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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO VINÍCIUS TEIXEIRA DE LIMA ANÁLISE DO IMPACTO DA AUTOMATIZAÇÃO DE PROCESSOS EM UMA STARTUP DE DELIVERY NATAL/RN 2024 VINÍCIUS TEIXEIRA DE LIMA ANÁLISE DO IMPACTO DA AUTOMATIZAÇÃO DE PROCESSOS NO SETOR COMERCIAL EM UMA STARTUP DE DELIVERY Monografia apresentada ao curso de graduação em Engenharia de Produção, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Produção. Orientador: Prof. Dr. Joelton Fonseca Barbosa NATAL/RN 2024 VINÍCIUS TEIXEIRA DE LIMA ANÁLISE DO IMPACTO DA AUTOMATIZAÇÃO DE PROCESSOS NO SETOR COMERCIAL EM UMA STARTUP DE DELIVERY Monografia apresentada ao curso de graduação em Engenharia de Produção, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Produção. Aprovada em: 18 / 06 / 2024 BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Joelton Fonseca Barbosa Orientador UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE Prof. Dr. Marco Antônio Leandro Cabral Membro interno UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE Prof. Dr. Lucas Borges Leal da Silva Membro interno UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais, Carla e Paulo, por terem me proporcionado ser tudo que sou hoje e por todas as batalhas e desafios que enfrentaram nessa vida em prol de me conceder as melhores condições de educação, saúde e estrutura. AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço aos meus pais, Carla e Paulo, por serem meu eterno refúgio e porto seguro do mundo. A vocês, agradeço por todo sacrifício que fizeram em suas vidas para sempre me proporcionarem as melhores oportunidades e estrutura que eu poderia ter. Obrigado por sempre fazerem das minhas conquistas as suas. Hoje estou aqui graças à toda dedicação e esforço de vocês. À minha irmã, Beatriz, minha companheira de infância. Obrigado por ser forte. Te agradeço por segurar as pontas e ser a melhor filha que mamãe poderia ter. Obrigado por sempre buscar alegrar nossa família e trazer sua energia e felicidade à nossa casa. Aos meus irmãos, Artur e Miguel. A vocês, agradeço por construírem nossa família da forma mais maravilhosa que poderíamos ter. Artur, te agradeço por trazer energia, alegria e companheirismo à nossa casa. Miguel, te agradeço por toda gentileza, carinho e sabedoria à nossa família. Ao meu namorado, Kelvin, obrigado por me promover a construção de uma vida ao seu lado. A você, eu agradeço toda a maturidade que me proporcionou e todos os ensinamentos de vida que pude aprender e ainda aprendo contigo Obrigado por ser meu porto seguro, por ser meu fã número um, por me inspirar todos os dias a ser uma pessoa melhor. A você, eu agradeço ao futuro que vamos construir juntos e à família que iremos formar com o maior amor do mundo. À minha madrasta, Tiffany, a você eu agradeço por trazer paciência, calma e tanto ensinamento à nossa família. Obrigado por ter chegado para somar e por formar meus irmãos com uma criação exemplar com tanto amor e carinho que eles poderiam ter. Te agradeço por ter sido a companheira de vida do meu pai e por o ter feito tão feliz. Ao meu falecido padrasto, Alex, obrigado por ter trazido estrutura à nossa família e por ter sido o companheiro de vida da minha mãe e um pai que amou minha irmã incondicionalmente. Te agradeço por ter me acolhido como teu filho e por ter me proporcionado diversas experiências felizes que sempre carregarei comigo. Aos meus avós, Cristina e Antônio (mãe) e Inácia e Paulo (pai), a vocês eu agradeço por todo o suporte que me deram em todas as fases importantes da minha vida. Obrigado por serem aconchego e amparo sempre que precisei. Às minhas tias, Catarina, Carol e Cristiane (mãe) e Isis e Paula (pai), a vocês eu devo o acolhimento que tanto pedi e que me deram com tanto amor e maestria. Obrigado por me trazerem o sentido de família e por sempre buscarem se fazer presentes emocionalmente mesmo distantes fisicamente. Agradeço à minha diretoria Samurai: Alexandre, Cecília, Gabriela e Júlia. Obrigado por construírem junto a mim uma das fases mais importantes da minha vida, sendo apoio, força e fé em todos os momentos. Vocês sempre estarão presentes nas minhas conquistas profissionais. Aos meus amigos da vida: Cecília, Jordana, Júlia, Ruston, Luca, Katarinne, Gabriella Beatriz, Maria Eduarda, Gabriela Silveira e William. A vocês, eu agradeço por me apresentarem um outro significado de família. Obrigado por tantos, mas tantos momentos importantes que vivemos e viveremos juntos. Por fim, agradeço à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a todos os docentes e servidores da instituição pelo ensino exemplar e de excelência que é prestado aos seus discentes. O engenheiro de produção que me tornei olha para trás apenas com sentimento de gratidão a todos vocês. RESUMO Com a digitalização acelerada no mundo e a busca incessante por praticidade e comodidade da sociedade, o mercado de startups de delivery vem crescendo em uma velocidade evidente, principalmente durante e após o período da pandemia da COVID-19, visto que as pessoas precisaram adotar o lockdown por um longo período. Assim, é de suma importância que este mercado adote processos cada vez mais ágeis buscando atender o aumento constante da demanda e pensando em um modelo de negócio escalável e de qualidade. O presente estudo tem como escopo a análise do impacto da automatização de processos na fabricação de protótipos em uma startup de delivery. Com o propósito de abordar a questão-problema, a pesquisa adotou uma abordagem aplicada, combinando métodos de estudo de caso e exploratório-normativo. A implementação da presente pesquisa seguiu a metodologia do PDCA (Plan, Do, Check, Act), visando assegurar a aplicabilidade prática e o acompanhamento dos resultados obtidos durante a sua implementação. Inicialmente, foi realizado um diagnóstico do setor mediante o mapeamento do processo de ativação de campanha comercial, permitindo assim a visualização e planejamento das etapas a serem executadas. Reconhecendo a importância da padronização e mensuração de resultados, foram levantados indicadores de qualidade com o objetivo de identificar o impacto que a automatização de processo traz em uma empresa. Com a implementação dos indicadores, foi estabelecida uma rotina de acompanhamento e controle dos resultados, utilizando-se de ações elaboradas através da ferramenta 5W1H. Após uma análise de três meses antes e depois da implementação do projeto, constatou-se que em um ano a empresa terá uma redução de no mínimo 44% do seu tempo de execução do macroprocesso do setor. Palavras-chave: Processo. Startup de delivery. Automatização. PDCA. Indicador. Qualidade. Comercial. ABSTRACT With the accelerated digitalization of the world and society's incessant search for practicality and convenience, the delivery startup market has been growing at an evident speed, especially during and after the COVID-19 pandemic, as people had to adopt lockdown for a long period. Thus, it is of the utmost importance that this market adopts increasingly agile processes in order to meet the constant increase in demand and think of a scalable and quality business model. The scope of this study is to analyze the impact of automating prototyping processes in a delivery startup. In order to address the problem question, the research adopted an applied approach, combining case study and exploratory-normative methods. The implementation of this research followed the PDCA (Plan, Do, Check, Act) methodology, with a view to ensuring practical applicability and monitoring the results obtained during its implementation. Initially, a diagnosis of the sector was carried out by mapping out the commercial campaign activation process, thus enabling visualization and planning of the stages to be carried out. Recognizingnas etapas comentadas anteriormente. 58 FIGURA 21 - Processo novo de ativação de campanha Fonte: elaborado pelo autor (2024) As mudanças realizadas a partir da automatização e sistematização das etapas com coloração verde no processo foram expressivas. A atividade de aprovação da P.O no CMS não faz-se mais necessária a interferência do gerente comercial, pois foi realizada uma interligação do sistema CRM com o sistema CMS e, após a aprovação no sistema CRM, a P.O já é aprovada automaticamente no sistema CMS. Além disso, a etapa de execução da campanha comercial já é realizada automaticamente após o gerente comercial lançar o briefing preenchido no sistema Request Hub, tendo em vista que foi desenvolvido um algoritmo para interligar com o sistema Jira (plataforma de lançamento das ativações). E, por fim, o processo de faturamento da P.O do cliente foi sistematizado através da plataforma Kissflow (software de gerenciamento de projetos e controle de fluxos de trabalho). 4.3.3. Check (Verificar) Para que seja possível obter-se todo o impacto das automatizações realizadas no processo comercial de ativação de campanhas, faz-se necessário elencar quais os indicadores de desempenho serão utilizados de resultado do projeto. Com isso, foram listados: ● Tempo de ciclo: tempo utilizado para executar um processo dentro do macroprocesso do setor. (1)𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜 = ∑ 𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜𝑠 𝑑𝑎𝑠 𝑡𝑎𝑟𝑒𝑓𝑎𝑠 ● Lead Time: tempo usado para rodar todo o ciclo do processo, desde o recebimento do pedido do cliente (P.O) até o envio da nota fiscal pós campanha. 59 (2)𝐿𝑒𝑎𝑑 𝑡𝑖𝑚𝑒 = ∑ 𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑐𝑖𝑐𝑙𝑜𝑠 ● Qualidade: relação de todas as ativações que foram executadas corretamente pela quantidade total das execuções de um determinado período de tempo. (3)𝑄𝑢𝑎𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 = 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎çõ𝑒𝑠 𝑒𝑚 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 ÷ 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑎çõ𝑒𝑠 ● NPS (Net Promoter Score) do setor: a partir da pergunta “De 0 a 10, qual a chance de você indicar seu trabalho a um amigo?” é possível entender o nível de satisfação que o colaborador possui do setor de acordo com os estágios das notas, sendo eles promotores (nota 9 e 10), neutros (nota 7 e 8) e detratores (nota abaixo de 7). (4)𝑁𝑃𝑆 = (𝑃𝑟𝑜𝑚𝑜𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠 − 𝐷𝑒𝑡𝑟𝑎𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠) / 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒𝑣𝑖𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜𝑠 ● NPS (Net Promoter Score) do cliente: seguindo a mesma lógica do indicador anterior, esta métrica servirá para entender o impacto que as automatizações tiveram com os parceiros da empresa objeto de estudo. (5)𝑁𝑃𝑆 = (𝑃𝑟𝑜𝑚𝑜𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠 − 𝐷𝑒𝑡𝑟𝑎𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠) / 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒𝑣𝑖𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜𝑠 4.3.4. Act (Atuar) Para o êxito do projeto, é fundamental que esta etapa do ciclo PDCA ocorra conforme planejado, tendo em vista que é neste momento onde os planos de ação são elaborados com o objetivo de garantir sua qualidade e escalabilidade esperada. Com isso, foi desenvolvida a matriz 5W1H (quadro 5) com as ações a serem postas em prática com seus respectivos critérios, como período, responsáveis etc. 60 QUADRO 5 - Matriz 5W1H What? (O quê?) When? (Quando?) Where? (Onde?) Why? (Por quê?) Who? (Quem?) How? (Como?) Check-in semanal para atualização dos indicadores Semanal Setor comercial Acompanhamento do cumprimento do objetivo das automatizações e, caso os indicadores não estejam nos conformes, adotar medidas corretivas Product Manager Extração dos tempos de cada processo no sistema e realização dos cálculos de cada indicador Coleta de NPS trimestral com os stakeholders Trimestral Setor comercial Identificar o impacto real no parceiro que as automatizações trouxeram e colher feedbacks de melhoria Gerente comercial Enviar um e-mail com o formulário de pesquisa do NPS aos clientes Escalar projetos para demais áreas da empresa Junho/2024 Setor de catálogo Aumentar a qualidade dos processos internos de demais áreas da empresa Product Manager Aplicar esta presente pesquisa como playbook para escalar Fonte: elaborado pelo autor (2024) 5. RESULTADO E DISCUSSÃO Com o acesso aos sistemas internos da empresa, foi possível coletar todos os tempos necessários para realização de cada processo e, assim, realizar uma estratificação desses dados a fim de encontrar uma média temporal fidedigna à realidade. Assim, os resultados e discussões da presente pesquisa foram divididos com base nos indicadores levantados na etapa de “Check” do ciclo PDCA. 5.1.Tempo de ciclo O primeiro indicador metrificado foi o tempo de realização de cada processo mapeado antes e depois das automatizações e sistematizações, sendo cronometrado 22 vezes. Abaixo está a tabela com todos os tempos em minutos e horas de cada etapa do macroprocesso comercial. 61 FIGURA 22 - Indicador de tempo de ciclo dos processos Fonte: elaborado pelo autor (2024) Partindo do pressuposto que, dos seis processos, foram automatizados três deles, as etapas de aprovar P.O no CRM, fechar o deal no CRM e abrir o briefing de execução permaneceram com os mesmos tempos, visto que não houve modificação em suas execuções. Com isso, os três demais processos obtiveram um ganho considerável de economia de tempo para sua realização. A etapa de aprovar P.O no CMS, após interligar o sistema CRM com o sistema CMS, atingiu uma economia de 12 horas, com uma redução de 99,99% no tempo do processo. Além disso, a etapa de execução da campanha passou de 6 horas de tempo estimado para 10 minutos, alcançando uma redução de 97,2% no tempo com a automatização aplicada no processo. Por fim, como mencionado no tópico anterior, a etapa de faturar a nota fiscal da P.O não foi automatizada, mas sim sistematizada e, apesar de obter a menor redução de tempo com 66,7%, ainda assim foi uma economia muito representativa advinda de uma diferença na sua execução de 30 minutos para 10 minutos. 5.2.Lead time O próximo indicador coletado, após o levantamento dos tempos de ciclos, foi o lead time do processo, ou seja, o tempo total que o macroprocesso de execução de campanha comercial é realizado, desde a aprovação da P.O no CRM até o faturamento da nota fiscal referente a essa P.O. Este indicador, da mesma forma que o tempo de ciclo, também foi cronometrado 22 vezes. Abaixo está a tabela com o tempo necessário para executar o macroprocesso antes e depois das automatizações. 62 FIGURA 23 - Indicador de lead time do processo Fonte: elaborado pelo autor (2024) Assim, pode-se observar que o ganho do tempo total do processo foi de 18,2 horas, possuindo uma redução de 78,4% no tempo completo. Fazendo uma relação entre a quantidade de horas úteis trabalhadas por dia (8 horas) com o ganho obtido acerca do projeto, é possível afirmar que a empresa alcançou uma economia de 2,3 dias de trabalho, ou seja, considerando que um mês tem em média 22 dias úteis, com o novo modelo do processo é possível fazer em cerca de 10 dias o que a empresa realizava em um mês de trabalho. Fazendo uma analogia com um período anual de trabalho em que as organizações possuem em média 264 dias úteis, com as mudanças no processo, foi possível reduzir esse período em 44%, ou seja, em cerca de 116 dias é realizado o trabalho que a startup de delivery realizaria em um ano. 5.3.Qualidade A terceira métrica levantada foi da qualidade do processo de ativação comercial pelos analistas do setor. Conforme já mencionado neste trabalho, o gerente comercial é o responsável por preencher todas as informações no briefing de execução e os analistas são as pessoas que devem utilizar estas informações para executar a ação no sistema interno e, assim, refletir no aplicativo. Porém, tal processo é factível a erros, tendo em vista que tanto o gerente comercial pode esquecer de inserir alguma informação ou até colocar um dado incorreto, como também o analista pode ativar uma informação que passou despercebida ou até um dado errado no sistema. Abaixo está a tabela extraída referente a três meses de execução(último trimestre de 2023) com a listagem dos cinco analistas e seus respectivos 63 indicadores como quantidade de tickets executados, porcentagem de tickets revisados e sua qualidade de execução. FIGURA 24 - Indicador de qualidade por analista Fonte: elaborado pelo autor (2024) Inicialmente, uma observação relevante é que os dois primeiros analistas possuem uma quantidade menor de tickets pois ambos entraram na empresa durante o período analisado. Pode-se analisar que o indicador de qualidade do setor é de 88,5% nos três meses levantados com uma média de qualidade por analista de 87,8%, ou seja a cada 10 tickets solicitados pelos gerentes comerciais, pelo menos 1 é executado incorretamente e se faz necessário revisar. Com a automatização feita neste processo, o indicador de qualidade se torna 100%, visto que após o gerente subir o briefing de execução no sistema, ele é ativado automaticamente. Além disso, caso o gerente preencha alguma informação incorreta, o sistema recusa automaticamente e retorna para este responsável. 5.4.NPS do setor Com o objetivo de metrificar a qualidade interna do projeto, foi realizada uma pesquisa com seis colaboradores, sendo eles três analistas e três gerentes comerciais, antes e depois da implementação das automatizações. Abaixo estão as notas dadas para a pergunta “De 0 a 10, qual a chance de você indicar seu trabalho a um amigo?” com seus respectivos status. 64 FIGURA 25 - Notas NPS interno Fonte: elaborado pelo autor (2024) Na figura 26 se encontra o compilado das notas e também com o indicador do NPS calculado a partir delas. FIGURA 26 - Indicador NPS interno Fonte: elaborado pelo autor (2024) Dessa forma, é notório o impacto que o projeto trouxe para o setor, tendo em vista que os colaboradores se encontram mais satisfeitos com seus trabalhos após os processos serem reduzidos e otimizados. O principal apontamento levantado pelos analistas durante a aplicação do questionário foi que antes eles enxergavam seus trabalhos extremamente operacionais, em que não havia espaço para focar no desenvolvimento de novas ideias e projetos de melhoria para o setor. Enquanto isso, a questão que os gerentes comerciais levantaram foi com relação à qualidade das ativações que solicitavam e que eram executadas incorretamente, frustrando o relacionamento com o parceiro. 65 O resultado pode ser visualizado na figura 26 com o NPS inicial de 16,7% com notas majoritariamente neutras para o NPS de 83,3% com notas predominantemente promotoras. 5.5.NPS do cliente Por fim, o último indicador coletado, seguindo em linha com a métrica anterior, foi o NPS com os parceiros, com o objetivo de analisar o impacto externo que o projeto trouxe. Abaixo está a tabela com as notas e seus respectivos status de cada pesquisa feita com oito clientes ativos na empresa. FIGURA 27 - Notas NPS externo Fonte: elaborado pelo autor (2024) Na figura 28 se encontra o compilado das notas e também com o indicador do NPS calculado a partir delas. FIGURA 28 - Indicador NPS externo Fonte: elaborado pelo autor (2024) 66 Com isso, é perceptível o efeito que a automatização de processos trouxe para o relacionamento da empresa com seus clientes, tendo em vista que o indicador de NPS foi de 25% para 75% com nenhuma nota detratora e apenas 1/4 das notas em estágio neutro. Os principais feedbacks dados pelos parceiros sobre o cenário antes da implementação da automatização foram tanto relacionados ao tempo total para colocar uma campanha no ar que levava em torno de uma semana considerando que no meio do processo haviam as etapas de aprovação das peças pelo cliente etc, como também pela qualidade das ativações que, em alguns casos, era executada incorretamente e precisavam modificar. 6. CONCLUSÃO O presente e último capítulo deste estudo expõe os objetivos realizados e os resultados obtidos, em consonância com a pergunta norteadora da pesquisa. Adicionalmente, discorre-se sobre os desafios enfrentados durante o desenvolvimento deste trabalho e são apresentadas sugestões para pesquisas futuras que complementem este estudo. Inicialmente, é importante ressaltar que o tema principal acerca de startup de delivery é relativamente recente no mercado ao comparar com outros segmentos que já possuem séculos de existência, como indústria da moda, bens de consumo etc. Dessa forma, identificou-se que a presente pesquisa possui uma relevância considerável tendo o entendimento que as discussões e dados gerados nesse relatório contribuem para o desenvolvimento deste mercado, tornando as empresas cada vez mais rentáveis e lucrativas e gerando uma maior satisfação dos usuários finais dos aplicativos de delivery. Além disso, adentrando no setor comercial objeto de estudo deste trabalho, percebeu-se que os processos se tornaram mais fluidos e eficazes, fazendo com que os resultados não se limitasse à operação e execução das campanhas, como também no principal indicador do setor que é faturamento gerado para empresa a partir da venda dos planos de ativação aos parceiros, pois, afinal, esses começaram a enxergar mais valor na empresa, como também nos resultados das campanhas. Portanto, por meio dos fatos delineados ao longo da pesquisa, é possível afirmar que o primeiro objetivo específico, que consistia em - Mapear o processo do setor comercial em uma startup de delivery - foi alcançado. Esse alcance foi 67 viabilizado por meio de entrevistas realizadas com os colaboradores, acompanhamento minucioso das etapas do processo, mapeamento dessas etapas em um fluxograma utilizando a ferramenta Bizagi, e validação subsequente desse fluxograma junto aos colaboradores, conforme documentado na seção 4.3.1, Plan (Planejar). O segundo objetivo específico - Modelar o processo anterior As Is e To Be - foi alcançado mediante a elaboração dos respectivos fluxogramas do processo no cenário antes da implementação das automatizações e depois das mudanças. Ambos os processos estão documentados, respectivamente, na seção 4.3.1, Plan (Planejar) e 4.3.2, Do (Fazer). Por fim, o terceiro objetivo específico - Analisar os indicadores de performance da automatização do processo - também foi atingido por meio da estratificação dos dados extraídos com o sistema interno da empresa e compilados e tratados em planilhas Google Sheets. Tais indicadores foram listados na seção 4.3.3, Check (Verificar) e mensurados na seção 5. Resultado e discussão. Sendo assim, a partir do alcance de todos os objetivos específicos, é possível afirmar que o objetivo geral do trabalho de avaliação do impacto gerado pela automatização de processos do setor comercial em uma startup de delivery foi alcançado através da análise detalhada de como é realizado o processo, implantação de indicadores de performance e proposição de melhorias para o processo. Assim, a pergunta norteadora do estudo - De que forma a automatização de processos em uma startup de delivery impacta na eficiência e eficácia da operação do seu setor comercial? - foi respondida da seguinte maneira: a aplicação da automatização de processos, utilizando ferramentas da qualidade e sistemas integrados, impacta de forma expressiva na melhoria da eficiência e eficácia da operação do setor comercial de uma startup de delivery. No que diz respeito às dificuldades encontradas ao longo da realização do estudo, pode-se evidenciar: a alta quantidade de dados advindos do sistema interno da empresa, sabendo que em diversos casos excedia a quantidade limite de 150 mil linhas que a ferramenta Power B.I comporta; a pouca quantidade de pesquisas e artigos relacionados à gestão de processos em startup de delivery; o tempo 68 necessário para realização e entrega da pesquisa, tendo em vista que a implementação das automatizações atrasam com base na data prevista de início. 69 REFERÊNCIAS RIES, E. The Lean Startup. Nova Iorque, NY, USA: Crown Publishing Group, 2011. Kotler, P., & Armstrong, G. (2018). Principles of Marketing 17thGlobal Edition. Em Pearson Education Limited Delivery: tendências para este mercado em crescimento no Brasil. Disponível em: . Acesso em: 6 abr. 2024. CHIAVENATO, Idalberto. Comportamento Organizacional: A dinâmica do Sucesso das organizações. Editora Manole Ltda., 2014. 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Boston: Irwin McGraw-Hill. 75 APÊNDICE A - MODELO DE ENTREVISTA 76 APÊNDICE B - MODELO DE QUESTIONÁRIO NPS INTERNO 77 APÊNDICE C - MODELO DE QUESTIONÁRIO NPS EXTERNOthe importance of standardization and measuring results, quality indicators were drawn up with the aim of identifying the impact that process automation has on a company. With the implementation of the indicators, a monitoring and control routine was established. Keywords: Process. Delivery startup. Automation. PDCA. Indicators. Quality. Commercial. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Qtd publicações x Palavras chaves 20 FIGURA 2 - Modelo de transformação 22 FIGURA 3 - Cadeia de valor de Porter 23 FIGURA 4 - Cadeia de valor modernizada 24 FIGURA 5 - Hierarquia de processos 26 FIGURA 6 - Simbologia ASME 28 FIGURA 7 - Simbologia ANSI 28 FIGURA 8 - Estratificação natural 34 FIGURA 9 - Estratificação por tempo 36 FIGURA 10 - Estratificação por performance 37 FIGURA 11 - Estratificação simples 37 FIGURA 12 - Estratificação de dispersão 38 FIGURA 13 - Ciclo PDCA 39 FIGURA 14 - 8 desperdícios lean 42 FIGURA 15 - Classificação da pesquisa científica em Engenharia de Produção 45 FIGURA 16 - Etapas para condução de um estudo de caso para Engenharia de Produção 47 FIGURA 17 - Planejamento da coleta de dados e evidências em estudos de caso 49 FIGURA 18 - Organograma do setor de Monetization na empresa 52 FIGURA 19 - Macroprocesso do setor Monetization 53 FIGURA 20 - Processo de ativação de campanha 55 FIGURA 21 - Processo novo de ativação de campanha 58 FIGURA 22 - Indicador de tempo de ciclo dos processos 61 FIGURA 23 - Indicador de lead time do processo 62 FIGURA 24 - Indicador de qualidade por analista 63 FIGURA 25 - Notas NPS interno 64 FIGURA 26 - Indicador NPS interno 64 FIGURA 27 - Notas NPS externo 65 FIGURA 28 - Indicador NPS externo 65 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 - Estratificação cruzada 35 QUADRO 2 - Estratificação cruzada 35 QUADRO 3 - Divisão da ferramenta 5W1H 41 QUADRO 4 - Classificação da pesquisa 46 QUADRO 5 - Matriz 5W1H 60 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas BPM – Business Process Management FNQ – Fundação Nacional da Qualidade PDCA – Plan, Do, Check, Act SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas P.O - Purchase Order CRM - Customer Relationship Management CMS - Content Management System RH - Request Hub UK - Unique Key ABRASEL - Associação Brasileira de Bares e Restaurantes CNDL - Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas SPC - Serviço de Proteção ao Crédito CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior IDEBRASIL - Instituto de Desenvolvimento Empresarial Brasil ANSI - (American National Standards Institute) ASME - (American Society of Mechanical Engineers) MCTI - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 17 1.1. Contextualização 17 1.2. Objetivos 19 1.2.1. Objetivo Geral 19 1.2.2. Objetivos Específicos 19 1.3. Justificativa 19 1.4. Estrutura e apresentação do trabalho 21 2. REFERENCIAL TEÓRICO 22 2.1. Gestão de processos 22 2.1.1. Conceito de processo 22 2.1.2. Mapeamento de processos 24 2.1.3. Conceito de gestão de processos 29 2.1.4. Automatização de processos 29 2.1.5. Indicadores 30 2.2. Startup de delivery 31 2.2.1. Conceito de startup 31 2.2.2. Mercado de delivery 32 2.3. Ferramentas da qualidade 33 2.3.1. Estratificação 33 2.3.2. Ciclo PDCA 38 2.3.3. 5W1H 40 2.3.4. 8 desperdícios lean 41 2.3.5. Lead time e tempo de ciclo 43 3. METODOLOGIA 44 3.1. Classificação da pesquisa 44 3.2. Etapas da pesquisa 46 3.2.1. Definir uma estrutura conceitual teórica 48 3.2.2. Planejar o caso 48 3.2.3. Coletar os dados 48 3.2.4. Analisar os dados 50 3.2.5. Gerar o relatório 50 4. ESTUDO DE CASO 50 4.1. Descrição da empresa 50 4.2. Descrição do setor 51 4.3. PDCA 54 4.3.1. Plan (Planejar) 54 4.3.2. Do (Fazer) 56 4.3.3. Check (Verificar) 58 4.3.4. Act (Atuar) 59 5. RESULTADO E DISCUSSÃO 60 5.1. Tempo de ciclo 60 5.2. Lead time 61 5.3. Qualidade 62 5.4. NPS do setor 63 5.5. NPS do cliente 65 6. CONCLUSÃO 66 REFERÊNCIAS 69 APÊNDICE A - MODELO DE ENTREVISTA 75 APÊNDICE B - MODELO DE QUESTIONÁRIO NPS INTERNO 76 APÊNDICE C - MODELO DE QUESTIONÁRIO NPS EXTERNO 77 17 1. INTRODUÇÃO Esta primeira seção possui o objetivo de contextualizar o presente trabalho acerca do tema principal que consiste em analisar o impacto da automatização de processos em uma startup de delivery. Além disso, serão abordados os objetivos geral e específicos do projeto, bem como sua justificativa. 1.1.Contextualização Com o passar dos anos, o mercado de startups de delivery tem se destacado como uma alternativa inovadora e promissora para o comércio e prestação de serviços. O conceito de startup é amplamente discutido por Ries (2011), que a define como uma organização temporária em busca de um modelo de negócio escalável e repetível, frequentemente operando em um ambiente de incerteza. Essas empresas têm como objetivo oferecer soluções inovadoras que possam revolucionar setores específicos. Com o avanço da tecnologia e a mudança nos hábitos de consumo, essas startups surgem como soluções ágeis e eficientes para atender às demandas dos consumidores por conveniência e praticidade. Kotler & Armstrong (2018) ressaltam que ao longo do tempo nos direcionamos para um cenário que permitiu a disseminação de novas tecnologias que possibilitam ao consumidor buscar mais informações, referências e opiniões sobre aquilo que pretendem consumir. A facilidade de introdução aos aplicativos e plataformas de entrega tem permitido aos consumidores o acesso a uma ampla gama de produtos e serviços, impulsionando cada vez mais o crescimento do mercado de delivery e ressaltando sua importância como canal de distribuição, especialmente em um mundo digitalizado. A pandemia da COVID-19 intensificou ainda mais a necessidade de serviços de entrega, promovendo o desenvolvimento e adaptação do mercado de startups de delivery no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em 2019 apenas 30,4% dos internautas brasileiros utilizavam serviços de entrega de refeições, entretanto, entre 2020 e 2021, esse número aumentou para 54,8%, de acordo com dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). 18 O Brasil tem se destacado como um ambiente fértil para o desenvolvimento de startups. Chiavenato (2014) discute que os fatores críticos de sucesso nas organizações do século XXI incluem aspectos como agilidade, flexibilidade, integração e inovação. Diante dessa afirmação, é imprescindível que haja uma gestão de processos desenvolvida na empresa, visando a integração de todos os fatores citados anteriormente, além de garantir o melhor produto e/ou serviço ao seu cliente final. Cruz (2008) descreve que após a introdução das máquinas, a maneira de organizar o trabalho mudou radicalmente em relação ao modelo artesanal, pois com essa nova forma era preciso ter um operário para cada função de um posto fabril. A partir do entendimento que as startups necessitam de um modelo de negócio escalável, a automatização de processos se torna essencial para desenvolver essa escalabilidade mantendo o nível de qualidade e agilidade da empresa. Nesse contexto, para Roig (2017), automatizar processos nada mais é do que racionalizar e otimizar as atividades que geram os resultados de uma organização. Seu principal objetivo é "enxugar" a produção: reduzir o trabalho e o tempo utilizado para a execução, diminuir custos e substituir tarefas manuais por aplicações de software. Podemos resumir a automatização dos processos em produzir mais, em menor tempo, com menores custos e qualidade superior. Assim, considerando, em primeiro lugar, a importância das startups em um mundo cada vez mais digitalizado no qual a tecnologia faz parte do cotidiano da população; em segundo lugar, a gestão de processos como uma ferramenta desenvolvida buscando agilidade, flexibilidade, integração e inovação; em terceiro lugar, a automatização de processosviabilizando a escalabilidade do modelo de negócio da empresa; e, por último, o estudo de caso em uma startup de delivery, surge, portanto, o problema da presente pesquisa: De que forma a automatização de processos em uma startup de delivery impacta na eficiência e eficácia da operação do seu setor comercial? 19 1.2.Objetivos 1.2.1. Objetivo Geral O objetivo geral do presente trabalho corresponde à avaliação do impacto gerado pela automatização de processos do setor comercial em uma startup de delivery. 1.2.2. Objetivos Específicos ● Mapear o processo do setor comercial em uma startup de delivery; ● Modelar o processo anterior As Is e To Be; ● Analisar os indicadores de performance da automatização do processo. 1.3. Justificativa A justificativa para desenvolvimento do estudo se dá em quatro vertentes de beneficiamento a partir dele, sendo a) academia; b) sociedade; c) empresa e setor objetos de estudo; e d) pessoal para o autor. Sob a perspectiva acadêmica, ainda que exista uma boa quantidade de estudos acerca de gestão de processos e, relativamente, de delivery, quando se busca por pesquisas voltadas à automatização de processos e startup esse número se reduz drasticamente. Tal afirmação pode ser observada na figura 1 obtida a partir de um levantamento realizado na base de dados CAPES unindo as palavras-chave do presente estudo e filtrando os resultados dos últimos 10 anos. 20 FIGURA 1 - Qtd publicações x Palavras chaves Fonte: Elaborado pelo autor (2024) A partir do levantamento realizado, conclui-se que este projeto poderá servir de base para futuras pesquisas em áreas correlatas, contribuindo para o conhecimento acerca dos temas de automatização de processos e mercado de startups. Ademais, no que tange à sociedade, o presente estudo poderá ser utilizado como ferramenta de benchmarking para outras startups do mesmo ou de setores diferentes, com o objetivo de desenvolver seus processos a partir da inserção de novas tecnologias ao negócio. Além disso, no que diz respeito ao objeto de estudo, este trabalho será utilizado para justificar a implementação de novas tecnologias em outros setores, visto que a automatização de processos estudada na presente pesquisa foi realizada no setor comercial da empresa. Tendo em vista que estarão documentados todos os ganhos e vantagens acerca do tema, o objetivo principal é compartilhar com as demais áreas para que se realize o mesmo trabalho. Por fim, há ainda uma grande motivação do autor em desenvolver esta pesquisa, visto que foi um dos responsáveis pela implementação de indicadores de performance do setor estudado iniciada há dois anos e meio e que está gerando 21 muitos frutos atualmente. E vale ressaltar que há pretensão do autor em continuar atuando no ramo de melhoria de processos no ramo comercial. 1.4.Estrutura e apresentação do trabalho Este trabalho está estruturado em seis capítulos, sendo eles, em ordem: Introdução, Referencial Teórico, Metodologia, Estudo de Caso, Resultados e Considerações Finais. No primeiro deles, a introdução, foi apresentada a contextualização do tema abordado na pesquisa, automatização de processos em uma startup de delivery, seguido da pergunta do estudo a ser solucionada norteada pelo objetivo geral e, de forma mais detalhada, pelos específicos. Ademais, foram relatadas as justificativas para o presente trabalho e, por fim, sua estrutura e apresentação do mesmo. O segundo capítulo corresponde à fundamentação teórica da pesquisa, sintetizando uma revisão literária acerca do tema principal, com base nas palavras-chave do estudo, e sendo detalhada com subtópicos. Ou seja, apresenta-se a teoria necessária para compreensão da pesquisa realizada e dos métodos e ferramentas aplicados. Em seguida, no terceiro capítulo é abordada a metodologia utilizada para desenvolver a pesquisa, no que tange a sua natureza, objetivos, abordagem e método, assim como a descrição de todas as etapas realizadas para o estudo. O quarto capítulo aborda a caracterização da empresa objeto de estudo e descrição do setor envolvido no trabalho. Posteriormente, o quinto capítulo relata todos os resultados obtidos a partir da automatização de processos no setor comercial da empresa estudada, juntamente com as análises elaboradas, tomando com princípio os procedimentos metodológicos abordados no capítulo 3. Enfim, no capítulo 6 são apresentadas as conclusões e considerações finais, retomando os objetivos geral e específicos e sintetizando as análises realizadas no estudo. Ademais, também são descritas as limitações e dificuldades decorridas no desenvolvimento do estudo, bem como sugestões para trabalhos posteriores. 22 2. REFERENCIAL TEÓRICO Esta presente seção do trabalho possui o objetivo de detalhar o referencial teórico utilizado para a pesquisa, sendo assim um compilado das definições, conceitos e abordagens realizados por outros autores acerca do tema principal e visando fundamentar as discussões realizadas neste documento. 2.1.Gestão de processos 2.1.1. Conceito de processo Se faz necessário compreender o conceito de processo para que, assim, possa ser traduzida a gestão de processos no meio corporativo. Sendo assim, Cruz (2008) descreve processo como um conjunto de três ações: entrada que fornece ao processo insumos, processamento que fornece ao processo resultado e saída que fornece ao cliente um produto e/ou serviço. Na figura 2, é possível ilustrar a visão de processo a partir do modelo de transformação. FIGURA 2 - Modelo de transformação Fonte: Slack (2009) Com isso, podemos entender que um processo é uma sequência de ações e/ou atividades que transformam os inputs (entradas) em outputs (saídas) a partir de uma transformação. Além disso, segundo Slack 2009, temos inputs transformadores e transformados, ou seja, entradas que serão agentes de mudanças e entradas que serão modificadas, respectivamente e, a partir disso, será gerado um produto ou serviço. 23 Em Alves (2016) pode-se afirmar que um processo é um conjunto de atividades que consomem recursos, possui início e fim (cíclico e finito) e tem uma finalidade específica. Dessa forma, fica claro que, por mais que hajam processos cíclicos e repetitivos, sempre terá início, meio e fim, além de possuir um objetivo que é traduzido a partir do seu output. Segundo Porter (1985), a cadeia de valor é uma metodologia utilizada para coordenar processos e mapear quais as vantagens competitivas da empresa. Inicialmente Porter separava a cadeia de valor em processos primários e de apoio, sendo eles, respectivamente, processos que possuíam benefícios diretos para os clientes e processos que serviram de suporte para o funcionamento das atividades primárias da empresa. Na figura 3 é possível ilustrar a divisão idealizada por Porter. FIGURA 3 - Cadeia de valor de Porter Fonte: PRADA, C (2019) Posteriormente, Capote (2012) divide os processo em três tipos, sendo eles: primário, de suporte e de gestão, de modo que sejam, respectivamente, processos que possuem a relação direta entre empresa e cliente, processos que colaboram com a realização dos primários e, por fim, processos estabelecidos com o objetivo de gerenciar as atividades dos de suporte e dos primários. Com isso, pode-se 24 afirmar que a cadeia de valor inicialmente idealizada por Porter foi modernizada, como é ilustrada na figura 4. FIGURA 4 - Cadeia de valor modernizada Fonte: PRADA, C (2019) Por fim, vale ressaltar que Gonçalves (2000) destaca a importância dos processos da organização serem conduzidos a partir da agregação de valor para o cliente final. 2.1.2. Mapeamento de processos Antes mesmo de pensar em como melhorar e otimizar o processo de qualquer organização, é necessário compreender como esse processo é realizado, entendendo todos os recursos, tempo e agentes envolvidos para sua execução. Assim, Costa e Politano (2008) afirma que o mapeamento de processos é essencial, pois provê o suporte aos gestores da empresaa entender seus processos e traçar melhorias e, com isso, aumentando a satisfação de seus clientes a partir da identificação de atividades que podem reduzir custos, agregar mais valor ao cliente, aumentar a qualidade do produto/serviço ou incrementar a produtividade. 25 A descrição das atividades e a relação entre elas em um processo corresponde ao mapeamento de processos, de acordo com Slack et al. (2017). Com isso, é possível visualizar o fluxo de informações e recursos no processo, além da maneira que as áreas se envolvem e como agregam valor ao cliente final, auxiliando a tomada de decisão acerca das mudanças para melhoria do processo (OLIVEIRA, 2012). Segundo TOLEDO et al. (2013), ao mapear um processo é preciso visualizá-lo de forma hierarquizada, identificando, inicialmente, seu macroprocesso, em seguida seus processos, estes que são divididos em subprocessos e, por fim, suas atividades que são divididas por tarefas. Assim, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Empresarial - IDEBRASIL (2018), com o objetivo de compreender a sequência de realização das atividades em uma organização, compõe-se a seguinte hierarquia de processos: 1. Macroprocessos: visão ampla do processo principal, em que envolve mais de um setor, departamento e função. Com isso, pode-se afirmar que o macroprocesso está ligado ao produto/serviço da organização; 2. Processos: conjunto de atividades complexas, compostas por subprocessos e tarefas, que permitem a execução do macroprocesso; 3. Subprocessos: conjunto de atividades específicas que compõem os processos; 4. Atividades: ações de menor complexidade e com objetivo determinado; 5. Tarefas: ações ligadas à rotina de trabalho, como atingimento de prazos, metas e afins; 26 FIGURA 5 - Hierarquia de processos Fonte: ResearchGate (2017) Partindo do entendimento que o mapeamento de processos é uma ferramenta fundamental para a empresa interpretar como é gerada a agregação de valor do seu produto/serviço ao cliente final, surge a necessidade de compreender como se dá as etapas para esse mapeamento, nas quais Pavani Júnior e Scucuglia (2017) aborda cinco passos, sendo eles: 1. Representação gráfica: descrição geral do processo; 2. Entrevistas: momento em que são coletadas as informações acerca do processo, como suas atividades, responsáveis, prazos e afins; 3. Desenho dos fluxos: apresentação das atividades de maneira visual, a partir das relações entre os fluxos; 4. Validação dos fluxos: momento em que há a conferência do que foi desenhado para que o processo esteja de acordo com a realidade vivenciada; 5. Desenho final: por fim, etapa em que ocorrem possíveis ajustes na representação do processo, bem como as melhorias analisadas. 27 Partindo do entendimento de que o mapeamento de processos, segundo Chinosi e Trombetta (2012), se dá por meio de simbologias em um fluxograma, o uso de uma notação gráfica para demonstrar esse fluxo processual torna a descrição dos processos mais robusta e autoexplicativa. Com o passar do tempo, diversas notações de processos foram surgindo, tais como ANSI (American National Standards Institute) e ASME (American Society of Mechanical Engineers), as quais possuem o objetivo de representar contextos de processos distintos, como um fluxo de trabalho mais longo com diversas atividades interligadas ou rotinas mais enxutas com até trinta atividades. Na figura 6 está descrita a simbologia para a notação ASME mencionada anteriormente. 28 FIGURA 6 - Simbologia ASME Fonte: Adaptado de Rocha (1995) Na figura 7 está descrita a simbologia para a notação ANSI mencionada anteriormente. FIGURA 7 - Simbologia ANSI Fonte: Adaptado de Slack et al. (2017) 29 2.1.3. Conceito de gestão de processos Com a revolução industrial, o olhar para os processos das grandes fábricas e indústrias seguiu um rumo diferente e, a partir de então, o pensamento de gestão de processos se tornou cada vez mais necessário no mundo corporativo. Pradella (2013) afirma que a gestão de processos contempla uma visão sistêmica e integrada do setor trabalhado e apresenta a interdependência desde o fornecimento de matéria prima até o cliente final, demonstrando como estão correlacionados na cadeia de valor da empresa. Para Campos (2014), os processos são mutáveis, uma vez que, mesmo sendo executados diariamente, podem deter modificações com o objetivo de agregar mais valor ao cliente, seja ele interno (outro setor) ou externo (consumidor final). Com isso, de forma análoga com o tópico 2.1.2 do presente trabalho, pode-se afirmar que a gestão de processos é uma ferramenta para a empresa possuir vantagem competitiva no que diz respeito à redução de custos, agregação de mais valor ao cliente, aumento de qualidade do produto/serviço ou incremento de produtividade. A gestão de processos é equivalente ao desenvolvimento de uma estrutura organizacional suficiente para compreender e gerir os processos de negócio de uma empresa, segundo Capote (2012). Nesse contexto, é preciso considerar que tal estrutura organizacional aspira por melhoria contínua de forma gradual e constante. Assim, padronizar os processos é uma forma direta de reduzir tempo, identificar problemas e implementar os planos de ação necessários (PAIM et al., 2009; CAMPOS, 2014). 2.1.4. Automatização de processos Ao longo do tempo, o mercado foi submetido a diversas revoluções industriais, sendo conhecidas como indústria 1.0, 2.0, 3.0 e 4.0. Para Iglésias (1984), a primeira revolução teve início com o emprego de máquinas em substituição do trabalho do homem e, deste modo, houve o início da “maquinofatura” em substituição a manufatura. 30 Com a modernização e digitalização do mundo, a automatização de processos nas empresas deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma necessidade em sua estrutura organizacional. Oliveira (2014) afirma que é preciso promover a automatização de processos para evitar erros e retrabalhos e melhorar a qualidade nos produtos e serviços fornecidos. Roig (2017) afirma que, “Automatizar processos nada mais é do que racionalizar e otimizar as atividades que geram os resultados de uma organização. Seu principal objetivo é "enxugar" a produção: reduzir o trabalho e o tempo utilizado para a execução, diminuir custos e substituir tarefas manuais por aplicações de software.” Martynowicz (2018) cita em sua obra doze benefícios que a automatização de processos agrega à empresa, sendo eles: 1. Fácil acesso e fluxo de informação; 2. Otimização do tempo; 3. Gestão segura e eficaz; 4. Redução de custos de produção; 5. Gerenciamento dos indicadores em tempo real; 6. Aumento da produtividade; 7. Comunicação mais ágil através de sistema integrado; 8. Maior competitividade perante ao mercado; 9. Melhor qualidade de vida para os funcionários devido à redução do retrabalho; 10. Integração da organização como um todo; 11. Redução de custos; 12.Controle de prazos em função da rastreabilidade dos processos. 2.1.5. Indicadores O conceito de indicador é amplamente discutido pela FQN (Fundação Nacional da Qualidade) (2014) como: Indicador é uma informação quantitativa ou qualitativa que expressa o desempenho de um processo, em termos de eficiência, eficácia ou nível de satisfação e que, em geral, permite acompanhar sua evolução ao longo do tempo e compará-lo com outras organizações. (...) 31 A principal característica de um indicador é que ele permite a comparação em relação à/ao: • passado (série histórica); • referencial de desempenho; • compromisso assumido; • meta de desempenho. O principal objetivo dos indicadores de desempenho é visualizar as oportunidades de melhoria nas empresas, tendo em vista que há a identificação de gargalos e possíveis causadores de resultados não planejados (Kardec, Flores e Seixas, 2002). Além disso, Furlan et al. (2013,p.209) declara que “a medição de desempenho se relaciona diretamente à capacidade de entendimento sobre o desempenho de processos de negócio”.Partindo desse pressuposto, Takashina e Flores (2005) afirmam que tais indicadores de desempenho e qualidade precisam ser diferenciados, de modo que o primeiro associa-se às características relacionadas ao produto e ao processo, já o segundo é referente às características da qualidade do produto ou serviço de acordo com a visão do consumidor final. 2.2.Startup de delivery 2.2.1. Conceito de startup Em um mercado cada vez mais volátil e inovador, é perceptível que o modelo de empresas de tecnologia conhecido como startups está se consolidando como a grande aposta do século XXI para empreendedores. Segundo o SEBRAE (2014), a definição de startup é: uma empresa nova, até mesmo embrionária ou ainda em fase de constituição, que conta com projetos promissores, ligados à pesquisa, investigação e desenvolvimento de ideias inovadoras. Por ser jovem e estar implantando uma ideia no mercado, outra característica das startups é possuir risco envolvido no negócio. Mas, apesar disso, são empreendimentos com baixos custos iniciais e são altamente escaláveis. Em 2013, devido ao crescimento acelerado de empresas novas operando no modelo de startups, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) desenvolveu o Programa Start-Up Brasil, no qual a fundação objetiva auxiliar e apoiar as empresas nascentes de base tecnológica (MCTI, 2013). De acordo com Torres (2012), a startup é uma organização desenhada para desenvolver uma solução para um problema de um conjunto de pessoas. Com isso, 32 o diferencial de uma startup para uma empresa tradicional é sua fase inicial, de modo que, enquanto em uma organização convencional sempre é indicado realizar um plano de negócio detalhado com um estudo de viabilidade anteriormente, as startups possuem um modelo de tentativa e erro muito estabelecido, ou seja, há a ideia e o empreendedor busca validá-la em campo já com um protótipo da solução (ALBERONE; CARVALHO; KICORVE, 2012). 2.2.2. Mercado de delivery Com a globalização, o acesso à informação tornou-se algo quase que instantâneo pela sociedade e, ligado a isso, a disseminação da internet ocorreu de forma muito avançada. O ser humano moderno tem buscado por conforto e comodidade no seu dia a dia, seja para realização de atividades domésticas, momentos de lazer ou em seu âmbito de trabalho. Mendes (2023) afirma em sua obra que, diante dessa realidade, inúmeros serviços são criados para atender as necessidades do homem moderno e um tipo de serviço que adquiriu muito espaço, visibilidade e destaque ao longo do tempo foi o de food delivery. Ainda Mendes (2023) aborda que esta modalidade passou por grandes transformações no mercado e com a vinculação da internet nos serviços de food delivery, surgiram algumas startups em forma de aplicativos de delivery. Um estudo realizado pela Kantar (2021), empresa líder em dados, insights e consultoria, constatou que cerca de um terço dos brasileiros (28%) optam por pedir comida pelo menos uma vez na semana. Tal dado reafirma a expansão acelerada desse modelo de serviço e na oportunidade de desenvolver ainda mais sua operação. Donna (2015) atesta que o setor de food delivery envolve toda a cadeia de produção e distribuição de produtos alimentícios para consumir dentro ou fora do lar. São diversos benefícios que possui-se com este mercado e, ligado a isso, Alves (2020) afirma que a industrialização de globalização desse setor possibilitou a diversificação alimentar em todo o mundo, permitindo a experimentação de diferentes culturas em uma refeição no próprio lar. No que diz respeito ao cenário das empresas que atuam neste setor, com a crescente mudança de hábitos da sociedade, cardápios variados e vivência de experiências gastronômicas em domicílio, as mesmas utilizam estratégias 33 desenvolvidas para obtenção de lucro enquanto atendem tais exigências dos consumidores. 2.3.Ferramentas da qualidade De acordo com Lucinda (2010), conforme o crescimento da complexidade nos processos organizacionais, houve o aumento do grau de dificuldade para solucionar os problemas identificados. Atualmente tais problemas exigem uma visão sistêmica e ação multidisciplinar para sua solução. Godoy (2009) identifica como ferramentas da qualidade todos os processos aplicados com o intuito de obter melhorias e resultados positivos, permitindo, assim, uma melhor exploração dos produtos ou serviços da empresa no mercado competitivo. Muitas ferramentas constituem-se em ferramentas gráficas que objetivam evidenciar a questão estudada em sua análise e possível solução. Já outras representam técnicas que focam no problema (VERGUEIRO, 2022). Lucinda (2010) constata que existem quatro razões para quais se fazem a utilização das ferramentas para qualidade, sendo elas: 1. Facilitar o entendimento do problema; 2. Proporcionar um método eficaz de abordagem; 3. Disciplinar o trabalho; 4. Aumentar a produtividade. A importância em fazer o uso das ferramentas da qualidade se relaciona com o ensino do conceito de variabilidade que é encontrada na gestão da qualidade, de modo que, ao usar a qualidade em busca da melhoria contínua, é preciso que os envolvidos compreendam as causas do problema (MEIRELES 2001). 2.3.1. Estratificação César (2011) afirma em sua obra que a estratificação consiste em dividir um grupo de dados em subgrupos de acordo com alguns fatores apropriados, conhecidos como fatores de estratificação. Tais fatores são definidos de acordo com o contexto da análise, como por exemplo estudar um caso de alto índice de peças danificadas na linha de produção e, dessa forma, estratificar em turnos, máquinas, tipos de danos, operadores etc (Mariani 2005). 34 “Os fatores, equipamentos, insumos, pessoas, métodos, medidas e condições ambientais são fatores naturais para a estratificação de dados” (Werkema, 2006, p.54). Outra definição utilizada por Mariani (2005) se refere à estratificação como uma metodologia utilizada para subdividir ou estratificar o problema estudado em partes menores, contribuindo para investigação e análise para um plano de ação direcionado e eficaz. Com o objetivo de exemplificar tipos de estratificações que podem ser realizadas em uma pesquisa, César (2011) utiliza exemplos referente a seis classes de divisões, sendo elas: A. Estratificação natural (separação em grupos semelhantes) B. Estratificação cruzada (problema x causa) C. Estratificação por tempo D. Estratificação por performance E. Estratificação simples (gráfico de pizza) F. Estratificação de dispersão Na figura 8 está representado o modelo de estratificação natural, utilizando como exemplo a separação de três componentes, sendo eles o óleo, a água e a areia. FIGURA 8 - Estratificação natural Fonte: César (2011) 35 No quadro 1 está representado o modelo de estratificação cruzada, utilizando como exemplo a produção de peças de uma empresa separada por seus operários. QUADRO 1 - Estratificação cruzada Fonte: César (2011) No quadro 2 também está representado o modelo de estratificação cruzada, utilizando como exemplo a mesma produção de peças dessa empresa separada por seus fornecedores. QUADRO 2 - Estratificação cruzada Fonte: César (2011) Na figura 9 está representado o modelo de estratificação por tempo, utilizando como exemplo os turnos de trabalho de uma organização. 36 FIGURA 9 - Estratificação por tempo Fonte: César (2011) Na figura 10 está representado o modelo de estratificação por performance, utilizando como exemplo a produção de uma empresa separada por máquinas. 37 FIGURA 10 - Estratificação por performance Fonte: César (2011) Na figura 11 está representado o modelo de estratificação simples, utilizando como exemplo porcentagem de aprovação de candidatos em uma eleição. FIGURA 11 - Estratificação simples Fonte: César (2011) Na figura 12 está representado o modelo de estratificação de dispersão, utilizando como exemplo a correlação entre duas variáveis, sendo eles o tempo de vida da ferramenta e suavelocidade. 38 FIGURA 12 - Estratificação de dispersão Fonte: César (2011) 2.3.2. Ciclo PDCA Ishikawa (1993) afirma que o conceito da metodologia do ciclo PDCA surge a partir do século XX, com base no tratamento do autor Frederick Taylor e algumas ferramentas de planejamento, execução e monitoramento dos processos produtivos. A definição da metodologia é amplamente discutida por SILVA, AGOSTINO, SOUSA, COUTO e DAHER (2017) em sua obra, na qual descreve: O método PDCA (Plan – Planejar; Do - Executar, Check - Controlar, Action - Atuar) tem se destacado no ambiente organizacional como um método gerencial para melhoria de processos e soluções de problemas, sendo a base da melhoria contínua, podendo ser utilizado em qualquer tipo de organização, seja ela em uma empresa privada, uma organização sem fins lucrativos ou em um setor público. Ademais, Vieira Filho (2010, p.24) também agrega que este modelo direciona a gestão da tomada de decisões de forma a melhorar e desenvolver tarefas de uma organização, de modo que explora a busca pela melhoria contínua da performance. Ou seja, pode-se afirmar que o PDCA contribui consideravelmente para se obter melhores resultados. 39 FIGURA 13 - Ciclo PDCA Fonte: Adaptado de Costa (2017) Costa (2017) detalha as quatro etapas da metodologia PDCA da seguinte forma: ● Plan (Planejar): inicialmente, é necessário que haja o entendimento básico do que se pretende com todo o processo estudado. Esta fase consiste em conceituar as ações necessárias, levantar os recursos e condições, identificar as dependências e implicações, atribuir as responsabilidades e detalhar todo o processo de mensuração de desempenho a partir dos resultados esperados. Esta etapa pode ser considerada concluída a partir da construção de um plano robusto e detalhado para dar suporte à execução. Além disso, é nesse momento que são eleitos os itens prioritários para a implantação. ● Do (Fazer): com o plano definido e detalhado do projeto/processo, esta fase é voltada para execução das ações determinadas anteriormente, desde a obtenção dos recursos e condições necessárias até a implantação do processo de medição e controle. Esta etapa resulta em um conjunto de sistemas, processos, equipamentos e entre outras determinações do plano, devidamente implementados e em condições de ser operados para produzir os resultados esperados. 40 ● Check (Verificar): após toda a implementação do plano, torna-se necessário entender se o cenário obtido aproxima-se ou distancia-se dos resultados planejados. Com isso, nesta fase, além de medir, deve-se assegurar que o processo tenha sido executado cuidadosamente de acordo com o plano. Para isso, utilizam-se de relatórios de acompanhamento e de desvios, apresentando o atendimento ou não das condições estabelecidas. ● Act (Atuar): a quarta fase da metodologia faz referência aos erros e acertos acerca do processo/projeto, tendo em vista que é a utilização prática dos resultados do processo, bons ou ruins. A partir da fase anterior de verificação, duas conclusões podem ser tomadas, sendo eles: as condições e resultados planejados foram obtidos ou houveram problemas na implementação do plano. Considerando a primeira hipótese, há o entendimento que o processo detalhado no planejamento foi bem sucedido e, com isso, deve haver a institucionalização e padronização para o futuro. Já considerando a segunda hipótese, a metodologia, por ser um ciclo, permite aos responsáveis a volta à primeira etapa para que seja re-planejado o plano de acordo com os aprendizados obtidos. 2.3.3. 5W1H Com o objetivo de definir um plano de ação detalhado que direcione aos resultados esperados, a metodologia 5W1H busca elencar todas as condições e recursos necessários para a execução bem sucedida do plano. Polacinski (2012) define o 5W1H como uma ferramenta que objetiva estabelecer o que precisa ser executado, como um levantamento de atividades necessárias da maneira mais entendível possível. Oliveira (1996) complementa a definição da ferramenta afirmando que é uma forma de suportar as decisões tomadas pela gestão da empresa, proporcionando o acompanhamento da implantação e execução do projeto. A metodologia é estruturada a partir da resposta de seis perguntas simples em busca da solução final (WERKEMA, 2012), as quais nortearão as ações e representam um checklist de atividades (MOREIRA, 2016). No quadro 3, é possível verificar a divisão dos questionamentos. 41 QUADRO 3 - Divisão da ferramenta 5W1H MATRIZ PERGUNTA TRADUÇÃO EXPLICAÇÃO 5W What? O quê? Qual ação será executada? When? Quando? Qual o prazo para execução da ação? Where? Onde? Onde será executada a ação? Why? Por quê? Qual a justificativa da ação? Who? Quem? Quem é o responsável pela execução da ação? 1H How? Como? Qual o procedimento para execução da ação? Fonte: adaptado de Meira (2003) 2.3.4. 8 desperdícios lean Na filosofia de gestão Lean Manufacturing, o conceito de desperdício pode ser definido como tudo aquilo que gera custo ou consome recursos sem agregar valor ao cliente. As organizações dedicam-se continuamente à busca pela eficiência na resposta às demandas do mercado. Costa e Godinho Filho (2016) descreve que a eliminação sistemática de desperdícios é um dos principais focos da filosofia Lean. Com isso, elas se empenham em aprimorar seus processos, implementar práticas de gestão da qualidade e reduzir erros, visando à eliminação de desperdícios. Ohno (1998), criador do sistema Toyota de produção, traz o conceito de manufatura enxuta como A eliminação de desperdícios e elementos desnecessários a fim de reduzir custos; a ideia básica é produzir apenas o necessário, no momento necessário e na quantidade requerida. Toussaint e Gerard (2010) trazem uma evolução do modelo idealizado por Ohno (1998), obtendo como resultado os seguintes desperdícios: 42 FIGURA 14 - 8 desperdícios lean Fonte: Coutinho (2020) Coutinho (2020) define os oito desperdícios como: 1. Processamento impróprio: Esta forma de desperdício se caracteriza pelo processamento em excesso, ultrapassando as necessidades do cliente, ou seja, a execução de atividades além daquelas que compõem a sequência lógica do processo. A ausência de padronização dificulta a gestão e o controle eficaz do processo, não contribuindo para a adição de valor. 2. Produção excessiva: Este desperdício se refere à produção em excesso, resultando em mais saídas de materiais ou informações do que o necessário. Isso pode levar a problemas como aumento de estoque, defeitos, transporte adicional e movimentação excessiva. 3. Estoque: Este desperdício está associado ao armazenamento excessivo de insumos, matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados. O excesso de estoque dificulta a identificação eficaz de problemas no processo produtivo e impede a implementação de atividades para melhorar o desempenho empresarial. 4. Transporte: Este desperdício envolve o transporte desnecessário de materiais, funcionários e informações no processo produtivo. Embora seja um mal necessário em alguns casos, todo transporte é considerado um desperdício, pois não adiciona valor ao produto. 5. Movimentos desnecessários: Esse desperdício refere-se a movimentações excessivas e desnecessárias de equipamentos e colaboradores no processo 43 produtivo. Esses movimentos consomem tempo que poderia ser melhor empregado na produtividade e na agregação de valor ao produto. 6. Defeitos e retrabalho: Este desperdício resulta na produção de produtos defeituosos que requerem retrabalho ou são descartados. 7. Espera: Esse desperdício ocorre quando funcionários, máquinas e recursos ficam inativos no processo produtivo. 8. Intelectual: Este desperdício refere-se ao não aproveitamento do conhecimento e das habilidades dos colaboradores. 2.3.5. Lead time e tempo de ciclo Segundo Ericksen e Stoflet (2007), o lead time representa o intervalo de tempo desde a solicitação do pedido até que pelo menos umdos itens solicitados esteja disponível no estoque e seja entregue ao cliente. Em outras palavras, é o período que a organização leva para processar parcialmente ou totalmente um pedido. Portanto, é crucial identificar os pontos de atraso nos processos a fim de desenvolver um projeto que minimize esse tempo ao máximo. Para Tubino (1999), o cálculo do lead time de produção se concentra no tempo necessário para fabricar o item até que esteja disponível no estoque. É fundamental investigar onde ocorrem os gargalos nos processos, de modo a tornar o lead time cada vez mais eficiente. Na visão de Martins (2003), o lead time é o tempo necessário para transformar um pedido em entrega ou matéria-prima em estoque, incluindo o tempo de produção. Assim, compreende-se que o lead time representa o tempo total desde a solicitação do cliente até o fornecimento do produto. É essencial analisar cuidadosamente os processos para evitar atrasos e assegurar a satisfação contínua do cliente com relação aos prazos de entrega. Já o tempo de ciclo, diversos autores apresentam diferentes definições para seu conceito. Hopp e Spearman (2001) conceituam o tempo de ciclo como sendo o intervalo médio de tempo desde a entrada inicial na linha de produção até a entrada no inventário final. 44 3. METODOLOGIA Nesta seção, serão descritos os procedimentos metodológicos fundamentais para o desenvolvimento do presente estudo, sendo abordada, primeiramente, sua classificação no que diz respeito à natureza, à abordagem, aos objetivos e ao método utilizado. Além disso, também será descrito o campo onde se realizará a pesquisa e seus sujeitos e, por fim, as etapas estruturadas para seu desenvolvimento. 3.1.Classificação da pesquisa O processo de estudo e pesquisa pode ser descrito como uma atividade que requer planejamento durante sua execução e desenvolvimento, com o objetivo de resolver um problema utilizando métodos científicos (GIL, 2002). De acordo com Salomon (2000), a pesquisa científica aplicada é determinada pelo problema identificado. Assim, para categorizar este estudo, adotou-se a estrutura proposta por Turrioni e Mello (2012), que apresenta quatro classificações primárias, definindo a pesquisa com base em sua natureza, objetivos, abordagem e método, conforme ilustrado na figura 15. 45 FIGURA 15 - Classificação da pesquisa científica em Engenharia de Produção Fonte: Turrioni e Mello (2012) Nesse contexto, em relação à sua natureza, a pesquisa pode ser classificada em básica, cujo propósito é gerar novos conhecimentos teóricos de interesse amplo, sem haver uma aplicação prática; ou aplicada, voltada para a produção de conhecimento destinado a resolver problemas específicos por meio de sua aplicação prática (GANGA, 2011). Nesse sentido, o presente estudo é caracterizado como natureza aplicada, pois visa aprimorar e aplicar em mais setores da companhia a automação de processos. No que concerne à abordagem, uma pesquisa pode ser qualitativa, quantitativa ou uma combinação de ambas. A abordagem qualitativa busca compreender a fundo questões sociais ou organizacionais sem se basear em dados numéricos, confiando na interpretação dos eventos em seu contexto natural (Vianna, 2013). Por outro lado, a abordagem quantitativa se concentra na tradução de fatos em números utilizando técnicas estatísticas (Vianna, 2013). Já a abordagem combinada integra aspectos das duas abordagens anteriores. Assim, este estudo adota uma abordagem combinada, tratando e analisando dados numéricos relacionados à automatização de processos e empregando 46 ferramentas da qualidade como estratificação de dados para definir os indicadores do processo, caracterizando-a como quantitativa. Além disso, serão utilizados métodos indutivos para interpretar os resultados e obter-se mais insumo acerca do campo de estudo, conferindo à pesquisa uma dimensão qualitativa. Quanto aos objetivos, uma pesquisa pode ser exploratória, descritiva, explicativa ou normativa. A pesquisa exploratória formula hipóteses mais precisas para explorar pontos de discussão (GIL, 2002). Ademais, segundo Ganga (2011) afirma que o desenvolvimento dos estudos exploratórios se dá visando a possibilidade da compreensão inicial de um problema pouco explorado. No que diz respeito à pesquisa normativa, Turrioni e Mello (2012) declara que este tipo de estudo possui o objetivo de melhorar resultados existentes na literatura. Assim, este estudo é tanto exploratório, pois busca compreender o processo comercial em uma startup de delivery, quanto normativo, ao propor ações para melhorar esse processo. No que tange ao método, a pesquisa é caracterizada como estudo de caso, pois visa coletar dados no local onde os eventos ocorrem para entender o problema ou descobrir novos fenômenos relacionados a ele (Marconi e Lakatos, 2003). Com isso, as quatro classificações da presente pesquisa foram resumidas no quadro 4. QUADRO 4 - Classificação da pesquisa Fonte: elaborado pelo autor (2024) 3.2.Etapas da pesquisa O presente estudo se configura como uma pesquisa de campo, pois, conforme ressaltado por Piana (2009), os dados e informações foram coletados diretamente junto à população objeto da pesquisa. Isso demandou do pesquisador uma maior imersão no objeto de estudo, exigindo reuniões no local onde o 47 fenômeno ocorre e extração de bases de dados nos sistemas da empresa para reunir e documentar todas as informações pertinentes. Nesse contexto, é imprescindível adotar procedimentos adequados para a coleta, registro e análise dos dados, visando desenvolver conclusões consistentes sobre o tema investigado. No caso de estudos de caso, é fundamental realizar um planejamento minucioso dessa etapa, uma vez que o pesquisador necessita de múltiplas fontes de evidências para validar satisfatoriamente a pesquisa (GANGA, 2011). Para elaborar esse planejamento, conforme proposto por Miguel (2007), com base nos estudos de Forza (2002), Croom (2005) e Souza (2005), existe uma sequência de etapas específicas para a construção de um estudo de caso na área de Engenharia de Produção, detalhadas na figura 16. FIGURA 16 - Etapas para condução de um estudo de caso para Engenharia de Produção Fonte: Miguel (2007) Com base nas diretrizes fornecidas, serão detalhadas as seguintes fases para o presente estudo: estabelecer uma estrutura conceitual teórica, planejar o caso, realizar a coleta de dados, proceder à análise dos dados e gerar o relatório final. 48 Não se contemplará a etapa de condução de um teste piloto, uma vez que este será incorporado à própria execução do projeto. 3.2.1. Definir uma estrutura conceitual teórica A fase inicial do estudo de caso envolveu a delimitação dos referenciais teóricos pertinentes ao tema da pesquisa, visando fundamentar a construção do estudo e ampliar o entendimento do autor sobre os assuntos abordados. Assim, no presente trabalho, a exposição detalhada do embasamento teórico é apresentada no capítulo 2. 3.2.2. Planejar o caso O planejamento do estudo de caso englobou a definição das proposições que guiarão a pesquisa, a fim de estabelecer os limites do escopo do estudo, determinando as fontes de evidência a serem exploradas e identificar os dados a serem coletados e analisados. Nesse contexto, para esta pesquisa, foi primeiramente estabelecido o entendimento sobre como a automatização por processos influencia na eficiência e eficácia da operação do setor comercial de uma startup de delivery. Ademais, para assegurar a relevância dos resultados, foi adotada a recomendação de Yin (2001) de utilizar múltiplas fontes de evidência. Assim, foram empregadas três formas de coleta de dados: observação direta no local, realizada através de acompanhamento do processo em tempo real, entrevistas e coleta de dados nos sistemas e ferramentas da organização. 3.2.3. Coletar os dados Para executar a etapa presente, uma das fases cruciais da pesquisa, foi elaborado um plano com referência aoprocedimento de coleta de dados e evidências em estudos de caso, conforme detalhado por Ganga (2011), cujo processo é esclarecido na figura 17. 49 FIGURA 17 - Planejamento da coleta de dados e evidências em estudos de caso Fonte: Ganga (2011) Após a definição do problema e da estratégia de coleta de dados, foram identificados os principais participantes, designados como sujeitos da pesquisa: os key account managers (gerentes de contas comerciais), o coordenador da área de growth e os analistas responsáveis pelas execuções das campanhas comerciais. Para iniciar a coleta de dados, foi conduzida uma reunião com os três colaboradores de cada área, aproveitando a oportunidade para apresentar e validar os objetivos gerais e específicos do estudo, bem como a questão em análise, possibilitando ajustes caso fossem necessários (TURRIONI; MELLO, 2012). Após essa etapa inicial de validação, foram acordados, durante a reunião, os indivíduos-chave a serem entrevistados, bem como foram definidos os dados a serem coletados e os procedimentos necessários para garantir conformidade com as normas legais da organização. Com base nisso, foi dado prosseguimento à coleta de dados, reconhecendo que, de acordo com Turrioni e Mello (2012), um estudo pode fazer uso de diferentes formas de fontes ou métodos de coleta de dados, incluindo roteiros, observações in loco, documentos arquivados e questionários. Para este estudo em particular, foram empregadas três fontes de dados e evidências. Assim, após o acompanhamento do macroprocesso comercial, a realização de entrevistas com os colaboradores identificados e a coleta de dados nos sistemas da empresa, todas as informações obtidas foram validadas em uma nova reunião com os participantes da pesquisa. 50 3.2.4. Analisar os dados Conforme mencionado por Yin (2001), a análise de dados tem como objetivo avaliar, categorizar e classificar as evidências, com o pesquisador priorizando o que deve ser analisado e por quê. Além disso, é fundamental validar a eficácia e suficiência dos dados obtidos para responder à questão de pesquisa e contribuir para o alcance dos objetivos gerais e específicos estabelecidos. Para viabilizar essa priorização, primeiramente, os dados foram compilados para facilitar a compreensão das informações. Em seguida, esses dados foram tratados de acordo com a forma de coleta: o fluxograma no software Bizagi, desenvolvido a partir do mapeamento do processo, as anotações das entrevistas com os colaboradores envolvidos e os dados numéricos nas planilhas do Google Sheets, permitindo a elaboração de cálculos, tabelas e gráficos. O Google Apresentações foi utilizado como ferramenta de apoio para a criação de figuras. 3.2.5. Gerar o relatório Após concluir a análise, foi elaborado o Capítulo 5 deste documento, que apresenta os resultados derivados das evidências coletadas. Este capítulo abrange as análises realizadas, as oportunidades identificadas e a descrição dos planos de ação sugeridos. Esses planos são apresentados de forma a esclarecer como devem ser implementados e qual é o propósito de cada um deles. 4. ESTUDO DE CASO 4.1.Descrição da empresa Fundada em 2015 na Colômbia por Simon Borrero, Felipe Villamarín e Sebastián Mejía, a startup objeto de estudo é um super app de delivery da América Latina presente em 9 países (Brasil, Colômbia, México, Peru, Equador, Costa Rica, Chile, Uruguai e Argentina) que tem como objetivo estar presente em toda a rotina de seus usuários, desde a hora que acorda até a hora que vai dormir com uma variedade vasta de produtos e serviços disponíveis no aplicativo. Atualmente a empresa já faz parte de mais de 240 cidades, possui mais de 90 milhões de usuários registrados, sendo mais de 20 milhões usuários ativos, mais de 500 mil entregadores, mais de 200 mil parceiros e mais de 6300 funcionários diretos. 51 Em 2017 a empresa chegou ao Brasil e em 2018, três anos após sua fundação, se tornou unicórnio ao atingir $1 bilhão de dólares em valuation. Seu sucesso se deu por meio da inovação que a empresa trouxe ao mercado de delivery, visto que no aplicativo seus usuários conseguem realizar pedidos de restaurantes, mercados, farmácias, passagens aéreas, produtos eletrônicos, entre outras funcionalidades. No ano de 2020, a organização comprou a empresa Avocado que consistia em dark stores com produtos para pais de recém nascidos que realizavam entregas em até 10 minutos aos seus usuários. Com essa aquisição, surgiu o Turbo e suas dark stores (depósitos de produtos selecionados onde os funcionários recebem os pedidos, encontram itens por meio de um sistema por código de barras e entregam os produtos aos entregadores da empresa). Em 2023, a startup adquiriu o Box Delivery, empresa que opera no modelo Last Mile (última etapa do processo de transporte de um produto), ou seja, as empresas B2C (business to consumer) se cadastram no aplicativo e quando seus clientes realizam um pedido, já terá um entregador parceiro da Box Delivery para ir levar até eles. Atualmente, no Brasil, a organização se encontra em um cenário de expansão de seus serviços, buscando estar mais presente em mais cidades e impactar cada vez mais usuários e obtendo mais PRO users (assinatura mensal dos usuários que fornece vários benefícios como entregas com frete grátis, acessos a outras plataformas com HBO Max, Tinder, etc) visto que esses possuem maior frequência de compra e maior ticket médio dos pedidos. 4.2.Descrição do setor O setor no qual o presente trabalho se refere é Monetization, responsável por gerar receitas e monetizar os produtos que a empresa oferece às indústrias que investem em posicionamentos e ativações dentro do aplicativo. Além do viés comercial, neste setor também se encontra o time de performance e execução, responsáveis por planejar, executar, monitorar e mensurar as campanhas comerciais vendidas aos clientes. O time de Monetization é dividido em 3 verticais, sendo elas Drinks, Foods e Pharmacy, e uma área de Growth Management. Cada vertical possui uma carteira 52 de clientes ligada aos produtos que vendem, como por exemplo a Coca-Cola em Drinks, a Nestlé em Foods e P&G em Pharmacy. Além disso, a área de Growth Management é formada pelo time de performance e execução das ativações vendidas. Abaixo se encontra o organograma do setor trabalhado. FIGURA 18 - Organograma do setor de Monetization na empresa Fonte: elaborado pelo autor (2024) A estrutura de Monetization é dividida em dois pilares, sendo eles: growth management e comercial. O head growth management e o head monetization estão interligados, visto que precisam alinhar as vendas com a execução e performance e são os responsáveis por liderar todo o setor. Ainda na parte estratégica do organograma, tem-se os líderes de verticais (drinks, foods e phc) e também o líder de growth management. Entrando na parte tática da estrutura, encontram-se os KAMs de cada vertical, responsáveis pela venda das campanhas comerciais, juntamente com os planners, responsáveis por planejar, monitorar e analisar as 53 ações comerciais, e vertical leads, responsáveis por ser o suporte do time de execução. Por fim, na parte operacional, tem-se o time de analistas para executar as campanhas. Com o objetivo de ter uma visão ponta a ponta do processo de execução de uma campanha comercial desde a prospecção até a análise de performance. FIGURA 19 - Macroprocesso do setor Monetization Fonte: elaborado pelo autor (2024) O processo é dividido nos três agentes envolvidos nele, sendo eles: o KAM, o planner e o analista. Ele se inicia com uma atividade em conjunto do KAM e do planner de analisar o cenário que o cliente se encontra atualmente no aplicativo e idealizar seu possível crescimento na plataforma em termos de faturamento, usuários, pedidos, unidades, penetração, market share, entre outros indicadores. Em seguida, é responsabilidade do KAM precificar a proposta e montar a apresentação a ser realizadaao cliente, além de, em paralelo, marcar a reunião. Com isso, após a apresentação, o cliente pode aprovar ou recusar a proposta apresentada. Caso ele não aceite, o comercial irá ajustar a precificação e os produtos a serem vendidos ao cliente e caso ele aceite, o KAM deve aprovar o deal (acordo comercial) no sistema 54 de CRM para dar início às atividades do planner. Após o deal ser aprovado no sistema, é de responsabilidade do planner abrir o briefing de execução com todas as informações da campanha, visto que ele será utilizado pelo time dos analistas para colocar a ação para rodar. Em paralelo à execução, o planner deve monitorar todos os tickets abertos, pois caso algum analista tenha alguma dúvida ou execute algo fora do acordado, é de sua responsabilidade ajustar. Com o objetivo de não esperar o final da campanha para saber se os resultados foram positivos ou negativos, os principais indicadores da ação são monitorados durante sua execução para, caso algo não esteja saindo dentro dos conformes, dar tempo de ajustar. Por fim, ao final da campanha, o planner deve elaborar um relatório de performance da ação e apresentar ao cliente. 4.3.PDCA O objetivo desta seção é contextualizar o leitor sobre o problema de pesquisa e apresentar os resultados alcançados por meio do estudo. Para atingir esse propósito, em consonância com o acordo estabelecido com a empresa para a realização do trabalho e com os requisitos do trabalho de conclusão de curso, foi estabelecido que o direcionamento deste estudo seria conduzido pelo método PDCA, abrangendo as fases de Planejar, Fazer, Verificar e Atuar. 4.3.1. Plan (Planejar) Inicialmente, com o objetivo de obter-se uma visão macro do setor comercial e identificar possíveis oportunidades de melhoria de processos por meio da automatização, foi realizado um levantamento e mapeamento de todos os principais processos de acordo com observações in loco e entrevistas com os agentes envolvidos. Ao observar que as tarefas no setor são realizadas de acordo com o status em que a campanha negociada com o parceiro se encontra, os processos foram divididos em 3 classificações, sendo elas: pré ativação, ativação e pós ativação. No fluxograma representado pela figura 20, é possível visualizar o macroprocesso que será desmembrado e a interdependência de cada processo de acordo com o fluxo geral. 55 FIGURA 20 - Processo de ativação de campanha Fonte: elaborado pelo autor (2024) Assim, temos a seguinte classificação dos processos: ● Pré ativação: ○ Aprovar a P.O no CRM; ○ Fechar o deal no CRM; ○ Aprovar a P.O no CMS; ● Ativação: ○ Abrir o briefing de execução via Request Hub; ○ Executar as ativações solicitadas; ● Pós ativação: ○ Faturar a nota fiscal referente à P.O. Preliminarmente, para ser executada qualquer campanha comercial de um parceiro, é necessário que este cliente envie uma P.O (purchase order), ou seja, uma ordem de compra que pode ser definida como um documento comercial emitido pelo comprador ao vendedor, tendo a finalidade de formalizar o acordo de prestação de serviços e/ou produtos com suas respectivas quantidades, preços e demais especificações alinhadas. Com este documento em mãos, é de responsabilidade do gerente comercial da conta solicitar sua aprovação no sistema CRM (Customer Relationship Management), plataforma que gerencia todo processo comercial de relacionamento com o cliente da organização. Com a P.O aprovada, este mesmo colaborador deve fechar o deal (ticket no CRM referente ao acordo comercial negociado) para que 56 seja criada uma UK (Unique Key) que é um código único gerado para ativação da campanha. É possível fazer uma analogia da UK a um CPF de uma pessoa, tendo em vista que cada campanha terá um código único, servindo como base para identificar e gerenciar o valor que está sendo gasto nessa ativação para não ultrapassar o budget. Após as duas etapas anteriores finalizadas, o gerente comercial ainda precisa aprovar essa mesma P.O em questão em um outro sistema CMS (Content Management System), plataforma que é responsável por gerir todo o conteúdo de P.O’s aprovadas e seus respectivos gastos, com descontos, cupons, ofertas de frete grátis, entre outros. No que diz respeito à fase de ativação em si, para que todas as informações sejam passadas aos analistas corretamente, o gerente responsável pela conta precisa elaborar e abrir o briefing de execução da campanha com todos os dados referentes à negociação com o parceiro. Vale ressaltar que este é o documento mais importante para garantir o resultado da ativação e satisfação e fidelização do cliente com o acordo. Assim, os analistas receberão as solicitações de execução via JIRA, plataforma de monitoramento de tarefas e acompanhamento de projetos com suas respectivas atividades. Com esse sistema é possível ter uma visão geral de todos os tickets solicitados e seus status, ou seja, quais já estão finalizados, quantos estão em andamento e quais ainda estão como pendentes para executar. Por fim, após a campanha ser finalizada, é necessário que a P.O utilizada para as ativações seja faturada, ou seja, o gerente comercial possui a responsabilidade de solicitar ao time financeiro via planilha no Google Sheets o faturamento da nota fiscal para ser enviada ao cliente. 4.3.2. Do (Fazer) A partir do entendimento de todo o macroprocesso comercial de ativação de uma campanha com um parceiro, é possível identificar quais etapas são passíveis de automatização através de um sistema ou algoritmo que viabilize tal otimização. Com isso, pôde-se perceber que três etapas do processo principal possuíam desperdícios lean ligados a sua execução, sendo elas: - Aprovar P.O no CMS: após o gerente comercial receber a P.O do cliente, o mesmo irá solicitar sua aprovação no CRM e, com isso, torna-se um 57 retrabalho também buscar aprová-la em outro sistema, de modo que este passo já foi realizado anteriormente. Olhando para os oito desperdícios lean, dois que se encaixam nesta situação são o desperdício de espera, visto que para subir as ativações é preciso aguardar a P.O ser aprovada no outro sistema CMS, e desperdício de processo desnecessário, tendo em vista que o documento já foi aprovado anteriormente. - Executar a campanha: partindo do entendimento que toda ativação só é executada a partir do preenchimento das informações completas da campanha no briefing pelo gerente comercial, a atividade que o analista possui em replicar tais dados no sistema se torna um retrabalho, de modo que a integração do briefing com o sistema de execução já tornaria todas as ativações automatizadas. Assim, é possível identificar os desperdícios de intelecto, sabendo que o analista estaria realizando um processo extremamente operacional ao invés de contribuir com insights para a empresa de outra forma, desperdício de espera, visto que as ativações teriam o tempo de execução de cada analista, e retrabalho, sabendo que as informações já preenchidas pelo gerente comercial seriam replicadas para o time de operação lançar no sistema. - Faturar a nota fiscal da P.O: a empresa objeto de estudo possui um número consideravelmente alto de clientes ativos em sua base e, com isso, a quantidade de informações e dados financeiros de cada parceiro se torna algo preocupante caso não haja um sistema para gerir tais números. Sabendo que no processo comercial, a última etapa de faturamento da nota fiscal da P.O do cliente é realizada através do Google Sheets (planilha), é perceptível a necessidade de consolidar todas as informações em um sistema financeiro para otimizar o processo e gerar mais confiabilidade nos dados. Tendo em vista que as planilhas online costumam travar e bloquear o acesso com uma quantidade alta de dados, o desperdício de espera foi identificado após os gerentes comerciais precisarem aguardar um tempo para editar a planilha sem interrupção. Assim, abaixo está o novo processo comercial após as automatizações realizadas