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Atuação de Enfermagem ao Idoso

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ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
INSTITUTO DE CIÊNCIAS NATURAIS E TECNOLÓGICA
CAMPUS UNIVERSITÁRIO JANE VANINI
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
LUCIANA DA SILVA BARROS
ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM AO IDOSO VÍTIMA DE VIOLÊNCIA E MAUS 
TRATOS EM UNIDADES DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO 
MUNICÍPIO DE CÁCERES – MT
CÁCERES – MT
2008
ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
INSTITUTO DE CIÊNCIAS NATURAIS E TECNOLÓGICA
CAMPUS UNIVERSITÁRIO JANE VANINI
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
LUCIANA DA SILVA BARROS
ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM AO IDOSO VÍTIMA DE VIOLÊNCIA E MAUS 
TRATOS EM UNIDADES DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO 
MUNICÍPIO DE CÁCERES – MT
Monografia apresentada como requisito 
parcial para obtenção do título de Bacharel 
em Enfermagem, sob coordenação da Profª 
Maria Rosângela Beckert, ao Departamento 
de Enfermagem do Campus Universitário 
Jane Vanini da Universidade do Estado de 
Mato Grosso.
Orientadora: Enf. Ms Naudia da Silva Dias
CÁCERES – MT
2008
FOLHA DE APROVAÇÃO
Banca Examinadora
_____________________________________________________
Profª Enf. Ms Naudia da Silva Dias (Orientadora)
Deptº de Enfermagem / UNEMAT/ Cáceres
_____________________________________________________
Enf. Ms Patrícia da Silva Ferreira (Membro da Banca)
_____________________________________________________
Profª Enf. Esp. Simone Brandão (Membro da Banca)
Deptº de Enfermagem / UNEMAT/ Cáceres
_____________________________________________________
Profª Rosângela Beckert
Professora Orientadora de TCC
Aprovado em: ___/___/___ Nota: ______________
EPÍGRAFE
“Com os Idosos está à sabedoria e na abundância de 
dias o entendimento”.
Jó 12:12 
DEDICÁTORIA
Dedico esta monografia a Deus, aos meus amados 
pais, Onofre e Édina, minhas irmãs, Giselle e 
Patrícia e ao meu querido sobrinho, Pedro Arthur, os 
quais estão presentes em minha vida me apoiando em 
todos os momentos.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus, pai eterno.
Aos meus familiares pelo apoio e paciência em todos 
os momentos de construção da monografia;
Às minhas amigas, Kézia e Dahiany que souberam me 
compreender durante as manhãs de leitura e 
concentração;
À Profª Enf Ms Naudia da Silva Dias pelas orientações 
e palavras de calma em momentos em que o medo e 
ansiedade tentaram me desanimar;
Aos profissionais enfermeiros do PSF que aceitaram 
participar da pesquisa;
E a todos os amigos de sala de aula, principalmente 
meu grupo de estágio (Daí, Anna, Kel e Lucas);
 Muito Obrigada!!!
RESUMO
O enfermeiro é um dos membros da equipe do Programa de Saúde da Família 
responsável pelo cuidado integral e diferenciado ao idoso. É quem pode estar 
diagnosticando o mais rápido possível que ele está sofrendo de maus tratos e 
violência e deve realizar abordagem e conduta segura. Este estudo teve como 
objetivo discutir a atuação da enfermagem nas unidades do PSF do município de 
Cáceres – MT, a esses idosos vítimas de abuso. Trata-se de um estudo exploratório 
– descritivo de caráter qualitativo com 8 (oito) enfermeiros que se encontram 
atuando a mais de um ano nas unidades. Os dados foram coletados através de 
entrevistas onde os profissionais respondem as perguntas informando como tem 
sido a sua atuação. Num primeiro momento discute-se como a enfermagem define a 
violência e seus tipos, após observamos como tem sido abordagem a esse idoso 
que pode estar sendo vitima de maus tratos e por fim a conduta desses 
profissionais. Apóia-se para a construção do trabalho em livros, artigos e protocolos 
do Ministério da Saúde que discutem a problemática da violência e maus tratos 
contra os idosos. Conclui-se ao final da pesquisa que para a atuação de 
enfermagem tornar-se mais efetiva os profissionais devem se atualizar 
continuamente e o poder público precisa se mostrar mais interessado na política dos 
direitos aos idosos. 
Palavras-Chave: Enfermagem, Violência, Saúde do idoso, PSF. 
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.............................................................................................................9
CAPÍTULO I: REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................15
1 A violência e o idoso................................................................................................15
CAPÍTULO II: METODOLOGIA ................................................................................21
2 Tipo de estudo, local de estudo e participantes......................................................21
2.1 Aspectos éticos e coleta de dados.......................................................................22
2.2 Análise dos dados................................................................................................24
CAPÍTULO III APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ..........................................26
3 Caracterização dos participantes do estudo ..........................................................26
3.1 Definição de violência e os tipos sofrido pelo idoso ............................................27
3.2 Abordagem do enfermeiro ao idoso vítima de violência......................................31
3.3 Conduta da enfermagem ao idoso que sofre de violência...................................37
CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................43
REFERÊNCIAS .........................................................................................................46
ANEXOS....................................................................................................................51
INTRODUÇÃO
Atualmente observa-se no mundo um aumento expressivo do contingente de 
pessoas com 60 anos ou mais. A população mundial que era vista como sendo 
constituída só por jovens, apresenta-se em processo de 
amadurecimento/envelhecimento. A esperança de vida que no início do século XX 
era de até 35 anos, hoje se encontra além dos 70 anos. O envelhecimento antes 
considerado um prodígio tornou-se realidade na maioria das sociedades.
Esse fato pode ser confirmado quando observamos que segundo o IBGE, 
vem acontecendo uma redução no número de nascimentos que faz com que a 
pirâmide etária brasileira – usada para representar o estudo da idade da população 
– se encontre em transição. O estreitamento ocorrido na base da pirâmide aponta 
para a redução do contingente de crianças e adolescentes com até 14 anos de 
idade. De 1992 para 2002, houve um decréscimo de 2,6% no número de pessoas 
nesta faixa etária. Neste mesmo intervalo de tempo, a taxa bruta de natalidade, que 
mede o número de nascidos vivos por 1.000 habitantes em determinado ano, 
passou de 22,8‰ para 21‰ (IBGE, 2004).
O contingente de idosos (maior de 60 anos) que participam no total da 
população nacional foi de 4% em 1940, para 9% em 2000 (CAMARANO, 2002).
No Brasil no ano de 2002, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia 
e Estatística (IBGE) havia 16.022.231 pessoas com idade igual ou superior a 60 
anos, o que corresponde a 9,3% da população total do país. Projeções 
populacionais, apontam que em 2020 os idosos chegarão a 25 milhões de pessoas, 
que irão compor 11,4% da população. Já em 2030 acredita-se que cerca de 40% 
dos brasileiros terão entre 30 a 60 anos de idade (IBGE, 2004).
Para o ano de 2050 as estimativas indicam que haverá no mundo cerca de 
dois bilhões de pessoas com sessenta anos ou mais, esses valores indicam que 
existirão mais idosos que crianças abaixo de 15 anos, fenômeno nunca antes 
observado (BRASIL, 2006).
O número de idosos considerados mais idosos, também está crescendo. 
Conforme estimativas do Censo 2007, no país há 11.042 pessoas com 100 anos ou 
mais.do Hospital Universitário 
Julio Muller: fone: (65) 3615 7254
Cáceres/MT___ de ______________de 2007.
58
ANEXO IV
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE CÁCERES
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
Roteiro de Entrevista com os profissionais enfermeiros
Identificação PSF:
Nome: Sexo:
Idade: 
Quando Tempo de formado:
Universidade que cursou:
Questionário
1- Como você definiria violência contra o idoso?
2- Em seu PSF há casos declarados ou não, de idosos que são vítimas de 
violência?
3- Quais as estratégias que você usa para identificar o idoso que vem sofrendo 
atos de violência e maus-tratos?
4- Como você incentiva o idoso a falar sobre o que vem sofrendo?
5- Qual a conduta que você toma diante da suspeita ou confirmação de que o 
idoso de sua área sofreu ou sofre violência?
59
ANEXO V
Perguntas úteis para serem feitas pela equipe quando a suspeita de violência contra 
o idoso.
VIOLENCIA FÌSICA
• Você tem medo de alguém de sua casa?
• Você tem sido agredido fisicamente?
• Você tem sido amarrado ou trancado no quarto?
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA
• Sua família conversa com você com freqüência?
• Você participa da vida em família, recebendo informações e notícias?
• Você tem sofrido algum tipo de punição ou privações?
• Você tem sido obrigado a comer?
• O que acontece quando a pessoa que lhe cuida discorda de você?
• Você já foi internado em instituição para idosos sem estar de acordo?
VIOLÊNCIA SEXUAL
• você se sente respeitado em sua intimidade e privacidade?
• Você já se sentiu constrangido pela forma como alguém tocou o seu corpo 
ou lhe acariciou? Você quer falar sobre o assunto?
NEGLIGÊNCIA
• Você está precisando de óculos, aparelho auditivo ou dentadura?
• Você tem ficado sozinho por longo período? Você se sente em segurança na 
60
sua casa?
• Você recebe ajuda sempre que necessita?
VIOLÊNCIA FINANCEIRA
• Você recebe e administra seu dinheiro conforme sua vontade?
• Seu dinheiro já foi usado para atender necessidades de seus familiares sem 
o seu consentimento?
• Você foi forçado a assinar procuração ou outro documento repassando bens 
ou direitos para outra pessoa?
• Você foi forçado a realizar compras contra a sua vontade?
• As pessoas que tomam conta de você dependem de seu suporte financeiro? 
FONTE: BRASIL, 2002.
61
	TERMO DE COMPROMISSO
	Assinatura do Participante Luciana da Silva BarrosDestes, 7.950 são mulheres. Número que é mais do que o dobro dos homens, 
que somam 3.472 pessoas. Esses valores tendem a aumentar à medida que os 
avanços tecnológicos, de pesquisa em saúde e sociais se insiram no cotidiano das 
pessoas (ALVES, 2007).
Esse aumento no número de idosos é resultado da alta taxa de fecundidade 
prevalecente na década de 60 em comparação a redução deste índice na atualidade 
e a redução da mortalidade neste grupo populacional. Enquanto o envelhecimento 
populacional significa mudança na estrutura etária, a queda da mortalidade é um 
processo que se inicia no momento do nascimento e altera a vida do indivíduo, as 
estruturas familiares e a sociedade (CAMARANO, 2002).
O investimento na melhoria das condições de vida da população, controle 
maior das doenças, aumento da quantidade de indivíduos vacinados, melhora da 
nutrição e educação em saúde, colaboram para que haja aumento da expectativa de 
vida, dessa forma a pessoa idosa passa a substituir suas causas de morte 
anteriormente resultantes de doenças infecciosas e parasitárias, pelos problemas 
comuns ao processo natural de diminuição das reservas funcionais do indivíduo, ou 
seja, as doenças crônico-degenerativas, e também os problemas cardíacos e câncer 
(GAIOLI, 2004).
As pessoas idosas acometidas por doenças ou agravos crônicos não 
transmissíveis requerem acompanhamento constante, pois em razão da sua 
natureza, não tem cura. Essas condições crônicas tendem a se manifestar de forma 
expressiva na idade mais avançada (nos idosos mais idosos) e, frequentemente, 
estão associadas. Podem gerar um processo incapacitante, afetando a 
funcionalidade da pessoa idosa, ou seja, dificultando ou impedindo o desempenho 
de suas atividades cotidianas de forma independente. Ainda que não sejam fatais, 
essas condições geralmente tendem a comprometer de forma significativa a 
qualidade de vida do idoso (BRASIL, 2006).
Sendo assim, o idoso portador de agravos crônicos necessita de cuidados 
especiais, muitas das vezes dos familiares ou amigos próximos que não possuem 
nenhum conhecimento específico para saber lidar com essa situação. O idoso 
passa, portanto a ser considerado uma vítima em potencial à violência, que se 
manifesta por várias formas: física, psicológica, sexual, negligente ou financeira.
Os tipos de violência que a população idosa sofre coincidem com a violência 
social que a sociedade brasileira vivencia e produz nas suas relações e introjeta na 
sua cultura (MINAYO, 2006).
O idoso que não apresenta nenhum agravo de saúde significativo também 
pode vir a sofrer abusos, devido principalmente as alterações emocionais e 
fragilidade que a senilidade pode trazer.
Diante desse fato, devemos ter em mente que a maior longevidade do ser 
humano não é um problema, mais uma conquista, decorrente do processo de 
desenvolvimento social. Cabe, pois à sociedade criar condições para que o homem, 
ao viver mais tempo possa usufruir de melhores condições de vida, considerando as 
alterações normais do processo de envelhecimento (GAIOLI, 2004).
Para Wolf apud MInayo (1994) numa revisão de várias pesquisas canadenses 
sobre violência contra os idosos, estima que naquele país, de 4% a 10% destes 
sofrem uma ou mais formas de abusos, sendo as mais freqüentes de origem 
financeira (12,5%), verbal (1,4%) ou física (0,5%).
Os dados quantitativos retirados do Sistema de Informação de Mortalidade 
(SIM), do Ministério da Saúde mostram que óbitos de idosos por violências e 
acidentes ocupam o sexto lugar no seu perfil de morbi-mortalidade. No ano 2000, 
morreram 13.436 idoso por acidentes e vítimas de violências no país significando, 
por dia, cerca de 37 óbitos, dos quais 8.884 (66,12%) foram de homens e 4.552 
(33,87%) de mulheres (MINAYO, 2006). 
A exemplo do que acontece com as crianças, adolescentes e mulheres, a 
violência contra idosos também é subnotificada. Inúmeras ocorrências são 
registradas pelas equipes de saúde, nas emergências de hospitais e serviços de 
pronto-atendimento, sem que o diagnóstico final relacione o problema a possíveis 
maus-tratos cometidos por familiares ou cuidadores. Constata-se que a maioria dos 
profissionais de saúde ainda não está capacitada para identificar e encaminhar 
adequadamente os casos de violência contra idosos nos serviços de saúde ou de 
referências nas áreas de segurança e justiça (BRASIL, 2002).
A violência e os maus tratos contra o idoso podem ser manifestados de várias 
formas e diferentes graus de severidade. Essas formas não se produzem 
isoladamente, mas, fazem parte de uma seqüência crescente de episódios no qual o 
homicídio é a manifestação mais extrema (BRASIL, 2006).
A importância e a amplitude desse problema social faz com ele deva ser 
olhado e tratado principalmente por aqueles que cuidam da saúde. 
A avaliação e o entendimento da dinâmica das famílias por uma equipe 
multidisciplinar se torna cada vez mais necessário, uma vez que as injúrias e a 
própria morte de seus entes mais frágeis, dentre eles o idoso tem sido associados à 
negligencia ou a condições de maus-tratos. O direito e o respeito à vida devem ser 
resguardados em qualquer etapa do ciclo vital do ser humano (GAIOLI, 2004).
É necessário para facilitar o enfrentamento da problemática que se construa 
uma rede integrada de atendimento aos idosos, envolvendo diferente setores 
(governamentais e não governamentais) para atuação conjunta com as demais 
áreas, (incluindo os que cuidam da saúde). Nesse contexto a Equipe de Saúde da 
Família, ao lado de outros profissionais que lidam diretamente com a população, têm 
um papel relevante no sentido de dar maior visibilidade ao problema, visando a 
identificação de estratégias especificas par cada local (BRASIL, 2002).
A própria estratégia do programa segundo o Ministério da Saúde, prevê que 
haja uma reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a 
implantação de equipes que atuem com ações de promoção da saúde, prevenção, 
recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção 
da saúde desta comunidade (BRASIL, 2008).
A política de contato e proximidade faz com que toda a comunidade trabalhe 
para um resultado comum. 
O enfermeiro do Programa de Saúde da Família deve realizar uma atenção 
específica ao idoso, propiciar conforto, tranqüilidade e segurança aos familiares no 
acompanhamento da pessoa idosa, além de ser, no primeiro momento de 
reconhecimento do território, uma importante ferramenta na detecção de situações 
de abandono ou outras situações que apontem que seus direitos estão sendo 
negligenciados (BRASIL, 2006).
No atendimento de enfermagem a assistência precisa ser mais orientada e 
satisfatória.
Em decorrência da longevidade e dos avanços científicos acerca do 
envelhecimento, este estudo propõe levantar no âmbito da atenção básica os 
olhares e dificuldades que o profissional enfermeiro se depara ao prestar o cuidado 
ao idoso vítima de qualquer forma de violência.
CAPITULO I: REFERENCIAL TEÓRICO
1 A violência e o idoso
A violência é um problema social de grande magnitude que afeta toda 
sociedade. De acordo com Minayo (1994), é um problema de teoria social e da 
prática política e relacional da humanidade. Não se conhece nenhuma sociedade 
onde a violência não tenha estado presente.
Ao longo do desenvolvimento da humanidade ela passou a ser estudada e 
quantificada, para que se pudesse entender como se apresenta e desenvolve. 
No Brasil a partir da década de 80 as mortes por acidentes e por violências de 
qualquer outro tipo e em todas as idades respondiam pela segunda causa de óbitos 
no quadro de mortalidade em geral, merecendo, portanto atençãodos órgãos 
públicos e consequentemente da equipe de saúde para que se propusessem 
estratégias de prevenção e intervenção a esses atos (QUEIROZ et. al, 2002).
Os abusos e violências são classificados no Código Internacional de Doenças 
(CID-10) como causa externa, a partir do qual tem sido reconhecido como questão 
de saúde pública não somente do ponto de vista dos traumatismos físicos, mas 
também decorrente dos sérios efeitos que acarreta à saúde mental de quem a sofre 
(GAIOLI, 2004).
16
No aspecto relativo aos idosos, não se acreditava que eles podiam ser 
vítimas de maus-tratos, visto serem considerados como pertencentes à idade da 
sabedoria e relativamente serem respeitados por todos. 
No entanto, observa-se que a maior vulnerabilidade/fragilidade a que são 
submetidas essa idade pelo processo natural de envelhecimento, os colocou como 
parcela da população passível de receber atos de violência, principalmente dos 
cuidadores despreparados e do restante das pessoas de seu convívio que estão 
estressadas e sobrecarregadas.
Estima-se que cerca de 12% dos 16 milhões de idosos do Brasil sofram 
algum tipo de violência. Na maioria das vezes os agressores são os próprios filhos e 
a maioria das vítimas é do sexo feminino (BRASIL, 2002).
Brasil (2002), afirma que a Promotoria de Atendimento ao Idoso de São 
Paulo, pioneira nesse tipo de atendimento, recebe queixas de maus tratos contra os 
idosos cometidos por instituições ou por familiares e 40% das 60 denúncias 
semanais de abuso dizem respeito à violência doméstica. 
Dados estatísticos revelam que o estado do Mato Grosso tem sido 
considerado a terceira capital com maior número de violência registrado contra o 
idoso. No Conselho Municipal de Cuiabá, capital do estado, há mais de 50 
denúncias de maus tratos, que deverão estar sendo averiguadas. Em sua maioria os 
casos são de violência intrafamiliar e se o Conselho não conseguir resolver o 
impasse, o caso é repassado para o Ministério Público (FONTES, 2007).
Para compreender quando uma ação é considerada violência é necessário 
conceituá-la. De acordo com Ferreira (2004), violência em si, é definida como 
qualidade de violento, ato violento; ato de violentar. Violento é o que age com 
17
ímpeto, impetuoso, agitado, tumultuoso; iracundo; intenso, veemente; o que faz uso 
de força bruta; contrário ao direito à justiça. 
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002), maus tratos contra o 
idoso refere-se a um ato único ou repetido, ou ainda a ausência de uma ação 
apropriada, que cause dano, sofrimento ou angústia e que ocorra dentro de um 
relacionamento em que haja expectativa de confiança. 
De acordo com a Rede Internacional para Prevenção dos Maus Tratos contra 
a pessoa idosa, define-se a violência contra esse grupo etário como o “ato (único ou 
repetido) ou omissão que lhe cause dano físico ou aflição e que se produz em 
qualquer relação na qual exista expectativa de confiança (BRASIL, 2006).
Conforme os Cadernos de Atenção Básica do Ministério da Saúde, a violência 
contra o idoso se manifesta a partir de três formas: estrutural, que ocorre pela 
desigualdade social e é naturalizada nas expressões de pobreza, da miséria e da 
discriminação; interpessoal, que se refere nas relações cotidianas e institucional que 
se reflete na aplicação ou omissão da gestão das políticas sociais e pelas 
instituições de assistência (BRASIL, 2002).
A violência também pode se caracterizada por tipos: física, onde se tem o uso 
da força através de tapas, empurrões, socos, etc., a fim de que o idoso fique 
obrigado a fazer o que não deseja; sexual, o idoso sofre contato ou jogo sexual não 
consentido; psicológica, ação que causa ou visa causar dor, angústia, tristeza 
através de expressões não verbais ou verbais; econômica ou financeira, se expressa 
na exploração ilegal ou imprópria de recursos financeiros ou patrimoniais do idoso; 
abandono/negligência é a falha na atenção as necessidades do idoso e a 
auto-negligência, violência do idoso contra ele mesmo (BRASIL, 2002).
18
A definição e a classificação dos tipos de violência contra os idosos variam 
conforme a época, mas mesmo assim engloba em parte as definições elencadas.
Nem sempre os maus tratos são praticados de forma intencional podendo ser 
resultado do despreparo do familiar ou cuidador para lidar com situação em idosos 
muito dependentes/fragilizados, ou ainda das condições socioeconômicas, da família 
ou comunidade. No entanto, o que fica evidente é que uma lesão resultante de 
maus-tratos, que leva a vítima a precisar de atendimento médico nem sempre é 
notificada. Há ainda os maus-tratos em nível psicológico que nem sempre aparecem 
em forma de lesão (GAIOLI, 2004). 
Segundo Ruiperez et al. (2002), apenas uma parte de todos os casos de 
violência são notificados e dos diferentes tipos, o mais freqüente são os maus-tratos 
físicos, seguido de agressões verbais e pela negligência; mas, na prática clínica, o 
mais freqüente são as formas sutis de maus tratos continuados, que combinam 
negligência com maus tratos psicológicos. 
A notificação de todo caso suspeito ou confirmado de violência contra a 
pessoa idosa deve ser realizada por meio da ficha de notificação/investigação 
individual – Violência, conforme modelo do Ministério da Saúde. É uma obrigação de 
todo profissional da saúde a notificação dos casos. 
O crescimento do interesse da área da saúde pela violência deveu-se a dois 
fatores principais: a conscientização crescente dos valores da vida e dos direitos de 
cidadania e das mudanças no perfil de morbimortalidade no mundo e no país 
(QUEIROZ et al., 2004).
A atenção primária é o melhor local para se fazer diagnóstico precoce e a 
prevenção de abusos e violência, pois a política de atendimento prevê um contato 
maior com as pessoas da área de abrangência do programa, sendo mais fácil 
19
realizar identificação de casos suspeitos ou confirmados e realizar ações de 
prevenção dessas violências. 
A enfermagem, integrante essencial da equipe de saúde da família, quando 
se propõe a ofertar um cuidado orientado e integral ao idoso, deve estar atenta para 
os sinais que eles demonstram de estar sendo vítimas de maus-tratos. É imperativo 
que se aprenda a reconhecê-los e a agir em favor do idoso.
A dificuldade em identificar os sinais depende de as manifestações com que 
se apresentar o idoso serem evidentes ou, como ocorre na maioria dos casos, 
serem sutis e ambíguas. Depende também em grande parte, da motivação e do grau 
de conhecimento acerca do tema, por parte da equipe multiprofissional encarregada 
de atender o idoso (RUIPÉREZ, 2004). 
Outro fato que dificulta o diagnóstico de maus-tratos ao idoso na atenção 
básica é segundo Brasil (2002), o isolamento a que são submetido os idoso, por 
problemas de saúde ou pela falta de autonomia. Os próprios idosos contribuem para 
que a violência não venha à tona, pois em geral sentem-se culpados em denunciar o 
agressor que pode ser um parente próximo. 
No estado de Mato Grosso há falta de profissionais qualificados e capacitados 
no atendimento aos idosos. No mês de junho de 2008, aconteceu em Cuiabá, a 1ª 
Conferência Municipal da Pessoa Idosa, com o objetivo de fazer uma avaliação da 
rede nacional de proteção e defesa da pessoa idosa, seus avanços e desafios. Na 
capital mato-grossense, as discussões versaram em torno da criação de uma rede 
que inclua atendimento especializado em diversas áreas, entre elas da saúde, 
transporte, educação, lazer e segurança, para denúncias de maus-tratos e criação 
de um abrigo, como medida protetiva (RIBAS, 2008).
20
A abordagem do cidadão idosopor profissionais que detém conhecimentos 
específicos do processo de envelhecimento e com a capacidade de observar as 
reações das potenciais vítimas de violência contribuirá para que haja um ganho 
substancial na qualidade de vida e saúde da pessoa idosa (BRASIL, 2006).
Conforme os fatos decorridos sobre a saúde do idoso, este estudo se propõe 
a realizar uma discussão acerca do conhecimento técnico e cientifico do enfermeiro 
na abordagem e atendimento aos idosos vítima de violência e maus tratos. 
21
CAPITULO II: METODOLOGIA
2 Tipo de estudo, local e participantes 
A presente pesquisa trata-se de um estudo exploratório-descritivo de caráter 
qualitativo. 
Optou-se por um estudo exploratório porque, segundo Gil (1999), o estudo 
exploratório tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e 
idéias, tendo em vista, a formulação de problemas precisos ou hipóteses pesquisáveis para 
estudos posteriores. Habitualmente envolve levantamento bibliográfico e documental, 
entrevistas não padronizadas e estudo de caso. 
Para Triviños (1987) o estudo exploratório serve para levantar possíveis problemas de 
pesquisa.
A abordagem qualitativa foi escolhida, pois de acordo com Triviños (1994) não se 
preocupa em subsidiar as “causas” nem as “conseqüências” da existência dos fenômenos 
sociais, mas as características deles, já que sua função principal é descrever, e os fenômenos 
sociais estariam constituídos por atos, atividades, significados, participação, relação e 
situações.
22
Para Minayo (1994), a pesquisa qualitativa se preocupa, nas ciências sociais, com um 
nível de realidade que não pode ser quantitativa, trabalha com o universo de significados, 
motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, correspondendo a 
23
um espaço mais profundo dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a 
variáveis. Seu princípio é compreender e explicar a dinâmica das relações sociais 
estabelecidas com a vivência e experiência no cotidiano, compreendida dentro de estruturas e 
instituições.
Ainda segundo Triviños (1994) a pesquisa qualitativa é descritiva, pois os fenômenos 
estão impregnados dos significados que o ambiente lhes proporciona. Os resultados, então, 
são expressos em descrições e a interpretação dos mesmos surge como completude de uma 
averiguação que tem como base a percepção de um fenômeno em determinado contexto. Os 
estudos descritivos exigem do investigador uma série de informações sobre o que deseja 
pesquisar, como a delimitação de técnicas, métodos e teorias que orientam a coleta e 
interpretação dos dados.
A pesquisa foi realizada em oito unidades do Programa de Saúde da Família do 
município de Cáceres – MT. 
Cáceres é um município do estado de Mato Grosso situado a 211 quiilômetros da 
capital do estado, Cuiabá. Possui uma área de 24.398,399 km² com uma população de acordo 
com o IBGE 2007, de 86.175 habitantes. 
Os participante do estudo foram oito enfermeiros que estavam atuando há, pelo menos 
12 meses na unidade de saúde da família.
2.1 Aspectos éticos e coleta de dados 
24
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Km%C2%B2
Foi realizado num primeiro momento, a tramitação do projeto de pesquisa, no que se 
refere aos aspectos éticos para pesquisa em saúde como está estabelecido na resolução, nº 
196/96 e no decreto nº 93.933, de janeiro de 1987, do Conselho Nacional de Saúde. 
A pesquisa foi encaminhada ao Conselho de Ética do Hospital Universitário Júlio 
Muller de Cuiabá-MT, tendo sido aprovada pelo mesmo no processo nº458, com termo de 
consentimento livre e esclarecido.
Com o objetivo de manter o anonimato dos participantes durante as transcrições das 
falas serão utilizado nomes aleatórios de pedras preciosas escolhidas por meio de sorteio.
No processo de coleta de dados, a pesquisa foi apresentada a população do estudo em 
um encontro informal e em seguida aconteceu uma reunião em ambiente reservado, onde os 
participantes puderam responder as questões levantadas.
As entrevistas foram armazenada em um gravador de voz digital, e tiveram duração 
média de 20 minutos. Após a realização das mesmas, o conteúdo foi transcritos para análise.
Para descrever como tem sido a atuação do enfermeiro do Programa de Saúde da 
Família ao idoso vítima de violência e maus tratos, as perguntas do instrumento de coletas de 
dados foram do tipo semi-estruturada. 
A entrevista semi estruturada segundo Triviños (1987), é aquela que mantém a 
presença consciente e atuante do pesquisador e, ao mesmo tempo, permite a relevância na 
situação do ator. É a que favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua 
explicação e a compreensão de sua totalidade. O roteiro da entrevista é apresentado no Anexo 
4.
25
2.2 Análise dos dados 
Após coleta procedeu-se a análise dos dados coletados, onde os mesmos 
foram transcritos e depois realizado leitura exaustiva das informações obtidas. Em 
seguida os dados foram ordenados segundo o método para a análise de conteúdo.
A análise de conteúdo, segundo Bardin (2004), trata-se de um conjunto de 
técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos 
sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores 
(quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às 
condições de produção/ recepção destas mensagens.
Para atingirmos os significados manifestados e emanados do material 
coletado foi usada a técnica da análise temática, pois a mesma proporciona uma 
visão abrangente e se melhor enquadra na análise quantitativa do material, podendo 
ser apresentada através de uma palavra, frase ou resumo.
De acordo com Triviños e Minayo (1994), o processo de análise temática 
consiste em descobrir os núcleos de sentidos integrantes de uma comunicação, cuja 
presença ou freqüência signifiquem alguma coisa para o objetivo desejado. 
A operacionalização dos dados foi realizada através dos seguintes passos 
propostos por Minayo (1998): ordenação dos dados, classificação dos dados e 
análise final.
Na constituição de núcleos de sentido, efetuou-se a parte operante da 
pesquisa onde, com as entrevistas em mãos, fomos classificando-as em unidades 
de sentido, que foram referenciadas por temas que apresentaram mais relação com 
26
o objeto de investigação, processando uma classificação inicial que, posteriormente, 
foi enxugada dentro de uma visão unificadora.
A análise final consta do estabelecimento de articulações entre o material 
empírico e referencial teórico, buscando responder as questões da pesquisa, tendo 
em vista o objeto e os objetivos do estudo. Assim, neste processo de análise, 
promoveu-se uma relação com o dito e o concreto, a teoria e a prática.
Considerando que nada que existe é eterno, fixo e absoluto, o produto final 
desta análise deve ser sempre visto de forma provisória e aproximada, sujeita a 
mudança, a transformação (MINAYO, 1999).
27
CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Neste capítulo será abordado os achados do estudo e a discussão acerca, 
utilizando de referenciais teóricos para discussão e enriquecimento da temática.
O capítulo será divido em três categorias para que seja possível responder 
aos objetivos propostos da pesquisa.
Ainda, apresentaremos neste capítulo como está estabelecida a atuação de 
enfermagem aos idosos que são vitimas de violência e maus tratos nas unidades de 
atenção básica no município de Cáceres-MT. Para comparação do que foi 
observado com o proposto para a Atenção à Saúde da Pessoa Idosa será 
comparado o que foi observado com as diretrizes propostas para o atendimento 
primário ao idoso formuladas pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2006).
Para a compreensão dos dados analisados, primeiramente caracterizaremos 
os participantes do estudo, em seguida os principaistipos de violência sofrido pelo 
idoso e após a abordagem e conduta do profissional enfermeiro a essa faixa etária 
com o referido problema.
3 Caracterização dos participantes do estudo
28
29
Fizeram parte do estudo 8 (oito) enfermeiros que trabalhavam nas unidades 
de PSF do município de Cáceres-MT.
 A faixa etária variou de 24 (vinte e quatro) até 51 (cinqüenta e um) anos de 
idade. 
Dos entrevistados 5 (cinco) participantes eram do sexo feminino e 3 (três) do 
sexo masculino, 4 (quatro) formaram-se em universidades públicas e 4 (quatro) em 
universidades privadas. Todos os participantes da pesquisa estavam a mais de um 
ano trabalhando na unidade de PSF. 
Cada enfermeiro trabalha cerca de 8 (oito) horas por dia, 5 (cinco) dias por 
semana, 40 (quarenta) horas por semana, conforme a política para trabalho em 
unidades de saúde da família do Ministério da Saúde.
Verificou-se que todos os entrevistados tinham ciência da política de atenção 
ao idoso e da política de funcionamento do PSF.
3.1 Definição de violência e os tipos sofrido pelo idoso
Para descrever como tem sido definida a violência contra o idoso pelos 
profissionais deve-se num primeiro momento considerar como o Ministério da Saúde 
tem conceituado o termo. 
30
Atualmente a política de Atenção a Saúde do Idoso tem empregado como 
definição para a violência e maus tratos o conceito empregado pela Rede 
Internacional para Prevenção dos Maus Tratos contra a Pessoa Idosa que seria “o 
ato (único ou repetido) ou omissão que lhe cause dano físico ou aflição e que se 
produza em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança” (BRASIL, 
2006).
Autores como Minayo, Gaioli e Souza, consideram essa definição como 
sendo a mais coerente com a realidade observada, pois engloba o aspecto físico da 
violência, ou seja, o bater, abusar sexualmente e a negligência, e o aspecto 
psicológico que são os danos causados por ofensas e deixa os idosos em estado de 
aflição/profunda tristeza. 
Em estudo, observamos que os profissionais possuem conhecimento acerca 
dos tipos de violências em que os idosos estão sujeitos:
“A violência contra o idoso não é só física, vai muito além. É principalmente 
através das palavras que magoam. Muitos acham que seria o tapa, mas é 
muito mais são as palavras” (Diamante).
“Na minha percepção a violência contra o idoso, é só o fato de você não dar 
a atenção necessária pra ele já é uma violência, é, é no caso que ele tem 
que aguardar, né, às vezes a consulta, (...) xingar, maltratar, não ter 
paciência. É isso aí” (Topázio).
De acordo com as falas apresentadas, verificou-se que o conceito que cada 
profissional traz consigo, é semelhante ao proposto pela Política de Atenção Básica. 
Eles entendem que existem diversas formas de violência dentre elas o abuso 
psicológico, que é manifestado nas agressões verbais ou gestuais.
31
Outro tipo de violência observado nos relatos dos enfermeiros entrevistados é 
a negligência, que quando não diagnosticada em tempo, pode trazer aos idosos 
agravos irreversíveis ou crônicos. Segundo Brasil (2006), a negligência é 
caracterizada pela falta de atenção em atender as necessidades da pessoa idosa
 “Eu vejo como a violência contra o idoso hoje, não é violência em si de 
bater, de maus-tratos, pra mim a violência da alimentação que é o que 
acontece aqui no meu bairro e nos outros bairros e é o que agente discute 
com os outros enfermeiros, geralmente é isso que acontece com os idosos, 
eu vejo dessa forma” (Safira). 
O capítulo VI do Estatuto do Idoso, dispõe sobre os crimes contra a pessoa 
idosa. No Art. 99 está escrito que é passível de Punição o ato de “expor a perigo a 
integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições 
desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, 
quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado” 
(BRASIL, 2003).
Portanto considerar qualquer violência ao idoso como um crime é o correto 
durante toda a atenção. 
“Então é um crime, que eu acho que deveria ser punido, tinha que ser 
cabível de punição. Agora com o estatuto do idoso parece que as coisas 
começaram a ter um rumo melhor. As pessoas tão começando a denunciar, 
o próprio idoso tá vendo os seus direitos, começando a procurar seus 
direitos” (Rubi).
Ao serem indagados sobre se há casos declarados ou não de violência no 
PSF, observamos que em algumas unidades do PSF há a notificação das violências, 
mas não é realidade em todos os PSFs pesquisados. 
32
“Há sim bastantes casos. Um que aconteceu foi de um idoso que vinha as 
consultas muito tristes, aí sabe, a gente ia conversando. (...) Uma vez ele 
chorou, aí ele me disse que a filha dele vinha tratando ele muito mal, às 
vezes gritava com ele. Aí eu procurei chamar a filha dele pra vir aqui pra 
gente conversar, bater um papo. Ela veio e durante a conversa eu descobri 
que sabe, ele havia sido um pai ausente, muito distante dos filhos, aí a filha 
acabava tratando ele mal, como se fosse tipo uma resposta aqueles atos 
que ele havia feito no passado” (Diamante).
“Já tive aqui um caso de um senhor, a família (...), já tive não, tenho porque 
até hoje a família não assumiu, ele já tem setenta e cinco anos, episódios 
de hanseníase, vive sozinho, ele tem uma filha que mora aqui. Só que é a 
vizinhança que cuida dele, a família não. É, acho que é a violência maior 
que existe o abandono” (Rubi).
“Olha é (...) pelo menos por mim, até hoje não se passou. Teve um caso de 
uma senhora que já faleceu já, ela falava que, que os filhos maltratavam ela, 
né, mas isso não foi documentado nada, só comentado isso aí” (Topazio).
“Qualquer tipo? Tanto física, como psicológica? Não. Até o momento não 
chegou nenhum caso de violência não. Nem física, nem psicológica” 
(Esmeralda).
Observou-se nos relatos que o tipo de violência que mais se manifestou foi de 
violência de ordem financeira, onde os enfermeiros expressaram que a família ou o 
responsável pelo idoso acabam tomando posse do seu benefício deixando o mesmo 
sem o mínimo para suprir suas necessidades.
“E outros assim em relação ao dinheiro, que não tem como comprar um 
remédio, nem vê a cor do dinheiro” (Rubi).
“Tivemos dois, três casos, como abandono dos próprios filhos na casa do 
idoso, por exemplo, a pessoa tem três, quatro filhos , deixa com a idosa três 
33
filhos e aí , sai vai fazer o que tem que fazer, vai pra rua faz o que tem que 
fazer, deixa com ela mês, anos ou seja como uma pessoa que ganha um 
salário mínimo vai sustentar três crianças, então, isso é o descredo, não é a 
força física, mais o descredo, que os filhos, os familiares tem com a pessoa 
idosa” (Safira).
“No caso tinha uma moça que morava com um senhor de certa idade e 
pegava a aposentadoria dele e tal, e tal, a gente tentou levar na assistência 
social e tudo, mas acaba não resultando em nada, né” (Topázio).
Para o Ministério da Saúde (2006), a violência econômica, financeira ou 
patrimonial é a que se expressa na exploração indevida ou ilegal dos idosos ou ao 
uso não consentido por eles de seus recursos financeiros ou patrimoniais. É um tipo 
de abuso que ocorre principalmente no âmbito familiar, podendo também acontecer 
em instituições de longa permanência. 
Para Minayo (2006), todas as pessoas de diferentes culturas, status 
socioeconômicos, etnias e religiões são vulneráveis aos maus tratos que ocorrem na 
velhice. As vítimas costumam sofrer simultaneamente vários tipos de maus tratos, 
sendo os mais comuns, os de ordem física, psicológica, econômica e negligências.
A identificação de sinais de violência é, também, com certa freqüência, 
negligenciada no atendimento a saúde o que pode ser o motivo para que alguns 
enfermeiros não a percebam em sua unidade. 
Combater a violência é o primeiropasso para garantir a qualidade de vida na 
velhice que segundo Paschoal (2002), se baseia na percepção do indivíduo sobre 
sua posição na vida, de acordo com o contexto cultural e sistema de valor com os 
quais convive e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. 
34
3.2 Abordagem do enfermeiro ao idoso vítima de violência
O enfermeiro se destaca na atenção primária por ser o coordenador da 
unidade de saúde e por fazer parte dos profissionais que mais estão em contato com 
a população, ciente de seus problemas. Em seus momentos de consulta procura 
atentar-se a tudo que o cliente demonstra afim de poder tratar os agravos tão logo 
apareçam.
No tocante ao idoso o profissional enfermeiro precisa compreender as 
condições particulares, individuais, familiares ou coletivas, que aumentam o risco de 
ocorrência de violência. Necessita entender que a pessoa idosa torna-se mais 
vulnerável à violência na medida em que apresenta maior dependência física ou 
mental. O convívio familiar estressante e cuidadores despreparados ou 
sobrecarregados tendem a agravar essa situação (BRASIL, 2006).
A declaração de Toronto (OMS, 2002) para Prevenção Mundial dos Maus 
Tratos em Pessoas Idosas considera a importância dos profissionais de saúde na 
atenção primária como forma de diagnosticar os casos de maus tratos.
Contudo para que ocorra um diagnóstico de maus tratos o profissional precisa 
abordar a vítima e fazer com que ela consiga relatar o que vem sofrendo.
A dificuldade maior para se fazer o diagnóstico de maus tratos aos idosos 
cometidos por vizinhos ou outras pessoas de sua relação, concentrar-se no fato de 
que os idosos sentem-se culpados em denunciar o agressor, que pode ser um 
parente próximo. Identificam sua dependência e as dificuldades do cuidado e acham 
natural que o cuidador não seja paciente (BRASIL, 2002).
35
Para Brasil (2002), a abordagem deve facilitar o diálogo e a observação 
cuidadosa de sinais e sintomas levando em conta as dificuldades porque passam 
tanto os idosos quanto seus cuidadores, principalmente no contexto de famílias em 
situações de risco para a violência. 
A abordagem que mais tem trazido resultados é aquela que se baseia no uso 
de estratégias onde os idosos possam expor à problemática. 
Nos PSFs estudados os enfermeiros demonstram serem usuários de 
estratégias que facilitem o diagnóstico de violência.
“A estratégia que eu uso é a conversa, por causa desse meu jeito. Eu gosto 
de conversar, acho que quando a população sabe, vem procurar 
atendimento eles querem ser ouvidos e eu gosto de conversar com eles” 
(Diamante).
“Pra você detectar seria mais visual e também na forma na consulta pra que 
a pessoa interaja mesmo” (Topázio).
A comunicação é considerada uma necessidade fundamental , cuja satisfação 
envolve um conjunto de condições bio-psicossociais. É mais do que uma troca de 
palavras, trata-se de um processo dinâmico que permite que as pessoas se tornem 
acessíveis umas as outras por meio do compartilhamento de sentimentos, opiniões, 
experiências e informações (BRASIL, 2006).
“A minha estratégia é o meio de comunicação (...) eu convenço o idoso a vir 
ao posto pra fazer a caminhada, as verificações de glicemia e pressão 
arterial toda sexta-feira. (...) E dessa forma eles vêm até mim e começam a 
comunicar seu problema, é dessa forma que eu consigo descobrir o que 
36
está acontecendo e também na percepção olhando se está triste, se não 
está, aí a gente conversa e aí sai tudo” (Safira).
“Então basicamente você diagnostica através da conversa, tá. Através de 
enfermeiro, do agente de saúde, através de da visita in loco, ou então 
através de vizinhos ou morador do lado, né” (Pérola).
Comunicar envolve, além de palavras que são expressas por meio de fala ou 
da escrita, todos os sinais transmitidos pelas expressões faciais, pelo corpo, postura 
corporal e distância que se mantém entre as pessoas, a capacidade e jeito de tocar 
ou mesmo o silêncio em uma conversa. É assim que se obtém informações valiosas 
para a condução da terapêutica (BRASIL, 2006).
No Caderno de Atenção Básica nº 8 (2002), do Ministério da Saúde tem-se 
uma lista de perguntas úteis para serem feitas pela equipe quando há suspeita de 
violência contra o idoso. A lista encontra-se no Anexo V. 
O uso de grupos de interesses pelo enfermeiro também facilita a abordagem, 
pois proporciona a troca de informações, orientações e de experiências.
“A gente tem o grupo de caminhada, grupo de hipertensos, diabéticos. (...) 
Então com isso agente começou a ganhar confiança deles. Então eles vêm 
até o posto e acabam mostrando, fazendo com que eles aceitem a equipe, 
fazendo com que eles acreditem na equipe, eles vêm pra falar, conversar” 
(Rubi).
“Nós temos aqui o projeto Pão e Rosa, que eles freqüentam e onde nós 
podemos ganhar a confiança dele. No projeto nós oferecemos apoio e aulas 
onde eles podem aprender artesanato e costura” (Turmalina).
37
O grupo de interesses permite a discussão de situações comuns vivenciadas 
no dia-a-dia. Permite descobrir potencialidades e trabalhar a vulnerabilidade e, 
consequentemente, eleva a auto-estima. O trabalho em grupos possibilita a 
ampliação do vinculo entre a equipe e pessoa idosa, sendo um espaço 
complementar da consulta individual, de troca de informações, de oferecimento de 
orientação e de educação em saúde (BRASIL, 2006). Desse modo o idoso poderá 
senti-se seguro para falar o que está vivenciando.
Para o diagnóstico de violência o enfermeiro deve estar atento também aos 
sinais e sintomas que podem se manifestar no corpo do idoso, lembrando que 
algumas lesões são normais no processo de envelhecimento não sendo indicativa 
de violência.
No entanto para Minayo (2006) algumas lesões também são frutos de 
omissão e de negligencia dos que deveriam prestar assistência nas casas, nas 
instituições e nas comunidades em que os idosos vivem.
Um bom exame físico pode ajudar na avaliação das suspeitas e confirmação. 
“Primeiramente eu ia fazer uma anamnese, exame físico. Eu estaria fazendo 
uma coleta de dados com ele, né, mantendo uma conversa pra gente tá 
tentando detectar algum tipo de violência né” (Esmeralda).
Para Horta (1979), o levantamento de dados do ser humano possibilita a 
identificação de seus problemas e o exame físico tem a finalidade de identificar os 
problemas de enfermagem, diferindo do exame médico, e verificar condições gerais, 
sinais vitais, condições físicas e as queixas do paciente. 
38
“Eu taria convocando os familiares também pra ta sendo feita uma, hã, 
tendo uma conversa com os familiares pra ver se ta tendo, se ta havendo 
algum tipo de violência ou por parte da família ou de outras pessoas” 
(Esmeralda).
Durante a abordagem terapêutica os idosos e responsáveis devem ser 
entrevistados juntos e em separado. O entrevistador deve manter uma postura firme, 
porém delicada, sendo essencial evitar confrontos para que a conversa seja 
produtiva (BRASIL, 2002).
Segundo Brasil (2006), o ato de cuidar é voluntário e complexo, tomado por 
sentimentos diversos e contraditórios como raiva, culpa, medo, angústia, confusão, 
cansaço, estresse, tristeza, nervosismo, irritação e choro. É importante avaliar o 
estresse do cuidador, pois isso pode ser um fato de risco para a ocorrência de 
situações de violência contra idosos ou adoecimento do próprio cuidador.
A visita domiciliar também é uma das estratégias para a verificação de casos 
de violência, contudo muitos dos profissionais enfermeiros transferem a obrigação 
das visitas para os agentes de saúde.
“É, principalmente as agentes de saúde, né, que passam as visitam 
domiciliares em todas as residências, né” (Amestista).
“Não digo bem uma estratégia, queé já um trabalho já de rotina, é a visita 
do agente comunitário no bairro que tem a obrigação de passar pelo menos 
uma vez por mês na casa dessa pessoa. Então assim agente começa a 
identificar, né” (Rubi),
39
A visita domiciliar realizada pela equipe (médico, enfermeira, assistente 
social, agente de saúde) possibilita uma melhor avaliação das condições dos idosos. 
Além disso, durante estas visitas é possível obter informações difíceis de serem 
levantadas em consultórios, como o meio ambiente em que o idoso vive, a qualidade 
real de sua autonomia e as condições do cuidador. Portanto, as visitas domiciliares 
podem otimizar os cuidados à pessoa idosa em sua casa, minimizando situações de 
risco (BRASIL, 2002).
O papel do profissional da saúde é de extrema importância no que diz 
respeito à identificação e tratamento de maus-tratos e negligência em idosos, 
quando esses procuram o serviço de saúde (GAIOLI, 2004).
A atenção primária é o local onde o vínculo entre cliente e profissional fica 
mais estreito e a enfermagem deve propiciar um cuidado satisfatório, ajudando a 
pessoa idosa a manter sua integridade física e mental, pessoa completa em seus 
direitos. 
3.3 Conduta da enfermagem ao idoso que sofre de violência 
Conforme Brasil (2006), estudos revelam que quanto mais velha e mais 
dependente for a pessoa idosa, maior será seu risco de ser vítima de violência. A 
pessoa idosa geralmente tem dificuldade em denunciar a que está sendo submetida. 
Os profissionais da saúde têm um papel fundamental na interrupção desse ciclo, 
40
tornado-se mais alertas à detecção de sinais e sintomas que possam denunciar tais 
situações. 
O profissional da saúde que está ciente que a população idosa de sua área 
vem sofrendo abusos deve estar preparado para realizar uma boa conduta, precisa 
saber qual a atitude deve tomar e como encaminhar e proceder para com os 
envolvidos.
O principal objetivo da intervenção é proporcionar ou facilitar as condições 
necessárias para que o idoso tenha uma melhor qualidade de vida possível. A 
conduta ao idoso que sofre de violência inclui providências imediatas, avaliação e 
cuidados por longos períodos, reconhecimento dos obstáculos e prevenção 
(BRASIL, 2002).
“Sem dúvida é o acompanhamento desse idosos. Aqui eu uso o agente 
comunitário de saúde, que tem que funcionar como a ligação entre a 
unidade e o idoso. Tem que ver o idoso, visitar e ajudar. Os agentes fazem 
a visita descobrem os casos e me falam, aí eu vou lá ver como eles estão” 
(Diamante)
Intervir na questão da violência implica em trabalhar as relações, denunciando 
a quebra do respeito e da proteção nas relações de trocas afetivas. Na violência 
contra o idoso pelas dificuldades que existe em denunciar o agressor, somadas à 
precariedade de recursos disponíveis para a intervenção, dificultam a denúncia e o 
encaminhamento das ações de caráter assistencial ou jurídico (FONSECA, 2003).
De acordo com a Lei nº 10.741/2003, art. 19 está previsto que os casos de 
suspeita ou confirmação de maus tratos contra idoso são de notificação obrigatória 
41
ao Conselho Municipal ou Estadual dos Direitos do Idoso, Delegacias de Polícia e 
Ministério Público (BRASIL, 2006).
Cada vez que ocorre um evento violento no país, os dados notificados 
constituem-se em estatística oficial e os dados são importantes para a quantificação 
do agravo e para os pesquisadores que estudam o fenômeno da violência.
Segundo o Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003) em seu Título VI, no capitulo II 
dos Crimes em Espécie, aquele que vendo um idoso sendo ameaçado ou com risco 
para violência e omitir-se de prestar socorro está cometendo um crime, com punição 
severa.
Art. 97. Deixar de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem 
risco pessoal, em situação de iminente perigo, ou recusar, retardar ou 
dificultar sua assistência à saúde, sem justa causa, ou não pedir, nesses, 
casos, o socorro de autoridade pública:
Pena – detenção de 6(seis) meses a 1 (um) ano e multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se da omissão 
resulta lesão corporal de natureza grave, triplicada, se resulta a morte. 
(BRASIL, 2003)
Portanto a equipe de saúde que ignora as ameaças que o idoso de sua área 
sofre está cometendo um delito. 
“A conduta do enfermeiro, tá. Agente não pode fazer uma coisa alarmante 
se não tiver, né, a informação correta. O informe é um boato, né; após 
averiguação desse informe ele transforma-se em uma informação correta, 
(...) Então encima desses dados você vai tomar as medidas compatíveis. Se 
você não tomar as medidas compatíveis é omissão” (Pérola).
Segundo a rotina estabelecida pelo Ministério da Saúde, Brasil (2006) os 
encaminhamentos das pessoas idosas, em situação de violência devem ser feitos 
42
para os órgãos e instituições descriminadas a seguir, de acordo com a organização 
da rede de serviços local:
a) Delegacia Especializada da Mulher
b) Centro de Referência da Mulher
c) Delegacias Policiais
d) Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa
e) Centro de Referência da Assistência Social (CRAS)
f) Ministério Público
g) IML e outros. 
“A primeira conduta é informar a polícia” (Diamante).
“Eu denuncio ao Ministério da Saúde, no caso a Secretaria de Saúde, que é 
o que nós temos aqui, e também eu denuncio a polícia” (Safira).
Ainda não teve nenhuma coisa tão grave, mas se chegar a acontecer, 
primeiro eu vou apelar pra ação social porque aí eu acho que é papel da 
assistente social; o conselho tutelar cuida das crianças, mas para o idoso 
acho que aqui em Cáceres não tem nada. Ou direto pra delegacia. Se for 
alguma coisa tão grave, chamo a policia” (Rubi).
Se houver suspeita de maus-tratos, a segurança da pessoa idosa é a 
prioridade; ao mesmo tempo deve-se respeitar sua autonomia, sempre que a 
situação permitir. A hospitalização, algumas vezes, é justificada se a pessoa está em 
perigo iminente, particularmente aquelas que necessitam de cuidados especiais ou 
uso de medicação. Durante um período de crise, até que a situação seja avaliada e 
43
controlada, o idoso pode ficar temporariamente num abrigo, caso possível. 
Acompanhamento rigoroso deve ser estabelecido (BRASIL, 2002).
Ao serem indagados sobre a conduta alguns enfermeiros não souberam dizer 
para onde encaminhariam os idosos vítimas de violência.
“Olha eu procuraria as entidades responsáveis, né. Com relação à agressão 
física eu nunca recebi. Pra te dizer a verdade, eu não saberei te falar. Eu 
não sei quem procurar se é policia ou alguma coisa desse tipo” (Ametista)
“Olha eu encaminharia pra um serviço que tivesse, é, no caso no momento, 
agora eu teria que pedir alguma orientação pra saber pra onde eu 
encaminharia esse idoso, né. Até então meu conhecimento é quanto à 
criança. (...) Pro idoso eu não sei se teria algum órgão, alguma referência 
pra ta encaminhando essa pessoa, né, se é pra ação social, se é algum ou 
alguma outra organização, ou algum outro setor. (...) A princípio taria 
encaminhando esse idoso pra algum setor que fosse referência pra esse 
tipo de procedimento” (Esmeralda).
Na capital do estado, Cuiabá, há o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos 
da Pessoa Idosa – COMDIPI, que tem como princípios básicos o papel de condutor 
e fiscalizador das ações relativas à Política Nacional do Idoso, a ele compete: 
fiscalizar, denunciar, articular, apoiar, pesquisar e acompanhar as ações que se 
referem aos idosos de Cuiabá. As denúncias de violências podem ser feitas ao 
conselho, que averigua e investiga os casos suspeitos.
O abandono, os maus tratos e a violência contra idosos podem ser 
apresentados de várias formas, e se reproduzem em todas as camadas sociais. As 
comunidades devem unir esforçosno sentido de prevenir e enfrentar a violência e os 
maus tratos contra a pessoa idosa. Devem-se criar políticas públicas e estratégias 
para incentivar a população a fazer as denúncias nos órgãos competentes e 
eficientes no atendimento às necessidades deste grupo etário (MENDONÇA, 2005).
44
Contudo, existem vários aspectos éticos e legais envolvidos, as vítimas, 
quando cognitivamente competentes, têm o direito de determinar o curso da 
intervenção, inclusive, podendo optar por nada fazer. Cabe aos profissionais o 
suporte, a orientação, o atendimento, a notificação e o encaminhamento adequado 
frente a cada situação que deverá ser avaliada de forma particular (BRASIL, 2006).
45
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Refletir quanto à temática violência contra o idoso nos faz concluir que essa 
parcela da população ao mesmo tempo em que tem sido lembrada em campanhas 
do Ministério da Saúde (Vacinação) também tem sido esquecida durante a atenção 
diferenciada, principalmente por aqueles profissionais que prestam a atenção à 
saúde o mais próximo do cliente, ou seja, na atenção primária, que se faz presente 
no Programa de Saúde da Família.
Um dos princípios do SUS é a integralidade, que significa um atendimento 
completo aquele que procura a unidade, não só para com os agravos crônicos que 
na maioria das vezes necessita de uma terapêutica demorada e contínua, mas 
também para o lado físico e psicológico de investigação do que acontece no seu 
cotidiano (BRASIL, 2006).
Conforme a pesquisa realizada e a literatura consultada, verificou-se que o 
profissional de saúde necessita de uma educação continuada para que se sintam 
mais preparado no atendimento ao idoso e no diagnóstico de que ele está sendo 
vítima de maus-tratos.
Deve-se destacar que muitas das vezes espera-se que cada profissional 
saiba como lidar com essa situação ao sair da universidade, porém, observa-se que 
existe uma deficiência no tocante a detecção do abuso, sendo ainda mais difícil a 
condução do caso após a confirmação das suspeitas.
46
No caso dos idosos, pelos relatos observados, vemos que eles não têm 
procurado apoio na unidade de saúde, pois quando acontece à averiguação do 
caso, não foi ele quem procurou ajuda, mas um vizinho, ou ainda um agente de 
saúde que ficou sabendo do acontecido.
Quanto a visita domiciliar vemos que muitas das vezes o agente de saúde 
observa o evento e comunica ao enfermeiro da unidade para que este conduza a 
abordagem e o tratamento, diante disso o enfermeiro precisa investigar o que foi 
relatado, necessita ir até onde está o idoso, ver como ele é tratado em sua casa, 
como está vestido, o que faz com seu beneficio, caso seja aposentado. O idoso 
precisa encontrar apoio na unidade, visto a própria política do PSF prever o 
estreitamento do vínculo entre usuário e unidade para que haja aumento de adesão 
aos tratamentos e as condutas. 
No que diz respeito ao uso de grupos de interesse na atenção ao idoso 
vemos que é uma estratégia que pode dar certo, pois ela faz com que o idoso se 
sinta especial e valorizado como pessoa. A participação nas reuniões ocupa seu 
tempo livre e diminue a carga sobre os cuidadores.
Considerando que o município também precisa apoiar as unidades no trato ao 
idoso, observamos que há a necessidade da criação de um Conselho Municipal do 
Idoso, que ajude na interlocução da comunidade com os poderes públicos no 
tocante a busca do cumprimento das políticas do idoso e que também ajude na 
prevenção aos maus tratos e violência contra a pessoa idosa.
No Caderno de Atenção Básica nº 8 (BRASIL, 2002), há algumas propostas 
de atuação no desenvolvimento de atividades comunitárias enfocando orientações 
gerais e específicas sobre o cuidado dos idosos para reforçar o vínculo entre 
47
cuidadores, idosos e equipes de saúde ao mesmo tempo. As orientações, individuais 
ou em grupo, devem incluir:
• Cuidados e higiene do idoso;
• Necessidades dietéticas, inclusive receitas especiais para pacientes 
alimentados através de sondas;
• Necessidades psicológicas e emocionais dos idosos;
• Orientações e treinamento para realização de procedimentos domiciliares: 
curativos, injeções, manuseio de sondas, etc;
• Técnicas de relaxamento para cuidadores e técnica para manejo de idosos 
acamados;
• Orientações sobre direitos previdenciários e demais benefícios para idosos;
• Cuidados específicos para portadores de hipertensão arterial sistêmica e 
diabetes mellitus;
• Como organizar esquemas para administração simultânea de vários 
medicamentos;
• Telefones úteis para orientações em casos de emergências. 
Embora ainda exista muito a ser estudado sobre violência e idosos, o que a 
Política de Atenção Básica propõe já nos auxilia a melhorar a atenção dispensada, o 
que falta é sensibilização dos enfermeiros para que se atualizem e apliquem o que 
aprenderam de maneira eficaz no trabalho cotidiano e que o poder público possibilite 
a educação continuada a equipe. Com isso será possível dispensar uma atenção 
integral a essa população.
48
49
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54
ANEXOS
55
ANEXO I
56
ANEXO II
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE CÁCERES
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
TERMO DE COMPROMISSO
Eu, Luciana da Silva Barros, acadêmica do Curso de Enfermagem, brasileira, 
solteira, RG: 1655033-1 SSP-MT, residente na Av: São João nº355, bairro: 
Cavalhada, Cáceres/MT, pesquisadora responsável pelo projeto: “Atuação de 
enfermagem ao idoso vítima de violência e maus tratos em unidades do Programa 
de Saúde da Família no município de Cáceres - MT”, comprometo-me assegurar aos 
sujeitos da pesquisa:
• Tratamento digno e respeitoso;
• Autonomia das decisões sobre as informações que prestarão;
• Realização de entrevista apenas após esclarecimento do sujeito participante e 
seu livre consentimento;
• Privacidade aos sujeitos informantes e sigilo em relação a sua participação;
• Liberdade de se recusar a participar da pesquisa ou de desistir da mesma em 
qualquer fase de realização da mesma sem qualquer penalidade;
• Ponderar sempre os benefícios e os riscos de pesquisa para o sujeito 
participante, procurando encaminhar a observação e a entrevista de forma a não 
causar riscos, principalmente à saúde mental dos indivíduos envolvidos;
• Respeita os valores culturais, sociais, morais, religiosos, ético e costumes os 
indivíduos participantes da pesquisa;
• Dar retorno dos resultados da pesquisa aos sujeitos participantes da mesma;
• Manter confidencialidade, o respeito e a obediência às normas da instituição 
onde a pesquisa será realizada;
• Cumprir os termos da resolução no. 196/96 que rege as diretrizes e normas 
regulamentares de pesquisa envolvendo seres humanos.
________________________________________
Luciana da Silva Barros
Pesquisador principal
Cáceres, _____/____/____
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ANEXO III
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE CÁCERES
DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Profissionais de saúde
Projeto: “Atuação de enfermagem ao idoso vítima de violência e maus tratos em 
unidades do Programa de Saúde da Família no município de Cáceres - MT”.
Pesquisadores: Luciana da Silva Barros e Naudia da Silva Dias.
Instituições envolvidas: Universidade Estadual de Mato Grosso – Faculdade de 
Enfermagem.
Objetivo principal: Investigar a atuação do enfermeiro de PSF ao idoso vítima de 
violência e maus tratos no município de Cáceres-MT. 
Procedimentos: entrevista.
Possíveis riscos e desconforto: sem riscos, sentir - se observado ou constrangido 
no processo de entrevista.
Benefícios previstos: o presente projeto possibilitará reflexões acerca de como 
vem sendo realizada a assistência do enfermeiro ao idoso vítima de violência e 
maus-tratos no município de Cáceres- MT.
Eu, ___________________________________________________ fui informado 
através do Termo de Consentimento Livre Esclarecido, de forma clara e detalhada, 
livre de qualquer forma de constrangimento e coerção, sobre os desconfortos e 
benefícios do projeto de pesquisa “A Percepção e a Abordagem do Enfermeiro de 
Programa de Saúde da Família quanto a Violência e Maus Tratos aos Idosos no 
Município de Cáceres – MT”. Entendo que terei garantia de confidencialidade, ou 
seja, que apenas dados consolidados serão divulgados e ninguém além dos 
pesquisadores terá acesso aos nomes dos participantes desta pesquisa. Entendo 
também, que tenho direito a receber informações adicional sobre o estudo a 
qualquer momento, mantendo contato com o pesquisador principal. Fui informado 
ainda, que a minha participação é voluntária, sem ressarcimento financeiro, bônus 
ou gratificações. Caso prefira não participar ou deixar de participar deste estudo em 
qualquer momento, isso NÃO me acarretará qualquer tipo de penalidade.
Compreendendo tudo o que me foi explicado sobre o estudo a que se refere 
este documento, concordo em participar do mesmo.
 _________________________ _______________________
 Assinatura do Participante Luciana da Silva Barros
Em caso de necessidade, contate Luciana da Silva Barros, na Av: São João nº355, bairro: Cavalhada, 
Cáceres/MT, telefone: (66) 9613-7756, e-mail:lucianabarros_7@hotmail.com. Caso necessite poderá ligar a 
cobra. Informações sobre o projeto fazer contato com o Comitê de Ética em Pesquisa

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