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Sociologia do desenvolvimento Capitalismo Breve histórico do capitalismo Capitalismo: produto de um processo histórico que se desenvolveu a partir da Idade Moderna e que se reproduziu com base em um conjunto combinado e inter-relacionado de condições econômicas, sociais, culturais e políticas. Amparado teoricamente sobretudo pelas ideias liberais, foi difundido principalmente a partir das revoluções Industrial e Francesa. Não deve ser analisado somente pelo viés econômico, mas também como modelo de organização social. Características e contradições do capitalismo As contradições no sistema capitalista são evidenciadas pela exploração e pela desigualdade que marcam as relações entre as classes sociais. Características básicas: produção e reprodução do capital, propriedade privada e livre concorrência, desenvolvimento desigual no tempo e no espaço geográfico. A crise do capital vivenciada na década de 1970 produziu uma contrarreforma que se caracterizou pela ascensão da vertente do capitalismo denominada “neoliberalismo”. Críticas ao capitalismo As relações sociais são relações de produção, baseadas na exploração sofrida pelo proletariado. Produção/reprodução das desigualdades sociais. Defesa do individualismo e do consumismo como ideais de felicidade. Transformação dos elementos essenciais das relações sociais em mercadorias. Estado atua de acordo com os interesses da burguesia. Crise de 1929 nos Estados Unidos levou milhares de desempregados a buscar ajuda em centros de alimentação gratuita. O capitalismo tem se revelado um modo de produção caracterizado por crises cíclicas. Mudanças no papel do Estado No início do século XX, o sistema capitalista e os fundamentos de uma economia de mercado demonstraram ser insuficientes para cumprir as funções básicas de manutenção da sociedade. A crise de 1929 evidenciou a necessidade de limitar a autorregulação do mercado. A partir da crise de 1929, seguindo os pressupostos da teoria keynesiana, o Estado passou a regular o mercado. O Estado nacional tornou-se o principal agente capaz de restabelecer a ordem econômica e social por meio do planejamento econômico. O desenvolvimento pode ser entendido como um processo sustentável de melhoria da qualidade de vida de determinada sociedade, em que a forma para atingi-lo é definida por seus próprios membros. A Cepal e a construção de um pensamento desenvolvimentista A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) foi criada em 1948 dentro da estrutura da ONU para produzir estudos que auxiliassem a explicação e a superação do subdesenvolvimento na região. Principais pesquisadores que contribuíram para o desenvolvimento das teorias cepalinas. Celso Furtado e Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Raúl Prebisch (Argentina) e Enzo Faletto (Chile). Os estudos produzidos pela Cepal levaram ao desenvolvimento e à adaptação de teorias, bem como à sua aplicação, a fim de superar o modelo agrário exportador e substituir as importações por meio da industrialização, com base nas vantagens comparativas de cada país. Atualmente, a Cepal tem se empenhado na construção de uma noção de desenvolvimento sustentável como alternativa para o crescimento econômico dos países latino-americanos. Algumas teorias cepalinas Teoria do subdesenvolvimento: pensada com base no antagonismo entre os países centrais (com intenso desenvolvimento industrial) e os países periféricos (nações subdesenvolvidas), caracterizado pelo comportamento ativo dos primeiros diante da passividade dos segundos no contexto das dinâmicas econômicas globais. A política de industrialização por substituição de importações poderia pôr fim a essa fase. Teoria da dependência: baseada nos princípios da teoria do subdesenvolvimento, buscava ampliar a visão desta, agregando a noção de imperialismo (dependência dos países periféricos em relação aos países centrais). O atraso tecnológico e a ausência de poder nas relações comerciais exercidas pelos países periféricos reforçavam essa dependência. Segundo a teoria da dependência, a dominação não era exercida apenas por grupos externos, mas também por elites locais, que colaboravam na reprodução da exclusão das classes populares. Debate contemporâneo sobre desenvolvimento A crise do neoliberalismo, evidenciada na década de 1990, levou a um debate global sobre a dimensão econômica do desenvolvimento e o papel do Estado nas políticas públicas. Como contraponto ao Produto Interno Bruto (PIB), que avalia apenas a dimensão econômica, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) criou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que passa a avaliar três dimensões: a renda, a educação e a saúde. Além dessas três dimensões, outras variáveis passam a fazer parte do debate sobre o desenvolvimento, como o meio ambiente e a segurança global. Estado Mínimo A consolidação do modelo neoliberal, a partir da década de 1980, como doutrina ideológica hegemônica resultou no fortalecimento da teoria do Estado Mínimo. O idealismo do Estado Mínimo pressupõe a transferência das atribuições estatais para o mercado e/ou sociedade, e o Estado passa a atuar como um regulador das atividades privadas. Algumas de suas características são: • Privatizações de empesas estatais • Redução dos gastos públicos • Fortalecimento das instituições financeiras • Consolidação das liberdades individuais • Competição entre agentes econômicos