Logo Passei Direto
Buscar
Material

Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original

MICROSSISTEMA JURÍDICO
☆ Organização normativa sistemática, de regras e princípios, orientada para a finalidade.
O direito do consumidor é um microssistema, pois é uma lei só, enxuta, contida de vários tipos de normas jurídicas voltadas para um único aspecto que é a defesa do consumidor.
É lei em formato de código e o código é um microssistema, com vários tipos de normas regulando um aspecto que é a relação de consumo.
☆ Constitucional de proteção do mais fraco na relação de consumo.
O braço direito do direito do consumidor é a Constituição Federal, ele vincula valores e princípios, pois possui uma carga constitucional.
O direito do consumidor foi feito em cima de princípios.
NORMA PRINCIPIOLÓGICA
☆ Veicula valores, estabelece fins a serem alcançados. Base sólida de princípios e valores.
O ordenamento jurídico elege valores que resguardam / resplandecem nos princípios e que são a base das regras / normas.
As regras / normas se baseiam nos princípios, e esses princípios por sua vez resguardam os valores.
NORMA DE ORDEM PÚBLICA E INTERESSE SOCIAL
O aspecto a ser defendido é o social e não o econômico.
As normas de ordem pública são de interesse social.
CARACTERÍSTICAS
 Irrenunciáveis
Não é possível renunciá-los.
 Não se diminuem a proteção
Não pode diminuir a proteção.
Pode apenas aumentá-la.
Ex: Prazo prescricional de 3 anos para ação indenizatória é um prazo totalmente abusivo, pois a lei prevê o prazo de 5 anos.
 Cogentes
Possuem imperatividade absoluta.
 MP / DP
Ministério Público e Defensoria Pública podem agir em defesa do consumidor.
 Entidades
Normas de ordem pública e interesse social.
Ex: Associações: podem agir em defesa do consumidor.
 Juiz-ofício (art. 10 CPC)
O juiz pode agir de ofício por se tratar do âmbito de ordem pública.
É vedado a decisão surpresa, mesmo nas matérias que o juiz deva conhecer de ofício ele tem que oportunizar o debate entre as partes, como é no processo civil.
Art. 10. CPC. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
NATUREZA JURÍDICA
Relação de consumo é de caráter privado.
Não havendo hierarquia, pois tem caráter igualitário.
O Estado pode participar dessa relação.
Ramo do direito híbrido / misto.
☆ Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias.
Direito do Consumidor é misto / híbrido, tanto tem características de direito público quanto de direito privado.
Apenas aplica-se o CDC em casos de relação de consumo.
Ex: Pessoa Jurídica recebeu um boleto de um serviço não contratado, a PJ resolveu pagá-lo, pois teve medo de ter seu score reduzido (nome negativado), a PJ não queria mais pagar tais boletos e queria a devolução em dobro do valor pago indevidamente, no entanto era necessário convencer o juiz de que ali havia uma relação de consumo e que essa PJ era consumidora (vulnerável) – O capital da empresa é de150 mil reais, então há uma dúvida se o juiz vai entender que ali há uma vulnerabilidade.
O objeto da lei é norma protetiva ao consumidor em específico.
O CDC surgiu inicialmente porque a defesa do consumidor é direito fundamental.
O Congresso Nacional precisava elaborar o CDC.
☆ Súmula 381, STJ: Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas.
Essa súmula é criticada pela maioria esmagadora da doutrina, pois o contrato que mais tem é abusividade é o contrato bancário.
Essa súmula é muito criticada, pois é como se ela afrontasse o sistema protetivo.
Se o juiz está vendo que a cláusula é claramente abusiva, ele deve reconhece-la de ofício, pois isso afronta a defesa do consumidor.
Por isso as críticas tão grandes a esta súmula sobre contratos bancários.
Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade.
As autoridades administrativas podem expedir decretos, resoluções e regulamentos sobre determinadas matérias.
O direito do consumidor não se esgota nas nossas normas brasileiras.
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo.
Cabe direito de regresso entre eles, terão que resolver entre eles.
	Responsabilidade Subsidiária
	Responsabilidade Solidária
	Tem um responsável depois o outro
	Os devedores são corresponsáveis
	Tem um devedor principal havendo impossibilidade vai-se para o fiador
	A responsabilidade é diluída, cabe ao consumidor ver qual a melhor estratégia e ver contra quem vai entrar, cabendo direito de regresso entre eles
	 No CDC a responsabilidade é solidária!
Há dois tratados internacionais que o Brasil é signatário que abordam o transporte aéreo internacional (questões de danos em transporte aérea internacional).
Elas estabelecem limites na indenização quanto a danos no transporte, na bagagem. 
Danos esses: moral e material.
O aspecto moral não se pode comparar entre duas pessoas porque elas podem ter sido afetadas de forma diferente.
O aspecto material até se pode comparar. Ex: Maria perdeu um celular no valor de 15 mil reais e joana também, ambas são brasileiras, compraram a passagem no Brasil, na latam, lá para Orlando, o voo delas passou por problemas e a bagagem foi extraviada.
Há duas convenções internacionais que o Brasil é signatário que vão limitar esse valor de indenização e há o código do consumidor.
	Tratados Internacionais
	Lei Federal (CDC)
	Os limites de indenização que as convenções disciplinam apenas são aplicáveis quando houver dano material
	Em havendo choque das legislações com o CDC, prevalece o CDC, quando se tratar de dano moral porque não se aplica as limitações que as convenções previam
	Quando se tratar de dano extrapatrimonial (moral) não terá a aplicação das limitações 
	Não há legislação brasileira que traga limitações para danos morais (indenizações), cada caso terá sua repercussão em âmbito moral.
“Direito civil. Responsabilidade civil. Danos extrapatrimoniais decorrentes de contrato de transporte aéreo internacional. Inaplicabilidade do Tema 210 da repercussão geral. Distinção. Não incidência das normas previstas na Convenções de Varsórvia e Montreal. Questão constitucional. Potencial multiplicador da controvérsia. Repercussão geral reconhecida com reafirmação de jurisprudência. Recurso extraordinário a que se nega provimento. 1. O entendimento da Corte de origem não diverge da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que a aplicação dos limites das Convenções de Varsóvia e de Montreal, definida no julgamento do Tema 210 da repercussão geral, está adstrita aos casos de indenização por danos materiais. 2. Recurso extraordinário não provido. 3. Fixada a seguinte tese: Não se aplicam as Convenções de Varsóvia e Montreal às hipóteses de danos extrapatrimoniais decorrentes de contrato de transporte aéreo internacional” (STF, RE 1.394.401, Repercussão Geral, Tribunal Pleno, Rel. Min. Rosa Weber, j. 15.12.2022, DJ 03.03.2023). Esse entendimento abrange de modo amplo as pretensões que envolvem a reparação dos danos extrapatrimoniais, inclusive no tocante ao prazo prescricional, conforme decidiu também o STF em acórdão anterior de órgão fracionário: STF, RE 1.320.225 AgR, Rel. p/ Acórdão Min. Luis Roberto Barroso, 1ª Turma, j. 29.08.2022, DJe 15.09.2022.
Questões
1. Direito da Pessoa Humana e Defesa Consumidor.
2. Por que a necessidade de uma lei protetiva ao consumidor? 
3. Quais os fatores que geram a necessidade de proteger o consumidor? 
4. Qual a relevância da vulnerabilidade enquanto princípio?
Relação Jurídica de Consumo
Todos somos consumidores, e o consumidor é vulnerável.
É o principal tema, pois apenas aplica-se o Código de Defesa do Consumidor em relações de consumo.
O direito do consumidor regula as relações de consumo.
ELEMENTOS
☆ elemento subjetivo Consumidor e Fornecedor
São as partes, quem propõe a relação de consumo.
	CONSUMIDOR
	FORNECEDOR
	Pessoa individual
	Qualquer pessoa que constrói alguma coisa
	Grupo ou coletividade
	Quem presta serviço
	Difuso e transindividual
	Quem produz algo
	Indivisível
	Poderá ser mais de um fornecedor
☆ elemento objetivo Produto ou Serviço
É o conteúdo, o objeto, que na relação de consumo é o produto que o consumidor adquiriu ou o serviço que ele contratou que ele fruiu e não deu muito certo.
Sempre terá um produto ou um serviço.
Ex: Chamei uma empresa para dedetizar minha casa, saí com o cachorro, 5 dias depois o cachorro morreu devido ao produto que a empresa usou.
☆ elemento finalístico Consumidor é destinatário final
O consumidor é o destinatário final.
Ele marca o conceito clássico e restritivo do que é o consumidor, ele é o destinatário final. 
O consumidor vai ter esse elemento finalístico marcando o conceito clássico, restritivo e finalístico, porque também há outras figuras que não são o destinatário, como o consumidor por equiparação.
Obs: Consumidor por equiparação não é destinatário final.
Consumidor
 Art. 2º, caput.
Art. 2° consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. 
 Consumidor por equiparação: arts. 2º, P.Ú.; 17; 29
· Coletividade de pessoas 
parágrafo único. equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
· Vítimas de um evento danoso
Art. 17. para os efeitos desta seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento.
· Vítimas expostas a propagandas comerciais enganosas 
Art. 29. para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas.
ART, 2º, CAPUT
☆ Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
Destinatário final é o encerramento da cadeia de consumo. 
Em regra, é o consumidor final, ele não revende e nem usa o produto para ganhar dinheiro em cima.
☆ Pessoa natural e também jurídica
Pessoa física e Jurídica desde que tenha vulnerabilidade.
☆ Obs: vulnerabilidade
No caso concreto, a Pessoa Jurídica precisa ser demonstrada.
Quando o consumidor é a Pessoa Jurídica, essa vulnerabilidade precisa ser demonstrada, provada, comprovada.
Se observa no caso concreto, e é de forma excepcional.
☆ Presunções de vulnerabilidade (STJ) – critérios:
☆ Critérios – relação de consumo: além do destinatário final: 
a) verificar se tem conhecimentos sobre os mecanismos de produção do bem; 
b) verificar se o produto adquirido é disponibilizado para o público em geral, ou seja, se não se trata de um produto com determinada e restrita utilização; 
c) verificar se o produto é utilizado para a atividade fim ou meio; 
d) condição econômica do usuário (STJ)
São critérios trazidos pela doutrina para orientar melhor se vai haver ou não destinação final.
Ex: A Samsung vai comprar uma peça de uma outra empresa para fabricar o seu produto, a Samsung tem conhecimento técnico sobre aquela peça que está comprando de outra empresa então já não teria essa vulnerabilidade.
☆ Adquirir (obter): a título gratuito ou oneroso
É ter para si, mesmo que você esteja pagando por aquele produto.
Ex: Amostra grátis.
☆ Utilizar o produto: consome/usa
É fruir, usar determinado serviço.
☆ Obs: desde que não seja para fins de repasse. 
É quem utiliza o produto ou serviço como destinatário final desde que não haja um repasse.
Deve haver um encerramento da cadeia de consumo.
☆ Destinatário final: a operação de consumo deve se encerrar no consumidor. 
Destinatário final é o encerramento da cadeia de consumo.
☆ Não ocorra com fins profissionais (transformação, produção, incorporação), mas sim para uso próprio, privado, individual, familiar ou doméstico, inclusive para terceiros, desde que o repasse não se dê por revenda.
Não pode revender nem transformar esse produto, e nem usar para fins profissionais ou ganhar dinheiro em cima disso.
Ex: Professora usa o computador para dar aula, ela está trabalhando e ganhando dinheiro em cima do computador. Uma tecla afundou com 5 dias de uso, mesmo assim ela pode invocar o CDC. Ex: Proprietário de uma pequena empresa comprou 3 celulares da Samsung para os funcionários com 3 dias, eles deram problema. Ex: Maria é fazendeira e dona de uma grande quantidade de algodão e revendeu 3 toneladas para uma empresa que produz roupas, mas 2 toneladas vieram com mofo.
Em todos esses exemplos, é preciso verificar se há relação de consumo, e se o consumidor e o destinatário final e se há um encerramento da cadeia de consumo.
TEORIAS SOBRE DESTINATÁRIO FINAL
a) Finalistas: consumidor é aquele que adquire o produto ou serviço para o consumo próprio ou de sua família. Ou seja, o consumidor é o destinatário fático e econômico do produto ou serviço, o que só inclui pessoa física e não pessoa jurídica ou profissional liberal/autônomo
Pessoa Jurídica e profissional liberal não entrariam aqui porque quando ela vai comprar alguma coisa ou comprar um serviço e para desenvolver sua atividade econômica.
Para a teoria finalística, o professor não seria considerado consumidor, pois no exemplo do slide e projetor pelo computador, ela está usando para fins de obter dinheiro (trabalhar e receber dinheiro), o computador seria a ferramenta de trabalho. 
Nesse caso, ele não seria o destinatário final, ele seria fático e econômico, pois foi ele quem tirou o produto da prateleira. Mas não seria considerado consumidor, por não ser destinatário final, pois os alunos que seriam que receberiam a aula projetada, ou seja, os destinatários finais seriam os alunos.
Ex: Taxista que comprou um carro e usa para trabalhar, também não entraria nessa teoria.
☆ Uso doméstico e interpretação restritiva
☆ “Que finalidade protetora do CDC só poderia ser preservada mediante a limitação de sua aplicação aos consumidores, sob pena de banalizar a tutela especial e, por consequência, torná-la inócua, fazendo tábula rasa da diferença introduzida pelo CDC.”
Com o tempo o STJ mudou e alargou essa teoria para a maximalista.
b) Maximalista: é aquele que retira produto ou serviço do mercado de consumo, qualquer que seja a sua finalidade, profissional ou não (menos em caso de revenda) → destinatário fático
Não precisa ser destinação econômica. 
Nem mesmo na teoria maximalista a revenda vai entrar.
Tirando a revenda a profissional entra nela, angariar dinheiro em cima também entra.
☆ Aplicação ampla da lei consumerista, que, ao longo do tempo, foi desenvolvendo aspectos variantes, podendo aplicar o CDC em maior ou menor abrangência. Para os maximalistas eram consumidores inclusive aquele que adquiria ou utilizava um produto ou serviço como intermediário.
CORRENTE ADOTADA
☆ Posição do STJ: adota a corrente FINALISTA ATENUADA.
c) Finalista Atenuada: pessoa jurídica (microempresas, empresas de pequeno porte) ou o profissional liberal poderão ser considerados consumidores, desde que comprovada a vulnerabilidade.
☆ “Consumidor intermediário” passou a ser utilizada, correspondendo a agentes econômicos que, mesmo não sendo consumidores em sentido estrito, mostra vulnerabilidade perante o fornecedor, ficando, portanto, em situação de desvantagem. Consumo dentro da cadeia de produção e distribuição.
Consumidor intermediário são pessoas que adquirem um produto ou um serviço, mas não tem destinação final.
Atualmente o STJ adota a teoria finalista atenuada (mitigada, abrandada, temperada).
O STJ adota teoria finalista, mas ela vai ser atenuada, ou seja, permite-se, a depender do caso concreto, que a Pessoa Jurídica e o profissional liberal também sejam considerados consumidores.
Produtos e serviços
usados para se ganhar dinheiro também entrariam no CDC, mas precisa comprovar a vulnerabilidade.
Consumidor intermediário são aqueles que conseguem demonstrar vulnerabilidade. Agentes econômicos, geralmente de pequena empresa que se encontram do lado mais frágil da relação de consumo.
Essa teoria finalista atenuada é aplicada de forma abranda e sem aquele rigor da destinação final.
 Código de Defesa do Consumidor
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: V - defesa do consumidor.
 Constituição Federal
Art. 5°. XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor.
 Atos de Disposições Constitucionais Transitórias
Art. 48. O Congresso Nacional, dentro de cento e vinte dias da promulgação da Constituição, elaborará código de defesa do consumidor
 Consumidor
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
 Consumidor por equiparação 
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
Valores
Princípios
Regras

Teste o Premium para desbloquear

Aproveite todos os benefícios por 3 dias sem pagar! 😉
Já tem cadastro?

Mais conteúdos dessa disciplina