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Resumo Completo - Síndromes Metabólicas

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Vera Marcia

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Resumo - Síndrome 
Metabólicas 
Síndrome do Ovário Policístico (SOP)
→ distúrbio caracterizado por hiperandrogenismo (clínico/laboratorial), 
disfunção ovulatória (oligomenorreia) e presença de cistos ovarianos 
→ frequente em mulheres na idade reprodutiva 
Resumo  Síndrome Metabólicas 1
Etiopatogênese 
→ exata fisiopatologia desconhecida 
FATORES GENÉTICOS 
→ parentes de primeiro grau apresentam maior risco
FATORES AMBIENTAIS 
→ dietas com excesso de calorias e consequente ambiente obesogênico 
promovendo RI 
→ disruptores endócrinos e fatores intrauterinos (como exposição do feto 
feminino a exposição elevada de androgênios)
ALTERAÇÃO NA MICROBIOTA 
 A α-diversidade representa o número de espécies da microbiota, e a β-
diversidade indica a similaridade entre elas. Portadoras da SOP têm reduzida 
α-diversidade, e essa característica parece estar associada à RI e à esteatose 
hepática, condições encontradas frequentemente na SOP.
Resumo  Síndrome Metabólicas 2
Fisiopatologia 
Quatro mecanismos principais
1 disfunção neuroendócrina
2 RI
3 hiperandrogenismo 
4 disfunção da foliculogênese oovarian 
Resumo  Síndrome Metabólicas 3
FATORES ENDÓCRINOS 
Padrão de secreção de gonadotrofinas:
 AUMENTO na secreção de LH, evento patognomônico desta síndrome
 AUMENTO na amplitude dos pulsos
— secreção FSH BAIXA ou no limite inferior da normalidade
→ secreção aumentada de LH leva à uma hiperatividade das células teca que 
produzem quantidades aumentadas de androgênios (princip. testosterona)
Resumo  Síndrome Metabólicas 4
→ portadoras de SOP tem MENOR sensibilidade hipotalâmica ao retrocontrole 
feitos pelos estrogênios e progesterona de origem ovariana, com marcada 
resistência dos neurônios secretores de hormônio liberador de gonadotrofinas 
GnRH à regulação inibitória feita pela progesterona, o que prologariam os 
pulsos de GnRH e LH.
→ menores niveis de FSH produzidos dificulta o completo crescimento do 
folículo ate estagios maduros, os quas acabam permanecendo em estagios 
intermediarios - confere ao ovario morfologia policística 
RESISTÊNCIA INSULÍNICA
→ resistência a insulina e hiperinsulinemia compensatória INDEPENDENTE da 
presença ou não de obesidade, sendo a resistência tanto para a ação da 
insulina no músculo estriado, quanto no tecido adiposo
 O aumento da insulina circulante tem efeito direto na produção de 
androgênios ovarianos, uma vez que esta possui ação sinérgica ao LH nas 
Resumo  Síndrome Metabólicas 5
células da teca, estimulando a produção de androgênios
 MAIOR produção de citocinas inflamatórias (p. ex: IL6 e TNF-a); MENOR 
produção de adiponectina e do transportador de glicose-4 GLUT4, 
diminuição do transporte de glicose estimuladdo pela insulina, lipólise 
excessiva e expressão alterada de microRNA
 A RI resulta em hiperinsulinemia compensatória → agravamento do 
hiperandrogenismo
→ além disso, a insulina também está envolvida na redução da produção da 
proteína carreadora de androgênios SHBG pelo fígado; estes dois efeitos 
somados aumentam a concentração de testosterona livre, ou seja, fração ativa 
do hormônio 
→ a hiperinsulinemia contribui para o aumento da pulsatilidade do GnRH, com 
consequente maior secreção de LH e da razão LH/FSH.
 Adicionalmente, eles podem aumentar a adiposidade visceral e reduzir a 
secreção da principal adipocina sensível à insulina, a adiponectin
Resumo  Síndrome Metabólicas 6
HIPERANDROGENISMO 
 O hiperandrogenismo observado na SOP resulta principalmente da síntese 
aumentada de androgênios pelas células da teca.
→ embora os ovários sejam a principal fonte de hiperandrogenismo na SOP, o 
excesso de androgŵnio adrenal tambem esta presente 
 Os supostos mecanismos para a disfunção adrenocortical na SOP incluem: 
responsividade exagerada do córtex adrenal ao hormônio adrenocorticotrófico 
ACTH, hiperinsulinemia e traço genético herdado. O hiperandrogenismo 
também diminui a produção hepática da SHBG
Resumo  Síndrome Metabólicas 7
 Acne, alopecia e hirsutismo são manifestações de hiperandrogenismo clínico
em mulheres adultas. Já em adolescentes, apenas acne grave e hirsutismo 
caracterizam o hiperandrogenismo clínico
Hirsutismo = é definido como o aumento da quantidade de pelos terminais  5 
mm, encaracolados e pigmentados) na mulher em locais usuais ao homem
O grau de hirsutismo pode ser quantificado pela escala de Ferriman e 
Gallwey modificada, que é um escore definido pela soma da pontuação de 
nove áreas do corpo (de zero a quatro pontos, cada uma) 
→ Sinais de virilização, tais como engrossamento da voz, clitoromegalia, 
aumento da massa muscular e atrofia mamária devem alertar o clínico para 
formas mais graves de hiperandrogenismo.
 A testosterona livre calculada, o índice de androgênios livres ou a 
testosterona biodisponível podem ser usados para o diagnóstico.
Resumo  Síndrome Metabólicas 8
DISFUNÇÃO NA FOLICULOGÊNESE
 A disfunção da foliculogênese na SOP caracteriza-se por parada da 
maturação folicular, resultando em oligo-ovulação (ovulação irregular) ou 
anovulação (ausência de ovulação).
 Essa anormalidade tem como um dos fatores primordiais a produção 
excessiva do AMH pelas células da granulosa.
 Fisiologicamente, o AMH tem um efeito inibitório no recrutamento inicial de 
folículos primários; na maturação folicular e seleção do folículo dominante 
dependentes do FSH; bem como na expressão da aromatase induzida pelo FSH
Resumo  Síndrome Metabólicas 9
nas células da granulosa, enzima que atua aumentando a conversão da 
testosterona em estradiol. Na SOP, os altos níveis de AMH tornam os folículos 
mais resistentes à ação do FSH, culminando na inibição da maturação folicular 
e da ovulação, bem como na inibição da expressão da aromatase, contribuindo 
também para o hiperandrogenismo
 Portanto, a anovulação crônica na SOP é multifatorial. Ela parece resultar de 
uma disfunção intrínseca das células granulosas, levando à produção 
excessiva de AMH, e da exagerada produção de androgênios pelas células da 
teca, para a qual contribuem a razão aumentada LH/FSH, a RI/hiperinsulinemia 
e a hiperexpressão do gene DENND1A nessas células.
Resumo  Síndrome Metabólicas 10
Diagnóstico Diferencial 
→ nenhum critério isolado é suficiente para o seu diagnóstico clínico 
→ necessário diagnóstico de exclusão 
Testosterona livre e total: níveis elevados indicam hiperandrogenismo 
DHEAS  indicação desse hormônio no corpo (descartar problemas nas 
adrenais)
17 hidroxiprogesterona →percusor de cortisol, doaagem utilizada para 
investigar hiperplasia de adrenal congênita HAC 
LH e FSH  pode indicar disfunção ovariana → relação 21 
Prolactina = investigado para excluir hiperprolactinemia, avaliação do ciclo 
hormonal 
TSH  descartar hipertireoidismo ou hipotireoidismo
Glicema de jejum: avalia a resistência à insulina - pode levar a síndrome 
metabólica e DM2 
Resumo  Síndrome Metabólicas 11
Perfil lipidico: medição de colesterol total, HDL, LDL e triglicerideos - riscos 
aumentados de dislipidemia
BHCG  descarte de gravidez
Manifestações Clinicolaboratoriais 
→ principais manifestações clinicas 
1 anovulação com irregularidades menstruais 
2 hiperandrogenismo
3 infertilidade 
4 anormalidades metabólicas
 Manifestações ou complicações adicionais incluem hiperplasia e carcinoma 
do endométrio, apneia obstrutiva do sono, esteatose hepática e transtornos 
psicológicos.
Resumo  Síndrome Metabólicas 12
 Outro achado comum na SOP é a acantose nigricante AN, que é um 
marcador cutâneo de RI e tem incidência de 53 a 99%. Caracteriza-se por uma 
lesão cutânea de aspecto aveludado, verrucoso e hiperpigmentado, localizada 
sobretudo em região cervical posterior (sítio mais frequente) e lateral, axilas, 
abaixo das mamas e outras dobras cutâneas
Disfunção Menstrual e Infertilidade
É normal ocorrerem ciclos irregulares no primeiro ano após a menarca 
(transição puberal). Após esse período, a irregularidadee gorduras
Os estoques de glicogênio são rigidamente controlados: o aumento na 
ingestão dietética de carboidratos estimula o armazenamento de 
Resumo  Síndrome Metabólicas 68
glicogênio, aumenta a oxidação da glicose e suprime a oxidação das 
gorduras
O excesso de carboidratos não convertidos em glicogênio é oxidado (e não 
transformado em gordura)
Dessa forma, um aumento crônico na ingestão de carboidratos não provoca
diretamente o ganho de peso, porque os estoques são limitados, a 
conversão em gorduras é extremamente rara em seres humanos e existe 
um aumento da oxidação para compensar o aumento da ingestão
Balanço de gorduras
Os estoques de gordura do organismo são enormes e a ingestão de 
gorduras não tem influência na oxidação dos ácidos graxos
A ingestão diária de gordura na dieta corresponde a menos de 1% dos 
estoques, embora o organismo armazene seis vezes mais calorias sob a 
forma de gordura do que de proteína.
A quantidade de gordura corporal induz um efeito na oxidação dos ácidos 
graxos, que, de certo modo, atenua o ganho de peso
Entretanto, o grande determinante da oxidação das gorduras é o 
equilíbrio energético – quando é negativo (gasto é maior que a 
ingestão), a oxidação das gorduras aumenta
Os estoques de gordura funcionam como um “tampãoˮ do equilíbrio 
energético
Um balanço negativo de 200 kcal em 24 h representa 200 kcal saindo 
dos estoques de gordura, assim como um excesso de 200 kcal em 24 h 
resulta em 200 kcal a mais no tecido adiposo
Como as taxas de oxidação dos aminoácidos e da glicose se ajustam à 
quantidade ingerida, a oxidação das gorduras é determinada pela diferença 
entre o GET e a ingestão calórica sob a forma de carboidratos e proteínas, 
mais do que pela ingestão calórica sob a forma de gordura consumida em 1 
dia.
Em resumo, em condições fisiológicas, a gordura 
compreende o único nutriente capaz de se manter em um 
Resumo  Síndrome Metabólicas 69
desequilíbrio crônico entre ingestão e oxidação, o que 
promove um aumento do tecido adiposo.
Os demais macronutrientes influenciam indiretamente o 
ganho de adiposidade.
Determinantes do desequilíbrio 
energético
O desequilíbrio energético é determinado por um ou mais dos seguintes 
fatores, que atuam de maneira conjugada ou alternada:
aumento da ingestão alimentar
diminuição do gasto energético
aumento da capacidade de estocar gordura
diminuição da capacidade de oxidação das gorduras
Cada um dos fatores tem múltiplas causas
Resumo  Síndrome Metabólicas 70
Determinantes do desequilíbrio energético. SNC sistema nervoso central; GER 
gasto energético de repouso; LPL lipoproteína lipase; LHS lipase hormônio 
sensível.
Aumento da ingestão alimentar
A regulação da ingestão alimentar envolve: as sensações de fome, de 
prazer na ingestão de alimentos (que o leva a continuar com uma refeição), 
de saciação (que o leva a interromper uma refeição) e de saciedade (que o 
leva a adiar a refeição seguinte)
Qualquer fator que interfira nos mecanismos de fome, prazer, saciação e 
saciedade pode influenciar o padrão de ingestão alimentar
Pequenos aumentos na ingestão alimentar por períodos prolongados de 
tempo são suficientes para provocar um ganho significativo de massa 
adiposa
Em 1 ano, o consumo calórico 5% maior do que o gasto energético 
promove um ganho de 5 kg de gordura corporal
Resumo  Síndrome Metabólicas 71
Alteração da composição da dieta
A alteração da composição da dieta, particularmente o aumento do 
consumo de gorduras, também tem papel fundamental na epidemia de 
obesidade, pois uma dieta rica em gorduras está associada a uma 
desregulação dos mecanismos normais de saciedade.
Ácidos graxos livres AGL da dieta → resistência hipotalâmica aos 
sinalizadores de saciedade (leptina e insulina)
A dieta rica em gorduras e em açúcares refinados é composta por 
alimentos com alta densidade calórica, alta palatabilidade, baixo poder 
sacietógeno e fácil absorção e digestão, características que favorecem o 
aumento da ingestão alimentar e, portanto, contribuem para o desequilíbrio 
energético.
Fatores sociocomportamentais
Aumento nas porções das comidas
População faz menos refeições casa ⇒ aumento de fast-food
Sistema de prazer e recompensa versus sistema homeostático
Os seres humanos não se alimentam apenas em resposta ao sistema 
homeostático do balanço energético
Há influência de um sistema de prazer e recompensa (sistema “hedônicoˮ), 
que se apresenta muitas vezes de modo semelhante ao vício, como na 
drogadição
O sistema endocanabinoide é um exemplo: os receptores canabinoides 
CB1 e CB2 e seus ligantes endógenos (como a anandamida) estão 
envolvidos no sistema de recompensa, e sua ativação causa aumento do 
apetite e aumento do desejo por alimentos mais palatáveis
A sinalização da leptina (anorexígena) no hipotálamo fica prejudicada 
quando os níveis de endocanabinoides estão altos
A ativação dos receptores CB1 inibe a ação da via da melanocortina em 
diminuir a ingestão alimentar
Mecanismos de motivação e recompensa também são mediados por meio 
da sinalização da dopamina no núcleo accumbens
Resumo  Síndrome Metabólicas 72
Camundongos que não produzem dopamina normalmente morrem de 
inanição, ainda que voltem a se alimentar com a injeção de dopamina 
no corpo estriado.
Os sinalizadores clássicos de fome e saciedade, como a grelina e a 
leptina, podem exercer seus efeitos também no sistema dopaminérgico, 
além dos efeitos clássicos no hipotálamo.
A ingestão de alimentos altamente palatáveis é capaz de “desligarˮ a 
regulação normal (homeostática) do apetite
A sinalização do sabor é transmitida para o sistema de recompensa, 
que leva à liberação de mediadores como dopamina, serotonina, 
endocanabinoides e opioides.
O circuito de recompensa se conecta com neurônios hipotalâmicos 
envolvidos no controle do apetite e consegue aumentar a expressão 
dos peptídios orexígenos e bloquear a sinalização dos peptídios da 
saciedade
Portanto, quando o alimento é altamente palatável, o estímulo para 
comer é mantido, e a ingestão passa a ser mediada por necessidades 
hedônicas em vez das biológicas.
Diminuição do gasto energético
GET diário: 60 a 75% de gasto energético de repouso GER,15 a 30% de 
GEAF (atividade física) e 10% de termogênese alimentar TA.
O GER inclui a energia necessária para as funções celulares vitais, no 
estado pós-absortivo, em vigília
O GEAF é o componente mais variável: inclui a atividade física voluntária e 
as atividades involuntárias (p. ex., contrações musculares para manter a 
postura)
A TA representa a energia utilizada na digestão, na absorção e na ativação 
do sistema nervoso simpático SNS após a ingestão alimentar.
Resumo  Síndrome Metabólicas 73
Indivíduos obesos apresentam GER maior que os magros, porque têm maior
massa celular, tanto magra quanto adiposa
Provavelmente, nos obesos que apresentam menor GET, a diferença 
está no GEAF (porque são menos ativos fisicamente) ou mesmo na TA
Aumento da capacidade de armazenar gordura
Os TG armazenados no tecido adiposo constituem a maior reserva 
energética do corpo humano
Em comparação ao glicogênio, os TG são muito mais eficientes, por sua 
densidade energética
Resumo  Síndrome Metabólicas 74
A oxidação dos TG fornece 9,3 kcal/g, comparado com 4,1 kcal/g 
fornecidas pela oxidação do glicogênio
A conversão de glicose em TG (liponeogênese) representa uma parcela 
mínima do armazenamento de gordura nos adipócitos
Grande parte dos TG presentes no tecido adiposo provém dos 
quilomícrons (origem dietética) e do conteúdo das partículas de VLDL 
hepáticos
A enzima lipoproteína lipase LPL é produzida pelo adipócito e 
transportada para a membrana endoluminal do endotélio, onde entra em 
contato com as partículas de quilomícrons e VLDL-c → hidrolisa os TG em 
ácidos graxos → os AG são captados pela célula adiposa → 
armazenamento
Os AGL circulantes no plasma também podem ser captados pelos 
adipócitos diretamente, independentemente da ação da LPL
A atividadeda LPL nos diferentes tecidos é fundamental para a distribuição 
dos depósitos de gordura no organismo
Fatores que estimulam LPL
A insulina estimula a atividade da LPL no tecido adiposo, o que contribui 
para o acúmulo de gordura nesse tecido
A insulina bloqueia a lipólise e estimula a diferenciação dos adipócitos
O cortisol também ativa a LPL no tecido adiposo
Diversos estudos apontam um aumento da atividade da LPL no tecido 
adiposo em indivíduos obesos, mostrando que ela se correlaciona 
positivamente com o aumento do IMC
Mas não da pra saber se é causa ou consequência
Fatores que inibem LPL
Dificultam o acúmulo de TG no tecido adiposo
Testosterona, hormônio do crescimento, catecolaminas, fator de necrose 
tumoral TNF e outras citocinas
Oxidação deficiente das gorduras
Lipólise
Resumo  Síndrome Metabólicas 75
Para serem utilizados como substrato energético (oxidados), os TG 
armazenados no tecido adiposo precisam ser hidrolisados e convertidos 
em ácidos graxos (lipólise)
Realizada pela enzima lipase hormônio sensível LHS
Libera os ácidos graxos para a circulação, nos quais sua meia-vida é de 
apenas 3 a 4 min
Uma vez presentes na circulação, os ácidos graxos podem ser prontamente
oxidados (p. ex., quando existe um aumento súbito das necessidades 
energéticas durante uma atividade física), mas, quando não utilizados, são 
reesterificados em TG no tecido adiposo, no fígado e nos músculos
Esses ácidos graxos são os principais precursores da síntese de TG das 
partículas de VLDL hepáticas, que redistribuem constantemente os TG aos 
tecidos, de acordo com diversos fatores, como a atividade da LPL
A taxa de lipólise varia consideravelmente entre os indivíduos e também no 
mesmo indivíduo
Os principais hormônios que influenciam a lipólise nos adipócitos são a 
insulina e as catecolaminas
O hormônio de crescimento GH e o cortisol também estimulam a 
lipólise, porém em menor grau
A insulina bloqueia a lipólise por meio da inibição da ação da LHS.
A inibição máxima da lipólise acontece com níveis de insulina 
encontrados no período pós-prandial
As catecolaminas estimulam a lipólise
Não existe um mecanismo de feedback no sentido contrário, ou seja, a taxa 
de lipólise e a de ácidos graxos plasmáticos não são capazes de aumentar 
ou diminuir os níveis de insulina e catecolaminas
Indivíduos obesos apresentam maiores concentrações basais de ácidos 
graxos circulantes, fator resultante do aumento da taxa de lipólise
Quando não há total utilização desses ácidos graxos como combustível, ou 
seja, quando a gordura não é oxidada, essas altas concentrações de ácidos 
graxos circulantes podem contribuir para um aumento na captação 
hepática, maior síntese de VLDL, maior formação de TG nos tecidos 
musculares e maior RI
Resumo  Síndrome Metabólicas 76
Competição pela oxidação
Os carboidratos e as gorduras competem entre si pela oxidação nos 
tecidos.
A oxidação de carboidratos dá origem a alguns produtos que inibem o 
transporte de ácidos graxos para dentro das mitocôndrias, estimulam sua 
reesterificação em TG no citosol, inibem a cetogênese e estimulam a 
liponeogênese
A oxidação de gorduras também gera produtos que inibem a captação de 
glicose, a glicólise e a oxidação do piruvato nos músculos e no fígado.
Assim, a utilização de carboidratos inibe a utilização de ácidos graxos 
como substrato energético, e vice-versa.
Quando ambos os substratos estão disponíveis, na presença de insulina, o 
organismo dá preferência à oxidação dos carboidratos, situação que tem 
relação com o balanço energético de cada nutriente individualmente: como 
as reservas de carboidratos são muito menores que as de gordura, o 
aumento do consumo de carboidratos deve estimular sua oxidação, à custa 
da redução da utilização dos ácidos graxos, que têm um reservatório muito 
maior – o tecido adiposo.
Relação com a obesidade
A capacidade de oxidar mais determinado tipo de substrato em detrimento 
de outro também pode ser influenciada por fatores além da composição 
dietética, como os genéticos.
Indivíduos com menor capacidade de utilizar gordura como substrato 
energético podem ter maior dificuldade para perder peso.
Ciclicidade do Peso
A manutenção do peso corporal estável, em qualquer nível de adiposidade, 
é regulada por fatores complexos
A porcentagem de indivíduos que se consideram “cicladoresˮ em relação 
ao peso corporal é alta
Aproximadamente 20% dos homens e de 25 a 30% das mulheres relatam 
ter perdido propositalmente (com dietas hipocalóricas e/ou atividade física) 
Resumo  Síndrome Metabólicas 77
uma grande quantidade de peso (de 5 a 10 kg) em mais de um período na 
vida, recuperando-o total ou parcialmente tempos depois.
Entre os adultos que tentam perder peso, apenas 25% conseguem manter 
a perda de peso por mais de 1 ano e apenas 10% mantêm o peso por mais 
de 5 anos, implementando definitivamente as mudanças de estilo de vida 
adequadas.
Mulheres são mais “cicladorasˮ que os homens, além de fazerem mais 
dietas hipocalóricas e apresentarem episódios de compulsão alimentar 
com maior frequência.
Fisiopatologia
A lipólise do tecido adiposo é regulada principalmente por insulina 
(inibição) e catecolaminas (estimulação), embora o hormônio do 
crescimento, o cortisol e o peptídio natriurético atrial também estimulem a 
lipólise
A obesidade da parte superior do corpo está associada a várias 
anormalidades da lipólise, mais notavelmente com maiores concentrações 
e liberação pós-prandial de AGL
essa anormalidade é particularmente evidente no DM 2
As concentrações anormalmente altas de AGL podem contribuir para várias 
complicações metabólicas da obesidade
Mecanismos:
Acúmulo de gordura visceral
RI
Desregulação dos mecanismos de fome e saciedade
Inflamação crônica de baixo grau
Acúmulo de gordura visceral
Tecido adiposo visceral: Mais metabolicamente ativo que o tecido adiposo 
subcutâneo, libera ácidos graxos livres AGLs) diretamente para a 
circulação portal, afetando o fígado.
Impacto metabólico:
Resumo  Síndrome Metabólicas 78
Aumenta a resistência à insulina RI.
Promove a produção de lipoproteínas aterogênicas pelo fígado.
Contribui para inflamação sistêmica de baixo grau, pela liberação de 
citocinas inflamatórias como IL6, TNFα e MCP1.
Resistência à insulina
O principal local de captação, oxidação e armazenamento de glicose 
estimulada pela insulina é o músculo esquelético.
O aumento da lipólise no tecido adiposo visceral eleva os AGLs na 
circulação:
No fígado: Estimula a gliconeogênese, aumentando a glicemia.
Nos músculos: Reduz a captação de glicose mediada por insulina
O principal local de produção de glicose é o fígado.
A resistência à insulina inicialmente leva à hiperinsulinemia e, por fim, ao 
desenvolvimento de diabetes melito do tipo 2 DM2 se ocorrer exaustão 
das células β pancreáticas
A capacidade da insulina de promover a captação, a oxidação e o 
armazenamento de glicose no músculo e de suprimir as concentrações 
plasmáticas de AGL está reduzida na obesidade da parte superior do 
corpo.
As altas concentrações plasmáticas de AGL podem induzir um estado de 
resistência à insulina tanto no músculo (captação de glicose) quanto no 
fígado (liberação de glicose), independentemente da obesidade.
Essa regulação anormal da exportação de AGL do tecido adiposo é um 
componente significativo do desenvolvimento da resistência à insulina.
O aumento da produção de resistina, interleucina-6 IL6 e fator de 
necrose tumoral TNF pelo tecido adiposo foi associado à resistência à 
insulina
Resumo  Síndrome Metabólicas 79
Complicações
A obesidade predispõe o surgimento de uma variedade de doenças 
crônicas, incluindo doenças cardiovasculares e cerebrovasculares; 
distúrbios metabólicos, digestivos, respiratórios e gonadais; alguns tipos de 
cânceres e uma ampla gama de condições osteomusculares
A obesidade é um dos principais fatores de risco para doenças não 
transmissíveis, tais como: distúrbios metabólicos, doenças 
cardiovascularese cerebrovasculares, distúrbios respiratórios, digestivos, 
reprodutivos e osteoarticulares; neoplasias malignas etc
Quanto maior o IMC, maior o risco de complicações
Resumo  Síndrome Metabólicas 80
Resumo  Síndrome Metabólicas 81
Diabetes mellito tipo 2
A adiposidade central e o aumento do peso corporal estão associados a 
risco elevado de desenvolvimento de DM tipo 2 DM2
Obesidade → aumento dos níveis de ácidos graxos livres AGL  RI  
inibição da absorção e uso celular de glicose + aumento da síntese de 
glicogênio + oxidação de glicose
O excesso ponderal associa-se a alterações no perfil das adipocinas, 
influenciando, assim, o desenvolvimento de alterações glicêmicas
O processo inflamatório induzido pela IL1 (produzida por adipócitos) 
contribui para a resistência à insulina
Hipertensão arterial sistêmica
A hipertensão arterial sistêmica HAS é o mais importante fator de risco 
para o desenvolvimento de doença arterial coronariana, acidente vascular 
cerebral AVC, doença renal crônica e mortalidade por todas as causas
Resumo  Síndrome Metabólicas 82
Fatores que contribuem para o risco aumentado de HAS em obesos são:
disfunção endotelial
hiperatividade do sistema nervoso simpático
hiperleptinemia
ativação do sistema renina–angiotensina–aldosterona.
Hiperinsulinemia → reabsorção de sódio → expansão do volume sanguíneo, 
produção de excesso de norepinefrina e proliferação de músculo liso → 
hipertensão
As anormalidades da resistência vascular também contribuem para o 
processo fisiopatológico da hipertensão relacionada à obesidade
AGL elevados → vasoconstrição e redução do relaxamento vascular 
mediado pelo óxido nítrico, semelhante ao observado na síndrome 
metabólica
Alguns adultos obesos apresentam aumento da atividade do sistema 
nervoso simpático, o que pode contribuir para a hipertensão arterial 
associada à obesidade
Dislipidemia
A dislipidemia associada à obesidade deve-se ao quadro de resistência 
insulínica subjacente que resulta em lipólise, aumento dos AGL circulantes, 
maior síntese hepática da lipoproteína de muito baixa densidade VLDL e 
triglicerídeos, redução da lipoproteína de alta densidade HDL, aumento de 
LDL
A obesidade central tem forte associação com o desenvolvimento de tais 
alterações lipídicas que habitualmente se manifestam como 
hipertrigliceridemia e diminuição dos níveis de HDL-colesterol, com valores 
de LDL-colesterol normais ou discretamente elevados
A resistência à insulina também altera o metabolismo lipídico, promovendo:
Aumento de triglicerídeos: pela maior produção de VLDL no fígado.
Redução do HDLC: devido ao maior catabolismo de partículas HDL.
Aumento de LDL pequenas e densas: partículas mais aterogênicas.
Resumo  Síndrome Metabólicas 83
Síndrome metabólica
A síndrome metabólica representa um aglomerado de condições que 
aumentam o risco de doenças cardiovasculares, como hiperglicemia, 
dislipidemia e HAS.
Segundo os critérios da International Diabetes Federation IDF, o 
diagnóstico de síndrome metabólica é definido pela presença de, pelo 
menos, duas das citadas comorbidades em indivíduos com circunferência 
abdominal aumentada
Distúrbios respiratórios
Apneia obstrutiva do sono e asma
Resumo  Síndrome Metabólicas 84
O excesso de peso é fator de risco importante para o desenvolvimento da 
síndrome de apneia obstrutiva do sono SAOS
A obesidade visceral está ligada à maior produção de leptina e maior 
resistência a esse hormônio
A obesidade central relaciona-se com a deposição de gordura no pescoço, 
ao contrário da obesidade periférica
Isso causa um estreitamento mais notável das vias respiratórias 
superiores durante o sono, aumentando a incidência da SAOS
Há evidências de que a obesidade também aumente o risco de asma 
brônquica
Os mecanismos envolvidos nessa associação incluem hiper-
responsividade das vias respiratórias, diminuição dos volumes pulmonares 
funcionais e inflamação sistêmica crônica
Câncer
Alguns tipos de cânceres têm incidência significativamente aumentada em 
indivíduos obesos.
Entre homens destacam-se os cânceres de cólon, reto e próstata; em 
mulheres, os cânceres de mama, endométrio e vesícula biliar
Mecanismos fisiopatológicos: hiperinsulinemia e resistência insulínica, 
anormalidades no metabolismo dos hormônios sexuais e adipocinas, 
estado de inflamação crônica, altos níveis de leptina e hiperglicemia
A resistência à insulina leva à hiperinsulinemia
A hiperinsulinemia causa um aumento nos níveis de fator de crescimento 
semelhante à insulina 1 IGF1 livre
O IGF1 é um mitógeno e seu receptor, IGFR1, é altamente expresso em 
muitos cânceres humanos
O IGFR1 ativa as vias RAS e PI3K/AKT, que promovem o crescimento tanto 
de células normais quanto neoplásicas
Resumo  Síndrome Metabólicas 85
Doença hepática gordurosa não alcoólica
80% dos indivíduos com essa doença são obesos.
Contudo, ela também pode desenvolver-se em indivíduos magros.
A DHGNA pode apresentar-se como esteatose simples ou evoluir em 10 a 
20% para a sua complicação inflamatória, a esteato-hepatite não alcoólica, 
bem como, eventualmente, para cirrose e carcinoma hepatocelular.
O fígado desempenha importante papel no metabolismo dos AGL.
O tecido adiposo em abundância, como observado nos pacientes obesos, 
libera maior quantidade de AGL, os quais devem ser oxidados ou 
armazenados no fígado.
Alterações como redução na oxidação dos AGL e na exportação da gordura 
e disfunção mitocondrial ocasionam deposição de gordura hepática.
Doenças osteoarticulares
A ocorrência de osteoartrite aumenta significativamente em indivíduos com 
sobrepeso e obesidade, sendo mais frequente em articulações que 
suportam o peso corporal, como joelhos, quadril e tornozelos.
Resumo  Síndrome Metabólicas 86
A obesidade também aumenta o risco para a síndrome do túnel do carpo e 
hérnias discais
Doenças do sistema reprodutivo
Anovulação crônica e distúrbios menstruais são frequentes em mulheres 
obesas.
A síndrome dos ovários policísticos SOP, caracterizada por irregularidade 
menstrual, hiperandrogenismo (clínico ou laboratorial) e ovários policísticos 
à ultrassonografia, geralmente associa-se à obesidade e à resistência à 
insulina.
Apesar de a obesidade não fazer parte dos critérios diagnósticos da SOP, 
ela ocorre em até 80% dos casos e é responsável pela intensificação da 
resistência insulínica, sobretudo pelo incremento dos adipócitos viscerais.
As mulheres com SOP tendem a apresentar maior deposição de gordura na 
região abdominal, e a associação com obesidade acaba por agravar as 
complicações metabólicas, como DM2 e HAS
Nos homens, a obesidade abdominal tem sido associada à disfunção erétil 
e infertilidade, bem como hipogonadismo hipogonadotrófico, com melhora 
clínica e laboratorial após a perda de peso
É potencialmente reversível pela perda de peso
Entre os mecanismos envolvidos, incluem-se supressão do eixo 
hipotalâmico-hipofisário-gonadal pela hiperestrogenemia (resultante da 
conversão periférica aumentada de androgênios em estrogênios nos 
adipócitos) e por citocinas pró-inflamatórias (interleucina-6 IL6 e 
fator de necrose tumoral alfa TNFα]), aumento da globulina ligadora 
de hormônios sexuais SHBG e SAOS.
Acredita-se que a fragmentação do sono interrompa o ritmo noturno da 
testosterona. Além disso, aumento da temperatura no escroto (decorrente 
do aumento de adiposidade), hiperinsulinemia e hiperglicemia reduziriam a 
produção e a motilidade dos espermatozoides
Doenças cardiovasculares
À medida que o IMC aumenta, eleva-se também o risco de doença arterial 
coronariana e insuficiência cardíaca.
Resumo  Síndrome Metabólicas 87
O próprio ganho de peso, independentemente do IMC inicial, também é 
fator de risco para essas doenças.
Quando a adiposidade central é adicionada a outros componentes da SM, o 
risco é ainda maior.
Doença cerebrovascular
O risco de desenvolvimento de AVC isquêmico e hemorrágico é aumentado 
em homens obesos.
Já nas mulheres, temsido relatado apenas risco aumentado para AVC 
isquêmico.
Além disso, a obesidade visceral tem sido considerada fator preditor de 
mortalidade no AVC.
Doenças gastrintestinais
Doença do refluxo gastresofágico, esofagite erosiva, câncer de esôfago e 
colelitíase
Transtornos psicossociais
Transtornos obsessivo-compulsivos, transtornos do humor, hipocondria, 
fobias e somatizações
Complicações gestacionais
Gestantes obesas têm maior risco de desenvolvimento de DM gestacional, 
pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, depressão, parto cesariano e 
infecção de sítio cirúrgico, em comparação a gestantes não obesas.
Na gravidez, a obesidade também associa-se a maior risco de parto 
prematuro, macrossomia fetal, anormalidades congênitas e morte perinatal.
Além disso, as taxas de amamentação são mais baixas e há maior risco de 
desmame precoce
Tratamento
A recomendação atual é que o tratamento seja oferecido a todos os 
indivíduos que apresentem IMC igual ou maior que 30 e aos que têm IMC 
Resumo  Síndrome Metabólicas 88
entre 25 e 29,9 ou circunferência abdominal aumentada e dois ou mais 
fatores de risco adicionais
O tratamento deve enfatizar modificação individualizada do estilo de vida 
por uma combinação de redução da ingestão calórica, aumento da 
atividade física e terapia comportamental.
Medicamentos
Estatinas
Inibidores da 3-hidroxi-3-metilglutaril-coenzima a redutase
Atorvastatina, pravastatina, rosuvastatina, sinvastatina
Os inibidores da HMGCoA redutase inibem, competitivamente, a enzima 
que catalisa a etapa limitante da taxa de síntese do colesterol
Sua ação mais importante é no fígado, onde a redução nos níveis hepáticos 
de colesterol produz uma ação compensatória de regulação positiva no 
número de receptores de LDL nos hepatócitos, com aumento da remoção 
do LDL circulante
No fígado, o colesterol é reprocessado para formar sais biliares
A extensão da redução no LDL plasmático varia de 25 a 55%, dependendo 
da estatina específica e da dose
Estatinas de curta ação, como sinvastatina, são mais efetivas na redução 
do LDL quando administradas à noite, que é o horário em que ocorre a 
maior parte da síntese de colesterol
O principal efeito bioquímico das estatinas, portanto, é reduzir o LDL 
plasmático.
Também há certa redução dos triglicerídios plasmáticos e aumento do 
HDL.
As estatinas também reduzem a concentração de VLDL circulante por 
estimulação da lipase lipoproteica e, portanto, reduzem os triglicerídeos 
circulantes
Um aumento modesto dos níveis de HDL é usualmente visto, devido ao 
aumento da síntese do constituinte apo A1
Resumo  Síndrome Metabólicas 89
Isso é resultado da ativação do receptor α ativado por proliferador de 
peroxissoma PPARα), discutido mais adiante, na seção de fibratos
Efeitos adversos
Transtornos gastrintestinais, incluindo náuseas, vômitos, dor abdominal, 
flatulência e diarreia.
Efeitos no sistema nervoso central, como tontura, visão borrada e cefaleia
Distúrbios transitórios dos exames da função hepática e raramente hepatite
Mialgia (dor muscular) ou miosite (inflamação muscular) e raramente 
rabdomiólise
Atorvastatina
Inibidor de ação prolongada
Enalapril
Inibidores da enzima conversora de angiotensina
A inibição da ECA tecidual na parede vascular é central para o efeito 
hipotensor desses fármacos
A redução da concentração tecidual de angiotensina II leva à dilatação 
arterial e, em menor extensão, dilatação venosa
A produção de angiotensina II não é completamente inibida devido à 
produção de proteases por vias alternativas, incluindo quimase e 
enzima geradora de angiotensina II semelhante à quimotripsina CAGE
A atividade nessa via é aumentada devido à estimulação da liberação 
de renina secundária à queda da PA após a inibição da ECA
Inibição competitiva da produção de ECA plasmática reduz a produção de 
angiotensina II circulante e, consequentemente, reduz a liberação de 
aldosterona
Redução da potencialização do sistema nervoso simpático mediada por 
angiotensina II previne taquicardia reflexa
Angiotensina II está implicada no remodelamento arterial e HVE na 
hipertensão.
Resumo  Síndrome Metabólicas 90
Inibidores da ECA são mais eficazes na regressão de HVE do que 
diuréticos ou antagonistas β-adrenérgicos
ECA também degrada outros peptídeos, incluindo o vasodilatador 
bradicinina
Inibidores da ECA aumentam bradicinina na parede vascular, o que 
pode contribuir para sua ação hipotensora.
Ações biológicas de angiotensina II e bradicinina e fármacos que modificam 
essas ações
Hidroclorotiazida
Família dos diuréticos tiazídicos
Age na superfície luminal do túbulo contorcido distal e inibe o NCC, 
inibindo o transporte de Na+ e Cl− na célula tubular
A concentração de Na+ no fluido que sai do túbulo contornado distal é, 
portanto, aumentada
Resumo  Síndrome Metabólicas 91
Tiazídicos produzem vasodilatação arterial durante o uso a longo prazo, o 
que parece ser a base do seu efeito hipotensor
Efeitos adversos
Hipocalemia
Hiponatremia
Hiperuricemia
Intolerância à glicose
Hiperlipidemia
Impotência
Noctúria
Liraglutida
Agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 GLP1 
liraglutida e exenatida
Hipoglicemiantes parentais para reduzir a glicose
Miméticos da incretina
Exenatida e liraglutida são peptídeos que compartilham parte de suas 
sequências de aminoácidos com a incretina natural GLP1
Eles se ligam e ativam (agonistas) o receptor de GLP1, promovendo 
aumento da síntese de insulina dependente da glicose e sua secreção a 
partir das células β
Eles restauram a resposta de insulina de primeira fase a uma carga oral de 
glicose e, ao contrário da insulina, promovem a perda de peso.
Em contraste com o GLP1, eles são resistentes à ação enzimática da DPP4, 
a enzima responsável pelo metabolismo e término de ação do GLP1 
endógeno
Os agonistas GLP1 são administrados por injeção subcutânea, seja 1 
vez/dia
Não é o medicamento de primeira escolha
Resumo  Síndrome Metabólicas 92
Homeostasia da glicose
 A homeostasia da glicose é regulada de maneira complexa e 
interdependente por três processos principais: a produção de glicose no 
fígado, a captação e utilização de glicose pelos tecidos periféricos 
(principalmente o músculo esquelético), e a ação de hormônios como a insulina 
e o glucagon, que modulam o metabolismo da glicose. 
 A insulina e o glucagon possuem efeitos opostos, sendo fundamentais na 
regulação da glicose.
1. Regulação da glicose no jejum:
Durante o jejum, os níveis de insulina estão baixos, enquanto os de 
glucagon estão elevados. Isso favorece a gliconeogênese (produção de 
glicose) e a glicogenólise (quebra do glicogênio) no fígado, ao mesmo 
tempo que inibe a síntese de glicogênio. Esses mecanismos ajudam a 
manter os níveis de glicose no sangue elevados o suficiente para prevenir a 
hipoglicemia. Assim, a principal fonte de glicose no jejum é a produção 
hepática.
2. Regulação pós-prandial:
Resumo  Síndrome Metabólicas 93
Após uma refeição, a ingestão de glicose leva a um aumento na secreção 
de insulina e uma diminuição do glucagon. A insulina facilita a captação de 
glicose pelos tecidos periféricos, especialmente pelo músculo esquelético, 
que desempenha um papel crucial na utilização de glicose pós-refeição. 
Embora o cérebro e o tecido adiposo também utilizem glicose, sua 
dependência da insulina é menor do que a do músculo esquelético.
3. Estímulo para a liberação de insulina:
O principal estímulo para a secreção de insulina é o aumento nos níveis de 
glicose no sangue. A glicose é captada pelas células β do pâncreas através 
do transportador GLUT2, o que leva à produção de ATP e ao aumento de 
cálcio intracelular. Esse aumento de cálcio é o que estimula a liberação 
imediata de insulina dos grânulos de secreção das células β. Essa é a 
chamada primeira fase de secreção de insulina. Se a glicemia permanece 
elevada, ocorre a segunda fase, com a produção ativa de insulina.
4. Papel das incretinas:
A ingestão de alimentostambém ativa a liberação de hormônios intestinais 
conhecidos como incretinas GIP e GLP1. Esses hormônios aumentam a 
secreção de insulina pelas células β do pâncreas e reduzem a secreção de 
glucagon pelas células α. Além disso, retardam o esvaziamento gástrico e 
promovem a saciedade. Esse efeito é conhecido como "efeito das 
incretinas". Em pacientes com diabetes tipo 2 DT2, esse efeito é 
atenuado, o que pode ser uma das razões para o controle glicêmico 
deficiente.
5. Terapia para diabetes tipo 2
Para melhorar o controle glicêmico em pacientes com DT2, 
desenvolveram-se medicamentos que imitam ou aumentam a ação das 
incretinas. Agonistas do receptor de GLP1 são análogos sintéticos do 
GLP1 que aumentam a secreção de insulina e promovem a perda de peso 
ao estimular a saciedade. Inibidores da DPP4 atuam retardando a 
degradação das incretinas endógenas, prolongando sua ação.
6. Regulação da liberação de insulina:
A insulina é produzida nas células β das ilhotas pancreáticas como uma 
proteína precursora e, posteriormente, é clivada para formar a insulina 
madura e o peptídeo C. Tanto a insulina quanto o peptídeo C são 
armazenados nos grânulos secretórios e liberados em quantidades 
Resumo  Síndrome Metabólicas 94
equimolares. O nível de peptídeo C pode servir como um marcador da 
função das células β: níveis baixos indicam perda de células β (como no 
diabetes tipo 1) e níveis elevados indicam hiperinsulinemia, geralmente 
associada à resistência à insulina.
 A insulina é um potente hormônio anabólico com diversos efeitos no 
metabolismo celular, promovendo o crescimento e a síntese de componentes 
celulares essenciais. 
Sua principal função é aumentar a captação de glicose em células 
específicas, proporcionando energia e intermediários metabólicos que são 
usados na biossíntese de lipídios, aminoácidos e nucleotídeos.
Principais Alvos da Insulina
Músculos estriados e cardiomiócitos A glicose nesses tecidos é 
armazenada como glicogênio ou é oxidada para gerar ATP. Este processo 
é essencial para a produção de energia muscular, especialmente durante o 
exercício.
Síntese e secreção de insulina. O influxo de glicose nas células β por meio dos receptores de 
GLUT2 inicia uma cascata de eventos de sinalização, que culmina com a liberação da 
insulina armazenada induzida por Ca2 (ver texto para mais detalhes).
Resumo  Síndrome Metabólicas 95
Adipócitos A insulina promove a utilização de glicose para a síntese de 
lipídios (principalmente triglicerídeos) no tecido adiposo. Também inibe a 
hidrólise de triglicerídeos, ou seja, evita que a gordura armazenada seja 
quebrada e liberada pelos adipócitos.
Efeitos Anabólicos da Insulina
 A insulina não apenas aumenta a síntese de glicogênio, lipídios e proteínas, 
mas também inibe sua degradação. Esse efeito é essencial para o crescimento 
e o armazenamento de energia. Além disso, a insulina exerce atividades 
mitogênicas, como a síntese de DNA e a estimulação do crescimento e 
diferenciação celular em diversos tecidos.
Mecanismo de Ação da Insulina: Via de Sinalização
A insulina exerce seus efeitos metabólicos por meio da ativação de um 
receptor de insulina, que é uma proteína tetramérica, composta por duas 
subunidades α (extracelular) e duas subunidades β (intracelular). O processo 
ocorre da seguinte maneira:
� Ligação ao Receptor A insulina se liga à subunidade α do receptor, o que 
ativa a tirosinoquinase na subunidade β.
� Autofosforilação A tirosinoquinase da subunidade β sofre 
autofosforilação, ou seja, ela se fosforila em resíduos de tirosina.
� Fosforilação de Substratos Intracelulares A autofosforilação da 
tirosinoquinase ativa proteínas de substrato do receptor de insulina IRS, 
que são proteínas intracelulares que desempenham um papel essencial na 
transdução do sinal.
� Ativação de Vias de Sinalização:
As proteínas IRS ativam vias de sinalização dependentes de PI3 
quinase e Akt (também conhecida como proteína quinase B), que são 
mediadores chave na ação da insulina.
Akt, uma serina/treonina quinase, está envolvida em muitos efeitos da 
insulina, incluindo:
Aumento da captação de glicose nas células, essencial para a 
redução da glicemia.
Diminuição da produção de glicose no fígado.
Resumo  Síndrome Metabólicas 96
Aumento da síntese de glicogênio e proteínas.
Efeitos Metabólicos Principais da Insulina
Os efeitos da insulina são amplamente anabólicos, ou seja, promovem a 
síntese e armazenamento de macromoléculas importantes:
Glicogênio A insulina aumenta a síntese de glicogênio no fígado e nos 
músculos, ao mesmo tempo que inibe sua degradação.
Lipídios A insulina promove a síntese de lipídios no tecido adiposo e inibe 
a lipólise, ajudando a armazenar energia na forma de gordura.
Proteínas A insulina também estimula a síntese de proteínas, 
principalmente nos músculos, e inibe a proteólise (degradação de 
proteínas).
Além de suas funções metabólicas, a insulina também regula funções mais 
amplas, como o crescimento celular e a diferenciação, por meio da ativação de 
vias mitogênicas que iniciam a síntese de DNA em determinadas células.
Conclusão
Em resumo, a insulina é essencial para a regulação do metabolismo energético 
e para o crescimento celular. Seus efeitos são mediados por uma via de 
sinalização complexa que envolve a ativação de tirosinoquinases, proteínas 
IRS, e Akt, promovendo a captação de glicose, a síntese de glicogênio, lipídios 
e proteínas, além de modular o crescimento celular. A ação da insulina é 
fundamental para manter o equilíbrio energético e para o funcionamento 
normal das células e tecidos do corpo.
Resumo  Síndrome Metabólicas 97
Ações metabólicas da insulina no músculo estriado, no tecido adiposo e no 
fígado.
Resumo  Síndrome Metabólicas 98
Diabetes Mellitus tipo 2 
 O DT2 é uma doença complexa, que envolve a interação de fatores 
genéticos e ambientais, bem como um estado pró-inflamatório. 
 Ação da insulina sobre uma célula-alvo. A ligação da insulina ao receptor tetramérico inicia 
uma cascata de eventos de fosforilação, que resultam em ativação da sinalização de PI3 
quinase/Akt. A Akt é uma serina treonina quinase, que medeia suas funções efetoras por 
meio de eventos dependentes da fosforilação. Por exemplo, a Akt fosforila e inibe a função 
das proteínas do complexo da esclerose tuberosa TSC, levando à ativação do complexo 
TOR em mamíferos (mTOR downstream, que aumenta a síntese de proteínas. A Akt também 
inibe a função da proteína de caixa Forkhead O FOXO, que, por sua vez, reduz a síntese de 
glicose, enquanto a inibição da enzima glicogênio sintase quinase 3 GSK3 aumenta a 
produção de glicogênio. Por fim, a Akt aumenta a captação intracelular de glicose por meio 
de translocação das vesículas de GLUT4 para a membrana celular.
Resumo  Síndrome Metabólicas 99
 Diferentemente do DT1, não há evidências de uma base autoimune.
Fisiopatologia 
1. Fatores Genéticos
Histórico familiar Parentes de primeiro grau (pais, irmãos) de pessoas 
com DT2 têm um risco de 5 a 10 vezes maior de desenvolver a doença
Genes identificados Estudos de associação do genoma GWAS 
identificaram pelo menos 30 loci genéticos que aumentam modestamente 
o risco de DT2. Muitos desses genes estão relacionados a:
A função do tecido adiposo, influenciando a distribuição de gordura 
(especialmente a gordura visceral, que está mais associada ao risco de 
diabetes).
A função das células beta das ilhotas no pâncreas, responsáveis pela 
produção de insulina.
O desenvolvimento da obesidade, um dos principais fatores de risco 
para o DT2.
Fatores Ambientais 
Fatores de Risco para o Diabetes Tipo 2 DT2
� Obesidade
Principal fator de risco ambiental para o DT2.
Obesidade central/visceral é especialmente associada ao risco.
Mais de 80% dos indivíduos com DT2 são obesos.
A incidência de diabetes aumenta proporcionalmente com o aumento 
da obesidade.
� Impacto da Obesidade no Metabolismo
A obesidade contribuipara:
Resistência à insulina (principal anormalidade metabólica).
Alterações no metabolismo da glicose.
Perda de peso modesta pode reduzir a resistência à insulina e melhorar 
a tolerância à glicose.
Resumo  Síndrome Metabólicas 100
� Sedentarismo
Estilo de vida sedentário (falta de exercício) é outro fator de risco, 
mesmo sem obesidade.
Exercício físico e perda de peso aumentam a sensibilidade à insulina.
� Síndrome Metabólica
Combinação de obesidade, hiperglicemia, dislipidemia (aumento do 
colesterol e triglicerídeos) e hipertensão.
Fatores de risco para o DT2 e outras doenças cardiovasculares.
Distribuição de Gordura Corporal e Risco para o DT2
� Regiões de Risco Elevado (leste da Ásia, sul da Ásia, Oriente Médio):
As taxas de DT2 aumentam rapidamente, mas sem aumento 
proporcional da obesidade IMC.
Isso sugere que a distribuição de gordura (não apenas a quantidade) é 
um fator importante para o risco do DT2.
Fatores Adicionais de Risco
� Transtornos do Sono
Transtornos como a apneia obstrutiva do sono são fatores de risco 
para o DT2.
A ruptura do ritmo circadiano (descompasso entre o ritmo biológico e 
o ciclo de vida) também aumenta o risco.
� Ruptura do Ritmo Circadiano
Afeta a secreção e ação da insulina.
Está associada a comportamentos alimentares desregulados e 
aumento da hiperglicemia.
Indivíduos com turnos irregulares de trabalho ou dificuldades no sono 
têm maior risco.
� Genes Controlados pelo Ritmo Circadiano
GWAS (estudos de associação genômica ampla) associam genes de 
ritmo circadiano ao DT2.
Resumo  Síndrome Metabólicas 101
Mutação em genes "de relógio" afeta secreção de insulina e 
comportamentos alimentares.
Defeitos Metabólicos no Diabetes Tipo 2
� Resistência à Insulina
Diminuição da resposta dos tecidos periféricos (músculos, tecido 
adiposo, fígado) à insulina.
Precede o desenvolvimento da hiperglicemia.
� Disfunção das Células β
As células β no pâncreas não secretam insulina adequadamente em 
resposta à resistência à insulina.
Inicialmente, há hiperinsulinemia compensatória (produção excessiva 
de insulina).
Com o tempo, as células β não conseguem acompanhar a demanda, 
levando à hiperglicemia crônica.
� Progressão da Doença
A resistência à insulina é compensada inicialmente, mas com o tempo, 
leva à falência das células β e ao desenvolvimento de hiperglicemia 
crônica.
Isso resulta em complicações a longo prazo do diabetes tipo 2.
Resumo  Síndrome Metabólicas 102
Resistência à Insulina
 A resistência à insulina é a incapacidade dos tecidos-alvo (fígado, músculo 
esquelético e tecido adiposo) de responder normalmente à insulina, o que 
resulta em tolerância à glicose anormal. Essa condição leva a várias 
alterações metabólicas que afetam o controle da glicose e a homeostasia 
lipídica.
Efeitos da Resistência à Insulina
� No Fígado
Desenvolvimento do diabetes melito tipo 2. A resistência à insulina associada à obesidade é 
induzida por adipocinas, ácidos graxos livres AGL e inflamação crônica no tecido adiposo. 
As células β do pâncreas compensam a resistência à insulina por meio de hipersecreção de 
insulina. Todavia, em algum ponto, a compensação das células β é seguida de falência das 
células β, com consequente desenvolvimento de diabetes
Resumo  Síndrome Metabólicas 103
Aumento da produção hepática de glicose (gliconeogênese):
Em indivíduos com DM2, a taxa basal de produção de glicose pelo 
fígado é aumentada em comparação com indivíduos saudáveis. A 
produção basal de glicose no jejum aumenta em individuos com DM2, 
contribuindo para a hiperglicemia de jejum.
Falha na inibição da gliconeogênese pela insulina:
Apesar do aumento significativo de insulina de jejum 2 a 3 vezes 
superior ao normal), a insulina não consegue inibir adequadamente a 
gliconeogênese hepática, levando à produção excessiva de glicose 
pelo fígado.
2. Nos Tecidos Periféricos
Defeito na translocação do GLUT4:
GLUT4 é o transportador responsável pela captação de glicose para 
dentro das células musculares e adiposas.
Excesso de ácidos graxos livres nas células (devido ao aumento do 
consumo alimentar ou à falha na oxidação mitocondrial) interfere na 
fosforilação de PKC, levando à desregulação da sinalização da 
insulina. Isso prejudica a translocação do GLUT4 para a membrana 
celular, comprometendo a captação de glicose.
A prática de exercício físico pode ajudar a aumentar a disponibilidade 
de GLUT4 nas células musculares esqueléticas, melhorando a 
sensibilidade à insulina.
Correlação inversa entre ácidos graxos livres e sensibilidade à insulina:
Quanto maior o nível de ácidos graxos livres no plasma, menor a 
sensibilidade à insulina. A perda de peso e o exercício físico ajudam a 
reduzir a resistência à insulina ao diminuir os níveis de ácidos graxos 
livres.
3. Nas Células Alfa do Pâncreas
Aumento da produção de glucagon:
Pacientes com DM2 apresentam produção excessiva de glucagon 
pelas células alfa do pâncreas.
Resumo  Síndrome Metabólicas 104
Normalmente, a insulina inibe a secreção de glucagon, mas em DM2, as 
células alfa se tornam resistentes à insulina, levando à produção 
contínua de glucagon mesmo quando os níveis de glicose estão 
elevados, o que piora o controle glicêmico.
4. Nos Rins
Aumento da reabsorção renal de glicose:
Os rins desempenham papel importante na regulação da glicose, 
incluindo gliconeogênese e reabsorção de glicose através de 
cotransportadores de glicose/Na+ SGLTs).
No DM2, o limiar renal para excreção de glicose é aumentado devido a 
uma maior expressão dos SGLTs, o que resulta em maior reabsorção 
renal de glicose e, portanto, contribui para a manutenção da 
hiperglicemia.
Glicogenólise renal:
A glicogenólise renal (quebra do glicogênio nos rins) é mínima em 
indivíduos saudáveis, mas nos pacientes com DM2 pode ser 
expressiva, contribuindo para a liberação aumentada de glicose.
Tratamento com inibidores de SGLT2:
Medicamentos como os inibidores de SGLT2 aumentam a glicosúria, 
promovendo a excreção de glicose pela urina e ajudando a controlar os 
níveis de glicose no sangue em pacientes com DM2.
5. No Tecido Adiposo
Aumento da lipólise:
Em DM2, há um aumento da lipólise (quebra de gordura), o que libera 
mais ácidos graxos livres para a circulação, exacerbando a resistência 
à insulina.
Diminuição dos níveis de adiponectina:
A adiponectina é uma adipocina com efeito anti-hiperglicêmico que 
melhora a sensibilidade à insulina. No DM2, há redução nos níveis de 
adiponectina, o que contribui para a resistência à insulina.
Secreção de citocinas pró-inflamatórias:
Resumo  Síndrome Metabólicas 105
O tecido adiposo visceral (principalmente gordura abdominal) secreta 
citocinas pró-inflamatórias como IL6 e IL1β, que promovem a 
resistência à insulina. Esses processos inflamatórios são ativados 
principalmente por ácidos graxos livres em excesso que ativam o 
inflamassomo, um complexo de proteínas envolvido na resposta 
inflamatória.
Obesidade visceral é um fator de risco central para o DM2, e a medida da 
circunferência abdominal está diretamente relacionada ao risco de 
desenvolvimento de DM2. Valores elevados de circunferência abdominal 
(acima de 80 cm em mulheres e 94 cm em homens) são considerados de 
alto risco.
Resumo dos Mecanismos Envolvidos na Resistência à Insulina no DM2
� No fígado Aumento da produção hepática de glicose (gliconeogênese) 
devido à falha na inibição pela insulina.
� Nos tecidos periféricos Defeito na translocação de GLUT4 para a 
membrana celular, prejudicando a captação de glicose.
� Nas células alfa Aumento da produção de glucagon, piorando o controle 
glicêmico.
� Nos rins Aumento da reabsorção renal de glicose e gliconeogênese renal, 
contribuindo para a hiperglicemia.
� No tecido adiposo Aumento da lipólise, diminuição de adiponectina e 
secreção de citocinas inflamatórias que exacerbam a resistência à insulina, 
principalmente em indivíduos com obesidade visceral.
Mecanismos Molecularesda Resistência à Insulina
Defeitos na via de sinalização da insulina:
Redução da fosforilação da tirosina do receptor de insulina e de 
proteínas IRS Insulin Receptor Substrate) nos tecidos periféricos.
Isso compromete a sinalização da insulina, prejudicando sua função e 
dificultando a captação de glicose pelas células.
Diminuição do transportador de glicose GLUT4:
Resumo  Síndrome Metabólicas 106
Com a resistência à insulina, o nível de GLUT4 (transportador de 
glicose) na superfície celular diminui, dificultando a entrada de glicose 
nas células.
Efeito do Exercício na Sensibilidade à Insulina
O exercício físico melhora a sensibilidade à insulina.
Um dos mecanismos é o aumento da translocação do GLUT4 para a 
membrana plasmática das células musculares esqueléticas, facilitando a 
captação de glicose e melhorando o controle glicêmico.
Essa alteração no metabolismo, com a resistência à insulina e os déficits na 
sinalização insulínica, é um dos principais fatores que contribuem para o 
desenvolvimento do diabetes tipo 2
Obesidade 
Fatores Contribuintes para a Resistência à Insulin
A obesidade central (gordura abdominal) está mais associada à 
resistência à insulina do que a obesidade periférica (gordura 
glútea/subcutânea).
Indivíduos com gordura visceral têm maior risco de desenvolver diabetes 
tipo 2 DT2, mesmo sem obesidade significativa, como é o caso em 
algumas populações do Leste Asiático e Oriente Médio.
A distribuição da gordura (visceral versus subcutânea) tem um papel 
crucial na sensibilidade à insulina e no risco de DT2.
Impactos Adversos da Obesidade na Sensibilidade à Insulina
� Ácidos Graxos Livres AGL
Níveis elevados de AGL no plasma têm uma correlação inversa com a 
sensibilidade à insulina.
O tecido adiposo central (abdominal) é mais “lipolíticoˮ (libera mais 
AGL do que a gordura periférica.
Excesso de AGL sobrecarrega a oxidação de ácidos graxos nas 
células, levando ao acúmulo de intermediários lipídicos tóxicos como 
diacilglicerol DAG, fosfolipídios, esfingolipídios e ceramidas.
Resumo  Síndrome Metabólicas 107
Esses metabólitos comprometem a sinalização da insulina, ativando 
vias inflamatórias que afetam as células β (responsáveis pela produção 
de insulina), agravando a resistência à insulina.
� Adipocinas
O tecido adiposo não é apenas um depósito de gordura, mas também 
um órgão endócrino que libera adipocinas (proteínas hormonais).
Algumas adipocinas, como leptina e adiponectina, promovem a 
redução da glicemia e aumentam a sensibilidade à insulina. No entanto, 
níveis baixos de adiponectina na obesidade contribuem para a 
resistência à insulina.
� Inflamação
A inflamação é um fator importante na patogênese do DT2, não 
autoimune, mas mediada por citocinas pró-inflamatórias.
AGL em excesso e glicose estimulam a secreção de citocinas 
inflamatórias pelos macrófagos e células das ilhotas pancreáticas, 
que prejudicam a sinalização da insulina e agravam a resistência.
O inflamassomo, um complexo de proteínas, é ativado pelo acúmulo de 
AGL nas células, levando à liberação de IL1β, que agrava a inflamação 
e a resistência à insulina.
� Esteatose Hepática Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica  DHGNA
A gordura acumulada no fígado (esteatose) é comum em indivíduos 
com síndrome metabólica e DT2.
A DHGNA agrava a resistência à insulina, podendo evoluir para formas 
mais graves, como esteato-hepatite não alcoólica EHNA, que pode 
levar a fibrose hepática.
Disfunção das Células β
A resistência à insulina, embora cause tolerância à glicose alterada, não é 
suficiente para causar diabetes tipo 2. A disfunção das células β é necessária 
para o desenvolvimento de diabetes melito clínico.
Mecanismos da Disfunção das Células β
� Esgotamento da capacidade adaptativa:
Resumo  Síndrome Metabólicas 108
As células β, ao tentarem compensar a resistência à insulina, secretam 
insulina excessiva e de forma prolongada. Isso resulta em 
hiperinsulinemia, mas com o tempo, as células β perdem a capacidade 
de manter essa produção elevada e acabam se tornando disfuncionais.
� Predisposição genética:
Nem todas as pessoas com obesidade e resistência à insulina 
desenvolvem DM2. Isso sugere que há uma predisposição genética 
para a disfunção das células β, ou seja, algumas pessoas têm maior 
risco de sofrer essa exaustão funcional das células β devido a fatores 
genéticos.
Papel da Amilina na Disfunção das Células β
� Substituição das Ilhotas por Amiloide:
Uma característica do DM2 de longa duração é a substituição das 
células das ilhotas pancreáticas (onde as células β estão localizadas) 
por depósitos de amiloide, principalmente amilina, um peptídeo que é 
secretado juntamente com a insulina pelas células β.
� Função da Amilina:
A amilina tem várias funções fisiológicas importantes, como:
Inibir a secreção de insulina,
Controlar os níveis pós-prandiais de glucagon,
Regular a adiposidade e a saciedade,
Promover o retardo do esvaziamento gástrico.
� Toxicidade da Amilina:
A amilina é altamente amiloidogênica, o que significa que ela tende a 
formar estruturas amiloides tóxicas dentro das células β. Esses 
oligômeros de amilina podem causar apoptose das células β, 
agravando a disfunção das ilhotas pancreáticas.
Além disso, a amilina tem propriedades semelhantes ao peptídeo β-
amiloide, que está envolvido na doença de Alzheimer, e interage com 
a proteína tau, contribuindo para a demência associada ao diabetes.
� Uso Clínico da Amilina:
Resumo  Síndrome Metabólicas 109
Embora a amilina seja tóxica para as células β e não possa ser utilizada 
clinicamente, seu análogo sintético, a pramlintida, é utilizado no 
tratamento do DM2. A pramlintida é administrada subcutaneamente 
antes das refeições e ajuda a reduzir a glicemia pós-prandial.
Disfunção das Células β e Incretinas
� Efeito das Incretinas:
As incretinas são hormônios intestinais, como o GLP1 e o GIP, que 
potencializam a secreção de insulina em resposta à ingestão de 
alimentos.
No DM2, há uma diminuição da secreção de GLP1, o que reduz o 
efeito de aumento da secreção de insulina em resposta à alimentação. 
Esse fenômeno é importante porque a infusão de GLP1 exógeno pode 
melhorar a secreção de insulina dependente da alimentação e reduzir 
os níveis glicêmicos.
Por outro lado, a secreção de GIP não é tão afetada no DM2, mas a 
redução do efeito do GLP1 pode ser um ponto terapêutico importante.
Fator de Risco
sobrepeso
obesidade
sedentarismo
A perda de peso e a prática de exercícios costumam aumentar a
sensibilidade à insulina de forma aditiva e, com frequência, constituem as
intervenções de primeira linha em pacientes com DT2 mais leve
histórico familiar
acima de 5060 anos
transtorno do sono → apneia obstrutiva do sono
ruptura do ritmo circadiano
é o descompasso entre o ritmo circadiano endógeno e o ciclo ou ritmo
criado por comportamentos individuais
isso prejudica a homeostasia da glicose ao afetar tanto a secreção quanto
Resumo  Síndrome Metabólicas 110
a ação da insulina
Diabetes Mellitus tipo 1 
 O Diabetes Tipo 1 DT1 é uma doença autoimune crônica caracterizada pela 
destruição das células β das ilhotas de Langerhans no pâncreas, responsáveis 
pela produção de insulina. Essa destruição é mediada por células T efetoras do 
sistema imunológico que atacam antígenos das células β. O DT1 pode se 
desenvolver em qualquer idade, embora seja mais comum na infância e na 
puberdade. 
 A necessidade de insulina para a sobrevivência é uma característica 
fundamental da doença, pois sem tratamento adequado, os pacientes podem 
sofrer de complicações metabólicas graves, como cetoacidose e coma.
Fisiopatologia 
A patogênese do DT1 envolve uma interação complexa de fatores genéticos e 
ambientais. 
Suscetibilidade genética:
Estudos epidemiológicos, como os que comparam a taxa de concordância 
entre gêmeos monozigóticos e dizigóticos, confirmam a base genética do 
DT1. A identificação de múltiplos loci de suscetibilidadepor GWAS 
(Estudos de Associação Genômica Ampla), incluindo variantes no grupo 
de genes HLA, foi um avanço importante. O haplótipo HLADR3 e HLA
DR4 estão fortemente associados ao DT1
Outros genes não HLA também contribuem para a suscetibilidade, 
como o gene da insulina e variantes em genes que codificam 
reguladores imunes, como CTLA4 e PTPN22. Mutações em AIRE (que 
afetam a seleção negativa de células T no timo) também estão 
relacionadas a maior risco de DT1.
Fatores ambientais:
→ Infecções virais são frequentemente sugeridas como gatilhos para a 
doença. Alguns vírus podem compartilhar epítopos com antígenos das 
ilhotas, o que leva a uma reatividade cruzada, um fenômeno conhecido 
como mimetismo molecular. No entanto, ainda não se sabe exatamente 
como as infecções virais desencadeiam a autoimunidade nas células β. 
Resumo  Síndrome Metabólicas 111
Mecanismos de Destruição das Células β
A destruição das células β ocorre em várias fases e está diretamente 
relacionada a um processo autoimune.
Fases do DT1:
A doença evolui por três estágios:
� Estágio 1 (autoimunidade positiva, normoglicemia) O paciente 
apresenta autoanticorpos contra as células β, mas ainda mantém níveis 
normais de glicose.
� Estágio 2 (autoimunidade positiva, disglicemia) A perda progressiva 
da massa das células β leva a problemas com a tolerância à glicose, 
embora ainda não apareçam sintomas evidentes.
� Estágio 3 (autoimunidade positiva, disglicemia, DT1 sintomático) 
Manifestações clássicas da doença (poliúria, polidipsia, polifagia, 
cetoacidose) surgem quando mais de 90% das células β foram 
destruídas.
Falha da autotolerância:
 A falha do sistema imune em reconhecer as células β como “própriasˮ é 
a anormalidade fundamental no DT1. 
 Isso ocorre devido à falha de seleção clonal das células T reativas à 
insulina no timo e à disfunção nas células T regulatórias, que normalmente 
suprimem respostas imunes autorreativas. Como resultado, as células T 
autorreativas não são eliminadas e começam a atacar os antígenos das 
células β no pâncreas. 
Resumo  Síndrome Metabólicas 112
 A ativação dessas células ocorre nos linfonodos peripancreáticos, onde 
elas começam a responder aos autoantígenos das ilhotas, como a 
insulina, ácido glutâmico descarboxilase GAD e outras proteínas β-
cellulares.
Danos das células β:
As células T ativadas migram para o pâncreas e causam destruição direta 
das células β. Entre as células T envolvidas na lesão das células β estão:
Células Th1, que secretam citocinas inflamatórias, como IFNγ e TNF, 
que contribuem para a inflamação e destruição das células β.
Células T citotóxicas CTL CD8, que matam diretamente as células β.
Papel dos autoanticorpos:
A presença de autoanticorpos contra antígenos das células β é uma 
característica do DT1, detectada mesmo nos estágios iniciais ou pré-
sintomáticos da doença. No entanto, não está claro se esses anticorpos 
são apenas um marcador da lesão das células β ou se eles desempenham 
um papel direto na destruição das células β.
Resumo  Síndrome Metabólicas 113
Resumo  Síndrome Metabólicas 114
Diabetes Mellitus tipo 1 e 2 
Diagnóstico 
 O diagnóstico de diabetes mellitus DM é confirmado pela identificação de 
hiperglicemia, que pode ser avaliada por meio de diferentes testes 
laboratoriais. A escolha do teste depende de fatores como a presença de 
sintomas e o risco individual de desenvolvimento da doença.
Glicose urinária → glicosúria
→ uma pessoa não diabética elimina quantidades indetectáveis de glicose, 
enquanto uma pessoa com diabetes elimina glicose em quantidades variáveis, 
de pequenas a grandes, segundo a gravidade da doença e a ingestão de 
carboidratos.
Concentrações de glicose sanguínea no jejum e níveis de insulina
VR no início da manhã = de 80 a 90 mg/100 mℓ
Resumo  Síndrome Metabólicas 115
 115 mg/100 mℓ é considerado o limite superior da normalidade.
 O nível de glicose sanguínea em jejum acima desse valor geralmente indica 
diabetes melito ou pelo menos uma acentuada resistência à insulina e pré-
diabetes.
Hemoglobina glicada HbA1C
 Quando os níveis de glicose sanguínea ficam elevados por períodos
prolongados, a glicose se liga à hemoglobina nas hemácias para formar a
hemoglobina glicada, frequentemente chamada de hemoglobina A1c HbA1c)
 Maior hiperglicemia, mais glicose se liga à hemoglobina, e, uma vez que a 
hemoglobina é glicada, ela permanece assim por toda a vida da célula reflete a 
concentração média de glicose à qual célula foi exposta durante seu ciclo de 
vida.
→ o teste HbA1c é usado principalmente para avaliar as concentrações médias 
de glicose sanguínea considerando os 3 meses anteriores
Teste de tolerância à glicose TOTG
→ “curva de tolerância à glicoseˮ
→ quando uma pessoa normal, em jejum, ingere 1 grama de glicose por 
quilograma de peso corporal, o nível de glicose sanguínea aumenta de cerca 
de 90 mg/100 mℓ para 120 a 140 mg/100 mℓ, e volta para o nível abaixo do 
normal em cerca de 2 horas.
 Em pessoas com diabetes tipo 2, a concentração de insulina plasmática 
pode ser várias vezes mais alta do que o normal e, geralmente, aumenta em 
maior grau após a ingestão de uma carga padrão de glicose, durante o teste de 
tolerância à glicose
Resumo  Síndrome Metabólicas 116
DM2 a concentração de glicose sanguínea em jejum está quase sempre acima 
de 115 mg/100 mℓ e frequentemente está acima de 140 mg/100 mℓ resultados 
do teste de tolerância à glicose estão, quase sempre, anormais
 Após a ingestão de glicose, essas pessoas apresentam uma elevação muito 
acima da prevista para o seu nível de glicose sanguínea, e o nível de glicose 
volta ao seu valor de controle somente após 4 a 6 horas; além disso, não chega
a cair abaixo do nível de controle.
 A queda lenta dessa curva e sua incapacidade de cair abaixo do nível de 
controle demonstra que 1 o aumento normal na secreção de insulina após a 
ingestão de glicose não ocorre, ou 2 a pessoa apresenta uma redução da 
sensibilidade à insulina.
 O diagnóstico de diabetes melito, geralmente, pode ser estabelecido com 
base em uma curva como essa, e os tipos 1 e 2 do diabetes podem ser 
distinguidos um do outro por dosagens de insulina plasmática.
 A insulina plasmática estará: 
 BAIXA ou indetectável no diabetes tipo 1
 AUMENTADA no diabetes tipo 2.
Hálito cetônico
→ pequenas quantidades de ácido acetoacético no sangue, que aumenta muito
no diabetes grave, são convertidas em acetona.
→ acetona é volátil e é vaporizada no ar expirado
 Nos estágios iniciais do diabetes tipo 2, no entanto, os cetoácidos 
geralmente não são produzidos em uma quantidade excessiva. Porém, quando 
Resumo  Síndrome Metabólicas 117
a resistência à insulina se torna grave e há um grande aumento da utilização de 
gorduras como fonte de energia, os cetoácidos são produzidos em pessoas 
com diabetes tipo 2.
Resumo:
Critérios de diagnóstico para o diabetes melito incluem os seguintes:
1. Glicose plasmática em jejum  126 mg/dℓ
2. Glicose plasmática aleatória  200 mg/dℓ (em um paciente com sinais 
hiperglicêmicos clássicos).
3. Glicose plasmática de duas horas  200 mg/dℓ durante um teste oral de 
tolerância à glicose TOTG com uma dose carga de 75 g.
4. Nível de hemoglobina glicada HbA1c)  6,5% 
O pré-diabetes, um estado de disglicemia, que frequentemente precede o 
desenvolvimento de DT2 franco, é definido por um ou mais dos seguintes 
critérios:
1. Glicose plasmática em jejum entre 100 e 125 mg/dℓ (“glicemia em jejum 
alteradaˮ),
2. Glicose plasmática de duas horas entre 140 e 199 mg/dℓ após um teste oral 
de
tolerância à glicose TOTG de 75 g (“tolerância à glicose diminuídaˮ), e/ou 
3. Nível de hemoglobina glicada HbA1 c) entre 5,7 e 6,4%.
 Até um quarto dos indivíduos com tolerância à glicose diminuída desenvolve 
diabetes franco no decorrer de 5 anos, sendo o risco agravado por fatores 
adicionais, como obesidade e história familiar. Além disso, os indivíduos com 
pré-diabetestambém correm risco significativo de complicações 
cardiovasculares
Resumo  Síndrome Metabólicas 118
Resumo  Síndrome Metabólicas 119
Resumo  Síndrome Metabólicas 120
Resumo  Síndrome Metabólicas 121
Tratamento
Não farmacológico
Pessoas com pré-diabetes e DM
 Deve ser incentivada a incorporação de frutas, verduras e legumes na 
alimentação e evitar alimentos ricos em gordura saturada e trans
 150 min de atividade física por semana
Resumo  Síndrome Metabólicas 122
 Cessar tabagismo
 Reduzir estresse
 Reduzir ingestão de álcool
Farmacológicos
Agentes administrados por injeção 
Insulina, nas várias formas e formulações (usada no diabetes tipos 1 e 
2
Miméticos da incretina (p. ex., exenatida, liraglutida)
Agentes orais
Biguanidas (p. ex., metformina)
Sulfonilureias (p. ex., tolbutamida, glibenclamida, glipizida) e fármacos 
relacionados (p. ex., repaglinida, nateglinida)
Tiazolidinedionas (p. ex., pioglitazona)
Gliptinas (p. ex., sitagliptina)
Inibidores do transporte da glicose (p. ex., empagliflozina).
Resumo  Síndrome Metabólicas 123
Escolha do tratamento
 A metformina, em monoterapia, é o tratamento de escolha inicial
 Deve-se associar a outros anti-diabéticos no caso de falha ao atingir a meta 
de HbA1c.
 O principal componente do acompanhamento do tratamento da 
hiperglicemia no DM2 é a dosagem de HbA1c, com meta  7%
Em pessoas com DM2 e alto risco de doença cardiovascular aterosclerótica
→ associar o uso de um ISGLT2 (benefício cardiovascular) à metformina, 
independentemente dos níveis de HbA1c para reduzir eventos 
cardiovasculares.
Indivíduos com HbA1c  9% ou glicemia de jejum  300 mg/dL sem 
sintomas:
iniciar terapia dupla de metformina e sulfonilureia
Se sintomas de hiperglicemia aguda (poliúria, polidipsia, perda ponderal) ou 
na presença de intercorrências médicas e internações hospitalares 
decorrentes de diabete melito tipo 2 deve-se insulinoterapia
 O controle glicêmico deve ser avaliado com HbA1c a cada 3 a 6 meses.
Resumo  Síndrome Metabólicas 124
A meta de HbA1c deve ser:
  7,0% para a maioria das pessoas com DM2; 
em idosos, deve ser  7,5% e 
idosos com capacidade funcional reduzida, deve ser considerado a 
meta  8%, o objetivo de evitar hipoglicemias.
Metformina
 Agente antidiabético oral
 É uma biguanida
 Atua reduzindo a resistência à ação da insulina em diversos tecidos
 Ação primariamente no fígado, por diminuir a gliconeogênese hepática por 
ativação da AMPK
 A metformina diminui a produção de glicose hepática direta ou indiretamente 
pela inibição do complexo I da cadeia respiratória mitocondrial
 O resultante aumento de monofosfato de adenosina AMP ativa a 
proteinoquinase do AMP ativado AMPK, o qual é um regulador importante da 
homeostase da energia nos eucariotos
Resumo  Síndrome Metabólicas 125
 A ativação do AMPK no duodeno desencadeia a liberação de GLP1, que 
estimula a rede vagal intestino-cérebro-fígado, que regula a produção da 
glicose hepática
 A administração crônica de metformina altera a recirculação dos ácidos 
biliares e a composição do microbioma intestinal no tipo 2, levando a um 
secreção aumentada de GLP1 nos pacientes diabéticos
Ações:
 Redução da produção da glicose hepática (gliconeogênese), que está 
aumentada de maneira acentuada no diabetes tipo 2
 Aumento da captação de glicose e utilização no músculo esquelético (reduz 
a insulinorresistência)
 Redução da absorção de carboidratos pelo intestino
 Aumento da oxidação de ácidos graxos
 Redução das lipoproteínas circulantes de baixa e alta densidades
Efeitos adversos
 Não causa hipoglicemia
 Diarreia, náuseas
Glifozinas
 Glicosúricos
 Inibidores de SGLT2 (cotransportador de glicose)
 O SGLT2 é responsável por cerca de 90% da reabsorção de glicose filtrada 
no glomérulo.
Os inibidores SGLT2 atuam promovendo a excreção de glicose para a urina, 
reduzindo a concentração de glicose circulante. A glicosúria resultante está 
associada a diurese osmótica e excreção de sal.
 O inibidor de SGLT2 disponibilizado pelo SUS é a dapagliflozina, na dose de 
10mg/dia
A dapagliflozina está indicada para:
 Pacientes acima 40 anos de idade que apresente previamente, infarto agudo 
do miocárdio prévio, cirurgia de revascularização do miocárdio, angioplastia de 
coronárias, angina estável ou instável, acidente vascular cerebral isquêmico, 
Resumo  Síndrome Metabólicas 126
ataque isquêmico transitório ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção 
abaixo de 40%
 Homens com idade de 55 anos ou mais  e mulheres com idade de 60 anos 
ou mais  desde que apresentem alto risco cardiovascular, definido como pelo 
menos um dos seguintes fatores de risco cardiovascular: hipertensão arterial 
sistêmica, dislipidemia e tabagismo.
Associar à metformina em casos de RCV
Associar à metformina em casos de risco renal
 Inibem o transporte de glicose nos túbulos renais proximais via bloqueio do 
transportador de glicose SGLT2, promovendo glicosúria
 O uso de dapaglifozina e canaglifozina associa-se a redução de níveis 
glicêmicos, discreta perda de peso e proteção secundária a eventos 
cardiovasculares.
Insulinoterapia
Resumo  Síndrome Metabólicas 127
Insulina Regular
 A insulina regular é uma insulina de ação curta que imita a insulina endógena 
em resposta à ingestão de alimentos.
 Ela é usada principalmente para controlar a glicose no sangue durante as 
refeições.
Início de ação: 30 a 60 minutos
Pico de ação: 2 a 4 horas.
Duração de ação: 6 a 8 horas.
Via de administração: Subcutânea, intramuscular ou intravenosa (a única 
insulina que pode ser usada via IV
Deve ser administrada 30 minutos antes das refeições
Resumo  Síndrome Metabólicas 128
 Após ser absorvida, a insulina regular se liga aos receptores de insulina 
localizados na membrana plasmática de células-alvo, como as células 
musculares e adiposas.
Insulina NPH
 A insulina NPH é uma insulina de ação intermediária
 Contém protamina, o que retarda sua absorção, proporcionando um efeito 
mais prolongado.
Início de ação: 1 a 2 horas.
Pico de ação: 4 a 12 horas.
Duração de ação: 12 a 18 horas.
Via de administração: Subcutânea.
Risco de hipoglicemia: Ocorre principalmente no horário de pico de ação 4 
a 12 horas após a aplicação).
Administração: Geralmente aplicada 12 vezes ao dia, dependendo das 
necessidades do paciente.
Resumo  Síndrome Metabólicas 129
Quando usar
Resumo  Síndrome Metabólicas 130
 A insulinoterapia está indicada quando há falha no controle glicêmico em 
uso de antidiabéticos orais
 Manter os tratamentos orais, a não ser que haja contra indicação ou não haja 
mais indicação
 O início da insulinoterapia se dá com a aplicação da insulina NPH 
primeiramente à noite, ao deitar, evoluindo para 2 doses quando necessário, 
uma pela manhã e outra à noite.
 Sugere-se iniciar o uso de insulina NPH à noite, com uma dose inicial de 10 
de insulina NPH, ou 0,2U/kg, ajustando-se em 2U a 4U, até atingir a meta 
estabelecida para a glicemia de jejum.
Aplicação de insulina
 As insulinas devem ser administradas por via parenteral porque a insulina é 
uma proteína, sendo digerida no intestino.
 As insulinas devem ser administradas por via parenteral porque a insulina é 
uma proteína, sendo digerida no intestino
Quadro Clínico
 As manifestações clínicas do diabetes, tanto do tipo 1 DT1 quanto do tipo 2 
(DT2, são frequentemente decorrentes da insulinopenia (falta de insulina) ou 
de um prejuízo na ação da insulina, que resultam em distúrbios metabólicos. 
Resumo  Síndrome Metabólicas 131
 Essas manifestações estão diretamente associadas aos efeitos 
fisiopatológicos da hiperglicemia sustentada e à resposta alterada do corpo 
aos hormônios. A seguir, estão descritas as manifestações mais comuns 
relacionadas a esses distúrbios:
1. Poliúria (urina excessiva)
 A poliúria é uma consequência da diurese osmótica provocada pela 
hiperglicemia crônica. 
 Quando o nível de glicoseno sangue é elevado, ele ultrapassa o limiar renal 
de reabsorção, resultando na excreção excessiva de glicose na urina. Isso 
causa uma perda de água livre e eletrólitos, levando a uma produção urinária 
excessiva. 
 A poliúria é uma das primeiras manifestações clínicas do diabetes.
 No DM2, o início pode ser mais gradual e relacionado a períodos de ingestão 
elevada de carboidratos, enquanto no DM1 o quadro pode se manifestar de 
forma mais súbita, chegando a incontinência urinária e nictúria significativa. 
 O volume urinário pode ultrapassar 5 a 6 L/24 horas.
2. Polidipsia (sede excessiva) 
 A polidipsia é causada pela estimulação do centro da sede no cérebro, que 
é ativado pela desidratação hipertônica, resultante da perda excessiva de água 
e eletrólitos na urina. 
 A sensação de boca seca também é um sintoma comum, especialmente 
durante a descompensação metabólica.
3. Polifagia (aumento do apetite)
 A polifagia ocorre em cerca de um terço dos pacientes e está relacionada a 
um distúrbio nos mecanismos de regulação da fome e da saciedade, 
localizados no hipotálamo, que são sensíveis à ação da insulina. 
 A glicopenia nos tecidos (falta de glicose nas células) causada pela 
insulinopenia ou pela resistência à insulina leva à liberação do centro da fome 
do controle do centro da saciedade, já que este último é estimulado quando há 
suprimento de glicose nas células que o regulam, o que inibe a fome. 
 Além disso, ocorre uma redução dos níveis circulantes de leptina, que é um 
hormônio liberado pelos adipócitos e que atua no sistema nervoso central 
Resumo  Síndrome Metabólicas 132
SNC para reduzir a fome e aumentar o gasto energético. 
 A queda na leptina contribui para o aumento da ingestão alimentar.
4. Perda de Peso
 A perda de peso, apesar da polifagia, é um sinal característico de 
descompensação do diabetes. 
Esse emagrecimento ocorre devido ao estado catabólico, onde o corpo 
aumenta a lipólise (quebra de gordura) e o catabolismo proteico (quebra de 
proteínas) para gerar energia. 
 No DM1, a perda de peso pode ser rápida e ocorrer em um curto período de 
semanas, enquanto no DM2, a perda de peso é mais gradual, acontecendo ao 
longo de meses ou anos, muitas vezes associada a uma hiperglicemia 
moderada.
5. Fraqueza
 A fraqueza é uma queixa comum entre os pacientes, que relatam cansaço 
fácil e incapacidade de realizar tarefas diárias normais. 
 Isso é causado pelo aumento do catabolismo proteico e pelos distúrbios 
eletrolíticos, especialmente a perda de potássio corporal, durante as fases de 
descompensação aguda do diabetes.
6. Parestesias
 As parestesias (sensações de dormência, formigamento e prurido nas 
extremidades) podem estar presentes no momento do diagnóstico do DM1, 
especialmente nos casos de início subagudo, ou até mesmo no momento do 
diagnóstico do DM2. 
 Essas manifestações não são frequentemente relacionadas às complicações 
crônicas do diabetes, mas são frequentemente associadas à depressão e à 
disfunção erétil. Elas refletem uma disfunção temporária dos nervos periféricos 
sensoriais, geralmente desaparecendo após a instituição da insulinoterapia e a 
normalização dos níveis glicêmicos. 
 Sua presença sugere neurotoxicidade decorrente de hiperglicemia 
sustentada.
7. Distúrbios Visuais
Resumo  Síndrome Metabólicas 133
 Turvação visual e diminuição da acuidade visual podem ser observadas no 
momento do diagnóstico do diabetes ou após a correção da descompensação 
metabólica aguda. 
 Essas alterações são causadas por modificações osmóticas no humor 
aquoso e vítreo do olho, resultantes das flutuações na glicemia, o que leva a 
desajustes na refração e acomodação visual.
8. Distúrbios do Aparelho Geniturinário
 Prurido vulvar e sintomas de vaginite são queixas comuns em mulheres 
com DM2, mas também podem ser observados no DM1. 
 Acredita-se que o aumento de glicogênio vaginal favoreça o crescimento de 
Candida albicans, levando a vulvovaginite. No homem, o equivalente a isso é a 
balanopostite, que ocorre principalmente em indivíduos com fimose.
 Distúrbios sexuais, como disfunção erétil e redução da libido, podem ser 
relatados por diabéticos, tanto no início da doença quanto em estágios mais 
avançados. 
 Em muitos casos, esses distúrbios melhoram com o controle glicêmico, mas 
a disfunção erétil persistente pode ocorrer nas fases mais avançadas do 
diabetes.
Manifestações Clínicas Associadas à Síndrome de Resistência 
à Insulina
A resistência à insulina é uma condição metabólica em que as células não 
respondem adequadamente à insulina, o que pode levar ao desenvolvimento 
de várias manifestações clínicas:
� Obesidade Central:
A obesidade com acúmulo de gordura principalmente na parte superior do 
corpo (abdômen, tórax, pescoço e face) é caracterizada pela obesidade 
central ou visceral. 
 Essa distribuição de gordura é associada a um risco elevado de 
diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas na vesícula 
biliar. 
 Esse padrão é mais grave do que a obesidade ginecoide, onde a gordura 
se acumula nas partes inferiores do corpo (quadris, nádegas).
Resumo  Síndrome Metabólicas 134
� Síndrome de Resistência Insulínica Síndrome Plurimetabólica):
 A presença de obesidade central associada a pré-diabetes, diabetes, 
hipertensão, hipertrigliceridemia, baixo colesterol HDL e hiperinsulinemia 
caracteriza a síndrome de resistência insulínica. 
 Esse conjunto aumenta o risco de doenças ateroscleróticas e outras 
complicações metabólicas.
� Acantose Nigricans:
 É uma lesão cutânea caracterizada por hiperpigmentação, 
espessamento e papilomatose (aspecto aveludado), frequentemente 
encontrada na nuca, axilas e virilhas. Sua presença indica resistência 
insulínica, sendo um sinal comum em pacientes com diabetes tipo 2 e 
outras endocrinopatias. 
 A acantose pode ocorrer também em casos de neoplasias malignas, 
especialmente no trato gastrintestinal e pulmonar.
� Disfunção Ovariana e Hiperandrogenismo:
 Mulheres com resistência insulínica podem apresentar oligomenorreia 
(menstruações irregulares) ou amenorreia (ausência de menstruação), 
além de aumento da produção de androgênios pelos ovários. Isso leva a 
níveis elevados de testosterona, causando hirsutismo (crescimento 
excessivo de pelos) e, em casos mais graves, virilização com sinais como 
alopecia temporal, aumento da musculatura e clitoromegalia.
Manifestações Clínicas das Complicações Agudas do Diabetes 
Mellitus
O diabetes mellitus pode levar a complicações agudas graves, como a 
cetoacidose diabética CAD e o estado hiperglicêmico hiperosmolar EHH.
� Cetoacidose Diabética CAD:
A 
CAD é uma emergência metabólica comum no diabetes tipo 1, 
caracterizada pela produção excessiva de corpos cetônicos e acidose 
metabólica. Seus principais sintomas incluem:
Poliúria e polidipsia (excesso de urina e sede).
Perda de peso e polifagia (excesso de fome).
Resumo  Síndrome Metabólicas 135
Vômitos, dor abdominal, desidratação e alterações do nível de 
consciência.
Respiração de Kussmaul (respiração profunda e rápida).
Hálito de maçã (odor doce na respiração).
Sinais de desidratação como pele seca, mucosas secas e hipotensão 
postural.
A acidose pode levar a coma (em 10% dos casos), e sinusite aguda com 
secreção sanguinolenta e necrótica pode indicar mucormicose rinocerebral, 
uma infecção fúngica grave que ocorre em diabéticos descompensados.
� Estado Hiperglicêmico Hiperosmolar EHH:
O EHH é mais comum em 
adultos mais velhos com diabetes tipo 2 e caracteriza-se por:
Início insidioso com sintomas como poliúria, polidipsia, perda de 
peso, fadiga e borramento visual ao longo de dias ou semanas.
Desidratação grave sem acidose ou cetose significativa.
Hipovolemia, hipotensão, taquicardia, hiperventilação e choque.
Alterações no nível de consciência, variando de desorientação até 
coma.
Convulsões podem ocorrer em até 1/3 dos casos.
Febre, que pode ocorrer mesmo sem infecção, e é importantedeve ser 
caracterizada, caso um dos seguintes critérios esteja presente:
 Até 1 ano após menarca:  90 dias em qualquer ciclo
 1 a  3 anos após menarca: ciclos  21 ou  45 dias
 3 anos após menarca até a perimenopausa: ciclos  21 ou  35 dias ou  8 
ciclos/ano
 Amenorreia primária aos 15 anos de idade ou  3 anos após telarca.
 Os distúrbios menstruais mais comuns são oligomenorreia, amenorreia e 
sangramento menstrual irregular prolongado.
 Infertilidade afeta 40% das mulheres com SOP, a qual representa a causa 
mais comum de disfunção ovulatória 70 a 90% dos casos)
 Níveis de progesterona superiores a 10 ng/mℓ, no meio da fase lútea, em 
geral são indicativos de ovulação, embora níveis mais baixos possam ocorrer 
em ciclos ovulatórios.
Resumo  Síndrome Metabólicas 13
Resumo  Síndrome Metabólicas 14
Resumo  Síndrome Metabólicas 15
Condições e Riscos Associados 
→ alguma condições podem estar associadas ou ser decorrentes da SOP 
Obesidade e Alterações Metabólicas:
A resistência à insulina RI e a hiperinsulinemia são comuns em 
mulheres com SOP, independentemente da obesidade, com prevalência 
média de 61%. A obesidade pode agravar distúrbios metabólicos como 
dislipidemia e síndrome metabólica SM. Mulheres com SOP têm o 
dobro de risco de desenvolver SM (prevalência de 23 a 46%.
Resumo  Síndrome Metabólicas 16
Mulheres com SOP apresentam níveis mais elevados de triglicerídeos, 
LDL-colesterol e colesterol total, e níveis mais baixos de HDL
colesterol, independentemente do IMC. Elas também são mais 
insulinorresistentes e têm uma frequência maior de tolerância 
diminuída à glicose e diabetes tipo 2 DM2 (até 10%.
Monitoramento glicêmico Todas as mulheres com SOP devem ter seu 
status glicêmico monitorado, por meio de glicemia de jejum, 
hemoglobina glicada e teste oral de tolerância à glicose TOTG, 
especialmente se tiverem fatores de risco como IMC  25, sinais de RI, 
hipertensão ou histórico de DM2.
Hipertensão e Doenças Cardiovasculares:
Mulheres com SOP têm maior risco de hipertensão, disfunção 
endotelial e doenças cardiovasculares. A doença hepática gordurosa 
não alcoólica também é mais comum
Apneia Obstrutiva do Sono:
A apneia obstrutiva do sono é frequente em mulheres com SOP, sendo 
a resistência à insulina um preditor mais forte da gravidade dessa 
condição do que a obesidade.
Câncer Endometrial e Outras Neoplasias:
Mulheres com SOP têm maior exposição ao hiperestrogenismo isolado 
(sem a proteção da progesterona devido à anovulação crônica), o que 
aumenta o risco de hiperplasia endometrial e câncer endometrial (três 
vezes mais frequente).
A hiperinsulinemia, hiperandrogenemia e obesidade também 
contribuem para esse risco. Além disso, há evidências de risco 
aumentado para câncer de ovário, mas não para câncer de mama.
Resumo  Síndrome Metabólicas 17
Complicações da Gravidez:
Mulheres com SOP têm risco aumentado de diabetes gestacional 30 a 
50% de incidência), distúrbios hipertensivos gestacionais 5%, como 
pré-eclâmpsia e hipertensão induzida pela gestação), parto prematuro 
(duas vezes mais provável) e bebês pequenos para a idade 
gestacional 10 a 15%.
Transtornos de Humor e Qualidade de Vida:
Transtornos do humor, como ansiedade e depressão, são mais 
prevalentes em mulheres com SOP, com fatores como obesidade, 
acne, hirsutismo, a percepção de ter uma doença crônica e 
infertilidade exacerbando esses sintomas. Além disso, alterações na 
sexualidade e transtornos alimentares são mais comuns nessas 
pacientes, impactando negativamente sua qualidade de vida.
Tratamento 
Modificações do Estilo de Vida no Tratamento da SOP:
� Alimentação Saudável e Atividade Física Regular:
Alimentação saudável e atividade física são as primeiras intervenções 
recomendadas para todas as mulheres com SOP, incluindo aquelas não 
obesas.
Resumo  Síndrome Metabólicas 18
Mesmo sem perda de peso significativa, essas mudanças podem 
melhorar aspectos como a sensibilidade insulínica, o perfil lipídico 
(colesterol e triglicerídeos) e a apneia do sono.
Perda de peso realista (de 5 a 10% do peso corporal) pode melhorar a 
regularidade menstrual, a resposta à indução da ovulação e reduzir 
complicações obstétricas.
� Cessação do Tabagismo e Controle de Fatores de Risco:
A cessação do tabagismo deve ser incentivada, pois o tabaco pode 
agravar os efeitos da SOP.
O controle de fatores de risco, como dislipidemia, disglicemia e 
hipertensão arterial sistêmica, também é essencial para reduzir o risco 
de complicações associadas à síndrome.
� Prática Regular de Atividade Física:
A atividade física regular melhora a sensibilidade à insulina e auxilia 
na perda de peso, sendo fundamental para o manejo da SOP.
As recomendações de atividade física para mulheres com SOP seguem 
os mesmos princípios de saúde para a população geral.
� Saúde Psicológica e Emocional:
Fatores psicológicos como ansiedade, depressão, distúrbios da 
imagem corporal e transtornos alimentares devem ser 
adequadamente abordados.
O apoio psicológico é crucial, e as pacientes devem ser encaminhadas 
para especialistas, quando necessário, para o manejo desses aspectos 
emocionais.
A saúde sexual também deve ser considerada no atendimento, dada a 
frequência de problemas relacionados à sexualidade nas mulheres com 
SOP.
Infertilidade 
Tratamentos para Indução da Ovulação na SOP
� Letrozol (primeira linha):
Resumo  Síndrome Metabólicas 19
Mecanismo de ação Inibidor de aromatase, bloqueando a conversão 
de andrógenos em estrogênios. Isso reduz o feedback estrogênico 
sobre o hipotálamo, aumentando os níveis de GnRH e FSH, o que 
estimula a ovulação.
Doses Iniciar com 2,5 mg/dia por 5 dias, entre o 3º e o 7º dia do ciclo 
menstrual. A dose pode ser aumentada até 7,5 mg/dia, por até 6 ciclos.
Eficácia Demonstrou melhores taxas de gravidez e nascidos vivos em 
comparação ao citrato de clomifeno CC. A eficácia em relação ao 
risco de gravidez múltipla ainda é debatida.
� Citrato de Clomifeno CC (segunda linha):
Mecanismo de ação Modula o receptor estrogênico, inibindo o 
feedback do estrogênio no hipotálamo, o que leva ao aumento de FSH 
e induz a maturação folicular e ovulação.
Doses Iniciar com 50 mg/dia por 5 dias, no 2º dia do ciclo ou após a 
suspensão do progestógeno. A dose pode ser aumentada até 150 
mg/dia, por até 6 ciclos.
Eficácia Cerca de 15% das pacientes são resistentes ao CC. O uso 
prolongado é desencorajado devido às baixas taxas de sucesso.
� Metformina (não indicada como primeira linha):
Mecanismo de ação Melhora a resistência à insulina, mas sua eficácia 
para indução de ovulação é inferior ao letrozol e ao CC.
Uso Pode ser útil em mulheres resistentes ao citrato de clomifeno 
CC, sendo combinada com o CC em vez de mantê-lo isoladamente. A 
dose é de 1,5 a 2,5 g/dia.
Adjuvante Pode ser usada para prevenir a síndrome de 
hiperestimulação ovariana em tratamentos de fertilização in vitro 
FIV.
� Gonadotrofinas Exógenas (caso os medicamentos de primeira linha 
falhem):
Indicação Preferencialmente em mulheres que não obtiveram sucesso 
com o letrozol ou CC. Podem ser associadas à metformina em mulheres 
resistentes ao CC.
Resumo  Síndrome Metabólicas 20
Monitoramento Necessitam de monitoramento por ultrassonografia 
US para evitar hiperestimulação ovariana e gravidez múltipla.
Eficácia Não há superioridade entre as preparações de 
gonadotrofinas. O uso de gonadotrofinas associadas à metformina 
pode aumentar as chances de sucesso.
� Drilling Ovariano-Laparoscópico (segunda linha, para mulheres resistentes 
ao CC
Mecanismo Consiste em realizar microperfurações no ovário para 
reduzir a produção de androgênios. É indicado em casos de resistência 
ao citrato de clomifeno.
Considerações Avaliar custo, riscos intra e pós-operatórios, 
especialmente em pacientes com sobrepeso ou obesidade, além do 
risco de reduzir a reserva ovariana.
� Fertilização in Vitro FIV (terceira linha):para 
alertar para a necessidade de investigar infecções subjacentes.
No EHH, os sintomas gastrointestinais são menos frequentes do que na CAD, 
mas se presentes, podem indicar outras doenças intra-abdominais. A esteato-
hepatite não alcoólica devido ao diabetes descompensado pode causar dor 
abdominal localizada no quadrante superior direito.
Resumo  Síndrome Metabólicas 136
Complicações Crônicas 
 A morbidade associada ao diabetes de longa duração de ambos os tipos se 
deve ao dano induzido nas artérias musculares de grande e médio calibres 
(doença macrovascular diabética) e nos pequenos vasos (doença 
microvascular diabética) pela hiperglicemia crônica.
Patogênese
 A hiperglicemia persistente no diabetes mellitus, também conhecida como 
glicotoxicidade, é um dos principais fatores responsáveis pelas complicações 
a longo prazo da doença.
 Sequência de distúrbios metabólicos subjacentes às manifestações clínicas do diabetes. A 
deficiência absoluta de insulina leva a um estado catabólico, culminando em cetoacidose e 
grave depleção de volume. Isso provoca comprometimento do sistema nervoso central 
suficiente para levar ao coma e à morte eventual, se não forem tratados.
Resumo  Síndrome Metabólicas 137
1. Formação de Produtos Finais da Glicação Avançada AGE
 Os AGE são formados por reações não enzimáticas entre a glicose e grupos 
amino de proteínas. A formação desses produtos é acelerada pela 
hiperglicemia. 
 Os AGE se ligam a um receptor específico RAGE, que está presente em 
células inflamatórias, endotélio e músculo liso vascular. A ativação do eixo 
AGERAGE tem diversos efeitos prejudiciais, como:
Liberação de citocinas e fatores de crescimento (como TGFβ e VEGF, 
que contribuem para processos como o espessamento da membrana basal 
(microangiopatia) e retinopatia diabética.
Geração de espécies reativas de oxigênio ROS, o que leva ao estresse 
oxidativo e prejudica as células endoteliais.
Aumento da atividade pró-coagulante nas células endoteliais e 
macrófagos.
Proliferação das células musculares lisas vasculares e aumento da 
síntese de matriz extracelular, o que pode contribuir para a aterosclerose.
Além disso, os AGE podem promover a ligação cruzada de proteínas da matriz 
extracelular, como o colágeno. Essa ligação diminui a elasticidade das fibras, 
aumentando a susceptibilidade ao estresse de cisalhamento e a lesões 
endoteliais. Nos grandes vasos, isso acelera a aterogênese, enquanto nos 
capilares (como os glomérulos renais), promove o espessamento da 
membrana basal, característica da microangiopatia diabética.
2. Ativação da Proteinoquinase C PKC
A hiperglicemia ativa a proteinoquinase C PKC por meio do aumento de 
diacilglicerol DAG, que é gerado a partir de intermediários glicolíticos. A 
ativação excessiva da PKC resulta em uma série de efeitos prejudiciais:
Produção de VEGF e TGFβ, que estão envolvidos em processos como a 
microangiopatia e a fibrose.
Aumento da produção de proteína pró-coagulante (como PAI1 no 
endotélio vascular, que favorece a trombose.
Efeitos sobrepostos entre os AGE e a PKC ativada, sugerindo que ambos 
os mecanismos colaboram para o desenvolvimento de microangiopatia 
diabética.
Resumo  Síndrome Metabólicas 138
3. Estresse Oxidativo e Distúrbios nas Vias de Polióis
 A hiperglicemia leva ao aumento da glicose intracelular, que é metabolizada 
pela aldose redutase em sorbitol e, finalmente, em frutose. 
 Esse processo utiliza NADPH, que também é necessário para a regeneração 
da glutationa reduzida GSH, um importante antioxidante celular. 
 Com a hiperglicemia persistente, o aumento do sorbitol diminui a 
disponibilidade de NADPH, comprometendo a regeneração da GSH e tornando 
as células mais suscetíveis ao estresse oxidativo. Além disso, o acúmulo de 
sorbitol na lente ocular contribui para a formação de cataratas, uma 
complicação comum do diabetes.
4. Vias da Hexosamina e Geração de Frutose-6Fosfato
 A via da hexosamina, ativada pela hiperglicemia, conduz ao fluxo de 
intermediários glicolíticos que geram frutose-6-fosfato. 
 Este intermediário pode causar danos celulares diretos e aumentar o 
estresse oxidativo, contribuindo ainda mais para o dano aos tecidos e órgãos 
alvo.
Resumo  Síndrome Metabólicas 139
Manifestações Oculares no Diabetes Mellitus
O diabetes mellitus pode afetar os olhos de diversas formas, e frequentemente 
a diminuição da acuidade visual é a manifestação inicial que leva o paciente a 
buscar ajuda médica. Essa diminuição da visão pode ser causada por catarata, 
glaucoma ou retinopatia diabética, sendo essas condições as mais comuns 
associadas ao diabetes.
� Retinopatia Diabética
Nos estágios avançados da retinopatia diabética, podem ocorrer 
hemorragia vítrea e descolamento de retina, que estão frequentemente 
associados a uma perda visual significativa.
Hemorragia vítrea Essa condição deve ser considerada em pacientes que 
apresentam perda súbita e indolor de visão ou deterioração visual 
repentina em um olho previamente afetado por retinopatia.
 Complicações a longo prazo do diabetes melito.
Resumo  Síndrome Metabólicas 140
Descolamento de retina A perda visual precedida de escotomas 
cintilantes pode ser um indicativo de descolamento de retina, que deve ser 
investigado com urgência.
� Glaucoma de Ângulo Fechado
Pacientes que apresentam dor ocular intensa súbita, turvação visual, 
fotofobia, náuseas, vômitos e hiperemia ocular devem ser avaliados 
rapidamente por um oftalmologista para verificar a presença de glaucoma 
de ângulo fechado.
A falta de tratamento imediato para o glaucoma pode levar à amaurose 
permanente, ou seja, perda irreversível da visão.
Manifestações Decorrentes de Neuropatia Diabética
A neuropatia diabética é uma das complicações crônicas do diabetes mellitus 
e pode afetar diferentes partes do sistema nervoso, levando a uma série de 
manifestações clínicas. As formas mais comuns e suas características incluem:
Polineuropatia Simétrica Distal
Forma predominante sensitiva A neuropatia mais comum no diabetes, 
com início nos pododáctilos e progressão para pés, extremidades distais 
das pernas (padrão "em bota") e, eventualmente, para mãos (padrão "em 
luva").
Sintomas iniciais Perda de sensibilidade vibratória, seguida de 
hipoestesia (redução da sensibilidade) ou anestesia dolorosa, disestesias 
(sensações anormais induzidas pelo toque), parestesias (sensações de 
formigamento ou "alfinetadas") e dor (geralmente descrita como sensação 
de queimação).
Padrão de dor Os sintomas pioram à noite, podendo causar insônia e 
hipersensibilidade ao toque, como o contato com as roupas de cama. A 
dor costuma melhorar com a movimentação, ajudando a diferenciar de 
afecções isquêmicas ou osteoarticulares.
Curso clínico A dor pode durar de meses a anos, sendo exacerbada por 
doenças intercorrentes, infecções ou depressão.
Neuropatia Motora
Resumo  Síndrome Metabólicas 141
Neuropatia motora distal A fraqueza muscular é menos comum e, quando 
ocorre isoladamente, é mais rara que a forma sensitiva. Geralmente, afeta 
as porções distais dos membros inferiores.
Achados clínicos Pode haver atrofia muscular, especialmente dos 
músculos quadríceps, iliopsoas e glúteos, e ausência do reflexo patelar. 
Alguns pacientes apresentam perda ponderal significativa. A recuperação 
é geralmente espontânea, iniciando-se entre 3 a 12 meses, e a recorrência 
é rara.
Prognóstico Geralmente, a dor resolve-se entre 1 mês e 1 ano.
Mononeuropatia
Mononeuropatia múltipla Quando dois ou mais nervos periféricos são 
acometidos simultaneamente de maneira assimétrica, é chamada de 
mononeuropatia múltipla. É comum nos nervos radial (causando "mão 
caída") e peroneal (causando "pé caído").
Outros nervos afetados Os nervos cranianos mais frequentemente 
envolvidos são o II, IV e VI (afetando os músculos oculares, conforme 
descrito nas manifestações oculares). Nervos faciais (causando paralisia 
facial periférica), vestibulococleares(causando hipoacusia e/ou 
vestibulopatia) e vago (causando disfonia) podem também ser afetados, 
embora sua relação com o diabetes seja controversa.
Recuperação A recuperação das mononeuropatias geralmente ocorre 
dentro de 3 a 12 meses.
Neuropatia Autonômica Diabética
A neuropatia autonômica afeta funções corporais reguladas pelo sistema 
nervoso autônomo, resultando em uma ampla gama de sintomas.
� Neuropatia Cardiovascular:
Taqicardia de repouso e redução da variação da frequência cardíaca.
Hipotensão ortostática Queda na pressão arterial ao levantar-se, 
causando sintomas como fraqueza, lipotimia, vertigem, borramento 
visual e até síncope.
Infarto silencioso, instabilidade peroperatória e diminuição da 
tolerância ao exercício.
� Distúrbios Neurovasculares Gastrintestinais:
Resumo  Síndrome Metabólicas 142
Esôfago Pode levar a doença do refluxo gastroesofágico.
Estômago Pode causar gastroparesia diabética, com sintomas como 
náuseas, vômitos, dor epigástrica e saciedade precoce.
Intestino Pode causar enteropatia diabética, com sintomas de 
constipação ou diarreia, que pode ser alternada com constipação e 
associada a desconforto abdominal.
� Distúrbios Geniturinários:
Disfunção erétil Pode ser uma das primeiras manifestações e 
geralmente é gradual e progressiva.
Ejaculação retrógrada Ausência de exteriorização do sêmen, o que 
pode causar infertilidade.
Bexiga neurogênica Sintomas incluem retenção urinária, 
incontinência urinária, infecções urinárias recorrentes, polaciúria e 
disúria.
� Distúrbios da Sudorese e Termorregulação:
Perda de sudorese nos pés (distribuição "em meias") e outras 
anormalidades como sudorese gustatória (após a alimentação, 
especialmente com comidas apimentadas).
Hiperidrose noturna e distúrbios vasomotores, como vasodilatação 
nas extremidades.
� Lesão no Sistema Simpático:
Insensibilidade à hipoglicemia Falta dos sintomas neurogênicos 
típicos de hipoglicemia (como taquicardia, ansiedade e fome), com a 
manifestação restrita aos sintomas neuroglicopênicos como 
distúrbios comportamentais, déficits cognitivos, síncope, 
convulsões e coma.
Alterações Tróficas
Úlceras neuropáticas Formação de lesões nos pontos de maior pressão 
ou atrito nos pés, como a base do hálux, cabeça dos metatarsos e 
calcâneo, geralmente indolores e associadas a infecção e alterações 
articulares.
Artropatia de Charcot Acomete principalmente os ossos do tarso e 
metatarso.
Resumo  Síndrome Metabólicas 143
Manifestações Decorrentes da Nefropatia Diabética
A nefropatia diabética é uma complicação crônica do diabetes mellitus, que 
pode se manifestar de forma insidiosa, com o agravamento gradual da função 
renal. O quadro clínico se desenvolve em várias etapas:
1. Microalbuminúria
Primeira manifestação A microalbuminúria, que é a presença de pequenas 
quantidades de albumina na urina, é o sinal inicial da nefropatia diabética. 
Essa condição, no entanto, não é acompanhada de sintomas clínicos 
evidentes.
2. Proteinúria Clínica
Proteinúria não seletiva A proteína encontrada na urina se torna mais 
abundante à medida que a nefropatia progride, podendo evoluir para 
proteinúria clínica, geralmente sem hematúria (sangue na urina).
Desenvolvimento de hipertensão arterial A hipertensão associada à 
nefropatia diabética pode surgir, mesmo na ausência de hipoalbuminemia 
(baixo nível de albumina no sangue).
Edema O edema pode ocorrer devido ao comprometimento da função 
renal, mesmo sem redução significativa dos níveis de albumina.
Hipertensão, hiperlipidemia e queda da filtração glomerular A progressão 
da nefropatia diabética leva à queda da taxa de filtração glomerular TFG 
e ao surgimento de hiperlipidemia (níveis elevados de lipídios no sangue).
3. Insuficiência Renal Terminal
Com o tempo, o processo pode culminar em insuficiência renal terminal 
(uremia), que geralmente ocorre após 10 anos de evolução da doença, 
quando o rim já não consegue desempenhar suas funções 
adequadamente.
Necessidade de diálise A insuficiência renal terminal exige diálise para a 
remoção de resíduos metabólicos do sangue, uma vez que os rins não 
conseguem mais filtrar de maneira eficaz.
4. Complicações Gastrointestinais e Neurológicas
Resumo  Síndrome Metabólicas 144
Gastroparesia diabética A gastroparesia, caracterizada por náuseas e 
vômitos, é uma complicação comum do diabetes que pode ser confundida 
com sintomas gastrintestinais causados pela uremia. A gastroparesia 
ocorre devido à neuropatia autonômica que afeta a motilidade do trato 
gastrointestinal.
Neuropatia autonômica Além disso, a diaforese (suor excessivo) e a 
impotência sexual são manifestações frequentes de neuropatia 
autonômica que podem ocorrer em pacientes com uremia.
5. Necrose Papilar Renal
Causa comum em diabéticos de longa duração A necrose papilar renal é 
uma complicação associada ao controle metabólico insatisfatório e à 
infecção urinária recorrente, mais frequente em mulheres.
Sintomas A necrose papilar renal pode se apresentar de forma 
oligoassintomática, com episódios intercalados de infecção urinária e 
cólica renal, ou em casos mais graves, pode levar a um quadro de 
pielonefrite aguda com sintomas como hematúria, cólica nefrética, 
uremia, e até sepse, com prognóstico muitas vezes reservado.
Diagnóstico O diagnóstico é facilitado pela presença de hematúria 
microscópica, piúria (presença de leucócitos na urina), proteinúria não 
nefrótica (não associada à síndrome nefrótica), e imagens urográficas que 
evidenciam lesões típicas, como cálices "roídos por traças" e papilas 
necróticas em "sombra de anel".
Manifestações da Macroangiopatia Diabética
A macroangiopatia diabética é uma complicação vascular grave do diabetes 
que afeta principalmente as grandes artérias, levando a diversas doenças 
cardíacas e vasculares. A macroangiopatia compromete a circulação 
coronariana, cerebral e das extremidades inferiores.
1. Acometimento Coronário
Angina Pectoris e Infarto do Miocárdio A macroangiopatia coronariana 
pode resultar em angina pectoris (dor no peito) e infarto do miocárdio 
(ataque cardíaco). Em diabéticos, esses episódios podem ocorrer de forma 
atípica ou até mesmo silenciosa, sem sintomas clássicos de dor no peito.
Resumo  Síndrome Metabólicas 145
Angina instável Quando ocorre uma obstrução significativa nas artérias 
coronárias, pode levar a angina instável, uma forma mais grave e 
imprevisível de dor torácica.
2. Acometimento Cerebral
Doença cerebrovascular A macroangiopatia cerebral pode resultar em 
acidente vascular cerebral AVC ou em acidente isquêmico transitório 
AIT. Esses eventos podem ocorrer devido à obstrução das artérias que 
irrigam o cérebro, o que compromete a oxigenação do tecido cerebral.
3. Acometimento das Extremidades Inferiores
Claudicação Intermitente A diminuição do fluxo sanguíneo nas artérias 
das extremidades inferiores pode levar a claudicação intermitente, que 
se manifesta como dor nas pernas ao caminhar, que melhora com o 
repouso.
Úlceras Isquêmicas e Gangrena Quando a circulação é insuficiente, 
podem surgir úlceras isquêmicas (feridas causadas pela falta de oxigênio 
nos tecidos) e até gangrena nas extremidades, especialmente nos pés.
Lesão Troncular Aguda Em casos mais graves, pode ocorrer lesão 
troncular aguda, quando uma obstrução súbita de um grande vaso causa 
dano imediato nos tecidos.
4. Diagnóstico e Detecção Precoce
Sinais clínicos A detecção precoce de macroangiopatia pode ser realizada 
por meio da palpação dos pulsos nas extremidades inferiores, aorta e 
artérias carótidas, além de ausculta dos troncos arteriais.
Redução da amplitude ou ausência de pulso Indica oclusão parcial ou 
total do tronco arterial acima do local examinado.
Sopros arteriais A presença de sopros sobre o trajeto de uma artéria 
pode indicar uma suboclusão (obstrução parcial) do vaso.
5. Percepção Alterada de Dor em Diabéticos
Infarto do miocárdio e isquemia Devido à neuropatia diabética, que podealterar a percepção da dor, o infarto do miocárdio ou a isquemia periférica 
podem se apresentar de forma atípica ou até mesmo assintomática
Resumo  Síndrome Metabólicas 146
Doença Periodontal Diabética
A doença periodontal é uma complicação comum do diabetes, que pode 
ocorrer tanto no início do quadro quanto em associação a outras complicações 
crônicas devido ao controle glicêmico inadequado. Ela é caracterizada pela 
inflamação das gengivas e estruturas de suporte dos dentes, com a principal 
causa sendo as bactérias presentes na placa bacteriana.
Manifestações Clínicas:
Gengivas dilatadas, avermelhadas e com sangramento fácil Essas 
alterações iniciais das gengivas são frequentemente observadas em 
pacientes diabéticos, permitindo que a margem gengival se separe do 
dente.
Aprofundamento do sulco gengival Esse processo facilita a acumulação 
de mais placa bacteriana e pode levar à formação de abscessos dentários.
Evolução para recessão gengival Com o tempo, a inflamação crônica 
pode destruir o osso alveolar, levando à perda dentária.
Manifestações Cutâneas do Diabetes
Vários tipos de infecções e alterações cutâneas são mais prevalentes em 
pacientes diabéticos, especialmente aqueles com controle glicêmico 
inadequado.
Infecções Fúngicas e Bacterianas:
Candidíase A infecção por Candida albicans é mais frequente em 
diabéticos, apresentando-se como estomatite, queilite angular, 
vulvovaginite, balanopostite e paroníquia. Ela pode ser um sinal inicial ou 
surgir em qualquer fase do diabetes.
Infecções bacterianas Pacientes diabéticos com controle glicêmico 
inadequado são mais suscetíveis a infecções como foliculites crônicas, 
furúnculos, abscessos, celulites, que podem evoluir para antraz ou 
celulites de grandes áreas. Essas infecções podem agravar ainda mais o 
controle glicêmico.
Infecções Fúngicas Graves:
Resumo  Síndrome Metabólicas 147
Ficomicoses As infecções fúngicas mais graves, como as mucormicoses, 
são associadas principalmente a diabéticos descompensados e podem ser 
potencialmente fatais. A forma mais comum é a rinocerebral, com necrose 
e infecção dos seios paranasais, palato, órbitas e até do cérebro.
Infecções de Pele e Outras Manifestações:
Eritrasma A infecção superficial comum em áreas intertriginosas, como 
axilas e virilhas, ocorre mais frequentemente em diabéticos mal 
controlados, especialmente em obesos com diabetes tipo 2.
Otite externa maligna Infecção grave causada por Pseudomonas 
aeruginosa, ocorrendo predominantemente em diabéticos. Pode resultar 
em complicações como osteomielite, paralisia dos nervos cranianos e 
meningite fatal.
Lesões Cutâneas Específicas:
Síndrome da Mão Rígida Diabética Acomete diabéticos tipo 1 com controle 
inadequado, resultando em pele espessa e rigidez articular, dificultando a 
flexão e extensão das pequenas articulações das mãos.
Xantomas Lesões amareladas associadas à hiperlipoproteinemia e 
diabetes mal controlado, ocorrendo principalmente nas superfícies 
extensores dos membros. Os xantelasmas (xantomas palpebrais) são 
comuns em mulheres de meia-idade com diabetes e doenças hepáticas.
Manifestações Cognitivas do Diabetes
Estudos recentes indicam que pacientes diabéticos, especialmente os com 
diabetes tipo 1 e tipo 2, têm um risco aumentado de declínio cognitivo, com 
diferentes padrões de comprometimento dependendo do tipo de diabetes:
DM1 Pode afetar a psicomotricidade, processamento de informações, 
flexibilidade mental, atenção e percepção visual.
DM2 Apresenta maior risco de déficit de memória, redução da 
psicomotricidade e declínio da função do lobo frontal.
Fisiopatogenia:
A fisiopatologia do declínio cognitivo em diabéticos ainda não é completamente 
compreendida, mas vários fatores podem contribuir, incluindo hiperglicemia 
Resumo  Síndrome Metabólicas 148
prolongada, hipoglicemia recorrente, doença microvascular, resistência à 
insulina e deposição de proteínas como β-amiloide.
Pé Diabético
 A doença do pé diabético DPD é, de fato, uma das complicações mais 
graves e custosas do diabetes mellitus DM, com alta taxa de morbidade e 
mortalidade, além de ser uma das principais causas de hospitalização em 
pessoas com diabetes. Quando não tratada adequadamente, pode levar à 
amputação, ao comprometimento da qualidade de vida e a custos elevados 
com cuidados de saúde. 
Fisiopatologia
 A doença do pé diabético resulta de uma combinação de fatores de risco, 
sendo os mais relevantes a neuropatia diabética e a doença vascular 
periférica DVP, ambos agravados pela hiperglicemia crônica. A fisiopatologia 
das lesões no pé diabético envolve a interação desses fatores, levando à 
formação de úlceras, deformidades e, em casos graves, amputações. 
1. Neuropatia Diabética
A neuropatia diabética é uma das complicações mais comuns do diabetes, 
afetando cerca de 50% dos pacientes com diabetes tipo 2. Ela é fundamental 
no desenvolvimento das lesões nos pés, pois causa a perda de sensibilidade, o 
que impede que o paciente perceba lesões iniciais.
Mecanismo de desenvolvimento:
A hiperglicemia crônica ativa a via dos polióis, acumulando sorbitol nos 
axônios, o que provoca edema celular e danifica as células de Schwann, 
responsáveis pela mielinização dos nervos.
A disfunção das células endoteliais prejudica a produção de óxido nítrico, 
comprometendo a microcirculação e diminuindo o suprimento sanguíneo 
para os nervos, o que agrava a neuropatia.
Características e consequências clínicas:
A neuropatia diabética é tipicamente simétrica e gradual, afetando fibras 
nervosas finas e grossas. Como resultado, o paciente pode não perceber 
Resumo  Síndrome Metabólicas 149
lesões no pé, levando a úlceras.
Além disso, a neuropatia também contribui para deformidades no pé e 
alterações no padrão de marcha, que aumentam a pressão em áreas 
específicas do pé, favorecendo a formação de úlceras.
A neuropatia também diminui a resposta inflamatória local, o que pode 
resultar em uma menor reação inflamatória nas infecções, tornando as 
úlceras mais suscetíveis à infecção grave sem sinais típicos, como febre ou 
leucocitose.
2. Doença Vascular Periférica (DVP)
A DVP é frequentemente associada ao pé diabético, mas, isoladamente, não é 
um fator tão relevante para a formação de úlceras. A aterosclerose e a 
esclerose medial (calcificação das arteríolas) são as lesões mais comuns na 
DVP. Esses processos causam rigidez arterial e comprometem a formação de 
colaterais vasculares, dificultando a circulação sanguínea nas extremidades.
Impacto da DVP:
A DVP pode reduzir o fluxo sanguíneo nos pés, favorecendo o 
desenvolvimento de úlceras isquêmicas, que ocorrem quando há uma 
combinação de neuropatia (perda de sensibilidade) e isquemia (falta de 
sangue). Essas úlceras podem ser indolores, o que dificulta seu 
diagnóstico precoce.
A esclerose medial não reduz o lúmen das artérias, mas contribui para a 
rigidez dos vasos, o que pode dificultar a avaliação da pressão arterial nos 
membros e reduzir a perfusão sanguínea.
3. Fatores de Risco
O pé diabético é considerado de risco quando um ou mais dos seguintes 
fatores estão presentes:
Deformidades ou proeminências ósseas nos pés.
Lesões na pele (como calos, rachaduras ou úlceras).
Neuropatia evidente pela perda de sensibilidade.
Pressão anormal nos pés, geralmente associada a deformidades ou 
alteração no padrão de marcha.
Perda de mobilidade articular.
Resumo  Síndrome Metabólicas 150
Ausência de pulso nos vasos tibiais, o que indica presença de DVP.
Descoloração dos pés, sinal de má perfusão sanguínea.
Histórico de úlceras anteriores, amputações ou uso de calçado 
inadequado.
4. Mecanismo do Pé Diabético
 A neuropatia diabética e a DVP interagem para aumentar a vulnerabilidade 
aos danos nos pés. A alteração na marcha e a redução da mobilidade 
articular aumentam a pressão sobre certas áreas do pé, o que pode causar 
hemorragias subcutâneas, espessamento da pele e, eventualmente, úlceras. 
Além disso, traumas mínimos, como lesõescausadas por sapatos 
inadequados ou andar descalço, podem desencadear úlceras que não 
cicatrizam devido à má circulação e à falta de percepção de dor.
Resumo  Síndrome Metabólicas 151
Identificação do Pé de Risco no Diabetes Mellitus
Resumo  Síndrome Metabólicas 152
A identificação precoce dos pacientes com risco para doença vascular 
periférica DVP e complicações no pé diabético é essencial para prevenir 
úlceras e amputações. A maioria dos fatores de risco pode ser rapidamente 
identificada por meio de uma história clínica detalhada e um exame físico 
adequado. Os principais fatores de risco incluem:
Úlceras plantares anteriores.
Neuropatia, que resulta na perda de sensibilidade.
Deformidades no pé.
Doença vascular periférica DVP.
Todo paciente diabético deve ser questionado sobre sintomas de neuropatia, 
como queimação, dor ou parestesias, em todas as consultas médicas. Outras 
condições associadas, como retinopatia diabética (diminuição da acuidade 
visual) e nefropatia diabética avançada, também podem aumentar o risco.
Exame do Pé
O exame clínico e a história do paciente ajudam a avaliar a neuropatia 
diabética e a doença arterial periférica DAP, os dois fatores de risco mais 
importantes para a formação de úlceras plantares. A anamnese deve abordar 
pontos como:
Duração do diabetes.
Controle glicêmico.
Histórico de doença micro ou macrovascular.
Presença de úlceras anteriores.
Sintomas de neuropatia (dor, parestesias).
Tabagismo e cirurgias vasculares prévias.
Estudos mostram que o risco de úlceras aumenta com a duração do diabetes e 
com o descontrole glicêmico.
Testes de Sensibilidade
A avaliação da neuropatia periférica inclui testes para identificar a perda de 
sensibilidade protetora, essencial para prevenir lesões. Os testes comuns 
incluem:
Resumo  Síndrome Metabólicas 153
� Monofilamento de 10 g Método semiquantitativo, onde a pressão aplicada 
deve causar a curvatura do monofilamento. A ausência de resposta indica 
perda de sensibilidade. As regiões testadas incluem o hálux e os 
metatarsos I, III e V, conforme as diretrizes da American Diabetes 
Association ADA e da Sociedade Brasileira de Diabetes SBD.
� Sensibilidade vibratória Testada com um diapasão de 128 Hz colocado na 
proeminência óssea do 1º dedo. O paciente deve relatar quando sente a 
vibração e quando ela cessa. O uso de um bioestesiômetro também pode 
quantificar a sensibilidade vibratória.
� Sensibilidade térmica ou dolorosa Testes adicionais podem ser feitos para 
avaliar a capacidade de detectar variações de temperatura.
Exame Vascular
O índice tornozelo-braço ITB é utilizado para medir a pressão sistólica no 
tornozelo e compará-la com a pressão braquial, ajudando a detectar doença 
arterial periférica. Valores abaixo de 0,9 indicam risco elevado de DVP.
Alterações Biomecânicas
As alterações biomecânicas, como o aumento localizado da pressão plantar e 
a redução da mobilidade articular, podem predispor a úlceras e amputações. 
Métodos como plantígrafos, podobarometria computadorizada e plataformas 
com sensores de pressão são úteis para avaliar essas alterações.
Inspeção do Pé
A inspeção do pé deve incluir a verificação de deformidades como pé plano e 
hálux valgo, além da presença de lesões, calos, fissuras e infecções nos 
espaços interdigitais. O exame das unhas deve buscar sinais de 
onicomicoses.
Exame do Calçado
O desgaste assimétrico da sola e a deformidade nas laterais ou parte superior 
do calçado podem indicar falta de apoio plantígrado e deformidades dos 
dedos.
Avaliação de Úlceras
Nos pacientes com úlcera de pé diabético, é fundamental avaliar sinais de 
infecção. A infecção pode ser difícil de diagnosticar, pois febre, leucocitose e 
Resumo  Síndrome Metabólicas 154
calafrios podem estar ausentes em até 2/3 dos casos. A gangrena pode ser 
observada em estágios mais avançados, caracterizada por palidez, 
vermelhidão e mau cheiro da pele afetada.
Manejo do Pé em Risco no Diabetes Mellitus
O manejo adequado do pé diabético é crucial para evitar complicações graves, 
como amputações. A abordagem inclui a identificação precoce dos pacientes 
de risco, orientações educativas e cuidados preventivos, visando reduzir as 
complicações e melhorar a qualidade de vida.
Identificação e Exame Anual
Para todos os pacientes com diabetes, é recomendado realizar um exame 
anual do pé para identificar fatores de risco de úlceras e amputações. Este 
exame deve incluir:
Inspeção cuidadosa do pé.
Verificação dos pulsos pediosos.
Testes para avaliar a perda de sensibilidade protetora, como o uso do 
monofilamento e testes de sensibilidade vibratória, sensibilidade 
dolorosa e/ou reflexo aquileu.
Cuidados Preventivos
Os pacientes com risco elevado de pé diabético devem ser educados e 
orientados sobre os cuidados com os pés. A educação deve incluir:
� Importância da monitoração diária do pé:
Inspeção diária do pé, especialmente entre e sob os dedos, para 
detectar calos, bolhas, ferimentos e infecções. O uso de espelho pode 
ajudar a visualizar a região plantar.
Higiene adequada, lavando os pés diariamente e secando bem entre os 
dedos.
Uso de hidratante, mas evitando a aplicação entre os dedos, para 
prevenir maceração.
� Cuidados com as unhas:
Cortar as unhas retas, sem cortar calos ou usar calicidas.
Resumo  Síndrome Metabólicas 155
Evitar o tratamento de pés e unhas em salões de beleza.
Consultar a equipe de saúde para tratar unhas encravadas ou 
calosidades.
� Evitar fatores de risco:
Cessar o tabagismo, que prejudica a circulação.
Evitar andar descalço para prevenir lesões.
Evitar o uso de bolsa de água quente, deixar o pé de molho em água 
quente ou a exposição ao frio excessivo.
� Escolha de calçados adequados:
O calçado deve ser de couro macio, com salto baixo e frente folgada, 
permitindo espaço para acomodar as deformidades dos dedos.
Verificar a presença de objetos estranhos antes de calçar.
Evitar sandálias abertas, com tiras entre os dedos ou calçados de 
plástico.
Manejo do Pé de Charcot
O pé de Charcot é uma complicação rara, mas grave, associada ao diabetes. 
Seu manejo depende do estágio da doença:
Estágio 0 (sinal inflamatório) Repouso e imobilização gessada são 
indicados.
Estágio 1 e 2 (estabilização articular) Utilização de órteses curtas em 
termoplástico, usadas dentro de calçados de profundidade extra com sola 
rígida e de rolamento.
Estágio 3 (deformidade estável ou instável) Se a deformidade for estável, 
o uso de calçados sob medida pode ser suficiente. Se a deformidade for 
instável, pode ser necessário o uso de um aparelho ortopédico de 
descarga, como uma órtese tipo tutor curto Patellar Tendon Bearing 
Orthosis  PTB, que suporta o peso corporal no nível do joelho e poupa o 
pé.
O tempo de uso da imobilização pode ser longo: de 6 a 12 meses para 
articulações tarsometatarsais e de 12 a 24 meses para articulações do 
retropé/tornozelo.
Resumo  Síndrome Metabólicas 156
Cetoacidose Diabética e Estado 
Hipermolar NÃO Cetótico 
As complicações agudas metabólicas mais graves em pacientes com diabetes 
mellitus DM são a Cetoacidose Diabética CAD e o Estado Hiperglicêmico 
Hiperosmolar Não Cetótico EHNC, e a principal diferença entre ambas é a 
presença de acidose.
Cetoacidose Diabética (CAD)
A CAD é caracterizada por:
Hiperglicemia significativa.
Acidose metabólica.
Desidratação.
Cetose (produção de corpos cetônicos devido à lipólise).
Deficiência profunda de insulina.
 A CAD acomete principalmente pacientes com DM tipo 1 2/3 dos casos), 
mas também pode afetar pacientes com DM tipo 2 34% dos casos).
 A idade mais comum para o surgimento da CAD é entre 18 e 44 anos, mas 
pode ocorrer em outras faixas etárias.
A CAD pode ser desencadeada por diversos fatores, como:
Infecções, principalmente respiratórias.
Omissão ou inadequação no uso de insulina.
Em alguns casos, a CAD pode ser a manifestação inicial do DM tipo 1 ou 
tipo 2.
 A CAD é a principal causa de morte emcrianças e adolescentes com DM1, 
sendo responsável por até 50% das mortes em pacientes com menos de 24 
anos.
Estado Hiperglicêmico Hiperosmolar Não Cetótico (EHNC)
Resumo  Síndrome Metabólicas 157
O EHNC é caracterizado por:
Hiperglicemia grave.
Hiperosmolaridade (aumento da concentração de substâncias dissolvidas 
no sangue).
Desidratação.
Ausência de cetose e acidose metabólica.
 A mortalidade por EHNC é mais elevada que a da CAD, variando de 5% a 
20%. O prognóstico piora em casos com hipotensão, coma ou comorbidades 
graves, especialmente em extremos etários.
 Fatores precipitantes do EHNC incluem infecções e desidratação 
excessiva, além da omissão de insulina. Embora a insulina esteja presente em 
níveis insuficientes para controlar a glicose, ela é suficiente para evitar a 
lipólise e a produção de corpos cetônicos.
Diferenças entre CAD e EHNC
CAD Há acidose metabólica, cetose, e deficiência profunda de insulina.
EHNC Não há acidose nem cetose, mas o nível de insulina é insuficiente 
para controlar a glicose, embora suficiente para evitar a lipólise e a 
produção de corpos cetônicos.
Fisiopatologia
CAD:
Resumo  Síndrome Metabólicas 158
Deficiência profunda de insulina.
Elevação de hormônios contrarreguladores (glucagon, cortisol, 
catecolaminas, GH, que contribuem para:
Hiperglicemia (aumento da gliconeogênese e glicogenólise).
Desidratação celular (devido à diurese osmótica).
Lipólise aumentada e produção de corpos cetônicos, levando à 
cetose e acidose metabólica.
A perda de 510% do peso corporal é comum.
Resistência transitória à insulina pode ocorrer devido ao aumento de 
ácidos graxos circulantes.
EHNC:
Desidratação extrema e hiperglicemia sem cetose.
Níveis insuficientes de insulina para controlar a glicose, mas suficiente 
para prevenir a lipólise e a produção de corpos cetônicos.
Sistemas de Infusão Subcutânea Contínua de Insulina (SICI)
Embora a tecnologia tenha melhorado, CAD ainda pode ocorrer em usuários de 
bombas de insulina devido a:
Obstrução ou posicionamento incorreto da cânula.
Resumo  Síndrome Metabólicas 159
Problemas técnicos, como bateria fraca ou infecção no local da cânula.
Término de insulina no sistema sem troca do cartucho ou 
desacoplamento da bomba.
Devido à quantidade limitada de insulina nos sistemas SICI, a CAD pode se 
desenvolver rapidamente.
Prevenção e Manejo
 A educação em diabetes e o monitoramento rigoroso da glicemia e insulina 
são fundamentais para prevenir tanto a CAD quanto o EHNC. A detecção 
precoce e a intervenção rápida são essenciais para reduzir as taxas de 
mortalidade associadas a essas complicações agudas.
Manifestações Clínicas
Tanto a Cetoacidose Diabética CAD quanto o Estado Hiperglicêmico 
Hiperosmolar Não Cetótico EHNC apresentam sintomas semelhantes no 
início, como poliúria, polidipsia, perda de peso, polifagia, vômitos, 
desidratação, fraqueza e alterações do sensório. No entanto, as 
características clínicas podem variar:
Sintomas inespecíficos como cefaleia, parestesias, mal-estar e dor 
abdominal (mais comum na CAD, especialmente em jovens ou sem acidose 
grave) podem ocorrer.
Sintomas neurológicos focais, como hemianopsia, hemiparesia ou 
convulsões, são mais frequentes no EHNC, com coma sendo mais comum 
nesta condição.
Exame Físico
CAD: pode apresentar respiração de Kussmaul (hiperventilação profunda 
devido à acidose), taquicardia, hipotensão e hálito cetônico 
(característico, com odor de “maçã passadaˮ).
EHNC: pode ser assintomático no início, mas leva a uma evolução para 
letargia grave e coma.
A hipotermia ou normotermia pode ocorrer devido à vasodilatação, mesmo na 
presença de infecção.
Investigação Laboratorial
Resumo  Síndrome Metabólicas 160
A diferenciação entre CAD e EHNC deve ser feita com base em exames 
laboratoriais:
Hiperglicemia:
EHNC: glicemia frequentemente superior a 600 mg/dL.
CAD: glicemia geralmente acima de 250 mg/dL.
pH sanguíneo:
EHNC: pH geralmente superior a 7,3, sem acidose (bicarbonato acima 
de 18 mEq/L).
CAD: pH reduzido devido à acidose metabólica e cetose.
Osmolaridade sérica:
EHNC: hiperosmolaridade maior que 320 mOsm/kg.
CAD: ausência de hiperosmolaridade significativa.
Cetonemia e Cetonúria
Cetonemia O teste mais utilizado para detectar corpos cetônicos 
(acetoacetato e acetona) pode ser impreciso, já que não mede β-
hidroxibutirato BHB, o principal corpo cetônico na CAD.
Cetonúria A cetonúria é detectada via teste de urina ou tirinhas 
reagentes, que identificam acetoacetato e acetona, mas não o BHB. 
Importante ressaltar que, após o tratamento da CAD, o BHB é convertido 
em acetoacetato, o que pode induzir à falsa impressão de piora no quadro 
se medido com esses testes tradicionais. Testes mais recentes, que 
detectam BHB, são mais precisos e evitam esse erro.
Glicemia em Pacientes Específicos
Crianças, pacientes em jejum prolongado, gestantes ou usuários de 
biguanidas podem apresentar glicemia mais baixa, enquanto idosos 
tendem a ter glicemia mais elevada.
Cerca de 10% dos casos de CAD podem ocorrer com glicemia euglicêmica 
 250 mg/dL devido à restrição alimentar, uso de insulina ou 
medicamentos que inibem a gliconeogênese.
Exames Complementares
Resumo  Síndrome Metabólicas 161
Ureia e creatinina Podem estar elevadas devido à azotemia pré-renal e 
perda de líquidos. Vale notar que a creatinina pode ser falsamente elevada 
devido à interferência do acetoacetato.
Hemograma A leucocitose e a elevação do hematócrito são comuns 
devido à desidratação. A leucocitose significativa (acima de 25.000
30.000/mm³) sugere infecção associada.
Eletrólitos
Sódio:
CAD: pode ter níveis séricos normais, altos ou baixos. A redução no 
sódio pode ocorrer devido à hiponatremia dilucional (diluição pela 
saída de água das células devido à hiperglicemia).
A correção da natremia deve ser feita adicionando 1,6 mEq de sódio 
para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100 mg/dL.
Potássio:
CAD: níveis séricos de potássio podem ser normais, elevados ou 
baixos.
Hipopotassemia ocorre devido à perda renal de potássio, vômitos e 
hiperaldosteronismo secundário. Hiperpotassemia é associada ao 
efeito osmótico da hiperglicemia (deslocamento de potássio do interior
das células para o exterior) e à acidose metabólica.
Osmolaridade Sérica e Consciência
Osmolaridade sérica elevada:
É maior no EHNC e está inversamente relacionada ao nível de 
consciência. Quando a osmolaridade sérica atinge mais de 330 
mOsm/kg, o paciente pode apresentar coma.
Fórmula para Cálculo da Osmolaridade Sérica:
A osmolaridade sérica pode ser medida com um osmômetro ou calculada pela 
fórmula:
 Osmolaridade  2Na+] + [glicose]/18  [ureia]/2.8
→ cetoacidose diabética CAD é uma complicação metabólica do diabetes 
mellitus caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica com aumento do 
Resumo  Síndrome Metabólicas 162
anion gap, e presença de corpos cetônicos no sangue. A acidose metabólica 
com aumento do anion gap ocorre devido à elevação dos corpos cetônicos 
(como acetoacetato e β-hidroxibutirato), levando ao acúmulo de ânions não 
medidos.
Cálculo do anion gap:
 Anion gap= Na+ Cl− HCO3
 Valores normais: 7 a 9 mEq/L. Um anion gap  1012 mEq/L indica acidose 
metabólica com aumento do anion gap, típico da CAD.
 A CAD pode ser precipitada por fatores infecciosos, como infecções 
urinárias, pneumonia e sinusite. Exames laboratoriais como hemoculturas, 
radiografia de tórax e TC de seios da face podem ser necessários para 
investigação.
2. Diagnóstico Diferencial
A CAD deve ser diferenciada de outras condições que também causam acidose 
metabólica com aumento do anion gap:
Cetose de jejum Glicemia raramente  250 mg/dL e acidose leve. 
Geralmente, há história de jejum prolongado.
Cetoacidose alcoólica Abuso de álcool, glicemia não muito elevada e 
acidose significativa, sem elevação expressiva de glicose.
Acidose láctica, intoxicação por salicilatos, metanol,etilenoglicol e 
paraldeído Investigar com dosagens específicas de lactato, salicilato e 
metanol.
Intoxicação por etilenoglicol Caracterizada pela presença de cristais 
de oxalato de cálcio na urina.
3. Tratamento
O tratamento da CAD e do EHNC Emergência Hiperglicêmica Não Cetótica) é 
focado em hidratação, correção da hiperglicemia e distúrbios eletrolíticos, além 
do manejo dos fatores precipitantes.
Cetoacidose Leve e Moderada
Hidratação Em casos leves, a hidratação oral pode ser suficiente, mas se 
houver vômitos ou desidratação, a via intravenosa é preferida.
Resumo  Síndrome Metabólicas 163
Insulinoterapia Pode ser administrada por via subcutânea, com doses a 
cada 1 hora. A insulina regular 0,4 a 0,6 UI/kg de bolus inicial) ou análogos 
de insulina de ação ultrarrápida 0,3 UI/kg de bolus) podem ser usadas 
para corrigir a glicemia e a cetonemia.
Cetoacidose Grave
Hidratação A reposição inicial de líquidos deve ser generosa, com 15 a 20 
mL/kg de solução salina a 0,9% na primeira hora. A hidratação posterior 
deve ser ajustada conforme os níveis de sódio e os parâmetros 
hemodinâmicos.
Quando a glicemia atingir  200 mg/dL (na CAD, a solução deve ser 
alterada para NaCl 0,45% com glicose a 5%, a uma taxa de 150 a 250 
mL/h.
Insulinoterapia Endovenosa A insulina regular deve ser administrada em 
bolus 0,14 U/kg/h). A alternativa, caso não haja insulina venosa disponível, 
é o uso subcutâneo com doses regulares a cada 2 horas.
Correção de distúrbios eletrolíticos A reposição de potássio deve ser 
iniciada quando o débito urinário for adequado (pelo menos 50 mL/h). Para 
níveis de potássio  3,3 mEq/L, a reposição deve ser rápida 2030 mEq/h). 
Hipofosfatemia geralmente não requer reposição, exceto em casos muito 
específicos (ex: disfunção ventricular esquerda).
Bicarbonato de sódio Só deve ser administrado em casos graves de 
acidose (pH  6,9, uma vez que a infusão pode causar efeitos adversos 
como hipopotassemia e acidose paradoxal.
Resumo  Síndrome Metabólicas 164
Emergência Hiperglicêmica Não Cetótica (EHNC)
Hidratação A abordagem é semelhante à da CAD, com reidratação 
agressiva. Contudo, o foco deve ser em normalizar a osmolaridade sérica e 
tratar as complicações de desidratação grave.
Insulina O tratamento com insulina endovenosa é crucial para controlar a 
hiperglicemia, com ajuste fino para evitar grandes flutuações nos níveis 
glicêmicos.
4. Fatores Precipitantes e Investigação
A investigação de fatores precipitantes deve ser realizada com exames 
laboratoriais e de imagem, incluindo hemoculturas, radiografia de tórax, TC de 
seios da face (para mucormicose ou sinusite) e pesquisa de lesões de pele ou 
Resumo  Síndrome Metabólicas 165
úlceras de decúbito. Caso haja suspeita de uma infecção, é essencial tratá-la 
rapidamente.
5. Monitoramento
Eletrolíticos A monitorização constante dos níveis de potássio e outros 
eletrólitos é fundamental, especialmente quando há reposição de líquidos e 
insulina. O uso de monitoração eletrocardiográfica durante a reposição de 
potássio é indicado devido ao risco de arritmias.
Glicemia e pH A evolução clínica deve ser monitorada com exames 
frequentes de glicemia, pH e anion gap. A resolução da CAD é indicada 
quando a glicemia está  200 mg/dL, o bicarbonato é  15 mEq/L, o pH 
venoso é  7,3, e o anion gap é  12 mEq/L.
6. Resolução e Transição para Terapia de Manutenção
Após a estabilização do quadro e a normalização dos parâmetros clínicos, a 
insulina subcutânea deve ser iniciada para manter o controle glicêmico, com a 
introdução de insulina de ação longa NPH, Glargina, Detemir) associada a 
análogos de insulina de ação rápida Lispro, Asparte, Glulisina) após a 
aceitação alimentar. Em pacientes que já faziam uso de insulina, a mesma dose 
prévia pode ser reintroduzida.
7. Complicações do Tratamento
As principais complicações durante o tratamento da Cetoacidose Diabética 
CAD incluem:
� Hipoglicemia:
Ocorre devido ao excesso de insulina durante o tratamento, 
especialmente quando a glicemia atinge valores baixos  250 mg/dL.
Pode ser evitada com a administração concomitante de solução de 
glicose a 5% SG 5% quando a glicemia cai para níveis  250 mg/dL.
Deve-se monitorar a glicemia frequentemente (a cada 12 horas), uma 
vez que muitos pacientes não apresentam sintomas adrenérgicos 
clássicos de hipoglicemia (como tremores, suores) à medida que a 
hipoglicemia se instala.
� Hipopotassemia:
Resumo  Síndrome Metabólicas 166
Devido ao efeito da insulina e ao uso de bicarbonato de sódio, a 
hipopotassemia pode ocorrer se a reposição de potássio não for 
adequadamente monitorada.
� Edema Cerebral:
Embora raro em adultos, o edema cerebral é uma complicação grave da 
CAD, com taxa de mortalidade entre 20% e 40%. É mais comum em 
crianças.
Fatores associados ao edema cerebral incluem:
Uso de bicarbonato de sódio (que não penetra a barreira 
hematoencefálica e pode causar acidose paradoxal do líquor),
Redução da oxigenação do SNC,
Ação da insulina sobre o transporte de água no cérebro,
Produção de osmóis idiogênicos (como mioinositol e taurina) nos 
neurônios, que impedem a retração celular devido à desidratação 
extracelular.
Correção rápida do sódio também pode contribuir para o edema 
cerebral, uma vez que acelera a queda da osmolaridade 
extracelular, favorecendo o influxo de água para os neurônios.
O edema cerebral pode se manifestar com sintomas como deterioração 
do nível de consciência, alterações no comportamento, cefaleia, 
letargia, convulsões, alterações pupilares, aumento da pressão 
intracraniana, bradicardia e até parada respiratória, podendo evoluir 
para herniação do tronco encefálico.
Medidas preventivas incluem correção gradual do sódio, da glicemia e 
da água corporal total.
Prevenção de CAD e EHNC
A educação em diabetes é fundamental para prevenir essas complicações. 
A monitorização regular da glicemia e a realização de testes para 
cetonemia ou cetonúria são essenciais, especialmente quando os níveis de 
glicose estão elevados  250 mg/dL ou em presença de doenças 
intercorrentes.
Quando o paciente tiver hiperglicemia, é importante aumentar a ingestão 
hídrica e administrar insulina para corrigir a glicemia. Orientações sobre 
Resumo  Síndrome Metabólicas 167
monitoramento frequente da glicemia também são necessárias.
Hipoglicemia: Causas e Sintomas
A hipoglicemia é uma das complicações agudas mais comuns em pacientes 
com diabetes mellitus DM, especialmente em DM tipo 1 DM1. No DM1, 
cerca de 10% do tempo a glicemia fica abaixo de 5060 mg/dL, mesmo em 
pacientes bem controlados. No DM tipo 2 DM2, a frequência é menor, mas 
pode ser mais comum em pacientes que utilizam insulina intensivamente.
Causas da Hipoglicemia:
Jejum prolongado, exercícios físicos intensos, uso excessivo de álcool 
ou insulina/hipoglicemiantes orais em doses elevadas.
Hipoglicemiantes orais de primeira geração (como clorpropamida) têm 
maior risco devido à sua longa meia-vida.
Sintomas de Hipoglicemia:
Leve 6570 mg/dL Ansiedade, tremores, sudorese, palpitação, fome, 
parestesia.
Moderada 5565 mg/dL Fraqueza, calafrios, fadiga, dificuldade de 
concentração, alterações emocionais.
Grave 5055 mg/dL ou menos) Perda de consciência, convulsões, coma, 
risco de morte.
Tratamento da Hipoglicemia:
Leve Administrar 1520g de carboidrato por via oral (exemplo: 150 mL de 
suco ou refrigerante não dietético).
Moderada a grave Administrar 30g de carboidrato por via oral ou, em 
ambiente hospitalar, glicose intravenosa 3040 mL de glicose a 50%.
Se o paciente estiver inconsciente, administrar glucagon 1 mg) por via 
intramuscular ou subcutânea. Após 1520 minutos, deve-se verificar a 
glicemia e, se necessário, repetir o tratamento.
Acidose Láctica
A acidose láctica é uma complicação rara, mas grave, associada ao uso de 
metformina, especialmente em pacientes com insuficiência renal, 
Resumo  Síndrome Metabólicas 168
insuficiência cardíacaou hipoxia. A incidência de acidose láctica é muito 
baixa, cerca de 3 casos por 100.000 tratamentos/ano.
Diagnóstico:
Elevação de lactato  5 mmol/L, com queda do pH e redução dos níveis 
de bicarbonato.
Tratamento:
Suspensão da metformina.
Tratamento da patologia subjacente, como insuficiência renal ou 
insuficiência cardíaca descompensada.
Indução da diurese com líquidos e diuréticos. Em casos graves de 
insuficiência renal, a hemodiálise pode ser necessária.
Bicarbonato de sódio intravenoso somente em casos de acidose grave 
(pH  7,15 e administrado lentamente para evitar aumento paradoxal de 
lactato e insuficiência cardíaca induzida pelo bicarbonato.
Resumo  Síndrome Metabólicas 169Indicação Para mulheres que falharam em tratamentos com indutores 
de ovulação ou têm problemas reprodutivos coexistentes (ex: danos 
nas trompas, endometriose, infertilidade do parceiro).
Considerações Avaliar custo, disponibilidade e risco de síndrome de 
hiperestimulação ovariana SHO. Deve ser considerado o risco de 
complicações e o acompanhamento rigoroso.
Importante:
Antes de iniciar qualquer tratamento para infertilidade, deve-se confirmar 
que não há gestação.
O uso de medicamentos deve ser individualizado, levando em conta fatores 
como resistência ao tratamento e risco de complicações, como gravidez 
múltipla e síndrome de hiperestimulação ovariana.
Resumo  Síndrome Metabólicas 21
� Disfunção Menstrual e Prevenção do Câncer Endometrial
A educação em saúde, modificação do estilo de vida MEV e o uso de 
anticoncepcionais orais combinados ACO são o tratamento de primeira 
linha para mulheres com SOP que não desejam gestação, pois ajudam a 
regularizar os ciclos menstruais, diminuir o risco de carcinoma endometrial e 
melhorar as manifestações de excesso de andrógenos.
Anticoncepcionais Orais ACO:
Dose de estrogênio Preferir doses mais baixas de etinilestradiol 20
30 μg), para minimizar riscos, como tromboembolismo venoso TEV. A 
escolha entre diferentes ACO deve considerar custo, disponibilidade e 
perfil metabólico.
Progestógenos recomendados Optar por aqueles com baixa atividade 
androgênica, como acetato de ciproterona, drospirenona, e outros 
mencionados (clormadinona, dienogeste, gestodeno, desogestrel).
Risco de TEV O risco de trombose é baixo com ACO, mas aumenta em 
mulheres acima de 39 anos e em aquelas com sobrepeso ou 
obesidade. Tabagistas têm risco ainda maior.
Evitar a combinação etinilestradiol 35 μg + ciproterona 2 mg (ex. 
Diane®) como primeira linha devido ao maior risco de efeitos adversos, 
incluindo TEV.
Progestógenos cíclicos:
Para mulheres que não podem usar ACO combinado, o uso de 
progestógenos cíclicos (progesterona micronizada ou acetato de 
medroxiprogesterona) é recomendado para proteger o endométrio e 
evitar hiperplasia e câncer endometrial.
Resumo  Síndrome Metabólicas 22
Metformina:
Pode ser usada como segunda linha quando ACO não for uma opção 
(intolerância ou contraindicação). Sua eficácia na regulação do ciclo 
menstrual é limitada, mas pode ser combinada com ACO em casos de 
sobrepeso ou problemas glicêmicos.
� Manejo do Hiperandrogenismo Acne e Hirsutismo)
ACO são o tratamento de escolha para controlar acne e hirsutismo, devido 
aos seus efeitos na redução dos andrógenos ovarianos e aumento da 
globulina de ligação à hormônios sexuais SHBG, o que diminui os níveis 
de testosterona livre.
Progestógenos antiandrogênicos:
Preferir progestógenos de baixa atividade androgênica (ex.: 
drospirenona, acetato de ciproterona).
Antiandrógenos:
Quando o ACO não for suficiente, pode-se associar antiandrógenos 
como espironolactona, ciproterona e finasterida.
Espironolactona é amplamente utilizada 100 mg/dia, iniciando com 50 
mg/dia), enquanto flutamida deve ser evitada devido ao risco de 
hepatotoxicidade.
A finasterida pode ser associada à espironolactona, mas deve ser 
usada com cautela, pois pode agravar a acne.
Tratamento cosmético:
Técnicas de depilação e o uso de creme de eflornitina Vaniqa®) para 
hirsutismo facial podem ser combinados com laserterapia para 
melhores resultados.
Resumo  Síndrome Metabólicas 23
� Manejo do Risco Cardiometabólico
Risco cardiovascular A avaliação do risco cardiovascular é essencial para 
todas as mulheres com SOP, já que elas apresentam maior risco de 
dislipidemia, hipertensão e resistência à insulina.
Perda de peso Deve ser incentivada e perseguida como uma meta 
terapêutica para melhorar a resistência à insulina e reduzir os riscos 
metabólicos.
Terapias farmacológicas:
Metformina Primeira linha para mulheres com pré-diabetes ou DM2. 
Ela melhora a sensibilidade à insulina, reduz a glicemia e os níveis de 
testosterona, além de ajudar no controle do peso.
GLP1RAs (agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao 
glucagon-1, como liraglutida, têm mostrado benefícios no controle do 
peso e no risco cardiovascular.
Resumo  Síndrome Metabólicas 24
SGLT2 inibidores também podem ser considerados, especialmente em 
pacientes com DM2.
Cirurgia bariátrica Para pacientes com IMC  40 kg/m² ou IMC  35 
kg/m² com comorbidades, a cirurgia bariátrica pode ser uma opção 
quando outras abordagens falharem.
4. Prevenção de Complicações Gestacionais
Mulheres com SOP têm risco aumentado de complicações obstétricas, como 
diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, hipertensão induzida pela gestação e 
partos prematuros. Contudo, o uso de metformina na prevenção dessas 
complicações durante a gravidez não é amplamente recomendado devido à 
falta de evidência clara em estudos controlados.
Diabetes gestacional Não há evidência de que a metformina reduza a 
incidência de diabetes gestacional em gestantes com SOP, apesar de 
alguns estudos observacionais sugerirem benefícios.
Uso off-label de metformina Embora metformina não apresente efeitos 
teratogênicos conhecidos, seus efeitos a longo prazo na prole ainda não 
são totalmente compreendidos. Além disso, alguns estudos sugerem que 
seu uso durante a gestação pode afetar o crescimento fetal e aumentar o 
risco de excesso de peso na infância.
Síndrome Metabólica 
→ aglomerado de condições que aumentam o risco de DCV 
 Segundo os critérios da International Diabetes Federation IDF, o 
diagnóstico de síndrome metabólica é definido pela presença de, pelo menos, 
duas das citadas comorbidades em indivíduos com circunferência abdominal 
aumentada
A adiposidade excessiva, especialmente intra-abdominal, constitui um 
distúrbio-chave no desenvolvimento da síndrome metabólica SM
Resumo  Síndrome Metabólicas 25
Patogênese 
→ mecanismos patogenicos ainda não determinados 
SÍNDROME METABÓLICA  interação complexa entre fatores genéticos, 
metabólicos e ambientais 
 A agregação dos fatores metabólicos depende de outros dois fatores 
importantes: suscetibilidade metabólica e excesso de gordura corporal
 Seus componentes principais incluem HAS, diabetes mellitus tipo 2 DM2, 
dislipidemia e obesidade abdominal.
Esses fatores estão ligados por uma base fisiopatológica comum, que 
envolve resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau e disfunção
endotelial.
 A obesidade, especialmente aquela com acúmulo excessivo de gordura 
abdominal, é o principal fator etiológico que predispõe à resistência insulínica e 
à SM
 O tecido adiposo age no controle da hemostasia da energia, mediante a 
integração dos sinais endócrinos, metabólicos e inflamatórios.
Entretanto, com a obesidade, esse tecido sofre disfunção, com 
alteração na morfologia e na atividade dos adipócitos.
 Uma variedade de proteínas biologicamente ativas é secretada, e esses 
produtos têm sido implicados como causadores de um ou outro fator de risco 
metabólico, como os ácidos graxos não esterificados AGNE, citocinas 
Resumo  Síndrome Metabólicas 26
inflamatórias, como fator de necrose tumoral α (TNFα) e IL6, e fatores 
protrombóticos, como PAI1, leptina, resistina e adiponectina
 Aumenta endotelina, diminui NO, aumenta angiotensina II
 Obesidade  AGL  disfunção endotelial é o marco chave da obesidade, o 
que leva a diminuição de NO
AGNE
 O tecido adiposo perde a capacidade de controlar a produção dos AGNE e 
contribui para atividade aberrante da função endócrina, com potenciais 
consequências em termos de disfunção metabólica, resistência à insulina e 
risco de doença cardiovascular
 Os AGNE em excesso causam deposição de gordura em tecidos ectópicos, 
como fígado e músculos, o que parece predispor à resistência à insulina e à 
dislipidemia
 No fígado, os AGNE causam acúmulo de gordura, o que reduz a ação da 
insulina e aumenta a neoglicogênese e o débito de glicose hepática, 
acentuando a hiperglicemia naquelesque têm baixa secreção de insulina, além 
de promover o desenvolvimento da dislipidemia aterogê-nica, isto é, níveis 
elevados de triglicerídeos, apolipoproteína B (apo-B e LDL-c pequeno e denso
 Níveis séricos elevados de triglicerídeos reduzem o HDL-c mediante troca 
dos ésteres de HDL-c por VLDL rico em triglicerídeos.
 Essa redução é intensificada pela aumentada síntese da lipase hepática que 
ocorre em pessoas com esteatose hepática induzida pela obesidade
Citocinas inflamatórias
 Nos obesos, ocorrem maiores síntese e liberação de citocinas inflamatórias, 
IL6 e TNFα.
 É incerto se essas citocinas circulantes promovem resistência à insulina no 
músculo, se causariam aumento da síntese hepática de proteína C reativa 
PCR e fibrinogênio, ou se ativariam os macrófagos nas placas aterogênicas
 O TNFα produzido mais no tecido adiposo resistente à insulina, diminui a 
atividade da tirosina cinase do receptor da insulina, o que levanta a 
possibilidade de ser este um dos mediadores da resistência à insulina na 
obesidade e no diabetes.
Resumo  Síndrome Metabólicas 27
PAI-1
 Seus níveis estão mais elevados em obesos, com predomínio de gordura 
visceral
 Essa elevação, junto com o fibrinogênio, contribui para o estado 
protrombótico
 O nível aumentado de PAI1 reduz a atividade fibrinolítica
Outras adipocinas
 As adiponectinas, em tecidos sensíveis à insulina, participam na modulação 
do metabolismo da glicose e dos lipídios.
 A associação de níveis reduzidos de adiponectinas com obesidade, 
resistência à insulina, doença coronariana DAC e dislipidemia indica que essa 
proteína pode ser um importante novo marcador da SM
 Menores níveis de adiponectinas são encontrados em pacientes com 
hipertensão arterial e diabéticos
Resistina
 Alguns autores sugerem uma associação entre resistina sérica elevada e a 
gordura visceral, RI, DM2 e inflamação
 A resistina parece opor-se à ação da insulina, mas
seu papel ainda não está definido
Osteocalcina
 Recentemente, diversos estudos têm sugerido que o osso apresenta 
importância fisiológica na regulação da glicose e no metabolismo da gordura 
mediante a ação da osteocalcina, uma proteína secretada pelos osteoclastos 
durante a formação óssea
Fisiopatologia 
 Sua fisiopatologia envolve uma série de mecanismos interligados, e a 
principal característica é a resistência à insulina, associada a obesidade 
central, dislipidemia, hipertensão arterial e inflamação crônica. 
Resistência à Insulina
Resumo  Síndrome Metabólicas 28
 A resistência à insulina é o mecanismo central da síndrome metabólica e 
ocorre quando os tecidos do corpo (como músculos, fígado e tecido adiposo) 
se tornam menos sensíveis aos efeitos da insulina. 
 A insulina é um hormônio responsável por facilitar a absorção de glicose 
pelas células e controlar os níveis de glicose no sangue. 
 Quando a resistência à insulina ocorre, o corpo tenta compensar produzindo 
mais insulina (hiperinsulinemia). No entanto, essa adaptação leva a altos níveis 
de insulina circulante, mas com controle inadequado da glicose, que se 
acumula no sangue (hiperglicemia).
Mecanismos envolvidos na resistência à insulina:
Acúmulo de gordura visceral: A gordura abdominal, ou visceral, está 
altamente associada à resistência à insulina. Esse tipo de gordura libera 
ácidos graxos livres e citocinas inflamatórias, como o TNF-alfa (fator de 
necrose tumoral) e interleucinas (como IL6, que interferem na ação da 
insulina.
Disfunção do receptor de insulina: No estado de resistência, o receptor de 
insulina nas células torna-se menos responsivo ao hormônio, o que 
prejudica a captação de glicose. O aumento da secreção de insulina não é 
suficiente para compensar essa falha, o que leva à glicemia elevada.
Sinalização do receptor de insulina prejudicada: Alterações nas vias de 
sinalização intracelular da insulina, como a via de PI3K/Akt (fosfatidilinositol 
3-quinase/proteína quinase B, também podem reduzir a eficiência do 
transporte de glicose para dentro das células.
2. Obesidade Visceral
 A obesidade visceral, definida pelo acúmulo de gordura na região 
abdominal, é uma das principais características da síndrome metabólica e tem 
implicações diretas no desenvolvimento da resistência à insulina. 
 As células de gordura visceral (adipócitos) liberam ácidos graxos livres e 
citocinas inflamatórias que alteram o metabolismo e aumentam o risco de 
distúrbios metabólicos.
Mecanismos de contribuição da obesidade visceral:
Liberação de ácidos graxos livres: A gordura visceral libera ácidos graxos 
livres diretamente para a corrente sanguínea, o que promove a resistência à 
insulina, especialmente no fígado e nos músculos. O fígado, por exemplo, 
Resumo  Síndrome Metabólicas 29
recebe ácidos graxos livres em excesso e responde aumentando a 
produção de glicose (gluconeogênese), o que contribui para a 
hiperglicemia.
Citocinas inflamatórias: O excesso de gordura visceral leva à secreção de 
citocinas pró-inflamatórias, como TNF-alfa, IL6 e resistina, que interferem 
na sinalização da insulina e favorecem a resistência insulínica.
Adipocinas: Além das citocinas inflamatórias, a gordura visceral também 
secretar adipocinas, como a leptina e a adiponectina, que desempenham 
papéis cruciais na regulação da insulina e no metabolismo lipídico. Na 
obesidade visceral, o perfil dessas adipocinas é alterado, favorecendo a 
resistência à insulina.
3. Dislipidemia
Na síndrome metabólica, a dislipidemia é caracterizada por:
Elevados níveis de triglicerídeos.
Diminuição do HDL (colesterol "bom").
Possíveis elevações do LDL (colesterol "ruim") e VLDL (lipoproteínas de 
muito baixa densidade).
Mecanismos envolvidos na dislipidemia:
Excesso de ácidos graxos livres: O excesso de ácidos graxos livres, 
liberados principalmente pela gordura visceral, interfere com a lipoproteína 
lipase LPL, enzima responsável pela remoção de triglicerídeos das 
lipoproteínas. Isso leva ao aumento dos triglicerídeos no sangue.
Alteração da produção de lipoproteínas no fígado: O fígado, na presença 
de excesso de gordura, aumenta a produção de lipoproteínas ricas em 
triglicerídeos VLDL, o que contribui para a elevação dos níveis de 
triglicerídeos e a redução do HDL. O HDL é fundamental para remover o 
colesterol das artérias e prevenindo sua oxidação, o que é prejudicado na 
síndrome metabólica.
Lipólise aumentada: Na obesidade visceral, a lipólise (quebra de gordura) 
é intensificada devido à secreção de catecolaminas e citocinas 
inflamatórias, resultando em um aumento da quantidade de lipídios 
circulantes, especialmente triglicerídeos.
4. Hipertensão Arterial
Resumo  Síndrome Metabólicas 30
A hipertensão arterial é outra característica central da síndrome metabólica, 
com uma série de mecanismos subjacentes:
Ativação do sistema nervoso simpático: A resistência à insulina e a 
inflamação crônica podem ativar o sistema nervoso simpático, que, por sua 
vez, aumenta a pressão arterial.
Disfunção endotelial: A resistência à insulina e a obesidade visceral 
prejudicam a função do endotélio (a camada de células que reveste os 
vasos sanguíneos), reduzindo a produção de óxido nítrico, um 
vasodilatador. Isso leva à vasoconstrição e ao aumento da pressão arterial.
Ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona: O excesso de 
ácidos graxos e a resistência à insulina também podem ativar esse sistema, 
que regula o equilíbrio de sódio e volume sanguíneo, resultando em 
retenção de sal e água, o que eleva a pressão arterial.
5. Inflamação Crônica de Baixo Grau
 A inflamação de baixo grau é uma característica comum da síndrome 
metabólica e é exacerbada pela obesidade visceral. 
 A gordura visceral secreta uma série de citocinas inflamatórias, que, além de 
estarem associadas à resistência à insulina, também contribuem para o 
desenvolvimento de doenças cardiovasculares e outras complicações.
Citocinas inflamatórias: Como TNF-alfa, IL6, e proteína C-reativa PCR 
estão elevadasem pessoas com síndrome metabólica. Essas substâncias 
promovem a resistência à insulina e também estão associadas à formação 
de placas ateroscleróticas nas artérias, o que aumenta o risco de infarto do 
miocárdio e AVC.
6. Disfunção Endotelial
A disfunção endotelial é um marco importante na fisiopatologia da síndrome 
metabólica. 
 A resistência à insulina e a inflamação crônica afetam diretamente o 
endotélio, prejudicando a liberação de óxido nítrico NO, que é vital para a 
vasodilatação e o controle da pressão arterial. A disfunção endotelial pode 
acelerar a formação de placas ateroscleróticas e aumentar o risco 
cardiovascular.
Resumo  Síndrome Metabólicas 31
Complicações (resistência à insulina, hipertensão, 
dislipidemia e diabetes tipo II)
Resumo  Síndrome Metabólicas 32
Doenças Cardiovasculares:
Doença Arterial Coronária DAC A síndrome metabólica está 
fortemente associada ao aumento do risco de desenvolvimento de 
doenças cardíacas, devido a fatores como aumento da pressão arterial, 
níveis elevados de colesterol LDL (o "mau" colesterol) e triglicerídeos, 
bem como a resistência à insulina. Esses fatores contribuem para o 
acúmulo de placas nas artérias, um processo conhecido como 
aterosclerose.
Infarto do Miocárdio Ataque Cardíaco) A aterosclerose associada à 
síndrome metabólica pode levar ao bloqueio das artérias coronárias, 
resultando em infarto do miocárdio.
Acidente Vascular Cerebral AVC O risco de AVC isquêmico também 
é elevado devido ao estreitamento e obstrução das artérias cerebrais 
causados pela aterosclerose.
Diabetes Tipo 2:
A resistência à insulina, um dos principais componentes da síndrome 
metabólica, é um fator-chave no desenvolvimento do diabetes tipo 2. 
Com o tempo, o corpo perde a capacidade de utilizar a insulina de 
maneira eficaz, o que leva a níveis elevados de glicose no sangue 
(hiperglicemia). Isso pode resultar em diabetes tipo 2, se não for 
controlado.
Resumo  Síndrome Metabólicas 33
A hiperglicemia prolongada pode causar danos aos vasos sanguíneos, 
nervos e órgãos vitais, como rins e olhos.
Doenças Renais:
Doença Renal Crônica DRC A hipertensão (pressão alta) e a 
hiperglicemia, que frequentemente acompanham a síndrome 
metabólica, podem danificar os rins ao longo do tempo, levando à 
insuficiência renal. A resistência à insulina também está associada a 
uma maior chance de danos renais.
Nefropatia Diabética Pacientes com síndrome metabólica que 
desenvolvem diabetes tipo 2 têm um risco aumentado de desenvolver 
problemas renais devido à combinação de níveis elevados de glicose e 
pressão arterial.
Síndrome Hepática Gordurosa Não Alcoólica NAFLD:
A resistência à insulina e a obesidade central (acúmulo de gordura 
abdominal) podem levar ao acúmulo de gordura no fígado, o que 
resulta em esteatose hepática não alcoólica. Se não tratada, essa 
condição pode progredir para cirrose hepática ou câncer de fígado.
Apneia do Sono:
A obesidade, particularmente o acúmulo de gordura abdominal, está 
fortemente associada à apneia obstrutiva do sono, uma condição em 
que as vias aéreas superiores ficam bloqueadas durante o sono, 
resultando em pausas respiratórias e fragmentação do sono.
A apneia do sono pode piorar a hipertensão e aumentar o risco de 
doenças cardiovasculares.
Dislipidemia:
A síndrome metabólica está associada a níveis elevados de 
triglicerídeos e colesterol LDL, e a uma diminuição do colesterol HDL (o 
"bom" colesterol). Essa desregulação lipídica aumenta ainda mais o 
risco de doenças cardíacas e de acidente vascular cerebral.
Síndrome do Ovário Policístico SOP:
Mulheres com síndrome metabólica têm um risco maior de desenvolver 
síndrome do ovário policístico SOP, uma condição associada a 
Resumo  Síndrome Metabólicas 34
problemas hormonais, resistência à insulina e infertilidade. A SOP pode 
agravar o risco de obesidade e diabetes tipo 2.
Inflamação Crônica de Baixo Grau:
A síndrome metabólica está associada a um estado inflamatório de 
baixo grau, o que aumenta o risco de várias doenças crônicas, 
incluindo doenças cardiovasculares, câncer e disfunções metabólicas. 
A inflamação crônica pode ser exacerbada pela resistência à insulina e 
pelo acúmulo de gordura visceral.
Dificuldades Cognitivas e Demência:
O risco de declínio cognitivo e demência, como a doença de Alzheimer, 
pode ser maior em pessoas com síndrome metabólica, especialmente 
quando há hipertensão e diabetes tipo 2. Isso se deve à combinação de 
fatores como resistência à insulina, dislipidemia e inflamação, que 
afetam a saúde cerebral.
Fatores de risco
A síndrome metabólica tem vários fatores de risco que podem ser modificáveis 
ou não. Entre os principais estão:
Obesidade Abdominal Gordura Visceral) A obesidade central, ou o 
acúmulo de gordura na região abdominal, é um dos fatores mais 
prevalentes. A gordura visceral está associada à resistência à insulina, um 
dos pilares da síndrome metabólica.
Resistência à Insulina A incapacidade do corpo em usar eficazmente a 
insulina para controlar os níveis de glicose no sangue é uma característica 
chave. Com o tempo, isso pode levar ao desenvolvimento de diabetes tipo 
2.
Hipertensão Pressão Arterial Elevada) A pressão arterial alta é um fator 
de risco significativo, e a síndrome metabólica é frequentemente 
acompanhada por níveis elevados de pressão arterial.
Dislipidemia Níveis elevados de triglicerídeos e colesterol LDL "mau 
colesterol"), além de níveis baixos de colesterol HDL "bom colesterol"), 
são característicos da síndrome.
Idade O risco aumenta com a idade, especialmente após os 40 anos.
Resumo  Síndrome Metabólicas 35
Histórico Familiar e Genética Ter um histórico familiar de diabetes tipo 2 
ou doenças cardíacas pode predispor o indivíduo a desenvolver a síndrome 
metabólica.
Estilo de Vida Dieta inadequada, falta de atividade física, tabagismo e 
consumo excessivo de álcool também são fatores de risco significativos.
Fatores Hormonais e Genéticos Distúrbios hormonais, como a síndrome 
do ovário policístico, e fatores genéticos podem contribuir para o 
desenvolvimento da síndrome metabólica.
Epidemiologia
A prevalência da síndrome metabólica tem aumentado globalmente devido ao 
aumento de fatores de risco como obesidade e sedentarismo. Dados de 
diversas fontes confiáveis mostram que a síndrome é mais comum:
Em países desenvolvidos e em desenvolvimento, devido à alimentação 
inadequada e estilo de vida sedentário.
Em indivíduos mais velhos, com uma prevalência significativamente maior 
a partir dos 50 anos.
Nas mulheres pós-menopausa, quando o risco de obesidade abdominal 
tende a aumentar devido às alterações hormonais.
Em grupos específicos, como pessoas com história familiar de diabetes 
tipo 2 ou doenças cardiovasculares.
Estudos indicam que cerca de 2025% da população mundial pode ser afetada 
pela síndrome metabólica, com a prevalência variando conforme o grupo etário 
e a região geográfica.
Diagnóstico
Por não apresentar critérios bem definidos, existem diversas definições de 
SM
OMS
Evidência obrigatória da RI
Intolerância à glicose, glicemia de jejum alterada ou DM2
Outros 2 fatores de risco metabólicos:
Resumo  Síndrome Metabólicas 36
Dislipidemia
Triglicerídeos elevados ou HDL baixo
Pressão arterial sistêmica elevada
Obesidade central IMC  30
Microalbuminúria
Excreção urinária de albumina 20 µg/min
NCEP III → seguir 
3 dos 5 componentes
Glicemia de jejum  100 mg/dℓ
Pressão arterial  130  85 mmHg
Triglicerídios TG  150 mg/dℓ
HDL-c
 40 mg/dℓ para homens
 50 para mulheres
Circunferência abdominal
 102 cm para homens
 88 cm para mulheres
IDF
A International Diabetes Federation IDF reforça o papel da obesidade 
central como elemento principal, porém o aumento da circunferência 
abdominal não representa mais critério obrigatório.
As diferentes etnias no estabelecimento dos valores de corte para 
circunferência abdominal também são consideradas – populações 
específicas, comoas asiáticas e hispânicas, apresentam diferenças 
quantitativas e qualitativas na adiposidade corporal, com potenciais 
diferenças no impacto sobre a morbimortalidade.
Obesidade central
CA 94 cm em homens e 80 cm em mulheres asiáticas
CA 102 cm em homens e  88 cm em mulheres em outras populações
Resumo  Síndrome Metabólicas 37
Obrigatório obesidade central associada a 2 dos 4 fatores adicionais:
triglicerídeos elevados
HDL-c baixo
Homens: 40 mg/dL.
Mulheres: 50 mg/dL.
glicemia  100 mg/dL
PA 130/85 mmHg ou em tratamento
Tratamento
O objetivo é reduzir o risco das DCVA e do DM2 a curto e longo prazos
Quatro terapias são utilizadas para redução ponderal: restrição calórica 
(déficit de 500cal/dia), atividade física aumentada, uso de medicações 
comportamentais e agentes antiobesidade.
A dieta deverá conter menos de 7% de ácidos graxos saturados, menos de 
1% de gordura trans e menos de 200mg de colesterol por dia
Resumo  Síndrome Metabólicas 38
A perda de peso pode melhorar o perfil lipídico, reduzir a pressão arterial 
sistêmica, melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir os níveis dos 
marcadores inflamatórios.
O exercício reduz os níveis de LDL-c e VLDL-c, eleva os de HDL-c, reduz a 
pressão arterial e melhora a sensibilidade à insulina
Hábitos alimentares
Pelo fato de a alimentação inadequada contribuir, com a inatividade física, 
para o surgimento da obesidade abdominal, é considerada um importante 
fator de risco modificável para o desenvolvimento de SM e DCV.
O controle da SM por meio da dieta quase sempre tem como principal 
estratégia a redução da adiposidade, o que promove, como consequência, 
redução da inflamação e da RI.
Para tanto, dietas com restrição calórica (em torno de 500 a 600 kcal) são 
indicadas para o tratamento.
Estudos epidemiológicos e clínicos mostraram a associação do consumo 
de ácidos graxos saturados e trans, com redução na sensibilidade à 
insulina e aumento do estado inflamatório subclínico.
Relata-se papel importante dos ácidos graxos insaturados na prevenção e 
no controle de dislipidemias, na redução da RI e em outros fatores da SM.
O consumo de azeite de oliva e oleaginosas – como castanhas e nozes 
– deve ser estimulado, atentando-se ao consumo energético total 
proposto.
As fibras solúveis (presentes em frutas, hortaliças, aveia, cevada e 
leguminosas), em especial por sua viscosidade, atuam favoravelmente 
sobre o metabolismo glicolipídico, possibilitando menores picos da glicemia 
pós-prandial e resultando em potenciais efeitos benéficos sobre a 
sensibilidade à insulina
Exercício
O exercício padrão recomendado consiste em 30 minutos por dia de 
atividade física de moderada a intensa (como caminhada rápida).
O aumento do nível de ativida-de física parece melhorar ainda mais seus 
benefícios
Resumo  Síndrome Metabólicas 39
Farmacológico
Atorvastatina (hipolipemiante)
Mecanismo de ação Inibe a HMGCoA redutase, enzima chave na síntese 
de colesterol hepático. Isso reduz o LDLC e os triglicerídeos, aumentando 
levemente o HDLC.
Impacto na SM Reduz o risco de aterosclerose e eventos 
cardiovasculares.
Enalapril (anti-hipertensivo)
Mecanismo de ação Inibidor da enzima conversora de angiotensina ECA, 
reduzindo a formação de angiotensina II e diminuindo a vasoconstrição e a 
secreção de aldosterona.
Impacto na SM Diminui a pressão arterial e melhora a função endotelial.
Hidroclorotiazida (diurético tiazídico)
Mecanismo de ação Inibe a reabsorção de sódio no túbulo distal do 
néfron, promovendo excreção de sódio e água.
Impacto na SM Reduz a pressão arterial, mas pode agravar a resistência à 
insulina em alguns casos.
Liraglutida (agonista do GLP-1)
Mecanismo de ação Mimetiza o GLP1, promovendo liberação de insulina 
dependente de glicose, retardando o esvaziamento gástrico e reduzindo o 
apetite.
Impacto na SM Melhora o controle glicêmico, promove perda de peso e 
tem efeitos cardioprotetores.
Obesidade 
 Acumulação excessiva de gordura corporal com diversas consequências 
patológicas em órgãos específicos
 Acúmulo de tecido adiposo localizado ou generalizado
Resumo  Síndrome Metabólicas 40
 Índice de massa corporal IMC  30 kg/m2
 É uma doença metabólica crônica, de difícil tratamento
 A adiposidade localizada na região central do corpo (abdominal) está 
associada a um maior risco cardiometabólico, enquanto a adiposidade 
periférica (membros inferiores) parece ter um papel protetor
 Associada à redução da expectativa de vida (cerca de 5 a 20 anos perdidos) 
e aumento das taxas de mortalidade, dependendo da gravidade das 
comorbidades
Epidemiologia
 Em 2025, a estimativa é de que 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo 
estejam acima do peso, sendo 700 milhões de indivíduos com obesidade, isto 
é, com um índice de massa corporal IMC acima de 30.
→ essa doença crônica aumentou 72% nos últimos treze anos
Resumo  Síndrome Metabólicas 41
Obesidade infantil
 12,9% das crianças brasileiras entre 5 e 9 anos de idade têm obesidade, 
assim como 7% dos adolescentes na faixa etária de 12 a 17 anos.
Diagnóstico
 A avaliação diagnóstica de pacientes com excesso ponderal deve incluir 
análise antropométrica da adiposidade e avaliação clínica das complicações 
relacionadas ao excesso de peso.
Antropometria
Índice de Massa Corporal
 IMC é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pela altura em 
metros quadrados IMC  Peso (Kg)/ Altura(m)²)
Resumo  Síndrome Metabólicas 42
Resumo  Síndrome Metabólicas 43
 Limitações:
 As duas principais limitações no uso do IMC isoladamente para 
diagnosticar a obesidade são a incapacidade em distinguir o peso 
decorrente de musculatura versus gordura e a impossibilidade de estimar a 
distribuição de gordura corporal.
 Infantil:
 O IMC isolado não é usado em crianças e adolescentes de 2 a 18 anos 
de idade; em vez disso, recomenda-se o uso de uma escala de percentil 
com base no sexo e na idade
 Nesta população, o excesso de peso é definido como um IMC no 
percentil 85 a 94, e a obesidade corresponde a um IMC igual ou superior 
ao percentil 95
Circunferência Abdominal
 Essa circunferência deve ser medida ao final da expiração profunda, na 
linha média horizontal entre a crista ilíaca e o último rebordo costal, com o 
paciente em pé e de braços estendidos ao lado do corpo.
Resumo  Síndrome Metabólicas 44
Relação cintura-quadril
 A relação cintura-quadril é um bom marcador da distribuição de gordura 
corporal, já que possibilita estimar tanto a gordura visceral (cintura) como a 
periférica (quadril).
 Não é utilizada no acompanhamento do tratamento da obesidade, já que 
pacientes que perdem grande quantidade de peso mantêm a relação 
cintura-quadril inalterado
Relação Cintura-Estatura
 Tem sido considerada um bom preditor de doenças cardiovasculares.
 Valores acima de 0,5 associam-se a aumento do risco metabólico
Metódos para avaliar a composição corporal
Dobras cutâneas
 Estima-se a gordura corporal pela medida da espessura de gordura 
representativa da camada subcutânea. Trata-se de um método rápido, não 
invasivo e de baixo custo.
 Contudo, tem baixa precisão por ser operador-dependente e por 
subestimar a gordura corporal total
Bioimpedância
 Avalia a composição corporal a partir da passagem de corrente elétrica 
pelo corpo do indivíduo, de modo que a resistência à passagem dessa 
corrente é mensurada e, assim, conseguem-se calcular as quantidades de 
massa magra, água e gordura corporal.
 Constitui-se em método rápido e não invasivo, porém, sua precisão pode 
ser afetada por alimentação, ingestão hídrica, atividade física, ciclo 
menstrual, consumo de álcool e equipamento utilizado.
Absorciometria de raios X de dupla energia DEXA
Resumo  Síndrome Metabólicas 45
 Considerada o padrão-ouro na análise da composição corporal em 
pesquisas e na prática clínica.
 Avalia e quantifica massa livre de gordura, massa gorda e nível mineral 
ósseo, de forma rápida, precisa e com pouca exposiçãoà radiação. 
Entretanto, não é indicado para gestantes, lactantes, portadores de 
implantes metálicos, marca-passo,
Etiologia 
A causa exata da obesidade é desconhecida
A fisiopatologia da obesidade é complexa e existem indivíduos altamente 
suscetíveis ao ganho de peso e outros altamente resistentes.
Parece haver uma relação complexa entre fatores biológicos, psicossociais 
e comportamentais, que incluem composição genética, status 
socioeconômico e influências culturais
O desenvolvimento da obesidade tem sido associado a microrganismos, 
epigenética, aumento da idade materna, multiparidade, menor tempo de 
sono à noite, desreguladores endócrinos, iatrogênese farmacêutica, bem 
como a efeitos intrauterinos
De forma simples: a obesidade é um distúrbio da homeostase energética
Os dois lados da equação de energia, a ingestão e o gasto, são 
regulados de maneira precisa por mecanismos neurais e hormonais, de 
modo que o peso corporal é mantido em uma faixa estreita por muitos 
anos.
Fatores ambientais
Desequilíbrio positivo entre o consumo e o gasto de energia
A ingestão excessiva de carboidratos e gorduras saturadas (favorecida 
pelo crescente número de lojas de fast-food), bem como o aumento no 
consumo de bebidas alcoólicas (sobretudo, entre os mais jovens), têm sido 
um fator primordial para o desenvolvimento da obesidade
Tendência crescente a um comportamento mais sedentário da população, 
aliado a avanços tecnológicos (p. ex., controles remotos, esteiras rolantes, 
Resumo  Síndrome Metabólicas 46
videogames ou jogos em tablets etc.), o que resulta em menor gasto 
energético no dia a dia
Privação de sono
Aumenta os níveis de grelina e reduz os de leptina, favorecendo o 
ganho de peso
Estresse
Estimula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumentando o cortisol, 
que favorece o acúmulo de gordura visceral.
Consumo de álcool
Calorias adicionais e impacto negativo sobre o metabolismo hepático.
Resumo  Síndrome Metabólicas 47
Fatores ambientais que promovem a obesidade.
Fatores Genéticos
Mutações de um único gene são responsáveis por formas raras de 
obesidade monogênica (leptina, receptor de leptina, receptor da 
melanocortina 4 MC4R e pró-opiomelanocortina POMC
Mas, há evidências de que variantes genéticas comuns ou polimorfismos 
de nucleotídio único SNP podem desempenhar um papel importante na 
epidemia de obesidade.
Resumo  Síndrome Metabólicas 48
Esses SNP têm efeitos modestos na suscetibilidade individual para 
formas comuns de obesidade, mas, devido à sua alta frequência, 
podem contribuir para a obesidade em nível populacional
A variante do gene associado à obesidade FTO é um fator de risco para 
obesidade comum
Resumo  Síndrome Metabólicas 49
Interação entre genética e ambiente na fisiopatologia da obesidade: existem 
raros casos de obesidade genética em que o indivíduo se torna muito obeso, 
independentemente do efeito do ambiente. Na maioria dos casos, é o 
“ambiente obesogênicoˮ que determina a obesidade, em maior ou menor grau, 
conforme a suscetibilidade genética. IMC índice de massa corporal.
O Tecido Adiposo
Mais de 90% da energia do corpo são armazenados nos tecidos adiposos
Os adipócitos (células de gordura) são encontrados isoladamente ou em 
pequenos grupos dispersos no tecido conjuntivo frouxo
Em conjunto, os adipócitos constituem um grande órgão do corpo, que é 
metabolicamente ativo na captação, síntese, armazenamento e mobilização 
dos lipídios – fonte principal de combustível armazenado no corpo.
Existem dois tipos de tecido adiposo: gordura branca e gordura marrom.
A insulina é necessária ao transporte da glicose para dentro dos adipócitos
Quando a ingestão calórica é limitada por qualquer motivo, os triglicerídios 
dos adipócitos são decompostos e os ácidos graxos e o glicerol resultantes 
são liberados como fontes de energia.
Tecido adiposo como órgão endócrino
Resumo  Síndrome Metabólicas 50
O tecido adiposo é um órgão endócrino e parácrino, que secreta 
adipocinas
As adipocinas incluem: leptina, algumas citocinas TNF-a), fatores de 
crescimento e adiponectina (importante na resistência à insulina)
Resumo  Síndrome Metabólicas 51
Resumo  Síndrome Metabólicas 52
Resumo  Síndrome Metabólicas 53
Balanço Energético
Os reservatórios de glicogênio (no fígado e nos músculos) e, 
principalmente, de gordura (no tecido adiposo) suprem a demanda 
energética humana
Os seres humanos conseguem equiparar a ingestão alimentar ao gasto 
energético, o que possibilita a manutenção do peso corporal relativamente 
estável por longos períodos.
Aparentemente, esse equilíbrio é controlado por um ponto de ajuste 
interno, ou “lipostato ,ˮ que detecta a quantidade de estoques de 
energia (tecido adiposo) e regula apropriadamente a ingestão de 
alimentos, bem como o gasto de energia.
Isso resulta de um complexo sistema fisiológico de regulação da 
homeostase energética, que atua principalmente por meio da 
integração de sinais periféricos a centros reguladores hipotalâmicos.
O balanço entre a ingestão alimentar e o gasto energético é controlado por 
um sistema neural localizado no SNC  que envolve principalmente o 
Resumo  Síndrome Metabólicas 54
hipotálamo, o tronco encefálico caudal e partes do córtex e do sistema 
límbico –, o qual recebe sinais periféricos promovidos pelo sistema 
gustatório, pelo trato gastrintestinal TGI, pelo fígado, pela veia porta, pelo 
pâncreas e pelo tecido adiposo, que indicam como estão os estoques 
disponíveis de energia e modulam o comportamento alimentar.
O tronco encefálico caudal integra informações oriundas do sistema 
gustativo e do TGI
Hipotálamo
Centro de comando do balanço energético
O hipotálamo é o regulador mestre da homeostase energética
Particularmente no núcleo arqueado ARC
Ele recebe informações da periferia sobre o estado dos estoques de 
energia ⇒ se estiverem inadequados, ele aciona os circuitos anabólicos e, 
se estiverem adequados, os circuitos catabólicos são ativados.
O efeito dos circuitos anabólicos é aumentar a ingestão de alimentos e 
reduzir o gasto de energia, enquanto os circuitos catabólicos reduzem a 
ingestão de alimentos e aumentam o gasto de energia.
Mecanismos neuro-humorais que regulam o 
equilíbrio energético
3 componentes
Sistema periférico ou aferente:
Gera sinais de vários locais
Seus principais componentes são a leptina produzida pelas células 
adiposas, a grelina do estômago, o peptídeo YY PYY) e o peptídeo-1 
semelhante ao glucagon (GLP1) do íleo e do cólon e a insulina do pâncreas
Os sistemas aferentes fornecem sinais para o sistema de processamento 
central no cérebro
Sistema de processamento central:
Núcleo arqueado do hipotálamo, onde os sinais periféricos neuro-humorais 
são integrados para gerar sinais eferentes.
Resumo  Síndrome Metabólicas 55
Dois conjuntos de neurônios participam do processamento central:
� Um par de neurônios de primeira ordem:
1 neurônios pró-opiomelanocortina POMC e transcritos 
regulados pela cocaína e anfetamina CART ANOREXÍGENOS)
2 neurônios contendo neuropeptídeo Y NPY e peptídeo 
relacionado ao agouti AgRP OREXÍGENOS)
Esses neurônios de primeira ordem se comunicam com os 
neurônios de segunda ordem
� Um par de neurônios de segunda ordem:
1 neurônios que carregam os receptores de melanocortina 3 e 4 
(MC3/4R
Recebem sinais dos neurônios de primeira ordem POMC/CART
2 neurônios que carregam receptores Y1 e Y5
Recebem sinais dos neurônios de primeira ordem NPY/AgRP
Sistema eferente:
Sinais gerados por neurônios de segunda ordem
É organizado ao longo de duas vias: a catabólica e a anabólica, que 
controlam a ingestão de alimentos e o gasto de energia.
Além desses circuitos (dentro do hipotálamo), os núcleos hipotalâmicos 
também se comunicam com os centros do prosencéfalo e do mesencéfalo 
que controlam o sistema nervoso autônomo.
Ingestão de nutrientes  POMC é clivado dos neurônios POMC/CART e dá 
origem ao hormônio α-estimulante dos melanócitos MSH,que ativa os 
receptores MC3/4R nos neurônios de segunda ordem
Esses neurônios de segunda ordem são responsáveis por reduzir a 
ingestão de alimentos e aumentar o gasto de energia pela produção de 
fator neurotrófico derivado do cérebro BDNF, de hormônio liberador 
da tireoide TSH e de hormônio liberador de corticotropina CRH
Por outro lado, o jejum ativa os neurônios NPY/AgRP a liberarem NPY, que 
ativa os receptores Y1 e Y5 em neurônios de segunda ordem
Resumo  Síndrome Metabólicas 56
Esses neurônios de segunda ordem são responsáveis por aumentar a 
ingestão de alimentos pela produção do hormônio concentrador de 
melanina MCH e orexina, e por reduzir o gasto de energia pela 
regulação negativa da produção simpática.
Os neurônios NPY/AgRP também inibem diretamente os neurônios 
POMC/CART, atenuando, assim, seu efeito anorexigênico.
Para resumir: os neurônios NPY/AgRP podem ser 
considerados o pedal do acelerador para o apetite, enquanto 
os neurônios POMC/CART representam o pedal do freio. O 
funcionamento ordenado desses dois pedais mantém a 
homeostase da energia.
Componentes importantes do sistema aferente para 
a regulação do apetite e da saciedade
Leptina
Hormônio peptídico produzido pelo gene ob no tecido adiposo
Ocupa papel central na homeostase energética
Secretada pelas células adiposas
Sua produção é regulada pela adequação dos estoques de gordura
Secretada em maiores quantidades nas fases pós-prandiais e em menores 
quantidades em períodos de jejum
A produção de leptina é maior na gordura subcutânea em relação à visceral
A leptina atua ao nível do hipotálamo reduzindo a ingestão de alimentos e 
aumentando o consumo de energia por ativação da termogênese e 
estimulação do sistema nervoso simpático.
A leptina circulante é transportada até o cérebro, onde atravessa a barreira 
hematencefálica por um mecanismo saturável, ligando-se ao seu receptor 
(ob/r) no núcleo ARC do hipotálamo → reduz a ingestão de alimentos ao 
estimular os neurônios POMC/CART (anorexígenos) e inibir os neurônios 
NPY/AgRP (orexígenos)
Resumo  Síndrome Metabólicas 57
A sequência oposta de eventos ocorre quando há estoques 
inadequados de gordura corporal: a secreção de leptina diminui e a 
ingestão de alimentos aumenta.
A leptina também estimula a lipólise e inibe o acúmulo de triglicerídios TG 
no fígado e nos músculos, pela ativação da AMPK  estimula a oxidação 
de ácidos graxos
Inibição da secreção de insulina pelas células beta (contribuindo ainda mais
para a inibição da lipogênese) + aumento da sensibilidade insulínica
Os níveis de leptina tendem a aumentar depois da ingestão de alimentos e 
a diminuir no jejum.
O tecido adiposo envia sinais ao encéfalo por meio da leptina, dizendo que 
há quantidades suficientes de calorias armazenadas e que não é 
necessário aumentar a ingestão alimentar.
A termogênese, um importante efeito catabólico mediado pela leptina, é 
controlada em parte por sinais hipotalâmicos que aumentam a liberação de 
norepinefrina pelas terminações nervosas simpáticas no tecido adiposo
A resistência à leptina – ou incapacidade de responder aos níveis altos 
deste mediador – pode causar obesidade.
A resposta anorexigênica da leptina é atenuada em estados de obesidade, 
apesar dos altos níveis de leptina circulante (resistência à leptina)
Insulina
Também é anorexigênica
Os neurônios POMC/CART e NPY/AgRP expressam receptores de insulina.
Adiponectina
Produzida pelo tecido adiposo
“molécula queimadora de gorduraˮ
Estimula a oxidação de ácidos graxos no músculo esquelético, reduzindo 
os níveis de ácidos graxos
O excesso de ácidos graxos pode cruzar a barreira hematencefálica e 
entrar no hipotálamo, onde são detectados pelas células microgliais
Resumo  Síndrome Metabólicas 58
Essas células respondem liberando fatores inflamatórios que agem nos 
neurônios hipotalâmicos causando resistência à leptina, atenuando 
seus sinais de antiadiposidade
Por causa de suas ações na redução dos ácidos graxos, promovendo sua 
oxidação, a adiponectina é chamada de “anjo da guarda contra a 
obesidadeˮ
A adiponectina também diminui a produção de glicose no fígado e aumenta 
a sensibilidade à insulina, protegendo contra a síndrome metabólica
Além de seus efeitos metabólicos, a adiponectina tem efeitos anti-
inflamatórios, antiaterogênicos, antiproliferativos e cardioprotetores
Seus níveis séricos são mais baixos em indivíduos obesos do que em 
indivíduos magros
Esses efeitos contribuem para a resistência à insulina associada à 
obesidade, diabetes tipo 2 e doença hepática gordurosa não alcoólica
A adiponectina se liga a dois receptores, AdipoR1 e AdipoR2, que são 
encontrados em muitos tecidos, incluindo o cérebro
AdipoR1 e o AdipoR2 são mais expressos no músculo esquelético e no 
fígado, respectivamente
A ligação da adiponectina aos seus receptores dispara sinais que ativam a 
proteinoquinase (proteinoquinase A dependente de adenosina 
monofosfato cíclico (cAMP, que por sua vez fosforila e inativa a acetil 
coenzima A carboxilase, uma enzima-chave necessária para a síntese de 
ácidos graxos.
Resistina
Peptídio produzido nos adipócitos de roedores, que, de maneira parácrina, 
aumenta a resistência insulínica
Seus níveis plasmáticos estão aumentados na obesidade, e embora possa 
se tratar de um elo entre obesidade e diabetes, sua relevância 
fisiopatológica ainda não está esclarecida
O papel da resistina em humanos é questionado, uma vez que ela é 
expressa em macrófagos, mas não em adipócitos humanos
Só é expressa em indivíduos obesos
Resumo  Síndrome Metabólicas 59
TGI
Fonte de sinais periféricos responsáveis pelo controle da ingestão 
alimentar
A presença de alimento no estômago não só leva à distensão mecânica do 
órgão, mas também à ativação de canais iônicos e de receptores sensíveis 
à acidez, como ASIC3, que geram sinais para o SNC por meio de 
inervações vagais aferentes, das quais participam os fatores neurotróficos 
BDNF e neurotrofina-3.
Os nutrientes ingeridos promovem ações locais no intestino superior que 
provocam sinais para o início da digestão e a absorção dos alimentos.
Os peptídeos intestinais atuam como iniciadores e terminadores a curto 
prazo das refeições
Estes hormônios incluem: grelina, PYY e GLP1 (peptídeo-1 semelhante ao 
glucagon), entre outros.
Grelina
Secretada pela mucosa gástrica
Agente orexígeno (aumenta ingestão alimentar)
A grelina estimula o apetite por ação no núcleo ARC do hipotálamo, atingido 
por ela tanto pela circulação sanguínea quanto pela inervação vagal, via 
tronco encefálico.
A grelina atua centralmente ativando neurônios NPY/AgRP orexigênicos.
Os níveis de grelina normalmente aumentam antes das refeições e caem 1 a 
2 horas depois
A queda de grelina é atenuada em pessoas obesas.
Os níveis de grelina são mais baixos em indivíduos obesos em comparação 
com indivíduos com peso normal, e os níveis aumentam com a redução da 
obesidade.
PYY
PYY e GLP1 são secretados por células endócrinas L do intestino
Níveis baixos durante o jejum e aumentam logo após a ingestão de 
alimentos.
Resumo  Síndrome Metabólicas 60
Agem centralmente por meio dos neurônios NPY/AgRP no hipotálamo, 
causando uma diminuição na ingestão de alimentos
Indivíduos obesos apresentam níveis basais mais baixos de PYY, que 
não se alteram após as refeições
GLP-1
Ele age fisiologicamente como uma “incretina ,ˮ interferindo no 
esvaziamento gástrico e na motilidade intestinal, promovendo o aumento 
da secreção pancreática de insulina, inibindo a secreção de glucagon e 
influenciando a homeostase de glicose.
Devido ao efeito anorexigênico do GLP1, os agonistas do receptor de GLP
1 foram recentemente aprovados para o tratamento da obesidade e 
diabetes tipo 2, uma vez que, além de reduzir a ingestão de alimentos, o 
GLP1 aumenta a secreção de insulina dependente de glicose.
Interleucina 6 e TNF-alfa
Além da leptina e da adiponectina, o tecido adiposo branco produz 
citocinas como TNF, IL6, IL1 e IL18; quimiocinas;e hormônios esteroides
Secretada pelo tecido adiposo, pode exercer atividades parácrinas e 
endócrinas
Sua administração intracerebral resulta em aumento do gasto energético e 
suas concentrações no líquido cefalorraquidiano se correlacionam 
negativamente com a massa gorduros
Esses dados, em conjunto com a observação que a ausência de IL6 se 
associa a obesidade na vida adulta em animais geneticamente modificados,
sugerem um potencial papel protetor da IL6 contra o desenvolvimento de 
obesidade
O aumento da produção de citocinas e quimiocinas pelo tecido adiposo em 
pacientes obesos cria um estado pró-inflamatório crônico marcado por 
altos níveis de proteína C reativa circulante PCR
Estimula a produção de PCR e fibrinogênio → aumento de RCV
Em homeostase, o IL6 é bom, mas quando há obesidade (estresse 
oxidativo), IL6 está aumentada e se torna negativa para o organismo
Resumo  Síndrome Metabólicas 61
Resumo  Síndrome Metabólicas 62
Circuitos neuro-humorais no hipotálamo que regulam o equilíbrio de energia.
Resumo  Síndrome Metabólicas 63
Mecanismos envolvidos no controle do balanço energético. O balanço entre a 
ingestão alimentar e o gasto energético é regulado pelo sistema nervoso 
central SNC, que recebe vários sinais periféricos (nutrientes e hormônios) 
provenientes do fígado, tecido adiposo, pâncreas, trato gastrintestinal TGI e 
sistema gustativo, os quais indicam como estão os estoques de energia 
corporal e influenciam o comportamento alimentar. Esses sinais chegam ao 
SNC por via sanguínea, atravessando a barreira hematencefálica e ligando-se a 
receptores específicos em duas populações neuronais no núcleo arqueado 
ARC do hipotálamo: NPY/AgRP e POMC/CART. Desses neurônios, partem 
conexões para outros núcleos hipotalâmicos, como o hipotálamo lateral HL e 
o núcleo paraventricular NPV, que dão origem a novos sinais anabólicos ou 
catabólicos. A AMPK hipotalâmica é o sensor canônico que integra e modula os
sinais orexígenos (que a ativam) e anorexígenos (que a inibem). Muitos dos 
sinais periféricos, particularmente aqueles produzidos no sistema gustativo e 
no TGI, chegam ao SNC pela ligação a receptores localizados no tronco 
encefálico e em aferentes vagais. O córtex e o sistema límbico participam 
desses mecanismos proporcionando a interação entre os estímulos internos e 
aqueles provenientes do meio ambiente. A integração cerebral de todas essas 
vias de sinalização resulta em respostas comportamentais, autonômicas e 
endócrinas com o objetivo de preservar o equilíbrio energético. CRH hormônio 
liberador da corticotrofina; IL6 interleucina-6; GLP1 glucagon-like peptide 1; 
LCFA ácidos graxos de cadeia longa; MCH hormônio concentrador de 
melanina; OXM oxintomodulina; PP polipeptídio pancreático; PYY peptídio YY; 
TRH hormônio liberador da tireotrofina.
Regulação da ingestão alimentar e do 
armazenamento de energia
O peso corporal é rigorosamente controlado por vários sistemas de 
feedback fisiológicos, que contribuem para a regulação da fome, da 
ingestão alimentar e do consumo de energia
Fome, apetite e mecanismos de controle da ingestão alimentar
A sensação de fome está associada a percepções sensoriais, inclusive 
contrações rítmicas do estômago e aquela “sensação de vazioˮ no 
estômago, que estimula o indivíduo a buscar alimento.
Apetite é o desejo de ingerir determinado tipo de alimento e ajuda o 
indivíduo a determinar qual alimento será ingerido
Resumo  Síndrome Metabólicas 64
Saciedade é a sensação de plenitude ou pouco desejo de comer
Dois centros encefálicos interagem com vários hormônios e 
neurotransmissores para ajudar a controlar a ingestão alimentar e o gasto 
de energia.
O núcleo arqueado do hipotálamo foi reconhecido como centro da fome e 
da saciedade.
Outros centros do tronco encefálico também contribuem para esses 
mecanismos
Esses centros recebem estímulos neurais do sistema digestório, que 
fornecem informações quanto ao enchimento do estômago, sinais químicos 
gerados pelos nutrientes (glicose, aminoácidos e ácidos graxos) no sangue 
e estímulos originados do córtex cerebral quanto ao odor, a visão e o 
paladar do alimento
Centros hipotalâmicos também controlam a secreção de vários hormônios 
que regulam o equilíbrio energético e o metabolismo.
Os neuro-hormônios são responsáveis pela regulação da ingestão 
alimentar a curto prazo, tanto pelo aumento (orexígenos) como pela 
diminuição (anorexígenos) da ingestão alimentar
Foram descritos mais de 30 genes de hormônios gastrintestinais 
envolvidos na regulação da fome e da saciedade
Resumo  Síndrome Metabólicas 65
Equilíbrio entre os mediadores químicos que impactam a acumulação e a perda 
de peso. PARC proteína do adipócito relacionada com o complemento; PSG 
peptídio semelhante ao glucagon; NPY neuropeptídio Y; RAPP receptor 
ativado por proliferador de peroxissomos
Os três mensageiros de curta duração principais que produzem efeitos 
orexígenos são:
Grelina, produzida principalmente no estômago
Neuropeptídio Y NPY, produzida no hipotálamo
Proteína relacionada com o agouti AGRP, produzido no hipotálamo
Regulações de médio e longo prazo da ingestão alimentar
São determinadas pela quantidade de nutrientes presentes na corrente 
sanguínea e nas estruturas de armazenamento
A redução da glicose sanguínea causa fome
Níveis aumentados dos produtos da decomposição dos lipídios (p. ex., 
cetoácidos) reduzem o apetite
Resumo  Síndrome Metabólicas 66
Os adipócitos liberam leptina em quantidades proporcionais às reservas de 
gordura
O ganho de peso e o progressivo aumento da massa adiposa acabam 
limitando o ganho ponderal adicional, já que, à medida que o peso 
aumenta, aumenta também o gasto energético total GET, pela elevação 
da taxa metabólica de repouso e do custo energético dos movimentos
Do mesmo modo, o aumento da massa adiposa produz fatores 
circulantes capazes de reduzir a ingestão calórica
Desequilíbrio Energético
O desequilíbrio energético crônico leva à como a resistência à insulina RI, 
que, por promover o aumento da lipólise, a diminuição da oxidação de 
glicose e o consequente aumento na oxidação das gorduras, acaba por 
limitar o ganho de peso adicional.
Em essência, tornar-se obeso possibilita um reajuste do balanço 
energético, porém nivelado em um peso maior.
Sob esse aspecto, o desenvolvimento da obesidade pode ser 
considerado não um defeito adaptativo, mas sim uma resposta natural 
ao ambiente atual.
Equilíbrio entre os nutrientes no 
organismo
Existem diferenças importantes entre os estoques de carboidrato, proteína 
e gordura no organismo.
O corpo humano é capaz de armazenar até 300 vezes mais calorias sob a 
forma de gordura do que de carboidrato (glicogênio)
Carboidratos são utilizados mais rapidamente
As gorduras garantem fornecimento de longo prazo
Por isso, obesos sobrevivem muito mais tempo em privação calórica do 
que magros, pela reserva de triglicerídios TG no tecido adiposo
Resumo  Síndrome Metabólicas 67
Comparação do tamanho das reservas corporais dos macronutrientes em 
indivíduos obesos e não obesos
Balanço de proteínas
15% do total de calorias da dieta
Com relação ao total de calorias estocado no organismo de um homem de 
70 kg, até um quinto é formado por proteínas
Os estoques de proteínas aumentam em resposta a determinados estímulos 
(como hormônio de crescimento, androgênios e atividade física), e não 
simplesmente em resposta a um aumento da ingestão dietética.
O balanço proteico é rigidamente controlado e seu desequilíbrio não está 
envolvido diretamente no aparecimento da obesidade
Balanço de carboidratos
Os carboidratos são as principais fontes de calorias provenientes da dieta, 
embora os estoques corporais de glicogênio sejam muito limitados (em 
média, de 500 a 1.000 g ou de 2.000 a 4.000 kcal)
A ingestão diária de carboidratos corresponde a 50 a 100% dos estoques
Os estoques de carboidratos variam muito mais em questão de horas ou 
dias do que os de proteínas

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