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ESCRIVÃO/INVESTIGADOR
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Direito Penal Geral
Data: 09/02/2024 Prof.: Fernando Longhi
Aula 02
LESÃO CORPORAL – ART. 129, CP
Lesão Corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Classificação
Material; comum; plurissubsistente (regra), doloso (animus laedendi ou animus nocendi),
culposo e preterdoloso.
Sujeito ativo e
passivo
Sujeito ativo: qualquer pessoa.
Sujeito passivo: qualquer pessoa. Em alguns casos o tipo penal exige uma condição especial da
vítima: na lesão corporal grave ou gravíssima a vítima deve ser mulher grávida (para possibilitar
a aceleração do parto ou o aborto – art. 129, §1º, IV e §2º, V).
Conduta
Consiste em ofender, no sentido de prejudicar a integridade corporal ou a saúde da vítima.
São ofensas à integridade física fraturas, fissuras, escoriações, queimaduras, luxações,
equimose e hematomas. Os eritemas não consistem em lesão corporal.
São ofensas à saúde perturbações fisiológicas (mal funcionamento de algum órgão do
corpo) ou mentais (alteração prejudicial da atividade mental).
Pode ser praticado por ação e, excepcionalmente, por omissão, quando presente o dever de agir
para evitar o resultado (art. 13, § 2°, do CP). Admite qualquer meio de execução.
Consumação e
tentativa
Consuma-se com a efetiva lesão à integridade corporal ou à saúde da vítima.
A Tentativa é possível nas modalidades dolosas. Incabível na lesão culposa e na
lesão corporal seguida de morte (a involuntariedade do resultado naturalístico que envolve a
culpa é incompatível com o conatus). A tentativa de lesão corporal não se confunde com a
contravenção penal de vias de fato (Decreto-lei 3.688/1941, art. 21), em que a vontade do
agente limita-se a agredir o ofendido, sem lesioná-lo.
Ação Penal
A lesão corporal dolosa de natureza leve e na lesão corporal culposa são crimes de menor
potencial ofensivo, de competência do JECrim (Lei 9.099/95) e são de ação penal pública
condicionada à representação do ofendido (Lei 9.099/1995, art. 88). As demais espécies
de lesões corporais dolosas são crimes de ação penal pública incondicionada.
Lei Maria da Penha
Súmula 542 do STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência
doméstica contra a mulher é pública incondicionada
Súmula 536 do STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam
na hipótese de delitos sujeitos ao rito. da Lei Maria da Penha
Consentimento do
Ofendido
Nas lesões corporais dolosas de natureza leve o consentimento do ofendido é causa supralegal
de exclusão da ilicitude, desde que seja: expresso; válido e anterior à consumação da infração
penal. É irrelevante o consentimento do ofendido nos crimes de lesão corporal grave, gravíssima
e seguida de morte, em face da indisponibilidade do bem jurídico protegido.
Lesões em
Atividades
Esportivas
Nos esportes em que os ferimentos são consequência de sua prática, não há crime em razão da
exclusão da ilicitude pelo exercício regular do direito. Há crime, contudo, quando o agredido é o
árbitro ou terceiro diverso dos competidores.
Lesão Corporal Leve
ou Simples (art.
129, caput)
Consiste em toda e qualquer lesão corporal dolosa que não seja grave, gravíssima ou praticada
com violência doméstica e familiar contra a mulher. A prova da materialidade é feita com o
exame de corpo de delito. Para o oferecimento da denúncia é suficiente o boletim médico ou
prova equivalente (art. 77, § 1°, Lei 9.099/1995).
Lesão corporal de
natureza grave (art.
129, § 1°)
Lesão corporal de natureza grave
§ 1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
I - Incapacidade
para as ocupações
habituais, por mais
de trinta dias
Ocupação habitual é qualquer atividade, física ou mental, do cotidiano da vítima, não
necessitando ser lucrativa (Ex.: varrer a calçada da casa). A atividade deve ser lícita. Subsiste a
qualificadora quando a vítima pode, mesmo que com sacrifício retornar às suas ocupações
habituais. Não incidirá a qualificadora na hipótese em que a vítima puder desempenhar
regularmente suas ocupações habituais, embora não o faça por vergonha. A incapacitação é
objetiva, e não subjetiva.
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Somente se verifica depois do decurso do prazo estabelecido em lei. São exigidos dois
exames periciais, um inicial, realizado logo após o crime, para constatar a existência das
lesões, e um complementar, efetuado após 30 dias, contados da data do crime, para comprovar
a duração da incapacidade das ocupações habituais em razão dos ferimentos provocados pela
conduta criminosa.
II - Perigo de vida
Possibilidade grave, concreta e imediata de a vítima morrer em consequência das
lesões sofridas. Trata-se de perigo concreto, comprovado por perícia médica, que poderá ser
substituída por prova testemunhal quando os depoimentos emanarem de especialistas
III – Debilidade
permanente de
membro, sentido ou
função
Debilidade é a diminuição ou o enfraquecimento da capacidade funcional. Há de ser
permanente (duradoura e de recuperação incerta). Não se exige perpetuidade. Membros são
os braços, pernas, mãos e pés. Os dedos integram os membros, e a perda ou a diminuição
funcional de um ou mais dedos acarreta na debilidade permanente das mãos ou dos pés.
Sentidos são a visão, audição, tato, olfato e paladar.
Função é a atividade inerente a um órgão ou aparelho do corpo humano.
A perda de um ou mais dentes pode ou não caracterizar lesão corporal grave, dependendo da
comprovação pericial acerca da debilidade ou não da função mastigatória, e, indiretamente,
também da função digestiva.
A recuperação do membro, sentido ou função por meio cirúrgico ou ortopédico não
acarreta a exclusão da qualificadora, pois a vítima não é obrigada a submeter-se a tais
procedimentos.
A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art.
129, § 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP). A perda de dois dentes
pode até gerar uma debilidade permanente (§ 1º, III), ou seja, uma dificuldade maior da
mastigação, mas não configura deformidade permanente (§ 2º, IV). (Informativo n. 590/STJ)
IV – Aceleração de
parto
A antecipação do parto (parto prematuro) em decorrência da lesão corporal produzida na
gestante. A criança nasce viva e continua a viver.
Exige-se o conhecimento da gravidez da vítima. Se o agente a ignorava, responderá por lesão
corporal leve, afastando-se a responsabilidade penal objetiva. Se o feto for expulso morto do
ventre materno o crime será de lesão corporal gravíssima em razão do aborto. Se a criança
nascer viva, mas falecer logo em seguida ao nascimento, haverá lesão corporal gravíssima em
razão do aborto.
Lesões Corporais
Gravíssimas
(art. 129, § 2°)
Lesão corporal de natureza gravíssima
§ 2° Se resulta:
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidadepermanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
I - Incapacidade
permanente para o
trabalho
É toda e qualquer incapacidade longa e duradoura, que não permita fixar seu limite
temporal. Relaciona-se com a atividade remunerada exercida pela vítima, que resta
prejudicada em seu aspecto financeiro em razão da conduta criminosa. Trata-se de
incapacidade genérica para o trabalho (a vítima fica impossibilitada de exercer qualquer tipo de
atividade laborativa).
II - Enfermidade
incurável
Alteração prejudicial da saúde por processo patológico, físico ou psíquico, que não pode ser
eficazmente combatida com os recursos da medicina à época do crime.
Deve ser provada por exame pericial. Também é considerada incurável a enfermidade que
somente pode ser enfrentada por procedimento cirúrgico complexo ou mediante tratamentos
experimentais ou penosos, pois a vítima não pode ser obrigada a enfrentar tais situações. Não
se aplica a qualificadora se houver tratamento ou cirurgia simples para solucionar o problema e
a vítima se recusar injustificadamente a adota-lo. Não se admite revisão criminal se,
posteriormente à condenação definitiva por esse crime, surge na medicina um meio eficaz para
curar a enfermidade.
Transmissão dolosa de HIV é considerado lesão corporal gravíssima, HC 160.982 - STJ.
III - Perda ou
inutilização de
membro, sentido ou
função
Perda é a ablação, a destruição ou privação de membro, sentido ou função. Pode concretizar-
se por mutilação (eliminação direta pela conduta criminosa) ou por amputação (resulta da
intervenção médico-cirúrgica realizada ante a necessidade de salvar a vida do ofendido ou
impedir consequências ainda mais danosas).
Inutilização, por sua vez, é a falta de aptidão do órgão para desempenhar sua função
específica. O membro ou órgão continua ligado ao corpo da vítima, mas incapacitado para
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desempenhar as atividades que lhe são inerentes. A perda de parte do movimento de um
membro caracteriza lesão grave pela debilidade; a perda de todo o movimento tipifica lesão
corporal gravíssima pela inutilização.
IV - Deformidade
permanente
É o dano duradouro de alguma parte do corpo da vítima, que não pode ser retificado por
si próprio ao longo do tempo. É suficiente a irreparabilidade por relevante intervalo
temporal.
Prevalece o entendimento no sentido de ser esta qualificadora intimamente relacionada a
questões estéticas, devendo ser visível e causar impressão vexatória. A correção da
deformidade com o emprego de prótese não exclui a qualificadora. De igual modo, a ocultação
da deformidade pelos cabelos ou por aparelhos também não a afasta. Esta circunstância
qualificadora deve ser atestada por exame de corpo de delito.
A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP)
não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a
deformidade na vítima. (Informativo n. 562/STJ)
Informativo nº 562 - STJ
A qualificadora "deformidade permanente" do crime de lesão corporal (art. 129, §
2º, IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine
ou minimize a deformidade na vítima. Isso porque, o fato criminoso é valorado no
momento de sua consumação, não o afetando providências posteriores, notadamente quando
não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados,
dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da vítima. HC
306.677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP), Rel.
para acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015, DJe 28/5/2015.
V - Aborto
É a interrupção da gravidez, com a consequente morte do feto, deve ter sido provocada
culposamente {crime preterdoloso); se a morte do feto foi proposital, o sujeito deve responder
por lesão corporal leve (ou grave ou gravíssima), em concurso formal impróprio ou imperfeito
com aborto sem o consentimento da gestante (CP, art. 125).
É obrigatório o conhecimento do sujeito acerca da gravidez da vítima, sob pena de
responsabilidade penal objetiva. Se o agente ignorava a gravidez da ofendida, a hipótese é de
erro de tipo, com exclusão do dolo e da qualificadora. Pode haver ocorrência simultânea de
duas ou mais modalidades de lesão corporal gravíssima, configurando-se, crime único.
Órgãos Duplos
Na hipótese de órgãos duplos a perda de um deles caracteriza lesão grave pela debilidade
permanente e a perda de ambos configura lesão gravíssima pela perda ou inutilização.
Lesão corporal
seguida de morte
(art. 129, § 3°)
Lesão corporal seguida de morte
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem
assumiu o risco de produzi-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Trata-se de crime preterdoloso, não admitindo tentativa.
Tem como pressuposto uma lesão corporal dolosa. Se o sujeito pratica lesão corporal culposa ou
vias de fato, daí resultando culposamente a morte da vítima, responde somente por homicídio
culposo, ficando absorvido o delito mais leve ou a contravenção penal.
Lesão corporal
privilegiada
(art. 129, § 4°)
Diminuição de pena
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob
o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode
reduzir a pena de um sexto a um terço.
Relevante valor moral: tem cunho particular, individual, mas alinhado a princípios morais.
Ex.: um pai que mata o estuprador de sua filha.
Relevante valor social: tem cunho coletivo. Não interessa apenas ao agente. Ex.: um
indivíduo que mata um político corrupto, por estar revoltado com a situação de impunidade em
seu país.
Sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima:
o autor é provocado pela vítima, agindo, logo em seguida, dominado pela situação.
Lesões corporais
leves e substituição
da pena
(art. 129, § 5°):
Substituição da pena
§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de
multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Aplica-se somente à lesão corporal leve. As graves e gravíssimas foram expressamente
excluídas e a lesão corporal culposa o foi tacitamente (pela posição geográfica do dispositivo
legal e pela própria essência do instituto).
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https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28HC.clas.+e+%40num%3D%22306677%22%29+ou+%28HC+adj+%22306677%22%29.suce.
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28HC.clas.+e+%40num%3D%22306677%22%29+ou+%28HC+adj+%22306677%22%29.suce.
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Lesão corporal
culposa
(art. 129, § 6°)
Lesão corporal culposa
§ 6° Se a lesão é culposa: (VideLei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
A gravidade da lesão, por se tratar de circunstância judicial desfavorável, deve
ser analisada pelo juiz na dosimetria da pena-base (CP, art. 59, caput). Trata-se de infração
penal de menor potencial ofensivo, compatível com os benefícios
contidos na Lei 9.099/1995.
Lesão corporal
culposa e Código de
Trânsito Brasileiro
Se cometida na direção de veículo automotor, estará tipificado o crime previsto no art. 303
da Lei 9.503/1997 - CTB. Resolve-se o conflito aparente de normas pelo princípio da
especialidade.
Causas de Aumento
de Pena nas Lesões
Corporais Dolosas e
Culposas
Aumento de pena
§ 7º Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 6º
do art. 121 deste Código.
Art. 121, § 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o
crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente
deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato,
ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de
1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60
(sessenta) anos.
Art. 121, § 6º Se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de
serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
Perdão Judicial
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.
O juiz pode deixar de aplicar a pena quando as consequências da infração atingirem o próprio
agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.
Lesão corporal e
violência doméstica
(art. 129, § 9°)
Violência Doméstica
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro,
ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações
domésticas, de coabitação ou de hospitalidade:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
Trata-se de forma qualificada de lesão corporal. A pena prevista ao caso, em razão da sua
quantidade, somente deve ser aplicada na hipótese de lesão corporal leve. Se a lesão corporal
for grave, gravíssima ou seguida de morte, aplicar-se o art. 129 do CP.
A qualificadora prevista no § 9º do art. 129 do CP aplica-se também às lesões corporais
cometidas contra HOMEM no âmbito das relações domésticas. (STJ, RHC 27.622/RJ)
A lesão corporal contra irmão configura o § 9º do art. 129 do CP não importando onde a
agressão tenha ocorrido. (Informativo n. 609/STJ)
Pode ser praticada:
a) contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro: o parentesco
pode ser civil ou natural. Não ingressam as relações decorrentes do parentesco por afinidade.
Exige-se prova documental da relação de parentesco ou do vínculo matrimonial. A união estável
pode ser comprovada por testemunhas ou outros meios de prova que não exclusivamente os
documentos;
b) com quem conviva ou tenha convivido: tais expressões devem ser interpretadas
restritivamente. Quanto ao trecho “tenha convivido”, exige-se que tenha sido a lesão corporal
praticada em decorrência da convivência passada entre o autor e a vítima.
c) prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade: Relações domésticas são as criadas entre os membros de uma família,
podendo ou não existir ligações de parentesco. Coabitação é a moradia sob o mesmo teto,
ainda que por breve período (deve ser lícita e conhecida dos coabitantes). Hospitalidade é a
recepção eventual, durante a estadia provisória na residência de alguém, sem necessidade de
pernoite.
Em todos os casos, a relação doméstica, a coabitação ou a hospitalidade devem existir ao
tempo do crime.
Violência doméstica
e as agravantes
genéricas Art. 61,
II, “e” e “f” do CP
Se a lesão corporal dolosa (leve, grave, gravíssima ou seguida de morte) for cometida no
contexto de violência doméstica, não se aplicam as agravantes genéricas previstas no Art. 61,
II, “e” e “f” do CP em razão do bis in idem.
Aumento de Pena
Lesão corporal em
com Violência
Doméstica (§ 10º)
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste
artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
Se a lesão corporal for grave, gravíssima ou seguida de morte e o crime for praticado com violência
doméstica, a pena é aumentada de 1/3.
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Aumento de pena
Lesão contra
Portador de
Deficiência –
Violência doméstica
(§ 11º)
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for
cometido contra pessoa portadora de deficiência.
A pena da lesão corporal leve cometida com violência doméstica será aumentada de 1/3 quando
a vítima for portadora de deficiência.
Deve tratar-se de pessoa com deficiência ligada ao autor pelos laços de violência doméstica
previstos no §9º do art. 129.
Aumento de pena
Lesão corporal
contra agentes de
segurança pública
(§ 12º)
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da
Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública,
no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a
dois terços.
Lesão Corporal
qualificada no
contexto de
feminicídio
(§ 13º)
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos
termos do § 2º-A do art. 121 deste Código:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos).
Art. 121, § 2º-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o
crime envolve:
I – Violência doméstica e familiar;
II – Menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Importante ressaltar que este parágrafo vem recebendo, corretamente, interpretação restritiva
por parte dos tribunais, de modo a não alcançar toda e qualquer forma de violência
contra pessoas do sexo feminino, mas tão somente aquelas relacionadas com a dominação
ou subjugação de mulheres (normalmente efetuada por homens), isto é, a violência de gênero.
(Estefam, André. Direito Penal: Parte Especial – Arts. 121 a 234-C – v. 2 / André Estefam. – 9.
ed. – São Paulo: SaraivaJur, 2022.)
Entendimento atual do STJ sobre este parágrafo:
(...) A jurisprudência desta Corte Superior orienta-se no sentido de que, para que a competência
dos Juizados Especiais de Violência Doméstica seja firmada, não basta que o crime seja
praticado contra mulher no âmbito doméstico ou familiar, exigindo-se que a motivação do
acusado seja de gênero, ou que a vulnerabilidade da ofendida seja decorrente da sua condição
de mulher. (...)
(STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1700026/GO, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado
em 03/11/2020.)
Exercícios
01) (IBFC - 2023 – Soldado)
Com base no Código Penal, analise as afirmativas abaixo
e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) Não se pune o aborto praticado por médico se a
gravidez resulta de estupro, dispensando-se o
consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu
representante legal.
( ) Não há previsão de aumento da pena do crime de
lesão corporal se for cometido contra autoridade ou
agente descrito nos art. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e daForça
Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou
em decorrência dela.
( ) Configura lesão corporal de natureza grave se resulta
debilidade permanente de membro, sentido ou função.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta
de cima para baixo.
A) V - V - V
B) V - V - F
C) V - F - V
D) F - F - V
E) F - F – F
02) (CEBRASPE (CESPE) – 2023)
De acordo com o Código Penal, uma lesão corporal é
considerada gravíssima caso resulte em
A) aceleração de parto.
B) incapacidade temporária para as ocupações habituais.
C) perigo de vida.
D) perda ou inutilização do membro, sentido ou função.
03) (FGV – 2023)
Tadeu, guarda municipal, em patrulhamento de rotina,
abordou sem qualquer excesso e em conformidade com
a lei o cidadão Matheus. Inconformado com a
abordagem, Matheus agrediu Tadeu, causando lesões
que afastaram o guarda municipal do serviço por mais de
30 dias.
De acordo com o Código Penal, Matheus
A) praticou crime de lesão corporal de natureza leve.
B) praticou crime de lesão corporal de natureza grave.
C) praticou crime de excesso de exação.
D) pode receber pena de multa em substituição à pena
de detenção.
E) praticou o crime de infanticídio.
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CARREIRAS POLICIAIS
04) (IBFC – 2023)
Sobre o delito de lesão corporal previsto no Código Penal
e suas alterações, assinale a alternativa correta.
A) As lesões de natureza grave e gravíssima são causas
de aumento de pena
B) Na hipótese de lesão corporal culposa, o juiz poderá
deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração
atingirem o próprio agente de forma tão grave que a
sanção penal se torne desnecessária
C) Se o agente cometer o referido crime impelido por
motivo de relevante valor social ou moral ou sob a
influência de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima, o juiz poderá reduzir a pena de um
sexto a um terço
D) Se a lesão for praticada contra ascendente,
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda,
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade a pena a ser aplicada será
de 3 (três) meses a 3 (três) anos de reclusão
05) (IBFC – 2023)
Com relação ao crime de lesões corporais, previsto no
artigo 129 do Código Penal Brasileiro, assinale a
alternativa correta.
A) Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente
descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de
Segurança Pública, no exercício da função ou em
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição, a pena é aumentada de um a dois terços
B) É considerada lesão corporal de natureza gravíssima
se resulta debilidade permanente de membro, sentido ou
função
C) É considerada lesão corporal de natureza grave se
resulta deformidade permanente
D) Não se admite a modalidade culposa para o crime de
lesão corporal
06) (Instituto CONSULPAM – 2023)
Considere o caso hipotético abaixo e, em seguida, assinale a
alternativa que descreve CORRETAMENTE o crime praticado
por Pedro:
João e Pedro eram vizinhos que frequentemente tinham
discussões acaloradas devido a diferenças pessoais. Em um
dia, a discussão entre eles se intensificou a ponto de ambos
se agredirem fisicamente. Durante a briga, Pedro,
enfurecido, pegou um pedaço de madeira que estava
próximo e atingiu violentamente a perna de João com força
excessiva. O impacto do golpe foi tão intenso que causou
uma fratura exposta na perna de João. Ele caiu no chão
imediatamente, sentindo uma dor intensa e perdendo
bastante sangue devido à fratura. Os vizinhos que
testemunharam a briga rapidamente chamaram uma
ambulância, que levou João ao hospital. No hospital, os
médicos constataram a gravidade da lesão, realizando
exames que indicaram a necessidade de cirurgia para
corrigir a fratura. Durante a cirurgia, foi preciso fixar a
fratura com placas e pinos, e João teve que permanecer
internado por 60 (sessenta) dias para recuperação.
A) Pedro cometeu o crime de lesão corporal.
B) Pedro cometeu o crime de lesão corporal de natureza
grave.
C) Pedro cometeu o crime de homicídio na forma tentada.
D) Pedro não cometeu nenhum crime, pois o fato teve por
motivação discussão em que João também esteve
envolvido.
E) A conduta de Pedro é atípica.
07) (CEBRASPE (CESPE) – 2022)
Suponha que um indivíduo tenha provocado lesão na filha
de um policial penal estadual, em razão da função pública
exercida pelo pai da vítima. Nessa hipótese, o indivíduo
cometeu
A) lesão corporal simples.
B) lesão corporal qualificada, por ser a vítima do sexo
feminino.
C) lesão corporal com causa de aumento de pena, em razão
de a vítima ser familiar de agente de segurança pública.
D) lesão corporal simples e desacato.
E) lesão corporal qualificada, pela prevalência de relações
domésticas da vítima.
08) (CAIPIMES – 2022)
Em relação ao crime de lesão corporal, de acordo com o
Código Penal Brasileiro é incorreto afirmar que:
A) Se a lesão resultar em debilidade permanente de
membro, sentido ou função, a pena será de detenção de
três meses a um ano.
B) Se a lesão resultar em perigo de vida, a pena será de
reclusão de um a cinco anos.
C) Se a lesão resultar em aborto, a pena será de reclusão de
dois a oito anos.
D) Se o agente comete o crime sob o domínio de violenta
emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
09) (VUNESP – 2022)
Qualifica-se a lesão corporal dolosa (Código Penal, art. 129,
§ 1o e 2o) quando o crime
A) é praticado à traição.
B) é praticado mediante paga ou promessa de recompensa.
C) é executado com emprego de veneno.
D) resulta aceleração do parto.
E) ocorre em situação de inobservância de regra técnica de
profissão.
10) (VUNESP – 2022)
Com relação ao crime de lesão corporal, previsto no art. 129
do Código Penal, é correto afirmar:
A) na lesão corporal culposa não se aplica o perdão judicial.
B) será de natureza grave, se resultar incapacidade para as
ocupações habituais, por mais de 15 dias.
C) é possível o juiz substituir a pena privativa de liberdade
pela multa, se a lesão, ainda que grave, for praticada em
seguida à injusta provocação da vítima.
D) na lesão oriunda de violência doméstica, incidirá causa
de aumento, se a vítima é portadora de deficiência.
E) é isento de pena o agente que comete o crime sob o
domínio de violenta emoção, desde que não se trate de
lesão de natureza grave.
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