente dentro do prazo estabelecido. 
O Direito Processual é um ramo do direito público. Então, a relação jurídica que se esta-
belece possui caráter público. A prestação da função estatal, que é a jurisdição, caracteriza a 
relação processual como pública. Essa característica reforça a acepção de que o processo não 
possui viés contratual, devido à falta de natureza particular. Em decorrência da natureza pública 
do processo, o juiz detém algumas prerrogativas, como por exemplo, a possibilidade de poder 
atuar de ofício. 
 
Autonomia do processo 
Um ponto importante também a ser analisado é a autonomia do processo. Para fazer 
essa análise, devemos compreender primeiramente a distinção entre relação jurídica de direito 
material e relação jurídica de direito processual. 
A relação jurídica de direito material é disciplinada pelo Direito Civil, que é um ramo do 
direito que aborda a criação de direitos e obrigações. Como por exemplo, contratos, responsabi-
lidade civil, direito de família, que são relações que se criam, que geram direitos e obrigações. 
Na relação jurídica de direito material temos, portanto, a definição do conteúdo do direito. A fir-
mação de contrato entre duas partes é uma relação de direito material, por exemplo. 
Enquanto o Direito Civil possui natureza material (por definir o conteúdo do direito), o 
Direito Processual é um instrumento para materializar o direito. Contudo, devemos atentar para 
o fato de que o Direito Processual é autônomo do Direito Civil. 
Para compreender essa autonomia, analisemos o seguinte caso concreto: 
Imagine que X firma um contrato com Y, que por sua vez não cumpre esse contrato. 
Poderia X ir até a casa de Y com uma arma e exigir o cumprimento do contrato? Não. Essa ação 
é chamada de autotutela, atrelada à ideia de “fazer justiça pelas próprias mãos”, o que é vedado 
pelo Direito brasileiro. 
Descumprido o contrato, o que deve ser feito para exigir seu cumprimento? O ajuiza-
mento de uma ação, que é uma solução prevista pelo Estado no ordenamento jurídico. Ainda há 
a possibilidade de realizar um acordo. Mas, se esse acordo não ocorrer, outra alternativa é re-
correr ao Poder Judiciário. Quando se ajuíza uma ação, é instaurado um processo. A partir disso, 
é criada uma relação jurídica de natureza processual. 
A demanda é composta por um polo ativo e um polo passivo. O polo ativo é o autor da 
ação, enquanto o polo passivo é o réu. São as mesmas partes existentes na relação jurídica de 
natureza material. Entretanto, no processo, cria-se uma nova relação entre eles, que seria rela-
ção jurídica de natureza processual, que é totalmente autônoma da relação jurídica de natureza 
material. 
Sua autonomia se evidencia da seguinte maneira: mesmo que o autor da ação perca a 
causa em uma relação de Direito Processual, é possível que esse autor continue sendo titular 
do direito pleiteado, pelo fato de ainda ser parte envolvida na relação jurídica de direito material. 
Se a relação processual se extingue, a relação jurídica material permanece. Tal fato faz com que 
seja possível ajuizar uma nova ação. 
Representando graficamente, ambas as relações existentes entre X e Y seriam da se-
guinte forma: 
Relação jurídica de direito material Relação jurídica de direito processual 
 
 
 
X Y 
 X Y 
 
Julgamento de mérito e extinção do processo 
Uma vez entendida a autonomia do processo, que permite um novo ingresso no Poder 
Judiciário por meio de ação, é cabível o estudo da extinção do processo, que pode levar uma 
parte a iniciar um novo processo, e pode ocorrer com ou sem julgamento de mérito. 
O que é mérito? É a análise da pretensão. De forma simplificada, poderíamos dizer que, 
se alguém ajuíza uma ação e há julgamento de mérito, significa que o juiz decidiu quem tinha 
razão dentro do processo. Contudo, há situações em que essa ação pode ser extinta sem julga-
mento de mérito, previstas no artigo 485 do CPC. Esse dispositivo trata de hipóteses de natureza 
processual que podem acarretar na extinção do processo. 
Seria por exemplo, a falta de pagamento das custas judiciais de maneira adequada. 
Nessa hipótese, o juiz pode simplesmente extinguir o processo, pelo fato de não ser obrigado a 
aguardar a parte interessada a pagar devidamente as custas judiciais. Então, temos que o pro-
cesso pode ser extinto sem julgamento de mérito quando o autor não cumprir determinados re-
quisitos processuais. 
Estado-juiz
RéuAutor
RéuAutorAlguns exemplos de razões de natureza processual que podem levar à extinção do pro-
cesso que podemos citar são o abandono de causa, a falta de pagamento de custas judiciais, o 
julgamento anterior da mesma matéria contida no processo, entre outros. Nessas hipóteses, o 
autor deve ingressar com nova ação. 
O artigo 966 do CPC traz as hipóteses em que a decisão de mérito pode ser rescindida, 
mesmo quando transitada em julgado. Nessas hipóteses, é cabível o ajuizamento da chamada 
ação rescisória, a fim de obter nova apreciação de mérito. 
 
Distinção entre processo e procedimento 
Em Direito Processual, também deve ser destacado a distinção entre processo e proce-
dimento. Procedimento é sinônimo de rito. Procedimento pode ser definido como uma sequência 
de atos processuais. A doutrina diz que é o modus operandis do processo. 
Embora costuma-se confundir o procedimento com o processo, cabe ressaltar que o 
procedimento é um dos elementos do processo. É tido como elemento exteriorizador do pro-
cesso. Enquanto o ato processual é todo ato que gera relevância para o processo, o procedi-
mento é a sequência de atos processuais. 
Dentre exemplos de atos de atos processuais, podemos citar a petição inicial, a citação, 
a realização de audiência, e até mesmo os proferimentos do juiz, como a sentença. Quando 
esses atos são colocados em sequência, temos o que a doutrina chama de procedimento. 
Esse procedimento varia de acordo com o que o autor traz a juízo. Dependendo do que 
é trazido a juízo na petição inicial, é adotado um procedimento diferente naquele processo. Um 
exemplo de ação diferenciada seria uma ação ajuizada nos Juizados Especiais. Mesmo quem 
não atua no Direito, sabe que um Juizado Especial é diferente de uma Vara Cível. O atendimento 
nesse tipo de Vara é mais rápido porque possui um procedimento diferenciado, tratando apenas 
de causas de baixa complexidade e de baixo valor. O advogado deve estar sempre atento ao 
procedimento correto a ser adotado, pois pode ser que, por exemplo, ele venha a ter que realizar 
um requerimento diferente na petição inicial. 
Cabe ressaltar que procedimento é diferente de competência, que seria definição do ór-
gão que irá apreciar a causa. 
 
Classificação do processo 
O processo pode ser classificado de acordo com a finalidade pretendida pela empreitada 
judicial. Em cada um desses tipos de processo podemos ter a adoção de procedimentos especi-
ais ou de procedimento comum. 
Em primeiro lugar, temos o principal tipo de processo: o processo de conhecimento. É 
aquele que visa o assentamento do direito, que basicamente seria a definição da parte do juiz 
sobre quem está com a razão. Se aplica tanto às ações de rito comum (como a ação de co-
brança), como nas ações de rito especial (como a ação de falência). Nesse tipo de processo, há 
o seguinte desenvolvimento: o autor apresentar a tese, o réu apresenta a antítese, e o juiz faz a 
síntese. O processo de conhecimento está previsto no Livro I, Parte Especial, CPC (arts. 318 a 
770). 
O segundo tipo é o chamado processo de execução previsto no Livro II, Parte Especial, 
CPC (arts. 771 a 925). Atua sobre um direito já acertado. É instaurado não para definir o direito, 
porque já foi definido no processo de conhecimento. Seu objetivo é na verdade a busca de sa-
tisfação. Permite uma discussão judicial com menor amplitude, no qual pode haver uma contes-
tação mais restrita. 
Suponhamos que em uma ação de cobrança uma sentença é transitada em julgado, com 
condenação ao réu de pagamento de dívida. Contudo, o réu não efetua o pagamento. Para fazer 
com que o réu cumpra sua obrigação, é possível aproveitar a base processual existente, para 
dar início à fase de execução, de forma subsequente à fase de conhecimento. Após o trânsito 
em julgado de uma sentença, temos a ideia de que a discussão acabou. A partir desse trânsito 
em julgado, é possível dar início à fase de execução. 
Outro detalhe importante é quanto à possibilidade de ingressar diretamente com uma 
ação de execução, que acarreta na instauração de um processo de execução propriamente dito. 
Isso é possível quando há posse de título executivo extrajudicial, previsto no art. 784, CPC. É 
um documento obtido fora do meio judicial que legitima a titularidade de um direito, e permite dar 
início à fase de execução sem haver necessidade de ingresso com ação de conhecimento. Pos-
sui eficácia semelhante a sentença. 
A doutrina denomina como processo sincrético aquele no qual a fase de execução é 
incorporada à fase de conhecimento em um mesmo processo. “Sincrético” é uma palavra que, 
segundo o dicionário, significa junção de fases. Foi adotado no nosso ordenamento jurídico em 
2005. Antes da adoção desse tipo de processo, era necessário ingressar com uma ação de exe-
cução após a sentença da ação de conhecimento. 
Existia também no CPC de 73 um livro específico sobre o processo cautelar. Esse livro 
foi revogado. Esse processo visava prover meios de assegurar a proteção do direito pleiteado 
no decorrer do processo, bem como assegurar o desenvolvimento processual. Embora não 
exista mais previsão quanto a esse tipo de processo no CPC de 2015, sua finalidade é encon-
trada nos arts. 294 a 311 do CPC, que regulamenta a tutela provisória. 
OBS: Quanto ao estudo do CPC, também cabe destacar que o CPC atual (Lei 13.105/15) foi 
alterada pela Lei 13.256/16. 
 
Procedimentos: comum, especiais e dos Juizados Especiais Cíveis 
O procedimento nada mais é do que uma sequência de atos. Estudar o procedimento 
consiste em analisar como será o desenvolvimento do processo. No estudo do procedimento, 
analisaremos todas as suas etapas, desde a petição inicial até a sentença. 
Para introduzir a aula, devemos efetuar a leitura do art. 318 do NCPC: 
Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em con-
trário deste Código ou de lei. 
Parágrafo único. O procedimento comum aplica-se subsidiariamente aos demais proce-
dimentos especiais e ao processo de execução. 
O art. 318 é o dispositivo que inicia a organização do procedimento. No CPC de 73, 
tínhamos o chamado rito ordinário. Porém, esse tipo de rito foi revogado. Então, em regra, toda 
ação que vier a ser proposta, será regida pelo denominado rito ou procedimento comum. 
Apesar de haver a existência de um procedimento comum a todos os casos, o legislador 
também previu os chamados procedimentos especiais, aplicáveis em ações específicas, como 
por exemplo, ação de consignação em pagamento, de reintegração de posse, entre outros exem-
plos. Esses tipos de procedimento serão estudados em aula posterior. 
A partir do art. 318, devemos desenvolver o seguinte raciocínio: como saber qual o pro-
cedimento correto a ser adotado para a ação que desejo ajuizar? Primeiro, devemos verificar se 
há um procedimento especial para a ação desejada. Caso não haja, adota-se o procedimento 
comum. Os procedimentos especiais estão previstos entre os arts. 539 a 770 do NCPC. 
Por exemplo, o procedimento adotado para ajuizar uma ação de consignação de paga-
mento está prevista nos arts. 539 a 549 do NCPC, que correspondem ao Capítulo I do Título III 
do referido diploma. Esse Título regulamenta os procedimentos especiais. Como o procedimento 
da ação de consignação de pagamento está inserida nesse Título, não se aplicará a esse tipo 
de ação o procedimento comum. 
OBS: Mesmo nas hipóteses em que é aplicado o procedimento especial, o procedimento 
comum pode ser aplicado de forma subsidiária, quando o procedimento especial é omisso na 
regulamentação de um determinado ato processual, conforme preceitua o parágrafo único do 
art. 318 do NCPC. 
Quanto ao tipo de procedimento a ser adotado em uma ação, é cabíveldestacar o pro-
cedimento adotado nos Juizados Especiais Cíveis. Esse tipo de Juizado permite o ingresso de 
ação regida pelo procedimento comum e cujo valor da causa não ultrapasse o limite de 40 salá-
rios mínimos. A partir do atendimento dessas condições, temos a faculdade de ingressar com 
uma ação nos Juizados Especiais Cíveis ou na Vara Cível. 
Dentre as vantagens existentes com o ingresso de ação junto aos Juizados Especiais, 
temos a gratuidade no ajuizamento da ação, que pode ser realizada, inclusive, sem a represen-
tação por um advogado, se o valor da causa não exceder 20 salários mínimos. 
O procedimento dos Juizados Especiais Cíveis é regulamentado pela Lei 9.099/95. Em 
termos práticos, o procedimento previsto nessa lei, é uma espécie de “procedimento comum 
simplificado”. Dentre suas características, podemos citar que é um procedimento mais informal 
(no sentido de exigir menos requisitos que o procedimento comum propriamente dito), além de 
não exigir pagamento de custas judiciais. 
 
Transição do CPC de 73 para o NCPC 
Agora, vamos estudar o raciocínio da transição do procedimento quando surge um novo 
CPC. O CPC atual entrou em vigência no dia 18/03/16. A partir dessa data, o NCPC passou a 
ter aplicação imediata em todas as ações, conforme leitura de seu art. 14: 
Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos proces-
sos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas con-
solidadas sob a vigência da norma revogada. 
O NCPC tem eficácia imediata a todos os processos que já estejam tramitando. Porém, 
surge um questionamento: qual norma deve ser aplicada aos processos iniciados na vigência do 
CPC de 73, e que ainda estão tramitando? 
Temos que, atualmente, a maioria das demandas judiciais foi formada antes do dia 
18/03/16, ou seja, sob a vigência do CPC de 73. Essas ações propostas devem sofrer aplicação 
do NCPC a partir do dia 18/03/16, automaticamente, nos termos do art. 14 do NCPC. 
Entretanto, há um detalhe: imaginemos que o juiz proferiu uma decisão ao longo de um 
determinado processo, e uma intimação foi realizada. A contagem do prazo se inicia a partir da 
publicação do ato em Diário Oficial. A partir do primeiro dia útil subsequente, se inicia a contagem 
do prazo. Imaginemos que a publicação da decisão ocorra no dia 15/03/16. O prazo começou a 
ser contado na vigência do CPC de 73, contudo esse prazo será encerrado durante a vigência 
do NCPC. 
Pela teoria do isolamento dos atos processuais (da qual o Brasil é adepto), devemos 
considerar a data da prática do ato para sabermos qual será a legislação que será incidente 
sobre o referido ato. Se um ato foi praticado na vigência do CPC de 73 (como a publicação no 
processo hipotético), as regras aplicadas que serão aplicadas a esse ato, até o seu término, 
serão as regras do CPC de 73. 
Agora, retornando ao exemplo, se uma sentença é proferida em 25/03/16, essa nova 
decisão foi praticada na vigência do NCPC. Logo, devemos isolar esse ato processual dos atos 
anteriores (que estavam sob a vigência do CPC de 73), e aplicar as regras do NCPC. 
Então, todos os processos, inclusive os que forem iniciados sob a vigência do CPC de 
73, sofrerão incidência das normas do NCPC, mas apenas nos atos processuais iniciados após 
a vigência do novo Código. Assim, de acordo com o exemplo, temos que: 
 
 
Desenvolvimento do procedimento comum 
Todo procedimento, independente de como ele seja (comum, especial ou dos Juizados 
Especiais Cíveis), sempre se inicia com a petição inicial. É o ato que inaugura o procedimento. 
A petição deve observar uma série de requisitos, previstos no NCPC em seus arts. 319 e 77, 
inciso V. 
Após a petição, ocorre a distribuição, na qual o processo é encaminhado a um juiz. É 
realizado na forma de sorteio. Para exemplificar, suponhamos que a causa de uma ação ajuizada 
no Rio de Janeiro seja competência de uma Vara Cível. Há 52 Varas Cíveis competentes no 
município para conhecer a ação. Ao ser feita a petição inicial, não é possível escolher qual será 
o órgão competente. A ação será submetida a um sistema de sorteio dentro do Poder Judiciário, 
no qual a Vara competente é escolhida de forma aleatória. 
Após a distribuição e o recebimento do processo pelo juiz competente, é possível a ocor-
rência de 3 possibilidades: 
a) O juiz pode determinar que seja realizada uma emenda (NCPC, art. 321), que consiste 
em uma correção a ser feita na petição inicial, caso esta não preencha devidamente aos 
requisitos legais exigidos em sua elaboração. 
 
Caso essa emenda não seja realizada, ocorre o indeferimento da petição inicial 
(NCPC, art. 330), que ocorre por meio de uma sentença que extingue a petição inicial, 
sem resolução de mérito. 
 
Na hipótese de haver, da parte do juiz, um indeferimento da petição inicial de forma 
equivocada, é possível recorrer à decisão do juiz por meio de uma apelação (NCPC, art. 
1.009). 
 
b) É possível também que o juiz chegue à conclusão de que o autor não tem razão ne-
nhuma em sua petição inicial. Então, ele pode proferir uma sentença de improcedência 
liminar do pedido, previsto no NCPC em seu art. 332. Nesse artigo, temos uma série 
de hipóteses em que o juiz pode considerar o pedido improcedente liminarmente, como 
por exemplo, quando contraria a jurisprudência. Cabe destacar que a sentença de im-
procedência liminar do pedido ocorre com resolução de mérito. 
 
c) Existe ainda mais uma possibilidade de ação do juiz ao apreciar a petição inicial, que é 
a concessão da tutela provisória (NCPC, art. 294). É uma ação praticada principal-
mente em situações de urgência. Quando a tutela provisória é concedida, costuma se 
dizer que o juiz “concedeu uma liminar” para a prática de determinado ato. Nesse mesmo 
viés, costuma se dizer que tudo que é concedido ainda no início do processo, foi conce-
dido liminarmente. 
 
Para exemplificar a concessão desse tipo de tutela, suponhamos que um cliente, que 
nunca realizou uma compra nas Casas Bahia, tenha seu nome negativado por essa em-
presa. Nesse caso, não seria razoável aguardar que o processo chegue até o final para 
que o juiz profira uma sentença que obrigue a retirada do nome do cliente do SPC ou 
Serasa. A fim de não permitir que esse cliente continue sendo prejudicado, o juiz pode 
conceder a proteção provisória ao que está sendo requerido. 
Após a apreciação da petição inicial, quando não há extinção do pedido, ocorre a citação 
do réu (NCPC, art. 238). Nesse ato processual, temos a incidência do princípio do contraditório, 
que assegura a todos o direito de se defender judicialmente. Para que esse princípio se efetive, 
é indispensável que seja feita a citação do réu, para que este tenha ciência da acusação feita, e 
então, possa realizar sua defesa. 
Feita a citação, é realizada uma audiência (NCPC, art. 334), que pode ser de conciliação 
ou de mediação. É realizada com a pretensão de estabelecer um acordo entre as partes contrá-
rias, por meio de um conciliador, sem a participação de um juiz. Esse diálogo entre autor e réu é 
chamada genericamente de autocomposição. Caso haja acordo, ele será homologado por uma 
sentença. 
Geralmente, não ocorre a realização de acordo em uma audiência. Então, a partir da 
realização da audiência, se inicia a contagem do prazo para que o réu apresente sua defesa, no 
ato denominado como contestação (NCPC, arts. 335 a 342). Esse prazo é de 15 dias, conforme 
o art. 335 do NCPC. 
OBS: Conforme leitura do art. 219 do NCPC, todos os prazos contidos nesse Código 
sempre serão contados em dias úteis. 
OBS²: No Rio de Janeiro, os prazos dos processos tramitados nos Juizados Especiais 
Cíveis são contadosem dias corridos, segundo o disposto no Enunciado Cível 165, aprovado 
em junho no 39º Encontro do Fórum Nacional de Juizados Especiais (Fonaje). Uma crítica do 
professor quanto a isso é que, como a Lei 9.099/95 não tem dispositivos sobre prazos, devem 
ser aplicadas, subsidiariamente, as regras do NCPC, inclusive o art. 219 (citado na observação 
anterior). 
Após a realização da contestação, é feita a intimação do autor para que ele apresente 
sua resposta à contestação realizada. Essa resposta, denominada como réplica (NCPC, art. 
351), também está sujeita ao prazo de 15 dias para sua apresentação. 
Após a réplica, ocorre o chamado julgamento conforme o estado do processo (NCPC, 
arts. 354 a 357), que prevê 3 possibilidades: 
a) O réu pode alegar na contestação a existência de defeitos processuais insuperáveis, 
como por exemplo, a litispendência (termo usado para designar a pendência do litígio, 
que ocorre quando um processo idêntico já está tramitando em outra Comarca). Com-
provada a existência do defeito processual, o juiz pode proferir uma sentença de extin-
ção do processo, sem resolução de mérito (NCPC, art. 354). 
 
b) O juiz pode proferir uma sentença com resolução de mérito (NCPC, arts. 355 e 356), 
na qual ele decide se irá conceder ou não o que está sendo requerido pela parte autora. 
Esse julgamento ocorre quando não há nenhum defeito processual e nem a necessidade 
de produção de mais provas, como nos casos em que, a partir da documentação apre-
sentada pelo autor na petição inicial e pelo réu na contestação, já é possível proferir uma 
sentença devidamente fundamentada, sem haver a necessidade de produzir uma prova 
testemunhal ou pericial. 
 
Um exemplo de caso que dispensa a necessidade de produção de prova testemunhal 
ou pericial seria o exemplo dado anteriormente, do cliente negativado pelas Casas Ba-
hia, sem nunca haver feito uma compra nessa empresa. Na ação cabível para esse tipo 
de caso, os fatos são comprovados documentalmente. Não haveria necessidade (nem 
possibilidade) de convocar uma testemunha ou um perito para produzir provas. 
 
c) A terceira possibilidade é o ato processual denominado como saneamento e organiza-
ção do processo (NCPC, art. 357). Nessa fase, o juiz deve organizar os pontos con-
trovertidos, e organizar a produção de provas. Essa fase é existente nos casos mais 
complexos. 
 
Para exemplificar quando esse ato se faz necessário, imaginemos agora uma ação de 
acidente de trânsito, em que um motorista alcoolizado, dirigindo em alta velocidade, 
atinge outro veículo. Nesse tipo de ação, seria necessário a convocação de testemu-
nhas, para confirmar a ocorrência dos fatos, bem como o estado do motorista. Depen-
dendo do caso, pode ser necessário também a convocação de um perito, para a produ-
ção de prova técnica que confirme a descrição dos fatos. 
 
Nessa etapa do processo, temos duas formas de produção de provas: por meio de pe-
rícia ou por meio de uma AIJ (audiência de instrução de julgamento), onde é realizada 
a produção de prova oral. 
 
Há 3 formas de produção de prova oral: por meio de testemunha (prova produzida por 
terceiros), por meio de depoimento pessoal (prova produzida por autor e réu) e por 
meio de perito (que é convocado a participar da audiência pelo fato de que o juiz neces-
sita da explicação de um perito sobre o laudo produzido na perícia). 
 
A requisição de testemunhas ou do perito pode ser efetuada pelo juiz ou pelas partes, 
não só na fase de saneamento e organização do processo, como também na petição 
inicial ou na contestação. 
 
Quanto à essa possibilidade, ainda é cabível uma observação: mesmo efetuando essa 
requisição (seja de testemunhas ou de perito) na petição inicial ou na contestação, é 
possível fazê-la novamente posteriormente. Isso se justifica pela seguinte razão: na pe-
tição inicial e na contestação, é possível efetuar a previsão de produção de provas por 
testemunha ou por perito, mas sem especificar detalhadamente o que se pretende obter 
por meio das provas a serem produzidas. É, portanto, uma requisição “genérica”. 
 
Com o desenvolvimento do processo, em que ambas as partes têm ciência das alega-
ções da parte contrária, assim como outros elementos do processo, é possível detalhar 
as informações que devem ser analisadas na perícia, ou até mesmo substituir ou deixar 
de convocar uma testemunha previamente listada, por não estar habilitada emocional-
mente ou por se perceber, no decorrer do processo, que a testemunha listada tem inte-
resses contrários à parte que a listou para ser convocada a participar do processo. 
 
É realizada apenas uma AIJ durante o processo. A AIJ deve ser realizada de forma inin-
terrupta até sua conclusão. Só é possível convocar uma nova AIJ caso não haja possi-
bilidade de terminar a primeira AIJ iniciada, por motivos de força maior. A interrupção da 
AIJ deve ser evitada para evitar problemas na produção de provas. Se por exemplo, uma 
testemunha é convocada para uma AIJ que não é finalizada, e não é possível realizar 
outra AIJ no dia seguinte, mas apenas 3 meses depois, há o risco de que a testemunha 
esqueça detalhes relevantes para o processo. 
 
(Ilustração do procedimento comum na próxima página) 
 
 
 
 
 
Partes do processo 
Também são chamadas de sujeitos do processo. A configuração básica processual é 
formada com a participação de pelo menos 3 sujeitos: autor, réu e juiz. Esses 3 sujeitos são 
considerados os elementos mínimos do processo. 
O CPC/73 consagrava o sistema processual presidencialista, no qual o juiz era sobe-
rano e comandava a atuação das partes. Com o advento do CPC/15, não temos mais a acepção 
de que o juiz é superior às partes dentro do processo. O NCPC traz um novo modelo processual: 
o modelo constitucional do processo. Tal modelo é previsto no art. 1° do CPC: 
Art. 1o O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e 
as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, ob-
servando-se as disposições deste Código. 
O CPC/73 surgiu antes da promulgação da CF/88, durante o regime ditatorial brasileiro. 
Tal contexto caracterizava o Código com uma premissa autoritária. O modelo presidencialista, 
no qual o juiz era tido como superior às partes, se justificava pelo contexto histórico no qual 
surgiu o CPC/73. Havia, portanto, uma hierarquização da atividade jurista. 
Com o advento da CF/88, que consagra o Estado Democrático de Direito, não é mais 
compatível com os valores consagrados pela Constituição a ideia de que o juiz é superior às 
partes. Na verdade, a atuação do juiz passou a ser vista de uma forma totalmente diferente: se 
antes apenas autor e réu tinham deveres a serem prestados perante o juiz, agora, o juiz possui 
deveres a serem cumpridos perante as partes. Se o juiz não cumpre um de seus deveres, é 
possível que as partes requeiram o cumprimento desses deveres através do sistema recursal. 
O modelo constitucional de processo recebe um nome específico pela doutrina: modelo 
de processo cooperativo. Seu principal artigo é o art. 6°, CPC: 
Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em 
tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. 
O processo cooperativo é aquele previsto em um Estado Democrático de Direito, onde 
todos os que participam do processo têm deveres recíprocos. Afirmar que as partes devem coo-
perar entre si não significa necessariamente que autor e réu devem se ajudar, mas que devem 
operar em conjunto para atingir a solução do processo. 
Dentre as mudanças trazidas com a adoção do modelo de processo cooperativo, temos, 
por exemplo, a forma como deve serfeita a determinação de emenda (art. 321, CPC): 
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 
319 e 320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de 
mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indi-
cando com precisão o que deve ser corrigido ou completado. 
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. 
Esse artigo determina que deve ser feita uma emenda na petição inicial caso ela não 
esteja adequada aos requisitos legais. 
No CPC/73, o juiz poderia mandar emendar a petição inicial sem indicar o que deveria 
ser emendado. Nesses casos, os advogados iam aos Cartórios para conversar com o secretário 
do juiz para perguntar o que ele achava que deveria ser emendado, na opinião do juiz. 
De acordo com o CPC/15, o juiz possui um dever a ser cumprido na determinação de 
emenda para contribuir com as partes no processo: indicar exatamente aquilo que, segundo sua 
análise, não está adequado na petição inicial. Trata-se de um dever de esclarecimento. Caso o 
juiz não cumpra o dever de esclarecimento imposto por lei, é possível que as partes requeiram 
que o juiz cumpra esse dever por meio de embargo de declaração (CPC, art. 1.022). 
Segundo o art. 1.022, CPC, são 3 hipóteses específicas em que é cabível um embargo 
de declaração: 
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: 
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; 
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício 
ou a requerimento; 
III - corrigir erro material. 
Outro artigo importante que faz referência ao modelo de processo cooperativo é o art. 
459, CPC: 
Art. 459. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, 
começando pela que a arrolou, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, 
não tiverem relação com as questões de fato objeto da atividade probatória ou importarem repe-
tição de outra já respondida. 
Vimos na aula anterior que na fase de saneamento e organização do processo, é possí-
vel ocorrer a realização de uma AIJ (audiência de instrução de julgamento), na qual são produ-
zidas provas orais, que podem ser obtidas de 3 maneiras: por testemunhas, por depoimento 
pessoal das partes e pela participação de um perito. 
No CPC/73, essa audiência funcionava da seguinte forma: se o advogado de uma das 
partes desejasse efetuar uma pergunta à testemunha, primeiramente deveria ser pedida permis-
são ao juiz, que após ouvir a pergunta que se pretendia fazer, decidia se era procedente ou não 
efetuar a pergunta. Caso considerasse procedente, o juiz repetia para a testemunha a pergunta 
que foi efetuada pelo advogado da parte, mesmo apesar do fato de que a testemunha já havia 
ouvido o que seria perguntado, no momento em que o advogado dizia a pergunta ao juiz. 
Para encerrar essa forma de realizar a audiência, o art. 459 do CPC/15 estabelece que 
as perguntas formuladas pelas partes serão realizadas à testemunha diretamente. Esse artigo 
demonstra que, na fase de produção de prova testemunhal, houve a substituição do sistema 
presidencialista pelo sistema de prova cruzada. 
O sistema de prova cruzada, adotado no Brasil, é um sistema americano de produção 
de provas (cross examination), no qual a prova é produzida por meio de questionamento direto 
à testemunha. 
O sistema processual brasileiro está cada vez mais próximo do sistema processual ame-
ricano. O sistema tradicionalmente adotado no Brasil é o chamado “civil law”, que consiste na 
pura interpretação da lei. Com o advento do CPC/15, é perceptível que o sistema processual 
brasileiro se assemelha cada vez mais com o sistema denominado “common law”. 
 
LITISCONSÓRCIO 
Resume-se em um consórcio/reunião de litigantes, no qual temos mais de um autor e/ou 
réu em um mesmo processo. É fundamentado nos princípios da economia processual (principal-
mente) e da duração razoável do processo. 
A economia processual ocorre da seguinte maneira: por exemplo, ao invés de 3 autores 
ajuizarem 3 ações distintas em face de um mesmo réu, é possível que esses autores se unam 
para ajuizar uma ação em conjunto contra esse réu. Assim sendo, há economia processual, pelo 
fato de que em apenas uma única ação seria julgado um caso que poderia ser julgado em 3 
processos diferentes. 
Outra vantagem do litisconsórcio é oferecer mais segurança jurídica, por diminuir (ou 
até mesmo eliminar) o risco de haver decisões conflitantes. Se ações diferentes são ajuizadas 
para o mesmo caso, não há garantia de que os juízes irão proferir a mesma sentença, pois cada 
juiz poderá interpretar o caso de uma forma diferenciada. Com o litisconsórcio, é assegurado que 
todas as partes envolvidas receberão em juízo a mesma sentença para a causa ajuizada. 
Uma das consequências do litisconsórcio é que a contagem dos prazos passa a ser feita 
em dobro, desde que os litisconsortes estejam representados por advogados diferentes que 
pertençam a escritórios diferentes, conforme previsão do art. 229 do CPC: 
Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advo-
cacia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer 
juízo ou tribunal, independentemente de requerimento. 
§ 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida 
defesa por apenas um deles. 
§ 2o Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos. 
O prazo dobrado é justificado pelo fato de que, se o prazo fosse contado normalmente, 
haveria dificuldade para que os advogados dos litisconsortes desempenhassem sua função, de-
vido à necessidade de terem acesso aos autos do processo. 
Contudo, se os advogados pertencem ao mesmo escritório, ou os autos do processo são 
eletrônicos, não há necessidade de dobrar os prazos. Se os advogados são do mesmo escritório, 
poderão acessar os autos do processo conjuntamente. Além disso, se os autos do processo são 
eletrônicos, qualquer advogado pode acessá-los a qualquer tempo. 
Devemos ressaltar que o prazo é dobrado independentemente da quantidade de litis-
consortes, pois o prazo não é estendido proporcionalmente à quantidade de réus ou de autores. 
Por exemplo, em um litisconsórcio com mais de um réu, o prazo para contestação será dobrado 
de 15 para 30 dias, não importando se há apenas 2 ou 20 réus no processo. 
Também deve ser destacado que o prazo dobrado será concedido apenas para o pólo 
da ação em que há o litisconsórcio. Então, se por exemplo, temos mais de um autor contra um 
único réu, o prazo será contado em dobro apenas para os autores. Os prazos concedidos para 
o réu seriam contados normalmente. 
Outro fato que merece destaque é que, caso seja considerado procedente o alegado por 
um dos litisconsortes, mas improcedente para outro litisconsorte, caso este último queira recorrer 
à decisão, o prazo em dobro passa a ser inexistente, conforme Súmula 641 do STF: 
Súmula 641/STF: Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só um dos 
litisconsortes haja sucumbido. 
 
Classificação do litisconsórcio 
Primeira classificação: quanto à posição das partes 
a) ativo: aquele no qual temos vários autores contra um réu. O litisconsórcio está no pólo 
ativo da ação. 
b) passivo: aquele no qual temos um autor contra mais de um réu. O litisconsórcio está 
no pólo passivo da ação. 
c) misto/recíproco: aquele no qual temos vários autores contra mais de um réu. O litis-
consórcio está em ambos os pólos da ação. 
 
Segunda classificação: quanto ao momento da formação do litisconsórcioa) originário/inicial: litisconsórcio formado desde a propositura da ação. É o tipo que 
ocorre com mais frequência. 
b) posterior/superveniente: litisconsórcio formado após a propositura da ação. Ocorre, 
por exemplo, quando duas vítimas de acidente de trânsito causada por um motorista de ônibus 
resolvem ajuizar uma ação em litisconsórcio contra a empresa prestadora do serviço de trans-
porte, e esta empresa, por sua vez, resolve convocar uma seguradora a participar conjuntamente 
do processo no pólo passivo, para que ela pague a devida indenização caso a empresa perca o 
processo. 
Nesse exemplo dado, temos uma hipótese de litisconsórcio passivo posterior. 
O ato processual no qual uma parte que não era participante do processo passa a ser 
integrada é chamado genericamente de intervenção de terceiros (CPC, arts. 119 a 138). No 
exemplo dado, a intervenção de terceiros possui o nome específico de denunciação da lide 
(CPC, art. 125). 
A intervenção de terceiros só é permitida nos casos previstos em lei. Não seria permitido, 
por exemplo, acrescentar outro réu ao processo pelo fato de haver se esquecido de mencioná-
lo na petição inicial, depois que houve a citação do réu. Isso só seria possível apenas se não 
tivesse sido realizada a citação do réu, nos termos do art. 329, CPC. 
Para exemplificar outra formação de litisconsórcio posterior, vejamos o art. 108, CPC: 
Art. 108. No curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos 
casos expressos em lei. 
Suponhamos que um autor veio a falecer no decorrer de um processo, sendo que esse 
autor tinha 3 filhos. Nessa hipótese, é cabível realizar uma abertura de sucessão no processo, 
no qual é permitida a habilitação dos herdeiros ao longo do processo, que só pode ocorrer nos 
casos expressos em lei. Esse exemplo dado é denominado como sucessão causa mortis (pre-
vista genericamente no art. 108, CPC; e especificadamente no art. 110, CPC), e trata-se de uma 
hipótese de litisconsórcio ativo posterior. 
 
Terceira classificação: quanto à obrigatoriedade da formação 
a) necessário: litisconsórcio formado de forma obrigatória. Está previsto no art. 114, CPC. 
Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natu-
reza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que 
devam ser litisconsortes. 
Temos litisconsórcio obrigatório nas hipóteses determinadas por lei, ou quando a relação 
jurídica discutida obriga a formação de um litisconsórcio. 
Um exemplo de litisconsórcio exigido por lei é o ajuizamento de ação para requerer um 
apartamento de uma pessoa que é casada. Nesse caso, não seria possível ajuizar apenas contra 
a esposa ou o marido: segundo a lei, é exigido que o casal seja ajuizado conjuntamente, con-
forme disposto no art. 73, § 1°, CPC. Logo, trata-se de uma hipótese de litisconsórcio passivo 
obrigatório. 
Em outros casos, não é necessário haver exigência de litisconsórcio, pelo fato de que 
sua formação é decorrente da natureza do processo. A relação jurídica que está sendo discutida 
pode acarretar na formação de litisconsórcio. 
Um exemplo seria uma ação de investigação de paternidade, na qual a pessoa apontada 
como o pai do demandante já morreu, e foi descoberto que essa pessoa havia assumido a pa-
ternidade de 3 filhos. Não faria sentido ajuizar uma ação em face de apenas um desses 3 filhos 
para que seja reconhecido que entre eles há uma relação de familiaridade, pois se todos pos-
suem o mesmo pai, o demandante é irmão de todos os 3 filhos que foram assumidos, e não de 
apenas um deles. 
Dessa forma, a relação jurídica de paternidade existente entre o falecido e seus 3 filhos 
assumidos os torna litisconsortes passivos na ação a ser ajuizada, sem haver exigência da lei 
para tal. 
b) facultativo: litisconsórcio formado por mera faculdade do autor. Ocorre com mais fre-
quência do que o litisconsórcio obrigatório. É previsto no art. 113, CPC. 
Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa 
ou passivamente, quando: 
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide; 
II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir; 
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito. 
Quanto ao inciso I, temos que, se por exemplo, cinco pessoas compram livros em uma 
livraria, e os cinco livros adquiridos se encontravam com defeitos, essas cinco pessoas possuem 
comunhão de direitos em face dessa livraria. Assim sendo, podem, facultativamente, ajuizar 
uma ação em litisconsórcio ativo. 
Quanto ao inciso II, temos que, se há uma proximidade dos assuntos a serem trazidos 
em processo por dois autores diferentes, também é cabível a formação de litisconsórcio, por 
mera afinidade ou conveniência. Por exemplo, na ocorrência de acidente de trânsito causada 
por um motorista de ônibus, duas vítimas podem ajuizar ação em litisconsórcio, apenas se assim 
desejarem. 
 
Litisconsórcio necessário ativo 
O litisconsórcio necessário ativo é proibido em nosso ordenamento jurídico, pelo fato de 
violar dois fundamentos do Direito Processual: o acesso à justiça e a liberdade de demandar. Se 
fosse permitida a formação de um litisconsórcio obrigatório, quando um litisconsorte quer de-
mandar e o outro não, ocorreriam duas possibilidades: 
a) Haveria violação ao acesso à justiça do que quer demandar, por ser impedido de 
demandar caso fosse obrigatória a anuência de ambos os litisconsortes, ou 
b) O litisconsorte não interessado em demandar seria obrigado a fazê-lo, caso fosse 
obrigatória a aderência de ambos os litisconsortes, independentemente de sua von-
tade, ocorrendo dessa forma uma violação à liberdade de não demandar. 
Imaginemos que X e Y tenham sido prejudicados por Z pelo descumprimento de um 
contrato. Enquanto X quer ajuizar uma ação em face de Z, Y não tem essa pretensão. Não seria 
possível haver um litisconsórcio ativo, pelo fato de que não é possível obrigar alguém a ajuizar 
uma ação. Y possui, no caso concreto, sua liberdade individual de não demandar preservada. 
Da mesma forma, X pode demandar sozinho sem haver litisconsórcio com Y, pois seu direito de 
acesso à justiça (CF, art. 5°, XXXV), não pode ser violado. 
No exemplo dado, se X conseguir 1000 reais de indenização na ação ajuizada, Y tem 
direito a 500 reais da indenização obtida, pelo fato de ambos terem direito à indenização. Nessa 
hipótese, Y pode ajuizar uma ação de cobrança contra X, caso queira. 
Assim sendo, podemos concluir que o litisconsórcio no polo ativo sempre será faculta-
tivo. 
 
Outorga uxória 
O ordenamento jurídico permite a formação de litisconsórcio de maneira facultativa, mas, 
em determinadas situações, isso não é possível. 
Imaginemos duas pessoas casadas que compram um apartamento. O marido empresta 
o apartamento para uma pessoa, que se recusa a sair do apartamento quando os donos exigiram 
sua retirada. Assim sendo, o casal resolve ajuizar uma ação em face dessa pessoa. 
Como vimos, não existe litisconsórcio necessário ativo para marido e mulher. Apenas 
um deles poderia ajuizar a ação, mas em ações que envolvam bens imóveis na constância do 
casamento (que geralmente possuem alto valor e pertencem a ambos), a lei vai exigir consenti-
mento do cônjuge. Essa concordância é chamada de outorga uxória, prevista no art. 73, CPC: 
Art. 73. O cônjuge necessitará do consentimento do outro para propor ação que verse 
sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens. 
§ 1o Ambos os cônjuges serão necessariamente citados para a ação: 
I - que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casadossob o regime de sepa-
ração absoluta de bens; 
II - resultante de fato que diga respeito a ambos os cônjuges ou de ato praticado por eles; 
III - fundada em dívida contraída por um dos cônjuges a bem da família; 
IV - que tenha por objeto o reconhecimento, a constituição ou a extinção de ônus sobre 
imóvel de um ou de ambos os cônjuges. 
§ 2o Nas ações possessórias, a participação do cônjuge do autor ou do réu somente é 
indispensável nas hipóteses de composse ou de ato por ambos praticado. 
§ 3o Aplica-se o disposto neste artigo à união estável comprovada nos autos. 
Em geral, nos casos em que os litisconsortes podem sofrer efeitos diretos da decisão, o 
ordenamento exige consentimento do outro litisconsorte envolvido, mas isso não significa neces-
sariamente que ambos devam entrar em juízo. No exemplo dado, bastaria a esposa rubricar a 
petição dizendo que concorda com a ação, e vice-versa. 
Se um cônjuge não concordar, o cônjuge que pretende ajuizar a ação dependerá de uma 
autorização judicial, chamada de suprimento judicial da vontade, no qual o juiz deve analisar 
o motivo da recusa e determinar se a ação é cabível ou não. 
A outorga uxória não é cabível em uma ação sobre bens móveis. Além disso, o CPC/15 
apresenta uma novidade: a exigência de outorga uxória também é realizada para companheiros 
em união estável, nos termos do § 3° do art. 73 do CPC. 
 
Litisconsórcio ativo posterior 
Em regra, esse tipo de litisconsórcio não é possível, salvo em casos previstos por lei (ex.: 
sucessão causa mortis). O litisconsórcio ativo posterior implica em violação ao princípio consti-
tucional do juiz natural. 
Para demonstrar porque o litisconsórcio ativo posterior não é possível, analisemos o se-
guinte caso: uma pessoa procura um advogado por causa de uma reprovação indevida em um 
concurso público, causada pelo erro cometido em uma questão sobre conteúdo não cobrado em 
edital. Caso esse erro não fosse computado, esse candidato estaria apto a retornar para o con-
curso e participar das demais fases. 
Uma ação foi impetrada contra a União e a organizadora do concurso, configurando-se 
assim, um litisconsórcio passivo. Foi provado em um parecer que a questão cobrada realmente 
versava sobre conteúdo não cobrado no edital. O juiz, ao perceber este fato, concedeu uma 
liminar autorizando o autor da ação a voltar para o concurso. 
Outro candidato, que estava na mesma situação, pediu para ingressar no polo ativo 
dessa ação descrita, em litisconsórcio ativo posterior. Será que isso seria possível? 
Não, por haver violação a um princípio constitucional: o princípio do juiz natural. Nesse 
caso descrito, o outro advogado estaria escolhendo onde demandar, por enxergar vantagem em 
ser incluído em um processo onde já foi concedida uma liminar. O correto a ser feito seria a 
observância ao referido princípio, com submissão a uma distribuição para ver onde o caso seria 
julgado. 
Se isso fosse possível, e tivesse mais 100 candidatos na mesma situação, teríamos mais 
100 pessoas no polo ativo. 
Cabe ressaltar que, quando há reunião de processos por meio de conexão, isso não 
implica em formação de litisconsórcio ativo posterior. Em um litisconsórcio, a ação é a mesma, 
enquanto na conexão há uma semelhança entre ações diferentes, pelo pedido ou causa de pedir. 
Ações conexas devem ser reunidas quando há risco de decisões conflitantes. 
 
Litisconsórcio multitudinário 
É tido como aquele que possui um número excessivo de litisconsortes, de forma que 
dificulte o desenvolvimento do processo, violando o princípio da economia processual e da 
razoável duração do processo. Ele ofende, portanto, a celeridade processual. Viola também, 
na perspectiva do réu, os princípios do contraditório e da ampla defesa. Só ocorre em casos 
de litisconsórcio facultativo, mas deve ser evitado. 
Houve um período em nossa história em que, para combater a inflação, o presidente 
Collor de Mello editou uma medida provisória que previa o confisco compulsório da poupança (o 
Plano Collor). Após o fim da vigência desse plano, diversas pessoas se dirigiam a um mesmo 
escritório para ajuizar uma ação em face da União para terem restituição do valor confiscado 
com as devidas correções. A partir desse fato, surgiu um debate sobre estabelecer um limite 
para o número de ingressantes em um litisconsórcio ativo facultativo. 
Para exemplificar o litisconsórcio multitudinário, suponhamos que 50 alunos da UFRJ 
resolvam ajuizar ação contra a universidade pela falta de professores. Além do fato de que a 
audiência seria extremamente longa, seria fisicamente impossível comportar 50 pessoas em uma 
sala de audiência. Logo, esse tipo de litisconsórcio é inviável, pelo menos no polo ativo. Além 
disso, o réu seria prejudicado, pelo fato de ser inviável elaborar uma defesa de forma adequada 
perante diversos autores. Logo, o litisconsórcio multitudinário também ofende os princípios de 
ampla defesa e contraditório. 
Em outras hipóteses, é possível haver litisconsórcio multitudinário, mas no polo pas-
sivo. Seria por exemplo, o caso hipotético em que 500 pessoas do MST invadem uma proprie-
dade, e uma ação de reintegração de posse é ajuizada. Invasões não costumam ser praticadas 
por um grupo pequeno de pessoas, e não faria sentido ajuizar ação apenas contra uma parte do 
grupo. Logo, o litisconsórcio multitudinário no polo passivo se faria necessário, nesse caso es-
pecífico. 
Não há um número definido em lei para a formação de litisconsórcio multitudinário. Quem 
decide quando essa hipótese ocorre é o juiz, conforme análise em cada caso concreto. 
Suponhamos que, após um acidente de trânsito, 8 pessoas formam litisconsórcio para 
requerer a indenização devida pelo seguro DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por 
Veículos Automotores de Via Terrestre, cujo pagamento é incluso no IPVA). Pelo fato de ser uma 
ação simples, o juiz pode permitir a formação de litisconsórcio. 
Em outras ações, por serem mais complexas, o litisconsórcio pode ser limitado. Se por 
exemplo, o litisconsórcio é formado com 10 autores, esse número pode ser limitado para 2 litis-
consórcios com 5 autores cada. 
Dentro dessa perspectiva, o juiz pode proferir uma decisão interlocutória para fracionar 
o processo. Essas decisões são proferidas no decorrer do processo com o intuito de organizá-
lo. Quando o juiz decide fracionar um processo, ele é dividido em processos menores. Esses 
processos gerados não serão redistribuídos: permanecerão no mesmo juízo. 
Quanto às decisões interlocutórias, cabe ressaltar que despachos não se enquadram 
nesse tipo de decisão (apesar de que, quando o juiz pratica qualquer ato, costuma-se dizer que 
ele está “despachando” alguma coisa). São atos impulsionadores do processo, mas não pos-
suem carga decisória. 
Para prosseguir com o estudo, leiamos o § 1° do art. 113 do CPC: 
§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes na 
fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este comprometer a 
rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da sentença. 
A limitação ao litisconsórcio facultativo poderá acontecer durante o processo de conhe-
cimento, em uma AIJ, ou mesmo na fase de execução. O juiz pode limitar o processo em qual-
quer ato processual, quando considerar que a celeridade do processo está sendo prejudicada. 
Também pode ocorrer a hipótese de o réu pedir a limitação do processo pelo fato de ter 
dificuldade de elaborar sua defesa perante todos os autores. Nesse caso, o réu não é obrigado 
a contestar: ele pode deixar de contestar e pedir a separação do processo. 
Quando é feito o pedido de separação do processo, é gerado a interrupção do prazo de 
resposta.Nas hipóteses de interrupção do prazo, este deve ser devolvido integralmente. Se o 
prazo fosse suspenso, seria devolvido apenas o restante do prazo. A devolução integral do 
prazo quando ocorre interrupção está prevista no § 2° do art. 113 do CPC: 
§ 2o O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que 
recomeçará da intimação da decisão que o solucionar. 
Cabe destacar que a interrupção do processo ocorre a partir do momento que o pedido 
de limitação é realizado, independentemente do deferimento ou não desse pedido por parte do 
juiz. 
Outro detalhe é que, quando há limitação do processo, uma parte pode contratar vários 
advogados, para que cada um deles se encarregue de uma das divisões do processo. 
 
Dilatação de prazos processuais 
De acordo com o NCPC, o juiz pode dilatar prazos processuais, assim como alterar a 
ordem de produção de provas, conforme art. 139, VI: 
Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-
lhe: 
[...] 
VI - dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos meios de prova, 
adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à tutela do di-
reito; 
Ao invés de desmembrar o processo, o juiz pode, por exemplo, aumentar o prazo de 
contestação de 15 para 45 dias. Essa medida é mais prática do que o desmembramento do 
processo, porque este último implica em recolhimento de custas, formação de novos autos pro-
cessuais, nova encadernação no Cartório, entre uma série de outras atividades. Assim sendo, 
para facilitar o andamento do processo, sem fracioná-lo, o juiz pode realizar a citação do réu com 
o prazo já dilatado. 
Cabe destacar que a dilatação do prazo nem sempre substituirá a limitação do litiscon-
sórcio. O que ocorre na verdade é que, quando um pedido de limitação é indeferido, o juiz pode, 
em compensação, dilatar o prazo. 
O FPPC (Fórum Permanente de Processualistas Cíveis) é uma reunião onde professores 
e doutrinadores de todo o país propõem enunciados a fim de propiciar uma melhor interpretação 
do NCPC. O enunciado 116 faz a seguinte disposição sobre litisconsórcio multitudinário: 
116. (art. 113, §1º, art. 139, VI) Quando a formação do litisconsórcio multitudinário for 
prejudicial à defesa, o juiz poderá substituir a sua limitação pela ampliação de prazos, sem pre-
juízo da possibilidade de desmembramento na fase de cumprimento de sentença. (Grupo: Ne-
gócios Processuais) 
Em suma, de acordo com este enunciado, é possível haver dilatação de prazos e des-
membramento em um mesmo processo. Esse enunciado reforça a afirmação de que dilatação 
de prazos não substitui a limitação. 
 
Agravo de instrumento à recusa de pedido de limitação 
As decisões interlocutórias admitem um recurso chamado de agravo de instrumento, 
admitido nas hipóteses previstas no art. 1.015, CPC. A interpretação predominante desse artigo 
é a restritiva, assumindo que seu rol é taxativo. 
Fredie Didier é minoritário quanto a isso: segundo ele, as hipóteses do art. 1.015 do CPC 
seriam temáticas. Com essa afirmação, se pretende dizer que a interpretação dos incisos desse 
artigo deve abranger todas as hipóteses previstas para o tema proposto (por exemplo, nos inci-
sos que tratam sobre litisconsórcio, a interpretação deve abranger todas as hipóteses possíveis 
de litisconsórcio, e não apenas as descritas). 
Quanto ao agravo de instrumento em processos em que há litisconsórcio, é pertinente 
realizarmos a leitura do art. 1.015, VIII, CPC: 
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versa-
rem sobre: 
[...] 
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio; 
Pela interpretação desse inciso, temos que, se por exemplo, é feito um pedido de limita-
ção e o juiz indefere, é cabível o agravo de instrumento, pelo fato de ser uma rejeição ao pedido. 
Entretanto, se o réu pede limitação e o juiz defere o pedido, o autor não pode recorrer à decisão 
por meio de agravo de instrumento, porque esse recurso é cabível apenas em hipótese de rejei-
ção do pedido de limitação, e não quando há acolhimento desse pedido. 
 
Quarta classificação: quanto ao regime de tratamento 
Quanto ao regime de tratamento, o litisconsórcio pode ser unitário ou simples. 
a) Litisconsórcio unitário 
O art. 116 do CPC explica o que é o litisconsórcio unitário, no qual os litisconsortes são 
tratados como se fossem uma única pessoa, no sentido de que o juiz deve desconsiderar que 
há mais de um sujeito em litisconsórcio, sendo obrigado a proferir uma sentença uniforme para 
todos os litisconsortes. Segue a leitura do referido dispositivo: 
Art. 116. O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz 
tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes. 
De acordo com a leitura do art. 116 do CPC, temos, no litisconsórcio unitário, a formação 
de uma relação jurídica indivisível. Sempre que a relação jurídica for indivisível, o litisconsórcio 
a ser formado será sempre necessário e unitário. 
Um exemplo de ação que contém esse tipo de litisconsórcio é a ação de anulação de 
casamento promovida pelo MP. Não seria possível ajuizar essa ação apenas em face do marido 
ou da esposa. Logo, temos a formação de um litisconsórcio necessário. Além disso, não seria 
possível ao juiz proferir uma decisão diferenciada para os litisconsortes, pois a anulação de ca-
samento seria válida para ambos. Assim sendo, além da formação de um litisconsórcio neces-
sário, temos no caso concreto a formação de um litisconsórcio unitário. 
Outro exemplo seria o ajuizamento de investigação de paternidade com o falecimento 
do indivíduo tido como pai da parte autora, e com a comprovação posterior de que o falecido 
havia reconhecido a paternidade de dois filhos. Tendo conhecimento desse fato, a parte autora 
pode requerer o reconhecimento da relação de irmandade com esses dois filhos assumidos por 
seu pai. 
Temos nesse exemplo a formação de um litisconsórcio necessário (pois não seria pos-
sível ajuizar a ação apenas em face de um de seus irmãos) e também unitário (pois uma vez 
reconhecido que todos possuem o mesmo pai, não seria possível ser irmão de apenas um dos 
litisconsortes no polo passivo). 
 
b) Litisconsórcio simples 
No litisconsórcio simples, há a possibilidade de que o juiz profira decisões diferentes para 
os litisconsortes. Cabe destacar que no litisconsórcio simples também pode haver decisões 
iguais, mas sua característica peculiar é justamente a possibilidade de haver decisões que não 
sejam iguais para todos os litisconsortes, diferentemente do litisconsórcio unitário. 
Um exemplo seria uma ação decorrente de acidente de trânsito em face de empresa de 
ônibus. Existe a possibilidade de haver decisões iguais ou diferentes para cada um dos litiscon-
sortes no polo ativo de acordo com o dano sofrido, pelo fato de que o juiz não é obrigado a 
proferir a mesma decisão para todos os litisconsortes, não sendo impedido de proferir decisões 
diferentes de acordo com a análise particularizada dos danos sofridos por cada um deles. Nesse 
caso concreto, o litisconsórcio é, portanto, simples. 
 
Uma observação a ser feita é que o litisconsórcio necessário nem sempre será unitário. 
A explicação para esta afirmação é encontrada no art. 114, CPC: 
Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natu-
reza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos 
que devam ser litisconsortes. 
De acordo com esse artigo, o litisconsórcio será necessário em duas hipóteses: 
a) Quando a lei obriga a formação do litisconsórcio, ou 
b) Quando a relação jurídicadiscutida é indivisível 
Como vimos, o litisconsórcio será unitário apenas na segunda hipótese. 
Um litisconsórcio necessário que não é unitário (portanto, formado por força de lei) é, 
geralmente, simples. Um exemplo é a ação de usucapião, prevista no art. 246, § 3°, CPC: 
Art. 246. A citação será feita: 
[...] 
§ 3o Na ação de usucapião de imóvel, os confinantes serão citados pessoalmente, exceto 
quando tiver por objeto unidade autônoma de prédio em condomínio, caso em que tal citação é 
dispensada. 
Essa ação consiste na possibilidade de adquirir uma propriedade pelo exercício contínuo 
de sua posse. O tempo necessário para a aquisição da propriedade varia de acordo com as 
hipóteses previstas em lei. 
Acerca desse tipo de ação, suponhamos um caso em que uma família ocupa um deter-
minado imóvel a muitos anos, e a posse desse imóvel foi transferida por seus antecedentes. 
Porém, essa posse não é documentada, e o possuidor deseja regularizar essa documentação, 
por meio da ação de usucapião. 
Nesse tipo de ação, é necessário a formação de litisconsórcio passivo, no qual são in-
cluídos o anterior proprietário, todos os vizinhos (para fins de demarcação da propriedade a ser 
usucapida) e eventuais possuidores (como locatários que se recusam a sair do imóvel). 
De acordo com o § 3° do artigo, há uma novidade trazida pelo NCPC: os confinantes 
serão citados pessoalmente, exceto quando houver unidade autônoma em prédio ou condomí-
nio. 
Caso a ação no exemplo dado seja considerada procedente, temos as seguintes deci-
sões: 
 Em face do proprietário, será declarada a perda da propriedade. 
 Em face dos vizinhos, haverá a demarcação dos limites da propriedade. Aqui, 
temos a possibilidade de diferentes decisões em relação a cada vizinho. Por 
exemplo, enquanto a demarcação do terreno em relação ao vizinho de trás é de 
12m, em relação ao vizinho da esquerda poderá ser de 20m. 
 Em face de eventuais possuidores, será declarada a perda da posse. 
Tendo em vista que o resultado foi completamente diferente para cada um dos litiscon-
sortes passivos (inclusive entre a demarcação em face de cada um dos vizinhos, conforme foi 
demonstrado no exemplo), temos que a ação de usucapião, formada por lei, acarreta na forma-
ção de litisconsórcio simples. 
Por fim, para esquematizar, quanto à classificação do litisconsórcio, temos que: 
 
 
1) Quanto à posição 
das partes
a) ativo
b) passivo
c) misto/ 
recíproco
2) Quanto ao 
momento de 
formação do 
litisconsórcio
a) originário/ 
inicial
b) posterior/ 
superveniente
3) Quanto à 
obrigatoriedade da 
formação 
a) necessário
b) facultativo
4) Quanto ao 
regime de 
tratamento
a) unitário
b) simples
Dinâmica do litisconsórcio 
Prazo em dobro, sucumbência, contrarrazões 
Cada litisconsorte deve contratar advogados diferentes e de escritórios diferentes. Esse 
fato é comprovado por meio da procuração dada aos advogados, que deve conter o endereço 
dos escritórios aos quais fazem parte. Como tais escritórios devem ser cadastrados na OAB, é 
possível ainda entrar em contato com essa entidade a fim de confirmar o endereço dos escritórios 
dos advogados contratados. 
Atendida a condição exposta no parágrafo anterior, todos os prazos processuais serão 
contados em dobro. Entretanto, se o processo for eletrônico, não há necessidade para haver 
contagem de prazo em dobro. Cabe ressaltar que o prazo em dobro é concedido apenas para 
os atos processuais nos quais as partes devem exercer o seu direito de manifestação. A regra 
do prazo dobrado não se aplica, por exemplo, a um pedido para suspensão do processo. 
A Súmula 641 do STF traz outra regra quanto ao prazo dobrado: 
Súmula 641/STF: Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só um dos litis-
consortes haja sucumbido. 
Para compreender essa regra, suponhamos uma ação em que há formação de litiscon-
sórcio passivo formado por dois réus. A petição inicial feita pelo autor é considerada improce-
dente em relação a um deles (a quem trataremos como “R1”), mas é considerada procedente 
em relação ao outro réu (a quem iremos nos referir como “R2”). 
Nessa hipótese, o prazo deixará de ser dobrado para ser simples, pelo fato de que R1 
não tem mais interesse em manifestar a sua opinião no processo, já que houve proferimento de 
uma decisão que lhe era favorável. 
Isso significa que, em relação a R1, não houve em relação a ele a ocorrência de sucum-
bência (que podemos definir resumidamente como “perda da causa”). O único interessado em 
impetrar um recurso de apelação seria R2, por ter sofrido sucumbência. 
Cabe ressaltar que, nesse caso concreto, uma vez que a petição do autor é considerada 
improcedente em relação a R1, não quer dizer necessariamente que ele não precisará apelar. 
No decorrer do processo, pode acontecer alguma alteração na decisão que foi proferida de forma 
que R1 necessite de prazo para apelar juntamente com R2. Assim sendo, o prazo voltaria a ser 
dobrado. A explicação para essa hipótese decorre do fato de que R1 não deixará de integrar o 
litisconsórcio, mesmo com decisão a seu favor, enquanto o processo não for transitado em jul-
gado. 
Dando seguimento ao exemplo dado, uma vez que é feita a apelação por R2, o autor e 
R1 são intimados a apresentar sua manifestação em relação à apelação realizada. Esse ato 
processual é chamado de contrarrazões. Nesse ato processual, o autor e R1 terão prazo do-
brado para se manifestar. 
O prazo em dobro se justifica pelo fato de que tanto o autor e R1, apesar de integrarem 
polos opostos no mesmo processo, necessitarão consultar os autos do processo dentro do 
mesmo prazo. 
Existe a possibilidade de que o R2 afirme que quem deveria ter sofrido sucumbência não 
deveria ser ele, mas R1. O tribunal que analisar o recurso que está sendo impetrado pode sim-
plesmente inverter as posições dos réus: R2, que até então estava sofrendo sucumbência, pode 
conseguir ganho de causa; enquanto R1, que até então tinha uma decisão a ele favorável, pode 
sofrer sucumbência no processo. 
 
Litisconsortes passivos solidários 
Nas hipóteses de formação de litisconsórcio em que os litisconsortes são responsabili-
zados solidariamente, o juiz costuma proferir decisões iguais. Contudo, existe a possibilidade de 
ele profira decisões diferentes. 
Um exemplo de litisconsórcio passivo com responsabilização solidária seria a que en-
volve todos os que participaram de uma relação de consumo, como os fornecedores de serviço, 
que devem solidariamente perante o consumidor. 
Suponhamos que um determinado consumidor efetua uma compra no Ponto Frio pa-
gando essa compra com um cartão de crédito Visa, que é vinculada a uma conta corrente no 
Bradesco. Caso esse consumidor ingresse com uma ação por ter sido lesado nessa relação de 
consumo, teremos a formação de litisconsórcio passivo com três litisconsortes: o Ponto Frio, o 
Bradesco, e a Visa. 
Nesse exemplo, temos que o litisconsórcio é facultativo, pelo fato de que, por haver 
uma solidariedade, o autor da ação poderia ter ingressado com essa ação em face de apenas 
um desses devedores solidários, já que cada um deles responde pelo todo. Contudo, no exemplo 
que foi dado, o autor optou por fazer uso da sua faculdade de formar o litisconsórcio passivo. 
Em tese, o juiz deveria proferir a mesma decisão para os três litisconsortes. Entretanto, 
existe a possibilidade de o juiz proferir uma decisão diferente para cada um deles, como por 
exemplo, pelo fato de que apenas o Ponto Frio foi negligente na relação de consumo por não ter 
entregado o produto. Apesar de haver essa possibilidade, devemos entender que, se a solidari-
edade foi estabelecida em torno de uma obrigação indivisível,o litisconsórcio será sempre uni-
tário. 
Se por exemplo, em um contrato é estabelecido que duas pessoas serão devedoras 
solidárias de um cavalo, e esse cavalo não é entregue ao seu dono de direito, esse sujeito que 
está sendo lesado pode ingressar com uma ação para requerer o cavalo. Pelo fato do objeto da 
obrigação ser indivisível, não teria como o juiz proferir decisões diferentes para ambos os litis-
consortes, devido à impossibilidade de repartir o cavalo. 
Devemos considerar também que, mesmo nas hipóteses em que a responsabilidade é 
solidária, se a ação foi promovida contra apenas um dos devedores solidários, não é possível 
mandar executar sentença a todos eles, mas apenas em face daquele que foi a juízo, pelo fato 
de que só a este foi oportunizada a manifestação em contraditório. 
 
Desvantagens do litisconsórcio passivo 
Devemos destacar também que o litisconsórcio passivo nem sempre é vantajoso para o 
autor da ação. Retornando ao exemplo do litisconsórcio entre Bradesco, Ponto Frio e Visa, su-
ponhamos que as sedes da Visa e do Bradesco ficam em São Paulo, mas a sede do Ponto Frio 
fica no Rio de Janeiro. A localização da sede das pessoas jurídicas tidas como rés no processo 
dificulta a citação. Isso é um problema para a parte autora, por causa do que está disposto no 
art. 231, § 1°, CPC: 
Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo: 
[...] 
§ 1o Quando houver mais de um réu, o dia do começo do prazo para contestar corres-
ponderá à última das datas a que se referem os incisos I a VI do caput. 
De acordo com art. 231, § 1°, CPC, os prazos começarão a contar a partir do momento 
que é realizada a juntada do último mandado de citação. Assim sendo, o autor pode acabar 
esperando muito tempo para que o processo tenha andamento, sem desconsiderar o fato de que 
os prazos serão dobrados, em função da formação do litisconsórcio passivo. 
O litisconsórcio também pode ser desvantajoso considerando a hipótese de, por exem-
plo, um dos réus que compõe o litisconsórcio passivo ser uma pessoa jurídica que decretou 
falência. Se uma pessoa desejar ajuizar uma ação em face de uma empresa que está perto de 
falir, seria mais vantajoso ajuizar ação apenas em face de sua seguradora, pois esta teria patri-
mônio para cumprir com a indenização exigida. A formação do litisconsórcio acarretaria em con-
cessão de prazo em dobro de forma desnecessária. 
 
Revelia 
O art. 229, § 1°, CPC, traz uma regra quanto à revelia de um dos litisconsortes passivos, 
que é a hipótese na qual o réu não apresenta contestação no prazo determinado: 
Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advo-
cacia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer 
juízo ou tribunal, independentemente de requerimento. 
§ 1o Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida 
defesa por apenas um deles. 
Se um deles não apresenta contestação no prazo determinado, ele passa a ser denomi-
nado como revel. Se há dois réus em litisconsórcio, e um deles se torna revel, o prazo passa a 
ser simples para o outro réu litisconsorte. 
Outro dispositivo acerca da revelia a ser destacado é o art. 346, CPC: 
Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de 
publicação do ato decisório no órgão oficial. 
Parágrafo único. O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no 
estado em que se encontrar. 
No caso de revelia, diferentemente do que previa a legislação anterior (art. 322 do CPC 
de 1973), em que os prazos processuais correriam independentemente de intimação, no NCPC 
os prazos processuais fluirão da data de publicação do ato decisório no órgão oficial, con-
forme o caput do art. 346 do CPC. 
Contudo, de acordo com o parágrafo único do art. 346 do NCPC, mesmo que o réu seja 
revel, este fato não o impedirá de comparecer ao processo em qualquer fase, mas receberá o 
mesmo no estado que se encontrar. O revel, ao atuar no processo em trâmite, não poderá alegar 
matérias preclusas, sobre as quais não há mais a possibilidade de deduzi-las por ter passado o 
momento oportuno para falar nos autos. 
 
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 
Em tese, o processo é composto por autor e réu. Contudo, temos situações previstas em 
lei que permitem a participação de outras pessoas distintas do autor e do réu em um processo. 
Essa forma de participação é denominada como intervenção de terceiros, que consiste na in-
serção no processo de qualquer pessoa que não esteja participando do litígio como autor ou réu. 
No antigo CPC, tínhamos algumas modalidades de intervenção de terceiros, que foram 
modificadas pelo NCPC. Com o advento do CPC/15, as seguintes mudanças foram trazidas em 
relação ao CPC/73: 
 
 
CPC/73 CPC/15 
1 - Assistência Assistência (art. 119, CPC) – foi mantida exatamente como 
era 
2 - Oposição Ação de oposição (art. 682, CPC) – deixou de ser intervenção 
de terceiros para ser ação autônoma (tornou-se procedimento 
especial) 
3 - Denunciação da lide Denunciação da lide (art. 125, CPC) – foi mantida exatamente 
como era 
4 - Chamamento ao processo Chamamento ao processo (art. 130, CPC) – foi mantido exa-
tamente como era 
5 - Nomeação à autoria REVOGADA no NCPC (dispositivos equivalentes: arts. 338 e 
339, CPC) 
NOVAS FORMAS DE INTERVENÇÃO DE TERCEIROS TRAZIDAS PELO CPC/15 
Incidente de desconsideração de pessoa jurídica (art. 133, CPC) 
Regulamentação do amicus curiae (art. 138, CPC) 
 
A partir das mudanças trazidas pelo CPC/15, podemos concluir que, atualmente, temos 
as seguintes formas de intervenção de terceiros: 
a) Assistência (art. 119, CPC) 
b) Denunciação da lide (art. 125, CPC) 
c) Chamamento ao processo (art. 130, CPC) 
d) Incidente de desconsideração de pessoa jurídica (art. 133, CPC) 
e) Amicus curiae (art. 138, CPC) 
 
Nomeação à autoria 
A nomeação à autoria era uma forma de intervenção de terceiros aplicada em ações 
ingressadas em face de pessoas que não tinham legitimidade passiva, com a finalidade de que 
essa ilegitimidade passiva fosse corrigida. No CPC/73, era admitida apenas em duas hipóteses: 
nas ações em que há no polo passivo um detentor ou um preposto (representante de pessoa 
jurídica). 
Um exemplo da primeira hipótese seria uma ação reivindicando a posse de uma fazenda 
que, ao invés de ser promovida contra o fazendeiro, foi promovida em face do caseiro. Por meio 
da nomeação à autoria, o fazendeiro era integrado ao polo passivo, enquanto o caseiro se reti-
rava do processo. 
Um exemplo da segunda hipótese seria a ação em que uma pessoa, prejudicada em 
uma relação de consumo, ao invés de ajuizar uma ação contra a empresa, a ajuíza em face de 
um sócio, representante ou preposto. A pessoa citada poderia requerer uma nomeação à autoria 
para a pessoa jurídica que representasse. 
Apesar de haver revogação da nomeação à autoria, uma mudança trazida pelo novo 
CPC é que qualquer ilegitimidade passiva pode ser corrigida, conforme previsão dos arts. 338 
e 339 do CPC, que são dispositivos equivalentes à forma de intervenção de terceiros revogada. 
Caso a correção de ilegitimidade passiva de um processo não seja realizada, ocorre sua 
extinção sem resolução de mérito. Para evitar que a extinção do processo ocorra dessa forma, 
foi implementado no NCPC os arts. 338 e 339. 
A inserção desses dispositivos também se relaciona com a observância de um princípio 
consagrado no Direito Processual: o princípio da primazia da solução de mérito, segundo o 
qual o Poder Judiciário deve sempre se predispor a solucionar o mérito de todos os processos 
possíveis, utilizandotodos os recursos processuais disponíveis para evitar que a solução de 
mérito não seja realizada. 
 
Assistência 
Prevista no art. 119 do novo CPC, ocorre quando um terceiro que tenha interesse jurídico 
em um processo participa do mesmo auxiliando o autor ou o réu. Colabora na produção de novas 
provas, interpondo recursos, auxiliando nas argumentações, entre outras funções. 
É sempre voluntária. De acordo com o art. 119, parágrafo único, CPC, é cabível em 
qualquer procedimento no CPC e em todos os graus de jurisdição. 
OBS: apesar do CPC afirmar que é cabível em qualquer procedimento, não é cabível no 
procedimento dos Juizados Especiais Cíveis, de acordo com o art. 10 da Lei 9099/95. Essa ve-
dação à assistência é justificada pela observância do princípio da celeridade processual (carac-
terístico do procedimento adotado no JEC), pois a assistência poderia acarretar na trazida de 
novos elementos ao processo, o que o tornaria mais extenso. 
Como vimos, o assistente deve ter um interesse jurídico para participar do processo. 
Esse interesse jurídico irá possibilitar a assistência em duas situações: 
1 – Quando o terceiro for co-titular do direito discutido (como co-autor ou co-réu). 
Para exemplificar, suponhamos que há um empréstimo realizado por contrato para duas 
pessoas: X e Y. Ambas serão co-titulares do contrato. Supondo que nenhum dos dois pagou pelo 
empréstimo posteriormente, o credor resolve ingressar com uma ação, mas em face apenas de 
X. Como Y também é co-titular do contrato, ele pode participar do processo como assistente de 
X, no polo passivo. Caso haja sucumbência, o autor pode mandar executar a sentença não ape-
nas contra o réu X, mas também contra o assistente Y. 
Outro exemplo, seria uma ação de reintegração de posse promovida por duas pessoas 
que, se ausentando de um apartamento que possuem conjuntamente, têm seu imóvel invadido 
por um terceiro. Supondo que apenas um dos donos do apartamento ajuíza a ação contra o 
invasor, o outro dono pode auxiliar no processo como assistente no polo ativo, por ser co-titular 
da propriedade do apartamento. 
Nessas hipóteses, temos a ocorrência de uma assistência litisconsorcial ou qualifi-
cada. Se assemelha ao litisconsórcio, tendo como única diferença o fato de que o litisconsórcio 
é formado desde o início do processo, enquanto a assistência litisconsorcial surge em seu de-
correr, devido ao ingresso na ação de forma voluntária da parte do terceiro interessado. 
A partir do momento do ingresso do assistente litisconsorcial, os prazos são dobrados. 
Os prazos que findaram não são devolvidos. 
OBS: Nem toda hipótese em que é permitida a formação de litisconsórcio facultativo 
admite assistência litisconsorcial. Seria o caso em que uma ação é movida em face de uma 
empresa de ônibus, por causa de um acidente de trânsito que lesionou 3 pessoas. Nesse caso, 
essas 3 pessoas não são co-titulares do mesmo direito (como nos exemplos anteriores do con-
trato de empréstimo e da reintegração de posse), pelo fato de que cada uma delas possui uma 
relação jurídica diferente com a empresa de ônibus (pois o dano sofrido por cada uma das víti-
mas não será necessariamente igual). Na verdade, o que ocorre é uma similaridade de relações 
jurídicas, que permitem a formação de litisconsórcio ativo facultativo, mas não permite que uma 
das vítimas auxilie as demais como assistente. 
2 – Quando o assistente é titular de relação jurídica subordinada ou acessória. 
Nessa hipótese, temos a ocorrência de assistência simples ou adesiva. 
Um exemplo seria o caso em que um apartamento é locado de M para N, que por sua 
vez, subloca para O (em outras palavras: N aluga o apartamento de M. N, desejando sair do 
apartamento, o põe em aluguel novamente, e O aluga de N o apartamento que ele alugou de M). 
Enquanto a relação jurídica principal seria a locação entre M e N, a sublocação entre N 
e O seria uma relação jurídica subordinada ou acessória. Caso uma ação referente à locação do 
imóvel fosse ajuizada por M em face de N, O poderia ser assistente em favor de N, por causa da 
relação jurídica acessória existente entre eles. 
Devemos destacar que a assistência não é admitida de forma alguma se o caso trata de 
um interesse meramente econômico. Para entendermos o que seria esse tipo de interesse, 
seguem alguns exemplos: 
Exemplo 1 
Suponhamos que um shopping está sendo construído, e um determinado comprador 
adquire uma loja que ainda está na planta da construção. Após a compra, o comprador ficou 
aguardando a construção e valorização do imóvel, para poder revendê-lo. Depois de um certo 
tempo, o município ajuíza uma ação contra esse empreendimento que faz com que a obra pare 
por causa da falta de uma licença. 
Nesse caso, o comprador não possui co-titularidade da mesma relação jurídica que a 
construtora. Com essa afirmação se pretende dizer que, enquanto a construtora possui uma 
relação jurídica com o município, não há relação jurídica entre o comprador e o município. Logo, 
não seria possível a formação de assistência litisconsorcial. 
Não há também no caso concreto uma relação jurídica subordinada diretamente vincu-
lada a que está sendo discutida, pois a relação entre o comprador e a construtora é independente 
da relação jurídica entre construtora e município. 
Além disso, a única perda para o comprador seria financeira, pelo fato de que ter adqui-
rido uma loja que ainda seria construída com o intuito de revendê-la. Trata-se, portanto, de um 
interesse meramente econômico. Para essa hipótese, não é permitido a assistência. 
Exemplo 2 
Outro exemplo em que o interesse seria apenas financeiro: suponhamos um o caso em 
que uma pessoa assina contratos de empréstimos com dois credores diferentes (“C1” e “C2”), 
contraindo duas dívidas distintas. Essa pessoa deixa de pagar C1 no prazo determinado. Então, 
C1 resolve ajuizar ação de cobrança contra a parte devedora. 
Caso esse devedor perca a ação, isso seria prejudicial para C2, porque se o devedor for 
forçado a pagar a dívida para C1, o patrimônio do devedor será diminuído e, portanto, esse 
devedor terá dificuldade em pagar C2. 
Como C2 não é co-titular da relação jurídica entre o devedor e C1, não é cabível assis-
tência litisconsorcial. Também não há relação jurídica acessória no caso concreto, pois a dívida 
cobrada por C1 é referente a uma relação jurídica autônoma não vinculada à relação jurídica 
entre C2 e devedor. 
Nesse exemplo, o único interesse de C2 seria meramente econômico. Logo, também 
não seria cabível assistência. 
 
A assistência não é permitida quando o interesse é meramente econômico pelo fato de 
que esse tipo de interesse está presente em diversas relações jurídicas. Se a assistência fosse 
permitida, haveria a ocorrência excessiva de intervenção de terceiros nos processos. 
Retornando ao exemplo do shopping em construção, se fosse permitido ao comprador 
oferecer assistência à construtora, todos os demais compradores que tinham realizado o mesmo 
tipo de empreendimento poderiam intervir, pois todos possuiriam interesse econômico no pro-
cesso. 
 
Denunciação da lide 
Prevista no art. 125 do CPC, ocorre quando há o direito de regresso contra alguém que 
está na condição de garantidor. Enquanto o direito de regresso é o direito de ser ressarcido de 
um prejuízo causado por terceiro em juízo; a denunciação da lide é uma ação que visa, de forma 
antecipada, a reparação por eventuais prejuízos que a parte denunciadora da lide venha a sofrer. 
Ocorre em duas hipóteses: 
a) Quando o garantidor é estabelecido por lei ou contrato (ex: a seguradora). 
b) Quando ocorre a evicção. 
1 – Sobre a primeira hipótese (garantidor estabelecido por lei/contrato): 
Suponhamosque X, enquanto dirigia, colide com o carro de Y, que pagava regularmente 
o seguro do automóvel para a seguradora do Bradesco. Em vista do prejuízo sofrido, X resolve 
ajuizar uma ação exigindo indenização da parte de Y. Nesse caso concreto, quanto Y for citado, 
ele pode, durante o prazo para apresentação de defesa, realizar a denunciação da lide para o 
Bradesco, que será trazido ao processo. 
Na ocorrência da denunciação da lide, tanto Y quanto o Bradesco integrarão o polo pas-
sivo. Contudo, haverá duas ações distintas dentro do mesmo processo: uma de X em face de Y, 
e uma de Y em face do Bradesco. Caso haja condenação para Y, ele poderá exercer o direito de 
regresso contra o Bradesco. 
Devemos ressaltar que, caso Y exerça seu direito de regresso, a seguradora seria obri-
gada a ressarcir apenas o que foi estabelecido na apólice do contrato. Por exemplo, se a ação 
fosse para exigir indenização por dano moral, e o contrato previsse que o seguro cobriria apenas 
prejuízos decorrentes de acidente de trânsito, não haveria direito de regresso. 
Outro exemplo de mesmo teor seria o caso em que uma seguradora é trazida a um 
processo pela denunciação da lide de um indivíduo condenado a pagar uma indenização no valor 
de R$ 50.000, sendo que a apólice do contrato firmado previa que o seguro cobriria dívidas de 
até R$ 10.000. O valor a ser pago pela seguradora seria o estipulado no contrato, mesmo que o 
valor da indenização condenatória seja superior. 
Outro ponto a ser destacado é que não seria possível para X formar litisconsórcio passivo 
entre Y e Bradesco, pelo fato de não haver relação jurídica entre X e Bradesco. 
Caso Y não deseje realizar a denunciação da lide em face do Bradesco enquanto é de-
mandado por X, Y terá o direito de ingressar posteriormente com uma ação em face da Bradesco, 
para fazer valer seu direito de regresso. 
2 – Sobre a segunda hipótese (evicção): 
A evicção é a perda do direito de propriedade de um bem por decisão judicial. 
Está previsto no CC, art. 447 e seguintes. De acordo com o art. 447, CC, toda vez que é 
celebrado um contrato de compra e venda, o vendedor (ou alienante) responde por eventual 
evicção. Essa responsabilização imputada ao alienante é uma garantia inerente a todo negócio 
jurídico. 
Um exemplo de ocorrência de evicção com denunciação da lide seria o seguinte caso, 
separado em etapas: 
a) Imaginemos que A empresta um automóvel para B por tempo indeterminado. 
b) Alguns anos se passam e B, por ter a posse do automóvel por tanto tempo, acredi-
tava que poderia vender o automóvel como se fosse seu. O automóvel então é ven-
dido para C. 
c) Após o estabelecimento do contrato de compra e venda entre B e C, A resolve pegar 
seu automóvel de volta, porém descobre que o automóvel foi vendido para C. 
d) Então, para ter seu automóvel de volta, A ajuíza uma ação requerendo evicção con-
tra C. 
e) Prevendo uma iminente ocorrência de evicção, C pode realizar uma denunciação 
da lide em face de B, para exercer o seu direito de regresso pelo prejuízo da perda 
do automóvel que havia comprado de boa-fé, já que presumiu que B era o real pro-
prietário. 
 
Denunciação da lide pelo autor e litisconsórcio eventual 
Como vimos anteriormente, a denunciação da lide é cabível quando há direito de re-
gresso. É possível haver denunciação da lide na parte autora, de acordo com o art. 127, CPC: 
Art. 127. Feita a denunciação pelo autor, o denunciado poderá assumir a posição de 
litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial, procedendo-se 
em seguida à citação do réu. 
Há uma distinção entre a denunciação da lide feita pelo autor e quando é feita pelo réu: 
a) Quando a denunciação da lide é feita pelo réu, esse ato é feito dentro do prazo de 15 
dias da contestação. 
b) Quando a denunciação da lide é feita pelo autor, ela deve ser realizada na petição 
inicial. 
Para exemplificar a denunciação da lide feita pela parte autora, imaginemos que A ajuíza 
uma ação de reintegração de posse de um apartamento em face de B, que possui o apartamento 
há pelo menos 30 anos. Nessa hipótese, há grandes chances de haver ocorrido usucapião. Caso 
tenha ocorrido realmente, A perde o direito de propriedade do imóvel. 
Assim sendo, temos uma evicção, que permite denunciação da lide. Nesse caso, o autor 
A ajuizaria, no mesmo processo, uma ação em face de B (reintegração de posse) e uma ação 
paralela em face do alienante do imóvel (denunciação da lide). 
Na prática, a denunciação da lide feita por A forma um litisconsórcio no polo ativo, pois 
se A perder a causa para B, o alienante será demandado por A. Logo, o alienante possui inte-
resse no ganho de causa para A, fato este que leva A e alienante a entrarem em litisconsórcio. 
Esse tipo de litisconsórcio é chamado de eventual, formado pela acumulação eventual de pedi-
dos diferentes contra pessoas distintas. 
No litisconsórcio eventual temos a seguinte possibilidade: se por exemplo, o juiz julgar a 
ação de A contra B como improcedente, ele então passará a analisar subsidiariamente a ação 
de A contra o alienante. Assim, podemos afirmar que a sentença proferida possui – como se 
costuma dizer – dois capítulos: um primeiro capítulo no qual é analisado a ação de A contra B e 
um segundo capítulo no qual é analisado a denunciação da lide. Alguns autores costumam cha-
mar esse tipo de sentença de objetivamente complexa. 
Por outro lado, se o juiz considerasse a ação de A contra B como procedente, não seria 
necessário a análise posterior da denunciação da lide. Assim sendo, a segunda ação seria jul-
gada improcedente. A possibilidade da sentença de dois capítulos está prevista no art. 129 do 
CPC: 
Art. 129. Se o denunciante for vencido na ação principal, o juiz passará ao julgamento 
da denunciação da lide. 
Parágrafo único. Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá o seu 
pedido examinado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de 
sucumbência em favor do denunciado. 
 
Execução direta ao denunciado pelo réu 
Suponhamos que em uma ação, o réu foi condenado a pagar uma indenização e, pre-
vendo a condenação, faz a denunciação da lide para uma seguradora. Após a condenação, é 
verificado que o réu não possui patrimônio para cumprir a sentença. Seria possível ao autor 
mandar executar a sentença contra a seguradora diretamente? 
O NCPC estabeleceu em seu art. 128, parágrafo único, que a execução da sentença 
pode ser feita diretamente contra o denunciado. 
Art. 128. Feita a denunciação pelo réu: 
[...] 
Parágrafo único. Procedente o pedido da ação principal, pode o autor, se for o caso, 
requerer o cumprimento da sentença também contra o denunciado, nos limites da condenação 
deste na ação regressiva. 
 
Chamamento ao processo 
Forma de intervenção de terceiros na qual uma parte é chamada ao processo para se 
responsabilizar conjuntamente caso haja condenação. Está previsto no art. 130 do CPC. 
Se diferencia da denunciação da lide da seguinte forma: enquanto a premissa básica da 
denunciação da lide é a existência de uma garantia, seja por lei/contrato ou em hipótese de 
evicção; se a ação se referir à solidariedade ou à fiança não teremos uma denunciação da lide, 
mas um chamamento ao processo. Assim, temos que o chamamento ao processo, é cabível em 
duas hipóteses: 
a) Quando o fiador traz ao processo o devedor: 
Quando uma pessoa se torna fiadora de outra, está na verdade sendo garantidora da 
dívida de outrem. Um exemplo clássico é a fiação no contrato de locação, no qual se houver 
inadimplemento do locatário, o locador poderá exigir o cumprimento da obrigação por meio do 
patrimônio do fiador. Dessa forma, o fiador possuiuma responsabilidade subsidiária. 
Como a responsabilidade do fiador é subsidiária, o locador não pode demandar contra 
ele diretamente. Mas caso isso ocorra, o fiador poderá realizar um chamamento ao processo 
para que o locador integre o polo passivo. 
Devemos destacar que no exemplo dado, o fiador não está exercendo nenhum direito 
de regresso: está simplesmente inserindo uma parte ao processo, que é o locador. 
Outra observação cabível é que o contrato pode estabelecer solidariedade entre deve-
dor e fiador. 
Retornando ao exemplo dado, suponhamos que há uma cláusula no contrato estabele-
cendo solidariedade entre locatário e fiador, e o locador cobra a dívida integral ao fiador. Esse 
fiador pode realizar o chamamento ao processo do locatário. 
Portanto, temos que o fiador pode realizar o chamamento ao processo tanto na condição 
de garantidor como na de co-devedor solidário. A única diferença entre as duas hipóteses é o 
fundamento legal: 
CPC 
Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu: 
I - do afiançado, na ação em que o fiador for réu; 
(Hipótese em que o fiador está na condição de garantidor.) 
II - dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles; 
(Hipótese em quem há mais de um fiador no processo.) 
III - dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pa-
gamento da dívida comum. 
(Hipótese em que o fiador está na condição de co-devedor.) 
 
Um detalhe que merece destaque é que, caso o fiador, na condição de garantidor, 
pague a dívida integral, ele pode ingressar com uma ação contra o devedor para reaver o valor 
pago pela sua dívida. Contudo, geralmente, quando o fiador é executado diretamente antes do 
devedor, é porque o devedor não possui patrimônio para cumprir a sentença. Então, quando o 
fiador exercer seu direito de regresso, é muito provável que o devedor não tenha patrimônio para 
restituir o fiador. 
Quando há solidariedade, o direito de regresso do devedor será diferente: se fiador e 
devedor são solidários da dívida, e o fiador é condenado a pagar a dívida integral, ele só poderá 
exercer seu direito de regresso em relação à proporção de sua obrigação. 
Em decorrência de sua responsabilidade subsidiária, se o fiador for cobrado pelo fato de 
que o devedor não possui patrimônio para quitar a dívida, um recurso possível ao fiador é o 
benefício de ordem, no qual o fiador pode indicar bens do devedor que podem ser usados para 
quitar a dívida. 
Contudo, se o fiador renuncia sua responsabilidade subsidiária ao se tornar devedor so-
lidário, ele também renuncia ao seu direito de benefício de ordem, por ser incompatível com a 
solidariedade, pelo fato de que ambos devem dispor de seu patrimônio para cumprir a obrigação. 
Logo, não faria sentido permitir ao fiador indicar bens do devedor. 
 
b) Quando um devedor traz ao processo seu co-devedor: 
Como exemplo, temos o caso de um contrato onde temos um credor (C1) e dois deve-
dores (D1 e D2), no qual pode ser criado uma solidariedade passiva entre esses devedores 
(ressaltando que a solidariedade não se presume: deve estar prevista em lei ou no contrato). C1 
pode cobrar a dívida integralmente de D1. Para não ser prejudicado, D1 pode realizar um cha-
mamento ao processo de D2. 
 
Todo chamamento ao processo gera um litisconsórcio passivo posterior, por ser uma 
intervenção de terceiros exclusiva do réu, feita sempre no prazo da contestação. Portanto, o 
chamamento ao processo não pode ser feito pelo autor. 
Outro detalhe é que o chamamento ao processo não é uma intervenção de terceiros 
voluntária, pois o demandado irá obrigar um terceiro a participar do processo no polo passivo. 
Caso o terceiro resolva participar do processo de forma voluntária por ter algum tipo de interesse 
e ser co-titular da relação jurídica, não ocorre um chamamento ao processo, mas uma assistên-
cia litisconsorcial (conforme estudamos anteriormente). 
Para exemplificar, suponhamos que uma ação foi ajuizada referente a um contrato feito 
em 2000 no qual há co-devedores, e o autor demanda contra um deles, em 2016, exigindo o 
pagamento da dívida desse contrato. Nesse caso, temos que a dívida está prescrita. Porém, o 
devedor demandado, ao elaborar sua defesa, não percebe que houve a prescrição dessa dívida. 
Se outro co-devedor desse contrato, ao perceber a prescrição da dívida, desejar auxiliar o de-
mandado, então esse terceiro não está sendo chamado ao processo, mas estará prestando as-
sistência ao devedor demandado. 
Também cabe ressaltar que nem sempre quando é cabível assistência litisconsorcial 
será cabível chamamento ao processo: enquanto a assistência requer apenas a co-titularidade 
da relação jurídica discutida; no chamamento ao processo é necessário haver, além da co-titu-
laridade da relação jurídica, uma solidariedade entre os integrantes do polo passivo. 
Se em um contrato no qual há 3 devedores não solidários, um deles for demandado por 
inadimplemento, os demais devedores poderão intervir como assistentes, mas não poderão ser 
chamados ao processo, pois embora todos os 3 devedores sejam co-titulares da mesma relação 
jurídica, não o são de forma solidária. 
 
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica 
É aplicada com a finalidade de responsabilizar um sócio da pessoa jurídica desconside-
rada. Esse incidente é uma modalidade de intervenção de terceiros, de acordo com o art. 133 do 
CPC. 
Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a 
pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo. 
Suponhamos que o sócio de uma empresa faz uso dela para ocultar patrimônio, o que 
seria uma forma de abuso. Então, é cabível ao juiz desconsiderar a personalidade jurídica e 
atingir esse sócio, de acordo com art. 50 do Código Civil: 
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de fina-
lidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério 
Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações 
de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa 
jurídica. 
Para realizar a desconsideração da pessoa jurídica, o novo CPC estabeleceu que não 
será possível realizar essa desconsideração sem um procedimento específico para isso. O inci-
dente de desconsideração é um procedimento obrigatório que, quando observado, permite atingir 
momentaneamente a pessoa do sócio. Há também a desconsideração inversa da personali-
dade jurídica, na qual se afasta a pessoa do sócio para atingir a pessoa jurídica. 
Essa regulamentação se fundamenta no princípio do contraditório. Antes, se o autor 
pedisse a desconsideração da personalidade jurídica, isso era feito imediatamente. O patrimônio 
do sócio era atingido, seus bens eram penhorados, e depois ele apresentava sua defesa. 
Agora, o CPC estabelece que, caso haja pedido de desconsideração de personalidade 
jurídica, o processo principal fica suspenso, ocorre a citação do sócio (que passa a integrar o 
processo que até então era composto apenas pelo autor e a personalidade jurídica) e o sócio 
terá prazo de 15 dias para contestar e produzir provas. 
Quando o juiz solucionar esse incidente de desconsideração de personalidade jurídica, 
ele irá proferir uma decisão interlocutória. Dessa decisão, nos termos do art. 1.015, IV, CPC, 
é admitido o recurso de agravo de instrumento: 
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem 
sobre: 
[...] 
IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica; 
Devemos destacar que há alguns problemas quantoa essa intervenção de terceiros. 
 
A desconsideração da personalidade jurídica e os Juizados Especiais Cíveis 
A lei dos Juizados Especiais Cíveis (Lei 9.099/95) diz em seu art. 10 que, nesse tipo de 
Juizado, não é cabível nenhuma intervenção de terceiros. Porém, o art. 1.062 do CPC diz que o 
incidente de desconsideração de personalidade jurídica é aplicado ao JEC. 
CPC 
Art. 1.062. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica aplica-se ao pro-
cesso de competência dos juizados especiais. 
 
Lei 9.099/95 
Art. 10. Não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de terceiro nem de 
assistência. Admitir-se-á o litisconsórcio. 
Como deve ser solucionado esse conflito entre as normas? 
Quanto às leis conflitantes, temos que a lei do Juizado Especial Cível é especial, en-
quanto o CPC é lei geral. Em tese, lei geral não modifica especial. Contudo, temos que não há 
hierarquia entre as duas leis: ambas são ordinárias. Quando duas leis possuem a mesma hierar-
quia entre elas e disciplinam a mesma matéria em sentido contrário, prevalece a lei posterior. 
Então, se conclui que deve ser aplicado o art. 1.062 do CPC. 
Há outro problema ainda maior quanto à interpretação das duas leis: como vimos, o CPC 
diz que a decisão é recorrível por agravo de instrumento, porém esse tipo de recurso não existe 
no Juizado Especial Cível. 
Então, quando o juiz profere a sentença interlocutória, o que deve ser feito? Há 2 posici-
onamentos na doutrina quanto a isso: 
Entendimento minoritário – segundo a doutrina, o art. 1.062 do CPC, ao determinar a 
aplicação do incidente nos Juizados Especiais Cíveis, determina também o cabimento do agravo 
de instrumento nos Juizados. A crítica feita a essa corrente é o efeito lesivo em todo o sistema 
do JEC. 
Entendimento majoritário – deve ser aplicado o art. 1.062 de duas maneiras: 
1) Admitir o mandado de segurança: medida que, inclusive, já é adotada em sede de 
Juizados Especiais Cíveis contra outras decisões interlocutórias. Quando a situação 
é muito extrema, a jurisprudência tem admitido o mandado de segurança. 
2) Recurso inominado: de acordo com o novo CPC, o agravo de instrumento só é admitido 
no rol taxativo do art. 1.015 do CPC. Se a decisão proferida não estiver nas hipóteses 
previstas nesse artigo, a única solução que resta é, segundo o CPC, levar a matéria 
dentro da apelação. Mais um JEC não admite apelação, mas o recurso inominado, que 
deve ser admissível na forma dos arts. 41 e 42 da lei 9.099/95. 
Ambas as hipóteses prejudicam o procedimento dos Juizados Especiais Cíveis. Con-
tudo, o recurso inominado é considerado o menos gravoso, e substitui o agravo de instrumento 
utilizado na Vara Cível. 
 
Amicus curiae 
É a última modalidade de intervenção de terceiros que trabalharemos. A tradução literal 
de amicus curiae é amigo da corte. O amigo da corte será convocado naqueles processos em 
que o juiz necessitar de conhecimentos especializados para formar o seu entendimento e, de-
pois, decidir. Ele colaborará na formação da decisão judicial, atuando como uma espécie de 
perito. 
Qualquer um pode figurar como amigo da corte. Pessoa física, jurídica ou, mesmo, entes 
despersonalizados de direito. O Supremo já admitiu, inclusive, que professores se habilitassem 
como amicus curiae. 
Os processos que admitem tal modalidade de intervenção de terceiros têm que ser do-
tados de relevância social e o seu tema deve ser específico. Ademais, o terceiro deve ser capaz 
de agregar algo ao processo. 
O amicus curiae materializa o princípio do contraditório, ao passo que auxilia na constru-
ção de uma decisão mais democrática. 
Exemplo de ação que contou com auxílio de amigos da corte foi a Ação de Descumpri-
mento de Preceito Fundamental de número 54 (ADPF 54), que buscava tratar da problemática 
das gestantes de fetos anencéfalos. O aborto, no direito penal, só é admitido em dois casos: 
quando a gravidez é fruto de estupro ou quando gera grave risco à saúde da mulher. Fora isso, 
o aborto é tido como crime. 
No caso dos fetos anencéfalos a mulher era obrigada a suportar, por força de lei, a sua 
gestação. Tal obrigatoriedade ofendia, a princípio, a sua dignidade uma vez que o feto, sabida-
mente, não tinha condições de sobrevier ao pós-parto, vindo a falecer em questões de segundos 
(asfixiado, por exemplo) depois de ter o seu cordão umbilical cortado. 
Essa ação tratava de um tema específico e que, comumente, não era conhecido pelos 
juízes. Além disso, era dotada de notável relevância social. Preenchia, pois, todos os requisitos 
para que se convocasse o auxílio de amigos da corte. Nesses termos, seria importante que o 
Conselho Regional de Medicina se manifestasse na figura de um profissional especializado em 
anencefalia, que fosse dado espaço para que as mulheres que gestaram fatos anencéfalos se 
pronunciassem e, até mesmo, que a Igreja fosse ouvida, por exemplo. Todos colaborariam para 
a formação da decisão judicial. Ajudando, pois, a legitima-la. 
O amicus curiae pode intervir no processo voluntariamente ou de maneira provocada 
(também chamada de forçada). A segunda forma é mais comum. 
 
Amicus curiae e a possibilidade de interposição de recursos 
Nenhum Código de Processo Civil anterior ao CPC/15 tratou de regulamentar de maneira 
expressa o amicus curiae, que se encontrava, até então, previsto em leis esparsas. Nesse sen-
tido, o NCPC trouxe consigo uma novidade. 
O amicus curiae sempre foi tratado pela jurisprudência (notadamente pelo STF e pelo 
STJ) como um auxiliar do juízo muito próximo do perito. Entretanto, o legislador, quando da edi-
ção do NCPC, decidiu por bem enquadrá-lo no capítulo “das intervenções de terceiros”. 
O perito não é parte do processo. Ele configura tão somente um colaborador do mesmo, 
não podendo, como primeira consequência, recorrer da sentença proferida. O mesmo se apli-
cava, a princípio, ao amicus curiae – uma vez que este configura uma espécie de perito. Com o 
advento do NCPC e a previsão do amicus curiae como uma espécie do gênero “intervenção de 
terceiros”, dá-se uma guinada no assunto. 
O terceiro, conforme vimos e como regra, ao entrar no processo, passa a figurar como 
parte do mesmo, podendo, pois, interpor recurso. Nesse sentido, o NCPC tomou caminho di-
verso, entendendo por bem limitar a legitimidade recursal do amicus curiae nos termos do artigo 
138: 
 CPC 
Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do 
tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrí-
vel, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou ad-
mitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com repre-
sentatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. 
§ 1º A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem 
autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração 
e a hipótese do § 3o. 
§ 2º Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir 
os poderes do amicus curiae. 
§ 3º O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução 
de demandas repetitivas. 
Assim sendo, o amigo da corte somente está autorizado a: 
1) Apresentar embargos de declaração; 
2) Recorrer da decisão de sua inadmissão; ou 
3) Interpor recurso da decisão que julgar o IRDR (incidente de resolução de demandas 
repetitivas). 
O juiz de primeiro grau poderá, ao observar um grande número de processos repetitivos, 
provocar o Tribunal para instaurar um incidente e resolver antecipadamente essas demandas 
repetitivas. Talincidente será denominado “IRDR”. A decisão proferida pelo Tribunal diante de 
incidente de resolução de demandas repetitivas poderá (e deverá – com fins de se garantir maior 
segurança jurídica) ser aplicada aos demais casos que chegarem às mãos dos juízes de primeira 
instância. 
Admite-se a manifestação do amicus curiae no incidente de resolução de demandas re-
petitivas e, nos termos do §3º do 138, admite-se que o amicus curiae interponha recurso do 
julgamento do IRDR. 
 
CITAÇÃO 
Características gerais 
A citação é o ato processual que integra o réu, o executado ou interessado ao processo. 
Até o momento da citação, a relação jurídica processual é linear, por ter participação apenas do 
autor e do juiz. A partir da citação, a relação jurídica processual passa a ser triangular, por haver 
participação de autor, juiz e réu. 
A natureza jurídica da citação é de pressuposto de eficácia de formação de processo 
para o réu, pelo fato de que o processo passa a existir para o réu apenas a partir do momento 
em que ocorre a citação. 
Devemos ressaltar a diferença existente entre citação e intimação: enquanto a citação 
é a integração ao processo de alguém que até então não era parte, a intimação consiste na 
notificação sobre os atos processuais realizada a uma pessoa que já é parte do processo. 
Caso a citação realizada seja inválida, ou simplesmente não há citação, o processo in-
teiro é inválido. A citação deve ser devidamente realizada devido à observância dos princípios 
do devido processo legal e do contraditório. Quando há vício na citação, esse vício é insanável. 
Esse vício acarreta, portanto, em uma nulidade absoluta. 
Embora a citação seja essencial para a validade do processo, o art. 239 do CPC traz 
exceções à exigência de citação: 
Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, 
ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do 
pedido. 
Caso haja indeferimento da petição inicial (art. 330, CPC) ou improcedência liminar do 
pedido (art. 332, CPC), a citação é dispensável. Portanto, sua ausência nesses casos não gera 
nulidade. 
O ato de citação geralmente é acompanhado por um ato de intimação, pois enquanto a 
citação integra o réu ao processo, a intimação determina que o réu deverá praticar uma determi-
nada ação. 
Por exemplo, em uma audiência de conciliação e mediação, quando o réu é citado, tam-
bém é intimado a comparecer à audiência. Em uma ação em que não há realização de audiência, 
quando o réu é citado, também é intimado a apresentar contestação. 
Se um processo for extinto por indeferimento da petição inicial, pelo fato de que o autor 
não realizou uma emenda que se fazia necessária, o réu teve uma sentença sem resolução do 
mérito. Nesse caso, se o autor realizar uma apelação, o réu será citado para apresentar suas 
contrarrazões em relação à apelação do autor. 
Contudo, dando seguimento ao exemplo, se após a apelação do autor foi verificado que 
a emenda havia sido realizada devidamente, porém não houve juntada da emenda ao processo, 
o juiz pode extinguir a sentença de indeferimento da petição inicial e dar continuidade ao pro-
cesso. Nessa hipótese, não há necessidade de citar o réu novamente, pois uma vez citado para 
contra razoar a apelação do autor, já foi integrado ao processo. No decorrer desse processo, 
quando houver necessidade de sua participação não ocorrerá nova citação, mas uma intimação. 
Segundo o § 1° do art. 239 do CPC, o comparecimento voluntário do réu ao cartório 
supre o vício existente na citação ou a falta dela: 
Art. 239. [...] 
§ 1o O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade 
da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos 
à execução. 
O único vício formal aceito na citação é o vício de proferimento por juízo incompetente. 
Se o vício é meramente formal, mas foi efetiva e o réu integrou o processo, então a citação é 
válida. 
 
Espécies de citação 
São duas: real/pessoal e ficta. 
a) Real ou pessoal – quando há certeza absoluta de que o réu foi citado pessoalmente. 
Sua citação pode ser constatada pelo fato de que o réu compareceu ao cartório, 
assinou o mandado do oficial de Justiça, ou recebeu uma carta de citação pelo cor-
reio e assinou o AR (aviso de recebimento). 
b) Ficta – quando não há certeza de que a citação foi realizada de forma efetiva, mas 
segundo previsão em lei, se presume que a citação realmente ocorreu. Exemplos 
de citação ficta são a citação por edital e a citação por hora certa. 
Devemos ressaltar que, na hipótese de haver citação enviada pelo correio, se outra pes-
soa diferente do réu assinar em seu lugar, não se configura uma citação ficta, mas um vício 
processual. Contudo, se a pessoa que assinou notificar o réu, e este comparecer normalmente 
ao processo, não há mais vício. 
 
Efeitos da citação 
A doutrina diz que seu principal efeito é a formação de uma relação jurídica triangular 
entre autor, juiz e réu. 
Além desse efeito apontado pela doutrina, o art. 240 do CPC prevê 3 efeitos, um de 
natureza processual e dois de natureza material. Segue a leitura do dispositivo e o estudo sobre 
seus efeitos: 
CPC 
Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litis-
pendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto 
nos arts. 397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). 
 
a) Indução de litispendência (efeito de natureza processual): 
Consiste em uma pendência de causa. A partir do momento que é feita a propositura de 
uma ação referente a uma causa que já está em processo, essa ação deve ser extinta, pelo fato 
de que a causa que a ação pretende tratar já está pendente em um processo. 
Para que ocorra a litispendência, as ações devem ser iguais. Ações iguais são definidas 
como aquelas que possuem igualdade em seus 3 elementos constituintes: as mesmas partes, o 
mesmo pedido e a mesma causa de pedir. 
A relação da litispendência com a citação é que, a partir do momento em que ocorre a 
citação, esses três elementos passam a ser delimitados, pois enquanto a citação não ocorre, o 
autor pode modificar o pedido, a causa de pedir e o demandado. Contudo, uma vez que ocorre 
a citação, ocorre a delimitação desses elementos, que podem ser comparados com outros pro-
cessos para verificar a existência de litispendência. 
 
b) Tornar a coisa litigiosa (efeito de natureza material): 
Significa que a coisa ou direito estarão vinculados ao resultado do processo, de forma 
que ao vencedor será entregue a coisa ou direito, independentemente de quem mantém seu 
patrimônio. 
Por exemplo, se alguém se apropria de um bem alheio, e a pessoa prejudicada ajuíza 
uma ação para reaver esse bem e tem seu pedido considerado improcedente pelo juiz, esse bem 
pertencerá ao réu. 
A citação define quem será o detentor da coisa ou direito discutido caso o autor perca a 
ação. 
 
c) Constituir o devedor em mora (efeito de natureza material). 
O conceito de mora está previsto no art. 394 do CC: 
CC 
Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que 
não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. 
O efeito de constituir o devedor em mora está previsto no caput do art. 240 do CPC (já 
exposto anteriormente) e no art. 405 do CC: 
CC 
Art. 405. Contam-se os juros de mora desde a citação inicial. 
O art. 405 do CC diz que os juros de mora (cobrados por dívida vencida) são contados 
a partir da citação. Entretanto, essa regra só é válida para obrigações que não exigem termo.Além de todos os efeitos citados, há também o efeito da estabilização do processo. É 
um efeito reconhecido pacificamente pela doutrina. Antes da citação, o autor pode alterar as 
partes, a causa de pedir e o pedido. A partir do momento em que a citação ocorre, a relação 
tríplice é formada e o autor fica impossibilitado de modificar alguns detalhes, como o pedido e a 
causa de pedir, embora as partes possam ser modificadas por meio de intervenção de terceiros. 
Essa impossibilidade imputada ao autor de alterar elementos do processo consiste em sua es-
tabilização. 
Outro efeito da citação é a interrupção da prescrição do direito do autor. Quando a 
citação é realizada, a prescrição do direito do autor é interrompida e sua contagem recomeça, 
como se nunca tivesse começado antes. Ocorre a partir do momento que o juiz faz o despacho 
da citação, mesmo sendo incompetente. 
Suponhamos que o direito do autor prescreve em 10 anos, e em 5 anos, uma citação foi 
realizada e o processo teve andamento até ser extinto sem resolução do mérito. Caso o autor 
deseje pleitear o mesmo direito novamente, a contagem da prescrição para esse fim seria reini-
ciada, como se os 5 anos corridos não fossem computados. 
Essa interrupção está prevista no CPC em seu art. 240, § 1° e no CC, em seu art. 202, 
I: 
CPC 
Art. 240. [...]. 
§ 1o A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação, ainda 
que proferido por juízo incompetente, retroagirá à data de propositura da ação. 
 
CC 
Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á: 
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado 
a promover no prazo e na forma da lei processual; 
A interrupção da prescrição é uma forma de proteger o direito do autor, contudo para 
impedir o abuso desse direito, a interrupção é permitida apenas uma única vez. 
Concluindo o estudo sobre efeitos da citação, temos ao todo 6 deles: 
1 – Forma de relação jurídica triangular. 
2 – Indução de litispendência. 
3 – Torna coisa litigiosa. 
4 – Constitui o devedor em mora. 
5 – Estabilização do processo. 
6 – Interrupção da prescrição do direito do autor. 
 
Modalidades de citação 
Seriam as formas pelas quais a citação é realizada. Existem seis modalidades/formas de 
se citar o réu, quais sejam: 
1. Postal; 
2. Por oficial de justiça; 
3. Por comparecimento espontâneo do réu aos autos; 
4. Eletrônica; 
5. Por edital; 
6. Por hora certa. 
 
Citação postal 
Principal modalidade de citação, tida como regra geral (ou preferencial) no Direito Pro-
cessual. Realizada também quando não for possível citação por meio eletrônico. 
A regra no Processo Civil é a citação postal. Se se ajuíza uma ação e não se determina 
especificamente qual a modalidade de citação preferencial, cita-se via postal. É uma carta regis-
trada que deve ser enviada pelo Judiciário para o endereço do réu com o Aviso de Recebimento 
(AR). É o AR que comprovará, por meio da assinatura do seu destinatário, a citação. Nesse 
sentido, lê a súmula 429 do STJ: 
“Súmula 429: A citação postal, quando autorizada por lei, exige o aviso de recebimento”. 
Embora a regra geral seja citação pelo correio, o autor pode escolher outro meio, desde 
que justifique demonstrando que pelo correio o réu não será efetivamente citado. Essa possibili-
dade de escolha está no art. 247, V, CPC: 
Art. 247. A citação será feita pelo correio para qualquer comarca do país, exceto: 
[...] 
V - quando o autor, justificadamente, a requerer de outra forma. 
Embora a citação pelo correio seja a modalidade preferencial, há exceções quanto à 
essa regra: 
a) Hipóteses previstas no art. 247, I a IV, CPC. 
Art. 247. A citação será feita pelo correio para qualquer comarca do país, exceto: 
I - nas ações de estado, observado o disposto no art. 695, § 3o; 
II - quando o citando for incapaz; 
III - quando o citando for pessoa de direito público; 
IV - quando o citando residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspon-
dência; 
V – [...] 
b) Art. 256, CPC, que versa sobre a obrigatoriedade de citação por edital. 
c) Art. 246, § 1°, CPC, sobre citação por meio eletrônico. 
OBS: As ações de estado trazidas no artigo 247, I são aquelas que dizem respeito ao 
estado civil da pessoa. 
O procedimento da citação por correio está previsto no art. 248, caput e parágrafos. 
A pessoa citada deve receber uma cópia da petição inicial (chamada de contrafé). Deve 
ser comunicada do prazo de resposta, do endereço do juízo e do respectivo cartório, nos termos 
do caput do art. 248, CPC. 
O problema maior da citação pelo correio é a dependência da colaboração da pessoa. 
Se o carteiro entregar a citação ao réu, e este se recusar a receber, o carteiro nada poderá fazer. 
Quando se trata de pessoa jurídica, o STJ adota a teoria da aparência, fundamentada 
pelo § 2° do art. 248, CPC. Segundo essa teoria, não apenas o representante legal, mas como 
também pessoas com poder de gerência ou qualquer pessoa responsável pelo recebimento de 
correspondência pode receber a citação endereçada a uma pessoa jurídica. Segue abaixo o 
dispositivo relacionado: 
Art. 248. Deferida a citação pelo correio, o escrivão ou o chefe de secretaria remeterá 
ao citando cópias da petição inicial e do despacho do juiz e comunicará o prazo para resposta, 
o endereço do juízo e o respectivo cartório. 
[...] 
§ 2o Sendo o citando pessoa jurídica, será válida a entrega do mandado a pessoa com 
poderes de gerência geral ou de administração ou, ainda, a funcionário responsável pelo recebi-
mento de correspondências. 
A partir do dispositivo mencionado, temos que, se a citação for entregue a um funcionário 
qualquer que não está encarregado pelo recebimento de correspondência, não é possui poder 
de gerência nem faz parte da administração, a empresa poderá alegar, em sua defesa, vício 
processual na citação. 
 
Citação pelo oficial de Justiça 
Hipótese prevista no art. 249, CPC. Nessa modalidade, o cartório expede o mandado de 
citação. Deve haver atendimento aos requisitos do art. 250, CPC. 
No caso dos vícios formais, o STJ entende que, pelo princípio da instrumentalidade 
das formas, a citação pode ser aceita se o equívoco nela existente não é tão grave. Segundo 
esse princípio, o ato processual não é um fim em si mesmo, mas um meio para atingir um fim. 
Se esse fim é atingido por um ato, mesmo eivado de vício, não gera nulidade. Seria por exemplo, 
a citação de uma pessoa que mora em um determinado condomínio, e quando o oficial de Justiça 
chega no endereço informado na citação, encontra uma pessoa distinta do réu, que informa que 
a pessoa a ser citada reside no apartamento da frente. 
Se o oficial de Justiça não realizar a citação, ele deverá apresentar uma justificativa por 
meio de certidão. Seria o caso de, por exemplo, haver erro no endereço do réu. Nesse caso, o 
juiz iria expedir uma determinação para o advogado da parte autora pedindo a retificação do 
endereço do réu. 
Diferentemente do carteiro, o oficial de Justiça possui fé pública, que se trata de uma 
atribuição conferida a esse agente segundo a qual tudo o que é por ele declarado se presume 
como verdadeiro. 
Se ao chegar no endereço do réu, o oficial de Justiça encontra uma pessoa distinta, e 
essa pessoa afirma que o réu não reside no endereço informado na citação, e posteriormente é 
descoberto que essa pessoa estava mentindo, ela pode ser multada por litigância de má-fé. 
Se o réu não puder ser encontrado de forma alguma pelo oficial de Justiça, então é 
realizada a citação ficta. Das formas de citação ficta, a que está relacionada à atuação do oficial 
de Justiça é a citaçãopor hora certa. 
A citação por hora certa, prevista nos arts. 252 e 253 do CPC, é aquela na qual o oficial 
de Justiça se dirige à residência do réu em um horário informado por uma pessoa encontrada no 
endereço que consta na citação. 
Ocorre da seguinte forma: na primeira tentativa frustrada, o oficial devolve o mandado 
de citação por certidão. Na segunda tentativa, caso o réu não seja encontrado, o oficial de Justiça 
perguntará à pessoa que encontrar na residência em qual horário será possível encontrar o réu. 
Uma vez informado o horário, o oficial de Justiça retornará no primeiro dia útil subse-
quente. Nessa hipótese, a pessoa que informou o horário será uma auxiliar eventual da Justiça, 
pois estará encarregada de avisar ao réu que o oficial de Justiça retornará no primeiro dia útil 
seguinte. 
Para ocorrer a citação por hora certa, devem ser respeitados dois requisitos do art. 252 
do CPC: 
a) O primeiro requisito, de natureza objetiva, é a ocorrência de duas diligências frus-
tradas (ou seja, duas tentativas frustradas em citar o réu). As diligências devem ser 
realizadas em dias diferentes ou no mesmo dia, porém em horários diferentes, com 
margem de tempo considerável (uma tentativa de manhã e uma de tarde, por exem-
plo). 
b) O segundo requisito, de natureza subjetiva, é que o oficial de Justiça desconfie que 
o réu está se ocultando maliciosamente. Se por exemplo, o réu está ausente da 
residência por estar trabalhando e esse fato é conhecido pelo oficial de Justiça, não 
há fundamentação em realizar a citação por hora certa. Mas, dependendo do caso 
concreto, o oficial de Justiça, por meio de análise subjetiva, pode desconfiar da pro-
cedência do réu. 
Os dois requisitos são cumulativos. 
Se houve citação por hora certa e o réu não apresentou a defesa no prazo devido, deve 
ser nomeado um curador especial em sua defesa, nos termos do § 4° do art. 253 do CPC: 
Art. 253. No dia e na hora designados, o oficial de justiça, independentemente de novo 
despacho, comparecerá ao domicílio ou à residência do citando a fim de realizar a diligência. 
[...] 
§ 4o O oficial de justiça fará constar do mandado a advertência de que será nomeado 
curador especial se houver revelia. 
Nessa hipótese, quem exerce o papel de curador especial é a Defensoria Pública. Se 
antes ela defendia apenas os hipossuficientes de recursos, atualmente ela também defende os 
hipossuficientes de direito. 
Pelo fato de que o defensor público não possui conhecimento integral do processo (por 
não o acompanhar desde o início), ele irá realizar uma contestação negativa geral, que é uma 
exceção ao princípio da impugnação especificada dos fatos (segundo o qual a contestação 
deve ser realizada de forma clara e determinada, e não de forma genérica). Essa forma de con-
testação consiste numa impugnação genérica aos fatos do processo. Em geral, o defensor im-
pugna as falhas processuais. 
Na citação com hora certa, o escrivão (nos casos da Justiça Estadual) ou chefe de se-
cretaria (nos casos da Justiça Federal) podem usar meios eletrônicos para dar ciência ao réu da 
citação, segundo o art. 254 do CPC: 
Art. 254. Feita a citação com hora certa, o escrivão ou chefe de secretaria enviará ao 
réu, executado ou interessado, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da juntada do man-
dado aos autos, carta, telegrama ou correspondência eletrônica, dando-lhe de tudo ciência. 
Contudo, cabe ressaltar que o disposto neste artigo não é uma formalidade exigida, mas 
apenas um recurso a mais para dar maior efetividade à citação. 
 
A citação nos processos de execução 
Existe uma problemática quanto à citação nos processos de execução. O correspon-
dente do artigo 247 no Código passado era o artigo 222 que lia: 
"Art. 222. A citação será feita pelo correio, para qualquer comarca do País, exceto: 
a) nas ações de estado; 
b) quando for ré pessoa incapaz; 
c) quando for ré pessoa de direito público; 
d) nos processos de execução; 
e) quando o réu residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspondência; 
f) quando o autor a requerer de outra forma”. 
A citação postal, no Código de 73, não era cabível nos processos de execução. No artigo 
247 essa proibição não é trazida pelo legislador, o que significa dizer que ela [a citação postal 
no processo de execução] é, em tese e por uma interpretação literal/rápida do artigo 247, permi-
tida. 
Existem dois tipos de ações: as de conhecimento e as de execução. 
A ação de conhecimento gera uma sentença a ser executada/cumprida. Nesses casos, 
a execução será apenas uma fase do processo. 
Já a ação de execução, por outro lado, é um processo de execução extrajudicial. Tal que 
a lei confere, de antemão e a alguns documentos, eficácia de título executivo (é o caso do che-
que). Diante de título executivo não é necessário que se tenha um processo de conhecimento e 
uma sentença para que se comece a executá-la. Já se começa logo na execução. 
“Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: 
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; 
II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; 
III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; 
IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pú-
blica, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador 
credenciado por tribunal; 
V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia 
e aquele garantido por caução; 
VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; 
VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio; 
VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem 
como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; 
IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; 
X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edi-
lício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que docu-
mentalmente comprovadas; 
XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolu-
mentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabele-
cidas em lei; 
XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força exe-
cutiva”. 
Assim, se um indivíduo passa um cheque sem fundo para outrem, fica este autorizado a 
ingressar com processo de execução extrajudicial. 
No Código passado a citação no processo de execução não podia se dar por postal, 
tendo de ocorrer – consequentemente – via oficial de justiça. O NCPC passa a permitir, em uma 
primeira leitura, que tal ocorra. Entretanto, lê o artigo 829 do Novo Código: 
“Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias, contado 
da citação. 
§ 1o Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a avaliação a 
serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não pagamento no prazo assina-
lado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do executado. 
§ 2o A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros forem 
indicados pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de que a constrição pro-
posta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente”. 
O Novo Código não se entende. Os parágrafos primeiro e segundo do artigo 829 estão 
em conflito com o artigo 247. 
Ainda não temos uma posição majoritária nesse sentido, mas a doutrina tem tido dois 
entendimentos.Alguns autores dizem que como o artigo 247 não proíbe mais a citação via postal 
nos processos de execução, é sinal de que esta é permitida. O primeiro fundamento é a leitura 
literal do artigo 247 (em comparação com o antigo 242). O segundo apoia-se no fato de que a 
citação postal é mais barata, mais econômica e também mais rápida. É o argumento da economia 
processual. 
Outros autores contra argumentam de outra forma. Numa interpretação mais ampla/mais 
sistemática dos parágrafos do artigo 829, percebe-se que a ideia da lei é que a citação seja toda 
feita por oficial de justiça. A citação pelos correios só vai ser mais rápida se o devedor pagar. Se 
ele não pagar, atrasa tudo. E enseja, ainda, a possibilidade de o executado sumir. Começar a 
citação por postal pode ser um tiro no pé. 
Além disso, para esse segundo grupo de estudiosos, a citação por oficial de justiça é, 
também, mais efetiva. 
 
Tempo da prática da citação 
Tempo, nesse caso, refere-se tanto a horário quanto a lugar. 
 
Horário da citação 
Existe horário para se citar alguém? 
“Art. 212. Os atos processuais serão realizados em dias úteis, das 6 (seis) às 20 
(vinte) horas. 
§ 1o Serão concluídos após as 20 (vinte) horas os atos iniciados antes, quando o adia-
mento prejudicar a diligência ou causar grave dano. 
§ 2o Independentemente de autorização judicial, as citações, intimações e penhoras po-
derão realizar-se no período de férias forenses, onde as houver, e nos feriados ou dias úteis fora 
do horário estabelecido neste artigo, observado o disposto no art. 5o, inciso XI, da Constituição 
Federal. 
§ 3o Quando o ato tiver de ser praticado por meio de petição em autos não eletrônicos, 
essa deverá ser protocolada no horário de funcionamento do fórum ou tribunal, conforme o dis-
posto na lei de organização judiciária local”. 
Se o citando não puder ser encontrado nunca nesse horário (seja porque trabalha em 
regime de plantão ou por qualquer outro motivo), autoriza o §2o do artigo 212, independente-
mente de autorização judicial (ao contrário do Código passado), que a diligência seja realizada 
em dias/horários atípicos, respeitando-se – em todo caso – o artigo 5o, inciso XI, da Constituição 
Federal, segundo o qual: 
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à 
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem con-
sentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, 
ou, durante o dia, por determinação judicial”. 
Se o oficial de justiça chega dentro do horário estabelecido, em dia útil e sem mandado 
judicial para citar um indivíduo tal que este, mesmo em casa, recusa-se a recebê-lo (batendo-lhe 
a porta na cara) não deve (e nem pode) o oficial entrar e citar o indivíduo “na marra”. A casa é, 
segundo a Constituição, asilo inviolável. 
OBS: O oficial pode esperar que o indivíduo saia de casa, caso não esteja munido de 
mandado judicial, para citá-lo. 
 
Dias úteis para o Judiciário 
“Art. 216. Além dos declarados em lei, são feriados, para efeito forense, os sábados, os 
domingos e os dias em que não haja expediente forense”. 
Os dias úteis para o aspecto judicial não são os dias úteis normais da nossa vida. 
Se o fórum, por exemplo, não abrir, o dia não será considerado útil – ainda em se tratando de 
uma segunda-feira. Deve-se associar a noção de dia útil com o dia em que há expediente no 
fórum. 
São, portanto, dias não úteis os feriados, o sábado, o domingo e todo dia em que não se 
tiver expediente forense. 
 
Local da citação 
O réu pode ser citado, eventualmente, em seu local de trabalho. Só não é obrigatório 
que seja lá. 
A citação vai se dar no local em que o executado for encontrado. Se o oficial de justiça 
encontrar o réu almoçando com a mulher no meio da rua, pode citá-lo. 
Se o réu tiver domicílio obrigatório, entretanto, a lei impõe que a citação seja lá realizada. 
Quem indica, de início, o endereço em que o réu deverá ser citado é o autor (na petição 
inicial). Só que em algumas situações e em respeito ao réu a lei o proíbe de receber a citação. 
“Art. 243. A citação poderá ser feita em qualquer lugar em que se encontre o réu, o 
executado ou o interessado. 
Parágrafo único. O militar em serviço ativo será citado na unidade em que estiver ser-
vindo, se não for conhecida sua residência ou nela não for encontrado”. 
Não existe, portanto, lugar específico para que se cite o réu. Mas deve-se tomar cui-
dado: 
“Art. 244. Não se fará a citação, salvo para evitar o perecimento do direito: 
I - de quem estiver participando de ato de culto religioso; 
II - de cônjuge, de companheiro ou de qualquer parente do morto, consanguíneo ou afim, 
em linha reta ou na linha colateral em segundo grau, no dia do falecimento e nos 7 (sete) dias 
seguintes; 
III - de noivos, nos 3 (três) primeiros dias seguintes ao casamento; 
IV - de doente, enquanto grave o seu estado”. 
O artigo 244 estabelece algumas limitações. Seus incisos inauguram as causas impe-
ditivas da citação. E só não pode citar o réu nas hipóteses ali elencadas. 
O oficial de justiça não precisa (e nem tem como) antever o dia em que o citando irá se 
casar, por exemplo. Nesse caso, deve a noiva alertar ao oficial de justiça que aquele é o dia de 
seu casório – quando ele chegar até ela com o fim de citá-la. De tal sorte que ficando provado o 
casamento a citação é tida como nula. 
A ideia é simples: busca-se respeitar aquele momento no dia da pessoa. 
Se José for citado no dia de seu casamento (ou nos três dias subsequentes) a citação 
não é válida (porque é defeituosa). Mas se ele comparecer ao processo e apresentar defesa, o 
vício/defeito se convalida. 
Se, no entanto, José comparecer ao processo tão somente para alegar o defeito e o juiz 
acolher o seu pedido não haverá necessidade de se citar José novamente. Ele já estará integrado 
ao processo. O juiz apenas devolverá/restituirá o prazo do José. 
O juiz vai analisar o pedido de José, reconhecer o vício de citação e prolatar uma deci-
são. O prazo de 15 dias para apresentar a Contestação de José será, então, restituído e passará 
a contar/correr a partir da intimação dessa decisão. 
Em regra, o advogado é intimado pelo Diário Oficial (que se for eletrônico receberá o 
nome de Diário de Justiça Eletrônico – DJE). A partir da publicação começa o prazo. A Defensoria 
Pública, a Procuradoria do Estado, o Ministério Público, dentre outros órgãos, terão certas prer-
rogativas e deverão ser intimados pessoalmente. As intimações serão abordadas, mais profun-
damente, em aula posterior. 
“Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, 
ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pe-
dido. 
§ 1o O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nu-
lidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de 
embargos à execução. 
§ 2o Rejeitada a alegação de nulidade, tratando-se de processo de: 
I - conhecimento, o réu será considerado revel; 
II - execução, o feito terá seguimento”. 
Quando começarmos a tratar, na aula que vem, da forma dos atos processuais tratare-
mos do princípio da instrumentalidade das formas. Segundo este, todo ato processual tem uma 
finalidade. Ele serve de instrumento para alguma coisa. 
Uma vez que a proposta da citação é trazer o réu ao processo, se ele simplesmente 
comparecer, atinge-se a dita finalidade.Se a citação é defeituosa e o réu comparece ao processo e não a alega, entende-se que 
ele está satisfeito com a situação. O defeito da citação, nesse caso, convalida-se. 
 
Citação por edital 
A citação por edital é a situação mais extrema. Ela ocorrerá quando não se tiver mais 
solução. Quando se tiver tentado citar o réu por postal, por oficial de justiça, por hora certa e 
nada tiver dado certo, só aí partiremos para a citação por edital. 
A citação por edital publicada em jornal (ex.: O Globo) foi substituída por meios eletrôni-
cos como o site dos Tribunais, site do CNJ, além da mídia produzida pela Internet em geral (ex.: 
página do STF no Facebook). A publicação da citação por edital na Internet é um requisito pre-
visto no CPC, art. 257, II. 
Se por alguma razão não for viável publicação da citação por edital por meios eletrônicos, 
é possível ainda realizar essa publicação por meio de jornais impressos. O custo da publicação 
compete ao autor da ação, a não ser que este tenha gratuidade de justiça. 
Após a primeira publicação da citação por edital, se dá o prazo de 20 a 60 dias úteis para 
que o réu tome conhecimento da publicação, conforme diz o CPC, em seu art. 257, III. Esse 
prazo é fixado pelo juiz. Durante esse prazo, o processo fica “parado” no Cartório. Após esse 
prazo, começa o prazo de contestação de 15 dias. 
Ocorre em 3 situações distintas: 
1) Réu difícil de encontrar, sendo considerado em local incerto/ pouco sabido (CPC, 
art. 256, § 3°): 
A primeira hipótese de se citar alguém por edital é quando o réu estiver em local incerto 
ou não sabido. O cara desapareceu/ sumiu. Não se chega à conclusão de que o réu não pode 
ser encontrado (que está em local incerto ou não sabido) logo na petição inicial. Não é só não 
saber o endereço dele e requerer que ele seja citado por edital. 
Se o autor fala na petição inicial que não sabe qual o endereço do réu, o Judiciário deve 
tentar esgotar todas as tentativas de localizá-lo. Deve mandar ofício para os órgãos públicos. 
Buscar saber se ele votou na última eleição, se pagou o imposto de renda, se cadastrou o ende-
reço em algum lugar. Até descobrir. 
O Judiciário pode oficiar, inclusive, lojas populares (a exemplo das Casas Bahia, C&A, 
NET, Vivo, Oi, Claro) e também o SPC e o SERASA. Ele tem de tentar esgotar as tentativas de 
encontra-lo. 
Cabe ressaltar que, quando ocorre essa hipótese, ocorre interrupção no prazo da pres-
crição (CPC, art. 240, § 1°). Portanto, se por exemplo, o prazo para ajuizar uma ação é de 5 anos 
e sua propositura ocorre em 4 anos, 11 meses e 29 dias, se a citação ocorre 6 meses depois, 
não ocorre prescrição, pois ocorre interrupção em seu prazo, que retroagirá à data de propositura 
da ação. 
2) Inacessibilidade física ou jurídica (prevista no CPC, art. 256, § 1°) 
A segunda hipótese de termos citação por edital diz respeito à inacessibilidade do réu. 
O local é certo e sabido, mas não é acessível. É fisicamente inacessível (o réu, geograficamente, 
se embrenhou em um lugar tão longe/distante que não há como chegar até ele) ou é perigoso. 
Tal que o oficial de justiça não é obrigado a por em risco a sua própria vida só para garantir a 
citação. 
A inacessibilidade também pode ser de natureza jurídica. É o que ocorre quando o réu 
está em outro país, expede-se carta rogatória com o fim de citá-lo, entretanto, o local onde ele 
se encontra não cumpre/aceita tal instrumento. Não tem solução. Não tem o que fazer. 
Essa é a única hipótese de inacessibilidade jurídica e se encontra elencada no artigo 
256, §1o: 
“Art. 256. 
§ 1o Considera-se inacessível, para efeito de citação por edital, o país que recusar o 
cumprimento de carta rogatória”. 
Enquanto esse dispositivo se refere à recusa de carta rogatória ativa (quando o Brasil 
envia carta rogatória para país estrangeiro), temos que, na hipótese de carta rogatória passiva 
(quando o Brasil recebe carta rogatória estrangeira), esta deve passar pela apreciação do STJ 
para definir se a carta deve ser cumprida. Essa apreciação se chama “exequatur”. 
Quando o STJ autoriza a execução, esta carta rogatória é distribuída por sorteio na Jus-
tiça Federal (CF, art. 109, X). 
3) Réu desconhecido 
Na terceira e última hipótese de citação por edital não se sabe nem quem é o réu. Ele 
é incerto ou desconhecido. É o que ocorre quando se deseja propor uma ação que verse sobre 
atos praticados por uma multidão de pessoas. 
Assim, se o sujeito tem o seu terreno invadido por um 20/ 25 pessoas e deseja ajuizar 
ação de reintegração de posse em face de todas elas, teremos hipótese de citação por edital. O 
mesmo ocorre se se tentar ajuizar ação de reintegração de posse em face dos ocupantes de 
uma faculdade. 
Afinal, como citar cem/ duzentos/ mil estudantes pessoalmente? É, simplesmente, inviá-
vel. Serão todos citados por edital. 
 
Citação eletrônica e processo eletrônico 
O processo eletrônico é regulamentado pela lei 11419/06. Para fins de aplicação da lei, 
dispõe seu art. 1° sobre os meios eletrônicos: 
L 11419/06 
Art. 1o O uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, comunicação de 
atos e transmissão de peças processuais será admitido nos termos desta Lei. 
§ 1o Aplica-se o disposto nesta Lei, indistintamente, aos processos civil, penal e traba-
lhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de jurisdição. 
§ 2o Para o disposto nesta Lei, considera-se: 
I - meio eletrônico qualquer forma de armazenamento ou tráfego de documentos e arqui-
vos digitais; 
II - transmissão eletrônica toda forma de comunicação a distância com a utilização de 
redes de comunicação, preferencialmente a rede mundial de computadores; 
III - assinatura eletrônica as seguintes formas de identificação inequívoca do signatário: 
a) assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade Certificadora 
credenciada, na forma de lei específica; 
b) mediante cadastro de usuário no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos 
respectivos. 
Temos ainda neste artigo a existência de dois requisitos para a prática de atos proces-
suais no processo eletrônico: 
a) A certificação digital, também chamada de assinatura eletrônica. Uma petição, contesta-
ção ou outra peça processual qualquer deve ser assinada digitalmente no processo ele-
trônico. Não se trata de uma assinatura feita à mão e digitalizada, mas de um arquivo 
específico para registro de assinatura. Advogado, promotores, juízes são obrigados a ter 
certificação digital. 
b) Um cadastro no sistema, justamente para poder atuar no processo eletrônico. 
A citação eletrônica é aquela realizada diretamente pelo site de um Tribunal no qual a 
pessoa citada esteja cadastrada, por meio do envio de uma citação para o cadastro realizado. 
Se por exemplo, alguém se cadastra no site do TJ, então a citação ou a comunicação de qualquer 
outro ato processual realizado em um processo que tramita nesse tribunal pode ser realizada 
diretamente nesse site. 
Quanto ao cadastro realizado por pessoas jurídicas, o CPC estabeleceu, em seu art. 
246, § 1°, a seguinte regra: 
CPC 
Art. 246. A citação será feita: 
[...] 
V - por meio eletrônico, conforme regulado em lei. 
§ 1o Com exceção das microempresas e das empresas de pequeno porte, as empresas 
públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrô-
nicos, para efeito de recebimento de citações e intimações, as quais serão efetuadas preferen-
cialmente por esse meio. 
Assim sendo, todas as empresas, sejam públicas ou privadas, são obrigadas a manter 
cadastro para recebimento de citação eletrônica, com exceção das microempresas e empresas 
de pequeno porte. 
 
Prazo da citaçãoeletrônica 
O prazo da citação começa a correr a partir do momento em que a pessoa citada, após 
efetuar login no sistema, acessar o arquivo da citação eletrônica que para ela foi enviada. 
Quando a citação eletrônica ocorre dessa forma, dizemos que ocorreu uma citação eletrônica 
expressa, pois o réu acessou a citação de bom grado. Quanto a essa forma de citação, a dou-
trina afirma que ocorre uma auto comunicação, pelo fato de que o próprio réu “colabora” com a 
realização de sua citação. 
OBS: Apesar de se afirmar que o réu “colabora” com o processo, por acessar por conta 
própria a citação eletrônica, cabe ressaltar que o que o cadastro no sistema é obrigatório. 
A citação eletrônica expressa está prevista no art. 5°, § 1° da referida lei: 
L 11419/06 
Art. 5o As intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos que se 
cadastrarem na forma do art. 2o desta Lei, dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive 
eletrônico. 
§ 1o Considerar-se-á realizada a intimação no dia em que o intimando efetivar a consulta 
eletrônica ao teor da intimação, certificando-se nos autos a sua realização. 
Caso não haja acesso à citação eletrônica de imediato, a partir do momento que é envi-
ada a citação se inicia a contagem de um prazo de 10 dias corridos. Se esse prazo se encerra 
e o réu ainda não acessou a citação enviada para seu cadastro, se presume que esse réu está 
citado. Essa forma de citação eletrônica é denominada como tácita, prevista no art. 5°, § 3° da 
lei em estudo. 
L 11419/06 
Art. 5o As intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos que se ca-
dastrarem na forma do art. 2o desta Lei, dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive 
eletrônico. 
[...] 
§ 3o A consulta referida nos §§ 1o e 2o deste artigo deverá ser feita em até 10 (dez) dias 
corridos contados da data do envio da intimação, sob pena de considerar-se a intimação auto-
maticamente realizada na data do término desse prazo. 
Assim, temos que: 
a) Se o réu acessa a citação enviada para seu cadastro dentro do prazo de 10 dias 
corridos, se inicia o prazo de 15 dias úteis para contestação, contados a partir do 
primeiro dia útil subsequente ao acesso (exemplo: se o réu acessa segunda-feira, o 
prazo da contestação começa na terça-feira). 
b) Se o réu ignora a citação enviada, após 10 dias corridos de seu envio se inicia o 
prazo de 15 dias úteis para contestação. 
OBS: Não se confundem citação eletrônica tácita e citação ficta. 
Não há citação eletrônica que seja ficta: a citação eletrônica será sempre pessoal, pelo 
fato de que, uma vez que a pessoa se cadastra, se presume que ela concorda com as regras da 
citação eletrônica. 
Contudo, devemos ter atenção quanto à seguinte possibilidade: quando se inicia o prazo 
para contestação se o acesso ocorrer em dia não útil? Quanto a essa questão, preceitua a Lei 
11419/06, em seu art. 5°, § 2°: 
L 11419/06 
Art. 5° [...] 
[...] 
§ 2o Na hipótese do § 1o deste artigo, nos casos em que a consulta se dê em dia não 
útil, a intimação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. 
A partir desse dispositivo, devemos analisar a seguinte hipótese: suponhamos que uma 
citação eletrônica foi disponibilizada na sexta-feira e o acesso ocorreu no domingo. Qual seria o 
dia inicial do prazo da contestação? Nesse caso, o prazo da contestação se inicia na terça-feira. 
Se o prazo inicia na terça-feira, qual seria a explicação para que ele não se inicie na 
segunda-feira? Porque quando o acesso ocorre em dia não útil, o réu só pode ser considerado 
citado no primeiro dia útil seguinte (que seria segunda-feira). Como o prazo de contestação 
se inicia no primeiro dia útil subsequente em que o réu foi considerado como citado, o prazo deve 
iniciar, no exemplo dado, na terça-feira. 
OBS: devemos ressaltar que, para fins de contagens de prazos, são considerados como 
dias não úteis os feriados, sábados, domingos ou dias em que eventualmente não haja atividade 
forense. Na hipótese de haver ponto facultativo, a data apenas será considerada como dia não 
útil se não houver atividade forense (por determinação do Tribunal de Justiça, por exemplo). 
 
E-mails informativos 
Uma vez que o réu recebe uma citação eletrônica, ele também pode receber e-mails que 
o notifiquem sobre o envio da citação. Contudo, esse e-mail possui caráter meramente infor-
mativo. Portanto, o envio desse tipo de e-mail não é considerado para fins de contagem de 
prazos processuais. 
O envio de e-mails com informações sobre o andamento de processos cadastrados pre-
viamente pelo usuário constitui o chamado sistema push. Está previsto no art. 5°, § 4°, da lei 
em estudo. 
L 11419/06 
Art. 5° [...] 
[...] 
§ 4o Em caráter informativo, poderá ser efetivada remessa de correspondência eletrô-
nica, comunicando o envio da intimação e a abertura automática do prazo processual nos termos 
do § 3o deste artigo, aos que manifestarem interesse por esse serviço. 
 
Diário de Justiça Eletrônico (DJE) 
Há um tempo atrás, todas as publicações judiciais ocorriam por meio de Diário Oficial 
impresso (jornal). Nos Tribunais, o DO impresso foi substituído pelo DJE (Diário de Justiça Ele-
trônico), previsto no art. 4° da Lei 11419/06. 
O DJE possui regras diferenciadas em relação ao DO impresso. Para entender tais re-
gras, façamos a leitura dos §§ 3° e 4° do art. 4° da lei em análise: 
L 11419/06 
Art. 4o Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico, disponibilizado em sítio da 
rede mundial de computadores, para publicação de atos judiciais e administrativos próprios e 
dos órgãos a eles subordinados, bem como comunicações em geral. 
[...] 
§ 3o Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibi-
lização da informação no Diário da Justiça eletrônico. 
§ 4o Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao considerado 
como data da publicação. 
A partir do dispositivo exposto, temos que, se por exemplo, foi proferida uma sentença 
publicada na segunda-feira em DO, o prazo para apelação começaria a contar na terça-feira, por 
ser o primeiro dia útil seguinte. 
Mas se a mesma sentença for publicada por DJE, por exemplo, na segunda-feira, a 
regra da contagem de prazo é diferente: se considera que a sentença foi publicada no primeiro 
dia útil seguinte (terça-feira). Dessa forma, o prazo se inicia no primeiro dia útil seguinte à 
publicação (quarta-feira). Essa regra foi estipulada visando beneficiar aqueles que não possuem 
proximidade com recursos eletrônicos (dificuldade em usar um computador, acessar e-mail, ca-
dastro, etc.). 
 
A ausência de citação válida e a teoria das nulidades 
Em se tratando de hipótese de nulidade relativa, cabe à parte alegá-la na primeira opor-
tunidade que tiver, sob pena de o seu direito sofrer preclusão*. Na nulidade absoluta, por outro 
lado, não haverá preclusão. A nulidade absoluta poderá ser alegada em qualquer tempo ao longo 
do processo. 
*(Esse efeito será explicado mais adiante) 
A ausência de citação válida constitui hipótese de nulidade absoluta que não se conva-
lida com o decurso do tempo – a despeito de outros vícios que geram nulidade absoluta e que 
podem ser convalidados. 
O direito de alegar defeito na citação não sofrerá os efeitos da preclusão. Se o réu com-
parece ao processo em fase de apelação e prova que há defeito em sua citação, o processo 
inteiro deve ser anulado. Recomeça-se do zero (com vistas a garantir o respeito ao princípio do 
contraditório). 
O vício de citação é o mais grave do processo civil, sendo o único que não se convalida 
com o tempo. A única forma de este se convalidar é com o comparecimentoespontâneo do réu 
ao processo. Se o réu comparecer ao processo e não alegar o defeito da citação, este restará 
convalidado. 
Uma vez que a citação é o instrumento de integração do réu ao processo, se o réu com-
parece aos autos voluntariamente e não alega o defeito em sua citação, entende-se que este 
está satisfeito. A citação atinge a sua finalidade e o seu vício se convalida. 
Com o trânsito em julgado do processo, passa a correr o prazo de dois anos para se 
ajuizar uma ação rescisória (regida pelo artigo 966 do NCPC). Passado o prazo para que se 
proponha ação rescisória, temos o advento da coisa soberanamente julgada. Entretanto, como 
o decurso do tempo não convalida o vício de citação; este receberá a alcunha de vício transres-
cisório. 
O vício da citação não se sujeita a prazo algum. Ele não se convalida diante do trânsito 
em julgado e nem diante da perda do prazo da rescisória. A ação de reconhecimento de falta ou 
nulidade de citação pode ser proposta a qualquer tempo e a ela dá-se o nome de querela nulli-
tatis. A querela nullitatis não tem previsão legal. Ela é uma construção da doutrina e do STJ. 
OBS: A nulidade absoluta não pode ser alegada a qualquer momento. Quando se fala 
que esta pode ser alegada a qualquer tempo, quer-se dizer a qualquer tempo durante o processo. 
Antes de se operar o trânsito em julgado. 
 
Preclusão, prescrição e decadência 
No que tange à preclusão, temos que esta é um instrumento estritamente processual. 
Só existe preclusão no processo. Já a prescrição e a decadência são institutos de direito material 
(direito civil). Preclusão, em bom português, é a perda do prazo por motivo qualquer. Em outras 
palavras, é a perda de uma oportunidade. 
É muito comum que se confunda a preclusão, a prescrição e a decadência e isso porque 
todos esses institutos farão menção à inércia de alguém. São três institutos que trazem conse-
quências jurídicas no tempo do processo. 
A preclusão é a perda do tempo para se praticar algum ato processual. É quando o réu 
não apresenta a contestação em 15 dias, por exemplo. A prescrição, por outro lado, é o prazo 
que eu tenho para exigir um determinado crédito. É a perda de exigibilidade do crédito. A deca-
dência, por fim, é o prazo que se tem para cobrar determinado crédito. Quando o direito decai, 
perde-se o próprio crédito. O próprio direito. 
Assim, se João passa a dever a Maria 100 mil reais em 2010. Passados cinco anos o 
crédito não poderá mais ser exigido. Diz-se que o direito de cobrança de Maria preclui. Entre-
tanto, o crédito ainda existe. Assim sendo, João pode, em 2015, pagar 100 mil a Maria, se assim 
desejar. Tendo se operado a decadência, todavia, o crédito não existirá mais. O pagamento, se 
realizado a partir de então, passa a ser indevido e poderá ser cobrado judicialmente. 
 
Atuação da Defensoria Pública em casos de revelia 
Estudamos que a citação ficta é uma espécie de citação na qual há presunção de que 
ela ocorreu, sem haver absoluta certeza de que foi realizada. Pode ser realizado por edital ou 
hora certa. 
Nessa espécie de citação, existe a grande possibilidade de que o réu sequer saiba da 
existência do processo. Para equalizar essa situação, evitando que o réu fique vulnerável no 
processo e prestigiando o princípio do contraditório, o CPC estabeleceu que se o réu citado 
fictamente não apresentar contestação (tornando-se revel) e estiver sem advogado, nomeia-se 
um curador especial para realizar sua defesa, de acordo com o art. 72, II, CPC. 
Segundo o parágrafo único deste artigo, a curatela especial é competência da Defen-
soria Pública, por se tratar de hipótese de insuficiência jurídica. 
Quanto à hipossuficiência, podemos afirmar que ela possui 3 tipos: 
 Econômica – relativa à dificuldade em arcar com as custas judiciais. 
 Técnica – caracterizada pela dificuldade na produção de provas por decorrência de 
desconhecimento técnico ou informacional, como na relação do consumidor perante 
uma prestadora de serviços. 
 Jurídica – relativa à impossibilidade de se defender em um processo, como o revel 
sem advogado. 
Em regra, a Defensoria atua a favor dos economicamente hipossuficientes. Mas nos ca-
sos em que ocorre revelia, e o réu sequer tem advogado, a Defensoria atua de forma atípica, ao 
amparar um hipossuficiente no aspecto jurídico. 
Dessa forma, se um réu citado por edital for milionário, e tornar-se revel sem ter advo-
gado, a Defensoria atuará em seu favor nessa hipótese, mesmo que tenha condições financeiras 
de arcar com inúmeros advogados, pois sua hipossuficiência não é econômica, mas jurídica. 
O defensor público possui algumas prerrogativas no processo: 
 Intimação pessoal. Enquanto os advogados são intimados por publicação em Diá-
rio Oficial, os defensores públicos recebem a intimação pessoalmente. Caso ocorra 
a revelia de um réu citado fictamente, o processo é encaminhado ao defensor pú-
blico. Em outras palavras, enquanto o advogado “deve ir” ao processo, o processo 
“vai até” o defensor público. 
 Todos os prazos processuais para a Defensoria Pública são dobrados. Se em um 
processo um determinado réu possui 15 dias para contestar, e para ele é nomeado 
um defensor público, o prazo para a contestação passa a ser de 30 dias. 
 Pode argumentar por meio da contestação denominada como negativa geral, na 
qual o defensor público se exime da obrigação de contestar ponto a ponto tudo o 
que foi alegado na petição inicial. Se por exemplo, um defensor simplesmente ale-
gar que todos os fatos apresentados pelo autor não correspondem com a verdade, 
essa argumentação será considerada válida. 
Segundo o art. 341, parágrafo único, CPC, possuem a prerrogativa da negativa geral: 
a) O defensor público: ao usar o termo “defensor público”, o CPC se refere à sua atu-
ação na defesa ao hipossuficiente econômico. 
b) O curador especial: embora seja uma atribuição também exercida pelo defensor 
público, o termo “curador especial” se refere à sua atuação na defesa do hipossufi-
ciente jurídico. 
c) O advogado dativo, que é o termo dado ao advogado designado para um ato pro-
cessual específico. Como ele não é atuante no processo desde seu início, mas ape-
nas em um determinado ato processual, não possui conhecimento pleno sobre o 
processo. Em decorrência desse fato, pode argumentar por negativa geral. 
Para o advogado dativo, o juiz fixará honorários por sua atuação no processo na defesa 
do réu. Esses honorários serão pagos pelo autor da ação, caso este sofra sucumbência. Con-
tudo, é vedada a cobrança de honorários da parte do defensor público. 
 
Contestação por negativa geral como violação ao princípio da isonomia 
A doutrina diz que quando o CPC autoriza ao defensor público realizar contestação por 
negativa geral em toda e qualquer contestação, ocorre uma inconstitucionalidade por haver vio-
lação ao princípio da isonomia. A violação a esse princípio ocorre da seguinte maneira: 
Um autor, mesmo na condição de hipossuficiente econômico, não pode realizar uma 
petição genérica, pois segundo os arts. 322 e 324 do CPC o pedido do autor deve ser certo e 
determinado, ou seja, o pedido deve ser específico. Em contrapartida, um réu também hipossu-
ficiente economicamente, pode contestar de forma genérica no mesmo processo, por meio de 
negativa geral. 
Nessa hipótese descrita, temos que, embora as duas partes estejam em iguais condi-
ções, o réu possui tratamento privilegiado em relação ao autor, visto que enquanto o autor é 
obrigado a detalhar e especificar seu pedido, o réu não precisará contestá-lo pontualmente. 
Por isso, a partir da concepção dessa inconstitucionalidade, é defeso na doutrina que a 
Defensoria Pública deve contestar por meio de negativa geralapenas nas hipóteses de hipossu-
ficiência jurídica. 
 
TUTELA PROVISÓRIA (CPC, arts. 294 a 311) 
Se opõe à tutela definitiva que se obteria na sentença. É concedida com base no juízo 
de probabilidade (ou cognição sumária), a partir do que está sendo alegado em determinado 
momento do processo, que leva a concluir que é plausível a concessão desse tipo de tutela. A 
tutela definitiva, por sua vez, é concedida com base no juízo de certeza (ou cognição exauriente). 
A tutela provisória se divide em 2 tipos: 
1 – Urgência (CPC, arts. 294 a 310): essa tutela exige a presença de 2 requisitos pre-
sentes no art. 300 do CPC – fumus boni iuris e periculum in mora. O primeiro requisito significa 
“fumaça do bom direito”. Se refere a uma probabilidade de que o fato alegado é verdadeiro. O 
segundo requisito significa “risco de mora”, que seria a existência de perigo ao direito causado 
por demora em tomar uma providência que assegure esse direito. 
Um exemplo de concessão de tutela de urgência seria o caso em que alguém necessita 
de um atendimento médico emergencial, e ao chegar no hospital, o atendimento é recusado pelo 
fato de que o plano de saúde da pessoa em questão não cobre o atendimento desejado, apesar 
de seu plano ser um dos mais caros, com cobertura para qualquer tipo de atendimento. 
Nessa situação, a pessoa necessitada recorre ao Judiciário, a fim de exigir que o hospital 
realize o atendimento, e com a comprovação por meio de laudo médico sobre a urgência do 
atendimento. 
Nessas circunstâncias, é plausível que o juiz chegue à conclusão de que o direito ale-
gado é verdadeiro e existente (fumus boni iuris) e que a tutela deve ser concedida de prontidão, 
não sendo possível esperar a conclusão de um processo, tendo em vista a urgência do atendi-
mento requerido (periculum in mora). 
A tutela provisória de urgência se divide em: tutela antecipada e tutela cautelar. A tutela 
antecipada também é chamada de satisfativa, enquanto a tutela cautelar é chamada de não 
satisfativa. 
a) Tutela antecipada/ satisfativa: A tutela satisfativa satisfaz direito material, como no 
exemplo do atendimento médico. Outro exemplo de tutela satisfativa seria o caso 
em que um cliente seja negativado por uma empresa pela compra parcelada de um 
produto, apesar de estar em dia com o pagamento das prestações. Considerando 
que ele cliente ingressou no Judiciário apresentando comprovante de pagamento 
de todas as prestações, é razoável que o juiz conceda liminar deferindo a retirada 
do nome desse cliente do SPC/ Serasa. 
 
b) Tutela cautelar/ não satisfativa: é urgente não para defender direito material, mas o 
processo, de forma a evitar que se torne inútil. Não satisfaz de imediato, mas asse-
gura futura satisfação. Um exemplo de concessão de tutela não satisfativa seria o 
seguinte caso: Suponhamos que uma pessoa ajuíza uma ação de cobrança no valor 
de 100 mil reais em face de um devedor. Ao saber da ação ajuizada, o devedor 
começa a vender todos os seus bens, a fim de que não haja mais patrimônio para 
que o credor possa exigir o cumprimento da prestação. 
 
Ao final do processo, se o credor desejar penhorar os bens do devedor na fase de exe-
cução, isso não será mais possível. Uma tutela provisória cautelar que poderia ser concedida 
nesse caso seria requerer que o DETRAN impeça que esse devedor venda seu carro, ou pedir 
ao RGI (Registro Geral de Imóveis) que impeça a alienação de um imóvel desse devedor. 
As tutelas provisórias de urgência, seja antecipada ou cautelar, podem ser concedidas 
durante o processo (às quais chamaremos de incidental) ou antes do processo principal (sendo 
chamadas de antecedente). 
Os exemplos dados sobre o atendimento médico emergencial e da negativação do cli-
ente no SPC/ Serasa são exemplos de tutelas provisórias de urgência antecipadas incidentais, 
pois foram concedidas durante o processo. 
Um exemplo de tutela de urgência antecedente seria a que ocorre num caso em que, em 
uma ação de divórcio com partilha de bens, a esposa solicita o bloqueio dos bens assim que 
ingressa com a ação, para evitar que o marido oculte ou se desfaça do patrimônio. Seria um 
exemplo de tutela provisória de urgência cautelar antecedente. 
Segundo o art. 302 do CPC, caso a concessão da tutela de urgência cause prejuízo à 
parte adversa, é cabível a reparação do dano no mesmo processo, dentro das hipóteses previs-
tas. 
 
2 – Tutela de evidência (CPC, art. 311): é a tutela na qual há muito fumus boni iuris e 
dispensa do periculum in mora. Em outras palavras, é a tutela concedida quando há forte indício 
do direito, independentemente de haver perigo de dano ao direito material ou risco ao resultado 
útil do processo. 
Não há muitos exemplos de concessão de tutela de evidência. Mas um exemplo cabível 
na hipótese do inciso II do art. 311 do CPC (alegações de fato que podem ser comprovadas 
apenas documentalmente e para as quais há tese firmada em julgamento de casos repetitivos 
ou em súmula vinculante) é a desaposentação, que é o cancelamento de aposentadoria anterior 
para estabelecer outra mais benéfica, reconhecida até outubro desse ano. 
Um caso hipotético sobre a concessão da tutela de evidência seria o caso em que um 
servidor, contribuinte desde seus 20 anos, trabalha por 30 anos e assegura seu direito à apo-
sentadoria aos 50 anos de idade. Porém, após requerer a aposentadoria, resolve continuar tra-
balhando por mais 10 anos. Após esses 10 anos, resolve ir ao INSS requerer a substituição da 
sua aposentadoria referente a 30 anos de contribuição por uma referente a 40 anos de contribui-
ção. À essa “troca de aposentadoria” dá-se o nome de desaposentação. 
O INSS não costumava conceder a desaposentação pacificamente, sendo necessário o 
ingresso com a ação no Judiciário para requerer esse direito. Caso fosse necessário a aguardar 
o fim do processo para que o direito fosse requerido, haveria grande chance do autor falecer 
antes que pudesse usufruir o direito (no caso hipotético dado, considerando que o autor ingres-
sou com a ação aos 60 anos de idade e o processo demora 20 anos, há grande possibilidade de 
vir a falecer antes de chegar à idade de 80 anos). 
Então, nesse caso, seria possível requerer o direito por meio da comprovação do tempo 
de aposentadoria, a partir de uma certidão emitida junto ao INSS. Dessa forma, o direito seria 
concedido por haver muito fumus boni iuris (forte comprovação do direito por meio da certidão 
apresentada), sem que haja, necessariamente, periculum in mora (pois uma vez que o direito de 
desaposentação foi comprovado, não há como o autor “perder” o direito, pois nada poderia ofe-
recer risco a um direito adquirido por cumprir requisitos legais). 
Além disso, havia jurisprudência do STJ favorável à desaposentação. 
Uma das finalidades da tutela de evidência é dividir entre autor e réu o ônus do tempo 
no processo. Se antes o ônus do tempo ficava a cargo apenas do autor, agora esse ônus é 
dividido com o réu, que passa a ter interesse na causa. Por exemplo, no caso da desaposenta- 
ção, se nenhuma tutela é concedida, o autor ficava dependente do julgamento do processo, en-
quanto para o INSS era interessante o fato de que o processo durasse o máximo de tempo 
possível. Mas a partir do momento em que uma tutela de evidência é concedida, o INSS passa 
a ser afetado, e o decorrer do processo passa a ser de seu interesse, fato que o motivo a coo-
perar com a resolução do processo. 
Ainda quanto à questão da desaposentação, o INSS recorreu até o STF para que se 
pronunciasse sobre esse tema, devido à grande quantidade de ações requerendo esse direito e 
o impacto que sua concessão teria nos cofres públicos. Infelizmente, o STF decidiu recentementeque não é cabível a desaposentação. 
Sobre as tutelas provisórias, temos que: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tutelas provisórias e coisa julgada 
Quando nós falamos em tutelas provisórias, nós estamos falando de decisões de juízo 
de probabilidade. Ou seja, o juiz não está analisando a matéria que está sendo apresentada 
com base em juízo de certeza. Ele não está decidindo convicto. Há uma probabilidade de ele ter 
razão, mas por enquanto ele não tem certeza disso. É o que nós chamamos de cognição su-
mária. 
A cognição é a profundidade com que o juiz analisa a matéria. O juiz pode analisar a 
matéria superficialmente (é a classificação que abrange a análise mais rasa da matéria), pode-
se observar uma cognição sumária (mais profunda que a superficial) ou uma cognição exauriente 
Tutela de urgência (CPC, 
arts. 294 a 310)
Antecipada/ satisfativa Antecipada incidental
Antecipada antecedente
Cautelar/ não satisfativa Cautelar incidental
Cautelar antecedente
Tutela de evidência (CPC, 
art. 311)
(quando o juiz decide o processo de vez – a mais profunda das análises). Só as decisões de 
cognição exauriente podem fazer coisa jugada. As tutelas provisórias/a decisão estabilizada não 
faz, portanto, coisa julgada. 
 
Petição inicial incompleta 
“Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da ação, a 
petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de 
tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do 
risco ao resultado útil do processo”. 
O artigo 303 do NCPC traz uma novidade que a doutrina tem chamado de petição inicial 
incompleta. 
Não é razoável, em face de situação urgente, que se queira exigir uma ação completa 
(uma petição inicial com a presença de todos os requisitos) para que o pedido do autor (de rea-
lizar uma cirurgia, por exemplo) possa ser atendido. O Código passa a autorizar, então, que se 
faça uma petição inicial incompleta (que não observa todos os requisitos do artigo 319). 
“Art. 319. A petição inicial indicará: 
I - o juízo a que é dirigida; 
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o 
número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurí-
dica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; 
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; 
IV - o pedido com as suas especificações; 
V - o valor da causa; 
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; 
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de media-
ção. 
§ 1o Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição 
inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção. 
§ 2o A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se 
refere o inciso II, for possível a citação do réu. 
§ 3o A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II 
deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o 
acesso à justiça”. 
São dois os requisitos da tutela: o direito alegado deve ser verdadeiro e existente (fumus 
boni iuris) e a mora deve representar algum tipo de perigo, ou seja, devemos observar uma 
urgência (periculum in mora). 
O artigo 303 fala que somente esses dois requisitos precisarão estar presentes, sem que 
se tenha a necessidade de atender a todos os incisos do artigo 319 para a concessão (ou não) 
da tutela pretendida. 
O artigo 303 se refere aos casos em que a urgência for contemporânea à propositura 
da ação. Não podendo ser anterior ou posterior. 
Existem situações urgentes e situações extremamente urgentes. Se o indivíduo está ne-
gativado no SPC há três meses e entra com pedido de tutela, estaremos diante de caso urgente, 
mas cuja urgência não é atual/do momento. Uma semana a mais com o nome negativado não 
fará diferença (a menos que ele precise se inscrever em concurso para o qual foi aprovado e que 
não aceita negativados, por exemplo – aí a urgência será tida como contemporânea). 
Se uma pessoa está no hospital e o médico lhe diz que se ele não for internado em 30/40 
dias poderá sofrer consequências graves. Sua situação é urgente, mas não é extremamente 
urgente. 
A hipótese de se aceitar, temporariamente, a petição inicial incompleta (que é a exceção, 
pois, em regra, os advogados elaboram petições iniciais completas) guarda relação com as si-
tuações extremamente urgentes. Se o indivíduo não for internado em questão de horas, ele 
vai – certamente – morrer. 
Toda tutela provisória de natureza antecipada ou cautelar tem urgência. Mas para que a 
sua concessão antecedente (anterior ao processo) se justifique, deve ela cuidar de situação de 
extrema urgência. 
O legislador escalonou a urgência. Tratou de classifica-la. Se o sujeito só precisa ser 
internado daqui a trinta dias, o seu advogado tem tempo de ir ao escritório e elaborar a petição 
inicial completa; entretanto, se passa mal durante a noite e precisa operar no dia seguinte pela 
manhã, pode o advogado redigir petição inicial simplificada (não se exige que ele corra para o 
escritório no meio da madrugada para redigir uma petição inicial que cubra todos os requisitos 
do artigo 319). 
Com a entrada da petição incompleta e o deferimento da medida, o autor vai ter o prazo 
de 15 dias (ou mais) para aditar a petição inicial dele sob pena de extinção do processo sem 
resolução de mérito. Não é emendar porque ela não está errada, mas sim aditar porque ela 
precisa ser completada. 
Pode acontecer de o autor não querer aditar a sua petição inicial. Pode ele, diante do 
deferimento da medida requisitada em caráter de urgência e do seu cumprimento, perder o in-
teresse no prosseguimento do feito. 
A lei criou uma forma diferenciada de solucionar situações de extrema urgência. Nesta 
um grande problema é solucionado com uma ação que dura um breve período de tempo e que 
costuma custar pouco ao autor – é de praxe que o advogado cobre menos pelos seus serviços 
nessa situação. É uma hipótese de tutela diferenciada. A lei cria, portanto, mecanismos para 
que o próprio Judiciário não fique agarrado a um processo que já perdeu o seu objeto. 
Em relação ao réu, temos que ele será (no procedimento comum) citado e intimado a) 
para comparecer a uma audiência de conciliação e mediação e b) para cumprir a decisão judicial. 
A contar da intimação para que o réu cumpra a decisão proferida, passa a correr um 
prazo de 15 dias para interposição de agravo de instrumento. 
Se a petição do autor cumpre com os dois requisitos da tutela, são grandes as chances 
de ele estar certo e de o réu estar errado. Então as chances de o agravo ser bem sucedido para 
o réu (de o Tribunal reverter a decisão anteriormente prolatada) são muito pequenas. O próprio 
réu deve considerar isso. 
Ademais, se foi determinado pelo juiz o atendimento médico no prazo de uma hora (sob 
pena de multa de 50.000 reais), por exemplo, será que o réu vai conseguir procurar e contratar 
um advogado que interponha recurso e altere o teor da decisão proferida em tempo inferior ao 
do cumprimento da decisão judicial? Provavelmente não. 
Tem o réu de considerar, também, as despesas processuais. Às vezes cumprir a decisão 
ou a sentença é mais barato do que arcar com o processo. No caso hipotético que comentamos, 
deverá o réu arcar com as despesas do agravo de instrumento a ser interposto, com os honorá-
rios do escritório de advocacia, com despesas diversas ao longo do processo e, se o processo 
for sentenciado e elesucumbir, com as despesas sucumbenciais. Além disso, gastará ele tempo 
(e tempo é dinheiro). 
Pode ser, a par do exposto, que não seja interessante ao réu continuar brigando 
nos autos do processo. Aceitar a extinção do processo pode ser, para ele, a melhor opção. A 
lei fala que caso o réu opte por não recorrer, o processo será extinto sem resolução de mérito. 
O julgamento sem resolução de mérito não produz coisa julgada material. Ele analisa a 
questão principal exposta, mas a sua decisão (baseada em juízo de probabilidade) não tem po-
tencialidade de fazer coisa julgada. Não tem contestação e nem contraditório. 
Toda vez que alguém, autor ou réu, manifestar o desinteresse em continuar com o 
processo, este será extinto. As causas de extinção do processo do autor e do réu são autôno-
mas e isso porque as suas condutas são autônomas. 
Isso significa que: 
a) Se o autor não aditar a petição inicial e o réu desejar recorrer, o processo se encerra 
sem resolução de mérito, pelo fato de que a conduta do autor independe da conduta 
do réu. 
b) Se o autor adita a petição inicial e o réu não deseja recorrer, este deve estar ciente de 
que o processo será encerrado. Então se presume que o réu, ao rejeitar seu direito de 
recorrência, ponderou sobre as desvantagens existentes em permanecer no processo 
(como custas judiciais, por exemplo). 
Cabe ressaltar que a decisão proferida é uma decisão interlocutória, no qual o caso é 
analisado por meio de cognição sumária. Essa decisão, mesmo sendo interlocutória, pode en-
cerrar o processo em decorrência da autonomia da conduta das partes, como foi citado anterior-
mente. 
Contudo, devemos considerar que, caso o processo seja extinto sem resolução do mé-
rito, pelo fato de que o autor não quis aditar sua petição inicial, o réu ainda assim poderá recorrer 
ao Tribunal por meio de agravo de instrumento. 
Existe ainda a possibilidade de que o Tribunal julgue um agravo de instrumento mesmo 
com o proferimento de uma sentença (e não de uma decisão interlocutória). Nesse caso, a única 
alternativa para o réu seria uma apelação contra a sentença, pois a decisão do julgamento do 
agravo não afetaria a sentença em nada. 
Quando é proferida uma sentença de extinção do processo sem resolução de mérito, o 
réu deve, na sua apelação, provar que o mérito deveria ter sido analisado, que a contestação 
(que sequer ocorreu) deveria ter sido apresentada e demonstrar que o pedido do autor é impro-
cedente. 
Porém, a sentença sem resolução de mérito não muda o fato de que o réu pode requerer 
uma indenização pelo prejuízo que eventualmente teve, por meio de outra ação em face do autor. 
Assim sendo, existe a possibilidade de não haver interesse para o réu em permanecer 
em um processo que já foi extinto sem resolução de mérito por concessão de tutela provisória 
antecipada de extrema urgência. 
Se por exemplo, tal tutela foi concedida para um paciente em estado crônico com o risco 
de falecer dentro de horas, o processo não importa mais para o autor, uma vez que a tutela 
satisfez seu interesse; e nem para o réu (o hospital), pois uma vez que houve satisfação ao 
pedido do autor, recorrer durante o processo contra a sentença poderia agravar ainda mais seu 
prejuízo, pelo fato de que, além do prejuízo sofrido pela concessão da tutela, teria que arcar com 
mais custas judiciais em sua tentativa de dar prosseguimento a um processo. 
Nessa hipótese, seria mais razoável para o réu ingressar com outra ação a fim de exigir 
indenização por eventuais prejuízos decorrentes da concessão da tutela. Contudo, se impetrar 
agravo de instrumento assim mesmo, e esse agravo for acolhido, é possível ao réu usar a deci-
são proferida acerca desse agravo de instrumento no processo em que exigirá indenização ao 
autor. 
Devemos destacar também que a sentença sem resolução de mérito é cabível apenas 
nos casos de tutela provisória antecipada em situações de extrema urgência, pois o juiz pode 
extinguir o processo baseado em seu juízo de cognição sumária. 
Quando ocorre concessão de tutela provisória antecipada em situações simplesmente 
urgentes (mas não de extrema urgência) ou tutela provisória incidente (no decorrer do processo), 
tal sentença não pode ser proferida, pois o réu deve permanecer no processo para apresentar 
sua defesa, pelo fato de que o processo ainda é de seu interesse. 
Quanto ao autor, temos que, caso ele prefira permanecer no processo, mesmo após a 
concessão da tutela de extrema urgência, basta apenas que adite a petição inicial. 
 
Estabilização do processo 
A estabilização do processo consiste na transformação de uma decisão provisória em 
uma decisão definitiva. Em relação às tutelas provisórias, ocorre da seguinte forma: 
1) Um autor ajuíza uma ação requerendo tutela provisória antecipada de extrema urgência. 
2) A ação é deferida. 
3) O réu decide não recorrer. 
Quando essas condições ocorrem, temos que a decisão acerca da tutela, que até então 
era provisória, passa a ser definitiva, uma vez que o juiz considerou procedente o pedido do 
autor e o réu optou por não contrariar o pedido. 
Então, se, por exemplo, um plano de saúde de um indivíduo cobre apenas alguns meses, 
mas foi concedido uma tutela provisória para essa pessoa para um tratamento por 2 anos, o 
hospital será obrigado a cumprir os 2 anos de tratamento, caso a decisão de tutela provisória 
venha a se estabilizar. 
Contudo, cabe uma ressalva: embora se torne definitiva, não se pode dizer esse tipo de 
sentença se tornou coisa julgada. 
Com o NCPC, passamos a ter dois tipos de decisões definitivas: a coisa julgada e a 
decisão de estabilização de tutela provisória. 
Embora não haja diferença prática entre a estabilização da tutela provisória e a coisa 
julgada, há diferenças sob o aspecto jurídico: 
a) Enquanto a estabilização da tutela provisória é fundada em juízo de probabilidade, a 
coisa julgada é fundada em juízo de certeza. 
b) A estabilização da tutela provisória pode ser sujeita a uma ação revisional (ajuizada no 
mesmo juízo que proferiu a decisão), no prazo de 2 anos. A coisa julgada, por sua vez, 
pode ser sujeita a uma ação rescisória (que não pode ser ajuizada em primeiro grau), 
também no prazo de 2 anos. 
Ambos, autor e réu, podem pedir ação revisória. Se por exemplo, foi concedida uma 
tutela provisória de tratamento médico a alguém, por tempo mais prolongado que o previsto pelo 
plano de saúde, e essa concessão tornou-se definitiva, é possível que, após certo tempo, o autor 
peça revisão da tutela, para que o tratamento seja modificado, por causa de um avanço medici-
nal, por exemplo. 
Por outro lado, dando seguimento ao mesmo exemplo, se o autor, uma vez beneficiado 
pela tutela provisória, resolver mudar de plano de saúde, indo para um mais barato, e continuar 
usufruindo do tratamento obtido pela tutela, o réu pode pedir revisão da decisão que concedeu 
o tratamento. 
 
INVALIDADES PROCESSUAIS 
A invalidade está presente em um ato processual a partir do momento em que é praticado 
sem a observância da devida formalidade legal. 
A lei determina como determinado ato deverá ser praticado. Toda vez que um ato pro-
cessual é praticado sem observar o que a lei processual determina, temos que o ato foi praticado 
de maneira defeituosa. A partir disso, temos que considerar se esse defeito vai gerar ou não 
nulidade: um ato pode ser defeituoso, mas não necessariamente nulo. 
Cabe ressaltar que isso é possível no Direito Processual Civil, mas não necessariamente 
em outros ramos do Direito. No Direito Civil ou no Direito do Consumidor, temos hipóteses em 
que a nulidade deve ser declarada de pleno direito, a partir do momento em que é constatado 
um vício no ato praticado.Com essa afirmação, se pretende dizer que, nesses casos, não há a 
possibilidade de verificar se o defeito vai gerar nulidade ou não. Em contrapartida, no Direito 
Processual Civil, não existe nulidade de pleno direito. 
Toda nulidade depende de reconhecimento de um juiz. Portanto, nunca podemos presu-
mir que um ato processual é nulo. O magistrado deve avaliar judicialmente se um ato é nulo ou 
não. 
O reconhecimento de nulidade processual é excepcional, porque temos um conjunto de 
princípios processuais tidos como relativizantes da nulidade, ou seja, que visam evitar a decla-
ração de nulidade. Dessa forma, um ato só é declarado nulo se nenhum dos princípios a serem 
mencionados forem suficientes para evitar a declaração de nulidade do ato processual. 
Dentre eles, temos: 
a) Princípio da instrumentalidade 
b) Princípio da causalidade 
c) Princípio do prejuízo 
 
Princípio da instrumentalidade 
Segundo esse princípio, um ato processual viciado não deve ser anulado se produz re-
gularmente seus efeitos. 
Por exemplo, suponhamos que alguém é citado no dia de seu casamento. Essa citação, 
apesar de ser defeituosa, não pode ser declarada nula de imediato, pois o citado pode compa-
recer ao processo espontaneamente. Assim sendo, o ato atingiu sua finalidade, e o compareci-
mento voluntário do réu evitou a declaração de nulidade da citação. 
 
Princípio da causalidade 
Segundo este princípio, um ato processual viciado não pode ser anulado se a parte que 
pode ser prejudicada pelo vício deu causa à sua existência. 
Suponhamos que um advogado indica seu número de inscrição na OAB para intimação 
de atos processuais. O Cartório para o qual esse advogado se dirigiu posteriormente percebe 
que esse número foi informado de maneira errada. Em um dado momento, esse advogado é 
intimado para um processo, e deseja anulá-lo sob o argumento de que o número de inscrição na 
OAB informado ao Cartório está equivocado. 
O processo não poderia ser anulado, uma vez que ele mesmo deu causa à nulidade. Se 
alguém dá causa a uma nulidade, esse alguém é ilegítimo para arguir a declaração dessa nuli-
dade. 
 
Princípio do prejuízo 
Segundo esse princípio, um ato processual viciado não pode ser anulado se houve uma 
decisão favorável à parte que poderia ser prejudicada pelo vício. Portanto, o processo se mantém 
pela ausência de prejuízo à parte que poderia alegar a nulidade. 
Suponhamos uma ação em que está sendo peticionado o direito de pensão alimentícia 
no valor de R$ 5000,00 em favor de um incapaz. Nesse tipo de ação, se faz necessário a inter-
venção do MP, que atua como fiscal da lei. Entretanto, imaginemos que o processo se desen-
volveu sem a intervenção do MP, e em seu decorrer foi proferida uma sentença condenando o 
réu ao pagamento da pensão no valor de R$ 5000,00. 
Nesse exemplo, temos um vício processual (a ausência de participação do MP), mas 
esse vício pode ser desconsiderado, uma vez que a parte que poderia ser prejudicada com o 
vício processual (o incapaz) obteve êxito em sua demanda. Não faria sentido anular o processo 
pela ausência de participação do MP, pois sua atuação visaria assegurar o direito do incapaz, e 
tal direito foi assegurado mesmo sem a sua intervenção. 
O propósito de todo processo é solucionar um litígio. Se o litígio foi solucionado, sem 
prejuízo da parte que poderia ser prejudicada no processo com o vício, não há que se falar em 
nulidade. Assim sendo, temos que não existe nulidade sem prejuízo. 
O princípio do prejuízo é consagrado no CPC em seu art. 282, § 2°: 
Art. 282. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e ordenará 
as providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou retificados. 
§ 1o [...] 
§ 2o Quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação da 
nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. 
Quanto à atuação do MP no processo e eventual nulidade pela ausência de sua partici-
pação no processo, o CPC prevê em seu art. 279: 
Art. 279. É nulo o processo quando o membro do Ministério Público não for intimado a 
acompanhar o feito em que deva intervir. 
§ 1o Se o processo tiver tramitado sem conhecimento do membro do Ministério Público, 
o juiz invalidará os atos praticados a partir do momento em que ele deveria ter sido intimado. 
§ 2o A nulidade só pode ser decretada após a intimação do Ministério Público, que se 
manifestará sobre a existência ou a inexistência de prejuízo. 
Outro exemplo cabível quanto a esse princípio seria o seguinte: suponhamos que o juiz 
tenha marcado uma data para realizar uma perícia. Nesse caso, as partes devem ser intimadas. 
Mas imaginemos que o juiz esqueceu de intimar o réu, e a perícia foi realizada apenas com a 
participação do autor. Ao final do processo, foi proferida uma sentença indeferindo o pedido do 
autor. O processo será nulo? Não, porque quem se beneficiaria com a nulidade do processo 
seria o réu, e a nulidade não seria mais necessária uma vez que a sentença lhe foi favorável. 
 
Quanto à análise de vício processual no primeiro grau 
Quando há um vício que pode acarretar na nulidade de um processo no primeiro grau, é 
possível apresentar recurso de apelação, no qual o defeito processual é alegado e é feito o pe-
dido ao tribunal para que reconheça essa nulidade. Sempre que o tribunal detectar que há vícios 
no processo, deve ser fixado um prazo para que as partes se manifestem. 
Retornando ao exemplo da pensão do incapaz, se a sentença proferida fosse condena-
ção no valor de R$ 4000,00, haveria prejuízo para o incapaz. Em virtude dessa circunstância, o 
tribunal poderia convocar o MP para que se manifestasse. Se eventualmente o MP disser que, 
apesar da decisão ser de R$ 4000,00, não há prejuízo que acarrete na anulação do processo, 
seu parecer seria válido, pelo fato de que o MP pode convalidar os atos praticados na primeira 
instância. 
É possível então o tribunal conceder um prazo para manifestação das partes e depois 
disso continuar com o julgamento do recurso? Sim. 
 
Princípio da primazia da solução de mérito 
Há um princípio que abrange os três mencionados, reconhecido recentemente, que é o 
princípio da primazia da solução de mérito. Já mencionado anteriormente, segundo esse princí-
pio o Poder Judiciário deve sempre se predispor a solucionar o mérito de todos os processos 
possíveis, utilizando todos os recursos processuais disponíveis para evitar que a solução de 
mérito não seja realizada. 
 
Princípio do confinamento das nulidades 
Se o juiz chegar ao ponto excepcional de declarar nulidade, tal situação é regida pelo 
princípio do confinamento das nulidades, segundo o qual o juiz deverá limitar ao máximo o 
número de atos que serão afetados pela declaração de nulidade. 
Retornando ao exemplo em que o juiz resolveu convocar a realização de uma perícia 
sem ter intimado o réu, suponhamos que, em seguida, foi determinado que haveria também pro-
dução de prova testemunhal, porém para este ato processual, o réu foi devidamente intimado. 
Imaginemos ainda que o réu recorre quanto à declaração de nulidade, e uma sentença é profe-
rida considerando o pedido como procedente, ou seja, o réu foi condenado. 
Nesse caso, o juiz deverá declarar nulidade, porque o réu foi prejudicado pelo juiz ao 
não ser intimado para a perícia e a sentença proferida não lhe foi favorável. Logo, o processo 
pode ser anulado devido ao prejuízo sofrido em decorrência de um vício processual. 
Contudo, isso não significa que o juiz deverá anular todo o processo, mas apenas o ato 
processual que acarretou no prejuízo. Os atos posteriores àquele declarado nulo não serão, ne-
cessariamente, também nulos. Se oato posterior for independente ao ato nulo, seus efeitos per-
manecerão válidos. 
 
A teoria clássica sobre invalidade de atos processuais e sua inconsistência 
Cabe ressaltar que o conteúdo exposto até aqui sobre a invalidade de atos processuais 
não é defeso por todos os doutrinadores. Ao estudarmos a teoria clássica de Direito Processual 
Civil, veremos que há distinção doutrinária entre nulidade absoluta e relativa. Segundo essa dou-
trina, a nulidade absoluta torna o processo passível de anulação, enquanto a nulidade relativa 
pode ser convalidada. 
Entretanto, esse raciocínio é equivocado: um vício de citação, por exemplo, consiste em 
uma hipótese de nulidade absoluta. Contudo, não acarreta necessariamente na anulação do 
processo pois, como vimos anteriormente, o vício de citação pode ser convalidado (pelo compa-
recimento voluntário do réu, por exemplo). 
Portanto, essa classificação clássica é irrelevante para fins práticos, e pode inclusive 
induzir a erro. A acepção de que atos com vícios de nulidade absoluta podem ser tidos como 
válidos é inclusive recepcionada pelo NCPC, em seu art. 64, § 4°: 
Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de 
contestação. 
[...] 
§ 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão 
proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo compe-
tente. 
Assim, temos que, antigamente, a incompetência absoluta caracterizava o ato como 
nulo. Com o CPC/15, temos que a decisão proferida com vício de competência absoluta é válida, 
até que outra decisão seja proferida por juízo competente. 
____________________________________________________________________________ 
 
QUESTÕES ANTERIORES 
Seguem abaixo questões de provas elaboradas pelo professor Haroldo Lourenço. Ao final, se-
guem também o gabarito das questões. 
 
1 – Alessandra é fiadora no contrato de locação do apartamento de Mariana. Diante do 
inadimplemento de vários meses de aluguel, Marcos (locador) decide ajuizar ação de co-
brança em face da fiadora. Alessandra, em sua defesa, alegou que Mariana também deve-
ria ser chamada ao processo. Com base no CPC/15, assinale a afirmativa correta. 
a) O fiador se compromete com a dívida do afiançado, de modo que não pode exigir a sua 
participação na ação de cobrança promovida. 
b) Sendo certo que Alessandra não participou da relação jurídica existente entre Mariana e 
Marcos, permite-se o chamamento ao processo do locatário a qualquer tempo. 
c) Incorreta a atitude de Alessandra, pois o instituto apto a informar ao juízo o real devedor 
da relação é a nomeação à autoria. 
d) Alessandra deve viabilizar a citação de Mariana no prazo de 30 dias, sob pena de o 
chamamento ao processo ficar sem efeito. 
 
2 – Considerando as mudanças trazidas pelo Novo Código de Processo Civil (Lei n° 
13.105/2015), pode-se dizer que houve mudanças no que se refere à citação por hora certa, 
sendo correto afirmar que: 
a) Quando o oficial de Justiça houver procurado o citando por 2 (duas) vezes, sem o en-
contrar, e havendo suspeita de ocultação, deverá intimar qualquer pessoa da família ou, 
em sua falta, qualquer vizinho, de que voltará para efetuar a citação em hora certa, no 
dia útil imediato. Nos condomínios edilícios ou loteamentos com controle de acesso, será 
válida a intimação feita a funcionário da portaria responsável pelo recebimento de cor-
respondência. 
b) Quando o oficial de Justiça houver procurado o citando em seu domicílio ou residência 
sem o encontrar, por 3 (três) vezes, deverá intimar qualquer pessoa da família em sua 
falta. 
c) Quando o oficial de Justiça houver procurado o citando por 3 (três) vezes, sem o encon-
trar, e havendo suspeita de ocultação, deverá intimar um terceiro de que voltará para 
efetuar a citação em hora certa, no dia útil imediato. Nos condomínios edilícios ou lotea-
mentos com controle de acesso, será válida a intimação feita a funcionário da portaria 
responsável pelo recebimento de correspondência. 
d) Quando o oficial de Justiça houver procurado o citando sem o encontrar, por 2 (duas) 
vezes, deverá intimar qualquer terceiro de que, em dia útil, voltará a fim de efetuar a 
citação, na hora que designar. Nos condomínios edilícios ou loteamentos com controle 
de acesso, será válida a intimação feita a funcionário da portaria responsável pelo rece-
bimento de correspondência. 
 
3 – Considere o processo em que for: 
I. Ré: pessoa incapaz 
II. Réu: o Município de São Paulo 
III. Réu: partido político 
IV. Réu: o Estado de São Paulo 
De acordo com o Código de Processo Civil Brasileiro, NÃO se fará a citação pelo correio nas 
hipóteses indicadas APENAS em 
a) I e II. 
b) I e IV. 
c) III e IV. 
d) I, II e IV. 
 
4 – Lucas foi citado para apresentar defesa em ação de indenização por danos materiais, 
em razão de acidente de veículo. Contudo, o proprietário e condutor do veículo que cau-
sou o acidente era Cláudio, seu primo, com quem Lucas havia pego uma carona. Lucas, 
em contestação, deverá 
a) Requerer a alteração do sujeito passivo, indicando Cláudio como réu. 
b) Requerer que Cláudio seja admitido na condição de assistente litisconsorcial. 
c) Denunciar Cláudio à lide. 
d) Requerer o chamamento de Cláudio ao processo. 
 
5 – Cristina não foi autorizada por seu plano de saúde a realizar cirurgia de urgência indi-
cada por seu médico. Tendo em vista a necessidade de pronta solução para seu caso, ela 
procura um(a) advogado(a), que afirma que a ação a ser ajuizada terá como pedido a rea-
lização da cirurgia, com pedido de tutela antecipada para sua efetivação imediata, sem 
oitiva do réu. O(a) advogado(a) ainda sustenta que não poderá propor a ação sem que 
Cristina apresente toda a documentação que possui para instrução da inicial, sob pena de 
impossibilidade de juntada posterior. A respeito do caso, assinale a afirmativa correta. 
a) O advogado equivocou-se. Trata-se de tutela cautelar e não antecipada, de modo que o 
pedido principal terá de ser formulado pela autora no prazo de 30 (trinta) dias nos mes-
mos autos. 
b) O advogado equivocou-se. A urgência é contemporânea à propositura da ação, pelo que 
a tutela antecipada pode ser requerida em caráter antecedente, com a possibilidade de 
posterior aditamento à petição inicial. 
c) O advogado agiu corretamente. A petição inicial é o momento correto para a apresenta-
ção de documentos. 
d) O advogado agiu corretamente. Somente a tutela cautelar e não a antecipada pode ser 
requerida em caráter antecedente. 
 
6 – Analise as seguintes assertivas sobre a intervenção de terceiros à luz do Código de 
Processo Civil: 
I. Na assistência simples sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, 
o assistente será considerado seu substituto processual. 
II. Tratando-se de denunciação da lide admite-se uma única denunciação sucessiva, 
promovida pelo denunciado, contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou 
quem seja responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo pro-
mover nova denunciação. 
III. A instauração do incidente de desconsideração de personalidade jurídica é dispen-
sada se o requerimento for apresentado na petição inicial. 
IV. A intervenção do amicus curiae determinada pelo juiz de ofício ou a requerimento 
das partes ou de quem pretenda manifestar-se, poderá acarretar modificação de 
competência e autoriza a interposição de recursos. 
Está correto o que se afirma apenas em 
a) I e IV. 
b) I, II e III. 
c) I, III e IV. 
d) I, II e IV. 
e) II e III. 
 
7 – Proposta ação de usucapião em relação a uma casa, observa o juiz, de imediato, quea petição inicial aludiu apenas à pessoa em cujo nome se encontra registrado o imóvel 
objeto do pedido, sem que na peça processual haja qualquer referência aos proprietários 
dos imóveis confinantes. Nesse cenário, deve o magistrado: 
a) Proceder ao juízo positivo de admissibilidade da demanda, já que a hipótese é de litis-
consórcio facultativo. 
b) Proceder ao juízo positivo de admissibilidade da demanda, já que, embora a hipótese 
seja de litisconsórcio necessário, somente a parte ré pode alegar, em sua contestação, 
a sua inobservância. 
c) Proceder ao juízo positivo de admissibilidade da demanda, incluindo ex officio na lide os 
litisconsortes faltantes, já que, sendo a hipótese de litisconsórcio necessário, torna-se 
admissível a chamada intervenção iussu iudicis. 
d) Determinar que o autor, em prazo a lhe ser assinado, requeira a citação dos litisconsortes 
faltantes, sob pena de extinção do feito sem resolução de mérito. 
e) Proferir, de imediato, sentença terminativa. 
 
8 – Discorra detalhadamente quais os requisitos autorizadores da citação por hora certa, 
como ela se desenvolverá, todas as exigências legais e, ainda, o que é necessário se o 
réu permanecer revel sem advogado. 
 
9 – Discorra sobre a intervenção do amicus curiae, abordando a forma de sua intervenção, 
se é cabível em qualquer processo, o seu fundamento constitucional e, ainda, a sua liber-
dade recursal. 
 
Gabarito das questões 
1 – D 2 – A 3 – D 4 – A 5 – B 6 – B 7 – D 
 
8 – A citação por hora certa é feita pelo oficial de justiça, e autorizada, segundo o art. 252 do 
CPC, quando por duas vezes o oficial de justiça houver procurado o citando em seu domicílio ou 
residência sem o encontrar, e com suspeita de ocultação. 
Essa forma de citação se desenvolve, de acordo com o disposto nos arts. 252, 253 e 254 do 
CPC, da seguinte maneira: o oficial de justiça intimará qualquer pessoa da família do citando, 
ou, em sua falta, qualquer vizinho de que, no dia útil imediato, voltará a fim de efetuar a citação, 
na hora que designar (nos condomínios, edifícios ou nos loteamentos com controle de acesso 
será válida a intimação feita a funcionário da portaria responsável pelo recebimento de corres-
pondência). 
No dia e hora designada pelo oficial de justiça, ele irá, independentemente de novo despacho, 
comparecer ao domicílio ou residência do citando a fim de realizar a diligência. Se o citando não 
estiver presente, o oficial de justiça procurará informar-se das razões da ausência, dando por 
feita a citação, ainda que o citando se tenha ocultado em outra comarca, seção ou subseção 
judiciárias. A citação com hora certa será efetivada mesmo que a pessoa da família ou o vizinho 
que houver sido intimado esteja ausente, ou se, embora presente, a pessoa da família ou o 
vizinho se recusar a receber o mandado. Da certidão da ocorrência, o oficial de justiça deixará 
contrafé com qualquer pessoa da família ou vizinho, conforme o caso, declarando-lhe o nome. 
As exigências legais estão todas previstas nos arts. 250 e 251 do CPC, como por exemplo, no 
mandado que o oficial de justiça tiver que cumprir, nele deverá conter, os nomes do autor e do 
citando e seus respectivos domicílios e residências, finalidade da citação, cópia da petição inicial, 
dentre outros requisitos. 
De acordo com o art. 72, II, CPC, se o réu permanece revel sem advogado, o juiz nomeará 
curador especial para o mesmo. O papel de curador especial será exercido pela Defensoria Pú-
blica, por ser uma hipótese de hipossuficiência jurídica (pelo fato do réu não ter como se defender 
no processo). 
 
9 – A intervenção do amicus curiae é aquela na qual um terceiro que possui conhecimento apro-
fundado sobre a matéria discutida na relação jurídica analisada em um processo participa do 
mesmo contribuindo através de sua manifestação acerca do tema tratado no processo. Essa 
forma de intervenção visa oferecer auxílio ao juiz para que profira uma decisão de forma mais 
justa, além de viabilizar uma participação de forma democrática para quem pode colaborar com 
o processo transmitindo seus conhecimentos. Amicus curiae é um termo que, traduzido significa 
“amigo da corte”. 
Embora já fosse previsto anteriormente, o amicus curiae adquiriu regulamentação própria com o 
advento do CPC/15. Segundo o CPC/15, qualquer pessoa pode ser amicus curiae, pois nos ter-
mos de seu art. 138, caput, qualquer pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada 
pode participar do processo, com representatividade adequada, no prazo de 15 dias de sua inti-
mação. 
O amicus curiae é cabível nos processos em que a relevância da matéria, a especificidade do 
tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia fazem jus à intervenção do 
amicus curiae. Quando uma dessas condições está presente, o juiz pode, por decisão irrecorrí-
vel, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda se manifestar, solicitar ou ad-
mitir a participação do amicus curiae, nos termos do art. 138, caput, CPC. 
A partir do mesmo dispositivo, temos que o amicus curiae pode participar de forma voluntária 
(quando o juiz admite sua participação) ou provocada (quando o juiz solicita sua participação). 
Quanto à sua capacidade recursal, o amicus curiae pode impetrar recursos, pois ao intervir, 
torna-se parte do processo. Tal fato o diferencia do perito, que participa do processo apenas 
expondo um parecer sobre o caso em questão, sem ser parte do processo e sem poder recorrer 
a qualquer decisão proferida. O amicus curiae, por sua vez, não apenas expõe sua manifestação, 
como também pode recorrer. 
Contudo, o CPC restringe a capacidade recursal do amicus curiae apenas às hipóteses de opo-
sição de embargos de declaração e da decisão do incidente de resolução de demandas repetiti-
vas, nos termos do art. 138, §§ 1° e 3°, CPC. O incidente de resolução de pessoas jurídicas é 
caracterizado por uma medida tomada pelo juiz de primeira instância para solucionar processos 
recorrentes que tratem, de forma repetitiva, da mesma causa. Como a decisão do juiz repercute 
em diversas causas, o amicus curiae pode ser chamado a participar do processo e impetrar 
recursos à decisão proferida. 
Os fundamentos constitucionais do amicus curiae são o princípio do contraditório e da ampla 
defesa, previstos no art. 5°, LV, CPC. 
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