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ENSINO DE LITERATURA E A FORMAÇÃO DE LEITORES LITERÁRIOS: 
Estudo das práticas docentes e propostas em uma escola de ensino fundamental 
municipal em Acarape (2017) 
 
 
MARIA ELIANE PEREIRA OLIVEIRA1 
 
 
 
RESUMO 
 
O objetivo do estudo foi investigar que se ensina e como se ensina a disciplina literatura 
em classes do ensino fundamental II (discentes do 6º, 7º e 8º ano) em Acarape, no ano 
de 2017, por meio de observação em sala de aula e conversas com o corpo docente e da 
aplicação de questionários aos professores. Foi feita uma proposta de leitura literária 
a partir de “rodas de leituras”, de histórias em quadrinhos e de obras infantis, existentes 
na biblioteca escolar, no intuito de promover o envolvimento do aluno com a leitura e 
desenvolver um trabalho significativo com o texto literário. 
 
 
PALAVRAS-CHAVE: Leitura; Literatura; Ensino; Formação de Leitores. 
ABSTRACT 
This study aims at knowing how Literature is taught and what are its contents in classes 
of Elementary School (students of 6th to 8th year) in Acarape, in 2017, through 
observation in classes and conversations and questionnaires with teachers. A proposal of 
literary readings in “reading clubs” was made, as well as comics and works for children, 
all of them already available at the School Library, aiming at promoting the engagement 
of the student with reading, and at developing a meaningful work with the literary text. 
 
 
Keywords: Reading, Literature, Teaching, Readers education.
 
1 Formanda no curso de licenciatura em letras língua portuguesa pela Universidade da Integração 
Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab) – Redenção Ceará 
INTRODUÇÃO 
 
A realização deste trabalho surgiu a partir das inquietações e vivências na 
escola, onde o ensino de regras gramaticais é prioridade, deste modo o ensino de 
Literatura fica para segundo plano, isso quando se ensina, pois na maioria das vezes, o 
ensino de literatura é focado mais no seu uso como um instrumento para o ensino de 
gêneros textuais do que como um meio para aproximar a literatura e cultivar o hábito de 
sua leitura entre os estudantes. 
Durante a formação acadêmica em Letras-Língua Portuguesa, mais 
especificamente nos estágios de regência, ficou evidente, que vários fatores, 
relacionados ao ensino de Língua Portuguesa, não são facilmente aplicáveis à prática 
diária escolar. O ensino de literatura e a formação de leitores literários foi o que mais 
nos chamou atenção no que diz respeito de como a escola promove o ensino da literatura 
de modo a formar leitores. Desse modo indagamos: “O que dizem os documentos oficiais 
(PCNs)2 e (DCNEF)3, especificamente no que se refere ao ensino de literatura e à formação 
de leitores literários? ” Visto que estes documentos foram elaborados com o objetivo de 
auxiliar e orientar a prática de ensino das escolas. “ Qual o papel do professor de língua 
portuguesas na formação de leitores? ”, “Existem políticas de incentivo à leitura por 
parte do governo municipal, uma vez que o ensino fundamental I e II é de responsabilidade 
das prefeituras? ” Questões como estas podem nos levar a reflexões sobre a atual 
conjuntura do ensino nas escolas municipais, no que se refere ao ensino de literatura. Pois 
a literatura em si, é um constituinte importante para a formação das faculdades intelectuais 
dos alunos, pois é o melhor meio de impedir o perigoso raciocínio em "preto e branco”, 
de contrabalançar os instrumentos de persuasão e manipulação subconsciente, pois 
segundo Freire em sua obra a importância do ato de ler, a “leitura precede a palavra, daí 
que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. 
Linguagem e realidade se prendem dinamicamente” (FREIRE, 1994, p.11). Ou seja, 
Linguagem e realidade se fundem dinamicamente, evidenciando que a compreensão 
do texto, de modo crítico, implicará relações entre texto e contexto. 
A importância do presente estudo está na concepção de literatura como 
fenômeno social e histórico, levando, assim a refletirmos sobre a importância do ensino 
de literatura na formação do estudante e o gosto pela leitura e na formação de crianças e 
jovens. Pois, a leitura é responsável por contribuir, de forma significativa, à formação 
do aluno. Deste modo, analisaremos as práticas pedagógicas de dois professores do 
ensino fundamental II no que diz respeito ao ensino de literatura, buscando identificar 
 
2 Parâmetros Curriculares Nacionais. 
3 Diretrizes curriculares Nacionais do Ensino Fundamental II. 
na prática pedagógica desses professores as concepções do ensino-aprendizagem da 
literatura para obter respostas na qual a pergunta central é: O que se ensina (conteúdos), 
e como (aplicabilidades), quando se trabalha a literatura no fundamental II em uma das 
escolas acarapenses? 
Consta no Estatuto da Criança e do Adolescente Lei federal n° 8069, de 13 
de julho de 1990, entre muitos outros direitos, o direito à cultura, e grande parte dessa 
cultura está presente numa boa leitura de um livro literário entre outras formas. Ler é 
apoderar-se de um bem, e uma vez adquirido, jamais será perdido: o conhecimento. 
 Em vista dessas considerações, este artigo está organizado da seguinte 
maneira: i- apresentaremos a relevância da leitura e da literatura; ii- teceremos a relevância 
dos documentos oficiais do ministério da educação; iii- abordagem teórico – metodológica; 
iv- analises dos dados e finalmente, na última seção traremos as considerações finais 
seguidas de referências. 
 
1. A IMPORTÂNCIA DA LEITURA E LITERATURA 
 
 
A literatura para o aluno vem a ser um instrumento poderoso de formação 
humana e educação. Tem papel formador da personalidade, pois o livro pode ser um 
objeto de perturbação e, ao mesmo tempo, de alienação. Segundo Antônio Cândido em 
o Direito à literatura: 
 
A literatura aparece claramente como manifestação universal de todos 
os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa 
viver sem ela. (...) fruí-la é um direito das pessoas de qualquer 
sociedade, desde o início que canta as suas proezas de caça ou evoca 
dançando a lua cheia, até o mais requintado erudito que provoca captar 
com sábias redes os sentidos flutuantes de um poema hermético. 
(CÂNDIDO, 2004, p.179-180) 
 
O indivíduo que lê, teoricamente, escreve bem e tem um senso crítico apurado. 
Para tanto, devemos incutir em nossos alunos que a literatura é algo bom, natural, fácil e 
prazeroso e não exige esforços nem dificuldades. Desta maneira, faz- se imprescindível 
que o convívio com os livros extrapole o desenvolvimento sistemático da sua 
escolarização e que a literatura passe a ser difundida com mais intensidade nas escolas, 
na leitura em sala de aula, o aluno deve ter a liberdade de escolher seu texto, assim faz 
com que o aluno tome gosto pela leitura. Segundo Compagnon (2003) na obra O demônio 
da teoria: literatura e senso comum, O leitor, visto sob essa perspectiva, não só deixa de 
ter um papel passivo de mero receptor da obra como passa a atualizá-la no ato da leitura. 
Assim, 
 
A liberdade concedida ao leitor está na verdade restrita aos pontos de 
indeterminação do texto, entre os lugares plenos que o autor determinou. 
Assim, o autor continua, apesar da aparência, dono efetivo do jogo: 
ele continua a determinar o que é determinado e o que não o é. Essa 
estética da recepção, apresentada como um avanço da teoria literária, 
poderia bem não ter sido, afinal de contas, mais que uma tentativa para 
salvar o autor, conferindo-lhe uma embalagem nova. (COMPAGNON, 
2003, p. 155.) 
 
Nessa perspectiva, tanto o leitor, com suas experiências, conhecimentos e 
vivências, modifica a leitura da obra quanto a obra modifica as atitudes e valores do leitor. 
Segundo Zilberman, 
 
Nenhum leitor ficaimune às obras que consome; essas, da sua parte, 
não são indiferentes às leituras que desencadeiam. Portanto, para Jauss 
Um autor da estética da recepção, o leitor constitui um fator ativo que 
interfere no processo como a literatura circula na sociedade. Só que a 
ação do leitor não é individualista; nem cada leitor age de modo 
absolutamente singular. Segundo Jauss, as épocas ou as sociedades 
constituem horizontes de expectativa dentro dos quais as obras se 
situam. Essas expectativas advêm da compreensão prévia do gênero, da 
forma e da temática das obras anteriormente conhecidas e da oposição 
entre linguagem poética e linguagem prática. (ZILBERMAN apud 
SANTOS E PINHEIRO,2013, p. 128-129) 
 
Há um situamento sociohistório da recepção da literatura-horizonte de 
expectativa que carrega evidentemente, a subjetividade humana dada a natureza do texto 
literário. A problemática que rodeia o hábito de leitura por parte dos alunos é como a 
literatura é tratada em sala, pois a leitura na escola cumpre várias funções, menos o de 
objeto de prazer. O que acontece nas escolas é que o texto vira pretexto, ser intermediário 
de aprendizagens outras que não ele mesmo. Segundo Silva (2003, p.518.), “a leitura 
consolida-se cada vez mais como atividade atrelada à obrigação da rotina de trabalho”, na 
qual é usada apenas como artifícios para ensinar regras gramaticais. professor, deve 
assumir o papel de mediador, para que haja uma melhor compreensão do aluno. Pois, a 
apresentação da literatura na escola gera a exploração de vastas possibilidades de 
educação no desenvolvimento social, emocional e cognitivo do aluno. Com o passar dos 
anos, a educação preocupa-se em contribuir para a formação de um indivíduo crítico, 
responsável e atuante na sociedade. 
Bakhtin discorria sobre a literatura abordando que, por ser um instrumento 
motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, 
responsável pela sua aprendizagem, que sabe compreender o contexto em que vive e até 
modificá-lo de acordo com a sua necessidade. Bakhtin (2007) propõe um processo de 
interação entre o leitor, o texto e o autor tal como a leitura interativa a concebe. Assim, 
segundo Bakhtin o autor “[...] busca exercer uma influência didática sobre o leitor,
Suscitar uma apreciação crítica, influir êmulos e continuadores” (BAKHTIN 2007, p. 
 
298). 
 
É imprescindível que haja incentivos pela leitura já no ensino básico. Os 
professores devem usar métodos que desenvolvam o gosto pela leitura, pois é de grande 
valia que o aluno seja inserido desde cedo na literatura, assim ele desenvolverá o hábito 
da leitura naturalmente. Pode observar isso nas ideias propostas por Magnani (2001), 
O gosto (como sabor, ou prazer, ou moda, ou opinião, ou faculdade de 
julgamento) pela leitura, em particular a da literatura, não é um dado 
da "natureza humana", imutável e acabado, e sua formação tem a ver 
com as necessidades, com o tempo e com o espaço em que se 
movimentam pessoas e grupos sociais. Desenvolvimento e 
aprendizagem encontram-se, assim, relacionados entre si e com o 
processo de constituição dos sujeitos históricos, através do trabalho 
linguístico. (MAGNANI, 2001, p. 101) 
 
Pode-se observar o grande leque de obras literárias disponíveis para o trabalho 
em sala de aula, porém é imprescindível que de início, os alunos tenham autonomia de 
escolha dos livros. Deste modo, o professor inicia no aprendizado dos alunos que a 
literatura dentro da intervenção pedagógica pode caminhar juntas e trabalhar a construção 
e o reconhecimento da identidade por meio de projeção e identificação, aspectos e 
processos psicológicos presentes na experiência de contato da criança com a obra literária, 
considerando o imaginário enquanto campo vivencial, dotado de significados e 
conceitos, tal qual a experiência concreta. É nesse momento que podemos exercitar as 
estratégias de leitura. 
Segundo Solé (1988), as estratégias de leitura são as ferramentas necessárias 
para o desenvolvimento da leitura proficiente. Sua utilização permite compreender e 
interpretar de forma autônoma os textos lidos e pretende despertar o professor para a 
importância em desenvolver um trabalho efetivo no sentido da formação do leitor 
independente, crítico e reflexivo, assim trabalhando com o aluno de maneira construtiva 
para ambas as partes, tanto do aluno, como ser crítico e rico culturalmente, como do 
professor, avançando nos níveis de suas aulas. Também é possível ampliar no aluno sua 
capacidade da oralidade, viver experiências alheias narradas e vivenciadas no imaginário 
pessoal. E o que dizem os documentos do ministério da educação no que se refere ao 
ensino de literatura? 
 
2. DOCUMENTOS DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO: e o ensino de leitura de 
literatura
2.1- Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental II – DCNs 
(2013) 
 
A educação básica de qualidade é um direito assegurado pela Constituição 
Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Um dos fundamentos do projeto de 
Nação que estamos construindo, a formação escolar é o alicerce indispensável e 
condição primeira para o exercício pleno da cidadania e o acesso aos direitos sociais, 
econômicos, civis e políticos. 
As Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições doutrinárias 
sobre princípios, fundamentos e procedimentos na Educação Básica, expressas pela 
Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que orientarão as escolas 
brasileiras dos sistemas de ensino, na organização, na articulação, no desenvolvimento e 
na avaliação de suas propostas pedagógicas. Segundo o documento: 
 
A história e as culturas indígena e afro-brasileira, presentes, 
obrigatoriamente, nos conteúdos desenvolvidos no âmbito de todo o 
currículo escolar e, em especial, no ensino de Arte, Literatura e 
História do Brasil, assim como a História da África, deverão assegurar 
o conhecimento e o reconhecimento desses povos para a constituição 
da nação (BRASIL, 2013, p.114). 
 
O documento ressalta que, os componentes curriculares e as áreas de 
conhecimento devem articular em seus conteúdos a abordagem de temas abrangentes e 
contemporâneos que afetam a vida humana em escala global, regional e local, bem 
como na esfera individual. 
 
2.2- Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa do Ensino 
Fundamental II – PCNs (1998) 
 
 
 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foram criados "com a intenção 
de ampliar e aprofundar um debate educacional que envolva escolas, pais, governos e 
sociedade e dê origem a uma transformação positiva no sistema educativo brasileiro." Isto 
compreende "respeitar diversidades regionais, culturais, políticas existentes no país e, de 
outro, considerar a necessidade de construir referências nacionais comuns ao processo 
educativo em todas as regiões brasileiras. Com isso, pretende-se criar condições, nas 
escolas, que permitam aos nossos jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos 
socialmente elaborados e reconhecidos como necessários ao exercício da cidadania" 
(BRASIL, 1998, p. 05).
 
Os Parâmetros fazem menção à tríade do ensino-aprendizagem (aluno, 
conhecimento, professor) e à seleção de textos: "Ao professor cabe planejar, 
implementar e dirigir as atividades didáticas, com o objetivo de desencadear, apoiar e 
orientar o esforço de ação e reflexão do aluno, procurando garantir aprendizagem efetiva" 
(BRASIL, 1998, p. 22). 
Os PCNs discutem o ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa no terceiro 
e no quarto ciclo importando-se com o aluno como indivíduo em fase de 
"(re)constituição da identidade" (BRASIL, 1998, p. 45), considerando as dimensões 
sociocultural, afetivo emocional, cognitiva e corporal de desenvolvimento. Destaca as 
expectativas do processo de escuta e produção de textos orais e leitura e produção de 
textos escritos, bem como análise linguística.Traz os objetivos da Língua Portuguesa 
nestes ciclos, o conteúdo, as aplicabilidades didáticas etc. 
Sobre a prática de escuta de textos orais e leitura de textos escritos, os PCNs 
organizam numa tabela os "gêneros privilegiados para o trabalho" (BRASIL, 1998, p. 
53), o que parece desprivilegiar outros gêneros que podem surgir, tendo em conta que a 
língua é viva e muda constantemente. 
No tópico “Ensino e natureza da linguagem” trata-se das concepções e 
perspectivas de língua, linguagem e letramento adotadas pelos PCNs. Nele afirma-se 
que o domínio da linguagem e da língua são as condições necessárias para a 
participação social plena, alegando, com isso, que é “pela linguagem que os homens e as 
mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressam e defendem pontos de vista, 
partilham ou constroem visões de mundo, produzem cultura” (BRASIL, 1998. p. 19). 
Assim, o documento define linguagem como uma: 
 
 
[...] ação interindividual orientada por uma finalidade específica, um 
processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes 
nos diferentes grupos de uma sociedade, nos distintos momentos de 
sua história” (BRASIL, 1998. p. 20). 
 
Os PCNs em se entrelaça com Marcuschi, na perspectiva de que a linguagem se configura 
na prática social como forma de expressão, seria uma faculdade mental instalada no 
cérebro, própria da espécie humana, permitindo uma atividade de símbolos (MARCUSCHI 
apud XAVIER, 2005, p. 132). A relação existente entre linguagem e sociedade é dada 
através da cultura e da situação em que as pessoas vivem. 
 
Os PCNs atribuem à escola a responsabilidade de propiciar a expansão do “letramento” 
dos estudantes, com a finalidade de estabelecer uma interação com textos diversos de 
maneira produtiva, interpretando-os e/ou produzindo-os. 
O “letramento” é definido, pelo documento, como o “produto da 
participação em práticas sociais que usam a escrita como sistema simbólico e 
tecnologia” (BRASIL, 1998. p.19), e, mais adiante, complementa: “são práticas 
discursivas que precisam da escrita para torná-las significativas, ainda que às vezes não 
envolvam as atividades específicas de ler ou escrever” (BRASIL, 1998. p. 19). Segundo 
Marcuschi, “O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita.” (2003, p.19), assim, 
o letramento se constitui de um conjunto de práticas sociais, e estas podem ser mediadas 
por textos escritos, para o autor em foco “Existem ‘letramentos sociais’ que surgem e se 
desenvolve à margem da escola, não precisando por isso serem depreciados. ” 
(MARCUSCHI,2003. p.19), deste modo, O letramento se constitui de um conjunto de 
práticas sociais, e estas podem ser mediadas por textos escritos. O letramento vai além do 
saber ler e escrever. 
No tópico que se refere “A especificidade do texto literário” o texto literário 
é definido como: 
 
O texto literário constitui uma forma peculiar de representação e estilo 
em que predominam a força criativa da imaginação e a intenção estética. 
Não é mera fantasia que nada tem a ver com o que se entende por 
realidade, nem é puro exercício lúdico sobre as formas e sentidos da 
linguagem e da língua (BRASIL, 1998. p. 26). 
 
Há uma grande mudança na concepção teórica nos PCNs sobre a grande 
área que engloba a Literatura, principalmente por esta não se apresentar completamente 
especificada no texto e corresponder ao subtítulo “linguagens”, que também inclui as artes 
plásticas, o cinema, etc. 
Antônio Candido no artigo O direito à literatura, dialoga com os PCNs, na medida em que 
ressalta o papel da Literatura na construção da personalidade e na capacidade que esta tem 
de alterar a visão de mundo daqueles que a utilizam. A leitura, por exemplo, propõe uma 
nova forma de organização de ideias, que a princípio são expostas pelo autor, as quais 
serão moldadas de acordo com o entendimento e opinião do leitor no decorrer da obra. 
Nesse processo ocorre uma “reavaliação de conceitos. 
 
No que se refere sobre os “Objetivos de ensino: a leitura como objetivo no 
ensino de língua”. No documento há as indicações dos objetivos de ensino para serem 
 
desenvolvidos no Ensino Fundamental, dentre as inúmeras metas indicadas pelos PCNs, 
no que se refere à disciplina de língua portuguesa, está o desenvolvimento da leitura. 
Dentro dessas metas pré-estabelecidas, tem-se a expectativa da expansão de inúmeras 
competências, por parte do estudante. O documento deixa claro que considera a “leitura 
autônoma” a capacidade do aluno em compreender a existência de diferentes técnicas e 
atitudes a serem tomados frente a diferentes leituras. Segundo Gondim: 
 
Para que a criança torne-se uma leitora autônoma é preciso que a 
escola ofereça oportunidades para que ela desenvolva a sua 
experiência como leitora, o que amplia os seus conhecimentos 
lingüísticos e socioculturais. Acreditamos que as crianças precisam 
estar expostas a diferentes gêneros e, longe de pretender mostrar a 
superioridade de textos de literatura, assinalamos que a leitura de 
textos literários apresenta aspectos inovadores (GONDIM, 2004, p. 
37) 
 
Nesta perspectiva, os PCNs discorrem sobre as habilidades de recepção de 
“textos que rompam com universo de expectativas [dos alunos], por meio de leituras 
desafiadoras para sua condição atual, apoiando-se em marcas formais do próprio texto 
ou em orientações oferecidas pelo professor” (BRASIL, 1998. p. 50). É necessário, para 
os PCNs, que o estudante “compreenda a leitura em suas diferentes dimensões: o dever 
de ler, a necessidade de ler e o prazer de ler” (BRASIL, 1998. p. 51). Essa percepção de 
ensino, é posto como tarefa dos primeiros anos escolares pelo documento. O que deverá 
acontecer, nos 3º e 4º ciclos do Ensino Fundamental, é o início de uma modificação de 
comportamento frente à leitura literária. 
 
Na seção “ a leitura de textos escritos” o documento, ressalta que o processo 
em que se dá a leitura não advém de mera codificação e armazenamento pacífico de 
informações, ao contrário disso, advém de um “trabalho ativo” de compreensão, 
interpretação, estratégias de seleção, verificação, etc., do leitor. (BRASIL, 1998. p. 55). 
Segundo Gondim, ao discutir a especificidade da leitura do texto literário afirma que: 
 
Exercer um papel ativo significa que a Literatura possibilita ao aluno 
passar de um sujeito passivo para um atuante questionador de sua 
realidade social, apreciada na obra literária através de uma linguagem 
simbólica, que permite ao leitor vivenciar situações que não seriam 
possíveis em sua condição social de criança e aluno institucionalizado. 
Por retratar as experiências e os conflitos humanos, a literatura 
privilegia o leitor, dando a ele a chance de, através do conteúdo da obra, 
refletir acerca das ações humanas, tornando possível a fuga de uma 
certa dominação, espelhada na “arte” pedagógica (2004, p. 46-47). 
 
 
Esse conceito de reflexão das ações humanas da leitura interliga-se aos PCNs 
na medida em que estes entram em comum acordo que tudo o que é assimilado na escola 
precisará ter alguma relação e/ou contribuir positivamente nas vivências sociais dos 
estudantes. 
O documento reitera, que os usos da leitura são a “leitura colaborativa” 
(BRASIL, 1998. p. 72), “a leitura em voz alta pelo professor”, “leitura de escolha pessoal” 
(BRASIL, 1998. p. 73), etc. Caberá também ao professor esta estimulação, nos momentos 
de leitura em sala de aula, permitindo, de início, a escolha dos livros de acordo com o 
interesse dos estudantes, para depois introduzir outras leituras. 
Cabe ressaltar que, é assentado pelo documento, a organização escolar é 
fundamental no que se refere ao incentivo e ensino da leitura e à formação de novos 
leitores, não sendo responsabilidade só do professor de língua portuguesa, uma vez que 
o estudante que ler, ele passar escrever bem e quanto melhorfor o desempenho dos 
estudantes como leitores, melhores serão nas disciplinas. 
 
3- ABORDAGEM TEÓRICO – METODOLÓGICA 
 
 
3.1- Pesquisa qualitativa 
 
 
 
Metodologia é uma palavra derivada de “método”, do Latim “methodus” cujo 
significado é “caminho ou a via para a realização de algo”. Método é o processo para se 
atingir um determinado fim ou para se chegar a um determinado objetivo, dos meios 
utilizados, dos métodos praticados com finalidade no trabalho da pesquisa. 
A metodologia varia de acordo com sua natureza e indica a opção que o pesquisador fez 
da teoria para a prática, auxiliando na aplicação dos métodos utilizados. Dessa forma, o 
professor-pesquisador deve considerar todas as condições e o contexto relacionados à sua 
investigação. Os métodos utilizados neste estudo são de base qualitativa, estudo e análise 
de três professores com suas respectivas práticas pedagógicas, de maneira que se objetivou 
compreender o que se ensina, e como, quando se trabalha a literatura no fundamental II em 
uma das escolas acarapense. 
Para Minayo (2001), a pesquisa qualitativa trabalha com o universo de 
significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um 
espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser 
reduzidos à operacionalização de variáveis. “A pesquisa qualitativa é criticada por seu 
 
empirismo, pela subjetividade e pelo envolvimento emocional do pesquisador” 
(MINAYO, 2001, p. 14). Assim, segundo Bogdan e Biklen (1994), a investigação 
qualitativa tem o ambiente natural como fonte de investigação, sendo o pesquisador o 
instrumento principal; o contato direto do investigador com o contexto estudado; o 
tratamento descritivo dos dados obtidos; a ênfase no processo e não nos resultados ou 
produtos; a análise dos dados de forma indutiva e a preocupação com o significado, isto 
é, o modo como diferentes pessoas atribuem sentido às vidas, são as principais 
características desta abordagem. 
 
3.2- Contatos iniciais e locus da pesquisa 
 
 
Se considera como fator importante o ensino de leitura de literatura nos anos 
iniciais e finais do ensino fundamental. Assim, procuraremos compreender a relação 
existente entre os documentos oficiais (PCNs e DCNs) e as práticas existentes em sala 
de aula, no que se refere à formação de leitores literários e ao ensino de literatura, para 
entender como os docentes aplicam o ensino de leitura de literatura em sala de aula. 
A instituição escolhida para a pesquisa está localizada no centro de Acarape. 
A escola é a maior do município, acolhendo mais de 400 alunos das localidades do 
referido município. 
 
 
3.3- Sujeitos pesquisados 
 
 
 
A escolha dos professores para pesquisa seguiu a um critério particular, que era 
ser professor(a) de língua portuguesa. Os três professores, foco da nossa pesquisa, fazem 
parte do quadro de funcionários temporários do município, como descreveremos a seguir: 
 
A professora 1 trabalha em turmas de 6° ano como Professora de língua 
portuguesa, produção textual e redação. Ela é formada em Pedagogia pela Universidade 
Vale do Acaraú (UVA), está na educação há 3 anos, sendo todos esses anos dedicados ao 
trabalho com o Ensino Fundamental II. Desde o nosso primeiro contato, mostrou-se 
bastante solícita, recebendo-nos com atenção. 
O professor 2 trabalha em turmas de 7° ao 9° ano como Professor de língua 
portuguesa, produção textual e redação. Ele é formado em Letras-Língua Portuguesa 
pela Universidade Vale do Acaraú (UVA), está na educação há 3 anos, sendo esses anos 
 
dedicados ao trabalho com o Ensino Fundamental II e ao Ensino Médio. Desde o nosso 
primeiro contato, também se mostrou bastante solícito. 
A professora 3 trabalha em turmas de 6° e 7° ano como Professor de língua 
portuguesa, produção textual e redação. Ela é graduanda em Letras-Língua Portuguesa 
pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), 
está na educação há 5 anos, sendo esses anos dedicados ao trabalho com o Ensino 
Fundamental I e II. Desde nosso primeiro contato, também se mostrou bastante solícita. 
 
3.4- Entrevista 
 
 
A entrevista pode ser extremamente útil quando um investigador pretende 
recolher informações sobre um determinado tema. Assim, as entrevistas foram feitas a 
partir de um questionário composto por cinco perguntas direcionadas ao ensino de 
literatura. 
 
Os professores entrevistados demonstraram uma certa dificuldade ao 
responder, pois na escola não há uma disciplina especifica para o ensino de literatura. 
Através da entrevista, foi possível compreender qual a relação destes 
professores com os documentos oficiais (PCNs) em suas concepções no ensino de Língua 
Portuguesa, no que se refere a formação de leitores literários. 
O roteiro foi aplicado através da entrevista consiste em perguntas voltadas 
para a prática de ensino de Língua Portuguesa dos professores, bem como procurou 
compreender o modo que suas aulas são organizadas em relação ao trabalho com a leitura. 
Bogdan e Biklen no texto Investigação qualitativa em educação afirmam que 
 
[...] boas entrevistas produzem uma riqueza de dados, recheados de 
palavras que revelam as perspectivas dos respondentes e que um bom 
entrevistador comunica ao sujeito o seu interesse pessoal, estando 
atento, acenando com a cabeça e utilizando expressões faciais 
apropriadas. (BOGDAN; BIKLEN,1994, p. 135-136) 
 
As vantagens deste tipo de metodologia, dentre outras, são a variedade de 
respostas obtidas e a representação mais fiel da opinião dos entrevistados nestas, além 
de valorizar o livre pensar de cada sujeito envolvido e prezar por sua originalidade. 
Optamos pelo esse tipo de abordagem porque nos possibilitas fazer perguntas direcionas 
ao assunto pesquisado. 
 
4- ANÁLISE DE DADOS 
 
A análise dos dados procurou entender no que se refere ao trabalho com a 
formação de leitores literários. Em nossas observações em sala se confirmaram as respostas 
dadas pelos professores na entrevista realizada com os docentes observados. Na entrevista, 
em na primeira pergunta questionado aos professores como são escolhidos os conteúdos a 
serem trabalhados nas séries que eles atuam. 
 
 
P14: “Os conteúdos são escolhidos de acordo com o livro didático e do aprendizado 
dos alunos. ” 
 
P2: “Escolho de acordo com o livro didático, pois temos que seguir um cronograma 
semestral de conteúdo. ” 
 
P3: “Os conteúdos são escolhidos pela SME (Secretária Municipal de 
Educação), diante o cronograma que o livro traz em seu sumário. Diante disso na 
medida que o aluno for avançando o professor vai avançando no conteúdo do livro. 
” 
Percebe-se que todos responderam a mesma coisa de maneiras diferentes e 
deixando claro a doutrinação do livro didático. A impressão deixada foi que, o professor 
não tem tanta liberdade para escolar o material a ser usado em sala de aula. 
No segundo questionamento foi perguntado se, há a presença de textos em 
sala de aula? E que textos normalmente são lidos? As respostas foram: 
 
 
P1: “Sim. Sem o texto não é possível ministrar as aulas de produção textual, pois 
temos que nos referenciar. Normalmente uso texto que já tem no livro, mas vez ou 
outra pesquiso um texto de reflexão para o início das aulas de produção textual. 
” 
P2: “Sim. Pois o texto é a base do ensino de língua portuguesa. Normalmente lemos 
algo que traz algum assunto da atualidade. Trabalho muito com crônica, pois os 
alunos gostam muito”. 
P3: “Claro que sim, pois o objeto de ensino da língua portuguesa é o texto, sem o 
texto não é possível trabalhar de forma coerente os conteúdos de português. 
Normalmente uso os textos que aparecem são advindos de muitos gêneros 
textuais como crônica, reportagem, poema, histórias em quadrinhos, resenha 
 
4 Os professores serão identificadoscomo P1, P2 e P3 
 
crítica, artigo de opinião, contos, etc. os textos são muitos não havendo 
possibilidades de ser citados aqui, porém posso dizer que trabalhamos textos 
advindos de vários tipos de gêneros textuais dos antigos, como a carta, aos mais 
atuais como facebook e WhatsApp. ” 
 
Percebe-se pela resposta de P1, uma necessidade bem notável de afirmar a 
utilização de textos em suas aulas, no entanto, pareceu não usar muito variações de 
“gêneros”. P2, demonstrou uma preocupação com o gosto leitor de seus alunos, quando 
afirma se preocupar com aquilo que desperta o interesse de leitura de seus alunos. P3, 
percebemos uma necessidade bem notável de afirmar a utilização de textos em suas aulas, 
demonstrando que conhece a concepção dos “gêneros”. 
O terceiro questionamento foi: Qual a importância que os professores 
atribuem à leitura no processo de ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa? As 
respostas foram as seguintes: 
 
 
P1: “A leitura é de fundamental importância nas aulas de português. Pois ela 
permite o despertar para um mundo de possibilidade. ” 
 
 
P2: “A leitura é de fundamental importância para a construção e reconstrução 
do conhecimento de mundo. É importante lembrar que a leitura de um texto faz o 
leitor criar, recriar, escrever, reescrever ou produzir outro texto, resultante das 
experiências e da interação social. ” 
 
 
P3: “A leitura é de fundamental importância para se trabalhar o processo de 
ensino e aprendizado na escola, visto que se há a presença de textos, como não 
haver a leitura. Posso ratificar ainda alguns autores que os apresenta várias formas 
de trabalhar a leitura em sala de aula, na qual são fundamentos para mim, 
como professora de língua portuguesa, na hora de ensinar os meus alunos a 
adentrarem no conteúdo do texto. Irandé Antunes (2003), no livro “aula de 
português” nos apresenta várias noções de como se trabalhar a leitura em sala 
de aula, uma delas, que eu vejo ser bastante pertinente para a minha metodologia 
na sala de aula é “permitir que os alunos possam expressar suas próprias 
interpretações, sem que o professor fale sobre tudo que ele pensa do texto lido”, 
 
permitindo assim que os alunos desenvolvam uma leitura por prazer, e não 
apenas ler para resolver as atividades e esquecer logo depois. ” 
 
É algo muito gratificante encontrar nos discursos dos três professores o 
destaque que eles dão a leitura nas aulas de língua portuguesa, mesmo que 
equivocadamente em alguma das vezes, uma vez que, esses discursos faz um diálogo 
com os PCNs quando estes afirmam que o texto deve ser o objeto de ensino de 
suas aulas de português, pois contribuem significativamente na aprendizagem do 
estudante. Na resposta dada pelo participante P2, percebe-se em sua resposta a 
importância dada no que se refere à aos benefícios da leitura. P3, foi mais além quando 
trouxe estudiosos do assunto para embasar sua resposta. Mostrando uma preocupação em 
mostrar que conhece do assunto e sabe colocar na prática em sala de aula. 
No quarto questionamento perguntou-se: A leitura está presente nas suas 
aulas? De que forma? 
 
P1: “Claro que sim. Pois não tem como ministrar aulas de português sem leitura. 
Uso a leitura nas aulas que é só 50 minutos, geralmente nessas aulas levo uma 
fábula para dá lição de moral para os alunos. Uso também nas aulas de 
produção textual, como por exemplo, vou dá uma aula sobre crônica eu levo uma 
para mostrá-los como exemplo a ser seguido. ” 
 
P2: “Claro que sim. Faço roda de leitura com meus alunos. Para que eles tenham 
um conhecimento de mundo, pois isso ajudará eles a escreverem melhor e com mais 
fundamentos suas produções textuais. ” 
 
P3: “Sim, pois não é possível dar aula de português sem leitura de textos. Uso a 
leitura das mais diversas formas como por exemplo faço roda de leituras, todas 
as aulas pelos menos 20 minutos, realizo leituras silenciosas, leitura em voz alta, 
leitura em grupos e também leio para eles. ” 
 
Na resposta de P1, apesar enfatizar que é importante a leitura nas aulas de 
português, mostrou também seu “desconhecimento” para trabalhar com textos 
literários, tratando-os apenas como meios para dá aulas de produção de textos e lição 
de moral para seus alunos. Percebe-se aqui, a não preocupação com a essência dos 
textos, o lúdico, com a natureza artística da literatura. P3, mostrou-se mais engajada com 
 
as peculiaridades da leitura, enfatizando as formas de como se trabalhar com leitura 
em sala de aula, dessa forma percebe-se que ela trabalha de acordo com os PCNs. 
 
 
Para finalizar a pergunta foi: A Literatura está presente nas suas aulas? De que 
forma? 
 
 
P1: “Não temos disciplina de literatura. Logo não trabalho a literatura em sala, 
logo só trabalho a leitura nas aulas curtas, pois temos que focar no ensino de 
gramatica que é mais importante aprender. ” 
 
 
P2: “Sim, quando levo crônica e fabulas eles lerem antes das aulas de produção 
textual ou nas aulas de 50 minutos. Pois essas aulas não dão para se trabalhar 
muita coisa de gramática porque é algo mais complexo de ensinar e aprender.” 
 
 
P3: “Sim, quando o conteúdo é por exemplo poema eu não tenho como fugir de 
umas três leituras de um poema, depois deixar que os alunos falem o que eles 
entenderam sobre o que eles leram, citar alguns pontos altos que eles deixaram 
de perceber, etc. A pesar de não termos uma disciplina especifica, a literatura é 
muito presente em minhas aulas por que sempre o conteúdo dos livros pede para 
trabalharmos poemas, soneto, etc. então, sendo assim posso dizer que ela 
aparece de diversas formas como textos, na oralidade, até mesmo em ouvir e 
dialogar com os alunos sobre a vida deles.” 
 
 
Na resposta de P1, percebe-se um equívoco no que se refere ao ensino língua 
portuguesa quando ela afirma “Não temos disciplina de literatura”, como se só ensinasse 
literatura se tivesse uma disciplina especifica para esse fim. P2, mostrou uma certa 
confusão ao usar os textos literários com aporte para o ensino de produção textual. Aqui 
ver-se claramente a marginalização da literatura na escola. P3, foi a única a se referir 
diretamente ao ensino de Literatura ao afirmar “apesar de não termos uma disciplina 
especifica, (...)quando o conteúdo é por exemplo poema eu não tenho como fugir de 
umas três leituras de um poema, depois deixar que os alunos falem o que eles entenderam 
sobre o que eles leram, citar alguns pontos altos que eles deixaram de perceber, etc.”. Ao 
debater com os alunos sobre a leitura, ela está trabalhando a natureza artística da literatura 
e com a interpretação dos estudantes. 
 
5- CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
 
Muito mais que formar leitores, precisamos formar leitores literários. Assumir 
a responsabilidade disso é nosso papel enquanto professores, mesmo que não haja uma 
disciplina específica de literatura, o que nos cabe é viabilizar aos alunos a escolha do que 
ler, possibilitando assim uma leitura prazerosa, leve e consciente para que seja 
significativa. O que se percebe é que falta uma formação específica mais aprofundada e 
preocupada com a natureza artística da literatura, junto com as condições de formação 
e iniciação profissional do professor. Pois a falta de uma formação apropriada desses 
profissionais (não todos) fazem com que o ensino de literatura seja focado mais no seu 
uso como um instrumento para o ensino de gêneros textuais do que como um meio para 
aproximar a literatura e cultivar o hábito de sua leitura entre os estudantes. 
Embora esses profissionais tenham afirmado que trabalham com textos em 
suas aulas de língua portuguesa, é perceptível como eles estão presos a uma forma de 
ensino tradicional, na qual o ensino de gramática ainda possui muita importância nas aulas 
de português. Assim, a leitura de literatura é ensinada sem a preocupaçãode trabalhar a 
natureza lúdica e artística dos textos literários. Ou seja, acabam fazendo com que os 
estudantes não desenvolvam a criatividade artística através da imaginação. Segundo 
Albert Einstein “A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento 
é limitado. A imaginação circunda o mundo”. 
A questão do ensino de literatura ou da leitura literária envolve muito mais 
do que costumam estar presentes na escola, ou seja, tratá-los como adornos para servir 
ao ensino de boas maneiras, dos hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos tópicos 
gramaticais, etc. 
Faz-se necessário, então, criar espaços e momentos em sala de aula para a 
leitura literária, de modo que, desperte nos alunos o gosto pela leitura. Oportunizar aos 
alunos estratégias, como rodas de leituras, que proporcione a experiência da leitura 
literária de maneira mais profunda. Afinal, a leitura de literatura parte fundamental 
do saber, fundamenta nossas interpretações e nos viabiliza a compreensão do outro e do 
mundo. 
Entretanto, acreditar que é possível fazer muito do pouco que temos é um 
primeiro e grande passo para alcançarmos o que queremos: um ensino de literatura mais 
engajado com o artístico e o lúdico do universo literário. Cabe ressaltar, a relevância 
que o tema tem para se pensar a construção de uma ação pedagógica mais qualitativa, 
 
fazendo da instituição escolar um lugar onde as crianças passam a vivenciar e apreciar 
suas diversas formas de criação e expressão, pois educar e aprender não cessam, são 
momentos fascinantes, infinitos e cheios de magia e prazer. 
 
 
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Trad. Cleonice Paes Barreto Mourão e Consuelo Fortes Santiago. Belo Horizonte: Ed. 
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(Mestrado) – Universidade Federal do Ceará (UFC). 
 
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MINAYO, M. C. S. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: 
Vozes, 2001. 
 
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Disponível em: Acesso em 25 de fev. 2017. 
 
https://pibidespanholuefs.files.wordpress.com/2015/07/texto-para-o-encontro-de-amanhc3a3.pdf
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