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( Fisiologia 1 ) ( 1ª edição )Linguagens e Pesquisa Maria Luzia Paiva de Andrade DIREÇÃO SUPERIOR Chanceler Joaquim de Oliveira Reitora Marlene Salgado de Oliveira Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA Gerência Nacional do EAD Bruno Mello Ferreira Gestor Acadêmico Diogo Pereira da Silva FICHA TÉCNICA Direção Editorial: Diogo Pereira da Silva e Patrícia Figueiredo Pereira Salgado Texto: Maria Luzia Paiva de Andrade Revisão Ortográfica: Rafael Dias de Carvalho Moraes Projeto Gráfico e Editoração: Antonia Machado, Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos Supervisão de Materiais Instrucionais: Antonia Machado Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos COORDENAÇÃO GERAL: Departamento de Ensino a Distância Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo Bibliotecária: Elizabeth Franco Martins --- CRB 7/4990 Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se responsabilizando a ASOEC pelo conteúdo do texto formulado. © Departamento de Ensino a Dist ância - Universidade Salgado de Oliveira Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedor a da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). ( Professora Marlene Salgado de Oliveira Reitora. ) ( Palavra da Reitora ) Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo, exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO EAD, que reúne os diferentes segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero bem-sucedidas mundialmente. São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se responsável pela própria aprendizagem. O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de nossa plataforma. Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos. A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem- sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização, graduação ou pós-graduação. Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona. Seja bem-vindo à UNIVERSO EAD! ( Linguagens e Pesquisa ) ( 5 ) ( Sumário ) Objteto de Aprendizagem – Etapa 1 07 Objteto de Aprendizagem – Etapa 2 67 Objteto de Aprendizagem – Etapa 3 111 ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa 7 ) ( 1 )Objeto de Aprendizagem Etapa 1 Leitura – Uma Reflexão Social: Compreensão e Interpretação de Textos. “Que ninguém se iluda: só a leitura intensa permite conhecer os múltiplos recursos da língua e usá-los com eficiência, sem decoreba gramatiqueira.” (Marcos Bagno). Caro aluno, começaremos agora os nossos estudos nessa fascinante área da leitura e da produção de textos. Procuraremos identificar e analisar as diferentes abordagens do ensino da leitura e da produção textual. Ler, ouvir, compreender, falar e escrever são atividades necessárias na nossa relação com os outros e com o mundo, e a ferramenta cultural que utilizamos para esta comunicação, esta inter- relação, é a linguagem, seja ela verbal ou não-verbal, pois, no nosso dia a dia, deparamo-nos cada vez mais com situações em que temos de ler textos cujo código não é nossa língua. Já se afirmou, inclusive, que vivemos numa sociedade icônica, pois somos constantemente bombardeados por signos visuais também. E os próprios textos verbais vêm comumente associados a textos não-verbais. ( Icônico: relativo a ícone. Que representa ou reproduz com exatidão e fidelidade. Signo que apresenta uma relação de semelhança ou analogia com o objeto que representa (como uma fotografia, uma estátua ou um desenho figurativo); p.ex.: o desenho de uma faca e um garfo cruzados que indicam a proximidade de um restaurante. ) Objetivos · Saber adequar o discurso às situações comunicativas. · A conceituação de leitura · Interagir com os textos, buscando os significados possíveis e a relação com as experiências pessoais. · Entender a leitura como uma atividade de compreensão, mas também de interação, de reação e avaliação dos efeitos pretendidos pelo autor e obtidos nos leitores-aluno. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 8 ) ( 11 ) · Perceber que os textos (orais e escritos) são frutos da intenção comunicativa de um emissor em relação a um receptor num determinado contexto social. · Ampliar a capacidade de entender e interpretar adequadamente um discurso em sua diversidade de contexto e perceber a importância do contexto nos textos produzidos. Planejamento Seção 1: Conceituações de Leitura – A prática da leitura de textos Seção 2: Noções de Linguagem e Língua: Textos Verbais e Não-Verbais Seção 3: Noção de Discurso: O ensino da leitura e da escrita no Cotidiano Seção 4: A Metodologia da Leitura e Estratégias de Leitura e de Escrita de textos Seção 5: Trabalhando as normas linguísticas na construção dos textos: Significação das palavras. A Semântica e o sentido das palavras. Seção 6: Elementos de Coesão e Coerências Textuais. Seção 7: Aspectos comunicacionais em meios multimídia e Linguagem, Processos comunicativos, formas e tecnologias. Bem-vindo à primeira seção de estudo! ( Seção 1 - Conceituação de Leitura – A prática da Leitura de Textos ) Nessa seção de estudo, conheceremos um pouco sobre a prática da leitura e produção de textos, conheceremos algumas metodologias de leitura, suas estratégias e a diferença entre compreensão e interpretação de textos. A leitura é importante para que se possa ter acesso a informações veiculadas das mais diversas maneiras: na Internet, na televisão, em outdoors espalhados pelas cidades, em cartazes afixados sistematicamente, nos muros das ruas, nas mais diferentes placas informativas, folders, impressos de propaganda, distribuídos insistentemente aos transeuntes, e, até mesmo, em receitas médicas e bulas de remédios. Por isso, dizemos que na formação global do homem inserido no mundo moderno, a leitura e a produção de texto têm esse papel fundamental. O mesmo se pode dizer sobre o sucesso de um candidato, por exemplo, em exames, notadamente naqueles que privilegiam as questões analítico-dissertativas. Ilude-se a pessoa que, ao ler o programa de uma determinada matéria, conclui que as capacidades citadas são exigências específicas daquela disciplina. Por exemplo, quando programas de Português falam em “Leitura”, “Compreensão crítica” e “Interpretação” mencionam competências que exploram somente a prova específicaocorrer antes de avaliações presenciais e/ou a distância); para que se discuta um trabalho (com ou sem mediação). Para que seja eficaz, o chat deve seguir algumas regras: os grupos não devem ser muito grandes. Os grupos devem ter de 5 a 7 pessoas; a discussão deve ser dirigida, ou seja, baseada num tema de interesse do curso; o moderador não deve deixar a discussão ser desviada do tema inicialmente proposto; se possível, um relator deve elaborar um relatório do evento e disponibilizá-lo para o grupo participante; é interessante que se crie um arquivo das conversas para análise posterior; deve-se agendar data e hora de início e término que seja comum ao grupo e buscar comprometimento dos participantes no que diz respeito ao cumprimento da agenda; aconselha-se também que se evitem temas muito teóricos e/ou polêmicos. 1. Telefone - mídia individual que oferece comunicação interativa em tempo real. É usado, sobretudo, para o esclarecimento de dúvidas dos alunos. 2. Skype – permite a comunicação pela Internet através de conexões de voz (mensagens instantâneas, videoconferências e/ou realizar ligações do computador para um telefone fixo ou celular com tarifas. 3. Transmissão de aulas, palestras, etc., com interação direta via satélite (teleconferência) – transmitida via satélite e com recepção através de antena parabólica conectada à televisão, oferece aos participantes possibilidades de interação e participação ativa no processo formativo. Um modelo de teleconferência é apresentação por um conferencista, dirigida por perguntas dos telespectadores. A teleconferência é muito usada na EAD pois evita que um mesmo curso seja repetido em mais de um local. Apontamos as seguintes vantagens da teleconferência: conveniente para o ensino de grupo; torna a presença e interatividade em tempo real; atende a um número elevado de alunos; custo baixo, evita o deslocamento de professores e permite o acesso de alunos fora dos grandes centros de formação. 1. Transmissão de aulas, palestras, etc., com interação direta via satélite (web conferência) – permite ensinar em tempo real a grupos de alunos distantes geograficamente. Consiste numa videocâmara, um monitor de tv e uma unidade de áudio. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 58 ) ( 59 ) 2. A videoconferência é o meio que mais se aproxima da sala de aula convencional, esta ferramenta permite a interação entre alunos e professores em tempo real. 3. Segundo Rodrigues (1998), alguns aspectos devem ser observados para que a videoconferência alcance o sucesso desejado: sugere-se número nunca maior que vinte alunos por sala (já que a ferramenta não permite atendimento em larga escala); é necessário que as aulas sejam planejadas e estas incentivem a interação; sugere-se que o instrutor se dirija aos alunos pelo nome; o professor deve olhar diretamente para a câmera, buscando envolver os alunos. Esta mídia cria oportunidades para o diálogo, facilitando a interatividade. O diálogo pode ser entre estudantes e estudantes e tutores e estudantes. Tabela – Alguns exemplos de Recursos assíncronos e síncronos utilizados na comunicação de cursos virtuais. Recursos tecnológicos Categoria de Comunicação Tipos de Comunicação (há variantes de uso) Telefone, Skype Síncrona Um para um ou muitos para muitos E-mails, transferências de arquivos Assíncrona Um para um ou muitos para muitos AVA - Aulas propostas Assíncrona Um para muitos Transmissão de aulas, palestras, etc., com interação direta via satélite (teleconferência) Síncrona Um para muitos Transmissão de aulas, palestras, etc., com interação direta via satélite (web conferência) Síncrona Muitos para muitos Chat ou Bate papo Síncrona Muitos para muitos Reunião através de computador Síncrona Muitos para muitos Do que já dissemos, existem requisitos para tornar possível e adequado o processo de aprendizagem. A abordagem pedagógica e o planejamento dos cursos requerem uma forma diferenciada de ação na concepção destas etapas, pois a organização das informações, a mediação pedagógica, as mídias e tecnologias utilizadas, tais como: videoconferência, vídeo, material impresso, CD-ROM, o tipo de ambiente virtual de aprendizagem etc., além da avaliação da aprendizagem e de outros elementos devem ser planejados articulada e antecipadamente, orientados sempre por concepções pedagógicas. Nas últimas décadas, novos modos de ensinar e aprender foram criados a partir de relacionamentos virtuais dentro de ambientes informatizados. A aprendizagem online, por meio da criação de Comunidades Virtuais de Aprendizagem (Comunidades), tornou-se uma realidade e uma tendência mundial, tanto na educação formal, reconhecidas para esse fim, quanto na educação não-formal, criadas para dar suporte, capacitação, aperfeiçoamento e qualificação de pessoal para o mercado de trabalho; realizadas por empresas e ONGs. Com isso, o fim da distinção entre o que é presencial e o que é a distância começa a desaparecer. Hoje em dia, com as Tecnologias de Informação e Comunicação, as TIC’s, desenvolveram-se novos conceitos, utiliza-se também a comunicação direta. Assim, os meios de comunicação vão desde a correspondência tradicional ou telefone até o correio eletrônico, fórum (recursos assíncronos – que não acontecem simultaneamente) e salas de bate-papo ou Skype (recursos síncronos – que acontecem simultaneamente). Em outras palavras, conforme as ideias de Moore e Peters, a distância tem graus distintos, ou seja, pode variar entre a maior distância possível, na forma de autoestudo, e a menor distância possível, com comunicação dos alunos entre si e destes com o tutor/professor, baseada na oferta de variadas formas de comunicação síncrona e assíncrona num mesmo curso. No caso de cursos com alta interação entre as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem, as TIC’s prestam valiosas contribuições, pois ampliam as alternativas de comunicação e cooperação entre os sujeitos, o que melhora, significativamente, a qualidade da aprendizagem. O fato inegável é que, com a EAD, a Educação pode ocorrer em qualquer lugar e a qualquer hora, o que permite, entre outras coisas, a tão sonhada democratização do ensino. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 60 ) ( 61 ) ( Referência Bibliográfica ) 1 – COELHO, Fábio André. PALOMANES, Roza (orgs). Ensino de produção textual. São Paulo: Contexto, 2016. 128 p. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572449540/pages /-4 2 – GUIMARÃES, Thelma de Carvalho. (org.). Língua Portuguesa I. Biblioteca Universitária Pearson. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788543005140/pages /-6 3 – LEÓN, Cleide Bacil. (et al.) Comunicação e expressão. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2013. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788582125366/pages /7 4 – PALADINO, Valquíria da Cunha [et. al]. Coesão e coerências textuais: teoria e prática. 2 ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2011. 172 p. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788579871412/pages /-9 5 – LOMBARDI, Roseli Ferreira (org.). Língua Portuguesa IV. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2016. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788543017051/pages /-8 6 – SALVADOR, Arlete. Para escrever bem no trabalho: do WhatsApp ao relatório. São Paulo: Contexto, 2015. 128 p. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572449205/pages /3 7 – KOCH, Ingedore Villaça. ELIAS, Vanda Maria. Escrever e argumentar. São Paulo: Contexto, 2016. 240 p. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572449502/pages /7 8 – SQUARISI, Dad. CUNHA, Paulo José. 1001 dicas de português: manual descomplicado. 1 ed., 1ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2015. 320 p. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572449083/pages /3 9 – RIBEIRO, Renata Aquino. Introdução à EaD. São Paulo: Pearson Education do Brasil,2014. (Série Bibliografia Universitária Pearson) http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788543005089/pages /-2 10 – SANTINELLO, Jamile. Ensino Superior em ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs): formação docente universitária em construção [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2015. (Série Tecnologias Educacionais). http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788544301098/pages /7 11 – FARIA, Adriano Antônio. O que e o quem da EaD: história e fundamentos [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2013. (Série Fundamentos da Educação) http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788582127228/pages /5 ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 62 ) ( 63 ) 12 – MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. [livro eletrônico]. Campinas: São Paulo, SP. Papirus, 2013. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788530810894/pages /5 13 – LITTO, Fredic Michael. FORMIGA, Marcos. Educação a Distância, volume 2. (orgs) – 2 ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788576058830/pages /_7 14 – SELEME, Roberto Bohlen. MUNHOZ, Antonio Siemsen. Criando universidades corporativas no ambiente virtual. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788576058915/pages /_1 15 – VALENTE, José Armando. MORAN, José Manuel; ARANTES, Valéria Amorim (organizadora). Educação a Distância: pontos e contrapontos. – São Paulo: Summus, 2011. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788532307958/pages /3 16 – MUNHOZ, Antonio Siemsen. Como ser um aluno eficaz. (livro eletrônico). Curitiba: InterSaberes, 2014. http://universo.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788544300213/pages /5 ( Leitura Complementar ) Para saber mais sobre os conteúdos disponíveis aqui, veja também: KRAMER, Sonia & JOBIM e SOUZA. S. (org). Histórias de professores: leitura, escrita e pesquisa. São Paulo: Ática, 1996 KRAMER, Sonia e LEITE, M. I. (Org). Infância e produção Cultural. Campinas Papirus, 1998. KRAMER, Sonia. Presença Pedagógica. V.6 nº 31. jan. /fev. 2000. DELORME, Maria Inês & CAMPOS, Cristina. Caderno do Professor 6. Leitura. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. KENSKI, Vani M. Gestão e uso das mídias em projetos de educação a distância. 12º edição do Congresso Internacional da ABED. Florianópolis, 2005. Disponível em: . MAIA, Carmem. MATTAR, João. ABC da EaD. São Paulo: Pearson, 2007. SALTO. Programa Salto para o Futuro. Secretaria de Educação a Distância, Ministério da Educação. Produção TV Brasil. Disponível em: . Acesso em junho de 2008. MEC/SEED. Integração das Tecnologias na Educação. Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2005. 204 p. Disponível em: . Acesso em junho de 2008. MAIA, Carmem. MATTAR, João. ABC da EaD. São Paulo: Pearson, 2007. SALTO. Programa Salto para o Futuro. Secretaria de Educação a Distância, Ministério da Educação. Produção TV Brasil. Disponível em: . Acesso em junho de 2008. MEC/SEED. Integração das Tecnologias na Educação. Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2005. 204 p. Disponível em: . Acesso em junho de 2008. Prezados Alunos, Teste seus conhecimentos realizando algumas atividades de autoavaliação disponíveis no seu ambiente virtual de aprendizagem. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino- aprendizagem. Nas seções deste Objeto de Aprendizagem, estudamos e refletimos os mecanismos de coesão e coerência, o sentido das palavras, as técnicas básicas de interpretação de textos, aspectos comunicacionais em meios multimídia, análise do discurso, elementos da comunicação humana, linguagem, processos comunicativos, formas e tecnologias, além de alguns modelos de documentos oficiais utilizados na comunicação. Assim, caro aluno, finalizamos esta primeira etapa de nossos estudos. No próximo Objeto de Aprendizagem vamos estudar um pouco de Metodologia de Investigação Científica. Esperamos que esta disciplina tenha contribuído para melhorar o seu desempenho e competência na produção da leitura e da escrita em Língua Portuguesa. Sucesso! Equipe Universo EaD ( Linguagens e Pesquisa 67 ) ( 2 )Objeto de Aprendizagem – Etapa 2 Olá, caríssimos estudantes Nesta segunda etapa, começaremos os estudos na área da Metodologia de Investigação Científica. Bem-vindo ao estudo da disciplina Metodologia da Pesquisa e da Produção Científica. Nossa proposta para este projeto reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se também pela atualidade e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. ( Introdução ) Pretendemos, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos desta área e atuar de forma competente e consciente como convém a um profissional que busca uma formação superior para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Além disso, registra-se a intenção de tornar o material um subsídio valioso, a fim de facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Desejamos que ele seja um instrumento para seu sucesso na carreira que escolheste. Este conteúdo foi elaborado com o objetivo de propiciar conhecimentos acerca do contexto educacional com foco na Metodologia da Pesquisa e da Produção Científica. Lembrando sempre de que você é protagonista da história que estamos construindo a partir de agora, esperamos que, ao longo dos estudos, possamos aprofundar conceitos e dialogar de modo que você continue construindo sua trajetória acadêmica de forma competente e abrangente. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 68 ) ( 69 ) Para o aluno que estuda a distância, algumas ações são importantes, como um bom planejamento dos estudos, cumprimento de todas as etapas propostas no curso, um bom aproveitamento do processo de ensino-aprendizagem e a interação com o tutor e os colegas. Objetivos · Conhecer a construção do parágrafo e as características da linguagem acadêmica. · Compreender as modalidades de trabalhos acadêmicos utilizados em cursos de graduação e pós-graduação. · Conhecer conceitos e fundamentos teóricos sobre pesquisa científica. · Conhecer normas científicas na elaboração de trabalhos acadêmicos tais como: projeto de pesquisa, artigo acadêmico, monografia, entre outros. · Compreender as etapas que regem o planejamento de pesquisa aplicados em diferentes trabalhos acadêmicos. · Desenvolver atividades de elaboração de planejamento de pesquisa, apresentando autonomia intelectual e espírito investigativo. · Proporcionar o suporte necessário à elaboração, formatação e edição de projetos de pesquisa e monografias, de modo que eles se enquadrem formalmente nos parâmetros observados não só pelas agências de fomento à pesquisa, mas também em programas de pós- graduação. Bons estudos! ( Seção 8: Metodologia de Investigação Científica: Conhecimento, Saber e Ciência. ) Iniciamos esta seção refletindo sobre como organizamos nossos conhecimentos, bem como quais são os parâmetros que limitam esta ciência e o que caracteriza a postura investigativa. Existem vários tipos de conhecimento: 1 – Conhecimento teológico = é aquele gerado por respostas a questões aparentemente inexplicáveis; 2- Conhecimento filosófico = que é aquele gerado pelo questionamento de nossa condição no universo;3- Conhecimento empírico = que é a tentativa de compreensão dos seres e dos fenômenos da realidade; 4- Conhecimento científico = aquele gerado pela nossa necessidade de conhecer, compreender a natureza e o universo. Além disto, devemos ter em mente que a tríade - conhecimento, saber e ciência está intrinsecamente ligada ao contexto sociocultural de um dado recorte da realidade que queremos investigar. O desejo de interpretar e dominar o real gera os conhecimentos. Para que o conhecimento possa ser gerado, é necessária a articulação de três elementos. · O sujeito: aquele que pensa, que reflete, que sistematiza o que aprendeu sobre seres e fenômenos do universo. · O ser / fenômeno: alvo do interesse, da curiosidade do sujeito. · A imagem: representação dada pelo sujeito ao ser/fenômeno e alvo de nosso interesse. O ser humano, por sua natureza curiosa, nem sempre se satisfaz como o conhecer, isto é, com a simples apreensão de informações do real. Ao contrário, dedicamo-nos a traçar relações, a comparar, a analisar e a generalizar essas informações. Mas o que é mesmo o CONHECIMENTO? Conhecer não se limita à relação entre um sujeito – aquele que conhece – e um objeto – aquilo que é conhecido. É um processo mais complexo, já que o sujeito se apropria do objeto criando, a partir dele, uma imagem que só ele tem daquele objeto. · Diversidade de Conhecimentos Naturezas distintas caracterizam tipos distintos de conhecimento. Esses tipos distintos de conhecimento estão agregados ao nosso cotidiano. A partir deles, selecionamos nossas palavras em diferentes momentos de nossas vidas. · Natureza do Conhecimento As naturezas dos conhecimentos se distinguem pelo grau de sistematicidade, de exatidão, de subjetividade nelas registrado. ( Seção 9: Tipos de Conhecimento ) O conhecimento pode ser classificado em diversos tipos: conhecimento teológico, filosófico, empírico e científico. Todos eles são formas de conhecimento, pois cada um, dentro de sua especificidade, busca desvendar os segredos do mundo, atribuindo-lhe um sentido. I – Conhecimento Teológico: Situações misteriosas e aparentemente inexplicáveis sempre nos colocaram diante de impasses. Como explicar o que parece não ter explicação? Respostas a questões como essa vai gerar um tipo singular de conhecimento: o Conhecimento Teológico. Esse conhecimento é adquirido a partir de axiomas da fé teológica, é fruto da revelação da divindade, por meio de indivíduos inspirados que apresentam respostas aos mistérios que permeiam a mente humana. A partir do conhecimento teológico o homem: · Reconhece o mundo, assim como tudo o que constitui como resultado do ato de um criador divino; ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 72 ) ( 73 ) · Não questiona a existência de entidades divinas; · Aceita, como verdades indiscutíeis, as revelações postas em nome de entidades divinas; · Concebem os textos sagrados como expressão do conhecimento divino. O conhecimento teológico não discute a existência divina, uma vez que a tem como fundamento e dela aceita, sem restrições, os dogmas de fé. Suas proposições são apresentadas em textos sagrados com a Biblia Sagrada (texto sagrado das religiões cristãs), o Alcorão (o livro sagrado do Islã) , o Torá (livro sagrado do judaísmo). ( Axioma: Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. ) Características do Conhecimento Teológico: O conhecimento teológico é predominantemente: · dogmático, pois sua aceitação depende de atos de fé; · não é comprovável, pois suas evidências não são verificáveis; · é valorativo, pois se calca em doutrinas constituídas de proposições sagradas; · não é terreno, pois sua revelação não depende do homem, mas de entidades divinas; · é sistemático, pois explica a origem, o significado, a finaliadde e o destino do mundo como obra divina. II – Conhecimento Filosófico Ao longo dos séculos, questionamos, à luz da razão, a nossa condição no universo. Esse questionamento se faz por meio de ideias, de articulações entre relações lógicas e conceituais. Esses conceitos não são passíveis de serem submetidos à observação e experimentação. A partir do conhecimento filosófico, nós: · indagamos a realidade em busca de respostas universais; · formulamos concepções que unifiquem a compexidade do univreso; · interferimos, como nosso posicionamento, na mentalidade das épocas. Esse tipo de conhecimento, o filosófico, produto da razão, da busca de respostas, de algum modo está presente em cada um de nós. Desse processo, emerge o conhecimento fisolófico. · Características do Conhecimento Filosófico Predominantemente, o conhecimento filosófico é: · é abrangente, pois busca uma compreensão coerente da realidade, vista em sua totalidade; · não é verificável, pois como é baseado nas experiências individuais do sujeito, são incompatíveis com confirmação, seus postulados não podem ser refutados; · é especulativo, pois ao se basear na dedução, que, por sua natureza, antecede à experiência, prescinde de confirmação experimental. · é valorativo, pois baseado no julgamento individual, não permite que suas hipóteses sejam submetidas à comprovação; · é infalível e exato, pois seus enunciados não podem ser submetidos a testes de confirmação e experimentação, tornando-os inquestionáveis. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 74 ) ( 75 ) III – Conhecimento Empírico Ao longo de nossas vidas, adquirimos e acumulamos, assistematicamente, conhecimentos sobre o mundo que nos cerca. O conhecimento empírico, ou popular, ou senso comum é uma forma de conhecer fatos ou fenômenos através do contato direto com coisas e seres humanos. Dessa forma, tentamos compreender os seres e os fenômenos que constituem nossa realidade. A partir do conhecimento empírico: · temos consciência de nós mesmos; · incorporamos a experiência do outro; · identificamos nossas ideias entre várias outras; · reconhecemos aqueles com quem convivemos; · apreendemos o conhecimento produzido por outras gerações; · incorporamos, ao acaso, esse conhecimento ao nosso cotidiano, tanto a partir das experiências que vivemos quanto daquelas que nos são transmitidas por outras pssoas. · Características do Conhecimento Empírico Predominantemente, o conhecimento empírico é: · particular, pois não objetiva generalizações; · assistemático, pois não exige comprovações. A organização das experiências não tem por objetivo sistematizar as ideias, nem na maneira como são adquiridas e nem, tão pouco, validá-las. · valorativo, pois está impregnado de subjetividade. Baseia-se nas experiências pessoais daquele que o descreve. · subjetivo, pois é gerado a partir das experiências de cada sujeito. Como é organizado pelo próprio sujeito, o conhecimento é baseado naquilo que ele ouviu dizer ou na experiência adquirida por experiência própria. · superficial, pois sem buscar as causas dos fenômenos e/ou eventos, pauta-se na aparência. Não apresenta profundidade em suas explicações. É o conhecido “eu acho que ...” · é efêmero, pois ao ser transmitido de geração em geração, vai sendo continuadamente modificado. É baseado nas vivências e experiências individuais do sujeito. IV – Conhecimento Científico Os desejos de conhecer, de compreender, de desvendar o universo e de dominar a natureza sempre foram necessidades do homem. Este tipo de conhecimento caracteriza-se por questionar os problemas recorrendo sempre à luz da razão humana. Seu objeto de análise são as ideias, as relações conceituais e exigências lógicas que podem ser analisadas através da realidade material. Como resultado desse processo, ou seja, a transformação das dúvidas em certezas, surge o conhecimento científico. A partir do conhecimento científico: · ampliamos ou desfazemos verdades por meio de comprovação direta dos fatos; · fragmentamos o real para compreendermos a função de cada umde seus constituintes; · buscamos, por meio da confrontação, descrever a realidade para podermos agir sobre ela; · preocupamos em explicar os porquês na tentativa de melhorar as condições da vida humana. Dessa forma, o conhecimento científico, de cunho racional, sistemático, exato e verificável, resulta de nossa tentativa de reconstituir teoricamente o universo.Contudo, essa reconstituição nunca será definitiva. · Características do Conhecimento Científico Predominantemente, o conhecimento científiico é: · orgânico, uma vez que constituído de um corpo ordenado de postulados, logicamente subordinados uns aos outros; · metódico, pois por meio da experimentação ou da evidência dos fatos observáveis e controláveis, produz seus postulados; · rigoroso, pois por meio de condições de intenso controle, porpõe conclusões seguras; · sistemático, pois o conhecimento é ordenado logicamente, formando um sistema de ideias; · contingente, pois as hipóteses que formula são consideradas válidas ou falsas por meio da experimentação; · objetivo, pois não se submete a argumentos de autoridade, mas apenas à evidência e à comprovação dso fatos; · universal, pois seus postulados e suas conclusões se aplicam a todos os fenômenos da mesma natureza. · efêmero, pois por não serem definitivos, cada novo conhecimento pode aprimorar uma técnica para testar determinada hipótese, levando a uma nova descoberta. Suas verdades são sempre ameaçadas de serem questionadas por outras verdades. · O conhecimento científico corresponde ao que é produzido pela pesquisa científica através de seus MÉTODOS. Conjunto de Métodos: os métodos possibilitam o desenvolvimento e a validação de novo desenvolvimento. É imprescindível que o trabalho científico seja conduzido com rigor, ou seja, com método, a fim de assegurar a si e aos demais que os resultados da pesquisa serão confiáveis e válidos. Embora nem sempre tenhamos consciência, todos nós, de alguma forma, conhecemos e utilizamos alguns tipos de métodos em diferentes situações de nosso dia a dia. Assim: Método é um conjunto de ações, deliberadas ou não, que nos permite: I - atingir um determinado objetivo; II – alcançar um determinado resultado; · Valor do Método: Ele é o instrumento básico para a produção de conhecimentos. Por meio do método, traçamos, de forma racional e ordenada, nosso modo de proceder para atingir um objetivo preestabelecido. É o método científico, portanto, que irá nos permitir alcançar nosso objetivos com segurança e economia. Nossos objetivos devem envolver: I– conhecimentos válidos e verdadeiros; II – sinalização do caminho a ser seguido; III – identificação de nosso erros; IV – pistas para a tomada de decisões. ( Seção 10: organização de um projeto de pesquisa ) I – Projeto de Dissertação: · Introdução · Quadro Teórico · Metodologia · Referências Bibliográficas · Cronograma I.1. Introdução: I.1.1 - Problema (Revisão de literatura) I.1.2 - Objetivo I.1.3 - Questões/Hipóteses I.1. 4 - Justificativa (importância do estudo) Para saber mais: Na Introdução, é onde o pesquisador ‘constrói’ seu problema e coloca a pesquisa no contexto da discussão acadêmica sobre o tema, indicando lacunas ou inconsistências anteriores. É um pano de fundo que permite ao leitor entender com clareza a proposta e enxergar sua relação com as questões atuais da área temática a que se refere. São componentes-chave da Introdução: · apresentação do problema; · inserção do problema no âmbito da literatura acadêmica; · discussão das deficiências encontradas na literatura; · identificação da audiência (público) a que se destina e significação do estudo para esta audiência. Como proceder na Introdução: · iniciar com um parágrafo inserindo a questão focalizada numa problemática mais ampla; · especificar o problema que levou ao estudo proposto; · indicar a relevância do problema; · focalizar a formulação do problema nos conceitos-chave que serão explorados; · considerar o uso de dados numéricos que possam causar impacto. I.1.1 - O Problema de Pesquisa O problema de pesquisa diz respeito a uma indagação que se faz sobre a relação entre duas ou mais variáveis, relaciona-se com os conceitos que serão utilizados na investigação. O Problema pode ser identificado a partir de: · lacunas no conhecimento existente; · inconsistências entre o que uma teoria prevê que aconteça e resultados de pesquisas e observações; · inconsistências entre resultados de diferentes pesquisas ou entre estes e o que se observou na prática. I.1.2 - O Objetivo da Pesquisa O objetivo é o que define, de modo mais claro e direto, que aspecto da problemática mais ampla constitui o interesse central da pesquisa. A definição de conceitos teóricos e termos ambíguos é necessária. A definição deve constar da primeira vez que aparecem no texto. · Exemplo de Objetivo Investigar, junto a meninos e meninas de rua, o que eles pensam sobre os processos de socialização e ressocialização que incluem a família, escola, trabalho, futuro e autoimagem. I.1.3 - Questões ou Hipótese É uma afirmativa sobre o problema que deve ser, de preferência, sustentada por resultados de pesquisa. É uma aposta que se faz sobre o que irá resultar da investigação, ou, a explicação mais provável para determinado fato ou fenômeno a ser estudado. Exemplo de Hipóteses · Em atividades acadêmicas, os professores interagem mais com os alunos sobre os quais têm altas expectativas. · Grupos submetidos a liderança autoritária tendem a ser mais agressivos que aqueles cujas lideranças são democráticas. Questões O objetivo pode ser desdobrado em questões que detalham e esclarecem seu conteúdo. Elas auxiliam o pesquisador a selecionar os dados e as fontes de informação, e também a organizar a apresentação dos resultados (uma vez que devem responder às questões do estudo). Exemplo de Questões · Por que algumas escolas conseguem índices de aprovação tão mais altos que a média das que trabalham com alunos de baixo nível socioeconômico? · O que seus professores e administradores têm de especial? · O que distingue a prática docente desses professores dos demais? · Qual o impacto do Projeto X sobre o desenvolvimento da capacidade de organização comunitária dos moradores da favela Y? I.1.4 – Justificativa Indica a contribuição do estudo para a construção do conhecimento em determinada área; sua utilidade para a prática profissional e para a formulação de políticas (as ênfases dependerão do objetivo do estudo). A justificativa refere-se ao objetivo do estudo. ( Seção 11: Etapas de um projeto de pesquisa: ) A pesquisa sempre pressupõe uma indagação, por isso a investigação constante e o questionamento tornam-se ingredientes necessários à formação do professor-pesquisador ou aluno-pesquisador que deverá adotar a postura reflexiva em relação à sua prática de trabalho. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 82 ) ( 81 ) Neste sentido, a pesquisa é, antes de tudo, uma postura que precisa ser adquirida em relação ao conhecimento. A ação de pesquisar, que envolve professor e aluno, tem por objetivo melhorar o trabalho daquele em sala de aula e o crescimento deste ao transformar a sala de aula em momentos de reflexão sobre os conhecimentos e informações adquiridas. Um problema e sua explicação não têm uma relação direta de tal forma que a simples menção deste resulte na consciência do que se deve fazer. O que existe, na maior parte dos casos, são respostas apressadas ou hábitos na escolha de caminhos, hábitos esses que muitas vezes impedem a escolha de propostas mais criativas e eficazes por basearem-se ou em preconceitos ou em visões restritas. A escolha de ações sociais deve então basear-se em reflexões, quando possível exaustivas, sobre a situação pertinente a partir do máximo possível de informações. Porém as informações nem sempre estão disponíveis e, mesmo quando estão, podem ser reflexo de um único ponto de vista. Que posturas são desejáveis? Como proceder? Algumas preocupações e posturas com relação à pesquisa são gerais não importandode que tipo de pesquisa se trate: 1. O pesquisador deve, na medida do possível, despir-se de todo preconceito e aguçar sua sensibilidade para poder perceber regularidades, mudanças de padrão, contradições, incoerências, etc. Quando o pesquisador se depara com algo que ele não conhece ou que num primeiro momento não faz sentido para ele, possivelmente ele está diante de algo novo que vai requerer dele muita reflexão. Esse algo que poderá fornecer novas explicações para o fenômeno que ele se propôs a explicar. Por isso, o pesquisador não deve aceitar a primeira explicação nem abandonar aquele dado para o qual ele não tem inicialmente uma explicação. Ele deve perseverar em sua intenção de encontrar coerência para os dados encontrados, mas não deve escamotear aqueles para os quais ele não tem explicação e deve procurar dividir com os outros suas dúvidas e inquietações. 1. A pesquisa que reúne indivíduos pertencentes a grupos sociais diferentes tem que levar em conta uma outra preocupação. Mesmo quando se mantém contato durante muito tempo com uma cultura diferente, o trabalho de interpretação apresenta um dificultador: falar de uma cultura a partir de referenciais de uma outra cultura. 2. O RIGOR e a OBJETIVIDADE são a garantia da pertinência da pesquisa. Uma pesquisa que não busca ser objetiva e rigorosa pode se transformar num esforço inútil. O rigor e a objetividade estão diretamente relacionados com a coerência entre o que o pesquisador se dispõe a fazer e o que ele realmente faz, entre as perguntas que ele se dispõe a responder e as que efetivamente ele responde. Uma pesquisa bem feita é aquela em que o encadeamento entre os passos é claro, justificado e realizado coerentemente. Para isto, o pesquisador deve a cada momento se interrogar sobre esta coerência. · Como definir cientificamente um problema? 1. Em nosso cotidiano, usamos a palavra problema para designar fatos que nos incomodam, ou pessoas inconvenientes, ou empecilhos ao trabalho, ou desafios e mais uma infinidade de coisas que se nos apresentam, na maioria das vezes como negativas. Problema é um termo que pode ser usado com uma grande variedade de sentidos no linguajar cotidiano. Em todos esses usos, no entanto, problema é um dado imediato: ou identificamos um problema, ou alguém causa problemas, ou algo é problema, enfim, não precisamos de grandes esforços para chegar ao problema e ele nos parece sempre evidente. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 84 ) ( 83 ) 1. Não se pode pensar em pesquisa quando não se tem um problema. O dado imediato é sempre um sintoma de um problema: uma dada situação pode apresentar inconvenientes, obstáculos e mais um conjunto de sinais indesejáveis e que serão um motivador para a construção do problema. 2. A definição de um problema supõe a formulação de boas perguntas. Qual é o inconveniente de uma dada situação, qual sua origem? Existem causas? A quem atinge? As boas perguntas começam a formar um esboço do problema. Algumas respostas podem ser de fácil identificação, outras vão depender da realização de uma pesquisa prévia, outras vão gerar um outro conjunto de perguntas, outras ainda não requerem resposta nenhuma. É importante, porém, assumir sempre uma atitude de desconfiança com relação à resposta imediata única. Frequentemente o que temos é um conjunto de respostas, algumas mais complexas, outras mais simples. Na construção do problema é importante definir bem um conjunto de perguntas-respostas, seja em termos de possibilidade, seja em termos de escolha. 3. É a construção do problema que definirá a necessidade ou não da realização da pesquisa informando um bom conjunto de perguntas- respostas. Um problema mal formulado acarretará respostas inúteis. É importante ganhar tempo e esforço construindo bem um problema. 4. Além das boas perguntas, a construção do problema requer uma análise prévia da situação. Saber o que já se produziu de conhecimento sobre o assunto, se já existem respostas para as perguntas que formulamos, se as respostas que existem são coerentes entre si, etc. Nesse sentido, é necessário uma boa revisão bibliográfica. · O passo a passo. Etapas de um projeto de pesquisa 1 - Identificação do Tema e formulação de algumas ideias iniciais - sistematizar as ideias que levaram à necessidade de investigação, à escolha do tema específico. 2 - Revisão da literatura - procurar saber se a questão que se está querendo resolver já não foi motivo de outras pesquisas e quais os resultados destas. 3 - Construção do problema específico da pesquisa - estabelecer boas perguntas que possam ser respondidas com a investigação baseadas na reflexão sobre as ideias iniciais e na investigação sobre o tema. Deve-se criar argumentos de defesa do problema, sua importância e a justificativa do estudo. 4 - Levantamento das hipóteses de pesquisa – pontos de partida para a definição do problema. Podem ser corroboradas ou não pela pesquisa. 5 - Seleção dos métodos e técnicas - estabelecidas as perguntas e as hipóteses, deve-se escolher o procedimento que será utilizado, ou seja, como fazer e por que fazer de um determinado jeito. É importante saber por que usar tal método ou técnica, quer dizer, qual o tipo de informação aquele método ou aquela técnica permite obter. É este o momento de se elaborar o projeto de pesquisa que deve detalhar todas as escolhas feitas. 6 - Elaboração do plano de análise - os dados devem ser submetidos a algum tipo de análise, pois o dado em si não revela muita coisa se não for articulado com o objetivo da pesquisa. 7 - Deve-se elaborar um plano de análise que vai possibilitar retirar dos dados aquilo que se quer, pois os dados podem ser interpretados de diversas maneiras. A coleta de dados e a análise tem que estar em acordo entre si e com as opções metodológicas feitas no projeto. 8 - Execução da coleta e análise dos dados. O momento da pesquisa informa também sobre seus procedimentos. 9 - Interpretação e apresentação dos resultados - Reflexão crítica e lógica sobre os dados obtidos em função do problema e das hipóteses da pesquisa. ( Seção 12: Análise de dados e tipos de pesquisa ) · Pesquisa quantitativa ou qualitativa: como escolher? Qual técnica utilizar? Após a construção do problema da pesquisa, é necessário escolher os métodos e as técnicas de coleta e análise de dados. A escolha das técnicas está condicionada ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 86 ) ( 85 ) ao problema da pesquisa, pressupõe certo conhecimento e questionamento acerca do objeto a ser investigado. Todos os métodos e técnicas de investigação possuem vantagens e limitações. A escolha dos métodos e técnicas de análise de dados deve ocorrer simultaneamente com a definição das técnicas de coleta de dados. Existe atualmente uma tendência em se atribuir maior cientificidade às informações de ordem quantitativa, no entanto, existem mais inter-relações entre o qualitativo e o quantitativo do que geralmente se reconhece. · Diferenças fundamentais entre o dado quantitativo e o qualitativo 1 - Inicialmente, é importante salientar que em ciências humanas, e sociais, por exemplo, uma total neutralidade na pesquisa é sempre impossível, mas é importante buscar sempre a objetividade. Além disso, não é unicamente o grau de neutralidade que diferencia a pesquisa quantitativa da qualitativa. O grau de distanciamento do pesquisador com seu objeto de pesquisa determinará o tipo de resposta possível para as questões levantadas e depende das opções prévias sobre o tipo de pesquisa baseadas nos limites de cada instrumento. 2 – Aspectos dos dados: · quantitativos (os resultados aparecem em números, porcentagens, proporções) · qualitativos (não quantificáveis, onde há a descrição de aspectos do fenômeno - visão de mundo, valores, opiniões, representações sociais) 3. Quanto ao grau de subjetividade que o dado comporta: Na pesquisa quantitativa, a definição daquilo que será contado, o dado, comporta um certo grau de subjetividade, pois esta definição será sempreo resultado de uma escolha. A subjetividade estará presente também na escolha do tratamento dos dados e na interpretação. Na pesquisa qualitativa, do mesmo modo, a escolha do que será observado, o dado, comporta um grau de subjetividade, porém os próprios processos de tratamento e interpretação subsequentes a esta escolha também comportam aspectos subjetivos. 4 - Aspectos quantitativos e qualitativos nas diversas técnicas: A maioria das técnicas utilizadas nas investigações podem gerar tanto dados quantitativos quanto dados qualitativos e isto depende de como o dado é definido. Questionários podem gerar dados qualitativos como também entrevistas abertas podem gerar dados quantitativos. Por este motivo, a caracterização do dado deve ser feita criteriosamente. Não se deve descartar a possibilidade de cruzamento de dados e a utilização de material secundário, como um levantamento histórico e bibliográfico, fichamentos, relatórios em geral, jornais, etc., com o intuito de obter informações documentais necessárias ao desenvolvimento da pesquisa. Entrevistas, grupos focais, história oral, histórias de vida, observação participante, diário de campo são algumas das técnicas bastante utilizadas e sobre as quais existem uma quantidade importante de referências que ajudam o pesquisador. É sempre um bom caminho observar como pesquisas anteriores foram desenhadas, este procedimento fornece indicadores importantes sobre os limites de cada método ou técnica. · Para finalizar a seção, tratemos de classificar as pesquisas, de acordo com o procedimento utilizado na coleta de dados, em três Tipos: 1 – Pesquisa Bibliográfica: por meio da pesquisa documental ou bibliográfica, procuramos explicar um determinado assunto, fenômeno ou evento a partir de referências teóricas já documentadas. Como o material já foi previamente manipulado, estas fontes recebem o nome de fontes secundárias. São representadas por livros, dicionários, enciclopédias, publicações periódicas, jornais, revistas, anais de congressos, reuniões acadêmicas, resenhas, monografias, dissertções de mestrado, teses de doutorados, etre outras. Este tipo de pesquisa permite ao pesquisador manter-se atualizado nos conhecimentos científicos vigentes, distanciando-se do senso comum. Além disso, a elaboração de um quadro de referência teórica sobre o assunto que se deseja pesquisar permite uma melhor referência sobre o “estado da arte”, ou seja, dados atualizados sobre o assunto contendo um panorama histórico do tema. 2 – Pesquisa Descritiva: a pesquisa exploratória ou descritiva tem como objetivo o mapeamento, a descrição, a classificação inicial de fenômenos e eventos. Neste tipo de pesquisa, utilizamos, prioritariamente, técnicas de abordagem qualitativa para a análise e interpretação os dados. Através deste tipo de pesquisa, é possível descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação com outros e suas caractrísticas. Uma das possibilidades da opesquisa descritiva ou exploratória é o estudo de caso, que tem como foco de investigação um determinado sujeito, um grupo ou uma comunidade. O estudo de caso nos permite observar e analisar aspectos variados da experiência, dos procedimentos, das atitudes, dos valores dos informantes pesquisados. 3 – Pesquisa Experimental: Este tipo de pesquisa caracteriza-se por manipular de forma direta as variáveis em estudo. Ela deve ser devidamente controlada para que possamos manipular variáveis e instrumentos de testagem, produzir e reiterar os fenômenos/ eventos que estamos estudando. ( Variáveis: variável corresponde a fatores ou circunstâncias que influem direta ou indiretamente sobre o fenômeno em estudo. As variáveis são denominadas assim, porque ariam, assumem diferentes aspectos ou valores dependendo de cada pesquisa. ) Na pesquisa experimental: · Priorizamos o uso das técnicas quantitativas no tratamento dos resultados; · Selecionamos os instrumentos de testagem em função da variável a ser manipulada; · Controlamos as condições que consideramos relevantes – variáveis que interferem no fenômenos estudado; ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 88 ) ( 89 ) · Manipulamos, uma a uma, as variáveis em estudo para determinar seu impacto no fenômeno estudado; · Reproduzimos fenômenos, a partir das alterações observadas para definir, com precisão, as interferências. ( Seção 13: Hipóteses e levantamentos de dados. ) · HIPÓTESES: · É todo e qualquer enunciado que expresse uma potencial solução para um problema predetermiando. · É a relação esperada entre variáveis (a hipótese), deduzida de uma teoria; a situação em que essa relação possa ser verificada deve ser criada ou buscada pelo pesquisador. · É uma aposta que se faz sobre o que irá resultar da investigação; · Ou, a explicação mais provável para determinado fato ou fenômeno a ser estudado. Uma hipótese corresponde a nossa previsão sobre o comportamento de determinado fenômeno ou evento, circunscrito ao contexto da investigação. A hipótese desempenha uma função relevante em nosso projeto, pois é em torno dela que estruturamos o trabalho a ser feito, já que ela emerge da finalidade da nossa investigação. · A coleta ou levantamento de dados Seja qual for a situação em que estivermos observando, devemos ficar atentos com o olhar aguçado para percebermos fatos que passariam facilmente despercebidos por outros. A escolha das técnicas está condicionada ao problema da pesquisa. Identificar e refletir sobre os instrumentos de pesquisa é fundamental para a objetividade e utilidade das investigações sociais. Assim, observar é concentrar a atenção sobre um determinado fenômeno visando descrevê-lo com precisão. Podemos dizer que a observação: · Pode ser planejada tanto para uma fase inicial da pesquisa quanto para situações de experimentação; · Pode-se dar de forma espontânea, sendo que para isso, temos que concentrar nossa atenção nos fenômenos e/ou eventos estudados; · A pesquisa de campo se processa por meio de coleta dados, a partir da observação e da utilização de instrumentos elaborados para este fim: entrevista, questionário, formulário etc. · Visando o levantamento de dados: 1 – Entrevista A entrevista se realiza por meio de nossa interação com um ou mais informates. A entrevista consiste numa conversa intencional e é utilizada quando existem poucas situações a serem observadas ou quantificadas e ainda quando se deseja aprofundar uma questão. Além de observar as respostas dadas pelo informante no momento da entrevista, podemos fazer várias observações sobre o comportamento e sobre as atitudes do informante. Na entrevista, deve-se deixar a pessoa falar à vontade, ao contrário do questionário com perguntas abertas, as quais são mais objetivas e evita-se a mudança de assunto, direcionando-o de acordo com o questionário previamente elaborado. 2 - Tipos de entrevista 1 - A entrevista dirigida ou padronizada consiste na aplicação de um roteiro (questionário), sobre um tema específico, no qual a pessoa entrevistada deve escolher entre as várias respostas propostas pelo pesquisador. Nesse caso, é simples apresentar as respostas a perguntas fechadas numa tabela, basta fazer uma lista das respostas propostas e indicar a frequência de cada uma delas. 2 - A entrevista semi-estruturada é aplicada a partir de um pequeno número de perguntas, para facilitar sua sistematização e codificação. Apenas algumas questões e tópicos são pré-determinados. Muitas questões podem ser formuladas durante a entrevista e as irrelevantes são abandonadas. 3 - A entrevista aberta é, portanto, uma entrevista não diretiva, que vai se delineando aos poucos e se esclarecendo à medida que a pesquisa vai sendo realizada. A aplicação das entrevistas não diretivas se efetivam, sobretudo, quando a realidade social é desconhecida. Desta forma, o investigador, que nem sempre tem um pré-conhecimento de tudo, pode penetrar nas redes de relações sociais, descobrindo falas sobre o que a própria sociedade impõe e oculta. 4 - Entrevista individual:entrevistador e entrevistado estão face a face. Várias pessoas podem ser entrevistadas individualmente a respeito dos mesmos tópicos facilitando a compreensão das diferentes atitudes, comportamentos e opiniões sobre o mesmo assunto. 5 Entrevista com informantes-chave: tem por finalidade obter informações específicas. Os informantes-chave são pessoas que pertencem ao grupo estudado e que conhecem bem os assuntos pesquisados. Não são necessariamente líderes. 6 - Entrevistas de grupo: tem por finalidade obter um número maior de informações sobre uma determinada comunidade, num espaço menor de tempo. Cuidados: · As perguntas podem provocar resistências ou ressentimentos? · As palavras empregadas apresentam significação clara e precisa? · As perguntas sugerem respostas? · As perguntas orientam as respostas em determinadas direções? · O entrevistado tem informações suficientes sobre o tema pesquisado? · As perguntas levam em conta a realidade e cultura locais? 3 - QUESTIONÁRIO · Ao criarmos um questionário, qualquer que seja o tipo de resposta solicitado, devemos dar atenção especial à elaboração dos enunciados das questões. · O questionário consiste em uma série de perguntas e questões, cuja forma, aberta ou fechada, configura tipos de coleta de dados qualitativos e quantitativos, respectivamente. · O questionário pode ser dirigido ao entrevistado por parte do entrevistador, de forma direta, ou preenchido pelo próprio entrevistado. · Os enunciados devem ser claros, objetivos, sem ambiguidades, de forma que o informante possa responder com precisão ao que lhe é solicitado. ( Seção 14: Objeto de pesquisa, tema e problemas ) Organização e delimitação da pesquisa: TEMA: A seleção temática deve ser nossa primeira decisão em relação à realização de uma pesquisa. Delimitar o tema de uma pesquisa corresponde à eliminação daqueles que, por qualquer razão, podemos deixar de lado, abandona; e, consequentemente, à eleição daquele que devemos priorizar. Na seleção temática, devemos prioriazar: os objetivos do estudo, os conhecimentos que nos são disponibilizados, a relevância do estudo, ou seja, sua efetiva contribuição ao desenvolvimento da ciência; a capacidade pessoal para lidar com os fenômenos selecionados, o tempo disponível e necessário ao desenvolvimento da investigação,a infraestrutura, não só física, mas a necessidade de se ter uma equipe e os recursos econômicos, ou seja, o financiamento, se necessário, para as atividades de pesquisa. Enfim, ao definir o TEMA de uma investigação, devemos considerar as condições de que dispomos para desenvolver nosso trabalho da forma mais eficiente possível. PROBLEMA: Em um projeto de pesquisa, a clara formulação do problema é tão importante para a ciência quanto a descoberta de soluções. O problema de pesquisa diz respeito a uma indagação que se faz sobre a relação entre duas ou mais variáveis, relaciona-se com os conceitos que serão utilizados na investigação. Na verdade, tais problemas resultam essencialmente de nosso esforço de reflexão, de nossas inquietações e de nossa criatividade. Isso significa conseguir convencer o outro da relevância e da coerência de nosssa ação. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 92 ) ( 93 ) Na formulação clara dos problemas, é possível delimitar, com exatidão, que tipo de resposta esperamos ao final da investigação, sinaliza-nos o suporte teórico, que é a base da nossa investigação e determina a forma como devemos coletar e tratar os dados. Sendo assim... Embora nem sempre encontremos as soluções esperadas para os probelas formulados, esses mesmos problemas podem nos apontar novas questões, novos OBJETOS de investigação. Pode ser identificado a partir de: · lacunas no conhecimento existente; · inconsistências entre o que uma teoria prevê que aconteça e resultados de pesquisas e observações; · inconsistências entre resultados de diferentes pesquisas ou entre estes e o que se observou na prática. JUSTIFICATIVA: No âmbito de um projeto, justificar equivale à demonstração da coerência, da relevância de um estudo, ou seja, justificar significa apontar as razões que nos levam a assumir determianda postura ou a realizar uma ação específica. OBJETIVOS Os objetivos determinam o desenho do nosso projeto. Eles sinalizam o ponto a que pretendemos chegar com aquele estudo, determinam a amplitude da pesquisa, determinam a natureza e a forma com que teremos de trabalhar, além dos procedimentos e o instrumental que teremos que utilizar para a coleta do material. HIPÓTESES A hipótese é todo e qualquer enunciado que expresse uma potencial solução para um PROBLEMA predeterminado. É em torno da hipótese que estruturamos o nosso trabalho, já que dela emerge a finalidade de nossa investigação. FONTES DE INFORMAÇÃO Os documentos escritos são a principal fonte de informação necessária à revisão teórica de uma determinada TEMÁTICA. Por meio de levantamentos bibliográficos, podemos explorar as principais contribuições existentes sobre um determinado TEMA. Informações atualizadas em: livros, buscas na Internet, artigos publicados em periódicos, artigos publicados em revistas científicas etc. REVISÃO DE LITERATURA A pesquisa também supõe dois tipos de revisão da literatura: 1) aquela que o pesquisador realiza para o próprio consumo; (2) aquela que vai, efetivamente, integrar, o relatório (projeto/dissertação) do estudo. Produção do conhecimento · construção coletiva da comunidade científica · processo continuado de busca · lugar onde cada nova investigação se insere, complementando ou contestando contribuições anteriormente dadas ao estudo do Tema. Vantagens em realizar revisão da literatura extensiva no início da elaboração do projeto: O pesquisador passa a ter condições de melhor: · definir seu OBJETO de estudo; · selecionar teorias, procedimentos e instrumentos, evitando aqueles que já se revelaram pouco eficazes; Dicas para realizar uma boa Revisão da Literatura para a contextualização do problema: · Cobrir uma quantidade de leitura pertinente a um tema; · Identificar questões relevantes que dão organicidade à revisão · Apontar áreas de consenso e de controvérsia, indicando autores e oferecendo evidências Concluindo: É a familiaridade com o estado do conhecimento na área que torna o pesquisador capaz de problematizar o TEMA e de indicar a contribuição que seu estudo pretende trazer a expansão do conhecimento. Sintetizando: Na Introdução: · Problema (Revisão de literatura) · Objetivo · Questões/Hipóteses · Justificativa (importância do estudo): Onde o pesquisador ‘constrói’ seu problema e coloca a pesquisa no contexto da discussão acadêmica sobre o tema indicando lacunas ou inconsistências anteriores. · Pano de fundo que permite ao leitor entender com clareza a proposta e enxergar sua relação com as questões atuais da área temática a que se refere. Componentes-chave: · apresentação do problema; · inserção do problema no âmbito da literatura acadêmica; · discussão das deficiências encontradas na literatura · identificação da audiência a que se destina e significação do estudo para esta audiência. Como proceder: · iniciar com um parágrafo inserindo a questão focalizada numa problemática mais ampla; · especificar o problema que levou ao estudo proposto; · indicar a relevância do problema; · focalizar a formulação do problema nos conceitos-chave que serão explorados; · ( Seção 15: Normas da ABNT para trabalhos acadêmicos )considerar o uso de dados numéricos que possam causar impacto. Citações e referências bibliográficas segundo as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). · Segundo a ABNT, a “citação é a menção de uma informação extraída de outra fonte, que são feitas para apoiar uma hipótese, sustentar uma ideia ou ilustrar um raciocínio” (NBR10520, 2002, p.1); · Enquanto referência bibliográfica é uma forma de se reportar a um texto. Pode-se, então, definir referência bibliográfica como sendo o “conjunto de elementos que permitem a identificação, no todo ou em parte,de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de material” (TEIXEIRA, 2008). Todo trabalho com pressupostos científicos deve primar pela apresentação das fontes bibliográficas e principalmente pela identificação das citações que são realizadas no decorrer dos textos. Ao elaborar um trabalho científico, precisamos estar atentos à fidelidade das ideias originais dos autores referenciados. A citação do pensamento de um outro estudioso do assunto é salutar e permitida, desde que tenhamos o cuidado de identificar o autor e a obra em que se encontra descrito. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 96 ) ( 97 ) As citações fundamentam e melhoram substancialmente a qualidade científica do trabalho; elas têm a função de oferecer ao leitor condições de comprovar a fonte das quais foram extraídas algumas ideias, frases ou conclusões, possibilitando-lhe recorrer a essa fonte para aprofundar o tema ou assunto em discussão. CITAÇÕES E NOTAS As citações podem ser diretas e indiretas. As primeiras constituem a transcrição literal de uma parte do texto de um autor. Observe. Quando apresentamos a referência antes da citação, o sobrenome do autor sempre aparece com a primeira letra em maiúscula e o restante em minúscula, seguido do ano e da página da obra entre parênteses, logo após vem a citação, sendo este texto recuado 4 cm do espaçamento original do restante do texto e em corpo menor, sem aspas, quando a citação for superior a três linhas. Exemplo: Segundo Freire (2000, p. 77): Mulheres e homens, somos os únicos seres que, social e historicamente, nos tornamos capazes de apreender. Por isso, somos os únicos em que aprender é uma aventura criadora, algo, por isso mesmo, muito mais rico do que meramente repetir a lição dada. Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito. Quando optamos por colocar a referência depois da citação, o sobrenome do autor vem em letras maiúsculas, seguido do ano e página da citação. Exemplo: Organizações que aprendem são lugares onde pessoas continuamente expandem sua capacidade de criar os resultados que elas verdadeiramente desejam, onde novos e amplos padrões de pensamento são encorajados, onde a aspiração coletiva é livremente estabelecida, e onde pessoas estão continuamente aprendendo como aprender junto. (SENGE, 1998, p. 37) As citações indiretas são aquelas redigidas pelo autor do trabalho, a partir de ideias e contribuições de outro autor, ou seja, consistem na reprodução do conteúdo do documento original e devem aparecer no texto precedidas por indicação do autor ou das ideias originais. Normalmente usa-se expressões tais como: “segundo ...”, “de acordo com...” “fulano... afirma que” (menciona-se o(s) sobrenome(s) do(s) autor(es) e coloca-se o ano da publicação da obra – livro, revista, artigo etc. – entre parênteses. Exemplo: Marcondes (2001) afirma que o paradigma pode ser entendido segundo uma acepção clássica, a exemplo de Platão, ou de uma acepção contemporânea, a partir de Thomas Kuhn. Explica o autor que a visão platônica concebe paradigma como um modelo, um tipo exemplar, que se encontra em um mundo abstrato, o qual Platão denomina “Mundo das Ideias” e do qual encontram-se reproduções imperfeitas no mundo concreto. Assim, o paradigma para Platão possui um sentido ontológico, que confere ao termo um caráter normativo. Sintetizando para saber mais: · Citações são constituídas de informações que podemos extrair de diferentes fontes bibliográficas. · As citações podem ser formatadas em itálico ou entre aspas duplas. · As aspas simples devem ser utilizadas para citações dentro de outras citações. · Se curtas, até três linhas, podem ser inseridas no corpo do texto ou como nota de rodapé. · Se extensas, devemos deixá-las fora do nosso texto, iniciando o parágrafo. · Além disso, a margem esquerda para as citações deve ser de 4.0 cm, e a letra deve ser menor que a do texto. · As citações extensas não devem figurar entre aspas. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 100 ) ( 99 ) Referência Bibliográfica: Referência bibliográfica é o conjunto de elementos que permite a identificação de documentos no todo ou em parte, com o objetivo de localizar as publicações utilizadas, citadas, consultadas ou sugeridas num determinado trabalho. A referência dos documentos consultados ou citados é feita de acordo com as normas específicas adotadas pela técnica bibliográfica, que apresenta variações de acordo com o país. No Brasil é a Associação Brasileira de Normas Técnicas que produz as normas a serem seguidas. Para Santos (2000, p.63.) [...] informações bibliográficas vão permitir a confirmação das informações, aprofundamento do estudo mediante a utilização das obras citadas, a avaliação da profundidade do trabalho e, inclusive, a idade das informações ou ideias que são utilizadas para sustentar os argumentos do pesquisador. ( Para saber mais! As regras da ABNT, em vigor no ano de 2019, são fundamentais para fazer a formatação dos trabalhos acadêmicos, principalmente o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). As normas são usadas internacionalmente, mas reguladas no Brasil pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. Confira um GUIA COMPLETO para elaborar a estrutura e a formatação da sua pesquisa. Consulte: https://viacarreira.com/regras-da-abnt-para-tcc-conheca-principais-normas- 132759/ )A ABNT, por meio da norma estabelece, em detalhes, as possibilidades de se referenciar uma obra utilizada na elaboração do trabalho acadêmico e/ou científico. Em relação às orientações básicas para elaboração correta da referência bibliográfica, a sequência e a forma de apresentação dos elementos, tais como o nome do(s) autor(es), título da obra, edição, local, data, dentre outros, conforme modelos apresentados ou instruções constantes da norma. TRANSCRIÇÃO DE ELEMENTOS: Tipos de Referências Nas citações, podemos fazer as seguintes referências: · Citação textual: transcrevemos literalmente um segmento do texto indicado, em seu final, em nota de rodapé, em uma lista no final do trabalho. A obra, o autor, a data e, separadas por vírgulas, as páginas de onde foi retirada, precedidas de p. Devemos marcar: 1 – Com reticências e entre colchetes as porções de textos que foram excluídas; 2 – Com colchetes, os acréscimos ou os comentários que fizemos; 3 – Em negrito ou itálico, as passagens que queremos destacar, incluindo a expressão grifo nosso, ainda dentro dos parênteses; 4 – Ressaltar as expressões destacadas pelo autor com grifo do autor. · Citação livre: 1 - Transcrevemos um segmento do texto em que preservamos o conteúdo, mas não a forma, isto é, parafraseamos, incorporamos esse segmento a nosso discurso. 2 - Devemos mencionar a fonte de onde esse segmento foi extraído. Contudo, a especificação da página da fonte é facultativa. · Citação Mista: Transcrevemos parte do segmento de texto literalmente – em itálico ou entre aspas – completando-o com nossas próprias palavras. · Citação de citação: Transcrevemos somente uma citação – textual ou livre – de um texto, sem que tenhamos acesso ao texto original. Seguem-se as principais orientações sobre referências bibliográficas apresentadas na Norma com relação a: 1 - AUTOR: · Autor individual – é apresentado normalmente pelo último sobrenome, em maiúsculas, separado por vírgula do(s) prenome(s) e outros sobrenome(s), que podem estar ou não abreviados. Exemplos: PEDRON, Ademar João. BARRETO, Alcyrus Vieira Pinto. · Sobrenomes compostos unidos por hífen – são apresentados em conjunto. Exemplo: LÉVI-STRAUSS, Claude. · Sobrenomes compostos formando uma expressão ou contendo palavras como “São”, “Santo” “Neto” – são apresentados a partir da primeira palavra do sobrenome. Exemplos: CASTELO BRANCO, Camilo. ESPÍRITO SANTO, João do. MATTAR NETO, João Augusto. · O autor identificado apenas pelo sobrenome – é apresentado a partir do últimosobrenome. Exemplo: ASSIS, Machado de. · Dois ou três autores – são separados por ponto-e-vírgula. Exemplo: LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. · Mais de três autores – apresenta-se apenas o primeiro, seguido da expressão et al. Exemplo: BASTOS, Lilia da Rocha et al. Atenção. Há situações em que é necessária a citação de todos os autores para certificação da autoria, a exemplo de indicação de produção científica em relatórios de órgãos de financiamento e projetos de pesquisa científica. · Obra com vários trabalhos ou contribuições de vários autores – apresenta-se o nome do responsável pela obra: organizador, coordenador etc. seguido da abreviatura da palavra que indica o seu papel na publicação. Exemplo: BRANDÃO, Carlos Rodrigues (Org.). · Autor desconhecido – apresenta-se a referência pelo título. Não se deve usar o termo anônimo. Exemplo: A BÍBLIA Sagrada. · Autor institucional/ entidade – as obras de responsabilidade de entidades como órgãos governamentais, associações, empresas, congressos etc. são apresentadas pelo nome da entidade em maiúsculas. Exemplos: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 102 ) ( 101 ) SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. · Pseudônimo ou nome artístico – substitui-se o nome da pessoa pelo nome com o qual é conhecida. Exemplo: SOARES, Jô. · Autor repetido – substitui-se o nome de um autor referenciado sucessivamente, a partir da segunda ocorrência, por um traço sublinear equivalente a seis espaços e ponto. Exemplo. SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia: elementos de metodologia do trabalho científico. Belo Horizonte: Interlivros, 1973. . Como fazer uma monografia. 8.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1977. 2 - TÍTULO: · Os títulos são destacados graficamente (negrito, sublinhado, itálico) e os subtítulos, quando houver, são separados do título por dois pontos, sem destaque. Caso se suprima parte do título deve-se utilizar reticências. Exemplo: As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. · Os títulos de obras publicadas dentro de outra devem ser apresentados sem destaque, enquanto o título da obra é destacado. Exemplo: ZAINKO, M. A. O planejamento como instrumento de gestão educacional: uma análise histórico-filosófica. In: Em Aberto. Brasília, v. 17, p. 125140. fev./jun. 2000. · No título de periódico com nome genérico apresenta-se o título em maiúsculas seguido do nome da entidade autora ou editora, com a preposição entre colchetes. Exemplo: BOLETIM MENSAL [da] Associação Médica Brasileira. 3 – EDIÇÃO a) Apresentam-se o número da edição em numeração ordinal, seguido de ponto e a abreviatura da palavra edição na língua da obra. Exemplos: 2. ed.; 3th ed. b) As alterações ocorridas na edição são assinaladas pela abreviatura da palavra que as caracteriza. Exemplo: 3. ed rev. e aum. (revista e aumentada). c) A primeira edição não é indicada. 4 – TRADUTOR/ REVISOR / ILUSTRADOR O nome do tradutor, do revisor ou do ilustrador de uma obra é apresentado logo após o título. Exemplo: LA TORRE, Saturnino. Aprender com os erros: o erro como estratégia de mudança. Tradução de Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2007. 5 – LOCAL DA PUBLICAÇÃO a) Apresenta-se o nome da cidade como aparece na publicação. Nos casos em que haja homônimos acrescenta-se o nome do país ou estado separado por vírgula. Exemplos: Belém, Brasil Belém, Jerusalém Planaltina, DF Planaltina, GO Caso haja mais de um local para um mesmo editor apresenta-se o primeiro ou o de maior destaque. a. Se o local não for indicado na publicação, mas for possível identificá-lo, apresenta-se entre colchetes. b. Quando não consta o local e nem é possível identificá-lo apresenta-se entre colchetes a abreviatura de Sine loco [S.l.]. 6 - EDITORA O nome da editora deve ser apresentado eliminando-se a referência aos elementos que indicam natureza jurídica ou comercial. Caso a editora tenha o nome de uma pessoa, este é indicado abreviando-se os prenomes, quando for o caso. Exemplos: Malabares, Comunicação e Eventos – Malabares Livraria José Olympio Editora – J.Olympio. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 104 ) ( 103 ) 7- DATA: A data é escrita em algarismos arábicos. Se nenhuma data de publicação, distribuição, copirraite, impressão etc. puder ser determinada registra-se entre colchetes uma data provável, conforme os exemplos. Exemplos: [2001 ou 2002] [1987-?]. 8 – COLEÇÕES E SÉRIES: Os títulos da coleção e da série são apresentados ao final da referência, entre parênteses, separados por vírgula da numeração, em algarismos arábicos, se houver. Exemplo: LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. (Coleção magistério 2º grau. Série formação do professor). 9 – MODELOS DE REFERÊNCIAS: Vejamos, agora, os modelos de referências mais utilizados em trabalhos acadêmicos. Monografia utilizada no todo – “inclui livro e/ou folheto (manual, guia, catálogo, enciclopédia, dicionário etc.) e trabalhos acadêmicos (teses, dissertações, entre outros). Os elementos essenciais são: autor(es), título, edição, local, editora e data de publicação.” (NBR6023, 2002, p.3) Exemplo: SILVA, Mauricio. Dimensões do tempo: a percepção dos docentes da UNEB; um estudo de caso. Florianópolis, 2001. · Para melhor especificar pode-se detalhar outros itens. Exemplo: SILVA, Mauricio. Dimensões do tempo: a percepção dos docentes da UNEB: um estudo de caso. 2001. 68 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção). Centro Tecnológico, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001. · Caso a Monografia a ser referenciada, no todo, encontre-se em meio eletrônico, a referência incluirá todos os itens citados, acrescidos das informações relativas à descrição do meio eletrônico. Exemplo. KOOGAN, André; HOUAISS, Antônio (Ed.). Enciclopédia e dicionário digital 98. Direção geral de André Koogan Breikmam. São Paulo: Delta: Estadão, 1998. 5CD-ROM. · Se o texto a ser referenciado estiver publicado na Internet, o endereço eletrônico vem precedido da expressão “Disponível em:” e escrito entre os seguintes sinais . Após o endereço acrescentam-se informações a respeito da data do acesso, conforme o exemplo que se segue. Exemplo: ALVES, Castro. Navio Negreiro. [S.I.]: Virtual Books, 2000. Disponível em . Acesso em: 10 jan. 2002. Parte de Monografia – inclui capítulo, volume, fragmento e outras partes de uma obra, com autor(es) e ou título próprios. Os elementos essenciais são: autor(es), título da parte, seguidos da expressão ‘In:’, e da referência completa da monografia no todo. No final da referência, deve-se informar a paginação ou outra forma de individualizar a parte referenciada. (NBR6023, 2002, p.4) Exemplo SILVA, Mauricio. O Ensino a distância – EAD: uma estratégia de otimização do tempo. In: SILVA, Mauricio. Dimensões do tempo: a percepção dos docentes da UNEB: um estudo de caso. Florianópolis: 2001. · Para melhor especificar, sugere-se acrescentar mais itens: Exemplo SILVA, Mauricio. O ensino a distância – EAD: uma estratégia de otimização do tempo. In: SILVA, Mauricio. Dimensões do tempo: a percepção dos docentes da UNEB: um estudo de caso. Florianópolis: 2001. cap.2, item 2.4, p. 23-28. · Caso a parte da monografia encontre-se em meio eletrônico, devem ser incluídos todos os itens citados, acrescidos das informações relativas à descrição do meio eletrônico: Exemplos: MORFOLOGIA dos artrópodes. In: ENCICLOPÉDIA multimídia dos seres vivos. [S.I.]: Planeta De Agostini, c1998. CD-ROM 9. SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Tratados e organizações ambientais em matéria de meio ambiente. In: . Entendendo o meio ambiente. São Paulo, 1999.v.1. Disponível em: . Acesso em: 8 mar. 1999. Publicação periódica – inclui coleção como um todo, fascículo ou número de revista, número de jornal, caderno etc. na íntegra, e a matériaexistente em um número, volume ou fascículo de periódico (artigos científicos de revistas, editoriais, matérias jornalísticas, seções, reportagens etc.). (NBR6023, 2002, p.4) Publicação periódica como um todo – os elementos essenciais são: título, local de publicação, editora, datas de início e de encerramento da publicação, se houver. (NBR6023, 2002, p.4) Exemplo: REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Rio de Janeiro: IBGE, 1939. · Outros itens podem ser acrescentados. Exemplo: REVISTA BRASILEIRA DE GEOGRAFIA. Rio de Janeiro: IBGE, 1939-. Trimestral. Absorveu Boletim Geográfico, do IBGE. Índice acumulado, 1939-1983. ISSN 0034- 723X. 10 - Partes de revista, boletim etc. – inclui volume, fascículo, números especiais e suplementos, entre outros, sem título próprio. Os elementos essenciais são: título da publicação, local de publicação, editora, numeração do ano e/ou volume, numeração do fascículo, informações de períodos e datas de sua publicação. (NBR6023, 2002, p.5) Exemplo: DINHEIRO. São Paulo: Ed. Três, n. 148, 28 jun. 2000. · Para melhor especificar, pode-se acrescentar novos itens como o número de páginas. Exemplo: DINHEIRO: revista semanal de negócios. São Paulo: Ed. Três, n. 148, 28 jun. 2000. 98 p. Artigo e/ou matéria de revista, boletim etc. – inclui partes de publicações periódicas (volumes, fascículos, números especiais e suplementos, com título próprio), comunicações, editorial, entrevistas, recensões, reportagens, resenhas e outros. Os elementos essenciais são: título da parte, artigo ou matéria, título da publicação, local de publicação, numeração correspondente ao volume e/ou ano, fascículo ou número, paginação inicial e final, quando se tratar de artigo ou matéria, data ou intervalo de publicação e particularidades que identificam a parte (se houver). (NBR6023, 2002, p.5) Exemplo: AS 500 maiores empresas do Brasil. Conjuntura Econômica, Rio de janeiro, v. 38, n. 9, set. 1984. Edição especial. 11 - Artigo e/ou matéria de revista, boletim etc. em meio eletrônico devem obedecer aos padrões indicados para artigo e/ou matéria de revista, boletim etc., de acordo com item anterior, acréscimo das informações relativas à descrição física do meio eletrônico (disquetes, CD-ROM, online etc.) (NBR6023, 2002, p.5) Exemplo: VIEIRA, Cássio Leite; LOPES, Marcelo. A queda do cometa. Neo Interativa, Rio de Janeiro, n.2, inverno 1994. 1 CD-ROM. SILVA, M. M. L. Crimes da era digital. .Net, Rio de Janeiro, nov.1998. Seção Ponto de Vista. Disponível em: . Acesso em: 28 nov. 1998. 12 - Artigo e/ou matéria de jornal – inclui comunicações, editorial, entrevistas, recensões, reportagens, resenhas e outros. Os elementos essenciais são: autor (es) (se houver), título, título do jornal, local de publicação, data de publicação, seção, caderno ou parte do jornal e a paginação correspondente. Quando não houver seção, caderno ou parte, a paginação do artigo ou matéria precede a data. (NBR6023, 2002, p.6) Exemplo: NAVES, P. Lagos andinos dão banho de beleza. Folha de São Paulo, São Paulo, 28 jun. 1999. Folha Turismo, Caderno 8, p. 13. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 108 ) ( 107 ) Observe que nesse caso é usada vírgula após a localidade, ao invés de dois pontos. 13 - Artigo e/ou matéria de jornal em meio eletrônico – “devem obedecer aos padrões indicados para artigo e/ou matéria de jornal, acrescidos das informações relativas à descrição física do meio eletrônico (disquetes, CDROM, online etc.)” (NBR6023, 2002, p.5) Exemplo: SILVA, Ives Gandra da. Pena de morte para o nascituro. O Estado de São Paulo, São Paulo, 19 set. 1998. Disponível em: . Acesso em 19 set. 1998. 14 - Evento como um todo – (atas, anais, resultados, proceedings, entre outras denominações. Elementos essenciais: nome do evento, numeração (se houver), ano e local (cidade) de realização. Título do documento, local de publicação, editora e data de publicação. Exemplo: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 20. 1997, Poços de Caldas. Química: academia, indústria, sociedade: livro de resumos. São Paulo: Sociedade Brasileira de Química, 1997. 15 - Evento como um todo em meio eletrônico – mesmas normas descritas anteriormente, acrescentando o endereço eletrônico e a data de acesso. Exemplo: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPE, 4., 1996, Recife. Anais Eletrônicos... Recife: UFPE, 1996. Disponível em: . Acesso em: 21 jan. 1997. 16 - Documentos Legislativos – são apresentados normalmente pela jurisdição, em letras maiúsculas a. Constituição – após a jurisdição, acrescenta-se a palavra Constituição antes do título, seguida do ano da publicação entre parênteses, título, local, editor, ano de publicação, número de páginas ou volumes e notas. Exemplo: BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira. 4.ed. São Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira). b. Leis e Decretos – Após a jurisdição, apresentam-se número do documento, data completa, ementa, dados da publicação. BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. DOU 23.12.1996 17 - Apresentação gráfica da referência É importante destacar, ainda o que estabelece a ABNT a respeito da apresentação gráfica das referências. · Devem ser apresentadas alinhadas “somente à margem esquerda do texto e de forma a se identificar individualmente cada documento, em espaço simples e separadas entre si por espaço duplo”. Exemplo: GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MATTAR NETO, João Augusto. Metodologia científica na era da informática. Saraiva, São Paulo: 2005. ( Sugestão de leitura! Recomendamos leitura da normas técnicas, disponíveis nas bibliotecas especializadas ou adquiridas diretamente na ABNT no endereço eletrônico www.abnt.org.br . ) Prezados Alunos, Esperamos ter atendido à sua expectativa em relação ao material de estudo. Na próxima e última etapa, trataremos de assuntos ligados à produção de textos, tipos e gêneros textuais entre outros assuntos importantes. Até a próxima! Bons estudos! Equipe EaD ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 110 ) ( 109 ) ( Referências Bibliográficas ) BARCELOS, Roberta. Metodologia da pesquisa. Niterói, RJ: EAD/UNIVERSO, 2010. 108 p. CASTRO, Monica Rabello de; FERREIRA, Giselle; GONZALEZ, Wania. Metodologia da pesquisa em educação. Nova Iguaçu, RJ: Marsupial Editora, 2013. DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000. FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 2001. FIGUEIREDO, Nebia Maria Almeida de. Método e metodologia na pesquisa científica. São Caetano do Sul: Yendis. 2004. . Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Prentice Hall, 2002. MATTAR, João. Metodologia científica na era da informática. São Paulo: Saraiva, 2008. SANTOS, Antônio Raimundo dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 3.ed. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2000. SGARBI, Luciana. A pílula dos cientistas: porque os pesquisadores fazem uso de medicamento para hiperatividade na hora do trabalho. Revista Isto É, Rio de Janeiro, n. 2006, ano 31, p. 94, abril, 2008. SILVEIRA, Elisabeth. Metodologia do Ensino Superior. FGV-Online- 2013 TEIXEIRA, Elizabeth. As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. 4.ed. Belém: UNAMA, 2001. TEIXEIRA, Gilberto. Porque e para que a pesquisa bibliográfica? Disponível em Acesso em: 15 jul. 2008. ( Linguagens e Pesquisa 111 ) ( 3 )Objeto de Aprendizagem – Etapa 3 Olá, caríssimo estudante Chegamos à etapa final de nosso material de estudo da disciplina Linguagens e Pesquisa. Parabénsde Língua Portuguesa, o que não é verdade. Assim, sem leitura, compreensão crítica e interpretação, o candidato a um exame não entende o enunciado de uma questão de física, história, biologia, geografia, por exemplo. A leitura é o processo através do qual o leitor interage com um autor, por meio de um texto escrito. Segundo Magda Soares (1996), esse processo é o resultado: ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 10 ) ( 11 ) · Das circunstâncias em que a leitura acontece: condições de produção da leitura; · Das práticas histórico-sociais que configuram o autor, o leitor, o texto: o contexto. Segundo ainda a mesma autora, a escrita é o processo através do qual o autor interage com um leitor, por meio de um texto escrito. Esse processo é o resultado: · Das circunstâncias em que a escrita acontece: condições de produção do texto. · Das práticas histórico-sociais que configuram o autor, o leitor, o texto: o contexto. Aprender a ler é não só uma das maiores experiências da vida escolar de uma pessoa. É uma vivência única para todo ser humano. Ao dominar a leitura abrimos a possibilidade de adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínios, participar ativamente da vida social, alargar a visão de mundo, do outro e de si próprio. Veja o que diz Mariza Lajolo, 2004. “Lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode encerrar-se nela. Do mundo da leitura para a leitura do mundo, o trajeto se cumpre sempre, refazendo-se, inclusive, por um vice-versa que transforma a leitura em prática circular e infinita. Como fonte de prazer e de sabedoria, a leitura não esgota seu poder de sedução nos estreitos limites da escola. (LAJOLO, 2004, p.7) O objetivo deste texto é trazer algumas reflexões sobre o que significa entender a leitura e a escrita como experiência. Para isso colocamos aqui algumas concepções teóricas dos principais autores e pensadores da educação nesse país, para que, juntos, possamos refletir sobre como saber utilizar nas práticas sociais de leitura e de escrita, as estratégias e procedimentos que conferem maior fluência e eficácia ao processo de produção e atribuição de sentidos aos textos com os quais se interage. Ao longo do tempo, a tentativa de compreender o que é ler e escrever tem sido uma constante: qual a natureza da leitura e da escrita? Como se lê e se escreve hoje? Como concebemos a leitura e a escrita? Leitura é hábito? É gosto, prática, relação, exercício, instrumento, necessidade ou experiência? Para Sonia Kramer, a leitura é vista como experiência, pois o leitor leva rastros do vivido no momento da leitura para depois ou para fora do momento imediato – isso torna a leitura uma experiência. Assim, leitura é, portanto, a possibilidade própria que cada uma das pessoas tem de dotar de sentido e de significado textos escritos, desenhos, comportamentos, expressões, peças de teatro e filmes, obras de diferentes artes, etc. Isso significa dizer que não se leem apenas os textos linguísticos, aqueles que se ocupam da palavra escrita. Assunto que desenvolveremos no próximo tópico. ( Seção 2 - A Língua e outros Sistemas de Comunicação: ) Noções de Linguagem e Língua. Textos verbais e não-verbais. Elementos da Comunicação Humana Funções da Linguagem. Entende-se como comunicação o intercâmbio de informação entre sujeitos ou objetos. Você já deve ter ouvido falar da célebre frase de Chacrinha: “Quem não se comunica se trumbica.” A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações e utiliza os sistemas simbólicos e a linguagem verbal. Neste processo estão envolvidos uma infinidade de maneiras de se comunicar. A exemplo disso, podemos indicar duas pessoas que conversam pessoalmente com as mãos ou mensagens enviadas utilizando a Internet. Inicialmente, cabe distinguir os conceitos de linguagem e língua. A concepção adotada por nós é que a linguagem é a capacidade de representação por meio de signos, exclusiva do ser humano e que o distingue dos outros animais. A linguagem pode ser expressa por signos verbais e não-verbais, agrupados em linguagem verbal – que usa a palavra falada e escrita – e a linguagem não-verbal – que utiliza signos gestuais, visuais e sonoros. Já a língua é um sistema de signos verbais desenvolvidos por uma comunidade para a comunicação como resultado de seu processo histórico. Uma língua tem características particulares em vários aspectos – fonológico, morfológico, sintático, semântico e pragmático – que a diferenciam de outras. É interessante lembrar também que a língua é heterogênea e apresenta variantes sociais, geográficas e situacionais, entre outras. Nela encontramos a norma padrão, ou português padrão, como uma das variantes linguísticas do português, associado aos grupos sociais de maior prestígio na sociedade. E a importância do seu estudo para a participação social e o pleno exercício da cidadania. · A importância da Linguagem: A linguagem sempre exerceu um interesse muito grande na abordagem da condição humana. É a forma humana de comunicação, o modo como nos relacionamos com o mundo e com os outros, como nos afirmamos social e politicamente, bem como expressamos nosso pensamento e até mesmo a arte. Essa é uma compreensão que vem desde a antiguidade. Aristóteles (384-322 a.C), afirmou que o homem é um “animal político” somente por que é dotado de linguagem. · O que é Linguagem? Em princípio, podemos dizer que a linguagem é um sistema de signos usados para a comunicação e para a expressão de ideias, valores e sentimentos. Isso quer dizer que podemos tratar a linguagem como um todo estruturado, com leis e ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 14 ) ( 15 ) princípios próprios. Na base dessa estrutura estão os SIGNOS, que é um objeto dotado de sentido (como a fumaça que indica a presença de fogo), que tem a função de indicar ou representar outro objeto. · Signo Linguístico: Saussure (pai da Linguística Moderna) define o signo como a união do sentido e da imagem acústica. O que ele chama de sentido é a mesma coisa que conceito ou ideia, isto é, a representação mental de um objeto ou da realidade social em que nos situamos, representação essa condicionada pela nossa formação sociocultural. O que ele chama de “imagem acústica” não é o som de uma palavra propriamente, mas a impressão psíquica desse som. O signo linguístico é, portanto, “uma entidade psíquica de duas faces”, semelhante a uma moeda. (CLG - Curso de Linguística Geral - Saussure p,80) Figura 1: Signo Linguístico: significante e significado ( Importante! Signo, então, equivale a um todo resultante da associação de um significante (que é a imagem acústica) e de um significado (que é o conceito). ) · Significante é a parte material, perceptiva. O significado é o conceito, a ideia que se tem do signo. Algo como o lado espiritual da palavra, sua contraparte inteligível, em oposição ao significante, que é sua parte sensível. · O que é Língua? A língua é a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que segue leis estabelecidas pelos membros da sociedade e que não podem ser modificadas pelo indivíduo de forma solitária. Ela é social, ou seja, pertence a toda sociedade. Em sentido estrito, LÍNGUA é um sistema de signos organizados que permite aos indivíduos o processo comunicativo. · O que é Fala? É a capacidade que o indivíduo tem de utilizar a Língua. A fala é o resultado das combinações feitas pelo sujeito falante utilizando o código da língua, através de mecanismos psicofísicos (que são os atos de fonação) necessários à produção das combinações dos sons da fala. · Distinção entre comunicação verbal e não-verbal: Comunicação verbal: que é expressa por meio de palavras, faladas ou escritas. Comunicação não-verbal: qualquer aspecto da comunicação que não envolve o emprego de palavras.por ter chagado até aqui. Tenho certeza de que seu esforço será recompensado. Espero que conclua com bastante êxito a disciplina e que ela lhe sirva para outros projetos na sua caminhada rumo à formação acadêmica. Nossa proposta para este projeto reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se também pela atualidade e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 112 ) ( 113 ) ( Introdução ) Pretendemos, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos desta área e atuar de forma competente e consciente como convém a um profissional que busca uma formação superior para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Além disso, registra-se a intenção de tornar o material um subsídio valioso, a fim de facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Desejamos que ele seja um instrumento para seu sucesso na carreira que escolheste. Este conteúdo foi elaborado com o objetivo de propiciar conhecimentos acerca do contexto educacional com foco na Metodologia da Pesquisa e da Produção Científica. Lembrando sempre de que você é protagonista da história que estamos construindo a partir de agora, esperamos que, ao longo dos estudos, possamos aprofundar conceitos e dialogar de modo que você continue construindo sua trajetória acadêmica de forma competente e abrangente. Para o aluno que estuda a distância, algumas ações são importantes, como um bom planejamento dos estudos, cumprimento de todas as etapas propostas no curso, um bom aproveitamento do processo de ensino-aprendizagem e a interação com o tutor e os colegas. Competências a serem adquiridas ao final do estudo de Linguagens e Pesquisa! · Conhecer a construção do parágrafo e as características da linguagem acadêmica. · Reconhecer as regras básicas de um resumo. · Reconhecer os principais passos a serem tomados na fase de planejamento de uma pesquisa acadêmica. · Mencionar os elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais obrigatórios em uma monografia. · Diferenciar exposição oral e debate. · Identificar as etapas de uma exposição oral. · Mencionar as particularidades da preparação de um debate. · Compreender as modalidades de trabalhos acadêmicos utilizados em cursos de graduação e pós-graduação. · Conhecer conceitos e fundamentos teóricos sobre pesquisa científica. · Conhecer normas científicas na elaboração de trabalhos acadêmicos tais como: projeto de pesquisa, artigo acadêmico, monografia, entre outros. · Compreender as etapas que regem o planejamento de pesquisa aplicados em diferentes trabalhos acadêmicos. · Desenvolver atividades de elaboração de planejamento de pesquisa, apresentando autonomia intelectual e espírito investigativo. · Proporcionar o suporte necessário à elaboração, formatação e edição de projetos de pesquisa e monografias, de modo que eles se enquadrem formalmente nos parâmetros observados não só pelas agências de fomento à pesquisa, mas também em programas de pós- graduação. Bons estudos! Sucesso na sua caminhada! É o que desejamos a todos os envolvidos nesta trajetória. Equipe EAD Professora Maria Luzia Paiva de Andrade ( Seção 16: Oralidade: Exposições Orais, Debates, Seminários, Dramatizações ) Todas as considerações que foram feitas até o momento sobre a Linguagem buscaram demonstrar uma característica essencial: a de que ela pode ser falada ou escrita, indicando tipos distintos de exposição linguística. Segundo Mattoso Câmara (1997), na linguagem falada nos comunicamos pelo ouvido e na escrita, pela visão. Isto significa dizer que na comunicação escrita os sons que constituem a linguagem humana passam a ser evocados por meio de símbolos gráficos. Contemporaneamente, é comum darmos uma importância extraordinária à linguagem escrita, no entanto, a mais antiga forma de comunicação é a expressão oral ou fala. Esta é a que abrange a comunicação linguística como um todo, incluindo desde a significação dos vocábulos, frases e períodos, passando pela entoação, a mímica e indo até o jogo fisionômico, por exemplo. É evidente que o grande número de traços característicos da exposição oral, que não estão presentes na linguagem escrita, precisam ser bem utilizados para que a linguagem seja boa e a comunicação se estabeleça de forma eficiente. Por isso, quem fala deve ficar atento à impostação da voz, ao timbre, à altura da emissão vocal, à entoação da frases e um perfeito jogo de corpo, que inclui mãos, braços e boca num conjunto harmonioso que prenda a atenção do seu ouvinte. Há aí um grande número de recursos que podem tornar a comunicação uma ferramenta de sucesso, uma vez que ela é inerente à vida humana. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 116 ) ( 115 ) Neste contexto, a voz é o nosso instrumento de contato com todas as esferas da sociedade. A competência neste tipo de linguagem, torna nossas relações sociais mais interessantes e agradáveis, pois o desempenho de uma boa dicção trará clareza, objetividade nas mensagens, facilitando a compreensão e a convivência. Além disso, saber usar a fala como estratégia para transmitir segurança e determinação é essencial no mundo dos negócios e nas relações interpessoais. ( Texto, Contexto e Interação ) Até aqui, temos tentado demonstrar que o processo comunicativo é acima de tudo uma interação. A exposição escrita pode parecer mais simples pela falta desses recursos anteriormente mencionados. Mas, na realidade, ela deve ser substituída por outros recursos que exigem não menos rigor, estudo, conhecimento e experiência. Muitas situações comunicativas em que estamos envolvidos, cotidianamente, exigem de nós habilidades em usar argumentos para defender nossos pontos de vista. É fácil pensar em exemplos como uma reclamação no órgão de defesa do consumidor, em uma reunião de trabalho, numa assembleia de condomínio, uma reclamação a uma prestadora de serviço entre tantas outras. Sabemos que um grande número de regras e exigências, além de recomendações gramaticais exaustivas, nos são apresentadas nos estudos da linguagem escrita, a fim de bem servir a nossa comunicação social e profissional. Daí a máxima de que escrever bem é uma competência imprescindível para quem deseja sucesso na vida acadêmica e profissional, que nos diga os estudantes de direito, não é verdade? Diante disso, reconhecemos que a aquisição de uma técnica bem elaborada de linguagem oral e escrita deve ser cuidadosamente adquirida para você estar preparado para debates, seminários e apresentações em geral. ( Adequação ao contexto ) Para início de conversa, uma exposição oral nada mais é do que uma produção de texto, porém ela tem algumas peculiaridades que veremos agora nos gêneros textuais sugeridos para esta seção. Falar em público significa expor-se ao julgamento alheio. Há uma multidão de olhos e ouvidos atentos a cada uma de nossas palavras e gestos e prontos para avaliar e julgá-los nos mínimos detalhes. Pode parecer, à primeira vista, que a exposição oral, devido a natureza espontânea da linguagem falada, deva ser de improviso a fim de causar uma boa impressão ao auditório. Apesar de estimulante e bem aceito pela empatia que pode causar, deve ser cuidadosamente preparado e possuir um plano de exposição. Nesta seção, veremos como se preparar para eventos de exposição oral como debates, seminários, palestras e dramatizações. Os termos palestra e conferência são muitas vezes usados um pelo outro. No entanto, as palestras estão normalmente mais associadas ao meio profissional e tendem a ser menos formais que as conferências. O termo seminário possui significados distintos dentro e fora das escolas e faculdades. Dentro delas,o termo significa uma aula dada por alunos ou grupos de alunos para o restante da turma. Fora deste contexto, o seminário indica um congresso de cientistas e estudiosos com exposição seguida de debates. A característica mais marcante de uma exposição oral é a bipolaridade, isto é, embora reunidos em uma espécie de conversa, o expositor ou expositores e a plateia não ocupam posições equivalentes. O primeiro representa um especialista no assunto ou alguém que tenha algum conhecimento específico sobre uma temática; e a plateia, que apesar de ser um pouco mais difícil de caracterizar, pode ter até o mesmo conhecimento que o expositor, estão ali para conhecer um outro ponto de vista, entretanto, na maioria das vezes, uma plateia é formada por leigos. ( O Debate ) O debate é um evento comunicativo em que existe, pelo menos, três polos: dois debatedores, que defendem pontos de vista divergentes sobre o tema, e a plateia que, em geral, ocupa uma posição inferior ao dos debatedores, por não seres autoridades no assunto debatido. Em uma exposição oral, o palestrante fala muito mais que a plateia. Geralmente, apenas no final abre-se espaço para que a plateia se manifeste fazendo perguntas ou comentários. No debate, um dos princípios é conceder aos debatedores o mesmo tempo de fala, mas a plateia também tem uma participação restrita. A realização de um debate no espaço acadêmico requer: uma definição dos objetivos: para quê? qual a finalidade? O estabelecimento de normas: os debatedores devem conhecer e concordar com as regras do debate. A presença do moderador, que é aquele que coordena o debate, sendo responsável pela sua progressão e a presença dos debatedores, que podem utilizar documentos e anotações para fundamentar o seu ponto de vista ou comprovar suas colocações. ( A Entrevista ) A entrevista é definida como uma situação de comunicação em que estão envolvidos um entrevistador e o entrevistado. É um tipo de exposição oral que se organiza com base na apresentação dos motivos, na sequência de perguntas e respostas e no fechamento. Pode ser de vários tipos: entrevista jornalística, médica, empresarial, científica, política e etc. Ela deve estar adequada ao suporte, ou seja, ao meio utilizado para a sua divulgação. Além disso, é importante a adequação ao público que se quer alcançar, ao meio de comunicação, rádio ou televisão, periódicos impressos, Internet, ao vivo ou gravada etc. A entrevista possui finalidades diversas: esclarecer a população sobre determinado assunto, divulgar conhecimentos científicos, colher dados para uma pesquisa, selecionar candidatos a emprego etc. ( O Seminário ) O seminário é um gênero expositivo oral em que participantes expõem e debatem um tema. Apresenta como características principais: · uma certa formalidade; · a exploração de diversas fontes de informação; · a seleção dessas informações em função de tema; · a elaboração de um esquema destinado a auxiliar a apresentação oral. · Objetivo principal: a transmissão de conhecimentos específicos de determinada área científica ou técnica. · Portanto, é a exposição oral de um tema, com apresentação de argumentos por um ou mais oradores, seguida de debate entre os participantes. · Planejamento: envolve as seguintes etapas: 1 – Definição do tema e dos participantes do grupo, caso o trabalho seja coletivo; 2 – Escolha da linguagem e da abordagem, tendo em vista o público-alvo. Deve-se observar, portanto, a faixa etária e o nível de interesse do público; 3 – Seleção de informações obtidas com pesquisas em livros, jornais, revistas e na Internet. A inclusão de estatísticas, citações e exemplos enriquece o material; 4 – Organização de um roteiro escrito com base em anotações feitas durante a pesquisa; 5 – Escolha de recursos audiovisuais, tais como retroprojetor, slides, filmes, microfone, Datashow etc. 6 – Elaboração de um resumo para ser entregue ao público assistente, a fim de que as pessoas possam acompanhar melhor a exposição oral; 7 – Ensaio de apresentação para verificar o tempo reservado a cada participante. · Apresentação do Seminário: observe como se realiza um seminário: a) Introdução: um dos componentes do grupo cumprimenta o público, esclarece qual é o tema, justifica a escolha e diz como será a apresentação e o tempo de duração do seminário. b) Desenvolvimento: cada componente expõe sua parte, numa sequência lógica, dando continuidade à fala do colega anterior, e mantendo a coesão e a coerência das ideias. c) Conclusão: deve ser feita por um dos componentes, a partir de um resumo das principais ideias expostas e do destaque do ponto de vista do grupo. Em seguida, deve-se agradecer a participação da plateia e oferecer o espaço para perguntas a serem respondidas. ( Dramatizações ) Esse gênero textual é escrito para ser representado. Em geral, esses textos apresentam os elementos básicos do texto narrativo: fatos, personagens, tempo e lugar. Os diálogos constituem o elemento básico por meio do qual muitas vezes se estabelece o conflito entre protagonistas e antagonistas. Os textos para as dramatizações apresentam dois tipos de rubrica. As de interpretação, que indicam o tom de voz e os gestos que os atores devem empregar; e as de movimento, que informam ao diretor e à equipe quais atores que devem entrar no palco, como devem estar trajados, como devem estar dispostos os elementos do cenário etc. Enfim, um roteiro teatral é um texto escrito para ser representado no teatro. É construído por meio de diálogos entre personagens, em discurso direto e traz rubricas para orientar diretores, atores e equipe técnica. ( Seção 17: Processos Simbólicos, Linguagem e Sociedade ) Fazer o uso competente da língua significa a capacidade para desenvolver habilidades e competências de ler e de produzir adequadamente textos, em situações cotidianas, mas ao mesmo tempo diferentes e sobre diversos temas. É impossível pensar em texto sem pensar em nossa vida diária em sociedade. Sempre estamos envolvidos com leituras, escritas, observações e análises. Quantas decisões importantes não dependem, única e exclusivamente, de uma boa leitura ou de uma boa redação de texto? A premissa para o bom uso de recursos estilísticos é dominar os critérios básicos de leitura e produção de textos como temos indicado até aqui. Desde o momento em que começamos a participar do mundo à nossa volta, passamos a usar a linguagem como processo simbólico de comunicação. Na tentativa de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a realidade que nos cerca, seja através do contato com um livro, seja no convívio social, familiar, escolar, enfim, em todas as situações do dia a dia, estamos interagindo com o outro (meu interlocutor) através da linguagem - conjunto de signos verbais e não verbais que possibilitam a comunicação de um povo, uma nação ou de uma tribo. A atividade de leitura não corresponde a uma simples decodificação de símbolos e signos, mas significa, de fato, interpretar e compreender o que se lê. Segundo Ângela Kleiman (2002), a leitura precisa permitir que o leitor apreenda o sentido do texto, não podendo transformar-se em mera decifração de signos linguísticos sem a compreensão semântica dos mesmos. Nesse processamento do texto, tornam-se imprescindíveis também alguns conhecimentos prévios do leitor: · os linguísticos, que correspondem ao vocabulário e regras da língua e seu uso; · os textuais, que englobam o conjunto de noções e conceitos sobre o texto; · e os do mundo, que correspondem ao acervo pessoal do leitor. Numa leitura satisfatória, ou seja, na qual a compreensão do que se lê é alcançada, esses diversos tipos de conhecimento estão em interação. Logo, percebemos que a leitura é um processo interativo. Quando citamos a necessidade do conhecimento prévio de mundo para a compreensão da leitura, podemos inferir o caráter subjetivo que essa atividade assume. A partir daí, podemos começar a refletir sobre o relacionamentoleitor- texto. Já dissemos que ler é, acima de tudo, compreender. Para que isso aconteça, além dos já referidos processamentos cognitivos da leitura e conhecimentos prévios necessários a ela, é preciso que o leitor esteja comprometido com sua leitura. Ele precisa manter um posicionamento crítico sobre o que lê, não passivo. Quando atende a essa necessidade, o leitor se projeta no texto, levando para dentro dele toda sua vivência pessoal, com suas emoções, expectativas, seus preconceitos etc. É por isso que consegue ser tocado pela leitura e, a partir daí se torna coautor deste texto. Dessa forma, o único limite para a amplidão da leitura é a imaginação do leitor; é ele mesmo quem constrói as imagens acerca do que está lendo. Por isso ela se revela como uma atividade extremamente prazerosa, pois é por meio dela que, ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 124 ) ( 125 ) além de adquirirmos mais conhecimento e cultura – o que nos fornece maior capacidade de diálogo e nos prepara para atingir às necessidades de um mercado de trabalho mais exigente - experimentamos novas experiências ao conhecermos mais do mundo em que vivemos e também sobre nós mesmos. Ler adequadamente é mais do que ser capaz de decodificar as palavras ou combinações linearmente ordenadas em sentenças. Deve-se “enxergar” todo o contexto denotativo (sentido real) e conotativo (figurado). É necessário compreender o assunto principal, suas causas e consequências, críticas, argumentações, polissemias, ambiguidades, ironias etc. Dessa forma, ler adequadamente é resultado da consideração de dois tipos de fatores: os propriamente linguísticos e os contextuais, que podem ser de natureza bastante variada. · Linguagem e Sociedade A linguagem surge da necessidade de expressão e comunicação. Pode-se afirmar que ela é a forma propriamente humana da comunicação, da relação com o mundo e com os outros, da vida social e política, do pensamento e das artes. O estudo da linguagem sempre fascinou filósofos e estudiosos de diversas correntes. Aristóteles, por exemplo, defendia a ideia de que o homem é um animal político, pois, embora outros animais tenham voz, apenas o ser humano tem a capacidade de exprimir valores que viabilizam a vida social e política. Neste contexto, entendemos a linguagem como um sistema de sinais usados para indicar a função comunicativa entre pessoas e para a expressão de ideias, valores, intenções e sentimentos. Quanto às características, podemos extrair as seguintes afirmações em relação à linguagem: a) É um sistema estruturado com princípios próprios; b) Possui signos ou sinais; c) Possui palavras que têm função de apontar coisas que elas significam – função indicativa ou denotativa; d) Tem uma função comunicativa – estabelecemos relações com os outros seres humanos; e) Exprime pensamentos, sentimentos e valores – função conotativa ou de conhecimento e expressão. f) Permite a compreensão e interpretação do contexto social, econômico e cultural. · Linguagem Simbólica e Conceitual ( Analogia: é sinônimo de semelhança, similaridade, correspondência, conformidade. Metáfora: é uma figura de linguagem que produz sentidos figurados através de comparações implícitas. É a designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto ou qualidade que tem com o primeiro uma relação de semelhança (p.ex., ele tem uma vontade de ferro, para designar uma vontade forte, como o ferro). )A linguagem simbólica opera por analogias e por metáforas; realiza-se como imaginação; é inerente aos mitos, à religião, à poesia, ao romance, ao teatro; fascina e seduz, por ser fortemente emotiva e afetiva; oferece imagens ou sínteses imediatas; oferece palavras polissêmicas, ou seja, carregadas de múltiplos sentidos simultâneos e diferentes, tanto sentidos semelhantes e em harmonia quanto sentidos opostos e contrários; faz a criação de um outro mundo, análogo ao nosso, porém mais belo ou terrível do que o real; destaca a memória e imaginação, focalizando um futuro ou passado possíveis. Já a linguagem conceitual procura dar às palavras um sentido direto e não figurado, evitando analogia e metáfora, evitando uso de palavras carregadas de múltiplos sentidos, procurando fazer com que cada palavra tenha sentido próprio e que seu sentido vincule-se ao contexto no qual a palavra é empregada; procura convencer e persuadir por meio de argumentos, raciocínios e provas; busca definir o mundo real, decifrando-o e superando as aparências; na busca de focalizar o presente, a atualidade. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 126 ) ( 127 ) ( Principais Recursos Estilísticos ) · Níveis de Linguagem A linguagem pode ser classificada em relação a seu contexto social e cultural. Certamente, você não escreveria da mesma forma um texto para um adulto e para uma criança. São pessoas com capacidade de entendimento diferente. Também o seu texto deve ser diferente para cada um deles. É necessário, assim, preocupar-se e muito com quem receberá o seu texto. Veja, a seguir, os diferentes níveis. · Linguagem formal, culta ou padrão: utilizam-na as classes intelectuais da sociedade, mais na forma escrita e menos na oral. É de uso nos meios diplomáticos e científicos; nos discursos e sermões; nos tratados jurídicos e nas sessões do tribunal. O vocabulário é rico e são observadas as normas gramaticais em sua plenitude. · Linguagem coloquial, oral ou informal: utilizada pelas pessoas que falam e (ou) escrevem com mais espontaneidade. É a linguagem do rádio, da televisão, meios de comunicação de massa tanto na forma oral quanto na escrita. Emprega-se o vocabulário da língua comum, e a obediência às disposições gramaticais é relativa, permitindo-se até mesmo construções próprias da linguagem oral. · Síntese das principais diferenças entre oralidade e escrita: Oralidade: O momento de produção e o de recepção do texto são simultâneos. Escrita: Há defasagem entre o momento de produção e o de recepção. Oralidade: É possível negociar o sentido com o interlocutor e também corrigir-se se for o caso. Escrita: O autor deve antecipar possíveis dúvidas do leitor e tratar de esclarecê-las ainda no momento de produção. Oralidade: O texto é construído, pois para comunicar-se melhor, os interlocutores interagem o tempo todo, usando tanto a linguagem verbal quanto a não verbal. Escrita: O autor produz o texto solitariamente e, depois, o leitor deve reconstruir seus significados também sozinho. Oralidade: É impossível voltar atrás no que foi dito. Escrita: É possível revisar o texto quantas vezes for necessário. Fonte: GUIMARÃES, Thelma de Carvalho. Comunicação e Linguagem. São Paulo: Pearson, 2012. · Variação linguística, registro e norma padrão As mudanças na sociedade brasileira não ocorrem apenas ao longo do tempo. Se você parar e observar a população, encontrará grupos das mais diversas origens, ocupações, formações e costumes. Isso acontece também em todas as sociedades, não apenas na brasileira. Sendo assim, todas as sociedades são heterogêneas do ponto de vista diacrônico (ao longo do tempo) e do ponto de vista sincrônico (realidades diferentes em um mesmo momento histórico). Vimos anteriormente que língua é uma das principais expressões da identidade de um povo. Dessa forma, as línguas mudam, ao longo do tempo, com as sociedades que a utilizam. Essa mudança acontece do ponto de vista diacrônico e sincrônico. Essas mudanças recebem o nome de variações linguísticas. · Tipos de Variação Linguística As variações estão agrupadas em várias categorias, tais como: variações históricas, variações sociais, variações regionais, variações ligadas ao meio: oralidade ou escrita, variações ligadas ao registro: formal ou informal. Essas duas últimas já estudadas anteriormente. Veremos um pouco agora das variações históricas, sociais e regionais. · Variação histórica: a língua muda sob vários aspectos: grafia (letras dobradas e o uso do ph em phamarcia, por exemplo); acentuação (váriasreformas quanto ao uso dos acentos gráficos na língua portuguesa); uso de palavras (muitas palavras deixaram de ser usadas e/ou foram substituídas por outras. Exemplos: cortejar = paquerar / arrogante = janota / botica = farmácia / teteia = moça bonita e atraente. As formas de tratamento (o uso da segunda pessoa do singular e do plural não são mais usadas praticamente; foram substituídas pelo pronome de terceira pessoa: você, vocês. · Variação regional: essas variações estão ligadas às regiões onde moram os falantes. Temos muitas variações regionais no Brasil devido à sua dimensão territorial. Elas se manifestam principalmente: na pronúncia das palavras, o famoso “sotaque”. Em São Paulo, Paraná e sul de Minas, por exemplo, o “r” bem puxado, como em “porta”. No vocabulário, as palavras que têm nomes diferentes, mas significam as mesmas coisas. Exemplos: tangerina (no Sudeste), bergamota (no Sul), mimosa e laranja-cravo (no Nordeste), pocan ou mixirica, (em Goiás). Outros exemplos bastante conhecidos: I. Mandioca, aipim e macaxeira. II. Pão francês, cacetinhos (Rio Grande do Sul e Bahia); pão carequinha, pão de sal. III. Abóbora, jerimum (Nordeste) IV. Fruta do conde, pinha (Nordeste) V. Batata Baroa, mandioquinha (São Paulo), batata salsa (Paraná). · Variação Social: essas variações estão relacionadas à camada ou grupo social a que pertence o falante. Elas podem ser quanto: ao nível de escolaridade, à faixa etária, ao sexo, à profissão e aos grupos sociais (jovens, surfistas, fãs de música sertaneja, fãs de quadrinhos japoneses etc.) ( Seção 18: Produção de Textos: Planejamento, Estrutura e Construção. ) Entender e produzir textos sempre foram tarefas de tirar o ‘sono’ dos estudantes. Na verdade, eles constituem os dois lados de um único processo que envolve a competência, do leitor ou escritor, em analisar e sintetizar ideias junto ao texto. Para compreender bem um texto o leitor deve estabelecer objetivos para a sua leitura, selecionar as informações mais importantes e relevantes, levantar hipóteses, fazer inferências e, finalmente, verificar se as suas hipóteses se confirmam no texto, sempre mantendo seus conhecimentos prévios ativados. O trabalho de análise aplicado à compreensão de texto implica a separação das ideias principais das ideias secundárias. Isso envolve um trabalho cognitivo sobre as estruturas sintáticas do texto, o vocabulário, a construção dos parágrafos e o ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 130 ) ( 131 ) conteúdo do tema em foco. Além disso, devem-se considerar aspectos ideológicos que se apresentam nos textos, bem como o confronto do texto com outros textos que tratam do mesmo assunto, ou seja, em outras palavras, exige-se uma leitura analítica. Mas o que é uma leitura analítica? A leitura analítica corresponde a uma leitura reflexiva, pausada, com possíveis releituras, que visa a apreender e a criticar toda a montagem orgânica do texto, sua coerência informativa e seu valor de opinião. Diante de um texto, a leitura analítica busca a assimilação de novos conhecimentos a partir do somatório de conhecimentos prévios (os linguísticos, os textuais e os de mundo) já acumulados pelo leitor, como estudos há pouco. Esse tipo de leitura compreende as seguintes estratégias simultâneas. 1. Relações Textuais: engloba toda a organização do texto, ou seja, compreende o título, os subtítulos (se houver), a estrutura dos parágrafos, os destaques, boxes, gráficos, imagens, legendas, sumário, notas de rodapé, as relações de coesão e coerência entre as partes, enfim, todo o conteúdo lógico-semântico do texto. Na leitura dos elementos textuais, é muito importante sublinhar as palavras- chave que traduzem as ideias fundamentais do texto, assim como observar as palavras relacionais que asseguram a estrutura lógica dos raciocínios, tais como as conjunções ou locuções conjuntivas: porque, em consequência, embora, mas, todavia, entretanto, além disso, além do mais, no entanto etc. I. Relações Contextuais ou Pragmáticas: sintonia entre sua produção e o contexto comunicativo. Compreendem as intenções explícitas ou implícitas do autor e as convenções socioculturais que repercutem na produção do texto. Não basta, portanto, que a pessoa domine o código linguístico. É preciso, também, que domine o quadro de referências socioculturais necessárias à compreensão e produção do discurso. O redator precisa prever em detalhes quem será o leitor do texto, qual a sua faixa etária, sexo, ocupação, nível de escolaridade, origem geográfica, condição socioeconômica, crenças, valores etc. Esse destinatário imaginado pelo autor é chamado de leitor-modelo. Em razão dessas exigências, alguns textos acadêmicos, editoriais de jornais entre outros, podem ser lidos, mas não compreendidos em sua intenção argumentativa. Todas as características mencionadas deste leitor-modelo são importantes, mas a principal é sua bagagem de conhecimentos prévios, como falamos antes. ( Saiba Mais: Deve-se levar em consideração os interlocutores – quem fala, para quem – e o contexto de situação em que eles se inserem. Assim, a história e o papel individual dos interlocutores , o contexto social que os envolve, as intenções no momento da enunciação devem ser consideradas para a real compreensão do que se diz. Em suma, o significado social das afirmativas não constitui o conteúdo literal das frases, mas, sim, a interpretação que os participantes vão oferecer às expressões. Por exemplo, a afirmativa “depois eu falo com você lá fora”, dependendo do contexto de quem diz, para quem diz e das intenções, poderá conter várias significações: uma conversa posterior, uma ameaça, a necessidade de um conchavo, uma evasiva para fugir a uma pergunta etc. ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 134 ) ( 133 ) Relações Intertextuais: Todo texto possui antecedentes em relação ao qual se posiciona. Muitas vezes, essa correlação com outro texto vem explícita, como nos seguintes casos. · Alusão · Citação · Epígrafe · Paráfrase · Paródia Alusão: uma referência rápida ao pensamento de um autor bem conhecido. Ex.: “Veni, vidi, vici.” (Vim, vi, venci), supostamente proferida pelo general e cônsul romano Júlio César em 47 a.C. Citação: passagem tomada de um autor, ou pessoa célebre, para ilustrar ou apoiar o que se diz. Ex.: Soares (2009, p. 16) diz que numa sociedade que se divide em classes, a ideologia que domina, de acordo com a ideologia marxista, é a ideologia da classe dominante. Epígrafe: é uma citação especial, de autor também conhecido, que antecede um artigo, um livro, uma monografia ou uma tese acadêmica. Ex.: “As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.” (Rubem Alves) Paráfrase: é a reprodução das ideias de um texto em outro texto, isto é, com outras palavras, com as palavras de quem está produzindo o novo texto. Uma paráfrase normalmente explica ou esclarece o texto que está sendo parafraseado. Texto Original Paráfrase Canção do Exílio Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá, As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá. [...] Gonçalves Dias Meus olhos brasileiros se fecham saudosos Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? Eu tão esquecido de minha terra… Ai terra que tem palmeiras Onde canta o sabiá! [...] Paródia: apropriação de um texto primitivo com intenções críticas, humorísticas ou apelativas. Exemplos: MEUS OITO ANOS MEUS OITO ANOS Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! [...] Casimiro de Abreu Oh que saudades que eu tenho Da aurora de minha vida Das horas De minha infância Que os anos não trazem mais Naquele quintal de terra! Da rua de Santo AntônioDebaixo da bananeira Sem nenhum laranjais [...] Oswald de Andrade I. Sintetizar: Sintetizar significa reunir elementos relevantes de um conjunto e fundi-los num todo coerente, ou seja, retirar os fatos secundários, o acessório, em relação às ideias principais que constituem o núcleo semântico do texto. ( O processo de síntese abrange o esquema , o fichamento , o resumo e a resenha que, embora ligados à síntese, têm características distintas. Veremos as principais diferenças a seguir. )A síntese ajuda aos estudantes, nos seus trabalhos acadêmicos, a identificar ideias principais de um texto e, ainda, colabora no fichamento de capítulos de livros, constantemente solicitado na vida universitária. Além disso, propicia, também, o desenvolvimento da habilidade de sintetizar, exigência da vida profissional da vida moderna. IV.1 Esquema: Trata-se de um processo de redução radical para a compreensão de um texto ou para orientação numa exposição oral, já que detém apenas tópicos essenciais de um assunto. Corresponde à forma mais reduzida dos processos de síntese. Compõe-se somente de palavras ou abreviaturas ou fórmulas, a partir das quais se resgatam as ideias principais. Exemplo: Tipos de conhecimento Imagem 1: Enviado por: Kristian Soares Arquivado no curso de Matemática na UEA https://www.google.com.br/search?q=exemplo+de+um_esquema. IV.2 Fichamento: Para o autor de um trabalho acadêmico, a ficha apresenta-se como um instrumento de trabalho importante, uma vez que manipula material bibliográfico que, em geral, não lhe pertence. Utiliza- se, também, nas mais diversas instituições, para serviços administrativos, e nas bibliotecas, para consulta do público. As fichas permitem a identificação das obras, o conhecimento de seu conteúdo, a utilização de citações, a análise do material e a elaboração de críticas. Têm-se, então, fichas bibliográficas de resumo ou conteúdo, de citações, de análise crítica ou comentário, expressando sua opinião pessoal sobre o tema. Os fichamentos seguem a seguinte estrutura: cabeçalho, referência bibliográfica e o texto com o conteúdo principal. Exemplos: · Fichamento de citação: frases mais importantes que foram citadas no texto. Devem ser transcritas entre aspas. Fichamento de Citação MARTINS, Carlos Estevam. A Questão da Cultura Popular. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1963. “( ) todo um complexo universo criado pelo trabalho e que tem por finalidade garantir, a um nível cada vez mais integral, a realização do ser do homem no mundo.” (p. 38). “(...) de um lado precisamos infundir no povo uma cultura que ele não tem e que lhes faz falta, mas a qual ele não consegue chegar sozinho, pois ela é produzida e cultivada fora do povo: ele encontra-se à margem do processo que produz e cultiva essa cultura. De outro lado, não podemos entregar ao povo essa nova cultura sem que primeiro nós próprios nos apossemos da velha cultura do povo.” (p.47). Imagem 2: https://www.todamateria.com.br/fichamento/ (Prof.ª Márcia Fernandes - Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos). Fichamento textual ou de resumo: Neste fichamento, o aluno transcreve as ideias principais do texto com suas palavras, expressando sua opinião e elaborando seu esquema de estudo. Pode-se incluir também algumas citações. Fichamento Textual CANCLINI, Néstor García. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2006. Para o argentino Néstor García Canclini, consumir está longe de ser uma ação alienante apenas; é também um objeto de estudos, pois “o consumo serve para pensar”. Esta relação surge no momento no qual consumimos algo, combinando o pragmático e o aprazível. Desta maneira, estamos realmente “pensando”, pois atribuímos valores e qualidades aos nossos produtos na hora de consumi-los. Assim, é capital estudar o consumo e a cidadania no cenário vigente de diversidade e processos culturais, para assegurar a todos, as iguais possibilidades de acesso aos bens da globalização. Por fim, o autor afirma que a cidadania deve estar em conexão com o consumo e também como estratégia política, pois hoje com os meios de comunicação a articulação entre o público e o privado se facilita, de modo que os velhos agentes, ou seja, os partidos, sindicatos, intelectuais, vão paulatinamente sendo substituídos pela comunicação de massa, gerando um novo cenário sócio-cultural vigente. Imagem 3: https://www.todamateria.com.br/fichamento/ (Prof.ª Márcia Fernandes - Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos). Fichamento Bibliográfico: Neste tipo de fichamento as ideias são transcritas dividas pelo tema. Deve-se indicar a localização da página. Fichamento Bibliográfico MARTINS, Carlos Estevam. A Questão da Cultura Popular. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1963. · Conceito de cultura: é complexo, porque é muito abrangente e se origina de muito trabalho. O seu objetivo é fazer com que o homem se realize. (p. 38). · Cultura popular: reflete um papel de consciência que expressa caráter revolucionário. (p. 38). · Problemática central: necessidade de dar a conhecer ao povo a cultura que existe fora do âmbito popular, não sem antes enteder o que é cultura popular. (p. 47). Imagem 4: https://www.todamateria.com.br/fichamento/ (Prof.ª Márcia Fernandes - Professora, pesquisadora, produtora e gestora de conteúdos on-line. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos). IV.3 Resumo: Para resumir qualquer texto, é fundamental que, antes de fazê- lo, observe-se a diferença entre uma informação central e os detalhes referentes a ela. Resumir significa dar forma mais reduzida a um texto anteriormente mais longo, preservando-se, contudo, o significado geral. Exige-se, inicialmente, no trabalho de resumo, a compreensão clara da mensagem do texto, o que significa um trabalho preliminar de análise: domínio do vocabulário, da estrutura sintática e do conteúdo semântico. Enfim, o resumo é um tipo de texto que exige do discente: 1 -Conhecimento dos termos desconhecidos (a utilização do dicionário sempre que for necessário); 2 - Apreensão do encadeamento semântico (significado das palavras); 3 - Registro das ideias-chave e das palavras ou expressões que servem de articulação entre duas ideias (coesão e coerência entre as partes); 4 - Hierarquização das ideias, separando as principais das secundárias, eliminando ou reduzindo o que for secundário na apresentação do texto original. (seleção). Finalmente, entramos na fase de redação do resumo, em que se deve observar o seguinte: 1 – Apresentar as informações ou ideias básicas na ordem em que aparecem no texto a resumir; 2 - Aconselha-se o suprimento da maior parte dos detalhes, como os adjetivos, as caracterizações ou os exemplos exaustivos, os fatos secundários, deixando apenas alguns mais significativos que serão esclarecedores para o entendimento dos conceitos-chave. 3 – Ignorar as características estilísticas do autor (de estilo), ou seja, o uso contínuo e exagerado de figuras de linguagens tais como metáfora, catacrese, alegoria, metonímia, antonomásia, antítese, eufemismo, hipérbole etc., cuja finalidade é tornar o texto mais elegante e expressivo. 4 - Utiliza-se, de preferência, a 3ª pessoa do singular, e os verbos devem aparecer na voz ativa, ou seja, a ação expressa pelo verbo é praticada pelo sujeito da oração. 5 – Evitar sempre que possível a transcrição ou citação do original, podendo, porém, aproveitar-se as palavras consideradas chaves; 6 ( 138 Saiba Mais: Deve-se resumir com fidelidade, objetividade e clareza, três condições básicas a um bom resumo. Veja o exemplo a seguir: O processo educacional e seus objetivos Quando se analisa o processo educacional e se questionam seus principais objetivos, não podemos deixar de observar a existência de dois planos diferenciados:o aspecto individual, relacionado ao comportamento do aluno, e o profissional, voltado para o despertar de suas potencialidades. )- Evita-se a utilização de parágrafos. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) Na escola, a criança tem a oportunidade de participar de um pequeno grupo social mais complexo que o grupo familiar. Desde cedo, é função do educador tentar mostrar, por palavras e atitudes, a importância de certos fundamentos básicos da convivência social: o comportamento ético em relação aos colegas e professores, a preservação do ambiente, o respeito pelos regulamentos e também a conscientização de seus direitos como estudantes. Além disso, parece-nos essencial que, uma vez observada determinada aptidão para certas atividades, o aluno seja incentivado a desenvolvê-las progressivamente. Estimular a curiosidade científica, a expressão oral e escrita, levar o aluno a pesquisar assuntos de seu interesse, dentre outras coisas, darão a ele a oportunidade de escolher uma profissão através da qual se realize. Dessa forma, a escola estaria prestando uma colaboração indispensável para formar cidadãos preparados para conviver harmoniosamente com a comunidade e dela participar de modo efetivo, no desempenho de sua função profissional. Resumo do texto: Entendemos que os objetivos básicos do processo educacional deveriam ser estimular um comportamento adequado no convívio social e possibilitar que o estudante descobrisse suas aptidões profissionais. É função da escola tentar conscientizar cada um da importância do respeito que se deve ter por todos os semelhantes. Da mesma forma, o estabelecimento de ensino tem como meta central colocar o aluno diante das mais diferentes áreas de atividades, para perceber suas inclinações e escolher uma profissão através da qual possa se realizar. GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. São Paulo: Scipione, 2001, p. 172 ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 144 ) ( 139 ) ( Importante! No resumo, devemos utilizar palavras próprias. Deve-se evitar a cópia fiel de trechos do texto original. O leitor deve buscar construir o seu resumo a partir do entendimento que teve do texto. Ele deve nascer da compreensão e reunir somente as ideias principais nele contidas. ) IV.4 Resenha: a resenha assemelha-se a um processo de síntese, semelhante ao resumo, no entanto, dele se diferencia por possuir um caráter crítico e/ou avaliativo em relação ao texto original. As resenhas são resumos comentados de qualquer tipo de texto, a saber: de trabalhos artísticos, literários, didáticos ou científicos. Resenhar uma obra cultural, um livro, um filme, uma peça de teatro ou um evento significa informar pontos relevantes dessas obras ao público/leitor a fim de que estes possam buscar o original. O objetivo da resenha é informar sobre o conteúdo e, ao mesmo tempo, apontar os principais problemas do texto, da argumentação do autor, apresentando críticas ou elogiando as qualidades do texto. · Resenha crítica: A resenha crítica consiste em leitura, resumo e comentário crítico de um livro ou texto. Caracteriza-se como descrição exaustiva dos fatos. Para a elaboração do comentário crítico, utilizam-se opiniões de diversos autores da comunidade científica em relação às defendidas pelo autor e se estabelece todo tipo de comparação com os enfoques, os métodos de investigação e as formas de exposição de outros autores em relação àquele assunto. Quatro são as fases de uma resenha crítica: leitura, resumo, crítica e formulação de juízo de valor. Exigências para a elaboração de uma resenha crítica: 1 - Conhecer a obra profundamente; 2 – Conhecedor do assunto a ser resenhado; 3 – Juízo crítico – separar o essencial do supérfluo; 4 – Correção e urbanidade, ou seja, respeitar o autor e suas ideias e intenções; 5 – Independência intelectual, ou seja, o que importa não é saber se as ideias do autor coincidem com as nossas, mas se foram apresentadas corretamente; 6 – Fidelidade ao pensamento do autor, analisar cuidadosamente suas posições; Importante! Uma resenha bem-feita pode converter-se em um artigo científico ou até mesmo em um trabalho monográfico, podendo ser publicada em revistas especializadas. A resenha crítica compreende uma abordagem objetiva, em que descreve o assunto observado, e uma abordagem subjetiva, em que se evidenciam os juízos de valor sobre a obra resenhada. Podemos dividir uma resenha crítica nas seguintes partes: introdução, onde se apresenta o assunto de forma genérica ou o ponto de vista sobre o qual será analisado, buscando demonstrar a relevância do assunto a fim de despertar o interesse do leitor. A descrição do assunto, em que se compreende as ideias principais que sustentam o pensamento do autor, encadeados em sequência lógica e, por último, a apreciação crítica, feita em termos de concordância ou discordância, levando em conta a validade e a aplicabilidade do que foi exposto pelo autor. A fim de fundamentar a apreciação crítica, deve-se apresentar a opinião de autores da comunidade científica. Nas considerações finais, apresenta-se as principais reflexões e constatações decorrentes do trabalho. As referências bibliográficas seguem as normas da ABNT. ( Importante! Estrutura da resenha crítica: 1 – Capa 2 – Sumário 3 – Introdução 4 – Descrição do assunto 5 – Apreciação crítica 6 – Considerações finais 7 – Referências 8 – Anexos (se for o caso) ) V – Dissertação Dissertação corresponde ao gênero de redação em que se opina sobre determinado tema, de maneira crítica e persuasiva. É o tipo de discurso em que se faz exposição de ideias. Se dissertar significa expor ideias, ponto de vista, baseados em argumentos lógicos, estabelecendo as relações necessárias, o raciocínio predomina nesse tipo de redação e, quanto maior a fundamentação argumentativa, mais consistente se apresentará o desempenho. As características principais de uma dissertação são: conjunto de juízos sobre um assunto, temas abstratos, textos críticos, teses e explanação de uma argumentação. A dissertação baseia-se nessa fundamentação lógica: encontrar ideias e concatená-las. Caracteriza- se, portanto, por obedecer a duas exigências básicas: a exposição e a argumentação. Em razão disso, utiliza-se esse tipo de texto em trabalhos científicos ou acadêmicos, como monografia, dissertação de mestrado, tese de doutorado, artigos e editorais de jornais. O texto dissertativo deve oferecer ao leitor um tratamento novo sobre o assunto, apresentar observações, reflexões e avaliação. São passos recomendados para a elaboração de um texto dissertativo: análise das ideias, apreciação de prós e contras, estabelecimento de analogias e contrastes, procura de causas e consequências. Sua estrutura é, em geral, fixa, e compreende: introdução, desenvolvimento e conclusão. Uma vez pronto o roteiro, passa-se à redação propriamente dita, obedecendo à organização interna do texto dissertativo, explicada a seguir. · Introdução – O autor diz a que veio; apresenta o assunto e seu posicionamento sobre ele. Além disso, delimita a abordagem, caso necessário, e define qual o argumento básico a ser usado para a defesa de seu ponto de vista. A introdução engloba o objeto, objetivo e justificativa do texto. · Desenvolvimento – Expõe fatos, argumentos e provas. O autor trata do tema de forma analítica e lógica; desenvolve a tese introduzida no início do texto e expõe os argumentos necessários para persuadir o leitor. · Conclusão – Resume-se a exposição apresentada e chega-se a uma dedução ou indução. O autor reafirma, confirma a tese inicial ou, então, propõe soluções para o problema que foi discutido no texto. Atenção! Raciocina-se por meio de argumentos. Os principais registram-se a seguir. 1 - O argumento indutivo: parte do registro de fatos particulares para chegar à conclusão ampliada, que estabelece uma proposição geral. Trata-se, portanto, de uma generalização: um, dois, três... logo,todos. Caminha-se do efeito para a causa. Ex.: Cobre conduz, energia (premissa). Ouro conduz energia (premissa). Todo metal conduz energia (conclusão). 2 - O argumento dedutivo parte de uma verdade estabelecida, geral, para provar a validade de um fato particular. Caminha-se da causa para o efeito. Ex.: Todo homem é inteligente (premissa maior). João é homem (premissa menor). João é inteligente (conclusão). Note que, no raciocínio indutivo, se as premissas (afirmações) são verdadeiras, a conclusão provavelmente será verdadeira, mas não necessariamente verdadeira, e a conclusão encerra informação que não constava das premissas. Já no raciocínio dedutivo, se as premissas são verdadeiras, a conclusão só pode ser verdadeira, e as informações contidas na conclusão já estão implícitas nas premissas. As declarações exigem argumentos, sejam eles justificativos, comprobatórios ou exemplificativos, para torná-las consistentes. Escolhem-se, portanto, premissas que favoreçam o raciocínio no caminho da verdade, como, por exemplo: a) Possuem lógica? b) Submetem-se à verificação? c) Contradizem alguma verdade já aceita? d) Apoiam-se em algum testemunho? Assim: Se a premissa expressa uma verdade universalmente aceita, dispensa-se prova. Ao se estabelecer uma premissa para provar uma afirmação, devem-se utilizar palavras precisas, exatas, que não provoquem a ambiguidade da proposição (conclusão). 3 - O argumento causal busca compreender a relação de causa e efeito em um fato ou processo; ou seja, isso é causa disto; aquilo é efeito disto. Causa é motivo ou razão; consequência é o resultado. Assim, por exemplo, vamos pensar na causa do trânsito caótico das grandes cidades do país e quais as consequências disso na vida das pessoas daquele lugar. Causa do trânsito: excesso de veículos nas ruas. Consequência disto: estresse, queda do padrão de vida, problemas sociais. 4 - O argumento analógico consiste na passagem de um fato particular para outro também particular que se infere em razão de alguma semelhança. Em razão disso, o raciocínio por semelhança fornece apenas probabilidade e não certeza. Através deste raciocínio, não se chega a uma conclusão geral, mas somente a uma em particular. Em nossa vida diárias são comuns ações por analogia. Exemplos: Se um remédio fez bem ao meu amigo que estava com dor de cabeça, logo fará bem a mim também. Se uma amiga emagreceu tomando um chá específico, logo, se eu tomar o mesmo chá, também conseguirei emagrecer. Usa-se, também, no âmbito da Política e Literatura, por seu poder retórico de fixar e simplificar um conceito abstrato. Ex.: A inflação é uma bola de neve. ( Importante! Segundo Othon Garcia (1986, p. 398) um trabalho de dissertação é resultado de uma pesquisa, seja de campo, de laboratório ou bibliográfica. ) VI – Monografia: é o estudo minucioso de um assunto relativamente restrito. Dessa forma, uma tese acadêmica, em nível de doutorado, bem como uma dissertação de mestrado são monografias. Este tipo de texto caracteriza-se pelo tratamento escrito de um tema específico que resulte de uma pesquisa científica e que apresenta uma contribuição relevante para a ciência. Para conhecer a estrutura da monografia é importante consultar uma biblioteca e bancos de dissertações de mestrado que se encontram disponíveis também na Internet. Sempre que lhe for dado um tema para estudo, entre em um site e procure por dissertações de mestrado que abordem o assunto escolhido. VII - Trabalhos de Conclusão de Cursos em Pós-Graduação A pós-graduação, como a própria denominação diz, é todo curso realizado após a graduação, sendo caracterizado por programas de estudo de longa duração, que podem qualificar o graduado em uma determinada área do saber. A finalidade desses programas/cursos é essencialmente a consolidação e o aprofundamento do conhecimento obtido na graduação, e, em instâncias mais avançadas, como o doutorado, o objetivo estende-se à criação de novas ideias, bem como à independência do pesquisador, que se torna capaz de levar adiante pesquisas em torno de temas ainda não levantados sob determinados pontos de vista. A partir da conclusão do doutorado, tem o poder de delegar a outros o desenvolvimento de pesquisas orientando esse desenvolvimento e supervisionando-o. Há dois tipos de pós-graduação: a pós-graduação Stricto Sensu e a pós- graduação Lato Sensu. A primeira é composta por dois tipos de programas: o mestrado e o doutorado. A última caracteriza-se pelos cursos de especialização. Assim, têm-se três possibilidades de pós-graduação: a especialização, o mestrado e o doutorado. O mestrado e o doutorado não devem ser vistos simplesmente como uma continuidade da graduação. Para levar adiante um programa de mestrado ou de doutorado, é necessária vocação para a pesquisa e certa independência (ou muita, no caso do doutorado) na busca pelo conhecimento. O ritmo de estudo é bastante intensivo, e mais difícil de encontrar este tipo de programa em modalidades não presenciais ou semipresenciais. São programas direcionados à formação científica e acadêmica. Já a especialização objetiva mais frequentemente a atuação profissional fora do meio acadêmico, bem como a atualização do profissional do graduado. É possível encontrar com facilidade ótimos cursos de especialização na modalidade EaD. VIII - A Pós-Graduação Lato Sensu: Especialização A principal expectativa daquele que realiza uma especialização é o aprimoramento profissional, com caráter de educação continuada. Tem usualmente um objetivo técnico-profissional específico, não abrangendo o campo total do saber em que se insere a especialidade, e proporcionando um diferencial na formação acadêmica e profissional. Os Trabalhos de Conclusão de Curso são definidos de acordo com as especificidades contidas nos Projetos Pedagógicos de cada curso (monografia, artigo, projeto de intervenção, plano de negócios, de ação etc.) IX - A Pós-Graduação Stricto Sensu: Mestrado e Doutorado A pós-graduação stricto sensu caracteriza-se pela busca de referências, métodos e tecnologias atuais e suas aplicações. A capacidade de redigir textos científicos deve ser desenvolvida e é importante a publicação ou submissão de artigo(s) em reconhecidas revistas especializadas e em congressos, durante e após o curso, o que mostrará a importância da pesquisa. No mestrado, são desenvolvidas habilidades e competências como a produção de conhecimento científico e tecnológico por meio do desenvolvimento de pesquisas aplicadas. Nesta fase da pós-graduação, o aluno é iniciado na pesquisa científica, cursando disciplinas que têm relação com sua pesquisa, e deve desenvolver uma dissertação que versará sobre o tema que escolheu para se aprofundar. Muitas vezes, caracteriza-se pela aplicação de técnicas conhecidas na graduação na resolução de problemas reais. O doutorado poder ter início após a conclusão do mestrado ou da graduação (doutorado direto). A principal diferença entre mestrado e doutorado é o fato de que, no mestrado, não é necessário que o trabalho verse sobre um novo assunto, ou traga uma novidade para o meio científico (embora nada impeça isso), podendo se tratar de um trabalho de aprofundamento ou de aprimoramento de alguma tecnologia ou assunto já conhecidos, enquanto, no doutorado, é necessário que haja inovação, devendo o trabalho ser inédito, apresentado sob a forma de tese. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 148 ) ( 147 ) O doutorando adquire a independência em pesquisa científica, tornando-se, ao final do programa, após a conclusão do trabalho e a defesa da tese, um pesquisador independente, com qualificação para orientar outros estudantes que desejem fazer pós-graduação. X – Roteiro de trabalho Científico: A seguir, apresentamos um roteiro para a elaboração de um Trabalho Científico. Chamamos de Trabalho Científico a monografias ou qualquer “artigo” que queiramos fazer publicar em revista ou apresentar em seminário, também chamado paper. Passos: 1. Tema 2. Hipótesede trabalho 3. Fundamentos teóricos disponíveis 4. Coleta e produção de dados 5. Avaliação de hipóteses, de conjecturas. Conclusões. 1. Tema · indica um problema circunscrito com começo e fim. · bom tema é o mais viável – com o qual se tenha familiaridade. · tema confuso leva a tratamento confuso e perda de tempo, sugere fracasso no percurso. · tema, por si só, não define o percurso do trabalho científico. · Inicia com um trabalho de levantamento de boas perguntas. 2. Hipótese de Trabalho · É uma pergunta aberta, feita para direcionar o percurso. · aponta para algum problema que gostaríamos de enfrentar, alguma pergunta que mereceria resposta, algum objetivo ainda não explorado. · É um pré-lançamento, um “chute” preliminar, seguindo algum “faro”, por isso essencialmente aberto e que pode, depois, em vez de confirmado, ser rejeitado. · Tem a finalidade de orientar o trabalho dentro de certo caminho que imaginamos promissor, permitindo também selecionar bibliografia, conceitos- chave, procedimentos metodológicos. A hipótese é mais que um enunciado, é questionamento. · A hipótese mal feita ou mal definida leva a caminhos variados e mesmo contraditórios. · A hipótese é inventada para sugerir um caminho e lançar luz sobre ele. 3. Fundamentos teóricos disponíveis · Para que servem? Surge da necessidade de arranjar argumentação adequada para sustentar a promessa da hipótese. Recomendações importantes Construir base teórica de caráter explicativo é fundamental · Estudar a bibliografia considerada pertinente, de modo sistemático e reconstrutivo. · Tecer montagem própria da argumentação a partir da leitura. · O mais fundamental é o exercício da argumentação, que pode ganhar em graça se for mais sucinto. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 150 ) ( 149 ) · ( er é, )Sab argumentar portanto, o fator mais decisivo 4. Coleta e produção de dados Em papers, frequentemente apresentam-se dados secundários (os já disponíveis). Podem ser apresentados dados próprios, sobretudo polêmicos, a fim de confrontar paradigmas vigentes. Dados empíricos não resolvem a hipótese, mas corroboram-na. ( Importante! O dado já é, ele mesmo, produto teórico, porque sendo indicador da realidade, indica parte da realidade considerada importante em sua coleta e tratamento. ) 5. Avaliação de hipóteses, de conjecturas. Conclusões. Dizer se a promessa da hipótese se sustenta ou não. Mostra, com detalhe adequado, se o problema assumido no início pode ser resolvido. ( Importante! Não se busca resultados definitivos, mas sim argumentos inteligentes que revelem: capacidade explicativa, habilidade de tecer texto com profundidade, competência metodológica para ordenar tema e oferecer-lhe corpo elaborado. ) 6. Ordenação do trabalho científico PARTE O QUE ABORDA Introdução com breve justificativa sucinta, aproximadamente uma página Tema e hipótese Base Explicativa pode ter vários capítulos não obrigatoriedade de tratamento empírico, embora possa ser útil e explicativo a. teórica: estudo da bibliografia e elaboração teórica própria b. empírica: produção e coleta de dados e devida interpretação Realização da hipótese pode ter vários capítulos mostra que o autor se equipou adequadamente para o tema estabelece relações devidas valida a argumentação Realizar a promessa da hipótese, mostrando se o caminho hipotético pode ou não ser mantido Conclusão sucinta, em uma página apenas revela a descoberta central do trabalho Achado central ( Seção 19: Técnicas Básicas do Discurso e da Oratória. ) Para compreender o que é um TEXTO e como ele se organiza, seria interessante investigar o LUGAR que a palavra TEXTO vem assumindo em nossa vida dentro e fora do meio acadêmico e profissional. Ouvimos diariamente: “leia o texto”, “escreva um texto”, “gostei do seu texto”, “foi publicado um texto no jornal sobre”, “o texto constitucional garante que”, “o texto daquela sentença foi” ... Ouvindo essas expressões, relacionamos TEXTO a uma sequência articulada de palavras escritas que, em maior ou menor extensão, nos permite: · Obter informações; · Expressar o que pensamos; · Dizer do que ou de quem gostamos; · Saber da física, da química, do direito, das leis de uma sociedade, da política; · Aprender geografia e a história do país; · Conhecer o pensamento do colega, do cientista, do poeta, do professor e mais uma infinidade de situações. · E o gesto, o desenho e a fala? O que há em comum para que todos sejam considerados TEXTOS? Vamos refletir juntos! Todos esses textos: · Surgem de uma necessidade: a pessoa (o autor) quer se expressar para se relacionar com outra (ouvinte, leitor, expectador, cliente); · Trazem as marcas do seu autor e do seu destinatário; · Relacionam-se a uma situação; · Formam uma unidade de sentido, pois suas partes relacionam-se umas com as outras; · Mantêm relação com o mundo do autor e do destinatário; · São produzidos com base em um código. O texto verbal é um espaço de diálogo, de interlocução. E, como todo diálogo, necessita de condições para sua existência. Entre essas condições se destacam: a coesão e a coerência, conforme estudado anteriormente. Para lembrar; da COESÃO, depende a organização interna entre as partes do texto; da COERÊNCIA, depende o sentido histórico do texto, o seu conteúdo, que poderá ser ponto de partida e de chegada para o conhecimento de mundo. Assim... um TEXTO resulta das relações de COESÃO e COERÊNCIA que se juntam para constituir uma unidade de sentido. Saiba Mais: · Interlocução: conversação entre duas ou mais pessoas. Todo aquele que produz um texto tem em mente uma pessoa a quem se dirige quando fala, escreve, gesticula, desenha, ou seja, o seu interlocutor. · Coesão: relação de sentido entre os componentes do texto. · Coerência: Relações de sentido do texto com o mundo, isto é, com o contexto externo. · Textos acadêmicos: aqueles que estudamos na seção anterior, ou seja, um conjunto de textos com os quais lidamos, no dia a dia de nossos estudos na universidade, com o objetivo de ampliar nossos conhecimentos científicos sobre determinados assuntos, ou que produzimos para registrar o estudo que realizamos. · Comunicações orais: em Tribunal de Júri, Debates, Seminários etc. Quem participa de atividades onde são necessárias técnicas de sustentação oral usa ARGUMENTOS para defender um PONTO DE VISTA sobre determinado ASSUNTO e quer levar o seu interlocutor e o público ouvinte a PENSAR como ele, ou, pelo menos, a conhecer as razões que o levam a pensar daquela maneira sobre o tema em questão. 152 ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) Ao dedicarmos um momento do curso para pensar sobre essas questões da linguagem, queremos refletir sobre a importância de ter o domínio dos vários usos da língua portuguesa para a realização pessoal, social e para o desempenho profissional. A estas formas, que a sociedade aceita como uma prática de comunicação, chamamos de GÊNEROS TEXTUAIS, assunto que abordaremos especificamente em nossa última seção de estudo. · Comunicação verbal, competência profissional e produtividade: A escolha do gênero textual considera: I. Locutor: quem está produzindo o texto (seus interesses, seus sentimentos e sua capacidade de expressão). II. Interlocutor: para quem o texto está sendo produzido. III. Finalidade: com que finalidade o texto deverá ser produzido: convencer, persuadir. IV. Situação: em que momento: em um Seminário? No Tribunal? V. Intencionalidade: relatar, registrar, informar, tornar público, fundamentar. Em busca da COMUNICAÇÃO eficaz: Vejamos alguns elementos de que NÃO devemos abrir mão quando nos encontramos em uma situação de comunicação no exercício de uma profissão: Esses elementos podem e devem ser identificados nos textos ORAIS e ESCRITOS que produzimos. São eles: I. A objetividade e a concisão: não há excesso de palavras, maior precisão, evita-se informações ou recomendações repetitivase desnecessárias. II. A clareza e a coesão: é preciso que as informações sejam organizadas de tal forma que o leitor ou o ouvinte possam identificar a ordem dos fatos, dos acontecimentos e ações ou, ainda, a construção de um raciocínio. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 154 ) ( 153 ) Podemos afirmar que quando o encadeamento dos enunciados é significativo, existe coesão. A coesão permite ao ouvinte e ao leitor agilidade na compreensão das ideias. Muitos são os elementos que marcam esses encadeamentos: A entonação, as pausas, os silêncios, muitas vezes associados à expressão facial e aos gestos, quando a comunicação é face a face, muito comum em um Tribunal de Júri, por exemplo. São elementos de coesão na comunicação oral. · As conjunções: (mas, também, porém, contudo, ainda que, enquanto, tanto que, e, ou, quando, porque); · os indicadores de tempo e espaço: antes, depois, então, ao lado, acima, em frente, a seguir, entre outros); · as formas verbais do passado, presente e futuro; · a combinação dos tempos verbais; · os marcadores de gênero e de número; · os itens (títulos e subtítulos) e os sinais de pontuação são elementos linguísticos que estabelecem a coesão, isto é, a conexão entre termos, ideias e contribuem para que o texto oral ou escrito tenha progressão e se constitua em um todo significativo. III. A coerência e a adequação: os textos são produzidos a partir de diferentes INTENÇÕES. Entre elas podemos destacar: informar, explicar, programar, orientar, convencer, discordar, ordenar, direcionar, esclarecer, pedir, motivar ações, provocar reações entre outros atos que se realizam na e pela LINGUAGEM. · A importância da Boa Linguagem e A Linguagem e a vida Social. É pela posse e pelo uso da linguagem, falando oralmente ao próximo ou mentalmente a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado e nítido. Aperfeiçoar a capacidade de pensar, isso não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas também das circunstâncias de que o indivíduo dispõe da língua a serviço de todo o seu trabalho de atividade mental. É quase exclusivamente pela linguagem que nos comunicamos uns com os outros na vida social. Funções primaciais e incontestáveis da linguagem: possibilitar o pensamento em seu sentido lato e permitir a comunicação ampla do pensamento elaborado. · A comunicação jurídica: Processo comunicativo que visa à promoção do Direito. Comunicação marcada pela linguagem jurídica. Desafios: 1. Dominar recursos verbais e não verbais (para) 2. Transformar ideias em texto (a fim de) 3. Apresentá-las de forma clara (e) 4. Convencer e persuadir o receptor (debatedor/plateia/banca examinadora). REPERTÓRIO: Experiência de vida, informações assistemáticas e formação: familiar, cultural, religiosa, acadêmica, profissional etc. ( Visão particular de mundo : forma como o sujeito interpreta os fatos a sua volta e age sobre o mundo. Contexto : Circunstâncias determinantes do sentido de um texto. Condições de produção do discurso. Intertexto : Relação entre os textos, referências e citações e ideologia. ) · O que deseja a comunicação jurídica? Intencionalidade: relatar, registrar, informar, tornar público, fundamentar etc. (no âmbito da legalidade). Finalidade: Convencer e persuadir – Convencimento: racionalidade. Persuasão: emoção. · A comunicação jurídica é uma construção lógica. Lógica formal e raciocínio dedutivo; Coesão e coerência: I - Na expressão escrita; II - Na expressão oral. · Conceito de boa linguagem em seu sentido lato: I. Adequação ao assunto pensado; II. Predicado estético que nos convida a encarar com boa vontade o pensamento exposto; III. Uma adaptação inteligente e sutil ao ideal linguístico coletivo, o que importa no problema da correção gramatical em seu sentido estrito. IV. Nitidez e o rigor da expressão do pensamento; V. Precisão lógica da exposição linguística; ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 156 ) ( 157 ) VI. Qualidade que empolga ou seduz, predispondo a razão a se fixar no que lhe é exposto e a se deixar convencer, ou seja, o efeito retórico. VII. Finalmente a correção gramatical, pois evita que se afronte um sentimento linguístico enraizado. · Marcas de oralidade desejáveis: Mudanças de entonação e ritmo da fala. Repetição de palavras a favor de uma ideia. Recorrência a vocabulário e formas verbais mais simples. Presença de pausas retóricas. Em cada situação de comunicação podemos ressaltar que existem inúmeros fatores que interferem na escolha do modo de falar da pessoa e de grupos sociais (profissionais liberais, religiosos, políticos, educadores, artista, jovens, idosos, cientistas, desportistas, acadêmicos entre outros. A função social que a pessoa ocupa no momento em que fala e a sua motivação interferem na seleção que faz de enunciados, de palavras, na entonação, no ritmo, sinalizando seu modo próprio de expressar sua opinião, seus argumentos, seus sentimentos e suas convicções. O domínio que cada pessoa tem das técnicas de falar de acordo com a situação de comunicação lhe permite variar, modificar ou adequar sua fala e escrita de modo que atinja os seus objetivos nas relações diárias. A linguagem corporal não está presente apenas nas expressões artísticas. Em cada situação de comunicação oral que se realiza de maneira formal ou informal constata-se que o tom e o volume da voz, o movimento corporal, os gestos, a expressão facial e o deslocamento do olhar se complementam para motivar e manter o interesse dos interlocutores. · Planejamento de uma exposição oral: É a etapa mais importante de uma exposição oral. O primeiro passo é levantar informações sobre todos os fatores envolvidos no evento. Busque respostas para as seguintes perguntas: 1 – Quanto ao público: qual é o nível de conhecimento sobre o tema? São leigos ou sabem tanto quanto você? Que motivações eles têm para assistir à sua exposição? Quais tópicos são mais relevantes? 2 – Quanto ao tema: o que você já sabe sobre o tema? Quais informações falta levantar? Que recorte deve ser feito levando em conta o perfil e os interesses do público? 3 – Quanto ao momento e ao lugar da apresentação: de quanto tempo você disporá? De que tipo de evento se trata? Você é o único expositor ou há outros? Em que momento será sua exposição – no início, quando o público ainda precisa ser “aquecido”, ou no final, quando ele já está um pouco cansado? Será possível usar materiais de apoio, tipo PowerPoint ou vídeos? 4 – Quanto à abordagem: deve ser mais descontraída ou séria? Mais profunda ou superficial? Mais emocional ou técnica? ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 160 ) ( 159 ) · As etapas de uma exposição oral: A exposição oral costuma ter sete etapas: 1 – Abertura: cumprimenta-se o público; 2 – Introdução: apresentação do assunto a ser tratado, o recorte e a abordagem, justificando o porquê de cada escolha. Pode-se indicar quais informações serão apresentadas e em que ordem, ou seja, fornecer à plateia um plano geral da exposição que será feita. 3 – Desenvolvimento: esta é a fase mais longa, em que o expositor discorre sobre o assunto ou tema. 4 – Recapitulação e síntese: ao fim da explanação, o expositor deve retomar os principais pontos abordados e formular uma síntese. 5 – Conclusão: este é o momento para o expositor deixar sua “mensagem” final ao público. 6 – Participação do público: nesta etapa (que nem sempre ocorre), abre-se espaço para a audiência manifestar suas dúvidas e comentários. 7– Encerramento: Agradecimento e despedida cordial · Ensaio para a apresentação oral: Ensaiar é bom para todos que vão falar em público. Quando tiver decidido o plano geral da exposição, verifique os seguintes pontos: 1 – A altura da voz: não pode ser alta nem baixa demais. 2 – O ritmo e a entonação: de maneira geral, você não deve falar devagar demais, a ponto de parecer hesitante ou disperso, nem rápido demais, a ponto de se tornarininteligível. Igualmente importante é evitar o discurso monocórdico, isto é, aquele em que o ritmo e a entonação são sempre iguais. Esse tipo de fala não apenas irrita como desorienta os espectadores, já que não permite distinguir entre informações principais e secundárias. O ideal é utilizar o ritmo e as inflexões da voz para acompanhar a própria exposição das ideias, imprimindo maior vigor às palavras ou expressões mais importantes. 3 – O tempo: cronometre a gravação para certificar-se de que está dentro dos limites de tempo. Se sua apresentação estiver muito mais curta ou longa do que o tempo disponível, talvez seja necessário repensar a quantidade de informações apresentada. 4 – A linguagem corporal: este é um dos pontos cruciais na apresentação oral. Não mantenha as mãos no bolso nem atrás do corpo; elas devem ficar livres e relaxadas e acompanhar o ritmo da apresentação. 5 – A fala em si: é fundamental evitar os cacoetes ou vícios linguísticos, tais como: “né?”, “tá?”, “veja só” etc. Veja se está conseguindo elaborar frases completas e bem articuladas. A falta de linearidade, as repetições e as hesitações são admissíveis na oralidade, mas não podem ser frequentes a ponto de deixar sua apresentação desconexa e difícil de acompanhar. Outro aspecto essencial é a obediência à norma padrão: lembre-se de que deslizes nesse sentido podem comprometer a credibilidade da apresentação. Do mesmo modo, evite gírias ou expressões coloquiais (cara, legal, maneiro, tipo assim, etc.) pois elas denotam imaturidade. 6 – Referências ao material de apoio: Avalie se está fazendo um bom uso do material de apoio. O ensaio é um bom momento para avaliar se há informações demais ou de menos nos slides. 7 – A coesão entre as partes: não é só o texto escrito que precisa de “costuras”. Todos aqueles mecanismos coesivos que estudamos anteriormente devem estar presentes também na exposição oral. Em tempo: Esperamos que os estudos até aqui propostos possam contribuir para a sua construção da aprendizagem no que se refere à importância da comunicação no contexto profissional. Esperamos, ainda, que de forma gradativa, você amplie sua capacidade de se comunicar, sendo capaz de adequar a sua linguagem – oral e escrita – aos diferentes campos de atuação. ( Seção 20: Tipos e Gêneros Textuais: Semelhanças e Diferenças ) O ser humano, ávido por relacionar-se, utiliza diversas formas de interação para expressar seus sentimentos, emoções, valores e pensamentos. Dessa forma, faz uso dos gêneros textuais, sejam eles orais ou escritos. Por gêneros textuais entende-se, assim, as ações discursivas, inseridas em um contexto social, que permitem que as pessoas atuem no mundo de forma direta ou indireta. Os gêneros surgem pela necessidade de comunicação de um grupo social, por isso podemos dizer que todo texto que circula socialmente em nosso contexto de vida, de trabalho, social etc., é um gênero textual. Ele é uma espécie de “ferramenta” que utilizamos em determinadas situações de comunicação. Podemos citar, por exemplo, para ilustrar o que falamos, o aparecimento dos gêneros textuais advindos das tecnologias de comunicação e informação, dos gêneros praticados na WEB, tais como os blogs, as redes sociais, como o Facebook, o Twitter, entre outros. A esses gêneros, chamamos de gêneros textuais digitais. Os gêneros textuais envolvem inúmeras situações concretas de comunicação que são definidas pelos elementos da comunicação humana que estudamos no início deste material de estudo. São elementos que permitem a comunicação: o emissor, o receptor ou destinatário, o canal, o referente, o código, a mensagem; bem como finalidade e a intencionalidade do usuário da língua. Sendo assim, a escolha de um ou outro gênero escolhido pelo usuário depende do momento histórico, de quem o está produzindo, a quem ele é destinado, da finalidade dessa produção, em que momento histórico etc. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 162 ) ( 161 ) Nesta seção, veremos um pouco sobre as tipologias textuais e os gêneros textuais recorrentes em nossa comunicação diária. Assim, se a intenção de um locutor é contar um fato, real ou imaginário, ele opta por produzir um texto, verbal ou visual, que apresente em sua estrutura, o fato, as pessoas ou personagens que o vivenciaram, o momento e a época em que o fato ocorreu. Se a intenção for a de opinar sobre um fato, ele produzirá um texto que se organize em torno de argumentos, pois sua finalidade é convencer seu interlocutor. Se a intenção for transmitir conhecimentos, ele deverá produzir um texto que exponha os saberes e seja capaz de construí-lo de forma eficiente. I - Classificação de textos Ao longo de nossa vida, tomamos contato com os mais variados tipos e gêneros textuais. Os textos desempenham papel fundamental em nossa vida social. Como as situações de comunicação em nossa vida são inúmeras, inúmeros também são os gêneros textuais a que temos acesso. São eles: bilhete, carta, e-mail, receita, horóscopo, piada, romance, conto, crônica, poesia, revistas, editoriais de jornais, propaganda, texto didático, resenha, bula de remédio, aula expositiva, ata de reunião, lista de compras, telefonema, entre outros. Um dos primeiros passos para uma competente leitura do texto é a identificação do gênero textual em questão. Veja alguns exemplos: a) Carta pessoal: o texto deve ser breve e pessoal. Sua estrutura é composta de local e data, vocativo, corpo e assinatura. A linguagem pode variar de acordo com a intimidade dos interlocutores, podendo ser formal, culta ou coloquial. b) Bula de remédio: este texto apresenta partes bem definidas. Geralmente traz a composição do medicamento, informações ao paciente, informações técnicas, indicações, contraindicações, precauções e advertências, reações adversas, posologia, o nome do médico responsável e do laboratório. c) Texto instrucional: é aquele encontrado nos manuais de instrução, o qual prescreve etapas e indica procedimentos para a realização de tarefas. d) Biografia: é o texto que conta a história de vida de uma pessoa. e) Verbete de dicionário: o texto de um verbete, enciclopédia e glossário traz o conjunto de definições, exemplos e abonações relativas a um vocábulo. f) Entrevista: é aquele que procura registar o depoimento de uma pessoa que esteja relacionada a algum acontecimento importante ou atual. g) Editorial: é o texto de caráter opinativo e publicado sem assinatura. Sua estrutura é idêntica ao texto dissertativo. Através do editorial, os editores opinam sobre diversos assuntos, principalmente os atuais e os polêmicos. h) Crônica jornalística: o objetivo de uma crônica jornalística é, geralmente, criticar a sociedade e a política com humor e ironia. Seus temas são acontecimentos do cotidiano. i) Carta do leitor: esse tipo de texto é encontrado em jornais ou revistas. Nele, o leitor manifesta seu ponto de vista falando sobre os acontecimentos do dia a dia. j) Divulgação científica: o texto de divulgação científica tem por finalidade divulgar as grandes descobertas no campo da ciência. Seu texto deve conter um vocabulário preciso, frases curtas e objetividade. k) Twitter: uma rede social em que os participantes relatam mensagens bastantes curtas, compartilhando com seus seguidores o que estão pensando ou fazendo. l) Chat: é uma conversa em tempo real, por meio da escrita, com interlocutores localizados em diversas regiões do mundo. Este tipo de texto possibilita uma rápida comunicação sem que haja necessidade de deslocamento. Assim, é possível trocar informações, fazer cursos, promover debates, participar de eventos ou mesmo realizar consultas nos setores de atendimento ao consumidor. m) Hipertexto: é uma espécie de texto multidimensional em que, numa página, trechos de textos se intercalam com referências a outras páginas. II – Agrupamentos dos gêneros textuais: Os gêneros textuais podem ser agrupados a partir das capacidades de linguagem dominantes dos sujeitos nas seguintes ordens: relatar, narrar, argumentar, exporPara isso, incluem-se os gestos, as feições, as imagens e sinais de trânsito. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 16 ) ( 17 ) · Esquema de Comunicação proposto por Roman Jakobson: Figura 2: Esquema de Comunicação de Jakobson · Emissor = chamado também de locutor ou falante, o emissor é aquele que emite a mensagem para um ou mais receptores, por exemplo, uma pessoa, um grupo de indivíduos, uma empresa, dentre outros. · Receptor = denominado de interlocutor ou ouvinte, o receptor é quem recebe a mensagem emitida pelo emissor. · Mensagem = é o objeto utilizado na comunicação, de forma que representa o conteúdo, o conjunto de informações transmitidas pelo locutor, por isso. · Canal de comunicação = corresponde ao local (meio) onde a mensagem será transmitida, por exemplo, jornal, livro, revista, televisão, telefone, dentre outros. · Código = representa o conjunto de signos que serão utilizados na mensagem. · Contexto = Também chamado de referente, trata-se da situação comunicativa em que estão inseridos o emissor e receptor. · Funções da Linguagem: Tomando por base essa compreensão do processo de comunicação, Jakobson propõe uma análise da linguagem a partir de suas funções. Essas funções vão ser identificadas segundo o papel de cada um dos elementos do esquema de comunicação. São funções da linguagem, de acordo com ele: 1 – Função expressiva – centrada no emissor 1 – Função conativa – centrada no receptor 2 – Função referencial – centrada no referente ou contexto 3 – Função fática – centrada no canal 4 – Função poética – centrada na mensagem 5 – Função metalinguística – centrada no código Figura 3: Elementos e funções da linguagem segundo Roman Jakobson ( Seção 3 - Noção de Discurso: O ensino da leitura e da escrita no Cotidiano. Conceitos básicos sobre análise do discurso e seus impactos. ) A concepção que temos é a da língua como atividade discursiva. O discurso pode ser compreendido como a linguagem posta em ação – ou seja – o uso que as pessoas fazem da linguagem na interação com outras pessoas, num determinado contexto social. Ao adotar essa perspectiva, o ensino da escrita e da leitura se coloca como orientação para o aluno de como interagir em contextos específicos por meio da linguagem, mais do que o estudo do conjunto de elementos constitutivos da língua. A produção de textos – falados e escritos – passa a ser percebida como instrumento para dar sentido aos objetivos da comunicação. Portanto, o ensino da leitura e da escrita é o ensino das estratégias de leitura e construção dos textos de acordo com as intenções comunicativas de seus autores. A produção da escrita é pertinente a uma prática social. Na sociedade contemporânea os indivíduos atuam no mundo e sentem necessidade de comunicar suas ideias e mensagens aos outros. A produção de textos, no laboratório textual ou em oficinas, possibilita ao sujeito produtor do texto que expresse seus pensamentos, seus pontos de vista e construa seus argumentos sobre determinado assunto, em suas comunicações diárias, quer escrita ou quer falada. O produtor do texto, na construção de suas mensagens, deverá levar em consideração, segundo Ingedore Koch (op. cit), as inter-relações que são essenciais para garantir a coerência de um texto. Vejamos: Você deverá ler, compreender e interpretar as inúmeras obras, revistas, filmes que circulam em seu cotidiano. Esses procedimentos de LEITURA são eficazes para o bom desempenho da ESCRITA e o desenvolvimento das habilidades de escrever, de argumentar, de pensar e de fundamentar seu ponto de vista na organização discursiva em diferentes modalidades: escrita ou falada. Outro fator importante para interpretação de um texto é a inferência. ( Inferência: é a dedução, a interpretação pelo raciocínio baseada em indícios, ou seja, inferência é opinião. ) A produção da escrita está atrelada à produção da leitura, facultando ao leitor, pelo contato com textos escritos diversificados e pelas inúmeras leituras, um bom desempenho em suas produções textuais. Tais leituras possibilitam internalizar novos conhecimentos e desenvolver habilidades na organização discursiva, assim, a convivência com o universo de leituras levará o sujeito leitor ao efetivo domínio da escrita. Pode-se levar em consideração que, por meio da leitura, teremos o acesso à informação, além de favorecer um exercício de reflexão e análise das questões sociais, tornando a pessoa mais crítica e conhecedora de si e do outro. Observe o esquema a seguir: Explicando: O esquema anterior sintetiza o processo da produção da escrita e das atividades comunicativas; requer do sujeito produtor de textos uma leitura (informação) em que ele tenha compreensão e interpretação de suas leituras, com isso poderemos afirmar que o ato de escrever exige: o pensar e o refletir sobre algo, além de estimular “o criar”, o produzir de novos textos e de novas mensagens. Esse processo resulta na construção de diversos gêneros textuais (bilhete, carta pessoal, carta comercial, telefonema, notícia jornalística, editorial de jornais e revistas, atas, resenha etc.) e visa promover ainda, a interação social entre os indivíduos. · Noções preliminares de Análise do Discurso A Análise do Discurso é o estudo em que se verifica a intenção presente na comunicação por meio da linguagem. É uma prática muito estudada no campo da Linguística, da Comunicação e de diversas áreas afins do conhecimento humano (Sociologia, Psicologia, Psicanálise, Direito, História). São várias as leituras possíveis de um texto. A Análise do Discurso busca então entender a intenção do texto por ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 22 ) ( 21 ) meio de uma relação entre autor e contexto empregado. Esse tipo de análise surgiu na França, nos anos sessenta do século vinte, e focou seu interesse na intenção do discurso. O Discurso: Discurso é uma exposição metódica sobre determinado assunto que objetiva influenciar o leitor ou o ouvinte. Sabe-se que as palavras transmitem informações explícitas e implícitas. O texto não deve ser analisado apenas em sua expressão sintática e semântica dos vocábulos. Há uma intenção por parte do autor que muitas vezes não se mostra claramente. Saber interpretar adequadamente essas intenções do discurso em suas diversidades é uma técnica que interessa a diversos profissionais e acadêmicos. Assim, a Análise de Discurso (mais conhecida como AD nos meios acadêmicos relacionados à linguagem) apresenta-se como uma disciplina cada vez mais presente no cenário das ciências humanas. Para saber mais: A linguagem é uma atividade humana que nos exige várias competências. Uma competência situacional, pois não há ato de linguagem que se produza fora de uma situação de comunicação. Isso nos obriga a levar em consideração a finalidade de cada situação e a identidade daqueles que se acham implicados e efetuam trocas entre si. Uma competência semiolinguística que consiste em saber organizar a encenação do ato de linguagem de acordo com determinadas situações (enunciativa, descritiva, narrativa, argumentativa) e, enfim, A competência semântica que consiste em saber construir sentido com a ajuda de formas verbais (gramaticais ou lexicais), recorrendo aos saberes de conhecimento e de crença que circulam na sociedade, levando em conta os dados da situação de comunicação e os mecanismos de encenação do discurso. Esse conjunto de competências constitui o que se chama de competência discursiva, e é fazendo-a funcionar que se produzem atos de linguagem portadores de sentido e de vínculo social. ( Seção 4- Metodologia da leitura – Técnicas Básicas de leitura e Interpretação de Textos ) A demanda pela leitura e pelo domínio da linguagem escrita é cada vez maior. Nos últimos anos, as exigências impostas aos profissionais que procuram emprego são maiores. Exige-se do candidato as mais diversas funções, que demonstre, por exemplo, domínio da língua portuguesa, que seja um bom ouvinte, quee descrever ações ou instruir / prescrever ações. (Schneuwly, Dolz e colaboradores (2004, p 60-61)). a) relatar: volta-se à documentação e memorização de ações humanas. Mostra experiências vividas, situadas no tempo (relato, notícia, diário, reportagem, crônica esportiva, biografia etc.) b) narrar: representa uma recriação do real. Isso pode ser visualizado na literatura ficcional (conto, conto fantástico, conto maravilhoso, romance, fábula, apólogo etc.) c) argumentar: diz respeito à discussão de problemas controversos. O que busca é a sustentação de uma opinião ou sua refutação, tomando uma posição (debate, editorial, carta argumentativa, artigo d eopinião, discurso de defesa, carta de leitor etc.) d) expor: refere-se à apresentação e construção de diferentes formas dos saberes (texto explicativo, artigo científico, verberte, seminário, palestra, entrevista de especialista etc.) e) descrever ações ou instruir / prescrever ações: diz respeito às normas que devem ser seguidas para atingir algum objetivo (instruções e prescrições). Indica a regulação mútua de comportamentos (receita, manual de istruções, regulamentos, regras de jogo etc. Há uma classificação que, por revelar-se útil, tanto para a produção quanto para a leitura, enraizou-se na tradição escolar. Trata-se do AGRUPAMENTO dos textos nos seguintes tipos: narrativos, descritivos, dissertativos (argumentativo, expositivo, explicativo) e injuntivos ou instrucionais, textos dialogais/conversacionais. ( Injuntivo: que exprime uma ordem ao interlocutor para executar ou não uma determinada ação. ) Antes de tudo, é preciso deixar claro que esses tipos de textos não são encontrados em estado puro, ou seja, essencialmente, descritivos, narrativos e dissertativos. Esses tipos de textos podem alternar-se num mesmo texto. Isso não impede que, por razões didáticas, estudemos cada uma dessas classes separadamente. No tópico seguinte, estudaremos cada tipo de texto mencionado acima e suas principais características. Vamos lá? II - Tipologia Textual A narração: Uma das atividades mais comuns da comunicação humana é o ato de narrar. Desde a infância ouvimos histórias de fadas, de monstros, de bichos, de anjos que aparecem, de diabinhos que assustam, de Deus que castiga ou perdoa, de nossos antepassados, de nosso presente. Histórias reais ou fictícias. Ouvimos tantas histórias que vamos criando o nosso imaginário, o nosso mundo fantástico, que para nós é real também, pois é através de sua simbologia que vamos entrando na realidade: os nossos primeiros contatos com o mundo. Aprendemos mais tarde a contar histórias: verídicas e inventadas. Histórias que nos contaram. Histórias que presenciamos. Histórias que vivenciamos. Histórias, enfim. Aprendemos a separar as histórias verdadeiras das imaginadas, ou misturá- las até para tornar a vida mais agradável e suportável. O imaginário popular está repleto de histórias incríveis que nos envolvem para sempre, marcam momentos, lembram lugares, pessoas e situações. Com elas, rimos e choramos, passamos o tempo, refletimos sobre a vida e o destino do homem. O que contém essa forma de comunicação que tanto nos fascina? Basicamente, um relato de ações praticadas vividas por personagens durante um período de tempo, em algum lugar: ações reveladoras de um conflito. Dessa forma, é possível dizer que a narração possui os seguintes elementos estruturais: narrador, personagens, tempo, lugar/espaço, fato, causa, modo e consequência. 1. Narrador: é aquele que narra alguma coisa; 2. Personagens: quem participou do ocorrido ou o observou; 3. Tempo: quando o fato ocorreu; 4. Lugar, espaço ou ambiente: lugar onde a trama se desenvolve; 5. Fato: aquilo que se vai narrar; 6. Causa: o motivo que determinou a ocorrência; para se achar a causa, pergunta-se por quê? 7. Modo: como se deu o fato; 8. Consequência: o que aconteceu em razão disso. Explicando: Assim, depois de escolher o tipo de narrador (em 19 pessoa), narrador- personagem, que participa da ação, que se inclui na narrativa, ou narrador (em 39 pessoa), narrador-observador, que não participa da ação, ou seja, não se inclui na narrativa; qualquer texto narrativo conta um fato que se passa em determinado tempo e lugar, pois a narração só existe na medida em que há ação; esta ação é praticada pelos personagens. Observação: Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de tal forma, que não é possível compreendê-los isoladamente, como simples exemplos de uma narração. Há uma relação de implicação mútua entre eles, para garantir coerência e verossimilhança à história narrada. Vamos observar um exemplo de uma narração sobre um incêndio. O incêndio Ocorreu um pequeno incêndio na noite de ontem, em um apartamento de propriedade do Sr. Marcos da Fonseca. No local habitavam o proprietário, sua esposa e seus dois filhos. Todos eles, na hora em que o fogo começou, tinham saído de casa e estavam jantando em um restaurante situado em frente ao edifício. A causa do incêndio foi um curto-circuito ocorrido no precário sistema elétrico do velho apartamento. O fogo despontou em um dos quartos que, por sorte, ficava na frente do prédio. O porteiro do restaurante, conhecido da família, avistou-o e imediatamente foi chamar o Sr. Marcos. Ele, mais que depressa, ligou para o Corpo de Bombeiros. Embora não tivessem demorado a chegar, os bombeiros não conseguiram impedir que o quarto e a sala ao lado fossem inteiramente destruídos pelas chamas. Não obstante o prejuízo, a família consolou-se com o fato de aquele incidente não ter tomado maiores proporções, atingindo os apartamentos vizinhos. ( Narração objetiva: impessoal e direta Narrador em 3ª pessoa: não toma parte da história. No 1º parágrafo estão a apresentação dos personagens principais, o fato narrado, o tempo e o lugar . (introdução) No 2º parágrafo estão a causa do fato e o modo como tudo aconteceu. (desenvolvimento) No 3º parágrafo: as consequências do fato (conclusão). )Análise do texto: Para saber mais sobre narração, veja: ( GRANATIC , Branca. Técnicas Básicas de Redação . São Paulo: Scipione, 2001 Coleção Anglo . São Paulo: Anglo, 1990-1991. Vários autores. Livros-texto. INFANTE , Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação . São Paulo: Scipione, 1998. ) 1. A Descrição Descrição é o tipo de texto em que se expõem características, de seres concretos (pessoas, objetos, situações, etc.) consideradas fora da relação de anterioridade e de posterioridade. A descrição representa cenas, objetos, paisagens, pessoas etc., mostrando seus traços característicos. As características do texto descritivo são: a) é figurativo – artístico, imagético b) não relata mudanças de situação, mas propriedades e aspectos simultâneos dos elementos descritos, considerados, pois, numa única situação. c) como o que se reproduz numa descrição é simultâneo, não existe relação de anterioridade e posterioridade entre seus enunciados. A característica fundamental de um texto descritivo é a inexistência de progressão temporal, isto é, que o que se expõe seja simultâneo e que não se possa, portanto, considerar um enunciado anterior a outro. Pode-se apresentar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que eles sejam sempre simultâneos, não indicando progressão de uma situação anterior para outra posterior. Uma das marcas linguísticas da descrição é o predomínio de verbos no presente ou no pretérito imperfeito do indicativo. O primeiro expressa concomitância em relação a um marco temporal pretérito instalado no texto. Segundo Ribeiro (2004, p. 409), o texto descritivo “representa cenas, objetos, paisagens, pessoas mostrando seus traços característicos. Na descrição de pessoas, procura-se focalizar a maneira de vestir, andar, os traços fisionômicos, gestos, palavras, caráter, pensamento”. Havendo, assim, uma mistura de descrição objetiva e descrição subjetiva,que examinaremos mais detalhadamente a seguir. Para transformar uma descrição numa narração, bastaria introduzir um enunciado que indicasse a passagem de um estado anterior para um posterior. Outras considerações sobre a Descrição: 1. Deve-se entender por objeto descrito o ser, o objeto (coisa em si), ambiente, espaço, situação, enfim, qualquer elemento que seja apreendido pelos sentidos e transformado, com palavras, em imagens. 2. Se o sujeito da descrição tentar passar a imagem do objeto mais pelo objeto em si, temos a descrição objetiva (objetividade relativa). Há, neste caso, certo distanciamento entre o sujeito e o objeto. Se o sujeito incorpora o objeto e o absorve em sua visão pessoal, temos a descrição subjetiva. 3. Ao descrevermos, fazemos uso da enumeração. Enumeramos características, comparações, metáforas, enfim, inúmeros elementos sensoriais. As personagens podem ser caracterizadas física e psicologicamente, ou pelas ações. 4. É impossível separar narração de descrição, pois toda a matéria narrada ocorre em um espaço ou ambiente descritos com uma funcionalidade e envolve personagens adequadamente caracterizadas. Esses elementos estruturais constituem uma forma narrativa. É comum em histórias, que o conflito venha indiciado pela oposição das características das personagens ou que os ambientes contenham elementos reveladores de traços psicológicos das personagens envolvidas na trama. 5. A descrição também pode ser considerada um dos elementos constitutivos da dissertação e da argumentação, geralmente explicitado no processo argumentativo em forma de exemplos da realidade ou dados concretos para firmar a tese que se defende. Esse recurso será tão funcional quanto maior for o grau de impessoalidade com que se caracteriza o objeto a ser empregado como argumento. Exemplos: a) “Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. (...) Mas que talento tinha para a crueldade. Ela era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo”. (Clarice Lispector) (Descrição objetiva) b) “Ao entrar na sala daquele casarão antigo, tem-se, de início, uma desagradável sensação de abandono e de uma certa tristeza. As paredes, já quase sem cor devido à ação do tempo, as duas janelas fechadas, com suas venezianas carcomidas, situadas na parede oposta à porta, também velha, davam a quem lá chegava a impressão de estar adentrando um museu abandonado. O chão já sem brilho e o teto no qual havia um lustre luxuoso, mas empoeirado e com poucas lâmpadas em funcionamento, confirmavam a impressão inicial. Sentia-se também no ar o odor dos tapetes embolorados”. (Descrição subjetiva) Para saber mais sobre esse assunto, veja: ( GRANATIC , Branca. Técnicas Básicas de Redação . São Paulo: Scipione, 2001 Coleção Anglo . São Paulo: Anglo, 1990-1991. Vários autores. Livros-texto. INFANTE , Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação . São Paulo: Scipione, 1998. ) 2. A Dissertação A dissertação é um tipo de discurso em que o enunciador delimita um tema dentro de uma questão ampla (assunto), para defender seu ponto de vista, apoiando-se em dados convincentes. Ao defender seu ponto de vista, o enunciador analisa, questiona, critica ideias que expressam visões a respeito do mundo, da realidade em que todos estão inseridos. O mundo produtor de ideias é extremamente dinâmico, tem um passado e um presente que apontam para o futuro. As ideias não nascem do nada: surgem da observação que o sujeito faz do objeto e da análise de outras observações sobre o objeto-mundo. Tudo isso constitui linguagem. Todo sujeito tem condições de assumir um ponto de vista a respeito de várias questões, ainda que sejam limitados seus conhecimentos sobre um universo de ideias. Evidentemente, ele pode ser um mero repetidor de opiniões coletivas ou, ao contrário, uma voz que se destaca do consenso por assumir um posicionamento singular. O texto dissertativo põe em foco o assunto em que vários temas se inserem. Estes, por serem de natureza mais particularizada, exigem um desenvolvimento que especifique e analise o problema que eles encerram. Um mero reprodutor de ideias nada acrescentará às polêmicas naturalmente criadas pela multiplicidade de visões de mundo. Já o sujeito crítico-analítico manterá com elas relações de concordância ou discordância, às quais adicionará sua visão. Parágrafo Argumentativo Nos textos argumentativos, os parágrafos são estruturados em torno de uma ideia normalmente apresentada em sua introdução, desenvolvida e reforçada por uma conclusão. Exemplo: “É de conhecimento geral que a qualidade de vida nas regiões rurais é, em alguns aspectos, superior à da zona urbana, porque no campo inexiste a agitação das grandes metrópoles, há maiores possibilidades de se obterem alimentos adequados e, além disso, as pessoas dispõem de maior tempo para estabelecer relações humanas mais profundas e duradouras.” (Granatic, Branca. Técnicas Básicas de Redação. Editora Scipione, 1995, p.81) A ideia-núcleo ou tópico é apresentada logo no início e desenvolvida por meio de ideias complementares ou argumentos. Veja o esquema: Parágrafo da introdução: Tema: qualidade de vida no campo + argumento: 1 = porque no campo inexiste a agitação das grandes metrópoles + argumento 2 = há maiores possibilidades de se obterem alimentados adequados, + argumento 3 = além disso, as pessoas dispõem de maior tempo para estabelecer relações humanas mais profundas e duradouras. Fonte: Granatic, Branca. Técnicas Básicas de Redação, p.81) Os parágrafos nos textos argumentativos escolares: Os textos argumentativos escolares costumam ser estruturados em quatro ou cinco parágrafos (um para a introdução, dois ou três para o desenvolvimento e um para a conclusão). Dependendo do texto proposto e a abordagem que se dê a ele, poderá haver variações. Mas o fundamental é que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em parágrafo (cada um correspondendo a uma ideia que se queira desenvolver), tem a função de facilitar para quem escreve, tornando o texto mais coeso e coerente. ( 173 ) Exemplo: Leia o texto abaixo. O Campeão da Desigualdade 1º parágrafo – INTRODUÇÃO Trazendo de seu processo histórico contradições profundas e alimentando, atualmente, os grandes desníveis sociais, o Brasil tem recebido, em primeiro lugar, o prêmio da desigualdade. (A) Violência urbana, analfabetismo, exploração de crianças, miséria, falência da saúde pública e do ensino compõem um triste quadro. (B) Um lamentável quadro presente em todos os discursos políticos. Alguns com propostas mirabolantes para a salvação da pátria; outros, tímidos. Mas sobre todos pairam dúvidas quanto ao pragmatismo das soluções ou quanto à sinceridade dos proponentes. (C) Enquanto as soluções não saem do papel ou da fala mansa dos políticos, o monstro da desigualdade vai se agigantando: O Brasil tem um parque industrial que vem se modernizando, mas possui mais de 10 milhões de analfabetos funcionais; está entre as 10 primeiras economias mundiais, mas 32 milhões de brasileiros vivem em estado de miséria absoluta. (D) O país “viável”, que almeja um futuro brilhante, deve, com urgência urgentíssima, estancar esse processo de desníveis gritantes e criar soluções eficazes para combater a crise generalizada (E), pois a uma nação doente, miserável e semianalfabeta não compete a tão sonhada modernidade. (F) (adaptado de um editorial da Folha de São Paulo) A. Tema: O Brasil é o campeão da desigualdade. Contextualização: decorrência de um processo histórico problemático e dos grandes desníveis sociais. 2º e 3º Parágrafos – DESENVOLVIMENTO B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que remetem a uma análise do tema em questão. C. Argumento 2: Considerações a respeitode outro dado da realidade – coloca-se sob suspeita a sinceridade de quem propõe soluções. D. Argumento 3: Uso do raciocínio lógico de oposição. 4º Parágrafo: CONCLUSÃO E. Uma possível solução apresentada. F. Apoiando-se no raciocínio lógico de oposição, o texto conclui que desigualdade não se casa com modernidade. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) A estrutura dissertativa que possui introdução, desenvolvimento e conclusão é conhecida como ortodoxa, ou seja, conformidade absoluta com um certo padrão, norma ou dogma. ( Para saber mais sobre esse assunto veja: GRANATIC , Branca. Técnicas Básicas de Redação . São Paulo: Scipione, 2001 Coleção Anglo . São Paulo: Anglo, 1990-1991. Vários autores. Livros-texto. INFANTE , Ulisses . Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação. São Paulo: Scipione, 1998. ) Resumindo: III - CARACTERÍSTICAS DOS TIPOS TEXTUAIS · São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência narrativa: relato, crônica, conto, romance, fábula, contos de fada, piada, etc. · São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência descritiva: autorretrato, folheto turístico, anúncio de classificado, cardápio, lista de compras, etc. · São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência explicativa ou expositiva: textos de divulgação científica, textos de revistas especializadas, textos de cadernos de jornais, textos de livros didáticos, textos de verbetes de dicionários, de manuais, de enciclopédia etc. · São exemplos de gêneros em que prevalece a sequência injuntiva ou instrucional: propaganda, receita culinária, contendo o modo de fazer, manual de instrução de aparelhos eletrônicos, horóscopo, livros de autoajuda etc. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 174 ) ( 175 ) IV - A Construção do parágrafo Os textos em prosa, sejam eles narrativos, descritivos ou argumentativos são geralmente estruturados em unidades menores chamadas de parágrafos. Há parágrafos longos e curtos; o que determina sua extensão é a unidade temática, já que cada ideia exposta no texto deve corresponder a um parágrafo. Nos textos escritos, podemos identificar os parágrafos pelo ligeiro afastamento de sua primeira linha em relação à margem esquerda da folha. Conforme vimos anteriormente, o desenvolvimento global e articulado de um texto, a partir dos processos de narração, descrição, dissertação, precisa ter como suporte da estrutura textual a frase e o período, que são as unidades mínimas da qualidade da escrita. De sua combinação constitui-se o parágrafo (ideia-núcleo), que por meio do encadeamento das ideias vai integrar-se à estrutura, quer dizer, a ordenação dinâmica dos componentes de um texto. Ou seja, à organização lógica- discursiva. Para as nossas produções textuais optamos pela definição de Othon M. Garcia. Vejamos: O parágrafo é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela. GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. Editora FGV, 2006, p. 219 Essa definição se refere a um tipo de parágrafo padrão, denominação de Othon M. Garcia, dada a sua aplicabilidade e eficácia nas escritas de escritores modernos, além de facilitar a coerência do desenvolvimento das ideias. O parágrafo padrão é formado por três partes: 1 – A Introdução, constituída por um ou dois períodos curtos, iniciais, em que se expressa a ideia-núcleo ou tópico frasal, 2 – O desenvolvimento que é a exposição da ideia-núcleo, 3 – A conclusão, que reforça o que foi dito na introdução. Atenção! É bom você atentar ao “tópico frasal”, que geralmente contém “dois períodos curtos iniciais”. O tópico frasal sintetiza a ideia-núcleo do parágrafo. A ideia-núcleo, agora conhecida como tópico frasal, segundo Garcia, diz que na ideia-núcleo, de fato, há uma generalização, em que se exterioriza um juízo, uma opinião, se define ou declara algo, mas, às vezes, nem todo parágrafo contém a ideia-núcleo de forma eficaz. Agora você conhecerá alguns exemplos. A técnica da construção do tópico frasal para iniciar o parágrafo garantirá ao estudante melhor desempenho na síntese do seu raciocínio, como começar e como isso facilitará a sua fundamentação na construção dos argumentos. · DECLARAÇÃO INICIAL: O produtor de texto nega ou afirma alguma coisa logo ao iniciar o texto, apresentando seus argumentos, confrontos, analogias ou exposição de ideias de fatos da atualidade. O autor abre o parágrafo com uma declaração breve. Exemplo: As duas grandes religiões que, junto com a muçulmana, reconhecem a um só Deus são a judaica e a cristã. Elas compartilham o mesmo livro sagrado: a Bíblia. A palavra “Bíblia” vem do grego e significa “livros” (isso mesmo, no plural). Na verdade, pode-se dizer que a Bíblia não é um livro, mas vários livros, uma autêntica biblioteca composta por textos escritos em datas muito diferentes, por autores diversos e que abarca todos os estilos literários: narrações mais ou menos históricas, poemas, escritos proféticos, provérbios, leis, etc. LAJOLO, Marisa. Descobrindo a Literatura. Ed. Ática, São Paulo, 2002, p. 68. · ALUSÃO HISTÓRICA Acontece quando ao iniciar um parágrafo o autor faz referência a um fato acontecido real ou fictício. Conheça alguns dos padrões mais usados de parágrafos que podem servir de modelo para iniciar o texto. Exemplo de parágrafo de alusão histórica fictícia: ( “Era uma vez dois caçadores perdidos numa floresta, já sem munição, quando surgiu um leão. Enquanto um deles começava a correr, o outro tirou da mochila um par de tênis especial e começou a calçá-lo, calmamente. O que corria parou, espantado e alertou: “Não adianta, o leão corre mais que você”. Ao que o outro respondeu: “Não preciso correr mais que o leão. Só preciso correr mais que “você”. (Merval Pereira, em artigo para O Globo) ) MODELO DE ALUSÃO HISTÓRICA REAL: ( “A partir do Renascimento o teatro tornou-se o entretenimento público por excelência. Chegou-se a dizer que os grandes vícios de então eram o tabaco, que acabara de chegar da América, e o teatro”. ( L A J O L O , M a r i s a . D e s c o b r i n d o a L i t e r a t u r a . E d . Á t i c a , S ã o P a u l o , 2002 , p . 80 . ) ) V - PARÁGRAFO EXPLICATIVO DEFINIÇÃO: O texto apresenta explicitamente uma definição de caráter didático sendo muito comum nos textos em que ocorrem a dissertação. ( A Bíblia é o livro mais difundido em toda a história da humanidade. Muitos acham que, sem conhecê-la, é impossível entender grande parte da literatura, da música e da arte do mundo ocidental, já que o sentimento religioso judaico-cristão tem sido durante muitos séculos (e ainda é assim) uma fonte de inspiração para os artistas de qualquer gênero. ( L A J O L O , M a r i s a . D e s c o b r i n d o a L i t e r a t u r a . E d . Á t i c a , S ã o P a u l o , 2002 , p . 69) )Exemplo: VI - PARÁGRAFO ARGUMENTATIVO Nos textos argumentativos, os parágrafos são estruturados em torno de uma ideia normalmente apresentada em sua introdução, desenvolvida e reforçada por uma conclusão. (introdução + desenvolvimento + conclusão), ou seja, início, meio e fim. ( “É de conhecimento geral que a qualidade de vida nas regiões rurais é, em alguns aspectos, superior à da zona urbana, porque no campo inexiste a agitação das grandes metrópoles, há maiores possibilidades de se obterem alimentos adequados e, além disso, as pessoas dispõem de maior tempo para estabelecer relações humanas mais profundas e duradouras.” (Granatic, Branca. Técnicas Básicas de Redação. Editora Scipione, 1995, p.81) )Exemplo: A ideia-núcleoou tópico é apresentada logo no início e desenvolvida por meio de ideias complementares ou argumentos. VII - OS PARÁGRAFOS NOS TEXTOS ARGUMENTATIVOS ESCOLARES: Os textos argumentativos escolares costumam ser estruturados em quatro ou cinco parágrafos (um para a introdução, dois ou três para o desenvolvimento e um para a conclusão). Dependendo do texto proposto e a abordagem que se dê a ele, poderá haver variações. Mas o fundamental é que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em parágrafo (cada um correspondendo a uma ideia que se queira desenvolver), tem a função de facilitar para quem escreve, tornando o texto mais coeso e coerente. VIII - O PARÁGRAFO NARRATIVO: Nas narrações, a ideia central do parágrafo é um incidente, isto é, um episódio curto. Nos parágrafos narrativos predominam os verbos de ação, que se referem a personagens e indicam as circunstâncias relativas ao fato que se está sendo narrado, ou seja, onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu. Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral introduzidos por dois-pontos e travessão) cada fala da personagem corresponde a um parágrafo. (Fonte: Terra, Ernani. Português de olho no mundo do trabalho. São Paulo: Scipione, 2004, p. 110) Exemplo: ( “João estava andando pela rua quando de repente tropeçou em um pacote embrulhado em jornais. Pegou-o vagarosamente, abriu-o e viu, surpreso, que lá havia uma grande quantidade de dinheiro.” (Branca Granatic, p. 19) ) IX - O PARÁGRAFO DESCRITIVO: A ideia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um fragmento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, um ambiente, uma paisagem etc.), visto sob determinada perspectiva. Alterado esse quadro, abra-se um novo parágrafo. O parágrafo descritivo apresenta as mesmas características da descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego farto de adjetivos que caracterizam o que está sendo descrito, frequência de orações apenas justapostas, coordenadas. (Fonte: Terra, Ernani. Português de olho no mundo do trabalho. São Paulo: Scipione, 2004, p. 111) ( Ao entrar na sala daquele casarão antigo, tem-se, de início, uma desagradável sensação de abandono e de uma certa tristeza. As paredes, já quase sem cor devido à ação do tempo, as duas janelas fechadas, com suas venezianas carcomidas, situadas na parede oposta à porta, também velha, davam a quem chegava a impressão de estar adentrando um museu abandonado (...). (Branca Granatic, p. 60) )Exemplo descrição de tempo e lugar: X - O USO DA INTERROGAÇÃO NO TÓPICO FRASAL O parágrafo inicia-se com uma interrogação, direcionando-se ao desenvolvimento a partir da resposta ou esclarecimento do produtor ou aluno. Cabe ao produtor de textos atentar para a coerência dos argumentos de sua resposta ou esclarecimento. Exemplo: ( De que maneira uma cidade pode combater a dengue? )Tema: Dengue Sua atitude deve ser fazer a seguinte pergunta: Por quê? Ao iniciar sua reflexão sobre o tema é importante lembrar-se das informações que já possui sobre o assunto, do que já leu a respeito em jornais, do que já viu na televisão etc. É evidente que você já tenha ouvido falar alguma coisa sobre ele. O ideal é que você elabore duas ou três “respostas” para a questão formulada. Essas respostas chamam-se argumentos. XI - TRABALHANDO O PARÁGRAFO Resumindo: A composição de um texto é constituída de três partes: · Introdução: é um texto introdutório ao assunto a ser tratado, constituído por um ou dois períodos curtos, que expressa a ideia- núcleo ou tópico frasal. · Desenvolvimento: é a exposição, argumentação ou explanação da ideia principal, (ideia-núcleo / tópico frasal), do parágrafo. · Conclusão: é a reafirmação do tema apresentado no tópico frasal e realiza as inferências a partir dos fatos apresentados e interpretados. Dentre as formas mais usuais de expressão inicial no parágrafo conclusivo temos: Dessa forma, ... Portanto, Em vista dos fatos expostos, Em virtude dos fatos apresentados, Dado o exposto,... Conforme os argumentos expostos,... e etc. Os parágrafos organizadores conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor em relação à composição de seu texto. DICAS! ( Outro percurso que você deverá desenvolver é ler e reler a sua escrita. Procure também ler os mais variados tipos de jornais, revistas e artigos. É interessante selecionar os assuntos que são destaques em cada veículo de comunicação. Compare o uso da escrita de cada um deles, observe como cada veículo transmitiu sua mensagem ao leitor através da organização textual. A leitura diversificada de publicações ajudará a estimular o senso crítico e a habilidade com a organização de suas ideias, da escrita e de toda a estrutura textual. ) ( Saiba Mais: Sabemos que escrever requer trabalho, disciplina, paciência e muita leitura. É preciso reler, identificar os problemas e reescrever várias vezes o texto, consultar o dicionário, pesquisar sobre o assunto, quando possível. O estudante deverá ter preocupação com a formalidade da linguagem, a prática da norma padrão aos textos de caráter dissertativo. À medida que você procura valorizar os exercícios da escrita, esse processo “árduo” se tornará prazeroso e muitos procedimentos e técnicas serão dominados, levando-o a um bom desempenho na escrita. Experimente! O resultado é bastante prazeroso. Fica a sugestão! )Para finalizar, gostaríamos de lembrá-lo de que a tessitura do texto, como dito anteriormente, não é um amontoado de frases, não é uma simples justaposição de frases e palavras, logo, para se obter um “entrelaçamento” coeso e coerente das ideias, o autor do texto deverá produzir um texto que contenha uma unidade na organização discursiva, para que o leitor possa interpretá-lo. É importante que se tenha sempre em foco o leitor e a maneira como serão compreendidas e apreendidas suas ideias por ele (o leitor de seus textos). XII - TÍTULO E TEMA ( É uma referência vaga a um assunto. É uma expressão mais curta que o tema. Na maioria das vezes, não contém um verbo. )TÍTULO: ( É uma afirmação sobre determinado assunto, em que se percebe uma tomada de posição. É uma oração que apresenta um começo, meio e final. Por ser uma oração, deve apresentar ao menos um verbo. )TEMA: ( A cultura patriarcal qualificou de fraca a mulher e forjou o mito do sexo frágil, o que não é verdade. A mulher tem a sua forma de ser forte. Neste caso o que conta não é tanto a força muscular. No trato com os filhos, desde sua gestação, nas crises de passagem e no seu acompanhamento ao largo da vida, especialmente na condução da complexidade de uma casa e na capacidade de suportar sofrimentos e suplantar obstáculos, ela mostra uma força e uma pertinácia que deixa o homem longe para trás. Em muitos aspectos a mulher é o sexo forte e o homem o sexo fraco. ( Fonte: BOFF, Leonardo. Saber cuidar: Ética do humano – compaixão pela terra. Editora Vozes. 7ª Edição, 2001. p.56) )Confira a delimitação do tema no texto em destaque abaixo: Observação: O tema é o elemento gerador e articulador das ideias no texto. No texto acima é o mito de que a mulher é o sexo frágil. Quando você estiver fazendo uma redação em algum exame, o examinador pode fornecer-lhe tanto um título quanto um tema. Se lhe for fornecido um tema, terá que compor um título, já se lhe for fornecido um título, deverá compor o tema. Mas lembre-se: o tema é uma oração completa, com início, meio e fim. Observação final: Esperamos ter contribuído um pouco com a sua formação. Lembre-se de que há muito mais a aprender e a pesquisar. Seus estudos não se encerrram aqui. Quando há determinação, vontade, foco esonhos, a vitória se apresenta de forma concreta. Sucesso para vocês! Uma bela caminhada em busca de seus sonhos. É o que desejamos, Equipe EaD Professora Maria Luzia Paiva de Amdrade ( Referências Bibliográficas ) BARBOSA, Ivanilda. Comunicação e linguagens: leitura e produção de textos na graduação. São Paulo: Pearson, 2010. CÂMARA JÚNIOR, Joaquim Matoso. Manual de expressão oral e escrita. 9ª ed. Petrópolis, Vozes, 1986. CASTRO, Monica Rabello de; FERREIRA, Giselle; GONZALEZ Wania. Metodologia da pesquisa em educação. 1 ed. Nova Iguaçu, RJ: Marsupial Editora, 2013. CEREJA, William Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e Interação: uma proposta de produção textual a partir de gêneros e projetos. São Paulo: Atual, 2000. GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar. 25 ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. GRANATIC, Branca. Técnicas Básicas de Redação. 4ª ed. São Paulotenha uma boa comunicação verbal, boa escrita, boa redação, facilidade de comunicação e um bom texto. O domínio da linguagem escrita é tido, atualmente, como condição para a produção e acesso ao conhecimento. Das grandes falhas na formação do estudante hoje, a mais flagrante está na inabilidade dos alunos com a leitura e interpretação de textos, ou seja, o aluno tem dificuldade para ler e interpretar textos mais complexos. Evanildo Bechara (2004, p. 694) em sua Gramática Escolar da Língua Portuguesa, nos propõe uma diferenciação entre Compreensão e Interpretação de textos. Vejamos a seguir o que diz Bechara: COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS ( COMPREENSÃO: Consiste em analisar o que realmente está escrito, ou seja, coletar dados do texto. O enunciado normalmente assim se apresenta: ) 1. As considerações do autor se voltam para... 2. Segundo o texto está correta... 3. De acordo com o texto, está incorreta... 4. Tendo em vista o texto, é incorreto... 5. O autor sugere ainda que... 6. De acordo com o texto é certo... 7. O autor afirma que... ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 24 ) ( 23 ) ( INTERPRETAÇÃO: Consiste em saber o que se infere (conclui) do que está escrito. O enunciado normalmente é encontrado da seguinte maneira: ) 1. O texto possibilita o entendimento de que... 2. Com o apoio no texto, infere-se que... 3. O texto encaminha o leitor para... 4. Pretende o texto mostrar que o leitor... 5. O texto possibilita deduzir-se que... ( O mesmo autor, Bechara (2004, p. 695), explica também sobre os três erros capitais que cometemos na análise de textos. Segue o texto do autor: ) TRÊS ERROS CAPITAIS NA ANÁLISE DE TEXTOS: 1. EXTRAPOLAÇÃO: É o fato de se fugir do texto. Ocorre quando se interpreta o que não está escrito. Muitas vezes são fatos reais, mas que não estão expressos no texto. Deve-se ater somente ao que está relatado. 2. REDUÇÃO: É o fato de se valorizar uma parte do contexto, deixando de lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o texto como um todo para se ater apenas à parte dele. 3. CONTRADIÇÃO: É o fato de se entender justamente o contrário do que está escrito. É bom que se tome cuidado com algumas palavras, como: “pode”, “deve”, “não”, verbo “ser”, etc. Não é apenas para o mundo do trabalho que esse conhecimento linguístico é importante. Ser um usuário competente da língua é fator primordial para a ampliação da participação social e exercício efetivo da cidadania. · Estratégias de leitura Dos caminhos a seguir, dois favorecem a intimidade dos alunos com o texto. São eles: ensinar a estabelecer previsão e inferência, estratégias que são invocadas na prática da leitura logo no primeiro contato com o texto, e que devem ser provocadas e incentivadas pelo professor na prática da leitura. A previsão e a inferência exigem que o leitor acione conhecimentos prévios, conhecimento de mundo, como ideias, hipóteses, visão de mundo e de linguagem sobre o assunto. Ângela Kleiman (2002), professora do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, diz que: “A leitura é uma atividade de procura do passado de lembranças e conhecimentos do leitor. O que orienta o ato de ler é a direção, a elaboração do pensamento e sua imagem de mundo”. TÉCNICA DE LEITURA Deve-se ler o texto antes de se olhar as perguntas, entretanto, muitas vezes, isso trará alguma frustração, pois o texto pode ser grande e complicado, fazendo com que, ao terminar a leitura, você já tenha esquecido o início; ou pode haver poucas perguntas sobre a ideia geral do texto, ou ainda as perguntas estarem ligadas a segmentos do texto bem específicos, o que tornaria mais complexo seu entendimento. Algumas dicas que ajudam para uma leitura mais eficiente: · Sublinhe as partes importantes. · Circule as palavras-chave. · Anote detalhes importantes. · Leia as partes mais complexas com bastante atenção, tentando entendê- las profundamente. · Descubra qual a ideia básica do texto e estabeleça seu real objetivo, mesmo que tenha de reescrevê-los, à parte, com suas palavras. AS PRINCIPAIS ARMADILHAS: Os enunciados das questões podem trazer algumas “armadilhas” ou “maldades” com a intenção de enganá-los. Assim, é bom conhecer alguns desses artifícios. Vejam: · Atente para o que se pede: se for o certo, o errado, sobre o que está ou o que não está no texto, o que condiz etc. · Veja se há algum não. Isso muda tudo toda a estratégia. · Se houver a citação de algum parágrafo ou alguma linha, localize-o (a) com cuidado e marque-o (a). Se as linhas não estiverem numeradas, numere-as (de cinco em cinco). · A interpretação é do texto, normalmente do autor, mas não da sua ideia (sua = do leitor). · Cuidado com as palavras como exceto ou salvo, ou locuções como exceção de, pois elas mudam tudo. · Quando se pedir a melhor resposta, é porque pode (deve) haver mais de uma possibilidade. · Cuidado com as noções de causa e consequência. · Atenção para as propostas de substituição de vocábulos ou expressões, pois seu uso tem de se encaixar perfeitamente no lugar do texto. · Em provas discursivas, cuidado com o verbo de comando: transcreva, justifique, explique, sublinhe etc. · Ainda em questões discursivas, muita atenção para a clareza e a objetividade da resposta. Ainda em Bechara (2004), encontramos os dez mandamentos para uma eficiente análise de textos. Acompanhe o que nos ensina o eminente autor: OS DEZ MANDAMENTOS PARA ANÁLISE DE TEXTOS: 1. Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar contacto do assunto; a segunda para observar como o texto está articulado; desenvolvido. 2. Observar que um parágrafo em relação ao outro pode indicar uma continuação ou uma conclusão ou, ainda, uma falsa oposição. 3. Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais importante (tópico frasal). 4. Ler com muito cuidado os enunciados das questões para entender direito a intenção do que foi pedido. 5. Sublinhar palavras como: erro, incorreto, correto etc., para não se confundir no momento de responder à questão. 6. Escrever, ao lado de cada parágrafo ou de cada estrofe, a ideia mais importante contida neles. 7. Não levar em consideração o que o autor quis dizer, mas sim o que ele disse; escreveu. 8. Se o enunciado mencionar tema ou ideia principal, deve-se examinar com atenção a introdução e/ou a conclusão. 9. Se o enunciado mencionar argumentação, deve preocupar-se com o desenvolvimento. 10. Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que remetem a outros vocábulos do texto: pronomes relativos, pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, etc.). No entanto, como dissemos há pouco, não é apenas para o mundo do trabalho que o conhecimento da língua é importante, mas também para torná-lo um usuário competente, capaz de ampliar a sua participação social no processo de interação com o mundo que o cerca. Para isso, é preciso apropriar-se do conhecimento e de meios de produção e de divulgação desse conhecimento. É o que desejamos que você faça, caro aluno, com todas essas dicas acima. · Estratégias da Escrita Ler não é apenas decodificar, mas compreender as mensagens, pois circulamos e vivemos numa sociedade letrada. Vale o que está escrito. ( “Bem-aventurados os homens de boa redação. Deles será o reino das diretorias”. NFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Ed. Scipione, São Paulo, 1998, p. 248. )Parodiando o texto bíblico diríamos: É verdade! A escrita é essencial ao mundo contemporâneo, tendo em vista as práticas sociais das atividades comunicativas no dia a dia, uma vez que as nossas organizações e instituições são permeadas por textos escritos: Estatutos, Código Civil, PROCON, Leis, Outdoor, Receitas, Comunicação nas Empresas, Relatórios, enfim, por inúmeras mensagens que circulam socialmente. Assim, dependemos da escrita enquanto habilidade importante para o nosso sucesso profissional. Assim, estamos em consonância com as dicas de Lucília Garcez paradesinibir ou eliminar os bloqueios do estudante, auxiliando-o na produção textual. Vamos conferir? “DICAS” PARA DESEMPENHO NA ESCRITA: 1º Passo: Resumos de leituras (revistas, jornais, livros, crônicas e contos). 2º Passo: Não ter “medo” de escrever. Acreditar que você é capaz de obter êxito na escrita. 3º Passo: Ler muito. Compreender e interpretar o que leu. 4º Passo: Valorizar seus argumentos e reconhecer que pela escrita interagimos com o mundo. 5º Passo: Motivação é a razão para escrever o texto: defender uma ideia, além de expressar um sentimento ou opinião sobre algo. 6º Passo: Correção gramatical. Escrever é um desafio, é luta... Uma via para compreender e desenvolver o ato de escrever é a Leitura. Recortamos algumas entrevistas de escritores que vivem de suas escritas, sendo o ato de escrever imprescindível em suas vidas. Veja estes depoimentos: ( Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a p r i m e i r a c a p a d e s u p e r f i c i a li s m o ” . G A R C E Z , L u c í l i a H . d o C A R M O . ( T é c n i c a d e redação. O que é preciso saber para bem escrever. São Paulo: Martins Fontes. 2008, 150p.) )Clarice Lispector: Segundo a autora Lygia Fagundes, o ato de escrever se resume: ( -Como você definiria o ato de escrever? -Uma luta. Uma luta que pode ser vã, como disse o poeta, mas que lhe toma a manhã. E a tarde. Até a noite. Luta que requer paciência. Humildade. Humor. Lembro-me de que estava num hotel em Buenos Aires, vendo na tevê um drama de boxe. Desliguei o som, ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. Resistindo. Acertava, às vezes, mas tanto soco em vão, o adversário tão ágil, fugidio, desviando a cara. E ele ali, investindo, Insistindo: – mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beijou a lona. Poeira, suor, sangue. Voltava a reagir, alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha, é melhor desistir, chega! Mas ele ia buscar forças sabe Deus onde e se levantava de novo, o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada. Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário – mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza, aplauso? (...) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe vi a imagem do escritor no corpo a corpo com a palavra. (Para gostar de ler. Vol. 9. São Paulo: Editora Ática, 3ª. Ed. 1988, p7). ) ( 30 ) ( Seção 5 - Trabalhando as normas linguísticas na construção dos textos: Significação das palavras. A Semântica e o sentido das palavras. ) Agora, prezado aluno, você irá estudar a semântica, parte da gramática que estuda o significado das palavras, com o objetivo de ajudá-lo na sua produção textual e na interpretação de um texto. ( Dica! Estude e consulte uma Gramática indicada na nossa bibliografia. ) Vamos, então, ao estudo semântico das palavras. CAMPOS SEMÂNTICOS As palavras são relacionadas e associadas de várias maneiras pelo sentido, resultando na construção de um campo semântico. Exemplo 1 ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) Exemplo 2: POLISSEMIA Consiste no emprego de significados variados de acordo com o co6ntexto. Em nossa língua, muitos vocábulos apresentam mais de um significado, o qual só é apreendido quando se analisa o contexto. Quando isso ocorre, dizemos que o vocábulo é polissêmico. Inúmeros são os vocábulos polissêmicos. Observe: Exemplo: 1 - A esperança pousou na janela. 1 - Chegando à janela vi o céu azul e tive a esperança de dias melhores. Veja que se trata do uso da palavra esperança com mais de um sentido, em diferentes contextos. Mais exemplos: 3 - A manga da camisa está suja. (parte da vestimenta) 4 - Todos gostam muito de manga. (fruta) 5 - O prato é de porcelana. (peça de louça) 6 - O prato está delicioso. (comida) Todas essas palavras acima são polissêmicas. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 32 ) ( 31 ) SINONÍMIA (OU SINÔNIMOS) Quando duas ou mais palavras têm o mesmo significado em um determinado contexto. São palavras diversas na escrita, mas semelhantes ou idênticas na significação. Exemplo: 1 - O diretor cumprimentou aos alunos pela gincana. 2 - O diretor fez a saudação aos alunos pela gincana. ( Observe a substituição de cumprimento por saudação , sem alterar o sentido da frase. ) ( Olhar = ver / habitar = morar / colóquio = diálogo / cara = rosto / bonito = belo )Veja mais alguns sinônimos: ANTONÍMIA (OU ANTÔNIMOS) Consiste no emprego de palavras de sentido contrário, oposto. Exemplo: 1 - A jovem era destemida. 2 - A jovem era medrosa. Observe a substituição de destemida por medrosa, com alteração do sentido da frase. ( Bonito = feio / alegre = triste / natural = artificial / ignorância = sabedoria )Veja outros antônimos: · DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO: O sentido literal ou denotativo costuma ser entendido como o sentido do dicionário. Quanto ao sentido figurado, este é compreendido como o não- convencionalizado, ou seja, como o sentido metafórico. Por esta dicotomia, costuma-se associar a conotação ao uso do cotidiano da língua, que representaria um uso mais polissêmico, em oposição à denotação, em que se emprega a palavra no seu sentido real, literal, dicionarizado. Essa é, aliás, um critério muito utilizado nas escolas para fazer a distinção entre o texto literário e o texto jornalístico, por exemplo. É preciso chamar a atenção, contudo, para o fato de a denotação e a conotação não serem fenômenos restritos a este ou aquele gênero textual. Exemplos: 1 – Está frio aqui. (sentido próprio) - denotação (Temperatura) 2 – Ele é um homem frio. (sentido figurado) - conotação (Insensível) 3 – Maria comprou uma flor vermelha para a sua mãe. (sentido real) – denotação. (Uma rosa) 4 – Maria é uma flor de menina. (sentido figurado) conotação (Uma metáfora: pessoa bonita, singela) ( Seção 6 – Elementos de Coesão e Coerência Textuais. ) · PRINCIPAIS MECANISMOS DE COESÃO O encadeamento de ideias é responsável pela coerência de um texto. A coesão textual é a conexão linguística que permite a amarração das ideias do texto. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 34 ) ( 33 ) Segundo o dicionário eletrônico Aurélio Século XXI, coesão significa “união íntima entre as partes de um todo”. Apesar de constituírem fenômenos distintos, coesão e coerência são complementares na construção de sentido dos textos, pois enquanto a coerência se manifesta no plano do conteúdo, do encadeamento das ideias, a coesão se manifesta no plano da superfície do texto, isto é, nas relações linguísticas tais como nos empregos de conectivos, conjunções, advérbios, pronomes, sinônimos etc. A coesão textual pode ser conseguida mediante quatro procedimentos gramaticais elementares: A - Substituição: quando uma palavra ou expressão substitui outras anteriores: ORui foi ao cinema. Ele não gostou do filme. B - Reiteração: quando se repetem formas no texto: “E um beijo?! E um beijo do seu filhinho?! ” — Quando dará beijos o meu menino?! A reiteração pode ser lexical (“E um beijo”) ou semântica (“filhinho” /”menino”). C - Conjunção: quando uma palavra, expressão ou oração se relaciona com outros antecedentes por meio de conectoresgramaticais: O cão da Teresa desapareceu. A partir daí, não mais se sentiu segura. A partir do momento em que o seu cão desapareceu, a Teresa não mais se sentiu segura. ( Retomada gramatical: (pronomes, artigos, numerais, advérbios) Retomada lexical: (substantivos, adjetivos, verbos) Retomada elíptica: (elipse ou ocultamento) Repetição: (lexical e sintática) Encadeamento argumentativo: (com o emprego de operadores discursivos) Justaposição: (sem sequenciadores) )Vejamos que alguns mecanismos de coesão ocorrem por: ( Importante! Você deverá ficar atento aos mecanismos de coesão para garantir clareza e concisão das ideias, em sua organização discursiva. Agora, veremos a coesão por elipse. A retomada por elipse é muito comum na comunicação escrita ou falada para garantir a coesão dos textos. Vamos conferir! ) Exemplo: Coesão por Elipse (Eu) Conheci Eduardo Wanderley no Festival de Cinema em Gramado. (Ele) Era um ator excelente que morava no Chile há quinze anos. (O artista) Aprecia o cinema da América Latina. Exemplo: A coesão por advérbios Gramado é, por excelência, a terra de novos talentos do cinema. Lá acontece todos os anos o Festival do Cinema Brasileiro. Lá = advérbio (ocorre a substituição da palavra Gramado pelo advérbio lá). Exemplo: Repetição (lexical e sintática) ( Importante! Você deverá consultar e estudar na bibliografia indicada os principais mecanismos de coesão para garantir a qualidade do seu texto por meio da unidade de sentido. )Paulo comprou um automóvel. O carro é o último modelo da categoria. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 36 ) ( 35 ) · A COERÊNCIA: Coerência: três definições envolvendo autores diferentes. · “Uma complexa rede de fatores de ordem linguística, cognitiva e interacional”. (Ingedore Koch) · “A relação que se estabelece entre as partes do texto, criando uma unidade de sentido”. (José Luiz Fiorin) · “Conexão, a união estreita entre várias partes, relações entre ideias que se harmonizam, ausência de contradições. É a coerência que distingue um texto de um aglomerado de frases”. (José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli) Alguns autores apontam alguns tipos de coerências, a saber: coerência semântica, coerência sintática, coerência estilística e coerência pragmática. A – COERÊNCIA SEMÂNTICA: Refere-se à relação entre os significados dos elementos das frases em sequência; a incoerência aparece quando esses sentidos não combinam, ou quando são contraditórios. Exemplo: “Educação, problema universal que por direito todo indivíduo deve ter acesso.” Explicando: A inadequação deve-se ao fato de não ficar claro qual é o antecedente do pronome que. Da maneira como foi escrita a frase, o antecedente é problema universal, e, neste caso, a incoerência semântica está na não combinação entre os sentidos de ter acesso e problema. É muito mais provável que o autor desta frase tenha pensado que todo indivíduo deve ter acesso à educação, mas, da forma como ordenou as palavras, causou ambiguidade com relação ao antecedente do que. B – COERÊNCIA SINTÁTICA: Refere-se aos meios sintáticos usados para expressar a coerência semântica: conectivos, pronomes etc. Exemplo: Na verdade, essa falta de leitura, de escrever, seja porque tudo já vem pronto, mastigado para uma boa compreensão, não precisando pensar, Explicando: Vários problemas são encontrados nesta frase. O primeiro é o não paralelismo entre leitura (substantivo) e escrever (verbo). Seria necessário dizer falta de ler, de escrever ou falta de leitura, falta de treino de escrita. Outro problema é o emprego da conjunção “seja”. Ela é normalmente usada para apresentar mais de uma alternativa: seja porque tudo já vem pronto, seja porque não há estímulo por parte dos professores. Usada isoladamente, ela perde seu sentido alternativo. Há, ainda, a ausência de um predicado para o sujeito “essa falta de leitura”. A frase ficou fragmentada. C – COERÊNCIA ESTILÍSTICA: Este tipo de coerência não atrapalha, significativamente, a interpretação do texto. Ele está relacionado à mistura de registros linguísticos. É recomendável que quem escreve se mantenha em um estilo relativamente uniforme. No entanto, a alternância de registros pode ser um recurso estilístico utilizado pelo escritor, pelo poeta ou artista em geral. Leia este poema de Manuel Bandeira: Teresa, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você e te jurar uma paixão do tamanho de um bonde Se ele chorar Se ele ajoelhar Se ele se rasgar todo Não acredita não Teresa É lágrima de cinema É tapeação Mentira CAI FORA! ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 38 ) ( 37 ) Explicando: O autor procede como se estivesse falando, aconselhando alguém, advertindo sobre uma possível “cantada”. Há mistura de tratamento (tu/você), mistura de registros, pois o autor utiliza várias expressões da linguagem oral, de fora coloquial, como “do tamanho de um bonde”, “se ele se rasgar todo”, “cai fora”, ao mesmo tempo em que emprega o futuro do subjuntivo, tempo mais comum num registro mais cuidado. D – COERÊNCIA PRAGMÁTICA: Refere-se ao texto visto como uma sequência de atos de fala. Para haver coerência nesta sequência, é preciso que os atos de fala se realizem de forma apropriada, isto é, cada interlocutor, na sua vez de falar, deve conjugar o seu discurso ao do seu ouvinte. Quando uma pessoa faz uma pergunta a outra, a resposta pode-se manifestar por meio de uma afirmação, de outra pergunta, de uma promessa, de uma negação. Qualquer uma dessas sequências seria considerada coerente. Por outro lado, se o interlocutor não responder, virar as costas e sair andando, começar a cantar, ou mesmo dizer algo totalmente desconectado do tema da pergunta, estas sequências seriam consideradas incoerentes. Exemplo: Esta frase foi ouvida recentemente em um programa de televisão: “Me inclui fora dessa.” Explicando: Parece que o emissor não conhece o sentido do verbo incluir, que certamente não pode ocorrer combinado com fora. Ou então, usa expressamente o advérbio fora para explicar sua intenção de não ser incluído em algum projeto. Saiba mais: A- Coerência é a ligação em conjunto dos elementos formativos de um texto; a coesão é a associação consistente desses elementos. B- coerência e coesão são níveis distintos de análise. A coesão diz respeito ao modo como ligamos os elementos textuais numa sequência; a coerência não é apenas uma marca textual, mas diz respeito aos conceitos e às relações semânticas que permitem a união dos elementos textuais. C- A falta de coerência em um texto é facilmente percebida por um falante de uma língua, quando não encontra sentido lógico entre as proposições de um enunciado oral ou escrito. É a competência linguística, tomada em sentido lato, que permite a esse falante reconhecer de imediato a coerência de um discurso. A competência linguística combina-se com a competência textual para possibilitar certas operações simples ou complexas da escrita literária ou não-literária: um resumo, uma paráfrase, uma dissertação a partir de um tema dado, um comentário a um texto literário etc. D- A coerência e a coesão contribuem para conferir textualidade a um conjunto de enunciados. Assim, a coerência, manifestada em grande parte no nível macrotextual, é o resultado da possibilidade de se estabelecer alguma forma de unidade ou relação entre os elementos do texto. E a coesão, manifestada no nível microtextual, refere-se ao modo como os vocábulos se ligam dentro de uma sequência. ( Seção 7: Linguagem, Processos comunicativos, formas e tecnologias e Aspectos comunicacionais em meios multimídias. ) · A IMPESSOALIDADE DO TEXTO Ao trabalhar a construção do texto deve-se usar uma maneira de evitar o caráter subjetivo e pessoal com as seguintes formas: ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 40 ) ( 39 ) a)Empregar o verbo na primeira e na terceira pessoas do plural, com o objetivo de não realçar a subjetividade da primeira pessoa, de modo explícito. O produtor de texto deve usar as expressões que são conhecidas como plural de elegância. Exemplos: · Procuramos demonstrar... · Nossas conclusões... · Procuramos afirmar... · Deduzimos... b) Devemos EVITAR a presença da subjetividade explícita, conforme as expressões abaixo: Exemplos: · Minha conclusão... · Esta é a minha opinião... · Procurei demonstrar... · As Comunicações Oficiais e a Normatização Gramatical Nesta seção, estudaremos as mais importantes comunicações oficiais. A Redação Oficial é o conjunto de normas e práticas que regem a emissão de atos normativos de comunicação entre os diversos organismos do poder público e/ou suas relações com entidades privadas e com os cidadãos. Veremos, ainda, a importância do uso da gramática normativa da língua que contribui para a produção de textos claros, objetivos, coesos e coerentes. Vamos lá? Nosso objetivo é que você conheça os modelos necessários para poder redigir, corretamente, os textos mais comuns ligados a normas oficiais vigentes e documentos empresariais utilizados como instrumentos fundamentais de comunicação, marketing e controle externo e interno. ( 1ª) correspondência : aqui estão o ofício, o memorando, o requerimento, o telegrama, o fax, o e-mail. 2ª) documentos : aqui estão a ata, a certidão, a portaria, a procuração, o relatório, o decreto. )Entende-se por redação oficial o conjunto de normas e práticas que devem reger a emissão dos atos normativos e comunicações do poder público, entre seus diversos organismos ou nas relações dos órgãos públicos com outras entidades, públicas ou privadas e os cidadãos. Podemos agrupar os textos produzidos dentro das normas de redação oficial em duas categorias: Todos os textos pertencentes às duas categorias acima estão no campo da linguagem escrita, por isso, devem ter as qualidades e características exigidas do texto escrito destinado à comunicação impessoal, objetiva, clara, correta e eficaz. Nem sempre temos liberdade na hora de escrever alguns textos. É o que acontece, por exemplo, com essas modalidades; devemos, assim, entender o caráter formal e a obediência as regras específicas desses textos. É bom ressaltar, de antemão, que na produção dos textos que vamos estudar aqui a linguagem deve ser: · em consonância com o padrão culto do idioma: quanto a seleção vocabular, à estrutura gramatical das orações, à ortografia, acentuação gráfica etc. · impessoalidade, ou seja, isento de qualquer impressão pessoal de quem o está produzindo. Não cabe aqui a presença do “eu” enunciador, sentimentos ou opiniões. · objetividade: evitar a redundância em palavras, expressões e saudações exageradamente enfáticas. O conteúdo deve ser expresso de maneira clara e em poucas palavras. O que interessa é aquilo que se comunica, é o conteúdo, o objeto da informação. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 42 ) ( 41 ) · clareza e concisão: atualmente, a velocidade que se impõe a tudo o que se faz, inclusive o ato de ler e escrever, torna a clareza e concisão uma qualidade indispensável também nesse tipo de redação. · formalidade e padronização: as comunicações oficiais e empresariais impõem um tratamento polido e respeitoso. Vale lembrar o uso dos pronomes de tratamento, os vocativos que em algumas instâncias do poder se tornaram inevitáveis. Entende-se que essa formalidade tem por consideração o cargo, a função, e não a pessoa daquele que exerce. Outro aspecto da formalidade na redação oficial é a necessidade prática a padronização; assim, há prescrições quanto à diagramação, espaçamento, caracteres tipográficos etc., em modelos como ofício, requerimento, memorando, procuração e outros que passaremos a ver agora. I. A correspondência empresarial moderna: O E-MAIL Atualmente, a correspondência empresarial via e-mail tem sido o principal meio de comunicação entre a empresa e seus fornecedores e usuários, devido à dinamicidade exigida pelas organizações modernas. Assim, verifica-se a necessidade de um cuidado cada vez maior para adequar o vocabulário ao conteúdo da mensagem, uma vez esse tipo de correspondência empresarial não é apenas um meio de comunicação, mas também um instrumento de marketing e de controle, conforme indica Gold (2010, p. 161): A correspondência empresarial é a responsável pela imagem da organização diante de seu público, interno ou externo, e se insere na realidade de um mercado competitivo em que todas as nuances de comportamentos adquirem sentido; de controle porque cristaliza informações e responsabilidades. Assim, as informações transmitidas por e-mail, quando dirigidas a um cliente externo, devem respeitar a formalidade exigida pela situação, empregando as qualidades para a produção de um bom texto de redação oficial vistas acima. Certamente que não podemos misturar a informalidade usada diariamente em nossas comunicações diárias pessoais com o e-mail profissional em que será mantido as mesmas regras de uma carta tradicional. Seja qual for o caso, é importante ressaltar que a formalidade ou informalidade será sempre determinada pelo assunto tratado e pelo destinatário da mensagem. Seguem alguns exemplos de e-mails e como há a flexibilidade na informalidade de acordo com a situação e o destinatário das mensagens: Exemplo 1: ( Estou confirmando nossa reunião de quinta-feira, às 14 horas. Não se atrasem, pois temos vários assuntos para analisar. Vocês estão sabendo que as conclusões deverão ser apresentadas à diretoria na próxima segunda-feira, portanto, tragam já os assuntos estudados. Um abraço, Teresa. Enviar: Pessoal, Para: Cc: Assunto: ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 44 ) ( 43 ) ( Pessoal, Vocês não podem se atrasar pra reunião de 5ª feira, às 14 horas. Temos vários assuntos pra analisar. Tragam esses assuntos já estudados. OK? Um abraço, Teresa. Para: Cc: Assunto: Enviar )Exemplo 2: ( Para: Cc: Assunto: Enviar: Equipe, Estou confirmando nossa reunião de quinta-feira. Solicito que não se atrasem, pois temos vários assuntos para analisar. Como as conclusões serão apresentadas à diretoria na próxima segunda-feira, tragam os assuntos já estudados. Atenciosamente, Teresa. )Exemplo 3: Fonte: GOLD, Miriam. Redação Empresarial. 4ª ed. – São Paulo: Pearson, 2010 · Problemas sobre a utilização do e-mail em mensagens empresariais: 1 – Excesso de informalidade: muitas vezes o assunto é redigido como se fosse uma mensagem de cunho pessoal, utilizando uma linguagem bem próxima à da oralidade, o que pode ocasionar má organização das ideias e falta de clareza na exposição do assunto. 2 – Erros gramaticais: além de comprometer à imagem de quem redigiu, prejudica a comunicação da empresa com o cliente, tornando a mensagem confusa, obscura e, muitas vezes, incoerente. Lembre-se: Embora informal, o texto é um documento empresarial. II. O Requerimento: O requerimento é um documento utilizado especificamente para solicitar algo a que o requerente tem direito, ou pressupõe que tem, a uma pessoa física, de hierarquia superior, ou a uma autoridade. As principais características do requerimento são: a) Vocativo: (Senhor Diretor...), através do qual se indica o cargo ocupado pelo destinatário. b) O texto do documento, que costuma vir depois de um espaço de sete centímetros, aproximadamente, em que o requerente apresenta seus dados, o pedido propriamente dito, introduzido pelos verbos requere, solicitar; e a justificativa do pedido. c) Deve ser escrito sempre em terceira pessoa, isto é, devemos falar de nós mesmos como se fôssemos outra pessoa. d) O fechamento do requerimento é bem específico, veja: ( 46 ) ( Nestes Termos N.T. Pede Deferimento P.D. Espera Deferimento E.D. ) e) Indicação do local e da data, seguida da assinatura do requerente. f) Uso dos pronomes de tratamento (V.Sª, V. Exª etc.) Exemplo: ( Senhor Diretor do Colégio Estadual Padre Anchieta 7 cm José Maria, aluno regularmente matriculado no 3º ano do Ensino Médio desse colégio, no período da manhã, vem requerer a V. Sr.ª a transferência para o período noturno em virtude da incompatibilidade com o horário de trabalho recentemente iniciado. 2 cm Nesses termos, Pede deferimento. Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2012. José Maria Ramos ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) III. Procuração: A procuração é um documento por meio do qual uma pessoa autoriza outra a agir ou praticar atos em seu nome, dando-lhe plenos poderes para representá-lo em uma circunstância específica. Ela só terá validade se a assinatura vier com firma reconhecida. A procuração pode ser pública ou particular. O presente documento é composto de: título (Procuração); qualificações do mandante e do mandatário como nome, nacionalidade, estado civil, profissão, CPF e residência. Seguindo estes itens, virá a parte onde o outorgante declara a finalidade da procuração e autoriza o procurador a praticar os atos aos quais está sendo nomeado. Finalmente, deverá apresentar a data e a assinatura do outorgante. Exemplo de procuração particular. PROCURAÇÃO (nome)...................., (nacionalidade) .................., (estado civil) , (profissão)................., residente na ............... (cidade) ............, (estado) , portador do RG nº ................, CPF nº , pelo presente instrumento de procuração constitui e nomeia seu bastante procurador (nome) .........., (nacionalidade)..........., (es. Civil)........., (profissão) , residente na ............. (cidade) .........., (estado)............., portador do RG nº ..........., CPF nº , para específico ............................................................................................................................................................................................ ............................................................................................................................................................................ podendo, para tanto, realizar todos os atos necessários para este fim. (cidade)..............., (dia) ..... de (mês de (ano) (assinatura)...................................................... (Firma reconhecida) ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 48 ) ( 47 ) IV. Ofício: O ofício é uma forma de correspondência oficial externa usada por órgãos do serviço público. Atualmente, é usado também como correspondência protocolar entre entidades públicas ou particulares, sua finalidade é informar com o máximo de clareza e precisão o assunto em questão, utilizando-se o padrão culto da língua portuguesa. Características do Ofício: (padronização recomendada pela Secretaria de Administração Federal) 1 – Deve-se respeitar os espaços de margem esquerda (3 cm) e na direita (2 cm), aproximadamente. 2 – O número do Ofício deve ser escrito à esquerda, no alto da folha, na mesma linha, à direita, vem a indicação do local e a data. Há ponto final após a data. 3 – Depois de um pequeno espaço, vem o Vocativo com que nos dirigimos ao destinatário (Senhor + Cargo – em maiúscula do destinatário): Senhor Diretor, Senhor Secretário, Senhor Embaixador etc. 4 – No encerramento, usam-se expressões simples como: Respeitosamente (para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República), Atenciosamente (para autoridade da mesma hierarquia ou de hierarquia superior) 5 – O sinal de pontuação que se segue ao fecho é, obrigatoriamente, a vírgula. Exemplo de Ofício: 5 cm Dados completos da Instituição ou Órgão: Secretaria de /Departamento / Setor/ Entidade/ Colégio Endereço para correspondência Telefone e endereço de e-mail ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) Ofício nº 001/2012/DG Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2012. A Sua Excelência o Senhor Secretário de Educação (nome) Rio de Janeiro – RJ Assunto: Convite Senhor Secretário Temos o prazer de anunciar a V. Exª que, no próximo dia 15 de outubro, às 10 horas, será aberta neste Colégio uma Feira Literária em que os alunos apresentarão um Sarau com a leitura de seus textos poéticos. Será para nós uma grande honra se V. Exª puder prestigiar essa iniciativa pedagógica com a sua presença em nossa Instituição de Ensino. Respeitosamente, José Maria Ramos (Diretor) 49 V. Memorando O memorando é uma modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem ter ou não a mesma hierarquia. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna. Características: 1 – Numeração para controle interno; 2 – A data deve figurar na mesma linha do número e da identificação do memorando; 3 – O destinatário do memorando é mencionado pelo cargo que ocupa. 4 – Quanto ao emissor, já foi mencionado na numeração e virá explícito na assinatura. 5 – O assunto esclarece o teor da comunicação 6 – O texto segue o mesmo padrão do ofício. 7 – O fecho também segue a mesma normatização que o ofício. 8 – Os despachos ao memorando devem ser dados no próprio documento. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 50 ) ( 51 ) Exemplo: Nome da Instituição 5 cm MEMORANDO Mem. 001/DP Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2012. Ao Sr / Srª Chefe do Departamento De Pessoal Assunto: Redução de Carga Horária Venho por meio deste solicitar a redução da carga horária por mim realizada nessa Instituição a partir do segundo semestre de 2018, por motivos pessoais. Atenciosamente, Prof.ª Maria Luzia Paiva de Andrade Matricula: (nº) ( Para saber mais sobre Redação Oficial, pesquise: G O L D , M i r i a m . R e d a ç ã o E m p r e s a r i a l . S ã o P a u l o : P e a r s o n P r e n t i c e H a ll , 2012. T U F A N O , D o u g l a s . E s t u d o s d e R e d a ç ã o . S ã o P a u l o : M o d e r n a , 1996. MEDEIROS , João Bosco. Português Instrumental : para cursos de contabilidade, economia e administração. 4ª ed. – São Paulo: Atlas, 2000. ) · Aspectos Comunicacionais em meios multimídias O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação, as TICs, seja ela presencial ou a distância, tem como objetivo principal o próprio aluno. Nesse contexto, torna-se necessário avaliar as necessidades, as possibilidades e o contexto de vida do aprendiz, além, é claro, da necessidade profissional na qual está inserido. Um bom projeto pedagógico de educação é aquele que prioriza sempre, em primeiro lugar, a aprendizagem dos alunos, e oferece um modelo pedagógico que possibilite o acesso à informação e à comunicação por meio de estratégias de interação e da integração das diversas mídias, que contemplem uma diversidade de atividades, linguagens e textos que dialoguem em constante interação através de vários recursos de multimídias como imagens, gráficos, animação, áudio, textos etc. Recursos multimídia é a combinação de textos, fotografia, gráfico, vídeo, áudio e animação associados, normalmente, a um computador pessoal, o que permite a interatividade do usuário com o equipamento, ampliando o acesso à informação. Desse modo, a interatividade torna-se o elemento principal para o trabalho com a virtualidade; sem essa possibilidade o espaço virtual ou os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) perde o movimento que impulsiona a sua atualização constante. Com o aperfeiçoamento das TIC’s, as interações a distância têm sido cada vez mais eficientes promovendo uma aproximação, ainda que as pessoas estejam espaço-temporalmente distantes. Podemos dizer que essas tecnologias aproximam as pessoas, possibilitando que elas interajam e, assim: comuniquem, ensinem e aprendam com eficácia considerável (Cf. BARROS,2007, p. 45). · Ambientes Virtuais de Aprendizagem – AVA Como se sabe, na modalidade educação a distância o processo de ensino e aprendizagem não se faz por intermédio da sala de aula física, tal qual o modelo presencial. São, portanto, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) que permitem a mediação e o gerenciamento de todo o processo de ensino nos cursos a distância. Caracteriza-se, portanto, como ambientes virtuais de aprendizagem ou na sua abreviação AVAs aqueles “sistemas computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação” (THING, 2003, p. 78). Qual seria a função mesma desses ambientes? A tarefa fundamental do AVA na perspectiva de Côrrea (2007, p.56) “consiste em integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentando informações de maneira organizada ao “desenvolver interações entre os alunos e tutores e objetos de conhecimento, além de elaborar e socializar produções tendo em vista atingir determinados objetivos”. Trata-se de sala de aula virtual composto de interfaces ou ferramentas decisivas para a construção da interatividade e da aprendizagem dos cursos a quem se destina. Nela acomodam-se o web-roteiro com sua rede de conteúdos e atividades propostos pelo profissional que desenha o conteúdo, bem como acolhe a atuação dos alunos e do tutor/professor, seja individualmente, seja de modo colaborativo (Cf. CÔRREA, 2007, p. 23). Conseguiu compreender? Vamos pensar de forma específica: O AVA possui como objetivo fundamental facilitar as atividades didáticas pedagógicas para o processo de ensino e aprendizagem. De uma forma geral, tais ambientes de aprendizagem são constituídos pela seguinte estrutura: Conteúdo, Atividades, Recursos, Chat, Fórum, E-mail, Avaliação. Cada um desses recursos possui um papel especial na forma de condução da aprendizagem, como também na interação entre o tutor e o aluno tornando o aprendizado algo dinâmico e enriquecedor (Cf. KENSKI, 2003, p. 78). ( 54 Ciberespaço: Este termo tem sua origem em William Gibson, em 1984, no livro Neuromancer , refere-se a um espaço virtual composto por cada computador e usuário conectados em uma rede mundial. Trata-se de uma espaço virtual presente em “potência” e desterritorializante. )Atualmente, existem inúmeras ferramentas que se propõem a dar suporte para processos de ensino e de aprendizagem baseados na Web tanto originárias do meio acadêmico, quanto do meio comercial. Cada uma delas possui de forma implícita ou explícita concepções sobre como ocorre o processo de ensino e de aprendizagem. Neste contexto, várias organizações vêm produzindo e disponibilizando o AVA no ciberespaço com formatos e custos que variam e se adequam as necessidades dos seus respectivos educadores virtuais pelo fato de possibilitarem fácil manuseio e controle de aulas, discussões, apresentações, sobretudo, as atividades potencialmente educacionais de forma virtual. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) · O emprego das Tecnologias e Comunicação e Informação em contextos educacionais. Considerando a Educação um processo de organização da informação e que a comunicação apoia este processo, torna-se essencial para uma educação de qualidade que a comunicação se dê também com qualidade. Assim, a partir de agora, para que o emprego das tecnologias vá além de simplesmente transmitir, pedimos a vocês que ampliem o entendimento do que é aprender. Ora, sabemos que a aprendizagem se dá por meio de processos cognitivos, sociais e culturais, e que a tecnologia e o professor apenas contribuem para que ela se consolide. Desta forma, informações e conhecimentos necessitam ser processados pelos indivíduos para que se tornem aprendizado. Se o homem e as tecnologias são meios para que os alunos aprendam, a utilização dessas tecnologias será eficiente se as escolhas destas forem adequadas e planejadas. Portanto, tarefas como ler, ouvir, pesquisar e desenvolver uma atividade são diferentemente tratadas num ambiente virtual. Mas como utilizar as tecnologias TICs? Pergunta difícil, não? Melhor que as conheçamos antes. Para não esquecer... A “sociedade da informação” se caracteriza por ter desenvolvido o processamento e a velocidade de transmissão das informações. O que não significa que toda a informação seja transformada imediatamente em conhecimento. A produção do conhecimento implica um processo de ensino, ou seja, processo de aprendizagem, que consiste na apropriação das informações, conhecimentos, habilidades e atitudes, por parte de quem recebe a informação. · Ferramentas de Comunicação voltadas à EaD Vimos que os recursos didáticos da EAD estão ampliando as formas de pensar, aprender e ensinar. E que a o uso da tecnologia na Educação é benéfico, pois, permite momentos distintos para que haja interação entre os participantes de um curso. ( Linguagens e Pesquisa ) ( Linguagens e Pesquisa ) ( 56 ) ( 55 ) Apontamos aí uma das vantagens principais do uso das tecnologias no processo educativo que são as várias possibilidades de interação. Na educação a distância, ou nos momentos a distância de cursos semipresenciais, a comunicação e a interação são as bases para o sucesso da aprendizagem. Desta forma, as atividades devem se apresentar ricas em sistemas síncronos e assíncronos, pois estes despertam o interesse do aluno em fazer parte do grupo de aprendizagem e também colaborar, expondo seu conhecimento. Para não esquecer: Assíncronos – são os serviços cujo tempo de envio e recepção de mensagens exigem um determinado período de tempo. Este tempo vai depender do recurso utilizado e do tamanho das mensagens. Síncronos - são os serviços que exigem que os interlocutores estejam conectados ao serviço ao mesmo tempo para que haja comunicação. A comunicação é “instantânea”. · A seguir algumas possibilidades de ferramentas assíncronas: 1. A World Wide Web – WWW – é o serviço que popularizou a internet. Permite a visualização de páginas com hipertextos (palavras ligadas a outras páginas) com multimídia (hipermídia). Embora seja assíncrono, este serviço pode ter características síncronas; 2. FTP e download – possibilita a transferência de arquivos de um ponto a outro. Possui dois tipos de acesso: o anônimo (download) e o total. O acesso total do FTP só é permitido para quem possui conta. Nesse tipo de acesso, o usuário pode manipular os arquivos, ou seja, apagar, criar e excluir diretórios. 3. E-mail, web mail, ou correio eletrônico – apresentam as seguintes características na EAD: permitem a rápida comunicação e incrementam a troca de mensagens escritas entre todos os participantes dos cursos; permitem o envio de arquivos, em qualquer formato, anexados às mensagens (geralmente, o feedback do professor chega por e-mail); o uso da caixa postal individual facilita a organização dos estudos dos alunos; facilita o uso e o acesso à informação, assim favorecem a construção do conhecimento que se dá pela interação; por ser assíncrono, permite a análise cuidadosa das mensagens antes de serem respondidas (interação mais ponderada entre instrutor e alunos). 4. Lista de discussão - recurso utilizado em EAD, funciona através de e- mail. Por esta ferramenta se veiculam mensagens de interesse dos grupos participantes dos cursos. 5. Grupos de discussão no fórum – permite que as mensagens enviadas sejam organizadas hierarquicamente, podendo ser lidas por meio da página da internet em que o fórum está localizado. O que diferencia os grupos das listas de discussão, é que nos grupos não necessitamos de e- mails para acessá-los. · Vejamos algumas possibilidades de ferramentas síncronas: 1. Chat ou Bate papo – é um recurso de comunicação que pode ser utilizado pelos grupos para discutirem um tema pré-estabelecido pelos seus membros, que seja significativo para o conteúdo do curso e/ou aprendizado. Esta ferramenta permite conversas síncronas e textuais em um curso. O chat é eficiente nas seguintes situações: integrar o grupo; sanar dúvidas dos alunos (podem