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RECOMENDAÇÕES Nos mais de 10 anos de amizade eu nunca vi o Alessandro vazio de fome e com sua chama por Deus apagada. Talvez essas sejam as maiores marcas do seu coração quebrantado! E nesses anos de jornada com Jesus sempre almejei que a fome por Deus não fosse apenas um anelo espiritual mas que tornasse uma mensagem tão fundamentada como esse livro. A minha expectativa é que esse livro te desperte tanto quanto eu fui despertado inúmeras vezes ao ver o meu amigo diante de Jesus. Como sempre oro, eu espero que essa seja também a sua oração: "Nos alimente com fome, nos alimente com sede". Maranata! Gabriel Cantarino Pastor na Igreja One. Fundador do Cantarinos Ministries. Alessandro Villas Boas é um amigo e conservo no Senhor que tanto suas canções como seus escritos exalam anseio pelo Senhor. Nessa obra, Alê nos conduz a um assunto central para os dias em que vivemos, fome por Deus! Vivemos em dias de muita superficialidade, nos quais criamos falsas linhas de chegada e nesta obra somos desafiados a nos alimentarmos do Deus que sacia a fome e ao mesmo tempo faz ela aumentar. Eu creio que essa obra vai nos tirar da nossa zona de apatia e nos levar a desejar mais do Senhor! Mike Duque Autor de Avivamento "Fome por Deus" é a chave que precisamos para viver uma vida espiritual crescente, constante e consistente. Uma vida espiritual que não esmorece. Alessandro Vilas Boas tem sido um exemplo de uma vida que é moldada pela fome por Deus. Ao longo dos anos, eu tenho visto muitos homens de Deus que começam suas jornadas com o Senhor como um foguete sendo lançado aos céus, mas rapidamente perdem a sua força e desaparecem do contexto ministerial. A diferença que existe entre um homem de Deus que permanece queimando por Ele e aqueles que desanimam é simplesmente manter a "fome por Deus" ativa durante todo o tempo. Alessandro tem feito exatamente isto: em meio a muitas transições, ele tem mantido o fogo aceso em seu coração. Agora, com esta transição do nacional para o internacional, do pastoral para o apostólico, ele contém algumas chaves para termos êxito em nossa caminhada e que irá ajudar você a manter o fogo aceso durante as transições de sua vida. Receba as palavras deste livro como que vindo de alguém que não está apenas pregando um princípio, mas que realmente tem vivido uma vida de muitos altos e baixos, muitas mudanças, mas que tem conseguido manter o fogo da fome por Deus ao longo de todas essas estações. Mark Shubert Globe Mission Brasil Autor de A Transferência SUMÁRIO PREFÁCIO por Corey Russel INTRODUÇÃO ESPECIAL por Bob Sorge CAPÍTULO 1 Como uma pequena vela diante do sol CAPÍTULO 2 A fome no lugar errado CAPÍTULO 3 Um coração quebrantado CAPÍTULO 4 Pelo que você tem fome? CAPÍTULO 5 Tenha fome! CAPÍTULO 6 Precisamos de poder do alto CAPÍTULO 7 Uma jornada CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PREFÁCIO Eu nunca me esquecerei de quando eu li um sermão, há alguns anos, no qual o pregador dizia: "se houver apenas um dom que eu possa transferir para alguém, este seria o dom da fome por Deus". Ele continuou declarando coisas como: "nações aprenderam que as pessoas obedecerão às leis e permanecerão nisso até ficarem famintas. Uma vez que elas estão famintas, elas não poderão mais ser controladas". Foi essa mensagem que agarrou a minha vida e me guiou para uma jornada de fome por Deus há 25 anos e tem sido a fonte de todas as coisas. Nós vivemos em um mundo com centenas de opções, centenas de imagens e vozes que buscam nos entorpecer e abafar as profundezas em nosso espírito que clamam por mais de Deus. Eu acredito que este é o tempo para clamarmos novamente por uma fome fresca por Ele. Eu estou mais do que animado para o lançamento do novo livro do Alessandro Vilas Boas, "Fome por Deus". Nós precisamos desesperadamente de um livro como este para um tempo como este. A Igreja está distraída, apática e morna. Nós precisamos ser profundamente feridos com fome novamente. Eu acredito que um livro como este tem o potencial de, literalmente, abalar o mundo. E eu, de todo o coração, recomendo a leitura desse livro e desse autor. Eu oro para que mais livros como este sejam escritos e liberados. Corey Russell Pregador internacional e parte da liderança global da UPPER ROOM, fazendo parte da Igreja em Denver (CO), EUA. Autor de Ensina-nos a Orar, publicado em português pela Editora Themelios. coreyrussell.org INTRODUÇÃO ESPECIAL Certo dia, meu filho Joel estava procurando uma igreja caseira da qual ele pudesse fazer parte juntamente com sua família. Então, ele me perguntou: "Pai, o que eu deveria procurar em uma igreja caseira?”. Filhos crescidos raramente perguntam a opinião de seus pais ou buscam deles conselhos, então eu queria ser bem cuidadoso com a minha resposta. Depois de ponderar por um tempo, eu respondi a ele: "procure por uma igreja que produza fome espiritual em seu rebanho". Como eu produzo fome espiritual em um rebanho? A resposta é um pouco contra-intuitiva: você alimenta eles. Ovelhas que são bem alimentadas se tornam saudáveis; ovelhas saudáveis, consequentemente, desenvolvem o apetite. Quando você desenvolve um apetite pela Palavra de Deus, os cultos de domingo por si só não serão mais o suficiente. Você quer mais. Por quê? Porque uma ovelha saudável possui uma santa fome que não é satisfeita apenas com uma refeição por semana. Quando você tem uma fome saudável pela Palavra de Deus, você passa a se alimentar da Sua Palavra todos os dias, assim como o salmista escreveu: "pelo contrário, seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite" (Salmos 1:2). Às vezes, é bom fazermos uma análise da nossa fome. O quão faminto eu estou por mais de Deus? O quão faminto eu estou por mais revelação do conhecimento de Cristo e de Sua Palavra? O nível da minha fome demonstra que eu estou espiritualmente saudável? Uma das formas de Deus nos tornar famintos por mais Dele é enviando uma escassez espiritual em nosso caminho. Na parábola de Jesus sobre o filho pródigo, a escassez de comida fez com que o filho se tornasse faminto pela abundância que existe na casa do pai (veja Lucas 15). A escassez era, na verdade, uma gentileza dos céus para trazer este filho perdido de volta à realidade. Às vezes, as coisas que Deus usa em nossas vidas para gerar em nós mais fome por Ele são sinais de Sua bondade. Nunca despreze os meios que Deus usa para nos tornar desesperados por Ele. Se você precisa de uma fome mais intensa por Deus, eu sugiro que você faça orações perigosas. E que orações são essas? Custe o que custar. Jesus, eu preciso ter mais de Você - Custe o que custar! Jesus, eu preciso estar mais perto do Senhor - Custe o que custar. Jesus, eu preciso conhecer mais Você - Custe o que custar. Jesus, faça o que for preciso para que eu seja total e completamente rendido ao Senhor. Se você fizer essa oração perigosa, e se Deus escolher respondê-las, se prepare para uma jornada espiritual que irá despertar a sua fome por Deus. Este livro do Alessandro Vilas Boas irá te ajudar a avaliar a sua fome por Deus e irá te equipar para perseguir o conhecimento de Cristo ao se alimentar desesperadamente de Sua Palavra. Que grandiosa benção é nos tornarmos famintos por mais da justiça de Deus, porque, nas palavras de Jesus, você será saciado! (Mateus 5:6). Bob Sorge Mora em Kansas City (MO), EUA, onde é membro associado da Casa de Oração (IHOPKC), além de ser um escritor best-seller e pregador internacional. Autor de livros como A Cruz e A Próxima Onda, ambos publicados pela Editora Themelios. INTRODUÇÃO Nasci em uma pequena cidade do Sul de Minas Gerais, simpática e boa para se morar. Como toda cidade mineira, nossa pequena Itajubá é repleta de boa comida, montanhas, cachoeiras e, obviamente, de pessoas amáveis. Infelizmente, no que diz respeito às igrejas, não temos muitas que sejam relevantes nacionalmente. Particularmente, também não conheço nenhuma história de avivamento que tenha acontecido em Itajubá. De certa maneira, todo esse pano de fundo nãoum mês aprendendo com a vida de um homem ou uma mulher de oração te ensinará mais do que mil livros. Antes de irmos adiante, preciso enfatizar: adquira fome! Não apenas de maneira racional e lógica, mas principalmente pela prática. Tenha fome! Lembre-se dos discípulos em Lucas 11:1 pedindo para Cristo ensinar-lhes como orar e como, de maneira maravilhosamente simples, Cristo os ensina a orar, orando! É fato que ao orar o "Pai nosso", Jesus também nos deixou bases teológicas que fundamentam tudo o que fazemos. Porém, Ele não o fez apenas em palavras racionais, mas em vida, prática, suor e lágrimas. Querido amigo, a partir deste momento, entraremos em dois tópicos que, como mencionado anteriormente, são as principais rotas até o coração de Deus: Palavra e oração, que se aplicam dentro do seu "lugar secreto". Porém, não se esqueça: a fome não é recebida na lógica, precisamos alcançá-la! Tenha violência, deseje, cave mais fundo! Vamos lá! O LUGAR SECRETO Deus nunca escondeu o desejo de formar o homem para o lugar da intimidade com Sua presença. Ainda no jardim, o próprio Senhor visitava Adão diariamente (Gn 3:8). Mesmo depois da queda, o desejo de Deus não mudou. Abraão foi chamado a andar na Sua presença (Gn 17:1); Jacó experimentou um toque tão profundo de Deus que teve seu nome e história completamente mudados (Gn 32:24-28). Moisés falava com Deus face a face (Ex 33:11) e Davi foi considerado um homem segundo o coração de Deus (1 Sm 13:14). O próprio Jesus, quando em carne, caminhou entre os homens e deixou claro os anseios de Seu coração para os discípulos: “Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que seu senhor faz; mas eu vos chamo de amigos, pois eu vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai.” (Jo 15:15). Ao falarmos de "lugar secreto", inicialmente, precisamos ter em mente toda essa história de Deus com Seu povo. Não é um desejo novo da parte de Deus que seu povo acesse lugares de contemplação em Sua presença. No entanto, embora enfaticamente as Escrituras apontem para lugares literais para onde Deus deseja levar o seu povo para estar com Ele (Is 2:1-5 - o que será cumprido plenamente na segunda vinda de Cristo), não podemos resumir o conceito de intimidade ou "lugar secreto" apenas a um lugar físico. “Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizes que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Então Jesus lhe disse: Mulher, crê em mim, a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus. Mas virá a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai no Espírito e em verdade; porque são esses os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem no Espírito e em verdade.” (João 4: 20-24) Enquanto a mulher samaritana estava preocupada com o local, onde deveria ser prestada a adoração, Jesus traz para a questão quem deve ser adorado. Quando diz que dos “judeus vem salvação”, Cristo não esconde que só existe um verdadeiro Deus digno de adoração e que tem poder para salvar. Deus esse que, aos seus, responde como Pai, e que sendo Espírito assim como é “luz” e “amor”, deseja ser adorado em comum natureza, ou seja, Jesus ensina que os adoradores devem partilhar algo da natureza Daquele que é adorado. Sendo assim, Jesus transforma totalmente a maneira de adoração. Em "espírito e em verdade” tornou-se a maneira pela qual adoramos, o que transcende condições geográficas. O Filho está declarando que não é sobre onde, mas sim sobre quem, e em que condição de coração e entendimento estamos adorando. Em Mateus 6:5-6, Jesus nos adverte a não adorá-Lo como se Ele fosse um espetáculo, nos chamando para o "quarto" que, segundo D.A Carson,[11] é uma referência ao sótão, a um local provavelmente sem janelas e o único lugar que podia ser trancado em uma casa naquela época. O que nos faz entender que cristãos não são homens de palco, mas de lugares ocultos, guardados em seus 'quartos' de oração, os quais, apesar de serem, muitas vezes, lugares físicos, precisam ser, acima de tudo, uma verdade no homem interior. Portanto, o lugar secreto é mais do que um momento e um lugar - é uma realidade que acesso quando entendo que Cristo me aproximou de Deus. Assim sendo, o ambiente da comunhão com Deus não é necessariamente um lugar calmo, no qual separo um tempo para estar com Ele. O caminhar do dia-dia com os olhos e coração abertos para uma realidade superior também faz parte deste espaço.[12] Embora entendamos o que foi escrito acima, não podemos substituir ou anular a importância de devotar parte do nosso tempo ao Senhor. E quando digo isso, refiro-me a priorizarmos Ouvi-Lo, senti-Lo e aprender Dele. É utópico acreditarmos em uma vida cristã saudável que não prioriza estar com Deus! Por fim, o lugar secreto também é um tempo e lugar separados ao Senhor, onde, nesse lugar, estarão apenas você e Ele, sem distrações e nem pessoas a mais. Esse é o lugar mais importante! Deve ser uma realidade praticada, na vida do Cristão, o esconder-se debaixo das asas do Onipotente (Sl 91:1), que, obviamente, apesar de não serem asas literais, nos cobrem de maneira poderosa e nos direcionam. Precisamos urgentemente aprender a dizer como o salmista "todas as minhas fontes estão em ti" (Sl 87:7), levantar nossas vozes e proclamar o que Moisés orou: "Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui" (Ex 33:15). Esse lugar - ou realidade -, que é eterno demais para ser meramente um lugar geográfico, precisa nos acompanhar e ser nossa primeira intenção diante de Deus. Muitas vezes, para praticarmos tal conceito tão elevado, teremos que nos cercar de práticas tão simples que parecem diluir o poder do lugar secreto. Porém, não caia nesse erro. Permaneça! Uma dica simples é: seja intencional em separar tempo na sua agenda para o seu tempo no secreto. Quer sejam 20 ou 30 minutos diários, é importante sermos constantes e termos esse tempo como fundamento em nossas vidas. Entendendo o que é o lugar secreto, podemos caminhar para um lugar mais prático e fundamental do que fazemos no lugar secreto. E sem dúvida colocarmos nossa fome espiritual em prática e percorrer a jornada até os lugares altos no Senhor. Como dito antes, não tenha medo de estipular tempo e organizar seu cronograma para oração, porém, nunca deixe de lado o verdadeiro entendimento que o lugar secreto é mais do que um lugar, mas uma realidade em nosso espírito, pois sabemos que em Cristo, estamos assentados em lugares celestiais e temos livre acesso ao trono da graça. Me lembro de incontáveis vezes em minha história com o Senhor em que, em ambientes despretensiosos, nos quais não havia canções e orações e eu nem ao menos estava pensando em coisas espirituais, de repente, pow! Eu O sentia tão perto, como um fogo dentro do meu peito. Não perca esse desejo: mantenha e priorize isso! A ORAÇÃO A oração é ter comunhão com Deus, em pura e íntima conversa. Orando, aprendemos a nos relacionarmos com Deus como um amigo e também como um Senhor. Um homem que não sabe se calar diante da glória de Deus é um homem que nunca viveu um ambiente correto de oração. Da mesma maneira, alguém que não sabe dirigir suas palavras a Deus, achando que o Senhor está distante, nunca experimentou o rio perene da oração. Em minha visão, precisamos, antes de tudo, aprender a nos calar. Para muitos, a oração tem mais a ver com o se dirigir a Deus apresentando petições e anseios do que cultivar um relacionamento com Ele. Gastamos cada minuto que temos diante da presença seguindo listas de orações e proclamações espirituais, sem ao menos perceber que sequer nos calamos para ouvir. Muitas vezes, nosso tempo de oração se torna um tempo a sós conosco mesmos, onde revelamos nossas crises em voz alta, sem nunca escutar a resposta do alto. Sem percebermos, nossas orações em vários momentos manifestam nossa falta de fé, quando deveria ser o contrário. A incapacidade de silenciar, muitas vezes, é fruto deum medo de estarmos sozinhos. A solitude não pode ser temida pelo cristão, porque, de fato, nunca estamos sozinhos. Solitude é estar sozinho com Deus. Nós precisamos que o Senhor seja participante ativo de nosso tempo a sós. Sobre este assunto, Henri Nouwen irá, sabiamente, escrever em seu livro Espaço para Deus:[13] "Sem solitude, é praticamente impossível ter uma vida espiritual. Solitude começa com um tempo e lugar separados para Deus, e somente para ele. Se realmente cremos que Deus não apenas existe, mas também está ativamente presente em nossa vida - curando, ensinando, e dirigindo -, precisamos reservar um tempo e um espaço para lhe dar atenção ininterrupta.” A verdadeira oração nasce de uma revelação ou conhecimento correto de quem Deus é. Sendo iluminado pelo conhecimento de Deus, aprendo a me relacionar com Ele. Assim, já não caminho com meras repetições ou petições vazias, mas em poder. Veja o que disse T. Keller: O poder das nossas orações, portanto, não se encontra primordialmente em nosso esforço e luta, ou em uma técnica qualquer, mas em nosso conhecimento de Deus.[14] Aprender a estar com Deus é indispensável. O ato de orar, mesmo quando não se sabe ao certo quais palavras usar, é essencial neste processo. Sem dúvidas, o mais alto tipo de oração é quando nosso vocabulário se esgota e tudo que temos são os gemidos inexprimíveis que o Espírito comunica ao nosso interior. Como em um estado de pura rendição, o indivíduo permanece diante de seu criador imóvel, submisso e atento. Esse tipo de oração irá te livrar de todo humanismo - ela irá te quebrar! Me lembro de inúmeras vezes em que apenas permaneci diante do Senhor, sem metas ou tópicos de oração. E, então, as lágrimas começaram a rolar como rios e cânticos a fluir de dentro de mim, e eu não sabia ao certo o que estava cantando ou falando. Contudo, uma coisa era certa: eu havia experimentado da santa Presença de Deus. A presença objetiva e manifesta de Cristo é completamente arrebatadora. Quando estamos diante dela, nosso único foco é contemplá- Lo e nos submetermos à Sua vontade (Jo 17:24), e, assim, nunca mais somos os mesmos. Os nossos olhos se abrem para a Sua beleza e vislumbramos quem Ele é. De repente, não conseguimos mais ser os mesmos, pois estamos expostos à Sua santidade. Assim como Jacó foi ferido em estar na presença do Senhor, assim os que contemplam esse ambiente preferem sair 'aleijados' do que sem ser abençoados com um toque da glória de Deus. Querido amigo, esse ambiente de oração é onde eu acredito que experimentamos os mais altos encontros e podemos repetir o que disse Jacó: “E, cheio de temor, disse: Como este lugar é terrível! Este lugar não é outro senão a casa de Deus, a porta do céu.” (Gênesis 28:17) Ao estarmos nesse temível lugar, tudo em nós tremerá diante de Sua santidade. Sairemos um pouco mais como o Filho: mansos e humildes. Certa vez, ao ler uma descrição de Charles Finney sobre seu amigo de oração Daniel Nash, fiquei chocado: “como qualquer pessoa que ora muito, o irmão Nash é uma pessoa muito quieta. Mostre-me alguém que fala muito, e lhe mostrarei um cristão que ora muito pouco”.[15] De fato, a oração produz humildade e submissão. Até agora, falamos da oração como forma de amizade e vida com Deus, o que eu considero a mais importante e sublime maneira. Para sermos mais didáticos, separamos duas maneiras de orar: a primeira e já citada é a oração contemplativa, e a segunda é a oração como forma de petição. Quero deixar claro que estamos longe de esgotar a definição do que é oração ou até mesmo classificar todos os "tipos". Eu estou apenas citando brevemente aquelas que julgo de maior relevância ao contexto que estamos abordando. Tendo esclarecido esses pontos, precisamos, necessariamente, falar da oração como petição e declaração diante de Deus. Basicamente, eu descrevo esse tipo de oração como as clássicas orações intercessórias, nas quais nos colocamos diante de Deus clamando por Sua misericórdia e intervenção em alguma situação da qual carecemos de Sua poderosa mão. A respeito desse “tipo" de oração, precisamos entender que Deus não é nosso “Papai Noel” e não tem obrigação de nos responder. O que Deus é, sem dúvidas, é fiel à sua Palavra. Ele disse: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será concedido.” (João 15:7) A chave para orarmos com petições diante de Deus está clara como cristal. Precisamos internalizar e orar a Palavra de Deus! Veja, ore pelo seus filhos, sua esposa, suas finanças e por um amigo que precisa de Cristo. Ore para que os céus se abram sobre uma cidade. Ore! Mas faça isso com as Escrituras do lado. A Palavra de Deus não apresenta apenas um caminho de conduta moral sobre o qual devo andar e me comportar, mas creio eu que, acima de tudo, apresenta um caminho relacional para estarmos com Deus. Orar a Palavra te dará a linguagem de Deus e, acima de tudo, aos poucos te moldará em relação à vontade do Altíssimo. É evidente que o Senhor não pode ser alterado ou convencido a mudar os Seus planos, pois Ele é perfeitamente suficiente em si mesmo.[16] Sendo assim, ao orar a Palavra, que foi escrita por inspiração divina, somos transformados e, ao fazermos isso, nos aproximamos de Deus. Com alegria, concluímos que orar as Escrituras é a maneira mais eficaz de levantar clamores diante de Deus, pois a palavra irá cortar todo excesso humano, nos moldará ao padrão divino e, ao mesmo tempo, nos conduzirá a lugares de intrepidez e ousadia. Para encerrar esse pequeno tópico, gostaria de citar E.M Bounds: "Falar aos homens em favor de Deus é algo grandioso, mas falar à Deus em favor dos homens é ainda mais grandioso. Nunca falará bem, e com sucesso real, aos homens em favor de Deus, aquele que não aprendeu bem como falar com Deus em favor dos homens. Mais do que isso, as palavras desprovidas de oração, no púlpito e fora dele, são palavras de morte".[17] Antes de terminarmos esse tópico, gostaria de compartilhar um breve testemunho sobre orações de petição. Durante o processo desse livro, tenho passado por, talvez, um dos momentos mais difíceis e decisivos da minha vida, principalmente porque, nos últimos dois anos, Deus escolheu nos esmagar para que a forja revelasse nossos verdadeiros fundamentos. Todo esse tratamento de Deus tem acontecido durante um processo de aprovação de visto para que eu e minha família possamos nos mudar para Londres, Reino Unido. Creio que, quando eu lançar esse livro, lerei esses parágrafos com alegria sabendo que o Senhor nos fez triunfar sobre nossas dificuldades! Durante toda minha vida cristã, como pessoa envolvida com ministérios de adoração que sou, sempre fui fascinado pelo tema “Conhecimento de Deus”. Por isso me cerquei de proteções internas, "mecanismos" que me ensinaram a guardar a contemplação. Com eles, aprendi a estar diante de Deus apenas para contemplar a Sua beleza, crescer em Seu caráter e ver o Seu plano se cumprindo na terra, sem reduzir o meu olhar para o Senhor a interesses, vendo-O como alvo de minhas petições e necessidades. Como disse antes, acredito verdadeiramente que a oração contemplativa seja o lugar mais sublime que alguém pode acessar em oração, mas, apesar disso, é possível que fiquemos "acanhados de mais" para esse lugar, como diz Tim Keller.[18] Percebi esse comportamento em mim mesmo, como uma espécie de timidez que, em um primeiro momento, tem uma aparência humilde e modéstia, mas que, na verdade, é gerada e movida pelo orgulho. Deixe-me explicar: na maioria das vezes em que não apresentamos nossas necessidades diante de Deus porque “não queremos incomodá-lo com causas tão pequenas”, estamos na verdade manifestando nosso orgulho por ter vergonha de nossa pequenez diante do Senhor. Perceba que, se não pedimos para o Senhor, pedimos para quem? Em quem temos depositado nossa confiança e nossas fraquezas? Só existem duas respostas plausíveis para essas perguntas: ou estamos fazendo de alguém ou algo nosso deus, ou estamos fazendo de nossaprópria força fonte de nosso sustento e triunfo. Provavelmente, depois de ler isso, você está da mesma forma que eu estive nesses últimos meses: em uma autorreflexão a respeito de como me considerava autossuficiente, esquecendo-me do porto seguro que é o Senhor. Só existe Um que pode nos salvar no dia da angústia (Sl 118:5). Precisamos ser levados ao lugar não apenas de entendimento, mas de ardor e humilhação diante de Deus para que aprendamos a pedir! Como dito anteriormente, a palavra de Deus é a maneira segura de pedirmos, sendo a oração o meio pelo qual o próprio Deus nos concedeu para experimentarmos de Sua provisão e comunhão (Tg 4:2-3). Não podemos nos mover com a falsa humildade que nos circunda e que nos carrega para longe de Deus em nossas necessidades. Não podemos deixar de incomodar o Senhor porque julgamos nossas causas inferiores. Irmãos, somos inferiores! E é exatamente por isso que precisamos de um Salvador. Veja o que diz Salmos 70:5: “Eu, porém, estou aflito e necessitado; apressa-te, ó Deus! Tu és meu amparo e meu libertador. Senhor, não te demores”. Esse salmo tem sido minhas orações ultimamente. Não é porque somos fortes e poderosos, não! É porque somos "aflitos e necessitados" que precisamos de uma intervenção. O entendimento de que somos amados por um Pai bom não nos dará apenas o anseio por desfrutar de Sua comunhão, mas também a segurança de manifestarmos nossas fraquezas em petições. Tenha fome de provisão do alto, não tenha medo de clamar em ardor ao seu Salvador. É ao manifestar nossa fraqueza diante de Deus e chamarmos por Seu nome que O glorificamos, pois, nas entrelinhas, estamos dizendo com as nossas atitudes que não temos outro Deus além do nosso Deus e somente Ele pode nos socorrer. A PALAVRA “Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho.” (Salmos 119:105) O Salmo 119 talvez seja uma das declarações mais calorosas sobre as palavras (decretos, instruções) do Senhor. O salmista foi extremamente feliz ao dissecar o poder das Escrituras na vida do fiel: lâmpada para os pés, a qual, em movimento, se transforma em luz diante do caminhar. A Bíblia é o firme fundamento da vida do Cristão, é sua rocha, sua fortaleza. Sem ela, o cristão está perdido em um mar de achismos baratos. Como dito anteriormente, até para orar como convém precisamos das Escrituras, pois ela é a base sobre a qual caminhamos. Gostaria de falar rapidamente sobre dois pontos dela. Primeiro, gostaria de apresentá-la como revelação pessoal. Ou seja, receber uma revelação individual e direta de Deus através da voz do Espírito Santo, o que muitas vezes pode acontecer sem ao menos estarmos lendo a Bíblia. Esse tipo de “diretiva" de Deus normalmente acontece durante um tempo de oração e secreto em Sua presença. E acredite em mim quando digo que nada se compara com a sensação de ouvir o Deus de toda terra falando com você! É como um raio te partindo ao meio e, ao mesmo tempo, como o carinho gentil de um Pai amoroso. Quando Deus fala com você, a sua compreensão sobre o Evangelho aumenta e se torna pessoal. Deus não está distante! Veja, cultivar uma vida de oração te fará experimentar a intimidade com a voz do Pastor de nossas almas (Jo 10:27-29), Jesus, e, assim, ser limpo e corrigido pelo Senhor. O fermento secular será lançado fora em seu lugar secreto. No entanto, como saber se Deus está realmente falando conosco? Precisamos entender que nem o salmista, ou qualquer outro personagem bíblico, se apoiou em experiências próprias, mas nos escritos inspirados por Deus que vinham de geração em geração provando sua veracidade, o que nos leva a um próximo tópico: as Escrituras como base e fundamento de fé. Se queremos nos libertar do fermento que nos cega para o verdadeiro Cristo, precisamos correr para as Escrituras! Ela é sólida como uma rocha e irá te quebrar quando você tentar quebrá-la. Ao mesmo tempo, ela é suave como a água, capaz de te lavar de suas feridas e dores. É a fidelidade da Bíblia que nos salvará de falsas experiências espirituais que, muitas vezes, acontecem por confundirmos emoções com a atividade do Espírito de Deus. Veja, não sou cético, mas não consigo confiar em mim mesmo. Uma coisa é convicção no que ouvimos no nosso secreto pela palavra revelada, outra coisa é não termos solidez nas Escrituras para discernir o que foi nossa alma e o que foi o Espírito de Deus. Nada é feito sem a aprovação da Palavra de Deus. Perceba que o próprio Jesus, ao ser enviado pelo Pai para a terra, a cumpriu. “Vós examinais as Escrituras, pois julgais ter nelas a vida eterna; e são elas mesmas que testificam de mim.” (João 5:39) Alguns erroneamente interpretam os dizeres de Jesus como um descaso às Escrituras, o que claramente não é o caso. Se analisarmos a vida de Cristo um pouco mais, percebemos que, constantemente, nosso Senhor citava os Santos Escritos e fazia menção deles para fundamentar suas atitudes (Mt 21:13, Mt 24:15, Lc 4:18, Lc 20:37), o que deixa evidente a Sua fidelidade aos Escritos Sagrados. Entenda que Cristo - e somente Ele - concede a vida eterna. Somente Ele é o Emanuel. Não há, nas Escrituras, poder salvífico por si só, somente o Filho é o caminho para o Pai, e as Escrituras, nesse sentido, se submetem à Cristo. Contudo, Cristo também se submete às Escrituras. Isso é chocante, não é mesmo? Mas, com um pouco mais de atenção não apenas nesse verso, mas em outros incontáveis, percebemos que Cristo cumpre exatamente o que estava escrito, porque se não o fizesse, Ele não seria o verdadeiro Messias. Portanto, as Escrituras dão testemunho de que Jesus é, de fato, o Cristo esperado, pois Nele se encaixam todas as profecias bíblicas. O fato de Jesus cumprir e ter a testificação das Escrituras é o que O valida como verdadeiro Ungido de Deus! As Escrituras são o padrão, o fundamento e uma segurança na qual podemos andar. Por isso, querido amigo, se submeta à Palavra do Senhor. Renda-se! Deixe que Deus fale com você pessoalmente no secreto. Deixe a Voz de muitas águas se aproximar e discernir o seu coração. Permita que a sua vida cresça até o padrão das Escrituras e nunca, jamais rebaixe as Escrituras ao seu padrão de vida. Não há possibilidade de prosseguirmos no conhecimento de Deus sem sermos confrontados pela Verdade Bíblica, revelada em oração, mas também aprovada pelos Escritos Sagrados. A espada que divide tudo o que somos (Hb 4:12) e nos separa somente para Ele. Alguém que não é discipulado e mudado pela Verdade de Deus não conseguirá ser discipulado por mais ninguém. Que o Senhor nos mantenha distantes de um coração insubmisso a seus Mandamentos, que sejamos como árvores plantadas junto às correntes (Sl 1:3) que frutificam, pois seu prazer está na lei do Senhor. Ore comigo: Deus, soberano sobre todas as coisas. Tudo foi feito por Ti e para Ti. Leve-nos às águas mais profundas. Senhor, leve-nos pelo Espírito Santo que nos concede sabedoria e revelação (Ef 1:17). Queremos beber das Tuas fontes e ser imersos em Seu conhecer. Pai, finca-nos em Suas palavras, fira- nos por Sua Palavra e usa-nos para Sua Glória! Amém!” Ao aprendermos sobre o Lugar Secreto - oração e leitura da Palavra -, temos o fundamento para nos livrarmos do fermento que ataca nossa mente e também do orgulho que visita nosso coração. Estaremos, finalmente, livres de nossos achismos e vontades. Gostaria de, por fim, compartilhar mais um único ponto: ande em família (falaremos de forma mais aprofundada sobre ele no terceiro livro da série)! Sua fome te conduzirá a uma busca contínua de transformação e mudança ao caráter de Cristo e, logo, você perceberá que o evangelho não é solitário e que não faz sentido nenhum buscá-Lo sozinho. Na verdade, é impossível! Perceba que existem coisas que você sonha em entender que homens e mulheres mais experientes já entenderam. Existe uma porção fresca que você ora para ter, mas você pode recebê-la através de alguém que já a possui. Não substitua o seu secreto por um estilo de vida "caça unção'', mas não seja tolo o suficiente para achar que é possívelalcançar a maturidade de fé sem ser inspirado, ativado e discipulado por outros irmãos. Ache alguém que queime por Jesus, e peça para ela orar por você. Se torne amigo dessa pessoa, conviva e aprenda com ela. Esse talvez seja um dos maiores conselhos que eu poderia te dar. A transferência da vida de Deus acontece no corpo - a Igreja - e está gratuitamente acessível aos filhos. Não perca essa oportunidade! CAPÍTULO 6 PRECISAMOS DE PODER DO ALTO O processo de escrita deste livro que está em suas mãos tem sido desafiador em todos os sentidos. Olhando para dentro de mim, me questionei em vários pontos aqui abordados. Um pregador enfático nunca pode convencer a si mesmo de que não precisa mais de sua mensagem. Na verdade, sua ênfase e poder precisam vir da necessidade que ele próprio tem pela mensagem que prega. Tenho me sentido em uma tormenta de sentimentos esmagadores, em uma auto análise que me leva para lugares profundos no Senhor. E eu quero mais! Nos últimos dias, tenho queimado mais intensamente por avivamento, por um verdadeiro despertar não só em minha vida ou na igreja. Não apenas na minha nação, mas em toda a Terra. Sim, em toda a Terra! Dias atrás, enquanto estava orando para pregar em uma das igrejas ONE, escutei uma voz dentro de mim. Essa voz era do Espírito Santo dizendo: “o começo de um avivamento é a fome!”. Por isso, meu caro amigo, quando escrevo esse livro, eu não quero te levar apenas a consumir uma boa literatura, mas a entender que estamos falando de um movimento que se inicia dentro de você, de mim e de nossos irmãos, e isso irá tocar toda a terra. Fome espiritual é a maneira como Deus começa a despertar o Seu povo! Deus, ao plantar fome dentro de alguém, planta também Seus sonhos impossíveis! Quando alguém é tocado, automaticamente começa a viver coisas em seu quarto de oração que seriam inexplicáveis para um cético, mas incontestáveis a qualquer um. O que acontece quando seu quarto de oração é invadido? Avivamento pessoal! Ou o que alguns chamam de “renovo”. Precisamos romper com a inércia que tem proposto um evangelho sem poder do alto, sem avivamento! Em Mateus 24, no sermão escatologico de Cristo, nosso Senhor diz que os últimos dias seriam com os dias de Noé. O curioso, no entanto, é que Jesus não menciona as coisas pecaminosas que eram feitas no tempo do dilúvio, mas apenas coisas lícitas. “Porque nos dias anteriores ao dilúvio, todos comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca” (Mateus 24:38) Existe uma chave escondida nesse verso: nos últimos dias, muitos serão enganados não apenas por coisas horrendamente pecaminosas, mas pelas coisas simples e lícitas que nos tiram a percepção espiritual de que existe mais. Voltemos ao Senhor e ao lugar de fome! Precisamos de poder do alto! Um homem ou uma mulher sozinhos em um quarto de oração com Deus: esse é o início de quase todo mover que já houve na terra. Como já conversamos, isso nos levará a uma vida coletiva, e essa vida coletiva a um avivamento! Quando Deus irá fazer isso de novo? Minha alma tem suspirado por esse dia! Claramente, esse não é um livro sobre avivamento, mas não poderia falar de fome e não mencionar o assunto, já que precisamos disso. Carecemos de visitas do nosso Senhor com Seu poder. Assim como Cristo direcionou Seus discípulos em Atos 1:8, "mas recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra", devemos também estar desejosos de tal empoderamento. O meu coração e os meus ossos têm sentido o peso das palavras de Jesus aos Seus discípulos, "recebereis poder". Cristo havia ressuscitado dentre os mortos e passado quarenta dias ensinando sobre coisas concernentes ao Reino de Deus aos Seus próximos. Veja bem, Jesus glorificado em carne explicando sobre o Reino por quarenta dias aos Seus discípulos. Isso é chocante! No final desses dias, os apóstolos fazem a pergunta que todos nós faríamos, "Senhor, é este o tempo em que restaurarás o reino para Israel?" (At 1:6). Talvez para nós, gentios, essa pergunta não faça muito sentido, pois infelizmente, no decorrer dos anos, uma maneira essencialmente grega (platônica) de enxergar a realidade nos molda a acreditar que o Reino de Deus é meramente abstrato, simbólico e imaterial. Contudo, aos discípulos, judeus, Jesus, sendo o Messias, ao falar do Reino estava claramente se referindo às profecias bíblicas que exaltavam o Cristo de Deus sentado em Jerusalém e governando toda terra. Vejamos o que disse Isaías por exemplo: “Acontecerá nos últimos dias que o monte do templo do SENHOR se firmará como o mais elevado e será estabelecido como o mais alto dos montes, e todas as nações correrão para ele. Muitos povos irão e dirão: Vinde e subamos ao monte do SENHOR, ao templo do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas. Porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR” (Isaías 2:2-3) Perceba que os profetas, assim como Isaías, têm centenas de profecias como essa, que declaram o Reino messiânico em Jerusalém (Salmos 14:7; 53:6/ Isaías 46:13/ Ap 21:2/ Dn 9:24). Assim sendo, a pergunta dos discípulos faz muito sentido, ainda mais porque quem estava ensinando sobre o Reino é o Messias ressurreto! Terminados os quarenta dias de intensivo sobre o Reino de Deus, imagino eu que os discípulos estavam com as baterias recarregadas e com todo ânimo do mundo para ver o esperado Reino acontecer. Mas então vem a resposta de Jesus: “E lhes respondeu: Não vos compete saber os tempos ou as épocas que o Pai reservou por sua autoridade. Mas recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós; e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.” (Atos 1:7-8) Claramente, Jesus não rejeitou o fato de que o Reino será estabelecido um dia em Jerusalém. O Messias não ensinou contra as profecias bíblicas. Sabemos que Isaías 2 e outros versos serão plenamente cumpridos na segunda vinda do Filho do Homem. Não iremos tratar dos pormenores deste assunto neste pequeno livro. Porém, a resposta de Cristo me incendeia e preciso falar sobre ela. Jesus orientou eles a esperarem pelo poder! A ênfase de Cristo não estava apenas em revelar a eles sobre o Reino e, então, deixar que tentassem, pela força do braço, testemunhar deste Reino pelas nações. Não! O Senhor sabia que, sem o poder do Espírito, seria impossível para esses fracos homens perseverar até o fim. Não há como cumprirmos as obras de Deus, não há como andarmos em fidelidade com o Senhor e sermos a Sua Igreja gloriosa sem a Sua magnífica intervenção. Mais uma vez repito, precisamos de avivamento! A resposta de Jesus aos apóstolos em Atos 1 nos ensina a priorizarmos a intervenção divina, a desejá-la e amá-la mais do que qualquer outra atividade eclesiástica. Irmãos, se o Espírito Santo fosse retirado de nossos cultos, será que perceberíamos? Temo que grande parte de nossas igrejas estejam funcionando apenas com a força de nossos braços e eventos. Insisto, precisamos de poder do alto! É urgente que percamos o medo de esperar! O quebrantamento de coração que conversamos algumas páginas atrás precisa nos livrar do desejo de sermos reconhecidos pela nossa capacidade e urgentemente nos ensinar a esperar pelo poder! Ao faminto, apenas a presença de Deus é suficiente. As lágrimas já não são derramadas por carros, dinheiro ou fama. Quando o faminto descobre a Presença, ele é imensuravelmente destituído de qualquer outro desejo. Nenhuma força que seus braços façam, ou nenhum suspiro de seus pulmões tem outro objetivo final a não ser Cristo! Oh! Preciosa fome, que nos alinha aos sonhos mais altos e imponentes de Deus. Crave em nosso peito as promessas bíblicas, porque o Senhor afirmou: "Pois, assim como as águas cobrem o mar, a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor" (Hb 2:14). Ao ler as profecias, todo o nosso ser se estremece, toda nossa forçae fome instantaneamente são redirecionadas para isso: "Oh! Se fendesses os céus e descesses!" (Is 64:1). Oremos: Jesus, ensina-nos a esperar pela Sua Presença! Retira de nós a cultura do exibicionismo, Senhor, queremos a Sua Presença! Deus Espírito Santo, derrame seu poder como nos primeiros dias da Igreja. Amigo, precisamos de Ti. Venha! Volte nossos olhos para a promessa da Presença, aviva-nos! Amém! CAPÍTULO 7 UMA JORNADA Embora a fome nos conduza ao avivamento, esse grande derramar do Espírito sobre uma comunidade e região não consegue satisfazer o faminto. Os que amam a pessoa de Jesus não vivem por outra coisa a não ser a Sua companhia! Um avivamento é desejado por nós para que a Igreja amadureça, pessoas sejam salvas e Deus faça a Sua obra. Mas um avivamento, apenas, não conseguirá tirar de dentro do vazio o clamor pela Sua habitação em meio ao Seu povo. Os famintos pela face do Noivo só serão saciados ao vê-Lo rompendo as nuvens e descendo até a terra mais uma vez! Com essa perspectiva, me parece fácil entender a maneira como o apóstolo Paulo se despede em 1 Co 16:22-24: “Se alguém não ama o Senhor, seja maldito. Maranata! A graça do Senhor Jesus seja convosco. O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus.”. Me impressiona a relação que Paulo faz de amor ao Senhor e o clamor “Maranata”. É como se o ato de não amarmos o Senhor fosse, em si mesmo, uma maldição, e aqueles que esperam por esse grande dia da aparição de Cristo fossem, de fato, os que amam a Deus. Isso nos leva a compreender que os que tiveram seu interior marcado por um amor verdadeiro e profundo não se saciam com outra coisa a não ser “Maranata”! A verdadeira recompensa da fome não tem a ver com os moveres ou grandes testemunhos, mas com a Sua face! Se somos chamados a sermos sacerdotes diante de Deus (1 Pe 2:5, Ap 5:10), precisamos aprender a andar com os olhos na recompensa sacerdotal descrita em Números 18:20, "Eu sou a tua porção e a tua herança". Deus é tudo o que o faminto deseja! Na história do povo de Deus, nós achamos muitos homens de grande ministérios, como Jonas, que viu uma cidade ser salva com uma pregação, ou talvez Saul, que foi Rei de Israel e até mesmo profetizou. Mas os amigos de Deus são diferentes. Eles não estão caminhando para terem apenas bons ministérios, e nem mesmo para viverem grandes coisas. Eles estão em busca de uma só coisa e eles a encontrarão: a face de Deus! Vamos trazer à memória a vida do apóstolo Paulo, que considerava todas as coisas como perda perto da soberana vocação, que é conhecer a Cristo (Fp 3:8-15). O mesmo que em seus últimos dias declarou: ”Quanto a mim, já estou sendo derramado como oferta de libação, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé. Desde agora a coroa da justiça me está reservada, a qua o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos os que amarem a sua vinda.” (2 Timóteo 4:6-8) Paulo foi marcado com tal amor para com Deus que o fez viver cada dia de sua vida em busca de conhecê-Lo, na expectativa de ser recompensado não nessa vida (pois nessa terra nada mais o saciava), mas no Dia do Senhor! A vida do faminto é uma jornada em direção ao conhecimento pleno de Deus, na qual seu coração é estrangulado com a gratidão por ter sido amado e a angústia por ainda não tê-Lo visto como Ele é! Mas é somente andando com Deus por essa jornada que encontrará todo o prazer e todo propósito que sempre buscou. O faminto encontrará o que o salmista um dia cantou: “Todas as minhas fontes estão em Ti” (Sl 87:7). Cada respirar, cada lágrima e cada suor serão apenas por uma coisa, ou melhor, por um alguém: Jesus! O fruto da fome em alguém é simplesmente esse: tornar-se um amigo de Deus! Suas forças não conseguem ser depositadas em nada além de ter uma verdadeira caminhada com Deus. Andar com Deus, ter um caráter aprovado e obras semelhantes às do Filho: este é o maior objetivo. ANDANDO COM DEUS Temos ainda dois livros para continuar falando sobre andar com Deus, mas é essencial que comecemos por aqui. É este sentimento visceral chamado fome que irá te impulsionar nessa jornada. Ele é o princípio que não permitirá que você se satisfaça com qualquer outra coisa que não seja Deus. Ao longo dos últimos 10 anos, sem dúvidas, a fome pelo conhecer de Deus foi a mensagem que mais preguei. Talvez eu pudesse resumir tudo o que construí em minha vida nessa simples mensagem que tento comunicar a vocês por meio deste livro. Porém, ainda assim me sinto incapaz de comunicá-la com total propriedade. Tento, o máximo que consigo, expressar a sublimidade da beleza e do conhecer de Deus, mas falho. Na verdade, sou incapaz, e não apenas eu, mas qualquer homem se frustrará ao tentar colocar em palavras, imagens ou canções O Eterno. Lembro-me de sentir algo parecido em meu peito ao escrever meu primeiro livro "Quem é Jesus",[19] mas parece que o sentimento está mais robusto e violento dentro de mim agora. Talvez seja porque, no decorrer dos anos, a mensagem tenha passado também por um processo de maturação, com raízes mais profundas em minhas entranhas. Por isso, amigo leitor, sendo essas as últimas palavras deste pequeno livro, eu desejo muito lhe incentivar: Ame a Deus! A vida cristã nada mais é do que uma caminhada, uma jornada preciosíssima ao conhecer de Deus. João 17:3 deixou marcas profundas em mim quando descobri que a "vida eterna é que conhecem a Ti, o único Deus verdadeiro". Talvez, alguns de vocês tenham a necessidade de reler este livro para compreenderem completamente o que foi dito, mas estou certo que nada do que eu disse antes tenha tanto poder quanto: Ame a Deus. Prossiga em conhecê-Lo. Ande com o Senhor! No ano de 2017, minha filha mais nova nasceu, Maria Luiza. Ela é como um raio de sol lindo nas primeiras horas do dia, mas com personalidade forte o suficiente para te promover as queimaduras do meio dia. Lembro-me que tivemos algumas complicações em seu nascimento. Não tínhamos nenhum plano de saúde na época e minha esposa Brunna acabou sofrendo muito no processo do parto. Esse estresse fez com que Malu nascesse um pouco cansada e fosse levada direto para a UTI, onde passou 7 dias. Você deve estar se perguntando o motivo de eu estar contando essa história. Fique calmo, chegaremos lá. Nessa altura de minha vida, eu já tinha um ministério de certa maneira reconhecido e já havia visto centenas de curas acontecendo nas ruas, igrejas e algumas até mesmo pela internet. Mas naquela UTI não interessava o quanto eu orasse por ela, nem por quanto tempo - minha filha permanecia sem ser curada. Doeu! Porém, foi nesse contexto de dor que, um dia, com aquela menininha em meus braços, comecei a contar para ela minha história preferida da Bíblia. E aqui está o ponto principal da história. Então, comecei: "Filha, essa é a história de Enoque". Me permita interromper a história para apenas fazer uma observação: muitas vezes, quando contamos histórias semelhantes a esta, aqueles que as ouvem têm a impressão de que anjos e arcanjos estavam sobrevoando o lugar no qual se davam as experiências. Mas não, irmão, esse não era o caso. Na verdade, eu estava muito tímido, pois havia outras mães com seus bebês naquela UTI. O barulho das máquinas de respiração era terrivelmente repetitivo, e me causavam um estresse peculiar. Abaixei meu rosto em direção aos pequenos ouvidos da Maria e então disse: "Filha, essa é a história de Enoque. Ele andou com Deus, e ele já não era mais, porque Deus o tomou para Si. Fim." Não sei ao certo quando meus olhos se abriram pela primeira vez para Gênesis 5 e a beleza que se esconde na história de Enoque. Talvez tenha sido por ter ouvido o Dan Duke pregando sobre o tema em uma mensagem pelo Youtube, mas sinceramente não me lembro ao certo. No entanto, embora seja estranho, não consigo ver uma história melhor para ensinar para minhas filhas, discípulos e amigos. Quem me dera encarnar essa mensagem - a mensagem de um homem que agradou a Deus! Enoque não ganhou sequerum capítulo inteiro na Bíblia, sua história não precisou nem mesmo de cinco versos. É introduzido na narrativa bíblica por uma genealogia sobre os descendentes de Adão. No meio de homens que viveram 900, 800, 700 anos e geraram filhos e família, aparece um homem que viveu apenas 365. Enquanto todos estavam sendo descritos e definidos por "apenas" os filhos que tiveram, um homem saiu da curva. "Enoque andou com Deus até que não foi mais visto, porque Deus o havia tomado" (Gn 5:24). Enoque viveu menos anos de vida, sonhou menos, riu menos, se divertiu menos e teve menos "sucesso" que os outros na genealogia. Mas, no fim, ninguém viveu como ele, pois Deus o tomou para Si! Meu irmão, Deus quis Enoque ao Seu lado! Seu legado e sua história não são contados com terras ou bens, mas com temor e tremor de uma jornada santa e imaculada diante de Yahweh. Mesmo sem ser narrada por grandes capítulos na Bíblia, sua porção nos alcançou através de seu bisneto Noé, que, como Enoque, aprendeu a andar com Deus e O agradou (Gn 6:9). Agora mesmo, choro em cima dessas palavras, pois isso é tudo o que desejo para minha própria vida: andar com Deus! Que nossos filhos, netos e discípulos possam encontrar em nosso testemunho o mesmo legado que Noé pode encontrar em seu bisavô Enoque. Não é o sobre o quão incríveis nos tornamos, se temos ministérios bem sucedidos e muito dinheiro no bolso. Amados, meu desejo é desenvolver um andar com Deus, ser amigo do Altíssimo até que minha vida seja um prazer, deleite, para o Senhor. Já não me importo de ser lembrado como "isso" ou "aquilo". Sinceramente, desejo ser lembrado como alguém que andou com o Senhor. CONCLUSÃO Eu e minha esposa compartilhamos um sonho, até que meio ingênuo. Nesse sonho, eu, um pouco surdo pelos anos de ministério, tento afinar meu violão na sacada de uma chácara que compramos para viver nossa velhice e ela, linda e com olhar sereno, prepara um magnífico feijão, como sempre. Recebemos nossos netos, conversamos com eles sobre a vida e dificuldades que eles têm na escola quando, de repente, começamos a falar de Jesus. E sabe o que acontece, meus amigos? As lágrimas! As boas e velhas lágrimas nos visitam outra vez e começam a rolar de nossos rostos mais uma vez. Que Cristo ao romper os céus em Sua gloriosa segunda vinda nos encontre assim. Esse é nosso sonho de vida! No fim de nossa caminhada, quero que meus filhos e netos me encontrem pelas madrugadas chorando de saudades de Jesus, falando sobre o Seu Reino vindouro e sobre o Seu grande amor que me salvou das garras do inferno, me salvou da ira vindoura! Oh! Meu amigo Jesus! Esse é meu sonho! Minha intenção não é gerar mera comoção em você, ou forçar algum tipo de situação heróica de nossa parte. Jamais! Mas, sinceramente, ao compartilhar coisas tão íntimas de meu coração e do coração de minha esposa, que de alguma maneira seu coração seja aquecido e levado para as águas profundas da fome por Deus! Querido leitor, ainda temos uma jornada em nossos outros livros dessa série, mas permita-me orar contigo, mais uma vez. Senhor Deus, levanta um povo para chamar de Seu. Que nada mais atraia nossos olhares e que tudo perca seu valor ao se comparar com Sua beleza. Pai, queremos ser a geração que busca a Tua face, Oh Deus de Israel! Não queremos ser achados donos de nossas próprias vidas. Gere em nós o mesmo sentimento que houve em Seu filho Jesus. Queremos nos humilhar para que então a Sua Glória brilhe através de nós. Quebrante nosso coração, Espírito de Deus, e abra nossos olhos para vermos a beleza da face de Cristo. Senhor, marque, por favor, cada um desses leitores com um amor profundo por Ti! Filho do Homem, majestoso! Amigo Jesus, nós te amamos e te esperamos, Maranata! Amém. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIBO, R. O Deus que destrói sonhos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2021. BOUNDS, E. M. Poder pela oração. São Paulo: Editora Vida, 2010. CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009. EDWARDS, J. A genuína experiência espiritual. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas (PES), 1993. FOSTER, R. Celebração da disciplina: o caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007. KELLER, T. Oração: experimentando intimidade com Deus. São Paulo: Vida Nova, 2016. NASH, D. Prevalecendo com Deus em oração. São Paulo: Impacto, 2016. NOUWEN, H. Espaço para Deus. São Paulo: Impacto, 2019. RAVENHILL, L. Oração de Avivamento. Curitiba: Orvalho, 2020. SMITH, J. K. A. Você é aquilo que ama: o poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017. SORGE, B. Oração Incansável. São Paulo: Impacto, 2017. TOZER. A. W. Em Busca de Deus: minha alma anseia por Ti. São Paulo: Editora Vida, 2016. TOZER, A. W. Experimentando a presença de Deus. Rio de Janeiro: Graça, 1969. VILAS BOAS, A. Quem é Jesus. São José dos Campos (SP): Doma, 2019. [1] SMITH, J. K. A. Você é aquilo que ama: o poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova, 2017, p. 20. [2] TOZER. A. W. Em Busca de Deus: minha alma anseia por Ti. São Paulo: Editora Vida, 2016, p. 23. [3] BIBO, R. O Deus que destrói sonhos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2021, p. 26. [4] SORGE, B. Oração Incansável. São Paulo: Impacto, 2017, p. 164. [5] FOSTER, R. Celebração da disciplina: o caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007, p. 123. [6] EDWARDS, J. A genuína experiência espiritual. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas (PES), 1993, p. 12. [7] Idem, p. 13. [8] RAVENHILL, L. Oração de Avivamento. Curitiba: Orvalho, 2020, p. 39. [9] VILAS BOAS, A. Quem é Jesus. São José dos Campos (SP): Doma, 2019, p. 69. [10] TOZER, A. W. Experimentando a presença de Deus. Rio de Janeiro: Graça, 1969, p. 53. [11] CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 1371. [12] Falaremos melhor disso em Renovação de Mente, segundo livro da série Andando com Deus. [13] NOUWEN, H. Espaço para Deus. São Paulo: Impacto, 2019, p. 66-67. [14] KELLER, T. Oração: experimentando intimidade com Deus. São Paulo: Vida Nova, 2016, p. 59. [15] NASH, D. Prevalecendo com Deus em oração. São Paulo: Impacto, 2016, p. 21. [16] Quanto a isso, gostaria apenas de fazer uma breve pontuação. Acredito que tudo o que Deus determinou irá acontecer do exato jeito que Deus determinou. Se olharmos com atenção para as Escrituras, vemos que Deus decretou que o Reino de Cristo virá e, ao comunicar isso, não demonstrou necessidade da ajuda de terceiros para o seu cumprimento, como diz, por exemplo, em Mateus 24:14: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”. Não há sombras de dúvida nas palavras de Jesus quanto à vinda do fim. Ao mesmo tempo, o mesmo Deus que determina como as coisas acontecerão também nos convida a orar para que “o reino venha” (Lc 11:2). Mais adiante, em Apocalipse (Ap 5:8; 8:3), as Escrituras apresentam a visão de João, relatando a existência de taças cheias das orações dos santos, evidenciando a importância da prática da oração no desenrolar dos eventos do fim. Inclusive, em Mateus 24:20, durante a invasão de Gogue, os que estão na judeia são convidados a orar para que a fuga não aconteça no sábado ou no inverno. Ou seja, mesmo no cumprimento cabal e literal das profecias, existe espaço reservado pelo Senhor à oração. Resumindo, creio que a oração é o modo pelo qual Deus determinou para que façamos parte de seu plano previamente estabelecido. Em outras palavras, a oração é um grande privilégio não só de comunhão relacional, mas, também, de comunhão com os planos de Deus. Se deseja aprender mais sobre o assunto penso que um bom começo seria ler o livro Em busca de Deus, de John Piper, publicado em português pela editora Shedd. [17] BOUNDS, E. M. Poder pela oração. São Paulo: Editora Vida, 2010, p. 24. [18] KELLER, T. Oração: experimentando intimidade com Deus. São Paulo: Vida Nova, 2016, p. 217. [19] VILAS BOAS, Alessandro. Quem é Jesus. São José dos Campos (SP): Doma, 2019. RECOMENDAÇÕES SUMÁRIOPREFÁCIO INTRODUÇÃO ESPECIAL INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 2 CAPÍTULO 3 CAPÍTULO 4 CAPÍTULO 5 CAPÍTULO 6 CAPÍTULO 7 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASfoi negativo para mim, apesar de, em alguns momentos de minha caminhada, ter desejado que não fosse assim. No geral, considero tudo isso como um fator positivo em minha história. O fato de ter tido poucas influências ao meu redor que me levassem para um lugar mais profundo na presença de Jesus gerou em mim um certo instinto de sobrevivência. O sentimento que sempre me acompanhava era: “ou eu aprendo como fazer, ou morrerei sem saber”. Foi nesse caminho de decisões que meus primeiros anos no Evangelho foram trilhados. Por soberania divina, neste exato momento, enquanto escrevo essas primeiras páginas, estou sentado no sofá dos meus pais na mesma casa onde cresci, em minha cidade natal. Hoje em dia, apesar de não ser tão velho, não sou tão jovem como era no começo. Já viajei para diferentes nações, experimentei milagres, cooperei com a implantação de igrejas, compus canções e escrevi alguns livros; de alguma maneira, trilhei uma jornada razoavelmente grande, a qual me possibilitou olhar para trás e rever tudo o que já aprendi. Esse livro que você tem em mãos é parte da série Andando com Deus, na qual compartilho o que tenho aprendido ao longo da minha jornada. Longe de mim fechar a janela de aprendizado em minha vida, ou, com esses livros, me tornar um saudosista preso ao passado. Não! Essas páginas - na verdade, toda essa série de livros - são como um memorial do que já experimentei e também como um apontamento para aquilo que desejo viver. Em primeiro lugar, essas palavras foram escritas para mim mesmo. Em segundo lugar, eu desejo levar comigo uma geração inteira aos lugares mais profundos do coração de Deus. Então, eu também as escrevi para você, meu amigo. Em minha trajetória, alguns princípios se tornaram como fundamentos. Certamente, acredito que toda a minha vida pode ser resumida em três pontos centrais: Fome por Deus, Renovação de mente e Andar em família. É engraçado porque, lendo assim, tudo isso parece ser simples demais - e, de fato, é -, mas demandaram muito tempo, lágrimas e estudo. Por isso, deixo aqui meu convite para que você não leia apenas esse livreto que está em suas mãos, mas também os outros da série. Você não irá se arrepender! Como de costume, eu gostaria de convidá-lo para orar comigo. Não sei como começar a falar sobre fome por Deus senão com uma sincera oração: Toda honra e Glória sejam dadas a Ti, Filho de Deus! Nós honramos e amamos o Teu nome, Senhor Jesus! Eis que estamos aqui com alguns pães e peixes nas mãos, não é muito, mas é o que temos. Faça isso crescer! Amigo Jesus, multiplique nossas orações em coisas maiores, nossa fome em algo maior; transforme essas palavras escritas em algo maior. Mude nossas vidas para sempre, por favor, não queremos mais ser os mesmos. Nos alimente com mais fome de Ti! Em Teu precioso nome, amém! Meus amigos, sugiro que vocês não apenas leiam cada uma dessas palavras, mas se alimentem delas. Não porque sou eu escrevendo, não me entenda mal. O poder desse livro não está em mim, mas sim em sua mensagem. Eu recomendo que você não passe para a página seguinte se estiver lendo esse livro apenas com a intenção de ter um mero passatempo, de forma despretensiosa, no meio dos amigos, ou se você estiver apenas lendo para ocupar a mente. Oh, não! Não passe desta página sem levar contigo um clamor de fome, uma santa expectativa a respeito do que o Senhor pode fazer através dessa mensagem. CAPÍTULO 1 COMO UMA PEQUENA VELA DIANTE DO SOL Existe um convite do alto - como uma santa convocação - que chama o povo de Deus para mais perto, mais alto. Em suma, o Evangelho se trata de uma boa notícia: Jesus morreu por mim, ressuscitou e abriu um novo e vivo caminho para nós até o Pai e, em breve, voltará para reinar para sempre sobre toda terra. Um dia fomos inimigos de Deus e da Sua causa (Rm 5); não havia em nós nenhuma dignidade. Talvez essa verdade te ofenda. É possível que, pelo fato de você ter nascido na igreja e nunca ter feito nada como fumar, beber ou ter relações sexuais fora do casamento, você pense que não vive uma vida de pecado e que sempre esteve diante da presença de Deus. Mas a verdade que as Escrituras deixam claro para nós é que “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3:23). Mas, graças ao bondoso amor de nosso Senhor, fomos "justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:1). Cristo, o justo, ao se fazer expiação por nossos pecados, nos deu o direito de sermos filhos de Deus. Como João escreveu: Meus filhinhos, eu vos escrevo estas coisas para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas pelos pecados de todo mundo. (1 João 2:1- 2) Isso deveria te fazer saltar de alegria, gritar e esmurrar o ar como se fosse o Pelé fazendo um gol na final da Copa do Mundo, pois, de fato, o que você ganhou foi muito mais do que um campeonato de futebol, mas o direito de ser chamado filho de Deus (1Jo 3:1). Glória a Deus! E esse mesmo Deus que, com Sua carne, pagou o preço pelos nossos pecados, hoje nos faz um convite para um lugar de plena intimidade. Ele nos convida aos lugares altos, nos ensinando que, se O buscarmos, O encontraremos. Como está escrito: “Vós me buscareis e me encontrareis, quando me buscardes de todo o coração.” (Jeremias 29:13) Aos que se aproximam de todo coração, as Escrituras prometem que “ele se achegará a vós." (Tg 4:8). Quão poderosas são essas palavras para aqueles que um dia estiveram distantes de Sua presença. Podemos encontrá-Lo! Podemos, no final de nossa procura, achar Deus! Porque Ele nos amou primeiro - sim, Ele nos encontrou e nos amou. Um caminho até o Senhor foi aberto diante de nós e o Espírito de Deus, por intermédio das Escrituras, está guiando a Igreja direto ao coração do Pai. Esse é o desejo do Senhor: ser conhecido pelo Seu povo. O QUE É FOME? A palavra “conhecimento”, em grego, é gnosis. Já o termo “conhecereis”, que aparece em João 8:32, vem de outra palavra grega: epignosis, cuja tradução é “pleno conhecimento” e significa um conhecimento progressivo. À medida que experimentamos, crescemos, cada vez mais, em semelhança e entendimento Daquele que nos criou (2 Co 3:18). Ou seja: conhecemos quando experimentamos. Que incrível! Isso faz com que o caminho do cristão não seja somente lógico e racional, mas sim resultante do querer e do experimentar de Deus. Aos discípulos de João Batista desejosos de seguir a Cristo, Ele respondeu: "Que desejais?" (Jo 1:38). O discipulado de Cristo sempre foi imbuído de desejo. Cristo não é um professor com power points e seus seguidores não são meras máquinas de decorar textos bíblicos. Somos seres chamados a carregar uma ardente esperança de termos a realidade do Reino de Deus em tudo o que olhamos, tocamos e sentimos. Segui-Lo significa desejá-Lo! De acordo com James Smith: “Jesus é um mestre que não apenas instrui nosso intelecto, ele forma nossos próprios amores. Ele não se contenta em apenas depositar novas ideias em nossa mente; ele busca nada menos que nossos desejos, amores e anseios.”[1]. A fome por Deus surge, então, como uma resposta ao anseio de Deus. É um desejo imputado aos homens o ato de corresponder à vontade de Deus por ser conhecido e adorado. A fome natural é sobre nos alimentarmos para continuarmos vivos. No entanto, ainda que a fome espiritual seja a respeito de comermos mais da fartura da mesa do nosso Rei, eu diria que, em sua maioria, a fome espiritual visa me esvaziar até a morte, me diminuir até que eu desapareça. De fato, a fome espiritual te enfraquecerá até que o único desejo de sua alma seja o Cristo, o pão da vida. A fome por Deus se manifesta com o desejo de desgastar-se diante do Deus vivo, assim como uma pequena vela exposta ao Sol em pleno fulgor. Ela será incapaz de suportar o calor e, pouco a pouco, deixará de existir. Ao experimentá-Lo, nos desgastamos de nós mesmos até que, de alguma maneira, nos tornemos como Ele é! “Mas todosnós, com o rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, que vem do Espírito do Senhor.” (2 Coríntios 3:18) A fome é como um tipo de impulsão sobrenatural que nos leva a ser o que Deus desejou que fôssemos: Seus amigos. Portanto, a fome é um catalisador individual. Em outras palavras, ela conduz cada um de nós a responder mais rapidamente à fome que Deus tem por um povo exclusivo Dele. Um dia, em minhas orações, eu descobri que, embora eu fosse muito grato por tudo o que Deus havia feito em minha vida, eu ainda desejava por algo a mais. A partir disso, fui impelido a viver níveis mais profundos da vontade de Cristo. Espero que você viva o mesmo! Alguém sem fome espiritual não tem a garra para cumprir os desejos de Deus. Normalmente, essas pessoas acabam se satisfazendo em fazer as suas próprias vontades. O homem - ou a mulher - sem fome é apático, estático e ele se contenta com pequenas porções da glória divina. A fome, portanto, gerará o impulso necessário para continuar, para desbravar novos horizontes em sua caminhada com o Senhor. A falta de fome, a longo prazo, nos torna desistentes. Não em relação aos nossos objetivos naturais, mas, acima de tudo, no que se refere à vontade elevada de Deus. Ao invés de nos tornarmos o povo que persevera em direção à plenitude da comunhão com o Senhor, retrocedemos. E, infelizmente, existe muito pouco a se fazer por alguém sem fome. Sem nenhuma dúvida, teremos muitas oportunidades de desistirmos do que Deus nos propõe: pode ser o fato de algum pastor ter pegado mais pesado do que deveria com você em uma reunião de discipulado; ou talvez alguma coisa no seu trabalho que te fez perder o controle das emoções. Coisas simples - ou até mesmo complexas - poderão facilmente nos tirar daquilo que Deus está trilhando para nós. Mas eu te garanto: a fome espiritual por conhecê-Lo irá te segurar como uma âncora! Nós não seremos como os que retrocedem, mas permaneceremos até o cumprimento da plena vontade de Deus! A MENSAGEM QUE MUDOU MINHA VIDA Eu sempre tive uma personalidade forte. De certa maneira, sempre fui impulsivo e agitado. Ao longo dos anos, ao mesmo tempo que isso me fez acumular vários fracassos, também me fez acumular muitos sucessos. Notamos que é comum, no contexto da Igreja, a fome espiritual ser confundida com empolgação ou personalidade forte. De fato, a fome, na maioria das vezes, te tirará da inércia, mas nem sempre ela se manifestará com empolgação. Falaremos disso um pouco mais adiante. Mesmo sendo um jovem impulsivo e decidido do que queria, isso não foi suficiente nos momentos em que me deparei com certos desafios em minha vida espiritual. Durante nossa caminhada, quando estamos diante de uma encruzilhada, se nós não tivermos um selo em nossos corações, um lugar onde podemos colocar nossa esperança e tesouro, então teremos grandes chances de nos perdermos. Infelizmente, somos capazes de facilmente diluir a mensagem do Evangelho e transformar a conversão a Cristo em algo mecânico e sem vida, e, por isso, nos falta fome. Nas palavras de A.W Tozer: Cristo pode ser aceito sem que se crie nenhum amor especial por ele na alma de seu receptor. O ser humano é "salvo", mas não tem fome nem sede de Deus. Na verdade, ensinam-lhe especificamente dar-se por satisfeito e encorajam-no a se contentar com pouco.[2] Se nós não tivermos fome espiritual pelas coisas de Deus, quando as demandas da vida aparecerem (como trabalho, filhos, casa, esposa), nós provavelmente iremos retroceder em nosso nível de caminhada espiritual, a fim de não passarmos por apertos nas finanças e no conforto de nossa moradia, ou até mesmo para não sentirmos o desconforto emocional que algumas decisões geram. Por exemplo: imagine que Deus te peça para deixar seu emprego atual e trabalhar em um local com horários mais flexíveis para que você possa se dedicar mais à oração. Mesmo que você obedeça, se você não tiver uma fome genuína, na primeira complicação (como o primeiro aperto financeiro), você retrocederá. Durante muito tempo da minha vida, era assim que eu me encontrava. Eu me via subindo a montanha em direção a um lugar mais alto, mais profundo, mas sempre acabava voltando a viver uma vida rasa. Minhas decisões eram quase sempre pautadas por coisas terrenas, e poucas vezes por uma perspectiva espiritual. Como Jesus, minha prioridade e satisfação deveriam ser "fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra” (Jo 4:34). O homem espiritual anda e vive por uma perspectiva espiritual. Por mais que eu desejasse ser assim, posso dizer que ainda não era. Faltava um catalisador, aquele impulso interno mais forte do que eu mesmo. Faltava fome! Tudo o que construí em minha vida comum e ministério é fruto de uma resposta à fome. Essa mensagem mudou minha vida. Me lembro quando comecei a ouvir homens e mulheres que carregavam uma mensagem fresca de Deus e percebi que todos eles ansiavam ardentemente por Sua presença. Então, comecei a perceber um padrão: os homens e mulheres que chegaram onde eu desejava chegar na caminhada com Deus viviam e eram impulsionados de uma maneira diferente da qual eu havia vivido até então. Ao longo deste livro, você certamente verá que a fome por Deus não é algo apenas místico ou sentimental, mas sim palpável. Ela começa por uma decisão, uma ordem. Sugiro que, se for necessário, você escreva em um caderno ou faça uma oração a respeito disso, como um compromisso seu com o Senhor. Mas no momento em que se decidir, faça o que eu fiz há anos: coloque a mão em sua barriga e diga “alma, tenha fome de Deus!” e “Alessandro - no caso, diga o seu nome -, ame a Deus, busque ao Senhor!”. Em um primeiro momento, isso pode parecer loucura, mas é extremamente bíblico. Quando olhamos para Davi em seus salmos encontramos frases bem próximas das quais acabei de citar: “Quando meu coração me diz: Buscai a minha presença, buscarei, Senhor, a tua presença” (Salmos 27:8) Existe poder nessas palavras. Elas são como uma chave! O coração de Davi compreende que deve buscar a Deus e, portanto, responde. Em seu coração, ele toma uma decisão de responder ao convite do Senhor. Vamos lá! Nesse dia, tome uma decisão: não apenas de ser um evangélico ou cristão, mas decida ir mais fundo! Amarre seu coração em uma cadeira e diga: “Oh minha alma, bendize ao Senhor!” (Sl 103:1). Muitas vezes, em meu ministério, preguei em igrejas onde os cristãos não eram convidados para um lugar de paixão e de fome por Jesus. Nesses últimos dias, conversando com um de meus discípulos e amigo, ele me contou como foi a sua experiência na primeira vez em que me ouviu pregando. Rimos muito! Ele me disse: "quando você convidou para irem lá na frente aqueles que tinham fome e desejavam mais de Deus, eu não sabia muito bem o que fazer, pois eu já tinha aceitado Jesus”. Pense nisso: quantas pessoas, dentro de nossas igrejas, nunca foram convidadas para irem a lugares mais profundos da presença de Jesus, para lugares mais íntimos com o Senhor? Talvez você tenha vivido cinco, sete, dez anos com Deus sem nunca ter sido verdadeiramente desafiado a um nível de maior comprometimento com o Evangelho, uma aliança profunda com o Senhor, daquelas que não se vê em qualquer lugar. UM APELO AO ALTAR Qualquer pessoa que tivesse contato com Jesus ou com os discípulos teria esse desafio. Imagine, por exemplo, o escândalo que Jesus causava aos olhos de um religioso acomodado: um homem, o qual havia partido de um lugar rejeitado, Nazaré, de repente estava curando enfermos no sábado e, quando olhava para os céus, chamava Deus de “Pai”. Era impossível que Cristo passasse despercebido. Imagine encontrar alguém que tinha como principal mensagem “servir o Reino do meu Pai”, e que sempre fugia quando tentavam exaltá- Lo, não aceitando quando, por exemplo, o tentaram coroar como rei à força, mas se posicionava como O servo de todos. Pense em como era conhecer alguém como o Apóstolo Pedro, que deixou a sua casa e sua família para seguirum homem que, para muitos, era apenas um doido, mas que, para ele, era o Cristo, Filho de Deus. Quando vamos começar a desejar isso? Quando vamos começar a gerar isso em nossas reuniões e Igrejas? Certa vez, Jesus disse que Seus discípulos deveriam ser mais zelosos do que os fariseus. Sim, fariseus - que, usualmente, são apontados como um modelo de vida com Deus a não ser seguido, sendo retratados de maneira pejorativa dentro de nossas igrejas. Jesus nos compara com eles e nos ordena a superá-los em zelo e obediência: ‘ “Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no reino do céu” (Mateus 5:20) Cristo deseja levantar um povo zeloso, comprometido e espiritualmente envolvido com seu Reino como os Fariseus eram com a lei. É impossível fazermos isso sem fome! O contexto do versículo citado é o Sermão do Monte, quando Cristo, subindo, se assenta com Seus discípulos para ensinar os fundamentos do Seu Reino. Dessa forma, conseguimos compreender que o zelo e a fome devem ser elementos essenciais na vida de todos aqueles que são discípulos de Jesus. Esse é o contexto da passagem acima, em que Jesus afirma que os verdadeiros discípulos deveriam ser ainda mais devotos! A parte que muitos deixam passar é o começo de Mateus 5, especificamente o primeiro versículo: “Quando viu as multidões, Jesus subiu ao monte; havendo se sentado, seus discípulos se aproximaram.” (Mateus 5:1) Jesus claramente evitou a multidão desinteressada e decidiu pregar para aqueles que desejavam subir, que desejavam chegar mais perto Dele. Entenda: você precisa subir. Você precisa ter fome para que possa experimentar as coisas guardadas para os zelosos. E, então, a partir desse lugar e dessa paixão, a verdadeira devoção surgirá. Com base nas Escrituras, não é segredo que os zelosos, os insistentes, são tratados de maneira diferente pelos céus. Eu mesmo já experimentei isso várias vezes em minha vida, seja ao insistir em um jejum ou em permanecer em oração. Me lembro que meus momentos mais profundos em adoração a Deus aconteceram quando permaneci, sem pressa, diligente em Sua presença até que eu O visse. Os zelosos e persistentes sempre foram presenteados por Deus, como podemos observar nas seguintes passagens: "Esperei com paciência pelo Senhor" (Sl 40:1), "os que esperam no Senhor renovarão suas forças" (Is 40:31), e, por fim, um dos meus versículos preferidos "Ao vencedor darei do maná escondido" (Ap 2:17). Certamente, aprendemos que, se quisermos experimentar as coisas profundas, teremos que vencer a pressa e a ansiedade diante da presença do Altíssimo. Os famintos serão, portanto, zelosos; e os zelosos, pacientes. Sempre que falo sobre isso me lembro desse precioso versículo, "A glória de Deus é encobrir as coisas; mas a glória dos reis é examiná- las. (Pv 25:2)". Precisamos começar a procurar, esquadrinhar, descobrir os mistérios de Deus! Sem desistência, sem apatia e com paciência. Um passo atrás do outro para perseguir os tesouros ocultos em Deus! Lembre-se de Jacó, persistindo em oração e lutando com o Senhor até que o Deus de seus pais mudasse o rumo de sua história. Como diz minha esposa: "Jacó venceu o Onipotente no lugar de oração". Esse é o lugar reservado aos zelosos, persistentes e famintos - o lugar de encontrar e ser encontrado por Deus. Caro leitor, imagine-se bem na minha frente agora, olhando bem no fundo dos meus olhos. Quero te fazer um convite: vá até o altar. Este é o motivo que me fez escrever essas palavras - um apelo ao altar. Não para que você faça uma oração religiosa para “aceitar Jesus”, ou por mero ritualismo, mas para que você gaste uma vida queimando diante do Senhor Jesus, como uma vela diante do resplendor do sol. Vamos comigo? CAPÍTULO 2 A FOME NO LUGAR ERRADO UMA FOME SECULAR Cada indivíduo no planeta terra está em busca do sentido de sua existência. Até mesmo o mais cético dos homens precisa satisfazer a sua alma com uma causa. A essas causas, normalmente damos o nome de “sonhos”. Certa vez, escutando um pastor e amigo, que também é psicólogo, aprendi que, em muitos casos, o desânimo, ou apatia, não é nada menos do que falta de propósito ou metas, o que acaba resultando na falta de perspectiva sobre o futuro, propiciando um desejo de terminar com o presente, que tornou-se esvaziado. O que eu quero dizer é simples: todos nós temos fome de algo e vivemos nossas vidas em prol disso. E a fome espiritual é o que nos impulsiona de dentro pra fora, o que nos tira da mesmice e nos leva para os lugares mais profundos em Deus. Além disso, temos a fome ou os sonhos naturais, que nada mais são do que os objetivos de vida que alguém carrega. Alguns têm sonhos e propósitos eternos; outros sonham com causas nobres, porém passageiras. Há inclusive aquelas que sonham com coisas tão insignificantes que acabam transformando as suas vidas em corridas sem qualquer sentido. Desde pequenos, somos ensinados que devemos buscar e alcançar nossos sonhos, e que nada vale mais do que a nossa própria felicidade. Infelizmente, isso tem levado muitos para um buraco existencial sem precedentes. Encontramos uma contradição na geração atual que, apesar de estar conectada com dezenas de pessoas que frequentemente estão curtindo suas fotos nas redes sociais, possui os maiores índices de depressão, síndrome do pânico e outras doenças emocionais/psicológicas. Tudo não passa de uma mera ilusão online, onde a vida ideal que se posta nas mídias não condiz com a falta de propósito que existe dentro de cada um. Insatisfeitos e frustrados, em algum momento, as pessoas acabam passando por crises existenciais, pois a única coisa que pode verdadeiramente preenchê-las é a eternidade! “Tudo que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou a eternidade no coração do homem; mesmo assim, ele jamais chega a compreender literalmente o que Deus fez” (Eclesiastes 3:11) É fácil perceber que o lugar onde colocarmos nosso senso de propósito ditará nossa vida e, consequentemente, aquilo que nos tornaremos. De certa forma, todos nós temos fome. O que precisamos nos perguntar, então, é: “do que temos tido fome?”. E também “em que temos depositado nossa fome?”. Infelizmente, a maioria dos cristãos permanece com olhos aterrados, mesmo depois de encontrar a fonte de toda eternidade - Jesus. Assim, essas pessoas fazem de Deus um caminho para seu sucesso e para realizações pessoais, ao invés de tê-Lo, verdadeiramente, como única e absoluta fonte de plenitude e satisfação. Ao buscarmos nossos próprios e limitados sonhos, acredito que estamos sendo conduzidos por nossas emoções até um abismo existencial - embora eu creia que esse não é o desejo do Senhor. Certa vez, li que Deus não deseja cumprir os meus sonhos, mas sim os Dele, e meu caro amigo, eu concordo plenamente. Uma falsa teologia tem nos ensinado que Deus é uma espécie de príncipe da Disney que está vencendo o mal para nos livrar de nossos problemas, mas esse não é o nosso Deus. Como disse Rodrigo Bibo[3], em seu livro O Deus que destrói sonhos, “Jesus não é um gênio da lâmpada”. De fato, temos um bom Pai que claramente se importa conosco. O Deus que governa todas as coisas deseja saber onde você estuda, o que você anda comendo, e Ele se alegra com suas alegrias. No entanto, o Deus de toda terra, além de ser um bom Pai, é também um Rei glorioso que tem seus próprios planos, os quais são muito mais altos do que os nossos. Deus não deseja Se assentar em Seu trono e assistir aos seus filhos correrem atrás do vento, como se o propósito de suas vidas fosse ter uma casa melhor. Oh, não! Deus não tem um compromisso com planos terrenos. O Senhor está comprometido com Seu plano eterno! Essas palavras são fortes. Elas nos deixam inquietos, como se houvesse milhares de formigas andando em nossa cadeira. Talvez, por conta desse desconforto, você tenha vontade de fechar esse livro. Quantas vezes eu quis calar a voz da cruz em minha vida por conta das verdades bíblicas que humilham meus desejos humanistas!Além disso, várias vezes quis fechar os olhos para a eternidade e para o que ela faz com meus pensamentos minúsculos e terrenos. É confrontador ter o anseio por algo maior do que nós mesmos, mas estou plenamente convicto de que fomos criados para isso! Todos nós temos fome, desejo, uma busca pela eternidade. Indivíduos anestesiados procuram as coisas da terra e se embriagam com elas. Infelizmente, até mesmo cristãos têm feito isso. No entanto, essa não é a verdadeira fome. A realização de nossos sonhos ao completarmos a jornada não é a fome que vem do céu; ganância mundana não pode ser confundida com fome espiritual. Não podemos nos moldar ao padrão de vida secular. Os desejos deste século devem ser, em quase tudo, diferentes dos nossos, pois nossos anseios estão em coisas superiores. Eu não sei quanto a você, mas, quando penso nessas coisas, meu coração passa por uma autoanálise. Como dizem as Escrituras: "Examine, pois, o homem a si mesmo” (1 Co 11:28). É imprescindível que voltemos nossos olhos para a raiz de nossos anseios e buscas, para que, assim, não caiamos no erro de renomeá-los com nomes mais "santos'', quando, na verdade, tratam-se de desejos seculares. Jesus, o nosso Senhor, ao falar sobre tesouros terrenos, nos aconselhou: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:21). Percebo que, por não nos atentarmos às Escrituras como deveríamos, muitas vezes, sem perceber, invertemos as palavras de Jesus para: “onde está o meu coração, ali está o meu tesouro”. Mas o que Cristo disse foi o contrário, e isso pode alterar drasticamente o nosso entendimento. Perceba que o meu tesouro expõe o local onde deposito minhas forças, ou seja, o meu coração. Dizer que o meu coração é a base do meu tesouro me levará a uma análise fraca de minhas reais intenções. Por exemplo: imagine que alguém diga que você já não gasta mais o mesmo tempo de oração que gastava antigamente, já que, agora, a rotina e o trabalho ocupam a maior parte do seu tempo. Usando a falsa premissa de que o seu coração define o seu tesouro, você pode facilmente sair pela tangente dizendo “mas meu coração permanece intacto. Tudo o que eu faço no meu trabalho é para honrar a minha família e o Senhor”. No entanto, quando Cristo diz que nossos tesouros apontam para o nosso coração, Ele traça uma linha em que os argumentos são derrubados por provas. Usando esse mesmo exemplo acima, todo o argumento de escape seria destruído com a simples afirmação: “a área de sua vida que mais prospera é a profissional. Você já não gasta o mesmo tempo com seus filhos, família e com o Senhor”. Em outras palavras, o fato de dedicarmos mais esforço aos tesouros terrenos já expressam onde está o nosso coração. É evidente que, de maneira nenhuma, estou aprovando uma vida na qual não devemos trabalhar e prosperar. A pergunta em questão é: qual área da minha vida mais frutifica? Em outras palavras, onde está meu coração? A fome espiritual, embora não rejeite o crescimento financeiro e natural, nunca se encaixa nos padrões de vida propostos por esta era. É tempo de rasgarmos os nossos corações e, com sinceridade, nos aproximarmos do Senhor. Precisamos remover as cinzas de um fogo passado, que são resquícios de um pensamento secular, e voltar a queimar. Mas, para que isso ocorra, precisamos nos analisar e devemos ser intencionais em corrigir nossas falhas. O QUE NÃO É FOME Uma poderosa arma contra a falsa fome espiritual é a autoanálise, isto é, um sincero olhar para dentro de si mesmo. Ao fazer isso, você conseguirá ver seus erros e suas falhas. Para prosseguirmos adiante em nossa busca por uma fome genuína, nosso coração precisa ser exposto. Faz parte da busca pela fome genuína um coração quebrantado diante de Deus e de Sua presença. Nenhum homem com segundas intenções permanece diante do Senhor, pois Deus o rejeita. Perceba o que escreve Isaías: “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene.” (Isaías 1:13 - ARA, grifo nosso) A última parte deste verso foi chocante aos meus olhos desde a primeira vez que a li. Ler essa mensagem vinda do próprio Deus é realmente sério! Deus, notoriamente, não rejeita as ofertas por serem vãs em sua materialidade, ou seja, se são valiosas ou não, mas Deus as rejeita pelas intenções do coração dos ofertantes. Precisamos desassociar de nossa busca toda segunda intenção, todo falso culto, toda iniquidade associada aos nossos ajuntamentos solenes. O homem quebrado é o homem que encontra fome; o homem sem altivez é o homem que encontrou a Deus! As Escrituras são enfáticas em proclamar o futuro do homem orgulhoso e altivo: "serão abatidos, e a sua arrogância será humilhada, e só o SENHOR será exaltado naquele dia." (Is 2:11). Ao que me parece, existe um convite vindo do Espírito de Deus aos homens e mulheres de Deus para o lugar de humildade e quebrantamento. Somente assim nos tornaremos aqueles que não se ofendem com a dignidade de Cristo. Nos uniremos com as Escrituras ao dizer: "só o SENHOR será exaltado naquele dia.". O homem desejoso da Presença precisa ser livre de outras intenções. Os que realmente desejam o Senhor não se contentam em jejuar para ter um ministério melhor ou para ter apenas uma provisão financeira. Os que foram feridos por fome são homens e mulheres de uma só coisa! Assim como o rei Davi em Salmos 27:4 clama: "Pedi uma coisa ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar o esplendor do SENHOR e meditar no seu templo.", precisamos ser feridos com um único desejo: habitar com a presença divina. Paulo em Filipenses 3:13 também manifesta sua busca por uma só coisa, isto é, Cristo! Que nos tornemos homens e mulheres que não anseiam por 'grandes coisas' ou muitas coisas, mas que apenas uma coisa tenha o poder de nos fascinar: Cristo e Sua presença! Me lembro de algo que aprendi com Bob Sorge[4] em um de seus livros: "o excesso de opções diluiu a potência da nossa busca espiritual”. Queridos, necessitamos de foco! Potencialize sua fome e suas orações, olhando para apenas uma coisa, ou seja, Jesus. CAPÍTULO 3 UM CORAÇÃO QUEBRANTADO Se existe um lugar mais profundo em Deus, um local de plenitude da Sua presença, eu não vou querer me contentar em gastar minha vida lutando para ter uma igreja mais bonita, um carro do ano, ou até mesmo uma unção mais poderosa. Embora todas essas coisas sejam agradáveis, elas em nada se comparam a Cristo. Sinceramente, carrego em mim o anseio de ser encontrado fiel, com olhos marejados de lágrimas de amor pelo Filho do Homem. Ao me lembrar que Cristo deseja estar conosco em um lugar glorioso, meu interior treme ao pensar que o clamor de Davi em Salmos 27, "habitar com a presença", é respondido de maneira fervorosa por Jesus em João 17:24: "Pai, meu desejo é que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estiver, para que vejam a minha glória, a qual me deste, pois me amaste antes da fundação do mundo". O próprio Filho abre caminhos para estarmos com Ele, pois é isso que o Senhor deseja: estar com Seu povo! Portanto, somente Ele pode satisfazer o coração do faminto. Uma só coisa é necessária! Por isso, precisamos trilhar passos amargos para dentro de nós mesmos. Devemos rever nossas intenções, nossas práticas e procurar o lugar de humildade diante de Deus. “A arrogância do homem será humilhada, e o orgulho humano será abatido; só o SENHOR será exaltado naquele dia.” (Isaías 2:17) Provavelmente, você deve estar se perguntando: como posso me livrar das segundas intenções? Como posso me purificar da altivez e soberba? O tesouro que descobri, ao ler as Escrituras, e que tem me guiado por águas cristalinas de desejo por Deus, limpas de desejos ocultos, chama- se um coração quebrantado. Muito se fala de um coração quebrantado, mas, ao longo de minha caminhada, eu percebo que muitos de nossos amigos cristãos simplificamo fato de chorarmos diante da presença do Senhor. Eu acredito fortemente que o significado de um coração quebrantado está além das lágrimas e nos conduz a um lugar mais profundo em Deus. Quando olhamos para o Rei Davi se arrependendo de seus pecados em Salmos 51:10-12, observamos não somente um homem emocionado, mas também alguém que deseja ardentemente a presença do Senhor em sua vida. Ó Deus, cria em mim um coração puro e renova em mim um espírito inabalável. Não me expulses da tua presença, nem retires de mim o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito obediente. (Salmos 51:10-12, grifo nosso) Leia esses versos com um pouco mais de atenção e você perceberá que eles não são apenas parte de uma oração bonita ou de uma bela canção para ser cantada durante um culto. Um pouco mais de cuidado e entendimento do texto nos levará à compreensão de que o homem que escreveu essas palavras estava sofrendo, pois, ao olhar para si mesmo, já não via mais a salvação. Ele já não achava em si mesmo o fruto do Espírito, nem em suas mãos a unção que antes operava através dele. Davi estava com dores de parto clamando pela presença de seu Deus, e esse é contexto de um dos meus versos favoritos das Escrituras. “Sacrifício agradável para Deus é o espírito quebrantado; ó Deus, tu não desprezarás o coração quebrantado e arrependido.” (Salmos 51:17) No meio de tanta dor e desejo de voltar para a presença de seu Salvador, Davi entende que Deus não deseja muitos sacrifícios, mas sim um coração quebrantado! Vamos lá, meus amigos. O coração quebrantado não se resume a lágrimas nos olhos, mas sim a arrependimento genuíno: o desejo ardente de estar de volta com o Senhor! O coração quebrantado te fará alguém moldável nas mãos do oleiro. Você entende? Não são apenas as lágrimas, mas um coração fácil de ser tratado. Pessoas sem altivez e orgulho, as quais não questionam o Senhor, mas, antes, seguem Ele. Homens segundo o coração de Deus! Mais uma vez, no precioso Sermão do Monte, ao inaugurar as bem-aventuranças, Cristo diz: “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o reino dos céus.” (Mt 5:3). Os quebrantados são pobres de espírito, são humilhados e rendidos ao desejo de Deus. Submissos e obedientes, eles não são questionadores ou donos de nada! Não acredito que a "humildade de espírito" seja, por coincidência, a primeira "bem-aventurança", de forma alguma. Certamente foi posta de maneira intencional. Quando olhamos para nosso mestre "manso e humilde", vejo que é exatamente esse o tipo de pessoa que caracteriza os verdadeiros discípulos de Jesus. Os quebrantados são formados não apenas em seus quartos de oração, mas no momento em que permitem que Deus os esmague. Assim, eles se tornam livres de todo sentimento de posse. Esses indivíduos são vasos humildemente disponíveis a serem visitados pela porção do céu! Há anos, um de meus discípulos se aproximou e pediu: “Alê, ore por mim, eu quero ter um coração quebrantado”. Ainda hoje, quando me lembro disso, eu me emociono. Uma das maiores dádivas que alguém pode ter é um coração quebrantado, pois este faz da pessoa alguém confiável, amigo, próximo e visitado por Deus. A verdadeira fome passa, necessariamente, por um caminho de quebrantamento. Nesse caminho, somos convencidos pelo Espírito a nos arrepender de uma fome secular, que possui sonhos e anseios próprios. Recebemos um coração que nos faz voltar correndo para as mãos do Senhor quando percebemos que estamos longe de Sua vontade, mesmo que seja um pequeno passo de distância fora dos desejos de Jesus. Ah, um coração quebrantado é o que precisamos! Sem um coração correto, secularizamos a fome espiritual. Veja o que escreveu Richard Foster[5]: Por nos faltar centro divino, a necessidade de segurança levou- nos a um apego insano às coisas materiais(...) É hora de despertarmos para o fato de que se conformar a uma sociedade doentia é adoecer. Enquanto não enxergarmos quanto nossa cultura está desequilibrada nessa questão, não conseguiremos lidar com o espírito de Mamom que vive dentro de nós nem desejaremos a simplicidade cristã (...) À cobiça, damos o nome de “ambição”. Chama-os ‘prudência’ ao ato de guardar valores às escondidas. À ganância, denominamos ‘diligência’. Somente um coração quebrantado nos livrará das armadilhas da fome secularizada que tem atraído tantos cristãos. A verdadeira fome espiritual nos fará entender o que ensinou Jesus: “Busque em primeiro lugar o Senhor e seu Reino”. Assim, teremos o coração voltado para as coisas do alto, colocando o Reino em preeminência. “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33) Os verdadeiros homens e mulheres espirituais, que buscam viver uma vida do Reino, são os que buscam o Senhor e que, por conta disso, verão todas as coisas lhes serem acrescentadas no tempo apropriado de Deus. Isso é libertador e poderoso, mas também um tanto quanto delicado. Muitos, ao se dizerem famintos pela vontade de Deus e de Seu Reino, abrem portas de desequilíbrios financeiros, emocionais e até mesmo supostamente “espirituais”. Por um desentendimento do texto sagrado e do desejo de Deus, podemos ser tragados a uma realidade na qual nossas finanças são desordenadas, afetando, assim, o bem estar de nossas famílias. Nossas emoções se tornam frágeis, já que não damos o devido valor ao descanso e lazer. O desequilíbrio ao falar sobre fome espiritual pode ser realmente maléfico. Por isso, ao purificarmos os nossos corações da fome secular, precisamos também tocar em um assunto muito importante ao falarmos sobre fome por Deus. Entenda que a verdadeira fome não é desequilibrada ou apenas um êxtase emocional. Assim sendo, o verdadeiro desejo por Deus não se manifestará apenas exteriormente, com choros e gritos na presença do Senhor, mas nos levará, principalmente, a uma jornada interna de amadurecimento de fé. Todavia, não podemos de maneira nenhuma desassociar de nossa fé cristã as emoções, como se fossem algo impuro e não confiável. Concordo com Jonathan Edwards[6] quando disse que: “A religião verdadeira consiste principalmente em afeições santas”. Realmente não consigo acreditar em uma caminhada de fé sem afeições (desejos, amores e ardência no coração). Ao longo deste livro, ficará cada vez mais evidente meu ponto de vista - pelo menos espero. No entanto, os sentimentos provenientes da fé não são meramente seculares, mas santos e espirituais. Ainda na citação de J. Edwards[7], ele diz que "a religião requerida por Deus não consiste em desejos fracos, opacos e sem vida, elevando-nos somente um pouco acima da apatia". Certamente, a fome espiritual e o verdadeiro coração quebrantado farão de você alguém maleável e extremamente sensível à presença e às palavras de Deus. Você se tornará alguém que não consegue permanecer o mesmo quando o nome de Jesus é mencionado! A emoção santificada, a fome espiritual, te dará mais do que apenas vencer a mesmice, mas ascenderá eu seu interior os mesmos desejos de Deus! Preste bem atenção: a verdadeira fome irá te abalar! Com uma só gota da presença de Deus em um ambiente, você não conseguirá se mover ou fazer outra coisa a não ser se render. Porém, essa rendição não tem a ver apenas com emocionalismo, mas com um posicionamento de espírito. Muitos confundem espiritualidade com entusiasmo carnal e, em relação a isso, também precisamos nos arrepender. Querido irmão, não tenha medo de sentir, mas seja espiritual! Que não cessem as lágrimas de nossos olhos, mas que essas sejam espirituais e não apenas crises da alma. Se, por um acaso, tivermos dores na alma, que nossa fome nos guie de maneira potente às águas de cura. Porém, amado irmão, vale pontuar aqui que não devemos ser desequilibrados em nossas emoções com a prerrogativa de fome espiritual. Um jovem faminto pelo Senhor jejuará e buscará chegar mais cedo nas conferências, sentará nas cadeiras da frente em todas as reuniões; provavelmente, em um certo momento, ficará desejosode deixar seus estudos e apenas ler sua Bíblia e orar. Esse caminho é natural na vida do cristão que foi visitado pela fome espiritual. No entanto, isso não significa dizer que os que fazem essas coisas são famintos. O caminho da fome lhe custará tudo, mas nem sempre os que entregam tudo estão fazendo porque encontraram a fonte de seus anseios. Paulo escreve algo parecido com isso quando diz: “E mesmo que eu distribuísse todos os meus bens para o sustento dos pobres, e entregasse meu corpo para ser queimado, mas não tivesse amor, nada disso me traria benefício algum.” (1 Coríntios 13:3) Isso nos leva a entender que os famintos são radicais e quase nunca se encaixam em um sistema religioso convencional. Os famintos quase sempre são expulsos das rodas de amigos mornos, porém, como mencionado, desequilíbrio emocional e descuido com suas finanças, por exemplo, não são a mesma coisa que radicalidade espiritual. Quanto mais cedo você souber dosar isso em sua caminhada, mais cedo você experimentará de uma maturidade na sua busca! “Buscar em primeiro lugar o Reino” não significa deixar de fazer o que preciso fazer como um cidadão e pai de família, mas sim encontrar em mim completa ausência de ansiedade e preocupação pelo o que será do dia de amanhã, pois meus olhos viram o Rei! Para caminharmos para o fim deste tópico, gostaria de propor uma última e breve reflexão. “Quem já se fartou recusa o favo de mel, mas para o faminto todo amargo é doce.” (Provérbios 27:7) Honestamente, eu amo esse verso! Amo o fato dele me levar a rever meus desejos e anseios diante do Senhor. Ao compreender que o faminto não despreza comida, enquanto o farto menospreza a doçura do mel, sou constrangido ao perceber quantas vezes minha arrogância revela minha falta de fome pelo Senhor. Quantas vezes nos tornamos tão arrogantes e acostumados com o ambiente ministerial, livros teológicos e com a vida eclesiástica que nos tornamos uma espécie de sommelier evangélico, onde vamos aos cultos e reuniões analisar o conteúdo e não mais nos alimentar do Senhor em família. Que Deus nos livre de um coração soberbo e sem fome! Porém, ao analisarmos as Escrituras, percebemos uma ênfase a nos instigar a maturidade de fé, que exige, portanto, solidez doutrinária e de conduta: “De fato, embora já devêsseis ser mestres, ainda precisais que alguém vos ensine de novo os princípios elementares da palavra de Deus, e vos tornastes necessitados de leite, e não de alimento sólido. Qualquer pessoa que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos que, pela prática, têm suas faculdades morais exercidas para distinguir entre o bem e o mal.” (Hebreus 5:12-14) O autor aos hebreus visivelmente associa a maturidade ao tipo de alimento que ingerimos, e relaciona a maturidade na palavra à "prática", ou seja, deixa claro que os maduros não apenas têm uma boa dieta espiritual, mas também uma boa conduta e vida diante do Senhor. Assim, entendemos que devemos fugir do coração arrogante que rejeita o favo de mel, mas, ao mesmo tempo, precisamos discipular nossa fome espiritual à amadurecer e aprender a discernir e desejar os melhores alimentos. Não quero me fartar do amargo achando que é doce. Eu não quero, de forma alguma, uma fome inconsequente. Não! Eu quero uma fome madura e acompanhada de discernimento. Por isso, caro amigo, a proposta deste livro não é gerar em você apenas uma empolgação, mas uma fome espiritual verdadeira e madura! Que de nossos corações brotem as mais lindas canções, de nossos lábios as mais doces palavras e que nossos olhos jamais fiquem secos, sem lágrimas de amor pelo nosso Amigo e Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém! CAPÍTULO 4 PELO QUE VOCÊ TEM FOME? UMA GUERRA CONTRA A APATIA Acredito que, até esse ponto, entendemos que a fome é a resposta que damos ao desejo de Deus de ter um povo só Seu e que essa fome deve ser espiritual e não carnal, nos levando a emocionalismos. Também já fomos desafiados a rever as intenções de nosso coração ao buscarmos a Deus, nos questionando sobre que tipo de fome temos tido - esta é uma pergunta dura, que chacoalha o âmago de um homem ou mulher honesto(a) em sua busca por Deus. Vimos que a fome não se parece com um sentimento desordenado e desatento à doutrina. É espiritual, e não carnal, com um desejo maduro e ardente pelo Senhor, que nos conduz ao entendimento e compreensão dos Seus caminhos. E agora, iniciamos a caminhada em direção ao entendimento do que deve fazer parte de nossa dieta espiritual, pois não queremos comer coisas amargas achando que são doces. A fome precisa continuar sendo ardente, visceral e violenta. Este é um princípio que podemos identificar nas Escrituras e na vida de heróis e heroínas da fé. Leia comigo o seguinte verso: “O preguiçoso leva a mão ao prato e nem ao menos quer levá-la à boca.” (Provérbios 26:15) O versículo acima contém um tópico extremamente pertinente quando estamos falando sobre fome. A fome é uma declaração de guerra contra a preguiça! De fato, a fome não pode ser reduzida a emocionalismo, mas isso não significa dizer que ela não deve ser acompanhada de gana, desespero e empolgação. Na verdade, quando esses sentimentos são equilibrados e trazidos a um lugar espiritualmente maduro, eles se tornam uma bomba nas mãos do Senhor, pois nos conduzem a uma disposição em fazer e ser tudo o que Deus nos ordena! Olhando para o contexto da maioria das igrejas que conheço, é comum encontrarmos pessoas acomodadas em suas vidas pacatas, esperando que algo novo e fresco aconteça. Normalmente, essas pessoas culpam a liderança, os pregadores, os livros, as músicas, mas não têm a coragem de olhar para dentro de si. Na verdade, eles são preguiçosos espirituais! Colocam a mão no prato, mas não se dão ao trabalho de comer, já que estão sempre esperando serem servidos. O que eu quero dizer é que, muitas vezes, adotamos uma postura preguiçosa e cômoda, esperando receber do Corpo de Cristo algo novo, delegando a terceiros nossa vida espiritual e relacionamento com Deus, ao invés de assumir nossa responsabilidade. Em último nível, esse comportamento também denuncia a falta de violência espiritual que é, para mim, um dos maiores erros atuais dos cristãos. Veja bem, quero dizer que falta verdadeiramente se responsabilizar como discípulos de Cristo. A falta de intensidade na resposta que damos a Cristo evidencia a falta de violência espiritual que temos. Esta nos reduz a meros espectadores desassociados da missão de Deus e de Sua vontade. Estamos todos sentados nos bancos de nossas igrejas como se estivéssemos em um show ou em algum jogo de futebol, buscando um entretenimento, como meros espectadores. Hoje, temos acesso a todos os tipos de lives, livros, músicas e vídeos. Igrejas com diferentes estéticas, usos e costumes: com paredes pretas, coloridas, tradicionais, pentecostais, carismáticas e tantas outras. Como se tivéssemos uma imensidão de possibilidades diante de nós, como em um mercado, por exemplo, onde procuramos o alimento que mais nos agrada, o que mais combina com aquilo que estamos planejando para o almoço. Quando, no fim, nada nos apetece, nada nos agrada, porque o que nos falta é fome. Nos falta violência no espírito. Muitas vezes, nós até temos bons pastores, amorosos e misericordiosos, que estão dispostos a nos ajudar. Temos bons ministros em nossas igrejas, pregadores muito bem preparados na doutrina e no fluir do Espírito de Deus, mas nos acostumamos a somente observar. Nos tornamos como o preguiçoso descrito em Provérbios, aquele que está diante de um bom banquete mas não sabe comê-lo. Enquanto você lê essas páginas, não quero que pense em um amigo, ou em um ministro, mas em você. Reveja-se, seja sondado pelo Espírito de Deus, se arrependa e, como tantos outros que vieram antes de nós, aprenda a “bater no peito” a sua responsabilidade: se mova. Seja violento em sua busca por Deus! “A vergonha, aqui, é que não temos a quem culpar por nossa impotência espiritual.Não há a mínima chance de alguém acreditar se tentarmos transferir a culpa de nossa estagnação criminosa para outras pessoas. Não podemos acusar o diabo por esse impasse, porque Jesus nos disse: “Dou a vocês meu poder sobre todo poder do inimigo”. Não há possibilidade de culpa nossos inimigos, pois a Palavra diz:”somos mais do que vencedores através daquele que nos amou.”. Não podemos atribuir a culpa às armas combinadas que nos atacam, porque temos “o escudo da fé, com o qual apagarão os dardos inflamados do maligno”. Não ousamos e não podemos acusar Deus, porque Ele disse: “Peçam, e lhe será dado”. Não podemos dizer que as linhas de provisão foram cortadas, porque o Livro diz: “tudo é de vocês”. Parece que ficamos sem bode expiatório! Como disse um sábio: “A falha, caro Brutus, está dentro de nós mesmos”. Essa citação maravilhosa de Ravenhill[8] está em um dos primeiros livros que li na vida. Lembro-me de ler aquelas páginas em lágrimas, com os joelhos no chão e o rosto em terra. Precisamos acabar com as desculpas e nos lembrar do verso “E, desde os dias de João Batista até agora, o reino do céu é tomado à força, e os que se utilizam da força apoderam-se dele” (Mt 11:12). Certamente, Jesus não está nos ensinando a insistirmos em busca religiosa e legalista, porém, Jesus tampouco está nos levando a ter uma fé fria e sem movimento. Lembro-me do Senhor Jesus ensinando sobre oração em Mateus 6:5 e sobre como Suas palavras são ríspidas ao coração soberbo. Ele nos advertiu sobre quão inúteis diante de Deus são as orações daqueles que oram para serem vistos. O Senhor sempre foi enfático em nos liderar a um lugar de submissão diante de Deus o Pai, pois da mesma maneira que o publicano em Lucas 18:9-14 foi justificado por sua fé pura e o fariseu rejeitado por sua autojustiça, assim também nós precisamos ser encontrados batendo e insistindo, diante do Altíssimo, com toda humildade possível! Fuja da meritocracia desta era. Corra o mais rápido que puder de um evangelho que diz que você precisa fazer algo para então ser amado, e corra com ainda mais vigor do evangelho que não te ensina a ser violentamente faminto pela Presença! Como um dia escrevi[9]: “Eu quero que minha devoção seja uma resposta não religiosa, não baseada em minha autojustiça. Deus me livre costurar o véu que Cristo rasgou. Por outro lado. Deus me livre de não viver uma vida digna de morrer por amor a Cristo. Deus me livre de, em meu corpo, não carregar as marcas de Cristo”. UMA SANTA EXPECTATIVA Temos, então, um impasse. Sabemos o que não queremos - uma fome secular. E também sabemos que temos um desejo inato pela eternidade. Diante disso, vejamos o que diz A.W. Tozer: “De toda a criação, o homem é o único ser imbuído de aspirações espirituais, as quais o levam à oração e à adoração.”[10] Sim, aprendemos que todos nós, de certa forma, temos fome. Porém, o que muitas vezes não sabemos é como colocar ela no lugar certo, como desejar a coisa certa. Deixe-me contar um pouco de minha experiência. É um costume meu, sempre que estou liderando o momento de adoração ou pregando em uma grande conferência, começar redirecionando os olhares para Cristo. Comumente percebo que, nestas circunstâncias, muitas pessoas acabam deturpando suas motivações. Ao invés de se direcionarem à espera por algo fresco da parte de Senhor, focam mais nos homens de Deus que ali estão. Movidos pela grande empolgação do momento, colocam suas expectativas nos homens que admiram, tirando a centralidade de Cristo Jesus. Veja bem, a expectativa, apesar de produzir empolgação e êxtase, pode ser um caminho certeiro para não recebermos o que precisamos, pois, basicamente, ela é uma projeção irreal que eu crio sobre algo ou alguém. Por ser irreal, não equivale à verdade. Além disso, por manifestar, basicamente, os meus desejos humanos e projetá-los em um deus falso, a expectativa é frustração. Por isso, precisamos lavar nossos corações da expectativa humana. Quando olhamos para as Escrituras, vemos que o Espírito Santo está gerando uma santa expectativa em Seu povo pelo dia em que nos encontraremos com o Filho Jesus, no Dia do Senhor. Mas essa santa expectativa não é reduzida a uma expectativa humana: na verdade, ela é chamada de esperança. “Porque fomos salvos na esperança. Mas a esperança que se vê não é esperança; pois como alguém espera o que está vendo? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Romanos 8: 24-25) A esperança, sim, lida com a realidade! Eu não estou alterando um fato para que ele se encaixe aos meus desejos, mas estou o esperando com desejo ardente, mesmo que ele ofenda todos os meus conceitos. A esperança é superior à expectativa, pois ela firma os meus pés em algo sólido. Sendo assim, aguardo com fé e certeza de que aquilo que foi prometido por Deus será feito. Dessa forma, ao invés de alterar a realidade, sou alterado por ela. Em outras palavras, ter uma santa expectativa ou esperança é o mesmo que desejar o que Deus prometeu que aconteceria, é esperar em Sua perfeita vontade! É por isso que, nesse momento, gostaria de pedir a você que foque seus olhos em Cristo! Perdoe-me por talvez lhe tratar de maneira infantil, mas permita-me direcionar os seus olhos somente Àquele que é digno. Iremos juntos correr para um lugar onde somente Ele nos satisfaz. O PÃO SEM FERMENTO Para continuarmos, gostaria de te lembrar de uma história descrita em Mateus 16. Os fariseus e saduceus se aproximam de Jesus logo no primeiro versículo e Lhe questionam, pedindo a Ele um sinal que viesse do céu. O Senhor respondeu ao questionamento com uma exortação, pois eles conseguiam analisar o tempo (clima), mas eram incapazes de discernir os sinais dos tempos. Quantos de nós, como estes, permanecemos endurecidos em nossas próprias interpretações de quem Deus é, não conseguindo sequer perceber a movimentação celestial. "Uma geração má e adúltera pede um sinal, mas sinal algum lhes será dado, a não ser o sinal de Jonas. E, deixando-os, retirou-se.” (Mateus 16:4) Em resposta ao sinal que lhe pediram, Cristo continua os advertindo, dizendo que o único sinal possível seria o de Jonas. Mas o que seria isso? Se analisarmos com calma, veremos que o sinal de Jonas é exatamente o que o incrédulo precisa. Jonas passou três dias envolto nas trevas do abismo, carregando consigo uma mensagem de arrependimento para salvação de Nínive (Jonas 2). Assim como o Filho do Homem, que durante três dias esteve morto, mas ressuscitou e com Ele trouxe a boa notícia que nos liberta! Não existe outro caminho - ou sinal - para o homem incrédulo, apenas uma jornada de arrependimento como a de Jonas que, tendo, então, experimentado de genuíno arrependimento, pode participar do Reino de Cristo. Chegamos agora, então, ao ponto principal de minha citação ao versículo de Mateus 16:6, veja: E Jesus lhes disse: Atenção! Tende cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus. Falando apenas com Seus discípulos, Jesus adverte eles para que tenham cuidado com a má influência que vinha dos fariseus e saduceus. É curioso pensarmos que esses dois grupos eram divergentes, mas o ódio a Jesus era maior do que suas diferenças doutrinárias. Eles odiavam mais o Cristo do que se odiavam, e isso os uniu. Eles acabavam de vir da segunda multiplicação de pães e Jesus advertiu seus discípulos acerca dos ensinamentos desses homens: “Acautelai-vos”. Em um primeiro momento, os discípulos pensaram que Jesus estava literalmente falando sobre pães. Sem dúvidas, o Senhor que multiplicava pães não estava carecendo de pão. Os próprios discípulos entendem, posteriormente, que Cristo os estava advertindo sobre os ensinos dos fariseus e saduceus. O fermento é o que leveda a massa, o que incha e o que altera. Em outro momento, Jesus usou a palavra fermento em um bom sentido, ensinando sobre o crescimento do Reino (Mt 13:33), mas não nos versos citados. Aqui, Cristo critica os ensinos dos fariseus e saduceus e, da mesma forma, Paulo faz isso em sua carta à igreja da Galácia: “Quem vos convenceua agir assim não vem daquele que vos chama. Com um pouco de fermento toda a massa fica fermentada.” (Gálatas 5:8-9) O Apóstolo Paulo usa a palavra fermento para repreender falsos ensinos que, semelhantemente ao fermento, apresentam um grande risco à pureza do evangelho do Reino de Deus. Veja o que disse Paulo em outro verso: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregue um evangelho diferente do que já vos pregamos, seja maldito.” (Gálatas 1:8) Indo direto ao ponto, precisamos fugir dos ensinos humanistas, que nos apresentam um falso Cristo, e nos apegarmos a quem Ele realmente é. O fermento nos apresentará um pão falso e inchado de mentiras; mas Cristo, Este é o Pão que desceu do céu! A imagem que pensamos de Cristo não O representa; o que entendemos de Cristo não O representa; o que nos faz lacrimejar ou exultar a respeito do Evangelho não consiste na totalidade do evangelho. Precisamos tirar nossas lentes humanas e colocar a lente celestial para, assim, correr em direção ao Pão vivo que desceu do céu. Sem fermentos, puro e precioso! “E Jesus lhes declarou. Eu sou o pão da vida; quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” (João 6:35) Seguindo a jornada por uma fome genuína, iremos nos deparar com a opção de criar um deus mais palatável, um “cristo" que não nos importune, um evangelho que não ofenda nossa mente. Eis aí o momento chave no qual devemos tirar o fermento maligno de nosso pão. Um tempo propício para o sinal de Jonas se manifestar a nós, arrependimento e zelo para corrermos em direção à Jesus! Muitos aprendem a se arrepender apenas de seus “pecados" - como se pecado fosse apenas coisas que fazemos. Mas o caminho mais profundo do arrependimento se chama: mudança de mente. Quando cheguei nesse lugar de fome, me deparei com a necessidade de renovar minha mente. Lembro-me que João, ao comer o rolo em Apocalipse 10:10, teve uma experiência semelhante à de Ezequiel (Ez 3:1), e, obviamente, existe muito a ser ensinado e conversado sobre essas experiências. Mas o que particularmente tem me tocado é o fato de que a mensagem era doce ao paladar, mas, ao ser digerida, se tornava amarga ao estômago. Inicialmente, o Evangelho pode ter um aspecto doce e romântico, mas precisa se tornar amargo e sério dentro de nós à medida que nos alimentamos dele. Precisamos ser afetados pelo o que temos aprendido do Senhor. Nossas mentes precisam ser renovadas e nossos corações alinhados. Não existe caminhada sincera sem experimentarmos o mesmo amargor que os profetas experimentaram. RENOVAÇÃO DE MENTE No segundo livro da série Andando com Deus, me dedico a abordar esse tópico de maneira mais aprofundada. Permita-me, no entanto, discorrer brevemente sobre o assunto. Nenhuma fome em ser transformado é verídica se não coloca nas mãos do Senhor os sofismas e confusões da mente. Enquanto o coração quebrantado nos leva a um lugar “maleável” diante de Deus, a renovação de mente me fará permanecer nesse lugar. Ou seja, existe um arrependimento que devemos experimentar, o de deixar nossa maneira de pensar para trás, nosso fermento. A mensagem precisa ser internalizada dentro de nós com veemência! É bem provável que, ao olhar tanto para o seu coração quanto para sua mente, você se depare com um sentimento que Gregório Mcnutt sempre descrevia como: “Santa insatisfação”. Você não conseguirá lidar consigo mesmo. Uma vez escrevi sobre isso em uma canção: “Ei Jesus, será que é pedir demais, nova fome e nova paixão por ti? Não é que eu não seja grato por tudo que tens feito em mim Mas meu coração tem chorado por ti, meu coração tem queimado por ti. Ser tocado por tua glória é o meu desejo, é o que eu mais quero. Ser mudado por tu face é o meu anseio, é o meu maior prazer.” Ser Mudado - Alessandro Vilas Boas Ao percebermos o quanto esse fermento tem alterado as coisas dentro de nós, ao percebermos que não o conhecemos como Ele, de fato, é, seremos transportados para uma nova realidade de desespero. Antes de continuarmos, gostaria de rever alguns fundamentos. Nos nossos dias, satanás tem se esforçado para implementar dentro de nós a sua agenda, com a ideia de que as coisas que nossos pais viveram e ensinaram não são tão atuais assim. Certa vez, li uma frase de Billy Graham: “A Bíblia é mais atual que o jornal de amanhã”. Queridos, não podemos cair no erro de achar que a roda precisa ser inventada outra vez. Se estamos falando de perseguir a face de Cristo e sermos limpos dos nossos fermentos, só existe um caminho sólido para isso: oração e leitura da Bíblia. O tempo em secreto diante de Deus precisa ser prioridade em sua vida! Não há atalhos ou maneiras novas de procurar o Senhor além das que Ele mesmo abriu para nós. A oração e a leitura da Palavra continuam sendo as principais rotas até o coração de Deus. Obviamente, todo aquele que se aproxima de Deus com suas orações, em primeiro lugar, precisa ter entrado no vivo caminho do Filho. Parece simples dizer que nossas orações devem ser feitas através do Filho quando tudo o que oramos termina em “nome de Jesus”. Entretanto, ter Cristo como um fundamento para nossas orações vai muito além do que repetir Seu nome como uma espécie de “coringa" em nosso baralho. Não! O vivo caminho me dá acesso ao Trono de Deus! Ao dizer que nossas orações precisam passar pelo Filho, digo com a intenção de alicerçar-nos em Sua obra. Veja, já não somos "estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos". Portanto, somos chamados "da família de Deus" (Ef 2:19). Assim sendo, fomos "justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:1). Caro leitor, não somos apenas meros pedintes, mas filhos e filhas de Deus, participantes de Sua natureza (2 Pe 1:4), o que nos permite ter "coragem para entrar no lugar santíssimo por meio do sangue de Jesus, pelo novo e vivo acesso que ele nos abriu através do véu, isto é, do seu corpo carne" (Hb 10:19-20). Toda nossa busca precisa passar pelo empoderamento que o entendimento das Escrituras nos dá. Cristo como alicerce de nossa busca e como o caminho que devemos andar. Seja convicto! “Portanto, assim como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, também andai nele, arraigados e edificados nele e confirmados na fé, como fostes ensinados, sempre cheios de ações de graças.” (Colossenses 2:6-7) Entendendo a obra de Jesus, o sangue e o Seu grande amor, estaremos no lugar secreto não como devedores, mas como amantes. Sim, amantes de Sua gloriosa presença! Vamos por partes. Nos próximos capítulos, quero, de maneira breve, definir alguns conceitos com vocês. CAPÍTULO 5 TENHA FOME! Provavelmente, você esteja se perguntando: "como posso alcançar esse lugar de fome?". Inquestionavelmente, existe uma grande necessidade de sermos práticos em nossos ensinos, pois aquilo que estudamos deve ser encarnado e real em nossas vidas (caso contrário, penso eu, não estamos sendo efetivos). No entanto, me encontro diante de uma dificílima tarefa, que é transmitir, de maneira prática, o caminho de buscarmos a fome. Acredito que, até o momento, neste pequeno livro, temos bastante brasas de fogo para acender a chama de seu coração. Por isso, esteja atento! Meu desejo é que este escrito se torne como um livro de cabeceira para muitos, sendo continuamente revisitado. Particularmente, acredito que algumas coisas não podem apenas ser lecionadas, e com isso quero dizer que não podem apenas ser explicadas de maneira meramente lógica, como se existisse uma espécie de "7 passos para a fome" e, ao final de uma série de ensinamentos, pudéssemos, enfim, chegar ao resultado desejado. Assim é a fome: ela não pode apenas ser ensinada na mente, mas precisa ser transferida ao coração! No decorrer dessas páginas, junto com minhas lágrimas, estou também derramando suor para que, de alguma maneira, ao ler este livro, você possa ser tocado por algo tangível. Eu realmente acredito que fome é como a oração: podemos ler dezenas de livros e estudar toda a teologia por trás desses conceitos. No entanto, penso que