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SEMANA INTEGRADORA (CASO 05) (MC) - MENINGITES Tem-se inicialmente que “meningite” é caracterizada por uma inflamação das meninges no espaço subaracnóideo. Dos agentes etiológicos capazes de causar essa condição, destacam-se, na meningite aguda, as bactérias, vírus e fungos, assim como haverá nas meningites crônicas, a possibilidade de serem protozoários, helmintos ou até micobactérias, diferenciando o tipo causado. É importante conhecer o perfil básico dos principais agentes causadores de pneumonias agudas, tendo como destaque: • Haemophilus influenzae (mais comum) • Neisseria meningitis (do caso disparador) • Streptococcus pneumoniae (pneumococo) • Listeria monocytogenes (em imunossuprimidos) • Varicela Zoster (vírus) • Epstein Barr (vírus) • Candida albicans (fungo) 1 – MENINGITES BACTERIANAS Inicialmente, é necessário identificar o agente etiológico e relacioná-lo com a idade do paciente e estado imunológico prévio. Por exemplo: crianças menores de um mês são muito acometidas por Streptococcus agalactiae, presente na flora vaginal, enquanto crianças até 2 anos (23 meses), tem-se muito presente o Streptococcus pneumoniae, presente sobretudo pelo uso de fraldas por longo período A) NEISSERIA MENINGITIS Chamados de meningococos, essas bactérias são caracterizadas por cocos gram-negativos, imóveis e encapsuladas. Além de serem microrganismos aeróbios (anaeróbios facultativos) e capazes de metabolizar glicose, ou seja, fermentadores, fazendo com que haja diminuição da glicose nos exames, devido ao consumo. Possuem exotoxinas e endotoxinas que, nesse caso, é denominada lipoligossacarídeo (LOS) de membrana, promovendo resposta inflamatória acentuada. Além do LOS, apresentam proteínas de membrana externa (OMPs), capazes de promover a evasão do sistema imunológico, sobrevivendo à ação do fagolisossomo. Além das beta-lactamases que podem estar presentes, essas bactérias podem apresentar a protease IgAI, possibilitando invasão das barreiras por clivagem da mucosa. O meningococo é capaz de mutar seu material genético, alterando sua capsula e, consequentemente, mudando seu sorogrupo. Possui 12 sorotipos, (A, B, C, H, I, K, L, X, Z, 29E e W135), sendo os principais os tipos A, B, C, Y e W135. No Brasil, a maioria dos casos se dão pelo sorotipo C, sendo a análise molecular essencial para classificação epidemiológica da endemia ou surto Ainda que possa causar a meningite e outras infecções graves, a Neisseria meningitis pode estar presente na microbiota das vias respiratórias superior e inferior, em acerca de 30% da população, tendo sua transmissão por via aérea, de rápida disseminação e contaminação. B) VACINA Atualmente, existem três tipos de vacina, essenciais para o combate à doença, são eles: • Meningite para sorotipo C (disponível no SUS) • Conjugada ACWY • Meningite para sorotipo B (Bexsero, recente) C) OUTROS MICRORGANISMOS Existirão microrganismos diferentes capazes de causar, diferenciados por seus tipos: • DGP (Streptococcus pneumoniae) • BGN (Haemophilus influenza, pleomórfico) 2 – ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS Tem-se inicialmente, que o padrão ouro para análise de meningite é a cultura, por mais que seja um teste demorado, fazendo com que seja necessário a solicitação de outros testes e início prévio da antibioticoterapia, mesmo que essa só possa ser feita após a coleta do líquor, para não causar alterações nos resultados. A punção do líquor (que ocorre entre L3-4) é essencial para diferenciação do microrganismo causador, que se inicia logo na análise macroscópica. Ainda, existirão diversos testes capazes de diferenciar o agente etiológico A) ASPECTO LIQUÓRICO O líquor é, normalmente, encontrado em aspecto límpido, incolor e cristalino (água de rocha), ainda que essa aparência possa ser encontrada em meningites virais. No caso das meningites bacterianas, tem-se geralmente o aspecto turvo, branco-leitoso. B) BACTERIOSCOPIA É um dos principais testes solicitados, devido ao rápido resultado. Ainda que não seja capaz de “diagnosticar” a bactéria causadora, consegue diferenciar seu tipo, possibilitando início precoce da antibioticoterapia específica, com tratamentos para BGN, CGP ou CGN, por exemplo. Por ser uma infecção unida de edema, haverá presença de linfócitos e, no caso de bactérias fermentadoras, diminuição da glicose presente. A bacterioscopia por coloração de Gram, possui sensibilidade relativamente alta (60-90%), devendo ser feita antes da administração de antimicrobianos, para evitar alterações no resultado. C) CULTURA A cultura é o melhor teste possível para fazer a diferenciação do microrganismo. O profissional recebe diferentes tipos de ágar, por conta da diferença entre os microrganismos. O ágar chocolate, por exemplo, é ótimo para o crescimento (ágar + sangue aquecidos) de Neisseria meningitis e Haemophilus influenzae, enquanto o ágar sangue é bom para o crescimento de Streptococcus pneumoniae D) AGLUTINAÇÃO PELO LÁTEX É um método, sendo rápido e fácil, promovendo uma reação antígeno-anticorpo, ainda que tenha variação quanto sua sensibilidade, de acordo com o agente etiológico. C) PCR O PCR é essencial para determinar o sorotipo bacteriano, além de ser capaz de diferenciar agentes etiológicos em meningites virais Nas meningites virais, existem muitas possibilidades, sobretudo relacionadas a transmissão oral-fecal, como o enterovírus (polivirus, echovirus e coxackievirus), além de transmissão por contiguidade, como os vírus da varicela-zoster, herpes simples (HV2) e alguns arbovírus, promovendo a meningite quando caem na corrente sanguínea por outras infecções. O diagnóstico viral será por meio de análises moleculares, como o PCR, visto que não farão qualquer efeito em culturas ou bacterioscopias. FONTES Veronesi – 6a edição – páginas 1427 a 1441 ---------------------------------------------✿------------------------------------------- (PATO) – MENINGITE BACTERIANA Deve-se lembrar, inicialmente, que pia-máter, aracnoide-máter e dura-máter são membranas de tecido conjuntivo de diferentes espessuras, denominadas meninges. A membrana de menor espessura seria a aracnoide, sendo que, em seu espaço (subaracnóideo) é localizado o líquor. 1 – BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA & SNC Responsável por proteger e regular a passagem de substâncias ao sistema nervoso central, é uma barreira composta de corpos neuronais, dendritos e astrócitos, esses caracterizados por células que circundam os capilares contínuos. Os capilares possuem “junções íntimas”, impossibilitando a formação de poros, de forma a restringir a passagem de células e substâncias. O Sistema Nervoso Central (SNC), em geral, não possui sistema imunológico ou sanguíneo livre no líquor, fazendo com que a principal forma de infecção da meningite bacteriana aguda seja por contiguidade, a partir da entrada dos microrganismos pelos tratos respiratórios superior e inferior. Ainda, existe a possibilidade de outros tipos de contiguidade, como otites ou mastites, que culminam em meningite, além da contaminação por via sanguínea, com entrada principalmente pelos plexos corióides, que ficam parcialmente desprotegidos pela barreira hematoencefálica. Visto que as meningites bacterianas agudas têm como a principal via de entrada os tratos respiratórios superior e inferior, assim como a via sanguínea em menor escala, a partir dos plexos coroides, locais de acesso ao SNC sem barreira. 2 – ETIOPATOLOGIA A) INVASÃO As bactérias terão mecanismos particulares de invasão, muito relacionados com a presença de exo ou endotoxinas, como nos casos do LPS ou LOS, esse presente na bactéria analisada no caso disparador, Neisseria meningitis. Além da atuação do próprio microrganismo como um PAMP, haverá lesão à barreira hematoencefálica, promovendo ação do sistema imunológico. Inicialmente, haverá aumento da permeabilidade de membrana da barreira,possibilitando a invasão de bactérias e células imunes no Sistema Nervoso Central. Ainda que não seja o destaque desse assunto, é importante saber que o LPS (ou LOS) em Gram- Negativos, assim como o Ácido Teicóico em Gram- Positivos, promoverá ativação da micróglia, culminando em alterações que levarão a inflamação, aumento da permeabilidade microvascular cortical e, consequentemente, edema cerebral difuso e aumento da pressão intracraniana. Clinicamente, isso se manifestará como dor de cabeça associada à fotofobia e febre. B) VIA PARACELULAR Existem diversos mecanismos que explicam as vias de atuação, a depender do microrganismo sendo que, no caso da Neisseria meningitis, haverá formação de microcolônias com “pili”., que se ligará à receptores de células endoteliais, promovendo desestabilização das junções íntimas, causando ruptura e acessando a via paracelular. Resumidamente, os capilares que eram contínuos, devido à desestabilização causada pelo pili, agora possuem fenestras, possibilitando passagem. C) VIA TRANSCELULAR Além da via paracelular, haverá a via transcelular a partir da ligação da bactéria à receptores específicos, promovendo sua entrada na célula. Dessa forma, acontecerá o mecanismo chamado de “cavalo de Tróia”, aonde os macrófagos irão fagocitar a bactéria capaz de evadir o sistema imunológico, impedindo sua degradação pelo fagolisossomo. Os macrófagos acabam por servir de carreadores, promovendo disseminação da infecção. D) SISTEMA IMUNOLÓGICO Assim como as bactérias, os neutrófilos recrutados serão capazes de transitar pelas vias paracelular e transcelular, promovendo resposta à infecção. Sua ação levará a formação de exsudato purulento, assim como liberação de citocinas pró- inflamatórias, conferindo hiperemia ao tecido e congestão vascular. Os neutrófilos recrutados pelo sistema imunológico serão capazes de agir como as bactérias, passando através das vias paracelular e transcelular, promovendo, por resposta à infecção bacteriana, formação de exsudato purulento, hiperemia do tecido e congestão vascular 3 – ACHADOS CARACTERÍSTICOS A) MACROSCOPICAMENTE Inicialmente, deve-se notar que a meningite bacteriana aguda, em casos graves, levará a um cérebro edemaciado e hiperemiado, assim como apresentará vasos necrosados pela congestão e formação purulenta, preenchendo os sulcos Com a falta de tratamento adequado, a doença poderá evoluir para formação de pequenos infartos, causados pela hiperemia dos vasos da leptomeninge e consequentemente, trombos. Além disso, é possível a evolução para meningoencefalite, se a infecção alcançar o córtex cerebral, ou ventriculite, se chegar aos ventrículos cerebrais. No caso das leptomeninges, as alterações poderão acabar em lesão tecidual e formação posterior de fibrose, promovendo oclusão das cisternas e bloqueio do fluxo, o que culminará em hidrocefalia obstrutiva, que não só comprimirá nervos, como também causará disfunções cognitivas e motoras permanentes no paciente. Existe uma exceção marcante no caso das meningites bacterianas, quando causada pelo microrganismo Hemophilus influenzae. No lugar do exsudato purulento, haverá formação de exsudato fibrinoso (rico em fibrina), conferindo aspecto esbranquiçado e maciço ao cérebro. B) MICROSCOPICAMENTE Além da presença de colônias bacterianas, será possível observar microscopicamente a presença de neutrófilos (piócitos), principal célula imunológica envolvida nesse tipo de infecção. Na infecção por meningococo, é possível que haja acometimento das glândulas suprarrenais, gerando a chamada “Síndrome de Waterhouse- Friderichsen”, caracterizada como sepse causadora de necro-hemorragia da glândula, muitas vezes levando o paciente a óbito. Haverá apoplexia adrenal, juntamente de grandes manchas roxas e profundas na pele, sendo decorrente de sepse grave, principalmente em pacientes pediátricos. C)ANÁLISE DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO Deve-se saber, inicialmente, que o líquido cefalorraquidiano é colhido por meio da punção lombar, por volta das vértebras L3 e L4, ainda que haja possibilidade de coleta em outros locais. Cada tipo de infecção terá um perfil diferente, seguindo: No caso das infecções bacterianas, o principal infiltrado é neutrofílico, assim como o exsudato é purulento. Na infecção viral, por outro lado, haverá infiltrado linfocitário, sem formação de pus. Existirão diferenças entre as próprias bactérias que, apenas quando forem fermentadoras, promoverão diminuição da glicose no líquor, devido ao consumo Voltando à meningite viral, serão encontrados infiltrados mononucleares linfocitários de, principalmente, TCD8+, dispostos em nichos (agregados). Agora, na meningite bacteriana, haverá infiltrado polimorfonuclear, destacando neutrófilos. Ainda, é importante saber que ambas poderão evoluir para meningoencefalite, tendo como achado pós-invasão parenquimal (quando já evoluiu) a presença de neurônios eosinofílicos com fragmentação nuclear, indicando apoptose neuronal. FONTES Bogliolo – 10a edição – página 981 e 982 ---------------------------------------------❀------------------------------------------- (PPM) – MENINGITE Deve-se saber inicialmente que a meningite é comumente associada ao meningismo, que é a tríade de sinais e sintomas característicos da condição. São eles cefaleia unida à fotofobia e rigidez de nuca, essa podendo ser diagnosticada a partir de testes característicos, 1 – EXAME FÍSICO A) TESTE DE BRUDZINSKI Consiste na flexão passiva do pescoço, feita pelo examinador, levando a leve flexão das coxas e joelhos involuntariamente. Isso ocorre, pois, as alterações dos impulsos nervosos culminam em perda da elasticidade, fazendo com que, ao levantar a cabeça, o paciente movimente as pernas involuntariamente para “compensar” a rigidez. B) TESTE DE KERNIG Consiste na flexão seguida de extensão, feita pelo examinador. As coxas devem estar inicialmente “semi-fletidas”, com os calcanhares apoiados na maca, seguindo para o movimento. É positivo quando o paciente sentir dor intensa à extensão. Isso ocorre por conta da inflamação nas terminações nervosas, culminando em dor, sobretudo na região posterior (costas e coxas) C) LASÈGUE Consiste na extensão da perna do paciente até o ângulo de aproximadamente 60o. Normalmente, seria a angulação que uma pessoa sem comorbidades e flexibilidade aceitável conseguiria alcançar. No caso de problemas relacionados à inflamação dos nervos, o paciente geralmente sentirá dor antes mesmo de alcançar os 30o Mesmo que não seja um teste específico para casos de meningite, visto que haverá dor também no caso de compressão discal, deve ser feito para diferenciar de outras possíveis condições. 2 – SINAIS E SINTOMAS A) ADULTOS Em adultos, haverá comumente os sintomas de dor e irritação, juntamente da tríade do meningismo (cefaleia, fotofobia e rigidez de nuca). É possível anda que haja aumento da pressão intracraniana. Isso ocorrerá, pois a inflamação no sistema nervoso causará hiperemia (assim como qualquer inflamação), que seguirá para vasodilatação, responsável por causar os sintomas similares à crise de enxaqueca, que são cefaleia e fotofobia. Haverá alteração da produção e absorção do líquor, promovendo acúmulo do líquido e consequentemente aumento da pressão intracraniana, causando hidrocefalia. A hidrocefalia causará o sinal de abaulamento de fontanelas, assim como as alterações levarão à taquicardia, taquipneia e hiporreação com episódios de irritação. No caso da infecção por Neisseria meningitis, haverá o sinal clássico de exantema petequial juntamente dos outros sintomas, ainda que não seja exclusivo desse microrganismo. B) CRIANÇAS MENORES DE 1 ANO (12 MESES) Em crianças menores de um ano, também haverá presença de hiporreação com episódios de irritação (o neném chora muito mais que o normal pela dor), e possível exantema petequialainda que não haja abaulamento de fontanelas na maioria das vezes. É importante destacar que os testes de Brudzinski, Kernig e Lasègue não funcionam em bebês, sendo essencial realizar a coleta do líquor para diagnóstico OBS: é importante destacar que o abaulamento de fontanelas em si acaba por diminuir a proteção do SNC, propiciando prognóstico ruim. 3 – PUNÇÃO LOMBAR A punção lombar é o método utilizado para coleta do líquor para análise laboratorial, ainda que possam ser feitas coletas em outros locais. Geralmente ocorre entre as vértebras L3 e L4, com o paciente sentado e inclinado para frente. A coleta do líquido cefalorraquidiano possibilita a diferenciação do agente etiológico, seja fúngico, viral ou por meio de bactérias, inclusive fermentadoras, que causarão hipoglicorraqueia. É importante saber que, quando o paciente apresentar hipertensão intracraniana, é contraindicada a punção lombar para coleta do líquor, pois essa promoveria um desbalanço ainda maior das pressões, podendo levar a descompensação com altíssima chance de óbito. FONTES Porto – 8a edição - ---------------------------------------------✿------------------------------------------- (BTO) – INFECÇÃO DE SÍTIO CIRÚRGICO A FONTES Goffi – 5a edição ---------------------------------------------❀------------------------------------------- (DIP) - MENINGITES A FONTES Veronesi – 6a edição – páginas 1427 a 1441 ---------------------------------------------✿------------------------------------------- (ETC) – INTERRUPÇÃO DA VIDA A FONTES Atenção às Mulheres com Gestação de Anencéfalos https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_mulh eres_gestacao_anencefalos.pdf ---------------------------------------------❀------------------------------------------- (SC) – MORTALIDADE MATERNA A FONTES Mortalidade materna: um desafio para a saúde pública mundial - https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao- nordeste/hujb-ufcg/comunicacao/noticias/parto-seguro DADOS - https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao- nordeste/hujb-ufcg/comunicacao/noticias/parto-seguro ---------------------------------------------✿------------------------------------------- https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hujb-ufcg/comunicacao/noticias/parto-seguro https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hujb-ufcg/comunicacao/noticias/parto-seguro