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1 A PRÁTICA DA AUDITORIA HOSPITALAR 2 Sumário INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 4 Contextualização da IH no brasil............................................................................................. 6 Infecção hospitalar como alvo das políticas ........................................................................... 9 IH Como indicador de qualidade da assistência ................................................................... 11 Analisando a auditoria ........................................................................................... 14 Origem da auditoria .............................................................................................................. 14 Auditoria interna e externa .................................................................................................. 15 Auditoria em saúde ............................................................................................................... 16 Evolução da auditoria em saúde ........................................................................................... 16 Auditoria em saúde e a qualidade da assistência ................................................................. 17 Qualidade em saúde ............................................................................................................. 18 Desafios para o cuidar em saúde e as estratégias para a prevenção da IH ......................... 19 Educação dos profissionais/dimensionamento de recursos humanos ................................ 19 Implantação de isolamento por contato para pacientes infectados com microrganismos resistentes e uso de EPI ........................................................................................................ 20 Higienização das mãos .......................................................................................................... 21 Desinfecção das superfícies .................................................................................................. 21 Restrição do uso de agentes antimicrobianos ...................................................................... 22 Manutenção de um banco de dados com a identificação dos pacientes infectados ........... 22 Educação do paciente ........................................................................................................... 22 Considerações Finais ............................................................................................ 26 Referências............................................................................................................. 28 3 INTRODUÇÃO De acordo com Antunes (1999), a equipe multidisciplinar normalmente distribui e dirige todo o procedimento de assistência a ser implantado em relação ao paciente e tudo o que o envolve dentro do contexto hospitalar. O paciente e suas especificidades, suas necessidades, sua alta ou recuperação, formam a principal razão da assistência, que deve, com isso, ser efetuada de maneira eficiente, com comprometimento de quem a desenvolve, assegurando qualidade do cuidado oferecido e, sobretudo, a satisfação do paciente e seus familiares. Diante das alterações na prestação de serviços e no modelo de comportamento da sociedade, o cidadão comum passa a demandar qualidade ao consumir serviços e produtos, deixando de atuar passiva e compreensivamente. Ao profissional de saúde é requerido um caráter auto-avaliativo, de reflexão sobre o seu comportamento perante os desafios que a prática diária os impõe, tendendo a solicitar uma mudança de seus padrões e, provavelmente, evolução da profissão, contribuindo também para a redução ou eliminação da infecção hospitalar (IH) (SILVEIRA et. al., 2003). A IH é um assunto bastante atual e importante. É conceituada, conforme relatos de Oliveira (2005), como qualquer processo infeccioso contraído dentro do ambiente hospitalar, sendo diagnosticado, sobretudo, em pacientes internados, embora podendo ser detectado após a alta e alcançar inclusive qualquer outra pessoa presente no hospital. Pode também emanar de métodos diagnósticos ou terapêuticos praticados (MERCADANTE, 2000). Diferentemente das infecções comunitárias, que são causadas por patógenos primários, adquiridos de fontes externas, as IH acontecem basicamente devido ao desequilíbrio da microbiota que reside no corpo do indivíduo, em decorrência da debilidade dos mecanismos de defesa do paciente. Smeltzer e Bare (2002) determinam a infecção como um apontador para um intercâmbio do hospedeiro com um organismo. Enquanto que Silva (2007) determina como uma colonização de microorganismos capazes de se multiplicar e desenvolver uma condição patológica no organismo superior. Hoje, o significado de IH mais disseminado e aceito em escala internacional é o indicado pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC), publicada em 1988 (GARNER et. al., 1988). Individualmente, no ambiente hospitalar, inúmeros fatores contribuem para ruptura do equilíbrio saúde-doença. Algumas patologias manifestadas pelo paciente intervêm em seus mecanismos de defesa propendendo-o às infecções. Os métodos 4 invasivos podem representar um acesso de microrganismos e a utilização de antimicrobianos aumenta a possibilidade de seleção de germes resistentes (MERCADANTE, 2000). Enquanto que a transmissão cruzada de infecções pode acontecer especialmente pelas mãos da equipe de trabalho ou por artigos atualmente contaminados pelo paciente, sobretudo pelo contato com sangue, secreção ou excretas, eliminados (MERCADANTE, 2000). Segundo Camalionte (2000), a IH é e sempre permanecerá sendo um dos principais indicadores de qualidade dos serviços de saúde. Tais indicadores são, conforme a World Health Organization (WHO) (1996), marcadores da condição de saúde previamente definidos, que possibilitam monitorar objetivos, alvos e performances dos profissionais em serviços. No Brasil, as Portarias do Ministério da Saúde (MS) são intensas quanto à verificação das IHs, situando-as juridicamente nos três campos do direito (penal, civil e administrativo), e evidencia que a responsabilidade administrativa é imputada à organização hospitalar, enquanto que os aspectos civil e penal dependerão de análises das circunstâncias. Ainda que a Lei nº9.431 de 6 de janeiro de 1997 tenha estabelecido a todo hospital brasileiro, público ou privado, a obrigação de implantar e conservar um Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) (BRASIL, 1997), sabe-se que isto não é uma realidade nos hospitais do País. Hughes (1988) destaca que um PCIH em completo funcionamento assegura a orientação de atuações básicas de assistência à saúde, com diminuição das taxas de IH, ao menor custo/benefício possível. O Centro para Controle de Doenças (CDC) de Atlanta nos EUA cumpriu um projeto onde constatou que o desempenho efetivo do PCIH levou à redução das taxas de IH em 32%. Desse modo, o controle das IHs contribui categoricamente para que o hospital se torne um ambiente mais seguro, o atendimento mais eficiente e haja racionalização de recursos, evidenciando o papel de gestor da qualidade que o PCIH exerce dentro do atual modelo de assistência à saúde. Diante do exposto, percebe-se que a implantação efetiva e a análise do PCIH devem ser alvo de atenção por intermédio dos formuladores das políticas de saúde, dos gestores das organizaçõesof nosocomial infection control (SENIC Projet): results and implications for the future. Chemoth, v. 34, p. 553-61, 1988 MARTINS, M. A.; AZEVEDO, F. M.; ROCHA, L. C. 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Com isso, em 1960 foi implantada a Joint Commission on Acreditation of Hospitals (JCAH), de caráter privado, com o intuito de inserir conceitos de qualidade para análise de casos por intermédio de auditoria. Tal comissão proporcionou o desenvolvimento de indicadores, normas e critérios, objetivando ajudar as organizações a melhorarem a qualidade dos cuidados oferecidos aos pacientes. Tal movimento conduziu a JCAH a ampliar seu domínio de desempenho, passando a se chamar, a partir de 1988, Joint Commission on Acreditation of Helthcare Organization (JCAHO), evidenciando a expansão de suas atividades como tentativa de afiançar a qualidade dos serviços de saúde (MALIK; SCHIESARI, 1998). Um programa de Acreditação em controle de infecção tem como meta caracterizar as instituições hospitalares públicas ou privadas no domínio das IH, conhecer e analisar o desempenho técnico das CCIH e reconhecer publicamente os hospitais que verdadeiramente efetivam as ações de controle de IH. Assim sendo, entende-se que a técnica de análise é um elemento essencial da gestão e no caso específico de avaliação da CCIH, os reflexos podem apresentar grandes colaborações na performance clínica dos profissionaise na prevenção do aparecimento das IH (CONTANDRIOPOULOS et. al., 1997). Portanto, considera-se que este estudo colabora com a área da CCIH, visto que, consegue gerar questionamentos e discussões críticos com relação ao desempenho da auditoria de enfermagem para o controle da IH. Não se pretende esgotar o assunto, porém, levantar dados relevantes e atuais do ponto de vista técnico. Entendendo a infecção hospitalar (IH) Contextualização da IH no brasil Conforme relatos de Mercadante (2000), as IH decorrem de relações complexas e diversos fatores causais que interatuam diferentemente, predispondo a infecções de diferentes tipos. A IH é toda manifestação clínica de infecção que o paciente contrai 72 horas após a internação, podendo acontecer durante a internação ou após a alta, caso seja relacionada à internação ou aos procedimentos hospitalares (BRASIL, 1998). O quadro clínico do paciente com uma IH obedece ao desenvolvimento microbiano nos tecidos do indivíduo, provocando lesões funcionais ou anatômicas. Os fatores envolvidos com a ocorrência da IH estabelecem os riscos intrínseco e 6 extrínseco. Formam os riscos intrínsecos: extremos de idade (prematuros e maiores de 65 anos); estado clínico do paciente; doenças agudas ou crônicas descompensadas; deficiência nas imunidades celular e humoral; utilização de drogas capazes de intervir nos mecanismos de defesa; obesidade e desnutrição. E como fatores de riscos extrínsecos assinalam-se: métodos invasivos, como cateterização venosa central, sondagem vesical de permanência, ventiladores mecânicos e cirurgias; deficiência de recursos materiais, humanos e de instalações físicas apropriadas para a prestação do cuidado ao usuário; e a falta de qualidade durante o cuidado que o usuário recebe. Portanto, a predisposição para uma infecção é determinada pelo tipo e gravidade da doença de base do paciente, constituindo o risco intrínseco. Enquanto que os riscos extrínsecos envolvem a estrutura, agressões ao hospedeiro e a qualidade do processo de trabalho (COUTO; PEDROSA, 2003). A análise das IH se fundamenta em evidências clínicas, laboratoriais e bacteriológicas. Mapeamentos bacteriológicos realizados nos pacientes, nas equipes de trabalho e no ambiente detectam o caráter da IH. A média mundial de IH variou de 8 a 10%, segundo um estudo de prevalência realizado entre 1983 e 1985, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (FERNANDES et. al., 2000, p. 129-159). Exposições nacionais sobre a presença de IH nas instituições hospitalares são bastante insuficientes (ZANON, 2003). O último estudo realizado no ano de 1994, pelo MS, descobriu uma prevalência de IH de 13% e maiores índices nos hospitais públicos (18%) (PRADE, 1995). Para Zanon (2003), a freqüência das IH varia conforme o motivo da internação, o estado geral do paciente e o tipo de cuidado que ele recebe. Sob esse aspecto, os pacientes com maior risco para contraírem uma IH, são os que têm doenças graves, estado de saúde comprometido, precisam de um tempo de internação maior, normalmente estão internados em UTI, e são submetidos a uma grande quantidade de artifícios invasivos e à intensa manipulação pela equipe de cuidado, facilitado, com isso, a colonização por bactérias hospitalares. A análise de prevalência das IH concretizado em 1994, pelo MS, localizou uma maior concentração das IH nas UTI, representando mais ou menos, 25% das IH (PRADE, 2004). Na visão de Trilla (1994), as taxas chegam a ser de cinco a dez vezes maiores nessa população. Além disso, Couto e Pedrosa (2003) ressaltam que o tempo médio de permanência na UTI tem associação estatística bastante significativa com as taxas de IH. Assim sendo, o que se espera é que os hospitais de médio e, sobretudo, os hospitais de grande porte tenham uma maior taxa de IH. Por esse motivo, tais 7P ág in a hospitais devem ser alvo de atenção por intermédio do Estado, que deve decretar políticas e analisar suas práticas, e pelas equipes de cuidado, que devem detectar e 7 tratar precocemente as IH, conhecer e praticar as normas de prevenção e controle. As IH fixam um aumento no custo do atendimento originado do emprego de tratamento complementar, aumento do período de permanência hospitalar e das taxas de morbidade e mortalidade. De acordo com Rodrigues (1997), o ímpeto econômico tem sido avaliado em 382 a 1.833 dólares americanos, equivalendo a 1.910 e 18.330 dólares para uma taxa de IH de 5 ou 10%. Foi considerado um custo anual de US$ 1 bilhão imputado aos dias extras de internação de corrente de IH. (HALEY, 1980). O Brasil necessita de divulgações, avaliando o custo das infecções nas instituições hospitalares. Tal informação é de suma importância para a tomada de decisão e determinação de prioridades num país com carência de recursos financeiros aplicados à área da saúde. Nos EUA, o CDC efetuou uma pesquisa sobre o controle da IH, sendo concluída em 1984, e encontrou como resultado que 10% dos pacientes que adquiriram IH evoluíram para óbito, acarretando em mais ou menos 20.000 óbitos/ano (HUGHES,1988). Há, também, os custos sociais, como os representados pela interrupção da produção do usuário e os custos difíceis de avaliar economicamente, como o sofrimento, a dor e o isolamento por ele vivenciado (SGARBI; CONTERNO, 1997, p. 37-41). O episódio da IH demanda a obtenção do patógeno provocador durante a hospitalização. Deste modo, as medidas que objetivam impedir a exposição do paciente ao microorganismo através do bloqueio da transmissão do agente infeccioso de um paciente com infecção ou de equipamentos e materiais hospitalares contaminados a um paciente sem infecção são fundamentais para prevenir as IH. Outras medidas também relevantes para a prevençãosão: avaliação prévia do risco/benefício dos métodos invasivos e o emprego de técnicas assépticas no cumprimento e manutenção desses procedimentos. A carência na relação entre profissionais e pacientes, a quantidade de usuários internados bem acima da capacidade estabelecida do setor e a aglomeração de pacientes podem provocar falhas técnicas, ocasionando o aumento das taxas de IH. Portanto, aspectos estruturais das instituições e os processos de trabalho estão, geralmente, envolvidos com o surgimento da IH. Como asseguram Fernandes e Noca (2000), o foco do controle da IH deve estar nos seus processos/estrutura e não somente nos casos de IH. 8 Infecção hospitalar como alvo das políticas A IH é um problema bastante antigo, que nasceu com o aparecimento dos hospitais. Todavia, as análises e pesquisas na área de controle da IH são atuais, quando comparados às outras áreas na saúde. Seu desenvolvimento foi durante os últimos 20 anos, período em que foram instituídas determinadas CCIH e publicadas, pelo MS, as Portarias nº 196/83, 930/92 e 2.616/98 (CERQUEIRA, 2004). Segundo Rodrigues (1997), a década de 70 foi distinguida pela implantação de diversas CCIH, em hospitais públicos e privados, sobretudo nos hospitais universitários, como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco. Na década de 80 foi publicada a primeira Portaria sobre o assunto, a de nº 196 do MS, em 24 de junho de 1983, que normatizou aspectos importantes no controle das infecções, estabelecendo critérios para a classificação das IH e determinando a todos os hospitais do País, independente da natureza mantenedora, ter uma CCIH, responsável pela determinação de normas, rotinas e pela vigilância das infecções hospitalares (BRASIL, 1983, não paginado). Entretanto, foi a partir da morte de Tancredo Neves em 1985, proveniente de IH, um mês antes de assumir o cargo de presidente da República, que o assunto ficou sendo mais divulgado pela mídia, provocando interesse nos profissionais de saúde e popularidade na sociedade em geral, que começou a denunciar episódios de IH, passando o controle da IH a participar da política de saúde. Nesse período, o MS iniciou cursos de introdução ao controle da IH, visando habilitar os profissionais da saúde. Conforme o MS (BRASIL, 1986), a 8ª Conferência Nacional de Saúde e o processo da Reforma Sanitária Brasileira implicaram em uma reformulação geral na política nacional de saúde, aumentando o acesso aos serviços e universalizando o conceito de saúde, como efeito das condições de vida da pessoa e direito de todos, e responsabilizando o Estado como seu provedor. Já em 1988, foi divulgada a Portaria nº 232 do MS que implantou o Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar (PNCIH), que foi transformado em 1990 em Divisão Nacional de Controle de Infecção Hospitalar (BRASIL, 1988). No ano de 1989, a APECIH realizou o I Congresso Brasileiro sobre IH, com mais ou menos 1000 participantes e convidados internacionais, havendo maior desenvolvimento no conhecimento a respeito das IH. Nesta mesma época, na Bahia foi desenvolvida a Comissão Estadual de Controle de Infecção Hospitalar, constituída por dois técnicos da SESAB e por representantes de diversas organizações da área da saúde (BAHIA, 2005). O Programa Estadual de Controle de Infecção Hospitalar foi criado em 1991 e através dele foi identificada a necessidade de se fixar normas e critérios de qualidade a fim de alcançar o controle das infecções nas unidades assistenciais de saúde. 9 Através da Lei 8.080/90, foi implantado o SUS, que modificou a lógica de organização dos Serviços de Saúde do Brasil, fazendo com que os serviços públicos e privados fizessem parte de uma mesma rede, objetivando atender às necessidades de promoção, proteção e recuperação da saúde da população. (BRASIL, 1990). Em 1992, o MS (BRASIL, 1992) aboliu a Portaria nº 196 e promulgou a Portaria nº 930 que reestruturou o PCIH, ajustando-o ao novo modelo brasileiro de descentralização e unificação da assistência à saúde. Para Fernandes et. al. (2000), tal Portaria analisou o PCIH como uma variedade de atividades, que emprega uma metodologia baseada na ação e no conhecimento científico a fim de eliminar as IHs possíveis. Couto et. al. (2003) destacam que essa Portaria trouxe grandes progressos para o controle da IH, distinguidos pela profissionalização dos seus componentes e melhora clara dos processos de atuação da vigilância epidemiológica. Em 1994, o MS realizou um estudo nacional com o objetivo de conhecer a magnitude das IH e avaliar a qualidade das ações em controle de IH em hospitais terciários. Participou desse estudo uma equipe multidisciplinar de profissionais atuantes em controle de IH de todo o país (PRADE,2004, p. 207). Em 6 de janeiro de 1997, foi divulgada a Lei nº 9.431, impondo aos hospitais manterem um PCIH e implantarem a CCIH, não apresentando, todavia, as atividades para execução desse programa (BRASIL, 1997). A Portaria nº 930 foi revogada em 12 de maio de 1998, quando o MS publicou a Portaria nº 2.616 e regulamentou a Lei nº 9.431, instituindo e definindo o PCIH como:[...]umconjuntode açõesdesenvolvidas deliberada e sistematicamente, com vista à redução máxima possível da incidência e da gravidade das infecções hospitalares (BRASIL, 1998, p. 133). A Portaria 2.616, que gere o controle de IH no campo nacional, sugere aos hospitais formarem uma CCIH para o cumprimento do PCIH, constituída por membros consultores e executores. Dentre suas principais mudanças, está a indicação do SCIH, por ser a melhor maneira de se executar inteiramente as decisões do PCIH; o aumento das atribuições do controle de infecção e um melhor significado do papel do Estado, fazendo exercer e coordenando essas ações. (FERNANDES et. al., 2000). No dia 26 de janeiro de 1999, foi implantada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), através da Lei nº 9.782. Neste mesmo período, através da Portaria nº 1.241 de 13 de outubro, o PNCIH passou a ser de responsabilidade da ANVISA. 10 Mesmo que a Lei nº 9.431 tenha instituído a todo hospital brasileiro, público ou privado, o dever de implantar e cumprir um PCIH, sua execução ainda não é uma realidade nacional. Outro problema é que algumasinstituições hospitalares possuem CCIH, porém estas não são atuantes. Nestes casos, o PCIH existe somente para atender à lei, suas sugestões não são consideradas, seja pelo desempenho dos profissionais ou pela carência de apoio dos gestores (SGARBI; CONTERNO, 1997). Sob a ótica de Pedrosa et. al. (2003) apesar da ampla legislação e do poder fiscalizador do Estado, inúmeros hospitais mantêm o PCIH somente como protocolo legal, suas CCIH não possuem profissionais especializados, funcionam sem dedicação exclusiva destes, deixando de atuar como gerenciador da qualidade. Portanto, embora seja obrigatório por lei que todas as instituições hospitalares tenham uma CCIH e ser também uma condição para aquisição do alvará de funcionamento, não é possível saber quantas estão realmente em funcionamento. Na concepção de Fernandes et. al. (2000), caso o PCIH seja implantado apenas visando atender à legislação em vigor, em certo momento, se tornará mais um ônus para o já enfraquecido orçamento em determinadas organizações. Assim, o PCIH será ineficaz, ao não comprovar resultados na qualidade da assistência e, por conseguinte, na redução das taxas de IH. Resumindo, a atuação do PCIH é influenciada pelo subsídio político, administrativo e logísticodos hospitais, ainda que se trate de um Programa verticalizado, fixado pelo MS (TAHARA; GUNJI, 1993). O controle da IH deve se basear nos seus resultados, obtendo a partir disto sua base dentro da organização, pois seus efeitos sobre a qualidade do cuidar são suficientes para justificar a sua manutenção. O problema está em despertar nos gestores a necessidade de operacionalização do PCIH em todos os hospitais brasileiros. Diante do exposto, torna-se imprescindível que a implantação e a efetividade do PCIH sejam alvo de atenção por intermédio dos formuladores de Políticas de Saúde, dos hospitais, dos controladores de IH e dos usuários dos Serviços de Saúde (FELDMAN, 2004). IH Como indicador de qualidade da assistência Conforme relatos de Fernandes (2000), a prevenção e controle das IH são considerados importantes indicadores da qualidade da assistência prestada, e têm sido agrupados como um dos indicadores para fins de acreditação hospitalar. Os princípios de acreditação hospitalar desenvolvidos mundialmente vêm conquistando outros países dentre eles, o Brasil, que tem buscado participar visando 11 o credenciamento de vários de seus hospitais. O conceito de qualidade é estendido ao produto (satisfação dos clientes), ao processo (custo X benefício) e, à organização (eficiência e competitividade). Geralmente os hospitais são organizações resistentes a mudanças. Conseqüentemente, o processo de acreditação deve ser realizado por adesão, ou seja, a instituição deve querer voluntariamente participar do processo de mudança. Ao passo que o controle de IH dirige as suas ações baseadas em um problema, no caso a redução das IH, a qualidade procura valorizar o envolvimento da equipe de saúde na busca de soluções, tendo como meta as ferramentas para conquistar essa participação, operando no hospital como um todo e fixando metas de melhoria contínua (OLIVEIRA et. al., 2006). De acordo com o CBA (1999), a acreditação se fundamenta na verificação de padrões fixados para o paciente e para os processos organizacionais, ou seja, analisar a performance de funções importantes em todo o hospital. Este processo tem enfoque multidisciplinar, educativo, e orientado para o desempenho, dentre outras particularidades. Dentre as variáveis avaliadas, estão a estruturação da CCIH, do SCIH, definidos em Portaria pela direção do hospital, os registros das reuniões realizadas, a elaboração de normas escritas a respeito de itens como rotinas sobre limpeza, curativos, medidas de isolamento, antibioticoprofilaxia cirúrgica, cuidados e prevenções com acidentes pérfuro-cortantes, informações sobre o tema aos familiares e visitantes, etc. (ANVISA, 2005). Daltoe (2008) enfatiza que outro ponto indispensável no trabalho da SCIH é a criação de um sistema de vigilância epidemiológica apropriado à estrutura, porte da instituição e perfil nosológico dos pacientes atendidos. Tal metodologia será revisada conforme mudanças que venham a acontecer na estrutura dos serviços hospitalares ou na alteração do perfil dos pacientes atendidos. A implantação de ações em conjunto com o serviço de recursos humanos buscando criar medidas de proteção a saúde dos funcionários devem ser priorizados (LACERDA; EGRY, 1997). E por fim, a prática de treinamentos de seus funcionários nos diferentes níveis hierárquicos buscando atualizá-los, e fazer com que eles sejam agentes divulgadores dessas informações. Um grupo importante a ser treinado é o dos residentes, pois estão sendo treinados e serão elementos fundamentais na aplicação de medidas visando redução das infecções. Posteriormente poderão aplicar os conceitos adquiridos nas suas instituições de trabalho, atuando como disseminadores desses conhecimentos. Uma forma habitual de atingir os objetivos é com a realização do treinamento no início da residência médica. 12 A CCIH deve procurar desenvolver trabalhos científicos com os residentes como possibilidade de envolvê-los nas ações de controle (MANUAL DE CONTROLE E INFECÇÃO HOSPITALAR, 2000, não paginado). É necessário salientar, que por não ser matéria estruturada na maior parte dos currículos de graduação na área de saúde, os treinamentos sobre prevenção das IH realizadas CCIH poderão ser das poucas fontes disponíveis de informações para a maioria dos funcionários, residentes e alunos que freqüentam os hospitais. Segundo a OMS (2001), outros setores que têm grande função para uma boa performance da CCIH são as áreas de farmácia, laboratório de microbiologia e central de esterilização. Além de suas funções diárias, tais setores devem interagir sempre com a CCIH visando a implantação de ações conjuntas que propiciem benefícios a todos os pacientes. A acreditação considera a celeridade do laboratório de microbiologiano aprovisionamento dos resultados aos serviços, identificando os agentes infecciosos específicos, implicando no emprego de antimicrobianos compatíveis, evitando drogas de largo espectro, com redução de custos e melhor eficácia terapêutica. Deve também preparar um Manual de Coleta de Materiais Clínicos e propagá-lo aos serviços, e atentar para a mudança do perfil de sensibilidade aos antimicrobianos, ou para o aparecimento de germes não encontrados freqüentemente naquele sítio ou serviço, já que é possível encontrar um surto, tornando-se necessárias as devidas providências no que se refere à tomada de medidas de isolamento entre outras objetivando reduzir possíveis danos à saúde (MANUAL DE ACREDITAÇÃO HOSPITALAR, 1999). Para a ANVISA (2003), a central de esterilização deve ser considerada como área essencial para o bom cumprimento das funções nos diversos setores do hospital. A garantia da qualidade da esterilização, o adequado acondicionamento dos diferentes materiais submetidos à autoclavação, a realização de testes com indicadores biológicos e a apropriada manutenção preventiva devem ser objeto de prioridade da direção de uma instituição hospitalar. Os gastos em saúde têm aumentado em praticamente todos os países, sendo que o custo com assistência hospitalar corresponde a 50% desses gastos em alguns países. Sabe-se que, 5 a 10% dos pacientes internados irão desenvolver algum tipo de infecção adquirida durante a hospitalização. Em países menos desenvolvidos, esses números podem ser aindamaiores (BRASIL, 1997, não paginado). O aparecimento de microorganismos resistentes a todo apetrecho terapêutico disponível é assunto de grande preocupação para os especialistas. Por outro lado, a indústria farmacêutica tem distribuído novos antimicrobianos com custos restritivos para a maior parte das instituições de saúde (ANVISA, 2004, CERQUEIRA, 2004). Na visão de Davis (1994), as políticas de acreditação hospitalar em qualidade 13 são equivalentes às de controle de infecção, diferenciando algumas vezes na abordagem e nas ações sistêmicas. Divergem também pelo modo de adesão, sendo voluntária na acreditação e obrigatória na implantação do controle de infecção. O processo de qualidade por ser aplicado em toda a instituição, tendo, com isso, uma abordagem sistêmica, favorece direta e indiretamente o controle de IH, já que as melhorias alcançadas e as mudanças de comportamento implicarão em ações preventivas e com maior participação da equipe, podendo provocar uma redução das taxas de IH (FERNANDES; NOCA, 2000). Analisando a auditoria Origem da auditoria O surgimento da auditoria foi bastante debatido justamente pelos especialistas, contudo, ainda se torna relevanterelacioná-la com o início das atividades econômicas desempenhadas pelo homem, como retrata Boynton apud Hoog e Carlin (2004). A auditoria iniciou num período tão distante quanto a contabilidade. Toda vez que o progresso da civilização tinha implicado que a propriedade de um indivíduo fosse confiada, em maior ou menor extensão, a outra, a desejabilidade da necessidade de verificação da fidelidade do último, tornou-se evidente. Com esta opinião, percebe-se que o surgimento da auditoria aconteceu quase na mesma época que a contabilidade pelas necessidades do indivíduo e pela segurança que ele conseguiria em se certificar que realmente os seus bens estavam sendo cuidados sem o risco de serem corrompidos. Portanto, comprova-se que, desde as origens, no antigo Egito existia uma obrigação indispensável de se garantir as atividades praticadas, como certificação dos registros de cobrança de impostos; e examinar detalhadamente as contas de funcionários públicos, estas na Grécia (BOYNTON et. al., 2002). Na visão de Almeida (1996), o aparecimento da auditoria se concretizou pelo desenvolvimento do sistema familiar após a Revolução Industrial. Com a abertura das empresas do grupo do sistema familiar fechado para o sistema de empresa aberta, tais empresas começaram a procurar novos mercados, disputando por espaço, expandidos tanto o mercado como as próprias empresas. Diante desse crescimento, tiveram que rever as formas de controles e procedimentos da empresa, objetivando a diminuição de custo. Neste caso, 14 percebe-se o motivo pelo qual o cargo de auditor foi criado na Inglaterra que, dominadora dos mares e do comércio em épocas remotas, em 1314, ciente da potência econômica desse país desde a época das colonizações, que se tornaria, futuramente, o berço do capitalismo com a Revolução Industrial. A origem da palavra auditor em português, ainda que representado pela origem latina (aquele que ouve, ouvinte), verdadeiramente procede do verbo inglês to audit (examinar, ajustar, corrigir, certificar). Logo, a auditoria pode ser considerada como um processo de comprovação entre uma situação encontrada com certo critério, ou seja, um confronto entre um fato ocorrido e o que deveria ocorrer. A extensão econômica e comercial da Inglaterra e da Holanda nos fins dos séculos passados, bem como dos Estados Unidos, onde hoje a profissão é mais desenvolvida, determinou a evolução da auditoria, por causa do crescimento das empresas, do aumento de sua complexidade e do envolvimento do interesse da economia popular nos grandes empreendimentos (CREPALDI, 2004, p. 105). O sinal da necessidade de aperfeiçoamento no sistema contábil e, conseqüentemente, da auditoria, aconteceu em outubro 1929, pelo rompimento da bolsa de valores de Nova Iorque, reconhecendo a desvalorização das ações de algumas empresas, sucedeu uma correria de investidores que planejavam vender suas ações. A conseqüência foi arrasadora, visto que as ações perderam os valores em pouco tempo. Pessoas muito ricas passaram, da noite para o dia, para a classe pobre. A quantidade de falências de empresas foi muito grande e o desemprego alcançou mais ou menos 30% dos trabalhadores. Auditoria interna e externa A auditoria externa consiste no conjunto de procedimentos técnicos visando a circulação do parecer sobre a adequação com que estes representam à posição patrimonial e financeira, o resultado das operações, as mutações do Patrimônio Líquido e as origens e aplicações de recursos da entidade auditada. Ela é desempenhada por profissional independente sem ligação com o quadro de funcionários da empresa. Sua interferência é ajustada em contrato de serviços. Os exames e investigações se difundem por onde haja necessidade de conseguir questões esclarecedoras para a conclusão do trabalho ajustado. Enquanto que a auditoria interna consiste num controle gerencial que funciona por intermédio da análise e avaliação da eficiência de outros controles. É feita pelo pessoal da própria empresa, e não consiste no teste de demonstrações financeiras, contudo, no de todo tipo de operação da empresa. Hoje os limites da auditoria foram ampliados para outras verificações fora aquelas basicamente ligadas à sua origem contábil como, auditoria de sistemas, auditoria da qualidade, auditoria 15 ambiental, etc. Auditoria em saúde A auditoria em saúde se trata de uma atividade que perdura desde a década de 70, diante da necessidade de maior controle sobre as contas médicas hospitalares liquidadadas pelo poder público, e sendo uma série de atividades desenvolvidas, tanto para controle, quanto para análise de aspectos específicos e do sistema (CALEMAN, 1998). De acordo com Kobus (2004), o exercício da auditoria em saúde se constitui em revisão, perícia, intervenção ou exame de contas de serviços ou procedimentos prestados por instituições prestadoras de serviços de saúde. Preguer (2005) percebe que esta atividade não deveria ter apenas um enfoque de controle de custos e auditagem de despesas médicas, podendo exercer uma função fundamental de regulador entre a qualidade dos serviços oferecidos e seus referentes custos, constituindo o fator que estabelece o equilíbrio. Segundo Loverdos (1997), auditoria em saúde: “é uma atividade de avaliação independente de assessoramento na gestão de planos de saúde, voltada para o exame e a análise de adequação, eficiência, e a qualidade de prestadores de serviços de saúde, com observância aos princípios éticos e legais” (não paginado). A pesquisa de Yamamoto (2000) tratou aspectos de recursos humanos enfocando o médico-administrador e nela percebeu-se que os conhecimentos mais importantes para estes médicos estavam nas esferas administrativa e financeira, além dos conhecimentos da legislação. No que diz respeito a atuação, as tarefas mais importantes é a de administrar pessoas, custos, e finanças, e, no que se refere a habilidades, as mais importantes são a competência técnica, habilidade com pessoas e relacionamento, técnicas de administração e liderança. Mesmo sendo um trabalho que focou os médicos administradores, foi possível ter uma idéia aproximada daquilo que poderia ser um início da definição formal de Auditoria em Saúde e suas facetas. Evolução da auditoria em saúde Do mesmo modo que as instituições de saúde sofrem mudanças, a auditoria em saúde também é mutável, cujo aspecto vem modificando no decorrer dos anos. De um período tradicional focado em glosar, estabelecer normas, medir desempenho, com valorização da quantidade e do preço, a auditoria em saúde passou à avaliação da qualidade das pessoas, dos processos e dos resultados. Atualmente, se destaca como uma ferramenta de subsídio à gestão, organizando instrumento de aperfeiçoamento e educação contínua, que possibilita buscar a 16 excelência em aspectos técnicos, administrativos, éticos e legais (MEDEIROS; ANDRADE, 2007; MOTTA et. al., 2005). A auditoria como gestão ajuda a suprimir desperdícios, facilitar tarefas e conduzir informações seguras sobre o desenvolvimento das atividades desempenhadas (PORTAL DE CONTABILIDADE, 2009), concomitantemente em que objetiva a construção e a estabilização da organização, evitando fraudes e erros ocasionais, como má compra de equipamentos e insumos, falhas de seleção e treinamento de pessoal, falhas em sistemas e pagamentos impróprios, que provoca perdas ou danos, geralmente irreversíveis. Para Medeiros e Andrade (2007), a fim de que a auditoria seja considerada eficientee eficaz, é imprescindível que se torne um sistema de educação e aperfeiçoamento contínuo, exibindo uma preocupação com a qualidade, a segurança e a humanidade das prestações de saúde, tratando de atingir, por meio de um processo de ensino e aprendizagem, motivação e participação de todas as pessoas que atendem pacientes. Deve, inclusive, formar uma instância de intervenção, união e solução de conflitos, que podem surgir nas relações entre profissionais, pacientes, parentes, instituições, além de ser um sistema preventivo do erro profissional e restaurador deste, sem evidência de ordem penal. Sob este enfoque, a auditoria em serviços de saúde deve ter como suas metas: conservar o equilíbrio do sistema, proporcionando o direito à saúde para todos; assegurar a qualidade dos serviços de saúde apresentados e prestados; fazer cumprir as normas legais fixadas pela legislação nacional, conforme os princípios éticos e a defesa do consumidor; operar desenvolvendo seu papel nas etapas de pré-auditoria, auditoria operativa, analítica e mista; revisar, analisar e apresentar apoios com o intuito de aperfeiçoar os procedimentos administrativos, controles internos, normas, regulamentos e relações contratuais; requerer o andamento justo, apropriado e harmonioso dos serviços de saúde; avaliar o desempenho dos profissionais de saúde no que se refere aos aspectos éticos, técnicos e administrativos, com qualidade, eficiência e eficácia das ações de proteção e atenção à saúde; solicitar o processo educativo, visando a melhoria da qualidade do atendimento, a um custo ajustado aos recursos financeiros disponíveis e pelo real valor do serviço prestado; compartilhar de credenciamento/contratação de serviços e profissionais; acatar o estabelecido em contrato entre as partes envolvidas (usuário, plano de saúde e prestadores de serviço). Auditoria em saúde e a qualidade da assistência Considera-se que qualidade é a ação de constituir um juízo ou a atribuição de um valor ao objeto avaliado que, quando positivo, quer dizer ter qualidade (RONCATTI, 2002). 17 Durante a análise tecnológica, o objeto de estudo tem mais qualidade quanto melhor for o seu custo-efetividade. Na análise de um programa de saúde, a instituição das metas, fundamentada em parâmetros, desvirtua ao estabelecimento de uma qualidade. Contudo, no conjunto “avaliação, gestão e garantia de qualidade”, esse conceito se individualiza, ao se organizar em um ponto de partida, e não de chegada, para o processo. Qualidade em saúde As instituições estão se preocupando cada dia mais com a qualidade em saúde, em que os modelos de gestão, programas, prêmios, certificações, acreditações, instrumentos e ferramentas são maneiras de atingir a tão esperada qualidade (MOURA, 1999; TERRA, 2000). Na visão de Malik (1996), a qualidade em saúde também envia a conceitos indefinidos, amplos e variáveis. Tratar da qualidade está ligado com a preocupação das pessoas em conhecer, avaliar e comparar o objeto do estudo, dentro de um contexto onde estão abrangidas as ações de tomada de decisão, presença de critérios de julgamento e subjetividade. A qualidade está relacionada diretamente com avaliação, “onde avaliar é atribuir valor a alguma coisa, e por definição, juízos de valor dependem do observador, de modo que a avaliação responde a questões subjetivas, voltadas aos interesses, critérios, e valores dequem avalia” (MALIK, 1996). Na análise da qualidade em saúde, Donabedian (1988) determinou três abordagens: estrutura, processo e resultado. As medidas de estrutura incluem dados sobre recursos físicos, humanos, materiais, formas de organização e funcionamento (normas e procedimentos), tipo e especialização de equipamento, dentre outros. O processo diz respeito às atividades dos profissionais de saúde e pacientes, baseado em normas aceitas e o resultado se trata do produto final da assistência oferecida, considerando saúde, satisfação de padrões e de expectativas. Sob a ótica de Donabedian (1990) o conceito de qualidade em saúde abrange “sete pilares”: eficácia, efetividade, eficiência, otimização, aceitabilidade, legitimidade e eqüidade. Como o termo qualidade denota um grande espectro de características desejáveis de cuidados que incluem o acima exposto, avaliar a qualidade da assistência é um procedimento complexo, que demanda, por vezes, conhecimentos ainda não disponíveis e que precisam ser desenvolvidos (RATTNER, 1996, não paginado). Matida e Camacho (2004) enfatizam que a avaliação exige não somente identificação de dúvidas e articulação de hipóteses, mas também a análise do conjunto de pessoas envolvidas, dos recursos disponíveis, do grau de complexidade do objeto, e a concordância de perspectivas entre quem defende a avaliação e quem 18 a executa, nomeando a ciência e as ferramentas apropriadas para medir o objeto. Na concepção de Silva (1994) deve-se conferir a capacidade das práticas médicas em alterarem uma determinada situação de saúde, atendendo ou não às demandas de saúde de uma população, discutindo sobre suas características e suas conseqüências. As práticas de saúde podem se constituírem em item de análise nas suas diferentes extensões seja enquanto cuidado individual, ou nos seus níveis mais complexos de intervenção e de organização, como políticas, programas, serviços ou sistemas. Auditoria no Controle da Infecção Hospitalar Desafios para o cuidar em saúde e as estratégias para a prevenção da IH Explicada a grande preocupação com a IH, considera-se que as operações para o controle da disseminação abrangem estratégias baseada na educação dos profissionais de saúde, na detecção de pacientes sob-risco (por intermédio da cultura de vigilância), implantação de isolamento por contato para pacientes colonizados/infectados, utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI), higienização das mãos, desinfecção de superfícies, restrição/controle do emprego de antimicrobianos, conservação de um banco de dados com a identificação de todos os pacientes colonizados/infectados, além da educação do paciente e da reformulação das políticas públicas (OLIVEIRA, 2003; JARVIS, 2004; PITTET, 2005). Assim, Paskovaty et. al. (2005) e Fishman (2006) ressaltam que estas recomendações são baseadas nas destacadas pela Sociedade Americana para Doenças Infecciosas (IDSA) voltadas para o aperfeiçoamento nas práticas de controle de infecção apresentadas para prevenir a transmissão desses microrganismos, a seguir discutidas: Educação dos profissionais/dimensionamento de recursos humanos Compreendem o planejamento, implantação, e análise de técnicas de controle de infecção; a educação permanente dos profissionais acerca da epidemiologia de IH, perfil de suscetibilidade, utilização de antimicrobianos, infecções microbianas e condução de pesquisas epidemiológicas para vigilância hospitalar e comunidade. Ademais, enfatiza-se a importância do dimensionamento apropriado de pessoal pelo 19 Pá gin a destaque de que a quantidade reduzida de profissionais da equipe assistencial diante da alta demanda de pacientes consiste num fator primário desencadeante da 19 emergência e disseminação de bactérias resistentes. A carga excessiva de trabalho proporciona o emprego ineficaz ou não emprego de EPI pelos profissionais durante o contato com mucosas, secreções e excreções dos pacientes, a não incorporação de práticas adequadas para higienização de mãos e a inadequação das medidas para isolamento (PITTET, 2005). Cultura microbiológica de Vigilância Deve-sedestacar a importância da cultura semanal de vigilância de pacientes sob suspeita ou risco de contaminação por microrganismos resistentes, com o intuito de possibilitar a análise da propagação em enfermarias e outras unidades hospitalares e possuir como alvo, pacientes em longos períodos de internação ou utilização prolongada de antimicrobianos. Esta medida contribui também para a detecção da disseminação entre pacientes, visto que, caso os pacientes colonizados não sejam identificados precocemente por procedimentos de vigilância microbiológica, torna-se impraticável a implantação de alcances de barreira. Sob esse aspecto, enfatiza-se inclusive, a importância da qualidade dos modelos laboratoriais e disponibilidade de técnicas devidas, além da comunicação eficaz entre laboratório, equipe assistencial e comissão de controle de infecção (JARVIS, 2004). Implantação de isolamento por contato para pacientes infectados com microrganismos resistentes e uso de EPI A efetividade do cuidado de contato tem sido reafirmada. Todavia, a proximidade entre pacientes não isolados ou a não utilização de EPI exclusivo durante o cuidado concebe um importante fator de risco para a continuidade da disseminação. A utilização de luvas e capotes é bastante recomendada durante o contato com mucosas, secreções e excreções dos pacientes, além do isolamento por contato para pacientes infectados ou colonizados por bactérias resistentes. Ao mesmo tempo, estas medidas são também conhecidas como barreiras de proteção e integram as precauções padrão recomendadas pelo CDC. Várias pesquisas têm ratificado a evidência da adoção destas medidas para a redução da disseminação, como o fato de que a disseminação de Staphylococcus aureus resistentes à meticilina entre pacientes, foi 15,6 vezes mais baixa quando os pacientes colonizados foram detectados pela vigilância ativa de culturas microbiológicas e depois, colocados sob precaução por isolamento de contato, somados ao emprego indevido de EPI. Outro ponto a ser realçado é que o isolamento do paciente diminui espantosamente o contato efetivo dos profissionais responsáveis pelo cuidado em saúde e a probabilidade destes atuarem como condutores de microrganismos 20 resistentes. Ademais, confirmou-se que, quando capotes e luvas são utilizados apropriadamente, contribuem expressivamente para a redução da transmissão cruzada de microrganismos resistentes por intermédio das roupas utilizadas pelos profissionais assistenciais (MARTINS et. al., 2001; OLIVEIRA, 2003). Higienização das mãos Mesmo que indicada há mais de um século por Semmelweis, Florence dentre outros, este procedimento ainda consiste numa medida atual de grande eficácia no que diz respeito à prevenção e controle das IH. É, além disso, um pilar essencial para a redução da propagação da resistência bacteriana. A última sugestão oficial sobre a higienização de mãos foi em 2002, pelo CDC, e oficializada no Brasil pela ANVISA, em 2007, indicando que esta seja feita com sabão anti-séptico (PVP-I ou clorehexidina 2%) antes e depois do cuidado aos pacientes com isolamento de microrganismos resistentes. Esta medida se baseia basicamente no fato de que os profissionais responsáveis pelo cuidado em saúde normalmente podem estar envolvidos na propagação da resistência bacteriana a partir de atos visivelmente inofensivos como: tocar a pele intacta deum paciente infectado, apoiar a mão na cama do paciente ou mesmo na maçaneta, prontuário ou telefone, podendo estes atos resultar em sua contaminação. Aponta-se também a possibilidade dos microrganismos resistentes continuarem nas mãos, objetos inertes, superfícies/ambientes e de serem transmitidos de um paciente a outro ou para superfícies e ambientes quando os profissionais de saúde não praticam o hábito da higiene das mãos, vinculando, com isso, a cadeia de transmissão. Agravando este contexto atenta-se para a baixa adesão dos profissionais de saúde à higienização das mãos em inúmeros países, incluindo o Brasil, variando entre 20 e 40%. Esta situação só será modificada no momento em que houver investimento em treinamentos e monitoramento efetivo e constante dos profissionais de saúde em relação à higienização das mãos (HAMBRAEUS, 2006; ANVISA, 2007). Desinfecção das superfícies Tem sido indicada a cultura microbiológica de superfícies a fim de verificar a eficácia dos procedimentos de descontaminação utilizados, todavia, esta medida ainda não constitui um fator de forte evidência científica. Assim, o CDC aconselha a limpeza habitual e diária das superfícies durante a internação e depois da alta do paciente de maneira supervisionada visando eliminar a possibilidade de atuarem como um reservatório (JARVIS, 2004). 21 Restrição do uso de agentes antimicrobianos Tem se debatido e pesquisado bastante sobre o fenômeno da resistência bacteriana e sua ligação com o emprego de antibióticos, sobretudo quando a OMS assegura que por volta de 25 a 35% dos pacientes hospitalizados utilizam antimicrobianos em algum momento da internação e, dentre os não hospitalizados, avalia-se que a taxa seja de quase 45%. Desse modo, medidas relativas ao controle/restrição dos agentes antimicrobianos se referem à sua priorização com relação à escolha, duração do tratamento, melhorias na prática de prescrição e, estabelecimento de sistemas de monitoramento específicos para cada instituição hospitalar. Realçam-se com isso, a importância de auditoria ligada à implantação de protocolos, a racionalização das prescrições, suspensão, rotação de ciclos dos fármacos de maior demanda e de sistemas computadorizados para controle adicional de efeitos contrários e registro de ocorrências de resistência bacteriana. Estas medidas se baseiam em pesquisas brasileiras onde se percebeu que o padrão de prescrição de antimicrobianos em hospitais de ensino foi de 25 a 50% impróprios, sobretudo, devido à escolha incorreta do medicamento, dose ou tempo de tratamento, contribuindo para altos índices de IH e emergência de microrganismos resistentes (AZEVEDO 2005). Manutenção de um banco de dados com a identificação dos pacientes infectados Segundo Oliveira (2003), esta estratégia facilita a identificação imediata destes pacientes em caso de novas internações, pela comunicação efetiva entre a comissão de controle de infecção e a equipe assistencial sobre a possibilidade de infecção. Reitera inclusive a adoção precoce de cuidados por isolamento de contato até que novas culturas identifiquem o verdadeiro estado do paciente de ainda portador ou descolonizado. Educação do paciente Na esfera comunitária, durante seu ingresso aos serviços de saúde, focalizando medidas básicas, orientações e elucidações sobre assuntos que certamente terão repercussão importante sobre sua saúde como: por que está recebendo tratamento antimicrobiano? Como, quando e por quanto tempo deverá ser utilizado? Qual a importância de se completar o ciclo terapêutico? Subsídios sobre eventos contrários e importância de não se dividir os medicamentos com família ou amigos, embora pareçam ter o mesmo tipo de infecção, além de explicações sobre práticas da comunidade culturalmente aceitas 22 como o "poder mágico" de antibióticos e a “confiança em injetáveis”. No domínio hospitalar, devem ser efetuadas, desde a admissão, orientações sobre higiene pessoal, redução de visitas a outros pacientes evitando caminhar por outras enfermarias e sendo portador de microrganismo resistente, destacar medidas básicas afim de impedir a disseminação, como: importância da restrição no leito, não compartilhamento de objetos pessoais, assim como estimular a equipe assistencial à higienização das mãos antes da prestação do cuidado, etc. (PITTET, 2005). Desafios da Auditoria na Prevenção e Controle Da IH As informações obtidas foram agrupadas para análise conforme o enfoque apresentado pelos enfermeiros, em cinco aspectos: ➢ manter o funcionamento do serviço de terapia intensiva considerando a demanda, quantidade de pessoal e serviços de apoio, como laboratório, radiologia, farmácia, nutrição, em consonância com o padrão de qualidade da assistência; ➢ conhecer os mecanismos da IH em pacientes em hospitais, seus fatores de risco, medidas de prevenção e controle, destacando-se que as ações a serem implementadas são múltiplas e simultâneas; ➢ identificar o perfil epidemiológico das infecções hospitalares em hospitais; ➢ manter um programa de educação continuada permanente; ➢ apoio psicológico considerando o permanente confronto com situações de urgência, gravidade da doença e com a morte. A literatura apresenta como principais preocupações na prestação da assistência ao cliente em hospitais, no que se refere à questão da infecção, os fatores intrínsecos relacionados à doença motivadora da internação e imunodepressão e os fatores extrínsecos relacionados aos procedimentos invasivos, ao ambiente e qualidade dos cuidados (PEDROSA, 1999). As infecções têm sido apontadas, em vários estudos, como a principal causa de óbito dos doentes internados em hospitais (VINCENT, 1995). A gravidade do paciente leva a uma alteração do comportamento imunológico, permite a proliferação de bactérias e leveduras não habitual em pessoas hígidas, além, de ativar os mediadores inflamatórios inespecíficos provocando alterações clínicas generalizadas. Outras alterações são as insuficiências orgânicas, isoladas ou múltiplas, que comprometem as funções celulares devido aos inúmeros distúrbios metabólicos que ocasionam (DIAS, 1997). A tecnologia que dá suporte nos hospitais, seja 23 relacionada às novas condutas de diagnóstico ou terapêutica ou aos equipamentos de última geração fazem com que seja ultrapassada a capacidade espontânea de sobrevivência dos pacientes. Assim sendo, as medidas de prevenção e controle, ao serem estabelecidas, devem levar em consideração as diversas variáveis intervenientes no processo. Dentro deste aspecto, destacam-se os fatores desencadeadores de imunodepressão (PEDROSA, 1999): ➢ acessos vasculares que rompem a barreira da pele; ➢ neutralização da barreira química natural do estômago pela administração de antiácidos ou bloqueadores de H2; ➢ inserção de tubo endotraqueal, sondas nasogástricas e de cateter vesical; ➢ interrupção dos mecanismos fisiológicos de evacuação; ➢ déficit nutricional, secundário à dificuldade de ingestão, associada ao aumento da demanda metabólica; ➢ alteração do sistema imunológico devido aos extremos de idade, cirurgias, traumas, doenças crônicas; debilitantes, dentre outras. Ademais, os pacientes graves mudam sua microbiota endógena de tal forma que, rapidamente, podem apresentar microrganismos, inclusive multirresistentes, não encontrados em situações de normalidade, o que dificulta o tratamento (DAVID e col., 1998). De igual forma os fatores extrínsecos relacionados aos procedimentos invasivos constituem-se em importante foco de atenção da equipe, exigindo muito rigor em sua execução: ➢ suporte ventilatório desde oxigenação por cateter nasal até a ventilação mecânica; exigem preparo adequado dos ventiladores e suas conexões, nebulizadores, equipamentos para aspiração; ➢ dispositivos intravasculares: cateteres venosos periférico, central não tunelizados, central tunelizados, cateteres arteriais periférico e central; cateterismo vesical. Um destaque que deve ser feito quando da realização dos procedimentos invasivos é a acurácia da técnica, com a menor lesão de tecidos possível e a obediência rigorosa dos princípios da assepsia. O risco de IH aumenta a cada procedimento invasivo a que o paciente se submete (BERGOGNE – BEREZIN, 1995; DASCHNER e col., 1982). Conquanto o ambiente ser considerado importante e dispensar preocupação, preferencialmente, quando da ocorrência de epidemia, há que se destacar a necessidade de padronização de sabões, preparo de soluções, monitorização da 24 água e dietas. A higiene e limpeza são importantes para a definição do controle de infecções hospitalares. A qualidade dos cuidados prestados pela equipe de saúde deve ser avaliada em consonância com os padrões de qualidade estabelecidos para o serviço. Um fator relevante é as mãos da equipe assistente. Com finalidade diagnóstica ou terapêutica são necessárias ações que rompem com as barreiras naturais de proteção e, neste caso, a exposição aos microrganismos se dá basicamente pela transmissão por contato direto com as mãos contaminadas da equipe, pelos visitantes ou equipamentos que não receberam o tratamento adequado. Estudos (TRILLA, 1994; VINCENT, 1995; BERGOGNE – BEREZIN, 1995) apontam os seguintes fatores de risco à IH em UTI como sendo os mais preponderantes: tempo de permanência nos hospitais superior a 48 horas; ventilação mecânica; diagnóstico de trauma; cateterização urinária, de veia central, de artéria pulmonar; e presença de profilaxia para úlcera de stress. Por esta razão a adoção de medidas preventivas são imperativas, uma vez que as condições inerentes a este tipo de paciente e tratamento são revestidas de fatores altamente desfavoráveis e inevitáveis. É importante se conhecer o comportamento da infecção em hospitais como forma de se fundamentar o planejamento das rotinas no serviço, com vistas à sua prevenção. Estudos apontam as infecções do trato urinário como as mais freqüentes em hospitais gerais, correspondendo a 35-45% do total das infecções, sendo 70 a 88% delas relacionadas à sondagem vesical (PEDROSA, 1999). A pneumonia nosocomial é a segunda maior causa de infecção hospitalar, correspondendo a 24% das infecções em UTI, sendo 58% delas relacionadas à ventilação mecânica (PEDROSA, 1999). A sepse relacionada ao cateter vascular é a principal causa de bacteremia nosocomial e corresponde a 40% das bacteremias que ocorrem em hospitais (PEDROSA, 1999). Locais de trauma devido à presença de sangue em hematomas e de tecidos desvitalizados torna o ambiente favorável à proliferação de bactérias (DIAS, 1997). Outro fator importante refere-se às complicações de cirurgias prévias e que, muitas vezes, constituem o motivo da internação do paciente em hospitais. As cirurgias que mais freqüentemente apresentam complicações infecciosas são aquelas realizadas em situações de urgência, em pacientes comprometidos ou com 25 infecção prévia (DIAS, 1997). Quanto ao perfil epidemiológico, estudo (BERGOGNE – BEREZIN, 1995) apresenta como principais patógenos os estafilococos, enterococos, bacilos Gram- negativos como enterobactérias, pseudomonas e outros. Cândida albicans e outros fungos tem ocorrido com freqüência crescente. Cada serviço deve estabelecer seu protocolo de controle de IH, identificando os patógenos que apresentam maior importância. Atualmente, tem aumentado o número de Staphylococcus epidermides presentes nas infecções, denotando falhas nos processos de anti-sepsiaque precedem aos procedimentos invasivos (DAVID e col., 1998). Outra preocupação é com a disseminação de cepas resistentes o que implica na possibilidade de agravo na morbidade e mortalidade, dificuldade terapêutica, necessidade do uso de antibióticos mais onerosos e/ou mais tóxicos. Uma preocupação básica deve ser com a prevenção da disseminação destas cepas (MENDONÇA, 1997). Considerações Finais O entendimento sobre a IH, assim como seus mecanismos de ocorrência e estratégias de prevenção e controle apresentadas para a prática assistencial constituem um forte argumento para reflexões e revisões de condutas e protocolos. Acredita-se que apenas a partir dessas atitudes se possa de certa forma investir no processo de controle da disseminação dos microrganismos, sobretudo quando se observa registros da progressiva evolução da resistência bacteriana presente não somente no contexto hospitalar como também no âmbito comunitário. Verifica-se inclusive que, na experiência clínica as medidas relativas às práticas de controle de infecção facilitam o desenvolvimento de meios de reconhecimento de mudanças expressivas nos perfis de pacientes e da resistência bacteriana nos hospitais fornecendo apoio para a adoção precoce de medidas apropriadas que permitam a prevenção e o controle de eventos indesejáveis. Estas medidas devem destacar o controle da propagação por intermédio de estratégias voltadas para: educação dos profissionais de saúde, detecção de pacientes sob risco (por meio da cultura de vigilância), implantação de isolamento de contato para pacientes infectados, utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI), higienização das mãos, desinfecção das superfícies, restrição/controle do emprego de antimicrobianos, manutenção de um banco de dados com a identificação de todos os pacientes infectados, além da educação do paciente e, por conseguinte, da reformulação das políticas públicas. 26 Durante este estudo, foi possível observar que o hospital é um local onde há uma grande rotatividade de profissionais e de pacientes com as mais variadas patologias, tornando-o um local de alto risco para a ocorrência de infecção, pois, nesse ambiente o paciente é submetido a procedimentos invasivos o que provoca o aumento ainda maior para o risco de IH. Ficou clara a preocupação da CCIH com a habilitação técnica dos profissionais que atuam nos hospitais, todavia, esta capacitação ainda é insuficiente talvez por causada grande demanda de trabalho, pessoal insuficiente, dificuldades estruturais e organizacionais para maior dedicação a treinamentos bem como maior supervisão. As auditorias internas não acontecem com freqüência, e normalmente é possível realizá-las na presença de eventos de alto impacto, e com maiores repercussões e conseqüentemente poucas ações visando à melhoria da qualidade dos serviços são aplicadas. Ainda não existem pesquisas com poder de demonstrar mudanças e/ou alterações nos indicadores de controle de IH através da realização de capacitação e treinamento contínuo, já que os índices conhecidos parecem ainda não serem os reais ou não retratarem a realidade dos hospitais. Após esse trabalho, foi possível enfatizar que para o controle a IH, algumas medidas são de suma importância para assegurar um atendimento de qualidade ao paciente e garantir segurança a equipe de profissionais. As técnicas mais aconselhadas na literatura foram: lavagem das mãos, assepsia correta, a utilização de anti-sépticos, cuidado com o manuseio do material esterilizado, sendo que, tudo isso, através da colaboração dos auditores que desempenham esta função nos hospitais. Atentando-se para a amplitude do problema da IH, e após todas as abordagens aqui mencionadas, conclui-se que a presença de um auditor capacitado torna-se indispensável para a freqüente implantação e manutenção de práticas de prevenção e controle das IH em todos os setores do hospital, por intermédio de estratégias de treinamento constante e conscientização de todos a respeito deste assunto. P ág in a2 7 27 Referências ALMEIDA, M. C. Auditoria: um curso moderno e completo, 5 ed., São Paulo: Atlas, 1996. ______. 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