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Questões Esofago_pag33

Conjunto de questões comentadas sobre acalasia: diagnóstico por esofagograma e manometria (achados clássicos), classificação (megaesôfago grau IV/dolicomegaesôfago), indicações e técnicas cirúrgicas (Heller/Heller‑Pinotti, esofagectomia trans‑hiatal) e manejo nutricional pré‑operatório.

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15. Alguma dúvida quanto ao diagnóstico? Todos os dados 
convergem para um único diagnóstico: acalasia. 
O esofagograma com esôfago de 11 cm de diâmetro de as-
pecto sinuoso corresponde ao dolicomegaesôfago (grau IV 
na classifi cação de Resende). 
Ora, acalasia grau IV é igual a esofagectomia. 
A esofagectomia é considerada em qualquer paciente sin-
tomático com esôfago tortuoso (megaesôfago), esôfago sig-
moide, falha de mais de uma miotomia ou uma estenose de 
refl uxo sem possibilidade de dilatação. Menos de 60% dos 
pacientes que se submetem a miotomias repetidas se bene-
fi ciam da operação, e a fundoplicatura para tratamento das 
estenoses de refl uxo é menos efetiva. Além de tratar defi niti-
vamente a acalasia em estádio terminal, a ressecção esofágica 
também elimina o risco de carcinoma. Uma esofagectomia 
trans-hiatal, com ou sem preservação do nervo vago, oferece 
um bom resultado a longo prazo. Resposta b.
16. O que o enunciado quer tratar é da defi nição de acala-
sia não avançada e acalasia avançada (graus III e IV) o que 
permite estratifi car a melhor conduta cirúrgica. Se não há 
quebra do eixo esofágico é acalasia não avançada, portanto 
cirurgia de Heller-Pinotti. 
Nos pacientes com megaesôfago avançado graus III e IV, exis-
tem várias alternativas cirúrgicas como a operação de Serra-
-Dória e ressecções parciais longitudinais do esôfago com o 
objetivo de melhorar o esvaziamento, porém a mais empre-
gada é a esofagectomia sem toracotomia com levantamento 
gástrico pelo mediastino posterior e anastomose esofagogás-
trica cervical. A desnutrição grave presente em muitos desses 
pacientes deve ser corrigida antes do procedimento cirúrgico 
com alimentação por sondas nasoenterais colocadas via en-
doscopia ou com nutrição parenteral. Resposta d.
17. A acalasia é uma doença tanto do EEI quanto da mus-
culatura lisa do corpo esofágico. Os problemas primários no 
paciente com acalasia são a insufi ciência do relaxamento com-
pleto do EEI durante a deglutição e a incapacidade do músculo 
liso esofágico de produzir um peristaltismo adequado. 
O que se observa na acalasia é a progressiva perda de peris-
talse efetiva do esôfago. As contrações do corpo do esôfago 
passam a ser simultâneas e não peristálticas. As demais afi r-
mações são verdadeiras, exceto a opção B. Resposta b.
18. A esofagomiotomia de Heller que foi descrita originalmente 
em 1913 e que após várias mudanças no procedimento original-
mente descrito é fora do nosso meio o procedimento cirúrgico 
de escolha no tratamento da acalasia (no Brasil o procedimento 
de Heller-Pinotti é a cirurgia de escolha). Resposta c.
19. O diagnóstico de acalasia é usualmente feito por um 
esofagograma e um estudo de motilidade. Os achados po-
dem variar, alguns deles dependendo da natureza avan-
çada da doença. O esofagograma mostrará um esôfago 
dilatado com um estreitamento distal referido com apa-
rência de “bico de pássaro” clássica do esôfago cheio de 
bário. Espasmo do esfíncter e retardo do esvaziamento 
pelo EEI, bem como uma dilatação do corpo esofágico, 
são observados.A ausência de ondas peristálticas no corpo 
e ausência de relaxamento do EEI também são observadas. 
A falta da bolha gástrica é um achado comum na porção 
superior esquerda do esofagograma e é resultante do EEI 
contraído, que não permite que o ar passe com facilida-
de para o estômago. No estádio mais avançado da doença, 
dilatação esofágica acentuada, tortuosidade e um esôfago 
sigmoidal (megaesôfago) são encontrados. 
A manometria é o padrão-ouro para o diagnóstico e ajudará a 
excluir distúrbios potenciais da motilidade esofágica. Na acala-
sia típica, os traçados da manometria mostram cinco achados 
clássicos, duas anormalidades do EEI e três do corpo esofágico. 
O EEI está hipertenso, com pressões geralmente maiores que 26 
mmHg, mas, mais importante, não irá relaxar com a deglutição.
O corpo do esôfago terá uma pressão acima da basal (pres-
surização do esôfago) devido à eliminação incompleta de ar, 
contrações simultâneas sem evidência de peristaltismo pro-
gressivo e ondas de contrações de baixa amplitude, indicando 
ausência de tônus muscular. Estes cinco achados proporcio-
nam o diagnóstico de acalasia. 
Veja as características manométricas da motilidade esofágica 
na acalasia:
Características Manométricas da Motilidade Esofágica 
na Acalasia
Característica Normal Acalasia Acalasia 
Vigorosa
Sintomas Nenhum Disfagia
Pressão torácica
Regurgitação
Disfagia
Dor torácica
Esofagograma Normal Bico de pássaro
Dilatação 
Esofágica
Anormal
Endoscopia Normal Dilatação 
Esofágica
Normal
Pressão EEI 15-25 mmHg Hipertenso
(> 26 mmHg)
Normal ou 
Hipertenso
Relaxamento 
EEI
Após 
deglutição
Incompleto
Pressão 
residual
(> 5 mmHg)
Parcial ou 
ausente
Anplitude 
pressórica
50-120 
mmHg
Diminuído
(

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