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1.1Fatores de qualidade e produtividade da matéria prima Prof. Guilherme Soares Lopes Produtividade média de cana de açúcar (ton./ha) 2 Produtividade média de milho (ton./ha) Fonte: Instituto Rio Grandense do Arroz,2023 1. MATÉRIA-PRIMA: Cana-de-açúcar ASPECTOS GERAIS Cana-de-açúcar família gramíneas Poaceae (5000 espécies de plantas) Gênero: Saccharum Espécies: Saccharum barberi J. S. edule H. S. officinarum L . S. robustum J. S. sinensis (Roxb) J. S. spontaneum L. Em nível comercial Saccharum spp. Cana de açúcar Alta produtividade (100 t / ha) Constituição do caldo (sacarose) Geração de bagaço Clima e solo favoráveis Facilidade de cultivo e de colheita Tradição na cultura da cana Fixador de CO2 2. COMPOSIÇÃO DA CANA: Constituição morfológica e anatômica raízes rizoma Partes subterrâneas Inflorescência folhas colmo Partes Aérea Cana de açúcar Desenvolvimento radicular da cana-de- açúcar Regiões componentes do colmo Raízes Colmo Nó Gema Anel de crescimento Cicatriz foliar Zona radicular Internódio ou entrenó Folha Lâmina foliar Bainha Inflorescência Flor Frutos Fonte 9 Rizomas Gemas perfilhos – touceiras • Rizomas brotação (cana-planta) rebrota (cana-soca) Rizomas de cana-de-açúcar. - nódios - internódios - gemas Colmo - parte acima do solo - sustentação de folhas e panícula - nódios e internódios - porte: *ereto *semi-ereto *decumbente Entouceiramento: Capitel: *fraco *médio *forte *ralo * médio *fechado Detalhe do capitel. Nódio (nó ou região nodal) - descrição de variedades - constituição: gema, anel de crescimento, cicatriz foliar e a zona Radicular Internódio (entrenó) - situada entre dois nódios - forma: cilíndrica, carretel, conoidal, obconoidal, tumescente ou em barril Ø: fino ( 3 cm) polpa: branca, verde creme ou castanha casca: amarelo ao vermelho Algumas formas de nódios Tipos de internódios Folhas - ligadas ao colmo - duas fileiras alternadas - lâmina foliar, bainha e colar (identificação botânica) Fonte: Beauclair/ ESALQ Inflorescência - gema apical do colmo gema floral panícula - panícula aberta (flor, bandeira ou flecha) - ramificações espiguetas (flor) Flor - hermafrodita Fruto - cariopse (maioria das gramíneas) - dimensões: 1,5 x 0,5 mm Inflorescência da cana-de-açúcar. Pêlos encontrados nas folhas Fibra 9 - 16% Caldo 84-91% Celulose Pentosanas (xilana, arabana, etc.) Lignina Água 75-82% Sólidos Solúveis 18-25% Açúcares 15,5 - 24% não-açúcares 1 - 2,5% sacarose 14,5 - 24% glicose 0,2 - 1,0% frutose 0,0 - 0,5% orgânicos 0,8 - 1,8% inorgânicos 0,2 - 0,7% Aminoácidos gorduras ceras matérias corantes ácidos, etc. SiO2 K20 P205 CaO MgO Na2O Fe2O3 SO3 Cl Colmo 100% COMPONENTES QUÍMICOS E TECNOLÓGICOS 19 Composição da Matéria-Prima (varia conforme): Variedades de cana Tipos de solos Pragas (brocas) Condições climáticas (secas e geadas) Prática de corte (manual/mecanizada) Tamanho dos toletes Tempo de queima Tempo de estoque 20 PRAGAS (broca) PROVOCA RACHADURAS NOS COLMOS, ABERTURA PARA CONTAMINAÇÃO – MEIO DE CONTAMINAÇÃO DIRETA TEMPO DE QUEIMA / ESTOCAGEM / TRANSPORTE Quanto menor o tempo entre a queima/corte/transporte da cana e a moagem, menor será o efeito de atividades microbianas nos colmos e melhor será a qualidade da matéria-prima entregue na unidade de processamento (VASCONCELOS, 2010). O tempo entre o corte da cana-de-açúcar e o seu processamento é o período em que os níveis de dextrana alcançam os valores mais altos (ALBUQUERQUE, 2011). Essa taxa também se altera com a umidade e a temperatura, sendo mais rápidas em períodos secos e quentes. (ALBUQUERQUE, 2011) 3. QUALIDADE DA MATÉRIA PRIMA (MP) Sacarose Fibra ▫ ↑ teor – dificulta a extração ▫ ↓ teor – diminui quantidade de bagaço AR – Açúcares Redutores Cinzas 23 Fatores responsáveis pela qualidade tecnológica da cana (a) Maturação (b) Matéria Estranha (c) Deteriorações (alterações) (d) Sanidade (Armazenamento) Qualidade da MP vs.. Fatores (a) Maturação da cana-de-açúcar Produção de biomassa Teor de açúcar Crescimento vegetativo maturação Comportamento das variedades de cana Pol e PUI são indicadores importantes na avaliação da maturação da cana-de-açúcar: Pol (Polarização): Refere-se ao teor de sacarose aparente no caldo da cana, expresso como uma porcentagem da massa. Quanto maior o valor de Pol, mais madura e rica em sacarose está a cana. É utilizado para medir a pureza do açúcar extraível. PUI (Porcentagem de Umidade Interna): Representa a quantidade de água presente na cana. O PUI está relacionado ao teor de fibra e umidade da cana. Na maturação, uma cana mais madura tende a ter menor PUI, indicando que há menos água e maior concentração de sólidos solúveis (como a sacarose). Esses dois parâmetros ajudam a determinar o momento ideal para a colheita, maximizando o rendimento de açúcar e a eficiência do processo de extração. pol 13: Indica uma cana com aproximadamente 13% de açúcar recuperável no caldo. É uma medida de maturação da cana, onde a concentração de sacarose está começando a atingir níveis interessantes para a colheita, mas ainda abaixo do ideal. Pol 16: Refere-se a uma cana mais madura, com cerca de 16% de açúcar recuperável no caldo. Esse valor indica uma cana mais rica em sacarose e, portanto, mais eficiente para a produção de açúcar. Quanto maior o Pol, maior é a maturação e o rendimento esperado da cana. Essas numerações são utilizadas para monitorar o desenvolvimento da cana e decidir o melhor momento de colheita, visando otimizar a produção de açúcar. 26 (b) Matéria Estranha Fases corte-carregamento Impurezas (trash) 5 a 14% Fatores Perdas 1 a 2% de pol Orgânico (vegetal) 3 a 7% Mineral 5 a 8% chuvas umidade e textura do solo tipo de colheita e queima equipamentos/carregamento/ colhedora declividade do terreno lavagem moagem purificação Pontas Folhas Raízes (arrancadas) Pedaços de madeira Solo (aderido às raízes/solto) Pedras/ areia/ poeira pedaços de metal Mat. prima + trash fermentação destilação álcool Fibra umid % bagaço PC do bagaço e vapor Preparo área evaporante evaporação cristalização açúcar ác. Orgânicos (trans-acomitico) poder tampão consumo na caleagem (c) Deteriorações 1. Fisiológicas: 2. Tecnológicas: 3. Microbiológicas: Manejo condição do cultivo Leuconostoc Colletotrichum Pleocyta Respiração Ressecamento Brotamento e florescimento Deteriorações Tecnológicas Causadas durante o manejo da cana favorece as deteriorações microbiológicas principal fator: matéria estranha associadas à têm como consequências Geada: O processo de geada ocorre pela dilatação da água componente dos tecidos celulares que, ao se congelar, rompe os tecidos, mata a gema apical e detém o crescimento da cana. Os danos da geada é função do clima: antes, durante e depois - condições climáticas (geada, seca, etc) - operações unitárias (queima, sistema de corte, altura do desponte, carregamento, etc. - teor de fibra - desgaste dos equipamentos - problemas na condução do processo de fabricação Deteriorações microbiológicas Desenvolvimento de microrganismos Produtos resultantes de microrganismos ácidos e gomos Caldo de cana ótimo substrato para crescimento de microrganismos devido: nutrientes atividade de água pH temperatura PRINCIPAIS CONTAMINAÇÕES Leuconostoc mesenteroides - fácil identificação produz substância goma dextrana focos - problemas no processo recuperação do açúcar velocidade de cristalização afeta a granulometria dos cristais - contaminação do processo fermentativo Perdas 3 Kg/TC 62% de açúcar aumento de viscosidade 15% rend. fermentação extração: caldo fermentação açúcar pH t ºC aglutina canjica grumos espumas mais persistentes Inversão/oxidação e processo de purificação A bactéria usa a energia da ligação glicose-frutose para formação da dextrana(inversão da sacarose). DEXTRANA: GRANDE PREOCUPAÇÃO NA PRODUÇÃO DO AÇÚCAR AFINAL, O QUE É DEXTRANA? É um polímero de alto peso molecular composto por unidades de D-glucose, ligadas entre si por ligações do tipo α-1,6. Em sua maioria (95%) são estruturas lineares, com 5% de ramificações provavelmente com ligações α-1,2, α-1,3 ou α-1,4 A dextrana é gerada a partir da fermentação da sacarose pela bactéria Leuconostoc SP, resultando também na elevação da concentração de frutose. DEXTRANAS SÃO TIPICAMENTE LINEARES 31 Bactérias dos gêneros Cana saudável Desenvolvimento de microrganismos mínimo deixa seco e frio. Queima > desenvolvimento microrgan. - certa ação Bacteriostática (exudação) tipo de corte cana inteira - 48hs cana tolete - 6hs Bacillus Achromobacter Flavobacterium Micrococcus Escherichia coli Leuconostoc mesenteroids e dextranium Aerobacter 104 108 bact./grama 103 104 fungos até ± 4 dias cresce (pH limite 4 a 8) 32 PARÂMETROS DE QUALIDADE 69 INTERPRETAÇÃO DA QUALIDADE TECNOLÓGICA DA CANA “ÓTICA INDUSTRIAL” O que a indústria leva em consideração na determinação da qualidade da matéria-prima: Teor da fibra: quantitativo e qualitativo rendimento e qualidade; pH do caldo: reflete o grau de contaminação ( + contagem de microrg.) Teor da matéria estranha: impurezas (min. e veg.) fonte de inóculo; Teor de sacarose: pol; Teor de sólidos solúveis: °Brix. Açúcares redutores: glicose + frutose inversão da sacarose; Teor e natureza das cinzas: K, Na, Ca, Mg, Mn, Co, P2O5, ...etc.; Teor e forma de materiais nitrogenados: albuminóides, aminoácidos, amidas, etc. Gorduras e ceras: incrustações e nos cristais; Substâncias pécticas, gomas e mucilagens: viscosidade Amido no caldo: geleifica Pureza do caldo: relação entre Pol./ Brix Umidade da cana: 69 - 72% Ciclo da cana-de-açúcar e os colmos Fonte: Fernandes (s.d.). image1.jpeg image2.jpeg image3.png image4.png image5.png image6.jpeg image7.jpeg image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.jpeg image31.png image32.png image33.png image34.jpg image35.png image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png