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OS 5 GIGANTES DA GERIATRIA Fragilidade Vulnerabilidade excessiva a estressores, com reduzida capacidade de manter ou retornar a homeostase após um evento desestabilizador. A vulnerabilidade, pode existir na presença ou ausência de doença ou incapacidade. Dimensões do processo de envelhecimento Cronologia Biológica Psicológica Social Funcional Sinais e sintomas da fragilidade – Fraqueza; – Fadiga; – Perda de peso; – Perda do equilíbrio; – Baixos níveis de atividade física; – Lento desempenho e processamento motor; – Isolamento social; – Alterações cognitivas leves; – Crescente vulnerabilidade a estressores. Preditores da fragilidade Idade muito avançada Perda visual Comprometimento da cognição Alterações de humor Fraqueza de membros Anormalidades na marcha e equilíbrio Uso de medicação sedativa Múltiplas patologias crônicas Envelhecimento bem sucedido Baixo risco de doenças e de incapacidades; Funcionamento físico e mental excelentes; Envolvimento ativo com a vida; Capacidade de adaptação às mudanças físicas, emocionais e sociais; Substituição simbólica das perdas pelos ganhos em outras dimensões; Atendimento às necessidades sociais: boas condições de vida e oportunidades sócio-culturais. A renovação dos projetos de vida. Determinantes do envelhecimento bem sucedido – longevidade – saúde biológica – saúde mental – satisfação com a vida – controle cognitivo – competência social – produtividade – atividade – eficácia cognitiva – status social – renda – papéis familiares – ocupação – relacionamentos – condições ambientais – qualidade de vida percebida – bem-estar subjetivo. Envelhecimento mal sucedido Perdas dos projetos de vida Falta de reconhecimento Dificuldade de satisfazer necessidades Sentimentos de fragilidade, incapacidade, baixa estima, dependência, desamparo, solidão, desesperança; Ansiedade, depressão, hipocondria, fobias. Riscos do envelhecimento mal sucedido Doenças que coloquem a vida em risco; Morte de pessoa próxima; Saída dos filhos; Mudanças de residência; Perda da autonomia; Perdas materiais. Envelhecimento biológico Processo de deterioração física geral. Irreversível e progressivo que ocorre ao longo do tempo. Compreende: os processos de transformação do organismo que ocorrem após a maturação sexual e que implicam a diminuição gradual da probabilidade de sobrevivência. Envelhecimento normal: está associado à redução das reservas fisiológicas nos tecidos e órgãos. Processo que faz parte do ciclo vital. À medida que a idade avança vai ficando mais evidente a redução na capacidade de utilizar as reservas fisiológicas para dar conta dos desafios do meio ambiente. Mudanças relacionadas a idade (senescência) Reduzem a funcionalidade; São progressivas; Não resultam de um componente ambiental modificável; São universais para todos os membros da espécie. SENILIDADE = estágio final da senescência. Instabilidade postural A instabilidade postural e o desequilíbrio são comumente demonstrados como aumento da oscilação do corpo em situações de desequilíbrio entre a visão, audição e o sistema neurológico. Isso gera comprometimento na estabilidade e alterações na marcha, que podem gerar quedas. Quedas em idosos Definição: Deslocamento Não-Intencional Do Corpo Para Um Nível Inferior À Posição Inicial Com Incapacidade De Correção Em Tempo Hábil, Determinado Por Circunstâncias Multifatoriais Comprometendo A Estabilidade. 5% Das Quedas Resultam Em Fraturas. 5 A 10N% Resultam Em Ferimentos Importantes. Mais De 2/3 Cairão Novamente Nos Seis Meses Subsequentes. Consequências: institucionalização precoce, maior mortalidade e morbidade. Fatores intrínsecos: Perda da função sensorial, Falhas do sistema nervoso central em reconhecer e transmitir a resposta postural e Alterações neuromusculares. Fatores extrínsecos: relacionados ao ambiente. Síndrome pós-queda Conjunto de características observadas em idosos com história recente de queda que, na ausência de qualquer anormalidade neurológica ou ortopédica, não conseguem levantar-se ou caminhar sem suporte. Gera MEDO. Prevenção para quedas PROGRAMAS RECOMENDADOS: exercícios especificamente elaborados com múltiplas intervenções para idosos com déficits específicos; exercícios ministrados por educadores físicos, fisioterapeutas, médicos, assistentes sociais, voluntários, etc. PROGRAMAS DE EXERCÍCIOS GENÉRICOS: Não recomendados para população heterogênea de idosos. A CASA SEGURA: Boa iluminação nas escadas e corredores,Retirar tapetes soltos, móveis baixos e obstáculos do chão, Colocar piso antiderrapante, especialmente no banheiro e tapete antiderrapante no box, Um banquinho no box auxilia ensaboar e enxaguar os pés durante o banho, Suportes de parede no box e ao lado do vaso sanitário para auxiliar o equilíbrio, Não usar chaves na porta do banheiro, local de acidentes frequentes. Síncope É a perda SÚBITA e MOMENTÂNEA da consciência e do tônus postural, seguida de sRECUPERAÇÃO ESPONTÂNEA, não necessitando de manobras de ressuscitação e sem seqüelas neurológicas. Fisiopatologia: É ocasionada por QUEDA SÚBITA da oxigenação cerebral, mais comumente relacionada com redução do fluxo sanguíneo cerebral. Além disso, mesmo que o FLUXO SANGUÍNEO CEREBRAL seja quantitativamente normal, pode ocorrer síncope por falta mais ou menos rápida de nutrientes cerebrais, dentre os quais o principal é a glicose. Distúrbios básicos: Queda súbita do débito cardíaco. Queda súbita da pressão arterial por redução da resistência vascular periférica. Aumento brusco da resistência vascular cerebral. Redução significativa da glicemia. Cardíacas: bradiarritimias e taquiarritmias. Não cardíacas : Os exemplos mais t íp icos são a SÍNCOPE NEUROCARDIOGÊNICA e a SÍNDROME DO SEIO CAROTÍDEO, mas existem outras menos frequentes, como síncope da deglutição, síncope do espirro, da micção, da defecção, tosse. Hipotensão ortostática: queda da pressão sistólica igual ou maior que 20 mmHg; queda da pressão diastólica igual ou maior 10 mmHg relacionada à mudança postural de decúbito para ortostatismo. MUITO COMUM EM IDOSOS POR EFEITO DE DROGAS: tranqüilizantes, antidepressivos, diuréticos, betabloqueadores, nitratos, vasodilatadores, antiarrítmicos. Hipotensão pós-prandial: definida como queda igual ou superior a 20 mmHg da pressão sistólica após ingesta de uma refeição. Os mecanismos fisiopatológicos não estão bem definidos sendo o sequestro de sangue na circulação esplâncnica, o fator mais provável. Idoso tem redução da sensibilidade pelos pressoreceptores, por depleção de volume. Tem fluxo sanguíneo cerebral menor. Enxaqueca: Espasmo da artéria basilar leva à síncope por isquemia vertebrobasilar ou por reação vasovagal em decorrência da dor. Doença cerebrovascular: pode ser provocada por acidentes isquêmicos devidos a doenças dos vasos cerebrais. SComumente existe envolvimento do sistema vertebrobasilar demonstrando que o mecanismo principal é a obstrução da irrigação nas áreas responsáveis pelo equilíbrio e tônus postural. Metabólica: Existem muitas condições que, mesmo sem modificar o fluxo sanguíneo cerebral, mas alterando a constituição bioquímica sanguínea, podem levar a estados progressivos de torpor e perda de consciência. Perda de consciência por hipoglicemia em diabéticos. Diagnóstico de síncope Palpitação, dispnéia, dor torácica: origem cardíaca Fome, sudorese e mudança de comportamento: Endócrinas Náusea, sonolência e sudorese: Vasovagal e Distúrbio cerebrovascular Palpitações de início e término abruptos, mal toleradas e associadas com disfunção ventricular ou com insuficiência coronária: taquicardia ventricular De origem súbita: Bloqueio AV Com déficit motor: distúrbio cerebrovascular Bloquedores enzimáticos: captopril, enalapril, lisinopril Hipotensores centrais: clonidina, metildopa Vasodilatadores: bloqueadores de cálcio Antidepressivos tricíclicos; Tranqüilizantes: fenotiazinas, barbitúricosDiuréticos. Exames complementares em caso de síncope ECG EM TODOS OS PACIENTES Massagem doo seio carotídeo: A síncope do seio carotídeo é suspeitada quando os episódios espontâneos estão relacionados a atividades que comprimam ou distendam o seio carotídeo. A massagem está recomendada se o idoso apresentar: Sopro carotídeo, história de taquicardia ventricular, infarto do miocárdio ou AVC recente. Testes neurológicos: EEG, radiografia do crânio, punção liquórica, Doppler de carótidas, angiografia cerebral, tomografia cerebral e ressonância magnética: não acrescentam informação diagnóstica na ausência de achados sugestivos de processo neurológico específico. Estes exames devem ser reservados para os pacientes com alterações neurológicas focais ou sintomas convulsivos. Avaliação psiquiátrica: Ansiedade intensa, Doença do pânico, Depressão, Somatização, Abuso de drogas ou álcool. Tratamento da síncope Depende da sua etiologia. No idoso múltiplos fatores estão envolvidos e, dessa forma, uma série de medidas deve ser tomada, objetivando a redução dos riscos. Controle minucioso na administração de drogas diuréticas e vasodilatadoras. Correção de anemia e hipoxemia. Manutenção do volume plasmático adequado pela hidratação e ingestão salina apropriadas evitando a hipotensão ortostática. Evitar ingestão copiosa de alimentos nas principais refeições. Evitar ingesta exagerada de bebidas alcoólicas. Repouso após refeições. Hipotensão Alteração da neurotransmissão noradrenergica nas quais os neurônios simpáticos pós ganglionáres não liberam noradrenalina, levando a alterações da vasomotricidade e redução do volume plasmático dando em conseqüência: HIPOTENSÃO POSTURAL. Evolução da espécie humana; A adoção da postura em pé; Desafio do sistema de controle; Susceptibilidade aos efeitos gravitacionais na circulação. ALTERAÇÕES DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO: Hipotensão Postural, Hipoperfusão Cerebral e Eventualmente Síncope. Sintomas de hipotesão: fraqueza, tontura, perturbações visuais, síncope, IAM, AVE. Diagnóstico da hipotensão Quando dentro de 01 a 05 minutos temos: Diminuição de 20mm Hg/pressão sistólica, Diminuição de 10mm Hg/pressão diastólica, Sintomas de Hipoperfusão Cerebral. Imobilidade Também conhecida como Síndrome da Imobilidade (si): problema geriátrico caracterizado por uma redução marcante da tolerância ao exercício; PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS: Taquicardia, hipertensão arterial, dispnéia, enfraquecimento muscular progressivo e, em casos extremos, perda dos automatismos e reflexos na postura que impossibilita perambular. Complexo de sinais e sintomas resultantes da supressão de todos os movimentos articulares e, por conseguinte, da incapacidade da mudança postural. Não se pode dizer que todo paciente confinado ao leito tenha SI. Critérios para identificar SI CRITÉRIO MAIOR: Déficit cognitivo médio a grave Múltiplas contraturas CRITÉRIO MENOR: Sinais de sofrimento cutâneo ou úlcera de decúbito Disfagia leve à grave Dupla incontinência Afasia CARACTERÍSTICAS DO CRITÉRIO MAIOR + DUAS DO CRITÉRIO MENOR Mortalidade da SI Todos os pacientes são de alta complexidade, exigindo equipe multidisciplinar para seus cuidados: Fonoaudiólogo, geriatra, internista, fisioterapeuta, nutricionista, enfermagem, assistente social etc TM entre os idosos imobilizados no leito = 40% em estudos controlados. Causa mortis: PNEUMONIA, ITU, ESCARAS INFECTADAS, FMO e SEPTICEMIA. Causas de imobilidade DOENÇA OSTEOARTICULAR: Osteoartrose, sequelas de fratura, doenças reumáticas, osteoporose, deformidade plantar, metástases DOENÇA CARDIORRESPIRATÓRIA: DPOC, ICC, C. isquêmica DOENÇA VASCULARES: Sequelas de trombose venosa e insuficiência arterial DOENÇA MUSCULAR: Polimilgia, fibrosite DÉFICIT NEUROSSENSORIAL: Cegueira e surdez DOENÇA DOS PÉS: Calosidade e cravo, onicogrifose, úlcera plantar IATROGENIA MEDICAMENTOSA: Neurolépticos, ansiolíticos, hipnóticos, anti-hipertensivos DOENÇA NEUROLÓGICA: Neuropatia periférica, AVC, demência, parkinson, ELA DOENÇA PSÍQUICA: Depressão grave, Isolamento social e inadequação do espaço físico. Sistemas atingidos pela SI SISTEMA TEGUMENTAR: A pele senil apresenta um declínio na produção de células epiteliais, causando adelgaçamento de 20 a 30% na espessura da epiderme, redução do número, tamanho e secreção das glândulas sudoríparas e escasso tecido de sustentação; A derme se desidrata, perdendo seu vigor e elasticidade nos pacientes acamados. COMPLICAÇÕES TEGUMENTARES: Micoses (mamária, axilar, inguinal) Xerose, ressecamento da pele pelo prurido, Laceração, atrito do paciente sobre o leito, Dermatite amoniacal/fecal, Úlcera de decúbito, Equimoses, pela fragilidade capilar associada à falta de tec. de sustentação para os vasos sangüíneos. SISTEMA ESQUELÉTICO: Alterações articulares: Uma série de alterações mecânicas e físico-químicas atingem as articulações, levando à contratura; Flexão dos joelhos, quadril e cotovelos são uma característica comum. Osteoporose: A imobilidade produz intensa e rápida perda de massa óssea (em torno de 0,9% de massa óssea total/semana até o 6° mês, quando se estabiliza). Pode ser medida pelo aumento da calciúria e pela densitometria óssea. SISTEMA URINÁRIO: Incontinência Urinária: Podemos observar que praticamente todos os pacientes são incontinentes O paciente responde pouco às medidas terapêuticas, restando então o uso de fraldas geriátricas. ATENTAR: Bexigoma causado por HBP, fecaloma, uso de diuréticos: pode apresentar- se clinicamente como um quadro súbito de delirium, já que dor suprapúbica pode não ser expressa pelo paciente. SISTEMA CARDIOVASCULAR: TVP: Embolia Pulmonar, Responsável por 20% das causas de morte do paciente acamado. Isquemia Arterial Aguda dos MMII; Hipotensão postural. SISTEMA DIGESTIVO Desnutrição: A desnutrição proteico-calórica associada à deficiência de oligoelementos, minerais (Ca+, Fe+, Zn+) e vitaminas levam a um estado de caquexia, resultando em alto índice de morbi- mortalidade. Na imobilidade há um aumento na eliminação urinária e fecal de Ca+, P+, Zn+, N+. Constipações: Menor sensação de plenitude retal ou desejo de evacuar, trânsito intestinal mais lento, menos ingestão de líquidos e fibras, depressão, a própria imobilidade, fraqueza da musculatura abdominal. Disfagia: Presente em quase todos os pacientes com SI, ela antecede a SI, sendo o resultado de déficits neurológicos importantes. Complicações: Desnutrição e pneumonia aspirativa. SISTEMA RESPIRATÓRIO: Pneumonia: Principal causa de morte em idosos acamados; Cerca de 50% dos mortos, por outros motivos, mostram à autópsia algum grau de acometimento pulmonar; O reflexo de tosse é 6x menor que no adulto; A capacidade elástica do pulmão está diminuída devido à degeneração do colágeno e da elastina. O quadro clínico no idoso da pneumonia caracteriza- se pela sintomatologia atípica e polimórfica, o que pode levar a erros no diagnóstico ou nem mesmo ser percebida. Situações que contribuem na formação da ulcera Desnutrição e/ou Desidratação Má higiene Anemia Obesidade Sedação excessiva Predisposição individual Doenças crônicas Colchão inadequado Doença cardiorrespiratória Perda da sensibilidade dolorosa Exercícios Diminuem fatores de risco para doença crônica (Hiperlipidemias, Resistência insulínica, Osteoporose) Diminuem risco de quedas Índices menores de doença física, fraturas da bacia Melhora: Capacidade aeróbica, equilíbrio, flexibilidade em qualquer idade. Iatrogenia Todo malefício provocado ao paciente, decorrente do seu tratamento, seja ele medicamentoso, ou simplesmente no âmbito das relações humanas. Fruto de ATITUDES PRECONCEITUOSAS em relação à velhice e ao idoso, que é visto como SER INÚTIL excluído socialmente. Decorre na maioria das vezes de NEGLIGÊNCIA no cuidado cotidiano, principalmente de pacientes dependentes. Os idosos são também muitas vezes vítimas de MAUS TRATOS e EXPLORAÇÃO FINANCEIRApor parte de filhos, netos e até mesmo cuidadores formais. Iatrogenia do cuidado – Quedas – Contenções físicas – Úlceras de decúbito – Delirium – Infecções nosocomiais – Complicações perioperatórias Indicadores de maus tratos Hematomas bilaterais em MMSS, resultado de agarramento à força Fraturas, deslocamentos e distensão musculares Lesões com a forma de objetos contusos Queimaduras por corda em tornozelos e punhos Queimaduras em locais como costas Ausência localizada de cabelos Arranhaduras em locais que não hajam lesões pruriginosas da pele Desnutrição e desidratação Úlceras de decúbito Contraturas musculares Higiene mal feita Dermatite amoniacal por urina Manifestações de problemas médicos não tratados por prescrição incompleta Iatrogenia medicamentosa Além de efeitos colaterais decorrentes de doses inadequadas, metabolismo diferenciado ou apresentações atípicas de várias doenças, o idoso está mais susceptível à iatrogenia pela multiplicidade de patologias que pode apresentar. O uso concomitante de várias drogas pode levar a interações nocivas das substâncias entre si. Seu uso contínuo e indiscriminado coloca muitas vezes os idosos em risco e pioram sua situação funcional, colocando- os em risco de quedas, incontinências, desidratação, favorecendo infecções respiratórias etc. Muitas vezes estes medicamentos são usados indiscriminadamente no que se chama de “contenção química”, numa justificativa de modificar o comportamento do idoso. Medidas para a redução da iatrogenia Estabelecer protocolos padronizados Realizar revisões periódicas da terapêutica instituída Discutir a terapia e seus efeitos esperados com os familiares Educação da equipe de saúde quanto aos sintomas clínicos e principais fatores de risco Incapacidade cerebral 10 SINAIS MAIS COMUNS 1) Esquece coisas com maior frequência 2) Coloca coisas em lugares estranhos 3) Esquece palavras comuns ou utiliza palavras incorretas 4) Perda de interesse em fazer algo 5) Alterações repentinas de humor e comportamento 6) Dificuldade com atividades diárias 7) Problemas frequentes com tarefas complicadas 8) Alteração na personalidade (confuso, desconfiado ou assustado) 9) Sente-se confuso em relação ao local, do ou horário 10) Faz coisas que não tem sentido Tipologia A manifestação da incapacidade cognitiva no idoso pode se dar de diferentes formas, em diversos tipos de quadros. DELIRIUM, DEMÊNCIA, DEPRESSÃO. Delírio X DELIRIUM DELÍRIO: sintoma observado principalmente nas esquizofrenias, alteração do juízo de realidade (capacidade de distinguir o falso do verdadeiro), implica em lucidez da consciência. DELIRIUM: categoria diagnóstica da Classificação Internacional de Doenças, a CID-10 (OMS, 1993) e do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Americana- APA, 1994). Quando a alteração de juízo é decorrente de um distúrbio da consciência, chamamos de “delirium”. Delirium Síndrome neurocomportamental decorrente da quebra transitória da homeostase cerebral; É uma das complicações mais comuns entre pacientes idosos hospitalizados; Estima-se que 20% a 60% dos idosos admitidos em serviços de emergência clínica ou cirúrgica apresentem delirium; Estado clínico caracterizado por: distúrbios da cognição, pensamento torna- se desorganizado, incoerente e torna-se difícil direcionar seu curso para a solução de problemas e definir ações, desordem global da atenção, dificuldade no entendimento da situação, distinção entre imagens do pensamento/sonhos e fatos, e de relacionar novas informações ao conhecimento prévio, memória recente prejudicada (retrógrada e anterógrada), linguagem perturbada, disgrafia, de início agudo ou em sobreposição a distúrbios crônicos da cognição. Principais etiologias: lesões neurológicas estruturais, doenças sistêmicas que comprometem secundariamente o cérebro, agentes tóxicos externos, abstinência pela suspensão de substâncias (álcool, barbitúricos, etc.) Outras condições que parecem estar associadas: privação de sono, prejuízo sensorial, incontinência urinária e fecal e mudanças ambientais (LEVKOFF et al., 1986).. Fatores de risco: Idade avançada, Presença de doença clínica com comprometimento do estado geral de saúde (WAKER et al., 2005), Presença de demência ou outros acometimentos do Sistema Nervoso Central - SNC (ERKINJUNTTI et al., 1986) Polifarmacoterapia (CANTU e KOREK, 1991). Tratamento do Delirium FARMACOLÓGICO: quadro de delirium acompanhado de agitação ou com sérias alterações da percepção ou pensamento: uso de sedativos poderá ser importante. Não existe um sedativo ideal, e drogas diferentes poderão ser indicadas conforme a situação específica. NÃO-FARMACOLÓGICO: estimulação sensorial ao paciente, reorientando-o com freqüência, porém evitando-se sobrecarga sensorial e ruídos desnecessários. Ambiente silencioso, mantendo similaridade com o ciclo dia-noite, com iluminação suave, deixando cuidados não essenciais para o período diurno. Objetos conhecidos do paciente devem estar à disposição, bem como outros meios através do qual o mesmo possa estabelecer vínculos com a realidade, companhia de um parente ou amigo, bem como empatia entre o pessoal médico e enfermagem, dando espaço para o paciente extravasar seus pensamentos, sentir-se seguro e simultaneamente ser reorientado. Tratamento da dor e outras medidas de conforto do paciente não devem ser esquecidas. Prognóstico do Delirium Mortalidade intra e extra-hospitalar é grande nos pacientes com delirium; Não parece que o delirium em si seja a causa do pior prognóstico. Demência “Demência é um diagnóstico baseado no comportamento e não pode ser determinado por tomografia computadorizada, eletroencefalografia ou outro instrumento laboratorial, apesar de que causas específicas de demência podem ser identificadas por esses meios”. Diagnóstico dos transtornos cognitivos Requer que o paciente esteja alerta e atento (excluindo delirium); Que haja comprometimento de domínios múltiplos de função cognitiva; Que a disfunção seja clinicamente significativa. Critérios diagnósticos para demência DSM-IV: “Demência é uma síndrome decorrente de uma doença cerebral, usualmente de natureza crônica e progressiva, na qual há perturbação de múltiplas funções corticais superiores, incluindo memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizado, linguagem e julgamento, comumente acompanhado ou precedido por deterioração no controle emocional, comportamento social ou motivação. Não há obnubilação da consciência. A demência produz um declínio apreciável no funcionamento intelectual e usualmente alguma interferência com atividades de vida diária.” Mini Mental State Examination - MMSE (FOLSTEIN e cols, 1975): O MMSE é uma escala de rastreamento cognitivo com boa correlação com a evolução do processo demencial, desde que levado em conta o nível educacional do indivíduo para o ajuste dos pontos de corte. AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA (AVDs): São caracterizadas pela capacidade de auto-cuidado e de atenção às necessidades básicas diárias, como a capacidade para alimentar-se, ter continência, locomover-se, tomar banho, vestir-se e usar corretamente o toalete. AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES INSTRUMENTAIS DE VIDA DIÁRIA (AIVDs) AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO Instrumentos de avaliação: escala de depressão geriátrica, avaliação da cognição, avaliação da comunicação. Depressão A depressão é uma doença que afeta o humor, a disposição e os sentimentos; Prevalência alta; Várias formas clínicas; Predisposição genética; Intensidade variável Exógena ou endógena? Quadro clínico da depressão Tristeza Angústia, ansiedade Irritabilidade Anedonia, diminuição da capacidade de sentir alegria Astenia e falta de energia Diminuição da libido Alterações do sono e do apetite; Dores pelo corpo e outras somatizações; Dificuldade de concentração, memória e raciocínio; Pensamentos de culpa, morte, fracasso,medo e outros pensamentos negativos. Depressão secundária AVC Demência Doença de Parkinson Distúrbio tireoideano Vasculites Coronariopatias e ICC Câncer Dor crônica Indometacina, Opióides Sulfonamida, Etambutol Digital, Clonidina, Metildopa, Reserpina, Hidralazina, Metoprolol, Propranolol, Indapamida, Prazosin, Procainamida Álcool, Anfetaminas Barbitúricos, Benzodiazepínicos, Haloperidol, Fenotiazídicos, L-Dopa Corticosteróides, Cimetidina Agentes antineoplásicos Tratamento Não-medicamentoso: Psicoterapia, Suporte familiar, Terapia ocupacional, Atividades físicas, Religião. Nos casos graves, com risco de morte: eletroconvulsoterapia Medicamentoso: Longa duração, Efeitos colaterais precoces, Efeito terapêutico tardio, Resposta muito individual Apatia “Ausência ou falta de sentimento, emoções, interesse ou preocupações”; Muitas vezes associada à disfunção frontal, ou lesões vasculares na região posterior da cápsula interna; Existe grande prevalência de depressão pós-AVC; Conceito de “depressão vascular”. Incontinência Urinária Perda involuntária de urina em qualquer quantidade. A incontinência urinária determina grande impacto individual e famil iar: Modificações comportamentais, Prejuízo emocional, Financeiro, Isolamento, Depressão Doença ou sintoma? É um SINTOMA, não uma doença. Problema de saúde pública. Diagnóstico adequado: frequentemente oferece melhora e muitas vezes restabelece a continência. A IU predispõe: Dermatite amoniacal, Fraturas, Úlceras de decúbito, Infeção urinária, Urosepsis e Perdas física e econômica. Nos HOMENS: aumento do volume da próstata; Nas MULHERES: redução dos níveis de estrogênio; As modificações no trato urinário inferior (TU): verificadas em todos idosos; Distúrbios funcionais do TU: criam diferenciais pressóricos; Aumento da absorção líquida noturna; Maior incidência de distúrbios vasculares. Fatores importantes A adequada MOBILIDADE e CONDIÇÃO COGNITIVA são os dois fatores mais importantes para manutenção da continência urinária nos idosos, barreiras ambientais e comportamento hostil exacerbam a instabilidade do complexo vésico-uretral, precipitando a incontinência com maior facilidade. Tratamento da IU A incontinência de urina pode ser tratada em qualquer idade, entretanto: a continência não depende apenas da integridade do complexo urinário inferior; depende também do status mental, desejo pessoal, habilidade manual e mobilidade adequada. ANTIGAMENTE: cirurgias! ATUALIDADE: tratamentos cirúrgicos e conservadores (reeducação miccional, medicamentos, fisioterapia).