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1 METODOLOGIA DA GEOGRAFIA DAS POPULAÇÕES 2 Sumário NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 Introdução .................................................................................................................. 4 Conceitos fundamentais para estudar uma população ......................................... 6 Os refugiados – um problema global .................................................................................... 11 Teorias demográficas, pirâmide etária e o envelhecimento da população ........ 15 Teorias demográficas ............................................................................................................ 15 Malthusianismo ................................................................................................................. 15 Teoria reformista ou marxista ........................................................................................... 16 Teoria neomalthusiana ..................................................................................................... 16 Transição demográfica ...................................................................................................... 17 Pirâmide Etária x envelhecimento da população ................................................................. 18 Evolução demográfica ....................................................................................................... 20 Censo demográfico ................................................................................................. 25 História dos censos ............................................................................................................... 25 Censo Demográfico no Brasil ................................................................................................ 26 Trabalhando a Geografia das populações no Ensino Médio ............................... 28 Referências .............................................................................................................. 30 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 Introdução A estruturação moderna pela qual passaram basicamente todas as ciências levou à compartimentalização. No caso da Geografia, no geral, ela tem por objetivo estudar a superfície terrestre e a distribuição espacial de fenômenos significativos na paisagem, além de estudar a relação recíproca entre o homem e o meio ambiente. Como ramos da Geografia teremos dentre outros a geografia física, geografia humana, geografia ambiental, geografia matemática. A geografia das populações se encaixa na geografia humana que analisa, descreve e interpreta a composição, a distribuição, as migrações e o crescimento da população, em relação com o espaço. Figura 1 – Estudo das populações O estudo da população é fundamental para podermos verificar a realidade quantitativa e qualitativa da mesma. Para governantes, em especial, é de fundamental importância, pois permite traçar planos e estratégias de atuação, além de poder desenvolver um planejamento de interesse social. 5 A população deve ser entendida como um recurso na medida em que representa mão-de-obra para o mercado de trabalho, soldados para a defesa nacional, dentre outras coisas. O ramo do conhecimento que estuda a população chama-se Demografia, portanto o profissional da área é o demógrafo (VESENTINI, 2005). Pois bem, que os estudos baseados na Geografia proporcionam a aquisição e o aperfeiçoamento de determinados conceitos que contribuem de forma significativa para o desenvolvimento do aluno não só como indivíduo no seu meio ambiente, mas também como cidadão em seu meio social já sabemos. Portanto, ao propor um trabalho partindo da realidade do aluno dentro das problemáticas apresentadas da sociedade atual o conteúdo População, nos permite interferir em questões que fazem parte do dia a dia da escola. O estudo populacional, especificamente sob o olhar geográfico é, de fato, um aprendizado que possibilita aos alunos uma capacidade de interpretação crítica em relação às condições de vida das pessoas (OLIVEIRA, 2014). Esta breve introdução deixa clara o que veremos ao longo do caderno, não é verdade?! Então vamos começar por conceitos básicos usados no seu estudo. 6 Conceitos fundamentais para estudar uma população São conceitos demográficos para analisar uma população: Taxa de Natalidade: corresponde a relação entre o número de nascimentos ocorridos em um ano e a população absoluta, o resultado em geral é expresso por mil. nº de nascimentos x 1000 (‰) ou x 100 (%) / população total. Taxa de Mortalidade: corresponde a relação entre o número de óbitos ocorridos em um ano e a população absoluta, o resultado é expresso por mil nº de mortes. x 1000 (‰) ou x 100 (%) / população total. Taxa de mortalidade infantil: corresponde ao número de crianças de 0 à 1 ano que morrem para cada grupo de mil nascidas vivas. Taxa de fecundidade: média de número de filhos das mulheres entre 15 e 45 anos, ou seja, em idade de reprodução. Mortalidade infantil: número de crianças que morreram antes de completar 1 ano de vida, medida a cada 100 ou a cada 1000 crianças nascidas. Expectativa de vida: idade média que a população alcança. Corresponde a quantidade de anos que vive em média a população. Este é um indicador muito utilizado para se verificar o nível de desenvolvimento dos países. Crescimento vertical: diferença entre o número de nascimentos e o número de mortes. Migrações: movimentos duradouros da população. 1. Imigração: entrada de população; 2. Emigração: saída de população. 7 Crescimento horizontal ou saldo migratório: diferença entre imigrações (entradas) e emigrações (saídas). Crescimento Vegetativo: diferença entre as taxas de natalidade e de mortalidade. C.V. = natalidade - mortalidade O crescimento vegetativo corresponde a única forma possível de crescimento ou redução da população mundial, quando analisamos o crescimento de áreas específicas temos que levar em consideração também as migrações. Bônus Demográfico: situação em que a população ativa, com potencial para ocupar postos de trabalho e mercado consumidor, supera os inativos (crianças e idosos). Crescimento Total: diferença entre o crescimento vegetativo e o saldo migratório. Transição demográfica: passagem de uma situação de alta taxa de natalidade e de alta taxa de mortalidade para uma situação de estabilidade, através de baixos índices de natalidade e de mortalidade. O Japão é um exemplo de país que apresenta um estágio avançadode transição demográfica, com grande envelhecimento. Figura 2 – Mapa mental para estudo das populações 8 Para o conceito migração devemos considerar: Migrações externas: movimentos intracontinentais ou intercontinentais. Migrações internas: movimentos intrarregionais ou inter-regionais. Figura 3 – Principais fluxos migratórios por grandes regiões do Brasil (1999-2004) Migração de retorno: regresso e restabelecimento de uma população migrante no seu país ou área de residência originais. Migração definitiva: deslocação definitiva de uma população para uma nova região ou país. Migração econômica: deslocação da população motivada pela procura de melhores condições de vida. Migração forçada: deslocação da população motivada por razões de ordem religiosa ou política, por guerras ou catástrofes. Migração intercontinental: deslocação da população de um continente para outro. 9 Migração interna: deslocação da população de umas regiões para outras no interior do mesmo país, com o objetivo de se fixar temporário ou definitivamente, num outro local. Migração intranacional: deslocação de indivíduos entre regiões do mesmo país. Migrações intracontinental: deslocação da população dentro de um continente. Migração Irregular: instalação num país de imigrantes internacionais, os quais não respeitam as formalidades legais inerentes ao processo migratório. A imigração irregular pode resultar do prolongamento no Estado e território estrangeiro para lá dos prazos fixados, ou da ocorrência de migrações clandestinas. Êxodo rural: movimentos duradouros no sentido campo-cidade. Êxodo urbano: movimentos duradouros no sentido cidade-campo. Migrações pendulares: deslocação cotidiana entre o local de residência e o local de trabalho e vice-versa. 1. sazonais: realizadas em determinado período do ano em virtude de fatores naturais e/ou econômicos, como os agricultores do sertão do Nordeste que migram sazonalmente de acordo com o período de seca mais intensa; 2. Transumância: deslocamento relacionado aos pastoreios que migram de acordo com as necessidades dos rebanhos e a oferta de recursos como água e pastagens; 3. Diários: 3.1: urbano-urbano: movimentos realizados a partir das chamadas cidades- dormitório em direção ao local de trabalho; 3.2: urbano-rural: movimentos realizados pelos trabalhadores volantes, também conhecidos como boias-frias. 4. Recreação e turismo: movimentos diários, semanais ou mensais, com o objetivo de lazer, encontros familiares ou círculo de amizades (GARRIDO; COSTA, 1996). 10 População absoluta: corresponde à população total de um determinado território. População relativa ou densidade demográfica: é a média de habitantes por quilômetros quadrado. É obtida através da divisão da população absoluta pela área de um determinado território. Total de População: crescimento total somado à população residente. Populoso – é um território que apresenta sua população absoluta elevada. Povoado – é um território que apresenta sua densidade demográfica elevada. Em outras palavras, quando a população relativa de um local é numerosa dizemos que esse local é muito povoado. Superpovoamento – corresponde a um descompasso entre as condições socioeconômicas da população e a área ocupada. Isso quer dizer que, superpovoamento não depende apenas da densidade demográfica, mas principalmente das condições de vida da população. Alguns países com grande densidade demográfica podem não ser considerados superpovoados, enquanto outros com densidade baixa assim o podem ser classificados. Censo – corresponde à coleta periódica de dados estatísticos dos habitantes de um determinado local. (Deixamos um tópico final para falar exclusivamente dos recenseamentos). No Brasil, os recenseamentos são feitos de 10 em 10 anos, o último foi feito em 20101, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), órgão estatal. Os estudos de população são realizados a partir dos dados coletados pelos censos demográficos e pesquisas de campo, que são organizados e interpretados por instituições oficiais do governo e universidades. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) acumula uma grande quantidade de pesquisas e dados estatísticos sobre a população brasileira. É importante ressaltar que mais do que uma série de observações e dados quantitativos, as informações do censo são utilizadas como referência para a 1 Em 2020 teríamos um novo CENSO, mas devido a Pandemia do Novo Coronavirus, foi adiado. 11 formação de políticas públicas nas mais diferentes áreas da sociedade e segmentos da economia, apontando as fragilidades, potenciais e a evolução histórica dos aspectos mais importantes de nossa sociedade (SILVA, 2020). Anote aí: População é um conjunto de seres humanos, cuja atividade vital transcorre sob a marca de uma sociedade determinada. A população é sempre um conjunto complexo de indivíduos residentes em determinados território, que formam a base natural de uma comunidade social. No curso da produção estabelecem-se entre os indivíduos, relações sociais que na dependência do modo de produção dominante na sociedade, podem ser as de dominação de uns e subordinação de outros, como ocorre na dominação das classes antagônicas (RUA et al,1993). Os refugiados – um problema global Na atualidade não podemos nos furtar a falar dos refugiados! Um problema mundial que afeta a todos e nos exige muita atenção. Refugiados são pessoas forçadas a fugirem de seus países, individualmente ou parte de evasão em massa, devido a questões políticas, religiosas, militares ou quaisquer outros problemas. Como definido na Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados das Nações Unidas - 1951 (A Convenção dos Refugiados), um refugiado é toda pessoa que: “devido a fundados temores de ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, por pertencer a determinado grupo social e por suas opiniões políticas, se encontre fora do país de sua nacionalidade e não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira recorrer a proteção de tal país; ou que, carecendo de nacionalidade e estando, em consequência de tais acontecimentos, fora do país onde tivera sua residência habitual, não possa ou, por causa dos ditos temores, não queira a ele regressar”. Segundo a Agência da ONU para Refugiados (UNHCR/ACNUR): 12 A Síria foi o país que mais gerou refugiados no mundo. Cerca de 824.400 pessoas foram forçadas a fugir dos conflitos que assolam o país. As crises na África subsaariana também levaram a novos deslocamentos. Quase 737.400 pessoas deixaram o Sudão do Sul para escapar de uma crise humanitária que cresceu consideravelmente em 2016. Burundi, Iraque, Nigéria e Eritréia também geraram grande número de refugiados. Os 5,5 milhões de sírios que foram forçados a fugir constituem o maior grupo de refugiados do mundo. Os refugiados do Afeganistão aparecem em segundo lugar se considerado o país de origem. A Turquia recebeu o maior número de refugiados – um total de 2,9 milhões, vindos principalmente da Síria. O país também abriga cerca de 30.400 refugiados do Iraque. As crises na África subsaariana tendem a forçar as pessoas a fugir para os países vizinhos e, como resultado, esta região continua a acolher um número cada vez maior de refugiados do Sudão do Sul, Somália, Sudão, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Eritréia e Burundi. Figura 4 – Campo de refugiados O Paquistão acolheu a segunda maior população de refugiados no final de 2016: 1,4 milhão de pessoas vindas principalmente do Afeganistão. Esse número diminuiu ligeiramente devido aos refugiados que regressaram para casa. Cerca de um milhão de refugiados buscaram segurança no Líbano e 979.400 no Irã. 13 Uganda vivenciouum aumento dramático da população de refugiados que saltou de 477.200 no final de 2015 para 940.800 no final de 2016. Esta população era constituída por pessoas vindas principalmente do Sudão do Sul (68%), mas também contava com números significativos de pessoas vindas da República Democrática do Congo, Burundi, Somália e Ruanda. Na verdade, Uganda registrou o maior número de novos refugiados em 2016. O número de refugiados também aumentou na Etiópia, Jordânia e República Democrática do Congo. Na Alemanha, a população de refugiados mais do que duplicou em 2016 e chegou a 669.500 pessoas. O principal motivo para esse aumento foi o reconhecimento de solicitações de refúgio apresentadas em 2015 principalmente por sírios. Figura 5 – Símbolo de acolhimento a refugiados Refugiado Ambiental: “A Conferência da ONU, em Estocolmo (1972) produziu a Declaração de Estocolmo sobre o Ambiente Humano e criou o Programa das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (PNUMA), com o objetivo de monitorar o avanço dos problemas ambientais do mundo. No documento que aprovou a criação 14 do PNUMA, foi introduzida a expressão Environmental Refugees – Refugiados ambientais, que se caracterizou-se como “pessoas que foram obrigadas a abandonar temporária ou definitivamente a zona onde tradicionalmente vivem, devido ao visível declínio do ambiente (por razoes naturais ou humanas) perturbando a sua existência e/ou a qualidade da mesma de tal maneira que a subsistência desses indivíduos se torna perigosa”. Xenofobia: “Medo aversão ou desconfiança relativamente a estrangeiros ou a coisas estrangeiras” (GARRIDO; COSTA, 1996). 15 Teorias demográficas, pirâmide etária e o envelhecimento da população Teorias demográficas As teorias demográficas versam sobre o comportamento da população e os seus ciclos de crescimento. As principais teorias são a malthusiana, a neomalthusiana, a reformista e a da transição demográfica. Com esses conhecimentos, é possível entender melhor as características da população brasileira, mundial e de vários pontos do planeta, como a China, a Índia e a Europa. Malthusianismo Thomas Robert Malthus (1766-1834), economista liberal e historiador inglês, elaborou ao final do século XVIII uma teoria populacional que apontava para o desequilíbrio existente entre os crescimentos demográficos e a disponibilidade de recursos na Terra. Em seu livro ‘Ensaio sobre o princípio da população’, ele afirmava categoricamente que o planeta, em pouco tempo, não seria capaz de atender ao número de habitantes existentes. De acordo com a Teoria Malthusiana, as populações aceleravam sempre o seu ritmo de crescimento, que seguia a linha de uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, …), enquanto a disponibilidade de recursos e de alimentos aumentaria conforme uma progressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, …), sendo menor, portanto. Como solução, Malthus apontava para o controle moral da população. Em virtude de sua filiação religiosa, ele era contra a adoção de qualquer tipo de método contraceptivo, dizendo que os casais só deveriam procriar caso houvesse condições para sustentar seus filhos. Além disso, Malthus também dizia que os trabalhadores mais pobres deveriam apenas receber o mínimo para o seu sustento, pois acreditava que a melhoria nas condições sociais elevaria ainda mais o número de nascimentos. 16 Apesar de suas previsões serem fundamentadas em dados demográficos de sua época, Malthus errou em subestimar os avanços tecnológicos nos processos de produção, que fizeram com que a oferta de recursos e alimentos se ampliasse muito acima do previsto. Além disso, observa-se atualmente que a tendência é que as sociedades mais desenvolvidas gerem menos filhos, ao contrário do que o economista inglês imaginava (PENA, 2020). Teoria reformista ou marxista Muitas contestações foram feitas ao pensamento de Malthus, frequentemente acusado de legitimar os efeitos perversos da economia capitalista sobre a desigualdade social e favorecer os ideais da burguesia. Afinal, a teoria malthusiana sugeria que a miséria e a disseminação de doenças, catástrofes e guerras ajudariam a conter o crescimento populacional acentuado. O socialista utópico do século XIX, Pierre-Joseph Proudhon, afirmava: “Há somente um homem excedente na Terra: Malthus”. E nessa mesma linha seguiam muitos teóricos que acreditavam que a desigualdade na relação entre recursos naturais, alimentos e o crescimento populacional não estava no número de habitantes, mas na distribuição de renda. Em geral, muitas dessas ideias aproximavam-se dos ideais defendidos por Karl Marx, sendo então relacionadas com o que se chamou de Teoria Marxista ou Reformista da população. Assim, para essa concepção, não é o “controle moral” da população o necessário para combater a ocorrência da fome e da miséria, mas a adoção de políticas sociais de combate à pobreza, com a aplicação de leis trabalhistas que assegurem a melhoria na renda do trabalhador. A democratização dos meios sociais e de produção também é considerada uma estratégia nesse mesmo sentido. Teoria neomalthusiana Logo após o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os principais países desenvolvidos do mundo iniciaram um processo de explosão demográfica, com um aumento rápido e repentino de sua população. Da mesma forma, nos anos 17 seguintes, muitos países subdesenvolvidos (incluindo o Brasil) passaram pelo mesmo processo, sobretudo porque nesses países, com históricos de altas natalidades e mortalidades, o número de óbitos foi reduzido e a expectativa de vida, elevada. Por isso, a população do planeta novamente começou a crescer, por isso as teorias de Malthus ganharam um novo eco entre muitos pensadores e governantes. O Neomalthusianismo é, pois, a retomada desse pensamento, com diferenças no que diz respeito às formas de controle do crescimento populacional. Para o neomalthusianismo, as populações, sobretudo as de baixa renda, deveriam ter os seus índices de natalidade controlados. Para isso, a difusão dos métodos contraceptivos tornou-se fundamental. Em alguns países, governos adotaram medidas de esterilização em massa sobre pessoas pobres, além de distribuírem anticoncepcionais gratuitamente e promover campanhas de conscientização. Difundem-se, até os dias atuais, muitas campanhas ou imagens publicitárias com o modelo ideal de família formado pelos pais e dois filhos apenas. Transição demográfica A concepção da transição demográfica é uma proposição mais atual que afirma que todos os países, cedo ou tarde, apresentarão padrões gerais no que diz respeito à ordem do crescimento demográfico. A transição demográfica considera que a explosão demográfica é um fenômeno transitório, geralmente causado pelo desenvolvimento econômico e social das nações, o que resulta na queda imediata das taxas de mortalidade, o que eleva o número de habitantes. Por outro lado, a natalidade também diminui, mas em um ritmo mais lento, o que faz com que a explosão demográfica inicial seja substituída gradativamente por uma diminuição no ritmo de crescimento do número de habitantes. Foi assim, por exemplo, que ocorreu na Europa, que hoje apresenta baixíssimos crescimentos populacionais. No Brasil também não foi diferente, pois a população aumentou rapidamente ao longo do século XX, mas teve seu crescimento 18 diminuído nas últimas décadas. O principal efeito disso – e também o principal motivo de preocupações – é o envelhecimento populacional. O Brasil, até pouco tempo atrás, era considerado um país jovem, com boa parte da população com média de idades baixas. Atualmente, passou a ser considerado um país adulto, com potencial para tornar-se um país idoso nas próximas décadas. Na Europa, o envelhecimentopopulacional já é uma realidade, o que ocasiona uma série de problemas relacionados com a previdência social e com a diminuição da PEA (população economicamente ativa). Ironicamente, no continente europeu, o problema atual é exatamente o contrário imaginado por Malthus, pois não é o crescimento acelerado da população a principal tônica da questão, mas o crescimento moderado além da conta. Em países como França e Alemanha, políticas de incentivos à natalidade são realizadas, incluindo o pagamento de bolsas e benefícios para casais que tiverem um terceiro filho (PENA, 2020). Pirâmide Etária x envelhecimento da população A estrutura etária da população corresponde à sua distribuição por faixas de idades; jovem, adulta e idosa. Os intervalos que compreendem as faixas etárias podem variar de acordo com os objetivos e conveniências de organismos internacionais ou mesmo dos países. As classificações mais utilizadas são: a)Jovens (0 a 14 anos); adultos (15 a 59 anos) e idosos (60 anos e mais); b)Jovens (0 a 14 anos); adultos (15 a 64 anos) e idosos (65 anos e mais); c)Jovens (0 a 19 anos); adultos (20 a 59 anos) e idosos (60 anos e mais). Uma forma interessante de visualizar o perfil da estrutura da população por idade é através da pirâmide etária. Nessa representação gráfica, é possível observar a estrutura da população por idade e sexo de determinado país. 19 A pirâmide etária é formada por um eixo horizontal, chamado abscissa, que indica a quantidade de pessoas, em valor absoluto ou porcentagem; à direita estão representadas as mulheres, e à esquerda, os homens. Um eixo vertical, identificado por ordenada, representa as faixas de idade. As partes que a compõem são: base - parte inferior, que corresponde à população jovem; corpo - parte intermediária, que equivale à população adulta, e ápice ou topo - parte superior, que representa a população idosa, como no exemplo abaixo. Figura 6 – Pirâmides etárias A análise de uma pirâmide etária permite inferir conclusões sobre natalidade, expectativa de vida, proporção de homens e mulheres na população, dentre outros. Se a pirâmide apresenta base larga, indica que a taxa de natalidade é alta e a população jovem é numerosa. Se o topo é estreito, indica uma pequena participação percentual de idosos no conjunto total da população e, portanto, a expectativa de vida é baixa. A alta taxa de natalidade e a baixa expectativa de vida são características de subdesenvolvimento. 20 Por outro lado, caso a base da pirâmide seja estreita, indicando baixa taxa de natalidade, e o topo apresente-se com certa largura, apontando maior expectativa de vida, a pirâmide sinaliza características de desenvolvimento. A despeito disso, é importante ressaltar que não se pode classificar um país em desenvolvido ou subdesenvolvido apenas pela pirâmide etária, pois esta classificação exige que sejam considerados vários indicadores sociais e econômicos, além dos demográficos (DANTAS; MORAIS; FERNANDES, 2011). Anote aí: As pirâmides etárias são importantes no estudo da geografia das populações porque revelam tendências de comportamento de sua dinâmica populacional, uma vez que refletem a estrutura da população por idade e sexo de determinado país. Analisadas historicamente, ou seja, ao longo de um tempo, evidenciam alterações relativas à quantidade da população total, proporção entre os sexos e as faixas de idade, expectativa de vida da população e deformações provocadas por guerras ou outras catástrofes. Elas também demonstram as principais etapas da evolução demográfica, indicando se a população se encontra nas fases de expansão, declínio ou estabilidade. Evolução demográfica O regime demográfico de população envelhecida é verificado em países que apresentam elevada expectativa de vida, baixas taxas de natalidade e mortalidade e, consequentemente, baixo crescimento vegetativo. Esse padrão de comportamento das variáveis demográficas é encontrado em países desenvolvidos que já realizaram sua transição demográfica. O regime demográfico de população em fase de envelhecimento (madura ou intermediária) inclui duas situações específicas que estão atreladas aos níveis de 21 desenvolvimento dos países. Assim, nessa categoria, estão os países desenvolvidos novos e os países subdesenvolvidos industrializados. Antes de adentrarmos nessa questão, é preciso esclarecer que, entre os países desenvolvidos, são considerados antigos aqueles que promoveram inicialmente a Revolução Industrial (século XIX) e chegaram a obter elevados índices de desenvolvimento econômico e social (por exemplo, Inglaterra e França). São identificados como novos ou recentes aqueles que alcançaram indicadores de desenvolvimento econômico e social mais expressivos após a II Guerra Mundial, como por exemplo Austrália e EUA. Os chamados países desenvolvidos novos possuem um percentual de idosos inferior ao dos países desenvolvidos antigos, posto que a natalidade declinou somente após a II Guerra Mundial, e apresentam uma grande porcentagem de população adulta, caracterizando-se pelo processo de envelhecimento da população. Entre os países desenvolvidos que assumem esse perfil estão Austrália, EUA, Canadá e Nova Zelândia. Os países subdesenvolvidos industrializados, representados pelas nações que promoveram a industrialização, mas não atingiram um nível de desenvolvimento econômico e social capaz de erradicar a pobreza, a dependência econômica e tecnológica, entre outros problemas do subdesenvolvimento, registraram diminuição nas taxas de mortalidade, natalidade e crescimento vegetativo após 1970. Nesses países, o comportamento declinante das variáveis anteriormente citadas repercutiu sobre a distribuição da população por faixas de idade, de modo que os jovens passaram a corresponder a aproximadamente 20% e os idosos ficaram entre 5% e 15%. Avaliando esses índices historicamente, observa-se que há uma tendência à redução da proporção de jovens e aumento do percentual de idosos no conjunto da população, o que denota o envelhecimento demográfico. São representativos desse grupo de países China, Cuba, Armênia e Brasil. A pirâmide a seguir apresenta o regime demográfico do Brasil. Observe como se comportam os indicadores de expectativa de vida, taxas de natalidade e mortalidade e crescimento vegetativo. 22 Figura 7 – Pirâmides etárias do Brasil 23 O regime demográfico de população jovem ocorre em países que, em geral, apresentam elevadas taxas de natalidade e mortalidade, embora seja pertinente considerar que o número de nascimentos é bem superior ao de mortes. Como resultado dessa equação demográfica, tem-se um elevado crescimento vegetativo e a configuração de uma alta proporção de jovens no conjunto da população. Esse perfil demográfico está presente em um numeroso grupo de países, que, a despeito da heterogeneidade que apresentam, têm como característica comum as precárias condições de vida, traduzidas em baixa expectativa de vida e uma porcentagem de idosos relativamente pequena. Este grupo abrange países subdesenvolvidos e não- industrializados da África, América Latina, Ásia e Oceania (DANTAS; MORAIS; FERNANDES, 2011). A tendência ao envelhecimento populacional inicialmente verificada entre os países desenvolvidos, vem se configurando em escala mundial, sendo decorrente da redução nas taxas de natalidade e mortalidade que, embora mais tarde, também vai ocorrer em países subdesenvolvidos. Dentre as consequências acarretadas pelo crescente envelhecimento demográfico, destacam-se aquelas que dizem respeito ao mercado de trabalho e às condições de vida que uma população nessa faixa de idade necessita. O mercado de trabalho é afetado pelo envelhecimento da população no sentido em que, atualmente, ao aumentar a proporção de idososna população total, cresce também o número de aposentados. Desse modo, vem declinando a relação entre o número de trabalhadores que são necessários para sustentar o número de aposentados. Para efeito ilustrativo, ressalta-se que há algumas décadas existiam cerca de seis trabalhadores para cada aposentado e, hoje, em alguns países, essa proporção já é de dois para um. Qual a implicação desse fato? A problemática reside no fato de que a qualidade da aposentadoria pode ser reduzida, visto que será necessário um maior volume de recursos para manter o crescente número de aposentados, em um contexto onde a percentagem de adultos diminui simultaneamente ao aumento de idosos. 24 A melhoria nas condições de vida do idoso, em um cenário de envelhecimento populacional, tornou-se um imperativo para o governo e a sociedade em geral. Essa melhoria não pressupõe apenas mudanças em termos de políticas públicas e ações governamentais, mas também na forma de perceber e tratar o idoso no ambiente familiar. Ideias, valores e práticas carecem de redefinições urgentes para que a sociedade aprenda a lidar e a conviver com essa nova realidade demográfica. Todos os setores da sociedade estão sendo afetados, de forma que se faz necessário readequar os sistemas de saúde, educação, transportes, lazer, produção, comércio, publicidade, entre outros, para assegurar melhores condições de vida para o idoso. A economia de mercado, que até pouco tempo somente enxergava o idoso como uma representação de custos, hoje já vislumbra nessa parcela da população um potencial de consumo, reconhecidamente existente nos países desenvolvidos, onde eles podem pagar por viagens, programações sociais e culturais, aquisição de produtos eletrônicos etc. (DANTAS; MORAIS; FERNANDES, 2011). 25 Censo demográfico História dos censos A palavra Censo origina-se do latim census, que quer dizer “conjunto dos dados estatísticos dos habitantes de uma cidade, província, estado, nação etc.” A história dos censos remonta aos tempos antigos, e o mais remoto deles, que se tem notícia, é o da China. Em 2238 a.C., o imperador Yao mandou realizar um censo da população e das lavouras cultivadas. Há também registros de um censo realizado no tempo de Moisés, cerca de 1700 a.C., e de que os egípcios faziam recenseamentos anualmente, no século XVI a.C. Os romanos e os gregos realizaram censos por volta dos séculos VIII ao IV a.C. Em 578-534 a.C., o imperador Sérvio Tulio mandou realizar um censo de população e riqueza que serviu para estabelecer o recrutamento para o exército, para o exercício dos direitos políticos e para o pagamento de impostos. Os romanos fizeram 72 censos entre 555 a.C. e 72 d.C. Como se pode verificar, a função primordial, naquela época, era conhecer os quantitativos de população para fazer a guerra e cobrar impostos. A punição para quem não respondia, geralmente era a morte. A Bíblia conta que José e a Virgem Maria saíram de Nazareth, na Galileia, para Belém, na Judeia, para responder ao Censo ordenado por César Augusto (as pessoas tinham que ser entrevistadas no local de sua origem). Foi enquanto estavam na cidade que Jesus nasceu. Na Idade Média, na Europa, houve diversos recenseamentos: na Península Ibérica durante a dominação muçulmana (séculos VII ao XV); no reinado de Carlos Magno (712-814); e ainda o Doomaday Book, que é o maior registro estatístico feito na época, na Inglaterra, por ordem de Guilherme, o Conquistador. E nas repúblicas italianas nos séculos XII e XIII. 26 Nas Américas, muito antes de Cristóvão Colombo, os Incas já mantinham um registro numérico de dados da população em quipus, um engenhoso sistema de cordas com nós que representavam números no sistema decimal. Assim, pode-se verificar que desde épocas remotas os governos se preocupam em realizar censos (IBGE, 2007). Censo Demográfico no Brasil Constitui a principal fonte de referência para o conhecimento das condições de vida da população em todos os municípios do País e em seus recortes territoriais internos, tendo como unidade de coleta a pessoa residente, na data de referência, em domicílio do Território Nacional (IBGE, 2020). O primeiro recenseamento da população do Brasil foi efetuado em 1808, visando atender especificamente a interesses militares, de recrutamento para as Forças Armadas, o que enseja suspeitas de que seus resultados tenham ficado aquém da realidade, seja em razão da natural prevenção do povo contra as operações censitárias, seja, principalmente, em razão de seus objetivos. Para efeito de registro histórico, porém, em virtude de sua maior complexidade e, sobretudo, do controle a que foi submetida toda a operação, o recenseamento realizado em 1872, denominado Censo Geral do Império, é considerado o primeiro efetuado no País, tendo sido conduzido pela então Directoria-Geral de Estatística. Em 1940, após a radical transformação da estrutura dos serviços de estatística no País – criação do Conselho Nacional de Estatística - CNE e do Conselho Nacional de Geografia - CNG, que, juntos, passaram a integrar o IBGE por força do Decreto-Lei n. 218, de 26.01.1938 – o Instituto realizou, em 1º de setembro, o V Recenseamento Geral do Brasil, que correspondeu ao quinto censo populacional. Desde então, ocorreram alterações e aprimoramentos em variados aspectos técnicos, tecnológicos e operacionais da pesquisa, que lhe conferiram um salto de qualidade. Dentre eles, se destacam a instituição de parcerias, visando ampliar a integração entre o IBGE e as comunidades locais, bem como a utilização, de forma intensiva, de tecnologias digitais que permitem levar a cada segmento de usuários as mídias mais apropriadas. 27 O Questionário Básico da pesquisa investiga informações sobre as características do domicílio e dos moradores. A investigação nos domicílios selecionados, efetuada por meio do Questionário da Amostra, inclui, além dos quesitos presentes no Questionário Básico, outros mais detalhados, bem como quesitos sobre temas específicos. A periodicidade da pesquisa é decenal, excetuando-se os anos de 1910 e 1930, em que o levantamento foi suspenso, e 1990, quando a operação foi adiada para 1991. Sua abrangência geográfica é nacional, com resultados divulgados para Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, Mesorregiões, Microrregiões, Regiões Metropolitanas, Municípios, Distritos, Subdistritos e Setores Censitários (IBGE, 2020). 28 Trabalhando a Geografia das populações no Ensino Médio Os caminhos didáticos percorridos na abordagem dos conteúdos relacionados à Geografia da População podem ser organizados em duas etapas. Em cada uma destas traçam-se os objetivos a serem atingidos e habilidades a ser adquiridas pelos alunos durante o processo. Para tanto, são propostas atividades específicas para cada conteúdo trabalhado (AIRES, 2012). As especificidades das etapas dessa experiência didática encontram-se sintetizadas no Quadro abaixo. Plano sequencial para abordar conteúdos de geografia da população no 2º ano do Ensino Médio Etapa 1 – Construir as noções e os conceitos e geografia da população Objetivos Habilidades Conteúdos Atividades Identificar semelhanças e diferenças entre as famílias dos colegas da sala, dos seus pais e avós; Leitura de esquemas; Comparações através do tempo. Características das famílias de ontem e de hoje. Construção de Árvore genealógica individual. Entender as causas da distribuição desigualdade da população mundial: Leitura e interpretação de textos e mapas: Arcas Ecúmcnas c Anccúmas: Países mais populosos do mundo. Texto "mundo de gente” Análise de mapas demográficos mundiais Perceber os pontos positivos e negativos das teoriasdemográficas, intencionalidades e ideologias contidas. Análises e comparações; Discussões em grupos; Elaboração de texto. Aspectos das Teorias demográficas: Malthusianismo e Neomalthusianismo; Noção do gênero textual dissertativo. Leitura e interpretação de textos: Produção textual com o tema: Controle da natalidade – pontos positivos e negativos. 29 Etapa 2 - Trabalhar com tabelas e mapas demográficos do Brasil Objetivos Habilidades Conteúdos Atividades Apresentar e distinguir os conceitos de população absoluta e relativa e de densidade demográfica. Identificar as grandes concentrações e os vazios demográficos no Brasil. Relacionar a história da ocupação do território brasileiro às concentrações regionais e estaduais desiguais. Análise e interpretação de dados em mapas e tabelas. Raciocínio lógico. Leitura. Interpretação e utilização de legendas. Percepção espacial Desenvolver relações em grupos. População relativa e absoluta. Densidade demográfica. Distribuição da população Brasileira. Cheios e vazios demográficos regionais e estaduais no Brasil. Causas e consequências da distribuição desigual da população. Discussão sobre a área da sala de aula e a distribuição dos alunos. Utilização de mapas para responder as seguintes questões. Onde está a população? Quais os cheios e vazios demográficos? Quais os fatores atrativos e repulsivos dessa população? 30 Referências AIRES, R. Abordagens dos conteúdos de geografia da população no ensino médio: possibilidades do uso de dados do censo 2010 em sala de aula (2012). Disponível em: http://www.revistaensinogeografia.ig.ufu.br/N.5/Art1v3n5final.pdf DANTAS, E. M.; MORAIS, I. R. D.; FERNANDES, M. J. da C. Geografia da população. Natal: UFRN, 2011. GARRIDO, D.; COSTA, R. Dicionário breve de geografia. Lisboa: Editorial Presença, 1996. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico O que é? (2020). Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9662-censo-demografico- 2010.html?=&t=o-que-e INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Para que serve o Censo (2010). 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