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RECOMENDAÇÕES
Nos mais de 10 anos de amizade eu nunca vi o Alessandro vazio de fome e
com sua chama por Deus apagada. Talvez essas sejam as maiores marcas do
seu coração quebrantado! E nesses anos de jornada com Jesus sempre
almejei que a fome por Deus não fosse apenas um anelo espiritual mas que
tornasse uma mensagem tão fundamentada como esse livro. A minha
expectativa é que esse livro te desperte tanto quanto eu fui despertado
inúmeras vezes ao ver o meu amigo diante de Jesus. Como sempre oro, eu
espero que essa seja também a sua oração: "Nos alimente com fome, nos
alimente com sede". Maranata!
Gabriel Cantarino
Pastor na Igreja One.
Fundador do Cantarinos Ministries.
Alessandro Villas Boas é um amigo e conservo no Senhor que tanto suas
canções como seus escritos exalam anseio pelo Senhor. Nessa obra, Alê nos
conduz a um assunto central para os dias em que vivemos, fome por Deus!
Vivemos em dias de muita superficialidade, nos quais criamos falsas linhas
de chegada e nesta obra somos desafiados a nos alimentarmos do Deus que
sacia a fome e ao mesmo tempo faz ela aumentar. Eu creio que essa obra
vai nos tirar da nossa zona de apatia e nos levar a desejar mais do Senhor!
Mike Duque
Autor de Avivamento
"Fome por Deus" é a chave que precisamos para viver uma vida espiritual
crescente, constante e consistente. Uma vida espiritual que não esmorece.
Alessandro Vilas Boas tem sido um exemplo de uma vida que é moldada
pela fome por Deus. Ao longo dos anos, eu tenho visto muitos homens de
Deus que começam suas jornadas com o Senhor como um foguete sendo
lançado aos céus, mas rapidamente perdem a sua força e desaparecem do
contexto ministerial. A diferença que existe entre um homem de Deus que
permanece queimando por Ele e aqueles que desanimam é simplesmente
manter a "fome por Deus" ativa durante todo o tempo.
Alessandro tem feito exatamente isto: em meio a muitas transições, ele tem
mantido o fogo aceso em seu coração. Agora, com esta transição do
nacional para o internacional, do pastoral para o apostólico, ele contém
algumas chaves para termos êxito em nossa caminhada e que irá ajudar
você a manter o fogo aceso durante as transições de sua vida. Receba as
palavras deste livro como que vindo de alguém que não está apenas
pregando um princípio, mas que realmente tem vivido uma vida de muitos
altos e baixos, muitas mudanças, mas que tem conseguido manter o fogo da
fome por Deus ao longo de todas essas estações.
Mark Shubert
Globe Mission Brasil
Autor de A Transferência
SUMÁRIO
PREFÁCIO por Corey Russel
INTRODUÇÃO ESPECIAL por Bob Sorge
CAPÍTULO 1 Como uma pequena vela diante do sol
CAPÍTULO 2 A fome no lugar errado
CAPÍTULO 3 Um coração quebrantado
CAPÍTULO 4 Pelo que você tem fome?
CAPÍTULO 5 Tenha fome!
CAPÍTULO 6 Precisamos de poder do alto
CAPÍTULO 7 Uma jornada
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PREFÁCIO
Eu nunca me esquecerei de quando eu li um sermão, há alguns
anos, no qual o pregador dizia: "se houver apenas um dom que eu possa
transferir para alguém, este seria o dom da fome por Deus". Ele continuou
declarando coisas como: "nações aprenderam que as pessoas obedecerão às
leis e permanecerão nisso até ficarem famintas. Uma vez que elas estão
famintas, elas não poderão mais ser controladas".
Foi essa mensagem que agarrou a minha vida e me guiou para uma
jornada de fome por Deus há 25 anos e tem sido a fonte de todas as coisas.
Nós vivemos em um mundo com centenas de opções, centenas de imagens
e vozes que buscam nos entorpecer e abafar as profundezas em nosso
espírito que clamam por mais de Deus. Eu acredito que este é o tempo para
clamarmos novamente por uma fome fresca por Ele.
Eu estou mais do que animado para o lançamento do novo livro do
Alessandro Vilas Boas, "Fome por Deus". Nós precisamos
desesperadamente de um livro como este para um tempo como este. A
Igreja está distraída, apática e morna. Nós precisamos ser profundamente
feridos com fome novamente.
Eu acredito que um livro como este tem o potencial de,
literalmente, abalar o mundo. E eu, de todo o coração, recomendo a leitura
desse livro e desse autor. Eu oro para que mais livros como este sejam
escritos e liberados.
Corey Russell
Pregador internacional e parte da liderança global da UPPER ROOM,
fazendo parte da Igreja em Denver (CO), EUA.
Autor de Ensina-nos a Orar, publicado em português pela Editora
Themelios.
coreyrussell.org
INTRODUÇÃO ESPECIAL
Certo dia, meu filho Joel estava procurando uma igreja caseira da qual ele
pudesse fazer parte juntamente com sua família. Então, ele me perguntou:
"Pai, o que eu deveria procurar em uma igreja caseira?”.
Filhos crescidos raramente perguntam a opinião de seus pais ou
buscam deles conselhos, então eu queria ser bem cuidadoso com a minha
resposta. Depois de ponderar por um tempo, eu respondi a ele: "procure por
uma igreja que produza fome espiritual em seu rebanho".
Como eu produzo fome espiritual em um rebanho? A resposta é
um pouco contra-intuitiva: você alimenta eles. Ovelhas que são bem
alimentadas se tornam saudáveis; ovelhas saudáveis, consequentemente,
desenvolvem o apetite.
Quando você desenvolve um apetite pela Palavra de Deus, os
cultos de domingo por si só não serão mais o suficiente. Você quer mais.
Por quê? Porque uma ovelha saudável possui uma santa fome que não é
satisfeita apenas com uma refeição por semana. Quando você tem uma
fome saudável pela Palavra de Deus, você passa a se alimentar da Sua
Palavra todos os dias, assim como o salmista escreveu: "pelo contrário, seu
prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite" (Salmos 1:2).
Às vezes, é bom fazermos uma análise da nossa fome. O quão
faminto eu estou por mais de Deus? O quão faminto eu estou por mais
revelação do conhecimento de Cristo e de Sua Palavra? O nível da minha
fome demonstra que eu estou espiritualmente saudável?
Uma das formas de Deus nos tornar famintos por mais Dele é
enviando uma escassez espiritual em nosso caminho. Na parábola de Jesus
sobre o filho pródigo, a escassez de comida fez com que o filho se tornasse
faminto pela abundância que existe na casa do pai (veja Lucas 15). A
escassez era, na verdade, uma gentileza dos céus para trazer este filho
perdido de volta à realidade. Às vezes, as coisas que Deus usa em nossas
vidas para gerar em nós mais fome por Ele são sinais de Sua bondade.
Nunca despreze os meios que Deus usa para nos tornar desesperados
por Ele.
Se você precisa de uma fome mais intensa por Deus, eu sugiro que
você faça orações perigosas. E que orações são essas? Custe o que
custar.
Jesus, eu preciso ter mais de Você - Custe o que custar!
Jesus, eu preciso estar mais perto do Senhor - Custe o que custar.
Jesus, eu preciso conhecer mais Você - Custe o que custar.
Jesus, faça o que for preciso para que eu seja total e completamente
rendido ao Senhor.
Se você fizer essa oração perigosa, e se Deus escolher respondê-las,
se prepare para uma jornada espiritual que irá despertar a sua fome por
Deus.
Este livro do Alessandro Vilas Boas irá te ajudar a avaliar a sua
fome por Deus e irá te equipar para perseguir o conhecimento de Cristo ao
se alimentar desesperadamente de Sua Palavra. Que grandiosa benção é nos
tornarmos famintos por mais da justiça de Deus, porque, nas palavras de
Jesus, você será saciado! (Mateus 5:6). 
Bob Sorge
Mora em Kansas City (MO), EUA, onde é membro associado da Casa de
Oração (IHOPKC), além de ser um escritor best-seller e pregador
internacional.
Autor de livros como A Cruz e A Próxima Onda, ambos publicados pela
Editora Themelios.
INTRODUÇÃO
Nasci em uma pequena cidade do Sul de Minas Gerais, simpática
e boa para se morar. Como toda cidade mineira, nossa pequena Itajubá é
repleta de boa comida, montanhas, cachoeiras e, obviamente, de pessoas
amáveis. Infelizmente, no que diz respeito às igrejas, não temos muitas que
sejam relevantes nacionalmente. Particularmente, também não conheço
nenhuma história de avivamento que tenha acontecido em Itajubá. De certa
maneira, todo esse pano de fundo nãoum mês aprendendo com a
vida de um homem ou uma mulher de oração te ensinará mais do que mil
livros.
Antes de irmos adiante, preciso enfatizar: adquira fome! Não
apenas de maneira racional e lógica, mas principalmente pela prática. Tenha
fome! Lembre-se dos discípulos em Lucas 11:1 pedindo para Cristo
ensinar-lhes como orar e como, de maneira maravilhosamente simples,
Cristo os ensina a orar, orando! É fato que ao orar o "Pai nosso", Jesus
também nos deixou bases teológicas que fundamentam tudo o que fazemos.
Porém, Ele não o fez apenas em palavras racionais, mas em vida, prática,
suor e lágrimas.
Querido amigo, a partir deste momento, entraremos em dois tópicos
que, como mencionado anteriormente, são as principais rotas até o coração
de Deus: Palavra e oração, que se aplicam dentro do seu "lugar secreto".
Porém, não se esqueça: a fome não é recebida na lógica, precisamos
alcançá-la! Tenha violência, deseje, cave mais fundo! Vamos lá!
O LUGAR SECRETO
Deus nunca escondeu o desejo de formar o homem para o lugar da
intimidade com Sua presença. Ainda no jardim, o próprio Senhor visitava
Adão diariamente (Gn 3:8). Mesmo depois da queda, o desejo de Deus não
mudou. Abraão foi chamado a andar na Sua presença (Gn 17:1); Jacó
experimentou um toque tão profundo de Deus que teve seu nome e história
completamente mudados (Gn 32:24-28). Moisés falava com Deus face a
face (Ex 33:11) e Davi foi considerado um homem segundo o coração de
Deus (1 Sm 13:14).
O próprio Jesus, quando em carne, caminhou entre os homens e
deixou claro os anseios de Seu coração para os discípulos: “Já não vos
chamo servos, pois o servo não sabe o que seu senhor faz; mas eu vos
chamo de amigos, pois eu vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai.” (Jo
15:15).
Ao falarmos de "lugar secreto", inicialmente, precisamos ter em
mente toda essa história de Deus com Seu povo. Não é um desejo novo da
parte de Deus que seu povo acesse lugares de contemplação em Sua
presença. No entanto, embora enfaticamente as Escrituras apontem para
lugares literais para onde Deus deseja levar o seu povo para estar com Ele
(Is 2:1-5 - o que será cumprido plenamente na segunda vinda de Cristo),
não podemos resumir o conceito de intimidade ou "lugar secreto" apenas a
um lugar físico.
“Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizes que
Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Então Jesus
lhe disse: Mulher, crê em mim, a hora vem em que nem
neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós
adorais o que não conheceis; nós adoramos o que
conhecemos; porque a salvação vem dos judeus. Mas
virá a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai no Espírito e em verdade;
porque são esses os adoradores que o Pai procura. Deus
é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem
no Espírito e em verdade.” (João 4: 20-24)
Enquanto a mulher samaritana estava preocupada com o local, onde
deveria ser prestada a adoração, Jesus traz para a questão quem deve ser
adorado. Quando diz que dos “judeus vem salvação”, Cristo não esconde
que só existe um verdadeiro Deus digno de adoração e que tem poder para
salvar. Deus esse que, aos seus, responde como Pai, e que sendo Espírito
assim como é “luz” e “amor”, deseja ser adorado em comum natureza, ou
seja, Jesus ensina que os adoradores devem partilhar algo da natureza
Daquele que é adorado.
Sendo assim, Jesus transforma totalmente a maneira de adoração.
Em "espírito e em verdade” tornou-se a maneira pela qual adoramos, o que
transcende condições geográficas. O Filho está declarando que não é sobre
onde, mas sim sobre quem, e em que condição de coração e entendimento
estamos adorando.
Em Mateus 6:5-6, Jesus nos adverte a não adorá-Lo como se Ele
fosse um espetáculo, nos chamando para o "quarto" que, segundo D.A
Carson,[11] é uma referência ao sótão, a um local provavelmente sem janelas
e o único lugar que podia ser trancado em uma casa naquela época. O que
nos faz entender que cristãos não são homens de palco, mas de lugares
ocultos, guardados em seus 'quartos' de oração, os quais, apesar de serem,
muitas vezes, lugares físicos, precisam ser, acima de tudo, uma verdade no
homem interior.
Portanto, o lugar secreto é mais do que um momento e um lugar - é
uma realidade que acesso quando entendo que Cristo me aproximou de
Deus. Assim sendo, o ambiente da comunhão com Deus não é
necessariamente um lugar calmo, no qual separo um tempo para estar com
Ele. O caminhar do dia-dia com os olhos e coração abertos para uma
realidade superior também faz parte deste espaço.[12]
Embora entendamos o que foi escrito acima, não podemos substituir
ou anular a importância de devotar parte do nosso tempo ao Senhor. E
quando digo isso, refiro-me a priorizarmos Ouvi-Lo, senti-Lo e aprender
Dele.
É utópico acreditarmos em uma vida cristã saudável que não
prioriza estar com Deus! Por fim, o lugar secreto também é um tempo e
lugar separados ao Senhor, onde, nesse lugar, estarão apenas você e Ele,
sem distrações e nem pessoas a mais. Esse é o lugar mais importante!
Deve ser uma realidade praticada, na vida do Cristão, o esconder-se
debaixo das asas do Onipotente (Sl 91:1), que, obviamente, apesar de não
serem asas literais, nos cobrem de maneira poderosa e nos direcionam.
Precisamos urgentemente aprender a dizer como o salmista "todas as
minhas fontes estão em ti" (Sl 87:7), levantar nossas vozes e proclamar o
que Moisés orou: "Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir
daqui" (Ex 33:15). Esse lugar - ou realidade -, que é eterno demais para ser
meramente um lugar geográfico, precisa nos acompanhar e ser nossa
primeira intenção diante de Deus.
Muitas vezes, para praticarmos tal conceito tão elevado, teremos
que nos cercar de práticas tão simples que parecem diluir o poder do lugar
secreto. Porém, não caia nesse erro. Permaneça!
Uma dica simples é: seja intencional em separar tempo na sua
agenda para o seu tempo no secreto. Quer sejam 20 ou 30 minutos diários, é
importante sermos constantes e termos esse tempo como fundamento em
nossas vidas.
Entendendo o que é o lugar secreto, podemos caminhar para um
lugar mais prático e fundamental do que fazemos no lugar secreto. E sem
dúvida colocarmos nossa fome espiritual em prática e percorrer a jornada
até os lugares altos no Senhor.
Como dito antes, não tenha medo de estipular tempo e organizar seu
cronograma para oração, porém, nunca deixe de lado o verdadeiro
entendimento que o lugar secreto é mais do que um lugar, mas uma
realidade em nosso espírito, pois sabemos que em Cristo, estamos
assentados em lugares celestiais e temos livre acesso ao trono da graça.
Me lembro de incontáveis vezes em minha história com o Senhor
em que, em ambientes despretensiosos, nos quais não havia canções e
orações e eu nem ao menos estava pensando em coisas espirituais, de
repente, pow! Eu O sentia tão perto, como um fogo dentro do meu peito.
Não perca esse desejo: mantenha e priorize isso!
A ORAÇÃO
A oração é ter comunhão com Deus, em pura e íntima conversa.
Orando, aprendemos a nos relacionarmos com Deus como um amigo e
também como um Senhor. Um homem que não sabe se calar diante da
glória de Deus é um homem que nunca viveu um ambiente correto de
oração. Da mesma maneira, alguém que não sabe dirigir suas palavras a
Deus, achando que o Senhor está distante, nunca experimentou o rio perene
da oração.
Em minha visão, precisamos, antes de tudo, aprender a nos calar.
Para muitos, a oração tem mais a ver com o se dirigir a Deus apresentando
petições e anseios do que cultivar um relacionamento com Ele. Gastamos
cada minuto que temos diante da presença seguindo listas de orações e
proclamações espirituais, sem ao menos perceber que sequer nos calamos
para ouvir. Muitas vezes, nosso tempo de oração se torna um tempo a sós
conosco mesmos, onde revelamos nossas crises em voz alta, sem nunca
escutar a resposta do alto.
Sem percebermos, nossas orações em vários momentos manifestam
nossa falta de fé, quando deveria ser o contrário. A incapacidade de
silenciar, muitas vezes, é fruto deum medo de estarmos sozinhos. A
solitude não pode ser temida pelo cristão, porque, de fato, nunca estamos
sozinhos. Solitude é estar sozinho com Deus. Nós precisamos que o Senhor
seja participante ativo de nosso tempo a sós. Sobre este assunto, Henri
Nouwen irá, sabiamente, escrever em seu livro Espaço para Deus:[13]
"Sem solitude, é praticamente impossível ter uma vida espiritual. Solitude começa com um
tempo e lugar separados para Deus, e somente para ele. Se realmente cremos que Deus não apenas
existe, mas também está ativamente presente em nossa vida - curando, ensinando, e dirigindo -,
precisamos reservar um tempo e um espaço para lhe dar atenção ininterrupta.”
A verdadeira oração nasce de uma revelação ou conhecimento
correto de quem Deus é. Sendo iluminado pelo conhecimento de Deus,
aprendo a me relacionar com Ele. Assim, já não caminho com meras
repetições ou petições vazias, mas em poder. Veja o que disse T. Keller:
O poder das nossas orações, portanto, não se encontra
primordialmente em nosso esforço e luta, ou em uma técnica qualquer, mas
em nosso conhecimento de Deus.[14]
Aprender a estar com Deus é indispensável. O ato de orar, mesmo
quando não se sabe ao certo quais palavras usar, é essencial neste processo.
Sem dúvidas, o mais alto tipo de oração é quando nosso vocabulário se
esgota e tudo que temos são os gemidos inexprimíveis que o Espírito
comunica ao nosso interior. Como em um estado de pura rendição, o
indivíduo permanece diante de seu criador imóvel, submisso e atento. Esse
tipo de oração irá te livrar de todo humanismo - ela irá te quebrar!
Me lembro de inúmeras vezes em que apenas permaneci diante do
Senhor, sem metas ou tópicos de oração. E, então, as lágrimas começaram a
rolar como rios e cânticos a fluir de dentro de mim, e eu não sabia ao certo
o que estava cantando ou falando. Contudo, uma coisa era certa: eu havia
experimentado da santa Presença de Deus.
A presença objetiva e manifesta de Cristo é completamente
arrebatadora. Quando estamos diante dela, nosso único foco é contemplá-
Lo e nos submetermos à Sua vontade (Jo 17:24), e, assim, nunca mais
somos os mesmos.
Os nossos olhos se abrem para a Sua beleza e vislumbramos quem
Ele é. De repente, não conseguimos mais ser os mesmos, pois estamos
expostos à Sua santidade. Assim como Jacó foi ferido em estar na presença
do Senhor, assim os que contemplam esse ambiente preferem sair 'aleijados'
do que sem ser abençoados com um toque da glória de Deus.
Querido amigo, esse ambiente de oração é onde eu acredito que
experimentamos os mais altos encontros e podemos repetir o que disse
Jacó:
“E, cheio de temor, disse: Como este lugar é terrível! Este lugar
não é outro senão a casa de Deus, a porta do céu.” (Gênesis 28:17)
Ao estarmos nesse temível lugar, tudo em nós tremerá diante de Sua
santidade. Sairemos um pouco mais como o Filho: mansos e humildes.
Certa vez, ao ler uma descrição de Charles Finney sobre seu amigo
de oração Daniel Nash, fiquei chocado: “como qualquer pessoa que ora
muito, o irmão Nash é uma pessoa muito quieta. Mostre-me alguém que
fala muito, e lhe mostrarei um cristão que ora muito pouco”.[15] De fato, a
oração produz humildade e submissão.
Até agora, falamos da oração como forma de amizade e vida com
Deus, o que eu considero a mais importante e sublime maneira. Para sermos
mais didáticos, separamos duas maneiras de orar: a primeira e já citada é a
oração contemplativa, e a segunda é a oração como forma de petição.
Quero deixar claro que estamos longe de esgotar a definição do que
é oração ou até mesmo classificar todos os "tipos". Eu estou apenas citando
brevemente aquelas que julgo de maior relevância ao contexto que estamos
abordando.
Tendo esclarecido esses pontos, precisamos, necessariamente, falar
da oração como petição e declaração diante de Deus. Basicamente, eu
descrevo esse tipo de oração como as clássicas orações intercessórias, nas
quais nos colocamos diante de Deus clamando por Sua misericórdia e
intervenção em alguma situação da qual carecemos de Sua poderosa mão.
A respeito desse “tipo" de oração, precisamos entender que Deus
não é nosso “Papai Noel” e não tem obrigação de nos responder. O que
Deus é, sem dúvidas, é fiel à sua Palavra. Ele disse:
“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem
em vós, pedi o que quiserdes, e vos será concedido.” (João 15:7)
A chave para orarmos com petições diante de Deus está clara como
cristal. Precisamos internalizar e orar a Palavra de Deus! Veja, ore pelo seus
filhos, sua esposa, suas finanças e por um amigo que precisa de Cristo. Ore
para que os céus se abram sobre uma cidade. Ore! Mas faça isso com as
Escrituras do lado.
A Palavra de Deus não apresenta apenas um caminho de conduta
moral sobre o qual devo andar e me comportar, mas creio eu que, acima de
tudo, apresenta um caminho relacional para estarmos com Deus. Orar a
Palavra te dará a linguagem de Deus e, acima de tudo, aos poucos te
moldará em relação à vontade do Altíssimo. É evidente que o Senhor não
pode ser alterado ou convencido a mudar os Seus planos, pois Ele é
perfeitamente suficiente em si mesmo.[16]
Sendo assim, ao orar a Palavra, que foi escrita por inspiração
divina, somos transformados e, ao fazermos isso, nos aproximamos de
Deus. Com alegria, concluímos que orar as Escrituras é a maneira mais
eficaz de levantar clamores diante de Deus, pois a palavra irá cortar todo
excesso humano, nos moldará ao padrão divino e, ao mesmo tempo, nos
conduzirá a lugares de intrepidez e ousadia.
Para encerrar esse pequeno tópico, gostaria de citar E.M Bounds:
"Falar aos homens em favor de Deus é algo grandioso, mas falar à
Deus em favor dos homens é ainda mais grandioso. Nunca falará bem, e
com sucesso real, aos homens em favor de Deus, aquele que não aprendeu
bem como falar com Deus em favor dos homens. Mais do que isso, as
palavras desprovidas de oração, no púlpito e fora dele, são palavras de
morte".[17]
Antes de terminarmos esse tópico, gostaria de compartilhar um
breve testemunho sobre orações de petição. Durante o processo desse livro,
tenho passado por, talvez, um dos momentos mais difíceis e decisivos da
minha vida, principalmente porque, nos últimos dois anos, Deus escolheu
nos esmagar para que a forja revelasse nossos verdadeiros fundamentos.
Todo esse tratamento de Deus tem acontecido durante um processo
de aprovação de visto para que eu e minha família possamos nos mudar
para Londres, Reino Unido. Creio que, quando eu lançar esse livro, lerei
esses parágrafos com alegria sabendo que o Senhor nos fez triunfar sobre
nossas dificuldades!
Durante toda minha vida cristã, como pessoa envolvida com
ministérios de adoração que sou, sempre fui fascinado pelo tema
“Conhecimento de Deus”. Por isso me cerquei de proteções internas,
"mecanismos" que me ensinaram a guardar a contemplação. Com eles,
aprendi a estar diante de Deus apenas para contemplar a Sua beleza, crescer
em Seu caráter e ver o Seu plano se cumprindo na terra, sem reduzir o meu
olhar para o Senhor a interesses, vendo-O como alvo de minhas petições e
necessidades.
Como disse antes, acredito verdadeiramente que a oração
contemplativa seja o lugar mais sublime que alguém pode acessar em
oração, mas, apesar disso, é possível que fiquemos "acanhados de mais"
para esse lugar, como diz Tim Keller.[18] Percebi esse comportamento em
mim mesmo, como uma espécie de timidez que, em um primeiro momento,
tem uma aparência humilde e modéstia, mas que, na verdade, é gerada e
movida pelo orgulho. Deixe-me explicar: na maioria das vezes em que não
apresentamos nossas necessidades diante de Deus porque “não queremos
incomodá-lo com causas tão pequenas”, estamos na verdade manifestando
nosso orgulho por ter vergonha de nossa pequenez diante do Senhor.
Perceba que, se não pedimos para o Senhor, pedimos para quem?
Em quem temos depositado nossa confiança e nossas fraquezas? Só existem
duas respostas plausíveis para essas perguntas: ou estamos fazendo de
alguém ou algo nosso deus, ou estamos fazendo de nossaprópria força
fonte de nosso sustento e triunfo.
Provavelmente, depois de ler isso, você está da mesma forma que
eu estive nesses últimos meses: em uma autorreflexão a respeito de como
me considerava autossuficiente, esquecendo-me do porto seguro que é o
Senhor. Só existe Um que pode nos salvar no dia da angústia (Sl 118:5).
Precisamos ser levados ao lugar não apenas de entendimento, mas de ardor
e humilhação diante de Deus para que aprendamos a pedir! Como dito
anteriormente, a palavra de Deus é a maneira segura de pedirmos, sendo a
oração o meio pelo qual o próprio Deus nos concedeu para
experimentarmos de Sua provisão e comunhão (Tg 4:2-3).
Não podemos nos mover com a falsa humildade que nos circunda e
que nos carrega para longe de Deus em nossas necessidades. Não podemos
deixar de incomodar o Senhor porque julgamos nossas causas inferiores.
Irmãos, somos inferiores! E é exatamente por isso que precisamos de um
Salvador. Veja o que diz Salmos 70:5: “Eu, porém, estou aflito e
necessitado; apressa-te, ó Deus! Tu és meu amparo e meu libertador.
Senhor, não te demores”.
Esse salmo tem sido minhas orações ultimamente. Não é porque
somos fortes e poderosos, não! É porque somos "aflitos e necessitados" que
precisamos de uma intervenção. O entendimento de que somos amados por
um Pai bom não nos dará apenas o anseio por desfrutar de Sua comunhão,
mas também a segurança de manifestarmos nossas fraquezas em petições.
Tenha fome de provisão do alto, não tenha medo de clamar em ardor ao seu
Salvador.
É ao manifestar nossa fraqueza diante de Deus e chamarmos por
Seu nome que O glorificamos, pois, nas entrelinhas, estamos dizendo com
as nossas atitudes que não temos outro Deus além do nosso Deus e somente
Ele pode nos socorrer.
A PALAVRA
“Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu
caminho.” (Salmos 119:105)
O Salmo 119 talvez seja uma das declarações mais calorosas sobre
as palavras (decretos, instruções) do Senhor. O salmista foi extremamente
feliz ao dissecar o poder das Escrituras na vida do fiel: lâmpada para os pés,
a qual, em movimento, se transforma em luz diante do caminhar.
A Bíblia é o firme fundamento da vida do Cristão, é sua rocha, sua
fortaleza. Sem ela, o cristão está perdido em um mar de achismos baratos.
Como dito anteriormente, até para orar como convém precisamos das
Escrituras, pois ela é a base sobre a qual caminhamos. Gostaria de falar
rapidamente sobre dois pontos dela.
Primeiro, gostaria de apresentá-la como revelação pessoal. Ou seja,
receber uma revelação individual e direta de Deus através da voz do
Espírito Santo, o que muitas vezes pode acontecer sem ao menos estarmos
lendo a Bíblia.
Esse tipo de “diretiva" de Deus normalmente acontece durante um
tempo de oração e secreto em Sua presença. E acredite em mim quando
digo que nada se compara com a sensação de ouvir o Deus de toda terra
falando com você! É como um raio te partindo ao meio e, ao mesmo tempo,
como o carinho gentil de um Pai amoroso. Quando Deus fala com você, a
sua compreensão sobre o Evangelho aumenta e se torna pessoal. Deus não
está distante!
Veja, cultivar uma vida de oração te fará experimentar a intimidade
com a voz do Pastor de nossas almas (Jo 10:27-29), Jesus, e, assim, ser
limpo e corrigido pelo Senhor. O fermento secular será lançado fora em seu
lugar secreto. No entanto, como saber se Deus está realmente falando
conosco?
Precisamos entender que nem o salmista, ou qualquer outro
personagem bíblico, se apoiou em experiências próprias, mas nos escritos
inspirados por Deus que vinham de geração em geração provando sua
veracidade, o que nos leva a um próximo tópico: as Escrituras como base e
fundamento de fé.
Se queremos nos libertar do fermento que nos cega para o
verdadeiro Cristo, precisamos correr para as Escrituras! Ela é sólida como
uma rocha e irá te quebrar quando você tentar quebrá-la. Ao mesmo tempo,
ela é suave como a água, capaz de te lavar de suas feridas e dores.
É a fidelidade da Bíblia que nos salvará de falsas experiências
espirituais que, muitas vezes, acontecem por confundirmos emoções com a
atividade do Espírito de Deus. Veja, não sou cético, mas não consigo
confiar em mim mesmo. Uma coisa é convicção no que ouvimos no nosso
secreto pela palavra revelada, outra coisa é não termos solidez nas
Escrituras para discernir o que foi nossa alma e o que foi o Espírito de
Deus.
Nada é feito sem a aprovação da Palavra de Deus. Perceba que o
próprio Jesus, ao ser enviado pelo Pai para a terra, a cumpriu.
“Vós examinais as Escrituras, pois julgais ter nelas a vida eterna; e
são elas mesmas que testificam de mim.” (João 5:39)
Alguns erroneamente interpretam os dizeres de Jesus como um
descaso às Escrituras, o que claramente não é o caso. Se analisarmos a vida
de Cristo um pouco mais, percebemos que, constantemente, nosso Senhor
citava os Santos Escritos e fazia menção deles para fundamentar suas
atitudes (Mt 21:13, Mt 24:15, Lc 4:18, Lc 20:37), o que deixa evidente a
Sua fidelidade aos Escritos Sagrados.
Entenda que Cristo - e somente Ele - concede a vida eterna.
Somente Ele é o Emanuel. Não há, nas Escrituras, poder salvífico por si só,
somente o Filho é o caminho para o Pai, e as Escrituras, nesse sentido, se
submetem à Cristo.
Contudo, Cristo também se submete às Escrituras. Isso é chocante,
não é mesmo? Mas, com um pouco mais de atenção não apenas nesse verso,
mas em outros incontáveis, percebemos que Cristo cumpre exatamente o
que estava escrito, porque se não o fizesse, Ele não seria o verdadeiro
Messias. Portanto, as Escrituras dão testemunho de que Jesus é, de fato, o
Cristo esperado, pois Nele se encaixam todas as profecias bíblicas.
O fato de Jesus cumprir e ter a testificação das Escrituras é o que O
valida como verdadeiro Ungido de Deus! As Escrituras são o padrão, o
fundamento e uma segurança na qual podemos andar.
Por isso, querido amigo, se submeta à Palavra do Senhor. Renda-se!
Deixe que Deus fale com você pessoalmente no secreto. Deixe a Voz de
muitas águas se aproximar e discernir o seu coração. Permita que a sua vida
cresça até o padrão das Escrituras e nunca, jamais rebaixe as Escrituras ao
seu padrão de vida.
Não há possibilidade de prosseguirmos no conhecimento de Deus
sem sermos confrontados pela Verdade Bíblica, revelada em oração, mas
também aprovada pelos Escritos Sagrados. A espada que divide tudo o que
somos (Hb 4:12) e nos separa somente para Ele. Alguém que não é
discipulado e mudado pela Verdade de Deus não conseguirá ser discipulado
por mais ninguém.
Que o Senhor nos mantenha distantes de um coração insubmisso a
seus Mandamentos, que sejamos como árvores plantadas junto às correntes
(Sl 1:3) que frutificam, pois seu prazer está na lei do Senhor.
Ore comigo:
Deus, soberano sobre todas as coisas. Tudo foi feito por Ti e para
Ti. Leve-nos às águas mais profundas. Senhor, leve-nos pelo Espírito Santo
que nos concede sabedoria e revelação (Ef 1:17). Queremos beber das Tuas
fontes e ser imersos em Seu conhecer. Pai, finca-nos em Suas palavras, fira-
nos por Sua Palavra e usa-nos para Sua Glória! Amém!”
Ao aprendermos sobre o Lugar Secreto - oração e leitura da Palavra
-, temos o fundamento para nos livrarmos do fermento que ataca nossa
mente e também do orgulho que visita nosso coração. Estaremos,
finalmente, livres de nossos achismos e vontades.
Gostaria de, por fim, compartilhar mais um único ponto: ande em
família (falaremos de forma mais aprofundada sobre ele no terceiro livro da
série)! Sua fome te conduzirá a uma busca contínua de transformação e
mudança ao caráter de Cristo e, logo, você perceberá que o evangelho não é
solitário e que não faz sentido nenhum buscá-Lo sozinho. Na verdade, é
impossível!
Perceba que existem coisas que você sonha em entender que
homens e mulheres mais experientes já entenderam. Existe uma porção
fresca que você ora para ter, mas você pode recebê-la através de alguém que
já a possui. Não substitua o seu secreto por um estilo de vida "caça unção'',
mas não seja tolo o suficiente para achar que é possívelalcançar a
maturidade de fé sem ser inspirado, ativado e discipulado por outros irmãos.
Ache alguém que queime por Jesus, e peça para ela orar por você.
Se torne amigo dessa pessoa, conviva e aprenda com ela. Esse talvez seja
um dos maiores conselhos que eu poderia te dar. A transferência da vida de
Deus acontece no corpo - a Igreja - e está gratuitamente acessível aos filhos.
Não perca essa oportunidade!
CAPÍTULO 6
PRECISAMOS DE PODER DO ALTO
O processo de escrita deste livro que está em suas mãos tem sido
desafiador em todos os sentidos. Olhando para dentro de mim, me
questionei em vários pontos aqui abordados. Um pregador enfático nunca
pode convencer a si mesmo de que não precisa mais de sua mensagem. Na
verdade, sua ênfase e poder precisam vir da necessidade que ele próprio tem
pela mensagem que prega.
Tenho me sentido em uma tormenta de sentimentos esmagadores,
em uma auto análise que me leva para lugares profundos no Senhor. E eu
quero mais! Nos últimos dias, tenho queimado mais intensamente por
avivamento, por um verdadeiro despertar não só em minha vida ou na
igreja. Não apenas na minha nação, mas em toda a Terra. Sim, em toda a
Terra!
Dias atrás, enquanto estava orando para pregar em uma das igrejas
ONE, escutei uma voz dentro de mim. Essa voz era do Espírito Santo
dizendo: “o começo de um avivamento é a fome!”. Por isso, meu caro
amigo, quando escrevo esse livro, eu não quero te levar apenas a consumir
uma boa literatura, mas a entender que estamos falando de um movimento
que se inicia dentro de você, de mim e de nossos irmãos, e isso irá tocar
toda a terra.
Fome espiritual é a maneira como Deus começa a despertar o Seu
povo! Deus, ao plantar fome dentro de alguém, planta também Seus sonhos
impossíveis! Quando alguém é tocado, automaticamente começa a viver
coisas em seu quarto de oração que seriam inexplicáveis para um cético,
mas incontestáveis a qualquer um. O que acontece quando seu quarto de
oração é invadido? Avivamento pessoal! Ou o que alguns chamam de
“renovo”.
Precisamos romper com a inércia que tem proposto um evangelho
sem poder do alto, sem avivamento! Em Mateus 24, no sermão escatologico
de Cristo, nosso Senhor diz que os últimos dias seriam com os dias de Noé.
O curioso, no entanto, é que Jesus não menciona as coisas pecaminosas que
eram feitas no tempo do dilúvio, mas apenas coisas lícitas.
“Porque nos dias anteriores ao dilúvio, todos comiam, bebiam,
casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca”
(Mateus 24:38)
Existe uma chave escondida nesse verso: nos últimos dias, muitos
serão enganados não apenas por coisas horrendamente pecaminosas, mas
pelas coisas simples e lícitas que nos tiram a percepção espiritual de que
existe mais. Voltemos ao Senhor e ao lugar de fome! Precisamos de poder
do alto!
Um homem ou uma mulher sozinhos em um quarto de oração com
Deus: esse é o início de quase todo mover que já houve na terra. Como já
conversamos, isso nos levará a uma vida coletiva, e essa vida coletiva a um
avivamento! Quando Deus irá fazer isso de novo? Minha alma tem
suspirado por esse dia!
Claramente, esse não é um livro sobre avivamento, mas não poderia
falar de fome e não mencionar o assunto, já que precisamos disso.
Carecemos de visitas do nosso Senhor com Seu poder. Assim como Cristo
direcionou Seus discípulos em Atos 1:8, "mas recebereis poder quando o
Espírito Santo descer sobre vós, e sereis minhas testemunhas, tanto em
Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra",
devemos também estar desejosos de tal empoderamento.
O meu coração e os meus ossos têm sentido o peso das palavras de
Jesus aos Seus discípulos, "recebereis poder". Cristo havia ressuscitado
dentre os mortos e passado quarenta dias ensinando sobre coisas
concernentes ao Reino de Deus aos Seus próximos. Veja bem, Jesus
glorificado em carne explicando sobre o Reino por quarenta dias aos Seus
discípulos. Isso é chocante!
No final desses dias, os apóstolos fazem a pergunta que todos nós
faríamos, "Senhor, é este o tempo em que restaurarás o reino para Israel?"
(At 1:6). Talvez para nós, gentios, essa pergunta não faça muito sentido,
pois infelizmente, no decorrer dos anos, uma maneira essencialmente grega
(platônica) de enxergar a realidade nos molda a acreditar que o Reino de
Deus é meramente abstrato, simbólico e imaterial. Contudo, aos discípulos,
judeus, Jesus, sendo o Messias, ao falar do Reino estava claramente se
referindo às profecias bíblicas que exaltavam o Cristo de Deus sentado em
Jerusalém e governando toda terra. Vejamos o que disse Isaías por exemplo:
“Acontecerá nos últimos dias que o monte do templo do
SENHOR se firmará como o mais elevado e será estabelecido como o
mais alto dos montes, e todas as nações correrão para ele. Muitos
povos irão e dirão: Vinde e subamos ao monte do SENHOR, ao
templo do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e
andemos nas suas veredas. Porque de Sião sairá a lei, e de
Jerusalém, a palavra do SENHOR” (Isaías 2:2-3)
Perceba que os profetas, assim como Isaías, têm centenas de
profecias como essa, que declaram o Reino messiânico em Jerusalém
(Salmos 14:7; 53:6/ Isaías 46:13/ Ap 21:2/ Dn 9:24). Assim sendo, a
pergunta dos discípulos faz muito sentido, ainda mais porque quem estava
ensinando sobre o Reino é o Messias ressurreto!
Terminados os quarenta dias de intensivo sobre o Reino de Deus,
imagino eu que os discípulos estavam com as baterias recarregadas e com
todo ânimo do mundo para ver o esperado Reino acontecer. Mas então vem
a resposta de Jesus:
“E lhes respondeu: Não vos compete saber os tempos ou as
épocas que o Pai reservou por sua autoridade. Mas recebereis poder
quando o Espírito Santo descer sobre vós; e sereis minhas
testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e
até os confins da terra.” (Atos 1:7-8)
Claramente, Jesus não rejeitou o fato de que o Reino será
estabelecido um dia em Jerusalém. O Messias não ensinou contra as
profecias bíblicas. Sabemos que Isaías 2 e outros versos serão plenamente
cumpridos na segunda vinda do Filho do Homem. Não iremos tratar dos
pormenores deste assunto neste pequeno livro. Porém, a resposta de Cristo
me incendeia e preciso falar sobre ela.
Jesus orientou eles a esperarem pelo poder! A ênfase de Cristo
não estava apenas em revelar a eles sobre o Reino e, então, deixar que
tentassem, pela força do braço, testemunhar deste Reino pelas nações. Não!
O Senhor sabia que, sem o poder do Espírito, seria impossível para esses
fracos homens perseverar até o fim.
Não há como cumprirmos as obras de Deus, não há como andarmos
em fidelidade com o Senhor e sermos a Sua Igreja gloriosa sem a Sua
magnífica intervenção. Mais uma vez repito, precisamos de avivamento!
A resposta de Jesus aos apóstolos em Atos 1 nos ensina a
priorizarmos a intervenção divina, a desejá-la e amá-la mais do que
qualquer outra atividade eclesiástica. Irmãos, se o Espírito Santo fosse
retirado de nossos cultos, será que perceberíamos? Temo que grande parte
de nossas igrejas estejam funcionando apenas com a força de nossos braços
e eventos. Insisto, precisamos de poder do alto!
É urgente que percamos o medo de esperar! O quebrantamento de
coração que conversamos algumas páginas atrás precisa nos livrar do desejo
de sermos reconhecidos pela nossa capacidade e urgentemente nos ensinar a
esperar pelo poder!
Ao faminto, apenas a presença de Deus é suficiente. As lágrimas
já não são derramadas por carros, dinheiro ou fama. Quando o faminto
descobre a Presença, ele é imensuravelmente destituído de qualquer outro
desejo. Nenhuma força que seus braços façam, ou nenhum suspiro de seus
pulmões tem outro objetivo final a não ser Cristo!
Oh! Preciosa fome, que nos alinha aos sonhos mais altos e
imponentes de Deus. Crave em nosso peito as promessas bíblicas, porque o
Senhor afirmou: "Pois, assim como as águas cobrem o mar, a terra se
encherá do conhecimento da glória do Senhor" (Hb 2:14). Ao ler as
profecias, todo o nosso ser se estremece, toda nossa forçae fome
instantaneamente são redirecionadas para isso: "Oh! Se fendesses os céus e
descesses!" (Is 64:1).
Oremos:
Jesus, ensina-nos a esperar pela Sua Presença! Retira de nós a
cultura do exibicionismo, Senhor, queremos a Sua Presença! Deus Espírito
Santo, derrame seu poder como nos primeiros dias da Igreja. Amigo,
precisamos de Ti. Venha! Volte nossos olhos para a promessa da Presença,
aviva-nos! Amém!
CAPÍTULO 7
UMA JORNADA
Embora a fome nos conduza ao avivamento, esse grande derramar
do Espírito sobre uma comunidade e região não consegue satisfazer o
faminto. Os que amam a pessoa de Jesus não vivem por outra coisa a não
ser a Sua companhia! Um avivamento é desejado por nós para que a Igreja
amadureça, pessoas sejam salvas e Deus faça a Sua obra. Mas um
avivamento, apenas, não conseguirá tirar de dentro do vazio o clamor pela
Sua habitação em meio ao Seu povo. Os famintos pela face do Noivo só
serão saciados ao vê-Lo rompendo as nuvens e descendo até a terra mais
uma vez! Com essa perspectiva, me parece fácil entender a maneira como o
apóstolo Paulo se despede em 1 Co 16:22-24: “Se alguém não ama o
Senhor, seja maldito. Maranata! A graça do Senhor Jesus seja convosco. O
meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus.”.
Me impressiona a relação que Paulo faz de amor ao Senhor e o
clamor “Maranata”. É como se o ato de não amarmos o Senhor fosse, em si
mesmo, uma maldição, e aqueles que esperam por esse grande dia da
aparição de Cristo fossem, de fato, os que amam a Deus. Isso nos leva a
compreender que os que tiveram seu interior marcado por um amor
verdadeiro e profundo não se saciam com outra coisa a não ser “Maranata”!
A verdadeira recompensa da fome não tem a ver com os moveres
ou grandes testemunhos, mas com a Sua face! Se somos chamados a sermos
sacerdotes diante de Deus (1 Pe 2:5, Ap 5:10), precisamos aprender a andar
com os olhos na recompensa sacerdotal descrita em Números 18:20, "Eu
sou a tua porção e a tua herança". Deus é tudo o que o faminto deseja!
Na história do povo de Deus, nós achamos muitos homens de
grande ministérios, como Jonas, que viu uma cidade ser salva com uma
pregação, ou talvez Saul, que foi Rei de Israel e até mesmo profetizou. Mas
os amigos de Deus são diferentes. Eles não estão caminhando para terem
apenas bons ministérios, e nem mesmo para viverem grandes coisas. Eles
estão em busca de uma só coisa e eles a encontrarão: a face de Deus!
Vamos trazer à memória a vida do apóstolo Paulo, que considerava
todas as coisas como perda perto da soberana vocação, que é conhecer a
Cristo (Fp 3:8-15). O mesmo que em seus últimos dias declarou:
 ”Quanto a mim, já estou sendo derramado como oferta de
libação, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom
combate, terminei a carreira, guardei a fé. Desde agora a coroa da
justiça me está reservada, a qua o Senhor, justo juiz, me dará naquele
dia, e não somente a mim, mas a todos os que amarem a sua vinda.”
(2 Timóteo 4:6-8)
Paulo foi marcado com tal amor para com Deus que o fez viver
cada dia de sua vida em busca de conhecê-Lo, na expectativa de ser
recompensado não nessa vida (pois nessa terra nada mais o saciava), mas
no Dia do Senhor!
A vida do faminto é uma jornada em direção ao conhecimento
pleno de Deus, na qual seu coração é estrangulado com a gratidão por ter
sido amado e a angústia por ainda não tê-Lo visto como Ele é! Mas é
somente andando com Deus por essa jornada que encontrará todo o prazer e
todo propósito que sempre buscou. O faminto encontrará o que o salmista
um dia cantou: “Todas as minhas fontes estão em Ti” (Sl 87:7). Cada
respirar, cada lágrima e cada suor serão apenas por uma coisa, ou melhor,
por um alguém: Jesus!
O fruto da fome em alguém é simplesmente esse: tornar-se um
amigo de Deus! Suas forças não conseguem ser depositadas em nada além
de ter uma verdadeira caminhada com Deus. Andar com Deus, ter um
caráter aprovado e obras semelhantes às do Filho: este é o maior objetivo.
ANDANDO COM DEUS
Temos ainda dois livros para continuar falando sobre andar com
Deus, mas é essencial que comecemos por aqui. É este sentimento visceral
chamado fome que irá te impulsionar nessa jornada. Ele é o princípio que
não permitirá que você se satisfaça com qualquer outra coisa que não seja
Deus.
Ao longo dos últimos 10 anos, sem dúvidas, a fome pelo conhecer
de Deus foi a mensagem que mais preguei. Talvez eu pudesse resumir tudo
o que construí em minha vida nessa simples mensagem que tento comunicar
a vocês por meio deste livro. Porém, ainda assim me sinto incapaz de
comunicá-la com total propriedade. Tento, o máximo que consigo,
expressar a sublimidade da beleza e do conhecer de Deus, mas falho.
Na verdade, sou incapaz, e não apenas eu, mas qualquer homem se
frustrará ao tentar colocar em palavras, imagens ou canções O Eterno.
Lembro-me de sentir algo parecido em meu peito ao escrever meu primeiro
livro "Quem é Jesus",[19] mas parece que o sentimento está mais robusto e
violento dentro de mim agora. Talvez seja porque, no decorrer dos anos, a
mensagem tenha passado também por um processo de maturação, com
raízes mais profundas em minhas entranhas.
Por isso, amigo leitor, sendo essas as últimas palavras deste
pequeno livro, eu desejo muito lhe incentivar: Ame a Deus! A vida cristã
nada mais é do que uma caminhada, uma jornada preciosíssima ao conhecer
de Deus. João 17:3 deixou marcas profundas em mim quando descobri que
a "vida eterna é que conhecem a Ti, o único Deus verdadeiro".
Talvez, alguns de vocês tenham a necessidade de reler este livro
para compreenderem completamente o que foi dito, mas estou certo que
nada do que eu disse antes tenha tanto poder quanto: Ame a Deus. Prossiga
em conhecê-Lo. Ande com o Senhor!
No ano de 2017, minha filha mais nova nasceu, Maria Luiza. Ela
é como um raio de sol lindo nas primeiras horas do dia, mas com
personalidade forte o suficiente para te promover as queimaduras do meio
dia. Lembro-me que tivemos algumas complicações em seu nascimento.
Não tínhamos nenhum plano de saúde na época e minha esposa Brunna
acabou sofrendo muito no processo do parto. Esse estresse fez com que
Malu nascesse um pouco cansada e fosse levada direto para a UTI, onde
passou 7 dias. Você deve estar se perguntando o motivo de eu estar
contando essa história. Fique calmo, chegaremos lá.
Nessa altura de minha vida, eu já tinha um ministério de certa
maneira reconhecido e já havia visto centenas de curas acontecendo nas
ruas, igrejas e algumas até mesmo pela internet. Mas naquela UTI não
interessava o quanto eu orasse por ela, nem por quanto tempo - minha filha
permanecia sem ser curada. Doeu!
Porém, foi nesse contexto de dor que, um dia, com aquela
menininha em meus braços, comecei a contar para ela minha história
preferida da Bíblia. E aqui está o ponto principal da história. Então,
comecei:
"Filha, essa é a história de Enoque". Me permita interromper a
história para apenas fazer uma observação: muitas vezes, quando contamos
histórias semelhantes a esta, aqueles que as ouvem têm a impressão de que
anjos e arcanjos estavam sobrevoando o lugar no qual se davam as
experiências. Mas não, irmão, esse não era o caso.
Na verdade, eu estava muito tímido, pois havia outras mães com
seus bebês naquela UTI. O barulho das máquinas de respiração era
terrivelmente repetitivo, e me causavam um estresse peculiar. Abaixei meu
rosto em direção aos pequenos ouvidos da Maria e então disse: 
"Filha, essa é a história de Enoque. Ele andou com Deus, e ele já
não era mais, porque Deus o tomou para Si. Fim."
Não sei ao certo quando meus olhos se abriram pela primeira vez
para Gênesis 5 e a beleza que se esconde na história de Enoque. Talvez
tenha sido por ter ouvido o Dan Duke pregando sobre o tema em uma
mensagem pelo Youtube, mas sinceramente não me lembro ao certo.
No entanto, embora seja estranho, não consigo ver uma história
melhor para ensinar para minhas filhas, discípulos e amigos. Quem me dera
encarnar essa mensagem - a mensagem de um homem que agradou a Deus!
Enoque não ganhou sequerum capítulo inteiro na Bíblia, sua
história não precisou nem mesmo de cinco versos. É introduzido na
narrativa bíblica por uma genealogia sobre os descendentes de Adão. No
meio de homens que viveram 900, 800, 700 anos e geraram filhos e família,
aparece um homem que viveu apenas 365.
Enquanto todos estavam sendo descritos e definidos por "apenas"
os filhos que tiveram, um homem saiu da curva. "Enoque andou com Deus
até que não foi mais visto, porque Deus o havia tomado" (Gn 5:24). Enoque
viveu menos anos de vida, sonhou menos, riu menos, se divertiu menos e
teve menos "sucesso" que os outros na genealogia. Mas, no fim, ninguém
viveu como ele, pois Deus o tomou para Si! Meu irmão, Deus quis Enoque
ao Seu lado!
Seu legado e sua história não são contados com terras ou bens, mas
com temor e tremor de uma jornada santa e imaculada diante de Yahweh.
Mesmo sem ser narrada por grandes capítulos na Bíblia, sua porção nos
alcançou através de seu bisneto Noé, que, como Enoque, aprendeu a andar
com Deus e O agradou (Gn 6:9). Agora mesmo, choro em cima dessas
palavras, pois isso é tudo o que desejo para minha própria vida: andar com
Deus!
Que nossos filhos, netos e discípulos possam encontrar em nosso
testemunho o mesmo legado que Noé pode encontrar em seu bisavô
Enoque. Não é o sobre o quão incríveis nos tornamos, se temos ministérios
bem sucedidos e muito dinheiro no bolso. Amados, meu desejo é
desenvolver um andar com Deus, ser amigo do Altíssimo até que minha
vida seja um prazer, deleite, para o Senhor. Já não me importo de ser
lembrado como "isso" ou "aquilo". Sinceramente, desejo ser lembrado
como alguém que andou com o Senhor.
CONCLUSÃO
Eu e minha esposa compartilhamos um sonho, até que meio
ingênuo. Nesse sonho, eu, um pouco surdo pelos anos de ministério, tento
afinar meu violão na sacada de uma chácara que compramos para viver
nossa velhice e ela, linda e com olhar sereno, prepara um magnífico feijão,
como sempre. Recebemos nossos netos, conversamos com eles sobre a vida
e dificuldades que eles têm na escola quando, de repente, começamos a
falar de Jesus. E sabe o que acontece, meus amigos? As lágrimas! As boas e
velhas lágrimas nos visitam outra vez e começam a rolar de nossos rostos
mais uma vez. Que Cristo ao romper os céus em Sua gloriosa segunda
vinda nos encontre assim. Esse é nosso sonho de vida!
No fim de nossa caminhada, quero que meus filhos e netos me
encontrem pelas madrugadas chorando de saudades de Jesus, falando sobre
o Seu Reino vindouro e sobre o Seu grande amor que me salvou das garras
do inferno, me salvou da ira vindoura! Oh! Meu amigo Jesus! Esse é meu
sonho!
Minha intenção não é gerar mera comoção em você, ou forçar
algum tipo de situação heróica de nossa parte. Jamais! Mas, sinceramente,
ao compartilhar coisas tão íntimas de meu coração e do coração de minha
esposa, que de alguma maneira seu coração seja aquecido e levado para as
águas profundas da fome por Deus!
Querido leitor, ainda temos uma jornada em nossos outros livros
dessa série, mas permita-me orar contigo, mais uma vez.
Senhor Deus, levanta um povo para chamar de Seu. Que nada mais
atraia nossos olhares e que tudo perca seu valor ao se comparar com Sua
beleza.
Pai, queremos ser a geração que busca a Tua face, Oh Deus de
Israel! Não queremos ser achados donos de nossas próprias vidas. Gere em
nós o mesmo sentimento que houve em Seu filho Jesus. Queremos nos
humilhar para que então a Sua Glória brilhe através de nós.
Quebrante nosso coração, Espírito de Deus, e abra nossos olhos
para vermos a beleza da face de Cristo. Senhor, marque, por favor, cada um
desses leitores com um amor profundo por Ti!
Filho do Homem, majestoso! Amigo Jesus, nós te amamos e te
esperamos, Maranata! Amém.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BIBO, R. O Deus que destrói sonhos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson
Brasil, 2021.
BOUNDS, E. M. Poder pela oração. São Paulo: Editora Vida, 2010.
CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova,
2009.
EDWARDS, J. A genuína experiência espiritual. São Paulo: Publicações
Evangélicas Selecionadas (PES), 1993.
FOSTER, R. Celebração da disciplina: o caminho do crescimento
espiritual. São Paulo: Editora Vida, 2007.
KELLER, T. Oração: experimentando intimidade com Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2016.
NASH, D. Prevalecendo com Deus em oração. São Paulo: Impacto, 2016.
NOUWEN, H. Espaço para Deus. São Paulo: Impacto, 2019.
RAVENHILL, L. Oração de Avivamento. Curitiba: Orvalho, 2020.
SMITH, J. K. A. Você é aquilo que ama: o poder espiritual do hábito. São
Paulo: Vida Nova, 2017.
SORGE, B. Oração Incansável. São Paulo: Impacto, 2017.
TOZER. A. W. Em Busca de Deus: minha alma anseia por Ti. São Paulo:
Editora Vida, 2016.
TOZER, A. W. Experimentando a presença de Deus. Rio de Janeiro: Graça,
1969.
VILAS BOAS, A. Quem é Jesus. São José dos Campos (SP): Doma, 2019.
[1] SMITH, J. K. A. Você é aquilo que ama: o poder espiritual do hábito. São Paulo: Vida Nova,
2017, p. 20.
[2] TOZER. A. W. Em Busca de Deus: minha alma anseia por Ti. São Paulo: Editora Vida, 2016, p.
23.
[3] BIBO, R. O Deus que destrói sonhos. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2021, p. 26.
[4] SORGE, B. Oração Incansável. São Paulo: Impacto, 2017, p. 164.
[5] FOSTER, R. Celebração da disciplina: o caminho do crescimento espiritual. São Paulo: Editora
Vida, 2007, p. 123.
[6] EDWARDS, J. A genuína experiência espiritual. São Paulo: Publicações Evangélicas
Selecionadas (PES), 1993, p. 12.
[7] Idem, p. 13.
[8] RAVENHILL, L. Oração de Avivamento. Curitiba: Orvalho, 2020, p. 39.
[9] VILAS BOAS, A. Quem é Jesus. São José dos Campos (SP): Doma, 2019, p. 69.
[10] TOZER, A. W. Experimentando a presença de Deus. Rio de Janeiro: Graça, 1969, p. 53.
[11] CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 1371.
[12] Falaremos melhor disso em Renovação de Mente, segundo livro da série Andando com Deus.
[13] NOUWEN, H. Espaço para Deus. São Paulo: Impacto, 2019, p. 66-67.
[14] KELLER, T. Oração: experimentando intimidade com Deus. São Paulo: Vida Nova, 2016, p. 59.
[15] NASH, D. Prevalecendo com Deus em oração. São Paulo: Impacto, 2016, p. 21.
[16] Quanto a isso, gostaria apenas de fazer uma breve pontuação. Acredito que tudo o que Deus
determinou irá acontecer do exato jeito que Deus determinou. Se olharmos com atenção para as
Escrituras, vemos que Deus decretou que o Reino de Cristo virá e, ao comunicar isso, não
demonstrou necessidade da ajuda de terceiros para o seu cumprimento, como diz, por exemplo, em
Mateus 24:14: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas
as nações. Então, virá o fim”. Não há sombras de dúvida nas palavras de Jesus quanto à vinda do
fim. Ao mesmo tempo, o mesmo Deus que determina como as coisas acontecerão também nos
convida a orar para que “o reino venha” (Lc 11:2).
Mais adiante, em Apocalipse (Ap 5:8; 8:3), as Escrituras apresentam a visão de João, relatando a
existência de taças cheias das orações dos santos, evidenciando a importância da prática da oração no
desenrolar dos eventos do fim. Inclusive, em Mateus 24:20, durante a invasão de Gogue, os que estão
na judeia são convidados a orar para que a fuga não aconteça no sábado ou no inverno. Ou seja,
mesmo no cumprimento cabal e literal das profecias, existe espaço reservado pelo Senhor à oração.
Resumindo, creio que a oração é o modo pelo qual Deus determinou para que façamos parte de seu
plano previamente estabelecido. Em outras palavras, a oração é um grande privilégio não só de
comunhão relacional, mas, também, de comunhão com os planos de Deus. Se deseja aprender mais
sobre o assunto penso que um bom começo seria ler o livro Em busca de Deus, de John Piper,
publicado em português pela editora Shedd.
[17] BOUNDS, E. M. Poder pela oração. São Paulo: Editora Vida, 2010, p. 24.
[18] KELLER, T. Oração: experimentando intimidade com Deus. São Paulo: Vida Nova, 2016, p.
217.
[19] VILAS BOAS, Alessandro. Quem é Jesus. São José dos Campos (SP): Doma, 2019.
	RECOMENDAÇÕES
	SUMÁRIOPREFÁCIO
	INTRODUÇÃO ESPECIAL
	INTRODUÇÃO
	CAPÍTULO 1
	CAPÍTULO 2
	CAPÍTULO 3
	CAPÍTULO 4
	CAPÍTULO 5
	CAPÍTULO 6
	CAPÍTULO 7
	CONCLUSÃO
	REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASfoi negativo para mim, apesar de, em
alguns momentos de minha caminhada, ter desejado que não fosse assim.
No geral, considero tudo isso como um fator positivo em minha história.
O fato de ter tido poucas influências ao meu redor que me
levassem para um lugar mais profundo na presença de Jesus gerou em mim
um certo instinto de sobrevivência. O sentimento que sempre me
acompanhava era: “ou eu aprendo como fazer, ou morrerei sem saber”. Foi
nesse caminho de decisões que meus primeiros anos no Evangelho foram
trilhados.
Por soberania divina, neste exato momento, enquanto escrevo
essas primeiras páginas, estou sentado no sofá dos meus pais na mesma
casa onde cresci, em minha cidade natal. Hoje em dia, apesar de não ser tão
velho, não sou tão jovem como era no começo. Já viajei para diferentes
nações, experimentei milagres, cooperei com a implantação de igrejas,
compus canções e escrevi alguns livros; de alguma maneira, trilhei uma
jornada razoavelmente grande, a qual me possibilitou olhar para trás e rever
tudo o que já aprendi.
Esse livro que você tem em mãos é parte da série Andando com
Deus, na qual compartilho o que tenho aprendido ao longo da minha
jornada. Longe de mim fechar a janela de aprendizado em minha vida, ou,
com esses livros, me tornar um saudosista preso ao passado. Não! Essas
páginas - na verdade, toda essa série de livros - são como um memorial do
que já experimentei e também como um apontamento para aquilo que
desejo viver.
Em primeiro lugar, essas palavras foram escritas para mim mesmo.
Em segundo lugar, eu desejo levar comigo uma geração inteira aos lugares
mais profundos do coração de Deus. Então, eu também as escrevi para
você, meu amigo.
Em minha trajetória, alguns princípios se tornaram como
fundamentos. Certamente, acredito que toda a minha vida pode ser
resumida em três pontos centrais: Fome por Deus, Renovação de mente e
Andar em família. É engraçado porque, lendo assim, tudo isso parece ser
simples demais - e, de fato, é -, mas demandaram muito tempo, lágrimas e
estudo. Por isso, deixo aqui meu convite para que você não leia apenas esse
livreto que está em suas mãos, mas também os outros da série. Você não irá
se arrepender!
Como de costume, eu gostaria de convidá-lo para orar comigo.
Não sei como começar a falar sobre fome por Deus senão com uma sincera
oração:
Toda honra e Glória sejam dadas a Ti, Filho de Deus! Nós
honramos e amamos o Teu nome, Senhor Jesus! Eis que estamos
aqui com alguns pães e peixes nas mãos, não é muito, mas é o que
temos. Faça isso crescer! Amigo Jesus, multiplique nossas
orações em coisas maiores, nossa fome em algo maior;
transforme essas palavras escritas em algo maior. Mude nossas
vidas para sempre, por favor, não queremos mais ser os mesmos.
Nos alimente com mais fome de Ti! Em Teu precioso nome, amém!
Meus amigos, sugiro que vocês não apenas leiam cada uma
dessas palavras, mas se alimentem delas. Não porque sou eu escrevendo,
não me entenda mal. O poder desse livro não está em mim, mas sim em sua
mensagem. Eu recomendo que você não passe para a página seguinte se
estiver lendo esse livro apenas com a intenção de ter um mero passatempo,
de forma despretensiosa, no meio dos amigos, ou se você estiver apenas
lendo para ocupar a mente. Oh, não! Não passe desta página sem levar
contigo um clamor de fome, uma santa expectativa a respeito do que o
Senhor pode fazer através dessa mensagem.
CAPÍTULO 1
COMO UMA PEQUENA VELA DIANTE DO
SOL
Existe um convite do alto - como uma santa convocação - que
chama o povo de Deus para mais perto, mais alto. Em suma, o Evangelho se
trata de uma boa notícia: Jesus morreu por mim, ressuscitou e abriu um
novo e vivo caminho para nós até o Pai e, em breve, voltará para reinar para
sempre sobre toda terra.
Um dia fomos inimigos de Deus e da Sua causa (Rm 5); não havia
em nós nenhuma dignidade. Talvez essa verdade te ofenda. É possível que,
pelo fato de você ter nascido na igreja e nunca ter feito nada como fumar,
beber ou ter relações sexuais fora do casamento, você pense que não vive
uma vida de pecado e que sempre esteve diante da presença de Deus. Mas a
verdade que as Escrituras deixam claro para nós é que “todos pecaram e
estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3:23).
Mas, graças ao bondoso amor de nosso Senhor, fomos
"justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus
Cristo" (Rm 5:1). Cristo, o justo, ao se fazer expiação por nossos pecados,
nos deu o direito de sermos filhos de Deus. Como João escreveu:
Meus filhinhos, eu vos escrevo estas coisas para que não
pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai,
Jesus Cristo, o justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não
somente pelos nossos, mas pelos pecados de todo mundo. (1 João 2:1-
2)
Isso deveria te fazer saltar de alegria, gritar e esmurrar o ar como
se fosse o Pelé fazendo um gol na final da Copa do Mundo, pois, de fato, o
que você ganhou foi muito mais do que um campeonato de futebol, mas o
direito de ser chamado filho de Deus (1Jo 3:1). Glória a Deus! E esse
mesmo Deus que, com Sua carne, pagou o preço pelos nossos pecados, hoje
nos faz um convite para um lugar de plena intimidade. Ele nos convida aos
lugares altos, nos ensinando que, se O buscarmos, O encontraremos. Como
está escrito:
“Vós me buscareis e me encontrareis, quando me buscardes de
todo o coração.” (Jeremias 29:13)
Aos que se aproximam de todo coração, as Escrituras prometem
que “ele se achegará a vós." (Tg 4:8). Quão poderosas são essas palavras
para aqueles que um dia estiveram distantes de Sua presença.
Podemos encontrá-Lo! Podemos, no final de nossa procura, achar
Deus! Porque Ele nos amou primeiro - sim, Ele nos encontrou e nos amou.
Um caminho até o Senhor foi aberto diante de nós e o Espírito de Deus, por
intermédio das Escrituras, está guiando a Igreja direto ao coração do Pai.
Esse é o desejo do Senhor: ser conhecido pelo Seu povo.
O QUE É FOME?
A palavra “conhecimento”, em grego, é gnosis. Já o termo
“conhecereis”, que aparece em João 8:32, vem de outra palavra grega:
epignosis, cuja tradução é “pleno conhecimento” e significa um
conhecimento progressivo. À medida que experimentamos, crescemos, cada
vez mais, em semelhança e entendimento Daquele que nos criou (2 Co
3:18). Ou seja: conhecemos quando experimentamos. Que incrível!
Isso faz com que o caminho do cristão não seja somente lógico e
racional, mas sim resultante do querer e do experimentar de Deus. Aos
discípulos de João Batista desejosos de seguir a Cristo, Ele respondeu: "Que
desejais?" (Jo 1:38). O discipulado de Cristo sempre foi imbuído de desejo.
Cristo não é um professor com power points e seus seguidores não são
meras máquinas de decorar textos bíblicos. Somos seres chamados a
carregar uma ardente esperança de termos a realidade do Reino de Deus em
tudo o que olhamos, tocamos e sentimos. Segui-Lo significa desejá-Lo! De
acordo com James Smith: “Jesus é um mestre que não apenas instrui nosso
intelecto, ele forma nossos próprios amores. Ele não se contenta em apenas
depositar novas ideias em nossa mente; ele busca nada menos que nossos
desejos, amores e anseios.”[1].
A fome por Deus surge, então, como uma resposta ao anseio de
Deus. É um desejo imputado aos homens o ato de corresponder à vontade
de Deus por ser conhecido e adorado. A fome natural é sobre nos
alimentarmos para continuarmos vivos. No entanto, ainda que a fome
espiritual seja a respeito de comermos mais da fartura da mesa do nosso
Rei, eu diria que, em sua maioria, a fome espiritual visa me esvaziar até a
morte, me diminuir até que eu desapareça. De fato, a fome espiritual te
enfraquecerá até que o único desejo de sua alma seja o Cristo, o pão da
vida.
A fome por Deus se manifesta com o desejo de desgastar-se
diante do Deus vivo, assim como uma pequena vela exposta ao Sol em
pleno fulgor. Ela será incapaz de suportar o calor e, pouco a pouco, deixará
de existir. Ao experimentá-Lo, nos desgastamos de nós mesmos até que, de
alguma maneira, nos tornemos como Ele é!
“Mas todosnós, com o rosto descoberto, refletindo como um
espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na
mesma imagem, que vem do Espírito do Senhor.” (2 Coríntios 3:18)
A fome é como um tipo de impulsão sobrenatural que nos leva a
ser o que Deus desejou que fôssemos: Seus amigos. Portanto, a fome é um
catalisador individual. Em outras palavras, ela conduz cada um de nós a
responder mais rapidamente à fome que Deus tem por um povo exclusivo
Dele.
Um dia, em minhas orações, eu descobri que, embora eu fosse
muito grato por tudo o que Deus havia feito em minha vida, eu ainda
desejava por algo a mais. A partir disso, fui impelido a viver níveis mais
profundos da vontade de Cristo. Espero que você viva o mesmo!
Alguém sem fome espiritual não tem a garra para cumprir os
desejos de Deus. Normalmente, essas pessoas acabam se satisfazendo em
fazer as suas próprias vontades. O homem - ou a mulher - sem fome é
apático, estático e ele se contenta com pequenas porções da glória divina. A
fome, portanto, gerará o impulso necessário para continuar, para desbravar
novos horizontes em sua caminhada com o Senhor. A falta de fome, a longo
prazo, nos torna desistentes. Não em relação aos nossos objetivos naturais,
mas, acima de tudo, no que se refere à vontade elevada de Deus. Ao invés
de nos tornarmos o povo que persevera em direção à plenitude da
comunhão com o Senhor, retrocedemos. E, infelizmente, existe muito pouco
a se fazer por alguém sem fome.
Sem nenhuma dúvida, teremos muitas oportunidades de desistirmos
do que Deus nos propõe: pode ser o fato de algum pastor ter pegado mais
pesado do que deveria com você em uma reunião de discipulado; ou talvez
alguma coisa no seu trabalho que te fez perder o controle das emoções.
Coisas simples - ou até mesmo complexas - poderão facilmente nos tirar
daquilo que Deus está trilhando para nós. Mas eu te garanto: a fome
espiritual por conhecê-Lo irá te segurar como uma âncora! Nós não seremos
como os que retrocedem, mas permaneceremos até o cumprimento da plena
vontade de Deus!
A MENSAGEM QUE MUDOU MINHA VIDA
Eu sempre tive uma personalidade forte. De certa maneira,
sempre fui impulsivo e agitado. Ao longo dos anos, ao mesmo tempo que
isso me fez acumular vários fracassos, também me fez acumular muitos
sucessos. Notamos que é comum, no contexto da Igreja, a fome espiritual
ser confundida com empolgação ou personalidade forte. De fato, a fome, na
maioria das vezes, te tirará da inércia, mas nem sempre ela se manifestará
com empolgação. Falaremos disso um pouco mais adiante.
Mesmo sendo um jovem impulsivo e decidido do que queria, isso
não foi suficiente nos momentos em que me deparei com certos desafios em
minha vida espiritual. Durante nossa caminhada, quando estamos diante de
uma encruzilhada, se nós não tivermos um selo em nossos corações, um
lugar onde podemos colocar nossa esperança e tesouro, então teremos
grandes chances de nos perdermos.
Infelizmente, somos capazes de facilmente diluir a mensagem do
Evangelho e transformar a conversão a Cristo em algo mecânico e sem
vida, e, por isso, nos falta fome. Nas palavras de A.W Tozer:
Cristo pode ser aceito sem que se crie nenhum amor especial por ele
na alma de seu receptor. O ser humano é "salvo", mas não tem fome
nem sede de Deus. Na verdade, ensinam-lhe especificamente dar-se
por satisfeito e encorajam-no a se contentar com pouco.[2]
Se nós não tivermos fome espiritual pelas coisas de Deus, quando
as demandas da vida aparecerem (como trabalho, filhos, casa, esposa), nós
provavelmente iremos retroceder em nosso nível de caminhada espiritual, a
fim de não passarmos por apertos nas finanças e no conforto de nossa
moradia, ou até mesmo para não sentirmos o desconforto emocional que
algumas decisões geram. Por exemplo: imagine que Deus te peça para
deixar seu emprego atual e trabalhar em um local com horários mais
flexíveis para que você possa se dedicar mais à oração. Mesmo que você
obedeça, se você não tiver uma fome genuína, na primeira complicação
(como o primeiro aperto financeiro), você retrocederá.
 Durante muito tempo da minha vida, era assim que eu me
encontrava. Eu me via subindo a montanha em direção a um lugar mais
alto, mais profundo, mas sempre acabava voltando a viver uma vida rasa.
Minhas decisões eram quase sempre pautadas por coisas terrenas, e poucas
vezes por uma perspectiva espiritual. Como Jesus, minha prioridade e
satisfação deveriam ser "fazer a vontade daquele que me enviou e
completar a sua obra” (Jo 4:34).
O homem espiritual anda e vive por uma perspectiva espiritual. Por
mais que eu desejasse ser assim, posso dizer que ainda não era. Faltava um
catalisador, aquele impulso interno mais forte do que eu mesmo. Faltava
fome!
Tudo o que construí em minha vida comum e ministério é fruto de
uma resposta à fome. Essa mensagem mudou minha vida. Me lembro
quando comecei a ouvir homens e mulheres que carregavam uma
mensagem fresca de Deus e percebi que todos eles ansiavam ardentemente
por Sua presença. Então, comecei a perceber um padrão: os homens e
mulheres que chegaram onde eu desejava chegar na caminhada com Deus
viviam e eram impulsionados de uma maneira diferente da qual eu havia
vivido até então.
Ao longo deste livro, você certamente verá que a fome por Deus
não é algo apenas místico ou sentimental, mas sim palpável. Ela começa
por uma decisão, uma ordem. Sugiro que, se for necessário, você escreva
em um caderno ou faça uma oração a respeito disso, como um compromisso
seu com o Senhor. Mas no momento em que se decidir, faça o que eu fiz há
anos: coloque a mão em sua barriga e diga “alma, tenha fome de Deus!” e
“Alessandro - no caso, diga o seu nome -, ame a Deus, busque ao Senhor!”.
Em um primeiro momento, isso pode parecer loucura, mas é
extremamente bíblico. Quando olhamos para Davi em seus salmos
encontramos frases bem próximas das quais acabei de citar:
“Quando meu coração me diz: Buscai a minha presença, buscarei, Senhor,
a tua presença” (Salmos 27:8)
Existe poder nessas palavras. Elas são como uma chave! O
coração de Davi compreende que deve buscar a Deus e, portanto, responde.
Em seu coração, ele toma uma decisão de responder ao convite do Senhor.
Vamos lá! Nesse dia, tome uma decisão: não apenas de ser um evangélico
ou cristão, mas decida ir mais fundo! Amarre seu coração em uma cadeira e
diga: “Oh minha alma, bendize ao Senhor!” (Sl 103:1).
Muitas vezes, em meu ministério, preguei em igrejas onde os
cristãos não eram convidados para um lugar de paixão e de fome por Jesus.
Nesses últimos dias, conversando com um de meus discípulos e amigo, ele
me contou como foi a sua experiência na primeira vez em que me ouviu
pregando. Rimos muito! Ele me disse: "quando você convidou para irem lá
na frente aqueles que tinham fome e desejavam mais de Deus, eu não sabia
muito bem o que fazer, pois eu já tinha aceitado Jesus”.
Pense nisso: quantas pessoas, dentro de nossas igrejas, nunca foram
convidadas para irem a lugares mais profundos da presença de Jesus, para
lugares mais íntimos com o Senhor? Talvez você tenha vivido cinco, sete,
dez anos com Deus sem nunca ter sido verdadeiramente desafiado a um
nível de maior comprometimento com o Evangelho, uma aliança profunda
com o Senhor, daquelas que não se vê em qualquer lugar.
UM APELO AO ALTAR
Qualquer pessoa que tivesse contato com Jesus ou com os
discípulos teria esse desafio. Imagine, por exemplo, o escândalo que Jesus
causava aos olhos de um religioso acomodado: um homem, o qual havia
partido de um lugar rejeitado, Nazaré, de repente estava curando enfermos
no sábado e, quando olhava para os céus, chamava Deus de “Pai”. Era
impossível que Cristo passasse despercebido.
Imagine encontrar alguém que tinha como principal mensagem
“servir o Reino do meu Pai”, e que sempre fugia quando tentavam exaltá-
Lo, não aceitando quando, por exemplo, o tentaram coroar como rei à força,
mas se posicionava como O servo de todos. Pense em como era conhecer
alguém como o Apóstolo Pedro, que deixou a sua casa e sua família para
seguirum homem que, para muitos, era apenas um doido, mas que, para
ele, era o Cristo, Filho de Deus. Quando vamos começar a desejar isso?
Quando vamos começar a gerar isso em nossas reuniões e Igrejas?
Certa vez, Jesus disse que Seus discípulos deveriam ser mais
zelosos do que os fariseus. Sim, fariseus - que, usualmente, são apontados
como um modelo de vida com Deus a não ser seguido, sendo retratados de
maneira pejorativa dentro de nossas igrejas. Jesus nos compara com eles e
nos ordena a superá-los em zelo e obediência:
‘
“Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não superar a dos escribas e
fariseus, de modo algum entrareis no reino do céu” (Mateus 5:20)
Cristo deseja levantar um povo zeloso, comprometido e
espiritualmente envolvido com seu Reino como os Fariseus eram com a lei.
É impossível fazermos isso sem fome! O contexto do versículo citado é o
Sermão do Monte, quando Cristo, subindo, se assenta com Seus discípulos
para ensinar os fundamentos do Seu Reino. Dessa forma, conseguimos
compreender que o zelo e a fome devem ser elementos essenciais na vida de
todos aqueles que são discípulos de Jesus. Esse é o contexto da passagem
acima, em que Jesus afirma que os verdadeiros discípulos deveriam ser
ainda mais devotos!
A parte que muitos deixam passar é o começo de Mateus 5,
especificamente o primeiro versículo:
“Quando viu as multidões, Jesus subiu ao monte; havendo se
sentado, seus discípulos se aproximaram.” (Mateus 5:1)
Jesus claramente evitou a multidão desinteressada e decidiu
pregar para aqueles que desejavam subir, que desejavam chegar mais perto
Dele. Entenda: você precisa subir. Você precisa ter fome para que possa
experimentar as coisas guardadas para os zelosos. E, então, a partir desse
lugar e dessa paixão, a verdadeira devoção surgirá.
Com base nas Escrituras, não é segredo que os zelosos, os
insistentes, são tratados de maneira diferente pelos céus. Eu mesmo já
experimentei isso várias vezes em minha vida, seja ao insistir em um jejum
ou em permanecer em oração. Me lembro que meus momentos mais
profundos em adoração a Deus aconteceram quando permaneci, sem pressa,
diligente em Sua presença até que eu O visse.
Os zelosos e persistentes sempre foram presenteados por Deus,
como podemos observar nas seguintes passagens: "Esperei com paciência
pelo Senhor" (Sl 40:1), "os que esperam no Senhor renovarão suas forças"
(Is 40:31), e, por fim, um dos meus versículos preferidos "Ao vencedor
darei do maná escondido" (Ap 2:17). Certamente, aprendemos que, se
quisermos experimentar as coisas profundas, teremos que vencer a pressa e
a ansiedade diante da presença do Altíssimo. Os famintos serão, portanto,
zelosos; e os zelosos, pacientes.
Sempre que falo sobre isso me lembro desse precioso versículo,
"A glória de Deus é encobrir as coisas; mas a glória dos reis é examiná-
las. (Pv 25:2)". Precisamos começar a procurar, esquadrinhar, descobrir os
mistérios de Deus! Sem desistência, sem apatia e com paciência. Um passo
atrás do outro para perseguir os tesouros ocultos em Deus!
Lembre-se de Jacó, persistindo em oração e lutando com o Senhor
até que o Deus de seus pais mudasse o rumo de sua história. Como diz
minha esposa: "Jacó venceu o Onipotente no lugar de oração". Esse é o
lugar reservado aos zelosos, persistentes e famintos - o lugar de encontrar e
ser encontrado por Deus.
Caro leitor, imagine-se bem na minha frente agora, olhando bem
no fundo dos meus olhos. Quero te fazer um convite: vá até o altar. Este é o
motivo que me fez escrever essas palavras - um apelo ao altar. Não para que
você faça uma oração religiosa para “aceitar Jesus”, ou por mero ritualismo,
mas para que você gaste uma vida queimando diante do Senhor Jesus, como
uma vela diante do resplendor do sol. Vamos comigo?
CAPÍTULO 2
A FOME NO LUGAR ERRADO
UMA FOME SECULAR
Cada indivíduo no planeta terra está em busca do sentido de sua
existência. Até mesmo o mais cético dos homens precisa satisfazer a sua
alma com uma causa. A essas causas, normalmente damos o nome de
“sonhos”. Certa vez, escutando um pastor e amigo, que também é
psicólogo, aprendi que, em muitos casos, o desânimo, ou apatia, não é nada
menos do que falta de propósito ou metas, o que acaba resultando na falta
de perspectiva sobre o futuro, propiciando um desejo de terminar com o
presente, que tornou-se esvaziado.
O que eu quero dizer é simples: todos nós temos fome de algo e
vivemos nossas vidas em prol disso. E a fome espiritual é o que nos
impulsiona de dentro pra fora, o que nos tira da mesmice e nos leva para os
lugares mais profundos em Deus. Além disso, temos a fome ou os sonhos
naturais, que nada mais são do que os objetivos de vida que alguém carrega.
Alguns têm sonhos e propósitos eternos; outros sonham com causas
nobres, porém passageiras. Há inclusive aquelas que sonham com coisas tão
insignificantes que acabam transformando as suas vidas em corridas sem
qualquer sentido.
Desde pequenos, somos ensinados que devemos buscar e alcançar
nossos sonhos, e que nada vale mais do que a nossa própria felicidade.
Infelizmente, isso tem levado muitos para um buraco existencial sem
precedentes.
Encontramos uma contradição na geração atual que, apesar de estar
conectada com dezenas de pessoas que frequentemente estão curtindo suas
fotos nas redes sociais, possui os maiores índices de depressão, síndrome do
pânico e outras doenças emocionais/psicológicas. Tudo não passa de uma
mera ilusão online, onde a vida ideal que se posta nas mídias não condiz
com a falta de propósito que existe dentro de cada um.
Insatisfeitos e frustrados, em algum momento, as pessoas acabam
passando por crises existenciais, pois a única coisa que pode
verdadeiramente preenchê-las é a eternidade! 
“Tudo que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou a
eternidade no coração do homem; mesmo assim, ele jamais chega a
compreender literalmente o que Deus fez” (Eclesiastes 3:11)
É fácil perceber que o lugar onde colocarmos nosso senso de
propósito ditará nossa vida e, consequentemente, aquilo que nos
tornaremos. De certa forma, todos nós temos fome. O que precisamos nos
perguntar, então, é: “do que temos tido fome?”. E também “em que temos
depositado nossa fome?”.
Infelizmente, a maioria dos cristãos permanece com olhos
aterrados, mesmo depois de encontrar a fonte de toda eternidade - Jesus.
Assim, essas pessoas fazem de Deus um caminho para seu sucesso e para
realizações pessoais, ao invés de tê-Lo, verdadeiramente, como única e
absoluta fonte de plenitude e satisfação.
Ao buscarmos nossos próprios e limitados sonhos, acredito que
estamos sendo conduzidos por nossas emoções até um abismo existencial -
embora eu creia que esse não é o desejo do Senhor. Certa vez, li que Deus
não deseja cumprir os meus sonhos, mas sim os Dele, e meu caro amigo, eu
concordo plenamente. Uma falsa teologia tem nos ensinado que Deus é uma
espécie de príncipe da Disney que está vencendo o mal para nos livrar de
nossos problemas, mas esse não é o nosso Deus. Como disse Rodrigo
Bibo[3], em seu livro O Deus que destrói sonhos, “Jesus não é um gênio da
lâmpada”.
De fato, temos um bom Pai que claramente se importa conosco. O
Deus que governa todas as coisas deseja saber onde você estuda, o que você
anda comendo, e Ele se alegra com suas alegrias. No entanto, o Deus de
toda terra, além de ser um bom Pai, é também um Rei glorioso que tem seus
próprios planos, os quais são muito mais altos do que os nossos. Deus não
deseja Se assentar em Seu trono e assistir aos seus filhos correrem atrás do
vento, como se o propósito de suas vidas fosse ter uma casa melhor. Oh,
não! Deus não tem um compromisso com planos terrenos. O Senhor está
comprometido com Seu plano eterno!
Essas palavras são fortes. Elas nos deixam inquietos, como se
houvesse milhares de formigas andando em nossa cadeira. Talvez, por conta
desse desconforto, você tenha vontade de fechar esse livro. Quantas vezes
eu quis calar a voz da cruz em minha vida por conta das verdades bíblicas
que humilham meus desejos humanistas!Além disso, várias vezes quis
fechar os olhos para a eternidade e para o que ela faz com meus
pensamentos minúsculos e terrenos. É confrontador ter o anseio por algo
maior do que nós mesmos, mas estou plenamente convicto de que fomos
criados para isso!
Todos nós temos fome, desejo, uma busca pela eternidade.
Indivíduos anestesiados procuram as coisas da terra e se embriagam com
elas. Infelizmente, até mesmo cristãos têm feito isso. No entanto, essa não é
a verdadeira fome. A realização de nossos sonhos ao completarmos a
jornada não é a fome que vem do céu; ganância mundana não pode ser
confundida com fome espiritual. Não podemos nos moldar ao padrão de
vida secular. Os desejos deste século devem ser, em quase tudo, diferentes
dos nossos, pois nossos anseios estão em coisas superiores.
Eu não sei quanto a você, mas, quando penso nessas coisas, meu
coração passa por uma autoanálise. Como dizem as Escrituras: "Examine,
pois, o homem a si mesmo” (1 Co 11:28). É imprescindível que voltemos
nossos olhos para a raiz de nossos anseios e buscas, para que, assim, não
caiamos no erro de renomeá-los com nomes mais "santos'', quando, na
verdade, tratam-se de desejos seculares.
Jesus, o nosso Senhor, ao falar sobre tesouros terrenos, nos
aconselhou: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu
coração” (Mt 6:21). Percebo que, por não nos atentarmos às Escrituras
como deveríamos, muitas vezes, sem perceber, invertemos as palavras de
Jesus para: “onde está o meu coração, ali está o meu tesouro”. Mas o que
Cristo disse foi o contrário, e isso pode alterar drasticamente o nosso
entendimento. Perceba que o meu tesouro expõe o local onde deposito
minhas forças, ou seja, o meu coração.
Dizer que o meu coração é a base do meu tesouro me levará a
uma análise fraca de minhas reais intenções. Por exemplo: imagine que
alguém diga que você já não gasta mais o mesmo tempo de oração que
gastava antigamente, já que, agora, a rotina e o trabalho ocupam a maior
parte do seu tempo. Usando a falsa premissa de que o seu coração define o
seu tesouro, você pode facilmente sair pela tangente dizendo “mas meu
coração permanece intacto. Tudo o que eu faço no meu trabalho é para
honrar a minha família e o Senhor”.
No entanto, quando Cristo diz que nossos tesouros apontam para
o nosso coração, Ele traça uma linha em que os argumentos são derrubados
por provas. Usando esse mesmo exemplo acima, todo o argumento de
escape seria destruído com a simples afirmação: “a área de sua vida que
mais prospera é a profissional. Você já não gasta o mesmo tempo com seus
filhos, família e com o Senhor”. Em outras palavras, o fato de dedicarmos
mais esforço aos tesouros terrenos já expressam onde está o nosso coração.
É evidente que, de maneira nenhuma, estou aprovando uma vida
na qual não devemos trabalhar e prosperar. A pergunta em questão é: qual
área da minha vida mais frutifica? Em outras palavras, onde está meu
coração? A fome espiritual, embora não rejeite o crescimento financeiro e
natural, nunca se encaixa nos padrões de vida propostos por esta era.
É tempo de rasgarmos os nossos corações e, com sinceridade, nos
aproximarmos do Senhor. Precisamos remover as cinzas de um fogo
passado, que são resquícios de um pensamento secular, e voltar a queimar.
Mas, para que isso ocorra, precisamos nos analisar e devemos ser
intencionais em corrigir nossas falhas.
O QUE NÃO É FOME
Uma poderosa arma contra a falsa fome espiritual é a autoanálise,
isto é, um sincero olhar para dentro de si mesmo. Ao fazer isso, você
conseguirá ver seus erros e suas falhas. Para prosseguirmos adiante em
nossa busca por uma fome genuína, nosso coração precisa ser exposto.
Faz parte da busca pela fome genuína um coração quebrantado
diante de Deus e de Sua presença. Nenhum homem com segundas intenções
permanece diante do Senhor, pois Deus o rejeita. Perceba o que escreve
Isaías:
“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e
também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das
congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento
solene.” (Isaías 1:13 - ARA, grifo nosso)
A última parte deste verso foi chocante aos meus olhos desde a
primeira vez que a li. Ler essa mensagem vinda do próprio Deus é
realmente sério! Deus, notoriamente, não rejeita as ofertas por serem vãs
em sua materialidade, ou seja, se são valiosas ou não, mas Deus as rejeita
pelas intenções do coração dos ofertantes.
Precisamos desassociar de nossa busca toda segunda intenção,
todo falso culto, toda iniquidade associada aos nossos ajuntamentos solenes.
O homem quebrado é o homem que encontra fome; o homem sem altivez é
o homem que encontrou a Deus!
As Escrituras são enfáticas em proclamar o futuro do homem
orgulhoso e altivo: "serão abatidos, e a sua arrogância será humilhada, e
só o SENHOR será exaltado naquele dia." (Is 2:11). Ao que me parece,
existe um convite vindo do Espírito de Deus aos homens e mulheres de
Deus para o lugar de humildade e quebrantamento. Somente assim nos
tornaremos aqueles que não se ofendem com a dignidade de Cristo. Nos
uniremos com as Escrituras ao dizer: "só o SENHOR será exaltado naquele
dia.".
O homem desejoso da Presença precisa ser livre de outras
intenções. Os que realmente desejam o Senhor não se contentam em jejuar
para ter um ministério melhor ou para ter apenas uma provisão financeira.
Os que foram feridos por fome são homens e mulheres de uma só coisa!
Assim como o rei Davi em Salmos 27:4 clama: "Pedi uma coisa
ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na casa do SENHOR todos
os dias da minha vida, para contemplar o esplendor do SENHOR e meditar
no seu templo.", precisamos ser feridos com um único desejo: habitar com a
presença divina. Paulo em Filipenses 3:13 também manifesta sua busca por
uma só coisa, isto é, Cristo! Que nos tornemos homens e mulheres que não
anseiam por 'grandes coisas' ou muitas coisas, mas que apenas uma coisa
tenha o poder de nos fascinar: Cristo e Sua presença!
Me lembro de algo que aprendi com Bob Sorge[4] em um de seus
livros: "o excesso de opções diluiu a potência da nossa busca espiritual”.
Queridos, necessitamos de foco! Potencialize sua fome e suas orações,
olhando para apenas uma coisa, ou seja, Jesus.
CAPÍTULO 3
UM CORAÇÃO QUEBRANTADO
Se existe um lugar mais profundo em Deus, um local de plenitude
da Sua presença, eu não vou querer me contentar em gastar minha vida
lutando para ter uma igreja mais bonita, um carro do ano, ou até mesmo
uma unção mais poderosa. Embora todas essas coisas sejam agradáveis,
elas em nada se comparam a Cristo. Sinceramente, carrego em mim o
anseio de ser encontrado fiel, com olhos marejados de lágrimas de amor
pelo Filho do Homem.
Ao me lembrar que Cristo deseja estar conosco em um lugar
glorioso, meu interior treme ao pensar que o clamor de Davi em Salmos 27,
"habitar com a presença", é respondido de maneira fervorosa por Jesus em
João 17:24: "Pai, meu desejo é que aqueles que me deste estejam comigo
onde eu estiver, para que vejam a minha glória, a qual me deste, pois me
amaste antes da fundação do mundo". O próprio Filho abre caminhos para
estarmos com Ele, pois é isso que o Senhor deseja: estar com Seu povo!
Portanto, somente Ele pode satisfazer o coração do faminto. Uma
só coisa é necessária! Por isso, precisamos trilhar passos amargos para
dentro de nós mesmos. Devemos rever nossas intenções, nossas práticas e
procurar o lugar de humildade diante de Deus.
“A arrogância do homem será humilhada, e o orgulho humano
será abatido; só o SENHOR será exaltado naquele dia.” (Isaías 2:17)
Provavelmente, você deve estar se perguntando: como posso me
livrar das segundas intenções? Como posso me purificar da altivez e
soberba? O tesouro que descobri, ao ler as Escrituras, e que tem me guiado
por águas cristalinas de desejo por Deus, limpas de desejos ocultos, chama-
se um coração quebrantado.
Muito se fala de um coração quebrantado, mas, ao longo de minha
caminhada, eu percebo que muitos de nossos amigos cristãos simplificamo
fato de chorarmos diante da presença do Senhor. Eu acredito fortemente que
o significado de um coração quebrantado está além das lágrimas e nos
conduz a um lugar mais profundo em Deus.
Quando olhamos para o Rei Davi se arrependendo de seus
pecados em Salmos 51:10-12, observamos não somente um homem
emocionado, mas também alguém que deseja ardentemente a presença do
Senhor em sua vida.
Ó Deus, cria em mim um coração puro e renova em mim
um espírito inabalável. Não me expulses da tua presença, nem retires
de mim o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e
sustenta-me com um espírito obediente. (Salmos 51:10-12, grifo
nosso)
Leia esses versos com um pouco mais de atenção e você
perceberá que eles não são apenas parte de uma oração bonita ou de uma
bela canção para ser cantada durante um culto. Um pouco mais de cuidado
e entendimento do texto nos levará à compreensão de que o homem que
escreveu essas palavras estava sofrendo, pois, ao olhar para si mesmo, já
não via mais a salvação. Ele já não achava em si mesmo o fruto do Espírito,
nem em suas mãos a unção que antes operava através dele. Davi estava com
dores de parto clamando pela presença de seu Deus, e esse é contexto de um
dos meus versos favoritos das Escrituras.
“Sacrifício agradável para Deus é o espírito quebrantado; ó
Deus, tu não desprezarás o coração quebrantado e arrependido.” (Salmos
51:17)
No meio de tanta dor e desejo de voltar para a presença de seu
Salvador, Davi entende que Deus não deseja muitos sacrifícios, mas sim um
coração quebrantado! Vamos lá, meus amigos. O coração quebrantado não
se resume a lágrimas nos olhos, mas sim a arrependimento genuíno: o
desejo ardente de estar de volta com o Senhor!
O coração quebrantado te fará alguém moldável nas mãos do
oleiro. Você entende? Não são apenas as lágrimas, mas um coração fácil de
ser tratado. Pessoas sem altivez e orgulho, as quais não questionam o
Senhor, mas, antes, seguem Ele. Homens segundo o coração de Deus!
Mais uma vez, no precioso Sermão do Monte, ao inaugurar as
bem-aventuranças, Cristo diz: “Bem-aventurados os pobres em espírito,
pois deles é o reino dos céus.” (Mt 5:3).
Os quebrantados são pobres de espírito, são humilhados e
rendidos ao desejo de Deus. Submissos e obedientes, eles não são
questionadores ou donos de nada! Não acredito que a "humildade de
espírito" seja, por coincidência, a primeira "bem-aventurança", de forma
alguma. Certamente foi posta de maneira intencional. Quando olhamos para
nosso mestre "manso e humilde", vejo que é exatamente esse o tipo de
pessoa que caracteriza os verdadeiros discípulos de Jesus.
Os quebrantados são formados não apenas em seus quartos de
oração, mas no momento em que permitem que Deus os esmague. Assim,
eles se tornam livres de todo sentimento de posse. Esses indivíduos são
vasos humildemente disponíveis a serem visitados pela porção do céu!
Há anos, um de meus discípulos se aproximou e pediu: “Alê, ore
por mim, eu quero ter um coração quebrantado”. Ainda hoje, quando me
lembro disso, eu me emociono. Uma das maiores dádivas que alguém pode
ter é um coração quebrantado, pois este faz da pessoa alguém confiável,
amigo, próximo e visitado por Deus.
A verdadeira fome passa, necessariamente, por um caminho de
quebrantamento. Nesse caminho, somos convencidos pelo Espírito a nos
arrepender de uma fome secular, que possui sonhos e anseios próprios.
Recebemos um coração que nos faz voltar correndo para as mãos do Senhor
quando percebemos que estamos longe de Sua vontade, mesmo que seja um
pequeno passo de distância fora dos desejos de Jesus. Ah, um coração
quebrantado é o que precisamos!
Sem um coração correto, secularizamos a fome espiritual. Veja o
que escreveu Richard Foster[5]:
Por nos faltar centro divino, a necessidade de segurança levou-
nos a um apego insano às coisas materiais(...) É hora de despertarmos
para o fato de que se conformar a uma sociedade doentia é adoecer.
Enquanto não enxergarmos quanto nossa cultura está desequilibrada nessa
questão, não conseguiremos lidar com o espírito de Mamom que vive
dentro de nós nem desejaremos a simplicidade cristã (...) À cobiça, damos o
nome de “ambição”. Chama-os ‘prudência’ ao ato de guardar valores às
escondidas. À ganância, denominamos ‘diligência’.
Somente um coração quebrantado nos livrará das armadilhas da
fome secularizada que tem atraído tantos cristãos. A verdadeira fome
espiritual nos fará entender o que ensinou Jesus: “Busque em primeiro
lugar o Senhor e seu Reino”. Assim, teremos o coração voltado para as
coisas do alto, colocando o Reino em preeminência.
“Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas essas
coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33)
Os verdadeiros homens e mulheres espirituais, que buscam viver
uma vida do Reino, são os que buscam o Senhor e que, por conta disso,
verão todas as coisas lhes serem acrescentadas no tempo apropriado de
Deus. Isso é libertador e poderoso, mas também um tanto quanto delicado.
Muitos, ao se dizerem famintos pela vontade de Deus e de Seu
Reino, abrem portas de desequilíbrios financeiros, emocionais e até mesmo
supostamente “espirituais”. Por um desentendimento do texto sagrado e do
desejo de Deus, podemos ser tragados a uma realidade na qual nossas
finanças são desordenadas, afetando, assim, o bem estar de nossas famílias.
Nossas emoções se tornam frágeis, já que não damos o devido valor ao
descanso e lazer. O desequilíbrio ao falar sobre fome espiritual pode ser
realmente maléfico.
Por isso, ao purificarmos os nossos corações da fome secular,
precisamos também tocar em um assunto muito importante ao falarmos
sobre fome por Deus. Entenda que a verdadeira fome não é desequilibrada
ou apenas um êxtase emocional. Assim sendo, o verdadeiro desejo por Deus
não se manifestará apenas exteriormente, com choros e gritos na presença
do Senhor, mas nos levará, principalmente, a uma jornada interna de
amadurecimento de fé.
Todavia, não podemos de maneira nenhuma desassociar de nossa fé
cristã as emoções, como se fossem algo impuro e não confiável. Concordo
com Jonathan Edwards[6] quando disse que: “A religião verdadeira consiste
principalmente em afeições santas”.
Realmente não consigo acreditar em uma caminhada de fé sem
afeições (desejos, amores e ardência no coração). Ao longo deste livro,
ficará cada vez mais evidente meu ponto de vista - pelo menos espero. No
entanto, os sentimentos provenientes da fé não são meramente seculares,
mas santos e espirituais. Ainda na citação de J. Edwards[7], ele diz que "a
religião requerida por Deus não consiste em desejos fracos, opacos e sem
vida, elevando-nos somente um pouco acima da apatia".
Certamente, a fome espiritual e o verdadeiro coração quebrantado
farão de você alguém maleável e extremamente sensível à presença e às
palavras de Deus. Você se tornará alguém que não consegue permanecer o
mesmo quando o nome de Jesus é mencionado! A emoção santificada, a
fome espiritual, te dará mais do que apenas vencer a mesmice, mas
ascenderá eu seu interior os mesmos desejos de Deus!
Preste bem atenção: a verdadeira fome irá te abalar! Com uma só
gota da presença de Deus em um ambiente, você não conseguirá se mover
ou fazer outra coisa a não ser se render. Porém, essa rendição não tem a ver
apenas com emocionalismo, mas com um posicionamento de espírito.
Muitos confundem espiritualidade com entusiasmo carnal e, em relação a
isso, também precisamos nos arrepender.
Querido irmão, não tenha medo de sentir, mas seja espiritual! Que
não cessem as lágrimas de nossos olhos, mas que essas sejam espirituais e
não apenas crises da alma. Se, por um acaso, tivermos dores na alma, que
nossa fome nos guie de maneira potente às águas de cura. Porém, amado
irmão, vale pontuar aqui que não devemos ser desequilibrados em nossas
emoções com a prerrogativa de fome espiritual.
Um jovem faminto pelo Senhor jejuará e buscará chegar mais
cedo nas conferências, sentará nas cadeiras da frente em todas as reuniões;
provavelmente, em um certo momento, ficará desejosode deixar seus
estudos e apenas ler sua Bíblia e orar. Esse caminho é natural na vida do
cristão que foi visitado pela fome espiritual. No entanto, isso não significa
dizer que os que fazem essas coisas são famintos. O caminho da fome lhe
custará tudo, mas nem sempre os que entregam tudo estão fazendo porque
encontraram a fonte de seus anseios. Paulo escreve algo parecido com isso
quando diz:
“E mesmo que eu distribuísse todos os meus bens para o sustento
dos pobres, e entregasse meu corpo para ser queimado, mas não tivesse
amor, nada disso me traria benefício algum.” (1 Coríntios 13:3)
Isso nos leva a entender que os famintos são radicais e quase
nunca se encaixam em um sistema religioso convencional. Os famintos
quase sempre são expulsos das rodas de amigos mornos, porém, como
mencionado, desequilíbrio emocional e descuido com suas finanças, por
exemplo, não são a mesma coisa que radicalidade espiritual.
Quanto mais cedo você souber dosar isso em sua caminhada, mais
cedo você experimentará de uma maturidade na sua busca! “Buscar em
primeiro lugar o Reino” não significa deixar de fazer o que preciso fazer
como um cidadão e pai de família, mas sim encontrar em mim completa
ausência de ansiedade e preocupação pelo o que será do dia de amanhã,
pois meus olhos viram o Rei!
Para caminharmos para o fim deste tópico, gostaria de propor
uma última e breve reflexão.
“Quem já se fartou recusa o favo de mel, mas para o faminto
todo amargo é doce.” (Provérbios 27:7)
Honestamente, eu amo esse verso! Amo o fato dele me levar a
rever meus desejos e anseios diante do Senhor. Ao compreender que o
faminto não despreza comida, enquanto o farto menospreza a doçura do
mel, sou constrangido ao perceber quantas vezes minha arrogância revela
minha falta de fome pelo Senhor. Quantas vezes nos tornamos tão
arrogantes e acostumados com o ambiente ministerial, livros teológicos e
com a vida eclesiástica que nos tornamos uma espécie de sommelier
evangélico, onde vamos aos cultos e reuniões analisar o conteúdo e não
mais nos alimentar do Senhor em família. Que Deus nos livre de um
coração soberbo e sem fome!
Porém, ao analisarmos as Escrituras, percebemos uma ênfase a
nos instigar a maturidade de fé, que exige, portanto, solidez doutrinária e de
conduta:
“De fato, embora já devêsseis ser mestres, ainda precisais
que alguém vos ensine de novo os princípios elementares da palavra
de Deus, e vos tornastes necessitados de leite, e não de alimento
sólido. Qualquer pessoa que se alimenta de leite é inexperiente na
palavra da justiça, pois é criança. Mas o alimento sólido é para os
adultos que, pela prática, têm suas faculdades morais exercidas para
distinguir entre o bem e o mal.” (Hebreus 5:12-14)
O autor aos hebreus visivelmente associa a maturidade ao tipo de
alimento que ingerimos, e relaciona a maturidade na palavra à "prática", ou
seja, deixa claro que os maduros não apenas têm uma boa dieta espiritual,
mas também uma boa conduta e vida diante do Senhor.
Assim, entendemos que devemos fugir do coração arrogante que
rejeita o favo de mel, mas, ao mesmo tempo, precisamos discipular nossa
fome espiritual à amadurecer e aprender a discernir e desejar os melhores
alimentos.
Não quero me fartar do amargo achando que é doce. Eu não quero,
de forma alguma, uma fome inconsequente. Não! Eu quero uma fome
madura e acompanhada de discernimento. Por isso, caro amigo, a proposta
deste livro não é gerar em você apenas uma empolgação, mas uma fome
espiritual verdadeira e madura!
Que de nossos corações brotem as mais lindas canções, de nossos
lábios as mais doces palavras e que nossos olhos jamais fiquem secos, sem
lágrimas de amor pelo nosso Amigo e Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.
Amém!
CAPÍTULO 4
PELO QUE VOCÊ TEM FOME?
UMA GUERRA CONTRA A APATIA
Acredito que, até esse ponto, entendemos que a fome é a resposta
que damos ao desejo de Deus de ter um povo só Seu e que essa fome deve
ser espiritual e não carnal, nos levando a emocionalismos.
Também já fomos desafiados a rever as intenções de nosso coração
ao buscarmos a Deus, nos questionando sobre que tipo de fome temos tido -
esta é uma pergunta dura, que chacoalha o âmago de um homem ou mulher
honesto(a) em sua busca por Deus.
Vimos que a fome não se parece com um sentimento desordenado e
desatento à doutrina. É espiritual, e não carnal, com um desejo maduro e
ardente pelo Senhor, que nos conduz ao entendimento e compreensão dos
Seus caminhos.
E agora, iniciamos a caminhada em direção ao entendimento do
que deve fazer parte de nossa dieta espiritual, pois não queremos comer
coisas amargas achando que são doces.
A fome precisa continuar sendo ardente, visceral e violenta. Este é
um princípio que podemos identificar nas Escrituras e na vida de heróis e
heroínas da fé. Leia comigo o seguinte verso:
“O preguiçoso leva a mão ao prato e nem ao menos quer levá-la à
boca.” (Provérbios 26:15)
O versículo acima contém um tópico extremamente pertinente
quando estamos falando sobre fome. A fome é uma declaração de guerra
contra a preguiça!
De fato, a fome não pode ser reduzida a emocionalismo, mas isso
não significa dizer que ela não deve ser acompanhada de gana, desespero e
empolgação. Na verdade, quando esses sentimentos são equilibrados e
trazidos a um lugar espiritualmente maduro, eles se tornam uma bomba nas
mãos do Senhor, pois nos conduzem a uma disposição em fazer e ser tudo o
que Deus nos ordena!
Olhando para o contexto da maioria das igrejas que conheço, é
comum encontrarmos pessoas acomodadas em suas vidas pacatas,
esperando que algo novo e fresco aconteça. Normalmente, essas pessoas
culpam a liderança, os pregadores, os livros, as músicas, mas não têm a
coragem de olhar para dentro de si. Na verdade, eles são preguiçosos
espirituais! Colocam a mão no prato, mas não se dão ao trabalho de comer,
já que estão sempre esperando serem servidos. O que eu quero dizer é que,
muitas vezes, adotamos uma postura preguiçosa e cômoda, esperando
receber do Corpo de Cristo algo novo, delegando a terceiros nossa vida
espiritual e relacionamento com Deus, ao invés de assumir nossa
responsabilidade.
Em último nível, esse comportamento também denuncia a falta de
violência espiritual que é, para mim, um dos maiores erros atuais dos
cristãos. Veja bem, quero dizer que falta verdadeiramente se responsabilizar
como discípulos de Cristo. A falta de intensidade na resposta que damos a
Cristo evidencia a falta de violência espiritual que temos. Esta nos reduz a
meros espectadores desassociados da missão de Deus e de Sua vontade.
Estamos todos sentados nos bancos de nossas igrejas como se
estivéssemos em um show ou em algum jogo de futebol, buscando um
entretenimento, como meros espectadores.
Hoje, temos acesso a todos os tipos de lives, livros, músicas e
vídeos. Igrejas com diferentes estéticas, usos e costumes: com paredes
pretas, coloridas, tradicionais, pentecostais, carismáticas e tantas outras.
Como se tivéssemos uma imensidão de possibilidades diante de nós, como
em um mercado, por exemplo, onde procuramos o alimento que mais nos
agrada, o que mais combina com aquilo que estamos planejando para o
almoço. Quando, no fim, nada nos apetece, nada nos agrada, porque o que
nos falta é fome. Nos falta violência no espírito.
Muitas vezes, nós até temos bons pastores, amorosos e
misericordiosos, que estão dispostos a nos ajudar. Temos bons ministros em
nossas igrejas, pregadores muito bem preparados na doutrina e no fluir do
Espírito de Deus, mas nos acostumamos a somente observar. Nos tornamos
como o preguiçoso descrito em Provérbios, aquele que está diante de um
bom banquete mas não sabe comê-lo.
Enquanto você lê essas páginas, não quero que pense em um
amigo, ou em um ministro, mas em você. Reveja-se, seja sondado pelo
Espírito de Deus, se arrependa e, como tantos outros que vieram antes de
nós, aprenda a “bater no peito” a sua responsabilidade: se mova. Seja
violento em sua busca por Deus!
“A vergonha, aqui, é que não temos a quem culpar por nossa impotência
espiritual.Não há a mínima chance de alguém acreditar se tentarmos
transferir a culpa de nossa estagnação criminosa para outras pessoas. Não
podemos acusar o diabo por esse impasse, porque Jesus nos disse: “Dou a
vocês meu poder sobre todo poder do inimigo”. Não há possibilidade de
culpa nossos inimigos, pois a Palavra diz:”somos mais do que vencedores
através daquele que nos amou.”. Não podemos atribuir a culpa às armas
combinadas que nos atacam, porque temos “o escudo da fé, com o qual
apagarão os dardos inflamados do maligno”. Não ousamos e não podemos
acusar Deus, porque Ele disse: “Peçam, e lhe será dado”. Não podemos
dizer que as linhas de provisão foram cortadas, porque o Livro diz: “tudo é
de vocês”. Parece que ficamos sem bode expiatório! Como disse um sábio:
“A falha, caro Brutus, está dentro de nós mesmos”.
Essa citação maravilhosa de Ravenhill[8] está em um dos primeiros
livros que li na vida. Lembro-me de ler aquelas páginas em lágrimas, com
os joelhos no chão e o rosto em terra. Precisamos acabar com as desculpas e
nos lembrar do verso “E, desde os dias de João Batista até agora, o reino
do céu é tomado à força, e os que se utilizam da força apoderam-se dele”
(Mt 11:12). Certamente, Jesus não está nos ensinando a insistirmos em
busca religiosa e legalista, porém, Jesus tampouco está nos levando a ter
uma fé fria e sem movimento.
Lembro-me do Senhor Jesus ensinando sobre oração em Mateus
6:5 e sobre como Suas palavras são ríspidas ao coração soberbo. Ele nos
advertiu sobre quão inúteis diante de Deus são as orações daqueles que
oram para serem vistos.
O Senhor sempre foi enfático em nos liderar a um lugar de
submissão diante de Deus o Pai, pois da mesma maneira que o publicano
em Lucas 18:9-14 foi justificado por sua fé pura e o fariseu rejeitado por
sua autojustiça, assim também nós precisamos ser encontrados batendo e
insistindo, diante do Altíssimo, com toda humildade possível!
Fuja da meritocracia desta era. Corra o mais rápido que puder de
um evangelho que diz que você precisa fazer algo para então ser amado, e
corra com ainda mais vigor do evangelho que não te ensina a ser
violentamente faminto pela Presença! Como um dia escrevi[9]:
“Eu quero que minha devoção seja uma resposta não religiosa, não
baseada em minha autojustiça. Deus me livre costurar o véu que Cristo
rasgou. Por outro lado. Deus me livre de não viver uma vida digna de
morrer por amor a Cristo. Deus me livre de, em meu corpo, não carregar
as marcas de Cristo”.
UMA SANTA EXPECTATIVA
Temos, então, um impasse. Sabemos o que não queremos - uma
fome secular. E também sabemos que temos um desejo inato pela
eternidade. Diante disso, vejamos o que diz A.W. Tozer: “De toda a
criação, o homem é o único ser imbuído de aspirações espirituais, as quais
o levam à oração e à adoração.”[10]
Sim, aprendemos que todos nós, de certa forma, temos fome.
Porém, o que muitas vezes não sabemos é como colocar ela no lugar certo,
como desejar a coisa certa. Deixe-me contar um pouco de minha
experiência.
É um costume meu, sempre que estou liderando o momento de
adoração ou pregando em uma grande conferência, começar redirecionando
os olhares para Cristo. Comumente percebo que, nestas circunstâncias,
muitas pessoas acabam deturpando suas motivações. Ao invés de se
direcionarem à espera por algo fresco da parte de Senhor, focam mais nos
homens de Deus que ali estão. Movidos pela grande empolgação do
momento, colocam suas expectativas nos homens que admiram, tirando a
centralidade de Cristo Jesus.
Veja bem, a expectativa, apesar de produzir empolgação e êxtase,
pode ser um caminho certeiro para não recebermos o que precisamos, pois,
basicamente, ela é uma projeção irreal que eu crio sobre algo ou alguém.
Por ser irreal, não equivale à verdade. Além disso, por manifestar,
basicamente, os meus desejos humanos e projetá-los em um deus falso, a
expectativa é frustração. Por isso, precisamos lavar nossos corações da
expectativa humana.
Quando olhamos para as Escrituras, vemos que o Espírito Santo
está gerando uma santa expectativa em Seu povo pelo dia em que nos
encontraremos com o Filho Jesus, no Dia do Senhor. Mas essa santa
expectativa não é reduzida a uma expectativa humana: na verdade, ela é
chamada de esperança.
“Porque fomos salvos na esperança. Mas a esperança que se vê
não é esperança; pois como alguém espera o que está vendo? Mas, se
esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Romanos 8:
24-25)
A esperança, sim, lida com a realidade! Eu não estou alterando um
fato para que ele se encaixe aos meus desejos, mas estou o esperando com
desejo ardente, mesmo que ele ofenda todos os meus conceitos. A
esperança é superior à expectativa, pois ela firma os meus pés em algo
sólido. Sendo assim, aguardo com fé e certeza de que aquilo que foi
prometido por Deus será feito. Dessa forma, ao invés de alterar a realidade,
sou alterado por ela. Em outras palavras, ter uma santa expectativa ou
esperança é o mesmo que desejar o que Deus prometeu que aconteceria, é
esperar em Sua perfeita vontade!
É por isso que, nesse momento, gostaria de pedir a você que foque
seus olhos em Cristo! Perdoe-me por talvez lhe tratar de maneira infantil,
mas permita-me direcionar os seus olhos somente Àquele que é digno.
Iremos juntos correr para um lugar onde somente Ele nos satisfaz.
O PÃO SEM FERMENTO
Para continuarmos, gostaria de te lembrar de uma história descrita
em Mateus 16. Os fariseus e saduceus se aproximam de Jesus logo no
primeiro versículo e Lhe questionam, pedindo a Ele um sinal que viesse do
céu. O Senhor respondeu ao questionamento com uma exortação, pois eles
conseguiam analisar o tempo (clima), mas eram incapazes de discernir os
sinais dos tempos. Quantos de nós, como estes, permanecemos endurecidos
em nossas próprias interpretações de quem Deus é, não conseguindo sequer
perceber a movimentação celestial.
"Uma geração má e adúltera pede um sinal, mas sinal algum lhes
será dado, a não ser o sinal de Jonas. E, deixando-os, retirou-se.” (Mateus
16:4)
Em resposta ao sinal que lhe pediram, Cristo continua os
advertindo, dizendo que o único sinal possível seria o de Jonas. Mas o que
seria isso?
Se analisarmos com calma, veremos que o sinal de Jonas é
exatamente o que o incrédulo precisa. Jonas passou três dias envolto nas
trevas do abismo, carregando consigo uma mensagem de arrependimento
para salvação de Nínive (Jonas 2). Assim como o Filho do Homem, que
durante três dias esteve morto, mas ressuscitou e com Ele trouxe a boa
notícia que nos liberta! Não existe outro caminho - ou sinal - para o homem
incrédulo, apenas uma jornada de arrependimento como a de Jonas que,
tendo, então, experimentado de genuíno arrependimento, pode participar do
Reino de Cristo.
Chegamos agora, então, ao ponto principal de minha citação ao
versículo de Mateus 16:6, veja:
E Jesus lhes disse: Atenção! Tende cuidado com o fermento dos
fariseus e dos saduceus.
Falando apenas com Seus discípulos, Jesus adverte eles para que
tenham cuidado com a má influência que vinha dos fariseus e saduceus. É
curioso pensarmos que esses dois grupos eram divergentes, mas o ódio a
Jesus era maior do que suas diferenças doutrinárias. Eles odiavam mais o
Cristo do que se odiavam, e isso os uniu.
Eles acabavam de vir da segunda multiplicação de pães e Jesus
advertiu seus discípulos acerca dos ensinamentos desses homens:
“Acautelai-vos”. Em um primeiro momento, os discípulos pensaram que
Jesus estava literalmente falando sobre pães.
Sem dúvidas, o Senhor que multiplicava pães não estava carecendo
de pão. Os próprios discípulos entendem, posteriormente, que Cristo os
estava advertindo sobre os ensinos dos fariseus e saduceus. O fermento é o
que leveda a massa, o que incha e o que altera.
Em outro momento, Jesus usou a palavra fermento em um bom
sentido, ensinando sobre o crescimento do Reino (Mt 13:33), mas não nos
versos citados. Aqui, Cristo critica os ensinos dos fariseus e saduceus e, da
mesma forma, Paulo faz isso em sua carta à igreja da Galácia:
“Quem vos convenceua agir assim não vem daquele que vos
chama. Com um pouco de fermento toda a massa fica fermentada.”
(Gálatas 5:8-9)
O Apóstolo Paulo usa a palavra fermento para repreender falsos
ensinos que, semelhantemente ao fermento, apresentam um grande risco à
pureza do evangelho do Reino de Deus. Veja o que disse Paulo em outro
verso:
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregue um
evangelho diferente do que já vos pregamos, seja maldito.” (Gálatas 1:8)
Indo direto ao ponto, precisamos fugir dos ensinos humanistas, que
nos apresentam um falso Cristo, e nos apegarmos a quem Ele realmente é.
O fermento nos apresentará um pão falso e inchado de mentiras; mas Cristo,
Este é o Pão que desceu do céu!
A imagem que pensamos de Cristo não O representa; o que
entendemos de Cristo não O representa; o que nos faz lacrimejar ou exultar
a respeito do Evangelho não consiste na totalidade do evangelho.
Precisamos tirar nossas lentes humanas e colocar a lente celestial para,
assim, correr em direção ao Pão vivo que desceu do céu. Sem fermentos,
puro e precioso!
“E Jesus lhes declarou. Eu sou o pão da vida; quem vem a mim
jamais terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.” (João 6:35)
Seguindo a jornada por uma fome genuína, iremos nos deparar com
a opção de criar um deus mais palatável, um “cristo" que não nos
importune, um evangelho que não ofenda nossa mente. Eis aí o momento
chave no qual devemos tirar o fermento maligno de nosso pão. Um tempo
propício para o sinal de Jonas se manifestar a nós, arrependimento e zelo
para corrermos em direção à Jesus!
Muitos aprendem a se arrepender apenas de seus “pecados" - como
se pecado fosse apenas coisas que fazemos. Mas o caminho mais profundo
do arrependimento se chama: mudança de mente. Quando cheguei nesse
lugar de fome, me deparei com a necessidade de renovar minha mente.
Lembro-me que João, ao comer o rolo em Apocalipse 10:10, teve
uma experiência semelhante à de Ezequiel (Ez 3:1), e, obviamente, existe
muito a ser ensinado e conversado sobre essas experiências. Mas o que
particularmente tem me tocado é o fato de que a mensagem era doce ao
paladar, mas, ao ser digerida, se tornava amarga ao estômago.
Inicialmente, o Evangelho pode ter um aspecto doce e romântico,
mas precisa se tornar amargo e sério dentro de nós à medida que nos
alimentamos dele. Precisamos ser afetados pelo o que temos aprendido do
Senhor. Nossas mentes precisam ser renovadas e nossos corações alinhados.
Não existe caminhada sincera sem experimentarmos o mesmo amargor que
os profetas experimentaram.
RENOVAÇÃO DE MENTE
No segundo livro da série Andando com Deus, me dedico a abordar
esse tópico de maneira mais aprofundada. Permita-me, no entanto, discorrer
brevemente sobre o assunto.
Nenhuma fome em ser transformado é verídica se não coloca nas
mãos do Senhor os sofismas e confusões da mente. Enquanto o coração
quebrantado nos leva a um lugar “maleável” diante de Deus, a renovação de
mente me fará permanecer nesse lugar. Ou seja, existe um arrependimento
que devemos experimentar, o de deixar nossa maneira de pensar para trás,
nosso fermento. A mensagem precisa ser internalizada dentro de nós com
veemência!
É bem provável que, ao olhar tanto para o seu coração quanto para
sua mente, você se depare com um sentimento que Gregório Mcnutt sempre
descrevia como: “Santa insatisfação”. Você não conseguirá lidar consigo
mesmo. Uma vez escrevi sobre isso em uma canção:
“Ei Jesus, será que é pedir demais, nova fome e nova paixão por
ti?
Não é que eu não seja grato por tudo que tens feito em mim
Mas meu coração tem chorado por ti, meu coração tem queimado
por ti.
Ser tocado por tua glória é o meu desejo, é o que eu mais quero.
Ser mudado por tu face é o meu anseio, é o meu maior prazer.”
Ser Mudado - Alessandro Vilas Boas
Ao percebermos o quanto esse fermento tem alterado as coisas
dentro de nós, ao percebermos que não o conhecemos como Ele, de fato, é,
seremos transportados para uma nova realidade de desespero.
Antes de continuarmos, gostaria de rever alguns fundamentos. Nos
nossos dias, satanás tem se esforçado para implementar dentro de nós a sua
agenda, com a ideia de que as coisas que nossos pais viveram e ensinaram
não são tão atuais assim.
Certa vez, li uma frase de Billy Graham: “A Bíblia é mais atual que
o jornal de amanhã”. Queridos, não podemos cair no erro de achar que a
roda precisa ser inventada outra vez. Se estamos falando de perseguir a face
de Cristo e sermos limpos dos nossos fermentos, só existe um caminho
sólido para isso: oração e leitura da Bíblia. O tempo em secreto diante de
Deus precisa ser prioridade em sua vida!
Não há atalhos ou maneiras novas de procurar o Senhor além das
que Ele mesmo abriu para nós. A oração e a leitura da Palavra continuam
sendo as principais rotas até o coração de Deus. Obviamente, todo aquele
que se aproxima de Deus com suas orações, em primeiro lugar, precisa ter
entrado no vivo caminho do Filho.
Parece simples dizer que nossas orações devem ser feitas através do
Filho quando tudo o que oramos termina em “nome de Jesus”. Entretanto,
ter Cristo como um fundamento para nossas orações vai muito além do que
repetir Seu nome como uma espécie de “coringa" em nosso baralho. Não! O
vivo caminho me dá acesso ao Trono de Deus!
Ao dizer que nossas orações precisam passar pelo Filho, digo com a
intenção de alicerçar-nos em Sua obra. Veja, já não somos "estrangeiros e
peregrinos, mas concidadãos dos santos". Portanto, somos chamados "da
família de Deus" (Ef 2:19). Assim sendo, fomos "justificados pela fé, temos
paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:1).
Caro leitor, não somos apenas meros pedintes, mas filhos e filhas de
Deus, participantes de Sua natureza (2 Pe 1:4), o que nos permite ter
"coragem para entrar no lugar santíssimo por meio do sangue de Jesus,
pelo novo e vivo acesso que ele nos abriu através do véu, isto é, do seu
corpo carne" (Hb 10:19-20).
Toda nossa busca precisa passar pelo empoderamento que o
entendimento das Escrituras nos dá. Cristo como alicerce de nossa busca e
como o caminho que devemos andar. Seja convicto!
“Portanto, assim como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, também
andai nele, arraigados e edificados nele e confirmados na fé, como fostes
ensinados, sempre cheios de ações de graças.” (Colossenses 2:6-7)
Entendendo a obra de Jesus, o sangue e o Seu grande amor,
estaremos no lugar secreto não como devedores, mas como amantes. Sim,
amantes de Sua gloriosa presença! Vamos por partes. Nos próximos
capítulos, quero, de maneira breve, definir alguns conceitos com vocês.
CAPÍTULO 5
TENHA FOME!
Provavelmente, você esteja se perguntando: "como posso alcançar
esse lugar de fome?". Inquestionavelmente, existe uma grande necessidade
de sermos práticos em nossos ensinos, pois aquilo que estudamos deve ser
encarnado e real em nossas vidas (caso contrário, penso eu, não estamos
sendo efetivos).
No entanto, me encontro diante de uma dificílima tarefa, que é
transmitir, de maneira prática, o caminho de buscarmos a fome. Acredito
que, até o momento, neste pequeno livro, temos bastante brasas de fogo
para acender a chama de seu coração. Por isso, esteja atento! Meu desejo é
que este escrito se torne como um livro de cabeceira para muitos, sendo
continuamente revisitado.
Particularmente, acredito que algumas coisas não podem apenas ser
lecionadas, e com isso quero dizer que não podem apenas ser explicadas de
maneira meramente lógica, como se existisse uma espécie de "7 passos para
a fome" e, ao final de uma série de ensinamentos, pudéssemos, enfim,
chegar ao resultado desejado. Assim é a fome: ela não pode apenas ser
ensinada na mente, mas precisa ser transferida ao coração!
No decorrer dessas páginas, junto com minhas lágrimas, estou
também derramando suor para que, de alguma maneira, ao ler este livro,
você possa ser tocado por algo tangível. Eu realmente acredito que fome é
como a oração: podemos ler dezenas de livros e estudar toda a teologia por
trás desses conceitos. No entanto, penso que

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