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� SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… SITUAÇÃO PROBLEMA Eloá, 81 anos, nos últimos três anos não têm acompanhado sua irmã Elvira nas caminhadas diárias, não tem ajudado na limpeza da casa e nem tem ido aos Bailes da Saudade que tanto gostava, pois, não consegue mais dançar sem sentir muitas dores nos joelhos. Nos últimos meses ela parou até mesmo de costurar, seus dedos das mãos estão muito doloridos. Ela faz tratamento para osteoartrite com anti-inflamatórios não esteroidais e realiza densitometria óssea a cada dois anos. No início da semana, Eloá resolveu acompanhar Elvira na caminhada matutina e acabou caindo na rua. Ela foi levada para o hospital e foi constatado um corte profundo no rosto, fratura no braço e algumas escoriações pelo corpo. Eloá foi encaminhada para cirurgia ortopédica corretiva e a avaliação laboratorial pré-operatória mostrou os seguintes resultados: Ureia sérica: 75mg/dL (valor de referência normal: 1640 mg/dL Creatinina sérica: 2,3mg/dL (valor de referência: 0,6 1,2mg/dL Sódio: 139mmol/L 135145mmol/L Potássio: 5,2mmol/L 3,5 5,5mmol/L Eloá foi submetida a uma cirurgia programada. Teve todos os cuidados no pós-operatório e o médico afirmou que ela vai precisar de fisioterapia e fortalecimento para voltar a ter movimentos no braço e para ir aos bailes com tranquilidade. Para isso lhe passou uns cinco medicamentos. Em decisão conjunta com sua irmã, resolveu que ao sair do hospital vai viver numa instituição de longa permanência ILP para idosos. Problemas e hipóteses Problemas: Eloá estava com dores nos joelhos e dedos da mão Faz tratamento para osteoartrite com anti-inflamatórios não esteroidais Realiza densitometria óssea a cada dois anos Na caminhada matutina caiu na rua e teve corte profundo no rosto, fratura no braço e escoriações pelo corpo SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 1 Eloá foi encaminhada para cirurgia ortopédica corretiva Eloá necessita de fisioterapia e fortalecimento para voltar aos movimentos normais do braço Hipóteses: Exames alterados devido aos problemas ósseos que já apresenta O tratamento já utilizado está sendo ineficaz Eloá estava com os sintomas pois não realizou a profilaxia adequada anteriormente Está com fraqueza óssea, e isso acarretou em uma fratura maior no braço. QUESTÃO DE APRENDIZAGEM Conceito: Exames: Colesterol sérico e glicemia em jejum O exame de colesterol total serve para mostrar os níveis de colesterol no organismo do paciente a partir de uma amostra de sangue. Na maioria dos casos, é um exame de rotina, realizado para checar a saúde do indivíduo e rastrear de forma precoce possíveis doenças do coração. O colesterol total é a soma das frações HDL, LDL e VLDL, sendo considerado alto quando seus níveis estão acima de 190 mg/dL, o que é verificado por meio do exame de sangue. Colesterol na SP 300 mg/dL O estado de normalidade da glicemia em jejum é de 70 mg/dl a 100 mg/ld. Uma pessoa é classificada como pré-diabética ao medir a sua glicemia em jejum e atingir entre 100 e 125 mg/dl. Já aqueles que atingem a partir de 126 mg/dl são considerados diabéticos. Glicemia na SP 120 mg/dL Quais os problemas osteoarticulares relacionados à senescência? Osso SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 2 Duas primeiras décadas de vida há um incremento de progressivo de massa óssea Pico de massa óssea aos 25 anos, com progressivo aumento da reabsorção óssea A cada 7 ou 10 anos há uma renovação de todo esqueleto ósseo Freio estrogênico dos osteoclastos o que implica em menor formação óssea Alteração nos níveis hormonais e um predomínio do paratormônio Hipovitaminose D (produção endógena da pele sob exposição solar em condições normais) Pele envelhecida possui menor capacidade de produção de vitamina D (cerca de 25% diante de exposição solar idêntica a de um jovem 80% Menor capacidade renal para formação do calcitriol Maior dependência de fontes alimentares de vitamina D A vitamina D também possui a função de absorção de cálcio no intestino. Assim, com a diminuição da disponibilidade da vitamina D com o envelhecimento, devido a baixa exposição ao sol e diminuição da atividade hepática e renal, órgãos responsáveis pela oxidação da vitamina D no corpo, ocorre a diminuição dos níveis plasmáticos de cálcio. A diminuição dos níveis plasmáticos de cálcio sensibiliza as glândulas paratireoides à produção do PTH Paratormônio). Esse hormônio possui função de aumentar os níveis séricos de cálcio, pois o cálcio é fundamental em diversos processos fisiológicos do corpo. Nesse contexto, o PTH aumenta a atividade osteoclástica, que acarreta em maior desmineralização da matriz SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 3 óssea, liberando o cálcio armazenado no osso para aumentar os níveis de cálcio no sangue. Cartilagem Articular A cartilagem articular CA, produto de secreção dos condrócitos, é formada por matriz de colágeno tipo II altamente hidratada, conjuntamente com agregados de proteoglicanos (macromoléculas organizadas em uma complexa estrutura aniônica que atua como uma verdadeira mola biológica). A composição e a organização estrutural entre colágeno e proteoglicanos são os responsáveis pelas características de resistência, elasticidade e compressibilidade da CA. Amortece e dissipa forças e reduz fricção. O principal tipo de proteoglicano presente na CA é o agrecano, constituído por um núcleo proteico ao qual se aderem muitas cadeias de sulfato de condroitina. O envelhecimento cartilaginoso traz: menor poder de agregação dos proteoglicanos; menor resistência mecânica da cartilagem; colágeno com menor hidratação, maior resistência à colagenase e maior afinidade pelo cálcio. No envelhecimento cartilaginoso a rede colágena torna-se cada vez mais rígida, isso acontece pois: Apresentar elevados níveis de pentosidina, que é um dos produtos de glicação AGES inglês - conjunto de moléculas capazes de modificar, irreversivelmente, propriedades químicas e funcionais de estruturas biológicas. - a taxa da síntese dos proteoglicanos é inversamente proporcional ao grau de SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 4 glicação Diminuindo a capacidade de síntese cartilaginosa. Os condrócitos sofrem a ação reguladora de mediadores: - pré-catabólicos (metaloproteases e citocinas que promovem a degradação cartilaginosa); - pró-anabólicos (fatores de crescimento que ativam mecanismos de regeneração). Os condrócitos de idosos têm menor capacidade de proliferação e possibilidade reduzida de formar tecido novo. Agentes da degradação cartilaginosa: - metaloproteases, interleucina-1, interleucina-6 e do TNFα. Fatores anabólicos: IGF1 (insulin-like growth factor-1 TGFβ (transforming growth factor-β) - síntese de proteoglicanos. Músculo Com o envelhecimento, há uma diminuição lenta e progressiva da massa muscular, sendo o tecido nobre paulatinamente substituído por colágeno e gordura. A força de quadríceps aumenta progressivamente até os 30 anos, começa a declinar após os 50 anos e diminui acentuadamente após os 70 anos. Dados longitudinais indicam que a força muscular diminui 15% por década até a 6a ou a 7a década e aproximadamente 30% após esse período. Sarcopenia, termo que denota o complexo processo do envelhecimento muscular associado a diminuições da massa, da força e da velocidade de contração muscular. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 5 A etiologia da sarcopenia é multifatorial, envolvendo alterações no metabolismo do músculo, alterações endócrinas e fatores nutricionais, mitocondriais e genéticos. Recentemente demonstrou-se em camundongos que a sarcopenia está associada a mitocôndrias morfologicamente alteradas e disfuncionais decorrentes de uma reduzida mitofagia. Tais resultados, além de acrescentar subsídios à teoria mitocondrial-lisossomal do envelhecimentodos tecidos pós-mitóticos de longa vida, corroboram as duas principais estratégias não farmacológicas (restrição calórica e treinamento muscular, ambas condições que sabidamente melhoram a função mitocondrial) para minorar a sarcopenia. O grau de sarcopenia não é o mesmo para diferentes músculos e varia amplamente entre os indivíduos. O mais significativo é saber que o declínio muscular idade relacionada é mais evidente nos membros inferiores do que nos superiores, haja vista a importância daqueles para o equilíbrio, a ortostase e a marcha dos idosos. Estima-se que, após os 60 anos, a prevalência da sarcopenia seja da ordem de 30%, aumentando progressivamente com o envelhecimento. A partir dos 75 anos, o grau de sarcopenia é um dos indicadores da chance de sobrevivência do indivíduo Quais as patologias osteoarticulares mais comuns em idosos? (desmineralização óssea, fisiopatologias, epidemiologias) Osteoartrite SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 6 💡 Fisiopatologia: Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da osteoartrite, incluindo: Envelhecimento: A cartilagem naturalmente se deteriora com o tempo. Genética: Pessoas com histórico familiar de osteoartrite têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Sobrepeso e obesidade: O excesso de peso coloca maior pressão nas articulações, acelerando o desgaste da cartilagem. Traumas: Lesões nas articulações podem aumentar o risco de desenvolver osteoartrite. Fatores ocupacionais: Atividades repetitivas que sobrecarregam as articulações podem contribuir para a doença. Deformidades ósseas: Alterações na estrutura óssea podem levar à distribuição desigual de peso nas articulações, aumentando o risco de osteoartrite. Epidemiologia: A osteoartrite é extremamente comum em pessoas com mais de 65 anos, afetando cerca de 30% dessa faixa etária. A prevalência da doença aumenta com a idade, sendo mais frequente em mulheres do que em homens. A osteoartrite OA, no passado conhecida como osteoartrose, é uma doença altamente prevalente principalmente na população acima dos 60 anos, e que leva a alterações na funcionalidade (ligadas à realização das atividades de vida diária) dos indivíduos que por ela são acometidos. Antes se acreditava tratar-se de uma doença progressiva, de evolução arrastada, sem perspectivas de tratamento. Hoje, a OA é considerada como insuficiência da articulação, com o comprometimento de todas as estruturas que a formam. Além SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 7 disso, é encarada como uma doença na qual é possível modificar o seu curso evolutivo, tanto em relação ao tratamento imediato quanto ao seu prognóstico. Em relação aos aspectos epidemiológicos, acredita-se que cerca de 85% da população geral apresenta evidências radiográficas de OA por volta dos 65 anos de idade. Distribui-se igualmente entre homens e mulheres, quando todas as idades são analisadas. No entanto, quando analisamos os grupos de idade superior aos 55 anos, as mulheres são mais afetadas e parecem desenvolver uma doença mais grave, provavelmente associada aos hábitos corporais ou mesmo à predisposição genética. fatores: - idade, predisposição genética (principalmente a das articulações interfalangeanas distais), traumas, estresse repetitivo, algumas ocupações obesidade, alterações na morfologia da articulação, instabilidade articular e alterações na bioquímica da cartilagem articular. - articulações que tenham sofrido traumas prévios, como fraturas, ruptura de ligamentos e alterações traumáticas de meniscos, também estão mais sujeitas a apresentarem OA em idades mais avançadas. Além disso, articulações expostas a traumas repetitivos ocupacionais, como aquelas das bailarinas ou dos atletas profissionais, também estão associadas com maior frequência de OA. A obesidade vem ganhando maior destaque entre os fatores desencadeantes da enfermidade. O excesso de peso no desenvolvimento da OA de joelhos já é bem conhecido. Em relação à enfermidade no quadril, SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 8 também já se demonstrou associação positiva com sobrepeso - mecanismo: aumento da força sobre as articulações e a fatores sistêmicos presentes na circulação de pessoas obesas chamadas adipocinas. Qualquer alteração da conformação normal da articulação, ou a instabilidade articular, pode aumentar o risco de surgimento de OA na articulação afetada, incluindo artropatias inflamatórias (artrite reumatoide, gota, pseudogota), diátese hemorrágica (hemofilia), condições metabólicas que afetam as articulações (hemocromatose, ocronose), necrose asséptica com alteração do contorno ósseo, distúrbios neurológicos associados a sensação alterada e propriocepção ao redor da articulação A patogenia da OA envolve os processos de destruição e reparação da cartilagem, sendo a remodelação um processo contínuo na cartilagem normal. Os elementos da matriz são constantemente degradados por enzimas autolíticas e repostas por novas moléculas pelos condrócitos. Na OA este processo é alterado; consequentemente, há um desequilíbrio entre a formação e a destruição da matriz, com um aumento desta última. Quando fatores mecânicos, induzindo o aumento da expressão de citocinas inflamatórias, e biológicos atuam rompendo este equilíbrio, com predomínio da destruição, surge então a OA. Por isso ela é considerada como resultante da quebra desse equilíbrio. O processo pode ser iniciado por uma série de eventos que levam SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 9 à alteração da função do condrócito, com fortes evidências de que os estímulos aos condrócitos seriam ocasionados por citocinas pró- inflamatórias, especialmente a IL1β e o TNFα, dentre outros elementos pró- inflamatórios, e que, por meio de diferentes vias de sinalização intracelular, provocariam ativação de diferentes genes, de maneira errática e por mecanismos epigenéticos complexos. Com isso, os condrócitos liberam enzimas proteolíticas (proteinases neutras, catepsina e metaloproteinases), que degradam os elementos da matriz cartilaginosa, levando a um adelgaçamento da cartilagem e a uma deterioração da sua qualidade mecânica. A perda da força de tensão para suportar cargas leva à transmissão de uma força maior aos condrócitos e ao osso subcondral. Os condrócitos sob ação dessas forças liberam mais enzimas proteolíticas. O osso subcondral desenvolve microfraturas, causando endurecimento e perda da reversibilidade à compressão. Alguns produtos resultantes da quebra da cartilagem e do proteoglicanos podem estimular a resposta inflamatória, perpetuando o ciclo destrutivo. Quadro clínico A OA apresenta início insidioso, lento e gradualmente progressivo ao longo de vários anos, principalmente nas articulações de carga, na coluna e nas mãos. Os pacientes descrevem uma dor mecânica nas SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 10 articulações envolvidas, isto é, a dor aparece quando se movimenta a articulação, desaparecendo ao repouso. Nos pacientes com queixa há mais tempo, nem no repouso. A dor diferencia as queixas da OA daquelas apresentadas pelos pacientes com artrite reumatoide AR, em que a dor frequentemente melhora com a movimentação articular. Nos casos clássicos de OA, os pacientes queixam-se apenas de dor, sem relato de edema, eritema ou aumento da temperatura articular. Podem apresentar: alargamento ósseo e diminuição dos movimentos articulares, rigidez matinal, crepitações e estalidos durante a movimentação. Diagnóstico Exames laboratoriais geralmente são de pouca utilidade A solicitação de “perfil reumatológicoˮ não é indicada. Investigação radiológica é fundamental não só no diagnósticoda OA, mas também na avaliação do grau de comprometimento articular. Os principais achados radiológicos incluem diminuição do espaço articular, esclerose do osso subcondral, cistos subcondrais e osteófitos. Tratamento A OA é uma doença crônica, com múltiplos fatores envolvidos na sua patogenia; por essa razão, o seu tratamento deve ser multidisciplinar e buscar não só a melhora clínica, mas também a mecânica e funcional. A Sociedade Brasileira de Reumatologia propôs o Consenso Brasileiro de SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 11 Tratamento da Osteoartrite, em que o tratamento é analisado sob três diferentes aspectos: não farmacológico, farmacológico e cirúrgico. ● Não farmacológico: atividades esportivas moderadas com monitoramento profissional adequado e orientações quanto à ergonomia ocupacional e doméstica; exercícios terapêuticos (fisioterapia), com destaque para os exercícios de reforço muscular, a melhora do condicionamento físico global, o uso de órteses e equipamentos de auxílio à marcha; termo e a eletroterapia analgésicas Famarcológico: - O uso de analgésicos, como o paracetamol em doses efetivas 3 a 4 g/dia) nos casos de OA leve ou moderada iniciais, está indicado como primeira escolha no tratamento da OA. Deve-se, no entanto, verificar se o paciente não apresenta hepatopatia; Estes, tanto os inibidores seletivos de COX2 quanto os não seletivos acompanhados de proteção gástrica, são indicados nos casos em que há inflamação clínica evidente, ou nos que não apresentaram resposta aos analgésicos. Nos casos de dor intensa ou de má resposta, ou ainda de contraindicação aos AINE, o uso de opioides naturais ou sintéticos torna-se uma alternativa. AINE e capsaicina podem ser utilizados topicamente, principalmente em OA de mãos. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 12 - sulfato de glucosamina e sulfato de condroitina - sulfato de condroitina - hidroxicloroquina - uso intraarticular de derivados do ácido hialurônico está indicado em OA dos joelhos graus II e III A infiltração com corticosteroide, particularmente com a triancinolona O fator determinante da osteoartrite é a quebra da homeostase entre degradação e reparação da cartilagem (mecanismo fisiológico), o que pode levar a insuficiência da cartilagem. A degradação da cartilagem ocorre pelo aumento de citocinas inflamatórias como IL 1e TNFα. Essas citocinas são responsáveis pela quebra de proteoglicanos e colágeno pelos condrócitos. Os condrócitos são células do tecido cartilaginoso, produzem colágenos e proteoglicanos, que são substâncias responsáveis pelo crescimento do tecido cartilaginoso. Assim, com a degradação da cartilagem devido as citocinas inflamatórias, acontece outras alterações nas articulações. É possível citar: Inflamação membrana sinovial, que causa edema na região da articulação; Estreitamento da fenda SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 13 articular, o que aumenta o atrito entre os ossos; Formação de esporos ósseos: o dano nos ossos devido o atrito promove um depósito de cálcio no local para remodelar a área danificada. Essa remodelação cria anormalidades ósseas, os esporos ósseos, que podem comprimir nervos próximos, criando condições dolorosas e frequentemente debilitantes artrite reumatoide A artrite reumatoide AR é uma doença autoimune crônica que causa inflamação nas articulações, principalmente nas mãos, pés, punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos. Essa inflamação pode levar a dor, rigidez, inchaço, vermelhidão e deformidade articular, além de fadiga e perda de função. Embora a AR possa afetar pessoas de qualquer idade, ela é mais comum em adultos com mais de 65 anos. Na verdade, estima-se que a AR seja a doença autoimune mais comum entre os idosos. Desvendando a Fisiopatologia da AR Na AR, o sistema imunológico ataca erroneamente as células saudáveis das articulações, causando inflamação e danos à cartilagem, membrana sinovial e ossos. Essa inflamação crônica pode levar à erosão das articulações, deformidade e perda de função. Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da AR, incluindo: Genética: Pessoas com histórico familiar de AR têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Fatores hormonais: As mulheres são mais propensas à AR do que os homens, possivelmente devido a diferenças hormonais. Fatores ambientais: Fumar, exposição a certos vírus e bactérias e poluição do ar podem aumentar o risco de AR. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 14 Sintomas da AR em Idosos: Os sintomas da AR podem variar de pessoa para pessoa e podem incluir: Dor nas articulações: A dor é geralmente o sintoma mais comum da AR e pode ser constante ou intermitente, piorando pela manhã e após períodos de inatividade. Rigidez articular: A rigidez nas articulações é frequente na AR, especialmente pela manhã ou após períodos de inatividade. A rigidez pode durar por 30 minutos ou mais. Inchaço articular: As articulações afetadas pela AR podem ficar inchadas, quentes e avermelhadas. Fadiga: A fadiga é um sintoma comum da AR e pode ser grave o suficiente para interferir nas atividades diárias. Perda de função: A AR pode levar à perda de função nas articulações afetadas, dificultando a realização de tarefas diárias como se vestir, comer e se locomover. Impacto da AR na Vida de Idosos: A AR pode ter um impacto significativo na vida dos idosos, afetando sua qualidade de vida, mobilidade e independência. A doença pode dificultar a realização de atividades diárias, hobbies e trabalho. Além disso, a dor crônica e a fadiga associadas à AR podem levar ao isolamento social e à depressão. Tratamento da AR em Idosos: O tratamento da AR visa reduzir a inflamação, aliviar a dor e melhorar a função articular. As opções de tratamento podem incluir: Medicamentos: Diversos medicamentos podem ser utilizados para tratar a AR, incluindo anti-inflamatórios não esteroides AINEs), medicamentos modificadores da doença reumática DMTRs) e corticosteroides. Fisioterapia: A fisioterapia pode ajudar a melhorar a flexibilidade, força e amplitude de movimento das articulações afetadas pela AR. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 15 Terapia ocupacional: A terapia ocupacional pode ensinar os idosos com AR como realizar suas atividades diárias de forma mais fácil e segura. Cirurgia: Em casos graves, a cirurgia pode ser necessária para reparar as articulações danificadas pela AR. Gerenciando a AR no Dia a Dia: Além do tratamento médico, os idosos com AR podem tomar medidas para gerenciar sua doença no dia a dia, incluindo: Manter um peso saudável: O excesso de peso pode colocar maior pressão nas articulações afetadas pela AR. Praticar exercícios regularmente: A atividade física regular pode ajudar a melhorar a flexibilidade, força e amplitude de movimento das articulações. Aplicar calor ou gelo nas articulações afetadas: O calor pode ajudar a aliviar a dor e a rigidez, enquanto o gelo pode reduzir a inflamação. Usar órteses ou talas: Órteses e talas podem ajudar a apoiar e proteger as articulações afetadas pela AR. Parar de fumar: Fumar pode piorar os sintomas da AR e aumentar o risco de danos articulares. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 16 gota Artrite gotosa Fisiopatologia da gota Quanto maior o grau e a duração da hiperuricemia, maior a probabilidade de que a gota se desenvolva. Os níveis de urato podem estar elevados por Redução da excreção renal (mais comum) ou gastrointestinal Produção aumentada (raro) Aumento da ingestão de purina (geralmente em combinação com redução da excreção) Não se sabe por que somente algumas pessoas com elevado nível de ácido úrico desenvolvem gota. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 17 A excreção renal diminuída é, de longe, a causa mais comum de hiperuricemia. Pode ser hereditária (p. ex., devido a variações na eficiência do transportador de ácido úrico) e também ocorrer em pacientes que tomamdiuréticos e naqueles com doenças que diminuem a taxa de filtração glomerular TFG. O etanol aumenta o catabolismo hepático de purina e a formação de ácido láctico, o que bloqueia a secreção de urato pelos túbulos renais; o etanol também estimula a síntese hepática de ácido úrico. Envenenamento por chumbo e ciclosporina, geralmente nas doses mais altas administradas a pacientes transplantados, altera a função dos túbulos renais, levando à retenção de urato. O aumento da produção de urato pode ser causado pelo aumento da nucleoproteína em condições hematológicas (p. ex., linfomas, leucemia, anemia hemolítica) e em condições com taxas elevadas de proliferação e morte celular (p. ex., psoríase, terapia citotóxica do câncer, terapia de radiação). O aumento da produção do ácido úrico também pode ocorrer como anomalia hereditária primária e na obesidade, uma vez que a produção de urato se correlaciona com a área de superfície corporal. Na maioria dos casos, a causa da produção excessiva de urato é desconhecida, mas raramente pode ser atribuível a anormalidades enzimáticas, sendo a deficiência de hipoxantina-guanina fosforribosiltransferase (a deficiência completa é a síndrome de Lesch-Nyhan) uma possível causa, bem como a hiperatividade da fosforribosilpirofosfato sintetase. O aumento de consumo de alimentos ricos em purina (p. ex., fígado, rins, anchovas, aspargos, consomé, arenque, molhos e caldos de carne, champignon, mexilhão, sardinha, miúdos) pode contribuir para a hiperuricemia. Cerveja, incluindo cerveja sem álcool, é particularmente rica em guanosina, um nucleosídeo da purina. Mas uma dieta com restrição de purina reduz o urato plasmático somente em cerca de 1 mg/dL 0,1 mmol/L e, portanto, raramente é suficiente para pacientes com gota. O urato se precipita como cristais de urato monossódico MSU em forma de agulhas, os quais são depositados extracelularmente nos tecidos avasculares (p. ex., cartilagens) ou em tecidos relativamente vascularizados (p. ex., tendões, bainhas tendinosas, ligamentos e paredes de bursas) e na pele ao redor de tecidos e articulações SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 18 https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/pediatria/disfun%C3%A7%C3%B5es-metab%C3%B3licas-heredit%C3%A1rias/dist%C3%BArbios-de-salvamento-de-purina#v25256577_pt distais mais frias (p. ex., orelhas, coxins dos quirodáctilos). Na hiperuricemia grave e de longa evolução, os cristais da amostra de urina de jato médio AUJM podem ser depositados em articulações centrais maiores e no parênquima de órgãos como os rins. No pH ácido da urina, o urato se precipita prontamente como pequenas placas ou cristais de ácido úrico em forma de diamantes que podem se agregar para formar pedras ou cálculos, o que pode causar obstrução da saída da urina. Os tofos são agregados de cristais da AUJM que, geralmente, se desenvolvem na articulação e no tecido cutâneo. Em geral, estão encarcerados em uma matriz fibrosa granulomatosa o que impede-os de causar inflamação aguda. A artrite gotosa aguda pode ser desencadeada por trauma, estresse clínico (p. ex., pneumonia ou outra infecção), cirurgia, uso de diuréticos tiazídicos ou fármacos com efeitos hipouricêmicos (p. ex., alopurinol, febuxostate, probenecida, nitroglicerina) ou excessos de alimentos ricos em purina ou álcool. Em geral, as crises são precipitadas por um aumento súbito ou, mais comumente, por uma diminuição súbita nos níveis plasmáticos de urato. Não se sabe por que os ataques agudos acontecem após essas condições precipitadoras. Os tofos dentro e ao redor das articulações podem limitar a movimentação e causar deformidades, produzindo artrite gotosa tofácea crônica. A gota aumenta o risco de osteoartrite secundária. Sinais e sintomas da gota A artrite gotosa aguda geralmente começa com uma crise súbita de dor (em geral noturna). A articulação metatarsofalangeana do hálux é mais frequentemente afetada (chamada podagra), mas o peito do pé, tornozelo, joelho, punho e cotovelo também são lugares comuns. As articulações de quadril, ombro, sacroilíaca, esternoclavicular ou coluna cervical raramente são envolvidas. A dor torna-se progressivamente mais forte em poucas horas, sendo, geralmente, excruciante. Edema, calor, rubor e sensibilidade excessiva podem sugerir infecção. A pele próxima torna-se tensa, quente, brilhante, avermelhada ou cianótica. Também pode ocorrer febre, taquicardia, calafrios e mal-estar. Curso SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 19 https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-dos-tecidos-conjuntivo-e-musculoesquel%C3%A9tico/doen%C3%A7as-articulares/osteoartrite#v906128_pt https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-dos-tecidos-conjuntivo-e-musculoesquel%C3%A9tico/doen%C3%A7as-articulares/osteoartrite#v906128_pt https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-dos-tecidos-conjuntivo-e-musculoesquel%C3%A9tico/doen%C3%A7as-articulares/osteoartrite#v906128_pt Em geral, as primeiras crises afetam uma articulação isolada e duram somente alguns dias. As crises posteriores podem afetar várias articulações de maneira simultânea ou sequencial e persistir por até 3 semanas se não forem tratadas. As crises subsequentes se desenvolvem após pequenos intervalos livres de sintomas. Com o tempo, várias crises podem ocorrer a cada ano. Se a terapia de redução de urato não for iniciada, os pacientes podem desenvolver artrite deformadora crônica por gota tofácea decorrente da deposição contínua de urato. Tofos Tofos palpáveis se desenvolvem em pacientes com gota e raramente podem ocorrer em pacientes que nunca tiveram artrite gotosa aguda. Em geral, são nódulos ou pápulas amarelos ou brancos, únicos ou múltiplos. Eles podem se desenvolver em vários locais, comumente em mãos, dedos, pés e ao redor do olécrano ou tendão do calcâneo. Os tofos também podem se desenvolver nos rins e outros órgãos, bem como sob a pele das orelhas. Os pacientes com nódulos artríticos de Heberden frequentemente desenvolvem tofos nos nódulos. Essa manifestação ocorre com mais frequência em mulheres idosas em uso de diuréticos, que podem manifestar inflamação extensa e serem erroneamente diagnosticadas como tendo osteoartrite inflamatória. Normalmente indolores, os tofos, especialmente nas bolsas do olécrano, podem tornar-se gravemente inflamados e dolorosos, frequentemente depois de lesão leve ou não aparente. Os tofos podem irromper pela pele, secretando massas farináceas de cristais de urato. Tratos sinusais podem se tornar infectados. Com o tempo, os tofos no interior e em torno das articulações podem causar deformidades e osteoartrite secundária. Complicações da gota Gota pode causar dor, deformidade e limitação da amplitude articular. A inflamação pode ser aguda em algumas articulações enquanto regride em outras. Os pacientes com gota podem desenvolver urolitíase com cálculos de ácido úrico ou oxalato de cálcio. As complicações da gota são a obstrução e a infecção renal, com doença tubulointersticial secundária. Se não for tratada, a disfunção renal progressiva, mais frequentemente relacionada com hipertensão SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 20 coexistente ou, mais raramente, com alguma outra causa de nefropatia, pode incapacitar a excreção de urato, acelerando a deposição de cristais nos tecidos. Doença cardiovascular, apneia obstrutiva do sono, doença do fígado gorduroso não alcoólica e componentes da síndrome metabólica são comuns em pacientes com gota. Tratamentos profiláticos para problemas osteoarticulares Tratamentos profiláticos para problemas osteoarticulares Existem várias coisas que você pode fazer para ajudar a prevenir problemas osteoarticulares. Algumas das mais importantes incluem: Manter um peso saudável.O excesso de peso coloca estresse adicional nas articulações, especialmente nos joelhos e quadris. Perder apenas um pouco de peso pode reduzir muito o risco de desenvolver osteoartrite. Exercício regularmente.A atividade físicaajuda a fortalecer os músculos e ossos ao redor das articulações e também pode ajudar a controlar o peso. Escolha atividades que sejam suaves para as articulações, como natação, caminhada ou ciclismo. Coma uma dieta saudável. Uma dieta saudável inclui muitas frutas, legumes, grãos integrais e proteínas magras. Esses alimentos fornecem aos seus ossos e articulações os nutrientes de que precisam para se manterem saudáveis. Evite fumar. Fumar prejudica o fluxo sanguíneo para os ossos e articulações e pode aumentar o risco de desenvolver osteoartrite. Obtenha bastante vitamina D. A vitamina D ajuda o corpo a absorver o cálcio, que é importante para ossos fortes. Você pode obter vitamina D da luz do sol, alimentos ou suplementos. Faça exames regulares com seu médico. Seu médico pode verificar sinais de problemas osteoarticulares e ajudá-lo a desenvolver um plano para mantê-los saudáveis. Se você já tem problemas osteoarticulares, há coisas que você pode fazer para gerenciar sua dor e melhorar sua função. Algumas das opções de tratamento incluem: SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 21 https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doen%C3%A7as-cardiovasculares/arterioesclerose/aterosclerose https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-pulmonares/apneia-do-sono/apneia-obstrutiva-do-sono https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-hep%C3%A1ticos-e-biliares/abordagem-ao-paciente-com-doen%C3%A7a-hep%C3%A1tica/esteato-hepatite-n%C3%A3o-alco%C3%B3lica https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-hep%C3%A1ticos-e-biliares/abordagem-ao-paciente-com-doen%C3%A7a-hep%C3%A1tica/esteato-hepatite-n%C3%A3o-alco%C3%B3lica https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-hep%C3%A1ticos-e-biliares/abordagem-ao-paciente-com-doen%C3%A7a-hep%C3%A1tica/esteato-hepatite-n%C3%A3o-alco%C3%B3lica https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-nutricionais/obesidade-e-s%C3%ADndrome-metab%C3%B3lica/s%C3%ADndrome-metab%C3%B3lica Medicamentos. Vários tipos de medicamentos podem ser usados para tratar a dor da osteoartrite, incluindo medicamentos sem receita, como paracetamol e ibuprofeno, e medicamentos prescritos, como analgésicos narcóticos e anti-inflamatórios não esteroides AINEs). Fisioerapia. A fisioterapia pode ajudar a fortalecer os músculos ao redor das articulações e melhorar a flexibilidade e o amplitude de movimento. Aparelhos. Aparelhos, como talas ou órteses, podem ajudar a apoiar e proteger as articulações doloridas. Injeções. As injeções de corticosteroides podem fornecer alívio temporário da dor. As injeções de ácido hialurônico também podem ser usadas para lubrificar as articulações e melhorar a função. Cirurgia. Em casos graves, a cirurgia pode ser uma opção para reparar danos nas articulações ou substituir articulações danificadas. Exames relacionados a detecção e diagnóstico de doenças osteoarticulares https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/distúrbios-ósseos,-articulares- e-musculares/diagnóstico-de-doenças-musculoesqueléticas/testes- para-doenças-musculoesqueléticas Tratamento para doenças osteoarticulares. (farmacológicos - avaliar riscos de uso contínuo de anti-inflamatórios e não farmacológicos). Os medicamentos são frequentemente prescritos para gerenciar os sintomas das doenças osteoarticulares. Algumas das principais classes de medicamentos incluem: Anti-inflamatórios não esteroides AINEs): Reduzem a inflamação e a dor. Exemplos: ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco. Analgésicos: Aliviam a dor, mas não a inflamação. Exemplos: paracetamol, tramadol. Corticosteroides: Poderosos anti-inflamatórios, geralmente usados em curto prazo ou por injeção nas articulações. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 22 https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-%C3%B3sseos,-articulares-e-musculares/diagn%C3%B3stico-de-doen%C3%A7as-musculoesquel%C3%A9ticas/testes-para-doen%C3%A7as-musculoesquel%C3%A9ticas https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-%C3%B3sseos,-articulares-e-musculares/diagn%C3%B3stico-de-doen%C3%A7as-musculoesquel%C3%A9ticas/testes-para-doen%C3%A7as-musculoesquel%C3%A9ticas https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-%C3%B3sseos,-articulares-e-musculares/diagn%C3%B3stico-de-doen%C3%A7as-musculoesquel%C3%A9ticas/testes-para-doen%C3%A7as-musculoesquel%C3%A9ticas Fármacos modificadores do curso da doença DMCDs): Alteram o curso da doença em artrite reumatoide, retardando ou prevenindo danos nas articulações. Exemplos: metotrexato, adalimumabe. Riscos do Uso Contínuo de Anti-inflamatórios: O uso prolongado de AINEs, principalmente em doses altas, pode aumentar o risco de efeitos colaterais graves, como: Problemas gastrointestinais: Úlceras, sangramentos, perfurações. Problemas renais: Insuficiência renal. Problemas cardiovasculares: Ataques cardíacos, derrames. Aumento da pressão arterial. Abordagem Não Farmacológica: Além dos medicamentos, diversas medidas não farmacológicas podem auxiliar no tratamento de doenças osteoarticulares: Exercícios físicos: Fortalecem os músculos, melhoram a flexibilidade e a amplitude de movimento, e reduzem a dor. Fisioterapia: Ensina exercícios específicos para fortalecer as articulações e melhorar a função. Controle do peso: Reduzir o peso diminui a carga sobre as articulações, especialmente joelhos e quadris. Dieta saudável: Alimentos ricos em cálcio, vitamina D e ômega-3 podem ajudar na saúde das articulações. Terapias alternativas: Acupuntura, massagem e tai chi podem aliviar a dor e melhorar a função articular. Aparelhos ortopédicos: Talas, órteses e bengalas podem fornecer suporte e reduzir a dor nas articulações. Considerações Importantes: O tratamento ideal para doenças osteoarticulares deve ser individualizado, considerando a gravidade da doença, os sintomas, a saúde geral do paciente e suas preferências. É fundamental consultar um médico para obter um diagnóstico preciso e discutir as opções de tratamento mais adequadas. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 23 A combinação de abordagens farmacológicas e não farmacológicas pode oferecer melhores resultados no controle das doenças osteoarticulares e na melhora da qualidade de vida. Sociedade Brasileira de Reumatologia: https://www.reumatologia.org.br/ Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: https://sbgg.org.br/ Ministério da Saúde: https://www.gov.br/saude/pt-br/ Osteoartrite (fisiopatologia,diagnóstico, tratamento, epidemiologia). Osteoartrite SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 24 https://www.reumatologia.org.br/ https://sbgg.org.br/ https://www.gov.br/saude/pt-br/ 💡 Fisiopatologia: Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da osteoartrite, incluindo: Envelhecimento: A cartilagem naturalmente se deteriora com o tempo. Genética: Pessoas com histórico familiar de osteoartrite têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Sobrepeso e obesidade: O excesso de peso coloca maior pressão nas articulações, acelerando o desgaste da cartilagem. Traumas: Lesões nas articulações podem aumentar o risco de desenvolver osteoartrite. Fatores ocupacionais: Atividades repetitivas que sobrecarregam as articulações podem contribuir para a doença. Deformidades ósseas: Alterações na estrutura óssea podem levar à distribuição desigual de peso nas articulações, aumentando o risco de osteoartrite. Epidemiologia: A osteoartrite é extremamente comum em pessoas com mais de 65 anos, afetando cerca de 30% dessa faixa etária. A prevalência da doença aumenta com a idade, sendo mais frequente em mulheres do que em homens. A osteoartrite OA, no passado conhecida como osteoartrose, é uma doença altamente prevalente principalmente na população acima dos 60 anos, e que leva a alterações na funcionalidade (ligadas à realização das atividades de vida diária) dos indivíduos que por ela são acometidos. Antes se acreditava tratar-se de uma doença progressiva, de evolução arrastada, sem perspectivas de tratamento. Hoje, a OAé considerada como insuficiência da articulação, com o comprometimento de todas as estruturas que a formam. Além SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 25 disso, é encarada como uma doença na qual é possível modificar o seu curso evolutivo, tanto em relação ao tratamento imediato quanto ao seu prognóstico. Em relação aos aspectos epidemiológicos, acredita-se que cerca de 85% da população geral apresenta evidências radiográficas de OA por volta dos 65 anos de idade. Distribui-se igualmente entre homens e mulheres, quando todas as idades são analisadas. No entanto, quando analisamos os grupos de idade superior aos 55 anos, as mulheres são mais afetadas e parecem desenvolver uma doença mais grave, provavelmente associada aos hábitos corporais ou mesmo à predisposição genética. fatores: - idade, predisposição genética (principalmente a das articulações interfalangeanas distais), traumas, estresse repetitivo, algumas ocupações obesidade, alterações na morfologia da articulação, instabilidade articular e alterações na bioquímica da cartilagem articular. - articulações que tenham sofrido traumas prévios, como fraturas, ruptura de ligamentos e alterações traumáticas de meniscos, também estão mais sujeitas a apresentarem OA em idades mais avançadas. Além disso, articulações expostas a traumas repetitivos ocupacionais, como aquelas das bailarinas ou dos atletas profissionais, também estão associadas com maior frequência de OA. A obesidade vem ganhando maior destaque entre os fatores desencadeantes da enfermidade. O excesso de peso no desenvolvimento da OA de joelhos já é bem conhecido. Em relação à enfermidade no quadril, SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 26 também já se demonstrou associação positiva com sobrepeso - mecanismo: aumento da força sobre as articulações e a fatores sistêmicos presentes na circulação de pessoas obesas chamadas adipocinas. Qualquer alteração da conformação normal da articulação, ou a instabilidade articular, pode aumentar o risco de surgimento de OA na articulação afetada, incluindo artropatias inflamatórias (artrite reumatoide, gota, pseudogota), diátese hemorrágica (hemofilia), condições metabólicas que afetam as articulações (hemocromatose, ocronose), necrose asséptica com alteração do contorno ósseo, distúrbios neurológicos associados a sensação alterada e propriocepção ao redor da articulação A patogenia da OA envolve os processos de destruição e reparação da cartilagem, sendo a remodelação um processo contínuo na cartilagem normal. Os elementos da matriz são constantemente degradados por enzimas autolíticas e repostas por novas moléculas pelos condrócitos. Na OA este processo é alterado; consequentemente, há um desequilíbrio entre a formação e a destruição da matriz, com um aumento desta última. Quando fatores mecânicos, induzindo o aumento da expressão de citocinas inflamatórias, e biológicos atuam rompendo este equilíbrio, com predomínio da destruição, surge então a OA. Por isso ela é considerada como resultante da quebra desse equilíbrio. O processo pode ser iniciado por uma série de eventos que levam SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 27 à alteração da função do condrócito, com fortes evidências de que os estímulos aos condrócitos seriam ocasionados por citocinas pró- inflamatórias, especialmente a IL1β e o TNFα, dentre outros elementos pró- inflamatórios, e que, por meio de diferentes vias de sinalização intracelular, provocariam ativação de diferentes genes, de maneira errática e por mecanismos epigenéticos complexos. Com isso, os condrócitos liberam enzimas proteolíticas (proteinases neutras, catepsina e metaloproteinases), que degradam os elementos da matriz cartilaginosa, levando a um adelgaçamento da cartilagem e a uma deterioração da sua qualidade mecânica. A perda da força de tensão para suportar cargas leva à transmissão de uma força maior aos condrócitos e ao osso subcondral. Os condrócitos sob ação dessas forças liberam mais enzimas proteolíticas. O osso subcondral desenvolve microfraturas, causando endurecimento e perda da reversibilidade à compressão. Alguns produtos resultantes da quebra da cartilagem e do proteoglicanos podem estimular a resposta inflamatória, perpetuando o ciclo destrutivo. Quadro clínico A OA apresenta início insidioso, lento e gradualmente progressivo ao longo de vários anos, principalmente nas articulações de carga, na coluna e nas mãos. Os pacientes descrevem uma dor mecânica nas SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 28 articulações envolvidas, isto é, a dor aparece quando se movimenta a articulação, desaparecendo ao repouso. Nos pacientes com queixa há mais tempo, nem no repouso. A dor diferencia as queixas da OA daquelas apresentadas pelos pacientes com artrite reumatoide AR, em que a dor frequentemente melhora com a movimentação articular. Nos casos clássicos de OA, os pacientes queixam-se apenas de dor, sem relato de edema, eritema ou aumento da temperatura articular. Podem apresentar: alargamento ósseo e diminuição dos movimentos articulares, rigidez matinal, crepitações e estalidos durante a movimentação. Diagnóstico Exames laboratoriais geralmente são de pouca utilidade A solicitação de “perfil reumatológicoˮ não é indicada. Investigação radiológica é fundamental não só no diagnóstico da OA, mas também na avaliação do grau de comprometimento articular. Os principais achados radiológicos incluem diminuição do espaço articular, esclerose do osso subcondral, cistos subcondrais e osteófitos. Tratamento A OA é uma doença crônica, com múltiplos fatores envolvidos na sua patogenia; por essa razão, o seu tratamento deve ser multidisciplinar e buscar não só a melhora clínica, mas também a mecânica e funcional. A Sociedade Brasileira de Reumatologia propôs o Consenso Brasileiro de SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 29 Tratamento da Osteoartrite, em que o tratamento é analisado sob três diferentes aspectos: não farmacológico, farmacológico e cirúrgico. ● Não farmacológico: atividades esportivas moderadas com monitoramento profissional adequado e orientações quanto à ergonomia ocupacional e doméstica; exercícios terapêuticos (fisioterapia), com destaque para os exercícios de reforço muscular, a melhora do condicionamento físico global, o uso de órteses e equipamentos de auxílio à marcha; termo e a eletroterapia analgésicas Famarcológico: - O uso de analgésicos, como o paracetamol em doses efetivas 3 a 4 g/dia) nos casos de OA leve ou moderada iniciais, está indicado como primeira escolha no tratamento da OA. Deve-se, no entanto, verificar se o paciente não apresenta hepatopatia; Estes, tanto os inibidores seletivos de COX2 quanto os não seletivos acompanhados de proteção gástrica, são indicados nos casos em que há inflamação clínica evidente, ou nos que não apresentaram resposta aos analgésicos. Nos casos de dor intensa ou de má resposta, ou ainda de contraindicação aos AINE, o uso de opioides naturais ou sintéticos torna-se uma alternativa. AINE e capsaicina podem ser utilizados topicamente, principalmente em OA de mãos. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 30 - sulfato de glucosamina e sulfato de condroitina - sulfato de condroitina - hidroxicloroquina - uso intraarticular de derivados do ácido hialurônico está indicado em OA dos joelhos graus II e III A infiltração com corticosteroide, particularmente com a triancinolona O fator determinante da osteoartrite é a quebra da homeostase entre degradação e reparação da cartilagem (mecanismo fisiológico), o que pode levar a insuficiência da cartilagem. A degradação da cartilagemocorre pelo aumento de citocinas inflamatórias como IL 1e TNFα. Essas citocinas são responsáveis pela quebra de proteoglicanos e colágeno pelos condrócitos. Os condrócitos são células do tecido cartilaginoso, produzem colágenos e proteoglicanos, que são substâncias responsáveis pelo crescimento do tecido cartilaginoso. Assim, com a degradação da cartilagem devido as citocinas inflamatórias, acontece outras alterações nas articulações. É possível citar: Inflamação membrana sinovial, que causa edema na região da articulação; Estreitamento da fenda SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 31 articular, o que aumenta o atrito entre os ossos; Formação de esporos ósseos: o dano nos ossos devido o atrito promove um depósito de cálcio no local para remodelar a área danificada. Essa remodelação cria anormalidades ósseas, os esporos ósseos, que podem comprimir nervos próximos, criando condições dolorosas e frequentemente debilitantes Como é feita a avaliação de risco cirúrgico em idosos? Fatores a serem Considerados: Idade: A idade cronológica, por si só, não é um determinante definitivo do risco. A idade fisiológica, que reflete o estado geral de saúde e funcionalidade do indivíduo, é mais relevante. Comorbidades: A presença de doenças preexistentes, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e pulmonares, aumenta o risco de complicações cirúrgicas. Capacidade Funcional: A avaliação da capacidade funcional do idoso, incluindo atividades de vida diária AVDs) e instrumentais AIVDs), fornece informações sobre sua reserva fisiológica e capacidade de recuperação. Estado Nutricional: A desnutrição é um fator de risco significativo para complicações cirúrgicas. Avaliar o estado nutricional do idoso é essencial para otimizar sua condição pré-operatória. Condições Cognitivas e Psicossociais: Alterações cognitivas, como demência, e fragilidade psicossocial podem aumentar o risco de complicações e dificultar a recuperação pós-operatória. Histórico de Cirurgias Anteriores: Complicações em cirurgias prévias podem indicar maior risco em novas intervenções. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 32 Medicamentos em Uso: O uso de medicamentos, como anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, pode afetar o risco de sangramento e necessitar de ajustes pré-operatórios. Exames Complementares: Exames laboratoriais e de imagem podem auxiliar na identificação de comorbidades e na avaliação do risco cirúrgico. Etapas da Avaliação: � Coleta de Dados: História clínica completa, incluindo histórico médico, social e familiar, medicamentos em uso, alergias e hábitos de vida. � Exame Físico Detalhado: Avaliação de todos os sistemas, com atenção especial para o sistema cardiovascular, pulmonar e musculoesquelético. � Avaliação Funcional: Testes específicos para avaliar a capacidade funcional do idoso, como Índice de Barthel e Escala de Katz. � Avaliação Nutricional: Antropometria, bioimpedância e análise da dieta habitual. � Avaliação Cognitiva: Mini-Exame do Estado Mental MMSE ou outros testes específicos. � Avaliação Psicossocial: Questionários e entrevistas para identificar fragilidades psicossociais e suporte social disponível. � Revisão de Exames Complementares: Análise de exames laboratoriais e de imagem para identificar comorbidades e condições que possam aumentar o risco cirúrgico. Equipe Multiprofissional: A avaliação de risco cirúrgico em idosos deve ser realizada por uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Essa abordagem garante uma avaliação abrangente e individualizada, considerando as diversas necessidades do paciente idoso. Escore de Risco Cirúrgico: SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 33 Diversas ferramentas, como o Índice de Índice de Lee modificado (m-CCI e o Índice de Risco Cirúrgico para Pacientes Idosos SRI30, podem auxiliar na quantificação do risco cirúrgico. No entanto, é importante ressaltar que essas ferramentas não substituem a avaliação clínica individualizada. Após a soma dos pontos, a interpretação se dá da seguinte maneira: Pontuação 3 – baixo risco 2,6%. Pontuação 4 – baixo risco 3,5%. Pontuação 5 – risco intermediário 6%. Pontuação 6 – risco intermediário 6,6%. Pontuação 7 – risco intermediário 8,9%. Pontuação 8 – alto risco 14,3%. Como funciona a atenção/ direito do idoso no SUS (estatuto do idoso). O Estatuto da Pessoa Idosa garante diversos direitos importantes relacionados à saúde: Atenção integral à saúde: a pessoa idosa tem direito a receber cuidados completos de saúde por meio do Sistema Único de Saúde SUS. Isso significa que a pessoa idosa tem acesso universal e igualitário a ações e serviços de prevenção, promoção, proteção e SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 34 recuperação da saúde. Esse cuidado inclui uma atenção especial às doenças que afetam principalmente esse público; Direito a acompanhante em caso de internação ou observação em hospital; Direito de exigir medidas de proteção sempre que seus direitos estiverem ameaçados ou violados por ação ou omissão da sociedade, do Estado, da família, de seu curador ou de entidades de atendimento; Desconto de pelo menos 50% nos ingressos para eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer; Gratuidade no transporte coletivo público urbano e semiurbano, com reserva de 10% dos assentos, que deverão ser identificados com placa de reserva; Reserva de duas vagas gratuitas no transporte interestadual para pessoa idosa com renda igual ou inferior a dois salários mínimos, e desconto de 50% para aqueles que excedam as vagas garantidas; Reserva de 5% das vagas nos estacionamentos públicos e privados; Prioridade na tramitação dos processos e dos procedimentos na execução de atos e diligências judiciais; Direito de requerer o Benefício de Prestação Continuada BPC, a partir dos 65 anos de idade, desde que não possua meios para prover sua própria subsistência ou de tê-la provida pela família; Direito de 25% de acréscimo na aposentadoria por invalidez (casos especiais); Os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra idosos devem ser objeto de notificação compulsória pelos serviços de saúde públicos e privados à autoridade sanitária, bem como devem ser obrigatoriamente comunicados por eles a quaisquer dos seguintes órgãos: autoridade policial; Ministério Público; Conselho Municipal do Idoso; Conselho Estadual do Idoso; Conselho Nacional do Idoso. Como é feita a prevenção de queda em idosos? (leis de acessibilida SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 35 A prevenção de quedas em idosos é uma questão importante e envolve uma série de medidas, incluindo adaptações no ambiente doméstico e mudanças comportamentais. Aqui estão algumas recomendações baseadas nas informações que encontrei: � Remoção de tapetes soltos ou desfiados que podem causar tropeços¹. � Uso de sapatos fechados com solado de borracha para melhor aderência². � Instalação de tapetes antiderrapantes em áreas como banheiros e cozinhas². � Manter a casa bem iluminada, inclusive com luzes noturnas para evitar quedas no escuro². � Instalação de corrimãos em escadas e corredores². � Organização dos móveis para não interferir na circulação e evitar obstáculos². � Revisão de medicamentos que podem afetar o equilíbrio ou causar hipotensão². � Tratamento de problemas de visão e audição, que são essenciais para o equilíbrio². � Exercícios físicos regulares para melhorar o equilíbrio e a força muscular³. � Suplementação de cálcio e vitamina D se necessário². Além disso, é importante que as leis de acessibilidade sejam cumpridas, garantindo que os ambientes públicos e privados estejam adaptados para prevenir quedas em idosos. Isso pode incluir a instalação de rampas de acesso, elevadores, sinalização adequada e outras medidas que tornem o ambiente mais seguro para essa população. A conscientização sobre aimportância dessas adaptações e a educação contínua sobre prevenção de quedas também são fundamentais para proteger os idosos. SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 36 SP 3.3 MEU MUNDO CAIU… 37