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Conteudista: Prof. Dr. Carlos da Fonseca Nadais Revisão Textual: Esp. Alessandra Sevilla Gonçalves Objetivos da Unidade: Introduzir aos alunos os conceitos de Ética no Período Contemporâneo; Compreender as diferenças do conceito de Ética entre diversos filósofos estudados; Permitir que os alunos identifiquem as influências dos filósofos da Idade Contemporânea. 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências Ética no Período da Idade Contemporânea Contexto Histórico do Período Contemporâneo A Idade Contemporânea teve início na Revolução Francesa (1789) e continua até os dias atuais, passando por diversos acontecimentos, dentre os quais: Antes de adentrarmos o nosso estudo, cabe explicar alguns desses acontecimentos para entendermos melhor a dinâmica do conceito de ética na contemporaneidade. Em meados do século XVIII, na Inglaterra, iniciou-se a Revolução Industrial. Um dos ícones dessa transformação foi o aperfeiçoamento da máquina a vapor por James Watt, em 1765. Os avanços tecnológicos que se sucederam permitiram o desenvolvimento de equipamentos para a Página 1 de 3 📄 Material Teórico Início da Revolução Industrial (meados século XVIII); Primeira Guerra Mundial (1914-1918); Quebra da Bolsa de Nova York (1929); Segunda Guerra Mundial (1939-1945); Queda do Muro de Berlim (1989); Globalização (social, cultural, econômica). produção têxtil, que substituíram a força de trabalho de milhares de pessoas. A construção de estradas de ferro ampliou substancialmente a circulação de mercadorias inglesas. Se, por um lado, tivemos a prosperidade industrial e comercial dos capitalistas, por outro, houve a crescente exploração da farta mão de obra: jornadas de trabalho excessivas (até 18 horas diárias), salários baixíssimos e grande incidência de acidentes de trabalho. O ludismo foi o primeiro movimento operário de reivindicação de melhorias nas relações e condições de trabalho (início do século XIX). Os trabalhadores e os desempregados invadiam as fábricas e danificavam as máquinas. Filme Oliver Twist Oliver Twist promotional trailerOliver Twist promotional trailer https://www.youtube.com/watch?v=IJLjcENi_DM A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi primeiro conflito em estado de guerra total, em que as nações envolvidas concentraram seus recursos nessa batalha. Diversas causas podem ser apontadas para o desenvolvimento desse conflito, das quais a mais importante foi o fato de que os países europeus disputavam, entre si, recursos de países asiáticos e africanos e, por conseguinte, empenharam-se numa corrida armamentista para suportar as agressões sofridas dentro do próprio continente (Paz Armada). Ao final, tivemos um saldo de quase 10 milhões de mortos. Esse embate não foi totalmente resolvido e deu azo à Segunda Guerra, com o surgimento do nazismo. Filme Primeira Guerra Mundial – O Fim de Uma Era A Queda na Bolsa de Nova York (1929): com o fim da Primeira Guerra Mundial, as indústrias e a agricultura da Europa estavam arrasadas, e os EUA aproveitaram a oportunidade para se tornar o principal fornecedor e financiador da Europa. Nesse clima de prosperidade, os investimentos na bolsa de valores também aumentaram, mas as ações eram artificialmente valorizadas. Entre 1924 e 1929, o índice Dow-Jones disparou mais de 300%. Em 24 outubro de 1929 (dia que ficou conhecido como Quinta-feira Negra), os preços das ações caíram vertiginosamente e milhões de investidores perderam seu dinheiro. Por exemplo, as ações da General Motors, que então valiam US$ 1.075, caíram para apenas US$ 40. O colapso na bolsa dos EUA foi reproduzido nas bolsas europeias e japonesas. Nos EUA, houve alta no desemprego e queda no consumo, o que, por sua vez, forçou a redução dos preços e queda nos investimentos. Trailer: 1ª Guerra Mundial - O Fim de Uma EraTrailer: 1ª Guerra Mundial - O Fim de Uma Era https://www.youtube.com/watch?v=lYmcjsG1DmQ Figura 1 – Imagem com os investidores em frente à bolsa de valores em Wall Street Fonte: al.sp.gov #ParaTodosVerem: imagem de uma multidão em frente ao prédio da Bolsa de Valores de Nova York, invadindo ruas, calçadas e a escadaria desse prédio. Fim da descrição. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) também foi um conflito em estado de guerra total, mas, desta vez, formado por duas posições antagônicas bem definidas: os Aliados e o Eixo. O primeiro bloco era composto por França, Polônia e Reino Unido como principais forças, às quais se juntaram, em 1941, os Estados Unidos da América e a União Soviética. No segundo bloco, estavam Alemanha, Itália e Japão. Alguns dos fatos mais marcantes desse evento foram o Holocausto judaico, promovido pela Alemanha nazista, e o lançamento da primeira bomba atômica, promovido pelos Estados Unidos da América, tendo como “saldo” mais de 50 milhões de mortos. Filme Tempos Modernos Tempos Modernos (1936) - TrailerTempos Modernos (1936) - Trailer https://www.youtube.com/watch?v=4OmEi_AIjZc Com a escalada de mortes entre as duas guerras mundiais e temendo um novo conflito que poderia ter proporções ainda mais terríveis, foi alinhavada a criação da Organização das Nações Unidas. Paralelamente, houve uma nova polarização de forças, sendo um bloco comandado pela União Soviética (socialista) e outro liderado pelos Estados Unidos da América (capitalista), dando origem à Guerra Fria. O marco dessa partição geopolítica foi a divisão da Alemanha entre essas superpotências e a construção do Muro de Berlim. Filme O Pianista Trailer legendado em pt-BR - O pianista, �lme de Roman PolanskiTrailer legendado em pt-BR - O pianista, �lme de Roman Polanski https://www.youtube.com/watch?v=6NXjPxA_z0Q A queda do Muro de Berlim foi resultado da decadência econômica do bloco socialista e da falta de liberdade política do lado oriental. Em 9 de novembro de 1989, após uma comunicação equivocada do porta-voz do governo da Alemanha Oriental, milhares de alemães tentaram atravessar para o lado ocidental e tomaram para si a destruição do muro, dando o pontapé inicial para a reunificação da Alemanha. Figura 2 – Imagem icônica que rodou o mundo da derrubada do Muro de Berlim Fonte: Reprodução #ParaTodosVerem: imagem de vários alemães ao lado do muro que dividia a cidade de Berlim, sendo que um deles segura uma marreta e desfere diversos golpes com um machado contra o muro para derrubá-lo. Fim da descrição. A globalização é um fenômeno internacional que promoveu a integração econômica, social e política dos países em escala planetária. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a globalização tem quatro características que a diferenciam dos demais eventos históricos supracitados: a) comércio e transações financeiras; b) movimento de capitais e investimentos; c) migração e circulação de pessoas; e d) compartilhamento de conhecimentos. Se as guerras mundiais produziram blocos de países, a globalização produziu blocos de empresas transnacionais, que, não necessariamente, mas com bastante frequência, desconsideram o interesses dos países individualmente. As desvantagens da globalização contemplam a promoção de certa homogeneidade cultural, desconsiderando a diversidade dos Vídeo Queda do Muro de Berlim: a Derrota Comunista Queda do Muro de Berlim: a derrota comunista | Gazeta NotíciasQueda do Muro de Berlim: a derrota comunista | Gazeta Notícias https://www.youtube.com/watch?v=M2nSQ6kYcMU povos e das nações; a concentração de grandes conglomerados, que dominam fatias inteiras de mercado; e aceleração das desigualdades sociais e econômicas, que resultam em concentração de renda e aumento da pobreza. Ética em Friedrich Nietzsche (1844-1900) – Niilismo Filme Milton Santos – Por Uma Outra Globalização FILME | Milton Santos - Por uma outra globalização, 2004FILME | Milton Santos - Por uma outra globalização, 2004 https://www.youtube.com/watch?v=sdSwEezXrAk Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844, na Prússia (Alemanha antes da unificação do país),e morreu em 25 de agosto de 1900, em Weimar, Alemanha, quase 11 anos depois de ter sido diagnosticado com paralisia progressiva e perda contínua da sanidade (possivelmente em decorrência de uma sífilis não tratada). Dentre os pensadores daquele período, foi quem promoveu a maior ruptura com a filosofia tradicional, contradizendo todos os filósofos ocidentais, com raras exceções, como Baruch Spinoza (vide conteúdo anterior). Nietzsche duvidava do suposto progresso tecnológico promovido pela modernidade. A Primeira Guerra Mundial e o Holocausto judaico deram o tom de pessimismo em relação ao avanço científico, que não havia garantido nenhum avanço moral humano. Em 1878, publicou Humano, demasiado humano; em 1881, Aurora; e em 1882, A gaia ciência, todos escritos em aforismos, estilo que marcou sua produção intelectual. Em 1882, publicou sua obra mais lida e comentada: Assim falou Zaratustra. A fase de aprofundamento do estudo sobre a moralidade contempla a publicação de Além do bem e do mal, em 1886; a Genealogia da moral, em 1887; e O anticristo, Crepúsculo dos ídolos e Ecce Glossário Aforismos: são sentenças curtas que possuem um significado próprio, dispensando grandes argumentações. homo, em 1888. No ano seguinte, Nietzsche entrou um colapso mental, o que interrompeu sua vida intelectual até seu falecimento. Nietzsche elabora uma crítica aos sistemas morais que pretendem estabelecer uma valoração unilateral e desprezam a origem histórica e cultural dos valores morais. Para Nietzsche, as concepções morais são elaboradas pelos homens a partir de interesses humanos, mas, na verdade, não existem noções absolutas de bem e mal, pois os valores morais são produtos histórico-culturais, que, por sua vez, são mutáveis. A ética nietzschiana não pode ser enquadrada na “ética tradicional”, que submete o indivíduo à “negação de sua vontade”. O indivíduo deve se encontrar além dos “limites éticos e morais tradicionais pelos quais esteve aprisionado” (Der Übermensch ou Super-homem), portanto, a ética nietzschiana parte de um processo necessariamente libertador “daquilo que torna nossa vida limitada e insignificante”. O indivíduo deve viver intensamente, lançar-se no mundo e abraçar o devir da existência (Der Wille zur Macht ou Vontade de potência). Glossário Super-homem: é aquele que vive intensa e perigosamente, que valoriza as coisas novas, que cria seus próprios valores e que é honesto consigo mesmo. “Eu vos anuncio o super-homem. O homem só existe para ser superado. Que fizestes para o superar?” (Assim falava Zaratustra); Vontade de potência: é uma força que está além do que os sentidos humanos podem compreender, como um combustível que alimenta e estimula a sua própria existência. “Onde quer que encontrei uma coisa viva, encontrei a vontade de poder” (Assim falava Zaratustra). Ética em Jean Paul Sartre (1905-1980) – Existencialismo Jean-Paul Charles Aymard Sartre nasceu em 21 de junho de 1905, em Paris, e faleceu em 15 de abril de 1980, na mesma cidade, vítima de um edema pulmonar (causado por excesso de álcool e tabaco). Em 1943, publicou O ser e o nada, um tratado filosófico sobre as questões da consciência e da existência do nada perante a questão da livre vontade. Se Nietzche faz um estudo profundo a respeito da moralidade, Sartre faz o mesmo movimento em relação à liberdade humana e à responsabilidade decorrente de nossas escolhas. Sartre não escreveu especificamente sobre ética, mas essa questão pode ser entendida pela observação do binômio liberdade e responsabilidade. Toda vez que age, o ser humano torna-se responsável pelas suas escolhas, porque não há outra escolha que não exercer a liberdade; portanto, o ser humano não tem desculpas para a sua própria existência. Afirma Sartre: “Eu decido, sozinho, injustificável e sem desculpas” (SARTRE, 2001, p. 84). A liberdade é, também, um fardo, a partir do qual se instala outro binômio: liberdade e angústia. “Somos indivíduos livres e nossa liberdade nos condena a tomarmos decisões durante toda a nossa vida. Não existem valores ou regras eternas, a partir das quais podemos no guiar. E isso torna mais importantes nossas decisões, nossas escolhas” (Jean-Paul Sartre). Portanto, para Sartre, a humanidade está condenada a ser livre e, desde que nascemos, estamos condenados a decidir. O ser humano é o único responsável por seus atos e escolhas, criador de sua existência autêntica. Assim, uma atitude ética resulta de escolhas responsáveis, visando ao “ser social” e ao “ser individual”, cujas escolhas refletem tanto em sua própria vida quanto nos demais membros da comunidade. Sartre afirma que “O outro é indispensável à minha existência tanto quanto, aliás, ao conhecimento que tenho de mim mesmo” (SARTRE, 1987, p. 13). Aqui, podemos estabelecer uma certa “ética sartriana”. Figura 3 – Somos livres para decidir, mas temos tantas coisas para decidir! Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: imagem de uma mulher refletindo sobre diversos aspectos da vida: dinheiro, viagem, amor, carro, estudos, dentre outros temas. Fim da descrição. Ética em Michel Foucault (1926-1984) – Estruturalismo Paul-Michel Foucault foi um filósofo francês que nasceu em 15 de outubro de 1926, na cidade de Poitiers, na França, e faleceu em 25 de junho de 1984, em Paris, em decorrência do HIV/Aids. Graduou-se em Psicologia e cursou licenciatura em Filosofia na Sorbonne. Crítico das instituições sociais (prisões e hospícios) e das teorias que tratam do poder e sua relação com o conhecimento (A arqueologia do saber, de 1969). Figura 4 – Tríade poder, direito e verdade Foucault tratou da tríade poder, direito e verdade. O poder se manifesta na sociedade pelo direito, pois é por meio do ordenamento jurídico (leis, regras e normas) que somos “disciplinados” (obediência às práticas sociais sistematizadas – Microfísica do poder, de 1972). O poder se legitima por uma verdade, pelos discursos (práticas discursivas) que produzem uma “consciência coletiva” dominante, que, por sua vez, controla as possíveis discordâncias utilizando a vigilância e a opressão (Vigiar e punir, de 1975). A tríade poder, direito e verdade busca, portanto, corpos disciplinados e amaciados, prontos para servir ao poder, que são forjados pela escola, pela fábrica, pelos hospitais, pelas prisões (observação contínua sob todos – Microfísica do poder, de 1972). Segundo Foucault, com passar do tempo, o poder está cada vez menos visível e mais racionalizado, ou seja, mais sutil. Figura 4 – Quadrinhos dos Anos 10: aquele que vigia alguém também é vigiado, fechando um ciclo de controle social total Fonte: Reprodução #ParaTodosVerem: três quadrinhos onde nos dois primeiros quadrinhos vê-se ao fundo azul claro uma representação de um homem de terno amarelo e gravata vermelha, no canto superior direito uma câmera, no primeiro quadrinho o balão de fala do homem diz: Malditas câmeras, somos monitorados o tempo todo. No segundo quadrinho, o balão de fala diz: Se você está me ouvindo, saiba que podemos lutar contra a Sociedade do Controle juntos! No terceiro quadrinho há o desenho de um homem vestido de segurança, sentado em frente a tela de um computador com aparência de confusão, no canto superior direito há uma câmera. Fim da descrição. A ética de Foucault está lastreada nos princípios de liberdade, de escolha e de resistência às leis, regras e normas (subversão), pelos quais o sujeito busca se reinventar, ou seja, ser o inventor da sua própria vida. A ética de Foucault é uma relação de poder que se estabelece consigo mesmo e, portanto, não se submete à conduta do outro (certo ou errado), mas considera os efeitos da própria conduta nos outros indivíduos. Governar é agir sobre si mesmo, declarando uma posição crítica diante de quaisquer ações de condução. “Não é possível cuidar de si sem se conhecer” (Michel Foucault). Cuidar de si é assumir o que você é; é construir uma relação de respeito e cuidado, de modo que não consigam, de maneirainstrumental, eliminar o que você é. Vídeo Quem Somos Nós – Michel Foucault por Oswaldo Giacoia Junior Ética em Emmanuel Lévinas (1906-1995) – Filosofia da Alteridade Emmanuel Lévinas nasceu em 30 de novembro de 1906, em Kaunas, na Lituânia, e faleceu em 25 de dezembro de 1995, em Paris. Nascido em família judaica, seu pai era livreiro, o que facilitou o contato com clássicos da literatura russa. Aos 17 anos, mudou-se para Paris e iniciou seus estudos em Filosofia na Universidade de Estrasburgo. Em plena Segunda Guerra Mundial, foi capturado pelo exército alemão, permanecendo exilado, quando então desenvolveu grande parte da obra Da existência ao existente, publicada em 1947, após o fim da guerra. A violência nazista lhe deixou marcas profundas. A ética em Lévinas é ditada pelo respeito ao outro, que preserva a alteridade do outro. A autonomia do sujeito enquanto abertura ao outro é um chamado à responsabilidade. Cada um deve fazer a sua parte: abandonar a cultura da indiferença e exercitar a paciência e o perdão. QUEM SOMOS NÓS? | Michel Foucault por Oswaldo Giacoia JuniorQUEM SOMOS NÓS? | Michel Foucault por Oswaldo Giacoia Junior https://www.youtube.com/watch?v=5XcxVHo4ozc Percebam que esse movimento se aproxima muito de uma experiência com o sagrado (religiosidade). Figura 5 – A riqueza da diversidade cultural religiosa Fonte: Adaptada de Freepik #ParaTodosVerem: quatro personagens ilustrados representando várias culturas e etnias. Eles estão com as mãos unidas, uma em cima da outra no centro da imagem. Há também um balão de fala com um coração azul dentro acima dos personagens. Ao fundo tem o planeta Terra e algumas figuras, como nuvens e corações. Fim da descrição. Quando o outro é entendido como “não humano” ou “inexistente”, ele pode sofrer violência e, até mesmo, ser destruído, sem que o ofensor desenvolva um sentimento de culpa (aqui se nota sua experiência com a violência nazista durante o cativeiro). "A justiça brota do amor. Isso não quer absolutamente dizer que o rigor da justiça não se possa voltar contra o amor, entendido como responsabilidade. A política abandona a si mesma, tem um determinismo próprio. O amor deve sempre vigiar a justiça" (Emmanuel Lévinas). Ética em Jürgen Habermas (1929-) Jürgen Habermas nasceu em 18 de junho de 1929, na cidade de Dusseldorf, na Alemanha. Aos 25 anos, doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Bonn (Alemanha) e, aos 27 anos, tornou- se assistente de Theodor Adorno (1903-1969), na Universidade de Frankfurt, tornando-se membro da Escola de Frankfurt (segunda geração). Dedicou-se ao estudo da democracia e das teorias do agir comunicativo. Habermas foi contemporâneo de inúmeros acontecimentos históricos: a guerra civil espanhola (1936-1939); a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com o Holocausto e o lançamento das bombas atômicas pelos EUA; a Guerra Fria, entre EUA e URSS (1947-1991), com a polarização Glossário Escola de Frankfurt: foi uma escola de pensamento filosófico e sociológico que surgiu na Universidade de Frankfurt, na Alemanha. Procurava estabelecer uma nova ótica de análise social com base em uma releitura do marxismo e denunciava estruturas de dominação política, econômica, cultural e psicológica da sociedade. entre blocos capitalistas e socialistas; a queda do Muro de Berlim (1989), que anunciou a derrocada dos sistemas comunistas e socialistas e iniciou a reunificação alemã; a guerra do Golfo (1990-1991), travada entre EUA e Iraque, culminando com a execução do ditador Saddam Hussein; o genocídio em Ruanda, na África, com o assassinato de um milhão de pessoas da etnia tutsi (1994), dentre outros. Filme Hotel Ruanda O filme conta a história do gerente de um hotel (da etnia hutu) que tenta proteger 1.200 pessoas da etnia tutsi do genocídio promovido pelos hutus em seu local de trabalho. Trailer: Hotel RuandaTrailer: Hotel Ruanda https://www.youtube.com/watch?v=3wf8prFBpIM O pensamento filosófico de Habermas está fundamentado na ação comunicativa como forma de entender a ética e a política. A ética do discurso de Habermas pondera que a racionalidade e a argumentação devem guiar nossos processos de decisão (racionalidade comunicativa), privilegiando a comunicação para alcançar acordos de mútuo entendimento entre os indivíduos. Para que esse entendimento seja formado, é necessário que todos tenham o direito de expor seus argumentos, de forma não coercitiva (livre), e que haja o respeito à opinião de todos nesse debate de ideias. Figura 6 – A ética comunicativa prescreve a livre comunicação e respeito às diferentes opiniões Fonte: Adaptada de Freepik #ParaTodosVerem: Figura com 5 pessoas em sentadas no chão, e interagindo entre si. Três pessoas têm balões de fala branco, mas vazios. Todos estão vestidos de maneira formal, como num ambiente de trabalho. Fim da descrição. Vídeo Professor André Magnellio – Jürgen Habermas: Esfera Pública, Ação Comunicativa e Distorções Sistemáticas da Comunicação André Magnelli video1André Magnelli video1 https://www.youtube.com/watch?v=LNqxWvwC4JQ Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Filosofando: Introdução à Filosofia ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 1986. História da Filosofia: da Renascença à Pós-Modernidade HOTTOIS, G. História da Filosofia: da renascença à pós-modernidade. Trad. Maria Fernanda Oliveira. Lisboa: Instituto Piaget, 2002. Vídeo Página 2 de 3 📄 Material Complementar Emmanuel Lévinas e a Ética como Filosofia Primeira e a Questão do Outro Palestra proferida pela Juíza Federal Márcia Ho�mann do Amaral e Silva. Leitura Sartre: Direito e Política – Ontologia, Liberdade e Revolução Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Emmanuel Lévinas e a ética como �loso�a primeira e a questão dEmmanuel Lévinas e a ética como �loso�a primeira e a questão d…… https://teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-19092012-144850/publico/Tese_Silvio_Luiz_de_Almeida_Integral.pdf https://www.youtube.com/watch?v=ObNM45Xa8Dg HABERMAS, J. Teoria da Ação Comunicativa: racionalidade da ação e racionalização social. Trad. Luiz Repa. São Paulo: UNESP Digital, 2022. v. 1. LÉVINAS, E. Entre nós. Ensaios sobre a alteridade. Trad: Pergentino Pivatto et al. (Coord.). Petrópolis: Vozes, 2009. NIETZCHE, F. W. Assim falou Zaratustra. Trad. Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Civilização Brasileira, 1999. SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo: a imaginação: questão de método. Trad. Rita Correia Guedes, Luiz Roberto Salinas Forte, Bento Prado Júnior. 3. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987. Página 3 de 3 📄 Referências