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Prévia do material em texto

Prática da Execução Trabalhista
Profa. Carolina Tupinambá
Descrição
Você vai adquirir conhecimentos práticos acerca da execução
trabalhista.
Propósito
O entendimento dos meandros da execução trabalhista não só
proporciona êxito no processo como também efetiva a sentença
proferida, perpassando por práticas atuais advocatícias que se utilizam
de convênios e procedimentos dos tribunais para “ganhar e levar” o
processo.
Preparação
Antes de iniciar seu estudo, é importante ter em mãos a Consolidação
das Leis do Trabalho, o Código de Processo Civil e uma doutrina de
direito processual do trabalho e de prática trabalhista à sua escolha.
Objetivos
Módulo 1
Execução trabalhista e medidas
cautelares
Identificar as principais características da execução trabalhista, os
meios executórios e os procedimentos especiais.
Módulo 2
Investigação patrimonial
Identificar as ferramentas, os sites e os recursos de investigação
patrimonial.
Módulo 3
Meios de defesa em execução
Reconhecer as principais características dos meios de defesa em
execução.
Introdução
A execução trabalhista é um importante processo que visa
garantir o cumprimento das obrigações trabalhistas por parte dos
empregadores. Para compreender adequadamente esse
processo, é fundamental identificar suas principais
características, os meios executórios e os procedimentos
especiais que podem ser adotados.

Neste conteúdo, exploraremos esses aspectos fundamentais da
execução trabalhista, destacando suas particularidades, os
instrumentos disponíveis para investigação patrimonial e os
meios de defesa que podem ser utilizados, proporcionando um
panorama desse importante processo no âmbito do direito do
trabalho.
Material para download
Clique no botão abaixo para fazer o download do
conteúdo completo em formato PDF.
Download material
1 - Execução trabalhista e medidas cautelares
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as principais
características da execução trabalhista, os meios executórios e os
procedimentos especiais.
Procedimento executório
javascript:CriaPDF()
Neste vídeo, você compreenderá a execução trabalhista e as medidas
cautelares que são comumente utilizadas.
De�nição da execução trabalhista e medidas
cautelares
Para que o processo judicial entre na fase de execução, é necessário
que haja condenação ou acordo e que esses não sejam cumpridos.
Portanto, o responsável pelo pagamento ou pelo cumprimento de
obrigação de fazer é intimado a praticar o ato que lhe cabe e permanece
inerte.
Com isso, a fase de execução tem, como característica muito comum,
sua demora; às vezes, dura anos e se mostra inefetiva. Com isso, os
tribunais de todo o país, e em especial os trabalhistas, procuraram, nos
últimos anos, estabelecer procedimentos especiais e convênios para
reduzir o número de execuções e garantir a efetividade das sentenças
judiciais.
Diferentemente do que muitos acreditam, a fase de
execução ainda pode apresentar muita discussão entre
as partes.
O exequente pode apresentar impugnação à sentença de liquidação,
enquanto o executado tem como recurso os embargos à execução.
Após decisão do juiz sobre quaisquer desses recursos, é possível
ingressar com um novo recurso, chamado agravo de petição, no prazo
de oito dias, que será julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT)
correspondente. É cabível até recurso de revista para o Tribunal Superior
do Trabalho (TST), em casos de violação à Constituição Federal (CF).
Atenção!
É importante esclarecer que, no caso de bens penhorados, a venda
destes só é realizada após o trânsito em julgado do processo de
execução, bem como a liberação dos valores depositados em juízo. Já
nos casos em que o executado não tem nenhum bem para realizar o
pagamento, depósito judicial ou penhora, esgotando-se todas as
possibilidades, o processo é arquivado até que apareçam bens que
possam quitar a obrigação trabalhista.
Apesar de, tradicionalmente, muito pelo princípio da celeridade, caro ao
Direito Processual do Trabalho, a Justiça do Trabalho ter a menor taxa
de congestionamento na execução, que estava, de acordo com relatório
do CNPJ, na média de 73% no final de 2019, o percentual ainda é muito
alto. A cada dez sentenças condenatórias que transitam em julgado,
quase três delas não são cumpridas com agilidade e enfrentam
obstáculos para tanto.
O objetivo desse material não é fornecer a teoria da execução
trabalhista, que é facilmente encontrada em qualquer manual de
processo trabalhista. Em vez disso, os conceitos típicos dessa área do
conhecimento serão tratados de forma breve, para que nos
aprofundemos realmente na vivência prática da execução trabalhista.
Medidas cautelares na execução trabalhista
As medidas cautelares são instrumentos processuais contra a livre
disposição de bens por parte daqueles que compõem o polo passivo da
execução sendo de grande importância para preservar o resultado
prático do processo executivo, permitindo avançar na esfera patrimonial
da pessoa alvo da medida, sem contraditório prévio, desde que de
acordo com a previsão legal.
O advogado que requer a concessão de medida cautelar deve
fundamentar seu pedido nas seguintes leis, confira!
Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988 (art. 5º,
XXXV e LXXVIII, 100, §1º).
Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional
– CTN) (art. 186).
Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil –
CPC) (art. 4º, 6º, 139).
Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 (Consolidação das
Leis Trabalhistas – CLT) (art. 765).
Hipóteses de cabimento
Agora, vamos entender melhor o arresto executivo e o arresto cautelar.
Ocorre quando o oficial de justiça não encontra o executado. Ou
seja, ao tentar realizar a citação para execução, o oficial de
justiça não encontra o executado, mas encontra bens
penhoráveis. Dessa forma, os bens podem ser arrestados.
Entretanto, isso não pode ser confundido com a penhora. A
intenção é evitar que os bens desapareçam, resguardando-os
para sucesso da execução.
Mesmo com os bens arrestados, o exequente ainda deve citar o
devedor, razão pela qual deverá solicitar a citação por edital do
executado, caso não compareça espontaneamente ou não seja
cabível a citação por hora certa. Posteriormente, o arresto será
convertido em penhora.
Promove a apreensão cautelar de bens do devedor, com o
escopo de garantir uma futura execução. Desse modo, protege-
se um direito diante de um panorama no qual o autor encontra-se
em estado de risco.
Só é possível esse arresto cautelar o credor demonstra a
existência do seu direito de crédito e o risco de o atual direito
não ser satisfeito em face da carência de patrimônio do devedor,
em que, muitas vezes, está se desfazendo para driblar uma
futura execução.
Execução trabalhista e
medidas executivas
Neste vídeo, você compreenderá as medidas executivas que podem ser
adotadas pelo magistrado, assim como seu poder geral de efetivação de
decisões.
Arresto executivo 
Arresto cautelar 
Bloqueio de matrícula imobiliária em nome de
terceiros
Admite-se que o juiz, com fundamento em seu poder geral de cautela,
determine o bloqueio de matrícula imobiliária para proteger interesses
da própria sociedade e de terceiros de boa-fé. Essa determinação
encontra respaldo na Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973 (Lei de
Registros Públicos), no artigo 214 § 3º e 4º.
O bloqueio da matrícula deverá ocorrer sempre que o juiz entender que a
superveniência de novos registros poderá causar danos de difícil
reparação, devendo ser determinado, a qualquer momento, ainda que
sem oitiva das partes, o bloqueio da matrícula do imóvel.
O § 4º do art. 214 da Lei de Registros Públicos
determina que, uma vez bloqueada a matrícula, o
oficial não poderá mais nela praticar qualquer ato,
salvo com autorização judicial, permitindo-se, todavia,
aos interessados, a prenotação de seus títulos, que
ficarão com o prazo prorrogado até a solução do
bloqueio.Entregue o título junto à serventia imobiliária, ele deverá ser
imediatamente prenotado (protocolado) no Livro 1, e esse protocolo terá
validade por 30 dias, conforme art. 188 da Lei de Registros Públicos.
Registro de protesto contra alienação de bens
O protesto contra a alienação de bens é um ato judicial cujo objetivo é
proteger os direitos do credor em um processo. Não constitui ou
extingue direito, mas visa à prevenção de responsabilidades, sobretudo
porque cria uma ressalva no patrimônio do devedor — passível de
execução — a fim de evitar que ele o aliene, colocando-se em situação
de insolvência.
Sua concessão, privativa da via jurisdicional, está atrelada a evidente e
comprovada necessidade, apoiando-se nos requisitos do exercício do
poder geral de cautela para o deferimento da medida. Apesar de não ter
o poder de gerar impedimento jurídico à inalienabilidade do bem, produz
o efeito de atingir eventuais negócios de alienação e oneração do bem
protestado.
Poder geral de efetivação do magistrado
Apesar da regra de impenhorabilidade dos bens que guarnecem seu
imóvel sustentando que eles estão protegidos pelo CPC (art. 649) e pela
Lei nº 8.009, de 29 de março de 1990, que protegem os bens de família
contra atos de constrição judicial, considerada a necessidade de
moradia e dos bens de uso na vida da família.
Entretanto, o art. 3º da Lei nº 8.009/1990 excepcionou a regra geral,
admitindo que os bens de família podem ser penhorados para
pagamento de créditos de trabalhadores da própria residência.
Incidente de
desconsideração da
personalidade jurídica
(IDPJ)
Neste vídeo, você compreenderá o incidente de desconsideração da
personalidade jurídica e sua aplicação na execução trabalhista.
De�nição do IDPJ
Previsto na Consolidação dos Provimentos da Corregedoria-Geral da
Justiça do Trabalho, de 19 dezembro de 2019, que dispõe sobre o
recebimento e o processamento do Incidente de Desconsideração da
Personalidade Jurídica (IDPJ) das sociedades empresariais, nos termos
do artigo 855-A da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A desconsideração da personalidade jurídica é processada como
incidente processual, caso não seja requerida na petição inicial, e
tramitará nos próprios autos do processo judicial eletrônico em que foi
suscitada, vedada sua autuação como processo autônomo.
A instauração do incidente processual suspenderá o
processo, sem prejuízo de concessão de tutela de
urgência de natureza cautelar (art. 301 do CPC).
Instaurado o incidente, a parte contrária e os requeridos serão
notificados para se manifestar e requerer as provas cabíveis, dentro do
prazo de 15 dias, e o juiz designará audiência para a coleta de prova oral,
caso esta seja necessária.
Após concluída a instrução, a decisão interlocutória resolverá o
incidente, e quanto à decisão proferida, temos o seguinte:
Na fase de
cognição
Não caberá recurso de
imediato.
Na fase de
execução
Caberá agravo de
petição (em oito dias),
independentemente de
garantia de juízo.
Caso o incidente tenha origem no Tribunal, o relator terá competência
para sua instauração, para decisão de pedidos de tutela provisória e
para a instrução, e poderá decidi-lo monocraticamente ou submetê-lo ao
colegiado, juntamente com o recurso. Se decidido monocraticamente,
caberá agravo interno, nos termos do Regimento do Tribunal. Decidido o
incidente ou julgado o recurso, os autos retomarão seu curso regular.
Comentário

É evidente que o instituto da desconsideração da personalidade,
também conhecido como disregard doctrine, principalmente da maneira
como é aplicado na Justiça do Trabalho, causa inquietações dos sócios
atuais e/ou retirantes das sociedades empresariais executadas.
Com o advento da lei reformista, verifica-se que o direcionamento da
execução contra os sócios do empregador ficou mais tortuosa, afinal, o
credor não poderá mais pleitear ao juízo que, no caso de inadimplência
da empresa, seja automaticamente direcionada a execução contra seus
sócios. O juiz também não poderá de ofício direcionar a execução em
face de dos sócios atuais e/ou retirantes da pessoa jurídica, visto que o
artigo 878 da CLT, após o ano de 2017, só autoriza a execução de ofício
nos casos em que as partes não estiverem assistidas por advogados.
A Justiça do Trabalho, porém, aplica a teoria menor (objetiva) de
desconsideração da personalidade jurídica, em que basta a
demonstração de que a pessoa jurídica não possui bens para satisfazer
a dívida frente a seus credores para que seja desconsiderada sua
personalidade jurídica.
Processamento do IDPJ
Tratando-se o incidente de desconsideração da personalidade jurídica
(IDPJ) de um procedimento especial regulamentado por lei, não deve ele
ser requerido por simples petição, na medida em que a parte deverá
atender aos ditames dos artigos 133 a 137 do CPC, conforme determina
o caput do artigo 855-A da CLT. E, caso seja instaurado o incidente, o
processo poderá ser suspenso, conforme disposto no artigo 855-A, §2º
da CLT.
De certa forma, a inserção do incidente de desconsideração da
personalidade jurídica na CLT, pós-reforma trabalhista, com
procedimentos específicos a serem observados, acabou aparentemente
por proteger os sócios da ex-empregadora. Entrementes, na prática, os
advogados dos reclamantes seguem pedindo por simples petição o
direcionamento da execução contra os sócios da devedora principal,
não seguindo os preceitos do artigo 855-A consolidado. Tais pedidos, na
maioria das vezes, são indeferidos, obrigando os advogados dos
credores a instaurarem o devido IDPJ, o que nem sempre também
ocorre na prática, afinal, o incidente provoca a suspensão do processo.
Na prática, muitas vezes, fica evidenciado que, na maior parte das vezes,
nem o juízo trabalhista esgota as tentativas de execução contra a
devedora principal. Quando muito é feita uma tentativa de bloqueio nas
contas bancárias desta última via Sisbajud.
É fundamental que se esgotem os meios de execução em face da
devedora principal, para somente então redirecionar a execução
trabalhista para a devedora principal, sob pena de se perder muito
tempo em processamento de execução que pode vir a ser anulada pelos
tribunais superiores por não terem respeitado o trâmite legal.
Penhoras
Penhora de bem particular do condômino por
dívida do condomínio empregador
A natureza da obrigação propter rem das dívidas condominiais pode
justificar o redirecionamento de uma execução contra o condomínio
para os proprietários das unidades, mesmo no caso de o imóvel ter sido
adquirido em momento posterior à sentença que reconheceu o débito e
ainda que se trate de bem de família.
Com esse entendimento, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça
(STJ) rejeitou o recurso de um condômino e manteve a penhora de seu
imóvel como forma de assegurar o pagamento de uma dívida
condominial, no limite de sua fração ideal. A sentença judicial havia
obrigado o condomínio a indenizar uma pessoa que ficou inválida
depois de ser atingida por um pedaço do revestimento da fachada que
despencou devido à má conservação do prédio.
Ele ressaltou que seria contraditório aplicar a regra da
impenhorabilidade em situação na qual a natureza propter rem da dívida
fundamentou o redirecionamento da execução, refletindo exatamente a
hipótese de exceção à norma de impenhorabilidade.
Penhora no rosto dos autos de ações movidas
pelo executado em outros ramos da jurisdição
Esta espécie de penhora se presta a dar ciência ao juízo da demanda em
que se discute o direito, evitando-se a entrega do produto de alienação
de bem penhorado diretamente ao vencedor da ação, considerando-se
que esse crédito já está penhorado em outra demanda judicial.
Penhora de salários, de proventos de
aposentadoria e de poupança no CPC de 2015
O artigo 833, inciso IV, parágrafo 2º, do CPC/2015 autoriza a penhora
dos proventos de aposentadoria para pagamento de prestação
alimentícia, e a dívida trabalhista, que correspondentea direitos não
pagos à época da prestação dos serviços, possui natureza salarial e
alimentar.
Apenas o desconto em folha de pagamento deve ficar limitado a 50%
dos ganhos líquidos da parte executada, como prevê o artigo 529,
parágrafo 3º, do mesmo Código, a fim de compatibilizar os interesses de
credor e devedor.
O ministro Douglas ainda ressaltou a alteração feita pelo Tribunal Pleno
do TST, em setembro de 2017, na redação da Orientação
Jurisprudencial 153, a Subseção II Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2), para considerar impenhoráveis os proventos de
aposentadoria somente sob a perspectiva do CPC de 1973, situação
diferente do CPC de 2015.
Cessão de crédito
trabalhista
Neste vídeo, você compreenderá as principais penhoras trabalhistas e a
cessão de crédito trabalhista.
Principais características
A cessão de crédito está prevista no artigo 286 e seguintes do CPC e
consiste na transferência a terceiro do direito em uma relação jurídica
obrigacional. Em que pese não constar da CLT a possibilidade de cessão
explicitamente, por força do §1º do artigo 8º da CLT, o CPC se aplica ao
direito do trabalho.
Comentário
O direito trabalhista é irrenunciável. Em razão disso, quando do
recebimento da cessão de crédito, há uma confusão do juízo trabalhista
quanto à validade do negócio jurídico, que, por sua natureza, não é de
competência da Justiça do Trabalho.
Não raramente, há confusão entre a irrenunciabilidade do crédito
trabalhista e a legalidade da cessão desse crédito, que consiste
basicamente na substituição do cedente pelo cessionário, que comprou
o crédito do reclamante, considerando o risco do processo e o tempo de
duração até a liquidação do débito.
Em que pese ser comum a resistência do juízo de primeiro grau
trabalhista aceitar a cessão do crédito, recente alteração legislativa, foi
editada a Lei nº 14.193, de 6 de agosto de 2021, que institui a sociedade
anônima do futebol, e trouxe no seu bojo dispositivo que viabiliza
amplamente a cessão de crédito trabalhista.
Nos autos de Embargos de Declaração 8202320155060221, o ministro
relator Douglas Alencar Rodrigues, da 5ª Turma, ao proferir o voto,
consignou que a verificação da licitude do negócio jurídico não compete
à Justiça do Trabalho.
Contudo, é recomendável que seja comunicada a realização da cessão
de crédito nos autos dos processos, não para se aferir a validade do
negócio jurídico, mas para informar a transação e também que o novo
credor figure como tal no processo trabalhista.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
José da Silva foi caseiro da residência de praia de Raquel Maldonado.
Após ser dispensado sem receber suas verbas rescisórias, José ajuizou
reclamação trabalhista que tramitou perante a 1ª Vara do Trabalho de
Araruama/RJ e foi julgada procedente. Homologado o valor devido, no
importe de R$ 15.000,00, a executada foi citada para efetuar o
pagamento voluntário, mas quedou-se inerte.
Apesar do bloqueio infrutífero nas contas de Raquel, José da Silva sabe
que a ex-empregadora recebe pensão por morte de seu finado esposo
no valor de R$ 9.000,00 mensais. Então, requereu em juízo a penhora de
50% desse benefício, até o limite do crédito exequendo.
Justifique se o exequente poderá requerer tal medida, fundamentando
sua resposta.
Digite sua resposta aqui
Exibir solução
O exequente primeiro requereu bloqueio das contas da
executada, agindo conforme determina o artigo 835 do
CPC. Cabe ao exequente indicar meios de execução e
sabendo da pensão pela executada recebida, tendo seu
crédito trabalhista caráter alimentício, pode ser penhorado
percentual do benefício. O Tribunal Superior do Trabalho
vem aplicando o percentual máximo de 30%, razão pela qual
o juízo provavelmente deve deferir tal pleito, mas limitando-
o a esse patamar. Há decisão recente do supremo ou STJ
sobre isso e penhora de salários.
2 - Investigação patrimonial
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as ferramentas, os
sites e os recursos de investigação patrimonial.
Pesquisa patrimonial
Ferramentas da tecnologia da informação
utilizadas na pesquisa patrimonial
Cada tribunal trabalhista apresenta convênios diferentes, e é
responsabilidade do advogado, por meio dos sites desses tribunais,
pesquisar quais tribunais estão em vigência naquela região.
Alguns convênios são usados em âmbito nacional, vamos destacar
alguns!
Infojud
Sistema de Informações ao Judiciário da Receita Federal do Brasil.
Permite a consulta:
DIRPF – Imposto de Renda Pessoa Física.
DIRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica (até 2016).
ECF – Escrituração Contábil e Fiscal (substituiu DIRPJ a partir de
2015).
DITR – Declaração de Imposto de Propriedade Territorial Rural.
DOI – Declaração de Operações Imobiliárias
(compra/venda/doação etc.).
Decred – Declaração de Operações com Cartões de Crédito
(lojista/cliente).
Dimob – Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias
(locador/locatário, construção/incorporação/comprador,
venda/comprador).
DITR – Declaração de Imposto Territorial Rural.
E-Financeira – Permite consultar os tipos de conta: depósito,
custódia, investimento, seguro, consórcio e em moeda estrangeira.
Também permite a consulta por titular, procurador, representante
legal, intermediado, beneficiário final, doador – empréstimo de
TVM BTC e tomador – empréstimo de TVM BTC (aluguel de
ações).
Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud)
Permite o bloqueio de valores ininterruptamente por até trinta dias e a
requisição de afastamento de sigilo bancário no qual é possível solicitar
extrato de movimentação, extrato de aplicações financeiras, fatura de
cartão de crédito, proposta de abertura de conta, contrato de câmbio,
registro de câmbio, cópia de cheque e saldos de FGTS e PIS mantidos
na Caixa Econômica Federal.
Ao realizar o requerimento, é aconselhável que se peça ao juízo que se
utilize somente a raiz do CNPJ, atingindo assim matriz e filiais.
É comum que os juízos realizem primeiro a pesquisa
no Infojud e, se nesta for detectada movimentação em
cartão de crédito, por meio do Sisbajud, pode-se
solicitar a fatura desse cartão pelo módulo de
afastamento de sigilo bancário desse convênio.
Por meio desse convênio, para bloqueio de bens e/ou pesquisa de
contrato de seguro, previdência privada e capitalização, é necessário a
expedição de ofício ao Banco Central por meio do Protocolo Digital e à
Superintendência de Seguros Privados (Susep) pelo juízo. Já para
bloqueio de ativos financeiros e mobiliários (B3), expedir ofício à
Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
É recomendável que o advogado já requeira tal prática, apesar de o juízo
poder fazer de ofício.
Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional
(CCS) – Bacen
Permite identificação do cliente bancário e de seus representantes
legais e procuradores, instituições financeiras nas quais o cliente
mantém seus ativos e/ou investimentos, datas de início e, se houver, de
fim do relacionamento com a instituição. Não contém dados de valor, de
movimentação financeira ou de saldos de contas/aplicações.
Restrições Judiciais sobre Veículos Automotores
(Renajud)
Permite a consulta e a restrição de veículos (transferência e circulação),
bem como registro de penhora e bloqueio de CNH.
Serasajud
Trata-se do banco de dados do Serasa.
Sistema de Informações Eleitorais (Siel)
Destina-se ao atendimento das solicitações de acesso aos dados
biográficos do Cadastro Eleitoral realizadas exclusivamente por
autoridades judiciárias, representantes do Ministério Público,
autoridades policiais autorizadas e autoridades da Defensoria Pública,
nos termos da Resolução TSE nº 23.656, de 2001 e do Provimento CGR
nº 6, de 2022.
Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública
(Sinesp) Infoseg
Neste sistema, quando clicamos no nome da mãe da pessoa física
pesquisada, o sistema apresenta os dados dos irmãos.
SPCJUD
Trata-se do bancode dados do SPC Brasil.
Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud)
Substituiu o antigo BacenJud, e é responsável pelo envio de ordens
judiciais de constrição de valores por via eletrônica, o qual se dá
mediante a indicação de conta única para penhora em dinheiro. É
regulado pela Resolução CNJ nº 61, de 07 de outubro de 2008, e pela
Instrução Normativa STJ/GP nº 4, de 13 de fevereiro de 2023.
TIM
Busca dados cadastrais dos clientes TIM e envio de ofícios judiciais de
forma eletrônica.
Vivo/Telefônica
Busca dados cadastrais dos clientes Vivo e envio de ofícios judiciais de
forma eletrônica.
Associação Nacional dos Registradores de Pessoas
Naturais (Arpen)
Permite a pesquisa e a obtenção de segunda via de certidões e registros
civis (nascimento, casamento, óbito, emancipação, interdição, ausência
e união estável).
Central Nacional de Serviços Eletrônicos Compartilhados
(Censec)
Divide-se em quatro módulos de pesquisa (dois públicos e dois restritos
ao juízo), confira a diferença!
Públicos (não
necessitam de
cadastro)
Central de
escrituras de
separações,
divórcios e
inventários
(CESDI)
Central de
Testamento Vital
(DAV)
Restritos aos
magistrados e
servidores do
Poder Judiciário
Central de
Escrituras e
Procurações
(CEP)
Registro Central
de Testamentos
Online (RCTO)
Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro)
Permite consulta aos cadastros de pessoas físicas e jurídicas na
Receita Federal, incluindo histórico de quadro societário das empresas
(sócios/administradores excluídos), filiais, endereços etc.

Portal da Transparência Federal
Pesquisa de dados cadastrais de pessoas jurídicas, quadro societário,
recursos recebidos, produtos e serviços fornecidos, e participações de
licitações no governo federal.
Para pessoas físicas, permite consultar vínculos, viagens e valores
recebidos (benefícios sociais); já para as jurídicas, permite consultar
dados cadastrais, recursos recebidos da administração pública federal,
quadro societário, sanções vigentes, participações em licitações,
produtos e serviços fornecidos, entre outros.
Redesim
Permite consultar e emitir comprovante de inscrição e situação
cadastral das empresas, bem como seu quadro societário.
Sistema Nacional de Investigação Patrimonial e
Recuperação de Ativos (Sniper)
É um sistema que permite identificar:
Vínculos patrimoniais, societários e financeiros entre pessoas
físicas e jurídicas.
Dados cadastrais por CPF e CNPJ.
Bases de candidatos e bens declarados do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE).
Informações sobre sanções administrativas, empresas punidas e
acordos de leniência (CGU).
Dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (Anac).
Embarcações listadas no Registro Especial Brasileiro (Tribunal
Marítimo).
Informações sobre processos judiciais, como partes, classe,
assunto dos processos e valores.
O Sniper não possibilita bloqueio on-line de bens, ativos e direitos dos
devedores em processo judicial e pesquisa somente sócios ativos.
Sistema Integrado de Informações sobre Operações
Intere]]staduais com Mercadorias e Serviços (Sintegra)
Permite consulta de informações dos contribuintes do imposto de
circulação de mercadorias (ICMS).
Convênios para pesquisa especí�ca de bens imóveis
A seguir, apresentaremos os convênios utilizados para pesquisa
específica de bens imóveis, veja!
Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo e
Instituto de Registro Imobiliário do Brasil.
Permite realizar pesquisa de imóveis pelo CPF/CNPJ, solicitar
segunda via de matrícula (beneficiários da justiça gratuita) e
averbação de penhora eletrônica.
Central Nacional de Indisponibilidade de Bens.
Permite a inclusão, o cancelamento e a consulta de registros de
indisponibilidades de bens imóveis (averbação na matrícula).
Serviços para pesquisa de bens de imóveis
Existem consultas que auxiliam os advogados na execução trabalhista,
mas que independem de requisição judicial. Confira quais são!
Serviço de Atendimento Eletrônico Compartilhado – Operador
Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis.
Permite o acesso universalizado a todos os cartórios de
registros para solicitação de informações, certidões,
Arisp (ONR) 
CNIB 
SAEC (ONR) 
encaminhamento de títulos, acompanhamento de trâmites
registrais e outros serviços inerentes aos registros de imóveis,
inclusive pesquisa de bens. As informações prestadas no SAEC
exigem recolhimento de custas.
Instituto de Registro Imobiliário do Brasil.
Possui a mesma funcionalidade do SAEC (ONR), porém com
abrangência territorial maior.
Sistema de Gestão Fundiária (Incra).
Possibilita a pesquisa de imóveis rurais e todos seus dados
cadastrais, área georreferenciada, vértices, limites, registro
imobiliário, código do imóvel (SNCR/Incra) etc.
Inclusão de restrições
cadastrais
Convênios
Alguns convênios apresentam a possibilidade de incluir restrições no
nome do executado. Veja quais podemos destacar!
IRIB 
Sigef 
Execução trabalhista:
pesquisa de patrimônio e
restrições cadastrais
Neste vídeo, você compreenderá dois assuntos muito comuns na
execução: a pesquisa patrimonial, em busca de bens do executado; e o
uso de restrições cadastrais como forma de compelir o devedor ao
cumprimento da obrigação.
 BNDT
Banco Nacional de Débitos Trabalhistas
Permite a inclusão no cadastro de inadimplentes da
Justiça do Trabalho.
 Protestojud
Instituto de Protestos – IEPTB
Permite a inclusão de títulos a protestos aos
tabelionatos.
 Serasajud
Banco de dados do Serasa
Possibilita a inclusão, por decisão judicial, do nome
de devedores ao banco de inadimplentes, bem
como a consulta aos dados cadastrais de pessoas
físicas e jurídicas.

Processamento diferenciado
de execuções
Neste vídeo, você compreenderá as regras diferenciadas de
processamento das execuções trabalhistas.
Núcleo de Pesquisa Patrimonial
Previsto pela Resolução nº 138/CSJT.GP, de 24 de junho de 2014, que
dispõe sobre o estabelecimento dos Núcleos de Pesquisa Patrimonial
(NPP) no âmbito dos tribunais regionais do trabalho e define objetivos
de atuação.
A competência está prevista no art. 2º da Resolução CSJT nº 138/2014,
que indica a possibilidade de promover a identificação de patrimônio a
fim de garantir a execução, propor convênios e parcerias, como fonte de
informação de dados ou cooperação técnica, facilitando e auxiliando a
execução, de recepcionar e examinar denúncias, sugestões e propostas
de diligências, fraudes e outros ilícitos e de coletar dados e outras
diligências de inteligência.
O NPP foi criado com base nos objetivos de eficiência
operacional, alinhamento e integração, temas
estratégicos a serem perseguidos pela Justiça do
Trabalho. É fruto do reconhecimento da dificuldade das
unidades judiciárias em promover pesquisa
patrimonial.
Enquanto a vara do trabalho procede a investigação patrimonial dentro
do âmbito de reclamações trabalhistas, a NPP promove a investigação
patrimonial do grande devedor, dos processos tramitados sob o regime
do Regime Especial de Execução Forçada (REEF) e do Plano Especial de
Pagamento Trabalhista (PEPT).
Efeitos reincidentes dos embargos após a declaração de
inconstitucionalidade de título executivo pelo STF
Os artigos 525, parágrafo 1º do CPC, e 884, parágrafo 5º da CLT
estabelecem uma regra de grande aplicabilidade prática que acaba por
afastar a exequibilidade de sentenças já transitadas em julgado quando
há alegação de inexigibilidade de título executivo como matéria de
embargos à execução, seguido de declaração de inconstitucionalidade
do título pelo próprio STF. Fundamentalmente, oferece o mesmo efeito
prático de uma ação rescisória, vejamos!
“Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento
voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) dias para que o
executado, independentemente de penhora ou nova intimação,
apresente, nos próprios autos, sua impugnação.
§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar:
II - inexequibilidadedo título ou inexigibilidade da obrigação;”
“Garantida a execução ou penhorados os bens, terá o executado
5 (cinco) dias para apresentar embargos, cabendo igual prazo ao
exeqüente para impugnação.”
CPC, Art. 525 
CLT, Art. 884 
Parágrafo 5º da CLT 
“§ 5º Considera-se inexigível o título judicial fundado em lei ou
ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo
Tribunal Federal ou em aplicação ou interpretação tidas por
incompatíveis com a Constituição Federal (Incluído pela Medida
Provisória nº 2.180-35, de 2001).”
O Supremo Tribunal Federal (STF) declarando inconstitucional, por
exemplo, lei que fundamente o título executivo contestado como
inexigível em embargos à execução, estabelece, já com o processo
avançado, finda toda a fase de conhecimento, os mesmos efeitos de
uma ação rescisória.
É hipótese prática, portanto, em que os embargos à execução trazem
efeitos reincidentes à sentença já transitada em julgado, quando a lei
que fundamenta o título executivo é declarada inconstitucional, após o
trânsito em julgado da sentença condenatória.
Laboratório de Tecnologia para Recuperação de
ativos, Combate à Corrupção e à Lavagem de
Dinheiro (LAB-LD)
Previsto na Resolução nº 304/CSJT, de 24 de setembro de 2021, objetiva
a pesquisa patrimonial avançada; o tratamento de massa de dados
oriundos de fontes públicas e privadas de dados; o uso de sistemas de
tecnologia da informação; o estudo permanente dos sistemas de
engenharia financeira = relatório de conhecimento, vedada a prática de
atos jurisdicionais, excetuada a requisição de informações.
São realizados cruzamentos de dados extraídos de vários sistemas,
como Simba e DOI, permitindo verificar se uma transação imobiliária, em
verdade, fora realizada apenas de forma aparente, sem a contrapartida
financeira. Os painéis também permitem verificar se há confusão
patrimonial entre a pessoa jurídica e seus sócios.
Reunião de execuções (REEF) e Plano Especial
de Pagamento Trabalhista (PEPT)
Foram previstos na Consolidação dos Provimentos da Corregedoria-
Geral da Justiça do Trabalho, de dezembro de 2019.
O PEPT se fundamenta na preservação da função social da empresa, no
tratamento da totalidade da dívida e na renúncia a recursos combinado
com a responsabilidade solidária do grupo econômico e sócios, na
garantia patrimonial plano combinado com o pagamento parcelado.
Comentário
A REEF é procedimento unificado de busca, constrição e expropriação,
apenas para grandes devedores, tendo tido insucesso de PEPT, devendo
ser requerido por vara do trabalho ou pelo próprio tribunal, com
suspensão (não extinção) das execuções reunidas.
Todas as decisões são proferidas pelo juízo centralizador, devendo ter
os processos piloto alta complexidade, dando preferência dos créditos
trabalhistas — os créditos previdenciários e os fiscais ficam em segundo
plano. A extinção das execuções ocorre mediante pagamento, no juízo
de origem.
A intenção é que sejam reunidas as execuções a fim da investigação
patrimonial ocorrer de forma mais profunda e abarcar todos os créditos,
diminuindo as chances de um credor conseguir ter êxito na constrição
de bens, enquanto o outro não.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Joana da Silva é exequente em processo trabalhista por ela ajuizado em
face de Romero de Brito Alves. A mulher fora empregada doméstica
durante cinco anos na residência do executado que, intimado para pagar
a condenação, permaneceu inerte. De acordo com os princípios da
execução trabalhista e com os convênios estabelecidos pelos tribunais,
é recomendável que Joana requeira a penhora de bens móveis de valor
que ela sabe que seu empregador tem em sua residência? Fundamente
sua resposta.
Digite sua resposta aqui
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O artigo 835 do CPC estabelece um rol de prioridades, na
ordem, para a realização da penhora de efetivação das
execuções. Em primeiro lugar, sempre se requer a penhora
em dinheiro, razão pela qual o requerimento de utilização do
Infojud ou do Sisbajud são mais interessantes para Joana e
devem ser mais facilmente acolhidos pelo juízo. A penhora
de bem móvel que se localize dentro de imóvel, apesar de,
no caso em tela, não ser assegurada a proteção ao bem de
família, já que se trata de caso de empregada doméstica,
não se coaduna com o princípio do meio menos gravoso ao
executado, já que se pode primeiro tentar penhorar as
contas do executado, depois automóveis e por último a
busca por bens que estejam no bem de família do
executado.
3 - Meios de defesa em execução
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer as principais
características dos meios de defesa em execução.
Embargos à execução
trabalhista
Neste vídeo, você compreenderá os principais aspectos dos embargos à
execução na prática trabalhista.
Principais características
Após a liquidação, será expedido um mandado intimando a parte
executada para que ela proceda ao pagamento da dívida. Esse
pagamento poderá ser feito mediante depósito em juízo ou indicação de
bens à penhora.
Os embargos à execução são medida judicial cujo
objetivo é desconstituir o título executivo judicial ou
extrajudicial.
Os seus requisitos genéricos estão previstos no artigo 840 §1º da CLT e
deve ser interposto por simples petição. O principal diferenciador desse
recurso é a exigência da garantia do juízo. Para os casos em que o
executado não consegue cumprir tal requisito, é comum a interposição
de exceção de pré-executividade, mas esta tem o campo de
possibilidades muito mais restrito.
Na prática, tem sido cada vez mais frequente a utilização de seguro
garantia pelos executados, a fim de assegurar o juízo para embargar. O
seguro garantia judicial tem como finalidade garantir o cumprimento de
uma obrigação e, no caso em comento, especificamente, do pagamento
dos valores definidos na liquidação da ação de execução do processo
trabalhista.
Comentário
Após a reforma trabalhista, tanto as apólices de seguro quanto as cartas
de fiança passaram a ser aceitas, podendo substituir o depósito recursal
para garantia da execução, conforme o artigo 882 da CLT e o Ato
Conjunto TST.CSJT.CGJT 1/2020.
O prazo dos embargos é de 5 dias, e para a Fazenda Pública, 30 dias. A
contagem do prazo se inicia na data em que o devedor tomou ciência da
penhora ou do momento em que ele efetuou o depósito da quantia para
garantir o juízo.
No caso de execução fundada em título executivo extrajudicial, será
possível arguir qualquer matéria que seria lícita ao executado deduzir
como defesa em processo de conhecimento.
Outro meio de defesa na
execução
Neste vídeo, você compreenderá o uso da exceção de pré-executividade
na prática trabalhista.
Exceção de pré-executividade
Consiste na possibilidade de o executado apresentar defesa, sem a
garantia do juízo, valendo-se da alegação de matérias específicas, cujo
reconhecimento independa de dilação probatória.
Ela tem como objetivo evidenciar algum erro de ordem jurídica ou
material na execução, mostrando que o processo é nulo ou equivocado
por apresentar erros ou vícios de ordem material ou jurídica.
Normalmente são levantadas algumas questões em sede de exceção de
pré-executividade, confira!
 Dívidas prescritas.
 Dívidas com prescrição intercorrente.
 Vícios com relação a matérias de ordem pública
que implicam a regularidade do processo.
 Condições da ação.
 Executada que não foi devidamente citada.
 Citação inválida.
 Erros em editais de citação.
 Cobrança antes de a dívida ser concretizada.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Marcelo Salgado Oliveira foi surpreendido com a visita de um oficial de
justiça em sua residência, que, da primeira vez, o citou para pagamento
de uma dívida trabalhista de R$ 120.000,00, oriunda da 60ª Vara do
Trabalho de Roraima, no Processo 0013589-27.2023.5.11.0060 e, em
seguida, 48 horas depois, retornou e penhorouseu único imóvel, o que
reside, avaliando-o, pelo valor de mercado, em R$ 500.000,00.
Marcos, brasileiro, viúvo, empresário, portador da identidade 123, CPF
456, residente e domiciliado na Avenida Juiz de Fora, 74, Rio de Janeiro
– RJ – CEP 789, diante dos fatos, procurou os serviços de um advogado
e informou a ele que foi sócio da pessoa jurídica Salgado e Oliveira
Restaurante Ltda., tendo se retirado há 2 anos e 8 meses da empresa, e
que o Oficial de Justiça informou que há uma execução movida pela ex-
empregada Sônia Cristina de Almeida contra a empresa que, por não ter
adimplido a dívida, gerou o direcionamento da execução contra os
sócios.
O advogado, ao consultar os autos do processo, verificou que os
cálculos foram homologados sem que a parte contrária tivesse vista e
identificou que a correção monetária foi calculada considerando o mês
da prestação dos serviços, ainda que a sentença fosse omissa a
respeito. Diante do que foi exposto, elabore a medida judicial adequada,
como se fosse o advogado do executado.
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Você deverá apresentar embargos à execução, com fulcro
nos arts. 884 CLT c/c 1046 CPC. O endereçamento deve ser
realizado à 60ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, com
indicação do processo e qualificação do embargante.
No mérito, você deverá indicar que o juízo está garantido, já
que houve a penhora de seu imóvel e apresentar os
seguintes argumentos para o êxito da medida:
IMPOSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO DE EX-SÓCIO
Você deve apresentar a tese de que o embargante não pode
ter a execução direcionada contra si, pois se retirou da
sociedade há mais de 2 anos, conforme artigo 1003 § único
do Código Civil.
BEM DE FAMÍLIA
Apresentação da tese de bem de família, não passível de
penhora, conforme Lei nº 8.009/1990. O imóvel penhorado é
o único do executado, e ele reside no local, razão pela qual
se adequa ao conceito de bem de família.
MEIO MENOS GRAVOSO
Você deverá indicar que a penhora de bem imóvel não é a
prioridade, devido ao princípio do meio menos gravoso ao
executado. Esse foi surpreendido com penhora de seu bem
de família, quando sequer teve penhora em suas contas, o
que é previsto no artigo 835 do CPC.
CORREÇÃO MONETÁRIA
A correção monetária deveria ser calculada pelo índice do
mês seguinte ao da prestação dos serviços, conforme
Súmula nº 381, do TST.
Considerações �nais
A execução trabalhista, apesar de ser historicamente uma das mais
efetivas, muito pela prática elástica dos tribunais da desconsideração da
personalidade jurídica, teve um ganho muito grande com a inserção dos
convênios dos tribunais com sistemas bancários, em que se garante
penhoras mais céleres e dificulta a previsibilidade para o credor que
pretende não realizar o pagamento.
Este estudo trouxe ferramentas para que você, diante de uma execução
trabalhista, conheça o trâmite a ser adotado e os melhores caminhos a
serem percorridos a fim de se evitar a famosa frase “ganhou, mas não
levou”.
Explore +
Veja como Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa
Cavalcante discorrem sobre a prática em execução trabalhista nos livros
Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho.
Referências
CAIRO JR., J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 14. ed. Salvador:
Juspodivm, 2021.
GUIMARÃES, R.; CALCINI, R.; JAMBERG, R. W. Execução trabalhista na
prática. 2. ed. Leme, SP: Mizuno, 2022.
LEITE, C. H. B. Curso de Direito Processual do Trabalho. 20. ed. São
Paulo: SaraivaJur, 2022.
MARTINS, S. P. Direito Processual do Trabalho. 44. ed. São Paulo:
SaraivaJur, 2022.
MIESSA, E. Processo do trabalho. 7. ed. São Paulo: Juspodivm, 2019.
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