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ENSINO DE LITERATURA E A FORMAÇÃO DE LEITORES LITERÁRIOS: Estudo das práticas docentes e propostas em uma escola de ensino fundamental municipal em Acarape (2017) MARIA ELIANE PEREIRA OLIVEIRA1 RESUMO O objetivo do estudo foi investigar que se ensina e como se ensina a disciplina literatura em classes do ensino fundamental II (discentes do 6º, 7º e 8º ano) em Acarape, no ano de 2017, por meio de observação em sala de aula e conversas com o corpo docente e da aplicação de questionários aos professores. Foi feita uma proposta de leitura literária a partir de “rodas de leituras”, de histórias em quadrinhos e de obras infantis, existentes na biblioteca escolar, no intuito de promover o envolvimento do aluno com a leitura e desenvolver um trabalho significativo com o texto literário. PALAVRAS-CHAVE: Leitura; Literatura; Ensino; Formação de Leitores. ABSTRACT This study aims at knowing how Literature is taught and what are its contents in classes of Elementary School (students of 6th to 8th year) in Acarape, in 2017, through observation in classes and conversations and questionnaires with teachers. A proposal of literary readings in “reading clubs” was made, as well as comics and works for children, all of them already available at the School Library, aiming at promoting the engagement of the student with reading, and at developing a meaningful work with the literary text. Keywords: Reading, Literature, Teaching, Readers education. 1 Formanda no curso de licenciatura em letras língua portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab) – Redenção Ceará INTRODUÇÃO A realização deste trabalho surgiu a partir das inquietações e vivências na escola, onde o ensino de regras gramaticais é prioridade, deste modo o ensino de Literatura fica para segundo plano, isso quando se ensina, pois na maioria das vezes, o ensino de literatura é focado mais no seu uso como um instrumento para o ensino de gêneros textuais do que como um meio para aproximar a literatura e cultivar o hábito de sua leitura entre os estudantes. Durante a formação acadêmica em Letras-Língua Portuguesa, mais especificamente nos estágios de regência, ficou evidente, que vários fatores, relacionados ao ensino de Língua Portuguesa, não são facilmente aplicáveis à prática diária escolar. O ensino de literatura e a formação de leitores literários foi o que mais nos chamou atenção no que diz respeito de como a escola promove o ensino da literatura de modo a formar leitores. Desse modo indagamos: “O que dizem os documentos oficiais (PCNs)2 e (DCNEF)3, especificamente no que se refere ao ensino de literatura e à formação de leitores literários? ” Visto que estes documentos foram elaborados com o objetivo de auxiliar e orientar a prática de ensino das escolas. “ Qual o papel do professor de língua portuguesas na formação de leitores? ”, “Existem políticas de incentivo à leitura por parte do governo municipal, uma vez que o ensino fundamental I e II é de responsabilidade das prefeituras? ” Questões como estas podem nos levar a reflexões sobre a atual conjuntura do ensino nas escolas municipais, no que se refere ao ensino de literatura. Pois a literatura em si, é um constituinte importante para a formação das faculdades intelectuais dos alunos, pois é o melhor meio de impedir o perigoso raciocínio em "preto e branco”, de contrabalançar os instrumentos de persuasão e manipulação subconsciente, pois segundo Freire em sua obra a importância do ato de ler, a “leitura precede a palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente” (FREIRE, 1994, p.11). Ou seja, Linguagem e realidade se fundem dinamicamente, evidenciando que a compreensão do texto, de modo crítico, implicará relações entre texto e contexto. A importância do presente estudo está na concepção de literatura como fenômeno social e histórico, levando, assim a refletirmos sobre a importância do ensino de literatura na formação do estudante e o gosto pela leitura e na formação de crianças e jovens. Pois, a leitura é responsável por contribuir, de forma significativa, à formação do aluno. Deste modo, analisaremos as práticas pedagógicas de dois professores do ensino fundamental II no que diz respeito ao ensino de literatura, buscando identificar 2 Parâmetros Curriculares Nacionais. 3 Diretrizes curriculares Nacionais do Ensino Fundamental II. na prática pedagógica desses professores as concepções do ensino-aprendizagem da literatura para obter respostas na qual a pergunta central é: O que se ensina (conteúdos), e como (aplicabilidades), quando se trabalha a literatura no fundamental II em uma das escolas acarapenses? Consta no Estatuto da Criança e do Adolescente Lei federal n° 8069, de 13 de julho de 1990, entre muitos outros direitos, o direito à cultura, e grande parte dessa cultura está presente numa boa leitura de um livro literário entre outras formas. Ler é apoderar-se de um bem, e uma vez adquirido, jamais será perdido: o conhecimento. Em vista dessas considerações, este artigo está organizado da seguinte maneira: i- apresentaremos a relevância da leitura e da literatura; ii- teceremos a relevância dos documentos oficiais do ministério da educação; iii- abordagem teórico – metodológica; iv- analises dos dados e finalmente, na última seção traremos as considerações finais seguidas de referências. 1. A IMPORTÂNCIA DA LEITURA E LITERATURA A literatura para o aluno vem a ser um instrumento poderoso de formação humana e educação. Tem papel formador da personalidade, pois o livro pode ser um objeto de perturbação e, ao mesmo tempo, de alienação. Segundo Antônio Cândido em o Direito à literatura: A literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela. (...) fruí-la é um direito das pessoas de qualquer sociedade, desde o início que canta as suas proezas de caça ou evoca dançando a lua cheia, até o mais requintado erudito que provoca captar com sábias redes os sentidos flutuantes de um poema hermético. (CÂNDIDO, 2004, p.179-180) O indivíduo que lê, teoricamente, escreve bem e tem um senso crítico apurado. Para tanto, devemos incutir em nossos alunos que a literatura é algo bom, natural, fácil e prazeroso e não exige esforços nem dificuldades. Desta maneira, faz- se imprescindível que o convívio com os livros extrapole o desenvolvimento sistemático da sua escolarização e que a literatura passe a ser difundida com mais intensidade nas escolas, na leitura em sala de aula, o aluno deve ter a liberdade de escolher seu texto, assim faz com que o aluno tome gosto pela leitura. Segundo Compagnon (2003) na obra O demônio da teoria: literatura e senso comum, O leitor, visto sob essa perspectiva, não só deixa de ter um papel passivo de mero receptor da obra como passa a atualizá-la no ato da leitura. Assim, A liberdade concedida ao leitor está na verdade restrita aos pontos de indeterminação do texto, entre os lugares plenos que o autor determinou. Assim, o autor continua, apesar da aparência, dono efetivo do jogo: ele continua a determinar o que é determinado e o que não o é. Essa estética da recepção, apresentada como um avanço da teoria literária, poderia bem não ter sido, afinal de contas, mais que uma tentativa para salvar o autor, conferindo-lhe uma embalagem nova. (COMPAGNON, 2003, p. 155.) Nessa perspectiva, tanto o leitor, com suas experiências, conhecimentos e vivências, modifica a leitura da obra quanto a obra modifica as atitudes e valores do leitor. Segundo Zilberman, Nenhum leitor ficaimune às obras que consome; essas, da sua parte, não são indiferentes às leituras que desencadeiam. Portanto, para Jauss Um autor da estética da recepção, o leitor constitui um fator ativo que interfere no processo como a literatura circula na sociedade. Só que a ação do leitor não é individualista; nem cada leitor age de modo absolutamente singular. Segundo Jauss, as épocas ou as sociedades constituem horizontes de expectativa dentro dos quais as obras se situam. Essas expectativas advêm da compreensão prévia do gênero, da forma e da temática das obras anteriormente conhecidas e da oposição entre linguagem poética e linguagem prática. (ZILBERMAN apud SANTOS E PINHEIRO,2013, p. 128-129) Há um situamento sociohistório da recepção da literatura-horizonte de expectativa que carrega evidentemente, a subjetividade humana dada a natureza do texto literário. A problemática que rodeia o hábito de leitura por parte dos alunos é como a literatura é tratada em sala, pois a leitura na escola cumpre várias funções, menos o de objeto de prazer. O que acontece nas escolas é que o texto vira pretexto, ser intermediário de aprendizagens outras que não ele mesmo. Segundo Silva (2003, p.518.), “a leitura consolida-se cada vez mais como atividade atrelada à obrigação da rotina de trabalho”, na qual é usada apenas como artifícios para ensinar regras gramaticais. professor, deve assumir o papel de mediador, para que haja uma melhor compreensão do aluno. Pois, a apresentação da literatura na escola gera a exploração de vastas possibilidades de educação no desenvolvimento social, emocional e cognitivo do aluno. Com o passar dos anos, a educação preocupa-se em contribuir para a formação de um indivíduo crítico, responsável e atuante na sociedade. Bakhtin discorria sobre a literatura abordando que, por ser um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem, que sabe compreender o contexto em que vive e até modificá-lo de acordo com a sua necessidade. Bakhtin (2007) propõe um processo de interação entre o leitor, o texto e o autor tal como a leitura interativa a concebe. Assim, segundo Bakhtin o autor “[...] busca exercer uma influência didática sobre o leitor, Suscitar uma apreciação crítica, influir êmulos e continuadores” (BAKHTIN 2007, p. 298). É imprescindível que haja incentivos pela leitura já no ensino básico. Os professores devem usar métodos que desenvolvam o gosto pela leitura, pois é de grande valia que o aluno seja inserido desde cedo na literatura, assim ele desenvolverá o hábito da leitura naturalmente. Pode observar isso nas ideias propostas por Magnani (2001), O gosto (como sabor, ou prazer, ou moda, ou opinião, ou faculdade de julgamento) pela leitura, em particular a da literatura, não é um dado da "natureza humana", imutável e acabado, e sua formação tem a ver com as necessidades, com o tempo e com o espaço em que se movimentam pessoas e grupos sociais. Desenvolvimento e aprendizagem encontram-se, assim, relacionados entre si e com o processo de constituição dos sujeitos históricos, através do trabalho linguístico. (MAGNANI, 2001, p. 101) Pode-se observar o grande leque de obras literárias disponíveis para o trabalho em sala de aula, porém é imprescindível que de início, os alunos tenham autonomia de escolha dos livros. Deste modo, o professor inicia no aprendizado dos alunos que a literatura dentro da intervenção pedagógica pode caminhar juntas e trabalhar a construção e o reconhecimento da identidade por meio de projeção e identificação, aspectos e processos psicológicos presentes na experiência de contato da criança com a obra literária, considerando o imaginário enquanto campo vivencial, dotado de significados e conceitos, tal qual a experiência concreta. É nesse momento que podemos exercitar as estratégias de leitura. Segundo Solé (1988), as estratégias de leitura são as ferramentas necessárias para o desenvolvimento da leitura proficiente. Sua utilização permite compreender e interpretar de forma autônoma os textos lidos e pretende despertar o professor para a importância em desenvolver um trabalho efetivo no sentido da formação do leitor independente, crítico e reflexivo, assim trabalhando com o aluno de maneira construtiva para ambas as partes, tanto do aluno, como ser crítico e rico culturalmente, como do professor, avançando nos níveis de suas aulas. Também é possível ampliar no aluno sua capacidade da oralidade, viver experiências alheias narradas e vivenciadas no imaginário pessoal. E o que dizem os documentos do ministério da educação no que se refere ao ensino de literatura? 2. DOCUMENTOS DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO: e o ensino de leitura de literatura 2.1- Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental II – DCNs (2013) A educação básica de qualidade é um direito assegurado pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Um dos fundamentos do projeto de Nação que estamos construindo, a formação escolar é o alicerce indispensável e condição primeira para o exercício pleno da cidadania e o acesso aos direitos sociais, econômicos, civis e políticos. As Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica, expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino, na organização, na articulação, no desenvolvimento e na avaliação de suas propostas pedagógicas. Segundo o documento: A história e as culturas indígena e afro-brasileira, presentes, obrigatoriamente, nos conteúdos desenvolvidos no âmbito de todo o currículo escolar e, em especial, no ensino de Arte, Literatura e História do Brasil, assim como a História da África, deverão assegurar o conhecimento e o reconhecimento desses povos para a constituição da nação (BRASIL, 2013, p.114). O documento ressalta que, os componentes curriculares e as áreas de conhecimento devem articular em seus conteúdos a abordagem de temas abrangentes e contemporâneos que afetam a vida humana em escala global, regional e local, bem como na esfera individual. 2.2- Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II – PCNs (1998) Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foram criados "com a intenção de ampliar e aprofundar um debate educacional que envolva escolas, pais, governos e sociedade e dê origem a uma transformação positiva no sistema educativo brasileiro." Isto compreende "respeitar diversidades regionais, culturais, políticas existentes no país e, de outro, considerar a necessidade de construir referências nacionais comuns ao processo educativo em todas as regiões brasileiras. Com isso, pretende-se criar condições, nas escolas, que permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao exercício da cidadania" (BRASIL, 1998, p. 05). Os Parâmetros fazem menção à tríade do ensino-aprendizagem (aluno, conhecimento, professor) e à seleção de textos: "Ao professor cabe planejar, implementar e dirigir as atividades didáticas, com o objetivo de desencadear, apoiar e orientar o esforço de ação e reflexão do aluno, procurando garantir aprendizagem efetiva" (BRASIL, 1998, p. 22). Os PCNs discutem o ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa no terceiro e no quarto ciclo importando-se com o aluno como indivíduo em fase de "(re)constituição da identidade" (BRASIL, 1998, p. 45), considerando as dimensões sociocultural, afetivo emocional, cognitiva e corporal de desenvolvimento. Destaca as expectativas do processo de escuta e produção de textos orais e leitura e produção de textos escritos, bem como análise linguística.Traz os objetivos da Língua Portuguesa nestes ciclos, o conteúdo, as aplicabilidades didáticas etc. Sobre a prática de escuta de textos orais e leitura de textos escritos, os PCNs organizam numa tabela os "gêneros privilegiados para o trabalho" (BRASIL, 1998, p. 53), o que parece desprivilegiar outros gêneros que podem surgir, tendo em conta que a língua é viva e muda constantemente. No tópico “Ensino e natureza da linguagem” trata-se das concepções e perspectivas de língua, linguagem e letramento adotadas pelos PCNs. Nele afirma-se que o domínio da linguagem e da língua são as condições necessárias para a participação social plena, alegando, com isso, que é “pela linguagem que os homens e as mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressam e defendem pontos de vista, partilham ou constroem visões de mundo, produzem cultura” (BRASIL, 1998. p. 19). Assim, o documento define linguagem como uma: [...] ação interindividual orientada por uma finalidade específica, um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes nos diferentes grupos de uma sociedade, nos distintos momentos de sua história” (BRASIL, 1998. p. 20). Os PCNs em se entrelaça com Marcuschi, na perspectiva de que a linguagem se configura na prática social como forma de expressão, seria uma faculdade mental instalada no cérebro, própria da espécie humana, permitindo uma atividade de símbolos (MARCUSCHI apud XAVIER, 2005, p. 132). A relação existente entre linguagem e sociedade é dada através da cultura e da situação em que as pessoas vivem. Os PCNs atribuem à escola a responsabilidade de propiciar a expansão do “letramento” dos estudantes, com a finalidade de estabelecer uma interação com textos diversos de maneira produtiva, interpretando-os e/ou produzindo-os. O “letramento” é definido, pelo documento, como o “produto da participação em práticas sociais que usam a escrita como sistema simbólico e tecnologia” (BRASIL, 1998. p.19), e, mais adiante, complementa: “são práticas discursivas que precisam da escrita para torná-las significativas, ainda que às vezes não envolvam as atividades específicas de ler ou escrever” (BRASIL, 1998. p. 19). Segundo Marcuschi, “O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita.” (2003, p.19), assim, o letramento se constitui de um conjunto de práticas sociais, e estas podem ser mediadas por textos escritos, para o autor em foco “Existem ‘letramentos sociais’ que surgem e se desenvolve à margem da escola, não precisando por isso serem depreciados. ” (MARCUSCHI,2003. p.19), deste modo, O letramento se constitui de um conjunto de práticas sociais, e estas podem ser mediadas por textos escritos. O letramento vai além do saber ler e escrever. No tópico que se refere “A especificidade do texto literário” o texto literário é definido como: O texto literário constitui uma forma peculiar de representação e estilo em que predominam a força criativa da imaginação e a intenção estética. Não é mera fantasia que nada tem a ver com o que se entende por realidade, nem é puro exercício lúdico sobre as formas e sentidos da linguagem e da língua (BRASIL, 1998. p. 26). Há uma grande mudança na concepção teórica nos PCNs sobre a grande área que engloba a Literatura, principalmente por esta não se apresentar completamente especificada no texto e corresponder ao subtítulo “linguagens”, que também inclui as artes plásticas, o cinema, etc. Antônio Candido no artigo O direito à literatura, dialoga com os PCNs, na medida em que ressalta o papel da Literatura na construção da personalidade e na capacidade que esta tem de alterar a visão de mundo daqueles que a utilizam. A leitura, por exemplo, propõe uma nova forma de organização de ideias, que a princípio são expostas pelo autor, as quais serão moldadas de acordo com o entendimento e opinião do leitor no decorrer da obra. Nesse processo ocorre uma “reavaliação de conceitos. No que se refere sobre os “Objetivos de ensino: a leitura como objetivo no ensino de língua”. No documento há as indicações dos objetivos de ensino para serem desenvolvidos no Ensino Fundamental, dentre as inúmeras metas indicadas pelos PCNs, no que se refere à disciplina de língua portuguesa, está o desenvolvimento da leitura. Dentro dessas metas pré-estabelecidas, tem-se a expectativa da expansão de inúmeras competências, por parte do estudante. O documento deixa claro que considera a “leitura autônoma” a capacidade do aluno em compreender a existência de diferentes técnicas e atitudes a serem tomados frente a diferentes leituras. Segundo Gondim: Para que a criança torne-se uma leitora autônoma é preciso que a escola ofereça oportunidades para que ela desenvolva a sua experiência como leitora, o que amplia os seus conhecimentos lingüísticos e socioculturais. Acreditamos que as crianças precisam estar expostas a diferentes gêneros e, longe de pretender mostrar a superioridade de textos de literatura, assinalamos que a leitura de textos literários apresenta aspectos inovadores (GONDIM, 2004, p. 37) Nesta perspectiva, os PCNs discorrem sobre as habilidades de recepção de “textos que rompam com universo de expectativas [dos alunos], por meio de leituras desafiadoras para sua condição atual, apoiando-se em marcas formais do próprio texto ou em orientações oferecidas pelo professor” (BRASIL, 1998. p. 50). É necessário, para os PCNs, que o estudante “compreenda a leitura em suas diferentes dimensões: o dever de ler, a necessidade de ler e o prazer de ler” (BRASIL, 1998. p. 51). Essa percepção de ensino, é posto como tarefa dos primeiros anos escolares pelo documento. O que deverá acontecer, nos 3º e 4º ciclos do Ensino Fundamental, é o início de uma modificação de comportamento frente à leitura literária. Na seção “ a leitura de textos escritos” o documento, ressalta que o processo em que se dá a leitura não advém de mera codificação e armazenamento pacífico de informações, ao contrário disso, advém de um “trabalho ativo” de compreensão, interpretação, estratégias de seleção, verificação, etc., do leitor. (BRASIL, 1998. p. 55). Segundo Gondim, ao discutir a especificidade da leitura do texto literário afirma que: Exercer um papel ativo significa que a Literatura possibilita ao aluno passar de um sujeito passivo para um atuante questionador de sua realidade social, apreciada na obra literária através de uma linguagem simbólica, que permite ao leitor vivenciar situações que não seriam possíveis em sua condição social de criança e aluno institucionalizado. Por retratar as experiências e os conflitos humanos, a literatura privilegia o leitor, dando a ele a chance de, através do conteúdo da obra, refletir acerca das ações humanas, tornando possível a fuga de uma certa dominação, espelhada na “arte” pedagógica (2004, p. 46-47). Esse conceito de reflexão das ações humanas da leitura interliga-se aos PCNs na medida em que estes entram em comum acordo que tudo o que é assimilado na escola precisará ter alguma relação e/ou contribuir positivamente nas vivências sociais dos estudantes. O documento reitera, que os usos da leitura são a “leitura colaborativa” (BRASIL, 1998. p. 72), “a leitura em voz alta pelo professor”, “leitura de escolha pessoal” (BRASIL, 1998. p. 73), etc. Caberá também ao professor esta estimulação, nos momentos de leitura em sala de aula, permitindo, de início, a escolha dos livros de acordo com o interesse dos estudantes, para depois introduzir outras leituras. Cabe ressaltar que, é assentado pelo documento, a organização escolar é fundamental no que se refere ao incentivo e ensino da leitura e à formação de novos leitores, não sendo responsabilidade só do professor de língua portuguesa, uma vez que o estudante que ler, ele passar escrever bem e quanto melhorfor o desempenho dos estudantes como leitores, melhores serão nas disciplinas. 3- ABORDAGEM TEÓRICO – METODOLÓGICA 3.1- Pesquisa qualitativa Metodologia é uma palavra derivada de “método”, do Latim “methodus” cujo significado é “caminho ou a via para a realização de algo”. Método é o processo para se atingir um determinado fim ou para se chegar a um determinado objetivo, dos meios utilizados, dos métodos praticados com finalidade no trabalho da pesquisa. A metodologia varia de acordo com sua natureza e indica a opção que o pesquisador fez da teoria para a prática, auxiliando na aplicação dos métodos utilizados. Dessa forma, o professor-pesquisador deve considerar todas as condições e o contexto relacionados à sua investigação. Os métodos utilizados neste estudo são de base qualitativa, estudo e análise de três professores com suas respectivas práticas pedagógicas, de maneira que se objetivou compreender o que se ensina, e como, quando se trabalha a literatura no fundamental II em uma das escolas acarapense. Para Minayo (2001), a pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. “A pesquisa qualitativa é criticada por seu empirismo, pela subjetividade e pelo envolvimento emocional do pesquisador” (MINAYO, 2001, p. 14). Assim, segundo Bogdan e Biklen (1994), a investigação qualitativa tem o ambiente natural como fonte de investigação, sendo o pesquisador o instrumento principal; o contato direto do investigador com o contexto estudado; o tratamento descritivo dos dados obtidos; a ênfase no processo e não nos resultados ou produtos; a análise dos dados de forma indutiva e a preocupação com o significado, isto é, o modo como diferentes pessoas atribuem sentido às vidas, são as principais características desta abordagem. 3.2- Contatos iniciais e locus da pesquisa Se considera como fator importante o ensino de leitura de literatura nos anos iniciais e finais do ensino fundamental. Assim, procuraremos compreender a relação existente entre os documentos oficiais (PCNs e DCNs) e as práticas existentes em sala de aula, no que se refere à formação de leitores literários e ao ensino de literatura, para entender como os docentes aplicam o ensino de leitura de literatura em sala de aula. A instituição escolhida para a pesquisa está localizada no centro de Acarape. A escola é a maior do município, acolhendo mais de 400 alunos das localidades do referido município. 3.3- Sujeitos pesquisados A escolha dos professores para pesquisa seguiu a um critério particular, que era ser professor(a) de língua portuguesa. Os três professores, foco da nossa pesquisa, fazem parte do quadro de funcionários temporários do município, como descreveremos a seguir: A professora 1 trabalha em turmas de 6° ano como Professora de língua portuguesa, produção textual e redação. Ela é formada em Pedagogia pela Universidade Vale do Acaraú (UVA), está na educação há 3 anos, sendo todos esses anos dedicados ao trabalho com o Ensino Fundamental II. Desde o nosso primeiro contato, mostrou-se bastante solícita, recebendo-nos com atenção. O professor 2 trabalha em turmas de 7° ao 9° ano como Professor de língua portuguesa, produção textual e redação. Ele é formado em Letras-Língua Portuguesa pela Universidade Vale do Acaraú (UVA), está na educação há 3 anos, sendo esses anos dedicados ao trabalho com o Ensino Fundamental II e ao Ensino Médio. Desde o nosso primeiro contato, também se mostrou bastante solícito. A professora 3 trabalha em turmas de 6° e 7° ano como Professor de língua portuguesa, produção textual e redação. Ela é graduanda em Letras-Língua Portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), está na educação há 5 anos, sendo esses anos dedicados ao trabalho com o Ensino Fundamental I e II. Desde nosso primeiro contato, também se mostrou bastante solícita. 3.4- Entrevista A entrevista pode ser extremamente útil quando um investigador pretende recolher informações sobre um determinado tema. Assim, as entrevistas foram feitas a partir de um questionário composto por cinco perguntas direcionadas ao ensino de literatura. Os professores entrevistados demonstraram uma certa dificuldade ao responder, pois na escola não há uma disciplina especifica para o ensino de literatura. Através da entrevista, foi possível compreender qual a relação destes professores com os documentos oficiais (PCNs) em suas concepções no ensino de Língua Portuguesa, no que se refere a formação de leitores literários. O roteiro foi aplicado através da entrevista consiste em perguntas voltadas para a prática de ensino de Língua Portuguesa dos professores, bem como procurou compreender o modo que suas aulas são organizadas em relação ao trabalho com a leitura. Bogdan e Biklen no texto Investigação qualitativa em educação afirmam que [...] boas entrevistas produzem uma riqueza de dados, recheados de palavras que revelam as perspectivas dos respondentes e que um bom entrevistador comunica ao sujeito o seu interesse pessoal, estando atento, acenando com a cabeça e utilizando expressões faciais apropriadas. (BOGDAN; BIKLEN,1994, p. 135-136) As vantagens deste tipo de metodologia, dentre outras, são a variedade de respostas obtidas e a representação mais fiel da opinião dos entrevistados nestas, além de valorizar o livre pensar de cada sujeito envolvido e prezar por sua originalidade. Optamos pelo esse tipo de abordagem porque nos possibilitas fazer perguntas direcionas ao assunto pesquisado. 4- ANÁLISE DE DADOS A análise dos dados procurou entender no que se refere ao trabalho com a formação de leitores literários. Em nossas observações em sala se confirmaram as respostas dadas pelos professores na entrevista realizada com os docentes observados. Na entrevista, em na primeira pergunta questionado aos professores como são escolhidos os conteúdos a serem trabalhados nas séries que eles atuam. P14: “Os conteúdos são escolhidos de acordo com o livro didático e do aprendizado dos alunos. ” P2: “Escolho de acordo com o livro didático, pois temos que seguir um cronograma semestral de conteúdo. ” P3: “Os conteúdos são escolhidos pela SME (Secretária Municipal de Educação), diante o cronograma que o livro traz em seu sumário. Diante disso na medida que o aluno for avançando o professor vai avançando no conteúdo do livro. ” Percebe-se que todos responderam a mesma coisa de maneiras diferentes e deixando claro a doutrinação do livro didático. A impressão deixada foi que, o professor não tem tanta liberdade para escolar o material a ser usado em sala de aula. No segundo questionamento foi perguntado se, há a presença de textos em sala de aula? E que textos normalmente são lidos? As respostas foram: P1: “Sim. Sem o texto não é possível ministrar as aulas de produção textual, pois temos que nos referenciar. Normalmente uso texto que já tem no livro, mas vez ou outra pesquiso um texto de reflexão para o início das aulas de produção textual. ” P2: “Sim. Pois o texto é a base do ensino de língua portuguesa. Normalmente lemos algo que traz algum assunto da atualidade. Trabalho muito com crônica, pois os alunos gostam muito”. P3: “Claro que sim, pois o objeto de ensino da língua portuguesa é o texto, sem o texto não é possível trabalhar de forma coerente os conteúdos de português. Normalmente uso os textos que aparecem são advindos de muitos gêneros textuais como crônica, reportagem, poema, histórias em quadrinhos, resenha 4 Os professores serão identificadoscomo P1, P2 e P3 crítica, artigo de opinião, contos, etc. os textos são muitos não havendo possibilidades de ser citados aqui, porém posso dizer que trabalhamos textos advindos de vários tipos de gêneros textuais dos antigos, como a carta, aos mais atuais como facebook e WhatsApp. ” Percebe-se pela resposta de P1, uma necessidade bem notável de afirmar a utilização de textos em suas aulas, no entanto, pareceu não usar muito variações de “gêneros”. P2, demonstrou uma preocupação com o gosto leitor de seus alunos, quando afirma se preocupar com aquilo que desperta o interesse de leitura de seus alunos. P3, percebemos uma necessidade bem notável de afirmar a utilização de textos em suas aulas, demonstrando que conhece a concepção dos “gêneros”. O terceiro questionamento foi: Qual a importância que os professores atribuem à leitura no processo de ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa? As respostas foram as seguintes: P1: “A leitura é de fundamental importância nas aulas de português. Pois ela permite o despertar para um mundo de possibilidade. ” P2: “A leitura é de fundamental importância para a construção e reconstrução do conhecimento de mundo. É importante lembrar que a leitura de um texto faz o leitor criar, recriar, escrever, reescrever ou produzir outro texto, resultante das experiências e da interação social. ” P3: “A leitura é de fundamental importância para se trabalhar o processo de ensino e aprendizado na escola, visto que se há a presença de textos, como não haver a leitura. Posso ratificar ainda alguns autores que os apresenta várias formas de trabalhar a leitura em sala de aula, na qual são fundamentos para mim, como professora de língua portuguesa, na hora de ensinar os meus alunos a adentrarem no conteúdo do texto. Irandé Antunes (2003), no livro “aula de português” nos apresenta várias noções de como se trabalhar a leitura em sala de aula, uma delas, que eu vejo ser bastante pertinente para a minha metodologia na sala de aula é “permitir que os alunos possam expressar suas próprias interpretações, sem que o professor fale sobre tudo que ele pensa do texto lido”, permitindo assim que os alunos desenvolvam uma leitura por prazer, e não apenas ler para resolver as atividades e esquecer logo depois. ” É algo muito gratificante encontrar nos discursos dos três professores o destaque que eles dão a leitura nas aulas de língua portuguesa, mesmo que equivocadamente em alguma das vezes, uma vez que, esses discursos faz um diálogo com os PCNs quando estes afirmam que o texto deve ser o objeto de ensino de suas aulas de português, pois contribuem significativamente na aprendizagem do estudante. Na resposta dada pelo participante P2, percebe-se em sua resposta a importância dada no que se refere à aos benefícios da leitura. P3, foi mais além quando trouxe estudiosos do assunto para embasar sua resposta. Mostrando uma preocupação em mostrar que conhece do assunto e sabe colocar na prática em sala de aula. No quarto questionamento perguntou-se: A leitura está presente nas suas aulas? De que forma? P1: “Claro que sim. Pois não tem como ministrar aulas de português sem leitura. Uso a leitura nas aulas que é só 50 minutos, geralmente nessas aulas levo uma fábula para dá lição de moral para os alunos. Uso também nas aulas de produção textual, como por exemplo, vou dá uma aula sobre crônica eu levo uma para mostrá-los como exemplo a ser seguido. ” P2: “Claro que sim. Faço roda de leitura com meus alunos. Para que eles tenham um conhecimento de mundo, pois isso ajudará eles a escreverem melhor e com mais fundamentos suas produções textuais. ” P3: “Sim, pois não é possível dar aula de português sem leitura de textos. Uso a leitura das mais diversas formas como por exemplo faço roda de leituras, todas as aulas pelos menos 20 minutos, realizo leituras silenciosas, leitura em voz alta, leitura em grupos e também leio para eles. ” Na resposta de P1, apesar enfatizar que é importante a leitura nas aulas de português, mostrou também seu “desconhecimento” para trabalhar com textos literários, tratando-os apenas como meios para dá aulas de produção de textos e lição de moral para seus alunos. Percebe-se aqui, a não preocupação com a essência dos textos, o lúdico, com a natureza artística da literatura. P3, mostrou-se mais engajada com as peculiaridades da leitura, enfatizando as formas de como se trabalhar com leitura em sala de aula, dessa forma percebe-se que ela trabalha de acordo com os PCNs. Para finalizar a pergunta foi: A Literatura está presente nas suas aulas? De que forma? P1: “Não temos disciplina de literatura. Logo não trabalho a literatura em sala, logo só trabalho a leitura nas aulas curtas, pois temos que focar no ensino de gramatica que é mais importante aprender. ” P2: “Sim, quando levo crônica e fabulas eles lerem antes das aulas de produção textual ou nas aulas de 50 minutos. Pois essas aulas não dão para se trabalhar muita coisa de gramática porque é algo mais complexo de ensinar e aprender.” P3: “Sim, quando o conteúdo é por exemplo poema eu não tenho como fugir de umas três leituras de um poema, depois deixar que os alunos falem o que eles entenderam sobre o que eles leram, citar alguns pontos altos que eles deixaram de perceber, etc. A pesar de não termos uma disciplina especifica, a literatura é muito presente em minhas aulas por que sempre o conteúdo dos livros pede para trabalharmos poemas, soneto, etc. então, sendo assim posso dizer que ela aparece de diversas formas como textos, na oralidade, até mesmo em ouvir e dialogar com os alunos sobre a vida deles.” Na resposta de P1, percebe-se um equívoco no que se refere ao ensino língua portuguesa quando ela afirma “Não temos disciplina de literatura”, como se só ensinasse literatura se tivesse uma disciplina especifica para esse fim. P2, mostrou uma certa confusão ao usar os textos literários com aporte para o ensino de produção textual. Aqui ver-se claramente a marginalização da literatura na escola. P3, foi a única a se referir diretamente ao ensino de Literatura ao afirmar “apesar de não termos uma disciplina especifica, (...)quando o conteúdo é por exemplo poema eu não tenho como fugir de umas três leituras de um poema, depois deixar que os alunos falem o que eles entenderam sobre o que eles leram, citar alguns pontos altos que eles deixaram de perceber, etc.”. Ao debater com os alunos sobre a leitura, ela está trabalhando a natureza artística da literatura e com a interpretação dos estudantes. 5- CONSIDERAÇÕES FINAIS Muito mais que formar leitores, precisamos formar leitores literários. Assumir a responsabilidade disso é nosso papel enquanto professores, mesmo que não haja uma disciplina específica de literatura, o que nos cabe é viabilizar aos alunos a escolha do que ler, possibilitando assim uma leitura prazerosa, leve e consciente para que seja significativa. O que se percebe é que falta uma formação específica mais aprofundada e preocupada com a natureza artística da literatura, junto com as condições de formação e iniciação profissional do professor. Pois a falta de uma formação apropriada desses profissionais (não todos) fazem com que o ensino de literatura seja focado mais no seu uso como um instrumento para o ensino de gêneros textuais do que como um meio para aproximar a literatura e cultivar o hábito de sua leitura entre os estudantes. Embora esses profissionais tenham afirmado que trabalham com textos em suas aulas de língua portuguesa, é perceptível como eles estão presos a uma forma de ensino tradicional, na qual o ensino de gramática ainda possui muita importância nas aulas de português. Assim, a leitura de literatura é ensinada sem a preocupaçãode trabalhar a natureza lúdica e artística dos textos literários. Ou seja, acabam fazendo com que os estudantes não desenvolvam a criatividade artística através da imaginação. Segundo Albert Einstein “A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação circunda o mundo”. A questão do ensino de literatura ou da leitura literária envolve muito mais do que costumam estar presentes na escola, ou seja, tratá-los como adornos para servir ao ensino de boas maneiras, dos hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos tópicos gramaticais, etc. Faz-se necessário, então, criar espaços e momentos em sala de aula para a leitura literária, de modo que, desperte nos alunos o gosto pela leitura. Oportunizar aos alunos estratégias, como rodas de leituras, que proporcione a experiência da leitura literária de maneira mais profunda. Afinal, a leitura de literatura parte fundamental do saber, fundamenta nossas interpretações e nos viabiliza a compreensão do outro e do mundo. Entretanto, acreditar que é possível fazer muito do pouco que temos é um primeiro e grande passo para alcançarmos o que queremos: um ensino de literatura mais engajado com o artístico e o lúdico do universo literário. Cabe ressaltar, a relevância que o tema tem para se pensar a construção de uma ação pedagógica mais qualitativa, fazendo da instituição escolar um lugar onde as crianças passam a vivenciar e apreciar suas diversas formas de criação e expressão, pois educar e aprender não cessam, são momentos fascinantes, infinitos e cheios de magia e prazer. REFERÊNCIAS BAKHTIN, M. M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2007. BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente: Lei federal nº 8069, de 13 de julho de 1990. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 2002. . Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. MEC/SEB/DICEI, 2013. ; MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO; SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos fundamentais – língua portuguesa. Brasília: MEC & SEF, 1998. BOGDAN, R.; BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. 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