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SUINOCULTURA EM A 
4. cumAnos com n FÉMEA ossos o PERIODO PRÉPARTO 
o DESMAME 
Danielle Gava, Giseli Heim, ivo Wentz e Fernando Pandolfo Bortolozzo 
4. I. introdução 
No processo produtivo da suinocultura, os aspectos relacionados ã eficiência reprodutiva são 
fundamentais, pois determinam o desempenho econômico da cadeia, traduzido pelo número de leitões 
desmamados por fêmea por ano, indices associados ã eficiencia reprodutiva, como a genética. nutrição, 
sanidade, ambiência e aprimoramento das técnicas de manejo, merecem destaque. No setor de 
reprodução, a gestação, parto e lactação são considerados estágios criticos, tanto para a fêmea quanto 
para a leitegada, Vários problemas podem surgir, resultando em morte ou pelo menos redução na 
produtividade. 
Desta forma, e importante descrever os constituintes destas fases bem como os manejos 
relacionados, e frente a qualquer anormalidade, estar pronto para tomada de decisão rápida e eficiente. 
O conhecimento e prática de ação correta durante o pré—parto, parto e pos-parto objetiva a produção do 
maior número de leitões, com peso adequado ao desmame e também a chegada da fêmea ao final da 
lactação em condições favoráveis para a cobertura. garantindo assim o sucesso da atividade. 
Este capítulo abordará aspectos sobre alojamento, manejo e bem—estar da fêmea e da 
leitegada no pre—parto, parto e pós—parto, com a finalidade de contribuir para a melhoria da produção e 
consequente rentabilidade do setor suinicola. 
4.2 Transferência da gestação para maternidade 
4.2.1 Duração da gestação 
A gestação, na espécie suína, possui duração média de i 14 dias (três meses, três semanas e três 
dias), com concentração de 85% dos partos entre 1 14 e l 16 dias de gestação, todavia podendo 
apresentar amplitude de l 10 a l l9 dias (Meredith, 1995). A manutenção da gestação é dependente da 
secreção de progesterona ( P4) pelos corpos lúteos e o desencadeamento do parto se dá com o inicio da 
liberação de cortisol a partir dos fetos, o qual estimula a placenta a conveter P4 em estrógeno, Os niveis 
elevados de estrógeno estimulam o desenvolvimento de receptores de ocitocina e a secreção de 
prostaglandina ( PGFZa) pelo endométrio, causando luteólise (Craig, 1982; First et al., 1982). O periodo 
gestacional também pode ser inHuenciado por alguns fatores como a genética, ordem de parto (OP), 
tamanho da leitegada. estação do ano, manejo da granja e do ambiente ( First et al,, 1982; van Dijk et al., 
2005; Mellagi et al., 2006), 
H9 
E A FÉMEA SUÍNA EM Wf⪠
Na Figura 4.1 pode ser observada a distribuição do periodo de gestação em uma granja que 
não utilizava a indução do parto através da aplicação de PGF2o, O periodo de gestação médio observado 
foi de 115,26 i 1.61 dias, e 88,29% das fêmeas concentraram os partos entre os dias 113 e 117, 
English et al. (1979) observaram perfil semelhante, no qual 92% das fêmeas pariram entre 113 e 117 
dias de gestação, sendo que somente 1, 1% das pan'ções oconeram antes dos 1 1 1 e aos os 1 19 dias de 
gestação. 
Porcentagem“ das fêmeas (%) 25,44 
0,21 "45 0,27 
[In 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 
Duração da gestação (dias) 
Figura 4.1 Frequência de distribuição da duração da gestação FOME-' Mªnªt-Tí 9f ªl- (2005)- 
de suínos da genética Agmceres P1C® (n =21324), em uma granja localizada 
no centro-oeste brasileiro no período de 2002 a 2003 
Mellagi et al. (2006) associaram o tamanho da leitegada com a duração gestacional (DG), e 
observaram que fêmeas com ieitegada maior que 14 leitões apresentam menor DC (1 15,0 i 1,5 dias) 
que aquelas com leitegadas entre um e sete leitões (1 15,9 i 1,6 dias) (Pou 
associado & ocitocina ( 7, 1%), 
Embora a associação com ocitocitos propicie muitas vantagens, há algumas desvantagens. 
Além do possivel aumento na natimortalidade, existe ainda a possibilidade de aumento na ocorrência de 
partos distócicos & consequentemente, maior número de assistência manual ao parto ( Welp et al., 1984: 
Dial et al., 1987; Alonso-Spilsbury, 2004; Borges et al., 2005). Comparando ocitocina e carbetocina, 
Engl et al. (2006) encontraram percentuais de distocias menores com o uso da carbetocina ( Pet al., 2006) e 
sindrome da insuficiência lactacional (Tokach & Tubos, 1997). Essa grande variedade de nomes 
empregada dã uma idéia do grande espectro das etiologias e das formas de apresentação do problema 
entre os diferentes rebanhos (Tokach & Tubbs, i 997). Na prática, no entanto, observa—se hipogalactia e, 
somente em algumas situações, ha uma verdadeira agalactia. Da mesma forma, a endometrite nem 
sempre está envolvida no complexo. Por essas razões, e também por ser dado um enfoque mais 
detalhado no periodo puerperal ao longo desse texto. essa falha lactacional será denominada de SDP 
(Bortolozzo & Wentz, 2007). 
Os principais microrganismos causadores da SDP são as bactérias Gram positivas, 
principalmente Staphylococcus spp e Streptococcus spp, e também Escherichia coli e Klebsiella spp 
(Gerjets & Kemper, 2009: Kemper & Gerjets, 2009). Entretanto, outros microrganismos também podem 
estar envolvidos, como Actinobacillus ( Ramos-Vara et al., 2008), Actinomyces, Aerobacter, Citrobacter. 
Clostridium (Kiss & Bilkei, 2005), Enterobacter, Pseudomonas, Proteus, Mycoplasma, e Clamydia 
(Eggemann et al., 2000). lndiscutivelmente as enterobactérias, dentre elas a E. coli, são os principais 
agentes etiológicos da síndrome. Essa importância deve-se principalmente às endotoxinas 
lipopolissacaridicas (LPS), uma porção da parede celular de todas as bactérias Gram negativas. Estas 
endotoxinas, ao serem absorvidas, produzem alterações cardiovasculares, imunológicas, além de 
suprimirem a produção de prolactina pela hipófise anterior. Outra alteração hormonal dã—se pela 
liberação de adrenalina, a qual e antagonista da ocitocina, interferindo na ejeção do leite (Nachreiner & 
Ginther, i974: Smith & Wagner, 1984; Klopfenstein etal,, 2006). 
Em geral, o problema tem inicio entre um a três dias após o parto, contudo 50% dos casos são 
observados nas primeiras 24 horas, com ocorrência de hipertermia (39,5-41 ºC), redução na produção 
de leite e presença de corrimento ou descarga vulvarpurulenta, de coloração variável, mas normalmente 
amarelo escuro cremoso, e geralmente com odor fêtido ( Klopfenstein et al., 2006). De acordo com a 
gravidade, o corrimento pode ser em grande quantidade, sendo facilmente observado no momento da 
amamentação, Em decorrência da insuficiente produção de leite observam—se sintomas'tanto nas fêmeas 
144 
SUINOCULTURA EM A 
como nos leitões, O complexo mamário pode apresentar—se avermelhado, edemaciado e firme, 
decorrente da inflamação ( Bãckstrom et al., 1984). Consequentemente tende a haver uma diminuição 
ou até privação na ingestão de colostro. o que implica em aumento na mortalidade dos leitões por 
esmagamento e hipotermia. Somando-se a isto, ha um comprometimento na transferência de 
imunoglobulinas ( lgs) maternas, comprometendo a saúde imunitária dos leitões e seu desempenho ao 
longo da vida. Os leitões apresentam-se com fome, fracos, impacientes, fuçando as fezes da mãe, 
procurando comida, e a mortalidade da leitegada pode chegar de 50 a 100% ( Klopfenstein et al., 2006). 
A susceptibilidade pode variar de 0 a 100% com média de 13. 1%. e as falhas na lactação são 
mais frequentemente observadas na forma de hipogalaxia, do que na forma de agalaxia (Klopfenstein et 
al., 2006). Bãckstrom et al. (1984). encontraram uma incidência de SDP de 6,9% (1.1 a 37.2%) em 
16450 partos observados em 31 granjas nos EUA, durante um ano. Em outro estudo americano, a 
incidência encontrada foi de 13% (Threlfall & Martin, 1973). 
A SDP e considerada uma sindrome de origem multifatorial ( Klopfenstein et al., 2006: 
Papadopoulos et al., 2010). Dentre os fatores que podem determinar a ocorrência incluem: manejo 
nutricional na fase final da gestação (alimentação à vontade) (Gtiransson, 1989). transferência das 
fêmeas para a maternidade muito próxima à data do parto (Bãckstrom et al., 1984). presença de piso 
compacto na maternidade ( Hulten et al., 2004). indução ao parto (Cerne &)ochle, 1981) e alimentação 
à vontade no periodo imediatamente pos—parto (Neil et al., 1996). Papadopoulos et al. (2010). ao 
investigarem fatores de risco relacionados à SDP em l 10 granjas, encontraram que a transferência das 
fêmeas para a matemidade em até quatro dias antes da data provável do parto aumentou a chance de 
ocorrera sindrome ( OR-razão de chance: 6,27), bem como a indução ao parto ( OR: 4.80). alimentação à 
vontade durante os primeiros dias de lactação (OR: 3, 15) e intervenção obstétrica ( OR: 0,08). De acordo 
com Wagner ( 1 982) e Bãckstrom et al. (1984). a intervenção obstétrica predispõe à SDP, possivelmente 
por estar relacionada à distocia. Entretanto, a assistência ao parto pode diminuir a ocorrência da 
enfermidade (Wagner. 1982: Bãckstrom etal.. 1984). 
Segundo Cerne & )ochle (1981) e Holtz et al. (1983). a indução com PGFZo reduziu a 
incidência de SDP, contudo. a indução não previniu completamente os sinais clinicos de SDP. As PGFZo 
afetam a cinética do cortisol, que atrasa o aumento da prolactina e a construção do ninho (Widowski et 
al., 1990). Recentemente, a associação entre a baixa produção de colostro e a indução de parto foi 
relatada ( Devillers et al,, 2007). É possivel que granjas que apresentem problemas de SDP, pratiquem a 
indução ao parto mais frequentemente a fim de prevenira sindrome, o que toma mais obscura a relação 
entre indução ao parto e SDP. 
Amaral et al. (2000). ao avaliarem 46 variáveis associadas às patologias no pós-parto, 
determinaram quatro itens mais fortemente correlacionados: (a) estado nutricional visual das fêmeas 
antes do parto igual ou maiora 3, 5, numa esca1a de um (muito magra) a cinco (excessivamente gorda): 
(b) espessura de toucinho maior que 19 mm. medida antes do parto; (c) densidade da urina superiora 
1012 g/cmª e (d) intervalo menor que cinco dias entre a transferência da matriz para maternidade e o 
parto. Outras observações, como fêmeas mais velhas, com problemas locomotores, pesadas no pré- 
parto e que pariram leitegadas grandes também foram susceptíveis a problemas puerperais. 
Conforme Klopfenstein et al. (1995). a transferência das fêmeas para maternidade 25 dias 
antes do parto está associada com baixos problemas durante e pós-parto. Lawrence et al. (1994) 
145 
demonstraram que a transferência muito próxima a data do parto inibe a construção do ninho e outras 
manifestações fisiológicas relacionadas, o que resulta em estresse da fêmea parturiente. Desta forma, o 
periodo de aclimatação da fêmea é necessário, não somente para reduzir o estresse, mas também para 
prover tempo suficiente para os demais procedimentos, como limpeza e desinfecção, Todavia, a 
transferência muito antecipada torna—se economicamente inviável. pois requer principalmente maior 
número de instalações disponiveis na maternidade. Papadopouios et al. (2010), determinaram que a 
chance de uma matriz transferida com menos de quatro dias antes da data prevista de parto manifestar 
SDP é 6,27 vezes maior que aquela transferida com mais de sete dias antes da data prevista para o parto 
(Pde leitões, O 
objetivo principal é reduzir a inflamação e o edema no tecido mamário, podendo ser utilizado 
antimicrobiano (Quadro 4. i ), corticóide e ocitocina. As fêmeas que apresentarem temperatura alta 
(acima de 39,8ºC) devem ser medicadas com antitêrmico, além de antimicrobiano como já 
mencionado. Medidas de manejo como transferência antecipada das fêmeas para a maternidade, 
atendimento correto ao parto, combinados com adequada nutrição (restrição na fase final da gestação e 
proporcional ao número de leitões nascidos no pós parto) e higiene são eficientes para redução da 
sindrome (Martineau et al., 1992; Klopfenstein et al., 2006). Da mesma forma, a lavação das fêmeas e 
uso de desinfetantes na maternidade, foram associados respectivamente com baixa mortalidade pré- 
desmame (Ravel et al,, 1996) e baixa incidência de mastite crônica nas fêmeas (Hultén et al., 2004). 
146 
SUINOCULTURA EM A 
Quadro 4.1 Principais antimicrobianos empregados no tratamento das infecções urinárias e metrites 
Penldlinas de amplo espectro: são as drogas mais frequentemente utilizadas no tratamento das infecções urinárias e metrites. 
As maiores vantagens de utiliaar drogas desse grupo são: o pH alcalino potencializa sua ação, possuem efeitos colaterais 
sistêmicos minimos, não são nefrotãxlcas e possuem uma alta taxa de excreção renai. A ampicilina e a amoxicilina são os 
principios ativos que melhor preenchem estes requisitos, alem de possuirem amplo espectro de ação. A amplcilina pode ser usada 
com uma aplicação diaria, na dose de H mg/Kg, por via lM, durante três a cinco dias (Dee, 1992). A amoxicilina apresenta 
espectro e eficiência similares às da ampicilina e deve ser usada na ração dose de m a 20 mg/Kg, por 5 a ID dias. 
Penicilinas naturais: produtos desse grupo podem ser usados, mas sua eficiência geralmente é menor. Atuam principalmente 
em bactérias Gram positivas e devem ser utilizadas em três aplicações: nos dois primeiros dias de tratamento uma aplica ção diária 
de Penicilina G Procaina, na dose de 5.000 U l/Kg, e no terceiro dia do tratamento uma aplicação de Penicilina G Benaatina na dose 
de 5.000 Uln (Dee, i992), lembrando que este protocolo não é recomendado para animais gestantes. Como a maioria dos 
problemas de metrites e cistites & causada por bactérias Gram negativas, essas drogas so deveriam ser usadas apos exames 
laboratoriais indicando a sensibilidade do agente ao principio ativo. 
Tetraclclinas: são medicamentos com rápida ação e amplo espectro, no entanto não são tão efetivas frente a bacterias Gram 
positivas como as penicilinas. Deve ser lembrado que são drogas bacteriosta'ticas, apresentando antagonismo quando associadas 
às penicilinas. Existe também um alto nivel de resistência de E . coli e de outros coliformes de origem fecal frente as tetraciclinas, 
um antibiograma deveria sempre preceder a escolha desse tipo de principio ativo quando do tratamento de infecções do trato 
genlto-urinário. Scott (1991) menciona que este grupo farmacológico e primariamente excretado pelos rins, mas e contra- 
indicado para o tratamento de doenças renais devido ao seu potencial nefrotoxico e reduzida ação em pH alcaiino, Quando 
usada, recomendam—se duas aplicações diárias na dose de 2,2 mg/Kg. isso é o suficiente para manter bons niveis sanguíneos da 
droga portrês a cinco dias. Dutra forma de uso das tetraciclinas seria via ração, na dose de 600 g de principio ativo por tonelada de 
ração durante 14 dias (Muirbead & Alexander, l997). Outros autores sugerem doses maiores, 1.8 Kg tonelada para porcas em 
lactação e 3 Kg para femeas gestantes, 
Norfloxacina: pode ser administrada por via oral. na dose de 7 a I4 mg/Kg/dia por ?O dias (Barcellos & Sobestiansky. 1998) ou 
na ração na dose de I0 a 20 mg/Kg por 10 dias. 
Enrofloxacina: e utilizada na dose de 2,5 mg/lcg, por via lM, com uma aplicação diária durante três a cinco dias (Pommier et al., 
2002). 
Fiorfenlcol: pelo amplo espectro de ação e boa distribuição em fluidos extracelulares, esse princípio ativo poderia ser uma boa 
escolha para o tratamento das metrites. O produto usado na dose de 40 ppm eliminou totalmente a bacteriúria em fêmeas nas 
observações de 10 e 21 dias apos o tratamento (Silva et al,, 2003). 
Sulfa e Sulfa-Trinretoprima: pelo espectro de ação frente a Gram negativas e excreção renal, as sulfas são uma boa alternativa 
para tratamento das infecções urinárias, 
Lincomicina: é recomendada na dose de 10 Ing/Kg, com uma ou duas aplicações intramusculares diárias e tem-ação contra o A. 
suis (Muirhead &Alexander, l997). 
Ceftiofur: deve ser aplicado diariamente, por três dias consecutivos, numa dose de 3 mg,/Kg (Dre-an & Laval, 2000). 
Fonte: Barcellos. (201 0). 
Como o processo e' muitas vezes temporário (e reversível), durante o período em que a 
produção de leite está comprometida e a fêmea está sendo medicada, é fundamental fornecer aos leitões 
suplementos ricos em energia em pequenas quantidades e varias vezes ao dia. Com isso dimin uem-se as 
chances de desidratação e hipoglicemia. Como foi visto, a SDP ocorre precocemente no pos-parto, assim 
esses leitões tendem a ter um comprometimento na ingestão de colostro. Com isso, e fundamental 
identilicar precocemente as leitegadas problema e fornecer colostro (de um banco de colostro) a esses 
leitões ainda dentro do periodo em que haja boa absorção de lgs (nas primeiras 24 horas de vida. mas de 
forma intensificada nas primeiras 12 horas). Alem disso, deve—se fornecer um ambiente adequado aos 
leitões, limpo e na sua zona de conforto térmico, diminuindo as chances de hipotermia. 
147 
Nos casos mais extremos, onde já se nota o comprometimento da leitegada, é necessário 
retirar todos os leitões e transferi-los para uma fêmea recém desmamada, mas com boa produção de 
leite (mãe de leite). A tendência é que o comprometimento da leitegada, cuja mãe tenha tido SDP, seja 
mais grave naquelas de baixo peso. É claro que as demais leitegadas também sofrem, mas aquelas com 
leitões mais leves têm consequências mais drásticas. Nesses casos, além de um correto manejo pos—parto, 
envolvendo fornecimento do colostro e uma adequada equalização, é possivel intensificar a orientação 
das mamadas e do uso do escamoteador, Aparentemente, o emprego de mamadas orientadas nas 
primeiras horas de vida, aliadas ao treinamento no uso do escamoteador e ao emprego de uma fonte de. 
energia (por exemplo: óieo de coco) trazem beneficiosa esses leitões com baixo peso ao nascer (ainda a bexiga ou alças 
intestinais. A circulação sanguinea pode estar prejudicada, pois os vasos que drenam a circulação uterina 
podem sofrer constrição na base do prolapso e o edema de toda a mucosa e iminente. Como a 
recuperação da fêmea para a continuidade da vida reprodutiva fica comprometida, caso se consiga a 
reversão do quadro, uma ação nestes casos somente se justifica no sentido de mantera vida da fêmea, 
com o objetivo de encaminha-la o mais rápido possivel para o abate. Em muitas situações devido à força 
de tração das partes prolapsadas ser muito grande, ha 0 rompimento de vasos e hemorragia interna, 
principalmente devido ao rompimento dos vasos ovarianos, podendo levar a fêmea a morte, Na 
tentativa de solucionar o problema, o primeiro passo e aplicar água fria e gelo sobre a mucosa e, com 
lubrificante, tentar manualmente a reposição do conteúdo. Esta atividade deve ser realizada com muito 
cuidado para evitar maiores lesões ã mucosa edemaciada. Caso se tenha sucesso nesta operação, é 
sugerida uma sutura de Btihner para evitar recidivas. Outra possibilidade é realizar uma sutura em massa 
na altura da cérvix e cortar toda a parte prolapsada. repondo o coto resultante. Somente se faz esta 
operação quando existe certeza de que não ha outros órgãos internos junto ao útero prolapsada. Todas 
148 
SUINOCULTURA EM A 
as ações relacionadas ao trato genital atingindo a mucosa devem ser acompanhadas de 
antimicrobianoterapia ( Plonait, 1988; Jean & Anderson, 2006: Smith & Straw, 2006). 
4.9 Vacinação e medicação utilizadas nas fêmeas na maternidade 
O uso de vacinas recomendadas em nosso meio varia de uma criação para outra, abrangendo 
desde a utilização de uma vacina especifica, até programas de vacinação em que se utilizam quase todas 
as vacinas disponiveis para a indústria suinicola. A relação entre o custo da vacina, os gastos em mão-de- 
obra e os probiemas associados a vacinação que podem surgir & o possivel beneficio obtido com o seu 
uso, devem ser cuidadosamente avaliados na escolha de cada programa de vacinação (Ex. a vacinação 
contra erisipelose, parvovirose e leptospirose encontra-se disponivel para aplicação contra cada 
patógeno separadamente ou em combinação entre eles. Caso a granja utilize vacinação contra os três 
agentes, existe a possibilidade de uso de vacina tríplice, o que reduz a mão de obra e estresse dos 
animais, pois em uma única apiicação consegue—se proteger a matriz contra mais de um agente). A 
utiiização de programas de vacinação preventivos e/ou em casos de surtos tem sido reconhecida como 
uma medida de grande importância no combate de algumas doenças in facto-contagiosas (Ex. Doença 
de Aujeszky, Peste Suina Clássica, Febre Aftosa). Em certas circunstâncias e obedecendo a critérios e 
legislações regionais ou nacionais, os órgãos governamentais podem obrigar os criadores a realizar uma 
vacinação sistemática (Barcellos et ai., 1 996: Barcellos et al., 2007). 
Devido ao tipo de placenta, epiteliocorial difusa, os anticorpos não são transmitidos aos leitões 
via placenta, nascendo assim praticamente sem defesa. Desta forma, os leitões são extremamente 
dependentes do colostro para aquisição de imunidade passiva (Quiniou et al., 2002; Le Dividich et al., 
2005; Klopfenstein et al., 2006). Baseado nisto, as vacinaçoes no pré-pano objetivam a transferência de 
imunidade via colostro para a leitegada, e as vacinações realizadas durante a lactação visam proteger a 
fêmea na proxima gestação. 
As vacinas comumente utilizadas durante a maternidade resumem—se em vacinas reprodutivas: 
parvovirose, leptospirose e erisipelose. Contudo. conforme a necessidade de cada granja, vacinas contra 
colibacilose, micoplasmose, pleuropneumonia, circovirose, dentre outras também podem ser utilizadas, 
estando muitas delas disponiveis para aplicação na fêmea ou na leitegada (Friendship & Prescott, 2006). 
As vacinas mais utilizadas atualmente nas fases de gestação e lactação estão resumidas no quadro 4,2, 
todavia, como citado anteriormente, protocoios diferenciados podem ser aplicados conforme 
necessidade de cada granja e recomendação do fabricante (dose, via de uso e programa de aplicação). A 
escolha das vacinas a serem usadas também depende das doenças presentes nos plantêis de origem e de 
destino. 
149 
Quadro 4.2 Vacinações que podem ser utilizadas nas fêmeas durante os períodos de gestação e lactação 
Período de “ameaças 
Leitoa Porca 
Actinobacillus pleuropneumoníae 
Circovirus Suino 'l'ipo 2 
Clostridium perfringens C 
Doença de Aujeszkyt' 
Erysipelothrix rhusiopatbiae 
Escherichia coli 
Haemophilus parasuls 
Leptospira spp 
Mycoplasma hyopneumoniae 
Parvovirus suíno 
Peste Suina Eirissicaª'= 
Rinite atrofica 
lª dose: 
2ª dose: 
l ª dose: 
2“ dose: 
l ª dose: 
2"L dose: 
l ª dose: 
2ª dose: 
lª'dose: 
2ª dose: 
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2ll dose: 
l ª dose: 
2ª dose: 
l ª dose: 
2ª dose: 
l ª dose: 
2ª dose: 
lª dose: 
2ª dose: 
60-70 dias gestação 
904 00 dias gestação 
4-6 semanas antes cobertura 
2-3 semanas antes cobertura 
60-70 dias gestação 
90400 dias gestação 
4-6 semanas antes cobertura 
90400 dias gestação 
4-6 semanas antes cobertura 
2—3 semanas antes cobertura 
60-70 dias gestação 
90400 dias gestação 
4-6 semanas antes entrega 
2-3 semanas antes entrega 
4—6 semanas antes cobertura 
2-3 semanas antes cobertura 
60-70 dias gestação 
90400 dias gestação 
4-6 semanas antes cobertura 
2-3 semanas antes cobertura 
4-6 semanas antes cobertura 
lª dose: 60-70 dias gestação 
2ª dose: 90400 dias gestação 
lª dose: 60-70 dias gestação 
2ª dose: 90- 100 dias gestação 
Aos 90400 dias gestação 
llill dose: 60-70 dias gestação 
:“ dose: 90400 dias gestação 
lª dose: 60-70 dias gestação 
2ª dose: 90400 dias gestação 
Revacinar a cada seis meses 
Revacinar 10 dias após o parto 
Aos 904 00 dias gestação 
lª dose: 60-70 dias gestação 
2‘I dose: 90400 dias gestação 
Revacinar l0 dias após o parto 
Aos 90400 dias gestação 
Revacinar 10 dias após o parto 
Aos 90400 dias gestação 
Aos 90400 dias gestação 
*Dbedece a critérios e legislações regionais ou nacionais. Adaptado de Barcellos et al. ( l 996, 2007). 
Em relação às medicações, Straw et al. (2000), abordando tipo e dose de medicações utiiizadas 
em fêmeas na maternidade em 301 granjas (38735 partos), observaram que 61 (20,2%) unidades 
administraram rotineiramente medicação injetável (outras além de acaricidas, prostaglandinas e 
vacinas) & todas as fêmeas no momento do parto como medida preventiva. Dentre estas granjas, ?? 
(27, 9%) usaram penicilina G procainica, 13 (21.3%) utilizaram uma mistura de medicamentos para 
SDP, H (18%) penicilina G procainica e ocitocina, cinco (8,2%) ocitocina somente. quatro (6,5%) 
150 
SUINOCULTURA EM A 
administraram oxitetraciclina, duas (3,3%) penicilina G procainica, ocitocina e vitamina E, e nove 
(14,8%) apiicaram ocitocina e combinação com algum outro fãnnaco. diferente dos anteriores. O 
percentual de fêmeas tratadas com qualquer medicação nas 301 granjas está representado na Tabela 
4. 7, e não diferiu entre o tamanho das granjas. 
Tabela 4.7 Percentual de fêmeas tratadas para condições especificas em 301 granjas de diferentes 
tamanhos nos EUA 
lama niie da granja“ 
Condição Pequena _ Média Grande Muita Grande“ _ 
(fl .=.1 05). (ª. = 1.05) (11 =62.) 01 =28.) Vªlºr 
Distocia 8.7 6.5 10.2 14.5 0.05 
Descarga uterina 6.4 7.2 4.6 8,6 0.65 
Falta de apetite 3.6 3,5 4,9 7,0 0,10 
Ayªlªdíª 2:5 3:8 330 3-9 0:68 
Mastite 4.0 3. I 2, I 3.3 0.3 5 
Lesões diversas 1.0 2,1 L5 1.5 0.09 
Agressividade DJ 0,3 OJ 0.6 0,01 
Hipertermia ª, 1 0,0 º, ? O. I 0.73 
*Granjas pequenas: 5200 partes por ano; Adaptado de Straw et al. (2000). 
Granjas médias: >200 5500: Granjas grandes: >500 5.2000: 
Granjas muito grandes: ".:-2000. 
Valor F: comparado entre granjas de diferentes tamanhos. 
Conforme Straw et al. (2000), nem sempre o uso da medicação é correto para cada tipo de 
enfremidade e muitas vezes é utiiizada de umaforma desnecessária. O maior número de fêmeas 
medicadas contra agressividade em granjas muito grandes está intimamente reiacionado ã 
disponibilidade de mão de obra e ã assistência ao parto. A administração de dose errônea também é 
comum. Neste estudo, somente 12% das fêmeas tratadas com penicilina G procainica, 28% tratadas 
com oxitetraciclina e 48% com ocitocina, receberam a dosagem correta. Esta informação vai ao encontro 
do mencionado por Bywater (2004) eAarestrup et al. (2008), e ainda correlaciona com o surgimento de 
possível resistência antimicrobiana. 
Além disto, durante décadas. vários estudos reportaram o uso benéfico de PGFZot após o 
parto. Tai afirmação é baseada na faciiitação da contração uterina e consequente eliminação dos restos 
placentários, reduzindo assim a incidência de endometrites (Chenault et al.. 1996: Lauderdale et al.. 
1998: Koketsu & Dial 2002), redução do iDE (Chenault et al., 1996) e aumento no número de leitões 
nascidos no ciclo subsequente ( Lauderdaie et al., i998; Koketsu & Dial. 2002). Contudo. Vanderhaeghe 
et al. (2008) avaliaram o uso de um análogo ã PGF2o', via lM, 24-48 horas após o parto, bem como a 
performance da leitegada, e não observaram diferença entre fêmeas tratadas e não tratadas. Estes 
resultados corroboram com os achados de Kirkwood (1999) e Koketsu & Dial (2002). que somente 
encontraram diferença no numero de nascidos na leitegada seguinte em fêmeas com OP a 7. O tema que 
envolve o uso apos o parto de PGFZor, e os possiveis beneficios no desempenho reprodutivo 
subsequente, continua bastante polêmico. Entretanto, empregar esse manejo rotineiramente em 
unidades que alcançam indices reprodutivos satisfatórios dificilmente promoverá um efeito benéfico 
adicional. 
151 
E A FÉMEA SUÍNA EM Wf⪠
4.10 Ambiência e instalações na maternidade: fator chave para o 
bem-estar da matriz e leitões 
O bem-estar dos animais vem sendo modificado pela intensificação da produção, 
caracterizada pela restrição do espaço, movimentação e interação social. A determinação das exigências 
de bem—estar constitui um grande desafio para a simplificação do manejo, redução de custos e aumento 
da produtividade. Contudo, o processo produtivo precisa ser ambientalmente benéfico, eticamente 
defensãvel, socialmente aceitável e relevante aos objetivos, necessidades e recursos da comunidade para 
o quai foi desenhado para servir (Faucitano & Schaefer, 2008; Marchant-Forde, 2009). Em I965. o 
Comitê Brambell apresentou um relatório, no quai definem as cinco liberdades minimas que um animai 
deve ter: virar-se: cuidar-se corporalmente; levantar-se; deitar-se e estirar seus membros (Brambell, 
I965). Entretanto, inicialmente e necessário detinir bem-estar animal. De acordo com Hurnik (1992), o 
bem-estaranimal e' o “estado de harmonia entre o animal e seu ambiente, caracterizado por condições 
fisicas e tisioiógicas ótimas e alta qualidade de vida do animal " e conforme Broom (1991), o bem-estar se 
refere ao "estado de um individuo em relação ao seu ambiente 
A instalação de maternidade deve apresentar os requerimentos necessários para a fêmea, 
antes, durante e apos o parto, seguido da lactação, bem como ir ao encontro das necessidades dos 
leitões, principalmente na primeira semana de vida, a fim de diminuir o risco de esmagamento e 
maximizar o bem-estar e desenvolvimento dos mesmos. Os objetivos de uma instalação ideal são manter 
o bem—estar dos animais (fêmea e leitões), provendo controle dos elementos climáticos, como 
temperatura, umidade relativa (UR) e ventilação, além de segurança, acesso à alimentação, ingestão de 
água e higiene (Cutler & Cronin, 2008: Faucitano & Schaefer, 2008; Marchant—Forde, 2009). De uma 
maneira geral, a maternidade deve apresentar as seguintes caracten'sticas (Silveira et al., l998): 
— l Temperatura interna da sala entre 18 - ZOºC; 
— l Acesso fácil pelo posterior da matriz para facilitaro manejo com fêmea e leitões: 
——l Cela parideira com barra de proteção, para evitar esmagamento dos leito'es: 
— l Fonte de aquecimento com regulagem para os leitões (como o escamoteador): 
— I Piso confortável para a matriz e leitões evitando lesões de casco e articulações: 
— l Área suficiente para a matriz e para os leitões realizarem os movimentos basicos. 
As matrizes precisam de espaço suficiente, que abranja pelo menos um dos três tipos de espaço 
necessários: espaço estático, espaço dinâmico e espaço social (Baxter & Baxter, 1984: McClone & 
Pound, 2003). O espaço estático refere-se ao espaço físico ocupado pelo corpo do animal, e é calculado 
pela largura, comprimento e altura. Quando os animais levantam ou deitam, eles requerem mais espaço 
que o estático, o qual é chamado de espaço dinâmico, no qual os ajustes posturais são levados em 
consideração. já o espaço social compreende o espaço dinâmico mais o espaço no qual os animais 
interagem socialmente, e muitas vezes este espaço é ocupado concomitantemente por vários animais 
(Baxter & Baxter, 1984: Curtis et al., 1989; McGione & Pound, 2003) (Tabela 4.8). 
152 
SUINOCULTURA EM A 
Tabela 4.8 Descrição dos três tipos de espaço para fêmeas suinas: estático, dinâmico e social 
Comprimento 1,6 I 2,20 3,0 
Largura 0,43 0,86 3,0 
Altura 0,89 0.99 NA 
Espaço social: Considerado pelo menos quatro fêmeas por baia, 250 Kg cada. Adaptado de Curtis et al. ( [989]. 
NA: não aplicável. 
O ambiente fisico e frequentemente definido com base no custo e disponibilidade. Contudo ao 
escolher o material utilizado. propriedades baseadas nas condições climáticas e sanitárias devem ser 
analisadas (Ex. concreto e mais frio que o plástico, e metal pode ser desinfetado mais eficientemente que 
a madeira). Sugere—se o uso de materiais de cobertura com maior inércia térmica, bem como o uso de um 
sistema de 1ventilação adequado e de isolamento térmico. Alguns incrementos e detalhes na construção 
podem ajudar a manter a temperatura ideal e devem ser ajustados conforme as condições climáticas, 
podendo citar a localização. a orientação e as dimensões das instalações, cobertura, sombreamento, 
arborização. dentre outros (Faucitano & Schaefer, 2008; Marchant—Forde, 2009). já o ambiente social 
geralmente não é levado em consideração durante a construção. Quando existem muitos animais na baia 
o nivel de estresse aumenta. assim como as brigas. e em contra—partida. & produtividade diminui. O 
tamanho do grupo também está relacionado com a produção de calor. quanto maior o número de 
animais, maior a produção de calor. Desta forma, deve—se otimizar o ambiente social com o ambiente 
fisico, levando em consideração as dimensões da baia. comedouro e bebedouro (Tabela 4.9). 
Tabela 4.9 Descrição do espaço necessário para cada categoria de produção 
. . . . . 
Fêmea lactante e leitões 3,15 
Fêmea lactente 1.26 
Creche 0.54 
Recria 0.90 
Terminação 1.26 
Adulto 1.26 
Adaptado de Curtis et al. (1989). 
Os suinos são animais homeotérmicos, isto é, mantem a temperatura corporal. independente 
da flutuação da temperatura do ambiente, mas dentro de certos limites (Tabela 4.10). A zona de 
tennoneutralidade varia de acordo com a fase de produção. conforme descrito na Tabela 4. l i. A 
regulação da temperatura corporal e' realizada quase totalmente por mecanismos de "feedback" e quase 
todos eles operam por meio dos centros terrnorreguladores do hipotálamo, ten'norreceptores na pele e 
153 
em tecidos mais profundos incluindo medula espinhal, órgãos abdominais e grandes veias. Quando o 
centro termorreguiador detecta que a temperatura corporal está excessivamente quente ou fria, ocorre 
desencadeiamento de mecanismos diversos, a fim de aumentar ou diminuir a temperatura corporai 
(Randall et ai.. I997: Cunninghan, 1999). De acordo com estes autores. a troca de calor pode ocorrer de 
quatro formas: a) radiação (o calor é transferido por radição eietromagnética. sem contato entre 
superHcies): b) condução (troca de calor entre objetos ou substâncias a diferentes temperaturas. em 
contato um com outro):c) convecção (a energia térmica propaga—se com movimentação de partículas 
liquidas ou gasosas. pela diferença de densidade) e d) evaporação (vaporização da água sobre pele ou 
membranas mucosas). 
Tabela 4.10 Resumo do requerimento de temperatura dos suinos nas diferentes fases de produção 
. . - 
...A-HJ 
Gestação - 15-24ªª 
Lactação (fêmea) - 15-21” 
Lactação (leitão) - 28-32'ª 
Creche 4.7 25-32“ 
:r-zs 21-27” 
Crescimento 25-60 15-34dª 
Terminação (iD-IDO 14-2 I'ª' 
a: Zhang (1994). Adaptado cie Canyon et al. (2006). 
b: McFarlane & Cunningham (1993). 
:: Le Dividich & Has-pin (1994). 
d Vida (1991). 
e: Midwest Flan Service (1983). 
Tabela 4." Zona de tennoneutraiidade dos suínos nas diferentes fases de produção 
Temperatura idea! (ºC) Temperatura Crítica ("63 
Máx-ima Mínima Máxima Mínima " " 
_ 
Matriz 13 12 3a a 50-70 
Leitões nascimento 32 39 35 15 70 
1 semana 28 2? 35 15 70 
2 semanas 26 25 35 13 70 
3 semanas 24 22 35 13 70 
4 semanas 22 21 31 IO 70 
5 -8 semanas 22 zo 30 a 50-70 
20-30 kg 20 13 27 8 50-70 
30-60 kg 18 IE 2? 5 50-70 
(iD-IDO kg 13 12 27 5 50-70 
Adaptado de Curtis et al. {1967) e Sousa (2009). 
154 
SUINOCULTURA EM A 
Na maternidade, o grande desa fio encontra-se na diferença de temperatura ideal para o leitão. 
que está entre 28-32ºC e para a fêmea que está entre 15-21 ºC (Tabela 4. I I). Outros componentes do 
ambiente são a UR e a velocidade do ar. sendo considerada ideais a UR doar entre 60 e 80% (Nienaber 
et al., 1987) e velocidade do ar incidente diretamente sobre os animais de 0.1-0.2 m/s para leitões 
lactentes e de 0.1-0.3 m/s para matrizes em lactação (Moura. 1999). Baseado nestes requerimentos e' 
impossivel manter um unico ambiente agradável tanto para a fêmea quanto para o leitão. Desta forma as 
instalações gerais objetivam o conforto inicial da fêmea. e para os leitões. outras facilidades para manter 
a temperatura são lançadas, como piso térmico, lâmpada/resistência acessória e escamoteador. 
Sobestiansky et al. (1987) compararam quatro tratamentos de aquecimento para leitões quanto ao 
microambiente e consumo elétrico: Ti-escamoteador sem fonte de aquecimento; T2-escamoteador 
com lâmpada infravermelha controlada pelo criador; T3—escamoteador com lâmpada infravermelha 
controlada por termostato (tipo capilar) regulado para manter a temperatura em 29°C 9. T4—sem 
escamoteadore com lâmpada infravermelha embutida num prato refletor, controlada pelo criador. 0 T3 
proporcionou o microambiente mais adequado quando comparado aos demais, mantendo a 
temperatura praticamente constante na faixa determinada e também foi o que apresentou menor 
consumo de energia eletrica. As temperaturas obtidas nos demais tratamentos demonstram que os 
produtores não manejaram de forma adequada a fonte suplementar de calor, pois pode-se observara 
grande flutuação da temperatura no escamoteador (Tabela 4. 12). 
Tabela 4.12 Temperatura observada no escamoteadon frente a quatro diferentes sistemas de aquecimento 
emma-em ' Minima Máxima Amplitude—f,, 
TI 22.4 15. I .?.3 
T2 2?,2 20.2 7.0 
T3 29. 9 23.0 1.9 
T4 281.3 13.5 9,4 
Fonte: Sebastiansky et al. (1987). 
Malmkvist et al. (2009) avaliaram a influência de piso aquecido para os leitões no 
comportamento da matriz. Apesar de não ocorrerem mudanças de comportamento na fêmea, os niveis 
de cortisol aumentaram. indicando que a temperatura elevada do piso é estressante para a fêmea. Além 
de existirem diferenças com relação ao bem—estar entre as categorias (leitões e matrizes), existem 
diferenças também entre os sistemas de alojamento das matrizes. com relação ao conforto. A 
concentração de cortisol também tem sido maior em matrizes alojadas em gaiolas que em baias. de seis 
dias antes do parto até aos 21 dias de lactação (Cronin et al.. 1991: Oliviero et al.. 2008). Apesar disto, 
Phillips et al. (2000) verificaram que durante os três primeiros dias apos o parto. as matrizes preferem 
ambientes mais quente e evitam ambientes de metal, provavelmente explicado em tentativa de mantera 
temperatura mais próxima a de conforto dos leitões. 
Biensen et al. ( 1996) determinaram o efeito da alocação (baia vs. gaiola) e temperatura do 
ambiente (baixa vs. alta) em matrizes no pré e pós parto, relacionado com o comportamento (Tabela 
155 
4.13), concentrações de P4 e taxa de crescimento dos leitões. A frequência e duração das mudanças 
posturais pré-parto foram similares nos dois sistemas de alojamento e diminuiram após o parto. As 
matrizes alojadas em baias tiveram menor concentração média de P4 de seis dias antes do parto até o dia 
do parto, quando comparadas com matrizes alojadas em gaiolas (9,77 4.- 0.67 ng/mL vs. 1 1.56 $ 0,73 
ng/mL, respectivamente, Ptemperatura. Alternativas estruturais. como ventilação. nebulização. gotejamento (Harmon et al.. 
200 l), resfriamento de piso e uso de processo evaporativo adiabáticos surgem para amenizar as perdas 
produtivas (Silva. 2006. 2009). O consumo de ração é afetado entre 20 a 40% em situações de alta 
temperatura (Black et al., i993: Pérez Laspiur & Trotier. 2001). Black et al. ( i993). sugeriram que a 
redução no consumo em fêmeas com aproximadamente 200 Kg será de 0. l 7 Kg/dia por cada iºC que a 
temperatura aumentar entre iii-32°C. A UR goraimonto é o fator do menor influência fisiológica, mas 
provoca significantes diferenças no ganho de peso dos animais quando associada a altas temperaturas 
(Huynh et al., 2005). Animais expostos a mosma faixa de temperatura e diferentes UR. tom 
comportamento alimentar distinto, por exemplo, dois ambientes sendo um com UR entre 50-60% o 
outro com 85%. apresentaram redução no consumo respectivamente de 274 g/dia e 584 g/o'ia 
(Renaudeau et al., 2003). 
Quando sob restrição alimentar ou temperatura constante de 30°C ocorrom alterações 
metabólicas e hormonais. Segundo Tummaruk et al. (2009) a ovulação das fêmeas no verão apresenta 
um comportamento anormal quanto ao crescimento folicular. Williams (2009) verificou que o 
crescimento folicular ovariano de fêmeas oriundas de ambiente termo-neutro. foi afetado pelo 
tratamento utilizado (sistema de arrefecimento) no dia do desmame, mas passados dois dias não houve 
diferença no tamanho do folículo em relação as fêmeas submetidas a estresse por calor. Os efeitos das 
temperaturas elevadas sobre o desempenho reprodutivo pode ser explicado, pelo menos em parte, pela 
sua inliuência sobre o apetite e desnutrição derivado da inibição da secreção de LH e suas consequências 
sobre o crescimento foliculare ovulação (Prunier etal., i996). 
Temperaturas elevadas por periodos prolongados exercem consequências negativas sobre o 
lDE (Messias de Bragança et al., 1998). Porém, estudos utilizando sistemas de ambiência na 
maternidade e relacionando as perdas corporais e o lDE. são contraditórios em seus resultados. Essa 
dualidade é ovidonciada em trabalhos como Silva et al. (2006) que não encontraram diferença no iDE 
utilizando um sistema de resfriamento do piso. e posteriormente. utilizando o mesmo sistema. mas outra 
linhagem genética, asseguraram diferenças no lDE (Silva et al., 2009). 
Os efeitos sobre a leitegada são decorrentes principalmente da diminuição da produção de 
157 
E A FÉMEA SUÍNA EM WTAª 
leite (Black et al., 1993), modificações na composição do leite (Christan et al., 1999) e ainda fatores 
associados a im unidade também estão correlacionados (Machado-Neto et. al., l987; Morrow-Tesch et 
al.. 1994). Leitões de fêmeas em condições de alta temperatura têm alteração no comportamento da 
mamada. sendo que o intervalo entre as mamadas a 29 º C foi menor (37. 0 minutos) do que leitões em 
ambiente a 20º C (42.4 minutos) ( Quinou & Noblet. 1999). 
Morales (2010). analisou a influência de três sistemas de ambiência (ambiente climatizado- 
AC. ar sobre as fêmeas-» ASF e manejo de cortinas-MC). sobre os aspectos produtivos de fêmeas suinas e 
suas leitegadas. A temperatura média observada no tratamento AC (23, OºC) foi inferior e a UR (88. 5%) 
superior quando comparado aos demais. Para o consumo médio de ração (CMR) foi observada uma 
interação significativa entre os tratamentos e os períodos de avaliação. No primeiro periodo, o CMR foi 
maior no AC do que no MC. No segundo periodo, não houve diferença entre os sistemas e, no terceiro 
periodo, os três sistemas diferiram entre si. com o maior CMR sendo observado no AC e o menor no MC. 
Apesar disso não foram observadas diferenças com relação a perda de peso lactacional e ”DE. No 
entanto, o peso dos leitões ao desmame no AC (6164.2 g) foi semelhante aos demais. enquanto no ASF 
(62055 9) foi superiorao MC (5970.2 g). 
4.11 Duração da lactação (consequências de lactações curtas e longas, 
amas de leite) 
A duração total média diária das mamadas e de 200 a 250 minutos, com uma frequência de 20 
a 24 vezes por matriz, e está diretamente relacionado as reservas corporais diárias que a fêmea dispõe 
(Hulten et al., 2002: Valros et al., 2002). A fim de permitir um aumento na demanda de energia durante 
a produção de leite. a fêmea mobiliza suas reservas, e logo após o parto modifica o estado de anabolismo 
para catabolismo, priorizando energia para a glândula mamária ( Hultén et al., 2002). Valros et al. 
(2004) encontraram baixa mortalidade e maior ganho de peso dos leitões em matrizes que mudaram 
rapidamente para o estado catabolico. alem de estar associado com maiores concentrações plasmáticas 
de ocitocina. A produção de leite e' ao redor de três litros/dia ao inicio da lactação e atinge o pico maximo 
de 10 a 12 litros/dia entre duas a três semanas após o parto, quando os niveis de glicose no sangue estão 
baixos devido ao aumento da produção leiteira (Quesnel & Prunier; 1995). O desmame em condições 
comerciais normalmente ocorre entre três e seis semanas de idade, dependendo das práticas de manejo 
aplicadas, contudo em condições naturais e prolongado até M a 20 semanas após o nascimento (Jensen 
& Recén, I989: Mores et al., l998: Algers & Uvnãs-M oberg, 2007). 
Com o objetivo de otimizara vida reprodutiva da matriz, contudo sem sacrificaro desempenho 
dos leitões. várias práticas de manejo podem ser realizadas, como desmame antecipado, parcial ou até 
mesmo lançar mão de amas de leite (Britt. 1986: Matte et al., 1992). A0 desmamar os leitões mais 
pesados alguns dias antes de se atingira idade planejada de desmame (desmame parcial — DP), observa- 
se maior taxa de ganho de peso, da ordem de 27 a 61%. dependendo da idade. em leitões leves quando 
comparado com o manejo tradicional (Edwards & Foxcroft. l983; Matte et al.. 1992: Mahan. 1993: 
Vesseur et al., i997). Essa prática promove maior oferta de leite pela matriz em um estágio da lactação 
em que, em geral, a demanda por nutrientes através do leite é maior do que a oferta. Entretanto, o fato 
de menos leitões estarem mamando pode levar a matriz ao estro precocemente (Matte et al., I992). 
Vesseur et al. (1997) avaliaram o efeito do DP na performance reprodutiva, lDE. perda de peso e gordura 
158 
E SUINOCULTURA EM A “ 
corporal de fêmeas OP I e 2 na maternidade bem como o desenvolvimento dos leitões (Tabela 4. i5). As 
leitegadas foram equalizadas com minimo de dez e máximo de 12leitães. O desmame foi realizado com 
28 i 3 dias no grupo controle e no grupo DP. os quatro leitões mais pesados foram desmamados aosZi 
: 3 dias e os restantes aos 28 i 3 dias. O DP reduziu 0 i DE, mas não interferiu na performance 
reprodutiva subsequente. O DE foi de 5. I vs. 5.6 dias e 5,0 vs. 5.8 dias, ao comparar as fêmeas OP I e 2 
com o controle, respectivamente (Pde peso (Kuller et al., 2004). além de ser menos estressante. tanto para a 
fêmea quanto para os leitões (Berkeveld et ai.. 2007). Auldist et ai. (2000) verificaram que a quantidade 
de leite produzida por giãnduia mamária é maior quando o intervalo entre mamadas e menor, 
independente do número de leitões. Gerritsen et ai. (2008a) e Gerritsen et al. (2009) determinaram que 
quando utilizado o sistema Mi, a puisatilidade de LH muda para alta frequência e baixa amplitude, o que 
pode reduzir o lDE, estimulando o estro iactacional. Gerritsen et al. (2008b) ao iniciarem o sistema Mi 
aos I4 dias de lactação. com o objetivo de induzir o estro lactacional, observaram folículos prê— 
ovuiatórios em 96% das fêmeas vs. 26% do grupo controle antes dos 2 I dias de lactação. Todavia, 18% 
das fêmeas submetidas ao Ml apresentaram cistos e os niveis de LH pre-ovulatório foram menores (5,1 
i L7 ng/mL vs. 8.4 i 5.0 ng/mL) e P4 (8.8 É 2.4 ng/mI. vs. 17, I i 4.4 ng/mL) que o grupo controle. 
A definição do periodo ideal de lactação e do manejo lactacional adotado depende do 
contexto da produção como um todo. Entretanto. ao deiinira data minima de desmame deve-se ter em 
mente duas coisas: ( I) a matriz deve estar recuperada para enfrentar um novo ciclo reprodutivo 
(involução anatômica do trato genital e hormonal); (2) o ieitão deve estar apto a se desenvoiver 
independente de uma nutrição a base de leite. Essa idade minima dã-se em média aos 2 I dias pós parto, 
podendo ocorrer um pouco antes se a matriz não sofreu um cataboiismo intenso, ou se a qualidade da 
159 
ração fornecida aos leitões é muito boa. Outra vantagem do desmame aos 21 dias da'-se na diminuição 
dos dias não produtivos, aumentando o numero de partos por femea por ano. Contudo, o desmame aos 
28 dias beneficia a qualidade do leitão desmamdo, além de promover melhor recuperação da matriz. 
Esta idade de desmame torna—se interessante. principalmente se o mesmo produtor assume as etapas 
seguintes de creche e terminação. Porém, quando a produção de leitões do sitio ! repassa o leitão para 
creche e terminação de terceiros, o mais interessante e” reduzira lactação para o intervalo mais curto (2? 
dias). aumentar o número de partos fêmea ao ano e, consequentemente, aumentar o número de 
desmamados pelo sitio l. 
4.12 Considerações finais 
O parâmetro mais importante de produtividade na cadeia produtiva suinicola é o número de 
leitões nascidos vivos. que influencia quase que diretamente o numero de leitões desmamados por 
fêmea por ano. Deste modo. as fases de gestação, o parto e a lactação são estágios determinantes para 
obter o melhor desempenho das matrizes e dos leitões. Portanto, é importante conhecer a fisiologia 
dessas diferentes etapas e os manejos que devem ser aplicados para tomar a decisão correta frente às 
anormalidades que podem ocorrer. objetivando sempre o sucesso da produção. 
4.13. Referências 
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McGLONE, J. & POND,gestantes, a sala de maternidade deve ficar em vazio sanitario por 
pelo menos três a cinco dias, 0 ambiente deve ser limpo, seco e com o minimo de ruido possivel. A 
temperatura interna da sala deve satisfazer as exigências das fêmeas (5 a 21 ºC), sendo necessário 
manejar corretamente as cortinas, a fim de manter a temperatura de conforto, Além disto, os 
comedouros e bebedouros, bem como o escamoteador devem estar em perfeito estado de 
funcionamento (Silveira et al., 1998; Sobestiansky et al., 1998; Cutlerá Cronin. 2008). 
As fêmeas do grupo de parição devem ser higienizadas antes da transferência para a 
maternidade. Parte-se do principio de que na maternidade limpa e desinfectada devem entrar fêmeas 
limpas. Assim. um banho cuidadoso deve ser feito no grupo de fêmeas, dando especial atenção as partes 
que podem apresentar maiores sujidades, como abdômen e aparelho locomotor (Silveira et al., 1998; 
Sobesu'ansky et al,, 1998). Caso alguma fêmea apresente comportamento diferente do usual no setor de 
gestação, principalmente relacionado ã construção do ninho, a mesma deve ser transferida para a 
maternidade imediatamente (Silveira et al., 1998). As fêmeas devem ser conduzidas calmamente, sem 
estresse, sempre com o auxilio de corredores e da tábua de maneio. preferencialmente em pequenos 
grupos de três a quatro fêmeas, e a transferência deve ser realizada nas horas mais frescas do dia, dando 
preferência para o começo da manhã ou para o tim da tarde (Lawrence et al., 1997). 
4.2.3 Manejo com a fêmea 
Uma vez alojada na maternidade, cada fêmea devera tera sua ficha individual na qual deverão 
ser anotados todos os eventos que acontecerem com ela e com a ieitegada durante o periodo de 
lactação, 
A fêmea ao ser introduzida na maternidade alguns dias antes do parto recebe quantidades 
decrescentes de ração ate o dia do parto previsto, quando deveria receber somente a'gua. Esta 
recomendação é feita com o objetivo de reduzir os riscos de acúmulo de conteúdo no trato digestório & 
possiveis constipações. Na prática, entretanto. este manejo nem sempre é conduzido de acordo com um 
protocolo de redução de quantidade de ração, pois algumas femeas parem antes da data prevista e 
outras após, Assim, essa recomendação deverá seguir uma orientação baseada em um protocolo 
adotado na granja, mas os funcionários responsáveis pela sala ou pelas fêmeas parturientes deverão 
também observar os sintomas de proximidade do parto, como a ejeção de leite, relaxamento dos 
ligamentos pêlvicos e edema da vulva, para reduzirem ou retirarem o alimento, ou então fornecer 
pequenas quantidades para reduzir o estresse causado pela fome (Silveira et al., I998: Hemsworth & 
Cronin, 2006). 
122 
SUINOCULTURA EM A 
4.3 Mudanças da fêmea no periparto 
Quando o parto se aproxima, alterações hormonais desencadeiam importantes processos para 
preparar a fêmea e os leitões para o parto. Estas etapas. bem como a correlação endocrinologica, estão 
detalhadamente descritas no capitulo 2. Contudo, estas manifestações demonstradas pelas femeas nas 
diferentes fases serão relatadas brevemente neste capitulo. Este conhecimento é necessário para que não 
haja interferência desnecessária durante a situação normal, e deve também servir para controlar o 
momento da parição a fim de que atendentes estejam presentes e, assim. realizarem as intervenções 
necessárias de modo a reduzir as perdas ( Bernardi, 2007 ; Wentz et al., 2009). 
A preparação para o parto inicia-se dez a i4 dias antes da data prevista, com o 
desenvolvimento da glândula mamária, edemaciação da vulva e relaxamento dos ligamentos pélvicos 
como sinais mais evidentes nesta fase (M uirhead & Alexander. i997). Além das mudanças fisicas, várias 
alterações comportamentais são indicativas de parto. iniciando com a construção do ninho, e alternando 
entre momentos de inquietação e calmaria (Hartsock & Barczewski. I997; Hiitzel et al., 2005). Estas 
fases e suas implicações serão discutidas em conjunto. a seguir. 
4.3.1 Mudanças na glândula mamária 
Na última semana de gestação as glândulas aumentam de volume e ficam individualmente 
delineadas. Vinte e quatro horas antes do parto as glândulas ficam edemaciadas e túrgidas, indicativo de 
formação de secreção láctea (Randall, 1986: Silveira et al., 1998). A ejeção de secreção láctea, uma 
resposta induzida pela ocitocina, inicia em aproximadamente I2 horas antes do inicio do parto (First et 
al.. 1982). Quando a secreção láctea torna-se facilmente disponivel, sendo obtida em jatos, o parto pode 
ser esperado entre seis e oito horas (Ash, 1986: Smith. 1997; Silveira et al., 1998) (Tabela 4.3). 
Tabela 4.3 Principais sinais associados ao parto e momentos em que esses ocorrem 
Edema vulvar 4 dias (7-1) 
Complexo mamário engurgitado 48-24 horas 
Secreção serasa escassa 24 horas (43-6) 
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I66 
IN l'. MEM)! 
5. MANEJO" NUTRICIONAL DA FÉMEA suíNA NA FASEBE 
[ACTA çÃo 
Andrea Machado Leal Ribeiro, Mariana Lemos de Moraes e Camila Schultz Marcolla 
5.1. introdução 
A lactação, em qualquer mamifero, é uma das funções produtivas de maior demanda por 
nutrientes. Desta forma. alimentar e nutrir adequadamente esta categoria e' vital para que o sistema 
suinicola tenha êxito. O leite da porca é mais rico em energia ( i 150 vs 750 kcal/i.) e em proteina (5.8 vs 
3.2%) do que o leite da vaca. o que explica o rápido crescimento dos leitões e por outro lado, as altas 
necessidades nutricionais da mãe. 
A produção de leite de matrizes de linhagens modernas pode aumentar de cerca de 3 a 4 Udia, 
imediatamente após o parto, até 10 a 13 Udia no pico da lactação ( Coupel, 1994; Auldist et al., 2000; 
McNamara & Petigrew, 2002). entre a 3ª e 4ª semana; embora a produção entre 10 e l l Udia seja uma 
estimativa mais realista (Toner et al.. 1996). Durante a lactação a fêmea moderna invariavelmente 
perderá peso e mobilizarã suas reservas. Um dos objetivos da nutrição nesse periodo é manter um 
consumo elevado que permita reduzir as perdas de peso para menos de 10 kg. 
A alimentação da fêmea suína na lactação tem vários objetivos, entre eles desmamar um alto 
número de leitões, com peso uniforme e elevado. mantendo a fêmea num bom estado corporal a fim de 
não aumentar o intervalo desmame-estro, garantir uma taxa de ovulação adequada e promover a 
longevidade produtiva. 
5.2 Consumo 
Consumo é um dos fatores determinantes do nivel nutricional mais critico e. geralmente, sua 
importância é subestimada. Suínos têm exigências diárias de uma quantidade especifica de nutrientes 
para mantença e para suportar atividades produtivas como crescimento. leite, etc. Medir consumo é a 
única maneira de determinar se a quantidade adequada de cada nutriente está sendo ingerida. Uma vez 
conhecido o consumo, a concentração de nutrientes pode ser ajustada a Em de garantir que os animais 
ingiram as quantidades necessã rias. 
Por exemplo. se uma primipara tem exigência nutricional de 15. 000 kcal EM/dia (energia 
metabolizãvel) e consome 4.0 kg de uma dieta que contém 3.300 kcal/kg. ela está recebendo apenas 
13.200 kcal/dia. Neste caso, provavelmente o intervalo desmame—estro seria aumentado ja' que a fêmea 
desmamaria os leitões com sua condição corporal abaixo da desejada. Ainda no mesmo caso, ou 
aumenta-se a concentração energética da dieta, lembrando—se de ajustar os demais nutrientes, ou 
aumenta—se a quantidade a ser consumida por dia. 
167 
& 
Consumo pode e deve ser medido e os métodos para medi—lo podem ser práticos e de uso no 
dia-a-dia. É importante notar que estes métodos medem o "desaparecimento" da comida. Se houver 
desperdício e este não for computado, estará dentro do consumo, tornando este último uma medida 
imprecisa. Logo, um bom desenho de comedouro e manejo alimentaradequado são fundamentais. 
5.2.1 Consumo na lactação 
Apesar de se observar variações de acordo com a genética, de uma maneira geral, o consumo 
de ração na fase lactacional apresenta-se aquém das necessidades de nutrientes. A baixa capacidade de 
consumo das matrizes é consequência principalmente da forte seleção genetica. Alem disso, há outros 
fatores que influenciam, como tamanho da leitegada, ordem de parto, estágio da lactação, peso e 
composição corporal da fêmea, temperatura ambiental, status sanitário, caracteristicas da dieta. 
disponibilidade de agua e espaço de comedouro (Williams, 1998). Segundo Young et al. (2004), 
primiparas apresentam capacidade de consumo alimentar em torno de 20% menor que porcas 
multiparas. Uma explicação para esse fato seria que as fêmeas jovens teriam menor capacidade 
gastrointestinal para atender simultaneamente as demandas nutricionais para a produção de leite e para 
o seu desenvolvimento corporal (Boyd et al., 2000), 
Resultados de pesquisa, bem como resultados práticos de campo, indicam um manejo 
alimentar que forneça dietas ad libitum (Eastham et al., 1988; Van Eechoud, 1994). Desta forma. a 
fêmea tende a comer mais sempre que as demais condições não sejam limitantes (ambiente, tipo de 
comedouro, fornecimento de água). Com ração à vontade, a fêmea comerã quando quiser, sobretudo 
nas horas mais frescas do dia ou mesmo à noite. Na realidade, a maior vantagem do consumo ad libitum 
e notada nas primiparas e no verão (Van Eechoud, l 994). 
Peng et al. (2007) compararam dois sistemas de alimentação de suinas multiparas em 
lactação: em um dos sistemas, através de acionamento de botões pelos animais, comida e água eram 
derramadas na mesma area do comedouro. No outro sistema, as porcas eram alimentadas com alimento 
seco duas vezes ao dia (ad libitum) em comedouro independente da fonte de água. No primeiro sistema. 
as porcas apresentaram maior consumo e maior ganho de peso durante a lactação, além de menor 
desperdício de água, e os leitões apresentaram maior ganho de peso. Os resultados indicam a 
importância da escolha de um sistema de alimentação adequado, que aumente o apetite das fêmeas, 
melhorando o desempenho produtivo, sem favorecero desperdício. 
Manter consumo adequado das fêmeas e importante por vários motivos: para cada leitão 
amamentado, as porcas aumentam em 23% a probabilidade de prolongar o intervalo desmame-estro: 
mas, para cada quilo ganho pela leitegada durante a lactação, a probabilidade de prolongar esse 
intervalo e reduzida em 42%. Fêmeas primiparas com baixas perdas de peso corporal e de espessura de 
toucinho durante a primeira lactação tendem a ter leitegadas maiores na segunda parição, e a 
probabilidade de aumento do intervalo desmame—estro e reduzida em 6l% (Eissen oral., 2003). 
O consumo de alimento será baixo logo após o parto e aumentará ao passarem os dias de 
lactação, alcançando seu máximo na terceira semana (Flores, 1993). A temperatura ambiente e a chave 
dos maiores problemas de falta de apetite nos meses de verão. Estima-se que a cada grau acima da 
temperatura de conforto ( -_|- 20°C), o consumo diminua de 300 a 400 kcal ED/dia. Além disso, não se 
pode esquecerque as altas temperaturas afetam diretamente a produção de leite, segundo Prunier et al. 
168 
IN l'. MEM)! 
(1997), por três razões: 1 ) a redução no consumo alimentar diminui o “suprimento de nutrientes para a 
glândula mamária que não consegue atender a produção de leite adequadamente: 2) matrizes 
estressadas por calor têm dificuldade para mobilizar reservas corporais diante da redução de consumo 
alimentar e 3) o fluxo sanguineo reduzido para a glândula mamária pode também contribuir para 
reduzir a quantidade de nutrientes disponiveis para a síntese de leite. Esta última hipótese é também 
defendida por Barb et al. (1991) e Black et al. (1993). 
Assim. a ambiência, atraves de todos os fatores influentes — fluxo de ar, ventilação, aSpersão, 
tipo de comedouro, de bebedouro. etc — e um aSpecto que deve sempre ser almejado a fim de não baixar 
a produtividade da categoria. 
5.3 Manejo da alimentação 
Alem de uma apropriada formulação, há importantes aspectos do manejo que podem 
interferir no consumo e consequentemente na produção da fêmea lactante. Entre eles podemos citar: 1) 
Aumentar o número de refeições por dia (Close, I994: Gadd, l994). isto faz com que as fêmeas 
aumentem consumo, principalmente se algumas refeições forem oferecidas em horas de temperatura 
amena. 2) Alimentação ad libitum (Yves et al., 1 990), permitindo um consumo total na lactação igual ou 
superior ao de fêmeas restritas durante a primeira semana (lTP, 1991 ). 3) Estimular as matrizes a 
levantarem no momento em que a dieta é oferecida. 4) Fornecer alimentação úmida (lTP, 1991). A 
alimentação úmida pode aumentar o consumo entre IO e 15% sobre a mesma alimentação seca. Neste 
caso, maiores cuidados devem ser tomados na limpeza dos comedouros, retirando as sobras com mais 
frequência. 5) Oferecer a ração na forma peletizada, já que a facilidade de apreensão de um alimento 
peletizado faz aumentar consumo. 6) Evitar consumos elevados na gestação, pois existe uma clara 
relação inversa entre consumo na gestação e consumo na lactação (O'Grady et al., T985: Coffey et al.. 
1994). 7) Evitar dietas com elevado conteúdo protéico na gestação. Existe uma correlação negativa 
entre o nivel protéico na gestação e o consumo energético na lactação. Um trabalho de Mahan & 
Mangan ( I 975 ) indicou que rações com mais de 17% PB na gestação reduziram o consumo na lactação. 
Com relação ao manejo na primeira semana de lactação, Close & Cole (2004) sugerem controlar o 
alimento no inicio do periodo de lactação. O objetivo seria aumentaro consumo de 2,0 a 2,5 kg/dia no 
primeiro dia da lactação e em 0,5 kg a cada dia que passa até a fêmea estar consumindo 5,0 kg/dia (ao 
redor do 7 “dia) e depois, alimentar à vontade, de acordo com o apetite da porca. Segundo esses 
autores, esta seria a forma de manter a integridade e capacidade do intestino, reduzindo a incidência de 
MMA (mamite, metrite e agalaxia ), como é mencionado no capitulo 4. 
Embora menos importante do que o manejo da ração, outros aspectos podem ser levados em 
conta na formulação para femeas lactantes: l ) Concentração da dieta: mesmo que o consumo dos 
animais homeotérmicos seja inverso a concentração energética, as fêmeas consomem menos ração, mas 
mais energia com dietas concentradas ( O'Grady et al., I985; J.S.R.. 1992). Em geral as dietas 
concentradas são mais palatáveis (mais gordura) e contêm menos fibra. 2) Conteúdo em proteina bruta e 
aminoácidos (Mahan & Mangan, 1975: King, 1991): as dietas de verão devem ser ricas em aminoácidos 
essenciais, mas ter controlado o nivel de proteina bruta, pois um excesso de proteina reduz consumo em 
condições de calor, por ser o nutriente que mais incremento calórico produz. Em particular, o nivel de 
triptofano influi de forma notória sobre o consumo em suinos ( Henry, 1993). 3) Nivel de eletrólitos: as 
169 
& 
fêmeas tendem a consumir mais uma dieta com maior quantidade de sódio sempre que haja água 
disponivel. O sódio é um dos principais palatabilizantes de uma ração (alem de ser barato!) e pode ser 
uma excelente ferramenta para aumentar consumo, sobretudo no caso de primiparas, que apresentam 
com mais frequência dificuldade de consumir ração apos o parto. Seynaeve et al, ( I996) estimaram o 
consumo de água para fêmeas em lactação em 15 L/animal/dia, Os autores compararam duas rações 
com diferentes niveis de sal (0,4% e 0.1%) e observaram que fêmeas submetidas à segunda dieta 
consumiram menos água, sem aparentes prejuizos no periodo de lactação (tanto para a fêmea, quanto 
para a leitegada): porém essas fêmeas apresentaram maior intervalo parto-estro e mais falhas na 
cobertura do que aquelas alimentadas com maiores niveis de sal e que consumiram maior quantidade de 
água. 
O uso de uma dieta única na gestação e lactação não e conveniente, Uma dieta de 16% de PB 
na gestação seria excessiva, podendo produzir nas fêmeas uma relação maior de tecido magro às 
expensas do adiposo. Na lactação, poderia haver carência de proteina, traduzindo—se em menor apetite e. 
menor produção de leite (Mateos & Piquer, 1994). 
A estratégia nutricional consiste em dar um nivel de alimentação moderado na gestação com 
controle de peso, porêm mantendo bom desenvolvimento e capacidade digestiva. Neste caso, dietas 
volumosas, ricas em fibras e limitadas em PB são ideais. Na lactação segue-se com um elevado nivel 
alimentar, composto de dietas ricas e palatãveis que evitem perdas de peso e ajudem a manter a 
condição corporal. Resumindo, trata-se de minimizar as mudanças de peso durante o ciclo produtivo. 
Esta estratégia assegura maiores pesos de leitões ao desmame (Coffey et al., 1994), menos dias entre 
desmame e cobertura (King, 1 993) e melhor uso dos nutrientes (Yves et al,, 1990). 
5.4 importância da água 
Enquanto muita atenção é dada para formulação de ração, & água, que é o nutriente mais 
importante para os suinos, compondo 80% a 50% do peso corporal, do nascimento a idade adulta, 
muitas vezes é negligenciada. O NRC (1988) ressalta que existem poucas pesquisas a respeito das 
necessidades diárias de água para suinos. No caso de fêmeas lactantes, que, além de produzirem de 8 a 
16 kg de leite diariamente, necessitam excretar grande quantidade de metabólitos finais na urina, as 
necessidades diarias foram estimadas entre 12 e 40 uma, chegando em média a 18 L/dia. 
O consumo de água é influenciado por diversos fatores, dentre eles a genética, as condições 
sanitárias, o número de parições e o estágio de lactação da porca, além do tamanho da leitegada ( Peng et 
al., 2007). A temperatura ambiente é um dos mais importantes fatores no consumo de água: um suíno 
criado em condições termoneutras consumirã 2 a 3 vezes mais água para a mesma quantidade de ração. 
Sob estresse por calor ou durante a lactação esta proporção pode aumentar para 4 a 5: i. 
A medida do consumo real de água é extremamente dificil, devido ao desperdício que pode ser 
acidental ou proposital, enquanto a porca bebe (Close e Cole, 2004). De acordo com estes autores foi 
observado que porcas em grupo durante condições quentes deixam a agua correr pela boca, enquanto 
bebem, a fim de esperar a chegada da água fria, como também para deixar a água cair ao solo para 
poderem se resfriar por condução/evaporação. Tambem observou—se na maternidade, fêmeas 
operando o bebedouro para produzir um refrescante banho na cabeça e orelhas. 
170 
IN l'. MEM)! 
5.5 Necessidades energéticas 
As necessidades energéticas para lactação incluem as necessidades de mantença, mas 
dependem fundamentalmente do nivel de produção de leite. Em porcasde 160 a 320 kg, com 8 a 14 
leitões, as necessidades variam entre 16. 730 e 23. 900 kcal ED (energia digestivel)/dia, distribuidas entre 
5 a 8 kg de ração (Mateos & Piquer, 1994) ou. segundo o NRC (1998) de 14.600 a 21.800 kcalED/dia 
para fêmeas de US kg de peso pós—parto. Neste período, a necessidade para mantença é baixa 
comparada às necessidades de produção. Uma porca com l80 kg de peso vivo e uma leitegada 
crescendo em média 2.200 g/dia necessita diariamente, cerca de 20.000 kcal EM, das quais 26% são 
para mantença ( l 06 x Pilª” kcal EM/dia) e o restante para a lactação. Durante a lactação será muito dificil 
esta fêmea ganhar peso. No entanto, se houver crescimento, uma pequena parte da energia serã 
direcionada para crescimento (Ex.: caso a fêmea aumente 5 kg no periodo de 2 l dias de lactação, 5% da 
EM ingerida iria para este propósito). De acordo com o NRC ( i 998), as necessidades para produção de 
leite são obtidas com a seguinte fórmula: 
EM leite (kcal/d) = 6,83 x GMD (g/d) )( número de leitões - 1,25 )( número de leitões, onde 
GM D é o ganho de peso médio diário individual dos leitões, 
As perdas corporais na lactação não são somente de tecido adiposo, Este tipo de perda pode 
ser recuperada posteriormente, conforme seu grau. No entanto, se ha perdas de tecido muscular, estas 
são mais dificeis de repor, Na realidade, a fêmea atual se caracteriza por seu baixo conteúdo em gordura 
corporal. Se nas gestações sucessivas, o nivel de gordura subcutânea baixar de IO mm haverá 
transtornos reprodutivos graves (Mateos & Piquer, 1994). Portanto, a estratégia nutricional e dirigida a 
impedir estas perdas de peso e suavizar a curva decrescente continua da porcentagem de gordura ao 
longo da vida do animal (Eastham et al., 1988: Flores, I993). Um estudo realizado por McNamara & 
Pettigrew (2002) mostrou que proteina e energia interagem de tal forma que o aumento energético 
pode atenuar parcialmente os efeitos da baixa inclusão de proteina dietética na produção de leite, porem 
com o custo de mobilização de aminoácidos musculares para dar suporte a glândula mamária, causando 
perda de peso. 
Van den Brand et al. (2000) estudando dietas ricas em energia via gordura ou amido, em 
fêmeas primiparas, concluíram que dietas ricas em gordura são preferencialmente usadas para síntese da 
gordura do leite, resultando em leitegadas mais pesadas. já dietas onde o amido era a principal fonte 
energética resultaram em crescimento dos leitões por maior deposição protéica e um balanço energético 
negativo menor nas fêmeas. Esta última alternativa pode ser mais interessante em função das 
necessidades, principalmente das primiparas, em manter condição corporal, No Quadro 5. l encontram— 
se as necessidades médias de energia e lisina durante a lactação de matrizes com diferentes pesos 
corporais e tamanhos de leitegada, Vale a pena ressaltar que estes valores são médias e não refletem as 
necessidades crescentes das matrizes, à medida que o rendimento de leite aumenta. A estratégia 
nutricional deve também consideraro consumo de ração, sugerido no Quadro 5.2. 
I71 
& 
Quadro 5. I Necessidades de energia e lisina durante a lactação 
(kg) 10 leitões 12 leitões 10 leitões 12 leitões r o leitões 12 leitões 
150 19,7 22.4 49 58 5.9 6. 7 
200 20.7 23. 7 50 59 6.2 7. I 
250 21.7 24.7 51 60 6,5 7.4 
300 23.0 25.7 52 GLS 6.9 7.7" 
PV = peso vivo; *Ração contendo 3.34 Mcallkg, desmame 21 dias Clase & Cale. 2004 
Quadro 5.2. Estratégia de consumo sugerida para o inicio da lactaçãoª'ª 
2.0-2.5 
2.5-3.0 
3.0-3.5 
3.5-4.0 
4.0-4.5 
ILS-5,0 
5.0- ad líbíttlm 
W
W
W
-
h
u
h
u
—
 
* dieta contendo 3.34 Mcal/kg Close & Cole, 2004 
5.6 Necessidades Protéicas 
Segundo King ( i99i ). a proteína mais que“ a energia limita a produção de leite das linhagens 
atuais. Niveis de proteina bruta recomendados variam entre 16 e 20% em função da qualidade e 
composição aminoacidica da mesma ( iTP, 199 1). Johnston et al. (1 993) recomendam ingestão de 1.070 
g de PB/dia em porcas que consumam 6 kg de ração. Um excesso proteico ( :=- l9%) aumenta as perdas 
urinárias e pode provocar uma ligeira redução do consumo de ração no verão. Uma carência protéica 
diminui a produção láctea e aumenta o intervalo desmame-cobertura (Schoenberr, 1988). Em uma 
análise retrospectiva de dados, Clowes et al. (2003a) relataram que durante a lactação de primiparas. 
uma queda maior do que 16% da massa corporal protéica pode ocasionar a queda no desempenho 
reprodutivo. Por outro lado, este mesmo grupo observou que primiparas que chegaram ao parte com 
mais tecido magro demoraram mais para começara perder proteina corporal na lactação e estavam, no 
desmame, com um maior desenvolvimento da função ovariana (Clowes et al., 2003b) e da leitegada. 
Quesnel et al. (2005) sugerem que mudanças no perfil de aminoácidos em função de restrição protéica 
ou perda de proteina corporal alteram a secreção de LH. 
A lisina e o primeiro aminoácido limitante na produção láctea, As necessidades variam entre 35 
e 62 g de lisina/porca/dia ( N RC. 1998. Rostagno, 2005). As recomendações inferiores a 40 g lisina/d, tais 
como as do NRC ( i 998). se baseiam em femeas que suportam aumentos de peso dos leitões menores do 
que 1.500 g/dia. O NRC (1998) recomenda de 0.8 a 1 % de lisina para fêmeas com 175 kg de peso ao 
desmame, lactação de 21 dias, leitegada de 9 a 10 leitões, com ganho de i50 a 250 g/dia, 
172 
IN l'. MEM)! 
respectivamente, e perda de peso da fêmea em torno de 5 kg na lactação. Close & Cole (2004) sugerem 
que a proporção entre lisina e energia da dieta seja um indicador útil das especificações de nutrientes 
exigidos na dieta. Quanto maior a taxa de crescimento da leitegada e menor peso corporal da fêmea, 
maior deveria ser a relação lisina:energia, ficando entre 1,7 a 2,7 g lis/1000 kcal de ED. No entanto, 
quando houver uma perda de peso corporal na lactação de 15 kg, deve-se diminuir um pouco a relação, 
aportando desta forma, mais energia com relação á lisina ( 1,4 a 2,6 g lis/1000 kcal de ED). Os autores 
sugerem dietas que contenham de 3.400 a 3.500 kcal ED/kg, com conteúdo de lisina de 9 a 10 g/kg de 
ração (0. 9 a 1%). De uma forma geral, valores mais altos, dos intervalos mencionados acima, devem ser 
usados para fêmeas com ordem de parição inferior e mais leves (em torno de 150 a 175 kg), enquanto 
que para fêmeas mais velhas e pesadas (300 kg), os valores devem ser mais baixos. 
Paiva et al. (2005) e Cota et al. (2003) avaliaram niveis de lisina em rações para porcas 
primiparas em lactação e concluiram que a exigência dessas fêmeas é de 0,95%, correspondendo a um 
consumo aproximado de 40 g diários. Nunes et al. (2006) ao avaliarem niveis de lisina na ração de. 
fêmeas multiparas em lactação. observaram redução linear na perda de proteina corporal, em kg e em 
porcentagem com o aumento da lisina na ração. O tamanho da leitegada influencia a produção de leite: 
cada leitão a mais demanda 476 g de proteina para deposição corporal e crescimento da glândula 
mamária na matriz ( Kim et al., i999) e 606 g de proteina no leite produzido adicionalmente durante os 
21 dias de lactação (Kim & Easter, 200 l), Dessa maneira, a redução significativa na perda de proteina 
também pode ser justificada pela redução da produção de leite; evidenciando que a síntese de proteinas 
do leite parece ter maior prioridade do que a deposição de proteina corporal. O estudo concluiu que o 
consumo de 40 g de lisina digestível atende as exigências para o desempenho reprodutivo e produtivo 
enquanto um maior consumo (53.5 g/dia) minimiza a perda de proteina corporal durante a lactação. 
As dietas devem ser formuladas baseando—se no conceito de proteina ideal, definido como 
uma mistura de aminoácidos ou de proteinas com total disponibilidade na digestão e no metabolismo, 
cuja composição é idêntica às exigências para a mantença e o crescimento do animal. Desta forma a 
proporcionalidade entre aminoácidos e algo a ser buscado nas formulações, emborahaja algumas 
variações nas tabelas de exigências nutricionais (Quadro 5.3). Na prática, a dieta é formulada para 
manter os requerimentos de lisina e manter valina, isoleucina e metionina o mais alto possivel sem gerar 
excesso de custo. 
Soltwedel et al. (2006) determinaram que a lisina e a treonina são os primeiros aminoácidos 
limitantes, seguidos pelo triptofano e pela valina, quando ocorre a mobilização de tecido protéico, 
durante a lactação. já Kim et al. (2001) e Kim & Easter (200 ]) sugerem que nas fêmeas em intensa 
mobilização de tecidos corporais (o que acontece na lactação), a treonina pode ser o primeiro 
aminoácido limitante. Quando não é considerada a mobilização corporal, a lisina é o primeiro, a valina o 
segundo e a treonina, o terceiro aminoácido limitante (NRC, i998). isto indica que a ordem de limitação 
dos aminoácidos depende da ingestão de ração e da mobilização de tecido durante a lactação. Estas 
variações originaram o conceito de "proteina ideal dinámica", uma vez que o padrão de aminoácidos 
ideal para estes animais é dinâmico e dependente da expectativa de perda de peso durante a lactação. 
Neste sentido, Kiefer et al. (2007a, b) estabeleceram que fêmeas de médio potencial genético, em 
lactação, devem receber uma relação treonina digestiveldisina digestível de 62%. já para fêmeas de alto 
potencial genético, sob temperatura ambiental elevada, esta relação deve ser de 73%. Por outro lado, 
173 
a FEM ina EM 
Oliveira et ai. (2008) observaram que a relação treonina digestiveklisina digestive! de 64% atendeu às 
exigências desse aminoácidos durante a lactação, tendo as fêmeas obtido minima perda de peso (3,6%). 
Cooper et al. (200 1) avaliaram o efeito de diferentes niveis de treonina em fêmeas primiparas e 
multiparas de alta produção, em lactação. O nivel de 0,54% maximizou o ganho de peso corporai da 
fêmea: enquanto o nivel de 0,53% maximizou o ganho de peso e o peso da leitegada ao desmame. 
Pesquisadores têm demonstrado que os requerimentos de valina (Tokach et al., 1992; Richert et 
al., 1996), de aminoácidos totais de cadeia ramificada ( Richert et al. 1996) e de metionina (Schneider et 
al., 1992) são muito maiores que aqueles defendidos pelo NRC de 1988. No entanto, Gaines et al. 
(2006) observaram que vaiina numa relação com lisina, acima da proposta pelo NRC (1998), de 85%, 
não melhorou o crescimento dos leitões, nem ajudou na diminuição da perda de tecido protéico. Mais 
pesquisas com estes aminoácidos precisam ser realizadas, assim como com triptofano e treonina, para se 
ter certeza de seus efeitos positivos no desempenho animal, uma vez que as suas inclusões elevam o custo 
da ração. Mateo et al. (2008), ao compararem fêmeas primiparas suplementadas com 1% de arginina, 
durante a gestação e lactação, observaram que fêmeas suplementadas durante a lactação apresentaram 
maior concentração plasmática de insulina e arginina. maior concentração de aminoácidos no leite, e 
seus leitões tiveram maior ganho de peso em comparação com fêmeas de grupo controle. 
Quadro 5.3. Relação proporcional entre aminoácidos essenciais digestíveis (dig.verdadeira) de acordo 
com o conceito de proteína ideal (%) 
Usina mo 100 100 
Met + as 48 54 so 
Tre 61 64 ao 
Hp 13 se se 
vai as 73 zoa-rob 
a—exlgência para fêmeas em função da composição do leite 
b—exigências para crescimento dos leitões 
5.7 Necessidades de Minerais e Vitaminas 
Nas dietas para animais domésticos. além da energia, dos ácidos graxos essenciais, dos 
aminoácidos e da água, há que se formular visando atender as exigências de outras duas classes de 
nutrientes que são os minerais e as vitaminas. Só assim uma dieta estará completa em termos 
nutricionais. Os suinos necessitam de determinados elementos inorgânicos incluindo cálcio, cloro, cobre, 
iodo, ferro, fósforo, magnésio, potássio, selênio, sódio, enxofre, zinco e cromo. Este último é o elemento 
essencial mais recente na lista de minerais, tendo sido incluido no NRC de 1998, embora sem uma 
exigência estabelecida. Apesar de serem nutrientes essenciais, minerais e vitaminas não são tão 
investigados quanto os demais nutrientes da dieta. O NRC de 1998 mostra que das mais de 500 citações 
sobre minerais para suinos, apenas 7% eram trabalhos recentes. Menos ainda (2. 5%) para as vitaminas. 
Além disso, a maioria dos trabalhos foi realizada em suinos recém—desmamados ou em crescimento. 
Portanto, muito poucas são as pesquisas avaliando niveis de minerais e vitaminas para porcas em 
lactacão, 
174 
IN l'. MEM)! 
Van de Ligt et al. (2002) realizaram experimento comparando dietas contendo 0 ou 200 ppb 
de suplementação de cromo com o intuito de avaliar a resposta imune das matrizes e seus leitões no 
periodo periparto e neonatal. As porcas receberam os tratamentos durante as fases de crescimento e dois 
ciclos reprodutivos (duas gestações/lactações) e foram imunizadas com ovoalbumina. A suplementação 
com cromo teve efeitos minimos na resposta imune humoral, tanto das matrizes quanto dos leitões. já 
Lindemann et al. (2004) avaliaram o desempenho reprodutivo de fêmeas suplementadas com 0, 200, 
600 ou 1.000 ppb de cromo durante a gestação e a lactação, bem como o desempenho dos leitões. A 
suplementação de cromo aumentou linearmente a perda de peso da fêmea durante a lactação e também 
o intervalo desmame estro. já o tamanho da leitegada teve uma resposta quadrática, ficando como 
melhor nível. o de 600 ppb. 
É importante compreender que os minerais interagem entre si e com outras substâncias (ácido 
fítico, por exemplo), apresentando antagonismos ou sinergias. Por isso, mais do que os niveis por si, as 
fontes e a relação entre os componentes da dieta devem ser verificadas a fim de uma adequada nutrição. 
A fonte mineral tem sido discutida a partir do surgimento dos minerais orgânicos (no geral quelatados 
com alguma molécula orgânica) a partir dos anos 90. Payne et al. (2006) compararam duas fontes de 
zinco na dieta de fêmeas durante gestação e lactação. Além dos seus leitões terem nascido mais pesados. 
as fêmeas submetidas à dieta com zinco orgânico ( i00 ppm) tiveram, amamentaram e também 
desmamaram um maior número de leitões, indicando uma maior eficiência reprodutiva. 
Para o mineral selênio, Mahan & Kim (1996) verificaram uma maior concentração nos tecidos 
corporais dos leitões e no leite de matrizes suplementadas com selênio orgânico em comparação ao 
inorgânico. Mahan (2000) comparou a suplementação de dietas para porcas lactantes com selênio 
orgânico e inorgânico em dois níveis de inclusão: 15 e 30 mg de Se/kg de ração e ainda a combinação das 
duas fontes, cada uma adicionada em 15 mg/kg. Os níveis séricos de selênio foram maiores nos leitões 
das matrizes com 30 mg/kg de selênio orgânico. Neste nivel de inclusão, ambas as fontes ocasionaram 
maior concentração de selênio no leite em comparação ao controle negativo, sendo que a orgânica 
promoveu um beneficio signifrcativamente maior, já que a sua concentração foi 3 vezes mais alta que a 
inorgânica. A deficiência de selênio e vitamina E em leitões causa uma miopatia que pode levará morte. 
A deficiência ocorre geralmente algumas semanas após o desmame, mas provavelmente tem seu inicio 
durante a amamentação. Como não ê efetivamente transferido através da placenta, os neonatos têm 
baixa concentração sên'ca e tecidual de or-tocoferol (precursor da vitamina E) (Mahan, I99 l, 1994). O 
nivel sérico declina ainda mais, alguns dias apos a injeção com ferro provavelmente pela formação de 
radicais livres ( Loudenslager et al., 1 986). Os níveis de o-tocoferol e selênio no leite das porcas declinam 
com o número de pariçães (Mahan, 1991. 1994), sugerindo que leitões desmamados de matrizes mais 
velhas são mais propensos à deficiência. Portanto, a alta concentração de o-tocoferol e selênio no leite 
das matrizes e' fundamental na prevenção da deficiência em leitões. 
Um estudo realizado por Cromwell et al. ( l993) mostrou beneficios para porcas alimentadas 
durante 3 gestações/lactaçõescom altos niveis de cobre na dieta (250 ppm). As matrizes tiveram maior 
ganho de peso durante os ciclos reprodutivos, um aumento de 9% no número de leitões nascidos e de 
6% no peso ao desmame dos leitões. 
No que diz respeito ao aporte das vitaminas necessárias ou deficientes nos ingredientes das 
dietas, os premixes vitamínicos foram desenvolvidos e são comumente adicionados às dietas de suinos, 
175 
A FEM ina EM 
sem que, na maioria das vezes, levemos em conta as vitaminas que estes mesmos ingredientes contêm. É 
importante lembrar que alguns excessos vitamínicos podem ser tóxicos (vitamina A e D) enquanto outras 
apresentam-se muito pouco tóxicas (a maioria das hidrossolúveis, vitaminas E e K). Babinszky et al. 
(1991), avaliando os niveis de vitamina E na dieta de matrizes lactantes sobre a resposta imunológica da 
leitegada, verificaram que a inclusão do maior nivel (136 mg/kg de ração) aumentou o nivel sérico de 
vitamina E na primeira semana de vida e melhorou a resposta imune contra ovoalbumina dos leitões, 
indicando o potencial nutracêutico desta molécula. 
Trabalhos como os de Stahly et al. (1995) mostraram que os niveis de riboliavina, niacina, 
ácido pantotênico e vitamina B 12 são inadequados para desempenho maximo de leitões em 
crescimento. Apesar destes resultados, o NRC de 1998, comparado ao de 1988, somente aumentou os 
niveis de vitamina E (de 22 para 44 Ul/kg) e de ácido fólico (0,3 para l,3 mg/kg) para gestação e 
lactação, alegando que não há clareza nos resultados quanto ao nivel ideal a ser usado para as demais. 
No entanto, na prática, os premixes vitamínicos e minerais tendem a suplementar bem mais do que o 
proposto no NRC ( 1998), assegurando uma larga margem de segurança nas formulações, o que torna 
muito dificil as situações práticas de deficiência destes nutrientes. 
Com relação aos aditivos alimentares, um trabalho recente (Lopes et al., 2009) mostrou que a 
inclusão de carboidrases (galactosidase, galactomananase, xilanase e -glucanase) na dieta de porcas em 
lactação aumentou o peso ao desmame da leitegada. Os autores sugerem que estas enzimas podem ter 
aumentado a digestibilidade e a retenção de nutrientes, aumentando a produção de leite da perca. o que 
pode vir a se tornar prática interessante na alimentação de fêmeas altamente demandantes em 
nutrientes, como e o caso das fêmeas suínas em lactação. 
5.8 Considerações Finais 
A alimentação das fêmeas em lactação deve basear—se nas suas necessidades. Por sua vez estas 
necessidades dependem do consumo alimentar e do potencial de produção das fêmeas. Desta forma, o 
tratamento por categorias de acordo com o peso corporal, tamanho de leitegada, ordem de parto, e 
fundamental para a obtenção da uniformidade e para o atendimento correto das necessidades 
nutricionais. Minimizar as perdas corporais na lactação é um dos objetivos fundamentais da alimentação 
correta. pois de nada adianta leitegadas pesadas se a fêmea demorar no retorno ao cio ou se, ao longo 
das lactações, piorar sua condição corporal a ponto de afetar desempenhos reprodutivos futuros. 
176 
IN l'. MEM)! 
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I78 
! iHIHOiHLi HRH EH figs 
6 cumADos COM A LEITEGADA Ao LONG DA LACTA .. & 
DA umronmzaçÃo A0 DESMAME 
Giseli Heim, Lisiane Pires de Souza, ivo Wentz. Fernando Pandolfo Bortolozzo 
6.1. introdução 
O aumento da proliiicidade das fêmeas foi acompanhado de uma redução no peso médio ao 
nascimento (Valley. 1995) e de uma grande variabilidade no peso dos leitões (Milligan et al.. 2001; 
Milligan et al.. 2002: Quiniou et al.. 2002: Gondret et al., 2005: Alonso-Spiisbury et al., 2007). 
resultando em uma menor taxa de sobrevivência pré—desmame (English & Wilkinson, 1982: Quiniou et 
al., 2002). De acordo com autores de diferentes paises. a mortalidade pré-desmame pode variar entre 
7,9 e 18,6% (Friendship etal., 1986; Cromwell etal., 1989: Quemere et al., 1993; Abrahão et al.. 2004). 
A maior parte das perdas no periodo lactacional é resultante da mortalidade neonatal (Spicer 
et al., i986; Abrahão. 2004: Pinheiro & Machado, 2007), e segundo Furtado (2007), 79% destas ocorre 
na primeira semana pós-nascimento, embora seja mais importante nos três primeiros dias de vida do 
leitão, decrescendo após. 
A espécie suína apresenta algumas caracteristicas como, por exemplo. o nascimento de leitões 
sem anticorpos maternos e o mecanismo deficiente de termorregulação, o que exige cuidados especiais 
com os neonatos. Com o objetivo de reduzir as perdas neonatais e aumentaras chances de sobrevivência 
dos leitões e importante que sejam adotadas práticas de manejo que visem à proteção destes, como os 
descritos a seguir. 
6.2. ingestão do colostro e orientação das mamadas 
Os leitões dependem inteiramente do colostro para aquisição das imunoglobulinas ( lgs) ( lgG. 
lgM. lgA). que são importantes para as proteções iniciais frente aos diferentes agentes infecciosos e para 
a própria sobrevivência (Brambell, l958: Blecha et al., 1983: Wagstrorn et al., 2000). Segundo 
McCallum et al. (1977). 90% dos leitões que não ingeriram colostro morreram antes do desmame. A 
placenta dos suinos e' do tipo epiteliocorial difusa (Kim et al., 1966: Porter, 1988). o que não permite a 
transferência de lgs para os conceptos (Kim et al.. l966: Bourne et al., 1978: Newby et al.. 1982: Porter. 
1988: Stokes & Bourne. 1989; Butler. I998). Como consequencia. os leitões nascem, praticamente. sem 
proteção contra os patógenos existentes no ambiente. e conseguem desenvolver suas próprias respostas 
humorais ou celulares em sete a dez dias após o contato com os agentes infecciosos (Roth. 1999: Salmon. 
1999). 
De acordo com Le Dlvlcllch et al. (1994) e Wills et al. (1997). a saúde, a sobrevivência e o 
desempenho dos leitões dependem, em grande parte. da quantidade de colostro ingerida. A menor 
I79 
FEMEA inn 
ingestão de colostro resultará em inadequada transferência de imunidade passiva e aumento de 
infecções neonatais. A concentração de lgG no plasma dos neonatos estã positivamente relacionada com 
a sua sobrevivência (Hendrix et al.. 1976) e. de acordo com Klobasa et al. (1981) e Drew & Owens 
(1988). leitões que morreram tiveramconcentração sérica de 196 menor que os sobreviventes. Portanto. 
é necessário maximizar a ingestão de colostro nas primeiras seis horas de vida do leitão, uma vez que, 
após o parto, a concentração de lgs na secreção láctea decresce a cada aleitamento sucessivo (Figura 
6.1). Além disso, a máxima absorção de 195 pelas células do epitélio intestinal do neonato ocorre nas 
primeiras 12 horas após o nascimento e diminui rapidamente, para desaparecer quase completamente 
em 24 a 36 horas (Lecce & Matrone. 1960: Lecce, 1971; Menge & Frobish, 19.76: Bourne et al., 1978; 
Machado Neto et al., 1987: Drew et al., 1990: Lanza et al.. 1995: Heim et al., 2009a), processo definido 
como "fechamento intestinal " (Smith & Jarvis. 1978: Ekstrom & Westrõm. 1991). 
tou 
ª . reª 
E 80 . 19M 
E ao . leª 
% 40 
% zo 
D 
O 0.5 l' 3 73 I4 21 
Dias de Lactação 
Figura 6.1 Concentração de imunoglobulinas no colostro Adaptado de Klobasa & Butler ( 1987). 
e leite ao longo da lactação 
O fornecimento de colostro ou leite de outra espécie. substitutos do leite ,ou solução eletrolítica 
antes do periodo de fechamento intestinal. pode reduzir significativamente a absorção e/ou cessação do 
transporte das lgs (Klobasa et al. 1991, 1994, jensen et al. 200 1 ). 
A 196 tem ação sistêmica (Stokes & Bourne, 1989) e a lgA age localmente (na parede ou 
mucosa intestinal), protegendo o trato gastrointestinal contra determinadas doenças. como por 
exemplo, a colibacilose e a gastroenterite trasnmissivel (Bohl & Saif. 1 975 ). 
Quanto mais próximo ao nascimento o leitão mamar. mais cedo ele estará protegido para as 
diferentes enfermidades. Por outro lado, quanto maior for o periodo entre o nascimento e a primeira 
mamada, maior será a chance de se estabelecer uma infecção. Dessa forma. para assegurar uma ingestão 
adequada de colostro pelos leitões, é essencial que estes sejam colocados a mamar já na primeira hora de 
vida (Mores et al., 1998). 
Caso o leitão receba uma boa quantidade de colostro, no momento adequado, terá uma 
180 
! iHIHOiHLi HRH EH figs 
imunidade sérica comparável à da mãe, em natureza e especificidade. Esta situação também foi 
observada por Heim et al. (2009a). que mediram a densidade ótica de lgG dos leitões, nas 24 horas de 
vida e, observaram que esta foi altamente correlacionada com a das fêmeas (r= 0,81: P 15009). 
a 39.5 - 
“E 39.2 — 
É 33.9 — 
3. 38.6 - 
[E 33,3 — 
38.0 I I I I I I I l I I T 
O l 2 4 8 16 22 36 48 60 72 
Horas após o nascimento 
Figura 6.3 Variação da temperatura corporal dos leitões do Adaptado de Bollwahn et al, (1970). 
nascimento às 72 horas de vida 
Os leitões são os ungulados mais sensiveis ao frio (Herpin & Le Dividich, 1995). ja' que nascem 
com cerdas esparsas, sem tecido adiposo marrom e sem a camada de tecido gorduroso subcutâneo, que 
reduz o fluxo de calor desde os vasos sanguíneos até a superfície da pele (Simmons, 1976.- Berthon et al.. 
1994). Além disso, as reservas energéticas são muito baixas (1.0 a 2.0% de lipídios da carcaça), sendo 
suficientes apenas para atender os requerimentos das primeiras 15—20 horas (Widdowson, 1950: 
Manners & McCrea, 1963: Herpin et al., 1993). 
Portanto, o aumento da temperatura corporal para valores normotérmicos (39 º C) em 24 a 48 
horas depende diretamente da temperatura ambiente, de seu peso corporal, do aporte de colostro e 
principalmente do momento em que começa a mamar (Curtis & Bãckstrãm, 1981; Herpin & Le Dividlch, 
1995). Diferindo de outras espécies, os leitões neonatos não aumentam a ingestão de colostro em 
virtude do frio. A ingestão de colostro diminui durante a exposição ao frio, provocando fome e, 
consequentemente, hipoglicemia, maior incidência de doenças enterotoxigênicas, maior número de 
leitões esmagados e alta taxa de refugos no momento do desmame (M orrill, 1952: l_e Dividich & Noblat, 
1981; Kelly, 1982: Sobestiansky et al., 1987; Alonso-Spilsbury et al., 2007). Por isso ha absoluta 
182 
! iHIHOiHLi HRH EH figs 
necessidade de estimularo leitão na ingestão do colostro imediatamente após o parto. 
A temperatura ambiente de conforto dos suinos varia com a idade, sendo de 28 a 32 º C para o 
leitão ao nascimento e 15 a 21 “C para a porca (McFarlane & Cunningham, 1993). Com isso, na 
maternidade, devem existir dois ambientes distintos, um para a porca e outro para a leitegada, Este local 
para o leitão somente pode ser conseguido, nas nossas condições de instalações, em uma caixa refúgio 
chamada de escamoteador (com lâmpadas e/ou piso aquecido), uso de campãnulas ou mesmo mantas 
aquecidas próximas da fêmea, devidamente protegidos de circulação de ar. Portanto, é recomendado o 
uso de escamoteador, com a utilização de uma fonte de aquecimento, controlada por termostato 
(Otimiza o consumo de energia elétrica), o que permite mantera temperatura na faixa de conforto dos 
leitões, evita o efeito das correntes de convecção e correntes de ar e reduz a possibilidade de 
esmagamento dos leitões, já que estarão fora do alcance da porca (Brent, 1979: Sobestiansky et al., 
1987: Dartora etal,, 1997: Mores etal,, 1998). 
Nas primeiras horas de vida, os leitões preferem ficar o mais proximo possivel ao lado do 
complexo mamário da fêmea, pois entendem que ali está a origem do alimento, e, emparte, o contato 
direto com esta, permite a sensação de ser mais quente. Nesta posição, eles muitas vezes dormem dentro 
da área de risco de esmagamento, Para reduzir estes riscos logo após o nascimento, os leitões devem ser 
treinados para usarem o escamoteao'or. O treinamento consiste em deixar os leitões dentro do 
escamoteador por um pen'odo de 40 a 50 minutos e soltã-los somente para mamar, por 10 a 20 minutos. 
durante as primeiras 24 horas de vida (Mores et al., 1 998). 
6.4. Uniformização das leitegadas 
A uniformização das leitegadas é a transferência de leitões de leitegadas mais numerosas para 
as menos numerosas ou, a formação de ieitegadas com leitões de peso similar ao nascimento. É uma 
prática de manejo que pode ser utilizada com o objetivo de aumentar as chances de sobrevida de leitões 
e aumentara possibilidade de melhorar o ganho de peso dos mesmos durante a lactação, Por outro lado, 
mover leitões entre leitegadas, aumenta os custos com mão-de—obra e a chance de disseminar doenças 
entre leitegadas e, dependendo do protocolo utilizado, pode-se não ter os efeitos positivos esperados. 
Deve ser realizada, preferencialmente, entre seis e 24 horas após o parto, periodo em que a maioria dos 
leitões ainda não definiu os tetos e para que os leitões absorvam o máximo de lgs do colostro de sua mãe 
biológica (Straw et al., 1998: Robert & Martineau, 2001; Pieters et al., 2008:). Após a determinação do 
teto de mamada de cada leitão, o que geralmente ocorre em até 36-48 horas, o mesmo não deverá mais 
ser transferido, pois pode levara muitos problemas tanto para os leitões como para a porca. 
Marcatti Neto (i 986) observou que, quando a uniformização foi realizada no momento 
adequado, ocorreu uma redução na taxa de mortalidade em relação à leitegada na qual não foi aplicado 
esse manejo (6,7% vs 13.4%). A diferença foi maior em leitões leves ao nascimento ( 5 8009). quando 
uniformizados com leitões de peso similar (15.4% vs 62,5%). Em contrapartida, Heim et al. (2009b) 
não observaram essa diferença (média geral de mortalidade de 2,8%) entre leitegadas uniformizadas e 
as não uniformizadas. Da mesma forma, Souza et al. (2009) não encontraram diferença na mortalidade 
de leitões (média geral de 4,6%) quando estes foram uniformizados leves com leves ao nascimento 
(0.80— 1.25 kg) ou leves com médios ( 1.40— 1.60 kg). Entretanto, quando os leitões leves foram 
183 
FEMEA ina 
uniformizados com leitões pesados ( :=» 1,70 kg) a mortalidade dos leves passou para 1 1%, Kirkwood et 
al. (1998) e Milligan et al, (2001 ), no entanto, não encontraram impacto significativo na taxa de 
mortalidade dos leitões entre ieitegadas com alta variação de peso e ieitegada com peso similar. 
Quando leitões são uniformizados ao longo da lactação o peso ao desmame destes é menor do, 
que os não uniformizados (Neal & lrvin, i991: Milligan et al., 2001: Robert & Martineau, 2001), Essa 
diferença pode ser pelo fato dos leitões adotados brigarem mais por tetos (Robert & Martineau, 2001) e 
perderem algumas mamadas, Mas não ha diferença no desempenho dos leitões, quando esta prática é 
restrita às primeiras 48 horas de vida (Neal & lrvin, 1991; Milligan et al,, 2001; Heim et al,, 2009b). No 
entanto, mesmo com a uniformização sendo realizada no momento ideal (24 a 36 horas pós- 
nascimento), Stewart & Diekman (1989) e Dewey et al. (2008) relataram que leitões uniformizados 
foram desmamados 180 a 210 g mais leves do que os não uniformizados (Pdo parto. a fêmea começa a se acalmar, deita, estica e encolhe os membros posteriores 
em direção ao abdomen (Ash. 1986: Hartsock & Barczevvski. 1997: Smith. 1997: Hõtzel et al.. 2005). O 
aumento dos movimentos da cauda também se tornam frequentes em resposta aos estimulos na pelve e 
participam na expulsão dos leitões e da placenta (Ash. 1986; Muirhead & Alexander. 1997.: Smith. 
1997). 
124 
SUINOCULTURA EM A 
4.4 Fases do parto 
Nos suinos, apesar de pequenas quantidades de P4 serem produzidas pela placenta, a maior 
parte desse hormonio e produzido pelos corpos luteos, sendo, portanto, essenciais para a manutenção 
da gestação (Gordon, i997), A sua regressão morfológica e funcional ocorre no final da gestação, 
induzida pela PGF2o, O parto normal, portanto, requer a interrupção da produção de M. a ativa 
preparação dos fetos e da mãe para a abertura do canal do parto e a sincronização das contrações 
uterinas e abdominais para a expulsão dos fetos (Craig, 1982: First et al,, 1982; Anderson, 1993: Castrén 
et al., 1993; Bernardi, 2007). Fisiologicamente, o eixo hipotãlamo-hipõiise-adrenal dos fetos é ativado e 
o resultante aumento de corticosteróides fetais inicia uma cascata de eventos endõcrinos no organismo 
materno, que culminam com as contrações uterinas e expulsão dos fetos ( Craig, i982; Oliveira, 2006: 
Bernardi, 2007). A ocorrência de contrações regulares e frequentes do miomêtrio, ao longo das nove 
horas que precedem o parto, coincidem com o aumento da concentração plasmática de ocitocina 
(Anderson, I993: Castren et al., 1993). A PGF2or também contribui para a ocorrência de contrações 
uterinas adequadas e rápida expulsão dos fetos (Cooper, i981: Oliveira, 2006; Bernardi, 2007). 
Os partos ocorrem com uma frequência um pouco maior no final da tarde e à noite (First et al., 
1982). A duração do parto, estabelecida como o intervalo entre o nascimento do primeiro e do último 
leitão, pode ser variável, com relatos de duração desde 30 minutos até mais de dez horas (Ash, 1986: 
Bernardi, 2007). Vários autores citam que a duração do parto pode abranger entre 30 minutos até seis 
horas, com média em torno de duas horas e meia a três horas (Day, 1980; First et al., 1982; Ash, I986: 
Randall, l986; Anderson, i993: Muirhead &Alexander, l997; Smith, i997; Ptaszynska, 2001; van Dljk 
et al., 2005). O intervalo entre o nascimento dos leitões pode ser tão curto quanto um minuto, mas pode 
chegar até duas horas (Ash, 1986). O intervalo médio esperado e considerado normal é entre dez a 20 
minutos (Day, i980: Ash, I986; Smith, I997; Ptaszynska. 2001; van Dijk et al,, 2005). O intervalo pode 
ser um pouco mais longo entre o primeiro e segundo leitão e antes do ultimo leitão (Randall, 1986). 
English et al, ( 1 979), ao avaliarem o intervalo entre nascimentos em fêmeas de diferentes OP bem como 
a duração do parto, verificaram que primiparas apresentaram intervalo de parição menor (12 minutos) 
quando comparadas com multiparas (21 minutos), e que o tempo de parição variou entre 0,7 e 6,2 
horas. A menor duração do parto em primiparas pode ser em decorrência do melhor tõnus muscular e. 
consequentemente, contração abdominal mais eficiente nesta categoria. O tempo médio de duração da 
fase de expulsão foi de 2,3 horas e do intervalo entre nascimentos de ló minutos, ao analisar todas as OP. 
Durante o parto também ocorrem alterações no comportamento das fêmeas. Algumas 
permanecem calmas, contudo outras ficam totalmente inquietas, particularmente as leitoas (van Dijk et 
al,, 2005). Van Rens & van Der Lende (2004), ao avaliarem o comportamento de 57 leitoas durante o 
parto, observaram que a duração do parto e intervalo entre nascimentos foram influenciados pelo 
tamanho e peso da leitegada, espessura da placenta e pela agressividade da fêmea. Fêmeas com 
placenta mais espessa demoraram mais para parir, possivelmente devido à maior resistência dos leitões a 
passagem uterina, A espessura da placenta também influenciou negativamente no intervalo entre 
nascimentos, independente do peso dos leitões. Da mesma forma. fêmeas mais agressivas demoraram 
mais para parir, quando comparadas com fêmeas não agressivas, Se os leitões tendem a permanecer 
junto à fêmea agressiva, bem como explorar o ambiente ao redor. estes correm risco de serem 
machucados e até mortos (van Rena & van Der Lende, 2004). Caso a fêmea continue agitada, além de 
atender ao parto e separar os leitões, pode ser utilizada a aplicação de tranquilizante, Contudo, na 
125 
maior-ia das vezes, após o fim do parto, as fêmeas tornam—se mais calmas e cuidadosas com a leitegada 
(van Der Steen et al., 1988; Lawrence et al., 1997). 
De acordo com as descrições anteriores, o parto pode ser dividido em três fases. que serão 
descritas a seguir (Tabela 4.4). 
Tabela 4.4 Fases e eventos relacionados ao trabalho de parto em animais de interesse zootécnico 
—. -.-- -. . , . _._. _ _l _ 
. . v.:IL1'-.1ª...:;:l .::-r"! I: ,,.ªnl.-,.r.,-..-.-.;. -'-_.p-._.u_-. 
' . - _ ' . - - ' : . . | - . - : . . . - - 
- 
Dilatação cervical Contraçães uterinas Do inicio das contrações - Agitação da fêmea 
regulares uterinas até a dilatação - Aumento FC e FR 
cérvix 
Fortes contraçõee ' ' Daªcompleta dilatação - a fêmea se deita: e" 
e abdominais cérvix até o final da Esforços 
expulsão dos fetos - Ruptura do ammo-1:63 
e eliminação de fluido 
vulva 
— Exposição da bolsa . 
amniótico na vulva. .. 
.e liberação do fem 
Expulsão da placenta Contraçães uterinas de Do final da expulsão dos - Término das contrações 
menor amplitude fetos até a expulsão de abdominais 
todas as placentas - Separação das membranas 
fetais da superficie uterina 
e sua expulsão 
*Na espécie suina, esta fase não pode ser completamente Fonte: Bernardi (2007). 
separada da terceira fase, pois algumas placentas podem 
ser liberadas juntamente com a expulsão dos fetos. 
4.4.1 Fase preparatória 
De um modo geral, pode—se dizer que esta fase inicia vários dias antes do parto. conforme 
mencionado anteriormente. contudo neste item serão descritas somente as mudanças ocorridas horas 
antes do inicio do parto. 
A cérvix dilata em preparação para expulsão dos fetos e a parede muscular do útero começa a 
se contrair ritmicamente. movendo os fetos em direção a pelve. As contrações ocorrem a cada 15 
minutos e duram entre cinco a dez segundos, tornando—se mais frequentes à medida que o parto se 
aproxima (Oliveira, 2006: Bernardi. 2007: Wentz et al.. 2009). Durante esta fase, os únicos sinais que 
podem ser visualizados são o desconforto abdominal e a inquietação. 
Em seguida ocorre a liberação do tampão mucoso da cérvix. a bolsa aminiótica rompe-se. 
levando ao aparecimento de secreção vulvar, as vezes sanguinolenta. caracterizando a ruptura da 
placenta. Como a pressão exercida na cérvix continua a aumentar, o primeiro leitão insere—se no canal 
cervical (English et al., 1979:Anderson, 1993). 
126 
SUINOCULTURA EM A 
4.4.2 Fase de expulsão dos leitões 
inicia-se assim que o primeiro leitão ultrapassa a cérvix. A fêmea começa a contrair a região 
abdominal para ajudar na EXpUlSâO fetal. O feto e empurrado através do canal do parto até sua exposição 
na vulva (English et al., 1979). A medida que as contrações continuam, as bolsas são rompidas, com 
expulsão dos fluidos que contribuem para & lubrificação do canal do parto (Senger, 2003). 
Os leitões são, em sua maioria, expulsos com a fêmea em decúbito lateral e com os membros 
estendidos (A511. 1986). A ordem de expulsão, a partir de cada corno uterino, ocorre ao acaso (Randall, 
1986). Eventualmente, todos os leitões de um como podem ser expulsos antes daqueles contidos no 
como contralateral (Day, 1980). O periodo médio entre o começo das contrações e expulsão do 
primeiro leitão pode demorar entre 15 minutos até 12 horas (Ash, 1986; Anderson, i993; van Dijk et al., 
2005; Bernardi, 2007). A duração do parto está relacionada ao número de leitões da leitegada, ao 
estado corporal das matrizes, ao ambiente. aos cuidadosmais leves. Leitões uniformizados em primiparas foram 
desmamados 16% mais leves do que aqueles que permaneceram com fêmeas de quinto parto (5,05 vs 
5,98 kg). apesar de terem peso similar no momento da unifonnização ( Bierhais et al.. 2009). 
A imunidade humoral passiva e específica aos antígenos para os quais o sistema imune da 
fêmea foi exposto. Assim. fêmeas mais velhas transferem, qualitativamente, uma melhor imunidade 
humoral. Alem disso, estas fêmeas possuem maiores concentrações de lgG e lgA no colostro e leite em 
comparação a fêmeas mais jovens ( Klobasa & Butler. 198 7). Dessa forma, leitegadas amamentadas por 
fêmeas mais velhas possuem imunidade contra um maior número de antígenos e podem ter menor 
chance de comprometimento de seu desempenho. Adicionalmente, leitões adotados podem estarsendo 
expostos a patógenos presentes no novo ambiente para os quais ele não possui proteção, podendo 
assim, por questões sanitárias, ter seu desempenho comprometido. Entretanto. quando esse manejo e 
realizado no periodo ideal esse efeito parece ser amenizado. Bierhals et al. (2009) realizaram 
uniformização com transferência recíproca de leitões entre primiparas e fêmeas de quinto parto 'e não 
observaram diferença no desempenho de leitões biológicos ou adotados quando amamentados por 
fêmeas de mesma ordem de parto (Tabela 6.2). 
185 
FEMEA ina 
Como comentado anteriormente, além das lgs, o colostro contêm leucócitos, que são 
responsáveis pela imunidade ativa (Brambell, 1958. Wagstrom et al., 2000) dos leitões, Entretanto, 
segundo Tuboly etal. (1988) e Pieters et al. (2008). os leucócitos provenientes da mãe biológica são mais 
eficientemente absorvidos e transoortados em relação aos provenientes das mães adotivas. O que torna 
importante a mamada na mãe de origem por seis a oito horas após o nascimento. Portanto, o ideal é 
realizar a uniformização no periodo entre 6-8 horas até 24—36 horas pós—parto (para que os leitões 
recebam colostro na mãe de destino e a uniformização seja realizada antes da definição da ordem de 
tetos), 
Tabela 6.2. Desempenho de leitões biológicos e adotados submetidos & unifonnização com transferência recíproca 
entre fêmeas de ordem de parto (OP) 1 e 5 (média : desvio-padrão) 
Dias de unifónnização' " ' - 
Matriz 
Unifamização, 7 dias" Ema: 
op; Adatado DPS 1,44 : 0,093 2,53 :|: 0,223 4,07 1 0,413 5,05 : 0,533 
Biológico 1,43 = 0,103 2,56 = 0,323 4,08 ".*: 0,633 5,06 = 0,793 
op5 Adatado UP? 1,44 : 0,033 2,34 $ 0,33!) 4,80 1 0,560 5,90 1 0,70!) 
Biológica 1,45 :|: 0,033 2,82 :I: 0,261: 4,78 :|: 0,491: 6,05 1 0,581“! 
3, b na mesma coluna indicam diferença significativa (Fproduzindo menos leite, 
agravando o quadro. Se a deficiência de nutrientes for prolongada, resultará em uma inibição irreversível 
do crescimento dos leitões e estes serão classificados como refugos. A oferta de alimentos suplementares, 
substitutos de leite ou de poli-vitamínicos para estes leitões e recomendada ( Mores etai., 1 998). 
A prevenção dos refuges é o diagnóstico imediato dos leitões que apresentam algum problema 
seguido do tratamento adequado, e, caso seja possivel dentro do manejo da maternidade, deve-se 
realocar estes leitões em outras fêmeas (amas de leite) imediatamente após a identificação do problema, 
A utilização dessas alternativas permite reduziro risco de se tornarem refuges. 
6.6. Manejo dos dentes 
Os leitões nascem com dois pares de dentes (pontiagudos e completamente expostos) caninos 
e dois incisivos laterais que estão localizados em cada lado da mandíbula e do maxilar (Sack. I992). 05 
dentes, junto com a língua e palato auxiliam no processo de correta apreensão do teto da porca. 
O corte ou desgaste destes dentes e uma prática comum, realizada no primeiro dia de vida dos 
leitões, que visa reduzir a ocorrência de lesões nas glândulas mamárias e cutâneas, principalmente na 
face, nos leitões ao competirem pelos tetos na hora da mamada (Becker, 1992; Brookes & Lean, 1993: 
Hutter et al., 1993: Brown et al,, 1996: Weary & Fraser, 1999; Stevenson. 2000: Boyle et al., 2002b: 
Estienne et al., 2003; Lewis et al., 2005ab; Koller et al,, 2008). 
Os métodos utilizados para a realização deste manejo são: corte dos dentes, desgaste só do 
ápice ou deixa—los intactos (Hunter et al., 1993; Weary & Fraser, 1999: Bataille et al,, 2002). Para realizar 
o corte ou o desgaste, o dedo médio é introduzido lateralmente na boca, os dedos indicador e anular 
abrem as comissuras labiais e a seguir os dedos polegar e minimo envolvem o pescoço do leitão, 
garantindo firmeza na contenção (Koller, 2006) e, com a outra mão segura o alicate ou desgastador e 
inicia o manejo, 
6.6.1. Corte dos dentes 
Para a realização do corte dos dentes e utilizado um alicate, e o recomendado é e corte apenas 
do“ primeiro terço dos dentes. Com um corte preciso e rápido corta-se dois dentes em cada golpe (Koller, 
2006). 
De acordo com Fraser & Thompson (1991), Robert et al, (1995) e Weary & Fraser (1999), 
quando somente o primeiro terço do dente é cortado, () desempenho dos leitões é melhor do que cortar 
o dente rente a gengiva. Gallois et al. (2005) observaram maior percentual de dentes fraturados (14% 
dos leitões - 59/424) e maior ocorrência de hemorragia (45% dos leitões - 190/424) quando comparado 
o corte dos dentes em relação ao desgaste (Protineiramente esta prática. Por outro lado, muitas 
unidades produtoras de leitões tem abandonado totalmente o desgaste dos dentes ou desgastado 
somente os dentes de toda a leitegada em que se observe lesões na fêmea e/ou nos leitões. A Diretiva 
2001/93/CE da União Europeia permite tanto o corte, como o desgaste dos dentes dos leitões. No 
entanto, salienta que estes procedimentos sõ podem ser efetuados quando forem observadas lesões nos 
tetos das porcas e nos leitões. Alem disso, antes da realização destes procedimentos, devem ser tomadas 
outras medidas para prevenira ocorrência destas lesões. Mais recentemente, a Resolução 877/2008 do 
Conselho Federal de Medicina Veterinária não recomenda mais o corte de dentes de suinos neonatos. 
Apesar de todas as opções de manejo dos dentes resultarem em algum inconveniente é 
recomendado o desgaste da ponta destes, quando forem observadas lesões na fêmea e leitões. 
6.7. Identificação dos animais 
As unidades produtores de leitões, principalmente as granjas multiplicadores e núcleos 
genéticos, identiõcam os leitões, geralmente, no dia seguinte ao nascimento. A identificação pode ser 
através de mossa, que são cortes curvos na borda de uma ou ambas as orelhas, do método Australiano de 
identificação, que consiste em fazer piques e/ou furos nas bordas das orelhas, cada um com um valor pré- 
determinado, alcançando o número máximo de 1621 (Vianna, I956). tatuagens com letras e números 
ou brincos. 
A identificação também pode ser feita através de "transponders" injetáveis, brincos eletrônicos 
e monitoramento por meio da análise de imagem (Curto et al., I997; Pandorfi et al., 2005). A União 
Europeia preconiza a identificação de todos os animais (bovinos, suinos, caprinos e ovinos) para total 
controle do nascimento ã linha de abate (Wlsmans, l 999). 
Os sistemas automáticos de identificação eletrônica podem auxiliara detecção de doenças. a 
avaliação de respostas fisiológicas, o controle de ingestão de alimentos, a atividade fisica e o impacto. 
ambiental causado pelo sistema de produção, promovendo melhor controle da propriedade (Pandorfi et 
al., 2005). 
6.8. Corte da cauda 
O corte da cauda é uma das práticas de manejo aplicadas em leitões recém—nascidos que tem 
como principal objetivo prevenir o canibalismo praticado pelos companheiros de bala durante a fase de 
creche e terminação. Deve ser cortado apenas o terço final da cauda, pois representa a parte menos 
sensitiva e. portanto, mais vulnerável a mordidas e inicio do canibalismo (McGlone et al., i990; Dalla 
Costa et al., I99 l ). Assim, a parte da cauda que permanece e' muito sensivel e, em casos de agressão por 
mordidas, o animal pode fugir e se defender rapidamente (Stevenson, 2000). 
Ha’ três maneiras de se realizar o corte da cauda (M ore's et al., 1 998): 
1)Cor-te com-alicate desin fetado & apõs o corte, é aplicado solução de iodo no local; 
I92 
! iHIHOiHLi HRH EH figs 
2)Esmagamento com um alicate. A queda do último terço da cauda ocorrerá em três a quatro 
dias: 
3) Corte com um aparelho semelhante à tesoura, que possui um sistema de resistência que ao 
mesmo tempo em que corta, cauteriza o tecido da lesão. Este método seria o mais indicado para a 
realização do corte da cauda. 
A ocorrência do canibalismo resulta em menor ganho de peso, formação de abscessos na 
coluna vertebral, aumento da taxa de mortalidade por paraplegia, maior condenação de carcaças e 
gastos com medicamentos (Dalla Costa et al., 1991). 
Segundo a Resolução 877/2008 (Conselho Federal de Medicina Veterinária), o corte do terço 
final da cauda é uma prática não recomendável em suinos neonatos. De acordo com o Comitê Cientifico 
Veterinário da Comissão Europeia (SVC). a maneira correta de evitar o canibalismo não é cortara cauda 
dos leitões, e sim manter o animal em boas condições na creche e terminação (Stevenson, 2000), 
Segundo a Diretiva 2008/120/CE da Comunidade Europeia, o corte parcial da cauda, bem como corte e 
desgaste dos dentes e a castração, por serem causas prováveis de dor imediata e de alguma dor 
prolongada nos suinos, se forem executadas por pessoas inexperientes, devem ser estabelecidas 
diSposições que assegurem melhores práticas. 
6.9. Aplicação de ferro 
A administração injetável de ferro dextrano em leitões criados em baias de piso de concreto. 
portanto sem acesso direto a terra, é essencial para evitar a ocorrência de anemia ferropriva. Durante a 
gestação, pouca quantidade de ferro é transferida via placenta para os fetos (Gambling & MacArdle, 
2004). Os leitões nascem com uma reserva de apenas 37 mg de ferro, dos quais 16 mg estão associados ã 
hemoglobina, 8 mg estão armazenados no figado e o restante está distribuido em outros órgãos e 
tecidos. Além disso, esta reserva se esgota rapidamente, podendo durar não mais do que cinco dias 
(Oliveira, 2007). 
A necessidade diária de ferro para leitões é de 5 a 16 mg (Venn, 1947; Miller & Ullrey, 1997 
citado por Chwen et al., 2001: Roberts, 1998). O leite materno possui a maioria dos minerais essenciais 
para o crescimento dos leitões, mas não possui ferro suficiente para atender a demanda para a 
hematopoiese e formação de tecidos. A concentração de ferro no leite é de 1 mg /litro e a ingestão diária 
individual de leite é de 0,4 litro. Somente 10 a 20% das necessidades reais dos leitões são supridas, o que 
significa que as 80 a 90% restantes devem ser mobilizadas das reservas de ferro do organismo (M orês et 
al., 1998). 
Segundo Bollwahn et al. (1970). o leitão nasce com os parâmetros sanguíneos (eritrócitos, 
hemoglobina e hematocrito) semelhantes ao suíno adulto. Nas primeiras horas de vida pode ser 
observada uma queda nestes valores, em torno de 20 a 30%, prevalecendo até as 72 horas. Em leitões 
que receberam uma injeção de ferro (200 mg) tanto no primeiro quanto no terceiro dia de vida, foi 
observado ao sétimo dia de vida uma sensivel recuperação dos valores comparada aos leitões que não 
haviam recebido esta suplementação de ferro. Aos 14 e 21 dias de vida os valores se apresentavam em 
patamares mais altos do que ao nascimento, enquanto os leitões sem suplementação não tiveram a 
minima capacidade de reação. A deficiência de ferro no organismo do leitão, leva, consequentemente, à 
193 
FEMEA inn 
anemia em poucos dias (Bollwahn et al, l970). e ela se caracteriza por ser uma anemia do tipo 
hipocrômica microcltica, Clinicamente, é caracterizada por mucosas e pele pálidas, apatia, sonolência, 
aumento na taxa de mortalidade na maternidade, perda de apetite corn consequente queda no ganho 
de peso, aumento da frequência respiratória e cardíaca e redução da viscosidade sanguinea (Church & 
Pond i982: Morés et al., 1998: NRC. I998: Viola. 2003). Segundo Sobestiansky et al. ( 1 985), a taxa de 
mortalidade de leitões que adquirem ferro somente do leite materno varia de 6 a 60%. 
Como medida preventiva para a ocorrência de anemia ferropriva destaca-se a aplicação de 
uma dose única de 200 mg de ferro, via intramuscular, na região cervical lateral anterior, entre o terceiro 
e o quinto dia de vida (Patterson et al., l97 l; Dalla Costa et al., 1996.: Cutler et al., i999; Monteiro, 
2006). Se a aplicação não for realizada até dez a 14 dias apos o nascimento, ha’ o aparecimento dos 
sintomas de anemia, com a concentração de ferro ao redor de 740 q! 100 mL de sangue (Muirhead & 
Alexander, i997). 
Antigamente era fornecida aos leitões terra vermelha, rica em ferro, para evitara ocorrência da 
anemia ferropriva. Porém a forma férrlca é de baixa solubilidade e há a necessidade de se conhecer a 
quantidade de ferro na terra (Zimmerman et al., 1959; Nunes, i980; Lopes. 1982: Monticelli et al., 
i991; Dalla Costa et al.. 1996: Nunes et al., 1997). Alguns autores relataram a administração de ferro 
por via oral, como a suplementação das rações com sulfato ferroso, pastas (200 mg/ml.) ou via água (32 
mg/mL, do terceiro dia de vida até o desmame) (Nunes, 1980: Ch wen et al., 200 l ). 
Furugouri ( l975), Van Kempen (l 98 7), Egeli & ,Framstad ( i998) e Svoboda & Drãbek (2003) 
consideraram a suplementação oral de ferro inadequada, porque os leitões começam a ingerir ração 
somente a partir de sete dias de idade, e o periodo mais critico é a primeira semana de vida. Além disso, 
somente 10 a 30% do ferro é absorvido pelo intestino e a absorção pode ser menor em casos de doenças 
do aparelho digestivo e a administração precisa ser diária e em várias vezes (English oral., 19.77). 
A suplementação de ferro via pasta ou via ãgua resulta em menor peso ao desmame quando 
comparado com a aplicação injetável de ferro dextrano (5,59 i 0.28 vs 5. 14 i 0,64 vs 6,05 i 0.28 kg. 
respectivamente, pdesvantagens são observadas na castração como possiveis perdas de animais e 
redução no desempenho após esta prática, maior deposição de gordura na carcaça, menor área de olho 
de lombo, pior aproveitamento de carcaça e pior conversão alimentar (Prescott & Lamming. i967; 
Walstra & Kroeske, l968; Hansson et al.. 1975: Fowler et al., 198 l ). 
Até o desmame não e' observada diferença no ganho de peso de leitões castrados e não 
castrados (McGlone & Hellman, 1988; McGlone et al., 1993; Hay et al., 2003). Porém o impacto da 
196 
! iHIHOiHLi Him EH figs 
castração no ganho de peso varia de acordo com a idade em que é reaiizada. Leitões castrados com um 
dia de vida tiveram menor ganho de peso do que aqueles castrados com 14 dias (186 g vs 195 g. 
respectivamente, Pcom o leitão anestesiado, colocado em um suporte específico que permita 
que o leitão ligue preso pelos membros posteriores, com a cabeça para baixo, de tal forma que todos os 
orgãos se projetam atraves da gravidade, facilitando o procedimento. Os mesmos passos de higiene 
mencionados anteriormente para a realização da castração devem ser seguidos nessa cirurgia. Segundo 
St-jean & Anderson ( i 999). deve-se fazer uma incisão oblíqua na região do anel inguinal, entre o último 
e o penúltimo par de tetos, mantendo a túnica vaginal intacta, pois esta retém as alças intestinais. Através 
de palpação externa, os testículos são deslocados da bolsa escrotal ate' o anel inguinal e o conjunto 
formado pelas alças intestinais e os testículos (envoltos pela túnica vaginal) são exteriorizados através da 
incisão inguinal. A túnica é então massageada, os testículos torcidos e o conteúdo da hérnia pressionada 
para a cavidade peritoneal. A túnica e o cordão espermáticos são transfixados no anel inguinal e cortados 
e, o anel inguinal é então suturado. 
Outro método bastante prático, mas não muito seguro de castração de herniados, utilizado 
por muitas granjas, consiste na passagem de uma fita tipo isolante por entre os membros posteriores do 
leitão após a realização da castração escrotal. A fita é fixada, cobrindo a incisão da castração e esta 
pressiona o anel inguinal de tal forma que os órgãos abdominais não conseguem mais avançar pelo 
mesmo (escrotal). 
6.11. Fornecimento de água e ração 
O leitão, mesmo em aleitamento, necessita de água limpa, de boa qualidade e à vontade desde 
o dia do nascimento. A água é considerada um profilático contra a diarreia dos leitões lactentes e sua 
ingestão estimula um consumo maior e mais precoce da primeira ração. O consumo de água está 
relacionado com o peso dos leitões, o consumo de ração e a temperatura ambiente e da propria água. O 
bebedouro deve ser colocado na área de acesso exclusivo dos leitões (Mores et al,, 1 998). 
Em condições naturais, o desmame é um processo gradual que envolve a redução da 
frequência de mamadas e o aumento da ingestão de alimentos sólidos (jensen, 1988). Porém, nas 
criações comerciais, o desmame é realizado, em média, com 21 dias, podendo ser um processo 
traumático, resultando em uma abrupta redução na ingestão de nutrientes, associados a consequências 
199 
FEMEA inn 
negativas para o crescimento e saúde dos leitões. porque estes não estão plenamente adaptados ã 
ingestão de alimento sólido ( Pluske et al.. 1997; Ludlidade, com o objetivo 
de aproveitar melhor as instalações, aumentar a produtividade da granja e diminuir os dias não 
produtivos por fêmea, entre outros. Deve ser feito em toda a sala, de uma única vez, nas horas mais 
201 
FEMEA ina 
frescas do dia. num mesmo dia da semana. por exemplo. quinta-feira. É recomendada a pesagem dos 
leitões no momento do desmame ( Dartora stat. i997: Mores oral. i 998). 
6. t4. Considerações finais 
No sistema intensivo de criação de suinos, as maiores perdas por mortalidade ocorrem no 
periodo lactacional. A realidade brasileira apresenta em média 7.37% de taxa de mortalidade pré—- 
desmame. variando entre as granjas (dados de janeiro a dezembro de 2008, PigCHAMP, 2008). Em 
paises em que a mão—de-obra e mais escassa esses percentuais são ainda mais elevados, chegando a 
aproximadamente 30% de perdas nesse periodo (English & Wilkinson, 1982). No periodo prê— 
desmame. as práticas de manejo com o leitão apresentam como principal objetivo o aumento nas taxas 
de sobrevivência e a melhoria do desempenho dos mesmos. No entanto. para obter resultados 
satisfatórios com essas práticas. e fundamental prºpiciar condições adequadas para a realização dos 
manejos. como planejamento das ações, materiais e equipamentos. bem como mão—de-obra disponivei 
e qualificada. 
6.15. Referências bibliográficas 
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Para melhor acompanhar o parto de fêmeas com possiveis riscos, deve-se consultar a ficha da 
matriz e verificar se ela já teve parto(s) distõcico(s) anterior(es), leitões natimortos e mumificados 
(Meredith, 1995: Wentz et al,, 2009). 
4.4.3 Fase de expulsão da placenta 
Após a expulsão do último leitão as contrações uterinas continuam, porém mais reduz-idas 
(Meredith, 1995). Normalmente a placenta de cada leitão se “fusiona” com a placenta adjacente, 
formando um “tubo continuo" pelo qual os leitões passam, e este aglomerado e' expulso apos o 
nascimento do último leitão, Entretanto, algumas vezes parte da placenta se solta, e pode ser expulsa 
entre os nascimentos (English et al., 1979). Desta forma, após a expulsão das placentas, considera-se o 
parto encerrado. 
A retenção de placenta não é comum em suinos e, quando ocorre, pode indicara presença de 
leitões adicionais no trato reprodutivo (Ash, i986: Smith, 1997). Após a expulsão das placentas, as 
contrações cessam e a fêmea pode levantar para beber água e urinar, 
Meredith (1995) alnda sugere uma fase adicional, que e o puerpério, ou seja, o periodo de 
recuperação do endométrio até o estagio anãtomo—lisioiõgico normal (involução uterina), que dura até 
três semanas após o parto. 
127 
E A FÉMEA SUÍNA EM Wf⪠
4.5 Atendimento ao parto 
Antes de iniciar o trabalho de parto, e necessário“ ter a disposição os seguintes equipamentos, 
materiais e medicamentos: 
— l Papel toalha; 
_ - Maravalha e/ou po secante: 
— l Barbante umedecido com solução desinfetante à base de iodo (iodo 5 a 7% ou iodo 
glicerinada): 
— I Frasco de iodo giicerinado para antissepsia do umbigo: 
_ - Tesoura: 
— l Seringas e agulhas; 
——l Luvas de procedimento descartáveis: 
——I Medicamentos (ocitocina, antitêrmico, tranquilizante e antimicrobiano) : 
——l Balde plástico para lixo (papel toalha e outros): 
— l Balde plástico para a placenta, leitões mortos e mumificados. 
Os fatos a serem considerados mais importantes para os leitões imediatamente após- o 
nascimento estão relacionados aos sistemas de termorregulação e imunitário pouco desenvolvidos, Estes 
fatos geram necessidades de cuidados especiais para com os recém-nascidos. Durante todo o periodo de 
lactação, diferentes práticas de manejo são adotadas com o objetivo de permitir que os leitões possam 
apresentar o máximo de ganho de peso e sejam desmamados com peso adequado, As principais práticas 
de manejo adotadas para os leitões estão descritas no capitulo 6, mas algumas considerações serão 
descritas resumidamente na sequência. 
4. 5.1 instalações para os leitões 
Aquecimento: A zona de conforto térmico de leitões e porcas difere enormemente. Como os 
leitões necessitam de um ambiente mais quente que as fêmeas, este poderá ser obtido somente através 
de um local diferenciado para aquecimento. Como no nosso meio as maternidades são abertas, com 
temperatura e ventos controlados por cortinas, este local em sua grande maioria é feito por 
escamoteadores alimentados por uma fonte de calor, Em paises frios, onde há climatização da 
maternidade, normalmente a temperatura da sala, nos primeiros dias após o parto, é regulada para uma 
temperatura ambiente mais elevada, no sentido de evitar o impacto do leitão ao nascimento com 
temperaturas mais frias. Á medida que os leitões crescem esta regulação da temperatura ambiente é 
reduzida gradativamente, ate' a temperatura de conforto da fêmea. Em nosso meio diferentes fontes de 
aquecimento são utilizadas, por exemplo, pisos aquecidos ou mantas aquecidas para evitar o contato do 
leitão com o piso frio, iãmpadas incandescentes com diferentes potências/resistências elétricas, entre 
outras. 
O leitão nasce com uma temperatura corporal entre 39,2 a 39,4ºC, e, ao entrar em contato 
com a temperatura ambiente adaptada para a matriz, sofre uma rápida queda da temperatura corporal, 
que pode chegar até a ZºC ( Bollwahn et al., 1970). A recuperação da temperatura corporal ocorre pelo 
uso das reservas energéticas e pela ingestão de colostro. Portanto, a relação da temperatura ambiente e 
128 
SUINOCULTURA EM A 
um local especifico mais quente para os leitões são fundamentais logo após o nascimento (Mores et ai., 
1998). Mores et al. (2008) avaliaram o comportamento da temperatura retal em leitões neonatos 
durante as primeiras oito horas de vida de acordo com o peso ao nascimento. Como pode ser observado 
na Figura 4.2, os ieitões de todas as ciasses de peso perderam temperatura na primeira hora de vida. 
entretanto. os leitões com baixo peso ao nascer perderam mais temperatura que leitões com maior peso 
ao nascimento. lndependentemente da classe de peso ao nascer. todos os animais tendem a estabilizara 
temperatura reta! oito horas após o parto. Assim, o fornecimento de calor e a ingestão adequada e 
constante de coiostro para os ieitoes recém-nascidos são imprescindíveis para evitara perda excessiva de. 
temperatura. principalmente nas primeiras oito horas de vida. 
Fonte de água e alimento: A partir do primeiro dia de vida o leitão necessita de água em 
uma fonte na qual ele pode sempre dispor de água limpa. A ração é fornecida como suplemento a partir 
de sete a dez dias de vida. embora existam contradições em reiaçâo a necessidade e validade de 
fornecimento. 
39,5 
39 
O 38,5 
: 33 Peso Corporal 
% (gramas) 
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209 
E SHINOEULTURA # A ª 
Lisiane Pires de Souza, Henrique Castello Costa de Fries, Ana Paula Gonçalves Mellagi, 
ivo Wentz e Fernando Pandolfo Boltolozzo 
7.1 Introdução 
O periodo após o desmame apresenta grande importância na eficiência reprodutiva da matriz, 
uma vez que o curto intervalo entre o desmame e o estro ( lDE ) é necessário para maximizaro número de 
leitões vendidos/fêmea/ano. As matrizes que falham no retorno ao estro apos o desmame comprometem 
0 desempenho reprodutivo e aumentam os dias não produtivos (DNPs) ( Breen et al., 2006). 0 l DE pode 
ser influenciado por diversos fatores, entre eles destacam-se: ordem de parto (OP), periodo de lactação, 
condição corporal e época do ano (Dial et al., I992: Dallanora et al., 2004). As primiparas, em geral, 
apresentam lDE mais longo, principalmente, quando a ingestão de alimentos durante a lactação foi 
restrita (Kemp, 1998). O atraso no inicio do estro pode ocorrer em lactações prolongadas e/ou nutrição 
deficiente devido ao maior catabolismo da fêmea. Alem disso, os periodos mais quentes do ano também 
podem ser responsáveis pelo atraso no retorno à ciclicidade das matrizes. As práticas realizadas apos o 
desmame apresentam como objetivos principais, a redução do [DE e a melhoria do desempenho da 
fêmea no parto subsequente. Nesse período, & hormonioterapia pode ser uma ferramenta valiosa para 
restabelecer a atividade reprodutiva, ou mesmo retardar o aparecimento do estro, para melhor 
recuperação corporal da fêmea. 
7.2 Aspectos fisiológicos da matriz no desmame relacionados com o 
periodo lactacional 
Como descrito no capitulo 2 deste livro. durante o periodo lactacional, o ato de mamar 
provoca a liberação de peptídeos opióides endógenos que atuam no hipotálamo, inibindo a liberação de 
GnRH, e consequentemente, ha uma supressão da secreção de LH, responsavel pelo retorno da 
ciclicidade na femea suína (Varley & Foxcroft, I990). Por ocasião do desmame, os estimulos que inibem 
a liberação de GnRH são interrompidos, provocando significativo aumento na secreção de LH (Edwards 
& Foxcroft, i983). 
Com o retorno da atividade reprodutiva da matriz o padrão de secreção de gonadotrofinas 
sofre alterações, A secreção de LH altera-se de um padrão pulsãtil de baixa frequência] alta amplitude 
para um padrão de alta frequência/' baixa amplitude (Figura 7 . i ). As fêmeas que não apresentam essa 
modificação no padrão de secreção de LH, após o desmame, retardam o retorno a ciclicidade (Shaw & 
Foxcro ft, I985). 
211 
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Horas em relação a desmama 
Figura 7.1. Padrão de pulsos de LH plasmático em fêmeas desmamados Adaptado de Shaw & Foxcruft (1985) 
aos 21 días pós-parto e com iDE de 4 (a). 6 (b) e > H dias (c) 
A involução uterina pode ser determinante para atingir bons resultados de produtividade, 
ocorrendo de forma completa por volta das três semanas após o parto (Britt, 1996). O desmame precoce 
(Tabela 7. 1. Relação entre o período de lactação anterior e o tamanho da leitegada (TL), taxa de parição 
ajustada (T PA) e intervalo desmame-estro (IDE). 
Período de Lactação (dias) 
N' 1-9 10-14 15-16 iª? ta'-”19 zo— 
Prim 3.920 7,013.83 5.812.713 5.712.913 5,612,813 5,512,913 4,712.5: 
IDE (días) Plurí 15. 926 7, 1 13. 23 5,4 12.813 4.8 1 2, 6: 4.8 12, 7 c 4.8 1 2,6: 4.4 12.2: 
Total 19.846 7,113.33 5.512.813 4,912.6: 5,012.7: 5,012.7: 4.612.611 
Prim 3.056 EB, 1 a 87.81) 86,213 86,113 83,513 32.713 
fry. (%) Piuri 13.349 75.6a 87. 91) 89.51) 89,313 89.213 90.313 
113131 16.405 24.43 87, 913: 89.013 88.711: 88. 013: 85.8: 
Prim 2.555 9,313.53 9,413.13 111.413.1313 10,513,113 10,613,113 10.913,31) 
11 (nº) Piuri 11.754 9,213.33 10.113,21: 11,313,211: 11,413,231 11.613.3d 11,6 13,1c 
Total 14.309 9,613.33 10.613,21) 11.213,21: 11,313.2cd 11.413,21) 11.213.2cd 
3,13. c,d indicam médias diferentes, na mesma linha (P 10) 465 13.3123 9.313.513 3,114.23 12.4 22.3.1 10.531,11: 
Perda de ordura % 
1 (5 15.112!)I .28? 6.81:4.3 10.113,35: 2.214.“: 12,3 13.25: 10.3: Ma 
2 (::-12.423) 654 17,533.! 9.713.331: 2.814.021 12.512.9a 10.511.0h 
3 {3.23) 231 23,2:4,4 9.213.511 3.014.0a 12,2 32,751 10.7: 1.1: 
a.h.c letras diferentes, na coluna, dentro de cada característica (Pcrescimento, além disso, possuem maior 
capacidade de ingestão de alimentos, o que as tornam menos susceptíveis ao catabolismo lactacional 
(Kemp, 1998), 
Segundo King & Martin (1989). o lDE foi prolongado de sete para i9 dias, quando houve 
restrição da proteina ingerida pela matriz, durante a lactação. Além disso, a concentração de LH foi 
significativamente reduzida antes do desmame. Após o desmame, & concentração de LH, em fêmeas 
com adequada ingestão de proteina, aumentou mais do que nas fêmeas com baixa ingestão de proteina, 
sendo evidente essa diferença por sete dias apos o desmame, Em primiparas. a interrupção da secreção 
de LH aconteceu quando a alimentação foi restrita durante três semanas de lactação, e retornou com a 
alimentação à vontade na quarta semana (Zak et al., l997a), O mesmo não pode ser dito para o FSH, 
porque não há um padrão consistente entre o alimento ingerido e os niveis sanguineus deste hormônio 
(Quesnel & Prunier, 1995). 
A insulina e o fator de crescimento semelhante à insulina i (lGF-l) têm sido mencionados 
como mediadores entre a nutrição e a reprodução. As concentrações de insulina e lGF-i no plasma 
podem serafetadas pelas fontes de energia provenientes da dieta (Poorer et al., 199 1, Van den Brand et 
al., 2000). Alguns trabalhos apresentam efeito positivo da insulina na reprodução, enquanto que em 
outros os efeitos são nulos. As fêmeas que retornaram mais cedo ao estro apos o desmame apresentaram 
concentração de insulina elevada no plasma, quando comparadas com aquelas de lDE prolongado 
(l'okach et al., 1992). Segundo Mullan & Close (1991). a insulina deve ser o ponto chave de ligação 
entre a nutrição e a reprodução. Foi comprovado que a insulina exógena (injetável) aumenta a 
frequência pulsãtii de LH (Cox et al.. 1987). No entanto, Van den Brand et al. (200 1 ) observaram que os 
altos niveis de insulina no plasma em fêmeas que consumiram dieta rica em amido não foram suficientes 
para aumentara taxa de ovulação. Além disso, Cox ( l 997) não encontrou efeitos consistentes da insulina 
no desenvolvimento folicular, taxa de ovulação, taxa de parto e lDE. As investigações dos efeitos do lGF-l 
foram na sua maioria restritas ao desenvolvimento folicular (Pettigrew & Tokach, i993: Whitley et al., 
i995). A produção de insulina também pode ser aumentada atraves da redução no estimulo das 
216 
E SHINOEULTURA # A ª 
mamadas (Van der Peet-Schwering et al., 1998). 
Quando a pulsatilidade de LH apos o desmame for alta e houver um bom recrutamento de 
folículos, a nutrição pós desmame não afetará o ! DE (Van den Brand et al., 2001). Porém, o catabolismo 
acentuado da matriz associado a um baixo consumo no periodo põs desmame pode ser uma provável 
causa de não manifestação do estro em até nove dias após o desmame (Van den Brand et al., 2001). Uma 
das indicações de catabolismo e o aumento do hormônio do crescimento (GH) no sangue, sendo este um 
importante mecanismo de controle da mobilização de reservas corporais (Baidoo et al., 1992). No final 
da lactação, as concentrações de GH no sangue são maiores em primiparas, apresentando uma 
correlação positiva com o percentual de perda de peso no mesmo periodo e com o DE (Guedes & 
Nogueira et al., 2001). 
Durante o lDE, as fêmeas devem continuar recebendo à vontade a mesma nutrição fornecida 
na lactação, com minimo de energia metabolizãvel (ME) de 12.8 Mcal/dia (NRC, 1998). Nessa fase a 
maioria das matrizes está em catabolismo decorrente do periodo lactacional. Mesmo fornecendo ração à 
vontade durante o 1 DE, as matrizes seguem perdendo peso entre o desmame e o estro. Patterson et al. 
(2006) observaram uma perda média de 7.6 kg no peso corporal de primiparas suinas durante o DE (o 
peso médio das matrizes ao desmame foi 178,2 kg), sendo o estro manifestado pelas matrizes em média 
11 1,7 horas após o desmame. Da mesma forma, Werlang (2010) também observou uma redução no 
peso corporal de primiparas entre o desmame (media de 184. 1 Kg) e o estro (media de 176, 1 Kg), com 
um iDE médio de 1 15,2 horas. Segundo Reese et al. (1982). quando as fêmeas OP 1 ingerem 12 Mcai 
Mb]/dia , 90% delas apresentam sinais de estro em até sete dias, mas quando ha redução da ingestão para 
8 Mcal ME/dia, menos de 65% destas fêmeas manifestam estro em até sete dias. Esses resultados de 
retomada de ciclicidade frente a diferentes graus de catabolismo são discutiveis quando comparados aos 
genótipos modernos. Utilizando uma metodologia que induz o catabolismo lactacional acentuado, na 
qual as matrizes consomem ração à vontade nas duas primeiras semanas de lactação e na terceira elas 
consomem 50% do consumo voluntário dos dias 1 1— 13 de lactação, Weilen et al. (2007) observaram 
uma grande perda de peso e de espessura de toucinho ao desmame. As fêmeas submetidas a esse 
modelo perderam 15, 4kg de peso corporal na terceira semana de lactação frente a uma perda de 3,0kg 
no grupo que seguiu consumindo na terceira semana a mesma quantidade que estava consumindo aos 
11—13 dias de lactação (PA manifestação precoce do estro após o desmame 
acontece nas fêmeas que apresentam secreção de LH suficiente para a manutenção do crescimento 
folicular. Para estas fêmeas. o efeito do estimulo com macho não é encontrado. Entretanto, para as 
fêmeas com secreção deficiente de LH no periodo pós desmame, o contato com o macho se torna 
benéfico. resultando em crescimento folicular e ovulação. 
Alguns trabalhos observaram que a exposição diária ao macho provocou redução no lDE, 
sendo em grande parte manifestado entre 10 e lê dias após o desmame. A média do i DE nestes estudos 
foi superiora 10 dias (Hemsworth et al., 'l982: Walton, l986; Pearce e Pearce, l992). Langendijk et al. 
(2000) constataram que o número de fêmeas ovulando em até nove dias pos desmame é superior em 
matrizes expostas ao macho nesse periodo, quando comparadas às fêmeas do grupo controle (51% 
versus 30%. Pc: 0, 05). Contudo, o efeito macho para a estimulação da ciclicidade parece ser mais 
marcante nos casos em que as fêmeas desmamadas apresentam lDE superiora sete dias (Hughes. 1998). 
No entanto, sob condições práticas de produção não se deve abrir mão do estimulo com o macho ao 
longo do lDE. uma vez que as fêmeas manejadas podem apresentar diferentes perfis. 
No trabalho de Walton (1986). a redução do lDE foi menor em fêmeas expostas ao macho na 
última semana de lactação do que em matrizes que tiveram contato no periodo pós desmame. Os 
melhores resultados aparecem quando são associados os dois tratamentos, ou seja, a exposição ao 
macho antes e apos o desmame. Aproximadamente 27% das fêmeas. que foram sujeitas à estimulação 
com o macho, durante a lactação, apresentaram cio silencioso após o desmame, e quando esse estimulo 
foi realizado também no periodo pós desmame. apenas 3% das matrizes demonstraram esse 
comportamento. Segundo Borchardt Neto ( 1995) o uso do macho na maternidade foi eficiente na 
218 
E SHINOEULTURA # A ª 
redução do i DE em determinadas condições. Esse maneio provocou a manifestação mais cedo do estro 
em primiparas somente no inverno e em pluriparas no verão (Pc: 0, 05), demonstrando que esse estimulo 
funciona, dependendo da interação de fatores como OP e estação do ano. Porém, a exposição de fêmeas 
ao macho durante a lactação apresenta um grande inconveniente, o chamado estro lactacional 
(Rowlinson & Bryant, 1981). isso porque esse estro tende a não ser diagnosticado na maternidade, 
prolongando o intervalo entre o desmame e a concepção. Aproximadamente, 10% das fêmeas expostas 
ao macho durante a lactação apresentam estro lactacional (Petchey & English, 1980). Além disso, Poleze 
et al. (2006) constataram que um lDE muito curto (0-2 dias) pode levar a resultados reprodutivos 
insatisfatórios, como comprometimento da taxa de parto e do tamanho da leitegada. Esses autores 
relataram que, quando a manifestação de estro ocorreu um dia após o desmame em primiparas e no dia 
do desmame em pluriparas, também foi evidenciado aumento de retornos ao estro apos a concepção, 
Esses resultados demonstram claramente que, em unidades de produção, o estimulo com o macho deve 
iniciar somente após o desmame. 
Cabe salientar a importância da frequência deste manejo. Em leitoas, o contato com o macho 
duas ou três vezes ao dia apresentou-se mais efetivo para a indução da puberdade do que uma exposição 
ao dia (Hughes, 1993: Philip & Hughes, I995). No entanto, em fêmeas desmamadas, ainda não está 
claro qual a frequência diária do contato com o cachaço para a estimulação do retorno ao estro. Sabe-se 
que a exposição ao macho produz efeitos positivos na retomada da atividade reprodutiva após o 
desmame, a questão é, qual a frequência diária de exposição indicada para esta categoria de fêmeas 
Knox et al. (2002) não encontraram diferenças no ”DE e no intervalo estro ovulação entre fêmeas 
desmamadas expostas diariamente duas ou três vezes ao macho comparados com àquelas que 
mantiveram um contato por dia. No trabalho realizado por Van der Wiel & Booman (1993), em femeas 
desmamadas, após três a quatro horas do contato com o macho, houve liberação de LH, que se manteve 
em niveis altos na corrente sanguinea das fêmeas, por no minimo sete horas, que foi o periodo de 
avaliação. A duração do efeito que o macho exerce sobre a liberação do LH, portanto, não está clara, 
porque o periodo avaliado foi limitado. Estudos nessa área ainda são necessários, mas analisando estes 
dados acredita-se que o contato com o macho duas a três vezes ao dia pode ser suficiente para obter 
respostas adequadas na estimulação do estro. 
Knox et al. (2004) indicaram que fêmeas de diferentes OP alojadas próximas às baias dos 
machos apresentaram um decréscimo de 14% na taxa de detecção de estro até o sétimo dia após o 
desmame e redução de 12 horas na duração do estro. Pearce & Pearce (1992) e Walton ( 1 986) também 
observaram problemas comportamentais associados à detecção do estro, em fêmeas alojadas adjacentes 
ao macho, mas não está claro se a atividade ovariana é influenciada por este tipo de exposição. 
A detecção adequada de estro, obrigatoriamente, necessita da presença do macho no 
momento do teste de pressão lombar. Considera-se o teste positivo quando a fêmea permanecer 
estática, as costas arqueadas e orelhas eretas, ou seja, apresentar o reflexo de tolerância na presença do 
macho. 0 estimulo do macho tem efeito significativo na expressão do astro. principalmente os olfativos e 
os tãteis, embora, não se saiba exatamente o mecanismo fisiológico desses estimulos (Perry et al,, 1980: 
Signoret, 1997). Langendijk et al. (2003) compararam três diferentes niveis de estimulo: técnica da 
pressão lombar sem a presença do macho, essa técnica associada ao estimulo olfatório (spray contendo 
5o androstenona) ou associada ao contato focinho-focinho com o macho. Todas as fêmeas em estro 
219 
A F SUN EMU! 
permaneceram estáticas na presença do macho. enquanto que apenas 30% das fêmeas manifestaram 
sinais de estro quando foi adotada a técnica de pressão lombar sozinha ou associada ao estimulo 
olfatôrio. No diagnóstico de estro. normalmente. o macho é colocado na frente da fêmea ou as fêmeas 
são conduzidas às baias dos machos. Em alguns sistemas. as fêmeas são levadas para uma área (boar 
exposure area), onde são alojados quatro a seis machos (Hemsworth et al., 1991). Comparando o 
diagnóstico tradicional em gaiolas com o sistema BEAR ( boar exposure area), Langendijk et al. (2000b) 
verificaram que o percentual de fêmeas ovulando quando a detecção de estro foi positiva, a duração do 
estro e o DE foram similares em ambos tratamentos. Em relação a mão-de-obra, o sistema BEAR 
apresenta a vantagem de permitir que uma pessoa estimule dois grupos de fêmeas simultaneamente 
( Beitranema et al., 2005). 
Os estimulos provocados pelos machos afetam os processos envolvidos na inseminação, 
podendo afetar a atividade uterina (Soede, 1993). As contrações uterinas apresentam um papel 
importante no transporte de espennatozóides no trato reprodutivo da fêmea ( Cia us. 1990). Genitsen et 
al. (2005) observaram os efeitos dos estimuios especificos (visão, olfato e audição) na atividade uterina 
durante o estro comparando matrizes na presença do macho ou de um robô. A frequência das 
contrações uterinas foi maior na presença do cachaça ( P-r: 0, 05) (Figura 7.3). 
Fr
eq
uê
nc
ia
 d
e 
co
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ra
çã
o 
U
te
rin
a 
h 
-l " Macho 3055+ Robõ+ Robô 
Difatória+ Auditivo 
Auditivo 
Figura 7.3. Parâmetros na frequência de contração Adaptado de Gerritsen et al. (2005) 
uterina frente & diversos tipos de estímulos. 
a,b (P-c0,05), * (Ii-£0.05), ** (Pobviamente que os cachaços devem estar 
separa dos para evitar brigas. 
Pode—se concluir que o efeito do macho para a redução do lDE é positivo, principalmente 
quando este intervalo estã prolongado. Alem disso, a presença de cachaço na detecção do estro é 
altamente aconselhável, pois outros artifícios para a estimulação do estro utilizados na substituição dos 
machos são extremamente limitados (Kemp et al.. 2005). Com um diagnóstico de estro realizado de 
forma eficiente na presença do cachaça. o protocolo de cobertura apresenta maiores chances de sucesso 
e, consequentemente, melhores serão os resultados produtivos. 
7.5 Alojamento das fêmeas apo's desmame 
O alojamento das fêmeas desmamadas pode ser individual ou coletivo e os estudos que 
avaliam a influência desses dois tipos de alojamento são controversos. Alguns trabalhos apresentam lDE 
menor quando as fêmeas são alojadas em grupos (Hemsworth et al., 1982: Pearce & Pearce. I992). 
enquanto outros autores não encontraram nenhuma diferença (England & Spurr, I969) ou também 
efeito negativo para esse tipo de alojamento ( Langendijk etal., 2000b). 
Após o desmame, Pearce & Pearce (1992) compararam fêmeas que foram mantidas isoladas, 
matrizes alojadas próximas de fêmeas ovariectomlzadas em anestro e porcas alojadas perto de fêmeas 
ovariectomizadas com estro induzido (injeção contendo ? mg de benzoato de estradiol). Nestes dois 
últimos grupos, as fêmeas mantinham contato fisico diário de lo minutos, A detecção de estro foi 
realizada duas vezes por dia. As fêmeas mantidas isoladas e as alojadas próximas àquelas 
ovariectomizadas em anestro apresentaram lDE maior em relação às fêmeas que estavam perto das 
ovarlectomizadas em estro induzido hormonalmente. Portanto, a presença de fêmeas ciclando 
estimulou a manifestação de estro nas outras. No entanto, Langendijk et al. (2000b) observaram que a 
ovulação e o comportamento relacionado com o estro podem ser adiados quando as fêmeas são alojadas 
em grupos. isso pode ser explicado porque os hormônios relacionados com estresse (ACTH e 
coticosteróides) interferem nos eventos que antecedem a ovulação (Arey & Edwards, 1998). Segundo 
Dias (2000), não houve diferença na taxa de detecção de estro, duração do estro e intervalo inicio estro 
ovulação entre as fêmeas alojadas em grupo ou individualmente. As secundiparas, alojadas em baias, ao 
contrário das fêmeas de outras OP, apresentaram lDE l2 horas mais curto quando comparadas a essa 
mesma categoria de fêmeas alojadas em celas. Os trabalhos mais antigos, que observaram melhores 
resultados em fêmeas alojadas por grupos no pós desmame, apresentavam um lDE médio de 10 dias 
(Hemsworth et al,, 1982; Pearce & Pearce, I992). Nas publicações mais recentes houve uma redução 
desse intervalo para 4 dias apresentando, em sua maioria, melhores resultados para o alojamento 
individual (Langendijk etal., 2000b; Dias. 2000). 
Ao comparar alojamento de fêmeas em gaiolas individuais e em baias (grupos de quatro 
fêmeas), Langendijk et al. (2000b) não encontraram diferença na taxa de detecção de estro e na duração 
do estro. Pedersen et al. ( l993) constataram que fêmeas subordinadas manifestaram comportamento 
221' 
A F SUN EMU! 
estral menos intenso, além disso. iniciaram o estro tardiamente e com menor duração quando 
comparadas as fêmeas dominantes. No alojamento em grupos, as fêmeas subordinadas podem ser 
prejudicadas tanto no momento da detecção de estro, quanto na cobertura. isso porque. as fêmeas 
subordinadas, mesmo em estro, apresentam-se menos receptivas ao macho que as fêmeas dominantes, 
demonstrando comportamento de medo (Pedersen et al,, 2003). Hemswortb et al, (1 982) encontraram 
maior percentual de fêmeas vazias após 28 dias do desmame naquelas alojadas em grupo, alem disso, 
estas fêmeas não responderam a uma injeção de eCG—hCG em cinco dias, indicando a provável 
ocorrência de cio silencioso. Porém, no outro experimento deste mesmo trabalho não encontraram 
diferenças entre os grupos em relação ao número de fêmeas vazias (fêmeas alojadas em grupos vs 
individual). 
Enfim, o alojamento em grupo após o desmame apresenta efeito negativo moderado na 
ocorrência do inicio do estro e na sua manifestação, quando comparado às fêmeas em gaiolas 
individuais. Os efeitos indesejáveis encontrados no alojamento coletivo ocorrem principalmente devido a 
agressões graves na formação da hierarquia dos grupos (Kemp et al., 2005). A formação de grupos 
grandes prejudica a detecção de estro e a realização da M, por isso a equipe deve ser qualificada para 
evitar o aumento de falhas na detecção. Outra preocupação no alojamento em grupos deve ser o 
arraçoamento, pois não e possivel quantificar quanto cada fêmea estã ingerindo. Apesar de nessa fase o 
arraçoamento serã vontade, muitas vezes as fêmeas dominantes não permitem que as demais cheguem 
ao comedouro. No alojamento coletivo, o arraçoamento deveria ser realizado individualmente, atraves 
de comedouros automáticos que identificam o animal e liberam a quantidade detenninada para cada 
um, no entanto, esse método requer maiores investimentos. 
7.6 influência da sazonalidade no retorno & ciclicidade da fêmea desmamada 
O anestro constitui o periodo de inatividade sexual, podendo ser fisiológico, antes do inicio da 
puberdade, gestacional ou lactacional. Após o desmame, aproximadamente 90% das fêmeas 
apresentam estro em até 10 dias, portanto, considera-se em anestro, porcas com IDE superior a isto 
(Meredith, 1979). A prevalência de anestro pós desmame pode variar conforme a epoca do ano. Apesar 
de o suino domestico ser classificado como poliestrico anual, ou seja, apresenta ciclicidade durante todo 
o ano, no verão e outono pode ocorrer uma queda sazonal na eficiência reprodutiva (Prunier et al., 
1996). 
Durante o verão, alguns autores observaram aumento na taxa de anestro pós desmame 
(Wentz et al,, 1986), no lDE (Britt et al,, i983: Xue et al., 1994), no intervalo desmame ovulação 
(Armstrong et al., i986) e no periodo entre desmame e concepção (Britt et al., 1983). No entanto, 
Hughes ( I 998) não encontrou influencia da estação do ano sobre o lDE. 
No verão há uma redução no consumo voluntário de alimentos durante a lactação, 
provocando deficiência energética e, consequentemente, redução nos niveis de LH em fêmeas 
desmamadas (Britt et al,, i986). As primiparas sofrem maior influência sazonal do que as pluriparas. Os 
principais estimulos ambientais que podem inliuenciar a atividade reprodutiva no verão são as 
temperaturas elevadas e o fotopenodo prolongado, O fotoperiodo, para os suinos selvagens europeus. 
representa o principal fator sazonal que influencia a atividade reprodutiva (Mauget, 1985 ). A influência. 
222 
5 IND ULTURA A 
desse fator ambiental. em suinos domésticos, utilizando variações bruscas de luz na lactação e no 
desmame são controversas. Em suinos domésticos e selvagens, quando ha queda na luminosidade, a 
secreção de melatonina aumenta. isso quer dizer que, mesmo os animais conânados, respondem ã 
luminosidade. sofrendo, portanto. os efeitos sazonais (East et al., 2001). A melatonina estimula a 
secreção de gonadotrofinas, favorecendo o retorno da atividade ovariana após o desmame, Enquanto 
alguns trabalhos observaram que longa exposição à luz estimula o retorno ao estro após o desmame, 
devido ao aumento do consumo de ração (Stevenson et al., 1983: McGlone et ai., 1 988), outros autores 
têm mostrado que periodos prolongados de luz apresentam uma influência negativa no retorno ã 
ciclicidade (Prunieretal., 1994; Kermabon et al,, 1995). 
No Brasil, a variação do fotoperiodo do verão para o inverno é muito inferior a dos paises do 
hemisfério Norte, onde a maioria dos experimentos foi realizada. Alem disso, as nossas construções 
também são diferentes, apresentam—se mais abertas, permitindo maior intensidade de luz em seu 
interior, quando comparadas às instalações de paises de clima temperado. 
A variação de luminosidade entre o inverno e verão parece termenos infiuência na ocorrência 
do estro quando comparados as mudanças de temperatura que ocorrem entre essas estações do ano. A 
exposição prolongada à temperatura acima de 25 ºC atrasa o aparecimento do estro pós desmame em 
primiparas (Barb et al., 1991). Em temperaturas altas, o apetite e a ingestão voluntária de energia 
diminuem, em média, 0.5 ? Mcai ED/dia (aproximadamente 0. 17 Kg de aiimento) para cada 1 º C acima 
de uma temperatura ambiente de 16 º C (Black et al., 1 993). As altas temperaturas influenciam no apetite 
das fêmeas e, consequentemente, na condição corporal. interferindo com isso no retorno ao estro pós 
desmame. Porém, não se deve descartar a infiuência que eievadas temperaturas apresentam na 
atividade reprodutiva através de mecanismos independentes de seus efeitos sobre a alimentação 
(Prunieret ai., 1996) (Figura 7.4). 
No final da gestação, lactação e após o desmame, Messias de Bragança et al. (1995) 
compararam fêmeas expostasa 20 º C e 30 º C. O arraçoamento foi à vontade para as fêmeas que estavam 
a 30 º C. a ração fornecida para as porcas expostas a temperatura de 20 º C foi restringida ao consumo do 
grupo à 30ªC. Assim, o consumo médio foi igualmente baixo para ambos os grupos. O ”DE foi 
prolongado tanto em fêmeas expostas a 20°C quanto a 30ºC, sugerindo um papel importante da 
nutrição, já que o consumo dos dois grupos foi reduzido. A queda no apetite pode expiicar em parte a 
influência das temperaturas altas na inibição da secreção de LH, porém os efeitos que independem da 
nutrição precisam de melhores esciarecimentos, Na suinocultura industrial, fatos como a redução do 
periodo lactacional, a detecção de estro na presença do macho e o fornecimento de niveis nutricionais 
adequados durante a lactação e' após o desmame contribuiram para a minimização dos efeitos da 
sazonalidade (Love et al., 1993). 
223 
A F SUN EMU! 
I Famper-iodo Longo I I Temperatura Alta | 
\. + _ ; 
|Apetlte de femea na lactação I r i m fl 
— . ? . Alta influência 
Deficiência Nutricional 
1 Média influência 
Atividade reprodutiva em primíparasl 
Figura 7.4. Representação esquemática dos mecanismos Adaptado de Pmnier et al., 1996 
envolvidos na infertilidade que ocorre no verão em primiparas. 
7.7 Hormonioterapia para indução do ciclo estral em fêmeas desmamadas 
O atraso, ou mesmo a não apresentação do estro pode estar relacionada ao manejo da granja 
ou às condições fisiológicas das matrizes. Para a indução do estro, os hormônios que apresentam 
melhores resultados são a gonadotroiina coriânica eqiiina (ecc) associada à gonadotrofina coriônica 
humana (hCG). A ação do ECG ocorre diretamente sobre os ovários. estimulando o crescimento folicular 
em fêmeas desmamadas. O hCG estimula células intersticiais do ovário, provocando a ovulação, além 
disso, atua na luteinização das células da granulosa, mantêm o corpo lúteo funcional e aumenta a 
secreção de progestãgenos das células luteinizadas (Hafez, 1995). 
Após o desmame, a associação de eCG e nas pode ser utilizada em femeas que não 
manifestaram estro dentro do periodo esperado. A maioria das fêmeas retorna a atividade reprodutiva 
em 7 a IO dias após desmame. Alem disso, nas primiparas, a utilização desses hormônios, apresenta 
função estratégica, pois se especula melhoria na taxa ovulatória e no número de leitões nascidos. As 
conseqiiências reprodutivas do uso de hormonioterapia podem ser influenciadas pela OP da fêmea, 
duração da lactação e estação do ano. Nos meses de altas temperaturas, é maior a probabilidade de 
atraso no retorno ao estro após o desmame, o que aumenta o aparecimento de anestros sazonais. 
A5 gonadotrofinas têm sido utilizadas para reduzir o DE e a freqiiência de anestro pós- 
desrname, especialmente. em fêmeas predispostas a iDE prolongado (Bates et al., 1991). Com a 
aplicação da associação de eCG e hCG aos nove dias pós desmame nas matrizes que não apresentaram 
estro. ocorre restauração da atividade reprodutiva. desde que essas fêmeas não tenham ciciado e 
encontrem-se em anestro (Wentz et al., 2007). Quando se suspeita de anestro em porcas, além da 
verificação de falhas de manejo como diagnóstico de estro e manifestação deste na maternidade, & 
possibilidade de que estejam na fase progesterônica deve seraiastada. Em estudo realizado por Wentz et 
al. ( 1 995 ). através da dosagem de progesterona, foram encontradas 28, 17% de fêmeas cíclicas, de um 
total de 91 fêmeas analisadas e que foram consideradas em anestro inicialmente. Essas fêmeas cíclicas 
224 
E SHINOEULTURA # A ª 
foram retiradas da análise. demonstrando com isso um alto percentual de fêmeas respondendo 
positivamente ao tratamento com hormônios. 
Normalmente. as primiparas apresentam iDE mais prolongado que as piun'paras, portanto, a 
homonioterapia em porcas OPl após o desmame. resulta em diminuição desse intervalo. No entanto, foi 
verificado redução no tamanho da leitegada no parto subsequente de fêmeas que receberam eCG/ hCG 
(Kirkwood etal, 1998). No trabalho de Vargas et al. (2006), durante o verão, foi realizado a aplicação de 
400 Ui de eCG associada com 200 U! de MG. 24 horas após o desmame. em 420 primiparas e solução 
salina em 408 fêmeas. Os autores verificaram aumento no percentual de fêmeas manifestando estro em 
até 10 dias pós desmame, e consequentemente, redução no iDE medio, nas fêmeas que receberam 
hormonios. Alem disso, o número de leitões nascidos totais no parto subsequente foi maior (Ps: 0.05) 
para essas fêmeas quando comparadas ao grupo controle ( 1 1.2 vs 10,4, respectivamente). Outras 
variáveis como a taxa de retorno ao estro e a taxa de parto não apresentaram diferenças significativas 
(Tabela 7.3). O uso de gonadotrotinas também não influenciou na longevidade da fêmea, sendo a taxa 
de descarte até o terceiro parto similar entre os tratamentos. 
Tabela 7.3. Comparação de alguns parâmetros produtivos entre primiparas que receberam aplicação de 
400 Ui de eCG associado com 200 Ui de na: e controle. 
Nº de fêmeas inseminadas 408 420 
iDE 8,017.13 5,314.”: 
Retorno ao estro (%) 7,8 6,9 
“taxa de parto (%) 89.5 88.3 
Taxa de parto ajustada (%) 91.7 92,1 
Nº leitões nascidos totais no parto subsequente 10,43 1 1,21: 
a.b na mesma linha diferem entre si (Pem estro com um intervalo de 3, 4 e 5 dias apos o desmame (vs 4, 5 e 6 dias no grupo controle). Essa 
antecipação na entrada em cio apos o desmame, observados nos trabalhos de Vargas et al. (2006) e 
também no trabalho de Patterson et al. (2009), favorecem as estratégias de inseminação. Com relação 
ao desempenho reprodutivo subsequente, em ambos os trabalhos, não foram observadas diferenças na 
taxa de parição e somente no de Vargas et al. (2006) foi observado um aumento nos nascidos totais do 
grupo submetido à terapia hormonal. Cabe salientar, que o trabalho de Vargas et al. (2006) foi realizado 
em pleno verão tropical, periodo em que as matrizes são submetidas a um maior desafio frente a 
infertilidade sazonal, enquanto o trabalho de Patterson et al. (2009) foi realizado no estado de illinois- 
USA, nos meses de janeiro a abril, em uma granja com temperatura ambiente controlada. Pode—se 
especular que, o uso de gonadotrofinas nos periodos mais adversos do ano tenha um efeito bene—Eco no 
desempenho reprodutivo subsequente. Levando em conta essas particularidades, e possivel entender 
algumas variações inerentes aos resultados obtidos com o omprogo da hormonioterapia em diferentes 
experimentos. 
7.8 Manejo salta cio e utilização do altrenogest nas fêmeas desmamadas 
Para minimizar o efeito negativo do catabolismo lactacional no desempenho reprodutivo 
subsequente. e possivel empregar estrategias de manejo que permitam um maior periodo de 
recuperação dessas matrizes, ampliando o intervalo entre o desmame e a cobertura. Como já foi descrito, 
o catabolismo lactacional tem um efeito mais marcante nas fêmeas primiparas (Reese et al... 1984: 
Foxcroft et al., 1995; Willians, 1998). portanto essas ferramentas de manejo são destinadas a essa 
categoria e podem ser aplicadas em situações especificas. 
O manejo salta cio e a utilização de altrenogest atuam no prolongamento do intervalo 
desmame cobertura. O manejo salta cio consiste na realização da cobertura de fêmeas no segundo estro 
após o desmame. Esse manejo permite um periodo maior para a recuperação de fêmeas, seja por 
motivos sanitários ou de escore corporal. A terapia hormonal com altrenogest, análogo sintético de 
progesterona ( i9-nortestosterona ou l7- alii trembolona), é outro manejo utilizado para melhorar a 
performance reprodutiva das fêmeas. Sabe-se que a progesterona, produzida pelo corpo lúteo (CL). 
inibe a maturação folicular, por conseguinte a manifestação do estro. Esses progesta'genos exógenos 
mimetizam a função da progesterona, evitando a regressão do Cl., não permitindo o recrutamento e 
desenvolvimento folicular, impedindo com isso o retorno da fêmea ã ciclicidade durante a sua 
administração (Amaral Filha et al., 2006). 
A realização da cobertura de primiparas no segundo estro após o desmame pennite 
recuperação do estado corporal, resultando em melhoria da fertilidade e aumento do tamanho da 
leitegada no parto subsequente (Pay. 1973: Love, 1979; Morrow et al., 1989). Segundo Clowes et al. 
(1994). o tamanho da leitegada de fêmeas CPI e 2, no manejo salta cio foi de 12.8 leitões e quando a 
inseminação ocorreu no primeiro estro após desmame, esse número reduziu signifrcativamente para 
226 
5 IND ULTURA A 
10,4 leitões nascidos. Conforme citado neste capítulo, as primíparas sofrem maior mobilização das 
reservas corporais, devido ao consumo insuficiente de nutrientes necessários para atender todas as suas 
demandas. Portanto, depois do desmame, essa categoria pode necessitar de um período superior para 
recuperação do metabolismo quando comparadas as demais OP (Kirkwood, 2008). A cobertura das 
fêmeas no segundo estro pós desmame resulta em um incremento de 21 DNPs que. se somados a um 
i DE médio de 7 dias, resulta em 28 dias de intervalo entre o desmame e a inseminação, Esses 21 DNPs a 
mais representam uma perda potencial de 1,4 a 1,8 leitões por fêmea (Kirkwood, 2008). Patterson & 
Foxcroft (2009) verificaram que o número de embriões vivos e a sobrevivência embrionária no 30° dia 
de gestação foi maior nas fêmeas cobertas no segundo estro do que no primeiro estro apos o desmame. 
Não foram observadas diferenças no número médio de ovulações no primeiro e segundo estro pós 
desmame. Entretanto, o tamanho dos folículos, nas fêmeas do grupo salta cio, aumentou 
aproximadamente 1 mm, em média, no segundo estro após o desmame (estro de cobertura) (Tabela 
7.4). Essa diferença no tamanho folicular possiveímente teve conseqiíência no grau de maturação do 
oócito e talvez também na qualidade do corpo luteo formado. 
Tabela 7.4. Comparação entre fêmeas submetidas ao manejo "salta cio" e fêmeas controle quanto a 
taxa de ovulação, tamanho do maior folículo, número de embriões vivos e sobrevivência embrionária 
aos 30 dias do gestação, 
. , . . . . - . ' r-“cl'l . -.' ' . .n- ' . - :.l _ asa.-;_i ,Áâaacãdaaãã 
Taxa de ovulação 19,0 I9,6 0,6 0,5 
Tamanho do maior folículo 7.2x 7,1 0,2 0,55 
l º estro Pós desmame 
Marino do maior folículo - 8,23; 052 01,002 
2" estro Pós desmame ' " ' 
Número de embriões vivos 12,9 15,2 0,8 0,04 
aos 30 dias do gestação 
Sobrevivência embrionária 68,1 32:4 3,6 a, 03 
aos 30 días do gestação 
I diferença estatística na linha Adaptado do Patterson & Foxcroft (2009) 
Joy diferença estatística no tamanho dos folículos 
maiores na cobertura PTratamento com Altrenogest 
Após tenninilíí_ 
10-12 dias 10—12 dias do altrenog'ed? 
Foliculos maiores (mm) 3,03 = 0,12 3,00 : 0,25a 3,63 = 0,5213- 
Tamanho médio dos folículos (mm) 2,58 =*: 0.16 2,51 = 0.203 3,01 = 0,311: 
Tamanho do corpo lúteo (mm) 7,01 :|: 0,59 6,78 = 0,87 ausente 
a.b na mesma linha diferem entre si (Pmatriz e a ingestão de colostro, a variação da temperatura corporal dos leitões 
até três horas após o parte. os efeitos sobre a secagem e a queda do cordão umbilical, a incidência de 
diarréias, o indice de mortalidade até o desmame e a contagem bacteriana nos escamoteadores 24 horas 
pós-parto. Ao final do estudo, os leitões do grupo tratado apresentaram melhor desempenho para todos 
os parâmetros acima mencionados, ingeriram colostro mais cedo e se encontravam em ambientes com 
menor desafio bacteriano em relação ao grupo controle, o que provavelmente refletiu numa menor 
incidência de diarréias. 
Na maioria das vezes, o cordão umbilical ainda está intacto ao nascimento, mas usualmente 
rompe dentro de cinco minutos (Ash, 1986), com a movimentação do neonato ou da fêmea (Senger, 
2003). Em média, 30% dos leitões apresentam-no rompido no momento do nascimento. Leitões que 
nascem mais próximos do final do parto apresentam maior chance de ter o cordão rompido ao 
nascimento ( Randall, 1972: Ash, 1986). Desta forma, a fim de evitar hemorragias e posteriores 
infecções, deve—se proceder ao correto corte e oclusão do cordão umbilical. 
A viabilidade dos leitões pode variar de acordo com fatores inerentes ao desenvolvimento do 
leitão e ao parto, e está vinculada ao grau de normalidade e vigor ao nascimento, as condições que lhe 
são fornecidas, & habilidade materna e à disponibilidade de tetos produtivos. A intensidade da 
130 
SUINOCULTURA EM A 
manifestação dos efeitos prejudiciais a viabilidade dos leitões varia consideravelmente con forme o 
rebanho, o meio ambiente e o manejo. Dentre os fatores que atuam diretamente sobre a mortalidade 
dos leitões recém—nascidos, são citados: o esmagamento pela femea, distúrbios do trato gastrointestinaL 
pneumonia. anormalidades congênitas, tamanho da ieitegada, peso dos leitões ao nascimento, idade da 
matriz e estação do ano (English et al., 1979; Dewey etal., 2008). 
A asfixia e a maior causa de perdas neonatais, além de comprometer a viabilidade de leitões 
neonatos (Herpin et al.. 1996: Alonso—Spilsbury et al.. 2004). O processo de asiixia durante o parto 
causa diminuição do pH sanguineo, aumento da pressão de CO’ e do lactato e diminuição da pressão de 
Dª (Zaieski & Harcker, 1993). A intervenção errônea. seja peia administração de ocitocina ou por 
palpação genital, também pode alterar o curso normal do parto (Holtz et al., 1983: Welp et al.. I984: 
Mota-Rojas et al., 2005). A ação da ocitocina e seus anãiogos sobre o miomãtrio pode ievar a uma 
elevada pressão sobre o cordão umbilical e separação precoce da placenta materna e fetal, diminuindo o 
fluxo sanguineo e aporte de oxigênio para os fetos e subsequente diminuição da viabilidade fetal ou até 
morte por asfixia (Mota—Rojas et al., 2006). De acordo com Herpin et al. (1996), alto grau de asfixia 
promove um atraso na chegada dos leitões ao complexo mamário, e consequentemente uma 
incapacidade de manterem a temperatura corporal. A privação de oxigênio também pode ocorrer em 
decorrência da presença de membranas fetais. Alguns leitões podem nascer totalmente envoltos pelas 
membranas fetais. e. caso não ocorra rápido atendimento. estes acabam morrendo ( Herpin et al., I996). 
Além disto, deve-se ter cuidado extra com leitões que apresentam baixo peso ao nascimento 
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Dijk etal., 2005; Canario et al., 2006). 
Dentre as diversas causas de distocia pode—se citar posicionamento fetal anormal 
(apresentação, posição ou atitude), desproporção feto-pélvica, inércia uterina, falha na liberação de 
ocitocina, obstrução das vias fetais e exaustão da fêmea (lackson, I975; Almond et al., 2006). Porém, hat 
também as causas iatrogênicas de distocias. como o uso incorreto de PGFZo e ocitocinas (jackson, 1975) 
(Tabela 4.5). A duração do parto também pode ser influenciada negativamente por inúmeros fatores 
ligados principalmente ao ambiente e ao manejo. Assim, ambientes barulhentos, aumentos de 
132 
SUINOCULTURA EM A 
temperatura ou, então, a intervenção através do auxilio manual como a palpação vaginal em momento 
não apropriado, tornam o parto mais prolongado (jackson. 2006: English et al., 1979: Smith, 1997). 
Tabela 4.5 incidência das causas de distocias 
inércia uterina primária 12 (I5. I) 
Inércia uterina secundária 36 (18,5) 
Idiopática 23 (11,8) 
ºbstrução do canal 25 (12,8) 
Desvio uterino 19 (9,7) 
Excitamento materno 6 (3,1) 
Ma disposição fetal &? (34,4) 
Desproporção feto-péivica 3' (3.6) 
Adaptado de jackson (1975]. 
4.6.1 Falhas relacionadas & fêmea 
A causa mais comum associada a fêmea é a inércia uterina, a qual pode ser classificada em 
primária e secundária. A inércia uterina primária ocorre quando a fêmea não entra no segundo estágio 
do parto. Tem sido sugeridas como falhas em relação á contração do útero: a deficiência de cálcio. o 
desbalanço hormonal e a distensão uterina devido a presença de um número eievado de fetos. Já a 
inércia uterina secundária deve-se à exaustão uterina por excesso de contrações sem sucesso de 
expulsão. ou já no fim do parto em caso de leitegadas numerosas, sendo muitas vezes considerada 
consequência e não uma causa (lackson, 1975; Ash. 1986: Almond etal., 2006). 
O desvio uterino também acontece, podendo ser total ou parcial, no qual um dos cornos 
uterinos pode estar circundado pelo outro corno, impedindo a liberação dos fetos. O desvio uterino 
também pode ocorrer devido ao peso excessivo do mesmo, o qual estende a céniix para a cavidade 
pélvica renal, impedindo que os fetos entrem no canal (jackson, 1975; Ash. 1986; Almond et al., 2006). 
Além dos tecidos moles, e parte óssea também pode estar comprometida. A não dilatação 
óssea por diversos fatores, principalmente hormonal, impede, dependendo do tamanho dos fetos, que o 
nascimento ocorra (Jackson, 19?5: English et al., 1979). A reiaxina é o hormônio responsável por 
produzir uma ligeira dilatação das articulações pélvicas e das suas cápsulas articulares, dando—lhes a 
liexibilidade necessária para o parto, provocando remodelamento do tecido conjuntivo e afrouxamen'to 
da união entre os ossos pélvicos (Cunningham, I999). 
133 
E A FÉMEA SUÍNA EM Wf⪠
4.6.2 Falhas relacionadas aos leitões 
Na terminologia obstétrica, apresentação, posição e atitude fetal, são as definições mais 
importantes, pois descrevem as relações entre as várias partes fetal e materna (Grunert & Birgel, 1982). A 
apresentação fetal é a relação que existe entre os eixos longitudinais, isto é, da coluna vertebral do feto e 
da mãe. Apresentação longitudinal anterior e' denominda quando os membros anteriores e a cabeça do 
feto se insinuam na via fetal mole, e a apresentação longitudinal posterior quando os membros 
posteriores são a primeira parte a se insinuar na via fetal mole ( Grunert & Birgel, 1982). A posição fetal 
no momento do parto consiste na relação que existe entre o dorso materno e o dorso fetal. Ha 
possibilidade de três posições fundamentais, Posição superior, cujo dorso do feto se relaciona com as 
porções dorsais da matriz: posição inferior, onde ha o relacionamento das posições ventrais do feto com 
as dorsais da matriz ,e a posição lateral na qual ha o relacionamento do dorso fetal com a parede lateral 
do abdômen materno ( Gruner't & Birgel, i 982), E por fim, a atitude é o modo pelo qual se relacionam as 
partes móveis do feto (cabeça e membros) com seu corpo (tórax e abdômen) ou o relacionamento que 
existe entre segmentos das extremidades fetais e pode ser classificada em atitude estendida. quando o 
feto insinua-se com os membros perfeitamente esticados, e atitude flexionada, quando o feto se insinuar 
com flexão de membros ou da cabeça (Grunert & Birgel, 1982). 
Os leitões podem ter diferentes apresentações ao nascimento, bem como nascerem com o 
cordão umbilical rompido ou estarem completamente enrolados nas membranas fetais, Muitas vezes, 
mais de um feto pode posicionar-se no canal ao mesmo tempo, ou podem estar posicionados 
lateralmente, ou até mesmo fetos malformados podem impedir que o parto ocorra naturalmente 
(lackson, l975; Ash, i986: Almond et al,, 2006), Randall (1972), ao avaliar 1046 nascimentos, 
observou que 55,4% tiveram apresentação anterior e 44,6% apresentação posterior. Distribuição 
semelhante foi encontrada por English et al, ( I979) onde 52% dos nascimentos tiveram apresentação 
anterior e 48% posterior. Van Dijk et al. (2005) observaram que não foi constatada alteração na relação 
entre a apresentação anterior e posterior de acordo com a ordem de nascimento ou intervalo de 
nascimento. Estas apresentações (anterior e posterior) são consideradas normais, sendo que qualquer 
outra e' considerada distõcica. Com relação ã posição, Randall (1972) observou que 94,3% dos leitões 
nasceram na posição superior, 4,2% lateral e 1,5% na posição inferior, Não houve correlação com a 
posição apresentada ao nascimento e ocorrência de parto distõcico, porem maior esforço foi requerido 
pela fêmea quando a posição inferior foi evidenciada. Assim, qualquer uma das três posições e 
considerada normal. Baseado nestes estudos, a apresentação mais comum é a longitudinal anterior e a 
posição é a superior, não importando a atitude (Randall, 1972: English et al, 1979: Muirhead & 
Alexander, 1997). 
A ocorrência de distocia fetal aumenta quanto menor a leitegada, pois neste caso, a 
possibilidade dos fetos serem maiores e elevada, podendo resultar em obstrução do canal (M uirhead & 
Alexander, 1997), Em um estudo conduzido com 3290 partos, Meliagi et al, (2009) associaram partos 
prolongados a leitegadas numerosas, & maior ocorrência de natimortalidade e de intervenção obstétrica. 
Além disso, o periodo de primavera e verão apresentou partos mais duradouros do que de outono e 
inverno, isso pode ser decorrente de um possivel estresse térmico, resultando em exaustão fisica das 
fêmeas, diminuindo portanto, as contrações abdominais e uterinas. 
134 
SUINOCULTURA EM A 
4.6.3 Intervenção obstétrica ao parto 
A assistência ao parto de forma adequada é absolutamente importante na suinocultura com o 
objetivo de obter o maior número de leitões nascidos vivos e mantera saúde reprodutiva da fêmea, a fim 
de dar continuidade à produção de leitões. Como todos os processos reprodutivos, o parto pode ter 
influência significativa no desempenho reprodutivo subsequente do plantel de matrizes. Contudo, 
mudanças ocorridas no perfil das matrizes, que possuem cada vez menos reservas corporais e produzem 
leitegadas cada vez maiores, bem como dificuldade de obtenção de mão de obra qualificada,, na maioria 
das vezes sem experiência e deficiente treinamento, são pontos que devem ser levados em conta no 
momento de uma intervenção. 
Não existem recomendações sobre limites de intervenções ao parto. No caso de levar em 
consideração as observações de Smith (1997). Britt (1986) e Almond et al. (2006), isto é, um percentual 
de distocias da ordem de 3% dos partos seriam os limites que deveriam ser respeitados, Entretanto, 
apesar desse percentual ser baixo, o número "real " de fêmeas submetidas a intervenção manual ao parto 
e bem maior, devido aos variáveis protocolos de atendimento ao parto utilizado em cada granja. Borges 
et al. (2005)e Mellagi et al. (2009) observaram percentuais de 22,8% e 20,6% de intervenções aos 
partos, respectivamente. É possivel que em muitas situações possa existir precipitação na decisão de 
intervenção por desconhecimento do processo fisiológico do parto por parte do funcionário, 
aumentando, dessa forma. este indice. Segundo Meredith ( 1 995 ) e Knox (2005). a intervenção manual 
deve ser realizada quando o intervalo entre nascidos exceder 20-30 minutos, a fim de evitar o estresse da 
fêmea e aumento da taxa de natimortalidade, e quando outras atitudes já tiverem sido tomadas, como 
estimulo da fêmea para ievantare massagem abdominal. A intervenção também pode ser necessária não 
somente para remoção de leitões, mas também de placentas que não foram eliminadas. 
Conhecimento e experiência são dois fatores essenciais no momento da intervenção. pois 
assim que o real problema é reconhecido, a tomada de decisão deve ser a mais rápida possivel. Da 
mesma forma, quando possivel, a consulta de ocorrência de eventos nos partos anteriores, e, para 
granjas que dispõem de equipamento de ultrasonograiia em tempo real, a possibilidade de utilização 
dessas ferramentas pode auxiliar na identificação do problema, evitando assim, intervenções muitas 
vezes desnecessárias. Deve-se levar em consideração que a intervenção manual precoce e errônea pode 
promover distúrbios no parto natural (Runnels, I980), ocasionando lesões do tecido do canal do parto 
(Meredith. 9%) morte dos fetos, diminuição da viabilidade dos leitões, infecções locais ou sistêmicas 
ou, até mesmo, morte da fêmea ( Cutler et al., 2006). 
A intervenção obstétrica pela palpação genital, apesar de necessária em ocasiões de distocia, 
mostra-se ser um metodo invasivo para o trato genital. Desta forma, pode-se introduzir 
microorganismos patogênicos no útero e compromete—lo para a próxima gestação, resultando em falhas 
na fecundação ou na sobrevivência embrionária (Runnels, 1980: Meredith, i995: Cutler et al., 2006). Os 
dados de Mellagi et al. (2009) mostram que a intervenção obstétrica afeta o intervalo desmame-estro 
005. a taxa de parto e o tamanho da leitegada subsequente. Mesmo procedendo-se a intervenção 
manual ao parto com todos os cuidados higiênicos e medicando-se as matrizes com antimicrobiano, foi 
observado um comprometimento reprodutivo subsequente com um aumento no ! DE nas fêmeas OP 1' e 
OP 2. menor taxa de parto nas fêmeas OP 3-5 e menor tamanho da leitegada nas fêmeas OP 6—10. 
quando submetidas ã intervenção manual obstétrica. Dados semelhantes tinham sido encontrados por 
135 
Lebret ( I 999). no qual fêmeas submetidas ã intervenção manual no parto anterior tiveram maior chance 
de parir leitegada menor no parto subsequente. 
Assim, a exploração manual deverá ser conduzida com o máximo ,de cuidados higiênicos, 
Recomenda—se, inicialmente, higienizar o posterior da fêmea, vulva, bem como mãos e braços. Apõs 
colocar luvas descartáveis e passar gel lubrificante sobre a luva, deve-se introduzir a mão com todo o 
cuidado pelo canal vaginal, evitando movimentos bruscos, A intervenção inclui exame manual da vagina, 
cérvix ou até onde se consegue palpar, removendo obstáculos de obstrução ou fetos mal apresentados 
(Cutler et al., 2006: Wentz et al., 2009). Uma vez identificada uma distocia de origem fetal, procede-se a 
correção da posição e traciona-se o leitão manualmente. Caso nenhuma anormalidade no canal ou com 
os leitões seja identificada, ao palpar o leitão, deve—se segura-lo finnemente, preferencialmente pelos 
membros posteriores ou pela cabeça, logo após as orelhas, e proceder a retirada gradualmente. Após a 
remoção do leitão, recomenda-se outro exame exploratório, pois vários leitões poderão ter sido 
deslocados para a porção caudal do útero pelas contrações uterinas e poderão ser retirados (Silveira et 
al., 1998: Cutler et al., 2006). No caso de inércia uterina e, quando após a palpação vaginal constatar—se 
que não existam obstáculos a saída dos leitões, pode-se aplicar carbetocina ou ocitocina (10 a 20 Ui ) por 
via intramuscular (lM) (Cutler et al., 2006: Wentz et al., 200 9). 
Toda fêmea que sofreu intervenção manual, independente dos cuidados higiênicos utilizados, 
deve ser medicada com antimicrobianos, prevenindo desta forma infecções uterinas puerperais. isto 
justifica-se, pois quando a mão ou braço são introduzidos, levam consigo a microbiota da vulva, 
vestíbulo e vagina para cérvix e útero (Meredith, i995; Cutler et al., 2006: Friendship & Prescott, 2006). 
Como nessa fase as defesas destes orgãos estão reduzidas, limitando-se às contrações uterinas para a 
eliminação de liquidos e restos celulares da descamação da mucosa do útero (Oliveira, 2006), a 
antimicrobianoterapia torna-se uma ação muito importante. 
Baseado nas informações anteriores e nas fases do parto, pode-se definir o momento de se 
fazer a intervenção e quais procedimentos devem ser realizados. Assim, a sequência de atendimento ao 
parto dã-se da seguinte forma (Wentz et al., 2009): 
I. Acompanhamento da fêmea quanto aos sintomas de parto: esta avaliação deve ser 
realizada para que se tenha uma orientação sobre a proximidade do parto. Envolve observações sobre o 
comportamento da matriz como: agitação, escavar, morder, deitar, contrações: sobre o complexo 
mamário: ingurgitamento, edema, presença de leite; sobre a vulva: edema e secreção, e da cauda: 
relaxamento ou movimentação. 
2. Anotação do inicio do parto: esta culmina com a eliminação de secreção acompanhada 
de contrações abdominais e a expulsão do primeiro feto, Esta informação é importante para que o 
parteiro possa tomara decisão mais correta em caso de demora do nascimento do primeiro leitão, e tera 
informação final sobre a duração do parto. 
3. Anotação da hora de nascimento de cada leitão: esta observação deve ser realizada 
através da utilização de uma ficha individual de acompanhamento do parto e, desta forma, pode—se 
determinara necessidade de intervir no parto em relação ao periodo decorrido do nascimento do último 
leitão. Como o intervalo médio entre nascimentos e' de 10—20 minutos, podendo chegar à uma hora, os 
protocolos de orientação de intervalo devem ser bem claros. Geralmente, não devem ser inferiores a 30 
minutes. sugerindo-se em média 30-45 minutos. 
136 
SUINOCULTURA EM A 
4. Decisão a ser tomada: 
Primeira observacão: o parto iniciou e não deu continuidade embora a fêmea tenha 
contrações. Normalmente nestes casos a intervenção manual faz-se necessária, pois possivelmente existe 
algum obstáculo no canal do parto que impede o progresso do mesmo. 
Segunda observacão: nasceram alguns leitões e o intervalo entre o último a nascer e a espera, 
do próximo está prolongada: 
A) Com contrações abdominais: significa que a fêmea tenta expulsar o feto e não consegue. 
Como existem contrações, não se deve fazer uso de ocitocina, pois parte do principio de que existem 
contrações uterinas também. Neste caso o massageamento do complexo mamário no sentido cranial 
para dorsal e o indicado. Segue a tentativa de fazera fêmea levantar para deitar novamente e por último 
a intervenção manual obstétrica. 
B) Sem contrações abdominais: pode significar que nenhum feto está inserido na bacia, 
embora possa haver as contrações uterinas. Neste caso. o massageamento do complexo mamário é a 
primeira atitude recomendada. seguida da tentativa de estimular a fêmea a levantar, e. caso não tenha 
êxito, a intervenção manual obstétrica. Ainda, no caso de insucesso nestas tentativas, não havendo, 
portanto obstáculos no canal do parto e havendo suspeita de mais fetos no útero, deve-se, através da 
palpação. verificar se a fêmea apresenta contrações. Em caso negativo, a aplicação de ocitocina é 
indicada. 
4.7 Hormonioterapia 
4.7.1 Prostaglandinas e seus análogos 
Com o advento das prostaglandinas e seus análogos, associadas ou não a ocitõcitos, surgiu a 
possibilidade de induzir e sincronizar os partos para determinados dias da semana ou horas do dia. 
facilitandoo trabalho de assistência ao parto (Cooper, i981: Stephens et ai.. 1988: Pressing. 1992: 
Weems et al., 2006: Wentz et al., 2007). Assim. o controle dos partos através de uso de hormônios facilita 
a organização de pessoal e de manejo na maternidade, evitando partos noturnos e de fim de semana: 
melhora a supervisão. proporcionando a intervenção imediata, o que diminui a mortalidade neonatal; 
facilita as medidas de manejo com os leitões; além de sincronizar os partos. o que diminui os custos e leva 
a formação de lotes mais homogêneos (King et al., 1979; Young & Harvey, 1984; Weems et al., 2006: 
Wentz et al., 2007). 
Atualmente, existem no mercado vários análogos da PGFZot. no qual o dinoprost e 
cloprostenol são os mais utilizados, apresentando diferenças principalmente na sua biodisponibilidade e 
tempo de ação. O dinoprost atinge o pico plasmático mais rapidamente, mas sua meia vida plasmática é 
menorse comparada ao cloprostenol, o qual possui maior biodisponibilidade. alem de apresentar menos 
efeitos colaterais. Além disso. foi demonstrado que D-cloprostenol ( R-cloprostenol) é aproximadamente 
dez vezes mais potente que DL—cloprostenol (Re et al., 1994). 
A aplicação exógena de PGF2o: resulta num declínio da P4 plasmática, regressão do corpo 
ititeo e liberação de relaxina. Ao utilizar a indução. deve-se avaliar o periodo medio de gestação das 
fêmeas da granja, procurando fazê—la mais próximo à data provável do parto. Preconiza-se realizar a 
indução entre o 112° e ”3" dia de gestação. normalmente por via lM (King _et al.. l979; Pressing. 
137 
E A FÉMEA SUÍNA EM Wf⪠
1992; Wooms ot a1.. 2006) para periodos médios de gestação de 114 dias. O intenralo médio entre a 
indução o o inicio do parto clã—se em 24 a 28 horas, e o diminuído quando as fêmeas são induzidas 
próximas à data do parto (First et al., 1982; Young & Harvey, 1984: Pressing, i992; Weems et al., 2006). 
Hammond & Matty (i 980) e Cooper (1981) verificaram que, ao aplicar PGFZo. 80 a 86% das fêmeas 
pariram até 36 horas após. Contudo, o parto aconteceu durante o horario de trabalho em apenas 50- 
60% das fêmeas induzidas, sendo que em torno de 20% destas pariram antes de 22 horas apos a 
indução (Hammond & Matty, 1980: Cooper. 1981). Deve ser considerado também que um pequeno 
percentual de fêmeas não responde ao tratamento de indução do parto. Uma possivel explicação para 
esta diferença do porcontua1 deve—se ao pequeno volume injetado. Desta forma, qualquer perda 
representa proporcionaimente uma parte significativa da dose, levando ã diminuição da eficiência do 
produto. Sugere-se que alem dos cuidados na aplicação, a diluição do fármaco, aumentando assim o 
volume injetado por matriz (Wentz etai., 2007). 
Alexopoulos et al. (1998) induziram fêmeas aos 111. 112 e 113 dias de gestação e 
demonstraram que houve acréscimo na natimortalidade, aumento no intervalo de nascimento entre o 
primeiro o último leitão, no número de assistências, l DE, maior ocorrência de Sindrome Mastite Metrite 
Agalaxia (MMA) e diminuição no número do desmamados no grupo induzido aos 1 1 1 dias. Entretanto, a 
partir dos 1 12 dias de gestação, o efeito sobre a viabilidade dos leitões foi o inverso. 
O uso de PGFZo via submucosa vulvar (SMV) possibilita a redução pela metade da dose 
utilizada via "VI (5 mg vs. 10 mg) (Koh et al., i986: Kirkwood et al,, 1996). Peixoto (2002) comparou 
indução com dinOprost com uma ou duas doses ( lM— 10 mg), sendo a segunda seis horas após a primeira, 
e observou que a aplicação de duas doses apresentou maior concentração de partos (64. 1%) no periodo 
desejado (24-34 horas após indução) comparado a uma dose (48,8%). Em um segundo experimento, 
Peixoto (2002) comparou dois análogos do PGF2o: (dinoprost e cloprostenol) em diferentes doses (0,06 
ou 0, i2 mg e 2,5 ou 5,0 mg, respectivamente) pela via SMV, e não observou diferenças entre os 
tratamentos no percentual de fêmeas que pariram no horário desejado, de 24 a 34 horas (44-56%), mas 
com diferenças (P-=:0.01) para os controles (10- 13%). O autortambem observou que 38,3 a 44,3% das 
fêmeas induzidas já iniciavam o parto antes das 24 horas e, no somatório ate' as 34 horas, estes 
percentuais alcançaram entre 83,8 e 96,3%, comparado aos 26 e 36% das fêmeas controle, mostrando 
um efeito muito importante na capacidade de concentração de partos para um determinado período. 
Observações semelhantes foram feitas por Gheller (2009), com a utilização de cloprostenol sodico via 
SMV. O autor verificou concentração de 87.3 o 56.3% do fêmeas parindo 30 horas após o tratamento 
para o grupo induzido e controle, respectivamente. 
Ao induzir com 113 dias do gestação, Gheller (2009) não observou diferença na 
natimortalidade entre grupos tratados ou não com PGF2o. já Peixoto (2002) observou redução nessa 
taxa quando as fêmeas foram induzidas com análogos da PGFZot por via W ou com duas aplicações do 
um quarto da dose por via SM V. Resultados contraditórios quanto a ocorrência de natimortos apos a 
indução podem ser observados na literatura e não são facilmente explicados. Entretanto, deve-se 
salientara importância do protocolo utilizado para a indução do parto, na ocorrência de natimortos. Ao 
induzir partos precoces (antes de 1 12 dias). por erro de calculo ou anotação, aumenta-se a chance do 
natimortos pela diminuição do vigor e viabilidade (Wentz et al., 2007). Assim, o acompanhamento dos 
partos nas fêmeas induzidas e controles deve ser rigoroso, isto é, todas as anotações devem ser 
138 
SUINOCULTURA EM A 
absolutamente corretas, para evitar avaliações e interpretações incorretas. Além disso, ao se interpretara 
ocorrência de natimortos deve-se levar em conta que, ao realizar a indução dos partos, ha uma 
concentração de fêmeas parturientes em um curto periodo de tempo. Com isso, é importante que haja 
uma equipe disponivel para atender o grande volume de partos concentrados. Caso isso não ocorra, 
pode-se ter um aumento na natimortaiidade, não pela indução ao perto. mas pela omissão no 
atendimento do mesmo. 
4.7.2 ºcitocina e Carbetocina 
A ocitocina, produzida no hipotálamo e armazenada na hipófise, tem a função de estim ulara 
contração das células musculares lisas do útero e do complexo mamário, resultando na expulsão dos 
fetos durante o parto, e na ejeção do leite durante a lactação (Oliveira, 2006). A ocitocina não é indutora 
de partos, contudo quando associada a PGFZa após a indução, tem demonstrado ser um protocolo que 
proporciona uma melhor sincronização dos partos e redução do intervalo entre nascimentos (Oliveira, 
2006: Cutler et al., 2006). A combinação de PGFt com ocitocina (20-30 U l) resultou em um aumento 
de mais de 85% das fêmeas parindo em até 36 horas após a indução (Dial et al., 1987). No entanto, 
como a ocitocina exógena aumenta a intensidade e frequência das contrações uterinas, pode ocorrer um 
maior dano aos cordões umbilicais com a consequente ruptura e aumento da natimortalidade (Mota-— 
Rojas et al., 2002; Alonso-Spllsbury et al., 2004). Alexopoulos et al. (1998) demonstraram que a 
indução do parto com cloprostenol (0, I75 mg) associado a administração de ocitocina (10 Ui) 24 horas 
após, proporcionou o inicio do parto em 90% das fêmeas em até oito horas após a aplicação, o que 
coincide com o expediente de trabalho na granja. Entretanto, essa grande concentração de partos em 
um curto espaço de tempo pode tornar-se um problema de logistica na prática. Portanto, antes de se 
introduzir este manejo, deve—se analisar e planejar a diSponibilidade e qualidade da mão-de-obra para 
atendero grande volume de partos concentrados (Wentz et al., 2007). 
Vários fatores devem ser levados em consideração para o sucesso desse manejo. A ocitocina 
necessita de receptores para sua ligação nas células mioepiteliais, o que justifica o uso somente a partir de 
24 horas que antecedem o parto, período o qual estes receptores são expressos e mediados pela 
secreção de estradiol (Anderson, 7993; Oliveira, 2006). isso subsidia a aplicaçãode PGFZor 24 horas 
anterior à de ocitocina para garantir a presença destes receptores (Anderson, 1993; Oliveira, 2006). A 
via de administração de ocitõcicos também pode interferir no sucesso do protocolo. Existem três vias 
recomendadas: lM, SMV e endovenosa (EV), sendo que a variação entre elas da-se no tempo de 
absorção e ação, além da concentração plasmática (Wentz et al., 2007). Mota-Rojas et al. (2006) 
observaram que o tempo de ação da ocitocina foi 3 1.4: 19,6 e 9,3 minutos quando administrada por via 
lM (40 ! U), SMV (40 W) e EV (20 tv), respectivamente. 0 uso de ocitocina via lM diminui em 28.8% o 
número de leitões natimortos intraparto e com o cordão umbilical rompido (P