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15. Alguma dúvida quanto ao diagnóstico? Todos os dados convergem para um único diagnóstico: acalasia. O esofagograma com esôfago de 11 cm de diâmetro de as- pecto sinuoso corresponde ao dolicomegaesôfago (grau IV na classifi cação de Resende). Ora, acalasia grau IV é igual a esofagectomia. A esofagectomia é considerada em qualquer paciente sin- tomático com esôfago tortuoso (megaesôfago), esôfago sig- moide, falha de mais de uma miotomia ou uma estenose de refl uxo sem possibilidade de dilatação. Menos de 60% dos pacientes que se submetem a miotomias repetidas se bene- fi ciam da operação, e a fundoplicatura para tratamento das estenoses de refl uxo é menos efetiva. Além de tratar defi niti- vamente a acalasia em estádio terminal, a ressecção esofágica também elimina o risco de carcinoma. Uma esofagectomia trans-hiatal, com ou sem preservação do nervo vago, oferece um bom resultado a longo prazo. Resposta b. 16. O que o enunciado quer tratar é da defi nição de acala- sia não avançada e acalasia avançada (graus III e IV) o que permite estratifi car a melhor conduta cirúrgica. Se não há quebra do eixo esofágico é acalasia não avançada, portanto cirurgia de Heller-Pinotti. Nos pacientes com megaesôfago avançado graus III e IV, exis- tem várias alternativas cirúrgicas como a operação de Serra- -Dória e ressecções parciais longitudinais do esôfago com o objetivo de melhorar o esvaziamento, porém a mais empre- gada é a esofagectomia sem toracotomia com levantamento gástrico pelo mediastino posterior e anastomose esofagogás- trica cervical. A desnutrição grave presente em muitos desses pacientes deve ser corrigida antes do procedimento cirúrgico com alimentação por sondas nasoenterais colocadas via en- doscopia ou com nutrição parenteral. Resposta d. 17. A acalasia é uma doença tanto do EEI quanto da mus- culatura lisa do corpo esofágico. Os problemas primários no paciente com acalasia são a insufi ciência do relaxamento com- pleto do EEI durante a deglutição e a incapacidade do músculo liso esofágico de produzir um peristaltismo adequado. O que se observa na acalasia é a progressiva perda de peris- talse efetiva do esôfago. As contrações do corpo do esôfago passam a ser simultâneas e não peristálticas. As demais afi r- mações são verdadeiras, exceto a opção B. Resposta b. 18. A esofagomiotomia de Heller que foi descrita originalmente em 1913 e que após várias mudanças no procedimento original- mente descrito é fora do nosso meio o procedimento cirúrgico de escolha no tratamento da acalasia (no Brasil o procedimento de Heller-Pinotti é a cirurgia de escolha). Resposta c. 19. O diagnóstico de acalasia é usualmente feito por um esofagograma e um estudo de motilidade. Os achados po- dem variar, alguns deles dependendo da natureza avan- çada da doença. O esofagograma mostrará um esôfago dilatado com um estreitamento distal referido com apa- rência de “bico de pássaro” clássica do esôfago cheio de bário. Espasmo do esfíncter e retardo do esvaziamento pelo EEI, bem como uma dilatação do corpo esofágico, são observados.A ausência de ondas peristálticas no corpo e ausência de relaxamento do EEI também são observadas. A falta da bolha gástrica é um achado comum na porção superior esquerda do esofagograma e é resultante do EEI contraído, que não permite que o ar passe com facilida- de para o estômago. No estádio mais avançado da doença, dilatação esofágica acentuada, tortuosidade e um esôfago sigmoidal (megaesôfago) são encontrados. A manometria é o padrão-ouro para o diagnóstico e ajudará a excluir distúrbios potenciais da motilidade esofágica. Na acala- sia típica, os traçados da manometria mostram cinco achados clássicos, duas anormalidades do EEI e três do corpo esofágico. O EEI está hipertenso, com pressões geralmente maiores que 26 mmHg, mas, mais importante, não irá relaxar com a deglutição. O corpo do esôfago terá uma pressão acima da basal (pres- surização do esôfago) devido à eliminação incompleta de ar, contrações simultâneas sem evidência de peristaltismo pro- gressivo e ondas de contrações de baixa amplitude, indicando ausência de tônus muscular. Estes cinco achados proporcio- nam o diagnóstico de acalasia. Veja as características manométricas da motilidade esofágica na acalasia: Características Manométricas da Motilidade Esofágica na Acalasia Característica Normal Acalasia Acalasia Vigorosa Sintomas Nenhum Disfagia Pressão torácica Regurgitação Disfagia Dor torácica Esofagograma Normal Bico de pássaro Dilatação Esofágica Anormal Endoscopia Normal Dilatação Esofágica Normal Pressão EEI 15-25 mmHg Hipertenso (> 26 mmHg) Normal ou Hipertenso Relaxamento EEI Após deglutição Incompleto Pressão residual (> 5 mmHg) Parcial ou ausente Anplitude pressórica 50-120 mmHg Diminuído (