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Questões Comentadas 32 O pior dos cenários é simplesmente rechaçar a ideia de qualquer avaliação no setor educacional. O poder público terá melhores condições de reduzir objeções se conseguir passar a ideia de que as imper- feições apontadas deixarão de constituir entraves para avanços no ensino. Zero Hora, Editorial, RS, 25/9/2012 (com adaptações). 54. (Cespe) A argumentação do texto apresenta o pressuposto de que podem surgir posições contrárias a projetos de avaliação educacional. Gabarito: Certo. O texto é iniciado com a informação de que os mecanismos de avaliação são essenciais. Porém, no decorrer do texto, percebe-se que não há unanimidade quanto a esses mecanismos. Para chegar a essa conclusão, pode-se considerar como referência alguns trechos, como: “até que as resistências desapareçam ou, pelo menos, se atenuem”, “O pior dos cenários é simplesmente rechaçar a ideia de qualquer avaliação no setor educacional”, “reduzir objeções”. 55. (Cespe) Depreende-se da direção argumentativa do texto que este encerra uma defesa dos meca- nismos de avaliação educacional. Gabarito: Certo. No texto, defende-se a importância dos mecanismos de avaliação, especialmente quanto ao sistema educacional. Também, afirma-se que o poder público conseguirá ter avanços quando as resistências desaparecerem. O texto a seguir serve de referência para as próximas duas questões. Nem astronautas nem cosmonautas. Os futuros conquistadores do espaço chamam-se taikonau- tas. Está-se falando da China, e após a bem-sucedida missão Shenzhou VII, o país planeja estar cada vez mais presente no cosmos. Os próximos passos serão o lançamento de uma estação espacial e o envio de astronaves à Lua e a Marte. Tecnologia para essa empreitada os chineses têm. Dinheiro, também. E motivação política, isso então nem se fala. A missão Shenzhou VII, por exemplo, aproveitou a onda ufa- nista da Olimpíada. Mais: o seu lançamento comemorou os cinquenta e nove anos da chegada do Partido Comunista ao poder. A China já enviara três missões tripuladas, mas essa foi especial: foi a primeira vez que um taikonauta realizou uma caminhada no espaço. O ápice da festa foi quando o coronel da Aeronáutica Zhai Zhigang vestiu o seu uniforme (made in China e ao preço de US$ 4,3 milhões), abriu as portas da nave e deu início à sua caminhada cósmica. A missão era objetiva e apologética do governo, justamente para incutir nos chineses o orgulho das futuras missões e tirar deles o apoio incondicional, independentemente de quanto o país tenha de gastar. Zhi- gang foi flutuando (de ponta cabeça) para apanhar um lubrificante que estava do lado de fora do veículo espacial e, assim, enfeitiçou os olhos dos bilhões de chineses que o assistiam ao vivo pela tevê. Ele ergueu a bandeira vermelha de seu país e declarou: “Estou me sentindo bem. Cumprimento daqui o povo chinês e o povo do mundo inteiro.” A missão chinesa provou que o país entrou para valer na corrida espacial do futuro. Não faltam pro- jetos, incluindo-se o de uma estação espacial produzida 100% na China. O objetivo é “realizar experiên- cias científicas de grande escala” e criar uma “sólida base para utilização pacífica do espaço e exploração de seus recursos”. Essa estação ajudará o país a avançar em projetos muito mais ambiciosos. Tatiana de Mello. A vez dos taikonautas. In: Istoé, 8/10/2008 (com adaptações). 33 Giancarla Bombonato 56. (Cespe) Infere-se do texto que a China já realizava, antes da missão Shenzhou VII, experiências cien- tíficas de larga escala. Gabarito: Errado. Infere-se que a China passará a realizar experiências científicas. Essa informação pode ser en- tendida por algumas passagens, como: “Os futuros conquistadores do espaço chamam-se tai- konautas”, “o país planeja estar cada vez mais presente no cosmos”, “foi a primeira vez que um taikonauta realizou uma caminhada no espaço”. 57. (Cespe) A missão espacial Shenzhou VII adquiriu caráter político de vanglória. Gabarito: Certo. Pode-se afirmar que a missão Shenzhou VII adquiriu realmente um caráter político de vanglória, por meio do trecho: “A missão Shenzhou VII, por exemplo, aproveitou a onda ufanista da Olim- píada. Mais: o seu lançamento comemorou os cinquenta e nove anos da chegada do Partido Co- munista ao poder. A China já enviara três missões tripuladas, mas essa foi especial: foi a primeira vez que um taikonauta realizou uma caminhada no espaço.” O texto a seguir serve de referência para as próximas três questões. No imaginário Livro das Espécies, que, teimosamente, repousa na estante da história do futebol, os brasileiros figuram como macacos no mínimo há mais de noventa anos. Em 1920, ao disputarem o cam- peonato sul-americano no Chile, os integrantes da equipe nacional foram chamados de “macaquitos” por um jornal argentino. O Brasil se indignou, porém pelos motivos errados: para o governo, conforme se lê no apêndice do livro de Mario Filho (1908-1966), O Negro no Futebol Brasileiro, “a questão passava pela imagem que a República precisava construir de si própria, deixando para trás os vestígios ligados à escra- vidão e à miscigenação, em um momento em que os discursos em torno da eugenia eram imperativos”. O escritor carioca Lima Barreto (1881-1922), mulato e pobre, para quem o futebol era “eminentemente um fator de dissensão”, destacou, com ironia, em uma famosa crônica, que “a nossa vingança é que os argentinos não distinguem, em nós, cores; todos nós, para eles, somos macaquitos”. No domingo 27, o tal Livro das Espécies ganhou, infelizmente, uma nova edição - mas, pelo menos, revista e atualizada. E, com isso, uma versão 2014 do “todos somos macaquitos”. Eram trinta minutos do segundo tempo do jogo Villareal versus Barcelona quando o brasileiro Da- niel Alves, titular da equipe azul e grená, se encaminhou para bater um escanteio. Uma banana, então, foi atirada em sua direção. O lateral - um baiano de trinta anos de idade, pardo, como se diz nos censos, e de olhos verdes - reagiu de forma inesperada para o público e certamente também para o agressor: pegou a fruta, descascou-a e a pôs na boca. Aquele era o oitavo caso de racismo nos gramados espanhóis somente na atual temporada. Teria sido alvo de tímidos protestos não fosse a reação irreverente do jogador brasileiro - e a entrada em cena do craque Neymar, seu companheiro de Barcelona e da seleção brasileira. Na noite do próprio domingo, o atacante postou três imagens em sua conta no Instagram. Na última delas, aparecia empunhando uma banana ao lado de seu filho, Davi Lucca - que, por sua vez, segurava uma providencial banana de pelúcia. Na legenda, o ex-santista escreveu a hashtag #somostodosmacacos em quatro idiomas: portu- guês, inglês, espanhol e Catalão. Até a última quinta-feira, essa postagem havia recebido quase 580.000 curtidas, enquanto uma legião de celebridades - dos esportes, das artes, da política etc. - repetia o gesto em apoio a Daniel Alves. Rinaldo Gama. Como Daniel Alves derrotou o racismo. Internet: (com adaptações). Questões Comentadas 34 58. (Cespe) Os “motivos errados” a que se refere o autor no início do texto estão associados à atitude do governo brasileiro, na década de vinte do século passado, de negar a miscigenação do povo em favor da eugenia. Gabarito: Certo. O autor mostra que a indignação do Brasil foi pelos motivos errados. Sabe-se que, em 1920, os integrantes da equipe nacional foram chamados de “macaquitos” por um jornal argentino. O governo acreditava que era preciso deixar para trás os vestígios ligados à escravidão e à miscigenação, e estava pautado em discursos em torno da eugenia, ciência que busca pes- quisar o processo de aprimoramento genético da espécie humana. 59. (Cespe) O texto enaltece o comportamento daqueles que aceitam a miscigenação como fator de identidade nacional. Gabarito: Errado. No texto, é estabelecida uma discussão organizada com argumentos que criticam o precon- ceito por causa de cor, raça. Além disso,apenas menciona-se a miscigenação, mas não é enaltecido esse comportamento. 60. (Cespe) Depreende-se do trecho “No domingo 27, o tal Livro das Espécies ganhou, infeliz- mente, uma nova edição” que se repetiu, neste ano, a reação à manifestação racista de 1920. Gabarito: Errado. Este trecho deixa claro apenas que as ideias do autor vão de encontro ao Livro da Espécies, especialmente pela presença do advérbio “infelizmente”. Mas não há com inferir que nesta data ocorreu a mesma reação de 1920. A origem da polícia no Brasil Polícia é um vocábulo de origem grega (politeia) que passou para o latim (politia) com o mesmo sentido: governo de uma cidade, administração, forma de governo. No entanto, com o decorrer do tempo, assumiu um sentido particular, passando a representar a ação do governo, que, no exercício de sua missão de tutela da ordem jurídica, busca assegurar a tranquilidade pública e a proteção da sociedade contra violações e malefícios. No Brasil, a ideia de polícia surgiu nos anos 1500, quando o rei de Portugal resolveu adotar um sis- tema de capitanias hereditárias e outorgou uma carta régia a Martim Afonso de Souza para estabelecer a administração, promover a justiça e organizar o serviço de ordem pública, como melhor entendesse, em todas as terras que ele conquistasse. Registros históricos mostram que, em 20 de novembro de 1530, a polícia brasileira iniciou suas atividades, promovendo justiça e organizando os serviços de ordem pública. Internet: (com adaptações). 61. (Cespe) Conclui-se do texto que, atualmente, o termo polícia tem significado equivalente ao que apresentava em sua origem. Gabarito: Errado. No início, o termo polícia significava governo de uma cidade, administração, forma de governo. Com o tempo, passou a representar a ação do governo. Essa última ideia também é caracterís- tica do que ocorre no Brasil, pois a polícia não é vista como forma de governo, mas como uma ferramenta para promover a justiça e organizar os serviços de ordem pública. 35 Giancarla Bombonato A história constitucional brasileira está repleta de referências difusas à segurança pública, mas, até a Constituição Federal de 1988 (CF), esse tema não era tratado em capítulo próprio nem previsto mais detalhadamente no texto constitucional. A constitucionalização traz importantes consequências para a legitimação da atuação estatal na formulação e na execução de políticas de segurança. As leis acerca de segurança, nos três planos federa- tivos de governo, devem estar em conformidade com a CF, assim como as respectivas estruturas admi- nistrativas e as próprias ações concretas das autoridades policiais. Devem ser especialmente observados os princípios constitucionais fundamentais - a república, a democracia, o estado de direito, a cidadania, a dignidade da pessoa humana - bem como os direitos fundamentais - a vida, a liberdade, a igualdade, a segurança. O Art. 144 deve ser interpretado de acordo com o núcleo axiológico do sistema constitucional em que se situam esses princípios fundamentais. Cláudio Pereira de Souza Neto. A segurança pública na Constituição Federal de 1988: conceituação constitucio- nalmente adequada, competências federativas e órgãos de execução das políticas. Internet: (com adaptações). 62. (Cespe) Depreende-se do texto que uma das consequências da constitucionalização da segurança pública foi o amparo legal para a atuação do Estado em ações que visam à segurança. Gabarito: Certo. Entende-se que, até a Constituição Federal de 1988, havia muitas referências difusas quanto à segurança pública. Um dos trecho que esclarece essa depreensão é: “A constitucionalização traz importantes consequências para a legitimação da atuação estatal na formulação e na execução de políticas de segurança”. Imagine a leitora que está em 1813, na igreja do Carmo, ouvindo uma daquelas boas festas antigas, que eram todo o recreio público e toda a arte musical. Sabem o que é uma missa cantada; podem imagi- nar o que seria uma missa cantada daqueles anos remotos. Não lhe chamo a atenção para os padres e os sacristães, nem para o sermão, nem para os olhos das moças cariocas, que já eram bonitos nesse tempo, nem para as mantilhas das senhoras graves, os calções, as cabeleiras, as sanefas, as luzes, os incensos, nada. Não falo sequer da orquestra, que é excelente; limito-me a mostrar-lhes uma cabeça branca, a cabeça desse velho que rege a orquestra, com alma e devoção. Chama-se Romão Pires; terá sessenta anos, não menos, nasceu no Valongo, ou por esses lados. É bom músico e bom homem; todos os músicos gostam dele. Mestre Romão é o nome familiar; e dizer familiar e público era a mesma coisa em tal matéria e naquele tempo. “Quem rege a missa é mestre Ro- mão” - equivalia a esta outra forma de anúncio, anos depois: “Entra em cena o ator João Caetano”; - ou então: “O ator Martinho cantará uma de suas melhores árias.” Era o tempero certo, o chamariz delicado e popular. Mestre Romão rege a festa! Quem não conhecia mestre Romão, com o seu ar circunspecto, olhos no chão, riso triste, e passo demorado? Tudo isso desaparecia à frente da orquestra; então a vida derramava-se por todo o corpo e todos os gestos do mestre; o olhar acendia-se, o riso iluminava-se: era outro. Acabou a festa; é como se acabasse um clarão intenso, e deixasse o rosto apenas alumiado da luz ordinária. Ei-lo que desce do coro, apoiado na bengala; vai à sacristia beijar a mão aos padres e aceita um lugar à mesa do jantar. Machado de Assis. Histórias sem data. Internet: (com adaptações).