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1 Lista de Abreviaturas. FN- Fixação do nitrogênio; FBN- Fixação Biológica do Nitrogênio; BMN - Balanço do Metabolismo do Nitrogênio; BOA- Bactérias Oxidadoras de Amônia; AOA- Arquéias Oxidadoras de Amônia. 2 Resumo. Embora a atmosfera seja rica em nitrogênio, as plantas não podem aproveitá-lo, excepto as que fazem associação simbiótica com microrganismos. A fixação simbiótica do nitrogênio ocorre nos nódulos formados nas raízes das plantas hospedeiras através da ação da dinitrogenase, presente nas bactérias fixadoras. A função da planta é fornecer moléculas de carboidratos produzidas na fotossíntese aos bacterióides para que esses viabilizem, através do seu próprio metabolismo, a conversão do nitrogênio em ião amônio. Esse ião é rapidamente incorporado em amidas (glutamina ou asparagina), que depois são exportadas pelas células e utilizadas nas reações de formação dos aminoácidos. As plantas que não se associam geralmente absorvem o nitrogênio do solo na forma de nitrato, que então é transformado em ião amônio e depois incorporado em moléculas orgânicas. Palavras-Chave: fixação, metabolismo. 3 ÍNDICE: Lista de Abreviaturas. .................................................................................................... 1 Resumo. ......................................................................................................................... 2 1.Introdução. .................................................................................................................. 4 2. Objectivo: ...................................................................................................................4 3. Metodologia. .............................................................................................................. 5 4. Balanço do Metabolismo do Nitrogenio. ...................................................................6 1. Fixação de Azoto .............................................................. Error! Bookmark not defined. a) Fixação do nitrogénio .......................................................Error! Bookmark not defined. b) Amonização ......................................................................Error! Bookmark not defined. c) Nitrificação .......................................................................Error! Bookmark not defined. 5. Nitrificação por microrganismos do Domínio Archae ..... Error! Bookmark not defined. 7.Oxidação anaeróbia da amônia (anammox) ...................... Error! Bookmark not defined. 8.Redução assimilatória do nitrato (Imobilização) ...................................................... 25 d) A desnitrificação ......................................................................................................25 10. Conclusão. ..............................................................................................................28 11. Referências bibliográficas. .....................................................................................29 4 1.Introdução. O nitrogênio é um dos macronutrientes requeridos em grandes quantidades pelas plantas para a produção de proteínas, ácidos nucléicos, hormônios, clorofila e de vários outros compostos importantes para o metabolismo celular. A atmosfera é rica (80%) em dinitrogênio (N2), o nitrogênio que está na forma molecular, mas as plantas não possuem enzimas capazes de converter esse nitrogênio em moléculas orgânicas. Apenas os procariotos são capazes de efetuar tal processo; as plantas podem se beneficiar desse processo apenas quando estão em associação simbiótica com tais organismos. As plantas que não fazem associações simbióticas para fixar o nitrogênio absorvem o nitrogênio do solo na forma de ião nitrato (NO3–) ou de ião amônio (NH4+). Mas o nitrato é facilmente lixiviado do solo pelas águas da chuva e assim o nitrogênio, na maioria dos casos, apresenta-se como fator limitante para o crescimento das plantas.(MARTINEZ-ROMERO, 2006). 2. Objectivo: 2.1. Objectivo geral. Caracterizar o análise do metabolismo do nitrogênio. 2.2. Objectivos específicos: Compreender o metabolismo do nitrogênio; Explicar as formas de fixação do nitrogênio; Interpretar esquemas sobre o metabolismo do nitrogênio; Fazer esquema sobre o ciclo de nitrogênio na natureza; Descrever o papel dos organismos que estão envolvidos no ciclo do nitrogênio. 5 3. Metodologia. A Pesquisa foi realizada a partir de uma perspetiva qualitativa em forma de revisão bibliográfica, buscando através de análise dos dados e de diversas informações coletadas em livros, artigos, sites e revistas a respeito das mais diversas metodologias de ensino utilizadas no ensino e tambem Para o desenvolvimento deste trabalho serão tidos em consideração algumas pesquisas objetivas e centralizadas de obras específicas, em torno dos temas em destaque, bem como pesquisas na internet viradas ao tema. Porem, serão recolhidos e analisadas algumas doutrinas e teses científicas de alguns intervenientes percursores da fisiologia vegetal. Finalmente será apresentada uma reflexão final para apresentar as considerações tidas como relevantes. 6 4.Balanço do Metabolismo do Nitrogênio. O nitrogênio foi descoberto em 1772 pelos ingleses Daniel Rutherford e Joseph Priestley. O químico francês Antoine Lavoisier (considerado o fundador da química moderna) verificou, em 1789, que os animais morriam quando se retirava do ar o gás que permitia a vida. Por isso, designou o “ar” que ficava sem o azoto por “a-zote”, palavra de origem grega que significa “sem vida”. O nitrogênio (N), cujo número atômico é sete (7) compõe aproximadamente 80% da atmosfera. Entretanto, os animais e as plantas não podem absorvê-lo diretamente do ar na forma do gás N2. Geralmente as formas disponíveis ou “combinadas” de nitrogênio para a nutrição dos seres vivos incluem as combinações amoniacais (NH4+), nítricas (NO3-) ou orgânicas (R-NH2) que são metabolizadas visando à construção de biomassa(MARTINEZ- ROMERO, 2006). 4.1. Origem do Nitrogenio. dinitrogênio presente na atmosfera pode ser incorporado ao solo na forma de amônia, através da fixação biológica, pela fixação industrial e pela fixação pela ação das descargas elétricas, na forma de nitrato. O nitrogênio do solo é absorvido pelos vegetais na forma de nitrato e incorporado em moléculas de aminoácidos e outras moléculas. Passa para os animais que se alimentam de plantas e retorna para o solo através da decomposição dos organismos ou dos dejetos. Durante o processo de decomposição da biomassa animal e vegetal por fungos e bactérias, ocorre o processo de amonificação (mineralização), sendo a amônia (NH3 ) dos compostos nitrogena dos liberada para o solo. A amônia através do processo de nitrificação, conduzido pelas bactérias nitrificantes, pode ser convertida em nitrito, pelas bactérias Nitrosomonas e Nitrococcus, e o nitrito pode ser convertido em nitrato, pela Nitrobacter. O nitrato, por sua vez, pode voltar à atmosfera através do processo de desnitrificação realizado por certas bactérias presentes no solo, que reduzem o nitrato a dinitrogênio, aproximadamente 93-190 milhões de toneladas por ano (MARTINEZ-ROMERO, 2006). 7 Fig. 1. Representação esquemática do ciclo do nitrogénio 4.2. Fixação de nitrogênio ou Azoto. Por fixação do nitrogênio entende-se o processo pelo qual este elemento passa da forma molecular como se encontra na atmosfera, para uma forma química, orgânica ou inorgânica, disponível para organismos. Assim, tanto o processo químico como os processos biológicos são classificados como formas de fixar o nitrogênio: 4.3. Fixação biológica do nitrogênio A fixação biológica do nitrogênio (FBN) é um processo enzimático em que o N2 é reduzido a NH3 pela ação de microrganismos de vida livre, associados às plantas ou simbiontes. Evolutivamente, acredita-se que a FBN tenha se desenvolvido quando as reservas geoquímicas de nitrogênio se tornaram escassas na biosfera. O esgotamento dosóxidos de nitrogênio (nitratos e nitritos) pelos organismos teria, provavelmente, limitado seus crescimentos e ocasionado uma pressão seletiva, que favoreceu o aparecimento da diazotrofia (LEMOS, 2011). Este termo refere-se a microrganismos diazotróficos, ou seja, organismos com capacidade de fixar o N2. Apesar de a atmosfera ser composta de 80% de gás dinitrogênio (N2) organismos eucariotos, como plantas e animais, não conseguem utilizar este elemento diretamente. O problema básico para a fixação do nitrogênio é a presença da ligação tripla (N≡N), que torna este gás extremamente estável à temperatura ambiente. O rompimento desta tripla ligação por microrganismos requer a enzima nitrogenase (LEMOS, 2011). Os genes que codificam para esta enzima são amplamente encontrados no Domínio Bacteria e mesmo no Domínio Archaea. São conhecidos três tipos de nitrogenase: 8 uma que possui molibdênio (Mo, nitrogenase-1) e ferro (Fe), outro em que o vanádio (V) substitui o Mo (nitrogenase-2), em condições onde a concentração desse elemento é baixa, e, uma terceira, que não parece conter nem molibdênio nem vanádio. A enzima nitrogenase é extremamente sensível ao oxigênio, uma vez que esta molécula pode reagir com o componente Fe das proteínas. As bactérias Azotobacter spp., um diazotrófico aeróbio do solo e Rhodopseudomonas palustris, uma bactéria fotossintetizante apresentam os três tipos de nitrogenase, o que é uma vantagem quando o Mo é limitante nos solos (BELLENGER et al., 2011).44 A proteção da nitrogenase da molécula de O2 não é um problema para as bactérias anaeróbias, mas poderia se tornar um grande obstáculo para espécies aeróbias, tais como cianobactérias, bactérias aeróbicas de vida livre (Azotobacter e Beijerinckia) e para as bactérias que fixam o N2 em simbiose com leguminosas. Entretanto, estes microrganismos possuem formas de evitar o contato do O2 com a enzima nitrogenase. Nas espécies de Azotobacter, o seu elevado metabolismo respiratório mantém baixos os níveis de O2 nas células (LEMOS, 2011). Outras bactérias são capazes de produzir polissacarídeos extracelulares, que limitam a difusão de O2 para o interior das células. Nas cianobactérias, a fixação do nitrogênio ocorre em células especiais denominadas heterocistos, que possuem somente o fotossistema I (usado para gerar ATP pelas reações mediadas pela luz) e não geram oxigênio. Na associação simbiótica com leguminosas, a fixação do N2 ocorre em estruturas denominadas nódulos (LEMOS, 2011). Após a formação destes, diversas proteínas são sintetizadas e uma delas, a leghemoglobina, controla o suprimento de oxigênio para os tecidos nodulares. Os microrganismos fixadores de N2 podem existir como organismos de vida livre e em associações com diferentes graus de complexidade com as plantas. Estes microrganismos podem ser divididos em: 1. Fixadores não-simbióticos ou de vida livre; 2. Fixadores associativos, que formam uma relação casual e pobremente estruturada com raízes ou porções aéreas das plantas; e 3. Fixadores simbióticos que fixam o N2 em associações organizadas com plantas superiores. 9 4.3.2. A fixação simbiótica do nitrogênio em leguminosas. A fixação biológica do N2 (FBN) em leguminosas é um processo chave para a sustentabilidade agrícola devido ao seu reduzido impacto no ambiente, em relação à utilização de fertilizantes nitrogenados. Estes fertilizantes são produzidos por meio da síntese química da amônia, que gera grandes quantidades de CO2, que é um gás de efeito estufa. A fixação biológica do nitrogênio em plantas da família Leguminosae ocorre pela associação simbiótica com bactérias coletivamente conhecidas como rizóbio, que interagem com as raízes para formar estruturas especializadas denominadas nódulos. Nos nódulos, o rizóbio na forma pleiomórfica (bacteroide) fixa o N2 atmosférico e o converte para uma forma combinada, a amônia, que pode ser utilizada pela planta hospedeira. Essa reação é endergônica e para que ela ocorra é necessário o fornecimento de energia armazenada na forma de ATP (HOFFMANN, 2007). A planta fornece aos rizóbios fontes de carbono e ambiente favorável à fixação do N2 . As taxas de fixação de N2 variam com o hospedeiro, com o microssimbionte e com as condições ambientais. Leguminosas de grãos fixam de 25 a 200 kg N ha-1 por ciclo de crescimento e suprem de 40 a 100 % das necessidades de N da planta. ou seja, os nódulos em leguminosas são formados da seguinte maneira: inicialmente as bactérias fixadoras percebem a liberação, pelas raízes das plantas, de substâncias, como a homoserina (raízes de ervilha) ou os flavonoides que exercem a função de atração das bactérias para próximo das raízes. Em seguida, as bactérias se ligam à epiderme da raiz, mais precisamente aos pelos radiculares. A membrana citoplasmática das células do pelo radicular sofre invaginação e origina o canal de infecção, através do qual as bactérias penetram e alcançam as células do córtex da raiz. Uma vez alojadas nas células do córtex, as bactérias induzem a produção de fito-hormônios pelas células da planta que induzem a proliferação celular e formação do nódulo. Uma vez dentro das células, as bactérias, que são flageladas, perdem os flagelos e se diferenciam em células especializadas na fixação de nitrogênio, funcionando como uma organela dentro da célula vegetal. Nesse estágio, são chamadas de bacterioides. 10 A diferenciação em bacterioide é marcada por certos eventos, como a síntese das enzimas e de outros fatores requeridos para a fixação do nitrogênio. À medida que o nódulo envelhece, são estabelecidas conexões vasculares com o sistema vascular da raiz para auxiliar na distribuição dos compostos nitrogenados resultantes da fixação simbiótica do nitrogênio. 4.3. Tipos de fixação do nitrogenio. a) Fixação Industrial: Através de processos industriais (nomeadamente o processo de Haber - Bosch) é possível produzir amoníaco (NH3) a partir de azoto (N2) e hidrogênio (H2). O amoníaco é produzido principalmente para uso como fertilizante cuja aplicação sustenta cerca de 40% da população mundial. b) Fixação Atmosférica: A fixação atmosférica ocorre através dos relâmpagos, cuja elevada energia separa as moléculas de nitrogênio e permite que os seus átomos se liguem com moléculas de oxigênio existentes no ar formando monóxido de nitrogênio (NO). Este é posteriormente dissolvido na água da chuva e depositado no solo. 5.Formas de fixação do nitrogênio. A transformação do gás nitrogénio (N2) em substancias – como a amónia e o nitrato, que depois podem ser incorporadas as substancias orgânicas pelos seres vivos, é chamada fixação do nitrogénio. A fixação é feito por algumas bactérias (inclusive cianoficeas = cianobacterias) que consegue utilizar o nitrogeio atmosférico, fazendo- o reagir com o hidrogénio e assim produzindo amónia. Esta é então usada na síntese de aminoácidos. Para isso, utilizam uma enzima especial: a nitrogenase. O processo pode ser resumido da seguinte maneira:2N2 + 6H2O → 4NH3 + 3O 2. A amónia pode então combinar-se com o gás carbónico para formar aminoácidos, como por exemplo a glicina: 2NH3+2H2O+ 4CO2 → 2CH2NH2COOH + 3O2 (glicina). O processo envolve, no entanto, um custo energético muito alto. Entre as cianobacterias fixadoras, temos a Nostoc e a Anabaena; entre outras bactérias, temos a Azotobacter e a Clostridium. Há também as bactérias de género Rhibzobium, que vivem nas raízes das plantas leguminosas (feijão, soja, ervilha, amendoim, alfafa etc.). 11 Examinando as raízes dessas plantas, encontramos pequenos nódulos contendo milhões de bactérias fixadoras. Uma parte do nitrogénio fixado é fornecida á leguminosa e o excesso é liberado no solo na forma de amónia. As bactérias do género Rhibzobium funcionam, portanto, como um adubo vivo, fornecendo nitrogénio para a planta. A planta por sua vez fornece alimentos para a bactéria. 5.1. Amonização. Vimos que uma parte da amónia do solo origina-se da fixaçãodo nitrogénio. Outra parte é formada a partir de decomposição das proteínas, dos ácidos nucléicos e dos resíduos nitrogenados presentes em cadáveres e excretas. Tal processo – realizado por bactérias, fungos e outros decompositores – é conhecido como amonificação. Essa decomposição nada mais é do que o processo pelo qual as bactérias e os fungos conseguem energia, ou seja, a decomposição é consequência da respiração celular desses organismos. Assim, a glicínia, por exemplo, ao ser usada como fonte de energia, libera seu nitrogénio na forma de amoníaco. 2CH2NH2COOH + 3O2 → 4CO2 + 2 H2O + 2NH3 (glicínia) 5.2. Nitrificação A nitrificação é um processo de oxidação do amônio (amônia, em termos de substrato) para nitrito e, subsequentemente, para nitrato (NO3- ) realizado por microrganismos quimioautotróficos, que obtêm o C do CO2 e a energia da oxidação química para a síntese de seus constituintes celulares (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006). O NH4+ é utilizado como doador de elétrons O2 e o como aceptor de elétrons. Por muitos anos as bactérias oxidadoras da amônia (BOA) foram consideradas osúnicos organismos capazes de conduzir o processo de nitrificação. Entretanto, a identificação do gene chave responsável pela oxidação da amônia (monoxigenase da amônia, amoA) em Crenarchaeota e o isolamento do Nitrosopumilus maritimus (KÖNNEKE et al., 2005). 12 Hoje colocada no filo Thaumarchaeota (BROCHIER-ARMANET et al., 2008), demonstraram que as arqueias também são capazes de conduzir o primeiro passo da nitrificação (AOA). O nitrato oriundo da nitrificação é, em geral, a forma predominante de N em solos cultivados, bem aerados, exceto por um curto período de tempo, após a adição de fertilizantes amoniacais. Apesar disso, o amônio, em adição ao glutamato e glutamina, que servem como doadores chaves de N para as reações biossintéticas em todas as células, são considerados como fontes preferenciais de N para muitos microrganismos (WONG et al, 2008). 5.2.1. Nitrificação por microrganismos do Domínio Bacteria. As bactérias que realizam a nitrificação são restritas às β e γ -Proteobacteria e dividem-se em dois grupos: bactérias oxidadoras da amônia (BOA) e bactérias oxidadoras do nitrito (BON). As Nitrosomonas (nitrificadores primários) convertem a amônia para nitrito (NO2- ) e as Nitrobacter (nitrificadores secundários) convertem o NO2 - para NO3- . A espécie Nitrosomonas europaea é a bactéria mais estudada em relação à oxidação da amônia. Entretanto, ela não é a bactéria nitrificadora primária mais comum nos solos. 5.2.2. As duas etapas da nitrificação são denominadas nitritação e nitratação: • Nitritação - é a oxidação da amônia para nitrito. • Nitratação - é a oxidação do nitrito para nitrato. A reação de conversão da amônia para NO2 - é descrita abaixo: NH3 + 1,5O2 → NO2- + H+ + H2O (amônia) (nitrito) Essa reação de oxidação envolve a transferência de 6e- (elétrons), rende 66 kcal mol-1 de NH3 e envolve dois passos. O primeiro passo é a conversão da NH3 para hidroxilamina (NH2 OH) pela enzima monooxigenase da amônia (MOA). Nessa reação, dois elétrons são necessários para a redução de um dos átomos de O2 para água. Essa reação de oxidação envolve a transferência de 6e- (elétrons), rende 66 kcal mol-1 de NH3 e envolve dois passos. O primeiro passo é a conversão da NH3 para hidroxilamina (NH2 OH) pela enzima monooxigenase da amônia (MOA). Nessa 13 reação, dois elétrons são necessários para a redução de um dos átomos de O2 para água. (MOA) NH3 + O2 + 2H+ + 2e- → NH2 OH + H2 O. A reação acima é endergônica e requer uma quantidade pequena de energia. Ela não está acoplada à síntese de ATP. A hidroxilamina é convertida, por meio de vários passos não definidos, para nitrito (NO2 - ) pela enzima oxidoredutase da hidroxilamina (ORH). Ao contrário da monooxigenase da amônia, que é uma proteína integral de membrana, a oxidoredutase da hidroxilamina é periplasmática. (ORH) NH2OH + H2O → O2 + 5H+ + 4e- (reaccao 6*). A energia produzida na reação 6 é utilizada para fixar o dióxido de carbono (CO2 ). Dois dos elétrons produzidos passam através da cadeia de transporte de elétrons para o oxigênio, enquanto os outros dois são usados na reação da monooxigenase da amônia. A equação geral pode ser assim descrita (Equação 7). NH3 + O2 + 2H+ NHOH+ H2 O ⇒ NO2- + 5H+ (Equação 7) Os estudos sobre a ecologia das comunidades de bactérias oxidadoras da amônia baseavam-se nas extrapolações de dados obtidos a partir de estudos feitos em meio de cultura com a bactéria Nitrosomonas europeae, cujo genoma foi inteiramente sequenciado. Os recentes avanços nas técnicas moleculares, para análise direta de toda a comunidade microbiana do solo, têm revelado que as bactérias do gênero que as Nitrosomonas spp., são as BOA dominantes na maioria dos solos. As Nitrosomonas spp. prevaleceriam, principalmente, em situações onde os solos tivessem recebido altas quantidades de N, ao contrário das Nitrosospira spp., que requerem baixas concentrações de NH4+ na solução do solo (TAYLOR; BOTTOMLEY, 2006). A estrutura da comunidade das BOA é, portanto, afetada pelas condições edáficas, que incluem, além do teor de nitrogênio, outros fatores que serão discutidos adiante. Após a oxidação da amônia, o nitrito formado na equação 7 é oxidado a nitrato. Nesta reação o oxigênio necessário à formação do nitrato é obtido da molécula de água e serve como aceptor de elétrons. NO2- + 1/2O2 → NO3- (Equação 8) 14 Esse processo de oxidação é conduzido pela oxidoredutase do nitrito, que é uma enzima ligada à membrana. Esta reação ocorre em um único passo e rende baixas quantidades de energia, ou seja, 18 kcal mol-1 de nitrito. Assim, aproximadamente 100 moles de nitrito são oxidados para fixar de 1 mol de CO2 , enquanto que, na primeira etapa da nitrificação, a oxidação de 35 moles de amônia alcançam o mesmo fim. Este baixo ganho energético da oxidação do nitrito para nitrato demonstra que as bactérias envolvidas no segundo passo da nitrificação necessitam processar quantidades maiores de substrato. Em consequência disso, a oxidação do NO2- ocorre com maior velocidade do que a oxidação do amônio, fazendo com que o nitrito raramente se acumule no solo. Tal fato é de extrema importância para as Nitrosomonas spp. cuja atividade é inibida pela acumulação daquele ânion. A condução do processo de nitrificação sempre foi considerada como a ação sequencial de grupos distintos de microrganismos. Entretanto, Costa et al.(2006) postularam a provável existência de bactéria que poderia oxidar amônia para nitrito e, posteriormente, para nitrato, sob determinadas condições. Passados nove anos, Kessel et al. (2015) e Daims et al. (2015) demonstraram que o gênero Nitrospira pode governar todo o processo de nitrificação. Kessel et al. (2015) relataram que os genomas de duas espécies deste gênero foram capazes de codificar todas as enzimas necessárias para a oxidação da amônia via nitrito para nitrato. A identificação e cultivo destes organismos por Daims et al. (2015) e Kessel et al. (2015) abre mais uma porta para a descoberta de novas vias do ciclo do nitrogênio. A condução dos dois passos seria altamente favorável para o microrganismo em termos energéticos. 5.3. Nitrificação por microrganismos do Domínio Archaea. Leininger et al. (2006) foram os primeiros pesquisadores a demonstrarem que, entre os procariotos oxidadadores do amônio, os microrganismos do Domínio Archaea poderiam predominar nos solos. O trabalho destes autores foi conduzido em 12 solos agrícolas oriundos de regiões climáticas diferentes. Cópias do gene amoA das arqueias foram 3.000 vezes mais abundantes nas áreas estudadas, do que cópias do mesmo gene em bactérias. Apesar disso, dúvidas em relação ao potencial de atividade das arqueias, no processo de nitrificação, ainda prevalescem, uma vez que a maior abundância do gene amoA não implica, necessariamente, na sua expressão. 15 5.4. Nitrificação heterotrófica. A nitrificaçãoconduzida por fungos, um microrganismo heterotrófico, foi primeiramente descrita no ano de 1894 e, desde então, muitos trabalhos demonstraram que a produção de NO3- é um fenômeno disseminado entre aqueles microrganismos. A nitrificação heterotrófica seria predominante em ambientes que não fornecem condições adequadas para as bactérias nitrificadoras autotróficas (ISLAM et al., 2007). Os fungos podem ser os principais responsáveis pela nitrificação em solos ácidos, em solos salinos e em solos com pH neutro (YOKOYAMA et al., 2012). Segundo Laughlin et al. (2008), a nitrificação heterotrófica é também um processo de grande importância em solos de pastagem. Na Europa ocidental foi observado que, além dos fungos, bactérias heterotróficas foram também capazes de conduzir o processo de nitrificação em solos ácidos de florestas de coníferas. Nestas condições, a bactéria Arthrobacter sp. pareceu ser a mais adaptada à condução daquele processo (BRIERLEY; WOOD, 2001). Segundo Wessén e Hallin (2011) as BOA têm maior diversidade ecofisiológica do que as AOA e, portanto, apresentam potencial para cobrir uma maior gama de habitats. Jia e Conrad (2009) verificaram maior atividade de oxidação da amônia pelas bactérias, embora as arqueias fossem mais abundantes no solo. Por outro lado, He et al. (2007) obtiveram correlações positivas e significativas entre as taxas potenciais de nitrificação e o tamanho das populações, tanto de arqueias, como de bactérias oxidadoras da amônia (BOA). Estudos de análises genômicas comparativas indicam que as BOA e as AOA podem diferir de forma marcante em relação às suas vias metabólicas e fisiológicas (WALKER et al., 2010). 5.5. A desnitrificação. No solo, além das bactérias de nitrificação, existem outros tipos de bactérias, como a Pseudomonas denitrificans. Na ausência de oxigénio atmosférico, essas bactérias usam o oxigénio contido no nitrato para oxidar compostos orgânicos e produzir energia. Através desse processo – chamado desnitrificaçao – uma parte dos nitratos do solo é transformada novamente em nitrogénio molecular e volta a atmosfera. O processo da desnitrificação pode ser resumido assim: 5C6H12O6 + 24(2NO3-) + 24H+ → 30CO2 + 42H2O + 12N2 + energia 16 A desnitrificação desenvolve para a atmosfera o nitrogénio que foi fixado, fechando o ciclo e estabilizando a taxa de nitrato do solo. Ou seja a desnitrificação é um processo classicamente definido como a redução microbiológica de nitrato para óxido nitroso (N2 O) ou N molecular (N2 ).(KRAFT et al., 2011). Atualmente, essa definição é considerada insatisfatória, uma vez que está bem estabelecido que os óxidos gasosos de N são também produzidos durante anitrificação e durante a redução microbiana do nitrato para amônio. Em decorrência disso, amaioria dos microbiologistas define a desnitrificação como uma redução respiratória do nitrato ou nitrito para as formas gasosas de NO, N2 O ou N2 , acoplada à fosforilação durante o transporte de elétrons.(KRAFT et al., 2011). Isto significa que na ausência de oxigênio para a respiração aeróbia normal, os microrganismos utilizam o nitrato como aceptor terminal de elétrons, o que é denominado de respiração anaeróbia e pode ser assim visualizada (Equação 14). C6H12O6 + 4NO3- CO2 + 6H2 O + 2N2 (Equação 14) Pela equação acima verifica-se que para conduzir o processo de desnitrificação, os microrganismos também necessitam de matéria orgânica oxidável, que atuará como fonte de C e de elétrons. (KRAFT et al., 2011). O primeiro passo da desnitrificação consiste na redução do nitrato para nitrito e é catalisado pela enzima redutase do nitrato, cuja síntese e atividade são inibidas pelo oxigênio. A redutase do nitrito catalisa a conversão de nitrito para óxido nítrico. Esta enzima é encontrada no periplasma e existe em duas formas, uma contendo Cu e outra na forma heme. A redutase do óxido nítrico, uma proteína ligada à membrana, catalisa a conversão do óxido nítrico (NO) para óxido nitroso (N2 O) e também tem a sua síntese inibida pelo oxigênio e induzida por várias formas de óxidos de nitrogênio. A redutase do óxido nitroso, uma proteína encontrada no periplasma, contêm Cu e converte óxido nitroso para N2 . A atividade desta enzima é inibida a baixo pH e é mais sensível ao oxigênio que as outras três enzimas. A desnitrificação é, portanto, um importante processo biológico pela qual o N reativo pode retornar à atmosfera na forma de N2 (KRAFT et al., 2011). 5.5.1. Desnitrificação por arqueia. 17 O papel das arqueias na condução do processo de desnitrificação ainda é pouco conhecido, embora já tenha sido constatado que estes microrganismos são capazes de reduzir nitrato via nitrito e N2 O, para N2 . Poucos genes e enzimas envolvidos na desnitrificação por estes microrganismos foram investigados (KRAFT et al., 2011). Entretanto, sabe-se que as arqueias diferem das bactérias na organização dos genes e na estrutura e regulação das enzimas responsáveis pela desnitrificação (PHILIPPOT, 2002). 5.5.2. Processo de desnitrificação por nitrificadores (DN) A produção de óxido nitroso no solo é resultante de transformações microbianas de compostos nitrogenados pelos processos de nitrificação e desnitrificação. No último processo, o óxido nitroso é produzido pelos desnitrificadores como um intermediário e, às vezes, produto final da redução do nitrato. Na nitrificação, o óxido nitroso é produzido como um subproduto da oxidação da amônia. Neste último processo, o intermediário instável (NOH) formado durante a oxidação do NH2 OH para NO2- é espontaneamente decomposto para óxido nitroso (N2 O). Na DN, o N2 O é um intermediário da redução do nitrito para N2 (Figura 14) (WRAGE et al., 2001). A DN é, portanto, uma via da nitrificação e deveria ser rotineiramente considerada, quando se avaliam as fontes de emissão de N2 O do solo (KOOL et al., 2011). 5.6. Codesnitrificação A codesnitrificação refere-se à produção de N2 O e N2 durante o processo convencional da desnitrificação, quando alguns compostos nitrogenados (p. ex. aminas, denominados de cosubstrato) são supridos, em adição ao NO3- , ao NO2 - e ao NO (SPOTT et al., 2011). A variedade de compostos que pode ser usada como cossubstrato é grande, mas ainda existem dúvidas sobre quais deles seriam realmente ativos neste processo. Vários microrganismos conduzem o processo da codesnitrificação e, entre eles, estão incluídas espécies pertencentes aos Domínios Bacteria, Archaea e Eucarya. Fungos como Fusarium solani e Cylindrocarpon tonkinense são capazes de emitir N2 como produto da codesnitrificação, quando há disponibilidade de aminoácidos (SHOUN et al., 1992). 18 Ainda não está claro se o produto final da codesnitrificação (N2 ou N2 O) depende das espécies de microrganismos, que catalizam o processo, ou do tipo de cossubstrato (SU et al., 2004). Embora a ocorrência da codesnitrificação já tenha sido demonstrada em solos sob pastagem, a sua importância em outros ecossistemas ainda não está clara (LAUGHLIN; STEVENS, 2002). Segundo Selbie et al. (2015), naqueles solos, a codesnitrificação é responsável por grandes perdas de N2 , em detrimento do N2 O. 5.7. Quimiodesnitrificação A quimiodesnitrificação é a decomposição química de intermediários da oxidação do NH4+ para NO2- , ou do próprio NO2- , por reações com compostos orgânicos ou inorgânicos (p. ex. Fe+2 ou Cu+2). É uma reação não enzimática que ocorre, geralmente, em condições de acidez. Sob tais condições, o principal produto é o NO, embora o N2 O também seja produzido (CHALK; SMITH, 1983). Embora exista um consenso da comunidade científica sobre a existêEmbora exista um consenso da comunidade científica sobre a existência da formação abiótica de gases traços de nitrogênio, pouco é conhecido sobre a magnitude deste processo no ciclo global de N do solo. Isso poderia levar a uma superestimação dos processos biológicos responsáveis pela emissão daqueles gases, quando quantificados sob diferentescondições climáticas e edáficas (HEIL et al., 2016). 6. Fatores que afetam o processo de nitrificação pelas bactérias e arqueias oxidadoras da amônia. a) Fertilizantes nitrogenados O efeito do uso de fertilizantes nitrogenados na abundância ou atividade de arqueias oxidadoras da amônia e de BOA ainda é contraditório. Existem relatos que a população de BOA aumentou de 4 x 106 células g-1 de solo para 35 e 66 x 106 células g-1 de solo, em decorrência da aplicação de 1,5 ou 7,5 mM de sulfato de amônio, respectivamente (OKANO et al., 2004). Ao contrário desses resultados, 19 outros autores não observaram diferenças significativas no tamanho da comunidade de BOA, em solos fertilizados ou não, com nitrogênio (HALLIN et al., 2009). Akiyama et al. (2013) demonstraram que, embora as arqueias contribuam para a oxidação da amônia, a resposta das bactérias é maior após a aplicação de fertilizantes nitrogenados. Entretanto, segundo Gannes et al. (2014), dados de campo que estabeleçam correlações entre os níveis naturais de amônio ou outra forma de N no solo, com as AOA, ainda são escassos. b) pH Do mesmo modo, ainda não existe um consenso quanto ao efeito do pH na atividade das bactérias e das arqueias na oxidação da amônia. Alguns autores demonstraram maior atividade das arquéias em solos ácidos e das BOA em solos calcáreos (HUANG et al., 2012), mas respostas contrárias a estas também têm sido obtidas (YING et al., 2010). c) Umidade do solo O teor de umidade dos solos é outro fator a ser considerado em relação à abundância dos microrganismos envolvidos na nitrificação. As arqueias parecem ser mais tolerantes ao estresse de água que as bactérias (GLEESON et al., 2010) e isso pode estar relacionado à disponibilidade de O2 . A enzima MOA das arqueias tem maior afinidade pelo oxigênio do que as bactérias, indicando uma melhor adaptação destes microrganismos em ambientes com baixa disponibilidade de oxigênio (MARTENS- HABBENA; STAHL, 2011). b) Metais pesados A nitrificação é um dos processos do ciclo do N mais sensível aos metais pesados. Estes elementos afetam de forma diferenciada as BOA e as AOA. Mertens et al. (2009) relataram que as BOA podem se adaptar melhor em área contaminada com Zn, do que as AOA. Por outro lado, segundo Li et al. (2009) as AOA são mais tolerantes ao Cu do que as BOA. 7.Oxidação anaeróbia da amônia (anammox) 20 A anammox é um processo de oxidação da amônia sob condições anaeróbias. Desde a identificação deste processo por Strous et al. (1997), várias bactérias capazes de utilizar esta via já foram caracterizadas. A anammox envolve a oxidação do amônio, utilizando o nitrito como aceptor de elétrons, para produzir nitrogênio gasoso conforme a equação 9:28 NH4+ + NO2 - N2 + 2H2 O (Equação 9). Esse processo pode dominar a produção de N2 em ambientes aquáticos (STEVENS; ULLOA, 2008), sedimentos marinhos (RICH et al., 2008) e mares congelados (RYSGAARD et al., 2008). Neste processo, não ocorre a produção do óxido nitroso (N2 O) devido à combinação do amônio com o nitrito. Os organismos que realizam a anammox apresentam em suas células um ompartimento denominado anamoxossoma, que é o local onde a oxidação da amônia ocorre. Juntas a desnitrificação e a anammox são responsáveis pelo retorno do N2 para a atmosfera. Do mesmo modo que as bactérias nitrificadoras clássicas, as bactérias que realizam a oxidação anóxica da amônia também são organismos autotróficos. Portanto, eles são capazes de crescer tendo o CO2 como única fonte de carbono para a produção de seus compostos celulares (Equação 10). CO2 + 2NO2- + H2 O → CH2O + 2NO3- (Equação 10) Embora a atividade da anammox em ambientes terrestres fosse até recentemente pouco conhecida, o trabalho conduzido por Shen et al. (2013a) revelou a presença de bactérias responsáveis por este processo em 32 solos coletados em diferentes localizações na China. Quatro gêneros de bactérias capazes de realizar este processo foram identificados por meio da análise filogenética dos genes 16S rRNA, sendo a Candidatus Brocadia a mais dominante. Em outro estudo foi demonstrado que, além do Candidatus Brocardia, a Candidatus Kuenenia também predomina em determinados tipos de solo (BAI et al., 2015). 8. Redução de Nitratos. O nitrogênio é um elemento indispensável para os seres vivos, fazendo parte das moléculas de aminoácidos, proteínas, ácidos nucléicos. Acontece que embora esteja presente em grande quantidade no ar, constituindo o gás nitrogênio (N2), poucos seres vivos o assimilam nessa forma. Apenas algumas bactérias, principalmente as cianobactérias, conseguem captar o N2, utilizando na síntese de moléculas orgânicas nitrogenadas. Essas bactérias são chamadas fixadoras de nitrogênio. Os 21 microrganismos fixadores de nitrogênio, quando morrem, libertam no solo nitrogênio sob a forma de amônia (NH3). As bactérias do gênero Nitrosomonas transformam essa substância em nitritos (HNO2), obtendo energia no processo. O nitrito (tóxico para as plantas) é transformado pelas bactérias do gênero Nitrobacter em nitratos (HNO3). O nitrato é a fonte de nitrogênio mais aproveitada. Na fixação, entram as bactérias fixadoras de nitrogênio, entre elas às do gênero Rhizobium, que vivem em nódulos de raízes de leguminosas, que inclui o feijão, a soja, etc. Essas bactérias fixam o nitrogênio do ar e fornecem parte dele à planta hospedeira. Esta oferece abrigo e substâncias que as bactérias necessitam. É um exemplo de mutualismo. A devolução do nitrogênio à atmosfera é feita pela acção das bactérias desnitrificantes. Elas transformam os nitratos do solo em gás nitrogênio, que volta à atmosfera, fechando o ciclo (MARTINEZ-ROMERO, 2006). 9. Organismos Fixadores do Nitrogênio. Na natureza existe um número ainda não determinado de microrganismos capazes de fixar o nitrogênio. Ano após ano descobrem-se novos microrganismos, em sua maioria oriunda do solo, que realizam o processo e incorporam o nutriente ao solo. A grande maioria dos estudos sobre fixação é sobre bactérias, mas existem outros organismos fixadores, como algas (Exemplo: Azola) (MARTINEZ-ROMERO, 2006). Os procariotos (bactérias e cianobactérias) são os únicos organismos que contêm a enzima chamada dinitrogenase, capaz de quebrar a ligação tripla do dinitrogênio que está na atmosfera e catalisar a reação de redução do dinitrogênio para amônia. Os procariotos fixadores de nitrogênio podem ser de vida livre ou podem fazer associações simbióticas. Exemplos de procariotos de vida livre são as bactérias fotossintetizantes e não fotossintetizantes. As cianobactérias Anabaena e Nostoc são exemplos de bactérias com vida livre que podem fixar o dinitrogênio (MARTINEZ- ROMERO, 2006). Os procariotos que se associam com plantas podem pertencer a diferentes gêneros. Aqueles que se associam com diferentes tipos de leguminosas são do gênero Rhizobium, Bradyrhizobium ou Azorhizobium. Bactérias não filamentosas do gênero Frankia podem se associar com plantas que não são leguminosas dos gêneros Casuarina, Alnus e Myrica e com membros da família Rosaceae e certas gramíneas tropicais. Os procariotos que se associam com plantas podem formar nódulos nas 22 raízes, onde se dá a fixação do nitrogênio, ou podem permanecer nas células da planta sem que os nódulos sejam formados (MARTINEZ-ROMERO, 2006). 10. Bioquímica da fixação do nitrogênio. A fixação do nitrogênio é catalisada pela enzima dinitrogenase. Essa enzima é formada por duas subunidades: uma ferroproteína e uma molibdênio-ferroproteína. A reação consiste na transformação do N2 (dinitrogênio) em amônia (NH3). Para tal, é necessário que a ligação tripla do dinitrogênio seja quebrada e prótons hidrogênio e elétrons sejam inseridos nos dois átomos de nitrogênio resultantes, para formar as duas moléculas de amônia. Haverá, portanto, a necessidade de um doador de prótons hidrogênio e de elétrons para o processo. A reação para a redução do dinitrogênio ocorre segundo a equaçãoa seguir. São necessários oito prótons, oito elétrons e dezesseis ATPs para formar duas moléculas de amônia, hidrogênio, dezesseis ADPs e dezesseis fosfatos inorgânicos, provenientes da quebra dos ATPs. 8H+ + 8e– + N2 + 16ATP → 2NH3 + H2 + 16ADP + 16Pi Os doadores de prótons hidrogênio e elétrons são as moléculas de NADH produzidas pelo Ciclo de Krebs do bacterioide, e a ferredoxina faz essa transferência para a dinitrogenase. O átomo de ferro oxidado da ferroproteína recebe os prótons e elétrons e se reduz, em seguida transfere os prótons e elétrons para os átomos de ferromolibdênio oxidados, os quais se reduzem, transferindo, na sequência, os prótons e elétrons para o dinitrogênio e produzindo as moléculas de amônia e hidrogênio. A redução biológica do nitrogênio depende de pelos menos 16 moléculas de ATP para cada molécula de dinitrogênio reduzida (ver fórmula anterior). Todos esses ATPs são produzidos a partir de moléculas de carboidratos produzidas pela fotossíntese das plantas, que entram no bacterioide e são processadas através da glicólise e do Ciclo de Krebs, gerando NADH, que será o doador de prótons hidrogênio para a cadeia respiratória do bacterioide, geradora de ATP (LEMOS, 2011). 11. Destino da amônia formada a partir da fixação do nitrogênio. Como o pH fisiológico é ligeiramente ácido, existem prótons hidrogênio livres dentro do citoplasma da célula vegetal que se ligam à molécula de amônia formando o íon amônio (NH4+). Esse íon é extremamente tóxico para as plantas e precisa logo ser incorporado em uma molécula orgânica. Ocorre então a assimilação do nitrogênio. 23 Existem duas enzimas que são produzidas no citoplasma das células infectadas das plantas que participam desse processo: a glutamina sintetase (GS) e a glutamato sintase (GOGAT). A enzima glutamina sintetase (GS) catalisa a reação do glutamato com o íon amônio formando a molécula de glutamina, utilizando para isso uma molécula de ATP. Em seguida, entra em ação a glutamato sintase, que regenera o glutamato a partir de outras moléculas de glutamina formadas na primeira reação. Das moléculas de glutamina que sobram − são formadas várias moléculas de glutamina − parte delas pode ser exportada pelas células e vão ser doadoras de nitrogênio para formar os aminoácidos e as proteínas das plantas. A regeneração das moléculas de glutamato que vão servir para receber novos íons amônio necessita da glutamato sintase. Como citado acima, essa enzima catalisa a reação da glutamina com o alfa-cetoglutarato, originando duas moléculas de glutamato; essa reação requer NADH. As moléculas de alfa-cetoglutarato e NADH são geradas no Ciclo de Krebs das plantas e só podem ser produzidas se a planta estiver produzindo carboidratos pela fotossíntese. Dessa forma, apenas haverá esqueletos de carbono, em quantidade suficiente para montar as moléculas receptoras do íon amônio (glutamato), se a planta estiver fazendo fotossíntese (LEMOS, 2011). 12. Nitrogênio fixado nos nódulos. A glutamina é a principal molécula orgânica exportada, mas em leguminosas de regiões temperadas, como a ervilha, o aminoácido asparagina predomina. Já nas leguminosas de regiões tropicais, como a soja, são exportados predominantemente derivados da ureia, denominados de ureídeos. A diferença entre essas moléculas está no número de carbonos necessários para carregar os nitrogênios: a molécula de glutamina tem 5 carbonos para carregar 2 nitrogênios; a asparagina tem 4 carbonos para carregar 2 nitrogênios; os ureídeos (alantoína e ácido alantoico) têm 4 carbonos que carregam 4 nitrogênios, sendo carregadores mais eficientes. A asparagina é sintetizada através de duas etapas: na primeira, a enzima aspartato aminotransferase catalisa a reação do glutamato com o oxaloacetato, produzindo o alfa-cetoglutarato e aspartato. Na segunda etapa, a enzima asparagina sintetase catalisa a reação da glutamina com o aspartato, produzindo asparagina e glutamato; nessa reação é usada uma molécula de ATP. 24 A fixação do nitrogênio em plantas noduladas corresponde a 50% do nitrogênio necessário a essas plantas. O restante do nitrogênio necessário é absorvido na forma de nitrato, e o nitrogênio é assimilado nas folhas exatamente da mesma forma que em plantas não noduladas, processo explicado no item a seguir. 13. Assimilação do nitrogênio em plantas que não fazem associação simbótica. Nesse caso, as células das raízes das plantas absorvem o nitrato (NO3–) do solo, mas esse ânion não pode ser assimilado em molécula orgânica diretamente, sendo necessário ser transformado em nitrito (NO2– ) através da enzima nitrato redutase, presente no citoplasma das células. Em seguida, o nitrito penetra nos plastídeos das raízes ou nos cloroplastos das folhas, onde deve ser rapidamente transformado em íon amônio (NH4+), pois o nitrito é tóxico, através da enzima nitrito redutase. As duas reações requerem doadores de prótons e elétrons para se juntar com os átomos de oxigênio presentes nos cátions nitrato e nitrito e removê-los das ligações com o átomo de nitrogênio. As ligações são então liberadas para inserir os prótons hidrogênio e elétrons para formar o íon amônio. Os principais doadores de prótons e elétrons são o NADH e o NADPH. Quando existe pouco nitrato no solo, a raiz dispõe de NADH e NADPH suficientes para fazer a assimilação do nitrato em aminoácidos ou amidas, mas quando a quantidade de nitrato no solo é muito alta, o NADH e o NADPH da raiz passam a ser limitantes. Nesse caso, o nitrato é translocado até o citoplasma das folhas, e o nitrito, uma vez formado, penetra nos cloroplastos, onde se dará a transformação em íon amônio. Essa reação é acoplada com o transporte de elétrons e prótons da fase clara da fotossíntese, tendo como principal doador a água, presente dentro do canal do tilacoide. A ferredoxina, nesse caso, é a molécula presente nos cloroplastos que faz essa transferência de prótons e elétrons para transformar o nitrito em íon amônio (LEMOS, 2011). Em seguida, ocorre um processo semelhante ao que acontece nos nódulos de plantas noduladas: o íon amônio (NH4+ ) é assimilado ao glutamato, formando glutamina através da atuação das enzimas GS e GOGAT. Em plantas que não fazem associação simbiótica, a GS é encontrada no citoplasma das células das raízes e no citoplasma e nos cloroplastos das células das folhas. A GOGAT é uma enzima presente nos plastídeos das células das raízes e nos cloroplastos das células das folhas. Ela utiliza 25 como doadores de prótons e elétrons para formar o glutamato, o NADH, quando presente nos plastídeos das raízes, e a ferredoxina, quando localizada nos cloroplastos. 14.Redução assimilatória do nitrato (Imobilização) A imobilização do nitrogênio é definida como a transformação do N inorgânico (NH3 , NH4+, NO3- , NO2- ) em N orgânico (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006). O N é absorvido pelas plantas e microrganismos tanto na forma reduzida (NH4+) como na forma oxidada (NO3- ). Neste último caso, o nitrato tem que ser, primeiramente, reduzido dentro da célula para se ligar aos esqueletos de carbono, que serão posteriormente polimerizados para formarem moléculas complexas. Esta redução é um processo que requer energia, o que faz com que o NH4+ seja preferencialmente absorvido pelos microrganismos. Os microrganismos assimilam o amônio (amônia como substrato) por duas vias: desidrogenase do glutamato (GDH) e sintetase da glutamina-sintase do glutamato (GS/GOGAT) (Equações 11, 12 e 13). A primeira via torna-se ativa quando o NH4+ está presente em concentrações relativamente altas (> 0,5 mg NH4+ kg-1 de solo). Neste caso a desidrogenase do glutamato, na presença de equivalentes redutores, incorpora aquele íon ao α-cetoglutarato para formar glutamato. Porém, na maioria dos solos o amônio está presente em baixas concentrações, resultando em decréscimo da sua concentração intracelular. Neste caso, os microrganismos utilizam a segunda via, onde o amônio, primeiramente, se juntaao glutamato para formar glutamina. Posteriormente, o NH4+ é transferido da glutamina para o α-cetoglutarato, que resulta na formação de duas moléculas de glutamato. Uma vez incorporado ao glutamato, o amônio pode ser transferido para outras moléculas para formar aminoácidos adicionais. Alguns compostos contêm grandes quantidades de C e de N em formas que se degradam lentamente (mesmo com razões C/N menores de 20) e, neste caso, o N orgânico não pode servir como fonte prontamente disponível daquele elemento. 26 15. Redução dissimilatória de nitrato para amônio A redução dissimilatória de nitrato para amônio (RDNA), ou amonificação do nitrato, é uma das vias menos conhecidas do ciclo do N e, frequentemente, ignorada nos balanços desse elemento no solo (RÜTTING et al., 2011). Neste processo, o nitrato é utilizado pelos microrganismos como receptor de elétrons quando a disponibilidade de O2 é baixa e fontes de C são utilizadas como doadoras de elétrons. Na primeira etapa da RDNA o nitrato é reduzido para nitrito e, em sequência, para NH4+. Com a formação desse cátion, por meio daquele processo, pode-se incrementar a retenção de N no solo, com reflexos na eficiência de uso do N pelas plantas (TEMPLER et al., 2008). Existem relatos de que a RDNA produz N2 O, como subproduto, com o aumento do pH, possivelmente como um mecanismo para reduzir o NO2-, que é prejudicial a muitos microrganismos e que tende a acumular em condições mais básicas. A desnitrificação e a RDNA são os únicos processos microbiológicos do solo capazes de remover NO3 - e produzir N2 O. Entretanto, as condições que favorecem um ou outro processo ainda têm que ser determinadas (KRAFT et al., 2014). A RDNA é conduzida por várias bactérias do solo como anaeróbios obrigatórios (Clostridium), anaeróbios facultativos (Enterobacter, Klebsiella, Citrobacter, Erwinia, Bacillus) e aeróbios (Pseudomonas, Arthrobacter), incluindo várias espécies de rizóbio (POLCYN, PODESZWA, 2009). Estirpes do gênero Arthrobacter, que são abundantes no solo e consideradas bactérias aeróbias obrigatórias, são capazes de realizar a RDNA, quando incubadas anaerobicamente (ESCHBACH et al., 2003). Segundo Mohan e Cole (2007) não existem bactérias capazes de realizar tanto a desnitrificação como a RDNA. Entretanto, Behrendt et al. (2010) demonstraram que espécies de Paenibacillus, além de conduzir o processo da RDNA, também conduzem os processos de nitrificação heterotrófica e de desnitrificação. A RDNA é também conduzida por fungos (ZHOU et al., 2001). Alguns destes microrganismos realizam um processo denominado ´fermentação do amônio` (ZHOU et al., 2001). O processo consiste na redução do nitrato para amônio, acoplado à oxidação catabólica de doadores de elétrons (etanol) para acetato, gerando ATP. A energia produzida é utilizada para manter o crescimento 27 dos microrganismos sob condições anaeróbias. Nesta reação, o nitrato atuará como aceptor terminal de elétrons para a fermentação, mas não para a respiração anaeróbia. A presença de plantas diferentes altera a atividade e a abundância de microrganismos redutores dissimilatórios do nitrato, em consequência da disponibilidade diferenciada de exsudatos de raízes e de oxigênio (PHILIPPOT et al., 2009). A decomposição destes compostos por microrganismos heterotróficos estimula a redução do NO3- , uma vez que induzem condições de anaerobiose. Porém, poucos estudos têm investigado o efeito daqueles compostos sobre a RDNA. Algumas informações são disponíveis para plantas de zonas úmidas, mas os resultados não são conclusivos (MATHESON et al., 2002). Existe também evidências de ocorrência significativa da RDNA em solos de floresta (RÜTTING et al., 2008) e em arrozais (YIN et al., 2002), após a adição da glicose (WAN et al., 2009). Em solos agrícolas, Inselsbacher et al. (2010) não encontraram forte contribuição daquele processo, sob as condições estudadas. Essa descoberta demonstra a necessidade de reavaliação das condições sob as quais a RDNA ocorre. 28 16.Conclusão. O nitrogênio é um elemento indispensável para os seres vivos, fazendo parte das moléculas de aminoácidos, proteínas, ácidos nucléicos. Acontece que embora esteja presente em grande quantidade no ar, constituindo o gás nitrogênio (N2), poucos seres vivos o assimilam nessa forma. Apenas algumas bactérias, principalmente as cianobactérias, conseguem captar o N2, utilizandoo na síntese de moléculas orgânicas nitrogenadas. Essas bactérias são chamadas fixadoras de nitrogênio. Os microrganismos fixadores de nitrogênio, quando morrem, libertam no solo nitrogênio sob a forma de amônia (NH3). As bactérias do gênero Nitrosomonas transformam essa substância em nitritos (HNO2), obtendo energia no processo. Na fixação, entram as bactérias fixadoras de nitrogênio, entre elas às do gênero Rhizobium, que vivem em nódulos de raízes de leguminosas, que inclui o feijão, a soja, etc. Essas bactérias fixam o nitrogênio do ar e fornecem parte dele à planta hospedeira. Assim, tanto o processo químico como os processos biológicos são classificados como formas de fixar o nitrogênio: fixação industrial, atmosférica e industrial. Na fixação do azoto ocorre a: amonização, nitrificação, nitrosação, nitratação e desnitrificação. 29 17. Referências bibliogaráficas. HOPKINS, W. J. Introduction to plant physiology. 2. ed. New York: John Wiley & Sons, 1999. TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. 820 p. AARNINK, A. J. A.; VERSTEGEN, M. W. A. Nutrition, key factor to reduce environmental load from pig production. Livestock Science, v. 109, n. 1-3, p. 194-203, 2007. AGUILERA, E.; LASSALETTA, L.; SANZ-COBENA, A.; GARNIER, J.; VALLEJO, A. 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A Pesquisa foi realizada a partir de uma perspetiv 4.Balanço do Metabolismo do Nitrogênio. 4.2. Fixação de nitrogênio ou Azoto. 5.1. Amonização. Vimos que uma parte da amónia do solo origina-se d 2CH2NH2COOH + 3O2 → 4CO2 + 2 H2O + 2NH3 (glicín 5.2.1. Nitrificação por microrganismos do Domínio As bactérias que realizam a nitrificação são restr 5.2.2. As duas etapas da nitrificação são denomina 5.5. A desnitrificação.