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Conteudista: Prof. Dr. Carlos da Fonseca Nadais
Revisão Textual: Prof. Claudio Brites
Objetivos da Unidade:
Introduzir os alunos nos conceitos de Ética no Período Antigo;
Compreender as diferenças do conceito de Ética entre diversos filósofos
estudados;
Permitir que os alunos identifiquem a evolução dos conceitos de Ética no
Período Antigo.
📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
Ética no Período Antigo
Conceito de Ética
Ética vem do grego (ethikos: à ciência da moral ou dos costumes) e moral vem do latim (morale: à
relativo aos costumes), assim ambos os termos têm sentido próximo a “costume”. Dessa
forma, podemos conceituar ética como a ciência do comportamento moral das pessoas em
sociedade, ou ainda, parte da filosofia que estuda os costumes visando indicar o que é honesto e
virtuoso, conforme a consciência e princípios humanos. 
Apesar da existência de várias regras e normas, isso não é suficiente para controlar o
comportamento humano de forma total (permissões e proibições).
Essas permissões ou proibições resultam de valores morais instalados em nossa mente
(software) que aprovam ou reprovam as nossas atitudes (“certo” ou “errado”).
A ausência da ética pode implicar a ausência de sentido das interações que realizamos com
aqueles que estão ao nosso redor e, consequentemente, pode nos conduzir a uma condição de
vida com baixo nível de afetividade e responsabilidade coletiva.
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📄 Material Teórico
Ética é o princípio e moral são os aspectos de condutas especificas;
Ética é regra (teoria) e moral é conduta da regra (prática);
Ética é a ciência do comportamento moral e a moral é o objeto científico.
Figura 1 – Nuvem de Palavras Relacionadas com Ética
#ParaTodosVerem: nuvem de palavras relacionadas com Ética. Fim da
descrição.
Períodos da História
Nos nossos estudos segmentamos o estudo da Ética em períodos, e essa segmentação será feita
em cinco grandes épocas da humanidade e, perceba, cada período diminui significativamente a
cada transição.
Idade Pré-Histórica: [“aparecimento dos seres humanos” na Terra até 4.000 a.C.
(invenção da escrita)] → “povos sem escrita”;
Feitos os recortes temporais, vamos para uma análise vertical do objeto de nosso estudo: a Ética
da Idade Antiga.
Pensamento de Leucipo
Leucipo foi um filósofo grego nascido entre 460 e 457 a.C. em Abdera (alguns dizem que foi em
Eleia, outros em Mileto) e que faleceu por volta de 420 a.C. em Abdera. Apesar de ser
contemporâneo de Sócrates, é considerado um filósofo pré-socrático. Passou um tempo em
Eleia, onde teve contato com o filósofo grego Parmênides.
Ao retornar a Abdera, por volta de 430 a.C., fundou uma escola filosófica chamada de Escola de
Abdera, onde conheceu seu principal discípulo, Demócrito, e, juntos, formularam a teoria
atomista.
Idade Antiga: [4.000 a.C. (invenção da escrita) até 476 d.C. (queda do Império
Romano do Ocidente*)] → período de aproximadamente 4.500 anos;
Idade Média: [476 d.C. (queda do Império Romano do Ocidente*) até 1453 (tomada
de Constantinopla - queda do Império Romano do Oriente** ou Império Bizantino)]
→ período de aproximadamente 1.000 anos;
Idade Moderna: [1453 (tomada de Constantinopla) até 1789 (Revolução Francesa)]
→ período de aproximadamente 350 anos;
Idade Contemporânea: [1789 (Revolução Francesa) até dias atuais] → período de
aproximadamente 250 anos.
Figura 2 – Pintura Retratando o Filósofo Leucipo
Fonte: Wikipedia Commons
 
#ParaTodosVerem: uma figura humana representando Leucipo, um senhor
magro de cor branca, barba branca comprida, feição séria, vestindo uma túnica
marrom e touca preta na cabeça, apoiando o braço esquerdo enquanto segura
algumas folhas de papéis, que, talvez, representem seus escritos, com feição
séria e olhando para frente. Fim da descrição.
A Teoria Atomista de Leucipo foi muito importante, tendo sido confirmada muito tempo depois,
com tecnologias modernas (trataremos mais adiante). Leucipo e Demócrito são também
chamados de “Pais da Química”.
“Nada acontece ao acaso (maten), mas tudo a partir de razão (logou ek), e por necessidade”
(Leucipo).
Aristóteles afirmou que Leucipo foi o verdadeiro criador da teoria atomista, que depois foi
desenvolvida por Demócrito. Uma boa parte que se sabe sobre Leucipo provém do texto “Leucipo
de Eléia”, escrito pelo filósofo grego Diógenes Laércio.
Vídeo
Felicidade | Aristóteles | Clóvis de Barros Filho
FELICIDADE | ARISTÓTELES | CLÓVIS DE BARROS FILHOFELICIDADE | ARISTÓTELES | CLÓVIS DE BARROS FILHO
https://www.youtube.com/watch?v=nR_yQW1Vx5o
A Ética em Demócrito
Apesar de ser contemporâneo de Sócrates, a doutrina posiciona Demócrito como um filósofo do
período pré-socrático (460 a 3 a.C.). Nascido em Abdera, onde passou a maior parte da vida
produtiva, Demócrito era desconhecido em Atenas, fato que resultou na perda da quase
totalidade de sua obra. Muito do que conhecemos se deve a comentários de outros filósofos,
como, por exemplo, Aristóteles, que o citava constantemente em seus escritos.
Demócrito é um filósofo materialista científico, sendo reconhecido mais como cientista que
filósofo, por conta de sua teoria atomista, segundo a qual toda a matéria é constituída de
elementos indivisíveis denominados “átomos” (“a” → negativa + “tomos” → divisível), que
permanecem em constante movimento em diversas direções num imenso vazio. Assim, as
coisas são formadas a partir do movimento dos átomos, em suas diferentes direções.
Figura 3 – Imagem Representativa de um Átomo
#ParaTodosVerem: imagem representativa de um átomo. Um núcleo com três
pequenas esferas unidas, outras três esferas separadas circulando a certa
distância em torno das três esferas unidas. Fim da descrição.
“Nada existe além de átomos e do vazio” (Demócrito).
Sua ética prática não tem relação com as concepções físicas, mas sim com a felicidade no
presente, sem preocupação com sanções futuras. A ação que leva à felicidade é a que busca o
prazer presente, mas regulado pela razão, portanto, uma conduta que leva ao bem-estar do
corpo e da alma. 
O agir com excessos causa perturbação na alma (tranquilidade x intranquilidade) e no corpo
(saúde x enfermidade), portanto, não está ligada às coisas materiais, mas às ações equilibradas.
- Fragmento 191 in: CARNEIRO, 2023, s/p.
“É que a boa disposição chega aos homens por meio dos prazeres sensatos e a vida
moderada. Carências e excessos têm tendencia para se transformarem em seus
opostos, causando perturbações na alma. E as almas, assim em grande
perturbação, perdem o equilíbrio e a boa disposição.”
“É sinal de alma elevada suportar os excessos dos outros” (Demócrito).
Vídeo
Contra-História da Filosofia: Pensadores Esquecidos | Clóvis de Barros
Filho
Contra-história da �loso�a: pensadores esquecidos | Clóvis de BarContra-história da �loso�a: pensadores esquecidos | Clóvis de Bar……
https://www.youtube.com/watch?v=kNg14cet7l8
A Ética em Sócrates
Podemos afirmar que o estudo da Ética se iniciou na Grécia Antiga, mais precisamente com
Sócrates. O filosofo grego passou praticamente toda sua vida em Atenas (470 a 399 a.C.),
andando por Atenas, ensinando e questionando a todos que o interpelassem. Essa postura
causou diferentes sentimentos: admiração e repulsa.
O reflexo de sua posição levou-o a ser condenado à morte bebendo cicuta, veneno mortal,
mesmo tendo a chance de impedir sua sentença por duas vezes: a primeira, ao se negar a
renunciar a seus ideais e pensamento, e a segunda, não aceitar fugir da prisão com ajuda de seus
pupilos.
Figura 4 – Pintura Representando Sócrates Cumprindo sua
Sentença: Beber uma Taça de Veneno (Cicuta)
Fonte: Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: uma Figura representando a execução da sentença de morte
de Sócrates, contendo diversos homens chorando e desconsolados ao redor de
Sócrates. Todos eles estão dentro de uma cela de prisão, sendo que um desses
homens, desolado, entrega uma taça contendo veneno (cicuta) a Sócrates, que,
discursando, toma a taça com a mãodireita e aponta para cima o dedo indicador
da mão esquerda. Fim da descrição.
A potência do pensamento socrático é elemento central para estudo da filosofia grega e, por
conseguinte, da filosofia ocidental, já que tomamos Sócrates como marco temporal do
pensamento grego: período pré-socrático (séculos VII e VI a.C.); período socrático (séculos V a
IV a.C.) e período pós-socrático (séculos III a II a.C.).
Apesar de sua grandiosidade, Sócrates apresentava humildade intelectual, que o diferenciava dos
demais pensadores da época. Afirmou que “Só sei que nada sei”, um paradoxo lógico (saber e
não saber), mas que sintetiza bem o pensamento socrático.
Vídeo
Por que Sócrates é Importante para a Filosofia? | Aula da Casa do Saber
+ com Clóvis de Barros Filho 
Sócrates utilizava a dialética para difundir sua filosofia entre os atenienses, o que consistia em
três momentos:
“Só se pode alcançar a verdade se dela a alma estiver grávida” (Sócrates).
Por que Sócrates é importante para a �loso�a? | Aula da Casa do Por que Sócrates é importante para a �loso�a? | Aula da Casa do ……
Maiêutica: um “parto de ideias”, como um processo de questionamentos
sucessivos sobre a essência do objeto da discussão;
Refutação: momento de desconstrução do argumento do interlocutor, sintetizado
em paradoxos lógicos;
https://www.youtube.com/watch?v=8Kr_-j98nkE
A ideia de Ética para Sócrates estava associada a duas grandes virtudes (areté, em grego ἀρετή):
valores morais e bom caráter. Tais virtudes seriam alcançadas pelo bom uso da razão, portanto,
associadas ao intelecto e aperfeiçoamento da alma, inaugurando o chamado “intelectualismo
socrático”. Para Sócrates, a boa vida, portanto, dependeria de bons pensamentos (bom uso do
intelecto).
Apesar da sua importância, o filósofo ateniense não deixou escritos e temos conhecimento do
seu pensamento por meio dos filósofos contemporâneos a ele, como Platão e Xenofonte.
Ironia: consistia em travar um diálogo, dando respostas em tom irônico, de forma a
desestabilizar seu interlocutor e demonstrar que o conhecimento que achava
correto, estava, na verdade, errado (HOBUS, 2014, p. 90-91).
Livro
Sócrates
Xenofonte: ditos e feitos memoráveis de Sócrates. Cap. VI. Trad. Mirtes
Coscodai. In: Sócrates. São Paulo: Nova Cultural, 1999, p. 255-263.
A Ética em Platão
Platão (428 a 347 a.C.) foi discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles. A ética platônica está
intimamente ligada à política, pois o aperfeiçoamento do indivíduo é um processo coletivo. 
Para Platão, existem duas realidades que compõem o mundo: o mundo sensível, que é mutável
(palpável/sentidos), e o mundo das ideias (inteligível/razão), que é imutável. Nesse contexto, ele
também faz a divisão da alma humana (psyché) associada a esses dois mundos:
Livros
Sócrates
PLATÃO. Apologia de Sócrates. Trad. Enrico Corvisieri. In: Sócrates. São
Paulo: Nova Cultural, 1999, p. 37-73.
XENOFONTE. Apologia de Sócrates. Trad. Mão Mirtes Coscodai. In.
Sócrates. São Paulo: Nova Cultural, 1999, p. 271-283.
Alma concupiscível: ligada às partes baixas (baixo ventre), como os desejos
naturais, de comer, muito ou pouco, e do sono, dormir muito ou pouco; e que está
mais sujeita a se corromper. Está associada ao mundo sensível;
Alma irascível: ligada aos sentimentos (tórax), como o amor, o ódio, a tristeza, e
que está sujeita à irritabilidade ou à falta de controle. Está ainda associada ao mundo
sensível;
Essas três características das almas estão presentes nos seres humanos, mas a construção de
um indivíduo ético perpassa pela prevalência da alma racional, conduzindo suas vidas de modo
justo e virtuoso.
“Existem três classes de homens: amantes da sabedoria, amantes da honra e amantes do lucro”
(Platão).
Alma racional: ligada à cabeça (cérebro), para produção de conhecimento, e que não
está sujeita a se corromper. Esta associa-se ao mundo das ideias.
Vídeo
Clovis de Barros Filho – Platão 
A virtude é uma disposição constante para fazer o que é bom e a obra “A República” apresenta
quatro virtudes cardeais: Sabedoria, Coragem, Temperança e Justiça, todas ligadas à cidade
idealizada por Platão, como se depreende do diálogo travado entre Sócrates e Adimanto
(PLATÃO, 2000, p. 175):
Clovis de Barros Filho - PlatãoClovis de Barros Filho - Platão
“Lembras uma coisa que é verdadeira, e assim se deve fazer, mas é preciso que vós ajudeis.
– Assim faremos.
– Espero, por conseguinte – prossegui eu – descobri-lo desse modo. Creio que a nossa cidade,
se de facto foi bem fundada, é totalmente boa.
– É forçoso que sim.
https://www.youtube.com/watch?v=GczCbGDOjNk
Vamos então a elas:
A Sabedoria ou Prudência (phrónesis) é a capacidade que o indivíduo tem de tomar
decisões de modo sensato (sabedoria prática), para nos precaver dos males que as
paixões podem nos trazer (sabedoria teórica), portanto, associada à razão, ligada
aos líderes;
1
A Coragem ou Fortaleza (thymós) é a capacidade do indivíduo de enfrentar o medo e
os perigos, portanto, associada à resistência, ligada aos guerreiros;
2
A Temperança ou Moderação (sophros) é a capacidade do indivíduo de autocontrole
(moderação dos prazeres), portanto, associada ao equilíbrio, ligada aos
trabalhadores ou produtores de bens da cidade;
3
A Justiça é o produto das três virtudes anteriores, em que o indivíduo, além de
buscar o bem em si mesmo (justiça individual), procura o bem coletivo (justiça
social), portanto, no individuo ético (justo) as quatro virtudes devem estar
contempladas concomitantemente.
4
– É, portanto, evidente que é sábia1, corajosa2, temperante3 e justa4.
– É evidente.”
Figura 5 – Figura representando a interrelação entre
Sabedoria, Coragem e Temperança com a Justiça
#ParaTodosVerem: imagem com fundo branco contendo um triângulo em
linhas azuis, onde em cada uma das vértices temos uma palavra escrita em letras
pretas. A primeira, no topo do triângulo, é Sabedoria; a segunda, na parte de
baixo à esquerda, Coragem; a terceira, na parte de baixo à direita, Temperança;
Por fim, dentro do triângulo, temos a palavra Justiça. Fim da descrição.
Clique no botão para conferir o conteúdo.
ACESSE
Leitura
A Justiça na República na República de Platão
https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/tede/5680/1/arquivototal.pdf
Chegamos então ao epílogo dessa etapa de estudo: o ser humano ético platônico é aquele que
deixa sua alma racional dominar suas ações, integrando as quatro virtudes cardeais.
“Boas pessoas não precisam de leis para obrigá-las a agir responsavelmente, enquanto as
pessoas ruins encontrarão um modo de contornar as leis” (Platão).
Quadro 1 – Quadro sinótico apresentando os tipos de almas destacadas por Platão e suas
características
Alma
Racional
Alma Irascível
Alma
Concupiscente
Função
Busca a
Verdade
Autopreservação
Desejos
Naturais
Virtude
Sabedoria ou
Prudência
Coragem ou
Fortaleza
Temperança
ou Moderação
Vício Orgulho Raiva Ganância
Analogia ao
Corpo
Cabeça Coração Baixo Ventre
A Ética em Aristóteles
Aristóteles (384 a 322 a.C.) foi aluno de Platão, tendo estudado na “Academia” por quase vinte
anos, e preceptor de Alexandre, o Grande, Rei da Macedônia. 
Vídeo
Literatura Fundamental 29 – A República – Roberto Bolzani
Literatura Fundamental 29 - A República - Roberto BolzaniLiteratura Fundamental 29 - A República - Roberto Bolzani
https://www.youtube.com/watch?v=dGnBeVbj7fU
Em Aristóteles, a Ética e a Política são complementares, uma dependendo da outra para a sua boa
compreensão, portanto, indissociáveis.
“A política não deveria ser a arte de dominar, mas sim a arte de fazer justiça” (Aristóteles).
Apesar de Platão e Aristóteles conviverem por duas décadas, a ética aristotélica e a ética platônica
têm fundamentos distintos. Platão construiu sua ideia de ética numa visão racionalista e
idealista, portanto, inata, e Aristóteles o fez com base na realidade e privilegiou a experiência
(empirismo), portanto, imanente. 
Para Aristóteles, a finalidade (“telos”) da ação humana visaum bem e o sumo bem é a
“Eudaimonia” (“eu” → “bom” e “daimön” → espírito), que traduzimos como “felicidade”,
portanto, a finalidade (“telos”) da vida é ser feliz. Portanto, a “felicidade” é uma certa atividade
da alma que vai de acordo com uma perfeita virtude.
Em Síntese
A Ética aristotélica é, portanto, uma ciência prática (experiência), uma
filosofia teleológica (finalidade).
Nem toda ação humana vai nos levar à felicidade. Aristóteles busca eleger como podemos
alcançá-la: 1) vida dos prazeres; 2) vida das honras; 3) vida virtuosa e vida contemplativa.
A vida virtuosa se pauta pela prudência, pelo justo meio, pela mediana e pelo equilíbrio. Os vícios
morais estão associados à falta ou excesso da virtude (posição mediana desses dois extremos),
e a virtude, um comportamento diante das paixões.
Esse meio-termo ou posição mediana não é um ponto fixo determinado pela régua de valores,
mas depende de cada ocasião (cada caso é um caso), mas, com a experiência racional da prática
do bem (hábito), conseguimos aferir cada vez melhor a posição mediana dos dois extremos
(falta e excesso).
Vida dos Prazeres: embora Aristóteles não conceba felicidade sem prazer, este não
deve ser percebido como um fim, nesse sentido seríamos escravos dos nossos
desejos. Os prazeres são sensações fugazes ou temporárias, portanto, a vida virtuosa
não se pauta pela concupiscência;
1
Vidas das Honras: melhor sorte também às honras, pois dependeríamos dos
agentes externos (aqueles que concedem as honrarias), o que contraria outra
diretriz muito cara a Aristóteles, que é a autonomia do indivíduo, que, nesse caso,
estaria totalmente dependente dos outros (aqueles que concedem as honrarias),
situação que está fora do nosso controle;
2
Vida Virtuosa: uma vida sem ter como fim o viver bem e sem pensar em meios
externos (bens externos) importa na grande probabilidade de não alcançar uma
vida boa. É nesse contexto que Aristóteles se debruça com mais atenção.
3
Por exemplo, um pai ao educar seu filho, por vezes pode ser um pouco mais enérgico ou um
pouco mais tranquilo, tudo a depender da situação fática que se apresenta.
A vida feliz está associada à racionalidade. A vida feliz está em agirmos de acordo com nossa
essência e fazendo escolhas racionais, afastando-nos da natureza animal (irracionalidade).
- ARISTÓTELES, 2009, p. 42
Vídeo
Felicidade | Aristóteles | Clóvis de Barros Filhos
“A excelência moral, então, é uma disposição da alma relacionada com a escolha de
ações e emoções, disposição essa consistente num meio termo (o meio termo
relativo a nós) determinado pela razão (a razão graças à qual um homem dotado de
discernimento o determinaria). Trata-se de um estado intermediário, porque nas
várias formas de deficiência moral há falta ou excesso do que é conveniente tanto
nas emoções quanto nas ações.”
Quadro 2 – Quadro Sinótico que relaciona as virtudes e os vícios, tanto pelo excesso quanto pela
falta
Vício pela falta Virtudes Vício pelo Excesso
Covardia Coragem Temeridade
Insensibilidade Temperança Libertinagem
Indolência Prudência Ambição
Modéstia Respeito Próprio Vaidade
Descrédito Próprio Veracidade Orgulho
FELICIDADE | ARISTÓTELES | CLÓVIS DE BARROS FILHOFELICIDADE | ARISTÓTELES | CLÓVIS DE BARROS FILHO
https://www.youtube.com/watch?v=nR_yQW1Vx5o
Vício pela falta Virtudes Vício pelo Excesso
Avareza Liberdade Esbanjamento
O equilíbrio das ações se consegue com o hábito, uma disposição racional constante (“héxis”),
pela experiência. Somente conhecer a virtude não basta (idealismo), para o aperfeiçoamento
moral é necessária também a prática contínua de ações virtuosas (empirismo). Assim
aprendemos a praticar o bem... praticando o bem.
Por exemplo, somente saber todos os movimentos dos exercícios físicos e conhecer todos os
equipamentos da academia não nos faz mais fortes, é necessária uma rotina de treinos físicos
que nos levará à excelência da forma física.
O bem é uma atividade exercida de acordo com a excelência ou virtude do indivíduo. Aristóteles
ilustra a “excelência” e “mero cumprimento da função” à metáfora dos dois tocadores de lira.
Um é aquele que sabe tocar a lira e o outro é o exímio tocador de lira. Percebam que ambos
cumprem a sua função (tocar a lira), mas o primeiro é “mero cumpridor da função” de tocar lira
e o segundo toca com “excelência”, que é “dar o melhor de si”.
A virtude é o hábito (disposição racional constante) que torna o homem bom (que se dirige para
felicidade) e o capacita na boa execução de sua função (excelência).
Qualidades intelectuais (ideal): entender as verdades eternas e imutáveis da ciência;
Qualidades morais (experiência): a conduta prática (vida pública).
Figura 6 – Quadro contemplando os temas abordados
nesta Unidade
#ParaTodosVerem: imagem com fundo branco contendo um fluxograma em
caixas de texto em linhas azuis e letras pretas, onde temos, na primeira caixa de
texto, "Ações humanas com determinadas finalidades", seguida de uma seta
que indica para a segunda caixa de texto, "Fim Maior: Objeto da Política", com
uma seta indicando a próxima caixa de texto, "Felicidade", de onde saem duas
setas para direta e esquerda, do lado direito, a caixa de texto "Agir
virtuosamente" e à esquerda, caixa de texto "Meios Externos para atingir a
Felicidade". Fim da descrição.
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Livro 
Diálogos III: Socrático
PLATÃO. Diálogos III: Socráticos. Trad. Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2016.
  Filmes  
Sócrates – Trailer Oficial
Página 2 de 3
📄 Material Complementar
  Vídeo  
Platão – Vida e Obra 
Sócrates - Trailer o�cial (Trailer O�cial) - Disponível nas plataformaSócrates - Trailer o�cial (Trailer O�cial) - Disponível nas plataforma……
https://www.youtube.com/watch?v=BgTvZnlWMLM
  Visite  
Centro de Estudos Helênicos
Rua dos Macunis, 495 – Vila Madalena – São Paulo – SP – Brasil
05444-001 Tel.: (11) 3032-3939 (Segunda a Sexta das 13:30h às 20:30h e
Sábado das 09:00h às 14:00h).
Platão – Vida e ObraPlatão – Vida e Obra
https://www.youtube.com/watch?v=dkyFje844l8
ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna,
2009.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Trad. Antônio de Castro Caeiro. São Paulo: Atlas, 2009.
CARNEIRO, A. Leucipo e Demócrito: o Surgimento do Atomismo. Disponível em:
. Acesso em: 09/01/2023.
HOBUSS, J. F. N. Introdução à História da Filosofia Antiga [online]. Pelotas: NEPFIL online, 2014.
Disponível em: . Acesso em: 09/01/2023.
LOPES, P. F. A Ética Platônica: Modelo de ética da Boa Vida. São Paulo: Loyola, 2005.
PLATÃO. A República. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2016.
Página 3 de 3
📄 Referências

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