Logo Passei Direto
Buscar
Material

Prévia do material em texto

Indaial – 2021
Educacionais
Prof.ª Monica Maria Baruffi
2a Edição
Políticas
Elaboração:
Prof.ª Monica Maria Baruffi
Copyright © UNIASSELVI 2021
 Revisão, Diagramação e Produção: 
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
B295p
Baruffi, Mônica Maria
Políticas educacionais. / Mônica Maria Baruffi – Indaial: UNIASSELVI, 
2021.
235 p.; il.
ISBN 978-65-5663-741-9
ISBN Digital 978-65-5663-742-6
1. Sistema educacional brasileiro. - Brasil. II. Centro Universitário 
Leonardo da Vinci.
CDD 370
Caro acadêmico, diante das inúmeras mudanças que estão ocorrendo no plano 
político-econômico mundial e simultaneamente em nosso país, faz-se necessária 
reformulação das leis que regem, particularmente, o sistema educacional brasileiro. 
Assim, é necessário que enquanto profissionais da educação e futuros professores, 
realizemos estudo e reflexão das políticas governamentais. 
Neste livro de estudos, você, acadêmico, reconhecerá as mudanças ocorridas 
até o momento na Educação Brasileira, a partir dos documentos que regem o sistema 
educacional brasileiro. Partimos da Constituição Brasileira, seguida pela Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação, ambos importantes no processo político educacional brasileiro. 
Com a perpetração destes dois documentos basilares busca-se a construção de outros 
documentos que serão elencados no transcorrer das unidades deste livro, demonstrando 
as mudanças que ocorreram e que ocorrem no cenário federal, estadual e municipal, 
influenciando nos programas e nas políticas públicas relacionadas à Educação, nosso 
foco de estudo. 
Trataremos neste livro as seguintes temáticas: na primeira unidade, trataremos 
das Políticas Públicas na educação, Constituição Federal e sua influência na Lei de 
Diretrizes e Bases da educação; reconheceremos o histórico da LDB/1996 e sua 
influência na estrutura educacional em todas as esferas governamentais.
Na segunda unidade apresentaremos a comunicação existente entre 
globalização e as políticas públicas; falaremos sobre as instituições formadoras do 
sistema educacional brasileiro, a nova Base Nacional Comum Curricular e a organização 
e gestão escolar coletiva. 
Na terceira unidade trataremos da identidade da escola, a organização e gestão 
frente às políticas públicas; identificaremos as competências do professor na escola e 
da equipe gestora; reconheceremos as áreas de atuação dos membros da escola e os 
instrumentos da estruturação política educacional na instituição escolar. 
Caro acadêmico, este livro tem a finalidade de auxiliar você em sua formação e 
auxiliar na discussão das temáticas referentes às políticas públicas na área educacional. 
Acreditamos que você poderá reconhecer no transcorrer da leitura a importância das 
políticas educacionais para sua formação.
Ótimo estudo!
Prof a. Monica Maria Baruffi
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e 
dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes 
completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você 
acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar 
essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só 
aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - AS POLÍTICAS PÚBLICAS NA EDUCAÇÃO ...................................................... 1
TÓPICO 1 - POLÍTICAS PÚBLICAS NO CONTEXTO EDUCACIONAL ....................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 O QUE SÃO POLÍTICAS PÚBLICAS? ...................................................................................3
2.1 COMO SE FAZEM AS POLÍTICAS PÚBLICAS? ..................................................................................7
2.2 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A EDUCAÇÃO ................................................................................ 11
3 LIGAÇÃO ENTRE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A LEI DE DIRETRIZES E 
 BASES DA EDUCAÇÃO ..................................................................................................... 29
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 33
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 34
TÓPICO 2 - A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO DE 1996 .............................. 39
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 39
2 COMO SITUAR-SE SOBRE A LDB .................................................................................... 39
3 A LDB E SUA ESTRUTURAÇÃO ........................................................................................ 44
4 BREVE ANÁLISE DOS TÍTULOS DA LDB ......................................................................... 45
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................Acesso em: 19 set. 2016.
Caro acadêmico, ao tratarmos do assunto alfabetização e letramento, 
indagamos: o que é alfabetização e letramento? São sinônimos?
Vamos refletir sobre isso, pois é de extrema importância buscarmos esse 
entendimento. Quando falamos em alfabetização e letramento, estamos tratando do que 
nos é apresentado no PNAIC – Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.
24
FIGURA 2 – CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
FONTE: . 
Acesso em: 25 jul. 2016.
Podemos perceber que o alfabetizar e letrar se confundem, estão interligados, 
de acordo com Magda Soares (1998, p. 47): “Alfabetizar e letrar são duas ações distintas, 
mas são inseparáveis, ao contrário, o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a 
ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o 
indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo alfabetizado e letrado”.
Letramento:
• conjunto de conhecimentos, 
atitudes e capacidades neces-
sários para usar a escrita em 
práticas sociais
Alfabetização: 
• Domínio do sistema alfa-
bético-ortográfico;
• relação entre pauta sono-
ra e as letras 
O slide da figura anterior e os demais que o compõe, são de Camila Ribeiro, 
pedagoga da Prefeitura Municipal de Araucária, e se encontram na íntegra 
no link: .
DICAS
Com este entendimento sobre alfabetização e letramento, podemos perceber que 
todo educando necessita dos profissionais da educação comprometidos e que o Estado dê 
a estes profissionais condições de aprimoramento e entendimento.
No que diz respeito ao inciso “V – acesso aos níveis mais elevados do ensino, 
da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”; e ao inciso 
“VI – oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando” 
(BRASIL, 1988); observamos que a cada indivíduo é dado o direito de participar ou 
acessar a universidade, a pesquisa, que muito se fala na atualidade, como uma das 
25
necessidades mais presentes na esfera educacional e das criações artísticas. Conforme 
Abrão (2016, p. 1091-1092): “[...] tal direito será conferido àqueles que demonstram 
capacidade de acordo com os mecanismos de aferição que lhes forem impostos”.
Já o inciso VI, apresentado anteriormente, denota que o Estado tem o dever 
de criar ações que atendam à igualdade de condições para o acesso e permanência 
do educando na escola, “oferecendo a ele o ensino noturno regular adequado as suas 
condições, já que, normalmente, os cursos noturnos são procurados por pessoas com 
mais idade, as quais trabalham durante o dia e necessitam estudar à noite” (ABRÃO, 
2016, p. 1092).
E, por último, o inciso VII, que trata do “atendimento ao educando, em todas 
as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material 
didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde”. Este inciso trata 
do que anteriormente comentamos, de nada adianta mantermos os educandos em sala 
de aula, lhes dando o direito à matrícula, gratuidade do ensino, se não lhes são dadas 
condições físicas e pedagógicas para tanto. Como assim? Da seguinte forma, conforme 
nos prescreve Abrão (2016, p. 1092):
Esse preceito constitucional é de suma importância, pois não basta 
garantir o direito ao ensino público gratuito, porque por si só ele não 
se efetiva. São necessários programas suplementares para que seja 
possível manter um estudante na escola. Diante da miserabilidade de 
parcela significativa da população brasileira, os programas de oferta 
de material escolar, transporte, saúde e alimentação não podem se 
dissociar do direito à educação, porque se de outra forma ocorresse, 
este último não se realizaria.
A autora ainda nos apresenta de maneira bem clara:
Um aluno com fome não consegue assimilar as lições de seu profes-
sor, sem saúde, não consegue estudar, sem transporte não chega à 
escola e sem material não acompanha a lição. Desse modo, para que 
o ensino seja ministrado, não basta o princípio da igualdade de con-
dições ao acesso e permanência na escola, o Estado deverá ser cha-
mado a dar condições concretas e efetivas para viabilizar esse prin-
cípio. Para tanto, o constituinte atribui ao estado o dever de promover 
ações, e, todas as etapas da educação básica, para garantir de forma 
suplementar o material didático-escolar, o transporte, a alimentação 
e a assistência à saúde dos educandos. Mas deixemos bem claro que 
a atuação do Estado, por meio de programas para promoção dessas 
ações, é suplementar, pois deverá atingir somente os educandos que 
não tenham condições de se autossustentar (ABRÃO, 2016, p. 1092).
Nas próximas unidades trataremos dos programas que o Estado promove para 
auxiliar no desenvolvimento e melhoria da vida educacional dos educandos.
Caro acadêmico, parece um pouco cansativo este processo de estudo, mas 
saiba que é necessário para sua formação, enquanto profissional da educação. Desta 
forma, vamos dar continuidade, agora apresentando outro artigo.
26
Art. 209 – O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes 
condições” (BRASIL, 1988):
I- cumprimento das normas gerais da educação nacional: as 
escolas privadas poderão exercer o ensino, mas deverão seguir 
as regras previstas nos documentos oficiais como a LDB – Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação, o PNE – Plano Nacional de 
Educação, dentre outros documentos relacionados à educação.
II- autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público: 
quanto ao direito de abertura de escolas privadas, cabe e é dado 
o direito ao Poder Público de sancionar, liberar, autorizar a aber-
tura destas instituições privadas e verificar se elas atendem ao 
que é prerrogativa de melhoria na qualidade educacional dos 
educandos. Cabe também ao Poder Público realizar avaliações, 
em que ele “poderá revogar a autorização caso verifique que ati-
tudes contrárias ao interesse social, como ensino de baixa quali-
dade e preços de mensalidades extorsivos, estão sendo pratica-
dos” (ABRÃO, 2016, p. 1095).
O artigo 210, trata de uma temática de extrema importância, que assim se apre-
senta: “Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de manei-
ra a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e ar-
tísticos, nacionais e regionais” (BRASIL, 1988). Este artigo demonstra um respeito e 
cuidado com relação ao pluralismo cultural. Conforme Abrão (2016, p. 1095), “o pluralis-
mo representa hoje uma necessidade, pois a história nos mostrou a tragicidade das ten-
tativas de uniformização e hegemonização culturais, raciais, ideológicas, religiosas etc.”
Cabe ressaltar ainda que na formulação deste artigo se observa o cuidado e 
abertura para considerar o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, pois a 
escola é um espaço de democracia, a qual de forma alguma poderá deixar de respeitar 
as diferenças culturais aí existentes e reconhecer as diferenças regionais e sociais exis-
tentes neste nosso imenso país.
FIGURA 3 – PLURALISMO CULTURAL
FONTE: . Acesso em: 10 jul. 2021.
27
Segundo Abrão (2016, p. 1095), “[...] constitui um dos objetivos fundamentais 
da República Federativa do Brasil a promoção do bem de todos, sem preconceito de 
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Entendemos 
que a escola é um ambiente próprio para a efetividade e o respeito a esses preceitos”.
Continuando, sobre os artigos relativos à educação, apresentamos o “Art. 211 
– A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime 
de colaboração seus sistemas de ensino” (BRASIL, 1988).
Observe, acadêmico, que este artigo trata da competência de cada membro 
federado no sistema educacional.
Ao falar sobre competência é necessário esclarecer que o Brasil é um 
Estado Federal e o constituinte, no art. 1°, configurou sua formação 
da seguinte maneira: União, Estados-membros, Distrito Federal 
e Municípios. As característicasessenciais de um Estado federal 
são: os Estados-membros possuem autonomia para autogovernar-
se, há uma descentralização legislativa, administrativa e política 
e esses Estados participam do governo central por meio de seus 
representantes no Congresso Nacional. A proposta do constituinte 
de 1988 foi pela tentativa da maior descentralização de decisões, 
fortalecendo os Estados e os Municípios. Desse modo ficou a União 
com a elaboração de normas gerais, sempre levando em consideração 
a realidade local (ABRÃO, 2016, p. 1097).
Desta forma, o artigo 211, como declara Abrão (2016, p. 1097), “[...] deve ser 
interpretado em consonância com o disposto no art. 23 da Carta Magna, que prevê a 
fixação de normas para cooperação entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios, 
com vistas ao equilíbrio do desenvolvimento e ao bem-estar em âmbito nacional”.
Com isso podemos perceber que a pluralidade cultural e regional é respeitada no 
desenvolvimento e construção de uma estrutura organizacional adequada à realidade 
local.
Assim, à União fica a responsabilidade de auxiliar financeiramente, organizar o 
sistema federal de ensino, buscar meios para a obtenção de ensino de qualidade através 
de seus programas e de uma Base Nacional de Ensino.
Aos municípios fica a priorização do ensino fundamental e da educação infantil 
com qualidade. Esta temática será melhor desenvolvida nas próximas unidades deste 
caderno. Já os Estados e o Distrito Federal priorizarão o ensino fundamental e médio.
O Artigo 212 traz as questões relativas ao financeiro, ficando assim sua leitura: 
“A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante 
de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e 
desenvolvimento do ensino” (BRASIL, 1988).
28
Ao tratarmos deste artigo, podemos nos ater ao que ocorre em nossos estados 
e municípios. Como profissional da educação e como cidadão, podemos observar se 
os recursos públicos estão sendo realmente aplicados na esfera educacional. Cabe a 
cada membro formador da sociedade buscar informações relativas a esta aplicação, 
pois é de extrema necessidade ter as condições necessárias para o funcionamento e 
desenvolvimento dos trabalhos pedagógicos na escola.
É importante observar que esta matéria está regulamentada pela Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação. Vejamos o artigo 213:
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, 
podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, 
definidas em lei que:
I- comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus excedentes 
financeiros em educação;
II- assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola 
comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no 
caso de encerramento de suas atividades.
Parágrafo 1° Os recursos de que trata este artigo poderão ser 
destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, 
na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, 
quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na 
localidade da residência do educando, ficando o Poder Público obrigado 
a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade.
Parágrafo 2° As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo 
e fomento à inovação realizadas por universidades e/ou por 
instituições de educação profissional e tecnológica poderão receber 
apoio financeiro do Poder Público (BRASIL, 1988, grifo nosso).
Os dois parágrafos tratam de ações relativas ao financeiro. No parágrafo 
primeiro, cabe ao Poder Público realizar investimentos prioritariamente em sua rede de 
ensino, mas poderá conceder bolsas de estudo para os ensinos fundamental e médio 
aos alunos que comprovarem falta de recursos.
O parágrafo segundo trata de uma regra não obrigatória, pois o Poder Público 
poderá apoiar ações relativas a atividades universitárias de pesquisa, de extensão e de 
estímulo e fomento à inovação. Tudo isso dependerá de verbas orçamentárias.
Por último, trataremos do artigo 214, que busca estabelecer o plano nacional de 
educação, o qual será melhor analisado nas próximas unidades.
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, 
de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema 
nacional de educação em regime de colaboração e definir 
diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação 
para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino 
em seus diversos níveis, etapas e modalidades por meio de 
ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas 
federativas que conduzam a:
29
I- erradicação do analfabetismo;
II- universalização do atendimento escolar; 
III- melhoria da qualidade de ensino;
IV- formação para o trabalho;
V- promoção humanística, científica e tecnológica do País;
VI- estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em 
educação como proporção do produto interno bruto (BRASIL, 
1988, grifo nosso).
Com estes dados podemos perceber que o Plano Nacional de Educação tem como 
base buscar solucionar e, se assim não for possível, diminuir as diferenças e o pessimismo 
existente com as questões educacionais. É determinante que todos os profissionais da 
educação tenham conhecimento deste documento, participem de sua elaboração, que 
ocorre a cada dez anos, e verifiquem se os objetivos já propostos foram ou estão sendo 
conquistados. Participar é uma das palavras-chave para cada um de nós, profissionais 
da educação.
Caro acadêmico, frente ao exposto, nos artigos relativos à Educação, vamos 
retomar o artigo 212, que fala sobre a aplicação de percentuais na educação fundamental, 
no que diz respeito ao município. Relativo a isso, você, enquanto cidadão e profissional 
da educação, que está em busca de novos conhecimentos, busca saber se realmente é 
realizada essa aplicação de recursos na esfera educacional de seu município ou estado? 
Você acha necessário esse acompanhamento?
Daremos continuidade a nossos estudos e trataremos de outro fator que é 
determinante no processo de legislar. Até o momento, nos deparamos com o que são as 
Políticas Públicas e a influência da Constituição Federal na Educação com a apresentação 
dos artigos 205 até o 214, que tratam diretamente das questões educacionais.
Formular leis que tragam propostas flexíveis e auxiliem na estruturação de todos os 
níveis de ensino de um país, como o Brasil, não é algo tão fácil, mas observa-se que os 
documentos criados, pautados na ética, na ordem e no desenvolvimento educacional, 
retratam que muito já se caminhou e muito ainda é necessário construir com a educação 
nacional. Por isso, trataremos agora de algo significativo e que nos faz pensar.
3 LIGAÇÃO ENTRE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A LEI DE 
DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO
Como vimos, a Constituição Federal é a Carta Magna de nosso país, e é a 
partir deste documento que nós, da educação, necessitamos buscar alimento para a 
construção de outro documento que podemos considerar a Carta Magna da Educação 
brasileira.
30
Estamos falando da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, documento 
que pode ser considerado a “bússola da educação escolar”, conforme apresentado no 
prefácio do livro LDB fácil, pela professora Maria do Socorro Santos Uchoa Carneiro 
(CARNEIRO, 2015, p. 17).
Podemos determinar que a Constituição Federal foi e é a raiz de sustentação de 
todo o programa educacional de nosso país. A Constituição Federal delineia a forma 
democrática de governo.
A Constituição é o fundamento do direito à medida que, de seu cumprimento, 
deriva o exercício da autonomia legítima e consentida. Não menos importante é 
compreender que, ao institucionalizar a soberania popular, o texto constitucional traduz 
o estado da cultura política da nação (CARNEIRO, 2015). Enquanto na educação, as 
constituições brasileiras construíram através de caminhadas árduas, uma aproximação 
entre “direitos políticos e direitos sociais”(CARNEIRO, 2015, p. 38).
Para tanto, conforme Carneiro (2015, p. 38), “a inclusão da Educação como 
direito fundamental de todo cidadão contribuiu para sinalizar na perspectiva da 
construção de uma escola de padrão básico, vazada em um modelo organizacional 
de objetivos convergentes, logo estruturado à luz de marcos normativos comuns”.
Observa-se que para chegar ao patamar em que nos encontramos na atualidade 
a caminhada foi árdua e passamos por diversos momentos históricos, na construção de 
várias constituições brasileiras.
Assim, podemos determinar de forma resumida as constituições que já tivemos 
em nosso país. Estas constituições foram oito, assim apresentadas, conforme Carneiro 
(2015, p. 39):
A primeira Constituição do país data de 1824. De então até agora, o 
Brasil teve oito constituições, a saber: a de 1824, a de 1891, a de 1934, 
a de 1937, a de 1946, a de 1967, a de 1969 e a de 1988. Destas, apenas 
as de 1891, 1934, 1946 e 1988 foram votadas por representantes 
populares com delegação constituinte. A última dessas Constituições, 
a de 1988, contou com uma robusta participação da comunidade 
nacional, mediante a mobilização de amplos segmentos da sociedade 
civil. Culminância deste movimento cívico foram os atos públicos que 
cimentaram a criação do Plenário Nacional Pró-Participação Nacional 
Popular na Constituinte. Neste cenário, a defesa da escola pública e 
de uma educação de qualidade ganhou relevância ímpar no conjunto 
da sociedade brasileira [...].
Diante deste cenário, vamos apresentar a você, acadêmico, um quadro resumido 
das constituições que já tivemos em nosso país e qual a ligação de cada uma com a 
educação. Fique atento às situações e interesses envolvendo cada momento histórico 
da construção das constituições!
31
QUADRO 2 – CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS
CONSTITUIÇÃO/ANO FATORES DETERMINANTES
Constituição 
Imperial/1824
Incorporou a iniciativa de implantação de colégios e universidades ao 
conjunto de direitos civis e políticos, além de fixar a gratuidade do ensi-
no primário. O processo gerencial ficou aos cuidados da Coroa e, quatro 
anos mais tarde, instalam-se as Câmaras Municipais que ficam com a 
responsabilidade de inspecionar as escolas primárias. 
Ato 
Institucional/1834
A declaração do Ato Institucional criou as Assembleias Legislativas Provinciais, 
cabendo-lhes a atribuição de legislar sobre instrução pública. Ocorre aqui a 
elitização do ensino, pois a maioria das escolas secundárias abrigava-se em 
mãos de particulares, o que por si só representava uma elitização da escola, 
dado que somente famílias de posse poderiam custear os estudos de seus 
filhos. A escola que se queria buscava a tradição da educação aristocrática, 
totalmente voltada para os frequentadores da corte e, portanto, para os 
destinatários do Ensino Superior, em detrimento dos demais níveis de ensino. 
Constituição 
Republicana/1891
Trouxe mudanças significativas na educação. Ao Congresso Nacional foi 
atribuída a prerrogativa legal exclusiva de legislar sobre o ensino supe-
rior. Ainda poderia criar escolar secundárias e superiores nos estados, 
além de responder pela instrução secundária do Distrito federal. Aos es-
tados cabia legislar sobre o ensino primário e secundário, implantar e 
manter escolas primárias, secundárias e superiores. 
Constituição /1934
Coube a União federal a tarefa de fixar as Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional. Criou também, o Conselho Nacional de Educação, e os estados 
e o Distrito Federal ganharam autonomia para organizar seus sistemas de 
ensino e, ainda instalar Conselhos estaduais de Educação com idênticas 
funções das do Conselho nacional, evidentemente, dentro do âmbito de 
suas jurisdições. A União recebeu a tarefa de institucionalizar e elaborar o 
Plano Nacional de Educação, com dois eixos fundamentais: organização 
do ensino nos diferentes níveis e áreas especializadas e a realização da 
ação supletiva com os estados, seja subsidiando com estudos e ava-
liações técnicas, seja aportando recursos financeiros complementares. 
Constituição/1946
No clima da afirmação democrática que invadiu o mundo no âmbito do 
pós-guerra, buscou-se um eixo representado por um conjunto de valores 
transcendentais que tinham, na liberdade, na defesa da dignidade humana 
e na solidariedade internacional, os dormentes de sustentação. Proclama 
a educação como um direito de todos. Nesta Carta de 1946, prescreveu 
uma organização equilibrada do sistema educacional brasileiro, mediante 
um formato administrativo e pedagógico descentralizado, sem que a União 
abdicasse da responsabilidade de apresentar as linhas mestras de organi-
zação da educação nacional. Neste documento há muito das ideias e do 
espírito do Manifestos dos Pioneiros da educação Nova de 1932. Foi a partir 
desta percepção que o Ministério da Educação de então, Clemente Maria-
ni, oficializou comissão de educadores para propor uma reforma geral da 
educação nacional. Aqui, a origem da lei 4.024/61, nosso primeira LDB, so-
mente aprovada pelo Congresso Nacional depois de uma longa gestação de 
11 anos. Ainda neste momento, o Ministério da educação e Cultura passa a 
exercer as atribuições de Poder político Federal em matéria de Educação.
32
Constituição /1967
Foi pautada sob a inspiração da ideologia da segurança nacional. O ensi-
no particular recebeu amplo apoio e fortalecimento. Ocorreu a ampliação 
da obrigatoriedade de ensino fundamental de sete até 14 anos, aparen-
temente grande conquista, pois conflitava com outro preceito que per-
mitia o trabalho de crianças com 12 anos. Nisto, contrastava coma Carta 
de 1946 que estabelecia os 14 anos de idade como idade mínima para o 
trabalho de menores. Retirava-se a obrigatoriedade de percentuais do 
orçamento destinados à manutenção e desenvolvimento do ensino. 
Constituição/1969
Preservou-se todos os ângulos da constituição anterior. Os recursos 
orçamentários vinculados ao ensino ficaram restritos aos municípios 
que se obrigavam a aplicar, pelo menos, 20% da receita tributária no 
ensino médio. O lado mais obscuro deste texto foi relativo às atividades 
docentes. A escola passou a ser palco de vigilância permanente dos 
agentes políticos do estado. Neste período, editaram-se vários Atos 
Institucionais que eram acionados, com muita frequência, contra a 
liberdade docente. 
Constituição/1988
Esta constituição significou a reconquista da cidadania sem medo. Nela, 
a educação ganhou lugar de altíssima relevância. O país inteiro desper-
tou para esta causa comum. As emedas populares calçaram a ideia de 
educação como direito de todos (direito social) e, portanto, deveria ser 
universal, gratuita, democrática, comunitária e de elevado padrão de 
qualidade. Em síntese, transformadora da realidade. Aqui as universida-
des passaram a gozar de autonomia didático-científica administrativa e 
de gestão financeira e patrimonial, e a obedecer ao princípio de indisso-
ciabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. 
FONTE: Carneiro (2015, p. 29-33)
Observe, acadêmico, que a caminhada de nossa Constituição e da educação 
brasileira foi pautada por momentos históricos e fez com que pudéssemos determinar 
as necessidades do momento e das muitas mudanças que ainda estamos buscando 
dentro da Educação.
Essa busca vem ao encontro das necessidades, valores, desejos e anseios 
da população, que hoje participa ativamente de forma democrática das atividades e 
propostas apresentadas.
Nossa LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – está inserida em 
nossa Carta Magna, a Constituição Federal. Por este motivo o interesse e a 
necessidade de reconhecermos este documento como de extrema importância em nossas 
vidas profissionais. Tanto a Constituição como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
estão inseridas em nosso cotidiano.
33
Neste tópico, você aprendeu:
• Em muitos momentos as políticas públicas nos passam despercebidas, mas elas 
encontram-se dentro da história da humanidade. Podemos relatar também forte 
influência na GréciaAntiga, onde a palavra política tem seu berço, onde filósofos 
como Aristóteles e Platão foram os precursores desta ciência.
• “Políticas Públicas são ações geradas na esfera do Estado e que têm como 
objetivo atingir a sociedade como um todo ou partes dela” (SANTOS, 2014, p. 5).
• As políticas públicas terão eficácia a partir do momento que os cidadãos 
compreenderem como ocorre a criação dessas políticas (ações, programas) nas 
esferas federais, estaduais e, principalmente, nas que estão bem próximas de 
cada um de nós, e que estão sendo desenvolvidas – as municipais. Estas ações 
também ocorrem dentro e fora de nossas residências, e somos nós também 
responsáveis pela sua aplicabilidade, transparência e eficácia.
• As Políticas Públicas são de “responsabilidade do Estado, com base em organismos 
políticos e entidades da sociedade civil se estabelece um processo de tomada 
de decisões que derivam nas normatizações do país, ou seja, nossa Legislação” 
(MARINHO, 2006, p. 1).
• As políticas públicas retratam não só questões acerca da economia, mas do 
envolvimento de diversos segmentos, contendo condições e possibilidades 
de desenvolver mecanismos que auxiliem no crescimento e qualidade de vida 
da população.
• “A Constituição de um Estado Democrático é a cartilha na qual os cidadãos 
apreendem os fundamentos e a proteção de seus direitos, a disciplina da atuação 
e dos limites do Poder Estatal e a função social da comunidade” (MACHADO; 
CUNHA, 2016, p. 23).
• No artigo 206 da Constituição Federal, ressalta-se a garantia do ensino, a qualidade, 
a igualdade quanto ao acesso e permanência na escola, a liberdade de aprender, 
o pluralismo de ideias, gratuidade do ensino público, a gestão e valorização dos 
profissionais da educação (BRASIL, 1988).
• As universidades gozam de autonomia didático-pedagógica, administrativa e de 
gestão financeira e patrimonial, e obedecerão aos princípios de indissociabilidade 
entre ensino, pesquisa e extensão (BRASIL, 1988).
RESUMO DO TÓPICO 1
34
AUTOATIVIDADE
1 Ao detectarmos problemas sociais, os governantes e a sociedade civil organizada 
buscam encontrar meios, as chamadas Políticas Públicas para o desenvolvimento 
de programas e ações que diminuam a situação encontrada. Desta forma, analise as 
sentenças:
I- Políticas Públicas são utilizadas somente no que diz respeito às questões econômicas 
de um país em desenvolvimento.
II- Políticas Públicas são ações que envolvem diversos segmentos da sociedade e 
auxiliam na qualidade de vida da população e aplicada pelos governantes. 
III- Políticas Públicas são movimentos relativos a partidos políticos que compreendem 
sua posição de promotores da verdade.
IV- Políticas Públicas são ações que envolvem tanto a economia de um país com o 
envolvimento da sociedade organizada e aplicada pelos governantes.
Assim, assinale a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V – F – V.
b) ( ) V – V – F – F.
c) ( ) F – V – F – F.
d) ( ) V – F – F – V.
e) ( ) F – V – V – F.
2 (ENADE, 2011) Com o advento da República, a discussão sobre a questão educacional 
torna-se pauta significativa nas esferas dos Poderes Executivo e Legislativo, tanto 
no âmbito Federal quanto no Estadual. Já na Primeira República, a expansão da 
demanda social se propaga com o movimento da escola novista; no período getulista, 
encontram-se as reformas de Francisco Campos e Gustavo Capanema; no momento 
de crítica e balanço do pós-1946, ocorre a promulgação da primeira Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional, em 1961. É somente com a Constituição de 1988, no 
entanto, que os brasileiros têm assegurada a educação de forma universal, como um 
direito de todos, tendo em vista o pleno desenvolvimento da pessoa no que se refere 
a sua preparação para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O 
artigo 208 do texto constitucional prevê como dever do Estado a oferta da educação 
tanto a crianças como àqueles que não tiveram acesso ao ensino em idade própria à 
escolarização cabida. 
Nesse contexto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
35
A relação entre educação e cidadania se estabelece na busca da universalização da educação 
como uma das condições necessárias para a consolidação da democracia no Brasil.
PORQUE
Por meio da atuação de seus representantes nos Poderes Executivos e Legislativo, no 
decorrer do século XX, passou a ser garantido no Brasil o direito de acesso à educação, 
inclusive aos jovens e adultos que já estavam fora da idade escolar.
FONTE: . Acesso em: 10 jul. 2021.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As duas são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da 
primeira.
b) ( ) As duas são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa 
correta da primeira.
c) ( ) A primeira é uma proposição verdadeira, e a segunda, falsa.
d) ( ) A primeira é uma proposição falsa, e a segunda, verdadeira.
e) ( ) Tanto a primeira quanto a segunda asserção são proposições falsas.
3 (ENADE 2017) As políticas educacionais estão dentro do marco da reforma do Estado 
e, consideradas na ótica do caráter instrumental, subordinadas a lógica econômica, 
tendo em vista a necessidade de adequar os países às exigências postas pela 
globalização e incluí-los na nova ordem econômica mundial. Nesse sentido, as políticas 
educacionais brasileiras, como políticas consentidas pelo governo em relação às 
exigências dos organismos internacionais, têm colocado em destaque quatro eixos: 
gestão, equidade e qualidade, financiamento e aperfeiçoamento docente. Em torno 
de cada eixo desenharam-se programas. 
MAUÉS, O. Os organismos internacionais e as políticas 
educacionais do Brasil. In: GONÇALVES, L.A.O. Currículo 
e políticas públicas. Belo Horizonte: Autentica, 2003 
(Adaptado). Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/
areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/
enade/provas-e-gabaritos. Acesso em: 8 mar. 2021.
No que tange aos programas relacionados aos eixos das políticas educacionais, avalie 
as afirmações a seguir:
I- No eixo de gestão encontram-se os programas: autonomia escolar e participação 
local; melhoria dos sistemas de informações e gestão; e participação dos pais, 
governos e comunidades locais.
II- No eixo equidade e qualidade encontram-se os programas: reforma curricular; 
determinação positiva para grupos vulneráveis; e extensão da jornada escolar ou 
aumento de horas de aula. 
36
III- No eixo de financiamento encontram-se os programas: prestação de contas 
à sociedade; distribuição de recursos atrelados aos resultados das avaliações 
sistêmicas; e destinação de recursos para instituições privadas. 
IV- No eixo de aperfeiçoamento docente encontram-se os programas: melhoria de 
inovação pedagógica; descentralização administrativa e pedagógica; e programa 
nacional para professores leigos. 
FONTE: . Acesso em: 12 jul. 2021.
É CORRETO o que se afirma em:
a) ( ) I e II.
b) ( ) I e IV.
c) ( ) III e IV.
d) ( ) I, II e III.
e) ( ) II, III e IV.
4 Cada país possui suas leis, as quais regem o sistema governamental. Em nosso 
país possuímos a Constituição que é reconhecida como a carta magna de um país 
democrático. Dessa forma, podemos definir a palavra Constituição como:
I- Modelo que determina aos cidadãos reconhecerem os fundamentos e proteção de 
seus direitos e deveres.
II- Documento que determina os deveres que cada cidadão deverá seguir em toda sua 
vida sem poder criticar sobre as leis.
III- Documento que determina ao cidadão reconhecer o que cabe à Família e ao Estado 
e a função social da comunidade.
IV- Modelo que demonstra as leis determinantes para que o país possa seguir um 
caminho de maneira democrática e pacífica.
Agora, assinale a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V – V.
b) () F – V – V – F.
c) ( ) F – F – V – F.
d) ( ) V – F – V – F.
e) ( ) F – V – F – F.
5 (ENADE, 2014) A Lei n° 12.796, de 4 de abril de 2013, alterou a Lei n° 9.394, de 20 
de dezembro de 1996. Uma das alterações tornou obrigatória a Educação Básica 
para a população com idade entre 4 e 17 anos de idade. Essa alteração decorre 
da Emenda Constitucional n° 59, de 11 de novembro de 2009, a qual garante que 
a medida deverá ser implantada progressivamente até 2016. Diante disso, são 
necessárias ações, no interior da escola, que levem os profissionais à compreensão 
37
mais aprofundada do teor desses dispositivos legais, de modo que a implementação 
dessa política esteja articulada à melhoria da qualidade da educação pública. Com 
relação às novas demandas da Educação Básica, analise as sentenças a seguir: 
I- A Educação Básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade compreende 
as etapas de pré-escola, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Os currículos da 
Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio devem ter base 
nacional comum e parte diversificada.
II- A Educação Básica compreende a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o 
Ensino Médio. A Educação Infantil de 4 a 5 anos de idade é obrigatória para o acesso 
ao Ensino Fundamental.
III- A Educação Infantil tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 
5 anos de idade, contemplando os aspectos físico, psicológico, intelectual e social.
IV- dever dos pais efetivar, na escola, a matrícula da criança com 4 anos de idade, 
cabendo à escola realizar o acompanhamento e o registro do desenvolvimento das 
crianças.
FONTE: . Acesso em: 12 jul. 2021. 
É CORRETO o que se afirma em:
a) ( ) II, apenas. 
b) ( ) II e III. 
c) ( ) II e IV. 
d) ( ) I, III e IV. 
6 Na introdução do livro sobre a Constituição Brasileira há a seguinte citação: "Nós, 
representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte, 
para instalar um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos 
sociais e individuais, da liberdade, da segurança, do bem-estar, do desenvolvimento, 
da igualdade e da justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista 
e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e 
internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos sob a proteção 
de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil" (MACHADO, 
2016, p. 1). Cada país possui suas leis, as quais regem o sistema governamental. Em 
nosso país, possuímos a Constituição que é reconhecida como a Carta Magna de 
um país democrático, conforme a citação apresentada. Sobre a palavra Constituição, 
classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
FONTE: MACHADO, A. C. da C. (Org.); CUNHA, A. C. F. da 
(Coord.). Constituição Federal Interpretada: artigo por artigo, 
parágrafo por parágrafo. 7. ed. Barueri, SP: Manole, 2016.
38
(   ) Modelo que favorece aos cidadãos reconhecerem os fundamentos e a proteção de 
seus direitos e deveres.
(   ) Documento que determina os deveres que cada cidadão deverá seguir em toda 
sua vida, sem poder criticar sobre as leis.
(   ) Documento que favorece ao cidadão reconhecer o que cabe à família e ao Estado 
e a função social da comunidade.
(   ) Modelo que demonstra as leis determinantes para que o país possa seguir um 
caminho de maneira democrática e pacífica.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V – V.
b) ( ) F – F – V – V. 
c) ( ) V – F – V – F. 
d) ( ) F – V – F – F.
7 No artigo 206 da Constituição Federal, encontramos os princípios de como o ensino 
será ministrado. Dentre eles, temos a "liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e 
divulgar o pensamento, a arte e o saber" (BRASIL, 1988). Com isso, observamos a 
necessidade de compreender o que cada palavra ali inserida significa. 
 
FONTE: BRASIL. Constituição (1988). Constituição da 
República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: 
Centro Gráfico, 1988.
Assim sendo, disserte sobre os seguintes tópicos:
• O que a “liberdade de aprender” significa para o contexto educacional.
• O pesquisar na educação leva o profissional a um aperfeiçoamento científico 
e prático no processo de ensinar e aprender.
8 Em Políticas Públicas, as ações devem ser realizadas pelos governantes, mas 
precisamos perceber que, para elas existirem, é necessária sua elaboração, e, para 
isso, devemos seguir algumas etapas. Estas etapas levam as políticas públicas a se 
constituírem como meios de resolver problemas advindos do espaço comunitário, 
municipal, estadual e nacional. Assim, disserte sobre os seguintes tópicos:
• Etapas são necessárias para a elaboração de uma política pública. 
• Participação nas etapas de elaboração das políticas públicas.
• Meios que podem ser utilizados para acompanhar a execução das políticas públicas. 
39
A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO 
DE 1996
1 INTRODUÇÃO
Após a leitura do Tópico 1, podemos dar continuidade a nossos estudos, pois 
estamos aptos a compreender como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi 
elaborada e de onde partiu sua fundamentação.
Veremos também, neste Tópico 2, a relação que a LDB possui com o Sistema 
Educacional, suas mediações e a necessidade de sua presença neste sistema.
Cabe ressaltar que serão tratadas temáticas voltadas à organização da LDB nas 
esferas Federal, Estadual e Municipal, chegando à instituição escolar.
Esta caminhada retrata o que você, acadêmico, busca em sua formação 
profissional, o conhecimento, o reconhecimento e a capacidade de utilização destes 
documentos em sua construção profissional e pessoal.
Então, vamos continuar nosso processo de construção e, por que não dizer, de 
reconstrução do conhecimento relativo às leis que regem a Educação brasileira!
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
2 COMO SITUAR-SE SOBRE A LDB
Inicialmente, vamos nos reportar ao quadro que foi apresentado a você referente 
às constituições no que diz respeito à educação (Quadro 2). Nesse quadro visualizamos 
que o caminho foi construído a partir de diversos interesses, incialmente voltados à 
corte imperial, logo depois, passados longos anos e o Brasil ter sofrido diversos fatos 
históricos, buscou levar a educação a todos como um direito através da elaboração de 
leis que pudessem abarcar essas necessidades.
Devemos ter bem claro, caro acadêmico, que este movimento, que ainda ocorre 
e se faz necessário, não foi fácil, pois todo movimento relacionado à construção de novas 
regras leva, em muitos momentos, ao embate, em que a maneira de pensar de um não 
condiz com a forma de pensar do outro, criando inúmeras possibilidades de conflitos 
que devem ser ao final levados a um denominador comum. Como afirma Carneiro (2015, 
p. 27), “as disposições normativas do país no campo educacional são heterogêneas e 
nem sempre harmônicas e congruentes”.
40
Congruente; congruência: Harmonia duma coisa com o fim a que se destina; 
coerência (FERREIRA, 2001, p. 186).
NOTA
Assim, podemos determinar que a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – 
está inserida, como relatado anteriormente, na Constituição Federal. Conforme Carneiro 
(2015, p. 27):
A Lei da Educação deve trazer certeza e ordem de um lado e, de outro, 
deve ser mediadora entre imposições da estabilidade e as exigências 
da evolução social. Mas deve, sobretudo, ser um roteiro seguro de 
conceitos, caminhos, condutas e conclusões sob a inspiração da 
constituição.
Observe que a LDB também possui sua caminhada histórica, e vamos nos ater 
a ela neste momento.
A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi a Lei n° 
4.024, de 20 de dezembro de 1961, foi difícil sua elaboração, pois foi deixada correr de 
maneira frouxa, sem acompanhamento de perto. Como afirma Carneiro (2015, p. 35-36):
Entre a chegada do texto à Câmara Federal, em outubro de 1948, 
e o início dos debatessobre o texto, em maio de 1957, decorreram 
oito anos e meio. Daí, até a aprovação, em 20 de dezembro de 1961, 
mais quatro anos e sete meses! Ou seja, entre encaminhamento, as 
discussões e a aprovação do texto, passaram-se treze anos.
Observa-se que neste caminho, muitos foram os embates, chegando o texto 
a ser aprovado no ano de 1961, um marco histórico para a Educação Brasileira, pois os 
eixos principais deste documento relatavam:
i) Dos Fins da Educação
ii) Do Direito à Educação
iii) Da Liberdade de Ensino
iv) Da Administração do Ensino
v) Dos Sistemas de Ensino
vi) Da Educação de Grau Primário
vii) Da Assistência Social escolar
viii) Dos Recursos para a Educação (CARNEIRO, 2015, p. 36).
Com estes eixos, podemos perceber que a Educação Brasileira passa a ter um 
movimento linear em sua estruturação.
41
Após este movimento, já no ano de 1971, surge a nossa segunda Lei de 
Diretrizes e Bases, a Lei 5.692/71, a qual recebeu o nome oficial de Lei da 
Reforma do Ensino de 1° e 2° Graus, conforme Carneiro (2015, p. 36), caracterizada 
com uma gestação lenta e que também foi vista como um processo atípico, “em função 
do contexto político em que foi gestada: período de governo discricionário com as 
liberdades civis estranguladas”.
A terceira LDB foi a Lei 9.394/1996. Esta lei também teve sua construção 
complicada, pois possui em sua base a passagem de vários governos e, conforme 
Carneiro (2015, p. 37), “[...] marcados por fortes contradições ideológicas, sua tramitação 
foi longa, conflitiva, intensa, detalhista e ambientada em contextos de correlações de 
forças ora emancipatórias, ora paralisantes”.
O início da construção deste novo documento aconteceu em 1988, mas perpassou 
por três governos, a saber: José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.
Diante deste quadro, muitos anos foram necessários para sua construção 
e desconstrução, pois com as mudanças de governo, mudavam-se as formas de 
compreender as políticas públicas envolvendo a educação.
A discussão e tramitação da Lei 9.394/1996 no Congresso Nacional 
prolongaram-se, [...], pois passou por várias relatorias, teve vários 
substitutivos, ziguezagueou da Câmara para o Senado e vice-versa 
em ritmo de fluxo legislativo variado, submetida a movimentações 
burocráticas e de técnica legislativa que traduziam, com esforços 
ora explícitos, ora camuflados, um percurso tortuoso de conflitos 
ideológicos e de interesses contraditórios (CARNEIRO, 2015, p. 38).
Observa-se que os interesses aqui envolvidos estavam voltados para uma “visão 
agudamente desigual dos mecanismos de controle social, a partir dos espaços de governo 
e das escalas de comando dos protagonistas e atores do palco educacional, sobretudo 
daqueles posicionados na ponta do sistema: a escola” (CARNEIRO, 2015, p. 38).
Com isso, a construção desta nova Lei foi determinante no que diz 
respeito à busca do diálogo, pois “há de se reconhecer que o tempo 
ensinou o que ainda não se aprendera com o tempo: a estratégia 
das Conciliações abertas, na feliz expressão do sociólogo e deputado 
federal Florestan Fernandes” (CARNEIRO, 2015, p. 38).
Diante do exposto, podemos determinar que todos os embates ficaram focados 
diretamente em três blocos apresentados pelo professor Moaci Alves Carneiro, integrante 
da equipe que auxiliou na elaboração do texto final da LDB. Ficaram assim elencados:
42
QUADRO 3 – ETAPAS DE ESTUDO DA FORMAÇÃO DA LDB 9.394/96
BLOCO UM
• O direito à educação e o dever de educar.
• Definição de educação e respectivos fins, princípios, níveis escolares e focos.
• Público e privado na oferta de educação.
• Formas de organização da educação escolar e, sobretudo, da educação básica.
• Níveis e distribuição de responsabilidades entre União, estados, DF e municípios.
• Financiamento da educação.
• Funcionalidades e limites do ensino privado.
• Formação de professores e extensão do conceito de trabalhadores da educação para todos 
os “atores escolares”.
• Gestão democrática da escola.
BLOCO DOIS
• Educação escolar: compreensão, organização e oferta.
• Diretrizes e Parâmetros Curriculares para a educação básica.
• Componentes estruturantes da universidade, funções e sistemas de articulação.
• Modalidades de articulação entre os vários níveis de ensino.
• Estrutura e Funcionamento dos Sistemas de Ensino.
• Saberes formais e não formais dentro dos currículos em operação.
• Educação escolar para a diversidade e manejos de políticas educacionais para a inclusão 
social.
• Organização das modalidades de ensino, com destaque para a Educação de Jovens e Adultos, 
Educação Especial, Educação Profissional e Educação Indígena.
BLOCO TRÊS
• Oferta de educação escolar e regime de colaboração.
• Formas de organização, estrutura e funcionamento de todos os níveis e modalidades de 
ensino.
• “Refaces” da Educação Superior, novas tipologias de curso e indissociabilidade das funções de 
ensino, pesquisa e extensão.
• Educação Profissional e Mercado de Trabalho.
• Reestruturação do esquema de cursos de formação de professores.
• Reposicionamento do estado em relação à rede Federal de Instituições de Ensino Técnico.
• Criação de Universidades especializadas por campo de saber.
• Credenciamento de instituições de Educação a Distância.
• Sistema Nacional de Avaliação.
FONTE: Carneiro (2015, p. 39-40)
Com o que foi apresentado, podemos destacar que os avanços ocorreram 
e estamos colhendo na atualidade alguns destes frutos.
A Lei n° 9.394 é aprovada pelo plenário do Senado Federal, em 8 de fevereiro de 
1996, conforme Carneiro (2015 p. 41-42), “[...] retornando, em sucessivo, à Câmara 
dos Deputados. Ali, o Substitutivo originário do Senado recebe outro relator, incorpora 
emendas e é, afinal, aprovado sem vetos, assumindo a forma da Lei n° 9.394/1996”.
43
A Lei n° 9.934/96 pode ser encontrada em sua escola ou no site do Ministério 
da Educação: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view 
=article&id=12907:legislacoes& catid=70:legislacoes
DICAS
Carneiro (2015, p. 42) afirma que ao texto atualizado da LDB, atribui-se quatro 
comprovações referentes à educação e sua aplicabilidade, assim apresentadas por ele:
I- A educação é um campo estratégico de lutas políticas entre 
forças de permanência e forças da mudança. Para as primeiras, 
a educação é um ‘produto’, para as segundas um ‘processo’.
II- O ambiente político que hospedou as longas, detalhadas, 
conflitivas e contraditórias agendas de debate político, no 
âmbito do processo de elaboração da atual LDB, foi marcado 
por esforços continuados de desqualificar o Fórum Nacional em 
Defesa da Escola Pública na LDB e, ainda, de elidir o esforço do 
Bloco Parlamentar em Defesa da Educação Pública, formado e 
consolidado ao longo da Constituinte.
III- A inversão dos mecanismos de controle político, com a prevalência 
da vontade onipotente do Executivo sobre o Legislativo, deslocou 
os focos relacionais entre Educação/Estado/Sociedade/Economia/
Cultura.
IV- A mobilização da sociedade civil organizada constitui empuxe 
fundamental para remover tentativas de descaminhos do estado 
e de desvios do Poder Político. No caso em tela, os veementes 
protestos de entidades e atores do campo educacional, as 
manifestações dirigidas ao Parlamento Nacional e ao MEC, os 
encontros locais, regionais e nacionais – com destaque para 
o I Congresso Nacional em Defesa da Escola Pública (julho/
agosto de 1996, em Belo Horizonte, reunindo mais de cinco 
mil participantes) e, ainda, o trabalho incansável e vigilante do 
Fórum junto ao Congresso Nacional, com o apoio da imprensa, 
foram fatores decisivos para assegurar o caminho de avanços 
desejados. Pode-se dizer que este conjunto de forças e iniciativas 
de mobilização política contribuiu significativamente para conter 
o alargamento de deformações no texto em curso legislativo e, 
assim, para desenhar um campo normativo-educacional mais 
consentâneo com a realidade democrática do país.
Estas comprovações denotam que a caminhada para termos hoje a Leide 
Diretrizes e Bases da Educação n° 9.394/96 não foi algo fácil, ocorreram forças que sentiam 
a necessidade de determinar o que, como e qual leitura deveria ser feita sobre este 
documento.
44
Com relação aos blocos apresentados anteriormente, podemos determinar que 
esta LDB trouxe avanços significativos em vários momentos de sua escrita. Os avanços 
estão apresentados na defesa da escola pública, na defesa ao profissional da educação, na 
maneira como o Estado organiza e oferece a Educação Superior, dentre outros. Com isso, 
podemos determinar que a LDB é e está em constante transformação.
Caro acadêmico, para algumas pessoas, o que vimos até o momento pode ser 
determinado como algo dispensável, mas não o é, pois estes movimentos históricos 
vivenciados na construção tanto da Constituição como da Lei de Diretrizes e Bases 
devem ser vistos como “radiografias vivas dos antagonismos da sociedade brasileira 
e, sobretudo, como expressões de significações do passado e de matéria-prima para 
ressignificações no futuro, dentro de uma visão reinterpretada de novas possibilidades 
do Brasil como sociedade democrática” (CARNEIRO, 2015, p. 43).
Com isso podemos determinar que se necessita a cada momento redescobrir 
o que há de essencial dentro dos meios políticos e sociais, para assim reconstruirmos 
nossa história e modificar, se necessário, os caminhos na fortificação de leis mais 
flexíveis para a melhor condução da Educação no Brasil.
3 A LDB E SUA ESTRUTURAÇÃO
Caro acadêmico, diante do exposto até o momento, podemos determinar que 
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação também possui uma estruturação, e possui, 
conforme Santos (2012 p. 30), “um status diferenciado”.
Esse status caracteriza a LDB como “a maior de todas as políticas públicas 
regulatórias, pois sua estrutura define as relações, os acordos e os conflitos que podem se 
desenrolar no âmbito da educação brasileira” (SANTOS, 2012, p. 30).
Ao tratarmos da estruturação da LDB, nos deparamos com um documento que 
passou e passa por modificações nos artigos, sendo estes modificados por diversos motivos.
Quanto à estruturação do documento, podemos assim determiná-la: possui nove 
títulos, 92 artigos, além de cinco capítulos, tendo o capítulo II cinco seções.
Assim, apresenta-se:
Título I – Da educação
Título II – Dos princípios e fins da educação nacional
Título III – Do direito à educação e do dever de educar
Título IV – Da organização da educação nacional
Título V – Dos níveis e das modalidades de educação e ensino 
Capítulo I – Da composição dos níveis escolares 
Capítulo II – Da Educação Básica
45
Seção I – Das disposições gerais
Seção II – Da Educação Infantil
Seção III – Do Ensino Fundamental
Seção IV – Do Ensino Médio
Seção IV-A – Da educação profissional técnica de nível médio 
Seção V – Da educação de jovens e adultos
Capítulo III – Da educação profissional e tecnológica
Capítulo IV – Da educação superior
Capítulo V – Da educação especial
Título VI – Dos profissionais da educação
Título VII – Dos recursos financeiros
Título VIII – Das disposições gerais
Título IX – Das disposições transitórias
Com esta exposição podemos compreender o que antes Carneiro (2015) 
nos apresentou em suas considerações sobre a construção da LDB. Possuímos um 
documento com largas possibilidades de mudanças sociais e políticas públicas que 
auxiliam na caminhada política educacional brasileira.
Tanto a Constituição Federal como a LDB estão interligadas, dando, assim, 
condições de mesclar sua estruturação e alinhamentos. Para que você tenha maiores 
conhecimentos sobre a LDB na íntegra, solicitamos que busque nas páginas do Portal 
do Ministério da Educação esse documento, ou no link: http:// www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Leis/L9394.htm.
4 BREVE ANÁLISE DOS TÍTULOS DA LDB
Faremos, agora, em algumas páginas a análise de cada título da LDB, para 
sua melhor compreensão e análise:
Título I
Da Educação
Art. 1° A educação abrange os processos formativos que se 
desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, 
nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e 
organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
§ 1° Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, 
predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.
§2° A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à 
prática social (BRASIL, 1996, grifo do original).
Podemos observar que este artigo não trata somente da educação formal, mas da 
que ocorre também fora das universidades e das escolas (informal), como nos espaços da 
família, no trabalho, nas organizações sociais, nas associações, nos sindicatos, entre outros.
46
Ainda neste artigo, no § 2°, quando trata da vinculação ao mundo do trabalho 
e a prática social, a educação passa a ser vista através de quatro conceitos estruturantes, 
assim apresentados por Carneiro (2015, p. 52, grifos do original):
a) Prática social: atividade socialmente produzida, ao mesmo 
tempo, produtora de existência social. Significa, também, soma 
de processos históricos determinados pelas ações humanas.
b) Mundo do trabalho: ambiente de construção de sobrevivência, 
mas também de transformação social.
c) Movimentos sociais: esforços organizados de construção 
de espaços alternativos de organização coletiva com vistas à 
emancipação das coletividades.
d) Manifestações culturais: expressões da cultura enquanto 
conceito antropológico. Reporta o mundo que o homem cria 
através de sua intervenção sobre a natureza, ou seja, através de 
seu trabalho. Neste sentido, não há cultura superior a outra, há, 
isto sim, culturas diferentes.
Estes conceitos retratam o que nós, educadores, das mais diversas áreas 
necessitamos saber, e distinguir o que significa o mundo do trabalho de mercado do 
trabalho.
De acordo com Carneiro (2015, p. 52), o mundo do trabalho é “o campo por excelência 
da realização humana e da construção coletiva da cidadania com qualidade de vida”. Com 
relação ao mercado de trabalho, o mesmo autor afirma que: “é lugar da empregabilidade, 
dos pontos fixos de ocupação e, portanto, da profissionalidade. Embora diferentes, estes 
conceitos se completam em uma visão unificadora de desenvolvimento e formação”.
Ainda em relação a este parágrafo, podemos determinar que a escola é o espaço 
que assegura a entrada do sujeito na vida intelectual, o auxiliando na construção de 
seus conhecimentos de forma sistematizada, conforme Carneiro (2015, p. 53):
[...] ela abre os caminhos de todos e de cada um para uma relação 
criativa com o saber produzido pelo ser humano trabalhador. Ora se 
é verdade que o sujeito aprendente apropria-se de uma parte do 
patrimônio cultural humano, é também verdade que a conexão entre 
sujeito e saber – entre educação escolar e vida – se dá pelo trabalho. 
Por isso, pode-se dizer, em um certo sentido, que o primeiro princípio 
do saber é o trabalho, fonte de prática social.
Título II
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
Art. 2° A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos 
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem 
por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo 
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho 
(BRASIL, 1996).
Observamos que a Constituição Federal possui escrita similar ao apresentado 
no Artigo 2°. Encontramos, nesse artigo, as responsabilidades relativas ao Estado e às 
famílias no que se refere à Educação.
47
Ao Estado cabe se organizar ou se balizar de maneira legal frente à educação, 
observando o que segue na Constituição Federal nos artigos 208 a 214 já apresentados 
anteriormente. Além do que apresenta a LDB (Lei n° 9.349/96) e o Estatuto da Criança 
e do Adolescente, Capítulo IV (Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer) 
(Lei n° 8.069/90) (CARNEIRO, 2015).
Quanto à finalidade da educação, ela se apresenta em três momentos: a 
obtenção do pleno desenvolvimento do educando, dando ao indivíduo dentro 
de sua aprendizagemum desenvolvimento suave e progressivo. Preparação para 
o exercício da cidadania: desenvolver o conceito de cidadania de maneira global, 
observando que esta construção é gradativa, necessita de observância. Qualificação 
para o trabalho: a escola necessita se organizar de maneira a repassar ao educando 
uma relação educação-trabalho, voltada para tornar o trabalho altamente produtivo e 
que o conhecimento construído possa auxiliar no desenvolvimento do educando.
Art. 3° O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II- liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o 
pensamento, a arte e o saber;
III- pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV - respeito 
à liberdade e apreço à tolerância;
V- coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; 
VI- gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
VII- valorização do profissional da educação escolar;
VIII- gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da 
legislação dos sistemas de ensino;
IX- garantia de padrão de qualidade;
X- valorização da experiência extraescolar;
XI- vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas 
sociais; XII - consideração com a diversidade étnico-racial 
(Incluído pela Lei n° 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996).
Nesse artigo temos 12 princípios, os quais devem nortear o ensino 
brasileiro. Sabemos que muitos desses princípios ainda estão em construção no que diz 
respeito a sua prática diária, mas denotam avanços ocorridos em nossa sociedade e na 
implementação dos direitos e garantias de qualidade e valorização dos profissionais da 
educação escolar, desenvolvimento de concepções pedagógicas e sua aceitação, além 
das questões relativas à diversidade étnico-racial.
Título III
Do Direito à Educação e do Dever de Educar
Este título é formado por quatro artigos, art. 4°, 5°, 6° e 7° que tratam dos deveres 
e responsabilidades do Estado e da sociedade civil, no que tange à educação escolar. 
Podemos perceber que o artigo 4° sofreu mudanças através da Lei 12.796/2013, que 
amplia os níveis de educação escolar básica como gratuita e obrigatória, sendo assim 
delineados: Educação Infantil da Pré-escola, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.
48
Você, acadêmico, já deve ter observado em sua escola, ou com seus familiares 
que possuem crianças em idade escolar, a mudança ocorrida no que diz respeito a 
matrículas. A partir de agora, os pais devem matricular seus filhos na Educação Infantil, a 
partir dos quatro anos, levando-os para a pré-escola. Cabe ressaltar que esta mudança 
ocorreu pelo fato de que anteriormente aos pais era obrigatória a matrícula a partir dos 
seis anos, sendo que a única forma de educação obrigatória era o Ensino Fundamental.
Assim, a Pré-escola integra a Educação Infantil, a qual representa a primeira 
etapa da Educação Básica.
Conforme Carneiro (2015, p. 92): “A Educação Infantil tem como finalidade 
o desenvolvimento integral da criança de até cinco anos de idade, com foco em 
quatro dimensões: A – desenvolvimento físico; B – desenvolvimento psicológico; C – 
desenvolvimento intelectual e D – desenvolvimento social”.
Com relação ao Ensino Fundamental, pode-se afirmar que é uma sequência do 
que já foi iniciado na Educação Infantil, dando ênfase em:
seu desenvolvimento da capacidade de aprendizagem; aprofundamento 
no processo de alfabetização; compreendimento nas esferas cultural, 
social, natural, educacional, político e econômico, aproximando-se 
também das tecnologias, das artes, da cultura e dos valores em que 
a sociedade se fundamenta. Observa-se, também, a necessidade do 
fortalecimento dos vínculos familiares, a observância em relação à 
solidariedade humana (CARNEIRO, 2015, p. 97).
Esta etapa da Educação Fundamental possui duração de nove anos obrigatórios 
e gratuitos, assim organizados: Anos Iniciais (formado por cinco anos); Anos Finais 
(formado por quatro anos).
O Ensino Médio passou por diversas mudanças, você, acadêmico, 
pode observar no Portal do MEC as diversas alterações, sendo 
que na atualidade este nível de ensino passa a ser como “oferta 
obrigatória universal e gratuita” (CARNEIRO, 2015, p. 103). Com esta 
dita universalização do Ensino Médio gratuito, ele passa a aliar três níveis 
de alcance. São eles, conforme Carneiro (2015, p. 103, grifos do original):
Social, porque eleva o padrão de escolaridade do cidadão brasileiro, 
aprimorando os níveis de compreensão política em geral; cultural, 
porque ressitua as pessoas no contexto das diversas linguagens 
atuais, ampliando as chances de multiplicar os espaços dialógicos e 
interacionistas e, por fim, econômico, porque qualifica o trabalhador, 
ensejando uma relação profissional mais adequada com as 
transformações produtivas e com a TECNOCIÊNCIA.
Cabe salientar que a organização do Ensino Médio tem como foco, conforme 
o art. 26, da Res. n° 4/2010-CNE, apresentado por Carneiro (2015, p. 105):
a) A consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos assimilados 
no Ensino Fundamental.
b) A preparação básica para a cidadania e o trabalho.
49
c) O desenvolvimento do aluno como pessoa humana.
d) A formação ética e estética do aluno associada ao desenvolvimento da 
autonomia intelectual e do pensamento crítico.
e) A compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos da 
produção contemporânea.
f) A aquisição de competências e habilidades para continuar 
aprendendo ao longo da vida.
Cabe aqui uma reflexão: frente a estas finalidades podemos nos ater ao que 
realmente está sendo realizado em nossas escolas. Em sua visão, o Ensino Médio possui 
estas ações ou fins em nosso cotidiano pedagógico? Estamos realizando estes 
movimentos para chegarmos a estes fins?
Cabe ressaltar, também, a presença do “III - atendimento educacional 
especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os 
níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino; [...]” 
(Redação dada pela Lei n° 12.796, de 2013) (BRASIL, 2013). Este atendimento educacional 
especializado necessita de uma organização, a qual assim pode ser determinada, 
conforme Carneiro (2015, p. 122):
i) Matrícula dos alunos preferencialmente nas escolas regulares e 
nas classes comuns;
ii) Professores devidamente capacitados e especializados;
iii) Flexibilizações e adaptações curriculares com foco no significado 
prático e instrumental dos conteúdos essenciais;
iv) Metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados;
v) Processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos 
alunos que apresentam necessidades educacionais especiais;
vi) Projeto pedagógico permeável à diferença e à diversidade;
vii) Serviços de apoio pedagógico especializado para complementação 
ou suplementação curricular, utilizando equipamentos e materiais 
específicos;
viii) Rede de apoio interinstitucional que envolva equipes 
multidisciplinares a serem acionadas sempre que necessário 
para o sucesso do aluno em seu processo de aprendizagem.
Caro acadêmico, você poderá se perguntar: como ocorre esta educação 
inclusiva e qual é a sua fundamentação?
O fundamento da educação inclusiva, segundo a Declaração de Salamanca, é: “[...] 
que todas as crianças, sempre que possível, devem aprender juntas, independentemente 
de suas dificuldades e diferenças. A inclusão educativa é um movimento da sociedade 
planetária com três décadas de história, enraizada no respeito intransigente aos direitos 
humanos” (BRASIL, 1994, p. 1). Ouve-se muito falar em educação inclusiva, assim, 
salientamos que o Brasil é um país que buscou alinhar seus parâmetros de conduta 
que implicam em ações e atitudes de todos os profissionais, sejam da esfera Federal, 
Estadual ou Municipal, incluindo os profissionais das escolas.
50
• Aprender é uma ação humana em cuja centralidade está o aluno.
• Adaptar o conteúdo escolar é ação do próprioaluno no âmbito 
do processo de autorregulação.
• Modular a assimilação dos conhecimentos é processo 
dependente das limitações e possibilidades do aluno.
• Reconhecer e valorizar as diferenças é o primeiro passo para a 
escola comum recriar suas práticas pedagógicas.
• Trabalhar com uma gama variada de atividades é o grande 
desafio do professor da educação especial.
• Aferir programas no campo da aprendizagem e, não, conferir 
quantidade de conteúdos programáticos aprendidos, é a forma 
adequada de proceder à avaliação dos alunos com deficiência.
Com relação aos sujeitos da Educação Especial, a LDB possui seu olhar para 
o atendimento educacional especializado a três grupos, que são: os alunos com 
deficiência, os alunos com transtornos globais do desenvolvimento e os alunos com 
altas habilidades.
Estas questões estudaremos com maior profundidade em livros como o de 
Libras.
NOTA
Dando sequência aos estudos, vamos ao próximo título.
Título IV
Da Organização da Educação Nacional
Este título vai do art. 8° ao 20, que trata da organização da educação nacional, 
apresentando as competências de cada nível da federação, sendo eles: União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios. Ressalta-se que neste momento da organização da 
educação nacional todos os segmentos devem buscar um trabalho de colaboração que 
auxilie na aplicação das políticas públicas.
Cada esfera possui suas responsabilidades, assim aferidas na LDB – Lei n° 9.349 
(BRASIL, 1996, grifo do original):
Art. 9° A União incumbir-se-á de: (Regulamento)
I- elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
II- organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais 
do sistema federal de ensino e o dos Territórios;
III- prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito 
Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus 
sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade 
obrigatória, exercendo sua função redistributiva e supletiva;
51
IV- estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal 
e os Municípios, competências e diretrizes para a educação 
infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão 
os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar 
formação básica comum;
IV- A - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios, diretrizes e procedimentos para 
identificação, cadastramento e atendimento, na educação 
básica e na educação superior, de alunos com altas habilidades 
ou superdotação; (Incluído pela Lei n° 13.234, de 2015)
V- coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação;
VI- assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar 
no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com 
os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a 
melhoria da qualidade do ensino;
VII- baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; 
VIII- assegurar processo nacional de avaliação das instituições de 
educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem 
responsabilidade sobre este nível de ensino;
IX- autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, 
respectivamente, os cursos das instituições de educação 
superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. 
(Vide Lei n° 10.870, de 2004)
§ 1° Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de 
Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade 
permanente, criado por lei.
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá 
acesso a todos os dados e informações necessários de todos os 
estabelecimentos e órgãos educacionais.
§ 3° As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas 
aos Estados e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições 
de educação superior.
Tomamos a liberdade de apresentar na íntegra este documento, pois denota a 
importância de sabermos qual a responsabilidade de cada esfera federativa no que diz 
respeito à Educação.
Observamos no Artigo 9°, que compete à União, a sistematização e análise dos 
dados oriundos de todas as redes de ensino. Caro acadêmico, você já ouviu falar sobre o 
Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e o Sinaes (Sistema Nacional 
de Avaliação da Educação Superior)? Pois bem, trataremos deles mais adiante, mas 
podemos dizer que eles são mecanismos que a União utiliza para a sistematização e 
análise de dados educacionais. Os artigos a seguir tratam da incumbência dos Estados, 
Distrito Federal e Municípios (BRASIL, 1996).
Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: 
I- organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais 
dos seus sistemas de ensino;
II- definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do 
ensino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição 
proporcional das responsabilidades, de acordo com a população 
a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada 
uma dessas esferas do Poder Público;
52
III- elaborar e executar políticas e planos educacionais, em 
consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação, 
integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios;
IV- autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, 
respectivamente, os cursos das instituições de educação 
superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino;
V- baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; 
VI- assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o 
ensino médio a todos que o demandarem, respeitado o disposto 
no art. 38 desta Lei; (Redação dada pela Lei n° 12.061, de 2009).
VII- assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual 
(Incluído pela Lei n° 10.709, de 31.7.2003).
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências 
referentes aos Estados e aos Municípios.
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de:
I- organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais 
dos seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos 
educacionais da União e dos Estados;
II- exercer ação redistributiva em relação as suas escolas; 
III- baixar normas complementares para o seu sistema de ensino;
IV- autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu 
sistema de ensino;
V- oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com 
prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros 
níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente 
as necessidades de sua área de competência e com recursos 
acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição 
Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. 
VI- assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal 
(Incluído pela Lei n° 10.709, de 31.7.2003).
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar 
ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único 
de educação básica.
Conforme Santos (2012, p. 36), “também vale destacar que a redação da LDB 
aponta claramente para uma integração entre os sistemas de ensino municipal e 
estadual, coisa que ainda está muito longe de acontecer”.
Observe, acadêmico, que tanto estados como municípios possuem autonomia 
de baixar normas complementares, desde que estas não arranhem os princípios gerais 
apresentados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Já o Artigo 12 tem como funcionalidade apresentar as atribuições dos 
estabelecimentos de ensino (BRASIL, 1996):
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as 
normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a 
incumbência de:
I- elaborar e executar sua proposta pedagógica; 
II- administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
III- assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula 
estabelecidas; 
IV- velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
V- prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; 
53
VI- articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos 
de integração da sociedade coma escola;
VII- informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o 
rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua 
proposta pedagógica; 
VII- informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, 
e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência 
e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da 
proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei n° 
12.013, de 2009);
VIII- notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente 
da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público 
a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas 
acima de cinquenta por cento do percentual permitido em lei 
(Incluído pela Lei n° 10.287, de 2001).
Percebemos quais são as incumbências do estabelecimento educacional em 
relação ao seu funcionamento. Cabendo observância no cumprimento das horas-aula, 
dos dias letivos. Observa-se, também, a presença da sociedade civil no que diz respeito 
ao número elevado de faltas do educando, tendo a escola a responsabilidade de acionar 
o Conselho Tutelar. Podemos, ainda, ousar em dizer que todo o artigo busca a gestão 
compartilhada, sendo a responsabilidade participada entre Estado, escola e a sociedade 
civil. Cabe ressaltar também as incumbências do profissional da educação, que estão 
assim alinhadas na LDB:
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
I- participar da elaboração da proposta pedagógica do 
estabelecimento de ensino;
II- elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta 
pedagógica do estabelecimento de ensino;
III- zelar pela aprendizagem dos alunos;
IV- estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor 
rendimento;
V- ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de 
participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, 
à avaliação e ao desenvolvimento profissional;
VI- colaborar com as atividades de articulação da escola com as 
famílias e a comunidade.
Observamos nesse artigo que os profissionais da educação são chamados a se 
posicionar como profissionais da educação, e não como meros coadjuvantes do sistema 
educacional. Sabemos das lacunas existentes dentro do sistema educacional, principalmente, 
no que tange à valorização do professor, mas necessitamos buscar meios para que este 
quadro se modifique. Para isso, necessitamos fazer o que você está realizando agora, a busca 
do conhecimento das leis, de nossos deveres e de nossos direitos neste processo.
Visto isso, vamos utilizar as palavras de Santos (2012, p. 38), que se refere aos 
demais artigos deste título IV:
No que alude aos sistemas de ensino, os arts. 14 e 15 atribuem-lhes a 
responsabilidade de promover a gestão democrática do público, além 
de assegurar autonomia administrativa e pedagógica às unidades 
que os compõem.
54
Os arts. 16, 17 e 18 definem a área de abrangência de cada sistema 
de ensino. A esse respeito, cabe observar que, curiosamente, as 
instituições de educação infantil mantidas pela iniciativa privada 
integram os sistemas municipais de ensino, ainda que sua autonomia 
didático-administrativa e financeira seja preservada. Já os arts. 19 
e 20 regulamentam as definições de instituição pública (art.19) e 
privada (art.20) de ensino.
Partiremos agora para o título que se refere aos níveis e modalidades de 
Educação e Ensino.
Título V
Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino
Capítulo I
Da Composição dos Níveis Escolares
Art. 21. A educação escolar compõe-se de:
I- educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino 
médio;
II- educação superior” (BRASIL, 1996).
Na sua estrutura educacional, a educação escolar possui esta organização:
• Creche: três anos de duração. Destinado às crianças de 0 a 3 
anos.
• Pré-escola: dois anos de duração. Para crianças de 4 a 5 anos.
• Ensino Fundamental: nove anos de duração. Para crianças de 6 a 
14 anos.
• Ensino Médio: mínimo de três anos de duração. Destinado a 
alunos de 15 a 17 anos (CARNEIRO, 2015, p. 142).
De acordo com Carneiro (2015, p. 142):
Quando as etapas e fases de aprendizagem circulam fora da previsão 
de idades regulares, assumem configurações diversas, de ensino não 
regular, voltada para o perfil de alunos que fogem à norma, como é o 
caso, entre outros, de estudantes com atraso de matrícula e/ou no 
percurso escolar, de jovens e adultos sem escolarização ou com esta 
incompleta. Para estas outras situações, há previsão na LDB (art. 24, 
Inc. V, alínea b e art. 37 e 38), e, desdobramento, na Res. CNE/CEB 
4/2010, art. 21, parágrafo único).
Do artigo 22 ao 60 vamos mostrar quais as habilidades que o profissional da 
educação deve possuir. O título V é o mais extenso, e que possui elevado número de 
ações, que enquanto profissional da educação ou futuro profissional da educação, 
necessita estar atento. Assim, podemos apresentar sua composição:
Capítulo II – da Educação Básica. Que se subdivide em:
55
Seção I – Das Disposições Gerais (art. 22 ao art. 28).
Seção II – Da Educação Infantil (art. 29 ao art. 31).
Seção III – Do Ensino Fundamental (art. 32 ao art. 34)
Seção IV – Do Ensino Médio, incluindo a seção IV-a – Da Educação
Profissional Técnica de Nível Médio (art. 35 ao art. 36 – D).
Seção V – Da Educação de Jovens e Adultos (art. 37 e 38).
O Capítulo I já referimos anteriormente, definindo assim os níveis de ensino, suas 
funcionalidades, sua hierarquização, a qual se apresenta também na Constituição Federal.
Sabemos que há muito ainda para ser desenvolvido e discutido frente à 
Educação Básica, para chegar à universalização da Educação.
Universalização: tornar comum (FERREIRA, 2001, p. 736).
NOTA
Já o Capítulo II, traz a Educação Básica como foco, trazendo a ideia de que 
a Educação Básica não está somente focada na preparação para o Ensino Superior, 
mas sim, sendo vista como etapa fundamental na formação humana de cada cidadão. 
Abarca também a Educação Infantil até o Ensino Médio, define as regras referentes ao 
Ensino Religioso e a estruturação do Ensino Médio. Os elementos aqui apresentados 
“encontram-se na LDB de maneira ampla e flexível [...] resta às escolas e aos sistemas 
de ensino a tarefa de definir o que seria ‘humano’, para só então utilizar a educação 
básica como modelo de formação humana” (SANTOS, 2012, p. 41). No que diz respeito à 
ideia de cidadania, ainda nos apresenta Santos (2012, p. 41):
[...] embora a educação básica seja concebida como elemento 
indispensável para a formação da cidadania, se não houver uma 
definição de cidadania, um conceito como esse cai no vazio das 
definições, carecendo da clareza necessária para expressar uma 
diretriz de formação humana, tal como a pretendida nessa visão de 
educação básica.
Ainda em relação às regras referentes ao ensino religioso, que se apresentam 
no art. 33 da LDB, encontramos muitas controvérsias. Conforme Santos (2012, p. 42):
Essa controvérsia é enfrentada na LDB da seguinte maneira: o ensino 
religioso deve ser oferecido obrigatoriamente nas escolas, mas sua 
matrícula é facultativa ao aluno. Para evitar problemas relativos 
aos proselitismos e/ou à intolerância religiosa, a saída tentada, no 
âmbito da LDB, foi de que o conteúdo dessa matéria fosse definido 
a partir de associações civis (nos sistemas de ensino), composta por 
56
representantes das diversas confissões e denominações religiosas. 
Aparentemente, isso garantiria uma solução democrática no que 
compete às decisões tomadas pelos representantes dos credos, 
na escolha de conteúdo do ensino religioso, mas, na realidade, isso 
trouxe – e continua trazendo – tanta controvérsia que, na prática, 
essa é uma questão indefinida.
No que diz respeito ao Ensino Médio, e como já vimos anteriormente, a LDB 
expõe que o tempo de duração desse ensino é de três anos, compondo assim a etapa 
final da educação básica. Vejamos o art. 36, no que tange ao currículo (BRASIL, 1996):
I- destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do 
significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico 
de transformação69
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 71
TÓPICO 3 - A EDUCAÇÃO BRASILEIRA, SUA ORGANIZAÇÃO E RELAÇÃO COM AS 
 POLÍTICAS EDUCACIONAIS ............................................................................75
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................75
2 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – HISTÓRICO ............................................................75
3 O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (2011 – 2020) .......................................................79
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 84
RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................................87
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 88
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 91
UNIDADE 2 — POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO: INFLUÊNCIAS GLOBAIS ................ 93
TÓPICO 1 — POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO: INFLUÊNCIAS GLOBAIS ....................95
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................95
2 A GLOBALIZAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS .........95
3 NOVAS REALIDADES SOCIAIS E AS REFORMAS EDUCATIVAS NO BRASIL ................ 101
4 REVOLUÇÃO INFORMACIONAL ..................................................................................... 104
5 NÍVEIS E MODALIDADES DE EDUCAÇÃO E ENSINO ..................................................... 110
RESUMO DO TÓPICO 1 ...................................................................................................... 144
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................145
TÓPICO 2 - AS INSTITUIÇÕES FORMADORAS DO SISTEMA EDUCACIONAL 
 BRASILEIRO ....................................................................................................149
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................149
2 PROGRAMAS DO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO ..........149
3 OS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NACIONAL ...........................................................152
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................156
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 157
TÓPICO 3 - A ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR COLETIVA .......................................159
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................159
2 CONCEITUANDO ORGANIZAÇÃO E GESTÃO .................................................................159
3 FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA PÚBLICA ........................................................................162
4 OBJETIVOS DA ESCOLA E AS PRÁTICAS DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ....................163
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................166
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................169
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................170
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 173
UNIDADE 3 — A ORGANIZAÇÃO ESCOLAR JUNTO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS ............... 177
TÓPICO 1 — A ORGANIZAÇÃO ESCOLAR JUNTO ÀS POLÍTICAS PÚBLICAS .................. 179
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 179
2 A ORGANIZAÇÃO ESCOLAR: LUGAR DE APRENDIZAGEM ........................................... 179
2.1 PAPEL DO GESTOR ESCOLAR ........................................................................................................182
2.2 PAPEL DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA ..................................................................................183
2.3 PAPEL DO PEDAGOGO ....................................................................................................................185
2.4 PAPEL DO ALUNO .............................................................................................................................186
2.5 COLABORADORES ............................................................................................................................186
3 A GESTÃO PARTICIPATIVA E A CULTURA ORGANIZACIONAL NA ESCOLA .................187
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 191
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................192
TÓPICO 2 - A APRENDIZAGEM E AS ÁREAS DE ATUAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO 
 E DA GESTÃO ESCOLAR .................................................................................195
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................195
2 AS FUNÇÕES ESSENCIAIS NO SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO E DE GESTÃO ESCOLAR ........195
3 ORGANIZAÇÃO E DESEMPENHO DO CURRÍCULO ....................................................... 200
4 A FORMAÇÃO CONTINUADA ..........................................................................................201
RESUMO DO TÓPICO 2 ...................................................................................................... 208
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 209
TÓPICO 3 - A GESTÃO PARTICIPATIVA CONTINUANDO A CONSTRUÇÃO E 
 PLANEJAMENTO DE UMA ESCOLA DEMOCRÁTICA ....................................213
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................213
2 OS MECANISMOS DA ESTRUTURAÇÃO POLÍTICA EDUCACIONAL NA ESCOLA .........213
2.1 CONSELHOS ESCOLARES ...............................................................................................................214
2.2 GRÊMIOS ESTUDANTIS ...................................................................................................................214
2.3 APPs – ASSOCIAÇÃO DE PAIS E PROFESSORES ..................................................................... 215
2.4 A AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL DA ESCOLA E DA APRENDIZAGEM ..................................... 216
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................219
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 225
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 226
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................231
1
UNIDADE 1 - 
AS POLÍTICAS PÚBLICAS 
NA EDUCAÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer aspectos relacionados ao conceito de políticas públicas e sua 
funcionalidade;
• entender o que é a Constituição Federal e sua influência na Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação;
• reconhecer o histórico da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação;da sociedade e da cultura; a língua portuguesa 
como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e 
exercício da cidadania;
II- adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a 
iniciativa dos estudantes;
III- será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina 
obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, 
em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição.
IV- serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas 
obrigatórias em todas as séries do ensino médio. (Incluído pela 
Lei n° 11.684, de 2008)
No que diz respeito à seção IV-A, encontramos a Educação Profissional Técnica 
de Nível Médio (art. 35 ao art. 36-D). Estes artigos retratam como será desenvolvida esta 
educação profissional técnica (BRASIL, 1996):
I- integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino 
fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o 
aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma 
instituição de ensino, efetuando-se matrícula única para cada 
aluno; (Incluído pela Lei n° 11.741, de 2008)
II- concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já 
o esteja cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada 
curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei n° 11.741, de 2008)
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades 
educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei n° 11.741, de 2008)
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as 
oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei n° 
11.741, de 2008)
c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios 
de intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao 
desenvolvimento de projeto pedagógico unificado (Incluído pela 
Lei n° 11.741, de 2008).
Com relação à titulação, a LDB assim determina para a Educação Profissional 
Técnica de Nível Médio:
57
Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de 
nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão 
ao prosseguimento de estudos na educação superior. (Incluído pela 
Lei n° 11.741, de 2008).
Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de 
nível médio, nas formas articulada concomitante e subsequente, 
quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade, 
possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o 
trabalho após a conclusão, com aproveitamento de cada etapa que 
caracterize uma qualificação para o trabalho (Incluído pela Lei n° 
11.741, de 2008) (BRASIL, 1996).
Por último, na Seção V – Da Educação de Jovens e Adultos, em seu artigo 37 diz que:
“Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram 
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria” 
(BRASIL, 1996).
Com este artigo podemos determinar que grande parte das matrículas do EJA 
se encontram na rede pública, e o EJA tem a função de viabilizar e estimular o acesso 
destes educandos à educação de qualidade e mediante ações integradoras.
Outro fator a ser observado diz respeito ao art. 38, relativo à avaliação destes 
indivíduos. Que assim prescreve:
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, 
que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao 
prosseguimento de estudos em caráter regular.
§ 1° Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
I- no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de 
quinze anos;
II- no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito 
anos.
§ 2° Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por 
meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.
No que cabe ao Capítulo III – Da Educação Profissional e Tecnológica, esta possui 
quatro artigos (art. 39 ao art. 42), que trazem em sua fundamentação os conceitos de 
educação profissional e de tecnologia, além da articulação com a educação regular.
O Capítulo IV – Da Educação Superior, compõe-se de 15 artigos (art. 43 ao 
57). A educação superior é vista como o “segmento que fecha o arco da composição 
da educação formal e da oferta de ensino institucional sequenciado, de acordo com 
a legislação educacional do país” (CARNEIRO, 2015, p. 500). Nesse capítulo, o ensino 
superior se desdobra em cursos e programas, presentes no Artigo 44, sendo estes 
estruturados com o ensino, pesquisa e extensão.
Já os Artigos 45 e 46 trazem a quem compete à docência desse ensino, além 
das questões relativas à autorização e reconhecimento dos cursos.
58
Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de ensino 
superior, públicas ou privadas, com variados graus de abrangência ou 
especialização.
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o 
credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos 
limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular 
de avaliação.
1° Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente 
identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá 
reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso, em desativação 
de cursos e habilitações, em intervenção na instituição, em 
suspensão temporária de prerrogativas da autonomia, ou em 
descredenciamento.
2° No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável por 
sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá 
recursos adicionais, se necessários, para a superação das deficiências.
O Artigo 47 trata do ano letivo, na educação superior, sendo necessária a 
carga horária mínima de duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, sendo excluído 
o tempo reservado aos exames finais, quando forem oferecidos. Trata ainda este 
artigo de questões relativas ao oferecimento de cursos de qualidade tanto no período 
diurno como noturno. Elenca-se também a obrigatoriedade da frequência de alunos 
e professores às aulas como mecanismo de controle institucional.
No Artigo 48, dispõe-se sobre os diplomas de curso superior reconhecido. 
Estes quando registrados, terão validade nacional como comprovação da formação 
recebida pelo acadêmico. Algo importante a ser ressaltado é o que se apresenta a seguir:
1° Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias 
registrados, e aqueles conferidos por instituições não universitárias 
serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional 
de Educação.
2° Os diplomas de graduação expedidos por universidades 
estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham 
curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos 
internacionais de reciprocidade ou equiparação.
3° Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades 
estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que 
possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na 
mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior.
O § 1° traz uma inovação, conforme trata Carneiro (2015, p. 565):
O § 1° inova ao permitir que diplomas expedidos por universidades 
sejam por elas próprias registrados. Neste caso, as universidades devem 
estar autorizadas a funcionar e devem estar reconhecidas legalmente. 
Legislação recente permite que qualquer universidade – pública ou 
privada – possa registrar diplomas de IES não universitárias. Por outro 
lado, permite igualmente que os centros universitários registrem seus 
próprios diplomas.
59
IES = Instituições de Educação Superior.
NOTA
Com relação ao Artigo 49, ele trata da aceitação de transferência de alunos 
regulares para cursos afins, existindo vagas para tal processo.
No Artigo 50, observam-se as questões relativas à abertura de matrículas 
quando houver ocorrência de vagas, mediante processo seletivo prévio conforme a lei.
O Artigo 51 delibera sobre os critérios e normas de admissão dos acadêmicos, 
sendo estas instituições legalmente credenciadas. Vejamos o que diz o Artigo 52:
Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação 
dos quadros profissionais denível superior, de pesquisa, de extensão e de 
domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por:
I- produção intelectual institucionalizada mediante o estudo 
sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do 
ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional;
II- um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica 
de mestrado ou doutorado;
III- um terço do corpo docente em regime de tempo integral.
Conforme Carneiro (2015, p. 573), “a missão essencial da universidade é produzir 
e disseminar conhecimento, via formação profissional avançada, em diferentes áreas do 
saber”. Por este motivo recebem a denominação de instituições pluridisciplinares. No que diz 
respeito à formação dos profissionais, a universidade busca professores especializados em 
suas variadas áreas, trabalhando assim com o conhecimento articulado assegurando, 
“quanto possível, o domínio e o cultivo do saber humano” (CARNEIRO, 2015, p. 573).
Quando se lê pluridisciplinar estamos nos remetendo a uma visão que quebra 
a fragmentação imposta no conhecimento curricular. Conforme Carneiro (2015, p. 574), 
“a universidade pluridisciplinar é um laboratório de formação e não de conformação”. 
Assim, existe movimento, transformação.
Para que as instituições sejam pluridisciplinares é necessário que elas organizem 
o conhecimento sob eixos estruturantes que envolvem:
i) a estrutura de diversas áreas do conhecimento;
ii) o vínculo entre domínio do conhecimento e o respectivo processo 
de aquisição;
60
iii) identificação do conteúdo globalizante de cada subárea do 
conhecimento (cursos), incluindo o saber específico e as 
metodologias que vão diminuir a trajetória a ser palmilhada para a 
assimilação deste saber;
iv) a captação da estrutura das disciplinas [...] (CARNEIRO, 2015, p. 574).
Ainda conforme Carneiro (2015, p. 575), “é necessário compreendermos que a 
espinha dorsal da organização do ensino na universidade é a construção da unidade do 
conhecimento por via da multiplicidade dos saberes”.
Os Artigos 53 e 54 trazem em evidência à palavra autonomia, assegurando 
às universidades suas atribuições para o funcionamento e andamento dos trabalhos 
educativos, observando sua organização no âmbito de contratação de profissionais, no 
seu funcionamento, contando com um estatuto jurídico especial.
O Artigo 55 trata das questões relativas ao Orçamento Geral, que compete 
União sua seguridade, junto às instituições superiores mantidas por ela. O Artigo 
56 assim se apresenta:
Art. 56 As instituições públicas de educação superior obedecerão 
ao princípio da gestão democrática, assegurada a existência de 
órgãos colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos 
da comunidade institucional, local e regional.
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta 
por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, 
inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias 
e regimentais, bem como da escolha de dirigentes.
Com relação a este artigo, podemos verificar que a gestão democrática vista 
como matéria de definição constitucional, conforme o art. 206, inc. VI. Observa-se 
que esta gestão deve ser apresentada nos documentos que legislam cada sistema e 
juntamente aos regulamentos de cada instituição.
O Artigo 57 trata das questões relativas às horas que o professor deverá realizar 
na instituição pública de educação superior, sendo esta carga mínima de oito horas 
semanais de aulas.
“O Capítulo V – que trata da Educação Especial, possui em sua formação três 
artigos (art. 58 ao 60), que determinam a regulamentação, da definição conceitual 
da educação especial enquanto modalidade de ensino presente em todos os níveis” 
(SANTOS, 2012, p. 39).
Nesses artigos temos presente o que consta na Constituição Federal de 1988, 
que define as formas de organização, estruturação, preferencialmente na rede regular 
de ensino. Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, então encontramos o desejo de 
uma sociedade inclusiva.
61
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a 
modalidade de educação escolar oferecida, preferencialmente, na rede regular de 
ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades ou superdotação (Redação dada pela Lei n° 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996). 
Quem são os “educandos portadores de necessidades especiais?” Conforme Carneiro 
(2015, p. 610-611), assim fica delineado:
• Aluno com deficiência mental.
• Aluno com deficiência auditiva.
• Aluno com deficiência visual.
• Aluno com deficiência múltipla.
• Aluno com deficiência motora.
• Aluno com condutas típicas.
• Aluno com Síndrome de Down.
• Aluno com autismo.
• Aluno com déficit de atenção/hiperatividade.
• Aluno com transtornos do pensamento e da linguagem.
• Aluno com transtorno de personalidade.
• Aluno com dificuldade de aprendizagem.
• Aluno superdotado.
• Aluno em classes hospitalares, em centros de reabilitação ou 
convalescência, em domicílio.
• Alunos oriundos de contextos culturais minoritários (indígenas, 
ciganos).
• Alunos com problemas de autoconceito.
• Alunos submetidos a níveis agudos de privação cultural.
O autor ainda trata de outros registros crescentes na sociedade de alunos especiais 
relativos a situações de risco e de trabalho forçado, privando a vida dos educandos como:
• Alunos filhos de pais separados.
• Alunos filhos de pais alcoólatras.
• Alunos sem pais.
• Alunos filhos de pais desempregados.
• Alunos filhos de pais encarcerados.
• Alunos dependentes de drogas.
• Alunos com problemas de subnutrição.
• Alunos/meninos de rua.
• Alunos que vivem em situação de risco.
• Alunos cujos pais vivem em trânsito/filhos de famílias circenses, 
de caminhoneiros, boias-frias, agricultores em terra, de famílias 
ciganas etc. (CARNEIRO, 2015, p. 45).
Frente ao exposto, podemos determinar que os educandos que necessitam de 
atendimento educacional especializado precisam estar em uma escola que seja flexível 
e possua uma equipe multidisciplinar capaz de realizar este apoio aos professores que 
se comprometem com o ensino, favorecendo um ambiente em que a aprendizagem 
seja voltada às políticas inclusivas.
null
62
Essa temática será mais aprofundada no Livro Didático de Estudos de 
Educação Inclusiva.
NOTA
Já o Artigo 59 trata das questões relativas aos educandos que possuam 
transtornos globais do desenvolvimento e as altas habilidades ou superdotação, 
apresentando-lhes currículo, métodos e recursos educativos para atender suas 
necessidades. A escola deverá possuir professores com especialização em nível 
superior, bem como os professores regentes serem capacitados para a integração 
destes educandos. Trata-se, também, do acesso igualitário aos programas sociais.
O Artigo 60 trata das questões relativas aos órgãos normativos dos sistemas 
de ensino referentes à educação especial na esfera privada “sem fins lucrativos, 
especializadas, e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio 
técnico e financeiro pelo poder público” (BRASIL, 1996).
Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa 
preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com 
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas 
habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de 
ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste 
artigo (Redação dada pela Lei n° 12.796, de 2013) (BRASIL, 1996).
De acordo com Carneiro (2015, p. 640):
A Educação Especial no Brasil desenvolveu-se, primeiramente, em 
instituições privadas sem fins lucrativos. Só depois, mercê de grandes 
pressões sociais, o Estado passou a se ocupar do assunto. Neste sentido, 
não se pode esquecer da grande contribuição que instituições como 
as Apaes, Pestalozzi, Febiex e tantas outras ofereceram e continuam a 
oferecer para o desenvolvimento da Educação Especial no Brasil.
Cabe ressaltar ainda que com a colaboração da sociedade, como confere a 
Constituição Federal,em seu Artigo 205, a lei reconhece que se necessita de órgãos 
normatizadores junto ao sistema de ensino, para definirem critérios de caracterização 
institucional e pedagógico, para que as instituições que tratam da educação especial 
recebam o apoio técnico e financeiro do Poder Público.
Título VI
Dos Profissionais da Educação
Este título IV é composto por seis artigos, art. 61 a 67. Estes artigos buscam 
definir quem são os profissionais da educação. Também é tratado de sua formação 
profissional (BRASIL, 1996).
63
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os 
que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em 
cursos reconhecidos, são: (Redação dada pela Lei n° 12.014, de 2009)
I- professores habilitados em nível médio ou superior para a 
docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e 
médio; (Redação dada pela Lei n° 12.014, de 2009)
II- trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com 
habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e 
orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou douto-
rado nas mesmas áreas; (Redação dada pela Lei n° 12.014, de 2009) 
III- trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso 
técnico ou superior em área pedagógica ou afim (Incluído pela Lei 
n° 12.014, de 2009).
Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo 
a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem 
como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação 
básica, terá como fundamentos: (Incluído pela Lei n° 12.014, de 2009)
I- a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento 
dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de 
trabalho; (Incluído pela Lei n° 12.014, de 2009)
II- a associação entre teorias e práticas, mediante estágios 
supervisionados e capacitação em serviço; (Incluído pela Lei n° 
12.014, de 2009)
III- o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em 
instituições de ensino e em outras atividades. (Incluído pela Lei n° 
12.014, de 2009)
Os Artigos 61, 62, 63, 64 e 65 retratam a preocupação deste profissional da 
educação, que são os professores que “ministram o ensino, e os demais, que apoiam 
todo o processo de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento do aluno, além dos 
vários caminhos de formação. Já o Art. 66 fixa a diferenciação existente com relação à 
preparação para o magistério superior” (CARNEIRO, 2015, p. 644).
Cabe ressaltar aqui a presença da formação continuada, apresentada no Artigo 
62 em seus incisos. Além do Artigo 67, que institui a valorização dos profissionais da 
educação. Esta temática será apresentada na próxima unidade deste caderno.
Título VII
Dos Recursos Financeiros
Esse título é formado por nove artigos, os quais vão do art. 68 ao 77, dando 
ênfase aos recursos destinados à educação.
Vamos a eles: o Artigo 68 se refere a quais são os recursos públicos a serem 
investidos na educação e sua origem. No Artigo 69 trata-se da fixação dos percentuais 
a serem aplicados na educação.
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, 
ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, 
da receita resultante de impostos, compreendidas as transferências 
constitucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino público.
64
Conforme Santos (2012, p. 49), a fixação destes investimentos em educação 
em percentuais fixados acaba por impedir dois problemas, a dizer: “a. A desvalorização 
financeira dos recursos alocados para esse fim. b. O descompromisso dos entes 
federativos com suas atribuições constitucionais, no que tange ao financiamento da 
educação pública”.
No Artigo 70 apresentam-se as definições sobre a finalidade das verbas e 
manutenção da Educação.
 O artigo 71 trata de complementar o que foi apresentado no artigo anterior.
Já os Artigos 72 e 73 se referem à divulgação publicamente dos valores 
aplicados anualmente no desenvolvimento e manutenção do ensino, bem como as regras 
para a prestação das contas das operações financeiras concretizadas.
O Artigo 74 trata da fixação de um valor mínimo para cada aluno da rede de 
ensino, sendo este valor repassado pela União, de forma colaborativa com os Estados, 
Distrito Federal e Municípios, assegurando assim um ensino de qualidade.
Este cálculo será realizado ao final de cada ano letivo pela União e será repassado 
observando as questões relativas às variações regionais no custo dos produtos e nas 
variadas modalidades de ensino.
Artigo 75: “A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida 
de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo 
de qualidade de ensino” (BRASIL, 1996). Observa-se que neste artigo se busca reduzir as 
desigualdades regionais relativas à educação nacional.
O Artigo 76 complementa o artigo anterior, dando a entender que existirá um 
regime de colaboração entre Estados, Municípios e a União no que tange à educação.
Já o Artigo 77 trata da regulação das transferências de recursos públicos 
para instituições que tratam da educação, como escolas comunitárias, confessionais ou 
filantrópicas que possuam comprovação de finalidade não lucrativa além da prestação de 
contas ao poder público.
Título VIII
Das Disposições Gerais
Neste título estão apresentados os artigos 78 a 86, que tratam sobre a regulação 
específica relativa a questões que abarcam desde a educação indígena, educação de 
jovens e adultos (EJA), chegando à educação a distância.
O artigo 78, aborda a educação indígena:
65
“Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências 
federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas 
integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural 
aos povos indígenas [...]” (BRASIL, 1996). Este artigo da LDB vem com o conceito de 
multiculturalismo, com o objetivo de assim poder trabalhar com conteúdos ligados às 
culturas indígenas, respeitando sua língua e sua cultura.
O Artigo 79 trata de questões relativas à competência da União em subsidiar 
os sistemas de ensino que promovam a educação intercultural, também apresentada nos 
PCN, onde desenvolve o tema transversal da pluralidade cultural. No Artigo 79-B, inclui-se a 
Lei 10.639/03, que cria nos calendários escolares a data relativa ao Dia da Consciência 
Negra, sendo ela dia 20 de novembro.
[...] deve ser registrado, no entanto, que a noção de interculturalismo 
presente nesse documento não obedece à acepção própria da 
palavra, pois não enfatiza a relação entre as diversas culturas e etnias, 
mas pensa nelas como identidades estanques – negro, branco, 
indígena – e, alguns dos conteúdos culturais relativos a esses grupos 
são incluídos de modo pontual (SANTOS, 2012, p. 52).
No Artigo 80 nos deparamos com a responsabilidade dos sistemas de ensino 
relativos à Educação a Distância. Isso nos interessa muito, caro acadêmico, pois você 
está realizando seus estudos numa instituição de ensino a distância.
Conforme Carneiro (2015, p. 784), “o artigo 80 determina que o Poder Público 
vai não apenas incentivar o desenvolvimento de programas de Educação a Distância, 
mas também programas de educação continuada, dentro do entendimento de que a 
educação não é um produto, é um processo e, portanto, nunca se termina de aprender”. 
O autor continua seu pensamento dizendo que:
Neste horizonte, sinaliza o CNE/CEB, na Res. 04/2010, ao definir as 
Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica que: 
‘[...] a organização curricular deve levar em conta as experiências 
escolares que se desdobram em torno do conhecimento, permeadas 
pelas relações sociais, articulando vivências e saberes dos estudantes’ 
(CARNEIRO, 2015, p. 784).
Com isso afirmamos que a Educação a Distância (EAD) se utiliza de espaços 
virtuais para multiplicar as possibilidades de aprendizagem, conformeCarneiro (2015, p. 
785). Para que exista esta multiplicação de saberes necessitamos das TICs – Tecnologias 
de Informação e Comunicação.
Os programas de Educação a Distância possuem e preveem a obrigatoriedade 
de momentos presenciais em: “avaliações de estudantes; estágios obrigatórios, quando 
previstos na legislação pertinente; defesa de trabalhos de conclusão de curso, quan-
do previstos na legislação pertinente; atividades relacionadas a laboratórios de ensino, 
quando for o caso” (CARNEIRO, 2015, p. 776).
66
Estes programas de Educação a Distância possuem os mesmos rigores da lei 
para seu funcionamento, e os níveis de qualidade dos cursos e programas oferecidos 
também possuem o mesmo peso.
Observe, acadêmico, que o educando desta modalidade de ensino, como você, 
possui uma maior responsabilidade, cabe a cada aluno três características, pontuadas 
por Carneiro (2015, p. 777):
a) É autodiretivo, portanto, responsável pela agenda de estudos 
independentes; 
b) é possuidor de experiência e, por isso, seletivo no conteúdo da 
aprendizagem; e, por fim, 
c) é operativo, o que o ajuda no curso dos conhecimentos práticos, 
ou seja, daqueles conhecimentos que respondem e correspondem 
a suas necessidades imediatas.
Por este motivo, acadêmico, a importância de você participar dos fóruns, 
enquetes, realizar a leitura das trilhas, ler seu Caderno de Estudos, buscar maiores 
informações através das tecnologias oferecidas por sua instituição de ensino, as quais 
são muitas e na maior parte das vezes são deixadas de lado. Vamos utilizá-las para 
melhor desempenho de nossos trabalhos.
As instituições na modalidade a distância também podem, através da Portaria 
Normativa n° 2/2007, realizar a abertura de polos, claro que com as respectivas 
regulamentações, como se apresenta nesta portaria.
Cabe ressaltar que o papel do professor, neste ambiente de interatividade aberta 
condiz com as palavras de Carneiro (2015, p. 785) assim apresentadas: “o papel do 
professor agrega responsabilidades adicionais à medida que o aluno tende a substituir 
a passividade tradicional por interações e interlocuções permanentes em torno de sua 
autoformação, tendo como consequência a construção continuada do processo de 
autonomia e de postura crítica”.
Já no Artigo 81, a LDB faz uma quebra, estimulando a radicalidade do pensamento 
pedagógico e da prática escolar, deixando de lado aquele modelo pronto, dando ao 
aluno a possibilidade de construção de seus conteúdos, tendo ele a responsabilidade 
de autorreger-se.
O Artigo 82 trata de questões relativas às normas de realização do estágio, 
aprovada em agosto de 2008 pelo Congresso Nacional, e sancionada pelo Presidente 
da República.
Sabemos que os estágios são parte integrante do projeto pedagógico do curso 
“integrando, portanto, o itinerário formativo do aluno, seu foco bipolar: desenvolvimento 
de competências no campo da atividade profissional projetada e contextualização do 
currículo mediante a integração teoria/prática” (CARNEIRO, 2015, p. 788).
67
Cabe ressaltar, acadêmico, que a partir do sexto módulo você realizará seus 
estágios. Observe que eles são de extrema importância, dando a você a possibilidade de 
vislumbrar e colocar à prova todos os ensinamentos já construídos e apreender novos.
Veja que os estágios possuem hoje uma elasticidade, pois temos na atualidade 
dois tipos, que são: o estágio obrigatório e o não obrigatório, também conhecido como 
estágio remunerado.
O estágio obrigatório consta no projeto do curso das instituições de ensino e 
das respectivas diretrizes curriculares e o cumprimento de seus acordos legais, sendo 
isso imprescindível para a obtenção do diploma e consequentemente para seu registro 
profissional.
Já o estágio não obrigatório, também conhecido como estágio remunerado, é 
uma atividade opcional, acrescida “à carga horária regular obrigatória ou, ainda, assume o 
caráter de uma atividade de formação complementar remunerada” (CARNEIRO, 2015, p. 788).
O Artigo 83 trata do ensino militar, que continua sendo realizado e mantido por 
legislação específica.
O Artigo 84 se refere aos discentes da educação superior, que poderão ser 
aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa por suas instituições, exercendo funções 
de monitoria. Esta monitoria, conforme Carneiro (2015, p. 794):
[...] é uma atividade desenvolvida na educação superior com quatro 
objetivos assim definidos: 
i) estimular o aluno a um permanente alto nível de estudo;
ii) gerar um relacionamento pedagógico elevado e produtivo entre 
alunos e professores; 
iii) auxiliar o professor no desenvolvimento de atividades didático-
pedagógicas; 
iv) suscitar, no aluno, o interesse pela carreira docente.
Já o Artigo 85 estabelece que:
Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá 
exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de 
docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado 
por professor não concursado, por mais de seis anos, ressalvados os 
direitos assegurados pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do 
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Este artigo traz à tona questões relativas ao compadrio, permanecendo no cargo 
sem que tenha feito ou participado de concurso público.
68
Compadrio: relações entre compadres; proteção excessiva ou injusta 
(FERREIRA, 2001, p. 176).
NOTA
O Artigo 86 trata do estabelecimento de vínculo entre as IES com o Sistema 
Nacional de Ciência e Tecnologia.
Título IX
Das Disposições Transitórias
Este título é composto por seis artigos que vão do art. 87 ao art. 92. Conforme Santos 
(2012, p. 54), “nele estão definidas ações legais com abrangência futura, e a partir dele, é 
possível perceber que a atual LDB revoga todas as Leis de Diretrizes e Bases anteriores”.
O Artigo 87 institui a Década da Educação, que se inicia em 1997, onde se 
passa a realizar diversas políticas que fomentam a melhoria da educação em nosso país.
A LDB instituiu a Década da Educação ao iniciar-se um ano após 
a publicação da lei. A ideia era importante porque recolocava, mais 
uma vez, a necessidade de se criarem mecanismos favoráveis à 
atenção dos poderes públicos e da sociedade para a questão da 
educação. A experiência tem mostrado que somente ações de rotina 
são incapazes de levar a sociedade brasileira a ultrapassagem de 
índices educacionais desfavoráveis, mesmo quando comparamos o 
Brasil com alguns países da América Latina (CARNEIRO, 2015, p. 798).
Com estas palavras, podemos parar para refletir um pouco: será que foi conquistada 
a educação universal para nossa população, conforme apresentado em artigos anteriores? 
Como fechamento deste título da LDB, citamos Carneiro (2015, p. 799), o qual diz que:
A ideia não passou de uma utopia jamais realizada, exatamente 
porque em educação, antes de marcar o curso dos processos, é 
necessário demarcar os recursos para os procedimentos. [...]. Em 
2015, exibi-los, ainda, uma enorme população analfabeta: 9% da 
população brasileira! Isto sem esquecer nosso altíssimo percentual 
de analfabetos funcionais.
Caro acadêmico, talvez você esteja se sentindo cansado com essa leitura, mas 
é necessária para que nos sintamos instigados a modificar o quadro que se apresenta 
na nossa realidade educacional.
Assim, faça a autoatividade para verificar se conseguiu adquirir mais 
conhecimentos relativos à Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
69
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• A LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – está inserida na Constituição 
Federal.
• A primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi a Lei n° 4.024, de 20 
de dezembro de 1961, foi difícil sua elaboração, pois foi deixada correr de maneira 
frouxa, sem acompanhamento de perto.
• No ano de 1971 surge a nossa segunda Lei de Diretrizes e Bases, a Lei n° 5.692/71, 
que recebeu o nome oficial de Lei da Reforma do Ensino de 1° e 2° Graus.
• A terceira LDB foi a Lei n° 9.394/1996.
• A LDB é vista como “a maiorde todas as políticas públicas regulatórias, pois sua 
estrutura define as relações, os acordos e os conflitos que podem se desenrolar no 
âmbito da educação brasileira” (SANTOS, 2012, p. 30).
• Da Educação: Art. 1° “A educação abrange os processos formativos que se 
desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições 
de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e 
nas manifestações culturais” (BRASIL, 1996).
• Deveres do Estado: este título é formado por quatro artigos, art. 4°, 5°, 6° e 7°, que 
tratam dos deveres e responsabilidades do Estado e da sociedade civil no que tange 
à educação escolar.
• Organização da Educação Nacional: este título vai do art. 8° ao art. 20, que trata da 
organização da educação nacional, apresentando as competências de cada nível 
da federação, sendo eles: União, Estados, Distrito Federal e municípios. Ressalta-se 
que neste momento da organização da educação nacional, todos os segmentos, 
União, Estados e Municípios devem buscar um trabalho de colaboração que auxilie 
na aplicação das políticas públicas.
• Dos Profissionais da Educação: este título IV é composto por seis artigos, art. 61 a 
67. Esses artigos buscam definir quem são os profissionais da educação. Também é 
tratado de sua formação profissional.
• Dos Recursos Financeiros: esse título é formado por nove artigos, os quais vão do 
art. 68 ao 77, dando ênfase aos recursos destinados à educação.
70
• Das Disposições Gerais: neste título estão apresentados os artigos 78 a 86, que 
tratam sobre a regulação específica relativa a questões que abarcam desde a 
educação indígena, educação de jovens e adultos (EJA) chegando à educação 
a distância.
• O Título IX – Das Disposições Transitórias é composto por seis artigos que vão do art. 
87 ao art. 92. Conforme Santos (2012, p. 54), “nele estão definidas ações legais com 
abrangência futura, e a partir dele é possível perceber que a atual LDB revoga todas 
as Leis de Diretrizes e Bases anteriores”.
• Das Disposições Transitórias: o Artigo 87 institui a Década da Educação que se inicia 
em 1997, onde se passa a realizar diversas políticas que fomentam a melhoria da 
educação em nosso país.
71
AUTOATIVIDADE
1 (ENADE, 2011) Na Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação 
Inclusiva, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o 
desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória em todos os níveis e 
modalidades de ensino. De acordo com os pressupostos da inclusão escolar expressos 
na referida Política, avalie as afirmações a seguir.
I- A inclusão educacional expressa um paradigma fundamentado na concepção de 
direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis.
II- A educação inclusiva prevê o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos 
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/
superdotação nas escolas regulares.
III- O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e 
organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para 
a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas.
IV- O movimento mundial pela inclusão educacional é uma carta de intenções que 
prevê, a partir da próxima década, ações políticas de atendimento educacional 
especializado, que deve ocorrer em salas de aula diferenciadas, na mesma escola.
FONTE: . Acesso em: 12 jul. 2021.
É CORRETO apenas o que se afirma em: 
a) ( ) I e III.
b) ( ) I e IV. 
c) ( ) II e IV. 
d) ( ) I, II e III. 
e) ( ) II, III e IV.
2 No tocante às Universidades, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação em seu artigo 
52 afirma que: “As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos 
quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio 
e cultivo do saber humano [...] (BRASIL, 1996). Assim, quando o artigo 52 afere o 
termo “instituições pluridisciplinares de formação”, está incidindo um determinado 
significado. Analise as sentenças a seguir:
FONTE: BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. 
Disponível em: https://bit.ly/2XEPYt1. Acesso em: 8 mar. 2021.
I- Refere-se à produção de conhecimento, através da formação profissional reduzida, em 
somente uma área.
II- Refere-se a uma visão que vem quebrar a fragmentação imposta no conhecimento 
curricular.
72
III- Refere-se à busca de conhecimentos articulados nas mais diversas áreas 
assegurando o cultivo do ser humano. 
IV- Podemos considerar como sendo uma universidade pluridisciplinares aquela que é 
um laboratório de formação. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.
b) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
c) ( ) As sentenças III e I estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença I está correta. 
3 (ENADE, 2017) Historicamente, o financiamento da escola pública no Brasil tem sido 
um direito conquistado com muitas lutas, especialmente para garantir o acesso e a 
permanência da classe trabalhadora nessa instituição. Desde que a educação era 
uma espécie de concessão do rei de Portugal aos Jesuítas até a vinculação para 
a Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), estabelecida pela Constituição 
Federal de 1988, a história do financiamento da educação se concentra no movimento 
por preservação, restabelecimento e aumento dos percentuais de vinculação. 
FONTE: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da 
Educação Básica. Pradime: programa de Apoio aos Dirigentes 
Municipais de Educação. Brasília, 2006.
Tendo como referência a política de financiamento vigente no Brasil, analise as sentenças 
a seguir:
I- Os percentuais mínimos, estabelecidos constitucionalmente, que os entes federados 
devem vincular para serem aplicados na MDE são: 18% pelo governo federal, 25% por 
estados e Distrito Federal e 30% por municípios.
II- Os municípios devem atuar na Educação Infantil e, com prioridade, no Ensino 
Fundamental, podendo ofertar outros níveis quando estiverem atendidas, na 
plenitude, as necessidades de sua área de competência.
III- A não aplicação pelo município do percentual mínimo obrigatório resultante da 
receita de impostos em MDE pode acarretar a intervenção do estado, a rejeição das 
contas pelo Tribunal de Contas, a impossibilidade de celebração de convênios com o 
estado e a União e a perda de assistência financeira pelo estado quanto pela União.
IV- O Fundo de Manutenção e desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos 
Profissionais da Educação (Fundeb), de natureza contábil, é constituído por 20% de 
recursos distribuídos aos estados e seus municípios, proporcionalmente ao número 
de escolas públicas existentes em cada um deles.
FONTE: . Acesso em: 12 jul. 2021.
73
É CORRETO apenas o que se afirma em:
a) ( ) I e IV.
b) ( ) II e III.
c) ( ) III e IV.
d) ( ) I, II e IV.
4 No âmbito das políticas sociais e, particularmente na educação, há de se fazer valer 
o que está na Constituição de 1988, na LDB e na Lei do Plano Nacional de Educação: 
o regime de colaboração. Nos capítulos da legislação que determinam as respectivas 
competências em matéria de educação, se afirma e reafirma o regime de colaboração. 
Considerando que convivemos e conviveremos com grande diversidade no ponto de 
partida, cuja reificação manterá a desigualdade como princípio. Devemos organizar 
as formas de colaboração que permitam a progressiva 'unidade da diversidade', 
dentro da qual serão asseguradas as mesmas condições e oportunidades de 
acesso e frequência na escola (SOUZA; GOUVEIA; TAVARES, 2013). Os autores desta 
citação relativa ao Plano Nacional de Educação – PNE –, junto às políticas sociais 
correspondentes à educação, delimitaram vinte metas e estratégias para o setor 
no próximo decênio. Entre essas metas, temos a que se refereà universalização do 
Ensino Fundamental de nove anos para toda a população de 6 a 14 anos. Sobre as 
estratégias necessárias para atingirmos essa meta, analise as sentenças a seguir:
I- Para alcançar este objetivo é necessário criar novas políticas públicas.
II- Deverão ser previstas estas estratégias através de lei.
III- A meta será aplicada por todos os membros federados.
IV- Realizar metas insistentes no Plano Nacional de Educação.
Assinale a alternativa CORRETA:
 
FONTE: SOUZA, Â. R. de; GOUVEIA, A. B.; TAVARES, T. M. 
(Orgs.). Políticas Educacionais: Conceitos e Debates. 2. ed. 
Curitiba: Appris, 2013.
a) ( ) Somente a sentença IV está correta
b) ( ) As sentenças II e IV estão corretas
c) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
5 Referente ao Título I da Educação, no Artigo 1°, encontram-se presentes os processos 
formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, 
nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da 
sociedade civil e nas manifestações culturais. Observa-se aqui que este artigo trata 
não somente da educação formal, mas também da informal. Quando falamos  da 
vinculação do aluno no campo do trabalho, a educação passa a apresentar quatro 
conceitos estruturantes. Quanto aos quatro conceitos estruturantes, indique quais 
são e tenha como base as ações que competem a cada movimento.
74
6 A Lei de Diretrizes e Bases é o documento que orienta os profissionais da educação em 
todas as suas ações. Em seus artigos, encontram-se os diversos atos que amparam 
estes profissionais. Os Artigos 12, 13 e 14 que constam na Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação – LDB 9.394/96 – tratam dos elementos que compõem a tríade: família, 
escola e comunidade. Desta maneira, disserte sobre a importância da tríade 'escola, 
família e comunidade' na vida dos educandos.
75
TÓPICO 3 - 
A EDUCAÇÃO BRASILEIRA, SUA ORGANIZAÇÃO 
E RELAÇÃO COM AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS
1 INTRODUÇÃO
Após a análise da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, podemos determinar 
que esta abarca todas as ações e políticas públicas educacionais que são necessárias 
ao desenvolvimento e à busca de uma educação universal. Com isso, passaremos 
agora a tratar dos documentos que abarcam as metas e estratégias para auxiliar no 
desenvolvimento destas ações.
Enquanto profissionais da educação necessitamos estar cientes das dificuldades, 
mas também das diversas possibilidades de desenvolvimento das políticas públicas 
apresentadas pelo governo federal, estadual e municipal.
Para tanto, falaremos sobre a busca pela qualidade na educação brasileira, através 
do PNE – Plano Nacional de Educação, com um breve histórico, o que se avançou e o 
que será necessário para a aplicabilidade deste plano para a nova década (2011-2020).
UNIDADE 1
2 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – HISTÓRICO
Acadêmico, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação podemos delinear 
o interesse em modificar o quadro existente em nosso país, relativo à educação.
Esta qualificação educacional perpassa por diversas políticas públicas que 
devem auxiliar o desenvolvimento e crescimento da qualidade de vida do cidadão 
brasileiro, desde o início de sua vida educacional até sua vida adulta.
Relativo a isso, falaremos de um documento que pauta políticas e metas para 
dez anos na educação nacional.
O Plano Nacional da Educação possui um histórico, e passa a ser visto na 
primeira LDB, Lei n° 4.024/1961 como “instrumento de distribuição de recursos para os 
diferentes níveis de ensino” (AZANHA, 1998, p. 110). Sucederam-se vários planos, mas, a 
maioria não obteve êxito, pois, como observam Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 178):
76
Os planos que sucederam o de 1962 revelaram-se mais tentativas 
frustradas do que planos efetivos de educação, uma vez que as 
coordenadas de ação do setor eram obstaculizadas pela falta de 
integração entre os diferentes ministérios, especialmente em razão 
do fato de a educação nunca ter sido prioridade governamental, a 
não ser nos discursos, e da descontinuidade administrativa que tem 
caracterizado os sucessivos governos.
Os autores ainda preconizam que:
Vale salientar, todavia, que os planos até então existentes se ligavam 
aos pressupostos definidos na LDB, diferentemente do ocorrido após 
a promulgação da Constituição de 1988, que determina a instituição 
do Plano Nacional de Educação por lei, sendo, portanto, autônomo 
em relação ao que se estabelece na nova LDB (LIBÂNEO; OLIVEIRA; 
TOSCHI, 2012, p. 178).
Em 1990, início do governo de Fernando Collor, realiza-se a discussão internacional 
para um plano decenal para os nove países mais populosos do Terceiro Mundo. Este plano 
foi uma proposta da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação –, à 
Ciência e à Cultura, pelo Banco Mundial e pela UNICEF – Fundo das Nações Unidas para 
Infância –, sendo que sua publicação ocorreu em 1993, mas não saiu do papel.
O Plano Decenal de Educação para Todos foi apresentado pelo governo 
brasileiro em Nova Delhi, num encontro promovido pela Unicef e pelo Banco 
Mundial e que reuniu os nove países mais populosos do Terceiro Mundo 
– Tailândia, Brasil, México, Índia, Paquistão, Bangladesh, Egito, Nigéria e 
Indonésia – que, juntos, possuem mais da metade da população mundial.
FONTE: . 
Acesso em: 30 jul. 2016.
NOTA
Fernando Henrique Cardoso, empossado em 1995, apresentou seu Plano 
Nacional de Educação “como continuidade do Plano Decenal de 1993 (art. 87, § 1°, da 
Lei n° 9.394/1996)” (LIBÂNEAO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 179). Este plano foi elaborado 
pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), tendo somente 
alguns interlocutores.
Já em 2001, o PNE – Plano Nacional de Educação – foi aprovado pelo Congresso 
Nacional, pela Lei n° 10.172, de 9 de janeiro de 2001, tendo seu encerramento no final do 
ano de 2010.
77
Observa-se que este foi o primeiro Plano Nacional de Educação “submetido à 
aprovação do Congresso Nacional, por exigência legal inscrita tanto na Constituição 
Federal de 1988 (art. 214) como na LDB n° 9.394/1996 (art. 87, § 1°)” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; 
TOSCHI, 2012, p. 182).
Cabe salientar que, conforme apresentado no plano, os municípios, estados e 
Distrito Federal deveriam elaborar seus planos decenais, onde a sociedade foi convidada 
para sua elaboração, mas, vê-se que em muitos estados e municípios do país isso não 
ocorreu. De acordo com Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 181): “Entre as razões para 
a elaboração do PNE, figurava a premência de haver um plano de Estado, ou seja, um 
projeto de educação que tivesse duração e vigência independentes dos governos no 
poder, garantindo a continuidade das políticas públicas para a educação”.
O Plano Nacional da Educação (2001-2010) teve quatro objetivos básicos:
a) A elevação global do nível de escolaridade da população.
b) A melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis.
c) A redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao 
acesso à escola pública e à permanência, com sucesso, nela.
d) A democratização da gestão de ensino público nos 
estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da 
participação dos profissionais da educação na elaboração do 
projeto pedagógico da escola e da participação da comunidade 
escolar e local em conselhos escolares e equivalentes (LIBÂNEO; 
OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 183).
Caro acadêmico, este Plano Nacional de Educação, como os que já haviam sido 
elaborados, necessitava de avaliação periódica, mas isso foi algo que não ocorreu 
de forma eficaz, e essa avaliação deveria ter sido realizada tanto pela sociedade civil 
organizada como pelo Poder Legislativo, para verificar se as metas propostas foram 
alcançadas ou não.
Já nos anos 2009 e 2010, viu-se a necessidade de instituir a Conferência 
Nacional de Educação – Conae, que se constitui em:
[...] um espaço democrático de construçãode acordos entre atores 
sociais, que, expressando valores e posições diferenciadas sobre 
os aspectos culturais, políticos, econômicos, apontam renovadas 
perspectivas para a organização da educação nacional e para a 
formulação do Plano Nacional de Educação 2011-2020 (CONAE, 
2010a, p. 9).
Observa-se que a Conae teve participação direta na formulação também do 
PNE 2011-2020.
78
O documento final da Conae você pode ver na íntegra no link: http://pne. 
mec.gov.br/images/pdf/CONAE2010_doc_final.pdf.
DICAS
Entre os anos 2003 e 2006, as Políticas Educacionais empreendidas no primeiro 
governo Lula apresentaram um programa para a educação intitulado “Uma Escola do 
Tamanho do Brasil”.
Considerando a educação como condição para a cidadania, o 
governo Lula mostrou-se determinado a reverter o processo de 
municipalização predatória da escola pública, propondo marco 
de solidariedade entre os entes federativos para garantir a 
universalização da educação básica, na perspectiva de elevar a média 
de escolaridade dos brasileiros e resgatar a qualidade do ensino em 
todos os níveis (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 188).
Assim, a garantia de uma educação como direito passou a ser entendida neste 
governo através de três diretrizes gerais, sendo elas: a) democratização do acesso e 
garantia de permanência: b) qualidade social da educação; c) instauração do regime de 
colaboração e da democratização da gestão (CONAE, 2010).
Várias metas no decorrer do primeiro mandato de Lula foram atingidas, dentre 
elas a criação do
Fundeb – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação 
Básica. Nos anos de 2007-2010, em seu segundo mandato, o 
então presidente Lula determina um Plano de Desenvolvimento 
da Educação – PDE, que foi apresentado pelo então Ministro da 
Educação Fernando Haddad, em abril de 2007, sendo este um plano 
de Estado e não de partido ou governo (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 
2012, p. 192).
Esse plano compõe o Plano Plurianual (PPA) 2008-2011. No PPA, 
previsto no art. 165 da Constituição Federal de 1988 e regulamentado 
pelo Decreto n° 2.829, de 29 de outubro de 1998, são estabelecidas 
as medidas, gastos e objetivos a serem seguidos pelos governos 
num período de quatro anos. O PPA 2008-2011 foi sancionado pelo 
presidente da República por meio da Lei n° 11.653 de 7 de abril de 
2008 (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 192).
Este Plano de Desenvolvimento da Educação foi organizado baseado em quatro 
eixos de ação, assim determinados: 1. Educação básica; 2. Alfabetização e educação 
continuada; 3. Ensino profissional e tecnológico e 4. Ensino superior.
79
De acordo com Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 195), “o PDE tem de positivo 
três programas que buscam enfrentar o problema qualitativo da educação básica: o 
Ideb, a Provinha Brasil e o Piso do Magistério”.
Na campanha eleitoral de 2010 para a Presidência da República, foi organizada a 
Carta-Compromisso Pela Garantia do Direito à Educação de Qualidade, que instituições 
e entidades, em número de 27, entregaram aos candidatos na intenção de “exigir 
desses candidatos que afirmassem seu comprometimento com políticas públicas para 
a educação” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 200).
Essa carta possui medidas a serem observadas relativas à inclusão de todas 
as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos na escola; universalização do atendimento 
na demanda por creches; superação do analfabetismo; promoção da aprendizagem 
para crianças, adolescentes, jovens e adultos; alfabetização das crianças até 8 anos, 
até o ano de 2014; padrões mínimos de qualidade para todas as escolas, reduzindo as 
desigualdades na educação e a ampliação de matrículas no ensino profissionalizante e 
superior. Esta carta-compromisso sustenta ainda, conforme Libâneo, Oliveira e Toschi 
(2012, p. 201), que:
[...] o sistema nacional de educação deve ser estruturado sobre 
três pilares: 1) a elaboração do Plano Nacional de Educação (PNE), 
que deverá provocar a construção articulada de planos estaduais e 
municipais de educação; 2) estabelecimento de regime de colaboração 
legalmente constituído entre os entes federados; 3) a implementação de 
Lei de responsabilidade Educacional, tal como aprovou a Conae 2010.
Após as eleições, já em 2011, toma posse a presidente Dilma Rousseff, a qual diz 
que daria continuidade ao programa de educação do governo Lula (LIBÂNEO; OLIVEIRA; 
TOSCHI, 2012). Assim, dá-se continuidade ao PNE (2011 – 2020), com suas implementações.
3 O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (2011 – 2020)
O então Ministro da Educação, Fernando Haddad, no dia 15 de dezembro 
de 2010, apresentou um projeto de lei em que se encontrava o novo PNE para 
2011-2020.
Segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 208), “o foco, segundo o ministro, é 
a valorização do magistério e a qualidade da educação”.
Conforme a Lei n° 13.005, de 25 de junho de 2014, as metas propostas são 
(BRASIL, 2014):
80
Meta 1: universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 a 5 anos, e 
ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos.
Meta 2: universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda a 
população de 6 a 14 anos.
Meta 3: universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população 
de 15 a 17 anos e elevar, até o final da década, a taxa líquida de matrículas no ensino 
médio para 85%, nesta faixa etária.
Meta 4: universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento 
escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e 
altas habilidades ou superdotação na própria rede regular de ensino.
Meta 5: alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3° ano do 
ensino fundamental.
Meta 6: oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas 
de educação básica.
Meta 7: atingir, ao final da década, as seguintes médias nacionais para o IDEB:
IDEB 2011 2013 2015 2017 2019 2021
Anos iniciais do ensino fundamental 4,6 4,9 5,2 5,5 5,7 6,0
Anos finais do ensino fundamental 3,9 4,4 4,7 5,0 5,2 5,5
Ensino médio 3,7 3,9 4,3 4,7 5,0 5,2
FONTE: Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 209)
Meta 8: elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de modo 
a alcançar, no mínimo, 12 anos de estudo, para as populações do campo, da região de 
menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade 
média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.
Meta 9: elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais 
para 93,5% até 2015 e erradicar, até o final da década, o analfabetismo absoluto e 
reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional até o final da década.
Meta 10: oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens 
e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino 
fundamental e no ensino médio.
81
Meta 11: triplicar a matrícula em cursos técnicos de nível médio, assegurando 
a qualidade da oferta.
Meta 12: elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a 
taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.
Meta 13: elevar a qualidade da educação superior de forma consistente 
e duradoura pela ampliação da atuação de mestres e doutores nas instituições 
de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento), no mínimo, do corpo 
docente em efetivo exercício, sendo, do total, 35% (trinta e cinco por cento) doutores.
Meta 14: elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação 
stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.
Meta 15: garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, 
o Distrito Federal e os Municípios, que todos os professores da educação básica 
possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na 
área de conhecimento em que atuam.
Meta 16: formar 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação 
básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu, garantira todos formação 
continuada em sua área de atuação.
Meta 17: atualizar progressivamente o piso salarial profissional nacional para 
os profissionais do magistério público da educação básica de forma que o rendimento 
médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade seja 
equiparado ao rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade 
equivalente.
Meta 18: implantar, no prazo de dois anos, planos de carreira para os 
profissionais da educação em todos os sistemas de ensino.
Meta 19: garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios, a nomeação comissionada de diretores de 
escola vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da 
comunidade escolar.
Meta 20: ampliar progressivamente o investimento público em educação 
até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do produto interno bruto do país.
82
Mais informações sobre as Metas do PNE 2014-2020 você encontra no link: 
http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf.
DICAS
Caro acadêmico, você poderá pensar: as metas aqui propostas são excelentes, 
de uma fundamentação ímpar, mas, será que até hoje alguma dessas metas foi cumprida 
em sua totalidade?
Na reunião que ocorreu na Câmara dos Deputados, em Brasília, realizada no dia 
7 de junho de 2016, os integrantes da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que 
é formada por diversas organizações da sociedade, observaram que “nenhuma das 14 
metas previstas para 2015 e 2016 no Plano Nacional de Educação (PNE) foi integralmente 
cumprida”, conforme a repórter Genny Morais, em artigo publicado no site da Câmara 
dos deputados (MORAIS, 2016).
Assim, afirmam que perante a avaliação realizada pelas diversas organizações 
da sociedade, “o PNE não vem sendo cumprido, principalmente por causa dos cortes no 
Orçamento do Governo Federal e das crises econômicas e políticas. Todos os participantes 
da audiência pública concordaram que o que foi proposto até agora ainda não saiu do papel” 
(MORAIS, 2016). Ainda sobre as metas, os integrantes da Campanha Nacional pelo Direito à 
Educação afirmam que:
Entre as metas não cumpridas até agora, algumas são consideradas mais 
preocupantes pelos participantes do debate na Comissão de Educação, por impactarem 
outros objetivos do PNE:
• O Sistema Nacional de Educação, que estabelece a cooperação entre 
União, estados e municípios na hora de pagar a conta;
• O Custo Aluno Qualidade, que determina quais são os padrões mínimos 
de qualidade que todo aluno deve ter acesso e quanto isso custa;
• O Plano de Valorização dos Profissionais da Educação, que trata 
da formação e capacitação dos professores e demais profissionais 
ligados aos alunos; e
• A Lei de Responsabilidade Educacional, que responsabiliza prefeitos 
quando as metas de qualidade de educação não forem cumpridas.
Desses quatro itens, dois estão em debate no Ministério da Educação 
e outros dois no Congresso Nacional (MORAIS, 2016, s.p.).
Frente a estas exposições, podemos determinar que as mudanças seguem 
a passos lentos, e que sua possibilidade de concretização necessita também de 
vontade política e que, enquanto sociedade civil organizada, participemos de todos os 
movimentos que tratem das questões educacionais e demais esferas.
83
Observe o que ocorre nas redes sociais oficiais, busque informações, dialogue 
com seus colegas, mantenha-se informado.
Para orientar um pouco suas buscas nas redes oficiais, deixamos o site do PNE, 
pois nele você encontrará uma explanação de cada meta relativa ao Plano Nacional 
de Educação de 2014 a 2024. Neste site, você, acadêmico, poderá buscar a região, 
estado, mesorregião e município, buscando como cada meta está sendo desenvolvida. 
Há também neste site a nota técnica de cada meta. Busque, leia, veja como seu estado 
e município encontra-se dentro das metas do Plano Nacional de Educação 2014 – 2024 
no seguinte link: http://www.pne.mec.gov.br.
Você será direcionado para a seguinte página: 
FIGURA 4 – Site do PNE
FONTE: . Acesso em: 24 fev. 2021.
Aqui você poderá navegar e terá informações primorosas sobre o PNE 
2014 – 2024. Estas informações são de grande relevância para que seus conhecimentos 
sejam ampliados e para que você possa ver como está seu município perante cada meta 
de ação do PNE. 
Esta é uma possibilidade de você visualizar o Plano Nacional de Educação 
vigência 2014-2024. Acreditamos que quiçá, num futuro bem próximo, alcançaremos 
algumas das metas propostas no Plano que hora temos e no que está sendo construído 
para o próximo decênio.
Deixamos para você um recorte do que está expresso no documento intitulado: 
Plano Nacional de Educação – PNE 2014-2024, Linha de Base. Disponível em: 
http://twixar.me/9NYm. Acesso em: 10 jul. 2021.
DICAS
84
INTRODUÇÃO - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO – PNE
O Plano Nacional de Educação (PNE), com vigência entre 2014 e 2024, constitui 
um documento que define compromissos colaborativos entre os entes federativos e 
diversas instituições pelo avanço da educação brasileira. A agenda contemporânea de 
políticas públicas educacionais encontra no PNE uma referência para a construção e 
acompanhamento dos planos de educação estaduais e municipais, o que o caracteriza 
como uma política orientadora para ações governamentais em todos os níveis federativos 
e impõe ao seu acompanhamento um alto grau de complexidade.
 As questões públicas que motivam o PNE podem ser vislumbradas nas desigual-
dades educacionais, na necessidade de ampliar o acesso à educação e a escolaridade mé-
dia da população, na baixa qualidade do aprendizado e nos desafios relacionados à valoriza-
ção dos profissionais da educação, à gestão democrática e ao financiamento da educação. 
Diante de tais condições, o objetivo central do Plano, que pode ser apreendido 
de suas diretrizes, consiste em induzir e articular os entes federados na elaboração de 
políticas públicas capazes de melhorar, de forma equitativa e democrática, o acesso e a 
qualidade da educação brasileira. Como sintetiza o documento do Ministério da Educação 
(MEC), “Planejando a Próxima Década – Conhecendo as 20 Metas do Plano Nacional de 
Educação” (Brasil. MEC, 2014, p. 7), um plano “representa, normalmente, reação a situa-
ções de insatisfação e, portanto, volta-se na direção da promoção de mudanças a partir 
de determinadas interpretações da realidade, 12 dos problemas e das suas causas, refle-
tindo valores, ideias, atitudes políticas e determinado projeto de sociedade”. 
A partir do nível de problematização mais amplo expresso pelas diretrizes, que 
podem ser tomadas como representativas do “consenso histórico de forças políticas 
e sociais no País, que devem balizar todos os planos, desde sua elaboração até sua 
avaliação final” (Brasil. MEC, 2014), o PNE se estrutura em metas e estratégias aferíveis, 
o que possibilita um acompanhamento objetivo de sua execução. As metas podem 
ser definidas como as demarcações concretas do que se espera alcançar em cada 
dimensão da educação brasileira. As estratégias, por sua vez, descrevem os caminhos 
que precisam ser construídos e percorridos por meio das políticas públicas.
 As dez diretrizes do PNE são transversais e referenciam todas as metas, buscando 
sintetizar consensos sobre os grandes desafios educacionais do País e podendo ser categoriza-
das em cinco grandes grupos. Também é vislumbrada uma relação mais ou menos intensa de 
cada conjunto de metas com alguma diretriz em particular, o que possibilita uma classificação 
das metas à luz da diretriz com a qual possui maior imbricação, como se vê no quadro a seguir.
LEITURA
COMPLEMENTAR
85
Diretrizes e metas do PNE
FONTE: Elaborado pela Dired/Inep com base na Lei n° 13.005 de 25 de junho de 2014.
Diretrizes para a superação das desigualdades educacionais 
I- Erradicação do analfabetismo.
II- Universalização do atendimento escolar. 
III- Superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoçãoda 
cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação.
Metas: de 1 a 5; 9; 11 e 12; 14.
Diretrizes para a promoção da qualidade educacional 
IV- Melhoria da qualidade da educação. 
V- Formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e 
éticos em que se fundamenta a sociedade. 
Metas: 6 e 7; 10; 13. 
Diretrizes para a valorização dos(as) profissionais da educação 
IX- Valorização dos(as) profissionais da educação. 
Metas: 15 a 18. 
Diretrizes para a promoção da democracia e dos direitos humanos 
VI- Promoção do princípio da gestão democrática da educação pública. 
VII- Promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País.
X- Promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à 
sustentabilidade socioambiental. 
Metas: 8 e 19. 
Diretrizes para o financiamento da educação 
VIII- Estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação 
como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), que assegure atendimento às 
necessidades de expansão, com padrão de qualidade e equidade. 
Meta: 20. 
A descrição contida no Quadro 1 busca associar as metas do PNE às cinco categorias 
de diretrizes propostas. Esse esforço de sistematização pode recorrer a outros expedientes, 
tal como classificar as metas de acordo com as responsabilidades de cada ente federativo, 
pelos níveis de ensino, ou mesmo em função dos públicos prioritários. O documento “Pla-
nejando a Próxima Década – Conhecendo as 20 Metas do Plano Nacional de Educação”, do 
MEC, reuniu as metas em quatro grupos principais, conforme seu foco de atuação: 
• Metas estruturantes para a garantia do direito à educação básica com qualidade: 
Meta 1, Meta 2, Meta 3, Meta 5, Meta 6, Meta 7, Meta 9, Meta 10, Meta 11. 
• Metas voltadas à redução das desigualdades e à valorização da diversidade: Meta 4 
e Meta 8. 
86
• Metas para a valorização dos profissionais da educação: Meta 15, Meta 16, Meta 17 
e Meta 18. 
• Metas referentes ao ensino superior: Meta 12, Meta 13 e Meta 14. 
É importante reforçar que o PNE se caracteriza como uma política pública 
articuladora das diversas políticas educacionais, orientando-se pela busca da unidade 
na diversidade de políticas. A realização de seu objetivo central pressupõe que as ações em 
todos os níveis e modalidades de ensino sejam executadas de forma articulada pelos 
entes federativos, sob pena de aprofundar desigualdades regionais em vez de superá-las. 
Além disso, a realização de uma meta é requisito para a efetivação das demais e do Plano 
como um todo. 
O PNE tem como pressuposto que os avanços no campo educacional devem 
redundar do fortalecimento das instituições (escolas, universidades, institutos de 
ensino profissionalizante, secretarias de educação, entre outras) e de instâncias de 
participação e controle social. Isso se materializa em suas estratégias, que demandam 
ações provenientes de estados, municípios e da União, atuando de forma conjunta para 
a consolidação do Sistema Nacional de Educação. De outro lado, a execução do Plano 
requer a integração de suas ações com políticas públicas externas ao campo educacional, 
sobretudo as da área social e econômica, no que reafirma a intersetorialidade como um 
dos requisitos de seu sucesso.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 12 jul. 2021.
87
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
• O Plano Nacional de Educação possui um histórico, e passa a ser visto na primeira 
LDB, Lei n° 4.024/1961 como “instrumento de distribuição de recursos para os 
diferentes níveis de ensino” (AZANHA, 1998, p. 110).
• “Os planos que sucederam o de 1962 revelaram-se mais tentativas frustradas do que 
planos efetivos de educação, uma vez que as coordenadas de ação do setor eram 
obstaculizadas pela falta de integração entre os diferentes ministérios” (LIBÂNEO; 
OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 178).
• Em 1990, início do governo de Fernando Collor, realizou-se a discussão internacional 
para um plano decenal para os nove países mais populosos do Terceiro Mundo, que 
são: Tailândia, Brasil, México, Índia, Paquistão, Bangladesh, Egito, Nigéria e Indonésia.
• Com a posse de Fernando Henrique Cardoso em 1995, foi apresentado o Plano 
Nacional de Educação “como continuidade do Plano Decenal de 1993 (art. 87, § 
1°, da Lei n° 9.394/1996)” (LIBÂNEO, OLIVEIRA e TOSCHI, 2012, p. 179). Este plano 
foi elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 
tendo somente alguns interlocutores.
• O Plano Nacional da Educação (2001-2010) teve quatro objetivos básicos:
◦ elevação global do nível de escolaridade da população; 
◦ a melhoria da qualidade de ensino em todos os níveis;
◦ a redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso à escola 
pública e à permanência, com sucesso, nela;
◦ a democratização da gestão de ensino público nos estabelecimentos oficiais, 
obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na 
elaboração do projeto pedagógico da escola e da participação da comunidade 
escolar e local em conselhos escolares e equivalentes.
• Entre os anos 2003 e 2006 as Políticas educacionais empreendidas no primeiro 
governo Lula apresentaram um programa para a educação intitulado “Uma Escola 
do Tamanho do Brasil”. Assim, a garantia de uma educação como direito, passou 
a ser entendida neste governo através de três diretrizes gerais, sendo elas: a) 
democratização do acesso e garantia de permanência; b) qualidade social da 
educação; c) instauração do regime de colaboração e da democratização da gestão.
• O Plano Nacional de Educação possui 20 metas e estratégias, contudo, nenhuma 
das 14 metas previstas para 2015 e 2016 no Plano Nacional de Educação (PNE) foi 
integralmente cumprida (MORAIS, 2016).
88
AUTOATIVIDADE
1 O PNE – Plano Nacional de Educação – inclui 20 metas e estratégias traçadas para o 
setor no próximo decênio. Entre essas metas, temos a que se refere a universalizar o 
ensino fundamental de nove anos para toda a população de 6 a 14 anos. Diante dessa 
informação, podemos determinar que para chegarmos a esta meta serão necessárias 
estratégias. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir:
I- Para alcançar este objetivo é necessário criar novas políticas públicas.
II- Deverão ser previstas estas estratégias através de lei.
III- A meta será aplicada por todos os membros federados.
IV- Realizar metas insistentes no Plano Nacional de Educação.
Frente a isso, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença II está correta.
b) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
2 (ENADE 2017) Aprovada pela Lei n. 13.005/2014, o Plano Nacional de Educação 
(PNE) para o decênio 2014-2024 constitui-se em instrumento de planejamento 
governamental que cumpre uma das prescrições da Constituição Federal de 1988 
(ast.165, parágrafo 4°). O PNE visa a realização de 20 metas. A essas metas são 
vinculadas 253 estratégias, que devem ser cumpridas em sua vigência. Entre essas 
metas, estão a meta 15 – que trata da garantia, em regime de colaboração entre 
União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, no prazo de um ano de vigência 
desse PNE, da política nacional de formação dos profissionais da educação – e a meta 
20 – que trata da ampliação do investimento público em educação pública. 
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 
22 maio 2017.
Nesse contexto, o PNE estabelece:
FONTE: . Acesso em: 12 jul. 2021.
a) ( ) A implantação de programa de concessão de bolsas de estudos a professores 
de idiomas das escolas públicas de educação básica para realizarem estudos de 
imersão e a aperfeiçoamento. 
b)( ) A universalização da oferta e das matrículas em cursos de formação inicial 
e continuada de profissionais que atuam na educação formal. 
89
c) ( ) A implementação de programas de formação de profissionais da educação 
para as escolas do campo e de comunidades indígenas e quilombolas e para a 
educação especial. 
d) ( ) A formação em nível superior dos profissionais da educação básica, em cursos de 
licenciatura na área em que atuam. 
e) ( ) A implementação de cursos e programas para assegurar formação específica em 
nível médio, nas respectivas áreas de atuação, aos docentes em efetivo exercício. 
3 O Plano Nacional de Educação é um documento que determina as metas que deverão ser 
alcançadas no prazo de 10 anos. Estas metas estão interligadas com a Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional. Para isso, são apresentadas as seguintes diretrizes: 
erradicação do analfabetismo; universalização do atendimento escolar; superação das 
desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação 
de todas as formas de discriminação; melhoria da qualidade da educação. Estes são 
pontos difíceis de serem alcançados, constituindo-se desafio histórico para a sociedade 
brasileira. Frente a isso, podemos determinar que algumas ações são necessárias para 
sua efetivação. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir:
FONTE: CARNEIRO, M. A. LDB fácil: leitura crítico-
compreensiva, artigo a artigo. Petrópolis, RJ: Vozes. 23. ed. 
revista e ampliada. 2015, p. 174.
I- Para a realização destes objetivos é necessária a realização de políticas públicas 
que adéquem o planejamento às necessidades educacionais.
II- Para a superação das desigualdades educacionais cabe somente às esferas 
superiores e principalmente à federal criar mecanismos de discriminação social.
III- Cabe à sociedade civil organizada participar ativamente de decisões relativas à 
erradicação, à superação e à melhoria da educação através do acompanhamento 
das políticas públicas.
IV- A responsabilidade relativa ao PNE compete ao Governo Federal, sendo sua 
aplicabilidade e seu recolhimento de respostas relativas a estes pontos negativos 
existentes na educação.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças II e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença IV está correta.
4 O Plano Nacional de Educação possui em sua estrutura 20 metas, as quais buscam 
melhorar o desenvolvimento do sistema educacional brasileiro em todas as suas 
vertentes. O PNE possui 10 anos de validade, sendo que no último ano ocorre a revisão 
das metas. Esta revisão busca identificar os avanços e estagnações que ocorreram 
nestes 10 anos de vigência. 
90
Neste contexto, disserte sobre:
• Avanços ocorridos com o Plano Nacional de Educação. 
• Caminhos para uma efetiva realização das metas inseridas no PNE. 
5 O Plano Nacional de Educação possui uma caminhada histórica, a qual inicia no ano 
de 1961, chegando até nossos dias. Dentro desta caminhada ocorreram muitos movi-
mentos que determinaram sua elaboração e evolução. Desta maneira, disserte sobre:
• Caminhada histórica do Plano Nacional de Educação.
• Seus percalços e vitórias realizadas até a atualidade.
91
REFERÊNCIAS
ABRÃO, B. F.F. Capítulo III – da Educação, da Cultura e do Desporto. In: MACHADO, C. 
Constituição Federal Interpretada: Artigo por artigo, parágrafo por parágrafo. 
7. ed. Barueri, SP: Manole, 2016 - p. 1080-1153
ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
AZANHA, J. M. P. Planos e políticas de educação no Brasil: alguns pontos para reflexão. 
In: MENESES, J. G. C. et al. Estrutura e funcionamento da educação básica: leituras. 
São Paulo: Pioneira, 1998. p. 102-123
AZEVEDO, M. L. N. de. Políticas públicas e educação: debates contemporâneos. 
2008. Disponível em: http://old.periodicos.uem.br/~eduem/novapagina/?q=node/188. 
Acesso em: 12 jul. 2021.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Plano 
Nacional de Educação PNE 2014-2024: Linha de Base. – Brasília, DF: Inep, 2015.
BRASIL. Lei n° 12.796, de 4 abril de 2013. Disponível em: http://www.planalto. 
gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12796.htm. Acesso em: 13 ago. 2016.
BRASIL. Declaração de Salamanca. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área 
das Necessidades Educativas Especiais. 1994. Disponível em: http://portal.mec.gov.
br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf. Acessado em: 10 jul. 2021.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 
DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação. 
Disponível em: https://bit.ly/2XEPYt1. Acesso em: 8 mar. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Pradime: programa de 
Apoio aos Dirigentes Municipais de Educação. Brasília, 2006.
CALDAS, R. W. (Coord.). Políticas públicas: conceitos e práticas. Supervisão por 
Brenner Lopes e Jefferson Ney Amaral. Belo Horizonte: Sebrae/ MG, 2008. Disponível 
em: https://bit.ly/3Act1kq. Acesso em: 1° jun. 2016.
CARNEIRO, M. A. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva, artigo a artigo. Petrópolis, RJ: 
Vozes. 23. ed. revista e ampliada. 2015, p. 174.
CONAE. Documento Final. Coordenador-geral: Francisco das Chagas Fernandes. 2010. 
Disponível em: http://pne.mec.gov.br/images/pdf/CONAE2010_doc_final.pdf. Acesso 
em: 30 jul. 2016.
92
FERREIRA, A. B. de H. Miniaurélio século XXI: o minidicionário da língua portuguesa. 5. 
ed. ver. ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA, J. F.; TOSCHI, M. S. Educação escolar: políticas, estrutura 
e organização. São Paulo: Cortez, 2012.
MACHADO, A. C. da C. (Org.).; CUNHA, A. C. F. da (Coord.). Constituição Federal 
Interpretada: artigo por artigo, parágrafo por parágrafo. 7. ed. Barueri, SP: Manole, 2016.
MARINHO, I. da C. Política educacional. InfoEscola, 2006. Disponível em: https://www.
infoescola.com/educacao/politica-educacional/. Acesso em: 26 maio 2016.
MORAIS, G. Câmara Notícias. Metas do PNE não foram cumpridas integralmente, 
aponta Campanha pelo Direito à Educação. Câmara dos Deputados. 7 de junho de 
2016. Disponível em: https://bit.ly/3bQrIye. Acesso em: 30 jul. 2016.
SANTOS, P. S. M. B. dos. Guia prático da política educacional no Brasil: ações, 
planos, programas e impactos. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
SOUZA, Â. R. de.; GOUVEIA, A. B..; TAVARES, T. M. (Orgs.). Políticas educacionais: 
conceitos e debates. 2. ed. Curitiba: Appris, 2013.
SOUZA, C. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Revista Sociologias, Porto 
Alegre, ano 8, n. 16, p. 20-45, jul./dez. 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
soc/a/6YsWyBWZSdFgfSqDVQhc4jm/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 26 maio 2016.
93
POLÍTICAS PÚBLICAS E 
EDUCAÇÃO: INFLUÊNCIAS 
GLOBAIS
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender a influência da globalização nas políticas públicas educacionais;
• identificar os programas desenvolvidos pelo Ministério da Educação;
• conhecer as instituições formadoras do sistema educacional brasileiro;
• reconhecer a organização e gestão escolar coletiva.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO: INFLUÊNCIAS GLOBAIS
TÓPICO 2 – AS INSTITUIÇÕES FORMADORAS DO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO
TÓPICO 3 – A ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR COLETIVA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
94
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
QR Code abaixo:
95
TÓPICO 1 — 
POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO: 
INFLUÊNCIAS GLOBAIS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, neste tópico trataremos de questões relativas à revolução 
informacional,• conhecer o envolvimento entre a LDB e as esferas federal, estadual e municipal;
• entender a LDB e sua organização com as políticas públicas.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS NO CONTEXTO EDUCACIONAL 
TÓPICO 2 – A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO DE 1996
TÓPICO 3 – A EDUCAÇÃO BRASILEIRA, SUA ORGANIZAÇÃO E RELAÇÃO COM AS 
POLÍTICAS EDUCACIONAIS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
POLÍTICAS PÚBLICAS NO CONTEXTO 
EDUCACIONAL
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! Estamos iniciando o Livro Didático de Políticas Educacionais 
e queremos, neste tópico, apresentar alguns conceitos relacionados às políticas públicas 
e qual o seu envolvimento com a educação. Assim, a Constituição Federal também fará 
parte deste estudo, além de nossa carta magna na educação, a LDB – Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação.
Afinal, que ligação tem as políticas públicas, a Constituição Federal e a LDB para 
o trabalho desenvolvido na esfera educacional? É significativa a interação entre elas e 
cabe a nós, acadêmicos e futuros profissionais da educação, compreendermos esta 
ligação, que determina o bom funcionamento ou não dos projetos desenvolvidos pelas 
esferas federais, estaduais e municipais.
Cabe ressaltar, prezado acadêmico, que você está sendo convidado a analisar, 
refletir, questionar e construir novas ideias a partir dos conhecimentos que serão 
apresentados a partir deste momento.
Vamos à leitura!
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
2 O QUE SÃO POLÍTICAS PÚBLICAS?
Acadêmico! Se você fosse perguntado sobre o que são políticas públicas, qual 
seria sua resposta? Acreditamos que, inicialmente, pararia e refletiria sobre o tema. É algo 
natural do ser humano, que ao ser questionado, por alguns segundos ou minutos pare e 
reflita sobre o que foi perguntado.
A esta pergunta pensamos que sua resposta possa estar relacionada a uma visão 
prática do dia a dia, mas como? Existem outras formas de visualizarmos as políticas 
públicas? Vejamos!
As políticas públicas possuem sua história e conceitos, conforme o Manual de 
Políticas Públicas: conceitos e práticas do Sebrae, coordenado por Caldas (2008, p. 5):
A função que o Estado desempenha em nossa sociedade sofreu 
inúmeras transformações ao passar do tempo. No século XVIII e XIX, 
seu principal objetivo era a segurança pública e a defesa externa 
4
em caso de ataque inimigo. Entretanto, com o aprofundamento 
e expansão da democracia, as responsabilidades do Estado se 
diversificaram. Atualmente, é comum se afirmar que a função 
do Estado é promover o bem-estar da sociedade. Para tanto, ele 
necessita desenvolver uma série de ações e atuar diretamente em 
diferentes áreas, tais como saúde, educação, meio ambiente.
Assim, observa-se que o Estado passou e passa por transformações, as 
quais são acompanhadas por toda a sociedade. Se antes a preocupação encontrava-
se direcionada à defesa do território, hoje, além da defesa do território nacional, as 
preocupações voltam-se também para as áreas da saúde, segurança pública, educação, 
meio ambiente. Mesmo que saibamos da fragilidade em muitas dessas áreas, o Estado 
necessita voltar a se organizar e buscar soluções para a fortificação delas, pois a 
população necessita dessas ações.
Desta forma, falar em políticas públicas para alguns é o mesmo que ser 
utópico, pois elas não surtem efeitos desejáveis. Sim, vivemos uma realidade delicada 
e repleta de problemas, os quais precisam ser passados a limpo. Mesmo que muitos 
não acreditem, já se deixaram levar pelo descrédito da política, mesmo assim são 
necessários movimentos que reformulem todo o sistema em que o Estado se encontra, 
para assim determinarmos as ações e os programas para a melhoria e estabilidade das 
áreas de segurança pública, saúde, educação, dentre outras.
E como afirma Oscar Wilde em uma de suas célebres frases e utilizada por 
Mário Luiz Neves de Azevedo (2008, p. 9) na apresentação do livro Políticas Públicas 
Contemporâneas: “Isto é utópico? Um mapa-múndi que não inclua a Utopia não é digno 
de consulta”.
Neste livro didático, a utopia em sua mais elevada significação será utilizada 
e levará você, acadêmico, a refletir sobre como, por que e para que são utilizadas as 
políticas públicas e como elas influenciam em nosso cotidiano.
Ainda conforme Azevedo (2008, p. 18), “escrever sobre Políticas Públicas é 
tratar, essencialmente, sobre projetos em construção que dependem da visão de mundo 
dos seus promotores”.
Afinal, o que são essas políticas públicas? Vamos buscar respostas em nosso dia a dia.
Em cada momento de nossa vida, em nosso cotidiano, estamos envoltos 
por regras que determinam nossa maneira de agir, pensar, conviver e determinam o 
processo de construção econômica, política e social de um país, de nossas vidas e da 
sociedade num todo.
Em muitos momentos estas políticas passam despercebidas, mas elas 
encontram-se dentro da história da humanidade. Podemos relatar também forte 
influência na Grécia Antiga, onde a palavra política tem seu berço, onde filósofos como 
5
Aristóteles e Platão foram os precursores desta ciência. Cabe, aqui, perguntarmos: 
política é uma ciência? Sim, a política é uma ciência, que “determina quais são as ciências 
necessárias nas cidades, quais as que cada cidadão deve aprender” (ABBAGNANO, 
2000, p. 773).
Perante o apresentado na citação, podemos perceber que as políticas são 
as regras de organização e de convivência necessárias para que uma cidade, um 
estado e país consigam se desenvolver e viver em harmonia, sendo os governantes os 
responsáveis pelos caminhos a serem traçados para a melhoria da qualidade de vida da 
população envolvida.
Ao buscarmos respostas referentes ao que é Política Pública, encontramos 
diversas definições que nos remetem à organização, a estudos voltados às ações a 
serem empregadas para o bem-estar da sociedade.
Como afirma Santos (2012, p. 5): “Políticas públicas são ações geradas na esfera 
do Estado e que têm como objetivo atingir a sociedade como um todo ou partes dela”.
Cabe ressaltar que as políticas públicas são também de nossa responsabilidade, 
enquanto cidadãos, que buscam melhoria de vida. As políticas públicas terão eficácia, 
a partir do momento que os cidadãos compreendam como ocorre a criação dessas 
políticas (ações, programas) nas esferas federais, estaduais e principalmente nas 
que estão bem próximas de cada um de nós, e que estão sendo desenvolvidas, as 
municipais. Estas ações também ocorrem dentro e fora de nossas residências, e somos 
nós, também responsáveis pela sua aplicabilidade, transparência e eficácia.
Como? Eu responsável por políticas públicas? Isso não compete somente 
aos governantes? Sim, compete a eles, mas também a cada cidadão, que possui a 
responsabilidade de cobrar e de fazer cumprir as leis através de ações.
Fica claro que a política, segundo Santos (2012, p. 2), “[...] sempre está ligada ao 
exercício do poder em sociedade, seja em nível individual, quando se trata das ações 
de comando, seja em nível coletivo, quando um grupo (ou toda sociedade) exerce o 
controle das relações de poder em uma sociedade”. De acordo com o mesmo autor, 
podemos perceber que, independentemente do nível, seja individual ou coletivo, a 
política está presente e vem acompanhada de outra palavra, que é o poder.
O poder é algo que se encontra impregnado dentro de todas as áreas de 
estruturação profissional ou política. Este poder pode ser compreendido como algo 
positivo ou negativo. Positivo no sentido de ser compreendido como um processo de 
transformação de uma sociedade, voltada às bem feitorias, à visão de uma sociedade 
em que todos possuam seus direitos e seus deveres.
6
No aspecto negativo, pode levar o detentor do poder a tornar-seà globalização e à exclusão social ocorrida pela globalização. Trataremos, 
ainda, da organização das instituições que formam o Sistema Nacional de Educação e o 
que cada uma possui como responsabilidade.
É possível que você se questione sobre qual a necessidade de tratar-
mos destes temas. Afirmamos que são necessárias, pois elas estão inseridas na 
LDB/96, e ela é nossa base de formulação para os anseios e objetivos a alcançar dentro 
da educação.
Acadêmico, muitas vezes estamos tão ligados em nossa rotina diária que 
não percebemos que estamos atrelados às leis relativas à educação. Por isso, existe 
a necessidade de verificarmos como, por que e para que determinadas ações que 
realizamos cotidianamente são necessárias para que se obtenha êxito no trabalho.
Obter o conhecimento é essencial para nossa formação e permanência na 
educação. Então, vamos neste Tópico nos ater às Políticas Públicas na Educação, 
influenciadas ou não pela globalização. Veremos quais os níveis e modalidades de 
educação e ensino existentes no sistema brasileiro de educação, além dos planos, 
programas e a organização e gestão escolar coletiva. 
Boa leitura!
2 A GLOBALIZAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA NAS POLÍTICAS 
PÚBLICAS EDUCACIONAIS
Acadêmico, a cada momento de nossas vidas nos deparamos com novas 
tecnologias e muitas informações, as quais nos chegam de forma rápida e sem filtros 
em muitas situações. Tudo isso vem acompanhado de uma palavra que se ouve muito, 
a globalização.
A globalização é algo que influencia diretamente cada um de nós e muitas vezes nem 
nos damos conta disso. Num processo de transformações que a sociedade contemporânea 
passa, é natural obtermos intensas e variadas formas de informações, dando a cada 
96
indivíduo, como sugerem Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 61), “[...] a ideia de movimentação 
intensa, ou seja, de que as pessoas estão em meio a um acelerado processo de integração e 
reestruturação capitalista”.
Com isso, podemos entender que a globalização existe em todos os espaços, 
seja econômico, social, político e cultural, dando ênfase ao momento histórico. Assim, a 
globalização para Sousa (2011, p. 4) é vista como:
[...] processo de mundialização, de acordo com o entendimento 
majoritário dos autores contemporâneos, caracteriza-se pela ampla 
integração econômica, política, cultural e outros entre as nações. 
Contudo, a integração nos seus mais variados aspectos se destaca 
pela economia, podendo ser de diversos tipos, mas nenhuma 
integração econômica é melhor do que a outra. A escolha do país 
pelo modelo de integração decorre de seus objetivos e do seu grau 
de dependência entre as grandes potências.
Desta forma, não podemos deixar de nos questionar: como a globalização 
surgiu? Ela possui uma história? Sim, a globalização possui sua história, a qual pode ser 
resumida nas palavras de Sousa (2011, p. 2), que assim retrata a globalização:
A globalização remonta à origem do homem na Terra, claro que, com 
outras características e com outros delineamentos. O certo é que, este 
sistema vem evoluindo de acordo com as necessidades humanas e 
com as exigências mundiais. O grande avanço deve-se à queda do 
muro de Berlim, ao fim do socialismo, à expansão do capitalismo e 
do neoliberalismo, após a Segunda Grande Guerra Mundial e com o 
avanço da Comunidade Comum Europeia.
Frente aos avanços apresentados por Sousa (2011), podemos determinar que o 
Brasil não escapou deste processo e estamos intimamente inseridos nesta globalização. 
Mas através de quê?
Podemos determinar várias possibilidades, mas nos ateremos ao que diz Sousa 
(2011, p. 3), quando afirma que a globalização vem associada ao surgimento do estado 
neoliberal, o qual é originário do início do século XX, na Inglaterra.
Frente a isso, podemos determinar que o Brasil possui esta influência do 
neoliberalismo, pois no governo Fernando Collor, o Estado Neoliberal passou a ser 
implantado, em meados de 1990, dando a possibilidade às privatizações.
Neoliberalismo: prática econômica que não aceita a influência do estado na 
economia, deixando o mercado se autorregular com total liberdade. O lucro é 
o objetivo de todos nesse sistema (SILVA; FERRONATO; BARUFFI, 2014, p. 99).
NOTA
97
Começou a ocorrer no Brasil uma grande liberalização comercial, 
através da diminuição de tarifas, e consequentemente o crescimento 
das exportações, especialmente de produtos básicos, e ainda, o 
aumento das importações, exceto para os setores de tecnologia de 
ponta, porque acreditava-se que era essencial o país investir neste 
setor (SOUSA, 2011, p. 3).
Nosso país, com estas mudanças, passa a receber olhares de países 
economicamente mais avançados (Primeiro Mundo), como Estados Unidos, Japão e a 
União Europeia, os quais têm o maior número de ações com o Banco Mundial.
Com relação ao Banco Mundial, podemos dizer que ele foi “criado a partir das 
necessidades advindas após a Segunda Guerra Mundial, quando os países devastados 
pela guerra sentiram a necessidade de buscar seu crescimento econômico” (SILVA; 
FERRONATO; BARUFFI, 2014, p. 88).
O Banco Mundial faz parte da vida dos brasileiros, pois não nos são estranhas 
as seguintes siglas: “FMI – Fundo Monetário Internacional, o qual permanece presente 
em nossa vida econômica e o BIRD – Banco Internacional para Reconstrução e 
Desenvolvimento, que foram criados pelo Banco Mundial, em 1944, no estado de 
New Hampshire” (BUENO; FIGUEIREDO, 2012, p. 2), com o objetivo de reconstrução e 
desenvolvimento dos países do sul.
Frente a isso, e passados vários anos, o Banco Mundial possui em seus objetivos 
um cuidado maior em relação às questões relativas à saúde e educação. E perceberam 
que a partir da educação poder-se-á diminuir a pobreza e consequentemente a violência.
A pobreza tornou-se o elemento principal e foco de ações, e, nesta 
direção, a melhor forma de reforçar o processo seria estimular a 
produtividade. Diante da preocupação com a pobreza e das novas 
condicionalidades traçadas, o Banco Mundial redefiniu as formas de 
financiamento. Os projetos de empréstimos transformaram-se em 
multiprojetos que culminaram em programas integrados, dotados de 
componentes e interações complexas, organizados em áreas setoriais, 
sendo a educação uma delas (BUENO; FIGUEIREDO, 2012, p. 3-4).
Qual é a importância do Banco Mundial e a globalização nas questões 
relativas ao Brasil, principalmente se tratando de educação? Tudo, caro acadêmico! 
Pelo fato de que diante da economia brasileira, observa-se uma crescente escalada 
de violência, exclusão social, níveis elevados de analfabetismo, mesmo que se tenha 
em anos anteriores conseguido alguns avanços, os quais não são suficientes para sua 
erradicação. Diante destes fatores, os quais são considerados de elevada importância, 
foram e é necessária a criação de políticas públicas, as quais foram mencionadas na 
Unidade 1, que denotam o foco e as estratégias a serem alcançadas para dirimirmos 
esses problemas.
98
Com isso, todos os países, independentemente de sua situação econômica, 
buscam meios de manter sua qualidade nos setores econômico e social, e os que não 
as possuem, buscam formas de sanar os problemas através de políticas públicas e de 
programas que o Banco Mundial possui para auxiliar os países do Terceiro Mundo e em 
desenvolvimento, no caso do Brasil, por exemplo.
As atuais políticas educacionais e organizativas devem ser 
compreendidas no quadro mais amplo das transformações 
econômicas, políticas, culturais e geográficas que caracterizam o 
mundo contemporâneo. Com efeito, as reformas educativas executadas 
em vários países do mundo europeu e americano, nos últimos vinte anos, 
coincidem com a recomposição do sistema capitalista mundial, que 
incentiva um processo de reestruturação global da economia regido pela 
doutrina neoliberal (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 42).
Ainda, de acordo com Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 42), “[...] alguns analistas 
críticos do neoliberalismo identificam três de seus traçosdistintivos: mudanças nos 
processos de produção associadas a avanços científicos e tecnológicos, superioridade do 
livre funcionamento do mercado na regulação da economia e redução do papel do Estado”.
Caro acadêmico, observe que essas linhas apresentadas por Libâneo, Oliveira 
e Toschi (2012) nos dão a ideia de que a forma econômica apresentada nos países 
industrializados trata a educação com políticas de ajuste, as quais são defendidas em 
âmbito mundial pelo Banco Mundial. As orientações neoliberais:
[...] postulam ser o desenvolvimento econômico, alimentado 
pelo desenvolvimento técnico-científico, o fator de garantia do 
desenvolvimento social. Trata-se de uma visão economicista e 
tecnocrática que desconsidera as implicações sociais e humanas do 
desenvolvimento econômico, gerando problemas sociais (LIBÂNEO; 
OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 43).
Dentro dessa visão de Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 43), podemos 
determinar que os problemas sociais estão elencados como: “desemprego, fome e 
pobreza, que alargam o contingente de excluídos, ampliando as desigualdades entre 
países, classes e grupos sociais”.
Essas questões não parecem familiares?
Com o que já foi apresentado, podemos então determinar que a preocupação 
com o desenvolvimento técnico-científico passa a ter um novo olhar e retrata bem 
as questões relativas dos governos em como ver a formação de sua população, seu 
sistema educacional.
Com isso, percebemos que a preocupação relativa ao conhecimento – Educação – 
foca na questão econômica, no aumento da produtividade deste sujeito.
99
Conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 43), “a reforma dos sistemas 
educativos torna-se prioridade, especialmente nos países em desenvolvimento, tendo 
em vista o atendimento das necessidades e exigências geradas pela reorganização 
produtiva no âmbito das instituições capitalistas mundiais”.
Cabe ressaltar que “somente o trabalho braçal já não é suficiente para a manutenção 
da economia de um país. É preciso fazer com que esses trabalhadores passem a buscar 
formação para melhorar a produtividade das indústrias, dando condições de crescimento 
econômico ao país” (SILVA; FERRONATO; BARUFFI, 2014, p. 91).
Frente ao exposto, podemos determinar que a maneira de visualizar a economia e 
sua aceleração nos países em desenvolvimento é, perante o Banco Mundial, perceber que:
[...] novos tempos requerem nova qualidade educativa, o que implica 
em mudança nos currículos, na gestão educacional, na avaliação 
dos sistemas e na profissionalização dos professores. A partir daí, 
os sistemas e as políticas educacionais de cada país precisam 
introduzir estratégias como descentralização, reorganização 
curricular, autonomia das escolas, novas formas de gestão e direção 
das escolas, novas tarefas e responsabilidades dos professores 
(LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 45).
Diante desta exposição, o Banco Mundial passa o recado de que quem 
deseja crescer economicamente perante os demais países necessitará reestruturar 
seu sistema educacional. Com isso, a educação brasileira passou a se inserir 
neste contexto.
Podemos relembrar o que já estudamos na Unidade 1, quando tratamos das ações 
empreendidas no governo Collor, como a participação na Conferência Mundial sobre a 
Educação para Todos, em Jomtien, na Tailândia, promoção do Banco Mundial, com a 
participação de diversas organizações mundiais. Nesta conferência foram determinados 
os seguintes objetivos:
Art. 1 Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem: cada pessoa – 
criança, jovem ou adulto – deve estar em condições de aproveitar as oportunidades 
educativas voltadas para satisfazer suas necessidades básicas de aprendizagem.
Art. 2 Expandir o enfoque: lutar pela satisfação das necessidades básicas de 
aprendizagem para todos exige mais do que a ratificação do compromisso pela 
educação básica. É necessário um enfoque abrangente, capaz de ir além dos níveis 
atuais de recursos, das estruturas institucionais; dos currículos e dos sistemas 
convencionais de ensino, para construir sobre a base do que há de melhor nas 
práticas correntes.
100
Art. 3 Universalizar o acesso à educação e promover a equidade: a educação 
básica deve ser proporcionada a todas as crianças, jovens e adultos. Para tanto, 
é necessário universalizá-la e melhorar sua qualidade, bem como tomar medidas 
efetivas para reduzir as desigualdades.
Art. 4 Concentrar a atenção na aprendizagem: a tradução das oportunidades 
ampliadas de educação em desenvolvimento efetivo – para o indivíduo ou para 
a sociedade – dependerá, em última instância, de, em razão dessas mesmas 
oportunidades, as pessoas aprenderem de fato, ou seja, apreenderem conhecimentos 
úteis, habilidades de raciocínio, aptidões e valores.
Art. 5 Ampliar os meios de e o raio de ação da Educação Básica: a diversidade, 
a complexidade e o caráter mutável das necessidades básicas de aprendizagem 
das crianças, jovens e adultos, exigem que se amplie e se redefina continuamente o 
alcance da educação básica. [...]
Art. 6 Propiciar um ambiente adequado à aprendizagem: a aprendizagem 
não ocorre em situação de isolamento. Portanto, as sociedades devem garantir a 
todos os educandos assistência em nutrição, cuidados médicos e o apoio físico e 
emocional essencial para que participem ativamente de sua própria educação e dela 
se beneficiem.
Art. 7 Fortalecer as alianças: as autoridades responsáveis pela educação aos níveis 
nacional, estadual e municipal têm a obrigação prioritária de proporcionar educação 
básica para todos. Não se pode, todavia, esperar que elas supram a totalidade dos 
requisitos humanos, financeiros e organizacionais necessários a esta tarefa. Novas 
e crescentes articulações e alianças serão necessárias em todos os níveis: entre 
todos os subsetores e formas de educação, reconhecendo o papel especial dos 
professores, dos administradores e do pessoal que trabalha em educação; entre os 
órgãos educacionais e demais órgãos de governo, incluindo os de planejamento, 
finanças, trabalho, comunicações, e outros setores sociais; entre as organizações 
governamentais e não governamentais, com o setor privado, com as comunidades 
locais, com os grupos religiosos, com as famílias.
Art. 8 Desenvolver uma política contextualizada de apoio: políticas de apoio 
nos setores social, cultural e econômico são necessárias à concretização da plena 
provisão e utilização da educação básica para a promoção individual e social. A 
educação básica para todos depende de um compromisso político e de uma vontade 
política, respaldados por medidas fiscais adequadas e ratificados por reformas na 
política educacional e pelo fortalecimento institucional. [...]
Art. 9 Mobilizar os recursos: para que as necessidades básicas de aprendizagem 
para todos sejam satisfeitas mediante ações de alcance muito mais amplo, será 
essencial mobilizar atuais e novos recursos financeiros e humanos, públicos, 
privados ou voluntários. Todos os membros da sociedade têm uma contribuição a 
dar, lembrando sempre que o tempo, a energia e os recursos dirigidos à educação 
básica constituem, certamente, o investimento mais importante que se pode fazer 
no povo e no futuro de um país. [...]
101
Art. 10 Fortalecer a solidariedade internacional: satisfazer as necessidades 
básicas de aprendizagem constitui-se uma responsabilidade comum e universal 
a todos os povos, e implica solidariedade internacional e relações econômicas 
honestas e equitativas, a fim de corrigir as atuais disparidades econômicas. Todas 
as nações têm valiosos conhecimentos e experiências a compartilhar, com vistas à 
elaboração de políticas e programas educacionais eficazes. [...]
FONTE: UNESCO. Declaração mundial sobre educação para todos: satisfação das necessida-
des básicas de aprendizagem. Jomtien,1990. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/ima-
ges/0008/000862/086291por.pdf. Acesso em: 31 jul. 2016.
A partir desta Conferência, muda-se a visão de muitos governantes e busca-se a 
melhoria da educação atravésde reformas educativas, frente a novas realidades sociais.
3 NOVAS REALIDADES SOCIAIS E AS REFORMAS 
EDUCATIVAS NO BRASIL
Acadêmico, desta Conferência foram retiradas orientações para a elaboração do 
Plano Decenal de Educação Para Todos (documento elaborado para determinar ações 
a serem realizadas dentro de um determinado período, no caso, dez anos), sendo este 
documento produzido “como diretriz educacional do governo Itamar Franco em 1993” 
(LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 44).
De maneira breve, vamos resumir as ações realizadas a partir desta Conferência, 
para os demais governantes que sucederam a Collor até a atualidade. No governo de 
Fernando Henrique Cardoso (1995 a 1998) foram escolhidas metas mais pontuais com 
relação ao Plano Decenal, ficando assim elencadas:
descentralização da administração das verbas federais, elaboração do 
currículo básico nacional, educação a distância, avaliação nacional 
das escolas, incentivo à formação dos professores, parâmetros de 
qualidade para o livro didático, entre outras. Nesta gestão houve a 
elaboração e promulgação da LDB (Lei 9.349/96) e a formulação das 
diretrizes curriculares, normas e resoluções do Conselho Nacional de 
Educação (CNE) para o ensino superior (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 
2012, p. 44).
Em seu segundo mandato (1999-2002), FHC manteve a mesma política educacio-
nal que vinha utilizando, incluindo neste a aprovação, pelo “Congresso Nacional, do Plano 
Nacional de Educação – PNE (2001-2010)” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 45).
102
Acadêmico, você se recorda do que trata o Plano Nacional de Educação? Se 
não lembrar, busque na Unidade 1 esta definição.
A Emenda Constitucional n° 59, aprovada em 2009 pelo Congresso, prevê a 
obrigatoriedade do ensino para a população entre 4 e 17 anos e amplia a 
abrangência dos programas suplementares para todas as etapas da educação 
básica. Com a mudança na Constituição Federal, o ensino pré-escolar e médio 
passam a ser obrigatórios. A meta do governo, portanto, é universalizar o 
acesso. O prazo definido é 2016.
FONTE: . Acesso em: 31 jul. 2016.
NOTA
NOTA
Dando continuidade, observamos que no governo Lula (2003-2006) foi criado 
o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Este dado será melhor 
abordado nas páginas seguintes, dando assim uma compreensão de onde, como e 
para que é utilizado este fundo e os demais fundos criados pelo governo para auxiliar 
no desenvolvimento da educação e diminuir as desigualdades relativas às questões 
educacionais, refletindo nos demais espaços sociais. Em seu segundo mandato (2007-
2010), realizou mudanças na educação básica como, aumento de recursos na educação, 
o Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), o piso salarial dos professores e a 
aprovação da Emenda Constitucional n° 59.
No governo de Dilma Rousseff, deu-se continuidade aos programas do governo 
anterior e buscou-se implementá-los.
Observe, caro acadêmico, que estas ações, entre outras, estão interligadas a 
ações e tendências internacionais, “sobretudo do Banco Mundial e do Fundo Monetário 
Internacional (FMI)” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 44). No entanto, segundo 
Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 45-46):
As políticas e diretrizes educacionais dos últimos vinte anos, com raras 
exceções, não têm sido capazes de romper a tensão entre intenções 
declaradas e medidas efetivas. Por um lado, estabelecem-se políticas 
educativas que expressam intenções de ampliação da margem de 
103
Diante do que já vimos, sobre a globalização, podemos determinar que ela 
é irreversível ou chegará um momento em que os países, independentes de 
suas finanças, buscarão um retrocesso? Qual é a sua opinião?
GIO
autonomia e de participação das escolas e dos professores, por outro, 
verifica-se a parcimônia do governo nos investimentos, impedindo 
a efetivação de medidas cada vez mais necessárias a favor, por 
exemplo, dos salários, da carreira e da formação do professorado, 
com a alegação de que o enxugamento do Estado requer redução 
de despesas e do déficit público, o que acaba imprimindo uma lógica 
contábil e economicista ao sistema de ensino.
Com isso, podemos determinar que perante o mundo, e perante a própria população, 
nos deparamos com olhares desconfiados e descontentes com relação ao grau deficitário 
na aplicação das políticas públicas educacionais. Podemos determinar então que, de 
acordo com Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 46), “esse fato deve-se, certamente, 
às características do modelo econômico adotado, de orientação economicista e 
tecnocrática, em que as implicações sociais e humanas ficam em segundo plano”.
Precisamos então reordenar nossa casa, o Brasil, para assim conseguirmos retornar 
ao crescimento econômico, para a obtenção de qualidade de vida. E não distante tudo 
recai sobre a Educação. Este é o caminho, e a nível globalizado, todos pensam desta 
maneira. A Educação é o caminho para a solução de muitos problemas mundiais e 
nacionais.
Com isso, caro acadêmico, precisamos, enquanto profissionais da educação, 
reconhecer diversas mudanças que ocorrem a nossa volta e estas recaem sobre nossa 
maneira de proceder com os nossos alunos e a compreensão das leis e suas estratégias.
Acadêmico, o que dialogamos até aqui pode não fazer muito sentido, mas observe 
que nesta perspectiva nosso país está buscando, muitas vezes por caminhos tortuosos, 
diminuir as desigualdades sociais e estamos diretamente ligados à globalização. Não 
podemos deixar de compreender que os acontecimentos no mundo afetam diretamente 
a educação, de várias formas, sendo as principais assim pontuadas por Libâneo, Oliveira 
e Toschi (2012, p. 62):
a) Exigem novo tipo de trabalhador, mais flexível e polivalente, o 
que provoca certa valorização da educação formadora de novas 
habilidades cognitivas e competências sociais e pessoais.
104
b) Levam o capitalismo a estabelecer, para a escola, finalidades mais 
compatíveis com os interesses do mercado.
c) Modificam os objetivos e as prioridades da escola.
d) Produzem modificações nos interesses, necessidades e valores 
escolares.
e) Forçam a escola a mudar suas práticas por causa do avanço 
tecnológico dos meios de comunicação e da introdução da 
informática.
f) Induz em alterações na atitude do professor e no trabalho 
docente, uma vez que os meios de comunicação e os demais 
recursos tecnológicos são muito motivadores.
Com estas intervenções, no que diz respeito aos acontecimentos que ocorrem no 
mundo atual, observamos que a escola está também necessitando de reformulação, pois 
a globalização está aí, adentrando nas salas de aula, em todos os espaços e um exemplo 
claro são as novas tecnologias, presentes em nossas vidas e na vida de nossos alunos.
4 REVOLUÇÃO INFORMACIONAL
Sabendo do conceito de globalização no qual estamos inseridos, podemos 
compreender que o celular é um dos instrumentos que representam essa globalização 
na atualidade. São muitos os exemplos, mas tomemo-lo para definir que a revolução da 
informação está em nós, em apenas um clique e estamos conectados ao mundo. Não 
é fascinante?
FIGURA 1 – REVOLUÇÃO INFORMACIONAL
FONTE: . 
Acesso em: 31 jul. 2016.
Perante o que possuímos em nossas mãos, e o que visualizamos cotidianamente, 
estamos vivenciando uma revolução informacional, através da internet, que é a estrela 
maior dessa revolução, e que nos dá a impressão de vivermos em uma “aldeia global”.
105
Sabemos que na atualidade podemos a qualquer momento receber informações 
dos mais variados pontos do mundo, as informações circulam de maneira veloz, tendo 
assim a sensação de estarmos no momento em que ocorreu determinada situação ou 
fato. Para Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 77):
A internet (a super-rede mundial de computadores) é uma das estrelas 
principais, desta fase da revolução informacional, pois interligamilhões de computadores, ou melhor, de usuários a um imenso e 
crescente banco de informações, permitindo-lhes navegar pelo 
mundo por meio do microcomputador. As informações disponíveis 
dizem respeito a praticamente todos os temas de interesse, o que 
fascina cada vez mais as pessoas.
E acrescenta que:
Com maior ou menor acesso, no entanto, as novas tecnologias da 
informação e os diferentes meios de comunicação – por exemplo, 
o rádio, o jornal, a revista, a televisão, o computador, o telefone, o 
fax e outros – estão presentes nos espaços sociais ou incorporados 
no cotidiano de vida das pessoas, de maneira a modificar hábitos, 
costumes e necessidades.
Outro exemplo é o que nós estamos vivenciando, caros acadêmicos, são 
as tecnologias utilizadas para nossos estudos, por exemplo, o Ambiente Virtual de 
Aprendizagem (AVA), o Da Vinci Talk, onde podemos conversar e tirar dúvidas, os vídeos 
da disciplina, os objetos de aprendizagem.
As informações correm por fibras ópticas, satélites etc., criando assim “redes 
de informações on-line (comunicação instantânea) que conseguem juntar texto, som e 
imagem” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 79).
Frente a isso, Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 79) nos apresentam 
características que envolvem ainda a revolução informacional, a saber:
• Surgimento de nova linguagem comunicacional, uma vez 
que circulam e se tornam comuns termos como realidade 
virtual, ciberespaço, hipermídia, correio eletrônico, Orkut, 
Facebook, Twitter e outros, expressando as novas realidades e 
possibilidades informacionais. Já é comum também a utilização 
de uma linguagem digital, sobretudo entre jovens, para expressar 
sentimentos e situações de vida.
• Os diferentes mecanismos de informação digital (comunicação 
instantânea), de acesso à informação, de pesquisa e de ligação 
entre matérias sempre atualizadas e qualificadas.
• As novas possibilidades de entretenimento e de educação (TV 
educativa, educação a distância, vídeos, softwares etc.).
• O acúmulo de informações e as infindáveis condições de 
armazenamento.
106
Observe, acadêmico, que estas características denotam a necessidade de cada 
indivíduo buscar seus conhecimentos para uma melhoria em sua vida profissional e 
pessoal, mas também dá a abertura para a exclusão social se estas características 
não forem bem desenvolvidas. Conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 81), a 
globalização é uma palavra que “está na moda”.
No entanto, diferentemente da moda passageira, ela parece ter vindo 
para ficar. Tem sido usada para designar uma gama de fatores econô-
micos, sociais, políticos e culturais que expressam o espírito e a eta-
pa de desenvolvimento do capitalismo em que o mundo se encontra 
atualmente. Trata-se, portanto, de palavra de difícil conceituação, 
em razão da amplitude e complexidade da realidade que tenta definir.
Cabe ressaltar que esta revolução informacional está em nosso meio e não sairá 
dele, pois com a globalização está sendo construída através de materiais, de serviços, 
saberes e habilidades (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012). E estas construções deter-
minam o nível de desenvolvimento e de monopolização do pensamento. Para tanto, 
faz-se necessária uma verificação nas informações que circulam no espaço público, 
pois estas podem, conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 80), exercer “um papel 
de entretenimento e doutrinação das massas”.
É isso que precisamos cuidar, pois a globalização e tecnologias são de extrema 
necessidade e possuem muita importância, mas elas podem criar uma cultura de 
massa empobrecida de conteúdo. A mesma revolução informacional que determina 
uma evolução pode trazer elementos que tornam o indivíduo mero captador de ideias e 
assim acaba sendo doutrinado por elas.
A informação das novas tecnologias “impõe o desafio de perceber as 
potencialidades contraditórias e libertadoras da revolução informacional, bem como as 
condições e estratégias de luta pela democratização da informação no contexto de uma 
sociedade cada vez mais globalizada” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 81). Como 
esta revolução informacional pode determinar mudanças na educação?
Esta pergunta é pertinente, pois conforme Galvão Filho e Miranda (2012, p. 247), 
“existe uma tensão entre as possibilidades oferecidas pela tecnologia (elas próprias em 
mutação constante) e as condições de sua aplicação: o sistema social e educacional 
e os modos de gestão devem abrir espaço à tecnologia em um determinado nível de 
desempenho”.
Frente ao exposto, podemos determinar que as tecnologias na educação 
possam auxiliar em uma dimensão maior, várias pessoas em suas várias faixas etárias, 
organização de novas formas de ensino como a EAD – Educação a Distância –, que 
determina o local, momento e desejos do educando, a utilização de ricas imagens e de 
visualizações sobre qualquer temática desenvolvida; o estudo voltado competência do 
acadêmico para ir em busca do conhecimento; o fácil acesso às informações, dentre 
outros fatores que auxiliam o processo ensino-aprendizagem.
107
Observa-se, assim, que esta revolução informacional determina a necessidade 
de a educação continuar buscando estas estratégias para tornar o sistema de ensino 
cada vez mais democrático e integrativo.
Cabe ressaltar, aqui, o papel do professor nesse processo evolutivo das novas 
tecnologias. Para tanto, vamos apresentar a você, acadêmico, um recorte do artigo de 
Renival Vieira de Freitas e Magneide S. Santos Lima.
AS NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: DESAFIOS ATUAIS
PARA A PRÁTICA DOCENTE
[...] As novas tecnologias: desafios e suas implicações no ambiente 
escolar e na prática docente.
A introdução dos recursos tecnológicos no ambiente escolar não se restringe 
apenas à utilização de determinados equipamentos e produtos. Essa evolução 
tecnológica e sua chegada e utilização no trabalho docente veio a contribuir na 
alteração de comportamentos. A utilização desses recursos tecnológicos sem 
o devido preparo do docente para a sua introdução na prática diária das escolas 
veio ocorrer um choque cultural e uma resistência por parte dos docentes em sua 
aplicação, ocorrendo assim, o aceleramento da crise de identidade dos professores.
Para Esteve (1999 apud ALONSO, 2008, s.p.) “a situação dos professores diante 
das mudanças que ocorrem na escola é comparável a um grupo de atores que trajam 
as vestimentas de determinado tempo e que, sem nenhum aviso anterior mudam-
lhes os cenários e as falas”. Quando Esteve apresenta essa mudança repentina no 
cenário desse grupo de atores que precisa mudar toda sua apresentação sem um 
aviso prévio e sem a devida preparação podemos verificar o que ocorreu na prática 
diária do professor ao serem introduzidos nas escolas os recursos tecnológicos para 
serem utilizados pelos docentes antes mesmo do sistema educacional promover 
curso de aperfeiçoamento profissional para a utilização desses recursos tecnológicos 
na prática pedagógica.
O professor não deixa de ter importância no desenvolvimento do seu papel 
como mediador da aprendizagem devido à inserção das novas tecnologias no ambiente 
escolar, mas, ao contrário, pode passar a ser o elemento principal dessa sociedade que 
utiliza cada vez mais essas novas tecnologias como recurso didático promovendo o 
enriquecimento da prática educativa, sendo assim, segundo Sacristán (1999, p. 89), 
“a prática educativa não começa do zero: quem quiser modificá-la tem que apanhar o 
processo ‘em andamento’. A inovação não é mais do que uma correção da trajetória”.
108
A renovação na prática docente pode ser constatada, não pelo uso puro e 
simples desses recursos tecnológicos em seu cotidiano, mas, a partir do momento 
em que esses equipamentos modifiquem de forma significativa o olhar do professor 
diante de sua prática, suas concepções de educação, seus modelos de ensino-
aprendizagem. Para Sacristán (1999, p. 74) “o professor é responsável pela modelação 
da prática, mas esta é a intersecção de diferentes contextos”.
Com oaparecimento dos computadores e da internet, e sua inserção no 
ambiente escolar, tornou-se possível a entrada desses novos recursos tecnológicos 
na vida escolar, visto que, antes desse aparecimento era inviável a instalação de um 
computador no ambiente escolar pelo seu tamanho e custo.
Segundo Kenski (2008, p. 45), “a maioria das tecnologias é utilizada 
como auxiliar no processo educativo”. Não só o computador e a internet, como 
outros recursos que foram introduzidos na prática do docente em sala de aula, 
movimentaram a educação e provocaram novas mediações entre a abordagem do 
professor, o entendimento do docente e o conhecimento veiculado.
A utilização por parte do professor no trabalho em classe de mídias e 
ferramentas computacionais contribui para consolidação do processo de ensino-
aprendizagem. Esses recursos quando bem utilizados provocam a alteração dos 
comportamentos de docentes e discentes, contribuindo assim para a ampliação 
e maior aprofundamento do conteúdo estudado. Segundo Alava (2002, p. 65), “a 
mudança provocada pelo desenvolvimento da tecnologia educacional altera de 
forma profunda o modo como o aluno aprende”.
Essa mudança só será possível se o educador se apropriar de tais recursos 
tecnológicos tornando-os significativos e verdadeiramente importantes, entre tantas 
possibilidades, para modificação da prática pedagógica, promovendo a dinamização 
do ensino e da aprendizagem, mas não basta a utilização, é necessário saber usar de 
forma pedagogicamente correta a tecnologia escolhida para alcançar o sucesso no 
ensino-aprendizagem. [...]
Refletindo sobre as práticas docentes
Na atualidade, nada garante o bom desempenho da prática docente se os 
professores não superarem as suas crenças e se dedicarem ao fazer pedagógico 
que leve o discente a experimentar outro comportamento diante dos objetos de 
ensino. Essas crenças são adquiridas antes mesmo dessas pessoas se tornarem 
professores, ainda como alunos. São visões pessoais, emocionais e se articulam 
como um sistema hierárquico de filtragem sobre o que é verdadeiro no ensino e na 
aprendizagem.
109
As convicções se fortalecem com o tempo, na medida em que as experiências 
se cristalizam daquilo que tem bom êxito com frequência. Portanto, o docente, 
ao assumir a docência, traz consigo elementos, onde cria algo como condição de 
interferir na sua prática.
Bourdieu afirma que “os hábitos são princípios geradores de práticas distintas e 
distintivas” (BOURDIEU, 2007, p. 22), logo, compreende-se que existe subentendida na 
docência uma proporção silenciosa da ação pedagógica. Por vez, quando interrogam 
os professores sobre por que desenvolvem sua prática dessa maneira e, por que, ao 
enfrentar determinadas situações, agiram desta forma, geralmente a resposta está 
relacionada às crenças daquele profissional, essa realidade segundo o autor, “constrói 
o espaço social, essa realidade invisível, que não podemos mostrar nem tocar e que 
organiza as práticas e as representações dos agentes” (BOURDIEU, 2007, p. 22). Por 
essa razão é muito difícil modificar o conteúdo da prática pedagógica nos docentes.
A reflexão sobre o trabalho desenvolvido em sua prática diária pelos 
professores possibilita a análise das convicções profissionais dos docentes. Assim, 
define-se pela prática de ensino a identidade docente, construída pelos objetivos 
educativos e pela autonomia profissional.
Refletindo acerca dessa questão, Sacristán (1999, p. 71) afirma que “[...] a 
prática educativa não é uma ação que deriva de um conhecimento prévio, como 
acontece com certas engenharias modernas, mas sim, uma atividade que gera 
cultura intelectual em paralelo com sua existência [...]”. Nessa ótica, entende que 
o docente, ao desenvolver sua prática, pensa, reflete sobre seu trabalho e que, ao 
confrontar com os problemas da sala de aula, busca utilizar-se dos conhecimentos 
adquiridos, (re) elaborando-os de forma criativa, no enfrentamento dos problemas, 
que surgem na sala de aula.
Segundo Azzi (1999), o professor, na heterogeneidade de seu trabalho, está 
sempre diante de situações complexas para as quais deve encontrar repostas, e 
estas repetitivas ou criativas, dependem de sua capacidade e habilidade de leitura 
da realidade e, também, do contexto, pois pode facilitar e/ou dificultar a sua prática.
A prática docente, conforme exposto, se constitui uma fonte de situações 
complexas, na qual o docente no decorrer de sua jornada diária encontra-se face a 
face com os problemas e com as dificuldades crescentes dos discentes, referentes 
à apropriação e produção de conhecimento.
No decorrer da prática diária em sala de aula surgem vários problemas 
que podem levar o docente a refletir acerca do ato pedagógico, fazendo com que 
esses profissionais busquem alternativas para solucionar tais problemas, de modo a 
responder às exigências que essa prática lhes impõe.
110
Nesse aspecto, Sacristán (1999, p. 79) afirma que “o ofício de quem 
ensina consiste basicamente na disponibilidade e utilização, em determinadas 
situações, de esquemas práticos para conduzir a ação”. O autor ressalta que na 
jornada escolar o professor necessita estar preparado para enfrentar determinadas 
situações problemáticas, as quais demandam uma tomada de decisões, aguçando o 
desenvolvimento do pensamento e da ação do docente sobre sua prática.
FONTE: . Acesso em: 7 ago. 2016.
Com a leitura desse artigo podemos determinar que, na educação, a figura do 
professor, independente do surgimento das novas tecnologias (NTICs), mantém-se 
presente neste processo e cabe a ele estar aberto a essas novas possibilidades e utilizá-
las para o desenvolvimento de seus trabalhos.
Com isso, partiremos neste momento ao que o artigo mencionou, que é a forma como 
a prática educacional passará a ser vista com as novas tecnologias. Essas práticas educativas 
estão atreladas aos níveis e modalidades de educação e ensino existentes em nosso país.
5 NÍVEIS E MODALIDADES DE EDUCAÇÃO E ENSINO
Com o apresentado anteriormente, percebemos que para existir ou ser 
inserido no sistema educacional, necessitamos ir ao encontro das leis que determinam 
o funcionamento de sua estrutura. Para tanto, podemos perceber que o sistema 
educacional possui em seu núcleo os níveis e modalidades de educação. Para melhor 
compreensão, vamos determinar o que significa níveis e modalidades. Conforme 
Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 361):
O termo modalidade da educação diz respeito aos diferentes modos 
particulares de exercer a educação. Enquanto os níveis de educação 
se referem aos diferentes graus, categorias de ensino, como infantil, 
fundamental, médio, superior, a modalidade de educação implica a 
forma, o modo como tais graus de ensino são desenvolvidos.
Com relação às modalidades de educação, nos deparamos com a educação 
formal, informal e não formal, que de maneira breve será detalhada neste momento, 
conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2011, p. 236-237):
• A educação informal, também chamada de não intencional, 
refere-se às influências do meio humano, social, ecológico, físico 
e cultural às quais o homem está exposto.
• A educação não formal é intencional, ocorre fora da escola, porém 
é pouco estruturada e sistematizada.
• A educação formal é também intencional e ocorre ou não 
em instâncias de educação escolar, apresentando objetivos 
educativos explicitados. É claramente sistemática e organizada.
111
Precisamos observar que todas as modalidades de educação são 
importantes, pois elas estão presentes no cotidiano das pessoas e tanto a 
modalidade informal “que se refere às influências do meio natural e social sobre 
o homem e interfere em sua relação com o meio social” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 
2012, p. 235), quanto a formal, “que busca ter objetivos explícitos, conteúdos, métodos 
de ensino, procedimentos didáticos [...]” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 236), 
são determinantes para alcançarmos os objetivos previstosem lei.
Assim, todas as modalidades determinam sua maneira de auxiliar no 
desenvolvimento da educação e nenhuma deve ser desconsiderada.
Frente ao exposto, vamos nos ater aos Artigos 205 e 206 da Constituição Federal 
(BRASIL, 1988), que busca uma educação que é direito de todos e dever do Estado e da 
família, além do desenvolvimento pleno do indivíduo, tornando ele apto para o exercício 
da cidadania e a qualificação para o trabalho.
No Artigo 206 da Constituição, encontramos os seguintes princípios para 
conquistar estes objetivos apresentados anteriormente:
I- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II- liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o 
pensamento, a arte e o saber;
III- pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e 
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV- gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V- valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, 
na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente 
por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas 
(Redação dada pela Emenda Constitucional n° 53, de 2006);
VI- gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - 
garantia de padrão de qualidade.
VIII- piso salarial profissional nacional para os profissionais da 
educação escolar pública, nos termos de lei federal (Incluído 
pela Emenda Constitucional n° 53, de 2006).
A LDB/96, em seu título V, no que se refere aos níveis e modalidades de educação 
através do Artigo 21, determina que a educação escolar se compõe de:
I- educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e 
ensino médio;
II- educação superior (BRASIL, 1996).
Como podemos perceber, a educação infantil é o início do processo de educação 
formal, atrelado a esta modalidade temos a educação fundamental, e o ensino médio 
fechando o período da educação básica. Logo depois temos a educação superior, que 
é vista como a “etapa terminal do ciclo da educação escolar” (CARNEIRO, 2015, p. 298).
112
Com isso, buscaremos determinar as finalidades de cada nível através de alguns 
artigos elencados na LDB/96 e que tornam possível a execução destes níveis.
Nos Artigos 22, 23 e 24, temos as finalidades que a educação básica possui para 
desenvolver os educandos; também apresentam sua organização que poderá ser em 
séries anuais, períodos, ciclos, observando a idade dos grupos e sua organização. Ainda 
no Artigo 24 da LDB/96 apresenta-se a organização do ensino fundamental e médio 
observando regras como:
I- a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas 
por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, 
excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver;
II- a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do 
ensino fundamental, pode ser feita:
a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, 
a série ou fase anterior, na própria escola;
b) por transferência, para candidatos procedentes de outras 
escolas;
c) independentemente de escolarização anterior, mediante 
avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento 
e experiência do candidato e permita sua inscrição na série 
ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo 
sistema de ensino;
III- nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, 
o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, 
desde que preservada a sequência do currículo, observadas as 
normas do respectivo sistema de ensino;
IV- poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de 
séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na 
matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros 
componentes curriculares;
V- a verificação do rendimento escolar observará os seguintes 
critérios:
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com 
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos 
e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais 
provas finais;
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso 
escolar;
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante 
verificação do aprendizado;
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência 
paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento 
escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino 
em seus regimentos;
VI- o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o 
disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema 
de ensino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por 
cento do total de horas letivas para aprovação;
VII- cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, 
declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de 
conclusão de cursos, com as especificações cabíveis.
113
Vamos verificar do dispositivo I, que trata da carga horária mínima. Com isso, 
podemos determinar que a ampliação da carga horária mínima de 720 horas para 800 
horas anuais e de 180 para 200 dias letivos foi um grande avanço para nosso país, pois 
conforme Carneiro (2015, p. 306), “o Brasil renuncia à incômoda posição de país que, 
embora signatário do Estatuto Universal dos Direitos Humanos de 1948, exibia um dos 
mais reduzidos tempos de permanência do aluno na escola”. Ainda conforme Carneiro 
(2015, p. 306):
O ganho é inestimável. [...] se o sistema de ensino houver adotado 
o Ensino Fundamental de nove anos, o ganho será maior, passando 
para um acréscimo de 1.440 horas. Ao final do Ensino Médio terá 240 
horas adicionais de estudo, o que equivale a dois meses extras de 
escolaridade. Ao término dos estudos correspondentes ao ciclo da 
educação básica, o aluno terá tido uma ampliação de carga horária, 
entre o Fundamental e o Médio, de cerca de 1.640 horas, o equivalente 
a dois anos adicionais de estudo. Um avanço espetacular da escola 
básica brasileira.
No que diz respeito a essas informações, nos deparamos também com muitas 
disparidades e necessidade de se avançar não só em relação ao número de horas em 
que a criança se encontra na escola, mas também na sua qualidade educacional.
Para tanto, no dispositivo II, encontramos algo que busca amarrar a quantidade 
de horas com a qualidade do ensino. Isto através da incumbência dada à escola de 
“elaborar e executar sua proposta pedagógica”, que se encontra no Artigo 12 da LDB.
No dispositivo III, observamos a necessidade inicial de se respeitar o sistema 
de ensino vigente e a escola pode aqui adotar a promoção por série, sendo que ela 
deverá ser apresentada no regimento escolar. Conforme Carneiro (2015, p. 307):
A lei inova, igualmente, no tocante à questão da promoção. No caso 
de a escola adotar a promoção por série, poderá ocorrer a promoção 
por disciplina, assegurada a estrutura sequencial do currículo. Aqui 
reside a maior dificuldade para operacionalizar a cultura da construção 
curricular, porque ela própria nunca trabalhou com um projeto 
pedagógico próprio, portanto, capaz de espelhar sua especificidade.
Cabe ressaltar a necessidade de os profissionais da educação buscarem maior 
diálogo em suas escolas e com relação as suas disciplinas, pois com isso obteremos 
um avanço significativo no que diz respeito à construção de uma organização curricular 
que enalteça os interesses e necessidades dos educandos e dos próprios profissionais 
da educação.
No dispositivo IV, apresenta-se a questão relativa à organização de turmas/ clas-
ses com alunos em suas séries distintas, utilizando o critério de adiantamento na matéria. 
Conforme Carneiro (2015, p. 308), “[...] é uma possibilidade interessante, embora, também 
de difícil operacionalização”. Isso porque possuímos poucos recursos em todos os níveis, 
sejam eles materiais e tecnológicos, mas não nos falta a criatividade e a flexibilidade de 
tentar modificar muitas das coisas que são apresentadas no cotidiano educacional.
114
Já o dispositivo V trata daverificação do rendimento escolar que, conforme 
Carneiro (2015, p. 309), “[...] constitui um dos mais importantes meios para aferir a adequação 
do projeto político-pedagógico aos contextos individuais e sociais locais e sua decisão 
de atendimento “às necessidades básicas de aprendizagem dos alunos”.
Ao tratarmos da verificação do rendimento escolar é importante observar o que 
apresenta o Artigo 3° da LDB, que trata da igualdade de condições de acesso e permanência 
na escola; liberdade de aprender e ensinar etc. Além desse artigo, o Artigo 12 se refere ao 
cumprimento da função social da escola através de seu Projeto Pedagógico. Não nos 
esquecendo do Artigo 5° e 205 da Constituição e do Artigo 2° da LDB, que tratam de 
questões relativas a seu cumprimento total.
Naturalmente, os procedimentos de verificação, nos termos da 
LDB, se voltam para o aluno como individualidade, uma vez que 
a ideia da educação escolar é possibilitar, a cada um, seu pleno 
desenvolvimento, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho (Art. 2°). Tudo isto estará, de alguma 
forma, radiografado no histórico escolar [...] (CARNEIRO, 2015, p. 309).
Cabe ressaltar que os critérios para realização da avaliação perpassam por dois 
tipos: a qualitativa e a quantitativa. Assim, os critérios apresentados pela lei denotam 
a necessidade de se adotar procedimentos pedagógicos que possuam integração 
nos processos avaliativos. Pois, se buscarmos somente uma avaliação quantitativa, 
estaremos fadados a abandonar o foco da avaliação que é de verificarmos o aluno em 
sua totalidade, globalmente e não somente através de provas, por exemplo.
Outro fator que cabe ser salientado é o processo de aceleração de estudos, que 
para Carneiro (2015, p. 310) “deve constituir componente inafastável de uma política de 
correção de fluxo de todos os sistemas de ensino”. Importante ressaltar que, conforme 
Carneiro (2015, p. 310):
[...] o Brasil é campeão na América Latina em alunos que, fora da 
faixa etária, frequentam a escola fundamental. Esse fenômeno, que 
chega a percentuais elevadíssimos em toda a matrícula, denomina-
se defasagem idade-série e é um dos fatores mais diretamente 
responsáveis pela baixa qualidade do ensino.
O que fazer com esta triste realidade? A cada momento, os profissionais da 
educação buscam respostas para esta mudança de realidade, muitos são os desafios 
e um destes desafios encontra-se na implantação de classes de aceleração, como 
afirma Carneiro (2015, p. 310), mas que não chega a fins eficazes por um dos motivos 
delineados a seguir:
[...] o material usado e todo planejamento para a correção de fluxo no 
Brasil é ‘concebido’ por grandes agências fornecedoras com a total 
exclusão dos professores do processo de criação compartilhada. 
De fato, os docentes entram no processo como meros executores. 
E os resultados são os que todos conhecemos! Fica mais uma vez 
comprovado que, quando o professor não participa, a escola não se 
modifica (CARNEIRO, 2015, p. 310).
115
O dispositivo VI trata do controle da frequência, a qual é de extrema 
importância, pois auxilia no funcionamento adequado da educação escolar e do 
acompanhamento do processo de construção do processo de aprendizagem 
do aluno.
A frequência é obrigatória em todas as escolas da federação brasileira, 
independente da diversidade de cada região do país, perfazendo assim a necessidade 
da realização de 800 horas relativas à carga horária mínima e a 200 dias letivos, já visto 
anteriormente.
Assim, o controle de frequência torna-se obrigatório legalmente, conforme o Artigo 
23 e 24 da LDB, e necessário pedagogicamente, sendo submetido a três condições:
• “é de responsabilidade da escola;
• deve estar disciplinado no regimento escolar;
• obedece a normas gerais de cada sistema de ensino” (CARNEIRO, 2015, p. 312).
Observamos que a frequência escolar está atrelada à escolarização obrigatória 
e esta é presencial e necessita da administração dos dias e das horas letivos, realizado 
através do controle de frequência, a tão conhecida “chamada”.
Esta frequência é utilizada não por acaso, mas para que seja realizada a distribuição 
dos recursos pelo Fundeb, pois conforme o Artigo 9°, da Lei 11.494, que regulamenta 
o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação – FUNDEB: “Para os fins da distribuição dos recursos de que 
trata esta lei serão consideradas exclusivamente as matrículas presenciais efetivas, 
conforme os dados apurados no censo escolar mais atualizado [...]” (BRASIL, 2007).
O Fundeb – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – foi criado 
em novembro de 1968 e está vinculado ao Ministério da Educação – MEC. 
A finalidade da autarquia é captar recursos financeiros para projetos 
educacionais e de assistência ao estudante. A maior parte dos recursos do 
FNDE provém do salário-educação, com o qual todas as empresas estão 
sujeitas a contribuir (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 391).
NOTA
116
O dispositivo VII vem com o intuito de repassar às instituições a responsabilidade 
de expedir os históricos escolares, o qual é “a radiografia do percurso curricular do aluno 
e, portanto, de seu itinerário acadêmico” (CARNEIRO, 2015, p. 313).
Este documento tem o objetivo de confirmar que o aluno obteve os índices 
necessários para a obtenção do diploma e que adquiriu os conhecimentos necessários 
para dar continuidade a sua vida escolar.
Além do histórico escolar, a escola também pode entregar ao aluno, quando so-
licitado, uma declaração (parcial) ou total (que é o caso do diploma), para determinar até 
que nível o aluno se manteve naquela instituição. De acordo com Carneiro (2015, p. 313):
[...] as instituições de ensino têm a magna responsabilidade de regis-
trar e certificar os conhecimentos do aluno, o que constitui um enor-
me desafio e uma vigilância educativa e burocrática continuada, sob 
o olhar cuidadoso da direção e o acompanhamento dos professores.
Ainda sobre os níveis de ensino, destacamos que a Educação Infantil, como 
se apresenta no Artigo 29 da LDB/1996, é a primeira etapa da educação básica, tendo 
como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até cinco anos, em seus 
aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e 
da comunidade (BRASIL, 1996).
Cabe aqui uma ressalva, e que Carneiro (2015, p. 353) apresenta com propriedade, 
no que diz respeito à organização da educação infantil relativo à creche e pré-escola:
Creche e pré-escola não são depósitos de crianças nem hospedagem-
dia, tampouco espaços para as crianças permanecerem algumas 
horas ao longo do dia, enquanto os pais realizam suas jornadas de 
trabalho. Pelo contrário, são ambientes apropriados, equipados 
adequadamente, potencializados no conjunto dos meios disponíveis 
e, sobretudo, com pessoal docente e de apoio técnico devidamente 
qualificado, portanto, com formação especializada, para trabalhar 
com as crianças da faixa etária legal indicada, tendo em vista o seu 
desenvolvimento integral no entrelaçamento dos aspectos físico, 
psicológico, social e lúdico-cultural.
Diante do exposto e o que é apresentado no Artigo 29, determinamos as funções 
que o Estado, a família e a comunidade possuem em relação às ações que devem ser 
desenvolvidas e articuladas por todos na eficácia do desenvolvimento da criança na 
primeira fase educacional de sua vida. Não sendo somente a escola a responsável por 
este movimento.
Cabe ressaltar o que Carneiro (2015, p. 354) apresenta sobre o porquê da 
importância destes três elementos para um ensino eficaz na Educação Infantil.
117
Porque estes são os contextos institucionais e sociais à disposição da 
criança para o seu estruturante desenvolvimento cognitivo. É neles 
que a criança aprende a pensar e aprende a aprender. É sempre con-
veniente relembrar que a inteligência se forma a partir do nascimento, 
mas é, sobretudo na infância que se abrem ‘as janelas de oportunida-des’, quando se multiplicam os estímulos e as cadeias de experiências.
Com isso, podemos determinar que a Educação Infantil é um direito fundamental 
da criança e essa educação se apresenta em quatro ações que são essenciais na sua 
aplicabilidade, sendo elas: condição de desenvolvimento, de formação, integração social 
e de realização pessoal. Carneiro determina que “ao lado desses aspectos tão essenciais 
da vida, há também argumentos de natureza econômica e social” (2015, p. 355). Cabe 
salientar que a Educação Infantil será oferecida para crianças de até cinco anos de idade.
De acordo com o Artigo 30 da LDB (BRASIL, 1996), a educação infantil será 
oferecida em creches para crianças de até três anos de idade, e em pré-escolas para 
crianças de quatro a cinco anos de idade.
Outro fator a ser observado, caro acadêmico, é a necessidade de verificar que 
muitas das ações desenvolvidas dentro da Educação Infantil ainda se apresentam de 
maneira deficitária, pois o Ministério da Educação:
[...] embora tenha, desde 1974, um setor para tratar deste assunto, 
na verdade, jamais desenvolveu uma política coerente e sequencial 
que compatibilize as ideias, corpo técnico para cooperação com os 
Estados e recursos financeiros. Ou seja, ausente dos orçamentos 
públicos, a educação pré-escolar jamais ultrapassou o terreno das 
intenções (CARNEIRO, 2015, p. 355).
Diante do exposto, a atual gestão do Ministério da Educação “vem buscando 
resgatar a educação pré-escolar mediante uma clara definição de políticas e diretrizes 
para o setor, desdobradas em: i) diretrizes gerais; ii) diretrizes pedagógicas; iii) diretrizes 
para uma política de Recursos Humanos” (CARNEIRO, 2015, p. 355).
Com o passar dos anos, já em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso, foi 
apresentado aos profissionais da educação um documento intitulado Referencial Curri-
cular Nacional para a Educação Infantil, em três volumes (Introdução, Volume I e Volume 
II). Nesse documento estão expressos: os objetivos, conteúdos, estratégias, formas de 
avaliação e os princípios que denotam este referencial, que são assim apresentados:
• o respeito à dignidade e aos direitos das crianças, consideradas nas 
suas diferenças individuais, sociais, econômicas, culturais, étnicas, 
religiosas etc.;
• o direito das crianças a brincar, como forma particular de expressão, 
pensamento, interação e comunicação infantil;
• o acesso das crianças aos bens socioculturais disponíveis, ampliando 
o desenvolvimento das capacidades relativas à expressão, à 
comunicação, à interação social, ao pensamento, à ética e à 
estética;
118
• a socialização das crianças por meio de sua participação e inser-
ção nas mais diversificadas práticas sociais, sem discriminação 
de espécie alguma;
• o atendimento aos cuidados essenciais associados à sobrevivência 
e ao desenvolvimento de sua identidade (BRASIL, 1998, p. 13).
 Dentro do apresentado podemos delinear que o legislador (governo) está 
preocupado com o modo que se deve tratar o bebê e o tratamento também dado às 
crianças “enquanto sujeitos de direto, o que requer instituições funcionando com espaços 
adequados, equipamentos apropriados e docentes pedagógica e funcionalmente 
qualificados” (CARNEIRO, 2015, p, 363).
No que diz respeito aos referenciais curriculares utilizados pelos profissionais da 
Educação Infantil na elaboração de seu planejamento, devem ser levadas em consideração 
três áreas, a saber: a do desenvolvimento físico e motor; b) do desenvolvimento mental 
e c) do desenvolvimento socioemocional, as quais são determinantes na LDB, no Artigo 
29, definindo a educação infantil como a primeira etapa da educação básica.
Ainda com relação à educação infantil, o Artigo 31 da LDB apresenta como ela é 
organizada, de acordo com as seguintes regras comuns:
I- avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento 
das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao 
ensino fundamental;
II- carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída 
por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional;
III- atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias para 
o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral;
IV- controle de frequência pela instituição de educação pré-escolar, 
exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do total 
de horas;
V- expedição de documentação que permita atestar os processos 
de desenvolvimento e aprendizagem da criança (BRASIL, 1996).
Nesta etapa da Educação Infantil, a avaliação tem um âmbito de acompanha-
mento relativo ao desenvolvimento e de observação, através dos registros, e não da 
forma como ocorre no Ensino Fundamental.
De acordo com Carneiro (2015, p. 366), “esta diferença ajuda a compreender a 
distância que existe entre ensino e educação, ou, mais precisamente, entre crescer 
interiormente e ser aprovado exteriormente. Trata-se, portanto, de um processo 
essencialmente qualitativo”.
Necessitamos verificar que há muito que se fazer com relação às questões 
avaliativas, pois na educação brasileira encontramos muito forte a avaliação dos 
conteúdos, deixando de se observar uma “avaliação de desenvolvimento evolutivo da 
aprendizagem” (CARNEIRO, 2015, p. 366).
119
Com isso, verificamos a necessidade de termos no quadro da Educação Infantil 
profissionais da educação qualificados, como também outros profissionais como médicos, 
psicólogos, fonoaudiólogos, dentre outros. Para muitos uma utopia, para outros 
a necessidade urgente de organizarmos nossa educação, a qual é a base de todo o 
processo educacional brasileiro.
No que diz respeito às práticas pedagógicas desenvolvidas neste nível, observa-
se que existe um alto grau de complexidade. Conforme Carneiro (2015, p. 366):
Neste ciclo escolar, exige-se do professor que tenha clareza sobre os 
níveis de interseção entre as atividades (procedimentos) vinculado 
ao campo dos conhecimentos sistematizados, dos saberes metodo-
logizados. Educar é uma gama de processos articulados, vinculados 
à esfera do saber-ser. Tem, portanto, a ver com conformidades com-
portamentais, hábitos, relações intersubjetivas e desempenho social. 
Formar, por fim, é trabalhar competências, objetivando a inserção 
adequada do sujeito em atividades sociais, laborais e situacionais 
precisas. Vincula-se ao campo do saber-fazer.
Frente a isso, podemos determinar que a formação do profissional que 
estiver inserido na Educação Infantil é elevada, necessita de muito conhecimento e 
competência em suas atividades.
Para determinar a avaliação na Educação Infantil não podemos fazê-la de forma 
quantitativa, mas sim observar o desenvolvimento emocional e comportamental, através 
de dimensões como: “atenção, atitudes reativas e proativas, participação, integração, 
socialização, adaptação, motivação, tolerância, sentimento do outro, prontidão mental, 
coordenação de movimentos, nível de linguagem e comunicação, processos de evolução 
de etapas, dentre outros” (CARNEIRO, 2015, p. 369).
Assim, a Educação Infantil, no que tange à avaliação, não está preocupada 
em medir ou apurar o que o aluno absorveu, mas sim trabalhar o currículo de maneira 
multidisciplinar, transdisciplinar e interdisciplinar, tudo isso através da ludicidade 
pedagógica.
No que diz respeito ao quadro de horas, deve-se respeitar o que se encontra 
na LDB, pois a Educação Infantil passa a ter uma organização e um funcionamento 
submetidos às exigências regulares, com 800 (oitocentas horas mínimas anuais) e no 
mínimo 200 (duzentos dias letivos).
O atendimento às crianças é definido pelo fator etário: crianças de zero a três 
anos matriculadas em creches, e de quatro a cinco anos na pré-escola. Cabe ressaltar 
mais uma vez que a creche e a pré-escola não são depósito de crianças, mas um 
espaço que busca a formação das crianças no eixo cuidar-educar, o que determina 
atenção individualizada e qualidade nas ações realizadas com a criança, buscando o 
pleno desenvolvimento da criança.
120
Jána pré-escola, a educação infantil vem com uma outra perspectiva, ancorada 
é claro nos princípios elencados na Educação Infantil, mas encontra-se nesse segmento 
a presença do controle de frequência da criança. Nesse segmento a frequência é de 
sessenta por cento (Artigo 31, inciso IV) (BRASIL, 1996).
O controle de frequência neste caso ganha enorme importância 
pelo fato de a pré-escola ter importância ímpar no processo de 
alfabetização e letramento do aluno. Como etapa imediatamente 
anterior ao ensino fundamental, a pré-escola é o chão da memória 
da aprendizagem sistematizada e, portanto, das interconexões 
‘institucionalizadas dos alunos, aproximando formação cultural 
e vivências grupais e sociais dentro do processo de ler lições para 
estudar, aprender e prestar contas!’ Ou seja, aqui o aluno passa a 
assumir propriamente a responsabilidade das obrigações escolares 
e ‘do dever de casa’. A frequência controlada visa precisamente a 
evitar descontinuidades neste processo ou seu comprometimento 
por interrupções indevidas (CARNEIRO, 2015, p. 371).
E por último, e tão importante quanto os demais aspectos aqui elencados, a 
expedição de documentos em nível de alunos da Educação Infantil dá-se através de 
registros de acompanhamento, que retratam as etapas de desenvolvimento da criança.
Já o Artigo 32 vem com a responsabilidade de informar que o Ensino 
Fundamental obrigatório possui a duração de nove anos, de maneira gratuita na 
escola pública, tendo seu início aos seis anos de idade, e terá por objetivo a formação 
básica do cidadão, mediante (BRASIL, 1996):
I- o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como 
meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II- a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, 
da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a 
sociedade; 
III- o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em 
vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação 
de atitudes e valores;
IV- o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de 
solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se 
assenta a vida social.
§ 1° É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino 
fundamental em ciclos.
§ 2° Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série 
podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão 
continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-
aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de 
ensino.
§ 3° O ensino fundamental regular será ministrado em língua 
portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de 
suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
§ 4° O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância 
utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações 
emergenciais.
§ 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, 
conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, 
tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui 
121
o Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção 
e distribuição de material didático adequado (Incluído pela Lei n° 
11.525, de 2007).
§ 6° O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema 
transversal nos currículos do ensino fundamental (Incluído pela Lei 
n° 12.472, de 2011).
Observa-se, neste artigo, a preocupação relativa à permanência da criança na 
escola, dando a possibilidade de acrescentar mais conhecimentos para as crianças em 
toda sua vida escolar. Ao realizar este movimento de passar de oito anos para nove 
anos de escolaridade do Ensino Fundamental, além de ser uma conquista, existiram 
efeitos relativos ao funcionamento da escola. Foram necessárias algumas reordenações 
relativas à reorganização do calendário de matrículas; modificações no projeto político 
pedagógico do Ensino Fundamental, trazendo também a inclusão da Educação Infantil 
neste meio; busca de estudos, análise e avaliações através da participação da sociedade, 
observando-se questões relativas aos recursos financeiros, materiais e humanos para 
a funcionalidade deste trabalho; a busca pela participação da família na formação das 
crianças em todos os níveis; a capacitação dos professores e funcionários através de 
um trabalho voltado ao pedagógico e que retrate a faixa etária em questão.
Através destes mecanismos, busca-se organizar a escola em sua estrutura 
pedagógica desenvolvendo uma formação comum. Cabe ressaltar, caro acadêmico, 
que formação básica e formação comum não se tratam de expressões equivalentes, 
conforme Carneiro (2015, p. 377):
[...] formação básica, quando se refere ao Ensino Fundamental e em 
formação comum quando se refere à educação básica. [...] A ideia 
de formação comum é bem mais abrangente. Enquanto a formação 
básica adjunge-se ao Ensino Fundamental, portanto, ao ensino de 
oferta universalmente obrigatória a todos os cidadãos brasileiros, 
a ideia de formação comum pervade os três níveis de constituição 
da educação básica e, desta forma, desentranhando-se dos limites 
do tempo no Ensino Fundamental (nove anos), busca superar a 
quantidade pela qualidade educativa.
Desta maneira, podemos perceber que formação comum e formação básica são 
palavras que possuem conceitos diferenciados, mesmo que se complementem.
Quando falamos em formação comum, nos atemos ao novo documento que 
baliza as aprendizagens essenciais para todos os alunos da educação básica, seja em 
suas modalidades e etapas. 
Estamos falando da BNCC – Base Nacional Comum Curricular, um documento 
normativo – que se constitui num documento em que estão atreladas as competências e 
habilidades que o aluno deverá construir em seu processo de ensino aprendizagem. Este 
documento foi elaborado a partir das necessidades de uma nova visão de educação, em 
que se observou a participação dos segmentos educacionais e que foi fundamentada a 
partir da Constituição Federal de 1988.
122
Cabe ressaltar que este documento normativo, não nasceu de um simples 
movimento, mas da necessidade frente as mudanças que a sociedade está vivenciando 
de maneira frenética. Para tanto, a educação, não se distancia deste movimento, 
necessitando adaptar-se à realidade mundial e nacional. Com isso, a BNCC, e está 
sendo um documento que necessita ser estudado, refletido por parte dos profissionais 
da educação e compreendido em sua historicidade.
Relativo à historicidade, a BNCC possui, antes de sua construção, outros 
documentos que fizeram e fazem parte do embasamento para a construção da base 
nacional comum curricular, a saber:
123
FI
GU
RA
 2
 – 
CA
M
IN
H
O
 D
AS
 D
IR
ET
RI
ZE
S 
CU
RR
IC
U
LA
RE
S 
N
AC
IO
N
A
IS
 D
A
 E
D
U
CA
ÇÃ
O
 B
ÁS
IC
A
, E
D
U
CA
ÇÃ
O
 IN
FA
N
TI
L 
E 
EN
SI
N
O
 M
ÉD
IO
FO
N
TE
: A
 a
ut
or
a 
(2
02
1)
124
Podemos observar que os marcos legais que embasam a BNCC, não foram 
construídos de maneira aleatória, existe um caminho ou percurso histórico político 
delineado a partir das necessidades educacionais e de lutas políticas de maneira 
democrática para a melhoria e efetivação destas políticas educacionais.
Esta caminhada na construção das novas Diretrizes Curriculares Nacionais, nos 
levou a obtenção deste novo documento a Base Nacional Comum Curricular. Deixamos 
um QR Code com o documento em sua íntegra.
Além disso, cabe ressaltar que a BNCC, entende a Base Nacional Comum Curricular
[...]como os conhecimentos, saberes e valores produzidos 
culturalmente, expressos nas políticas públicas e que são gerados 
nas instituições produtoras do conhecimento científico e tecnológico; 
no mundo do trabalho; no desenvolvimento das linguagens; nas 
atividades desportivas e corporais; na produção artística; nas formas 
diversas de exercício da cidadania; nos movimentos sociais (Parecer 
CNE/CEB n° 07/2010, p. 31 apud BRASIL, 2016, p. 25).
Este conceito recai diretamente no que estamos verificando no Artigo 32 da 
LDB. Com isso, a Base Nacional Comum Curricularnão é só mais um documento, mas 
sim, uma exigência.
A Base Nacional Comum Curricular é uma exigência colocada para o sistema 
educacional brasileiro pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996; 
2013), pelas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica (BRASIL, 2009) e 
pelo Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2014), e deve se constituir como um avanço 
na construção da qualidade da educação.
Para o Ministério da Educação, o que deve nortear um projeto de nação 
é a formação humana integral e uma educação de qualidade social. 
Em consonância com seu papel de coordenar a política nacional 
de Educação Básica, o MEC desencadeou um amplo processo de 
discussão da Base Nacional Comum Curricular da Educação Básica.
A BNCC, cuja finalidade é orientar os sistemas na elaboração de suas 
propostas curriculares, tem como fundamento o direito à aprendiza-
gem e ao desenvolvimento, em conformidade com o que preceitu-
am o Plano Nacional de Educação (PNE) e a Conferência Nacional de 
Educação (CONAE) (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2016a, p. 24).
Frente ao que reúne a BNCC, esta tem o intuito de integrar a política nacional da 
Educação Básica, contribuindo para “[...] o alinhamento de outras políticas e ações, em 
âmbito federal, estadual e municipal” (BRASIL, 2018, p. 8).
O documento que foi desenvolvido com a participação de diversos segmentos 
da sociedade e da esfera educacional, tem a finalidade de auxiliar na superação das 
fragmentações existentes junto as políticas educacionais e fortalecer a colaboração 
entre as três esferas governamentais. 
125
Logo, o documento prevê que os educandos tenham assegurado o 
desenvolvimento de competências gerais para as três etapas da Educação Básica que 
são em número de 10 (dez) a saber m conforme quadro a seguir: 
FIGURA 3 – AS COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo 
físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar 
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e 
inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, 
incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, 
para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas 
e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das 
diferentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, 
e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, 
e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos 
das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar 
informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir 
sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação 
de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais 
(incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, 
produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na 
vida pessoal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de 
conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações 
próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da 
cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica 
e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, 
negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem 
e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo 
responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação 
ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, 
compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as 
dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
126
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-
se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com 
acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus 
saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer 
natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, 
resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, 
democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
FONTE: Brasil (2018, p. 9-10)
Realizando a leitura destas dez competências observamos que existe uma 
inter-relação e desdobramento entre elas, as quais ficam mais claras quando elencadas 
em cada área com suas competências específicas. 
Diante do exposto, os fundamentos pedagógicos da Base Nacional Comum 
Curricular possuem como foco o desenvolvimento de competências e o compromisso 
com a educação integral. Com relação ao conceito de competência, este de acordo com 
o BNCC “[...] marca a discussão pedagógica e social das últimas décadas e pode ser 
inferido no texto da LDB, especialmente quando se estabelecem as finalidades gerais do 
Ensino Fundamental e do Ensino Médio (Artigos 32 e 35)” (BRASIL, 2018, p. 13).
Cabe ressaltar que que o enfoque dado em relação as competências vêm sendo 
adotado além dos Estados e municípios, também nas avaliações internacionais da OCDE 
– Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico com da UNESCO – 
Organização das Nações Unidades para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Diante do exposto, observamos que estamos inseridos em um sistema 
que envolve mecanismos internacionais que aferem suas observações quanto ao 
desenvolvimento do ensino e da aprendizagem através de avaliações como o Pisa - 
Programa Internacional de Avaliação de Alunos, oferecendo informações sobre o 
desempenho dos alunos com faixa etária de 15 anos, 
[...] idade que se pressupõe o término de escolaridade básica na 
maioria dos países, vinculando dados sobre seus backgrouds e suas 
atitudes em relação à aprendizagem, e também aos principais fatores 
que moldam sua aprendizagem, dentro e fora da escola (INEP – PISA, 
2020, p. 1).
Além disso, o Brasil participa do Pisa, desde o início da pesquisa. Tendo sido sua 
primeira edição realizada em 2000. O Pisa tem como objetivo avaliar três domines dos 
alunos: Leitura, Matemática e Ciências. Em 2018, a preocupação esteve latente com 
relação a leitura e em 2022, será com a área de matemática. 
127
Se foi aguçada em você a curiosidade sobre o PISA, você pode encontrar mais 
informações no site a seguir, com dados do PISA no Brasil: https://download.
inep.gov.br/publicacoes/institucionais/avaliacoes_e_exames_da_educacao_
basica/relatorio_brasil_no_pisa_2018.pdf. Acesso em: 15 mar. 2021.
DICAS
Quanto ao compromisso com a educação integral, a BNCC prega uma educação 
que enfatize fatores que viabilizem o novo cenário mundial que busca questões que 
centrem no reconhecimento do educando em seu contexto histórico e cultural, 
buscando comunicar-se, sendo participativo, crítico e criativo, mantendo uma visão 
aberta para o mundo, sendo colaborativo, que saiba superar as dificuldades, responsável 
e produtivo. Não esquecendo de saber conviver e aprender com a diversidade e as 
diferenças. Observamos que se busca a partir desta educação integral a formação e 
desenvolvimento humano global. 
Conferimos assim que a BNCC, junto a educação integral tem o compromisso 
de reconhecer que: 
a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano 
global, o que implica compreender a complexidade e a não linearidade 
desse desenvolvimento, rompendo com visõesum dominador, 
sem a preocupação com a qualidade de vida da população. Conforme Santos (2012, p. 2), 
o termo poder é “capacidade ou propriedade de obrigar alguém a fazer alguma coisa”. O 
autor ainda expõe que: “Nesse sentido, é importante ressaltar que o poder (em suas 
mais variadas manifestações) pode ser exercido mediante o uso da coação e/ou da 
persuasão. Em matéria de política, ambas as opções são tidas como válidas, tudo 
depende de quem exerce o poder e de como opta por exercê-lo” (SANTOS, 2012, p. 2).
Diante do exposto, observa-se que a política possui várias possibilidades, dentre 
elas nos deparamos com as que nos levam a construir uma sociedade com direitos 
e deveres bem estruturados, ou a que nos leva a termos uma sociedade totalmente 
desestruturada e mantida como refém de suas ações.
Frente a isso, as políticas públicas são as ações que determinam como, por que e 
para que servirão. Elas, conforme Marinho (2006, p. 1), são de “responsabilidade do Estado, 
com base em organismos políticos e entidades da sociedade civil, se estabelece um processo 
de tomada de decisões que resultam nas normatizações do país, ou seja, nossa Legislação”.
Assim, as políticas públicas retratam não só questões acerca da economia, mas do 
envolvimento de diversos segmentos, contendo condições e possibilidades de desenvolver 
mecanismos que auxiliem no crescimento e qualidade de vida da população.
Cabe ressaltar que as políticas públicas recebem diversas definições, Souza 
(2006, p. 26) as define como:
O campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, ‘colocar o 
governo em ação’ e/ou analisar essa ação (variável independente) 
e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas 
ações (variável dependente). A formulação de políticas públicas 
constitui-se no estágio em que os governos democráticos traduzem 
seus propósitos e plataformas eleitorais em programas e ações que 
produzirão resultados ou mudanças no mundo real.
Assim, podemos definir políticas públicas como as ações que os governantes 
utilizam para realizar um governo voltado à melhoria da qualidade de vida da população, 
da economia, da educação, da segurança pública, enfim, dando ao seu país, estado ou 
município possibilidades de crescimento.
Tendo essas ações e programas voltados a esses segmentos, pode-se perceber 
que todos, independentemente de nível econômico, terão possibilidades de crescimento 
e de manutenção da qualidade de vida.
Agora surge outra pergunta: como são elaborados os programas, como se 
fazem as políticas públicas?
Vamos elucidar essas dúvidas!
7
2.1 COMO SE FAZEM AS POLÍTICAS PÚBLICAS?
Seguindo o raciocínio, observamos que as políticas públicas são as ações, 
programas desenvolvidos pelos governantes, as quais são prioridade.
[...] as Políticas Públicas são a totalidade de ações, metas e planos 
que os governos (nacionais, estaduais ou municipais) traçam para 
alcançar o bem-estar da sociedade e o interesse público. É certo que 
as ações que os dirigentes públicos (os governantes ou os tomadores 
de decisões) selecionam (suas prioridades) são aquelas que eles 
entendem serem as demandas ou expectativas da sociedade, ou 
seja, o bem-estar da sociedade é sempre definido pelo governo e não 
pela sociedade (CALDAS, 2008, p. 5).
Independentemente das participações ou não da sociedade nas ações que 
envolvem a melhoria do bem-estar da sociedade, enquanto cidadãos necessitamos nos 
manter atentos e participativos nas ações que os governantes desenvolvem em nosso país, 
estado e município.
Alguns poderão estar incomodados com a apresentação da última parte da 
citação de Caldas (2008, p. 5): “o bem-estar da sociedade é sempre definido pelo 
governo e não pela sociedade”. Por que isso ocorre? O autor explica:
Isto ocorre porque a sociedade não consegue se expressar de for-
ma integral. Ela faz solicitações (pedidos ou demandas) para os seus 
representantes (deputados, senadores e vereadores) e estes mobi-
lizam os membros do Poder Executivo, que também foram eleitos 
(tais como prefeitos, governadores e inclusive o próprio Presidente 
da República) para que atendam às demandas da população. As de-
mandas da sociedade são apresentadas aos dirigentes públicos por 
meio de grupos organizados, no que se denomina de Sociedade Civil 
Organizada (SCO), a qual inclui, conforme apontado acima, sindica-
tos, entidades de representação empresarial, associação de morado-
res, associações patronais e ONGs em geral (CALDAS, 2008, p. 5-6).
Dessa forma, nós, cidadãos, necessitamos nos organizar em nossa rua, 
através de associação de bairros, para ir em busca de soluções para os problemas que 
envolvem nossa comunidade. Sabemos das dificuldades financeiras que as instituições 
governamentais passam, principalmente as municipais, são inúmeras.
[...] os recursos para atender a todas as demandas da sociedade e 
seus diversos grupos (a SCO) são limitados ou escassos . Como con-
sequência, os bens e serviços públicos desejados pelos diversos 
indivíduos se transformam em motivo de disputa. Assim, para au-
mentar as possibilidades de êxito na competição, indivíduos que têm 
os mesmos objetivos tendem a se unir, formando grupos (CALDAS, 
2008, p. 6).
Observe, acadêmico, que as palavras de Caldas nos remetem à ideia de 
competição, embate na possibilidade de busca de resultados que deem à população 
melhores condições de vida. Ainda ressalta Caldas (2008, p. 6) com relação à questão 
do embate:
8
Não se deve imaginar que os conflitos e as disputas na socieda-
de sejam algo necessariamente ruim ou negativo. Os conflitos e 
as disputas servem como estímulos a mudanças e melhorias na 
sociedade, se ocorrerem dentro dos limites da lei e desde que não 
coloquem em risco as instituições.
Com isso, podemos determinar que a organização da sociedade civil precisa 
estar presente na formulação das ações que auxiliem na melhoria de todos os setores 
que envolvem a sociedade.
Já sabemos que as políticas públicas são desenvolvidas a partir do interesse dos 
governantes e recebidas as ideias da sociedade organizada. Outro fator a ser observado 
na elaboração das políticas públicas é que nem sempre as ações desenvolvidas ou 
solicitadas pela sociedade civil organizada são atendidas, e a sociedade necessita 
buscar ajuda ou apoio em outros grupos organizados para que suas reivindicações 
sejam aceitas. Em outro momento, pode ocorrer um embate, conforme apresentado 
anteriormente por Caldas (2008), e isso não deve ser visto como um momento de 
revolta, mas de busca de soluções.
Estes embates ocorrem devido ao que nos apresenta Caldas (2008, p. 6), 
quando diz que: “as sociedades contemporâneas se caracterizam por sua diversidade, 
tanto em termos de idade, religião, etnia, língua, renda, profissão, como de ideias, 
valores, interesses e aspirações” e acabam também tendo sua maneira de pensar e agir 
com relação a determinadas situações. Para alguns, ações como a melhoria da pracinha 
do bairro não é condizente com os seus interesses e preferem que as melhorias sejam 
realizadas em outros setores. Para que não ocorram embates mais fervorosos é preciso 
o diálogo e a organização. Quem são os atores que criam essas Políticas Públicas? Qual 
é a logística desse processo?
No processo de discussão, criação e execução das Políticas Públicas, 
– encontramos basicamente dois tipos de atores: os ‘estatais’ (oriun-
dos do Governo ou do Estado) e os ‘privados’ (oriundos da Sociedade 
Civil). Os atores estatais são aqueles que exercem funções – públicas 
no Estado, tendo sido eleitos pela sociedade para um cargo por tempo 
determinado (os políticos), ou atuando de forma permanente, como os 
servidores públicos (que operam a burocracia) (CALDAS, 2008, p. 8).
Cada um desses atores possui uma função determinada. Os atores estatais (os 
políticos) buscam no período das campanhas políticas apresentar programas e ações que 
poderão vir a ser desenvolvidas, sendo que as Políticas Públicas são definidas pelo 
poder legislativo.
Entretanto, asreducionistas que 
privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva. 
Significa, ainda, assumir uma visão plural, singular e integral da 
criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os 
como sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação voltada 
ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas 
suas singularidades e diversidades. Além disso, a escola, como espaço 
de aprendizagem e de democracia inclusiva, deve se fortalecer na 
prática coercitiva de não discriminação, não preconceito e respeito 
às diferenças e diversidades (BRASIL, BNCC, 2018, p. 14).
Além disso, precisamos salientar que a educação integral, independe de sua 
duração de jornada, pois este conceito está identificado na BNCC com o compromisso à 
edificação propositada dos processos educativos que abarquem aprendizagens que se ajuste 
com as necessidades, interesses e possibilidades dos educandos e concomitantemente 
com os possíveis desafios de nossa sociedade. 
Mas para que tais ações sejam realizadas, é preciso que se consiga conforme prevê 
a BNCC, um pacto Interfederativo para implementação da Base Nacional Comum Curricular. 
Este movimento já está ocorrendo em todos os estados e municípios da federação., em 
que estes entes federados em seus sistemas e redes de ensino, como as escolas, realizem 
a incorporação em seus currículos temas que envolvam a contemporaneidade, os quais 
afetam a vida humana em seus espaços e em nível regional e global, utilizando-se da 
transversalidade integrando temas que envolvam:
128
QUADRO 1 – A TRANSVERSALIDADE NAS TEMÁTICAS EDUCACIONAIS
FONTE: Brasil (2018, p. 19-20)
TEMAS LEI / PARECER
Direitos da criança e do adolescente Lei n° 8.069/1990
Educação para o trânsito Lei n° 9.503/1997
Educação Ambiental 
Lei n° 9.795/1999, Parecer CNE/CP n° 
14/2012 e Resolução CNE/CP n° 2/2012
Educação alimentar e nutricional Lei n° 11.947/2009
Educação das relações étnico-raciais e 
ensino de história e cultura afro-brasileira, 
africana e indígena
Leis n° 10.639/2003 e 11.645/2008, 
Parecer CNE/CP n° 3/2004 e Resolução 
CNE/CP n° 1/2004
Saúde, vida familiar e social, educação 
para o consumo, educação financeira 
e fiscal, trabalho, ciência e tecnologia e 
diversidade cultural
Parecer CNE/CEB n° 11/2010 e Resolução 
CNE/CEB n° 7/2010
Estes são alguns dos temas que podem ser abordados nos currículos 
das escolas. 
Outro ponto a ser ressaltado se constitui na estrutura da Base Nacional Comum 
Curricular, em que tem o objetivo em sua estruturação de esclarecer as competências 
que deverão ser desenvolvidas “[...] ao longo de toda a Educação Básica e em cada etapa 
da escolaridade, como expressão dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento de 
todos os estudantes” (BRASIL, BNCC, 2018, p. 23). 
A composição da estrutura das competências gerais da educação básica 
identifica-se pelas suas etapas m conforme quadro a seguir: 
129
FIGURA 4 – ESTRUTURA DAS COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
FONTE: Brasil (2018, p. 24)
EDUCAÇÃO BÁSICA
COMPETÊNCIAS GERAIS
DA EDUCAÇÃO BÁSICA
ETAPAS
EDUCAÇÃO 
INFANTIL
ENSINO 
FUNDAMENTAL
ENSINO 
MÉDIO
Direitos de 
aprendizagem e 
desenvolvimento
Campos de
experiências
Áreas do
conhecimento
Competências 
específicas 
de área
Competências 
curriculares
Competências 
específicas de
componente
Áreas do 
conhecimento
Competências 
específicas 
de área
Língua
Portuguesa Matemática
Habilidades
Anos
Iniciais
Anos
Finais
HabilidadesObjetos de
conhecimento
Unidades
temáticas
Bebês
(0-1a6m)
Crianças
bem
pequenas
(1a7m - 
3a11m)
Crianças
pequenas
(4a -
5a11m)
Objetivos de
aprendizagem e
desenvolvimento
130
Cada etapa possui uma continuidade, existe uma inter-relação de maneira 
gradual de acordo com as faixas etárias. Podemos observar pelo quadro que a Educação 
Infantil possui seus campos de experiências, os quais ao final dos 5 anos e 11 meses, 
esta criança passará aos cuidados do Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Finais) em 
que será dado continuidade ao desenvolvimento da criança, a partir do que foi visto e 
somado a este as competências específicas de área, buscando trabalhar as unidades 
temáticas, os objetos de conhecimento e as habilidades. Finalizada esta etapa o 
educando segue para o Ensino Médio em que serão desenvolvidas suas competências 
a partir do que já possui e o insere na busca pela profissionalização. 
Salientamos que cada uma das etapas da Educação Básica será tratada 
particularmente nas disciplinas com suas áreas afins. Desta forma, não estaremos 
tratando aqui de cada uma delas, mas buscamos deixar uma visão minuciosa de como 
este documento, foi produzido, seu embasamento legal e como deverá por parte dos 
professores e demais profissionais da educação ser desenvolvido junto dos currículos 
para abarcar os interesses de nossos educandos. 
No que tange ao Artigo 32, faz-se necessário evidenciar o inciso 6°, que 
trata dos símbolos nacionais e hinos. Esses possuem um valor histórico inestimável 
e traduzem o sentimento que une a nação e desponta a soberania de nosso país.
Na Constituição Federativa do Brasil encontramos determinados como símbolos 
nacionais oficiais: a Bandeira Nacional, o Hino Nacional, o Brasão da República e o 
Selo Nacional (BRASIL, 1988). Cabe ressaltar que a apresentação e utilização desses 
símbolos são previamente regulamentadas pela Lei n° 5.700, de 1° de setembro de 1971. 
Já em 2009, a Lei 12.031 passa a tornar obrigatório que as escolas públicas e privadas 
do Ensino Fundamental executem o Hino Nacional Brasileiro uma vez por semana em 
suas dependências.
Falando em símbolos nacionais, será que sabemos o que é patriotismo e 
civismo? Será que nossas crianças compreendem a importância destas palavras e dos 
símbolos? E nós? Sabemos ser patriotas? Para melhor compreensão, vamos buscar em 
Carneiro (2015, p. 400) estas definições que se entrelaçam.
O patriotismo vivenciado em suas diferentes explicações é parte da 
cidadania. Manifesta-se ele na valorização do país, em suas belezas 
naturais e riquezas e, também, na reverência aos símbolos nacionais. 
O civismo, por sua vez, é o respeito aos valores, instituições, práticas 
políticas e formas de a sociedade organizar-se e funcionar. Por 
extensão, patriotismo é um forte sentimento de orgulho, amor e 
devoção à pátria, aos seus símbolos e ao seu patrimônio material e 
imaterial. A expressão extrema de patriotismo é defender o próprio 
país em situações de guerra.
Com isso, devemos enquanto profissionais da educação e como cidadãos, respeitar 
os símbolos nacionais e apresentarmos às nossas crianças este respeito à Pátria Mãe, 
ensinando a elas o cultivo deste sentimento de respeito, amor, tarefa que deve ser 
131
compartilhada “pela escola no conjunto de suas atribuições e, particularmente, nas 
formas de trabalhar o currículo, a partir de datas e comemorações cívicas” (CARNEIRO, 
2015, p. 400).
Continuando nossa aquisição de conhecimentos, o Artigo 34 vem com a 
responsabilidade de determinar o número de horas relativas ao efetivo trabalho em sala 
de aula no Ensino Fundamental, a saber: “A jornada escolar no ensino fundamental incluirá 
pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente 
ampliado o período de permanência na escola” (BRASIL, 1996).
Este artigo quando trata da progressividade de ampliação do período de 
permanência na escola, retrata o desejo de levar a criança do Ensino Fundamental não 
somente ao desenvolvimento de seu intelecto, mas:
[...] também do físico, do cuidado com sua saúde, além do 
oferecimento de oportunidades para que desfrute e produza arte, 
conheça e valorize sua história e seu patrimônio cultural, tenha uma 
atitude responsável diante da natureza, aprenda a respeitar os direitos 
humanos e os das crianças e adolescentes, seja um cidadão criativo, 
empreendedor e participante, consciente de suas responsabilidades 
e direitos, capaz de ajudar o país e a humanidade a se tornarem cada 
vez mais justose solidários, a respeitar as diferenças e a promover 
a convivência pacífica e fraterna entre todos (BRASIL, 2013, p. 125).
Cabe salientar que a Educação Integral no Ensino Fundamental é desenvolvida 
pelo MEC – Ministério da Educação, com os programas:
Mais Educação – “sua criação se deu a partir da Portaria Ministerial 17/2007, e 
regulamentada pelo Decreto n° 7.083/2010” (CARNEIRO, 2015, p. 411).
Este programa é ofertado às escolas públicas de ensino fundamental, 
e consiste no desenvolvimento de atividades de educação integral 
que expandem o tempo diário de escola para o mínimo de sete horas 
e que também ampliam as oportunidades educativas dos estudan-
tes. As atividades de educação integral compreendem estratégias 
para o acompanhamento pedagógico diário da aprendizagem dos 
estudantes quanto às linguagens, à matemática, às ciências da na-
tureza, às ciências humanas; bem como quanto ao desenvolvimento 
de atividades culturais, da cultura digital, artísticas, esportivas, de 
lazer e da abertura das escolas aos finais de semana (BRASIL, 2010).
Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI) – este programa tem como 
objetivo:
[...] apoiar e fortalecer o desenvolvimento de propostas curriculares 
inovadoras nas escolas de ensino médio, buscando garantir a 
formação integral com a inserção de atividades que tornem o 
currículo mais dinâmico, atendendo às expectativas dos estudantes 
e às demandas da sociedade contemporânea.
132
Os projetos de redesenho curricular deverão propor atividades 
integradoras, articulando as dimensões do trabalho, da ciência, da 
cultura e da tecnologia, de acordo com as Diretrizes Curriculares 
Nacionais para o Ensino Médio (Resolução CEB/CNE n. 2, de 30 de 
janeiro de 2012).
As ações propostas devem contemplar as diversas áreas do 
conhecimento a partir de atividades propostas nos seguintes 
macrocampos: Acompanhamento Pedagógico (Linguagens, 
Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza); Iniciação 
Científica e Pesquisa; Leitura e Letramento; Línguas Estrangeiras; 
Cultura Corporal; Produção e Fruição das Artes; Comunicação, 
Cultura Digital e uso de Mídias; e Participação Estudantil.
Estas ações são incorporadas gradativamente ao currículo, ampliando 
o tempo na escola, na perspectiva da educação integral e, também, 
a diversidade de práticas pedagógicas de modo que estas, de fato, 
qualifiquem os currículos das escolas de Ensino Médio.
A adesão ao Programa Ensino Médio Inovador é realizada pelas 
Secretarias de Educação Estaduais e Distrital que selecionam as 
escolas de Ensino Médio que participarão do ProEMI e receberão 
apoio técnico e financeiro para a elaboração e o desenvolvimento de 
seus projetos de redesenho curricular (BRASIL, 2021, p. 1).
Para que esta ideia de escola em tempo integral venha a ser adotada com 
profundidade e força, são necessárias muitas mudanças estruturais e pedagógicas, as quais 
já estão escassas na educação realizada nas quatro horas apresentadas na lei. Para 
tanto, conforme Carneiro (2015, p. 416-417):
O que ocorre, de fato, é que os custos adicionais do modelo são 
recorrentes e inafastáveis. O MEC calcula a necessidade de um 
investimento da ordem de R$ 3,8 bilhões para viabilizar a meta do 
Plano Nacional de Educação de oferecer educação em tempo integral 
em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo 
menos, 25% dos alunos da Educação Básica.
Diante disso, podemos determinar que as questões financeiras esbarram 
também em mais duas grandes dificuldades para a efetivação deste programa:
• A matrícula de alunos de tempo integral sem a correspondente contratação 
de professores permanentes e qualificados, portanto, via concurso público, de 
professores igualmente de tempo integral. A solução tem sido contratar monitores 
e profissionais de formação inadequada (CARNEIRO, 2015).
• A oferta de aulas regulares em um turno e a improvisação de atividades 
complementares no contraturno. Significa que temos ensino integral sem “aulas” 
integradas (CARNEIRO, 2015).
Com isso, encontramos as salas de aula abarrotadas de alunos, e seus 
professores sobrecarregados, desta forma não se consegue ampliar atividades 
educacionais eficazes, “sob pena de um comprometimento ainda maior da escolaridade 
formal” (CARNEIRO, 2015, p. 417).
133
Cabe ressaltar que a permanência da criança na escola no contraturno não deter-
mina aquisição de conhecimento ou aprimoramento de suas habilidades, pois as expe-
riências que o Brasil possui com este programa sempre denotaram grandes fragilidades.
Confunde-se escola de tempo integral com a pura extensão do tem-
po de permanência do aluno na escola. Via de regra, o que se tem 
nestas tentativas é a escola funcionando regularmente em um tur-
no e, no outro, as crianças entregues a programações vazias e im-
provisadas por professores despreparados, quase sempre bolsistas 
universitários que atuam como boias-frias de educação, ou seja, os 
contraturnos nada mais são do que espaços com programações ex-
cludentes entre nível pedagógico, gestão institucional e perspectiva 
social em projeção para os alunos. Sem dúvida, um projeto de escola 
de tempo integral tem implicações políticas e sociopedagógicas que 
transcendem a jornada escolar diária e a propaganda política (CAR-
NEIRO, 2015, p. 418).
Assim, podemos determinar que este programa, como o que se refere ao Ensino 
Médio, é muito bom, mas sempre esbarramos com a falta de financiamentos, tanto a 
nível de estrutura como pedagógicos. E cabe também ressaltar que a escola não é e 
nunca será a substituta da família do aluno. Cabe a cada um, família, escola e União, 
buscarem respostas a tantas fragilidades já existentes em nosso sistema educacional.
As responsabilidades precisam ser abraçadas por cada um, para podermos, 
quiçá, assegurarmos uma educação de qualidade aos alunos e de respeito ao trabalhador 
da educação, o professor!
E nos níveis de ensino, nos deparamos com a Seção IV que trata do Ensino 
Médio. Já iniciamos algumas falas referentes a este nível, mas vamos através dos 
Artigos 35 e 36 determinar a finalidade do Ensino Médio:
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração 
mínima de três anos, terá como finalidades:
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos 
no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
II- a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, 
para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se 
adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou 
aperfeiçoamento posteriores;
III- o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo 
a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual 
e do pensamento crítico;
IV- a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos 
processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no 
ensino de cada disciplina (BRASIL, 1996).
Com este artigo podemos observar que as finalidades do Ensino Médio estão 
voltadas à preparação do jovem para as atividades voltadas ao trabalho, cidadania e ao 
conhecimento técnico-científico. Podemos determinar que este Ensino Médio busca:
134
[...] educação, não o treinamento. O aluno vai-se educar a partir de 
uma nova base de pensamento lógico-abstrato, com uma educação 
básica reconceituada à luz da apropriação de inovações tecnológicas 
e organizacionais e lastreada por um substrato de conhecimento 
assegurado por uma formação básica comum e essencial (CARNEIRO, 
2015, p. 421).
Assim, consegue-se uma (re)identidade na busca do conhecimento, este 
caminho foi construído com a apresentação do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio, 
no ano de 1998, tendo como objetivo maior “complementar ou substituir o vestibular”. 
“O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem o objetivo de avaliar o desempenho do 
estudante ao fim da escolaridade básica. Podem participar do exame alunos que estão 
concluindo ou que já concluíram o ensino médio em anos anteriores” (MINISTÉRIO DA 
EDUCAÇÃO, 2016, s.p.). Ainda conformeo MEC (2016, s.p.):
O Enem é utilizado como critério de seleção para os estudantes que 
pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para 
Todos (ProUni). Além disso, cerca de 500 universidades já usam o 
resultado do exame como critério de seleção para o ingresso no 
ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular.
Relativo ao Artigo 35, suas finalidades estão atreladas uma a outra, pois têm-
se no Ensino Médio a continuidade dos estudos (currículo) focados em: capacidades 
afetivas, cognitivas, relativas à identidade, valorização do corpo e da vida, como também 
o domínio de linguagens, a construção do pensamento lógico, participação ativa no 
que tange à cidadania, valorização da pluralidade cultural e patrimônio sociocultural de 
nosso país, meio ambiente.
Busca-se com isso o aprimoramento do aluno como pessoa humana, pois ele 
possui uma identidade, a qual está inserida nas demais que se fazem presentes na 
instituição escolar. Conforme Carneiro (2015, p. 427), “a construção da identidade é um 
processo longo e complexo porque está vinculada a condições sociais e materiais. O 
Ensino Médio é o espaço privilegiado que o aluno encontra, certamente pela primeira vez, 
para aclarar sua sociobiografia, sua história de vida, suas condições como ser de relações”.
No que tange ao Artigo 36, determina-se o currículo a ser trabalhado no Ensino 
Médio, voltado para as tecnologias, o significado de ciência, das letras e das artes, as 
questões relativas à transformação da sociedade e da cultura no nível histórico, a língua 
portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício 
de cidadania.
As disciplinas de língua estrangeira, a sociologia e a filosofia passam a ser 
obrigatórias em todas as séries do ensino médio.
Já no que tange à educação superior, no Capítulo IV, os artigos que 
tratam da educação superior vão do Artigo 43 ao 57. No Artigo 43 encontramos as 
finalidades da educação superior, sendo elas (BRASIL, 1996):
135
I- estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito 
científico e do pensamento reflexivo;
II- formar diplomados nas diferentes áreas do conhecimento, aptos 
para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua;
III- incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, 
visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da 
criação e difusão da cultura, e, desse modo desenvolver o 
entendimento do homem e do meio em que vive;
IV- promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e 
técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar 
o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas 
de comunicação; 
V- suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e 
profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando 
os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura 
intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração;
VI- estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em 
particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à 
comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; 
VII- promover a extensão, aberta à participação da população, 
visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da 
criação cultural e da pesquisa científica geradas na instituição.
Cabe determinar que após a leitura das finalidades do ensino superior, encontra-
mos, conforme Carneiro (2015, p. 515), “uma lista de palavras-ação com forte conteúdo 
indutor e com pertinência no campo do desenvolvimento humano”, como podemos ver:
Inciso I: estimular...
Inciso III: incentivar...
Inciso IV: promover...
Inciso V: suscitar...
Inciso VI: estimular...
Inciso VII: promover...
Segundo o Artigo 2° da LDB, “a educação, dever da família e do Estado, inspirada nos 
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno 
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qua-
lificação para o trabalho” (BRASIL, 1996). O que está em negrito determina que a educação 
superior é a busca pela excelência do ensino, a busca pelo conhecimento mais avançado e 
que determina a qualificação do estudante para o trabalho. Ainda relativo às palavras-ação:
O conjunto de palavras-ação referenciado aponta para um esforço 
de canalização de elementos de racionalidade, emocionalidade e di-
retividade, no horizonte do desenvolvimento de uma estrutura inte-
lectual sistematizadora do conhecimento... [...] aqui juntam-se apti-
dões e conhecimentos sob a forma de um feixe de intencionalidades 
institucionais que encontra, na universidade, sua expressão máxima 
de percepções, impulsos, meios e formas de desenvolvimento, es-
tratégias de qualificação e, sobretudo, apropriação racional do saber 
(CARNEIRO, 2015, p. 515).
136
Assim, fica clara a necessidade da busca da inovação dentro da esfera 
universitária, como trata este artigo e os demais que se referem à educação 
superior, portanto, acadêmico, sinta-se privilegiado em fazer parte dessa busca pelo 
conhecimento e pela inovação de suas ideias e ideais. Para tanto, é necessário estudo, 
esforço e comprometimento.
Até o momento observamos os níveis de ensino, agora trataremos de maneira 
breve das modalidades de ensino, que serão apresentadas a partir das Diretrizes 
Curriculares Nacionais da Educação Básica (2013, p. 40-46), em recortes:
Educação de Jovens e Adultos – As atuais Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos estão expressas na Resolução CNE/
CEB n° 1/2000, fundamentada no Parecer CNE/CEB n° 11/2000, sendo que o 
Parecer CNE/CEB n° 6/2010 visa instituir Diretrizes Operacionais para a Educação de 
Jovens e Adultos (EJA) nos aspectos relativos à duração dos cursos e idade mínima 
para ingresso nos cursos de EJA; idade mínima e certificação nos exames de EJA; 
e Educação de Jovens e Adultos desenvolvida por meio da Educação a Distância.
O Artigo 37 traduz os fundamentos da EJA ao atribuir ao poder público a res-
ponsabilidade de estimular e viabilizar o acesso e a permanência do trabalhador na 
escola, mediante ações integradas e complementares entre si, mediante oferta de 
cursos gratuitos aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na ida-
de regular, proporcionando-lhes oportunidades educacionais apropriadas, considera-
das as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, 
mediante cursos e exames. Esta responsabilidade deve ser prevista pelos sistemas 
educativos e por eles deve ser assumida, no âmbito da atuação de cada sistema, ob-
servado o regime de colaboração e da ação redistributiva, definidos legalmente.
Os cursos de EJA devem pautar-se pela flexibilidade, tanto de currículo quanto 
de tempo e espaço, para que seja:
I- rompida a simetria com o ensino regular para crianças e adolescentes, de modo 
a permitir percursos individualizados e conteúdos significativos para os jovens e 
adultos; 
II- provido suporte e atenção individual às diferentes necessidades dos estudantes 
no processo de aprendizagem, mediante atividades diversificadas;
III- valorizada a realização de atividades e vivências socializadoras, culturais, recreativas e 
esportivas, geradoras de enriquecimento do percurso formativo dos estudantes;
IV- desenvolvida a agregação de competências para o trabalho;
V- promovida a motivação e orientação permanente dos estudantes, visando à maior 
participação nas aulas e seu melhor aproveitamento e desempenho;
137
VI- realizada sistematicamente a formação continuada destinada especificamente aos 
educadores de jovens e adultos.
Na organização curricular dessa modalidade da Educação Básica, a mesma 
lei prevê que os sistemas de ensino devem oferecer cursos e exames supletivos, que 
compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento 
de estudos em caráter regular. Entretanto, prescreve que, preferencialmente,os 
jovens e adultos tenham a oportunidade de desenvolver a Educação Profissional 
articulada com a Educação Básica (§ 3° do Artigo 37 da LDB, incluído pela Lei n° 
11.741/2008).
[...] Quanto aos exames supletivos, a idade mínima para a inscrição e realização 
de exames de conclusão do Ensino Fundamental é de 15 (quinze) anos completos, 
e para os de conclusão do Ensino Médio é a de 18 (dezoito) anos completos. Para 
a aplicação desses exames, o órgão normativo dos sistemas de educação deve 
manifestar-se previamente, além de acompanhar os seus resultados. A certificação 
do conhecimento e das experiências avaliados por meio de exames para verificação 
de competências e habilidades é objeto de diretrizes específicas a serem emitidas 
pelo órgão normativo competente, tendo em vista a complexidade, a singularidade e 
a diversidade contextual dos sujeitos a que se destinam tais exames.
São exemplos desta articulação o Programa Nacional de Integração da 
Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens 
e Adultos – PROEJA (que articula educação profissional com o Ensino Fundamental e 
o médio da EJA) e o Programa Nacional de Inclusão de Jovens Educação, Qualificação 
e Participação Cidadã – PROJOVEM, para jovens de 18 a 29 anos (que articula Ensino 
Fundamental, qualificação profissional e ações comunitárias).
A União, pelo MEC e INEP, supletivamente e em regime de colaboração com os 
Estados, Distrito Federal e Municípios, vem oferecendo exames supletivos nacionais, 
mediante o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos 
(ENCCEJA), autorizado pelo Parecer CNE/CEB n° 19/2005. Observa-se que, a partir 
da aplicação do ENEM em 2009, este passou a substituir o ENCCEJA referente ao 
Ensino Médio, passando, pois, a ser aplicado apenas o referente ao fundamental. 
Tais provas são interdisciplinares e contextualizadas, percorrendo transversalmente 
quatro áreas de conhecimento – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências 
da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias e Matemática 
e suas Tecnologias.
Educação Especial – A Educação Especial é uma modalidade de ensino 
transversal a todas etapas e outras modalidades, como parte integrante da educação 
regular, devendo ser prevista no projeto político-pedagógico da unidade escolar.
138
Os sistemas de ensino devem matricular todos os estudantes com deficiência, 
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, cabendo 
às escolas organizar-se para seu atendimento, garantindo as condições para 
uma educação de qualidade para todos, devendo considerar suas necessidades 
educacionais específicas, pautando-se em princípios éticos, políticos e estéticos, 
para assegurar:
I- a dignidade humana e a observância do direito de cada estudante de realizar 
seus projetos e estudo, de trabalho e de inserção na vida social, com autonomia 
e independência;
II- a busca da identidade própria de cada estudante, o reconhecimento e a valori-
zação das diferenças e potencialidades, o atendimento às necessidades educa-
cionais no processo de ensino e aprendizagem, como base para a constituição 
e ampliação de valores, atitudes, conhecimentos, habilidades e competências;
III- o desenvolvimento para o exercício da cidadania, da capacidade de participação 
social, política e econômica e sua ampliação, mediante o cumprimento de seus 
deveres e o usufruto de seus direitos.
O atendimento educacional especializado (AEE), previsto pelo Decreto n° 
6.571/2008, é parte integrante do processo educacional, sendo que os sistemas 
de ensino devem matricular os estudantes com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino 
regular e no atendimento educacional especializado (AEE). O objetivo deste aten-
dimento é identificar habilidades e necessidades dos estudantes, organizar recur-
sos de acessibilidade e realizar atividades pedagógicas específicas que promovam 
seu acesso ao currículo. Este atendimento não substitui a escolarização em classe 
comum e é ofertado no contraturno da escolarização em salas de recursos mul-
tifuncionais da própria escola, de outra escola pública ou em centros de AEE da 
rede pública ou de instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins 
lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação ou órgão equivalente dos Es-
tados, Distrito Federal ou dos Municípios.
[...] As atuais Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na 
Educação Básica são as instituídas pela Resolução CNE/CEB n° 2/2001, com fundamento 
no Parecer CNE/CEB 17/2001, complementadas pelas Diretrizes Operacionais para o 
Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação 
Especial (Resolução CNE/CEB n° 4/2009, com fundamento no Parecer CNE/CEB 
n° 13/2009), para implementação do Decreto n° 6.571/2008, que dispõe sobre o 
Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Nesse sentido, os sistemas de ensino assegurarão a observância das 
seguintes orientações fundamentais:
139
I- métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender 
as suas necessidades;
II- formação de professores para o atendimento educacional especializado, bem 
como para o desenvolvimento de práticas educacionais inclusivas nas classes 
comuns de ensino regular;
III- acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares 
disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
A LDB, no Artigo 60, prevê que os órgãos normativos dos sistemas de 
ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins 
lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em Educação Especial, para fins 
de apoio técnico e financeiro pelo poder público e, no seu parágrafo único, estabelece 
que o poder público ampliará o atendimento aos estudantes com necessidades 
especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às 
instituições previstas nesse artigo.
Educação Profissional e Tecnológica – A Educação Profissional e Tecno-
lógica (EPT), em conformidade com o disposto na LDB, com as alterações introdu-
zidas pela Lei n° 11.741/2008, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, 
integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do tra-
balho, da ciência e da tecnologia. Dessa forma, pode ser compreendida como uma 
modalidade na medida em que possui um modo próprio de fazer educação nos níveis 
da Educação Básica e Superior e em sua articulação com outras modalidades educa-
cionais: Educação de Jovens e Adultos, Educação Especial e Educação a Distância.
A EPT na Educação Básica ocorre na oferta de cursos de formação inicial e 
continuada ou qualificação profissional, e nos de Educação Profissional Técnica de 
nível médio ou, ainda, na Educação Superior, conforme o § 2° do Artigo 39 da LDB:
A Educação Profissional e Tecnológica abrangerá os seguintes 
cursos:
I- de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; 
II- de Educação Profissional Técnica de nível médio;
III- de Educação Profissional Tecnológica de graduação e pós-
graduação.
A Educação Profissional Técnica de nível médio, nos termos do Artigo 36-B da 
mesma lei, é desenvolvida nas seguintes formas:
I- articulada com o Ensino Médio, sob duas formas:
II- integrada, na mesma instituição,
III- concomitante, na mesma ou em distintas instituições;
IV- subsequente, em cursos destinados a quem já tenha 
concluído o Ensino Médio.
140
As atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível 
Técnico estão instituídas pela Resolução CNE/CEB n° 4/99, fundamentada no Parecer 
CNE/CEB n° 16/99, atualmente em processo de revisão e atualização, face à experiência 
acumulada e às alterações na legislação que incidiram sobre esta modalidade.
As instituições podem oferecer cursos especiais, abertos à comunidade, com 
matrícula condicionada à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao 
nível deescolaridade. São formulados para o atendimento de demandas pontuais, 
específicas de um determinado segmento da população ou dos setores produtivos, 
com período determinado para início e encerramento da oferta, sendo, como 
cursos de formação inicial e continuada ou de qualificação profissional, livres de 
regulamentação curricular.
No tocante aos cursos articulados com o Ensino Médio, organizados na forma 
integrada, o que está proposto é um curso único (matrícula única), no qual os diversos 
componentes curriculares são abordados de forma que se explicitem os nexos exis-
tentes entre eles, conduzindo os estudantes à habilitação profissional técnica de nível 
médio ao mesmo tempo em que concluem a última etapa da Educação Básica.
Os cursos técnicos articulados com o Ensino Médio, ofertados na forma 
concomitante, com dupla matrícula e dupla certificação, podem ocorrer na mesma 
instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis; 
em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunidades educacionais 
disponíveis; ou em instituições de ensino distintas, mediante convênios de 
intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto 
pedagógico unificado. São admitidas, nos cursos de Educação Profissional Técnica 
de nível médio, a organização e a estruturação em etapas que possibilitem uma 
qualificação profissional intermediária.
Para Moacir Alves Carneiro, a certificação pretende valorizar a experiência 
extraescolar e a abertura que a Lei dá à Educação Profissional vai desde o 
reconhecimento do valor igualmente educativo do que se aprendeu na escola e no 
próprio ambiente de trabalho, até a possibilidade de saídas e entradas intermediárias.
Educação Básica do campo – Nesta modalidade, a identidade da escola 
do campo é definida pela sua vinculação com as questões inerentes a sua realidade, 
ancorando-se na temporalidade e saberes próprios dos estudantes, na memória 
coletiva que sinaliza futuros, na rede de ciência e tecnologia disponível na sociedade 
e nos movimentos sociais em defesa de projetos que associem as soluções exigidas 
por essas questões à qualidade social da vida coletiva no País.
141
A educação para a população rural está prevista no Artigo 28 da LDB, em 
que ficam definidas, para atendimento à população rural, adaptações necessárias 
às peculiaridades da vida rural e de cada região, definindo orientações para três 
aspectos essenciais à organização da ação pedagógica:
I- conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e 
interesses dos estudantes da zona rural;
II- organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do 
ciclo agrícola e às condições climáticas;
III- adequação à natureza do trabalho na zona rural.
As propostas pedagógicas das escolas do campo devem contemplar a 
diversidade do campo em todos os seus aspectos: sociais, culturais, políticos, 
econômicos, de gênero, geração e etnia. Formas de organização e metodologias 
pertinentes à realidade do campo devem, nesse sentido, ter acolhida. Assim, a 
pedagogia da terra busca um trabalho pedagógico fundamentado no princípio da 
sustentabilidade, para que se possa assegurar a preservação da vida das futuras 
gerações.
Particularmente propícia para esta modalidade, destaca-se a pedagogia da 
alternância (sistema dual), criada na Alemanha há cerca de 140 anos e, hoje, difundida 
em inúmeros países, inclusive no Brasil, com aplicação, sobretudo, no ensino voltado 
para a formação profissional e tecnológica para o meio rural. Nesta metodologia, o 
estudante, durante o curso e como parte integrante dele, participa, concomitante e 
alternadamente, de dois ambientes/situações de aprendizagem: o escolar e o laboral, 
não se configurando o último como estágio, mas sim, como parte do currículo do 
curso. Essa alternância pode ser de dias na mesma semana ou de blocos semanais 
ou, mesmo, mensais ao longo do curso. Supõe uma parceria educativa, em que 
ambas as partes são corresponsáveis pelo aprendizado e formação do estudante. 
É bastante claro que podem predominar, num ou noutro, oportunidades diversas 
de desenvolvimento de competências, com ênfases ora em conhecimentos, ora 
em habilidades profissionais, ora em atitudes, emoções e valores necessários ao 
adequado desempenho do estudante. Nesse sentido, os dois ambientes/situações 
são intercomplementares.
Educação Escolar Indígena – A escola desta modalidade tem uma realidade 
singular, inscrita em terras e cultura indígenas. Requer, portanto, pedagogia própria em 
respeito à especificidade étnico-cultural de cada povo ou comunidade e formação 
específica de seu quadro docente, observados os princípios constitucionais, a base 
nacional comum e os princípios que orientam a Educação Básica brasileira (Artigos 
5°, 9°, 10, 11 e inciso VIII do Artigo 4° da LDB).
142
Na estruturação e no funcionamento das escolas indígenas é reconhecida sua 
condição de escolas com normas e ordenamento jurídico próprios, com ensino intercultural 
e bilíngue, visando a valorização plena das culturas dos povos indígenas e a afirmação 
e manutenção de sua diversidade étnica. São elementos básicos para a organização, a 
estrutura e o funcionamento da escola indígena:
I- localização em terras habitadas por comunidades indígenas, ainda que se 
estendam por territórios de diversos Estados ou Municípios contíguos; 
II- exclusividade de atendimento a comunidades indígenas;
III- ensino ministrado nas línguas maternas das comunidades atendidas, como uma 
das formas de preservação da realidade sociolinguística de cada povo;
IV- organização escolar própria.
Na organização de escola indígena deve ser considerada a participação da 
comunidade, na definição do modelo de organização e gestão, bem como:
I- suas estruturas sociais;
II- suas práticas socioculturais e religiosas;
III- suas formas de produção de conhecimento, processos próprios e métodos de 
ensino-aprendizagem;
IV- suas atividades econômicas;
V- a necessidade de edificação de escolas que atendam aos interesses das 
comunidades indígenas;
VI- o uso de materiais didático-pedagógicos produzidos de acordo com o contexto 
sociocultural de cada povo indígena.
As escolas indígenas desenvolvem suas atividades de acordo com o proposto 
nos respectivos projetos pedagógicos e regimentos escolares com as prerrogativas 
de: organização das atividades escolares, independentes do ano civil, respeitado o 
fluxo das atividades econômicas, sociais, culturais e religiosas; e duração diversificada 
dos períodos escolares, ajustando-a às condições e especificidades próprias de cada 
comunidade.
Por sua vez, tem projeto pedagógico próprio, por escola ou por povo indígena, 
tendo por base as Diretrizes Curriculares Nacionais referentes a cada etapa da Educação 
Básica; as características próprias das escolas indígenas, em respeito à especificidade 
étnico-cultural de cada povo ou comunidade; as realidades sociolinguísticas, em cada 
situação; os conteúdos curriculares especificamente indígenas e os modos próprios 
de constituição do saber e da cultura indígena; e a participação da respectiva 
comunidade ou povo indígena. A formação dos professores é específica, desenvolvida 
no âmbito das instituições formadoras de professores, garantindo-se aos professores 
indígenas a sua formação em serviço e, quando for o caso, concomitantemente com 
a sua própria escolarização.
143
Educação a Distância – A modalidade Educação a Distância caracteriza-
se pela mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem 
que ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, 
com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou 
tempos diversos.
O credenciamento para a oferta de cursos e programas de Educação de 
Jovens e Adultos, de Educação Especial e de Educação Profissional e Tecnológica de 
nível médio, na modalidade a distância, compete aos sistemas estaduais de ensino, 
atendidasa regulamentação federal e as normas complementares desses sistemas.
Educação Escolar Quilombola – A Educação Escolar Quilombola é 
desenvolvida em unidades educacionais inscritas em suas terras e cultura, 
requerendo pedagogia própria em respeito à especificidade étnico-cultural de cada 
comunidade e formação específica de seu quadro docente, observados os princípios 
constitucionais, a base nacional comum e os princípios que orientam a Educação 
Básica brasileira.
[...] Não há, ainda, Diretrizes Curriculares específicas para esta modalidade. 
Na estruturação e no funcionamento das escolas quilombolas, deve ser reconhecida 
e valorizada sua diversidade cultural.
FONTE: Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (BRASIL, 2013, p. 40-46).
Caro acadêmico, vamos nos ater aos Programas que são desenvolvidos pelo 
Ministério da Educação para que tanto os níveis de ensino e as modalidades possam ter 
funcionalidade.
144
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
• A globalização é o “processo de mundialização, de acordo com o entendimento 
majoritário dos autores contemporâneos, caracteriza-se pela ampla integração 
econômica, política, cultural e outros entre as nações” (SOUSA, 2011, p. 4).
• O Banco Mundial foi “criado a partir das necessidades advindas após a Segunda 
Guerra Mundial, quando os países devastados pela guerra sentiram a necessidade 
de buscar seu crescimento econômico” (SILVA; FERRONATO; BARUFFI, 2014, p. 88).
• As características da revolução informacional: o Surgimento de uma nova 
linguagem comunicacional, uma vez que circulam e se tornam comuns termos 
como realidade virtual, ciberespaço, hipermídia, correio eletrônico, Orkut, Facebook, 
Twitter e outros, expressando as novas realidades e possibilidades informacionais. 
Já é comum também a utilização de uma linguagem digital, sobretudo entre jovens, 
para expressar sentimentos e situações de vida.
• Os diferentes mecanismos de informação digital (comunicação instantânea), de acesso 
à informação, de pesquisa e de ligação entre matérias sempre atualizadas e qualificadas.
• As novas possibilidades de entretenimento e de educação (TV educativa, educação 
a distância, vídeos, softwares etc.).
• O acúmulo de informações e as infindáveis condições de armazenamento (LIBÂNEO; 
OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 79).
• “O termo modalidade da educação diz respeito aos diferentes modos particulares de 
exercer a educação. Enquanto níveis de educação se referem aos diferentes graus, 
categorias de ensino como infantil, fundamental, médio, superior, modalidade de 
educação implica a forma, o modo como tais graus de ensino são desenvolvidos” 
(LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 361).
• A Base Nacional Comum Curricular é entendida como os conhecimentos, saberes 
e valores produzidos culturalmente, expressos nas políticas públicas e que são 
gerados nas instituições produtoras do conhecimento científico e tecnológico; 
no mundo do trabalho; no desenvolvimento das linguagens; nas atividades 
desportivas e corporais; na produção artística; nas formas diversas de exercício 
da cidadania; nos movimentos sociais (Parecer CNE/CEB n° 07/2010).
• As modalidades de ensino são: Educação de Jovens e Adultos, Educação Especial, 
Educação Profissional e Tecnológica, Educação Básica do campo, Educação Escolar 
Indígena, Educação a Distância e Educação Escolar Quilombola.
145
AUTOATIVIDADE
1 A Base Nacional Comum Curricular é um documento que está em construção e possui 
como fundamento conhecimentos, saberes e valores produzidos culturalmente. Este 
é um dos entendimentos que se encontra no Parecer CNE/CEB n° 07/2010. Diante 
do exposto, quais os demais entendimentos que podemos ter com relação à Base 
Nacional Comum Curricular?
a) ( ) Entende-se a BNCC com base nos trabalhos relativos à administração pedagógica 
e o envolvimento de atividades voltadas ao desenvolvimento do espaço físico da 
escola.
b) ( ) Entende-se a BNCC como extensão de valores e saberes que se encontram nas 
políticas públicas, através do desenvolvimento da linguagem, das atividades 
desportivas e cidadania.
c) ( ) Entende-se a BNCC como base comum relativa a conteúdos predeterminados 
que deverão ser desenvolvidos sem possibilidade de flexibilização, deixando o 
planejamento engessado.
d) ( ) Entende-se a BNCC como documento elaborado a partir de informações relativas 
a tendências pedagógicas voltadas aos interesses do sistema governamental 
vigente.
e) ( ) Entende-se a BNCC como documento desenvolvido através de interesses 
da classe dominante, a qual determina o que, para que e o quanto deve ser 
apresentado aos educandos.
2 (ENADE, 2011) Exclusão digital é um conceito que diz respeito às extensas camadas 
sociais que ficaram à margem do fenômeno da sociedade da informação e da 
extensão das redes digitais. O problema da exclusão digital se apresenta como um 
dos maiores desafios dos dias de hoje, com implicações diretas e indiretas sobre os 
mais variados aspectos da sociedade contemporânea.
Nessa nova sociedade, o conhecimento é essencial para aumentar a produtividade e a 
competição global. É fundamental para a invenção, para a inovação e para a geração 
de riqueza. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) proveem uma fundação 
para a construção e aplicação do conhecimento nos setores públicos e privados. É 
nesse contexto que se aplica o termo exclusão digital, referente à falta de acesso às 
vantagens e aos benefícios trazidos por essas novas tecnologias, por motivos sociais, 
econômicos, políticos ou culturais.
Considerando as ideias do texto, avalie as afirmações a seguir.
146
I- Um mapeamento da exclusão digital no Brasil permite aos gestores de políticas 
públicas escolherem o público-alvo de possíveis ações de inclusão digital.
II- O uso das TICs pode cumprir um papel social, ao prover informações àqueles que 
tiveram esse direito negado ou negligenciado e, portanto, permitir maiores graus de 
mobilidade social e econômica.
III- O direito à informação diferencia-se dos direitos sociais, uma vez que esses estão 
focados nas relações entre os indivíduos e, aqueles, na relação entre o indivíduo e o 
conhecimento.
IV- O maior problema de acesso digital no Brasil está na deficitária tecnologia existente 
em território nacional, muito aquém da disponível na maior parte dos países do 
primeiro mundo.
FONTE: . Acesso em: 14 jul. 2021.
É CORRETO apenas o que se afirma em:
a) ( ) I e II.
b) ( ) II e IV. 
c) ( ) III e IV. 
d) ( ) I, II e III. 
e) ( ) I, III e IV.
3 (ENADE, 2011) Na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação 
Inclusiva, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o 
desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória em todos os níveis e 
modalidades de ensino.
De acordo com os pressupostos da inclusão escolar expressos na referida Política, 
avalie as afirmações a seguir.
I- A inclusão educacional expressa um paradigma fundamentado na concepção de 
direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis.
II- A educação inclusiva prevê o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos 
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/
superdotação nas escolas regulares.
III- O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e 
organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para 
a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas.
IV- O movimento mundial pela inclusão educacional é uma carta de intenções que 
prevê, a partir da próxima década, ações políticas de atendimento educacional 
especializado, que deve ocorrer em salas de aula diferenciadas, na mesma escola.
FONTE: . Acesso em: 14 jul. 2021.
147
É CORRETO apenas o que se afirmaem:
a) ( ) I e III.
b) ( ) I e IV. 
c) ( ) II e IV. 
d) ( ) I, II, e III. 
e) ( ) II, III e IV.
4 (ENADE 2017) Articular a escola com o mundo social, globalizado, informatizado e 
comunicacional é transformar a escola num espaço dinâmico e significativo. No 
mundo contemporâneo, onde as tecnologias da comunicação e informação avançam 
rapidamente, a escola precisa acompanhar essa evolução. 
Considerando esse texto, avalie as afirmações a seguir:
I- A aprendizagem se realiza quando novas informações são analisadas e interpretadas 
a partir de conhecimentos previamente adquiridos. 
II- Atribuir novos significados aos conhecimentos curriculares pode comprometer o 
alcance dos conteúdos programáticos. 
III- Acompanhar as tecnologias de comunicação e informação é trazer significados para 
a aprendizagem de alunos que são parte de uma sociedade do conhecimento. 
FONTE: . 
Acesso em: 14 jul. 2021.
É CORRETO o que se afirma em:
a) ( ) II, apenas. 
b) ( ) III, apenas. 
c) ( ) I e II, apenas.
d) ( ) I e III, apenas. 
e) ( ) I, II e III. 
5 A Base Nacional Comum Curricular – BNCC – possui como conceitos-chave as 
noções de projeto de vida e competências socioemocionais que acabam envolvendo 
o protagonismo dos estudantes. Este termo, protagonismo, pode ser evidenciado 
como um elemento não novo, mas que já possui uma caminhada histórica em sua 
constituição. Na BNCC, o protagonismo do estudante é latente. Assim, disserte sobre 
como o estudante precisa ser motivado para ser o Protagonista de sua História. 
6 Leia esta citação:
[...] a Educação Básica deve visar à formação e ao desenvolvimento humano global, o 
que implica compreender a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, 
rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) 
148
ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir uma visão plural, singular e integral da 
criança, do adolescente, do jovem e do adulto – considerando-os como sujeitos de 
aprendizagem [...] (BRASIL, BNCC, 2018, p. 14)
FONTE: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular, 2018. Disponível 
em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_
EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 19 abr. 2021.
Diante desta citação retirada da Base Nacional Comum Curricular, disserte sobre os 
seguintes pontos:
• Quais elementos constituem uma educação global de qualidade?
• Como a BNCC vê um sujeito de aprendizagem?
149
AS INSTITUIÇÕES FORMADORAS DO SISTEMA 
EDUCACIONAL BRASILEIRO
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico serão tratados assuntos relativos aos programas desenvolvidos pelo 
Ministério da Educação, dando assim possibilidade de crescimento e desenvolvimento 
das políticas públicas na área educacional.
Além disso, trataremos da busca pela funcionalidade dos programas, a quem 
compete a responsabilidade pela aplicação e participação dos programas.
Veremos a sistemática desenvolvida para que ocorra a flexibilização das políticas 
públicas.
Assim, sigamos nossa leitura em busca de mais conhecimentos!
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
2 PROGRAMAS DO FUNDO NACIONAL DE 
DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO
Caro acadêmico, dentro da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, encontram-se 
também presentes as questões relativas aos recursos financeiros para a implementação 
dos programas educacionais.
Apresentaremos, de maneira breve, os programas e o que é o FNDE, com sua 
funcionalidade e legalidade.
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), 
autarquia federal criada pela Lei n° 5.537, de 21 de novembro de 
1968, e alterada pelo Decreto-Lei n° 872, de 15 de setembro de 1969, 
é responsável pela execução de políticas educacionais do Ministério 
da Educação (MEC).
Para alcançar a melhoria e garantir uma educação de qualidade a 
todos, em especial a educação básica da rede pública, o FNDE se 
tornou o maior parceiro dos 26 estados, dos 5.565 municípios e do 
Distrito Federal. Neste contexto, os repasses de dinheiro são divididos 
em constitucionais, automáticos e voluntários (convênios).
Além de inovar o modelo de compras governamentais, os diversos 
projetos e programas em execução – Alimentação Escolar, Livro Didático, 
Dinheiro Direto na Escola, Biblioteca da Escola, Transporte do Escolar, 
Caminho da Escola, Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para 
a Rede Escolar Pública de Educação Infantil – fazem do FNDE uma 
instituição de referência na Educação Brasileira (BRASIL, 2012).
150
Para Santos (2012, p. 70) o FNDE é:
[...] um fundo que tem como principal objetivo fornecer as 
condições concretas para o desenvolvimento de ações, planos e 
programas destinados a subsidiar instituições e sistemas de ensino 
(especialmente em despesas como as envolvidas em construção de 
escolas, fornecimento de merenda escolar, entre outras). Assim, o 
FNDE atua por meio de diversos programas que gerenciam parte dos 
recursos desse fundo e a direciona para as respectivas demandas.
Alguns dos programas desenvolvidos por este fundo são:
• Biblioteca na Escola (PNBE): programa criado em 1997, tendo como finalidade 
enviar às bibliotecas das escolas obras e materiais de apoio a atividades relativas 
à educação básica. Para recebimento dessas obras é necessário realizar convênio, 
pois os materiais são recebidos a partir do censo escolar realizado no ano anterior.
• Caminho da Escola: foi instituído com o objetivo de melhoria na frota de veículos 
escolares, garantindo a permanência do aluno na escola da zona rural. Existe uma 
parceria entre o FNDE e Inmetro, para que sejam garantidos veículos padronizados 
e com segurança.
• Livro Didático (PNLD): no ensino fundamental os alunos do 1° e 2° ano recebem 
livros consumíveis de alfabetização matemática e alfabetização linguística. Os alu-
nos do 6° ao 9° ano recebem livros consumíveis de língua estrangeira. No que diz 
respeito ao ensino médio, envolve a distribuição de livros reutilizáveis nas discipli-
nas de matemática, história, geografia, língua portuguesa, biologia, física e química. 
Conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 397): “O programa Nacional do Livro 
Didático em Braille atende alunos cegos que cursam o ensino fundamental em es-
colas públicas de ensino regular e escolas especializadas sem fins lucrativos”.
• Programa Um Computador por Aluno (Prouca): instituído pela Lei n° 12.249, de 14 
de junho de 2010, o Prouca tem por objetivo promover a inclusão digital pedagógica e 
o desenvolvimento dos processos de ensino e aprendizagem de alunos e professores 
das escolas públicas brasileiras, mediante a utilização de computadores portáteis 
denominados laptops educacionais. O equipamento adquirido contém sistema 
operacional específico e características físicas que facilitam o uso e garantem a 
segurança dos estudantes e foi desenvolvido especialmente para uso no ambiente 
escolar (PORTAL DO FNDE, 2012).
• Proinfância: criado em 2007, este programa tem como objetivo:
prestar assistência financeira, em caráter suplementar, ao Distrito 
Federal e municípios que firmarem o termo de adesão ao plano de metas 
Compromisso Todos pela Educação e elaborarem um Plano de Ações 
Articuladas (PAR). Estes valores são para a construção e aquisição de 
equipamentos e mobiliário para creches e pré-escolas públicas da 
educação infantil (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 400).
151
• Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE): para que a escola possa 
receber este programa é necessária verificação do censo do ano anterior para 
recebimento de recursos do PNAE. É preciso que seja criado nos municípios um 
Conselho de Alimentação Escolar, o qual fiscaliza e controla o uso dos recursos. 
Conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 394): “O objetivo do PNAE é garantir pelo 
menos uma refeição diária nos dias letivos, atender às necessidades nutricionais 
dos alunos e desenvolver a formação de hábitos alimentares saudáveis [...]”.
• Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE): foi criadoem 1995, tendo 
como objetivo “além de melhorar a qualidade do ensino fundamental, envolver a 
comunidade escolar a fim de otimizar a aplicação dos recursos” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; 
TOSCHI, 2012, p. 395). Este programa tem como funcionalidade a transferência de 
valores às escolas públicas da educação básica das redes estaduais e municipais, 
onde haja mais de 20 alunos, e também para escolas de educação especial mantidas 
por ONGs – Organizações Não Governamentais. Estes valores podem ser utilizados 
na obtenção de:
materiais permanentes e de consumo, para manutenção e conservação 
do prédio escolar, para capacitação e aperfeiçoamento de profissionais 
da educação, para avaliação de aprendizagem, para implementação 
de projetos pedagógicos e para desenvolvimento de atividades 
educacionais diversas, que visem colaborar na melhoria do atendimento 
das necessidades básicas de funcionamento das escolas (LIBÂNEO; 
OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 395).
Este mesmo programa ainda contempla os programas:
O Escola Aberta foi criado em 2004, visando a oferta de oficinas, nos 
fins de semana, em escolas urbanas de comunidades em situação de 
risco e vulnerabilidade social. O Escola Acessível visa a adequação ar-
quitetônica (obras e reformas) nos prédios escolares para a inclusão 
de alunos com necessidades educacionais especiais. O Mais Educação 
visa a formação integral de crianças, adolescentes e jovens de escolas 
estaduais e municipais de cidades com mais de 200 mil habitantes e 
com baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) por 
meio da ampliação do tempo e do espaço e das oportunidades educa-
tivas (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 396).
• Programa Nacional de Formação Continuada a Distância nas Ações do 
FNDE (Formação pela Escola): este projeto objetiva a capacitação de todos os 
profissionais da educação, técnicos e gestores públicos tanto municipais como 
estaduais, além de representantes da comunidade escolar e da sociedade organizada. 
Para Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 400): “Consiste na oferta de cursos de 
capacitação, de forma que os participantes conheçam os detalhes da execução 
das ações e programas do FNDE, com a concepção, as diretrizes, os principais 
objetivos, os agentes envolvidos, a operacionalização, a prestação de contas e os 
mecanismos de controle social”. Todos os cursos são oferecidos a distância e é 
para toda a sociedade organizada. Com a utilização da Educação a Distância, mais 
pessoas estão sendo atendidas.
152
Com estes programas podemos perceber que cabe a cada Estado, Município, 
organizar-se para fazer parte destes programas, auxiliando e conseguindo melhorias 
para seus alunos e profissionais da educação. Assim, aos governantes cabe sistematizar 
seu trabalho e procurar determinar quais as políticas públicas que são necessárias a sua 
realidade local ou regional.
3 OS INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO NACIONAL
O Ministério da Educação, em suas atribuições, buscou em suas políticas públicas 
aperfeiçoar a profissionalização de nossos jovens, e buscando verificar seu desempenho e 
das universidades, criou mecanismos que auxiliem na melhor formação do jovem brasilei-
ro. Estes mecanismos estão ligados também à questão avaliativa dos programas.
Alguns destes programas relativos à formação do estudante são:
Pronatec – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Sua 
criação ocorreu em 2011:
por meio da Lei 12.513/2011, com o objetivo de expandir, interiorizar 
e democratizar a oferta de cursos de educação profissional e 
tecnológica no país. O Pronatec busca ampliar as oportunidades 
educacionais e de formação profissional qualificada aos jovens, 
trabalhadores e beneficiários de programas de transferência de 
renda (BRASIL, 2021).
Os objetivos do Pronatec são:
I- expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de 
educação profissional técnica de nível médio presencial e 
a distância e de cursos e programas de formação inicial e 
continuada ou qualificação profissional;
II- fomentar e apoiar a expansão da rede física de atendimento da 
educação profissional e tecnológica;
III- contribuir para a melhoria da qualidade do ensino médio público, 
por meio da articulação com a educação profissional;
IV- ampliar as oportunidades educacionais dos trabalhadores, por 
meio do incremento da formação e ualificação profissional;
V- estimular a difusão de recursos pedagógicos para apoiar a oferta 
de cursos de educação profissional e tecnológica.
VI- estimular a articulação entre a política de educação profissional 
e tecnológica e as políticas de geração de trabalho, emprego e 
renda (BRASIL, 2021).
Através de dados relativos às matrículas, nesse projeto, de 2011 a 2015 foram 
realizadas 9 mil e 400 matrículas. No ano de 2016 mais 2 milhões de matrículas (MEC, 
2016a). Isso significa que a busca pelo conhecimento e a profissionalização estão em 
alta dentro do contexto social e econômico de nosso país.
153
Outro programa utilizado pelo Ministério da Educação no que tange à avaliação, 
está relacionado aos alunos do 3° ano do Ensino Médio. Estamos falando do Enem 
– Exame Nacional do Ensino Médio. Este programa foi criado em 1998, tendo como 
objetivo avaliar o desempenho do estudante ao fim do ensino médio. Poderão participar 
deste exame os alunos que estão finalizando ou que já concluíram o ensino médio em 
anos anteriores.
O Enem é utilizado como critério de seleção para os estudantes que 
pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para 
Todos (ProUni). Além disso, cerca de 500 universidades já usam o 
resultado do exame como critério de seleção para o ingresso no 
ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular 
(BRASIL, 2021).
Prouni – Programa Universidade para Todos. Este programa foi criado através 
da Lei n° 11.096 de 13 de janeiro de 2005. Esta lei concede aos estudantes brasileiros que 
não possuem nível superior bolsas de estudo total ou parcial, de 50%, em instituições 
privadas de educação superior e de graduação.
Para que o estudante seja bolsista do Prouni, ele deverá possuir os seguintes 
requisitos, conforme se apresentado pelo Ministério da Educação (BRASIL, 2021, s. p.):
• ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública;
• ter cursado o ensino médio completo em escola da rede privada, 
na condição de bolsista integral da própria escola;
• ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede 
pública e parcialmente em escola da rede privada, na condição 
de bolsista integral da própria escola privada;
• ser pessoa com deficiência;
• ser professor da rede pública de ensino, no efetivo exercício 
do magistério da educação básica e integrando o quadro de 
pessoal permanente da instituição pública e concorrer a bolsas 
exclusivamente nos cursos de licenciatura. Nesses casos não há 
requisitos de renda.
Para concorrer às bolsas integrais, o candidato deve ter renda familiar 
bruta mensal de até um salário-mínimo e meio por pessoa. Para as 
bolsas parciais de 50%, a renda familiar bruta mensal deve ser de até 
três salários-mínimos por pessoa.
Sinaes – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. Este programa 
foi criado através da Lei n° 10.861, de abril de 2004, tendo como objetivo analisar as 
instituições de Educação Superior e seus estudantes (SILVA; FERRONATO; BARUFFI, 
2014, p. 169).
Ele possui uma série de instrumentos complementares: autoavalia-
ção, avaliação externa, Enade, avaliação dos cursos de graduação e 
instrumentos de informação (censo e cadastro). Os resultados das 
avaliações possibilitam traçar um panorama da qualidade dos cursos 
e instituições de educação superior no País. Os processos avaliati-
vos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de 
Avaliação da Educação Superior (Conaes). A operacionalização é de 
responsabilidade do Inep. As informações obtidas com o Sinaes são 
utilizadas pelas IES, para orientação da sua eficácia institucional e 
154
efetividade acadêmica e social; pelos órgãos governamentaispara 
orientar políticas públicas e pelos estudantes, pais de alunos, insti-
tuições acadêmicas e público em geral, para orientar suas decisões 
quanto à realidade dos cursos e das instituições (INEP, 2011, s.p.).
Este instrumento está presente em nossa vida acadêmica, o tão famoso Enade 
– Exame Nacional de Desempenho de Estudantes. Você já deve ter ouvido falar sobre 
esse programa, ou ainda ouvirá falar, ele possui uma elevada importância para você, 
acadêmico, e para a universidade em que você estuda. Veja por que é importante 
participar desse programa.
O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) avalia 
o rendimento dos alunos dos cursos de graduação, ingressantes e 
concluintes, em relação aos conteúdos programáticos dos cursos 
em que estão matriculados. O exame é obrigatório para os alunos 
selecionados e condição indispensável para a emissão do histórico 
escolar. A primeira aplicação ocorreu em 2004 e a periodicidade 
máxima da avaliação é trienal para cada área do conhecimento 
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2016b, s.p.).
Observe, acadêmico, que este exame é obrigatório para os alunos 
selecionados e condição indispensável para a emissão do histórico escolar.
Por que colocamos o trecho em negrito? Porque quando você receber ligações, 
e-mails em seu ambiente virtual leve a sério. Busque informações com o seu tutor ou 
ligue para o 0800 6425000 e converse com os professores que estarão aguardando 
você para sanar qualquer dúvida.
Não é invenção da instituição de ensino, é um programa federal, e possui 
embasamento legal para sua realização. Assim, participe das atividades que a instituição 
oferece a você para melhorar seu nível de conhecimento.
Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente: este mecanismo foi 
criado através da Portaria Normativa n° 3, de 2 de março de 2011 com o objetivo de:
Art. 1° Institui, no âmbito do Instituto Nacional de Estudos e Pesqui-
sas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, a Prova Nacional de Concur-
so para o Ingresso na Carreira Docente, a qual se constitui de uma 
avaliação para subsidiar a admissão de docentes para a educação 
básica no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
(BRASIL, 2011, s.p.).
Cabe salientar que este instrumento poderá ser utilizado por todos os entes federados 
(estados, municípios) para a avaliação dos participantes no ingresso da carreira docente. 
Conforme Silva, Ferronato e Baruffi (2014, p. 170):
Muitas são as informações, [...] mas cabe salientar que para que essa 
máquina chamada educação obtenha êxito, é preciso que todas as 
engrenagens estejam bem encaixadas em seus objetivos e ações, as 
quais buscam a qualidade da educação e qualificação do profissional 
da educação.
155
Temos que observar, também, que não é só responsabilidade do profissional 
da educação, mas também das esferas federal, estadual e municipal dar garantia de 
um padrão de qualidade. Assim, podemos determinar que todos são responsáveis 
pelo desenvolvimento de uma educação de qualidade. Cabe a cada um ter a visão, a 
competência e saber fazer coletivamente seu trabalho.
Caro acadêmico, diante do que foi exposto e verificando seu conhecimento já 
adquirido, vamos partir para o Tópico 3, onde veremos como, o que e para que necessitamos 
de organização e gestão dentro da instituição escolar.
Isso é de extrema importância para cada um de nós, professores ou futuros 
profissionais da educação, independentemente de nossa área de atuação.
156
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
• O FNDE é “um fundo que tem como principal objetivo fornecer as condições 
concretas para o desenvolvimento de ações, planos e programas destinados a 
subsidiar instituições e sistemas de ensino (especialmente em despesas, como 
as envolvidas em construção de escolas, fornecimento de merenda escolar, entre 
outras)” (SANTOS, 2012, p. 70).
• Os programas desenvolvidos pelo FNDE são: Biblioteca na Escola (PNBE); Caminho 
na Escola; Livro Didático (PNLD); Programa Um Computador por Aluno (Prouca); 
Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); Programa Dinheiro Direto na 
Escola (PDDE); Programa Nacional de Formação Continuada a Distância nas Ações 
do FNDE (Formação pela Escola).
• Pronatec – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – teve sua 
criação em 2011, “por meio da Lei 12.513/2011, com o objetivo de expandir, interiorizar 
e democratizar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica no país. O 
Pronatec busca ampliar as oportunidades educacionais e de formação profissional 
qualificada aos jovens, trabalhadores e beneficiários de programas de transferência 
de renda” (BRASIL, 2021).
• Enem – Exame Nacional do Ensino Médio. Este programa foi criado em 1998, 
tendo como objetivo avaliar o desempenho do estudante ao fim do ensino médio.
• O Prouni – Programa Universidade para Todos – é um programa foi criado através da 
Lei n° 11.096 de 13 de janeiro de 2005. Esta lei concede aos estudantes brasileiros 
que não possuem nível superior bolsas de estudo total ou parcial, de 50%, em 
instituições privadas de educação superior e de graduação.
• O Sinaes – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – é um “programa 
que foi criado através da Lei n° 10.861, de abril de 2004, tendo como objetivo analisar 
as instituições de Educação Superior e seus estudantes” (SILVA; FERRONATO; 
BARUFFI, 2014, p. 169). Este instrumento está presente em nossa vida acadêmica, o 
tão famoso Enade – Exame Nacional de Desempenho de estudantes.
157
AUTOATIVIDADE
1 Nos programas que o Ministério da Educação desenvolve com as suas políticas 
públicas encontramos o PROUNI – Programa Universidade para Todos. Este programa 
concede aos estudantes bolsas de estudo total ou parcial, de 50%, para frequentar o 
nível superior. Para que possa requisitar este programa o estudante precisa atender 
algumas exigências. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir:
I- Ter iniciado o ensino médio em escola pública.
II- Ter cursado o ensino médio em escola pública.
III- Ter cursado o ensino médio em escola privada como bolsista integral.
IV- Ter iniciado o curso superior, estando no segundo semestre.
Assinale a alternativa CORRETA: 
a) ( ) Somente a sentença II está correta.
b) ( ) As sentenças I e IV estão corretas. 
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. 
d) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
e) ( ) Somente a sentença III está correta.
2 O Sinaes – Sistema de Avaliação de Educação Superior – foi criado através da Lei n° 
10.861 de abril de 2004, e possui como objetivo analisar as instituições de Educação 
Superior e seus estudantes. Frente a isso, esse programa possui vários instrumentos 
que o complementam. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir:
I- Análise, reformulação, desenvolvimento de questões internas.
II- Autoavaliação, avaliação externa, Enade.
III- Avaliação externa, entrevistas, banco de questões.
IV- Avaliação dos cursos de graduação e censo e cadastro.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença IV está correta.
b) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
c) ( ) As sentenças II e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta. 
e) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
158
3 O FNDE é “um fundo que tem como principal objetivo fornecer as condições concretas para 
o desenvolvimento de ações, planos e programas destinados a subsidiar instituições e 
sistemas de ensino (especialmente em despesas, como as envolvidas em construção 
de escolas, fornecimento de merenda escolar, entre outras)” (SANTOS, 2012, p. 70).
FONTE: SANTOS, P. S. M. B. dos. Guia prático da política educacional 
no Brasil: ações, planos, programas e impactos. São Paulo: Cengage 
Learning,2012.
Diante do exposto, os programas que são desenvolvidos pelo Ministério da Educação 
envolvem interesses. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir:
I- O desenvolvimento do sistema de ensino a nível municipal, desconsiderando os 
interesses das demais esferas nacionaisde ensino. 
II- Buscam estes programas considerar necessária a implementação de ações que 
desenvolvam melhorias nos espaços escolares.
III- Este fundo caracteriza-se como um movimento que implementa a valorização e 
cuidado com os estudantes e seus profissionais.
IV- Os interesses macro do sistema educacional nacional envolvem a participação 
isolada de algumas instituições educacionais. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta. 
b) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. 
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. 
d) ( ) Somente a sentença III está correta. 
4 O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia federal criada 
pela Lei n° 5.537, de 21 de novembro de 1968, e alterada pelo Decreto-Lei n° 872, 
de 15 de setembro de 1969, é responsável pela execução de políticas educacionais 
do Ministério da Educação (MEC). Este fundo contempla diversos programas. Dentre 
eles, temos: Livro Didático (PNLD) e Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).
Diante do exposto, disserte sobre os seguintes pontos:
• Qual o objetivo de cada programa citado? 
• Qual sua funcionalidade no espaço escolar? 
5 O Ministério da Educação, em suas atribuições, buscou em suas políticas públicas 
aperfeiçoar a profissionalização de nossos jovens, e buscando verificar seu 
desempenho e das universidades, criou mecanismos que auxiliem na melhor formação 
do jovem brasileiro. Estes mecanismos estão ligados também à questão avaliativa dos 
programas. Alguns destes programas são: Pronatec – Programa Nacional de Acesso 
ao Ensino Técnico e Emprego – e Enem – Exame Nacional do Ensino Médio. Frente ao 
exposto, disserte sobre estes dois programas com seus objetivos e funcionalidades. 
159
TÓPICO 3 - 
A ORGANIZAÇÃO E GESTÃO ESCOLAR 
COLETIVA
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, trataremos de algo que nos é relativamente conhecido, mas 
que nos dá diversas possibilidades de respostas. Qual o conceito de organização e 
gestão? Elas cabem dentro do sistema educacional? Qual é a função social da escola 
pública? Quais são os objetivos da escola e as práticas de organização e gestão?
Perguntas como essas são determinantes para que cada um de nós, professores 
e futuros professores, possamos nos identificar dentro da organização e gestão escolar, 
independentemente de nossa área de atuação.
Não podemos acreditar que somente o diretor (gestor) é o que comanda a 
escola, mas sim, todos os atores que compõem a instituição são responsáveis por esse 
movimento.
Com isso, acadêmico, aguçamos sua curiosidade em perceber-se como parte 
integrante desse processo institucional.
Vamos ao estudo e a seu reconhecimento!
UNIDADE 2
2 CONCEITUANDO ORGANIZAÇÃO E GESTÃO
Quando falamos em educação nos deparamos com a instituição escola, a qual 
é determinante em qualquer sociedade que possui como objetivo o desenvolvimento 
de seu povo.
Para tanto, a escola, como qualquer empresa, necessita de elementos 
formadores e de organização e gestão para assegurar seu bom funcionamento.
A organização e gestão são termos que estão associados, em sua grande maioria, 
com a ideia de “administração, governo, provisão de condições de funcionamento 
de determinada instituição social” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 411). Estas 
instituições sociais podem ser família, empresa, escola, órgão público, entidades 
sindicais, culturais, científicas, dentre outras, para que possam chegar aos objetivos 
previstos. Em se falando de escola, conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 411):
160
A organização e a gestão referem-se ao conjunto de normas, diretrizes, 
estruturas organizacionais, ações e procedimentos que asseguram 
a racionalização do uso de recursos humanos, materiais financeiros 
e intelectuais, assim como a coordenação e o acompanhamento do 
trabalho das pessoas.
Cabe salientar que para termos uma escola com organização e gestão 
democrática, é necessário compreendermos que são necessárias escolhas tanto 
nos meios, como recursos que assegurem a realização dos objetivos. Além disso, é 
necessário existir um acompanhamento e coordenação que determinem à articulação 
a integração de todas as atividades e das pessoas que atuam nas escolas, em prol do 
alcance de seus objetivos.
Para que essas duas características mencionadas, a racionalização do uso 
de recursos e coordenação e acompanhamento se efetivem, “são postas em ação as 
funções específicas de planejar, organizar, dirigir e avaliar” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 
2012, p. 412).
Ao colocarmos em ação as funções específicas daremos a esta ação o nome de 
gestão, a qual é uma atividade que faz com que se coloque em ação um determinando 
sistema organizacional.
Cabe salientar, ainda, conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 412), que da 
definição de organização e gestão são retiradas duas implicações importantes. São elas:
A primeira é que as formas de organização e gestão são sempre 
meios, nunca fins, embora muitas vezes, erradamente, meios sejam 
tratados como fins; os meios existem para alcançar determinados 
fins que lhes são subordinados. A segunda é que, conceitualmente, a 
gestão faz parte da organização, mas aparece junto com ela por duas 
razões: a) a escola é uma organização em que tanto seus objetivos 
e resultados quanto seus processos e meios são relacionados com a 
formação humana, ganhando relevância, portanto, o fortalecimento 
das relações sociais, culturais e afetivas que nela tem lugar; b) as 
instituições escolares, por prevalecer nelas o elemento humano, 
precisam ser democraticamente administradas, de modo que todos 
os seus integrantes canalizem esforços para a realização de objetivos 
educacionais, acentuando-se a necessidade da gestão participativa 
e da gestão da participação.
Podemos determinar, dessa forma, que a escola, para que possa ser uma 
instituição com desenvolvimento de seus objetivos, necessita de organização e gestão 
democrática.
É preciso que sejam observados seus pares, seu entorno, buscar a participação 
das pessoas do trabalho, como da comunidade, realizar avaliações e manter um 
acompanhamento dessa participação, além de garantir a todos os alunos uma 
aprendizagem de qualidade.
161
Caro acadêmico, falamos até o momento muito sobre as leis que determinam 
o funcionamento do sistema de educação de nosso país. A escola é um destes 
componentes que tornam possível a realização e concretização das leis, juntamente 
com seus profissionais da educação.
Muitos são os estudos que tratam do sistema escolar e de políticas educacionais 
que possam determinar as metas a serem alcançadas dentro do sistema escolar. 
Conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 413):
A ideia de ter as escolas como referência para a formulação e gestão 
das políticas educacionais não é nova, mas adquire importância 
crescente no planejamento de reformas educacionais exigidas 
pelas recentes transformações do mundo contemporâneo. Por 
essa razão, as propostas curriculares, as leis e as resoluções 
referem-se atualmente à prática organizacional como autonomia, 
descentralização, projeto pedagógico-curricular, gestão centrada na 
escola e avaliação institucional.
Diante do apresentado por Libâneo, Oliveira e Toschi, podemos definir que a 
escola é um espaço organizacional de formação e aprendizagem, no qual os profis-
sionais que ali trabalham podem dar suas opiniões, realizar atividades que auxiliem no 
seu desenvolvimento profissional e em seu trabalho com as crianças. O crescimento é 
mútuo. É interessante observar que os profissionais que trabalham na escola realizam 
ações educativas, mas nem todas com a mesma responsabilidade. Por quê? Vamos 
observar o que nos dizem Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 414) através de exemplos 
bem práticos:
Por exemplo, o atendimento aos pais, efetuado pela secretaria escolar, 
pode ser respeitoso ou desrespeitoso, inclusivo ou excludente, 
grosseiro ou atencioso; a distribuição da merenda envolve atitudes 
e modos de agir das funcionárias da escolapropostas das Políticas Públicas partem do Poder 
Executivo, e é esse Poder que efetivamente as coloca em prática. 
Cabe aos servidores públicos (a burocracia) oferecer as informações 
necessárias ao processo de tomada de decisão dos políticos, bem 
como operacionalizar as Políticas Públicas definidas. Em princípio, 
a burocracia é politicamente neutra, mas frequentemente age de 
acordo com interesses pessoais, ajudando ou dificultando as ações 
governamentais.
9
Assim, o funcionalismo público compõe um elemento essencial para o 
bom desempenho das diretrizes adotadas pelo governo (CALDAS, 2008, p. 8). Os 
atores privados (sociedade civil) são os que não possuem ligação direta com o setor 
administrativo do Estado. São eles:
• A imprensa.
• Os centros de pesquisa.
• Os grupos de pressão, os grupos de interesse e os lobbies.
• As Associações da Sociedade Civil Organizada (SCO).
• As entidades de representação empresarial.
• Os sindicatos patronais.
• Os sindicatos de trabalhadores.
• Outras entidades representativas da Sociedade Civil Organizada – (SCO) (CALDAS, 
2008, p. 9).
Além dos que foram apresentados, existem outros atores, como os que fazem 
parte da área do turismo, da cultura, que também são da área privada e podem fazer 
parte desse processo.
Com o que foi apresentado até o momento, sabemos quem são os atores 
do processo. Cabe agora determinarmos os caminhos, os estágios ou fases que são 
necessários seguir para a formulação até a execução das Políticas Públicas.
As Políticas Públicas possuem seus estágios, os quais assim se apresentam, 
segundo Caldas (2008, p. 7):
• Primeira fase – Formação da Agenda (Seleção das Prioridades).
• Segunda fase – Formulação de Políticas (Apresentação de Soluções ou Alternativas).
• Terceira fase – Processo de Tomada de Decisão (Escolha das Ações).
• Quarta fase – Implementação (ou Execução das Ações).
• Quinta fase – Avaliação.
Cabe ressaltar que estas fases possuem uma ligação, elas estão somente 
apresentadas separadamente para melhor compreensão do processo.
Com relação às fases, vamos identificá-las uma a uma e assim você, acadêmico, 
compreenderá melhor esse processo de criação de novas Políticas Públicas.
Segundo Caldas (2008), a primeira fase, determinada como Formação 
da Agenda, busca organizar e detectar quais são os problemas existentes na 
sociedade e determinar os valores necessários para a sua elaboração. Caldas (2008, p. 
10-11) defende que “tal processo envolve a emergência, o reconhecimento e a definição 
das questões que serão tratadas e, como consequência, quais serão deixadas de lado”.
10
Na segunda fase, temos a Formulação de Políticas, quando ocorrem as possíveis 
alternativas para solucionar os problemas alavancados.
Cabe observar que nesta fase é importante uma relação de dialogicidade 
com todos os setores envolvidos, pois sabendo ouvir as partes envolvidas, no caso os 
segmentos administrativos e econômicos, conseguir-se-á determinar se estas ações 
são ou não possíveis de serem levadas adiante. “Outra análise importante se refere aos 
riscos que cada alternativa traz, desenvolvendo uma forma de compará-las e de medir 
qual é mais eficaz e eficiente para atender ao objetivo e aos interesses sociais” (CALDAS, 
2008, p. 13).
Já na terceira fase temos o Processo de Tomada de Decisões, em que os 
governantes junto às Políticas Públicas tomam decisões. Segundo Caldas (2008, p. 13):
[...] a fase de tomada de decisões pode ser definida como o momento 
onde se escolhe alternativas de ação/intervenção em resposta aos 
problemas definidos na Agenda. É o momento onde se define, por 
exemplo, os recursos e o prazo temporal de ação da política. As 
escolhas feitas nesse momento são expressas em leis, decretos, 
normas, resoluções, dentre outros atos da administração pública.
Outro passo importante, nessa fase, é definir como se dará o processo de tomada 
de decisões, ou seja, qual é o procedimento que se deve seguir antes de decidir algo. Primei-
ramente, deverá se decidir quem participará do processo, se este será aberto ou fechado.
Quando Caldas (2008) trata da participação ou não no processo de tomada de 
decisões, ele está apresentando a possibilidade dos governantes de abrirem espaço 
para a sociedade civil participar ou não. Se for uma participação aberta, os governantes 
necessitam determinar se haverá consulta dos favorecidos.
No caso de se prever tal tipo de consulta (como, por exemplo, no Or-
çamento Participativo), é necessário estabelecer se a decisão será 
ou não tomada por votação, as regras em torno da mesma, o número 
de graus (direta ou indireta) que envolverá a consulta que será feita 
aos eleitores etc. Essa definição é fundamental pelo fato de que dife-
rentes formas de decisão podem apresentar diferentes controladores 
da Agenda e resultar em decisões diferentes (CALDAS, 2008, p. 14).
Na quarta fase temos a Implementação, na qual as ações serão realizadas, é o 
momento de colocar o projeto em ação. Para isso o setor administrativo passa a executar o 
projeto. Cabe salientar que durante o processo de execução do projeto podem ocorrer 
mudanças drásticas, dependendo da postura do poder administrativo.
Por último, temos a fase de Avaliação, a qual deve estar em permanente ação, 
desde o primeiro momento do estágio ou fases da elaboração das Políticas Públicas.
11
A avaliação, em sua estrutura, mostra aos gestores quais as ações que foram 
bem desenvolvidas e as que deixaram lacunas. Dessa forma, a avaliação acaba sendo 
uma ferramenta de aprendizado e dando aos administradores respostas das ações ali 
empregadas.
De maneira geral, o processo de avaliação de uma política leva em 
conta seus impactos e as funções cumpridas pela política. Além dis-
so, busca determinar sua relevância, analisar a eficiência, eficácia e 
sustentabilidade das ações desenvolvidas, bem como servir como um 
meio de aprendizado para os atores públicos (CALDAS, 2008, p. 19).
Diante do exposto, podemos perceber que as Políticas Públicas serão realmente 
determinantes e eficazes se ocorrer uma boa administração política. Segundo Caldas (2008, 
p. 19), ela será uma boa política se cumprir as seguintes funções:
• Promover e melhorar os níveis de cooperação entre os atores 
envolvidos.
• Constituir-se num programa factível, isto é, implementável.
• Reduzir a incerteza sobre as consequências das escolhas feitas.
• Evitar o deslocamento da solução de um problema político por meio 
da transferência ou adiamento para outra arena, momento ou grupo.
• Ampliar as opções políticas futuras e não presumir valores 
dominantes e interesses futuros nem predizer a evolução dos 
conhecimentos. Uma boa política deveria evitar fechar possíveis 
alternativas de ação.
Você deve se perguntar: para que eu necessito saber destas questões?
A partir do momento que você inicia um processo de reconhecimento das ações que 
são desenvolvidas e elaboradas pelo sistema governamental, seja ele em nível federal, esta-
dual ou municipal, você poderá compreender e dar sua parcela de participação no processo 
de construção de novas ações e programas, principalmente, no que diz respeito às áreas que 
são de maior importância para você, sua comunidade e com relação a sua vida profissional.
Frente ao exposto, vamos seguir nosso caminho, pois, depois de reconhecermos 
o que são as Políticas Públicas, sua função e sua elaboração, passaremos a tratar de ou-
tro documento em que também foi necessária a participação dos vários segmentos da 
sociedade civil organizada para sua elaboração. Estamos falando da Constituição Federal.
2.2 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A EDUCAÇÃO
A Constituição Federal é a carta magna de um Estado Democrático, nela estão 
contidas todas as leis que regem o sistema governamental. Conforme Machado e Cunha 
(2016, p. 23), “a Constituição de um Estado Democrático é a cartilha na qual os cidadãos 
apreendem os fundamentos e a proteção de seus direitos, a disciplina da atuação e dos 
limites do Poder Estatal e a função social da comunidade”.que influenciam a 
educação das crianças de maneira positiva ou negativa; as reuniões 
pedagógicas podem tornar-se espaço de participação das pessoas 
ou de manifestações do poder pessoal do diretor.
Estes exemplos nos demonstram que a escola sendo um espaço de inúmeras 
diferenças busca o que há de melhor no ser humano, seus valores, os quais são 
determinantes para a realização de ações pedagógicas e significativas.
Dessa forma, podemos dizer também que a escola é um espaço formativo, que 
pode fazer com que se modifique a maneira de pensar e agir das pessoas, dando a pos-
sibilidade de verificar que as práticas de gestão e organização são necessárias nesse 
contexto.
162
3 FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA PÚBLICA
Em todos os momentos de nossa vida estamos diretamente ligados a diversas 
situações, sejam elas em nível político, social ou pessoal. Para tanto, a sociedade busca, 
diante dos mais diversos entraves, possibilidades de mobilização para organizar-se em 
muitas associações ou instituições.
Com isso, a escola nos mais variados momentos históricos, passa por essas 
ações e busca formar pessoas críticas, que desenvolvam seu senso crítico e agucem 
sua curiosidade com o novo, com o diferente.
Por isso, a escola possui papel essencial na organização da sociedade. Ela 
também é um elemento que representa a democracia, onde se desenvolvem temáticas 
que auxiliam no desenvolvimento da democracia participativa.
Conforme o livro Conselhos Escolares, a escola “[...] tem como função social 
formar o cidadão, isto é, construir conhecimentos, atitudes e valores que tornem o 
estudante solidário, crítico, ético e participativo” (BRASIL, 2004, p. 17).
Para que ocorra este movimento é necessário que se socialize o saber 
sistematizado, o qual está historicamente acumulado, e que possa ser incorporado ao 
conhecimento que o aluno já traz com ele.
Assim, “a interligação e a apropriação desses saberes pelos estudantes e pela 
comunidade local, representam, certamente, um elemento decisivo para o processo de 
democratização da própria sociedade” (BRASIL, 2004, p. 18).
Para Vieira e Almeida (s.d., p. 4), “a escola trabalha com o conhecimento e com o 
ser humano. Por isso, é permanente seu desafio de estar em constante processo de 
discussão e reelaboração de suas ações, buscando as transformações necessárias, 
por meio de um currículo construído a partir do contexto histórico e social”.
Assim, podemos determinar que a escola possui espaço significativo no desen-
volvimento das ações políticas e sociais para o exercício da democratização da socieda-
de. “A escola é, assim, o espaço de realização tanto dos objetivos do sistema de ensino 
quanto dos objetivos de aprendizagem” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 415).
Ainda no que diz respeito à função da escola, não lhe é atribuída a ideia de 
empresa, pois conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 132), “a escola não empresa. 
O aluno não é cliente da escola, mas parte dela. É sujeito que aprende, que constrói seu 
saber, que direciona seu projeto de vida”. Com isso, podemos observar que a função da 
escola é a formação humana.
Sabemos que vivemos em uma sociedade repleta de incentivos ao sistema 
capitalista, mas a escola em detrimento desse sistema necessita, dentro de sua função, 
buscar incessantemente pela cidadania, pela inclusão social, pela busca dos valores 
163
morais atrelados a uma articulação de escola e mundo do trabalho. Esta função não 
é algo tão fácil de conquistar, mas é necessária a busca incessante e acreditar no 
“desenvolvimento de uma escola democrática com ações conjuntas e participativas 
norteadas pela responsabilidade, ética e compromisso para alcançar a escola de 
qualidade” (SILVA; FERRONATO; BARUFFI, 2014, p. 148).
Conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 133), a escola pública possui três 
pontos essenciais de sua responsabilidade. São eles:
• ser agente de mudanças, capaz de gerar conhecimentos e 
desenvolver a ciência e a tecnologia;
• trabalhar a tradição e os valores nacionais ante a pressão mundial 
de descaracterização da soberania das nações periféricas;
• preparar cidadãos capazes de entender o mundo, seu país, sua 
realidade e de transformá-los positivamente.
Frente ao exposto, podemos perceber que a escola é um dos meios de 
organização e formação do sistema educacional e que os membros formadores desse 
espaço são essenciais para a formação de cidadãos críticos “que participam ativamente 
das tomadas de decisão de sua vida e da sociedade, além de uma escola que busque 
a preparação dos indivíduos em sua formação tecnológica, cultural e geral, onde a 
ética e o desenvolvimento de suas habilidades sejam qualificadas” (SILVA; FERRONATO; 
BARUFFI, 2014, p. 148).
4 OBJETIVOS DA ESCOLA E AS PRÁTICAS DE 
ORGANIZAÇÃO E GESTÃO
Dentro da Constituição Federal e da Lei de Diretrizes e Bases encontramos 
artigos determinantes que desenvolvem a organização e a gestão escolar além de seus 
objetivos, isso já vimos em tópicos anteriores. Com isso, podemos determinar pelo que 
vimos até o momento, que a escola é uma instituição social que possui objetivos. Alguns 
dos objetivos explícitos da escola são, conforme Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 419), 
“[...] o desenvolvimento das potencialidades físicas, cognitivas e afetivas dos alunos, por 
meio da aprendizagem dos conteúdos (conhecimentos, habilidades, procedimentos, 
atitudes, valores), para se tornarem cidadãos participativos na sociedade em que vivem”.
Assim, é função da escola o ensino e a aprendizagem de todos os alunos, tarefa 
que fica a cargo dos professores. Essa organização escolar é necessária para melhor 
desenvolvimento do trabalho dos professores. Observe, acadêmico, que existe aí, uma 
interdependência entre os objetivos e função da escola, além da organização e gestão 
dos trabalhos escolares.
Cabe salientar que de nada adiantará grandes mudanças no que diz respeito à or-
ganização e gestão escolar se não forem observados elementos essenciais como a aprendi-
zagem de qualidade, pois sem ela, continuaremos mantendo baixos rendimentos escolares.
164
Como conquistar a melhor aprendizagem? O que as famílias, a comunidade e 
os próprios alunos esperam de uma escola? E você, acadêmico, o que espera 
da escola em que irá trabalhar ou está trabalhando? Reflita.
GIO
Podemos determinar que a escola que esperamos e que os pais e comunidade 
esperam seja uma que deixe seus alunos motivados para estarem nas aulas e que se 
envolvam nas atividades da classe e das que ocorrem com os demais alunos.
Quanto aos professores, acreditamos que busquem um espaço em que possa 
ser empregada a autonomia e que possam ser desenvolvidos trabalhos que tragam 
respostas significativas tanto para alunos como para os profissionais. Um ambiente de 
total reciprocidade.
Podemos concluir que a escola, para obter seus objetivos, necessita ser 
organizada e administrada para a obtenção da qualidade da aprendizagem dos alunos.
Sabemos que as escolas não podem ser administradas e organizadas de 
maneira igualitária, pois vivemos em um país de grandes dimensões e características 
diversificadas, mas algumas características organizacionais podem ser determinantes 
em todas as instituições escolares, a saber:
• professores preparados, que tenham clareza de seus objetivos e 
conteúdos, que façam planos de aula, que consigam cativar seus 
alunos, que utilizem metodologia e procedimentos adequados à 
matéria e às condições de aprendizagem dos alunos, que façam 
avaliação contínua, prestando muita atenção nas dificuldades 
dos alunos;
• existência de projeto pedagógico-curricular com um plano de 
trabalho bem definido, que assegure consenso mínimo entre 
a direção da escola e o corpo docente acerca dos objetivos a 
alcançar, dos métodos de ensino, da sistemática de avaliação, das 
formas de agrupamento de alunos, das normas compartilhadas 
sobre faltas de professores, do cumprimento de horário, das 
atitudes com relação aos alunos e funcionários;
• bom clima de12
Nosso país, o Brasil, possui sua Constituição, por ser um Estado Democrático, e 
nessa constituição estão elencados todos os segmentos que formam a estrutura gover-
namental. A Constituição Brasileira foi promulgada em 5 de outubro de 1988 “fruto da 
convocação da Assembleia Nacional Constituinte pela Emenda n° 26, de 17.11.1985, e de 
sua posterior aprovação por essa mesma Assembleia (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 23).
No que diz respeito a sua organização, a Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988 estava assim composta em sua composição original, conforme Machado 
e Cunha (2016, p. 23):
[...] com 245 artigos em suas Disposições Permanentes (note-se 
que inúmeros artigos são compostos de vários incisos, parágrafos 
e alíneas, tais como os arts. 5°, 271, 22, 24, 155, entre outros) e 70 
artigos em suas Disposições Transitórias (também com incisos e 
parágrafos, a exemplo dos arts. 27 e 47).
Observa-se que a Constituição Brasileira possui, após seus 21 anos de existência, 
uma nova roupagem, sendo que:
[...] foram aprovadas 62 emendas constitucionais, além de seis 
emendas de revisão. [...] Enfim, a Constituição em vigor conta 
agora com 250 artigos na Parte Permanente (alguns artigos ainda 
acrescidos ao texto com numeração sequencial alfabética – 103-
A, 146-A etc.) e 97 artigos no Ato das Disposições Transitórias 
(MACHADO; CUNHA, 2016, p. 24).
Outro fator importante a ser ressaltado nesta etapa da construção da 
Constituição Federal são os princípios fundamentais, que cada cidadão brasileiro 
deve saber e que são a base da Constituição.
O vocábulo princípio, do latim principium, traz à mente a noção 
genérica de início, começo, origem ou causa. Em sentido jurídico, 
princípio é norma que expressa os valores mais altos da sociedade, 
de tal forma que, integrado na ordem Constitucional, passa a orientar 
todas as demais normas e regras do ordenamento jurídico que ela 
baliza (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 3).
Ainda conforme Machado e Cunha (2016, p. 3), “os princípios são os fundamentos 
com base nos quais serão previstas as regras que tem por finalidade fazê-los efetivos em 
determinada ordem de disciplina”.
Assim, deverão ser seguidas as regras, sob “pena de, não o fazen-
do, ser considerada inconstitucional, justificando sua exclusão do ordenamento 
jurídico” (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 3).
Caro acadêmico, podemos observar com estes parágrafos iniciais que estamos 
diante de um documento no qual se estabelece a identidade de um Estado Democrático, 
que deve ser seguido, conseguindo assim manter a ordem e o progresso de um país.
13
Após este momento de reflexão, e de percebermos como cidadãos conscientes 
de nossos direitos e deveres, para assim podermos realizar as cobranças de mudança 
em nosso país, em todas as suas esferas, vamos continuar nossos estudos caminhando 
dentro desse documento maior – que é a Constituição – e verificar que em seus títulos 
há um que será nosso foco, que é o Título VIII, que se refere à Ordem Social.
Neste título encontramos oito capítulos, que são dispostos na seguinte ordem:
QUADRO 1 – DISPOSIÇÕES DO TÍTULO VIII – DA ORDEM SOCIAL
FONTE: A autora (2021).
CAPÍTULO DA ORDEM SOCIAL ARTIGOS
Capítulo I Disposições Gerais Art. 193
Capítulo II Da Segurança Social, composto pelas Seções I, II, III e IV Arts. 194 a 214
Capítulo III 
Da Educação, da Cultura e do Desporto.
Composto por:
Seção I – Da Educação
Seção II – Da Cultura
Seção III – Do Desporto
Atrs. 205 a 217
Arts. 205 a 214
Arts.215 a 216
Art. 217
Capítulo IV Da Ciência, tecnologia e Inovação Arts.218 a 219
Capítulo V Da Comunicação Social Art. 220 a 224
Capítulo VI Do Meio Ambiente Art. 225
Capítulo VII Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso Arts. 226 a 230
Capítulo VIII Dos Índios Arts. 231 a 232
Observando o quadro anterior, destacamos o Capítulo III, no qual está exposto 
na Seção I, o que diz respeito à Educação, nos artigos 205 a 214. Daremos maior ênfase a 
esta seção, pois é a que se relaciona ao nosso trabalho, com nossas vivências enquanto 
profissionais da educação.
Você, acadêmico de licenciatura, que está buscando construir sua vida profis-
sional, ou que já esteja nesta área e busca novos conhecimentos, é de suma importân-
cia perceber-se integrado nestes artigos que serão apresentados nesta unidade.
Quando tratamos da Constituição Federal nos deparamos com a Educação, 
ponto crucial no desenvolvimento de um país. Se buscamos ordem e progresso 
necessitamos de uma educação que esteja voltada à melhoria da qualidade de vida de 
seus confederados.
Assim, iniciamos com o Artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do 
Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, 
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania 
e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988).
14
Observa-se, neste artigo, dois dos grandes princípios da Constituição, que são: o 
direito e o dever. O direito, inicialmente, à educação para todos. Conforme Machado e 
Cunha (2016, p. 1081):
Assim, podemos afirmar que foi atribuído a todo indivíduo brasileiro 
uma prerrogativa legal de exigir do Estado e da família esse direito. 
Ousamos afirmar ainda, que esse direito está incorporado ao patri-
mônio do indivíduo, sem possibilidade de reversão, por força da lei. 
Desse modo, todos podem exigir do Estado e da família o referido di-
reito, porque o legislador incumbiu-lhes tal dever, ou seja, tal obriga-
ção refere-se à regra imposta por lei. Resumindo: o legislador cons-
tituinte incumbiu ao Estado e à família o dever de prestar educação 
a todos. Caberá ao Estado a complementação da educação recebida 
em casa pelas pessoas.
Cabe ressaltar que a família também é responsável diretamente pela educação 
das crianças, sendo ela uma parceira do Estado nesse processo. No entanto, observam-
se ainda muitas lacunas referentes a essa situação, pois ao referir-se ao dever da família 
na educação dos filhos, estes em muitos momentos transferem essa responsabilidade 
somente às escolas (Estado), tornando fragilizado o processo de ensino-aprendizagem.
Mesmo diante de algumas lacunas, a Constituição Federal foi e é um documento 
que apresentou e apresenta grandes avanços na área educacional “e a partir daí novas 
leis surgem para regulamentar os artigos constitucionais e estabelecer diretrizes para a 
educação do Brasil” (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1081).
Como exemplo, podemos citar a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
(Lei n° 9.394, de 20.12.1996) e a Lei n° 10.172, que aprovou o PNE – Plano Nacional de 
Educação, documentos que trataremos com mais proximidade nas próximas páginas e 
unidades.
Ainda tratando das questões relacionadas ao ensino e dever deste pelo Estado 
e família, vejamos o artigo 206 da Constituição (BRASIL, 1988):
Artigo 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II- liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o 
pensamento, a arte e o saber;
III- pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e 
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV- gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V- valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, 
na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente 
por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional n° 53, de 2006)
VI- gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
VII – garantia de padrão de qualidade;
15
VIII- piso salarial profissional nacional para os profissionais da 
educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído 
pela Emenda Constitucional n° 53, de 2006)
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores 
considerados profissionais da educação básica e sobre fixação de 
prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, 
no âmbito da União, dos Estados,do Distrito Federal e dos Municí-
pios. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 53, de 2006).
Ressalta-se, neste artigo, caro acadêmico, que a garantia do ensino, a 
qualidade, a igualdade quanto ao acesso e permanência na escola, a liberdade de 
aprender, o pluralismo de ideias, gratuidade do ensino público, a gestão e valorização 
dos profissionais da educação estão garantidos nesses princípios. No que diz respeito à 
igualdade, Machado e Cunha (2016, p. 1082) afirmam que:
A igualdade – um dos fundamentos básicos inerentes à própria noção 
de República (art., 1° da CF) e, portanto, do estado democrático de 
Direito, pois não é possível falar em dignidade da pessoa humana sem 
o respeito à igualdade e à liberdade – tratada neste inciso, vem a ser 
a relação de paridade, ou uniformidade, a relação de igualdade entre 
todas as pessoas para que possam usufruir as mesmas condições 
de ensino. Afinal, quando os homens se propuseram a formar uma 
república, fizeram-na desde que sob um Estado que outorgasse a 
si mesmo, por intermédio de uma Constituição, instituições que 
respeitassem a igualdade, vista como postulado básico à própria 
formação do regime republicano.
No que diz respeito à “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar 
o pensamento, a arte e o saber” (BRASIL, 1988), podemos observar que todos 
possuem o direito e a liberdade de fazer o que quiserem.
A palavra liberdade, em sentido amplo, vem a ser a ausência de 
constrangimento alheio, ou seja, é livre o homem que faz aquilo que 
quer e não o que o outrem determine que faça. O homem, segundo 
esse princípio, não deve sofrer nenhum tipo de constrangimento social 
quando estiver aprendendo, ensinando, pesquisando e divulgan-
do o seu pensamento, sua arte e o seu saber (MACHADO; CUNHA, 
2016, p. 1083).
É importante ressaltar que o princípio da liberdade está relacionado ao princípio 
da legalidade, estabelecido no inciso II do art. 5° da CF (BRASIL, 1988):
Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no País a inviolabilidade do direto à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I- homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos 
termos desta Constituição;
II- ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa 
senão em virtude de lei; [...]
16
Cabe ressaltar que a liberdade aqui apregoada se trata de perceber que cabe ao 
cidadão ser livre de realizar ou não determinadas ações sem ser coagido em qualquer 
situação. Esta situação nos remete à posição do professor em sala de aula, ao ensinar é 
preciso que ele tenha liberdade de pensamento:
[...] para desenvolver modelos pedagógicos os quais se adaptem 
às necessidades de seus alunos, ou, até mesmo, ter liberdade para 
reconhecer que muitas vezes ensinar é levar o aluno a aprender por 
si só, como é o caso do professor orientador, ou maiêutico, para 
relembrarmos Sócrates (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1083).
Ainda cabe ressaltar que o professor possui a responsabilidade de buscar o 
conhecimento e instigar a pesquisa, conseguindo assim o aprimoramento dos trabalhos 
desenvolvidos na escola com os alunos. Transformando as aulas em momentos de 
criatividade, descoberta e de instigar a curiosidade do aluno. Para tanto o professor 
necessita ter vontade e competência pedagógica.
Com relação ao pluralismo de ideias, de concepções pedagógicas e 
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino (BRASIL, 1988),
podemos compreender que vivemos rodeados por diversas maneiras 
de ver, ouvir, pensar, dando possibilidades infinitas de construirmos e 
conhecermos novas culturas e elaborarmos novos pensamentos. O res-
peito às diferenças nos leva a compreender que a educação não pode 
ser vista de maneira homogênea, dentro de uma sala de aula estão pre-
sentes diversas culturas, ninguém é igual a ninguém. Aí é que reside 
a beleza da construção do ensino. Conforme este inciso, que trata do 
pluralismo de ideias, Machado e Cunha (2016, p. 1084) afirmam que:
Os seres que formam o mundo são diversos, individuais, diferentes, 
múltiplos, heterogêneos e, assim sendo, jamais poderão ser 
considerados dentro de uma realidade absoluta. As pessoas 
pensam de maneiras diferentes. O ensino não pode ser pautado 
em ideias homogêneas, em concepções pedagógicas únicas 
e absolutas, pois estaríamos diante de um empobrecimento 
cultural e intelectual. Ademais, ao professor é preciso liberdade de 
aprender, ensinar, pesquisar e divulgar seu pensamento para que 
lhe seja possível a criação de estratégias pedagógicas as quais 
se amoldem às necessidades dos alunos.
Acreditamos que você, acadêmico, tenha percebido que a presença da 
liberdade leva tanto as instituições públicas como privadas a construir dentro 
das escolas o respeito às ideias do outro e a noção também de igualdade. Assim, 
conseguimos construir os valores de democracia social que são representados 
pelo pluralismo de ideias e pelas concepções pedagógicas (MACHADO; CUNHA, 2016).
No inciso IV do art. 206, que trata da gratuidade do ensino público em 
estabelecimentos oficiais, podemos compreender que o Estado está proibido de 
realizar qualquer cobrança de valores relacionados à oferta da educação escolar básica. 
Ressaltamos que a escola pública é uma instituição que todo e qualquer indivíduo 
17
poderá se matricular independentemente de classe social, religião ou raça. Estas 
instituições são mantidas pelo Poder Público “por intermédio da gestão de recursos 
públicos” (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1084).
As escolas públicas são escolas pagas com os impostos cobrados 
da população, mas não são privadas, isto é, não visam ao lucro, 
mas a atender uma demanda social. O direito ao ensino público e 
gratuito não foi afastado daqueles que podem pagar pela prestação 
de serviços educacionais, pois se de outra forma ocorresse seria 
discriminação, mas aqueles que podem pagar pelo ensino têm 
recebido uma educação de melhor qualidade, já que o Estado tem 
se afastado de sua obrigação de empreender ações capazes de 
ampliar tanto o oferecimento como a qualidade da educação escolar, 
nos termos constitucionalmente estabelecidos (MACHADO; CUNHA, 
2016, p. 1084-1085).
Caro acadêmico, vamos tratar agora de outro inciso de relevante significado a cada 
um de nós, estamos falando do inciso V, que trata “da valorização dos profissionais 
da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso 
exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas” 
(BRASIL, 1988). Conforme consta na Constituição Federal, este inciso foi modificado na 
data de 19 de dezembro de 2006, através da Emenda Constitucional n° 53.
Esta nova redação, dentre outras já ocorridas, “demonstra que o legislador não 
sabe como valorizar o profissional do ensino” (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1085).
A nova redação do inciso substitui a expressão ‘profissionais do 
ensino’ por ‘profissionais da educação’, que possui um sentido 
mais amplo, já que não só trata do magistério, mas de todos os 
profissionais de educação escolar pública. O novo texto também 
prevê que a valorização se aplica aos profissionais do ensino privado, 
mesmo que as garantias especificadas não os alcancem. Além 
disso, pela leitura do inciso sob comento, todos esses profissionais 
deverão contar com remuneração condigna aos objetivos de sua 
profissão, bem como condições adequadas de trabalho (MACHADO; 
CUNHA, 2016, p. 1085).
Ressalta-se, ainda, que cada estado da federação possui sua legislação relativa 
aos profissionais do magistério, mas que devem ser respeitadas todas as leis previstas 
na Constituição Federal.
No que tange ao inciso VI, que trata da “gestão democrática do ensino 
público, na forma da lei” (BRASIL, 1988), este inciso tem o objetivo de demonstrar a cada 
cidadão que o conceito de democracia implica “um processo de convivência social em que 
o poder emana do povo e é por eleexercido direta ou indiretamente em seu próprio proveito” 
(MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1085).
18
O princípio democrático é aquele que assegura aos cidadãos o ple-
no direito de participação nas tomadas de decisão, e essas noções 
devem ser difundidas no ensino público e permear o cotidiano dos 
educandos. A adoção desse princípio pode significar a introdução de 
eleições diretas para reitores e todas as demais autoridades universi-
tárias, assim como a participação paritária de estudantes, funcioná-
rios e professores em órgãos colegiados, configurando a participação 
de todos na questão educacional (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1085).
Cabe ressaltar ainda que, conforme apresentado anteriormente, cada estado, em 
sua organização, pode apresentar em sua proposta curricular elementos que configurem 
a possibilidade de existirem eleições diretas para diretor das unidades escolares, dando 
assim, maior abertura democrática no espaço escolar.
Continuando nosso estudo, chegamos ao inciso VIII, que trata do “piso salarial 
profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos 
termos de lei federal” (BRASIL, 1988). Este inciso também foi acrescentado pela 
Ementa Constitucional n° 53, de 19 de dezembro de 2006.
Este inciso tem o intuito de diminuir as desigualdades salariais dos profissionais 
da educação existentes entre os estados da federação. Conforme Machado e Cunha 
(2016, p. 1086), “este novo inciso, em verdade, quer assegurar o caráter nacional do piso 
salarial dos profissionais da educação. Tal previsão, que pelo caráter peremptório do 
texto, revela ser um princípio e demonstra uma conquista dos profissionais da educação”.
Chegamos ao parágrafo único do art. 206, no qual “a lei disporá sobre as cate-
gorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre 
a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no 
âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” (BRASIL, 1988).
Este parágrafo foi acrescentado pela Emenda Constitucional n° 53, de 19 de 
dezembro de 2006, e conforme Machado e Cunha (2016, p. 1087), “este parágrafo deve ser 
regulamentado por lei federal e prevê as categorias de trabalhadores profissionais que 
atuam na educação básica e a definição dos valores de seus pisos salariais e de seus 
respectivos planos de carreira”.
Quando tratamos dos planos de carreira, é necessário compreender que eles 
“são um instrumento de gestão que objetiva o desenvolvimento dos profissionais da 
educação das instituições de ensino vinculadas ao MEC – são fundamentais para que a 
atividade educacional não se torne apenas um ganho avulso ou uma tarefa ocasional” 
(MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1087).
Ainda tratando da Seção I, vamos nos ater ao artigo 207, que assim trata:
“Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-pedagógica, 
administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão aos princípios 
de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (BRASIL, 1988). Neste 
19
artigo apresentam-se questões relativas à autonomia, palavra que denota a liberdade 
de trabalho em todos os âmbitos universitários. Cabe aqui uma ressalva, antes da 
Constituição de 1988, as universidades, em nosso país:
[...] surgiram por iniciativa do poder do Estado e por muito tempo 
estiveram sob sua ingerência, principalmente durante a Ditadura 
Militar de 1964 ao início dos anos 1970, para atender objetivos 
estratégicos dos militares, o que nos faz concluir que as universidades 
eram muito mais estatais que públicas, já que nesse período houve 
um êxodo de profissionais do ensino por razões de perseguição 
política, principalmente dos que quiseram manter autonomia de sua 
cátedra (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1087).
Mesmo depois desse caminho percorrido pelas universidades, após a Ditadura 
Militar, com a Constituição de 1988 se definiu a autonomia universitária, mas as universidades 
continuam se compondo como uma extensão administrativa do poder estatal “posto que 
a natureza pública dos seus serviços exige alguma forma de controle e avaliação por 
parte do Estado e da sociedade mesmo que isso não signifique ingerência” (MACHADO; 
CUNHA, 2016, p. 1087).
No que tange à autonomia didático-científica, administrativa e 
patrimonial, Machado e Cunha (2016, p. 1087, grifos do original) afirmam que:
A autonomia didático-pedagógica de que trata o artigo vem a ser a 
liberdade que as universidades devem ter de definir currículos; 
abrir e fechar cursos, tanto de graduação como de pós-graduação 
e de extensão; e definir suas linhas prioritárias e mecanismos de 
financiamento da pesquisa, de acordo com as regras internas. 
Portanto, diz respeito à possibilidade de as universidades conduzirem 
sem restrições as atividades de ensino e aprendizado. Quanto à 
autonomia administrativa, as universidades poderão se organizar 
internamente, da maneira que melhor lhes convier, com estatutos 
próprios e, também, organização de planos de carreira para o 
magistério público nas universidades federais (art. 206, V, da CF), 
enfim, trata-se da possibilidade de autogovernar-se. Já em relação 
à autonomia de gestão financeira e patrimonial, refere-se à dotação 
orçamentária e à plena liberdade de remanejamento de recursos. 
A autonomia patrimonial está vinculada à ideia de constituição de 
patrimônio próprio, liberdade para obtenção de rendas de vários tipos 
e utilização de tais recursos da forma que convier às universidades. O 
encaminhamento da autonomia universitária deve se dar com base 
na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, já que esses 
três itens se complementam.
Diante do exposto, podemos determinar que as universidades, mesmo 
possuindo sua autonomia, devem se manter ligadas ao MEC – Ministério da Educação, 
e à Constituição Federal, como também à LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 
a qual será estudada na próxima unidade.
Mesmo possuindo autonomia, toda e qualquer autarquia pública necessita do 
controle e da avaliação de seus serviços, da sociedade e do Estado.
20
Dá-se, ainda, às universidades o direito de admitir professores, 
técnicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei, apresentado no 
parágrafo 1°, o qual foi acrescentado pela Ementa Constitucional n° 
11, de 30 de abril de 1996. Neste parágrafo ainda se encontra atrelado 
o parágrafo 2° que prevê também a pesquisa científica e tecnológica 
federais (MACHADO; CUNHA, 2016, p. 1088).
Caro acadêmico, você talvez venha a se questionar: para que eu preciso saber 
destes artigos, parágrafos e incisos? Independentemente de sua licenciatura, necessita 
sim ter o conhecimento das leis, as quais regem nosso trabalho e vida profissional. 
Nada é demais. Saber das leis demonstra que estamos cada vez mais preparados para 
caminhar neste espaço chamado educação.
Passaremos a tratar do artigo 208, onde se encontram os deveres que o Estado 
possui com a educação escolar pública. Dedicaremos uma atenção especial a este arti-
go, pois trata de questões relativas à obrigatoriedade e gratuidade da educação básica.
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante 
a garantia de:
I- educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 
(dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta 
gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade 
própria;
II- progressiva universalização do ensino médio gratuito;
III- atendimento educacional especializado aos portadores de 
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
IV- educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 
(cinco) anos de idade;
V- acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da 
criação artística, segundo a capacidade de cada um;
VI- oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do 
educando;
VII- atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, 
por meio de programas suplementares de material didático escolar, 
transporte, alimentação e assistência à saúde (BRASIL,1988).
Observa-se que nesse artigo se encontra o conteúdo relativo aos deveres do 
Estado para com a população brasileira, que é de prestar educação escolar pública de 
qualidade e gratuita.
Quando tratamos da educação básica estamos nos referindo ao nível de ensino 
que abrange os primeiros anos de educação formal, que corresponde ao direito de 
todos os brasileiros à formação comum necessária ao exercício de cidadania e a sua 
qualificação para o trabalho e a continuidade de seus estudos.
Outro fator a ser ressaltado é que para existir este movimento possuímos dois 
documentos principais que abarcam a educação básica, que são: a Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional – LDB, Lei n° 9.394 de 20.12.1996, e o Plano Nacional 
de Educação – PNE, Lei n° 10.172/2001, ambos regidos pela Constituição da República 
Federativa do Brasil. Conforme Abrão (2016, p. 1089):
21
De acordo com a Classificação Internacional Normatizadora da 
Educação (International Standard Classification of Education – Isced), 
a educação básica inclui: (1) a educação primária, ou seja, o primeiro 
estágio da educação básica, correspondente à aprendizagem básica 
da leitura, da escrita e das operações matemáticas simples; e (2) o 
ensino secundário inferior, isto é, o segundo estágio do processo de 
escolarização, correspondente à consolidação da leitura e da escrita 
e às aprendizagens básicas na área da língua materna, história e 
compreensão do meio social e natural envolvente.
No que diz respeito a questões relativas ao sistema educativo brasileiro e de pa-
íses em desenvolvimento, Abrão (2016, p. 1089) apresenta que: “Alguns sistemas edu-
cativos, em particular os de países em desenvolvimento, incluem na educação básica a 
educação pré-escolar e os programas de ensino de segunda oportunidade destinada à 
alfabetização de adultos”. Neste caso encontramos a EJA (Educação de Jovens e Adul-
tos), programa que auxilia na alfabetização de jovens e adultos em nosso país.
Podemos ainda dizer que o Plano Nacional de Educação – PNE desenvolvido no 
Brasil, contempla como educação básica a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o 
Ensino Médio. Abrão (2016, p. 1089) ressalta que:
[...] a educação Infantil compreende a faixa etária de 0 a 6 anos, po-
rém, em nosso país há tratamento diferenciado entre as faixas etá-
rias de 0 a 3 anos e de 4 a 6 anos para a pré-escola; além disso as 
creches deverão adotar objetivos educacionais, transformando-se 
em instituições de educação, segundo as Diretrizes Curriculares Na-
cionais emanadas do Conselho Nacional de Educação. Essa determi-
nação segue a melhor pedagogia, pois é nessa idade, precisamente, 
que os estímulos educativos têm maior poder de influência sobre a 
formação da personalidade e o desenvolvimento da criança. Trata-se 
de um tempo que não pode ser descurado ou mal orientado.
Frente ao exposto, podemos perceber que para o PNE, este tema é 
sua “menina dos olhos”, pois a formação da criança ocorre desde os primeiros 
momentos de sua vida, e quando entra na educação formal, os profissionais 
da educação devem organizar-se determinando objetivos que auxiliem no 
desenvolvimento global da criança, possibilitando uma sequência educativa 
de qualidade.
Importante saber, caro acadêmico, que a Emenda Constitucional n° 59/2009 
estabeleceu duas diretrizes com relação à educação básica, assim apresentadas por 
Abrão (2016, p. 1089): “[...] é dever do Estado prestá-la; e é obrigatória e gratuita dos 4 
(quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para 
todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria”.
Cabe ressaltar que os estrangeiros, como os brasileiros, possuem o direito à 
gratuidade na educação básica, que estejam na idade própria (7 a 14 anos). Os pais ou 
responsáveis pelas crianças poderão exigir isso do Estado, pois a educação básica é 
obrigatória, independente também da idade.
22
No que diz respeito ao inciso II, que trata da progressiva universalização do en-
sino médio gratuito, podemos determinar que este dá a possibilidade de continuidade 
dos estudos de maneira gratuita aos adolescentes. Conforme Abrão (2016, p. 1090):
[...] atendendo o princípio estabelecido no art. 206, I, do texto Maior, o 
qual prevê ‘a igualdade de condições ao acesso e permanência na es-
cola’. Entretanto, estabeleceu o constituinte com tal inciso que o Esta-
do não deve ficar inerte em relação ao prosseguimento do ensino dos 
educandos [...] e deverá construir escolas e oferecer condições neces-
sárias para atender o maior número possível de educandos no ensino 
médio, sempre considerando a realidade de cada ente federado.
Já no inciso III, se apresenta como dever do Estado o “atendimento 
educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na 
rede regular de ensino” (BRASIL, 1988). Ressaltamos que mesmo possuindo todos estes 
direitos com as leis, cabe ao estado dar condições tanto pedagógicas como físicas para 
que os profissionais da educação e as crianças a serem atendidas possuam condições 
dignas de trabalho e de permanência nos espaços escolares. Independentemente de 
ser escola pública ou privada, a educação precisa ser desenvolvida e as crianças muito 
bem recebidas, conseguindo assim, avanços educacionais.
Conforme a Constituição, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o Conselho 
Nacional de Educação por meio do parecer CNE/CEB n° 17/2001 e da Resolução CNE/CEB 
n° 2/2001, ditou aos sistemas de ensino, seja ele privado ou público, a responsabilidade 
de matricular todas as crianças com necessidades educacionais especiais.
Em seu art. 5°, essa Resolução prescreveu o conteúdo da expressão 
‘educando com necessidades educacionais especiais’, como sendo 
os alunos que, durante o processo educacional apresentarem: 
I – dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no 
processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento 
das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos: a) 
aquele não vinculado a uma causa orgânica específica; b) aqueles 
relacionados a condições, disfunções, limitações ou deficiências; II – 
dificuldades de comunicação e sinalização de linguagens e códigos 
aplicáveis; III – altas habilidades/ superdotação, grande facilidade 
de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos, 
procedimentos e atitudes (ABRÃO, 2016, p. 1091).
O educando possui o direito de se matricular e frequentar a escola, 
independentemente de ser pública ou privada, e sempre lembrando da necessidade de a escola 
possuir uma estrutura adequada para o receber, e perceber que independentemente 
de seu problema, é importante a sua permanência e convívio saudável na escola. 
Cabe ressaltar que o entendimento, com relação ao “educando com necessidades 
educacionais especiais”, como se apresenta no art. 5°, trata não só dos educandos com 
dificuldades físicas ou intelectuais elevadas, mas sim, de todos que de uma maneira ou 
outra possuem alguma dificuldade educativa de compreensão ou socialização.
23
O inciso IV trata da garantia de educação infantil, em creche e pré-escola, 
às crianças até 5 (cinco) anos de idade, observamos que ocorreu uma nova redação, 
ficando assim, apresentada nas palavras de Abrão (2016, p. 1091):
O texto deste inciso, alterado pela EC n. 53/2006, incorpora a 
educação infantil como dever do Estado brasileiro. A prescrição sob 
comentário, em verdade, adéqua seu texto da Lei n. 11.274/2006 
– que alterou alguns dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação -, já que inclui as crianças de seis anos de idade no ensino 
fundamental obrigatório com duração de nove anos.
Com relação a esse inciso, podemos perceber que as crianças que completam seis 
anos no ano letivo deverão ser matriculadas no Ensino Fundamental, dando continuidade 
ao processo educacional voltado à alfabetização e letramento.
FIGURA 1 – ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
FONTE: .

Mais conteúdos dessa disciplina