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DD367 - PENSAMENTO JURÍDICO CONTEMPORÂNEO
CASO PRÁTICO
Nome: Manuela Carolina Almeida Sodré 
1) No preâmbulo da Declaração do Homem e do Cidadão de 1789, argumente a relação com o constitucionalismo e pensamento de Rousseau.
O preâmbulo da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 apresenta princípios fundamentais que estabelecem as bases do constitucionalismo moderno, defendendo a ideia de que os direitos humanos são universais, inalienáveis e naturais. Essa perspectiva ressoa profundamente com o pensamento de Jean-Jacques Rousseau, especialmente em sua obra "O Contrato Social".
Rousseau argumentava que a legitimidade do poder político reside na vontade geral e que as leis devem refletir o bem comum. Ele acreditava que a sociedade deveria ser organizada em torno de um contrato social, no qual os indivíduos abdicam de certas liberdades em prol da coletividade, garantindo igualdade e liberdade para todos. Essa concepção está alinhada com o espírito do preâmbulo da Declaração, que busca fundar um novo regime baseado na soberania popular e no respeito aos direitos fundamentais (Bobbio, 2006). 
Além disso, o constitucionalismo, enquanto movimento político e jurídico que defende a limitação do poder através de uma constituição escrita, também encontra inspiração no pensamento rousseauniano. O ideal de garantir que o governo atue dentro dos limites estabelecidos e em conformidade com os direitos do povo é uma materialização prática das ideias de Rousseau sobre a soberania popular e o contrato social.
Assim, o preâmbulo da Declaração de 1789 e o pensamento de Rousseau convergem na busca por um modelo de sociedade em que a liberdade, igualdade e os direitos naturais sejam protegidos por estruturas constitucionais sólidas. Essa relação destaca a influência do Iluminismo e dos ideais rousseaunianos na formação das democracias modernas.
2) Comente o artigo 1 da Declaração do Homem e do Cidadão de 1789, do ponto de vista do iusnaturalista cristão.
O iusnaturalismo é uma corrente de pensamento jurídico que se baseia na existência de um direito natural, entendido como um conjunto de normas universais, eternas e inalteráveis, oriundas da própria natureza humana ou de princípios divinos. Ele contrapõe-se ao positivismo jurídico, que vê as leis como construções puramente humanas e mutáveis. O iusnaturalismo cristão, em particular, associa o direito natural às leis divinas, entendendo que Deus é a fonte última das leis morais e jurídicas. Este pensamento foi amplamente desenvolvido por filósofos como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, que identificaram a lei natural como um reflexo da vontade divina (Fialho, 2017). 
O artigo 1 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 afirma: "Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum." Sob a perspectiva do iusnaturalismo cristão, tal artigo poderia ser interpretado como a materialização da crença de que todos os seres humanos são criados por Deus com igual dignidade e direitos. Essa igualdade essencial é um reflexo direto da criação divina, que confere a cada pessoa um valor intrínseco. Além disso, a ideia de que as distinções sociais devem servir ao bem comum alinha-se ao princípio cristão de caridade, segundo o qual toda organização social deve priorizar a justiça e o cuidado com o próximo.
3) Comente a diferença entre iusnaturalismo racional e o iusnaturalismo cristão na interpretação do artigo 1 da declaração do homem e do cidadão de 1789.
A diferença entre o iusnaturalismo racional e o iusnaturalismo cristão na interpretação do artigo 1º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 está diretamente relacionada às suas bases de legitimidade e compreensão da natureza humana.
Iusnaturalismo racional: Essa corrente fundamenta o direito natural na razão humana. Durante o Iluminismo, pensadores como Kant e outros racionalistas argumentaram que a razão é a ferramenta universal que permite aos seres humanos compreenderem os princípios do direito natural, sem recorrer à fé ou à religião. Na interpretação do artigo 1º ("Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum"), o iusnaturalismo racional o entende como uma expressão da igualdade e da liberdade inerentes à natureza racional do ser humano. Segundo essa visão, a igualdade e a liberdade são princípios objetivos derivados da própria lógica da existência humana e da organização social (Fialho, 2017) e (Arnaud e Silva, 2018).
Iusnaturalismo cristão: Este, por outro lado, baseia o direito natural na crença em uma ordem divina. Para autores como Santo Tomás de Aquino, a lei natural é uma manifestação da vontade de Deus e deve ser interpretada à luz dos ensinamentos cristãos. Sob essa perspectiva, o artigo 1º reflete a igualdade e a liberdade como dons divinos conferidos por Deus a todos os homens, independentemente de origem ou classe social. Essa visão se alinha aos valores cristãos de dignidade intrínseca de todos os seres humanos e ao mandamento do amor ao próximo.
Então enquanto o iusnaturalismo racional destaca a capacidade da razão humana como fonte de princípios universais de igualdade e liberdade, o iusnaturalismo cristão relaciona esses mesmos princípios à vontade divina e à criação divina. Ambas as correntes, entretanto, convergem na ideia central de que tais direitos são naturais e inalienáveis, o que fortalece o espírito universalista do artigo 1º.
4) Comente o artigo 17 da declaração de homem e cidadão de 1789 e argumente a relação com o pensamento de Adam Smith, o comércio internacional e a globalização.
O artigo 17 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 afirma: "A propriedade é um direito inviolável e sagrado, do qual ninguém pode ser privado, salvo quando a necessidade pública, legalmente constatada, o exigir evidentemente, e sob a condição de uma justa e prévia indenização." Esse artigo destaca a centralidade do direito à propriedade como um dos pilares das liberdades individuais e da ordem social, articulando o respeito à propriedade privada como essencial para o progresso social e econômico. Assim segundo Arnaud e Silva (2018) podemos fazer a seguinte reflexão: 
Relação com o pensamento de Adam Smith
Adam Smith, em sua obra "A Riqueza das Nações", também valorizava a propriedade privada como um componente indispensável para o funcionamento de mercados livres. Para ele, a proteção da propriedade cria incentivos para a produção, inovação e acumulação de riqueza, fatores essenciais para o desenvolvimento econômico. Sob a ótica smithiana, o respeito ao direito de propriedade, conforme descrito no artigo 17, é fundamental para que indivíduos possam buscar seus interesses próprios, o que, segundo ele, contribui para o bem-estar geral por meio do que chamou de "mão invisível" do mercado. 
Comércio Internacional
O pensamento de Adam Smith se estende ao comércio internacional, onde ele defendeu o princípio do laissez-faire e da vantagem comparativa, promovendo trocas comerciais entre nações com base em seus recursos e capacidades produtivas. O direito à propriedade garantido no artigo 17 fornece a base jurídica necessária para que agentes econômicos possam participar de trocas comerciais internacionais de forma segura e eficiente, estimulando o crescimento global.
Globalização
A globalização, enquanto fenômeno contemporâneo que envolve a integração econômica, cultural e política entre diferentes regiões, também está intrinsecamente ligada à proteção da propriedade privada. O respeito à propriedade e às regras contratuais é essencial para atrair investimentos internacionais e fortalecer a confiança entre nações e empresas. A ideia central do artigo 17, quando vista sob o prisma da globalização, destaca a importância de um arcabouço jurídico estável que permita a circulação de bens, capitais e ideias em um mundo interconectado.
O artigo 17 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 alinha-se
aos princípios de Adam Smith, promovendo a propriedade privada como motor de progresso econômico e consolidando bases importantes para o comércio internacional e os processos de globalização.
5) O artigo 4º expressa "A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudica a outro", interpretar essa proposição do ponto de vista socrático.
Do ponto de vista socrático, a frase do artigo 4º, "A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudica a outro", pode ser interpretada à luz da ética e do compromisso com o bem comum, que permeiam o pensamento de Sócrates. Para Sócrates, a verdadeira liberdade não está na realização desenfreada dos desejos individuais, mas sim no autoconhecimento e na busca da virtude. A liberdade, para ele, deve ser guiada pela razão e pela justiça (Arnaud e Silva, 2018).
Nesse sentido, a ideia de não prejudicar o outro se alinha ao princípio socrático de que a prática da virtude é essencial para uma vida boa e harmônica. Sócrates defendia que ninguém comete o mal de forma consciente, mas sim por ignorância, e que a educação e o diálogo são fundamentais para levar o indivíduo a compreender o impacto de suas ações sobre os outros. Assim, agir de forma a não prejudicar os outros seria, sob essa ótica, uma manifestação de sabedoria e de alinhamento com a virtude.
Ademais, Sócrates também enfatizava a importância da justiça como base para a convivência humana. A proposição do artigo 4º, ao definir a liberdade como limitada pela responsabilidade de não causar dano a outros, está em sintonia com a concepção socrática de que a liberdade individual deve ser exercida de forma ética, contribuindo para a justiça e o bem-estar coletivo (Arnaud e Silva, 2018).
A perspectiva socrática destaca que a liberdade verdadeira é inseparável do compromisso com a virtude e a justiça, valores que estão implícitos na formulação do artigo 4º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Referencias 
[1] Bobbio, Norberto (2006). O positivismo jurídico: lições de Filosofia do Direito. São Paulo: Ícone.
[2] Fialho, Marcelito Lopes (2017). Os três caminhos do pensamento jurídico contemporâneo. Interciência.
[3] Arnaud, Núbia Athenas Santos, Silva, Paulo Henrique Tavares (2018). Rev. de Argumentação e Hermeneutica Jurídica. Porto Alegre v. 4 n. 2 p. 40 – 58.

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