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Arquiteturas modernista e pós-modernista Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever os movimentos da arquitetura contemporânea pós-ecletismo. Identificar as características da arquitetura contemporânea. Reconhecer as principais obras e os artistas da arquitetura modernista e pós-modernista. Introdução Os acontecimentos do século XX, combinados aos avanços tecnológicos na construção civil (marcados pelo uso do aço e do concreto armado) deram uma nova visão às cidades como um local para abrigar indústrias e sistemas modernos de transporte. Pensando-se ainda na questão da saúde física e mental, caracterizaram nesse contexto o surgimento das arquiteturas modernista e, mais tarde, pós-modernista. Neste capítulo, você verá a descrição dos movimentos da arquitetura contemporânea pós-ecletismo, a partir da identificação de suas características e principais obras e artistas. Arquitetura modernista Durante o período de transição da Revolução Industrial até nossa contempo- raneidade, surgem novos problemas e, com isso, repostas diferentes e únicas, a partir de um leque de novas experimentações. Para Pereira (2010, p. 227), esses novos problemas levaram “[...] a uma desagregação dos nexos morfoló- gicos tradicionais em todos os campos”. O século XX traz consigo mudanças culturais e científi cas importantes. Tais mudanças e as novas descobertas levaram a teorias que abalaram a sensação “típica do século XIX de progresso infi nito”, abrindo caminho para uma nova etapa cultural e arquitetônica. A nova etapa cultural é marcada pelo modernismo, do qual fazem parte outros tantos movimentos, como será visto a seguir. O percurso será iniciado pela explicação sobre o abandono do ornamento na arquitetura modernista. Adolf Loos (1870–1933) deu início à sua carreira associada à Sezession de Viena, mas logo se afastou. Após entrar em contato com os textos de Louis Sullivan, começou a opor-se ao uso de ornamentos na arquitetura. E, assim, dedicou-se a explorar, criando um novo método de composição espacial, cha- mado de Raumplan. Um de seus textos mais famosos foi publicado em 1908, o Ornamento e crime, seguindo a sugestão de abandonar a ornamentação na arquitetura, como já sugerido por Sullivan, e adotando como resultado “formas vernaculares simples”, construções funcionais e desadornadas, adequadas, a seu ver, para a era das máquinas (Figura 1). Figura 1. Casa Moller, Viena, 1927–1928. Fonte: Ching, Jarzombek e Prakash (2019. p. 703). A Casa Moller se mostra como um projeto paradigmático de Loos, visto que sua fachada é simples e “[...] um tanto opressora” (CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019, p. 703). E se, por um lado, o exterior da casa é simples, os Arquiteturas modernista e pós-modernista2 ambientes internos, por outro, “[...] são ricamente revestidos de lâminas de madeira clara nas paredes e de tapetes orientais no piso, criando uma sensação de suntuosa elegância”, como colocam Ching, Jarzombek e Prakash (2019, p. 703). Embora Loos seja considerado como um dos precursores do modernismo, nesse caso, ele apresenta uma aproximação com o ideal do movimento das artes e ofícios, em razão do tratamento do interior e seu intimismo. O futurismo e o construtivismo O futurismo italiano e o construtivismo russo foram dois movimentos que infl uenciaram o desenvolvimento do modernismo europeu, apesar de terem sido relativamente breves. Filippo Marinetti (1876–1944) foi o principal responsável por apresentar os ideais futuristas, publicando um manifesto, em 1909, para sua fundação, mesmo ano em que Frank Lloyd Wright seguia para a Europa após abandonar os Estados Unidos. Marinetti acreditava piamente que a paisagem italiana, assim como sua arquitetura, deveria sofrer uma mudança radical. Segundo Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 483), ele “[...] louvava a velocidade, o perigo, a audácia e até mesmo a guerra como meio de limpar a sociedade; também anunciou o fim das noções tradicionais de tempo e espaço”. Para Marinetti (apud CHING; JARZOMBEK; PRAKASH, 2019, p. 708), “[...] a arte não pode ser nada além de violência, crueldade e injustiça”. Ao redor dessa retórica agressiva, estavam artistas e escultores, ainda sem meios gráficos para se expressarem. O arquiteto mais conhecido do movimento foi Antonio Sant’Elia (1888– 1916). A arquitetura futurista perdeu muita força após a sua morte. Sant’Elia ficou conhecido a partir da exposição de 1914, Città Nuova (Cidade Nova) e da publicação que a acompanhou, Messagio (Mensagem), que se tornou o manifesto da arquitetura futurista. Sua técnica envolvia perspectivas exube- rantes, projetos para hangares de aeronaves, blocos de apartamentos, centro de transporte, entre outros. Os projetos se caracterizavam por “[...] fortes volumes sem ornamentação, verticalidade, paredes inclinadas ou escalonadas, múltiplos níveis de circulação horizontal, elevadores externos e equipamentos de geração de energia aparentes”, como como ser visto na Figura 2 (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 484). 3Arquiteturas modernista e pós-modernista Figura 2. Antonio Sant’Elia, detalhe de La Città Nuova, 1914. Sant’Elia explorou as pos- sibilidades de uma cidade dinâmica domi- nada por múltiplos meios de transporte. As altas torres de elevadores conectadas às laterais dos prédios por passarelas são especialmente impressionantes. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011. p. 484). Assim como os futuristas, os construtivistas também eram muito ra- dicais na Rússia revolucionária, ainda que determinados a desaparecer, em vista do classicismo de Stalin. O construtivismo idealizava uma República Soviética cuja arquitetura fosse impulsionada pelas forças da industrialização. No entanto, muitas dessas ideias construtivistas transpunham o cenário rural e o estado de confusão total que caracterizava o país. Propunham o uso de materiais de construção modernos, como aço e o concreto, e grandes áreas de vidro. Entre seus projetos, destaca-se o Pavilhão Soviético para a Exposition des Arts Décoratifs, de 1925, projeto de Konstantin Melnikov (1890–1974), com “volumes romboides e estrutura em balanço” enfatizando o dinamismo, ao passo que “[...] os espaços interconectados expressavam a agenda ainda em aberta do Comunismo Soviético” (Figura 3) (FAZIO; MOFFETT; WO- DEHOUSE, 2011, p. 485). Arquiteturas modernista e pós-modernista4 Figura 3. Konstantin Melnikov, Pavilhão Soviético, Exposition des Arts Décoratifs, Paris, 1925. Para criar esta forma dinâmica, Melnikov usou um grelha de planejamento interseccionada por uma escadaria diagonal. Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 485). O expressionismo holandês e alemão Os pintores dos grupos alemães Brucke (Ponte) e Blauer Reiter (Cavaleiro Azul), entre 1900 e 1914, revoltaram-se contra o naturalismo acadêmico, passando a expressar suas emoções, pensamentos e sentimentos diretamente na pintura. No período pós-guerra, os artistas e arquitetos europeus viam- -se emocionados em relação à barbárie da guerra enquanto a sociedade se recuperava da devastação. Os membros do expressionismo holandês, trabalhando em Amsterdã, deviam muito à obra de H. P. Berlage (1856–1934). Em suas obras, buscavam ressaltar o processo artesanal da construção, revelar a estrutura e um alto nível de detalhes. Um dos prédios pelo qual Berlage ficou conhecido é o da Bolsa de Valores de Amsterdã (1897–1903). O edifício apresenta paredes portantes de tijolo e pedra com inspiração medieval, cobertura de treliças de ferro e claraboias acima do grande salão (Figura 4). 5Arquiteturas modernista e pós-modernista