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ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PROF. ME. GIOVANI LAURETTI BERNADO REITORIA: Dr. Roberto Cezar de Oliveira PRÓ-REITORIA: Profa. Ma. Gisele Colombari Gomes DIREÇÃO DE GESTÃO EAD: Prof. Me. Ricardo Dantas Lopes EQUIPE DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS: Diagramação Revisão textual Produção audiovisual Gestão WWW.UNINGA.BR 33WWW.UNINGA.BR UNIDADE 01 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 5 1. O QUE É CONTABILIDADE? ................................................................................................................................... 6 1.1 DEMANDA E OFERTA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL ......................................................................................... 6 1.2 USUÁRIOS DA CONTABILIDADE ........................................................................................................................ 6 2. INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE FINANCEIRA ................................................................................................ 6 2.1 CONCEITOS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS DA CONTABILIDADE FINANCEIRA .........................................7 2.2 CONFLITO DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL .......................................................................................................... 8 3. ESTRUTURA CONCEITUAL PARA RELATÓRIO FINANCEIRO E CONVERGÊNCIA ÀS NORMAS INTERNACIO- NAIS DE CONTABILIDADE ........................................................................................................................................ 9 3.1 FINALIDADE DAS ESTRUTURAS CONCEITUAIS ...............................................................................................10 3.2 CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS FUNDAMENTAIS .....................................................................................10 CONFLITO INFORMACIONAL E O PAPEL DA ESTRUTURA CONCEITUAL PARA RELATÓRIOS FINANCEIROS PROF. ME. GIOVANI LAURETTI BERNADO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 4WWW.UNINGA.BR EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.3 CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS DE MELHORIA......................................................................................... 11 3.4 RESTRIÇÃO DO CUSTO SOBRE RELATÓRIOS FINANCEIROS ÚTEIS.............................................................13 4. APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E A ENTIDADE QUE REPORTA ................................13 4.1 OBJETIVO E ALCANCE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ..........................................................................14 4.2 FREQUÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ....................................................14 4.3 LIMITAÇÕES E DESAFIOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ...................................................................14 4.4 CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS PARA ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ................15 4.5 CONJUNTO COMPLETO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ........................................................................16 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................................................................................18 5WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à Unidade 1! Para que tenhamos um bom aproveitamento, é necessário sabermos que a contabilidade, como disciplina fundamental no mundo dos negócios, desempenha um papel crucial na geração, comunicação e análise de informações � nanceiras. Ela serve como uma linguagem universal que permite às organizações relatar sua saúde � nanceira, desempenho e operações de maneira padronizada e compreensível. Nesse cenário, características qualitativas de informações � nanceiras úteis, como relevância, representação � dedigna, comparabilidade e veri� cabilidade, desempenham um papel crucial para garantir a qualidade das informações contábeis. Em um ambiente empresarial complexo e globalizado, a compreensão desses conceitos contábeis é essencial para garantir que as empresas estejam bem informadas, tomem decisões sólidas e apresentem informações transparentes e precisas para o público em geral. A contabilidade continua a ser um pilar crucial para o sucesso empresarial, fornecendo os insights necessários para navegar nas complexidades do mundo � nanceiro e operacional. A contabilidade é dividida em vertentes gerenciais e � nanceiras, ambas essenciais para as tomadas de decisão estratégicas e operacionais das organizações. Enquanto a contabilidade gerencial se concentra no uso interno das informações para a gestão e� caz, a contabilidade � nanceira visa a atender às necessidades externas de investidores, credores, reguladores e outros stakeholders, buscando fornecer uma representação � dedigna e relevante da realidade � nanceira da entidade. Pode ser que você esteja iniciando a jornada para descobrir as diversas características da elaboração das demonstrações contábeis por não ter tido contato direto com o assunto. Esta disciplina é bastante instigante e desa� adora, cabendo a este material te auxiliar na construção de seu conhecimento sobre a contabilidade � nanceira. Caso você já tenha certo conhecimento sobre elaboração das demonstrações contábeis, este material servirá para complementar seu entendimento e melhorar seus conhecimentos e técnicas contábeis. De qualquer forma, você estará fazendo o que a contabilidade faz de melhor: ser útil e melhorar a qualidade da informação na tomada de decisões. No entanto, isso só acontece se você aproveitar o conteúdo e sempre aprimorar seus conhecimentos sobre a matéria ampla da contabilidade. 6WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. O QUE É CONTABILIDADE? A contabilidade é um campo de estudo e prática que envolve a análise, registro, classi� cação, interpretação e apresentação de informações � nanceiras relacionadas às atividades econômicas de uma entidade (IUDÍCIBUS, 2021). Ela desempenha um papel fundamental na tomada de decisões, no monitoramento do desempenho � nanceiro e na prestação de contas. 1.1 Demanda e Oferta da Informação Contábil A demanda por informações contábeis refere-se à necessidade que várias partes interessadas têm de obter informações � nanceiras con� áveis para tomar decisões informadas. Isso inclui investidores, credores, gestores, reguladores, analistas � nanceiros e outros. Por outro lado, a oferta de informações contábeis é a disponibilidade e produção dessas informações por parte das entidades contábeis, como empresas e organizações, por meio do processo contábil (LOPES; MARTINS, 2005). 1.2 Usuários da Contabilidade Os usuários da contabilidade são as pessoas e entidades que utilizam as informações � nanceiras para tomar decisões econômicas e � nanceiras (HENDRIKSEN; VAN BRENDA, 2018). Os usuários da contabilidade têm diferentes necessidades e perspectivas, mas todos dependem das informações contábeis para tomar decisões informadas relacionadas a � nanças e negócios (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). Dessa forma, os usuários da contabilidade podem ser divididos em duas categorias principais: usuários internos (gestores, diretores, supervisores e funcionários) e usuários externos (investidores, credores, analistas � nanceiros, clientes, fornecedores e governo). Ou seja, os usuários internos usam as informações contábeis para gerenciar e operar a empresa internamente, enquanto os usuários externos usam essas informações para tomar decisões que afetam a empresa de fora (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). 2. INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE FINANCEIRA A contabilidade � nanceira é um ramo da contabilidade que se concentra na elaboração e apresentação de informações � nanceiras precisas e relevantes sobre as atividades econômicasnas demonstrações contábeis. Isso signi� ca que os ativos de uma entidade, que são os recursos controlados por ela, são Vamos identifi car os passivos nas demonstrações acessando o link: https://www. b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/empresas- listadas.htm. Com isso, a partir do balanço patrimonial, identifi que os passivos circulantes e não circulantes das empresas, observando as características de: (1) obrigação, que é um dever ou responsabilidade que ela não pode evitar; (2) a obrigação é de transferir um recurso econômico; (3) a obrigação é uma obrigação presente, resultante de eventos passados. 31WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA � nanciados por meio de passivos, que são as obrigações da entidade, e pelo patrimônio líquido, que é a parcela residual de propriedade dos proprietários após dedução dos passivos (FLORES et al., 2018). Ou seja, os direitos relacionados ao patrimônio líquido são reivindicações que não se quali� cam como passivos (CPC 00, R2, 2019). É possível observar que os ativos permanecem de um lado do balanço patrimonial representando os direitos resultantes de eventos passados que são controlados pela entidade e que possuem expectativa de gerar benefícios futuros. Em contrapartida, equilibrando a estática patrimonial, os passivos representam as obrigações com terceiros, e o patrimônio líquido representa as obrigações com os sócios. Antes de avançar para o próximo tópico, vamos analisar a Figura 1, que apresenta resumidamente a estrutura do balanço patrimonial e as divisões conceituais entre seus elementos. Figura 1 – Composição do balanço patrimonial. Fonte: O autor. Diferentemente de ativos e passivos, o patrimônio líquido não é separado em circulante e não circulante. Isso ocorre porque o patrimônio líquido representa os recursos próprios da empresa, que não são exigíveis a terceiros e não têm prazo defi nido para reembolso. Ele não possui um prazo de vencimento específi co e não é reembolsável pela empresa aos seus proprietários, a menos que ocorram eventos como distribuição de dividendos ou recompra de ações. Portanto, a separação do patrimônio líquido em circulante e não circulante não faz sentido conceitualmente, pois o patrimônio líquido não está sujeito aos mesmos critérios de liquidez e prazo que os ativos e passivos. Para saber mais sobre o patrimônio líquido, vamos assistir ao seguinte vídeo: https://youtu.be/ppZudfttw6k. 32WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO (DR) A Lei nº 6.404/76 estabelece o conteúdo da Demonstração do Resultado (DR), e o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) - Apresentação das Demonstrações Contábeis - disciplina a Demonstração de Resultado (DR). A demonstração de resultado (DR) é a fonte principal de informações sobre o desempenho � nanceiro da entidade para o período de relatório (CPC 26, R1, 2011). Essa demonstração contém um total para o resultado (lucro ou prejuízo) que fornece uma representação altamente resumida do desempenho � nanceiro da entidade para o período (CPC 26, R1, 2011). Receita Operacional Bruta Vendas Vendas (-) Deduções da Receita Bruta ICMS sobre Vendas Impostos sobre Faturamento (ICMS, PIS, COFINS, IPI) Devoluções e Abatimentos (=) Receita Operacional Líquida (-) Custo das Mercadorias Vendidas (=) Lucro Bruto (-) Despesas Operacionais Despesas com Vendas Despesas Gerais e Administrativas (±) Despesas Financeiras deduzidas das Receitas Financeiras (±) Outras Receitas e Outras Despesas Operacionais (=) Resultado Operacional Líquido (±) Outras Receitas e Outras Despesas (+) Outras Receitas (-) Outras Despesas (=) Resultado Líquido antes da Contribuição Social e Imposto de Renda (-) Provisão para Contribuição Social (-) Provisão para Imposto de Renda (=) Resultado Líquido antes das Participações (-) Participações Participação de Debêntures Participações de Empregados Participações de Administradores Participações de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados (=) Resultado Líquido do Exercício Quadro 3 – Modelo de Demonstração de Resultado. Fonte: O autor. Agora, para praticar, vamos identifi car as contas contábeis que compõem o patrimônio líquido nas demonstrações, acessando o link https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/ negociacao/renda-variavel/empresas-listadas.htm. 33WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Atendo-se aos critérios normativos exigidos pela Lei 6.404/76 e suas posteriores alterações e no que tange o disciplinado pela 1ª Revisão do CPC 26 (2011), para � ns didáticos é oportuno apresentar no Quadro 3 uma estruturação das contas contábeis e unidades de contas da DR. No entanto, essa estrutura pode variar entre as empresas conforme suas especi� cações operacionais em atender a demanda informacional para usuários especí� cos. Portanto, essa estrutura é apresentada de forma genérica, podendo variar entre empresas de segmentos diferentes. 3.1 Elementos Fundamentais da Demonstração de Resultado Receitas, ganhos, despesas e perdas são os elementos das demonstrações contábeis que se referem ao desempenho � nanceiro da entidade (CPC 26, R1, 2011). Usuários das demonstrações contábeis precisam de informações tanto sobre a posição � nanceira da entidade como de seu desempenho � nanceiro (CPC 26, R1, 2011). Assim, embora receitas e despesas sejam de� nidas em termos de mudanças em ativos e passivos, informações sobre receitas e despesas são tão importantes como informações sobre ativos e passivos (CPC 26, R1, 2011). 3.1.1 Receitas Receitas referem-se aos ingressos brutos de benefícios econômicos que uma entidade obtém durante um determinado período de suas atividades usuais (CPC 26, R1, 2011). Essas atividades podem incluir a venda de bens, a prestação de serviços, o recebimento de juros, dividendos, royalties, aluguéis e outras formas de geração de valor econômico (CPC 26, R1, 2011). As receitas são fundamentais para a avaliação do desempenho � nanceiro de uma entidade e são apresentadas na DR e DRA, contribuindo para o cálculo do lucro ou prejuízo líquido (CPC 26, R1, 2011). Os pronunciamentos contábeis destacam que, apesar das diferenças entre receitas e ganhos, ambos compartilham a natureza de aumentar o benefício econômico da entidade (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). 3.1.2 Ganhos Ganhos são aumentos no patrimônio líquido de uma entidade, que ocorrem além das atividades operacionais normais (CPC 26, R1, 2011). Eles representam benefícios econômicos que Você sabia que, depois das alterações da segunda revisão do CPC 00 - Estrutura Conceitual Para Relatório Financeiro -, houve uma alteração de nomenclatura? O que antes era chamado de “Demonstração do Resultado do Exercício”, agora passa a ser chamado apenas de “Demonstração do Resultado”. Contudo, essa mudança de nome não implica alterações no conteúdo ou na estrutura da demonstração. A Demonstração do Resultado ainda exibirá as receitas, os custos, as despesas e os resultados fi nanceiros da empresa durante um determinado período de tempo. A justifi cativa por trás da mudança de nome é simplifi car a terminologia utilizada nos relatórios fi nanceiros, tornando mais fácil e intuitivo para que diferentes públicos (tais como investidores, analistas e partes interessadas em geral) entendam a natureza e o propósito do relatório. 34WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA surgem de eventos ou transações especí� cas que não são parte das atividades usuais da entidade. Diferentemente das receitas, os ganhos não resultam diretamente das operações principais da entidade, mas, sim, de situações extraordinárias, como a venda de ativosnão essenciais, a obtenção de subsídios governamentais ou outros eventos não recorrentes. Ganhos também podem ser derivados de ajustes contábeis, como reavaliações de ativos ou aquisições vantajosas (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). 3.1.3 Despesas Despesas são custos ou gastos incorridos por uma entidade como parte das suas operações normais para gerar receitas e realizar suas atividades principais (CPC 26, R1, 2011). Elas representam a saída de recursos econômicos, como dinheiro ou outros ativos, em troca dos bens, serviços ou benefícios consumidos ou utilizados para manter a operação da entidade. As despesas podem incluir uma variedade de itens, como salários e benefícios de funcionários, aluguel de instalações, despesas de marketing, custos de produção, juros sobre dívidas, depreciação de ativos, entre outros. Em suma, as despesas re� etem os esforços e recursos necessários para gerar receitas e manter as atividades comerciais em funcionamento (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). 3.1.4 Perdas Perdas representam diminuições no patrimônio líquido de uma entidade, que não estão relacionadas a despesas operacionais normais. Elas surgem quando um ativo perde valor ou quando obrigações contingentes ou não contingentes geram prejuízos � nanceiros para a entidade (IUDÍCIBUS, 2021). As perdas podem ocorrer devido a vários fatores, como depreciação acelerada de ativos, redução no valor de mercado de investimentos, falhas em contas a receber, litígios judiciais desfavoráveis ou deterioração de estoques, entre outros. É importante distinguir entre despesas e perdas. As despesas são gastos necessários para a operação normal da empresa, enquanto as perdas são eventos imprevistos ou extraordinários que afetam negativamente a situação � nanceira da entidade (IUDÍCIBUS, 2021). Portanto, as perdas são geralmente não recorrentes e não fazem parte das atividades principais da empresa (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). 3.2 Processo de Reconhecimento O processo de reconhecimento na contabilidade envolve a inclusão de itens nas demonstrações � nanceiras, como o balanço patrimonial, a demonstração do resultado (CPC 00, R2, 2019). Esse processo é essencial para re� etir a realidade econômica da entidade e tornar suas informações � nanceiras comparáveis e compreensíveis (CPC 00, R2, 2019). Ou seja, o reconhecimento é a forma de incorporar esses itens nas demonstrações por meio de palavras e valores monetários (CPC 00, R2, 2019). 35WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Balanço patrimonial no início do período de relatório Ativos menos passivos é igual ao patrimônio líquido + Demonstrações do resultado e do resultado abrangente � nanceiro Receitas menos despesas + Contribuições de detentores de direitos sobre o patrimônio menos distribuições aos detentores de direitos sobre o patrimônio = Balanço patrimonial no � nal do período de relatório Ativos menos passivos é igual ao patrimônio líquido Figura 2 – Reconhecimento vinculado aos elementos das demonstrações contábeis. Fonte: O autor. A partir da Figura 2, é possível observar que as demonstrações � nanceiras estão interligadas, ou seja, durante o processo contábil, quando um item se enquadra nas categorias de ativo, passivo, patrimônio líquido, receita e despesa, ele é reconhecido nas demonstrações � nanceiras (CPC 00, R2, 2019). Por exemplo, o reconhecimento de receita ocorre simultaneamente com o reconhecimento de ativos (como caixa) e o desrreconhecimento de passivos (como produtos vendidos), resultando na confrontação entre custos e receitas. Portanto, o processo de reconhecimento visa re� etir de maneira precisa e compreensível a posição � nanceira e o desempenho de uma entidade pelo método das partidas dobradas em demonstrações � nanceiras consolidadas no � nal do período (CPC 00, R2, 2019). 3.2.1 Critérios de reconhecimento de receitas e despesas O processo de reconhecimento de receitas e despesas baseia-se no Princípio da Realização da receita em confrontação das despesas em um Regime de Competência (IUDÍCIBUS, 2021). Essas regras garantem que as informações contábeis sejam con� áveis e consistentes, promovendo a transparência e a comparabilidade das demonstrações � nanceiras (CPC 00, R2, 2019). Transformações qualitativas e quantitativas Assista ao seguinte vídeo para saber mais sobre o método das partidas dobradas: https://youtu.be/r38zdbQjZrw. 36WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.2.2 Reconhecimento de receitas O pronunciamento contábil CPC 46 – Receitas de Contratos com Clientes – trata especi� camente do reconhecimento de receitas na contabilidade, apresentando os principais pontos sobre o reconhecimento de receitas: I. Identi� cação do Contrato ou Transação: o processo começa com a identi� cação de um contrato, transação ou evento que dá origem a uma receita. Isso pode incluir a venda de bens, a prestação de serviços, royalties, juros, entre outros (CPC 46, 2016). II. Determinação do Preço: o próximo passo é determinar o preço acordado ou esperado pelo bem vendido ou serviço prestado. Isso envolve a avaliação do valor monetário que a entidade espera receber (CPC 46, 2016). III. Realização da Receita: a receita é reconhecida quando o bem foi entregue ou o serviço foi prestado, e o cliente obtém controle sobre o bem ou o serviço. Isso signi� ca que os riscos e benefícios associados ao bem ou serviço foram transferidos para o cliente (CPC 46, 2016). IV. Valor Monetário: a receita é reconhecida pelo valor monetário do bem ou serviço entregue, que geralmente é o preço acordado no contrato. Qualquer desconto, devolução ou ajuste deve ser considerado (CPC 46, 2016). 3.2.3 Reconhecimento de despesas A 2ª revisão do pronunciamento contábil CPC 00 - Estrutura Conceitual Para Relatório Financeiro (2019) - fornece as bases conceituais para o reconhecimento de despesas, mas as orientações especí� cas sobre como reconhecer despesas em diferentes situações podem ser encontradas em outros Pronunciamentos Técnicos relevantes, dependendo da natureza das transações e eventos que geram essas despesas. Assista ao vídeo seguinte, sobre Princípio da Realização da receita em confrontação das despesas em um Regime de Competência: https://youtu.be/BDaNB-JXuK0. Vamos realizar uma leitura adicional sobre o pronunciamento contábil CPC 46 – Receitas de Contratos com Clientes – acessando o seguinte link: https://www.cpc.org.br/Arquivos/ Documentos/395_CPC_46_rev%2014.pdf. 37WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Processo de Reconhecimento: o reconhecimento de despesas ocorre quando há uma diminuição nos benefícios econômicos durante o período contábil. Isso pode envolver a alocação de custos associados à produção de bens ou prestação de serviços, o reconhecimento de despesas operacionais, como salários e aluguéis, e também a contabilização de despesas � nanceiras, como juros e perdas com investimentos (CPC 00, R2, 2019). II. Identi� cação do Evento ou Transação: o processo começa com a identi� cação de um evento ou transação que resulta em despesas para a entidade. Isso pode incluir a compra de bens, aquisição de serviços, pagamento de juros, entre outros (CPC 00, R2, 2019). III. Alocação ao Período Adequado: as despesas devem ser alocadas ao período contábil em que foram incorridas, independentemente do pagamento efetivo. Isso é conhecido como princípio do regime de competência (CPC 00, R2, 2019). IV.Reconhecimento no Resultado: as despesas são reconhecidas na demonstração do resultado no período em que são incorridas, contribuindo para a apuração do lucro líquido ou prejuízo da entidade (CPC 00, R2, 2019). Em suma, o reconhecimento de elementos nas demonstrações contábeis, como ativos, passivos, receitas e despesas,não é automático, pois depende das decisões de reconhecimento para ponderar os custos envolvidos, tanto para preparadores quanto para usuários das demonstrações (CPC 26, R1, 2011). Ou seja, o reconhecimento deve ser justi� cado pelos benefícios das informações oferecidas. Não há uma regra � xa para determinar quando o reconhecimento é bené� co, sendo necessário julgamento caso a caso (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). Mesmo quando um item não é reconhecido, as informações podem ser incluídas nas notas explicativas para compensar sua ausência nas demonstrações estruturadas. Isso visa equilibrar a utilidade das informações com os custos associados, visando fornecer demonstrações contábeis úteis e representativas. 3.3 Critérios Observáveis ao Reconhecimento de Informações Contábeis A 2ª revisão do pronunciamento contábil CPC 00 - Estrutura Conceitual Para Relatório Financeiro (2019) - reitera a importância de as informações contábeis serem relevantes, representarem adequadamente as situações econômicas, considerarem a incerteza e a mensuração, e abordarem o processo de desrreconhecimento de itens nas demonstrações contábeis, apresentados de forma descritiva nos seguintes tópicos: Vamos realizar uma leitura adicional dos itens 5.1 até 5.33 do pronunciamento contábil CPC 00 (R2) - Estrutura Conceitual Para Relatório Financeiro -, acessando o seguinte link: https://www.cpc. org.br/Arquivos/Documentos/573_CPC00(R2).pdf. 38WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Relevância: explora a importância das informações sobre ativos, passivos, receitas e despesas nas demonstrações contábeis. Nem todos os elementos reconhecidos fornecem informações relevantes (itens 5.12 até 5.17 do CPC 00, R2, 2019). II. Incerteza de Existência: discute a incerteza sobre a existência de ativos e passivos e como isso pode afetar o reconhecimento. Em alguns casos, informações explicativas sobre essas incertezas podem ser necessárias (itens 5.19 até 5.23 do CPC 00, R2, 2019). III. Baixa Probabilidade de Entrada ou Saída de Benefícios Econômicos: aborda a relevância do reconhecimento mesmo quando a probabilidade de entrada ou saída de benefícios econômicos é baixa. O reconhecimento pode ser necessário para representar adequadamente as transações (itens 5.15 até 5.17 do CPC 00, R2, 2019). IV. Representação Fidedigna: enfatiza a importância de que o reconhecimento não apenas seja relevante, mas também ofereça representação � dedigna dos ativos, passivos, receitas e despesas reconhecidos. Incertezas na mensuração não invalidam a utilidade das informações (item 6.60, CPC 00, R2, 2019). V. Incerteza na Mensuração: considera a incerteza envolvida na mensuração de ativos e passivos. Apesar de as estimativas serem aceitáveis, incertezas excessivas podem afetar a relevância e a representação � dedigna (itens 5.19 até 5.23 do CPC 00, R2, 2019). VI. Desrreconhecimento: explora o processo de desrreconhecimento de ativos e passivos do balanço patrimonial. São apresentados os objetivos e procedimentos para lidar com o desrreconhecimento (itens 5.26 até 5.33 do CPC 00, R2, 2019). Em suma, destaca-se que a incerteza na mensuração não invalida a utilidade das informações e explora as situações em que o desrreconhecimento é apropriado, abordando a retirada de ativos e passivos do balanço patrimonial (CPC 00, R2, 2019), desde que a ênfase seja colocada na necessidade de fornecer informações completas e con� áveis sobre as transações e eventos contábeis (CPC 00, R2, 2019). 3.4 Mensuração dos Elementos das Demonstrações Contábeis A 2ª revisão do pronunciamento contábil CPC 00 - Estrutura Conceitual Para Relatório Financeiro (2019) - apresenta que os elementos reconhecidos nas demonstrações contábeis são quanti� cados em termos monetários. Isso exige a seleção de uma base de mensuração. A base de mensuração é uma característica identi� cada – por exemplo, custo histórico, valor justo ou valor de cumprimento – de item sendo mensurado. Aplicar a base de mensuração a ativo ou passivo cria uma mensuração para esse ativo ou passivo e para as respectivas receitas e despesas. Vamos realizar uma leitura adicional sobre Relevância, Incerteza de Existência, Baixa Probabilidade de Entrada ou Saída de Benefícios Econômicos, Representação Fidedigna, Incerteza na Mensuração e Desrreconhecimento. Leia no pronunciamento contábil CPC 00 (R2) - Estrutura Conceitual Para Relatório Financeiro -, acessando o seguinte link: https://www.cpc.org.br/Arquivos/Documentos/573_ CPC00(R2).pdf. 39WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Custo Histórico: os elementos contábeis são mensurados com base nos custos originais das transações ou eventos que os originaram. O custo histórico é atualizado ao longo do tempo para re� etir mudanças como depreciação, redução ao valor recuperável e componentes de � nanciamento (itens 6.69 até 6.71 do CPC 00, R2, 2019). II. Valor Justo: representa o preço que seria obtido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em uma transação entre participantes do mercado na data de mensuração. É baseado nas expectativas do mercado e considera riscos e incertezas (CPC 46, 2012). III. Valor em Uso e Valor de Cumprimento: o valor em uso é o valor presente dos � uxos de caixa futuros esperados do uso contínuo de um ativo ou sua alienação � nal. O valor de cumprimento é o valor presente dos � uxos de caixa necessários para cumprir uma obrigação (itens 6.17 até 6.20 do CPC 00, R2, 2019). IV. Custo Corrente: re� ete o custo atual pelo qual um ativo equivalente poderia ser adquirido ou um passivo equivalente incorrido na data de mensuração, incluindo a contraprestação e os custos de transação (itens 6.21 até 6.22 do CPC 00, R2, 2019). Em suma, a escolha da base de mensuração e o reconhecimento apropriado são pilares cruciais para representação � dedigna da realidade econômica das entidades para fornecer informações relevantes e con� áveis aos usuários das demonstrações contábeis. Para nos aprofundarmos no conhecimento sobre a mensuração dos elementos das demonstrações contábeis, assista ao seguinte vídeo: https://youtu.be/GEwRAXoLlLA. Para fi nalizar, propomos a leitura adicional de um artigo científi co, acessando o seguinte link: https://papers.ssrn. com/sol3/Delivery.cfm/SSRN_ID2308178_code1456877. pdf?abstractid=2308178&mirid=1. 40WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS À medida que encerramos nossa exploração das fundamentais demonstrações contábeis e suas interligações intricadas, emerge um quadro abrangente da importância e complexidade desse campo vital da contabilidade. O mundo dos negócios contemporâneos é permeado por uma miríade de transações, compromissos e avaliações, todos os quais encontram expressão e interpretação nas demonstrações contábeis. Uma das conquistas mais notáveis dessas demonstrações é a transparência que oferecem. Através do balanço patrimonial, temos uma visão instantânea das posições � nanceiras de uma organização, enquanto a Demonstração de Resultado (DR) ilumina o desempenho operacional e as variáveis que afetam a riqueza dos acionistas. Esse grau de transparência não é apenas uma obrigação regulatória, mas também uma ferramenta poderosa para a gestão informada. O embate entre o curto e o longo prazos é uma constante nas atividades corporativas, e essa dualidade é capturada pela distinção entre ativos circulantes e não circulantes, bem como entre passivos de curto e longo prazos. As decisões de alocação de recursos e � nanciamento são moldadas por essa divisão. Além disso, o patrimônio líquido é o epicentro da identidade � nanceira de uma empresa. Composto por elementos como capital social, lucros acumulados e reservas, ele espelha a contribuiçãodos acionistas, o � uxo de lucros e as � utuações resultantes das operações. O processo de reconhecimento e mensuração, pedra angular da contabilidade, traz um elemento de subjetividade à equação. Escolher entre o custo histórico e o valor justo in� uencia as representações das transações, afetando diretamente a percepção do desempenho e da saúde � nanceira. Essa escolha não é simplesmente uma questão técnica, mas envolve considerações de contexto e estratégia. As considerações � nais não podem ser completas sem abordar a importância da elaboração das demonstrações contábeis, em sua forma bruta, são como um livro contábil esperando para ser lido. Através de rácios e métricas, as nuances das demonstrações contábeis ganham vida, fornecendo insights sobre a e� ciência operacional, liquidez, solvência e rentabilidade. Essa é a lente pela qual as demonstrações contábeis se transformam em inteligência acionável. Em conclusão, nosso mergulho inicial na elaboração das demonstrações contábeis revelou uma vasta profundidade de conhecimento sobre um sistema de informações interconectadas que informam e orientam a gestão, os investidores e outros stakeholders. As nuances presentes nos ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas e despesas são os elementos constituintes das demonstrações contábeis. A precisão técnica, que é inegavelmente crucial aos Códigos e Pronunciamento Contábeis (CPCs), fornece arcabouço normativo para que avancemos nesse cenário complexo. Lembremo-nos de que as demonstrações contábeis não são apenas registros, mas, sim, uma narrativa � nanceira que pode orientar decisões e moldar o destino das organizações no cenário dinâmico dos negócios. Por � m, não esgotamos o assunto de matéria contábil sobre a elaboração do balanço patrimonial, demonstração de resultado. No entanto, a abordagem desta unidade é abrangente o su� ciente para ser aplicada em quaisquer empresas. Desde que seja observada a manutenção da boa prática contábil conforme as normas contábeis disciplinadas pelos Códigos, Pronunciamentos Contábeis (CPCs) e lei societária vigente. 4141WWW.UNINGA.BR UNIDADE 03 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 43 1. A EVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO .......................................................................................................... 44 1.1 PATRIMÔNIO LÍQUIDO ........................................................................................................................................ 44 1.1.1 CAPITAL .............................................................................................................................................................. 44 1.1.2 AÇÕES E SEUS ASPECTOS FUNDAMENTAIS ................................................................................................ 45 1.1.3 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS: DIVIDENDOS E JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO ...................................... 48 1.1.4 LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS ........................................................................................................ 49 1.1.5 RESERVAS DE CAPITAL ................................................................................................................................... 50 1.1.6 AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL .........................................................................................................51 1.1.7 RESERVAS DE LUCROS .................................................................................................................................... 53 1.1.8 RESERVA LEGAL .............................................................................................................................................. 53 A EVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO REPRESENTADO PELA DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO PROF. ME. GIOVANI LAURETTI BERNADO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 42WWW.UNINGA.BR EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.1.9 RESERVAS ESTATUTÁRIAS ............................................................................................................................ 54 1.1.10 RESERVAS PARA CONTINGÊNCIAS .............................................................................................................. 55 1.1.11 RESERVA DE LUCROS A REALIZAR ................................................................................................................ 56 1.1.12 RESERVA DE LUCROS PARA EXPANSÃO ...................................................................................................... 57 1.1.13 RESERVA DE INCENTIVOS FISCAIS ............................................................................................................. 57 1.1.14 RESERVA ESPECIAL PARA DIVIDENDO OBRIGATÓRIO NÃO DISTRIBUÍDO ............................................. 58 2. DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO ..................................................................... 60 2.1 CONTEÚDO DA DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO ..........................................61 2.2 MUTAÇÕES NO PATRIMÔNIO LÍQUIDO........................................................................................................... 62 2.3 ITENS QUE AFETAM O PATRIMÔNIO TOTAL .................................................................................................. 62 2.4 ITENS QUE NÃO AFETAM O TOTAL DO PATRIMÔNIO .................................................................................... 62 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 64 43WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Bem-vindo(a) a esta jornada de descoberta sobre o Patrimônio Líquido, um dos conceitos fundamentais no mundo das � nanças e contabilidade empresarial. O Patrimônio Líquido é a espinha dorsal das demonstrações � nanceiras de uma empresa e desempenha um papel vital na avaliação de sua saúde � nanceira, estabilidade e capacidade de geração de valor para os acionistas e investidores. Este material didático tem como objetivo explorar detalhadamente o que compõe o Patrimônio Líquido, como ele evolui ao longo do tempo e qual é o seu impacto nas operações e decisões � nanceiras de uma organização. Além disso, vamos destacar a importância crítica das demonstrações contábeis na redução da assimetria informacional, promovendo transparência e con� ança entre usuários internos e externos. A assimetria informacional é um dos desa� os mais signi� cativos nos mercados � nanceiros e empresariais. Ela ocorre quando algumas partes têm acesso a informações privilegiadas, enquanto outras permanecem em desvantagem. Essa desigualdade de informações pode levar a decisões errôneas, descon� ança nos mercados e, em última análise, afetar a e� ciência e a integridade do sistema � nanceiro. É aqui que entram as demonstrações contábeis, especialmente a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). Elas servem como uma ponte de comunicação entre a empresa e seus stakeholders, fornecendo uma visão abrangente e transparente das operações � nanceiras e dos eventos que afetaram o Patrimônio Líquido. Isso inclui desde lucros e perdas até transações de capital, dividendos, políticas de distribuição de lucros e outros fatores que moldam a saúde � nanceira de uma organização. Ao longo deste material, vamos explorar como as demonstrações contábeis, com foco na DMPL, são elaboradas e por que elas desempenham um papel crítico na redução da assimetria informacional. Estudaremos em detalhes os componentes do Patrimônio Líquido, as políticas contábeis, mudanças de estimativas e os efeitos dessas informações sobre os acionistas, investidores, reguladores e outrosinteressados. Portanto, prepare-se para adquirir um conhecimento sólido sobre o Patrimônio Líquido e suas implicações, pois este é um conhecimento que pode ser aplicado em várias áreas do mundo empresarial e � nanceiro. Vamos começar nossa jornada rumo à compreensão do Patrimônio Líquido e à promoção da transparência � nanceira, contribuindo para a redução da assimetria informacional e para um ambiente de negócios mais justo e e� ciente. Bons estudos! 44WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. A EVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO O patrimônio líquido é a diferença entre o valor dos ativos e o dos passivos, que é o valor contábil pertencente aos acionistas ou sócios (GELBECK et al., 2018). A evolução do Patrimônio Líquido na contabilidade é um aspecto fundamental para compreender a mudança no valor dos recursos dos acionistas de uma empresa ao longo do tempo. Tal evolução é in� uenciada por diversos fatores, como investimentos dos acionistas, lucros ou prejuízos acumulados, distribuição de dividendos e variações nos valores dos ativos e passivos. 1.1 Patrimônio Líquido De acordo com a Lei nº 6.404/76, com redação modi� cada pela Lei nº 11.941/09, o Patrimônio Líquido é dividido em (i) Capital Social, (ii) Reserva de Capital, (iii) Ajuste de Avaliação Patrimonial, (iv) Reservas de Lucros e (v) Prejuízos Acumulados. 1.1.1 Capital Neste subgrupo será registrado o montante do capital social, o capital subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada do Capital Social da empresa. Compreenderá o valor dos recursos investidos pelos proprietários na empresa e será modi� cado somente quando houver alteração do contrato social, decisão de assembleias e outras, dependendo do tipo de sociedade (FÁVERO et al., 2011). I. Capital Social: é o investimento feito na empresa pelos acionistas. Inclui não apenas as contribuições em dinheiro dos acionistas, mas também valores que a empresa tenha obtido e que foram incorporados ao Capital Social devido a decisões dos proprietários. Esse investimento é uma formalização em que os proprietários renunciam à distribuição imediata dos lucros não distribuídos. Mesmo essa renúncia é relativa, pois os acionistas têm a possibilidade de receber esse capital de volta no futuro (Lei nº 6.404/76) (GELBECK et al., 2018). II. Capital Realizado: é o valor do Capital Social que foi efetivamente integralizado pelos acionistas, ou seja, o valor que eles realmente pagaram à empresa. O Balanço Patrimonial deve incluir uma conta de Capital Subscrito (o valor total prometido pelos acionistas) e uma conta de Capital a Integralizar (a parte ainda não paga). O Capital Realizado é a diferença entre essas duas contas (Lei nº 6.404/76) (GELBECK et al., 2018). Para recapitular sobre o patrimônio líquido, vamos assistir ao seguinte vídeo: https://youtu.be/ppZudfttw6k. 45WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA III. Subscrição e Integralização: a subscrição é o ato pelo qual um interessado formaliza sua intenção de adquirir um valor mobiliário, como ações. No caso do aumento de capital, a subscrição é irrevogável, e aqueles que não cumprem sua obrigação podem enfrentar sanções legais, incluindo juros, correção monetária e multa. O boletim de subscrição pode ser equiparado a um título executivo extrajudicial, permitindo à empresa entrar com um processo de execução contra aqueles que não integralizam as ações nos prazos estipulados (Lei nº 6.404/76) (GELBECK et al., 2018). 1.1.2 Ações e seus aspectos fundamentais A ação é a menor parcela em que se divide o capital social de uma companhia e ela representa a propriedade ou participação dos acionistas na empresa. Por exemplo, quando você possui ações de uma empresa, isso signi� ca que você é acionista dela e tem direitos e responsabilidades relacionados a essa participação. As ações são emitidas pelas empresas para arrecadar capital, que pode ser usado para � nanciar operações, investimentos ou outros � ns empresariais (GELBECK et al., 2018). I. Ações Ordinárias: são ações que conferem aos seus titulares direitos usuais de voto nas assembleias de acionistas e participação nos lucros da empresa, geralmente na forma de dividendos. Os acionistas com ações ordinárias têm a capacidade de in� uenciar as decisões da empresa com base em seus votos. II. Ações Preferenciais: são ações que conferem aos seus titulares certos benefícios preferenciais em relação às ações ordinárias. Isso pode incluir prioridade no recebimento de dividendos ou preferência em caso de liquidação da empresa. No entanto, em geral, os acionistas de ações preferenciais não têm os mesmos direitos de voto que os acionistas de ações ordinárias. III. Ações de Fruição: as ações de fruição são um tipo especí� co de ação que pode conferir benefícios adicionais aos acionistas, muitas vezes na forma de dividendos mais altos ou outras vantagens especí� cas. Elas não são tão comuns como as ações ordinárias ou preferenciais e podem ter características únicas estabelecidas no estatuto da empresa. O parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 9.249/95 estabelece uma proibição específi ca quanto à utilização de sistemas de correção monetária de demonstrações contábeis, inclusive para fi ns societários. A proibição da correção monetária foi uma medida adotada para simplifi car e uniformizar as práticas contábeis e tributárias no Brasil. Antes da lei, as empresas podiam aplicar diferentes métodos de correção monetária, o que tornava o processo complexo e suscetível a manipulações. Portanto, o parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 9.249/95 proíbe a correção monetária de demonstrações contábeis, tanto para fi ns fi scais quanto para fi ns societários, visando simplifi car as práticas contábeis e tributárias no Brasil e evitar distorções decorrentes de métodos variados de correção monetária. 46WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA As notas explicativas são um componente importante das demonstrações � nanceiras de uma empresa, capazes de evidenciar informações adicionais e explicações sobre os números e políticas contábeis da empresa. No contexto das ações, as notas explicativas geralmente incluem detalhes sobre o número total de ações emitidas, a natureza das ações (ordinárias, preferenciais, de fruição), os direitos associados a cada classe de ações e outras informações relevantes para que os investidores compreendam a estrutura de capital da empresa (GELBECK et al., 2018). - Valor excedente na colocação de ações Quando ocorre um valor excedente na colocação de ações, isso signi� ca que os investidores estão dispostos a pagar mais pelas ações do que seu valor nominal. Esse valor excedente é conhecido como “ágio na emissão de ações” e pode ocorrer por várias razões, incluindo a percepção de que a empresa tem um desempenho sólido, boas perspectivas de crescimento futuro ou uma reputação forte no mercado. I. Ações com Valor Nominal: qualquer valor pago pelos acionistas que exceda o valor nominal das ações é chamado de “ágio na emissão de ações” e deve ser registrado na conta de “Reserva de Capital”. Por exemplo, se uma empresa emite ações com valor nominal de $1,00 e vende cada ação por $1,30, os $0,30 adicionais por ação serão registrados como ágio na emissão de ações na conta de Reserva de Capital. II. Ações sem Valor Nominal: a Lei nº 6.404/76 permitiu a emissão de ações sem valor nominal, cujo preço de emissão é determinado pelos fundadores ou, em aumentos de capital, pela assembleia geral ou pelo conselho de administração. O valor que exceder a parcela destinada à formação do capital social é registrado como “Reserva de Capital”. Por exemplo, se a empresa emite ações sem valor nominal a $1,30 cada, mas destina apenas $1,10 por ação para o capital social, os $0,20adicionais por ação serão registrados como Reserva de Capital. - Reembolso de ações O reembolso de ações ocorre quando a empresa paga aos acionistas o valor de suas ações devido à dissidência em casos previstos na legislação societária. As ações reembolsadas podem ser consideradas como pagas à conta de lucros ou reservas, sem redução do capital social. O valor pago no reembolso das ações é deduzido das contas de reservas utilizadas para o reembolso. - Resgate de ações O resgate de ações é a compra de ações da própria empresa para retirá-las de circulação. As ações resgatadas não têm direito a dividendos ou voto enquanto estiverem em tesouraria. O resgate pode ser feito com ou sem redução do capital social. - Amortização de ações A amortização de ações é a distribuição aos acionistas, por suas ações, da quantia que lhes caberia em caso de liquidação da empresa. Pode ser integral ou parcial, mas só pode ser feita sem redução do capital social. As ações integralmente amortizadas podem ser substituídas por ações de fruição, que normalmente não têm direito a voto nem representam parcela de capital, apenas direito a dividendos. 47WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - Gastos na emissão de ações De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 08 – Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários –, a partir de 31/12/2008 os Balanços Patrimoniais devem apresentar os gastos incorridos na captação de recursos por meio da emissão de ações em uma conta especí� ca chamada “Gastos com Emissão de Ações.” Portanto, essa conta de “Gastos com Emissão de Ações” deve ser uma conta reti� cadora do grupo “Capital Social” ou, quando aplicável, deve ser registrada na “Reserva de Capital” que registra o prêmio recebido na emissão das novas ações. Por exemplo: suponha que uma empresa emitiu 2.000.000 de novas ações a um preço de $1,50 por ação, com um total de gastos de emissão de $150.000. A contabilização desses eventos seria a seguinte: Débito Caixa (representando o valor líquido efetivamente recebido pela emissão das novas ações) $2.850.000 Débito Gastos com Emis- são de Ações (conta reti� cadora) $150.000 Crédito Capital Social (representando o valor total do aumento de capital resultante da emissão das novas ações) $3.000.000 Certas diretrizes relacionadas aos gastos associados à emissão de ações precisam ser seguidas de acordo com as normas contábeis. Os recursos registrados na conta “Gastos com Emissão de Ações” têm � nalidades especí� cas, como a compensação de Reservas de Capital ou a redução do próprio Capital Social. Em situações em que os gastos resultam infrutíferos, ou seja, quando a captação de ações não é bem-sucedida, esses gastos devem ser tratados como perdas no exercício contábil. É fundamental compreender que os gastos relacionados à emissão de ações são considerados transações de capital, não fazendo parte das atividades operacionais da empresa. Isso signi� ca que esses gastos não são classi� cados como despesas no contexto contábil. Em vez disso, essas transações impactam diretamente o Patrimônio Líquido da empresa, representando um acréscimo líquido de recursos. Além disso, é importante observar que a Lei nº 9.249/95 proíbe a aplicação de sistemas de correção monetária nas demonstrações contábeis para � ns societários, incluindo a correção do capital realizado. Isso implica que o valor do capital social da empresa não deve ser ajustado com base em variações de in� ação ou câmbio para � ns de contabilidade societária. - Ações em tesouraria As “Ações em Tesouraria” referem-se a ações de uma empresa que são adquiridas por ela mesma, ou seja, pela própria sociedade (GELBECK et al., 2018). Essa aquisição e posterior alienação de ações em tesouraria são transações de capital da empresa com seus próprios acionistas e não devem afetar o resultado da empresa. No entanto, existem algumas condições e restrições relacionadas à aquisição de ações pela própria empresa. 48WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - Condições em que é permitida a aquisição de ações em tesouraria Certas operações relacionadas à aquisição de ações por uma empresa são regulamentadas por disposições legais especí� cas. A empresa pode comprar suas próprias ações durante operações de resgate, reembolso ou amortização de ações desde que esteja em conformidade com as leis aplicáveis. Além disso, a empresa pode adquirir ações com o propósito de mantê-las em tesouraria ou para cancelamento desde que essa compra não ultrapasse o valor disponível nos saldos de lucros ou reservas (com exceção da reserva legal) e não resulte na redução do capital social, a menos que essas ações sejam recebidas por meio de doações (GELBECK et al., 2018). Também é permitido adquirir ações com a � nalidade de reduzir o capital social, sujeita a restrições legais estabelecidas para esse tipo de transação. - Restrições à aquisição de ações em tesouraria No que diz respeito à aquisição de ações em tesouraria, é importante considerar várias regras e restrições. Primeiro, não é permitida a compra de ações em tesouraria que pertençam ao acionista controlador da empresa. Além disso, quando a aquisição ocorre em mercados organizados de valores mobiliários, ela deve ser realizada a preços compatíveis com os preços de mercado vigentes, não podendo ser feita a preços superiores. Também é proibido adquirir ações em tesouraria durante o período de oferta pública de aquisição de ações da própria emissão (GELBECK et al., 2018). Outro fator fundamental é que a empresa só pode comprar ações em tesouraria se tiver recursos � nanceiros disponíveis. Esses recursos podem incluir diversas fontes, como reservas de lucros ou de capital (com exceção da reserva legal), reservas de lucros a realizar, reservas especiais de dividendos obrigatórios não distribuídos e incentivos � scais. Além disso, o lucro já obtido no exercício social em curso também pode ser considerado como recurso disponível para essa � nalidade (GELBECK et al., 2018). Essas restrições têm como objetivo garantir a transparência e a integridade das operações envolvendo ações em tesouraria e proteger os interesses dos acionistas. Além disso, no caso de empresas de capital aberto, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devem ser seguidas, incluindo aquelas relacionadas à aquisição de ações de sua própria emissão, como as contidas na Instrução CVM nº 567/15. As ações em tesouraria não têm direitos patrimoniais ou políticos enquanto são mantidas pela empresa. A forma de apresentação contábil das ações em tesouraria é como uma dedução da conta de patrimônio líquido que registra a origem dos recursos usados para adquiri-las (GELBECK et al., 2018). Quanto aos resultados das transações envolvendo ações em tesouraria, eles não fazem parte das operações normais ou acessórias da empresa e, portanto, não devem ser contabilizados como receitas ou despesas (GELBECK et al., 2018). Qualquer lucro ou prejuízo gerado por essas transações deve ser registrado de acordo com critérios contábeis especí� cos, sendo que lucros podem ser registrados como reserva de capital, e prejuízos podem ser compensados com lucros anteriores nas transações subsequentes. 1.1.3 Distribuição de lucros: dividendos e juros sobre capital próprio A distribuição de lucros em uma empresa pode ocorrer de várias maneiras, sendo as duas formas mais comuns de distribuição de lucros dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) (GELBECK et al., 2018). Esses métodos permitem que os acionistas ou sócios recebam uma parte dos lucros gerados pela empresa. 49WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - Dividendos Os dividendos são a forma mais tradicional de distribuição de lucros em empresas,principalmente em sociedades anônimas (companhias de capital aberto ou fechado). Os dividendos representam uma parcela dos lucros da empresa que é distribuída aos acionistas na proporção de suas participações acionárias (GELBECK et al., 2018). Os dividendos são pagamentos feitos aos acionistas ou sócios de uma empresa que possuem ações ou quotas sociais. Esses pagamentos podem ocorrer em intervalos regulares, como trimestral ou anualmente, mas a frequência das distribuições é uma decisão que cabe à empresa. O valor dos dividendos varia e está diretamente relacionado aos lucros da empresa, bem como à sua política interna de distribuição de lucros. A empresa pode optar por distribuir todos os seus lucros ou apenas uma parte deles aos acionistas. É importante mencionar que os dividendos geralmente são tributados na fonte pela empresa antes de serem repassados aos acionistas. Além disso, os acionistas individuais também podem estar sujeitos à tributação sobre os dividendos em suas declarações de imposto de renda. Dessa forma, os dividendos representam uma parte dos ganhos da empresa que é devolvida aos investidores, mas essa distribuição pode ser in� uenciada por diversos fatores, incluindo a saúde � nanceira da empresa e sua estratégia de negócios (GELBECK et al., 2018). - Juros sobre capital próprio (JCP) Os JCP são uma alternativa aos dividendos para a distribuição de lucros, especialmente em empresas de capital aberto. Os JCP são uma forma de remunerar os acionistas pelo capital investido na empresa. São pagamentos direcionados aos acionistas ou sócios da empresa que possuem ações ou quotas sociais (GELBECK et al., 2018). Esses pagamentos ocorrem periodicamente, seguindo uma programação semelhante à dos dividendos. Dessa forma, assim como no caso dos dividendos, o valor dos JCP está intrinsecamente relacionado aos lucros da empresa e à sua política interna de distribuição de lucros. Contudo, uma distinção importante é que os JCP são tratados como despesa � nanceira para a empresa, o que pode resultar em vantagens � scais para a mesma (GELBECK et al., 2018). No que diz respeito à tributação, os JCP são retidos na fonte pela própria empresa antes de serem repassados aos acionistas. Adicionalmente, os acionistas individuais podem estar sujeitos à tributação sobre os JCP em suas declarações de imposto de renda. Em resumo, os JCP representam uma forma alternativa de recompensar os investidores, compartilhando os lucros da empresa com aqueles que detêm participação acionária, enquanto proporcionam à empresa certas vantagens � scais em relação a essa distribuição de recursos (GELBECK et al., 2018). É importante destacar que a escolha entre distribuir dividendos ou JCP depende da estratégia � nanceira e � scal da empresa, bem como das necessidades e preferências dos acionistas. Empresas com di� culdades de caixa podem preferir pagar JCP, enquanto outras podem optar pela distribuição de dividendos (GELBECK et al., 2018). Além disso, as regras e regulamentações � scais relacionadas a dividendos e JCP podem variar de país para país. 1.1.4 Lucros ou prejuízos acumulados Os “Prejuízos Acumulados” e os “Lucros Acumulados” são contas contábeis que re� etem a acumulação de resultados � nanceiros de uma empresa ao longo do tempo. Essas contas estão relacionadas com o patrimônio líquido da empresa e são utilizadas para acompanhar o desempenho � nanceiro da organização ao longo dos anos. A partir da vigência da Lei nº 11.638/07, houve uma mudança signi� cativa na maneira como essas contas são apresentadas 50WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA nos balanços patrimoniais, especialmente no caso das sociedades por ações (companhias). Com base em Gelbeck et al. (2018), apresenta-se a seguir algumas informações importantes sobre os Prejuízos Acumulados e Lucros Acumulados. I. Extinção da conta Lucros Acumulados no Balanço Patrimonial (em sociedades por ações): com a Lei nº 11.638/07, a apresentação de saldos a título de Lucros Acumulados no Balanço Patrimonial foi extinta para sociedades por ações. Isso signi� ca que, no balanço patrimonial, essa conta só pode aparecer quando houver um saldo negativo e, nesse caso, ela será denominada de Prejuízos Acumulados. II. Uso das contas Lucros ou Prejuízos Acumulados: essas contas continuam a ser utilizadas pelas empresas para receber o resultado do período, se for positivo, e destiná-lo de acordo com as políticas da empresa. Elas servem como contrapartida para a constituição e reversão de reservas de lucros, bem como para a distribuição de dividendos. III. Tendência de distribuição de resultados: há uma tendência de que os resultados positivos sejam totalmente distribuídos e não sejam mais acumulados em contas de lucros. Isso pode ser veri� cado no artigo 8º da Instrução CVM nº 59/86 e, posteriormente, no §6º do art. 202 da Lei nº 6.404/76, que estabelece que todo o resultado do exercício que não for destinado para reservas deve ser distribuído como dividendos. IV. Nova estrutura do Patrimônio Líquido: a Lei nº 11.638/07 estabeleceu uma nova estrutura do Patrimônio Líquido, em que resultados remanescentes só são apresentados no Balanço Patrimonial se forem negativos, utilizando a conta Prejuízos Acumulados. Isso signi� ca que, em sociedades por ações, os lucros positivos não são mais acumulados na conta Lucros Acumulados. V. Ordem de absorção de prejuízos: a Lei nº 6.404/76 determina que os prejuízos do exercício devem ser obrigatoriamente absorvidos pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. As reservas de capital também podem ser utilizadas para absorver prejuízos quando as reservas de lucros não forem su� cientes. VI. Apresentação no Patrimônio Líquido: a apresentação da conta Prejuízos Acumulados no Patrimônio Líquido das companhias só deve ocorrer se as empresas não possuírem mais reservas de lucros que possam ser utilizadas para absorver esses prejuízos. As reservas de capital também podem ser usadas para esse � m. Em resumo, os Prejuízos Acumulados e Lucros Acumulados são contas importantes que re� etem o histórico � nanceiro de uma empresa. Com as mudanças introduzidas pela Lei nº 11.638/07, a apresentação dessas contas nos balanços patrimoniais de sociedades por ações passou a ser mais restrita, com ênfase na distribuição de resultados. Contudo, essas contas continuam sendo essenciais para a contabilidade e a gestão � nanceira das empresas. 1.1.5 Reservas de capital As Reservas de Capital são contas que fazem parte do Patrimônio Líquido de uma empresa e são constituídas por valores recebidos pela companhia que não são reconhecidos como receitas no Resultado. Essas reservas têm como objetivo fortalecer o capital da empresa e não estão relacionadas a esforços da empresa em termos de entrega de bens ou prestação de serviços (GELBECK et al., 2018). 51WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA De acordo com o art. 200 da Lei n° 6.404/76, as reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I - Absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); II - Resgate, reembolso ou compra de ações; III - Resgate de partes bene� ciárias; IV - Incorporação ao capital social; V - Pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada (artigo 17, § 5º). De acordo com o §1º do art. 182 da Lei nº 6.404/76, com redação alterada pela Lei nº 11.638/07, e no §1° do art. 6º da Instrução CVM nº 319/99, as Contas do subgrupo das reservas de capital são classi� cadas como: (i) Ágio na emissão de ações; (ii) Reserva especial de ágio na incorporação; (iii) Alienação de partes bene� ciárias e bônus de subscrição. i. Ágio na emissão de ações: (já abordamos este tema anteriormente) ii.Reservaespecial de ágio na incorporação: esta reserva foi introduzida pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e aparece no patrimônio líquido da incorporadora como contrapartida do ágio (valor excedente), resultante da aquisição do controle de uma companhia aberta que incorpora sua controladora. Isso ocorre quando uma empresa controladora incorpora sua subsidiária e paga um valor maior do que o valor contábil dos ativos líquidos adquiridos. A Reserva Especial de Ágio na Incorporação registra esse ágio, líquido de seu benefício � scal, quando aplicável. iii. Alienação de partes bene� ciárias e bônus de subscrição: partes bene� ciárias e bônus de subscrição são instrumentos � nanceiros que podem ser alienados (vendidos). Quando esses instrumentos são alienados, o produto da alienação é contabilizado como uma Reserva de Capital especí� ca. No entanto, se esses instrumentos forem emitidos gratuitamente, eles não geram Reservas de Capital. Vale destacar que a Lei proíbe que partes bene� ciárias concedam direitos privativos de acionistas, exceto o direito de � scalizar os atos dos administradores. Em resumo, as Reservas de Capital são componentes do Patrimônio Líquido de uma empresa que representam valores destinados a fortalecer seu capital e que não são reconhecidos como receitas no Resultado. Elas são criadas por meio de transações especí� cas, como ágio na incorporação, alienação de partes bene� ciárias e bônus de subscrição, e podem ser utilizadas para diversas � nalidades relacionadas ao fortalecimento � nanceiro da empresa. 1.1.6 Ajustes de avaliação patrimonial A conta Ajustes de Avaliação Patrimonial foi introduzida na contabilidade brasileira pela Lei nº 11.638/07 e é utilizada para registrar as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo em decorrência de sua avaliação a valor justo. Essas variações de valor são reconhecidas como ajustes de avaliação patrimonial, porque ainda não foram contabilizadas no resultado do exercício, seguindo o princípio do regime de competência (GELBECK et al., 2018). 52WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Vamos imaginar, hipoteticamente, que determinada empresa ABC tenha adquirido um instrumento � nanceiro para venda futura, ou seja, que seja mensurado ao valor justo por meio de outros resultados abrangentes, por $ 2.000, que, após determinado período, renda juros de $ 250 e passe a ter valor de mercado de $ 3.000. No momento inicial, a companhia ABC faz o seguinte registro contábil: Débito Instrumentos Financeiros Ativo circulante $2.000 Crédito Caixa ou Bancos Ativo circulante $2.000 Nota: lançamento contábil da aquisição do instrumento � nanceiro Depois de certo período, a companhia ABC deverá registrar os juros e a atualização do valor de mercado do instrumento � nanceiro: Débito Instrumentos Financeiros Ativo circulante $1.000 Crédito Receita de juros Demonstração de Resultado $250 Crédito Ajuste de Avaliação Patrimo- nial Patrimônio Li- quido $750 Nota: lançamento contábil para registro dos juros e valoração inerente à mensuração a valor justo Após certo período, a companhia ABC realiza a venda do instrumento � nanceiro pelo seu valor de mercado: Débito Caixa ou Bancos Ativo circulante $3.000 Crédito Instrumentos Financeiros Ativo circulante $3.000 Nota: lançamento contábil da baixa do instrumento � nanceiro e recebimento do pagamento Débito Ajuste de Avaliação Patrimonial Ativo circulante $750 Crédito Ganho com venda de instrumentos � - nanceiros Demonstração de Resultado $750 Nota: lançamento contábil do ganho com venda de instrumentos � nanceiros Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir alguns aspectos importantes relacionados aos ajustes de avaliação patrimonial: Antes de prosseguirmos, vamos relembrar sobre o valor justo, assistindo a este vídeo: https://youtu.be/4FuPYTYWgRM. 53WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Transferência para o Resultado: em geral, os valores registrados na conta Ajustes de Avaliação Patrimonial devem ser transferidos para o resultado do exercício à medida que os ativos e passivos forem sendo realizados. Isso signi� ca que, quando um ativo ou passivo com ajuste a valor justo for efetivamente vendido ou liquidado, a contrapartida desse ajuste será reconhecida no resultado. II. Exceções: no entanto, há exceções, principalmente derivadas das normas internacionais de contabilidade, que podem permitir o reconhecimento direto no Patrimônio Líquido (Lucros ou Prejuízos Acumulados) de valores que nunca transitarão pelo resultado. Esses casos estão relacionados a instrumentos � nanceiros e devem ser tratados de acordo com as normas vigentes. III. Detalhamento em Contas Especí� cas: é importante que a conta Ajustes de Avaliação Patrimonial tenha subcontas analíticas com títulos especí� cos para cada item patrimonial sujeito a ajustes de valor justo. Isso permite um controle mais detalhado e facilita a identi� cação quando esses ajustes forem realizados. IV. Efeito Tributário: em relação ao tratamento tributário, os ganhos ou perdas decorrentes da avaliação de ativos ou passivos a valor justo não são considerados na determinação do lucro real no momento do registro. O efeito tributário dessas variações ocorre no momento da realização do ativo ou da liquidação do passivo. Em suma, a conta Ajustes de Avaliação Patrimonial é usada para registrar variações de valor em ativos e passivos devido a avaliações a valor justo que ainda não foram reconhecidas no resultado do exercício. Essas variações podem ser transferidas para o resultado à medida que os ativos e passivos são realizados, a menos que existam exceções especí� cas de acordo com as normas contábeis vigentes. 1.1.7 Reservas de lucros Serão classi� cadas neste subgrupo, conforme disciplinado pela Lei n° 6.404/76, nos artigos 193, 194, 195, 195-A e 197 e respectivos limites de sua distribuição nos artigos 198 e 199. 1.1.8 Reserva legal A reserva legal é um mecanismo instituído pelo artigo 193 da Lei nº 6.404/76, que é a Lei das Sociedades por Ações no Brasil. Essa reserva tem como principal � nalidade proporcionar proteção aos credores da empresa. Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir algumas características importantes relacionadas à reserva legal: Antes de prosseguirmos, vamos assistir ao seguinte vídeo sobre as reservas de lucros: https://youtu.be/zglGo7tJsX8. 54WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Constituição da Reserva Legal: a empresa é obrigada a constituir a reserva legal com a destinação de 5% do lucro líquido do exercício. Esse valor deve ser reservado anualmente até que o saldo da reserva atinja 20% do capital social realizado da empresa. II. Limite da Reserva Legal: quando o saldo da reserva legal atinge 20% do capital social realizado da empresa, não é mais obrigatória a sua constituição. III. Limite de Utilização: a utilização da reserva legal está restrita a duas � nalidades: - Compensação de prejuízos: a reserva legal pode ser usada para compensar prejuízos acumulados, mas somente quando ainda houver saldo de prejuízos após terem sido absorvidos os saldos de Lucros Acumulados e das demais Reservas de Lucros. - Aumento do capital social: a empresa pode optar por incorporar o saldo da reserva legal ao capital social a qualquer momento, a critério da companhia. IV. Limite Máximo de Acumulação: quando o saldo da reserva legal, somado ao montante das Reservas de Capital, atingir 30% do capital social, a empresa poderá deixar de acrescentar à reserva legal ou decidir não mais constituí-la, a seu critério. Em resumo, a reserva legal tem a � nalidade de proteger os credores da empresa. Seu uso está limitado à compensação de prejuízose ao aumento do capital social. Quando os limites máximos de acumulação são atingidos, a empresa pode optar por não mais constituir ou acrescentar à reserva legal, a critério da companhia (GELBECK et al., 2018). 1.1.9 Reservas estatutárias As reservas estatutárias são reservas especí� cas que uma empresa cria com base nas disposições do seu estatuto social. Essas reservas são constituídas por uma parcela dos lucros do exercício, conforme estabelecido no estatuto da empresa. Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir algumas informações importantes sobre as reservas estatutárias: I. Criação por Determinação Estatutária: as reservas estatutárias são criadas por exigência do estatuto da companhia. Isso signi� ca que a empresa só pode estabelecer essas reservas se o seu estatuto assim o determinar. II. Natureza Especí� ca: cada reserva estatutária deve ter uma natureza e � nalidade especí� ca claramente de� nida no estatuto. Por exemplo, uma empresa pode criar uma reserva estatutária para � ns de investimento em pesquisa e desenvolvimento. III. Critérios de Constituição: o estatuto deve � xar critérios especí� cos para determinar a parcela anual do lucro líquido que será alocada para a reserva estatutária. Esses critérios podem variar de acordo com a política da empresa. IV. Limite Máximo: além disso, o estatuto deve estabelecer um limite máximo para cada reserva estatutária. Isso signi� ca que, uma vez que a reserva atinja esse limite, não será mais necessário alocar lucros para ela. V. Não Restrição ao Dividendo Obrigatório: as reservas estatutárias não podem ser utilizadas para restringir o pagamento do dividendo obrigatório. O dividendo obrigatório deve ser pago aos acionistas, independentemente das reservas estatutárias existentes. 55WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA VI. Prioridade da Lei: se o estatuto previr reservas cujas � nalidades já estejam cobertas pelas reservas de lucros previstas na Lei das Sociedades por Ações (LSA), a prioridade deve ser dada às disposições da lei. Ou seja, as reservas estatutárias só devem ser criadas para � nalidades não contempladas pela lei. Em resumo, as reservas estatutárias são criadas com base nas disposições do estatuto da empresa, e cada uma delas deve ter uma � nalidade especí� ca e critérios de constituição de� nidos no estatuto. Elas não podem ser usadas para restringir o pagamento do dividendo obrigatório, e a lei prevalece sobre o estatuto quando se trata de reservas com � nalidades já cobertas pela legislação. 1.1.10 Reservas para contingências A reserva para contingências é uma reserva especí� ca que uma empresa pode criar com o objetivo de se preparar para eventuais perdas futuras que sejam prováveis e possam ser estimadas em valor. Essas perdas podem diminuir os lucros em exercícios futuros ou até mesmo levar a prejuízos. Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir alguns pontos importantes relacionados a essa reserva: I. Objetivo da Reserva para Contingências: o objetivo principal da criação da reserva para contingências é permitir que a empresa se prepare para enfrentar perdas futuras que são consideradas prováveis e cujo valor possa ser estimado. Essas perdas podem ser causadas por eventos extraordinários ou situações imprevistas que afetem a rentabilidade da empresa. II. Causa e Justi� cação: a proposta para a criação da reserva para contingências deve indicar a causa da perda prevista e justi� car a necessidade de constituí-la. A justi� cação deve se basear em razões de prudência que recomendem a formação da reserva. III. Reversão da Reserva: a reserva para contingências será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justi� caram a sua constituição ou quando a perda prevista ocorrer. Isso signi� ca que, quando a empresa enfrentar a perda efetivamente, a reserva será revertida para a conta de Lucros Acumulados. IV. Impacto no Cálculo de Dividendos: quando ocorrer a reversão da reserva para contingências, o valor revertido integrará a base de cálculo do dividendo mínimo. Isso visa equalizar a distribuição de dividendos ao longo do tempo, especialmente quando são previstas baixas signi� cativas nos lucros devido a eventos extraordinários. V. Casos de Contingências e Perdas Futuras: a reserva para contingências é especialmente útil nos casos em que a empresa prevê com certa segurança perdas cíclicas. Exemplos disso podem incluir eventos naturais, como geadas, secas, cheias e inundações, que afetam diretamente as operações e a rentabilidade da empresa. Além disso, empresas com produtos ou operações de consumo cíclico ou sazonal também podem recorrer a essa reserva para enfrentar períodos de menor rentabilidade. VI. Outros Casos Aplicáveis: além dos exemplos mencionados, a reserva para contingências pode ser aplicável em situações como a iminência de desapropriação de imóveis da empresa, expectativas de paralisações temporárias devido a substituições de equipamentos ou escassez de matérias-primas anômalas, entre outros casos em que perdas futuras são previsíveis. 56WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Em resumo, a reserva para contingências é uma forma de a empresa se preparar � nanceiramente para enfrentar perdas futuras que são prováveis e podem ser estimadas em valor. Ela é especialmente útil em situações em que perdas cíclicas ou eventos extraordinários podem afetar a rentabilidade da empresa em exercícios futuros (GELBECK et al., 2018). Quando essas perdas ocorrem, a reserva é revertida para os Lucros Acumulados, e seu impacto é considerado no cálculo de dividendos. 1.1.11 Reserva de lucros a realizar A reserva de lucros a realizar é uma reserva que a empresa pode optar por criar, destinando uma parcela de seus lucros do exercício para evitar a distribuição de dividendos sobre lucros que ainda não foram realizados � nanceiramente, embora já tenham sido contabilmente reconhecidos e considerados no resultado. Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir alguns pontos-chave relacionados a essa reserva: I. Constituição Opcional: a criação da reserva de lucros a realizar é uma escolha da empresa. Ela não é obrigatória, e a empresa pode decidir se deseja, ou não, constituir essa reserva em um determinado exercício. II. Objetivo da Reserva: o objetivo principal é evitar que a empresa distribua dividendos com base em lucros contabilizados, mas que ainda não tenham sido recebidos em dinheiro. Isso ocorre porque a contabilidade reconhece não apenas eventos � nanceiros, mas também eventos econômicos. Nem todo o lucro contábil resulta em um aumento correspondente no ativo circulante da empresa. III. Lucros Contábeis e Financeiros: é importante entender a diferença entre lucro contábil e lucro � nanceiro. O lucro contábil é o resultado obtido pela contabilidade, que pode incluir ganhos e perdas que ainda não foram recebidos ou pagos em dinheiro. O lucro � nanceiro, por outro lado, é o resultado que afeta diretamente os recursos � nanceiros da empresa, re� etindo ganhos e perdas efetivos em dinheiro. IV. Impacto da In� ação: a reserva de lucros a realizar pode ser especialmente relevante em cenários de in� ação, quando os lucros contábeis podem ser signi� cativamente afetados pela perda de poder aquisitivo da moeda. Nesse caso, os lucros contabilizados podem não re� etir totalmente a capacidade da empresa de distribuir dividendos em dinheiro. V. Uso Futuro: os lucros contabilizados na reserva de lucros a realizar podem ser realizados � nanceiramente em exercícios futuros à medida que a empresa gera recursos � nanceiros para cobrir esses lucros. Quando isso acontece, a reserva é revertida, e o valor correspondente é disponibilizado para distribuição de dividendos. Em resumo, a reserva de lucros a realizar é uma escolhaque as empresas podem fazer para evitar a distribuição de dividendos com base em lucros que ainda não foram realizados � nanceiramente. Ela reconhece que nem todos os lucros contabilizados se traduzem diretamente em recursos � nanceiros disponíveis. A reserva pode ser relevante em situações de in� ação ou quando a empresa prevê que seus lucros contabilizados precisarão ser realizados em exercícios futuros para serem distribuídos como dividendos em dinheiro (GELBECK et al., 2018). 57WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.1.12 Reserva de lucros para expansão A Reserva de Lucros para Expansão, também conhecida como “retenção de lucros”, é uma reserva que uma empresa pode criar para atender a projetos de investimento. Essa prática é regulamentada pelo artigo 196 da Lei nº 6.404/76, que estabelece as condições para a constituição dessa reserva. Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir os principais pontos relacionados a essa reserva: I. Justi� cação e Aprovação: a empresa deve justi� car a necessidade de reter parte dos lucros do exercício para investimentos em projetos especí� cos. Essa justi� cação deve ser fundamentada no orçamento de capital da empresa. A proposta de retenção de lucros deve ser feita pela administração da empresa e aprovada pela assembleia geral de acionistas. II. Restrições ao Dividendo Obrigatório: é importante observar que a criação da Reserva de Lucros para Expansão não pode ocorrer em detrimento do pagamento do dividendo obrigatório, conforme estabelecido no artigo 198 da Lei nº 6.404/76. O dividendo obrigatório deve ser pago antes de considerar a retenção de lucros para expansão. III. Orçamento de Capital: o orçamento de capital mencionado no §1º do artigo 196 da Lei nº 6.404/76 deve abranger todas as fontes de recursos e aplicações de capital, tanto de natureza � xa quanto circulante. Esse orçamento pode ter uma duração de até cinco exercícios, a menos que a empresa esteja executando um projeto de investimento com um prazo maior, caso em que o orçamento pode ser estendido para atender às necessidades do projeto. IV. Contabilização de Ajustes Retrospectivos: o Pronunciamento Técnico CPC 26 - Apresentação das Demonstrações Contábeis - estabelece que os ajustes e republicações retrospectivos feitos para corrigir erros contábeis devem ser registrados com contrapartida nos lucros retidos ou no saldo de Prejuízos Acumulados. Esses ajustes retrospectivos não representam alterações no patrimônio líquido, mas, sim, correções nos saldos de abertura da reserva de lucros retidos ou dos prejuízos acumulados. O objetivo é re� etir com precisão a situação � nanceira da empresa após a correção dos erros. Em resumo, a Reserva de Lucros para Expansão é uma prática que permite que uma empresa retenha parte de seus lucros para � nanciar projetos de investimento (GELBECK et al., 2018). Essa retenção deve ser justi� cada com base em um orçamento de capital e aprovada pela assembleia geral. É importante observar que o pagamento do dividendo obrigatório tem prioridade sobre a retenção de lucros para expansão. A contabilização de ajustes retrospectivos também é relevante para manter a integridade das demonstrações � nanceiras. 1.1.13 Reserva de incentivos fiscais A Reserva de Incentivos Fiscais foi introduzida pela Lei nº 11.638/07 e está prevista no artigo 195-A da Lei nº 6.404/76. A Reserva de Incentivos Fiscais é uma conta contábil utilizada pelas empresas para registrar receitas decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que podem ser excluídas da base de cálculo do dividendo obrigatório. Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir os principais pontos relacionados à Reserva de Incentivos Fiscais: 58WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Contabilização das Doações e Subvenções: a partir do exercício social de 2008, conforme o Pronunciamento Técnico CPC 07 – Subvenção e Assistência Governamentais (atualizado pelo CPC 07 (R1)) –, as doações e subvenções recebidas pela empresa devem ser registradas no resultado. Esse registro contábil depende das condições estabelecidas para o recebimento dessas doações e subvenções. II. Tratamento Contábil para Subvenções Condicionais: quando as subvenções têm condições a serem cumpridas, elas só devem ser reconhecidas no resultado da empresa após o cumprimento dessas condições. Por exemplo, se a empresa recebe uma doação de terras condicionada ao cumprimento de certas metas ou ao transcurso de um determinado período, o reconhecimento contábil ocorre quando a empresa atende a essas condições e obtém o controle sobre o ativo (por exemplo, o terreno). III. Tratamento Contábil para Subvenções Incondicionais: se a empresa receber subvenções sem obrigações adicionais a serem cumpridas, essas subvenções podem ser reconhecidas como receita imediatamente. Por exemplo, se a empresa direcionar parte de seu imposto de renda para um fundo como parte de um incentivo � scal e não houver obrigações pendentes, a receita da subvenção pode ser reconhecida imediatamente. IV. Benefícios sob a Forma de Redução ou Isenção Tributária: em casos em que os benefícios � scais envolvem a redução ou isenção de tributos, o tratamento contábil envolve o registro da despesa do tributo que seria devido, seguido pelo registro de uma receita de subvenção que reduz essa despesa. Isso é feito para re� etir corretamente os benefícios � scais no resultado da empresa. V. Tributos Financiados pelo Estado: em casos em que os tributos são � nanciados pelo próprio Estado a taxas de juros muito abaixo das do mercado, esses benefícios também devem ser registrados de maneira apropriada. O valor presente desses benefícios deve ser reconhecido e ajustado ao longo do tempo para re� etir as condições de mercado. VI. Constituição da Reserva de Incentivos Fiscais: a Lei nº 12.973/14 permitiu que as empresas registrassem a transferência de uma parcela de sua conta de Lucros Acumulados para a conta de Reserva de Incentivos Fiscais no momento em que reconhecem a receita decorrente de doações ou subvenções governamentais. Essa transferência é feita para não distribuir essa receita como lucros ou dividendos aos sócios. VII. Limitações à Constituição da Reserva: a constituição da Reserva de Incentivos Fiscais está limitada ao valor do lucro líquido do exercício. Se a empresa apurar um prejuízo contábil ou um lucro líquido inferior ao valor da receita de subvenções registrada no resultado, a constituição da reserva ocorrerá nos exercícios subsequentes. Em resumo, a Reserva de Incentivos Fiscais é uma conta contábil utilizada para registrar receitas provenientes de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que podem ser excluídas da base de cálculo do dividendo obrigatório (GELBECK et al., 2018). O tratamento contábil depende das condições das subvenções, e a constituição da reserva é limitada ao valor do lucro líquido do exercício. 1.1.14 Reserva especial para dividendo obrigatório não distribuído A Reserva Especial para Dividendo Obrigatório Não Distribuído é uma conta contábil criada para uma situação especí� ca em que uma companhia tem um dividendo obrigatório a ser distribuído, mas não possui condições � nanceiras para efetuar o pagamento. Essa situação é 59WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA regulamentada pelos §§4º e 5º do artigo 202 da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76). Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir os principais pontos relacionados à Reserva Especial para Dividendo Obrigatório Não Distribuído: I. Situação Financeira Insu� ciente: quando uma empresa enfrenta di� culdades � nanceiras e não pode pagar os dividendos obrigatórios a seus acionistas,e � nanceiras de uma entidade. Ela tem como objetivo principal fornecer informações úteis Para saber mais sobre a contabilidade e os aspectos relevantes de sua evolução, recomenda-se a leitura do seguinte artigo: IUDÍCIBUS, S. D.; MARTINS, E.; CARVALHO, L. N. Contabilidade: aspectos relevantes da epopeia de sua evolução. Revista Contabilidade & Finanças, v. 16, 2005. O material está disponível em https://www.scielo.br/j/rcf/a/ HCcs3zhm3GWv4JTN5KPJJSS/. 7WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA para usuários externos (LOPES; MARTINS, 2005). Assim, a contabilidade � nanceira é uma ferramenta essencial para a comunicação de informações � nanceiras relevantes e precisas a partes interessadas externas. Ela desempenha um papel crucial na tomada de decisões, na avaliação do desempenho � nanceiro e na prestação de contas das atividades econômicas de uma entidade. 2.1 Conceitos Econômicos Fundamentais da Contabilidade Financeira Os conceitos econômicos fundamentais são essenciais para entender como as economias funcionam, como as decisões econômicas são tomadas e como as interações entre os diversos agentes econômicos afetam os mercados, as empresas e as políticas públicas (SALOTI et al., 2019). Para entender melhor a contabilidade � nanceira e a sua importância dentro do processo informacional contábil, existem os seguintes conceitos econômicos fundamentais: I. Teoria Contratual da Firma e Teoria de Agência: a teoria contratual da � rma explora como as partes interessadas estabelecem acordos para alinhar interesses na empresa. Isso está intimamente ligado à teoria de agência, que aborda os con� itos de interesse entre proprietários e agentes. Os acordos contratuais entre acionistas e gerentes (agentes) são projetados para reduzir esses con� itos, garantindo que os gerentes atuem no melhor interesse dos acionistas (JENSEN; MECKLING, 1976). II. Assimetria de Informação e Mercado de Capitais: a assimetria de informação pode criar problemas nos mercados � nanceiros, em que os investidores podem não ter acesso a todas as informações relevantes. A informação contábil é crucial para equilibrar essa assimetria, permitindo que os investidores tomem decisões informadas sobre onde alocar seus recursos � nanceiros (LOPES; MARTINS, 2005). A qualidade e transparência das informações contábeis afetam a con� ança dos investidores no mercado de capitais. III. Hipótese de Mercado E� ciente: a hipótese de mercado e� ciente relaciona-se diretamente ao uso de informações nos mercados � nanceiros . Se os mercados forem e� cientes, os preços dos ativos re� etirão todas as informações disponíveis publicamente. Isso implica que as informações contábeis, quando divulgadas, serão prontamente re� etidas nos preços dos ativos, orientando as decisões dos investidores (FAMA, 1970). Dessa forma, a partir dos conceitos fundamentais aplicados à contabilidade � nanceira, considerando-se a separação entre o controle e a propriedade, os gestores (agentes) são preparadores da informação e os proprietários (principais) são avaliadores da informação. Para saber mais sobre a importância da contabilidade fi nanceira e seu papel na dinâmica contábil informacional após a adoção das normas internacionais de contabilidade, recomenda-se a leitura da dissertação de Mestrado intitulada Aproximação entre contabilidade gerencial e contabilidade fi nanceira com a convergência contábil brasileira às normas IFRS, disponível em https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12136/tde- 24012012-154824/publico/LucianoGilioVC.pdf. 8WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Para alinhar os interesses entre os agentes (usuários internos) e principais (usuários externos), é necessário formalizar contratos e� cientes que utilizam métricas contábeis (lucro, liquidez, endividamento) para indicar as medidas de performance da boa gestão exercida pelos agentes, possibilitando diminuir a assimetria da informação entre usuários internos e externos. 2.2 Conflito da Informação Contábil O con� ito da informação contábil refere-se à discrepância ou diferença de percepção e necessidades entre diferentes grupos de usuários que dependem das informações � nanceiras apresentadas pela contabilidade (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). Esse con� ito pode surgir devido a várias razões, incluindo a interpretação subjetiva dos números, interesses divergentes e objetivos variados dos diversos usuários da informação contábil. Para mitigar esses con� itos, a contabilidade busca seguir padrões rigorosos, como os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos (PCGA) ou as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS), que promovem a transparência, a con� abilidade e a comparabilidade das informações contábeis. Além disso, a divulgação completa e precisa das políticas contábeis, bem como uma comunicação clara entre a administração e os usuários, podem ajudar a minimizar con� itos e a promover uma compreensão mais precisa da situação � nanceira e do desempenho da empresa (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). Vamos dar uma pausa na leitura para fazer um exercício de refl exão. Qual o impacto na adequação de recursos em uma economia global caso as demonstrações contábeis não fossem padronizadas? Recomendamos o seguinte vídeo para saber mais sobre os grandes eventos econômicos que culminaram em uma padronização das normas contábeis em abrangência global: https://www.youtube. com/watch?v=QCsx_8cuqKs&ab_channel=IRKONNECTION. Para saber mais sobre o confl ito da informação contábil, recomenda- se a leitura do seguinte artigo: ALMEIDA, K. D. X. et al. Confl itos de agência e assimetria de informações contábeis: Entre a tomada de decisão e a gestão corporativa. International Journal of Professional Business Review: Int. J. Prof. Bus. Rev., v. 5, n. 2, 2020. O material está disponível em https://dialnet.unirioja.es/descarga/ articulo/7646877.pdf. 9WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. ESTRUTURA CONCEITUAL PARA RELATÓRIO FINANCEIRO E CONVERGÊNCIA ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE A Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro (IFRS) é um conjunto de princípios, diretrizes e conceitos que guiam a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis. Ela fornece a base teórica para o desenvolvimento de normas contábeis e ajuda a compreender o propósito e a utilidade das informações � nanceiras (IUDÍCIBUS, 2021). A convergência das normas contábeis brasileiras com a estrutura internacional das IFRS (Normas Internacionais de Relato Financeiro) envolve um processo de alinhamento das práticas contábeis adotadas no Brasil com as normas internacionais, buscando uma maior harmonização e comparabilidade das informações � nanceiras em escala global. Esse processo visa aprimorar a qualidade das demonstrações contábeis, facilitar a análise e tomada de decisão por parte de investidores e usuários das informações � nanceiras, bem como aumentar a transparência e con� abilidade das demonstrações contábeis das empresas brasileiras no cenário internacional (IUDÍCIBUS, 2021). A convergência implica ajustar as práticas contábeis locais para se alinharem com os princípios e critérios estabelecidos pelas IFRS, permitindo uma apresentação mais uniforme e compreensível das informações � nanceiras (SALOTTI et al., 2019). O objetivo é que as demonstrações contábeis no Brasil se assemelhem mais às de outros países que adotam as IFRS, facilitando a comparação e a análise dos dados. O processo de convergência geralmente envolve a revisão e atualização das normas contábeis nacionais para incorporar os padrões internacionais, bem como a educação e treinamento dos pro� ssionais contábeis para garantir uma adoção consistente e correta das novas práticas (SALOTTI et al., 2019). A convergênciaa solução é utilizar a Reserva Especial para Dividendo Obrigatório Não Distribuído. II. Cálculo do Dividendo Obrigatório: a primeira etapa envolve o cálculo do valor do dividendo obrigatório devido aos acionistas, conforme determinado pela legislação societária e os estatutos da empresa. Esse valor é o montante que deveria ser distribuído como dividendos, mas que, devido à situação � nanceira precária, não pode ser pago imediatamente. III. Apropriação para a Reserva: o valor do dividendo obrigatório a ser pago é apropriado para a Reserva Especial para Dividendo Obrigatório Não Distribuído. Esse valor é registrado contabilmente como débito na conta de Lucros Acumulados. IV. Pagamento Futuro: os dividendos acumulados nessa reserva especial serão pagos aos acionistas em algum momento futuro, assim que a situação � nanceira da empresa permitir. Esse pagamento pode ser realizado quando a empresa tiver recursos � nanceiros disponíveis desde que não haja prejuízos acumulados nos exercícios seguintes. V. Prejuízos Posteriores: é importante observar que, se nos exercícios seguintes a empresa incorrer em prejuízos, esses prejuízos podem absorver os dividendos acumulados na reserva especial. Portanto, o pagamento dos dividendos aos acionistas depende da capacidade da empresa de gerar lucros após a apropriação para a reserva. Em resumo, a Reserva Especial para Dividendo Obrigatório Não Distribuído é utilizada quando uma empresa não pode pagar os dividendos obrigatórios devido a di� culdades � nanceiras. O valor desses dividendos é apropriado para a reserva, e o pagamento aos acionistas é adiado até que a empresa recupere sua situação � nanceira ou apresente lucros su� cientes para cobrir os dividendos acumulados, desde que não haja prejuízos acumulados nos exercícios seguintes. Essa reserva ajuda a empresa a cumprir suas obrigações com os acionistas quando estiver em melhores condições � nanceiras. Você sabe qual a diferença entre reservas e provisão? As provisões são encargos que reduzem o Patrimônio Líquido e não têm valores ou prazos totalmente defi nidos. Elas representam estimativas de despesas a serem incorridas, embora fi nanceiramente ainda não efetivadas. Essas estimativas derivam de eventos contábeis passados, como riscos de garantias em produtos já vendidos ou estimativas de pagamento de indenizações por tempo de serviço passado. A principal razão para criar provisões é o princípio contábil de competência, que exige o registro de despesas no momento em que são incorridas, portanto, a maioria das provisões resulta de despesas. À medida que essas obrigações se tornam completamente defi nidas, elas deixam de ser consideradas provisões. Por outro lado, as reservas são valores recebidos de sócios ou terceiros que não aumentam o capital social e ainda não foram formalmente incorporados 60WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2. DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (doravante, DMPL) é um dos demonstrativos � nanceiros que uma empresa prepara para fornecer informações detalhadas sobre as mudanças ocorridas em seu Patrimônio Líquido durante um período contábil especí� co (GELBECK et al., 2018). A DMPL tem como objetivo principal mostrar todas as transações que afetaram as contas do Patrimônio Líquido da empresa durante o período em análise. Ela fornece uma visão detalhada das contas do Patrimônio Líquido, incluindo reservas de capital, opções outorgadas, ações em tesouraria, reservas de lucros, resultados abrangentes, entre outras. Com isso, a DMPL ajuda a entender como o Patrimônio Líquido da empresa evoluiu ao longo do período, destacando origens e valores de acréscimos e diminuições. A DMPL é frequentemente comparada com a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), mas a DMPL é mais abrangente, pois não se limita apenas a Lucros ou Prejuízos Acumulados. Enquanto a DLPA se concentra nos lucros retidos e distribuídos, a DMPL abrange todas as contas do Patrimônio Líquido, incluindo as reservas de capital e outras (GELBECK et al., 2018). A DMPL é especialmente útil para empresas com estruturas complexas de Patrimônio Líquido e que realizam várias transações com essas contas. Ela oferece informações adicionais que complementam o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício, permitindo uma visão mais completa da saúde � nanceira da empresa. Ou seja, ajuda a entender a formação e a utilização de todas as reservas da empresa, não apenas aquelas originadas por lucros. Alem disso, facilita a compreensão do cálculo dos dividendos obrigatórios, ou seja, quanto a empresa deve distribuir aos acionistas (GELBECK et al., 2018). Empresas que têm participações em coligadas, controladas e joint ventures podem se bene� ciar muito da DMPL dessas empresas investidas. A DMPL das investidas mostra como o Patrimônio Líquido delas mudou ao longo do período, permitindo que a empresa investidora aplique o método de equivalência patrimonial corretamente. Isso é crucial para reconhecer as variações patrimoniais das investidas de acordo com a natureza de cada mudança. Em resumo, a DMPL é uma ferramenta valiosa para entender a evolução do Patrimônio Líquido de uma empresa e suas reservas ao longo do tempo. Ela fornece informações detalhadas que podem ser a ele (Reservas de Capital). Ou podem se originar de lucros não distribuídos aos proprietários (Reservas de Lucros). As reservas não têm características de exigibilidade imediata ou remota. Se, em algum momento, elas adquirirem essa característica, deixarão de ser reservas e se tornarão passivos, como no caso da distribuição de dividendos. Para saber mais, assista ao seguinte vídeo: https://youtu.be/s4c6nKJ2kpc. Antes de prosseguirmos, vamos assistir ao seguinte vídeo sobre a demonstração das mutações do patrimônio líquido, acessando o seguinte link: https://youtu.be/e1biDNkl0gk. 61WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA úteis para acionistas, investidores, reguladores e outros interessados em compreender a situação � nanceira da empresa. 2.1 Conteúdo da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido O Pronunciamento Técnico CPC 26 (R2) estabelece diretrizes abrangentes, requisitos gerais e critérios para a estruturação e conteúdo mínimo das demonstrações contábeis. No contexto da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), o item 106 desse Pronunciamento apresenta as informações especí� cas que devem ser incluídas na DMPL: I. Resultado Abrangente: a DMPL deve mostrar o resultado abrangente do período, destacando o montante atribuído aos proprietários da entidade controladora e a parcela correspondente aos não controladores. II. Efeitos das Mudanças de Políticas Contábeis e Correções de Erro: quando houver mudanças nas políticas contábeis ou correções de erros que exijam ajustes retrospectivos, esses ajustes devem ser re� etidos na DMPL. Os efeitos dessas mudanças devem ser apresentados separadamente. III. Conciliação de Saldo do Patrimônio Líquido: para cada componente do patrimônio líquido, a DMPL deve demonstrar a conciliação entre o saldo no início e no � nal do período. Isso inclui separar as mudanças decorrentes do resultado líquido, outros resultados abrangentes e transações com os proprietários, como integralizações e distribuições, além de modi� cações nas participações em controladas que não resultaram na perda do controle. IV. Análise dos Outros Resultados Abrangentes: a DMPL deve incluir uma análise dos outros resultados abrangentes por item, fornecendo informações detalhadas sobre como cada componente do patrimônio líquido foi afetado por esses resultados. V. Componentes do Patrimônio Líquido: o Patrimônio Líquido deve incluir várias contas, como capital social, reservas de capital, ajustes de avaliaçãopatrimonial, reservas de lucros, ações ou quotas em tesouraria, prejuízos acumulados (se permitidos por lei), lucros acumulados e outras contas exigidas pelos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC. VI. Divulgação de Dividendos: a DMPL deve informar o montante de dividendos reconhecidos como distribuição aos proprietários durante o período e também o valor dos dividendos por ação. VII. Alterações no Patrimônio Líquido: as mudanças no patrimônio líquido entre duas datas de balanço devem re� etir o aumento ou a redução nos ativos líquidos da entidade durante o período. Isso exclui as alterações decorrentes de transações com os proprietários, como integralizações de capital, recompra de ações próprias e distribuição de dividendos, bem como os custos de transação relacionados a essas transações. As alterações globais no patrimônio líquido representam o saldo líquido das receitas, despesas, ganhos e perdas gerados pelas atividades da entidade durante o período. VIII. Ajustes Retrospectivos e Reapresentações: as mudanças nas políticas contábeis e correções de erros que exigem ajustes retrospectivos devem ser divulgadas separadamente na DMPL. Esses ajustes devem ser apresentados para períodos anteriores e no início do período corrente. 62WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.2 Mutações no Patrimônio Líquido O Patrimônio Líquido de uma empresa pode sofrer várias alterações ao longo do tempo, e essas mudanças podem ser categorizadas em diferentes grupos, dependendo de sua natureza. Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se a seguir alguns dos principais motivos que afetam o Patrimônio Líquido. 2.3 Itens que Afetam o Patrimônio Total a. Aumento devido ao lucro líquido do exercício ou redução devido a prejuízo líquido. b. Diminuição devido à distribuição de dividendos aos acionistas. c. Diminuição resultante do pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio aos acionistas. d. Aumento devido à reavaliação de ativos (quando permitido por lei). e. Aumento devido a doações e subvenções para investimentos (após passar pelo resultado). f. Aumento resultante da subscrição e integralização de capital. g. Aumento devido ao recebimento de valor acima do valor nominal das ações ou do preço de emissão das ações sem valor nominal. h. Aumento devido à venda de partes bene� ciárias e bônus de subscrição. i. Aumento devido ao prêmio recebido na emissão de debêntures (após passar pelo resultado). j. Diminuição devido à aquisição de ações próprias ou aumento devido à venda delas. k. Aumento ou redução devido a ajustes de exercícios anteriores. l. Diminuição devido à reversão da Reserva de Lucros a Realizar para a conta de dividendos a pagar. m. Aumento ou redução devido a outros resultados abrangentes. n. Diminuição devido a despesas relacionadas à emissão de ações. o. Ajuste de avaliação patrimonial. p. Ganhos ou perdas acumuladas na conversão de moeda estrangeira, entre outros. 2.4 Itens que Não Afetam o Total do Patrimônio a. Aumento de capital usando lucros e reservas. b. Apropriação do lucro líquido do exercício para formar reservas, como a Reserva Legal, Reserva de Lucros a Realizar, Reserva para Contingência etc. c. Reversão de reservas patrimoniais para Lucros ou Prejuízos Acumulados. 63WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA d. Compensação de prejuízos com reservas, entre outros. As alterações no Patrimônio Líquido de uma empresa podem ser divididas em três categorias principais, com base em Gelbeck et al. (2018), apresentadas a seguir, cada uma representando diferentes tipos de transações e eventos. 1. Transações de capital com os sócios: este grupo engloba as mudanças que ocorrem quando os acionistas atuam na capacidade de proprietários da empresa. Isso inclui eventos como a injeção de novos recursos na empresa por meio de aumento de capital, a devolução de capital aos acionistas, a distribuição de lucros aos acionistas, os gastos relacionados à emissão de novas ações, a compra de ações próprias pela empresa (ações em tesouraria), a venda de ações ou quotas próprias e outras transações similares. Todas essas mudanças são agrupadas e apresentadas como um subtotal separado. 2. Resultados Abrangentes: os resultados abrangentes são as variações no Patrimônio Líquido que ocorrem durante um período, resultando de transações e eventos que não são originados de interações diretas com os acionistas na qualidade de proprietários. Isso compreende três elementos: I. Resultado Líquido do Período: é o lucro ou prejuízo líquido obtido pela empresa durante o período. II. Outros Resultados Abrangentes: incluem variações na reserva de reavaliação (quando permitida por lei), ganhos e perdas atuariais de planos de pensão de benefício de� nido, remensuração de ativos � nanceiros disponíveis para venda, efeitos da conversão de demonstrações contábeis e outros itens similares. III. Reclassi� cações para o Resultado: quando ocorrem transações que anteriormente afetaram os resultados abrangentes e que agora são transferidas para o resultado do período. Um exemplo disso é uma variação cambial em investimentos no exterior, que é inicialmente reconhecida nos resultados abrangentes e posteriormente transferida para o resultado quando o investimento é vendido. Essa reclassi� cação não altera o Patrimônio Líquido total, mas afeta o lucro líquido do período. O Pronunciamento Técnico CPC 26 (R2) requer que tanto o resultado líquido do período quanto os outros resultados abrangentes sejam apresentados separadamente para a entidade controladora e para os acionistas não controladores das subsidiárias. 3. Mutações internas: esse grupo refere-se a mudanças internas no Patrimônio Líquido que não afetam o total do Patrimônio Líquido nem o resultado do período. Exemplos incluem a formação de reservas de lucros a partir de lucros ou prejuízos acumulados, aumento de capital usando reservas de lucros ou de capital, entre outros eventos similares. Para praticar, vamos identifi car as contas contábeis da demonstração das mutações do patrimônio líquido, acessando o link: https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/ negociacao/renda-variavel/empresas-listadas.htm. Com base no conteúdo apresentado sobre a evolução do patrimônio líquido, procure analisar as mutações do patrimônio líquido. 64WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, exploramos profundamente o conceito de Patrimônio Líquido e todos os seus elementos constituintes. O Patrimônio Líquido desempenha um papel crucial na compreensão da saúde � nanceira de uma empresa, e o acesso a informações precisas sobre ele é fundamental para reduzir a assimetria de informações no mercado � nanceiro. O mundo dos negócios é caracterizado por informações assimétricas, onde diferentes partes têm acesso a diferentes níveis de conhecimento sobre uma empresa. Isso pode levar a desequilíbrios e vantagens indevidas em transações � nanceiras. No entanto, o Patrimônio Líquido serve como uma ferramenta essencial para mitigar essa assimetria. Aprendemos que o Patrimônio Líquido não é estático; ele está em constante evolução devido a várias transações e eventos que ocorrem durante o ciclo de vida de uma empresa. As mutações do Patrimônio Líquido, incluindo transações de capital com os sócios, resultados abrangentes e mutações internas, são todas registradas e divulgadas nas demonstrações contábeis. Isso signi� ca que investidores, analistas e partes interessadas têm acesso a informações detalhadas sobre como a empresa está operando e tomando decisões � nanceiras. Além disso, discutimos a distribuição de lucros aos acionistas, uma parte crítica das operações corporativas. A forma como os lucros são distribuídos é uma escolhaestratégica da empresa e é baseada em sua política de dividendos. Essa política é geralmente comunicada aos investidores e, quando seguida, oferece uma visão clara do compromisso da empresa com seus acionistas. Falamos também sobre gastos com emissão de ações e como eles devem ser tratados nas demonstrações contábeis. Esses gastos são importantes para � nanciar o crescimento da empresa, mas devem ser baixados como perdas se não forem bem-sucedidos. Novamente, essa divulgação fornece informações valiosas sobre as escolhas de � nanciamento da empresa. A aquisição de ações em tesouraria foi outro ponto discutido, com ênfase nas regras estritas que governam essa prática. Empresas podem comprar suas próprias ações por diversas razões, mas a conformidade com as regulamentações é essencial. Isso garante que os acionistas e investidores estejam cientes das ações da empresa em relação ao seu próprio capital. Por � m, abordamos as considerações � scais em todas as etapas relacionadas ao Patrimônio Líquido, desde a tributação de dividendos e JCP até a forma como os gastos com emissão de ações são tratados do ponto de vista � scal. A compreensão dessas implicações � scais ajuda as empresas a tomarem decisões � nanceiras informadas e transparentes. Em resumo, o Patrimônio Líquido é uma fonte inestimável de informações que ajuda a reduzir a assimetria de informações no mercado � nanceiro. A transparência nas demonstrações � nanceiras, incluindo detalhes sobre mutações do Patrimônio Líquido e políticas de distribuição de lucros, capacita investidores, analistas e reguladores a tomarem decisões informadas e promove a integridade e a con� ança nos mercados � nanceiros. Portanto, compreender o Patrimônio Líquido é essencial para todos os envolvidos no mundo dos negócios, pois isso ajuda a nivelar o campo de jogo e a promover a transparência e a responsabilidade nas transações � nanceiras. Por fi m, vamos fazer uma leitura adicional de uma pesquisa sobre a elaboração e detalhamento da DMPL e DFC de uma entidade empresarial, acessando o seguinte link: https://publicacao. uniasselvi.com.br/index.php/CTB_EaD/article/view/1226/385. 6565WWW.UNINGA.BR UNIDADE 04 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 67 1. OS FLUXOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS ..................................................................................................... 68 2. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE (DRA) ................................................................................ 68 2.1 COMPONENTES DE OUTROS RESULTADOS ABRANGENTES ........................................................................ 68 2.2 ELABORAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE ........................................................... 69 2.3 RECLASSIFICAÇÃO PARA O RESULTADO ........................................................................................................ 70 2.4 APRESENTAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE ...................................................... 70 3. DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) ..............................................................................................71 3.1 OBJETIVOS E FINALIDADES ...............................................................................................................................71 3.2 ASPECTOS ESPECÍFICOS RELACIONADOS À APRESENTAÇÃO ................................................................... 72 3.2.1 EVIDENCIAR O EFEITO PERIÓDICO DAS TRANSAÇÕES DE CAIXA POR ATIVIDADES ............................. 72 ELABORAÇÃO DE DEMONSTRAÇÃO QUE EVIDENCIA OS FLUXOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS PROF. ME. GIOVANI LAURETTI BERNADO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 66WWW.UNINGA.BR EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.2.2 EVIDENCIAR TRANSAÇÕES DE INVESTIMENTO E FINANCIAMENTO EM NOTAS EXPLICATIVAS ........73 3.2.3 CONCILIAR O RESULTADO LÍQUIDO COM O CAIXA LÍQUIDO GERADO OU CONSUMIDO NAS ATIVIDA- DES OPERACIONAIS .................................................................................................................................................73 3.2.4 DISPONIBILIDADES – CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA .........................................................................73 3.3 IDENTIFICAÇÃO DAS MOVIMENTAÇÕES DE CAIXA POR ATIVIDADE ...........................................................73 3.3.1 ATIVIDADES OPERACIONAIS ...........................................................................................................................73 3.3.2 ATIVIDADES DE INVESTIMENTO .................................................................................................................. 74 3.3.3 ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO ............................................................................................................... 75 3.4 FLUXOS DE CAIXA EM MOEDA ESTRANGEIRA ............................................................................................... 75 3.5 IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ............................................. 75 3.6 AQUISIÇÃO E VENDAS DE CONTROLADAS E OUTRAS UNIDADES DE NEGÓCIOS ..................................... 75 3.7 INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES REQUERIDAS ...................................................................................... 76 3.8 MÉTODOS DE ELABORAÇÃO ............................................................................................................................ 76 3.8.1 MÉTODO DIRETO ............................................................................................................................................. 76 3.8.2 MÉTODO INDIRETO .........................................................................................................................................77 3.9 CONCILIAÇÃO LUCRO LÍQUIDO VERSUS CAIXA DAS OPERAÇÕES ............................................................. 79 4. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) ........................................................................................... 80 4.1 CONCEITOS ......................................................................................................................................................... 80 4.2 FORMA DE APRESENTAÇÃO ..............................................................................................................................81 4.3 RECEITAS (SOMA DOS ITENS 1.1 A 1.4) ........................................................................................................... 82 4.4 INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (SOMA DOS ITENS 2.1 A 2.4) ....................................................... 82 4.5 VALOR ADICIONADO BRUTO (DIFERENÇA ENTRE OS ITENS 1 E 2) ............................................................ 83 4.6 DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO (ITEM 4) ................................................................................ 83 4.7 VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (DIFERENÇA ENTRE OS ITENS 3 E 4) ...... 83 4.8 VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA (SOMA DOS ITENS 6.1 A 6.3) .............................. 83 4.9 DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO (SOMA DOS ITENS 8.1 A 8.4) ....................................................... 83 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 85 67WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO As demonstrações � nanceiras, peças-chave na análise e avaliação do desempenho de uma empresa, são o re� exo detalhado de suas atividades e saúde � nanceira. Para uma compreensão completa e precisa dessas demonstrações, é essencial ter uma visão sólida dos dois aspectos fundamentais que as compõem: os� uxos econômicos e � nanceiros. Os � uxos econômicos são intrinsecamente ligados às operações comerciais de uma empresa e à criação de valor resultante de suas atividades. Estes incluem receitas, despesas, lucros e perdas originados de sua operação principal. Em contrapartida, os � uxos � nanceiros se concentram na movimentação real de dinheiro, revelando a capacidade da empresa de gerenciar suas � nanças de maneira e� caz e sustentável. Uma peça crucial nas demonstrações � nanceiras e que aborda predominantemente os � uxos econômicos é a Demonstração do Resultado Abrangente (doravante, DRA). Essa demonstração não apenas destaca os resultados convencionais, mas também incorpora os Componentes de Outros Resultados Abrangentes, que englobam ganhos e perdas não realizados em investimentos, variações cambiais e ajustes de ativos � nanceiros, entre outros. No processo de elaboração da DRA, as empresas precisam compreender as nuances das reclassi� cações para o resultado e como apresentar a demonstração de forma coerente e informativa. Isso requer uma distinção cuidadosa entre resultados temporários e permanentes, que têm implicações signi� cativas na apresentação dos resultados na DRA. Enquanto a DRA cuida dos � uxos econômicos, a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) lida com os � uxos � nanceiros da empresa. Essa demonstração fornece uma visão completa de como o dinheiro entra e sai da organização, desempenhando um papel crítico na avaliação da capacidade da empresa de gerenciar suas operações e � nanciamento. As demonstrações � nanceiras, como a DRA, DFC e outras, desempenham um papel vital na avaliação da saúde e do desempenho de uma empresa. Ao mergulhar a fundo nesses conceitos, pretendemos fornecer uma compreensão sólida das demonstrações � nanceiras e seus elementos essenciais. Juntos, exploraremos cada aspecto, desde a elaboração da DRA e DFC até a conciliação entre o lucro líquido e o caixa das operações, proporcionando uma visão clara e abrangente das � nanças corporativas. Vamos iniciar nossa jornada de aprendizado sobre os � uxos econômicos e � nanceiros nas demonstrações � nanceiras, conectando os pontos e aprimorando nossa compreensão desses elementos fundamentais. 68WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. OS FLUXOS ECONÔMICOS E FINANCEIROS Os � uxos econômicos estão mais relacionados ao desempenho operacional e à geração de valor da empresa, enquanto os � uxos � nanceiros se concentram no movimento de dinheiro e na capacidade da empresa de administrar suas � nanças de maneira e� caz. As demonstrações � nanceiras, como a Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) e Demonstração do Valor Adicionado (DVA), desempenham um papel fundamental na análise e no acompanhamento desses � uxos. 2. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE (DRA) A Lei nº 6.404/76, em conjunto com o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) - Apresentação das Demonstrações Contábeis -, estabelece que o conteúdo da DRA deve combinar o resultado líquido da Demonstração de Resultado com outros resultados abrangentes. O resultado abrangente é uma medida das mudanças no patrimônio líquido de uma empresa ao longo de um período, que não se deve a transações diretas com os proprietários (GELBECK et al., 2018). 2.1 Componentes de Outros Resultados Abrangentes A DRA é uma demonstração contábil adicional que complementa a Demonstração do Resultado (DR). Ela apresenta as receitas, despesas e outras mudanças no patrimônio líquido que afetam a empresa, mas que não foram reconhecidas (ou ainda não foram reconhecidas) na DR (GELBECK et al., 2018). Tais receitas e despesas são identi� cadas como “outros resultados abrangentes” e, de acordo com o CPC 26 (R1), compreendem os seguintes itens: Vamos iniciar a unidade com um exercício de refl exão sobre qual é a importância de compreender e gerenciar ambos os fl uxos econômicos e fi nanceiros de forma efi caz para o sucesso de uma organização. Antes de prosseguir com a leitura, vamos assistir ao seguinte vídeo sobre DRA: https://youtu.be/m786tSjVPZQ. 69WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Variações na Reserva de Reavaliação: essas variações ocorrem quando uma empresa possui ativos que foram reavaliados e a legislação permite a manutenção de uma reserva de reavaliação. Essa reserva re� ete mudanças no valor justo desses ativos e é reconhecida na DRA. Ganhos e Perdas Atuariais em Planos de Pensão com Benefício De� nido: Refere- se a variações nos passivos e ativos de planos de pensão que oferecem benefícios de� nidos para os funcionários. Essas variações são reconhecidas na DRA de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 33 - Benefícios a Empregados. II. Ganhos e Perdas Derivados de Conversão de Demonstrações Contábeis de Operações no Exterior: esses ganhos e perdas estão relacionados às mudanças nas taxas de câmbio que afetam as operações � nanceiras em moedas estrangeiras. Eles são reconhecidos na DRA de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 02 - Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis. III. Ajuste de Avaliação Patrimonial Relativo aos Ganhos e Perdas na Remensuração de Ativos Financeiros Disponíveis para Venda: refere-se a mudanças no valor justo de ativos � nanceiros que são classi� cados como “disponíveis para venda.” Esses ajustes são reconhecidos na DRA de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 48 - Instrumentos Financeiros. IV. Ajuste de Avaliação Patrimonial Relativo à Efetiva Parcela de Ganhos ou Perdas de Instrumentos de Hedge em Hedge de Fluxo de Caixa: envolve ajustes relacionados à efetiva parcela de ganhos ou perdas de instrumentos de hedge usados para proteger � uxos de caixa futuros. Esses ajustes também são reconhecidos na DRA, conforme o Pronunciamento Técnico CPC 48. Em suma, evidenciar esses itens na DRA ajuda a fornecer uma visão mais completa das mudanças no patrimônio líquido da empresa, abrangendo elementos que não são re� etidos apenas na DR. Isso é importante para a transparência contábil e para informar os stakeholders sobre como esses itens afetam a posição � nanceira da empresa. 2.2 Elaboração da Demonstração do Resultado Abrangente A Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) pode ser apresentada e quais componentes ela deve incluir, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) - Apresentação das Demonstrações Contábeis. A estrutura mínima da DRA, conforme CPC 26 (R1), é que, independentemente de ser incorporada à DMPL ou apresentada separadamente, deve seguir uma estrutura mínima de� nida pelo CPC 26 (R1). Essa estrutura inclui os seguintes componentes: I. Resultado Líquido do Período: o valor inicial da DRA é o resultado líquido do período, que é o lucro ou prejuízo apurado na Demonstração do (DR). II. Outros Resultados Abrangentes: em seguida, são apresentados os itens dos outros resultados abrangentes classi� cados de acordo com sua natureza. III. Parcela dos Outros Resultados Abrangentes de Empresas Investidas: se a empresa possui investimentos em outras empresas e utiliza o método de equivalência patrimonial para contabilizá-los, a parcela dos outros resultados abrangentes dessas empresas investidas também deve ser apresentada. 70WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA IV. Resultado Abrangente do Período: por � m, a DRA deve mostrar o resultado abrangente total do período, que é a soma do resultado líquido do período e dos outros resultados abrangentes. Em suma, a estrutura mínima da DRA, conforme de� nida pelo CPC 26 (R1), é projetada para fornecer uma visão conjunta do resultado líquido do período, acrescido da parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas e o resultado abrangente do período. 2.3Reclassificação para o Resultado De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) - Apresentação das Demonstrações Contábeis -, quando ocorre a realização contábil de itens previamente registrados como “outros resultados abrangentes,” como a baixa de investimentos em empresas no exterior, ativos � nanceiros disponíveis para venda, ou quando operações sujeitas a hedge de � uxo de caixa afetam o resultado líquido do exercício, é necessário realizar ajustes de reclassi� cação. Os ajustes de reclassi� cação são incluídos no respectivo componente dos “outros resultados abrangentes” no período em que o ajuste é reclassi� cado para o resultado líquido do período. Por exemplo, quando um ganho é realizado na venda de um ativo � nanceiro disponível para venda, esse ganho pode ter sido previamente reconhecido como um ganho não realizado nos “outros resultados abrangentes” do período ou de períodos anteriores. Nesse caso, os ganhos não realizados devem ser deduzidos dos “outros resultados abrangentes” no período em que os ganhos realizados são reconhecidos no resultado líquido do período, evitando a duplicação do reconhecimento do mesmo ganho. Não devem ser tratadas como ajustes de reclassi� cação as mutações na reserva de reavaliação (quando permitidas por lei) ou os ganhos e perdas atuariais de planos de benefício a empregados. Esses itens são reconhecidos como “outros resultados abrangentes”, mas não são reclassi� cados para o resultado líquido em exercícios posteriores (GELBECK et al., 2018). Dessa forma, quando ocorre a realização da reserva de reavaliação, as mutações nessa reserva devem ser transferidas para a Reserva de Retenção de Lucros ou para Prejuízos Acumulados, conforme apropriado. Em resumo, os ajustes de reclassi� cação são necessários quando itens anteriormente registrados como “outros resultados abrangentes” são realizados contabilmente. Esses ajustes garantem que os resultados não sejam reconhecidos em duplicidade. A entidade tem a opção de apresentar esses ajustes na DRA ou em notas explicativas, mas deve seguir as diretrizes do CPC 26 (R1) para divulgação adequada. Além disso, certos itens, como as mutações na reserva de reavaliação e os ganhos e perdas atuariais de planos de benefício a empregados, têm tratamento especí� co e não são reclassi� cados para o resultado líquido em exercícios posteriores (GELBECK et al., 2018). 2.4 Apresentação da Demonstração do Resultado Abrangente A DRA pode ser incorporada à Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), que é outro demonstrativo contábil que re� ete as mudanças nas contas do patrimônio líquido da empresa ao longo do tempo (CPC 26). Isso signi� ca que a DRA será apresentada como parte da DMPL, permitindo uma visão abrangente das mudanças no patrimônio líquido. Alternativamente, a DRA pode ser apresentada em um demonstrativo separado, ou seja, em um relatório próprio (GELBECK et al., 2018). Nesse caso, a estrutura e os componentes da DRA devem ser claramente de� nidos. 71WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) Antes da promulgação da Lei nº 11.638/07, a DFC não era obrigatória no Brasil, exceto em casos especí� cos, como para empresas de energia elétrica (exigência da ANEEL) e empresas participantes do Novo Mercado (exigência da BOVESPA). Com a promulgação da Lei nº 11.638/07, a elaboração da DFC se tornou obrigatória no Brasil em substituição à Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), que era uma demonstração contábil anteriormente utilizada para evidenciar os � uxos de caixa. Para estabelecer regras detalhadas sobre como as entidades devem elaborar e divulgar a DFC, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) emitiu o Pronunciamento Técnico CPC 03 - Demonstração dos Fluxos de Caixa -, com base na norma internacional de contabilidade IAS 7 - Statements of Cash Flows, e ele se assemelha à norma norte-americana FAS 95 - Statements of Cash Flows. Isso demonstra a busca por alinhamento das práticas contábeis brasileiras com padrões internacionais. 3.1 Objetivos e Finalidades O objetivo da DFC é fornecer informações relevantes sobre os � uxos de dinheiro de uma empresa em um determinado período (GELBECK et al., 2018). Essas informações são fundamentais para ajudar os usuários das demonstrações contábeis a compreender a situação � nanceira da empresa . Além disso, apresentam-se a seguir os principais objetivos e benefícios das informações da DFC: Agora, vamos realizar uma leitura adicional dos anexos do Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa –, acessando o seguinte link: https://www.cpc.org.br/ Arquivos/Documentos/183_CPC_03_R2_rev%2014.pdf. Além disso, para aprofundar nosso conhecimento sobre a DRA, vamos realizar a leitura do seguinte artigo científi co: http://www. adcont.net/index.php/adcont/adcont2014/paper/view/1457/361. Antes de prosseguirmos com a leitura, vamos assistir ao seguinte vídeo: https://youtu.be/Sxz4a82fv7s. 72WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Avaliar a capacidade de geração de caixa: a DFC ajuda a determinar se a empresa é capaz de gerar � uxos de caixa positivos no futuro. Isso é crucial para investidores, credores e outros stakeholders, pois indica a saúde � nanceira de longo prazo da empresa. II. Avaliar a capacidade de cumprir compromissos � nanceiros: a DFC permite avaliar se a empresa tem recursos su� cientes para honrar seus compromissos � nanceiros, como pagamento de dívidas, pagamento de dividendos aos acionistas e retorno de empréstimos obtidos. III. Analisar a liquidez, solvência e � exibilidade � nanceira: as informações da DFC ajudam a determinar a liquidez da empresa, ou seja, sua capacidade de pagar suas obrigações de curto prazo. Além disso, a DFC fornece insights sobre a solvência da empresa (sua capacidade de pagar dívidas de longo prazo) e sua � exibilidade � nanceira para enfrentar desa� os � nanceiros. IV. Avaliar a taxa de conversão de lucro em caixa: a DFC mostra como o lucro líquido se traduz em � uxos de caixa. Isso é importante para entender a e� ciência da empresa em converter lucros em dinheiro disponível. V. Comparar o desempenho operacional: a DFC elimina os efeitos de diferentes tratamentos contábeis usados por empresas para as mesmas transações e eventos. Isso permite uma comparação mais precisa do desempenho operacional de diferentes empresas. VI. Avaliar a precisão das estimativas: a DFC permite veri� car quão precisas foram as estimativas de � uxos de caixa futuros feitas anteriormente. Isso é importante para aprimorar a tomada de decisões futuras. VII. Analisar os efeitos das transações de investimento e � nanciamento: a DFC também fornece informações sobre como as transações de investimento (como compra de ativos) e � nanciamento (como empréstimos) afetam a posição � nanceira da empresa. Em suma, a DFC desempenha um papel crucial ao fornecer informações detalhadas sobre a movimentação de dinheiro de uma empresa, ajudando os interessados a avaliar sua capacidade de gerar caixa, honrar compromissos � nanceiros, manter a liquidez e tomar decisões informadas sobre investimentos e � nanciamento (ALMEIDA, 2018). 3.2 Aspectos Específicos Relacionados à Apresentação Para cumprir sua � nalidade de forma adequada, o modelo de DFC deve atender a alguns requisitos essenciais. 3.2.1 Evidenciar o efeito periódico das transações de caixa por atividades A DFC deve evidenciar o efeito das transações de caixa de acordo com três categorias principais de atividades: atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de � nanciamento (CPC 03). As transações relacionadas a atividades operacionais devem ser destacadas primeiro na DFC, seguidas pelas atividades de investimento e, por último, as atividades de � nanciamento (CPC03). 73WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.2.2 Evidenciar transações de investimento e financiamento em notas explicativas Transações de investimento e � nanciamento que afetam a posição patrimonial da empresa, mas não têm impacto direto nos � uxos de caixa do período, devem ser evidenciadas separadamente em notas explicativas que fazem referência à DFC (CPC 03). Isso permite que os usuários das demonstrações � nanceiras compreendam melhor como essas transações afetam a situação � nanceira da empresa (ALMEIDA, 2018). 3.2.3 Conciliar o resultado líquido com o caixa líquido gerado ou consumido nas ativi- dades operacionais A DFC deve incluir uma reconciliação entre o resultado líquido (lucro ou prejuízo) e o caixa líquido gerado ou consumido nas atividades operacionais (CPC 03). Essa reconciliação ajuda a explicar como as transações não caixa, como depreciação e amortização, afetam o resultado líquido e o caixa da empresa (ALMEIDA, 2018). Observar esses requisitos é fundamental para garantir que a DFC forneça informações claras e relevantes sobre os � uxos de caixa da empresa, permitindo uma análise adequada de suas operações, investimentos e fontes de � nanciamento (ALMEIDA, 2018). Isso contribui para uma tomada de decisões mais informada por parte dos investidores, credores e outros stakeholders. 3.2.4 Disponibilidades – caixa e equivalentes de caixa Para � ns da Demonstração dos Fluxos de Caixa, o conceito de caixa não se limita ao dinheiro em espécie. Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa –, caixa compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis, e equivalentes de caixa são aplicações � nanceiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insigni� cante risco de mudança de valor (CPC 03). Dessa forma, equivalentes de caixa são investimentos de altíssima liquidez que podem ser rapidamente convertidos em uma quantia conhecida de dinheiro e apresentam um risco insigni� cante de alteração de valor. Para um investimento ser classi� cado como equivalente de caixa, é necessário atender a três requisitos cumulativos: ser de curto prazo, ser de alta liquidez e apresentar um risco insigni� cante de mudança de valor (GELBECK et al., 2018). 3.3 Identificação das Movimentações de Caixa por Atividade A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) utiliza uma classi� cação das movimentações de caixa por grupos de atividades para evidenciar os pagamentos e recebimentos de caixa relacionados à natureza das transações que os originam. 3.3.1 Atividades operacionais São atividades relacionadas à operação principal da empresa, ou seja, aquelas que envolvem a produção e entrega de bens e serviços (CPC 03). Os � uxos de caixa das atividades operacionais são fundamentais para avaliar a capacidade da empresa em gerar caixa a partir de suas operações diárias (CPC 03). Isso inclui receber dinheiro de vendas à vista, juros sobre empréstimos concedidos, dividendos e juros sobre ações de outras empresas, entre outros. Os pagamentos operacionais incluem o pagamento a fornecedores, impostos, juros sobre empréstimos obtidos e outros relacionados à operação principal da empresa. Com base em Gelbeck et al. (2018), 74WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA apresentam-se alguns exemplos de movimentações de entradas e saídas de caixa relacionadas às atividades operacionais: a) Recebimentos pela venda de produtos e serviços à vista. b) Recebimento de juros sobre empréstimos concedidos e sobre aplicações � nanceiras em outras entidades. c) Recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio de participações em outras empresas. d) Outros recebimentos não relacionados às atividades de investimento ou � nanciamento, como recebimento de aluguéis, royalties e vendas de ativos produzidos ou adquiridos para esse � m. e) Pagamentos a fornecedores pelo suprimento de mercadorias ou matérias-primas. f) Pagamentos a fornecedores de outros insumos de produção, incluindo serviços prestados por terceiros. g) Pagamentos de impostos, multas e taxas governamentais. h) Pagamentos de juros (despesas � nanceiras) de � nanciamentos obtidos. i) Pagamentos relacionados à produção ou aquisição de ativos destinados a aluguel e subsequente venda. 3.3.2 Atividades de investimento Essas atividades estão relacionadas ao aumento ou diminuição dos ativos de longo prazo que a empresa usa para produzir bens e serviços (CPC 03). Incluem a compra e venda de ativos como propriedades, ações de outras empresas e até mesmo investimentos � nanceiros de curto prazo que não se quali� cam como equivalentes de caixa (CPC 03). Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se alguns exemplos de movimentações de entradas e saídas de caixa relacionadas às atividades de investimento: a) Recebimentos pela venda de ativos de longo prazo, como imobilizado. b) Recebimento pela venda de participações em outras empresas ou instrumentos de dívida de outras entidades. c) Recebimentos de resgates do principal de aplicações � nanceiras não classi� cadas como equivalentes de caixa. d) Recebimentos relacionados a contratos futuros, a termo, de opções e swaps. e) Recebimentos de caixa por liquidação de adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos a terceiros. f) Pagamentos para a aquisição de terrenos, edi� cações, equipamentos ou outros ativos � xos. g) Pagamentos pela aquisição de títulos patrimoniais de outras empresas ou instrumentos de dívida de outras entidades. h) Pagamentos dos empréstimos concedidos pela empresa e pagamento pela aquisição de títulos de investimento de outras entidades. i) Pagamentos relacionados a contratos futuros, a termo, de opções e swaps. j) Adiantamentos de caixa e empréstimos feitos a terceiros. 75WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.3.3 Atividades de financiamento Essas atividades envolvem a obtenção de recursos dos proprietários e credores da empresa (CPC 03). Isso inclui a venda de ações emitidas, a obtenção de empréstimos por meio da emissão de títulos, recebimento de contribuições destinadas a investimentos especí� cos e pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio aos acionistas (CPC 03). Basicamente, atividades de � nanciamento se referem a como a empresa � nancia suas operações e investimentos (CPC 03). Com base em Gelbeck et al. (2018), apresentam-se alguns exemplos de movimentações de entradas e saídas de caixa relacionadas às atividades de � nanciamento: a) Venda de ações emitidas. b) Empréstimos obtidos no mercado. c) Recebimento de contribuições que têm a � nalidade estrita de adquirir, construir ou expandir a planta instalada. d) Pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio e outras distribuições aos donos. e) Pagamento dos empréstimos obtidos. f) Pagamento do principal referente a imobilizado adquirido a prazo. g) Pagamento do principal do arrendamento mercantil � nanceiro. Vale ressaltar que alguns recebimentos e pagamentos podem ser classi� cados em mais de um grupo de atividades, dependendo das circunstâncias especí� cas da transação. Em suma, essa classi� cação ajuda a destacar como a empresa gera e utiliza caixa em suas operações operacionais, de investimento e de � nanciamento, fornecendo informações essenciais para investidores e analistas avaliarem a saúde � nanceira e a capacidade de geração de caixa da empresa. 3.4 Fluxos de Caixa em Moeda Estrangeira Os � uxos de caixa de transações em moeda estrangeira devem ser registrados na moeda em que as demonstrações contábeis da entidade são apresentadas (GELBECK et al., 2018). Para converter o montante em moeda estrangeira para a moeda de apresentação, a taxa cambial na data do � uxo de caixadeve ser utilizada. Ganhos e perdas não realizados decorrentes de mudanças nas taxas de câmbio não são considerados � uxos de caixa, mas os efeitos dessas mudanças nos saldos de caixa e equivalentes de caixa devem ser demonstrados separadamente da DFC (GELBECK et al., 2018). 3.5 Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Os � uxos de caixa relacionados ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido devem ser apresentados separadamente na DFC, a menos que possam ser especi� camente identi� cados com uma determinada transação classi� cada como atividade de investimento ou � nanciamento. Quando o método indireto é usado na DFC, os valores do imposto de renda e da contribuição social pagos durante o período devem ser detalhados em notas explicativas (GELBECK et al., 2018). 3.6 Aquisição e Vendas de Controladas e outras Unidades de Negócios Os � uxos de caixa resultantes da obtenção e da perda do controle de controladas ou outros negócios devem ser apresentados separadamente na DFC e classi� cados como atividades de 76WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA investimento. Quando a mudança no percentual de participação em uma controlada não resultar na perda do controle, a classi� cação deve ser como atividade de � nanciamento (GELBECK et al., 2018). Essas transações devem ser detalhadas na DFC e nas notas explicativas. 3.7 Informações Complementares Requeridas Devem ser divulgados separadamente na DFC os juros, dividendos, juros sobre o capital próprio e tributos sobre o lucro pagos e recebidos. A DFC deve incluir uma conciliação entre os valores em sua demonstração e os itens do balanço patrimonial, permitindo que os usuários entendam a posição � nanceira e a liquidez da empresa. Valores de empréstimos obtidos não utilizados, � uxos de caixa derivados de aumentos na capacidade operacional e � uxos por segmento de negócios passíveis de relatórios também podem ser divulgados (GELBECK et al., 2018). A norma proíbe a divulgação de índices relacionados ao � uxo de caixa por ação. Essas diretrizes têm o objetivo de garantir a transparência e a compreensão adequada dos � uxos de caixa e suas implicações nas demonstrações � nanceiras das empresas, especialmente quando se trata de transações em moeda estrangeira e outras situações complexas, como aquisições e vendas de unidades de negócios (GELBECK et al., 2018). As informações complementares também são importantes para que os usuários das demonstrações � nanceiras tenham uma visão completa da saúde � nanceira da empresa. 3.8 Métodos de Elaboração Para elaboração da DFC, o Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa – disponibiliza a utilização do método direto ou indireto. 3.8.1 Método direto O método direto mostra as entradas e saídas de dinheiro de forma detalhada, ou seja, ele lista as principais fontes de dinheiro que entraram na empresa e as principais despesas que saíram dela. Com base em Gelbeck et al. (2018), ao optar pela elaboração da DFC pelo método direto, devem-se detalhar os � uxos das operações, no mínimo, nas classes seguintes: a) recebimentos de clientes, incluindo os recebimentos de arrendatários; b) concessionários e similares; c) recebimentos de juros e dividendos; d) outros recebimentos das operações, se houver; e) pagamentos a empregados e a fornecedores de produtos e serviços, aí incluídos segurança, propaganda, publicidade e similares; f) juros pagos; g) impostos pagos; h) outros pagamentos das operações, se houver. Agora vamos analisar um exemplo extraído do CPC 03, da estrutura de uma DFC elaborada pelo método direito. A partir deste exemplo, pode-se observar que a a DFC sob o método direto fornece uma visão clara das operações de caixa da empresa, mas é mais trabalhosa de ser elaborada, pois requer detalhes precisos de todas as transações de caixa. 77WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Fluxos de caixa das atividades operacionais Valores em R$ Recebimentos de clientes 30.150 Pagamentos a fornecedores e empregados (27.600) Caixa gerado pelas operações 2.550 Juros pagos (270) Imposto de renda e contribuição social pagos (800 Imposto de renda na fonte sobre dividendos recebidos (100) Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais 1.380 Fluxos de caixa das atividades de investimento Aquisição da controlada X, líquido do caixa obtido na aqui- sição (550) Compra de ativo imobilizado (350) Recebimento pela venda de equipamento 20 Juros recebidos 200 Dividendos recebidos 200 Caixa líquido consumido pelas atividades de investimento (480) Fluxos de caixa das atividades de � nanciamento Recebimento pela emissão de ações 250 Recebimento por empréstimo a longo prazo 250 Pagamento de passivo por arrendamento (90) Dividendos pagos (a) (1.200) Caixa líquido consumido pelas atividades de � nanciamen- to (790) Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa 110 Caixa e equivalentes de caixa no início do período 120 Caixa e equivalentes de caixa no � m do período 230 Quadro 1 - Demonstração dos � uxos de caixa pelo método direto. Fonte: O autor. (a) Esse valor também poderia ser apresentado no � uxo de caixa das atividades operacionais. 3.8.2 Método indireto O método indireto, também conhecido como método da conciliação, é usado para preparar a DFC e envolve uma conciliação entre o lucro líquido e o caixa gerado ou consumido pelas operações da empresa. Com base em Gelbeck et al. (2018), para realizar essa conciliação são necessários os seguintes passos: I. Remover Diferimentos de Transações Passadas: isso envolve a exclusão de itens que afetaram o lucro líquido, mas que não tiveram um impacto direto no caixa durante o período. Exemplos incluem gastos antecipados, créditos tributários e outros eventos em que o caixa foi afetado anteriormente, mas não durante o período atual. 78WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA II. Remover Alocações ao Período do Consumo de Ativos Não Circulantes: neste passo, são excluídos itens relacionados à depreciação e amortização de ativos não circulantes. A depreciação e a amortização são despesas contábeis que re� etem a redução do valor dos ativos ao longo do tempo, mas não envolvem uma saída direta de caixa no período. III. Remover Itens Classi� cados como Atividades de Investimento e Financiamento: aqui, são excluídos ganhos e perdas na venda de ativos de investimento, imobilizado e outros itens relacionados a atividades de investimento ou � nanciamento. Esses itens podem afetar o lucro líquido, mas sua contabilização não re� ete diretamente as entradas ou saídas de caixa do período. IV. Adicionar Itens de Caixa Não Re� etidos no Lucro Líquido: este passo envolve a inclusão de todos os � uxos de caixa que ocorreram durante o período, mas que podem não ter sido re� etidos no lucro líquido. Isso pode incluir, por exemplo, recebimentos de vendas a prazo, pagamentos de despesas a prazo, recebimentos de adiantamentos de clientes e pagamentos de despesas antecipadas. Ao seguir esses passos, a empresa pode reconciliar o lucro líquido (conforme re� etido na demonstração de resultados) com o caixa gerado ou consumido pelas atividades operacionais durante o período. Isso fornece uma visão mais precisa de como as operações afetaram o caixa da empresa, levando em consideração as variações contábeis que podem não ter um impacto direto no caixa, bem como as transações de caixa que não estão re� etidas no lucro líquido. Essa conciliação ajuda os investidores, credores e outras partes interessadas a entenderem melhor a liquidez e a capacidade de geração de caixa da empresa. Fluxos de caixa das atividades operacionais Valores em R$ Lucro líquido antes do IR e CSLL 3.350 Ajustes por: Depreciação 450 Perda cambial 40 Resultado de equivalênciapatrimonial (500) Despesas de juros 400 Aumento nas contas a receber de clientes e ou- tros (500) Diminuição nos estoques 1.050 Diminuição nas contas a pagar – fornecedores (1.740) Caixa gerado pelas operações 2.550 Juros pagos (270) Imposto de renda e contribuição social pagos (800) Imposto de renda na fonte sobre dividendos re- cebidos (100) Caixa líquido gerado pelas atividades operacio- nais 1.380 Fluxos de caixa das atividades de investimento 79WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Aquisição da controlada X, líquido do caixa ob- tido na aquisição (550) Compra de ativo imobilizado (350) Recebimento pela venda de equipamento 20 Juros recebidos 200 Dividendos recebidos 200 Caixa líquido consumido pelas atividades de in- vestimento (480) Fluxos de caixa das atividades de � nanciamen- to Recebimento pela emissão de ações 250 Recebimento por empréstimos a longo prazo 250 Pagamento de passivo por arrendamento (90 Dividendos pagos (a) (1.200) Caixa líquido consumido pelas atividades de � - nanciamento (790) Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa 110 Caixa e equivalentes de caixa no início do pe- ríodo 120 Caixa e equivalentes de caixa no � m do perío- do 230 Quadro 2 - Demonstração dos � uxos de caixa pelo método indireto. Fonte: O autor. (a) Esse valor também poderia ser apresentado no � uxo de caixa das atividades operacionais. 3.9 Conciliação Lucro Líquido versus Caixa das Operações Tanto no método direto quanto no método indireto, é essencial reconciliar o lucro líquido com o � uxo de caixa gerado ou consumido pelas operações. Isso é feito para explicar como o lucro líquido se transformou em caixa disponível. A conciliação mostra onde estão os principais ajustes entre o lucro líquido e o caixa gerado pelas atividades operacionais (GELBECK et al., 2018). Isso pode incluir, por exemplo, adicionar de volta à conciliação a depreciação que afetou o lucro líquido, mas não envolveu um desembolso de caixa real. Ambos os métodos são aceitáveis para a apresentação da DFC, mas o método indireto é mais amplamente utilizado na prática devido à sua simplicidade. Em qualquer método escolhido, a transparência e a clareza são essenciais para garantir que os usuários das demonstrações � nanceiras entendam como a empresa gera e utiliza seu caixa (GELBECK et al., 2018). Portanto, informações adicionais e notas explicativas são frequentemente usadas para esclarecer e detalhar os itens apresentados na DFC. Fluxos de caixa das atividades operacionais Valores em R$ 80WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 4. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) Essa demonstração era opcional no Brasil até a promulgação da Lei nº 11.638/07, que tornou obrigatória a sua elaboração e divulgação para as companhias abertas como parte das demonstrações contábeis anuais. Para orientar a elaboração e divulgação da DVA, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) emitiu o Pronunciamento Técnico CPC 09 – Demonstração do Valor Adicionado. 4.1 Conceitos Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 09 – Demonstração do Valor Adicionado –, valor adicionado representa a riqueza criada pela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Inclui também o valor adicionado recebido em transferência, ou seja, produzido por terceiros e transferido à entidade. A DVA fornece informações relevantes para todos os agentes econômicos interessados na empresa, incluindo empregados, clientes, fornecedores, � nanciadores e governo; dessa forma, a DVA permite que partes interessadas compreendam como a empresa gera valor e como esse valor é distribuído (GELBECK et al., 2018). E, para aprofundar nosso conhecimento sobre a DFC, vamos realizar a leitura do artigo científi co A demonstração dos fl uxos de caixa e sua contribuição para uma tomada de decisão mais informada, disponível em https://bu.furb.br/ojs/index.php/universocontabil/ article/view/2677/1891. Agora, vamos realizar uma leitura adicional do Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa –, acessando o seguinte link: https://www.cpc.org.br/Arquivos/ Documentos/183_CPC_03_R2_rev%2014.pdf. Antes de prosseguir com a leitura, vamos assistir ao seguinte vídeo: https://youtu.be/vQiJ9a0dsJU. 81WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 4.2 Forma de Apresentação A elaboração e apresentação da DVA devem seguir diretrizes especí� cas para garantir que atendam aos requisitos estabelecidos pelo Pronunciamento Técnico CPC 09 e pela legislação societária. Além disso, a DVA deve ser elaborada com base no princípio contábil da competência (GELBECK et al., 2018). Isso signi� ca que as transações e eventos devem ser reconhecidos no período a que se referem, independentemente de quando o caixa é efetivamente recebido ou pago. Além disso, a DVA deve ser apresentada de forma comparativa, ou seja, deve incluir informações para o período atual e o período anterior. Isso permite que os usuários das demonstrações contábeis avaliem as mudanças ao longo do tempo. Além disso, a DVA deve ser preparada com base nas demonstrações consolidadas da empresa, quando aplicável. Isso signi� ca que, se a empresa possui subsidiárias ou participações em outras empresas, os valores da DVA devem ser consolidados, não apenas somados das demonstrações individuais das empresas do grupo (GELBECK et al., 2018). DESCRIÇÃO Ano 20X1 Ano 20X0 1 – RECEITAS 1.1) Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2) Outras receitas 1.3) Receitas relativas à construção de ativos próprios 1.4) Provisão para créditos de liquidação duvidosa – Reversão / (Constituição) 2 - INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui os valores dos impostos – ICMS, IPI, PIS e CO- FINS) 2.1) Custos dos produtos, das mercadorias e dos servi- ços vendidos 2.2) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.3) Perda / Recuperação de valores ativos 2.4) Outras (especi� car) 3 - VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) 4 - DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO 5 - VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) 6 - VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANS- FERÊNCIA 6.1) Resultado de equivalência patrimonial 6.2) Receitas � nanceiras 6.3) Outras 7 - VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) 8 - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO (*) 8.1) Pessoal 8.1.1 – Remuneração direta 8.1.2 – Benefícios 82WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 8.1.3 – F.G.T.S 8.2) Impostos, taxas e contribuições 8.2.1 – Federais 8.2.2 – Estaduais 8.2.3 – Municipais 8.3) Remuneração de capitais de terceiros 8.3.1 – Juros 8.3.2 – Aluguéis 8.3.3 – Outras 8.4) Remuneração de Capitais Próprios 8.4.1 – Juros sobre o Capital Próprio 8.4.2 – Dividendos 8.4.3 – Lucros retidos / Prejuízo do exercício 8.4.4 – Participação dos não-controladores nos lucros retidos (só p/ consolidação) Quadro 3 - Demonstração do Valor Adicionado (DVA). Fonte: O autor. Nota: (*) o total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7. Com base em Gelbeck et al. (2018), agora vamos abordar uma explicação detalhada sobre os componentes da DVA. 4.3 Receitas (soma dos itens 1.1 a 1.4) I. Vendas de mercadorias, produtos e serviços: isso inclui todas as receitas geradas pelas vendas de produtos, mercadorias e serviços pela empresa, incluindo os valores referentes a impostos como ICMS, IPI, PIS e COFINS, que são normalmente excluídos da receita na Demonstração do Resultado. II. Outras receitas: esta categoria engloba receitas oriundas de eventos como a venda de ativos não circulantes, como imobilizado e investimentos, e outros eventos que geram receitas fora das operações principais da empresa. III. Receitas relativas à construção de ativos próprios: esta categoria incluios valores relativos à construção de ativos para uso próprio, como materiais, mão de obra, aluguéis e serviços terceirizados relacionados à construção de ativos próprios. IV. Perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa: aqui estão as perdas estimadas que a empresa reconheceu devido a créditos que podem não ser recuperados. Isso também inclui a reversão dessas perdas, se aplicável. 4.4 Insumos Adquiridos de Terceiros (soma dos itens 2.1 a 2.4) I. Custos dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos: este componente engloba os custos diretos relacionados à produção e venda de produtos, mercadorias e serviços, incluindo impostos recuperáveis ou não que foram incorridos na compra desses insumos. DESCRIÇÃO Ano 20X1 Ano 20X0 83WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA II. Materiais, energia, serviços de terceiros e outros: esta categoria inclui os valores relacionados à utilização de materiais diversos, utilidades e serviços adquiridos de terceiros, incluindo impostos recuperáveis ou não. III. Perda/Recuperação de valores ativos: engloba os valores reconhecidos no resultado do período relacionados à desvalorização e redução ao valor recuperável de ativos, conforme o Pronunciamento Técnico CPC 01. 4.5 Valor Adicionado Bruto (diferença entre os itens 1 e 2) É a diferença entre os valores totais das receitas e dos insumos adquiridos de terceiros. 4.6 Depreciação, Amortização e Exaustão (item 4) Este componente inclui as despesas com depreciação, amortização e exaustão que foram contabilizadas no período. 4.7 Valor Adicionado Líquido Produzido pela Entidade (diferença entre os itens 3 e 4) É a diferença entre o Valor Adicionado Bruto e as despesas de depreciação, amortização e exaustão. 4.8 Valor Adicionado Recebido em Transferência (soma dos itens 6.1 a 6.3) Este componente engloba a riqueza gerada por outras empresas e recebida em transferência. 4.9 Distribuição do Valor Adicionado (soma dos itens 8.1 a 8.4) Aqui é onde a riqueza gerada é distribuída entre os diferentes grupos de stakeholders da empresa. I. Pessoal: inclui a parte da riqueza distribuída aos funcionários da empresa, incluindo salários, benefícios, FGTS etc. II. Impostos, taxas e contribuições: engloba os impostos, taxas e contribuições que a empresa paga ao governo. III. Remuneração de capitais de terceiros: refere-se à remuneração paga a � nanciadores externos, incluindo juros, aluguéis e outras remunerações. IV. Remuneração de capitais próprios: é a remuneração atribuída aos acionistas e sócios da empresa, incluindo juros sobre o capital próprio, dividendos, lucros retidos e participação dos não controladores nos lucros retidos (apenas na DVA consolidada). 84WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Em suma, para a elaboração e apresentação da DVA, devem-se seguir princípios contábeis, fornecer informações comparativas, considerar a consolidação das demonstrações, incluir a participação de acionistas não controladores quando aplicável, conciliar com os resultados � nanceiros gerais e, em alguns casos, passar por revisão ou auditoria. Isso garante que a DVA forneça informações transparentes e con� áveis sobre a criação e distribuição de valor pela empresa. Agora, vamos realizar uma leitura adicional do Pronunciamento Técnico CPC 09 - Demonstração Do Valor Adicionado (DVA) -, acessando o seguinte link: https://www.cpc.org.br/Arquivos/ Documentos/175_CPC_09_rev%2014.pdf. E, para aprofundar nosso conhecimento sobre a DVA, vamos realizar a leitura do artigo científi co Demonstração do valor adicionado (DVA): distribuição das riquezas das empresas listadas nos níveis 1 e 2 da B3, disponível em https://periodicos.furg.br/sinergia/article/ view/9407/7440. Antes de fi nalizar esta unidade, vamos observar a estrutura da Demonstração do Resultado Abrangente (DRA), Demonstração dos Fluxos De Caixa (DFC) e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) de uma empresa participante de mercado de capitais da Brasil Bolsa Balcão (B3), acessando o link https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE. aspx?NumeroSequencialDocumento=121495&CodigoTipoInstituicao=1. 85WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Nossa jornada pela compreensão dos � uxos econômicos e � nanceiros nas demonstrações � nanceiras nos levou a uma apreciação mais profunda de como as empresas gerenciam suas operações e recursos � nanceiros. A Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) é um dos pilares dessas demonstrações, concentrando-se nos � uxos econômicos que resultam das atividades da empresa. Ela fornece uma visão ampla e detalhada do desempenho operacional da organização, revelando como as receitas são geradas e como os custos e despesas impactam o resultado � nal. Através da DRA, podemos identi� car áreas de e� ciência e ine� ciência operacional, avaliar o retorno sobre o investimento e compreender a lucratividade. Por outro lado, a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) lança luz sobre os � uxos � nanceiros que compõem o caixa de uma empresa. A DFC oferece uma análise detalhada das entradas e saídas de caixa, categorizando-as em atividades operacionais, de investimento e de � nanciamento. Ao considerar as transações de caixa por atividades, aprendemos a diferenciar entre o caixa gerado pelas operações principais, como vendas e despesas operacionais, e as atividades de investimento e � nanciamento, como aquisição de ativos ou captação de recursos � nanceiros. Essa distinção é essencial para entender a origem e o destino dos recursos � nanceiros e avaliar a estabilidade � nanceira de uma empresa. A Demonstração do Valor Adicionado (DVA), embora menos conhecida que a DRA e a DFC, desempenha um papel igualmente importante. Ela oferece uma visão mais ampla da contribuição de uma empresa para a economia em que opera. A DVA demonstra como a empresa cria valor, não apenas para seus acionistas, mas também para seus funcionários, o governo e a sociedade em geral. À medida que examinamos os componentes de outros resultados abrangentes, como ganhos e perdas atuariais e variações cambiais, percebemos que as demonstrações � nanceiras capturam não apenas eventos de curto prazo, mas também aspectos de longo prazo, ressaltando o impacto econômico da empresa além das métricas � nanceiras tradicionais. A elaboração desses documentos requer rigor, precisão e adesão aos princípios contábeis e normas internacionais. Em resumo, as demonstrações � nanceiras e os � uxos econômicos e � nanceiros que elas representam são fundamentais para qualquer pessoa interessada em entender a geração de � uxos econômicos e � nanceiros das entidades que reportam. Como investidores, analistas � nanceiros, executivos, reguladores ou simplesmente observadores curiosos, a capacidade de interpretar e utilizar essas ferramentas é uma habilidade valiosa que nos capacita a tomar decisões informadas em um mundo � nanceiro complexo e dinâmico. Aprofundar nosso conhecimento sobre esses tópicos é uma jornada contínua para aprimorar nossa compreensão do funcionamento das empresas e do mercado � nanceiro. Por � m, não esgotamos o assunto de matéria contábil sobre a elaboração de demonstrações que evidenciam os � uxos econômicos e � nanceiros, pois a gama de normas contábeis é abrangente conforme as especi� cidades de cada atividade contábil. No entanto, a abordagem desta unidade é abrangente o su� ciente para iniciarmos nosso conhecimento sobre a elaboração da Demonstração Do Resultado Abrangente (DRA), Demonstração Dos Fluxos De Caixa (DFC) e a Demonstração Do Valor Adicionado (DVA), reforçando que a contabilidade é muito mais do que uma disciplina técnica. Ela é um pilar fundamental da tomada de decisões, da alocação e� ciente de recursos e da comunicaçãotransparente, sustentando a essência dos negócios modernos e moldando o futuro das organizações em uma economia globalizada e interconectada. 86WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. C. Contabilidade Societária. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. ALMEIDA, M. C. Contabilidade Societária. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. FAMA, E. F. E� cient capital markets: A review of theory and empirical work. � e journal of Finance, v. 25, n. 2, 1970. FAVERO, H. L. et al. Contabilidade: Teoria e Prática. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011. v. 1. FLORES, E.; BRAUNBECK, G.; CARVALHO, N. Teoria da contabilidade � nanceira: fundamentos e aplicações. São Paulo: Atlas, 2018. GELBECK, E. R. et al. Manual de Contabilidade Societária. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. HENDRIKSEN, E. S.; VAN BRENDA, M. F. Teoria da contabilidade. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2018. IUDÍCIBUS, S. Teoria da Contabilidade. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2021. JENSEN, C.; MECKLING, H. � eory of the Firm: Managerial Behavior, Agency Costs and Ownership Structure. Journal of Financial Economics, v. 3, 1976. LOPES, A. B.; MARTINS, E. Teoria da contabilidade: uma nova abordagem. São Paulo: Atlas, 2005. MALACRIDA, M. J. C.; YAMAMOTO, M. M.; PACCEZ, J. D. Fundamentos da Contabilidade - A Contabilidade no Contexto Global. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019. PALEPU, K. G.; HEALY, P. M. Análise e Avaliação de Empresas – Decisões e Valuation usando Demonstrativos Financeiros. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2016. SALOTTI, B. M. et al. Contabilidade Financeira. São Paulo: Atlas, 2019.das normas contábeis brasileiras com as IFRS visa a criar um ambiente contábil mais integrado, transparente e globalmente aceito, contribuindo para a con� abilidade e credibilidade das informações � nanceiras no mercado internacional (MALACRIDA; YAMAMOTO; PACCEZ, 2019). Isso também pode facilitar o acesso ao mercado de capitais internacional e melhorar a percepção dos investidores estrangeiros sobre as empresas brasileiras. Para saber mais sobre a convergência das normas internacionais contábeis, recomenda-se a leitura do seguinte artigo científi co: CARMO, C. H. S. D.; RIBEIRO, A. M.; CARVALHO, L. N. G. D. Convergência de fato ou de direito? A infl uência do sistema jurídico na aceitação das normas internacionais para pequenas e médias empresas. Revista Contabilidade & Finanças, v. 22, 2011. O material está disponível em https://www.scielo.br/j/rcf/a/ DS57nNcVsBTXCbmjW3ztqRn/?format=pdf&lang=pt. 10WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.1 Finalidade das Estruturas Conceituais A Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro e Apresentação das Demonstrações Contábeis desempenha um papel fundamental na contabilidade, atendendo a diversas � nalidades interligadas (MALACRIDA; YAMAMOTO; PACCEZ, 2019). Ela oferece diretrizes claras que orientam a elaboração das demonstrações contábeis, promovendo a uniformidade e a coerência nas práticas contábeis. Ao enfatizar a relevância e a representação � dedigna das informações, a estrutura conceitual assegura que as demonstrações contábeis atendam às necessidades dos usuários, fornecendo dados que são essenciais para a tomada de decisões econômicas informadas (MALACRIDA; YAMAMOTO; PACCEZ, 2019). Ela também serve como base para o desenvolvimento de normas contábeis, garantindo que essas normas estejam alinhadas com princípios sólidos e consistentes (ALMEIDA, 2018). Ao destacar a transparência, a comparabilidade e a compreensibilidade das informações � nanceiras, a estrutura conceitual promove a con� ança dos investidores e demais partes interessadas nos mercados � nanceiros. Em suma, sua � nalidade abrange desde orientar a preparação de relatórios � nanceiros até proporcionar informações de qualidade que respaldem a análise, a avaliação e as decisões econômicas. 3.2 Características Qualitativas Fundamentais A 2º revisão do pronunciamento contábil CPC 00 - Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro (2019) - apresenta as características qualitativas das informações � nanceiras fundamentais. São atributos que tornam os dados contábeis con� áveis, relevantes e capazes de auxiliar os usuários na tomada de decisões econômicas informadas. Segundo a referida norma contábil, apresentam-se as principais características qualitativas: A atual estrutura conceitual para relatório fi nanceiro no contexto brasileiro é disciplinada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) por meio do pronunciamento técnico CPC 00 (R2), que estabelece a estrutura conceitual para relatório fi nanceiro, fazendo correlação com as normas internacionais de contabilidade – conceptual framework. Acesse o material em https://www.cpc.org.br/arquivos/documentos/573_ cpc00(r2).pdf. Para saber mais sobre a fi nalidade da estrutura conceitual e as características atribuídas às informações contábeis, propõe-se o seguinte vídeo: https://www.youtube.com/ watch?v=qkuJBnZNWY0&ab_channel=ProfCamilaSa. 11WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. Relevância: as informações devem ser pertinentes e capazes de in� uenciar as decisões dos usuários. Isso signi� ca que as informações precisam ser capazes de fazer diferença nas escolhas econômicas dos usuários. Informações relevantes ajudam a prever resultados futuros e a entender as consequências das decisões (itens 5.12 até 5.17 do CPC 00, R2, 2019). 2. Representação � dedigna: as informações � nanceiras devem re� etir com precisão a realidade econômica que representam. Isso envolve apresentar dados de maneira precisa, completa e imparcial, sem exageros ou distorções (item 6.60, CPC 00, R2, 2019). 3. Materialidade: as informações devem ser relevantes o su� ciente para fazer a diferença nas decisões dos usuários. Itens irrelevantes podem ser omitidos, enquanto itens signi� cativos devem ser divulgados (item 2.11, CPC 00, R2, 2019). Para aplicar as características qualitativas essenciais, é essencial, em primeiro lugar, identi� car o evento econômico e discernir quais informações podem ser bené� cas para os usuários das demonstrações � nanceiras da entidade em questão (CPC 00, R2, 2019). Em seguida, é necessário de� nir o tipo de informação relativa a esse evento, que possui maior relevância. Por � m, deve-se avaliar se essas informações estão prontamente disponíveis e se têm a capacidade de proporcionar uma representação precisa do evento econômico em consideração (CPC 00, R2, 2019). Caso essa avaliação seja positiva, o processo de atendimento às características qualitativas fundamentais pode ser concluído nesta etapa. 3.3 Características Qualitativas de Melhoria A 2º revisão do pronunciamento contábil CPC 00 - Estrutura Conceitual Para Relatório Financeiro (2019), apresenta sobre as características qualitativas de melhoria, referem-se a um conjunto de atributos adicionais que podem aprimorar ainda mais a qualidade das informações � nanceiras, tornando-as mais úteis e e� cazes na tomada de decisões econômicas (CPC 00, R2, 2019). Essas características complementam as características fundamentais e são especialmente relevantes para aprimorar a utilidade das informações (CPC 00, R2, 2019). Segundo a referida norma contábil, apresentam-se as características qualitativas de melhoria: 1. Comparabilidade: as informações devem ser apresentadas de forma que os usuários possam compará-las com outras informações, seja ao longo do tempo (consistência), seja com outras entidades (comparabilidade entre empresas). Isso permite identi� car tendências, avaliar o desempenho relativo e tomar decisões informadas (itens 2.24 até 2.29 do CPC 00, R2, 2019). Antes de prosseguir, vamos retomar o nosso exercício de refl exão. A contabilidade estabelece uma comunicação entre os acontecimentos econômicos da empresa (vendas, compras, pagamentos, lucros realizados) com os usuários interessados nesta informação. Com isso, quais fatores são determinantes para que uma informação seja divulgada? 12WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2. Capacidade de veri� cação: as informações devem ser baseadas em evidências objetivas, permitindo que os usuários possam con� rmar sua veracidade por meio de auditorias, análises e testes independentes (itens 2.30 até 2.32 do CPC 00, R2, 2019). 3. Tempestividade: as informações devem ser fornecidas em tempo hábil, permitindo que os usuários as utilizem quando ainda são relevantes para suas decisões. Informações atrasadas podem ser menos úteis (itens 2.33 do CPC 00, R2, 2019). 4. Compreensibilidade: as informações devem ser apresentadas de maneira clara, concisa e facilmente compreensível para os usuários, mesmo que não sejam especialistas em contabilidade. A linguagem técnica excessiva deve ser evitada em favor de uma comunicação acessível (itens 2.34 até 2.36 do CPC 00, R2, 2019). Para aplicar as melhorias qualitativas em relatórios contábeis, é crucial maximizar essas melhorias tanto quanto possível (CPC 00, R2, 2019). No entanto, seja em sua forma individual ou agrupada, essas melhorias qualitativas não podem conferir utilidade a informações que careçam de relevância ou que não transmitam uma representação precisa do que estão destinadas a re� etir (CPC 00, R2, 2019). O processo de aplicação das melhorias qualitativas é interativo e não segue uma sequência prede� nida. Em certos casos, é possível que uma melhoriaqualitativa precise ser reduzida para otimizar outra melhoria qualitativa (CPC 00, R2, 2019). Um exemplo disso é a possibilidade de temporariamente reduzir a comparabilidade como resultado da adoção prospectiva de um novo padrão, visando aprimorar a relevância ou a representação � dedigna a longo prazo. Nesses casos, divulgações adequadas podem parcialmente compensar a falta de comparabilidade (CPC 00, R2, 2019). Antes de prosseguir, para aumentar nossa afi nidade com relatórios contábeis e fi nanceiros, acesse o link que contém as demonstrações contábeis de uma empresa de mercado de capitais da Brasil Bolsa Balcão (B3): https:// w w w. ra d . c v m . g ov. b r / E N E T / f r m G e re n c i a Pa g i n a F R E . aspx?NumeroSequencialDocumento=121495&CodigoTipoInstituicao=1. Altere as opções de listas suspensas conforme descrito a seguir. Para alterar as informações apresentadas: Com isso, faça uma breve leitura dos relatórios contábeis apresentados, considerando as características qualitativas fundamentais e características qualitativas de melhoria. 13WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.4 Restrição do Custo sobre Relatórios Financeiros Úteis A limitação de custos em relação a relatórios � nanceiros úteis refere-se à consideração dos custos envolvidos na coleta, processamento e apresentação das informações contábeis em relação aos benefícios proporcionados por essas informações (CPC 00, R2, 2019). Em outras palavras, é importante equilibrar os gastos associados à preparação de relatórios � nanceiros detalhados com a utilidade que esses relatórios oferecem aos usuários (CPC 00, R2, 2019). Portanto, as entidades devem buscar um equilíbrio sensato entre a quantidade de detalhes e a profundidade das informações fornecidas e os custos associados a essa divulgação (CPC 00, R2, 2019). No entanto, é importante observar que essa restrição de custo não deve comprometer a utilidade das informações � nanceiras (CPC 00, R2, 2019). Ou seja, embora seja essencial controlar os custos, as informações � nanceiras ainda precisam ser relevantes, con� áveis e capazes de in� uenciar as decisões econômicas dos usuários. Em última análise, o desa� o está em encontrar o ponto de equilíbrio entre a redução de custos e a manutenção da qualidade e utilidade das informações � nanceiras (CPC 00, R2, 2019). As informações devem ser úteis o su� ciente para superar os custos de coleta, processamento e divulgação (CPC 00, R2, 2019). O benefício de fornecer informações precisa superar o custo envolvido em produzi-las (CPC 00, R2, 2019). Isso envolve avaliar cuidadosamente quais informações são realmente essenciais para os usuários e como podem ser apresentadas de maneira e� caz, levando em consideração os recursos disponíveis (CPC 00, R2, 2019). 4. APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E A ENTIDADE QUE REPORTA A apresentação das demonstrações contábeis está diretamente relacionada à entidade que reporta essas informações � nanceiras. As demonstrações contábeis são documentos formais que resumem a posição � nanceira, o desempenho e as mudanças na posição � nanceira de uma entidade em um determinado período (CPC 00, R2, 2019). A entidade que reporta essas demonstrações contábeis é geralmente uma empresa, organização ou entidade econômica que está sujeita à prestação de contas e divulgação � nanceira. A entidade que reporta deve seguir princípios contábeis e normas contábeis aplicáveis ao elaborar suas demonstrações contábeis, garantindo a precisão, a relevância e a � dedignidade das informações apresentadas (CPC 00, R2, 2019). A apresentação das demonstrações contábeis é crucial para permitir que os usuários, como investidores, credores, analistas � nanceiros e outras partes interessadas, entendam a saúde � nanceira da entidade e tomem decisões informadas. Portanto, a entidade deve cumprir com as exigências de divulgação e garantir que as demonstrações contábeis sejam compreensíveis e transparentes para o público-alvo. Antes de prosseguir, vamos retomar nosso exercício de refl exão sobre como o processo de informação é consolidado em um relatório contábil e sobre o dispêndio dos custos necessários para processamento de uma quantidade grande de informação para os usuários. Como a empresa pode fazer isso? Quais sistemas das informações precisam ser implementados para diminuir tais custos? Por último, de uma forma direta ou indireta, quem paga tais custos informacionais? 14WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 4.1 Objetivo e Alcance das Demonstrações Contábeis O objetivo das demonstrações contábeis é comunicar informações � nanceiras relevantes e con� áveis sobre uma entidade, permitindo que os usuários compreendam sua posição � nanceira, desempenho e � uxos de caixa (CPC 00, R2, 2019). Essas informações auxiliam os usuários a tomarem decisões econômicas informadas, avaliar o desempenho passado e projetar tendências futuras (CPC 00, R2, 2019). O alcance das demonstrações contábeis abrange a apresentação resumida das transações e eventos � nanceiros da entidade (CPC 00, R2, 2019). Isso inclui os ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas e despesas. As demonstrações contábeis principais, como o balanço patrimonial, a demonstração de resultados e a demonstração de � uxos de caixa, fornecem uma visão completa da posição � nanceira e dos resultados operacionais da entidade durante um período especí� co (CPC 00, R2, 2019). 4.2 Frequência de Apresentação das Demonstrações Contábeis As demonstrações contábeis são geralmente preparadas e apresentadas em intervalos regulares para fornecer informações � nanceiras atualizadas aos usuários (CPC 00, R2, 2019). A frequência de apresentação das demonstrações contábeis pode variar de acordo com as práticas contábeis e as regulamentações do país em que a entidade opera. As frequências mais comuns incluem: I. Anual: a maioria das entidades apresenta demonstrações contábeis anualmente. Essa é a abordagem padrão para muitas empresas e organizações, permitindo que os usuários obtenham uma visão completa do desempenho � nanceiro e da posição da entidade ao longo do ano � scal. II. Semestral: algumas entidades, especialmente aquelas que estão listadas em bolsas de valores ou sujeitas a regulamentações mais rígidas, apresentam demonstrações contábeis semestralmente. Isso fornece atualizações mais frequentes aos investidores e ao público em geral. III. Trimestral: em alguns casos, as entidades podem optar por apresentar demonstrações contábeis trimestralmente. Isso é mais comum em setores que experimentam mudanças rápidas ou em empresas que desejam fornecer informações � nanceiras mais detalhadas e frequentes. Independentemente da frequência escolhida, o objetivo é fornecer aos usuários informações � nanceiras relevantes e atualizadas para auxiliar na tomada de decisões econômicas informadas. As demonstrações contábeis devem ser preparadas de acordo com as normas contábeis aplicáveis e devem incluir todas as informações necessárias para uma compreensão completa do desempenho � nanceiro da entidade. 4.3 Limitações e Desafios das Demonstrações Contábeis As demonstrações contábeis, embora sejam ferramentas essenciais para comunicar informações � nanceiras, com base em Palep u e Healy (2016), apresentam algumas limitações e desa� os que os usuários devem considerar ao interpretarem os dados apresentados: 15WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Estimativas e Julgamentos: as demonstrações contábeis frequentemente envolvem estimativas e julgamentos por parte da administração da empresa. Isso é especialmente verdadeiro em relação a itens como depreciação, provisões para perdas e valor justo de ativos. Essas estimativas podem afetar os números reportadose, em alguns casos, podem estar sujeitas a mudanças. II. Valorização de Ativos Intangíveis: avaliar ativos intangíveis, como marcas registradas e propriedade intelectual, pode ser desa� ador. O valor desses ativos muitas vezes não é facilmente mensurável, o que pode resultar em estimativas imprecisas. III. Complexidade das Transações: à medida que as transações comerciais se tornam mais complexas, a contabilização adequada pode ser difícil de determinar. Isso é particularmente relevante em fusões, aquisições e contratos complexos. IV. Não Consideração de Fatores Qualitativos: as demonstrações contábeis geralmente não re� etem fatores qualitativos importantes, como a qualidade da administração, a satisfação do cliente e a inovação. Esses fatores podem ser cruciais para a avaliação do valor da empresa. V. Comparabilidade Limitada: embora as demonstrações contábeis busquem a comparabilidade, as políticas contábeis variam entre as empresas e podem di� cultar a comparação direta. VI. Ausência de Informações Futuras: as demonstrações contábeis fornecem informações sobre o passado e o presente, mas não preveem eventos futuros. Decisões futuras podem depender de informações que não são capturadas nas demonstrações contábeis. VII. Ignorando as Mudanças do Mercado: as demonstrações contábeis são baseadas em custos históricos e podem não re� etir plenamente as mudanças de valor de mercado, especialmente em ativos como ações e propriedades. VIII. Complexidade Regulatória: as demonstrações contábeis devem cumprir com as normas e padrões contábeis, que podem ser complexos e sujeitos a mudanças. Isso pode tornar a preparação e a interpretação das demonstrações mais desa� adoras. IX. Fraude e Erros: apesar dos controles internos e auditorias, as demonstrações contábeis podem ser afetadas por erros ou mesmo por tentativas de fraude. Em última análise, os usuários das demonstrações contábeis devem considerar essas limitações e desa� os ao interpretar as informações apresentadas e tomar decisões informadas. É recomendável utilizar as demonstrações contábeis como uma ferramenta, juntamente com outras fontes de informação, para uma avaliação mais completa da saúde � nanceira e desempenho de uma entidade. 4.4 Características Necessárias para Elaboração das Demonstrações Contábeis A 2º revisão do pronunciamento contábil CPC 00 - Estrutura Conceitual Para Relatório Financeiro (2019) - apresenta características necessárias para a elaboração das demonstrações contábeis, fundamentais para garantir que esses relatórios � nanceiros transmitam informações precisas, relevantes e compreensíveis aos usuários. Aqui estão as características essenciais: 16WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Premissa de Continuidade Operacional: as demonstrações contábeis são elaboradas sob a suposição de que a entidade continuará operando no futuro previsível. Essa premissa permite que as informações � nanceiras re� itam adequadamente a capacidade de a entidade realizar seus ativos e cumprir suas obrigações (itens 3.9 do CPC 00, R2, 2019). II. Regime de Competência: as demonstrações contábeis são preparadas com base no princípio do regime de competência, o que signi� ca que as transações e eventos são registrados quando ocorrem, independentemente de quando os pagamentos ou recebimentos efetivos ocorrerão. Isso re� ete melhor a realidade econômica das atividades da entidade (itens 1.17 até 1.19 do CPC 00, R2, 2019). III. Materialidade e Agregação: a materialidade orienta a inclusão de informações relevantes e signi� cativas nas demonstrações contábeis, enquanto a agregação envolve a combinação de informações semelhantes para facilitar a compreensão e evitar detalhes excessivos (itens 11 do CPC 00, R2, 2019). IV. Compensação de Valores: valores não podem ser compensados, ou seja, os ativos e passivos, as receitas e despesas, não podem ser combinados a menos que isso seja permitido pelas normas contábeis. A compensação só é permitida quando existe um direito legal de compensar os valores e existe a intenção de liquidar os ativos e passivos em uma base líquida ou de realizar o ativo e liquidar o passivo simultaneamente (CPC 00, R2, 2019). V. Comparabilidade: a comparabilidade é crucial para avaliar o desempenho � nanceiro e as mudanças ao longo do tempo. As demonstrações contábeis devem incluir informações do período anterior para permitir comparações signi� cativas (itens 2.24 até 2.29 do CPC 00, R2, 2019). VI. Consistência de Apresentação: as informações devem ser apresentadas de forma consistente ao longo do tempo, permitindo que os usuários acompanhem mudanças e identi� quem tendências (itens 2.26 do CPC 00, R2, 2019). Essas características asseguram que as demonstrações contábeis sejam preparadas de acordo com padrões contábeis aceitos e transmitam informações relevantes e con� áveis para os usuários, em conformidade com as características qualitativas fundamentais e características qualitativas de melhoria. Isso é essencial para apoiar a tomada de decisões econômicas informadas. 4.5 Conjunto Completo de Demonstrações Contábeis A Lei nº 6.404/76 e suas alterações, em conjunto com o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) - Apresentação das Demonstrações Contábeis -, estabelecem o conjunto completo de demonstrações contábeis. Com isso, o conjunto completo de demonstrações contábeis é composto por diversas demonstrações � nanceiras que, juntas, oferecem uma visão abrangente e detalhada da posição � nanceira, desempenho e � uxos de caixa de uma entidade durante um determinado período. As principais demonstrações que compõem esse conjunto são: I. Balanço Patrimonial (BP): apresenta a posição � nanceira da entidade em um determinado momento, mostrando seus ativos, passivos e patrimônio líquido. II. Demonstração de Resultados (DR): detalha o desempenho � nanceiro da entidade durante um período, evidenciando suas receitas, despesas e o lucro líquido ou prejuízo. 17WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA III. Demonstração de Resultados Abrangentes (DRA): além do resultado líquido, essa demonstração mostra as mudanças no patrimônio líquido decorrentes de itens abrangentes, como ganhos e perdas atuariais em planos de benefícios. IV. Demonstração de Fluxos de Caixa (DFC): apresenta os � uxos de caixa da entidade durante um período, dividindo-os em atividades operacionais, de investimento e de � nanciamento. V. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (ou DMPL): mostra as mudanças no patrimônio líquido da entidade durante um período, incluindo transações com acionistas e outras alterações. VI.Notas Explicativas (NE): são acompanhamentos detalhados das informações apresentadas nas demonstrações contábeis, fornecendo descrições e esclarecimentos sobre políticas contábeis, eventos subsequentes, contingências, entre outros. VII. Demonstração do Valor Adicionado (DVA): essa demonstração evidencia como o valor gerado pela entidade é distribuído entre funcionários, fornecedores, governo e acionistas. A combinação dessas demonstrações proporciona uma imagem completa das atividades � nanceiras da entidade, permitindo aos usuários analisar seu desempenho, posição � nanceira e movimentos de caixa ao longo do tempo. Isso é essencial para a tomada de decisões informadas por parte dos investidores, credores, analistas e outras partes interessadas. Antes de fi nalizar esta unidade, vamos retomar nosso exercício de observar a estrutura das demonstrações contábeis de uma empresa participante de mercado de capitais da Brasil Bolsa Balcão (B3), acessando o link https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE. aspx?NumeroSequencialDocumento=121495&CodigoTipoInstituicao=1. Em seguida, analise as demonstrações contábeis, observando suas estruturas de contas contábeis, considerando as característicasqualitativas fundamentais, características qualitativas de melhoria, a premissa de continuidade operacional, o regime de competência, a materialidade e a agregação, a compensação de valores, a informação comparativa e a consistência de apresentação. 18WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, a ideia era nos aproximarmos da elaboração das demonstrações contábeis e, para isso, primeiro tínhamos que conhecer os detalhes da estrutura conceitual para relatórios � nanceiros e apresentação das demonstrações contábeis. Então, avançamos na compreensão das operações � nanceiras e tomadas de decisão nas organizações. Desde a divisão entre contabilidade gerencial e � nanceira até a convergência das normas contábeis brasileiras com as Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS), pudemos vislumbrar como essa disciplina desenha a essência dos negócios modernos. A contabilidade, em sua essência, transcende números e balanços, revelando-se como uma linguagem universal que conecta empresas, investidores, reguladores e outros stakeholders. Através das demonstrações contábeis, como o balanço patrimonial e a demonstração do resultado, o relato � nanceiro ganha vida, retratando a saúde � nanceira, desempenho e direção estratégica das entidades. Essas informações não apenas guiam as decisões dos gestores, mas também orientam a con� ança e a alocação de recursos por parte dos investidores. Nesse trajeto, emergem conceitos cruciais como os usuários internos e externos da informação contábil, revelando que a contabilidade é, ao mesmo tempo, um instrumento interno de gerenciamento e uma janela para o mundo externo. As características qualitativas das informações � nanceiras úteis, como relevância, � dedignidade e comparabilidade, transcendem os números brutos, moldando a narrativa subjacente às demonstrações contábeis e conferindo- lhes signi� cado. A interconexão entre teorias, como a contratual e a de agência, e a informação contábil, juntamente com a in� uência do mercado de capitais, solidi� ca a contabilidade como um elemento catalisador da governança corporativa e da tomada de decisões informadas. Esses conceitos se fundem para criar um panorama em que a contabilidade não é apenas uma atividade administrativa, mas um alicerce estratégico para as organizações. A busca pela convergência com as IFRS revela a aspiração global de harmonização contábil, promovendo a integração econômica e facilitando a comparabilidade das informações � nanceiras em escala internacional. Essa iniciativa re� ete o compromisso em elevar os padrões contábeis e proporcionar um cenário de negócios mais transparente e con� ável, atraindo investidores e aprimorando a credibilidade das organizações no cenário global. Por � m, não esgotamos o assunto de matéria contábil sobre estrutura conceitual para relatórios � nanceiros e apresentação das demonstrações contábeis, pois a gama de normas contábeis é abrangente conforme as especi� cidades de cada atividade contábil. No entanto, a abordagem desta unidade é abrangente o su� ciente para iniciarmos nosso conhecimento sobre a elaboração das demonstrações contábeis, reforçando que a contabilidade é muito mais do que uma disciplina técnica. Ela é um pilar fundamental da tomada de decisões, da alocação e� ciente de recursos e da comunicação transparente, sustentando a essência dos negócios modernos e moldando o futuro das organizações em uma economia globalizada e interconectada. 1919WWW.UNINGA.BR UNIDADE 02 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................................21 1. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ......................................................................................................................... 22 1.1 ELEMENTOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ......................................................................................... 22 2. BALANÇO PATRIMONIAL .................................................................................................................................... 23 2.1 ESTRUTURA E MODELO DE BALANÇO PATRIMONIAL ................................................................................... 23 2.2 CLASSIFICAÇÃO ENTRE CIRCULANTE E NÃO CIRCULANTE ........................................................................ 24 2.3 ATIVOS ................................................................................................................................................................ 26 2.3.1 ATIVOS CIRCULANTES .................................................................................................................................... 26 2.3.2 ATIVOS NÃO CIRCULANTES .......................................................................................................................... 27 2.4 PASSIVO .............................................................................................................................................................. 28 2.4.1 PASSIVO CIRCULANTE .................................................................................................................................... 29 BALANÇO PATRIMONIAL E DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO PROF. ME. GIOVANI LAURETTI BERNADO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: ELABORAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 20WWW.UNINGA.BR EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.4.2 PASSIVO NÃO CIRCULANTE .......................................................................................................................... 29 2.5 PATRIMÔNIO LÍQUIDO ...................................................................................................................................... 30 3. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO (DR) ............................................................................................................. 32 3.1 ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO ......................................................... 33 3.1.1 RECEITAS ........................................................................................................................................................... 33 3.1.2 GANHOS ............................................................................................................................................................ 33 3.1.3 DESPESAS ........................................................................................................................................................ 34 3.1.4 PERDAS ............................................................................................................................................................. 34 3.2 PROCESSO DE RECONHECIMENTO ................................................................................................................ 34 3.2.1 CRITÉRIOS DE RECONHECIMENTO DE RECEITAS E DESPESAS ............................................................... 35 3.2.2 RECONHECIMENTO DE RECEITAS ............................................................................................................... 36 3.2.3 RECONHECIMENTO DE DESPESAS .............................................................................................................. 36 3.3 CRITÉRIOS OBSERVÁVEIS AO RECONHECIMENTO DE INFORMAÇÕES CONTÁBEIS ................................37 3.4 MENSURAÇÃO DOS ELEMENTOS DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ..................................................... 38 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 40 21WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO No universo da contabilidade, as demonstrações contábeis desempenham um papel essencial ao comunicar a posição �nanceira, desempenho e � uxos de caixa de uma entidade. Essas demonstrações, fundamentais para a tomada de decisões econômicas e � nanceiras, fornecem informações relevantes aos usuários externos e internos, possibilitando uma análise crítica das operações e resultados de uma organização. Nesse contexto, exploraremos os principais aspectos das demonstrações contábeis, concentrando-nos nos elementos-chave que compõem essas demonstrações e nos processos de reconhecimento e mensuração associados. O balanço patrimonial é uma das demonstrações contábeis mais fundamentais, destacando a posição � nanceira de uma entidade em um determinado momento. Ele é composto por ativos, passivos e patrimônio líquido, os quais são categorizados em circulantes e não circulantes. Os ativos representam recursos controlados pela entidade, podendo ser divididos em circulantes (que incluem caixa, contas a receber e estoques) e não circulantes (como imobilizado e investimentos de longo prazo). Da mesma forma, os passivos, obrigações da entidade, são classi� cados em circulantes (como fornecedores e empréstimos de curto prazo) e não circulantes (como empréstimos de longo prazo). Avançando para a Demonstração de Resultado (DR) é outra peça crucial das demonstrações contábeis, revelando o desempenho � nanceiro de uma entidade durante um período especí� co. Ela apresenta receitas, ganhos, despesas e perdas, oferecendo um panorama das atividades operacionais e não operacionais. Entender a importância de diferentes bases de mensuração, como custo histórico, valor justo e valor em uso, oferece perspectivas variadas. A escolha da base de mensuração apropriada é crucial para fornecer informações relevantes e con� áveis aos usuários das demonstrações contábeis, auxiliando na tomada de decisões informadas e na avaliação do desempenho organizacional. Especi� caremos como critérios especí� cos de reconhecimento e mensuração são aplicados, delineando quando e como registrar esses eventos econômicos. Embora seja rápida e despretensiosa esta introdução sobre a importância do balanço patrimonial, demonstração de resultado, mensuração e reconhecimento dos elementos patrimoniais, tal introdução não se preocupou em esgotar o assunto, mas apresenta a notoriedade desses temas na contabilidade. Fica a cargo deste material elucidar tais temas, sem deixar de lado o que aprendemos na Unidade 1 sobre con� ito informacional e o papel da estrutura conceitual para relatórios � nanceiros. 22WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Demonstrações contábeis são relatórios � nanceiros que apresentam informações sobre a situação � nanceira, o desempenho e as atividades de uma entidade durante um período especí� co (FAVERO et al., 2011). 1.1 Elementos das Demonstrações Contábeis Os elementos das demonstrações contábeis são categorias essenciais que compõem as informações � nanceiras, como ativos, passivos, receitas, despesas, entre outros. Demons- trativo Natureza Elemento De� nição ou descrição Balanço Patrimo- nial Recurso econômico Ativo Recurso econômico presente controlado pela entidade como resultado de eventos passados. Recurso econômico é um direito que tem o potencial de produzir benefícios econômicos. Reivindica- ção Passivo Obrigação presente da entidade de transferir um recurso econômico como resultado de eventos passados. Patrimônio líquido Participação residual nos ativos da entidade após a dedução de todos os seus passivos. Ao longo desta unidade, vamos utilizar as demonstrações contábeis de uma Sociedade Anônima de capital aberto para assimilar os conhecimentos abordados nesta leitura. Para isso, acesse o link a seguir, que contém as demonstrações contábeis de uma empresa de mercado de capitais da Brasil Bolsa Balcão (B3): https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmGerenciaPaginaFRE. aspx?NumeroSequencialDocumento=121495&CodigoTipoInstituicao=1 Com isso, nossa primeira atividade será procurar nos relatório contábeis: (1) o nome da entidade à qual as demonstrações contábeis dizem respeito; (2) se as demonstrações contábeis se referem a uma entidade individual ou a um grupo de entidades; (3) a data de encerramento do período de reporte ou o período coberto pelo conjunto de demonstrações contábeis ou notas explicativas; (4) a moeda de apresentação; e (5) o nível de arredondamento usado na apresentação dos valores nas demonstrações contábeis. 23WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Demons- tração de Resultado Alterações em recursos econômicos e reivindica- ções, re� e- tindo o desempenho � nanceiro Receitas Aumentos nos ativos, ou reduções nos passivos, que resul- tam em aumento no patrimônio líquido, exceto aqueles referentes a contribuições de detentores de direitos sobre o patrimônio. Despesas Reduções nos ativos, ou aumentos nos passivos, que resul- tam em reduções no patrimônio líquido, exceto aqueles referentes a distribuições aos detentores de direitos sobre o patrimônio. Outras al- terações em recursos econômicos e reivindica- ções — Contribuições de detentores de direitos sobre o patrimônio e distribuições a eles. — Troca de ativos ou passivos que não resultam em aumentos ou reduções no patrimônio líquido. Quadro 1 – Elementos das demonstrações contábeis. Fonte: O autor. Separar esses elementos é importante, porque ajuda a organizar as informações de forma clara, permitindo uma estruturação das demonstrações contábeis mais detalhada. Isso também garante a transparência nas � nanças da empresa, facilita a conformidade com normas contábeis e auxilia na identi� cação de riscos e oportunidades. 2. BALANÇO PATRIMONIAL O balanço patrimonial é a demonstração que re� ete a posição � nanceira e patrimonial da empresa em dado momento. É a demonstração de maior utilização pelas empresas e tem como � nalidade demonstrar a posição de bens, direitos e obrigações em determinado momento (FAVERO et al., 2011). No balanço, as contas são classi� cadas segundo os elementos do patrimônio (ativos, passivos e patrimônio liquido) e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação � nanceira da companhia (Lei 6.404/76). 2.1 Estrutura e Modelo de Balanço Patrimonial Atendo-se aos critérios normativos exigidos pela Lei 6.404/76 e suas posteriores alterações e no que tange o disciplinado pela 2º revisão do CPC 00 (2018), para � ns didáticos, é oportuno apresentar uma estruturação das contas contábeis e unidades de contas. No entanto, essa estrutura pode variar entre as empresas conforme suas especi� cações operacionais em atender a demanda informacional para usuários especí� cos. Portanto, essa estrutura é apresentada de forma genérica, podendo variar entre empresas de segmentos diferentes. Demons- trativo Natureza Elemento De� nição ou descrição Para iniciarmos nosso entendimento sobre o balanço patrimonial, vamos assistir ao seguinte vídeo: https://youtu.be/DcQYJ2KKyiw. 24WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO ATIVO CIRCULANTE (Realizável a Curto Prazo) PASSIVO CIRCULANTE (Exigível a Curto Prazo) Disponibilidades Obrigações operacionais Créditos Obrigações � nanceiras Investimentos temporárias Obrigações com sócios ou acionistas Estoques Obrigações provisionadas Despesas do Exercício Seguinte Outras Obrigações PASSIVO NÃO CIRCULANTE (Exigível a Longo Prazo) Obrigações operacionais Obrigações � nanceiras Obrigações com sócios ou acionistas ATIVO NÃO CIRCULANTE (Realizável a Longo Prazo) Obrigações provisionadas Ativo Outras Obrigações Créditos PATRIMÔNIO LÍQUIDO Investimentos temporários Capital Social Despesas do Exercício Seguinte Reservas e Retenção de Lucros Investimentos Ajustes de Avaliação Patrimonial ImobilizadoPrejuízos acumulados Intangível Lucros ou Prejuízos Acumulados Ações em tesouraria TOTAL ATIVO PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO Quadro 2 – Estrutura de Balanço Patrimonial. Fonte: O autor. 2.2 Classificação entre Circulante e Não Circulante As entidades operam em um ciclo operacional identi� cável, resultando que a distinção entre ativos e passivos circulantes e não circulantes no balanço é útil para identi� car ativos líquidos em circulação e aqueles usados em operações de longo prazo (CPC 00, R2, 2019). Agora, para praticar, vamos identifi car o balanço patrimonial acessando o link https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e- servicos/negociacao/renda-variavel/empresas-listadas.htm. Com isso, a partir dos relatórios do balanço patrimonial, identifi que a estrutura dos ativos, passivos e patrimônio líquido da empresa. 25WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Com isso, o balanço patrimonial deve apresentar ativos circulantes e não circulantes, bem como passivos circulantes e não circulantes, pois essa separação é uma prática comum na contabilidade para categorizar os itens do balanço patrimonial de acordo com sua liquidez e horizonte temporal (CPC 00, R2, 2019). Essa classi� cação ajuda a entender a disponibilidade dos recursos e as obrigações de uma entidade em diferentes períodos. I. Ativos Circulantes (Curto Prazo): incluem os ativos que são esperados para serem convertidos em dinheiro ou utilizados dentro de um ciclo operacional normal da empresa, geralmente dentro de um ano (CPC 00, R2, 2019). II. Passivos Circulantes (Curto Prazo): são as obrigações da entidade que devem ser cumpridas em um ciclo operacional normal ou em um período de um ano (CPC 00, R2, 2019). III. Ativos Não Circulantes (Longo Prazo): incluem ativos que não serão convertidos em dinheiro ou utilizados em operações no ciclo operacional normal da empresa, geralmente com horizonte superior a um ano (CPC 00, R2, 2019). IV. Passivos Não Circulantes (Longo Prazo): representam as obrigações da entidade que não precisam ser liquidadas no curto prazo, geralmente com prazo de vencimento superior a um ano (CPC 00, R2, 2019). A separação em curto e longo prazo é útil para entender como a entidade � nancia suas operações de curto prazo e também como lida com obrigações e investimentos de longo prazo (CPC 00, R2, 2019). Essa divisão fornece insights sobre a estrutura de � nanciamento, a liquidez e a gestão de riscos da entidade em diferentes horizontes temporais (SALOTTI et al., 2019). Em suma, na apresentação das demonstrações contábeis, a separação entre circulante e não circulante está diretamente relacionada ao grau de liquidez e exigibilidade de ativos e passivos, em ordem decrescente (FAVERO et al., 2011). Para saber mais sobre o ciclo operacional, ciclo fi nanceiro e ciclo econômico, acesse o seguinte link: https://youtu.be/ZDce8B7S7ac. Para saber mais sobre ativo circulante e ativo não circulante, acesse o seguinte link: https://youtu.be/YheXvC-b9uA. 26WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.3 Ativos Os ativos, de acordo com a de� nição do Pronunciamento Técnico CPC 00 (R2) - Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro -, são um recurso que a entidade controla devido a eventos ocorridos no passado e que é esperado gerar benefícios econômicos no futuro. Esse recurso pode ser um direito sobre algo que possui potencial para produzir � uxos de caixa ou benefícios � nanceiros para a entidade, e a entidade tem a capacidade de tomar decisões sobre como usar esse recurso (IUDÍCIBUS, 2021). No que tange ao recurso econômico, não precisa ter uma probabilidade alta de gerar benefícios, basta ter a capacidade de fazê-lo em, pelo menos, uma situação (CPC 00, R2, 2019). Reconhecemos que os recursos econômicos podem trazer benefícios de diversas maneiras, desde receber � uxos de caixa até a troca de recursos em termos favoráveis (CPC 00, R2, 2019). O controle é um elemento crucial, pois uma entidade controla um recurso quando tem o poder atual de direcionar seu uso e colher os benefícios dele (CPC 00, R2, 2019). O controle é estabelecido por direitos legais, mas também pode derivar de outras formas de garantir a capacidade de direcionar o uso do recurso econômico (CPC 00, R2, 2019). Para identi� car um ativo, é necessário entender a natureza dos direitos e recursos econômicos advindos do controle e capacidade de geração de benefícios futuros (CPC 00, R2, 2019). Esses direitos podem vir em várias formas, desde direitos de receber dinheiro até a capacidade de trocar recursos econômicos favoravelmente (CPC 00, R2, 2019). Eles podem surgir de contratos, legislação ou outras fontes (CPC 00, R2, 2019). É vital entender que nem todos os direitos se tornam ativos, pois eles precisam ter o potencial de gerar benefícios econômicos exclusivos para a entidade e serem controlados por ela (CPC 00, R2, 2019). 2.3.1 Ativos circulantes Os ativos circulantes representam o grupo de contas que se espera a sua conversão em dinheiro ou seu consumo dentro do ciclo operacional normal da empresa (1 ano) (CPC 00, R2, 2019), sendo subdividido em: I. Disponibilidades: serão classi� cados neste subgrupo os valores numerários disponíveis em caixa e em estabelecimentos bancários com direito à imediata utilização (FÁVERO et al., 2011). II. Créditos: subgrupo destinado à classi� cação de direitos a receber, decorrentes de vendas a prazo e outras operações a prazo efetuadas pela empresa cujo prazo de realização seja de até 12 (doze) meses. Normalmente são classi� cados neste subgrupo duplicatas a receber, adiantamentos, impostos a recuperar e outros direitos a receber oriundos do registro dos fatos contábeis decorrentes das transações realizadas pela empresa (FÁVERO et al., 2011). III. Investimentos Temporários: serão classi� cados neste subgrupo valores aplicados de caráter temporário, cujo prazo de resgate seja inferior a 12 (doze) meses, tais como: Depósito a Prazo Fixo, Investimentos em Fundo de Ações, Letras de Câmbio etc. IV. Estoques: serão classi� cadas neste subgrupo as mercadorias para revenda e demais itens que são ativados para posterior utilização, como, por exemplo, material de consumo, material de expediente etc. (FÁVERO et al., 2011). 27WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA V. Despesas do Exercício Seguinte: serão classi� cadas neste subgrupo as despesas cujo fato gerador ainda não ocorreu, mas que, por terem sido pagas ou contratadas, foram registradas na época do pagamento ou contratação para posterior apropriação, tais como: aluguéis, juros e os seguros pagos antecipadamente (FÁVERO et al., 2011). 2.3.2 Ativos não circulantes Compõem os investimentos de caráter permanente, os bens do imobilizado e do intangível. Este grupo de contas poderá ser subdividido em: Ativo Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível (CPC 00, R2, 2019), sendo subdividido em: I. Ativo Realizável a Longo Prazo: serão classi� cados neste subgrupo os valores a receber, os investimentos temporários e as despesas antecipadas cujo prazo de realização ou apropriação ocorrerá em prazo superior a 12 (doze) meses. II. Créditos: subgrupo destinado à classi� cação dos direitos a receber, decorrentes de transações efetuadas cujo vencimento dar-se-á em prazo superior a 12 (doze) meses (FÁVERO et al., 2011). III. Investimentos Temporários: serão classi� cados neste subgrupo valores aplicados de caráter temporário, cujo prazo de resgate seja após 12 (doze) meses, tais como: Depósito a Prazo Fixo, Investimentos em Fundo de Ações, Letras de Câmbio etc. (FÁVERO et al., 2011). IV. Despesas de Exercícios Seguintes: serão classi� cadas neste subgrupo as despesas cujo fato gerador ainda não ocorreu, mas que, por terem sido pagas ou contratadas,foram registradas na época do pagamento ou contratação, cuja apropriação dar-se-á em exercícios futuros (FÁVERO et al., 2011). V. Investimentos: serão registradas neste subgrupo as participações permanentes em outras sociedades e outros investimentos que não se destinem à(s) atividade(s) principal(is) da empresa (FÁVERO et al., 2011). VI. Imobilizado: serão registrados os bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa, ou exercidos com essa � nalidade, inclusive os decorrentes de operações que trans� ram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens (FÁVERO et al., 2011). VII. Intangível: serão registrados os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa � nalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido (FÁVERO et al., 2011). 28WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.4 Passivo Passivo é uma obrigação presente da entidade de transferir um recurso econômico como resultado de eventos passados (CPC 00, R2, 2019). Para ser considerado um passivo, três critérios devem ser atendidos: (1) a entidade tem uma obrigação, que é um dever ou responsabilidade que ela não pode evitar; (2) a obrigação é de transferir um recurso econômico; (3) a obrigação é uma obrigação presente resultante de eventos passados. No contexto da contabilidade, o passivo presente no balanço patrimonial deve ser mensurado e reconhecido quando a transação relacionada deve ser mensurável ou passível de uma estimativa razoável, ou seja, possuir materialidade (CPC 00, R2, 2019). Além disso, a informação deve ser relevante, ou seja, ela deve ter um impacto nas decisões dos usuários das demonstrações � nanceiras (CPC 00, R2, 2019). Igualmente, a capacidade de mensuração e reconhecimento de um passivo deve ser precisa, ou seja, ela deve ser representada de maneira � dedigna, veri� cável e neutra (CPC 00, R2, 2019). É importante salientar que, de acordo com Hendriksen e Van Brenda (2018), a determinação do reconhecimento de uma obrigação depende do evento ou da transação que a origina, seja uma despesa, perda ou recebimento relacionado a um ativo especí� co. No caso de um passivo que não possa ser mensurado com con� ança, a entidade deve divulgá-lo em uma Nota Explicativa (CPC 00, R2, 2019). De acordo com Iudícibus (2021), o principal desa� o com relação aos passivos não se encontra na sua avaliação e mensuração, mas, sim, na decisão sobre quando reconhecê-los e registrá-los, especialmente quando envolvem eventos futuros. Em suma, os passivos representam obrigações que requerem sacrifícios ou pagamentos. Para a maioria dos passivos, o momento de reconhecimento e a obrigação estão ligados a um contrato, no qual a data e o valor são conhecidos ou podem ser determinados (FLORES; BRAUNBECK; CARVALHO, 2018). No entanto, conforme salientado por Iudícibus (2021), existem situações em que os pagamentos futuros estão vinculados a eventos que ainda ocorrerão, como a possibilidade de uma perda – o que é o caso dos passivos contingentes e provisões disciplinados pelo CPC 25. Agora, para praticar, vamos identifi car os ativos nas demonstrações, acessando o link https://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda- variavel/empresas-listadas.htm. Com isso, a partir do balanço patrimonial, identifi que os ativos circulantes e não circulantes, observando as características de controle, resultado de eventos passados e capacidade de gerar benefícios futuros. 29WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.4.1 Passivo circulante São as obrigações da entidade que devem ser cumpridas em um ciclo operacional normal ou em um período de um ano (CPC 00, R2, 2019), sendo subdividido em (FÁVERO et al., 2011): I. Obrigações Operacionais: neste subgrupo classi� cam-se as obrigações relacionadas diretamente com as operações da empresa, tais como aquelas decorrentes de compras a prazo, obrigações e encargos trabalhistas etc. II. Obrigações Financeiras: neste subgrupo também estarão as obrigações relacionadas com as operações da empresa, todavia, envolve somente aquelas relacionadas a empréstimos e � nanciamentos, objetivando evidenciar um fator de análise mais acurado para os gestores da organização. III. Obrigações com Sócios ou Acionistas: neste subgrupo serão registradas as obrigações relacionadas diretamente com a distribuição de resultados, tais como: dividendos a pagar, participação nos lucros a pagar etc. IV. Outras Obrigações: serão registradas aqui as obrigações que não estejam diretamente relacionadas às operações da empresa, tais como: participações a pagar, fretes a pagar, nota promissória a pagar etc. V. Obrigações Provisionadas: neste subgrupo serão registradas as provisões que serão efetuadas em obediência ao Princípio da Competência, tais como: provisão para 13° salário, provisão para férias, provisão para imposto de renda etc. 2.4.2 Passivo não circulante São as obrigações da entidade que devem ser cumpridas em um ciclo operacional normal ou em um período de um ano (CPC 00, R2, 2019), sendo subdividido em (FÁVERO et al., 2011): Vamos realizar uma leitura adicional do Código de Pronunciamentos Contábeis CPC 25 sobre provisões, passivos contingentes e ativos contingentes? Acesse o seguinte link: https://www.cpc.org.br/Arquivos/ Documentos/304_CPC_25_rev%2019.pdf. Para aprender mais, vamos assistir a um vídeo sobre Provisões, Passivos e ativos contingentes, acessando o seguinte link: https:// youtu.be/meKwKNWyglo. 30WWW.UNINGA.BR EL AB OR AÇ ÃO D AS D EM ON ST RA ÇÕ ES C ON TÁ BE IS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA I. Obrigações Operacionais: neste subgrupo classi� cam-se as obrigações relacionadas diretamente com as operações da empresa, cujo prazo de pagamento será após o prazo de 12 (doze) meses, tais como aquelas decorrentes de compras a prazo, obrigações e encargos trabalhistas etc. II. Obrigações Financeiras: neste subgrupo também se classi� cam as obrigações relacionadas com as operações da empresa com prazo de pagamento superior a 12 (doze) meses, todavia, envolve somente aquelas relacionadas a empréstimos e � nanciamentos, objetivando evidenciar um fator de análise mais acurado para os gestores da organização. III. Outras Obrigações: serão registradas neste subgrupo as obrigações que não estejam diretamente relacionadas às operações da empresa e deverão ser pagas em prazo superior a 12 (doze) meses, tais como: participações a pagar, fretes a pagar, nota promissória a pagar etc. IV. Receitas, Custos e Despesas Diferidas: neste subgrupo serão registradas as receitas de exercícios futuros, diminuídas dos custos e despesas a elas correspondentes. Esse registro é efetuado em obediência ao Princípio da Competência, que determina que as receitas e despesas deverão ser consideradas no período em que ocorrer o fato gerador. 2.5 Patrimônio Líquido O patrimônio líquido é a porção restante de ativos de uma entidade após a subtração de todos os seus passivos (CPC 00, R2, 2019), sendo representado pela equação patrimonial, também conhecida como equação fundamental da contabilidade, é um conceito central na contabilidade (CPC 00, R2, 2019). Ela expressa a relação básica entre os componentes do patrimônio de uma entidade (CPC 00, R2, 2019). A equação patrimonial é representada da seguinte forma: ativos = passivos + patrimônio líquido A equação patrimonial re� ete o princípio contábil da igualdade entre os recursos utilizados (ativos) e a origem desses recursos (passivos e patrimônio líquido) . Ela é usada para manter o balanço e garantir que os registros contábeis estejam em conformidade com a realidade econômica da entidade (FLORES et al., 2018). Portanto, alterações nos ativos, passivos ou patrimônio líquido afetarão essa equação e, por sua vez, se re� etirão