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DOUTRINA
87R. Fórum Just. do Trabalho | Belo Horizonte, ano 39, n. 457, p. 87-100, janeiro 2022
O AUXÍLIO-DOENÇA NO DIREITO 
PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO
RÚBIA ZANOTELLI DE ALVARENGA
Doutora e Mestre em Direito do Trabalho pela PUC Minas. Professora I-nível A de Direito 
Previdenciário e de Direito Processual do Trabalho das Faculdades Integradas de Aracruz 
(FAACZ). Advogada.
MATHEUS GIACOMIN BROETTO
Graduado em Direito pelas Faculdades Integradas de Aracruz (FAACZ). Advogado. Pós-
graduando em Gestão de Pessoas: Carreiras, Liderança e Coaching pela PUCRS.
Resumo: O presente artigo visa examinar o benefício previdenciário auxílio-doença, por ser um 
benefício amplo que tem como função principal assegurar a todos os segurados que exercem 
atividade remunerada e que em determinado período de suas vidas se encontram incapazes, 
temporariamente, para o exercício laboral, necessitando de tempo para recuperação. Sendo 
extremamente relevante o estudo deste e a correta transmissão da existência e amplitude 
deste direito para a sociedade como um todo.
Palavras-chave: Auxílio-doença. Perícia médica. Reforma da previdência. Doença preexistente. 
Período de carência e de graça.
Sumário: Introdução – 1 Auxílio-doença: conceito e critérios para concessão – 2 Mudanças no 
auxílio-doença após a Reforma da Previdência – 3 O período de carência e o período de graça 
no auxílio-doença – 4 A doença preexistente – 5 Segurado que exerce mais de uma atividade 
abrangida pela Previdência Social – 6 Acumulação do auxílio-doença com outros benefícios – 
Conclusão – Referências
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RÚBIA ZANOTELLI DE ALVARENGA, MATHEUS GIACOMIN BROETTO
Introdução
Neste artigo, o tema tratado versa sobre um dos benefícios previden-
ciários mais requeridos pelos segurados, isso de acordo com a maioria dos 
boletins estáticos da previdência social, que muitas vezes representa mais 
de 40% dos benefícios mensais deferidos.
A busca por tal benefício é justificada pela destinação e sua forma 
de concessão, que é direcionado justamente àqueles que necessitam do 
afastamento de suas atividades laborais em decorrência de incapacidade 
temporária para o trabalho atual.
Este direito é garantido pela CF/88 em seu artigo 201, inciso I, tendo 
sido conquistado diante de todo o histórico repressivo anterior a esta épo-
ca, mais especificamente com legislação básica regulamentada pela Lei nº 
8.213/91 no art. 59.
O benefício é amplo e tem como função principal assegurar todos os 
segurados que exercem atividade remunerada e que em determinado período 
de suas vidas se encontram incapazes, temporariamente, para o exercício 
laboral, necessitando de tempo para recuperação. Sendo extremamente 
relevante o estudo deste e a correta transmissão da existência e amplitude 
deste direito para a sociedade como um todo.
Por isso se faz necessário tratar de maneira a atingir o máximo de 
leitores sobre a função do auxílio-doença, sua aplicabilidade, requisição e 
seu papel na sociedade como a garantia de emprego frente ao sistema de 
trabalho atual.
A proposta abordada será desenvolvida através da conceituação do 
instituto e dos critérios para sua concessão pelo INSS, tratando as diferen-
ças entre o auxílio-doença comum e o acidentário, o período de carência no 
auxílio-doença, a questão em relação às doenças preexistentes, o período 
de graça, o benefício para aqueles que exercem mais de uma atividade re-
munerada e as mudanças do benefício após a Reforma Previdenciária.
1 Auxílio-doença: conceito e critérios para concessão
Antes de ser discutido o cerne deste benefício, também é interessante 
ser registrado que o conhecido auxílio-doença possivelmente terá sua no-
menclatura alterada, isto porque a EC nº 103/2019 removeu a expressão 
“doença” do inciso I do art. 201 da CF/88 e atribuiu ao auxílio a necessidade 
do segurado apresentar incapacidade temporária ou permanente para sua 
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O AUXÍLIO-DOENÇA NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO
função, motivo pelo qual alguns doutrinadores acreditam que este passará 
a ser chamado de “auxílio-incapacidade”.
Ainda na questão de terminologia, mesmo que o auxílio-doença abranja 
tanto beneficiários que apresentam incapacidade temporária quanto perma-
nente (para a função habitual), o Decreto nº 10.410/2020 utilizou a expressão 
“auxílio por incapacidade temporária” no lugar do antigo “auxílio-doença” na 
tentativa de adequação à mudança trazida pela emenda já citada.
De qualquer forma, ainda que vivamos em um momento de transição de 
vocabulário em razão da Reforma Previdenciária, neste trabalho ainda será 
usado o termo antigo em razão do apelo cultural, histórico e transicional exis-
tente, citando o benefício durante todo o artigo pelo termo “auxílio-doença”.
Perpassada essa questão, frisa-se que, por mais que seja do conhe-
cimento de grande parte da população a finalidade do auxílio-doença e de 
sua natureza de benefício concedido pelo o INSS, faz-se mister desde o 
princípio citar seu conceito para podermos adentrar nas particularidades 
teóricas e práticas.
Assim, de acordo com Frederico Amado (2020):
Trata-se de benefício não programado devido ao segurado que 
ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade 
habitual por mais de 15 dias consecutivos, nos termos do artigo 
59 da Lei 8.213/91.
De maneira assertiva e sucinta é explicada pelo autor a real conceitua-
ção do benefício, de maneira correlata, podemos ainda nos apoiar em outras 
obras, que neste benefício em particular não apresentam tantas divergências 
na conceituação “pura”.
Logo, também podemos extrair dos ensinamentos de Fábio Ibrahim 
(2019):
O auxílio-doença é benefício não programado, decorrente da 
incapacidade temporária do segurado para o seu trabalho 
habitual. Porém, somente será devido, para empregados, se a 
incapacidade for superior a determinado lapso temporal, fixado 
em dias. O tema é tratado na Lei n º 8.213/1991, arts. 59 a 
63, e no RPS, arts. 71 a 80.
De igual forma, os autores extraem da normativa específica sobre o 
tema que o benefício em tela é decorrente de incapacidade temporária para 
o labor habitual, que logicamente não é programada, sendo que só é devido 
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se o lapso temporal da incapacidade for superior ao estabelecido em lei, 
sendo atualmente 15 dias consecutivos.
Entendendo a conceituação do benefício, devem ser vistos os requisitos 
para sua concessão, que conforme observado pelos autores citados, são 
divididos em duas exigências.
Em primeiro lugar, a própria incapacidade para o labor habitual, consi-
derando que a incapacidade poderia possuir sentido abstrato, a definição 
de incapacidade é demonstrada no próprio dispositivo legal, que toma como 
base entendimentos de órgãos da saúde.
Conforme explica Augusto Tsutiya (2007):
Incapacidade, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 
é qualquer redução ou falta (resultante de uma “deficiência” 
ou “disfunção”) da capacidade para realizar uma atividade de 
maneira considerada normal para o ser humano, ou que esteja 
no espectro considerado normal.
Sendo que esta incapacidade pode ser total ou parcial e temporária ou 
permanente para a função habitual.
Quanto à questão do tempo, a duração da incapacidade como um requi-
sito do auxílio-doença é aquela que impede o trabalhador segurado de realizar 
suas atividades profissionais ou habituais por mais de 15 dias consecutivos 
de maneira temporária ou que então o impossibilite permanentementepara 
sua última atividade, mas ainda exista a possibilidade de reabilitação para 
que exerça outras, não sendo o caso de incapacidade total e permanente 
para qualquer função.
Esclarecidas as condições iniciais e superficiais para a concessão do 
benefício tratado, não pode ser esquecido que o benefício em tela é mais 
complexo do que aparenta ser, apresentando especificidades que serão 
destrinchadas a seguir.
1.1 Auxílio-doença comum e auxílio-doença acidentário: 
diferenças
Importante salientar que o auxílio-doença possui duas subclassifica-
ções no rol de benefícios disponíveis do INSS, quais sejam o auxílio-doença 
comum e o acidentário.
Mesmo ambos tendo o mesmo valor de pagamento, 91% do salário de 
benefício (não podendo ser inferior ao salário mínimo), existem diferenças de 
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cunho prático desde o evento determinante até garantias quanto a sua finali-
dade, devendo ser requerido o benefício correto para cada tipo de situação.
Como evento determinante, a diferença primordial entre ambos os be-
nefícios é que enquanto o auxílio-doença comum é destinado a qualquer tipo 
de doença ou limitação temporária, o acidentário é originado de acidentes 
e doenças do trabalho e ou profissionais.
Conforme delimitado pelo professor Fábio Ibrahim (2019):
É ainda importante lembrar que o auxílio-doença pode ser de 
dois tipos: o comum ou acidentário. Este último é o derivado 
de acidentes do trabalho (incluindo doenças do trabalho ou 
profissionais).
As diferenças práticas na vida do contribuinte é que com caráter protetivo 
o auxílio-doença acidentário sempre dispensará carência; gerará estabilida-
de provisória ao empregado de 12 meses e por fim a empresa é obrigada a 
executar os depósitos relacionados ao FGTS neste período de afastamento, 
sendo tais direitos regulamentados respectivamente pelos arts. 26 e 118 
da Lei nº 8.213/91 e o art. 15 da Lei nº 8.036/1990.
Por fim, uma diferença processual é que o auxílio com causa originária 
comum tem como competência judicial a Justiça Federal, enquanto o aci-
dentário é julgado unicamente pelas Justiças estaduais, conforme leciona o 
art. 129, da Lei nº 8.213/91.
Neste ponto, necessária a crítica quanto à omissão da Reforma Previ-
denciária, que poderia ter alterado este dispositivo para trazer a competência 
de causas relativas a acidente de trabalho à Justiça Federal, que continuam 
aparatando os auxílios, causando prejuízo aos litigantes por não terem como 
litigar em justiça especializada.
1.2 Perícia médica
Como toda doença que gera incapacidade, é necessária a realização 
de perícia médica do INSS, agora em caráter presencial ou remoto, para que 
a autarquia possa conceder o benefício.
Conforme exposto pelo próprio manual técnico de perícia médica pre-
videnciária emitido pelo INSS, a perícia médica pode ser considerada como 
“ato privativo do médico investido em função que assegure a competência 
legal e administrativa do ato profissional, a fim de contribuir com autoridades 
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administrativas, policiais ou judiciárias na formação de juízos a que estão 
obrigados”.
O objetivo da perícia médica tem como finalidade a certificação por 
profissional competente e licenciado da existência da doença ou ocorrência 
do acidente que tenha gerado a incapacidade para a profissão.
Como a perícia tem função de avaliar o estado médico atual do segu-
rado, importante também que seja fornecido pelo próprio avaliado um rol de 
documentos, caso seja possível, dentre eles os principais são: a) atestado 
médico atual que descreve o quadro clínico, diagnóstico, tratamentos e his-
tórico médico, com assinatura, carimbo e endereço profissional do médico 
responsável; b) exames necessários para identificação da moléstia, seja 
físicos ou psíquicos; c) receitas que identifiquem uso de medicação; e d) 
ASO emitido pelo médico de trabalho.
Tendo sido identificada a incapacidade, o médico perito irá anexar ao 
processo Laudo Médico Pericial – LMP, peça médica legal básica do processo, 
com efeito fundamental na via administrativa decisiva para o interessado e 
para a própria autarquia.
Desta forma, o INSS concede ou não o benefício, estabelecendo prazo 
de duração do pagamento do benefício e ao final informando o agendamento 
de uma nova perícia em até seis meses caso necessário.
Destaca-se alteração importantíssima trazida pela implementação da 
Lei nº 14.131, promulgada principalmente em razão da pandemia do SARS-
-COV-2 (COVID-19), que foi a possibilidade da concessão do auxílio-doença 
de forma remota, permitindo a autorização ao INSS até 31 de dezembro de 
2021, a conceder o benefício mediante apresentação pelo requerente de 
atestado médico e de documentos complementares que comprovem a doença 
informada no atestado como causa da incapacidade.
Os requisitos para a apresentação e a forma de análise do atestado 
médico e dos documentos complementares foram estabelecidos em ato 
conjunto da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho e do INSS pela 
Portaria Conjunta nº 9.381/2020.
Sendo medida de caráter excepcional frente o estado pandêmico mun-
dial, a duração do benefício por incapacidade temporária dele resultante não 
terá duração superior a noventa dias.
Na data do requerimento é dada ciência ao requerente de que o bene-
fício concedido com base neste artigo não está sujeito a pedido de prorro-
gação e de que eventual necessidade de acréscimo ao período inicialmente 
concedido, ainda que inferior a 90 dias, estará sujeita a novo requerimento.
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1.3 Prazo e cessação do benefício
Conforme citado anteriormente, por ser um benefício temporário, o bene-
ficiário tem noção de que desde o início do benefício em algum momento este 
terá um término, sendo cessado pela recuperação, reabilitação ou pela entrada 
do beneficiário em outro benefício que tenha cunho de benefício permanente.
Todavia, atualmente não existe previsão legal de prazo máximo ao 
auxílio-doença, sendo responsabilidade do INSS com base no laudo médico 
pericial fixar um prazo no qual o segurado receberá o benefício.
Importante comentar que na situação em que o INSS, por omissão, 
não fixa prazo para a duração do auxílio-doença, será considerado o prazo 
geral fixado em lei, de 120 dias, mas somente para esta excepcionalidade.
Como existe um prazo fixado para cessação do benefício, o beneficiário 
deve se atentar para agendar e comparecer quando necessário a perícias 
de prorrogação do benefício; caso o beneficiário se recuse à revisão, existe 
pena de suspensão.
A cessação também pode vir através de quando é identificada em perícia 
médica a impossibilidade de recuperação ou reabilitação do beneficiário, vez 
que será cessado o benefício de auxílio-doença e este fará jus à conversão 
à aposentadoria por incapacidade permanente, na inteligência dos artigos 
62, da Lei nº 8.213/91; 78 e 79 do Decreto nº 3.048/99.
Conforme lecionam Carlos Castro e João Lazzari (2020):
O auxílio-doença cessa pela recuperação da capacidade para o 
trabalho, pela transformação em aposentadoria por invalidez ou 
auxílio-acidente de qualquer natureza, neste caso se resultar 
sequela que implique redução da capacidade para o trabalho 
que habitualmente exercia.
Logo, em regra, a cessação do benefício somente se dá quando o be-
neficiário está totalmente recuperado para a sua profissão habitual, quandoesteja totalmente habilitado para sua nova função que lhe seja passível de 
garantir sua subsistência ou então quando exista doença insuscetível de 
recuperação sendo o benefício convertido e, portanto, cessado.
2 Mudanças no auxílio-doença após a Reforma da 
Previdência
Ao contrário do esperado, mesmo com a Reforma da Previdência im-
plementada pela Emenda Constitucional nº 103/2019, não houve alteração 
de maneira intensiva neste benefício.
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Em teoria, a única mudança expressa pela reforma foi a alteração da 
nomenclatura da palavra “doença” por “incapacidade temporária”, excluída 
pela redação do art. 201, inciso I, da Constituição Federal e já explicada 
anteriormente.
Acontece que existe uma “alteração” valorosa que deve ser discutida 
com cautela, pois o art. 26 da EC nº 103/2019 determinou que a nova fór-
mula de cálculo dos salários benefícios terá como média aritmética simples o 
cálculo sobre 100% dos salários de contribuição desde 07/1994, enquanto 
anteriormente o cálculo seria apenas sobre os 80% maiores.
A alteração legal tem clara intenção de reduzir os valores dos benefí-
cios, entretanto o artigo iniciou uma discussão doutrinária e jurisprudencial 
sobre o tema, pois em momento algum a Emenda cita o auxílio-doença (com 
exceção da alteração da nomenclatura).
Existem duas correntes, quais sejam, a ampliativa e restritiva, a dife-
rença entre elas é que a ampliativa entende que, além do auxílio-doença, 
todos os benefícios previdenciários são afetados pelo cálculo de salário 
benefício de 100% da média dos salários de contribuição, que é fortalecido 
pelos arts. 35 e 39 da Portaria nº 450/2020.
Enquanto a corrente restritiva afirma que o artigo em questão trataria 
somente a prestações com regulamentação constitucional dos requisitos 
pela reforma, o que não seria o caso do auxílio-doença, não alterando a 
média aritmética anterior.
Retratado pelos ensinamentos de Frederico Amado (2020):
Isso porque o artigo 26, caput, da Emenda 103/2019 somente 
se aplica aos benefícios com regulamentação constitucional 
de requisitos enquanto não há lei de regulamentação (“até 
que lei discipline o cálculo dos benefícios do Regime Geral de 
Previdência Social”), o que não ocorre com o auxílio-doença, 
não regulado pela reforma constitucional.
A nosso ver, correto o entendimento da corrente restritiva, que não só 
busca o puro e simples benefício dos beneficiários deste benefício, mas 
se apoia nas bases constitucionais para a efetividade e validade das leis, 
analisando além da interpretação inicial do dispositivo legal.
3 O período de carência e o período de graça no 
auxílio-doença
Como a maioria dos benefícios da previdência, o auxílio-doença também 
exige tempo de carência mínimo para seu deferimento a fim de proteger a 
integridade financeira do sistema previdenciário.
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No caso do auxílio-doença, devem ser versadas no mínimo 12 contri-
buições mensais para ter direito à percepção do benefício, isto de acordo 
com o art. 25, I, da Lei nº 8.213/1991.
Atente-se que a carência de 12 contribuições é relacionada a partir da 
primeira obtenção da qualidade de segurado perante o RGPS. Caso o indi-
víduo perca esta qualidade e volte a contribuir, deverá ser preenchido novo 
período de carência para eventual obtenção do benefício, sendo metade da 
carência original.
Esta questão foi inicialmente regulamentada pela Lei nº 13.457/2017, 
que incluiu o art. 27-A na LBPS, estipulando que, perdida a qualidade de 
segurado, o benefício somente estará disponível caso seja cumprido nova-
mente período de carência reduzido pela metade, 6 meses de contribuição 
(a norma foi mantida pela Reforma Previdenciária).
Contudo, deve ser observado o artigo 151 da Lei nº 8.213/91, com 
redação dada pela Lei nº 13.135/2015, com o rol de doenças que dispen-
sam carência para sua concessão.
São as doenças listadas no art. 151 da referida lei: tuberculose ativa, 
hanseníase, alienação mental, esclerose múltipla, hepatopatia grave, neo-
plasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia 
grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia gra-
ve, estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da 
deficiência imunológica adquirida (aids) ou contaminação por radiação, com 
base em conclusão da medicina especializada e a novidade da inclusão da 
esclerose múltipla.
Por fim, conforme já explicado, também não existe carência para o au-
xílio-doença de natureza acidentária, que tem como fato originário qualquer 
invalidez decorrente de qualquer acidente de qualquer natureza profissional 
ou do trabalho.
Quanto ao período de graça, o auxílio-doença é enquadrado na regra 
geral, sendo que, por 12 meses após a cessação das contribuições, o segu-
rado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência 
Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração está abrangido 
pelo benefício do auxílio-doença.
Claro que deve ser lembrado que o auxílio será acrescido de 12 meses 
para o segurado desempregado, desde que comprovada essa situação pelo 
registro no órgão próprio do Ministério do Trabalho e da Previdência Social.
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4 A doença preexistente
Assunto imprescindível de ser tratado no que tange a este benefício é 
sobre a doença preexistente e como ela é tratada pela legislação e jurispru-
dência previdenciárias.
Doenças ou lesões preexistentes são aquelas que o beneficiário ou 
seu representante legal saiba ser portador ou sofredor antes do ingresso no 
RGPS, devendo causar a incapacidade total ou parcial desde então.
Isto porque o que importa é o momento de ingresso no RGPS, mesmo 
que o segurado já esteja diagnosticado com doença incapacitante, como 
por exemplo a doença de Parkinson. Se no momento da filiação esta ainda 
não gera incapacidade, o instituto da doença preexistente não pode atingi-lo.
Logo, mantenha-se em mente a seguinte relação: doença preexistente 
não significa incapacidade preexistente.
Conforme descreve Marisa Santos (2020):
Doenças ou lesões preexistentes: são as que já acometiam 
o segurado antes de ingressar no RGPS. A preexistência da 
doença ou da lesão tira do segurado a cobertura incapacidade 
permanente, é a regra. Entretanto, há situações em que o 
segurado ingressa no RGPS já portador da doença, por vezes 
assintomática; contribui para o custeio e só depois de algum 
tempo é que surge a incapacidade, em razão da progressão ou 
agravamento da doença ou lesão. [...] O parágrafo único do art. 
59 traz disposição sobre as doenças ou lesões preexistentes: 
Art. 59. (...) § 1º. Não será devido o auxílio-doença ao segurado 
que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador 
da doença ou da lesão invocada como causa para o benefício, 
exceto quando a incapacidade sobrevier por motivo de progres-
são ou agravamento da doença ou da lesão (redação dada pela 
MP n. 871/2019, convertida na Lei n. 13.846/2019).
Na verdade, a questão vai além, a preexistência da incapacidade é em-
pecilho inclusive para aqueles que em algum momento deixaram de contri-
buir e perderam a qualidade de segurado. Caso a doença se dê nesse lapso 
temporal e o retorno da qualidade de segurado venha após a incapacidade 
existente, o benefício será indeferido.
O entendimento a respeito do indeferimento ao benefícionestes casos 
é pacificado inclusive pela TNU na Súmula 53 dos Juizados Especiais Fede-
rais, que concluem que:
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O AUXÍLIO-DOENÇA NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO
Não há direito a auxílio-doença ou a aposentadoria por invali-
dez quando a incapacidade para o trabalho é preexistente ao 
reingresso do segurado no Regime Geral de Previdência Social.
Logo, conclui-se que o benefício é devido somente para aquele que, no 
momento da obtenção da qualidade de segurado, esteja plenamente apto 
para o trabalho habitual, independentemente de ser portador de doenças 
que podem se tornar incapacitantes no futuro.
5 Segurado que exerce mais de uma atividade 
abrangida pela Previdência Social
Também é relevante mencionar a respeito dos segurados que exercem 
mais de uma atividade abrangida pela Previdência Social, que no momento 
da incapacidade e requerimento do benefício recebem apenas um valor do 
instituto.
Isto é definido de acordo com o artigo 312, da Instrução Normativa do 
INSS nº 77/2015, que esclarece sobre o segurado que exerce mais de uma 
atividade abrangida pela Previdência Social. Estando incapacitado para uma 
ou mais atividades, inclusive em decorrência de acidente do trabalho, será 
concedido um único benefício.
E mesmo que a incapacidade exista apenas para um de seus vínculos, 
o auxílio será devido, sendo que o direito ao benefício deverá ser analisado 
com relação somente a essa atividade, deve a perícia médica ser conhece-
dora de todas as atividades que o segurado estiver exercendo, conforme o 
§1º do art. 312 da IN nº 77/2015 do INSS.
No caso em tela, o benefício será concedido somente para aquela que 
o segurado apresentar a incapacidade, considerando a carência necessária 
apenas sobre as contribuições relativas a essa atividade, limita o art. 73 
do Decreto nº 3.048/99.
E ainda mais, caso o beneficiário fique incapacitado permanente apenas 
para uma de suas funções, o §4º do art. 312 da IN nº 77/2015 do INSS 
determina que deverá o auxílio-doença ser mantido indefinidamente, não 
cabendo sua transformação em aposentadoria por invalidez enquanto essa 
incapacidade não se estender às demais atividades.
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6 Acumulação do auxílio-doença com outros benefícios
Por fim, faz-se mister discorrer a respeito da possibilidade de cumulação 
do auxílio-doença com outros benefícios do RGPS, já que a Lei nº 8.213/91 
e outros dispositivos legais criam várias vedações sobre a acumulação de 
benefícios.
Desta forma, de maneira breve serão expostas apenas as vedações 
quanto às cumulações do auxílio-doença como forma de conhecimento prá-
tico aos segurados que almejarem requerer outros pedidos na autarquia.
Pela LBPS o auxílio-doença não pode ser acumulado com outra apo-
sentadoria ou com o salário-maternidade (art. 124), também é vedado 
auxílio-doença com auxílio-acidente se decorrentes do mesmo fato gerador 
(art. 86, §2º) e auxílio-doença de segurado recluso com auxílio-reclusão dos 
dependentes (art. 80).
Sendo que a Instrução Normativa INSS PRES nº 45/2010 também veda 
a cumulação do auxílio-doença com o auxílio suplementar do art. 421, XVII, 
e a percepção de mais de um auxílio-doença (art. 282).
Conclusão
Com a análise do tema em questão, podemos concluir que o auxí-
lio-doença é benefício constitucional garantido pela CF/88 em seu artigo 
201, inciso I, tendo sido conquistado diante de todo o histórico repressivo 
anterior à época, regulamentado diretamente pela Lei nº 8.213/91, no art. 
59 e seguintes.
É benefício não programado devido ao segurado que ficar incapacitado 
para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 dias 
consecutivos. Benefício amplo, tem como função principal assegurar a todos 
os segurados que exercem atividade remunerada o afastamento remunerado 
em casos de incapacidade temporária para o labor, necessitando de tempo 
para recuperação.
Sem prazo limite para seu vigor, entende-se que ele é benefício que 
não pode durar para toda a vida, pois a temporariedade faz parte de seu 
cerne, cessando quando o autor se encontra recuperado para sua função 
ou então é reabilitado, podendo também ser convertido em aposentadoria 
por incapacidade permanente.
Para conseguir gozar do benefício, deve ser preenchida a carência de 
12 contribuições mensais na primeira obtenção da qualidade de segurado 
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O AUXÍLIO-DOENÇA NO DIREITO PREVIDENCIÁRIO BRASILEIRO
perante o RGPS; caso o indivíduo perca esta qualidade e volte após algum 
tempo a contribuir, deverá ser preenchido novo período de carência para 
eventual obtenção do benefício (a metade, 6 meses).
Já o período de graça aplicado em regra para o benefício também é de 
12 meses a partir da data em que findaram as contribuições computadas 
pela autarquia.
Mesmo cumprindo o período de carência, não poderão gozar do benefício 
aqueles que adentraram no sistema do RGPS com incapacidade preexistente 
à qualidade de segurado.
Deve ser relembrado que a Reforma Previdenciária em pouco alterou as 
regras do auxílio-doença. A única mudança expressa pela Reforma foi a alte-
ração da nomenclatura da palavra “doença” por “incapacidade temporária”.
Por fim, é curial o papel humano do benefício em questão, que dignifica 
a saúde humana para a correta prestação laboral e que possibilita uma so-
ciedade mais justa tanto para os mais desafortunados quanto para aqueles 
que seriam diretamente afetados pela incapacidade temporária do indivíduo.
Abstract: This article aims to examine the sick pay social security benefit, as it is a broad benefit 
whose main function is to ensure all insured persons who exercise paid work and who in a 
certain period of their lives are temporarily unable to exercise labor, requiring time for recovery. 
The study of this and the correct transmission of the existence and scope of this right to society 
as a whole is extremely relevant.
Keywords: Sickness allowance. Medical expertise. Social Security Reform. Pre-existing disease. 
Grace period and grace period.
Referências
AMADO, Frederico. Curso de direito e processo previdenciário. Salvador: Juspodivm, 
2021.
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Saraiva, 2007.
CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; Lazzari, João Batista. Manual de Direito 
Previdenciário. 23. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020.
SANTOS, Marisa Ferreira dos. Direito previdenciário esquematizado. 10. ed. São 
Paulo: Saraiva Educação, 2020.
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Informação bibliográfica deste texto, conforme a NBR 6023:2018 da 
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT):
ALVARENGA, Rúbia Zanotelli de; BROETTO, Matheus Giacomin. O auxílio-
doença no Direito Previdenciário brasileiro. Revista Fórum Justiça do 
Trabalho, Belo Horizonte, ano 39, n. 457, p. 87-100, jan. 2022.
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