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Unidade 3
Administração 
e controle do 
ciberespaço
ANAÏS EULÁLIO BRASILEIRO
Direito 
Digital
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial 
ANDRÉA CÉSAR PEDROSA
Projeto Gráfico 
MANUELA CÉSAR ARRUDA
Autor 
JOANA ÁUREA CORDEIRO BARBOSA 
Desenvolvedor 
CAIO BENTO GOMES DOS SANTOS
ANAÏS EULÁLIO BRASILEIRO
Oi! Meu nome é Anaïs Eulálio Brasileiro. Sou formada em Direito, 
com especialização em Direito Penal e Processual Civil, Mestre em Direito 
Constitucional, na linha de Direito Internacional, e agora, Doutoranda em 
Direito. Sou advogada desde 2016, mas ganhei mais experiência no ano de 
2019 ao trabalhar em um escritório com causas diversas. Posso dizer com 
certeza que sou apaixonada pela área do direito, principalmente a parte de 
estudar e pesquisar sobre os mais variados assuntos, transmitindo minha 
experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por 
isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores 
independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito 
estudo e trabalho. Conte comigo!.
O AUTOR
Olá. Meu nome é Manuela César de Arruda. Sou a responsável pelo 
projeto gráfico de seu material. Esses ícones irão aparecer em sua trilha 
de aprendizagem toda vez que:
ICONOGRÁFICOS
INTRODUÇÃO: 
para o início do desen-
volvimento de uma 
nova competência;
DEFINIÇÃO: 
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA: 
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE: 
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA? 
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamento 
do seu conhecimento;
REFLITA: 
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou 
discutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso acessar 
um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO: 
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma ativi-
dade de autoapren-
dizagem for aplicada;
TESTANDO: 
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Desafios da administração e controle do ciberespaço 10
Conceito de administração e o controle do ciberespaço 10
Desafios e limitações da administração do ciberespaço 14
Modalidades de administração do ciberespaço 18
Formas de modalidades de administração do ciberespaço 18
Implicações das formas de controle do ciberespaço 25
Militarização e desmilitarização do ciberespaço 26
A militarização do ciberespaço 26
A desmilitarização do ciberespaço 30
Copyright no mundo digital 33
Origem e conceituação de copyright 34
O copyright ao redor do mundo 37
Direito Digital 7
UNIDADE
03
ADMINISTRAÇÃO E CONTROLE 
DO CIBERESPAÇO
Direito Digital8
Iniciamos essa disciplina com noções introdutórias que explicam 
o mundo atual em que vivemos e a forma que nós construímos nossa 
sociedade, a partir das noções de sociedade da informação, ciberespaço e 
desenvolvimento contínuo de novas tecnologias. Seguimos, no âmbito do 
ciberespaço, com o estudo dos crimes cibernéticos e todas suas implica-
ções, entendendo também as condutas e espécies do gênero e conhecendo 
também as formas que os criminosos realizam os ciberataques. Mas quanto a 
responsabilidade dos governos dos países? Há normas quanto à perspectiva 
de administração e controle? E a força militar, ela está inserida nesse 
contexto? E mais. Em que o copyright se baseia e o que ele representa nesse 
âmbito de controle do ciberespaço? Ao longo desta unidade letiva, vamos 
modificar um pouco o panorama e estudar sobre assuntos que podem ser 
um pouco mais técnicos, como os mencionados no parágrafo acima, mas 
são também ao mesmo tempo extremamente importantes para o direito 
digital e principalmente para você, caro estudante, para entender mais ainda 
sobre esse universo. Preparado? Vamos juntos!
INTRODUÇÃO
Direito Digital 9
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 03 – Administração e controle 
do ciberespaço. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das 
seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos:
1. Abranger as dificuldades e compreender os desafios enfrentados 
para a administração e controle do ciberespaço;
2. Analisar os diferentes tipos de modalidades e formas da adminis-
tração do ciberespaço;
3. Assimilar o contexto da militarização e desmilitarização do cibe-
respaço, bem como suas consequências;
4. Entender o âmbito do copyright no mundo digital, incluindo seu 
conceito e como se aplica.
E então? Você está pronto para adentrar nessa nova perspectiva? 
Vamos lá!
OBJETIVOS
Direito Digital10
Desafios da administração e controle do 
ciberespaço
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de compreender 
o que significa quando falamos da administração e controle 
o ciberespaço, sendo o tema abrangido junto com seus 
limites e desafios. E então? Motivado para desenvolver esse 
aprendizado? Vamos lá!
Conceito de administração e o controle do 
ciberespaço
Após estudarmos os crimes cibernéticos na unidade anterior, 
você, aluno, deve ter se perguntado em algum momento como fica a 
questão de condutas criminosas que acontecem no ciberespaço por 
poder envolver diversos países, não é mesmo? Não apenas os governos 
como vítimas, como pode ser o caso do ciberterrorismo e cyber warfare, 
mas também eles podem ser os incitadores de ciberataques.
Como vimos na primeira unidade, o domínio do ciberespaço ainda 
é um tema controverso, sem uma resposta definida. O problema fica 
muito mais visível quando analisamos o ciberespaço como local que pode 
envolver crimes que não só envolvem indivíduos de diferentes países, mas 
que envolve seus diferentes governos e sobretudo, diferentes soberanias.
Esses tipos de problemas que surgem no âmbito da transnaciona-
lidade e do ciberespaço abre espaço para uma nova forma de resolução 
de conflitos, através da cooperação internacional e da coordenação 
entre as soberanias. 
Entretanto, os estudiosos sobre o assunto acreditam que é 
necessário que definamos primeiro sobre a responsabilidade e domínio 
do ciberespaço para que depois possamos entender como se daria o 
seu controle. Então, vamos relembrar um pouco sobre as teorias que 
aprendemos na primeira unidade?
Você certamente deve recordar que apesar de grandes potências 
mundiais concordarem em dialogar sobre esse tipo de grande espaço e 
Direito Digital 11
seu domínio, os países ainda seguem discordando do ponto central da 
questão, que é o domínio em si. 
Para isso, temos a China e Rússia que defendem que o ciberes-
paço deve ser de domínio pleno de soberanias, enquanto países como 
os Estados Unidos e Reino Unido defendem que o ciberespaço deveria 
ser de domínio público internacional, tal qual acontece com o alto mar, 
espaço sideral e corpos celestes e o continente da Antártica, como 
vimos. Veja a figura abaixo para melhor fixação:
Figura 01: Domínio do ciberespaço. 
Fonte: A Autora.
Como se não bastasse as grandes potências mundiais sem 
conseguir entrar em um comum acordo, também temos o novo sujeito 
do direito internacional, que como vimos na última unidade, nasceu com 
a interconexão da transnacionalidade: as multinacionais, as empresas 
privadas que possuem grande importância no mercado internacional.
Tendo em vista o importante papel dos sujeitos internacionais 
privados, qual seria o seu papel nesse controle do ciberespaço? Aliás, 
como esse ciberespaço deve ser de fato administrado e controlado? Por 
quem ou por qual instrumento? As forças militares devem ter alguma 
relação com o assunto? Primeiramente, vejamos o que queremos dizer 
quando falamos administraçãoe controle:
 • Por administração e controle do ciberespaço, devemos entender 
sempre quem tem o governo sobre o local, quem possui respon-
sabilidade de gerenciá-lo, quem seria de fato o responsável por más 
condutas praticadas no ciberespaço. Mais do que estudar o domínio do 
ciberespaço, agora vamos entender as possíveis formas de controle, 
monitoração e fiscalização. Significa, sobretudo, governança.
Direito Digital12
É interessante perceber que até quando falamos de ciberespaço 
e soberania, devemos entender que já possuímos outras compreensões 
sobre o tema, como até já falamos, e que esses conceitos também 
foram modificados com o tempo. Analise a figura abaixo:
Figura 02: Diferentes entendimentos entre soberania e ciberespaço. 
Fonte: A Autora.
Quer dizer, a primeira compreensão de soberania do ciberespaço 
era que o próprio mundo virtual era soberano em si, de acordo com a 
Declaração de Independência de Barlow. Nesse caso, temos qualquer 
negação de intervenção de outros governos, significando que o ciberes-
paço deve governar a si mesmo.
Nessa concepção, mesmo que os seus defensores acreditassem 
que houvesse alguma forma dos países governarem o ciberespaço, eles 
não deveriam em razão dos motivos que vimos na primeira unidade, 
incluindo o fato que eles não teriam legitimidade para tal, já que o 
espaço físico geográfico não existe no ciberespaço.
Para isso, o ciberespaço teria capacidade de se autorregular, 
sem precisar de ajuda ou de intervenção de qualquer outro governo ou 
instituições, apontando características próprias como o próprio nome, 
que nasceu da própria sociedade virtual e digital.
A segunda geração desse entendimento defende que a soberania 
é um conceito maior que o ciberespaço e tudo que envolve o mundo 
virtual. Segundo os idealizadores desse entendimento, por ter nascido 
a partir de pessoas que existem no mundo real, o ciberespaço faz parte 
do mundo real também, descaracterizando o ciberespaço como seu 
próprio espaço.
Direito Digital 13
Nesse segundo entendimento, o ciberespaço não passa de um 
espaço no sentido figurativo, pois o que sustenta de fato nesse mundo 
virtual são os dispositivos eletrônicos existentes no mundo real, incluindo 
toda sua fiação, eletricidade, baterias e controles.
Nesse caso, não só a soberania de outros países iria incidir no 
ciberespaço, como também a soberania seria um conceito muito maior 
do que o de qualquer mundo virtual, e, assim, seria possível controlá-
lo plenamente. Quando pensamos nesse ponto de vista, verificamos seu 
sentido, já que os governos já podem de fato regular o mundo virtual, com 
leis e limitações desde os aparelhos eletrônicos quanto à própria internet.
Além disso, os defensores desse segundo entendimento também 
defendem que o único sujeito capaz de regular e fornecer melhorias ao 
ciberespaço é o país soberano, seguindo as regras tradicionais do direito 
internacional, assim como devem ser os países os responsáveis para 
lidar com questões que envolvem crimes cibernéticos.
Entre o primeiro entendimento e o segundo, o segundo claramente 
prevaleceu por muito tempo, sendo ainda defendido por países como 
China e Rússia, como pode ser observado na figura 01.
O terceiro, e mais recente, entendimento é o que envolve o 
ciberespaço com um aspecto de governança global, de domínio público 
internacional. Primeiramente, porque o mundo transnacional demanda 
isso, já que não é comum perceber apenas uma nacionalidade envolvida 
sozinha em conflitos cibernéticos. Também temos o fato de que a 
Internet acaba conduzindo questões que antes eram só de um país, a 
nível internacional de disputa entre países.
Segundo a literatura científica sobre o assunto, grandes potências 
mundiais como Estados Unidos e China usam de seus poderes mais 
coercitivos para defender seus diferentes pontos de vista de o que 
consiste no ciberespaço e sua governança, atraindo outros países a 
escolherem um lado e uma opinião.
É basicamente uma escolha entre o modelo livre que os Estados 
Unidos defendem, atribuindo a governança a todos os países interna-
cionais, e o modelo mais político e fechado da China, que oferece a 
soberania como conceito indiscutível que controla o ciberespaço.
Direito Digital14
Desafios e limitações da administração do 
ciberespaço
Um fato que dificulta, e muito, a atribuição de responsabilidade 
de um ciberataque a alguém, ou a um país, é a dificuldade em 
encontrar e localizar a fonte exata de onde veio o ataque. Isso se dá 
em razão, principalmente, pela própria questão da transnacionalidade 
e ciberespaço: uma pessoa pode ser de um país, estar em outro país, 
comandar um ataque através de dispositivos de outro país... 
Nos casos de conflitos armados, o direito internacional consegue 
identificar a fonte dos ataques a partir das armas utilizadas e algumas 
marcas que ajudam na identificação e atribuição aos devidos responsáveis. 
No caso de quando os ataques acontecem no ciberespaço, é muito mais 
complicado tentar atribuir essa mesma distinção técnica.
Por que, exatamente, seria tão necessário encontrar a exata fonte 
dos ataques, você pode estar se perguntando, não é mesmo? Bem, 
encontrando a fonte, o desenrolar técnico e jurídico pode ser continuado, 
pois a atribuição da responsabilidade não é algo que se dá de forma 
básica. No direito, precisamos saber sempre quem foi que fez e o que 
exatamente fez para podermos atribuir qualquer tipo de penalidade.
Já pensou se atribuíssem penas a pessoas que não temos 
certeza de que estão envolvidas em algum ataque? O caos que seria, 
sem segurança jurídica alguma? É o que sempre buscamos, inclusive 
nos casos de crimes que acontecem no ciberespaço ou a partir dele. 
Esse, entretanto, é um dos primeiros desafios que encontramos quando 
tratamos desse tema.
Não temos certeza, ainda, sobre quem possui a governança do 
ciberespaço. Não temos, ainda, meios técnicos suficientes que digam, com 
rapidez, as fontes dos ataques cibernéticos. Como, então, poderíamos 
falar de fato em controle e administração do ciberespaço?
Vejamos como a informação viaja no ciberespaço antes que 
continuemos essa discussão, a partir da figura abaixo:
Direito Digital 15
Figura 03: viagem da informação no ciberespaço.
Fonte: A Autora.
É como se, no ciberespaço, tivéssemos espécies de pacotes de 
dados com informações, tanto de conteúdo, quanto de informação de 
destino. Esse pacote é traduzido e decodificado por roteadores que 
conseguem identificar o destino, a partir de instruções contidas no 
pacote, até entregar de fato ao destinatário, como um e-mail. 
Destaca-se aqui que os dispositivos não foram construídos para 
analisar se o destinatário é simples, puro ou complexo, muito menos as 
informações enviadas. Eles só conseguem decodificar o endereço final 
a partir de dados e IPs.
Agora, suponha que você é um investigador de um ataque 
cibernético. Com conhecimentos informáticos suficientes, você teria 
como saber quem foi o remetente do pacote de dados ao descobrir o IP 
do remetente, pelas nossas próprias tecnologias, e consequentemente 
quem é o dono do dispositivo que mandou a mensagem.
Mas... imagine agora que o remetente também é um conhecedor 
das tecnologias de informação, como um hacker, e ele consiga mandar 
o sinal de outros IPs que não o dele? Ou uma rede de interconexão que 
você não consiga identificar apenas um remetente, como é o caso nos 
ataques de serviço de negação (DOS)?
Depois de todas essas informações, é necessário compreender 
que esse não é o fim. Os cibercriminosos não são os únicos que possuem 
a tecnologia como arma. 
Temos analistas especialistas em tecnologias da informação que 
são capazes de identificar certo tipo de assinaturas de ciberataques, 
como detalhes que mostrem ao analista o método utilizado, a forma 
Direito Digital16
utilizada, até que depois de um tempo seja possível identificar que 
diferentes tipos de ciberataquesforam praticados pela mesma pessoa.
É afirmado nos estudos científicos que os cibercriminosos 
possuem formas e métodos que eles mais gostam, fazendo parte de 
sua identidade digital, assim como a polícia pode reconhecer de onde 
uma pessoa é de acordo com seu sotaque. 
Esse tipo de identificação, em conjunto com análises comporta-
mentais com certeza auxiliam a identificação dos responsáveis pelo 
ataque, ainda que em primeiro plano seja identificado apenas o grupo 
ao qual pertencem ou o país.
Mas o que fazemos com essa responsabilidade quando, mesmo 
descobrindo o remetente pelas análises forenses, descobrimos que ele 
está ligado a algum objetivo maior como nos casos do cyber warfare, 
que muitas vezes envolvem comandos diretos de governos dos países? 
Bom, para isso, temos o direito internacional para nos amparar.
Como vimos, uma das teorias de domínio do ciberespaço defende 
que o mundo digital é de domínio público internacional, não é? A partir 
disso, que é a teoria mais aceita nos últimos tempos, o direito internacional 
tenta não macular as prerrogativas das soberanias de cada país e vem 
atribuindo a responsabilidade de acordo com o que é convencionado.
É importante ressaltar que, no direito internacional, a soberania 
dos países fala alto. Uma das consequências disso é que, para concordar 
com qualquer coisa em âmbito internacional, os países só o farão se 
quiserem e se o acordo for de acordo com suas próprias leis nacionais.
Isso significa que, como país soberano, que decidiu sobre os 
acordos e normas que quer participar, ele deve sim se responsabilizar por 
qualquer ato de seus nacionais que tiver algum traço de envolvimento 
com o governo interno – nesse contexto, entenda que são incluídas 
ações e omissões. 
O que isso significa, você deve estar se perguntando, não é?
De acordo com Marguilles (2013, p. 10), a regra de conduta geral 
internacional é que a responsabilidade recai ao país caso esteja com-
provado que os órgãos nacionais ou algum nacional agiu por direções e 
comandos do governo interno, ou até por mera instigação ou forma que 
demonstre seu controle superior. 
Direito Digital 17
Quem, entretanto, desejar atribuir a um país esse tipo de respon-
sabilidade, deve, obrigatoriamente, demonstrar pelo menos um elo 
entre o ciber ataque e o país. Pois qualquer outra opção que não essa 
desrespeitaria o status supremo e soberano dos países
Além disso, se qualquer atitude de grupos privados, como grupos 
terroristas, fosse de responsabilidade dos países, eles responderiam 
muito mais em nível internacional por indivíduos do que como governo, 
propriamente dito. Aliás, como a própria ONU afirma, as condutas 
individuais de grupos particulares não serão atribuídas aos países. 
Caso os grupos privados estejam de fato agindo porque foram 
incentivados, incitados ou comandados pelo governo dos países, de 
forma direta e comprovada que o elo exista de fato... Aí sim o país será 
responsabilizado. 
A partir dessas informações, note que apenas o auxílio financeiro 
provindo de um país NÃO constitui como uso de força, e portanto, 
mesmo que comprovado, o país não seria responsabilizado por qualquer 
ataque do grupo privado financiado. 
Entretanto, se o país arma um grupo privado, incluindo dando a 
eles programas maliciosos e treinando os seus membros para realizar 
ciberataques, incluindo ciberespionagem, isso sim configuraria a respon-
sabilidade ao país. 
RESUMINDO:
E então? Conseguiu entender essa primeira parte da nossa 
terceira unidade? Agora, só para termos certeza de que 
você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter revisado 
conceitos básicos que lhe permitam entender como os 
países estão interconectados, e como é complicado definir 
um domínio do ciberespaço. Além disso, vimos aqui que 
é importante identificar o controle e a administração do 
ciberespaço para atribuir responsabilidades a ataques 
cibernéticos que porventura venham a acontecer. Entre-
tanto, vimos também que identificar essa governança do 
ciberespaço, além de ser um enorme desafio, significa a 
quase impossibilidade de atribuição de responsabilidade.
Direito Digital18
Modalidades de administração do 
ciberespaço
INTRODUÇÃO:
Ao término desta competência, você poderá entender 
modalidades de administração e controle do ciberespaço, 
ou seja, as formas de governança. Além disso, vamos ver 
as implicações das formas, analisando o contexto de suas 
consequências e alguns casos. Vamos lá, entender mais 
sobre essa governança?
Formas de modalidades de administração 
do ciberespaço
Como vimos no capítulo anterior, é necessário que entendamos 
as possíveis formas de governança que podemos ter do ciberespaço 
para compreender ainda mais o contexto e o desenrolar de sua situação.
Veremos, ainda nesse capítulo, que os países podem defender 
modalidades de governança alternadas, dependendo do seu ideal 
inicial e teoria defendida acerca do domínio do ciberespaço. O que é 
importante entender aqui, é que há duas principais questões em cheque: 
quem administra? Quem controla?
Os países tentam, a partir das modalidades que veremos a seguir, 
definir o sistema de governança baseado na resposta que mais se adequa 
aos seus próprios interesses. Mas não se preocupe, vamos ver devagar as 
modalidades para ver depois o que os países defendem de fato.
Primeiramente, veremos como fica a situação dos novos sujeitos 
do direito internacional, as partes privadas como multinacionais, verifi-
cando as formas de multilateralidade e multistakeholder. 
Posteriormente, analisaremos as três principais formas de controle e 
administração do ciberespaço que são possíveis pelo direito internacional, 
a saber, as formas de ausência de governança, governança por tratado e 
governança por normas.
Analise a figura abaixo que trata sobre essas formas para um 
melhor entendimento:
Direito Digital 19
Figura 04: Formas de governança do ciberespaço. 
Fonte: A Autora.
Acerca das partes privadas, devemos iniciar o assunto declarando 
que nenhum país defende a governança puramente privada do ciberes-
paço, apesar de ser tecnicamente uma opção viável devido ao papel 
desempenhado por elas no curso da história do ciberespaço. 
Entretanto, os países consideram o ciberespaço um campo 
muito valioso devido sua importância com as pessoas, o que afasta a 
possibilidade de as partes privadas controlarem sozinhas o mundo digital.
Sob a abordagem que envolve as partes privadas no modo multi-
lateral, isso quer dizer que quem defende essa modalidade, defende 
também que o ciberespaço deve respeitar o tratado de Vestfália, ou seja, 
deve seguir comandos dos territórios soberanos, com o conceito de 
soberania pertencente ao direito internacional clássico.
Para os países que defendem essa teoria e essa modalidade, os 
enfoques que devem ser dados ao modelo multilateral é o da proteção 
dos dados digitais a partir da forma soberana, assim como as informações 
de segurança. Um exemplo dessa modalidade é o modelo da Organização 
de Cooperação de Shangai (SCO em inglês) entre Rússia, China, Índia, Irã 
e outros países da Ásia Central.
Nessa forma multilateral, os países conseguem administrar o ciberes-
paço em seus territórios de acordo com as políticas de segurança da internet 
decididas na organização, podendo também ser decidido entre eles respostas 
e contra-ataques realizados no ciberespaço, controlando a situação.
Direito Digital20
Já na forma de multistakeholder, não só os países, mas também 
os sujeitos que não são países, tais quais empresas privadas, podem 
ser responsáveis por setores do ciberespaço, sendo as multinacionais 
capazes de representar não apenas as pessoas civis, como também 
todo o setor econômico financeiro privado.
INTRODUÇÃO:
Bom, esse entendimento se dá devido à lógica de que, 
sozinhos, os países apesar de soberanos não têm condu-
ções plenas de administrar e controlaro ciberespaço da 
maneira que se deve. Abrir parte desse controle para as 
partes privadas, tais como o próprio Google e Facebook, é 
uma forma de envolver toda a sociedade nessa governança, 
até porque as partes privadas contribuem e muito para o 
desenvolvimento do ciberespaço.
Países como os Estados Unidos e Reino Unido, bem como as 
próprias companhias privadas, apoiam esse modelo mais aberto e 
livre, sendo a forma reconhecida pela ONU em 2002, que aceitou a 
participação de outros atores do direito internacional no envolvimento 
com o ciberespaço, como afirma Liaropoulos (2017, p. 30).
Nesse sentido, o autor concorda que o modelo multistakeholderism 
é o mais ideal em sua visão pura, pois os participantes, chamados de 
stakeholders, são considerados todos iguais e eles mesmos produzem 
as normas, incluindo repercussões e penalidades sobre o que acontece 
no ciberespaço.
Liaropoulos (2017, p. 32) apresenta um exemplo de muiltistakehol-
derism na figura na NET mundial, iniciada pelo governo brasileiro em 2014 
depois das revelações de Edward Snowden, reunindo participantes de 
mais de 100 países representando os setores privados, civis e a academia. 
Na NET mundial, conseguimos atingir o patamar de isonomia, o 
processo de democracia e neutralidade, mas... Um consenso nunca foi 
atingido, o que demonstra que o modelo ainda tem muito o que avançar.
É importante destacar que nas discussões acerca dos domínios 
público internacionais (alto mar, espaço sideral e corpos celestes, e Antártica), 
nenhuma parte privada foi ao menos considerada como interessada, e 
Direito Digital 21
consequentemente, nunca teve chances de obter qualquer governança como 
acontece no ciberespaço, assim como esses domínios não representam tanta 
liberdade quanto o mundo digital oferece com essa forma multistakeholderism.
Mas e quanto as modalidades de governança outras além das que 
envolvem ou não a presença exclusiva de países? Bem, temos as opções 
dadas pela sociedade internacional como um todo. Observe a figura abaixo:
Figura 05: Modalidades de governança. 
Fonte: A Autora.
Se você acha que a modalidade sem governança representa o 
caos e a anarquia, saiba que não é o que se trata aqui. Nessa modalidade, 
nós não temos uma estrutura específica, mas não quer dizer que não 
tenha qualquer ordem. Retrata, então, o controle do ciberespaço, sem 
governança específica com a exceção do âmbito de crimes cibernéticos, 
único segmento do ciberespaço que possui mecanismos e tratados e 
regulamentos próprios.
Essa forma indica que sua estrutura é não ter uma estrutura, como 
se fosse um acordo entre os sujeitos do direito internacional para ninguém 
criar qualquer mecanismo específico, sendo o ciberespaço um ambiente 
que apenas existe e é reconhecido pela sociedade internacional, mas que, 
caso precise, terá o amparo de regramentos básicos, como o soft law.
DEFINIÇÃO:
“Soft law” é o termo do direito internacional que envolve 
acordos, princípios e declarações em nível internacional 
que são mais suaves, ou seja, não possuem um poder 
coercitivo que uma norma possui, portanto, não obriga 
ninguém a fazer nada.
Direito Digital22
Vale salientar que não é a primeira vez que temos um domínio sem 
governança, já que é o modelo que mais faz sentido para os espaços em 
que não se prevê, no momento, qualquer espécie de operações. Foi o 
caso do espaço sideral antes dos anos 50, em que ainda não se tinha 
meios específicos para explorá-lo. Portanto, o direito consuetudinário, a 
partir de costumes do que se era combinado, era suficiente.
Entretanto, o aumento da importância do ciberespaço fez com 
que os países começassem a se interessar mais pela sua administração 
e controle, querendo definir um modelo de governança, tendo em vista 
todo o poder que pode ser emanado do mundo virtual. 
Além das formas que já vimos, podemos entender que a China e a 
Rússia sugerem uma forma de tratado, enquanto os Estados Unidos e o 
Reino Unido sugerem uma modalidade de desenvolvimento de normas. 
Mas o que essas modalidades significam?
Bom, o tratado é a modalidade jurídica legal, acobertada pelo 
direito internacional, que possibilita que os países soberanos governem 
sobre determinados espaços do mundo digital. Essa ideia de realizar um 
tratado internacional em que os países concordem sobre a governança 
do ciberespaço, é, para muitos países, apenas um sonho que não poderia 
nunca funcionar.
Ainda assim, a China e a Rússia vêm tentando implementar essa 
modalidade. Em 2011, os países entregaram à Assembleia Geral da ONU 
um rascunho de um tratado que versava sobre possíveis regras sobre 
estabilidade e segurança no ciberespaço, no formato de um código de 
regras de nível internacional.
Nesse rascunho, os países propunham que todos concordassem 
com a obrigação de não usar qualquer tecnologia da informação no âmbito 
do ciberespaço para realizar qualquer ação considerada hostil, ou atos de 
agressão. Além disso, continha no rascunho a proposta da cooperação 
internacional para acabar com qualquer informação no ciberespaço que 
tivesse capacidade de disseminar qualquer conteúdo extremista.
Essa proposta de tratado aduz exatamente a teoria da China e 
da Rússia, de que os países soberanos devem governar o ciberespaço. 
Isso é, apenas o s países soberanos iriam possuir controle sobre o 
ciberespaço, impondo direitos e deveres a todos os países que o 
Direito Digital 23
assinassem, para proteger as regras e manter o ciberespaço organizado. 
Para isso, teríamos a modalidade multilateral e transparente em conjunto 
para garantir a equidade na distribuição do ciberespaço.
Como você deve imaginar, os Estados Unidos nunca aceitaram essa 
proposta. E com essa recusa, principalmente de uma grande potência, 
o tratado nunca seguiu em frente e é até provável que nenhum tratado 
tenha forças de seguir, já que os Estados Unidos é claramente contra a 
essa modalidade. Mas por quais motivos é tão difícil a ideia da concepção 
de um tratado acerca do ciberespaço? Analise a figura abaixo.
Figura 06: Motivos da improbabilidade de tratados sobre governança do ciberespaço.
Fonte: A Autora.
Veja bem, o primeiro motivo é o que mais demonstra que quando 
países em lados opostos não costumam concordar em alguma coisa, 
eles realmente vão insistir em não concordar. 
Quer dizer, as diferenças fundamentais dos dois lados é que a 
China e a Rússia (e seus aliados) querem um modelo multilateral em 
que os países soberanos concordem sobre direitos e deveres de cada 
um para assumir o controle do ciberespaço. Já os Estados Unidos (e 
seus aliados) defendem o modelo multistakeholder, com a presença de 
sujeitos privados que não possuem soberania. 
Além disso, os dois lados também interpretam ameaças ciberné-
ticas de forma distinta, pois enquanto a Rússia e aliados dão ênfase na 
influência cibernética e na capacidade que o conteúdo do ciberespaço 
tem de mobilizar forças contra o seu governo promovendo um governo 
instável, os Estados Unidos e seus aliados focam muito mais na 
segurança cibernética e nos riscos e integridade da rede.
Direito Digital24
Já o segundo motivo implica que a ausência de sistemas de leis 
anteriores sobre o ciberespaço dificulta a formação de um tratado, pois 
em outros casos, como no Alto Mar, já existiam regras aceitas interna-
cionalmente, o tratado apenas formalizou. Começar do zero para que 
todos os países concordem, principalmente considerando as diferenças 
fundamentais entre os dois lados, chega a ser impensável.
Por último, temos o terceiro motivo como sendo o interesse que 
o ciberespaço desperta em diversos países. Ao contrário do continente 
da Antártica, por exemplo, que tinha (e ainda tem) países específicos 
interessados, o ciberespaço desperta um interesse muito maior de 
sujeitos que demonstrar querer obter controle e responsabilidade.
A terceira modalidade a ser vista é a das normas, que defende, 
principalmente,que se a ausência de governança chega a ser impraticável 
em razão de o local demandar um certo controle, e quando o tratado 
internacional é improvável de acontecer, irá nos restar o desenvolvimento 
de normas comportamentais que regulem o ciberespaço.
Aqui, devemos entender que “normas” é um conceito diferente de 
“leis”. Normas se referem mais a princípios gerais do direito internacional 
que não são necessariamente regras.
Por que os Estados Unidos e seus aliados defendem essa moda-
lidade? Bem, há uma facilidade muito maior em desenvolver normas 
do que um tratado que precisa que todos os países concordem com o 
conteúdo e pode levar anos de negociação. Já as normas podem surgir 
até de forma bilateral, a partir da forma que dois sujeitos se comportam.
Como princípios, as normas são mais flexíveis e podem até ter 
seu conceito e suas formas modificadas com o tempo, a partir da prática 
dos sujeitos do direito internacional, que pode até ser modificado pelo 
desenvolvimento de novas tecnologias. Quanto a isso, o tratado pode 
simplesmente ficar obsoleto e ultrapassado. Além disso, o intuito dos 
dois seria o mesmo (que é o de coordenar e governar o ciberespaço), só 
que a modalidade das normas seria mais simples.
Direito Digital 25
Implicações das formas de controle do 
ciberespaço
Compreendendo as diferentes formas e modalidades de gover-
nança do ciberespaço, entende-se que essa é uma discussão que não 
é nova, e que, talvez, perdure por mais um tempo. Essa discordância, 
entretanto, gera o cenário atual: vários países e demais sujeitos do direito 
internacional interessados no ciberespaço, cada um querendo dominar 
parte dele, sem nenhuma regra ou norma específica. 
O resultado disso? É que o ciberespaço continua sem qualquer 
controle e administração específica, o que considerando todas suas 
camadas da deep web e da dark web, pode ser desesperador. Esse tipo 
de conflito em relação ao ciberespaço é algo que apenas prejudica o 
próprio mundo digital. É necessário que os sujeitos encontrem pontos 
em comum para desenvolver melhor essa possível governança.
Encontrar pontos comuns, apesar de difícil, não é impossível. Em 
2013, os Estados Unidos e a Rússia, por exemplo, realizaram um acordo 
para reduzir riscos de conflitos no ciberespaço através da comunicação 
sobre incidentes entre eles que envolvessem riscos diretos à segurança 
nacional.
RESUMINDO:
E então, já está se familiarizando melhor com essas 
discussões sobre a governança do ciberespaço? Espero 
que sim! Nesta segunda parte aprendemos sobre as 
principais modalidades de governança do ciberespaço, 
aprendendo que esse é um assunto muito discutido e há 
sérias dificuldades em entrar em comum acordo entre os 
sujeitos do direito internacional. Vimos as modalidades 
que tratam do envolvimento ou não das partes privadas 
(multilateral e multistakeholders) e as modalidades de 
governança, que incluem ausência de controle, tratados e 
normas. Além disso, vimos em linhas gerais as implicações 
dessas modalidades e a necessidade de os sujeitos 
definirem pelo menos linhas básicas de coordenação do 
ciberespaço.
Direito Digital26
Militarização e desmilitarização do 
ciberespaço
INTRODUÇÃO:
Ao término desta competência você compreenderá o 
contexto da militarização e desmilitarização do ciberespaço, 
assim como os limites das forças militares em outros 
domínios e o desejo da regulação ou não dessas forças no 
contexto virtual.
A militarização do ciberespaço
Para iniciar esse capítulo, é importante começar destacando que 
as forças militares surgem no âmbito dos países para, principalmente, 
defender as fronteiras físicas dos territórios, sendo esses os limites da 
soberania de cada país.
Entretanto, aqui temos o ciberespaço como um mundo virtual sem 
qualquer tipo de barreira física, que, aliás, introduz uma vastidão de conteúdo 
que não conseguimos nem mensurar. Além disso, temos toda a questão da 
governança do ciberespaço e a incerteza de como lidar com o mundo digital, 
com ou sem soberanias envolvidas e seu grau de importância.
Como, então, podemos falar de militarização (ou não) de um 
espaço cibernético como esse? Seria o ciberespaço o mesmo caso dos 
outros domínios públicos estudados, com a limitação de forças militares, 
ou esse seria apenas um detalhe desnecessário?
Bom, quando tratamos do assunto de militarização, precisamos 
primeiramente entender o motivo de qualquer uso de forças militares 
nos domínios públicos internacionais (Alto Mar, Espaço Sideral e Corpos 
Celestes e Antártica) ser limitado.
Como vimos nas unidades anteriores, foi acordado entre os países 
soberanos a proibição ou limitação das forças armadas nos domínios 
de interesse público internacional. Temos, na Antártica, a completa 
desmilitarização, já que o continente deve ser utilizado apenas para fins 
pacíficos, enquanto no Espaço Sideral há certos limites de atividades 
militares, como a proibição de armas nucleares no local, e no Alto Mar, 
em que as normas definem o uso pacífico mas não proíbem as forças 
militares de agirem por lá.
Direito Digital 27
Mas e quanto ao ciberespaço? Será que é possível o uso das 
forças armadas dos países? Ou seria mais um caso de proibição? Ou 
ainda, um caso que as forças armadas seriam limitadas? 
Há a opção de as forças armadas serem proibidas no ciberespaço, 
de modo que não possam se utilizar das ferramentas da Internet para 
ataques ou defesas. Há também a opção de limitar as forças armadas 
no ciberespaço de modo que não seja autorizado qualquer conexão de 
armas nucleares com os sistemas do ciberespaço. E, por fim, há a opção 
de determinar usos pacíficos no mundo digital.
É interessante perceber que a proposta-rascunho do tratado em 
formato de código internacional proposto pela China e pela Rússia, que 
foi rejeitado de pronto pelos Estados Unidos, consegue prever essas 
formas de militarização ou não do ciberespaço, conforme a figura:
Figura 07: Código Internacional de Conduta para 
Segurança de Informação e os cenários previstos. 
Fonte: A Autora.
O rascunho do código internacional estabelecia que o ciberes-
paço deveria ser utilizado apenas para o benefício da sociedade (de 
cada país) e seu desenvolvimento econômico, sendo permitido o uso 
das forças militares nesse contexto. Entretanto, os países teriam que 
se comprometer a não se envolver no ciberespaço com ações hostis 
ou de agressão, assim como não deveriam incentivar a produção e 
disseminação de armamentos com tecnologia de informação.
Por outro lado, o código também incentiva a não utilização do 
cyber warfare e o não desenvolvimento de armas informacionais, como os 
Worms de Stuxnet, justamente para não termos uma guerra cibernética. 
Veremos mais à frente as repercussões de uma provável desmilitarização.
Direito Digital28
A favor do argumento da militarização no domínio e governança 
do ciberespaço, temos quatro principais que sustentam essa posição, 
conforme você pode verificar na figura abaixo.
Figura 08: Militarização do ciberespaço. 
Fonte: A Autora.
O primeiro motivo pode ser explicado unicamente pelo fato dos 
Estados Unidos (e seus aliados) terem rejeitado o tratado na forma de 
código internacional promovido pela Rússia e China. Como acabamos 
de ver, o código previa dois cenários apenas: o da desmilitarização e o 
da militarização limitada. Ao rejeitar de pronto o rascunho do tratado, os 
Estados Unidos e seus aliados acabam rechaçando qualquer ideia de 
ausência ou controle limitado das forças militares no ciberespaço.
Para os Estados Unidos e o Reino Unido, o ciberespaço deve 
ser governado com a presença do direito de guerra, já que os próprios 
ciberataques já são considerados como conflitos armados. Isso indica que 
eles negam qualquer possibilidade em que o ciberespaço se apresente 
única e exclusivamente de forma pacífica e não hostil, que é basicamente 
o que o tratado propunha para a melhor convivência internacional.
Inclusive,os Estados Unidos declararam que a força militar não é 
apenas importante, a sua presença é vital no mundo de hoje, principal-
mente como elemento de segurança nacional.
O segundo motivo é considerado um dos mais claros e evidentes: 
já temos a presença das forças armadas no ciberespaço. Por que, então, 
deveríamos coibi-la?
Bem, já vimos, ao estudar as espécies de crimes cibernéticos, que os 
países já são capazes (e muito) de ter suas forças armadas no ciberespaço 
praticando e conduzindo atividades, seja de espionagem ou vigilância. 
Todos os países acabam desenvolvendo tecnologias que contribuem para 
ofensivas militares no ciberespaço, deixando claro que a militarização já 
Direito Digital 29
existe no ciberespaço, e que a opção de desmilitarização significaria que os 
países teriam que concordar em não avançar nesse campo.
Temos também o terceiro motivo que alega que não são apenas 
os países soberanos que possuem e desenvolvem atividades militares 
no ciberespaço. As partes privadas, como multinacionais e indivíduos 
particulares também participam desse desenvolvimento, ainda que em 
menor escala, mas ainda capaz de lançar ataques cibernéticos.
Quer dizer, o ciberespaço, por não possuir fronteiras físicas, permite 
o livre acesso a todos, incluindo os sujeitos do direito internacional que 
não são os países soberanos. Permite também o acesso para todos os 
tipos de atividades, inclusive as ilícitas.
Sim, aqui estamos nos referindo a não só o cyber warfare, mas 
o ciberterrorismo também: nessa espécie, temos pessoas ou grupos 
particulares que estão empenhados a desenvolver mais e mais 
tecnologias informacionais de cunho ofensivo, de caráter armado. Apesar 
de não serem caracterizados como forças militares como exército, 
entram nessa questão por apresentar grande poder e possibilidade de 
realizar ataques efetivos que possam repercutir no mundo real.
Sabendo disso, por qual motivo os países iriam aceitar uma 
proposta de desmilitarização quando eles sabem, e está também 
evidente, que as partes privadas iriam continuar desenvolvendo esse 
tipo de atividade no ciberespaço?
Por fim, temos o quarto motivo a favor da militarização: os 
diferentes contextos que temos agora, em comparação à época em que 
foram discutidos os acordos sobre os demais domínios, em que a guerra 
fria era o principal pano de fundo.
Na guerra fria, tínhamos apenas uma bipolarização que envolvia 
de forma direta apenas dois países: os Estados Unidos e a União 
Soviética. Entretanto, agora temos uma polarização muito maior, que 
envolve um número de países muito maior, envolvendo basicamente 
de um lado os Estados Unidos, o Reino Unido e seus aliados, e do outro 
lado a Rússia, China e seus aliados.
A bipolarização facilitou com certeza os acordos acerca dos 
outros domínios públicos internacionais no que tange o aspecto militar: 
era previsível os mecanismos para diferenciar qual ataque vinha de 
Direito Digital30
onde, já que tínhamos dois países soberanos apenas, e dava até para 
evitar o conflito se fosse descoberto ou desconfiado por onde ele viria.
Isso, entretanto, é quase impossível de acontecer nos dias de 
hoje. Primeiro, em razão de o ciberespaço ser interconectado e ser muito 
fácil de despistar os remetentes dos ataques cibernéticos. Além disso, 
o ciberespaço envolve uma infinidade de opções de ataques, deixando 
claro que esse domínio cibernético apresenta muitos mais desafios do 
que os tradicionais que dá apenas para resolver com a desmilitarização.
Quais são, entretanto os motivos que apoiam essa desmilitarização? 
Continuemos.
A desmilitarização do ciberespaço
A desmilitarização é comumente defendida junto com a possibi-
lidade de limitação da militarização, como foi o caso do tratado proposto 
pela China e pela Rússia trazido no tópico anterior. 
Entretanto, podemos destacar mais motivos que expliquem o 
motivo de alguns sujeitos do direito internacional defenderem esse posi-
cionamento. Para isso, observe a figura abaixo que traz as características 
do ciberespaço que despertam esse tipo de posicionamento:
Figura 09: Características do ciberespaço que sugerem 
a desmilitarização e/ou militarização limitada.
Fonte: A Autora.
Primeiramente, temos o fato do ciberespaço que temos visto ao longo 
de todas as unidades: a dificuldade em controlar o ciberespaço, devido sua 
imensidão de conteúdo faz com que ninguém tenha essencialmente todo 
o controle do mundo digital, assim como é complicado pensar na hipótese 
de um país soberano defender suas fronteiras... Quando na verdade nem 
conseguimos ver essas fronteiras de forma virtual.
Direito Digital 31
A impossibilidade de controlar o ciberespaço é diretamente 
ligada à segurança existente no mundo virtual, pois a cada novo desen-
volvimento de tecnologia informacionais, temos também novos tipos de 
ameaças cibernéticas que podem encontrar brechas para infiltrar até as 
consideradas anteriormente essencialmente seguras.
Inclusive, foi verificada uma situação parecida quando se discutia 
o domínio do espaço sideral, na parte da proibição da militarização. Na 
época, apenas os Estados Unidos e a União Soviética tinham efetivas 
capacidades de produzir tecnologias que chegassem lá. Quer dizer que, 
no pior cenário possível, os países sabiam que ou um ou outro teriam 
controle sobre o espaço sideral e corpos celestes. O raciocínio deles na 
época foi: nesse pior cenário possível, eu não quero que meu inimigo tenha 
forças militares lá, então é melhor concordar em proibir a militarização.
A segunda característica é a de que o ciberespaço representa 
uma espécie de perigo quanto às atividades militares, pois podemos ter 
como consequências, atividades não intencionadas. Um malware, por 
exemplo, que intencione espionar para contribuir num possível cyber 
warfare pode acabar atingindo alvos civis que não têm qualquer relação 
com os objetivos do governo.
REFLITA:
Lembra do caso Stuxnet, com o worm espião nas usinas 
nucleares? Agora imagine que por acidente esse worm 
tivesse atingido uma parte da população da cidade, que 
poderiam ter seus sistemas informáticos infectados? A 
agenda das atividades militares corre o risco de afetar todo 
mundo, inclusive você.
Por fim, temos a terceira característica do ciberespaço: sua própria 
vulnerabilidade. Você deve ter notado ao longo das unidades que falamos 
muito mais em ataques cibernéticos do que em defesas cibernéticas, 
não é? Pois bem, a lógica que devemos pensar é que as ferramentas de 
ciberataques são muito mais desenvolvidas do que estratégias de defesa, 
o que acaba deixando a própria retaguarda mais fragilizada.
Nesse sentido, a desmilitarização faria com que os sujeitos do 
direito internacional ficassem mais tranquilos em relação a ataques 
Direito Digital32
militares desse nível. Foi provavelmente essa mesma linha de raciocínio 
que fez com que a força militar fosse limitada no espaço sideral no aspecto 
de proibição do uso de armas nucleares, ou até no aspecto de satélites no 
espaço sideral que pudessem comprometer a segurança nacional.
É de entendimento comum na sociedade internacional que, por 
mais danos que um ataque cibernético venha porventura provocar, 
ainda está muito longe das consequências para as vidas dos indivíduos 
que os demais tipos de guerra provocam, como uma guerra nuclear que 
teria condições de regredir o tempo em que vivemos de tão grave que 
pode ser. Além disso, é entendido que hoje em dia temos tecnologia 
suficiente para focar em alvos específicos, evitando que civis sejam 
também. Em razão disso, o argumento a favor da total desmilitarização 
acaba sendo enfraquecido.
Apesar desse enfraquecimento, a militarização limitada continua 
sendo uma opção que fica entre os dois extremos. Esse entendimento 
acaba levando em conta que não é pela desnecessidade da proibição da 
militarização que todos os sujeitos do direito internacional iriam passar a 
agir comobem entendem com suas forças militares. Há, para isso certos 
tipos de limites.
Os limites são encarados como em duas principais características: 
uma que envolve a adaptação de leis sobre o conflito armado para o 
ciberespaço e outra categoria que envolve a proibição apenas de alguns 
tipos de armas cibernéticas. 
Na categoria de adaptação das leis já existentes sobre conflitos 
armados para o ciberespaço, entende-se que abrange o momento 
atual em que não possuímos leis específicas no âmbito militar para o 
ciberespaço. Isso quer dizer que todos os princípios de conflitos armados 
que vimos anteriormente, como a questão do direito humanitário ou jus 
ad bellum.
Nesse aspecto, a Estratégia Internacional para o Ciberespaço de 
2011 declarou que não é necessário que tenhamos leis específicas para 
o ciberespaço, pois as que já são existentes não se tornaram obsoletas. 
Também entende que o mundo virtual possui certas particularidades 
e por isso deve haver certos esclarecimentos específicos sobre a lei 
existente no âmbito do ciberespaço.
Direito Digital 33
Acerca da segunda categoria, a proibição de tipos específicos de 
armas cibernéticas, não tem recebido tanta atenção quanto a categoria 
anterior. Não há, atualmente, qualquer proibição a nenhum tipo de arma 
específica, e esse tipo de proibição no mundo real é algo bem comum 
trazido pelo direito internacional.
A título ilustrativo de como é comum, temos as Convenções 
de Haia que proíbem certos tipos de projéteis que causam asfixia 
e utilização de veneno em combates ou armas que são criadas para 
causar lesões excessivas. É o caso também de tratados que proibiram o 
uso de bactérias e outros métodos biológicos como armas em guerras, 
assim como armas químicas.
E então? O que achou de conhecer esse aspecto mais específico 
envolvendo as forças armadas? Vamos relembrar um pouco comigo! 
Começamos com o contexto da necessidade das forças armadas para 
defender os territórios dos países soberanos, depois relembramos 
como funcionam os outros domínios existentes e como eles preveem a 
utilização das forças armadas em seus domínios. Depois disso, vimos os 
lados e posições atribuídas ao ciberespaço quanto a sua militarização 
ou desmilitarização, ou ainda a militarização limitada. Vimos os 
motivos e características que levam a argumentos de cada ideia, 
compreendendo não só que existem lados positivos e negativos para 
cada posicionamento, mas também entendemos o posicionamento do 
direito internacional quanto a isso. Vamos agora dar uma guinada para 
outro assunto específico do ciberespaço.
Copyright no mundo digital
INTRODUÇÃO:
Ao término desta competência você será capaz de entender 
o contexto do copyright no ciberespaço, incluindo seu 
conceito e como se aplica, bem como os novos desafios 
que necessita enfrentar. Vamos juntos!
Direito Digital34
Origem e conceituação de copyright
Nesta unidade, temos visto e aprendendo juntos sobre as especifi-
cações da governança do ciberespaço, assim como suas particularidades 
e teorias. A partir de uma evolução desse tema, temos uma das maiores 
ferramentas de proteção da propriedade intelectual, o que chamamos 
de copyright (em uma tradução literal, significaria o direito de cópia). Mas, 
primeiramente, o que devemos entender por propriedade intelectual?
“Propriedade intelectual” é a expressão dada para o resultado de 
criações originais envolvidas em algum aspecto no âmbito da arte. Pode 
ser uma pintura, obras de arte, uma música, símbolos, desenhos, textos, 
livros, pesquisas e até mesmos invenções tecnológicas.
Como produto de criação do homem, precisa ser respeitado. Para 
isso, surgem duas categorias de propriedade intelectual que podem ser 
protegidas de forma legal, isso é:
Figura 10: Tipos de propriedade intelectual. 
Fonte: A Autora.
A categoria da propriedade industrial envolve as patentes, que 
são os registros de invenções de novos produtos, trademarks, que é 
uma espécie de certificado de aprovação de certos produtos e serviços, 
e o design industrial, que se refere à proteção dos aspectos estéticos e 
ornamentais de uma produção industrial (como cores, linhas e estampas).
Já o copyright se refere a todas as obras produzidas, incluindo 
livros, pesquisas, músicas, filmes etc. É a proteção oferecida aos autores 
e artistas em relação às suas obras, tendo o seu símbolo o c minúsculo 
envolto de um círculo. Envolve também os intérpretes, como atores e 
cantores, os artistas que trabalham na mixagem de som e efeitos visuais. 
Veja a figura abaixo acerca das obras que são aqui consideradas:
Direito Digital 35
Figura 11: Obras protegidas pelo copyright. 
Fonte: A Autora.
Ser o detentor do direito de copyright indica que os criadores 
dessas obras (que não estão apresentadas de forma limitada na figura 
10), e seus herdeiros, possuem o direito exclusivo de utilizar ou autorizar o 
uso de suas obras, com um termo acordado entre as partes. Eles podem, 
portanto, autorizar ou proibir a reprodução da obra em qualquer formato, 
bem como performances, transmissões ao vivo, traduções e adaptações.
Geralmente, a partir do que é acordado entre países, a duração 
desses direitos de copyright é prevista por até 50 anos depois que o criador 
falece, podendo ter uma alteração nesse período de acordo com as leis 
dos países. Esse tipo de proteção resguarda os criadores de conteúdo a 
terem controle sobre suas obras, além do reconhecimento de autoria e 
repasse monetário quando da autorização de reprodução do conteúdo.
Agora, vamos conectar os pontos: temos, hoje, a internet e seus 
mais variados dispositivos eletrônicos, como celulares, câmeras, CDs, 
DVDs, programas de computador que fazem download e upload... E 
temos também os conteúdos criados. Você já deve imaginar que as novas 
tecnologias podem ter capacidade de interferir na proteção dessas obras, 
não é mesmo?
Se você já fez o download de músicas, filmes, séries ou livros... 
Bem. Isso é um exemplo claro de lesão ao copyright – e tudo isso está 
amplamente disponível no ciberespaço. Aqueles programas que você já 
viu alguém usando para fazer determinados downloads são considerados 
softwares ilegais justamente por não haver permissão dos criadores para 
reprodução ou disponibilização. 
Direito Digital36
Esse tipo de pirataria, além de afetar a economia de modo geral e 
os próprios criadores dos conteúdos, também indicam riscos para quem 
realiza esses downloads ilegais, com o perigo de o arquivo conter algum 
vírus ou algo parecido, já que ele não foi inspecionado por ninguém.
Além disso... lembra que uma das espécies de cibercrime tem 
exatamente como objetivo afetar a propriedade intelectual?
As violações de copyright vêm aumentando tanto nos últimos 
tempos em razão das tecnologias informacionais do ciberespaço, que 
conseguem colocar em risco toda a propriedade intelectual. Mas como 
controlar algo desse nível na internet?
Se deparando com esse tipo de situação, temos novas tecnologias 
que vêm também para ajudar, como é o caso de maiores seguranças 
propostas e desenvolvidas com a criptologia para salvaguardar a veracidade 
de mensagens e dados que acabam comprovando também sua integridade. 
Outra forma desenvolvida é o que recebe o nome de Electronic 
Copyright Management System (ECMS em inglês, que em tradução livre 
significa sistema eletrônico de administração de copyright). Esse sistema 
possui duas principais formas de proteção, conforme você pode verificar 
na imagem abaixo.
Figura 12: Formas de proteção do ECMS.
Fonte: A Autora.
A forma de controle de acesso, como o nome indica, representa 
o acesso que o ECMS tem com as obras, de forma legal e aceita 
pelos responsáveis, a partir de logins e senhas, bem como a questão 
da criptografia. Em relação ao controle de cópias, o ECMS se utiliza 
da tecnologia para rastrear cópias indevidas da obra e até prevenindo 
que elas sejam reproduzidas de forma ilegal, adicionandopor exemplo 
marcas d’agua nos arquivos.
Direito Digital 37
Em relação aos aspectos jurídicos do ECMS, é importante que 
destaquemos o DMCA e o EUCD. O primeiro, que significa Digital 
Millennium Copyright Act é o documento de 1998 que defende que 
nenhuma pessoa é autorizada para controlar os direitos de copyright 
e ter cópias do que quiser da forma que quiser. O documento também 
prevê como ilegais os sistemas que possibilitam o download ilegal.
O EUCD, que significa Europe Union Copyright Directive, foca 
nas atividades preparatórias que leva à violação do copyright. Ou seja, 
a preparação de serviços e programas que facilitam as violações do 
copyright são o alvo aqui. Nessa ocasião, é válido destacar o famoso 
exemplo do Megaupload.
Em 2012, o website popularmente conhecido como Megaupload, 
foi fechado pelo FBI com as acusações de pirataria e lavagem de dinheiro, 
ocasião em que o dono e alguns funcionários foram presos. O website 
permitia, de fato, o compartilhamento de arquivos, sem interessar quem 
eram os autores e sem obedecer a qualquer dispositivo de copyright.
Além disso, o direito internacional também teve que agir de forma 
mais incisiva em relação ao tema, como veremos a seguir.
O copyright ao redor do mundo
Os direitos de copyright são defendidos de forma internacional há 
algumas décadas, amparado também pelo direito internacional. Nesse 
âmbito, temos a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI 
ou WIPO, em inglês), que possui a especialidade de amparar e garantir 
esses direitos ao redor do mundo.
A intenção dessa organização internacional é agir como um órgão 
protetor da criatividade humana e seus produtos e obras, afastando as 
violações trazidas pelo avanço da tecnologia informacional. A OMPI tenta 
promover aos criadores de conteúdos um ambiente sobretudo estável.
Ao trabalhar em conjunto com os países soberanos, que 
geralmente possuem órgãos internos responsáveis por tais direitos, a 
OMPI propicia a proteção da propriedade intelectual de forma que se 
adapta diante às novas dificuldades enfrentadas. Mas como ela faz isso? 
Veja a figura abaixo.
Direito Digital38
Figura 13: Como a OMPI garante o copyright. 
Fonte: A Autora.
Como parte da ONU, a OMPI tem autonomia de servir como 
propiciadora de debates salutares entre países soberanos, para que 
eles, entre sim, decidam sobre regras e sua harmonização, bem como as 
práticas de garantia e promoção de proteção dos direitos da propriedade 
intelectual.
Além disso, a OMPI também serve em nível mundial como sistema 
de registros das obras de propriedade intelectual, incluindo não são só 
copyrights, como também trademarks, design industriais e patentes.
A produção de informações sobre propriedade intelectual é também 
realizada pela OMPI, que consegue agir em conjunto com os países 
soberanos que sejam seus membros, podendo ensinar, por exemplo, sobre 
as ferramentas de registro, ou o que é propriedade intelectual.
Outra importante forma da OMPI agir é através do oferecimento 
de auxílio aos seus países-membros, principalmente os que estão em 
fase de desenvolvimento e possuem muitas criações “estourando” 
nessa época. Esse auxílio se dá de forma legal e jurídica, de forma direta 
ou indireta com os órgãos nacionais, e técnica, auxiliando o desenvol-
vimento de novas técnicas e a própria defesa dos direitos.
Mas, como você pode perceber, a OMPI lida com todas as formas de 
propriedade intelectual. Quais ferramentas temos além da organização 
internacional, em nível mundial e ao redor do mundo? Analise o esquema 
abaixo.
Direito Digital 39
Figura 14: Copyright ao redor do mundo. 
Fonte: A Autora.
A OMPI, como vimos, é a organização especial sobre propriedade 
intelectual da ONU, existente desde 1974. A Convenção de Berna para 
proteção das obras literárias e artísticas de 1886 foi promulgada pelo 
Brasil pelo decreto nº 75.699 de 1975 e foi a primeira ferramenta utilizada 
mundialmente para harmonizar a questão do copyright.
Responsável por começar a implantar os direitos de copyright às 
obras ao redor do mundo, sugere aos países-membros que adotasse a 
política de promoção e proteção das obras. Foi nessa convenção que 
primeiro foi previsto, por exemplo, o tempo de duração do copyright, 
sendo entendido como o tempo de vida do autor da obra até os 
cinquenta anos após sua morte.
A Convenção de Berna é tão bem elaborada que prevê até o 
caso de obras que seus criadores são anônimos ou que se utilizaram 
de pseudônimos (um outro nome que não é o seu), determinando que 
seu tempo de duração é de cinquenta anos a partir de quando a obra se 
tornou pública.
Em razão da época que foi elaborada, porém, a Convenção de 
Berna não traz previsões quanto ao copyright no ciberespaço como se é 
de imaginar: Na época, não tínhamos nem o termo “ciberespaço”.
Mais recente é o acordo TRIPs, acerca dos aspectos dos direitos 
de propriedade intelectual relacionados ao comércio de 1994, originado 
durante a Rodada do Uruguai durante as discussões do GATT (Acordo 
Geral de Tarifas e Troca), debate incitado pelos países desenvolvidos.
Direito Digital40
Apesar de abordar copyrights, o GATT é mais genérico e tem o 
propósito mais comercial de redução de tarifas. Já o TRIPs é bem mais 
específico, abrangendo não só a convenção de Berna, mas também a de 
Roma e a de Paris sobre propriedade intelectual.
SAIBA MAIS:
A Convenção de Roma de 1961 trata de direitos conexos 
no âmbito do direito internacional, sendo eles entendidos 
os que lidam com intérpretes, produtores e emissoras. Já a 
Convenção de Paris de 1883 foca na parte da propriedade 
industrial.
De forma mais atualizada, o Acordo TRIPs dedica seu artigo 10 para 
programas de computadores existentes no ciberespaço, englobando 
todos os seus aspectos como fonte e códigos, determinando que eles 
devem ser tratados como obras literárias com seus direitos previstos na 
Convenção de Berna, ou seja, detentor de direito de copyright.
Além disso, o artigo 10 também prevê a questão de bancos de 
dados e compilações de dados, que devem ser igualmente protegidos 
pelas normas de copyright, pois o TRIPs considera que para coletar e 
montar essas bases de dados, respeitando uma determinada lógica, isso é 
em si um desenvolvimento intelectual e deve receber os mesmos direitos.
Um pouco mais recente do que os documentos anteriores, temos 
o Tratado de copyright de 1996, pertencente ao âmbito de discussão da 
Convenção de Berna. O tratado, porém, apresenta o enfoque de dois 
pontos específicos: programas de computadores e bancos de dados, 
envolvendo de forma direta o ciberespaço.
Além dele, temos também o tratado de performances e fonogra-
mas, no contexto que ambos os tratados são controlados pela OMPI. Ele 
também lida com os desafios enfrentados pelo copyright no ciberespaço, 
diferenciando-se apenas pelo enfoque dado aos intérpretes e produtores 
de sons.
Ambos os tratados atualizam os direitos de copyright em virtude 
do ciberespaço e o desenvolvimento de tecnologias informacionais, prin-
cipalmente no que tange o descontrole do material na Internet amplamente 
repassado. 
Direito Digital 41
Os tratados da Internet (como ficaram chamados), incentivam os 
países a criarem seus próprios regulamentos e apresenta um conforto aos 
criadores das obras, no sentido de que mesmo com ampla reprodução 
virtual, eles ainda são possuidores dos direitos de copyright.
Entretanto, os esforços de proteção de copyright no ciberespaço 
ainda precisam ser muito mais desenvolvidos. Até agora, temos poucas 
ferramentas de controle e análise de conteúdo, sendo insuficiente para 
a demanda. 
O ciberespaço apresenta uma importante questão para o copyright: 
como verificar o que é de uso privado ou público na Internet, se não 
temos barreiras fáticas? Seria isso uma questão para cada país soberano 
desenvolver ou seria para os países entrarem em comum acordo?
RESUMINDO:
O que vocêachou dessa nossa última seção? Gostou 
de aprender um pouco sobre propriedade intelectual 
e o contexto do copyright ao redor do mundo? Bom, 
relembrando um pouquinho esse capítulo, começamos 
com os conceitos básicos de propriedade intelectual para 
entender o contexto dos direitos das obras protegidos 
pelo copyright. Vimos, a partir disso, as diretrizes do 
direito internacional quanto às violações que acabam 
acontecendo muito no âmbito do ciberespaço, vendo os 
principais órgãos, como a OMPI e a sua forma de atuação, 
e os principais documentos sobre o tema. Bom, espero 
que você tenha aproveitado o máximo possível dessa 
parte, aproveitando mais uma especificidade desse mundo 
digital. Até a próxima e nos vemos na próxima unidade!
Direito Digital42
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