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ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO INSTITUTO DE CIÊNCIAS NATURAIS E TECNOLÓGICA CAMPUS UNIVERSITÁRIO JANE VANINI DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM LUCIANA DA SILVA BARROS ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM AO IDOSO VÍTIMA DE VIOLÊNCIA E MAUS TRATOS EM UNIDADES DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE CÁCERES – MT CÁCERES – MT 2008 ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO INSTITUTO DE CIÊNCIAS NATURAIS E TECNOLÓGICA CAMPUS UNIVERSITÁRIO JANE VANINI DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM LUCIANA DA SILVA BARROS ATUAÇÃO DE ENFERMAGEM AO IDOSO VÍTIMA DE VIOLÊNCIA E MAUS TRATOS EM UNIDADES DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE CÁCERES – MT Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem, sob coordenação da Profª Maria Rosângela Beckert, ao Departamento de Enfermagem do Campus Universitário Jane Vanini da Universidade do Estado de Mato Grosso. Orientadora: Enf. Ms Naudia da Silva Dias CÁCERES – MT 2008 FOLHA DE APROVAÇÃO Banca Examinadora _____________________________________________________ Profª Enf. Ms Naudia da Silva Dias (Orientadora) Deptº de Enfermagem / UNEMAT/ Cáceres _____________________________________________________ Enf. Ms Patrícia da Silva Ferreira (Membro da Banca) _____________________________________________________ Profª Enf. Esp. Simone Brandão (Membro da Banca) Deptº de Enfermagem / UNEMAT/ Cáceres _____________________________________________________ Profª Rosângela Beckert Professora Orientadora de TCC Aprovado em: ___/___/___ Nota: ______________ EPÍGRAFE “Com os Idosos está à sabedoria e na abundância de dias o entendimento”. Jó 12:12 DEDICÁTORIA Dedico esta monografia a Deus, aos meus amados pais, Onofre e Édina, minhas irmãs, Giselle e Patrícia e ao meu querido sobrinho, Pedro Arthur, os quais estão presentes em minha vida me apoiando em todos os momentos. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, pai eterno. Aos meus familiares pelo apoio e paciência em todos os momentos de construção da monografia; Às minhas amigas, Kézia e Dahiany que souberam me compreender durante as manhãs de leitura e concentração; À Profª Enf Ms Naudia da Silva Dias pelas orientações e palavras de calma em momentos em que o medo e ansiedade tentaram me desanimar; Aos profissionais enfermeiros do PSF que aceitaram participar da pesquisa; E a todos os amigos de sala de aula, principalmente meu grupo de estágio (Daí, Anna, Kel e Lucas); Muito Obrigada!!! RESUMO O enfermeiro é um dos membros da equipe do Programa de Saúde da Família responsável pelo cuidado integral e diferenciado ao idoso. É quem pode estar diagnosticando o mais rápido possível que ele está sofrendo de maus tratos e violência e deve realizar abordagem e conduta segura. Este estudo teve como objetivo discutir a atuação da enfermagem nas unidades do PSF do município de Cáceres – MT, a esses idosos vítimas de abuso. Trata-se de um estudo exploratório – descritivo de caráter qualitativo com 8 (oito) enfermeiros que se encontram atuando a mais de um ano nas unidades. Os dados foram coletados através de entrevistas onde os profissionais respondem as perguntas informando como tem sido a sua atuação. Num primeiro momento discute-se como a enfermagem define a violência e seus tipos, após observamos como tem sido abordagem a esse idoso que pode estar sendo vitima de maus tratos e por fim a conduta desses profissionais. Apóia-se para a construção do trabalho em livros, artigos e protocolos do Ministério da Saúde que discutem a problemática da violência e maus tratos contra os idosos. Conclui-se ao final da pesquisa que para a atuação de enfermagem tornar-se mais efetiva os profissionais devem se atualizar continuamente e o poder público precisa se mostrar mais interessado na política dos direitos aos idosos. Palavras-Chave: Enfermagem, Violência, Saúde do idoso, PSF. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................................9 CAPÍTULO I: REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................15 1 A violência e o idoso................................................................................................15 CAPÍTULO II: METODOLOGIA ................................................................................21 2 Tipo de estudo, local de estudo e participantes......................................................21 2.1 Aspectos éticos e coleta de dados.......................................................................22 2.2 Análise dos dados................................................................................................24 CAPÍTULO III APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ..........................................26 3 Caracterização dos participantes do estudo ..........................................................26 3.1 Definição de violência e os tipos sofrido pelo idoso ............................................27 3.2 Abordagem do enfermeiro ao idoso vítima de violência......................................31 3.3 Conduta da enfermagem ao idoso que sofre de violência...................................37 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................43 REFERÊNCIAS .........................................................................................................46 ANEXOS....................................................................................................................51 INTRODUÇÃO Atualmente observa-se no mundo um aumento expressivo do contingente de pessoas com 60 anos ou mais. A população mundial que era vista como sendo constituída só por jovens, apresenta-se em processo de amadurecimento/envelhecimento. A esperança de vida que no início do século XX era de até 35 anos, hoje se encontra além dos 70 anos. O envelhecimento antes considerado um prodígio tornou-se realidade na maioria das sociedades. Esse fato pode ser confirmado quando observamos que segundo o IBGE, vem acontecendo uma redução no número de nascimentos que faz com que a pirâmide etária brasileira – usada para representar o estudo da idade da população – se encontre em transição. O estreitamento ocorrido na base da pirâmide aponta para a redução do contingente de crianças e adolescentes com até 14 anos de idade. De 1992 para 2002, houve um decréscimo de 2,6% no número de pessoas nesta faixa etária. Neste mesmo intervalo de tempo, a taxa bruta de natalidade, que mede o número de nascidos vivos por 1.000 habitantes em determinado ano, passou de 22,8‰ para 21‰ (IBGE, 2004). O contingente de idosos (maior de 60 anos) que participam no total da população nacional foi de 4% em 1940, para 9% em 2000 (CAMARANO, 2002). No Brasil no ano de 2002, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia 16.022.231 pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, o que corresponde a 9,3% da população total do país. Projeções populacionais, apontam que em 2020 os idosos chegarão a 25 milhões de pessoas, que irão compor 11,4% da população. Já em 2030 acredita-se que cerca de 40% dos brasileiros terão entre 30 a 60 anos de idade (IBGE, 2004). Para o ano de 2050 as estimativas indicam que haverá no mundo cerca de dois bilhões de pessoas com sessenta anos ou mais, esses valores indicam que existirão mais idosos que crianças abaixo de 15 anos, fenômeno nunca antes observado (BRASIL, 2006). O número de idosos considerados mais idosos, também está crescendo. Conforme estimativas do Censo 2007, no país há 11.042 pessoas com 100 anos ou mais.do Hospital Universitário Julio Muller: fone: (65) 3615 7254 Cáceres/MT___ de ______________de 2007. 58 ANEXO IV UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE CÁCERES DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM Roteiro de Entrevista com os profissionais enfermeiros Identificação PSF: Nome: Sexo: Idade: Quando Tempo de formado: Universidade que cursou: Questionário 1- Como você definiria violência contra o idoso? 2- Em seu PSF há casos declarados ou não, de idosos que são vítimas de violência? 3- Quais as estratégias que você usa para identificar o idoso que vem sofrendo atos de violência e maus-tratos? 4- Como você incentiva o idoso a falar sobre o que vem sofrendo? 5- Qual a conduta que você toma diante da suspeita ou confirmação de que o idoso de sua área sofreu ou sofre violência? 59 ANEXO V Perguntas úteis para serem feitas pela equipe quando a suspeita de violência contra o idoso. VIOLENCIA FÌSICA • Você tem medo de alguém de sua casa? • Você tem sido agredido fisicamente? • Você tem sido amarrado ou trancado no quarto? VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA • Sua família conversa com você com freqüência? • Você participa da vida em família, recebendo informações e notícias? • Você tem sofrido algum tipo de punição ou privações? • Você tem sido obrigado a comer? • O que acontece quando a pessoa que lhe cuida discorda de você? • Você já foi internado em instituição para idosos sem estar de acordo? VIOLÊNCIA SEXUAL • você se sente respeitado em sua intimidade e privacidade? • Você já se sentiu constrangido pela forma como alguém tocou o seu corpo ou lhe acariciou? Você quer falar sobre o assunto? NEGLIGÊNCIA • Você está precisando de óculos, aparelho auditivo ou dentadura? • Você tem ficado sozinho por longo período? Você se sente em segurança na 60 sua casa? • Você recebe ajuda sempre que necessita? VIOLÊNCIA FINANCEIRA • Você recebe e administra seu dinheiro conforme sua vontade? • Seu dinheiro já foi usado para atender necessidades de seus familiares sem o seu consentimento? • Você foi forçado a assinar procuração ou outro documento repassando bens ou direitos para outra pessoa? • Você foi forçado a realizar compras contra a sua vontade? • As pessoas que tomam conta de você dependem de seu suporte financeiro? FONTE: BRASIL, 2002. 61 TERMO DE COMPROMISSO Assinatura do Participante Luciana da Silva BarrosDestes, 7.950 são mulheres. Número que é mais do que o dobro dos homens, que somam 3.472 pessoas. Esses valores tendem a aumentar à medida que os avanços tecnológicos, de pesquisa em saúde e sociais se insiram no cotidiano das pessoas (ALVES, 2007). Esse aumento no número de idosos é resultado da alta taxa de fecundidade prevalecente na década de 60 em comparação a redução deste índice na atualidade e a redução da mortalidade neste grupo populacional. Enquanto o envelhecimento populacional significa mudança na estrutura etária, a queda da mortalidade é um processo que se inicia no momento do nascimento e altera a vida do indivíduo, as estruturas familiares e a sociedade (CAMARANO, 2002). O investimento na melhoria das condições de vida da população, controle maior das doenças, aumento da quantidade de indivíduos vacinados, melhora da nutrição e educação em saúde, colaboram para que haja aumento da expectativa de vida, dessa forma a pessoa idosa passa a substituir suas causas de morte anteriormente resultantes de doenças infecciosas e parasitárias, pelos problemas comuns ao processo natural de diminuição das reservas funcionais do indivíduo, ou seja, as doenças crônico-degenerativas, e também os problemas cardíacos e câncer (GAIOLI, 2004). As pessoas idosas acometidas por doenças ou agravos crônicos não transmissíveis requerem acompanhamento constante, pois em razão da sua natureza, não tem cura. Essas condições crônicas tendem a se manifestar de forma expressiva na idade mais avançada (nos idosos mais idosos) e, frequentemente, estão associadas. Podem gerar um processo incapacitante, afetando a funcionalidade da pessoa idosa, ou seja, dificultando ou impedindo o desempenho de suas atividades cotidianas de forma independente. Ainda que não sejam fatais, essas condições geralmente tendem a comprometer de forma significativa a qualidade de vida do idoso (BRASIL, 2006). Sendo assim, o idoso portador de agravos crônicos necessita de cuidados especiais, muitas das vezes dos familiares ou amigos próximos que não possuem nenhum conhecimento específico para saber lidar com essa situação. O idoso passa, portanto a ser considerado uma vítima em potencial à violência, que se manifesta por várias formas: física, psicológica, sexual, negligente ou financeira. Os tipos de violência que a população idosa sofre coincidem com a violência social que a sociedade brasileira vivencia e produz nas suas relações e introjeta na sua cultura (MINAYO, 2006). O idoso que não apresenta nenhum agravo de saúde significativo também pode vir a sofrer abusos, devido principalmente as alterações emocionais e fragilidade que a senilidade pode trazer. Diante desse fato, devemos ter em mente que a maior longevidade do ser humano não é um problema, mais uma conquista, decorrente do processo de desenvolvimento social. Cabe, pois à sociedade criar condições para que o homem, ao viver mais tempo possa usufruir de melhores condições de vida, considerando as alterações normais do processo de envelhecimento (GAIOLI, 2004). Para Wolf apud MInayo (1994) numa revisão de várias pesquisas canadenses sobre violência contra os idosos, estima que naquele país, de 4% a 10% destes sofrem uma ou mais formas de abusos, sendo as mais freqüentes de origem financeira (12,5%), verbal (1,4%) ou física (0,5%). Os dados quantitativos retirados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde mostram que óbitos de idosos por violências e acidentes ocupam o sexto lugar no seu perfil de morbi-mortalidade. No ano 2000, morreram 13.436 idoso por acidentes e vítimas de violências no país significando, por dia, cerca de 37 óbitos, dos quais 8.884 (66,12%) foram de homens e 4.552 (33,87%) de mulheres (MINAYO, 2006). A exemplo do que acontece com as crianças, adolescentes e mulheres, a violência contra idosos também é subnotificada. Inúmeras ocorrências são registradas pelas equipes de saúde, nas emergências de hospitais e serviços de pronto-atendimento, sem que o diagnóstico final relacione o problema a possíveis maus-tratos cometidos por familiares ou cuidadores. Constata-se que a maioria dos profissionais de saúde ainda não está capacitada para identificar e encaminhar adequadamente os casos de violência contra idosos nos serviços de saúde ou de referências nas áreas de segurança e justiça (BRASIL, 2002). A violência e os maus tratos contra o idoso podem ser manifestados de várias formas e diferentes graus de severidade. Essas formas não se produzem isoladamente, mas, fazem parte de uma seqüência crescente de episódios no qual o homicídio é a manifestação mais extrema (BRASIL, 2006). A importância e a amplitude desse problema social faz com ele deva ser olhado e tratado principalmente por aqueles que cuidam da saúde. A avaliação e o entendimento da dinâmica das famílias por uma equipe multidisciplinar se torna cada vez mais necessário, uma vez que as injúrias e a própria morte de seus entes mais frágeis, dentre eles o idoso tem sido associados à negligencia ou a condições de maus-tratos. O direito e o respeito à vida devem ser resguardados em qualquer etapa do ciclo vital do ser humano (GAIOLI, 2004). É necessário para facilitar o enfrentamento da problemática que se construa uma rede integrada de atendimento aos idosos, envolvendo diferente setores (governamentais e não governamentais) para atuação conjunta com as demais áreas, (incluindo os que cuidam da saúde). Nesse contexto a Equipe de Saúde da Família, ao lado de outros profissionais que lidam diretamente com a população, têm um papel relevante no sentido de dar maior visibilidade ao problema, visando a identificação de estratégias especificas par cada local (BRASIL, 2002). A própria estratégia do programa segundo o Ministério da Saúde, prevê que haja uma reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes que atuem com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade (BRASIL, 2008). A política de contato e proximidade faz com que toda a comunidade trabalhe para um resultado comum. O enfermeiro do Programa de Saúde da Família deve realizar uma atenção específica ao idoso, propiciar conforto, tranqüilidade e segurança aos familiares no acompanhamento da pessoa idosa, além de ser, no primeiro momento de reconhecimento do território, uma importante ferramenta na detecção de situações de abandono ou outras situações que apontem que seus direitos estão sendo negligenciados (BRASIL, 2006). No atendimento de enfermagem a assistência precisa ser mais orientada e satisfatória. Em decorrência da longevidade e dos avanços científicos acerca do envelhecimento, este estudo propõe levantar no âmbito da atenção básica os olhares e dificuldades que o profissional enfermeiro se depara ao prestar o cuidado ao idoso vítima de qualquer forma de violência. CAPITULO I: REFERENCIAL TEÓRICO 1 A violência e o idoso A violência é um problema social de grande magnitude que afeta toda sociedade. De acordo com Minayo (1994), é um problema de teoria social e da prática política e relacional da humanidade. Não se conhece nenhuma sociedade onde a violência não tenha estado presente. Ao longo do desenvolvimento da humanidade ela passou a ser estudada e quantificada, para que se pudesse entender como se apresenta e desenvolve. No Brasil a partir da década de 80 as mortes por acidentes e por violências de qualquer outro tipo e em todas as idades respondiam pela segunda causa de óbitos no quadro de mortalidade em geral, merecendo, portanto atençãodos órgãos públicos e consequentemente da equipe de saúde para que se propusessem estratégias de prevenção e intervenção a esses atos (QUEIROZ et. al, 2002). Os abusos e violências são classificados no Código Internacional de Doenças (CID-10) como causa externa, a partir do qual tem sido reconhecido como questão de saúde pública não somente do ponto de vista dos traumatismos físicos, mas também decorrente dos sérios efeitos que acarreta à saúde mental de quem a sofre (GAIOLI, 2004). 16 No aspecto relativo aos idosos, não se acreditava que eles podiam ser vítimas de maus-tratos, visto serem considerados como pertencentes à idade da sabedoria e relativamente serem respeitados por todos. No entanto, observa-se que a maior vulnerabilidade/fragilidade a que são submetidas essa idade pelo processo natural de envelhecimento, os colocou como parcela da população passível de receber atos de violência, principalmente dos cuidadores despreparados e do restante das pessoas de seu convívio que estão estressadas e sobrecarregadas. Estima-se que cerca de 12% dos 16 milhões de idosos do Brasil sofram algum tipo de violência. Na maioria das vezes os agressores são os próprios filhos e a maioria das vítimas é do sexo feminino (BRASIL, 2002). Brasil (2002), afirma que a Promotoria de Atendimento ao Idoso de São Paulo, pioneira nesse tipo de atendimento, recebe queixas de maus tratos contra os idosos cometidos por instituições ou por familiares e 40% das 60 denúncias semanais de abuso dizem respeito à violência doméstica. Dados estatísticos revelam que o estado do Mato Grosso tem sido considerado a terceira capital com maior número de violência registrado contra o idoso. No Conselho Municipal de Cuiabá, capital do estado, há mais de 50 denúncias de maus tratos, que deverão estar sendo averiguadas. Em sua maioria os casos são de violência intrafamiliar e se o Conselho não conseguir resolver o impasse, o caso é repassado para o Ministério Público (FONTES, 2007). Para compreender quando uma ação é considerada violência é necessário conceituá-la. De acordo com Ferreira (2004), violência em si, é definida como qualidade de violento, ato violento; ato de violentar. Violento é o que age com 17 ímpeto, impetuoso, agitado, tumultuoso; iracundo; intenso, veemente; o que faz uso de força bruta; contrário ao direito à justiça. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002), maus tratos contra o idoso refere-se a um ato único ou repetido, ou ainda a ausência de uma ação apropriada, que cause dano, sofrimento ou angústia e que ocorra dentro de um relacionamento em que haja expectativa de confiança. De acordo com a Rede Internacional para Prevenção dos Maus Tratos contra a pessoa idosa, define-se a violência contra esse grupo etário como o “ato (único ou repetido) ou omissão que lhe cause dano físico ou aflição e que se produz em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança (BRASIL, 2006). Conforme os Cadernos de Atenção Básica do Ministério da Saúde, a violência contra o idoso se manifesta a partir de três formas: estrutural, que ocorre pela desigualdade social e é naturalizada nas expressões de pobreza, da miséria e da discriminação; interpessoal, que se refere nas relações cotidianas e institucional que se reflete na aplicação ou omissão da gestão das políticas sociais e pelas instituições de assistência (BRASIL, 2002). A violência também pode se caracterizada por tipos: física, onde se tem o uso da força através de tapas, empurrões, socos, etc., a fim de que o idoso fique obrigado a fazer o que não deseja; sexual, o idoso sofre contato ou jogo sexual não consentido; psicológica, ação que causa ou visa causar dor, angústia, tristeza através de expressões não verbais ou verbais; econômica ou financeira, se expressa na exploração ilegal ou imprópria de recursos financeiros ou patrimoniais do idoso; abandono/negligência é a falha na atenção as necessidades do idoso e a auto-negligência, violência do idoso contra ele mesmo (BRASIL, 2002). 18 A definição e a classificação dos tipos de violência contra os idosos variam conforme a época, mas mesmo assim engloba em parte as definições elencadas. Nem sempre os maus tratos são praticados de forma intencional podendo ser resultado do despreparo do familiar ou cuidador para lidar com situação em idosos muito dependentes/fragilizados, ou ainda das condições socioeconômicas, da família ou comunidade. No entanto, o que fica evidente é que uma lesão resultante de maus-tratos, que leva a vítima a precisar de atendimento médico nem sempre é notificada. Há ainda os maus-tratos em nível psicológico que nem sempre aparecem em forma de lesão (GAIOLI, 2004). Segundo Ruiperez et al. (2002), apenas uma parte de todos os casos de violência são notificados e dos diferentes tipos, o mais freqüente são os maus-tratos físicos, seguido de agressões verbais e pela negligência; mas, na prática clínica, o mais freqüente são as formas sutis de maus tratos continuados, que combinam negligência com maus tratos psicológicos. A notificação de todo caso suspeito ou confirmado de violência contra a pessoa idosa deve ser realizada por meio da ficha de notificação/investigação individual – Violência, conforme modelo do Ministério da Saúde. É uma obrigação de todo profissional da saúde a notificação dos casos. O crescimento do interesse da área da saúde pela violência deveu-se a dois fatores principais: a conscientização crescente dos valores da vida e dos direitos de cidadania e das mudanças no perfil de morbimortalidade no mundo e no país (QUEIROZ et al., 2004). A atenção primária é o melhor local para se fazer diagnóstico precoce e a prevenção de abusos e violência, pois a política de atendimento prevê um contato maior com as pessoas da área de abrangência do programa, sendo mais fácil 19 realizar identificação de casos suspeitos ou confirmados e realizar ações de prevenção dessas violências. A enfermagem, integrante essencial da equipe de saúde da família, quando se propõe a ofertar um cuidado orientado e integral ao idoso, deve estar atenta para os sinais que eles demonstram de estar sendo vítimas de maus-tratos. É imperativo que se aprenda a reconhecê-los e a agir em favor do idoso. A dificuldade em identificar os sinais depende de as manifestações com que se apresentar o idoso serem evidentes ou, como ocorre na maioria dos casos, serem sutis e ambíguas. Depende também em grande parte, da motivação e do grau de conhecimento acerca do tema, por parte da equipe multiprofissional encarregada de atender o idoso (RUIPÉREZ, 2004). Outro fato que dificulta o diagnóstico de maus-tratos ao idoso na atenção básica é segundo Brasil (2002), o isolamento a que são submetido os idoso, por problemas de saúde ou pela falta de autonomia. Os próprios idosos contribuem para que a violência não venha à tona, pois em geral sentem-se culpados em denunciar o agressor que pode ser um parente próximo. No estado de Mato Grosso há falta de profissionais qualificados e capacitados no atendimento aos idosos. No mês de junho de 2008, aconteceu em Cuiabá, a 1ª Conferência Municipal da Pessoa Idosa, com o objetivo de fazer uma avaliação da rede nacional de proteção e defesa da pessoa idosa, seus avanços e desafios. Na capital mato-grossense, as discussões versaram em torno da criação de uma rede que inclua atendimento especializado em diversas áreas, entre elas da saúde, transporte, educação, lazer e segurança, para denúncias de maus-tratos e criação de um abrigo, como medida protetiva (RIBAS, 2008). 20 A abordagem do cidadão idosopor profissionais que detém conhecimentos específicos do processo de envelhecimento e com a capacidade de observar as reações das potenciais vítimas de violência contribuirá para que haja um ganho substancial na qualidade de vida e saúde da pessoa idosa (BRASIL, 2006). Conforme os fatos decorridos sobre a saúde do idoso, este estudo se propõe a realizar uma discussão acerca do conhecimento técnico e cientifico do enfermeiro na abordagem e atendimento aos idosos vítima de violência e maus tratos. 21 CAPITULO II: METODOLOGIA 2 Tipo de estudo, local e participantes A presente pesquisa trata-se de um estudo exploratório-descritivo de caráter qualitativo. Optou-se por um estudo exploratório porque, segundo Gil (1999), o estudo exploratório tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista, a formulação de problemas precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. Habitualmente envolve levantamento bibliográfico e documental, entrevistas não padronizadas e estudo de caso. Para Triviños (1987) o estudo exploratório serve para levantar possíveis problemas de pesquisa. A abordagem qualitativa foi escolhida, pois de acordo com Triviños (1994) não se preocupa em subsidiar as “causas” nem as “conseqüências” da existência dos fenômenos sociais, mas as características deles, já que sua função principal é descrever, e os fenômenos sociais estariam constituídos por atos, atividades, significados, participação, relação e situações. 22 Para Minayo (1994), a pesquisa qualitativa se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantitativa, trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, correspondendo a 23 um espaço mais profundo dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a variáveis. Seu princípio é compreender e explicar a dinâmica das relações sociais estabelecidas com a vivência e experiência no cotidiano, compreendida dentro de estruturas e instituições. Ainda segundo Triviños (1994) a pesquisa qualitativa é descritiva, pois os fenômenos estão impregnados dos significados que o ambiente lhes proporciona. Os resultados, então, são expressos em descrições e a interpretação dos mesmos surge como completude de uma averiguação que tem como base a percepção de um fenômeno em determinado contexto. Os estudos descritivos exigem do investigador uma série de informações sobre o que deseja pesquisar, como a delimitação de técnicas, métodos e teorias que orientam a coleta e interpretação dos dados. A pesquisa foi realizada em oito unidades do Programa de Saúde da Família do município de Cáceres – MT. Cáceres é um município do estado de Mato Grosso situado a 211 quiilômetros da capital do estado, Cuiabá. Possui uma área de 24.398,399 km² com uma população de acordo com o IBGE 2007, de 86.175 habitantes. Os participante do estudo foram oito enfermeiros que estavam atuando há, pelo menos 12 meses na unidade de saúde da família. 2.1 Aspectos éticos e coleta de dados 24 http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Km%C2%B2 Foi realizado num primeiro momento, a tramitação do projeto de pesquisa, no que se refere aos aspectos éticos para pesquisa em saúde como está estabelecido na resolução, nº 196/96 e no decreto nº 93.933, de janeiro de 1987, do Conselho Nacional de Saúde. A pesquisa foi encaminhada ao Conselho de Ética do Hospital Universitário Júlio Muller de Cuiabá-MT, tendo sido aprovada pelo mesmo no processo nº458, com termo de consentimento livre e esclarecido. Com o objetivo de manter o anonimato dos participantes durante as transcrições das falas serão utilizado nomes aleatórios de pedras preciosas escolhidas por meio de sorteio. No processo de coleta de dados, a pesquisa foi apresentada a população do estudo em um encontro informal e em seguida aconteceu uma reunião em ambiente reservado, onde os participantes puderam responder as questões levantadas. As entrevistas foram armazenada em um gravador de voz digital, e tiveram duração média de 20 minutos. Após a realização das mesmas, o conteúdo foi transcritos para análise. Para descrever como tem sido a atuação do enfermeiro do Programa de Saúde da Família ao idoso vítima de violência e maus tratos, as perguntas do instrumento de coletas de dados foram do tipo semi-estruturada. A entrevista semi estruturada segundo Triviños (1987), é aquela que mantém a presença consciente e atuante do pesquisador e, ao mesmo tempo, permite a relevância na situação do ator. É a que favorece não só a descrição dos fenômenos sociais, mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade. O roteiro da entrevista é apresentado no Anexo 4. 25 2.2 Análise dos dados Após coleta procedeu-se a análise dos dados coletados, onde os mesmos foram transcritos e depois realizado leitura exaustiva das informações obtidas. Em seguida os dados foram ordenados segundo o método para a análise de conteúdo. A análise de conteúdo, segundo Bardin (2004), trata-se de um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/ recepção destas mensagens. Para atingirmos os significados manifestados e emanados do material coletado foi usada a técnica da análise temática, pois a mesma proporciona uma visão abrangente e se melhor enquadra na análise quantitativa do material, podendo ser apresentada através de uma palavra, frase ou resumo. De acordo com Triviños e Minayo (1994), o processo de análise temática consiste em descobrir os núcleos de sentidos integrantes de uma comunicação, cuja presença ou freqüência signifiquem alguma coisa para o objetivo desejado. A operacionalização dos dados foi realizada através dos seguintes passos propostos por Minayo (1998): ordenação dos dados, classificação dos dados e análise final. Na constituição de núcleos de sentido, efetuou-se a parte operante da pesquisa onde, com as entrevistas em mãos, fomos classificando-as em unidades de sentido, que foram referenciadas por temas que apresentaram mais relação com 26 o objeto de investigação, processando uma classificação inicial que, posteriormente, foi enxugada dentro de uma visão unificadora. A análise final consta do estabelecimento de articulações entre o material empírico e referencial teórico, buscando responder as questões da pesquisa, tendo em vista o objeto e os objetivos do estudo. Assim, neste processo de análise, promoveu-se uma relação com o dito e o concreto, a teoria e a prática. Considerando que nada que existe é eterno, fixo e absoluto, o produto final desta análise deve ser sempre visto de forma provisória e aproximada, sujeita a mudança, a transformação (MINAYO, 1999). 27 CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Neste capítulo será abordado os achados do estudo e a discussão acerca, utilizando de referenciais teóricos para discussão e enriquecimento da temática. O capítulo será divido em três categorias para que seja possível responder aos objetivos propostos da pesquisa. Ainda, apresentaremos neste capítulo como está estabelecida a atuação de enfermagem aos idosos que são vitimas de violência e maus tratos nas unidades de atenção básica no município de Cáceres-MT. Para comparação do que foi observado com o proposto para a Atenção à Saúde da Pessoa Idosa será comparado o que foi observado com as diretrizes propostas para o atendimento primário ao idoso formuladas pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2006). Para a compreensão dos dados analisados, primeiramente caracterizaremos os participantes do estudo, em seguida os principaistipos de violência sofrido pelo idoso e após a abordagem e conduta do profissional enfermeiro a essa faixa etária com o referido problema. 3 Caracterização dos participantes do estudo 28 29 Fizeram parte do estudo 8 (oito) enfermeiros que trabalhavam nas unidades de PSF do município de Cáceres-MT. A faixa etária variou de 24 (vinte e quatro) até 51 (cinqüenta e um) anos de idade. Dos entrevistados 5 (cinco) participantes eram do sexo feminino e 3 (três) do sexo masculino, 4 (quatro) formaram-se em universidades públicas e 4 (quatro) em universidades privadas. Todos os participantes da pesquisa estavam a mais de um ano trabalhando na unidade de PSF. Cada enfermeiro trabalha cerca de 8 (oito) horas por dia, 5 (cinco) dias por semana, 40 (quarenta) horas por semana, conforme a política para trabalho em unidades de saúde da família do Ministério da Saúde. Verificou-se que todos os entrevistados tinham ciência da política de atenção ao idoso e da política de funcionamento do PSF. 3.1 Definição de violência e os tipos sofrido pelo idoso Para descrever como tem sido definida a violência contra o idoso pelos profissionais deve-se num primeiro momento considerar como o Ministério da Saúde tem conceituado o termo. 30 Atualmente a política de Atenção a Saúde do Idoso tem empregado como definição para a violência e maus tratos o conceito empregado pela Rede Internacional para Prevenção dos Maus Tratos contra a Pessoa Idosa que seria “o ato (único ou repetido) ou omissão que lhe cause dano físico ou aflição e que se produza em qualquer relação na qual exista expectativa de confiança” (BRASIL, 2006). Autores como Minayo, Gaioli e Souza, consideram essa definição como sendo a mais coerente com a realidade observada, pois engloba o aspecto físico da violência, ou seja, o bater, abusar sexualmente e a negligência, e o aspecto psicológico que são os danos causados por ofensas e deixa os idosos em estado de aflição/profunda tristeza. Em estudo, observamos que os profissionais possuem conhecimento acerca dos tipos de violências em que os idosos estão sujeitos: “A violência contra o idoso não é só física, vai muito além. É principalmente através das palavras que magoam. Muitos acham que seria o tapa, mas é muito mais são as palavras” (Diamante). “Na minha percepção a violência contra o idoso, é só o fato de você não dar a atenção necessária pra ele já é uma violência, é, é no caso que ele tem que aguardar, né, às vezes a consulta, (...) xingar, maltratar, não ter paciência. É isso aí” (Topázio). De acordo com as falas apresentadas, verificou-se que o conceito que cada profissional traz consigo, é semelhante ao proposto pela Política de Atenção Básica. Eles entendem que existem diversas formas de violência dentre elas o abuso psicológico, que é manifestado nas agressões verbais ou gestuais. 31 Outro tipo de violência observado nos relatos dos enfermeiros entrevistados é a negligência, que quando não diagnosticada em tempo, pode trazer aos idosos agravos irreversíveis ou crônicos. Segundo Brasil (2006), a negligência é caracterizada pela falta de atenção em atender as necessidades da pessoa idosa “Eu vejo como a violência contra o idoso hoje, não é violência em si de bater, de maus-tratos, pra mim a violência da alimentação que é o que acontece aqui no meu bairro e nos outros bairros e é o que agente discute com os outros enfermeiros, geralmente é isso que acontece com os idosos, eu vejo dessa forma” (Safira). O capítulo VI do Estatuto do Idoso, dispõe sobre os crimes contra a pessoa idosa. No Art. 99 está escrito que é passível de Punição o ato de “expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado” (BRASIL, 2003). Portanto considerar qualquer violência ao idoso como um crime é o correto durante toda a atenção. “Então é um crime, que eu acho que deveria ser punido, tinha que ser cabível de punição. Agora com o estatuto do idoso parece que as coisas começaram a ter um rumo melhor. As pessoas tão começando a denunciar, o próprio idoso tá vendo os seus direitos, começando a procurar seus direitos” (Rubi). Ao serem indagados sobre se há casos declarados ou não de violência no PSF, observamos que em algumas unidades do PSF há a notificação das violências, mas não é realidade em todos os PSFs pesquisados. 32 “Há sim bastantes casos. Um que aconteceu foi de um idoso que vinha as consultas muito tristes, aí sabe, a gente ia conversando. (...) Uma vez ele chorou, aí ele me disse que a filha dele vinha tratando ele muito mal, às vezes gritava com ele. Aí eu procurei chamar a filha dele pra vir aqui pra gente conversar, bater um papo. Ela veio e durante a conversa eu descobri que sabe, ele havia sido um pai ausente, muito distante dos filhos, aí a filha acabava tratando ele mal, como se fosse tipo uma resposta aqueles atos que ele havia feito no passado” (Diamante). “Já tive aqui um caso de um senhor, a família (...), já tive não, tenho porque até hoje a família não assumiu, ele já tem setenta e cinco anos, episódios de hanseníase, vive sozinho, ele tem uma filha que mora aqui. Só que é a vizinhança que cuida dele, a família não. É, acho que é a violência maior que existe o abandono” (Rubi). “Olha é (...) pelo menos por mim, até hoje não se passou. Teve um caso de uma senhora que já faleceu já, ela falava que, que os filhos maltratavam ela, né, mas isso não foi documentado nada, só comentado isso aí” (Topazio). “Qualquer tipo? Tanto física, como psicológica? Não. Até o momento não chegou nenhum caso de violência não. Nem física, nem psicológica” (Esmeralda). Observou-se nos relatos que o tipo de violência que mais se manifestou foi de violência de ordem financeira, onde os enfermeiros expressaram que a família ou o responsável pelo idoso acabam tomando posse do seu benefício deixando o mesmo sem o mínimo para suprir suas necessidades. “E outros assim em relação ao dinheiro, que não tem como comprar um remédio, nem vê a cor do dinheiro” (Rubi). “Tivemos dois, três casos, como abandono dos próprios filhos na casa do idoso, por exemplo, a pessoa tem três, quatro filhos , deixa com a idosa três 33 filhos e aí , sai vai fazer o que tem que fazer, vai pra rua faz o que tem que fazer, deixa com ela mês, anos ou seja como uma pessoa que ganha um salário mínimo vai sustentar três crianças, então, isso é o descredo, não é a força física, mais o descredo, que os filhos, os familiares tem com a pessoa idosa” (Safira). “No caso tinha uma moça que morava com um senhor de certa idade e pegava a aposentadoria dele e tal, e tal, a gente tentou levar na assistência social e tudo, mas acaba não resultando em nada, né” (Topázio). Para o Ministério da Saúde (2006), a violência econômica, financeira ou patrimonial é a que se expressa na exploração indevida ou ilegal dos idosos ou ao uso não consentido por eles de seus recursos financeiros ou patrimoniais. É um tipo de abuso que ocorre principalmente no âmbito familiar, podendo também acontecer em instituições de longa permanência. Para Minayo (2006), todas as pessoas de diferentes culturas, status socioeconômicos, etnias e religiões são vulneráveis aos maus tratos que ocorrem na velhice. As vítimas costumam sofrer simultaneamente vários tipos de maus tratos, sendo os mais comuns, os de ordem física, psicológica, econômica e negligências. A identificação de sinais de violência é, também, com certa freqüência, negligenciada no atendimento a saúde o que pode ser o motivo para que alguns enfermeiros não a percebam em sua unidade. Combater a violência é o primeiropasso para garantir a qualidade de vida na velhice que segundo Paschoal (2002), se baseia na percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, de acordo com o contexto cultural e sistema de valor com os quais convive e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. 34 3.2 Abordagem do enfermeiro ao idoso vítima de violência O enfermeiro se destaca na atenção primária por ser o coordenador da unidade de saúde e por fazer parte dos profissionais que mais estão em contato com a população, ciente de seus problemas. Em seus momentos de consulta procura atentar-se a tudo que o cliente demonstra afim de poder tratar os agravos tão logo apareçam. No tocante ao idoso o profissional enfermeiro precisa compreender as condições particulares, individuais, familiares ou coletivas, que aumentam o risco de ocorrência de violência. Necessita entender que a pessoa idosa torna-se mais vulnerável à violência na medida em que apresenta maior dependência física ou mental. O convívio familiar estressante e cuidadores despreparados ou sobrecarregados tendem a agravar essa situação (BRASIL, 2006). A declaração de Toronto (OMS, 2002) para Prevenção Mundial dos Maus Tratos em Pessoas Idosas considera a importância dos profissionais de saúde na atenção primária como forma de diagnosticar os casos de maus tratos. Contudo para que ocorra um diagnóstico de maus tratos o profissional precisa abordar a vítima e fazer com que ela consiga relatar o que vem sofrendo. A dificuldade maior para se fazer o diagnóstico de maus tratos aos idosos cometidos por vizinhos ou outras pessoas de sua relação, concentrar-se no fato de que os idosos sentem-se culpados em denunciar o agressor, que pode ser um parente próximo. Identificam sua dependência e as dificuldades do cuidado e acham natural que o cuidador não seja paciente (BRASIL, 2002). 35 Para Brasil (2002), a abordagem deve facilitar o diálogo e a observação cuidadosa de sinais e sintomas levando em conta as dificuldades porque passam tanto os idosos quanto seus cuidadores, principalmente no contexto de famílias em situações de risco para a violência. A abordagem que mais tem trazido resultados é aquela que se baseia no uso de estratégias onde os idosos possam expor à problemática. Nos PSFs estudados os enfermeiros demonstram serem usuários de estratégias que facilitem o diagnóstico de violência. “A estratégia que eu uso é a conversa, por causa desse meu jeito. Eu gosto de conversar, acho que quando a população sabe, vem procurar atendimento eles querem ser ouvidos e eu gosto de conversar com eles” (Diamante). “Pra você detectar seria mais visual e também na forma na consulta pra que a pessoa interaja mesmo” (Topázio). A comunicação é considerada uma necessidade fundamental , cuja satisfação envolve um conjunto de condições bio-psicossociais. É mais do que uma troca de palavras, trata-se de um processo dinâmico que permite que as pessoas se tornem acessíveis umas as outras por meio do compartilhamento de sentimentos, opiniões, experiências e informações (BRASIL, 2006). “A minha estratégia é o meio de comunicação (...) eu convenço o idoso a vir ao posto pra fazer a caminhada, as verificações de glicemia e pressão arterial toda sexta-feira. (...) E dessa forma eles vêm até mim e começam a comunicar seu problema, é dessa forma que eu consigo descobrir o que 36 está acontecendo e também na percepção olhando se está triste, se não está, aí a gente conversa e aí sai tudo” (Safira). “Então basicamente você diagnostica através da conversa, tá. Através de enfermeiro, do agente de saúde, através de da visita in loco, ou então através de vizinhos ou morador do lado, né” (Pérola). Comunicar envolve, além de palavras que são expressas por meio de fala ou da escrita, todos os sinais transmitidos pelas expressões faciais, pelo corpo, postura corporal e distância que se mantém entre as pessoas, a capacidade e jeito de tocar ou mesmo o silêncio em uma conversa. É assim que se obtém informações valiosas para a condução da terapêutica (BRASIL, 2006). No Caderno de Atenção Básica nº 8 (2002), do Ministério da Saúde tem-se uma lista de perguntas úteis para serem feitas pela equipe quando há suspeita de violência contra o idoso. A lista encontra-se no Anexo V. O uso de grupos de interesses pelo enfermeiro também facilita a abordagem, pois proporciona a troca de informações, orientações e de experiências. “A gente tem o grupo de caminhada, grupo de hipertensos, diabéticos. (...) Então com isso agente começou a ganhar confiança deles. Então eles vêm até o posto e acabam mostrando, fazendo com que eles aceitem a equipe, fazendo com que eles acreditem na equipe, eles vêm pra falar, conversar” (Rubi). “Nós temos aqui o projeto Pão e Rosa, que eles freqüentam e onde nós podemos ganhar a confiança dele. No projeto nós oferecemos apoio e aulas onde eles podem aprender artesanato e costura” (Turmalina). 37 O grupo de interesses permite a discussão de situações comuns vivenciadas no dia-a-dia. Permite descobrir potencialidades e trabalhar a vulnerabilidade e, consequentemente, eleva a auto-estima. O trabalho em grupos possibilita a ampliação do vinculo entre a equipe e pessoa idosa, sendo um espaço complementar da consulta individual, de troca de informações, de oferecimento de orientação e de educação em saúde (BRASIL, 2006). Desse modo o idoso poderá senti-se seguro para falar o que está vivenciando. Para o diagnóstico de violência o enfermeiro deve estar atento também aos sinais e sintomas que podem se manifestar no corpo do idoso, lembrando que algumas lesões são normais no processo de envelhecimento não sendo indicativa de violência. No entanto para Minayo (2006) algumas lesões também são frutos de omissão e de negligencia dos que deveriam prestar assistência nas casas, nas instituições e nas comunidades em que os idosos vivem. Um bom exame físico pode ajudar na avaliação das suspeitas e confirmação. “Primeiramente eu ia fazer uma anamnese, exame físico. Eu estaria fazendo uma coleta de dados com ele, né, mantendo uma conversa pra gente tá tentando detectar algum tipo de violência né” (Esmeralda). Para Horta (1979), o levantamento de dados do ser humano possibilita a identificação de seus problemas e o exame físico tem a finalidade de identificar os problemas de enfermagem, diferindo do exame médico, e verificar condições gerais, sinais vitais, condições físicas e as queixas do paciente. 38 “Eu taria convocando os familiares também pra ta sendo feita uma, hã, tendo uma conversa com os familiares pra ver se ta tendo, se ta havendo algum tipo de violência ou por parte da família ou de outras pessoas” (Esmeralda). Durante a abordagem terapêutica os idosos e responsáveis devem ser entrevistados juntos e em separado. O entrevistador deve manter uma postura firme, porém delicada, sendo essencial evitar confrontos para que a conversa seja produtiva (BRASIL, 2002). Segundo Brasil (2006), o ato de cuidar é voluntário e complexo, tomado por sentimentos diversos e contraditórios como raiva, culpa, medo, angústia, confusão, cansaço, estresse, tristeza, nervosismo, irritação e choro. É importante avaliar o estresse do cuidador, pois isso pode ser um fato de risco para a ocorrência de situações de violência contra idosos ou adoecimento do próprio cuidador. A visita domiciliar também é uma das estratégias para a verificação de casos de violência, contudo muitos dos profissionais enfermeiros transferem a obrigação das visitas para os agentes de saúde. “É, principalmente as agentes de saúde, né, que passam as visitam domiciliares em todas as residências, né” (Amestista). “Não digo bem uma estratégia, queé já um trabalho já de rotina, é a visita do agente comunitário no bairro que tem a obrigação de passar pelo menos uma vez por mês na casa dessa pessoa. Então assim agente começa a identificar, né” (Rubi), 39 A visita domiciliar realizada pela equipe (médico, enfermeira, assistente social, agente de saúde) possibilita uma melhor avaliação das condições dos idosos. Além disso, durante estas visitas é possível obter informações difíceis de serem levantadas em consultórios, como o meio ambiente em que o idoso vive, a qualidade real de sua autonomia e as condições do cuidador. Portanto, as visitas domiciliares podem otimizar os cuidados à pessoa idosa em sua casa, minimizando situações de risco (BRASIL, 2002). O papel do profissional da saúde é de extrema importância no que diz respeito à identificação e tratamento de maus-tratos e negligência em idosos, quando esses procuram o serviço de saúde (GAIOLI, 2004). A atenção primária é o local onde o vínculo entre cliente e profissional fica mais estreito e a enfermagem deve propiciar um cuidado satisfatório, ajudando a pessoa idosa a manter sua integridade física e mental, pessoa completa em seus direitos. 3.3 Conduta da enfermagem ao idoso que sofre de violência Conforme Brasil (2006), estudos revelam que quanto mais velha e mais dependente for a pessoa idosa, maior será seu risco de ser vítima de violência. A pessoa idosa geralmente tem dificuldade em denunciar a que está sendo submetida. Os profissionais da saúde têm um papel fundamental na interrupção desse ciclo, 40 tornado-se mais alertas à detecção de sinais e sintomas que possam denunciar tais situações. O profissional da saúde que está ciente que a população idosa de sua área vem sofrendo abusos deve estar preparado para realizar uma boa conduta, precisa saber qual a atitude deve tomar e como encaminhar e proceder para com os envolvidos. O principal objetivo da intervenção é proporcionar ou facilitar as condições necessárias para que o idoso tenha uma melhor qualidade de vida possível. A conduta ao idoso que sofre de violência inclui providências imediatas, avaliação e cuidados por longos períodos, reconhecimento dos obstáculos e prevenção (BRASIL, 2002). “Sem dúvida é o acompanhamento desse idosos. Aqui eu uso o agente comunitário de saúde, que tem que funcionar como a ligação entre a unidade e o idoso. Tem que ver o idoso, visitar e ajudar. Os agentes fazem a visita descobrem os casos e me falam, aí eu vou lá ver como eles estão” (Diamante) Intervir na questão da violência implica em trabalhar as relações, denunciando a quebra do respeito e da proteção nas relações de trocas afetivas. Na violência contra o idoso pelas dificuldades que existe em denunciar o agressor, somadas à precariedade de recursos disponíveis para a intervenção, dificultam a denúncia e o encaminhamento das ações de caráter assistencial ou jurídico (FONSECA, 2003). De acordo com a Lei nº 10.741/2003, art. 19 está previsto que os casos de suspeita ou confirmação de maus tratos contra idoso são de notificação obrigatória 41 ao Conselho Municipal ou Estadual dos Direitos do Idoso, Delegacias de Polícia e Ministério Público (BRASIL, 2006). Cada vez que ocorre um evento violento no país, os dados notificados constituem-se em estatística oficial e os dados são importantes para a quantificação do agravo e para os pesquisadores que estudam o fenômeno da violência. Segundo o Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003) em seu Título VI, no capitulo II dos Crimes em Espécie, aquele que vendo um idoso sendo ameaçado ou com risco para violência e omitir-se de prestar socorro está cometendo um crime, com punição severa. Art. 97. Deixar de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, em situação de iminente perigo, ou recusar, retardar ou dificultar sua assistência à saúde, sem justa causa, ou não pedir, nesses, casos, o socorro de autoridade pública: Pena – detenção de 6(seis) meses a 1 (um) ano e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, triplicada, se resulta a morte. (BRASIL, 2003) Portanto a equipe de saúde que ignora as ameaças que o idoso de sua área sofre está cometendo um delito. “A conduta do enfermeiro, tá. Agente não pode fazer uma coisa alarmante se não tiver, né, a informação correta. O informe é um boato, né; após averiguação desse informe ele transforma-se em uma informação correta, (...) Então encima desses dados você vai tomar as medidas compatíveis. Se você não tomar as medidas compatíveis é omissão” (Pérola). Segundo a rotina estabelecida pelo Ministério da Saúde, Brasil (2006) os encaminhamentos das pessoas idosas, em situação de violência devem ser feitos 42 para os órgãos e instituições descriminadas a seguir, de acordo com a organização da rede de serviços local: a) Delegacia Especializada da Mulher b) Centro de Referência da Mulher c) Delegacias Policiais d) Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa e) Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) f) Ministério Público g) IML e outros. “A primeira conduta é informar a polícia” (Diamante). “Eu denuncio ao Ministério da Saúde, no caso a Secretaria de Saúde, que é o que nós temos aqui, e também eu denuncio a polícia” (Safira). Ainda não teve nenhuma coisa tão grave, mas se chegar a acontecer, primeiro eu vou apelar pra ação social porque aí eu acho que é papel da assistente social; o conselho tutelar cuida das crianças, mas para o idoso acho que aqui em Cáceres não tem nada. Ou direto pra delegacia. Se for alguma coisa tão grave, chamo a policia” (Rubi). Se houver suspeita de maus-tratos, a segurança da pessoa idosa é a prioridade; ao mesmo tempo deve-se respeitar sua autonomia, sempre que a situação permitir. A hospitalização, algumas vezes, é justificada se a pessoa está em perigo iminente, particularmente aquelas que necessitam de cuidados especiais ou uso de medicação. Durante um período de crise, até que a situação seja avaliada e 43 controlada, o idoso pode ficar temporariamente num abrigo, caso possível. Acompanhamento rigoroso deve ser estabelecido (BRASIL, 2002). Ao serem indagados sobre a conduta alguns enfermeiros não souberam dizer para onde encaminhariam os idosos vítimas de violência. “Olha eu procuraria as entidades responsáveis, né. Com relação à agressão física eu nunca recebi. Pra te dizer a verdade, eu não saberei te falar. Eu não sei quem procurar se é policia ou alguma coisa desse tipo” (Ametista) “Olha eu encaminharia pra um serviço que tivesse, é, no caso no momento, agora eu teria que pedir alguma orientação pra saber pra onde eu encaminharia esse idoso, né. Até então meu conhecimento é quanto à criança. (...) Pro idoso eu não sei se teria algum órgão, alguma referência pra ta encaminhando essa pessoa, né, se é pra ação social, se é algum ou alguma outra organização, ou algum outro setor. (...) A princípio taria encaminhando esse idoso pra algum setor que fosse referência pra esse tipo de procedimento” (Esmeralda). Na capital do estado, Cuiabá, há o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa – COMDIPI, que tem como princípios básicos o papel de condutor e fiscalizador das ações relativas à Política Nacional do Idoso, a ele compete: fiscalizar, denunciar, articular, apoiar, pesquisar e acompanhar as ações que se referem aos idosos de Cuiabá. As denúncias de violências podem ser feitas ao conselho, que averigua e investiga os casos suspeitos. O abandono, os maus tratos e a violência contra idosos podem ser apresentados de várias formas, e se reproduzem em todas as camadas sociais. As comunidades devem unir esforçosno sentido de prevenir e enfrentar a violência e os maus tratos contra a pessoa idosa. Devem-se criar políticas públicas e estratégias para incentivar a população a fazer as denúncias nos órgãos competentes e eficientes no atendimento às necessidades deste grupo etário (MENDONÇA, 2005). 44 Contudo, existem vários aspectos éticos e legais envolvidos, as vítimas, quando cognitivamente competentes, têm o direito de determinar o curso da intervenção, inclusive, podendo optar por nada fazer. Cabe aos profissionais o suporte, a orientação, o atendimento, a notificação e o encaminhamento adequado frente a cada situação que deverá ser avaliada de forma particular (BRASIL, 2006). 45 CONSIDERAÇÕES FINAIS Refletir quanto à temática violência contra o idoso nos faz concluir que essa parcela da população ao mesmo tempo em que tem sido lembrada em campanhas do Ministério da Saúde (Vacinação) também tem sido esquecida durante a atenção diferenciada, principalmente por aqueles profissionais que prestam a atenção à saúde o mais próximo do cliente, ou seja, na atenção primária, que se faz presente no Programa de Saúde da Família. Um dos princípios do SUS é a integralidade, que significa um atendimento completo aquele que procura a unidade, não só para com os agravos crônicos que na maioria das vezes necessita de uma terapêutica demorada e contínua, mas também para o lado físico e psicológico de investigação do que acontece no seu cotidiano (BRASIL, 2006). Conforme a pesquisa realizada e a literatura consultada, verificou-se que o profissional de saúde necessita de uma educação continuada para que se sintam mais preparado no atendimento ao idoso e no diagnóstico de que ele está sendo vítima de maus-tratos. Deve-se destacar que muitas das vezes espera-se que cada profissional saiba como lidar com essa situação ao sair da universidade, porém, observa-se que existe uma deficiência no tocante a detecção do abuso, sendo ainda mais difícil a condução do caso após a confirmação das suspeitas. 46 No caso dos idosos, pelos relatos observados, vemos que eles não têm procurado apoio na unidade de saúde, pois quando acontece à averiguação do caso, não foi ele quem procurou ajuda, mas um vizinho, ou ainda um agente de saúde que ficou sabendo do acontecido. Quanto a visita domiciliar vemos que muitas das vezes o agente de saúde observa o evento e comunica ao enfermeiro da unidade para que este conduza a abordagem e o tratamento, diante disso o enfermeiro precisa investigar o que foi relatado, necessita ir até onde está o idoso, ver como ele é tratado em sua casa, como está vestido, o que faz com seu beneficio, caso seja aposentado. O idoso precisa encontrar apoio na unidade, visto a própria política do PSF prever o estreitamento do vínculo entre usuário e unidade para que haja aumento de adesão aos tratamentos e as condutas. No que diz respeito ao uso de grupos de interesse na atenção ao idoso vemos que é uma estratégia que pode dar certo, pois ela faz com que o idoso se sinta especial e valorizado como pessoa. A participação nas reuniões ocupa seu tempo livre e diminue a carga sobre os cuidadores. Considerando que o município também precisa apoiar as unidades no trato ao idoso, observamos que há a necessidade da criação de um Conselho Municipal do Idoso, que ajude na interlocução da comunidade com os poderes públicos no tocante a busca do cumprimento das políticas do idoso e que também ajude na prevenção aos maus tratos e violência contra a pessoa idosa. No Caderno de Atenção Básica nº 8 (BRASIL, 2002), há algumas propostas de atuação no desenvolvimento de atividades comunitárias enfocando orientações gerais e específicas sobre o cuidado dos idosos para reforçar o vínculo entre 47 cuidadores, idosos e equipes de saúde ao mesmo tempo. As orientações, individuais ou em grupo, devem incluir: • Cuidados e higiene do idoso; • Necessidades dietéticas, inclusive receitas especiais para pacientes alimentados através de sondas; • Necessidades psicológicas e emocionais dos idosos; • Orientações e treinamento para realização de procedimentos domiciliares: curativos, injeções, manuseio de sondas, etc; • Técnicas de relaxamento para cuidadores e técnica para manejo de idosos acamados; • Orientações sobre direitos previdenciários e demais benefícios para idosos; • Cuidados específicos para portadores de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus; • Como organizar esquemas para administração simultânea de vários medicamentos; • Telefones úteis para orientações em casos de emergências. Embora ainda exista muito a ser estudado sobre violência e idosos, o que a Política de Atenção Básica propõe já nos auxilia a melhorar a atenção dispensada, o que falta é sensibilização dos enfermeiros para que se atualizem e apliquem o que aprenderam de maneira eficaz no trabalho cotidiano e que o poder público possibilite a educação continuada a equipe. Com isso será possível dispensar uma atenção integral a essa população. 48 49 REFERÊNCIAS ALVES, Marcelo; ALMEIDA, Cássia. CENSO 2007. Somos 183.987.291 brasileiros mostra IBGE. Disponível em Acessado em 20/01/2008. BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. 3. ed. Lisboa: Edições 70, 2004. 223 p BRASIL, Ministério da Justiça. Secretária Nacional dos Direitos Humanos. Política Nacional do Idoso. Brasília, 1998. 76p. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Violência Intrafamiliar: Orientações para Prática em Serviço. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. BRASIL, Ministério da Saúde. 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São Paulo : Atlas, 1987. 54 ANEXOS 55 ANEXO I 56 ANEXO II UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE CÁCERES DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM TERMO DE COMPROMISSO Eu, Luciana da Silva Barros, acadêmica do Curso de Enfermagem, brasileira, solteira, RG: 1655033-1 SSP-MT, residente na Av: São João nº355, bairro: Cavalhada, Cáceres/MT, pesquisadora responsável pelo projeto: “Atuação de enfermagem ao idoso vítima de violência e maus tratos em unidades do Programa de Saúde da Família no município de Cáceres - MT”, comprometo-me assegurar aos sujeitos da pesquisa: • Tratamento digno e respeitoso; • Autonomia das decisões sobre as informações que prestarão; • Realização de entrevista apenas após esclarecimento do sujeito participante e seu livre consentimento; • Privacidade aos sujeitos informantes e sigilo em relação a sua participação; • Liberdade de se recusar a participar da pesquisa ou de desistir da mesma em qualquer fase de realização da mesma sem qualquer penalidade; • Ponderar sempre os benefícios e os riscos de pesquisa para o sujeito participante, procurando encaminhar a observação e a entrevista de forma a não causar riscos, principalmente à saúde mental dos indivíduos envolvidos; • Respeita os valores culturais, sociais, morais, religiosos, ético e costumes os indivíduos participantes da pesquisa; • Dar retorno dos resultados da pesquisa aos sujeitos participantes da mesma; • Manter confidencialidade, o respeito e a obediência às normas da instituição onde a pesquisa será realizada; • Cumprir os termos da resolução no. 196/96 que rege as diretrizes e normas regulamentares de pesquisa envolvendo seres humanos. ________________________________________ Luciana da Silva Barros Pesquisador principal Cáceres, _____/____/____ 57 ANEXO III UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE CÁCERES DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Profissionais de saúde Projeto: “Atuação de enfermagem ao idoso vítima de violência e maus tratos em unidades do Programa de Saúde da Família no município de Cáceres - MT”. Pesquisadores: Luciana da Silva Barros e Naudia da Silva Dias. Instituições envolvidas: Universidade Estadual de Mato Grosso – Faculdade de Enfermagem. Objetivo principal: Investigar a atuação do enfermeiro de PSF ao idoso vítima de violência e maus tratos no município de Cáceres-MT. Procedimentos: entrevista. Possíveis riscos e desconforto: sem riscos, sentir - se observado ou constrangido no processo de entrevista. Benefícios previstos: o presente projeto possibilitará reflexões acerca de como vem sendo realizada a assistência do enfermeiro ao idoso vítima de violência e maus-tratos no município de Cáceres- MT. Eu, ___________________________________________________ fui informado através do Termo de Consentimento Livre Esclarecido, de forma clara e detalhada, livre de qualquer forma de constrangimento e coerção, sobre os desconfortos e benefícios do projeto de pesquisa “A Percepção e a Abordagem do Enfermeiro de Programa de Saúde da Família quanto a Violência e Maus Tratos aos Idosos no Município de Cáceres – MT”. Entendo que terei garantia de confidencialidade, ou seja, que apenas dados consolidados serão divulgados e ninguém além dos pesquisadores terá acesso aos nomes dos participantes desta pesquisa. Entendo também, que tenho direito a receber informações adicional sobre o estudo a qualquer momento, mantendo contato com o pesquisador principal. Fui informado ainda, que a minha participação é voluntária, sem ressarcimento financeiro, bônus ou gratificações. Caso prefira não participar ou deixar de participar deste estudo em qualquer momento, isso NÃO me acarretará qualquer tipo de penalidade. Compreendendo tudo o que me foi explicado sobre o estudo a que se refere este documento, concordo em participar do mesmo. _________________________ _______________________ Assinatura do Participante Luciana da Silva Barros Em caso de necessidade, contate Luciana da Silva Barros, na Av: São João nº355, bairro: Cavalhada, Cáceres/MT, telefone: (66) 9613-7756, e-mail:lucianabarros_7@hotmail.com. Caso necessite poderá ligar a cobra. Informações sobre o projeto fazer contato com o Comitê de Ética em Pesquisa