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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO SEGURO/BA
Processo crime:
BRUTUS, “já devidamente qualificado nos autos”, vem, por eu Procurador, respeitosamente perante Vossa Excelência, com fulcro no Art. 396 do CPP, apresentar
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
pelas razões de fato e de direito a seguir expostas:
I – BREVE SÍNTESE:
O acusado, Brutus, encontra-se sendo processado por suposta prática dos crimes tipificados nos artigos 121, §2º, II e VIII, do Código Penal; artigo 16, caput, da Lei nº 10.826/03; e artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/06, todos em concurso material de crimes, na forma do art. 69 do Código Penal.
Os fatos narrados na denúncia são inverídicos e não correspondem à realidade dos acontecimentos. O réu é vítima de arbitrariedades e violações de seus direitos fundamentais perpetradas por agentes estatais.
II – DAS PRELIMINARES:
II.I – DA AUSÊNCIA DE EXAME PERICIAL NOS CRIMES QUE DEIXAM VESTÍGIO:
Nos termos do artigo 158 do Código de Processo Penal, "quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado".
A norma é clara ao estabelecer a imprescindibilidade do exame pericial nos casos em que a infração deixa vestígios, como é o caso dos crimes de homicídio e porte ilegal de arma de fogo imputados ao acusado.
A ausência de exame pericial compromete a materialidade e a autoria dos delitos, cerceando o direito à prova e prejudicando a defesa do acusado, em flagrante desrespeito aos preceitos legais estabelecidos.
A jurisprudência pátria tem se manifestado de forma reiterada quanto à importância do exame pericial nos crimes que deixam vestígios, destacando sua essencialidade para a formação do convencimento judicial e para a garantia de um julgamento justo e equitativo.
Portanto, a falta de realização do exame pericial nos crimes em questão constitui uma irregularidade que compromete a validade das provas apresentadas pela acusação, ensejando a rejeição da denúncia, conforme preleciona o artigo 395, inciso III, do Código de Processo Penal.
II.II - DAS PROVAS ILÍCITAS:
Ilegalidade do flagrante delito:
Primeiramente, há que se levar em consideração que houve ilegalidade no ingresso da Polícia Militar na residência quando do flagrante em delito, vez que o artigo 5º, inciso XI, da Constituição Federal assegura a inviolabilidade do domicílio. 
Restou demonstrado que os policiais militares adentraram a residência acusado dos fatos, sem o seu consentimento, tão pouco com mandado expedido, violando este preceito constitucional. 
Destaca-se que a entrada sem mandado judicial é permitida apenas em situações excepcionais, não caracterizadas no presente caso, portanto, trata-se de flagrante ilegal.
Conforme expressa disposição do CPP:
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
No presente caso, as principais provas foram obtidas por meios ilícitos, uma vez que oriundas de busca e apreensão no domicílio sem mandado específico, em contrariedade ao previsto no art. 248 do CPP:
Art. 248. Em casa habitada, a busca será feita de modo que não moleste os moradores mais do que o indispensável para o êxito da diligência.
Trata-se de proteção clara ao direito à intimidade, uma vez tratar-se da residência do acusado, asilo inviolável. Exceções constitucionais. Interpretação restritiva.
Nulidade Da Prova Mediante Confissão Realizada Sob Coação Da Autoridade Policial:
Conforme atestado pelo exame de corpo de delito realizado no Instituto Médico Legal, Brutus foi vítima de agressões físicas e asfixia por parte dos policiais. Tais violências resultaram em confissões obtidas sob coação, o que configura flagrante desrespeito aos princípios constitucionais e legais que regem o devido processo legal, especialmente o artigo 5º, incisos III e LIV, da Constituição Federal. 
É imprescindível considerar que a prática de tortura para obtenção de provas constitui não apenas um ato atentatório aos princípios básicos do Direito Penal, mas também configura violação à Lei nº 9.455/97, art. 1º, I, a), tornando a prova assim obtida ilícita e, por consequência, inadmissível perante o Poder Judiciário.
Veja-se do entendimento do TJ-GO:
APELAÇÃO CRIMINAL Nº 0142951-87.2019.8.09. 0175 COMARCA DE GOIÂNIA APELANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS APELADOS: CARLOS HENRIQUE ROSA DE SOUZA (SOLTO) GUILHERME AGUIAR DA SILVA (SOLTO) WEMERSON ANGELIM DE JESUS (SOLTO) RELATOR: Desembargador FÁBIO CRISTÓVÃO DE CAMPOS FARIA APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO MAJORADO. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. CONFISSÃO OBTIDA MEDIANTE AGRESSÃO DE POLICIAIS. PROVA ILÍCITA. Havendo fundadas dúvidas acerca dos excessos cometidos por policiais, inclusive através de relatórios médicos, há que ser mantida a sentença que absolveu os réus por nulidade provas, eis que as posteriormente colhidas, ainda que supostamente consideradas lícitas e admissíveis, foram obtidas a partir daquelas contaminadas pela forma ilícita de sua colheita (art. 5º, inc. LVI da Constituição Federal). RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
(TJ-GO - APR: 01429518720198090175 GOIÂNIA, Relator: Des(a). DESEMBARGADOR FÁBIO CRISTÓVÃO DE CAMPOS FARIA, 1ª Câmara Criminal, Data de Publicação: (S/R) DJ)
Tendo de ser desentranhada de eventual processo, ou ainda ser causa de nulidade de todos os atos que dela decorreram. Pois, como bem aventado pelo art. 5º, inc. LVI, da CF/88, “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meio ilícito”. Devendo cada caso ser analisado em concreto, identificado os elementos configuradores da tortura e a aplicabilidade de causas de nulidade da confissão ou mesmo do processo por inteiro.
O artigo 157 do Código de Processo Penal reforça a vedação às provas ilícitas, determinando que estas sejam desentranhadas do processo. Logo, a confissão obtida mediante tortura não apenas compromete a legalidade do flagrante como também afronta o sistema jurídico vigente.
Diante do exposto, considerando que as provas produzidas são decorrentes de crimes como tortura e invasão de domicílio, todas elas são consideradas ilícitas e devem ser desentranhadas dos autos. Nesse sentido, resta sem justa causa a ação penal que se baseia em fundamentos ilegais, sendo imperativa a rejeição da denúncia.
III – DO MÉRITO:
III.I – PROVAS INSUFICIENTES PARA A CONDENAÇÃO E O PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO:
No presente caso, após análise detalhada dos elementos probatórios constantes nos autos, constata-se a absoluta ausência de provas capazes de sustentar a acusação formulada pelo Ministério Público. 
Não obstante as alegações apresentadas pela acusação, não há nos autos evidências que comprovem de forma inequívoca a participação do acusado nos delitos que lhe são imputados. 
É imperativo ressaltar que a presunção de inocência é um princípio basilar do ordenamento jurídico brasileiro, cabendo à acusação o ônus de comprovar, de forma robusta e convincente, a culpa do réu. 
No entanto, as provas apresentadas pela acusação são frágeis e insuficientes para sustentar um decreto condenatório. Não há nos autos elementos que demonstrem de forma clara e incontestável a autoria dos delitos atribuídos ao acusado. 
A falta de exame pericial adequado, conforme mencionado anteriormente, compromete a materialidade dos crimes imputados, tornando as acusações infundadas e carentes de respaldo probatório. 
Inclusive, este é o entendimento do STJ:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LESÃO CORPORAL. ART. 129, "CAPUT", DO CP. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE EXAME DE CORPO DE DELITO VÁLIDO. 1. Considera a lei indispensável a prova técnica nas infrações que deixam vestígios, admitindo, apenas em caráter excepcional, que a ausência do exame pericial seja suprido pela prova testemunhal, nas hipóteses em que não for possível a realização de perícia ou os traços indicativos do fato a ser constatado pelo exame tiverem desaparecido (arts. 158 e 167 - CPP). 2. Ausente prova pericialválida, bem como não apresentada motivação acerca de situação excepcional que dispensasse a confecção do laudo pericial, cabível a absolvição do delito de lesão corporal, em razão da falta de demonstração da materialidade delitiva. 3. Agravo regimental improvido.
(STJ - AgRg no REsp: 1994384 SC 2022/0093302-2, Data de Julgamento: 09/08/2022, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 15/08/2022)
Diante do exposto, considerando a inexistência de provas contundentes e a fragilidade dos elementos apresentados pela acusação, requer-se a absolvição do acusado por falta de provas, nos termos do artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal.
Deste modo, não havendo prova suficiente é imperiosa a absolvição do assistido em razão do princípio do in dubio pro reo. Nesse sentido, a doutrina, nas palavras de AURY LOPES JR, entende que: “É importante recordar que, no processo penal, a carga da prova está inteiramente nas mãos do acusador, não só porque a primeira afirmação é feita por ele na peça acusatória (denúncia ou queixa), mas também porque o réu está protegido pela presunção de inocência.”
A absolvição do acusado se faz necessária para preservar não apenas os princípios fundamentais do devido processo legal e do contraditório, mas também para garantir a justiça e a aplicação correta da lei, evitando que uma possível condenação injusta seja proferida com base em conjecturas e suposições, em detrimento da verdade dos fatos e da presunção de inocência.
A propósito, o saudoso Mirabete, ao analisar a questão do ônus da prova, acertadamente coloca que:
"Com a adesão do Brasil à Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), conforme Decreto n. 678, de 6-11-92, vige no país a regra de que 'toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa (art. 8º, 2, da Convenção). Dessa forma, atribuída à acusação o dever de provar a culpa do réu, impõe-se sua absolvição mesmo na hipótese de restar dúvida quanto à procedência das alegações da defesa "
Portanto, considerando que não há nos autos elementos de prova suficientes para a comprovação da materialidade dos crimes imputados aos réus, requer-se a sua absolvição nos termos do artigo 386, inciso II, do Código de Processo Penal.
Diante da ausência de elementos que comprovem a autoria dos delitos pelos réus, é imperativo reconhecer a inexistência de responsabilidade penal, conforme preconizado pelo princípio do in dubio pro reo.
III.II – DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE AUTORIA NOS MOLDES DO ART. 386, INCISO V. DO CPP:
Nos autos do processo, há de haver a absolvição do acusado ante inexistência de comprovação de autoria, pelos seguintes fundamentos:
Conforme os elementos apresentados durante a instrução processual, não há prova cabal que vincule o acusado aos crimes imputados. 
A simples presença dos objetos ilícitos em sua residência não constitui prova suficiente de sua participação nos delitos de homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Não há testemunhas oculares que tenham presenciado a prática dos crimes pelo acusado, tampouco foram produzidas provas técnicas que o incriminem de forma inequívoca.
A suposta confissão obtida pela polícia foi realizada mediante violência física e psicológica, configurando clara coação. Como é sabido, confissões obtidas sob tais circunstâncias não possuem valor jurídico e não podem ser utilizadas como prova da culpa do acusado.
Diante da ausência de provas concretas e da contundência das alegações defensivas, subsistem dúvidas razoáveis quanto à autoria dos crimes atribuídos a Brutus. Nesse contexto, a presunção de inocência deve prevalecer, e a condenação do réu sem provas robustas e convincentes seria uma grave injustiça.
Diante do exposto, requer-se a absolvição sumária de Brutus por falta de comprovação de autoria dos delitos imputados, nos termos do artigo 386, inciso V, do Código de Processo Penal.
III.III – DO PEDIDO SUCESSIVO EM CASO DE NÃO ABSOLVIÇÃO DO ACUSADO PARA AFASTAR A MATERILIADADE DOS CRIMES NA DENÚNCIA OFERTADA:
No caso em questão, de forma sucessiva em caso de não absolvição do acusado, há de ser reconhecida que não ocorreu o concurso de crimes, conforme previsto no artigo 69 do Código Penal, pelas seguintes razões:
Unidade de desígnio e continuidade delitiva: Não há indícios de que os crimes foram praticados com desígnios autônomos ou separados. Pelo contrário, os eventos criminosos parecem estar interligados e integrados em uma única ação criminosa. O acusado não cometeu os crimes de forma independente, mas sim como parte de uma sequência de eventos relacionados.
Relação de meio e fim: O crime de homicídio, motivo pelo qual o acusado está sendo processado, parece ser o crime-fim da ação, enquanto o tráfico de drogas e o porte ilegal de arma de fogo são meios utilizados para a consecução desse objetivo principal. Dessa forma, os crimes acessórios estão diretamente relacionados ao crime principal e não devem ser considerados separadamente para efeitos de aplicação do concurso material.
Princípio da consunção: Considerando a relação de meio e fim entre os crimes, é aplicável o princípio da consunção, pelo qual o crime-fim absorve o crime-meio. Ou seja, o homicídio absorveria os crimes de tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, pois estes foram apenas instrumentos utilizados para a sua consumação.
Portanto, com base nos princípios da unidade de desígnio, continuidade delitiva e consunção, argumento que não se configura o concurso de crimes no presente caso, devendo os crimes acessórios serem absorvidos pelo crime principal de homicídio. Assim, não há que se falar em soma das penas previstas no artigo 69 do Código Penal.
IV- DOS PEDIDOS:
ISTO POSTO, requer:
1. O acolhimento das preliminares suscitadas, determinando a rejeição da denúncia, em conformidade com o disposto no artigo 395, incisos III e IV, do Código de Processo Penal;
2. Subsidiariamente, caso não acolhidas as preliminares, requer-se a absolvição sumária do acusado, com fulcro no artigo 386, incisos II, V e VII, do Código de Processo Penal, por falta de provas suficientes para a condenação e inexistência de comprovação de autoria;
3. Sucessivamente, em caso de não absolvição do acusado, requer-se o afastamento da materialidade dos crimes e a aplicação dos princípios da unidade de desígnio, continuidade delitiva e consunção, nos termos do artigo 69 do Código Penal, para que os crimes acessórios sejam absorvidos pelo crime principal de homicídio, não havendo que se falar em soma das penas previstas no artigo 69 do Código Penal.
Por fim, protesta-se pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente a oitiva de testemunhas e a realização de perícia, visando ao esclarecimento da verdade real e à garantia de um julgamento justo.
Nestes termos, pede deferimento.
Local xxx, 26/10/2023.
Assinatura do Advogado
 OAB/UF nº
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª 
VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO 
SEGURO/BA
 
Processo 
crime
:
 
BRUTUS,
 
“
já devidamente qualificado nos autos
”
, vem, por eu Procurador, 
respeitosamente perante Vossa Excelência, com fulcro no 
Art. 396
 
do 
CPP
, apresentar
 
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
 
pelas razões de fato e d
e direito a seguir expostas:
 
I 
–
 
BREVE SÍNTESE:
 
O acusado, Brutus, encontra
-
se sendo processado por suposta prática dos crimes 
tipificados nos artigos 121, §2º, II e VIII, do Código Penal; artigo 16, caput, da Lei nº 
10.826/03; e artigo 33, caput, da 
Lei nº 11.343/06, todos em concurso material de crimes, 
na forma do art. 69 do Código Penal.
 
Os fatos narrados na denúncia são inverídicos e não correspondem à realidade dos 
acontecimentos. O réu é vítima de arbitrariedades e violações de seus direitos 
fun
damentais perpetradas por agentes estatais.
 
II 
–
 
DAS PRELIMINARES
:
 
II.I 
–
 
DA AUSÊNCIA DE EXAME PERICIAL NOSCRIMES QUE DEIXAM 
VESTÍGIO:
 
Nos termos do artigo 158 do Código de Processo Penal, "quando a infração deixar 
vestígios, será 
indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo 
supri
-
lo a confissão do acusado".
 
A norma é clara ao estabelecer a imprescindibilidade do exame pericial nos casos 
em que a infração deixa vestígios, como é o caso dos crimes de homi
cídio e porte ilegal 
de arma de fogo imputados ao acusado.
 
A ausência de exame pericial compromete a materialidade e a autoria dos delitos, 
cerceando o direito à prova e prejudicando a defesa do acusado, em flagrante desrespeito 
aos preceitos legais estabe
lecidos.
 
A jurisprudência pátria tem se manifestado de forma reiterada quanto à 
importância do exame pericial nos crimes que deixam vestígios, destacando sua 
essencialidade para a formação do convencimento judicial e para a garantia de um 
julgamento justo 
e equitativo.
 
Portanto, a falta de realização do exame pericial nos crimes em questão constitui 
uma irregularidade que compromete a validade das provas apresentadas pela acusação, 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª 
VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO 
SEGURO/BA 
Processo crime: 
BRUTUS, “já devidamente qualificado nos autos”, vem, por eu Procurador, 
respeitosamente perante Vossa Excelência, com fulcro no Art. 396 do CPP, apresentar 
RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: 
I – BREVE SÍNTESE: 
O acusado, Brutus, encontra-se sendo processado por suposta prática dos crimes 
tipificados nos artigos 121, §2º, II e VIII, do Código Penal; artigo 16, caput, da Lei nº 
10.826/03; e artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/06, todos em concurso material de crimes, 
na forma do art. 69 do Código Penal. 
Os fatos narrados na denúncia são inverídicos e não correspondem à realidade dos 
acontecimentos. O réu é vítima de arbitrariedades e violações de seus direitos 
fundamentais perpetradas por agentes estatais. 
II – DAS PRELIMINARES: 
II.I – DA AUSÊNCIA DE EXAME PERICIAL NOS CRIMES QUE DEIXAM 
VESTÍGIO: 
Nos termos do artigo 158 do Código de Processo Penal, "quando a infração deixar 
vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo 
supri-lo a confissão do acusado". 
A norma é clara ao estabelecer a imprescindibilidade do exame pericial nos casos 
em que a infração deixa vestígios, como é o caso dos crimes de homicídio e porte ilegal 
de arma de fogo imputados ao acusado. 
A ausência de exame pericial compromete a materialidade e a autoria dos delitos, 
cerceando o direito à prova e prejudicando a defesa do acusado, em flagrante desrespeito 
aos preceitos legais estabelecidos. 
A jurisprudência pátria tem se manifestado de forma reiterada quanto à 
importância do exame pericial nos crimes que deixam vestígios, destacando sua 
essencialidade para a formação do convencimento judicial e para a garantia de um 
julgamento justo e equitativo. 
Portanto, a falta de realização do exame pericial nos crimes em questão constitui 
uma irregularidade que compromete a validade das provas apresentadas pela acusação,

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