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Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da X Vara Criminal da Comarca de 
Arlindo - SP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Y e U, já devidamente qualificados nos autos do processo crime em 
epígrafe, vem por meio de suas Advogadas infra-assinadas, conforme procuração 
em anexo, com escritório profissional na Rua x, nº xx, Bairro x, na cidade-SP, CEP 
xxx, endereço eletrônico email x@x, telefone (xx) 99, vem, perante, Vossa 
Excelência, com fulcro no art. 593, inciso I do Código de Processo Penal, interpor: 
 
 
 
APELAÇÃO 
 
 
Desde já, requer os recorrentes que o presente instrumento seja recebido 
e processado, tendo em vista sua tempestividade. E, na hipótese de entendimento 
diverso de Vossa Excelência, que o presente recurso seja remetido ao Egrégio 
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 
 
 
 
 
 
 
 
Nestes termos, 
pede deferimento. 
 
 
Fernandópolis, 22 de outubro de 2024. 
 
 
Advogada OAB/SP 
Advogada OAB/SP 
Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Tribunal de Justiça do 
Estado de São Paulo 
 
Razões de Apelação 
 
Processo-crime nº. XXXXXXXXXXXX 
 
Apelantes: Y e U 
Apelado: Ministério Público 
 
Egrégio Tribunal de Justiça 
Colenda Câmara 
Eméritos Julgadores. 
 
Embora respeitável a decisão do juiz singular de primeira instância, 
entende os recorrentes que a mesma deve ser revista pelas razões de fato e de 
direito a seguir expostas. 
 
I Síntese da Sentença 
Verifica-se que o juiz singular ao proferir sentença em relação a “Y” e 
“U”, casal de namorados, os condenou por estupro à pena de reclusão de nove 
anos em regime fechado inicial, sem direito a recorrerem em liberdade. O juiz 
considerou, para aumentar a pena, a palavra da vítima, bem como a motivação do 
crime, que seria a vingança de “U” contra sua inimiga “F”. 
 
II Preliminares 
 
II.1 Cerceamento de defesa 
Ao analisarmos a sentença proferida pelo juiz singular percebe-se que o 
mesmo cerceou direito fundamental previsto na Constituição Federal de 1988 
relativo à defesa dos acusados, quando impossibilitou o direito de recorrerem em 
liberdade. 
No ordenamento jurídico brasileiro, em especial no Direito Penal e Direito 
Processual Penal, a liberdade é a regra, sendo a prisão exceção. Como meio de o 
acusado permanecer respondendo em liberdade, houve a promulgação da Lei n.º 
12.403/11 que aumenta as possibilidades de liberdade, com imposições de 
determinadas medidas cautelares diversas à prisão. 
Nesse sentido também existe o instituto da liberdade provisória estatuida 
no art.5º, inciso LXVI, da CF/88 que estabelece que ninguém será levado à prisão 
ou nela mantido, quando a lei permitir a liberdade provisória com ou sem fiança. 
Situação que o magistrado analisará a situação econômica do acusado, a natureza 
da infração, condições pessoais, vida pregressa e circunstâncias indicativas de sua 
periculosidade. 
Depreende-se dos autos, que os acusados são empresários, donos de 
um estabelecimento do ramo alimentício denominado “Mercado Lua”, conforme 
documentos empresárias fls. 30-45, local onde exercem atividade laboral em lugar 
certo e conhecido pela justiça, o que demonstra ser incompatível com os requisitos 
do art.321 do Código de Processo Penal, bem como possui 20 funcionários 
admitidos conforme a legislação nacional trabalhista vigente, segundo fls 46-66. 
Ademais, restou demonstrado que possuem endereço residencial fixo 
conforme contrato de compra e venda de imovel fls. 66-73, bem como possuem dois 
filhos, de acordo com certidões de nascimento fls. 75-79, sendo os principais 
responsáveis pela situação econômico-financeira dos mesmos, tendo-se em vista 
que a família dos acusados, quais poderiam prestar apoio financeiro, moram em 
outro município, sendo a permanência das prisões contrárias aos interesses 
alimentares dos seus filhos. 
Cediço que a prisão sempre se dará de forma excepcional, sendo a 
última alternativa a ser utilizada pelo Poder Judiciário. Ao encontro de tal 
argumentação, o legislador trouxe em seu art.319 do Código de Processo Penal, 
meios alternativos à prisão como comparecimento periódico em juízo, proibição de 
acesso ou frequência a determinados lugares, proibição de manter contato com 
pessoa determinada, proibição de ausentar-se da Comarca, recolhimento domiciliar 
no período noturno e nos dias de folga, monitoração eletrônica, entre outras 
situações que podem ser plenamentes aplicáveis ao presente caso. 
 Ainda, há que ressaltar que os acusados não possuem nenhum 
antecedente criminal conforme declaração de antecedentes criminais negativa fls 
80-85, ou menção de que irá atrapalhar o regular andamento processual, assim 
como manifesto perigo de fuga, não tendo sido trazido aos autos qualquer 
argumentação contrária à tese defensiva. 
 
II. 2 Nulidade do auto de exame de corpo de delito 
Ao analisarmos a sentença objeto do presente recurso, a mesma entende 
presente a materialidade do delito face o auto de exame de corpo de delito fls 
90-100. 
O direito penal e o direito processual penal, em especial em seu artigo 
158, estabelece que todo delito que deixa vestígios exige a elaboração de laudo 
pericial para demonstrar a efetiva prática da infração, não podendo supri-lo a 
confissão do acusado. 
Sobre a imprescindibilidade e indispensabilidade do exame de corpo de 
delito, em crime de estupro, corroboram as seguintes manifestações 
jurisprudências: 
 
Sendo o estupro delito que deixa vestígios, indispensável é a 
realização do exame pericial para a sua comprovação (in, RT 
532/348) 
 
O exame pericial era de rigor, a teor do artigo 158 do Código de 
Processo Penal, não o suprindo nem a confissão do acusado. 
Trata-se de comprovação da materialidade do crime, que, 
inegavelmente deixa vestígios. (TJSP AC Rel. NELSON FONSECA, 
132/494) 
 
No caso dos presentes autos, existe um laudo pericial elaborado 
constante nas fls 100-125, contudo o mesmo é totalmente inócuo, não servindo para 
o fim a que se destina. Observa-se que o perito oficial, respondeu negativamente 
aos quesitos relevantes para a materialidade do delito. Contudo requer-se que o 
perito responda de forma clara e objetiva sobre o terceiro quesito que questiona “Se 
há outro vestígio de conjunção carnal recente ou a prática de qualquer outro ato 
libidinoso?”. 
Outrossim, em relação ao quesito quarto sobre existência de vestígios de 
violência embora o perito tenha respondido afirmativamente. Tal violência não foi 
aplicada para a consecução da cópula vaginal, ante a inexistência de conjunção 
carnal ou outro ato libidinoso. 
Importante, também, salientar, que o exame de pesquisa de 
espermatozoides, realizado com material coletado da vítima, apresentou resultado 
negativo, segundo fls 115-117. 
Em conclusão, temos um delito de estupro em que inexiste comprovação 
robusta via auto de exame de conjnunção carnal ou pratica de qualquer outro ato 
libidinoso. Sendo assim o exame se demonstra omisso sobre a existência fática do 
aludido estupro. 
Pelas razões requer-se a nulidade do feito em decorrência de realização 
contrariamente ao Código de Processo Penal, ou, caso Vossa Excelência entenda 
que não seja de nulidade, que a prova produzida nos autos relativa ao exame de 
corpo de delito sejam completadas e esclarecidas pelo perito oficial. 
 
 
III Do Direito 
 
III.1 Insuficiência de provas 
Analisando os autos e a produção probatória, verifica-se relevante ausência 
de provas robustas, objetivas, claras, suficientes e conclusivas que demonstram a 
efetiva autoria e indícios de materialidade relativas ao crime de estupro, como por 
exemplo, o omisso auto de exame de corpo de delito já mencionado nas 
preliminares. 
Nesse sentido, a legislação processual penal, em especial o artigo 386, inciso 
VII, do Código de Processo Penal, determina que o juiz deve absolver o réu quando 
não houver provas suficientes para a condenação. 
A ausência de provas suficientes para a condenação torna a absolvição 
medida de observância obrigatória pelo magistrado que possuidever de agir com 
imparcialidade e de acordo com os princípios constitucionais de legalidade e 
presunção de inocência. 
Além disso, entre os princípios basilares de garantias processuais mínimas 
deve ser observado no presente caso o princípio denominado “in dubio pro reo”, que 
determina ao magistrado interpretar e julgar o processo em favor do acusado em 
caso de existência de quaisquer dúvidas ao longo do andamento processual. 
 
III.2 Do afastamento da agravante 
Verificando a sentença proferida pelo juiz singular de primeira instância 
observa-se que uma das circunstâncias consideradas para o aumento de pena, 
constitui exclusivamente a palavra da vítima. 
Inicialmente, as circunstâncias agravantes são fatores que aumentam a 
pena, e devem ser levadas em consideração na segunda fase da dosimetria da 
pena, após a fixação da pena base e da consideração das atenuantes. 
No ordenamento jurídico brasileiro, o Código de Processo Penal, no 
art.61 estabelece em rol taxativo as circunstâncias atenuantes, que quando 
analisado percebe-se que a palavra da vítima de forma exclusiva não constitui 
circunstância agravante. Nesse sentido, é entendimento do e. STJ: “nos delitos 
sexuais, comumente praticados às ocultas, como bem salientaram as instâncias 
antecedentes, a palavra da vítima possui especial relevância, desde que esteja em 
consonância com as demais provas que instruem o feito, situação que ocorreu nos 
autos” (REsp 1607392/RO, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, 
julgado em 20/09/2016, DJe 04/10/2016). 
Pela razões expostas, requer o afastamento da agravante, visto que 
conforme legislação penal brasileira e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 
exclusivamente a palavra da vítima não constitui circunstância atenuante de pena. 
 
III.3 Não aplicação da circunstância atenuante 
Ao analisar a sentença proferida pelo magistrado de primeira instância 
observa-se que não foi reconhecida e consequentemente aplicada uma atenuante 
relacionada às idades dos agentes na data do fato. 
Circunstâncias atenuantes são fatores que diminuem a culpabilidade do 
acusado de um crime, o que pode resultar em uma pena menor. Previstas no artigo 
65 do Código Penal e são consideradas na segunda fase da dosimetria da pena. 
Entre as atenuantes, no inciso I do art.65 do Código Penal, está elencada 
quando o agente é menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 
(setenta) anos, na data da sentença. Dessa forma, conforme certidões de 
nascimento fls.200-203 infere-se que “Y” e “U” possuíam 19 anos na data do fato, o 
que demonstra o cumprimento do requisito para aplicação da atenuante, contudo 
essa situação não foi aplicada pelo magistrado. 
Por esta razão, requer-se o reconhecimento e aplicação da circunstância 
atenuante prevista no inciso I do art.65 do Código Penal, a fim de o cálculo de pena 
realizado na dosimetria da pena esteja de acordo com a realidade dos fatos e 
consequentemente conforme princípios basilares da legislação processual e penal 
brasileira, como legalidade, ampla defesa, proporcionalidade e razoabilidade. 
 
 
IV Dos Pedidos 
Ante o exposto: requer-se 
a) Acolhimento das preliminares; 
b) Provimento do recurso para o fim de se decretar a sua absolvição, por 
insuficiência de provas; 
c) Caso não seja acolhida as preliminares e mantida a condenação, que seja 
reconhecida afastamento de circunstância erroneamente considerada agravante ou 
aplicação da circunstância atenuante prevista no inciso I do art.65 do Código Penal. 
 
Termos em que, 
pede deferimento. 
 
Fernandópolis, 22 de outubro de 2024. 
 
 
Advogada OAB/SP 
Advogada OAB/SP

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