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responsáveis por suprir até 50% das necessidades energéticas da criança. Possui
ainda ácidos graxos de cadeia longa essenciais ao desenvolvimento cognitivo e
visual da criança por atuar na mielinização dos neurônios. A concentração de
gordura no leite aumenta no decorrer de uma mamada. Assim, o leite do final da
mamada (leite posterior) é mais rico em energia e promove maior saciedade à
criança. O leite materno possui baixa concentração de vitamina K, vitamina D e
ferro e, por isso, as crianças devem fazer reposição desses nutrientes. O leite
humano possui vários fatores imunológicos específicos e não específicos que
acabam gerando proteção ativa e passiva contra infecções nas crianças que são
amamentadas. A IgA secretória é a principal imunoglobulina e atua sobre micro-
organismos que colonizam ou invadem as superfícies mucosas. Outros fatores de
proteção que podemos encontrar no leite materno são leucócitos; lisozima e
lactoferrina, que atuam sobre bactérias, vírus e fungos, oligossacarídeos, que
previnem ligação bacteriana na superfície mucosa e protegem contra
enterotoxinas no intestino, fator bífido, que favorece o crescimento de uma
bactéria saprófita que acidifica as fezes dificultando a instalação de bactérias
causadoras de diarreia.
Técnica da amamentação: para que a amamentação seja realizada de forma
adequada, precisamos estar atentos à pega e ao posicionamento da dupla mãe-
bebê. Em relação à pega, aréola deve ser um pouco mais visível acima da boca do
bebê, a boca do bebê deve estar bem aberta, o lábio inferior deve estar evertido
(virado para fora) e o queixo da criança deve tocar o seio materno.
Já em relação ao posicionamento, o rosto do bebê deve estar de frente para a
mama com o nariz em oposição ao mamilo, o corpo do bebê deve estar próximo
ao da mãe, a cabeça e o tronco do bebê devem estar alinhados de modo que o
pescoço não esteja torcido e o bebê deve estar bem apoiado e a posição deve ser
confortável também para a mãe.
 
Algumas afecções mamárias podem dificultar a amamentação adequada, são
elas:
a. Mastite: processo inflamatório da mama, podendo ser acompanhada de
infecção. Quando ocorre durante a lactação, denomina-se de mastite
lactacional ou puerperal. Qualquer condição que leve à estase do leite favorece
o desenvolvimento da mastite, como bloqueio de ductos, produção excessiva
do leite, pega inadequada, sucção ineficiente, esvaziamento incompleto da
mama, restrição da frequência e duração das mamadas, entre outras causas. A
mastite puerperal geralmente tem início na segunda ou terceira semana pós-
parto; acontece, na maioria das vezes, unilateralmente em área localizada ou
vários pontos da mama. A mama costuma apresentar-se vermelha, quente,
edemaciada e dolorida e a mulher refere febre e sintomas semelhantes à
síndrome gripal. Seu tratamento baseia-se no esvaziamento adequado da
mama por meio da manutenção da amamentação e/ou ordenhas para retirada
manual do excesso de leite produzido. Além disso, a antibioticoterapia
sistêmica (por 10 a 14 dias) está indicada quando o quadro clínico for
significativo.
b. Ingurgitamento mamário: é comum na apojadura, entre o terceiro e
quinto dia após o parto, como resultado do aumento do volume de leite e da
circulação linfática. A mama fica cheia, pesada, com discreto aumento de
temperatura, porém sem sinais de hiperemia ou edema. O ingurgitamento é
geralmente bilateral, podendo envolver toda a mama ou somente a região
areolar. Para alívio dos sintomas, recomendam-se medidas como manter a

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