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Texto sobre A República, de Platão: diálogo socrático que discute justiça, regimes e a cidade ideal Kallipólis governada por filósofos; usa a analogia cidade‑alma e o método dialético e trata de política, educação e imortalidade da alma, com personagens como Sócrates, Glauco e Trasímaco.

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A República
A República (em grego: Πολιτεία, transl. Politeía) é um diálogo socrático escrito por Platão e narrado em primeira pessoa por, personagem principal e responsável pelo desenvolvimento das ideias. Platão expõe sobre características dos diferentes regimes políticos e a proposta do próprio Platão de uma cidade ideal, designada como "Kallipólis", que significa "cidade bela". Nela, deveria ser adotado um novo tipo de aristocracia. Diferente da aristocracia tradicional, baseada em bens e na tradição, a proposta do filósofo é que esta possua como critério o conhecimento. 
Nesta obra de Platão, para avaliar os regimes, desenvolve um análogo entre o ser humano e a cidade, apresentando como um prolóquio a busca pela definição do que entende-se por justiça, o filósofo discute o que seria um estado ideal, expõe suas principais ideias, onde estão presentes os principais fundamentos de sua filosofia, composto por dez partes (dez livros) e aborda diversos temas como: política, educação, imortalidade da alma, entre outros. Todavia, o tema principal e que conduz o diálogo é a justiça e se inicia com a ideia da superioridade da vida do homem justo sobre o injusto.
O diálogo ocupa-se de assuntos relacionados à organização da sociedade e à natureza da política. Na República ideal concebida por Platão, o governo deve estar nas mãos dos filósofos, que são aqueles mais próximos da verdade, da ideia do bem e da justiça. A investigação platônica emprega o método dialético. 
O local do diálogo é a casa de Polemarco, irmão de Lísias e Eutidemos, filho de Céfalo. Os principais personagens do diálogo são Sócrates, o mestre de Platão; os dois irmãos de Platão, Glauco e Adimanto; Nicerato, Polemarco, Lísias, Céfalo e Trasímaco. O encontro de Sócrates com os outros personagens é tido no Pireu, onde ele havia se dirigido com a finalidade de orar e testificar as festividades em honra à deusa Bêndis (Diana ou Ártemis). 
Mediante os discursos de Sócrates, descreve-se na República as demasiadas concepções políticas então conhecidas, contrapondo-as com a ideia de um Estado perfeito. 
A justiça, além de constituir um bem alheio, constitui-se, igualmente, como um bem para o indivíduo que a pratica. Para que tal concepção fosse sustentável, Platão desenvolve o que denominamos uma tese interna lista, isto é, a justiça passa a ser considerada a partir do funcionamento interno da cidade ou da alma de um indivíduo a justiça é um bem alheio e um bem para si próprio. 
Isto é exequível, uma vez que se considera as divisões de funções adequadas da tarefa na cidade. Na medida em que cada cidadão exerce sua função, este contribui para o bem comum da cidade; do mesmo modo que, se a analogia entre alma e cidade for adequada, se terá a organização pertinente das virtudes, na alma, propiciaria, igualmente, o bem a esta alma.
Constitui uma exortação à prática do Bem, ou seja, da justiça e das demais virtudes. De modo que não deva deixar-se arrebatar por honrarias, riquezas, nem poder algum, nem mesmo pela poesia, negligenciando a justiça e as demais virtudes.
Em conformidade com Platão, a ponderação se constitui em uma ciência, o que indica que ela deve ser realizada por alguma classe de indivíduos. Platão acredita que a justiça é a maior de todas as virtudes e compreende que, para que se possa praticá-la, é necessário defini-la, esta se define no momento em que cada um faz o que lhe compete fazer, os cidadãos e as classes de cidadãos na Cidade e as partes da alma na alma. A Justiça só existe exteriormente, nas suas manifestações, quando existir interiormente, na alma do homem, na Cidade, a justiça deve garantir o equilíbrio entre as classes sociais.
 A argumentação da ordem justa surge a propósito da questão sobre se a justiça é melhor que a injustiça ou se o homem injusto terá uma vida mais copiosa que a do justo. A formação humana está vinculada à noção de Justiça, após a questão e o debate prolongado sobre a ordem justa, ser justo consiste em seguir a ordem natural, injusto é agir contra a natureza, se conclui que a justiça é preferível à corrupção.
Ademais, consistindo a democracia, o regime do poder das massas e do igualitarismo anômico, se instauraria um período de insolência e busca irracional e excessiva pelo prazer, o que não era possível para o povo nos outros regimes. Platão compara a democracia com uma imagem de um barco ou um navio cujos marinheiros resolvem alijar o capitão de seu posto e decidem pilotar a nau sem qualquer experiência, perícia ou conhecimento da arte de navegar. 
Na cidade justa o governante terá como norte a racionalidade e são eleitos os Filósofos como únicos capacitados para governarem a pólis, sendo assim a Kallipólis, aos olhos de Platão, é a verdadeira Aristocracia, também chamada Sofocracia (do grego σοφοκρατία: sophokratía, de Σοφία (sophía) "sabedoria" e κράτος (kratos) "poder". O governante não pode ser apenas um detentor do saber, deve ser um homem de bom caráter para a comunidade, não apenas para si. O importante não é a felicidade do governante, mas a da pólis ou Estado.
 Na cidade os petizes seriam criadas pela comunidade e seriam retiradas de seus pais logo nos primeiros meses de vida e o Estado ficaria responsável por sua educação, inserindo-as de volta à sociedade. Platão assevera que a educação é demasiadamente importante para deixar a criança sob a responsabilidade da família e o estado teria a incumbência de satisfazer as necessidades básicas de seus habitantes, como também o direito a uma educação igualitária, sem distinção por gênero. 
Perdura, somente uma forma virtuosa (a da natureza), evidenciada apenas através de uma educação cuidadosa e sistemática, capaz de revelar a justiça como harmonia e equilíbrio, no qual o Estado tem o dever de ser facilitador na formação do homem sábio e a educação teria substancial relevância, pois é a partir dela que os indivíduos serão dispostos dentre a estrita ordem social, essa delimitação por classes possibilita ao cidadão exercer as suas aptidões naturais, ou seja, o guerreiro só poderia realizar a si mesmo como guerreiro, porquanto está é a natureza da sua alma. 
Em tese, está a busca de um preceito que garanta uma harmoniosa administração à uma cidade, mantendo-a livre da anarquia, dos interesses e disputas particulares e da balbúrdia completa. O primeiro princípio da justiça seria a solidariedade social, meio este, pelo qual o indivíduo coopera para o bem estar coletivo. O segundo é o desprendimento, dever consciente de pessoas realmente dispostas a prover o bem comum. 
Sócrates estabelece a origem da Polis a partir do fato de cada um de nós não ser autossuficiente, mas sim carecido, ou seja, no Estado que o homem poderá desenvolver-se plenamente, pois, conforme tratado anteriormente, o homem não é autossuficiente, tendo naturalmente necessidades que poderão ser preenchidas apenas em uma vida organizada politicamente. Denotando os profissionais necessários para suprir todas as exigências de uma cidade, descreve como uma cidade minúscula tornar-se-á grande e luxuosa, com a necessidade de classes de cidadãos especializados em seus ofícios. Dá-se início a um dos temas relevantes da República: a educação.
Conforme Platão, o estado ideal deveria ser dividido em classes sociais, as quais cada uma referente as virtudes que lhe são próprias. Três são, pois, estas classes: a dos governantes filósofos, a dos guerreiros, e a dos produtores, as quais, no organismo do estado, corresponderiam respectivamente às almas racional, irascível e concupiscível no organismo humano. À classe dos filósofos, cabe dirigir a república, Por natureza, compete a ele “dedicar-se à filosofia e governar a cidade, e aos outros não cabe tal estudo, mas sim obedecer a quem governa”, para a educação dos futuros filósofos governantes é necessário, portanto, introduzir novos conteúdos, tais como: ciência dos números, geometria, astronomia e a dialética.
O Estado seria o responsável por educar os indivíduos e direcioná-los às atividades mais adequadas ao seu tipo de alma (bronze, prataou ouro). O autor apresenta a divisão dos trabalhos a partir do mito dos três metais, segundo o qual, um deus revestiu a alma de cada homem com um tipo específico de metal: ouro, prata ou bronze.
 Os que nasceram com a alma revestida de bronze, a sua aptidão está para as atividades manuais, através do cultivo da terra, o artesanato e o comércio, ou seja, sendo estes formados por camponeses, artesãos e comerciantes é constituída de homens nos quais prevalece o aspecto concupiscível da alma.
 Os que nasceram com a alma revestida de prata, riam um pouco mais hábeis, chamados de guerreiros, protegeriam a cidade e constituiriam o exército e seus auxiliares na administração pública, ou seja os guardiões do Estado, é constituída de homens nos quais prevalece a força irascível da alma, dotados ao mesmo tempo de mansidão e ousadia.
E por fim, os que nasceram com a alma revestida de ouro, correspondem aos governantes, deve ser constituída pelos homens que se destacaram na educação em relação aos outros, e que cumpriram com zelo sua própria missão e, especialmente, aprenderam a conhecer e contemplar a verdade, o Bem. Nestes, portanto, predomina a alma racional e sua virtude é a sabedoria e estudaria por cinquenta anos, se dedicaria à razão e ao conhecimento, e constituiria a classe dos magistrados. A estes caberia a responsabilidade de governar a cidade, pois só eles teriam toda a sabedoria que a arte da política exige, o bom conselho, tendo como objetivo o modo correto de se comportar no Estado com relação a si mesmo e com relação aos outros, quem a possui são somente os guardiões perfeitos, ou seja, os governantes. O Estado é sábio pela classe dos seus governantes, estes estão aptos para a atividade racional.
A Cidade perfeita, por conseguinte, seria aquela em que predomina a temperança na primeira classe social, a fortaleza e coragem na segunda e a sabedoria na terceira. Sendo assim, a Justiça é a harmonia que se estabelece entre essas três virtudes e o Estado ideal para Platão seria aquele que oferecesse as condições necessárias para o desenvolvimento do pensamento filosófico.
Sócrates esboça sobre o aprimoramento da educação dos soldados que se dará por meio da ginástica para o corpo e da música para a alma, que os tornam mais harmoniosos, mais bem ordenados, produzindo assim o efeito do bem, mas não o conhecimento do Bem. A ginástica tem a função de preparar o corpo para que este adquira uma condição necessária de ascensão da alma, pois esta se encontra aprisionada neste mundo físico e imperfeito. E por meio da música, o corpo desenvolverá o ritmo e o condicionamento corporal necessário para o bom desenvolvimento da educação.
Deve-se filtrar as letras das músicas (poesia, fábulas) porque estas contêm somente parte da verdade e com isso deturpam a alma; portanto, devem sofrer uma censura constante, inclusive a Ilíada, onde outorga-se aos deuses tanto o bem quanto o mal. Este tipo de poesia deverá ser banida da educação dos futuros guardiões. Não somente a poesia/música, mas todas as demais artes necessitam de serem vigiadas. 
Sócrates reprova à poesia como meio educativo, pois, segundo seu pensamento, a poesia não revela as coisas como são, mas como em um espelho, revela somente a aparência e da natureza humana descreve somente o trágico e o triste. A poesia, enfim, está a três passos da realidade, por estas razões, deverá ser excluída da Cidade uma arte dessa espécie, pois seria prejudicial à justiça e às demais virtudes, dando a entender que a poesia deva ser substituída pela filosofia, como meio educativo, pois somente esta pode revelar, na sua forma dialética, se mantendo ainda mais firme declarando que deve-se eliminar da cidade ideal a poesia e a imitação da arte. 
Consoante Sócrates, o artista da poesia e o artista plástico fazem uma réplica de objetos delicados. Para ele, a verdadeira forma desses mesmos objetos são inalcançáveis. Por isso eles não conseguem atinar a verdade perante aquele que imita. No tocante, as artes plásticas é elaborada uma ilusão que instiga paixões indignas da alma. Ele exemplifica essa tese com os efeitos maléficos da poesia trágica.
Apoquentando com a purificação da raça (eugenia) e com o adestramento (eugenia), todo esse processo eugênico tem pôr fim a realização do Estado Ideal, governado por filósofos e guardiões que jamais deverão se distrair de suas principais ocupações, qual a eminencia entre quem é filósofo e quem não o é, como as leis e os costumes do Estado necessitam refletir o eterno, somente os filósofos, capazes de conceber as ideias eternas, devem ser estabelecidos guardiões por serem capazes de guardá-las. 
Sócrates pressupõe que a poesia deva ser substituída pela filosofia, como meio educativo, pois tão somente esta pode nos revelar, na sua forma dialética, o que é a realidade de fato e correlata o filosofo ao médico diante dos doentes e o piloto diante dos marujos, tratar-se-á da educação do futuro governo-filósofo. Todas as quatro virtudes (sabedoria, coragem, temperança e justiça) sobre as quais deve ser construído o Estado Ideal, só são conhecidas, úteis e valiosas a partir da ideia do Bem. Destarte, a ideia do Bem constitui-se no mais alto saber, ao qual os guardiões devem aspirar e serem conduzidos. O conhecimento pleno do Bem se realiza através de um longo caminho, que deve passar pela educação filosófica, a qual busca o conhecimento máximo das coisas
 Em A República, Platão também, registra uma de suas passagens mais célebres; O Mito da Caverna, onde nesta metáfora, narra a trajetória de um prisioneiro em uma caverna, que insatisfeito com sua condição, rompe as correntes e sai do local pela primeira vez na vida. Esse prisioneiro, agora livre, depois de contemplar o mundo no exterior da caverna, sente compaixão pelos demais prisioneiros e decide regressar para tentar libertá-los. Ao tentar se comunicar com os outros prisioneiros, ele é desacreditado, considerado como louco e morto por seus colegas de aprisionamento.
A caverna representa o domínio da opinião, ou seja, do senso-comum, Platão teve por objetivo asseverar o ofício do conhecimento, que para ele seria o responsável por libertar os indivíduos da prisão imposta pelos preconceitos e pela mera opinião. A saída da caverna representa a busca pelo conhecimento, e o filósofo é aquele que mesmo após se libertar das amarras e alcançar o conhecimento, não fica satisfeito. Assim, ele sente a necessidade de libertar os outros da prisão da ignorância, mesmo que isso possa causar a sua morte.
Em conformidade com Platão, o conhecimento do mundo sensível é inferior à contemplação da verdade. Os homens, porém, tendo vivido sempre numa caverna, acorrentados, acreditam que as sombras que veem projetadas na parede sejam a verdade. Mas só é possível conhecer a verdade além de nossos preconceitos e crenças. Só o filósofo se liberta e vê a realidade à luz do sol. Mas, para que o guardião, futuro filósofo-rei, atinja o Bem, é preciso sair da caverna e contemplar o Sol. 
Sócrates ao aludir sobre imortalidade da alma, os outros participantes do diálogo solicitam mais esclarecimentos e ele lhes designa o mito de Er, que diz respeito aos caminhos percorridos pela alma após sair desse plano terrestre, sobre como será avaliada, e daí então irá decidir o modo de sua volta para esse mundo (reencarnação) e o essencial é que as injustiças cometidas e as pessoas prejudicadas, as almas injustas pagassem a pena de quanto houvessem feito em vida, com a finalidade de purificarem a alma. 
Conforme Platão, a parte racional da alma é a parte mais progressista pelos filósofos, que a partir dela, controlam as demais, desenvolve a ideia de imortalidade da alma e sua relação com o conhecimento, dando continuidade à teoria da reminiscência socrática, que se trata da recordação do conhecimento inato, ou seja, o conhecimento de uma pessoa existe antes mesmo de seu nascimento. 
O filósofo reitera que a alma, por ser imortal e eterna, pertence ao mundo das ideias e lá pode apreender todas as essenciais existentes e assim possui todo oconhecimento possível. Ao valorizar a alma em detrimento do corpo, Platão considera a filosofia (que é um exercício para a alma) como melhor instrumento para se desenvolver o homem, este afirma que a alma, assim como a cidade, obtém sua plenitude através da relação harmônica entre as partes que integram o todo.
No instante que se une a alma com o corpo, a alma se esqueceria desse conhecimento. Unicamente através da busca pelo conhecimento é que a alma é capaz de relembrar aquilo que já soube, para que se realize a sabedoria, a contemplação, a filosofia, a virtude suma, a única virtude verdadeiramente humana e racional, é necessário que a alma racional domine, antes de tudo, a alma concupiscível, derivando daí a virtude da temperança, e domine também a alma irascível, donde a virtude da fortaleza. A alma filosófica ao contemplar a totalidade do tempo e do ser, colocará a própria vida e a morte em segundo plano e se entusiasmara pelo saber que possa revelar-lhe algo daquela essência que existe sempre, e que não se desvirtua por ação da geração e da corrupção, é através da dialética que a alma se desliga completamente do sensível para alcançar o puro Ser das Ideias, chegando assim ao conhecimento pleno do Bem.

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