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DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA EXAME DE CORPO DE DELITO E PERÍCIAS NATUREZA JURÍDICA A natureza jurídica da perícia e do exame do corpo de delito é, em certa medida, controvertida. Para alguns constituem meio de prova; para outros, mais do que simples meio de prova. “PERÍCIA É A PROVA DESTINADA A LEVAR AO JUIZ ELEMENTOS INSTRUTÓRIOS SOBRE NORMAS TÉCNICAS E SOBRE FATOS QUE DEPENDEM DE CONHECIMENTO ESPECIAL” (MARQUES, 1997). “PERÍCIA NADA MAIS É DO QUE UM EXAME QUE EXIGE CONHECIMENTOS TÉCNICOS, CIENTÍFICOS OU ARTÍSTICOS. OS FRANCESES LHE CHAMAM EXPERTISE OU AVALIATION [...]” (TORNAGHI, 1997). CORPO DE DELITO É o conjunto de vestígios materiais deixados pelo crime. É a prova da existência do crime, que pode ser feita de modo direto ou indireto. Direto: é a verificação de peritos do rastro deixado nitidamente pelo delito, como o exame necroscópico. Indireto: é a narrativa de testemunhas, que viram o fato. EXAME DE CORPO DE DELITO ❑ Nada mais é que uma perícia, a principal, a mais importante de todas as perícias, realizada sobre todos e cada um dos vestígios materiais deixados pelo crime. ❑ É “a perícia destinada à comprovação da materialidade das infrações que deixam vestígios. ❑ Poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer hora. ❑ O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior. ATENÇÃO ❑ Obrigatoriedade CPP - Art. 158-A, § 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à infração penal. O auto ou exame de corpo de delito deve ser realizado em todo o delito que deixa vestígios, sob pena de nulidade. Por outra parte, não pode a confissão supri-lo; e, ante a impossibilidade de exame dos vestígios do crime, a prova testemunhal é a única que o pode suprir” (Marques, 1997). Tese nº 9 do Jurisprudência em Teses do STJ, edição 111 ❑ 9) É necessária a realização do exame de corpo de delito para comprovação da materialidade do crime quando a conduta deixar vestígios, entretanto, o laudo pericial será substituído por outros elementos de prova na hipótese em que as evidências tenham desaparecido ou que o lugar se tenha tornado impróprio ou, ainda, quando as circunstâncias do crime não permitirem a análise técnica. ATENÇÃO ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA EXAME DE CORPO DE DELITO E PERÍCIAS LAUDO PERICIAL ❑ É a manifestação que normalmente encerra o trabalho do perito, contendo a sua declaração técnica a respeito dos fatos e pontos examinados. ❑ É o documento que traduz o exame pericial realizado, formalizando-o. ❑ Será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos. ❑ Partes ❑ Suprimento de falhas no laudo ❑ Conclusões dos peritos x convencimento judicial ❑ Preâmbulo: qualificação do perito oficial ou dos peritos não-oficiais e do objeto da perícia; ❑ Exposição: narrativa de tudo que é observado pelos experts; ❑ Fundamentação: motivos que levaram os experts à conclusão final; ❑ Conclusão técnica: resposta aos quesitos. ❑ No caso de inobservância de formalidades, ou no caso de omissões, obscuridades ou contradições, a autoridade judiciária mandará suprir a formalidade, complementar ou esclarecer o laudo. ❑ A autoridade poderá também ordenar que se proceda a novo exame, por outros peritos, se julgar conveniente. Sistema vinculatório Sistema liberatório O juiz fica vinculado, adstrito àquilo que concluiu a perícia; não há como definir diferente. Essa característica é inerente à prova tarifada (por nós não adotada). O juiz estaria livre para decidir de forma diversa, não estaria vinculado às conclusões da perícia. ATENÇÃO Sistema adotado no Brasil CPP - Art. 182. O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte. PERITOS ❑ Ainda quando não oficial, estarão sujeitos à disciplina judiciária. Disciplina judiciária: significa a obediência à direção judicial do processo, “bem como o comprometimento necessário com a imparcialidade e com o zelo e presteza na sua atuação profissional, não só por força dos deveres de sua formação específica, mas, sobretudo, pelo munus público que implica a disciplina judiciária (art. 159, § 2º, CPP), ainda que sob remuneração pelo Estado” (Pacelli, et al., 2018). ❑ Perito oficial: corresponde ao sujeito investido no cargo criado por lei, mediante concurso público, para a realização das perícias. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA EXAME DE CORPO DE DELITO E PERÍCIAS PERITOS Perito não oficial Perícia complexa: abranja mais de uma área de conhecimento especializado Divergência entre peritos Atuação processual das partes em relação à perícia ❑ Corresponde à pessoa nomeada pela autoridade (delegado ou magistrado) para a realização da perícia e que não ocupa cargo criado por lei. ❑ Prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo. ❑ Poder-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico. ❑ Serão consignadas no auto do exame as declarações e respostas de um e de outro, ou cada um redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará um terceiro; se este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros peritos. ❑ Prerrogativas processuais Formulação de quesitosIndicação de assistente técnico Requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos; Disponibilização do material probatório. Devem ser apresentados no prazo de até dez dias antes da realização da audiência. Não havendo óbices processuais, o juiz está obrigado à admissão do assistente técnico quando indicado pelos legitimados do art. 159, § 3º, do CPP. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA EXAME DE CORPO DE DELITO E PERÍCIAS AUTÓPSIA E EXUMAÇÃO LAUDO COMPLEMENTAR NO CRIME DE LESÕES CORPORAIS: (ART. 168, CPP) EXAME DO LOCAL DE CRIME Autópsia Exumação ❑ É o exame interno do cadáver que “tem por finalidade precípua a constatação da causa da morte. ❑ Destina-se também a verificar outros elementos, tais como o número de ferimentos havidos no cadáver, a trajetória dos projéteis e outras tantas informações relevantes para a elucidação do crime. ❑ Será feita pelo menos 6 (seis) horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. ATENÇÃO Morte violenta Bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante. Traduz o ato de desenterrar o cadáver da sua sepultura, normalmente para se realizar algum exame faltante ou complementar algum já existente. ❑ Possibilidade de complementação do exame pericial incompleto sobre lesões corporais, seja para o seu suprimento, seja para a sua correção. ❑ Pode ocorrer por determinação da autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor. ❑ Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias, contado da data do crime. ❑ A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal. ❑ A autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. ❑ Deverá ser registrado no laudo as alterações do estado das coisas ESTRATÉGIA CARREIRAJURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA INTERROGATÓRIO JUDICIAL É O ATO POR MEIO DO QUAL O ACUSADO É OUVIDO E PERGUNTADO PELO MAGISTRADO A RESPEITO DE SUAS QUALIFICAÇÕES PESSOAIS E SOBRE OS FATOS IMPUTADOS NA DENÚNCIA, “ABRINDO-LHE OPORTUNIDADE PARA QUE, QUERENDO, DELES SE DEFENDA. INCIDE O DIREITO CONSTITUCIONAL AO SILÊNCIO, QUE NÃO PODE SER TOMADO COMO PROVA CONTRA O RÉU. OPORTUNIDADE QUE O RÉU TEM, DENTRO DO PROCESSO PENAL, DE EXERCER DIRETAMENTE A AUTODEFESA. MANIFESTAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO; MAIS ESPECIFICAMENTE, É MANIFESTAÇÃO DO DIREITO À AUTODEFESA, MORMENTE EM SEU ELEMENTO “DIREITO DE AUDIÊNCIA”. É CONSTITUÍDO DE DUAS PARTES: SOBRE A PESSOA DO ACUSADO E SOBRE OS FATOS. (ATO BIFÁSICO) Súmula 522/STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa ATENÇÃO NATUREZA JURÍDICA: (TEMA CONTROVERSO) MOMENTO PARA REALIZAÇÃO: ÚLTIMO ATO DA INSTRUÇÃO (REGRA) 1ª Corrente: Interrogatório como meio de prova; (adotada pelo CPP) 2ª Corrente: Interrogatório como meio de defesa; 3ª Corrente: Interrogatório como meio de prova e de defesa; 4ª Corrente: Interrogatório como meio de defesa e, eventualmente, meio de prova. O CPP prevê a possibilidade de o interrogatório ser realizado a qualquer momento durante o “curso do processo penal”. (art. 158) A todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a pedido fundamentado de qualquer das partes. CUIDADO Em algumas leis penais o interrogatório ainda é previsto como sendo o primeiro ato da instrução. Todavia, o STF firmou a orientação de que mesmo nos procedimentos penais especiais, regulados em legislação esparsa e que possuam previsão do interrogatório como primeiro ato de instrução, o ato deve ser realizado ao final, o que representaria efetiva observância aos postulados da ampla defesa e contraditório. STF: Para que se cogite de possível nulidade do interrogatório pela inversão da ordem dos atos, tem-se exigido que a defesa a tenha arguido por ocasião da própria audiência de instrução e que seja demonstrado efetivo prejuízo causado ao acusado em virtude disso, em observância ao princípio pas de nullité sans grief. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA INTERROGATÓRIO JUDICIAL CONDUÇÃO COERCITIVA FORO COMPETENTE AUSÊNCIA DO INTERROGATÓRIO STF: declarou a incompatibilidade com a Constituição Federal da condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de ilicitude das provas obtidas, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado A decisão se refere aos ‘investigados ou acusados’; não tem aplicação no que diz respeito a testemunhas que sejam intimadas a prestar declarações e não comparecem. Até porque em relação a elas, em princípio, não socorrem as prerrogativas de silêncio e de não comparecimento, dentre outras. Regra: o acusado deve ser ouvido pelo juiz competente para o julgamento do respectivo processo-crime. Todavia, há a possibilidade de ser o acusado interrogado por juiz diverso. ❑ Interrogatórios realizados por meio de cartas precatórias; ❑ Instrumentos de cooperação entre juízos de Comarcas e Estados diversos. Situações diferentes Não ocorrência do interrogatório por vontade do acusado Não realização do interrogatório por vontade do julgador ❑ Causa de nulidade absoluta ❑ Quebra dos princípios do contraditório e ampla defesa ❑ É completamente possível ❑ Não acarreta qualquer nulidade ao processo, desde que lhe tenha sido oportunizada, caso porventura desejasse, a possibilidade de exercer tal direito. Premissas ❑ O interrogatório constitui manifestação direta dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV da CF); ❑ O direito à autodefesa (dentro da ampla defesa) é renunciável; ❑ O interrogatório é (pelo menos ‘também’) meio de defesa. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro CARACTERÍSTICAS Ato personalíssimo DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA INTERROGATÓRIO JUDICIAL Ato contraditório Ato assistido tecnicamente Ato oral Ato individual Ato bifásico Ato público ❑ Não pode haver delegação ❑ Processo penal contra pessoa jurídica: o interrogatório é realizado pelo seu representante legal. Permite-se, no interrogatório, a participação de ambas as partes na formulação de reperguntas ao acusado, como efetivo exercício do postulado do contraditório. ❑ No interrogatório, o acusado deve, necessariamente, ser assistido por defensor público ou particular, constituído ou nomeado. ❑ A defesa técnica é um aspecto da ampla defesa irrenunciável pelo réu. ❑ STF: No tocante aos corréus, há obrigatoriedade de intimação da data de interrogatório, a permitir o comparecimento do advogado, o que comprovado na espécie (Informativo 950). ❑ Havendo mais de um acusado, serão interrogados separadamente. ❑ É constituído de duas fases distintas: uma sobre a pessoa do acusado; outra sobre os fatos imputados. ❑ Em regra, o interrogatório (assim como todos os atos judiciais) é público. ❑ Existem situações nas quais a publicidade pode ser mitigada, dando lugar ao sigilo. (§1º do art. 792, CPP) ❑ Regra: o interrogatório é realizado de forma oral ❑ A depender do caso, de maneira excepcionalíssima, o interrogatório será realizado e registrado de outras formas. ❑ O próprio CPP prevê algumas possíveis situações e a maneira de se proceder para garantir a lisura e a validade do ato. (artigos 192, 193 e 195) ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA INTERROGATÓRIO JUDICIAL LOCAL DE REALIZAÇÃO INTERROGATÓRIO POR VIDEOCONFERÊNCIA Réus soltos: sede do juízo Excepciona-se a essa regra o interrogatório de réu preso. ❑ Interrogatório dentro do estabelecimento prisional ❑ Interrogatório por videoconferência ❑ Interrogatório pessoal no Fórum Medida excepcional Utilizado para realizar o interrogatório do réu PRESO, desde que a medida seja necessária para atendes uma das seguintes finalidades: Antes do interrogatório por videoconferência, o preso poderá acompanhar, pelo mesmo sistema tecnológico, a realização de todos os atos da audiência única de instrução e julgamento. (in)constitucionalidade do interrogatório por videoconferência (tema bastante controverso) ❑ prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante o deslocamento; ❑ viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando haja relevante dificuldade para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra circunstância pessoal; ❑ impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência, nos termos do art. 217 deste Código; ❑ responder à gravíssima questão de ordem pública. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA CONFISSÃO É A ADMISSÃO, PELO INDICIADO OU ACUSADO, DA VERACIDADE DAS IMPUTAÇÕES QUE LHE SÃO FEITAS. CARACTERÍSTICASVALOR PROBATÓRIO Ato personalíssimo Ato livre e voluntário Ato retratável Ato divisível ❑ Possui valor relativo, assim como todos os demais meios de prova. ❑ Deve ser analisada sob um ponto de vista conglobado do processo, cotejando-a com os demais elementos probatórios coligidos durante a persecução penal, a fim de que lhe possa ser conferido maior ou menor força como meio de prova. ❑ O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, e para a suaapreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concordância. (art. 197, CPP) Extrajudicial Judicial Explícita Implícita Qualificada ❑ É realizada fora do processo, normalmente antes, é exteriorizada na fase investigatória. ❑ Vai se traduzir num ‘elemento informativo. ❑ Não poderá o juiz se valer exclusivamente dela para fundamentar sua decisão. ❑ Todavia, poderá ela sim ser considerada pelo juiz na sentença, desde que em conformidade com o conjunto probatório produzido na instrução criminal (com contraditório e ampla defesa). ❑ Realizada perante o magistrado, como um ato processual em audiência, observados o contraditório e a ampla defesa. ❑ Trata-se de uma confissão direta e objetiva. ❑ O acusado confessa de maneira indubitável o fato delituoso. ❑ O acusado pratica ou busca praticar atos que podem revelar a admissão de culpa. ❑ Ocorre “quando o pretenso autor da infração procura ressarcir o ofendido dos prejuízos causados pela infração” (Capez, 2018). ❑ Dentro do processo penal, essa confissão não tem qualquer valor (Lima, 2017). ❑ O acusado confessa a prática do fato delituoso, mas afirma que teria agido sob o manto de alguma excludente de ilicitude ou culpabilidade. ❑ Contanto que seja utilizada para a formação do convencimento do magistrado, essa espécie de confissão também enseja a aplicação da atenuante genérica de pena prevista no art. 65, III, d do CP. ESPÉCIES Simples: o acusado admite como verdadeiras as imputações que lhe são feitas sem invocar quaisquer justificantes ou exculpantes. Ficta: ocorre por omissão; o acusado não contesta as imputações feitas. Delatória: o acusado confessa a prática do crime e, ao mesmo tempo, aponta terceiros envolvidos nessa empreitada criminosa. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA DECLARAÇÃO DO OFENDIDO OFENDIDO A NÃO REALIZAÇÃO DA OITIVA É CAUSA DE NULIDADE RELATIVA, DEVE SER ALEGADA PELA PARTE EM EVENTUAL PREJUÍZO. DEVE SE DAR EM AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO E OBSERVANDO-SE O CONTRADITÓRIO DIREITOS DO OFENDIDO VALOR PROBATÓRIO Declarações com força probante relativa, devendo ser confrontada com os demais elementos dos autos a fim de verificar a sua credibilidade; Em determinados crimes seu valor é aumentado (p. ex.: crimes sexuais). ❑ Ser comunicado dos atos processuais relativos ao ingresso e à saída do acusado da prisão, à designação de data para audiência e à sentença e aos respectivos acórdãos que a mantenham ou modifiquem (art. 201, § 2º, CPP); ❑ Ser comunicado no endereço por ele indicado, admitindo-se, por opção do ofendido, o uso de meio eletrônico (§ 3º); ❑ Ter espaço reservado e separado para si, antes do início da audiência de instrução e durante a sua realização (§ 4º); ❑ Caso necessário, de ser encaminhado para atendimento multidisciplinar, especialmente nas áreas psicossocial, de assistência jurídica e de saúde, a expensas do ofensor ou do Estado (§ 5º); ❑ De que o juiz tomará as providências necessárias à preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem do ofendido, podendo, inclusive, determinar o segredo de justiça em relação aos dados, depoimentos e outras informações constantes dos autos a seu respeito para evitar sua exposição aos meios de comunicação (§ 6º). ❑ É quem sofre a lesão causada pelo crime. Nem sempre é o sujeito passivo. ❑ Deve ser ouvido sempre que possível, isso em primazia à busca pela verdade e esclarecimento dos fatos. ❑ Não presta o compromisso legal de dizer a verdade, portanto não comete o crime de falso testemunho. ❑ Não deve ser computado no que se refere ao número máximo de testemunhas das partes (arts. 401 e 532, CPP). ❑ Alguns doutrinadores entendem, ainda, que o magistrado deve (por obrigação) determinar sua oitiva de ofício, ainda que não tenha sido arrolado pelas partes (o que, aliás, não se exige). ❑ No caso de não comparecimento de forma injustificada, pode ser conduzido coercitivamente (art. 201, § 1º, CPP), inclusive para realização de exames periciais, exceto no caso de exames invasivos, caso em que terá de concordar com a realização. Pode responder pelo crime de denunciação caluniosa (art. 339, CP). ATENÇÃO Caso se comprove que deu causa a instauração de investigação, processo etc., contra pessoa que sabia ser inocente. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA PROVA TESTEMUNHAL TODA PESSOA PODERÁ SER TESTEMUNHA. (ART. 202, CPP) CARACTERÍSTICAS Judicialidade Oralidade Objetividade Retrospectividade: o depoimento de testemunha sempre será sobre fatos já ocorridos. Individualidade OBS Frise-se, por evidente, que determinadas condições pessoais da testemunha poderão afetar o grau de credibilidade dos seus depoimentos. ❑ A prova testemunhal é constituída em juízo, perante o magistrado, com a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. ❑ Para que se considere um depoimento prestado perante a autoridade policial em sede de inquérito (ou em outra forma de investigação), deverá ocorrer a reprodução da oitiva em juízo. ❑ O depoimento será prestado oralmente, não sendo permitido à testemunha trazê-lo por escrito. OBS Embora a testemunha não possa levar o seu depoimento por escrito, não há impedimento a que ela se valha de anotações para breves consultas. ATENÇÃO Há exceções ❑ art. 221, § 1º do CPP ❑ parágrafo único do art. 223 do CPP ❑ As inquirições são realizadas separadamente, a fim de que o depoimento de uma testemunha não influencie no depoimento da outra. ❑ A testemunha deve relatar o que tem de conhecimento acerca do fato delituoso de forma estritamente objetiva, apontando o que efetivamente presenciou/conheceu/sentiu pelas percepções sensoriais. ❑ A testemunha deve abster-se de tecer considerações subjetivas ou pessoais sobre os fatos, a não ser que tais apreciações subjetivas não possam ser separadas da narrativa. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DEVERES DAS TESTEMUNHAS DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA PROVA TESTEMUNHAL Dever de depor Dever de comparecimento ❑ Há exceções, pessoas que poderão recusar esse dever ❑ art. 206 do CPP ❑ agentes diplomáticos ATENÇÃO Há pessoas proibidas de depor ❑ Art. 207 do CPP ❑ Art. 53, § 6º da CF ❑ Arts. 252, II e 258 do CPP ❑ Corréu - segundo entendimento corrente da jurisprudência, um réu não pode figurar como testemunha de outro, no que se refere a uma mesma imputação. ❑ Advogado - mesmo que liberado do seu dever de sigilo, tem a prerrogativa – assegurada em lei federal – de recusar-se a depor nos termos e situações descritos no art. 7º, XIX do Estatuto da OAB. ❑ Dever de comparecer em juízo em local, data e hora previamente designados para ser inquirida, quando intimada para esse fim. ❑ Não comparecimento injustificado ❑ O juiz poderá requisitar à autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja conduzida por oficial de justiça, que poderá solicitar o auxílio da força pública. ❑ A testemunha estará sujeita a multa, pagamento das custas da diligência e até mesmo a processo criminal por desobediência. ❑ As pessoas impossibilitadas, por enfermidade ou por velhice, de comparecer para depor, serão inquiridas onde estiverem. ❑ Testemunhas que residam em outra Comarca ❑ Testemunhas que residam no estrangeiro ❑ Será expedida carta rogatória para a sua inquirição. ❑ Medida excepcional - só serão expedidas se demonstrada previamente a sua imprescindibilidade, arcando a parte requerente com os custos de envio. ATENÇÃO O art. 221 do CPP elenca algumas autoridades que poderão ajustar, com o magistrado, local, dia e hora para a inquirição. ❑ Serão inquiridas no respectivo juízo, por meio de carta precatória ❑ Súmula 155/STF. É relativa a nulidade do processo criminal porfalta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunha. ❑ Súmula 273/STJ. Intimada a defesa da expedição da carta precatória, torna-se desnecessária intimação da data da audiência no juízo deprecado. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DEVERES DAS TESTEMUNHAS DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA PROVA TESTEMUNHAL Dever de prestar o compromisso de dizer a verdade; (regra geral - ART. 203, CPP) Dever de comunicar mudança de residência. (art. 224, CP) Exceção: 208, CPP Já sob o compromisso legal, caso a testemunha venha a fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade, poderá responder pelo crime de falso testemunho, nos termos do art. 342 do CP. CLASSIFICAÇÃO DAS TESTEMUNHAS ❑ Testemunhas numerárias: arroladas pelas partes e que prestam o compromisso legal ❑ Testemunhas extranumerárias: não são computadas para verificação do limite de testemunhas ❑ Testemunha direta: presenciou ou visualizou o acontecimento. ❑ Testemunha indireta: não presenciou diretamente o crime, mas teve conhecimento sobre o fato por outras pessoas. STJ: embora não considere o testemunho hearsay uma prova imprestável ao processo, tem relativizado fortemente o seu valor, mormente em casos nos quais esse tipo de prova constitui o único suporte acusatório contra o réu. ❑ Testemunha própria: é aquela que depõe sobre a imputação feita ao acusado na peça inaugural do processo (thema probandum); ❑ Testemunha imprópria ou fedatária: depõe sobre um ato processual, geralmente para atestar a sua regularidade. ❑ Informante: pessoas que não prestaram o compromisso de dizer a verdade. ❑ Testemunha referida: são pessoas referidas por outras testemunhas durante o seu depoimento. São os indivíduos elencados no art. 206 do CPP, os menores de 14 (quatorze) anos e os doentes/deficientes mentais, conforme art. 208 do CPP. Se ao juiz parecer conveniente, poderá haver a inquirição dessas testemunhas referidas. ❑ Depoimento ad perpetuam rei memoriam: são as testemunhas nas situações do art. 225 do CPP, as quais poderão ter antecipada a sua inquirição. ❑ Testemunha anônima: testemunha cujos dados de qualificação permanecem em sigilo em relação ao imputado, como forma de preservação de sua imagem e integridade. ❑ Testemunha ausente: “aquela que não comparece em pessoa para prestar depoimento durante o julgamento do acusado, por diversos motivos (v.g., testemunha que faleceu logo após o crime)” (Lima, 2017). ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA PROVA TESTEMUNHAL NÚMERO MÁXIMO DE TESTEMUNHAS QUE CADA PARTE PODE ARROLAR Procedimento comum ordinário: 8 (oito) testemunhas (CPP, art. 401, caput) Procedimento comum sumário: 5 (cinco)testemunhas (CPP, art. 532) Procedimento sumaríssimo (Lei n° 9.099/95): 3 (três) testemunhas Primeira fase do procedimento do júri: 8 (oito) testemunhas (CPP, art. 406, § 3°) Segunda fase do procedimento do júri: 5 (cinco) testemunhas (CPP, art. 422) Procedimento da Lei de drogas: 5 (cinco) testemunhas (Lei n° 11.343/06, art. 54, inciso III) Procedimento ordinário do CPPM: 6 (seis) testemunhas (CPPM, art. 77, alínea "h'') OBSERVAÇÕES Não se compreendem na contagem as que não prestem compromisso e as referidas. Não será computada como testemunha a pessoa que nada souber que interesse à decisão da causa. Momento para indicação ❑ Acusação: apresentação da peça acusatória. ❑ Defesa: apresentação de resposta à acusação. INTIMAÇÃO DAS TESTEMUNHAS: DE REGRA E DIFERENTE DO PROCESSO CIVIL, OPERA-SE PESSOALMENTE E POR MANDADO, A TEOR DO ART. 370 C/C O ART. 351 DO CPP. SUBSTITUIÇÃO DE TESTEMUNHA ❑ Diante da importância da prova testemunhal no processo penal e do silêncio da norma, entende-se aplicável, quanto ao tema, as disposições do Código de Processo Civil, em analogia. (art. 451, CPC) DESISTÊNCIA DA OITIVA DE TESTEMUNHA ❑ A parte poderá desistir da inquirição de qualquer das testemunhas arroladas, ressalvado aquelas inqueridas pelo juiz, de ofício. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA PROVA TESTEMUNHAL RETIRADA DO ACUSADO DA SALA DE AUDIÊNCIA ❑ No caso de a testemunha pedir para ser ouvida sem a presença do réu o juiz, constatando que essa providência é realmente necessária, pode realizar a oitiva por videoconferência ou, na impossibilidade, determinará a retirada do réu da sala de audiências. COMPROMISSO DE DIZER A VERDADE ❑ A par da impossibilidade de se eximir da obrigação de depor, prevista no art. 206 do CPP, a testemunha é exortada e deve prometer dizer a verdade. QUALIFICAÇÃO DA TESTEMUNHA: (ART. 205, CPP) MEDIDA OBRIGATÓRIA E ANTECEDENTE AO DEPOIMENTO CONTRADITA ❑ Corresponde à impugnação do depoimento da testemunha, diante de sua proibição de depor (art. 207, CPP). ❑ Arguida, pretendendo-se impedir o depoimento, o juiz deve decidir o incidente na própria audiência, antes de iniciado o depoimento. ARGUIÇÃO DE PARCIALIDADE DA TESTEMUNHA ❑ O que se pretende, é a consignação, em ata, de circunstâncias que tornam a testemunha parcial ou indigna de fé. ❑ Não se pretende impedir a testemunha de depor, mas registrar os fatos que devem ser sopesados pelo juiz quando da valoração do seu depoimento. COLHEITA DO DEPOIMENTO ATENÇÃO A partir da Lei nº 11.690/2008, o art. 212 do CPP passou a ter nova redação, permitindo que as perguntas sejam feitas pelas partes diretamente às testemunhas (direct examination ou ‘exame direto’), sem a necessidade de intermediação pelo juiz. STJ e STF: têm precedentes no sentido de que a desobediência à ordem contida na atual redação do art. 212 do CPP constitui nulidade relativa, de maneira que seu reconhecimento dependerá de arguição em momento oportuno e demonstração de prejuízo efetivo à parte. Há julgado recente da 1ª Turma do STF (HC 187.035 – abril/2021) que, por maioria, consignou que o magistrado não pode ser protagonista na inquirição de testemunhas em um processo penal e, reconhecendo prejuízo (indução e sugestão de respostas pela juíza), anulou a instrução e a condenação em razão da inobservância do art. 212 do CPP. CUIDADO ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS É O ATO PELO QUAL UM INDIVÍDUO DESCREVE, VERIFICA E IDENTIFICA OUTRA PESSOA OU COISA QUE LHE É APRESENTADA, COMO SENDO AQUELA QUE VIU NO PASSADO. CABÍVEL TANTO NAS INVESTIGAÇÕES QUANTO NO CURSO DA AÇÃO PENAL (INSTRUÇÃO). RECONHECIMENTO DE PESSOAS - PROCEDIMENTO Não se confunde com a figura do retrato falado. Retrato falado: é formado a partir de informações prestadas ao perito por pessoa que tenha visto o autor do delito, sendo considerado não um meio de prova, mas sim um meio de investigação (Lima, 2017). ATENÇÃO Descrito no art. 226 do CPP. (O aluno deve ler o artigo) Não cumprimento dos requisitos elencados no art. 226 do CPP 1ª Corrente 2ª Corrente Jurisprudência ❑ Trata-se de recomendação, cuja inobservância não invalida o ato, representando mera irregularidade processual. ❑ Forma legal, garantia ❑ Inobservância invalida o ato, sendo hipótese de nulidade ❑ STF e STJ: desnecessidade de observação das formalidades previstas no art. 226 do CPP para a validade do reconhecimento de pessoas. Seriam, tais providências, sugestões legislativas.Em outubro/2020, de forma inédita, a 6ª Turma do STJ acabou por inaugurar entendimento em sentido contrário; qual seja, de que o reconhecimento de pessoas (seja presencial, seja fotográfico) deve obedecer às formalidades do art. 226 do CPP, sob pena de nulidade e consequente inviabilidade da prova. CUIDADO Fases: (GUSTAVO BADARÓ) Descrição da pessoa a ser reconhecida Comparação ❑ Fase obrigatória ❑ Deve-se procurar obter o máximo de elementos possíveis sobrea pessoa a ser identificada. ❑ A pessoa a ser reconhecida deve ser colocada, se possível, ao lado de outras que tenham as mesmas características. ❑ A providência, nos termos do inciso II do art. 226 - CPP, não seria obrigatória, mas facultativa, devendo ser realizada, se possível. ❑ Todavia, sem a realização da segunda fase, a terceira fase também ficará impossibilitada. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS RECONHECIMENTO DE PESSOAS - PROCEDIMENTO Fases: (GUSTAVO BADARÓ) Indicação ❑ Deverá a pessoa que procede ao reconhecimento indicar, entre as pessoas postas em comparação, qual foi efetivamente reconhecida, devendo a identidade desta constar do termo a ser lavrado. RECONHECIMENTO DE COISAS Proceder-se-á com as cautelas estabelecidas para o reconhecimento de pessoas, no que for aplicável. ACAREAÇÃO É O “ATO PELO QUAL SE COLOCAM FRENTE A FRENTE DUAS OU MAIS PESSOAS CUJAS DECLARAÇÕES SOBRE FATOS OU CIRCUNSTÂNCIAS RELEVANTES SEJAM CONFLITANTES, A FIM DE QUE EXPLIQUEM OS PONTOS DE DIVERGÊNCIA” (BONFIM, 2013). TEM COMO PROPÓSITO EXPURGAR QUAISQUER INCONSISTÊNCIAS E CONFLITOS QUE TENHAM SURGIDO ENTRE E A PARTIR DOS RELATOS E DECLARAÇÕES DOS DEPOENTES. PODE ACONTECER ENTRE RÉUS, VÍTIMAS E TESTEMUNHAS. PRESSUPOSTO: (DOUTRINA) ❑ Preexistência de declarações formalizadas nos autos, nas quais se identifique divergência sobre fatos ou circunstâncias relevantes para a reconstrução da verdade. ❑ A divergência sobre fato irrelevante ou impertinente não autoriza a providência, porquanto inútil para o julgamento da causa (Marcão, 2017). PODE OCORRER TANTO NAS INVESTIGAÇÕES QUANTO NO CURSO DA AÇÃO PENAL (INSTRUÇÃO). QUALQUER DAS PARTES PODE REQUERER A REALIZAÇÃO DE ACAREAÇÃO, ASSIM COMO TAMBÉM É POSSÍVEL QUE O MAGISTRADO A DETERMINE EX OFFICIO. OS ACAREADOS SÃO PERGUNTADOS NOVAMENTE SOBRE PONTOS ESPECÍFICOS E RELEVANTES DE SUAS NARRATIVAS, A FIM DE QUE EXPLIQUEM AS DIVERGÊNCIAS DE SEUS RELATOS. Atualmente, a edição da Lei 11.900/2009 viabilizou a realização de acareação por meio da videoconferência, de modo que se torna desnecessária a utilização da precatória (art. 185, § 8º, CPP) ATENÇÃO ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA PROVA DOCUMENTAL CONSIDERAM-SE DOCUMENTOS QUAISQUER ESCRITOS, INSTRUMENTOS OU PAPÉIS, PÚBLICOS OU PARTICULARES. (ART. 232, CPP) ESPÉCIES PRODUÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL RESTITUIÇÃO DE DOCUMENTOS Conceito estrito Todavia, emprega-se, nos dias atuais, o conceito mais amplo de documento. Os documentos compreendem não só os escritos, mas também qualquer forma corporificada de expressão do sentimento ou pensamento humano, tais como a fotografia, a filmagem, a gravação, a pintura, o desenho, o e-mail etc. (Capez, 2018). Original: documentos apresentados na sua forma genuína, fiel à sua fonte produtora. Cópia: reproduções dos documentos originais. Público: documento emitido por funcionário público no exercício de suas funções. Particular: documentos elaborados e emitidos por particulares. ❑ São as fotocópias, as impressões, arquivos escaneados ❑ Devidamente autenticadas, essas cópias possuem o mesmo valor do documento original. (parágrafo único do art. 232, CPP) ❑ Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (§2º do art. 297, CPP) ❑ Sempre que contestada a sua autenticidade, serão eles submetidos a exame pericial, nos termos do art. 235 do CPP. Salvo os casos expressos em lei, as partes poderão apresentar documentos em qualquer fase do processo. Formas: (doutrina) ❑ Espontânea: refere-se à própria liberdade probatória conferida às partes no processo penal. ❑ Provocada: decorre da iniciativa probatória conferida ao juiz. Os documentos originais, juntos a processo findo, quando não exista motivo relevante que justifique a sua conservação nos autos, poderão, mediante requerimento, e ouvido o Ministério Público, ser entregues à parte que os produziu, ficando traslado nos autos. (art. 238, CPP) ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA INDÍCIOS CONSIDERA-SE INDÍCIO A CIRCUNSTÂNCIA CONHECIDA E PROVADA, QUE, TENDO RELAÇÃO COM O FATO, AUTORIZE, POR INDUÇÃO, CONCLUIR-SE A EXISTÊNCIA DE OUTRA OU OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS. (ART. 239, CPP) É TODA CIRCUNSTÂNCIA CONHECIDA E PROVADA, A PARTIR DA QUAL, MEDIANTE RACIOCÍNIO LÓGICO, PELO MÉTODO INDUTIVO, OBTÉM-SE A CONCLUSÃO SOBRE UM OUTRO FATO. NATUREZA JURÍDICA: MEIO DE PROVA (DOUTRINA MAJORITÁRIA) VALOR PROBATÓRIO CLASSIFICAÇÃO Assim como os demais meios, possuem valor probatório relativo e, a depender do grau de verossimilhança com os demais elementos probatórios, podem lastrear decretos condenatórios e absolutórios. Indício positivo Indício negativo ou contraindício ❑ É o indício que aponta a existência de algo que se quer provar. ❑ O indício positivo ratifica a tese sustentada” (Távora, 2017) ❑ Busca inviabilizar ou tornar insustentável uma tese alegada ou um indício em determinada direção. Não se confunde com presunção Presunção é, em sentido técnico, o nome da operação lógico dedutiva que liga um fato provado (um indício) a outro probando, ou seja, é o nome jurídico para descrição justamente desse liame entre ambos. ATENÇÃO ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA BUSCA E APREENSÃO COSTUMAM SER TRATADAS EM BLOCO, COMO CONSTITUÍSSEM UMA SÓ COISA. PORÉM, NA VERDADE, SÃO FENÔMENOS DISTINTOS E ATÉ MESMO INDEPENDENTES. BUSCA: ATO DE PROCURAR ALGO OU ALGUÉM. APREENSÃO: ATO DE APOSSAMENTO, CUSTÓDIA OU GUARDA DE COISA OU PESSOA. PODERÁ SER DETERMINADA DE OFÍCIO OU A REQUERIMENTO DE QUALQUER DAS PARTES. MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO - REQUISITOS: ESTÃO ELENCADOS NO ART. 243, CPP ESPÉCIES Embora estejam contidas junto aos demais meios de prova dentro do Título VII do CPP, a doutrina entende que a natureza jurídica da busca e apreensão não é de puro meio de prova, mas de meio de obtenção de prova (para uns) ou mesmo de providência acautelatória (para outros). ATENÇÃO Busca domiciliar CF, art. 5, inciso XI Durante a noiteDurante o dia ❑ em situação de flagrante delito; ❑ em situação de desastre; ❑ para prestar de socorro; ❑ com o consentimento do morador. ❑ em situação de flagrante delito; ❑ em situação de desastre; ❑ para prestar de socorro; ❑ com o consentimento do morador; ❑ cumprimento de mandado judicial (busca domiciliar) Definição de dia ❑ 1ª Corrente: 6 às 20h - com base nas regras do processo civil; ❑ 2ª Corrente: 6 às 18h - com base na tradição de um horário comercial; ❑ 3ª Corrente: Claridade - com base no momento que o sol nasce e se põe. ❑ 4ª Corrente: 5 às 21h - com base na Lei de Abuso de Autoridade. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro DIREITO PROCESSUAL PENAL - MEIOS DE PROVA BUSCA E APREENSÃO ESPÉCIES Busca domiciliar Por força do direito fundamental à inviolabilidade do domicílio previsto na CF em seu art. 5º, XI, somente será admitida com a expedição do competente mandado pela autoridade judiciária. ATENÇÃO Não se demonstra compatível com a CF o disposto no art. 241 do CPP, que daria margem à realização de busca domiciliar pela autoridade policial, sem autorização judicial. Busca pessoal ❑ Recai sobre o próprio indivíduo e os seus pertences imediatos. ❑ A determinação pode advir tanto da autoridade policial quanto judiciária. ❑ Independerá de mandado judicial quando realizada sobre o indivíduo que está sendo preso e quando houver fundada suspeita de que a pessoaesteja de posse de armas proibidas ou objetos que constituam corpo de delito. Ou, ainda, se já há mandado expedido para busca domiciliar. ❑ Realizada em mulher: será feita por outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da diligência. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA QUEBRA DE SIGILO DE DADOS COLABORAÇÃO PREMIADA INFILTRAÇÃO DE AGENTES Assuntos que serão estudados em Legislação Especial. ESTRATÉGIA CARREIRA JURÍDICA DIREITO PROCESSUAL PENAL 11184002401 - Marcos Grex Castro Terceiro