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Estados da consciência e transtornos
mentais
Compreensão dos estados da consciência, contemplando sono, sonhos e a vigília, numa perspectiva
integrativa, biopsicossocial e aplicada à compreensão de alguns transtornos mentais.
Prof. Thales Vianna Coutinho
1. Itens iniciais
Propósito
O conhecimento acerca da consciência, em seu estado pleno e alterado, bem como a maneira como ela se
manifesta nas diferentes patologias, é fundamental para um estudante da área da Saúde em formação. Em
última instância, trata-se de um tema que contribuirá para a alfabetização psicológica, tornando o acadêmico
mais apto a “ler” de forma assertiva os futuros pacientes/clientes, ampliando a capacidade de planejar
intervenções eficientes.
Objetivos
Reconhecer a sequência de eventos desencadeadores e mantenedores do sono.
Identificar um contraponto entre a fisiologia do sono normal e o patológico.
Analisar criticamente a relação entre as vias de neurotransmissão e os quadros demenciais.
Reconhecer a relação entre a psicopatologia e os estados alterados da consciência.
Introdução
Você está embarcando em uma jornada de exploração, com o objetivo de desvendar alguns dos mistérios da
mente humana, fruto da complexa atividade dos nossos 86 bilhões de neurônios que, em conjunto com as
células da glia, superam, e muito, o número de estrelas da nossa galáxia. Nossa viagem pelo sistema nervoso
permitirá a você reconhecer, discutir, relacionar e conceitualizar, estando ciente de que cada uma dessas
ações serve a algo maior.
Dominando o conteúdo aqui proposto, você poderá prever se alterações no ciclo sono e vigília podem produzir
prejuízos à qualidade de vida; se flutuações em determinados neurotransmissores podem precipitar
transtornos do sono; se o funcionamento das vias dopaminérgicas e serotoninérgicas pode levar a quadros
demenciais e se o risco da dependência química tem relação com a maturação do sistema de recompensa.
Dominando a ciência da previsão, você poderá prevenir o sofrimento dos outros em diferentes contextos,
ainda que nem sempre com precisão absoluta.
Portanto, embarque nessa jornada de aprendizado, entendendo que ela será de grande relevância prática
para a sua formação. Mas, antes de decolarmos, aqui vai um novo conselho. Já disseram que “com grandes
poderes, vêm grandes responsabilidades”. O contrário também é verdade. A responsabilidade conduz a
grandes poderes. Portanto, se você tem o interesse de dominar essa capacidade preditiva e se tornar um
profissional de destaque, busque manter a responsabilidade ativa nesta jornada de construção de
conhecimento.
• 
• 
• 
• 
1. Sono e vigília, ritmo infradiano, circadiano e ultradiano
O que é o sono?
Em algum momento dos nossos dias somos assolados por uma incrível vontade de nos recostar em uma
poltrona, ou nos deitar em uma cama, para adormecer. De fato, o sono é um imperativo biológico. Ou seja,
somos obrigados, pela própria natureza, a dormir.
Entretanto, mesmo nos dias de hoje, ainda há aqueles que atribuem ao sono um sentido pejorativo. É bem
verdade que você pode, sim, adormecer em decorrência de um tédio profundo, ou mesmo da desmotivação
para realizar uma atividade qualquer. 
Porém, você entenderá que o sono não é sinônimo de perda
de tempo, mas um investimento necessário à continuidade
da vida. De fato, a ausência de sono por longos períodos
pode produzir a falência de diferentes sistemas do nosso
organismo e, como consequência, levar o indivíduo a óbito.
É curioso como essa visão de que o sono é uma espécie de
“pedra no caminho” daqueles que querem produzir mais
insiste em continuar ativa no imaginário popular. Afinal, a
qualidade da produção daqueles que respeitam o ciclo de
sono e vigília é muito superior a daqueles que insistem em
passar a noite em claro para concluir algo.
Se tudo der certo (e torcemos para que dê!), ao final deste conteúdo você conseguirá rebater criticamente
aquele jargão popular que diz: “Trabalhe enquanto eles dormem”, estando consciente de que é preciso ter uma
boa noite de sono para elaborar um trabalho decente.
Porém, antes de iniciar a jornada pelos meandros neurobiológicos do sono, é necessário compreender
algumas definições importantes.
Atenção
Pelo fato de os termos-chave serem todos derivados da ciência psicológica, é muito importante que a
fonte também seja alinhada ao escopo em questão. Portanto, o Dicionário da Associação Americana de
Psicologia (APA) é uma fonte bastante válida e universal. Além de existir em sua versão impressa,
também pode ser consultado (gratuitamente) por meio do website oficial da APA. 
O sono pode ser definido como um estado de suspensão da consciência, total ou parcial. Total porque pode
acontecer de você permanecer completamente alheio aos estímulos do ambiente, a ponto de continuar
dormindo, mesmo diante de uma turbulência de avião. Parcial, pois é possível continuar percebendo alguns
estímulos do ambiente. Quando você acorda ao ouvir alguém chamar pelo seu nome, ou mesmo quando sente
vontade de urinar, são alguns exemplos de que nem sempre ficamos totalmente alheios aos estímulos
(internos e externos).
Ainda, durante esse estado, há uma inibição parcial da musculatura voluntária, o que impede que você
execute ao vivo os movimentos que está realizando nos sonhos, por exemplo; ao mesmo tempo que lhe
permite mudar de posição na cama, caso esteja desconfortável.
Em suma, o sono é um estado psicológico normal e natural, em que você oscila seu nível de percepção do
ambiente externo e interno, bem como seu controle sobre sua movimentação voluntária.
O estado de consciência e controle motor plenos, que caracterizam o restante do nosso dia, é chamado de
vigília. Basicamente, nosso dia é dividido entre o período em que estamos dormindo e aquele em que estamos
acordados. Chamamos isso de ciclo circadiano (ou ritmo circadiano), pois tais flutuações fisiológicas e
psicológicas ocorrem dentro do período de 24 horas. Por isso, podemos considerar que a alternância entre o
sono e a vigília respeita a lógica do ritmo biológico circadiano.
Ainda, o sono pode apresentar um padrão monofásico ou polifásico. Como exemplo do primeiro caso, tem-se
a pessoa que concentra seu sono em um único período do dia. Ou seja, são aquelas pessoas que costumam
sempre (ou quase sempre) dormir às 22 horas, para acordar às 6 horas. Esse é considerado um ciclo
circadiano normal e saudável.
Uma variação, também saudável, do sono monofásico, é o bifásico. Nele, o indivíduo dorme ininterruptamente
durante um determinado período do dia, mas também costuma tirar um cochilo curto em outro horário. Aqui
no Brasil, costumamos chamar isso de sesta, e ocorre quase sempre após o almoço. Já aqueles que possuem
um padrão de sono polifásico apresentam um sono segmentado, caracterizado por vários episódios curtos de
adormecimento ao longo de todo o dia, demonstrando um ritmo circadiano irregular e disfuncional.
Curiosidade: Ao longo do nosso desenvolvimento, iniciamos
a vida com um padrão de sono polifásico (bebês costumam
ter períodos de sono curtos e fragmentados ao longo do
dia), para então assumir o padrão monofásico, no final da
adolescência. Isso ocorre porque o ciclo circadiano se
desenvolve e se estabiliza ao longo dos primeiros anos de
vida.
As diferenças individuais no
sono
Você certamente já ouviu aquela famosa frase: “para se ter uma noite tranquila é preciso dormir 8 horas por
dia”. A frase, em si, não está errada, mas é importante entender que seu conteúdo deriva de uma média. Logo,
não é possível defender que é obrigatório dormir as tais 8 horas.
Há diferenças individuais que impactam a necessidade de sono. Alguns precisam de 8 horas cravadas para ter
um dia pleno. Outros, no entanto, podem necessitar de 6, ou até 10 horas. Isso significa que, apesar das 8
horas de sono (ou 1/3 do nosso dia) serem uma boa dica para a população em geral, é preciso levar em conta
as diferenças entre as pessoas.
Ainda que o nosso sono seja regulado pelo ciclo circadiano (o que faz com que sintamos sono geralmentenos transtornos mentais e demências.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Acesse o website BrainFacts para conseguir visualizar o cérebro, com suas diferentes estruturas em três
dimensões.
 
Procure no YouTube pelo vídeo Pelo direito de dormir – John Fontenele – TEDxJoaoPessoa, e assista à
palestra do professor, bastante elucidativa sobre as implicações da Ciência do Sono para a educação.
 
Procure no YouTube pelo vídeo Seu sono é coisa séria! Aprenda a cuidar dele com Katie Almondes, psicóloga
do sono (parte I), e assista à primeira parte da entrevista de Katie Almondes, uma das principais especialistas
brasileiras em Ciência do Sono.
Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais.
Porto Alegre: Artmed, 2014.
 
AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. APA Dictionary of Psychology. Consultado na Internet em: 29
abr. 2022.
 
BEAR, M. F.; CONNORS, B. W.; PARADISO, M. A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. Porto Alegre:
Artmed, 2017.
 
CASTELNOVO, A.; LOPEZ, R.; PROSERPIO, P.; NOBILI, L.; DAUVILLIERS, Y. NREM sleep parasomnias as
disorders of sleep-state dissociation. Nature Reviews Neurology, v. 14, n. 8, p. 470-481, 2018.
 
CEREJEIRA, J.; LAGARTO, L.; MUKAETOVA-LADINSKA, E. Behavioral and psychological symptoms of dementia.
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HANDAYANI, D. S.; AULINA, S.; BAHAR, A.; AKBAR, M.; WUYSANG, A. D. Hypersomnia in stroke ischemic.
Medicina Clínica Práctica, v. 4, abr. 2021.
 
HERCULANO-HOUZEL, S. O cérebro em transformação. São Paulo: Objetiva, 2005.
 
KESBY, J. P.; EYLES, D. W.; MCGRATH, J. J.; SCOTT, J. G. Dopamine, psychosis and schizophrenia: the
widening gap between basic and clinical neuroscience. Translational psychiatry, v. 8, n. 1, p. 1-12, 2018.
 
LENT, R. Neurociência da mente e do comportamento. Rio de Janeiro: Grupo Gen-Guanabara Koogan, 2018.
 
QUEVEDO, J.; IZQUIERDO, I. Neurobiologia dos transtornos psiquiátricos. Porto Alegre: Artmed, 2019.
 
RIBEIRO, S. O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
 
RIEMANN, D.; NISSEN, C.; PALAGINI, L.; OTTE, A.; PERLIS, M. L.; SPIEGELHALDER, K. The neurobiology,
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SCHOMERUS, G.; SCHWAHN, C.; HOLZINGER, A.; CORRIGAN, P. W.; GRABE, H. J.; CARTA, M. G.;
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SHARP, T.; BARNES, N. M. Central 5-HT receptors and their function: present and future. Neuropharmacology,
v. 177, out. 2020.
	Estados da consciência e transtornos mentais
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Sono e vigília, ritmo infradiano, circadiano e ultradiano
	O que é o sono?
	Atenção
	As diferenças individuais no sono
	Os estágios do sono
	O sono REM
	O sono NREM
	Os estágios do sono: indicadores e funções
	Conteúdo interativo
	Ritmos biológicos e qualidade do sono
	Vem que eu te explico!
	O sono e seus padrões
	Conteúdo interativo
	Os ritmos biológicos
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Arquitetura do sono e fisiopatologia dos transtornos do sono
	O cérebro nas nuvens
	O relógio biológico: não é um “Rolex”, mas nos deixa “relax”
	Arquitetura do sono
	Descrição e etiologia dos transtornos do sono
	Insônia
	Transtorno de hipersonolência
	Narcolepsia
	Sonambulismo
	Terror noturno
	Transtorno comportamental do sono REM
	Os transtornos do sono
	Conteúdo interativo
	Higiene do sono
	Vem que eu te explico!
	Fatores indutores do sono
	Conteúdo interativo
	Arquitetura do sono
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Vias dopaminérgicas e serotoninérgicas e quadros demenciais
	Da supersimplificação ao essencialismo neuroquímico
	As vias dopaminérgicas
	Via mesolímbica
	Via mesocortical
	Via nigroestriatal
	Via tuberoinfundibular
	As vias serotoninérgicas
	O que o assunto tem a ver com as demências?
	Neurobiologia das demências
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	As vias dopaminérgicas
	Conteúdo interativo
	As vias serotoninérgicas
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Esquizofrenias, sistema de recompensa e dependência química
	A psicopatologia é a ciência da exceção
	Esquizofrenia
	Lendo o cérebro de um paciente esquizofrênico
	O centro cerebral do hedonismo
	Da mesa de bar ao divã
	Os mecanismos neurobiológicos da dependência química
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Bases biológicas da esquizofrenia
	Conteúdo interativo
	O centro cerebral do hedonismo
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasno
mesmo horário, todos os dias), não significa que todas as pessoas durmam e acordem no mesmo horário do
dia. Isso porque há outro fator que influencia bastante na equação psicológica do sono, que é o cronotipo.
O cronotipo determina o momento do seu dia em que suas faculdades mentais e aptidão física estão mais
funcionantes. Ou seja, o seu cronotipo vai predizer que você sentirá sono em um determinado período do dia,
enquanto o ciclo circadiano vai garantir que, após cerca de 24 horas, você sentirá sono novamente.
Por exemplo, algumas pessoas atingem um pico
performático logo no início da manhã, sentindo a
necessidade de dormir logo após o Sol se pôr. Podemos nos
referir a essas pessoas como tendo um cronotipo matutino.
Por outro lado, existem aquelas que apresentam enorme
dificuldade em performar durante as primeiras horas do dia,
mas melhoram sobremaneira as suas faculdades mentais no
início da noite, sentindo sono somente quando o Sol
começa a raiar no horizonte. Essas pessoas são
reconhecidas como possuindo um cronotipo vespertino.
Ainda, existem aqueles intermediários, que não estão
necessariamente dispostos ao trabalho ou ao estudo nas
primeiras horas do dia, mas também têm dificuldade em
permanecer acordados durante a madrugada toda.
A avaliação do cronotipo de alguém é fundamental, na medida em que esse fator ajuda na predição de
comportamentos. Ou seja, ao reconhecer que a pessoa possui um cronotipo matutino, você consegue prever
que a performance dela (profissional, acadêmica, social) será superior nas primeiras horas do dia. Diante
disso, você consegue propor alguma mudança de rotina, ou mesmo o desenvolvimento de estratégias
capazes de fomentar uma melhor adaptação às exigências da sociedade. Afinal, de forma geral, a sociedade
está organizada para funcionar no horário comercial (das 8h às 18h), o que não necessariamente privilegia
aqueles que possuem um cronotipo diferente do matutino.
Os estágios do sono
Imagine como seria esquisito se o ciclo sono e vigília funcionasse como uma moeda, com apenas duas
opções: cara ou coroa (no caso, sono ou vigília). Você estaria caminhando pela rua e, de repente, ploft!
Dormiu! Seria bastante constrangedor, e até perigoso. Aliás, mais adiante, quando discutirmos sobre a
narcolepsia, esse aspecto disfuncional ficará mais claro.
Por sorte, na maioria das pessoas, a transição entre a vigília e o sono é gradual e, mais do que isso, o próprio
sono está organizado de maneira que vai do mais leve para o mais profundo. Essa é a razão pela qual quando
você começa a adormecer enquanto assiste a um filme, na companhia de alguém, uma leve cutucada no seu
braço é suficiente para você acordar e negar o fato de que estava dormindo.
Sabidamente, o sono apresenta alguns estágios bem caracterizados e cada um deles tem uma função
específica. Podemos dividir esses estágios em duas categorias maiores. Chamamos uma delas de REM e a
outra de não REM (ou NREM). Vejamos a seguir:
O sono REM
Recebe esse nome devido ao fenômeno do movimento rápido dos olhos (no inglês, rapid eye
movement), que ocorre durante essa fase. Se você observar com atenção, conseguirá ver o globo
ocular se movendo rapidamente, de um lado para o outro, debaixo da pálpebra da pessoa. Esse sinal,
ainda que não de forma absoluta, indica que a pessoa em questão pode estar sonhando naquele
momento. Isso ocorre porque, apesar de também ocorrer em outras fases, a concentração maior dos
sonhos é na REM.
O sono NREM
Não apresenta nenhum sinal observável a olho nu de terceiros. A não ser que você considere que a
dificuldade maior de acordar seja um sinal observável. Isso porque, realmente, durante essa fase, a
pessoa se aprofunda cada vez mais no sono, ficando mais resistente às tentativas de despertar.
Ainda, o NREM é dividido em quatro fases, sendo a I mais leve e a IV a mais pesada/profunda.
Curiosamente, desde que foi descrito pela primeira vez, em 1953, a função específica do sono REM ainda é
uma incógnita. Isso porque ela parece se misturar com a função do NREM. Ou seja, de forma geral, o sono
como um todo tem a função de reestruturar as conexões entre os neurônios, facilitar a consolidação das
memórias e, de acordo com uma hipótese interessante, levantada no início dos anos 2000, gerar insights para
a resolução de problemas cotidianos.
É bem verdade que existem evidências anedóticas de pessoas que acordaram tendo ideias brilhantes para
resolver algo que as perturbava. Apenas para citar um caso da literatura universal, a escritora Mary Shelley
concebeu a ideia de Frankenstein (1818), obra que a imortalizou, logo após despertar de um pesadelo.
Além disso, os sonhos (sejam eles bons ou ruins) têm a função de ser uma espécie de arena de simulação
segura, na qual podemos:
 
Reproduzir conflitos que podem fazer parte da nossa realidade.
Adotar determinadas estratégias para resolvê-los.
Verificar o potencial de resolutividade delas, sem ter qualquer ônus com isso.
De certa forma, os sonhos servem ao nosso aprendizado. No entanto, tome cuidado para não confundir isso
com aqueles “métodos para aprender dormindo”, que ficaram muito populares nos anos 1980-1990, mas que
1. 
2. 
3. 
se revelaram completamente ineficientes. Isso porque aprender com o sonho é totalmente diferente de
aprender enquanto você sonha.
Ou seja, para todos os fins, desencorajamos você a acreditar que aprenderá um novo idioma enquanto dorme.
Mas jamais duvide do potencial que os sonhos têm de gerar aprendizados capazes de serem transpostos para
a realidade.
Os estágios do sono: indicadores e funções
Neste vídeo, o especialista reflete sobre os diferentes cronotipos e explica os estágios do sono,
reconhecendo os diferentes indicadores e funções deles.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Ritmos biológicos e qualidade do sono
Já discutimos sobre o ciclo circadiano, que explica a alternância entre os estados de sono e vigília, dentro do
período de 24 horas. Porém, é importante saber que há outros ritmos biológicos, também responsáveis por
regular nossa fisiologia. 
Um deles é o ritmo infradiano, que regula as
funções biológicas espaçadas por mais de 24
horas. Por exemplo, o ciclo menstrual é
infradiano. Afinal, ele tem uma duração média
de 28 dias, podendo variar. Logo, como do
início ao fim um ciclo menstrual dura mais do
que 24 horas, ele é considerado infradiano.
O outro ritmo biológico é o ultradiano. Esse
regula aqueles eventos cujo ciclo tem duração
inferior a 24 horas. Por exemplo, nossa
respiração é regida pela lógica ultradiana, pois
dentro de um único minuto respiramos dezenas de vezes.
A importância de compreender esses demais ritmos biológicos está em saber que um pode afetar a qualidade
do outro.
Por exemplo, interrupções frequentes na respiração (alterações infradianas) enquanto a pessoa está
dormindo, em decorrência da síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), podem ocasionar
microdespertares. 
Ainda que tais despertares nem sempre venham atrelados à
consciência (pois a pessoa pode acordar e dormir de novo,
sem se dar conta disso), prejudicam de maneira
considerável a qualidade do sono. As principais
consequências disso são a sensação de cansaço e o
prejuízo cognitivo durante o dia.
No fim das contas, esse conjunto de consequências faz
com que a qualidade da vigília de indivíduos com SAOS seja
inferior a daqueles que dormem normalmente.
Ainda, à luz do que sabemos atualmente, o ciclo menstrual
(ritmo infradiano) também afeta a qualidade do sono, principalmente devido à elevação da progesterona, que
parece diminuir a latência para o início do sono REM.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O sono e seus padrões
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Os ritmos biológicos
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Tendo em vista que um funcionário de uma empresa apresenta um cronotipovespertino, e o horário de
trabalho é das 8h às 18h, assinale a alternativa que contempla o que podemos esperar dele, em termos de
performance de trabalho.
A
Sua produtividade será maior durante as primeiras horas de trabalho, reduzindo gradativamente, de maneira
linear, ao longo do dia.
B
Sua produtividade será maior durante as primeiras horas de trabalho, reduzindo gradativamente até por volta
das 14h, quando começará a melhorar de novo.
C
Sua produtividade será menor durante as primeiras horas de trabalho, melhorando gradativamente até por
volta das 14h, quando começará a melhorar de novo.
D
Sua produtividade será menor durante as primeiras horas de trabalho, melhorando gradativamente, de
maneira linear, ao longo do dia.
E
Sua produtividade não sofrerá qualquer variação ao longo do dia.
A alternativa D está correta.
O cronotipo vespertino está relacionado à produção mais intensa e de qualidade a partir do início da tarde.
Portanto, o funcionário começaria o dia com performance ruim e evoluiria, de forma linear, até alcançar seu
pico da produção.
Questão 2
O ritmo circadiano vai amadurecendo ao longo da vida. Assinale a alternativa que melhor descreve o
desenvolvimento do padrão de sono, da infância à idade adulta.
A
No início da vida, o sono tende a ser monofásico, que é o mais adequado. No final da adolescência, o sono
passa a ser polifásico, que apresenta uma qualidade inferior.
B
No início da vida, o sono tende a ser polifásico, que é o menos adequado. Esse padrão se mantém estável ao
longo de toda a vida.
C
No início da vida, o sono tende a ser monofásico. Esse padrão se mantém estável ao longo de toda a vida.
D
No início da vida, o sono tende a ser polifásico, que é o menos adequado. No final da adolescência, o sono
passa a ser monofásico.
E
No início da vida, o sono tende a ser polifásico, que é o mais adequado. No final da adolescência, o sono
passa a ser monofásico.
A alternativa D está correta.
Apesar de outras questões apresentarem a mudança do padrão polifásico para o monofásico, a alternativa
D é a única que deixa claro que o monofásico tem qualidade superior.
2. Arquitetura do sono e fisiopatologia dos transtornos do sono
O cérebro nas nuvens
Você sabia que pensar cansa, ainda que não exista – infelizmente – nenhuma evidência de que o cansaço
mental nos faça consumir calorias a ponto de perder alguns quilos? Portanto, quando você está realizando
uma atividade intelectual ininterrupta, durante um período razoável, eleva a sua carga cognitiva.
Entenda a carga cognitiva como se fosse um caminhão na
estrada. Certamente, você já deve ter passado por aqueles
caminhões de estrada que vão a quase 20km por hora.
Isso geralmente acontece porque ele está transportando
uma carga bastante pesada.
Nessas condições, a orientação é que a velocidade do
veículo seja reduzida ao máximo possível. Por outro lado,
caminhões que estejam sem cargas pesadas (ou seja, leves)
conseguem trafegar com velocidade normal, sem grandes problemas.
A carga cognitiva funciona dessa mesma forma: você vai ficando mais “pesado” ao longo do tempo de estudo
e, com isso, seu raciocínio acaba se tornando mais lento. Logo, tendo em vista que a leitura é um exercício
mental, que demanda bastante esforço da nossa cognição, é por isso que você acaba lendo mais devagar no
final de um texto. 
A seguir, vamos conhecer a responsável química por essa carga cognitiva: a adenosina.
Fórmula química da adenosina.
A adenosina é uma molécula que modula a atividade dos neurônios e é liberada pelas células da glia, em locais
onde a neurotransmissão está mais intensa. Ou seja, circuitos neurocognitivos muito ativos acabam
estimulando as células da glia da região a liberarem adenosina. A função dessa adenosina é “frear” a atividade
dos neurônios aos quais ela se liga. Principalmente, os circuitos responsáveis pela liberação de acetilcolina,
noradrenalina e serotonina, que são três dos principais neurotransmissores responsáveis por manter o estado
de vigília.
Portanto, os circuitos da leitura, que estão sendo bastante exercitados nesse momento, também estão
sofrendo mais a ação da adenosina e freando a atividade. Como consequência, a lentidão começa a reinar e,
depois de um determinado tempo, a leitura acaba sendo infrutífera. Afinal, os recursos cognitivos capazes de
fazer você assimilar o conhecimento já estão “contando carneirinhos”.
É por essa razão que a adenosina é uma das principais substâncias indutoras do sono, em condições normais
de temperatura e pressão. Ainda, a razão pela qual o café pode fazer você postergar o início do sono é porque
a cafeína age como uma antagonista da adenosina. Ou seja, bloqueia parcialmente a capacidade da adenosina
se ligar nos neurônios pós-sinápticos e executar sua função celular.
Aliás, é durante o sono que a adenosina acumulada nas sinapses é deteriorada e, por causa disso, tendemos a
acordar com um cérebro pleno, apto para aprender aquilo que o novo dia tem a nos ensinar. Ou seja, é durante
o sono que o nosso cérebro entrega a carga pesada que estava carregando ao longo do dia, e pode voltar
para a estrada bem mais leve e rápido.
Outros fatores também levam à indução do sono. A ação do hormônio melatonina, liberado diante da baixa
percepção de luminosidade no ambiente, também favorece o sono. Além disso, existe a participação do
chamado sistema reticular ativador ascendente (SRAA). Ou melhor, sua saída de cena, tendo em vista que ele
participa da sustentação da vigília.
O SRAA é formado por um conjunto de feixes de neurônios que partem do tronco cerebral e vão até o córtex,
agindo sobre ele de maneira bastante generalizada. Esses neurônios são especializados na neurotransmissão
de noradrenalina, catecolaminas, serotonina e glutamato. É devido à ativação desse sistema que você se
mantém vigilante e, por consequência, quando ele reduz a atividade (inclusive devido à adenosina), o estado
de sonolência se impõe.
Por fim, mas não menos importante, há também o papel da histamina. A histamina auxilia na
perpetuação da atividade dos neurônios. Ou seja, ajuda você a ficar acordado(a). Quando os níveis
de histamina caem, o sono aumenta. Essa é uma das razões pelas quais quando você faz uso de
algumas medicações anti-histamínicas (geralmente usadas para amenizar alergias), um dos efeitos
colaterais é a sonolência.
Entretanto, um dos fenômenos que mais desperta a atenção das pessoas durante o sono é o sonho. Ao longo
da história da civilização, várias foram as teorias propostas para explicar a gênese dos nossos sonhos, ou
mesmo o significado deles. Anteriormente, discutimos que as evidências mais atuais nos levam a crer que os
sonhos são formas de simulação da realidade, que podem até mesmo produzir algum tipo de aprendizado.
Porém, agora é necessário explicar que a neurociência tem contribuições na corrida pela explicação dos
sonhos.
Por exemplo, os estudos nos permitem concluir que, durante os sonhos, há uma ativação do córtex occipital e
das estruturas límbicas, ao mesmo tempo em que ocorre uma desativação do córtex pré-frontal.
As estruturas límbicas seriam responsáveis pelo
conteúdo emocional atrelado ao sonho. A
atividade occipital é atrelada à construção da
imagem onírica. Já a redução do pré-frontal à
suspensão de descrença, típica do sonho em
que você vê cavalos voando e aquilo parece
óbvio desde sempre. Ou seja, seu juízo está
comprometido.
O relógio biológico: não é
um “Rolex”, mas nos deixa “relax”
Desde muito antes do surgimento dos primeiros relógios, mais de 600 anos a.C., o ser humano já tinha uma
ideia de tempo, principalmente em função das variações da luminosidade do ambiente. 
Evidentemente, as causas para as variações diárias da
iluminação são descobertas relativamente recentes, mas
sempre se soube que o dia tem um período mais claro e
outro mais escuro. Além disso, também sempre se soube
que há comportamentos mais propícios a serem executados
no claro e outros no escuro.
Isso ocorre porque a compreensão do tempo não deriva de
uma tecnologiacriada pelo homem, mas sim de um aparato
cerebral especializado na discriminação do claro e do
escuro.
Uma estrutura fundamental da engrenagem desse relógio biológico é o chamado núcleo supraquiasmático
(NSQ), que fica localizado na ponta mais inferior do hipotálamo, logo acima do quiasma óptico (por isso o
nome, pois “supra” significa “acima de”).
Hipotálamo
De fato, a proximidade estrutural entre o NSQ e o quiasma óptico é que permite que ele receba estímulos
diretamente da retina (região do fundo de nossos olhos), através do chamado trato retino-hipotalâmico. O
nome é complexo, mas o sentido é fácil de deduzir. Tratos são feixes de axônio. Portanto, são feixes de
axônios que saem da retina em direção ao hipotálamo.
Diante da baixa captação de luminosidade pela retina, os neurônios do NSQ acabam por funcionar mais
intensamente e, como eles apresentam conexões com várias outras estruturas do cérebro, acabam por inibi-
las. Afinal, são neurônios que usam, em sua maioria, o GABA, que tem um importante papel na redução do
potencial de ação do ligante.
Arquitetura do sono
Algo importante para se ter em mente é que o sono apresenta uma arquitetura, ou estrutura-padrão, que
tende a ocorrer de forma semelhante em adultos saudáveis.
Por exemplo, a primeira metade de uma noite de sono é caracterizada pela maior incidência das fases III e IV
do NREM. Na segunda metade (ou, após, aproximadamente, 3 horas), a incidência das fases III e IV do NREM
diminui consideravelmente, e ocorre um aumento das fases I e II NREM, bem como das fases REM.
Como o nível de relaxamento é maior nas fases III e IV do NREM e a incidência de sonhos é maior na fase REM,
podemos concluir que na primeira metade do sono nós tendemos a descansar mais, enquanto na segunda
tendemos a sonhar mais.
Também há uma sequência na ocorrência dessas diferentes fases do sono. Por exemplo, logo que
adormecemos, iniciamos pela fase I do NREM e vamos até a IV. Porém, antes de entrarmos na fase REM,
retomamos a fase II NREM.
Dessa forma, temos a seguinte sequência:
 
Fase I do NREM (fase de sonolência, sono mais leve).
Fase II do NREM (relaxamento muscular e queda de temperatura corporal).
Fase III do NREM (Sono profundo).
Fase IV do NREM (etapa de sono mais profundo ainda).
Fase III do NREM.
Fase II do NREM.
Fase REM (intensa atividade cerebral – atividade onírica).
O período que compreende o início do adormecimento ao final da fase REM é chamado de ciclo do sono. É
importante esclarecer que, ao longo de uma noite, ocorrem de 4 a 6 ciclos, cada um deles com duração
aproximada de 90 minutos. 
Descrição e etiologia dos transtornos do sono
Dada toda a complexidade e todas as etapas que precisam ocorrer em sequência, é possível concluir que o
sono é um processo bastante vulnerável a alterações. Quando essas alterações acontecem com alguma
frequência e causam prejuízo ao indivíduo, consideramos que está se manifestando um transtorno do sono.
Na sequência, veremos as características principais de alguns deles e suas origens.
Insônia
Caracterizada pela insatisfação com a qualidade ou quantidade do sono,
podendo se dever à dificuldade em iniciar o sono (deita-se cedo, mas só
se consegue dormir muitas horas depois); dificuldade para sustentar o
sono (acorda-se repetidas vezes à noite); ocorrência de despertares
muito antes do planejado.
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Transtorno de hipersonolência
A principal característica desse transtorno é a tendência a dormir durante
muitas horas ininterruptas sem, contudo, experienciar um sono reparador.
Ou seja, o paciente dorme por mais de 9 horas e considera que ainda
precisa de mais horas de cama. Isso faz com que esse paciente
raramente se sinta plenamente desperto. Isso, obviamente, produz um
acentuado sofrimento e prejuízo para as atividades do dia a dia, o que
pode engatilhar um quadro de transtorno do humor. Também são
escassos os estudos investigando as causas biológicas do transtorno.
Entretanto, à luz do que sabemos atualmente, ele pode ser consequência
de uma disfunção do sistema reticular ativador ascendente, que é a base
da vigília.
Narcolepsia
Caracterizada pela mudança abrupta do estado de vigília para a fase
REM do sono, envolvendo a perda do tônus muscular, o que pode
provocar quedas inesperadas. Geralmente, esses episódios ocorrem
após um momento de forte emoção. Basicamente, o indivíduo está com
uma consciência plena e, de repente, é assolado por um sono
avassalador e incontrolável. Isso pode precipitar até mesmo episódios de
alucinação (chamadas de “alucinações hipnagógicas”), que são, na
verdade, intrusões do sonho na realidade. Uma das principais hipóteses
neurobiológicas para esse transtorno é a redução de neurônios que
fazem parte do sistema de hipocretinas, sendo a hipocretina um
neurotransmissor essencial à manutenção do estado de vigília. Como
esse sistema está deficitário, esses pacientes não conseguem sustentar
a vigília e acabam dormindo repentinamente.
Sonambulismo
Transtorno cuja principal característica é a presença de movimentos
complexos durante as fases III e IV do sono NREM. Pelo fato de ocorrer
em fases de sono profundo, esses pacientes apresentam grande
dificuldade de acordar durante o episódio de sonambulismo. Tende a ser
uma condição que involui ao longo do tempo, sendo mais comum no
início da vida que na vida adulta. Porém, é necessário realizar o
acompanhamento para conduzir o melhor tratamento.
Terror noturno
Geralmente presente em crianças, ocorre nas fases mais profundas do
sono NREM (III e IV). De maneira análoga ao sonambulismo, o paciente
com terror noturno também terá dificuldade em acordar. A sua reação é
de medo extremo, caracterizado por gritos elevados e choro. No senso
comum, tem-se até hoje a ideia de que o terror noturno é provocado por
pesadelos. Porém, é pouco provável que isso aconteça. Afinal, por ser
uma alteração das fases III e IV do NREM, enquanto os pesadelos
ocorrem em 92% das vezes na fase REM, é quase certo que o
comportamento do paciente não seja uma resposta a algum pesadelo.
Transtorno comportamental do sono REM
Tende a se manifestar em adultos, geralmente do sexo masculino e com
idade mais avançada. Como vimos antes, em condições normais, os
núcleos da ponte do nosso cérebro, que controlam alguns músculos do
corpo humano, precisam desativar durante o sono, principalmente
durante o sonho, para que nós não executemos aquilo que estamos
sonhando. Esse transtorno é devido a um problema nesse circuito do
sono, que faz com que ocorram manifestações comportamentais durante
o sonho, geralmente com conteúdo violento.
Os transtornos do sono
Neste vídeo, o especialista reflete sobre os diferentes transtornos do sono, destacando a sua etiologia e
consequências.
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Higiene do sono
Os transtornos do sono são mais bem tratados com terapia combinada, que envolve tanto a atuação de
psicólogo quanto psiquiatra. Ou seja, a combinação da psicoterapia com a medicação. Entretanto, existem
algumas recomendações, elaboradas por especialistas em Medicina do Sono, que podem aprimorar a
qualidade do sono e, consequentemente, a qualidade de vida desses pacientes. 
É muito importante manter uma rotina fixa de horário para dormir e acordar. Obviamente, que
imprevistos acontecem e nem sempre é possível obedecer a essa rotina. No entanto, a ideia é
estabelecer horários fixos e tentar respeitá-los todos os dias. Isso é importante para não desregular
seu ciclo circadiano, que poderia confundir bastante toda a sua fisiologia. E fisiologia confusa leva à
psicologia confusa!
Entenda que a cama é um ambiente projetado para dormir. Outras atividades não devem ser realizadas sobre
ela. Isso porque, ao desvirtuar o objetivo principal do móvel, você pode fazer uma associação indevida e
passar a não se sentir sonolento(a) ao se deitar, que é algo fundamental.
A seguir, você poderá conferir algumas formas de melhorar o sono:
Evite atividades, como refeição, cinema ou leitura na camana antevéspera do sono;
Concentre no turno da noite a realização de atividades relaxantes/repousantes;
De preferência, evite contato direto com a luz, principalmente de celulares (a luminosidade dos
celulares modernos interfere na mensagem que sua retina envia ao núcleo supraquiasmático, que
acaba alternando a neurotransmissão da melatonina);
Use o celular, à noite, apenas para assuntos absolutamente necessários e pontuais;
Não utilize medicamentos indutores do sono sem o acompanhamento médico.
Infelizmente, mesmo com as restrições para a compra sem receita, muitas pessoas acabam burlando o
sistema e comprando a medicação por conta própria. O uso dessas medicações, sem a devida supervisão
médica, pode piorar significativamente a sua situação. No fim das contas, você pode acabar desenvolvendo
uma farmacodependência, que é uma das condições mais difíceis de se tratar.
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Fatores indutores do sono
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Arquitetura do sono
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O sono apresenta uma sequência em que alterna entre fases REM e NREM. Julgue as frases a seguir, acerca
da sequência de sonos REM e NREM e, em seguida, assinale a alternativa correta.
 
I. Durante uma noite de sono, descansamos mais na primeira metade e sonhamos mais na segunda metade.
 
Porque
 
II. A primeira metade do sono é formada por mais episódios de NREM profundos, enquanto a segunda metade
é formada por mais episódios REM.
 
Qual a alternativa correta?
A
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
B
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
C
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E
As asserções I e II são proposições falsas.
A alternativa A está correta.
Admite-se que a maior parte dos sonhos estejam concentrados na fase REM, ao mesmo tempo que as
fases do NREM são caracterizadas como aquelas mais profundas e de relaxamento mesmo. Logo, como
está correta a razão do enunciado, a asserção também está.
Questão 2
O terror noturno é um transtorno do sono que afeta, predominantemente, as crianças. Com relação ao nível de
dificuldade para despertar e a presença de sonhos como desencadeadores do terror noturno, julgue as frases
a seguir e depois assinale a alternativa correta.
 
I. Durante um episódio de terror noturno, a criança apresenta grande dificuldade de despertar e, quase
certamente, não está tendo sonho ruim (pesadelo).
 
Porque
 
II. O terror noturno é uma condição associada às fases III e IV do NREM.
 
Qual a alternativa correta?
A
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
B
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
C
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E
As asserções I e II são proposições falsas.
A alternativa A está correta.
De fato, o terror noturno está associado às fases mais profundas do NREM e, por isso, quem sofre desse
transtorno apresenta dificuldade para despertar e, quase certamente, ausência de pesadelo, que tende a
ocorrer na fase REM.
3. Vias dopaminérgicas e serotoninérgicas e quadros demenciais
Da supersimplificação ao essencialismo neuroquímico
É comum, quando você deseja passear de carro por algum lugar, recorrer a sistemas eletrônicos de
posicionamento global, ou GPS, que estão por aí justamente para facilitar nossa vida. Por exemplo, se você
quer partir da cidade do Rio de Janeiro e chegar à cidade de São Paulo, pode pegar a Via Dutra. Ela vai
percorrer todas as cidades intermediárias e ligar você ao seu destino.
O nosso cérebro também tem algumas vias, que partem de um ponto e vão até outro. Neste módulo,
conheceremos o funcionamento das principais vias neurobiológicas e a implicação delas para entendermos a
fisiopatologia de alguns quadros demenciais.
Ao final da leitura, você assimilará de forma mais crítica determinadas frases que pecam pelo excesso de
reducionismo. Por exemplo, quando dizem: “a dopamina é o neurotransmissor do prazer”, ou “a serotonina é o
neurotransmissor do humor”. Não necessariamente!
Essa ideia deriva de uma espécie de essencialismo biológico, em que se atribuem a existência de elementos
nucleares, compartilhados por seres ou substâncias percebidas como idênticas. É o mesmo essencialismo que
está na base de boa parte dos preconceitos sociais, em que você analisa um indivíduo com base em
atribuições genéricas (controversas) do grupo ao qual ele pertence, pois pensa que todos com aquela mesma
característica são iguais. Assim como é errado discriminar pessoas, você também não deve discriminar os
neurotransmissores pela “cara” deles.
Afinal, tudo depende da via de ação do neurotransmissor e das estruturas cerebrais pelas quais ele vai passar.
Além disso, também depende do tipo de receptor ao qual ele se liga. A depender da via e do tipo de receptor
acionado, a resposta daquele neurotransmissor no seu sistema nervoso será distinta.
Em suma, as vias de neurotransmissores, assim como as
vias dos carros, permitem-nos entender por quais “regiões”
pode passar determinada substância e, como
consequência, saber o que é possível esperar em cada um
dos pontos, entendendo que nenhum lugar do mundo (e o
cérebro faz parte do mundo) é igual.
As vias dopaminérgicas
A dopamina é um dos principais neurotransmissores. Não
pelas ações que desempenha, que apesar de muito importantes, são tão fundamentais quanto às ações dos
demais (não há hierarquia entre neurotransmissores), mas pela quantidade de estudos existentes. Sabemos
muito mais detalhes sobre o comportamento da dopamina no sistema nervoso, do que da hipocretina, por
exemplo.
Vale ressaltar que praticamente todos os neurônios apresentam receptores para dopamina, mesmo que nem
sempre na mesma quantidade ou, ainda, iguais, tendo em vista que ela tem duas famílias e cinco subtipos de
receptores diferentes.
Fórmula química da molécula dopamina
Ao todo, a dopamina apresenta quatro vias de ação distintas, no interior do cérebro humano. A seguir,
veremos cada uma dessas vias:
Via mesolímbica
É responsável pela função mais comumente atribuída à dopamina: o prazer. Inicia na região do tronco
cerebral chamada de área tegmentar ventral (ATV), onde uma parcela considerável (mas não a
maioria) da dopamina é produzida. Da ATV, a dopamina é enviada a uma estrutura cinzenta no miolo
do cérebro humano, chamada de núcleo accumbens. Essa via representa a base química do prazer.
Não é à toa que é acionada diante de comida, da pessoa amada, ou mesmo das drogas. Sua ativação
produz a sensação subjetiva de prazer ou recompensa, o que favorece a repetição do mesmo
comportamento, que nem sempre é adaptativo.
Via mesocortical
Está relacionada à gênese química de funções cognitivas ditas superiores, que envolvem
autogerenciamento, como as funções executivas. Do ponto de vista de localização, ela também parte
da ATV. Mas, em vez de irradiar para o núcleo accumbens, faz outro caminho, indo direto para a
região pré-frontal.
Via nigroestriatal
É curioso como uma das funções menos conhecidas da dopamina é a que ela mais realiza. Estamos
nos referindo ao planejamento motor, que é a base para a execução dos movimentos voluntários. Essa
é a função dessa via, que parte não da ATV, mas da substância nigra, em direção ao núcleo caudado,
putâmen e gânglios da base. Quando há uma redução na atividade dessa via, o indivíduo pode
experienciar uma série de sinais motores observáveis, sem necessariamente apresentar alterações no
prazerou no pensamento.
Via tuberoinfundibular
Via específica para auxiliar na homeostase (equilíbrio do organismo). Por isso, ela parte de um dos
núcleos hipotalâmicos (periventricular) e irradia para outro núcleo hipotalâmico (infundibular). A
função aqui é promover um feedback negativo que iniba a ação da prolactina. Alterações nessa via
podem provocar aumento desproporcional de prolactina (prolactinemia), que desregula bastante a
libido e o comportamento sexual.
As vias serotoninérgicas
A serotonina também é um neurotransmissor bastante estudado, principalmente pela sua relevância na
etiologia de vários transtornos mentais. Desde os de humor às demências, passando pelos transtornos da
ansiedade, sono e esquizofrenias, ela parece estar envolvida. A serotonina apresenta um pouco mais de
variação, em relação à dopamina. Ao todo, são sete famílias e 14 subtipos de receptores diferentes.
Os neurônios serotoninérgicos estão concentrados nos chamados núcleos da rafe, localizados no tronco
cerebral. Veja a seguir:
O que o assunto tem a ver com as demências?
Como você já deve ter observado, há uma importante complexidade na ação dos neurotransmissores
conhecidos como serotonina e dopamina, que não podem ser reduzidos a funções simplistas. Essa
complexidade é ainda maior quando estudamos estados mentais que fogem da conhecida normalidade. Tal é
o caso das anormalidades no funcionamento do sistema nervoso central, reconhecidas como demências.
É preciso tomar muito cuidado para não achar que demência é uma coisa só. O próprio Dicionário On-line de
Psicologia da APA (2022), define o termo dementia como sendo “uma deterioração pervasiva e generalizada
da memória e pelo menos outra função cognitiva, como, por exemplo, a linguagem e as funções executivas,
devido a uma variedade de causas. A perda da habilidade intelectual é grave o bastante para interferir no
funcionamento diário do indivíduo, bem como nas atividades sociais e ocupacionais" (tradução livre, do
resultado original em inglês).
Núcleos da rafe ditos rostrais 
Enviam projeções para partes mais
superiores do encéfalo, como o córtex
cerebral, as regiões límbicas e o hipotálamo.
Essa via regula, principalmente, o humor,
apetite e o sono.
Núcleos da rafe ditos ventrais 
Enviam suas projeções para áreas
diferentes. Principalmente, para outras
regiões do tronco cerebral, o cerebelo e
a medula. Essa via é mais responsável
pelo controle da dor, bem como a
regulação visceral.
Tendo em vista que as demências são heterogêneas (Alzheimer, Parkinson, corpos de Lewy, frontotemporal),
aqui vamos discutir um componente compartilhado por 90% delas, em maior ou menor grau.
O mal de Parkinson faz parte do grupo de condições conhecido como demências
Trata-se dos chamados sintomas cognitivos e comportamentais das demências, que incluem os seguintes
sintomas:
 
Alteração psicomotora
Ansiedade
Irritabilidade
Depressão
Apatia
Desinibição
Delírios
Alucinações
Aterações em apetite
Sono
Já foi identificado que em pacientes com quadros demenciais, independentemente de qual seja, há alterações
significativas tanto na função quanto na estrutura das vias serotoninérgicas.
Basicamente, identificou-se uma redução no volume dos núcleos da rafe (o que indica destruição de
neurônios da região), bem como redução da neurotransmissão de serotonina em si.
Tendo em vista que, como discutido anteriormente, a
serotonina é importante para a regulação das emoções, do
ciclo sono e vigília e do apetite, os sintomas e alterações
relacionados ao humor e ansiedade, bem como os hábitos
alimentares e de sono podem ser explicados por isso.
Vale ressaltar que a redução da serotonina também está
relacionada aos sintomas psicóticos das demências. Ainda,
é comum que pacientes com demência também se queixem
de dores crônicas. Vimos que a serotonina participa da
regulação da dor e, por estar em baixa, pode ser a
explicação neuroquímica desse sintoma também.
Além da serotonina, a literatura demonstra uma redução significativa dos níveis de dopamina, principalmente
nas vias mesolímbica e mesocortical, nos diferentes quadros demenciais.
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Esse fato pode explicar os sintomas depressivos, bem como a apatia e desinibição. Além disso, níveis
adequados de dopamina, principalmente na via mesocortical, estão associados à preservação da cognição
social. Cognição social é um constructo neuropsicológico guarda-chuva, porque engloba várias faculdades
mentais envolvidas na compreensão do outro.
Alterações na cognição social também são comuns em diferentes demências, mas principalmente na variante
comportamental da demência frontotemporal e no Parkinson, e podem ser explicadas por essa atividade
reduzida da dopamina. Ainda, a redução de dopamina foi descrita também na via nigroestriatal, sendo a
principal responsável pelos sintomas motores, presentes principalmente – mas não somente – no Parkinson.
Neurobiologia das demências
Neste vídeo, o especialista reflete sobre as semelhanças neurobiológicas das principais demências e os
sintomas associados.
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
As vias dopaminérgicas
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As vias serotoninérgicas
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Com base na função dos neurotransmissores, julgue as frases abaixo e, na sequência, assinale a alternativa
que contém a resposta correta:
 
I. É errado dizer que “a dopamina é o hormônio do prazer”.
 
Porque
 
II. A ação de um neurotransmissor depende da região onde ele vai agir e do receptor ao qual irá se ligar.
 
Qual a alternativa correta?
A
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
B
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
C
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E
As asserções I e II são proposições falsas.
A alternativa A está correta.
De fato, a ação de um neurotransmissor não está nele em si, mas em seus ligantes e nas regiões onde
essas ligações serão estabelecidas. Portanto, é impossível definir uma função específica e absoluta para
determinado neurotransmissor, sem cair no viés do extremo reducionismo.
Questão 2
A compreensão dos sintomas cognitivos e comportamentais das demências nos possibilita abordar o tema
das demências analisando o que há de comum entre elas, mesmo que sejam quadros distintos. Com relação à
participação das vias serotoninérgicas e dopaminérgicas na origem desses sintomas, assinale a opção
correta.
 
I. A maioria dos sintomas cognitivos e comportamentais das demências podem ser explicados por alterações
nas vias serotoninérgicas, mas não dopaminérgicas.
 
Porque
 
II. As vias serotoninérgicas estão com atividade reduzida nos quadros demenciais, enquanto as
dopaminérgicas estão intactas.
 
Qual a alternativa correta?
A
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
B
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
C
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E
As asserções I e II são proposições falsas.
A alternativa E está correta.
Ambas as afirmativas estão erradas. Há alterações significativas, estruturais e funcionais, tanto nas vias
serotoninérgicas quanto dopaminérgicas que, juntas, permitem compreender quase todos os sintomas
cognitivos e comportamentais das demências.
4. Esquizofrenias, sistema de recompensa e dependência química
A psicopatologia é a ciência da exceção
A maioria da população mundial émentalmente saudável. No entanto, todos nós, às vezes, assumimos alguma
postura diante da vida, que soa como um autêntico sinal clínico ou patológico, mas que, na verdade, é apenas
um comportamento que faz parte do nosso repertório normal.
As verdadeiras doenças mentais são raras! Por exemplo, a esquizofrenia é um transtorno mental grave,
caracterizado principalmente pela reduzida capacidade de apreender e julgar a realidade. Respeitando todos
os critérios para o diagnóstico acurado, tem-se que ela está presente em 1% da população. Portanto, isso
implica dizer que aproximadamente 99% da população não apresenta o transtorno.
Por outro lado, ao estudar os diferentes transtornos mentais podemos dizer que, em algum grau, eles afetam,
ou são afetados, pelo nosso nível de consciência. Até agora, já discutimos os casos dos transtornos do sono e
dos quadros demenciais. É chegado o momento de compreender de que maneira, seja no nível
fenomenológico, seja no nível neurobiológico, os circuitos responsáveis por nos manter vigilantes e ativos se
relacionam com a esquizofrenia e as dependências químicas.
Esquizofrenia
A esquizofrenia é um transtorno mental grave e complexo, capaz de afetar sobremaneira a qualidade de vida
do paciente. Seja em função da natureza dos sintomas em si, seja devido ao forte estigma social que atinge
essa população. De maneira geral, podemos considerar que a principal característica dos transtornos
esquizofrênicos é a acentuada dificuldade em perceber adequadamente a realidade.
De modo geral, podemos considerar que os sintomas da esquizofrenia se dividem em duas grandes
categorias:
 
Sintomas positivos
Sintomas negativos
É importante esclarecer que esses positivo e negativo não se devem a juízos de valor, no sentido de “bom” ou
“ruim”, mas sim à soma e subtração, respectivamente.
Por exemplo, um sintoma negativo clássico é a avolição (perda do interesse pelas coisas). Antes de a doença
se manifestar (algo que tende a ocorrer no final da adolescência), o indivíduo provavelmente conseguia ter
uma rotina diária e sentia-se satisfeito quando realizava as atividades cotidianas que lhe davam prazer. Porém,
depois que a doença começou a se manifestar, esse interesse deixou de existir.
Em relação aos exemplos de sintomas positivos, confira àqueles que estão mais associados ao imaginário
popular da esquizofrenia:
 
Alucinações
Delírios
Aqui cabe fazer uma diferenciação entre esses dois sintomas, tendo em vista que até mesmo profissionais
formados apresentam dificuldades em conceitualizá-los corretamente.
1. 
2. 
• 
• 
Os delírios dizem respeito a crenças equivocadas, disfuncionais, altamente resistentes a argumentos
contraditórios e que não são compartilhadas pelos demais membros da sociedade. Ou seja, não se trata
meramente de uma opinião pessoal, ou uma maneira de interpretar o mundo. Em suma, delírios são crenças
inflexíveis, bastante destoantes dos pares, que causam sofrimento e prejuízo funcional no delirante e têm
como característica relevante o fato de terem sido forjadas com base em um estímulo real. Por exemplo, o
indivíduo atende a um telefone e escuta um “click”. Isso é o suficiente para ele teorizar que pode estar sendo
monitorado por alguma organização secreta e sentir-se profundamente ameaçado. 
As alucinações podem ser definidas como percepções na
completa ausência de estímulos. Isso significa que o
indivíduo que alucina vê, escuta, sente um gosto, toque ou
cheiro, mesmo que não haja nada lá. Em termos conceituais,
é possível defender que o sonho seja uma alucinação.
Afinal, a experiência onírica é toda permeada por
percepções, principalmente visuais e auditivas, que não
estão chegando ao seu sistema nervoso pela via sensorial
esperada.
Além disso, os sonhos tendem a possuir uma característica
muito curiosa que reforça a sua interpretação como uma alucinação: a ausência de insight. Ainda que possam
ocorrer os chamados “sonhos lúcidos”, em que você se dá conta de que está sonhando e assume um controle
sobre os acontecimentos, a maioria dos sonhos impede que assumamos essa noção de realidade e
concluamos: “Ah, isso aqui é um sonho!”.
Nas alucinações, a pessoa carece de juízo de realidade
Na alucinação e no delírio, essa ausência de insight da realidade também está presente. Significa que o
indivíduo que está enxergando um monstro à sua frente, ou ouvindo uma voz dizendo que irá matá-lo,
realmente está percebendo aquilo como verdadeiro e, por causa disso, no momento de relatar a alucinação a
uma terceira pessoa, sequer apresentará sinais não verbais que permitam identificar que está mentindo.
A esquizofrenia causa, em longo prazo, a perda de
faculdades cognitivas
Quando um paciente está alucinando, ainda que dragões não existam, a ausência de insight faz com que ele
acredite piamente que aquilo é real e, no momento de contar aos outros, dirá o que – na perspectiva dele – é a
mais pura verdade.
É muito importante deixar claro que, apesar de toda essa constelação de sintomas, nenhum deles sozinho é 
patognomônico. Ou seja, a mera ocorrência de um episódio de alucinação ou delírio não é suficiente para se
fechar o diagnóstico de esquizofrenia.
Patognomônico
Patognomônico é aquele sintoma cuja mera presença determina ou confirma um diagnóstico.
Lendo o cérebro de um paciente esquizofrênico
Ao longo das últimas décadas, muitos estudos atestaram que os pacientes esquizofrênicos apresentam
alterações estruturais (morfológicas) e funcionais (químicas) significativas. Tais anormalidades afetam todo o
sistema nervoso central e, provavelmente, são fruto de percalços no neurodesenvolvimento, tendo em vista a
grande contribuição que a genética e os fatores teratogênicos (que afetam o desenvolvimento do feto) têm,
na etiologia da doença.
Por exemplo, já ficou demonstrado que pacientes com esquizofrenia apresentam uma redução considerável
da substância cinzenta cerebral, bem como atrofias nas regiões frontais e temporais. Além disso, a assimetria
hemisférica, comum a todos com desenvolvimento cerebral regular, é bem mais discreta neles, o que pode
favorecer a ocorrência de problemas relacionados à linguagem.
Na ausência de tratamento adequado, o paciente começa a
perder suas faculdades mentais em progressão quase
geométrica (processo de deterioração que o paciente sofre
ao longo do tempo). Diante desses achados, é possível
defender que a esquizofrenia seja uma doença
degenerativa.
A esquizofrenia também está alicerçada em desbalanços
químicos. Uma das hipóteses neuroquímicas mais robustas
é da hiperativação dopaminérgica. Não é por acaso que
medicações, cujo mecanismo de ação consiste em reduzir a
neurotransmissão de dopamina, estão relacionadas à
redução dos sintomas positivos da esquizofrenia. Ao mesmo
tempo, drogas como as anfetaminas acabam por desencadear quadros psicóticos indistinguíveis da
esquizofrenia em si, quando consumidas em níveis muito acima do razoável (overdose). Portanto, essas são
fontes seguras de evidências que sugerem uma elevação significativa na neurotransmissão dopaminérgica
(principalmente no sistema mesolímbico) na etiologia da doença.
Outra hipótese defende que os sintomas da esquizofrenia possam surgir a partir de uma alteração nos níveis
de adenosina. A adenosina é um importante indutor do sono, em condições normais. Nesse caso, quando os
níveis de adenosina são reduzidos, a necessidade de sono é menor, sendo essa uma característica comum em
pacientes com o transtorno. Ainda, a ingestão de café, que bloqueia a ação da adenosina, favorece a
manifestação e até o agravamento dos sintomas psicóticos. Além disso, já está demonstrado também que a
ausência de sono pode potencializar a ocorrência dos sintomas positivos, principalmente das alucinações.
Com relação ao tratamento da esquizofrenia, um ponto importante deve ser destacado. Diferentemente de
outros transtornos mentais, não há praticamente nenhuma evidência robusta na literatura de que a
monoterapia psicológica resulte em uma melhoria do quadro. Ou seja, parece não serpossível tratar a
esquizofrenia somente com psicoterapia. O paciente precisa fazer uso da medicação que, conjuntamente com
as técnicas aprendidas durante a psicoterapia, proporcionará o abrandamento do quadro.
Se existe um descompasso nos níveis de
dopamina, esses pacientes se beneficiarão de
medicamentos que favoreçam a normalização
desses níveis. 
Na verdade, o problema da esquizofrenia
parece estar circunscrito à via dopaminérgica
mesolímbica, não à nigroestriatal.
Entretanto, devido à baixa especificidade da
ação, essas medicações reduzem os níveis de
dopamina de forma generalizada, produzindo
efeitos colaterais bastante desagradáveis,
como o parkinsonismo (rigidez e dificuldades de iniciar movimentos voluntários). Medicações mais modernas,
chamadas “atípicas”, têm uma ação mais específica e acabam por desencadear menos efeitos colaterais.
Logo, a presença de efeitos colaterais da farmacoterapia, bem como a característica inerente à própria
doença, que envolve a negação do transtorno (esses pacientes têm dificuldades em tomar consciência de que
estão manifestando um transtorno), comprometem bastante a adesão clínica desses pacientes. Isso significa
que uma das demandas mais fundamentais do atendimento psicológico é a psicoeducação, em que os
sintomas adversos serão esclarecidos e a conscientização sobre a necessidade do tratamento será
potencializada. É por isso que a terapia combinada (farmacoterapia aliada à psicoterapia) é a melhor
estratégia para promover a saúde mental do paciente esquizofrênico.
O centro cerebral do hedonismo
No início dos anos 1950, a ciência avançava intensamente, principalmente com a realização do primeiro
transplante de órgãos bem-sucedido e com uma pesquisa feita com ratos, por dois pesquisadores do Instituto
de Tecnologia da Califórnia: James Olds e Peter Milner. 
O experimento dos dois cientistas consistiu em instalar um
pequeno eletrodo no interior do cérebro de ratos. Em um
primeiro momento, quando o controle sobre a atividade do
eletrodo era dos pesquisadores, eles perceberam que o rato
tendia a permanecer em um canto da caixa onde estava,
quando recebia mais estimulação.
Na sequência, desenvolveram uma variação do
experimento, em que o controle da atividade do eletrodo foi
passado ao próprio rato. Ele só precisava apertar uma
alavanca, que foi instalada na caixa. Em pouco tempo, o rato
aprendia que ao apertar a alavanca, o eletrodo de sua cabeça era acionado. O que ocorreu foi que os ratos
ficaram “viciados” em apertar a alavanca, a ponto de recusar até mesmo comida e água, querendo somente
apertar repetidas vezes a alavanca e receber aquela estimulação.
A descoberta inicial de Olds e de Milner, que ficou conhecida como “centro do prazer”, deu origem a centenas
de outros estudos, todos em busca de esclarecer melhor qual centro seria esse. Durante muito tempo, os
resultados permaneceram bastante inconclusivos. Afinal, mesmo aqueles experimentos feitos com humanos
(em sua maioria, pacientes com tendência à epilepsia) revelaram a existência de vários “centros do prazer”,
ainda que causassem sensações um pouco diferentes. Por exemplo, alguns deles produziam uma reação
análoga ao orgasmo. Outro, bem semelhante àquele momento em que você se lembra de uma palavra logo
depois de esquecê-la (que é chamado de “Efeito A-ha”). No entanto, a autoestimulação desses centros não
necessariamente produzia uma sensação de prazer concretizado.
Por fim, 70 anos depois, parece haver um consenso de que existe mesmo um circuito cerebral que funciona
como um núcleo central da recompensa, o que não quer dizer que a sensação de prazer/recompensa esteja
circunscrita a ele. Basicamente, duas diferentes estruturas compõem o moderno sistema de recompensa.
Confira a seguir:
área tegmentar ventral, que fica localizada no tronco cerebral e é responsável por produzir a dopamina;
núcleo accumbens. Esse sistema parece funcionar à base de dopamina.
Basicamente, esse sistema funciona mais intensamente quando gostamos daquilo que estamos fazendo, ou
mesmo quando estamos aprendendo sobre algo. Essa é a explicação neurobiológica para aquilo que a
Pedagogia e a Psicologia escolar já sabem há muito mais tempo: a motivação é um componente fundamental
para o aprendizado.
É curioso verificar que o funcionamento desse sistema sofre um embotamento durante a adolescência e essa
é a razão pela qual o adolescente geralmente diminui a vontade de aprender coisas novas. As aulas, por
exemplo, passam a ser entediantes. Até mesmo as brincadeiras que marcaram a infância, deixam de fazer
sentido. Biologicamente falando, pode-se dizer que o adolescente é menos capaz de sentir prazer com as
atividades cotidianas, em relação às crianças e adultos. 
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O problema está justamente quando o adolescente não enxerga propósito em nada, quase sempre
uma consequência da pouca estimulação social/familiar. Afinal, ao se ver perdido em um mundo que
parece mais cinzento, o adolescente pode se tornar mais vulnerável a usar drogas, até como uma
maneira de se “automedicar” contra os efeitos do embotamento da recompensa.
A droga, uma vez consumida, não terá muitos problemas em potencializar a atividade desse sistema e, em
pouco tempo, instalar um quadro de dependência química. Isso implica dizer que a vulnerabilidade dos
adolescentes às drogas se explica por uma combinação entre um sistema de recompensa hipoativo e uma
falta de perspectiva/propósito de vida. Podemos fazer pouco, ou nada, para resolver a primeira questão, pois
é um imperativo da nossa natureza. Porém, é possível reforçar a autoestima e o senso de propósito dos
adolescentes, para blindá-los contra o risco da dependência.
Da mesa de bar ao divã
Se você está tendo acesso a este material é porque já é maior de idade. Sendo, é provável que faça uso
recreativo de álcool, pois essa é uma prática bastante comum entre os adultos brasileiros. Mas, em algum
momento, você já se perguntou por que consome álcool?
Essa, obviamente, é uma pergunta complexa e que admite uma infinidade de respostas, a depender da
subjetividade de cada um. Porém, os estudos da área nos permitem identificar que existe uma espécie de
“fator nuclear” para o consumo recreativo de álcool. Ou seja, uma razão que permeia, em maior ou menor grau,
a todos que fazem uso da droga. Em níveis razoáveis, a bebida alcoólica funciona como uma espécie de
“lubrificante social”.
Isso significa que, após uma taça de vinho, copo de cerveja
ou dose de whisky, as relações sociais começam a ficar
mais interessantes e fluidas. Você conversa mais, ri mais,
aproxima-se mais do outro e até mesmo considera a si
mesmo e aos outros como sendo mais atraentes (fenômeno
que recebe o nome de “miopia alcoólica”).
Essas são as razões para o uso recreativo da droga.
Existem, contudo, aquelas que dizem respeito ao consumo
desproporcional, em que o indivíduo perde a capacidade de
limitar o uso e apresenta respostas emocionais intensas e
desconfortantes diante da privação da droga (abstinência).
A primeira coisa a se compreender aqui é que essa segunda etapa, patológica, sempre começa com a
primeira, normal. Isso vale para todas as drogas! A maioria das dependências químicas é um reflexo da longa
exposição à droga. No entanto, há uma regra que diz: a dependência química se instala por meio do reforço
positivo, mas se perpetua por meio do negativo.
Explicamos: o reforço positivo e o negativo visam, ambos, perpetuar a ocorrência de um determinado
comportamento. A diferença está no fato de que o reforço positivo faz isso por meio de estímulos que geram
prazer/satisfação ao indivíduo, como o caso da miopia alcoólica que discutimos há pouco. Já o reforço
negativo sustenta determinado comportamento não pela via do prazer, mas como uma tentativa de aliviar o
sofrimento, que pode ser o conjunto de reações desagradáveis que caracterizam síndrome de abstinência.
Diante de todo o desconforto da abstinência, o
indivíduo se vê praticamente forçado a utilizar a
droga, na tentativa de suavizar esses efeitos
negativos. Portanto,essa é a explicação para o
que se diz, que a dependência química começa
como reforço positivo e se mantém como
reforço negativo.
Agora, há alguns fatores que favorecem o uso
exagerado e o consequente risco de
desenvolver a dependência. Alguns desses
fatores dizem respeito às propriedades da
droga em si, porém, outros estão relacionados ao usuário. Em termos de drogas, algumas delas têm um
potencial muito superior para causar dependência, como é o caso da cocaína, do crack e do cigarro
convencional. Por outro lado, temos drogas que necessitam de um tempo maior de exposição para
desenvolver a dependência, como é o caso do álcool e da maconha (sim, existe dependência de maconha!).
Já em relação às diferenças individuais que tornam algumas pessoas mais propensas ao vício, é possível
identificar que alguns traços de personalidade (como a abertura à experiência), maiores níveis de
impulsividade, tendência a uma orientação para o presente (ou, “presentismo”) e comorbidades psiquiátricas
(como TDAH, fobia social, depressão e esquizofrenia, principalmente) elevam o risco de converter o uso
recreativo em vício.
Ao longo das últimas décadas, está ficando cada vez mais claro que o paciente com dependência química
apresenta alterações neurobiológicas importantes que favorecem o transtorno, ao mesmo tempo que o
transtorno em si acentua tais alterações.
Aliás, assim como no caso da esquizofrenia, pacientes com dependência química também são alvos de muito
estigma social. De forma geral, as pessoas tendem a nutrir a ideia de que esses pacientes são merecedores
da condição que têm, pelo fato de ela ser reflexo de um “caráter duvidoso”. Na verdade, não há qualquer
estudo sério que tenha demonstrado uma relação de causalidade entre características antissociais e
dependência química. Portanto, esses pacientes não apresentam um caráter melhor, tampouco pior que a
média da população geral (ainda que possa, sim, haver dependentes químicos antissociais).
Uma das estratégias eficientes adotadas para reduzir o
estigma social da dependência química é justamente o
esclarecimento de suas bases neurobiológicas. Esse nível
de explicação tira um pouco da responsabilidade que o
indivíduo acredita ter sobre a doença e ele passa a ser alvo
de mais compaixão, pela população em geral.
Portanto, vamos discutir um pouco sobre as alterações
neuroquímicas que podem fomentar o vício.
Existe uma série de consequências neurológicas do uso
contínuo das drogas, principalmente entre aqueles que
começaram o consumo na adolescência, que é a janela mais perigosa mesmo. Por exemplo, ocorre a redução
da mielinização, fazendo com que o processamento das informações pelos neurônios fique comprometido, o
que explica a lentidão de pensamento.
Ainda, compromete a adequada comunicação entre os circuitos frontais e os sistemas límbicos, de maneira
que a pessoa se torna menos capaz de impedir respostas emocionais mais impulsivas. Isso explica a
dificuldade que esses pacientes têm em inibir respostas comportamentais passionais, ou mesmo de controlar
a velocidade do carro, o que pode provocar acidentes graves.
Os mecanismos neurobiológicos da dependência química
Neste vídeo, o especialista reflete sobre os mecanismos neurobiológicos da dependência química.
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Bases biológicas da esquizofrenia
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O centro cerebral do hedonismo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Ao longo das últimas décadas, muitos estudos foram conduzidos no sentido de identificar as bases biológicas
da esquizofrenia. Algumas hipóteses neuroquímicas foram propostas. Uma delas, envolvendo a redução dos
níveis de adenosina. Com relação a isso, julgue as frases a seguir e assinale a alternativa correta.
 
I. Pacientes com esquizofrenia devem ser orientados a ingerir poucas doses de café.
 
Porque
 
II. A cafeína age no sistema nervoso central como uma antagonista da adenosina, dificultando sua ação e
precipitando os sintomas.
 
Qual a alternativa correta?
A
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
B
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
C
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E
As asserções I e II são proposições falsas.
A alternativa A está correta.
De fato, há a recomendação de que pacientes com esquizofrenias consumam menos café, pois essa
substância reduz ainda mais os níveis de adenosina e isso pode potencializar os sintomas psicóticos.
Questão 2
Ao longo da vida, há períodos de maior vulnerabilidade para determinados transtornos mentais. No caso da
dependência química, a adolescência é o período mais vulnerável. Sobre a relação entre a adolescência e a
dependência química, julgue as frases a seguir e depois assinale a alternativa correta sobre elas.
 
I. Adolescentes tendem a sentir menos prazer com a vida e isso os impulsiona a buscar nas drogas uma fonte
de prazer imediato.
 
Porque
 
II. Durante a adolescência ocorre o embotamento do sistema de recompensa.
 
Qual a alternativa correta?
A
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
B
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
C
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E
As asserções I e II são proposições falsas.
A alternativa A está correta.
O embotamento do sistema de recompensa durante a adolescência é uma verdade, ainda que tenha uma
função adaptativa. Porém, aqueles jovens que não conseguem descobrir algo que possam fazer na vida
para desencadear prazer, acabam se tornando mais vulneráveis a buscar na droga a satisfação para a
perda natural do prazer.
5. Conclusão
Considerações finais
Assim como falamos na introdução de todo esse conteúdo, muitas informações trabalhadas ao longo dele nos
permitem entender e prever comportamentos, alterações e transtornos. Mas existem vários pontos de
conexão entre as diversas temáticas abordadas. Assim, podemos destacar algumas conclusões importantes
do material revisado. Em primeiro lugar, na prática, observamos frequentemente casos de alterações do sono,
que nem sempre ocorrem no curso dos transtornos do sono em si. O sono é uma importante função que deve
ser adequadamente acompanhada caso exista a suspeita de alguma anomalia ou dificuldade.
Por outro lado, durante as alucinações na esquizofrenia, podemos observar alterações do estado de
consciência muito semelhantes ao sonho. De igual maneira, quando um paciente com dependência química
usa a droga, também tem uma experiência sensorial totalmente diferente do normal. Em quadros demenciais,
alterações no sono do paciente também são pautas frequentes dos familiares, que precisam ser ouvidas e
compreendidas.
Em suma, você entrou em contato com alguns dos elementos básicos, mas fundamentais, da natureza do
sono, tanto em seu estado puro, quanto aplicado a diferentes psicopatologias, assim como também foi
apresentado às bases biológicas de comportamentos ligados ao hedonismo e ao sistema de recompensa, aos
estados de vigília, e às vias responsáveis pela regulação de funções importantes, como o humor, a fome e o
prazer. A intenção foi criar uma base inicial que incentive e promova a sua curiosidade, de maneira que este
seja apenas o ponto de partida para um estudo frutífero e responsável sobre todos os pontos tratados.
Podcast
Discutir a relação entre a fisiologia do sono normal e suas alterações com a psicopatologia e os estados
alterados da consciência