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Eles formam o ápice de uma série contínua de descendentes, que vai desses poderosos manipuladores de pessoas até o trabalhador que, num albergue fumarento, fascina lentamente seus camaradas, repetindo sem parar algumas fórmulas que ele não compreende muito bem, mas que, segundo ele, a aplicação deve levar 4 certamente à realização de todos os sonhos e de todas as esperanças. Em todas as esferas sociais, das mais altas até às mais baixas, assim que a pessoa não está mais isolada ela logo cai sob a fé de um líder. A maior parte das pessoas, nas massas populares sobretudo, não possui, fora de sua especialidade, uma ideia nítida e pensada sobre o que quer que seja. Elas são incapazes de se conduzir. O líder lhes serve de guia. Ele pode ser substituído, a rigor, mas muito ineficientemente, por essas publicações periódicas que fabricam opiniões para seus leitores e lhes fornecem frases feitas que os dispensam de pensar. A autoridade dos líderes é muito despótica e mesmo só consegue se impor por causa desse despotismo. Menciona-se frequentemente o quão facilmente eles se fazem obedecer – mesmo que não possuindo nenhuma base onde apoiar sua autoridade – nas camadas trabalhadoras mais turbulentas. Eles fixam as horas de trabalho, os descontos salariais e decidem as greves, fazendo com que comecem e terminem na hora fixada. Os líderes tendem hoje em dia a substituir cada vez mais os poderes públicos, na medida em que estes últimos se deixam discutir e enfraquecer. A tirania desses novos mestres faz com que as massas lhes obedeçam muito mais docilmente do que elas obedeceram a qualquer governo. Se, após um acidente qualquer, um líder desaparece e não é imediatamente substituído, a massa volta a ser uma coletividade sem coesão nem resistência. Durante uma das greves dos empregados dos ônibus de Paris, bastou prender os dois líderes que a dirigiam para fazer com que ela logo terminasse. Não é a necessidade de liberdade, mas a de servidão, que sempre predomina na alma das massas. Elas têm uma sede tal de obedecer que elas se submetem instintivamente a quem se declara seu mestre. c) MEIOS DE PERSUASÃO DOS AGITADORES (LE BON, 2013, p. 63-66). Quando se trata de fazer penetrar na mente das massas ideias e crenças – como as teorias sociais, por exemplo – os agitadores recorrem a três procedimentos bem nítidos: a afirmação, a repetição e o contágio. A ação deles é bem lenta, mas os efeitos dessa ação, uma vez produzidos, são muito duráveis. A afirmação é a insinuação de uma ideia no espírito das multidões. Repetição: uma afirmação, para fazer efeito, deve ser repetida constantemente (por meio da propaganda). Contágio: A afirmação repetida produz doutrinação (slogans repetidos incessantemente tornam-se palavras de ordem). A doutrina é introjetada pelas multidões (com o tempo, já não se sabe quem é o autor da afirmação que se repete). A unanimidade da repetição (sua frequência na linguagem), não necessariamente consciente, gera a corrente de opinião, uma crença sobre a estrutura da realidade. Finalmente o mecanismo do contágio intervém (ideias, sentimentos e emoções são tão contagiosos como doenças). 2) Movimentos sociais; Envolvem ampla estimulação interpessoal, sugestão e influência social. O ritmo de estimulação é lento. Surge de polarização de pensamento em torno de uma ideia ou pessoa. Podem gerar comunidades. 5 Exemplos: cultos e protestos. Características dos Movimentos Sociais Origina-se no descontentamento e/ou frustração. Afirmação de uma crença. Oferta de satisfação aos participantes. Movimentos sociais são movimentos de massa que envolvem ampla estimulação interpessoal, influência social e sugestionabilidade, mas o ritmo de estimulação é bastante lento. A maioria dos movimentos sociais começa como uma polarização de pensamento em torno de uma ideia única ou de uma única pessoa. Os exemplos mais característicos desses movimentos são os cultos e os protestos. Os movimentos sociais produzem habitualmente um tipo emergente de organização social primitiva que pode receber o nome de comunidade – um tipo parcialmente organizado de comportamento social que está num estágio intermediário entre a massa e o grupo. a) CARACTERÍSTICAS DOS MOVIMENTOS SOCIAIS. Os movimentos sociais podem tomar as formas de cultos ou de protestos, cada forma com características distintas. (1) CULTOS: Nos cultos, um certo número de participantes subscreve um compromisso comum com uma causa ou a adoração de uma pessoa e, quando o impulso é obtido, o comportamento coletivo apresentado pelos participantes se torna cada vez mais arbitrário. Um líder dinâmico ou uma ideia central posta em foco – quer como objetivo que se deseja alcançar, quer como ameaça que teme – pode induzir a ação polarizada em massa não reunida de pessoas. O culto contemporâneo dos que estudam OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados) e acreditam que os discos voadores existem de fato e devem ser explicados ou como visitantes que vêm do espaço exterior ou como projetos altamente secretos de governos, representa um movimento de massa polarizado em torno de uma ideia e não em torno de uma pessoa particular. Os participantes de cultos reúnem-se para afirmar sua crença e agir em conformidade com ela, tudo para que seus esforços sistemáticos se tornem eficientes. Outros cultos caracterizam-se por oferecerem satisfação aos participantes através de seu sentido de identificação com o movimento. A identificação com um movimento, ainda que sem ação direta contra um perigo, pode oferecer um sentido de proteção e segurança. A aceitação incondicional das crenças de um culto pode resolver conflitos cognitivos, dar a razão de acontecimentos inexplicados ou, em outras circunstâncias, reduzir a ansiedade. Há relatos de diversas situações em que ondas de boatos e o endosso coletivo de certas ideias surgiram como respostas a eventos desorientadores e inexplicáveis. Muitas vezes, os participantes de um culto simplesmente se sentem melhor com a segurança renovada de que outros participam de sua insegurança. Pode haver a impressão vaga de que alguém, algures, fará qualquer coisa a respeito do perigo. Os movimentos de culto desse tipo, muitas vezes, se desenvolvem à sombra de uma personalidade pública de grande dinamismo. Alguns movimentos se tornam típicos por meio de cultos religiosos com 6 expressão de sentimentos e atitudes e, obviamente, oferta aos seus participantes de um sentido de segurança, proteção e harmonia cognitiva. Há movimentos agressivos que incluem o culto ao ódio e aceitam ofensa e violência contra outras pessoas ou, então, movimentos sociais rebeldes que defendem a destruição da ordem estabelecida. Os movimentos sociais de culto que envolvem modas ou manias atraem os participantes, baseando-se no sentimento de identidade e pertença. Esses movimentos podem ser vistos como defensivos na medida em que fornecem proteção a pessoas inseguras contra o sentimento de alienação e isolamento. Naturalmente, as seitas de culto servem a diferentes finalidades de pessoas diferentes. Para muitos, a participação social é uma defesa contra a ansiedade; para outros, pode ser simplesmente o veículo da satisfação de uma motivação egoísta, sob a proteção da divisão coletiva da responsabilidade ou o canal por cujo meio é possível exprimir irritações ou hostilidades pessoais. (2) PROTESTOS: Os movimentos de protesto frequentemente emergem visivelmente com mais rapidez do que os movimentos protagonísticos – simplesmente porque de ordinário é mais fácil saber “contra quê” está uma pessoa do que “a favor de quê”. A gênese de um movimento social está, muitas vezes, no descontentamento pessoal e na frustração; e a motivação que impulsiona as pessoas e as polariza para uma ação paralela é, não raro, o desejo de exprimir um protesto defensivo. Assim, os movimentos de protesto são semelhantes aos movimentosde culto, mas o que os distingue é o compromisso que as pessoas assumem de se pronunciar contra alguma situação de perigo ou de frustração. Alguns movimentos de protesto são, por sua natureza, expressivos: o que se visa com eles é simplesmente exibir de público os sentimentos que animam os seus participantes. Outros movimentos são manifestamente agressivos e constituem perigo para a vida e a propriedade de seus opositores, quando procuram alcançar os seus fins. Os movimentos de protesto, embora negativos e antagonísticos em suas origens, muitas vezes acabam por se transformar em movimentos protagonísticos e positivos. Depois da fase inicial do pronunciamento e da ação contra o perigo ou a frustração, o movimento pode, eventualmente, gerar finalidades e programas positivos e práticos par conseguir uma situação mais desejável do que a que inspirou o protesto. Um movimento de protesto deveras eficiente não termina com a destruição da velha ordem, mas continua criando e realizando uma nova ordem que seja mais aceitável. 3) Manipulação das massas; A submissão da massa a um estado de estupor e fascinação, como o da hipnose, possibilita sua manipulação. Massas desejam dominação. Agitadores: emotividade, teatralidade, ilusões dramáticas. Século XXI: Agitador nem sempre identificável. Ilusão de poder invencível sobre a massa. Relativização dos valores e crenças (exceto os da liderança). Sentimento de orfandade, abandono e incerteza na massa. Método DDD Isolar a vítima; Controlar a percepção de realidade da vítima; Levar a vítima à exaustão física e/ou mental; 7 Alimentar a ansiedade e o estresse com ameaças; Praticar indulgências ocasionais; Exibir manifestação de onipotência; Fomentar a degradação do ser humano; Reforçar demandas triviais Partindo da premissa central da necessidade das massas por dominação (ou, nas palavras de Canetti, a massa necessita de direção), Le Bon tornou-se conhecido como o novo Maquiavel, que ensinou ao líder como atender essa necessidade. Ele afirmava que a multidão passiva segue instintivamente qualquer um que manifeste intensas convicções, porque isso possibilitará à multidão assumir uma forma. Se assim são as coisas, o líder (ou a liderança das massas, ou ainda o agitador) deve representar o seu papel com entusiasmo a fim de parecer formidável, verossímil, convincente. Ele precisa fazer uso da teatralidade carregada de emoção, gestos largos, ilusões dramáticas. Por estes mecanismos, o líder demonstra seu fervor, concentra a atenção da multidão e estimula a imitação e a devoção servil de seus discípulos. Porém, essas fórmulas se aplicam ao líder ou agitador (ou grupo de agitadores) facilmente identificável. Atualmente, não é raro que líderes de massa ou agitadores não sejam mais do que porta-vozes de grupos de interesse normalmente de difícil identificação. No século XXI, as técnicas de manipulação mais refinadas podem ou não valer-se de uma imagem identificável de líder e, em certas condições, sua ausência é preferível por ser mais eficaz. A impessoalidade da liderança, reconhecida e reforçada justamente pela ausência de um líder que se possa apontar (descontando, obviamente, a presença de um testa de ferro ou um porta-voz considerado como líder), associada à presença de instrumentos ostensivos, também eles impessoais, de garantia de obediência às leis, cria a ilusão, nem sempre consciente, na mente coletiva das massas, de que há um poder invencível em ação no mundo e do qual ninguém pode escapar – o poder de alguns homens sobre os outros homens assume aparência de divino. Paradoxalmente, esse poder não pode, dentro da estrutura que ele mesmo estabelece, ser reconhecido como divino no sentido de Ser transcendente. Se isso fosse permitido, reconhecer-se-ia automaticamente a existência de um poder concorrente, o que é inaceitável. Daí o esforço de relativização (e, consequentemente, destruição) de todos os valores e crenças, exceto daqueles estabelecidos e reconhecidos por esse poder, submetendo as massas a um estado de estupor e fascinação idêntico ao da hipnose. Concorrem para a submissão das massas e para a terrestrialização do mundo as políticas, as ciências, as manifestações culturais, as instituições de ensino, os periódicos científicos e mesmo a prestação de serviços. Tudo se reduz ao campo material e imediato das sensações. O sentimento de orfandade, abandono e incerteza se estabelece no espírito da massa que por sua vez é ensinada a procurar, esperar e encontrar nesse poder invisível e através de seus agentes a solução para todas suas inquietações. Eventualmente, algumas manifestações surgem no sentido de denunciar a ficção social de exercício de sobre as massas. Tais manifestações, por contrariarem a crença geral que explica a realidade do mundo – e fora da qual nada pode existir – , são tratadas como erro, superstição, loucura ou teoria da conspiração. Há, porém, um limite para lidar com essas manifestações como se fossem meros desvios ou loucuras. Se essas manifestações de oposição começarem a ganhar vulto e mostrarem-se potencialmente ameaçadoras, como acontece quando dissemina-se a desconfiança em relação aos governantes, aos intelectuais e aos meios de comunicação de massa, forças poderosas podem ser desencadeadas para sufocá- las: campanhas de informação/desinformação, sanções, perseguições, ações digressivas, eliminação de pessoas, destruição de economias e todos os expedientes possíveis, antes da declaração de guerra. 8 A inquietação produzida por esses expedientes causa evidentemente o medo. E devemos lembrar que é pela emoção e não pela razão que as massas são arrastadas. Em suas ações subsequentes, os líderes das massas (ou os agentes de poder) passam a refletir e incorporar os sentimentos irracionais da massa, incensando as aspirações de seus membros, compartilhando seus sentimentos e demonstrando, acima de tudo, a capacidade de monitorar e prever, a cada instante, os sentimentos que o seu discurso (difundidos por vários meios) está provocando. Assim, a liderança passa a dar voz ao “gênio” mítico-cultural das massas, restaurando a fé, conduzindo as vontades e apaziguando a situação após ter formidavelmente aumentado seu poder. É assim que governos e grandes corporações manipulam – ou pelo menos tentam manipular – a opinião pública e os processos de debate através da comunicação midiática, conduzindo a guerra de informações contra os concorrentes e contra a massa (que é, afinal de contas, potencialmente o maior e mais perigoso concorrente). a) Método DDD (ver nota de apoio sobre ATITUDE e MANIPULAÇÃO SOCIAL) (1) Método DDD - 8 passos Método DDD (Debility, Dependency, and Dread - debilidade, dependência e pavor) 8 passos Método Geral Efeitos (propósitos) Variante 1. Isolamento da vítima (físico ou psicológico) - Privar a vítima de todo apoio social e de sua capacidade de resistir. - Desenvolver na vítima intensa preocupação consigo mesmo. - Tornar a vítima dependente do controlador. - Confinamento solitário completo. - Isolamento completo. - Semi-isolamento. - Isolamento grupal. 2. Monopólio da Percepção. - Controlar a percepção da vítima sobre a realidade. - Monopólio da informação. - Desorientação. - Fixar a atenção da vítima na situação imediata; promove a introspecção. - Eliminar estímulos que competem com os do controlador. - Frustrar todas as ações não consistentes com a conformidade. - Isolamento físico; - Escuridão ou luz ofuscante. - Ambiente árido. - Movimento restrito. - Comida monótona. 3. Esgotamento por debilidade induzida. - Levar a vítima à exaustão física ou mental. - Enfraquecer a capacidade mental e física de resistir. - Semi-inanição. - Exposição. - Exporação de feridas. - Doença induzida. - Privação de sono. - Restrição prolongada. - Escrita forçada. - Esforço excessivo ou trabalho forçado. - Jogos mentais. - Bullying. - Ócio forçado.de culto, mas o que os distingue é o compromisso que as pessoas assumem de se pronunciar contra alguma situação de perigo ou de frustração. Alguns movimentos de protesto são, por sua natureza, expressivos: o que se visa com eles é simplesmente exibir de público os sentimentos que animam os seus participantes. Outros movimentos são manifestamente agressivos e constituem perigo para a vida e a propriedade de seus opositores, quando procuram alcançar os seus fins. Os movimentos de protesto, embora negativos e antagonísticos em suas origens, muitas vezes acabam por se transformar em movimentos protagonísticos e positivos. Depois da fase inicial do pronunciamento e da ação contra o perigo ou a frustração, o movimento pode, eventualmente, gerar finalidades e programas positivos e práticos par conseguir uma situação mais desejável do que a que inspirou o protesto. Um movimento de protesto deveras eficiente não termina com a destruição da velha ordem, mas continua criando e realizando uma nova ordem que seja mais aceitável. 3) Manipulação das massas; A submissão da massa a um estado de estupor e fascinação, como o da hipnose, possibilita sua manipulação. Massas desejam dominação. Agitadores: emotividade, teatralidade, ilusões dramáticas. Século XXI: Agitador nem sempre identificável. Ilusão de poder invencível sobre a massa. Relativização dos valores e crenças (exceto os da liderança). Sentimento de orfandade, abandono e incerteza na massa. Método DDD Isolar a vítima; Controlar a percepção de realidade da vítima; Levar a vítima à exaustão física e/ou mental; 7 Alimentar a ansiedade e o estresse com ameaças; Praticar indulgências ocasionais; Exibir manifestação de onipotência; Fomentar a degradação do ser humano; Reforçar demandas triviais Partindo da premissa central da necessidade das massas por dominação (ou, nas palavras de Canetti, a massa necessita de direção), Le Bon tornou-se conhecido como o novo Maquiavel, que ensinou ao líder como atender essa necessidade. Ele afirmava que a multidão passiva segue instintivamente qualquer um que manifeste intensas convicções, porque isso possibilitará à multidão assumir uma forma. Se assim são as coisas, o líder (ou a liderança das massas, ou ainda o agitador) deve representar o seu papel com entusiasmo a fim de parecer formidável, verossímil, convincente. Ele precisa fazer uso da teatralidade carregada de emoção, gestos largos, ilusões dramáticas. Por estes mecanismos, o líder demonstra seu fervor, concentra a atenção da multidão e estimula a imitação e a devoção servil de seus discípulos. Porém, essas fórmulas se aplicam ao líder ou agitador (ou grupo de agitadores) facilmente identificável. Atualmente, não é raro que líderes de massa ou agitadores não sejam mais do que porta-vozes de grupos de interesse normalmente de difícil identificação. No século XXI, as técnicas de manipulação mais refinadas podem ou não valer-se de uma imagem identificável de líder e, em certas condições, sua ausência é preferível por ser mais eficaz. A impessoalidade da liderança, reconhecida e reforçada justamente pela ausência de um líder que se possa apontar (descontando, obviamente, a presença de um testa de ferro ou um porta-voz considerado como líder), associada à presença de instrumentos ostensivos, também eles impessoais, de garantia de obediência às leis, cria a ilusão, nem sempre consciente, na mente coletiva das massas, de que há um poder invencível em ação no mundo e do qual ninguém pode escapar – o poder de alguns homens sobre os outros homens assume aparência de divino. Paradoxalmente, esse poder não pode, dentro da estrutura que ele mesmo estabelece, ser reconhecido como divino no sentido de Ser transcendente. Se isso fosse permitido, reconhecer-se-ia automaticamente a existência de um poder concorrente, o que é inaceitável. Daí o esforço de relativização (e, consequentemente, destruição) de todos os valores e crenças, exceto daqueles estabelecidos e reconhecidos por esse poder, submetendo as massas a um estado de estupor e fascinação idêntico ao da hipnose. Concorrem para a submissão das massas e para a terrestrialização do mundo as políticas, as ciências, as manifestações culturais, as instituições de ensino, os periódicos científicos e mesmo a prestação de serviços. Tudo se reduz ao campo material e imediato das sensações. O sentimento de orfandade, abandono e incerteza se estabelece no espírito da massa que por sua vez é ensinada a procurar, esperar e encontrar nesse poder invisível e através de seus agentes a solução para todas suas inquietações. Eventualmente, algumas manifestações surgem no sentido de denunciar a ficção social de exercício de sobre as massas. Tais manifestações, por contrariarem a crença geral que explica a realidade do mundo – e fora da qual nada pode existir – , são tratadas como erro, superstição, loucura ou teoria da conspiração. Há, porém, um limite para lidar com essas manifestações como se fossem meros desvios ou loucuras. Se essas manifestações de oposição começarem a ganhar vulto e mostrarem-se potencialmente ameaçadoras, como acontece quando dissemina-se a desconfiança em relação aos governantes, aos intelectuais e aos meios de comunicação de massa, forças poderosas podem ser desencadeadas para sufocá- las: campanhas de informação/desinformação, sanções, perseguições, ações digressivas, eliminação de pessoas, destruição de economias e todos os expedientes possíveis, antes da declaração de guerra. 8 A inquietação produzida por esses expedientes causa evidentemente o medo. E devemos lembrar que é pela emoção e não pela razão que as massas são arrastadas. Em suas ações subsequentes, os líderes das massas (ou os agentes de poder) passam a refletir e incorporar os sentimentos irracionais da massa, incensando as aspirações de seus membros, compartilhando seus sentimentos e demonstrando, acima de tudo, a capacidade de monitorar e prever, a cada instante, os sentimentos que o seu discurso (difundidos por vários meios) está provocando. Assim, a liderança passa a dar voz ao “gênio” mítico-cultural das massas, restaurando a fé, conduzindo as vontades e apaziguando a situação após ter formidavelmente aumentado seu poder. É assim que governos e grandes corporações manipulam – ou pelo menos tentam manipular – a opinião pública e os processos de debate através da comunicação midiática, conduzindo a guerra de informações contra os concorrentes e contra a massa (que é, afinal de contas, potencialmente o maior e mais perigoso concorrente). a) Método DDD (ver nota de apoio sobre ATITUDE e MANIPULAÇÃO SOCIAL) (1) Método DDD - 8 passos Método DDD (Debility, Dependency, and Dread - debilidade, dependência e pavor) 8 passos Método Geral Efeitos (propósitos) Variante 1. Isolamento da vítima (físico ou psicológico) - Privar a vítima de todo apoio social e de sua capacidade de resistir. - Desenvolver na vítima intensa preocupação consigo mesmo. - Tornar a vítima dependente do controlador. - Confinamento solitário completo. - Isolamento completo. - Semi-isolamento. - Isolamento grupal. 2. Monopólio da Percepção. - Controlar a percepção da vítima sobre a realidade. - Monopólio da informação. - Desorientação. - Fixar a atenção da vítima na situação imediata; promove a introspecção. - Eliminar estímulos que competem com os do controlador. - Frustrar todas as ações não consistentes com a conformidade. - Isolamento físico; - Escuridão ou luz ofuscante. - Ambiente árido. - Movimento restrito. - Comida monótona. 3. Esgotamento por debilidade induzida. - Levar a vítima à exaustão física ou mental. - Enfraquecer a capacidade mental e física de resistir. - Semi-inanição. - Exposição. - Exporação de feridas. - Doença induzida. - Privação de sono. - Restrição prolongada. - Escrita forçada. - Esforço excessivo ou trabalho forçado. - Jogos mentais. - Bullying. - Ócio forçado.9 - Cenários apocalípticos iminentes. 4. Ameaças - Cultivar a ansiedade e o desespero. - Alimentar a ansiedade e o estresse. - “A simples ameaça de induzir debilidades é mais eficiente que a debilidade em si”. - Ameaças de morte. - Ameaças de não- retorno. - Ameaças de interrogatório e isolamento sem fim. - Ameaças contra a família e entes queridos. - Ameaças vagas. - Misteriosas mudanças de tratamento. - Terrorismo psicológico. 5. Indulgências ocasionais. - Estimular a conformidade. - Dificultar o ajuste à privação. - Concessões ocasionais são empregadas como reforço positivo ao comportamento de cooperar com os desmandos dos controladores - Favores ocasionais. - Flutuações de atitude dos controladores. - Promessas. - Recompensas por cumprimento parcial. - Tentações. 6. Demonstração de onipotência. - Sugerir futilidade de resistência. - Mostrar ostensivamente “quem é que manda”. - Confronto. - Fingir cooperação tida como certa. - Demonstração de controle completo sobre o destino da vítima. 7. Degradação humana. - Fazer com que o custo da resistência pareça mais prejudicial à auto-estima do que a capitulação. - Reduzir as preocupações da vítima ao “nível animal”. Visa fazer com que “as pessoas acabem por aceitar o destino imposto pelo controlador - ‘resistir é inútil’” (obediência). - Higiene pessoal evitada ou impedida. - Castigo degradante (Punir a desobediência publicamente e de forma humilhante). - Insultos e provocações. - Negação de privacidade. 8. Impor demandas triviais. - Desenvolver o hábito de conformidade. - Escrita forçada. - Aplicação de regras de minuto: O controlador muda as regras de acordo com as necessidades do momento, desenvolvendo hábitos de conformidade com as restrições impostas. Mudança dos discursos (jogos mentais). 10 4) Possessão coletiva; De acordo com Jung, possessão é uma influência patológica. Na possessão coletiva, a massa é subjugada por seus demônios. Massa constituída por pessoas impressionáveis, pouco inteligentes, rotineiras e de baixo discernimento moral. Exploração das crenças (inconsciente coletivo); formação de concepções e condução das opiniões. Possessão coletiva é daqueles assuntos que podem – precisamente pelo tema de que trata e pelo conjunto das categorias empregadas para estudá-lo –, à primeira vista, sugerir que diz respeito à discussão especulativa sobre eventos extremos, curiosos e distantes de nossa experiência cotidiana, exceto nas oportunidades em que podemos observar, diretamente ou, mais frequentemente, através dos meios de comunicação, demonstrações de desespero coletivo ou manifestações de exaltação religiosa. Tratemos o assunto a partir de fatos imediatamente reconhecíveis, inicialmente, para, em seguida, avançar sobre aqueles que possam nos parecer mais distantes. Nas superstições de todos os povos, os doentes mentais eram considerados como possuídos por demônios. Dentro de si, esses doentes realmente possuem complexos do inconsciente pessoal que, não raro, destroem completamente, nos casos extremos, o autocontrole. Entretanto, não é apenas nos casos extremos que os complexos atuam e, mesmo entre as pessoas normais, eles frequentemente influenciam o Ego (consciência) de modo sub-reptício. Sendo impossível precisar o grau de estabilidade psicológica geral numa população, pode-se perfeitamente considerar que, mesmo entre as pessoas normais, a atuação dos complexos varia enormemente, havendo indivíduos mais suscetíveis à sua influência e indivíduos menos suscetíveis. O número de pessoas mais influenciáveis pelos complexos do inconsciente, portanto menos estáveis psicologicamente, é enorme. São pessoas rotineiras, pouco inteligentes, de baixo discernimento moral e – por que não dizer? – espiritualmente deficientes. Eles circulam livremente e levam sua vida, em sua maioria, de modo honesto. O que os diferencia é o fato de serem mais impressionáveis que a média da população e, por isso, em momentos de crise, tendem a ser assombrados por uma falange de fantasmas, medos e fantasias mórbidas que estão na base de sua existência antissocial, tolerada, entretanto, pela ordem da razão, tanto em nível pessoal quanto em nível social. Por outro lado, esses indivíduos podem também apresentar, não em sua totalidade, comportamentos socialmente danosos como o oportunismo, o cinismo e o sadismo. É nos momentos de crise que esses elementos prevalecem e, apesar de constituírem um número pequeno no conjunto da população, representam um grande perigo, pois são fontes infecciosas nos momentos socialmente críticos, podendo alguns ascender à condição de líderes (agitadores ou influenciadores) de massas e, nesse caso, a infecção se espalha. Jung denomina possessão os casos de influência patológica. Segundo ele, a superstição, de certa forma, tem razão em falar de possessão já que os complexos se comportam autonomamente em relação ao Eu e lhe impõem uma vontade quase estranha. Nesses casos, uma argumentação racional só é possível e profícua apenas quando as emoções provocadas por alguma situação não ultrapassam determinados ponto crítico. Quando a temperatura afetiva se eleva para além deste nível, a razão perde sua possibilidade efetiva, cede lugar a desejos quiméricos e a comunicação humana é reduzida à mera troca de slogans. Esse quadro caracteriza a possessão coletiva que progressivamente conduz a uma epidemia psíquica (JUNG, 2011, p. 12, OC 10/1, § 490). 11 Já vimos esse fenômeno de fascinação e hipnose coletiva em descrição de Le Bon. O ramo da psicologia junguiana voltado para a compreensão dos aspectos da psicologia geral e social é chamado de psicologia complexa. A partir da psicologia complexa, pode-se investigar os processos psíquicos que conduzem os indivíduos em situações coletivas, como as crises sociais e os conflitos armados. Situações de crise desencadeiam diversas respostas, tanto individuais quanto coletivas. Nossas respostas às crises têm como base crenças profundas, que determinam as concepções básicas que temos sobre a realidade que, por sua vez, determinam nossas opiniões. São elas, portanto, nossas opiniões, que têm origem em nossas concepções, derivadas essas de nossas crenças mais profundas, que conduzem nossas ações. Ou, nas palavras de Jung, é a psique, exclusivamente, que direciona nossas ações no mundo. A capacidade de crer é a característica principal que nos diferencia dos demais animais. Aos estímulos do ambiente, nós, os animais, apresentamos respostas. No homem, porém, como diria Ernst Cassirer, há um terceiro elo pode ser descrito como sistema simbólico. O sistema simbólico é responsável pelo pensamento mítico, pela função psíquica de crença, que possui bases arquetípicas no inconsciente coletivo, de cujos mecanismos pouco se sabe, mas cujos efeitos podem-se observar. Jung considera como manifestação do inconsciente coletivo a ocorrência universal das crenças e indica a existência da função religiosa da psique (ou função psíquica de crença), corroborada por diversos outros pesquisadores como o próprio Ernst Cassirer além de, entre outros, William James, Mircea Eliade e Yuval Harari. Entendamos crença, pois, como a convicção de que algo é verdadeiro e certo, mesmo que não apresente necessariamente correspondência com a realidade dos fatos. Não cabe aqui a discussão sobre o conteúdo das crenças (religiosas ou não), nem sobre a veracidade desses conteúdos, mas somente refletir sobre o fato de que o homem as possui. Uma vez que o homem é um ser orientado por crenças e que a cooperação humana em grande escala é baseada nelas, a maneira como as pessoas cooperam pode ser alterada modificando-se as crenças, o que ocorre em determinadas circunstâncias. A crença é, enquanto função psíquica com bases arquetípicas no inconsciente coletivo, suscetível a influências do inconsciente. Assim, na interação entre o inconscientepessoal e o inconsciente coletivo, entre os complexos e os arquétipos, ocorrem influências das estruturas inconscientes da psique sobre a sua dimensão consciente (individual e coletiva). Nos momentos de crise, se uma sociedade sucumbe diante das dificuldades a um acesso de fraqueza, as massas mobilizadas podem esmagar as capacidades de reflexão e compreensão ainda presentes em indivíduos isolados e, em consequência, ceder diante da ascensão de uma tirania autoritária e doutrinária (JUNG, 2011, p. 11-12). A religiosidade (função psíquica de crença) não desenvolvida (reprimida) facilita a irrupção de possessões coletivas, quando a consciência é sequestrada pelo inconsciente e o indivíduo pode ser direcionado para idolatrias e idealizações, endeusando teorias, sistemas religiosos, políticos e ideológicos. Nesses casos, a tendência ao radicalismo ou extremismo é uma atitude esperada. Esse deslocamento e falsificação da função religiosa (função psíquica de crença) não acontece sem o surgimento de dúvidas secretas, imediatamente reprimidas de modo a evitar o conflito com a tendência dominante de massificação. Como fator de hipercompensação, surge o fanatismo que se transforma, por sua vez, na mais poderosa alavanca de repressão e extermínio de toda oposição. A liberdade de opinião e a decisão moral são violentamente eliminadas na base de “os fins justificam os meios”, mesmo os mais condenáveis. Essas são as oportunidades de instauração de regimes orientados por ideologias de massa que adotam motivos semelhantes aos de crenças religiosas e cujas características principais são: o líder é considerado um semideus; irracionalidade; simplificação de ideias (emprego de slogans de propaganda); verossimilhança com a realidade (mudanças sutis na 12 história); motivos apocalípticos; inimigo intangível; luta pela salvação (os fins justificam os meios); conspirações e denúncias de conspirações; intolerância com os hereges; promessa de paraíso. Para conter a massa e impedir a irrupção de irracionalidade, a guerra de informação, em tempos de paz, é o principal instrumento de consecução e manutenção da hegemonia de determinada crença (enquanto conteúdo), sem ser relevante examinar se suas formulações possuem relação com a realidade dos fatos. Quem tiver hegemonia, portanto, potencialmente poderá direcionar as ações das multidões, inclusive, se for o caso, para o conflito armado. 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